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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DO ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO INSTITUTO DE ENGENHARIA CIVIL CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

DRIELI AZEVEDO RIBAS JOÃO CARLOS PIRAN FILHO JOÃO VICTOR ZANELLA LOIVAR FLAVIO MARCHIORO SIMONE FARINA VINICIUS FAVA

RESERVATÓRIO DE ÁGUA COM PAREDE PROTENDIDA DE BUYER OBRA: MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO (MASP)

Sinop

2012

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

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2. DESENVOLVIMENTO

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Método de Protensão de Buyer (tipo barril)

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2.1.1 Confecção de barris

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2.1.2 Modernização da técnica

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2.1.3 Vantagens e desvantagens

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2.1.4 Cuidados e recomendações

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Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)

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2.2.1 Histórico

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2.2.2 Método e problemas de concepção e construção

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3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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1. INTRODUÇÃO

A introdução de um estado prévio de tensões a uma estrutura com objetivo de

melhorar sua resistência ou seu comportamento, sob a ação de diversas solicitações pode ser definida como protensão. Na prática, a protensão do concreto é realizada, por meio de cabos de aço de alta resistência, tracionados e ancorados no próprio concreto. Um modelo na qual se pode visualizar a protensão são os barris de bebida utilizados antigamente. Estes eram utilizados na antiga mesopotâmia pelos povos egípcios, sendo considerados anciões na técnica de protensão. A protensão denominada “tipo barril” se dá, em resumo, pela união dos gomos de madeira pelos anéis de aço aquecidos, posicionados de modo a haver um travamento dos gomos,

que após resfriado o aço tende a retornar ao seu estado inicial. Inúmeras são as vantagens que fazem da protensão uma das técnicas construtivas mais empregadas á obras de grande porte. A protensão pode ser vista em várias edificações, como pontes, e construções destinadas a vencer grandes

vãos. Um exemplo clássico deste tipo de obra, é o Museu de Arte de São Paulo (MASP), situado na capital paulista, que possui um dos maiores vãos de estrutura sustentada por concreto protendido do mundo, sendo 74 metros, de pilar a pilar.

O trabalho proposto apresenta os principais conceitos, um breve histórico, e

exemplificações da protensão realizada em concreto.

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2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Método de Protensão de Buyer (tipo barril)

A protensão tem por objetivo criar tensões contrárias a aquelas que poderiam

inviabilizar o uso da estrutura, ou seja, confina-se uma força, de modo que a estrutura reaja no sentido contrário das tensões aplicadas, com a finalidade de melhorar sua resistência ou seu comportamento sob diversas condições de carga, (PFEIL, 1991, apud BARBOSA, 2006) Como por exemplo, pode ser visualizado na protensão de barris de bebida hoje não tão comumente utilizados, porém pode-se dizer que os barris são anciões na técnica de protensão. Relatos históricos apontam que os barris antecedam a idade de Cristo, sugerem ainda que os tambores de madeira já eram utilizados na antiga mesopotâmia sendo utilizados pelos povos egípcios para assepsia diária.

2.1.1 Confecção de barris

A fabricação consiste no corte e secagem da madeira que processo que exige

mais de três anos. Depois deste período longo, a madeira é formada em ripas. Os aros de metal são vestidos nas ripas de madeira. As ripas são umedecidos regularmente. O calor do fogo as faz flexível, durante o aquecimento, um arame é colocado ao redor da base do barril é apertado para reunir as aduelas progressivamente e os une finalmente sem necessidade por cola. O processo é conhecido como protensão ”tipo barril” que consiste em unir os gomos do barril pelo uso de anéis de aço aquecidos e coloca-los de modo a haver um travamento dos gomos, após resfriado o aço tende a retornar ao seu estado inicial de dilatação térmica exercendo pressão sobre as paredes do barril, o liquido em contrapartida “exerce pressão hidrostática na parede e assim provoca esforços anulares de tração, que tenderiam a abrir as juntas entre os gomos” (HANAI, 2005)

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5 Figura1. Fabricação de barris 2.1.2 Modernização da técnica A técnica de protensão “ tipo barril”

Figura1. Fabricação de barris

2.1.2 Modernização da técnica

A técnica de protensão tipo barril” atualmente empregada utiliza os mesmos

princípios da fabricação de barris na construção de reservatórios de água, por

exemplo. O liquido confinado gera pressões hidrostáticas nas paredes fazendo com

que as mesmas assumam caráter de protensão.

Segundo HANAI apresenta em seu estudo um modelo de reservatório de

água de Buyer na Alemanha, “o processo consiste em fazer com que os fios

enrolados em torno da parede assumam diâmetros maiores, aplicando assim as

forças de protensão”. (HANAI, 2005)

aplicando assim as forças de protensão”. (HANAI, 2005) Figura 2. Protensão tipo “barril” aplicado em parede

Figura 2. Protensão tipo “barril” aplicado em parede de reservatório. Fonte: HANAI,

2005

“A protensão em reservatório, em geral, é executada distribuída circunferencialmente sobre a altura da parede e concentrada

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no anel. A protensão na parede pode ser estendida da base ao topo ou da base a um ponto intermediário, e normalmente se

faz sua intensidade variar ao longo da parede. [

da parede tem a função de combzter as tensões de tração que surgem devido ao carregamento de água, e também eliminar os problemas relativos à fissuração, normalmente existentes em paredes sem protensão.” (VENTURINI, 1977)

] A protensão

par edes sem protensão.” (VENTURINI, 1977) ] A protensão Figura 3. Estrutura de contenção circularmente protendido,

Figura 3. Estrutura de contenção circularmente protendido, Kaiga Atomic Power Station, Karnataka .Fonte: Larsen & Toubro Ltd, ECC Division apud PICOLOTTO et al 2012.

& Toubro Ltd, ECC Division apud PICOLOTTO et al 2012. Figura 4. Silo de concreto com

Figura 4. Silo de concreto com paredes protendidas. Fonte: CESUMAR, 2011

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2.1.3 Vantagens e desvantagens

As principais vantagens da protensão do concreto se resumem nos seguintes aspectos:

Redução da incidência de fissuras - A capacidade de utilização da peça estrutural e o controle de modo mais eficiente da fissuração, podendo, em alguns casos até eliminá-la, são possíveis com a protensão, onde o concreto

é comprimido pela ação da armadura protendida que acaba resistindo melhor

aos alongamentos provocados pela flexão, fissurando-se muito pouco. O controle das fissuras está diretamente relacionado com a durabilidade das estruturas, pois aumenta a proteção da armadura contra a corrosão, bem como a estanqueidade do concreto.

Redução da quantidade necessária de concreto e de aço Isso se deve ao emprego de materiais de maior resistência. Para o concreto armado

convencional, a armadura é solicitada pela flexão, o qual traciona a armadura

e obriga o seu alongamento. Ao se alongar o concreto fissura. Em concreto

protendido, utilizam-se aços de alta resistência, capazes de atingir tensões elevadas de trabalho sem depender de alongamentos exagerados do concreto.

Permite vencer vãos maiores que o concreto armado convencional Trata-se de uma das vantagens mais importantes do concreto protendido. Para uma ponte com vigas retas de concreto armado vão livre está limitado a 30m ou 40m, enquanto as pontes com vigas protendidas já atingiram vãos de 250m. Através da protensão é possível ainda reduzir a altura necessária da viga para um mesmo vão.

Favorece o emprego generalizado de pré-moldagem - Considerando que a protensão elimina a fissuração durante o transporte das peças. Em contrapartida podem ser descritas ainda algumas desvantagens para o concreto protendido, sendo as descritas a seguir:

Para o concreto de maior resistência a exigência de controle na hora da execução é bem maior;

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Os aços de alta resistência exigem cuidados especiais de proteção contra corrosão;

A colocação dos cabos de protensão deve ser feita com maior precisão, de modo a garantir as posições admitidas nos cálculos. Como a força de protensão possui em geral um valor muito alto, um pequeno desvio do cabo da posição considerada no projeto pode produzir esforços não previstos, levando a um comportamento inadequado da peça e até mesmo ao colapso;

As operações de protensão exigem equipamentos e funcionários especializados, com o controle permanente dos esforços aplicados e dos alongamentos dos cabos;

De um modo geral as construções protendidas exigem atenção e controle superiores aos necessários para o concreto armado comum.

2.1.4 Cuidados e recomendações

Alguns cuidados e recomendações devem ser tomados ao projetar e ao construir uma estrutura com aplicação da protensão, nas quais são mencionadas a seguir:

Como se sabe protender significa comprimir o concreto, e esta compressão acontece apenas onde o encurtamento é possível, desta forma é preciso cuidar para que este encurtamento ocorra na direção da protensão;

É necessário o projetista ter ciência de que em cada mudança de direção do cabo de protensão surgem forças internas de desvio dos cabos quando a protensão é aplicada;

As altas tensões admissíveis do concreto não devem ser totalmente utilizadas. É necessário escolher a sessão transversal concreto adequada para acomodar os cabos de protensão, de modo a permitir uma boa concretagem, pois se não feito isto, não haverá possibilidade de executar o concreto de consistência seca a ser vibrado indispensável ao concreto protendido;

Evite tensões de tração sob o peso próprio e não confie na resistência a tração do concreto;

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A armadura passiva deve ser disposta na transversal a da protensão e especialmente na região onde as forças de protensão estão aplicadas;

O aço de protensão é mais resistente que o comum, no entanto é mais sensível à corrosão, dobras e aquecimento, portanto, a manipulação deve ser realizada com cuidado. É preciso assentar os cabos com precisão, impermeáveis e indeslocáveis para não serem prejudicados pelo atrito;

A concretagem deve ser cuidadosamente executada e planejada de modo que todo concreto possa ser bem vibrado, e que as deformações do escoramento não provoquem fissuras.

Em peças longas a protensão deve ser aplicada prematuramente, mas apenas parcialmente de modo a serem moderadas as tensões de compressão, capazes de evitar fissuras de retração e temperatura. Somente aplicar a força total de protensão quando o concreto apresentar a resistência necessária;

Somente aplicar a força de protensão sobre exata observância das normas de procedimento.

2.2 Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)

2.2.1 Histórico

Por iniciativa de Assis Chateaubriand, o MASP foi inaugurado em 1947, em uma localização em uma localização na Rua 7 de Setembro, instalada em dois andares do edifício dos Diários Associados, cujo projeto foi também feito e adaptado por Lina Bo, arquiteta que projetou a atual sede do Museu de Artes. O terreno doado por Eugênio Lima para a construção da nova sede do MASP, tinha apenas uma restrição: não poderia ser construído nada que atrapalhasse o desfrute da paisagem, onde na época situava-se o Parque Trianon. Com o desafio lançado, a arquiteta então projetou os primeiros esboços do que seria a sede do Museu em 1958, partindo de formas piramidais e mantendo a ideia principal, o projeto evolui para uma gigantesca caixa estrutural com 74 metros

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de vão livro sustentada por um pórtico composto por quatro grandes vigas, tinha-se neste momento uma concepção próxima ao projeto definitivo. Construído de 1956 a 1968, a nova sede do MASP foi inaugurada em 07 de novembro de 1968 com a presença da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

2.2.2 Método e problemas de concepção e construção

O Museu de Arte de São Paulo passou por dificuldades logo em sua concepção, quando em 1961 a prefeitura de São Paulo decide dar inicio às obras e logo depois decide interrompe-las em 1962. Segundo a arquiteta Lina Bo Bardi, durante algum tempo o canteiro de obra foi usado para consertos de caminhões e de carros, havendo a necessidade de manuseio de fogo, o que colocava em risco a estrutura de concreto já esteticamente precário devido à má execução. O engenheiro Figueiredo Ferraz participou da todo o projeto e concepção estrutural da construção da obra, e nesta obra, Ferraz teve a oportunidade de aplicar uma técnica inovadora e patenteada que ele desenvolveu nos anos 50, quando deu inicio a suas primeiras pesquisas na área do concreto Protendido. A “calda de injeção”, denominação da técnica criada por Ferraz e que até hoje é abordada em livros de engenharia, consiste basicamente na obtenção de aderência entre o concreto e o aço para posteriormente efetuar a protensão dos fios de aços especiais destinados a suportar internamente as cargas de uma viga. Na época, segundo José Lourenço Braga de Almeida Castanho, vice presidente e superintendente da Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto, com a falta de materiais usados atualmente para fins de articulação, como o teflon, não havia uma maneira eficiente disponível de sustentar a viga para realização da protensão dos fios de aço. Para tal problema, a saída encontrada foi a utilização de bolsas de borracha que eram preenchidas com óleo quente. Essas bolsas funcionavam como um suporte que oferecia resistência e flexibilidade ao mesmo tempo, o que permitia a mobilidade necessária para a protensão das vigas. Como o projeto era totalmente inovador para a época, Ferraz sugeriu que as sapatas fossem voltadas para dentro, assim, a estabilidade da construção seria reforçada.

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Os problemas de percurso não impediram o MASP de ser construído, porém, após alguns anos, mais especificamente em 1968, empecilhos surgiram devido à exposição concreto das vigas às intempéries: o surgimento de goteiras. Para Lina, era resultado da má execução na impermeabilização das lajes, devido a pressa em terminá-la. Quando uma obra foi atingida, o diretor do Museu, Bardi, furioso declarou que os verdadeiros responsáveis pelo “desastre” a empresa que havia feito a impermeabilização dos elementos, no entanto, a empresa declarou que a impermeabilização estava em perfeito estado, e ainda, enviou um relatório para a prefeitura solicitanto a impermeabilização também das vigas, pois estava ocorrendo infiltrações nas mesmas. Entretanto, Lina interveio a tempo de impedir a impermeabilização das vigas, alegando que com esse procedimento a “aparência natural do concreto” seria prejudicada,o que causaria um “grave problema estética à fachada”. Na segunda metade dos anos 80, o Masp se viu em uma situação-limite, pois havia rachaduras e machas no concreto, ferrugem nos caixilhos e ainda infiltrações nas lajes. Em 1985, dois engenheiros contratados, avaliaram a situação do Museu e constataram que havia uma camada de aproximadamente 20 cm de impermeabilizante, algo muito acima do normal e que gerava uma sobrecarga de 100kg/m². Houve a posterior retirada desses impermeabilizantes e a realização de outra então seguindo as normas de projeto. No entanto, as infilitrações persistiam, e as lajes não eram mais o motivo. Através de testes feitos, notou-se que as vigas quando submetidas à água sob pressão, no caso, as chuvas, absorviam água e ocasionavam os problemas de infiltração do prédio. Assim, a solução adotada para as infiltrações foi, a já esperada, impermeabilização das vigas de concreto, com a proposta de respeitar os requisitos estéticos. Dessa maneira, as vigas foram pintadas de vermelho, uma cor que segundo Lina, já havia sido cogitada em projeto para a construção e marcava um novo marco na história do Museu de Artes de São Paulo, o MASP.

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3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O concreto protendido caracteriza-se por uma inovação tecnológica no ramo da engenharia civil. Com ele gera-se a possibilidade de vencer vãos que o concreto armado convencional não admite. Entre os diversos métodos de protensão, o método de protensão de Buyer, criado na Alemanha, é um método capaz de proporcionar às estruturas circulares que necessitam de grandes dimensões, um menor índice de fissuração e proporcionar um estado de tensão no qual as dimensões podem ser ampliadas, além de necessitar de um menor consumo de aço e concreto. No Brasil, temos como referência de obra protendida, o Museu de Arte de São Paulo, no qual foi aplicado um método inovador de protensão criado pelo engenheiro Figueiredo Ferraz, que deu ao projeto a característica necessária primordial exigida:

o vencimento de um vão de setenta e quatro metros. Tal como a protensão de Buyer, o método de Ferraz é de grande importância para a área da construção, pois através desses métodos os horizontes da construção civil se ampliam e as possibilidades de criar e inovar se renovam a cada dia.

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REFERÊNCIAS

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6023 Informação e documentação -Referências - Elaboração. Rio de Janeiro: 2002. Assunção, Silvana. Construção do Masp foi um ato de ousadia e

determinação.

31 de out. 2012. Carrilho, Marcos. O museu de arte de São Paulo. Disponivel em:

<http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/129/artigo23246-1.asp>. Acesso em: 31 de out. 2012. Miyoshi, Alex. O edifício do MASP como sujeito de estud. Disponivel em:

<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.084/245>. Acesso em: 31 de out. 2012. HISTÓRIA. In: História do mundo. São Paulo: R7, 2012. Disponível em:

<http://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/historia-do-banho.htm>. Acesso em: 31 out. 2012. HISTÓRIA. IN: BARRIL. Porto Feliz: Fabricação, 2012. Disponível em:

<http://www.barril.com.br/fabricacao.php>. Acesso em 28 out 2012. VERÍSSIMO, Gustavo de Souza. CÉZAR JR, Kléos M. Lenz. Concreto Protendido. Apostila de apoio para o Curso de Engenharia Civil - Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Engenharia Civil. 4ª Edição. Viçosa, 1998. Disponível em:<http://www.dcc.ufpr.br/wiki/images/5/52/TC-038_CProtendido.pdf>. Acesso em 30 out. 2012. VENTURINI, Wilson Sérgio. Contribuição ao dimensionamento de reservatórios cilíndricos protendidos. Dissertação de mestrado Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 1977. Disponível

pdf>. Acesso em: 31 Out. 2012

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