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Sergio Alfredo Macore 2018

ÍNDICE

1.INTRODUÇÃO............................................................................................................................3
1.1.Objectivos..............................................................................................................................4
1.1.1.Objectivo geral................................................................................................................4
1.1.2.Objectivos específicos.....................................................................................................4
2.Metodologia da pesquisa..............................................................................................................4
3.Revisão de literatura.....................................................................................................................5
3.1.Conceito de sanção.................................................................................................................5
3.1.1.Conceito de direito e sanção............................................................................................5
3.1.2.Sanção positiva e sanção negativa...................................................................................6
4.Conceito da ilicitude.....................................................................................................................7
4.1.Elementos objectivos e subjectivos das causas de exclusão da ilicitude...............................7
4.2.Causas da ilicitude.................................................................................................................8
4.3.O regime da legítima defesa no direito penal Moçambicano.................................................9
4.4.Requisitos constitutivos da legítima defesa.........................................................................10
5.Âmbito da agressão ilícita..........................................................................................................10
6.Grau da agressão ilícita...............................................................................................................11
7.Estado da agressão ilícita............................................................................................................11
7.1.Protecção de direitos e interesses legais..............................................................................12
7.2.Forma de Culpa do Excesso de Legítima Defesa................................................................12
8.O Regime do Estado de Necessidade no Direito Penal Moçambicano......................................12
9.O Acto Consentido no Direito Penal Moçambicano...................................................................13
Conclusão......................................................................................................................................15
Bibliografias..................................................................................................................................16

1.INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objectivo geral, falar sobre as ‘’Sanções e ilicitude’’. Dai que,
para a perfeita compreensão, é imprescindível o estudo aprofundado da doutrina antiga e

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moderna, com respeito às posições divergentes dos autores sobre o espírito que de Sanções e
ilicitude deve conter. No decorrer do trabalho, é explanável uma grande diferença entre Sanções
e ilicitude, revelando, cada uma, respectivamente, a visão da sanção como uma retribuição,
prevenção, ou fusão de ambas. Visa, assim, demonstrar a razão da instituição no direito, sua
finalidade, e a real importância dela para a sociedade.

Tem-se assistido nos últimos tempos ao discurso funcional que procura renormativizar a matéria
sobre Sanções e ilicitude, seja a partir dos fins para as duas teorias, seja a partir dos fins do
direito. Assim, a teoria dos fins da pena está em candente actualidade e importância.

Pretende-se, neste trabalho, tracejar breves e superficiais observações sobre tão controvertido
tema. Nada além do propósito da contribuição para o sistema penal de cunho funcionalista, como
era esperado pelos partidários dessa corrente, calha dizer que dista muito do almejado.

Contudo, com a percuciência e razão, é destacado que "querer deduzir os pressupostos e


modalidades da responsabilidade jurídico-penal mais ou menos exclusivamente a partir de
determinados fins político-criminais preestabelecidos significa mais bem aferrar-se a uma forma
de pensamento instrumental que nem sequer permite ver essenciais aspectos socioculturais do
direito penal.

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1.1.Objectivos

A definição dos objectivos determinam o que o pesquisador quer atingir com a realização do
trabalho de pesquisa, pois são sinónimo de meta, fim.

1.1.1.Objectivo geral

MARCONI e LAKATOS (2002) referem que os objectivos gerais "estão ligados a uma visão
global e abrangente do tema, relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos e
eventos.

Assim, o trabalho em alusão tem como objectivo geral:

 Falar sobre as sanções e a ilicitudes.

1.1.2.Objectivos específicos

MARCONI e LAKATOS (2001:102) Referem que os objectivos específicos "apresentam


características mais concretas, têm a função intermédia e instrumental permitindo de lado a
atingir objectivo geral e de modo a explicar este a situação particular".

Assim o trabalho tem como objectivos específicos:

 Diferenciar sobre a sanção positiva e sanção negativa


 Analisar sobre o Regime do Estado de Necessidade no Direito Penal, sobre sanções e
ilicitudes.
 Discorrer sobre a protecção de direitos e interesses legais

2.Metodologia da pesquisa

O presente trabalho de pesquisa, envolveu inicialmente a obtenção de informações teóricas


através de estudo exploratório, seguido do estudo formal descritivo, calcado numa pesquisa
bibliográfica junto a autores consagrados na abordagem do tema tratado, além da leitura de
artigos específicos sobre o assunto abordado através da internet.

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3.Revisão de literatura
3.1.Conceito de sanção

Sanção jurídica deve ser compreendida modernamente, como uma reacção ou retribuição
prevista no ordenamento normativo, blindando-se esta contraprestação de uma feição premial
(sanção premial), quando o agente adopta a conduta aprovada ou esperada, ou um carácter
punitivo (sanção negativa), quando o ato praticado é indesejado ou dissonante. Diante dessa nova
realidade, da mutabilidade e da abertura das regras jurídicas ao progresso e à mudança social,
imperioso, reformular-se o vetusto e arraigado pensamento jurídico, a fim de abrir-se espaço para
a existência e aceitação doutrinária da sanção premial.

O vocábulo sanção provem do latim santio, sanctionis, de sancire (estabelecer por lei), possuindo
o vocábulo, etimologicamente, dois significados distintos.

O primeiro vincula-se ao processo legislativo, sendo ato de competência exclusiva do presidente


da república, onde este adere ao projecto de lei votado no Poder Legislativo, apondo sua
aprovação e encaminhando-o para promulgação e publicação.

Já na segunda acepção, que será objecto de estudo no presente trabalho, representa consequência
positiva ou negativa prevista em lei norma para determinado ato praticado por determinado
indivíduo. Realizada certa acção ou omissão prevista na norma jurídica, a retribuição será a
aplicação de uma sanção igualmente nela prevista.

3.1.1.Conceito de direito e sanção

Conforme o modo pelo qual as acções humanas são prescritas ou proibidas, podem distinguir-se
diferentes tipos ou ideais, não tipos médios. A ordem social pode prescrever uma determinada
conduta humana sem ligar à observância ou não observância deste imperativo quaisquer
consequências. Também pode, porém, estatuir uma determinada conduta humana e,
simultaneamente, ligar a esta conduta a concessão de uma vantagem, de um prémio, ou ligar à
conduta oposta uma desvantagem, uma pena (no sentido mais amplo da palavra).

O princípio que conduz a reagir a uma determinada conduta com um prémio ou uma pena é o
princípio retributivo (Vergeltung). O prémio e o castigo podem compreender-se no conceito de
sanção. No entanto, usualmente, designa-se por sanção somente a pena, isto é, um mal - a

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privação de certos bens como a vida, a saúde, a liberdade, a honra, valores económicos - a
aplicar como consequência de uma determinada conduta, mas já não o prémio ou a recompensa.

Para Aristóteles, o Direito representa uma ordem à conduta humana. O Direito vale-se de um ato
coactivo para punir um delito com uma pena. Por coação entende-se a reacção Estatal às
condutas consideradas indesejáveis, reacção esta externada através da inflicção de uma sanção –
sempre acompanhada de um ato impositivo ou de força – nota que distinguiria o Direito dos
outros sistemas de controlo social.

3.1.2.Sanção positiva e sanção negativa

A sanção não é sempre e necessariamente um castigo. É mera consequência jurídica que se


desencadeia (incide) no caso de ser desobedecido o mandamento principal da norma. É um
preconceito que precisa ser dissipado - por flagrantemente anti-científico - a afirmação vulgar
infelizmente repetida por alguns juristas, no sentido de que a sanção é castigo. Pode ser, algumas
vezes.

O conceito de sanção, latu sensu, faz menção às medidas que um ordenamento normativo dispõe
com o escopo de reforçar o respeito às suas leis e, em alguns casos, remediar os efeitos de uma
possível inobservância. Infere-se, desta forma, que, em primeiro lugar, todo sistema normativo
pode ter suas regras violadas e que, em maior ou menor medida, uma considerável quantidade de
normas integrantes dos referidos sistemas restam escoriadas.

Assim, todo ordenamento jurídico que assume a pretensão de ser efectivo, isto é, de não
desaparecer em consequência de uma generalizada falta de atenção às normas que o compõem,
estatui medidas que podem ser classificadas em função do momento da violação.

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4.Conceito da ilicitude

Ilicitude é a contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como um todo, não
existindo qualquer excepção determinando, incentivando ou permitindo a conduta típica.

a) Atenção: o conceito de ilicitude muda para os adeptos da tipicidade conglobante,


entendendo-se a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico
como um todo, não existindo qualquer excepção permitindo a conduta típica.
b) O juízo de ilicitude é posterior e dependente do juízo de tipicidade, de forma que todo
facto penalmente ilícito também é, necessariamente, típico.
c) Ataliba, distinguiu a ilicitude formal (contrariedade do fato típico ao ordenamento
jurídico) e a ilicitude material (lesão ou perigo a um bem jurídico). A distinção é
desnecessária e ultrapassada: se a norma penal existe porque visa proteger o bem por ela
considerado relevante, é sinal de que qualquer conduta que a contrarie causa lesão ou
expõe a perigo de lesão aquele bem tutelado, levando-nos a adoptar uma concepção
unitária de ilicitude.
d) Ilícito ≠ injusto, que é a contrariedade entre o fato típico e a compreensão social acerca
da justiça. O injusto se reveste de graus, vinculados à intensidade de reprovação social
causada pelo comportamento penalmente ilícito.

A ilicitude é claramente objectiva: se o inimputável matar alguém, cometerá conduta ilícita,


embora ausente a culpabilidade. Basta a contrariedade entre o fato típico praticado pelo autor da
conduta e o ordenamento jurídico, apto a causar dano ou expor a perigo bens jurídicos
penalmente protegidos.

 São sinónimos de causas de exclusão da ilicitude: causas de justificação, descriminastes.


Não confundir com dirimente, que é causa de exclusão da culpabilidade.

4.1.Elementos objectivos e subjectivos das causas de exclusão da ilicitude

1. Concepção objectiva: À lei só interessa que a finalidade actual do agente seja conforme
a norma jurídica. Para que actue uma causa de justificação, basta que o agente tenha
conhecido e querido a situação de fato em que esta consiste. Os motivos permanecem
irrelevantes. No caso, A não cometeu crime.

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2. Concepção subjectiva: O reconhecimento de uma causa de exclusão reclama o
conhecimento da situação justificante pelo agente. É necessário que a reacção seja
acompanhada pela consciência e pela vontade de defender-se. No caso, a responderia
pelo homicídio.
4.2.Causas da ilicitude

Nos termos do artigo 30.º (exclusão da ilicitude) sobre as «causas que excluem a ilicitude e a
culpa» do Capítulo III do Título II do Código Penal de Moçambicano, «1. O facto não é punível
quando a sua ilicitude for excluída pela ordem jurídica considerada na sua totalidade. 2.
Nomeadamente, não é ilícito o facto praticado: a) Em legítima defesa; b) No exercício de um
direito; c) No cumprimento de um dever imposto por lei ou por ordem legítima da autoridade; ou
d) Com o consentimento do titular do interesse jurídico lesado».

Assim, podemos ver que nestes termos de exclusão da ilicitude, o direito penal de Macau
consagra especificamente quatro causas de exclusão da ilicitude, designadamente: a legítima
defesa, o estado de necessidade, o cumprimento de um dever ou de uma ordem e o acto
consentido.

Segundo a teoria de direito penal, a exclusão da ilicitude também é designada por exclusão da
violação de lei ou descriminalização. A teoria de direito penal Moçambicano, que também faz
parte do sistema jurídico continental ocidental, defende que: «A ilicitude e a ofensa provocadas
pelo acto são ambos requisitos para a constituição do crime mas têm natureza diferente. A ofensa
é o estado em que uma conduta ofende o interesse jurídico, enquanto a ilicitude é o valor passivo
que uma conduta manifesta, ou seja, em relação às várias condutas puníveis que violam a ordem
jurídica e que ofendem os bens jurídicos públicos e privados, o direito penal elabora disposições
abstractas.

A ciência de direito penal chama a isto factos constituintes do crime juridicamente previstos.
Quanto ao seu conteúdo objectivo, por um lado revela quais os vários bens jurídicos públicos e
privados ofendidos, é uma configuração no direito penal da ofensa dos bens jurídicos; por outro
lado revela as consequências de violação da ordem jurídica, é uma configuração no direito penal
de actos ilícitos.

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Segundo, partindo da avaliação política e social, considera-se que o acto da legítima defesa não
tem subjectivamente culpa nem perigosidade para a pessoa, não tem objectivamente perigo
social e é um acto favorável à sociedade, considerando assim actos tais como a legítima defesa
excluídos da perigosidade social sem responsabilidade penal. No entanto, na vida quotidiana da
sociedade, os actos praticados com a intenção de defender o interesse da sociedade não se
limitam à legítima defesa e aos actos previstos especialmente pela lei.

O crime no direito penal moderno fundamenta-se no perigo social. A constituição do crime


explica o perigo social do acto com base na união entre a culpa subjectiva e o perigo objectivo.
Os actos como a legítima defesa, sendo actos que excluem o perigo social, são favoráveis em si à
sociedade. Como não têm o conteúdo material para a constituição de crime que é a perigosidade
social, desde que estejam no limite adequado, naturalmente não constituem crime nem são
puníveis.

Tendo actos como a legítima defesa uma característica aparente de crime mas não tendo na
realidade perigo social, o direito penal, que prevê especificamente o crime, pode não abranger
outros actos favoráveis à sociedade, mas não pode deixar de ter disposições especiais para actos
como a legítima defesa e excluí-los do crime tendo em consideração a ordem jurídica na sua
globalidade. Partindo deste pressuposto, a teoria penal ocidental tem razão quando considera
actos, tais como a legítima defesa, como actos que excluem a ilicitude penal.

4.3.O regime da legítima defesa no direito penal Moçambicano

O regime da legítima defesa é vulgar no direito penal moderno. O Código Penal Moçambicano,
que faz parte do direito penal moderno, também não é excepção. O seu artigo tem um regime
específico para a legítima defesa: «Constitui legítima defesa o facto praticado como meio
necessário para repelir a agressão actual e ilícita de interesses juridicamente protegidos do agente
ou de terceiro». Esta disposição fornece o fundamento jurídico para o regime de legítima defesa
no direito penal Moçambicano.

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4.4.Requisitos constitutivos da legítima defesa

É um princípio universal do direito penal moderno que a constituição da legítima defesa tem que
preencher certos requisitos. Através do artigo 31º do Código Penal de Moçambicano, podemos
ver que a constituição da legítima defesa exige os seguintes requisitos:

1. Existência de uma agressão ilícita

A agressão ilícita representa o acto com perigo social que viola os interesses juridicamente
protegidos. Este é o requisito primordial para a constituição da legítima defesa. Quando um
código prevê o regime da legítima defesa e a exclui juridicamente como crime, é porque a
legítima defesa em si é um acto que exclui o perigo social. Sem a existência de uma agressão
ilícita, a legítima defesa torna-se uma seta sem alvo. No entanto, a forma como se qualifica a
natureza, âmbito, grau e estado da agressão ilícita é uma grande questão para a qualificação
correcta da legítima defesa e merece um estudo.

1.1. Natureza da agressão ilícita

A existência de uma agressão ilícita é uma condição prévia para a legítima defesa. Sem agressão
ilícita, não há legítima defesa. No entanto, a agressão ilícita em si é um conceito muito vago.
Temos que determinar primeiro o que é agressão ilícita para saber se houve ou não legítima
defesa constituída com base nela.

Quanto à agressão ilícita, a sua natureza reside na ilicitude, ilegalidade e perigo social do seu
acto. A prática de qualquer acto social tem que ter relação com a sociedade, resultando numa
reacção objectiva por parte da sociedade. Na sociedade do sistema jurídico moderno, um acto
social só é qualificado como acto legal e protegido pela lei quando tem fundamento jurídico
bastante. Um acto de agressão ilícita reside primeiro na falta de fundamento jurídico-legal do
próprio acto e tem uma característica jurídica que é a ilicitude.

5.Âmbito da agressão ilícita

A característica jurídica da agressão ilícita revela o seu conteúdo. Mas a forma como se define a
extensão do âmbito da agressão ilícita, tem a ver com a qualificação correcta da legítima defesa.
Do ponto de vista jurídico, a agressão ilícita pode dividir-se em crime e outros actos ilegais.

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Tanto na teoria como na prática, a interpretação é uniforme quanto à possibilidade do exercício
da legítima defesa perante um crime grave.

Achamos que não existe uma barreira inultrapassável entre o acto ilegal e o crime. Não são
imutáveis mas são convertíveis. Na vida social quotidiana, através da legítima defesa, destrói-se
o acto ilegal no seu percurso, antes de este se transformar em crime, defendendo mais os direitos
e interesses legais juridicamente protegidos.

6.Grau da agressão ilícita

A agressão ilícita representa sempre um perigo para a sociedade. No entanto, no percurso de


realização da agressão ilícita, a sua forma de apresentação é muito complexa. Apesar de
teoricamente podermos defender que se admite o exercício da legítima defesa desde que haja um
acto de agressão com natureza ilícita, devemos ter em conta que a natureza da legítima defesa
determina que a mesma se concretize através do dano pessoal que se faz ao agente de agressão
ilícita. O agente da agressão ilícita deve ser repelido pelo agente da legítima defesa e pela
sociedade por causa da prática da agressão ilícita, mas para além de ser repelido e sancionado
por disposição jurídica, os outros direitos que lhe são devidos são protegidos juridicamente.

7.Estado da agressão ilícita

Quanto ao estado de existência da agressão ilícita, este pode dividir-se em: agressão passada,
agressão actual e agressão iminente. Conforme a teoria penal, a agressão ilícita já passada e a
agressão ilícita que vai acontecer só podem ser sancionadas ou prevenidas através de penas do
Estado.

É que caso se pratique a legítima defesa também nestes estados da agressão ilícita, esta será uma
«defesa inadequada» que deve responsabilizar juridicamente o agente. É precisamente por causa
disso que o artigo 31.º do Código Penal Moçambicano prevê explicitamente que só constitui
legítima defesa o facto praticado para repelir uma agressão actual e ilícita.

7.1.Protecção de direitos e interesses legais

Nos termos do artigo do Código Penal Moçambicano, a legítima defesa é o facto praticado para
repelir a agressão actual e ilícita de interesses juridicamente protegidos do agente ou de terceiro.

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A protecção de interesses legais é pressuposto (objectivo) para a constituição da legítima defesa.
Falando ao nível estrutural da lógica jurídica, a protecção de interesses legais tem como forma
aparente actos que impedem a concretização da agressão ilícita e que excluem o seu perigo
social.

Por isso, a protecção de interesses legais é o núcleo do pressuposto (objectivo) da legítima


defesa, e a exclusão do perigo social e o impedimento da concretização da agressão ilícita são a
forma aparente da legítima defesa. Normalmente, quando o agente da legítima defesa está a
enfrentar uma agressão ilícita, para proteger os seus interesses legais, pratica a legítima defesa.

7.2.Forma de Culpa do Excesso de Legítima Defesa

Quando o meio empregado na legítima defesa é excessivo, o facto é ilícito. Apesar de a pena
poder ser especialmente atenuada, é indubitável que o facto já constitui um crime. O crime
implica a existência duma culpa subjectiva. No direito penal de Moçambique, a qualificação da
forma de culpa no excesso de legítima defesa merece ser estudada.

A maior parte dos países não têm disposição concreta relativamente à forma de culpa do excesso
de legítima defesa. Só alguns países referem esta questão. As soluções previstas são diferentes. A
primeira solução consiste em qualificar o excesso de legítima defesa como um crime praticado
com negligência, por exemplo o artigo do Código Penal Moçambicano dispõe que quando o
agente ultrapassa com negligência o limite da legítima defesa, se o acto praticado consubstancia
um crime de negligência, existe responsabilidade penal.

8.O Regime do Estado de Necessidade no Direito Penal Moçambicano

O estado de necessidade é também um regime vulgar no direito penal contemporâneo; é um


regime em que o acto adoptado como meio necessário sem responsabilidade penal visa afastar de
um perigo actual interesses públicos sociais, direitos pessoais, patrimoniais ou outros, do agente
ou de terceiro. Nos termos do artigo 33.º (direito de necessidade) do Código Penal
Moçambicano, «Não é ilícito o facto praticado como meio adequado para afastar um perigo
actual que ameace interesses juridicamente protegidos do agente ou de terceiro, quando se
verificarem os seguintes requisitos:

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a) Não ter sido voluntariamente criada pelo agente a situação de perigo, salvo tratando-se de
proteger o interesse de terceiro;
b) Haver sensível superioridade do interesse a salvaguardar relativamente ao interesse
sacrificado; e
c) Ser razoável impor ao lesado o sacrifício do seu interesse em atenção à natureza ou ao
valor do interesse ameaçado».

9.O Acto Consentido no Direito Penal Moçambicano

Na teoria de direito penal, o acto consentido também designado acto permitido pelo titular do
direito, é o acto praticado com o consentimento da pessoa com direito de disposição de certos
direitos e interesses. Estes actos também podem ser definidos como actos que embora praticados
com o consentimento da vítima, causam certo «resultado prejudicial».

O acto consentido desenvolve-se a partir do princípio antigo do direito romano segundo o qual:
«os actos consentidos não são imputáveis». Por exemplo, para fazer uma experimentação
científica, a vítima consente que outra pessoa faça uma experiência no seu corpo através de um
meio que ofende a sua integridade física. Este acto é, aparentemente, uma ofensa no direito
penal, mas analisando substancialmente, é um acto favorável à sociedade.

Na vida social, além do acto consentido ser um conceito muito amplo, a sua forma e o seu
conteúdo são muito complicados. Alguns actos consentidos são autorizados pela lei, outros são
proibidos. Alguns actos consentidos são válidos, outros são nulos. Para dar um posicionamento
jurídico claro ao acto consentido, e para que este tipo de actos sejam tratados correctamente na
prática judicial, actualmente em muitos países e territórios eles estão previstos no direito penal.
O direito penal Moçambicano não é uma excepção.

O consentimento pode ser expresso por qualquer meio que traduza uma vontade séria, livre e
esclarecida do titular do interesse juridicamente protegido e pode ser livremente revogado até à
execução do facto. O consentimento só é eficaz se for prestado por maior de 14 anos que possua
o discernimento necessário para avaliar o seu sentido e alcance no momento em que o presta. 4.
Se o consentimento não for conhecido do agente, este é punível com a pena aplicável à
tentativa». De acordo com este artigo, podemos ver que o acto consentido no direito penal
Moçambicano u tem que preencher os seguintes requisitos para não ser ilícito:

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A. O consentimento tem que ser um acto do titular do interesse juridicamente protegido

Sendo um acto jurídico, o consentimento é juridicamente, antes de mais, uma questão de


fundamento do direito. Em relação a esta questão, o direito penal Moçambicano prevê
expressamente que só o titular do interesse juridicamente protegido é que pode prestar o
consentimento. Para proteger ao máximo o interesse juridicamente protegido da pessoa que
presta o consentimento e para que o consentimento revele o mais possível a vontade real desta
pessoa, o direito penal Moçambicano prevê expressamente que o consentimento só é eficaz se
for prestado por um maior de 14 anos que possua o discernimento necessário para avaliar o seu
sentido e alcance no momento em que o presta.

B. O consentimento tem que consistir na declaração de vontade real do titular do interesse


juridicamente protegido

Sendo um acto jurídico, o consentimento é também juridicamente um acto civil. Nos termos do
direito civil, o consentimento só é um acto eficaz se revelar efectivamente a vontade livre de
quem o presta. Por isso, nos termos do direito penal Moçambicano, o consentimento tem que
revelar uma vontade séria, livre e esclarecida do titular do interesse juridicamente protegido.

C. O conteúdo de disposição do consentimento tem que ser constituído por interesses


jurídicos que podem ser livremente disponíveis nos termos da lei

O Homem é um ser social. Na sociedade moderna, existem relações delicadas entre os interesses
pessoais dos membros sociais e os interesses colectivos da sociedade. A fim de harmonizar
melhor os interesses pessoais dos membros socais e os interesses colectivos da sociedade,
geralmente, na sociedade moderna, o direito prevê expressamente que certos interesses pessoais
são livremente disponíveis pelos membros sociais, enquanto outros não o são.

Conclusão

Chegando ao fim deste trabalho, tira-se conclusões de que uma sanção deve ser compreendida
modernamente, como uma reacção ou retribuição prevista no ordenamento normativo,
blindando-se esta contraprestação de uma feição, quando o agente adopta a conduta aprovada ou

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dissonante. Diante dessa nova realidade, da mutabilidade e da abertura das regras jurídicas ao
progresso e à mudança social, imperioso, reformular-se o vetusto e arraigado pensamento
jurídico, a fim de abrir-se espaço para a existência e aceitação doutrinária da sanção.

Por outro lado, na ilicitude o conceito muda para os adeptos da tipicidade, entendendo-se a
relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como um todo, não
existindo qualquer excepção permitindo a conduta típica. Visto que, o juízo de ilicitude é
posterior e dependente do juízo de tipicidade, de forma que todo facto penalmente ilícito também
é, necessariamente, típico.

Porem, vários estudiosos, distinguiram a ilicitude formal (contrariedade do facto típico ao


ordenamento jurídico) e a ilicitude material (lesão ou perigo a um bem jurídico). A distinção é
desnecessária e ultrapassada: se a norma penal existe porque visa proteger o bem por ela
considerado relevante, é sinal de que qualquer conduta que a contrarie causa lesão ou expõe a
perigo de lesão aquele bem tutelado, levando-nos a adoptar uma concepção unitária de ilicitude.

Bibliografias

ARISTÓTELES. A Ética de Nicômano, Athens Editora, S. Paulo

ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária, Ed. Revista dos Tribunais, Maputo, 1973

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AZEVEDO, Juan Lambias de. Eidética y Aporética del Derecho Prolego-menos a la Filosofia del
Derecho, Editorial Galpe, Buenos Aires

Diogo Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, Almedina, Coimbra - volume II,
2ªEdição, 2011

João Caupers, Introdução ao Direito Administrativo. Âncora, 10ªEdição, 2009.

LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Mariana de Andrade, técnicas de pesquisa, 5ª Ed., São
Paulo, Atlas, 2002.

Decretos:

a) Decreto 30 / 2001 de 15 de Outubro que aprova as normas de funcionamento de


administração pública.
b) Decreto-lei Nr 10 / 2007 de 1 de Agosto.
c) Lei do procedimento administrativo de 14 / 2011 de 10 de Agosto.

AUTOR DO ARTIGO
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