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INVESTIGAÇÃO

GEOTÉCNICA
Principais Ensaios

Prof. Ms. Bernardo Ramos


Investigação Geotécnica

Sua ausência é a causa mais frequente de problemas de fundações. Na


medida em que o solo é o meio que vai suportar as cargas, sua identificação e
a caracterização de seu comportamento são essenciais à solução de qualquer
problema.

No Brasil, o custo envolvido na execução de sondagens de reconhecimento


normalmente varia entre 0,2% a 0,5% do custo total de obras convencionais,
podendo ser mais elevado em obras especiais ou em condições adversas de
subsolo.

O programa preliminar é normalmente desenvolvido com base em ensaios de


penetração - SPT (NBR 6484/2001).

O programa complementar depende das condições geotécnicas e estruturais


do projeto, podendo envolver tanto ensaios de campo como de laboratório.
Investigação Geotécnica Complementar

o Ensaios de campo o Ensaios de laboratório

 Ensaio de Palheta (FVT)  Ensaio de caracterização


 Ensaio Pressiométrico (PMT)  Ensaio de cisalhamento direto
 Ensaio Dilatométrico (DMT)  Ensaio triaxial
 Ensaio de Cone (CPT)  Ensaio de adensamento
 Ensaios sísmicos  Ensaio para caracterização de
 Etc. expansibilidade
 Ensaio de colapsibilidade
 Ensaio de permeabilidade
 Ensaios químicos
 Etc.
Ausência de Investigação do Subsolo

Típico de obras de pequeno porte, em geral por motivos econômicos, mas


também presente em obras de porte médio, a ausência de investigação de
subsolo é prática inaceitável.

 Fundações Diretas

 Tensões de contato excessivas, incompatíveis com as reais características


do solo, resultando em recalques inadmissíveis ou ruptura;

 Fundações em solos/aterros heterogêneos, provocando recalques


diferenciais;

 Fundações sobre solos compressíveis sem estudo de recalques, resultando


grandes deformações;

 Fundações apoiadas em materiais de comportamento muito diferente, sem


junta, ocasionando o aparecimento de recalques diferencias;
Ausência de Investigação do Subsolo

 Fundações Diretas

 Fundações apoiadas em crosta dura sobre solos moles, sem análise de


recalques, ocasionando a ruptura ou grandes deslocamentos da fundação.

 Fundações Indiretas

 Estacas de tipo inadequado ao subsolo, resultando mau comportamento;

 Geometria inadequada, comprimento ou diâmetro inferiores aos


necessários;

 Estacas apoiadas em camadas resistentes sobre solos moles, com


recalques incompatíveis com a obra;

 Ocorrência de atrito negativo não previsto, reduzindo a carga admissível


nominal adotada para a estaca.
Investigação Insuficiente

• Número insuficiente de sondagens ou ensaios para áreas extensas ou de


subsolo variado, eventualmente cobrindo diferentes unidades geotécnicas.
Investigação Insuficiente
Investigação Insuficiente
Investigação Insuficiente
Investigação Insuficiente

• Profundidade de investigação insuficiente, não caracterizando camadas de


comportamento distinto, em geral de pior desempenho, também solicitadas
pelo carregamento.
Investigação com Falhas

Durante o processo de investigação poderão ocorrer problemas que


comprometem os resultados obtidos e utilizados em projeto.

Na realização de sondagem são relativamente comuns:

 Os erros na localização do sítio da obra (execução feita em local diferente);

 Localização incompleta;

 Adoção de procedimentos indevidos ou ensaio não padronizado;

 Uso de equipamento com defeito ou fora de especificação;

 Apresentação de relatórios de serviços não realizados;

 Entre outros...
Investigação com Falhas

Indicadores de possíveis problemas de execução:

 Alta produção de campo das equipes de sondagem, com perfurações


profundas executadas em tempos reduzidos, ou elevado número de
perfurações produzidas pela mesma equipe;

 Semelhança entre furos de sondagem (mesma espessura das camadas,


mesmo valor de NSPT, etc.)
Interpretação Inadequada

A adoção de valores não representativos ou ausência de identificação de


problemas podem provocar desempenho inadequado das fundações, por
exemplo:

 Solos porosos tropicais com NSPT abaixo de 4 indicam a possibilidade de


instabilidade quando saturados;

 A presença de pedregulhos aumenta os valores de penetração NSPT sem


que o comportamento do solo seja equivalentemente aumentado;

 Valores muito baixos em argilas saturadas indicam a possibilidade de


ocorrência de atrito negativo em estacas.

Em obras de maior porte e/ou complexidade, faz-se necessário o cruzamento


de dados provenientes de ensaios de campo e laboratório para aumentar a
confiabilidade das previsões de projeto.
Programa de
Sondagens
Programa de Sondagens (NBR 8036/83)

Número de sondagens

O número de sondagens deve ser suficiente para fornecer um quadro, o


melhor possível, da provável variação das camadas do subsolo.

As sondagens devem ser, no mínimo, de:

o 1 para cada 200 m² de área de projeção do edifício até 1200m².

o Entre 1200 m² e 2400 m² deve-se fazer 1 sondagem para cada 400 m²


que excederem de 1200 m².

o Acima de 2400 m², deve ser fixado de acordo com o plano particular da
construção.
Programa de Sondagens (NBR 8036/83)

Número de sondagens

Em quaisquer circunstâncias o número mínimo de sondagens deve ser:

o 2 para área da projeção em planta do edifício até 200 m²

o 3 para área entre 200 m² e 400m²

Nos casos em que não houver ainda disposição em planta dos edifícios, como
nos estudos de viabilidade ou de escolha de local, o número de sondagens
deve ser fixado de forma que a distância máxima entre elas seja de 100 m,
com um mínimo de três sondagens.
Programa de Sondagens (NBR 8036/83)

Número de sondagens

As sondagens devem ser localizadas em planta e obedecer às seguintes


regras gerais:

o Na fase de estudos preliminares ou de planejamento do


empreendimento, as sondagens deve ser igualmente distribuídas em
toda a área;

o Na fase de projeto podem-se localizar as sondagens de acordo com


critério específico que leve em conta pormenores estruturais;

o Quando o número de sondagens for superior a três, elas não devem ser
distribuídas ao longo de um mesmo alinhamento.
Programa de Sondagens (NBR 8036/83)

Número de sondagens
Programa de Sondagens (NBR 8036/83)

Profundidade da sondagem

A exploração deve ser levada a profundidades tais que incluam todas as


camadas impróprias ou que sejam questionáveis como apoio de fundações, de
tal forma que não venham a prejudicar a estabilidade e o comportamento
estrutural ou funcional do edifício.

As sondagens devem ser levadas até a profundidade onde o solo não seja
mais significativamente solicitado pelas cargas estruturais, fixando-se como
critério aquela profundidade onde o acréscimo de pressão no solo, devida às
cargas estruturais aplicadas, for menor do que 10% da pressão geostática
efetiva.
q – pressão média sobre o terreno (peso do edifício dividido pela área em planta)
𝛾 – peso específico médio estimado para solos ao longo da profundidade em questão
M = 0,1 – 10% da pressão geostática efetiva
B – menor dimensão do retângulo circunscrito à planta de edificação
L – maior dimensão do retângulo circunscrito à planta d edificação
D – profundidade de sondagem
Ensaios de
Campo
Ensaios de Campo
Ensaios de Campo
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Histórico e Aplicação

Desenvolvido na Suécia em 1919 por John Olsson. Ao término da década de


1940, sofreu aperfeiçoamento, assumindo a forma como é empregado até
hoje.

No Brasil, o ensaio foi introduzido em 1949 pelo Instituto de Pesquisa


Tecnológica de São Paulo (IPT) e pela Geotécnica S.A., do Rio de Janeiro,
sendo que os primeiros estudos sistemáticos sobre o assunto datam das
décadas de 1970 e 1980.

É tradicionalmente empregado na determinação da resistência ao


cisalhamento não drenada (Su) de depósitos de argilas moles.
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Histórico e Aplicação

A NBR 10905 limita a execução do ensaio à argilas com resistências inferiores


à 50 kPa.

Algumas das recomendações de natureza prática:

o 𝑁𝑠𝑝𝑡 ≤ 2 (𝑞𝑐 ≤ 1 000 𝑘𝑃𝑎)

o Matriz predominantemente argilosa (> 50% passando na peneira #200, LL >


25, IP > 4)

o Ausência de lentes de areia (ensaios de penetração)


Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Princípio de Ensaio

O ensaio de palheta consiste na


rotação a uma velocidade de
rotação constante padrão (6º/min)
de uma palheta cruciforme em
profundidades pré-definidas.

A medida do torque T versus


rotação permite a determinação dos
valores das resistências não-
drenadas ( 𝑆𝑢 ) do solo natural e
amolgado.
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Princípio de Ensaio
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Parâmetro Geotécnico

• Resistência não-drenada
Para as hipóteses usuais de condição não-drenada, solo isotrópico, Su
constante no entorno da palheta e altura H igual ao dobro do diâmetro D da
palheta:

Su 
0,86T

π D3

Onde:

T – torque máximo medido (kN.m)


D – diâmetro da palheta (m)
Ensaio de Palheta (VST) – NBR 10905/89

Parâmetro Geotécnico

• Sensibilidade

Indica a perda relativa de resistência da argila quando totalmente amolgada e


a importância de sua estrutura.

Su
St 
Sur
Onde:

𝑆𝑢 – Resistência não drenada (kN)


𝑆𝑢𝑟 – Resistência não drenada amolgada (kN)
Ensaio Pressiométrico (PMT)
Ensaio Pressiométrico (PMT)

Histórico e Aplicação

Desenvolvido na França em 1955 por Louis Ménard. Em 1963, Ménard publica


a aplicação direta ao cálculo da capacidade de carga e recalques de
fundações.

No Brasil, este ensaio não é normatizado sendo orientado pelas normas ASTM
D 4719-07 e Eurocode 7.

Este ensaio permite a obtenção de propriedades de resistência e tensão-


deformação do solo.

É um ensaio muito sofisticado sendo bastante utilizado na Europa (França),


mas pouco empregado no Brasil.
Ensaio Pressiométrico (PMT)

Princípio de Ensaio

Consiste na expansão de uma sonda ou


célula cilíndrica instalada em um furo
executado no terreno.

A célula, normalmente de borracha,


expande-se com a injeção de água
pressurizada, e a sua variação de volume
é medida na superfície do terreno
juntamente com a pressão aplicada.
Ensaio Pressiométrico (PMT)

Princípio de Ensaio
Ensaio Pressiométrico (PMT)

• Trecho AB

Expansão da sonda inicialmente em repouso até que a mesma se encoste nas


paredes do pré-furo, ocorrendo o ajuste da sonda ao mesmo, e ao
recarregamento do solo.
Ensaio Pressiométrico (PMT)

• Trecho BC

Relação pseudo-elástica entre as tensões aplicadas no ensaio e as


deformações produzidas na massa do solo. Parâmetros de deformabilidade do
solo.
Ensaio Pressiométrico (PMT)

• Trecho CD

Fase de ocorrência de grandes deformações, indicando o comportamento


plástico do solo em torno da cavidade, atingindo-se a condição de ruptura de
forma gradual. Cálculo de resistência ao cisalhamento do solo.
Ensaio Pressiométrico (PMT)
Parâmetros Intermediários

• Pressão Limite (𝑃𝐿 )

• Módulo de Ménard (𝐸𝑚 )

 
E m  2(1   ) V i 
2

V f  V 0 P
V

Onde:

𝑉0 - Volume da cavidade no início do trecho elástico.

𝑉𝑖 - volume inicial da célula de medição

𝑝𝑓 , 𝑉𝑓 - pressão e volume no final da fase elástica


Ensaio Pressiométrico (PMT)

Parâmetros Geotécnicos

O ensaio pressiométrico fornece uma medida do comportamento tensão-


deformação do solo. A interpretação dos resultados é baseada nos conceitos
de expansão de uma cavidade cilíndrica, possibilitando a estimativa de
parâmetros constitutivos do solo:

o Módulo de cisalhamento (G)

o Ângulo de atrito interno (ϕ’)

o Ângulo de dilatância (ψ)

o Resistência ao cisalhamento não drenada (𝑆𝑢 )


Ensaio Dilatométrico (DMT)
Ensaio Dilatométrico (DMT)

Histórico e Aplicação

Desenvolvido na Itália pelo professor Silvano Marchetti.

No Brasil, o ensaio foi introduzido em 1949 pelo Instituto de Pesquisa


Tecnológica de São Paulo (IPT) e pela Geotécnica S.A., do Rio de Janeiro,
sendo que os primeiros estudos sistemáticos sobre o assunto datam das
décadas de 1970 e 1980.

A experiência brasileira ainda é incipiente, restringindo-se à validação da


experiência internacional em condições locais, com base na comparação com
outros ensaios de campo e laboratório.

A principal utilização do ensaio tem sido a estimativa de parâmetros


geotécnicos de argilas moles.
Ensaio Dilatométrico (DMT)

Procedimento de ensaio

O ensaio consiste na cravação


segmentada do dilatômetro no
terreno e a cada interrupção (20 cm)
efetuam-se as duas leituras
fundamentais do ensaio (pressões A
e B).

Utiliza-se com frequência a


velocidade de 20 mm/s do sistema
de cravação do cone, mas pode
também ser adotadas velocidades
inferiores e superiores.
Ensaio Dilatométrico (DMT)

Procedimento de ensaio
Ensaio Dilatométrico (DMT)

Parâmetros Intermediários

o Módulo dilatométrico (𝐸𝐷 )

E D  34,7( P1  P0)

o Índice de material (𝐼𝐷 )

P P
 1 0

P 
ID
0 0
Ensaio Dilatométrico (DMT)

Parâmetros Intermediários

o Índice de tensão horizontal (𝐾𝐷 )

P 
K 
1 0
D
' V0
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

As primeiras referências aos ensaios remontam à década de 1930 na


Holanda, consolidando-se a partir da década de 1950.

No Brasil, o ensaio de cone vem sendo empregado desde o final da década de


1950. A experiência brasileira limitava-se, porém, a um número relativamente
restrito de casos, com a possível exceção de projetos de plataformas
marítimas para prospecção de petróleo.

Essa tendência foi revertida na década de 1990, em que se observou um


crescente interesse comercial pelo ensaio de cone, impulsionado por
experiências desenvolvidas nas universidades brasileiras.
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Procedimento de ensaio

O ensaio consiste na cravação, no terreno, de uma ponteira cônica (60º de


ápice) a uma velocidade constante de 20 mm/s +/- 5 mm/s.

A seção transversal do cone é, em geral, de 10 cm², podendo atingir 15 cm² ou


mais para equipamentos mais robustos, de maior capacidade de carga, e 5
cm² ou menos para condições especiais.
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Tipos de cones

o Cone mecânico

Caracterizado pela medida, na superfície, via transferência mecânica das


hastes, dos esforços necessários para cravar a ponta cônica (𝑞𝑡 ) e do atrito
lateral (𝑓𝑠 ).

o Cone elétrico

Cuja adaptação de células de carga instrumentadas eletricamente permite a


medida de 𝑞𝑡 e 𝑓𝑠 diretamente na ponteira.
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Tipos de cones
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Tipos de cones

o Cone resistivo

Fornece um perfil contínuo da variação da resistência elétrica com a


profundidade, tendo sido desenvolvido com o objetivo de caracterizar áreas
contaminadas.
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Tipos de cones

o Cone sísmico

Consiste basicamente na geração de uma onda de cisalhamento na superfície


do solo, e sua captura e registro por meio de um sensor sísmico posicionado a
uma determinada profundidade.
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Tipos de cones

o Piezocone

Além das medidas elétricas de 𝑞𝑡 e 𝑓𝑠 , permite a contínua monitoração das


pressões neutras (u) geradas durante o processo de cravação
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Medição da poropressão
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Equipamentos de cravação

o Sistemas na terra
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Equipamentos de cravação

o Sistemas na terra
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Equipamentos de cravação

o Sistemas na terra
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Equipamentos de cravação

o Sistemas em água
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Equipamentos de cravação

o Sistemas em água
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Resultado de ensaios

o Resistência de ponta (𝑞𝑐 )

o Resistência lateral (𝑓𝑠 )

o Razão de atrito (𝑅𝑓 = 𝑓𝑠 𝑞𝑐 )

o Poropressão (𝑢2 )
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Correções

o Resistência de ponta (𝑞𝑐 )

FT  qc  AT   u2 AT  A N 

FT  qc  AT   u2 AT  A N 
AT AT AT

q t  qc  u2 1  a 

Onde: a = 𝐴𝑁 𝐴𝑇
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Correções

o Resistência lateral (𝑓𝑠 )

F T
 FS  u  A   u  A 
2 sb 3 st

F T
 FS  u  A   u  A 
2 sb 3 st

 A   A 
f  f  u2  sb u  st
  3
T S
 A
l   A 
l
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Parâmetros Intermediários

No caso do piezocone, as informações qualitativas do CPT são


complementadas por meio de medidas de poropressões geradas durante o
processo de cravação.

Nesse caso, utiliza-se um novo parâmetro de classificação de solos (𝐵𝑞 )

u u
B q 2 0
q
 t vo

Onde 𝑢0 são as pressões hidrostáticas e σ𝑣0 tensão vertical in situ


Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91

Robertson (1990)


q  vo
Q t
t
 u vo o


B  qu  u 2 0
q
 t vo


f s
 100%
F r
q 
t vo
Ensaio de Cone (CPT) – NBR 12069/91
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Histórico e Aplicações

Teve sua origem nos EUA na década de 1930. É, reconhecidamente, a mais


popular, rotineira e econômica ferramenta de investigação geotécnica em
praticamente todo o mundo.

O ensaio SPT constitui-se em uma medida de resistência dinâmica conjugada


a uma sondagem de simples reconhecimento.

Apesar de possuir normalização específica no Brasil, não é incomum o uso


regional de procedimentos não padronizados e de equipamentos diferentes do
padrão internacional.
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Histórico e Aplicações

Ao se realizar uma sondagem SPT pretende-se conhecer:

• O tipo de solo atravessado através da retirada de uma amostra deformada,


a cada metro perfurado.

• A resistência (NSPT) oferecida pelo solo à cravação do amostrador padrão


a cada metro perfurado.

• A posição do nível d’água, ou dos níveis d’água, quando encontrados


durante a perfuração.
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Equipamentos
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Equipamentos

o Amostrador
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Equipamentos

o Hastes

As hastes devem possuir 3,23 kg por metro linear. A ASTM, por sua vez,
permite o uso de hastes mais robustas, com massa por unidade de
comprimento de 5,96 kg/m até 11,8 kg/m (padrão ‘A’ e ‘N’, respectivamente).

Devem medir 1,00 m e/ou 2,00 m

Devem ser lineares e, ao apresentar desgastes nas roscas ou empenamento,


ser substituídas.
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Equipamentos

o Martelo

Deve possuir massa de 65 kg (NBR 6484) ou de 63,5 +/- 1 kg (ASTM D1586)


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Equipamentos

o Sistema de perfuração
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Procedimento

o A perfuração é obtida por tradagem e circulação de água, utilizando-se um


trépano de lavagem como ferramenta de escavação.

o Amostras representativas do solo são coletadas a cada metro de


profundidade por meio de amostrador padrão com diâmetro externo de 50
mm.

o O procedimento de ensaio consiste na cravação do amostrador no fundo de


uma escavação (revestida ou não), usando-se a queda do peso de 65 kg de
uma altura de 75 cm.

o O valor Nspt é o número de golpes necessários para fazer o amostrador


penetrar 300 mm, após uma cravação inicial de 150 mm.
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Procedimento

o Com o amostrador devidamente posicionado no fundo da perfuração, na


profundidade de ensaio, coloca-se cuidadosamente o martelo sobre a
cabeça de bater e mede-se a penetração da composição decorrente do peso
próprio do martelo.

o Caso não haja penetração, marcam-se sobre a haste três seguimentos de 15


cm cada um e inicia-se a cravação, contando-se o número de golpes
necessários para a cravação de cada seguimento.

o Apresenta-se o número de golpes para a penetração dos 30 cm iniciais.


Diferenças elevadas no número de golpes referentes aos primeiros e aos
últimos 30 cm poderão indicar amolgamento do solo ou deficiência a limpeza
do fundo do furo de sondagem.
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Procedimento

o Frequentemente não ocorre a penetração exata dos 45 cm, bem como de


cada um dos segmentos de 15 cm do amostrador padrão, com certo número
de golpes.

o Na prática, é registrado o número de golpes empregados para uma


penetração imediatamente superior a 15 cm, registrando-se o comprimento
penetrado.

o A seguir, conta-se o número adicional de golpes até a penetração total


ultrapassar 30 cm e em seguida o número de golpes adicionais para a
cravação atingir 45 cm ou, com o último golpe, ultrapassar este valor.

o Exemplo: 3/17 – 4/14 – 5/15


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Procedimento

o Quando, com a aplicação do primeiro golpe do martelo, a penetração for


superior a 45 cm, o resultado da cravação do amostrador deve ser expresso
pela relação deste golpe com a respectiva penetração. (1/58)

o Quando a penetração do amostrador-padrão com poucos golpes exceder


significativamente os 45 cm ou quando não puder haver distinção clara nas 3
penetrações parciais de 15 cm, o resultado da cravação do amostrador-
padrão deve ser expresso pelas relações entre o número de golpes e a
penetração correspondente

o Exemplo: 0/65; 1/33 – 1/20


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Procedimento de parada

O ensaio deve ser paralisado quando:

o Em qualquer dos três segmentos de 15 cm, o número de golpes ultrapassar


30 (30/11)

o Um total de 50 golpes tiver sido aplicado durante toda a cravação


(14/15 21/15 15/7)

o Não se observar avanço do amostrador durante a aplicação de 5 golpes


sucessivos do martelo (5/0)
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484
Standard Penetration Test - Torque (SPT-T)

Ranzini (1988) introduziu a associação do torque com a sondagem de simples


reconhecimento.

O torque é aplicado na parte superior da composição da haste, de modo a


rotacionar o amostrador previamente cravado no terreno.

Essa medida, obtida com o auxílio de um torquímetro, tem como objetivo


principal fornecer um dado adicional à resistência à penetração.
Standard Penetration Test - Torque (SPT-T)

T
Ft  40,53  h  17,40

Onde:

𝐹𝑡 - atrito lateral ou adesão (kg/cm²)


T – torque (kgf.cm)
H – penetração do amostrador no solo
Standard Penetration Test - Torque (SPT-T)
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Principais fatores interferentes

• Humano

o Erro na contagem dos golpes

o Marcação da haste

o Classificação tátil-visual das amostras.


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Principais fatores interferentes

• Técnicas de escavação (estabilização)

o Perfuração revestida e não preenchida totalmente com água

o Uso de bentonita

o Revestimento cravado além do limite de cravação

o Ensaio executado dentro da região revestida.


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Principais fatores interferentes

• Equipamentos

o Martelo – energia transferida pelos diferentes mecanismos de levantamento


e liberação para queda, massa do martelo e uso de cepo de madeira no
martelo

o Hastes – peso e rigidez, comprimento, perda de energia nos acoplamentos

o Amostrador – integridade da sapata cortante, uso de válvula.


Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Principais fatores interferentes

• Características do solo
Standard Penetration Test (SPT) – NBR 6484

Aplicação dos resultados

o Classificação do solo

o Capacidade de carga

o Recalques
CPT x SPT

FIM