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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IFBaiano)

Pedagogo

Questões sobre tópicos atuais e relevantes de diversas áreas: política, economia, sociedade,
educação, tecnologia, energia, relações internacionais, desenvolvimento sustentável, segurança, artes e
literatura, e suas vinculações históricas, a nível regional, nacional e internacional. .................................. 1

Questões ......................................................................................................................................... 188

Candidatos ao Concurso Público,


O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho
na prova.
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contato, informe:
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professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
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Questões sobre tópicos atuais e relevantes de diversas
áreas: política, economia, sociedade, educação, tecnologia,
energia, relações internacionais, desenvolvimento
sustentável, segurança, artes e literatura, e suas
vinculações históricas, a nível regional, nacional e
internacional.

O presente material tem por objetivo apresentar os principais fatos ocorridos e amplamente divulgados
a partir do início de 2015. Tratam-se de assuntos relacionados as mais diversas áreas, em conformidade
com o edital. É importante lembrar que alguns dos temas aqui abordados ocorreram em 2015, porém
tiveram início muito antes disso, e podem também não ter sido concluídos, como é o caso da Operação
Lava-Jato, que teve início no ano de 2014, continuou durante o ano de 2015 e muito provavelmente
alcançará o ano de 2016.
É importante destacar que por conta do grande volume de informações diariamente produzidas pelos
mais diversos meios de comunicação (televisão, jornal, rádio, redes sociais), alguns temas acabam não
sendo abordados ou são abordados de maneira superficial. Diante da grande quantidade de conteúdos e
temas, é importante atentar e acompanhar os meios de comunicação, como telejornais, programas de
rádio, jornais online, sites, redes sociais, blogs, entre outros, para estar a par dos acontecimentos.

Política

Sistema Político Brasileiro

O sistema político brasileiro tem base nas ideias iluministas do pensador francês Montesquieu. O
pensador defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário em sua obra “O
Espírito das Leis”. Para ele o poder concentrado na mão do rei leva à tirania, então o Estado deveria
dividi-lo em poder executivo (executa as leis, o governo), legislativo (cria as leis, o congresso) e judiciário
(que julga e fiscaliza os poderes).
No Brasil o voto é universal, ou seja, todo cidadão com a idade mínima de 16 anos pode participar do
processo político e eleger seus representantes. O país é uma república federativa presidencialista, onde
o Chefe de Estado, no caso o presidente, é eleito através do voto direto da população e os estados
possuem autonomia política, com a possibilidade de criar leis especificas.
Assim como na obra de Montesquieu o país possui a divisão do poder entre Executivo, representado
pelo presidente da república, Legislativo, que é representado pelo congresso nacional e Judiciário que é
representado pelo Supremo Tribunal Federal.

Poder Executivo

O poder executivo é compreendido pelo presidente da república e seus ministros de Estado no sistema
federativo brasileiro, com atribuições e responsabilidades definidos pela constituição federal. Nos estados
da federação e no distrito federal, o poder executivo é exercido pelos governadores e seus secretários,
com atribuições e responsabilidades controlados pela constituição estadual. Nos municípios, os
representantes do poder executivo são os prefeitos e seus secretários, que também possuem atribuições
e responsabilidades, definidas na lei orgânica de cada município.
O presidente, governadores e prefeitos são eleitos através de sufrágio (voto) universal. O eleitor tem
o direito de escolher aquele que melhor se encaixa em sua visão política. Todos os candidatos devem
ser filiados a um partido político e, quando eleitos, possuem mandato com tempo determinado. No Brasil
as funções de presidente, governador e prefeito possuem duração de 4 anos cada, com a possibilidade
de reeleição. Durante suas campanhas os candidatos discutem seus programas de governo e os rumos
que pretendem dar ao país.
Existem punições ao presidente da república em caso de crime de responsabilidade, como previsto na
constituição federal, além punição para infrações penais comuns. Para ser submetido a julgamento o
presidente precisa ter acusação admitida por pelo menos dois terços da Câmara dos Deputados. Nos

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casos de infrações penais ele é julgado pelo Supremo Tribunal Federal e em caso de crimes de
responsabilidade é julgado pelo Senado Federal.
Entre as principais funções do presidente da república estão a execução de leis e expedição de
decretos e regulamentos; prover cargos e funções públicas; promover a administração e a segurança
públicas; emitir moeda; elaborar o orçamento e os planos de desenvolvimento econômico e social nos
níveis nacional, regional e setoriais; exercer o comando supremo das forças armadas; e manter relações
com estados estrangeiros.
Além das funções executivas, o presidente conta ainda, em alguns casos, com poder legislativo. O
poder pode ser aplicado em veto a leis aprovadas pelo Congresso Nacional e a edição de medidas
provisórias com força de lei de aplicação e execução imediatas.
Os ministros de estado e auxiliares diretos do presidente podem ser nomeados ou demitidos livremente
por ele. Para assumir alguma das funções a pessoa deve ter no mínimo 21 anos de idade, brasileiros
natos, e estar no exercício dos direitos políticos. Os ministros nomeados pelo presidente são responsáveis
por diversas políticas de governo, em diversos campos de atuação, como educação, economia, cultura,
finanças e justiça, entre diversos outros. Os ministros podem ser convocados para justificar seus atos
perante a Câmara dos Deputados, o Senado ou qualquer uma de suas comissões para explicar atos ou
programas.

Poder Legislativo

O Poder Legislativo é representados por pessoas que devem elaborar as leis que regulamentam o
Estado, conhecidos por legisladores. Na maioria das repúblicas e monarquias o poder legislativo é
formado por um congresso, parlamento, assembleia ou câmara.
Seu objetivo é elaborar normas de abrangência geral ou em raros casos individual, que são
estabelecidas aos cidadãos ou às instituições públicas nas suas relações recíprocas.
Entre as principais funções do poder legislativo estão a de fiscalizar o Poder Executivo, votar
leis orçamentárias e, em situações específicas, julgar determinadas pessoas, como o Presidente da
república ou os próprios membros do legislativo.
No Brasil, o Poder legislativo é exercido em âmbito federal, estadual e municipal. O Congresso
Nacional é formados pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal e é responsável pelo Poder
Legislativo federal. Possui a função de elaborar e aprovar as leis do país, e também controlar os atos do
executivo e impedir abusos pela fiscalização permanente. Nos estados é exercido pelas assembleias
legislativas e nos municípios pelas câmaras municipais, ou de vereadores

Poder Judiciário

O Poder Judiciário é exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo
com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país.
No Brasil, o judiciário não depende dos demais poderes nem possui controles externos de fiscalização.
Sua função é a de aplicar a lei a fatos particulares e, por atribuição e competência, declarar o direito e
administrar justiça. Além disso, pode resolver os conflitos que podem surgir na sociedade e tomar
decisões com base na constituição, nas leis, nas normas e nos costumes, que adapta a situações
específicas.
O poder judiciário possui a divisão entre a União(Federal) e os estados, com a denominação de justiça
federal e justiça estadual, respectivamente.
Entre os órgãos que formam o poder Judiciário estão o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior
Tribunal de Justiça (STJ), além dos Tribunais Regionais Federais (TRF), Tribunais e Juízes do Trabalho,
Tribunais e Juízes Eleitorais, Tribunais e Juízes Militares e os Tribunais e Juízes dos estados e do Distrito
Federal e Territórios.
O STF é o órgão máximo do Judiciário brasileiro. Sua principal função é zelar pelo cumprimento da
Constituição e dar a palavra final nas questões que envolvam normas constitucionais. É composto por 11
ministros indicados pelo Presidente da República e nomeados por ele após aprovação pelo Senado
Federal.
Os juízes que atuam em tribunais superiores são nomeados pelo presidente da república, porem
precisam de aprovação do Senado. Outros cargos são preenchidos através de concurso público. Os
juízes têm cargo vitalício, não podem ser removidos e seus vencimentos não podem ser reduzidos.

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O financiamento de campanhas no brasil

O financiamento de campanhas no Brasil consiste na arrecadação de fundos e recursos para a


campanha política de partidos e candidatos. O pais adota o sistema misto de financiamento: partidos
podem arrecadar recursos de empresas privadas para seu financiamento, mas também contam com
sistemas públicos de financiamento, através do fundo eleitoral, que é sustentado com recursos da União.
Na legislação brasileira, existem regras quanto a doação para campanhas eleitorais. Governos
estrangeiros órgão de administração pública direta ou indireta, fundações mantidas com recursos
provenientes do Poder Público, concessionária ou permissionária de serviço público, entidades de direito
privado que sejam beneficiárias de verbas públicas compulsórias (como por exemplo: Sesc, Senai, Sesi),
entidade de utilidade pública, entidade de classe ou sindical, pessoas jurídicas sem fins lucrativos ou que
recebam recursos do exterior, entidades beneficentes ou religiosas, entidades esportivas, organizações
não governamentais que recebam recursos públicos, organizações da sociedade civil de interesse público
(Oscip) e cartórios de serviços notariais e de registro público não podem fazer doações.
A imagem representa um esquema de financiamento privado de campanha. Nela podemos observar
como empresas podem financiar os partidos. No caso representado, as empresas 1 e 6 doaram verbas
diretamente aos políticos de seu interesse, sem a necessidade de repasse da verba ao partido, o que é
permitido pela legislação atual. Um exemplo do caso das empresas 1 e 6 foi a doação de 10 milhões de
reais feita pela construtora Andrade Gutierrez para a campanha da candidata Dilma Rousseff. No caso
da empresa

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A fragmentação partidária e a reforma política brasileira

As eleições de 2014 tiveram como resultado um aumento no número de partidos políticos com
representantes na Câmara dos Deputados. Dos 32 partidos existentes atualmente no Brasil, 28
conseguiram eleger representantes, ou seja 87% dos partidos possuem ao menos uma pessoa na
Câmara. Em 2010 existiam 27 partidos políticos e 22 deles estavam presentes na Câmara, ou seja 81%
de representação.
O grande número de partidos na Câmara do Deputados traz um novo desafio para o partido que
comando o Poder Executivo (Atualmente o PT, com a Presidente Dilma Rousseff), já que as votações de
propostas e projetos de governo precisam ser negociadas para formar maiorias, sempre com partidos
diferentes. O resultado é a dificuldade para governar.
O Brasil possui a maior fragmentação partidária do mundo. Um dos meios de medir essa fragmentação
é o NEP (Número Efetivo de Partidos). O NEP determina o número de partidos relevantes na política e
no processo decisório. Segundo o professor da FGV George Avelino, o NEP brasileiro é de 13,06,
enquanto os países mais próximos são Argentina (7,52) e Israel(7,28). Além disso, o Brasil tem um NEP
quase três vezes maior do que os outros países com sistemas eleitorais proporcionais.

A Fragmentação Partidária no Mundo

Fonte: Trinity College

Uma das consequências da fragmentação partidária pode ser notada no Brasil em 2005, quando o
deputado federal Roberto Jefferson (PTB – RJ) denunciou no jornal Folha de São Paulo o esquema de
compra de votos conhecido como Mensalão.
No Mensalão deputados da base aliada do PT, partido que estava no poder na época, com Luiz Inácio
Lula da Silva como presidente da república, recebiam uma “mesada” de R$ 30 mil para votarem de acordo

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com os interesses do partido. Entre os parlamentares envolvidos no esquema estariam membros do PL
(Partido Liberal), PP (Partido Progressista), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e do
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).
Entre os nomes mais citados do esquema estão José Dirceu, que na época era ministro da Casa Civil
e foi apontado como chefe do esquema. Delúbio Soares era Tesoureiro do PT e foi acusado de efetuar
os pagamentos aos membros do esquema. Marcos Valério, que era publicitário e foi acusado de arrecadar
o dinheiro para os pagamentos.
Outras figuras de destaque no governo e no PT também foram apontadas como participantes do
mensalão, tais como: José Genoíno (presidente do PT), Sílvio Pereira (Secretário do PT), João Paulo
Cunha (Presidente da Câmara dos Deputados), Ministro das Comunicações, Luiz Gushiken, Ministro dos
Transportes, Anderson Adauto, e até mesmo o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
O resultado da eleição de 2014 e os diversos escândalos envolvendo parlamentares impulsionaram
novamente o tópico sobre a reforma política no Brasil.
A reforma política é o nome que se dá ao conjunto de propostas de emendas constitucionais da
legislação eleitoral para tentar o melhoramento do sistema eleitoral brasileiro, de maneira a garantir uma
maior correspondência entre a vontade do eleitor quando exerce seu voto e o resultado obtido nas urnas.
Entre as propostas de reforma política que tiveram aprovação destacam-se a reeleição, aprovada em
1997, a clausula da barreira, que deveria entrar em vigor em 2007 mas foi considerada inconstitucional e
não entrou em vigor e a Lei da Ficha Limpa” aprovada em 2010.

Fundo Partidário

O Fundo partidário é um fundo especial de assistência aos partidos políticos constituído pela
arrecadação de multas eleitorais, recursos financeiros legais, doações espontâneas privadas e dotações
orçamentárias públicas. Com o objetivo de esclarecer as dúvidas sobre o funcionamento do fundo
partidário, o Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza em seu site o seguinte conjunto de perguntas e
respostas:

1. O que é Fundo Partidário?

É um Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, que tenham seu estatuto
registrado no Tribunal Superior Eleitoral e prestação de contas regular perante a Justiça Eleitoral.

2. Como é constituído o Fundo Partidário?

O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) é constituído por
recursos públicos e particulares conforme previsto no artigo 38 da Lei nº 9.096/95:

I - multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas;
II - recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual;
III - doações de pessoa física ou jurídica, efetuadas por intermédio de depósitos bancários diretamente
na conta do Fundo Partidário;
IV - dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, cada ano, ao número de eleitores
inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco
centavos de real, em valores de agosto de 1995.

3. Como se chega ao valor anual (proposta orçamentária) a ser distribuído a título de Fundo
Partidário?

Os cálculos necessários à composição da dotação destinada ao Fundo de Assistência Financeira aos


Partidos Políticos (Fundo Partidário), são norteados pela Lei nº 9.096/95, art. 38, inciso IV, in verbis:
Art. 38. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) é
constituído por:
IV - dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, cada ano, ao número de eleitores
inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco
centavos de real, em valores de agosto de 1995.
Vale citar que o fator de correção utilizado pela Secretaria de Orçamento Federal/MP é o IGP-DI/FGV.

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Para composição do valor final, o montante encontrado no cálculo do primeiro parágrafo, será somado
à projeção de arrecadação de multas do Código Eleitoral e Leis Conexas – tais projeções são baseadas
no histórico de arrecadação dos últimos períodos.

4. Como ocorre a liberação dos recursos financeiros durante o ano?

- Duodécimo - valor do orçamento dividido em 12 partes iguais, disponibilizados mensalmente.


- Multas do Código Eleitoral e Leis Conexas - realizada conforme a arrecadação do mês anterior
fechado.

5. Como são realizados os cálculos mensais para distribuição do Duodécimo e das Multas
Eleitorais?

De acordo com o Artigo 41-A da Lei nº 9.096/95 (incluído pela Lei nº 11.459/2007):

- 5% (cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão destacados para entrega, em partes iguais,
a todos os partidos aptos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral;
- 95% (noventa e cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão distribuídos a eles na proporção
dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

6. O que vem a ser “partidos aptos” a receberem o fundo partidário no mês?

De acordo com o artigo 37 da Lei nº 9.096/95:


“A falta de prestação de contas ou sua desaprovação total ou parcial implica a suspensão de novas
cotas do Fundo Partidário e sujeita os responsáveis às penas da lei.”
Houve ainda regulamentação pelo TSE por meio da Resolução TSE nº 21.841/2004, artigo 18.

7. Como serão recolhidos os valores relativos a multas e penalidades pecuniárias aplicadas?

De acordo com o artigo 4º da Resolução TSE nº 21.975/2004, os valores relativos às multas e


penalidade pecuniárias serão recolhidos, obrigatoriamente, por meio de Guia de Recolhimento da União
– GRU, nos códigos específicos.

8. Onde e como serão emitidas as GRUs?

As GRUs pertinentes às penalidades aplicadas pelo TSE são emitidas pela Corregedoria, por meio do
sistema ELO.
Nos casos de penalidades aplicadas pelos Tribunais Regionais ou Cartórios Eleitorais, a emissão da
GRU será emitida pela Unidade responsável pela aplicação.

9. Como identificar qual é o código específico?

Deverá ser levado em consideração o motivo que apenou o partido a um recolhimento de determinado
valor para que assim possa ser realizada a adequação correta ao código de recolhimento. Quais sejam:
- 18002-5: TSE/TRE Multa na Prestação de Contas - Fontes Vedadas Partido Político (quando se tratar
de prestação de contas anual);
- 18003-3: TSE/TRE Multas Condutas Vedadas para Agentes Públicos;
- 20001-8: TSE/TRE Multas Código Eleitoral/Leis Conexas.

10. Como e Onde podem ser consultados os valores distribuídos mensalmente?

A publicação é feita no Diário da Justiça Eletrônico em até 72 horas, contadas da efetivação das ordens
bancárias.
Os dados (duodécimos e multas) são apresentados em forma de tabelas e contemplam as
importâncias relativas ao mês de competência indicado.
A seção Transparência, no sítio eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral na internet, publica os dados
referentes aos repasses de duodécimos e multas efetuados aos partidos políticos por exercício. As
informações incluem os valores mensais por partido e ainda os percentuais com que cada agremiação foi
contemplada, tendo por base o montante até então distribuído.

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Os dados mensais são ainda compilados e disponibilizados no Portal do TSE (internet e intranet) em
um quadro que apresenta os valores acumulados no exercício financeiro, inclusive com a indicação do
total repassado a cada partido, o saldo da dotação orçamentária, o percentual a ser distribuído
(considerando-se a dotação inicial) e outras informações relevantes aos procedimentos adotados.
Fonte: http://www.tse.jus.br/transparencia/relatorio-cnj/perguntas-frequentes-fundo-partidario

Um dos aspectos que mais gera polemica entre os partidos políticos é a forma como o fundo é
distribuído, em especial os partidos que possuem uma menor representação no Congresso Nacional.
Aprovada em 1995, a Lei nº 9.096 associou os critérios para a distribuição de recursos do fundo à
clausula de barreira, um dispositivo legal capaz de restringir o funcionamento parlamentar e o acesso aos
recursos do fundo, liberando-os somente para partidos que fossem capazes de obter no mínimo 5% dos
votos validos no país. Além dos 5% de votos em todo território nacional, esses votos deveriam atingir pelo
menos um terço dos estados brasileiros com o mínimo de 2% do total de votos em cada uma das unidades
da Federação.
Segundo o artigo 41 da Lei, o critério para distribuição de recursos seria: 1% do total distribuído de
maneira uniforme e os 99% restantes seriam distribuídos de maneira proporcional, observando a
representatividade das agremiações políticas no Congresso Nacional.
Programado para entrar em funcionamento com o Congresso empossado em 2007, o dispositivo foi
derrubado no final de 2006 pelo Supremo Tribunal Federal, em uma decisão proferida no julgamento de
duas Ações de Declaração de Inconstitucionalidade movidas por diversos partidos políticos, declarou que
o artigo que regulamentava a distribuição dos recursos feria os dispositivos constitucionais da nação.
Em 2007 foi aprovada a lei 11.459, que definiu os seguintes critérios para a divisão do fundo:
5% dos recursos divididos igualitariamente entre os partidos registrados no TSE, 95% do restante
divididos considerando-se a proporcionalidade das agremiações partidárias no Congresso. Essa é a
divisão atual utilizada no fundo.

Bolsa Família1

Segundo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS, 2015), o Bolsa Família é um
programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema
pobreza em todo o país. O Bolsa Família integra o Plano Brasil Sem Miséria, que tem como foco de
atuação os milhões de brasileiros com renda familiar per capita inferior a R$ 77 mensais e está baseado
na garantia de renda, inclusão produtiva e no acesso aos serviços públicos.
O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias extremamente
pobres (com renda mensal de até R$ 70 por pessoa) ou pobres (com renda mensal de R$ 70 a R$ 140
por pessoa).
O Bolsa Família ajuda a garantir o direito à alimentação, à saúde e à educação para a parcela mais
vulnerável da população, graças à combinação entre os recursos que as famílias recebem todo mês e os
compromissos assumidos nas áreas de saúde e educação.
Ao entrar no programa, a família assume compromissos, conhecidos como condicionalidades: crianças
de até 7 anos devem ser vacinadas e ter acompanhamento nutricional; gestantes precisam fazer o pré-
natal; e crianças e jovens de 6 a 17 anos devem frequentar a escola.
Se, por um lado, o dinheiro traz alívio imediato à situação de pobreza, por outro lado os compromissos
assumidos pelas famílias ajudam a romper o ciclo de reprodução da pobreza entre as gerações. Isso
significa que as crianças e jovens passam a ter perspectivas melhores que as de seus pais.
Todos os meses, o governo federal deposita uma quantia para as famílias que fazem parte do
programa. O saque é feito com cartão magnético, emitido preferencialmente em nome da mulher. O valor
depositado depende do tamanho da família, da idade dos seus membros e da sua renda. Há benefícios
específicos para famílias com crianças, jovens, gestantes e mães que amamentam.
Para participar, a pessoa precisa se inscrever no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo
federal, levando documentos de identificação de todos os familiares. O cadastramento é feito pelos
municípios e os postos geralmente funcionam nos Centros de Referência de Assistência Social
(CRAS). Uma vez cadastradas, as famílias que serão incluídas a cada mês são selecionadas de forma
automatizada, completamente impessoal, no âmbito da gestão federal do programa. Têm prioridade as
famílias de menor renda.

1
Disponível em: http://www.mds.gov.br/bolsafamilia.
Disponível em: http://bolsafamilia10anos.mds.gov.br/node/149.

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Para permanecer no programa, além de cumprir as condicionalidades, a família precisa atualizar seu
cadastro sempre que houver mudança nas informações ou, no máximo, a cada dois anos.
Há estados que complementam a renda transferida pelo Bolsa Família com pagamentos mensais,
feitos por meio do mesmo cartão magnético usado no programa.
A Gestão do Bolsa Família é descentralizada. No Bolsa Família, é o governo federal que arca com o
valor das transferências mensais feitas diretamente aos beneficiários. Mas a gestão do programa é
compartilhada entre União, estados, Distrito Federal e municípios, cada um com suas responsabilidades.
Todos os estados e municípios brasileiros participam do programa.
Aos municípios, cabem algumas das tarefas mais importantes para o sucesso do Bolsa Família: o
preenchimento do Cadastro Único e a atualização periódica das informações sobre as famílias.
Para apoiar financeiramente cada cidade nessas e em outras tarefas, o Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) criou o Índice de Gestão Descentralizada (IGD). É com base no IGD
que são calculados os repasses mensais que o ministério faz aos municípios para ajudar na gestão do
Cadastro e do Bolsa Família. Quanto melhor for essa gestão, maior será o IGD. E, quanto maior o IGD,
mais recursos o município recebe.
Com o lançamento do Brasil Sem Miséria, a responsabilidade dos municípios no Bolsa Família
aumentou. Por isso, o governo federal reforçou os valores transferidos às prefeituras pelo índice de gestão
– e todo o orçamento destinado à assistência social.
Cabe aos municípios o papel de alertar as famílias sobre a necessidade de manter suas informações
atualizadas no Cadastro Único e procurar garantir que essas informações estejam corretas é uma das
principais responsabilidades dos municípios na gestão do Bolsa Família.
Outra tarefa importante é assegurar o acesso das famílias aos serviços de educação e saúde e
acompanhar o cumprimento das condicionalidades nessas áreas. Ou seja, o município deve assegurar
que as crianças e jovens estejam na escola e monitorar sua frequência, além de garantir o
acompanhamento de saúde para crianças e gestantes.
Para que tudo isso funcione, é necessária a escolha criteriosa do gestor municipal do Programa Bolsa
Família. Esse profissional precisa estar preparado para lidar com todos os aspectos envolvidos no
programa e ter trânsito nas várias áreas da administração municipal, além de manter contatos com a
gestão estadual do Bolsa Família.
O Bolsa Família possui três eixos principais: a transferência de renda promove o alívio imediato da
pobreza; as condicionalidades reforçam o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação, saúde
e assistência social; e as ações e programas complementares objetivam o desenvolvimento das famílias,
de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade.
Todos os meses, o governo federal deposita uma quantia para as famílias que fazem parte do
programa. O saque é feito com cartão magnético, emitido preferencialmente em nome da mulher. O valor
repassado depende do tamanho da família, da idade dos seus membros e da sua renda. Há benefícios
específicos para famílias com crianças, jovens até 17 anos, gestantes e mães que amamentam.
A gestão do programa instituído pela Lei 10.836/2004 e regulamentado pelo Decreto nº 5.209/2004, é
descentralizada e compartilhada entre a União, estados, Distrito Federal e municípios. Os entes federados
trabalham em conjunto para aperfeiçoar, ampliar e fiscalizar a execução.
A seleção das famílias para o Bolsa Família é feita com base nas informações registradas pelo
município no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, instrumento de coleta e gestão
de dados que tem como objetivo identificar todas as famílias de baixa renda existentes no Brasil.
Com base nesses dados, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) seleciona,
de forma automatizada, as famílias que serão incluídas para receber o benefício. No entanto, o
cadastramento não implica a entrada imediata das famílias no programa e o recebimento do benefício.

Programa de Aquisição de Alimentos - PAA

Segundo informações Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome 2 Programa de


Aquisição de Alimentos – PAA compra alimentos produzidos pela agricultura familiar, com dispensa de
licitação. Esses alimentos são distribuídos gratuitamente a pessoas ou famílias que precisam de
suplementação alimentar (porque estão em situação de insegurança alimentar e nutricional) e também a
entidades de assistência social, restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos,
entre outros. Os alimentos adquiridos pelo PAA também podem compor estoques públicos estratégicos
de alimentos.

2
Adaptado do MDS. Disponível em: http://www.mds.gov.br/falemds/perguntas-frequentes/seguranca-alimentar-e-nutricional/aquisicao-de-
alimentos/distribuicao-de-alimentos-a-grupos-especificos/distribuicao-de-alimentos-a-grupos-especifico.

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O PAA é coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) do
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Para o alcance dos objetivos do Programa, o PAA é desenvolvido em seis modalidades diferentes:
a) Compra com Doação Simultânea,
b) Compra Direta,
c) Apoio à Formação de Estoques,
d) Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite – PAA Leite,
e) Compra Institucional e
f) Aquisição de Sementes.

O orçamento do PAA é composto por recursos do MDS e do Ministério do Desenvolvimento Agrário –


MDA.

Qual o objetivo do PAA?

Entre os principais objetivos do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA estão: fortalecer a


agricultura familiar; fortalecer circuitos locais e regionais e também as redes de comercialização; valorizar
a biodiversidade e a produção orgânica e agroecológica de alimentos; incentivar hábitos alimentares
saudáveis; e estimular a organização dos agricultores familiares em cooperativas e associações.

Como o PAA é executado?

O Programa de Aquisição de Alimentos – PAA é executado pelos estados, pelos municípios e pela
Companhia Nacional de Abastecimento – Conab (que é uma empresa pública, vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA). Ou seja, são os estados, os municípios e a Conab que,
com recursos financeiros do Governo Federal, compram os alimentos dos agricultores familiares.
No caso dos estados e municípios: o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
firma um Termo de Adesão com os estados, municípios ou consórcios públicos. Este novo modelo – o
Termo de Adesão – vem substituindo os convênios vigentes, à medida que estes forem sendo finalizados.
Com o Termo de Adesão, os estados e municípios indicam para o MDS quais os agricultores familiares
que vendem seus produtos para o PAA, e o MDS faz o pagamento diretamente ao agricultor familiar
individual, por meio de um cartão bancário próprio para o recebimento dos recursos do PAA (ou seja, os
recursos não são mais repassados para o estado ou município, mas sim diretamente para o agricultor
familiar). Ressalta-se que as organizações da agricultura familiar (cooperativas e associações) não
podem formalizar Termo de Adesão diretamente com o MDS.
No caso da Conab: a Conab firma Termos de Cooperação com o MDS e com o Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA). É a Conab quem trabalha com as cooperativas e associações da
agricultura familiar. Para que as cooperativas e associações da agricultura familiar participem do PAA
fornecendo alimentos por intermédio da Conab, estas devem apresentar Proposta de Participação no
PAA. Para maiores informações sobre a participação das cooperativas e associações, procure a
Superintendência Regional da Conab no seu Estado, ou acesse o site: www.conab.gov.br.

Qual o público beneficiário do PAA?

O Programa de Aquisição de Alimentos – PAA tem como público beneficiário:


1) Os fornecedores: que são os agricultores familiares que vendem/fornecem seus produtos ao
Programa, individualmente ou por meio de suas organizações, como associações e cooperativas; e
2) Os consumidores: que são os indivíduos em situação de insegurança alimentar e nutricional e os
que são atendidos pela rede socioassistencial e pelos equipamentos de segurança alimentar e nutricional,
como os restaurantes populares e as cozinhas comunitárias.

Quem pode vender para o PAA?

Os beneficiários fornecedores do PAA, que são os agricultores familiares, assentados da reforma


agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas e demais
povos e comunidades tradicionais, que atendam aos requisitos previstos no art. 3º da Lei nº 11.326, de
24 de julho de 2006. Para vender ao PAA, o agricultor deve possuir a DAP – Declaração de Aptidão ao

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Programa Nacional de Agricultura Familiar – PRONAF, instrumento que qualifica a família como da
agricultura familiar.
Também podem vender para o PAA as organizações fornecedoras, que são as cooperativas e outras
organizações formalmente constituídas que detenham a DAP Especial Pessoa Jurídica.
Para a maior parte dos agricultores familiares, a DAP pode ser obtida junto a instituições previamente
autorizadas, entre as quais estão as entidades oficiais de Assistência Técnica e Extensão Rural ou as
Federações e Confederações de agricultores, por meio de seus sindicatos.
Para públicos específicos, a DAP também pode ser fornecida por outras organizações, tais como:
-a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, para populações indígenas;
-a Fundação Cultural Palmares – FCP, para populações quilombolas;
-o Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA ou a Federação de Pescadores e suas colônias filiadas,
para pescadores artesanais;
-o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, para acampados e assentados da
reforma agrária.

Quem pode receber alimentos do PAA?

As Unidades Recebedoras são as entidades que recebem os alimentos do PAA e os distribuem aos
beneficiários consumidores. Estas entidades podem ser:
-Centro de Referência de Assistência Social – CRAS;
-Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – Centro POP;
-equipamento que oferte o serviço de acolhimento a famílias e/ou indivíduos com vínculos familiares
rompidos ou fragilizados, a fim de garantir proteção integral;
-entidade e organização de assistência social sem fins lucrativos que, isolada ou cumulativamente,
prestem atendimento e assessoramento aos beneficiários da Assistência Social, bem como atuem na
defesa e garantia de direitos, e que obrigatoriamente estejam inscritas no conselho municipal de
assistência social;
-Centro de Referência Especializado em Assistência Social – CREAS;
-Equipamentos de segurança alimentar e nutricional:
-Restaurantes Populares;
-Cozinhas Comunitárias;
-Bancos de Alimentos;
-estruturas públicas que produzam e disponibilizem refeições a beneficiários consumidores, no âmbito
das redes públicas de educação, conforme regulamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar
– PNAE, de justiça e de segurança;
-redes públicas e serviços públicos de saúde que ofertem serviços de saúde básicos, ambulatoriais e
hospitalares por meio do Sistema Único de Saúde – SUS, e estabelecimentos de saúde de direito privado
sem fins lucrativos que possuam Certificado de Entidade Beneficente da Assistência Social – CEBAS,
que produzam e disponibilizem refeições a beneficiários consumidores.

O que a unidade recebedora (entidade socioassistencial ou da rede de equipamentos de


segurança alimentar e nutricional) deve fazer para se cadastrar no PAA e receber os alimentos dos
agricultores familiares?

Para receber alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, a entidade deve estar
contemplada em uma Proposta de Participação da unidade executora (estado, município, consórcio
público ou Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB).
Para tanto, a entidade pode:
(I) procurar a Superintendência Regional da CONAB em seu Estado;
(II) fazer o diálogo com cooperativas da agricultura familiar que participam do Programa; ou
(III) demonstrar o interesse junto aos estados e municípios que executam o PAA via Termo de Adesão.

O que os agricultores familiares devem fazer para vender para o PAA?

Para poderem vender alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, os agricultores
familiares devem procurar uma Unidade Executora do Programa (governo municipal, governo estadual
ou a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab) para se cadastrarem.

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O que os municípios/estados devem fazer para que se tornem Unidades Executoras do PAA,
via Termo de Adesão?

Os estados, municípios e consórcios públicos devem aguardar a abertura de edital de seleção para
apresentarem suas propostas para adesão ao PAA, atendendo aos critérios do edital publicado. As
oportunidades de adesão podem ser acompanhadas pelo site do MDS (www.mds.gov.br), na aba “Editais
SESAN”.

Quais são as modalidades do PAA?

-Compra com Doação Simultânea


-Compra Direta
-Apoio à Formação de Estoques
-Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite – PAA Leite
-Compra Institucional
-Aquisição de Sementes

Modalidade Compra com Doação Simultânea:

a) O que é a Modalidade Compra com Doação Simultânea?

Nesta modalidade os alimentos adquiridos da agricultura familiar são doados às entidades da rede
socioassistencial, aos equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional (Restaurantes
Populares, Cozinhas Comunitárias e Bancos de Alimentos) e, em condições específicas definidas pelo
Grupo Gestor do PAA, à rede pública e filantrópica de ensino.

Devem ser adquiridos por esta modalidade produtos alimentícios próprios para o consumo humano,
característicos dos hábitos alimentares locais, podendo incluir alimentos perecíveis e produtos in natura
ou processados. Os alimentos devem ser de produção própria dos agricultores familiares e devem cumprir
os requisitos de controle de qualidade dispostos nas normas vigentes.

b) Como a Modalidade Compra com Doação Simultânea é executada?

Esta Modalidade é executada apenas com recursos do MDS, que pode utilizar dois tipos de
instrumentos para sua implementação:
1. Celebração de Termos de Adesão com estados, municípios e consórcios públicos;
2. Formalização de Termo de Cooperação com a Conab.

O limite de participação por unidade familiar/ano é de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais) para
agricultores individuais (via Termo de Adesão) e R$ 8.000,00 (oito mil reais) para agricultores que
participarem por meio de organizações da agricultura familiar (via Conab).

Modalidade Compra Direta

a) O que é a Modalidade Compra Direta?

É a modalidade na qual são adquiridos determinados produtos da agricultura familiar, definidos pelo
Grupo Gestor do PAA, para a formação de estoques públicos.

Dentre os produtos adquiridos pela modalidade estão: arroz, feijão, milho, trigo, sorgo, farinha de
mandioca, farinha de trigo, leite em pó integral, castanha de caju, castanha-do-brasil e outros que venham
a ser definidos pelo Grupo Gestor do PAA. Os alimentos devem ser de produção própria dos agricultores
familiares e devem cumprir os requisitos de controle de qualidade dispostos nas normas vigentes.

b) Qual o objetivo da Modalidade Compra Direta?

Entre os objetivos desta modalidade estão: a sustentação de preços de determinados produtos


definidos pelo Grupo Gestor do PAA, a constituição de estoques públicos desses produtos e o
atendimento de demandas de programas de acesso à alimentação.

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c) Como a Modalidade Compra Direta é executada?

Para execução dessa modalidade, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS
repassa, por meio de Termos de Cooperação, recursos financeiros para a Companhia Nacional de
Abastecimento – Conab, responsável pela operacionalização dessa modalidade.
A Compra Direta permite a aquisição de produtos até o limite anual de R$ 8.000,00 (oito mil reais) por
unidade familiar. Para participar, os agricultores familiares podem estar organizados em grupos formais
(cooperativas e associações) ou informais, mas também podem participar individualmente.
Quando o preço de mercado de algum dos produtos amparados pela Modalidade está abaixo do seu
preço de referência, a Conab divulga amplamente na região afetada que instalará um Polo de Compra
(Unidade Armazenadora própria ou credenciada, depósito ou outro local indicado pela Conab), para onde
os agricultores familiares interessados se deslocam de posse de seus produtos bem como da
documentação exigida.
A Conab analisa a documentação e providencia a classificação do produto. Se tudo estiver em
conformidade com as exigências, emite Nota Fiscal de aquisição. Os produtos passam a compor os
estoques públicos que são gerenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA,
em articulação com o MDS e o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA.
Quando constituídos por alimentos adquiridos com recursos do MDS, os estoques devem ser
prioritariamente doados, podendo ser vendidos somente em casos excepcionais, mediante autorização
do Ministério. Esses alimentos têm sido utilizados especialmente para compor as cestas distribuídas a
grupos populacionais específicos.

Modalidade Apoio à Formação de Estoques

a) O que é a Modalidade Apoio à Formação de Estoques?

É a modalidade que tem como finalidade apoiar financeiramente a constituição de estoques de


alimentos por organizações da agricultura familiar, visando agregação de valor à produção.
Posteriormente, esses alimentos são comercializados pela organização de agricultores para devolução
dos recursos financeiros ao Poder Público.
Podem ser adquiridos produtos alimentícios da safra vigente, de produção própria dos agricultores
familiares e que cumpram os requisitos de controle de qualidade dispostos nas normas vigentes.

b) Como a Modalidade Apoio à Formação de Estoques é executada?

Para execução dessa modalidade, os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome –


MDS e do Desenvolvimento Agrário – MDA repassam, por meio de Termos de Cooperação, recursos
financeiros para a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, responsável pela operacionalização
dessa modalidade.
Ao identificar a possibilidade de formação de estoque de determinado produto, a organização de
agricultores envia uma Proposta de Participação à Conab. A Proposta deve conter a especificação do
produto, sua quantidade, o preço proposto, o prazo necessário para a formação do estoque e os
agricultores a serem beneficiados.
Com a aprovação da Proposta, a organização emite a Cédula de Produto Rural (CPR-Estoque) e a
Conab disponibiliza o recurso para que a organização compre a produção dos seus agricultores
familiares, beneficie os alimentos e os mantenha em estoque próprio.
A CPR-Estoque tem prazo de vencimento de 12 meses, devendo ser quitada pela organização ao final
desse prazo. O pagamento da CPR é feito financeiramente, ou seja, a organização deve vender o
alimento beneficiado no mercado convencional e devolver ao Poder Público o recurso que lhe foi
repassado pela Conab, acrescido de encargos de 3% (três por cento) ao ano.
O limite financeiro de participação por unidade familiar é de R$ 8.000,00 (oito mil reais) por unidade
familiar/ano. O valor total da Proposta de Participação não pode ultrapassar R$ 1,5 milhão por cada
organização/ano, sendo a primeira operação limitada ao valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).

Modalidade Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite – PAA Leite

a) O que é a modalidade Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite – PAA Leite?

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O PAA Leite adquire leite de vaca e leite de cabra de agricultores familiares dos estados da região
Nordeste e também no norte de Minas Gerais, e os distribui gratuitamente a famílias que estejam em
situação de vulnerabilidade social.
Os leites de vaca e de cabra devem ser de produção própria dos agricultores familiares e devem
cumprir os requisitos de controle de qualidade dispostos nas normas vigentes.

b) Qual o objetivo do PAA Leite?

O PAA Leite tem como finalidades: i) contribuir para o abastecimento alimentar de famílias que estejam
em situação de vulnerabilidade social, por meio da distribuição gratuita de leite; ii) fortalecer o setor
produtivo local e a agricultura familiar, garantindo a compra do leite dos agricultores familiares; e iii)
integrar o leite aos demais circuitos de abastecimento do PAA, por meio do atendimento a entidades da
rede socioassistencial, equipamentos de alimentação e nutrição e unidades da rede pública e filantrópica
de ensino.

c) Como a Modalidade PAA Leite é executada?

A Modalidade é executada no território da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste –


SUDENE, sendo beneficiados todos os estados da região Nordeste e também o norte de Minas Gerais.
No momento, não há previsão de expansão do Programa para outros estados por motivos orçamentários.
Os Estados, que fazem parceria com o MDS para execução do PAA Leite, contratam Organizações
da agricultura familiar e/ou laticínios que são responsáveis por recepcionar, coletar, pasteurizar, embalar
e transportar o leite para os pontos de distribuição em locais pré-definidos e/ou diretamente às unidades
recebedoras. No caso da execução por meio das Organizações, essas poderão realizar a pasteurização
do leite de seus cooperados diretamente ou por meio de contrato com laticínios.
O laticínio contratado deverá coletar o leite diretamente na propriedade de cada agricultor familiar
selecionado pelo gestor estadual ou em tanques de resfriamento, de onde será coletado em caminhões
adequados para o transporte.
O valor do litro de leite é prefixado pelo Grupo Gestor do PAA, de acordo com a média dos preços
praticados pelo mercado local. O valor a ser pago ao laticínio também é fixado em Resolução.

d) O que o agricultor familiar deve fazer para vender para o PAA Leite?

Para participar do PAA Leite, o agricultor familiar deve seguir as seguintes exigências: possuir
Declaração de Aptidão ao PRONAF – DAP; respeitar o limite de venda de 100 (cem) litros por dia por
produtor; e ter comprovante de vacinação dos animais.
Deverão ser priorizados os agricultores familiares inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais
do Governo Federal – CadÚnico, mulheres, produtores orgânicos ou agroecológicos, pertencentes a
povos e comunidades tradicionais e público beneficiário do Plano Brasil Sem Miséria.
O produtor pode receber pela venda de seu produto até R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por unidade
familiar/semestre, diferente das demais modalidades do PAA nas quais o limite é anual. Caso este valor
não seja utilizado totalmente no semestre, não poderá ser compensado no semestre seguinte.

e) Como o município faz para aderir ao PAA Leite?

Para os municípios fazerem parte do Programa, deve ser observado se eles estão na aérea de
abrangência da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – Sudene, além do norte de Minas
Gerais.
Caso esteja nessa área, o município deve mostrar interesse junto ao Estado, nas Secretarias que
executam o Programa. O Estado irá avaliar o enquadramento do município ao perfil do Programa.

f) Como ser beneficiário do PAA Leite?

Para ser beneficiário do PAA Leite, o cidadão que residir em estados da região Nordeste ou no norte
do estado de Minas Gerais, deve procurar a Secretaria de Assistência Social do seu município ou
identificar na Prefeitura outra Secretaria que seja responsável pelo Programa. A Secretaria irá verificar se
o demandante se enquadra como possível beneficiário do Programa.

g) Quem pode receber o leite na modalidade PAA Leite?

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Para receber o leite, ou seja, ser um beneficiário consumidor no PAA Leite, as famílias devem residir
em estados da região Nordeste ou no norte do estado de Minas Gerais, devem estar inscritas no
CadÚnico e possuir, entre seus membros, pessoa em alguma das seguintes condições:
I) gestantes, a partir da constatação da gestação pelas Unidades Básicas de Saúde e que façam
exame pré-natal;
II) crianças de dois a sete anos de idade, que possuam certidão de nascimento e estejam com o
controle de vacinas em dia;
III) nutrizes até seis meses após o parto e que amamentem, no mínimo, até o sexto mês de vida da
criança;
IV) pessoas com sessenta anos ou mais; e
V) outros, desde que justificado e autorizado pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional –
CONSEA e pela Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SESAN.
Além disso, são beneficiários consumidores, pessoas atendidas pelas unidades recebedoras do
Programa, ou seja, por entidades da rede socioassistencial, de equipamentos públicos de segurança
alimentar e nutricional e de unidades da rede pública e filantrópica de ensino, dentre outras entidades
públicas, que sirvam refeições regularmente.

h) Quantos litros de leite a família beneficiária do PAA Leite pode receber?

As famílias beneficiárias do Programa poderão receber até 7 (sete) litros de leite por semana. Caso a
família possua mais de um membro cadastrado como beneficiário consumidor, poderá receber até 14
(quatorze) litros de leite por semana.
Para as unidades recebedoras (ou seja, entidades da rede socioassistencial, de equipamentos
públicos de segurança alimentar e nutricional e de unidades da rede pública e filantrópica de ensino,
dentre outras entidades públicas, que sirvam refeições regularmente), o volume de leite será distribuído
de acordo com a pactuação firmada com a gestão do Programa em cada estado.

i) O “Programa Leite pela Vida” é apoiado pelo MDS?

Sim. O “Programa Leite pela Vida” é o nome que foi dado pelo Idene – Instituto de Desenvolvimento
do Norte e Nordeste de Minas Gerais ao PAA Leite naquela localidade, e é este quem o executa no
Estado de Minas Gerais.

Modalidade Aquisição de Sementes

a) O que é a modalidade Aquisição de Sementes?

Por meio desta modalidade o PAA pode comprar sementes de organizações da agricultura familiar
detentoras da Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP Jurídica, e as destinar a agricultores familiares,
conforme demanda dos órgãos parceiros (indicados a seguir).

b) Como a modalidade Aquisição de Sementes é executada?

As demandas por sementes deverão ser encaminhadas à Companhia Nacional de Abastecimento –


Conab, que é a unidade executora da modalidade, pelos seguintes órgãos e entidades parceiros:
- Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, inclusive as Delegacias Federais do Desenvolvimento
Agrário;
- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, inclusive as suas Superintendências
Regionais;
- Fundação Nacional do Índio – FUNAI;
- Fundação Cultural Palmares – FCP;
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBIO; e
- Estados, inclusive suas Secretarias Estaduais de Agricultura ou afins e suas entidades públicas de
Assistência Técnica e Extensão Rural.

Estes órgão/entidades demandantes de sementes devem preencher um Plano de Distribuição padrão,


disponibilizado pela Conab, e, após o atendimento da solicitação, devem apresentar a prestação de
contas da distribuição.

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As sementes adquiridas pelo PAA devem cumprir as normas vigentes de certificação ou cadastro da
cultivar, do agricultor ou de sua organização, sendo obrigatória a apresentação da inscrição da entidade
que pretende ser fornecedora e da cultivar a ser fornecida no Cadastro Nacional de Cultivares Crioulas,
instituído pela Portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário nº 51/2007.
É vedada a aquisição de sementes geneticamente modificadas por meio desta modalidade.
O limite de participação, por organização fornecedora, por ano, é de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de
reais), sendo que as operações acima de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) são realizadas por meio
de Chamada Pública.
Os preços a serem pagos pelas sementes são definidos a cada aquisição, de acordo com a média de
três cotações de preços no mercado local ou regional, de sementes com características semelhantes,
considerando, quando for o caso, os custos de logística.
Na destinação das sementes, são priorizadas as famílias de agricultores familiares inscritos no
Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico, mulheres, assentados, povos
indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais.
Esta modalidade foi instituída pelo Decreto nº 8.293/2014 e regulamentada pela Resolução do Grupo
Gestor do PAA nº 68/2014.

Modalidade Compra Institucional

a) O que é a modalidade Compra Institucional?

É a modalidade que permite que órgãos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios também
possam comprar alimentos da agricultura familiar, com seus próprios recursos financeiros, dispensando-
se a licitação, para atendimento às demandas de consumo de alimentos. Poderão ser abastecidos
hospitais, quartéis, presídios, restaurantes universitários, refeitórios de creches e escolas filantrópicas,
entre outros.
Pode ser adquirido por esta modalidade qualquer produto alimentício, desde que atenda às
especificações de cada chamada pública, podendo ser alimento in natura ou processado.

b) Quem pode realizar chamadas públicas pela modalidade Compra Institucional do PAA?

Estados, municípios e órgãos federais da administração direta e indireta podem comprar alimentos da
agricultura familiar, por meio de chamadas públicas, com seus próprios recursos financeiros, com
dispensa de licitação.

c) Quem pode comprar usando a modalidade Compra Institucional do PAA?

As compras são permitidas para os órgãos governamentais que fornecem alimentação, como
hospitais, quartéis, presídios, restaurantes universitários, refeitórios de creches e escolas filantrópicas,
entre outros.

d) Quem pode vender para a modalidade Compra Institucional do PAA?

Agricultores familiares, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas,


pescadores artesanais, comunidades indígenas, comunidades quilombolas e demais povos e
comunidades tradicionais que possuam Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP Física e as cooperativas
e associações que possuam DAP Jurídica, desde que respeitado o limite por unidade familiar.

e) Qual o limite de venda para a modalidade Compra Institucional do PAA?

Cada família pode vender até R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por órgão comprador por ano,
independente dos fornecedores participarem de outras modalidades do PAA e do Programa Nacional de
Alimentação Escolar – PNAE.

f) Qual o marco legal que pode ser usado para a realização de uma Chamada Pública da Modalidade
Compra Institucional?

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O marco legal que deve ser usado é o da Agricultura Familiar e o do PAA federal (ou PAA estadual,
caso o estado já possua legislação própria, como nos casos dos estados de São Paulo, Rio Grande do
Sul, Minas Gerais, além do Distrito Federal).

Para aqueles que precisarem usar a legislação federal, a base está no Decreto nº 7.775/2012, artigos
17, 18 e 21, que regulamentam os normativos e estabelecem as formas de execução do PAA, e nas
Resoluções do Grupo Gestor do PAA: nº 50/2012, nº 56/2013 e nº 64/2013; bem como no Decreto n°
8.293/2014.

g) O que é necessário para realizar uma chamada pública (PASSO A PASSO)?

1. Definição da demanda pelo órgão comprador, considerando os princípios da alimentação adequada


e saudável e elaboração do edital de chamada pública (ver modelo de chamada no site do MDS, no
banner: PAA Compra Institucional: http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/aquisicao-e-
comercializacao-da-agricultura-familiar/entenda-o-paa/modalidades-1/compra-institucional).
2. A chamada pública deve ser amplamente divulgada, em locais de fácil acesso, especialmente para
as organizações da agricultura familiar.
3. As organizações da agricultura familiar devem elaborar as propostas de venda de acordo com os
critérios da chamada pública.
4. O comprador habilita as propostas que contenham todos os documentos exigidos no edital de
chamada pública e que possuam os preços de venda dos produtos compatíveis com os do mercado.
5. O comprador e o fornecedor assinam o contrato que estabelece o cronograma de entrega dos
produtos, a data de pagamento aos agricultores familiares e todas as cláusulas de compra e venda.
6. O início da entrega dos produtos deve atender ao cronograma previsto e os pagamentos serão
realizados diretamente aos agricultores ou suas organizações.

h) Qual a metodologia para definição dos preços?

O órgão responsável pela compra deverá realizar no mínimo três pesquisas no mercado local ou
regional. Para produtos orgânicos ou agroecológicos, caso não tenha três fornecedores locais para
compor a pesquisa de preço, a sugestão é o acréscimo em até 30% (trinta por cento) do valor do produto
em relação ao preço dos produtos convencionais.

i) Quais os benefícios na realização de uma chamada pública da modalidade Compra Institucional?

As Compras Institucionais promovem a aquisição de alimentos produzidos pela agricultura familiar e


uma alimentação mais saudável porque a oferta dos alimentos está mais perto dos consumidores,
permitindo que os produtos sejam frescos, diversificados, de qualidade e adequados ao hábito alimentar
local, respeitando também as tradições culturais da população da região.

j) Tem alguma exigência quanto à aquisição dos alimentos na modalidade Compra Institucional?

Os alimentos adquiridos devem ser de produção própria dos agricultores familiares e devem cumprir
os requisitos de controle de qualidade dispostos na norma vigente.

k) De onde vem o recurso usado para a realização das chamadas públicas?

A fonte do recurso é o orçamento do próprio órgão comprador, destinado à aquisição de alimentos (ver
modelos de chamadas já realizadas por órgãos da União, estados e municípios disponibilizadas no site
do MDS, banner do PAA – Compra Institucional:http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/aquisicao-e-
comercializacao-da-agricultura-familiar/entenda-o-paa/modalidades-1/compra-institucional).

l) Para fazer uma chamada pública o órgão de governo precisa solicitar adesão ao PAA?

Não. Para a modalidade do PAA Compra Institucional não há necessidade de adesão do órgão
interessado ao Programa.

m) Quais estados já possuem legislação própria para adquirir produtos da agricultura familiar?

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Alguns estados já criaram seus próprios programas de aquisição da produção da agricultura familiar,
com a finalidade de garantir a aquisição direta de produtos agropecuários e extrativistas, in natura ou
manufaturados, e de artesanato produzidos por agricultores ou suas organizações sociais rurais e
urbanas, por povos e comunidades tradicionais e pelos beneficiários da reforma agrária.

As Unidades da Federação que já possuem legislação própria são: São Paulo, Rio Grande do Sul,
Minas Gerais, além do Distrito Federal.

Como é feito o controle social do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA?

O PAA é um Programa que conta com ampla participação da sociedade civil. São instâncias de controle
do PAA pela sociedade os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional nas esferas nacional,
estadual e municipal. Na hipótese de inexistência desses conselhos, os Conselhos de Desenvolvimento
Rural Sustentável ou os Conselhos de Assistência Social poderão ser responsáveis pelo
acompanhamento da execução do PAA.

O PAA conta ainda com a participação social em seu Comitê Consultivo, composto por representantes
governamentais e da sociedade civil, que assessora o Grupo Gestor e acompanha a implementação do
Programa.

O que é o Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos – GGPAA?

O regramento do PAA é definido por um Grupo Gestor, órgão colegiado de caráter deliberativo e
formado por representantes dos seguintes Ministérios:
-Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS);
-Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA);
-Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA);
-Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG);
-Ministério da Fazenda (MF); e
-Ministério da Educação (MEC).

O Grupo Gestor tem como objetivo principal orientar e acompanhar a execução do PAA, normatizando-
o por meio de suas Resoluções.

Qual a legislação do PAA e onde encontrá-la?

O PAA foi instituído pelo art. 19 da Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003, no âmbito do Programa Fome
Zero. Esta Lei foi alterada pela Lei nº 12.512, de 14 de outubro de 2011.
O PAA foi regulamentado por diversos decretos, o que está em vigência é o Decreto nº 7.775, de 4 de
julho de 2012.

Plano Brasil sem Miséria

O Plano Brasil Sem Miséria (BSM) foi lançado em 2 de junho de 2011, pelo Governo Federal, por meio
do Decreto nº 7.492 com o objetivo de superar a extrema pobreza até o final de 2014.
O Plano se organiza em três eixos: um de garantia de renda, para alívio imediato da situação de
extrema pobreza; outro de acesso a serviços públicos, para melhorar as condições de educação, saúde
e cidadania das famílias; e um terceiro de inclusão produtiva, para aumentar as capacidades e as
oportunidades de trabalho e geração de renda entre as famílias mais pobres do campo e das cidades.
Embora a renda seja uma variável fundamental nessa discussão, sabemos que a extrema pobreza se
manifesta de múltiplas formas. Além da insuficiência de renda, insegurança alimentar e nutricional, baixa
escolaridade, pouca qualificação profissional, fragilidade de inserção no mundo do trabalho, acesso
precário à água, à energia elétrica, à saúde e à moradia são algumas delas. Superar a extrema pobreza
requer, portanto, a ação intersetorial do Estado.
Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o BSM envolve 22
ministérios em sua gestão, além de contar com a parceria de estados e municípios, bancos públicos e o
apoio do setor privado e terceiro setor. Juntos, esses parceiros desenvolvem as atividades que compõem
o Brasil Sem Miséria.

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Em março de 2013, os últimos brasileiros do Programa Bolsa Família que ainda viviam na miséria
transpuseram a linha da extrema pobreza. Com eles, 22 milhões de pessoas superaram tal condição
desde o lançamento do Plano.
Mas ainda há três grandes desafios pela frente. Um deles é o da busca ativa, para que nenhuma família
com o perfil do Brasil Sem Miséria fique fora do Cadastro Único e das oportunidades que ele proporciona.
O segundo é o de aperfeiçoar ainda mais as estratégias de inclusão produtiva que estão dando resultados,
como o Pronatec do BSM. E o terceiro é o de ofertar mais serviços de qualidade, concebidos de forma a
acolher e incluir quem mais precisa.
O quadro abaixo está presente no artigo de Tereza Campello e Janine Mello 3, mas foi elaborado pelo
MDS. O quadro apresenta uma síntese dos eixos do Brasil sem Miséria.

3 Tereza Campello e Janine Mello. O PROCESSO DE FORMULAÇÃO E OS DESAFIOS DO PLANO BRASIL SEMMISÉRIA: POR UM PAÍS RICO E COM

OPORTUNIDADES PARA TODOS. Disponível em: http://www.mds.gov.br/brasilsemmiseria/Livro/artigo_1.pdf.pagespeed.ce.SqubY91jrK.pdf.

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Caso Lava Jato

O nome do caso, “Lava Jato”, decorre do uso de uma rede de postos de combustíveis e lava a jato de
automóveis para movimentar recursos ilícitos pertencentes a uma das organizações criminosas
inicialmente investigadas. Embora a investigação tenha avançado para outras organizações criminosas,
o nome inicial se consagrou.
A operação Lava Jato é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.
Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da Petrobras, maior estatal do país, esteja na
casa de bilhões de reais. Soma-se a isso a expressão econômica e política dos suspeitos de participar
do esquema de corrupção que envolve a companhia.
No primeiro momento da investigação, desenvolvido a partir de março de 2014, perante a Justiça
Federal em Curitiba, foram investigadas e processadas quatro organizações criminosas lideradas por
doleiros, que são operadores do mercado paralelo de câmbio. Depois, o Ministério Público Federal
recolheu provas de um imenso esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras.
Nesse esquema, que dura pelo menos dez anos, grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam
propina para altos executivos da estatal e outros agentes públicos. O valor da propina variava de 1% a
5% do montante total de contratos bilionários superfaturados. Esse suborno era distribuído por meio de
operadores financeiros do esquema, incluindo doleiros investigados na primeira etapa.

As empreiteiras - Em um cenário normal, empreiteiras concorreriam entre si, em licitações, para


conseguir os contratos da Petrobras, e a estatal contrataria a empresa que aceitasse fazer a obra pelo
menor preço. Neste caso, as empreiteiras se cartelizaram em um “clube” para substituir uma concorrência
real por uma concorrência aparente. Os preços oferecidos à Petrobras eram calculados e ajustados em
reuniões secretas nas quais se definia quem ganharia o contrato e qual seria o preço, inflado em benefício

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privado e em prejuízo dos cofres da estatal. O cartel tinha até um regulamento, que simulava regras de
um campeonato de futebol, para definir como as obras seriam distribuídas. Para disfarçar o crime, o
registro escrito da distribuição de obras era feito, por vezes, como se fosse a distribuição de prêmios de
um bingo (veja aqui documentos).

Funcionários da Petrobras - As empresas precisavam garantir que apenas aquelas do cartel fossem
convidadas para as licitações. Por isso, era conveniente cooptar agentes públicos. Os funcionários não
só se omitiam em relação ao cartel, do qual tinham conhecimento, mas o favoreciam, restringindo
convidados e incluindo a ganhadora dentre as participantes, em um jogo de cartas marcadas. Segundo
levantamentos da Petrobras, eram feitas negociações diretas injustificadas, celebravam-se aditivos
desnecessários e com preços excessivos, aceleravam-se contratações com supressão de etapas
relevantes e vazavam informações sigilosas, dentre outras irregularidades.

Operadores financeiros - Os operadores financeiros ou intermediários eram responsáveis não só por


intermediar o pagamento da propina, mas especialmente por entregar a propina disfarçada de dinheiro
limpo aos beneficiários. Em um primeiro momento, o dinheiro ia das empreiteiras até o operador
financeiro. Isso acontecia em espécie, por movimentação no exterior e por meio de contratos simulados
com empresas de fachada. Num segundo momento, o dinheiro ia do operador financeiro até o beneficiário
em espécie, por transferência no exterior ou mediante pagamento de bens.

Agentes políticos - Outra linha da investigação – correspondente à sua verticalização – começou em


março de 2015, quando o Procurador-Geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal 28
petições para a abertura de inquéritos criminais destinados a apurar fatos atribuídos a 55 pessoas, das
quais 49 são titulares de foro por prerrogativa de função (“foro privilegiado”). São pessoas que integram
ou estão relacionadas a partidos políticos responsáveis por indicar e manter os diretores da Petrobras.
Elas foram citadas em colaborações premiadas feitas na 1ª instância mediante delegação do Procurador-
Geral. A primeira instância investigará os agentes políticos por improbidade, na área cível, e na área
criminal aqueles sem prerrogativa de foro. Essa repartição política revelou-se mais evidente em relação
às seguintes diretorias: de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012, de
indicação do PP, com posterior apoio do PMDB; de Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e
2012, de indicação do PT; e Internacional, ocupada por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, de indicação
do PMDB. Para o PGR, esses grupos políticos agiam em associação criminosa, de forma estável, com
comunhão de esforços e unidade de desígnios para praticar diversos crimes, dentre os quais corrupção
passiva e lavagem de dinheiro. Fernando Baiano e João Vacari Neto atuavam no esquema criminoso
como operadores financeiros, em nome de integrantes do PMDB e do PT.
As investigações continuam tanto na 1ª instância quanto no Supremo Tribunal Federal.

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Veja a representação gráfica do esquema:

Lava Jato

Esquema de desvio de Recursos da Petrobras

Fonte: http://lavajato.mpf.mp.br/entenda-o-caso. Acesso em 22/07/2015

Eduardo Cunha é citado por mais um delator da Operação Lava Jato

Mais um réu da Operação Lava Jato fechou delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF):
Eduardo Vaz da Costa Musa, ex-gerente da Área Internacional da Petrobras. Ele afirmou aos
procuradores que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem ligação com
o esquema de corrupção na estatal e que era dele a "palavra final" nas indicações políticas para cargos
na Área Internacional da empresa.
"João Augusto Henriques disse ao declarante que conseguiu emplacar Jorge Luiz Zelada para diretor
internacional da Petrobras com o apoio do PMDB de Minas Gerais, mas quem dava palavra final era o
deputado Eduardo Cunha do PMDB/RJ”, diz trecho da delação de Musa.
É a segunda vez que o presidente da Câmara é citado por um delator da Lava Jato.

Defesa

Por meio da assessoria de imprensa da Câmara, Cunha afirmou que não conhece o delator. O
advogado Antonio Fernando de Souza, responsável pela defesa do deputado, afirmou que só irá se
manifestar sobre a acusação após tomar conhecimento do teor da delação
O G1 tentou contato com a assessoria de imprensa do PMDB, mas até a última atualização desta
reportagem ainda não havia conseguido falar com o partido.
João Heniques é apontado pela Polícia Federal (PF) e pelo MPF como um operador ligado ao PMDB
no esquema de fraudes, corrupção e desvio de recursos da Petrobras.
Ele foi preso na 19ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na segunda-feira (21/09/2015), e é tido
como o maior o operador da área Internacional da estatal descoberto pelas investigações. O PMDB nega
qualquer ligação com Henriques.

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Acordo

A delação de Musa foi homologada em 10 de setembro pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável
pelas ações penais da Lava Jato em primeira instância. Os termos da colaboração foram anexados ao
sistema judiciário na noite terça-feira (22/09/2015).
Conforme informado pelo MPF, Musa se comprometeu na delação premiada a depositar em conta
judicial R$ 4,5 milhões, além do repatriamento de US$ 3,2 milhões. Musa é um dos réus da ação penal
oriunda da 15ª fase da Operação Lava Jato, que também prendeu o ex-diretor da área Internacional da
Petrobras Jorge Luiz Zelada, em junho deste ano. Ele responde pelo crime de corrupção passiva em
liberdade.

Segunda citação

Esta não foi a primeira vez que Cunha foi citado por um delator. Em julho, o ex-consultor da Toyo Setal
Júlio Camargo disse, em depoimento à Justiça Federal, em Curitiba, que foi pressionado pelo presidente
da Câmara a pagar US$ 10 milhões em propinas para que um contrato de navios-sonda da Petrobras
fosse viabilizado.
Do total do suborno, segundo o delator, Cunha disse que era “merecedor” de US$ 5 milhões.
Conforme Camargo, além dos US$ 5 milhões diretamente para ele, Cunha exigiu pagamento de
propina ao lobista do PMDB Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", um dos presos já
condenados na Lava Jato.
"Tivemos um encontro. Deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. [...] Deputado Eduardo
Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso,
dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do
qual ele era merecedor de US$ 5 milhões", afirmou Camargo.
No relato à Justiça Federal, o ex-consultor da Toyo Setal disse que Eduardo Cunha era sócio oculto
de Fernando Baiano. À época, o presidente da Câmara desafiou Camargo a provar que ele pediu propina
e afirmou que o delator estava sendo obrigado a mentir.

Investigado pelo STF

Cunha já é investigado na Operação Lava Jato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot,


apresentou uma denúncia contra ele, em agosto, ao Superior Tribunal Federal (STF) por suposto
envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. O senador e ex-presidente Fernando Collor de
Mello (PTB-AL) também foi denunciado.
Nas denúncias, o procurador-geral pede a condenação dos dois sob a acusação de terem cometidos
crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, eles receberam propina de
contratos firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal.
Na denúncia contra Eduardo Cunha, a Procuradoria também pede que sejam devolvidos US$ 80
milhões – US$ 40 milhões como restituição de valores supostamente desviados e mais US$ 40 milhões
por reparação de danos. Os dos parlamentares negam as acusações.
As propinas
Aos procuradores, Musa afirmou que sempre ouviu falar que havia na petrolífera um esquema de
propina. “Que desde que o declarante entrou na Petrobras, se ouvia falar no esquema de vantagens
indevidas nas mais diversas áreas, mas somente em 2006 o declarante passou a tomar conhecimento de
forma direta”, diz outro trecho da delação.
O ex-gerente afirmou que foi indicado para o cargo por Nestor Cervéro, ex-diretor da área Internacional
já condenado pela Lava Jato, e por Luiz Carlos Moreira, que era gerente executivo da mesma diretoria.
De acordo com Musa, Moreira mostrou uma planilha de divisão de propinas na área internacional.
Nesta planilha, inclusive, constava Pasadena. Musa reconheceu ter US$ 2,5 milhões na off-shore
Nebraska, no Banco Cramer, e também outra off-shore no Banco Pictec, sendo que nesta última ele não
recordava o saldo.
O delator confessou o recebimento de propina a partir de diversos contratos da Petrobras e citou a
participação do lobista Hamylton Padilha, que também é delator da Lava Jato, e de Bernando
Freiburghaus, na intermediação de propina. Tanto Padilha quanto Friburghaus também são réus na Lava
Jato.

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Fraude em licitação

De acordo com a delação de Musa, houve fraude na licitação para a contratação da montagem dos
módulos e integração de duas plataformas, no início de 2012, com a participação das empresas Mendes
Júnior e OSX, que formaram o consórcio Integra para disputar a concorrência. À época, Musa era o diretor
de construção naval da OSX, cujo presidente do Conselho de Administração é Eike Batista.
Musa declarou que o CEO da OSX, Luiz Eduardo Carneiro, sabia do esquema e que participou de pelo
menos uma reunião referente ao assunto. O delator disse que não sabe se Eike Batista "tomou
conhecimento desses fatos", mas que o presidente mantinha contato frequente com Carneiro.
Pela Mendes Júnior, quem participava do esquema eram o diretor de desenvolvimento de negócios
Luiz Claudio Machado Ribeiro e o diretor de negócios industriais Ruben Maciel da Costa Val.
Conforme a delação de Musa, foi Luiz Claudio que informou que o consórcio teria que pagar propina
para o lobista Henriques. Em troca, Henriques forneceria informações privilegiadas dentro da Petrobras
para orientar a formação da proposta técnica. O valor da propina foi incialmente acordado em torno de
R$ 5 milhões.

Outro lado

Em nota, a OSX informou que vai instaurar um procedimento interno para apurar as denúncias de
Eduardo Musa. "A atual Administração da OSX – Diretoria Executiva e Conselho de Administração –
ressalta que conduz os negócios da Companhia e de suas subsidiárias sempre em observância das
melhores práticas de mercado e não coaduna com qualquer eventual prática de atos em desconformidade
com a lei", diz trecho da nota.
Os advogados de Eike Batista informaram que o consórcio Integra tinha a Mendes Júnior como
acionista majoritária. Segundo eles, cabia à empreiteira cuidar do gerenciamento do consórcio e dos
negócios envolvidos. "Quaisquer pagamentos efetuados pelos sócios da Integra no âmbito do consórcio
eram definidos e determinados pela Mendes Júnior", afirmam.
A defesa de Batista também diz que o empresário não teve qualquer envolvimento com os fatos
denúnciados por Musa. "A Integra possui sede própria, e seus funcionários são pessoas contratadas pela
Mendes Júnior e por ela diretamente geridos. (...) Resta claro que Eike Batista, controlador da OSX
Construção Naval S.A. e da OSX Brasil S.A., jamais teve, em qualquer ocasião, ingerência sobre o
contrato com a Petrobras no âmbito do consórcio Integra, nem teve qualquer papel ou ingerência a
respeito de qualquer de seus fornecedores a qualquer título", dizem os advogados.
23/09/2015
Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/09/eduardo-cunha-e-citado-por-mais-um-delator-da-operacao-lava-jato.html

TSE registra Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina Silva

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta terça-feira (22/09/2015) a concessão de registro
para a Rede Sustentabilidade, partido idealizado pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva.
Com a decisão, a legenda fica apta a receber filiados e lançar candidatos para as eleições de 2016. É
o 34º partido do país – no último dia 15, o TSE tinha autorizado o 33º, o Partido Novo.
Os fundadores da Rede tentaram obter o registro em 2013, a fim de lançar Marina candidata à
Presidência pela legenda no ano passado, mas tiveram o pedido negado por falta do apoio mínimo
necessário na ocasião. A ex-senadora acabou disputando a eleição presidencial porque se filiou ao PSB
e integrou, como vice, a chapa encabeçada pelo ex-governador Eduardo Campos. Ela se tornou
candidata a presidente após a morte de Campos em um acidente aéreo – obteve 22,1 milhões de votos
e ficou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).
Em 2013, a Rede havia apresentado assinaturas de 442 mil eleitores validadas pelos cartórios
eleitorais, mas a lei exigia 492 mil, o equivalente a 0,5% dos votos dados para os deputados federais nas
eleições de 2010.
Em maio deste ano, Marina apresentou outras 56,1 mil assinaturas, somando apoio de 498 mil
eleitores, acima do exigido atualmente (486,6 mil eleitores).
No fim de agosto, o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, se manifestou favoravelmente ao
registro da Rede. Para ele, a nova legenda não precisaria apresentar mais assinaturas, de pessoas não
filiadas a outros partidos, uma nova exigência aprovada neste ano pelo Congresso para a obtenção de
autorização pela Justiça Eleitoral.

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Na sessão desta terça, o pedido de registro teve os votos favoráveis do relator, João Otávio de
Noronha, e dos ministros Herman Benjamin, Henrique Neves, Luciana Lóssio, Gilmar Mendes, Rosa
Weber e do presidente do TSE, Dias Toffoli.
Em seu voto, Gilmar Mendes lembrou da dificuldade de Marina em registrar o partido e ao final elogiou
a participação da ex-senadora na eleição do ano passado. "Marina perdeu as eleições, mas ganhou a
nossa admiração. Portanto, perdeu ganhando", afirmou.
Ao final do julgamento, Dias Toffoli chamou a atenção para o crescimento do número de legendas no
país.
"A se manter esse sistema, da distribuição do tempo de TV e do Fundo Partidário, cada deputado
federal quererá ser o seu partido político. De 34 passaremos a ter 513 partidos políticos”, afirmou, em
referência ao número de deputados da Câmara.

Marina Silva

A ex-senadora acompanhou pessoalmente a sessão do TSE que aprovou a concessão de registro à


Rede Sustentabilidade.
Após a decisão dos ministros, ela disse (veja no vídeo, no alto) que o objetivo do novo partido é colocar
a sustentabilidade "no centro da discussão do desenvolvimento econômico e social" do país.
"Uma das questões mais urgentes dessa agenda é a sustentabilidade política. Nós dizíamos em 2010
que iríamos perder muito daquilo que havia ganho na economia, na inclusão social e na democracia em
função do atraso na política. É o atraso na política que tem levado a perdas que nós imaginávamos que
não iria iríamos acontecer", declarou.
22/09/2015
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/09/tse-registra-rede-sustentabilidade-partido-fundado-por-marina-silva.html

Supremo proíbe doações de empresas para campanhas eleitorais

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (17/09/2015), por 8 votos a 3, declarar
inconstitucionais normas que permitem a empresas doarem para campanhas eleitorais. Com isso, perdem
validade regras da atual legislação que permitem essas contribuições empresariais em eleições.
Ao final da sessão, o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou que a decisão valerá
já a partir das eleições de 2016 e não invalida eleições passadas.
A decisão também dá à presidente Dilma Rousseff respaldo para vetar trecho de uma proposta recém-
aprovada pelo Congresso Nacional que permite as doação de empresas para partidos políticos. Se a
nova lei for sancionada sem vetos, outra ação poderá ser apresentada ao STF para invalidar o
financiamento político por pessoas jurídicas.
No julgamento, votaram em favor da proibição o relator do caso, Luiz Fux, e os ministros Joaquim
Barbosa, Dias Tofffoli e Luís Roberto Barroso (que votaram em dezembro de 2013); Marco Aurélio Mello
e Ricardo Lewandowski (que proferiram voto em abril do ano passado); além de Rosa Weber e Cármen
Lúcia, que votaram nesta quinta.
A favor da manutenção das doações por empresas votaram somente Gilmar Mendes (em voto lido
nesta quarta), Teori Zavascki, que já havia se manifestado em abril do ano passado, e Celso de Mello.
Na sessão desta quinta, Fux, como relator, relembrou seu entendimento sobre as doações por
empresas, argumentando que a proibição levaria à maior igualdade na disputa eleitoral. "Chegamos a um
quadro absolutamente caótico, em que o poder econômico captura de maneira ilícita o poder político",
afirmou na sessão.
Rosa Weber, por sua vez, argumentou que a influência do poder econômico compromete a
"normalidade e a legitimidade das eleições". "A influência do poder econômico culmina por transformar o
processo eleitoral em jogo político de cartas marcadas, odiosa pantomima que faz do eleitor um fantoche,
esboroando a um só tempo a cidadania, a democracia e a soberania popular", afirmou a ministra.
Ao votar e citando a Constituição, Cármen Lúcia afirmou que o poder emana do povo. "Há uma
influência que eu considero contrária à Constituição, é essa influência que desiguala não apenas os
candidatos, mas desiguala até dentro dos partidos. Aquele que detém maior soma de recursos, é aquele
que tem melhores contatos com empresas e representa esses interesses, e não o interesse de todo o
povo, que seria o interesse legitimo", disse.
Apesar de já ter votado, Teori Zavascki complementou seu voto, no sentido de limitar as empresas que
poderiam contribuir. Para ele, deveriam ser impedidas aquelas que possuem contratos com a
administração pública. Ele também propôs que, caso pudesse doar, a empresa escolhesse somente um
dos candidatos que disputam determinado cargo.

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Celso de Mello, o último a votar, entendeu, por sua vez, não haver incompatibilidade com a
Constituição a doação por pessoa jurídica, desde que não haja abuso de poder econômico.
Nesta quarta, em longo voto, o ministro Gilmar Mendes se posicionou contra a proibição,
argumentando que ela beneficiaria só o PT, prejudicando a disputa eleitoral. Ele argumentou que as
doações privadas viabilizam uma efetiva competição eleitoral no país, já que, para ele, o PT não precisaria
mais das contribuições, por ser financiado com desvio de dinheiro público.

Nova lei

Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a permissão para que empresas doem a
partidos políticos, porém não mais a candidatos, como atualmente. Para valer e virar lei, no entanto, a
regra ainda depende da sanção da presidente Dilma Rousseff.
A decisão do STF de derrubar as doações por empresas não afeta diretamente a permissão dada pelo
Congresso, mas, na prática, deverá invalidá-la no futuro.
Se a permissão dada pelo Legislativo for sancionada por Dilma, bastará outra ação ser ingressada no
STF para derrubá-la com base no novo entendimento do tribunal. De outro modo, a própria presidente
poderá vetar o trecho que permite as doações empresariais com base no entendimento dos ministros.
Atualmente, o financiamento de campanha no Brasil é público e privado. Políticos e partidos recebem
dinheiro do Fundo Partidário (formado por recursos do Orçamento, multas, penalidades e doações) e de
pessoas físicas (até o limite de 10% do rendimento) ou de empresas (limitadas a 2% do faturamento bruto
do ano anterior ao da eleição).
17/09/2015
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/09/supremo-decide-proibir-doacoes-de-empresas-para-campanhas-eleitorais.html

Supremo informa que Dilma vetou reajuste para servidores do Judiciário

A assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) informou na noite desta terça-feira (21/07/2015) que
a presidente Dilma Rousseff decidiu vetar o reajuste aprovado pelo Congresso Nacional para os
servidores do Judiciário. O veto ao projeto deverá ser publicado na edição desta quarta-feira (22/07/2015)
do “Diário Oficial da União”.
Até a última atualização desta reportagem, a informação não tinha sido confirmada pelo governo, mas
no último dia 1º o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, havia adiantado que o reajuste era
"incompatível" e a tendência era que fosse vetado. No mesmo dia, a presidente classificou a proposta de
reajuste de "insustentável".
De acordo com a assessoria do STF, o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Dyogo
Henrique de Oliveira, telefonou para o Supremo e informou sobre o veto ao diretor-geral do STF, Amarildo
Vieira.
A assessoria do Ministério do Planejamento, não confirmou o veto, mas informou que o governo avalia
conceder aos servidores do Judiciário reajuste de 21,3% a ser pago pelos próximos quatro anos, assim
como oferecido aos servidores do Executivo. Conforme a assessoria, as negociações com a categoria
continuarão nos próximos dias.
Confirmada decisão da presidente, caberá ao Congresso Nacional decidir, em sessão conjunta de
deputados e senadores, se mantém ou se derruba o veto.
Em 30 de junho, o Senado aprovou reajuste que varia de 53% a 78,5%, de acordo com o cargo, a ser
pago em seis parcelas até 2017. O governo se posicionou contra o projeto porque, segundo o Ministério
do Planejamento, os percentuais representariam aumento de R$ 25,7 bilhões nos gastos nos próximos
quatro anos. O impacto será de R$ 1,5 bilhão, em 2015; em R$ 5,3 bilhões, em 2016; R$ 8,4 bilhões, em
2017; e R$ 10,5 bilhões, em 2018.
Desde que o Congresso aprovou o reajuste, os servidores do Judiciário fizeram protestos (veja o desta
terça no vídeo ao lado) em frente ao Palácio do Planalto com o objetivo de pressionar a presidente Dilma
a não vetar o aumento. A categoria diz que o último reajuste ocorreu em 2006 e que o percentual médio
de 59% repõe a inflação acumulada no período.

Lewandowski não comenta

Por meio da assessoria do STF, o presidente do tribunal, ministro Ricardo Lewandowski, informou que
aguardará a apreciação do veto da presidente da República pelo Congresso Nacional.
Durante a negociação, o Supremo chegou a propor veto parcial, para suprimir as primeiras parcelas
do reajuste médio de 59%, mas a hipótese já havia sido descartada.

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O governo propôs ao Judiciário aumento de 21,3% que já propôs aos servidores do Executivo,
escalonado entre 2016 e 2019. Os servidores do Judiciário, no entanto, não aceitam a proposta e querem
uma nova negociação.
O Supremo deve voltar à mesa de negociações depois da publicação do veto. No STF, não há
expectativa de que o Congresso derrube o veto, uma vez que dirigentes do tribunal avaliam que a
aprovação foi somente para desgastar Dilma.
21/07/2015
Mariana Oliveira e Filipe Matoso
Fonte:http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/07/supremo-informa-que-dilma-vetou-reajuste-para-servidores-do-judiciario.html-adaptado

Delator relata pedido de propina de Eduardo Cunha

Investigado pela Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), desafiou nesta quinta-feira (16/07/2015), por meio de nota, o ex-consultor da Toyo Setal Júlio
Camargo – um dos delatores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras – a provar que ele pediu
propina de US$ 5 milhões. Segundo Cunha, o delator está sendo obrigado a mentir.
Em depoimento à Justiça Federal do Paraná nesta quinta, Camargo afirmou que foi pressionado por
Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse
viabilizado. Do total do suborno, contou o delator, Cunha disse que era "merecedor" de US$ 5 milhões.
Conforme Camargo, além dos US$ 5 milhões diretamente para ele, Cunha exigiu pagamento de propina ao
lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", um dos presos da Lava Jato.
"Tivemos um encontro. Deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. [...] Deputado Eduardo Cunha é
conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso, dizendo que
ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era
merecedor de US$ 5 milhões", enfatizou.
"E que isso estava atrapalhando, que ele estava em véspera de campanha, se não me engano, era uma
campanha municipal... e que ele tinha uma série de compromissos e que eu vinha alongando esse pagamento
há bastante tempo e que ele não tinha mais condições de aguardar", complementou Camargo no depoimento
ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.
No relato à Justiça Federal, o ex-consultor da Toyo Setal afirmou que Eduardo Cunha era sócio oculto de
Fernando Baiano.
“O deputado Cunha não aceitou que eu pagasse somente a parte dele. 'Olha, Júlio, eu não aceito que você
faça uma negociação para pagar só a minha parte. Você até pode pagar o Fernando mais dilatado, mas o meu
preciso rapidamente. Eu faço questão de você incluir no acordo aquilo que falta pagar ao Fernando'. E aí
chegou um SMS: 'Entre US$ 8 milhões a US$ 10 milhões', uma coisa assim”, destacou Camargo no
depoimento.
O ex-consultor da Toyo Setal afirmou que, sem ter recurso para pagar a propina, Cunha o ameaçou com
um requerimento na Câmara, solicitando que os contratos dos navios-sonda fossem enviados ao Ministério de
Minas e Energias para avaliação e eventual remessa para o Tribunal de Contas da União (TCU).
Acuado, Camargo disse que procurou o ministro Edison Lobão. “Eu disse a ele: 'está acontecendo algo
desagradável'. Existe um requerimento disso, de uma empresa que eu represento, que eu acho que só traz
benefícios para o país, tem trazido dinheiro japonês barato. E a reação dele imediata foi a seguinte: ‘Isso é
coisa do Eduardo’”.
Conforme o relato do delator, no mesmo momento, Lobão ligou para Cunha. "Pegou o celular e ligou para
o deputado Eduardo Cunha, na minha frente. Disse: 'Eduardo, estou aqui com o Júlio Camargo, você está
louco?'. Não sei qual foi a resposta do deputado, mas ele disse: 'Você me procure amanhã cedo no meu
gabinete em Brasília, que quero conversar com você. Desligou o telefone e disse: 'Júlio, o que te preocupa
nesse requerimento? Existem coisas erradas?'. Falei: 'Ministro, não tem nada errado'".
Lobão, detalhou o ex-consultor, garantiu que não havia com o que Camargo se preocupar, que o processo
terminaria o mais rápido possível.
Na nota divulgada nesta quinta, Cunha questionou o motivo de o ex-consultor só ter relatado agora que ele
teria pedido propina. "O delator [Camargo] já fez vários depoimentos, onde não havia confirmado qualquer fato
referente a mim, sendo certo ao menos quatro depoimentos. [...] Desminto com veemência as mentiras do
delator e o desafio a prová-las", escreveu o peemedebista no comunicado.

'Obrigado a mentir'

Em coletiva de imprensa na Câmara, Eduardo Cunha afirmou que o Palácio do Planalto e o procurador-
geral da República, Rodrigo Janot, “podem estar por trás” da acusação feita contra ele por Júlio Camargo.
Para Cunha, o delator foi "obrigado a mentir"

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“O delator [Camargo] foi obrigado a mentir. E acho muito estranho [a denúncias] ser na véspera do meu
pronunciamento [em cadeia de rádio e TV] e na semana em que a parte do Poder Executivo [Polícia Federal],
no cumprimento dos mandatos judiciais, tenha agido com aquela fanfarronice toda [no cumprimento dos
mandados de busca e apreensão na casa de políticos investigados pela Lava Jato", disse Eduardo Cunha em
entrevista na Câmara.
"Ou seja, há um objetivo claro de constranger o Poder Legislativo, que pode ter o Poder Executivo por trás
numa ação com o procurador-geral da República”, acrescentou o presidente da Câmara.
A Procuradoria Geral da República divulgou nota para informar que o depoimento de Júlio Camargo não
tem relação com os inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal - um dos quais, o de Eduardo Cunha
Júlio Camargo fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) para repassar
informações sobre o esquema de corrupção que desviava dinheiro da Petrobras em troca de eventuais
benefícios, em caso de condenação judicial.
A Toyo Setal, empresa para a qual o delator prestava consultoria e que é uma das fornecedoras da
Petrobras, é investigada por suspeita de pagar propina para executivos da estatal em troca de contratos.
Em nota, o advogado Nélio Machado, que defende Fernando Baiano no processo da Lava Jato, disse
considerar "muito estranho" que um delator "mude a sua versão" dez meses depois de fazer seu primeiro
depoimento. Na visão do criminalista, essa suposta mudança de versão "deixa mal a credibilidade do delator,
do MPF e do Judiciário, que acreditaram em alguém que muda a sua história ao sabor dos eventos".

Nota de Eduardo Cunha

Leia a íntegra da nota divulgada por Eduardo Cunha:

NOTA À IMPRENSA
Com relação à suposta nova versão atribuída ao delator Júlio Camargo, tenho a esclarecer o que se segue:
1- O delator já fez vários depoimentos, onde não havia confirmado qualquer fato referente a mim, sendo
certo ao menos quatro depoimentos.
2- Após ameaças publicadas em órgãos da imprensa, atribuídas ao Procurados Geral da República, de
anular a sua delação caso não mudasse a versão sobre mim, meus advogados protocolaram petição no STF
alertando sobre isso.
3- Desminto com veemência as mentiras do delator e o desafio a prová-las.
4- É muito estranho, às vésperas da eleição do Procurador Geral da República e às vésperas de
pronunciamento meu em rede nacional, que as ameaças ao delator tenham conseguido o efeito desejado pelo
Procurador Geral da República, ou seja, obrigar o delator a mentir.
Deputado Eduardo Cunha
Presidente da Câmara dos Deputados

Nota da PGR

Leia abaixo nota divulgada pela Procuradoria-Geral da República.

Nota de esclarecimento
A Procuradoria-Geral da República esclarece que o depoimento prestado na presente data por Júlio
Camargo à Justiça Federal do Paraná não tem qualquer relação com as investigações (inquéritos) em trâmite
no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A audiência referente à ação penal da primeira instância - que tem
réu preso, ou seja, tem prioridade de julgamento - foi marcada pelo juiz federal Sergio Moro há semanas (em
19 de junho), a pedido da defesa de Fernando Soares, e a PGR não tem qualquer ingerência sobre a pauta de
audiências do Poder Judiciário, tampouco sobre o teor dos depoimentos prestados perante o juiz.
16/07/2015
http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/07/delator-relata-pedido-de-propina-de-cunha-que-o-desafia-provar.html

Governo vai aumentar vistos para haitianos virem ao Brasil, diz ministro

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quinta-feira (04/06/2015) que o governo
vai ampliar a emissão de vistos em Porto Príncipe, capital do Haiti, para que imigrantes do país possam
entrar no Brasil legalmente. O objetivo da medida, segundo o ministro, é combater a atuação de grupos
que exploram imigrantes em rotas clandestinas.
"Devemos enfrentar as organizações criminosas que trazem para o Brasil, explorando
economicamente a necessidade de haitianos, um conjunto de pessoas que chegam debilitadas, sem

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saúde, com fome. O que é obviamente inaceitável do ponto de vista dos direitos humanos", afirmou o
ministro.
A decisão foi anunciada em Quito, após uma rodada de reuniões de Cardozo com ministros do Peru,
da Bolívia e do Equador para discutir o assunto. Segundo o ministro, as autoridades foram "unânimes" na
necessidade de combater a imigração ilegal.
"Nós não podemos estabelecer medidas que impeçam as pessoas de terem livre acesso aonde
querem viver. É uma posição tradicional do Brasil e os outros países também concordam com isso",
afirmou.
Cardozo afirmou que ainda devem ser discutidas outras medidas policiais e de "controle migratório
legalizado" entre os países.
A entrada de haitianos no Brasil ganhou força depois que um terremoto devastou o país caribenho em
2010, matando cerca de 300 mil pessoas. A maior parte dos haitianos chega pela cidade de Brasiléia, no
Acre. Só em 2015, foi registrada a entrada de mais de 7 mil pessoas.
Atualmente, o Brasil emite mais de 100 vistos por mês para cidadãos do Haiti, conforme o Ministério
da Justiça.
O crescimento da imigração de haitianos preocupa, sobretudo, autoridades do Acre. O governador do
estado, Tião Viana (PT), defende que a responsabilidade pela recepção dos imigrantes seja
“compartilhada” por outros estados.
Para chegar até ao território brasileiro, os haitianos saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto
Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana. Lá, compram uma
passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para
Quito, no Equador.
Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto
Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até
chegar a Brasiléia, também no Acre.
Renan Ramalho
04/06/2015
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/06/governo-vai-aumentar-vistos-para-haitianos-virem-ao-brasil-diz-ministro.html

Parlamentarismo volta ao debate político no Brasil - e especialistas o consideram má ideia

De origem britânica, o parlamentarismo voltou ao debate político do Brasil em 2015. Tanto o presidente
da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando parlamentares de partidos de oposição como PSDB e
PPS são favoráveis ao regime, nascido no século 13 para frear a monarquia absolutista na Europa. Mas
o tema, que parece uma evolução ao atual presidencialismo, possui algumas "armadilhas", segundo
especialistas ouvidos pelo Brasil Post.
Antes de mais nada, é preciso lembrar que o Brasil já viveu períodos parlamentaristas em sua História
— um na época da monarquia, no século 19, e outro no início dos anos 1960. Tivemos a oportunidade
de adotar o regime, durante o plebiscito de 1993. Na ocasião, o presidencialismo ganhou com ampla
vantagem tanto do parlamentarismo quanto da monarquia. Após 22 anos, é hora de rediscutir o tema?
“Já houve uma rejeição da população. Qualquer mudança dependeria de um novo plebiscito, mas
antes teríamos de resolver muitas questões quanto ao modelo. A população aceita perder o poder de
escolha do presidente? No parlamentarismo, isso é feito pelo Legislativo, que é hoje tão mal visto quanto
a presidente da República. Acho difícil convencer a população disso”, avaliou o cientista político da
Unicamp Valeriano Mendes Ferreira Costa.
A opinião é compartilhada pelo cientista político do Insper Fernando Schüler. Para ele, há uma longa
tradição presidencialista na América Latina, permeada pela instabilidade democrática cuja causa repousa
em “déficit de governabilidade, baixo nível de consenso político e social, baixo interesse político em
interesses sociais”, além das muitas rupturas democráticas ao longo do processo.
“É natural o permanente questionamento do presidencialismo. Alguns argumentam, como Eduardo
Cunha, que o parlamentarismo seria o mais propício para a resolução de crises, com possibilidade de
dissolver governo e recompor a maioria. Funciona em democracias tradicionais como a Inglaterra, mas
poderia usar o argumento contrário: como entregar tudo a um Congresso de partidos pouco
programáticos, patrimonialistas, com sistema que permite pouca renovação e baixa representatividade?
É difícil”, disse.

Parlamentarismo de 2015 tenta compor o que faltou em 1988

A Assembleia Constituinte que formulou a Constituição Federal de 1988 tinha como uma das suas
premissas pós-ditadura militar a instalação do regime parlamentarista no Brasil. O ex-presidente

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Fernando Henrique Cardoso foi relator do Regime Interno da Constituinte, que deu poderes à Comissão
de Sistematização. Foi esse grupo o responsável por um texto que previa a instalação do parlamentarismo
como forma de governo.
Por outros pontos da proposta, forças mais conservadoras se aglutinaram no bloco chamado Centro
Democrático, o "Centrão", que detinha a maioria dos 559 membros da Constituinte, para reagir.
Articulados junto ao então presidente José Sarney, eles aprovaram o regime presidencialista, com
mandato de cinco anos. Então líder do PCB, o deputado federal Roberto Freire (hoje no PPS, amplo
defensor do parlamentarismo), relembrou o desenrolar nos bastidores.

“Em um determinado momento, no qual se dava a disputa sobre a questão do mandato de cinco anos
do presidente da República, ante a tentativa de reduzir o mandato presidencial, que era de seis anos para
quatro, e que no final ficou em cinco. Esse debate teve no PT o partido que mais se mobilizou em torno
da ideia dos quatro anos e, com isso, exercia uma pressão muito grande em relação aos outros partidos
democráticos que discutiam essa questão. O PT defendia os quatro anos, mas com o presidencialismo,
já que não eram parlamentaristas.
Nós éramos parlamentaristas, e cometemos um equívoco, ao não admitirmos, em nenhum momento,
e esse momento existiu, uma negociação de manutenção do mandato presidencial tal como estava, nos
cinco anos, e uma discussão do sistema parlamentarista, depois do final do mandato. Por conta desta
pressão dos quatro anos, exercida pelo PT e de um certo patrulhamento, deixamos passar essa
oportunidade. Quando digo ‘nós’, refiro-me particularmente a Mário Covas e a mim, que poderíamos, e
tínhamos condições, de discutir muito o que devíamos fazer, já que éramos parlamentaristas, e não
aproveitamos aquela oportunidade como devíamos, de incentivar a discussão do parlamentarismo.
Preferimos imaginar que iríamos ser vitoriosos no parlamentarismo e nos quatro anos. Foi um grande
equívoco nosso, porque se ganhássemos o parlamentarismo podia o mandato presidencial ser até de
sete anos. Naquele momento, o debate estava atrelado à duração do governo Sarney, de reduzir o seu
mandato, o que era uma bobagem, não tinha nenhum sentido. Poderíamos ter dado os cinco anos e ter
feito um grande acerto, e quem sabe, o Brasil teria saído daquele processo com o parlamentarismo, e
estaríamos, sem dúvida alguma, muito melhores hoje”.

Como consolo, os parlamentaristas derrotados na Constituinte conseguiram incluir a realização de um


plebiscito — realizado em 1993, terminou com a derrota do parlamentarismo.
Se há um argumento em que especialistas e os favoráveis ao regime parlamentarista concordam é
que o atual presidencialismo de coalizão, no qual o presidente da República loteia o Estado para obter
maioria no Legislativo, governando assim a seu modo, está com o seu prazo de validade vencido. O
resultado, enquanto isso não ocorre, é a crise de representatividade enfrentada pela presidente Dilma
Rousseff na atual legislatura.
Todavia, isso não quer dizer que seja preciso mudar o modelo de governo. Para os cientistas políticos
ouvidos pelo Brasil Post, atribuir ao parlamentarismo a pecha de “salvação da pátria” em tempos de crise
é hoje mais uma manobra de desgaste de um governo em crise do que propriamente uma tentativa de
estancar o sangramento da presidente e do seu partido, o PT. Nem mesmo questionar a aprovação de
Dilma - hoje em meros 9% - legitima uma mudança de regime.
“Acho que o parlamentarismo pode representar uma evolução institucional, desde que venha com uma
ampla e profunda reforma política. Mantidas as nossas regras atuais, com um regime parlamentarista,
seria um cenário de ficção científica. Não representaria nenhum avanço”, afirmou Schüler. “Acho que hoje
é mais um ‘balão de ensaio’ para pressionar a Dilma e destacar o Cunha. A própria reforma política, do
jeito que está avançando na Câmara, quer mais aumentar a confusão do que mudar alguma coisa”,
completou Costa, da Unicamp.
Para os dois especialistas, caso uma proposta de regime parlamentarista realmente avance no
Congresso Nacional nesta legislatura (a única que não foi arquivada até hoje data de 1995, do então
deputado federal Eduardo Jorge), o caminho seria extenso. Além de o cenário político atual ser
desfavorável, eles não acreditam até mesmo quem defende a mudança sustentasse o argumento até o
fim. Como aconteceu em 1988.
“Quem almeja ser presidente sempre trabalhou contra o parlamentarismo. Todos tentariam sabotar a
discussão. Acho que a única coisa que essa discussão traz no momento é o enfraquecimento da
presidente Dilma. Soa como uma doença oportunista, que pega um paciente fraco. Tenha certeza que
todos querem governar plenamente. Por isso é que essa discussão jamais decolou após o plebiscito”,
destacou Costa.
Ainda de acordo com o cientista político da Unicamp, a população ainda demonstra um interesse
singular pela escolha para a Presidência da República, e seria muito difícil explicar de maneira clara o

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funcionamento do parlamentarismo. Tanto ele quanto o colega do Insper acreditam que um regime
parlamentarista, no Brasil, teria de ser quase que único, permitindo adaptações – por exemplo, assegurar
que o voto popular elegesse o primeiro-ministro.
“Na Europa já se faz isso, com o candidato a primeiro-ministro já sendo destacado logo no início das
eleições”, disse Costa. “Seriam necessários filtros institucionais, porque maiorias são perigosas pelo calor
do momento. Veja que Hitler [líder do regime nazista alemão] teve a maioria na Alemanha em determinado
momento e deu no que deu (...). É verdade que havia um viés parlamentarista em 1988, mas a maioria
da sociedade não o é. Resiste ainda um conceito de que o parlamentarismo é um regime elitista, por
conta do que ocorreu com o presidente João Goulart em 1963, quando se adotou o parlamentarismo para
tirar poder dele e impedi-lo de realizar reformas populares. E tudo isso é uma lenda”, emendou Schüler.

Atual crise faz parte do aprendizado democrático

Se o debate sobre o parlamentarismo no Brasil está longe de um consenso, o fato é que a situação
vivida pelo País no âmbito político no presente não pode ser menosprezada. O presidencialismo de
coalizão está em crise em parte também por conta da independência alcançada pelo Legislativo após as
eleições de 2014. O que para os brasileiros e sua jovem democracia parece estranho – o Executivo
submetido às decisões parlamentares – é justamente o esperado em Repúblicas democráticas.
“Termos essa pauta do parlamentarismo é positivo. O presidencialismo de coalizão no Brasil
historicamente subvencionou o Congresso, formando a base por cooptação. Por isso temos hoje 39
ministérios, 24 mil cargos de confiança e outros loteamentos no Orçamento da União. É um sistema
insustentável, e nem estou considerando a corrupção, um princípio nada republicano. Há um mal-estar,
a discussão é positiva, e nesse sentido o Cunha não é só um bom articulador, mas também um propositor
de pautas, embora elas soem oportunistas”, afirmou Schüler.
Um outro adversário para o debate do parlamentarismo em um País ainda “pouco maduro” na
atualidade é a instabilidade nas regras do jogo. “Fizemos o plebiscito há 22 anos só, é muito pouco tempo
para querer mudar. É a mesma história da reeleição, que só temos há 17 anos. Não se muda tudo com
períodos tão curtos. Achar que mudar é a resposta só por conta da baixa popularidade é um equívoco,
sob pena de cairmos na ‘ditadura da popularidade’”, complementou o cientista político do Insper.
Para Costa, antes de mais nada, o Brasil precisa buscar a estabilidade e o respeito ao regime
constitucional, promovendo sim reformas, mas não instalando um constante “caráter transitório”, no qual
a volatilidade é o carro-chefe da política. “Vivemos um tempo em que, quando o Parlamento exerce a sua
autonomia, achamos que é crise. É justamente o contrário, é aí que aflora o presidencialismo, no qual o
Executivo trabalha à luz das decisões dos parlamentares. Não estávamos acostumados a isso, faz parte
do aprendizado.”
Em meio a toda a crise política e discussões como a do parlamentarismo, clara é uma lição à
população: o valor do voto para o Legislativo. “A gente se acostuma a achar que eleição não vale nada,
que Congresso não serve para nada. Essa autonomia atual mostra o oposto, demonstra como a escolha
de deputados e senadores é importante. Veja que esse Congresso está podendo usar o seu poder para,
por exemplo, chantagear e desgastar a presidente com medidas impopulares. Fosse um regime
parlamentarista, a bagunça seria ainda maior”, finalizou o cientista político da Unicamp.

Curiosidades sobre o parlamentarismo:

-O parlamentarismo é um regime no qual o Executivo fica com a representação da sociedade,


aceitando o princípio da distribuição de poderes com o Legislativo. A tradição do regime parlamentarista
está nos países europeus, encabeçados por Inglaterra e França. Todavia, os modelos podem ser três: o
clássico, o racionalizado e o misto.
-A comissão especial criada neste ano na Câmara para a reforma política não chegou a ter o seu
relatório analisado e votado, em razão de uma escolha de Cunha. Mas o parlamentarismo chegou a ser
mencionado pelo relator, deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI). Para ele, não era o momento de
discussão do regime, já que a população já havia rejeitado a mudança. Castro acreditava que o debate
sobre o assunto deveria ficar para o futuro.
-Um dos maiores defeitos da Constituição de 1988 foi ter mantido as chamadas medidas provisórias –
típicas de regimes parlamentarista – na redação final. “No sistema presidencialista, se vocês deixarem a
medida provisória, o presidente da República vai se transformar no maior ditador de todos os tempos”,
disse o ex-deputado e ex-relator-geral da Assembleia Constituinte, Bernardo Cabral.
-Beneficiado pela manutenção do presidencialismo em 1988, o ex-presidente Fernando Collor foi um
dos que sugeriram a adoção do parlamentarismo. Foi em 2007, quando já estava no Senado. Na visão

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dele, o regime parlamentarista “permite um controle muito maior da sociedade sobre o governo”. A
proposta dele, porém, acabou arquivada.
-Tido como um dos grandes articuladores contra o parlamentarismo na Constituinte, José Sarney
defendeu a troca de regime no Brasil. Para o ex-presidente, só assim seria possível evitar “o descompasso
entre Executivo e Legislativo”.
Thiago de Araújo
17/07/2015
Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/atualidades/parlamentarismo-volta-ao-debate-politico-brasil-especialistas-consideram-
ma-ideia-888360.shtml

Após manobra, Câmara aprova proposta para reduzir maioridade

Apenas 24 horas após o plenário rejeitar a redução da maioridade para crimes graves, a Câmara dos
Deputados colocou novamente o tema em votação e aprovou na madrugada desta quinta-feira
(02/06/2015) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a idade penal
para crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. A manobra do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revoltou deputados contrários à mudança constitucional, gerando
intensas discussões. Para virar lei, o texto ainda precisa ser apreciado mais uma vez na Casa e, depois,
ser votado em outros dois turnos no Senado.
A votação da madrugada desta quinta se deu com 323 votos favoráveis, 155 contrários e 2 abstenções.
Eram necessários ao menos 308 votos a favor para a matéria seguir tramitando.
De acordo com o presidente da Câmara, a votação em segundo turno deverá ocorrer após o recesso
parlamentar de julho, já que é preciso cumprir prazo de cinco sessões antes da próxima votação.
Pelo texto, os jovens de 16 e 17 anos terão que cumprir a pena em estabelecimento penal separado
dos menores de 16 e maiores de 18. Ao final da votação, deputados favoráveis à mudança constitucional
seguraram cartazes na tribuna em defesa da proposta e comemoraram com gritos em plenário.
Proposta rejeitada um dia antes
A aprovação da PEC ocorre depois de a Casa derrubar, na madrugada da última quarta-feira (1º), texto
semelhante, que estabelecia a redução da maioridade a casos de crimes cometidos com violência ou
grave ameaça, crimes hediondos (como estupro), homicídio doloso, lesão corporal grave ou lesão
corporal seguida de morte, tráfico de drogas e roubo qualificado.
Após a rejeição na noite anterior, Cunha afirmou que a Casa ainda teria que votar o texto principal,
mas ressaltou que isso só ocorreria após o recesso parlamentar de julho. No entanto, após reunião com
parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal, ele decidiu retomar a análise do tema nesta
quarta e apreciar um texto parecido com a proposta rejeitada.

Sem protestos

Jovens da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
(Ubes) não esperavam a retomada da votação e, por isso, não conseguiram fazer protestos como os
mobilizados na noite anterior.
Cunha também não permitiu a entrada dos poucos estudantes que foram à Câmara para defender a
derrubada da proposta, alegando que os manifestantes fizeram tumulto na noite anterior.
A decisão do presidente da Câmara de votar um texto semelhante ao derrotado de madrugada também
gerou bate-boca e questionamentos por parte de deputados contrários ao texto, mas o peemedebista
conseguiu prosseguir com a votação.
Como foi a votação
Durante a sessão, deputados do PT, do PSOL e do PCdoB defenderam a derrubada da PEC. O
governo defende alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente e ampliar o tempo máximo de internação
de 3 para 8 anos.
“Todos nós queremos resolver a questão da violência, da criminalidade, queremos evitar que crimes
bárbaros terminem. Mas precisamos, de forma madura e responsável, encontrar qual a alternativa real
para resolver o problema. E a alternativa real é alterarmos o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os
efeitos colaterais dessa redução da maioridade penal são maiores que os alegados benefícios”, disse o
deputado Henrique Fontana (PT-RS).
O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), também discursou contra a proposta. “Não
queremos jovem infrator na rua, mas queremos lugares decentes para que eles sejam punidos. Mas não
dá para misturar os jovens com bandidos de alta periculosidade. O que está em jogo é o futuro dessas
gerações. É um retrocesso se aprovarmos essas emendas”, afirmou.

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Já parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal argumentaram que a PEC não soluciona
o problema da violência, mas reduz o sentimento de “impunidade”.
"Nós sabemos que a redução da maioridade penal não é a solução, mas ela vai pelo menos impor
limites. Não podemos permitir que pessoas de bem, que pagam impostos, sejam vítimas desses
marginais disfarçados de menores", discursou o líder do PSC, André Moura (SE).
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), um dos articuladores da votação nesta quarta, também
defendeu a redução da maioridade penal. "O PMDB afirma a sua posição de maioria pela redução da
maioridade penal, nos crimes especificados. Achamos que a proposta é equilibrada, ela é restrita", disse.
“A sociedade não aceita mais a impunidade e não deseja mais sentir o medo, o pavor e o receio que vem
sentindo no dia a dia.”
Emenda apresentada na quarta
A proposta derrubada nesta quarta é produto de uma emenda aglutinativa – texto produzido a partir
de trechos de propostas de emenda à Constituição apensadas ao texto que está na pauta do plenário.
Essa emenda foi elaborada pela manhã por deputados do PSDB, PHS, PSD e PSC e protocolada na
Secretaria-Geral da Mesa. No plenário, deputados do PT, do PDT e do PCdoB alegaram que a elaboração
de uma proposta com teor muito semelhante ao texto derrubado contraria o regimento. Argumentaram
ainda que, para ser votada, a emenda teria que ter sido elaborada e apensada antes da votação ocorrida
durante a madrugada.
Cunha rebateu os argumentos citando o artigo 191, inciso V, do regimento interno da Câmara.
Conforme esse trecho, na hipótese de rejeição do substitutivo (texto apresentado pelo relator da proposta,
como é o caso), “a proposição inicial será votada por último, depois das emendas que lhe tenham sido
apresentadas”.
Segundo o peemedebista, como o texto original ainda não havia sido votado, é permitida a
apresentação de novas emendas aglutinativas com base nas propostas apensadas a essa redação.
Os parlamentares continuaram a protestar e Cunha chegou a bater boca com eles. “Quando o senhor
é chamado de autoritário, o senhor se chateia”, protestou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ). Cunha
rebateu: “Ninguém vai vencer aqui no berro”.
“Não imagine que o senhor vai nos escravizar, porque não vai. Não imagine que todos os
parlamentares vão abaixar a cabeça”, emendou Braga. O deputado Weverton Rocha (PDT-MA) acusou
Cunha de “aplicar um golpe”. A deputada Erika Kokay (PT-DF) chamou o presidente da Câmara de Luiz
XIV, em referência ao rei francês absolutista, e disse que ele tentava sobrepor a sua vontade à dos
parlamentares.
José Guimarães (PT-CE) fez um apelo para que a votação fosse suspensa e a Câmara discutisse
como alternativa um projeto de lei que tramita no Senado ampliando de 3 para 10 anos o período máximo
de internação de jovens infratores.
Segundo ele, “uma discussão tão importante como essa” não poderia ser tratada “com tamanho
radicalismo”. Guimarães argumentou ainda que a aprovação da emenda poderia trazer “sequelas”.
“Reverter [a posição] de ontem para hoje é o melhor caminho? Claro que não, porque pode deixar
sequelas”, disse sobre o impacto da redução. No entanto, Cunha não cedeu e continuou a sessão. Os
parlamentares contrários à redução da maioridade tentaram, então, obstruir a sessão, utilizando-se de
manobras previstas no regimento para postergar ao máximo a votação.
Nathalia Passarinho
02/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/07/apos-rejeitar-pec-camara-aprova-novo-texto-que-reduz-maioridade.html

Câmara aprova lei da terceirização: projeto gera empregos ou precariza relações de trabalho?

A Câmara dos Deputados encerrou na noite de quarta-feira a votação do polêmico projeto de lei que
regulamenta a terceirização do trabalho no Brasil.
A aprovação do PL 4330 representou uma derrota do governo, o PT e entidades sindicais, que
tentavam obter apoio para que ele fosse reprovado.
Seu texto principal havia sido aprovado em 8 de abril. Desde então, a Câmara apreciou pedidos de
alteração, conhecidos como destaques.
O projeto agora seguirá para o Senado, onde deve continuar gerando polêmica e divisões.
O PL 4330 permite às empresas terceirizarem até suas atividades-fim, aquelas que estão no centro da
atuação das companhias. Segundo sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), sua
aprovação promoveria a precarização das relações de trabalho no país.
Já as entidades patronais, como a Fiesp, defendem que a medida poderia gerar milhares de novos
postos de trabalho, além de ampliar a segurança jurídica para os 12 milhões de brasileiros que já prestam
serviço como terceirizados.

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Mas a polêmica está longe de ser nova. Há décadas, economistas se dividem dentro e fora do Brasil
sobre os possíveis efeitos da terceirização de trabalhadores pelas empresas.
A BBC Brasil entrevistou economistas com pontos de vistas diferentes sobre o tema em uma tentativa
de esclarecer os argumentos de um e outro lado.
Afinal, a terceirização ajuda a gerar empregos ou apenas precariza as relações de trabalho?
Geração de empregos
Para Márcio Salvato, coordenador do curso de economia do Ibmec-MG, ampliar as possibilidades de
terceirização das atividades das empresas pode ajudar a tornar a economia brasileira mais competitiva,
impulsionando a criação de empregos no médio prazo.
"A contratação de terceirizados pode reduzir os encargos sobre a folha de pagamentos e os recursos
gastos com a gestão de trabalhadores nas empresas. Além disso, elas podem contratar trabalhadores
mais especializados, o que gera ganhos de eficiência", diz ele.
O professor Fernando Peluso, do Insper, por outro lado, é mais cético sobre os efeitos da terceirização
sobre a geração de empregos.
"Uma empresa que precisa de 1.000 pessoas para produzir vai continuar precisando dessas 1.000
pessoas. Pode haver uma substituição de empregados contratados por terceirizados, mas não vejo por
que as empresas contratariam mais - ou menos", diz ele.
José Dari, economista da Unicamp especialista em relações de trabalho, concorda parcialmente com
Peluso.
"De fato não há nenhuma evidência empírica de que a terceirização gere emprego. O que gera
emprego é uma economia aquecida: o empresário contrata para produzir mais, quando sabe que pode
vender mais", diz.
Mas Dari vai além: "Pode ser até que ocorra o contrário. Ou seja, que com um aumento da terceirização
haja um fechamento de postos de trabalho, porque os trabalhadores terceirizados tendem a trabalhar
mais horas", diz ele.
O professor da Unicamp lembra que nos anos 1990 muitos economistas diziam que o desemprego
elevado era causado pela rigidez da legislação trabalhista brasileira.
"Eles defendiam que era preciso reduzir os custos relacionados à demissão de trabalhadores para
estimular contratações e foi nessa época que foram criados os contratos por prazo determinado", afirma
Dari.
"E o que aconteceu? Esses contratos foram muito pouco utilizados e nos anos 2000 conseguimos
reduzir o desemprego mantendo os direitos dos trabalhadores porque a expansão da atividade econômica
favoreceu isso."

Eficiência

Tanto Peluso quanto Salvato acreditam que a possibilidade de as empresas terceirizarem suas
atividades pode ajudá-las a se tornar mais eficientes.
Segundo eles, isso seria verdade tanto para a terceirização das atividades-meio - por exemplo, a
segurança, a limpeza e os serviços de TI - quanto das atividades-fim.
"Há empresas cujo produto final depende de uma série de processos especializados. Basta pensar no
caso das construtoras. Elas podem querer terceirizar a terraplanagem ou a parte elétrica de seus projetos
se acharem que contratando uma firma especializada o resultado será melhor", diz Peluso.
Para o professor do Insper, um ponto positivo da nova lei é que ela exige que as empresas prestadoras
de serviços terceirizados sejam especializadas em sua área. Isso favoreceria, na opinião dele, a
terceirização como estratégia para ganhar eficiência em detrimento da terceirização para reduzir custos.
Já para Dari, da Unicamp, a terceirização está longe de garantir um trabalho de mais qualidade.
"Para que uma empresa estaria interessada em terceirizar sua atividade-fim? Para ter um custo menor
com seus trabalhadores, pagar salários mais baixos", diz ele.
"Em muitos esquemas de terceirização a empresa precisa remunerar não só os trabalhadores que
exercem uma determinada função mas também os intermediários, que fazem sua contratação - e esse é
um recurso perdido. O profissional em questão, que aceita ganhar menos, nem sempre é de boa
qualidade. Por isso, temos até exemplos de empresas que voltaram atrás na terceirização de algumas de
suas atividades porque o resultado não foi o desejado."
Direitos dos trabalhadores
No que diz respeito aos efeitos da terceirização sobre os direitos dos trabalhadores as opiniões
também se dividem.

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Segundo a CUT, quatro em cada cinco acidentes de trabalho envolvem funcionários terceirizados.
Esses empregados também receberiam salários 25% menores e trabalhariam 3 horas a mais por semana
que os contratados.
Dari diz que esses dados mostram que uma ampliação da terceirização ceifaria direitos e conquistas
da classe trabalhadora no Brasil.
"É claro que as empresas brasileiras até podem se tornar mais competitivas se pagarem menos e
oferecerem menos benefícios aos seus trabalhadores, mas a questão é: que tipo de nação vamos
construir com essa estratégia?", questiona.
"Queremos ser Bangladesh, onde o salário de um funcionário da indústria têxtil é US$38? Por que não
atacamos o problema da competitividade com outras estratégias: estimulando a inovação tecnológica,
melhorando nossa infraestrutura e etc?"
Salvato, da Ibmec-MG, não nega que mudanças no mercado impulsionadas por uma nova lei sobre o
tema possam representar salários mais baixos.
Ele lembra, porém, que as terceirizadas são obrigadas a seguir a CLT e opina que o novo projeto
amplia a segurança jurídica dos trabalhadores terceirizados ao regulamentar suas atividades. As
empresas que contratam seus serviços, por exemplo, são obrigadas a fiscalizar se os direitos desses
funcionários não estão sendo violados.
"O mundo mudou e os direitos dos trabalhadores brasileiros terão de ser repensados", opina Salvato.
"Na época em que eles foram criados, tínhamos uma população muito mais jovem e não havia tanta
pressão da competição internacional."
Ruth Costas
22/05/2015
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150413_terceirizacao_entenda_ru

Luiz Edson Fachin assume vaga no STF

O Senado aprovou em 19 de maio a indicação do jurista Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal
Federal (STF). Foram 52 votos a favor, 27 contra e nenhuma abstenção. Fachin, que teve o nome indicado
pela presidenta Dilma Rousseff, vai assumir a vaga decorrente da aposentadoria do ministro Joaquim
Barbosa.
Havia grande expectativa sobre a votação no plenário. O senador Magno Malta (PR-ES) subiu à tribuna
para justificar porque votaria contra. Ele disse que, após sabatina de cerca de 11 horas pela qual o jurista
passou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (13) da semana passada, não ficou
convencido que Fachin seria contrário a alguns temas polêmicos que chegassem ao STF. “Ele só
respondeu com 'rolando lero' jurídico”, disse. Malta destacou que o jurista não deu respostas concretas
às perguntas feitas durante a sabatina. “Só os tolos não mudam. Eu mudei. Gostaria de saber se as
convicções de Fachin permanecem, mas não tive resposta dele para isso”, completou.
O líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO), divulgou nota, após a votação, criticando a aprovação
de Fachin. "[O jurista tem uma posição] ideologizada em relação ao direito de propriedade, segmentos de
normas constitucionais, função social da terra, comportamento que foi defendido durante a Constituinte e
que dificilmente será mudado por alguém depois de uma certa idade. Ele já tem uma posição firmada
com vários livros e textos que comprovam. Precisamos de um ministro que contribua com tranquilidade
nas decisões.”
A aprovação do nome de Fachin foi comemorada por diversos senadores, entre os quais Gleisi
Hoffmann (PT-PR). Ela lembrou que os três senadores paranaenses foram favoráveis ao jurista, assim
como o governador do estado, Beto Richa (PSDB), e a maioria da Assembleia Legislativa. “Não posso
deixar de registrar a unidade que o estado do Paraná teve em torno do nome do professor Fachin”, disse.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi outro a favor do nome do jurista para o Supremo. Ele
classificou a aprovação como “vitória da indicação de um dos melhores juristas do país”. Assim como
Gleisi, Randolfe ressaltou que Fachin teve o apoio, inclusive, de juristas que pensam diferente dele, mas
que registraram sua competência em cartas abertas e moções de apoio.
“É a vitória de alguém que reuniu o apoio de juristas que pensam diferente dele, da comunidade
acadêmica, da comunidade jurídica, da Ordem dos Advogados do Brasil [OAB], dos procuradores da
República, entre outros. A presidente da República indicou, o Senado rigorosamente sabatinou, com
direito a debates, com direito a indefinição momentos antes de sua aprovação. Tenho certeza de que
esse processo fará com que o ministro Fachin seja um dos melhores que o Supremo Tribunal Federal já
teve”, disse o senador.
O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), cumprimentou o presidente da Casa, Renan
Calheiros (PMDB-AL), ressaltando que ele conduziu a votação de maneira isenta. Nos últimos meses,
Renan tem sido personagem de diversos episódios de desavenças com a presidenta Dilma Rousseff,

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mas disse que se manteria neutro na condução das votações de interesse do governo. “Eu quero dar aqui
o meu testemunho da maneira correta como Vossa Excelência se comportou durante todo o processo, a
despeito do que diziam outras pessoas. Vossa Excelência se comportou como um magistrado nessas
votações”, disse Delcídio a Renan após a votação.
Em nota, o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, classificou a ratificação do
nome como uma vitória da advocacia. “A aprovação do nome de Fachin coloca um dos melhores nomes
da advocacia em lugar de destaque, fazendo justiça ao indicado e dando ao STF mais uma excelente
contribuição para o andamento dos trabalhos, com imparcialidade e independência”, afirmou Marcus
Vinicius.
Logo após o anúncio da aprovação, um buzinaço começou nas duas vias do Eixo Monumental, que
passam ao lado do Congresso. Nas redes sociais, internautas postaram que o buzinaço ocorreu em
protesto contra a decisão do Senado. Mais cedo, faixas e cartazes colocados em frente às entradas do
Senado pediam a rejeição do nome do jurista.
19/05/2015
Agência Brasil

Corrupção na Petrobras deveria ter sido investigada nos anos 90, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff (PT) disse nesta sexta-feira (20/02/2015) que se casos suspeitos de
corrupção na Petrobras tivessem sido investigados durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-
2002), do PSDB, já na década de 1990, o esquema descoberto pela operação Lava Jato que envolve a
estatal não ocorreria.
"Se em 1996 e 1997 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o
caso desse funcionário que ficou quase 20 anos praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água
para o moinho da corrupção", disse Dilma após cerimônia no Palácio do Planalto.
Foi a primeira entrevista de Dilma em seu segundo mandato na Presidência. A presidente não dava
declarações à imprensa desde dezembro de 2014.
O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco afirmou, em delação premiada, que começou a receber
propina da SBM Offshore, uma fornecedora da petrolífera, em 1997, ainda durante o governo FHC.
Barusco disse à PF que abriu uma conta na Suíça no final da década de 1990 para receber as
remessas ilegais de dinheiro da SBM, que, segundo ele, totalizaram US$ 22 milhões até 2010.
"Dilma parece querer zombar da inteligência dos brasileiros ao atribuir o maior escândalo de corrupção
a um governo de 15 anos atrás. Parece que ela volta a viver no mundo da fantasia", disse o senador
Aécio Neves (PSDB-MG), em resposta às declarações de Dilma. "O PSDB não tem receio de que se
investigue o que quer que seja."
Mais tarde, FHC disse, em nota, que Dilma deveria "ter mais cuidado" e não se isentar de
"responsabilidades".
Dilma disse também que os esquemas de corrupção agora são investigados. "Hoje nós demos um
passo e para esse passo devemos olhar e valorizar. Não tem 'engavetador da República', não tem
controle da Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal. E
isso significa que o Ministério Público e a Justiça e todos os órgãos do Judiciário que o que está havendo
no Brasil é o processo de investigação como nunca foi feito antes."
A presidente também isentou as empresas dos "malfeitos" investigados pela Lava Jato, dizendo que
eles foram cometidos por funcionários.
Para Dilma, as investigações contra executivos e acionistas das empreiteiras suspeitas de participarem
do esquema de corrupção não podem interferir nas obras no país. "É necessário criar emprego e gerar
renda no Brasil".
"Isso não significa, de maneira alguma, ser conivente, ou apoiar, ou impedir qualquer investigação ou
qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer", afirmou.
Dilma disse ainda que não irá tratar a Petrobras como principal responsável pela corrupção e que
quem deve responder pelas irregularidades cometidas na empresa são os funcionários que praticaram
atos de desvio e lavagem de dinheiro da estatal.
"Quem praticou malfeitos foram funcionários da Petrobras, que vão ter de pagar por isso. Quem
cometeu malfeito, quem participou de atos de corrupção vai ter de responder por eles, essa é a regra do
Brasil", disse.
As declarações foram dadas pela presidente em uma entrevista coletiva após a cerimônia de entrega
das cartas credenciais dos embaixadores estrangeiros no Palácio do Planalto, em Brasília.
20/02/2015
http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2015/02/20/funcionarios-cometeram-irregularidades-nao-petrobras-diz-dilma.htm

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Petrobras confirma Bendine como sucessor de Graça Foster

A Petrobras confirmou na tarde desta sexta-feira (6) que o Conselho de Administração da companhia
aprovou "por maioria" a eleição de Aldemir Bendine – até então presidente do Banco do Brasil – para a
presidência da Petrobras. Ele substitui Graça Foster, cuja renúncia foi comunicada na quarta-feira. A troca
acontece em meio às investigações de desvio de dinheiro da estatal na Operação Lava Jato.
Nesta manhã, a escolha do nome de Bendine já havia sido antecipado pelo Blog da Cristiana Lôbo.
Graça Foster também deixa o Conselho de Administração da companhia, sendo substituída por
Bendine, que renunciou ao seu cargo no Banco do Brasil, segundo comunicado divulgado pelo banco.
Também foi anunciado Ivan de Souza Monteiro como novo diretor Financeiro e de Relacionamento
com Investidores, em substituição a Almir Guilherme Barbassa. Monteiro era vice-presidente de Gestão
Financeira e de Relações com Investidores do BB, cargo ao qual também renunciou nesta sexta.

Reações

O mercado reagiu mal desde que começaram os rumores da escolha de Bendine para a presidência
da Petrobras. Segundo analistas, a frustração se deve ao fato dos investidores esperarem alguém com
perfil menos político.
Tanto as ações da Petrobras como as do Banco do Brasil registraram queda logo após a confirmação
do nome de Bendine.
No Congresso, a escolha foi criticada pelos parlamentares da oposição, que disseram esperar um
nome de "mais credibilidade" para assumir a Petrobras. A base governista defendeu a escolha da
presidente Dilma Rousseff, apesar de reconhecer que o nome de Bendine não agradou os investidores.
Até dentro da própria empresa houve críticas. Em nota, o representante dos acionistas minoritários no
Conselho da Petrobras, Mauro Cunha, disse que a escolha de Bendine desrespeitou o Conselho, e indica
que votou contra o novo presidente.
“O acionista controlador mais uma vez impõe sua vontade sobre os interesses da Petrobras, ignorando
os apelos de investidores de longo prazo. Como diz o Fato Relevante [comunicado enviado pela empresa
ao mercado], a decisão foi por maioria, e não por unanimidade – de onde se pode concluir a posição
deste conselheiro”.

Diretores interinos

Outros quatro diretores da Petrobras que renunciaram junto com Graça Foster serão substituídos
interinamente por Solange da Silva Guedes (Exploração e Produção), Jorge Celestino Ramos
(abastecimento), Hugo Repsold Júnior (Gás e Energia) e Roberto Moro (Engenharia). Eles já eram
gerentes-executivos da estatal e serão elevados temporariamente a cargos de diretoria.
No comunicado ao mercado, a Petrobras agradeceu ainda a Graça Foster e aos cinco diretores
demissionários "pela competência técnica, o profissionalismo e a dedicação" no exercício dos cargos.
Com a troca de Graça Foster por Bendini, o Conselho de Administração da Petrobras passa a ter a
seguinte formação: Guido Mantega (presidente do conselho), Aldemir Bendini, Luciano Coutinho,
Francisco Roberto de Albuquerque, Márcio Zimmermann, Sérgio Franklin Quintella, Miriam Belchior, José
Guimarães Monforte, Mauro Gentile Rodrigues da Cunha e Sílvio Sinedino Pinheiro.

Fora de horário

O comunicado da Petrobras sobre a troca de comando foi divulgado às 15h22. O horário é pouco
usual, uma vez que esse tipo de divulgação, em geral, deve acontecer com o mercado fechado, conforme
determina o manual da Bovespa.
"Sempre que possível, a divulgação de Ato ou Fato Relevante deverá ocorrer antes do início ou após
o encerramento dos negócios nas Bolsas de Valores", diz o manual.

Perfil

Aldemir Bendine está na presidência do Banco do Brasil desde abril de 2009. O executivo tem ligações
com o Partido dos Trabalhadores (PT), mas não é filiado.
Segundo o jornal "O Globo", Bendine havia sido convidado em novembro de 2014 para assumir a
presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no lugar de Luciano
Coutinho.

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Formado em Administração de Empresas, foi gerente em Piracicaba (SP), assessor na
Superintendência II de São Paulo, gerente-executivo da Diretoria de Varejo do BB (Soluções do mercado
de cartões para o segmento corporativo), e secretário-executivo do Conselho Diretor do BB, chegando a
vice-presidente do setor de Varejo do banco em dezembro de 2006.

Confira a íntegra do comunicado da Petrobras

"Petrobras informa que seu Conselho de Administração, em reunião realizada hoje, aprovou, por
maioria, a eleição de Aldemir Bendine para ocupar o cargo de Presidente da Petrobras em substituição à
atual Presidente, Maria das Graças Silva Foster.
Maria das Graças Silva Foster também está se desligando do Conselho de Administração da
Companhia, que elegeu Aldemir Bendine como novo Conselheiro. Essa eleição, conforme dispõem a Lei
das Sociedades Anônimas e o Estatuto Social da Petrobras, é válida até a próxima Assembleia Geral de
Acionistas.
Aldemir Bendine era Presidente e membro do Conselho de Administração do Banco do Brasil. É
graduado em Administração de Empresas pela PUC-Rio, com MBA em Finanças e em Formação Geral
para Altos Executivos.
O Conselho de Administração também elegeu, por maioria, Ivan de Souza Monteiro como Diretor
Financeiro e de Relacionamento com Investidores, em substituição a Almir Guilherme Barbassa. Ivan
Monteiro era Vice-Presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco do Brasil
desde junho de 2009, onde já havia ocupado cargos de Diretor Comercial, Vice-Presidente de Finanças,
Mercado de Capitais e Relações com Investidores, além de Presidente do Conselho de Supervisão da
BB AG. É graduado em Engenharia Eletrônica e Telecomunicações pela INATEL-MG, com MBA em
Finanças e Gestão.
Além disso, foram eleitos, por maioria, para exercerem interinamente a função de Diretor os seguintes
executivos:
A atual Gerente Executiva de Exploração e Produção Corporativa, Solange da Silva Guedes, como
Diretora de Exploração e Produção, em substituição a José Miranda Formigli Filho. Solange Guedes é
Doutora em engenharia de petróleo, com experiência de 30 anos na Petrobras onde já ocupou diversas
posições gerenciais, todas relacionadas à área de Exploração e Produção.
O atual Gerente Executivo de Logística do Abastecimento, Jorge Celestino Ramos, como Diretor de
Abastecimento em substituição ao Diretor José Carlos Cosenza. Jorge Celestino é formado em
engenharia química pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em engenharia de
processamento de petróleo pelo CENPRO, com especialização em tecnologia de produção de álcool pela
COPPE/UFRJ e MBA em Administração e Marketing. Trabalha há 32 anos na Petrobras onde já ocupou
diversas posições gerenciais na área de Abastecimento e na Petrobras Distribuidora.
O atual Gerente Executivo de Gás e Energia Corporativo, Hugo Repsold Júnior, como Diretor de Gás
e Energia em substituição a José Alcides Santoro Martins. Hugo Repsold é formado em Engenharia
Mecânica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em economia pela Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ) e é mestre em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento
Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe / PPE / UFRJ). Trabalha há 30 anos na
Companhia, onde já ocupou diversas posições gerenciais nas áreas de Exploração e Produção,
Estratégia e Desempenho Empresarial e Gás e Energia.
O atual Gerente Executivo de Engenharia para Empreendimentos Submarinos, Roberto Moro, como
Diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais em substituição a José Antônio de Figueiredo. Roberto
Moro é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Gama Filho, com especialização em
Gerenciamento de Projetos. Trabalha há 33 anos na Petrobras onde já ocupou diversas posições
gerenciais na área de Engenharia."
06/02/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/02/petrobras-confirma-bendine-como-sucessor-de-graca-foster.html

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Economia

Trabalho e renda4

Apesar do longo caminho trilhado pelas economias desenvolvidas desde o fim da II Guerra Mundial na
estruturação de seus sistemas públicos de emprego, a experiência brasileira nesse campo ocorreu muito
mais recentemente. Considera-se que as primeiras políticas de proteção ao trabalhador só começaram a
ser implantadas no Brasil somente na década de 1960.
Em tal época, o crescimento populacional, a migração rural e o crescimento dos grandes centros
urbanos provocaram uma expansão significativa da mão-de-obra disponível nas cidades. As altas taxas
de crescimento econômico do período possibilitaram a incorporação de parcelas expressivas da
População Economicamente Ativa (PEA) ao mercado formal de trabalho, sobretudo no setor industrial e
nos aparelhos de Estado.
Em um contexto em que a economia mundial vivia um surto de crescimento econômico sem
precedentes, acreditava-se, no Brasil, que a melhoria das condições de vida da população seria
consequência direta do crescimento econômico. O desemprego existente era entendido como uma
imperfeição decorrente do baixo nível de desenvolvimento econômico que marcava o país. O predomínio
dessa concepção parece explicar a quase ausência de programas públicos de emprego e renda no
decorrer dos anos 1960 e 1970 no Brasil.
Os programas existentes nesse período, os quais se voltavam à indenização do trabalhador demitido
ou à formação de patrimônio Fundo de Garantia por tempo de Serviço (FGTS)/Programa de Integração
Social (PIS)/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), não podem ser tomados
como partes de um sistema público de emprego, porque lhes faltava a perspectiva de atuar no sentido da
reincorporação do trabalhador ao emprego. Nesses termos, apenas com a criação do Sistema Nacional
de Emprego (Sine), em meados dos anos 1970, é que começa a ser idealizado um formato de políticas
de emprego que integra serviços de recolocação e proteção ao desempregado. Será visto, porém, que
tal formato só começou a se efetivar realmente a partir do momento em que se estabeleceu um esquema
de financiamento para essas políticas. Considera-se, portanto, que só a partir dos anos 1990 é que
começa a se formar efetivamente um sistema público de emprego, trabalho e renda no país, embora
várias de suas políticas já existissem.

Primórdios: Trabalho e Renda nas Décadas de 1960, 1970 e 1980 no Brasil

Embora a Constituição de 1946 estabelecesse a assistência ao desempregado como um direito do


trabalhador, a primeira tentativa de criação de um seguro para o trabalhador desempregado foi realizada
somente em 1965, com a Lei nº 4.923/65 que criou o Cadastro Permanente de Admissões e Dispensas
de Empregados e instituiu um plano de assistência ao desempregado. Tal benefício deveria ser custeado
pelo Fundo de Assistência ao Desempregado (FAD), com recursos provenientes da arrecadação de 1%
da folha salarial da empresa e de uma parcela das contribuições sindicais.
A fim de usufruir do benefício, o trabalhador deveria ter sido demitido sem justa causa ou por ocasião
de fechamento total ou parcial da empresa.

O surgimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

O benefício não durou muito. No ano seguinte, a Lei nº 5.107/66 criou o Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço, e os recursos do FAD referentes a 1% da folha salarial foram drenados para esse novo fundo.
A diminuição dos recursos obrigou o governo a restringir a cobertura do programa, que passou a conceder
benefícios apenas a trabalhadores desligados em dispensas coletivas, isto é, trabalhadores desligados
em empresas que tivessem demitido pelo menos 50 trabalhadores em um período de 60 dias.
O FGTS tinha por objetivo flexibilizar o processo de demissão dos trabalhadores, visto que a legislação
da época impunha pesadas indenizações para os empregadores que demitissem sem justa causa
(ferrante). Quanto maior o tempo de serviço do empregado, maiores eram as indenizações pagas pelas

4
CARDOSO Jr. Et al. POLÍTICAS DE EMPREGO, TRABALHO E RENDA NO BRASIL: DESAFIOS À MONTAGEM DE UM SISTEMA PÚBLICO,
INTEGRADO E PARTICIPATIVO. Técnicos de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Ipea. Brasília, novembro de
2006.

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empresas, e o trabalhador que ficasse mais de dez anos na mesma empresa teria assegurada a sua
estabilidade no emprego.
Com o FGTS, o empregador passou a depositar, mensalmente, 8% do salário do trabalhador em uma
conta vinculada ao contrato de trabalho, sendo que os fundos dessa conta poderia ser acessada pelo
trabalhador no momento da sua demissão. As restrições impostas nas regras de concessão do auxílio-
desemprego fizeram com que o FGTS passasse a representar praticamente a única fonte de proteção
financeira efetiva ao trabalhador desempregado.
A origem do FGTS representou um enorme estímulo à rotatividade, visto que os empregadores não
precisavam mais pagar grandes indenizações no momento da dispensa do trabalhador. Em consequência
disso, reduziu-se a proteção financeira ao trabalhador desempregado. Isso porque os critérios do FGTS
foram feitos para garantir ao trabalhador algo como um salário por ano trabalhado. Entretanto, dada a
instabilidade do mercado de trabalho brasileiro, grande parte dos trabalhadores permanecia menos de
um ano em um mesmo emprego, obrigando-os a sacar constantemente os recursos do fundo. O resultado
é que a proteção financeira no momento do desemprego, oferecida como substituto da estabilidade,
deixou de existir.

O surgimento do Programa Integração Social (PIS)/Programa de Formação do Patrimônio do


Servidor Público (Pasep)

No ano de 1970, foram criados o Programa de Integração Social e o Programa de Formação do


Patrimônio do Servidor Público. Esses fundos foram instituídos com os objetivos de formação de
patrimônio para o trabalhador e de estímulo à poupança interna, sendo o PIS dirigido aos trabalhadores
da iniciativa privada e o Pasep, aos servidores públicos nos três níveis de governo.
Os recursos desses fundos seriam aplicados de maneira unificada por meio do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) em projetos de desenvolvimento, cabendo à Caixa
Econômica Federal (CEF) e ao Banco do Brasil (BB) a administração das contas individuais,
respectivamente, do PIS e do Pasep. Os trabalhadores teriam acesso aos recursos desses fundos por
ocasião do casamento, da aposentadoria, de invalidez permanente ou de morte do participante. Com a
concepção desses fundos, instituiu-se o pagamento adicional de um salário mínimo por ano para os
trabalhadores com carteira assinada que recebiam até cinco salários mínimos, o que ficou conhecido
como abono salarial. Em 1975, procedeu-se à unificação dos fundos PIS/Pasep.
Contudo, esses fundos trouxeram poucos benefícios aos trabalhadores. Seus recursos não
propiciaram a formação de qualquer patrimônio significativo. Assim, o único benefício importante criado
por eles que pode ser evidenciado é o abono salarial, que, mesmo assim, seguiu completamente isolado
de qualquer outro programa ou serviço público.

O surgimento do Sistema Nacional de Emprego (SINE)

Em 1975, para atender às determinações da Convenção nº 88 da Organização Internacional do


Trabalho (OIT), criou-se o Sistema Nacional de Emprego pelo Decreto no 76.403/1975. O sistema tinha
por intuito principal prover serviços de intermediação de mão de obra, orientação profissional, qualificação
profissional e geração de informações sobre o mercado de trabalho. Seu financiamento se daria com
recursos do FAD e sua estrutura seria erguida por meio de postos de atendimento por meio de parceria
entre o Ministério do Trabalho e governos estaduais.
Devido à fragilidade da fonte de financiamento do SINE e do caráter descentralizado de sua
implementação, os resultados inicialmente alcançados foram bastante incipientes e heterogêneos entre
os estados. Dos serviços previstos, apenas a intermediação de mão de obra se consolidou. Após um
período inicial de expansão do sistema (1975 a 1982), seguiu-se um período marcado por incertezas e
descontinuidades políticas (1983 a 1993), o que provocou a desarticulação das ações do SINE, a queda
brusca do número de trabalhadores colocados no mercado de trabalho, a desestruturação das equipes
técnicas e a perda de boa parte do conhecimento e experiência adquiridos, tanto na esfera federal como
na estadual. Pode-se dizer que as políticas públicas de emprego elaboradas nos anos 1960 e 1970 se
orientaram muito mais no sentido de indenizar o trabalhador demitido do que no de fornecer alguma
proteção efetiva ao trabalhador desempregado. Por isso, as primeiras tentativas de implantação de um
programa de seguro-desemprego e de um sistema de emprego abrangente não vingaram. O entrave ao
seu desenvolvimento foi o fato de não terem contado com uma base de financiamento estável e segura.
Quando encontraram algum espaço, foram financiados com recursos do Orçamento Geral da União,
aplicados de acordo com critérios políticos e discricionários. Essa situação perdurou enquanto as

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elevadas taxas de crescimento da economia possibilitaram a expansão do setor formal e a manutenção
de baixas taxas de desemprego aberto.
Com a crise do início dos anos 1980, entretanto, a realidade do mercado de trabalho se modificou
completamente. Observa-se um crescimento da taxa de desemprego ao mesmo tempo em que ocorre
uma estagnação do emprego formal e o alargamento das ocupações informais como fonte de absorção
de mão-de-obra. A crise da dívida e a falência das finanças públicas minaram a capacidade de
investimento do Estado e, portanto, de promoção do crescimento. Estas drásticas transformações
aconteceram sem que o país contasse com instrumentos consolidados de proteção aos desempregados.

O surgimento do seguro-desemprego

Em 1986, após o momento mais difícil da crise do início dos anos 1980, e refletindo também o momento
político favorável trazido pela redemocratização política do país, o governo federal instituiu o seguro -
desemprego (Decreto-Lei no 2.284/1986) como parte do Plano Cruzado. O objetivo era prover assistência
financeira temporária ao trabalhador desempregado em razão de dispensa sem justa causa ou
paralisação total ou parcial das empresas. A regulamentação do seguro previa, como atribuição do Sine,
a recolocação do trabalhador no mercado de trabalho e a requalificação do desempregado que estivesse
recebendo o benefício.
Pelo decreto-lei, o financiamento do seguro-desemprego seria realizado pelo FAD. Porém, durante o
exercício de 1986, unicamente, seria custeado com recursos provenientes do Orçamento Geral da União.
Previa-se a criação de uma comissão tripartite (com representantes do governo, dos trabalhadores e dos
empresários), sob coordenação do Ministério do Trabalho, para elaborar a proposta de financiamento do
seguro, com recursos provenientes de contribuições da União, dos empregadores e dos empregados,
nos moldes existentes nos países desenvolvidos, tal que estivesse em condições de produzir efeitos a
partir de 1987. Essa comissão, entretanto, nunca chegou a se reunir, e parte dos custos passou a ser
coberta com recursos ordinários do Tesouro Nacional, além das receitas provenientes da contribuição
sindical e da colocação de títulos públicos no mercado.

Pode ser que devido à ausência de uma fonte de financiamento específica para o seguro-desemprego,
os critérios de pagamento e de acesso a esse benefício foram ainda bastante restritivos, a saber:
I) o trabalhador deveria comprovar a condição de assalariado no mercado formal durante os últimos
seis meses;
II) o trabalhador deveria ter contribuído para a previdência social minimamente por 36 meses nos
últimos quatro anos;
III) o tempo de duração do benefício não poderia ultrapassar quatro meses; e
IV) haveria um período de carência de 18 meses para o recebimento de um novo seguro.

Estas regras acabaram ocasionando em uma baixa cobertura nos primeiros anos da implantação do
programa. Isso porque os trabalhadores menos qualificados – em geral os que sofrem com a maior
instabilidade no mercado de trabalho – não conseguiam satisfazer as regras para a obtenção do benefício.
Os que tinham baixos valores a sacar do FGTS e com menores alternativas de auto sustento nos períodos
de desocupação eram justamente os trabalhadores com maiores dificuldades para cumprir os requisitos
de acesso ao seguro-desemprego. Além disso, na regulamentação do programa, realizada pelo Ministério
do Trabalho, estabeleceu-se de os trabalhadores teriam de estar desempregados por no mínimo 60 dias
para requerer o benefício. O prazo, juntamente com a demora para o processamento do pedido e
liberação do primeiro pagamento, obrigava o trabalhador a ficar um longo período sem proteção,
contrariando os objetivos formais do programa.

Desenvolvimento: Décadas de 1990 e 2000

Logo na época da Assembleia Nacional Constituinte o sistema público de emprego ainda não havia se
consolidado no Brasil. De um lado, havia os benefícios que dispunham de um esquema de financiamento
claro, os quais se limitavam de forma geral à indenização por dispensa ou outro evento que resultasse
em impedimento para o trabalho. Por outro lado, havia tanto a rede de agências do SINE quanto o seguro
desemprego, ambos, voltados a apoiar a reinserção do trabalhador desempregado, podendo ser
considerados como os primeiros passos na construção do SPETR, que, na prática, atuavam de forma
paralela, sem articulação. Além disso, a ausência de uma fonte estável para o financiamento das políticas
de emprego limitou muito o seu alcance até o início da década de 1990.

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A definição das fontes financiadoras do seguro-desemprego e demais políticas de emprego se
consolidaria apenas na Constituição de 1988, quando nas Disposições Constitucionais Gerais, o artigo
239 possibilitou dar um formato mais acabado às iniciativas existentes, estabelecendo o PIS e o Pasep
como lastro para as políticas dessa área e criando as bases para a organização do SPETR tal como hoje
existente. Segundo o artigo 239 da Constituição Federal (CF), a arrecadação do PIS/Pasep, em vez de
ser acumulada com o objetivo de formação de patrimônio individual do trabalhador, passaria a financiar
os programas do seguro-desemprego e do abono salarial. Sendo que esse último seria restrito aos
trabalhadores que tivessem recebido até dois salários mínimos mensais no ano anterior. Adicionalmente,
pelo menos 40% da arrecadação dessas contribuições seria destinada ao financiamento de programas
de desenvolvimento econômico por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Previa-se que as empresas com maior rotatividade da força de trabalho, em face do índice médio do
setor, deveriam dar uma contribuição adicional para o seguro desemprego, dispositivo que, contudo,
nunca foi regulamentado. Estas modificações no PIS/Pasep foram realizadas visando assegurar a
proteção do trabalhador em caso de desemprego involuntário sem, porém, criar um novo tributo para essa
finalidade.

O surgimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)

Destaca-se que a regulamentação da nova estrutura institucional de financiamento do seguro


desemprego só ocorreu em 1990, por meio da Lei no 7.998/90, que criou o FAT e o Codefat. Nesse novo
esquema de financiamento, o faturamento das empresas consagrava-se como a principal base de
incidência do fundo. A Lei no 7.998/90 também estendeu as atribuições do programa do seguro
desemprego, que passou a ter por finalidades prover assistência financeira temporária ao desempregado
e auxiliar tais trabalhadores na busca de um novo emprego, podendo, para isso, promover a sua
reciclagem profissional. Ou seja, adotava-se uma concepção de seguro-desemprego que ia além do
auxílio financeiro, incorporando também os serviços de intermediação de mão-de-obra e de qualificação
profissional nos moldes dos sistemas adotados nos países desenvolvidos.
A partir dos novos critérios, o trabalhador teria de demonstrar a comprovação de emprego com carteira
durante pelo menos 15 meses nos últimos dois anos. O tempo de carência foi reduzido de 18 para 16
meses. Também se aumentou o valor do benefício, de maneira que se aumentou a reposição da renda
anterior do trabalhador. Dessa forma, pode-se afirmar que a CF de 1988 estabeleceu as bases para a
organização de um efetivo programa de amparo ao trabalhador desempregado. Mais do que isso, o
programa de seguro-desemprego daí resultante e a sua forma de financiamento vieram a representar o
grande eixo organizador de um conjunto de benefícios e serviços no que se refere às políticas de
emprego. Em termos gerais, a existência de uma fonte de financiamento como o FAT permitiu ampliar o
escopo das políticas públicas de emprego, a fim de que essas fossem além da mera concessão de
benefício monetário temporário contra o desemprego.

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A expansão de cobertura do seguro-desemprego

No processo de melhoria do seguro-desemprego, a Lei no 8.352/91 flexibilizou os critérios de


elegibilidade do programa. Ela dispensou a comprovação de trabalho com carteira durante 15 meses nos
últimos dois anos. Para receber o benefício, bastava comprovar carteira assinada nos últimos seis meses.
Com isso, adotou-se um critério que permitiu a ampliação de sua cobertura, em especial sobre aqueles
trabalhadores sujeitos a maior instabilidade do vínculo empregatício e com baixa proteção no momento
do desemprego. A Lei no 8.900/94, por sua vez, tornou permanente essa regra de acesso e, além disso,
promoveu o aumento do número de parcelas do seguro para aqueles trabalhadores com mais tempo de
inserção anterior no mercado de trabalho. Pode-se entender que, a partir disso, o programa foi estendido
até próximo de seu limite, permitindo o acesso para aqueles que tivessem carteira assinada a partir de
seis meses.
A nova lei abriu a possibilidade, a critério do Codefat, de prolongar excepcionalmente o período do
benefício em até dois meses, respeitando a disponibilidade financeira do FAT, a evolução geográfica e
setorial das taxas de desemprego e o tempo médio de desemprego. A abrangência do seguro-
desemprego foi também ampliada pela incorporação de algumas novas clientelas. Em 1992, foi criado o
seguro-desemprego para o pescador artesanal que estivesse impedido de trabalhar por causa da
decretação de defeso.5 Em 2001, as empregadas domésticas passaram a ter direito ao benefício, mas
desde que o empregador também recolhesse o FGTS. E, em 2003, criou-se o seguro-desemprego para
o trabalhador libertado de condição análoga a de escravo. Em todos esses casos, ficou estabelecido que

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o programa teria por finalidades prover assistência financeira temporária ao trabalhador desempregado,
em virtude de dispensa sem justa causa, e auxiliar os trabalhadores na busca de emprego, promovendo,
para tanto, ações integradas de orientação, recolocação e qualificação profissional.
De tal maneira, se a lei anterior restringia os serviços de intermediação e treinamento apenas
aos requerentes do seguro-desemprego (e, portanto, apenas aos trabalhadores formais do
mercado de trabalho), a nova lei abriu a possibilidade de desenvolver essas ações para os
trabalhadores em geral, independentemente da sua condição de segurado do programa.

Os programas de qualificação profissional

Permitiu-se, com isso, a alocação de recursos do FAT para programas de qualificação profissional que
eram destinados aos trabalhadores em geral, e não apenas àqueles que requeriam o seguro-
desemprego. É nesse contexto que se criou, em 1995, o Plano Nacional de Formação Profissional
(Planfor), elaborado pelo Ministério do Trabalho por meio da Secretaria de Formação e Desenvolvimento
Profissional. Tinha por objetivo aumentar a oferta de educação profissional, de modo que atingisse,
anualmente, pelo menos 20% da População Econômica Ativa (PEA). O público-alvo seria:
desempregados, trabalhadores formais e informais, micro e pequenos produtores urbanos e rurais, jovens
à procura de emprego, jovens em situação de risco social, mulheres chefes de família, portadores de
deficiência, dentre outros.
Vale enfatizar que, a partir dos investimentos em qualificação profissional, introduziu-se nas políticas
de emprego a preocupação com grupos marginalizados e discriminados no mercado de trabalho. Essa
ênfase não esteve restrita apenas à focalização do público atendido, estendendo-se ao desenvolvimento
de metodologias diferenciadas de qualificação. A implementação do Planfor ocorria de forma
descentralizada, por meio de Planos Estaduais de Qualificação, coordenados pelas Secretarias Estaduais
de Trabalho.

O Planfor estabelecia parcerias mediante convênios, termos de cooperação técnica e protocolos de


intenção entre o Ministério do Trabalho e a rede de educação profissional do país, que compreende:
I) sistemas de ensino técnico federal, estadual e municipal;
II) universidades públicas e privadas;
III) Sistema S;
IV) sindicatos de trabalhadores;
V) escolas e fundações de empresas; e
VI) organizações não-governamentais.

Embora o modelo de implementação do Planfor tenha representado uma importante experiência de


descentralização nas políticas de emprego, os problemas de fraude encontrados no Distrito Federal, em
1999, revelaram problemas no controle do MTE sobre a aplicação dos recursos pelos estados. O Codefat
reagiu a isso implementando medidas que envolveram a obrigatoriedade de que os recursos recebidos
pelos estados fossem depositados em uma conta no Banco do Brasil, maior clareza na especificação dos
critérios de transferência dos recursos para os estados e a criação de uma ouvidoria no MTE para receber
denúncias.
Essas ações melhoraram a transparência do Planfor, mas não acabaram completamente com os
problemas de malversação dos recursos. Além disso, perante a restrição de recursos, passou-se a
financiar cursos com carga horária bastante reduzida. Sendo assim, em 2003, o Planfor foi substituído
pelo Plano Nacional de Qualificação (PNQ), com o aumento do monitoramento e controle de suas ações,
estabelecimento de uma carga horária mínima e conteúdos pedagógicos específicos para os diversos
cursos de qualificação.

Os programas de geração de emprego, trabalho e renda

A Lei no 8.352/91 determinou que as disponibilidades financeiras do FAT poderiam ser aplicadas em
depósitos especiais remunerados, a cargo das instituições financeiras oficiais federais, possibilitando o
uso dos recursos do FAT para incrementar as políticas de emprego no país. Os depósitos especiais
abriram espaço para a implementação de novas políticas voltadas à geração de emprego e renda. Além
disso, o poder do Codefat foi ampliado, ficando em suas mãos as atribuições relacionadas à definição de
novas aplicações do FAT e à escolha de outros agentes financeiros aptos a operacionalizar os referidos
empréstimos do fundo. Instituídos pelo Codefat por meio da Resolução no 59/94, esses depósitos
especiais deram origem aos Programas de Geração de Emprego e Renda do governo federal, os quais

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tinham por objetivo oferecer alternativas de geração de emprego e renda e de inserção no processo
produtivo por meio de estímulos à capacidade empreendedora e à busca da auto sustentação do
empreendimento.
A implementação desses programas foi realizada por meio da concessão de linhas especiais de crédito
a setores com pouco ou nenhum acesso ao sistema financeiro convencional, como micro e pequenas
empresas, cooperativas e formas associativas de produção, além de iniciativas de produção próprias da
economia informal. Os programas foram efetivados a partir de 1995, tendo como agentes financeiros,
inicialmente, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste (BNB). Em seguida, foram incluídos a Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep) e, mais recentemente, o próprio BNDES, a Caixa Econômica Federal e o
Banco da Amazônia (Basa).
Criaram programas para o financiamento de projetos para as áreas urbanas, naquilo que ficou
conhecido como Proger Urbano, e para as áreas rurais, por meio do Proger Rural. Nos primeiros anos,
verificou-se um número de operações de crédito bem abaixo do que o que se esperava. Uma razão
fundamental era a de que, na prática, as instituições financeiras criavam muitas dificuldades para a
liberação dos empréstimos, o que prejudicava os pequenos tomadores, justamente aqueles que deveriam
ser beneficiados pelo programa. Em resposta a isso, criou-se, em 1999, o Fundo de Aval para a Geração
de Emprego e Renda (Funproger) com a finalidade de garantir parte do risco dos financiamentos
concedidos pelas instituições financeiras. Essa ação trouxe um efeito positivo, expresso por grande
expansão do número de operações de crédito entre 1999 e 2005, contudo o programa ainda apresenta
problemas, tal como o fato de a taxa de sobrevivência dos empreendimentos não ser satisfatória. A
dificuldade de acesso aos empréstimos pelos pequenos tomadores e a mortalidade precoce dos seus
empreendimentos ainda persistem, embora se possam encontrar evidências de melhora no desempenho
agregado do programa.
Também alocaram recursos do FAT para o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar
(Pronaf), operado, primeiramente, pelo Banco do Brasil e, atualmente, também pelo BNB e pelo BNDES,
com a finalidade de fornecer apoio financeiro ao pequeno empreendimento agrícola e familiar. O Pronaf
tem conseguido atingir os objetivos de democratizar o crédito de forma bem melhor do que o Proger Rural,
que tem apresentado redução ano a ano no número de operações de crédito. Um dos fatores que parece
ter contribuído para o maior sucesso relativo do Pronaf foi o fato de os empréstimos terem sido facilitados
por um conjunto amplo de normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional com o intuito de melhor
precisar os diversos segmentos sociais que compõem o grande setor de economia familiar rural do país.
Ainda na área de geração de emprego e renda, o Codefat, a partir de 1996, liberou recursos para o
BNDES no âmbito de um outro programa, o Programa de Expansão do Emprego e Melhoria da Qualidade
de Vida do Trabalhador (Proemprego), que pretendia financiar empreendimentos de maior porte e, ao
mesmo tempo, com potencial de geração de empregos.

No início, o programa financiou empreendimentos de:


I) transporte coletivo de massa;
II) saneamento ambiental;
III) infraestrutura turística;
IV) obras de infraestrutura voltadas para a melhoria da competitividade do país; e
V) revitalização de subsetores industriais em regiões com problema de desemprego.

-Em 1999, o programa incorporou as rubricas de saúde pública, educação, projetos multissetoriais
integrados, administração tributária, infraestrutura, comércio, serviços, exportação e também as
pequenas e médias empresas. Numa linha semelhante a do Proemprego, mas abrangendo apenas a
área que compreende a Região Nordeste e o norte de Minas Gerais, foi criado, em 1998, o Programa de
Promoção do Emprego e Melhoria da Qualidade de Vida do Trabalhador na Região Nordeste e Norte do
Estado de Minas Gerais (Protrabalho), cuja execução foi feita por meio do BNB.
-Em 2002, começaram a funcionar o FAT Habitação, que busca gerar emprego na cadeia produtiva da
construção civil, um setor que é relativamente mais intensivo em mão-de-obra, e o FAT Pró-inovação, em
apoio às empresas de capital nacional. Ainda em 2002, foi criado um novo programa de microcrédito com
recursos do FAT, o FAT Empreendedor Popular, que buscava expandir a capacidade de financiamento
de pequenos empreendimentos no Brasil. Um ponto novo do programa é o financiamento de operações
de capital de giro, uma vez que o diagnóstico do Ministério do Trabalho e Emprego é que financiar
somente investimentos em capital fixo retira muitos empreendedores populares do universo de
beneficiários, empreendedores esses que precisam mais desse tipo de financiamento em um primeiro
momento. Pode-se dizer, porém, que os resultados desses programas de microcrédito ainda são muito
tímidos no que diz respeito a criar uma rede de microcrédito no país e atingir os mais pobres.

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-Em 2003, mais quatro novos programas foram abertos: FAT Revitalização, para recuperação de
imóveis em centros urbanos degradados e sítios históricos; FAT Exportação, para empresas
exportadoras; FAT Fomentar, para pequenas e médias empresas; e FAT Infraestrutura.
-Em 2004, surgiu o Programa de Modernização do Parque Industrial Nacional (Modermaq), instituído
com o objetivo de promover a modernização da indústria e a dinamização do setor de bens de capital no
país. O programa consiste em linhas de financiamento com recursos do BNDES e do FAT, sendo
permitidas operações de crédito com taxas de juros fixas e o risco das variações da Taxa de Juros de
Longo Prazo (TJLP) cobertos pela União por dotações orçamentárias específicas. Além dos referidos
programas, novas linhas especiais de crédito foram lançadas, que não constituem formalmente novos
programas, mas são relevantes na concessão de empréstimos com objetivo declarado de geração de
emprego e renda, como, por exemplo: FAT Integrar; FAT Integrar Norte; FAT Vila Pan-Americana, FAT
Inclusão Digital e FAT Cédula de Produto Rural Financeira (CPRF) /Certificado de Direitos Creditórios do
Agronegócio (CDCA).8 O FAT, na área de microcrédito, liberou, em 1996, recursos para o BNDES no
âmbito do Programa de Crédito Produtivo Popular (PCPP), que buscava formar uma rede de instituições
privadas capazes de financiar pequenos empreendimentos. Esse programa, todavia, havia financiado
apenas 300 mil empreendimentos até 2001.
Ainda em 2004 foi criado, na mesma linha do microcrédito, mas no âmbito do próprio MTE, o Programa
Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), instituído com o objetivo de incentivar a geração
de trabalho e renda entre os microempreendedores populares.
Em resumo, na área de geração de emprego e renda, pode-se dizer que vários programas
ganharam corpo desde 1995. É ainda, porém, questionável a capacidade desses programas em
atingir de fato um universo significativo de pequenos empreendimentos. Isso leva a uma outra
questão: a baixa cobertura destes programas ou, em outras palavras, o seu pouco peso para
contrabalançar efeitos negativos de oscilações macroeconômicas sobre o emprego.
Na realidade, as flutuações do emprego no Brasil, no período 1995-2005, estiveram mais ligadas
às políticas macroeconômicas do que aos resultados desses programas. Assim, pode-se
perguntar se o surgimento desses diversos programas atende ou não a alguma estratégia clara
de geração de emprego no país.

O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego para Juventude (PNPE)

Em 2003, foram criados dois novos programas, que procuraram alcançar segmentos insuficientemente
cobertos pelos programas de emprego existentes. Diante do grave problema do desemprego juvenil, o
governo lançou o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego para a Juventude (PNPE), voltado
para a inserção laboral de jovens entre 16 e 24 anos, de baixa renda e escolaridade.10 O programa,
financiado majoritariamente com recursos ordinários do Orçamento, é uma tentativa de estender as
políticas públicas de emprego a um conjunto de trabalhadores para os quais as políticas até então
existentes eram pouco eficazes, a saber: jovens entre 16 e 24 anos, desempregados e sem experiência
de vínculo formal, ensino médio incompleto e cuja família tenha renda domiciliar de até meio salário
mínimo per capita; prioridade é dada a afrodescendentes, a portadores de necessidades especiais e a
jovens em conflito com a lei. 2.2.6 O Programa de Economia Solidária O segundo programa busca o
fortalecimento da economia solidária, segmento constituí- do pelos empreendimentos autogestionários,
isto é, administrados pelos próprios trabalhadores. Apesar de contar com poucos recursos (que não vêm
do FAT) e de ainda não ser evidente sua inclusão no rol das políticas de emprego, esse programa é
mencionado aqui pelo fato de ser um dos poucos que se propõe, explicitamente, a atuar com
trabalhadores fora da relação de assalariamento sem ser, ao mesmo tempo, um programa vinculado
essencialmente ao crédito: suas ações incluem o mapeamento dos empreendimentos existentes, a
constituição de uma rede de incubadoras e o apoio a fóruns de articulação das redes de economia
solidária.

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Um resumo da situação atual concernente às políticas de emprego, trabalho e renda no Brasil,
operantes a partir do MTE, pode ser visualizado no Quadro seguinte.

Deve-se destacar a atual estrutura organizacional do sistema de emprego brasileiro, que consta do
quadro seguinte. Nota-se que o sistema de emprego brasileiro apresenta uma política de diretrizes
centralizada no MTE, ainda que a implementação dos programas sob alçada governamental tenha de ser
feita de forma descentralizada, a partir das unidades estaduais do Sine e seus escritórios locais. A gestão
administrativa possui, hoje, um conselho tripartite (Codefat), que delibera sobre a alocação dos recursos
aos diversos programas de intermediação-capacitação, seguro-desemprego e projetos de geração de
emprego e renda.
As atribuições de cada instância de operação do Sine nos Estados, no entanto, seguem uma estrutura
hierárquica que responde ao centralismo das diretrizes propostas pelo MTE e pelo Codefat. As atividades
clássicas de intermediação de mão de obra são de responsabilidade pública, embora existam executores
não-governamentais dessas ações e também uma rede de provisão privada que, não está regulamentada
e corre totalmente à margem do sistema. As atividades de formação profissional, por sua vez, são de
responsabilidade compartilhada entre os setores público e privado, nas quais possuem papel fundamental
no conhecido Sistema S. Ambas as atividades dependem basicamente de recursos do FAT, que, desde
a Constituição de 1988, reúne os fundos do sistema PIS/Pasep. É de responsabilidade também ao MTE
a alocação de parte desses recursos à geração e à análise de informações sobre o mercado de trabalho
com base, principalmente, nos registros administrativos oriundos da Lei no 4.923/65, Cadastro Geral de
Emprego e Desemprego (Caged) e Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Quanto ao seguro
desemprego propriamente dito a origem dos recursos também é do FAT, porém a gestão dele tem como
pública a sua administração e, como centralizado, o pagamento dos benefícios pelo MTE. O nível de
cobertura refere-se aos desempregados sem justa causa, portanto, exclusivamente para os trabalhadores
que tiveram algum tempo de carteira assinada antes de serem demitidos.

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Em suma, com a criação do FAT, em 1990, o país passou a dispor de um conjunto abrangente de
políticas de emprego, como aquelas implementadas pelos países desenvolvidos entre os anos 1940 e
1970. O alcance dessas políticas, entretanto, no caso brasileiro, torna-se limitado pela natureza
heterogênea e precária do mercado de trabalho nacional, ponto que será retomado na última seção
deste trabalho.

Cartão de pagamento da Defesa Civil5

O Cartão de pagamento da Defesa Civil (CPDC) é uma ferramenta criada em parceria pelo Ministério
da Integração Nacional com a Controladoria Geral da União e o Banco do Brasil.
O CPDC foi instituído em 2011 com a finalidade de garantir mais agilidade e transparência na execução
dos recursos repassados para ações de resposta – compreendendo socorro, assistência ás vítimas e
restabelecimento dos serviços essenciais. A agilidade na transferência do recurso e possibilitada pela
abertura prévia das contas, que por serem específicas não ficam inativas por falta de movimentação. A
transparência é proporcionada pela publicação mensal dos dados no Portal da Transparência, garantindo
o controle social essencial para a boa utilização do recurso público.
A partir de 2012 o CPDC foi universalizado, configurando forma exclusiva de execução de recursos
para ações de resposta. Assim, previamente ao desastre, o ente – estado e/ou município – deve aderir
ao CPDC e abrir a conta, para que no caso de eventos adversos, tendo o reconhecimento federal da
situação de emergência, possa receber recursos da União para ações de resposta.
O Cartão de Pagamento de Defesa Civil (CPDC) é um meio de pagamento específico para ações de
defesa civil, que proporciona mais agilidade, controle e transparência dos gastos.
O Cartão de Pagamento de Defesa Civil é a forma exclusiva para o pagamento de despesas com
ações de resposta, que compreendem socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços
essenciais, definidas no Decreto nº 7.257, de 4 de agosto de 2010, promovidas por governos estaduais,
do Distrito Federal e municipais com recursos transferidos pela União. Os recursos só poderão ser
transferidos a entes federados em situações de emergência ou estado de calamidade pública
reconhecidos pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec).
Configura uma ação preventiva, pois a adesão ao CPDC e a abertura das contas devem ser realizadas
previamente à ocorrência de desastre. As contas abertas após maio de 2013 são operacionalizadas na
função débito e as contas abertas antes dessa data terão os plásticos substituídos para possibilitar a
execução nesta modalidade. No entanto, tal inovação não alcançará as contas que já receberam recursos
e, por isso, encontram-se em execução. As contas do CPDC são isentas de taxa de adesão e anuidade.

Público-alvo

Unidades gestoras dos órgãos da administração pública estadual, do Distrito Federal e municipal que
se enquadrem nos termos da legislação em vigor para ações de proteção e defesa civil.

Adesão e abertura de contas

5
Manual do Cartão de pagamento da Defesa Civil. Disponível em: http://www.mi.gov.br/c/document_library/get_file?uuid=990ccc44-fe98-4675-
8558e9c1558d86fb&groupId=10157.
Ministério da Integração Nacional. Disponível em: http://www.mi.gov.br/defesa-civil/solicitacao-de-recursos/cartao-de-pagamento-de-defesa-civil.

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O contrato de adesão é realizado uma única vez e será efetuado no momento da abertura da primeira
conta de relacionamento, junto à agência do Banco do Brasil. Não existe número limite para a abertura
de contas. Ressalta-se que, a cada situação de desastre natural, ou seja, a cada evento, faz-se
necessária a abertura de conta específica para o recebimento de recursos federais solicitados, bem como
para a realização dos gastos com o cartão.

Serviços e benefícios ao ente recebedor


-Acesso online à movimentação do cartão pelo Autoatendimento Setor Público (AASP) do Banco do
Brasil, proporcionando o gerenciamento dos gastos, com emissão de demonstrativos, alteração de limites
dos portadores do cartão, etc.
-Controle detalhado dos valores movimentados, permitindo o monitoramento de despesas efetuadas
pelos portadores.
-Várias modalidades de relatórios mensais, disponíveis em papel e em meio eletrônico, com
informações detalhadas do centro de custos, fornecedor ou portador.

Serviços e benefícios para o gestor do recurso


-Melhor controle das despesas.
-Identificação do portador como servidor do governo estadual ou municipal.
-Segurança.
-Central de atendimento 24 horas.

Utilização
Aquisição de material, inclusive por meio da internet, contratação de serviços destinados a ações de
socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais.

Vedações
É vedado o saque em espécie, as compras parceladas, o uso no exterior do país e a transferência de
recursos entre contas.

Limites de utilização do produto


Quando os recursos forem destinados diretamente para o município, o limite da conta é o valor total
do recurso transferido pelo Ministério da Integração Nacional. O representante autorizado da conta no
município poderá estabelecer os limites individuais de cada portador do cartão.
Nos casos de recursos destinados diretamente aos estados, o limite da conta também é o valor total
do recurso transferido pelo MI. O representante autorizado da conta no estado deverá estabelecer os
limites individuais de cada portador do cartão.
O CPDC possibilita que o estado repasse recursos recebidos da União para os municípios. Quando
os recursos são transferidos ao estado e ele realiza o sub-repasse a municípios, o limite do centro de
custos do estado diminui para ser repassado aos novos centros de custos criados para os municípios.
A soma dos limites dos centros de custos, com mesmo número de instrumento, não pode exceder o
limite da conta de relacionamento cadastrada para esse evento.
Assim, caso o estado receba R$1.000.000,00, este é o valor do seu centro de custos. Ele poderá optar
por executar de forma direta o recurso ou sub-repassar para os municípios. Optando pelo sub-repasse, a
soma dos centros de custos dos municípios não poderá exceder esse valor, que é o total do recurso
repassado.
No caso de opção pelo sub-repasse, o representante autorizado do estado deverá informar ao Banco
do Brasil, em sua agência de relacionamento, quais municípios serão beneficiados, o valor dos sub-
repasses, o número do instrumento e subinstrumento de cada município e o nome do representante
autorizado de cada município.
De posse dessas informações, o Banco do Brasil gera o número de centro de custos para cada
município e informa ao representante autorizado do estado.
O representante autorizado do estado, utilizando o AASP, cria a chave J (chave de acesso) e senha
provisória para o representante autorizado de cada município.

O sub-repasse se dá quando o estado repassa a municípios recursos recebidos da União.


-O número do instrumento corresponde ao número gerado pelo Siafi após a emissão da ordem
bancária. É informado pelo MI ao ente beneficiado quando da liberação do recurso na conta de
relacionamento.

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-O número do subinstrumento corresponde ao código Siafï do município recebedor do repasse e
deverá ser informado ao Banco do Brasil pelo representante autorizado do estado no ato de
cadastramento do centro de custos de cada município. O MI disponibiliza a listagem completa dos
municípios e seus respectivos números no Siafi em www.integracao.gov.br/defesa-civil/solicitacao-de-
recursos/cartao-de-pagamento-de-defesa-civil.
-Centro de custos: subdivisão interna na estrutura de cadastramento de cartões utilizada para a
distribuição de limites de utilização aos beneficiários, que obedece aos seguintes critérios:
a) Para município: cada conta terá apenas um centro de custos.
b) Para estado que não repassar recursos a municípios: cada conta terá apenas um centro de custos.
c) Para estado que sub-repassar recursos a municípios: a conta do estado deverá ser subdividida em
centros de custos, sendo um para o próprio estado e um para cada município beneficiado.

A seguir, tem-se uma breve explanação a respeito das atividades realizadas uma única vez,
previamente ao desastre; atividades realizadas previamente ao desastre e quando na ocorrência
do desastre:

-Atividades realizadas uma única vez, previamente ao desastre


1. Criar o órgão de proteção e defesa civil.
2. Assinar o contrato com o Banco do Brasil.

-Atividades realizadas previamente ao desastre


3. Abrir conta específica junto ao Banco do Brasil.
4. Enviar os dados bancários – CNPJ vinculado à conta; nome, CPF e data de nascimento do
representante legal; número da agência, da conta e do centro de custos – no Sistema de Cadastramento
do CPDC no site da Sedec, para as contas abertas por iniciativa do ente.
Para as contas abertas de forma indireta, por iniciativa da Sedec, os entes serão informados sobre os
dados bancários via ofício, quando da abertura da conta.

-Ocorrência do desastre
5. Decretar Situação de Emergência (SE) ou Estado de Calamidade Pública (ECP).
6. Solicitar o reconhecimento à Sedec via S2ID.
7. A Sedec analisará a solicitação e no caso de reconhecimento da SE ou ECP o ente estará apto para
receber recursos para ações de resposta – socorro, assistência às vítimas e restabelecimento dos
serviços essenciais.
8. Solicitar recursos para ações de resposta por meio da apresentação do plano de resposta.
9. A Sedec analisará a solicitação, caso aprovada; e, existindo disponibilidade orçamentária, será
realizado o depósito dos recursos na conta de relacionamento previamente aberta.
10. Utilização do CPDC como meio exclusivo para execução dos recursos repassados para ações de
resposta.
11. Consolidação mensal das faturas pelo Banco do Brasil e envio dos dados à Controladoria-Geral
da União.
12. Publicação dos dados no Portal da Transparência.

No campo da economia, o grande destaque é o cenário de recessão técnica, confirmado pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em outubro do ano passado, apesar dos desmentidos do então
ministro da Fazenda, Guido Mantega. O fraco crescimento da economia brasileira se deve muito pouco à
crise mundial e deve ser justificado principalmente pela queda no consumo interno e a desaceleração da
produção industrial. Outros episódios marcaram o plano econômico entre o primeiro semestre de 2014 e
os primeiros meses de 2015. As matérias abaixo foram publicadas por conceituados órgãos de imprensa
do Brasil e do mundo e sua leitura irá facilitar a compreensão geral dos fatos que, unidos, formam a base
do cenário econômico atual. Vamos a elas:

Reforma Fiscal

Para discutir a reforma fiscal brasileira6, devemos considerar que há dois polos. Em um deles, nota-se
o argumento que não apenas defende a correção das contas públicas pelo lado do gasto, como alega

6
CARVALHO, A. R. Narrativas do Ajuste Fiscal: a proposta da Reforma Fiscal. Disponível em:
<https://obarometro.wordpress.com/2015/07/01/narrativas-do-ajuste-fiscal-5-a-proposta-da-reforma-fiscal/>. Acesso em: 13 jul 2015.

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1142216 E-book gerado especialmente para ORNELIA COELHO MEIRA
que o corte governamental deveria ser ainda mais profundo do que o governo conseguirá em suas
possibilidades. No meio do caminho, vemos os novo-desenvolvimentistas que entendem ser o ajuste um
mal necessário para a retomada do crescimento econômico puxado por exportações; logo, uma oposição
moderada ou um apoio com ressalvas, segundo as quais deve-se combinar corte em gastos com melhoria
da qualidade da arrecadação.
Por fim, no outro extremo encontram-se os economistas que se opõem à natureza do ajuste fiscal.
Esse grupo propõe a correção fiscal pelo lado da arrecadação, tornando socialmente mais igualitária a
estrutura da tributação.

O Diagnóstico Negativo dos economistas

Antes de qualquer coisa, os mais distintos economistas se unem em torno da crítica quanto ao peso
desmedido do pagamento dos serviços de juros da dívida pública. Para eles, o problema do déficit do
governo não é o crescimento dos gastos em geral, mas da carga de juros da dívida pública. Argumentam,
com base nesse dado, que os economistas ortodoxos que defendem o ajuste enfatizam,
convenientemente, o superávit primário, isto é, a poupança que o governo faz para honrar seus
compromissos financeiros. O superávit primário é demonstrado no gráfico abaixo, em que é realizado um
comparativo entre os períodos de janeiro a junho de cada ano.

Deve-se, então, observar o comportamento do resultado nominal, que é o superávit primário menos o
serviço de juros da dívida, sendo este último responsável por cerca de 82% do crescimento do déficit
nominal deste ano, no gráfico abaixo em que é feito um comparativo entre os períodos de janeiro a junho
de cada ano.

Dados liberados recentemente pelo Banco Central apresentam que, no ano de 2014 inteiro, tal
pagamento somou R$ 310 bilhões (cerca de 6% do PIB). Entre janeiro e junho de 2015, já foram
destinados R$ 198,94 bilhões a esse tipo de gasto. Mantendo esse ritmo até o final do ano, o Brasil
destinará quase R$ 400 bilhões (ou 9% do seu PIB) apenas para os detentores de títulos da dívida pública
(Comparativo entre os períodos de janeiro a junho de cada ano).

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1142216 E-book gerado especialmente para ORNELIA COELHO MEIRA
A partir desta perspectiva, pode-se concluir que o ajuste proposto pelo governo (um corte de gastos
de cerca de R$ 70 bilhões) é irrisório no crescente serviço de juros. Com isso, o cheque especial do
governo só faz crescer consecutivamente.

Mas o ajuste não pode ajudar, por meio do corte de gastos?

Se tomássemos o argumento do orçamento familiar, tudo faria crer que sim. Para isso, a renda deve-
se manter constante ou crescer. Entretanto, alguns economistas mais céticos argumentam que um corte
nos gastos diminui também a arrecadação do governo e piora a distribuição de renda brasileira.
Portanto, segundo essa visão, a contração fiscal é “contracionista e concentradora de renda”. A
redundância se dá em oposição à alegação, daqueles localizados no outro polo, de que haveria efeitos
expansionistas no ajuste fiscal por meio da restauração do estado de confiança dos empresários.
Para os heterodoxos em geral, os empresários formam suas expectativas com base no ritmo de
atividade econômica e no montante planejado de investimentos governamentais. De tal modo, ajustar as
contas de forma recessiva vai piorar sua percepção quanto ao futuro e, portanto, reforçar a queda do
investimento, agravando a situação fiscal que se busca corrigir.

O argumento é bem sofisticado, por envolver inúmeras variáveis e múltiplas dimensões. Para
cadenciar melhor o raciocínio, coloquei-o na forma de tópicos.
-Dada a rigidez da maior parte do gasto público, um ajuste fiscal agrava o desequilíbrio das contas
públicas ao deprimir o crescimento econômico e, portanto, ao reduzir a arrecadação do governo;
-Redução da arrecadação leva à emissão de títulos públicos, com prazos mais curtos e com maiores
taxas de juros;
-Crescem despesas com o serviço de juros da dívida pública e a situação fiscal piora, por meio
do resultado nominal das contas públicas.
-Elevação da taxa de juros leva à apreciação da taxa de câmbio e inibe o investimento produtivo,
reforçando a desindustrialização da economia e, portanto, adiando ainda mais a retomada do
crescimento da produtividade;
-A combinação dos fatores reforça a perda de dinamismo da economia, com severos impactos
negativos sobre a geração de emprego: tanto em número quanto em qualidade;
-A maior insegurança dos trabalhadores em seus empregos diminui o poder de barganha dos mesmos
e conduz à redução do poder de compra dos salários (isto é, o salários passam a crescer abaixo da
inflação);
-A perda de força dos salários propicia um aumento na fatia da renda nacional destinada aos
lucros e aos que ganham renda na forma de juros (devido ao aumento na taxa de juros básica da
economia);
-O resultado final é um governo fraco, sem poder fazer investimentos que melhoram a vida dos mais
pobres e obrigado a pagar um montante crescente na forma de serviço de juros: recessão com
retrocesso na distribuição de renda.

A alternativa ao ajuste: a Reforma Fiscal

Dado esse tenebroso cenário, o que poderia o governo fazer, em vez de cortar gastos? Para um grupo
de economistas em geral, a solução está na reforma do perfil da tributação. A correção do equilíbrio fiscal
deve ser realizado pela melhor distribuição da carga tributária.
Dito em outras palavras, é necessário atualizar o regime tributário para o novo momento do Brasil.

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Devido à grande dependência da arrecadação sobre impostos indiretos (aqueles que pesam sobre o
preço dos bens e serviços), aqueles com menos renda destinam uma parcela maior de seu rendimentos
ao governo do que aqueles que gozam de rendas mais elevadas.
O número baixo de faixas de tributação do Imposto de Renda limita o poder deste imposto de atenuar
a concentração de renda. Uma das propostas é ampliar o número de faixas de renda, tributando mais
pesadamente o topo da pirâmide e corrigindo as faixas pela inflação, de sorte a aliviar a tributação
incidente sobre as camadas de mais baixa renda
Ainda no quesito renda, restaurar os impostos sobre lucros e dividendos distribuídos, seria uma
maneira de corrigir o desequilíbrio fiscal “por cima” e não por meio dos estratos inferiores da distribuição
de renda.
Por fim, para ficar em alguns, chama-se a atenção para a baixa tributação sobre patrimônio. Apenas
1% da população detém 43% da terras privadas brasileiras e o imposto que incide sobre elas é irrisório. O
gráfico abaixo mostra a disparidade entre a carga tributária incidente sobre proprietários e aquela que
onera os não proprietários.

Agravando o problema, a ausência de tributação sobre grandes fortunas perpetua a concentração de


riqueza. Dada a elevada rejeição a esse imposto aqui no Brasil, uma alternativa estudada pelo governo é o
imposto sobre transmissão de causa mortis e doações (ITCMD), que poderia quintuplicar a arrecadação
atual.
Os gráficos abaixo comparam as alíquotas nacionais às de outros países e mostra o impacto positivo
de uma elevação de sua alíquota sobre a arrecadação federal.

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Bovespa deixa de ser maior bolsa da América Latina, superada por México

O valor de mercado de todas as empresas brasileiras listadas na Bovespa foi ultrapassado pelo
México, segundo um levantamento feito pela provedora de informações financeiras Economatica. A bolsa
brasileira recuou 2% nesta quarta-feira (23/09/2015), fechando no vermelho pelo quarto dia seguido.
As 121 empresas listadas na bolsa do México terminaram o dia com valor de mercado de US$ 478,8
bilhões, contra US$ 471,6 bilhões das 300 empresas brasileiras de capital aberto.
Os preços das ações determinam o valor de mercado das empresas e podem variar por fatores
relacionados à própria companhia ou por fatores externos, como o crescimento do país, o nível de
emprego e a taxa de juros.

Valor de mercado

Segundo a Economatica, o maior valor de mercado das empresas listadas na Bovespa (em amostras
mensais) aconteceu no mês de abril de 2011, quando chegou a US$ 1,53 trilhão. Em 54 meses – de abril
de 2011 até setembro de 2015 – a Bovespa perdeu US$ 1,05 trilhão.
As empresas mexicanas atingiram seu valor máximo em agosto de 2014, com US$ 625,7 bilhões, diz
a Economatica. Já o resultado de hoje não era visto desde dezembro de 2005, quando as empresas
brasileiras atingiram valor de US$ 446,6 bilhões.
Bolsas da América Latina, em valor de mercado:
1º México, US$ 478,8 bilhões
2º Brasil, US$ 471,6 bilhões
3º Chile, US$ 179 bilhões
4º Colômbia, US$ 91,5 bilhões
5º Argentina, US$ 74,1 bilhões
6º Peru, US$ 61 bilhões

Dólar

Um dos fatores que influenciou a queda do valor de mercado no Brasil foi a valorização do dólar, diz o
estudo. No período de dezembro de 2010 até esta terça-feira, o dólar Ptax (média da variação do dia)
valorizou 146,31%, enquanto no México a valorização foi de 38,02%.
Nesta terça, o dólar fechou em alta pela quinta vez seguida e voltou a terminar o dia no maior valor da
história. A moeda norte-americana subiu 2,28%, cotada a R$ 4,1461 na venda. Na máxima do dia, o dólar
chegou a ser cotado a R$ 4,1517.
Depois de Brasil e México, os índices de ações mais relevantes da América Latina são do Chile,
Colômbia e Argentina, disse ao G1 o economista Einar Rivero, responsável pelo estudo da Economatica.
Queda de 9,3% em 2015
Em 2015, a Bovespa acumula perda de 9,33% até esta quarta-feira (23/09/2015), após fechar em
queda de 2%, a 45.340 pontos. Foi o quarto dia em que o índice fechou no vermelho. No mês de setembro,
a bolsa cai 2,75%.

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A piora das bolsas nos Estados Unidos e Europa e o aumento das incertezas sobre o cenário fiscal no
Brasil têm influenciado a queda do índice acionário, o maior e mais importante do mercado de ações do
Brasil.
23/09/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2015/09/bovespa-deixa-de-ser-maior-bolsa-da-america-latina-superada-por-
mexico.html

Entenda a recessão técnica do Brasil

O Brasil voltou a ter dois trimestres seguidos de queda no Produto Interno Bruto (PIB): recuou 0,7%
(dado revisado) de janeiro a março e 1,9%, de abril a junho. No "economês", esse fenômeno é chamado
de recessão técnica.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existe a possibilidade de recuperação
no curto prazo com a recessão técnica. Mas o mercado prevê que o Brasil passe por uma retração
prolongada e que vai se estender até o ano que vem.
A expectativa dos economistas dos bancos é que, no ano, a economia tenha uma retração de 2,06%,
seguida por uma queda de 0,24% em 2016. Será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos
de contração na economia, pela série do IBGE iniciada em 1948.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos dentro do país, e serve para medir o
comportamento da atividade econômica.

O que significa quando um país entra em recessão técnica?

Na prática, ela serve como um termômetro para medir se a economia vai mal, explica o professor do
departamento de economia da PUC-SP, Claudemir Galvani.
No entanto, nem sempre duas quedas seguidas do PIB mostram que o país está em crise ou que,
necessariamente, produziu menos que nos períodos anteriores, explica o economista da LCA
Investimentos, Francisco Pessoa.
O país pode ter ficado estagnado em um trimestre e encolhido 3% no seguinte, por exemplo, e estar
em situação pior do que em uma recessão técnica com duas leves retrações. A recessão técnica indica
que algo não vai bem, mas ela independe de haver reflexos diretos na economia.

O Brasil já esteve em recessão técnica?

Não é a primeira vez que isso ocorre. Também houve recessão técnica em 2009, 2007 e 1999, por
exemplo.

Qual a diferença entre recessão real e recessão técnica?

Economistas consideram que a recessão real ou "profunda" independe de haver dois trimestres
negativos. Quando a maioria dos indicadores econômicos – mercado de trabalho, atividade da indústria
ou vendas no comércio, por exemplo – aponta quedas consistentes, já é possível concluir que a economia
está num quadro recessivo, antes mesmo da divulgação do PIB pelo IBGE, explica o economista da
FGV/IBRE Paulo Picchetti.
“É o conjunto da obra que determina uma recessão”, complementa Adriano Gomes, professor da
ESPM e sócio-diretor da Méthode Consultoria. Para ele, os níveis de confiança dos empresários e do
consumidor, que atingiram baixas históricas, são um termômetro da falta de perspectiva de uma
recuperação (a chamada luz no fim do túnel).

O Brasil já está em recessão?

Um grupo de economistas da FGV, do qual Picchetti faz parte, divulgou em agosto um estudo
mostrando que o Brasil entrou em recessão desde o segundo trimestre de 2014 – mesmo não registrando
a chamada “recessão técnica” (dois trimestres seguidos de queda da economia).
Segundo o relatório, chegou ao fim, no primeiro trimestre do ano passado, um ciclo de 20 trimestres
de expansão econômica, iniciado entre abril e junho de 2009. “Quando há uma queda generalizada do
nível de atividade da economia, já podemos dizer que ela está em recessão”, explica o professor da
FGV/IBRE.

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Existe alguma diferença entre crise e recessão?

Para Picchetti, uma crise econômica não necessariamente significa que um país está em recessão,
mas o contrário é sempre verdadeiro. "Crise pode ter um caráter mais temporário e menos estrutural e
ser solucionada em um prazo relativamente curto. Já a recessão passa uma ideia de mudança de
tendência de crescimento da economia com um caráter mais estrutural", explica.

Como um país sai de uma recessão?

O fim de uma recessão só é constatado quando existe um movimento consistente de retomada em


todos os indicadores econômicos, segundo Picchetti. Dados como taxa de desemprego, vendas no
comércio, produção industrial e outros precisam mostrar de forma clara e conjunta que estão em
recuperação.
"Não adianta um trimestre de tímida recuperação na atividade da indústria para concluir que já reverteu
essa tendência", diz o professor.

Entenda o que é recessão


Recessão Quando o PIB fica negativo por 2 trimestres seguidos. Funciona como um alerta,
técnica e não significa que a economia vai piorar. É possível a recuperação no curto
prazo.
Recessão Quando o conjunto de indicadores da economia aponta retração ao mesmo
real tempo. Há queda na produção, aumento do desemprego e de falência de
empresas. A recuperação fica mais difícil.

Taís Laporta
28/08/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/08/entenda-recessao-tecnica-do-brasil.html

Governo revisa previsão do PIB em 2015 para queda de 1,49%

O governo revisou nesta quarta-feira (22/07/2015) a sua previsão para o PIB (Produto Interno Bruto)
do Brasil em 2015 para uma retração de 1,49%. Já a estimativa para o índice de inflação oficial (IPCA)
passou de 8,26% para 9,0%.
"A previsão para 2015 do crescimento real do PIB foi reduzida de ‐1,20% para -1,49% sendo que tal
queda impacta o mercado de trabalho e consequentemente a taxa de crescimento da massa salarial
nominal, que acabou sendo revista de 4,83% para 1,74%. O índice de inflação (IPCA) passou de 8,26%
para 9,0%" informa o "Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias", referente ao 3º bimestre
de 2015, divulgado pelo Ministério do Planejamento. "Nesse cenário semelhante ao de mercado, a
estimativa de inflação sugere certa persistência em 2015, refletindo o realinhamento dos preços
administrados e a desvalorização cambial", destacou.
A nova estimativa de encolhimento da economia em 2015 é mais pessimista que a divulgada pelo
Banco Central em junho, que avaliou que a economia brasileira deve "encolher" 1,1% neste ano – a maior
contração em 25 anos.
A atual expectativa dos economistas semanalmente ouvidos pelo Banco Central na pesquisa Focus é
de que o PIB encolha 1,70% neste ano. Já para a inflação, a estimativa é de 9,15% em 2015.
Previsão para 2016 também cai
Para 2016, a previsão do governo é de um crescimento de 0,5% da economia brasileira ante estimativa
anterior de alta de 1,3%. Para os anos de 2017 e 2018, a estimativa é de uma alta de 1,8% e 2,1% do
PIB, respectivamente.
No mesmo relatório, o governo anunciou a revisão da meta de economia para pagar os juros da dívida
– o chamado superávit primário – para R$ 8,747 bilhões em 2015, o equivalente a 0,15% do PIB, ante
previsão anterior de R$ 66,3 bilhões (1,19% do PIB). Foi anunciado ainda um corte adicional de R$ 8,6
bilhões no Orçamento de 2015, totalizando um contingenciamento acumulado de R$ 79,4 bilhões nos
gastos entre todos os poderes no ano.
Débora Cruz e Darlan Alvarenga
22/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/governo-revisa-previsao-do-pib-em-2015-para-queda-de-149.html

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Governo publica novo reajuste da tabela do Imposto de Renda

O governo publicou no "Diário Oficial da União" a lei que prevê um reajuste escalonado da tabela do
Imposto de Renda. Os novos valores estavam em vigor desde abril deste ano, por meio de uma medida
provisória que precisava ser aprovada pelo Legislativo.
Com o novo modelo, que tem correções diferentes para cada faixa de renda, ficarão isentos os
contribuintes que ganham até R$ 1.903,98 – o equivalente a 11,49 milhões de pessoas.
O reajuste de 6,5% na tabela valerá apenas para as duas primeiras faixas de renda (limite de isenção
e a segunda faixa). Na terceira faixa de renda, o reajuste será de 5,5%. Na quarta e na quinta faixas de
renda – para quem recebe salários maiores – a tabela do IR será reajustada, respectivamente, em 5% e
4,5%, pelo novo modelo.
Se a tabela fosse corrigida em 4,5% para todos os contribuintes, que era a proposta inicial do governo,
quem ganhasse até R$ 1.868,22 neste ano não teria de prestar contas. Com o valor de R$ 1.903,98, a
faixa de isentos é maior.
A nova tabela vale para o ano-calendário de 2015, ou seja, irá afetar o Imposto de Renda declarado
pelos contribuintes em 2016.
A lei publicada nesta quarta-feira ainda traz um veto à isenção de PIS/Cofins para o óleo diesel.
O veto, segundo despacho da presidente, deve-se ao fato de "as medidas resultarem em renúncia de
arrecadação", além de não terem sido apresentadas as estimativas de impacto e as devidas
compensações financeiras.

Veja a tabela do imposto de renda


Base de cálculo (em R$) – Alíquota do imposto Parcela a deduzir do IR
renda mensal (em %) (R$)
Até 1.903,98 Isento --
De 1.903,99 até 2.826,65 7,5 142,80
De 2.826,66 até 3.751,05 15 354,80
De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 636,13
Acima de 4.664,68 27,5 869,36
Fonte: Diário Oficial da União

Renúncia fiscal

Um reajuste maior na tabela do IRPF implicaria em uma renúncia fiscal maior para o governo, ou seja,
menos recursos nos cofres públicos. O Executivo busca neste ano atingir uma meta de superávit primário
(economia para pagar juros da dívida pública) de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 66,3 bilhões,
para todo o setor público.
A correção da tabela do IR em 4,5% neste ano, proposta original do governo, resultaria em uma
renúncia fiscal de R$ 5 bilhões, segundo informações da Fazenda. O reajuste para toda a tabela de 6,5%
implicaria em perdas de R$ 7 bilhões em 2015. Segundo o ministro da Fazenda Joaquim Levy, o novo
formato de reajuste da tabela do IR implica em uma renúncia fiscal pouco acima de R$ 6 bilhões.

Ajuste nas contas

Nos últimos meses, para reequilibrar as contas públicas, que tiveram déficit primário inédito, o governo
subiu tributos sobre combustíveis, automóveis, cosméticos, empréstimos e sobre a folha de pagamentos.
Além disso, informou que não faria mais repasses à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – o
que impactará a conta de luz, que, segundo analistas, pode ter aumento acima de 40% neste ano –,
limitou benefícios sociais, como seguro-desemprego e abono salarial, e reduziu gastos de custeio e do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo o ministro Joaquim Levy, o governo vai "encontrar recursos ao longo do ano, sem deixar de
cumprir a meta fiscal". "Certamente vamos encontrar meios na nossa programação financeira. Sem deixar
de cumprir nossa meta, vamos fazer o esforço necessário para permitir esse movimento", declarou ele.
22/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/governo-publica-novo-reajuste-da-tabela-do-imposto-de-renda.html

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Aluguel em SP cai 1% em 12 meses pela 1ª vez desde 2005, diz Secovi

Alugar uma casa ou apartamento em São Paulo ficou 1% mais barato nos últimos 12 meses. É a
primeira vez, desde 2005, que o índice acumulado em 12 meses é negativo, segundo pesquisa do
sindicato da habitação (Secovi), divulgada nesta quarta-feira (22/07/2015).
O número ficou abaixo do IGP-M, índice usado para corrigir a maioria dos contratos, que ficou em
5,59% no mesmo período.
"É a primeira vez, desde o início da pesquisa, em 2005, que observamos um resultado negativo no
acumulado de 12 meses", diz, em nota, Mark Turnbull, diretor de Locação do Secovi-SP. "Até em função
do delicado cenário econômico, é provável que o valor dos contratos de locação continuem inferiores aos
índices de inflação nos próximos meses", prevê o dirigente.
Em junho, os contratos registraram uma redução de 0,9% em comparação com o mês anterior.
Ficaram mais baratas as moradias de um quarto. A queda nos valores foi de 1,6%. Na sequência,
estão as unidades de dois dormitórios (-0,9%). Apenas os aluguéis de imóveis de três dormitórios
mostraram alta de 0,4%.
O fiador foi a modalidade contratual mais comum dos aluguéis, responsável por 47,5% das locações
feitas. O depósito de até três meses de aluguel também foi bastante utilizado: um terço dos imóveis
locados usou esse tipo de garantia. O seguro-fiança foi usado por 19% dos inquilinos.
22/07/2015
Fonte:http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/aluguel-em-sp-cai-1-em-12-meses-pela-1-vez-desde-2005-diz-secovi.html

Petrobras mantém 28º lugar entre as maiores do mundo, diz 'Fortune'

A Petrobras manteve a posição de 28ª maior empresa no mundo no ranking da revista “Fortune”,
divulgada nesta quarta-feira (22/07/2015). A lista com as 500 maiores empresas do mundo leva em
consideração as receitas totais das companhias até março de 2015.
“A empresa estatal de energia do Brasil conseguiu se manter sua posição no ranking ‘Global 500’,
apesar de ter registrado em 2014 sua maior perda da história, de mais de US$ 7 bilhões”. Mas a
verdadeira história da Petrobras no ano passado foi o grande escândalo de corrupção envolvendo propina
e cartel, que contribuiu para a baixa contábil de US$ 2 bilhões e levou à renúncia da presidente Maria das
Graças Foster”, pontua a revista.
A “Fortune” destaca que a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo, acrescentando que a
empresa agora procura “cortar custos enquanto embarca em um plano para vender R$ 58 bilhões em
ativos até 2018 com o objetivo de financiar o desenvolvimento de projetos de petróleo em águas
profundas”.
No ranking de outra revista, a “Forbes”, a Petrobras caiu quase 400 posições na lista das 2 mil maiores
empresas do mundo publicada anualmente. A petroleira despencou da 30ª para a 416ª posição em
relação ao ano passado.

Outras empresas

A Petrobras é a primeira brasileira na lista da “Fortune”. Ao todo, são 7 empresas do Brasil no ranking
das 500 maiores.
Em segundo lugar, na 112ª posição, está o Itaú Unibanco. Em seguida vem o Banco do Brasil, em
126º lugar. A posição dos dois bancos representa uma inversão em relação à lista do ano passado,
quando o Branco do Brasil estava à frente do Itaú Unibanco.
O Bradesco continua na quarta posição entre as brasileiras, e no 185º lugar no ranking mundial.
A Vale ocupava o 5º lugar entre as brasileiras no ano passado e a JBS, o 6º. Neste ano, as empresas
inverteram a posição. No ranking mundial, a JBS está em 202º lugar e a Vale, em 312º.
Assim como em 2014, a última brasileira na lista é a Ultrapar Holdings, em 414º lugar.
22/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/07/petrobras-mantem-28-lugar-entre-maiores-do-mundo-diz-fortune.html

Brasil é 77º em lista de países mais ricos, atrás de Argentina e Venezuela

O Brasil está na 77ª colocação em um ranking dos países mais ricos do mundo, divulgado nesta
semana pela revista norte-americana "Global Finance Magazine". O país aparece atrás de Grécia,
Argentina e Venezuela, entre outros.

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O primeiro lugar entre as 184 nações é ocupado pelo Qatar, país escolhido para sediar a Copa do
Mundo de 2022. Luxemburgo, um pequeno país europeu, vem na segunda posição, seguido por
Cingapura

Veja a colocação de alguns países selecionados (ranking por PIB per capita):
1º Qatar: US$ 105.091,42
2º Luxemburgo: US$ 79.593,91
3º Cingapura: US$ 61.567,28
4º Noruega: US$ 56.663,47
5º Brunei: US$ 55.111,20
6º Hong Kong: US$ 53.432,23
7º Estados Unidos: US$ 51.248,21
8º Emirados Árabes Unidos: US$ 49.883,58
9º Suíça: US$ 46.474,95
10º Austrália: US$ 44.073,81
42º Grécia: US$ 23.930,22
49º Chile: US$ 19.474,74
51º Argentina: US$ 18.709,31
64º México: US$ 15.931,75
71º Venezuela: US$ 13.633,61
77º Brasil: US$ 12.340,18
90º China: US$ 10.011,48
130º Índia: US$ 4.060,22
184º República Democrática do Congo: US$ 394,25

Todos os números da pesquisa se referem ao ano de 2013. O estudo usou dados do FMI (Fundo
Monetário Internacional) e a metodologia é explicada abaixo.
Lista leva em conta poder de compra
A lista pode parecer estranha, por não trazer na dianteira países que, em geral, lideram rankings de
nações mais ricas, como os Estados Unidos, a China e a Alemanha, por terem o maior PIB (Produto
Interno Bruto).
É que o critério usado pela "Global Finance Magazine" é diferente. O levantamento considera o PIB
per capita. Ou seja, divide a soma das riquezas produzidas no país pela população.
O número obtido é corrigido pela paridade de poder de compra (PPP), o que significa que leva em
conta os custos reais dos serviços e a inflação nos países, em vez de apenas converter a moeda local
para dólar.
Com isso, busca eliminar diferenças provocadas pela fraqueza ou força da moeda --é como se todos
os países tivessem a mesma moeda.
22/07/2015
Fonte: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/07/22/brasil-e-77-em-lista-de-paises-mais-ricos-atras-de-argentina-e-
venezuela.htm

Consumo de diesel recua 2,5% no 1º semestre; vendas de gasolina caem 5%, diz ANP

O consumo de diesel no Brasil, diretamente atrelado ao desempenho econômico do país, caiu 2,5%
no primeiro semestre ante o mesmo período do ano passado, de acordo com dados publicados nesta
quarta-feira pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Já as vendas de gasolina recuaram 5% no mesmo período, devido também ao aumento da
competitividade do etanol hidratado, cujo consumo cresceu 38,3% no primeiro semestre frente o mesmo
período de 2014, segundo a autarquia.
O consumo de óleo combustível apresentou forte queda no período, de 9,9%, enquanto as vendas de
Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ficaram estáveis.
Desta forma, o consumo total de combustíveis no Brasil, que inclui etanol hidratado, com forte
crescimento, entre outros, cresceu 0,3% na comparação semestral.
Marta Nogueira
22/07/2015
Fonte: http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/07/22/consumo-de-diesel-recua-25-no-1-semestre-vendas-de-gasolina-caem-5-diz-
anp.htm

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Entenda a crise na Grécia

A atual crise econômica que atinge a Grécia decorre de um histórico em que o país gastou mais do
que podia e que foi agravado em 2008, com a crise econômica mundial. Esse déficit no orçamento, por
sua vez, foi financiado por empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do resto da Europa.
Em números atualizados, a dívida grega chega a 320 bilhões de euros, o equivalente a R$ 1 trilhão.
Desde 2010, a Grécia recebeu 240 bilhões de euros do FMI e da UE. Toda a repercussão mundial da
crise nos últimos dias, no entanto, foi desencadeada após 30 de junho, quando venceu uma parcela de
1,6 bilhão de euros da dívida com o FMI. Em 13 de julho, outra dívida com o FMI deixou de ser paga, de
450 milhões de euros.
Diante do cenário, o país foi enquadrado em situação de “calote” da dívida e a sua saída da zo na do
euro passou a ser discutida. Enquanto a Europa pressiona para que a Grécia continue adotando a moeda
para não quebrar a credibilidade do euro, para os gregos a saída poderia ser uma forma de retomar o
controle da política monetária, apesar do temor de se fechar o país para a entrada de capital internacional.
Agrava ainda mais o panorama grego o fato de a taxa de desemprego no país estar em 26%.
Considerando-se apenas a classe jovem, a taxa atinge 50% do grupo. Além disso, desde 2010, o PIB da
Grécia caiu 25%.
Em 2008, na grande crise, os gregos começaram a tirar dinheiro do país. Tanto que no último mês,
com a crise mais grave, os bancos fecharam para evitar que os gregos saquem todos os recursos e
quebrem as instituições. Saques em caixas eletrônicos estão limitados a 60 euros diários por pessoa.
Sendo assim, a Grécia depende de recursos da Europa para manter sua economia funcionando. Sem
o apoio dos credores internacionais, o governo grego não tem dinheiro para reativar o sistema financeiro,
nem para pagar parcelas dos empréstimos que vencem nos próximos dias. Na próxima segunda-feira
(20/07/2015), a Grécia precisará de 3,5 bilhões de euros para resgatar títulos detidos pelo Banco Central
Europeu (BCE) e no dia 30/07, vence parcela de 5,3 bilhões de dólares com bancos privados
internacionais.
Para um novo aporte, no entanto, os europeus exigem novos cortes de gastos e incremento de
impostos. No último dia 5, em referendo, os gregos foram às urnas para decidir se concordam com as
condições europeias para um novo empréstimo, mas 61,3% dos gregos decidiram pelo "não".
Mesmo assim, o governo grego se mostrou disposto a negociar. Trocou o ministro das finanças, o
conselho de ministros aprovou o aperto fiscal, pediu novo empréstimo de 50 bilhões de euros e mandou
a proposta de aperto geral do povo grego. Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, argumentou que o povo
grego fez os “esforços fiscais mais duros do que qualquer outro país” e a "experiência" fracassou.
Na segunda-feira (13/07/2015), os líderes europeus concordaram em fazer um terceiro programa de
resgate para a Grécia, mas ainda exigem medidas duras, como aumento de impostos, reformas no
sistema previdenciário, cortes nas pensões e mais privatizações.
O Parlamento da Grécia aprovou nessa quarta-feira (15/07/2015) o acordo com os líderes da zona do
euro, de modo a permitir um novo resgate ao país, que poderá chegar a 86 bilhões de euros. O partido
no poder, o Syriza, aprovou o acordo graças ao apoio de forças políticas de oposição.
Segundo a televisão estatal da Grécia, 229 deputados votaram a favor do acordo, seis abstiveram-se
e 64 se manifestaram contrários. Metade dos votos contra e a totalidade das abstenções vieram do partido
que sustenta o Governo, o Syriza. Entre os que votaram contra estivavam a presidenta do Parlamento,
Zoe Konstantopoulou; o ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis; e o ex-ministro das Finanças Yanis
Varoufakis.
Os bancos gregos vão continuar fechados até pelo menos sexta-feira (17/07/2015), segundo novo
decreto publicado pelo Ministério das Finanças grego. O decreto também amplia as operações bancárias
que podem ser realizadas nas unidades abertas. O novo decreto mantém o limite para saque nos caixas
eletrônicos em 60 euros por dia e em 120 euros o valor máximo para pensionistas que só têm cartão.
16/07/15
Fonte: http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/07/entenda-crise-na-grecia

Em 21 anos, real perde poder de compra, e nota de R$ 100 vale R$ 19,90

Segundo o matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho, a inflação acumulada de 1/7/1994 até
1°/7/2015, medida pelo IPCA, é de 402,4% (considerando um IPCA estimado em 0,7% em junho de 2015).
Em decorrência desse fato, a cédula de R$ 100 perdeu 80,1% do seu poder de compra desde o dia
em que passou a circular.
Apesar de o valor de face da cédula indicar R$ 100, o poder de compra da nota atualmente é de apenas
R$ 19,90. "O valor da moeda foi reduzido a um quinto nesses 21 anos", diz Vieira Sobrinho.

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Mesmo com desvalorização, real atingiu objetivos
O matemático financeiro acredita que mesmo com essa desvalorização, o Plano Real tem sido uma
vitória, pois a moeda ainda tem poder de compra.
Heron do Carmo, professor de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo (FEA-USP), concorda com a análise do matemático financeiro.
"O Plano Real tem sido um sucesso no sentido de controlar a hiperinflação. Para se ter uma ideia,
apenas no primeiro trimestre de 1990, a inflação acumulada foi maior do que durante todo o Plano Real."
Segundo as contas do professor Vieira Sobrinho, entre janeiro e março de 1990, a inflação acumulada
pelo IPCA, no trimestre, ficou em 437,02%, superior à inflação acumulada nos 21 anos do Plano Real, de
402,4%.
Entre as décadas de 80 e 90, o Brasil viveu uma época de hiperinflação. Segundo cálculos do
matemático, no período de maio de 89 a abril de 90, a inflação foi de 6.821,3%, o que dá 42,3% ao mês,
em média.
"Uma nota que tivesse um valor de face de 100 nessa época, em um ano valeria 1,44, ou seja, teria
perdido 98,6% do seu valor", afirma o professor. "Em contrapartida, em 21 anos, o Real ainda preserva
algum valor. Isso é uma vitória", diz.

Como se proteger da inflação?

Quem tem dinheiro para investir pode aplicar em investimentos que rendam inflação mais juros,
protegendo o dinheiro dos efeitos da inflação. A poupança fazia esse papel até o ano passado, mas ela
está rendendo abaixo da inflação. Ou seja, aplicar na poupança não protege o dinheiro.
A alternativa podem ser títulos públicos, como papéis do Tesouro IPCA+, que pagam a inflação mais
um percentual. Os especialistas também recomendam o Tesouro Selic.
Segundo economistas, um pouco de inflação pode ser saudável numa economia e é melhor do que a
deflação (quando há queda generalizada de preços).
Sophia Camargo
01/07/2015
Fonte: http://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2015/07/01/em-21-anos-real-perde-poder-de-compra-e-nota-de-r-
100-vale-agora-r-1990.htm

Entenda a polêmica por trás das 'pedaladas fiscais'

O Tribunal de Contas da União (TCU) estipulou nesta quarta-feira (17/06/2015) um prazo de 30 dias
para que a presidente Dilma Rousseff se explique sobre o que o órgão considerou ser uma série de
irregularidades nas contas públicas de 2014.
Entre as principais dessas irregularidades estão as chamadas "pedaladas fiscais" - manobras
contábeis que envolveriam o uso de recursos de bancos federais para maquiar o orçamento federal.
O TCU é responsável pela fiscalização dos gastos do governo. O órgão precisa dar seu parecer sobre
as contas do ano passado e tem se mostrado inclinado a recomendar uma rejeição dessas contas em
função das pedaladas e de outras manobras para camuflar despesas governamentais.
Em outras ocasiões, o tribunal já recomendou ao Congresso a aprovação com ressalvas dos gastos
públicos, mas um parecer pela rejeição seria inédito na história recente do país e poderia ampliar as
repercussões políticas do caso.
Em um outro processo aberto para investigar exclusivamente as pedaladas, o TCU já emitiu, em abril,
um parecer defendendo que o governo cometeu "crime de responsabilidade" com as tais manobras
fiscais.
O órgão ainda está apurando quem seriam os responsáveis, mas a decisão alimenta as expectativas
de uma rejeição das contas públicas.
Na terça-feira, o Ministério Público também encaminhou um parecer aos ministros do TCU apoiando a
reprovação.
E no mês passado, a oposição ingressou na Procuradoria Geral da República (PGR) com uma ação
pedindo a investigação de Dilma pelas manobras contábeis. Na visão da oposição, essas operações não
poderiam ter ocorrido sem o consentimento da presidente.
O governo admite que as operações ocorreram, mas nega que sejam irregulares e diz que elas também
foram realizadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
A questão da irregularidade também divide especialistas. "De fato, se ficar provado que um banco
público foi usado para financiar o Tesouro, temos uma infração à Lei de Responsabilidade Fiscal", opina
o especialista em contas públicas Raul Velloso.

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O economista Mansueto Almeida, funcionário licenciado do Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (IPEA), concorda. "Parece que de 2012 para cá essas manobras fiscais vêm sendo feitas de
forma sistemática e planejada - o que é muito grave e as responsabilidades disso precisam ser apuradas",
diz.
Já Amir Khair, ex-secretário de Finanças na gestão da prefeita Luiza Erundina (ex-PT, atual PSB),
acha difícil provar que houve infração. "O que estão chamando de 'pedalada' não passa de atrasos de
pagamentos, comuns em tempos de crise", opina.

O que são as 'pedaladas fiscais'?

São manobras contábeis que, segundo a oposição, teriam como objetivo melhorar o resultado das
contas públicas - ou seja, ajudar o governo a fazer parecer que haveria um equilíbrio maior entre seus
gastos e suas despesas.
No caso, o governo Dilma é acusado de atrasar o repasse de recursos para benefícios sociais e
subsídios pagos por meio da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDES para passar a
impressão de que as contas públicas estariam melhor do que realmente estavam.
Teriam sido "segurados" cerca de R$ 40 bilhões do seguro-desemprego, programa Minha Casa, Minha
Vida, Bolsa Família, Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e crédito agrícola, segundo o TCU.
Como os desembolsos não foram efetuados, as contas do governo pareceram temporariamente mais
equilibradas.
A questão é que não houve atrasos no pagamento desses bilhões de reais em benefícios e subsídios
para seus beneficiários, porque os bancos públicos cobriram esse valor - cobrando juros do governo pelo
uso de tais recursos.
Tais manobras, segundo o TCU, configurariam operações de financiamento, ou "empréstimos" desses
bancos para o Tesouro, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000 - embora haja
quem refute essa tese.

Essas manobras são proibidas?

No entendimento do TCU, sim. Isso porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (ver abaixo), aprovada
em 2000, proíbe bancos públicos de fazer empréstimos ao governo para proteger a saúde financeira
dessas instituições e ajudar a controlar os gastos e nível de endividamento público.
Em sua decisão de abril, o TCU deixou claro que houve uma operação de financiamento irregular
embora ainda precisa decidir se considera isso motivo suficiente para um parecer a favor da rejeição das
contas do governo.
"Teremos a configuração de um crime de responsabilidade se ficar caracterizado que um banco público
está financiando o Tesouro", diz Raul Velloso.
Para Almeida, a infração é evidente porque os atrasos nos pagamentos dos benefícios e subsídios
não foram algo circunstancial. "Foi algo que ocorreu de forma sistemática e planejada", diz.
Já Khair, opina que ainda há dúvidas sobre se tais operações configuram empréstimos. "Esses atrasos
de pagamento são comuns tanto a nível federal quanto estadual e municipal porque, às vezes, em função
de uma crise ou algo do tipo, a arrecadação pode não corresponder às expectativas", diz.
"Acho difícil caracterizar isso como uma operação de empréstimo. E se o governo federal for
condenado, imagine as consequências para governos estaduais e municipais, onde esse tipo de situação
também ocorre."
Em abril, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu que essas operações envolvendo
recursos de bancos públicos ocorreram, mas negou que fossem irregulares.
"Não houve ilegalidade. Não houve ofensa à lei. Houve contrato de prestações de serviço", disse.
Segundo o ministro, operações desse tipo seriam realizadas desde 2001, durante o governo do ex-
presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Se for entendido que isso fere a responsabilidade fiscal, daqui pra frente isso será arrumado",
prometeu.

O que o TCU já havia decidido até agora?

Após uma investigação sobre as "pedaladas", o TCU concluiu em abril que as manobras realizadas
com recursos dos bancos públicos federais ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Elas configurariam um "crime de responsabilidade", infração "político-administrativa" cuja sanção, em
última instância, pode ser o impedimento do exercício de função pública, ou impeachment.

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O relator do processo foi o ministro José Múcio, mas suas conclusões foram aprovadas por todos os
outros ministros do TCU.
O tribunal ainda está investigando quem exatamente seria responsável pela infração. Um total de 17
autoridades foram convocadas para prestar esclarecimentos, entre elas o ex-ministro da Fazenda Guido
Mantega, o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e o presidente da Petrobras, Aldemir
Bendine.
As defesas dessas autoridades foram costuradas pelo advogado-geral da União (AGU), Luis Inácio
Adams, e a previsão era de que fossem entregues a Múcio até o início desta semana.
O ministro Augusto Nardes, relator do processo que avalia as contas do governo, chegou a opinar que
a presidente Dilma poderia ser responsabilizada legalmente pelas "pedaladas" - e há quem tenha visto
nessa declaração indicações de que o processo poderia dar embasamento a um impeachment.
Após ouvir todos os convocados, o TCU deve elaborar um relatório e propostas de sanções. Os autos
do processo serão enviados ao Ministério Público, que poderá abrir ações contra as autoridades
responsáveis.

O que foi decidido nesta quarta-feira pelo TCU?

O tribunal deveria julgar as contas do governo de 2014 depois de Nardes, relator do caso, dar seu
parecer.
Como o órgão já condenou as "pedaladas", o governo temia que pudesse dar ainda nesta quarta um
parecer rejeitando essas contas.
Nardes de fato disse ter visto vários "indícios de irregularidades" que justificariam uma reprovação.
Antes de tomar uma decisão, porém, o ministro, apoiado por seus colegas do TCU, resolveu chamar
Dilma para se explicar pessoalmente.
Um dos objetivos da convocação seria reduzir as chances de que, no caso de uma reprovação, o
Planalto vá à Justiça alegando que não teve a oportunidade de se defender.
Adams, da AGU, por exemplo, vinha sustentando que uma rejeição das contas de 2014 seria
inapropriada porque o TCU ainda não teve tempo para avaliar a defesa das 17 autoridades convocadas
para prestar esclarecimentos no caso das pedaladas.
Em seu relatório, além das pedaladas, Nardes também ressaltou outras irregularidades.
Uma delas foi que, apesar de a receita do governo ter ficado mais de R$250 bilhões abaixo do
esperado de 2011 a 2014, a gestão Dilma aumentou seus gastos em 2014, em vez de cortá-los.
Outro problema teria sido a não contabilização de dívidas de curto prazo, em uma suposta tentativa
de mascarar as despesas governamentais.

O que acontece se o TCU rejeita as contas do governo?

A análise do TCU não seria definitiva. A Constituição estipula que o Congresso deve dar a palavra final
sobre o tema e uma decisão na Casa poderia levar anos.
De qualquer forma, isso aumentaria muito as repercussões políticas do caso. E na oposição, poderiam
ganhar força os grupos que querem impulsionar um processo de impeachment.
Uma rejeição também ampliaria a desconfiança de agências de classificação de risco e investidores
internacionais sobre as contas públicas brasileiras.

O que é a Lei de Responsabilidade Fiscal?

Promulgada em 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal procurou consolidar toda a legislação sobre
contas públicas que havia até então e introduziu novas regras para controlar o nível de gasto e de
endividamento da União, Estados e Municípios.
Ela estabelece uma série de regras para impedir que os governantes de turno gastem mais do que
arrecadam, embora nem sempre deixe claro quais as sanções para quem não cumpre as regras.
"Trata-se de um instrumento importante de estabilização do setor público e da economia como um
todo, que ajudou a combater a inflação", diz Velloso.
"A lei proíbe, por exemplo, que os governos passem despesas para seus sucessores sem ter em caixa
provisão para cobri-las, algo que costumava acontecer muito no passado."

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Selic

A Taxa Selic é também conhecida como taxa básica de juros da economia brasileira. É a segunda
menor taxa de juros da economia brasileira (a menor é a TJLP) e serve de referência para a economia
brasileira. Ela é usada nos empréstimos feitos entre os bancos e também nas aplicações feitas por estas
instituições bancárias em títulos públicos federais.

Como é definida

A Selic é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do
Brasil).

Para que serve

Para definir o piso dos juros no país. É a partir da Selic que os bancos definem a remuneração de
algumas aplicações financeiras feitas pelos clientes. A Selic também é usada como referência de juros
para empréstimos e financiamentos. Vale ressaltar que a Taxa Selic não é a utilizada para empréstimos
e financiamentos na ponta final (pessoas físicas e empresas). Os bancos tomam dinheiro emprestado
pela Taxa Selic, porém ao emprestar para seus clientes a taxa de juros bancários é muito maior. Isto
ocorre, pois os bancos embutem seu lucro, custos operacionais e riscos de não obter de volta o valor
emprestado.

A Selic e a inflação

A Taxa Selic é um importante instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando
está alta, ela favorece a queda da inflação, pois desestimula o consumo, já que os juros cobrados nos
financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos. Por outro lado, quando está baixa,
ela favorece o consumo, pois tomar dinheiro emprestado ou fazer financiamentos fica mais barato, já que
os juros cobrados nestas operações ficam menores.

A Selic e o câmbio

Quando a Taxa Selic está muito alta, o valor do dólar tende a diminuir no país. Isso ocorre, pois muitos
investidores externos fazem aplicações no Brasil atreladas aos juros. Entrando e circulando mais dólares
na economia brasileira, esta moeda se desvaloriza, enquanto o real ganha força.

A Selic e o consumo

Como a alta da Selic encarece os financiamentos e aumenta os juros cobrados em cartões de crédito,
fica mais caro comprar de forma parcelada. Logo, a Selic alta desestimula o consumo, reduzindo a venda
de mercadorias e serviços. As empresas brasileiras e os consumidores acabam sendo prejudicados com
este fator.

A Selic e a poupança

Quanto maior a taxa Selic, maior é o rendimento da poupança, pois esta taxa de juros é usada na
definição deste tipo de aplicação financeira. A poupança, pelas regras atuais, garante rendimento de 70%
da Taxa Selic mais a TR.

A Selic e a Bolsa de Valores

Um cenário econômico com a Taxa Selic alta não é favorável para a Bolsa de Valores. Isso ocorre,
pois com a queda no consumo, cai também a produção e o lucro das empresas que possuem ações na
Bolsa. Neste cenário, muitos investidores preferem fazer aplicações financeiras em produtos atrelados a
juros (fundos de renda fixa, por exemplo), deixando de investir em ações onde o risco é maior.

Taxa Selic atual

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No dia 03/06/2015 o COPOM aumentou a Taxa Selic em 0,5%, chegando a 13,75% ao ano. De acordo
com economistas, a alta está relacionada com os esforços do Banco Central em reduzir e controlar a
inflação, para que em 2016 ela possa ficar dentro da meta estabelecida.
Fonte: http://www.suapesquisa.com/economia/taxa_selic.htm - Adaptado

Indicador do desemprego da FGV avança em dezembro

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) avançou 2% em dezembro, atingindo 76 pontos, após


recuar 0,3% no fechamento de novembro, de acordo com informação divulgada no início de janeiro pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador sinaliza a tendência do emprego no horizonte de curto e
médio prazos. Embora o indicador continue historicamente em nível extremamente baixo, o resultado
confirma tendência de alta no fechamento do ano, após período de fortes quedas entre março e setembro
de 2014. Na avaliação da economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV Sarah Lima,
embora a série de médias móveis trimestrais já apresente tendência positiva, “os números ainda não
permitem distinguir se está havendo uma reversão de tendência ou uma calibragem frente ao pessimismo
exacerbado das expectativas nos meses anteriores”.
As informações da FGV indicam que entre as variáveis que contribuíram positivamente para a evolução
do IAEmp é possível destacar o indicador de otimismo dos industriais com a situação dos negócios nos
seis meses seguintes, com variação positiva de 8,7% na margem. O indicador combina dados extraídos
das sondagens da indústria, de serviços e do consumidor, e possibilita antecipar os rumos do mercado
de trabalho. Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) recuou 1,1% em dezembro, atingindo 73,6
pontos. Embora essa tenha sido a primeira queda do ICD em nove meses, ela ainda não foi suficiente
para reverter a tendência de alta observada nos meses anteriores, conforme mostra também o indicador
de médias móveis trimestrais.
O ICD é construído a partir de dados desagregados em quatro classes de renda familiar - da Sondagem
do Consumidor, que capta a percepção do entrevistado a respeito da situação presente do mercado de
trabalho. Desse modo, o indicador capta puramente a percepção das famílias sobre o mercado de
trabalho, sem refletir, por exemplo, a diminuição da procura de emprego motivada por desalento.
07/01/2015
Agência Brasil

Brasil, Argentina e Venezuela puxam PIB da América do Sul para baixo

Brasil, Argentina e Venezuela empurrarão para baixo o crescimento médio da América do Sul. A
avaliação consta do Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2014, divulgado
em 2 de dezembro pela secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe
(Cepal), Alicia Bárcena. Para este ano, a previsão é que a economia do continente sul-americano cresça
apenas 0,7%. A exemplo do que aconteceu em 2014, a expectativa é que, em 2015, o desempenho da
economia mundial também tenha efeitos diferentes entre os países e sub-regiões.
“A América Latina tem apresentado comportamento heterogêneo”, salientou Alicia, durante
apresentação dos números projetados pelo órgão das Nações Unidas. Enquanto a Bolívia terá, segundo
a projeção, crescimento de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) - e com o Panamá e a República
Dominicana crescendo 6% -, a Argentina e a Venezuela, na América do Sul, e Santa Lúcia, no Caribe,
terão suas economias reduzidas em 0,2%, 3% e 1,4%, respectivamente.
A projeção para o Brasil, apesar de positiva, é 0,2%, percentual abaixo dos 0,5% previstos pelo próprio
país. “O baixo crescimento na América do Sul deve-se ao pequeno crescimento de suas grandes
economias, no caso, Brasil, Argentina e Venezuela”, observou Alicia.
De acordo com a Cepal, o PIB da América Latina e Caribe terá crescimento médio de 1,1%, em 2014,
e de 2,2%, em 2015. Para o próximo ano, a situação das economias da região é mais positiva para a
Argentina (projeção de crescimento de 1% para 2015), a Bolívia (5,5%) e o Brasil (1,3%). Segundo o
balanço, a Venezuela deverá ser o único país a apresentar, ainda que em menor intensidade, números
negativos em 2015, na comparação com 2014. A previsão é -1%.
Para a Cepal, 2015 deverá ser o ano em que as economias da América Latina e do Caribe começarão
a se recuperar. O crescimento médio projetado para a América Central é 3,7%, em 2014, e 4,1%. Em
2015. A projeção para a América do Sul é 0,7% e 1,8%. Se o recorte abranger América Latina e Caribe,
as projeções são 1,1% em 2014 e 2,2% em 2015. O aumento moderado ocorrerá em um contexto de
"lenta e heterogênea recuperação" da economia mundial, “com queda nos preços das matérias-primas e
escasso dinamismo da demanda externa” da região, além do aumento da incerteza financeira.
Ainda segundo a Cepal, na área fiscal, a América Latina apresentará “leve aumento no déficit”, de
2,4% do PIB, em 2013, para 2,7%, em 2014, enquanto o Caribe reduzirá seu déficit de 2014 para 3,9%,

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em relação aos 4,1% obtidos em 2013. Já a dívida pública dos países da região permanecerá em níveis
baixos e estáveis, com média próxima a 32% do PIB.
Um destaque positivo feito pela Cepal é a queda na taxa de desemprego na região, que caiu de 6,2%,
em 2013, para 6%, em 2014. No entanto, preocupa a alta da inflação registrada na região – no acumulado
de 12 meses, obtido em outubro, a inflação apresentou índice médio de 9,4% na América Latina e Caribe
– e a desaceleração do nível de investimento observada desde 2011 e que, durante 2014, ficou em torno
de 3,5%.
Para a secretária da comissão, o desafio dos governos locais, no sentido de melhorar a produtividade
e a competitividade de suas economias, inclui a reativação de demandas internas, de forma a melhorar
condições para investimentos nos países, em particular na área de infraestrutura.
Agência Brasil

Balança comercial fechou 2014 em déficit

A balança comercial (diferença entre exportações e importações) encerrou 2014 com o primeiro déficit
anual desde 2000, estimou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Segundo o
diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação da pasta, Roberto Dantas, o desempenho
de novembro, que registrou o pior déficit da história para o mês, enterrou as chances de a balança fechar
o ano com as exportações superando as importações.
Segundo Dantas, o ministério ainda não tem uma estimativa para o tamanho do déficit. Apenas
confirmou que a balança chegará ao fim do ano no vermelho. “Novembro foi um divisor de águas na
balança comercial para 2014. Embora o número de dezembro seja tradicionalmente superavitário, não há
como reverter o déficit acumulado no ano”, explicou. A última vez em que a balança comercial encerrou
um ano com déficit foi em 2000, quando o resultado negativo totalizou US$ 732 milhões.
De janeiro a novembro, a balança comercial acumula déficit de US$ 2,350 bilhões, o maior para o
período desde 1998. Considerando a queda no preço das commodities (bens primários com cotação no
mercado internacional) nos últimos meses, Dantas acredita que a balança comercial em dezembro
dificilmente repetirá o desempenho dos últimos anos, quando registrou superávit de US$ 2,2 bilhões no
último mês de 2012 e US$ 2,6 bilhões no mesmo mês de 2013.
A queda das exportações de carne em novembro também contribuiu para a revisão da estimativa em
relação à balança comercial. “Um dos fatores que poderiam trabalhar em favor da manutenção da
previsão de superávit seria a recuperação dos preços do minério de ferro, que não ocorreu em novembro.
Além disso, houve redução nas vendas de carne, principalmente para a Venezuela e a Arábia Saudita”,
ressaltou Dantas.
Em novembro, os preços do minério de ferro, que responde pela maior parte da pauta de exportações
do país, subiram levemente, mas acumulam queda de 21,1% no ano. No caso do petróleo, os preços
caíram 20% no mês passado, anulando a alta de 9,1% no volume exportado. Dantas ressaltou que a
produção e as vendas externas de petróleo subiram, mas a queda do preço das commodities também
afetou a conta petróleo.
Em relação aos produtos manufaturados, a crise econômica na Argentina foi o principal fator que
derrubou as exportações brasileiras de bens industrializados. De janeiro a novembro deste ano, as
vendas de manufaturados caíram 12,4% em relação ao mesmo período de 2013 pela média diária. Em
receitas, a perda chega a US$ 10,7 bilhões, dos quais US$ 4,9 bilhões correspondem à queda nas
exportações para o país vizinho e US$ 4,3 bilhões estão relacionados a exportações de plataformas de
petróleo, que ocorreram com maior intensidade em 2013.
“O impacto das plataformas de petróleo estava incorporado às nossas previsões [porque os embarques
estavam programados]. O que realmente interferiu na balança foi na demanda internacional”, explicou
Dantas. Segundo ele, a estagnação do comércio global em 2014 impediu que as exportações brasileiras
reagissem, mesmo com a desvalorização do real.
“O efeito câmbio sempre demora a se manifestar nas exportações, ainda mais em uma economia
mundial em que falta demanda para gerar fornecimento. Mesmo com o câmbio favorável, isso não tem
repercussão mais forte nos resultados”, disse.
De janeiro a novembro, as exportações acumulam queda de 5,7% pela média diária em relação aos
mesmos meses do ano passado. O dólar alto resultou em queda nas importações, mas não na mesma
intensidade. No mesmo período, as compras do exterior caíram 3,9% pela média diária. “Lógico que o
dólar mais forte afeta a demanda de alguma forma”, destacou Dantas.
Segundo ele, as importações de produtos vinculados ao fim de ano caíram 11% em novembro em
relação ao mesmo mês de 2013. As maiores quedas foram registradas nos queijos (54%), nos itens de

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perfumaria (32%) e nos brinquedos (28%). A importação de equipamentos de informática caíram 8% na
mesma comparação.
Agência Brasil

ONU diz que Brasil é referência latina em agricultura familiar

O Brasil é referência na América Latina no apoio à agricultura familiar, mas ainda tem muito que
aprender na relação entre Estado e entes privados, como o agronegócio. A avaliação é de Mônica
Rodrigues, oficial de Assuntos Econômicos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe
(Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Um dos produtos que o Brasil exporta é a imagem de governo que apoia a agricultura familiar. É muito
interessante ver isso quando estamos em outros países. É o único país da América Latina que tem um
ministério de desenvolvimento agropecuário focado nos pequenos produtores", disse Mônica durante o
2º Fórum de Agricultura da América do Sul, em Foz do Iguaçu, no Paraná. "É um avanço, e o Brasil é
referência".
Segundo Mônica Rodrigues, a América Latina tem experiências de alianças público-privadas que
podem servir de exemplo para o Brasil. "Os recursos são limitados, e o governo tem de eleger áreas para
apoiar. Por isso, acho importante o tema da participação privada. Talvez essa seja uma das áreas em
que o Brasil tem a aprender com países latinos. Por ser um país com muitos recursos, possivelmente há
dependência de políticas públicas centralizadas pelo Estado", alertou.
A representante da Cepap acrescentou que, como o país vive uma democracia, há espaço para o
diálogo, na medida em que o governo escuta os entes privados, abre espaços para participação;
"Também temos de ver como os agentes privados ocupam, ou não, o espaço de participação. Não basta
essa possibilidade. Necessitamos de uma iniciativa privada para que as experiências se desenvolvam."
Como exemplo, Mônica usa encontros, na Costa Rica, no Chile e Equador, entre profissionais de
tecnologias da informação e do setor agrícola. O governo proporciona o encontro e, a partir daí, trocam-
se experiências e implementam-se iniciativas transversais. Segundo ela, são produzidas tecnologias
específicas para o agronegócio, baseadas nas condições e necessidades locais. "São temas importantes
para todas as cadeias produtivas, que necessitam articulação entre temas em que [as pessoas] só
precisavam sentar e conversar."
Ela explicou que, no Brasil, há o desenvolvimento de tecnologias, liderado pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Ainda há muita participação do Estado". Atualmente, pelo menos 5
milhões de famílias vivem da agricultura familiar e produzem a maioria dos alimentos consumidos no
Brasil. O modelo de produção está em 84% dos estabelecimentos agropecuários e responde por
aproximadamente 33% do valor total da produção do meio rural, de acordo com o último levantamento do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário indicam que a agricultura familiar representa
aproximadamente 25% da área de propriedades agropecuárias no Brasil. Na outra ponta, está o
agronegócio, que, em 2013, representou 41% do total exportado pelo país.
Para o professor Antônio Marcio Buainain, do Instituto de Economia da Universidade de Campinas
(Unicamp), com relação ao mercado internacional, o desenvolvimento do agronegócio depende da
atuação direta do governo. “Não funciona se não tivermos infraestrutura adequada e uma política
macroeconômica favorável. O Estado precisa atuar no front internacional, abrindo mercados e aplicando
as regulamentações adequadas”.
O 2º Fórum de Agricultura da América do Sul começou em 27 de novembro e foi encerrado no dia
seguinte, em Foz do Iguaçu. Com o tema Inovação e Sustentabilidade no Campo, o evento discute o
agronegócio mundial a partir da realidade sul-americana.
Agência Brasil

Sociedade

Assistência Social

Importante se faz, antes de mais nada, a distinção entre os conceitos de assistência social e
previdência social, sendo que esta última deve ser encarada como um seguro de contribuição mútua para
que haja o recebimento pelo segurado no futuro, enquanto a primeira é financiada pelo governo por meio
dos tributos pagos pela sociedade.

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A própria Constituição Federal de 1998 traz, em seus arts. 201 e 203, características da Previdência
Social e da Assistência Social, respectivamente, não havendo margem para que haja a confusão entre
os dois institutos.
Desta forma, podemos diferenciar os setores do sistema de seguridade social de acordo com a
abrangência quantitativa e qualitativa da proteção. Assim, por um lado, os serviços de saúde e de
assistência social são garantidos a todos, não obstante possuir um caráter de proteção do mínimo
existencial, ou seja, garante-se a saúde e a assistência social apenas até o ponto em que não se fira o
princípio da dignidade humana. Em contrapartida, o serviço de Previdência Social não é garantido a todos,
porém sua proteção não abrange tão somente o mínimo existencial, sendo qualitativamente mais
abrangente que os serviços de saúde e de assistência social7.
Tem-se assim que a assistência social, política pública não contributiva, é dever do Estado e direto de
todo cidadão que dela necessitar. Entre os principais pilares da assistência social no Brasil estão a
Constituição Federal de 1988, que dá as diretrizes para a gestão das políticas públicas, e a Lei Orgânica
da Assistência Social (Loas), de 1993, que estabelece os objetivos, princípios e diretrizes das ações.
A LOAS determina que a assistência social seja organizada em um sistema descentralizado e
participativo, composto pelo poder público e pela sociedade civil. A IV Conferência Nacional de
Assistência Social deliberou, então, a implantação do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Cumprindo essa deliberação, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
implantou o Suas, que passou a articular meios, esforços e recursos para a execução dos programas,
serviços e benefícios socioassistenciais.
O Suas organiza a oferta da assistência social em todo o Brasil, promovendo bem-estar e proteção
social a famílias, crianças, adolescentes e jovens, pessoas com deficiência, idosos – enfim, a todos que
dela necessitarem. As ações são baseadas nas orientações da nova Política Nacional de Assistência
Social (PNAS), aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) em 2004.
A gestão das ações socioassistenciais segue o previsto na Norma Operacional Básica do Suas
(NOB/Suas), que disciplina a descentralização administrativa do Sistema, a relação entre as três esferas
do Governo e as formas de aplicação dos recursos públicos. Entre outras determinações, a NOB reforça
o papel dos fundos de assistência social como as principais instâncias para o financiamento da PNAS.
A gestão da assistência social brasileira é acompanhada e avaliada tanto pelo poder público quanto
pela sociedade civil, igualmente representados nos conselhos nacional do Distrito Federal, estaduais e
municipais de assistência social. Esse controle social consolida um modelo de gestão transparente em
relação às estratégias e à execução da política.
A transparência e a universalização dos acessos aos programas, serviços e benefícios
socioassistenciais, promovidas por esse modelo de gestão descentralizada e participativa, vem
consolidar, categoricamente, a responsabilidade do Estado brasileiro no enfrentamento da pobreza e da
desigualdade, com a participação complementar da sociedade civil organizada, por meio de movimentos
sociais e entidades de assistência social8.

Mulher é presa por injúria racial ao chamar cobradora de 'neguinha'

Uma cobradora de ônibus de 23 anos relatou que foi chamada de 'neguinha atirada' e acusada de furto
por uma passageira, dentro de um ônibus do Transcol, na linha que liga Laranjeiras, na Serra, a Vila
Velha, na Grande Vitória, nesta quarta-feira (23/09/2015).
A suspeita foi autuada por injúria racial, mas não pagou a fiança estipulada em R$ 500 e foi levada ao
presídio.
O fato aconteceu durante uma viagem da linha 503 em que Thaynara Braga da Conceição trabalha.
O crime foi cometido por uma passageira, de 31 anos, acompanhada da filha de oito anos e de um
vizinho.
A suspeita embarcou no coletivo por volta das 9h, na Reta da Penha, em direção a Vila Velha.
Thaynara relatou que a passageira entregou a ela uma nota de R$ 5 dobrada e disse para a vítima cobrar
duas passagens - a da suspeita e a do vizinho. A trabalhadora disse que devolveu R$ 0,10 de troco.
“Depois ela quis passar junto com a filha, e eu disse que não podia. Ela ficou com raiva, mandou a
criança pular a roleta”, contou Thaynara.
Após pagar as passagens, a suspeita foi sentar-se nos fundos do coletivo. Segundos depois, o amigo
dela foi até a cobradora exigindo troco para R$ 10. Thaynara disse que só havia recebido R$ 5. “Ela

7
NOLASCO, L. Evolução histórica da previdência social no Brasil e no mundo. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11335&revista_caderno=20>. Acesso em 13.07.2015.
8
Assistência Social. Disponível em: <http://www.mds.gov.br/assistenciasocial>. Acesso em 13.07.2015.

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começou a gritar que tinha me dado dinheiro a mais e que eu deveria prestar atenção. Depois, insinuou
que eu estava querendo pegar o dinheiro dela”, falou.
Thaynara afirmou que conferiu o caixa e viu que a mulher dizia a verdade. Ela, então, devolveu o
dinheiro à passageira, que continuou com as ofensas. O motorista parou o coletivo perto de um carro da
polícia e contou o que estava acontecendo. A ocorrência foi encaminhada para a 1ª Delegacia Regional
de Vitória.

Expressão 'carinhosa'

Em depoimento, a suspeita afirmou que não teve a intenção de ofender a cobradora. A mulher alega
que a chamou de 'neguinha' de uma forma carinhosa. Ela foi autuada por injúria racial, porém não pagou
a fiança de R$ 500 e foi levada ao presídio.
“Ela viu a polícia e começou a chorar. Fui humilhada na frente de muita gente. As pessoas não têm o
direito de agirem assim”, ressaltou Thaynara.
Segundo ela, a suspeita, após ser detida, pediu perdão. “Não perdoo. Ela quis sim me ofender. Existe
uma mistura de tantas raças e cores no nosso País. Isso é no mínimo pobreza de espírito”, desabafou.
24/09/2015
Fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/09/mulher-e-presa-por-injuria-racial-ao-chamar-cobradora-de-neguinha.html

População brasileira supera os 204 milhões

A população brasileira superou a marca dos 204 milhões de habitantes neste ano. Segundo estimativas
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas hoje (28/08/2015) no Diário Oficial da
União, o país tinha, em 1° de julho, 204.450.649 habitantes. No ano passado, a população estimada era
202.768.562.
O IBGE também divulgou as populações das 27 unidades da Federação e dos municípios brasileiros.
O estado mais populoso do país, São Paulo, tem 44,4 milhões de pessoas. Mais cinco estados têm
populações que superam os 10 milhões de habitantes: Minas Gerais (20,87 milhões), Rio de Janeiro
(16,55 milhões), Bahia (15,2 milhões), Rio Grande do Sul (11,25 milhões) e Paraná (11,16 milhões).
Três estados têm populações menores do que 1 milhão: Roraima (505,7 mil), Amapá (766,7 mil) e
Acre (803,5 mil).
As demais unidades da Federação têm as seguintes populações: Pernambuco (9,34 milhões), Ceará
(8,9 milhões), Pará (8,17 milhões), Maranhão (6,9 milhões), Santa Catarina (6,82 milhões), Goiás (6,61
milhões), Paraíba (3,97 milhões), Amazonas (3,94 milhões), Espírito Santo (3,93 milhões), Rio Grande do
Norte (3,44 milhões), Alagoas (3,34 milhões), Mato Grosso (3,26 milhões), Piauí (3,2 milhões), Distrito
Federal (2,91 milhões), Mato Grosso do Sul (2,65 milhões), Sergipe (2,24 milhões), Rondônia (1,77
milhão) e Tocantins (1,51 milhão).
Vitor Abdala
28/08/2015
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-08/populacao-brasileira-supera-os-204-milhoes

Senado aprova, em primeiro turno, cota para mulheres no Legislativo

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (25/08/2015), em primeiro turno, uma proposta de
emenda à Constituição (PEC) que estabelece cotas para mulheres nas eleições para deputado federal,
estadual e vereador. O texto recebeu 65 votos a favor e 7 contrários.
Por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta precisa passar por mais um turno de votação
no plenário da Casa. Depois disso, o texto, que foi escrito por senadores, segue para a análise da Câmara
dos Deputados, onde também precisa passar por dois turnos de votação antes de ser promulgado.
O texto prevê percentual mínimo de representação de cada gênero na Câmara dos Deputados,
Assembleias Legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e Câmaras Municipais. Na prática,
significa cota para as mulheres, já que o gênero ocupa menos postos políticos que os homens.
As regras são estabelecidas para as três legislaturas seguintes àquela em que a PEC for promulgada.
Na primeira legislatura subsequente, a cota é de pelo menos 10%; na segunda, de 12%; e na terceira, de
16%.
O relatório apresentado na comissão que discute a reforma política aponta que, de 20 países da
América Latina, o Brasil só não perde para o Haiti em quantidade de representantes do sexo feminino.

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Todos os outros 19 países estão à frente do Brasil na ocupação por mulheres de cargos no Poder
Legislativo.
Laís Alegretti
25/08/2015
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/08/senado-aprova-em-primeiro-turno-cota-para-mulheres-no-legislativo.html

Redução da Maioridade Penal: prós e contras

Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a proposta que reduz a
maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos promete colocar ainda mais "lenha na fogueira" dessa já
acalorada discussão. Apesar da oposição de deputados ligados ao governo, a CCJ, fortemente
influenciada pela a Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como Bancada da Bala, aprovou
a constitucionalidade da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nesta terça-feira (31 de março).
Agora, a Câmara criará uma comissão especial para analisar a proposta. Só depois de ser votada duas
vezes na Câmara e de passar pelo Senado (também em duas votações) é que poderá, se for aprovada,
virar lei. A tramitação da PEC ainda pode ser questionada no STF (Supremo Tribunal Federal). O UOL
consultou juristas, artigos e ONGs e selecionou argumentos contra e a favor da redução da maioridade
penal. Confira:

Contra - A redução da maioridade penal fere uma das cláusulas pétreas (aquelas que não podem ser
modificadas por congressistas) da Constituição de 1988. O artigo 228 é claro: "São penalmente
inimputáveis os menores de 18 anos"; A inclusão de jovens a partir de 16 anos no sistema prisional
brasileiro não iria contribuir para a sua reinserção na sociedade. Relatórios de entidades nacionais e
internacionais vêm criticando a qualidade do sistema prisional brasileiro; A pressão para a redução da
maioridade penal está baseada em casos isolados, e não em dados estatísticos. Segundo a Secretaria
Nacional de Segurança Pública, jovens entre 16 e 18 anos são responsáveis por menos de 0,9% dos
crimes praticados no país. Se forem considerados os homicídios e tentativas de homicídio, esse número
cai para 0,5%;
Em vez de reduzir a maioridade penal, o governo deveria investir em educação e em políticas públicas
para proteger os jovens e diminuir a vulnerabilidade deles ao crime. No Brasil, segundo dados do IBGE,
486 mil crianças entre cinco e 13 anos eram vítimas do trabalho infantil em todo o Brasil em 2013. No
quesito educação, o Brasil ainda tem 13 milhões de analfabetos com 15 anos de idade ou mais; A redução
da maioridade penal iria afetar, preferencialmente, jovens negros, pobres e moradores de áreas
periféricas do Brasil, na medida em que este é o perfil de boa parte da população carcerária brasileira.
Estudo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) aponta que 72% da população carcerária
brasileira é composta por negros.

A favor - A mudança do artigo 228 da Constituição de 1988 não seria inconstitucional. O artigo 60 da
Constituição, no seu inciso 4º, estabelece que as PECs não podem extinguir direitos e garantias
individuais. Defensores da PEC 171 afirmam que ela não acaba com direitos, apenas impõe novas regras;
A impunidade gera mais violência. Os jovens "de hoje" têm consciência de que não podem ser presos e
punidos como adultos. Por isso continuam a cometer crimes; A redução da maioridade penal iria proteger
os jovens do aliciamento feito pelo crime organizado, que tem recrutado menores de 18 anos para
atividades, sobretudo, relacionadas ao tráfico de drogas;
O Brasil precisa alinhar a sua legislação à de países desenvolvidos com os Estados Unidos, onde, na
maioria dos Estados, adolescentes acima de 12 anos de idade podem ser submetidos a processos
judiciais da mesma forma que adultos; A maioria da população brasileira é a favor da redução da
maioridade penal. Em 2013, pesquisa realizada pelo instituto CNT/MDA indicou que 92,7% dos brasileiros
são a favor da medida. No mesmo ano, pesquisa do instituto Datafolha indicou que 93% dos paulistanos
são a favor da redução.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/

Meninos negros são principais vítimas de trabalho infantil

Meninos negros são as principais vítimas do trabalho infantil: 5,8% dessa população, de 5 a 15 anos,
desenvolve algum tipo de trabalho no Brasil, de acordo com a primeira publicação do Sistema Nacional
de Indicadores em Direitos Humanos, divulgada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República (SDH/PR). Entre meninos brancos, a taxa de ocupação da mesma faixa etária é 3,7%. Entre
as mulheres, a taxa é 2,9% entre as negras e 2% entre as brancas.

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Pela Constituição Federal, é proibido o trabalho de crianças e adolescentes. O trabalho, em geral, é
admitido a partir dos 16 anos, exceto nos casos de trabalho noturno, perigoso ou insalubre, nos quais a
idade mínima é 18 anos. A partir dos 14 anos é permitido trabalhar somente na condição de aprendiz.
Esta é a primeira vez que o trabalho infantil é mapeado conforme parâmetros da 19ª Conferência
Internacional de Estatísticos do Trabalho, o que permitirá a comparação a situação em com outros países.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram organizados para criar
indicadores que contribuam para a efetividade de políticas públicas destinadas à garantia dos direitos
humanos.
Os dados gerais mostram que a taxa de trabalho infantil no Brasil caiu de 7,5%, em 2004, para 3,8%,
em 2013. Em relação a 2012, houve redução de 0,3%. As regiões Norte e Nordeste lideram o ranking
com 5,3% e 4,9% de crianças e jovens ocupados, respectivamente. A taxa de ocupação entre a população
negra é 5,6% no Norte e 5,3% no Nordeste. Entre os brancos, a taxa é 3,8% no Nordeste e 3,5% no
Norte. A Região Sul apresenta taxa total de 4,1%, o Centro-Oeste, de 3,8% e o Sudeste, de 2,4%.
Entre os estados, o Maranhão aparece em primeiro lugar em exploração do trabalho infantil, com
percentual de ocupação de 7,4% de crianças e adolescentes. Na outra ponta, o Distrito Federal tem o
menor índice: 0,7%. Os dados fazem parte do Sistema Nacional de Indicadores em Direitos Humanos,
cujo objetivo é monitorar e mensurar a realização progressiva dos direitos humanos no Brasil. Para os
próximos meses, está prevista a divulgação de estudos referentes a alimentação, educação e participação
em assuntos públicos.
"É absolutamente impossível fazer qualquer tipo de política pública correta, adequada, se não se tem
a dimensão do que se deve atingir, qual o problema que se deve superar, onde está localizado e em qual
dimensão", explica a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti. Segundo ela, "é impossível atuar e ter
condição de medir o que se está fazendo e se o que se está fazendo está dando os resultados que se
deseja sem os indicadores confiáveis".
Perguntada sobre a garantia de direitos humanos ser mais importante que o crescimento econômico
do país, a ministra diz que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no
país) é absolutamente necessário. "Precisamos saber como o país se desenvolve, mas nem sempre um
PIB elevado significa boas condições para a população", ressaltou.
Agência Brasil

A Epidemia do Crack

Cerca de cinco vezes mais potente que a cocaína, sendo também relativamente mais barata e
acessível que outras drogas, o crack tem sido cada vez mais utilizado, e não somente por pessoas de
baixo poder aquisitivo, e carcerários, como há alguns anos. Ele está, hoje, presente em todas as classes
sociais e em diversas cidades do país. Assustadoramente, cerca de 600.000 pessoas são dependentes,
somente no Brasil. Tal substância faz com que a dopamina, responsável por provocar sensações de
prazer, euforia e excitação, permaneça por mais tempo no organismo. Outra faceta da dopamina é a
capacidade de provocar sintomas paranoicos, quando se encontra em altas concentrações.
Perseguindo esse prazer, o indivíduo tende a utilizar a droga com maior frequência. Com o passar do
tempo, o organismo vai ficando tolerante à substância, fazendo com que seja necessário o uso de
quantidades maiores da droga para se obter os mesmos efeitos. Apesar dos efeitos paranoicos, que
podem durar de horas a poucos dias e pode causar problemas irreparáveis, e dos riscos a que está
sujeito; o viciado acredita que o prazer provocado pela droga compensa tudo isso. Em pouco tempo, ele
virará seu escravo e fará de tudo para tê-la sempre em mãos. A relação dessas pessoas com o crime,
por tal motivo, é muito maior do que em relação às outras drogas; e o comportamento violento é um traço
típico.
Neurônios vão sendo destruídos, e a memória, concentração e autocontrole são nitidamente
prejudicados. Cerca de 30% dos usuários perdem a vida em um prazo de cinco anos – ou pela droga em
si ou em consequência de seu uso (suicídio, envolvimento em brigas, “prestação de contas” com
traficantes, comportamento de risco em busca da droga – como prostituição, etc.). Quanto a este último
exemplo, tal comportamento aumenta os riscos de se contrair AIDS e outras DSTs e, como o sistema
imunológico dos dependentes se encontra cada vez mais debilitado, as consequências são preocupantes.
Superar o vício não é fácil e requer, além de ajuda profissional, muita força de vontade por parte da
pessoa, e apoio da família. Há pacientes que ficam internados por muitos meses, mas conseguem se
livrar dessa situação.

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Bullying

O Bullying se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e


repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando
dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade
de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. No Brasil, uma
pesquisa realizada nos últimos anos com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as
humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras com
maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.
Estiveram envolvidos em bullying 17% dos estudantes, como agressores ou vítimas. Os mais atingidos
são os meninos. Segundo o estudo, 12,5% dos estudantes do sexo masculino foram vítimas desse tipo
de agressão, número que cai para 7,6% entre as meninas. A sala de aula é apontada como o local
preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos.

Bullying pela Internet - O ciberbullying, ou bullying virtual, está ocorrendo com maior frequência no
Brasil, segundo a pesquisa. Do universo de alunos entrevistados, 16,8% disseram que são ou já foram
vítimas de ciberbullying, enquanto 17,7% se declararam praticantes. Geralmente, as agressões são feitas
por e-mails e praticadas – assim como nas escolas – com maior frequência pelos alunos do sexo
masculino. Adolescentes na faixa etária entre 11 e 12 anos costumam usar ferramentas ou sites de
relacionamento para agredir os colegas. Crianças de 10 anos invadem e-mails pessoais e se passam
pela vítima. Independentemente do ambiente, seja ele virtual ou escolar, as vítimas não costumam reagir
às agressões e podem passar a apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, diarreia, entre outros.
Em casos mais graves, o sentimento de rejeição pode evoluir para algum tipo de transtorno ou chegar ao
suicídio.

Percentual de idosos na população segue em crescimento

Nas últimas décadas, o Brasil tem registrado redução significativa na participação da população com
idades até 25 anos e aumento no número de idosos. E a diferença é mais evidente se comparadas às
populações de até 4 anos de idade e acima dos 65 anos. De acordo com o IBGE, o grupo de crianças de
0 a 4 anos do sexo masculino, por exemplo, representava 5,7% da população total em 1991, enquanto o
feminino representava 5,5%. Em 2000, estes percentuais caíram para 4,9% e 4,7%, chegando
atualmente em 3,7% e 3,6%. Enquanto isso cresce a participação relativa da população com 65 anos ou
mais, que era de 4,8% em 1991, passando a 5,9% em 2000 e chegando a 7,4% nos dias atuais. A Região
Norte, apesar do contínuo envelhecimento, ainda apresenta, segundo o IBGE uma estrutura bastante
jovem. As regiões Sudeste e Sul são as mais envelhecidas do país

Os Indicadores Sociais no Brasil

Analisando-se os dados coleados e divulgados pelo IBGE, é possível afirmar-se que houve uma
melhora nas condições sociais de grande parcela da população brasileira. Entre os principais indicadores
dessa melhora, destacam-se o índice de distribuição de renda, o nível de escolaridade e o número de
domicílios que dispõem de bens e serviços básicos.
- Distribuição de renda: os dados mostram que a concentração de renda, que já foi extremamente
perversa, sofreu uma ligeira diminuição nos últimos anos, melhorando assim o índice de distribuição, pois
os 10% mais ricos do país, que antes concentravam 49,8% de renda, agora concentram 48,2%, enquanto
os 10% mais pobres, que antes ficavam com 0,7% da renda, agora ficam com 1,1%.
- Nível de alfabetização: a situação educacional da maioria da população do país ainda é
extremamente grave e vergonhosa; no entanto, houve também aí uma ligeira melhora. O porcentual de
habitantes sem instrução ou com menos de 1 ano de instrução – os analfabetos – diminuiu de 17.1%, em
1993, para 16,2%, em 1995, enquanto o porcentual de habitantes com 11 anos ou mais de instrução
passou de 14,4% para 15,4%, no mesmo período.
- Domicílios com bens e serviços básicos: os dados mostram que nesse item também se verificou uma
melhora, já que, em 1995, 91,7% dos domicílios eram servidos por iluminação elétrica (eram 90,3% em
1993); 76,2% eram abastecidos por água (75,4% antes); e 39,5% dispunham de rede coletora de esgoto
(39,1% em 1993). A pesquisa indicou que atualmente 81% dos domicílios têm televisão, 74,8% têm
geladeira, 26,6% têm máquina de lavar roupas e 15,4% têm freezer.

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Estrutura Étnica da População Brasileira

Um dos traços mais característicos da estrutura étnica da população brasileira é a enorme variedade
de tipos, resultante de uma intensa mistura de raças. Esse processo vem ocorrendo desde o início da
nossa história, portanto há quase 5 séculos. Três grupos étnicos básicos deram origem à população
brasileira: o branco, o negro e o índio. O contato entre esses grupos começou a ocorrer nos primeiros
anos da colonização, quando os brancos (portugueses) aqui se instalaram, aproximaram-se dos
indígenas (nativos) e trouxeram os escravos negros (africanos). A miscigenação ocorreu de forma
relativamente rápida já nesse período, dando origem, então, aos inúmeros tipos de mestiços que
atualmente compõem a população brasileira.
Esses dados, entretanto, são muito discutíveis, porque não levam em conta as origens étnicas dos
indivíduos, mas apenas a cor de sua pele. Assim devem ser analisados com cautela, pois a discriminação
racial que atinge alguns grupos étnicos faz com que as respostas dos entrevistados sejam, muitas vezes,
diferentes da realidade. É comum que um entrevistado negro ou índio responda ser mestiço, assim como
indivíduos mestiços respondam ser branco. Um fato, no entanto, é inquestionável: a população brasileira
torna-se cada vez mais miscigenada, diminuindo as diferenças mais visíveis entre os três grupos étnicos
originais.

Em 2015, 266 funcionários públicos federais foram expulsos

Dados do relatório da Controladoria-Geral da União mostram que mais de 5 mil funcionários públicos
foram expulsos da administração federal por corrupção nos últimos 12 anos. Isso os que foram
descobertos e que foram expulsos.
E a constatação mais lamentável é que a corrupção está espalhada pelo Brasil. Esse ano só não teve
expulsão em Sergipe e no Piauí. Ao todo, no primeiro semestre, foram 266 expulsões de cargos públicos
e 59% delas por corrupção. Entre os outros motivos que levaram essas pessoas a perderem os cargos
estão: o acumulo ilícito de cargos públicos, o abandono do trabalho e também a sociedade, participação
em empresas privadas, o que é proibido.
Essas expulsões foram todas no poder Executivo federal. O servidor depois que é expulso,
dependendo do que ele fez, não pode voltar ao serviço público em um prazo de cinco anos ou fica
simplesmente proibido de voltar.
23/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/07/em-2015-266-funcionarios-publicos-federais-foram-expulsos.html

Palco de protestos, Ferguson nomeia chefe de polícia negro

O policial de origem afroamericana Andre Anderson foi nomeado nesta quarta-feira (22/07/2015) como
chefe interino da polícia de Ferguson, no Estado do Missouri (EUA), informou a rede de TV CNN.
"Acho que sou a pessoa certa para esse trabalho em particular", afirmou Anderson. Sua primeira
missão é, disse ele, "simplesmente construir a confiança".
A nomeação ocorre depois que o Departamento da Justiça investigou a morte do jovem negro Michael
Brown, em agosto do ano passado, pelo policial branco Darren Wilson, em Ferguson. A morte levou a
meses de protestos violentos.
O departamento concluiu que a polícia, cujo contingente é majoritariamente branco, tem atitudes
discriminatórias contra a população negra.
Wilson alegou legítima defesa e não foi processado.
22/07/2015
Fonte:http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/07/22/palco-de-protestos-ferguson-nomeia-chefe-de-policia-negro.htm

Morte de Jean Charles não alterou modo de operação da polícia londrina

Em 24 de julho de 2005, o então comissário da Polícia Metropolitana de Londres, Sir Ian Blair, disse
em entrevista que assumia o erro de seus agentes pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes,
mas defendeu a política de "atirar para matar": "Não faz sentido atirar no peito de alguém porque é ali
onde a bomba vai estar. Não faz sentido atirar se o terrorista ainda pode cair e detonar o armamento".
Após a morte de Jean Charles na estação de metrô Stockwell, houve muita discussão em relação aos
procedimentos adotados pela polícia para lidar com suspeitas de homens-bomba. Para Roy Ramm, um
ex-comandante de operações especiais da Polícia Metropolitana, as regras foram modificadas para os
policiais terem liberdade para "atirar para matar" potenciais terroristas suicidas, alegando que tiros na
cabeça seriam a forma mais segura de lidar com os alvos sem correr o risco de detonação.

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Para a polícia londrina, as chances de confronto com um suicida aumentaram consideravelmente após
os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos. A partir daí, foram desenvolvidas novas diretrizes
para identificação, confrontamento e negociação com terroristas suspeitos. Essas diretrizes receberam o
nome de Operação Kratos.
Baseada em ações das forças de segurança de Israel e Sri Lanka --dois países com experiência em
atentados suicidas--, as orientações da Operação Kratos deixam claro que cabeça e membros inferiores
devem ser os alvos quando um suspeito aparenta não ter intenção de se render, o que vai contra a prática
habitual de se mirar o torso --um alvo maior.
Mas, devido à controvérsia em torno da morte de Jean Charles, o código Operação Kratos para a
política de abordagem antiterrorista foi apagado do léxico da polícia londrina em 2007 --não antes de
outro suspeito ser baleado em uma operação que chegou a envolver 200 oficiais na zona leste de Londres
em 2006.

Condenação

Um ano depois, a Crown Prosecution Service anunciou que nenhum oficial envolvido na operação
seria processado, mas a Polícia Metropolitana ainda seria julgada por quebrar leis de saúde e segurança
--em 1º de novembro de 2007, foi condenada a pagar 560 mil libras por ameaça à população.
O julgamento da morte de Jean Charles começou em 22 de outubro de 2008. O júri rejeitou a versão
da polícia de que Jean foi morto de acordo com a lei. A Polícia Metropolitana fez um acordo com a família
do eletricista em 2009.

Homenagens

Em dezembro de 2009, a comissária-assistente Cressida Dick --que liderou a operação que resultou
na morte de Jean Charles-- recebeu a Medalha de Honra da Rainha por serviços extraordinários, apesar
de suas ações terem sido extremamente criticadas durante o julgamento.
Um porta-voz da família de Menezes disse à época: "Recompensar a senhorita Dick após seu papel
no maior escândalo policial da década mostra um tenebroso desrespeito tanto para a família de Menezes
quanto para a opinião pública".

Balas ocas

Em 2011, 3.000 oficiais da Polícia Metropolitana passaram a usar o mesmo tipo de bala utilizada pelos
agentes envolvidos na morte de Jean Charles e que era proibida. A bala "dundun" é o nome que se dá
popularmente a munições que, tendo a ponta oca ou fendida, se deformam ou estilhaçam ao encontrar o
corpo da vítima, aumentando o diâmetro do ferimento e o estrago que provocam.
O armamento foi proibido pela Convenção de Haia de 1899, por motivos humanitários. De acordo com
a Scotland Yard, este tipo de armamento não era utilizado desde julho de 2005.
À época, Jerry Savill, do Comando de Armamentos Especializados, disse que a munição foi escolhida
depois de uma avalição que durou nove meses e custou 80 mil libras. Questionado sobre usar o mesmo
tipo de bala que matou Jean Charles, ele disse: "Stockwell foi um marco difícil na história da Polícia
Metropolitana, mas a dificuldade então enfrentada não pode nos impedir de usar o melhor tipo de
munição".
22/07/2015
Rodrigo Alvares
Fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/07/22/morte-de-jean-charles-nao-alterou-modus-operandi-de-policia-
londrina.htm

Ku Klux Klan obtém autorização para protesto pró-bandeira confederada

O grupo supremacista branco Ku Klux Klan recebeu o aval de autoridades do Estado da Carolina do
Sul para realizar uma manifestação a favor da bandeira confederada na capital do Estado, informou um
jornal na segunda-feira (29/06/2015), menos de duas semanas depois que um homem branco matou nove
pessoas em uma igreja frequentada por negros.
O suspeito no ataque a tiros à igreja, Dylann Roof, de 21 anos, confessou o assassinato. Ele havia
anteriormente publicado um manifesto racista online, bem como fotos posando com uma bandeira
confederada, bandeira do período da Guerra Civil nos Estados Unidas associada com a escravidão e
considerada um símbolo de opressão racista.

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O tiroteio de 17 de junho, em que todas as nove vítimas eram negras, causou forte impacto nos Estados
Unidos e levou a pedidos de que a Carolina do Sul pare de exibir a bandeira confederada na sede do
governo.
A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, pediu a remoção da bandeira, e disse ao Post Courier
que ela não endossa a realização da manifestação pela Ku Klux Klan. Mas, de acordo com o jornal, o
Conselho de Controle e Orçamento da Carolina do Sul aprovou um pedido apresentado pelo grupo "Leais
Cavaleiros Brancos", da Ku Klux Klan, para a manifestação em 18 de julho em favor da bandeira.
Com raízes que remontam à Guerra Civil Americana, a Ku Klux Klan é conhecida por suas roupas
brancas e capuzes pontiagudos e por seus atos de violência e intimidação contra os afro-americanos,
incluindo queima de cruzes e assassinatos.
30/06/2015
Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/ku-klux-klan-obtem-autorizacao-para-protesto-pro-bandeira-confederada.html

Suprema Corte dos EUA aprova o casamento gay em todo o país

Numa decisão histórica, a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou nesta sexta-feira (26/06/2015)
o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. Os 13 estados que ainda proibiam não
podem mais barrar os casamentos entre homossexuais, que passam a ser legalizados em todos os 50
estados americanos. A decisão veio por cinco votos contra quatro.
O casamento tem sido uma instituição central na sociedade desde os tempos antigos, afirmou o
tribunal, "mas ele não está isolado das evoluções no direito e na sociedade". Ao excluir casais do mesmo
sexo do casamento, explicou, nega-se a eles "a constelação de benefícios que os estados relacionaram
ao casamento".
O tribunal acrescentou: "O casamento encarna um amor que pode perdurar até mesmo após a morte".
"Estaria equivocado dizer que estes homens e mulheres desrespeitam a ideia de casamento... Eles
pedem direitos iguais aos olhos da lei. A Constituição lhes concede este direito", ressaltou, segundo a
agência AFP.
A decisão não entrará em vigor imediatamente porque a Suprema Corte concede ao litigante que
perdeu o caso aproximadamente três semanas para solicitar uma reconsideração, como informa a
Reuters.
O caso analisado pela decisão desta sexta se referia aos estados de Kentucky, Michigan, Ohio e
Tennessee, onde o casamento é definido como a união entre um homem e uma mulher. Esses estados
não permitiram que os casais do mesmo sexo se casassem em seu território e também se negaram a
reconhecer os casamentos válidos em outros estados do país.
O representante da ação na Justiça foi Jim Obergefell, que viveu 21 anos com John Arthur, em Ohio.
Ele queria que o casamento fosse formalmente reconhecido na certidão de óbito de Arthur, quando ele
morresse. O companheiro tinha esclerose lateral amiotrófica, doença que não tem cura. Os dois chegaram
a se casar em outro estado, mas a união não era reconhecida em Ohio.
A história de Obergefell consolidou os casos de 19 homens e 12 mulheres, de outros quatro estados.
Há dois anos, a Suprema Corte anulou parte da lei federal contra o casamento gay, que negava uma
série de benefícios governamentais para os casais do mesmo sexo que tinham se casado legalmente.

Celebração

Nesta sexta (26/06/2015), centenas de pessoas se reuniram nos arredores da Suprema Corte, no
centro de Washington, para comemorar a decisão dos juízes.
Como informa a agência EFE, o governo do presidente Barack Obama já tinha manifestado
abertamente sua postura a favor do casamento homossexual depois que, pela primeira vez, o próprio
líder declarou apoio à causa em 2012.
Obama disse no Twitter que a aprovação é um grande passo para a igualdade de direitos. "Casais de
gays e lésbicas têm agora o direito de se casar, como todas as outras pessoas. #Oamorvence", disse o
presidente. Ele fez um pronunciamento e disse que a decisão é uma "vitória para a América".
A pré-candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, também comemorou a decisão em
seu perfil na rede social.
26/06/2015
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/suprema-corte-dos-eua-aprova-o-casamento-gay-nacionalmente.html

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EUA sofrem mais ataques inspirados pela direita radical que pelo jihadismo

O assassinato a sangue frio de nove pessoas negras em uma igreja de Charleston pelas mãos de um
extremista branco de 21 anos voltou a colocar o foco sobre o perigo real representado por extremistas da
direita norte-americana em um momento no qual a segurança nacional dos Estados Unidos se concentra
em conter a ameaça jihadista. Dylann Roof nunca escondeu seu gosto por armas e símbolos racistas.
Com suas nove vítimas, agora já são 48 os mortos por direitistas radicais nos Estados Unidos desde os
atentados de 11 de setembro de 2001, segundo uma contagem feita pelo centro de estudos sobre
segurança internacional New America que compara o número de vítimas do que chama "deadly right wing
attacks" (na tradução, ataques inspirados em bandeiras da extrema direita) e "deadly jihadist attacks"
(ataques com mortos motivados pelo jihadismo). Os mortos por terrorismo cuja inspiração é o extremismo
islâmico nos EUA durante esse mesmo período chegam a 26.
O estudo se concentra nos ataques cometidos por cidadãos norte-americano ou assimilados aos EUA,
reunidos sob o título de terrorismo doméstico. Cita um total de 460 indivíduos acusados de terrorismo
nesses anos, ou com motivações terroristas críveis. Destes, 277 são jihadistas e 183 de outras ideologias.
Dos 19 casos analisados, o genocídio de Charleston é o que provocou mais vítimas mortais, seguido pelo
cometido por um neonazista em um templo sikh em Wisconsin em 2012 (seis mortes).
É difícil definir a motivação extremista da direita. Ela não pode ser equiparada ao terrorismo, os autores
reconhecem, já que a Constituição protege a liberdade de expressão e o direito de ter opiniões radicais.
Os autores se concentram nos casos em que a violência é usada para conseguir esses fins. Por exemplo,
o estudo classifica dentro das vítimas do extremismo de direita (dentro do segmento deadly right wing
attacks) o segurança de um banco assassinado durante um assalto em Tulsa, Oklahoma, em 2004. A
razão é que o motivo final dos assaltantes era comprar armas para vingar a atuação do Governo federal
nos acontecimentos de Waco (Texas) em 1993.
O maior atentado em solo norte-americano entre Pearl Harbor (em 1941) e 11 de setembro de 2001
foi realizado por outro extremista, Timothy McVeigh, cujo motivo era o ódio contra as instituições federais.
As bombas colocadas no edifício federal em Oklahoma mataram quase 170 pessoas em abril de 1995.
A pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, abriu uma porta para o
debate quando chamou os acontecimentos de Charleston de um ato de “terror racista”, ao mesmo tempo
em que fazia coro à exigência da retirada da bandeira confederada dos edifícios públicos em alguns
Estados do sul - a bandeira, usada pelos Estados do sul dos EUA durante a Guerra Civil (ou Guerra de
Secessão), é vista por críticos como um símbolo do ódio racial no país.
Entre os ataques de inspiração do extremismo islâmico, os mais graves reunidos pela New America
são os assassinatos de Ali Muhammad Brown em Washington e Nova Jersey em 2014 e o genocídio da
base militar de Fort Hood em 2009, quando um psiquiatra militar abriu fogo na base gritando "Alá é grande"
e matou 13 pessoas.
O estudo coloca do lado dos ataques jihadistas em solo norte-americano aqueles em que há indícios
de influência do extremismo islâmico em sua realização. Por exemplo, o atentado contra a maratona de
Boston em 2013, cometido por dois irmãos de uma família de origem chechena que viviam nos Estados
Unidos desde que eram crianças. Eles não tinham nenhuma relação formal com qualquer grupo terrorista.
Como o cidadão egípcio que matou duas pessoas no aeroporto de Los Angeles em 2002, são indivíduos
influenciados pela ideologia jihadista, mas não terroristas enviados para agir em solo norte-americano.
Esta última possibilidade é um dos temas recorrentes em termos de segurança por parte do Partido
Republicano. No ano passado, com base na crise na fronteira causada pela chegada de dezenas de
milhares de crianças da América Central, vozes do partido justificaram a necessidade de blindar a fronteira
porque, se uma criança conseguia atravessá-la, os terroristas do Estado Islâmico também conseguiriam.
25/06/2015
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/24/internacional/1435157948_652674.html

Debatedores divergem em audiência na Câmara sobre Estatuto da Família

A audiência pública da comissão especial que trata do projeto de lei (PL 6.583/13), que institui o
Estatuto da Família, foi marcada por divergências entre os debatedores convidados.
O projeto define o conceito de família, como a união entre homem e mulher e seus descendentes, e
também proíbe a adoção de crianças por casais homoafetivos. A iniciativa foi criticada pelo ativista e
doutor em educação Toni Reis, que a considera discriminatória em relação a outras formas de arranjo
familiar. Segundo ele, caso a iniciativa seja aprovada, 25% da população brasileira estarão fora do
conceito de família.

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“Não queremos um estatuto monolítico, temos vários tipos de família e seria muito importante que o
estatuto contemplasse os vários tipos. Não queremos ser discriminados”, ponderou Reis, que há 25 anos
é casado com David Harrad. Em 2011, Reis ficou conhecido após uma decisão da ministra Cármen Lúcia,
do Supremo Tribunal Federal (STF), reconhecendo o direito à adoção por ele e seu companheiro.
Atualmente, o casal tem três filhos. O mais velho, com 14 anos, chegou a passar por sete abrigos.
“Temos a família tradicional, a família ampliada, as famílias recompostas [frutos de vários casamentos],
famílias monoparentais, adotivas, homoparentais etc. Nós defendemos as famílias, o que nos separa é
um s. Colocar a família como uma única constante no tempo pode ser mais um prejulgamento que a
realidade”, disse Reis, que defendeu ainda o estado laico. “No estado laico as religiões não dizem o que
é lei, e o Estado não diz o que é pecado”, acrescentou.
Escalado para defender a proposta, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo,
criticou o que chamou de "ativismo gay" e o protesto ocorrido durante a recente parada LGBT (lésbicas,
gays, bissexuais e transexuais) em São Paulo, na qual a modelo transexual Viviany Beleboni se vestiu
como Jesus Cristo e encenou a própria crucificação, com uma placa no alto da cruz, com a mensagem:
"Basta de homofobia com LGBT".
Malafaia, ao abordar a decisão concedida a Reis e seu companheiro, criticou o STF, que no seu
entendimento legislou indevidamente. “Não vem aqui com citações de STF, que me parece que STF não
legisla coisa nenhuma. Isso é uma afronta ao Parlamento”, disse.
Os deputados – em uma audiência marcada pela presença forte de evangélicos e católicos, que se
revezavam para debater na audiência – também apoiavam o projeto. Para o deputado Marcelo Aguiar
(DEM-SP), a adoção por casais do mesmo sexo não seria boa para a criança, por ela não “estar
preparada”. "Se a família tem dificuldade de criar uma criança no formato natural, que já é difícil, imagina
as condições para criar crianças nesse formato [homoafetivo]”, indagou.
Única a se posicionar contra a iniciativa, a deputada Erika Kokay (PT-DF) disse que, ao não considerar
restringir o conceito de família, o projeto “joga outros arranjos afetivos num processo de discriminação
que é extremamente doído. Existem vários tipos de família, e todas as famílias precisam ser protegidas.”
25/06/2015
Agencia Brasil

De luto, Charleston começa a se restabelecer após massacre em igreja

Centenas de pessoas foram à Emanuel African Methodist Episcopal Church, em Charleston, neste
domingo (21/06/2015), quando a igreja reabriu suas portas aos fiéis, poucos dias depois que um atirador
matou a tiros nove pessoas, integrantes da congregação.
No lado de fora da igreja, a mais antiga congregação afro-americana no sul dos EUA, buquês, ursos
de pelúcia e balões cobriam a calçada, enquanto centenas de pessoas faziam fila para homenagear os
mortos, cantar hinos e deixar lembranças em homenagem às vítimas.
Milhares de mensagens manuscritas cobriam faixas brancas na entrada da igreja, onde se lia, “Deus
abençoe,” ou “Obrigado senador reverendo Clementa Pickney. O senhor será sempre uma inspiração”,
referindo-se ao pastor da igreja, um senador que foi uma das vítimas.
Autoridades municipais, líderes religiosos e parentes e amigos enlutados, disseram que os serviços
de domingo na igreja Emanuel marcariam um pequeno passo em direção à cura, depois do último tiroteio
em massa dos EUA, que mais uma vez apontou os holofotes sobre questões do país no que se refere a
relações raciais e crimes com armas de fogo.
Dylann Roof, o suspeito de 21 anos, continua preso, acusado de nove homicídios. Autoridades dizem
que ele passou uma hora em um grupo noturno de estudos da Bíblia da igreja, chamado de “Mãe
Emanuel” pelo seu papel fundamental na história afro-americana, antes de abrir fogo na noite de quarta-
feira.
Investigadores federais estavam examinando fotos e escritos sobre "supremacia branca" que surgiram
em um site da internet no sábado, que pareciam mostrar Roof posando com uma arma e em pé, na frente
de um museu militar confederado e de casas de escravos que trabalhavam na lavoura.
Textos publicados no site incluíam uma “explicação” do autor por ter cometido um ato não especificado.
“Não tenho escolha... escolhi Charleston porque é a cidade mais histórica no meu Estado, e durante um
tempo teve a maior proporção de negros em relação a brancos no país”, dizia a mensagem.

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Debate sobre controle de armas

O massacre foi o mais recente de uma série de assassinatos em massa nos EUA, que reacenderam
o debate sobre o controle de armas em um país, onde o direito de possuir armas de fogo é protegido pela
constituição.
Do lado de fora da igreja Emanuel no domingo, onde missas ocorreriam, a segurança foi reforçada, e
a polícia patrulhava com um cão farejador de bombas, que farejava as crescentes pilhas de flores, balões,
brinquedos e cartazes.
Embaixo da placa com a programação da igreja, um cartaz coberto de corações cor de rosa e brancos
e estrelas prateadas, dizia: “Estamos todos juntos nisso e vamos seguir brilhando”. Uma foto com mãos
multicoloridas ilustrava o meio do cartaz, reforçando a mensagem.
Monte Talmadge, veterano da marinha dos EUA, de 63 anos, dirigiu cerca de 480 km, de Raleigh, na
Carolina do Norte, para oferecer suas condolências à igreja e à comunidade.
21/06/2015
Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/de-luto-charleston-comeca-se-restabelecer-apos-massacre-em-igreja.html

Atriz crucificada na Parada LGBT recebe ameaças

Responsável por uma encenação polêmica na Parada Gay, Viviany Beleboni tem recebido ameaças
de morte por telefone e internet. De acordo com a atriz, objetivo da cena foi representar o sofrimento de
gays, lésbicas, bissexuais, trangêneros, travestis e transexuais que são violentados no Brasil
Desde que realizou uma encenação em que apareceu crucificada do alto de um trio elétrico da 19°
edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a modelo transexual Viviany Beleboni, de 26 anos,
tem sido constantemente ameaçada por telefone e internet. Em cima da cruz, uma placa foi colocada com
o texto: “Basta de homofobia”.
Até o número que usava para negociar trabalhos em eventos teve que ser desligado. Demonstrações
de ódio causadas por um ato que, segundo ela, tinha apenas uma mensagem de amor.
Viviany contou que em nenhum momento quis afrontar alguma religião. A atriz, que se define como
espírita, revela que também acredita em Deus.
O intuito da cena, de acordo com Viviany, foi representar o sofrimento de gays, lésbicas, bissexuais,
trangêneros, travestis e transexuais que são violentados no Brasil.
“Dizem coisas absurdas: que devo morrer, ser crucificada de verdade, contrair câncer. Acordei cedo
com uma ligação anônima, dizendo que eu iria morrer. Teve gente dizendo que ano que vem vão colocar
fogo na parada”, afirma a atriz.
Viviany revelou que, nos últimos tempos, duas conhecidas foram agredidas. Uma delas teria sido morta
com quatro tiros em Porto Alegre. “Eu vejo a parada como um protesto, não como uma festa”, disse. “Usei
as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita
gente no meio GLS, mas com isso ninguém se choca”.
Em texto publicado nas redes sociais, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) comentou o episódio da
crucificação na parada gay. Leia trecho a seguir:

Não vou aqui interpretar a performance da artista transexual porque seus sentidos me parecem óbvios
demais: se Jesus foi marginal em sua época e, por isso, condenado à pena de morte por crucificação,
nada mais pertinente do que usar esse episódio como metáfora da pena de morte a que estão
condenadas as transexuais e travestis no Brasil, marginais da contemporaneidade.
Até mesmo muitos gays de classe média e média-alta foram incapazes de extrair sentido tão óbvio da
performance artística da transexual, o que mostra que as viagens ao exterior, a música eletrônica, as
drogas sintéticas consumidas nas baladas, as calças da Diesel e as cuecas da Calvin Klein não os tornam
imunes à epidemia de estupidez nem à homofobia internalizada, ao contrário! Leitura, informação, estudo,
artes vivas e canja de galinha não fazem mal a ninguém e saem mais em conta que os óculos Gucci e a
rave da Skol.
E da próxima vez que forem escrever “Je suis Charlie” em seus perfis no Facebook, lembrem-se de
que aqui nós também gozamos da liberdade constitucional de criticar através de expressões artísticas os
dogmas e contradições das religiões – e isso está longe de se confundir com intolerância religiosa!
Intolerância religiosa é pastor mandar seus fiéis invadirem terreiros de Candomblé para depredar seus
orixás ou evangélico fanático urinar sobre a imagem de Nossa Senhora.
Uma sociedade verdadeiramente democrática, se quiser continuar assim, ao mesmo tempo que
garanta a liberdade de crença a todos os que creem, deverá cuidar para que quaisquer religiões (em
especial as cristãs) e seus porta-vozes não extrapolem a esfera que lhes compete – que é a esfera privada

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– e deverá impedir que se infiltrem ainda mais no Estado e na esfera pública, tentando cercear, por meio
de falácias, manipulações, difamações e desonestidade intelectual, as liberdades civis de artistas e
pessoas não crentes.
09/06/2015
Pragmatismo Politico

Promotoras da Infância repudiam proposta de redução da maioridade penal

A aprovação da admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a


maioridade penal de 18 para 16 anos, provocou reações de repúdio de promotores e juízes da Infância e
da Juventude em todo o país, para os quais a medida não vai diminuir a criminalidade, como acreditam
os defensores da redução.
Promotoras da Infância e da Juventude que participam de congresso neste fim de semana, em Brasília,
entendem que o tratamento penal para jovens e adultos deve ser diferente. A promotora do Ministério
Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) Ivanise de Jesus afirma que somente a redução da maioridade
não terá impacto na diminuição do índice de criminalidade entre os jovens.
"Temos a certeza absoluta de que isso não vai acontecer. Além da falência do sistema penal, pelos
registros que nós temos de ocorrência, 91% dos crimes são cometidos por adultos. A cada dez crimes,
nove são praticados por adultos, e um é praticado por adolescente. A grande criminalidade não está no
adolescente, está nos adultos. Com certeza, esse panorama dos 90% não vai melhorar, pelo contrário,
você vai jogar no sistema falido os outros 9% de adolescentes”, avalia a promotora.
Ivanise também aponta uma distorção no sistema penal, uma vez que a ressocialização do preso não
é cumprida. "O sistema penal está totalmente falido. Ele é muito pior que o sistema socioeducativo. No
Rio Grande do Sul, por exemplo, uma pessoa que comete um homicídio sequer vai para a cadeia. Se a
pessoa tem a pena mínima de seis anos e fica no regime semiberto, recebe uma tornozeleira eletrônica
para ir para casa. Então, nem sequer é recolhida ao sistema penal. Enquanto um adolescente de 12, 13
ou 14 anos que comete um homicídio será internado e vai ficar na unidade de internação no máximo três
anos ou no mínimo um ano”, diz a promotora.
Para evitar a reincidência dos adolescentes que cometem atos infracionais, Ivanise aposta no trabalho
de educação e prevenção. Ela faz parte de um projeto do Ministério Público do Rio Grande do Sul
chamado Movimento pela Paz Sepé Tirajú. O movimento busca o enfrentamento das causas de
criminalidade e a promoção da inclusão social de jovens, por meio de atividades culturais.
"Esse é um trabalho sobre a questão do resgate de valores. Nós entendemos que a nossa sociedade
não privilegia os valores morais e éticos, mas é uma sociedade de consumo, onde o consumo é
supervalorizado. Nós trabalhamos com o resgate de valores e a educação como meio de transformação
social."
A promotora do Ministério Público do Pará (MP-PA) Myrna Gouveia dos Santos repudia a redução da
maioridade penal por entender que a mudança vai acirrar a violência no país. Myrna também acredita que
o trabalho socioeducativo, mesmo com falhas em diversas localidades do país, ainda é a melhor forma
de enfrentar a questão. "Eu trabalhei em municípios de pequeno porte. A reincidência era mínima, mesmo
com uma rede de proteção deficiente. Imagina se nós tivéssemos uma rede de proteção eficiente."
Myrna atua em um projeto chamado Justiça Restaurativa, criado para mediar a resolução de conflitos.
O trabalho é feito por meio de uma metodologia, implantada em 2013, de julgamento, no qual todas partes
envolvidas no delito praticado pelo adolescente tentam uma conciliação em casos de pequeno potencial
ofensivo. Segundo a promotora, nos 13 procedimentos dos quais ela participou, não houve reincidência.
"Nós não vamos salvar todos. Eu sou bem lúcida. Vamos dizer que, dos 20 meninos que a gente
trabalha ao longo do tempo, nós conseguimos salvar 12. Está valendo a pena ou não? É melhor mandar
os 20 para o sistema penal? Eu acho que [salvar] 12 vale a pena, [salvar] cinco vale a pena. É melhor do
que perder todos", desabafa a promotora.
No dia 31 de março, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou
a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal de 18 para 16
anos. A partir de agora, uma comissão especial terá prazo de 40 sessões do plenário para dar o parecer
sobre o assunto. Depois, a PEC será votada pelo plenário da Câmara em dois turnos. Para ser aprovada,
a proposta precisa ter pelo menos 308 votos (três quintos dos deputados) em cada uma das votações.
11/04/2015
Agência Brasil

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Mercado de Crack

O Brasil é o maior mercado de crack do mundo e o segundo de cocaína, aponta o 2º Levantamento


Nacional de Álcool e Drogas. O estudo, divulgado pela Universidade Federal de São Paulo, mostra que
esta epidemia corresponde a 20% do consumo global da cocaína — índice que engloba a droga refinada
e os seus subprodutos, como crack, óxi e merla. Só nos últimos anos, um em cada cem adultos fumou
crack, o que representa um milhão de brasileiros acima dos 18 anos. Quando a pesquisa abrange o
consumo das duas drogas, cocaína e crack, o número atinge 2,8 milhões de pessoas em todo o país. O
número é considerado “alarmante” no período pelo coordenador do estudo, o psiquiatra Ronaldo
Laranjeira.
Cerca de 6 milhões de pessoas (4% da população adulta) já experimentaram alguma vez na vida a
cocaína, seja o pó refinado ou apenas a droga fumada (como se apresentam o crack e o óxi). Já entre os
adolescentes, 442 mil (3% dos que têm entre 14 anos e 18 anos) também já tiveram experiência com
algum tipo dessas substâncias. Quanto ao uso da cocaína intranasal (cheirada), que é a mais comum no
mundo, pouco mais de 5 milhões de adultos (4%) admitiram ter experimentado o pó alguma vez na vida,
sendo 2,3 milhões de pessoas (2%) nos últimos 12 meses. O uso é menor entre os jovens, sendo menos
de 2% nos dois casos: 442 mil adolescentes em um momento da vida, e 244 mil no último ano.
Quase 2 milhões de brasileiros, afirmam os dados, já usaram a cocaína fumada (crack, óxi ou merla)
uma vez na vida, atingindo 1,8 milhão de adultos (1,4% da população) e150 mil adolescentes (cerca de
1%). No último ano, foram cerca de 1 milhão de adultos (1%) e 18 mil jovens (0,2%). A pesquisa, que foi
feita com 4.607 pessoas de 149 municípios brasileiros, indica também que o primeiro uso de cocaína
ocorreu antes dos 18 anos para quase metade dos usuários (45%), seja para quem ainda consome a
droga ou para quem já consumiu ao menos uma vez na vida. No total, 48% desenvolveram dependência
química, sendo que 27% relataram usar a droga todos os dias ou mais de duas vezes por semana.
Conseguir as drogas também foi considerado fácil por 78% dos entrevistados, sendo que 10% dos
usuários afirmaram já ter vendido alguma parte da substância ilegal que tinham em mãos.

Agora é lei: mãe pode registrar filho no cartório sem presença do pai

A partir desta terça-feira (31/03/2015) mães poderão se dirigir aos cartórios para providenciar o registro
de nascimento de seus filhos. A autorização está prevista na Lei 13.112/2015, publicada no Diário Oficial
da União. A norma sancionada pela presidente Dilma Rousseff equipara legalmente mães e pais quanto
à obrigação de registrar o recém-nascido.
Conforme o texto, cabe ao pai ou à mãe, sozinhos ou juntos, o dever de fazer o registro no prazo de
15 dias. Se um dos dois não cumprir a exigência dentro do período, o outro terá um mês e meio para
realizar a declaração.
Antes da publicação da lei, era exclusiva do pai a iniciativa de registrar o filho nos primeiros 15 dias
desde o nascimento. Apenas se houvesse omissão ou impedimento do genitor, é que a mãe poderia
assumir seu lugar.
O texto que deu origem à Lei (PLC 16/2013) foi aprovado pelo Senado no dia 5 de março.

Declaração de nascido

O texto deixa claro que será sempre observado artigo já existente na Lei dos Registros Públicos (Lei
6.015/1973) a respeito da utilização da Declaração de Nascidos Vivos (DNV) para basear o pedido.
Pelo artigo citado (artigo 54), o nome do pai que consta da DVN não constitui prova ou presunção da
paternidade. Portanto, esse documento, emitido por profissional de saúde que acompanha o parto, não
será elemento suficiente para a mãe indicar o nome do pai, para inclusão no registro.
Isso porque a paternidade continua submetida às mesmas regras vigentes, dependendo de presunção
que decorre de três hipóteses: a vigência de casamento (artigo 1.597 do Código Civil); reconhecimento
realizado pelo próprio pai (dispositivo do artigo 1.609, do mesmo Código Civil); ou de procedimento de
averiguação de paternidade aberto pela mãe (artigo 2º da Lei 8.560/1992).
31/03/2015
Fonte: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/03/31/agora-e-lei-mae-pode-registrar-filho-no-cartorio-sem-a-presenca-do-pai

SUS irá registrar casos de agressão por homofobia

Prevenir e enfrentar as diversas formas de violência praticadas contra o público de lésbicas, gays,
bissexuais e travestis, além de permitir conhecimento de dados sobre as ocorrências, características e

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perfil dos crimes. Esse é o objetivo da portaria assinada nesta em janeiro de 2015 pelo ministro da Saúde,
Arthur Chioro, e mais quatro ministros, que cria a Comissão Interministerial de Enfrentamento à Violência
contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CIEV-LGBT). Durante a assinatura do
documento, o ministro da Saúde anunciou novidades na Ficha de Notificação de Violência, já utilizada
pelas unidades de saúde.
A partir deste ano, o material contará, com dois novos campos: Orientação sexual e Identidade de
gêneros. A ficha, com as novas modificações, deverá ser adotada tanto pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), como também pela rede privada. A criação da Comissão ocorre por ocasião do Dia da Visibilidade
de Travestis e Transexuais, comemorado em 29 de janeiro.
De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a portaria possibilitará a articulação de medidas
de prevenção, adequado tratamento aos casos de violência da população LGBT, além de estimular o
diálogo e a negociação entre as esferas de governo e a própria sociedade civil. Sobre este último item, o
ministro destacou o ganho na qualificação das informações que serão obtidas a partir introdução dos
novos campos na ficha de notificação de violência, cujo preenchimento hoje já é obrigatório pelos
profissionais de saúde nas unidades públicas e particulares de saúde. “Estamos dando um passo simples,
mas muito importante para efetivamente dar visibilidade à essa luta, mostrando a dimensão real do
problema da homofobia no país”, enfatizou o ministro.
Atualmente, não existem informações e, âmbito nacional sobre violência ao público LGBT. O
Geralmente, as informações se restringem aquelas publicadas pelos jornais ou por pesquisas pontuais
de movimentos ligados a essa população. Isso dificulta a ação dos órgãos governamentais e das
secretarias de saúde estaduais e municipais e as que lidam com direitos humanos. “Com essa simples
introdução, vamos gerar uma capacidade de informação que será decisiva na orientação de um conjunto
de politicas públicas”, informou o ministro da Saúde. Ele aproveitou para lembrar da campanha de
Carnaval 2015, lançada nesta semana, que visa o combate e prevenção da aids e das doenças
sexualmente transmissíveis (DST), e que tem como foco os jovens (15 a 24 anos), além do público LGBT.
A previsão é de que a nova ficha de notificação esteja disponível nas unidades hospitalares a partir do
segundo semestre de 2015. Os gestores de saúde estão recebendo capacitação para acolhimento e
orientação às vítimas durante o preenchimento da ficha. A aplicação do documento, com as novas
mudanças, começará pelas unidades de urgência e emergência e atenção básica. A portaria
interministerial também foi assinada pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República (SDH/PR), Ideli Salvatti, e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na ocasião,
representado pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira; da
Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto; e da ministra da Secretaria de Políticas
para as Mulheres, Eleonora Menicucci.
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Ideli Salvatti,
citou números de denúncias de violação contra a população LGBT da Ouvidoria Nacional e do Disque
Diretos Humanos (Disque 100). De 2011 a 2014, foram registradas 7.649 denúncias, sendo
aproximadamente 16% contra travestis e transexuais. Em 2014, essa porcentagem subiu para 20% com
o registro de 232 denúncias. Entre os tipos de violações, a discriminação e a violência psicológica estão
entre as mais recorrentes em 2014, com 85% e 77%, respectivamente, dos casos denunciados contra a
população LGBT. O trabalho da Comissão Interministerial ficará sobre a coordenação da SDH/PR.
“O trabalho da Comissão Interministerial permitirá que os ministérios aqui envolvidos façam duas ações
muito importantes: acompanhamento da notificação, do inquérito e do processo judicial, para que,
efetivamente, a violência contra as pessoas LGBT seja punida; e o acolhimento desse público nas nossas
redes de saúde, de atendimento à mulher, e de garantia à justiça. Vamos trabalhar na prevenção, no
acompanhamento para punição, e no acolhimento dessas vítimas”, informou a ministra Ideli Salvatti.
Política de Saúde – O ministro da Saúde, Arthur Chioro, destacou outras ações que vêm sendo
realizadas no âmbito do Sistema único de Saúde (SUS), nos últimos anos, voltados para o público LGBT.
Segundo o ministro, a saúde pública tem garantido a atenção às pessoas no processo transexualizador.
“Para enfatizar a luta pela preservação do direito das pessoas, é fundamental organizar a rede e mudar
a cultura dos trabalhadores da saúde”, disse Chioro. Entre 2008 e 2014 foram realizados 6.724
procedimentos ambulatoriais e 243 procedimentos cirúrgicos em quatro serviços habilitados no processo
transexualizador no SUS.
Ele destacou ainda outro avanço ocorrido, em 2013, que permitiu a inclusão do nome social de travestis
e transexuais no Cartão SUS, reconhecendo a legitimidade da identidade desses grupos e promover o
maior acesso à rede pública. Dia da Visibilidade Trans - A data foi instituída em 2004, após ocupação do
Congresso Nacional, em 29 de janeiro daquele ano, por representantes da Articulação Nacional de
Travestis e Transexuais (Antra) que reivindicavam acesso ao trabalho e à escola e autorização para
mudar sua identidade documental. Desde 2003, o Ministério da Saúde promove e apoia eventos voltados

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ao público LGBT tais como os Fóruns Regionais de Consultas Públicas, o I Seminário Nacional de Saúde
LGBT e a Conferência Nacional de Saúde.
Durante a semana de comemoração da data, representantes do Ministério da Saúde têm apresentado
os avanços dos últimos anos no atendimento ao público LGBT. A participação será nos eventos: II
Semana Nordestina da Visibilidade Trans, em Recife; Dia da Visibilidade Trans Hanna Suzart, em São
Paulo; e Primeira Semana da Visibilidade Trans da Capital, em Goiânia.
29/01/2015
Agência Brasil

Ataque ao Charlie Hebdo deixa autoridades do mundo em alerta

O ataque ao jornal Charlie Hebdo abalou o mundo todo e, em muitas cidades, houve homenagem às
vítimas. Em muitos lugares, a segurança também foi reforçada.
Em Nova York, mesmo com um frio de -13ºC, centenas de pessoas se reuniram na Union Square, uma
praça ao sul de Manhattan. A multidão, com muitos franceses, cantou e gritou: "não temos medo, somos
Charlie, somos livres". Os manifestantes ainda levaram fotos dos jornalistas e cartunistas assassinados
e bandeiras da França.
Em São Francisco, cerca de duas mil pessoas se reuniram em frente ao consulado francês. Elas
levaram cartazes onde estava escrito o que virou o lema do luto e dos protestos: "Eu sou Charlie". Em
Los Angeles, um grupo menor se reuniu. Em Seattle, a vigília foi mais silenciosa. As centenas de pessoas
acenderam velas em volta de uma bandeira francesa.
O ataque deixou a polícia de Nova York em alerta. O policiamento foi reforçado em frente ao prédio
onde fica a Missão Francesa na ONU e nas imediações do consulado da França. Policiais com armamento
pesado estão vigiando a entrada.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que o atentado "também foi um ataque direto a um
pilar da democracia: a imprensa e a liberdade de expressão". O presidente Barack Obama prometeu
ajuda à França na busca aos assassinos e disse que é importante reconhecer que esses tipos de ataques
terroristas agora podem acontecer em qualquer lugar do mundo.

Repercussão na Europa

O governo britânico reforçou a segurança em todas as fronteiras, inclusive nos portos e postos de
controle operados na França pela Grã-Bretanha, como, por exemplo, a estação do trem Eurostar, que
liga Paris a Londres.
A polícia metropolitana de Londres, a Scotland Yard, ficou em silêncio por dois minutos em
solidariedade aos policiais franceses mortos – três foram assassinados. Em Bruxelas, o parlamento
europeu se calou, por um minuto, em homenagem às 12 vítimas do ataque.
No Vaticano, o Papa Francisco rezou em nome dos mortos e também dos criminosos que cometeram
essa crueldade. "Que deus mude os corações deles", pediu o pontífice.
O atentado provocou uma rara cena de unidade política na França. O presidente François Hollande
recebeu no Palácio do Eliseu o principal rival dele, Nicolas Sarkozy. O ex-presidente francês disse que o
ataque ao jornal foi uma declaração de guerra contra a civilização e que a civilização é responsável por
se defender.
08/01/2015
Fábio Turci e Renato Machado
Fonte:http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/01/ataque-ao-charlie-hebdo-deixa-autoridades-do-mundo-em-alerta.html

O que se sabe sobre o atentado à revista francesa Charlie Hebdo

Dois homens armados abriram fogo contra a sede da revista francesa "Charlie Hebdo", em Paris, nesta
quarta-feira (07/01/2015), matando 12 pessoas, das quais oito são jornalistas. Outras onze pessoas
ficaram feridas -- quatro delas estão internadas em estado grave.

Como foi o ataque?

De acordo com François Mollins, procurador-geral da República, os dois atiradores armados com rifles
automáticos Kalashnikovs invadiram o prédio da revista, rendendo dois funcionários, que foram
assassinados em seguida. Na sequência, eles invadiram uma reunião, que ocorria no segundo andar do
prédio, e abriram fogo. Mais dez pessoas foram mortas, entre elas um convidado e um policial que fazia

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a segurança do cartunista Charb, diretor da revista. Um segundo policial que fazia a segurança do local
foi executado em frente ao prédio.
Um terceiro homem teria esperado do lado de fora do prédio, agindo como motorista durante a fuga
dos criminosos.

Por que a revista foi escolhida como alvo?

A revista semanal francesa já havia publicado ilustrações satíricas sobre líderes muçulmanos e foi
ameaçada por divulgar caricaturas de Maomé há três anos, tendo inclusive sua sede incendiada na época.
O jornal também havia sido processado por associações islâmicas na França, mas a Justiça isentou a
publicação de sanções. Ao sair do prédio, os atiradores gritaram "Vingamos o profeta Maomé, matamos
Charlie Hebdo".

Quem são os suspeitos?

Dois dos suspeitos seriam franco-argelinos e irmãos com idades de 32 e 34 anos. Seus nomes seriam
Saïd e Cherif Kouachi. O terceiro, cuja nacionalidade é desconhecida, teria 18 anos e se chamaria Hamyd
Mourad. Ele teria atuado como o motorista na fuga, mas no dia seguinte ele se apresentou à polícia e
disse que tinha um álibi. Atualmente, eles seriam membros do braço armado da Al Qaeda no Iêmen.

Eles já tinham antecedentes criminais?

De acordo com a revista "Le Point", os irmão Kouachi, nascidos em Paris, retornaram da Síria no último
verão europeu. O mais novo deles, Cherif, foi condenado a três anos de prisão em 2008, dos quais
cumpriu 18 meses até sair em liberdade condicional, por ter participado de uma rede de recrutamento de
jihadistas franceses para combate no Iraque.
Chamada de "Rede dos Montes Chaumont", ela foi desmantelada há três anos e reunia parisienses
que eram mantidos sob vigilância pelas autoridades do país pela intenção de planejarem atentados. Cherif
teria sido preso quando se preparava para viajar e se juntar aos jihadistas.
Ainda segundo a revista, nos últimos anos, os irmãos teriam se empenhado a despistar os serviços de
inteligência e permaneceram escondidos na comuna de Reims, no nordeste da França. Seria nesta
região, afirma a "Le Point", que as buscas da polícia pelos foragidos se concentra.

Como os atiradores escaparam?

Do lado de fora do prédio, um terceiro homem aguardava os atiradores para a fuga em um carro preto,
que foi perseguido pela polícia francesa. Eles abandonaram o veículo no nordeste da cidade e roubaram
um carro cinza. Nesse momento, a polícia perdeu o rastro dos terroristas.
Além de estarem fortemente armados, os atiradores usavam coletes à prova de balas e premeditaram
o atentado. Segundo especialistas em segurança consultados pelo "Guardian", é muito provável que os
suspeitos tenham passado por treinamento militar – eles não entraram em pânico diante da chegada à
polícia no local, ainda durante o ataque.

Quem são as vítimas?

O jornalista, caricaturista e diretor da revista "Charlie Hebdo", Charb (Stéphane Charbonnier), e outros
quatro chargistas do semanário satírico francês, Cabu (Jean Cabut), Tignous (Bernard Verlhac), Wolinski
(Georgers Wolinski) e Honoré (Philippe Honoré), estão entre os 12 mortos do ataque. Todos os cinco
eram expoentes chargistas no país.
Charb, 47, era diretor da revista desde maio de 2009. Ele também trabalhava em outros jornais
franceses. No "Charlie Hebdo", ele assinava uma coluna intitulada 'Charb não gosta de gente'.
Após um ataque ao escritório da revista em 2011, que havia publicado uma caricatura do profeta
Maomé, Charb disse à época não temer represálias: "eu não tenho filhos, nem esposa, nem carro, nem
crédito. Pode parecer um pouco pomposo o que vou dizer, mas eu prefiro morrer de pé do que viver de
joelhos".
Nascido em 1934, na Tunísia, Wolinski começou a publicar seus desenhos nos anos 1960. É
considerado um dos maiores cartunistas do mundo. Foi chargista do "L'Humanité" e outros meios de
comunicação como "Hara-Kiri", "Paris-Presse" e "Paris Match".

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Tignous, nascido em Paris em 1957, colaborava com outros meios de comunicação como o semanário
"Marianne" e o "Fluide glacial". Cabu, 77, colaborava com a revista desde sua criação, em 1970.
Honoré, 73, nascido em Lyon, era cartunista e editor da revista. Outra vítima foi o jornalista, escritor e
economista Bernard Maris, 68, que escrevia para vários jornais. Um dos fundadores da "Charlie Hebdo",
ele já foi editor-chefe do semanário.
Além deles, morreram o revisor Moustapha Ourrad, o cronista Michel Renaud e a psicanalista Elsa
Cayat, que assinava uma coluna quinzenal na revista.
As duas últimas vítimas seriam dois policiais -- Franck Brinsolaro, encarregado da segurança de Charb,
e Ahmed Merabet, morto ao atender a ocorrência.
A 12ª vítima seria um visitante do prédio, Frédéric Boisseau, 42, empregado da Sodexo.
07/01/2015
Fonte:http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/01/07/o-que-se-sabe-sobre-o-atentado-a-revista-francesa-charlie-
hebdo.htm

Educação

A necessidade de se definir um novo modelo para educação pública no Brasil foi defendida em
audiência pública da Comissão Especial de Financiamento da Educação do Senado. Os especialistas do
setor que participaram da discussão divergiram sobre como deveria ser esse novo modelo, mas
concordaram que o sistema atual não oferece qualidade de ensino suficiente para que o país dê um salto
de desenvolvimento.
A comissão foi criada ano passado para buscar soluções que aumentem os recursos disponíveis para
educação pública por todo o país. Para os convidados do debate desta quarta, os critérios do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb), responsável por distribuir entre estados e municípios recursos destinados constitucionalmente
à educação, fazem com que o repasse de verbas seja desigual, o que acaba prejudicando a qualidade
geral do ensino.
Segundo o professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Fernando Rezende, o Fundeb não é capaz de corrigir disparidades regionais. Em
sua opinião, é preciso “discutir a única reforma que foi esquecida nos últimos 20 anos: a reforma
orçamentária”. Rezende ressaltou que não há como conseguir mais recursos para a educação, uma vez
que o orçamento federal está cada vez mais apertado. A saída seria reformular as destinações já
existentes.
As críticas ao Fundeb foram compartilhadas por André Amorim Alencar, representante da
Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Entre os problemas do fundo, ele destacou o fato de que
somente o número de alunos matriculados nas escolas é levado em consideração na partilha de recursos
e não a qualidade do ensino da instituição.

Principais conceitos ligados à Educação no Brasil

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007, pelo Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do
aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino.
O Ideb funciona como um indicador nacional que possibilita o monitoramento da qualidade da
Educação pela população por meio de dados concretos, com o qual a sociedade pode se mobilizar em
busca de melhorias.
O índice analisa a aprendizagem e o fluxo, dessa forma, se um sistema de ensino retiver seus alunos
para obter resultados de melhor qualidade no Saeb ou Prova Brasil, o fator fluxo será alterado, indicando
a necessidade de melhoria do sistema. Se, ao contrário, o sistema apressar a aprovação do aluno sem
qualidade, o resultado das avaliações indicará igualmente a necessidade de melhoria do sistema. O Ideb
vai de zero a dez.
As metas se traduzem no caminho traçado de evolução individual dos índices, para que o Brasil atinja
o patamar educacional que têm hoje a média dos países da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em termos numéricos, isso significa evoluir da média nacional 3,8,
registrada em 2005, para um Ideb igual a 6,0, na primeira fase do ensino fundamental.

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O Inep estabeleceu parâmetros técnicos de comparação entre a qualidade dos sistemas de ensino do
Brasil com os de países da OCDE. A referência à OCDE é parâmetro técnico em busca da qualidade, e
não um critério externo às políticas públicas educacionais desenvolvidas pelo MEC, no âmbito da
realidade brasileira.
As metas são diferenciadas para cada rede e escola, e serão apresentadas bienalmente de 2007 a
2021. Estados, municípios e escolas deverão melhorar seus índices e contribuir, em conjunto, para que
o Brasil chegue à meta 6,0 em 2022, ano do bicentenário da Independência. Mesmo quem já tem um bom
índice deve continuar a evoluir. No caso das redes e escolas com maior dificuldade, as metas preveem
um esforço mais concentrado, para que elas melhorem mais rapidamente, diminuindo assim a
desigualdade entre esferas. O Ministério da Educação prevê apoio específico para reduzir essa
desigualdade.
O Ideb também é importante por ser condutor de política pública em prol da qualidade da educação. É
a ferramenta para acompanhamento das metas de qualidade do PDE para a educação básica. O Plano
de Desenvolvimento da Educação estabelece, como meta, que em 2022 o Ideb do Brasil seja 6,0 – média
que corresponde a um sistema educacional de qualidade comparável a dos países desenvolvidos.
O Ideb é calculado a partir de dois componentes:
- A taxa de rendimento escolar (aprovação) e
- As médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep.

Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente pelo Inep. As
médias de desempenho utilizadas são as da Prova Brasil (para Idebs de escolas e municípios) e do Saeb
(no caso dos Idebs dos estados e nacional).

A forma geral do Ideb é dada por:

IDEBji = Nji Pji;

em que,

i = ano do exame (Saeb e Prova Brasil) e do Censo Escolar;


N ji = média da proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, padronizada para um indicador entre
0 e 10, dos alunos da unidade j, obtida em determinada edição do exame realizado ao final da etapa de
ensino;
P ji = indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação da etapa de ensino dos alunos da
unidade j.
Fonte: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/como-o-ideb-e-calculado

Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): É uma prova criada em 1998 pelo Ministério da Educação
do Brasil que é utilizada como ferramenta para avaliar a qualidade geral do ensino médio no país.
Posteriormente, o exame começou a ser utilizado como exame de acesso ao ensino superior em
universidades públicas brasileiras através do SiSU (Sistema de Seleção Unificada).

Sistema de Seleção Unificada (SiSU): É uma plataforma online desenvolvida em 2009 pelo Ministério
da Educação brasileiro utilizada pelos estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) para se inscreverem nas instituições de ensino superior que aderirem totalmente ou parcialmente,
com certa porcentagem de suas vagas, à nota do Enem como forma de ingresso, em substituição ao
vestibular.

Programa Internacional de Avaliação de Alunos (em inglês: PISA): É uma rede mundial de
avaliação de desempenho escolar, realizado pela primeira vez em 2000 e repetido a cada três anos. É
coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com vista a
melhorar as políticas e resultados educacionais.

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP): É uma autarquia
federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Seu objetivo é promover estudos, pesquisas e
avaliações periódicas sobre o sistema educacional brasileiro, com o objetivo de subsidiar a formulação e
implementação de políticas públicas para a área educacional. O INEP realiza levantamentos estatísticos
e avaliações em todos os níveis e modalidades de ensino. Sua atividade mais conhecida é a realização

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do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a organização das avaliações periódicas do ensino
superior brasileiro.

Prouni (Programa Universidade para Todos): É um projeto do governo federal que tem como
objetivo reservar vagas em instituições privadas de ensino superior para alunos de baixa renda. O projeto
é destinado à concessão de bolsas de estudo integrais e parciais de 50% (meia-bolsa) para cursos de
graduação tradicionais (duração de quatro anos) e sequenciais de formação específica (dois anos).

Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI): É um plano que visa
integrar todas as universidades federais a uma hierarquia única de administração, além da ampliação da
mobilidade estudantil, com a implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem
a construção de itinerários formativos, mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de
estudantes entre instituições cursos e programas de educação superior.

Prova Brasil: Criada, em 2005, pelo Ministério da Educação, é uma avaliação complementar ao
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e um dos componentes para o cálculo do
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ela é realizada a cada dois anos e participam
todos os estudantes de escolas públicas urbanas do 5° e do 9º ano de turmas com mais de 20 alunos. A
avaliação é dividida em duas provas: Língua Portuguesa e Matemática.

Provinha Brasil: É uma avaliação aplicada aos alunos matriculados no 2° ano do ensino fundamental
da rede pública. Ela verifica a qualidade da alfabetização e o letramento dos estudantes. Foi criada pelo
Ministério da Educação brasileiro em abril de, e faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação
(PDE). A Provinha Brasil oferece aos professores e gestores escolares um diagnóstico sobre o processo
de alfabetização da turma e de cada aluno de uma escola. A Provinha Brasil é elaborada pelo Inep e
distribuída pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquias vinculadas ao
Ministério da Educação, nas secretarias de educação municipais, estaduais e do Distrito Federal.

Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB): É um conjunto de


fundos contábeis formado por recursos dos três níveis da administração pública do Brasil para promover
o financiamento da educação básica pública Foi criado em janeiro de 2007 e substitui o FUNDEF, sendo
que a principal diferença é atender, além do ensino fundamental, também atender a educação infantil e o
ensino médio, nas modalidades de educação de jovens e adultos.

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB): É a “nota” do ensino básico no país. Numa
escala que vai de 0 a 10, o MEC (Ministério da Educação) fixou a média seis, como objetivo para o país
a ser alcançado até 2021. Criado em 2007, o Ideb serve tanto como diagnóstico da qualidade do ensino
brasileiro, como baliza para as políticas de distribuição de recursos (financeiros, tecnológicos e
pedagógicos) do MEC. Se uma rede municipal, por exemplo, obtiver uma nota muito ruim, ela terá
prioridade de recursos.

Bolsa Família e Educação: Inclusão social - Projetos de assistência social, como o Oportunidades,
no México, e o Bolsa Família, no Brasil são reconhecidos pela UNESCO como meios para combater a
marginalização no setor da educação. No Brasil, o Bolsa Família ajudou a transferir de 1% a 2% da renda
nacional bruta para a parcela da população mais pobre do país, formada por 11 milhões de pessoas. Há
um limite no que se pode avançar no setor da educação por meio da escola apenas. O maior problema
no Brasil está relacionado à pobreza e à desigualdade de renda. De acordo com a UNESCO, avanços na
área da educação exigem intervenções específicas integradas com uma estratégia mais ampla para a
redução da pobreza e a inclusão social. Outra iniciativa brasileira citada no estudo da UNESCO é o Fome
Zero. O relatório aprova os resultados obtidos pelo programa, incluindo a garantia de alimentação para
37 milhões de crianças nas escolas do país. Já o Brasil Alfabetizado, coordenado pelo Ministério da
Educação, é apontado pela UNESCO como um programa de sucesso, que já ofereceu curso de
alfabetização para cerca de oito milhões de brasileiros.

Programa Ciência sem Fronteiras: De acordo com o diretor de Educação da Associação Brasileira
de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), Luiz Edmundo Rosa, uma das maiores mudanças e conquistas
no Brasil foi o crescente número de jovens que estão indo estudar fora do Brasil, com o “Programa Ciência
sem Fronteiras”. E o Brasil também se tornou atrativo, em nível mundial, para estudantes de outros
países. “Fato esse dos mais marcantes”, segundo este diretor. No entanto, um grande avanço parcial

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(porque ainda não aprovado) é a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE 2020) no Congresso
Nacional, com destaque para a possibilidade de destinação de 10% do PIB para a Educação.

Assim, com os avanços tecnológicos, o mundo está se modernizando cada vez mais, trazendo
mudanças significativas e de grande importância para o cotidiano. “No campo da Educação, o fato da
internet e da própria educação estarem andando lado a lado pode ser muito produtivo, pois com o uso
dos computadores a comunicação entre alunos e professores pode se tornar mais fácil e o acesso à
informação, mais ágil. No entanto, no Brasil, há que se avançar muito em termos de garantia de acesso
às novas tecnologias, tanto para professores como para alunos, sem falar da cobertura da banda larga e
a produção de conteúdo em língua portuguesa (nuvem), pois ainda grande parte do conteúdo encontrado
é em língua estrangeira (predominantemente inglês)”.
Vale ressaltar também que o Ensino à Distância (EAD) precisa ser rigorosamente avaliado e
acompanhado pelos órgãos oficiais responsáveis pelo sistema educacional brasileiro. Desse modo, as
tecnologias mais avançadas faz com que os alunos busquem cursos fora do país. Apesar do passar dos
anos, mais uma vez, o que mais faz pesar para o Brasil é a baixa qualidade do ensino superior e também
do ensino médio, que estão diretamente ligadas. Para que a qualidade do ensino superior no Brasil possa
melhorar é preciso, primeiro, melhorar a qualidade do ensino médio.

Governo de SP ainda não propôs reajuste para professores

São Paulo - Sem negociar o reajuste salarial dos professores durante os 89 dias de greve da categoria,
o governo de São Paulo ainda não apresentou nenhuma proposta para o dissídio coletivo. Durante toda
a paralisação, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sustentou que a data-base da categoria era em 1º
de julho e que só iria negociar nessa data. No entanto, 22 dias depois, nenhuma proposta foi apresentada
à categoria.
Questionada sobre a previsão do valor e da data em que a proposta do reajuste seria anunciada, a
Secretaria de Estado da Educação não quis comentar. Os cinco sindicatos que representam os
professores da rede estadual disseram estar ansiosos com a demora, já que as aulas do segundo
semestre começam no dia 3 de agosto.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que manteve a
maior greve da história da categoria neste ano para reivindicar o reajuste, promete novos protestos se a
negociação não for feita. Desde antes do fim da greve, em 12 de junho, o secretário da Educação, Herman
Voorwald, já havia afirmado aos dirigentes dos sindicatos que havia encaminhado estudo com uma
proposta de reajuste para o governador, mas que a decisão final e o anúncio seriam de Alckmin.
"Estamos em compasso de espera, no aguardo para o governo nos chamar e cumprir aquilo que foi
prometido. A nossa data-base é em 1º de março, mas o governo sempre disse que era em julho e nós
esperamos", afirmou José Maria Cancelliero, presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP). Ele,
no entanto, acredita que a proposta do governo deve ser de um reajuste bem pequeno. "Se fosse boa, já
teriam falado."
Rosângela Chede, do Sindicato dos Supervisores de Ensino do Estado de São Paulo (Apase), também
disse não ter "grandes expectativas" com a proposta do governo. "Tendo em vista a demora e que estão
noticiando tantas medidas de contingenciamento, principalmente na educação, a nossa esperança é de
que eles vão oferecer apenas a correção inflacionária."

Crise

Em maio, durante audiência de conciliação judiciária com os grevistas, Voorwald disse que descartava
qualquer acordo sobre o reajuste antes de 1.º de julho e que era "impossível" apresentar valores antes
dessa data. O secretário afirmou que, se a arrecadação de impostos no Estado continuasse a cair, nem
ao menos o reajuste inflacionário seria possível. Na ocasião, Voorwald disse ainda que o governo tentava
algumas ações para frear a queda de arrecadação.
Em maio, o governo estadual contingenciou R$ 6,6 bilhões, ou 3,2% do orçamento total, "com vistas a
garantir o equilíbrio das contas públicas".

Foi ainda no mês de maio que o governo estadual começou a descontar os dias parados dos
professores grevistas. Para a direção da Apeoesp, o corte foi o principal motivo para que os docentes
encerrassem a greve sem conseguir ao menos uma proposta de reajuste.

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No entanto, no início de julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo pagasse
os dias descontados. O valor ainda não foi pago e Alckmin e Voorwald foram intimados a explicar o motivo.
Segundo a secretaria, o valor deve ser pago amanhã. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
23/07/2015
http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2015/07/23/governo-de-sp-ainda-nao-propos-reajuste-para-professores.htm

Grupo que estuda aumento das mensalidades do Fies é prorrogado

O Ministério da Educação anunciou, nesta quarta-feira (22/07), a prorrogação, por mais dois meses,
do grupo de trabalho que estuda os reajustes de mensalidades de instituições que fazem parte do Fundo
de Financiamento Estudantil (Fies). O grupo foi criado em março, e tinha duração prevista para 60 dias.
A portaria que prorroga o trabalho por mais 60 dias foi publicada na edição desta quarta do "Diário Oficial
da União".
O grupo de trabalho tem a composição de dois representantes da Secretaria de Educação Superior
(Sesu), dois do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), um representante da
Consultoria Jurídica do MEC (Conjur) e três da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do
Ministério da Justiça.
Uma das principais mudanças do Fies neste ano foi a imposição do limite de 6,4% no reajuste da
mensalidade. Algumas instituições e associações chegaram a entrar na Justiça para contestar esse valor.
O MEC afirma que negocia os reajustes acima deste limite caso a caso.

Novas regras oficializadas

De acordo com uma portaria publicada no início de julho, os cursos com notas 5 e 4 terão mais vagas
ofertadas. A portaria indica também que haverá prioridade para as regiões Norte, Nordeste e Centro-
Oeste (excluindo Distrito Federal) e em carreiras como engenharia, áreas da saúde e formação de
professores. Mas o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) não divulgou quantas
instituições já fizeram a adesão nem a data de abertura de inscrições.
A segunda edição do programa já havia sido anunciada em 8 de junho pelo ministro. Agora, o programa
de financiamento terá juros de 6,5% e novo teto de renda familiar para participar do programa.
Segundo a publicação, os estudantes serão classificados na ordem decrescente de acordo com as
notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na opção de vaga para a qual se inscreverem.
Veja abaixo as principais mudanças no Fies:

Taxa de juros

Como será: 6,5% ao ano.


Anterior: Antes, até outubro de 2006, eram de 9%. Depois, até agosto de 2009, passou a ficar entre
3,5% e 6,5%. Desde março de 2010, os juros são de 3,4% ao ano.
Justificativa: Ministérios dizem que buscam "fortalecer a sustentabilidade do programa, para que, no
médio prazo, novos alunos sejam financiados pelos formados". Outra razão é corrigir distorção com o
mercado de crédito.

Teto da renda familiar


Como será: Limite é a renda per capita de 2,5 salários mínimos.
Anterior: Renda familiar bruta de 20 salários mínimos.
Justificativa: "O Fies é para os estudantes que são mais pobres e precisam de financiamento. Não é
mais (a família com renda de) até R$ 15 mil que tem direito ao Fies, são valores mais baixos, mas que
ainda atingem muitas pessoas", afirmou o ministro da Educação. O governo diz que 90% das famílias
brasileiras estão no novo limite de renda.

Prioridades para cursos de três áreas


Como será: As áreas de engenharias, formação de professores (licenciaturas, pedagogia ou normal
superior) e saúde serão prioritárias.
Anterior: Não havia definição de critério.
Justificativa: Cursos são considerados estratégicos para o desenvolvimento do país ou para
atendimento de demandas sociais. Alunos de outros cursos continuarão a ser atendidos.

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Cursos com notas altas terão prioridade
Como será: Foco serão os cursos com notas 5 e 4 no Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (Sinaes).
Anterior: Ministério da Educação (MEC) exigia avaliação positiva no Sinaes. No primeiro semestre,
passou a adotar o critério e cursos com nota 4 ou 5 somaram 52% dos financiamentos.
Justificativa: Ministério diz que cursos com nota três no Sinaes ainda serão financiados, mas em
patamares menores do que os das áreas consideradas prioritárias.

Prioridade para três regiões do brasil


Como será: Será priorizado o atendimento de alunos matriculados em cursos nas regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste (excluindo Distrito Federal).
Anterior: Não havia recorte de prioridade para regiões ou estados. E 60% dos contratos eram com
estudantes de estados do Sul, do Sudeste ou Distrito Federal.
Justificativa: Ministério diz que decisão se soma a "outras várias políticas sociais federais que buscam
corrigir as desigualdades regionais". Alunos de outros estados continuarão a ser atendidos, mas em
patamares menores do que os das áreas consideradas prioritárias.

Validade das mudanças


Como será: Mudanças só valerão para os próximos contratos.
Justificativa: "Você não pode mudar um contrato por vontade unilateral. O governo firmou um contrato
com milhões de estudantes com determinadas regras, e essas regras serão mantidas e respeitadas",
disse o ministro Renato Janine Ribeiro.

Notas mínimas no Enem


Como será: Alunos precisam de 450 pontos na média do Enem e nota diferente de zero na redação.
Anterior: A mudança passou a valer para contratos firmados neste ano. Antes, só era preciso ter
prestado o exame.
Justificativa: A iniciativa busca aumentar o nível dos profissionais formados com apoio do
financiamento público, de acordo com o governo.

Universidades darão desconto em mensalidades


Como será: Instituições participantes vão oferecer um desconto de 5% sobre a mensalidade para os
estudantes com contrato do Fies.
Anterior: Estudante pagava a mensalidade mais barata cobrada na instituição pelo curso.
Justificativa: "O governo é um grande comprador de cursos pelo Fies. Ao ser um grande comprador
ele deve se beneficiar de descontos que são dados de modo geral quando você compra em grandes
quantidades. Calculando 5%, quer dizer que três mil vagas das 61,5 mil são geradas por essa nova
economia", afirmou o ministro.

Prazo para pagamento


Como será: Três vezes a duração do curso.
Anterior: Até 2010, era de duas vezes a duração.

Critérios de desempate
Como será: I - maior nota na redação; II - maior nota na prova de Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias; III - maior nota na prova de Matemática e suas Tecnologias; IV - maior nota na prova de
Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e V - maior nota na prova de Ciências Humanas e suas
Tecnologias.
Anterior: A mudança passou a valer para contratos firmados neste ano. Antes, só era preciso ter
prestado o exame. Não havia critério de desempate.

Crescimento do Fies

A reformulação do Fies em 2015 ocorreu depois de o programa crescer de forma exponencial nos
últimos anos. Ao mesmo tempo, o MEC precisou fazer ajustes no orçamento diante de cortes do ajuste
fiscal.
Segundo o FNDE, o Fies gastou R$ 13,7 bilhões em 2014.

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Entre fevereiro e agosto do ano passado, o governo federal publicou três medidas provisórias para
abrir crédito extraordinário para o Fies, que passou a atender também alunos de mestrado, doutorado e
cursos técnicos.
Para conter gastos, o MEC decidiu limitar o prazo para pedido de novos contratos (antes, era possível
entrar com a solicitação em qualquer momento do semestre letivo), vincular a aceitação do pedido de
financiamento a cursos com notas mais altas nos indicadores de qualidade, privilegiar instituições de
ensino fora dos grandes centros e exigir que os estudantes interessados em contratos de financiamento
do governo tivessem média de pelo menos 450 pontos no Enem.
As novas restrições no programa, porém, se depararam com a crescente demanda dos estudantes, e
o resultado foi um período de instabilidade no sistema, devido à grande procura por novos contratos, e o
esgotamento da verba do Fies de todo o ano de 2015 para novos contratos.
O orçamento do Fies para novos contratos durante todo o ano de 2015 era de R$ 2,5 bilhões e,
segundo o ministro, essa verba foi gasta inteiramente para atender aos 252.442 novos contratos fechados
no prazo do primeiro semestre. Segundo o MEC, 178 mil pessoas tentaram celebrar novos contratos e
não conseguiram.
Por isso, a segunda edição do programa para novos contratos ficou indefinida até que o governo
federal finalizasse o reajuste orçamentário.
22/07/2015
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/07/grupo-que-estuda-aumento-das-mensalidades-do-fies-e-prorrogado.html

Servidores de universidades federais do Rio estão em greve há um mês

Professores e funcionários de universidades federais do Rio estão em greve há mais de um mês, como
mostrou o RJTV nesta quinta-feira (2). Setores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de
outras universidades não estão funcionando. Os servidores pedem reajuste salarial e melhores condições
de trabalho.
Thais Rachel Zacharia, estudante de Engenharia de Petróleo da UFRJ, reclamou da falta de
assistência estudantil. “Precisamos de alojamentos, precisamos de muitas coisas. Uma das nossas
pautas é a reforma dos alojamentos”, afirmou.
A paralisação também chegou a outras universidades federais do Estado. Estudantes, servidores e
professores entraram em greve na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Região
Metropolitana, no final de maio. Na UniRio, a faculdade de Filosofia também está com as aulas
paralisadas. Alunos esperam que o fim da greve venha com soluções para os problemas.
"A gente espera que a greve acabe logo, junto com todos os problemas que os estudantes consigam
se formar com qualidade", pediu o estudante Brenner Pereira.
O Ministério da Educação afirmou que se reuniu com grevistas e que vai acompanhar as negociações.
O Ministério ressaltou ainda que houve um reajuste em 2015, baseado no acordo firmado em 2012 com
as categorias. A UFRJ não foi encontrada para comentar as demandas da estudante.
02/07/2015
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/07/servidores-de-universidades-federais-do-rio-estao-em-greve-ha-um-mes.html

Educação teme perder recursos com projeto de lei que muda partilha do pré-sal

O projeto de lei que diminui a participação da Petrobras na exploração do Pré-Sal está sendo
duramente criticado por entidades que atuam no setor. O argumento é que os recursos do Pré-Sal,
destinado para a educação, a longo prazo vão diminuir. Segundo a consultoria legislativa do Senado, no
entanto, o projeto em discussão na Casa não altera a destinação de recursos. O Projeto de Lei 131/2015,
do senador José Serra (PSDB-SP), é discutido nesta terça (30) no Senado. O projeto cria condições para
reduzir a participação da Petrobras nos consórcios de exploração de petróleo da camada do Pré-Sal,
atualmente estipulada em pelo menos 30% dos blocos licitados.
Sem citar o projeto especificamente, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, disse em vídeo
publicado no Facebook que o Ministério da Educação (MEC) está preocupado com possível alteração do
regime de partilha.
No entendimento do governo, a aprovação do projeto vai impactar a Lei 12.858/2013, conhecida como
a Lei dos Royalties, que destina 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a
educação. Os recursos, segundo o governo, são chave para o cumprimento do Plano Nacional de
Educação (PNE), que entre outras metas estabelece o investimento anual de pelo menos 10% do Produto
Interno Bruto (PIB) em educação, até 2024. O plano estabelece ainda metas que vão desde a educação
infantil até a pós-graduação, passando pela valorização dos professores.

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"Com todo o respeito pelos proponentes do projeto, o problema é que ele faz com que 75% dos
royalties que iam para educação deixem de ir para este tão nobre fim", disse, em vídeo no Facebook, o
ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro.
"Nós conseguimos, nos últimos anos, universalizar o ensino fundamental. Falta universalizar a pré-
escola, [para crianças com] 4 e 5 anos, universalizar a creche e garantir um ensino médio que funcione
bem e que não tenha evasão. Para essas finalidades é importante termos os recursos, e é importante
que venham do petróleo, porque assim não vão forçar aumento de tributação", acrescentou.
O consultor legislativo do Senado Federal, da área de minas e energia, Luiz Bustamante, esclarece,
no entanto, que o projeto não altera o regime de partilha e, portanto, não muda os recursos destinado à
educação. Segundo ele, é provável que os recursos até aumentem, uma vez que haverá mais disputa,
com mais empresas concorrendo. A tendência, acrescentou, é o excedente em óleo destinado ao Fundo
Social aumentar, o que vai resultar em mais dinheiro para a educação.
Bustamante reforça que o projeto altera apenas a participação da Petrobras. "O regime de partilha é
mantido. Tanto faz. Quem for explorar, vai ter que pagar. Não mexe no regime de partilha", salientou.
O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede que integra mais de 200
organizações, Daniel Cara, diz que embora não tenha impacto imediato, caso aprovado, o projeto pode
abrir margem para alterar o regime de partilha, e com isso reduzir os recursos para o setor. Na sua opinião,
o próximo passo do capital privado, se conseguir vencer essa etapa, será tentar desconstruir o regime de
partilha que, "diga-se de passagem, é um dos mais favoráveis do mundo para as empresas", disse ele.
Caso o regime de partilha seja substituído pelo de concessão, segundo nota divulgada pela
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Estado deixa de arrecadar 15% do
total de óleo ou gás produzido no regime de partilha para obter entre 5% e 10% de receita no regime de
concessão sobre o lucro das empresas. "O projeto visa a retirar a riqueza do povo brasileiro, transferindo-
a às empresas privadas. Se isso ocorrer, o Plano Nacional de Educação não se viabiliza, pois o Pré-Sal
é uma das suas principais fontes de financiamento", diz a nota.
Dirigentes municipais de educação também manifestaram preocupação. Em carta assinada por
dirigentes de mais de mil municípios que participaram do 15º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais
de Educação, eles repudiaram a iniciativa. Eles ressaltam que a proposta é um retrocesso na história do
Brasil e, se aprovada, irá inviabilizar o Fundo Social do Pré-Sal e, consequentemente, o cumprimento das
metas do PNE e dos planos municipais de Educação. Esperam, portanto, dos parlamentares, "respeito à
população e à legislação brasileira, em específico à Lei do Plano Nacional de Educação".
Mariana Tokarnia
30/06/15
Fonte: http://www.ebc.com.br/educacao/2015/06/educacao-teme-perder-recursos-com-projeto-de-lei-que-muda-partilha-do-pre-sal

Trinta e quatro milhões de crianças não vão à escola em países com conflitos

Trinta e quatro milhões de crianças e adolescentes não frequentam a escola em países afetados por
conflitos, mostra hoje (29/06/2015) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO), adiantando que são necessários 2,3 milhões de dólares (2 milhões de euros) para
educação. Os dados integram um novo texto, divulgado hoje do relatório de acompanhamento da
iniciativa Educação para Todos (EPT) da UNESCO.
O novo texto indica que “as crianças em países afetados por conflitos têm mais probabilidades de
estarem fora da escola que as dos países não afetados,” enquanto para os adolescentes a probabilidade
é dois terços maior.
A organização das Nações Unidas refere que uma das “principais razões” para o problema “é a falta
de financiamento”. “Em 2014, a educação recebeu apenas 2% de ajuda humanitária.”
Os 2,3 milhões de dólares que a UNESCO considera necessários para fazer regressar à escola as 34
milhões de crianças e adolescentes nos países em conflito correspondem a dez vezes o valor da ajuda
disponibilizada para a educação atualmente.
Em 2013, foram identificados nos países em conflitos necessidades de apoio na área de educação as
21 milhões de pessoas. No entanto, apenas 8 milhões foram incluídas nos apelos e destes só 3 milhões
receberam ajuda.
“Voltar à escola pode ser a única centelha de esperança e de normalidade para muitas crianças e
jovens em países mergulhados em crises”, acrescenta a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, citada
no comunicado. Cerca de 58 milhões de menores estão fora da escola em todo o mundo e 100 milhões
não conseguem completar o ensino primário.
29/06/15
http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/06/trinta-e-quatro-milhoes-de-criancas-nao-vao-escola-em-paises-com

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Educação é o ministério que mais perde com cortes do governo

Nem a educação, que foi eleita a prioridade do governo nesse segundo mandato, escapou do corte
de gastos do governo. O corte nas verbas de todos os ministérios é de R$ 22,7 bilhões no ano, que dá
por mês, R$ 1,9 bilhões.
A Educação foi o ministério que mais perdeu, mas também é um dos ministérios com um dos maiores
orçamentos. A perda para a educação foi de R$ 7 bilhões, seguida do ministério da Defesa, com R$ 1,9
bilhões, ministério das Cidades com R$ 1,7 bilhões, Desenvolvimento Social R$ 1,7 bilhões e Ciência e
Tecnologia, com R$ 1,5 bilhões. São muitos cortes, mas o governo diz que não mexe com investimentos,
nem com despesas importantes como o Bolsa Família e como alimentação escolar também.
09/01/2015
Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/01/educacao-e-o-ministerio-que-mais-perde-com-cortes-do-governo.html

Ideb ainda revela deficiências do ensino no país

O Brasil superou as metas na educação propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para serem
alcançadas em 2013 no ciclo inicial do ensino fundamental (de 1º ao 5º ano), mas ficou abaixo da meta
projetada no ciclo final do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio, de acordo com o Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta sexta-feira (05/09/2014) pelo Ministério
da Educação.
Nos anos iniciais, o Ideb registrado em 2013 foi de 5,2 pontos, acima do índice de 2011 (5,0) e acima
também da meta projetada pelo MEC (4,9). Já nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb foi de 4,2
pontos, um índice levemente superior do alcançado na edição anterior (4,1), mas abaixo da meta de 4,4
esperada pelo governo federal.
No ensino médio, o Ideb registrado no país foi de 3,7 pontos, o mesmo registrado em 2011. O índice
ficou abaixo da meta de 3,9 pontos projetadas pelo MEC para o ano de 2013. Os índices reúnem as redes
públicas (estadual e municipal) e privada.
O Ideb é um indicador geral da educação nas redes privada e pública. Foi criado em 2007 pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e leva em conta dois fatores que
interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono)
e médias de desempenho na Prova Brasil, em uma escala de 0 a 10. Assim, para que o Ideb de uma
escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula.
Para chegar ao índice, o MEC calcula a relação entre rendimento escolar (taxas de aprovação,
reprovação e abandono) e desempenho na Prova Brasil aplicada para crianças do 5º e 9º ano do
fundamental e do 3º ano do ensino médio. O índice é divulgado a cada dois anos e tem metas projetadas
até 2021, quando a expectativa para os anos iniciais da rede estadual é de uma nota 6,0.

Ensino fundamental: O Ideb mostra que 60% das redes públicas do Brasil estão abaixo da meta nos
anos finais do fundamental. Considerando só as redes estaduais, só 41,8% dos estados atingiram a meta
do Ideb 2013 nos anos finais do fundamental. Considerando só as redes municipais, só 35,8% delas
atingiram a meta
No caso específico das redes estaduais, 75,7% dos municípios atingiram a meta. No caso das redes
municipais, essa porcentagem foi de 69,7%.
No ensino fundamental, as redes estaduais com os melhores desempenhos nos anos iniciais (1º ao 5º
ano) foram Minas Gerais e Paraná (6,2 pontos), Goiás (6,0), São Paulo e Santa Catarina (5,7). Apenas
Roraima (3,6) e Acre (3,8) ficaram abaixo da média.
Nos anos finais (6º ao 9º) ano, os melhores índices foram de Minas Gerais (4,7), Goiás (4,5), Acre e
São Paulo (4,4) e Mato Grosso (4,2). Noves redes estaduais ficaram abaixo da meta projetada: Roraima,
Pará, Amapá, Tocantins, Piauí, Sergipe, Santa Catarina, Mato Grosso e Distrito Federal.

Ensino médio: Considerando o Ideb total, que reúne as redes pública e privada, 23 estados ficaram
abaixo da meta projetada para eles no índice. O únicos que ficaram acima da média foram Amazonas,
Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás.
Se for contar apenas a rede estadual de ensino, que detém 80% das matrículas do país, apenas cinco
estados estão acima da meta projetada para 2013 para o ensino médio: Amazonas, Piauí, Pernambuco,
Goiás e Rio de Janeiro. Um estado igualou a meta: Mato Grosso do Sul. Os outros 20 estados mais o
Distrito Federal ficaram abaixo da meta esperada.

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Goiás obteve o melhor Ideb do ensino médio na rede estadual: 3,8 pontos. Em seguida estão São
Paulo e Rio Grande do Sul (3,7); Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco (3,6). O
pior índice foi de Alagoas, com 2,6 pontos.
Além disso, nove estados melhoraram o Ideb em relação a 2011 no ensino médio da rede estadual:
Goiás (subiu de 3,6 para 3,8), Rio Grande do Sul (de 3,4 para 3,7), de Rio de Janeiro (de 3,2 para 3,6),
Pernambuco (3,1 para 3,6), Rondônia (de 3,3 para 3,4), Espírito Santo (de 3,3 para 3,4), Distrito Federal
(de 3,1 para 3,3), Piauí (de 2,9 para 3,0), Paraíba (de 2,9 para 3,0).
Acre e Alagoas repetiram o Ideb do ensino médio de 2011 (3,3 para ambos). E outras 16 redes
estaduais pioraram a nota em relação ao índice anterior: São Paulo (caiu de 3,9 para 3,7); Santa Catarina
(caiu de 4,0 para 3,6); Minas Gerais (caiu de 3,7 para 3,6); Paraná (3,7 para 3,6); Mato Grosso do Sul
(caiu de 3,5 para 3,4); Ceará (caiu 3,4 para 3,3); Roraima (caiu de 3,5 para 3,2); Tocantins (caiu de 3,5
para 3,2); Amazonas (caiu de 3,4 para 3,0); Amapá (caiu de 3,0 para 2,9); Maranhão (caiu de 3,0 para
2,8); Bahia (caiu de 3,0 para 2,8); Sergipe (caiu de 2,9 para 2,8); Mato Grosso (caiu de 3,1 para 2,7); Pará
(caiu 2,8 para 2,7) e Rio Grande do Norte (caiu de 2,8 para 2,7).
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Francisco Soares,
explicou o fato de o Ideb Brasil 2013 para o ensino médio ter se mantido estável em 3,7: “Por que ficou
estável? Porque melhoramos um componente, melhoramos o componente de rendimento”, disse ele.
De acordo com os dados do governo, o indicador de rendimento (o cálculo da taxa de aprovação, de
reprovação e de abandono) subiu de 0,80 para 0,82. Já a nota média padronizada mostra que o
desempenho dos alunos na Prova Brasil, com uma queda de 4,57 para 4,44. A meta do Ideb Brasil para
o ensino médio, porém, é 3,9.

Ensino particular também cai: Pela primeira vez desde que o Ministério da Educação passou a
realizar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2005, a rede privada de ensino
apresentou uma queda de desempenho.
O Ideb da rede privada para o ensino médio registrava 5,6 pontos em 2005, índice repetido em 2007
e 2009. Subiu para 5,7 pontos em 2011. E agora caiu para a pior marca da história: 5,4 pontos em 2013.
Nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), o Ideb também caiu pela primeira vez. Vinha
crescendo lentamente: 5,8 (2005 e 2007), 5,9 (2009) e 6,0 (2011). Agora, o índice voltou para 5,9 pontos.
O crescimento continua nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º) ano: 5,9 (2005), 6,0 (2007,
6,4 (2009), 6,5 (2011) e 6,7 (2013).
05/09/2014
g1.globo.com/educação

Novo Plano Nacional de Educação

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, o Plano Nacional de Educação (PNE). O plano
tramitou por quase quatro anos no Congresso até a aprovação e estabelece 20 metas para serem
cumpridas ao longo dos próximos dez anos. As metas vão desde a educação infantil até o ensino superior,
passam pela gestão e pelo financiamento do setor e pela formação dos profissionais. O texto sancionado
pela presidenta será publicado em edição extra do Diário Oficial da União de hoje (26/06/2014).
O PNE estabelece meta mínima de investimento em educação de 7% do Produto Interno Bruto (PIB)
no quinto ano de vigência e de 10% no décimo ano. Atualmente, são investidos 6,4% do PIB, segundo o
Ministério da Educação. O ministro da pasta, Henrique Paim, disse que está contando com os recursos
dos royalties do petróleo e do Fundo Social do pré-sal para cumprir as metas estabelecidas, mas
reconheceu que o governo terá que fazer um grande esforço. “Como temos dez anos, precisamos fazer
uma grande discussão, verificar exatamente as fontes que nós temos e ver no que é preciso avançar. É
óbvio que a União terá que fazer um grande esforço, mas sabemos também que os estados e municípios
terão que fazer também um grande esforço, um esforço conjunto tanto no cumprimento das metas como
no financiamento", disse hoje (26) em entrevista coletiva sobre a sanção do PNE.
Um ponto que desagradou o governo durante as discussões no Congresso e que foi mantido no texto
foi a obrigatoriedade de a União complementar recursos de estados e municípios, se estes não investirem
o suficiente para cumprir padrões de qualidade determinados no Custo Aluno Qualidade (CAQ). Sobre o
CAQ, o ministro ponderou que primeiro será preciso fazer um grande debate com a participação de
governo, estados, municípios e entidades da área de educação para definir como calcular o índice.
Entidades que atuam no setor educacional reivindicavam o veto de dois trechos do PNE. Em carta à
presidenta Dilma Rousseff, pediram que fosse excluída a bonificação às escolas que melhorarem o Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a destinação de parte dos 10% do Produto Interno
Bruto (PIB) para programas desenvolvidos em parceria com instituições privadas.

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Com a possibilidade de destinação dos recursos também para parcerias com instituições privadas,
entram na conta programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade
para Todos (ProUni). O texto originalmente aprovado pela Câmara previa que a parcela do PIB fosse
destinada apenas para a educação pública.
O ministro defendeu esse ponto e disse que, se não houver parceria com instituições privadas, será
difícil avançar. Paim acrescentou que é também uma forma de garantir gratuidade a todos. “São recursos
públicos investidos e devemos ter garantia de acesso a todos. Se forneço ProUni, Fies e Ciência sem
Fronteiras - ações que tem subsídio ou gratuidade envolvidos - então, estamos gerando oportunidades
educacionais”, disse.
Além do financiamento, o plano assegura a formação, remuneração e carreira dos professores,
consideradas questões centrais para o cumprimento das demais metas. Pelo texto, até o sexto ano de
vigência, os salários dos professores da educação básica deverá ser equiparado ao rendimento médio
dos demais profissionais com escolaridade equivalente. Além disso, em dez anos, 50% desses
professores deverão ter pós-graduação. Todos deverão ter acesso à formação continuada.
O texto ainda institui avaliações a cada dois anos para acompanhamento da implementação das metas
dos PNE. O ministro Paim, disse que o MEC vai anunciar, em breve, um sistema para acompanhamento
do plano e também de medidas para dar suporte aos estados e municípios na construção dos planos de
educação.

Defesa e críticas: A presidenta Dilma Rousseff disse que o novo Plano Nacional de Educação (PNE),
sancionado nesta quarta-feira, vai ampliar as oportunidades proporcionadas pela educação, ajudar a
valorização dos professores e o aumento dos investimentos no setor. Segundo ela, “o Brasil tem hoje um
PNE à altura dos desafios educacionais do país”.
A lei que institui o plano foi publicada em edição extra de hoje (25) do Diário Oficial da União. O PNE
estabelece, para um período de dez anos, metas que vão desde a educação infantil até o ensino superior,
passando pela gestão e financiamento e pela formação dos profissionais. Por meio de sua conta no
Twitter, a presidenta disse que a destinação de 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do
Pré-Sal à educação vai fazer com que as metas se tornem realidade.
No início da tarde, o ministro da Educação, Henrique Paim, disse que está contando com o dinheiro
para cumprir as metas estabelecidas, mas reconheceu que o governo terá que fazer um grande esforço.
“Sancionei, sem vetos, o novo Plano Nacional de Educação [...]. Ao longo dos últimos 11 anos, criamos
um caminho de oportunidades por meio da educação. O PNE permite ampliar as oportunidades, partindo
da educação infantil, passando pela educação em tempo integral, o crescimento das matrículas da
educação profissional e tecnológica, a ampliação do acesso à educação superior. Para isso serão muito
importantes a valorização dos professores e o aumento dos investimentos em educação”, escreveu Dilma
na rede social.
A presidenta sancionou o plano no limite do prazo que tinha, após o Senado aprovar o texto definitivo
no último dia 3 de junho. A sanção do PNE, no entanto, foi feita a portas fechadas, decisão criticada por
entidades ligadas ao setor educacional. Nesta quarta-feira, Dilma participou de dois eventos no Palácio
do Planalto e em nenhum deles falou sobre o plano, ainda que tenha sido perguntada por jornalistas. A
secretaria-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marta Vanelli, disse
que a entidade "está indignada".
Pelo Facebook, o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede que articula
mais de 200 entidades, disse que "após tanto trabalho, é decepcionante o cancelamento da cerimônia de
sanção do PNE. Especialmente, pela importância da Lei!”.
As entidades também pediam o veto de dois trechos do plano. Para garantir o cumprimento, os estados
e municípios terão o prazo de um ano para elaborar os próprios planos, com base no PNE. Segundo o
portal De Olho nos Planos, organizado por entidades que atuam na educação, 34% dos municípios ainda
não têm planos e muitos dos que têm, não o utilizam para planejar suas políticas, mantendo-os
desconhecidos da população. O Distrito Federal e 16 estados também não elaboraram os seus planos
decenais de educação.
26/06/2014
Agência Brasil

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Ciência e Tecnologia

O emprego da tecnologia vem revolucionando a vida do homem, tornando mais fáceis tarefas que
antes eram muito complicadas ou exigiam grande esforço para serem cumpridas. Depois de revolucionar
a indústria e a vida cotidiana, a ciência busca agora aprimorar o corpo humano, ajudando pessoas com
paralisia a recuperar os movimentos.
Cientistas de várias partes do mundo estão trabalhando para que o pontapé inicial do jogo de abertura
da Copa do Mundo da FIFA 2014 seja dado por um jovem brasileiro com paralisia. A ideia pode soar
impossível, mas, segundo o neurocientista Miguel Nicolélis, que está à frente do projeto batizado "Andar
de Novo", o resultado da pesquisa, única no mundo, dará movimento a pessoas que sofreram lesões ou
doenças neuromotoras.
Em entrevista concedida no Centro Aberto de Mídia (CAM) o neurocientista brasileiro explicou que isso
será possível com a utilização de um exoesqueleto (uma espécie de roupa mecânica), controlado por
estímulos cerebrais para integrar cérebro-máquina no uso clínico em reabilitação motora, por meio de
neuropróteses. O trabalho atualmente envolve 170 pesquisadores de diversos países.
"Nossa ambição é que cadeiras de roda se tornem objetos de museu. Não podemos desprezar que
também existem imponderáveis na ciência, mas nossa pesquisa está adiantada e temos confiança de
que em breve poderemos devolver os movimentos para pessoas com problemas neuromotores", disse
Nicolélis.
Para o cientista, a Copa será uma oportunidade de mostrar ao mundo outro importante aspecto do
País. "A imagem da ciência brasileira ganhou proeminência internacionalmente nos últimos anos.
Alcançar essa meta, na partida inaugural da Copa, mostra que nos preocupamos com a ciência como
instrumento de inclusão", afirmou.
As pesquisas desenvolvidas no âmbito do projeto vêm sendo desenvolvidas com a participação de
diversas áreas como a neurociência, robótica, engenharia eletrônica, reabilitação motora e ciência da
computação. No Brasil, o projeto "Andar de Novo" recebe o apoio da Agência Brasileira de Inovação
(Finep), ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de financiamentos do Instituto
Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte, idealizado por Nicolélis.

Novas tecnologias de informação e comunicação e a cidadania

Assim como os atores políticos e econômicos se globalizam, também se globalizam os coletivos sociais,
incorporando o que as novas tecnologias de informação e comunicação melhor lhes oferecem, de forma a
compensar a desigual distribuição de recursos e poder.

Devido ao aumento da ação coletiva em áreas de difícil definição jurídica e política, ativismo político, crime
e engajamento em causas sociais se confundem cada vez mais na ação dos movimentos por uma globalização
alternativa, dos grupos radicais e das diversas organizações que atuam em redes supranacionais. Agrupando
dezenas ou até centenas de organizações de diferentes portes e universos culturais, linguísticos e identitários
diversos, com base na infraestrutura da rede mundial, elas conseguem agregar eficiente e eficazmente o
descontentamento para gerar amplas e complexas sinergias.
A rede converteu-se em um espaço público fundamental para o fortalecimento das demandas dos atores
da sociedade civil, que conseguem contornar a desigualdade de recursos para ampliar alcance de suas ações
e desenvolver estratégias de luta mais eficazes. Ela é um espaço público que possibilita novos caminhos para
interação política, social e econômica, principalmente pelo fato de que nela qualquer cidadão pode assumir, ao
mesmo tempo, uma variedade enorme de papéis - como cidadão, militante, editor, distribuidor, consumidor,
etc. -, superando as barreiras geográficas e, até certo ponto, as limitações econômicas (Machado, 2003).
Alguns exemplos de atuação em rede por parte das organizações sociais são os da Third World Network,
Global Watch, No Border, Palestinian NGOs Network, Global Citzen Initiative, ICG, Fórum Social Mundial e da
Confédération Paysanne.
Poderiam ser citadas ainda outras redes de organizações de bastante relevo, como a Setem, a
Confédération Paysanne, Atacc, Fórum Social Mundial (também atua em rede), entre outras. Mas suas
características e formas de articulação não se diferenciam muito das já citadas.
Há ainda organizações que, embora não atuem em rede de organizações, reúnem redes com centenas de
milhares de pessoas, com um grande poder de mobilização e lobby. É o caso da Public Citizen, nos Estados
Unidos, organização de defesa do cidadão e consumidor, que milita por causas tão diversas como justiça

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econômica e social nos negócios comerciais, accountability político, uso de energias limpas e sustentáveis,
proteção ambiental e saúde.
Mesmo organizações mais antigas, "pré-Internet", como Greenpeace, WWF, American Watch ou Anistia
Internacional, utilizam a Rede para divulgar suas ações, documentos, dossiês, comunicados, promover suas
campanhas, comunicar-se com as representações locais, angariar fundos e aceitar filiações. No caso dessas
ONGs mais antigas, falta ainda averiguar qual o tipo de transformação que a Internet ocasionou, de forma
concreta, em sua cultura organizacional.
Poderiam ser relacionadas outras redes ou sub-redes menores, intra e transorganizacionais. Porém, essas
redes são tão complexas e amplas que necessitariam descrições que vão além do propósito deste artigo, já
que envolvem, inclusive, conexões e contatos individuais de seus membros.
Para Keck e Sikkink, tais articulações são resultados de uma busca mais eficiente para a formação de "um
bloco de canais" por meio de alianças entre grupos locais conectados a uma rede internacional e seus
governos. O compartilhamento da informação teria um papel-chave para a construção de estruturas
compartilhadas de significado como parte de sua atividade política (1998: 17). Para eles, a fonte de sua ação
coletiva se baseia na crença das liberdades das teorias liberais e na consciência individual onde "o indivíduo
pode fazer a diferença" (1997: 2).
Tais redes exercem uma crescente influência simbólica na responsabilidade política (accountability). É isso
que apontam Smith, Chatfield e Pagnucco. Para esses autores, isso se daria "por meio do fortalecimento da
informação e contrainformação política, do alinhamento de estratégias de atuação, do compartilhamento de
metas e outros tipos de apoio recíproco". Dessa forma, tais organizações "conseguem ligar o local, o nacional
com o global, assim como as arenas políticas inter e transgovernamentais, criando assim uma nova estrutura
de política global que desagrega o Estado e a política local na intersecção dos níveis nacional e internacional"
(1997). A necessidade do compartilhamento de um conjunto de valores, em algum nível, é outra característica
de tais redes, que podem unir, como destaca Escobar (2000), ONGs, fundações, igrejas, grupos de
consumidores, movimentos sociais locais e alguns atores-Estado em torno de uma mesma causa.
Vê-se que as novas tecnologias de informação e comunicação permitem, a partir de apenas alguns pontos,
integrar ou conectar redes imensas e diversas. Tais conexões ainda não foram suficientemente estudadas. No
entanto, vale destacar alguns estudos pioneiros nesse sentido, realizados por Diani (2003a), em que mostra
caminhos prospectórios, pela aplicação de análise de redes, e de Oliver e Myers (2003), sobre as redes de
ação coletiva na difusão de protestos.
Características dos movimentos sociais perante as novas tecnologias de informação e comunicação
Depois de apresentar uma breve descrição das mudanças nas formas de atuação dos movimentos sociais,
cabe agora sumarizar as características dos movimentos sociais que atuam por meio das redes telemáticas.
1) Proliferação e ramificação dos coletivos sociais. A rapidez e o alcance das novas tecnologias de
informação permitem uma proliferação de organizações civis e coletivos sociais, assim como uma integração
eficiente e estratégica entre eles; baseado principalmente no idealismo e voluntarismo de seus membros,
incentivados pela relação custo-benefício bastante favorável, surgem novas formas de alianças e sinergias de
alcance global. Com isso, aumentaram enormemente as formas de mobilização, participação, interação e
acesso à informação, a provisão de recursos, as afiliações individuais e as ramificações entre os movimentos
sociais.
2) Horizontalidade, flexibilidade das redes. As organizações tendem a ser cada vez mais horizontais, menos
hierarquizadas, mais flexíveis, com múltiplos nós e conectadas a numerosas microrredes (Melucci - 1996-
chama-as de "redes submersas") ou células que podem ser rapidamente ativadas. Como destaca com
propriedade Castells, os novos movimentos sociais se caracterizam cada vez mais por "formas de organização
e intervenção descentralizada e integrada em rede".
3) Tendência coalizacional. Atua crescentemente em forma de redes coalizacionais (Diani, 2003 b, Escobar,
2000), de alcance mundial, em torno de interesses comuns, e com base na infraestrutura de comunicação
propiciada pela Internet.
4) Existência dinâmica ou segundo os fatos. Possuem grande dinamismo, podem se formar, alcançar certos
objetivos, causar impacto e repercussão, expandir-se por razão de um fato político; da mesma forma, podem
rapidamente se desmanchar ou desaparecer, conforme a situação.

5) Minimalismo organizacional-material. A sede física se tornou irrelevante; fax, telefone ou endereço postal
passam a ser itens secundários. A possibilidade de operação a um custo muito baixo incentiva a emergência
e a associação de novos movimentos sociais.
6) Universalismo e particularismo das causas. Os ideais podem ser universalistas e particularistas. Podem
atender a uma ou a um conjunto de aspirações de coletivos sociais bastante pequenos e específicos (e mesmo
geograficamente separados). No entanto, ainda que ligado a uma causa ou tema específico, a luta pode
orientar-se cada vez mais com relação a um quadro de lutas mais amplo, que diz respeito a princípios de

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aceitação universal, como desenvolvimento sustentável, direitos humanos, direito à autodeterminação dos
povos, combate ao racismo e formas de discriminação, democracia, liberdade de expressão, etc.
7) Grande poder de articulação e eficiência. Permite a organização de protestos simultâneos em diferentes
cidades e países, assim como a articulação local de vários grupos de manifestantes dispersos. Ao contrário ao
que erroneamente se crê, a convergência de interesses não se dá somente no plano virtual - no espaço dos
fluxos, como diria Castells (2000). Ela se materializa também por ações concretas. É o caso, por exemplo, das
ações do Move On, No Border, Oxfam, Confederation Paysanne, Atacc, grupos Okupa, entre outros. Sua
geometria pode ser variável, concentrando e ativando seus nós de diferentes formas e combinando estratégias
variáveis.
8) Estratégias deslocalizadas de ideologias compartilhadas. As estratégias no espaço dos fluxos são
deslocalizadas; buscam ligar identidades, objetivos, ideologias e visões de mundo compartilhadas. Identidade
e solidariedade passam a desempenhar papéis fundamentais para a formação de tais redes. Essa
característica se associa ao que Castells chama de identidades de resistência. Segundo ele, a constituição dos
sujeitos se daria "sociedades civis em processo de desintegração", em que a identidade seria um elemento de
"resistência comunal" (1999: 25).
9) Multiplicidade de identidades / circulação de militantes. Permite a circulação dos militantes nas redes. Um
mesmo ativista pode estar enredado com outras causas, com outros atores coletivos; pode militar em vários
movimentos e, também, transmitir sua reivindicações nas diferentes redes de que participa (por meio de suas
conexões identitárias); como a união de seus membros pode ser apenas específica ou pontual, não é incomum
a participação de um mesmo indivíduo em diferentes movimentos sociais, compartilhando um interesse com
pessoas que, em outras dimensões da vida social, tem aspirações, valores e crenças bem diferentes. Para
Giddens, a autoidentidade é uma característica fundamental do que chama "modernidade tardia". Em um
cenário de crescente interconexão entre a intencionalidade com a "extencionalidade" - capacidade de interação
com elementos cada vez mais globais - do indivíduo, a este é possível negociar uma série de estilos e opções
de vida, construindo sua identidade em termos de sua interação dialética com o global. Castells, ao falar da
construção social da identidade, refere-se a "identidade de projeto" quando "os atores sociais, utilizando-se de
qualquer tipo de material cultural ao seu alcance, constroem uma nova identidade" (Castells, 1999: 24). A
"identidade de projeto" está relacionada à construção de projetos de vida por prolongamentos da identidade e
experiências do indivíduo, que dão espaço ao surgimento de novos sujeitos - que formam o ator social coletivo"
(Castells, 1999: 26).
10) Identidade difusa. O anonimato e a multiplicidade de identidades potencializam as formas de ativismo,
mas também por essa razão é que cada é vez mais difícil tratar de questões identitárias dos movimentos
sociais. Os interesses dos indivíduos que os ligam em redes são cada vez mais cruzados, diversos e
frequentemente tênues. Luta-se cada vez mais ao redor de códigos culturais, valores e interesses diversos.
Essa luta se dá cada vez menos a partir dos indivíduos e mais sobre a construção de sujeitos sociais. Essa
complexidade característica dos movimentos sociais contemporâneos foi percebida por Melucci. Para ele, eles
têm estruturas cada vez mais difíceis de serem especificadas como ator coletivo, possuindo "formatos cada
vez mais indistintos e densidades variáveis" (Melucci, 1996: 114).

Articulações de grande escala ou manifestações com apoio diversificado e maciço, como as ocorridas por
ocasião das cúpulas e reuniões do G7, OMC, FMI, Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial e da Guerra do
Iraque, não poderiam ser realizadas há alguns anos - ou, pelo menos, sem uma dificuldade muito maior. O uso
das tecnologias de informação proporcionou que, de forma avessa ou independentemente aos meios
tradicionais e espécies de controle social, um enorme fluxo de informações circulasse, resultando em algum
nível de conscientização e uma eficiente articulação de meios, recursos e estratégias para grandes
mobilizações a partir de centenas de nós de pequenos coletivos de ativistas. Foi com essa criatividade que os
diversos e novíssimos movimentos sociais conseguiram frustrar com êxito a cúpula da OMC, em Seattle, e
causar sérios transtornos em quase todos os eventos do gênero realizados nos anos recentes pelas
organizações anteriormente citadas.
Deve-se chamar a atenção de que esse processo ainda está em andamento. Tais mudanças nas estruturas
e formas de atuação dos movimentos sociais ainda estão em uma etapa inicial. Considerando a falta de
conexão em muitos países do mundo, o analfabetismo digital ou as dificuldades e limites decorrentes
alfabetização digital tardia dos estratos etários superiores, o predomínio de setores da classe média em tais
organizações e, sobretudo, porque se trata de transformações operadas em sua maioria por uma geração que
ainda há de assumir posições mais importantes na sociedade, há ainda um grande horizonte de
transformações pela frente. Tais transformações dependem ainda da emergência de uma nova geração e da
assimilação de novas práticas culturais, ainda presentes em setores minoritários da sociedade global.
Por outro lado, tais tecnologias têm permitido não apenas a formação, mas também a existência de novos
entes políticos no âmbito global. Novos atores sociais surgem e se formam, apoiados em redes e sub-redes

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menores, espécies de células "dormentes", que podem ser ativadas a qualquer momento, segundo seus
fatores identitários, valores e ideologias. Trata-se de um jogo em que as múltiplas identidades sociais,
interesses e ideias se articulam e se combinam com grande dinamismo em torno de objetivos e fins específicos
e determinados. O que chamamos de "forças dormentes" são mentes - ou pessoas - conectadas que, ainda
que individualmente possam pouco mais do que se indignar diante de uma injustiça, quando organizadas em
uma rede, sentem-se encorajadas para participar e desencadear ações. Os movimentos sociais articulados em
rede têm o poder de agregar essas "identidades individuais" ativando os elementos identitários de
solidariedade.
Para poder fazer frente a interesses de corporações, governos e autoridades, esses atores sociais têm como
o principal recurso - e, por vezes, o único - a informação. Estrategicamente difundida e aliada a formas de
articulações tradicionais - como manifestações, protestos e campanhas mundiais -, a informação e o
conhecimento podem eficientemente desencadear processos de mudança social. O que chamamos aqui de
informação é apenas uma matéria bruta que pode ser transformada em ideologia. Por isso, os movimentos
sociais se orientam cada vez mais em torno dos meios de comunicação, cujo poder de persuasão pode ser,
por vezes, muito mais poderoso que, por exemplo, o uso da força.
Consolida-se também a tendência de que a maior parte dos movimentos sociais através da Rede se oriente
por valores universais, como direitos humanos, de minorias, liberdade de expressão, preservação ambiental,
entre outros, reivindicando as garantias das leis de um Estado democrático - mesmo que seja para transgredi-
lo. Tais valores, por serem cada vez mais aceitos, criam fortes identificações que facilitam a integração no plano
axiológico e simbólico dos movimentos sociais. A partir de tal interpretação, vê-se uma intersecção bastante
favorável para que ocorra essa conexão em redes entre os movimentos sociais.
O que tece tais redes de coletivos sociais são relações, conflitos e processos políticos e sociais que ocorrem
na sociedade, cujas causas e consequências se entrelaçam no cotidiano dos atores e são, cada vez mais,
compartilhadas entre eles. Assim como outros aspectos das relações sociais mediadas por computadores, os
conflitos e processos de mudança reverberam e difundem-se nas redes telemáticas até conquistar mentes e
alcançar o cotidiano das pessoas.
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/geografia/0022.html

Entenda as Tecnologias da Informação e Comunicação

Também conhecidas como TIC, a Tecnologia da Informação e Comunicação é um termo geral que
define o emprego das tecnologias da informação (TI) na comunicação, através da utilização dos mais
diversos métodos de conexão, seja por cabo, fios ou mesmo através de dispositivos sem fios. Esta
tecnologia engloba todos os meios técnicos utilizados para facilitar e ampliar a comunicação e a difusão
de informação, incluindo computadores, redes, celulares e todo aparato necessário (software) para que
eles funcionem.
Desta maneira, as TIC consistem em TI bem como quaisquer formas de transmissão de informações
e correspondem a todas as tecnologias que interferem e mediam os processos informacionais e
comunicativos dos seres. Ainda, podem ser entendidas como um conjunto de recursos tecnológicos
integrados entre si, que proporcionam, por meio das funções de hardware, software e telecomunicações,
a automação e comunicação dos processos de negócios, da pesquisa científica e de ensino e
aprendizagem. A expressão foi usada pela primeira vez em 1997, por Dennis Stevenson, do governo
britânico e promovida pela documentação do Novo Currículo Britânico em 2000.
No mundo moderno, estas tecnologias são utilizadas de diversas maneiras e em vários ramos de
atividades, podendo se destacar nas indústrias (processo de automação), no comércio (gerenciamento e
publicidade), no setor de investimentos (informações simultâneas e comunicação imediata) e na
educação (processo de ensino aprendizagem e Educação à Distância). A popularização e a consolidação
da internet é considerada a grande responsável pela potencialização das TIC.
Como a comunicação é uma necessidade e algo que está presente na vida do ser humano desde os
tempos mais remotos, trocar informações, registrar fatos, expressar ideias e emoções são fatores que
contribuíram para a evolução das formas de se comunicar. Assim, com o passar do tempo, o homem
aperfeiçoou sua capacidade de se relacionar.
Nesse sentido, conforme novas necessidades foram surgindo, o homem lançou mão de sua
capacidade racional para desenvolver novas tecnologias e mecanismos para a comunicação. Um dos
conceitos de tecnologia é justamente tudo aquilo que leva alguém a evoluir, a melhorar ou a simplificar
uma tarefa. Em suma, todo processo de aperfeiçoamento. A humanidade já passou por diversas fases de
evoluções tecnológicas, porém um equívoco comum quando se pensa em tecnologia é se remeter às
novidades de última geração.

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Em se tratando de informação e comunicação, as possibilidades tecnológicas surgiram como uma
alternativa da era moderna, facilitando a educação através da inclusão digital, com a inserção de
computadores nas escolas, facilitando e aperfeiçoando o uso da tecnologia pelos alunos, o acesso a
informações e a realização de múltiplas tarefas em todas as dimensões da vida humana, além de
capacitar os professores por meio da criação de redes e comunidades virtuais.
Sob tal óptica, "os computadores são grandes responsáveis por esse processo. Os Sistemas de
Informação nas empresas requerem estudos quanto à sua importância na abordagem gerencial e
estratégica dos mesmos, juntamente com a análise do papel estratégico da informação e dos sistemas
na empresa (Kroenke, Laundon)".
Existe uma tendência cada vez mais acentuada de adoção das tecnologias de informação e
comunicação não apenas pelas escolas, mas por empresas de diversas áreas, sobretudo com a
disseminação dos aparelhos digitais no cotidiano contemporâneo. Há uma variedade de informações que
o tratamento digital proporciona: imagem, som, movimento, representações manipuláveis de dados e
sistemas (simulações), todos integrados e imediatamente disponíveis, que oferecem um novo quadro de
fontes de conteúdos que podem ser objeto de estudo.
A comunicação é também a responsável por grandes avanços. Devido à troca de mensagens e
consequente troca de experiência, dessa forma, grandes descobertas foram feitas. A história humana
apresenta uma evolução constante: sem os desenhos das cavernas, os hieróglifos egípcios e o enorme
acervo de informação que nos foi deixado através da escrita, boa parte do processo de evolução e do
surgimento de novos aparatos e ideias seria comprometido. Estes exemplos são formas de comunicar,
ou seja, passar adiante uma informação, uma experiência, um fato ou uma descoberta. A comunicação é
algo complexo, uma vez que existem várias formas de se comunicar. O objetivo aqui é mostrar o quanto
a troca de mensagens, a informação e o relacionamento humano são importantes para a evolução de
novos conceitos, como por exemplo o trabalho colaborativo (trabalho em equipe), a gestão do
conhecimento, o ensino a distância (e-learning), que promovem uma maior democracia nos
relacionamentos entre pessoas e a diminuição do espaço físico/temporal.
Num ambiente corporativo, onde um grupo de pessoas percorre objetivos comuns, a necessidade de
comunicação aumenta consideravelmente. Em uma corporação, existem barreiras culturais, sociais,
tecnológicas, geográficas, temporais, dentre outras, que dificultam às pessoas se comunicarem, portanto
um dos desafios de uma corporação é transpor essas barreiras.
Atualmente, os sistemas de informação e as redes de computadores têm desempenhado um papel
importante na comunicação corporativa, pois é através dessas ferramentas que a comunicação flui sem
barreira. Segundo Lévy, novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das
telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência
dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos.
Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturadas por uma informática cada vez
mais avançada.
A tecnologia da informação teve uma gigantesca evolução e, com a tendência do mundo moderno,
inovações e facilidades ainda hão de surgir. A internet e, em consequência, o e-mail e a agenda de grupo
online, são componentes de um grande marco e um dos avanços mais significativos, pois através deles
vários outros sistemas de comunicação foram criados. Os mais recentes dispositivos de comunicação
online e as redes de relacionamento social também se transformaram em um campo fértil para a difusão
de ideias e conceitos.
Nos dias atuais, encontramos várias tecnologias que viabilizam a comunicação, porém o que vai
agregar maior peso a essas tecnologias é a interação e a colaboração de cada uma delas. Dentro desse
cenário, é importante frisar uma interessante observação feita por Lévy:
"A maior parte dos programas computacionais desempenham um papel de tecnologia intelectual, ou
seja, eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão de mundo de seus usuários e modificam seus
reflexos mentais. As redes informáticas modificam circuitos de comunicação e de decisão nas
organizações. Na medida em que a informatização avança, certas funções são eliminadas, novas
habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma. O que equivale a dizer que engenheiros do
conhecimento e promotores da evolução sociotécnica das organizações serão tão necessários quanto
especialistas em máquinas".
Atualmente, estudos sistemáticos dos comportamentos econômicos nesta transição de século e de
milênio vêm atribuindo um importante fator ao cenário econômico, tão impregnado pelos fatores da Era
Industrial (bens de consumo durável, maquinário, trabalho mecânico e em série, produtos etc.) e esse
fator é o conhecimento – a dimensão crítica de sustentação de vantagens competitivas.
Nessa nova economia, as capacidades de inovação, de diferenciação, de criação, de valor agregado
e de adaptação à mudança são determinadas pela forma como velhos e novos conhecimentos integram

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cadeias/redes de valor, como processos e produtos recorrem a conhecimento útil e crítico, bem como
pela aptidão demonstrada pelas empresas, governos (organizações em geral) e pessoal para aprender
constantemente (Silva).
A Era da Informação e do Conhecimento que vivemos nos mostra um mundo novo, na qual o trabalho
humano é feito pelas máquinas, cabendo ao homem a tarefa para a qual é insubstituível: ser criativo, ter
boas ideias. Há algumas décadas, a era da informação vem sendo superada pela onda do conhecimento.
Já que o aumento de informação disponibilizada pelos meios informatizados vem crescendo bastante, a
questão agora está centrada em como gerir esse mundo de informações e retirar dele o subsídio para a
tomada de decisão.
Desenvolver competências e habilidades na busca, tratamento e armazenamento da informação
transforma-se num diferencial competitivo dos indivíduos.
Não somente ter uma grande quantidade de informação, mas sim que essa informação seja tratada,
analisada e armazenada de forma que todas as pessoas envolvidas tenham acesso sem restrição de
tempo e localização geográfica e que essa informação agregue valor às tomadas de decisão.
É importante que o desenvolvimento de um determinado projeto seja organizado e disponibilizado para
uma posterior consulta e fonte de pesquisa para projetos futuros, ou seja, é necessário criar um meio que
resgate. A memória é o bem maior de qualquer organização, é o conhecimento gerado pelas pessoas
que fazem parte desta.
A Tecnologia da Informação (TIC) tem um papel significativo na criação desse ambiente colaborativo
e, posteriormente, em uma Gestão do Conhecimento. No entanto, é importante ressaltar que a tecnologia
da informação desempenha seu papel apenas promovendo a infraestrutura, pois o trabalho colaborativo
e a gestão do conhecimento envolvem também aspectos humanos, culturais e de gestão (Silva).
Os avanços da tecnologia da informação têm contribuído para projetar a civilização em direção a uma
sociedade do conhecimento. A análise da evolução da tecnologia da informação, de acordo com Silva, é
da seguinte maneira:
"Por cinquenta anos, a TIC tem se concentrado em dados – coleta, armazenamento, transmissão,
apresentação – e focalizado apenas o T da TI. As novas revoluções da informação focalizam o I, ao
questionar o significado e a finalidade da informação. Isso está conduzindo rapidamente à redefinição das
tarefas a serem executadas com o auxílio da informação, e com ela, à redefinição das instituições que as
executam".
Hoje, o foco da Tecnologia da Informação mudou, tanto que o termo TI passou a ser utilizado como
TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação. E, dentro desse universo, novas ideias como
colaboração e gestão do conhecimento poderão ser edificadas, porém, mais uma vez é importante
enfatizar que nenhuma infraestrutura por si só promoverá a colaboração entre as pessoas, essa atitude
faz parte de uma cultura que deverá ser disseminada por toda a organização; é necessário uma grande
mudança de paradigma.
'As TIC's também estão no ambiente escolar, auxiliando os professores em suas práticas pedagógicas.
Computadores, internet, softwares, jogos eletrônicos, celulares: ferramentas comuns ao dia a dia da
chamada” geração digital e as crianças já as dominam como se fossem velhas conhecidas. O ritmo
acelerado das inovações tecnológicas, assimiladas tão rapidamente pelos alunos, exige que a educação
também acelere o passo, tornando o ensino mais criativo, estimulando o interesse pela aprendizagem. O
que se percebe hoje é que a própria tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz para o alcance desse
objetivo. Entendendo a escola como um espaço de criação de cultura, esta deve incorporar os produtos
culturais e as práticas sociais mais avançadas da sociedade em que nos encontramos. Espera-se, assim,
da escola uma importante contribuição no sentido de ajudar as crianças e os jovens a viver em um
ambiente cada vez mais “automatizado”, através do uso da eletrônica e das telecomunicações. O
horizonte de uma criança, hoje em dia, ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade
ou do seu país, quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional.
Em uma sociedade tecnológica, o educador assume um papel fundamental como mediador das
aprendizagens, sobretudo como modelo que é para os mais novos, adotando determinados
comportamentos e atitudes em face das tecnologias. Por outro lado, perante os produtos tecnológicos, o
educador deverá assumir-se com conhecimento e critério, analisando cuidadosamente os materiais que
coloca à disposição das crianças. Porém o Brasil precisa melhoras as competências do professor em
utilizar as tecnologias de comunicação e informação na educação. A forma como o sistema educacional
incorpora as TICs afeta diretamente a diminuição da exclusão digital existente no país. Vários pontos
devem ser levados em conta quando se procura responder a questão: Como as TICs podem ser utilizadas
para acelerar o desenvolvimento em direção à meta de “educação a todos e ao longo da vida”? Como
elas podem propiciar melhor equilíbrio entre ampla cobertura e excelência na educação?

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Como pode a educação preparar os indivíduos e a sociedade de forma que dominem as tecnologias
que permeiam crescentemente todos os setores da vida e possam tirar proveito dela? Primeiro, as TIC's
são apenas uma parte de um contínuo desenvolvimento de tecnologias, a começar pelo giz e os livros,
todos podendo apoiar e enriquecer a aprendizagem. Segundo, as TIC's, como qualquer ferramenta,
devem ser usadas e adaptadas para servir a fins educacionais. Terceiro, várias questões éticas e legais,
como as vinculadas à propriedade do conhecimento, ao crescentemente tratamento da educação como
uma mercadoria, à globalização da educação face à diversidade cultural, interferem no amplo uso das
TICs na educação. Na busca de soluções a essas questões, a UNESCO coopera com o governo brasileiro
na promoção de ações de disseminação de TICs nas escolas com o objetivo de melhorar a qualidade do
processo ensino-aprendizagem, entendendo que o letramento digital é uma decorrência natural da
utilização frequente dessas tecnologias.
O Ministério da Educação tem a meta de universalizar os laboratórios de informática em todas as
escolas públicas até 2010, incluindo as rurais. A UNESCO também coopera com o programa TV escola,
para explorar a convergência das mídias digitais na ampliação da interatividade dos conteúdos televisivos
utilizados no ensino presencial e a distância. A UNESCO no Brasil conto com a permanente parceria das
cátedras UNESCO em Educação a Distância em várias universidades brasileira, que utilizam as TIC's
para promover a democratização do acesso ao conhecimento no país. Em 4 de agosto de 2009, a
UNESCO no Brasil e seus parceiros lançaram no país o projeto internacional” Padrões de Competência
em TIC's para Professores”, por meio das versões em português brochuras sobre a proposta do projeto.
O projeto tem o objetivo de fortalecer diretrizes sobre como melhorar as capacidades dos professores nas
práticas de ensino por meio das TICs. Autoridades, especialistas e tomadores de decisão analisam a
viabilidade da implementação das diretrizes deste projeto adaptadas à realidade brasileira.
Para usar a tecnologia nas escolas, segundo Almeida e Prado, ela deve ser pautada em princípios que
privilegiem a construção do conhecimento, o aprendizado significativo e interdisciplinar e humanista. Para
tanto os professores precisam se apropriar dessas novas tecnologias e desenvolver estratégias para um
ensino-aprendizagem mais eficaz, visando o educando e seu contexto social. TIC. é o diminutivo de
tecnologias de informação e comunicação.
Bibliografia
LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993;
SILVA, Ricardo Vidigal da; NEVES, Ana. Gestão de Empresas na Era do Conhecimento. Lisboa: Serinews Editora, 2003.
FOLQUE, Maria da Assunção . Educação infantil, tecnologia e cultura. Revista pátio educação infantil: Ed penso, anolxjulho/se tembro2011,
n°28, pg.9.
ÁBILA, Fernanda. Novas tecnologias na educação. Revista aprendizagem: Ed melo, ano4n°20/2010, pg.35.

Exoesqueleto

Os testes desenvolvidos e documentados com animais demonstraram que a atividade elétrica cerebral
pode ser codificada e depois decodificada para comandar o movimento de aparelhos, no caso o
exoesqueleto. "Trata-se agora de ajustes entre a decodificação da atividade elétrica cerebral e aspectos
da coordenação motora, de forma que a utilização do aparelho funcione com eficiência", explicou o
neurocientista.
O trabalho passará a se concentrar no Brasil com a chegada de aparelhos, intercâmbio de
profissionais, interação com o sistema e acompanhamento fisioterapêutico para as pessoas que irão
testar as próteses dos exoesqueletos. "A experiência com a interligação cérebro máquina sugere que o
cérebro passe a incorporar o aparelho como parte do corpo, assim como um bom tenista sente a raquete
como extensão de seu braço", finalizou.
O Prof. Dr. Miguel Nicolélis é premiado e reconhecido por seu trabalho com a neurociência. É professor
titular de Neurobiologia e Co-Diretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University - EUA, há mais
de 20 anos, além de fundador e Coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal -
Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), em Macaíba, Rio Grande do Norte. O cientista passa a maior parte do
ano nos Estados Unidos. Quando está no Brasil, fica entre São Paulo e Natal, onde coordena o Instituto
de Neurociências.
Fonte: Secom

Tecnologia Brasileira

Brasil é pioneiro na fabricação de chips nacionais na América do Sul. Um dos objetivos do CI-Brasil é
formar especialistas por meio do Programa Nacional de Formação de Projetistas de Circuitos Integrados.
Diversas empresas, centros de pesquisa e startups integram o setor de Circuito Integrado no País. Algo
bem diferente do Brasil dos anos 50. As primeiras instituições a desenvolverem pesquisas de

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semicondutores foram o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), a partir de 1953, e o Instituto de Física
da Universidade de São Paulo (USP), nos anos 60, quando a indústria eletrônica brasileira começou a
ser implementada.
Em 1968, a Escola Politécnica da USP inaugurou o primeiro laboratório de microeletrônica do País, o
LME, pioneiro no desenvolvimento de várias tecnologias, entre elas, a criação do primeiro chip 100%
nacional em 1971. Em 1974, é a vez de a Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp) fundar o LED (Laboratório de Eletrônica e Dispositivos), que desenvolveu
equipamentos de microeletrônica, como fornos térmicos. O LED é o atual Centro de Componentes
Semicondutores (CSS), responsável por pesquisa de ponta em técnicas de micro e nano tecnologias,
além de cursos de graduação, de pós-graduação e de extensão na área.
O mercado de microeletrônica expandiu-se nos anos 70, puxado pelo aumento do consumo de bens
de consumo duráveis – geladeiras, fogões, máquinas de lavar roupa etc. Nos anos 80, pouco mais de 20
empresas fabricantes de componentes eletrônicos já operavam no Brasil. O setor sofreu uma retração
com a Lei de Informática, de 1991. O objetivo era fomentar um mercado nacional, mas o efeito foi
contrário. Pela legislação, ganhariam isenção as empresas que cumprissem o chamado Processo
Produtivo Básico (PPB), que fixava um percentual mínimo de nacionalização. Mas essa nacionalização
era para os produtos finais, e não para a produção dos chips.
Sem incentivos, várias empresas fecharam ou saíram do País, que passou a importar chips. Entre
1989 e 1998, a produção nacional de semicondutores caiu de US$ 200 milhões para US$ 54 milhões, de
acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Só em 2001, com a nova
Lei de Informática, a produção de chip voltou a ter força. A partir de então, os fabricantes teriam até 97%
de desconto do IPI (Imposto de Produtos Industrializados), desde que investissem 5% do faturamento em
pesquisa de novas tecnologias. Depois desta, outras leis ampliaram a possibilidade de isenções fiscais
que aceleraram o desenvolvimento de inovações tecnológicas dentro do Brasil. O grande marco veio em
2008, com a fundação do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica (Ceitec), empresa pública
federal responsável por desenvolver chips com tecnologia nacional. O Ceitec é a primeira fábrica de
chips da América Latina.

Chip orgânico

Outra iniciativa que também ganha destaque atualmente na corrida tecnológica brasileira é a pesquisa
em eletrônica orgânica, ou seja, com produtos baseados em carbono em vez dos tradicionais silício ou
cobre. O Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica (Ineo), integrado ao Instituto de Física da USP em São
Carlos (interior de São Paulo), desenvolve dispositivos eletrônicos a partir de moléculas orgânicas. Esses
componentes são utilizados, por exemplo, em telas luminosas e “displays” de computadores e televisão
com a tecnologia OLEDs (em português, Diodo Orgânico Emissor de Luz). Uma tela com essa tecnologia
é composta de moléculas que emitem luz ao serem atravessadas por uma corrente elétrica. Além de
consumir menos energia, a tela exibe imagens com mais nitidez. Os trabalhos do Ineo estão focados,
além de outras tecnologias ligadas à eletrônica orgânica, no desenvolvimento de dispositivos
conservadores de energia, que podem simular, por exemplo, uma espécie de fotossíntese para gerar
energia.

Crimes Cibernéticos

Com o espaço cibernético, todos os tipos de informações passaram a ser acessadas e compartilhadas
em tempo real e em alta velocidade. Por um lado, a rede proporcionou avanços inestimáveis, mas no
âmbito criminal, o advento da internet trouxe problemas. Desvios de dinheiro em sites de bancos,
interrupção de serviços, invasão de e-mails, troca e divulgação de material de pornografia infantil são
apenas alguns exemplos de crimes que não precisam mais ser executados na calada da noite. Tudo pode
ser feito a qualquer hora, de qualquer lugar do planeta. Basta um computador conectado à internet.
De 1995 até hoje, quando o acesso à internet passou a comercializado no país, os crimes via rede
mudaram de escala e de volume, porém o dinheiro ainda é o principal atrativo para os criminosos. Um
estudo divulgado, no mês passado, pela Norton da Symantec, aponta que os prejuízos com crimes
cibernéticos somaram R$ 15,9 bilhões no Brasil no último ano. Especializada em segurança de
computadores e proteção de dados e software, a empresa ouviu 13 mil adultos, com idade entre 18 e 64
anos, em 24 países, sendo 546 brasileiros entrevistados. De acordo com o estudo, calcula-se que 28,3
milhões de pessoas no Brasil foram vítimas de algum tipo de crime cibernético.
O montante aferido pela empresa é mais de dez vezes superior ao prejuízo de R$ 1,5 bilhão registrado
pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com esses crimes, com crescimento de 60% em relação

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às fraudes em serviços bancários via internet e celular, em transações de call center, cartões de crédito
e de débito registradas. Do total, R$ 900 milhões foram perdidos em golpes pelo telefone e em
pagamentos com cartão de débito e de crédito usados presencialmente. As fraudes na internet e no
mobile banking, ações praticadas por hackers, custaram R$ 300 milhões. Para os golpes com uso de
cartões de crédito pela internet, estima-se o mesmo valor (cerca de R$ 300 milhões). A entidade calcula
que as perdas com esses tipos de crimes chegaram a R$ 816 milhões.
A Polícia Federal (PF) está de olho no que acontece na internet. Desde 2003, a PF tem uma unidade
que cuida da repressão aos crimes cibernéticos. Pensando nos grandes eventos que o país vai sediar
como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ganhou força este ano com a criação de um centro de segurança
cibernética. De acordo com o delegado responsável, Carlos Eduardo Miguel Sobral, o desafio da PF é
combater ataques que podem levar a um apagão de acesso à rede mundial de computadores no país. O
Brasil não tem histórico de ataques por quadrilhas estrangeiras. Por aqui, os criminosos, em geral, são
de classe média alta e têm entre 25 e 35 anos. Porém, não ficamos atrás de ninguém. Estamos alinhados
com outros países, como a Inglaterra, o Japão e a Coreia, que detém a tecnologia nessa área.

Introdução ao Conceito de Big Data

Com a evolução das aplicações e a necessidade do ser humano pelas informações, mais e mais
aplicações vem surgindo, deixando o homem cada vez mais refém da informação. Para isso basta
lembrar-nos da evolução da relação homem-computador em que num passado existiam muitas pessoas
para uma máquina (como o mainframe), em seguida uma pessoa por máquina (o caso do computador
pessoal) e nos tempos atuais em que cada pessoa possui várias máquinas (notebook, ultrabook, PC,
tablet, smartphone, no futuro óculos, geladores, etc.). Com tantos aplicativos surgindo, as informações
são geradas exponencialmente, com isso a capacidade de gerenciar tantas informações se torna
primordial para as aplicações atuais. Esse mesmo crescimento de dados acontece nos aplicativos
empresariais com crescimento anual de 60%. Estima-se que uma empresa com mil funcionários gera
anualmente 1000 terabytes, sem falar que essa quantidade tende a aumentar cinquenta vezes até 2020.
Com o recém surgimento do bigdata, a primeira dificuldade é encontrar o seu conceito. É possível vê-
lo de maneiras totalmente divergentes em cada blog que se lê, ou seja, se você ler 10 materiais sobre
bigdata, provavelmente cada um trará conceitos diferentes. Dentre as matérias, ao se tirar um mínimo
comum se verá que o bigdata, na sua raiz, fala em tratar um grande volume de dados com grande
velocidade. No entanto, se repara que essa definição é bastante abstrata pelo simples fato de que para
uma pessoa A, por exemplo, um grande volume seja um gigabyte e para uma pessoa B um grande volume
seja um terabyte e o mesmo pode acontecer ao se referenciar a velocidade e o tempo de resposta de
uma requisição.
Assim, o grande desafio do bigdata é estar administrando um grande volume de dados e minerando
informações em um menor tempo de requisição. Com o grande volume de dados, fazer com que a
aplicação cresça à medida que é necessário é uma ótima estratégia, assim, uma escalabilidade vertical
(em que se aumenta o poder do hardware, como aumento de memória e de processamento de uma única
máquina) ou horizontal (em que se aumenta a quantidade de máquinas) deve ser analisada. Apesar de
ser mais complexa, a escalabilidade horizontal acaba sendo muito barata, sem falar de ser mais fácil de
crescer ou diminuir os recursos por demanda.
Para armazenar as informações com a escalabilidade horizontal, os bancos NOSQL são uma ótima
estratégia. Vale lembrar que o banco NOSQL significa não apenas not only e não SQL. Uma diferença
entre os bancos NOSQL e SQL é que o primeiro possui uma grande variedade de bancos e cada um com
características diferentes. Em termo de arquitetura, os bancos NOSQL podem ser distribuídos ou não,
embora sejam mais populares do tipo distribuído. Sua forma de armazenamento pode ser apenas em
memória, apenas em disco rígido ou configurável (vale apena lembrar que banco apenas na memória são
muito rápidos, no entanto são volúveis, já os somente no HD tem informações permanentes, porém o I/O
é muito alto). Outra característica divergente entre os bancos NOSQL está na forma do armazenamento
que são: chave-valor, documento, família de coluna e grafos. Os bancos NOSQL costumam ser muito
rápidos na leitura e na escrita, no entanto, possuem uma grande deficiência por parte das buscas. Estas
normalmente são feitas apenas pela chave, para isso usar um serviço para terceirizar o serviço pode ser
uma boa ideia, como o framework Lucene.
Mesmo realizando estratégias de buscas terceirizadas ou buscando pelo id, se a informação não
estiver na memória principal pode haver uma demora para recuperar essa informação. Assim, ter um
dispositivo de acesso rápido pode ser uma melhor opção, entra aqui o uso do cache. Ao se optar pelo
cache deve-se levar em conta os dois maiores desafios:

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Ter informação: o ato de esquentar a informação é extremamente importante para esse mecanismo,
já que não adianta existir um cache se o mesmo não possuir nenhuma informação. Para isso ele pode
ser esquentado de várias formas (ao iniciar uma aplicação, por demanda, por sessão do usuário) que
deve ser definido com o aplicativo em questão.
Matar o cache: para o cache é necessário que existam apenas informações atuais, assim é importante
que os dados antigos sejam mortos e trocados por informações mais atuais.
Um outro aspecto no bigdata, que não é muito tratado, está relacionado à velocidade da modelagem
além da velocidade no desenvolvimento de software. Um exemplo muito interessante é o Twitter que viu
muito usuários usando a hashtag (o '#' adicionado com uma palavra) e em pouco tempo teve que realizar
pesquisas através dos mesmos.
Assim podemos verificar que o bigdata não apenas está relacionado apenas à velocidade de
requisição, mas também em desenvolvimento, então conhecer bem o negócio além de várias ferramentas
poderá ser extremamente importante. Na linguagem Java, conhecer o Java EE 6, muito em breve o Java
7, além do JDK 7 trará velocidade de desenvolvimento, produtividade e um melhor gerenciamento de
memória.
Assim pode-se concluir que o conceito do bigdata é relativamente muito fácil, mesmo sendo divergente
em várias fontes, que é gerenciar um grande volume de memória em alta velocidade. O mais difícil
certamente é chegar nesse objetivo, já que para isso é necessário conhecer uma gama de ferramentas,
frameworks, metodologias, tipos de bancos como NOSQL, SQL e NewSQL, cache, serviço de indexação
de buscas, tipos de escalabilidades, etc. Apesar de ainda ser muito discutida nas universidades, a
normalização foi desenvolvida em 1970 (vale lembrar que os servidores da época possuíam 16kb de
memória principal e 800kb de armazenamento e os celulares atuais são muitas vezes mais rápidos que
estes servidores), ou seja, não é certo afirmar que os aplicativos, os hardwares, as necessidades de hoje
são os mesmos daquela época, e com isso entender que esse padrão nem sempre é válido.
Fonte: http://www.devmedia.com.br/introducao-ao-conceito-de-big-data/27066

As evidências que fazem a NASA acreditar que exista água em Marte

"Marte não é o planeta seco que pensávamos. Em certas circunstâncias, existe água líquida em Marte",
disse Jim Green, diretor de ciência planetária da NASA, em anúncio nesta segunda-feira.
Em uma entrevista coletiva, cientistas da agência espacial americana afirmam que manchas escuras
observadas na superfície de Marte podem estar ligadas à existência de água corrente durante o verão no
planeta.
"Essas manchas se formam no fim da primavera, aumentam no verão e somem no outono. Por 40
anos, não pudemos explicar por que elas existiam", afirmou Green.
"Marte sofreu uma enorme mudança climática e perdeu sua água. Mas há muito mais umidade no ar
do que jamais havíamos imaginado."
Dados do satélite Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) mostram que as linhas escuras, que aparecem
em declives marcianos, estão associadas a depósitos de sal, que podem alterar os pontos de
congelamento e evaporação da água, fazendo com que ela fique líquida por tempo suficiente para se
mover. Sem isso, a água congelaria nas baixas temperaturas do planeta.
A aparente existência de água líquida e corrente aumenta a possibilidade de que micróbios também
possam existir hoje – ou ter existido – no planeta vermelho, segundo os cientistas.
A descoberta também tem implicações para os planos de enviar astronautas a Marte, já que a
identificação de córregos perto da superfície poderia facilitar o estabelecimento de colônias.
Minutos antes do anúncio, o estudo de Lujendra Ojha, do Instituto de Tecnologia da Georgia, nos
Estados Unidos, foi divulgado na publicação científica Nature Geoscience.
"Nossas descobertas apoiam fortemente a hipótese de que as linhas recorrentes em declives se
formam como resultado de atividade contemporânea de água em Marte", afirma o estudo, esclarecendo
que "a origem da água que forma as atuais linhas em declives ainda não foi compreendida".
"A água é essencial para a vida como a conhecemos. A presença de água líquida em Marte hoje tem
implicações astrobiológicas, geológicas e hidrológicas que podem afetar a futura exploração humana."

O que isso significa?

"Já haviam sido encontradas evidências da existência de vapor d´água e gelo em Marte, mas nunca
haviam sido apresentados indícios fortes de que este planeta pode ter água em estado líquido.
Dessa vez, os cientistas da NASA fizeram uma análise do espectro luminoso da superfície de Marte e
concluíram que o padrão desse espectro corresponde ao de um determinado sal hidratado – ou seja, sal

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e água em estado líquido. É claro que nenhum cientista vai dar 100% de certeza sobre qualquer
descoberta, mas fica difícil imaginar que esse espectro possa ser produzido por outra combinação que
não inclua água líquida.
A descoberta é importante por que a água líquida é um meio facilitador uma série de reações químicas
essenciais a vida. Então, podemos dizer que ela aumenta a esperança de que se possa encontrar algum
tipo de vida em Marte. Mas é claro que também não me surpreenderia se a Nasa conseguisse fazer uma
análise química dessa água e não encontrasse qualquer composto orgânico nela."
Eduardo Cypriano, Professor do Departamento de Astronomia da USP

'Fim do mistério'

"Precisamos de múltiplas espaçonaves durante muitos anos para resolver esse mistério, e agora
sabemos que há água líquida na superfície deste planeta frio e deserto", afirmou Michael Meyer, cientista-
chefe do programa de exploração de Marte da Nasa, durante a coletiva.
As imagens divulgadas pela agência espacial mostram penhascos e paredões em vales e crateras,
marcados por linhas que podem se estender por centenas de metros durante o verão marciano. Em
alguns pontos, as linhas se combinam formando padrões intrincados.
Os cientistas ainda não sabem de onde poderia vir a água, mas o estudo levanta possibilidades, ainda
não comprovadas, como a de que ela venha de aquíferos salgados, se condense a partir da fina atmosfera
marciana, ou mesmo de uma combinação de ambos os fatores, em diferentes partes do planeta.
O pesquisador Alfred McEwen, membro da equipe de pesquisadores do MRO e professor de geologia
planetária na Universidade do Arizona, afirma que ainda não foi encontrada "água parada" no planeta,
mas, sim, camadas finas de solo molhado. "Essa água é mais salgada do que a dos oceanos da Terra",
afirmou.
Três espaçonaves devem ir a Marte nos próximos três anos. Uma delas é o veículo ExoMars, da
agência espacial europeia (ESA), que vai perfurar a superfície do planeta para buscar vestígios de vida.

'Como a Terra'

De acordo com John Grunsfeld, chefe da equipe científica da NASA, Marte já foi um planeta "muito
parecido com a Terra, com mares salgados e mornos e lagos de água fresca".
"Mas algo aconteceu com Marte, que perdeu sua água. Será que já houve vida no planeta e podemos
descobrir isso?"
Pesquisadores já haviam encontrado provas de que o planeta tinha água congelada em seus polos,
em sua fina atmosfera e, mais recentemente, em pequenas poças que pareciam se formar à noite na
superfície.
Em março, a Nasa revelou ter descoberto que um vasto oceano pode ter ocupado quase metade do
hemisfério norte do planeta.
De acordo com os pesquisadores, o oceano teria existido por cerca de 1,5 bilhão de anos, mas, com
o tempo, a atmosfera do país ficou mais fina, e a queda na pressão do ar fez com que mais água fosse
perdida para o oceano.
O planeta também teria perdido a maior parte de seu isolamento térmico e, sem calor suficiente para
manter a água líquida, o oceano diminuiu e acabou congelando. Hoje, apenas cerca de 13% da água
permaneceria, congelada nos polos marcianos.
Em abril, a agência espacial divulgou que o veículo Curiosity encontrou informações que mostravam a
existência de água bem salgada – uma espécie de salmoura – no solo marciano.
28/09/2015
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150928_marte_descobertas_cc

Depois de Plutão, 6 projetos que devem revolucionar a forma como vemos o espaço

Na semana passada, a comunidade científica mundial presenciou uma das missões espaciais mais
fascinantes dos últimos tempos: depois de viajar por mais de nove anos, a sonda New Horizons, da Nasa,
se aproximou de Plutão e capturou imagens que mostram o planeta anão como nunca antes.
O momento mais emocionante já passou, mas a missão está longe de sua conclusão. Nos próximos
16 meses a nave, agora a caminho de outros objetos que estão no cinturão de asteroides de Kuiper, vai
continuar enviando tudo o que registrar durante a expedição. A interpretação destes dados pode demorar
anos.

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Mas, além deste projeto, há outros que prometem surpreender os cientistas nos próximos anos. Veja
abaixo quais são.

ExoMars

A missão ExoMars visa descobrir, basicamente, se há ou já existiu vida em Marte. Trata-se se um


programa conjunto entre a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Roscosmos, a
agência russa.
Se já existiu vida em Marte, o mais provável é que isto ocorreu nos primeiros bilhões de anos depois
da formação do planeta, quando sua superfície era mais quente e úmida do que no presente.
Em 2016, a ESA vai enviar uma nave para pegar amostras da atmosfera marciana e, em 2018, enviará
um veículo de seis rodas que pode perfurar o solo chegando até dois metros de profundidade, para buscar
eventual matéria orgânica preservada da intensa radiação que o planeta recebe em sua superfície.
Ainda não foi definido o local exato do pouso do veículo, mas será em uma área que mostre evidências
de erosão por água no passado.

Missão de redirecionamento de asteroides

Se a missão Rosetta - bem-sucedida em seu objetivo de pousar em um asteroide - já parecia


ambiciosa, esta será ainda mais.
O plano da Missão de Redirecionamento de Asteroides (ARM, na sigla em inglês), da Nasa, consiste
em identificar, capturar e fazer o traslado de um asteroide para uma órbita ao redor da Lua para que
astronautas, no futuro, possam se aproximar e obter amostras.
A missão ainda está na fase de planejamento, mas se conseguir o financiamento, começará em 2020.
A análise destas rochas espaciais pode fornecer dados importantes sobre a origem do Sistema Solar,
segundo os defensores do projeto.
Por outro lado, a missão contribuiria para o desenvolvimento da tecnologia que poderia ser útil para
desviar qualquer asteroide perigoso que chegue perto demais da Terra, de acordo com os cientistas.
A Nasa tem em vista seis possíveis asteroides, apesar de a agência ainda não ter decidido como o
escolhido será capturado. Uma das possibilidades inclui até envolver a rocha em uma bolsa inflável.

Júpiter

A ESA também tem previsão de enviar em 2022 uma nave para estudar as luas geladas de Júpiter.
A nave, que demorará cerca de oito anos para chegar, sobrevoará Calisto e Europa antes de pousar
em Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar.
Ganimedes é a única lua do Sistema Solar que gera seu próprio campo magnético.
A sonda fará observações durante três anos. Os cientistas acreditam que abaixo da capa gelada
destes satélites de Júpiter existam oceanos de água líquida.

Solar Orbiter

Com a data de lançamento prevista para 2018, a sonda Solar Orbiter (também da ESA) será a primeira
a chegar mais perto do Sol, orbitando a apenas 42 milhões de quilômetros da estrela.
Naquela região a intensidade da radiação solar é 13 vezes superior à registrada na Terra e as
temperaturas podem chegar aos 520 graus.
Ela fará fotografias e medições desde a órbita interna do planeta Mercúrio para obter dados que
permitam conhecer melhor a dinâmica do Sol.
A missão visa aprofundar os conhecimentos sobre o funcionamento do Sol e sua influência sobre a
vizinhança, especialmente o modo como gera e acelera o fluxo de partículas carregadas que envolvem o
resto dos planetas.

Orion

A nave Orion, da Nasa, está projetada para levar até seis astronautas até as profundezas do espaço.
O objetivo final é levar o homem a Marte até o meio da década de 2030.
A nave já foi colocada à prova em 2014, com sucesso, em um voo não tripulado. A primeira missão
tripulada deve ocorrer em 2021.

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Telescópio James Webb

Este telescópio espacial tentará substituir o Hubble.


Os cientistas afirmam que ele tem uma potência cem vezes superior ao antecessor e poderá obter
imagens sem precedentes das primeiras galáxias que formaram no início do Universo.
O espelho principal deste telescópio tem um diâmetro de 6,5 metros (em comparação aos 2,4 m do
Hubble) e está formado por 18 espelhos hexagonais que, juntos, formam um.
É tão grande que não cabe dentro do lançador. Os espelhos irão dobrados e vão se desdobrar uma
vez que o aparato todo já esteja no espaço.
Ao invés de orbitar ao redor da Terra como o Hubble (uma vez a cada aproximadamente 97 minutos a
uma altura entre 550 e 600 quilômetros), o James Webb ficará em um ponto conhecido como Lagrange
2, a 1,5 milhão de quilômetros de nosso planeta.
O telescópio orbitará ao redor do Sol, conservando esta distância da Terra.
Sua data de lançamento é outubro de 2018.
20/06/2015
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150720_espaco_apos_plutao_fn

Ligações pelo WhatsApp derrubam tempo de chamada telefônica

São Paulo - As ligações gratuitas oferecidas pelo aplicativo WhatsApp provocaram uma queda no
tempo uso de chamadas de voz tradicionais em celulares, realizadas por meio das redes das operadoras
de telefonia móvel. Segundo um levantamento da Teleco, no trimestre em que o recurso foi lançado, a
quantidade de minutos de ligações caiu para 111 minutos médios mensais, em relação aos 134 minutos
do último trimestre de 2014.
A operadora mais afetada pelo WhatsApp no Brasil foi a Claro, cuja média passou de 123 para 81
minutos no mesmo período. A empresa tem o 4G mais veloz do país, posto que ocupa há dois anos
consecutivos, segundo a Open Signal. Com a queda de interesse por ligações tradicionais, a receita de
internet móvel cresceu 31,3%, passando a representar 37% da receita de serviços das operadoras.
“O uso de aplicativos de mensagens como o "WhatsApp" estimula o consumo de pacotes de dados
ajudando a aumentar a receita de dados das operadoras. O Whatsapp recentemente lançou um aplicativo
de voz que deve contribuir para o aumento do uso de dados e a redução do MOU [minutos mensais por
usuário] das operadoras”, segundo a Teleco, consultoria formada por profissionais do setor de
telecomunicações.
Nesse período de três meses, entre janeiro e março, as ligações via WhatsApp só estiveram
disponíveis por um mês e somente para os donos de smartphones com sistema Android. Ao iPhone, o
recurso chegou somente no final de abril. Segundo um estudo da empresa Kantar Worldpanel ComTech,
o Android representava 89% dos smartphones usados no Brasil, enquanto o Windows Phone ficou com
parcela de 4,5% e o iPhone vem por último com 3,9%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2014, o cenário de redução de uso de ligações se
confirma. Segundo dados também divulgados pela Teleco no passado, a queda nas ligações entre os
clientes da Claro chegou a 41 minutos.
Na TIM, foram 20 minutos e na Vivo foram 5. A Teleco não publicou dados sobre o tempo de chamadas
telefônicas das demais operadoras. Em uma entrevista recente a INFO, Rodrigo Vidigal, diretor executivo
de marketing da Claro, disse que a quantidade de pessoas que usam as chamadas de voz pelo WhatsApp
ainda é pequena.
“Vemos um crescimento na utilização de dados em geral. As chamadas de voz via internet ainda
representam uma parcela muito pequena do consumo. Mas isso varia de forma muito particular”, declarou
Vidigal, ressaltando que o aumento no uso de internet móvel se dá na medida em que as pessoas
adquirem smartphones mais avançados.
17/06/2015
Exame.abril.com.br

Ponte em Amsterdã será feita apenas com impressora 3D

Uma startup holandesa anunciou nesta terça-feira (16/06) que pretende construir a primeira ponte com
impressoras 3D sobre um canal de Amsterdã, uma técnica que pode se tornar a solução para locais de
difícil acesso.
A empresa de engenharia civil MX3D quer usar impressoras 3D robóticas "que podem desenhar
estruturas em aço em três dimensões". "Estes robôs são diferentes porque podem imprimir sem ficarem

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limitados pelo tamanho das plataformas de construção como acontece com as impressoras 3D
tradicionais", declarou a porta-voz da MX3D, Eva James.
Os robôs, que dispõem de braços longos, "caminham" através do canal deslizando de um lado para
outro da ponte, imprimindo suas próprias estruturas de base enquanto se deslocam no ar.
Criadas para este projeto, os robôs esquentam o metal até uma temperatura de 1,5 mil ºC com o
objetivo de soldar e assim montar a estrutura gota a gota, utilizando um programa para preparar os
desenhos.
"O princípio de base é muito simples: nós conectamos uma máquina de solda avançada a um braço
de robô industrial", afirmou o designer da ponte, Joris Laarman.
"Nós usamos um programa inteligente para operar as máquinas para que elas possam imprimir formas
metálicas muito complexas, que podem ser diferentes a cada vez", explicou Laarman.
O projeto, que deve começar em setembro e terminar em meados de 2017, envolve também a empresa
de construção Heijmans e o programa Autodesk.
Se até agora o braço robótico havia sido utilizado apenas para imprimir estruturas metálicas de
pequena escala, a ponte será o primeiro projeto "em escala real" para esta tecnologia, garantiu James.
A esperança é que a ponte funcione como uma alavanca para esta tecnologia, que pode ser utilizada
em inúmeros projetos de construção, incluindo prédios altos.
Esta técnica também permite abrir mão dos andaimes, já que o robô utiliza a estrutura que ele mesmo
imprime como apoio. Os criadores do projeto ainda negociam com o conselho municipal da cidade de
Amsterdã para encontrar o local ideal para construir a ponte.
16/06/2015
G1.com

Maior turbina eólica marinha do mundo operará em Fukushima

Tóquio - A maior turbina eólica marinha do mundo começará a operar, em fase de testes, a partir de
setembro no litoral da prefeitura de Fukushima, sede da usina nuclear devastada pelo tsunami de 2011,
informou o governo japonês nesta quarta-feira.
Esta turbina flutuante, de 220 metros de altura e com capacidade para gerar sete mil quilowatts, é parte
de um projeto do governo japonês para o desenvolvimento de várias plantas eólicas "offshore" em todo o
arquipélago.
A turbina, que incorpora uma subestação flutuante ligada a terra por cabos submarinos, será operada
pela elétrica regional Tohoku Electric Power e servirá de teste para outras de dimensões e capacidades
semelhantes que quiserem se instalar no país.
O governo japonês e a prefeitura de Fukushima estão promovendo as energias renováveis (solar,
eólica, hidráulica e geotérmica) para estimular a recuperação desta região, que sofreu a pior crise nuclear
desde a de Chernobyl (Ucrânia) em 1986.
Japão já conta com outra turbina flutuante na mesma região, a "Fukushima Mirai" (em japonês, "O
futuro de Fukushima"), que opera com capacidade de dois mil quilowatts desde 2014, a cerca de 20
quilômetros da cidade de Naraha.
Além do Japão, só Noruega e Portugal instalaram até agora turbinas eólicas flutuantes em frente a
sua.
17/06/2015
Exame.abril.com.br

Edward Snowden: o mundo rejeita a espionagem em massa das comunicações

A lei que acabou com a coleta em massa de dados telefônicos "é uma vitória histórica para os direitos
de todos os cidadãos", afirma o ex-analista da inteligência americana Edward Snowden em uma coluna
publicada nesta quinta-feira.
Em um artigo de opinião publicado em vários jornais internacionais, incluindo o The New York Times,
Snowden considerou que houve uma profunda mudança na consciência pública em relação à espionagem
maciça desde que ele vazou documentos confidenciais que revelaram como o governo americano e
alguns de seus sócios vigiavam as comunicações eletrônicas.
"O fim da espionagem em massa de telefonemas privados sob a Lei Patriota é uma vitória histórica
para os direitos de todos os cidadãos, mas é apenas produto de uma mudança na consciência global",
destaca Snowden, ao se referir ao fim do programa de coleta indiscriminada de dados telefônicos nos
Estados Unidos.

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"Desde 2013, instituições de toda a Europa sentenciaram como ilegais leis similares e impuseram
novas restrições às atividades futuras. As Nações Unidas declararam a espionagem indiscriminada como
uma violação dos direitos humanos sem ambiguidades", acrescentou.
Snowden, de 31 anos, é procurado pela justiça dos Estados Unidos por ter vazado à imprensa
documentos confidenciais. Alguns o consideram um traidor, outros um herói.
O governo da Rússia concedeu residência temporária ao ex-funcionário da Agência de Segurança
Nacional (NSA) e foragido da justiça americana.
Ao descrever seu périplo dos últimos dois anos, desde que fez suas revelações ante três jornalistas
em um quarto de hotel de Hong Kong, Snowden disse que a princípio se preocupava de que ninguém se
importasse.
"Nunca fui tão grato por estar errado", escreveu.
"Dois anos depois, a diferença é enorme. Em apenas um mês, o invasivo programa da NSA de
rastreamento de chamadas foi declarado ilegal pelos tribunais e repudiado pelo Congresso".
Os dispositivos da Lei Patriota que permitiam a vigilância indiscriminada das comunicações que
estavam em vigor desde 2001 expiraram no último domingo e foram substituídas pelo Freedom Act (Lei
de Liberdade).
Snowden declarou que depois que uma comissão designada pela Casa Branca constatou que o
programa de vigilância em massa não havia frustrado nenhum tentado, "inclusive o presidente, que havia
defendido sua pertinência e criticado seu vazamento, ordenou que fosse encerrado".
No entanto, Snowden advertiu que as comunicações eletrônicas continuam sendo amplamente
vigiadas.
"Embora tenhamos avançado muito, o direito à privacidade - o fundamento dos direitos consagrados
na Constituição - continua sob ameaça", disse.
"Enquanto você lê isso on-line, o governo dos Estados Unidos toma nota", declarou.
05/06/2015
Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2015/06/05/edward-snowden-o-mundo-rejeita-a-espionagem-em-massa-das-
comunicacoes.htm

Maiores empresas do Vale do Silício vendem as informações de seus usuários, diz Tim Cook

O presidente da Apple Tim Cook nunca escondeu seu desdém por serviços online que pedem dados
pessoais de seus usuários (leia-se: Facebook e Google). Mas, na noite da terça-feira (03/06/2015), Cook
talvez tenha feito seus comentários mais fortes sobre o tema.
Cook falou durante um jantar em Washington, oferecido pelo Centro de Informação sobre Privacidade
Eletrônica (EPIC, na sigla em inglês), que deu a ele o prêmio de "defensor da liberdade" por seu papel
como executivo da Apple.
"Nossa privacidade está sendo atacada em diversos fronts", disse Cook durante seu discurso,
transmitido a partir de uma gravação.
"Falo diretamente do Vale do Silício, onde algumas das empresas mais importantes e bem sucedidas
construíram seus negócios fazendo seus clientes deixarem de se importar com suas informações
pessoais. Elas estão pegando tudo que podem aprender sobre você e tentando monetizar isso. Achamos
que isso é errado. Esse não é o tipo de empresa que a Apple quer ser", afirmou.
Os comentários de Cook são direcionados a empresas que oferecem sua plataforma a anunciantes
que podem direcionar sua publicidade aos usuários desses sites e redes sociais. Sobrou até para o
recém-lançado Google Photos, serviço que armazena e organiza as fotos do usuário.
"Você pode gostar desses serviços supostamente gratuitos, mas nós não achamos que vale a pena
que eles tenham seu e-mail, histórico de buscas e agora até mesmo as fotos da sua família vendidas para
Deus-sabe-lá qual objetivo publicitário."
Cook também usou seu discurso para reiterar sua oposição à criação de um sistema de back door
para que autoridades consigam superar as barreiras de criptografia criadas pelas empresas de tecnologia
para protegerem os dados de seus usuários.
"Se você coloca a chave embaixo do tapete para os policiais, os bandidos também poderão achá-la",
afirmou o presidente da Apple.
03/06/2015
Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2015/06/tim-cook-diz-que-empresas-mais-bem-sucedidas-do-vale-do-silicio-vendem-as-
informacoes-dos-usuarios.shtml

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Quase 100 queixas de crime virtual são feitas por dia no Brasil

Em dois anos, cresceu em 88% o número de documentos lavrados em cartórios do País que
comprovam abusos e crimes virtuais, alcançando a marca de 33.455 (91 por dia) em 2014. Vítimas de
difamações, vazamento de fotos e vídeos íntimos, perfis falsos e bullying têm usado cada vez mais as
atas notariais – ainda pouco conhecidas – por dois motivos: a rapidez com que essas agressões podem
ser apagadas e a inclusão desse instrumento como prova judicial no novo Código de Processo Civil,
sancionado pela presidente Dilma Rousseff em março deste ano.
A ata notarial nada mais é que o registro, pelo tabelião, de que uma agressão existiu. A vítima de um
crime virtual se dirige a um cartório de notas e diz ao funcionário o que aconteceu. Ele entra na página
indicada, que pode estar online ou até ser uma conversa no WhatsApp, e registra em um documento tudo
o que está ali postado.
Posteriormente, mesmo que as mensagens sejam apagadas, o registro vai servir de prova perante a
Justiça em um eventual processo. Isso porque o tabelião tem fé pública, ou seja, tudo o que produz é
considerado verdadeiro. "A primeira coisa que tem de ser objeto de preocupação da vítima, logo após o
descontentamento (com o ataque virtual), é garantir que todos os vestígios daquela agressão não sejam
perdidos ou apagados dentro do ambiente eletrônico", afirma Alexandre Pacheco, professor da Escola de
Direito da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do Grupo de Ensino e Pesquisa em Inovação (GEPI).
"Hoje, com o Marco Civil da Internet, é mais difícil que os dados se percam (os provedores de conexão
são obrigados a guardar informações por um período de seis meses a um ano). Mas a ata se torna um
instrumento relevante porque a gente sabe que processos judiciais demoram 'na casa' dos anos, e não
dos meses", explica.
Defesa – O Estado de São Paulo é o campeão no número de atas lavradas, concentrando 29% do
total compilado em 2014. A paulistana Luana (nome fictício), professora de dança do ventre de 40 anos,
descobriu essa ferramenta jurídica quando ainda existia o Orkut. Na comunidade da rede social que reunia
profissionais da escola em que ela trabalhava, alguns colegas, que segundo ela ficaram incomodados
com o seu jeito brincalhão em classe, escreveram que a professora dançava sem calcinha, que ela não
respeitava as tradições e sua maneira vulgarizava a dança do ventre. "Começaram a falar um monte de
coisa mentirosa, anonimamente, e eu só pensava no que a minha filha, que tinha uns 6 anos na época,
ia pensar de mim, se ficasse sabendo", relata.
Luana diz que conversou com o marido e os dois foram aconselhados por um amigo que trabalhava
em cartório a registrar uma ata notarial. "Eu tenho a impressão de que meu caso foi um dos primeiros
relacionados à difamação pelas redes sociais, foi bem no comecinho. As pessoas acham que na internet
podem escrever o que bem entenderem, o que é muito feio e não é verdade."
Ela salienta que bastou exibir aos colegas a ata notarial, na escola em que trabalhava, para as
agressões cessarem. Felizmente, para ela, não foi necessário ingressar com uma ação judicial. Hoje,
Luana recomenda que outras pessoas usem desse instrumento jurídico. "É um recurso que é uma arma,
uma defesa, e tem a tendência de crescer cada vez mais." As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.
16/05/2015
Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2015/05/por-dia-sao-feitas-91-queixas-de-crime-virtual.shtml

Suprema Corte da Suécia mantém ordem de prisão contra Assange

ESTOCOLMO (Reuters) - A Suprema Corte da Suécia informou nesta segunda-feira que rejeitou um
apelo do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para revogar uma ordem de prisão por acusações de
agressão sexual.
O australiano de 43 anos está isolado dentro da embaixada do Equador em Londres desde junho de
2012 para escapar da extradição da Grã-Bretanha para a Suécia, que busca interrogá-lo sobre acusações
de agressão sexual.
A ordem de detenção foi emitida por procuradores em 2010. Assange nega as acusações e diz temer
que, caso a Grã-Bretanha o extradite para a Suécia, ele seja depois extraditado para os Estados Unidos,
onde seria julgado por um dos maiores vazamentos de informações secretas na história norte-americana,
realizado pelo WikiLeaks.
A corte disse em comunicado que a decisão dos procuradores de interrogar Assange em Londres
apoia a decisão de defender a ordem de detenção.
"Estamos claramente desapontados, e críticos com a maneira da Suprema Corte lidar com o caso.
Esta decisão foi levada sem deixar que fechássemos nosso argumento", disse o advogado de Assange,
Per Samuelson, à Reuters.

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Mesmo que a Suécia abandone a investigação, Assange pode ser preso pela polícia britânica por não
pagar uma fiança.
Daniel Dickson e Sven Nordenstam
11/05/2015
Fonte: http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRKBN0NW10O20150511

Tecnologia pretende conectar comunidades sem acesso à internet

Uma tecnologia inovadora no Brasil pretende conectar comunidades sem acesso à internet por meio
de celulares simples e até mesmo telefones públicos. O sistema chamado VOJO possibilita a transmissão
de informações sem precisar acessar a internet ou estar conectado a computadores. Tudo isso, somente
por meio de um número 0800. O projeto quer formar líderes comunitários em cinco capitais do país.
Salvador vai sediar a primeira oficina, a primeira experiência na América do Sul.
O sistema nasce o anseio de dar voz para a população e, para isto, permite postagem em blogs e
redes sociais por meio de celular básicos ou até mesmo de telefones públicos. Essa é uma ferramenta
muito útil para comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos rurais e outros. Com ela, a
comunidade não precisa de mediação para fazer com que sua voz seja ouvida, o projeto vai à base da
pirâmide social visando a democratização da comunicação.
O projeto, promovido pelo Instituto de Mídia Étnica (IME), com apoio da Fundação Ford, foi lançado
nesta terça (28/04/2015) na Bahia. Além de Salvador, líderes comunitários de outras quatro capitais
brasileiras (São Luís, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo) terão oportunidade de aprender a utilizar o
sistema que permite postagem de conteúdo utilizando aparelhos celulares simples mesmo sem acesso à
Internet. Essa tecnologia foi criada por pesquisadores vinculados ao Media Lab do Instituto de Tecnologia
de Massachussets (MIT), prestigiada universidade dos Estados Unidos.
A primeira oficina-piloto do VOJO aconteceu no final de 2014 na Ilha de Maré, distrito de Salvador,
localizada na Bahia de Todos-os-Santos. Jovens, marisqueiros e líderes quilombolas da região tiveram
contato com a tecnologia e produziram as primeiras matérias denunciando, inclusive, ameaças de
poluição ambiental provocadas por navios petroleiros.
Depois de ser lançado em Salvador, o IME vai oferecer oficinas do VOJO em São Paulo e em mais
três capitais.
28/04/2015
www.ebc.com

Drone dos EUA mata nove militantes do Taliban paquistanês no Afeganistão

Uma aeronave não tripulada dos Estados Unidos matou pelo menos nove militantes paquistaneses na
província afegã de Nargarhar nesta terça-feira, como parte de uma campanha de intensificação do uso
de drones contra militantes paquistaneses no Afeganistão, disseram autoridades da inteligência.
O ataque com drone desta terça-feira foi perto de uma área violento na parte paquistanesa da fronteira.
Caças estão marcando posições no vale de Tirah e na região de Khyber, e o Exército diz que já matou
diversos militantes. Pelo menos sete soldados também foram mortos.
Duas autoridades da inteligência paquistanesa confirmaram o ataque desta terça-feira na área de
Nangarhar, em Nazyan, perto da Agência Paquistanesa Khyber. Eles disseram que os nove militantes
pertenciam ao Taliban paquistanês e ao Lashkar-e-Islam, que anunciou aliança com o Taliban neste mês.
Ninguém rastreia ataques com drones no Afeganistão -muitos acontecem em regiões remotas e não
são relatados- mas comandantes do Taliban dizem que militantes são alvos crescentes desde o ano
passado.
Syed Raza Hassan
24/03/2015
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/drone-dos-eua-mata-nove-militantes-do-taliban-paquistanes-no-
afeganistao,4352110427a4c410VgnCLD200000b2bf46d0RCRD.html

Energia

Na maioria dos países, os investimentos em energia são feitos em diferentes tipos de usinas,
justamente para evitar crises quando uma fonte de energia tem problemas de abastecimento, segundo
ensina a página na internet da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
No Brasil, ao contrário, 91% da eletricidade é de origem hidráulica. A falta de investimentos no setor é
apontada como a principal culpada pela crise atual. Os investimentos, que eram da ordem de US$ 13
bilhões anuais, caíram, na década de 90, para US$ 7 bilhões. O consumo de energia elétrica aumenta

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5% ao ano. A propósito, este foi o argumento central para a privatização do setor elétrico brasileiro, fato
que predominou na agenda do setor nos últimos anos, desviando a atenção para a defasagem que se
acentuava entre a oferta e a demanda de energia no país.
Além disso, ao estimular o consumo, o governo promoveu uma maior demanda por parte da indústria.
Os aparelhos eletro-eletrônicos, cada vez mais comuns nas casas dos brasileiros, também absorvem
uma fatia da produção energética, agravando a crise.
Outro problema é a falta de integração existente entre as usinas. Enquanto as hidrelétricas do Sudeste
enfrentam os níveis mais baixos de abastecimento desde que foram construídas, sobra água e energia
no Sul e no Norte, onde as usinas estão, em média, com altos níveis de abastecimento. A falta de linhas
de transmissão de alta capacidade impede a transmissão de energia entre estas regiões.
Segundo muitos estudiosos do setor elétrico, houve excessiva demora na implantação de medidas de
contenção do consumo de energia, incluindo o próprio racionamento, uma vez que a crise já era
anunciada há vários anos.
Fonte: CPFL

Os leilões de aquisição de energia9

No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), os agentes vendedores (geradores, comercializadores


e autoprodutores) e as distribuidoras estabelecem Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente
Regulado (CCEAR) precedidos de licitação ressalvados os casos previstos em lei, conforme regras e
procedimentos de comercialização específicos.
A Energia de Reserva é Destinada a aumentar a segurança no fornecimento de energia elétrica ao
Sistema Interligado Nacional - SIN. Esta energia adicional é contratada por meio de Leilões de Energia
de Reserva - LER e busca restaurar o equilíbrio entre as garantias físicas atribuídas às usinas geradoras
e a garantia física total do sistema, sem que haja impacto nos contratos existentes e nos direitos das
usinas geradoras. A contratação desta energia tem por objetivo, ainda, reduzir os riscos de desequilíbrio
entre a oferta e demanda de energia elétrica. Tais riscos decorem, principalmente, de atrasos
imprevisíveis de obras, ocorrência de hidrologias muito críticas e indisponibilidade de usinas geradoras.

Compreendendo um leilão de energia

O conceito “leilão” remete à concorrência entre agentes em um local pré designado, em data marcada.
Não é diferente o caso dos leilões da área de energia elétrica, sendo a partir deles que se realiza a
concessão de novas usinas e se fecham contratos de fornecimento para atender à demanda futura das
distribuidoras de energia. Desse modo, os leilões de energia são de extrema importância para a
sustentabilidade do setor elétrico brasileiro.
O Leilão de energia elétrica é um processo licitatório, ou seja, é uma concorrência promovida pelo
poder público com vistas a se obter energia elétrica em um prazo futuro (pré-determinado nos termos de
um edital), seja pela construção de novas usinas de geração elétrica, linhas de transmissão até os centros
consumidores ou mesmo a energia que é gerada em usinas em funcionamento e com seus investimentos
já pagos, conhecida no setor como “energia velha”.
Sem os leilões, portanto, seria difícil para o setor elétrico conseguir equilibrar oferta e consumo de
energia e, consequentemente, aumentar-se-iam os riscos de falta de energia e de racionamento. Os
leilões de energia elétrica, ao definirem os preços dos contratos, definem, também, a participação das
fontes de energia utilizadas na geração, o que impacta na qualidade da matriz elétrica de nosso país em
termos ambientais (mais ou menos energia hidrelétrica, nuclear, eólica, queima de combustíveis,
biomassa, etc.), bem como no valor das tarifas pagas pelos consumidores.
No que tange a coordenação hierárquica, todos os leilões de energia passam pela coordenação e
controle da Agência reguladora do setor elétrico, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a qual,
por sua vez, é ligada ao Ministério das Minas e Energia (MME). Vale acrescentar que o Instituto Acende
Brasil realiza uma análise sistemática dos leilões realizados no setor elétrico, trabalho desempenhado
desde junho/2007 e que pode ser conferido ao clicar no link.

Os leilões de compra / venda de energia

Os leilões de compra / venda de energia elétrica são realizados no âmbito do Ambiente de Contratação
Regulada (ACR) - parte do mercado elétrico em que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
9
Disponível em: http://www.mme.gov.br/programas/leiloes_de_energia/menu/inicio.html.
Disponível em: http://www.abradee.com.br/setor-eletrico/leiloes-de-energia.

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(CCEE) opera, atuando em sua coordenação [encontre o endereço da Câmara em nossa seção de links
do setor elétrico]. A maior parte da energia contratada nessa modalidade de leilões vai para as próprias
Distribuidoras de energia - dentre elas, as associadas da Abradee - para distribuir aos consumidores da
área geográfica em que atuam. Adicionalmente, conforme redação do Decreto nº 5.163 de 2004, em seu
artigo 11, parágrafo 4°, a ANEEL também poderá promover leilões para compra de energia de fontes
alternativas, nos casos em que esteja em risco a obrigação de atendimento de 100% da demanda dos
agentes de distribuição.

Energia Nova ou Energia Existente

Os leilões são divididos de acordo com o tipo de empreendimento: se novo ou existente. Os chamados
leilões de energia existente são aqueles destinados a atender as distribuidoras no ano subsequente ao
da contratação (denominado A-1) a partir de energia proveniente de empreendimentos em operação. Já
os leilões de energia nova destinam-se à contratação de energia proveniente de usinas em projeto ou em
construção, que poderão fornecer energia em 3 (denominado A-3) ou 5 (A-5) anos a partir da contratação.
Esta segmentação é necessária porque os custos de capital dos empreendimentos existentes não são
comparáveis aos de empreendimentos novos, ainda a ser amortizados.

Após o advento da Lei 12.783 de 2013, parte considerável da energia “velha”, proveniente de
empreendimentos hidroelétricos com mais de trinta anos, passou a ser comercializada com preços
regulados pela ANEEL e com montantes contratados pelo regime de cotas nas distribuidoras.
Efetivamente, esses agentes passaram a não poder mais participar dos leilões do ACR.

Contratos por Quantidade ou por Disponibilidade

Os contratos resultantes dos leilões podem ser de duas modalidades diferentes: por quantidade ou por
disponibilidade. Os contratos por quantidade preveem o fornecimento de um montante fixo de energia a
um determinado preço. Nesta modalidade, geralmente utilizada para a contratação de energia hidráulica,
os geradores estão sujeitos a riscos de sobras ou déficits de energia, liquidados ao PLD, sendo que esses
riscos são minimizados pelo chamado Mecanismo de Realocação de Energia (MRE). Esse mecanismo
realoca montantes de energia gerados entre as usinas participantes, reduzindo o risco de exposição de
agentes individuais.
Os contratos por disponibilidade, por sua vez, são destinados à contratação de usinas termelétricas, e
preveem uma remuneração fixa ao agente gerador, independente do que for efetivamente gerado. Nesses
contratos, a parcela fixa é destinada à cobertura dos custos fixos para a disponibilização da usina ao
sistema, que pode ou não ser despachada por conta das condições hidrológicas do sistema interligado.
Todavia, quando essas usinas são despachadas, as distribuidoras devem pagar os curtos variáveis
relativos ao uso do combustível, que serão repassados aos consumidores no momento do reajuste
tarifário. O objetivo dos contratos por disponibilidade é garantir a segurança do sistema hidrotérmico.
Caso as condições hidrológicas sejam desfavoráveis, como em períodos excessivamente secos, essas
usinas podem ser solicitadas a despachar sua energia, reduzindo o risco do déficit de oferta do sistema
como um todo. Ao contrário, quando as condições hidrológicas são favoráveis, essas usinas são deixadas
em estado de espera.

Outras modalidades de leilões de energia

Ademais, fazem parte dos leilões de energia a construção de usinas de geração de eletricidade e de
linhas de transmissão de energia, tanto para a maior parte do Brasil que é integrada ao Sistema Interligado
Nacional (SIN), quanto aos sistemas isolados de nosso país, onde ainda não foi possível efetuar a
conexão com nosso sistema elétrico principal, o SIN. Nesses leilões, a ANEEL e o MME atuam mais
diretamente, tendo inclusive a ANEEL mantido uma página dedicada à divulgação desses leilões, o
Espaço do Empreendedor.

Novas Tecnologias

As grandes descobertas de petróleo no Brasil nos últimos anos, em especial na camada de Pré-Sal,
foram determinantes para que a Petrobras ampliasse ainda mais os seus investimentos em tecnologia de
exploração petrolífera, em parceria com universidades, centros de pesquisa e fornecedores. A empresa
já detém a tecnologia mais avançada do mundo em exploração de águas profundas, mas a produção do

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Pré-sal, com profundidades superiores a 5 mil metros em relação ao nível do mar e sob lâminas d’água
de mais de 2 mil metros, exige uma revolução no setor.
A empresa conta hoje com 50 redes temáticas em 80 instituições. São investidos US$ 1,3 bilhão ao
ano nessas parcerias. O Programa de Desenvolvimento Tecnológico de Sistemas de Produção em Águas
Profundas da Petrobras (Procap) engloba cinco áreas de atuação: novo conceito de sistemas de
produção; engenharia de poço; logística; reservatório; e sustentabilidade. Outra iniciativa importante
nessa área é a Rede Galileu, uma parceria da Petrobras com 14 universidades brasileiras, que recebeu
investimentos de R$ 117 milhões.
O Visão Futuro, da Procap, tem o objetivo de dar prioridade ao conteúdo nacional nos projetos. A meta
é promover o desenvolvimento da competência tecnológica e da engenharia brasileiras sempre em bases
competitivas. De acordo com a Petrobras, estimular o conhecimento tecnológico nacional, além de
contribuir para o desenvolvimento tecnológico do País, tornará mais fácil para a empresa no futuro adquirir
produtos no mercado interno, com o desenvolvimento de novos produtos e um suporte local eficiente para
manutenção e reposição de peças e equipamentos.
O carro-chefe do programa é a elaboração de um novo conceito de sistemas de produção inovadores.
Estão sendo desenvolvidos, por exemplo, equipamentos de processamento primário cerca de dez vezes
menores que os tradicionais. Usando-se recursos como força centrífuga ou campo eletrostático, esses
equipamentos, na forma de tubos compactos, podem ser instalados no fundo do mar, em grandes
profundidades, o que facilita a operação e economiza espaço nas plataformas.
Também estão em estudo o desenvolvimento de separadores compactos de fluidos (óleo, água e gás)
por membranas cerâmicas, aminas (composto molecular derivado da amônia) e micro-ondas, entre outras
alternativas. Essas tecnologias permitem maior eficiência energética, menores custos, aumento da
capacidade de produção e armazenagem da plataforma, além de diminuição do uso de produtos
químicos.
A Petrobras já opera atualmente algumas plataformas desabitadas, por meio de salas de controle em
terra, mas o objetivo é avançar ainda mais. Uma das possibilidades em estudo é a automação de
operações que hoje são realizadas passo a passo, como colocar um poço de petróleo em teste, fazer a
passagem do “pig” (equipamento para desobstrução de dutos), entre outras. Entre os benefícios previstos
estão a redução de custos operacionais com logística e do número de pessoas expostas a ambiente de
risco. Serão testados, também, nos próximos anos, diversos equipamentos para operação remota e
automação. Entre eles, robôs industriais com câmeras tridimensionais acopladas para auxiliar na
manutenção de plataformas.
Fonte: Governo do Brasil
http://www.brasil.gov.br/infraestrutura

Pré-Sal

A Petrobras prevê para o segundo semestre de 2014 a entrada em operação de mais duas plataformas,
ambas a serem empregadas no pré-sal. Em 2013, a companhia concluiu um recorde de nove plataformas,
sendo pelo menos cinco já em produção e as restantes já no local ou a caminho do destino final de
operação. As duas novas plataformas - Cidade de Ilhabela, em Sapinhoá Norte; e Cidade de Mangaratiba,
em Iracema Sul - vão ajudar a companhia a elevar a partir de 2014 sua produção de petróleo, estagnada
há três anos.
Nos dois últimos anos, a petroleira reduziu metas anuais para intensificar seu cronograma de
manutenção. A retomada da produção é esperada para 2014, embora a elevação seja projetada por
alguns analistas para não mais que 7%. As estimativas podem ser revisadas nas próximas semanas
depois que a companhia divulgar o resultado da produção de petróleo em 2013, que deve ficar abaixo da
meta de 2,022 milhões de barris por dia estabelecida internamente.
É a área do pré-sal que tem sustentado a produção da Petrobras estável, compensando baixas na
tradicional Bacia de Campos e o declínio natural dos poços, que a estatal divulga ser de 10% a 11% ao
ano, em média. Em 2013, todos os poços perfurados no pré-sal tiveram sucesso exploratório. A
contribuição na produção total da empresa é estimada para passar de 7%, em 2012, para 42% em 2017
e 50% em 2020.
A Petrobras ressalta ter alcançado um recorde diário de 371 mil barris de petróleo no último dia 24 de
dezembro na área de pré-sal, com 21 poços em operação, ou uma produtividade de 18 mil barris/dia por
poço. Em alguns casos, a produção chega a 30 mil barris por poço, acima das expectativas iniciais da
própria companhia. A Petrobras compara o resultado a áreas referência de produção no mundo. A
produtividade no Mar do Norte, diz, é de até 15 mil barris/dia, e, no Golfo do México, de até 10 mil

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barris/dia. A estatal lembra ainda que a marca de 300 mil barris dias foi alcançada em sete anos, enquanto
o mesmo número foi atingido no Golfo do México sete anos após a primeira descoberta.
http://exame.abril.com.br/negocios/noticias

Novas Reservas

As estimativas de reservas para o Pré-sal brasileiro indicam potencial de 70 a 100 bilhões de barris de
óleo equivalente – boe (somatório de petróleo e gás natural), mas o caminho para a exploração de toda
essa riqueza ainda está em estágio inicial. A produção do primeiro óleo do Pré-Sal foi realizada em
setembro de 2008 no campo de Jubarte, que já produzia óleo pesado do pós-sal no litoral sul do Espírito
Santo. Localizado ao norte da Bacia de Campos, na área conhecida como Parque das Baleias, esse
reservatório está a uma profundidade de cerca de 4,5 mil metros.
A produção do Teste de Longa Duração (TLD) do prospecto de Tupi, atual campo de Lula, iniciou-se
em 1º de maio de 2008 e foi somente ao final de 2010 que a Petrobras e seus parceiros comerciais
iniciaram a produção em escala comercial nos campos do Pré-sal. De acordo com a Petrobras,
atualmente são extraídos cerca de 117 mil barris por dia de óleo no pré-sal das bacias de Santos e de
Campos, ambas no litoral sudeste do Brasil.
A Petrobras prevê a “fase zero” de exploração do Pré-sal, ao priorizar a coleta geral de informações e
mapeamento do pré-sal, até 2018. Entre 2013 e 2016 está prevista a “fase 1a”, com a meta de atingir 1
milhão de barris por dia. Após 2017, terá início a “fase 1b”, com incremento da produção e aceleração do
processo de inovação. A Empresa informa que, a partir deste momento, é projetado o uso massivo de
novas tecnologias especialmente desenhadas para as condições específicas dos reservatórios do Pré-
sal.
A Petrobras ressalta ainda que não há nenhum obstáculo tecnológico para a produção nessa nova
fronteira exploratória e que os investimentos em tecnologia diminuem os custos e aumentam a velocidade
de exploração e produção no Pré-Sal. Segundo a Empresa, hoje o tempo médio de perfuração de um
poço equivale a 66% do tempo médio de perfuração de poços entre 2006 e 2007 no Pré-Sal.
Considerando que o afretamento (aluguel) de sondas de perfuração é um dos grandes custos de uma
empresa de petróleo, essa diminuição no tempo de perfuração tem grande impacto positivo na redução
de gastos da companhia.
As reservas conhecidas de petróleo da Petrobras atingiram 16 bilhões de boe em 2010. Com isso, a
participação do Pré-Sal na produção de petróleo passará dos atuais 2% para 18% em 2015 e para 40,5%
em 2020, de acordo com o Plano de Negócios 2011-2015. Hoje, são utilizadas 15 sondas de perfuração
equipadas para trabalhar em lâmina d’água (LDA) acima de 2 mil metros de profundidade. Em 2020, esse
número chegará a 65. Atualmente, são disponibilizados 287 barcos de apoio. O objetivo da Empresa é
atingir 568 barcos em 2020.
Aos poucos a extração nos campos do Pré-sal tem aumentado. No campo Lula (antes conhecido como
Tupi), na Bacia de Santos, está em operação um projeto-piloto que utiliza o FPSO denominada Angra dos
Reis, com capacidade para produzir diariamente até 100 mil barris de óleo e 4 milhões de m³ de gás.
Trata-se da primeira plataforma de produção programada para operar em escala comercial naquela área.
Atualmente, o navio-plataforma ancorado a cerca de 300 km da costa produz em torno de 25 mil barris
de óleo por dia.
As informações coletadas por essas perfurações e em outras dezenas de poços permitiram reduzir
significativamente as incertezas sobre os reservatórios do Pré-Sal. Várias dessas reservas recém-
descobertas entraram em produção aproveitando plataformas que já operavam no pós-sal (acima da
camada de sal) de campos existentes e foram adaptadas para receber o óleo leve de reservatórios
identificados no Pré-Sal.
http://www.brasil.gov.br/infraestrutura

Mato Grosso é pioneiro em uso prático de hidrogênio como fonte de energia

Estudado no Brasil a partir de meados de 2006 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o


método de utilização do hidrogênio como fonte de geração de energia elétrica teve como pioneiro no
Brasil o estado de Mato Grosso. A comunidade Pico do Amor, localizada a 80 quilômetros de Cuiabá, fez
uso dessa alternativa de energia limpa entre 2008 e 2011. O método, segundo o professor Ivo Leandro
Dorileo, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pode ser o futuro da geração de energia.
As cerca de 50 pessoas da comunidade - que não tem fornecimento de energia elétrica – receberam
em 2008 a chance de se utilizar o novo método no “Projeto Hidrogênico”. No local foi instalada uma usina
que gerava 5 quilowatts de energia elétrica dentro de uma casa de 120 m². Além do maquinário e de uma

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cabine de comando, o ambiente contava com um tanque de etanol, onde o processo químico era realizado
e a energia produzida num modelo que pode ser considerado de vanguarda no Brasil. Desativado, o
projeto deverá ser retomado.
O processo todo era responsável por ligar os postes que iluminavam as áreas livres da comunidade e
um centro comunitário, além de fazer funcionar o bombeamento de água para as casas.
A ação foi desenvolvida com um parceria entre a Unicamp, a UFMT e entidades privadas. O
pesquisador Ivo Dorileo, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético
(Niepe) da UFMT, contou que o projeto só não continuou por causa dos altos gastos envolvidos, mas
informou que uma nova fase está sendo desenvolvida.
Nesta nova fase, a usina que gerava 5 quilowatts de energia deverá triplicar a produção. Com maior
capacidade de geração energética, desta vez também fará parte do projeto a instalação de fábricas de
farinha de mandioca e de rapadura que, sustentadas pelo método limpo de geração de energia,
produzirão renda para os moradores da comunidade.

Energia limpa

O professor explica que o processo, que se utiliza das chamadas “células a combustível”, consiste na
retirada dos íons de hidrogênio do etanol para a geração de energia elétrica. A metodologia é
relativamente recente no mundo acadêmico e, segundo o pesquisador da UFMT, “Mato Grosso foi o
primeiro lugar no mundo a utilizar de maneira prática o método. É um método limpo e que gera energia
sem causar danos ao meio ambiente”.
Além da produção de energia elétrica, um dos resultados do processo é a produção água. Por meio
de reações químicas, as células a combustível podem chegar a uma eficiência de aproveitamento de até
50% da energia total. Em comparação, motores de combustão podem chegar a 30% de aproveitamento.
Uma das desvantagens do processo, diz Ivo Dorileo, é o custo. “A metodologia apesar de ser limpa, é
muito cara e custosa”, afirma. Foi por causa disso, lembra, que a utilização na comunidade em Cuiabá foi
interrompida. O acadêmico ainda aponta que a “energia elétrica é um motores do mundo moderno” e que
é preciso reverter o conhecimento científico para o benefício da sociedade.
O hidrogênio é uma já conhecida fonte energética. A mais potente arma nuclear já utilizada – a Tsar
Bomba, desenvolvida pela União Soviética na década de 1960 – teve como origem a fissão nuclear do
elemento. Apesar de não ter sido usada em guerra, a arma foi testada na ilha de Nova Zembla, no Círculo
Polar Ártico, e alcançou o poder explosivo de 50 megatons. Em comparação, a “Little Boy” - usada pelos
Estados Unidos na Segunda Guerra contra o Japão – alcançou apenas 15 quilotons. Seriam necessárias
mais de 30 mil bombas Little Boy para se alcançar a destruição da Tsar Bomba.

Fontes alternativas em MT

Apesar do avanço representado pelas células a combustível e o hidrogênio, Mato Grosso ainda deixa
a desejar quando o assunto é a variação de matrizes energéticas.
Em 2009, o estado divulgou pela última vez o “Balanço Energético de Mato Grosso e Mesorregiões”,
análise sistemática da produção, importação, transformação e consumo de energia no Estado.
Desenvolvido pela antiga Secretaria Estadual de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) e o
Niepe, da UFMT, o estudo foi interrompido com a justificativa de contenção de gastos segundo o professor
Ivo Dorileo, um dos responsáveis. “Mas o balanço é imprescindível para se planejar e conhecer a
produção energética do Estado”, defende.
O professor anuncia, porém, que o estudo voltará esse ano. O balanço referente a 2015 deverá avaliar
o uso de matrizes energéticas diferentes em Mato Grosso entre os anos de 2011 a 2014 e deverá demorar
até oito meses para ficar pronto. Enquanto isso, o acadêmico lembra que o Mato Grosso está “sem
planejamento energético nenhum”.
05/06/2015
G1.com

Energia solar fotovoltaica terá investimentos de R$ 7 bilhões em 20 anos

A energia solar fotovoltaica (energia elétrica obtida a partir de luz solar) no Brasil está em um “momento
emergente”, disse nesta quinta-feira (28/05/2015) no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico
(Enase), no Rio de Janeiro, o diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica
(Absolar), Rodrigo Sauaia e a perspectiva é de expansão acentuada, com um potencial de gração de 20
empregos para cada MW instalado e investimentos de R$ 7 bilhões ao longo de 20 anos.

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Dois leilões para energia solar fotovoltaica estão anunciados, para os dias 14 de agosto e 13 de
novembro. A expectativa da Absolar é que a somatória desses dois leilões supere mil megawatts (MW).
“Será um outro ano positivo de contratação, que vai ajudar a dar o sinal de continuidade do
investimento nessa fonte, por parte do governo federal e, em consequência, solidificar os interesses e
estabelecer cadeia produtiva”, disse Rodrigo Sauaia.
Para o diretor da Absolar, os leilões são importantes ainda para que haja um processo de busca de
eficiência no setor, favorecendo, no médio prazo, que ocorram reduções de preços de energia solar, “para
que ela se torne cada vez mais competitiva e atraente”.
Sauaia disse que, até abril deste ano, o Brasil registra 534 sistemas de geração distribuída conectados
à rede elétrica, oriundos de diferentes fontes, dos quais 500 projetos são de energia solar fotovoltaica.
Segundo ele, ocorreu também no período grande avanço no mercado de geração centralizada, relativo
às usinas solares de grande porte.
Em 2014, o governo federal promoveu leilão específico do setor, no qual foram contratados 1.048 MW.
“Um grande salto histórico, cerca de 70 vezes tudo que o país tinha conectado na rede, em um único
leilão”.
Segundo o diretor da Absolar, cada megawatt instalado de energia solar a cada ano gera 30 empregos
ao longo da cadeia produtiva no país onde o sistema é implantado, dos quais 20% são na parte de
fabricação de equipamentos.
“Sendo conservador, a gente pode dizer que pelo menos 20 empregos seriam gerados para cada MW
instalado. Se o governo mantiver a contratação de mil MW por ano dessa fonte, isso vai ter um potencial
de gerar da ordem de 20 mil empregos”, acrescenta Sauaia.
O executivo da Absolar ressaltou que também em termos de investimentos há grande potencial de
expansão no Brasil. Os investimentos para os 1.048 MW contratados no ano passado equivalem a R$ 7
bilhões ao longo de 20 anos.
28/05/2015
Agência Brasil

Brasil atinge recorde na produção de energia eólica

Referência na produção de energia limpa – produzida a partir de fontes que não geram poluentes – o
Brasil acaba de atingir um recorde importante: a produção de 6 mil megawatts de energia eólica instalada
e operando. A quantidade equivale a cinco vezes a capacidade máxima da Hidrelétrica de Furnas, em
Minas Gerais, que tem 1.216 MW, e é suficiente para abastecer cerca de 35 milhões de pessoas. Estado
líder nesse tipo de energia, o Rio Grande do Norte, sozinho, atingiu 2 mil MW em abril.
O alcance de exatos 5.966,60 MW foi possível com a liberação, neste ano, de novas usinas eólicas no
Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte. Este valor se refere a 266 usinas eólicas já conectadas ao
SIN (Sistema Interligado Nacional), o que permite levar a energia gerada para todas as regiões do Brasil.
Além das usinas conectadas, cerca de 300 MW de outras eólicas estão disponíveis, mas aguardam
rede de transmissão. Caso a produção dessas usinas, prontas e aptas a gerar energia, fosse contabilizada
no total disponível para ser comercializada, o recorde dos 6 mil MW teria sido alcançado em janeiro deste
ano. A previsão é que os 300 MW sejam conectados a partir de julho deste ano.

Referência mundial

O Brasil encerrou 2014 com 4.974,13 MW em operação comercial, entre os dez maiores produtores
mundiais, segundo relatório anual do Global Wind Energy Council. O crescimento mais surpreendente
ocorreu no Rio Grande do Norte que, em maio de 2014, foi o primeiro Estado a atingir a marca de 1.000
MW e agora passa de 2 mil MW.

Para se ter uma referência mundial, marcas superiores a 5 mil MW são bastante comemoradas, pois
colocam os países na posição de grandes produtores de energia eólica, viáveis e atrativos para
receberem fábricas de equipamentos locais – como turbinas, hélices e torres –, o que já acontece no
Brasil.
Em recente visita ao Brasil, a presidente da Fundação das Nações Unidas, Kathy Calvin, destacou,
além de conquistas na área social, o papel que o Brasil ocupa hoje no cenário internacional na difusão
de fontes limpas de energia e na promoção do desenvolvimento sustentável. "Estamos impressionados
com o trabalho que já vem sendo feito no País para garantir que você tenha um futuro com energia
sustentável. Isso é algo que pode ser compartilhado pelo mundo e o onde Brasil é uma grande liderança",
ressaltou.

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Projeção

Até o final de 2015 deverão ser acrescidos cerca de 1.500 MW. Para 2016, estão previstos mais 4 mil
MW e, para 2018, pelo que já está contratado, o Brasil deve ultrapassar os 16 mil MW, quando a geração
eólica passará a representar cerca de 8% do total de energia gerada no Brasil.
Segundo o engenheiro Alarico Neves, que mantém a página Energia Mapeada, "a grande decepção é
Minas Gerais, que não produz, apesar de dispor de uma 'mina de ouro eólica' na região de serra que se
inicia em Diamantina e vai até a divisa com a Bahia". Logo em seguida a essa divisa, na mesma altitude,
se iniciam as usinas eólicas baianas, informa o especialista.
Ainda de acordo com ele, apesar do sucesso, a energia eólica deve ser vista sempre como solução
complementar, por não oferecer a chamada "energia firme", devido ao comportamento pouco previsível
dos ventos. Sua grande vantagem no Brasil é que o período de maior produtividade vai de julho a
dezembro, justamente o de poucas chuvas para as hidrelétricas, mantendo assim um equilíbrio na
produção. O Brasil deverá figurar entre os dez maiores produtores até o fim do ano.

Argentina prevê acordos com a Rússia na área de energia

A Argentina e a Rússia vão consolidar a aliança estratégica e firmar acordos no setor de energia,
durante a visita oficial da presidenta Cristina Kirchner a Moscou.
A chefe de Estado argentina é esperada na capital russa terça-feira (21/04/2015) para uma visita oficial
de dois dias.
Durante a visita deverão ser discutidos acordos para investimento russo na Argentina no setor de
petróleo e mantidas negociações sobre energia nuclear, infraestruturas e comércio.
O governo argentino espera chegar a acordo com a estatal russa Rosatom para a construção de nova
central nuclear, mas os detalhes do projeto ainda não são conhecidos.
Em comunicado divulgado na semana passada, um grupo de ex-secretários de Energia argentinos
criticou a falta de transparência nas negociações entre a Rússia e o governo de Cristina Kirchner e pediu
que os acordos sejam submetidos ao Parlamento.
Durante o encontro entre Cristina e Putin, no Kremlin, os dois chefes de Estado vão abordar as
questões relacionadas com as trocas comercias que têm aumentado, atingindo US$ 2 milhões anuais.
Entre os setores com maiores oportunidades para a Argentina estão os produtos lácteos e a carne
bovina, afetados pelas sanções impostas à Rússia pelos Estados Unidos e pela União Europeia devido
ao envolvimento do país na guerra da Ucrânia.
19/04/2015
Agência Brasil

Apagão de energia elétrica atinge 11 estados e o Distrito Federal

Consumo alto, falhas em linha de transmissão e produção no limite levaram a um apagão de energia
elétrica em 11 estados e mais o Distrito Federal na segunda-feira (19).
Por volta das 15h, faltou energia em toda a Região Sul, nos quatro estados do Sudeste, na região
Centro-Oeste e também em Rondônia.
Em São Paulo, postos de saúde interromperam o atendimento e uma linha de metrô parou.

Calor em São Paulo

O solzão se instalou na capital paulista sem dó nem piedade e o termômetro da rua denunciou. “Estou
passando muito mal”, diz Rosana Cravero, assistente administrativo.
Tem sido assim nos últimos dias em São Paulo. Temperaturas de ferver o juízo. Aí o povo faz o quê?
“Na minha casa, eu ligo o ventilador”, afirma a cadastradora Camila Alves. “Na minha também”, reforça
Graziela Alves, que também é cadastradora.
É só desse jeito mesmo. Tanto que, em muitas lojas, acabou o ventilador. Em uma delas, só sobrou
um, que está com defeito. As vendas deste item foram 70% maiores do que no verão passado.
“Fui em três lojas e o ventilador está em falta”, diz a desempregada Liliane Honorata.
Quem conseguiu comprar o ventilador, ou o ar condicionado, não desliga por nada. A consequência?
O consumo de energia elétrica vai lá para as alturas. E todo mundo usando ao mesmo tempo, já viu, né?
Corre o risco do sistema entrar em colapso. Foi exatamente o que aconteceu.
O consumo de energia atingiu o pico perto das 15h. E isso aconteceu em toda a região mais populosa
do país.

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“Como o Sudeste puxa energia, ele puxa energia do consumo próprio dele, puxa energia de quanto
consegue gerar nele, de quanto consegue gerar no Sul e quanto gera no Nordeste. Ele puxa de todas as
regiões. Então, toda a energia que o Sudeste precisou, o sistema não conseguiu atender”, diz Erik Rego,
diretor da Excelência Energética.
Por causa desse desequilíbrio, o Operador Nacional do Sistema deu uma ordem para as
concessionárias cortarem o fornecimento.
Para a AES Eletropaulo, que atende a Região Metropolitana de São Paulo, o corte foi de mais de 700
megawatts de energia, 10% do total necessário e 2 milhões de clientes ficaram sem luz.
Uma linha de metrô parou e os passageiros andaram dentro do túnel pra chegar às estações. Em um
posto de saúde, o atendimento foi suspenso por uma hora.
A queda de energia também atingiu 300 cidades do interior do estado. A luz foi reestabelecida às
15h50. Para o especialista Adriano Pires, houve um corte seletivo.
“É uma prática que existe porque você não está conseguindo atender a carga do sistema. Corte
seletivo e tarifa muita alta como a gente está tendo no Brasil é igual a racionamento”, diz Adriano Pires,
diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

O que diz o NOS

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) soltou uma breve nota e marcou para terça-feira
(20/01/2015) uma reunião técnica para analisar o que aconteceu.
No Rio, 40 mil pessoas foram afetadas na capital do estado. Também faltou luz em outros 13
municípios fluminenses, para 180 mil pessoas.
Segundo o ONS, houve uma falha na transmissão de energia das regiões Norte e Nordeste para o
Sudeste, e também a perda de 2,2 mil megawatts gerados por 11 usinas.
O problema teve início às 14h55 e a situação foi normalizada às 15h45. Técnicos vão se reunir na
terça-feira (20/01/2015) para apurar o que aconteceu primeiro e por que as usinas pararam de produzir
energia.
Ainda de acordo com o ONS, o corte foi determinado para evitar um problema ainda maior no sistema,
já que com o aumento da demanda no horário de pico, a frequência elétrica caiu para abaixo do normal,
o que costuma acontecer quando o consumo é maior do que a energia fornecida .
Michelle Barros / Tatiana Nascimento
20/01/2015
Fonte: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/01/apagao-de-energia-eletrica-atinge-11-estados-e-o-distrito-federal.html

Relações Internacionais

UNASUL

A Unasul ou União de Nações Sul-Americanas, é uma organização intergovernamental, composta


pelos doze países que compõem a América do Sul. A organização foi fundada dentro dos ideais de
integração sul-americana, englobando o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina de
Nações (CAN).
Seu objetivo é promover e fortalecer as relações comerciais, culturais, políticas e sociais entre as doze
nações da América do Sul – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru,
Suriname, Uruguai e Venezuela. Dentro deste objetivo, espera-se uma coordenação e cooperação maior
nos segmentos de educação, cultura, infraestrutura, energia, ciências e finanças.
Entre as línguas oficiais da União estão o Português, Espanhol, Inglês e Holandês.
O projeto foi proposto em 2004 durante reunião de Chefes de Estado e de Governo dos países sul-
americanos, realizada no Peru, na cidade de Cusco.
Sua criação formal se deu em 23 de maio de 2008, em Brasília, quando os representantes políticos
dos 12 países que compõem a América do Sul assinaram o documento que regulamenta seu
funcionamento. Panamá e México também assinaram o tratado, na categoria de membros observadores.
A UNASUL está estruturada da seguinte forma:
- Conselho de Chefes de Estado e de Governo.
- Conselho de Ministros das Relações Exteriores.
- Conselho de Delegados.
- Secretaria Geral.

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A sede da União está localizada em Quito, no Equador. O Parlamento sul-americano em Cochabamba,
na Bolívia, e a sede do seu banco, o Banco do Sul, em Caracas, Venezuela. Em 2010 o ex-presidente
argentino Néstor Kirchner foi eleito, por unanimidade, o primeiro Secretário-geral da Unasul.
Os presidentes de cada nação-membro terão uma reunião anual, que será o mandato político superior.
A primeira reunião entre os membros ocorreu em 2005 em Brasília. Em dezembro de 2006 foi a vez da
Bolívia hospedar o evento, na cidade de Cochabamba. Por conta de tensões entre Equador, Colômbia e
Venezuela, a terceira reunião que deveria ocorrer em Cartagena das Índias na Colômbia foi transferida
novamente para Brasília.
Os ministros de relações exteriores de cada pais deverão encontrar-se a cada seis meses para
formular propostas concretas de ação e decisão executiva. O Comitê Representativo Permanente do
Presidente do Mercosul e o diretor do departamento do Mercosul, o secretário-geral da Comunidade
Andina, o secretário-geral do ALADI e os secretários permanentes de qualquer instituição para
cooperação regional e integração, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, entre outros,
também estarão presentes nessas reuniões.

Secretariado geral

De acordo com as disposições da União, deve haver a eleição de um secretário geral permanente em
Quito, no Equador. O ex-presidente do Equador, Rodrigo Borja foi nomeado para a posição, renunciando
alguns dias antes da reunião marcada em Brasília em 2008. Após algumas divergências de opniao entre
Colômbia, Uruguai e Peru, foi eleito como secretario o ex-presidente da Argentina, Nestór Kirchner. Com
a sua morte a equatoriana María Emma Mejía foi eleita para a posição. Após ela foram eleitos Alí
Rodríguez Araque da Venezuela e Ernesto Samper da Colômbia. Reunião de ministros setoriais serão
convocadas pelos presidentes. Elas serão desenvolvidas de acordo com mecanismos do Mercosul e da
CAN.

Presidência

Para presidir a União, foi adotado um sistema temporário e rotativo entre os países membros a cada
reunião. Os presidentes eleitos foram : Michelle barchelet, do Chile, que atuou entre 23 de maio de 2008
e 10 de agosto de 2009; Rafael Correa, do Equador, que presidiu entre 10 de agosto de 2009 e 26 de
novembro de 2010; Bharrat Jagdeo, da Guiana, entre 26 de novembro de 2010 a 29 de outubro de 2011;
Fernando Lugo, do Paraguai, entre 29 de outubro de 2011e 22 de junho de 2012; Ollanta Humala, do
Peru, entre 22 de junho de 2012 e 30 de agosto de 2013; Dési Bouterse, do Suriname, entre 30 de agosto
de 2013 e 4 de dezembro de 2014; José Mujica, do Uruguai, entre 4 de dezembro de 2014 e 1 de março
de 2015. O atual presidente é o presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, que iniciou seu mandato em 1
de março de 2015.
Entre as propostas da União, estão a concepção de um mercado comum, com a meta de eliminar
tarifas de produtos enquadrados na categoria de não sensíveis até o ano de 2014 e os produtos
considerados sensíveis até 2019. Além do mercado comum, existem várias propostas e projetos para
integração de infraestrutura, como a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-
Americana (IIRSA). Com um investimento estimado de 38 bilhões de dólares provenientes de fontes como
o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Corporação Andina de Fomento (CAF), do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Financeiro para Desenvolvimento
da Bacia do Prata (FONPLATA), já foram realizadas obras como a construção do Corredor Bioceânico,
da estrada do pacifico, ligando Peru e Brasil e o Anel energético Sul Americano.
Existe também uma política monetária, com o ideal da criação de uma moeda comum para o mercado
sul americano. O presidente da Bolívia, Evo Morales, sugeriu a nomeação da moeda como “pacha” que
significa terra na língua quíchua.
A união assinou em Georgetown, na Guiana, em 26 de novembro de 2010 um protocolo sobre o
Compromisso com a Democracia, estabelecendo a não-tolerância dos países membros ao desafio da
autoridade institucional e a tentativas de golpe contra o poder civil.
Outro dos objetivos da União é a livre circulação de cidadãos entre os países membros, sem a
necessidade de burocracias para vistos e documentações de permanência nos países. Em 24 de
novembro de 2006, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru,
Suriname, Uruguai e Venezuela abandonaram requerimentos de visto para viagens a turismo entre
nacionais de tais países.

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Política Externa Brasileira

O Brasil tem sua política externa regulamentada pelo artigo 4 da constituição federal de 1988. Segundo
a constituição, o poder executivo, liderado pelo presidente da república e seus ministros, tem a
responsabilidade de exercer a política externa, cabendo ao legislativo federal a aprovação dos tratados
internacionais e a aprovação dos embaixadores que são designados pelo presidente da república.
Cabe ao ministério das relações exteriores (MRE), que também e conhecido como Itamaraty, o
assessoramento do poder executivo para questões internacionais
Entre os tópicos propostos pelo documento, está a determinação de relacionamento com outros países
e órgãos multilaterais, dentro dos princípios de não intervenção, autodeterminação dos povos e
cooperação internacional, além da resolução pacífica de conflitos.
As ações desenvolvidas pelo país no século XXI demonstram uma nova posição frente as questões
enfrentadas, com um papel de liderança sendo incorporado pelo Brasil
O país tem dado ênfase na integração regional, com forte participação efetiva no MERCOSUL e
UNASUL.
No cenário internacional, tem-se destacados as missões de paz realizadas em conjunto com a ONU
em países como o Haiti e o Timor Leste, país no qual o Brasil possui uma forte influência. Um dos objetivos
do Brasil em relação à ONU é a obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança das
Nações Unidas. Atualmente Brasil, Alemanha, Índia e Japão desejam integrar o conselho, composto por
quinze membros, dos quais cinco são permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e
França.
Por suas dimensões e o caráter de potência emergente, com uma das maiores economias do mundo
(sétimo lugar segundo dados de 2012) o país tem tido participação em discussões que envolvem temas
como Desenvolvimento Sustentável, o comercio internacional e o combate à pobreza. Além das
discussões, o país demonstra desejo na reformulação de organizações como o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e organização das Nações Unidas (ONU). Por ser um país de língua Lusófona, o
Brasil participa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que busca uma cooperação
em assuntos militares, financeiros e culturais.
O Brasil tem participação em grupos políticos de países na mesma situação econômica e social, como
o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que reúne países emergentes. Apesar de não ser
oficialmente um acordo político e econômico, os países membros demonstram aproximação em diversas
áreas da política e da economia. O Brasil ainda faz parte do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China)
e do IBAS (Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul).
No plano econômico, o país tem como principais produtos de exportação o minério de ferro, aço, soja
e derivados, automóveis, cana-de-açúcar, aviões, carne bovina, café e carne de frango. O principais
produtos importados pelo Brasil são petróleo bruto, produtos eletrônicos, peças para veículos,
medicamentos, automóveis, óleos combustíveis, gás natural e motores para aviação.
Entre os países que mais compram produtos brasileiros estão China, Estados Unidos, Holanda,
Argentina e Alemanha.

Relações Comerciais

As trocas entre Brasil e Argentina passaram por alguns momentos de crise também neste ano. O país
vizinho suspendeu a concessão de licenças de importações de cortes de carne suína brasileira. A
suspensão terminou com a assinatura de um acordo, entre os dois países, no início de outubro. Com o
consenso, as exportações foram restabelecidas sob a condição de que o Brasil deveria agilizar o processo
de liberação para importações de maçã, pera e marmelo da Argentina. O Mercosul também quer
intensificar as parcerias com a União Europeia e a China, incrementando o comércio do bloco com as
duas regiões e ampliando as oportunidades de exportações. A decisão de ampliar o relacionamento com
os dois parceiros foi incluída em quatro itens dos 61 do documento final, denominado Comunicado
Conjunto dos Presidentes dos Estados Partes do Mercosul.
O comunicado foi divulgado após reunião da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Itamaraty.
Os presidentes dos países do Mercosul ressaltaram a importância das relações entre o bloco e a China,
os fluxos recíprocos de investimento para o desenvolvimento de suas trocas comerciais. Em defesa das
ações para o fortalecimento das relações entre o Mercosul e a China, os presidentes citaram a promoção
de uma missão comercial conjunta a Xangai e de reunião de representantes governamentais. A China
está hoje entre os principais parceiros de todos os integrantes do Mercosul.
O documento final foi assinado pelos presidentes Dilma Rousseff, José Pepe Mujica (Uruguai), Evo
Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Donald Ramotar (Guiana) e

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Desi Bouterse (Suriname), além do ministro de Minas e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, da vice-
presidenta do Peru, Marisol Cruz, e dos vice-chanceleres Alfonso Silva (Chile) e Monica Lanzetta
(Colômbia).
Os chefes de Estado também defenderam um acordo de associação entre o Mercosul e a União
Europeia, e se comprometeram a buscar um instrumento abrangente e equilibrado. O acordo, segundo
eles, fortalecerá o comércio entre os dois blocos e impulsionará o crescimento e o emprego nas duas
regiões. De acordo com integrantes da União Europeia, há oportunidades de avançar e até definir um
acordo de livre comércio. Porém, os negociadores brasileiros se queixam do excesso de obstáculos
imposto pelos europeus a uma série de produtos brasileiros. Os entraves comerciais são as principais
dificuldades para a retomada das negociações entre os dois blocos.

Área de Livre Comércio das Américas (ALCA)

Todo o noticiário sobre Mercosul, Aliança do Pacífico, Parceria Transpacífica e China tem a ver com
um embate ideológico entre duas concepções de política de desenvolvimento econômico e social. A
primeira dessas concepções afirma que o principal obstáculo ao crescimento e ao desenvolvimento é a
ação do Estado na economia. A ação direta do Estado na economia, através de empresas estatais, como
a Petrobrás, ou indireta, através de políticas tributárias e creditícias para estimular empresas
consideradas estratégicas, como a ação de financiamento do BNDES, distorceria as forças de mercado
e prejudicaria a alocação eficiente de recursos.
Nesta visão privatista e individualista, uma política de eliminação dos obstáculos ao comércio e à
circulação de capitais; de não discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras; de eliminação de
reservas de mercado; de mínima regulamentação da atividade empresarial, inclusive financeira; e de
privatização de empresas estatais conduziria a uma eficiente divisão internacional do trabalho em que
todas as sociedades participariam de forma equânime e atingiriam os mais elevados níveis de
crescimento e desenvolvimento.
Esta visão da economia se fundamenta em premissas equivocadas. Primeiro, de que todos os Estados
partem de um mesmo nível de desenvolvimento, de que não há Estados mais e menos desenvolvidos.
Segundo, de que as empresas são todas iguais ou pelo menos muito semelhantes em dimensão de
produção, de capacidade financeira e tecnológica e de que não são capazes de influir sobre os preços.
Terceiro, de que há plena liberdade de movimento da mão de obra entre os Estados. Quarto, de que há
pleno acesso à tecnologia que pode ser adquirida livremente no mercado. Quinto, de que todos os
Estados, inclusive aqueles mais desenvolvidos, seguem hoje e teriam seguido passado esse tipo de
políticas.
Como é obvio estas premissas não correspondem nem à realidade da economia mundial, que é muito,
muito mais complexa, nem ao desenvolvimento histórico do capitalismo. Historicamente, as nações hoje
altamente desenvolvidas utilizaram uma gama de instrumentos de política econômica que permitiram o
fortalecimento de suas empresas, de suas economias e de seus Estados nacionais. Isto ocorreu mesmo
na Inglaterra, que foi a nação líder do desenvolvimento capitalista industrial, com a Lei de Navegação,
que obrigava o transporte em navios ingleses de todo o seu comércio de importação e exportação; com
a política de restrição às exportações de lã em bruto e às importações de tecidos de lã; com as restrições
à exportação de máquinas e à imigração de “técnicos”.
Políticas semelhantes utilizaram a França, a Alemanha, os Estados Unidos e o Japão. Países que não
o fizeram naquela época, tais como Portugal e Espanha, não se desenvolveram industrialmente e,
portanto, não se desenvolveram. Se assim foi historicamente, a realidade da economia atual é a de
mercados financeiros e industriais oligopolizados em nível global por megaempresas multinacionais, cujas
sedes se encontram nos países altamente desenvolvidos. A lista das maiores empresas do mundo,
publicada pela revista Forbes, apresenta dados sobre essas empresas cujo faturamento é superior ao
PIB de muitos países. Das 500 maiores empresas, 400 se encontram operando na China. Os países
altamente desenvolvidos protegem da competição estrangeira setores de sua economia como a
agricultura e outros de alta tecnologia.
Através de seus gigantescos orçamentos de defesa, todos, inclusive a Alemanha e o Japão, que não
poderiam legalmente ter forças armadas, subsidiam as suas empresas e estimulam o desenvolvimento
cientifico e tecnológico. Com os programas do tipo “Buy American” e outros semelhantes, privilegiam as
empresas nacionais de seus países; através da legislação e de acordos cada vez mais restritivos de
proteção à propriedade intelectual, dificultam e até impedem a difusão do conhecimento tecnológico.
Através de agressivas políticas de “abertura de mercados” obtém acesso aos recursos naturais (petróleo,
minérios etc) e aos mercados dos países periféricos, em troca de uma falsa reciprocidade, e conseguem
garantir para suas megaempresas um tratamento privilegiado em relação às empresas locais, inclusive

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no campo jurídico, com os acordos de proteção e promoção de investimentos, pelos quais obtém a
extraterritorialidade. Como é sabido, protegem seus mercados de trabalho através de todo tipo de
restrição à imigração, favorecendo, porém, a de pessoal altamente qualificado, atraindo cientistas e
engenheiros, colhendo as melhores “flores” dos jardins periféricos.
A segunda concepção de desenvolvimento econômico e social afirma que, dada a realidade da
economia mundial e de sua dinâmica, e a realidade das economias subdesenvolvidas, é essencial a ação
do Estado para superar os três desafios que tem de enfrentar os países periféricos, ex-colônias, algumas
mais outras menos recentes, mas todas as vítimas da exploração colonial direta ou indireta. Esses
desafios são a redução das disparidades sociais, a eliminação das vulnerabilidades externas e o pleno
desenvolvimento de seu potencial de recursos naturais, de sua mão de obra e de seu capital.
As extremas disparidades sociais, as graves vulnerabilidades externas, o potencial não desenvolvido
caracterizam o Brasil, mas também todas as economias sul-americanas. A superação desses desafios
não poderá ocorrer sem a ação do Estado, pela simples aplicação ingênua dos princípios do
neoliberalismo, de liberdade absoluta para as empresas as quais, aliás, levaram o mundo à maior crise
econômica e social de sua História: a crise de 2007. E agora, Estados europeus, pela política de
austeridade (naturalmente, não para os bancos) que ressuscita o neoliberalismo, atacam vigorosamente
a legislação social, propagam o desemprego e agravam as disparidades de renda e de riqueza. Mas isto
é tema para outro artigo.
Assim, neste embate entre duas visões, concepções, de política econômica, a aplicação da primeira
política, a do neoliberalismo, levou à ampliação da diferença de renda entre os países da América do Sul
e os países altamente desenvolvidos nos últimos vinte anos até a crise de 2007. Por outro lado, é a
aplicação de políticas econômicas semelhantes, que preveem explicitamente a ação do Estado, que
permitiu à China crescer à taxa média de 10% a/a desde 1979 e que farão que a China venha a ultrapassar
os EUA até 2020. Ainda assim, há aqueles que na periferia não querem ver, por interesse ou ideologia, a
verdadeira natureza da economia internacional e a necessidade da ação do Estado para promover o
desenvolvimento. Nesta economia internacional real, e não mitológica, é preciso considerar a ação da
maior Potência.
A política econômica externa dos Estados Unidos, a partir do momento em que o país se tornou a
principal potência industrial do mundo no final do século XIX e em especial a partir de 1945, com a vitória
na Segunda Guerra Mundial, e confiante na enorme superioridade de suas empresas, tem tido como
principal objetivo liberalizar o comércio internacional de bens e promover a livre circulação de capitais, de
investimento ou financeiro, através de acordos multilaterais como o GATT, mais tarde OMC, e o FMI; de
acordos regionais, como era a proposta da ALCA e de acordos bilaterais, como são os tratados de livre
comércio com a Colômbia, o Chile, o Peru, a América Central e com outros países como a Coréia do Sul.
E agora as negociações, altamente reservadas, da chamada Trans-Pacific Partnership - TPP, a Parceria
Transpacífica, iniciativa americana extremamente ambiciosa, que envolve a Austrália, Brunei, Chile,
Malásia, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Vietnã, e eventualmente Canadá, México e Japão, e que, nas
palavras de Bernard Gordon, Professor Emérito de Ciência Política, da Universidade de New Hampshire,
“adicionaria bilhões de dólares à economia americana e consolidaria o compromisso político, financeiro e
militar dos Estados Unidos no Pacifico por décadas”. O compromisso, a presença, a influência dos
Estados Unidos no Pacifico isto é, na Ásia, no contexto de sua disputa com a China. A TPP merece um
artigo à parte.
Através daqueles acordos bilaterais, procuram os EUA consagrar juridicamente a abertura de
mercados e obter o compromisso dos países de não utilizar políticas de desenvolvimento industrial e de
proteção do capital nacional. Não desejam os Estados Unidos ver o desenvolvimento de economias
nacionais, com fortes empresas, capazes de competir com as megaempresas americanas, por razões
óbvias, entre elas a consequente redução das remessas de lucros das regiões periféricas para a
economia americana. Os lucros no exterior são cerca de 20% do total anual dos lucros das empresas
americanas!
Nas Américas, a política econômica dos Estados Unidos teve sempre como objetivo a formação de
uma área continental integrada à economia americana e liderada pelos Estados Unidos que, inclusive,
contribuísse para o alinhamento político de cada Estado da região com a política externa americana em
seus eventuais embates com outros centros de poder, como a União Europeia, a Rússia e hoje a China.
Assim, já no século XIX, em 1889 , no mesmo ano em que Deodoro da Fonseca proclamou a República,
na Conferência Internacional Americana, em Washington, os Estados Unidos propuseram a criação de
uma união aduaneira continental. Esta proposta, que recebeu acolhida favorável do Brasil, no entusiasmo
pan-americano da recém-nascida república, foi rejeitada pela Argentina e outros países.
Com a I Guerra Mundial, a Grande Depressão, a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial,
os Estados Unidos procuraram estreitar seus laços econômicos com a América Latina, aproveitando,

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inclusive, a derrota alemã e o retraimento francês e inglês, influências históricas tradicionais. Em 1948,
na IX Conferência Internacional Americana, em Bogotá, propuseram novamente a negociação de uma
área de livre comércio nas Américas; mais tarde, em 1988, negociaram o acordo de livre comércio com o
Canadá, que seria transformado em Nafta com a inclusão do México, em 1994; e propuseram a
negociação de uma Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, em 1994.
A negociação da ALCA fracassou em parte pela oposição do Brasil e da Argentina, a partir da eleição
de Lula, em 2002 e de Kirchner, em 2003 e, em parte, devido à recusa americana de negociar os temas
de agricultura e de defesa comercial, o que permitiu enviar os temas de propriedade intelectual, compras
governamentais e investimentos para a esfera da OMC, o que esvaziou as negociações. O objetivo
estratégico americano, todavia, passou a ser executado, agora com redobrada ênfase, através da
negociação de tratados bilaterais de livre comércio, que concluíram com o Chile, a Colômbia, o Peru, a
América Central e República Dominicana, só não conseguindo o mesmo com o Equador e a Venezuela
devido à eleição de Rafael Correa e de Hugo Chávez e à resistência do Mercosul às investidas feitas
junto ao Uruguai.
Assim, a estratégia americana tem tido como resultado, senão como objetivo expresso, impedir a
integração da América do Sul e desintegrar o Mercosul através da negociação de acordos bilaterais,
incorporando Estado por Estado na área econômica americana, sem barreiras às exportações e capitais
americanos e com a consolidação legal de políticas econômicas internas, em cada país, nas áreas de
propriedade intelectual, compras governamentais, defesa comercial, investimentos, em geral com
dispositivos chamados de OMC – Plus, mais favoráveis aos Estados Unidos do que aqueles que
conseguiram incluir na OMC, que, sob o manto de ilusória reciprocidade, beneficiam as megaempresas
americanas, em especial neste momento de crise e de início da competição sino-americana na América
Latina.
Na execução deste objetivo, de alinhar econômica, e por consequência politicamente, toda a América
Latina sob a sua bandeira contam com o auxílio dos grupos internos de interesse em cada país que, tendo
apoiado a ALCA no passado, agora apoiam a negociação de acordos bilaterais ou a aproximação com
associações de países, tais como a Aliança do Pacífico, que reúne países sul-americanos e mais o
México, que celebraram acordos de livre comércio com os EUA. Hoje, o embate político, econômico e
ideológico na América do Sul se trava entre os Estados Unidos da América, a maior potência econômica,
política, militar, tecnológica, cultural e de mídia do mundo; a crescente presença chinesa, com suas
investidas para garantir acesso a recursos naturais, ao suprimento de alimentos e de suas exportações
de manufaturas e que, para isto, procuram seduzir os países da América do Sul e em especial do Mercosul
com propostas de acordos de livre comércio; e as políticas dos países do Mercosul, Argentina, Brasil,
Venezuela, Uruguai e Paraguai que ainda entretém aspirações de desenvolvimento soberano, pretendem
atingir níveis de desenvolvimento social elevado e que sabem que, para alcançar estes objetivos, a ação
do Estado, e da coletividade organizada, é essencial, é indispensável.
Organismos ou organizações internacionais, também chamados de instituições multilaterais, são
entidades criadas pelas principais nações do mundo com o objetivo de trabalhar em comum para o pleno
desenvolvimento das diferentes áreas da atividade humana: política, economia, saúde, segurança, etc.
Essas organizações podem ser definidas como uma sociedade entre Estados. Constituídas por meio de
tratados ou acordos, têm a finalidade de incentivar a permanente cooperação entre seus membros, a fim
de atingir seus objetivos comuns. Atuam segundo quatro orientações estratégicas: Adotar normas comuns
de comportamento político, social, etc. entre os países-membros; Prever, planejar e concretizar ações em
casos de urgência (solução de crises de âmbito nacional ou internacional, originadas de conflitos diversos,
catástrofes, etc.); Realizar pesquisa conjunta em áreas específicas; Prestar serviços de cooperação
econômica, cultural, médica, etc. Abaixo, algumas das mais relevantes organizações internacionais:

ONU - Organização das Nações Unidas

Foi criada pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial e tem como principal objetivo manter
a paz e a segurança internacionais. Proíbe o uso unilateral da força, prevendo contudo sua utilização -
individual ou coletiva - para defender o interesse comum dos seus países-membros. Seu principal objetivo
é manter a segurança internacional e pode intervir nos conflitos não só para restaurar a paz, mas também
para prevenir possíveis enfrentamentos. Também incentiva as relações amistosas entre seus membros
e a cooperação internacional.

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UNESCO - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura

Foi criada em 1945 pela Conferência de Londres e tem como objetivo contribuir para a paz através da
educação, da ciência e da cultura. Visa eliminar o analfabetismo e melhorar o ensino básico, além de
promover publicações de livros e revistas, e realizar debates científicos. Desde 1960, atua também na
preservação e restauração de espaços de valor cultural e histórico.

OCDE - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

É um fórum internacional que articula políticas públicas entre os países mais ricos do mundo. Fundada
em 1961, substituiu a Organização Europeia para a Cooperação Econômica, criada em 1948, no quadro
do Plano Marshall. Sua ação, além do terreno econômico, abrange a área das políticas sociais de
educação, saúde, emprego e renda.

OMS - Organização Mundial da Saúde

É uma agência especializada em saúde, fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à ONU. Sua
sede é em Genebra, na Suíça. Tem como objetivo principal o alcance do maior grau possível de saúde
por todos os povos. Para tanto, elabora estudos sobre combate de epidemias, além de normas
internacionais para produtos alimentícios e farmacêuticos. Também coordena questões sanitárias
internacionais e tenta conseguir avanços nas áreas de nutrição, higiene, habitação, saneamento básico,
etc.

OEA - Organização dos Estados Americanos

Criada em 1948, com sede em Washington (EUA), seus membros são as 35 nações independentes
do continente americano. Seu objetivo é o de fortalecer a cooperação, garantir a paz e a segurança na
América e promover a democracia.

OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte

Foi criada em 1949, no quadro da Guerra Fria, como uma aliança militar das potências ocidentais em
oposição aos países do bloco socialista. Formada inicialmente por EUA, Canadá, Bélgica, Dinamarca,
França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido, a OTAN recebeu a
adesão da Grécia e da Turquia (1952), da Alemanha (1955) e da Espanha (1982).

BIRD - Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento

Com o objetivo de conceder empréstimos aos países membros, o BIRD, também conhecido como
Banco Mundial, oferece financiamento e assistência técnica aos países menos avançados, a fim de
promover seu crescimento econômico. É formado por 185 países-membros e iniciou suas atividades
auxiliando na reconstrução da Europa e da Ásia após a Segunda Guerra Mundial.

FMI - Fundo Monetário Internacional

Criado para promover a estabilidade monetária e financeira no mundo, oferece empréstimos a juros
baixos para países em dificuldades financeiras. Em troca, exige desses países que se comprometam na
perseguição de metas macroeconômicas, como equilíbrio fiscal, reforma tributária, desregulamentação,
privatização e concentração de gastos públicos em educação, saúde e infraestrutura.

OMC - Organização Mundial do Comércio

Trata das regras do comércio entre as nações. Seus membros negociam e formulam acordos que,
depois, são ratificados pelos parlamentos de cada um dos países-membros. Tem como objetivo
desenvolver a produção e o comércio de bens e serviços entre países-membros, além de aumentar o
nível de qualidade de vida nesses mesmos países.

OIT - Organização Internacional do Trabalho

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Tem representação paritária de governos dos seus 182 Estados-membros e de organizações de
empregadores e de trabalhadores. Com sede em Genebra, Suíça, a OIT possui uma rede de escritórios
em todos os continentes. Busca congregar seus membros em torno dos seguintes objetivos comuns:
pleno emprego, proteção no ambiente de trabalho, remuneração digna, formação profissional, aumento
do nível de vida, possibilidade de negociação coletiva de contratos de trabalho, etc.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia

Política externa para direitos humanos

A política externa para direitos humanos apresenta um país aberto ao mundo, disposto a cooperar e a
debater seus pontos fortes e fracos. A maneira transparente e construtiva com que enfrenta seus desafios
e o modo não seletivo e não politizado com que aborda os direitos humanos fazem com que o Brasil seja
visto internacionalmente como um interlocutor coerente e equilibrado. A Constituição Federal determina
a prevalência dos direitos humanos como um dos princípios que devem reger as relações internacionais
do Brasil, além de abrir a possibilidade de que direitos reconhecidos em tratados internacionais se somem
aos direitos e garantias fundamentais já consagrados no texto constitucional.

Política externa para direitos humanos no plano multilateral

O Brasil exerce, entre 2013 e 2015, seu terceiro mandato no Conselho de Direitos Humanos das
Nações Unidas (CDH), tendo sido eleito com a expressiva votação de 184 sufrágios do total de 193 países
com direito a voto, o que representou o reconhecimento da comunidade internacional pelo empenho
brasileiro na promoção e na proteção dos direitos humanos. Nesse órgão, o Brasil tem trabalhado pelo
fortalecimento do CDH e enfatiza a não politização e não seletividade; o combate a todas as formas de
discriminação e o direito à saúde, bem como a ampliação da cooperação entre os países no combate a
violações transnacionais e no intercâmbio de experiências bem-sucedidas. Os outros dois mandatos
brasileiros no CDH foram entre 2006-2008 e entre 2009-2011.
Composto por 47 países, o CDH é responsável pelo fortalecimento da promoção e da proteção dos
direitos humanos no mundo. Foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 2006 e realiza, dentre outras
iniciativas, a Revisão Periódica Universal, mecanismo que permite a avaliação da situação dos direitos
humanos em todos os Estados-Membros das Nações Unidas.
O Brasil aderiu à quase totalidade dos instrumentos internacionais sobre a promoção e a proteção dos
direitos humanos. Ademais, estende convite permanente para a visita de Relatores Especiais e Peritos
Independentes do CDH dedicados a averiguar a situação dos direitos humanos pelo mundo. Cabe ao
Itamaraty tratar das datas e dos locais das visitas junto às autoridades locais. Desde 1998, o Brasil já
recebeu a visita de mais de vinte desses representantes.
Ainda no plano multilateral, o Brasil também acompanha o trabalho dos comitês encarregados de
monitorar a implementação dos tratados de direitos humanos. Cabe ao Brasil – ao Itamaraty, em
coordenação com a Secretaria de Diretos Humanos (SDH) e outros órgãos federais – encaminhar
relatórios periódicos sobre a promoção e a proteção no país dos direitos consagrados nesses tratados.

Política externa para direitos humanos no plano regional

O Brasil participa ativamente dos trabalhos da Organização dos Estados Americanos, e


particularmente do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. A participação no sistema propiciou
avanços no tratamento de questões críticas em áreas como segurança pública, combate ao racismo e ao
trabalho escravo, melhoria das condições carcerárias e prevenção da violência contra mulheres. A eleição
do brasileiro Roberto Caldas para o cargo de juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do
brasileiro Paulo Vannuchi para integrar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)
demonstra esse engajamento. Brasília sediou sessão extraordinária da Corte Interamericana em
novembro de 2013.
No MERCOSUL, os principais foros dedicados a esse tema são a Reunião de Altas Autoridades em
Direitos Humanos (RAADH) e a Reunião de Autoridades sobre Povos Indígenas (RAPIM). A RAADH
realizou em novembro de 2013 sua XXIV reunião, e conta com a participação das chancelarias e dos
órgãos de governo responsáveis por direitos humanos, como a SDH, no caso brasileiro. A RAPIM deverá
ser criada na próxima Cúpula do MERCOSUL e será encarregada de tratar da promoção dos direitos dos
povos indígenas. Pelo Brasil, o Itamaraty apoiará a liderança da Fundação Nacional do Índio (FUNAI)
nesse órgão.

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Na UNASUL, o tratamento de direitos humanos dar-se-á no Grupo de Alto Nível de Cooperação e
Coordenação em Direitos Humanos. O órgão ainda definirá sua estrutura, sua agenda e suas formas de
participação.

Política externa para temas sociais

Os avanços sociais alcançados pelo Brasil nos últimos foram reconhecidos internacionalmente e
despertaram interesse de outros países pelas políticas públicas brasileiras. O Brasil é percebido como
capaz de liderar uma agenda criativa e inovadora sobre temas sociais no plano internacional. A
cooperação em tecnologias sociais é tema de interesse dos nossos parceiros, especialmente na América
Latina e Caribe e na África.
Além de exprimirem e projetarem nossos valores no plano internacional, as parcerias e compromissos
internacionais contribuem para aperfeiçoar as políticas públicas nacionais nesse campo, proporcionando
melhorias concretas na vida dos cidadãos.
No sistema das Nações Unidas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) coordena os trabalhos
relacionados à saúde. Dentre as diversas atribuições da OMS estão: liderar os debates sobre temas como
saúde global, doenças não transmissíveis e HIV/AIDS; promover a pesquisa em saúde; estabelecer
normas e padrões; fornecer apoio técnico aos Estados; e atuar na prevenção, avaliação, monitoramento
e combate a pandemias. A Organização Panamericana da Saúde (OPAS) é o Escritório Regional para as
Américas da OMS, integrando simultaneamente os sistemas da OEA e da ONU.
Criada em 1919, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) desempenha papel central na
formulação e aplicação das normas internacionais nesse campo. O "trabalho decente", conceito
formalizado em 1999, sintetiza a missão de promover oportunidades para que todos tenham um trabalho
produtivo e de qualidade – condição fundamental para superar a pobreza, reduzir as desigualdades
sociais, garantir a governabilidade democrática e promover o desenvolvimento sustentável.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o órgão da ONU responsável por
promover o desenvolvimento e trabalhar para eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atribuições,
cabe ao PNUD a coordenação e o monitoramento da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODMs).
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), criado em 1969, é a principal entidade da ONU
na área de população e desenvolvimento. A Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento (CIPD), realizada no Cairo em 1994, aprovou o "Programa de Ação do Cairo", que se
transformou na pedra fundamental do trabalho do UNFPA.

Saúde

Nos últimos anos, a agenda global na área de saúde tem ganhado cada vez mais abrangência,
importância e visibilidade. Nesse período, cresceu o protagonismo do Brasil nos debates da Organização
Mundial da Saúde (OMS), no Programa das Nações Unidas para o HIV/AIDS (UNAIDS) e em outros foros.
Nos últimos anos, em complementação ao foco sobre doenças transmissíveis e acesso a medicamentos,
a atuação do Brasil foi fundamental para que a agenda internacional de saúde incorporasse, entre suas
discussões centrais, a prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, os determinantes
sociais da saúde e a universalização dos sistemas de saúde.

Trabalho

No plano internacional, o Governo brasileiro tem defendido em diversos foros, especialmente no G-20
Financeiro, a importância das políticas de emprego e proteção social para fazer frente à crise econômica
internacional.
O Brasil está empenhado para que a comunidade internacional dê seguimento à Agenda de Trabalho
Decente da Organização Internacional do Trabalho. Somos, também, um dos principais prestadores de
cooperação trilateral Sul-Sul em parceria com a OIT, com projetos em diversos países.
Além disso, o Brasil tem liderado os debates internacionais sobre a erradicação das piores práticas,
em especial o trabalho escravo e infantil. Em outubro de 2013, o Brasil sediou a III Conferência Global
sobre Trabalho Infantil, com participação de 154 países – ocasião em que se aprovou a Declaração de
Brasília sobre Trabalho Infantil.
Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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EUA afrouxam mais as sanções contra viagens e negócios em Cuba

Os Estados Unidos emitiram novas regulações, para afrouxar as regras para viagens e oportunidades
de negócio em Cuba para os cidadãos norte-americanos. O Departamento do Comércio e o Tesouro
afirmaram que as regras entram em vigor no dia 21, simplificando procedimentos para turismo, negócios
de telefonia e internet e transferência de dinheiro para a ilha.
O secretário de Tesouro norte-americano, Jack Lew, disse que os EUA estão ajudando os cidadãos
cubanos a "alcançar a liberdade política e econômica necessárias para construir uma Cuba democrática,
próspera e estável".
Uma fonte do governo dos EUA disse à Associated Press que os dois países planejam retomar o
serviço postal direto neste ano, além de fechar um acordo para estabelecer voos comerciais regulares.
18/09/2015
Fonte: Associated Press.

Muros e violência não vão resolver a crise migratória, diz comissário da EU

O comissário de imigração da União Europeia, Dimitris Avramopoulos, disse nesta quinta-feira que as
barreiras do tipo que a Hungria ergueu na fronteira com a Sérvia são soluções temporárias que só
desviam refugiados e imigrantes para outros países e elevam as tensões.
A Hungria deteve na quarta-feira 29 imigrantes que exigiam ser autorizados a passar para outros
países da UE através da fronteira húngara recém-fechada e entraram em confronto com a polícia, que
usou jatos de água e gás lacrimogêneo.
"A maioria das pessoas que chegam à Europa é formada por sírios que precisam de nossa ajuda",
disse Avramopoulos, em entrevista à imprensa conjunta com os ministros de Relações Exteriores e do
interior da Hungria. "Não há muro que você não vá escalar, nem mar que você não atravesse, se estiver
fugindo da violência e do terror", disse. "Temos o dever moral de oferecer-lhes proteção."
Avramopoulos convidou a Hungria a continuar a trabalhar com a Comissão Europeia para encontrar
soluções comuns e duradouras, acrescentando que a violência não é a resposta.
A Hungria está planejando estender a cerca também para seus limites com Romênia e Croácia (em
parte), em uma medida que diz ser necessária para proteger a fronteira externa da União Europeia e a
área do espaço Schengen, onde não há controles de fronteira.
O secretário-geral das ONU, Ban Ki-moon, expressou choque e alarme pelo modo como as
autoridades lidam com os refugiados e imigrantes na fronteira da Hungria e Sérvia, advertindo que eles
devem ser tratados com dignidade e ter seus direitos humanos respeitados.
Mas o chanceler húngaro, Peter Szijjarto, atacou quem critica o modo como a Hungria lida com os
confrontos. "É bizarro e chocante como alguns membros da vida política internacional e da imprensa
internacional interpretaram os acontecimentos de ontem", disse Szijjarto, sem citar ninguém
especificamente.
17/09/2015
Fonte: http://noticias.r7.com/internacional/muros-e-violencia-nao-vao-resolver-a-crise-migratoria-diz-comissario-da-ue-17092015

China estuda plano de estímulos de 167 bilhões de euros

O Governo chinês estuda um plano de estímulos de 1,2 bilhões de yuan (167 bilhões de euros) para
os próximos três anos, segundo relatório da Corporação de Capital Internacional da China.
Os fundos do Governo Central destinam-se a projetos de investimento, muitos já aprovados pelas
autoridades, e seriam acompanhados de contribuições dos bancos públicos e privados, bem como de
outros investidores, por meio de acordos de cooperação público-privada.
O objetivo é mobilizar entre 5 e 7 bilhões de yuan (695 bilhões a 975 bilhões de euros), acrescenta o
relatório do banco estatal de financiamento de joint ventures, citado pela agência oficial Xinhua.
Esses valores representam entre 2,5% e 3,4% do Produto Interno Bruto.
11/09/2015
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-09/china-estuda-plano-de-estimulos-de-167-bilhoes-de-euros

Sem história na política, Trump e Carson têm apoio da maioria dos republicanos

O multimilionário Donald Trump, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, tem 32% das
intenções de voto, entre os eleitores republicanos, segundo uma pesquisa divulgada hoje (10/09/2015)
pela CNN/ORC Poll. Em segundo lugar aparece o neurocirurgião, Ben Carson, com 19%. Chama atenção

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o fato de que os dois não fizeram carreira na política, mas têm neste momento o apoio da maioria dos
eleitores republicanos ou independentes com tendência republicana.
A pesquisa de hoje mostra que, juntos, eles abrem ampla vantagem sobre os outros 15 candidatos, a
maioria deles da política tradicional republicana, como o ex-governador da Flórida Jed Bush – filho mais
novo do ex-presidente George H. Bush e irmão do ex-presidente George W. Bush.
Jed Bush caiu 4 pontos percentuais desde agosto e tem agora 9% de intenção de votos. O senador
texano Ted Cruz tem 7%, e o ex-governador do estado de Arkansas Mike Huckabee tem 5% de intenção
de votos. O senador da Flórida Marco Rubio, que chegou a estar entre os três candidatos mais fortes nas
pesquisas, perdeu 5 pontos percentuais e agora não registrou pontuação significativa.
O crescimento na intenção de votos em Trump vem sendo contínuo, desde que o milionário anunciou
a candidatura para ser nomeado oficialmente candidato dos republicanos, em junho. As intenções de voto
triplicaram no período, com alta de 8 pontos em relação à sondagem anterior, divulgada em agosto.
Polêmico, o multimilionário tem um discurso nacionalista e anti-imigração. Ele prometeu que, se for
eleito, vai deportar os imigrantes sem documentação que vivem nos Estados Unidos. A estimativa do
governo é que ao menos 11 milhões de pessoas não têm visto de residência para permanecer no país.
Na primeira declaração que deu, após formalizar a candidatura, disse que era preciso retirar os
mexicanos dos Estados Unidos por que eles representavam "o lixo do México" nos Estados Unidos.
Alguns analistas ouvidos pela imprensa norte-americana acreditam que o crescimento de Trump se
deve ao fato de ele se comunicar bem e estar usando um discurso que agrada a classe média norte-
americana.
O jornal Washington Post publicou um artigo intitulado "Por que Trump está na frente?", onde dois
analistas descrevem razões para o aumento na popularidade de Trump.
No caso da migração por exemplo, ele afirma que os "imigrantes sem documentação ocupam postos
de trabalho na construção civil e setor de serviços", que poderiam estar com americanos nativos. A taxa
de desemprego nos Estados Unidos, no entanto, se manteve estável em julho em 5,3% – percentual mais
baixo em sete anos.
Segundo o artigo ele se baseia elementos xenofóbicos, mas usa argumentos que mexem com o norte-
americano convencional. Outra proposta anunciada por ele, foi a de que ele, se eleito, vai aumentar os
impostos para os norte-americanos ricos.
O candidato neurocirurgião Ben Carson foi o que teve crescimento mais surpreendente, ao suber 10
pontos percentuais. Afroamericano e com discurso eloquente, Carson costuma criticar diretamente os
posicionamentos do presidente Barack Obama, em tom pessoal. Ele por exemplo, critica o Obamacare,
programa de saúde criado por Obama para subsidiar o atendimento médico à população de baixa renda.
Os republicanos têm 17 candidatos e os democratas têm seis nomes concorrendo internamente para
as primárias. Na atual fase da campanha, os pré-candidatos fazem convenções em cidades e estados
para convencer o eleitorado de que são o melhor candidato para disputar a campanha.
Até julho os dois principais partidos e também os independentes anunciam os candidatos escolhidos
nas primárias e que serão anunciados nas convenções partidárias. As eleições serão realizadas em
novembro do ano que vem.
10/09/2015
Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/09/10/sem-historia-na-politica-trump-e-carson-tem-apoio-da-maioria-dos-
republicanos/

Senado americano derruba moção contra acordo nuclear com Irã

Os senadores democratas conseguiram bloquear nesta quinta-feira (10/09/2015) uma moção


apresentada pelo Partido Republicano para derrubar o acordo sobre o programa nuclear iraniano, O
resultado abre caminho para a ratificação do tratado e é considerado uma importante vitória do presidente
Barack Obama. A moção precisava de pelo menos 60 votos para ser aprovada, mas recebeu 58 – 42
senadores posicionaram-se contra o texto.
"A comunidade internacional pode começar a implementar o acordo", disse o porta-voz da Casa
Branca, Josh Earnest.
"Vamos usar todas as ferramentas à nossa disposição para parar, retardar e impedir que o acordo
entre em vigor completamente", afirmou o republicano John Boehner.
Em sua edição de hoje, o jornal The Washington Post publicou um artigo da chanceler da Alemanha,
Angela Merkel, e dos primeiros-ministros da França, François Hollande, e do Reino Unido, David
Cameron, pedindo para os norte-americanos aproveitarem uma "oportunidade crucial" e aceitarem o
acordo.

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Firmado em Viena, em 14 de julho pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das
Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), pela Alemanha e pelo Irã, o pacto
nuclear prevê a eliminação progressiva dos bloqueios impostos à economia iraniana nos últimos anos.
Em troca, o Irã limitará suas atividades atômicas e permitirá a realização de controles periódicos da
Organização das Nações Unidas (ONU) em suas instalações.
10/09/2015
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-09/senado-dos-eua-derruba-mocao-contra-acordo-nuclear-com-ira

Crise do Brasil preocupa vizinhos da América do Sul

A crise política e econômica brasileira tem sido acompanhada com preocupação pelos países da
América do Sul. O grau de inquietude muda de acordo com a intensidade da relação de cada país da
região com o Brasil, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.
Três motivos justificam a apreensão: a incerteza política; o fato de a Petrobras e empreiteiras
investigadas na Lava Jato terem investimentos na região; e os possíveis efeitos da recessão econômica
brasileira.
Maior economia regional, o Brasil costuma ser chamado pelos vizinhos de "gigante da América do Sul"
- um gigante que tanto pode influenciar sua vizinhança por sua "saúde" ou "por seus problemas".
"Parece que estamos vendo o fim do ciclo" de influência do Brasil em países como Bolívia, Argentina
e Venezuela, opinou o analista político e econômico boliviano Javier Gómez, do Centro de Estudos para
o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário (CEDLA, na sigla em espanhol), em La Paz.
Na Argentina, a maior preocupação atual é com a desvalorização do real, que poderia afetar a
economia do país e o comércio bilateral, de acordo com economistas.
Ao mesmo tempo, analistas argentinos estão atentos aos fatos políticos, "como o risco de
impeachment" e seu possível efeito nos investimentos internacionais.
Nos países com menor vínculo econômico e comercial com o Brasil, as preocupações são outras. No
Chile, a expectativa é se a situação política chegará a comprometer a esperança de que o Brasil se
aproximará da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, Peru e México).
"(A presidente) Dilma enfraquecida afeta interna e externamente", disse o professor de Ciências
Política Guillermo Holzmann, da Universidade de Valparaíso.
No Peru, na Colômbia e no Equador, as atenções se voltam sobretudo ao desenrolar das investigações
da operação Lava Jato envolvendo as empreiteiras brasileiras com obras milionárias em seus territórios.
Confira as principais preocupações de nossos vizinhos.

Argentina

Em função dos fortes vínculos econômicos e comerciais com a Argentina, o Brasil tem sido citado nas
conversas de políticos e empresários argentinos que temem que a crise política complique ainda mais o
governo de Dilma Rousseff e que a desvalorização do real afete a economia vizinha.
Nos últimos dias, a Lava Jato e os possíveis efeitos cambiais têm sido destaque na imprensa argentina.
"O Brasil preocupa muito. Primeiro pela recessão, porque um Brasil que retrocede afeta diretamente a
Argentina", disse o economista Marcelo Elizondo, da consultoria econômica DNI, de Buenos Aires.
Segundo ele, 50% das exportações industriais argentinas são enviadas ao Brasil e a retração econômica
brasileira significa menos compras externas.
Além disso, a desvalorização do real torna os produtos argentinos mais caros ao mercado brasileiro.
"Em relação ao âmbito político, existe inquietude entre setores empresariais daqui porque o governo
brasileiro realiza reformas econômicas que perdem vigor em função da crise política", disse.
Nos bastidores de alguns setores políticos e entre analistas comenta-se em Buenos Aires que, se a
crise política brasileira continuar, pode "ter eco" na política da Argentina, que elege o sucessor de Cristina
Kirchner em outubro.
"O próximo governo (argentino) não terá o poder que tem o de Cristina. E se o risco de impeachment
de Dilma aumentar, poderá ter eco aqui", disse um dos analistas, pedindo anonimato. "Um Brasil fraco
não é bom para a Argentina. Investidores que esperam o novo governo para investir, pensando em
exportar ao Brasil a partir do ano que vem, podem acabar revendo seus planos, infelizmente."

Bolívia

A Bolívia tem percebido três efeitos econômicos ligados ao Brasil, segundo o analista político e
econômico Javier Gómez, da CEDLA: "Retração nos investimentos da Petrobras no país, desvalorização

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do real (o que facilita as importações de produtos brasileiros já realizadas pelo país andino) e a queda no
preço do gás exportado para o Brasil, em função do recuo do preço internacional do petróleo".
Porém, o que tem intrigado analistas bolivianos é a política brasileira. "Nos últimos anos, o Brasil foi
um modelo (político, econômico e social) que influenciou outros países como a Bolívia, a Argentina e a
Venezuela. Mas parece que estamos vendo o fim desse ciclo", disse Gómez.
Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência, em 2003, foram intensificadas as viagens
presidenciais aos países da América do Sul – o que não ocorreu na gestão Dilma. Nas viagens de Lula,
principalmente, foram anunciados diferentes acordos bilaterais e regionais e obras de empreiteiras
brasileiras na região.
O período coincidiu ainda com a maior presença da Petrobras na região, incluindo na Bolívia.
"As coisas estão mudando. A Petrobras tem o direito de produzir 70% da produção do gás do país,
mas, com os investimentos da empresa estancados, o país já busca outros parceiros", agregou Gómez.

Chile

No Chile, analistas entendem que o quadro atual da política e da economia brasileira preocupa não
somente a América do Sul, mas "ao mundo", afirmou por e-mail o professor de Ciências Política da
Universidade de Valparaíso, Guillermo Holzmann.
"O impacto (no Chile) do quadro atual brasileiro parece mínimo devido ao contexto (de recuo) na China
e (crise) na Grécia, mas sem dúvida é um caso de preocupação mundial", afirmou.
Segundo ele, a principal preocupação no Chile hoje é que a situação no Brasil "afete os planos de
incorporação (do país) na Aliança do Pacífico e aos investimentos ligados às exportações (brasileiras)
através de portos chilenos para o Pacífico".
Outro analista chileno, Ricardo Israel, da Universidade Autônoma do Chile, foi mais direto ao dizer que
o quadro atual mostra novamente o "Brasil como o eterno país do futuro".
"Quando parece que vai decolar como potência e chegar ao desenvolvimento, algo acontece.
Normalmente uma ferida autoprovocada que o faz retroceder."

Peru, Equador e Colômbia

Empreiteiras brasileiras investigadas na Lava Jato têm diferentes projetos nesses três países. Os
empreendimentos incluem obras de infraestrutura, irrigação e mineração, entre outros.
No Peru, muitos dos acordos foram assinados nos governos de Alejandro Toledo (2001-2006) e Alan
García (presidente pela última vez entre 2006 e 2011).
Os dois planejariam ser candidatos à sucessão do atual presidente Ollanta Humala, em 2016, e
especula-se que, dependendo do andar das investigações da Lava Jato no Brasil, a operação poderia
"atingir a campanha presidencial" e operações anticorrupção semelhantes no Peru.
Especialista em Economia, o professor da Universidade de San Marco, Carlos Aquino, disse que em
termos econômicos a crise brasileira não afetaria os peruanos. Quando perguntado sobre as empreiteiras
disse que "até agora são especulações".
Na Colômbia, segundo o jornal El Tiempo, o governo estaria "ativando os controles" para evitar
problemas nos contratos assinados com a Odebrecht. "O vice-presidente Germán Vargas Lleras disse
que o estatuto anticorrupção prevê que qualquer condenação internacional em termos de subornos
inabilitará uma empresa por 20 anos para contratos com o Estado", informou.

Paraguai e Uruguai

Nos dois menores países do Mercosul, a crise brasileira também tem sido destaque diário na imprensa
e tema nas conversas de autoridades locais.
No entanto, no caso do Paraguai, o analista político e econômico Fernando Masi, do Centro de Análise
e Difusão da Economia Paraguaia, disse que a percepção é que o Brasil vai sair "rápido" da crise por ter
"poder político" e "instituições fortes". Ele admitiu, porém, que o Paraguai deverá crescer menos que o
esperado neste ano, em função da recessão brasileira.

Venezuela

Por estar tão atolada em sua própria crise, a Venezuela tem olhado pouco para o que acontece no
Brasil, segundo o analista venezuelano Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, de Caracas.

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"São tantos problemas aqui que o Brasil tem surgido de forma muito paralela em algumas conversas,
mas não é o que preocupa nesse momento", disse.
Segundo ele, além das incertezas no governo de Nicolás Maduro, existe preocupação com a queda
no preço internacional do petróleo – essencial para o país.
"Lula foi muito próximo de Chávez e Dilma é muito cordial com Maduro, mas hoje Cuba tem maior
influência aqui do que o Brasil", disse.
Segundo ele, porém, a oposição venezuelana poderia chegar a incluir os casos de corrupção
envolvendo empreiteiras brasileiras na campanha para a eleição legislativa de dezembro.
30/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/crise-do-brasil-preocupa-vizinhos-da-america-do-sul.html

Paraguai assume presidência do Mercosul após cúpula em Brasília

O presidente do Paraguai, Horácio Cartes, assumiu nesta sexta-feira (17/07/2015) o comando do


Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Ele foi
escolhido após cúpula do Mercosul, em Brasília.
Horácio Cartes presidirá o bloco econômico pelos próximos seis meses. Até a cúpula desta sexta, o
Mercosul era comandado pela presidente Dilma Rousseff – ela assumiu o mandato em dezembro do ano
passado, após encontro do bloco na cidade de Paraná, na Argentina.
Em seu discurso, ao tomar posse como novo presidente, Cartes defendeu que o bloco tenha “mercado
livre e sem travas."
“Estou convencido de que devemos fixar metas realizáveis e mensuráveis, colocando todos os
esforços para concretizá-las na maior brevidade possível. O mundo nos observa, então, façamos
realidade do bloco a integração", disse.
"O Paraguai propõe mercado livre e sem travas entre os países, além do apoio político e técnico dos
governos de todos os Estados do Mercosul com o compromisso de servirmos aos cidadãos para
conseguirmos, cada vez mais, melhores condições de vida”, completou o presidente paraguaio.
A cúpula em Brasília, no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, serviu para
que os países discutissem temas como integração produtiva, promoção comercial e atração de
investimentos.
Ao passar o comando do Mercosul para Horácio Cartes, a presidente Dilma Rousseff citou o “grau de
comprometimento” do governo brasileiro à frente do bloco. A petista ainda desejou ao colega paraguaio
“muito êxito” e o homenageou em sua fala.
“Ao transmitir a presidência, desejo ao governo do Paraguai, na pessoa do presidente Horácio Cartes,
muito êxito na construção dos trabalhos do Mercosul no próximo semestre”, declarou Dilma.

‘Aventuras antidemocráticas’

Mais cedo, ao discursar durante a Cúpula do Mercosul, a presidente afirmou, sem citar exemplos, que
não há espaço para “aventuras antidemocráticas” na região.
“A realização periódica e regular desses pleitos [ela citou as eleições recentes nos países do Mercosul]
demonstra a capacidade de lidar com as diferenças políticas por meio do diálogo, do respeito às
instituições e da participação cidadã. Temos de persistir neste caminho e evitando atitudes que acirrem
disputas e incitem a violência. Não há espaço para aventuras antidemocráticas na América do Sul e na
nossa região”, disse a presidente na ocasião.
Dilma também afirmou que a crise econômica mundial não pode criar barreiras econômicas entre os
países do Mercosul e defendeu que o bloco busque acordos com países fora da região.
17/07/2015
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/paraguai-assume-presidencia-do-mercosul-apos-cupula-em-brasilia.html

EUA não planejam mudanças na política migratória relativa a Cuba

O governo dos Estados Unidos não prevê no momento modificar sua política migratória em relação a
Cuba, apesar do anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas a partir do dia 20 de julho,
informou nesta segunda-feira o Departamento de Estado americano.
"A administração não tem planos para alterar sua política migratória atual, incluindo a Lei de Ajuste
Cubano", destacou o Departamento de Estado em um comunicado.
Aprovada em novembro de 1966, a Lei de Ajuste Cubano outorga ao Procurador Geral o poder de
conceder visto permanente nos Estados Unidos a cidadãos cubanos uma vez que se entram em território
americano.

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Mediante esta lei, os imigrantes cubanos, com ou sem visto, podem conseguir emprego e obter a
residência permanente em um ano.
De acordo com a nota divulgada nesta segunda-feira, os Estados Unidos apoiam uma "migração
segura, legal e ordenada" desde Cuba e "completa implementação dos acordos migratórios vigentes".
O Departamento de Estado lembrou que são reconhecidas atualmente 12 categorias de autorizações
para viajar a Cuba, e que o Departamento do Tesouro "continuará administrando as regulações para
proporcionar licenças gerais" para estas viagens.
Ambos os governos anunciaram na última quarta-feira a decisão de restabelecer as relações
diplomáticas depois de meio-século de ruptura, assim como a reabertura das suas respectivas
embaixadas.
"Normalizar essas relações é um processo longo e completou, que requer interação contínua e diálogo
entre os dois governos, baseado no respeito mútuo. Haverá áreas de cooperação com os cubanos, e
ainda continuaremos tendo nossas diferenças", resumiu o comunicado.
06/07/2015
Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2015/07/06/interna_internacional,665578/eua-nao-planejam-mudancas-na-politica-
migratoria-relativa-a-cuba.shtml

Corrida presidencial dos Estados Unidos tem 11 pré-candidatos

A menos de um ano e meio das eleições presidenciais dos Estados Unidos, previstas para novembro
de 2016, os pré-candidatos dos principais partidos, Democrata e Republicano, já começam a anunciar
suas candidaturas e a fazer campanhas para serem escolhidos nas eleições primárias. Até o momento,
entre os democratas, três nomes anunciados, dentre eles o da ex-secretária de Estado Hillary Clinton.
Entre os republicanos já são nove pré-candidatos.
Nesta fase, os aspirantes à candidatura fazem campanhas internas e tentam ganhar os votos do
partido e a opinião pública. Algumas pesquisas já apontam tendências em sondagens de intenção de voto
no país. Além disso, este é o momento em que os pré-candidatos fazem campanha para arrecadar fundos
para a disputa.
Eles concorrem agora às vagas de candidato de cada partido, que deve eleger um nome nas eleições
primárias previstas para o primeiro semestre do ano que vem. Os vencedores das primárias – eleições
internas dos partidos – serão oficializados nas convenções, que ocorrem entre junho e agosto.
Hillary foi a primeira a anunciar sua pré-candidatura, em abril, e tenta pela segunda vez ser candidata
pelo Partido Democrata, uma vez que em 2008 foi derrotada por Barack Obama. Os outros candidatos
democratas já formalmente anunciados são Bernie Sanders, senador por Vermont, que se autodenomina
socialista, e Martin O'Malley, ex-governador do estado de Maryland.
Entre os republicanos, o primeiro a anunciar candidatura foi o senador Marco Rubio, da Flórida. Filho
de imigrantes cubanos, tem 43 anos e é conhecido pelo tom conservador e por suas críticas às propostas
migratórias do governo Obama. Ele tem criticado duramente a Casa Branca pela reaproximação com o
governo cubano.
Outro senadores do mesmo partido, que anunciaram pré-candidaturas foram Ted Cruz, do Texas;
Rand Paul, do estado do Kentucky e Lindsey Graham, senador pela Carolina do Sul, que anunciou ontem
(01/06/2015) que sua candidatura. O ex- senador Rick Santorum, da Pennsylvannia, também é candidato.
Dois ex-governadores republicanos estão no páreo: George Pataki, de Nova York, e Mike Huckabee,
do Arkansas. Outros nomes são Ben Carson – afro-americano e neurocirurgião aposentado famoso por
alguns discursos críticos contra a administração Obama – e Carlu Fiorina, do Texas, uma liderança
feminina entre os conservadores.
Além dos aspirantes declarados, há os chamados “potenciais candidatos”, alvos de especulações,
como o vice-presidente Joe Biden, do lado democrata, e entre os republicanos, o ex-governador da
Flórida, Jed Bush, irmão mais novo do ex-presidente George Bush.
02/06/2015
Fonte: http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/06/corrida-presidencial-dos-estados-unidos-tem-11-pre-candidatos

Mercosul quer baixar preços e aumentar acesso da população a medicamentos

O acesso a medicamentos foi um dos temas de maior destaque na 37ª Reunião de Ministros do
Mercosul, finalizada hoje (11/06/2015), em Brasília. Os países assinaram acordo prevendo a criação de
um grupo de trabalho para estudar formas de reduzir valores e aumentar o acesso a remédios;
principalmente os de alto custo. A conclusão do trabalho deve ser apresentada na próxima reunião do
grupo, em setembro.

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Nas reuniões políticas, os ministros da Saúde e seus representantes adiantaram algumas formas de
baratear os remédios, como fazer compras em blocos de países. “Tomamos uma decisão política de criar
uma plataforma comum de avaliação dos preços, qualificando um banco regional de preços, no âmbito
do Mercosul; de estabelecer uma estratégia de aquisição de medicamentos de alto custo para doenças
raras [de uso] comum [dos países], de tal maneira que possamos usar o poder de compra publica, o poder
de escala com as empresas que produzem esses medicamentos, da maneira mais vantajosa para garantir
o acesso aos usuários”, explicou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
Em coletiva de imprensa, na tarde desta quinta-feira, Chioro disse que o acesso a remédios mais caros
é um problema comum aos oito países que participaram da reunião, uma vez que a concorrência é baixa
e muitas vezes a compra é pequena, o que pode tornar o valor mais alto ainda para países com pequena
população. O ministro da Saúde da Argentina, Daniel Gollan, exemplificou que o valor de um remédio
para hepatite B custa em seu país o dobro do que custa no Brasil, e cinco vezes mais do que custa no
Peru.
O acordo também poderá possibilitar que um país compre medicamentos seguindo licitação feita por
outro do grupo, o que pode precisar de alteração nas legislações dos signatários. Além disso, deve ser
criada uma lista de poucos medicamentos prioritários para todos os países, de modo a que a compra
possa ser feita pelo fundo estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Este fundo é
usado para a compra de medicamentos em larga escala, pela Opas, para os países da região. A previsão
de orçamento para medicamentos no Brasil, em 2015, ultrapassa R$ 14 bilhões.
“Temos capacidade de, todos juntos, ganharmos no preço. O Brasil pode comprar mais barato do que
compra, de os países ganharem muito na aquisição, e com isso garantir o acesso da nossa população [a
medicamentos] e evitar as estratégias que hoje se apresentam em todos os países, [caso] da
judicialização como [artifício para] introduzir, de maneira crítica, desorganizada muitas vezes, como
estratégia comercial de novos medicamentos que sequer têm registros de segurança”, avaliou o ministro.
Ele ressaltou que as medidas não serão excludentes.
Brasil, Argentina, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Uruguai e Peru também firmaram acordos
políticos que mostram disposição em dar atenção às áreas de prevenção de mortes no trânsito,
diminuição do sódio na alimentação, transplantes e diminuição de cesarianas – problemas comuns a
todos.
11/06/2015
Agência Brasil

Na Bélgica, Dilma diz que Mercosul está pronto para acordo com a União Europeia

A presidenta Dilma Rousseff chegou nesta quarta-feira (10/06/2015) à Bélgica e após uma reunião
com o primeiro-ministro do país, Charles Michel, disse que o Brasil e o Mercosul estão prontos para fechar
um acordo comercial com a Europa.
A presidenta está em Bruxelas para a 2º Cúpula entre a Comunidade dos Estados Latino-Americanos
e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE). A reunião poderá ser o cenário para que Mercosul e a UE
avancem na negociação para um acordo de livre comércio, com a apresentação de suas ofertas
comerciais. No momento, os dois lados montam uma lista de quais produtos poderão ter as tarifas
zeradas. A apresentação tem que ser simultânea e já chegou a ser negociada em 2013 e 2104, mas não
prosperou.
“Disse ao primeiro-ministro que o Brasil e Mercosul estão em condições de apresentar as ofertas
comerciais para a União Europeia. Acreditamos que isso pode acontecer nos próximos dias ou meses e
esperamos que, da mesma forma, essa questão evolua de forma satisfatória do ponto de vista da UE”,
disse Dilma em declaração à imprensa após a reunião com o chefe de Estado belga.
Em maio, durante a visita ao Brasil do então presidente do Uruguai Tabaré Vásquez, ambos
ressaltaram que o fechamento do acordo tarifário entre os dois blocos é a prioridade do grupo sul-
americano para este ano.
Na declaração de hoje, Dilma também destacou a relação comercial entre o Brasil e a Bélgica. Ela
defendeu a ampliação da cooperação, comércio e investimentos entre os dois países. “Discutimos sobre
algumas áreas que são importantes para ambos os países. O Brasil acaba de lançar um grande plano de
concessão e investimento em logística e as empresas belgas estão no Brasil em algumas áreas. Então,
para nós e importante que essa relação se expanda”, avaliou.
A presidenta agradeceu a parceria da Bélgica no Programa Ciência sem Fronteiras e propôs a
expansão da cooperação com a criação de vagas de estágio para estudantes brasileiros em empresas
belgas. “Os estudantes que buscam universidades de alto nível para fazer seus estágios e bolsas,

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encontraram aqui na Bélgica um local e um acolhimento especial. Agradeci por eles e, ao mesmo tempo,
nos propomos a expandir essa relação”.
Após o encontro com o primeiro-ministro, Dilma seguiu para a abertura da cúpula, que reúne chefes
de Estado da Celac e da União Europeia. Em dois dias de reuniões, os dois blocos vão tratar de temas
comerciais e de questões como direitos humanos, migração e mudanças climáticas.
10/06/2015
Agência Brasil

Entenda a retomada do diálogo entre EUA e Cuba

O anúncio do “descongelamento” das relações diplomáticas – termo técnico usado na diplomacia –


entre os Estados Unidos e Cuba, 53 anos depois do rompimento das relações entre os dois países, é o
primeiro passo para o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos
desde 1962. Na estimativa do governo cubano, mais de meio século de embargo provocaram a perda de
aproximadamente US$ 1,1 trilhão.
Para o economista colombiano Carlos Martínez, doutor em relações internacionais pela Universidade
de Paris e analista geopolítico, a pressão internacional foi fundamental para a retomada do diálogo. “A
América Latina e o Vaticano foram importantes instrumentos de pressão sobre o governo de Barack
Obama. A ação em bloco dos países da Unasul [União das Nações Sul-Americanas] e a gestão do papa
Francisco foram importantes para que os dois países dessem esse passo de reaproximação”, avalia
Martínez.
O especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Pio Penna, entretanto,
avalia que a pressão dos países vizinhos ou mesmo do Vaticano não foi a principal razão. “O que
aconteceu foi que Obama já tinha esta meta, simplesmente pelo fato de que o embargo é anacrônico e
inconcebível nos dias de hoje”, defende.
Para ele, ainda que politicamente a pressão dos países vizinhos mostre coesão do bloco regional neste
tema, a política dos EUA não costuma se “dobrar” aos apelos latino-americanos. “A América Latina não
tem poder para pressionar os Estados Unidos. Neste caso, as gestões só referendam intenções já
declaradas”, frisa o professor.
O economista colombiano defende que o cenário favorável foi construído com a participação dos
países vizinhos. “Brasil, Argentina, Venezuela bancaram Cuba e mostraram que a ilha é viável. O porto
de Muriel, financiado pelo Brasil, e o dinheiro investido pelo governo venezuelano desde o início do
governo [Hugo] Chávez ajudaram os cubanos a se manter, apesar do embargo”, destaca. “Cuba mostrou-
se viável apesar dos problemas enfrentados. Mostrou ser um polo tecnológico, médico e de biotecnologia,
ainda que a ilha enfrente um inegável atraso econômico”, pontua Martínez.
Apesar da retomada do diálogo, a suspensão do embargo econômico não será imediata porque a
sanção não pode ser removida por decisão presidencial. O Congresso norte-americano precisa aprovar
uma lei para anular o embargo, estabelecido por meio de normas federais. Algumas vigoram desde 1962,
ano em que a sanção começou a ser aplicada, outras foram sendo votadas ou modificadas
posteriormente. Entre elas estão a Lei Torricelli (lei para Democracia Cubana) de 1962, aprovada pelo
Congresso e que incrementou sanções anteriores, e a chamada Lei Helms-Burton, de 1996, que também
ficou conhecida como Lei de Liberdade e Solidariedade Democrática Cubana.
A Torricelli justificava o bloqueio com argumentos de segurança dos Estados Unidos e a Helms-Burton
regulamentou outras leis e decretos presidenciais adotados desde 1962 sobre o tema do embargo. “A
Helms-Burton precisa ser revogada e isso depende do Congresso”, lembra Martínez. Ontem (17) o
presidente Obama disse que irá levar o tema para discussão no Legislativo.
Pio Penna avalia que, internamente, a retirada do embargo é um tema delicado. “Por mais de 50 anos,
o embargo foi justificado como necessário, ainda que anacrônico e incoerente no mundo atual, mas retirar
isso depende da habilidade do governo de convencer o Congresso sobre a necessidade dessa
suspensão”, destaca.
Até o final do mandato de Obama, em 2016, o Congresso norte-americano tem maioria republicana.
Muitos deles, logo após o anúncio do governo, criticaram a decisão da Casa Branca. “É cedo para falar
se a reação contrária é só discurso político para o eleitorado republicano. Porque, em uma análise
pragmática, o partido também pode optar pela sensatez de retirar um embargo que não se justifica”,
destaca o professor brasileiro.
Martínez lembra que, apesar do embargo ainda estar em vigor, algumas medidas já vem sendo
adotadas, como menos restrições para a concessão de vistos para cubanos, e a maior quantidade de
produtos estrangeiros, sobretudo da Europa, sendo comercializados na ilha. “Obama se deu conta que o

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isolamento não se justifica”, diz o colombiano. Em seu pronunciamento ontem, Obama disse que “isolar
Cuba” não resolveu os problemas.
Para Pio Penna, os Estados Unidos é que estão isolados na postura do embargo. “Não só na
economia. Não há motivo para que Cuba seja mantida na lista dos países ligados ao terrorismo”,
completa.
Com relação ao futuro do governo Raúl Castro e à abertura econômica, Martínez acredita que os
Castro já vinham trabalhando em uma transição gradual. “O próprio presidente Raúl Castro disse, no ano
passado, que este será seu último mandato”, relembra.
Penna, por sua vez, enfatiza que o efeito da reaproximação poderá mudar “substancialmente” o país
e influenciar na abertura política da ilha. “Quem quiser ver a parte histórica de Cuba, a parte que não se
desenvolveu e o retrato do socialismo no país, dever ir rapidamente para a ilha. Em pouco tempo, o
ambiente deve mudar muito e o reflexo da chegada de bens de consumo pode influenciar diretamente na
vida da população, sobretudo na mais jovem”, palpita.
Martínez acredita que Cuba deixará o seu legado histórico na resistência e no contraponto do
pensamento independente na América Latina. Mas avalia que “ainda é cedo para dizer o que vai
acontecer”, quando perguntado se isso poderia ser o fim da era Castro.
Mais contundente, Penna acredita que podem ser esperadas mudanças, ainda que Raúl Castro passe
o governo a um sucessor na intenção de manter a mesma linha de governo. “Com mais abertura,
mudanças poderão ser exigidas, sobretudo pelos mais jovens.”

Cronologia

Janeiro de 1959 – Revolução Cubana


Sob o comando de Fidel Castro, guerrilheiros derrubam Fulgêncio Batista e estabelecem um governo
socialista na ilha.

Abril de 1961- Invasão da Baía dos Porcos


O Presidente John F. Kennedy ordenou a invasão de Cuba. A ação foi feita por um grupo de exilados
cubanos sob o comando da CIA, mas o plano fracassou e foi crucial para iniciar a ruptura diplomática

Fevereiro de 1962 – Início do embargo


Após a tentativa frustrada de invasão à ilha, os Estados Unidos anunciam um embargo econômico,
comercial e financeiro a Cuba.

Outubro de 1962 – Mísseis da União Soviética e dos EUA


Satélites norte-americanos detectaram uma base de mísseis nucleares da União Soviética instalada em
Cuba. Com a descoberta foi iniciada uma operação militar de cerco à ilha e à antiga União Soviética
(URSS) e terminou com a retirada dos mísseis nucleares de Cuba em troca da retirada de mísseis norte-
americanos na Turquia. O incidente foi considerado um dos mais intensos do período da guerra fria entre
ex-URSS e os EUA.

Agosto 1991 a dezembro de 1991 – O fim da URSS


Com a dissolução da União Soviética, a economia cubana passa por um período extremamente difícil
com a perda de auxílio financeiro do bloco socialista europeu. A URSS era o principal financiador do
governo Castro.

Setembro de 1998 – Prisão dos Cinco Cubanos


A emblemática prisão dos cinco cubanos que os EUA acusam de espionagem - René González, Gerardo
Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González – que ficaram conhecido como
“Los Cinco”. Eles admitiram que eram agentes do governo cubano “não declarados” nos EUA, mas que
seus alvos eram “grupos terroristas de exilados” que conspiravam contra o então presidente Fidel Castro,
e não o governo norte-americano. Hernández, Labañino e Guerrero foram libertados na última quarta-
feira (17). René González e Fernando González já haviam retornado a Havana.

Novembro de 1999 – Elián González


Elián González tinha 6 anos quando sua família tentou imigrar de Cuba para a Flórida. Foi a única
sobrevivente e sua imagem passou a ser usada politicamente. Depois de sete meses de batalhas na
Justiça americana, ele saiu da Flórida e regressou a Cuba.

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Fevereiro de 2008 – Passagem da presidência
Com problemas de saúde, Fidel Castro passa a presidência para as mãos do irmão Raúl Castro.

2009 – Fim de restrições de viagens e transferências de dinheiro dos EUA para Cuba
Após tomar posse, Barack Obama anuncia o fim das restrições nas viagens para Cuba e autoriza a
transferência de dinheiro dos Estados Unidos para moradores da ilha.

2012 – Eliminação de restrições de viagens para cubanos


Raúl Castro diminui as restrições burocráticas impostas aos cubanos para viagens ao exterior.

Fevereiro de 2013 – Raúl Castro fala em transição política


Após ter seu nome ratificado pelo Legislativo para mais cinco anos de poder na ilha, Raúl Castro afirma
que o país vai passar por uma transição política e que pretende passar o poder adiante após o término
do período.

Dezembro de 2013
No funeral de Nelson Mandela, Barack Obama e Raúl Castro trocam um aperto de mão, lançando a
especulação sobre uma possível aproximação entre os dois países.

Dezembro de 2014
O presidente dos Estados Unidos e o presidente de Cuba anunciam a retomada das relações diplomáticas
interrompidas por mais de 50 anos. Os EUA voltarão a ter embaixada em Havana e libertaram três espiões
cubanos (Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino). Em troca, foi libertado um espião
norte-americano e o empreiteiro Alan Gross.
18/12/2014
Agência Brasil

Meio Ambiente e Ecologia

Desenvolvimento sustentável

Relativamente novo, o termo desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez, em 1983,
pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU. Presidida pela então
primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brudtland, essa comissão propôs que o desenvolvimento
econômico fosse integrado à questão ambiental, estabelecendo o conceito de expansão da atividade
industrial sem que isso trouxesse impacto profundo ao meio ambiente.
Os trabalhos foram concluídos em 1987, com a apresentação de um diagnóstico dos problemas globais
ambientais, conhecido como “Relatório Brundtland”. Na Eco-92 (Rio-92), essa nova forma de
desenvolvimento foi amplamente difundida e aceita, e o termo ganhou força. Nessa reunião, foram
assinados a Agenda 21 e um conjunto amplo de documentos e tratados cobrindo biodiversidade, clima,
florestas,desertificação e o acesso e uso dos recursos naturais do planeta.
Por definição, desenvolvimento sustentável significa “atender às necessidades da atual geração, sem
comprometer a capacidade das futuras gerações em prover suas próprias demandas”. Isso quer dizer:
usar os recursos naturais de maneira consciente para que esta utilização não acabe por destruí-lo. É o
desenvolvimento que não esgota os recursos, conciliando crescimento econômico e preservação da
natureza.
Dados divulgados pela ONU revelam que se todos os habitantes da Terra passassem a consumir como
os americanos, precisaríamos de mais 2,5 planetas como o nosso para prover todos os recursos
necessários à elaboração de materiais e produtos. Atualmente, o homem esgotas os recursos naturais
com velocidade muito maior do que a natureza consegue repor. Em pouco tempo, se continuarmos nesse
ritmo, não teremos água nem energia suficiente para atender às nossas necessidades. Cientistas
prevêem que os conflitos serão, no futuro, decorrentes da escassez dos bens naturais.
A primeira etapa para conquistar o desenvolvimento sustentável é reconhecer que os recursos naturais
são finitos. Usar os bens naturais, com critério e planejamento. A partir daí, traçar um novo modelo de
desenvolvimento econômico para a humanidade.

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Consumo racional

É um modo de consumir capaz de garantir não só a satisfação das necessidades das gerações atuais,
como também das futuras gerações. Isso significa optar pelo consumo de bens produzidos com tecnologia
e materiais menos ofensivos ao meio ambiente, utilização racional dos bens de consumo, evitando-se o
desperdício e o excesso e ainda, após o consumo, cuidar para que os eventuais resíduos não provoquem
degradação ao meio ambiente. Principalmente: ações no sentido de rever padrões insustentáveis de
consumo e diminuir as desigualdades sociais.
Adotar a prática dos três 'erres': Redução, que recomenda evitar o consumo de produtos
desnecessários; Reutilização, que sugere que se reaproveite diversos materiais; e Reciclagem, que
orienta reaproveitar materiais, transformando-os e lhes dando nova utilidade.
Texto adaptado de http://www.wwf.org.br/natureza_
brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/

Aquecimento Global

O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. Diversas
pesquisas confirmam o aumento da temperatura média global. Conforme cientistas do Painel
Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século
XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse
aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar
profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.
As causas do aquecimento global são muito pesquisadas. Existe uma parcela da comunidade científica
que atribui esse fenômeno como um processo natural, afirmando que o planeta Terra está numa fase de
transição natural, um processo longo e dinâmico, saindo da era glacial para a interglacial, sendo o
aumento da temperatura consequência desse fenômeno.
No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às atividades
humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases de combustíveis
fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias produz gases como
o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das
radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas, esse processo causa
o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações
climáticas são os desmatamentos e a constante impermeabilização do solo.
Atualmente os principais emissores dos gases do efeito de estufa são respectivamente: China, Estados
Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul. Em busca de
alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997.
Conforme o documento, as nações desenvolvidas comprometem-se a reduzir sua emissão de gases que
provocam o efeito de estufa, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta teve que ser
cumprida entre os anos de 2008 e 2012. Porém, vários países não fizeram nenhum esforço para que a
meta fosse atingida, o principal é os Estados Unidos.

Enfraquecido, Protocolo de Kyoto é estendido até 2020

Quase 200 países concordaram em estender o Protocolo da Kyoto até 2020. A decisão foi tomada
durante a COP-18, Cúpula das Nações Unidas sobre Mudança Climática realizada em Doha, no Catar.
Apesar do acordo, Rússia, Japão e Canadá abandonaram o Protocolo: assim, as nações que obedecerão
suas regras são responsáveis por apenas 15% das emissões globais de gases de efeito estufa. O acordo
evita um novo entrave nas negociações realizadas há duas décadas pela ONU. Na oportunidade, não foi
possível impedir o aumento das emissões de gases do efeito estufa.
Sem o acordo, a vigência do Protocolo se encerraria no começo de 2013. A extensão do Protocolo o
mantém ativo como único plano que gera obrigações legais com o objetivo de enfrentar o aquecimento
global. Rússia, Belarus e Ucrânia se opõem à decisão de estender o Protocolo para além de 2012. A
Rússia quer limites menos rígidos sobre as licenças de emissões de carbono que não foram utilizadas.
Todos os lados dizem que as decisões tomadas em Doha ficaram aquém das recomendações de
cientistas. Estes queriam medidas mais duras para evitar mais ondas de calor, tempestades de areia,
enchentes, secas e aumento do nível dos oceanos.

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Conceito de desenvolvimento sustentável

Usar os recursos naturais com respeito ao próximo e ao meio ambiente. Preservar os bens naturais e
a dignidade humana. É o desenvolvimento que não esgota os recursos, conciliando crescimento
econômico e preservação da natureza.
Em Salvador, o TEDxPelourinho foi totalmente dedicado ao tema, e reuniu pensadores de diversas
áreas e regiões do país para compartilhar suas experiências e mostrar como estão ajudando a transformar
os centros urbanos em locais planejados para serem ocupados por pessoas. As iniciativas incluem
ciclovias, centros revitalizados, instrumentos de participação coletiva e empoderamento dos cidadãos,
mais solidários, inclusivos, saudáveis, verdes e humanas. Em relação a capital gaúcha, foi reconhecida
pela IBM com uma das 31 cidades do mundo merecedoras do prêmio Smarter Cities Challenge Summit.
O reconhecimento veio graças ao projeto Cidade Cognitiva, que tem o objetivo de simular os impactos
futuros sobre a vida do município, com as obras e ações realizadas no presente demandadas pelo
orçamento participativo - sistema no qual a tomada de decisões sobre investimentos públicos é
compartilhada entre sociedade e governo.
Quem também fez progressos da área também foi o Rio de Janeiro. A sede das Olimpíadas de 2016
tem investido em um moderno centro integrado de operações para antecipar e combater situações de
calamidade. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a IBM, deve ser aplicada nas demais cidades
do país, segundo anunciou o presidente da empresa no Brasil Rodrigo Kede. O prefeito da cidade,
Eduardo Paes, chegou a palestrar em uma Conferência do TED explicando quatro grandes ideias que
devem conduzir o Rio (e todas as cidades) ao futuro, incluindo inovações arrojadas e executáveis de
infraestrutura.
Mobilizações populares: Os rapazes do Shoot the Shit da cidade de Porto Alegre, usam bom humor
para resolver os problemas locais. Ao longo do ano, o foi noticiado diversas iniciativas populares que
contribuem com as cidades brasileiras. Em Salvador, a jornalista Débora Didonê e seus companheiros do
projeto Canteiros Coletivos mostraram como estão transformando os espaços públicos da capital baiana
utilizando somente pás, mudas e a conscientização dos cidadãos locais.
Megacidades: Prefeitos das maiores cidades do mundo estiveram reunidos na Rio+20. Representantes
das maiores metrópoles do mundo se reuniram para trocar experiências sobre desenvolvimento
sustentável e traçar metas para reduzir os impactos dos grandes centros urbanos no planeta. Prefeitos
das 40 maiores cidades do mundo se encontraram em São Paulo para participar da C40 (Large Cities
Climate Leadership Group). Um dos destaques foi à assinatura de um protocolo de intenções destinado
a viabilizar suporte financeiro a grandes cidades, no intuito de que elas desenvolvam ações de
sustentabilidade. O documento foi assinado pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e pelo
prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, presidente da cúpula. Outro encontro decisivo aconteceu
durante a Rio+20, quando os líderes das 59 maiores cidades do mundo se comprometeram a reduzir em
até 248 milhões de toneladas as emissões de gases do efeito estufa até 2020. Na mesma ocasião, os
prefeitos firmaram o compromisso de engajar 100 metrópoles no caminho do desenvolvimento
sustentável até 2025.

Ecologia

Ecologia é um ramo da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente onde
vivem, bem como a influência que cada um exerce sobre o outro. A palavra "Ökologie" deriva da junção
dos termos gregos “oikos”, que significa “casa” e “logos”, que significa “estudo”. Foi criada pelo cientista
alemão Ernst Haeckel para designar a ciência que estuda as relações entre seres vivos e meio ambiente.
A princípio um termo científico de uso restrito, caiu na linguagem comum nos anos 1960, com os
movimentos de caráter ambientalista.
Os principais ramos de estudo e pesquisa em que se divide a Ecologia são: Autoecologia,
Demoecologia (Dinâmica das Populações), Sinecologia (Ecologia Comunitária), Agroecologia,
Ecofisiologia (Ecologia Ambiental) e Macroecologia. O conceito de Ecologia Humana designa o estudo
científico das relações entre os homens e o meio ambiente, incluindo as condições naturais, as interações
e os aspectos econômicos, psicológicos, sociais e culturais.
A preservação e conservação do ambiente natural das diferentes espécies são conceitos de grande
importância quando envolve as relações entre o homem e a biosfera. A disciplina estuda os processos,
as dinâmicas e as interações entre todos os seres vivos de um ecossistema. As interações ecológicas
são caracterizadas pelo benefício de ambos os seres vivos (harmônicas) ou pelo prejuízo de um deles
(desarmônicas) e podem ocorrer entre seres da mesma espécie (intraespecíficas) ou espécies diferentes
(interespecíficas). Relações intraespecíficas harmônicas: sociedade (organização de indivíduos da

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mesma espécie) e colônia (agrupamento de indivíduos da mesma espécie com graus de dependência
entre si); Relações intraespecíficas desarmônicas: canibalismo e competições intra- e interespecíficas
(seleção natural). São relações entre espécies iguais, porém há um prejuízo para pelo menos um dos
lados. Relações interespecíficas harmônicas: mutualismo (ou simbiose), protocooperação, inquilinismo
(ou epibiose) e comensalismo; Relações interespecíficas desarmônicas: amensalismo (ou antibiose),
herbivorismo, predatismo, parasitismo e esclavagismo intra- e interespecífico.
Texto adaptado de http://www.significados.com.br/ecologia/

Lixo Eletrônico

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, destaca que 40 milhões de toneladas de


lixo eletrônico são produzidas todos os anos. O descarte envolve vários tipos de equipamentos, como
geladeiras, máquinas de lavar roupa, televisões, celulares e computadores. Países desenvolvidos enviam
80% do seu lixo eletrônico para ser reciclado em nações em desenvolvimento, como China, Índia, Gana
e Nigéria. Segundo a OIT, muitas vezes, as remessas são ilegais e acabam sendo recicladas por
trabalhadores informais. Saúde - O estudo Impacto Global do Lixo Eletrônico, publicado em dezembro,
destaca a importância do manejo seguro do material, devido à exposição dos trabalhadores a substâncias
tóxicas como chumbo, mercúrio e cianeto.
A OIT cita vários riscos para a saúde, como dificuldades para respirar, asfixia pneumonia, problemas
neurológicos, convulsões, coma e até a morte. Orientações - Segundo agência, simplesmente banir as
remessas de lixo eletrônico enviadas países em desenvolvimento não é solução, já que a reciclagem
desse material promove emprego para milhares de pessoas que vivem na pobreza. A OIT sugere integrar
sistemas informais de reciclagem ao setor formal e melhorar métodos e condições de trabalho. Outro
passo indicado no estudo é a criação de leis e associações ou cooperativas de reciclagem.

Crime Ambiental

Uma ação contra o crime ambiental no município de São Francisco de Itabapoana, no norte fluminense,
destruiu dezenas de fornos no entorno da Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba. Os fiscais
apreenderam ainda 14 pássaros silvestres que estavam em gaiolas, e que foram devolvidos à natureza.
Um dos três presos responderá também pelo crime de manter animais silvestres em cativeiro. A ação
teve a participação de 40 homens, entre fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e policiais do
Comando de Policiamento Ambiental (CPAm). Ao percorrem o entorno da estação ecológica, as equipes
encontraram dezenas de fornos de carvão clandestinos, que foram destruídos com o auxílio de uma
retroescavadeira.
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informa que as operações de combate aos crimes
ambientais vão continuar na região, pois, nesse tipo de atividade existe uma série de irregularidades,
como poluição causada pela queima da madeira; trabalho semelhante à escravidão, inclusive com a
presença de menores; corte ilegal de madeira; e ausência de licença ambiental para o exercício do
negócio. Quem for flagrado produzindo carvão em desacordo com as determinações legais responderá
por crime ambiental, com pena de reclusão de um a dois anos e multa de R$ 500 por metro.
A Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba é o maior e último remanescente de Mata Atlântica do
norte do estado do Rio, sendo a cobertura vegetal mais expressiva e importante da região. Antigamente,
a região era conhecida como Mata do Carvão, devido à grande quantidade de fornos de carvão que
existiam nas redondezas. Atualmente, a produção de carvão é autorizada somente com licença do Inea.
Os critérios para licenciamento são rigorosos, não se permitindo qualquer atividade do gênero próximo a
áreas de proteção ambiental.

As principais ONGs ambientais do Brasil

SOS Mata Atlântica - Na década de 1980, cientistas, empresários, jornalistas e defensores da questão
ambiental se aproximam e lançam as bases para a criação da primeira ONG destinada a defender os
últimos remanescentes de Mata Atlântica no país, a Fundação SOS Mata Atlântica. O ideal de
conservação ambiental da entidade, criada em 1986, associa-se ao objetivo de profissionalizar pessoas
e partir para a geração de conhecimento sobre o bioma. A proposta representa também um passo adiante
no amadurecimento do movimento ambientalista no país. A história da Fundação SOS Mata Atlântica foi
construída através da mobilização permanente e da aposta no conhecimento, na educação, na tecnologia,
nas políticas públicas e na articulação em rede para consolidação do movimento socioambiental
brasileiro.

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Instituto Socioambiental (ISA) - O Instituto Socioambiental (ISA) é uma organização da sociedade
civil brasileira, sem fins lucrativos, fundada em 1994, para propor soluções de forma integrada a questões
sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos
ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos. Desde 2001, o ISA é uma
Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – com sede em São Paulo (SP) e subsedes
em Brasília (DF), Manaus (AM), Boa Vista (RR), São Gabriel da Cachoeira (AM), Canarana (MT),
Eldorado (SP) e Altamira (PA).

Greenpeace Brasil - O Greenpeace chegou ao Brasil no mesmo ano em que o país abrigou a primeira
e mais importante conferência ambiental da História, a Eco-92. O protesto que marca a fundação da
organização por aqui foi uma ação contra a usina nuclear de Angra. Chegando por mar, ao bordo do navio
Rainbow Warrior, os ativistas fixaram 800 cruzes no pátio da usina, simbolizando o número de mortos no
acidente de Chernobyl. A primeira grande vitória no Brasil se deu um ano após a inauguração do
escritório, com a proibição da importação de lixo tóxico. Ainda na década de 1990, tiveram início as
campanhas contra o uso dos gases CFC – que atacam a camada de ozônio – e de transgênicos, que
levou à aprovação de uma lei para a rotulagem de alimentos com organismos geneticamente modificados.
De olho na proteção da maior floresta tropical do mundo, em 1992 começou a investigação sobre a
exploração ilegal e predatória de madeira na Amazônia. O Greenpeace ajudou o Brasil a levar mais a
sério o debate ambiental, enquanto a realidade do país mostrou à organização que os problemas
ambientais e os sociais caminham juntos. Os desafios da organização cresceram com o país. O ritmo do
desmatamento na Amazônia vem caindo, mas ainda é alarmante, sem que os problemas tenham sido
resolvidos. Por outro lado, o Brasil, que tinha tudo para aproveitar seus recursos naturais para se tornar
uma potência energética de matriz quase 100% limpa, ainda quer investir em energias sujas e perigosas
como petróleo e nuclear – e por isso a organização faz campanha pelo incentivo e pelo investimento em
fontes renováveis de energia, como eólica, solar e biomassa.

WWF Brasil - A história do WWF no Brasil começou em 1971, quando a Rede WWF iniciou o seu
trabalho no país apoiando os primeiros estudos feitos sobre um desconhecido primata ameaçado de
extinção do Rio de Janeiro. Esse trabalho pioneiro viria a se transformar no Programa de Conservação
do Mico-Leão-Dourado, um dos mais bem-sucedidos do gênero no mundo, que há 30 anos vem sendo
executado pelo WWF em parceria com outras organizações. Nos anos seguintes vários pequenos
projetos em todo o Brasil contaram com ao ajuda financeira da entidade. Foi na década de 80 que a
presença do WWF no país aumentou, com o apoio dado aos primeiros anos do Projeto Tamar, entre
outras iniciativas. Ao optar por trabalhar com parceiros locais, o WWF ajudou a criar e fortalecer várias
entidades ambientalistas que hoje ocupam lugar de destaque na área da conservação, como a Fundação
Vitória Amazônica (FVA). Até 1989, diferentes organizações nacionais da rede WWF (WWF-EUA, WWF-
Reino Unido e WWF-Suécia) financiavam diretamente projetos desenvolvidos por instituições ou
estudantes e pesquisadores brasileiros. Todavia, com a ampliação do suporte técnico-financeiro ao longo
dos anos, tornou-se necessária a criação de um escritório de representação. Isso aconteceu em 1990
com a contratação do biólogo Dr. Cléber Alho, que ficou responsável pelo escritório aberto em Brasília. A
unidade passou a ser mantida pelo WWF-EUA que administrava, em nome da Rede, todos os projetos
apoiados pelo WWF no Brasil. A estrutura do escritório e o número de técnicos e funcionários cresceu
continuamente, dentro do objetivo de fortalecer as ações do WWF no Brasil e maximizar o impacto para
a conservação da natureza. Em 1993, para dar mais agilidade ao trabalho, foi nomeado o primeiro diretor
do escritório, o biólogo Eduardo Martins.

Conservação Internacional (CI) - A missão da Conservação Internacional (CI) é promover o bem-


estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza -
nossa biodiversidade global - amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de
campo. A CI é uma organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à conservação e utilização
sustentada da biodiversidade. Fundada em 1987, em poucos anos a CI cresceu e se tornou uma das
maiores organizações ambientalistas do mundo. Atualmente, trabalha com foco no tripé conservação da
biodiversidade, serviços ambientais e bem-estar humano em mais de 40 países distribuídos por quatro
continentes. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas e econômicas, associadas a
estratégias de política e comunicação ambiental, que contribuem para a promoção de um modelo de
desenvolvimento chamado de Economia Verde, ou seja, aquele que tem por base a manutenção ou a
ampliação do capital natural. No Brasil, o primeiro projeto de conservação da CI teve início em 1988. A
CI-Brasil tem sede em Belo Horizonte-MG e possui outros escritórios estrategicamente localizados em
Brasília-DF, Rio de Janeiro-RJ, Belém-PA, Campo Grande-MS e Caravelas-BA.

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Instituto Akatu - O Instituto Akatu é uma organização não governamental sem fins lucrativos que
trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o Consumo Consciente. Defende o ato
de consumo consciente como um instrumento fundamental de transformação do mundo, já que qualquer
consumidor pode contribuir para a sustentabilidade da vida no planeta: por meio do consumo de recursos
naturais, de produtos e de serviços e pela valorização da responsabilidade social das empresas.

Instituto Ecoar - Fundado no ano de 1992, o Instituto ECOAR para a Cidadania é uma OSCIP,
organização da sociedade civil de interesse público, sediada na cidade de São Paulo e formada por
profissionais, estudiosos e ambientalistas que se reuniram logo após a Conferência das Nações Unidas
para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92) e o Fórum Global 92, para atuar em questões
ambientais emergentes, contribuir com a construção de sociedades sustentáveis e influenciar políticas
públicas socioambientalmente corretas.
Um dos criadores do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global, documento referência para educadores e educadoras em todo o mundo, o
Ecoar, ao longo dos anos, vem aprofundando pesquisas e estudos em práticas de educação para
sustentabilidade que promovam a disseminação de conhecimentos, valores, atitudes, comportamentos e
habilidades que contribuam para a sobrevivência de todas as espécies e sistemas naturais do planeta,
para a equidade social e emancipação humana.
O Ecoar atua em regiões metropolitanas, periurbanas e rurais, elabora e implementa programas e
projetos de educação para sustentabilidade, de mitigação do aquecimento global, de adaptação as
mudança climáticas, de gestão compartilhada de áreas densamente urbanizadas, de unidades de
conservação, de parques e demais áreas de propriedade e/ou uso público, gerenciamento participativo
de bacias hidrográficas, de elaboração de Agenda 21 local, de criação e animação de redes, de
minimização e gerenciamento de resíduos e cursos de capacitação em temas ambientais
contemporâneos. Desde 1997, o Ecoar tem se dedicado a estudar o fenômeno do Aquecimento Global e
das Mudanças Climáticas e suas consequências sobre a manutenção da vida, com qualidade, no Planeta.
Criou diversos programas de public awareness, com o objetivo de sensibilizar, informar, formar os
indivíduos e as comunidades para mudanças de práticas e hábitos cotidianos que possam mitigar a
emissão de gases de efeito estufa.
O Ecoar também se destaca na questão da formação e animação de redes, tendo sido fundador e
coordenador da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA e membro de diversas outras redes,
como a Rede Mata Atlântica, A Reserva da Biosfera, a CAN - Rede Mundial do Clima, etc. A equipe de
educadores do Ecoar tem criado e elaborado material institucional e instrucional, considerados
referências nas esferas ambientalistas, tais como vídeos, livros, cartilhas, agendas, jogos. Buscando cada
vez mais a transparência e sustentabilidade de suas atividades, em 2008 o ECOAR aderiu às diretrizes
da Global Report Initiative (GRI) em seu processo de gestão.
Em dezembro de 2009, durante a COP 15, em Copenhagen, o Ecoar juntamente com a Universidade
de York, do Canadá, lançou o Portal de Justiça Climática Global, com foco na adaptação das
comunidades vulneráveis de todo o mundo às consequências das mudanças climáticas. Em 2010, o
Ecoar inova mais uma vez e lança o primeiro projeto de mensuração, redução e neutralização da emissão
de gases de efeito estufa de um time de futebol brasileiro e de educação ambiental dos times e das
torcidas. Trata-se do projeto Jogando pelo Meio Ambiente, que envolveu os times paulistas, Corinthians
e Palmeiras com o mote “adversários no campo, unidos pelo meio ambiente”.
Em sua trajetória internacional o Ecoar representa a sociedade civil brasileira no Conselho Diretor do
Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata, posto este conquistado graças sua
proposição de ser um espaço de reflexão e construção e difusão de novas metodologias, novos conceitos,
novas tecnologias. O Ecoar, assim como o Centro de Saberes e Cuidados sempre se dispôs a ser um
espaço de diálogos, de encontros entre os múltiplos saberes e fazeres, uma comunidade de
aprendizagem e difusão dos princípios e valores da Educação Ambiental para Sustentabilidade,
acrescidos de cientificidade e eficiência. O amadurecimento e consolidação dos trabalhos do ECOAR
geram constantemente material institucional e instrucional, considerados referência no setor de educação
para a sustentabilidade.

Políticas públicas de gestão ambiental

O tema Política e gestão ambiental no Brasil refere-se ao modo como, em retrospectiva, o Brasil, por
meio de seus governos, vem tratando a questão ambiental através dos anos. O conceito de gestão está
associado principalmente à atuação no tempo presente, associada a procedimentos operacionais, à

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administração e à aplicação das leis, regulamentos, indicadores, normas, planos e programas. Já o
conceito de política pública está restrito a uma atividade especializada do Estado moderno.
A importância de tal questão já emerge na prevalência do nome do país, Brasil, em relação a outros, na
maioria de cunho religioso, como por exemplo "Terra de Santa Cruz", que foram dados à terra a ser
colonizada por Portugal.
O nome Brasil é resultado direto da visão mercantilista de exploração das riquezas naturais do
território, questão com a qual o país se debate até os dias atuais. De 1500 até o século XX são
encontradas quatro importantes posturas do ocupante da terra em relação à questão da natureza:
a) o elogio retórico e laudatório do meio natural, indiferente e em certos momentos, conivente com a
devastação;
b) o elogio à ação humana em uma dimensão abstrata, em meio às consequencias destrutivas que
resultam da colonização compulsória;
c) a crítica da destruição da natureza, com proposta de modernização urbano-industrial;
d) a crítica da destruição da natureza, com um modelo alternativo e autônomo de desenvolvimento
nacional.

A dinâmica da política e gestão ambiental torna-se mais acelerada a partir de 1930, mudando
constantemente e adotando uma mescla das quatro noções citadas acima, com a adição de políticas
regulatórias, estruturadoras e indutoras. Isso se deve principalmente à mudança da administração, que
adotara um perfil centralizador, que, por sua vez implementa definitivamente a regulamentação ambiental.
Assim, mais três períodos podem ser considerados neste curto espaço de tempo dentro do século XX:
a) de 1930 a 1971, onde a política ambiental é caracterizada pela construção de todo um repertório
regulamentador de ações no sentido da preservação ambiental e penalização do infrator;
b) de 1972 a 1987, presenciamos o auge do estado intervencionista em matéria ambiental;
c) de 1988 aos dias atuais, presenciamos os processos de democratização e descentralização dos
meios decisórios, onde emerge o conceito que torna-se palavra de ordem da preservação ambiental em
escala mundial: desenvolvimento sustentável.

Ao longo da história, presenciamos no Brasil um distanciamento entre estas três modalidades, de


políticas regulatórias, estruturadoras e indutoras, passando por obstáculos culturais e institucionais que
ainda não permitiram atingir-se um excelente modelo de política ambiental. O governo, em grande parte,
concentra-se ainda em obter resultados rápidos, a curto prazo, ao contrário de ganhos perenes.
Fonte: www.anppas.org.br

Poder público, sociedade e as políticas de preservação ambiental

A preocupação com o meio ambiente é talvez a pedra-fundamental da discussão hoje em prática sobre
o direcionamento do processo produtivo para a gestão responsável dos recursos, e não apenas para a
geração de riqueza e consumo. Com diversos exemplos em todo o mundo, é possível afirmar que a
evolução dos processos da iniciativa privada em relação à preservação de recursos naturais gera
resultados mais favoráveis não somente para a sociedade e para as gerações futuras, mas para as
próprias companhias, inclusive com ganhos financeiros.
Além da preocupação com os processos produtivos e a busca por soluções para a substituição de
insumos, as empresas têm a capacidade de influenciar o comportamento do consumidor – considerando-
se aqui não apenas o cliente final, mas também o consumidor corporativo de bens e serviços e os
responsáveis pelas compras públicas.
Há anos, sinaliza-se que a principal causa dos problemas sociais e ambientais são os padrões
insustentáveis de produção e consumo. Mas a verdadeira revolução no cenário econômico mundial e o
equilíbrio entre o poder produtivo e a preocupação com o impacto no meio ambiente dependem de
diversos fatores.
Nesse ponto, temos mais perguntas do que respostas. A primeira questão diz respeito a quem é o
responsável por criar novos padrões de consumo: o governo, as empresas ou os consumidores?
Avaliando a condução dessas mudanças, percebe-se que as empresas já trabalham para oferecer aos
consumidores produtos sustentáveis e que os próprios consumidores já buscam alternativas aos produtos
tradicionais. No entanto, o consumo gera resíduos e sua administração ainda é tema de debates sobre a
eficiência das políticas públicas. De um lado, a indústria geradora; do outro, o cliente/consumidor. Quem
deve se responsabilizar pela correta destinação dos resíduos sólidos, incluindo embalagens, caixas e
restos orgânicos?

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A indústria, como principal utilizadora de recursos naturais, já tem oferecido diversas soluções para
reintegrar seus resíduos ao processo produtivo. Entretanto, está em discussão a Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS), que traz as diretrizes para a resolução dessa questão, mas pede forte
empenho coletivo para sua aplicação. Um caminho viável é a constituição de acordos setoriais que
indiquem o percurso mais adequado para cada tipo de resíduo. Com essa experiência será possível
aprimorar a legislação, ainda frágil. Para viabilizar a proposta em andamento, é fundamental o
comprometimento do poder público, das empresas e da sociedade como um todo.
Levando o debate à origem dos insumos, o respeito pela biodiversidade merece atenção. Essa questão
tem preocupado cientistas e estudiosos em todo o mundo. Dados comprovam que as medidas já adotadas
para a sua preservação estão aquém da real necessidade de controle da exploração das fontes naturais.
Há registros de perda de 35% dos mangues do planeta, de extinção total de florestas em 25 países e de
degradação de 50% das áreas úmidas da Terra, bem como de 30% dos recifes de corais, que chegaram
a um ponto em que é impossível sua recuperação. A participação da iniciativa privada cresce. Segundo
estudo da consultoria McKinsey, 53% dos CEOs das grandes empresas se preocupam com perdas da
biodiversidade, o que indica que as organizações devem trabalhar no sentido de identificar seus impactos
negativos e como neutralizá-los, gerenciar riscos e mapear oportunidades.
A questão ambiental pede, também, maior atenção de políticas públicas voltadas à conservação das
florestas. Ainda é embrionário o processo de harmonização das atividades exploratórias, que pode ser
incrementado com mecanismos de compensação, ainda não previstos no Código Florestal Brasileiro, e o
desenvolvimento do valor econômico e dos ativos das florestas. Mesmo assim, os especialistas se
mostram otimistas, tendo em vista que o Brasil é o país que mais reduziu emissões de carbono
relacionadas ao desmatamento e segue com a meta de desmatamento zero até 2020.
Fonte: Instituto Ethos

A Agenda 21 Brasileira

A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o


desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade, compatibilizando a
conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. O documento é resultado de uma
vasta consulta à população brasileira, sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. Trata-
se, portanto, de um instrumento fundamental para a construção da democracia participativa e da
cidadania ativa no País.
A primeira fase foi a construção da Agenda 21 Brasileira. Esse processo que se deu de 1996 a 2002,
foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional
(CPDS) e teve o envolvimento de cerca de 40 mil pessoas de todo o Brasil. O documento Agenda 21
Brasileira foi concluído em 2002.
A partir de 2003, a Agenda 21 Brasileira não somente entrou na fase de implementação assistida pela
CPDS, como também foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual, (PPA 2004-2007), pelo
governo. Como programa, ela adquire mais força política e institucional, passando a ser instrumento
fundamental para a construção do Brasil Sustentável, estando coadunada com as diretrizes da política
ambiental do Governo, transversalidade, desenvolvimento sustentável, fortalecimento do Sisnama e
participação social e adotando referenciais importantes como a Carta da Terra.
Portanto, a Agenda 21, que tem provado ser um guia eficiente para processos de união da sociedade,
compreensão dos conceitos de cidadania e de sua aplicação, é hoje um dos grandes instrumentos de
formação de políticas públicas no Brasil.

Implementação da Agenda 21 brasileira (a partir de 2003)

A posse do Governo Lula coincidiu com o início da fase de implementação da Agenda 21 Brasileira. A
importância da Agenda como instrumento propulsor da democracia, da participação e da ação coletiva da
sociedade foi reconhecida no Programa Lula, e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de Governo
quanto em suas orientações estratégicas. Outro grande passo foi a utilização dos princípios e estratégias
da Agenda 21 Brasileira como subsídios para a Conferência Nacional de Meio Ambiente, Conferência das
Cidades e Conferência da Saúde. Esta ampla inserção da Agenda 21 remete à necessidade de se
elaborar e implementar políticas públicas em cada município e em cada região brasileira.
Para isso, um dos passos fundamentais do atual governo foi transformá-la em programa no Plano
Plurianual do Governo (PPA 2004/2007), o que lhe confere maior alcance, capilaridade e importância
como política pública. O Programa Agenda 21 é composto por três ações estratégicas que estão sendo
realizadas com a sociedade civil: implementar a Agenda 21 Brasileira; elaborar e implementar as Agendas

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21 Locais e a formação continuada em Agenda 21. A prioridade é orientar para a elaboração e
implementação de Agendas 21 Locais com base nos princípios da Agenda 21 Brasileira que, em
consonância com a Agenda global, reconhece a importância do nível local na concretização de políticas
públicas sustentáveis. Atualmente, existem mais de 544 processos de Agenda 21 Locais em andamento
no Brasil, quase três vezes o número levantado até 2002.

Em resumo, são estes os principais desafios do Programa Agenda 21:


Implementar a Agenda 21 Brasileira. Passada a etapa da elaboração, a Agenda 21 Brasileira tem
agora o desafio de fazer com que todas as suas diretrizes e ações prioritárias sejam conhecidas,
entendidas e transmitidas, entre outros, por meio da atuação da Comissão de Políticas de
Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira (CPDS);implementação do Sistema da Agenda 21;
mecanismos de implementação e monitoramento; integração das políticas públicas; promoção da
inclusão das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais.
Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. A Agenda 21 Local é um dos
principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização, troca de informações, geração de
consensos em torno dos problemas e soluções locais e estabelecimento de prioridades para a gestão de
desde um estado, município, bacia hidrográfica, unidade de conservação, até um bairro, uma escola. O
processo deve ser articulado com outros projetos, programas e atividades do governo e sociedade, sendo
consolidado, dentre outros, a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais; análise, identificação
e promoção de instrumentos financeiros; difusão e intercâmbio de experiências; definição de indicadores
de desempenho.
Implementar a formação continuada em Agenda 21. Promover a educação para a sustentabilidade
através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências por meio de cursos, seminários,
workshops e de material didático. Esta ação é fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais
ganhem um salto de qualidade, através da formulação de bases técnicas e políticas para a sua formação;
trabalho conjunto com interlocutores locais; identificação das atividades, necessidades, custos,
estratégias de implementação; aplicação de metodologias apropriadas, respeitando o estágio em que a
Agenda 21 Local em questão está.

Agenda 21 brasileira em ação

No âmbito do Programa Agenda 21, as principais atividades realizadas em 2003 e 2004 refletem a
abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está conquistando no Brasil. Estas atividades estão sendo
desenvolvidas de forma descentralizada, buscando o fortalecimento da sociedade e do poder local e
reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há participação das pessoas, avançando, dessa forma,
na construção de uma democracia participativa no Brasil. Destacamos as seguintes atividades:
Ampliação da CPDS: Criada no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho
de Governo, a nova constituição da CPDS se deu por meio de Decreto Presidencial de 03 de fevereiro de
2004. Os novos membros que incluem 15 ministérios, a Anamma e a Abema e 17 da sociedade civil
tomaram posse no dia 1º. de junho de 2004. A primeira reunião da nova composição aconteceu no dia 1º
de julho, e a segunda em 15 de setembro de 2004. Realização do primeiro Encontro Nacional das
Agendas 21 Locais, nos dias 07 e 08 de novembro de 2003, em Belo Horizonte, com a participação de
cerca de 2.000 pessoas de todas as regiões brasileiras. O II Encontro das Agendas 21 Locais será
realizado em janeiro de 2005, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS.
Programa de Formação em Agenda 21, voltado para a formação de cerca de 10 mil professores das
escolas públicas do País que, através de cinco programas de TV, discutiram a importância de se
implementar a Agenda 21 nos municípios, nas comunidades e na escola. Esse programa, veiculado pela
TVE em outubro de 2003, envolveu, além dos professores, autoridades governamentais e não
governamentais, e participantes dos Fóruns Locais da Agenda 21, da sociedade civil e de governos.
Participação na consolidação da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e
Apoio às Agendas 21 Locais. Esta frente, composta de 107 deputados federais e 26 senadores, tem como
principal objetivo articular o poder legislativo brasileiro, nos níveis federal, estadual e municipal, para
permitir uma maior fluência na discussão dos temas ambientais, disseminação de informações
relacionadas a eles e mecanismos de comunicação com a sociedade civil.
Elaboração e monitoramento, em conjunto com o FNMA, do Edital 02/2003 - Construção de Agendas
21 Locais, que incluiu a participação ativa no processo de capacitação de gestores municipais e de ONGs,
em todos os estados brasileiros, para a confecção de projetos para o edital. Ao todo foram cerca de 920
pessoas capacitadas em 25 eventos. No final do processo, em dezembro de 2003, foram aprovados, com
financiamento, 64 projetos de todas as regiões brasileiras.

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Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21 e Sustentabilidade com o objetivo de contribuir
para a discussão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no País. São seis os Cadernos
publicados até o presente: Agenda 21 e a Sustentabilidade das Cidades; Agenda 21: Um Novo Modelo
de Civilização; Uma Nova Agenda para a Amazônia; Mata Atlântica o Futuro é Agora; Agenda 21 e o
Setor Mineral; Agenda 21, o Semiárido e a Luta contra a Desertificação.
Publicação de mil exemplares da segunda edição da Agenda 21 Brasileira: Ações Prioritárias e
Resultado da Consulta Nacional, contendo apresentação da Ministra Marina Silva e a nova composição
da CPDS.
Ainda, foram efetivadas parcerias e convênios com o Ministério da Educação, Ministério da Saúde,
Ministério das Cidades, Ministério da Cultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e Energia; Fórum Brasileiro das ONGs para o Meio
Ambiente e o Desenvolvimento; Confea/CREA, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do
Nordeste e prefeituras brasileiras.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Biomas

O Brasil é formado por seis biomas de características distintas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata
Atlântica, Pampa e Pantanal.
Cada um desses ambientes abriga diferentes tipos de vegetação e de fauna.
Como a vegetação é um dos componentes mais importantes da biota, seu estado de conservação e
de continuidade definem a existência ou não de hábitats para as espécies, a manutenção de serviços
ambientais e o fornecimento de bens essenciais à sobrevivência de populações humanas.
Para a perpetuação da vida nos biomas, é necessário o estabelecimento de políticas públicas
ambientais, a identificação de oportunidades para a conservação, uso sustentável e repartição de
benefícios da biodiversidade.

Amazônia

A Amazônia é quase mítica: um verde e vasto mundo de águas e florestas, onde as copas de árvores
imensas escondem o úmido nascimento, reprodução e morte de mais de um-terço das espécies que
vivem sobre a Terra.
Os números são igualmente monumentais. A Amazônia é o maior bioma do Brasil: num território de 4,
196.943 milhões de km² (IBGE,2004), crescem 2.500 espécies de árvores (ou um-terço de toda a madeira
tropical do mundo) e 30 mil espécies de plantas (das 100 mil da América do Sul).
A bacia amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo: cobre cerca de 6 milhões de km² e tem
1.100 afluentes. Seu principal rio, o Amazonas, corta a região para desaguar no Oceano Atlântico,
lançando ao mar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo.
As estimativas situam a região como a maior reserva de madeira tropical do mundo. Seus recursos
naturais – que, além da madeira, incluem enormes estoques de borracha, castanha, peixe e minérios, por
exemplo – representam uma abundante fonte de riqueza natural. A região abriga também grande riqueza
cultural, incluindo o conhecimento tradicional sobre os usos e a forma de explorar esses recursos naturais
sem esgotá-los nem destruir o habitat natural.
Toda essa grandeza não esconde a fragilidade do ecossistema local, porém. A floresta vive a partir de
seu próprio material orgânico, e seu delicado equilíbrio é extremamente sensível a quaisquer
interferências. Os danos causados pela ação antrópica são muitas vezes irreversíveis.
Ademais, a riqueza natural da Amazônia se contrapõe dramaticamente aos baixos índices
socioeconômicos da região, de baixa densidade demográfica e crescente urbanização. Desta forma, o
uso dos recursos florestais é estratégico para o desenvolvimento da região.

Caatinga

A caatinga ocupa uma área de cerca de 844.453 quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do
território nacional. Engloba os estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178
espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221
abelhas. Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente dos recursos
do bioma para sobreviver. A caatinga tem um imenso potencial para a conservação de serviços

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ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o
desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades
econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de
cosméticos, químico e de alimentos.
Apesar da sua importância, o bioma tem sido desmatado de forma acelerada, principalmente nos
últimos anos, devido principalmente ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal e
insustentável, para fins domésticos e indústrias, ao sobrepastoreio e a conversão para pastagens e
agricultura. Frente ao avançado desmatamento que chega a 46% da área do bioma, segundo dados do
Ministério do Meio Ambiente (MMA), o governo busca concretizar uma agenda de criação de mais
unidades de conservação federais e estaduais no bioma, além de promover alternativas para o uso
sustentável da sua biodiversidade.
Em relação às Unidades de Conservação (UC´s) federais, em 2009 foi criado o Monumento Natural
do Rio São Francisco, com 27 mil hectares, que engloba os estados de Alagoas, Bahia e Sergipe e, em
2010, o Parque Nacional das Confusões, no Piauí foi ampliado em 300 mil hectares, passando a ter
823.435,7 hectares. Em 2012 foi criado o Parque Nacional da Furna Feia, nos Municípios de Baraúna e
Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, com 8.494 ha. Com estas novas unidades, a área protegida
por unidades de conservação no bioma aumentou para cerca de 7,5%. Ainda assim, o bioma continuará
como um dos menos protegidos do país, já que pouco mais de 1% destas unidades são de Proteção
Integral. Ademais, grande parte das unidades de conservação do bioma, especialmente as Áreas de
Proteção Ambiental – APAs, têm baixo nível de implementação.
Paralelamente ao trabalho para a criação de UCs federais, algumas parcerias vêm sendo
desenvolvidas entre o MMA e os estados, desde 2009, para a criação de unidades de conservação
estaduais. Em decorrência dessa parceria e das iniciativas próprias dos estados da caatinga, os
processos de seleção de áreas e de criação de UC´s foram agilizados. Os primeiros resultados concretos
já aparecem, como a criação do Parque Estadual da Mata da Pimenteira, em Serra Talhada-PE, e da
Estação Ecológica Serra da Canoa, criada por Pernambuco em Floresta-PE, com cerca de 8 mil hectares,
no dia da caatinga de 2012 (28/04/12). Além disso, houve a destinação de recursos estaduais para criação
de unidades no Ceará, na região de Santa Quitéria e Canindé.
Merece destaque a destinação de recursos, para projetos que estão sendo executados, a partir de
2012, na ordem de 20 milhões de reais para a conservação e uso sustentável da caatinga por meio de
projetos do Fundo Clima – MMA/BNDES, do Fundo de Conversão da Dívida Americana – MMA/FUNBIO
e do Fundo Socioambiental - MMA/Caixa Econômica Federal, dentre outros (documento com relação dos
projetos). Os recursos disponíveis para a caatinga devem aumentar tendo em vista a previsão de mais
recursos destes fundos e de novas fontes, como o Fundo Caatinga, do Banco do Nordeste - BNB, a ser
lançado ainda este ano. Estes recursos estão apoiando iniciativas para criação e gestão de UC´s,
inclusive em áreas prioritárias discutidas com estados, como o Rio Grande do Norte.
Também estão custeando projetos voltados para o uso sustentável de espécies nativas, manejo
florestal sustentável madeireiro e não madeireiro e para a eficiência energética nas indústrias gesseiras
e cerâmicas. Pretende-se que estas indústrias utilizem lenha legalizada, advinda de planos de manejo
sustentável, e que economizem este combustível nos seus processos produtivos. Além dos projetos
citados acima, em 2012 foi lançado edital voltado para uso sustentável da caatinga (manejo florestal e
eficiência energética), pelo Fundo Clima e Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal – Serviço
Florestal Brasileiro, incluindo áreas do Rio Grande do Norte.
Devemos ressaltar que o nível de conhecimento sobre o bioma, sua biodiversidade, espécies
ameaçadas e sobreexplotadas, áreas prioritárias, unidades de conservação e alternativas de manejo
sustentável aumentou nos últimos anos, fruto de uma série de diagnósticos produzidos pelo MMA e
parceiros
Da mesma forma, aumentou a divulgação de informações para a sociedade regional e brasileira em
relação à caatinga, assim como o apoio político para a sua conservação e uso sustentável. Um exemplo
disso é a I Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na
Rio+20, realizada em maio deste ano, que formalizou os compromissos a serem assumidos pelos
governos, parlamentos, setor privado, terceiro setor, movimentos sociais, comunidade acadêmica e
entidades de pesquisa da região para a promoção do desenvolvimento sustentável do bioma. Estes
compromissos foram apresentados na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável - Rio +20.
Por outro lado, devemos reconhecer que a Caatinga ainda carece de marcos regulatórios, ações e
investimentos na sua conservação e uso sustentável. Para tanto, algumas medidas são fundamentais: a
publicação da proposta de emenda constitucional que transforma caatinga e cerrado em patrimônios
nacionais; a assinatura do decreto presidencial que cria a Comissão Nacional da Caatinga; a finalização

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do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Caatinga; a criação das Unidades de
Conservação prioritárias, como aquelas previstas para a região do Boqueirão da Onça, na Bahia, e Serra
do Teixeira, na Paraíba, e finalmente a destinação de um volume maior de recursos para o bioma.

Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km², cerca
de 22% do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e
Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-
se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São
Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.
Considerado como um hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância
de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade
biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627
espécies de plantas nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam
uma notável alternância de espécies entre diferentes fitofisionomias. Cerca de 199 espécies de mamíferos
são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200
espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. O número de peixes endêmicos
não é conhecido, porém os valores são bastante altos para anfíbios e répteis: 28% e 17%,
respectivamente. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35%
das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.
Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações
sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos,
babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e
cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. Mais de 220 espécies têm
uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra
o vento, proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10
tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros
urbanos, como os frutos do Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia
speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado
(Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).
Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Estima-se que 20% das
espécies nativas e endêmicas já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de
animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção. Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o
bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a
abertura de novas áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos para exportação, tem havido
um progressivo esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem
sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma Cerrado é palco de
uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão.
Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, de todos os hotspots mundiais, o Cerrado é
o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. O Bioma apresenta 8,21% de seu
território legalmente protegido por unidades de conservação; desse total, 2,85% são unidades de
conservação de proteção integral e 5,36% de unidades de conservação de uso sustentável, incluindo
RPPNs (0,07%).

Mata Atlântica

A Mata Atlântica é formada por um conjunto de formações florestais (Florestas: Ombrófila Densa,
Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual e Ombrófila Aberta) e ecossistemas
associados como as restingas, manguezais e campos de altitude, que se estendiam originalmente por
aproximadamente 1.300.000 km² em 17 estados do território brasileiro. Hoje os remanescentes de
vegetação nativa estão reduzidos a cerca de 22% de sua cobertura original e encontram-se em diferentes
estágios de regeneração. Apenas cerca de 7% estão bem conservados em fragmentos acima de 100
hectares. Mesmo reduzida e muito fragmentada, estima-se que na Mata Atlântica existam cerca de 20.000
espécies vegetais (cerca de 35% das espécies existentes no Brasil), incluindo diversas espécies
endêmicas e ameaçadas de extinção. Essa riqueza é maior que a de alguns continentes (17.000 espécies
na América do Norte e 12.500 na Europa) e por isso a região da Mata Atlântica é altamente prioritária
para a conservação da biodiversidade mundial. Em relação à fauna, os levantamentos já realizados

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indicam que a Mata Atlântica abriga 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 espécies de
répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes.
Além de ser uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, tem importância vital para
aproximadamente 120 milhões de brasileiros que vivem em seu domínio, onde são gerados
aproximadamente 70% do PIB brasileiro, prestando importantíssimos serviços ambientais. Regula o fluxo
dos mananciais hídricos, assegura a fertilidade do solo, suas paisagens oferecem belezas cênicas,
controla o equilíbrio climático e protege escarpas e encostas das serras, além de preservar um patrimônio
histórico e cultural imenso. Neste contexto, as áreas protegidas, como as Unidades de Conservação e as
Terras Indígenas, são fundamentais para a manutenção de amostras representativas e viáveis da
diversidade biológica e cultural da Mata Atlântica.
A cobertura de áreas protegidas na Mata Atlântica avançou expressivamente ao longo dos últimos
anos, com a contribuição dos governos federais, estaduais e mais recentemente dos governos municipais
e iniciativa privada. No entanto, a maior parte dos remanescentes de vegetação nativa ainda permanece
sem proteção. Assim, além do investimento na ampliação e consolidação da rede de áreas protegidas,
as estratégias para a conservação da biodiversidade visam contemplar também formas inovadoras de
incentivos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, tais como a promoção da recuperação
de áreas degradadas e do uso sustentável da vegetação nativa, bem como o incentivo ao pagamento
pelos serviços ambientais prestados pela Mata Atlântica. Cabe enfatizar que um importante instrumento
para a conservação e recuperação ambiental na Mata Atlântica, foi a aprovação da Lei 11.428, de 200 6
e o Decreto 6.660/2008, que regulamentou a referida lei.

Pampa

O Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, onde ocupa uma área de 176.496 km² (IBGE).
Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro. As paisagens naturais do
Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. O bioma exibe um imenso
patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo
predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas
de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc.
Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o Pampa apresenta flora e fauna próprias e grande
biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência. Estimativas indicam valores em torno de
3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas, são mais de 450 espécies (campim-
forquilha, grama-tapete, flechilhas, brabas-de-bode, cabelos de-porco, dentre outras). Nas áreas de
campo natural, também se destacam as espécies de compostas e de leguminosas (150 espécies) como
a babosa-do-campo, o amendoim-nativo e o trevo-nativo. Nas áreas de afloramentos rochosos podem
ser encontradas muitas espécies de cactáceas. Entre as várias espécies vegetais típicas do Pampa vale
destacar o Algarrobo (Prosopis algorobilla) e o Nhandavaí (Acacia farnesiana) arbusto cujos
remanescentes podem ser encontrados apenas no Parque Estadual do Espinilho, no município de Barra
do Quaraí.
A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves, dentre elas a ema (Rhea americana), o
perdigão (Rynchotus rufescens), a perdiz (Nothura maculosa), o quer-quero (Vanellus chilensis), o
caminheiro-de-espora (Anthus correndera), o joão-de-barro (Furnarius rufus), o sabiá-do-campo (Mimus
saturninus) e o pica-pau do campo (Colaptes campestres). Também ocorrem mais de 100 espécies de
mamíferos terrestres, incluindo o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o graxaim (Pseudalopex
gymnocercus), o zorrilho (Conepatus chinga), o furão (Galictis cuja), o tatu-mulita (Dasypus hybridus), o
preá (Cavia aperea) e várias espécies de tuco-tucos (Ctenomys sp). O Pampa abriga um ecossistema
muito rico, com muitas espécies endêmicas tais como: Tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-
barba-azul (Heliomaster furcifer); o sapinho-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus atroluteus) e
algumas ameaçadas de extinção tais como: o veado campeiro (Ozotocerus bezoarticus), o cervo-do-
pantanal (Blastocerus dichotomus), o caboclinho-de-barriga-verde (Sporophila hypoxantha) e o
picapauzinho-chorão (Picoides mixtus) (Brasil).
Trata-se de um patrimônio natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no
Pampa que fica a maior parte do aquífero Guarani.
Desde a colonização ibérica, a pecuária extensiva sobre os campos nativos tem sido a principal
atividade econômica da região. Além de proporcionar resultados econômicos importantes, tem permitido
a conservação dos campos e ensejado o desenvolvimento de uma cultura mestiça singular, de caráter
transnacional representada pela figura do gaúcho.
A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm
levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do Pampa. Estimativas de

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perda de hábitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da
vegetação nativa do bioma Pampa (CSR/IBAMA).
A perda de biodiversidade compromete o potencial de desenvolvimento sustentável da região, seja
perda de espécies de valor forrageiro, alimentar, ornamental e medicinal, seja pelo comprometimento dos
serviços ambientais proporcionados pela vegetação campestre, como o controle da erosão do solo e o
sequestro de carbono que atenua as mudanças climáticas, por exemplo.
Em relação às áreas naturais protegidas no Brasil o Pampa é o bioma que menor tem
representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), representando apenas
0,4% da área continental brasileira protegida por unidades de conservação. A Convenção sobre
Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário, em suas metas para 2020, prevê a proteção
de pelo menos 17% de áreas terrestres representativas da heterogeneidade de cada bioma.
As “Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da
Biodiversidade Brasileira”, atualizadas em 2007, resultaram na identificação de 105 áreas do bioma
Pampa, destas, 41 (um total de 34.292 km²) foram consideradas de importância biológica extremamente
alta.
Estes números contrastam com apenas 3,3% de proteção em unidades de conservação (2,4% de uso
sustentável e 0,9% de proteção integral), com grande lacuna de representação das principais fisionomias
de vegetação nativa e de espécies ameaçadas de extinção da fauna e da flora. A criação de unidades de
conservação, a recuperação de áreas degradadas e a criação de mosaicos e corredores ecológicos foram
identificadas como as ações prioritárias para a conservação, juntamente com a fiscalização e educação
ambiental.
O fomento às atividades econômicas de uso sustentável é outro elemento essencial para assegurar a
conservação do Pampa. A diversificação da produção rural a valorização da pecuária com manejo do
campo nativo, juntamente com o planejamento regional, o zoneamento ecológico-econômico e o respeito
aos limites ecossistêmicos são o caminho para assegurar a conservação da biodiversidade e o
desenvolvimento econômico e social.
O Pampa é uma das áreas de campos temperados mais importantes do planeta.
Cerca de 25% da superfície terrestre abrange regiões cuja fisionomia se caracteriza pela cobertura
vegetal como predomínio dos campos – no entanto, estes ecossistemas estão entre os menos protegidos
em todo o planeta.
Na América do Sul, os campos e pampas se estendem por uma área de aproximadamente 750 mil
km², compartilhada por Brasil, Uruguai e Argentina.
No Brasil, o bioma Pampa está restrito ao Rio Grande do Sul, onde ocupa 178.243 km² – o que
corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território nacional.
O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. Em sua paisagem
predominam os campos, entremeados por capões de mata, matas ciliares e banhados.
A estrutura da vegetação dos campos – se comparada à das florestas e das savanas – é mais simples
e menos exuberante, mas não menos relevante do ponto de vista da biodiversidade e dos serviços
ambientais. Ao contrário: os campos têm uma importante contribuição no sequestro de carbono e no
controle da erosão, além de serem fonte de variabilidade genética para diversas espécies que estão na
base de nossa cadeia alimentar.

Pantanal

O bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Este bioma
continental é considerado o de menor extensão territorial no Brasil, entretanto este dado em nada
desmerece a exuberante riqueza que o referente bioma abriga. A sua área aproximada é 150.355 km²,
ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em seu espaço territorial o bioma, que é uma
planície aluvial, é influenciado por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai. O Pantanal sofre influência
direta de três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Além disso sofre
influência do bioma Chaco (nome dado ao Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia).
O bioma Pantanal mantêm 86,77% de sua cobertura vegetal nativa. A vegetação não florestal (savana
[cerrado], savana estéptica [chaco], formações pioneiras e áreas de tensão ecológica ou contatos
florísticos [ecótonos e encraves]) é predominante em 81,70% do bioma. Desses, 52,60% são cobertos
por savana (cerrado) e 17,60% são ocupados por áreas de transição ecológica ou ecótonos. Os tipos de
vegetação florestais (floresta estacional semi-decidual e floresta estacional decidual) representam 5,07%
do Pantanal. A maior parte dos 11,54% do bioma alterados por ação antrópica é utilizada para a criação
extensiva de gado em pastos plantados (10,92%); apenas 0,26% é usado para lavoura.

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Uma característica interessante desse bioma é que muitas espécies ameaçadas em outras regiões do
Brasil persistem em populações avantajadas na região, como é o caso do tuiuiú – ave símbolo do
Pantanal. Estudos indicam que o bioma abriga os seguintes números de espécies catalogadas: 263
espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves e 132
espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas. Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de
plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu potencial, e algumas
apresentam vigoroso potencial medicinal.
Apesar de sua beleza natural exuberante o bioma vem sendo muito impactado pela ação humana,
principalmente pela atividade agropecuária, especialmente nas áreas de planalto adjacentes do bioma.
Assim como a fauna e flora da região são admiráveis, há de se destacar a rica presença das
comunidades tradicionais como as indígenas, quilombolas, os coletores de iscas ao longo do Rio
Paraguai, comunidade Amolar e Paraguai Mirim, dentre outras. No decorrer dos anos essas comunidades
influenciaram diretamente na formação cultural da população pantaneira.
Apenas 4,4% do Pantanal encontra-se protegido por unidades de conservação, dos quais 2,9%
correspondem a UCs de proteção integral e 1,5% a UCs de uso sustentável (apenas RPPNs, no Pantanal,
até o momento).
Fonte: http://www.mma.gov.br/biomas

Não foi só a VW: relatório diz que outras montadoras podem ter fraudado emissões

Um relatório divulgado por um órgão ambiental europeu sugere que outras montadoras, além de
Volkswagen e Audi, podem ter fraudado os resultados de emissões de carros a diesel.
A European Federation for Transport and Environment (EFTE) baseou suas afirmações em uma revisão
de dados do International Council on Clean Transportation (Conselho Internacional de Transporte Limpo),
uma organização cujos testes desencadearam a crise que tomou conta da Volkswagen.
O relatório da federação levanta dúvidas sobre a integridade dos testes de emissões da Europa e sugere
que outros fabricantes de automóveis podem ter usado métodos similares para “valorizar” resultados em
testes de emissões. A entidade divulgou seu relatório em 10 de setembro – antes da EPA divulgar suas
conclusões sobre a Volkswagen – mas teve pouca cobertura por parte da mídia.
Conforme revelado há cerca de uma semana pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e pelo
California Air Resources Board (CARB), a Volkswagen utilizou softwares manipulados para realizar a
medição das emissões de alguns modelos, de modo a violar os padrões ambientais vigentes nos EUA.
Segundo revelado, o sistema desligava os controles de emissões ao dirigir normalmente e mascarava os
resultados reais apenas no momento dos testes.
O EFTE afirma que testes do ICCT mostram claras discrepâncias entre as emissões de laboratório e
desempenho no mundo real para várias montadoras como a BMW, Mercedes-Benz e até a Opel, braço
europeu da General Motors. Argumentou que estes fabricantes também podem ter utilizado softwares
semelhantes aos que a VW admitiu ter usado nos Estados Unidos.
Tecnologias que reduzem emissões “são otimizadas para as condições de teste e há evidência clara de
que os carros detectam quando estão sendo testados para aplicar ciclos que reduzem as emissões”, diz
o relatório do EFTE. E completou: “outros fabricantes, basicamente, seguiram a mesma linha”, assim com
a Volkswagen, disse François Cuenot, técnico do órgão.
Nico Muzi, porta-voz do mesmo órgão, foi mais longe, dizendo que a Volkswagen é “apenas a ponta do
iceberg.” Muzi acrescentou que discrepâncias nas emissões no laboratório e nas ruas estão “acontecendo
em toda a linha.” As diferenças entre os resultados, segundo ele, “é grande, e não pode ser justificada.”

BMW

Um porta-voz da BMW disse que os veículos da empresa satisfazem os requisitos de emissões, tanto em
testes de laboratório quanto no uso diário, e observou que o ICCT também chegou a essa conclusão. Ele
acrescentou que nem a EPA nem a California Air Resources Board abordaram a BMW a respeito de
qualquer assunto sobre “dispositivo manipulador”.

Mercedes

A Daimler AG, proprietária da Mercedes, não respondeu aos pedidos de resposta sobre o relatório de
Transportes e Meio Ambiente. Na sequência dos relatórios sobre VW, a Daimler disse que não estava
ciente de qualquer investigação de veículos Mercedes nos EUA: “Nós ouvimos acusações da EPA contra

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a VW na imprensa”, disse a montadora em um comunicado. “Os problemas descritos pela imprensa não
são aplicáveis aos automóveis da Mercedes-Benz.”
A General Motors não se pronunciou sobre o assunto.
24/09/2015
Fonte: http://www.fecombustiveis.org.br/clipping/nao-foi-so-a-vw-relatorio-diz-que-outras-montadoras-podem-ter-fraudado-emissoes/

Sem obras, esgoto não tratado ameaça transposição do rio São Francisco

A falta de coleta e tratamento do esgoto nas cidades que vão receber as águas da transposição do rio
São Francisco é uma ameaça ao benefício esperado do maior projeto do governo federal no Nordeste. A
constatação é de auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União).
Orçada em R$ 8,2 bilhões, a obra deve beneficiar moradores de dos Estados do Ceará, Pernambuco,
Paraíba e Rio Grande do Norte. Porém, dos 86 municípios por onde o canal da integração vai passar, 49
não têm esgoto ou obra em andamento para coletar e tratar o esgoto. Além disso, segundo dados do
Ministério das Cidades, só sete têm coleta e tratamento do esgoto urbano para mais de 50% da
população.
"Essa situação além de indicar riscos relacionados a danos ambientais, pode prejudicar os benefícios
esperados para o Pisf [programa de integração do São Francisco]", diz o TCU.
Em maio, segundo balanço do Ministério da Integração Nacional, 75,6% de execução física do projeto
de transposição já havia sido executado. A previsão da entrega total da obra é até 2017.
A auditoria cita alguns casos que chamam a atenção. Em Iguatu (CE), por exemplo, que tem 96 mil
moradores --e onde só 19% têm coleta e tratamento de esgoto-, não há convênio federal para ampliação
de sistema de esgoto. Em Cajazeiras (PB) existem dois convênios federais para ampliação do sistema
de esgotamento sanitário, mas "ambos estão paralisados e com vigências vencidas."

Auditoria analisa R$ 733 mi em investimentos


A auditoria do TCU analisou 142 convênios com valor total de R$ 733 milhões. O recurso foi destinado
para obras de esgoto na região de 399 municípios dos quatro estados beneficiados pela transposição. O
balanço foi feito levando em conta a situação em seis de fevereiro de 2015. Até então, apenas R$ 288
milhões tinham sido liberados.

Como estão as obras, segundo o TCU


55% paralisadas, em ritmo lento ou não iniciadas com atraso superior a dois anos
39% não concluídas, mas com prazos de vigência dos convênios expirados
30% com licenças ambientais de instalação vencidas

Dos 142 convênios, mais da metade --78--, estavam com obras não iniciadas, em ritmo lento ou
paralisadas há mais de dois anos. Já outros 55 não estavam concluídos e com vigência vencida.
"Observaram-se várias obras paralisadas, com etapas concluídas, mas sem uso e com sinais de
deterioração antes mesmo do início da utilização. Constataram-se significativos e reiterados atrasos nos
cronogramas previstos. Tem-se que vários convênios foram firmados ainda na década passada, mas que
permanecem inconclusos", diz o relatório.
O TCU critica ainda que, mesmo com a demora para conclusão das obras, "há várias situações em
que foram firmados novos convênios para obras de esgoto antes mesmo da conclusão de obras anteriores
no mesmo município."
Com a aprovação do acórdão, em 10 de junho, o TCU deu 90 dias para envio do plano de ação e
cronograma do Ministério das Cidades e Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

Questionamento serão respondidos, diz governo

Responsável pela obra da transposição, o Ministério da Integração Nacional disse que o


monitoramento e aplicação dos recursos são de responsabilidade da Funasa e do Ministério das Cidades.
O Ministério das Cidades informou ao UOL que os relatórios do TCU são de "grande contribuição" e
são sempre "minuciosamente analisados." Sobre o relatório citado na reportagem, diz que "serão
respondidos e eventuais falhas que possam existir, corrigidas."
"O Ministério das Cidades, que se pauta pela transparência total das suas ações, acompanha a
execução de mais de 2.951 obras de saneamento do PAC em todo o País, em parceria com Estados e
municípios, responsáveis pela execução dos empreendimentos, com recursos que chegam a R$ 85,7
bilhões", disse.

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Já a Funasa garantiu que, dos 82 convênios para esgotamento sanitário citados no relatório do TCU,
50 estão em execução ou foram concluídos, 12 estão em fase preparatória e seis foram cancelados pela
não apresentação do projeto executivo da obra.
"Todas as obras citadas são realizadas por meio de convênios de prefeituras municipais com a Funasa
e tem como objetivo atender a municípios com até 50 mil habitantes. É importante esclarecer que,
diferentemente de outras obras do PAC, onde a execução é realizada diretamente pelo governo federal,
as obras de saneamento são executadas através dos Estados e principalmente dos municípios", explicou.
Carlos Madeiro
22/07/2015
Fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/07/22/sem-obras-esgoto-nao-tratado-ameaca-transposicao-do-rio-sao-
francisco.htm

Índios Guarani-Kaiowás dão grito de socorro em Paris

O desmatamento do Mato Grosso do Sul para o cultivo de soja e cana de açúcar está provocando o
lento genocídio dos índios que moram no estado - denunciaram nesta quarta-feira, em Paris, membros
do povo indígena Guarani-Kaiowá.
"Estamos aqui para pedir socorro e ajuda, não apenas pelas florestas e pela natureza, mas também
pela vida", afirmou em coletiva de imprensa Valdelice Veron, filha de um cacique guarani-kaiowá
assassinado por um fazendeiro em 2003.
Assim como o pai de Valdelice, 299 índios da comunidade morreram nos últimos 10 anos em razão de
conflitos gerados pela expansão das plantações.
"No Mato Grosso do Sul o sangue guarani-kaiowá está sendo derramado", disse Valdelice, que é porta-
voz do grupo, segunda maior população indígena do Brasil - com cerca de 45 mil membros distribuídos
em 42 mil hectares.
Ameaçada de morte, ela viajou pela primeira vez para fora do país acompanhada pelo cacique
Natanael Vilharva-Cáceres.
Os dois participaram na terça-feira da "Cúpula das Consciências", um encontro de reflexão convocado
pela França paralelamente às negociações para um acordo global sobre a mudança climática no final do
ano.
Eles afirmam que estas mortes são perpetradas por milícias privadas contratadas por grandes
proprietários de plantações de soja e cana.
"Estamos vivos, mas estão nos matando pouco a pouco e de várias maneiras", afirmou o cacique
Vilharva-Cáceres, que ostentava o tradicional cocar de plumas usado pelos guarani-kaiowás.
No banco dos réus estão as plantações extensivas de soja transgênica que prosperaram
impulsionadas pela demanda massiva da China e das grandes empresas que exploram o "petróleo verde"
dos agrocarburantes.
"A soja e o etanol que vocês consumem estão misturados com o sangue guarani-kaiowá", disse Veron
em Paris.
No final da década passada ocorreu uma explosão da demanda mundial de agrocarburantes como o
etanol fabricado com cana de açúcar cuja produção se multiplicou por seis entre 2000 e 2010, passando
de 19 milhões a 1 bilhão de metros cúbicos.
A ONG francesa Planète Amazone cita as multinacionais Raizen, Breyfuss, Bunge, Syngenta e a
franco-suíça Louis Dreyfus Commodities por intermédio de sua filial Bioenergia, entre os "causadores da
desgraça dos guarani-kaiowá".
"Assassinatos, apropriação de terras, desnutrição, saúde precária, moradia insalubre, acidentes de
trabalho e salários atrasados são questões de todos os dias para o povo guarani-kaiowá", apontou a
ONG.

No gabinete de Dilma

O cacique Vilharva-Cáceres admitiu que a Constituição brasileira garante os direitos dos povos
indígenas. "É apenas um papel, mas pelo menos está escrito", afirmou o líder guarani, antes de denunciar
vários projetos de emenda constitucional que ameaçam a perenidade destes direitos.
"A discriminação no Brasil é muito grande", lamentou o líder. "A gente mal pode entrar num restaurante
ou passear livremente pela rua".
Valdelice Veron explicou que o processo de atribuição de terras aos índios é realizado em três etapas:
a identificação antropológica, na qual devem dar provas de que as terras pertencem a eles, uma análise
pelo Superior Tribunal Federal (STF), encarregado de redigir o decreto de demarcação, e o aval final da
presidência.

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"A presidente Dilma Rousseff é conivente com estes crimes porque há muito tempo que em seu
gabinete estão 22 decretos de homologação esperam sua assinatura", contou.
Os povos indígenas foram recebidos na segunda-feira no palácio do Eliseu, sede da presidência da
França, pelo ativista ambiental Nicolas Hulot, emissário especial de François Hollande para a proteção
do planeta e na tarde desta quarta-feira foram à Assembleia Nacional francesa.
22/07/2015
http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2015/07/22/indios-guarani-kaiowas-dao-grito-de-socorro-em-paris.htm

Quatro regiões do Brasil têm 'saldo negativo' de chuvas, diz Inpe

O déficit de chuvas aumentou nas últimas décadas em quase todo o Brasil, o que vem dificultando o
armazenamento de água em quatro das cinco regiões do país, especialmente no Sudeste que já está no
"cheque especial", segundo pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
A constatação foi feita depois de levantarem dados de registros de chuva no país entre 1960 e 1990 e
compararem com os números atuais para estimar qual o atual "saldo da conta bancária de água" do país.
Os estudos foram apresentados na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC), que aconteceu no campus na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na semana
passada.
As projeções indicaram que a região Norte possui um saldo negativo de 6 metros cúbicos (m3) por
metro quadrado (m2).
A região Nordeste tem um déficit hídrico em torno de 4m3 por m2 e a região Sudeste está no "cheque
especial", com um saldo negativo de 3,5 m3 por m2.
Já a região Sul está em uma situação de equilíbrio.
"Temos uma situação de déficit de chuvas tremendo em todo o país, que representa uma situação
muito grave. A quantidade de chuvas que entra nos sistemas de vazão está diminuindo e contribuindo
para deixar nossa conta bancária hídrica cada vez mais no vermelho", disse Paulo Nobre, pesquisador
do Inpe à Agência Fapesp.

Estiagem no Sudeste

A região Sudeste do país, que enfrentou em 2014 e 2015 o maior período de estiagem dos últimos 70
anos, entrará em meados de agosto -- quando se inicia a estação mais seca do ano -- com menos água
do que tinha em 2014.
"Isso representa grandes volumes de água que não foi usada para o crescimento de plantas ou o
consumo humano, mas que, simplesmente, não entrou no ciclo hidrológico", disse Nobre.
Em outro estudo, os pesquisadores analisaram a quantidade de chuvas durante o verão na região
Sudeste a partir da década de 1960 até os últimos anos.
Nele, os pesquisadores concluíram que, nas décadas entre 1960 e 1980, chegaram a ocorrer durante
um mês ao menos duas chuvas de mil milímetros.
Nas décadas entre 1980 e 2000 essas chuvas se tornaram menos frequentes e raramente
ultrapassaram 900 milímetros. Já a partir dos anos 2000 as chuvas de verão no Sudeste mal
ultrapassaram o volume de 100 milímetros.

Cantareira

"Desde 2010 vem chovendo abaixo da média no Sudeste do país. Com isso o nível dos reservatórios
da região foram diminuindo e tivemos a grande seca de 2014 e 2015", afirmou.
Um estudo em fase de execução realizado por Carlos Nobre, pesquisador do Inpe e colaboradores,
calculou a taxa de vazão do sistema Cantareira no últimos 130 anos. Os resultados do estudo indicaram
que desde 1880 vem diminuindo a vazão das sub bacias que abastecem o Cantareira.
"A seca de 2014 e 2015 foi um evento extremo de diminuição de longo efeito que fez com que a vazão
do reservatório fosse decaindo nos últimos 20 anos", afirmou Paulo Nobre.
De acordo com o pesquisador, um dos fatores que contribuiu para a maior depressão pluviométrica
registrada no Sudeste do país este ano desde 1945 foi o aumento da temperatura na região e em outras
partes do Brasil.

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Aumento da temperatura

Um levantamento realizado por ele e colaboradores das médias de temperatura em todas as regiões
do Brasil entre 1960 e 2010 apontou que a temperatura do país, como um todo, está aumentando.
"Estamos constatando que, ano após ano, o Brasil está ficando mais quente. E isso se deve, em grande
parte, ao fato de que a temperatura do planeta está aquecendo devido, entre outros fatores, ao aumento
da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera", afirmou.
O aumento da temperatura da atmosfera induz rapidamente a ocorrência de eventos extremos, como
secas e inundações, no ciclo hidrológico, afirmou Nobre.
O aumento das emissões de gases de efeito estufa, como o CO2 na