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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ Engenharia Mecânica PLANO DE MANUTENÇÃO DE UM COMPRESSOR DE AMÔNIA SABROE

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ Engenharia Mecânica

PLANO DE MANUTENÇÃO DE UM COMPRESSOR DE AMÔNIA SABROE SMC 108 MK3

Maringá

Fevereiro/2016

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

3

1.1 DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO

3

1.2 TIPOS DE MANUTENÇÃO

3

1.2.1 Manutenção Corretiva

3

1.2.2 Manutenção Preventiva

4

1.2.3 Manutenção Preditiva

4

1.3

O COMPRESSOR

5

2. DESENVOLVIMENTO

6

2.1 PLANO DE MANUTENÇÃO

6

2.2 LUBRIFICAÇÃO

8

3. CONCLUSÃO

10

REFERÊNCIAS

11

1.

INTRODUÇÃO

1.1 DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO

A manutenção pode ser vista como uma atividade de caráter estratégico das organizações, sendo diretamente responsável pela disponibilidade dos ativos, tendo capital importância nos resultados da empresa. Estes resultados serão tanto melhores quanto mais eficaz for a gestão. (FARIA, 2013) Ainda segundo Faria (2013), a manutenção está associada diretamente ao processo da

falha dos equipamentos. Como tal, a função da manutenção passa por conhecer e dominar estes processos de falhas e saber, atempadamente, quando e como intervir para satisfazer as necessidades dos operadores.

Já segundo a Norma Portuguesa Guia para a implementação de gestão da manuntenção

(2009), a manutenção é a combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão, durante o ciclo de vida de um bem, destinadas a mantê-lo ou repô-lo num estado em que ele possa desempenhar a função requerida. Assim, a manutenção é de suma importância para que se atinja o máximo rendimento dos investimentos feitos na instalação dos equipamentos, prolongando assim sua vida útil; a redução de desperdícios; prevenção de acidentes por falha do equipamento; redução de ruídos, odores e emissão de poluentes; redução de paradas na produção por falhas inesperadas; entre outros.

1.2 TIPOS DE MANUTENÇÃO

1.2.1 Manutenção Corretiva

Neste tipo de manutenção, o equipamento funciona até quebrar (ou falhar) para apenas depois se corrigir o problema.

A manutenção corretiva não necessariamente é uma manutenção de emergência, pois

ela pode ser realizada no momento em que o equipamento começa dar indícios de que está operando deficientemente. De um modo geral, ela restaura ou corrige a máquina.

O principal problema é que se deve estar sempre atento, pois uma quebra inesperada

pode provocar enormes perdas para uma organização.

1.2.2

Manutenção Preventiva

A manutenção preventiva tem como objetivo reduzir ao máximo a quebra do

equipamento ou a queda no seu desempenho. É uma intervenção prevista, preparada e programada antes da data provável do aparecimento de uma falha, ou seja, é o conjunto de serviços de inspeções sistemáticas, ajustes, conservação e eliminação de defeitos, visando a evitar falhas. É realizada em conformidade com um cronograma ou com índices de funcionamento da máquina. Normalmente, o período de revisão é baseado em históricos ou recomendações do fabricante. Enquadram-se nessa categoria as revisões sistemáticas do equipamento, as lubrificações periódicas, os planos de inspeção de equipamentos e os planos de calibração e de aferição de

instrumentos. Devido à desmontagem do equipamento para revisão, alguns componentes são substituídos antes do fim da sua vida útil, e componentes substituídos apresentam falhas prematuras ou falhas de montagem. Outra desvantagem deste sistema é o alto custo envolvido na revisão.

1.2.3 Manutenção Preditiva

A manutenção preditiva é aquela que visa realizar ajustes no maquinário ou no

equipamento apenas quando eles precisarem, porém, sem deixá-los quebrar ou falhar. Com um acompanhamento direto e constante é possível prever falhas, saber quando será necessário fazer uma intervenção e, claro, entrar em ação.

A manutenção preditiva pode ser comparada a uma inspeção sistemática para o

acompanhamento das condições dos equipamentos. Quando é necessária a intervenção da manutenção no equipamento, a empresa estará realizando uma manutenção corretiva planejada.

Para ser executada, a manutenção preditiva exige a utilização de aparelhos adequados, capazes de registrar vários fenômenos vibrações das máquinas; pressão; temperatura; desempenho; e aceleração.

1.3 O COMPRESSOR

Os compressores SMC100 possuem o diâmetro do pistão de 100mm, indicado pelo número de referência. O número de cilindros do bloco compressor é indicado pelos dois números seguintes, sendo o SMC 108 um compressor de 8 cilindros. Os pistões deslocam-se dentro das camisas de cilindro que estão integradas no bloco, com dois cilindros debaixo de cada tampa superior. As válvulas de sucção que são do tipo de placa anular, são montadas na parte superior das camisas de cilindro. As válvulas de compressão constituem o topo das camisas de cilindro e são mantidas no lugar por fortes molas de segurança. As molas de segurança permitem o deslocamento do conjunto da válvula de descarga, apresentando assim uma abertura maior no caso de se verificarem entradas de refrigerante líquido nos cilindros. Isto evita sobrecargas nos rolamentos das bielas. A cambota está apoiada em rolamentos deslizantes, capazes de resistir a esforços tanto no sentido radial como longitudinal. O óleo de lubrificação para os rolamentos e para o sistema de regulação de capacidade é pressurizado pela bomba de óleo, que é acionada por uma roda dentada que está incorporada no compressor. No lado do eixo, a cambota é provida de um bucim retentor equilibrado constituído por um anel de ferro fundido com uma anilha vedante que roda em conjunto com a cambota, e uma anilha de grafite estacionária pressionada por mola. Todos os compressores podem ser regulados em capacidade através de válvulas de solenóide instaladas no compressor. Na Figura 1.1 é possível visualisar o desenho representativo da parte externa de um compressor sabroe SMC 108.

Figura 1.1 Desenho da pate externa de um compressor de amônia Sabroe SMC 208

da pate externa de um compressor de amônia Sabroe SMC 208 Fonte: Manual dos Compressores SMC

Fonte: Manual dos Compressores SMC 104-106-108 Mk3 e TSMC 108 Mk3 (2006)

Os compressores de refrigeração são lubrificados por óleo mineral, semi sintético, sintético baseado em alkyl benzene, sintético baseado em polyalphaolefine, sintético baseado em glicol e de éster. Dependendo do rerigerante, tipo de instalação e condições de operação. No que se refere aos níveis de vibração permitidos para compressores de êmbolo de acordo com a norma ISO 10816, Parte 6, Anexo A, grupo 4, AB, tem-se um valor de 17,8mm/s. As rotações máxima e mínima para este compressor são 1500 e 700rpm respectivamente.

2.

DESENVOLVIMENTO

2.1 PLANO DE MANUTENÇÃO

A manutenção periódica deste equipamento é feita dependendo do número de horas trabalhadas pelo equipamento apartir do momento de instalação, desde que arrancou pela primeira vez ou após uma renovação total do compressor. Além disso, o intervalo de manutenção varia de acordo com a rotação de trabalho do equipamento. Para rotações inferiores a 1200rpm, permite-se intervalos mais longos entre uma manutenção e outra. Para um melhor funcionamento do equipamento e maior durabilidide, é essencial que se faça o controle diário da pressão de trabalho, das temperaturas de funcionamento, do nível de pressão do óleo, e que se preste atenção nos ruídos e vibrações anormais.

O plano de manutenção de um compressor pode ser dividido em duas partes, as preventivas mais periodicas, referentes a controle de pressão e temperatura, filtros, desumidificador, refrigerante, automatização, motor elétrico, condensador e evaporador. Conforme pode-se avaliar no plano de manutenção da Tabela 2.1.

 

Controle de:

Ação

Resp.

 

Pressão no

Se a pressão no condensador for demasiado elevada isso pode dever-se a: Diminuição da eficiência do condensador. Ar no condensador. Uma pressão anormalmente baixa no condensador pode causar uma limitação da transferência de refrigerante para o evaporador.

Wilson

Pressão e

condensador

temperatura

Temperatura da

Temperatura normal da tubagem de descarga de acordo com as instruções.

 

tubulação de

Wilson

descarga

 

Da linha de líquido

Depósitos de sujidade diminuem a quantidade de refrigerante fornecida ao evaporador; Se um filtro estiver mais quente na entrada de líquido do que na saída, isto pode indicar entupimento do filtro.

Wilson

Da válvula

 

Filtros

termostática

Wilson

Da tubagem de aspiração

Wilson

Da linha de retorno do óleo

Wilson

 

Pressostato de

   

segurança

Ajustam-se os pontos de regulação e verificam-se as funções. Mudam-se eventualmente contactos colados.

Sandro

Automatização

Funcionamento

Sandro

Alarmes

Sandro

 

Lubrificação dos

Limpam-se e lubrificam-se de acordo com as instruções dos fabricantes. Quando funcionem a temperaturas inferiores a -25ºC devem usar-se lubrificantes especiais

 

motores elétricos

Bruno

Motor elétrico

Alinhamento da

   

transmissão

Verificam-se e ajustam-se de acordo com este livro de instruções

Wilson

Correia de transmissão em V

Wilson

 

Acumulação de

É necessário para um bom funcionamento do evaporador, que este esteja livre de gelo. Deve descongelar-se sempre que necessário.

 

gelo

Wilson

Evaporador

Drenagem de

Controla-se periodicamente a acumulação de óleo no evaporador, arrefecedor intermédio e receptor. Deve proceder cuidadosamente e usar máscara de gás.

 

óleo

Wilson

Tabela 2.1 Plano de manutenção preventiva periódica

E a manutenção preventiva mais completa, referente à abertura do equipamento é feita a cada 5000 horas. Ela consiste em:

- Analisar o carter para verificar a presença ou não de limalha de ferro no óleo;

- Verificar se há desgaste na presilha do balancim;

- Verificar o desgaste da correia e da polia (quando é molhado deve-se verificar com mais frequência os canais da polia e a correia);

- Caso não haja retorno do óleo é necessário primeiramente verificar o filtro de óleo de retorno e a bobina da válvula solenóide de retorno, caso não haja problema deve-se trocar a malha do separador de óleo; - Caso o sistema esteja indicando que o compressor esteja trabalhando em 100% de sua capacidade mas o rendimento esteja baixo, a válvula de acionamento dos balancins deve ser trocada.

- Deve-se verificar o estado das camisas dos pistões (se há ranhuras, tricas, sinais de oxidação ou qualquer outro tipo de deformação que possa prejudicar o percurso do pistão);

- Verificar se os anéis de vedação não estão quebrados e se estão desalinhados como devem estar para evitar o vazamento de óleo;

- E verificar se há desgaste das brozina.

A troca de óleo do compressor deve ser feita a cada mil horas de trabalho para uma

temperatura de operação acima de 130ºC, sempre que houver a troca de óleo é importante fazer uma limpeza no filtro e se possível a troca do mesmo.

Já a troca dos rolamentos deve ser feita a cada 20 mil horas de trabalho.

Quanto aos EPI’s obrigatórios para a realização da manutenção preventiva no compressor de amônia, tem-se o óculos de segurança, o protetor auricular, luvas, bota de biqueira de aço e máscara de proteção. Em anexo tem-se o catálogo de reposição de peças do compressor SABROE.

2.2 LUBRIFICAÇÃO

A lubrificação do motor deve ser feita a cada mil horas de trabalho do equipamento. O

óleo para máquinas de refrigeração deve primeiramente proporcionar uma adequada lubrificação do compressor, mesmo às temperaturas relativamente elevadas. Não deve carbonizar a estas temperaturas, nem precipitar parafina ou cera, quando sujeito a baixas temperaturas. O óleo não deve também ser corrosivo por si só, ou quando misturado com elementos refrigerantes.

Deve utilizar-se unicamente óleo de refrigeração novo e limpo, de fabricante recomendado, para enchimento do compressor. O óleo recuperado do sistema do evaporador nas instalações de refrigeração a amoníaco, nunca deve ser utilizado de novo no compressor; evitar sempre que possível misturar diferentes tipos de óleo. A mistura de dois óleos é normalmente de qualidade inferior à qualidade de cada um dos óleos isoladamente. Para a realização da troca de óleo deve-se fazer:

- Interromper a corrente eléctrica da resistência de aquecimento.

- Fechar as válvulas de bloqueio do compressor e a válvula de retorno de óleo do separador de

óleo.

- Diminuir a pressão no cárter até um valor ligeiramente acima do valor da pressão atmosférica.

Feito isso, o óleo escapará através da válvula de drenagem com o compressor parado e a pressão no compressor será equilibrada com a pressão atmosférica através da válvula de evacuação.

- Desmontar as tampas laterais.

- Trocar o cartucho do filtro do óleo.

- Limpar bem o interior do cárter com panos de algodão secos e limpos.

- Montar de novo as tampas laterais.

- Encher o cárter com óleo para máquinas de refrigeração, segundo as recomendações da

SABROE, até ao nível correto. Sendo para o compressor SMC 108, a capacidade de 28 litros. Para fazer a escolha do óleo lubrificante para compressores que trabalham com amônia, deve-se considerar dois problemas bastante comuns devido ao uso deste fluido refrigerante, a alteração da viscosidade do óleo e a dissolução do óleo. Estes problemas têm sido constatados com vários tipos de óleo mineral. Muitas vezes, os problemas surgem depois de poucas horas de funcionamento, o que tem graves

consequências, tanto para o compressor como para toda a instalação. Entretanto, os óleos minerais podem continuar a serem utilizados, desde que a capacidade de lubrificação seja cuidadosamente supervisionada. Para compressores de amônia, a SABROE aconselha que se utilize o óleo SABROE PAO 3, AP 1 ou o M1. Podendo-se avaliar as propriedades destes óleos na Tabela 2.2.

Tabela 2.2. Propriedades dos óleos lubrificantes indicados pela SABROE

Propriedades dos óleos lubrificantes indicados pela SABROE Fonte: Manual dos Compressores SMC 104-106-108 Mk3 e TSMC

Fonte: Manual dos Compressores SMC 104-106-108 Mk3 e TSMC 108 Mk3 (2006)

Sendo o M1 um óleo mineral, a SABROE recomenta limitar o uso deste óleo nos compressores com carga moderada, e supervisionar a qualidade do óleo por meio de análises de óleo a intervalos regulares. O PAO 3 e o AP 1 são extremamente apropriados em novas instalações, sendo o AP 1 o mais recomendado quando se deseja parar de utilizar o óleo mineral.

3.

CONCLUSÃO

Dessa forma, tem-se que as principais atividades na manutenção de um compressor de amônia consistem na manutenção completa realizada a cada cinco mil horas de trabalho, devendo-se estar bastante atento aos sinais de deficiência no equipamento, como ruídos diferentes, baixo rendimento do compressor mesmo com indicação de 100% de sua capacidade, presença de líquido no compressor, pressão de condensação alta, pressão de sucção baixa, pressão de óleo baixa, elevada temperatura de óleo, enfim, todo e qualquer indicativo de problema no equipamento. Além da manutenção completa, deve-se fazer a troca dos rolamentos a cada 20 mil horas, a troca de óleo do motor a cada mil horas de trabalho assim como a verificação e troca do filtro de óleo. Assim como a lubrificação, que também deve ser realizada a cada mil horas de trabalho.

Quanto ao óleo lubrificante, conclui-se que a melhor alternativa é o AP 1, pois o óleo mineral requer mais atenção e o AP 1 é a melhor alternativa de substituição para compressores com fluido refrigerante Amônia. Realizando todos os procedimentos necessários para um melhor funcionamento do compressor, certamente a vida útil do equipamento será bem mais elevada.

REFERÊNCIAS

FARIA, N.A.C.C.; Elaboração e implementação de um plano geral de manutenção preditiva,

preventiva e curativa na Lipor Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto. Dissertação de mestrado em Engenharia Industrial e Gestão da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Jan, 2013. Manual dos compressores SMC 104-106-108 Mk3 e TSMC 108 Mk3, S - L E. SABROE,

2006.

Norma Portuguesa - Guia para a implementação de gestão da manutenção. Instituto Português

de Qualidade, 2009.