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PREFEITURA MUNICIPAL DE APARECIDA DE GOIÂNIA

PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA (PDDU)


DO MUNICÍPIO DE APARECIDA DE GOIÂNIA

VOLUME – IV
Manual de Drenagem

AGOSTO/2011
Volume IV
Plano Diretor de Drenagem Urbana
Agosto/2011

SUMÁRIO
1. APRESENTAÇÃO................................................................................................. 7

2. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA CONCEPÇÃO DE SISTEMAS DE


DRENAGEM PLUVIAL .................................................................................................. 9
2.1 Princípios Básicos de Hidrologia .................................................................................. 9

2.1.1 O Ciclo Hidrológico ..................................................................................................... 10

2.1.2 Área de Drenagem ..................................................................................................... 12

2.1.3 Características Fisiográficas da Área de Drenagem ................................................. 12

2.1.4 Tempo de Concentração da Bacia ............................................................................. 14

2.1.5 Impermeabilidade de Bacias Hidrográficas Urbanizadas .......................................... 17


2.1.6 Probabilidade de Ocorrência – Tempo de Recorrência ............................................ 20
2.1.7 Precipitação ................................................................................................................ 22

2.1.8 Precipitação Máxima: Curva Intensidade-Duração-Frequência ................................ 25

2.1.9 Infiltração .................................................................................................................... 27

2.1.10 Escoamento Superficial ......................................................................................... 29


2.2 Princípios Básicos de Hidráulica ................................................................................ 30

2.2.1 Fundamentos de Hidrostática .................................................................................... 31

2.2.2 Fundamentos de Hidrodinâmica ................................................................................ 31


2.2.3 Escoamento Permanente Uniforme por Dispositivos Hidráulicos ............................. 35

2.2.4 Escoamento Permanente Uniforme com Superfície Livre – Chézy-Manning ........... 38

2.2.5 Escoamentos Transientes – Formulação de Saint-Venant ....................................... 43


2.3 O IMPACTO DA URBANIZAÇÃO NO CICLO HIDROLÓGICO ................................... 45

2.3.1 MUDANÇAS DO CICLO HIDROLÓGICO LOCAL .................................................... 46

2.3.2 MUDANÇA NA GEOMETRIA DOS CORPOS HÍDRICOS ........................................ 46

2.3.3 DEGRADAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS ............................................. 47

2.3.4 POLUENTES DURANTE A FASE DE CONSTRUÇÃO ............................................ 48


2.3.5 POLUENTES APÓS CONSOLIDAÇÃO DA URBANIZAÇÃO ................................... 48

2.3.6 MODELO HIDROLÓGICO DE PRECIPITAÇÃO-VAZÃO ......................................... 49

3. SISTEMAS DE DRENAGEM PLUVIAL DE BAIXO IMPACTO ........................... 50

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Plano Diretor de Drenagem Urbana
Agosto/2011

3.1. BMPs E LIDs – MEDIDAS DE BAIXO IMPACTO NA BACIA ...................................... 52

3.1.1. A ESCOLHA DA SOLUÇÃO ...................................................................................... 56

3.1.2. BACIAS DE DETENÇÃO ........................................................................................... 59

3.1.3. BACIAS DE RETENÇÃO ........................................................................................... 61

3.1.4. BACIAS DE INFILTRAÇÃO........................................................................................ 62

3.1.5. TRINCHEIRAS DE INFILTRAÇÃO OU DETENÇÃO ................................................ 62

3.1.6. PAVIMENTO POROSO.............................................................................................. 66

3.1.7. VALAS, VALETAS, PLANOS E OUTRAS BMPs VEGETAIS ................................... 68

4. SISTEMAS DE MICRODRENAGEM ................................................................... 72


4.1 Elementos Estruturais da Microdrenagem ................................................................ 72

4.1.1 Sarjetas ....................................................................................................................... 73


4.1.2 Bocas-de-Lobo ........................................................................................................... 73

4.1.3 Poços de Visita ........................................................................................................... 74

4.1.4 Condutos e Canais ..................................................................................................... 75

4.1.5 Estruturas de Dissipação de Energia ......................................................................... 76


4.2 Dimensionamento de Sistemas de Microdrenagem ................................................. 76

4.2.1 Condicionantes de Projeto ......................................................................................... 77

4.2.2 Determinação do Horizonte de Projeto ...................................................................... 80

4.2.3 Determinação de Traçado Preliminar ........................................................................ 80

4.2.4 Metodologia de Transformação Precipitação-Vazão ................................................. 82

4.2.5 Dimensionamento e Verificação dos Condutos ......................................................... 83

4.2.6 Poços de Visita ........................................................................................................... 85

4.2.7 Sarjetas e Bocas-de-lobo ........................................................................................... 85


4.2.8 Dissipação de Energia ................................................................................................ 87

4.2.9 Detenção e Reservação – Método de Puls ............................................................... 91

5. MACRODRENAGEM MUNICIPAL ...................................................................... 95


5.1 Processo de Análise e Escolha de Intervenções ...................................................... 95

5.1.1 Caracterização da Área de Estudo ............................................................................ 95


5.1.2 Determinação do Horizonte de Projeto ...................................................................... 97

5.1.3 Tempo de Recorrência para Estudos da Macrodrenagem ........................................ 97

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5.1.4 Precipitação de Projeto .............................................................................................. 97

5.1.5 Transformação Precipitação-Vazão ........................................................................... 99

5.1.6 Diagnóstico e Prognóstico da Macrodrenagem ....................................................... 100

5.1.7 Seleção e Simulação de Intervenções de Controle e Mitigação ............................. 101


5.1.8 Avaliação da Qualidade da Água: ............................................................................ 101

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 102

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ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 2.1 - O CICLO HIDROLÓGICO. .........................................................10

FIGURA 2 - CLASSIFICAÇÃO DE HORTON-STAHLER (VILLELA, 1975). .....13

FIGURA 3 – VAZÕES DE PICO EM FUNÇÃO DAS CHUVAS DE PROJETO


(ZAHED & MARCELLINI, 1995). ...............................................................15

FIGURA 2.4 - GRADIENTE DAS VAZÕES EM FUNÇÃO DAS CHUVAS DE


PROJETO (ZAHED & MARCELLINI, 1995). .............................................16

FIGURA 2.5 - PERCENTUAL DE ÁREA IMPERMEÁVEL DO MUNICÍPIO DE


APARECIDA DE GOIÂNIA (PDDU APARECIDA DE GOIÂNIA, 2011) .....19

FIGURA 2.6 - BALANÇO HÍDRICO PRÉ E PÓS URBANIZAÇÃO (SCHUELER,


1987 APUD TUCCI, 2007, P. 88). .............................................................20

FIGURA 7 – EXEMPLO DE PLUVIÔMETRO (FONTE: UFCG, 2011) ..............24

FIGURA 8 - PLUVIÓGRAFO DE HELLMANN-FUESS (FONTE: UFCG, 2011)25

FIGURA 9 – GRÁFICO DA IDF DO MUNICÍPIO DE GOIÂNIA (CRIADA A


PARTIR DE COSTA & MENDONÇA, 1998) ..............................................27

FIGURA 10 - DIAGRAMA DE MOODY (USP, 2011). .......................................34

FIGURA 11 - FORMAS E FÓRMULAS DE VERTEDOUROS (BAPTISTA ET


AL., 2003) .................................................................................................38

FIGURA 12 - CURVA DE TIRANTE POR ENERGIA ESPECÍFICA -


HIPÉRBOLE DE BAKHMETEFF (MARQUES, 2009). ...............................42

FIGURA 13 - CURVA DE TIRANTE POR VAZÃO - CURVA DE KOCH


(MARQUES, 2009). ..................................................................................42

FIGURA 3.1 - FASES DE PROJETO DE TÉCNICAS COMPENSATÓRIAS DE


DRENAGEM (BAPTISTA ET AL., 2005). ..................................................51

FIGURA 3.2 - BIOVALAS EM PORTLAND, OREGON, ESTADOS UNIDOS


(STONER ET AL., 2006). ..........................................................................55

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Plano Diretor de Drenagem Urbana
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FIGURA 3.5 - COMPARAÇÃO DE BMPS QUANTO À REMOÇÃO DE


POLUENTES (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO). ................................58

FIGURA 3.7 - ESQUEMA DE UMA BACIA DE DETENÇÃO (SCHUELER, 1987


– MODIFICADO). ......................................................................................60

FIGURA 3.8 - DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE INUNDAÇÕES POR ANO COM


O USO DE BACIAS DE DETENÇÃO (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO).
.................................................................................................................61

FIGURA 3.10 - ESQUEMA DE BACIA DE INFILTRAÇÃO OFFLINE


(SCHUELER, 1987). .................................................................................62

FIGURA 3.11 - ESQUEMA DE UMA TRINCHEIRA DE INFILTRAÇÃO


(SCHUELER, 1987). .................................................................................63

FIGURA 3.12 - ESUQEMA DE PAVIMENTO POROSO (SCHUELER, 1987). .66

FIGURA 27 - ESQUEMA DE SARJETA ...........................................................73

FIGURA 28 - ESQUEMA DE BOCA-DE-LOBO DUPLA ...................................74

FIGURA 29 - CORTE SAGITAL DE BOCA-DE-LOBO DUPLA ........................74

FIGURA 30 - CORTE LONGITUDINAL DE POÇO DE VISITA. .......................75

FIGURA 31 – ESQUEMA DE DISSIPADOR DE ENERGIA POR IMPACTO ....76

FIGURA 32 – DETERMINAÇÃO DE VARIÁVEIS E TRAÇADO PRELIMINAR 81

FIGURA 33 - FLUXOGRAMA DE DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÃO DE


CONDUTOS .............................................................................................84

FIGURA 34- DESENHO ESQUEMÁTICO DE SARJETA. ................................86

FIGURA 35 - ÁBACO PARA BOCAS-DE-LOBO COM DEPRESSÃO


(DAEE/CETESB, 1980) .............................................................................87

FIGURA 36 - ÁBACO PARA DETERMINAÇÃO DE LARGURA DE


DISSIPADOR (NOVACAP, 1999) .............................................................88

FIGURA 37 - DISSIPADOR DE ENERGIA - PLANTA SUPERIOR ..................89

FIGURA 38 - DISSIPADOR DE ENERGIA - PLANTA DO FUNDO ..................90

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FIGURA 39 - DISSIPADOR DE ENERGIA – CORTE AA.................................90

FIGURA 40 FIGURA 41 - DISSIPADOR DE ENERGIA – CORTE BB .............91

FIGURA 42 - RELAÇÃO COTA-ARMAZENAMENTO ......................................92

FIGURA 43 - FUNÇÃO DE RELAÇÃO VAZÃO-ARMAZENAMENTO ..............93

FIGURA 44 - HIETOGRAMA SEGUNDO O MÉTODO DE CHICAGO (TUCCI


ET AL., 2003) ............................................................................................99

ÍNDICE DE TABELAS

TABELA 2.1 – FÓRMULAS DE TEMPO DE CONCENTRAÇÃO


RECOMENDADAS (SILVEIRA, 2005). .....................................................17

TABELA 2.2 - COEFICIENTES DE MANNING PARA DIFERENTES


SUPERFÍCIES (MARQUES, 2009). ..........................................................40

TABELA 3.1 – TAXA DE REMOÇÃO DE POLUENTES URBANOS POR


TRINCHEIRAS DE INFILTRAÇÃO (SCHUELER, 1987 - MODIFICADO). 64

TABELA 3.2 – TRAÇO DE ASFALTO-CONCRETO DE GRANULOMETRIA


ABERTA (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO).........................................67

TABELA 3.3 – PERCENTUAL DE REMOÇÃO DE POLUENTES POR


BIORRETENÇÃO (FONTE: PGDER, 1993; DAVIS ET AL., 1998 APUD
USEPA, 1999)...........................................................................................70

TABELA 4.1- COEFICIENTES DE ESCOAMENTO SUPERFICIAL .................83

TABELA 4.2 - FATOR DE REDUÇÃO DE ENGOLIMENTO DE BOCAS-DE-


LOBO (DAEE/CETESB, 1980) ..................................................................86

TABELA 4.3 - DIMENSÕES PADRONIZADAS DE DISSIPADOR DE IMPACTO


(NOVACAP, 1999) ....................................................................................88

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1. APRESENTAÇÃO

A ActionLASER Engenharia, Consultoria e Informática LTDA apresenta o


Manual de Drenagem do Município de Aparecida de Goiânia, parte integrante
do Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU) do Município de Aparecida de
Goiânia - GO, conforme contrato n°439/2010 entre a empresa supracitada e a
Prefeitura Municipal de Aparecida de Goiânia.

O Manual de Drenagem do Município de Aparecida de Goiânia apresenta


as técnicas e metodologias de projeto e dimensionamento e execução
adequados para o manejo das águas pluviais urbanas municipais com impacto
controlado sobre o meio-ambiente e controle sobre os impactos no escoamento
superficial da urbanização.

A criação e o dimensionamento de sistema de manejo das águas pluviais


urbanas deverá se basear no conceito de vazão de pré-desenvolvimento,
devendo as soluções escolhidas serem capazes de amortizar o hidrograma da
bacia drenada de modo a diminuir a vazão de pico para valores próximos aos
encontrados na área antes da ocupação e sua consequente urbanização.

Este documento divide-se em quatro partes:

 Princípios Básicos para Concepção de Sistemas de Drenagem;

 Sistemas de Drenagem Pluvial de Baixo Impacto;

 Sistemas de Microdrenagem;

 Sistemas de Macrodrenagem.

Na primeira parte do Manual, faz-se uma revisão das técnicas


preconizadas para a determinação das características fisiográficas da bacia em
estudo, a divisão da mesma em sub-bacias e áreas de contribuição, a
determinação do tempo de concentração, a precipitação de projeto considerada
e outros índices referentes ao estudo hidrológico. Faz-se também uma síntese
dos conceitos básicos de hidráulica e da mecânica dos fluidos envolvida no
escoamento permanente uniforme e no escoamento transiente.

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Na segunda parte apresenta-se as medidas de mitigação de impactos


hidro-ambientais relacionados à urbanização e à consequente modificação do
ciclo hidrológico da região urbanizada. Tais medidas, denominadas sob a sigla
de BMPs ou LIDs, são técnicas compensatórias que visam a regularização da
vazão por meio do retorno quali-quantitativo das condições de escoamento na
pré-urbanização.

Na terceira parte são apresentados os sistemas clássicos de drenagem


pluvial urbana, com os condicionantes de projetos de drenagem do município
de Aparecida de Goiânia e a apresentação de metodologia de cálculo e
dimensionamento. O uso destes sistemas de drenagem urbana devem vir,
obrigatoriamente, ligado ao uso de técnicas compensatórias, notadamente as
bacias de detenção para regularização do hidrograma da área drenada.

Na última parte é apresentado o roteiro de análise e concepção de


soluções para a macrodrenagem municipal, com os requisitos para a execução
de tais medidas.

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2. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA CONCEPÇÃO DE SISTEMAS DE


DRENAGEM PLUVIAL

A concepção de um sistema de drenagem pluvial em meios urbanos é


uma tarefa que requer grande preocupação com dois agentes principais, que
possuem demandas muitas vezes conflitantes: o social, que demanda um
sistema que expurgue na maior velocidade possível a água precipitada no
espaço físico urbanizado, e o ambiental, que demanda a busca pela mínima
modificação das condições de escoamento da área em relação às suas
características pré-urbanização.

Deste modo, o aprofundamento dos conhecimentos relacionados a


hidrologia e a hidráulica se veem necessários para a concepções de soluções
que consigam conciliar satisfatoriamente as demandas dos diversos agentes
relacionados às mudanças a serem propostas, notadamente os dois citados
acima.

Este Manual faz uma breve síntese dos princípios básicos das duas
ciências diretamente ligadas à drenagem pluvial, a hidráulica e a hidrologia, em
busca apenas de ilustrar os tópicos que devem ser aprofundados por meio de
bibliografia especializada.

2.1 Princípios Básicos de Hidrologia

Como ciência pura e aplicada, a hidrologia trata dos fenômenos


relacionados ao ciclo hidrológico no que concerne tanto à água quanto aos
aspectos relativos à interação entre a mesma e o meio físico, como o
transporte de sedimentos, as corridas, a lixiviação de solos e a ocorrência de
chuvas ácidas.

Deste modo, no estudo para a concepção de um sistema de drenagem, a


hidrologia é a ciência que busca compreender os fenômenos meteorológicos e
suas consequências no espaço estudado, buscando explicitar
quantitativamente os escoamentos a eles relacionados. Deste modo, o estudo

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hidrológico da área em questão será responsável pela determinação das


variáveis naturais e dos perfis de escoamento criados pela interação entre
determinado evento meteorológico e o meio físico local, sendo o ponto principal
para a concepção do sistema de drenagem local, desde a escolha da solução
até o dimensionamento hidráulico da mesma.

2.1.1 O Ciclo Hidrológico

Tendo como objeto principal de estudo a água e sua interação com o


meio físico, o ponto principal para a compreensão da hidrologia é o ciclo
hidrológico. Segundo Silveira (2002), o ciclo hidrológico pode ser definido como
o fenômeno global de circulação fechada da água, passando da superfície
terrestre para a atmosfera, tendo como fontes de energia principais a energia
solar, a gravidade (tanto terrestre quanto de corpos celestes próximos) e os
movimentos de rotação terrestre.

FIGURA 2.1 - O CICLO HIDROLÓGICO.

Como fenômenos básicos do ciclo hidrológico de maior interesse, tem-se


a infiltração, o escoamento superficial e sub-superficial, o armazenamento em
aquíferos e reservas de gelo, o derretimento de geleira, a evapo-transpiração e
a precipitação. O ciclo hidrológico dos municípios brasileiros, por se
encontrarem em território localizado majoritariamente na região Tropical e por

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não terem cumes de elevada altitude, simplifica-se pela inexistência do


derretimento de geleiras e de reservas de gelo.

Deste modo, o ciclo hidrológico que deve ser estudado baseia-se nos
seguintes processos:

Precipitação;

Infiltração;

Escoamento Superficial;

Escoamento Sub-superficial;

Armazenamento em Aquíferos;

Evapo-transpiração.

No estudo de bacias hidrográficas, no que concerne à drenagem da


mesma, o armazenamento em aquíferos não é considerado, uma vez que não
influencia diretamente no escoamento em superfície, bem como a evapo-
transpiração é desconsiderada pelo fato da transpiração ser aproximadamente
nula em eventos chuvosos e a evaporação ser em grande parte considerada na
medição destes eventos.

Segundo Gribbin (2009), cursos d’água relativamente pequenos, depois


de qualquer evento normal de chuva, possui o pico do escoamento superficial
antes que os escoamentos sub-superficiais comecem a contribuir, de modo que
pode-se simplificar, para efeitos de dimensionamento e avaliação de
capacidade de condução, o escoamento nestes cursos d’água como sendo
totalmente advindo do escoamento superficial.

O escoamento da água em áreas urbanizadas, objeto das obras de


microdrenagem e de controle na fonte, também não possuem influência
qualquer dos escoamentos sub-superficiais, sendo estes contabilizados
unicamente como uma subtração do escoamento superficial total, denominada
infiltração.

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2.1.2 Área de Drenagem

Os estudos hidrológicos, como todo estudo relativo ao espaço físico,


requerem a determinação de uma poligonal de estudo determinada,
normalmente denominada de área de influência. Na hidrologia aplicada, esta
área é denominada bacia hidrográfica, bacia de drenagem ou área de
captação (Gribbin, 2009), definida por Silveira (2002) como uma área de
captação natural da água da precipitação que faz convergir os escoamentos
para um único ponto de saída, seu exutório. Gribbin (2009) explica que toda
chuva que incide sobre a bacia hidrográfica segue seu caminho até o curso
d’água, enquanto toda a chuva que cai fora dela segue caminho distinto
afluindo a outro curso d’água.

A definição da área cria por consequência a definição de um contorno,


este denominado divisor da bacia ou divisor de águas, sendo este definido a
partir do estudo das curvas de nível do local, seja a partir de um exame visual
dos mapas seja por meio de ferramentas de geoprocessamento que, por
comparação entre as cotas dos pontos vizinhos consegue determinar o
caminhamento da água e deste modo a área de captação de determinado
exutório.

2.1.3 Características Fisiográficas da Área de Drenagem

A caracterização das bacias hidrográficas é um fator importante para o


entendimento do comportamento hidráulico que a água precipitada terá durante
sua permanência dentro da mesma. Para sistematizar e uniformizar o estudo
das característica fisiográficas das bacias hidrográficas, alguns índices e
classificações foram criados:

 Índice de Compacidade – Coeficiente de Gravellius (KC): índice de


relação entre o perímetro da bacia e o perímetro de uma circunferência
de área igual à da bacia estudada. É dado pela fórmula:

;

Onde P é o perímetro da Bacia e A é a área da mesma.

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 Fator de Forma (Kf): relação entre a largura média da bacia e seu


comprimento axial. É dado pela fórmula:

Onde A é a área da bacia e L é o comprimento axial da mesma, ou


comprimento de talvegue, da mesma.

 Classificação de Horton-Stahler: para a análise da macrodrenagem


das bacias hidrográficas, desenvolveu-se uma classificação de cursos
d’água na qual um determinado corpo hídrico sobe de classificação ao
haver a união de dois corpos hídricos de mesma ordem, como
mostrado no exemplo a seguir, de Villela (1975):

FIGURA 2 - CLASSIFICAÇÃO DE HORTON-STAHLER (VILLELA, 1975).

 Densidade de Drenagem: é a relação entre o número de corpos


hídricos de determinada ordem ou maior por unidade de área, e visa
determinar a capacidade de condutibilidade hidráulica da bacia, ou
seja, sua capacidade de drenagem da precipitação buscando seu
exutório. É dada pela fórmula:

Onde nx é o número de corpos hídricos de ordem maior ou igual a x e A é


a área da bacia.

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Além desses índices e de outros preconizados pela literatura nacional e


internacional, é extremamente importante a definição por metodologia correta
da área, do perímetro (estes necessários à determinação de índices
supracitados) e dos índices de declividade (média, mediana, por curvas
hipsométricas, dentre outros), de modo a ser possível a análise numérica do
risco de enchentes e demais desastres ambientais. O cuidado com as
medições e com a escolha dos métodos matemáticos, gráficos e/ou
computacionais deve ser tão grande quanto a preocupação com as medições
físicas feitas in loco, devendo sempre haver discussões acerca da eficiência
dos métodos para a sintetização da realidade.

2.1.4 Tempo de Concentração da Bacia

O Tempo de Concentração pode ser entendido como o período de tempo


compreendido entre o início da precipitação uniforme em toda uma bacia
hidrográfica e o instante em que a gota de água precipitada no ponto mais
distante da bacia chega ao exutório da mesma.

Este é um dos tempos de resposta da bacia hidrográfica mais utilizados


no cálculo de chuvas e hidrogramas de projeto. Paradoxalmente, é um
parâmetro hidrológico difícil de ser estabelecido com critério pelos projetistas
porque há pouca informação sobre a aplicabilidade das diversas fórmulas
empíricas disponíveis (Silveira, 2005).

Freqüentemente os tempos de concentração são estimados a partir de


tempos de retardo. Os tempos de retardo geralmente são definidos como
intervalos entre o centro de gravidade temporal da chuva e o respectivo centro
de gravidade do hidrograma ou o instante do pico do hidrograma.
Naturalmente, se é o tempo do pico ou do centro de gravidade temporal do
hidrograma que é considerado, tem-se tempos de retardo diferentes. Com base
no hidrograma unitário triangular do SCS o tempo de concentração pode ser
estimado como 1,417 vezes maior que o tempo de retardo e 1,67 vezes maior
que o tempo de pico (McCuen et al. apud Silveira, 2005, p. 06).

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Mesmo sendo uma abstração – já que o próprio tempo de contribuição


total da bacia depende diretamente da vazão escoada superficialmente, não
sendo uma propriedade unicamente física da área drenada, usada para a
determinação da duração da chuva de projeto – tal grandeza se demonstra
como um bom estimador da duração da chuva de projeto da bacia, sendo
amplamente usada em projetos de drenagem como equivalente à duração da
chuva de projeto do sistema de drenagem concebido.

Zahed & Marcellini (1995) demonstram que a vazão de pico no exutório


de determinada bacia hidrográfica é assintótica a um valor máximo, com erro
suficientemente aceitável para precipitações de duração iguais ou superiores
ao tempo de concentração da bacia.

FIGURA 3 – VAZÕES DE PICO EM FUNÇÃO DAS CHUVAS DE PROJETO (ZAHED & MARCELLINI, 1995).

Zahed & Marcellini (1995) também fazem esta demonstração a partir do


gradiente das vazões em função da duração da chuva, que é assintótico a 1,0.

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FIGURA 2.4 - GRADIENTE DAS VAZÕES EM FUNÇÃO DAS CHUVAS DE PROJETO (ZAHED & MARCELLINI, 1995).

A determinação do tempo de concentração pode ser feita a partir de


determinação da velocidade do escoamento superficial no percurso hidráulico
crítico, ou a partir da utilização de fórmulas empíricas consolidadas pela
literatura nacional e internacional.

Silveira (2005) avaliou o desempenho de 23 fórmulas de tempo de


concentração, calculando seus erros com dados de dois arquivos-teste (um de
bacias hidrográficas urbanizadas e outro de bacias hidrográficas rurais),
apresentando os erros de cada fórmula segundo as informações dos arquivos
utilizados, sem porém ter-se a pretensão de criar uma ranking das mesmas.

Silveira (2005) recomenda o uso da fórmula de Carter para a


determinação do tempo de concentração de bacias urbanas com área menor
que 1100 ha e a fórmula do Corpo de Engenheiros do Exército Americano (US
Army Corps of Engineers) para bacias rurais com área menor que 12000 km².
A fórmula de Kirpich, desenvolvida a partir de dados relativos a 6 ou 7 bacias
rurais norte-americanas (Silveira, 2005), se mostrou relativamente eficaz para a
determinação de tempos de concentração tanto de bacias urbanas quanto de
rurais, também sendo recomendada pelo autor.

As fórmulas recomendadas por Silveira (2005) para bacias urbanas e


rurais encontram-se a seguir:

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TABELA 2.1 – FÓRMULAS DE TEMPO DE CONCENTRAÇÃO RECOMENDADAS (SILVEIRA, 2005).

Bacias Rurais Bacias Urbanas


Fórmulas Ordem Áreas E. M. E. P. Áreas E. M. E. P. Equação
(km2) % % (ha) % %
Corps E. 1R < 12000 9 21 - - -
V. Chow 2R < 12000 -7 19 - - -
Onda Cin. 3R < 12000 2 20 - - -
Kirpich 4R, 3U < 12000 -9 19 < 2700 1 39
Carter 1U - - - < 1100 1 40
Schaake 2U - - - < 62 -9 30
Desbordes 4U - - - < 5100 11 49
Tc (h – Tempo de Concentração);
L (km – Comprimento de Talvegue);
S (m/m);
A (km² - Área da bacia hidrográfica);
Aimp (km²/km² – fração da área impermeável em relação à área total da bacia hidrográfica);
n (coeficiente de Manning, igual a 0,030 para áreas não urbanizadas e 0,016 para áreas urbanizadas);
i (mm/h – intensidade da chuva de projeto).

2.1.5 Impermeabilidade de Bacias Hidrográficas Urbanizadas

Na análise da drenagem urbana, um dos aspectos de maior influência na


quantificação das vazões escoadas nas bacias hidrográficas é o percentual de
área impermeável desta bacia. Por uma análise simples da equação de
Manning, derivada da equação de Chézy para escoamento permanente
uniforme, pode-se entender a tamanha importância deste índice.

Segundo Manning, a vazão de um escoamento turbulento à pressão


atmosférica pode ser calculada pela fórmula:

⁄ ⁄ Equação
2.1

Onde Q é a vazão escoada, A é a área molhada do escoamento, R H é o


raio hidráulico, I é a declividade do local de condução e n é um coeficiente de
rugosidade, determinado para cada material, popularmente denominado
Coeficiente de Manning.

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Coeficientes de Manning foram determinados para os mais diversos


materiais com as mais diversas texturas, como por exemplo para margens
espraiadas com muita vegetação em boa condição – n = 0,100 (Porto, 1998) –
e cimentados desgastados – n = 0,016 (Butler & Davies, 2004).

Tomando como constantes o raio hidráulico, a área molhada e a


declividade, a relação entre a vazão de uma área cimentada e a vazão de uma
área com bastante vegetação será dada por:

Equação
2.2

Logo, segundo a Equação 2.2, a vazão de uma área cimentada será igual
a aproximadamente 6 vezes a área desta mesma área amplamente vegetada.
Embora esta relação não valha como regra por se tratar de uma fórmula
desenvolvida para escoamento em canais com escoamento turbulento, é
suficiente para demonstrar qualitativamente a influência da impermeabilização
no escoamento superficial de bacias hidrográficas.

Tucci (2007) afirma que os principais indicadores hidrológicos de


urbanização são a área impermeável e o tempo de concentração. A área
impermeável, segundo Campana e Tucci (1994 apud Tucci, 2007, p. 89) cresce
proporcionalmente com a densidade habitacional até quando aquela atinge o
valor de 120 hab/m², quando o efeito da verticalização faz com que a área
impermeável fique próxima a 70% da área total.

O estudo de áreas urbanizadas do Município de Aparecida de Goiânia por


sensoriamento remoto, realizado na elaboração do Plano Diretor de Drenagem
Urbana do qual este Manual de Drenagem faz parte, aponta para percentuais
de impermeabilização ainda mais altos, próximos a 85%, devido ao padrão de
ocupação baseado em unidades habitacionais unifamiliares de baixo e médio
padrão, com alto grau de impermeabilização do solo relacionado basicamente
à cultura local de máximo aproveitamento da área a construir proporcionada.

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FIGURA 2.5 - PERCENTUAL DE ÁREA IMPERMEÁVEL DO MUNICÍPIO DE APARECIDA DE GOIÂNIA (PDDU APARECIDA DE
GOIÂNIA, 2011)

Tucci (2007) faz um paralelo entre as vazões de pré e pós-ocupação de


determinada área segundo o Método Racional, estimando um aumento de
420% do Coeficiente de Escoamento devido à urbanização e de 3,14% da
intensidade de precipitação devido à diminuição do tempo de concentração da
bacia, o que gera um aumento de 1319,0% da vazão de pico após a
urbanização da área.

Para bacias medianamente urbanizadas típicas dos Estados Unidos, as


vazões de pico são multiplicadas por fatores de dois a cinco em relação às
vazões de pré-urbanização (Leopold, 1968; Andersen, 1970 apud Schueler,
1987, p. 1.1). Já o tempo de concentração sofre diminuição da ordem de 50%
nestas mesmas bacias, sobretudo se sistemas de drenagem clássicos forem
construídos no local (Leopold, 1968 apud Schueler, 1987, p. 1.1).

O aumento do escoamento superficial devido a impermeabilização do solo


o torna o principal meio de escoamento do volume de água precipitado,
diminuindo a evapo-transpiração, a infiltração e o escoamento sub-superficial
(Tucci, 2007; Schueler, 1987).

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FIGURA 2.6 - BALANÇO HÍDRICO PRÉ E PÓS URBANIZAÇÃO (SCHUELER, 1987 APUD TUCCI, 2007, P. 88).

2.1.6 Probabilidade de Ocorrência – Tempo de Recorrência

Os fenômenos meteorológicos figuram entre os de maior complexidade a


serem pesquisados. São fenômenos notadamente cíclicos, mas com grande
dinamicidade e alta inter-dependência entre as diversas variáveis que o
influencia. Visto a dificuldade em determinar-se padrões de ocorrência e
relações algébricas diretas para a correlação entre tais fenômenos e suas
variáveis, faz-se necessário o uso de um extenso ferramental probabilístico-
estatístico para a extrapolação da tendência probabilística de ocorrência de
eventos.

Trabalha-se então com o conceito de risco aceitável, ou probabilidade de


ocorrência, no qual determina-se qual o risco máximo aceitável para
determinada intervenção considerando a importância da área a ser protegida.
Do risco máximo aceitável deriva a ocorrência máxima de eventos em
determinado período de tempo.

O período de retorno de um evento pluviométrico, por definição, seria o


tempo estatístico para a ocorrência entre dois eventos pluviométricos de
mesma intensidade, sendo assim o inverso da probabilidade de ocorrência
desses eventos:

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Onde Tr é o período de retorno, ou tempo de recorrência, e P é a


probabilidade de ocorrência de determinado evento.

Segundo Zahed & Marcellini (1995), a probabilidade de ocorrência de um


evento maior ou igual ao evento-base em n anos, em relação à probabilidade
de ocorrência total no período de retorno (que é igual a 100%), é dada pela
expressão:

Onde R é a probabilidade de ocorrência em n anos e P é a probabilidade


de ocorrência no tempo de retorno do evento.

A partir da série histórica observada num ponto local, define-se a


distribuição estatística que melhor se adere aos dados da série histórica, a
partir da qual será determinada as relações de intensidade e período de retorno
do local. Para que a extrapolação tenha relação estatística com a realidade,
deve-se usar uma série histórica homogênea e representativa no tempo.

Uma série é considerada homogênea se esta é respeitada em toda a área


da bacia hidrográfica, sem apresentar mudanças significativas no
comportamento da mesma a partir de mudanças de parâmetros da bacia
hidrográfica.

A representatividade de uma série é dada pela capacidade da mesma em


exprimir fielmente o ciclo meteorológico presenciado na área de estudo,
considerando as descontinuidades nela presentes e os padrões de chuvas que
podem ser observados. A densidade de dados e a correta medição dos
mesmos são fatores primordiais para uma correta representatividade da série
histórica em relação à realidade, que produzirão resultados satisfatórios na
extrapolação estatística das séries.

Em projeto de áreas urbanas, como haverá alterações na bacia, o risco


adotado se refere à ocorrência de uma determinada precipitação e não
necessariamente da vazão resultante, que é conseqüência da precipitação em
combinação com outros fatores da bacia hidrográfica. Desta forma, quando não

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for referenciado de forma específica neste texto, o risco citado é sempre o da


precipitação envolvida.

O risco adotado para um projeto define a dimensão dos investimentos


envolvidos e a segurança quanto às enchentes. A análise adequada envolve
um estudo de avaliação econômica e social dos impactos das enchentes para a
definição dos riscos. No entanto, esta prática é inviável devido ao alto custo do
próprio estudo, principalmente para pequenas áreas.

Vale lembrar que embora sejam utilizadas técnicas estatísticas para a


determinação das curvas de probabilidade, associada a esta determinação está
a incerteza. Entende-se como incerteza a diferença entre as estatísticas da
amostra e da população de um conjunto de dados.

A incerteza é fruto dos erros de coleta de dados, da definição de


parâmetros, da caracterização de um sistema, das simplificações dos modelos
e do processamento destas informações para definição do projeto de
drenagem.

2.1.7 Precipitação

A precipitação, segundo Bertoni & Tucci (2002), é entendida na hidrologia


como toda água proveniente do meio atmosférico que atinge a superfície
terrestre, incluindo neblina, chuva, granizo, orvalho e neve.

A atmosfera pode ser considerada como um grande corpo reservador de


água, que na forma de vapor é distribuída por toda superfície em forma de
precipitação. Essa distribuição, que está ligada à movimentação das massas
de ar, tem como fatores a convecção térmica, o relevo e a ação frontal de
massas. O resfriamento de uma massa de ar úmida, seja pelo aumento da
altitude, seja pelo encontro desta com uma massa de ar frio, pode diminuir a
temperatura do vapor d’água ao seu ponto de saturação, gerando a
condensação do vapor que formará nuvens e nevoeiros.

Com o crescimento das gotas de água condensada, o peso próprio destas


fica maior que as forças de resistência que as mantêm em suspensão,
iniciando-se um processo de precipitação.

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Na drenagem urbana, este é o principal elemento condicionante de


projeto, visto que o objetivo principal – senão único – destes sistemas é a
alocação do volume de água precipitado em determinada área de modo a não
interferir no meio antropizado e nas atividades antrópicas de forma negativa.

A caracterização da precipitação observada se dá pela determinação de


grandezas físicas por meio de instrumentos de medição, dentre as quais se
destacam:

 Lâmina d’água precipitada: medida a partir de um pluviômetro ou um


pluviógrafo, é a altura de água precipitada em um recipiente de área de
seção transversal conhecida;

 Duração da precipitação: medida de tempo entre o início e o final da


precipitação. Para precipitações de projeto, normalmente adota-se a
duração como sendo igual ao tempo de concentração da bacia;

 Intensidade Média: relação entre lâmina precipitada e duração, na qual


se estima a chuva como uniformemente distribuída no tempo de
duração;

 Intensidade Máxima: a partir da medição de um pluviógrafo, tem-se a


discretização da chuva no período de tempo, sendo possível a
determinação da lâmina máxima precipitada num intervalo constante de
tempo, a partir da qual determina-se a intensidade máxima da
precipitação;

 Posição do Pico de Intensidade: relação entre o tempo no qual ocorre o


pico de intensidade da precipitação e a duração total da mesma;

As medições dos eventos pluviométricos são feitas em pontos


previamente determinados, nos quais há a instalação de equipamentos de
medição de precipitação total (pluviômetros) ou de precipitação discreta
(pluviógrafos), que colhem uma pequena amostra da chuva por meio de uma
superfície de exposição (com área normalmente de 500 cm² para pluviômetros
e 200 cm² para pluviógrafos) situada a 1,50 m do solo.

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FIGURA 7 – EXEMPLO DE PLUVIÔMETRO (FONTE: UFCG, 2011)

As medições por pluviógrafos tornam possível a determinação da


distribuição temporal da precipitação, de modo que se torna possível
determinar a posição estatisticamente mais provável do pico de intensidade,
além da intensidade máxima de cada evento pluviográfico.

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FIGURA 8 - PLUVIÓGRAFO DE HELLMANN-FUESS (FONTE: UFCG, 2011)

Buscando estimar padrões de precipitação, hidrólogos lançam mão de um


arsenal de ferramentas estatísticas, criando índices sobre os quais se baseiam
para determinar o nível de confiança dos resultados encontrados.

A partir de séries históricas de precipitação captadas em determinado


ponto espacial, pode-se verificar a aderência entre a série e distribuições de
probabilidade (por exemplo: distribuição normal, log-normal, gumbel, t-Student),
a fim de verificar um padrão de frequência de intensidades de precipitação em
determinado espaço de tempo, que seria capaz de, a partir da extrapolação da
série histórica por meio da função de distribuição, determinar probabilidades de
ocorrência de precipitações para diferentes intensidades e durações.

2.1.8 Precipitação Máxima: Curva Intensidade-Duração-Frequência

A partir da extrapolação das precipitações máximas anuais pode-se


estabelecer uma superfície tridimensional relacionando a intensidade de chuva,
a duração da mesma e o seu tempo de retorno, dado pelo inverso de sua
frequência – ou seja, o período estatístico de maior probabilidade entre a
ocorrência de duas precipitações máximas anuais de determinada intensidade.

A esta superfície se dá o nome de IDF (Intensidade, Duração e


Frequência), dada normalmente pela equação:
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Equação
2.3

Onde i (mm/h) é a intensidade da precipitação, T (anos) é o período de


retorno, D (minutos) é a duração da precipitação e b, k, m e n são coeficientes
estatísticos.

A curva IDF deve ser determinada a partir da intensidade máxima de um


evento pluviométrico discretizado, a partir de dados de um pluviógrafo. A partir
de regressões logarítmicas da distribuição estatística escolhida é possível
determinar os coeficientes estatísticos b, k, m e n, que irão dar a forma da
curva em função do padrão de pluviosidade local.

A apresentação gráfica desta curva normalmente se dá por meio de


curvas bidimensionais, com variável independente D e variável dependente i,
mostradas em conjunto segundo seus períodos de retorno T.

A Curva IDF a ser usada no município de Aparecida de Goiânia em todos


os projetos relacionados à drenagem pluvial é aquela determinada por Costa &
Mendonça (1998), elaborada a partir da espacialização de dados pluviográficos
de posto da ANEEL em Goiânia:

Onde i é a intensidade máxima de chuva (mm/h), Tr é o período de


retorno (anos) e t é a duração da chuva (min).

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FIGURA 9 – GRÁFICO DA IDF DO MUNICÍPIO DE GOIÂNIA (CRIADA A PARTIR DE COSTA & MENDONÇA, 1998)

2.1.9 Infiltração

À passagem de água da superfície para o interior do solo se dá o nome


de infiltração (Silveira et al., 2002). Este fenômeno, relacionado ao transporte
da água por micro-canais naturais entre os grãos e partículas do solo, é de
difícil modelagem matemática, requerendo algoritmos e metodologias
baseadas em geometria não-euclidiana para sua resolução.

Podemos destacar três fases da infiltração:

 Fase de Intercâmbio: fase na qual a água está próxima à superfície do


terreno, de modo que pode retornar à atmosfera por aspiração capilar ou
ser absorvida por raízes de plantas, fazendo parte do transporte
biológico da mesma;

 Fase de Descida: fase no qual o deslocamento da água é


majoritariamente vertical, tendo o peso próprio valor superior à adesão e
à capilaridade. Este movimento ocorre até o encontro de uma camada
suporte de solo ou rocha impermeável;

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 Fase de Circulação: fase na qual há a formação de lençóis


subterrâneos, com movimento regido pelas leis de escoamento
subterrâneo com a geração do movimento causada pela gravidade.
Podem ser formados dois tipos diferentes de camadas de reservação:

o Lençóis freáticos, que possuem sua superfície sujeito à


pressão atmosférica;

o Lençóis cativos, que estão confinados entre duas camadas


impermeáveis e apresentam pressão superior à
atmosférica.

Tendo em vista a alta complexidade da criação de modelos matemáticos


pelo Método Cartesiano, modelos semi-empíricos baseados em coeficientes
relacionados aos solos foram criados, relacionando sua capacidade de
transporte medida (denominada genericamente como permeabilidade) e sua
condição de saturação.

Para o estudo da infiltração, são grandezas características do


equacionamento:

 Capacidade de Infiltração: grandeza que exprime a quantidade máxima


de água que um solo, sob determinada condição, absorve por unidade
de tempo por unidade de área horizontal. Tal grandeza só pode ser
verificada em situações que a precipitação (natural ou artificial) é maior
que a capacidade de infiltração, ou seja, quando há precipitação
excedente;

 Distribuição Granulométrica: gráficos de distribuição percentual dos


diâmetros efetivos dos grãos permitem determinar a uniformidade e a
capacidade de transporte do solo;

 Porosidade: grandeza que exprime a relação entre o volume de vazios


inter e intra-grãos e o volume total de solo, sendo usada na
caracterização do escoamento subterrâneo;

 Velocidade de Filtração: grandeza que exprime a velocidade média do


escoamento da água através de um solo saturado;

 Coeficiente de Permeabilidade: grandeza que exprime a velocidade de


filtração da água na ocorrência da perda de uma unidade de carga
hidrostática;

 Suprimento Específico: grandeza que exprime o volume máximo de


água obtido de um solo por drenagem natural sob ação exclusiva da
gravidade, expressa em porcentagem de volume do solo;

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 Retenção Específica: grandeza que exprime, em porcentagem de


volume do solo, o volume de água retido pelo solo, seja por adesão, seja
por capilaridade. A soma da retenção específica com o suprimento
específico deve ser igual à porosidade do solo;

O equacionamento geral da infiltração, deduzido por Darcy para solos


saturados, cria um índice de condutividade hidráulica K, denominado
Coeficiente de Permeabilidade, que relaciona o gradiente hidráulico do solo
com a velocidade de percolação (Silveira et al., 2002):

Equação
2.4

Em que q é a velocidade de percolação (ou velocidade de Darcy), K é o


índice de condutividade hidráulica e grad(h) é o gradiente hidráulico
unidimensional do solo.

Horton (1939) apud Silveira et al. (2002), a partir de pesquisas de campo,


estabeleceu a seguinte relação de decaimento exponencial da capacidade de
infiltração de um solo submetido a uma precipitação com intensidade sempre
superior à capacidade de infiltração:

Equação
2.5

Em que It é a taxa de infiltração no tempo t, Ib é a taxa de infiltração


mínima do solo, Ii é a taxa de infiltração inicial do, t é o tempo decorrido desde
a saturação superficial do solo e k é o coeficiente de decaimento da infiltração
(Silveira et al., 2002).

2.1.10 Escoamento Superficial

O escoamento superficial é dado pelo volume de água precipitado que é


transportado ou detido na superfície da bacia hidrográfica, configurando uma

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situação de escoamento por força gravitacional relativamente lento em


ambientes naturais e de grande velocidade em áreas urbanizadas.

A relação de transformação de precipitação em vazão escoada


superficialmente pode obedecer diversos modelos matemáticos, desde
modelos simples como o Método Racional quanto modelos computacionais
como os modelos IPH-II e SWMM.

O Método Racional baseia-se na equação de relação intensidade de


precipitação – vazão:

C.i.A Equação
2.6

Onde Q é a vazão escoada superficialmente, C é o coeficiente de vazão


(que significa o percentual da vazão precipitada que é convertida em
escoamento superficial), i é a intensidade de chuva para duração igual ao
tempo de concentração e A é a área da bacia hidrográfica.

2.2 Princípios Básicos de Hidráulica

Tão importante quanto a determinação das condicionantes naturais do


projeto, aspecto ligado à hidrologia, é a determinação da capacidade de
condutividade dos sistemas projetados. A hidráulica, por definição, é a ciência
que estuda os fenômenos relacionados ao transporte e movimentação de
líquidos, em particular à água.

Por se basear em equações diferenciais parciais normalmente não


lineares, a maior parte das equações são linearizações, simplificações ou
fórmulas semi-empíricas que se baseam normalmente na continuidade da
massa, da energia e da quantidade de movimento.

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2.2.1 Fundamentos de Hidrostática

O comportamento de fluidos em seu estado estacionário baseia-se no


conceito de pressão. A pressão é definida com a força específica, ou a força
por unidade de área, agindo em determinado corpo:

Onde a pressão P é medida em Pascal (Pa), a força F em Newton (N) e a


área A em Metros Quadrados (m²).

Considerando as equações básicas da estática dos corpos, a resultante


das forças aplicadas em determinado corpo ou ponto material deve ser igual a
zero para que este esteja em repouso. Dessa forma, a pressão atuante em
todas as direções determinado elemento infinitesimal deve ser igual para que
não haja movimento.

A pressão sobre um ponto infinitesimal qualquer de um líquido


estacionário se igual à pressão atmosférica somada à pressão causada pela
coluna de líquido sobre tal ponto infinitesimal. Desse modo a pressão cresce
em proporcionalidade linear com a profundidade do ponto considerado.

2.2.2 Fundamentos de Hidrodinâmica

Qualquer pertubação no sistema de determinado líquido, relacionado a


uma mudança no balanço de energia, causa a movimentação do mesmo
buscando a isostasia, ou um novo estado de equilíbrio energético.

A quantificação da movimentação do líquido baseia-se na determinação


da velocidade de deslocamento e na vazão. A velocidade considerada é a
velocidade média de deslocamento de todas as partículas que passam por
seção transversal ao sentido de deslocamento considerado. Já a vazão é a
taxa de variação do volume escoado no tempo no sentido do deslocamento.

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A Lei da Conservação da Energia nos mostra que, numa determinada


linha de fluxo, a energia em todos os pontos do escoamento deve ser
constante num sistema fechado. Considerando um escoamento ideal, as
energias a ele relacionadas são a energia potencial gravitacional, a energia
piezométrica e a energia cinética. A expressão dessa energia por unidade de
massa do fluido nos dá a Fórmula de Bernoulli:

Onde E é a energia total do sistema por unidade de massa, z é a altura do


ponto em relação ao datum, p é a pressão do ponto em relação à pressão no
datum, γ é o peso-específico da água, V é a velocidade do escoamento e g é a
gravidade local.

Num sistema real, não ideal, a ocasião de vorticidades e a rugosidade do


meio criam meios de perda de energia do fluido. No escoamento permanente
uniforme, onde a vazão é constante, tal perda de energia é diretamente
proporcional à energia cinética do fluido, como mostrado por Darcy-Weisbach
em sua fórmula para condutos forçados:

Onde hp é a perda de carga por unidade de massa, f é um fator de fricção,


a ser determinado para cada superfície e cada padrão de escoamento, L é o
comprimento do tubo, D é o diâmetro do tubo, V é a velocidade do escoamento
e g é a gravidade local.

Dessa forma, o equacionamento da energia entre dois pontos distintos de


uma mesma linha de fluxo seria:

Onde a perda de carga em condutos forçados com escoamento


permanente uniforme pode ser calculada pela fórmula da Darcy-Weisbach.

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Visando determinar a forma como se dá determinado escoamento e assim


poder determinar as condicionantes do mesmo, criaram-se índices de
determinação de preponderância de forças, que dentre estes destacam-se o
Número de Reynolds e o Número de Froude.

O Número de Reynolds é a relação entre as forças inerciais do fluido e as


forças viscosas, servindo para determinar se o movimento do fluido se dá em
caráter linear ou turbulento. Tal número pode ser calculado como:

Onde ρ é a massa específica da água, V é a velocidade, D é a dimensão


linear representativa da seção transversal do escoamento e μ é a viscosidade
dinâmica do fluido.

A partir do Número de Reynolds, e da determinação do grau de


turbilhonamento do escoamento, é possível determinar o fator de atrito f da
fórmula de Darcy-Weisbach, pela fórmula de Colebrook-White ou pelo
Diagrama de Moody.

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FIGURA 10 - DIAGRAMA DE MOODY (USP, 2011).

O Número de Froude é a raiz da relação entre a força inercial e a força


gravitacional do fluido, sendo usado para determinar o tipo de escoamento à
superfície livre, como vertedouros, rios e canais. Tal número pode ser
calculado como:


Onde V é a velocidade do escoamento, g é a gravidade local e hi é a
dimensão linear representativa da seção transversal do escoamento.

Tais relações admensionais são fundamentais para o estudo em escala


reduzida de fenômenos, sendo usados para determinar a similitude entre o
modelo e a escala real.

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2.2.3 Escoamento Permanente Uniforme por Dispositivos Hidráulicos

Dispositivos Hidráulicos são estruturas que usam princípios hidráulicos


para controlar o fluxo de água (Gribbin, 2009). Orifícios e vertedouros são as
principais estruturas usadas na concepção de dispositivos hidráulicos, tendo
sua vazão calculada a partir de equações semi-empíricas definidas a partir do
equacionamento da energia corrigido por fatores medidos por experimentos.

Orifícios

Os orifícios são aberturas através das quais ocorre o escoamento da água


em pressão superior à pressão atmosférica devido a coluna de fluido. O
primeiro equacionamento do escoamento da água por orifícios foi feito por
Torricelli, que encontrou a relação entre a velocidade (e consequentemente a
vazão), a gravidade local e a altura da coluna d’água pela equação:


Onde V é a velocidade de saída do escoamento, g é a gravidade local e h
é a altura da coluna d’água, medida a partir do centro do orifício.

A análise de tal equação nos mostra que este é apenas um caso


específico da fórmula da conservação da energia de Bernoulli, na qual a
energia piezométrica nos dois pontos da linha fluxo considerada são iguais e a
energia potencial gerada pela coluna d´água converte-se em energia cinética.

Logo, o equacionamento completo do escoamento por orifícios pode ser


feito usando a equação da energia, desde que se considere a perda de carga
criada pela acomodação das linhas de fluxo, criando vorticidades no
escoamento.

Onde considera-se o ponto 1 da linha de fluxo como aquele anterior ao


orifício e o ponto 2 como aquele um infinitésimo de distância após o orifício.

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Considerando a perda de carga existente pela acomodação das linhas de


fluxo permite-nos apreciar uma diminuição da velocidade do fluxo. Tal
acomodação, porém, também cria uma diminuição da seção transversal de
saída. Desse modo, a vazão, dada pela razão da velocidade pela área da
seção transversal, é duplamente penalizada, tanto pela diminuição da
velocidade pela criação de vórtices quanto pela criação da vena contracta, que
diminuição da seção transversal pela acomodação das linhas de fluxo.

Visando simplificar a determinação da vazão por orifícios, determinou-se


experimentalmente um coeficiente de diminuição da velocidade (c v) e um
coeficientesde diminuição da área da seção transversal, ou coeficiente de
contração (cc) para cada orifício em cada posição que o mesmo se encontrar.
Desse modo, a vazão de saída de um orifício livre com velocidade de
aproximação nula é dada por:


Definindo o coeficiente de descarga (c) como sendo o produto do
coeficiente de velocidade (cv) com o coeficiente de contracação (cc), temos o
equacionamento geral dos orifícios com saída livre e velocidade de
aproximação nula:


Vertedouros

Vertedouros são estruturas de regulação de escoamento, consistindo em


uma superfície horizontal sobre a qual há o escoamento da água (Gribbin,
2009). Estes possuem a característica de escoamento a superfície livre, ou
seja, com a superfície do fluido a pressão atmosférica.

A vazão de um vertedouro pode ser encontrada a partir da equação da


energia de dois pontos de uma linha de fluxo, com o ponto de montante sendo
aquele no qual há a medição da altura da água por sobre a soleira, onde a
velocidade do escoamento ainda é nula, e o ponto a jusante sendo sobre o
vertedor. A simplificação de termos nos dá que, para um vertedor retangular de

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paredes finas com perda de carga e efeito da velocidade de aproximação


desprezíveis:



Onde Q é a vazão medida, Cd é o coeficiente de descarga, Le é o
comprimento equivalente da soleira do vertedouro, g é a gravidade local e H é
a altura da coluna d’água sobre a soleira no ponto em que a velocidade é nula.

Para cada geometria de vertedor, e cada situação de escoamento,


determinou-se fórmulas semi-empíricas para a quantificação de seu
escoamento, como visto no quadro a seguir:

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FIGURA 11 - FORMAS E FÓRMULAS DE VERTEDOUROS (BAPTISTA ET AL., 2003)

2.2.4 Escoamento Permanente Uniforme com Superfície Livre – Chézy-Manning

Quando a água flui em declive em qualquer conduto com a sua superfície


exposta à atmosfera, diz-se que ela está submetida a uma escoamento em
canal aberto, ou escoamento livre (Gribbin, 2009). Se este escoamento se dá

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com uma vazão constante, este é definido como sendo um escoamento


permanente uniforme, onde não há aumento ou diminuição da vazão escoada.

Chézy desenvolveu seu equacionamento a partir da determinação de


algumas hipóteses do escoamento, a saber:

 Escoamento unidimensional em canal prismático;

 Velocidade uniforme e igual à média da seção transversal;

 Nível da água horizontal em relação ao Geóide na seção


transversal;

 Pressão Hidrostática (linear em função da profundidade);

 Perda de Carga Distribuída uniforme e linear;

 Pequenas Declividades.

Com essas hipóteses de cálculo, Chézy demonstrou a proporcionalidade


entre o quadrado da velocidade com o perímetro molhado da seção transversal
e a declividade, e a proporcionalidade inversa do quadrado da velocidade com
a área da seção transversal. Desse modo, este escreveu que:

Onde V é a velocidade do escoamento unidimensional, C é o coeficiente


de proporcionalidade, denominado Rugosidade de Chézy, A é a área molhada,
P é o perímetro Molhado e I é a declividade do canal.

A relação entre área e perímetro foi definida como Raio Hidráulico, de


modo que a expressão ficou mais conhecida na forma a seguir:

√ ;

Onde Rh é o Raio Hidráulico da seção transversal.

Formulação de Manning

Dada a dificuldade de medição do coeficiente C de Chézy, a expressão


de Manning-Strickler foi mais difundida, com seu parâmetro de rugosidade,
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comumente denominado coeficiente ou rugosidade de Manning, sendo


determinado para as mais variadas superfícies de escoamento.

A formulação de Manning obedece a mesma proporcionalidade de Chézy,


porém iguala seu coeficiente com o de Chézy por meio da expressão abaixo:

A partir da igualdade acima é possível determinar a equação de Manning


para escoamento permanente uniforme:

⁄ ⁄

Onde V é a velocidade do escoamento, n é o coeficiente de Manning, Rh


é o Raio Hidráulico da Seção Transversal e I é a inclinação do canal. A vazão
de um canal determinado pela equação de Manning será então:

⁄ ⁄

Onde A é a área da seção transversal do canal.

A tabela abaixo apresenta os coeficientes de Manning determinados para


diversos materiais:
TABELA 2.2 - COEFICIENTES DE MANNING PARA DIFERENTES SUPERFÍCIES (MARQUES, 2009).

SUPERFÍCIE n
Ferro Fundido sem Revestimento 0,014
Ferro Galvanizado 0,015
Vidro 0,011
Cerâmica Vitrificada 10,015
Tijolos 0,015
Cimento Alisado 0,012
Concreto 0,015
Aduelas de Madeira 0,012
Prancha de Madeira Aplainada 0,013
Alvenaria de Pedra com Argamassa 0,025
Alvenaria de Pedra Seca 0,033

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Calha Metálica Lisa 0,013


Calha Metálica Corrugada 0,028
Terra 0,023
Rocha Irregular 0,045
Areia 0,030
Leito Pedregoso 0,035
Leito Gramado 0,030

Energia Específica e Profundidade Crítica

O escoamento da água em sistemas fechados é definido por equações de


equilíbrio da massa, da energia e da quantidade de movimento. No estudo do
equilíbrio da energia em canais de superfície livre (a pressão atmosférica), a
taxa de perda de carga é considerada igual à declividade do canal. Deste
modo, a rotação do referencial energético para que este se encontre paralelo
ao fundo do canal leva ao conceito de Energia Específica, que é a energia do
fluido relativa ao tirante (ou altura da água no canal) somada à energia cinética.

Desse modo, a energia específica é calculada a partir da fórmula a seguir:

Onde Ee é a energia específica do fluido por unidade de massa, y é o


tirante do canal, V é a velocidade do escoamento e g é a gravidade local.

Bakhmeteff determinou que, para vazões constantes, a relação entre a


energia específica Ee e o tirante y é hiperbólica, assíntota ao eixo da energia
específica (o tirante tende a zero quando a energia específica tende a infinito) e
à reta de 45º, que exprime a igualdade entre tirante e energia específica.

O ponto de menor energia específica do escoamento ocorre à


profundidade crítica, quando o número de Froude do escoamento é igual a um.

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FIGURA 12 - CURVA DE TIRANTE POR ENERGIA ESPECÍFICA - HIPÉRBOLE DE BAKHMETEFF (MARQUES, 2009).

A análise da curva de vazão em função da profundidade, feita por Koch,


mostra que a vazão máxima de um canal também ocorre na profundidade
crítica:

FIGURA 13 - CURVA DE TIRANTE POR VAZÃO - CURVA DE KOCH (MARQUES, 2009).

A análise da Energia Específica é imprescindível para a determinação da


profundidade da água no canal, uma vez que a seção de entrada será o fator
determinante da quantidade de energia oferecida ao sistema para a ocorrência
do escoamento.

Um rebaixamento do nível do reservatório de onde parte o canal ocorre à


proximidade do canal, ocasionado pelo aumento da velocidade de escoamento

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do fluido. Porém, a quantidade de energia oferecida ao escoamento no canal é


constante e igual à diferença de cotas do reservatório num ponto no qual a
velocidade é nula e do fundo do canal. Desse modo, a resolução do sistema
não linear da equação de Manning e da Energia Específica torna capaz a
determinação da profundidade de escoamento e da vazão escoada.

⁄ ⁄

A resolução deste sistema não linear é o simples equilíbrio entre a


condutibilidade do canal, denotado pela equação de Manning, e a energia
oferecida ao sistema, denotada pela equação da Energia Específica.

2.2.5 Escoamentos Transientes – Formulação de Saint-Venant

Escoamentos transitórios de água com superfície livre são genericamente


denominados ondas (Baptista et al., 2003). No estudo do movimento
unidimensional transiente de fluidos, seja para o estudo de ondas periódicas ou
solitárias, a formulação matemática de Saint-Venant é a mais utilizada no
estudo dos fenômenos ligados à drenagem urbana. Tal formulação baseia-se
em hipóteses simplificadoras, elencadas por Baptista et al. (2003):

 Ondas longas em águas rasas, cuja teoria pertence à categoria não


linear sem o uso de séries de potência. O escoamento é quase
irrotacional, translatório e a fricção é quadrática;

 A superfície da onda varia de modo gradual, o que equivale a dizer que


ao longo de uma vertical a distribuição de pressão é hidrostática, com
acelerações verticais desprezíveis;

 Perdas de carga por atrito aproximadamente iguais àquelas do regime


permanente;

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 Distribuição de velocidades pela área molhada não afeta o movimento


da onda;

 Pequena declividade média do fundo do canal, permitindo a


aproximação das funções trigonométricas;

 Líquido homogêneo com escoamento incompressível.

Tal formulação matemática baseia-se na resolução do sistema não-linear


abaixo, denominado Forma Primitiva de Saint-Venant (Abbot, 1979; Liggett,
1975 apud Baptista et al., 2003):

{ ;
( ) ( )

Onde Q é a vazão, x é o comprimento no eixo do escoamento, t é o


tempo, g é a gravidade local, I é a declividade do fundo do canal e Jf é a perda
de carga do escoamento unidimensional, ou declividade da Linha de Energia,
dada por:


;

Onde n é o coeficiente de rugosidade de Manning, Q é a vazão, A é a


área e Rh é o Raio Hidráulico da Seção Transversal.

A primeira equação do sistema não-linear é decorrente do equilíbrio da


massa do sistema fechado, e a segunda equação é decorrente do equilíbrio da
Quantidade de Movimento do fluido.

A Lei da Conservação da Massa, ditada por Lavoisier, afirma que a


matéria, de qualquer natureza, não pode ser criada nem destruída, devendo
haver equilíbrio de entrada, saída e reservação de massa num sistema
fechado.

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A Segunda Lei de Newton, ou Lei de Conservação da Quantidade de


Movimento, dita que a taxa de variação temporal da quantidade de movimento
de um sistema material é igual à resultante das forças nele atuantes.

A resolução desse sistema de equações requer simplificações de termos


ou o uso de métodos matemáticos de resolução implícita ou explícita da
equação, com bibliografia especializada para tal.

2.3 O IMPACTO DA URBANIZAÇÃO NO CICLO HIDROLÓGICO

Uma das maiores características do processo de urbanização é a


impermeabilização do solo voltada à criação de condições para as práticas
correntes do padrão de vida da sociedade atual. Boa parte das atividades do
dia-a-dia das sociedades contemporâneas se dão em áreas
impermeabilizadas, seja pela necessidade intrínseca da impermeabilização da
mesma devido à natureza da atividade, seja pelo conforto térmico, estético e/ou
físico trazido aos usuários. Neste enfoque sobre a cidade, o terreno natural
possui apenas importância paisagística, sendo visto como uma ineficiência na
apropriação do espaço e sendo usado exclusivamente como ferramenta de
delimitação de espaços, formador de paisagens e vistas e garantia de
condições de salubridade e proteção física de locais urbanizados.

Esta visão predatória do meio natural é em grande parte responsável


pelos desastres naturais devidos ao escoamento superficial, uma vez que a
alteração das condições de permeabilidade do solo geram grandes alterações
no ciclo hidrológico local, potencializando as ondas de cheia e trazendo
grandes prejuízos ambientais e sociais.

Tanto os aspectos qualitativos quanto os quantitativos do escoamento


superficial e sub-superficial da água são extremamente influenciados pelo
processo de urbanização. Schueler (1987) apresenta o padrão de degradação
dos corpos hídricos devido a urbanização a partir de mais de duas décadas de
pesquisa local e experiência em Washington D.C., Estados Unidos, no qual
baseia-se os tópicos a seguir.

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2.3.1 MUDANÇAS DO CICLO HIDROLÓGICO LOCAL

Ao iniciar a limpeza do terreno para o início do processo de urbanização,


inicia-se a mudança da hidrologia da Bacia, uma vez que árvores e a
vegetação que antes interceptava parte do volume preciptado é retirada. Com o
solo exposto, o carreamento de sedimentos aumenta, e o escoamento aumenta
sua velocidade uma vez que a rugosidade do meio diminui juntamente com o
potencial de detenção (Schueler, 1987).

Com a construção de facilidades urbanas e de edifícios, a situação piora


ainda mais, uma vez que o escoamento ocorre por áreas impermeabilizadas,
com rugosidade ainda menor que aquela do solo exposto. Uma vez que os
picos de vazão aumentam drasticamente, a drenagem natural do local não é
suficiente para a condução da vazão do escoamento superficial. Como
resultado, deve-se criar sistemas de condução de águas pluviais, destinados a
aumentar a condutância do sistema em questão (Schueler, 1987).

2.3.2 MUDANÇA NA GEOMETRIA DOS CORPOS HÍDRICOS

As novas condições hidrológicas da bacias obrigam os corpos hídricos a


se adaptarem à nova amplitude de escoamento, gerando alargamentos da
seção devido ao aumento da energia cinética do fluido que desprende as
partículas do leito móvel em processos erosivos que buscam uma nova
condição de isostasia.

A maioria dos corpos hídricos em bacias em processo de urbanização


sofrem alargamentos da ordem de duas a quatro vezes em relação a sua
largura original (Robinson, 1976; Ragan e Dietemann, 1976; Fox, 1974;
Hammer, 1972 apud Schueler, 1987), causando erosões severas devido ao
fato da maior parte dos solos que constituem planícies de inundação serem
não consolidados e de alta erodibilidade, e a derrubada da mata ciliar diminuir
ainda mais a coesão do maciço terroso (Schueler, 1987).

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Os sedimentos erodidos de determinada parte do corpo hídrico se


acumulam em zonas de menor velocidade e tensão trativa do fluxo, criando
bancos de areia e zonas de assoreamento.

Segundo Tucci (2007), a geometria de corpos hídricos também á alterada


por ações antrópicas diretas, com a transformação dos rios urbanos em
condutos fechados ou canais abertos, que por potencializar a vazão de pico
das ondas de cheia cria uma situação economicamente insustentável, já
verificada por países desenvolvidos.

2.3.3 DEGRADAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

O aumento da carga de poluentes nos corpos hídricos devido a


urbanização de determinada área é também um dos grandes impactos da
urbanização das bacias hidrográficas. Dada a fragilidade dos ecossistemas
aquáticos, a mudança da composição química da água em regiões urbanizadas
traz grandes prejuízos às espécies aquáticas que ali habitam, criando
desequilíbrios nas populações locais.

Após a urbanização de determinada área, as comunidades de peixes


tornam-se menos diversificadas, com diminuição considerável ou
desaparecimento de espécies mais sensíveis às mudanças, e diminuição na
população total de peixes da região (MWCOG, 1982; Klein, 1979; Ragan and
Dietemann, 1976; Dietemann, 1975 apud Schueler, 1987, p. 1.2).

Segundo Tucci (2007), como as inundações urbanas são de duração


curta e a carga de poluentes maior ocorre no início é de se esperar que grande
parte dos sedimentos e da carga se acumule no fundo dos lagos, alterando
mais a biodiversidade próxima ao fundo.

Para Schueler (1987), as mesmas tendências observadas nas


comunidades de peixes são vistas nos insetos aquáticos, causadas
provavelmente pela soma de vários fatores individuais, como a sedimentação
de poluentes e particulados, aumento das enchentes, diminuição das cheias,
aumento da temperatura da água e da poluição.

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2.3.4 POLUENTES DURANTE A FASE DE CONSTRUÇÃO

Segundo Schueler (1987), o carreamento de poluentes aumenta


dramaticamente durante e após o desenvolvimento do processo de
urbanização. A limpeza e terraplenagem durante a construção expõe a
superfície do terreno. A não ser que sistema de controle de erosão sejam
instalados e mantidos no local, grande quantidade de sedimentos serão
carreadas aos corpos hídricos, juntamente com nutrientes e matéria orgânica
presente neste solo (Pitt, 1985 apud Schueler, 1987, p. 1.4).

Terraplenagem em construções sem controle dos sedimentos e do solo


são responsáveis pelo carreamento de sedimentos da ordem de 88 a 112
ton/ha/ano (Novotny & Chesters, 1981; Wolman & Schick, 1967; Yorke & Herb,
1976, 1978 apud Schueler, 1987, p. 1.4). Para comparação, o carreamento de
sedimentos na agricultura e em zonas urbanizadas consolidadas são de uma a
duas ordens de magnitude menores, respectivamente (Schueler, 1987).

2.3.5 POLUENTES APÓS CONSOLIDAÇÃO DA URBANIZAÇÃO

Com a consolidação da urbanização poluentes advindos das atividades


antrópicas se acumulam facilmente em superfícies impermeáveis, que são
lavadas pelas águas pluviais. Uma vez depositados, até 90% dos poluentes
depositados em superfícies impermeáveis são carreados a corpos hídricos
(Oberts, 1985 apud Schueler, 1987, p. 1.5).

Outras fontes de poluição de águas pluviais incluem excretas de animais,


matéria orgânica, lixo e detritos. Superfícies das construções e de
equipamentos também são fontes de poluentes: telhas, tintas, vernizes de
madeiras usadas na construção, anti-corrosivos e pneus possuem
componentes que são carreados pelas águas pluviais.

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2.3.6 MODELO HIDROLÓGICO DE PRECIPITAÇÃO-VAZÃO

Tucci (2005) define a hidrologia como ciência que trata dos fenômenos
naturais complexos encontrados no ciclo hidrológico, dependentes de um
grande número de fatores, o que dificulta a análise quali-quantitativa dos
mesmos. Tucci (2005) também define modelo, que é a representação de algum
objeto ou sistema, numa linguagem de fácil acesso e uso, com o objetivo de
entendê-lo e buscar suas respostas para diferentes entradas.

Hensher & Button (2000) afirmam que intuitivamente todos nós criamos
modelos de como o mundo funciona quando da tomada de decisões. A
abstração e simplificação das variáveis relacionadas ao objeto da decisão que
tornam o problema mais tratáveis devido às limitações computacionais do
nosso cérebro é uma forma de criação de modelo (Hensher & Button, 2000).

Para Ortúzar (2000), um modelo é, essencialmente, uma representação


da realidade, uma abstração que se utiliza para ter maior claridade acerca do
objeto, reduzindo sua variedade e complexidade a níveis que permitam
compreendê-lo e especifica-lo de modo adequado à análise.

Segundo Tucci (2005), os modelos Precipitação-Vazão devem descrever


a disposição espacial da precipitação, as perdas por interceptação,
evaporação, depressão do solo, o fluxo através do solo pela infiltração,
percolação e água subterrânea, escoamento superficial, sub-superficial e no
rio.

Conceitualmente o desafio de simbolizar a realidade hidrológica por


modelos matemáticos sempre foi muito grande devido a vários fatores como os
seguintes (Tucci, 2005):

 Como representar um processo que observamos a nível pontual, para


uma escala espacial de milhares de quilômetros quadrados?
 Como representar a irregularidade da natureza na forma de variáveis
e parâmetros que representem de forma adequada os principais
processos quantitativos e qualitativos?
 Como diminuir a incerteza das estimativas das variáveis hidrológicas e
dos parâmetros de vários sub-modelos, quando existe apenas a
variável de entrada e de saída de uma bacia?

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 Como amostrar elementos da bacia que permita avaliar o


comportamento hidrológico a partir de visita ao campo (como outras
ciências fazem)?

Na busca por tentar responder o mais fielmente possível às perguntas


relativas a hidrologia local, a estrutura atual dos modelos hidrológicos
precipitação-vazão é baseada nos seguintes elementos (Tucci, 2005):

 Discretização da bacia hidrográfica: referente aos critérios de


subdivisão espacial para representação da bacia, podendo ser
considerado concentrado, distribuído por sub-bacias ou distribuído por
módulos;
 Variáveis temporais de entrada: referente aos dados de input do
modelo, que normalmente são a precipitação, a evapotranspiração
potencial e a vazão;
 Estrutura básica da integração dos processos: referente ao
fluxograma de atividades e a interligação entre os diferentes módulos
de simulação do modelo.

3. SISTEMAS DE DRENAGEM PLUVIAL DE BAIXO IMPACTO

A sustentabilidade ambiental das obras de drenagem pluvial das áreas


urbanas é um novo aspecto a ser considerado na concepção dos sistemas. A
ocupação urbana traz o aumento da impermeabilidade do solo, diminuindo a
infiltração e a detenção da área, além de aumentar consideravelmente a
velocidade do escoamento superficial, contribuindo para o aumento do volume
escoado superficialmente e para o aumento da vazão de pico.

A partir dos anos 1970 uma outra abordagem para tratar o problema foi
sendo desenvolvida, sobretudo na Europa e na América do Norte. Trata-se do
conceito de “tecnologias alternativas” ou “compensatórias” de drenagem, que
buscam neutralizar os efeitos da urbanização sobre os processos hidrológicos,
com benefícios para a qualidade de vida e a preservação ambiental.

Estas tecnologias são alternativas em relação às soluções clássicas


porque consideram os impactos da urbanização de forma global, tomando a
bacia hidrográfica como base de estudo, buscando compensar,
sistematicamente, os efeitos da urbanização (Baptista et al., 2005). Esta
compensação é efetuada pelo controle da produção de excedentes de água

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decorrentes da impermeabilização e evitando-se sua transferência rápida para


jusante (Baptista et al., 2005).

A gestão do risco de inundação baseia-se em três aspectos básicos:


analisar globalmente para agir localmente, gerenciar os riscos extremos e
modular o risco quando da concepção.

Já a gestão dos riscos sanitários e de poluição baseia-se em ações


preventivas, que visam essencialmente as fontes de poluição e formas de
contê-las, e ações de tratamento, que visam a diminuição da concentração de
poluentes por meio de retirada dos mesmos das águas pluviais (Baptista et al.,
2005).

As técnicas compensatórias baseiam-se, essencialmente, na retenção e


na infiltração das águas precipitadas, visando o rearranjo temporal das vazões
e, eventualmente, a diminuição do volume escoado, reduzindo a probabilidade
de inundações e possibilitando ganhos na qualidade das águas pluviais
(Baptista et al., 2005).

FIGURA 3.1 - FASES DE PROJETO DE TÉCNICAS COMPENSATÓRIAS DE DRENAGEM (BAPTISTA ET AL., 2005).

O uso de técnicas compensatórias, apesar de crescente, ainda se


encontra aquém do seu potencial de emprego, tanto no plano internacional

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como no Brasil (Baptista et al., 2005). Segundo Baptista et al. (2005), as


dificuldades estão ligadas a dois aspectos distintos, mas bastante interligados:
a escolha das técnicas adequadas, passíveis de serem utilizadas em um
determinado projeto, e a avaliação das diferentes alternativas de sistemas
viáveis, incorporando diversas técnicas, possibilitando a identificação clara dos
benefícios e incovenientes associados às diferentes alternativas estudadas.

3.1. BMPs E LIDs – MEDIDAS DE BAIXO IMPACTO NA BACIA

A nova abordagem preconizada majoritariamente nos Estados Unidos e


Europa a partir da década de 1970 a respeito do manejo das águas pluviais
urbanas receberam nos Estados Unidos duas siglas para designá-las: BMPs
(Melhores Práticas de Manejo, do inglês Best Management Practices) e LIDs
(Desenvolvimento de Baixo Impacto, do inglês Low Impact Development).

As BMPs tratam de medidas que buscam a sustentabilidade da drenagem


urbana, sem acarretar prejuízos naturais. Já as LIDs tratam de medidas
compensatórias do sistema de drenagem urbana, que buscam compensar os
efeitos da urbanização por meio de dispositivos que criam no exutório da área
de contribuição condições semelhantes àquelas existentes no cenário de pré-
urbanização, minimizando os impactos da urbanização na bacia.

Em suma, ambas as medidas possuem objetivos semelhantes, embora


suas abordagens sejam diferentes, levando ao desenvolvimento de soluções
integradas ao urbanismo e ao mesmo tempo integradas ao ambiente natural,
diminuindo (senão zerando) os impactos das transformações antrópicas sobre
o natural no que concerne ao ciclo hidrológico.

A emulação da detenção temporária e da infiltração são as principais


hipóteses de projeto dos LIDs, buscando minimizar as mudanças nas
condições hidrológicas locais e na qualidade da água (Prince George’s County,
1999). A manutenção do Tempo de Concentração da bacia também deve ser
perseguida, por meio de jardins e detenções locais para amortização das
vazões de pico (Prince George’s County, 1999).

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Stoner et al. (2006) defendem o uso de “infraestrutura verde” pelas


alternativas do uso do solo por ela proporcionadas, pelo custo menor se
comparada a soluções clássicas eficientes e maior atratividade aos
consumidores, podendo ser integrada a locais em processo de urbanização ou
já urbanizados que estiverem sendo modificados para atendimento de
necessidades locais.

Apesar das LIDs terem custos inferiores aos de soluções clássicas,


muitos municípios dos Estados Unidos ainda persistem no investimento em
sistemas clássicos de drenagem, requerendo o apelo da população local para a
mudança dos hábitos dos planejadores urbanos em prol do uso de técnicas
menos agressivas ao meio-ambiente e mais eficientes no controle da
drenagem pluvial (Stoner et al., 2006).

Stoner et al. (2006) apontam economias de US$3.500,00 a US$4.500,00


por lote urbanizado – lotes de 1.000 a 2.000 metros quadrados – nos estados
de Maryland e Illinois, nos Estados Unidos, em zonas de urbanização onde
foram implantados sistemas de baixo impacto, em relação aos custos orçados
para execução de sistemas clássicos de drenagem. Estes ainda apontam para
os ganhos paisagísticos e ambientais da adoção de tais alternativas. Porém
tais medidas necessitam grandes investimentos em fiscalização e grandes
áreas sem urbanização, e por isso devem ser avaliados em relação a sua
executabilidade considerando a demanda por área local. Por outro lado, Stoner
et al. (2006) também apontam para a maior valorização imobiliária dos lotes
construídos em locais com sistemas de drenagem de baixo impacto, denotando
a preferência dos consumidores por áreas com “infraestrutura verde”.

A fim de comparar e parear as intervenções clássicas com as de baixo


impacto, Bedan & Clausen (2009) fizeram um estudo a respeito da construção
de dois bairros distintos, sendo um com sistema de drenagem tradicional e
outro com sistema de drenagem que usava medidas de baixo impacto.

Enquanto na bacia com intervenções LID teve-se um decréscimo


significante (p<0.001) de 42% na vazão escoada semanalmente após a
consolidação, notou-se um aumento de 16 vezes na vazão escoada

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semanalmente após a consolidação da bacia com sistema de drenagem


clássico (Bedan & Clausen, 2009). Valas gramadas diminuem em 30% a vazão
escoada (Rushton, 2001 apud Bedan & Clausen, 2009), enquanto pavimentos
permeáveis diminuíram o escoamento superficial de um condomínio em
Seattle, Washington, de 36,6 cm para 8,60 cm (Brattebo and Booth, 2003 apud
Bedan & Clausen, 2009).

Em relação às vazões de pico dos dois empreendimentos, esta sofreu um


leve decréscimo no empreendimento com LID após sua consolidação,
enquanto aumentou cerca de 30 vezes quando comparada com valores de pré-
urbanização no empreendimento que usou técnicas clássicas de drenagem
pluvial (Bedan & Clausen, 2009). As exportações de nitratos, amônia, sólidos
em suspensão e metais pesados também apresentaram valores
significativamente menores na bacia com LID em relação à bacia com sistema
clássico de drenagem.

As premissas de projeto a serem consideradas no projeto de soluções de


drenagem baseadas nessas alternativas baseiam-se na criação de condições,
no contexto da bacia, de condições parecidas com aquelas de pré-urbanização.
No manejo do Tempo de Concentração da bacia, minimizado em zonas de
urbanização pela impermeabilização do solo, deve-se fazer com que o tempo
de viagem de áreas individuais sejam uniformes em toda a área urbanizada
para que o Tempo de Concentração seja representativo para toda a bacia. Isto
é garantido pelas seguintes técnicas de projeto (Prince George’s County,
1999):

 Manter o comprimento do caminho do escoamento pela dispersão e


redirecionamento do fluxo, geralmente pelo uso de valas abertas ou
sistemas de drenagem por vegetação;
 Aumentar a rugosidade da superfície, com o uso de vegetação;
 Criar detenções provisórias;
 Minimizar mudanças das condições naturais, como compactações do
solo e desmatamento da vegetação natural;
 Criação de planícies e diminuição de declividades por terraplenagem;
 Desconectar áreas impermeáveis vizinhas, criando cinturões verdes;
 Conectar áreas permeáveis por reflorestamento e plantação de
árvores;

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Um processo iterativo de determinação das diferentes combinações das


técnicas mais apropriadas deve ser necessário para determinação do ponto-
ótimo do sistema de drenagem de baixo impacto (Prince George’s County,
1999), considerando os aspectos relativos ao custo financeiro e social das
medidas a serem tomadas e a eficiência das medidas no contexto hidrológico.

Além de se manter a vazão de pré-desenvolvimento e o tempo de


concentração de pré-desenvolvimento, busca-se também manter o volume
escoado de pré-desenvolvimento. Para isto, as retenções se fazer presentes,
garantido níveis de infiltração parecidos com os de pré-desenvolvimento e
condições para o aumento da evapo-transpiração da bacia.

Os artifícios de projeto a serem usados incluem, mas não se limitam, a


(Prince George’s County, 1999):

 Biorretenção (jardins e planos de infiltração);


 Trincheiras de Infiltração;
 Filtros vegetais;
 Barreiras físicas.

FIGURA 3.2 - BIOVALAS EM PORTLAND, OREGON, ESTADOS UNIDOS (STONER ET AL., 2006).

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3.1.1. A ESCOLHA DA SOLUÇÃO

Segundo Schueler (1987), a experiência mostra que cada BMP possui


capacidades e limitações únicas. Estas devem ser avaliadas em conjunto com
as limitações físicas e sociais do local em questão.

Num mínimo, o plano de uma BMP para determinada bacia deve ter como
objetivo (Schueler, 1987):

 Reproduzir o mais fielmente possível as condições hidrológicas de


pré-desenvolvimento da bacia;
 Proporcionar uma remoção mínima da maior parte dos poluentes
urbanos;
 Ser apropriada ao local de sua instalação;
 Ser razoavelmente eficaz economicamente em comparação com
outras BMPs;
 Possuir um custo aceitável de manutenção e operação;
 Não impactar o socialmente e ambientalmente a bacia.

Schueler (1987) criou um método gráfico para a escolha de soluções


plausíveis para a problemática de cada local, baseada em gráficos e tabelas
que demonstram a eficácia de cada uma das BMPs por ele listadas na
resolução dos problemas relacionados ao escoamento e na adaptação destas
ao contexto urbano local.

Schueler (1987) aponta como primeiro passo para a escolha de uma BMP
a compatibilização física entre a solução e as condições do local. Os dois
fatores físicos mais importantes são a área total de contribuição e a taxa de
infiltração dos solos do local. A figura a seguir mostra um esquema para
encontrar a melhor BMP para o local.

Os fatores físicos, geomorfológicos e econômicos também devem ser


analisados, como por exemplo:

 Declividade;
 Profundidade do Nível d’água;
 Profundidade do Leito Rochoso;
 Proximidade a Fundações;
 Consumo de Espaço;
 Profundidade Máxima da Solução;
 Restrição de Uso do Solo;
 Grande Volume de Sedimentos;
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 Variações de Temperatura.

A escolha da BMP também deve se basear na quantidade de vazão a ser


aportada e no Período de Retorno de interesse. A recarga do subsolo e o
controle de erosões também podem ser condicionantes para a escolha da
BMP.

Os benefícios relativos à remoção de poluentes são outros fatores para a


escolha da melhor BMP para determinada localidade. A figura a seguir mostra
a importância de cada fator na escolha de cada BMP:

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FIGURA 3.3 - COMPARAÇÃO DE BMPS QUANTO À REMOÇÃO DE POLUENTES (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO).

Por fim, a interação entre a BMP e o espaço na qual será inserida


também deve ser considerado. Muitas BMPs podem oferecer melhorias em

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relação a qualidade de vida das populações próximas a esta, como local de


recreação e integração social.

3.1.2. BACIAS DE DETENÇÃO

Batispta et al. (2005) definem bacias de detenção como estruturas de


acumulação temporária e/ou de infiltração de águas pluviais utilizadas para
atender a três funções principais diretamente relacionadas com a drenagem
urbana de águas pluviais:

 O amortecimento de cheias geradas em contexto urbano como forma


de controle de inundações;
 A eventual redução de volumes de escoamento superficial, nos casos
de bacias de infiltração e;
 A redução da poluição difusa de origem pluvial em contexto urbano.

Schueler (1987) afirma que o aumento do tempo de detenção em


banhados secos ou úmidos é uma maneira bastante eficaz e de baixo custo de
remover poluição particulada e controlar erosões causadas por ondas de cheia.
Águas de chuva detidas por 24 horas ou mais possuem índices de remoção de
até 90% para algumas substâncias, porém não é muito eficaz para substâncias
solúveis a base de fósforo e nitrogênio.

Esta solução pode custar pouco mais de 10% do valor de lagoas secas, e
normalmente reduzem significativamente a ocorrência de inundações erosivas
a jusante (Schueler, 1987).

Impactos positivos desta solução incluem a criação de banhados locais,


habitats para a vida selvagem, proteção do ecossistema aquático de jusante e
criação de espaço para uso recreacional nas épocas de estiagem ou em
eventos de alta recorrência (Schueler, 1987).

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FIGURA 3.4 - ESQUEMA DE UMA BACIA DE DETENÇÃO (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO).

Lagoas de detenção são bastante eficientes no controle de vazões de


pico para equivalência com condições hidrológicas de pré-desenvolvimento. O
nível ótimo de controle de enchentes é atingido se cria uma envoltória de
chuvas de projeto para teste da solução. Análises mostram que o controle de
chuvas com período de retorno entre 2 e 10 anos são suficientes para o
controle adequado de todo o espectro de frequências esperadas (Md WRA,
1983 apud Schueler, 1987, p. 3.15).

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FIGURA 3.5 - DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE INUNDAÇÕES POR ANO COM O USO DE BACIAS DE DETENÇÃO (SCHUELER, 1987
– MODIFICADO).

3.1.3. BACIAS DE RETENÇÃO

Segundo Schueler (1987), Bacias de Retenção são extremamente


eficientes na remoção de poluentes da água. Se bem dimensionadas e
mantidas, estas podem alcançar altos níveis de remoção de sedimentos, DBO,
nutrientes orgânicos e metais pesados. Processos biológicos ajudam a remover
nutrientes solúveis responsáveis pela eutrofização de corpos hídricos (nitrato e
orto-fósforo). Estas bacias podem influenciar no aumento do valor de imóveis
próximos, criação de atividades de recreação, etc.

Mais do que qualquer outra BMP, bacias de retenção precisam ser bem
planejadas e pensadas, além de requerer manutenção regular. Por outro lado,
oferecem como nenhuma outra a capacidade de remoção de poluentes e
integração social.

O controle das vazões de pico pós-desenvolvimento também pode ser


feito por uma bacia de retenção, que pode ser simulada usando diversos
métodos númericos e computacionais – SCS TR-20 e SWMM, por exemplo
(Schueler, 1987). Análises mostram que o controle de chuvas de projeto de 2 a
10 anos de período de retorno são suficientes para o controle adequado de
todo o espectro de frequências (Schueler, 1987).

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3.1.4. BACIAS DE INFILTRAÇÃO

Bacias de Infiltração são eficientes na remoção tanto de poluentes


particulados quanto solúveis, mas precisam de remoção prévia de particulados
de maior granulometria para garantir a não colmatação. Com funcionamento
parecido com as demais bacias, esta solução é normalmente usada para a
garantia de recarga de aquíferos, e também garante o controle de erosões
(Schueler, 1987).

Faz-se normalmente a combinação de diversas bacias, para que seja


possível seus usos tanto em eventos de maior frequência quanto em eventos
raros, garantindo ainda a vazão de saída.

Bacias denominadas “offline” também são feitas, estas sendo usadas


apenas quando a vazão ultrapassa determinado valor, abaixo do qual o
sistema lança a vazão diretamente a um corpo hídrico ou outro sistema.

FIGURA 3.6 - ESQUEMA DE BACIA DE INFILTRAÇÃO OFFLINE (SCHUELER, 1987).

3.1.5. TRINCHEIRAS DE INFILTRAÇÃO OU DETENÇÃO

Baptista et al. (2005) definem as técnicas compensatórias lineares como


aquelas que apresentam uma dimensão longitudinal significativa em

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comparação com sua largura e profundidade. Exatamente em função dessa


característica elas são bastante utilizadas em associação ao sistema viário.

As trincheiras de infiltração ou detenção são, dentre as técnicas lineares,


as mais versáteis, podendo ser utilizadas em canteiros centrais e passeios, ao
longo do sistema viário, ou ainda junto a estacionamentos, jardins, terrenos
esportivos e em áreas verdes em geral. Segundo Schueler (1987), estas são
BMPs lineares com efetiva remoção de poluentes tanto solúveis quanto
particulados, mas que não são voltadas à remoção de sedimentos de grende
granulometria, sendo necessária a criação de espaços gramados ou sistemas
especiais de entrada para a captura destes sedimentos a fim de evitar a
colmatação da trincheira.

Schueler (1987) aponta para o fato de serem medidas compensatórias


locais, e por isso serem normalmente muito caras em comparação com outras
soluções para áreas de contribuição maiores que 2 a 4 hectares.

FIGURA 3.7 - ESQUEMA DE UMA TRINCHEIRA DE INFILTRAÇÃO (SCHUELER, 1987).

As trincheiras de infiltração podem ser dos mais variados tipos, se


destacando as trincheiras de superfície, trincheiras de canteiro, trincheiras de
estacionamentos, valas de detenção e trincheiras enterradas (Schueler, 1987).

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Trincheiras de superfície bem dimensionadas são capazes de atenuar


completamente as vazões de pico de chuvas de projeto, podendo chegar a
níveis ainda menores que aqueles de pré-desenvolvimento, porém a um alto
custo para chuvas com baixa recorrência (períodos de retorno de 10 ou 100
anos). A recarga de aquíferos é o maior ponto positivo desta solução, uma vez
que uma grande parte do escoamento superficial – de 60 a 90% – infiltra no
solo (Schueler, 1987).

A remoção de finos por parte de trincheiras de infiltração é bastante


eficaz, sendo necessária a remoção de particulados de maior granulometria por
outros métodos. Os mecanismos de remoção de finos incluem adsorção,
precipitação, aprisionamento e degradação por bactérias, num mecanismo
complexo. A Tabela 3.1 – Taxa de Remoção de Poluentes Urbanos por
Trincheiras de Infiltração (Schueler, 1987 - modificado) mostra algumas taxas
de remoção para trincheiras abertas.
TABELA 3.1 – TAXA DE REMOÇÃO DE POLUENTES URBANOS POR TRINCHEIRAS DE INFILTRAÇÃO (SCHUELER, 1987 -
MODIFICADO).

POLUENTE URBANO TAXA DE REMOÇÃO

SEDIMENTOS 99%

FÓSFORO TOTAL 65-75%

NITROGÊNIO TOTAL 60-70%

METAIS PESADOS 95-99%

DBO 90%

BACTÉRIAS 98%

No Japão, o uso das trincheiras remonta a muitos anos, sendo adotadas


na evacuação de águas provenientes de telhados de templos e castelos
antigos (Baptista et al., 2005).

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Na explicação de Baptista et al. (2005) a respeito de seu funcinamento,


afirmam que a evacuação das águas captadas pode ser efetuada de duas
formas distintas. No caso da trincheiras de infiltração, a evacuação é feita por
infiltração no solo, através de sua base e das paredes laterais. Quando a
evacuação é efetuada pos simples descarga no meio natural, a jusante, ou
através de um dispositivo de deságue, com controle de vazão, no sistema de
drenagem, configuram-se trincheiras de detenção. Neste último caso, a
finalidade principal da obra é simplesmente o rearranjo temporal das vazões
escoadas. No caso das trincheiras de infiltração, consegue-se também a
redução dos volumes escoados superficialmente.

As trincheiras proporcionam um certo número de benefícios hidrológicos e


ambientais. Do ponto de vista essencialmente hidrológico, a infiltração das
águas pluviais possibilita que o volume de escoamento superficial seja
reduzido, aliviando o sistema de drenagem a jusante. Da mesma forma, a
detenção temporária das águas provoca o rerranjo temporal dos hidrogramas,
favorecendo também as condições de escoamento a jusante. Outros benefícios
do uso de trincheiras podem ser mencionados (Baptista et al., 2005):

 Ganho financeiro, com a redução das dimensões do sistema de


drenagem a jusante, ou mesmo sua completa eliminação;
 Ganho paisagístico com a possibilidade de valorização do espaço
urbano, ressaltando-se a pequena demanda por espaço desse tipo de
estrutura;
 Ganho ambiental, com a possibilidade de recarga do lençol freático,
no caso das trincheiras de infiltração, e melhoria da qualidade das
águas de origem pluvial.

A análise de viabilidade se coloca de forma distinta conforme se trate de


trincheiras de infiltração ou detenção. Para o caso de trincheiras de infiltração,
é necessário verificar os seguintes aspectos (Baptista et al., 2005):

 O solo é suficiente permeável, com condutividade hidráulica acima de


10-7 m/s;
 O solo suporte é propício à infiltração;
 O nível máximo do lençol freático situa-se a mais de 1m de distância
da base da trincheira;
 O projeto não se situa dentro de uma zona de infiltração
regulamentada;
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 O local não abrigou no passado uma atividade muito poluente que


pode ter contaminado o solo;
 As águas escoadas não são particularmente poluídas, como em zonas
próximas de fontes potenciais de poluição, postos de combustíveis,
etc;
 As águas escoadas não carregam materiais finos em excesso.

3.1.6. PAVIMENTO POROSO

A alta capacidade de remoção de poluentes particulados e solúveis, a


recarga do lençol freático, a diminuição das vazões de pico e o controle de
erosões no solo e em rios são grandes atrativos do pavimento poroso. Quando
bem dimensionado e instalado, este apresenta grande resistência e
longevidade, além de necessidades de manutenção similares a pavimentos
convencionais. Seu uso em estacionamentos e vias faz deste tipo de
pavimento uma ótima BMP para o controle de vazões em ambientes
urbanizados (Schueler, 1987).

FIGURA 3.8 - ESUQEMA DE PAVIMENTO POROSO (SCHUELER, 1987).

Os pavimentos porosos são geralmente constituídos de duas camadas


por sobre o asfalto aberto: uma camada de pavimento filtrante com cerca de
uma polegada (cerca de três centímetros) de espessura, sobre uma camada
altamente porosoa de pedras com diâmetro entre 1,5 e 3,0 polegadas (4,0 e
8,0 centímetros). Em condições normais, a camada filtrante atua meramente
como um fator de condução rápida para que o escoamento antes superficial
chegue ao reservatório poroso (Schueler, 1987). Uma outra alternativa para
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condução rápida do escoamento ao reservatório poroso é a instalação de dutos


ou simples buracos em asfalto convencional, solução usada em países com
dificuldades na implementação de revestimentos porosos.

Os pavimentos porosos divivem-se em três categorias: sistemas de


exfiltração completa – sistema no qual todo o volume armazenado no
reservatório poroso infiltra no subsolo; sistemas de exfiltração parcial – no qual
instala-se um sistema de drenagem adicional para que não se dependa
unicamente da capacidade de infiltração do solo para escoamento do volume
armazenado no reservatório poroso; e sistemas de exfiltração para qualidade
da água – no qual o reservatório poroso tem como única função receber a
primeira carga de escoamento superficial para fazer sua purificação, tendo um
sistema de drenagem adicional para cuidar do volume excedente de
escoamento superficial (Schueler, 1987).

Um traço para formulação de Asfalto-Concreto de Granulometria Aberta é


mostrado a seguir:
TABELA 3.2 – TRAÇO DE ASFALTO-CONCRETO DE GRANULOMETRIA ABERTA (SCHUELER, 1987 – MODIFICADO).

MATERIAL PENEIRA QUE PASSA PESO (%) VOLUME (%)

1/2 2.8 2.2

Agregado Graúdo 3/8 59.6 46.3

#4 17.0 13.3

#8 2.8 2.2

Agregado Miúdo #16 10.4 8.0

#200 1.9 1.5

Asfalto 5.5 10.5

Ar 0.0 16.0

TOTAL 100.0 100.0

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3.1.7. VALAS, VALETAS, PLANOS E OUTRAS BMPs VEGETAIS

Valas, valetas e planos de detenção ou infiltração são BMPs baseadas na


alta rugosidade da vegetação para a criação de meios de condução do
escoamento capazes de amortizar os picos de cheia, efetuar um
armazenamento temporário e até mesmo a infiltração de parte do escoamento.
Estas soluções também apresentam melhorias relativas à qualidade da água,
causada pela remoção de sólidos em suspensão e alguns materiais
particulados e dissolvidos.

Quando estas depressões possuem dimensões longitudinais


significativamente maiores que suas dimensões transversais, definem-se as
valas ou valetas, sendo as últimas associadas a estruturas de pequena seção
transversal (Baptista et al., 2005). No caso em que as dimensões longitudinais
não são muito maiores do que as transversais e as profundidades são
reduzidas, definem-se os planos. Todos os três tipos de estrutura
desempenham a função de armazenamento temporário das águas,
denominando-se, assim, valas, valetas e planos de detenção. Caso incorporem
também a função de promover a infiltração, estas estruturas são classificadas
como valas, valetas e planos de infiltração (Baptista et al., 2005).

Baptista et al. (2005) descrevem o funcionamento destas BMPs como


segue: a entrada das águas é feita de forma direta, por escoamento superficial
até a estrutura, podendo, eventualmente, ocorrer a afluência via tubulação. O
armazenamento é efetuado à superfície livre, no interior da estrutura. A
evacuação das águas pode ocorrer por infiltração no solo local, no caso de
estruturas de infiltração, ou por deságue superficial, diretamente no corpo
receptor, com ou sem dispositivo de controle.

Além do controle de escoamentos, esse tipo de técnica proporciona,


ainda, as seguintes vantagens (Baptista et al., 2005):

 Baixo custo de construção e manutenção;


 Benefício financeiro, com a redução das dimensões do sistema de
drenagem a jusante, ou mesmo sua completa eliminação;

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 Ganhos paisagísticos, com a possibilidade de plena integração da


estrutura ao projeto paisagístico, resultando em valorização do espaço
urbano;
 Benefícios ambientais, com a possibilidade de recarga do lençol
freático, no caso das valas de infiltração, e com a melhoria da
qualidade das águas de origem pluvial.

Entretanto, algumas restrições e incovenientes para a utilização deste tipo


de técnica devem ser mencionados, destacando-se a exigência de espaço
específico para sua implantação. Evidentemente, esse problema pode ser
minorado, no caso de novos empreendimentos, de acordo com o partido
urbanístico adotado, tendo em vista o elevado potencial de integração das
técnicas em foco. Podem ser identificados, ainda, os seguintes incovenientes
(Baptista, Nascimento & Barraud, 2005):

 Necessidade de uma manutenção periódica;


 Restrições de eficiência em áreas de fortes declividades;
 Possibilidade de estagnação das águas, com severas implicações
sanitárias;
 Perda de potencial de deposição de sedimentos;
 Perda de volume de detenção, obrigando o emprego de
compartimentalização;
 Possibilidade de erosão das estruturas.

Segundo Schueler (1987), valas gramadas são tipicamente usadas em


empreendimentos unifamiliares e canteiros de auto-estradas como alternativa
a sistemas de drenagem. Estas possuem uma capacidade limitada de aporte
de grandes chuvas de projeto, necessitando de sistemas de drenagem
convencionais para aporte de vazões excedentes e previnir a erosão das suas
bordas e fundo.

Apesar de alguns estudos mostrarem que tais valas possuem certa


capacidade de remoção de poluentes particulados, estas estruturas não são
normalmente usadas com vistas a melhoria da qualidade das águas pluviais
urbanas .

As faixas filtrantes (ou planos de infiltração) são similares às valas


gramadas, exceto pelo fato de serem projetadas para funcionamento em
escoamento laminar. Para que as faixas funcionem corretamente, é preciso
que haja algum tipo de equipamento capaz de fazer a uniformização do

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escoamento por todo o plano da faixa, para que haja condições de escoamento
próximas às laminares, além de plantas com enraizamento que aumente a
resistência a erosão do solo, inclinação uniforme e pequena e comprimento no
mínimo igual ao comprimento da bacia de contribuição drenada. Esta solução
demonstrou-se muito eficaz na remoção de poluentes particulados (Wong, Mc
Cuen, 1982 apud Schueler, 1987, p. 9.6).

USEPA (1999) afirma que todas as BMPs relacionadas a biorretenção


apresentam alta eficácia na remoção de poluentes das águas pluviais,
baseando-se na tabela a seguir para fazer tal afirmação:

TABELA 3.3 – PERCENTUAL DE REMOÇÃO DE POLUENTES POR BIORRETENÇÃO (FONTE: PGDER, 1993; DAVIS ET AL.,
1998 APUD USEPA, 1999)

Taxa de Remoção de Poluentes


Fósforo Total 70%-83%
Metais (Cu, Zn, Pb) 93%-98%
Nitrogênio Total 68%-80%
Sólidos Suspensos Totais 90%
DBO 90%
Bactérias 90%

Embora sejam de grande valia paisagística e ambiental, estas faixas


filtrantes requerem grandes espaços, sendo vantajosas e/ou possíveis de
serem executadas unicamente em locais de ocupação esparsa e com terreno
pouco acidentado (Schueler, 1987).

O Florestamento Urbano envolve tanto a preservação de árvores na


construção, o plantio de espécies específicas após a derrubada quanto o
plantio após a consolidação da ocupação urbana no local. Com os devidos
cuidados no projeto urbanístico, pode-se criar áreas residenciais com grande
atratividade natural. Com custos de manutenção baixos e taxa de remoção de
poluentes média mas limitada, a maior desvantagem do uso de tal solução em

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nosso país é a insegurança destas áreas, sobretudo à noite, sendo


constantemente usadas para prática de crimes e abusos sexuais.

Um elemento crítico na construção de soluções para bacias hidrográficas


é a delimitação das áreas de uso, acompanhada da determinação das espécies
de plantas que devem ser plantadas em cada uma das faixas. Cada espécie
tem uma certa tolerância a respeito da umidade do solo, e consequentemente,
espécies tendem a formar ilhas onde se adaptam melhor e a morrerem onde
não existe a condição ideal de vida. Para tal, um plano paisagístico deve ser
pensado para cada bacia hidrográfica, dando prioridade a espécies locais.

Em banhados artificiais com grande vazão e pequena profundidade deve


existir preocupação ainda maior com o plano de propagação de espécies. Para
tal, Schueler (1987) apresenta bibliografia específica a ser consultada:

Athanas, C., 1986. Wetland Basins for Stormwater Treatment. Horn Point
Environmental Labs, University of Maryland. Prepared for Md DNR, Annapolis,
Maryland;

Maryland DNR, 1987. Design Guidelines for Shallow Marshes. Maryland


Water Resources Administration, Annapolis, Maryland;

Soil Conservation Service. 1986. Technical Guide for Wetland


Management. Maryland Field Office.

USEPA (1999) recomenda a criação de áreas de detenção nas faixas


filtrantes e locais de reflorestamento, visando a detenção de parte do volume
precipitado para o aumento da evapotranspiração e da infiltração local. O valor
da depressão deve ser pequeno, de aproximadamente 15 centímetros, com
declividade suave das bordas para o centro da depressão.

O uso da biorretenção pode diminuir os custos com sistemas de


drenagem pluvial, como ocorrido com um hospital em Maryland, que diminuiu
sua rede de drenagem de 243,8 metros para 70,1 metros, uma diminuição de
mais de 70% ao usar biorretenção (PGDER, 1993 apud USEPA, 1999).

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4. SISTEMAS DE MICRODRENAGEM

A microdrenagem é definida pelo sistema de condutos pluviais ou canais


em um loteamento ou de rede primária urbana. Este tipo de sistema de
drenagem é projetado para atender a drenagem de precipitações com risco
moderado. No Município de Aparecida de Goiânia, os projetos de
microdrenagem devem ser dimensionados para precipitações com Período de
Retorno de 10 anos, visando a maior segurança da população ao menor custo
total de longo prazo.

Diversos métodos de transformação precipitação-vazão foram


desenvolvidos, todos estes com grande aceitação pela comunidade
internacional e com grande eficácia atestada. Este Manual abordará o Método
Racional, devido a sua facilidade de uso e a ampla difusão do mesmo entre os
projetistas do país, e um método específico baseado no modelo computacional
EPA SWMM v5.0 (EPA, 2011), desenvolvido para a simulação hidrodinâmica
da rede de drenagem e a transformação Precipitação-Vazão a partir da
consideração dos aspectos de infiltração e das superfícies de escoamento
superficial.

4.1 Elementos Estruturais da Microdrenagem

Sistemas de Microdrenagem são basicamente constituídos de estruturas


hidráulicas artificiais, construídas normalmente com finalidade única de
engolimento, condução ou reservação do efluente. As estruturas básicas de
todo sistema de drenagem são:

 Sarjetas;

 Bocas-de-Lobo;

 Poços de Visita;

 Condutos e Canais;

 Estruturas de Dissipação de Energia.

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A preocupação com os aspectos ambientais dos sistemas de drenagem


adicionou à lista de elementos estruturais da microdrenagem as estruturas de
controle quali-quantitativo do escoamento, a citar algumas destas:

 Bacias de Detenção e/ou Retenção;

 Valas de Infiltração;

 Estruturas de Controle Automático de Vazão;

 Estruturas de Separação de Resíduos Sólidos.

Uma breve explicação de cada uma destas estruturas é dada a seguir.

4.1.1 Sarjetas

As sarjetas têm como objetivo conduzir as águas precipitadas sobre a


área de captação que escoam pelas vias urbanas até a estrutura de entrada do
sistema de drenagem. Devido a incapacidade de engolimento das estruturas de
entrada, as sarjetas também funcionam como um sistema de canais de
superfície para a realocação da vazão não engolida para estruturas de entrada
a jusante.

FIGURA 9 - ESQUEMA DE SARJETA

4.1.2 Bocas-de-Lobo

Bocas-de-Lobo, erroneamente denominadas de bueiros por leigos, são as


principais estruturas de entrada do escoamento superficial no sistema de
drenagem.

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FIGURA 10 - ESQUEMA DE BOCA-DE-LOBO DUPLA

São aberturas nos meio-fios que funcionam como vertedouros,


ocasionalmente como orifícios, visando encaminhar o escoamento ao pequeno
reservatório abaixo da abertura, ligado ao poço de visita da rede de drenagem.

FIGURA 11 - CORTE SAGITAL DE BOCA-DE-LOBO DUPLA

4.1.3 Poços de Visita

Poços de Visita são estruturas especiais construídas para permitir a


entrada de equipe de manutenção e/ou equipamentos para eventuais reparos e
limpeza da rede de drenagem. Tais estruturas também podem ser usadas por
projetistas para permitir a mudança da direção, da declividade e da dimensão
dos condutos da rede de drenagem. Estes também são usados para a criação
de degraus entre condutos, visando a conformação da rede de drenagem com
o terreno sem o aumento da profundidade da rede de drenagem.
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A entrada do escoamento engolido pelas bocas-de-lobo à rede de


drenagem também ocorre por meio dos poços de visita, que devem ter
entradas de ar para a garantia de escoamento à pressão atmosférica em toda a
rede de drenagem.

FIGURA 12 - CORTE LONGITUDINAL DE POÇO DE VISITA.

4.1.4 Condutos e Canais

Partes principais das redes de drenagem, os condutos e canais são as


estruturas de condução do fluxo ao exutório do sistema, normalmente
fabricados em concreto armado ou Polietileno de Alta Densidade (PAD), mas
também podendo ser fabricados em ferro fundido aço, plástico ou PVC.

As redes de drenagem enterradas são normalmente construídas para o


funcionamento à superfície livre, com a mesma metodologia de cálculo dos
canais. A exceção se aplica a galerias retangulares da rede de drenagem, que
são capazes de manter a estanqueidade mesmo sob pressão. Tais galerias

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são dimensionadas para pressões de até 15 mca (metros de coluna d’água),


porém a frequência de uso dessas estruturas em escoamento forçado deve ser
muito pequena a fim de diminuir os custos de manutenção.

4.1.5 Estruturas de Dissipação de Energia

As estruturas de dissipação de energia visam a proteção das margens


dos corpos hídricos de descarga das redes de drenagem, diminuindo a energia
cinética do fluxo por meio de estruturas de barramento, macro-rugosidade ou
impacto. Algumas das estruturas usadas com esse fim nas obras de drenagem
são:

 Escadas Hidráulicas;

 Bacias de Amortecimento;

 Dissipadores de Energia por Impacto;

 Dissipadores de Energia por Aumento de Área Molhada.

FIGURA 13 – ESQUEMA DE DISSIPADOR DE ENERGIA POR IMPACTO

4.2 Dimensionamento de Sistemas de Microdrenagem

O projeto e dimensionamento de um sistema de microdrenagem pode ser


efetuado a partir de diversas metodologias e processos técnicos, desenvolvidos

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por projetistas e organizações acadêmicas nacionais e internacionais, que


possuem eficácia conhecida.

Este Manual trata do Método Racional e das simulações em Modelo


SWMM v5.0, e embora recomende o uso de um destes dois métodos, não
exclui o uso de qualquer outro processo de transformação precipitação-vazão e
dimensionamento de estruturas, desde que sejam observadas as
condicionantes de projeto especificadas a seguir.

4.2.1 Condicionantes de Projeto

Os condicionantes de projetos são limites (mínimos ou máximos)


impostos a todas as redes de microdrenagem do município de Aparecida de
Goiânia, visando a máxima durabilidade das estruturas, a manutenção das
hipóteses de cálculo, o conservadorismo no dimensionamento das estruturas e
a facilidade na execução das obras de construção e instalação das estruturas.

Estes condicionantes poderão não ser considerados única e


exclusivamente com justificativa técnica que prove a necessidade da
desconsideração de tais condicionantes para a adoção de determinada solução
e a mitigação dos efeitos negativos ocasionados pelo desrespeito aos limites
preconizados.

Diâmetro Mínimo de Tubulação do Sistema de Drenagem (incluindo ligações

de bocas-de-lobo): 400mm;

Diâmetros Comerciais de Tubos de Concreto:

i. 400 mm;
ii. 500 mm;
iii. 600 mm;
iv. 800 mm;
v. 1000 mm;
vi. 1200 mm;
vii. 1500 mm.

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Rugosidade de Manning:

viii. Tubos e Galerias de Concreto: 0,015;


ix. Tubos de PAD: 0,009;
x. Outros Tubos e Galerias: vide certificação de fabricante
explicitando a rugosidade de Manning do tubo após
desgaste de 25 anos;
Recobrimento Mínimo da Tubulação em qualquer ponto da rede:

Diâmetro Nominal (mm) Recobrimento Mínimo (m)


400 0,60
500 0,75
600 0,90
800 1,20
1000 1,50
1200 1,80
1500 2,25

Alinhamento de Tubos em Mudança de Diâmetro de Tubulação: geratriz interna

superior dos dois tubos;

Tempo de Concentração Mínimo da Primeira Boca-de-Lobo: 15 minutos;

Declividade Mínima dos Condutos: 0,50 %;

Declividade Máxima dos Condutos: em função da velocidade máxima

admissível em condutos;

Velocidade Mínima de Escoamento: 1,0 m/s;

Velocidade Máxima de Escoamento: 6,0 m/s;

Degrau Máximo entre Condutos em Poços de Visita: 1,50 m;

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Tirante Máximo de Tubos Circulares: 81% do Diâmetro Nominal do Conduto;

Velocidade Máxima de Lançamento: 3,0 m/s;

Período de Recorrência Mínimo de Projeto:

xi. Redes de Drenagem Urbana: 10 anos;

xii. Obras Especiais (Sistemas de Controle de Vazão, Bacias


de Detenção, dentre outros): 25 anos;

xiii. Sistemas de Drenagem em Áreas Estratégicas: 100 anos.

Curva IDF para Precipitação de Projeto dos Sistemas de Drenagem (definida

por Costa & Mendonça, 1998):

Onde i (mm/h) é a intensidade máxima da precipitação, Tr (ano) é o


período de retorno da precipitação e t (minuto) é a duração da precipitação de
projeto.

Lançamentos sem transposição de águas pluviais entre Unidades Hidrográficas

Básicas do Município de Aparecida de Goiânia;

Hidrograma de Saída do Sistema de Drenagem Local com vazão de pico igual

após a consolidação da urbanização (com a taxa de impermeabilização igual

ao valor máximo preconizado pela legislação municipal) igual à vazão de pico

da área antes da pré-urbanização. Para tal, considera-se as seguintes vazões

de pré-urbanização:

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xiv. 24,4 l/(s.ha), para áreas de estudo inferiores a 2,0 km² e

que estejam inseridas em uma única Unidade Hidrográfica

Básica do Município de Aparecida de Goiânia;

xv. Vazão de pré-urbanização definida a partir de estudo

hidrológico da área, com valor máximo de 24,4 l/(s.ha), em

casos não contemplados pelo item anterior.

4.2.2 Determinação do Horizonte de Projeto

Todo Projeto de Drenagem Pluvial do Município de Aparecida de Goiânia


deverá ser concebido para o cenário de máxima ocupação preconizado pelo
Plano Diretor do Município de Aparecida de Goiânia e demais documentos de
zoneamento e ordenamento territorial do Município de Aparecida de Goiânia.

Desse modo, a impermeabilização do solo e a determinação das vazões


de projeto deverão ser feitas a partir das informações sugeridas por tais
documentos oficiais, sob as hipóteses de consolidação completa da
urbanização e fiscalização acirrada dos Órgãos Municipais contra qualquer
irregularidade do processo de urbanização local.

4.2.3 Determinação de Traçado Preliminar

Os traçados da Rede de Drenagem devem ser estudados a partir dos


projetos urbanístico e viário da área de estudo, com dados topográficos de
precisão retirados in loco.

A elaboração do projeto de drenagem deve seguir o fluxograma a seguir:

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FIGURA 14 – DETERMINAÇÃO DE VARIÁVEIS E TRAÇADO PRELIMINAR

Devem ser colocados sistemas de coleta das águas pluviais em todos os


pontos considerados críticos, além dos locais em que há possível reservação
em solo urbano que acarretará prejuízos à população.

Pontos de reservação natural, bem como locais de amortização natural de


fluxo, devem ser drenados apenas nos pontos de interseção com a malha
urbana, a fim de aproveitar a amortização criada por tais áreas sem prejuízo à
população local.

Este trabalho deve ser desenvolvido em conjunto com os projetos


urbanísticos e viários, a fim de garantir a economicidade global da área de
ocupação urbana e a não imposição de fatores de restrição a nenhum desses
projetos.

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4.2.4 Metodologia de Transformação Precipitação-Vazão

As metodologias de transformação Precipitação-Vazão abordada neste


Manual é o Método Racional. Outras metodologias poderão ser adotadas,
desde que haja explicação completa do método hidrológico aplicado, das
hipóteses de cálculo e das fórmulas utilizadas.

O Método Racional deve ser usado somente para áreas de estudo de até
2,0 km² (Tucci, 2007), devendo ser usada outra metodologia de transformação
Precipitação-Vazão, com o uso de Hidrogramas de Escoamento Superficial,
para áreas de estudo maiores. Este determina a vazão de pico ocasionada pela
precipitação de projeto, considerando uniforme o escoamento superficial na
área e na rede de drenagem. Deste modo, a vazão de pico no exutório de cada
área de contribuição é determinada pela intensidade máxima da chuva de
projeto, por meio da fórmula:

Onde Q (L/s) é a vazão de descarga no exutório, C (adimensional) é o


Coeficiente de Escoamento Superficial, i (mm/h) é a intensidade de chuva e A
(ha) é a área de contriibuição do exutório.

A intensidade máxima é definida a partir da curva IDF a ser utilizada para


projetos na Prefeitura de Aparecida de Goiânia, com a duração da precipitação
de projeto igual ao tempo de concentração da bacia.

O tempo de concentração deverá ser definido a partir de estudo das


condições de escoamento da bacia ou por fórmulas empíricas, respeitando o
mínimo preconizado para projetos de drenagem urbana da Prefeitura de
Aparecida de Goiânia.

O Coeficiente de Escoamento de cada área de contribuição deverá ser


definido a partir da média ponderada das áreas totais cobertas pelas
superfícies descritas a seguir, a partir da fórmula:



;

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Onde k é o sub-índice que denota cada superfície, variando de 1 a n, C é


o coeficiente adimensional de escoamento superficial, Ak (m²) é a área coberta
por cada superfície de sub-índice k e Ck é o coeficiente adimensional de
escoamento superficial definido para cada tipo de superfície.
TABELA 4.1- COEFICIENTES DE ESCOAMENTO SUPERFICIAL

Superfície Coeficiente de Escoamento Superficial


Áreas Impermeabilizadas 0,90
Áreas de Urbanização Intensa 0,70
Áreas Ajardinadas 0,40
Áreas Verdes e Áreas Gramadas 0,15

4.2.5 Dimensionamento e Verificação dos Condutos

O dimensionamento dos condutos do sistema de drenagem, para o


método proposto neste Manual, será por meio da hipótese de Escoamento
Permanente Uniforme, considerando a vazão de pico ocorrendo
simultaneamente em toda a área de projeto. Reitera-se a possibilidade de
utilização de outros métodos de dimensionamento, como por exemplo os
métodos de transformação precipitação-vazão por modelo IPH-II ou SWMM e o
modelo de escoamento em canais por escoamento hidrodinâmico.

A vazão de entrada do conduto dimensionado será a soma da vazão do


conduto a montante somado à vazão da área de contribuição coletada nas
estruturas ligadas ao poço de visita onde tal conduto se inicia. Deve-se fazer
uma primeira iteração do cálculo, definindo-se inicialmente o diâmetro e a
declividade do conduto.

A partir dessa primeira iteração, descobre-se, pela fórmula de Manning, a


profundidade do escoamento no conduto.

Deve-se então fazer as verificações do conduto a respeito dos


condicionantes de projeto, relativos aos seguintes parâmetros:

b) Profundidade do escoamento no conduto;

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c) Velocidade;

d) Declividade.

A rotina de dimensionamento e verificação de condutos deve seguir o


fluxograma a seguir:

FIGURA 15 - FLUXOGRAMA DE DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÃO DE CONDUTOS

No caso de condutos que suportem escoamento sob pressão, o


dimensionamento dos mesmos pode ser feito segundo a equação empírica de
Hazen-Williams para condutos forçados, a saber:

( )

Onde Q (m³/s) é a vazão, C (adimensional) é o coeficiente de rugosidade


de Hazen-Williams, D (m) é o diâmetro do conduto, hp (mca) é a perda de
energia por unidade de massa e L (m) é o comprimento do conduto.

A hipótese de escoamento por condutos forçados somente deverá ser


adotada caso seja atestada sua viabilidade econômica frente a outras soluções
e os devidos cuidados no lançamento visando não ferir os condicionantes de
projeto.

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4.2.6 Poços de Visita

Os poços de visita a serem construídos nas redes de drenagem deverão


ser escolhidos em função do conduto de maior diâmetro (no caso de redes com
condutos circulares), com projeto definido pela Prefeitura de Aparecida de
Goiânia.

Nas galerias retangulares, as estruturas de visita serão criadas a partir de


tubos de inspeção fincados na galeria, não havendo a necessidade de
construção de estrutura auxiliar.

4.2.7 Sarjetas e Bocas-de-lobo

O dimensionamento de sarjetas e bocas-de-lobo deve se basear no nível


máximo do escoamento superficial para que não haja prejuízos significativos à
população. Desse modo, deve-se definir a geometria e a largura da sarjeta de
modo a permitir o escoamento superficial de toda a água precipitada até o
sistema de coleta.

Tal dimensionamento da sarjeta normalmente é feito a partir de uma


geometria padrão, onde altera-se apenas a altura do meio-fio. A sarjeta é
considerada um canal de seção triangular com escoamento à superfície livre,
com o regime de escoamento do tipo permanente uniforme respeitando o
equacionamento de Manning:

⁄ ⁄

Onde Q (m³/s) é a vazão escoada, A (m²) é a área da seção triangular da


sarjeta, Rh (m) é o raio hidráulico da seção transversal e I (m/m) é a
declividade longitudinal da via.

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FIGURA 16- DESENHO ESQUEMÁTICO DE SARJETA.

Recomenda-se o uso de sarjeta padronizada nas obras do Município de


Aparecida de Goiânia, com altura mínima h = 0,10m e inclinação padrão de
3,000%. O coeficiente de Manning para o cálculo do escoamento deve ser
n=0,015, considerando o aumento da rugosidade causado pelo desgaste do
asfalto e da concentração de sedimentos nas sarjetas.

A vazão de engolimento da boca-de-lobo, por sua vez, será proporcional


à altura da água na sarjeta elevada à potência de 3/2. Para a determinação do
número de bocas-de-lobo necessárias, deve-se determinar, para cada área de
contribuição dentro da área de estudo, a vazão de engolimento de cada boca-
de-lobo, dada pela fórmula de vertedouro:

Onde Q (m³/s) é a vazão de coleta de cada boca-de-lobo, L (m) é o


comprimento da soleira da boca-de-lobo e H (m) é a altura da água a escoar
pela sarjeta. c (adimensional) é um fator de redução da capacidade de
engolimento da boca-de-lobo em função da declividade longitudinal da sarjeta.
TABELA 4.2 - FATOR DE REDUÇÃO DE ENGOLIMENTO DE BOCAS-DE-LOBO (DAEE/CETESB, 1980)

Declividade Longitudinal (%) Fator de Redução


0,4 0,50
1,0 a 3,0 0,80
5,0 0,50
6,0 0,40
8,0 0,27
10 0,20

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Para bocas-de-lobo com depressão, pode-se determinar a vazão de cada


estrutura segundo o ábaco abaixo:

FIGURA 17 - ÁBACO PARA BOCAS-DE-LOBO COM DEPRESSÃO (DAEE/CETESB, 1980)

4.2.8 Dissipação de Energia

Para a dissipação de energia, deve ser usado dissipador de impacto que


siga a tabela a seguir:

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TABELA 4.3 - DIMENSÕES PADRONIZADAS DE DISSIPADOR DE IMPACTO (NOVACAP, 1999)

Para determinar qual o dissipador a ser escolhido, deve-se checar a


largura A, em metros, do dissipador a ser escolhido, segundo o ábaco a seguir:

FIGURA 18 - ÁBACO PARA DETERMINAÇÃO DE LARGURA DE DISSIPADOR (NOVACAP, 1999)

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Tal dissipador deve obedecer as dimensões da Tabela 4.3, que se


referem às dimensões mostradas nos desenhos esquemáticos a seguir
(NOVACAP, 1999):

FIGURA 19 - DISSIPADOR DE ENERGIA - PLANTA SUPERIOR

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FIGURA 20 - DISSIPADOR DE ENERGIA - PLANTA DO FUNDO

FIGURA 21 - DISSIPADOR DE ENERGIA – CORTE AA

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FIGURA 22 FIGURA 23 - DISSIPADOR DE ENERGIA – CORTE BB

4.2.9 Detenção e Reservação – Método de Puls

O método de Puls baseia-se na caracterização de um escoamento


de grande profundidade e, por consequência, de baixas velocidades,
utilizando a equação da continuidade da massa em sua forma
concentrada para a resolução do escoamento transiente da bacia.

A equação utilizada neste método não considera contribuições


laterais de fluxo, com a vazão sendo função unicamente da profundidade
da água no reservatório horizontal.

A primeira determinação a ser feita é a forma do reservatório a ser


utilizado, que dará ao projetista uma curva-chave, ou curva cota-vazão,
juntamente com a curva cota-armazenamento.

A curva cota-armazenamento é definida a partir da determinação de


um polinômio de relação entre a cota do nível d’água Z (m) e o volume
armazenado S (m³), ou seja, é definida a partir da cubagem do
reservatório sob a relação:

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Onde α e β são coeficientes de forma do reservatório e devem ser


encontrados a partir de regressão polinomial dos dados tabulares da relação
cota-armazenamento do reservatório.

FIGURA 24 - RELAÇÃO COTA-ARMAZENAMENTO

A curva cota-vazão do reservatório será definida a partir da seção de


saída do mesmo, por regressão não-linear que melhor caracterize os dados.

A partir da determinação da função da curvas cota-vazão e cota-


armazenamento, descobre-se a função:

;
Que é a função armazenamento S (m³) em função da vazão Q (m³/s).

Uma segunda função pode ser determinada a partir desses valores:

Onde f2(Q) é a função de massa existente em relação à vazão e ao tempo


decorrido ∆t.

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FIGURA 25 - FUNÇÃO DE RELAÇÃO VAZÃO-ARMAZENAMENTO

Pela equação da continuidade, a massa de água reservada no instante


t+1 deve ser igual à massa de água reservada no instante t, adicionada da
vazão de chegada e subtraída da vazão de saída:

Onde Qt (m³/s) é a vazão de saída no instante t, Qt+1 (m³/s) é a vazão de


saída no instante t+1, St (m³) é o volume armazenado no instante t, St+1 (m³) é
o volume armazenado no instante t+1, It (m³/s) é a vazão de entrada no
instante t, It+1 (m³/s) é a vazão de entrada no instante t+1 e Δt (s) é o intervalo
de tempo definido pelo projetista em função da precisão requisitada no cálculo.
Recomenda-se valores de Δt no máximo iguais a um centésimo do tempo total
de armazenamento.

O algoritmo de resolução do método de Puls baseia-se nos seguintes


passos, então:

a) Definição da curva cota-armazenamento do reservatório;

b) Definição da curva cota-vazão do reservatório;

c) Determinação da relação vazão-armazenamento do reservatório;

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d) Determinação da função f2 do método de Puls;

e) Definição do intervalo da precisão temporal do método, Δt (s);

f) Definição do volume armazenado no reservatório no início do

evento chuvoso, St=0 (m³), fixando-se t=0;

g) Cálculo da igualdade da função f2 (determinação de Qt+1):

h) Cálculo do Volume armazenado no tempo t+1 por f1:

i) Atribui-se t := t+1 e volta-se ao item g do algoritmo.

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5. MACRODRENAGEM MUNICIPAL

Para o Manual de Drenagem deste Plano Diretor de Drenagem Urbana, a


macrodrenagem é definida como bacias hidrográficas naturais com área
superior a 2,0 km², sendo composta unicamente pela drenagem natural da
bacia hidrográfica, ou seja, pelos seus corpos hídricos naturais, tenham estes
sido modificados por intervenções urbanizadoras ou não

Intervenções nos sistemas de macrodrenagem deverão ser avaliadas no


contexto de toda Unidade Hidrográfica Básica (UHB) na qual estas estão
inseridas, visando determinar todos os efeitos causados por estas dentro da
Área de Estudo.

Toda intervenção na macrodrenagem do município de Aparecida de


Goiânia terá como hipótese básica de projeto o retorno às condições de
escoamento à pré-urbanização, utilizando técnicas de regularização de vazão,
de modo que a vazão de saída da Unidade Hidrográfica Básica retorne aos
patamares de pré-urbanização, definidos por meio da simulação do
escoamento superficial por modelos hidrológicos robustos, como o modelo
SWMM com infiltração por Horton e escoamento superficial por Escoamento
em Onda Cinemática.

5.1 Processo de Análise e Escolha de Intervenções

As problemáticas da macrodrenagem do município de Aparecida de


Goiânia deverão ser tratados a partir do processo abaixo descrito, a fim de se
definir a melhor solução considerando o contexto social, econômico e
ambiental da cidade, sobretudo na área direta e indiretamente afetada pela
intervenção.

5.1.1 Caracterização da Área de Estudo

A Área de Estudo para a execução de intervenções deve ser:

 A Unidade Hidrográfica Básica (UHB), para estudos do impacto


direto, diagnóstico e prognóstico;

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 As Unidades Hidrográficas Básicas a jusante da intervenção, para


determinação da transmissão de danos;

 A área de contribuição ao ponto, para estudos hidrológicos


relacionados à fisiografia e aos parâmetros quali-quantitativos do
escoamento.

Deve ser feito, com o grau de precisão necessários a cada estudo, as


avaliações a seguir visando a caracterização da Área de Estudo:

 Avaliação do terreno:

o Caracterização geológica;

o Caracterização geotécnica;

o Caracterização hidrogeotécnica

o Caracterização pedológica;

 Avaliação Hidrológica:

o Determinação do padrão espaço-temporal de precipitação;

o Determinação das características fisiográficas da Área de


Estudo.

 Avaliação da micro e macrodrenagem local:

o Demarcação das bacias, sub-bacias e áreas de contribuição,

o Definição do sistema de drenagem natural e suas


características físicas (seções de escoamento, cotas do
nível d’água em cheias e vazantes, além do comprimento
dos cursos d’água);

o Histórico de intervenções feitas na micro e macrodrenagem


local, com mapas historicamente datados das intervenções
efetuadas;

 Avaliação social:

o Caracterização populacional;

o Zoneamento e padrões de uso e ocupação;

 Avaliação da Urbanização:

o Determinação do percentual de impermeabilização e dos


tipos de impermeabilização;

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o Determinação da rugosidade de áreas permeáveis e


impermeáveis.

5.1.2 Determinação do Horizonte de Projeto

Todo Projeto de Drenagem Pluvial do Município de Aparecida de Goiânia


deverá ser concebido para o cenário de máxima ocupação preconizado pelo
Plano Diretor do Município de Aparecida de Goiânia e demais documentos de
zoneamento e ordenamento territorial do Município de Aparecida de Goiânia.

Desse modo, a impermeabilização do solo e a determinação das vazões


de projeto deverão ser feitas a partir das informações sugeridas por tais
documentos oficiais, sob as hipóteses de consolidação completa da
urbanização e fiscalização acirrada dos Órgãos Municipais contra qualquer
irregularidade do processo de urbanização local.

5.1.3 Tempo de Recorrência para Estudos da Macrodrenagem

O Tempo de Recorrência para o estudo da Macrodrenagem do Município


de Aparecida de Goiânia será:

 100 anos, para localizações de grande importância cultural, social


e/ou econômica do município, e locais com grande frequência de
inundações e alagamentos;

 25 anos, para as demais localidades.

5.1.4 Precipitação de Projeto

A precipitação de projeto, para projetos de Macrodrenagem, deve ser


determinada a partir de hietograma conhecido da área, ou por hietograma com
precipitação máxima igual ao valor encontrado pela IDF do município de
Aparecida de Goiânia:

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Onde i (mm/h) é a intensidade máxima de precipitação, Tr (anos) é o


tempo de retorno do evento e t (min) é a duração do evento.

Aconselha-se o uso do método de Chicago (Kevfer ; Chu, 1957),


desenvolvido inicialmente para a cidade de Chicago a partir das curvas de
Intensidade-Duração-Frequência - IDF da cidade. As equações que mostram a
variação da intensidade em função do tempo de duração da chuva podem ser
escritas como (Tucci; Giacomoni; Sousa ; Fragoso, 2003):

a  1  n       b , 0    t (antes do pico)


iA   
    b1 n 
b

a  1  n       b , 0    t (depois do pico)


iD   
    b1 n 
a

Nas equações Erro! Fonte de referência não encontrada. e Erro! Fonte


de referência não encontrada., i é a intensidade média máxima da
precipitação (mm/h); a, b e n são constantes relacionadas ao local, definidas a
partir da equação IDF local; ta e tb são os períodos de tempo anterior e
posterior ao pico, respectivamente, com tc = ta + tb sendo a duração total da
precipitação. Neste estudo foi considerado que o tempo de t a como sendo
idêntico ao de tb (posicionamento central do pico). Uma consideração gráfica
do método adotado é apresentada na Figura 26.

Para a determinação da lâmina precipitada calcula-se a área abaixo do


gráfico:

1 2
P     i( )d
60 1

Onde P(τ) é a lâmina total precipitada (mm) entre os tempos t1 e t2.

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FIGURA 26 - HIETOGRAMA SEGUNDO O MÉTODO DE CHICAGO (TUCCI ET AL., 2003)

Desta forma, o cálculo da precipitação antecedente é dado por (Tucci et


al., 2003):

1  tb 
 
* tb

At      i A ( )d   i A ( )d   P   t b  P  t b 


 *

60  0 0

E o cálculo do volume precipitado é dado por (Tucci et al., 2003):

1  tb ta

Vmáx, prec     i A ( )d   i D ( )d   P  t b   P  t a 
60  0 0 

5.1.5 Transformação Precipitação-Vazão

A transformação Precipitação-Vazão, na análise da macrodrenagem do


município de Aparecida de Goiânia, deverá ser feita a partir de modelo de
escoamento superficial robusto.

Recomenda-se a adoção de modelo SWMM, com simulação de infiltração


por meio do decaimento de Horton e simulação de escoamento superficial por
onda cinemática.

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5.1.6 Diagnóstico e Prognóstico da Macrodrenagem

Deve-se fazer a avaliação da situação atual e futura do local de


intervenção e de toda a Área de Estudo, a fim de determinar a envoltória de
cenários e situações.

O diagnóstico deverá ser feito a partir de dados reais, como imagens de


sensoriamento remoto e levantamentos in loco.

Já o prognóstico deverá ser feito a partir da intersecção entre os dados


reais e os dados do Plano Diretor do Município de Aparecida de Goiânia,
considerando o cenário de maior dano ambiental aos corpos hídricos locais e
maior influência sobre a drenagem pluvial.

A partir das conclusões do diagnóstico e do prognóstico, deve-se fazer a


avaliação da capacidade do corpo hídrico. Tal avaliação pode ser feita a partir
de metodologia matemática simples, baseada no equacionamento de Manning
para escoamento permanente uniforme, para todas as seções levantadas pela
topografia, considerando as condições de contorno prováveis (escoamento
sub-superficial normal do corpo hídrico e cota de deságue provável do mesmo),
os lançamentos das redes de microdrenagem, as estruturas e intervenções
humanas na calha natural e o pico hidrograma do escoamento superficial.

Recomenda-se, porém, a utilização de software de modelagem de


escoamento livre em canais, para que sejam considerados os fatores
hidrodinâmicos do escoamento do fluido, por ser mais condizente com o
comportamento físico real do escoamento e oferecer maior precisão no método
de cálculo.

Para a simulação de escoamento em canais, a superfície livre,


recomenda-se o uso do software HEC-RAS (US Army Corps of Engineers,
2009), que oferece ótimos resultados para simulações tanto em escoamento
permanente quanto em escoamento transiente.

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5.1.7 Seleção e Simulação de Intervenções de Controle e Mitigação

A partir dos resultados da avaliação da capacidade do corpo hídrico, tanto


para a situação atual (baseada no diagnóstico) quanto na futura (baseada no
prognóstico), deve fazer a escolha de uma ou mais intervenções possíveis, a
fim de que sejam testadas por modelagem matemática (computacional ou não),
a fim de determinar sua eficácia na resolução da problemática para
determinado Tempo de Retorno.

Métodos matemáticos podem ser adotados (como por exemplo no caso


da adoção de bacias de detenção, onde pode-se usar o método de Puls para
determinar a vazão de saída, e assim, a eficácia da intervenção), porém
recomenda-se novamente o uso de ferramentas de simulação computacional,
como o software HEC-RAS (US Army Corps of Engineers, 2009) para a
determinação da vazão de saída e da eficácia das intervenções.

As intervenções escolhidas devem atender ao princípio de retorno dos


picos do hidrograma aos valores de pré-urbanização.

5.1.8 Avaliação da Qualidade da Água:

A determinação da qualidade da água deverá considerar os aspectos a


seguir, por meio de modelo de difusão reconhecido pela literatura nacional e/ou
internacional:

 Carga de Resíduos Sólidos encontrada;

 Carga de Poluentes das Águas Pluviais, relacionada à lavagem da


superfície urbana;

 Carga de Sedimentos, relacionada a erosões e ravinamentos;

 Carga de Esgoto Residencial e Industrial causada pelo lançamento em


corpos hídricos sem tratamento secundário ou terciário.

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