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A tabula rasa e a crítica ao Inatismo

John Locke defendia que o homem nascia como uma folha em branco,
ou uma tabula rasa, portanto, o Livro 1 de ensaio1 é dedicado em partes a
criticar o Inatismo de Cudworth2. Locke buscava demonstrar que essa ideia era
uma doutrina de preconceito que visava o dogmatismo individual, pois se os
princípios fossem realmente inatos, seriam certezas irredutíveis.

Ainda criticando o Inatismo, Locke afirmava que os princípios chamados


inatos deveriam ser encontrados nos indivíduos de uma forma universal e
constante, e isto não ocorre, analisando o individuo nota-se que poucos tem a
noção dos princípios básicos de contradição lógica e identidade, desta forma,
nem todos conheceriam os princípios de relação básica.

Além de afirmar que os princípios inatos não são universais, Locke


defendia que eles não tinham a menor utilidade pois seria possível chegar com
mais exatidão ao conhecimento a recorrer à eles, por exemplo, a dor não é
prazer, bastaria perceber o prazer e a dor em separado para se chegar a
conclusão de que são distintos.

“Locke procura demonstrar que o inatismo é uma doutrina do


preconceito, levando diretamente ao dogmatismo individual. Se os
princípios fossem verdadeiramente inatos, constituiriam uma certeza
irredutível, sem nenhum outro fundamento a não ser a afirmação do
indivíduo. “ (LOCKE, 1999, p. 9)

O papel principal em O ensaio é desempenhar a critica na obra O Verdadeiro


Sistema Intelectual do Universo, escrito por Ralph Cudworth, que defendia a
ideia seguinte: Deus exige o pressuposto de que o homem possui idéias inatas,
isto é, idéias que se encontram na alma desde o nascimento, e que, portanto,
não derivam de qualquer experiência. (AIEX, 1999, p. 9)

1
Ensaio acerca do Entendimento Humano é um dos principais trabalhos de John Locke, junto com o
segundo tratado de Dois Tratados sobre o Governo. Foi publicado originalmente em 1690 e tem como
tema o pensamento e conhecimento humano.
2
Ralph Cudworth (1617 – 26 de junho de 1688) foi um classicista inglês, teólogo e filosofo, uma figura
de destaque entre os plantonistas de Cambridge.