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INSTITUTO DE FILOSOFIA E TEOLOGIA SANTA CRUZ

CURSO DE FILOSOFIA
METAFÍSICA
IR. RAQUEL MENDES BORGES

GABRIEL TOMÁS SILVA

RESENHA CRÍTICA: ENTE E A ESSÊNCIA

Tomás de Aquino nasceu por volta de 1221 na Itália e é conhecido com um dos
maiores pensadores da Escolástica. Ainda criança, foi enviando para estudar no Mosteiro de
Monte Cassino e mais tarde na Universidade de Nápoles, onde segundo seus primeiros
biógrafos, sua inteligência começou a ser revelada de maneira profícua. Tomás de Aquino,
quando estava em Nápoles, teve contato com a Ordem Dominicana, e mesmo sem a
aprovação da família decide entrar para a Ordem, e sofre muitas perseguições da própria
família chegando a ser sequestrado pelos irmãos e depois solto. Tomás de Aquino morreu
com 53 anos enquanto viajava para participar de um Concílio.

Tomás de Aquino, em sua obra “Ente e a Essência”, inicia citando dois grandes
autores, Aristóteles e Avicena, que levantam a tese sobre a concepção do pensamento sem
erros no principio, uma vez que se acontecer um erro no princípio, pode gerar um “efeito
dominó”, derrubando todo pensamento posterior. O Ente e a Essência são concebidos
primeiro pelo intelecto, uma vez que me deparo primeiro com ser e o concebo seja na
individualidade ou na universalidade.

Tomás de Aquino investiga o que é ente e essência em dois aspectos: nos diversos e
nas intenções lógicas (universais). Nos diversos, Tomás de Aquino investiga os itens/coisas
da realidade. Para Tomás, interessa o ente como se apresenta a nós.

Interessa para Santo Tomás começar do fácil para entender o complexo, da mesma
forma se aplica na significação de ente e essência. Entendemos o ente primeiro porque é mais
acessível, podendo ser verificado sensivelmente passando assim para a essência. Os órgãos
dos sentido ajudam na verificação do ente, porque posso não saber o que é em sua essência,
mas com os sentidos eu consigo conceber o ente.

Para Tomás, recebe-se o simples pelo composto. O ente, enquanto substância


composta, é dotado de matéria e forma. Na substância composta a forma é principio de
conhecimento da substância e atualiza a matéria. Quanto à materialidade, Tomás concede um
princípio de caracterização a essência, mas esta não a esgota e por isso acrescenta-se a forma.
A matéria não é princípio de conhecimento, mas não posso definir a substância sem a
materialidade que é verificada pelos sentidos. Ainda sobre a matéria e forma, conclui-se que a
matéria necessita de uma forma para existir, mas a forma não necessita da matéria. A estes
seres, dizemos que existem por si só, que neste caso podemos dizer sobre Deus. Na ordem do
ser e na ordem do conhecer encontramos a validação da premissa, uma vez que conhecemos
primeiro o composto para receber o simples. É importante ressaltar que, através da
significação não encontramos a essência, mas é necessário algo que a delimitará para se fazer
a sua essência.

Ao concluir a leitura da obra “Ente e a Essência” podemos concluir alguns pontos. A


obra, escrita por Tomás de Aquino ainda na juventude trata de questões metafísicas, ainda que
seja com uma linguagem e termos técnicos de pouca compreensão. Como alguns
comentadores de Tomás de Aquino dizem: houve nesta obra um cristianização do pensamento
aristotélico, uma vez que o pensamento de Aristóteles não se distancia do pensamento cristão,
sem mesmo conhecer tais valores.

Com o pensamento próprio, Tomás de Aquino ajuda a evidenciar os significados de


Ente e de Essência, ainda que com uma linguagem truncada, pela época em que foi escrita.
Mas que para os amantes de Metafísica, torna-se uma leitura valiosa para os estudos mais
profundos.