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Matheus Amábile de Queiroz Telles – RA: 103493


HZ248 – Política II: Política Brasileira (noturno)
Professor Valeriano Costa
Módulo: de 1822 a 2004

O ESTADO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO – Um passeio pela história

TAVARES, Maria Hermínia (2007). O ESTADO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO


– Um passeio pela história. In ALCANTARA E MELO (org.), A Democracia
Brasileira. Balanço e perspectivas para o século 21, Humanitas.

O texto de Maria Hermínia propõe-se a tratar, de um ponto de vista histórico,


das características e das formas que assumiu o Estado brasileiro no decorrer de sua
existência. Destaca também a especificidade desse Estado – o caráter pendular,
oscilando entre a centralização e a descentralização. A autora começa pela definição,
segundo ela, “canônica” weberiana de Estado: “conjunto de organismos e burocracias
próprias e um ordenamento legal” i. Logo em seguida, expõe as condições básicas
para a formação, na sociedade, desse objeto de estudo a fim de poder compreender
tais elementos na situação brasileira. Posteriormente, a autora começa a construção
histórica do Estado no Brasil de maneira analítica. O êxito da elite em ser
suficientemente hábil para manter a integridade do vasto território brasileiro foi
enfatizado na obra. Nesse sentido, condições como a de estandardização,
homogeneidade política na elite fizeram possível o estabelecimento de um Estado,
mesmo que balbuciante, porém com os fundamentos de Estado. Como elucidado pela
autora, começa aí a relação conflitante entre governo federal e estadual. A preferência
pela inicial descentralização, considerando-se, obviamente, o período pós-império,
entra em declínio junto com a política dos governadores e dá lugar à centralização
varguista. Essa, por sua vez, lutará durante anos contra a oposição –
descentralizadora; liberal – e usará práticas diversas para tal combate: fechamento do
Congresso, Revolução Constitucionalista de 1932 - reprimida fortemente pelas tropas
nacionais - O Plano Cohen, redução da autonomia estadual etc. Durante a era Vargas,
o Estado brasileiro sofreu um importante processo de evolução qualitativa. O espírito
da descentralização é reanimado com a proposta de Constituição em 1946 no governo
Dutra. Logo, a tensão pendular mantém-se até a decisão realizada em 1964, quando o
golpe militar decreta a opção pela centralização. Dessa maneira, o país se conduz até
1988, momento em que a necessidade de descentralização e democracia é enorme
devido à experiência traumática do regime de 20 anos anteriores. O resultado da
proposta de 1988 foi alterado de forma visível, já que as estruturas estatais, as
relações políticas, e as relações entre os estados da federação consumaram
características centralizadoras, decorrência da democratização.
O tópico seguinte é destinado à abordagem da situação do Estado federativo
no cenário atual. A autora demonstra os motivos fenomênicos para a centralização
enquanto o conceito primário era o das idéias liberais. “Líderes e partidos, que na
oposição defendiam iniciativas de descentralização, promoveram a centralização tão
logo assumiram o governo federal” ii. Isso somado à idéia de que o Executivo figurava
como “agente de mudança e avalista de direitos” deram base sólida para a construção
do ambiente político brasileiro: organização federativa, fragmentação partidária,
presidencialismo de eleições competitivas”.
i
TAVARES, Maria Hermínia(2007). O ESTADO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO – Um
passeio pela história. In ALCANTARA E MELO (org), A Democracia Brasileira. Balanço e
perspectivas para o século 21, Humanitas. Pág. 18
ii
TAVARES, Maria Hermínia(2007). O ESTADO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO – Um
passeio pela história. In ALCANTARA E MELO (org), A Democracia Brasileira. Balanço e
perspectivas para o século 21, Humanitas. Pág. 30