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ESPAÇO CONFINADO

Supervisores de Entrada, Responsáveis Técnicos, Profissionais de Segurança e


Equipes de Resgate.

Autoria:

Equipe de Desenvolvimento Sampling

8ª edição março, 2012

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Prezado aluno,

A Sampling considera a vida como o bem mais precioso. É por isso que escolhemos como
nossa missão valorizá-la!

No trabalho você desempenha suas tarefas e tem a oportunidade de transformar a sua vida e
a de outras pessoas, para isso, conhecimento é fundamental.

Este treinamento foi desenvolvido, com todo cuidado, para contribuir na construção do
conhecimento, habilidade e atitude necessária para que você adquira competências
essenciais para a preservação da vida.

Esperamos que você desfrute de todos os momentos deste treinamento: as aulas teóricas,
onde importantes informações serão apresentadas ou relembradas; as aulas práticas, que
vão colocá-lo, de forma controlada, em situações semelhantes as que você poderá encontrar
em situações de emergência e os intervalos das aulas, que devem ser aproveitados para
solucionar dúvidas e desenvolver os temas aprendidos.

Queremos melhorar sempre, pois assim exige a dinâmica da qualidade e para isso
precisamos que você registre na avaliação de reação, ao final do curso, qual a sua impressão
sobre a nossa atuação.

Valorize a vida!

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SUMÁRIO

1. DEFINIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE ESPAÇOS CONFINADOS ...................................................5

2. RESPONSABILIDADES ..................................................................................................................7

2.1. Responsabilidade Civil e Criminal Aplicada em Decorrência dos Acidentes de Trabalho ......8
2.2. Responsabilidade Civil .............................................................................................................8
2.3. Responsabilidade Criminal .....................................................................................................10
2.4. Responsabilidades dos Envolvidos na Execução de Trabalhos em Espaço Confinado .......11

3. IDENTIFICAÇÃO DOS ESPAÇOS CONFINADOS .......................................................................14

3.1. Programa para Entrada em Espaços Confinados ..................................................................14

4. RECONHECIMENTO, AVALIAÇÃO E CONTROLE DE RISCOS/PERIGO .................................17

4.1. Condições de Risco em Espaço Confinado ...........................................................................17


4.2. Agentes Químicos ..................................................................................................................18
4.3. Agentes Físicos ......................................................................................................................20
4.4. Agentes Biológicos .................................................................................................................21
4.5. Agentes Ergonômicos.............................................................................................................21
4.6. Agentes Mecânicos ................................................................................................................22
4.7. Técnica de Análise de Risco/Perigo .......................................................................................22

5. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO E USO DE EQUIPAMENTOS PARA CONTROLE DE


RISCOS .........................................................................................................................................29

5.1. Gestão de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. .............................32

6. FUNCIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS.................................................................................34

6.1. Equipamentos Essenciais.......................................................................................................34


6.2. Equipamentos de Iluminação .................................................................................................34

7. PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA...........................................................................42

7.1. Supridores de Ar .....................................................................................................................44


7.2. Respiradores Purificadores de Ar...........................................................................................47

8. ÁREA CLASSIFICADA ..................................................................................................................49

8.1. Equipamento Elétrico para Atmosfera Explosiva ...................................................................50

9. PERMISSÃO DE ENTRADA E TRABALHO .................................................................................56

10. PRÁTICAS SEGURAS EM ESPAÇOS CONFINADOS ..............................................................58

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11. RESGATE.....................................................................................................................................59

11.1. Operações de Emergência e Salvamento............................................................................59


11.2. Principais Equipamentos Utilizados em Resgate .................................................................60

12. ATENDIMENTO BÁSICO À VÍTIMA............................................................................................72

12.1. Estojo de Primeiros Socorros ...............................................................................................73


12.2. Avaliação do Cenário............................................................................................................72
12.3. Abordagem Inicial da Vítima.................................................................................................74
12.4. Situações de Emergência.....................................................................................................80
12.5. Hemorragia ...........................................................................................................................80
12.6. Equipamentos de Imobilização.............................................................................................89
12.7. Transporte de Acidentado ....................................................................................................90

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1. DEFINIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE ESPAÇOS CONFINADOS
Apesar de não existirem dados confiáveis no Brasil, é reconhecido o número expressivo de acidentes
nos trabalhos em espaços confinados, que ocorrem pelo desconhecimento dos riscos e das barreiras
de segurança necessários.

Estima-se que 90% dos acidentes em espaços confinados são graves, não raramente envolvendo
mais de um trabalhador. No passado os mineiros costumavam levar pássaros para o trabalho, era
uma precaução fundamental para perceber a deficiência de oxigênio* e gases tóxicos nos ambientes.
Caso o pássaro apresentasse algum sintoma ou morresse, era sinal de alguma coisa estava errada e
todos deveriam abandonar o local de trabalho imediatamente.

Os trabalhadores continuam a entrar em ambientes confinados (acontece em cisternas, dutos, silos,


reatores, vasos, tanques, galerias, caixa de inspeção, caldeiras, etc), muitas vezes sem as
precauções elementares e por isso estão morrendo ou sofrendo graves lesões não apenas por falta
de oxigênio, inalação de produtos tóxicos, quedas ou explosões, mas essencialmente por falta de
informação.

Em geral, somente as grandes empresas têm acesso ao conhecimento porque possuem um corpo
técnico. As médias e pequenas empresas não sabem o mínimo necessário, somente quando ocorre
uma fatalidade tomam conhecimento do problema através de jornais, revistas ou noticiários.

Na década de 1990, a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) apresentou


levantamento estatístico, no qual apresenta as principais causas de fatalidades ocorridas em espaços
confinados:

 65% dos que morrem não entendem os conceitos do perigo.

 60% dos que morrem são os próprios resgatistas.

 40% das fatalidades são em locais liberados e considerados seguros.

Atualmente o National Institute Occupational Safety and Heath (NIOSH) apresenta como causas de
acidentes os seguintes dados:

 100% - falta de avaliação da atmosfera e falta de ventilação forçada.

 65% - problemas com a qualidade do ar.

 60% - trabalhadores que morreram na tentativa de resgatar a vítima.

 29% - pessoas que sofreram acidentes graves ou perderam a vida em espaço confinado eram
supervisores ou chefes de equipe.

Nenhum espaço confinado é totalmente seguro, por se tratar de um local perigoso onde podem ser
encontrados inúmeros riscos, principalmente atmosférico. Alguns perigos que possivelmente são
encontrados num espaço confinado são: concentrações anormais de oxigênio, gases tóxicos,
vapores inflamáveis, poeiras, calor, escadas danificadas, iluminação deficiente, equipamentos
móveis, piso escorregadio, equipamentos elétricos, inundação, entre outros. Daí a necessidade de o

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Supervisor de entrada ser capaz de reconhecer, avaliar e controlar os riscos antes da emissão da
Permissão de Entrada e Trabalho (PET).

Apesar de se conhecer o resultado das estatísticas, os trabalhadores não se dão conta da preciosa
informação que têm e que pode ajudar a manter uma postura prevencionista, na percepção de risco
para preservação de suas vidas ao executar tarefas nestes locais. Ainda continuam a acontecer:

 Falhas no reconhecimento dos perigos associados com o espaço confinado.

 Falhas no conhecimento dos procedimentos para realizar o trabalho de forma segura, seja entrada
ou resgate.

 Resposta incorreta no entendimento de uma emergência.

 Confiança nos próprios sentidos, não utilização de equipamentos apropriados.

 Subestimação dos perigos etc.

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2. RESPONSABILIDADES
A Portaria 3214/78 do Ministério do Trabalho criou as Normas Regulamentadoras com efeito legal, as
quais devem ter cumprimento obrigatório por todas as empresas privadas e públicas desde que
tenham empregados celetistas.

Atualmente a Portaria 3214/78 é composta por 34 Normas Regulamentadoras aprovadas. A de


número 33 regulamenta o trabalho em Espaços Confinados, cujo objetivo é estabelecer os requisitos
mínimos para identificação de espaços confinados e reconhecimento, avaliação, monitoramento e
controle de riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos
trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços.

Segundo a NR-33:

Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que
possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover
contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Nos estabelecimentos onde houver ambientes considerados espaços confinados, devem ser
observados, de forma complementar à NR-33, os seguintes atos normativos:

NBR 14606 – Postos de Serviços – Entrada em Espaços Confinados e

NBR 14787 – Espaço Confinado – Prevenção de Acidentes, Procedimentos e Medidas de Proteção.

Outros documentos que podem dar apoio à prevenção de acidentes em espaços confinados:

Outras NRs:

NR-05 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

NR-07 – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO).

NR-09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

NR-10 – Instalações e Serviços em Eletricidade.

NR-13 – Caldeiras e Vasos de Pressão.

NR-15 – Atividades e Operações Insalubres.

NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.

 Portaria INMETRO 83 de 03/04/2006, que versa sobre Regulamento de Avaliação da


Conformidade de Equipamentos Elétricos Para Atmosferas Potencialmente Explosivas, nas
Condições de Gases e Vapores Inflamáveis.

Normas Internacionais:

Occupational Safety and Health Administration (OSHA) - 1910/146 (indústria geral), 1915 (indústria
marítima) e 1926/21 (indústria de construção);

NFPA - National Fire Protection Association 1670/99, 1983/01 é padrões das grandes empresas.

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2.1. Responsabilidade Civil e Criminal Aplicada em Decorrência dos
Acidentes de Trabalho
A Constituição Federal de 1988 visando à melhoria na condição social dos trabalhadores trouxe em
seu artigo 7º a previsão de alguns direitos, entre eles, a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por
meio de normas de saúde, higiene e segurança.

Para garantir o cumprimento desse dispositivo legal e sua efetividade, normas como a CLT, as
Normas Regulamentadoras, entre outras, estabelecem disposições complementares e de acordo
com as peculiaridades de cada atividade.

A CLT dedica o Título II, capítulo V e seções à Segurança e Medicina do Trabalho, trazendo as
disposições sobre esta matéria.

A portaria 3214 de 08/06/1978 criou as Normas Regulamentadoras que têm por objetivo principal
tornar prática a implantação das determinações dos artigos da CLT (154 a 201), servindo de
balizamento para atendimento dos aspectos legais.

A NR 1 cujo título é Disposições Gerais estabelece o campo de aplicação de todas as Normas


Regulamentadoras de saúde ocupacional e segurança do trabalho, bem assim os direitos e
obrigações dos empregadores, trabalhadores e do governo pertinentes ao tema.

O item 1.7 da NR 1 resume as responsabilidades básicas do empregador quanto à aplicação da


Legislação, portanto tornam-se obrigatórios os treinamentos de acordo com a atividade a ser
desenvolvida.

O Artigo 19 da Lei 8213/91, traz a previsão do acidente de trabalho. O parágrafo segundo prevê a
figura da contravenção penal caso a empresa deixe de cumprir as normas de segurança e higiene do
trabalho.

Responsabilidades do Empregador

Por força do dispositivo constitucional previsto no art. 7º, inciso XXVIII, temos duas indenizações por
acidente de trabalho, que são autônomas e cumuláveis.

A Ação Acidentária, é fundada no risco integral e coberta pelo seguro social, deve ser exigida do
INSS. Em caso de acidente de trabalho, não se exigirá a demonstração de culpa do empregador,
seus prepostos ou da própria vítima. Neste caso, a responsabilidade é objetiva.

A outra ação será a de natureza contratual pela incidência de dolo ou culpa do empregador por
inobservância do art. 157 da CLT.

2.2. Responsabilidade Civil


Antes do Novo Código Civil, o dano causado só seria indenizável mediante a demonstração da culpa
(seja por imprudência, negligência ou imperícia). A responsabilidade civil no direito brasileiro pauta-se
na necessidade de demonstração de três requisitos principais: o ato ilícito, o dano e o nexo causal,
ou seja, a relação existente entre a conduta praticada pelo agente e o dano causado. Na

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responsabilidade subjetiva a culpa é o elemento indispensável para que haja a obrigação de reparar
o prejuízo experimentado.

Todavia, fato é que a responsabilidade subjetiva há muito tempo já não vinha sendo uma forma
satisfatória de se proceder à entrega da tutela jurisdicional, dado que em muitos casos era impossível
à vítima fazer prova da conduta faltosa do autor do dano, como nos casos de acidente de trabalho,
em que ao empregado era praticamente impossível demonstrar a negligência do patrão, seja pela
dificuldade na colheita de provas documentais, seja ainda pela ausência de testemunhas.

A responsabilidade objetiva foi introduzida no ordenamento jurídico, trazendo a obrigação de


indenizar independentemente de o agente ter agido ou não com culpa, nas hipóteses previstas em
Lei. O elemento culpa pode ou não existir, mas para a configuração do dever de indenizar será
irrelevante. Indispensável, entretanto, será a demonstração da causalidade, pois não se poderá
responsabilizar aquele que não tenha dado causa ao evento. Para a adoção da responsabilização
independentemente da apuração da culpa, levou-se em consideração que certas atividades
desempenhadas pelo homem criam um risco especial para terceiros.

Dispositivos do Código Civil que tratam da responsabilidade civil:

 Art. 186 - Atos ilícitos

 Art.927 – Obrigação de indenizar

 Art. 932 e 933 – Responsáveis pela reparação civil

Art. 927 – Aquele que por ato ilícito (arts. 186 e 187) causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Art. 927 § único – Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano, implicar,
por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

Comentário: Da análise do art. 927 do CC e do art. 157 da CLT fica clara a responsabilidade direta da
empresa e de seus gestores e prepostos pelo ressarcimento do dano.

Art. 932 – São também responsáveis pela reparação civil:

III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do


trabalho que lhes competir, ou em razão dele.

Comentário: Os tribunais entendem, via de regra, que para se buscar o ressarcimento do dano na
esfera cível, basta que o acidente de trabalho ocorra, uma vez que a técnica e o cumprimento das
normas legais e administrativas impediriam a sua ocorrência.

O empregador que realiza serviços em ambientes sujeitos a perigos, sem observância das condições
de seguranças e normas pertinentes, responde civil e criminalmente em caso de acidente de
trabalho.

O empregador, incorporador ou empreendedor mesmo idôneo e responsável que negligencia a


contratação (culpa in eligendo) e ou a supervisão (culpa in vigilando) de instalador, montador ou
qualquer prestador de serviço pode responder diretamente pelo dano causado por seu contratado.

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Para a responsabilização civil do empregador, o entendimento majoritário nos tribunais é de que
ainda prevalece a responsabilidade subjetiva, com base no artigo 7º, XXVIII da Constituição Federal,
com o argumento de que não pode a Lei Federal (Código Civil) se sobrepor à Constituição Federal.

Diante do exposto, é importante destacar que em caso de acidente de trabalho, independentemente


do tipo de responsabilidade que o tribunal adote, subjetiva ou objetiva, o empregador responderá na
esfera cível pelos danos causados, sem prejuízo da ação de regresso, se couber, podendo responder
criminalmente também, conforme se verá adiante.

2.3. Responsabilidade Criminal


Além da indenização civil, poderá haver a condenação criminal de quem, por ação ou omissão, der
causa ao óbito do trabalhador ou acarretar-lhe lesões corporais, senão vejamos:

O artigo 121 §3º do CP trata do homicídio culposo que resulta na morte da vítima, seja por
imprudência, negligência ou imperícia do agente.

Ressalte-se que no parágrafo 4º do artigo 121 do CP há previsão do aumento de pena na hipótese


do homicídio culposo, quando o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou
ofício.

Já o artigo 129 §6º do CP dispõe sobre a possibilidade de condenação criminal na hipótese da


ocorrência de lesões corporais culposas.

Nesses casos, ocorrendo o óbito do trabalhador ou lesões corporais, ainda que de modo culposo,
responderá àquele que contribuiu para tal.

O artigo 132 do CP trata da exposição ao perigo e pode ser argüido por empregado, sindicato e
autoridades sempre que as medidas previstas na legislação de segurança e saúde ocupacional não
estiverem sendo cumpridas, colocando em risco a vida ou a saúde de qualquer trabalhador ou
prestador de serviço, constituindo-se numa verdadeira medida prática na prevenção de acidentes,
incluindo-se aí os acidentes de trabalho.

Os assuntos referentes à segurança e prevenção de acidentes em espaço confinado são de suma


importância e gravidade, tanto que os responsáveis pelos espaços confinados (empregadores,
gerentes e supervisores), podem ser responsabilizados criminalmente por ação ou omissão ou por
condições ou ordens de trabalho inseguras, caso não tomem todas as precauções determinadas por
lei, antes da liberação do trabalho. A empresa poderá, também, responder civilmente pelos acidentes
e doenças em espaços confinados.

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2.4. Responsabilidades dos Envolvidos na Execução de Trabalhos em
Espaço Confinado
Cada função envolvida na sistemática da execução de trabalhos em espaços confinados, desde o
empregador até o vigia têm responsabilidades inerentes, a saber:

2.4.1. Responsabilidade do Empregador

 Item NR 33.3.4.1 – Todo trabalhador designado para trabalhos em espaços confinados, deve ser
submetido a exames médicos específicos para a função que irá desempenhar conforme
estabelecem as NRs 07 e 31, incluindo os fatores de riscos psicossociais com a emissão do
respectivo Atestado de Saúde Ocupacional - ASO.

 Item NR 7.4.4.3 (e) – No ASO deve ter definição de apto ou inapto para a função específica
(trabalho em Espaço Confinado) que o trabalhador vai exercer, exerce ou exerceu.

 Item NR 31.5.1.3.1 (d) – Exame médico de mudança de função, que deve ser realizado antes da
data do início do exercício na nova função, desde que haja exposição do trabalhador a risco
específico diferente daquele a que estava exposto.

 Capacitar todos os trabalhadores envolvidos, direta ou indiretamente com os espaços confinados,


sobre seus direitos, deveres, riscos e medidas de controle.

 A quantidade de trabalhadores envolvidos na execução dos trabalhos em espaços confinados


deve ser determinada conforme a análise de risco.

 É vedada a realização de qualquer trabalho em espaço confinado de forma individual ou isolada.

 Indicar formalmente o responsável técnico pelo cumprimento da NR-33;

 Identificar os espaços confinados existentes no estabelecimento;

 Identificar os riscos específicos de cada espaço confinado;

 Implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por medidas


técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento, de forma a
garantir permanentemente ambientes com condições adequadas de trabalho;

 Garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de


emergência e salvamento em espaços confinados;

 Garantir que o acesso ao espaço confinado somente ocorra após a emissão, por escrito, da
Permissão de Entrada* e Trabalho, conforme modelo constante no anexo II da NR-33;

 Informar as empresas contratadas sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão suas atividades
e exigir a capacitação de seus trabalhadores;

 Garantir que os trabalhadores possam interromper suas atividades e abandonar o local de


trabalho, sempre que suspeitarem da existência de risco grave e iminente para sua segurança e
saúde ou de terceiros.

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 Acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das
empresas contratadas provendo os meios e condições para que eles possam atuar em
conformidade com a NR-33;

 Interromper todo e qualquer tipo de trabalho em caso de suspeita de risco grave e iminente,
procedendo ao imediato abandono do local e

 Garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso aos
espaços confinados.

2.4.2. Responsabilidades do Supervisor de Entrada

Participar do curso de capacitação para liberar trabalhos em espaço


confinado com carga horária mínima de 40 horas conforme item
33.3.5.6 da NR-33;

 Emitir a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) antes do início das


tarefas;

 Executar os testes, conferir os equipamentos e os procedimentos


contidos na PET;

 Assegurar que os serviços de Emergência e Salvamento estejam disponíveis e que os meios para
acioná-los estejam operantes;

 Cancelar a PET quando julgar necessário e

 Encerrar a PET logo após o término do serviço ou saída de todos os trabalhadores do local de
trabalho.

2.4.3. Responsabilidades dos Trabalhadores Autorizados

 Realizar serviços em espaços confinados, somente, após ter sido


capacitado através de curso específico com carga horária mínima de
16 horas e que deve ser renovado a cada 12 meses;

 Cumprir os procedimentos e orientações recebidas nos treinamentos;

 Colaborar com a empresa no cumprimento da NR-33;

 Utilizar adequadamente os meios e equipamentos fornecidos pela


empresa;

 Comunicar ao vigia e ao supervisor de entrada*, as situações de risco para sua segurança e


saúde, ou da equipe que esteja executando serviço no espaço confinado.

2.4.4. Responsabilidades do Vigia

 Receber capacitação para trabalho em espaço confinado com carga horária de 16 horas e
renovação a cada 12 meses;

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 Manter continuamente a contagem precisa do número de trabalhadores autorizados no espaço
confinado e assegurar que todos saiam ao término da atividade;

 Permanecer fora do espaço confinado, junto à entrada, em contato


permanente com os trabalhadores autorizados;

 Adotar os procedimentos de emergências, acionando a equipe de


salvamento, pública ou privada quando necessário;

 Operar os movimentadores de pessoas;

 Ordenar o abandono do espaço confinado sempre que receber algum


sinal de alarme, perigo, sintoma, queixa, condição proibitiva, acidente, situação não prevista ou
quando não puder desempenhar efetivamente suas tarefas, nem ser substituído por outro vigia.

O vigia não poderá realizar outras tarefas que possam comprometer o dever
principal que é o de monitorar e proteger os trabalhadores autorizados.

2.4.5. Responsabilidades da Equipe de Emergência e Salvamento

É composta por pessoal capacitado e regularmente treinado, pelo


menos uma vez ao ano, conforme NR 33.4.1, para retirar
trabalhadores dos espaços confinados em situação de emergência e
prestar-lhes os primeiros socorros.

O resgatista deve possuir aptidão física e mental compatível com a


atividade a desempenhar. A capacitação da equipe de salvamento
deve contemplar todos os possíveis cenários de acidentes
identificados na Análise de Risco.

Ainda que a NR-33 não defina a carga horária para a capacitação da equipe de Salvamento em
Emergência e Resgate, estes profissionais devem participar do curso de 40 h previsto para
supervisores. Neste treinamento conhecerão todo o conteúdo técnico teórico, prática de exercícios
simulados de salvamento e regate, simulando várias situações que poderão ser encontradas nos
espaços confinados, análise de risco, avaliação de risco, planejamento, inspeção e indicação dos
equipamentos necessários tanto para execução de uma tarefa, quando para atuação em caso de
resgate. A participação nesse treinamento faz-se necessário já que desenvolverão suas atividades
em ambientes IPVS (imediatamente perigoso para vida e à saúde) e precisarão usar recursos que
exigem esforço físico, conhecimento técnico e equipamentos utilizados em rappel, medição da
atmosfera etc.

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3. IDENTIFICAÇÃO DOS ESPAÇOS CONFINADOS
Segundo a NR-33.1.2: espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação
humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída cuja ventilação existente é
insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de
oxigênio.

Segundo a OSHA (Ocupational Safety and Health Administration): espaço confinado é grande o
suficiente e configurado de tal forma que o trabalhador possa entrar e realizar o seu trabalho; não
tenha sido desenhado para ocupação humana; que contém riscos atmosféricos; possui uma
configuração interna capaz de causar claustrofobia, asfixia ou contem agentes contaminantes
agressivos à saúde e a segurança.

3.1. Programa para Entrada em Espaços Confinados


 Manter permanentemente um arquivo para controle dos documentos de permissão de entrada.

 Implantar as medidas necessárias para impedir as entradas não autorizadas.

 Identificar e avaliar os riscos dos espaços confinados antes da entrada dos trabalhadores.

 Providenciar treinamento periódico para os trabalhadores envolvidos com espaços confinados


abordando os riscos a que estão expostos, medidas de controle e procedimentos seguros de
trabalho.

 Implantar o serviço de emergência e resgate mantendo os membros sempre à disposição,


treinados e com equipamentos em perfeitas condições de uso.

 Providenciar exames médicos admissionais, periódicos e demissionais (ASO – Atestado de Saúde


Ocupacional), conforme NR-7 do Ministério do Trabalho.

Abordar exames complementares, requisitados pelo médico do trabalho, de


acordo com a avaliação do tipo de espaço confinado.

Algumas empresas independentemente da exigência legal específica para


trabalhos em espaços confinados, exigem que o trabalhador faça verificações
clínicas com o Técnico de Enfermagem antes de entrar no espaço confinado.

Riscos e Considerações sobre a natureza do Espaço Confinado


 tipo de espaço e conteúdos

 local de trabalho seguro e ponto de entrada

 tamanho interno da estrutura

 desobstrução externa e acessibilidade

 estabilidade da estrutura

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 visibilidade e iluminação

Razões para o surgimento dos perigos no espaço confinado:


 corrosões ou ferrugens;

 vazamentos;

 fumos metálicos, faíscas de solda;

 fontes de ignição;

 fogo e explosão;

 Exemplos de espaço confinado:

 vasos de processo e equipamentos correlatos (torre, chaminés);

 tanques de água;

 fundo duplo;

 caminhão tanque;

 poço de elevadores;

 colunas de suportes;

 pernas;

 flutuadores de instalações offshore fixas ou flutuantes;

 espaços vazios;

 porões de carga;

 tanques de lastro;

 espaços vazios em navios;

 silos de cimento;

 contêineres;

 espaços localizados abaixo do solo como fossa de dreno, esgoto, túneis, dutos, trincheiras,
sistema d´água.

3.2. Conhecimento sobre Prática Segura em Espaço Confinado


É de suma importância que os profissionais envolvidos na liberação e execução dos serviços a serem
realizados dentro dos espaços confinados saibam utilizar os equipamentos essenciais de
monitoração contínua (multi gás) e possuam EPIs de boa qualidade. Esses itens dão margem a que
o trabalho seja realizado com o menor potencial de risco possível, tornando a atividade mais segura e
possivelmente sem acidentes.

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Para que esta atividade seja desenvolvida com pouca possibilidade de falha é importante que as
faces do triângulo eqüilátero que representa trabalho seguro em espaço
confiando seja respeitado e colocado em prática e com envolvimento de toda
a equipe. Só assim teremos certeza de que a equipe tem informações sobre
características e particularidades do Espaço Confinado, conhecimento das
principais barreiras de prevenção a serem adotadas para mente o trabalho
seguro durante toda a jornada de trabalho.

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4. RECONHECIMENTO, AVALIAÇÃO E CONTROLE DE
RISCOS/PERIGO
A análise de riscos consiste na identificação dos perigos e avaliação dos riscos aos quais podem
estar expostos os trabalhadores durante a execução de trabalhos em espaços confinados. Esta
avaliação deve levar em consideração o Limite de Tolerância (LT), que é a concentração ou
intensidade máxima ou mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, de
forma não causar dano a saúde do trabalhador durante a sua vida laboral (conforme NR-15).

Antes de discorrermos sobre os principais riscos relacionados ao Espaço Confinado, relembremos


alguns conceitos:

Perigo – é a propriedade ou condição inerente a uma substância ou atividade capaz de causar danos
às pessoas, à propriedade ou ao meio ambiente.

Risco – é a exposição ao perigo. A graduação do risco é definida pela previsão entre a freqüência e
a conseqüência de uma ocorrência acidental.

Podemos dizer que Risco = Perigo/Prevenção, neste caso a prevenção é representada pelas
barreiras montadas para oferecer condições para a execução da tarefa pelo trabalhador.

Identificação de perigo – identificação de eventos indesejáveis que levam à materialização de um


perigo.

Controle de risco – adoção de procedimentos e práticas a fim de proteger o homem, a propriedade


e o meio ambiente, garantindo a continuidade operacional.

4.1. Condições de Risco em Espaço Confinado


A avaliação de riscos em espaços confinados deve ser realizada com equipamentos de
detecção/monitoração de leitura direita, calibrado e com certificado de conformidade emitido pelo
INMETRO ou por laboratório credenciado pela Rede Brasileira de Calibração (RBC).

Os níveis de oxigênio do ambiente devem ser verificados visto que a inflamabilidade é diretamente
relacionada com a concentração do oxigênio presente no espaço confinado. É importante que,
simultaneamente, sejam verificados outros gases como CO (monóxido de Carbono), H2S (gás
sulfídrico), gás metano (mistura explosiva) os quais podem exercer ações diretas sobre a equipe que
executa serviços. O monitoramente no interior do espaço confinado deve ser constante a fim de que
sejam detectadas possíveis alterações dos resultados obtidos na liberação do trabalho.

De acordo com a NR 33, item 33.3.2, Medidas Técnicas de Prevenção, na letra C, é importante
proceder à avaliação e controle dos riscos químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e
mecânicos.

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4.2. Agentes Químicos
São todas as substâncias orgânicas ou inorgânica, naturais ou sintéticas que durante a fabricação,
manipulação, transporte, armazenamento ou uso podem incorporar-se ao ar ambiente em forma de
pó, fumos, gases ou vapores com efeitos irritantes, corrosivos, asfixiantes ou tóxicos, e em
quantidade que tenha probabilidade de lesionar a saúde das pessoas que entram em contato com
elas. É importante atentar aos limites de tolerância impostos pela NR-15.

Os principais riscos químicos estão relacionados ao teor de oxigênio. Daí a importância de


obrigatoriamente serem realizadas leituras nas partes inferiores, médias e superiores dos locais.

Dentre as fontes mais comuns que levam a deficiência de oxigênio* em espaços confinados, estão as
bactérias aeróbicas, oxidação de metais, combustão e de deslocamento de gases.

O enriquecimento de oxigênio aumenta a faixa de inflamabilidade dos hidrocarbonetos levando à


redução do limite inferior de inflamabilidade, aumentando o risco potencial de incêndio caso haja uma
fonte de ignição presente. Devido a estes e outros riscos, os cilindros dos conjuntos oxi-
acetilênicos nunca devem ser locados no interior do espaço confinado.

Quando o ambiente apresentar explosividade, o acesso ao local não deve ser permitido.

Nos casos em que a atmosfera do espaço confinado seja potencialmente capaz de atingir níveis
IPVS, os trabalhadores devem ser devidamente informados dessa condição e utilizar ar mandado
acoplado ao equipamento autônomo de ar para fuga.

Atmosfera Tóxica

A atmosfera tóxica que porventura exista no espaço confinado pode


causar sérios problemas de saúde e até mesmo a morte. O seu efeito
venenoso pode ser imediato, retardado ou ambos. Por exemplo: a
exposição em concentração baixa de gás carbônico pode causar
danos cerebrais não perceptíveis, enquanto em grandes
concentrações resulta em morte rapidamente.

Os gases tóxicos podem causar vários efeitos prejudiciais à saúde humana. Os gases mais comuns
são o monóxido de carbono (CO) e o gás sulfídrico (H2S)

O limite de tolerância (LT) é dado pela NR 15. Estudos recentes da NIOSH sugerem LT 25 ppm para
CO.

A presença de substâncias tóxicas é geralmente resultado do armazenamento de materiais, uso de


alguns tipos de revestimentos ou solventes em locais confinados. Material orgânico em
decomposição não somente desloca o oxigênio, como também pode produzir gases como metano,
gás sulfídrico, monóxido ou dióxido de carbono. Falhas no sistema de isolamento de redes
hidráulicas possibilitam a entrada de gases tóxicos no interior dos espaços confinados. Embora
algumas substâncias possuam odor ou sabor, a maioria dos gases tóxicos não é perceptível a
nenhum órgão de sentido e a sua penetração no corpo humano pode ocorrer de quatro formas
diferentes: absorção, ingestão, inalação e injeção.

18
A toxicidade da atmosfera varia em função da substância, concentração e tempo de exposição.

Partes por milhão – ppm (1% vv = 10.000 ppm)


Unidades:
Mg/metro cúbico – mg/m3

Limite de Tolerância (LT): limite de exposição por longo período (8 horas).

Valor máximo = LT x FD

onde LT = Limite de Tolerância para o agente químico

FD = Fator de Desvio, segundo definido no quadro 2 do Anexo II da NR-15.

LT (ppm ou mg/m3) FD

0a1 3
1 a 10 2
10 a 100 1,5
100 a 1000 1,35
Acima de 1.000 1,1

Obs.: Segundo a NR-15, o valor máximo encontrado não pode ser ultrapassado em nenhum
momento da jornada normal de trabalho, sob pena de ser considerada situação de risco grave e
iminente. Por exemplo:

LT do CO = 39 ppm

VM = 39 ppm x 1,5 = 58 ppm. A exposição acima deste valor é uma situação de risco grave e
iminente.

LT do benzeno = 1 ppm VM = 1x3= 3ppm

LT do cloro = 0,8 ppm

VM = 0,8 ppm x 3 = 2,4 ppm. A exposição acima deste valor é uma situação de risco grave e
iminente.

LT do H2S = 8 PPM

VM = 8 ppm x 2 = 16 ppm. A exposição acima deste valor é uma situação de risco grave e iminente.
3
A conversão de uma grandeza em ppm para mg/m utiliza-se a fórmula constante do anexo 11 da
NR-15:

3 =
PPM = 24,45 X mg/m ppm x
3
mg/m PM
ou

PM 24,45

Onde: PM = Peso Molecular da substância em estudo

ppm = partes de poluentes por milhão de parte de ar puro respirável.

19
3 3
1 ppm = 1 cm de poluente/ 1.000.000 cm de ar respirável (1% = 10.000 ppm)

Monóxido de Carbono

Características: gás inodoro (sem cheiro), sem cor e é absorvido pelo pulmão até 200 vezes mais
rápido que o O2.

Limite de tolerância para 8 horas: 39 ppm.

Valor máximo 39 ppm x 1,5 = 58 ppm

Segundo a NIOSH – LT = 25 ppm e VM 25x1,5=37,5

Efeitos da Asfixia Bioquímica pelo Monóxido de Carbono

Maior que 10.000 ppm Morte


De 2.000 a 5.000 ppm Inconsciência / morte
De 1.200 a 2.000 ppm Confusão mental e perda de equilíbrio
1.200 ppm IPVS / IDLH
600 ppm Forte dor de cabeça
200 ppm Dor de cabeça
37 ppm Limite para instantâneo
25 ppm Limite para 8 horas

Gás Sulfídrico

Proveniente da decomposição de material orgânico. A principal característica é o cheiro de ovo podre


que, em alta concentração, inibe o olfato. O LT para 8 horas é de 8 ppm.

Valor máximo 16 ppm (8 ppm x 2 = 16 ppm).

Efeitos da Asfixia Bioquímica pelo Gás Sulfídrico

1.000 ppm Inconsciência e morte por paralisia respiratória em minutos


de 300 a 700 ppm Inconsciência, paralisia respiratória
de 200 a 300 ppm Irritação nos olhos e vias respiratórias.
100 ppm IPVS / IDLH
de 50 a 100 ppm Irritações moderada nos olhos e vias respiratórias
16 ppm Limite para instantâneo
8 ppm Limite para 8 horas

Atmosferas Inflamáveis

Os gases líquidos inflamáveis são substâncias que, misturadas ao ar e


recebendo calor adequado, entram em combustão.

Para que ocorra a combustão de um gás é necessária a presença de três


elementos em proporções adequadas: gás, oxigênio, fonte de ignição.

4.3. Agentes Físicos


São diversas as formas de energia a que os trabalhadores estão expostos:

20
ruído vibração pressão

radiação ionizante temperatura umidade

e não-ionizante

Os riscos devem ser identificados, avaliados e, se possível, eliminados no momento da inspeção


antes da emissão da PET.

4.4. Agentes Biológicos


Consideram-se agentes biológicos, dentre outros:

vírus bactérias protozoários

A avaliação destes agentes, segundo a NR-15, é puramente quantitativa. Na inspeção para emissão
da PET, esses agentes devem ser identificados avaliados e eliminados.

Os sistemas de esgoto produzem gases tóxicos e inflamáveis. Para a execução de trabalho nesses
locais são necessários cuidados especiais, tais como monitoramento da atmosfera e proteção
respiratória. O mult gás não detecta vírus, fungos, bactérias, por isso é fundamental cuidar da higiene
e pequenos ferimentos, por mais simples que pareça.

4.5. Agentes Ergonômicos


Os problemas ergonômicos, normalmente, estão associados às reduzidas dimensões do acesso ao
espaço confinado, exigindo contorções do corpo, o uso das mãos e dificultando o resgate em caso de
acidente. Também são gerados em função de:

esforço físico intenso;

21
levantamento e transporte manual de peso;

postura inadequada;

controle rígido de produtividade;

imposição de ritmos excessivos.

risco de lesões com posição inadequada trabalho seguro com utilização do EPI
para execução do trabalho. adequado para uma melhor posição.

4.6. Agentes Mecânicos


Estes riscos estão relacionados às condições físicas do ambiente:

contato com engrenagens.

chamas abertas em função de serviços a quente.

eletricidade.

piso escorregadio

diferença de nível, provocando queda

sistemas mecânicos, hidráulicos e pneumáticos.

risco de queda sem a utilização trabalho seguro com utilização


do EPI adequado. do EPI adequado.

4.7. Técnica de Análise de Risco/Perigo


A Análise de Risco consiste na aplicação de técnicas indutivas e dedutivas de associação lógica para
análise dos equipamentos, instalações, processo, layout e procedimentos operacionais. O objetivo é

22
a formulação de hipóteses sobre as possíveis seqüências de eventos, propondo medidas para seu
controle, evitando agressões ao homem, meio ambiente e à propriedade.

Os passos para avaliação dos riscos são:

identificar perigos;

estimar o risco de cada perigo – probabilidade e gravidade do dano e

decidir se o risco é tolerável.

Exemplificando: a gasolina é um perigo, porém o risco vai depender da forma como este produto
inflamável pode afetar as pessoas. A probabilidade de causar danos às pessoas estando
armazenada em recipiente hermeticamente fechado, é pequena. Mas se o mesmo produto for
armazenado em um recipiente aberto para a atmosfera, a probabilidade de os vapores saírem do
recipiente e encontrarem uma fonte de ignição é alta e seu risco aumenta.

RESUMINDO:

Risco = Perigos/Salvaguardas

A Análise de Risco, num sentido amplo, tem por objetivo responder às seguintes perguntas relativas
à instalação:

O que pode acontecer de errado?

Com que freqüência isto pode acontecer?

Quais são os efeitos e as conseqüências?

Precisamos reduzir os riscos? De que modo isto pode ser feito?

Procedimento geral adotado para as indagações pode ser visualizado através do fluxograma a
seguir:

23
Para simplificar a realização da análise, as instalações estudadas são dividas em “módulo de
análise”, os quais podem ser:

unidades de processo completas ou armazenagem ou partes da unidade de processo como vasos,


torres, tanques, etc.

A divisão das instalações é feita com base em critérios de funcionalidade, complexidade e


proximidade física.

A análise preliminar de perigo ou risco é uma técnica qualitativa cujo objetivo consiste na
identificação dos riscos/perigos potenciais decorrentes de novas instalações ou das operações já
existentes, que lidam com produtos perigosos.

Em uma dada instalação, para cada evento perigoso identificado juntamente com as respectivas
conseqüências, um conjunto de causas é levantado, possibilitando a classificação qualitativa do risco
associado, de acordo com a categoria pré-estabelecida de freqüência de ocorrência do cenário de
acidente e de severidade das conseqüências. A APP permite uma ordenação qualitativa dos cenários
de acidentes encontrados, facilitando a proposição e a priorização de medidas para redução dos
riscos da instalação, quando julgadas necessárias, além da avaliação da necessidade de aplicação
de técnicas complementares de análise.

A metodologia adotada nas APP compreende a execução das seguintes tarefas:

definição dos objetivos e do escopo da análise;

definição das fronteiras das instalações analisadas;

24
coleta de informações sobre a região, as instalações, as substâncias perigosas envolvidas e os
processos;

subdivisão da instalação em módulos de análise;

realização da APP propriamente dita (preenchimento da planilha);

elaboração das estatísticas dos cenários identificados por categorias de freqüência e de severidade.

análise dos resultados, elaboração de recomendações e preparação do relatório.

As principais informações adquiridas para realização de uma APP são as seguintes:

sobre as instalações: especificações técnicas de projeto, especificações de equipamento, layout das


instalações e descrição dos principais sistemas de proteção e segurança;

sobre os processos: descrição dos processos envolvidos;

sobre as substâncias: características e propriedades físicas e químicas.

Modelo de Planilha de APP

Análise Preliminar de Perigos (APP/APR)

Sistema

Referência Data Revisão

Modos de
Perigo Dano Efeito Freqüência Severidade Risco Recomendações
Detecção

25
A realização da análise propriamente dita é feita através do preenchimento de uma planilha de APP
para cada módulo de análise da instalação. A planilha utilizada nessa APP mostrada no exemplo
acima contém 8 colunas, as quais devem ser preenchidas conforme a descrição apresentada abaixo:

Primeira coluna – Perigo

Esta coluna deve conter os perigos identificados para o módulo de análise em estudo. De uma forma
geral, os perigos são eventos acidentais que tem potencial para causar danos às instalações, aos
trabalhadores, às pessoas ou ao meio ambiente.

Segunda coluna – Dano

São eventos simples ou combinados que levam à consumação dos perigos previamente
identificados, tais como ruptura de tubulações, falha de instrumentos, erros humanos, falha de
sistema de proteção, etc.

Terceira coluna – Modos de Detecção

Os modos disponíveis na instalação para a detecção do perigo identificado na primeira coluna devem
ser relacionados nesta coluna. A detecção da ocorrência do perigo tanto pode ser realizada através
da instrumentação (alarmes de pressão, temperatura, diferença de nível, etc.), como através da
percepção humana (visual, odor)

Quarta coluna – Efeito

Os possíveis efeitos danosos de cada perigo identificado devem ser listados nessa coluna.

Quinta coluna – Freqüência

No contexto de uma APP um cenário de acidente é definido como o conjunto formado pelo perigo
identificado, suas causas e cada um de seus efeitos.

Sexta coluna – Severidade

Com uso desta metodologia, os cenários de acidentes devem ser classificados em categorias de
severidade os quais fornecem uma indicação qualitativa do grau de severidade das conseqüências
de cada cenário acidental identificado.

26
SEVERIDADE DENOMINAÇÃO CARACTERISTICA

 Sem danos ou danos insignificantes aos


equipamentos, à propriedade e/ou ao meio
ambiente;

 Não ocorrem lesões/mortes de funcionários,


I Desprezível
de terceiros (não funcionários) e/ou pessoas
(industriais e comunidade); o máximo que
pode ocorrer são casos de primeiros socorros
ou tratamento médico menor.

 Danos leves aos equipamentos, à propriedade


e/ou ao meio ambiente (os danos materiais
são controláveis e/ou de baixo custo de
II Marginal
reparo);

 Lesões leves em empregados, prestadores de


serviço ou em membros da comunidade.

 Danos severos aos equipamentos, à


propriedade e/ou ao meio ambiente;

 Lesões de gravidade moderada em


empregados, prestadores de serviço ou em
III Crítica
membros da comunidade (probabilidade
remota de morte);

 Exige ações corretivas imediatas para evitar


seu desdobramento em catástrofe.

 Danos irreparáveis aos equipamentos, à


propriedade e/ou ao meio ambiente
(reparação lenta ou impossível);
IV Catastrófica
 Provoca mortes ou lesões graves em várias
pessoas (empregados prestadores de serviço
ou em membros da comunidade).

Sétima coluna – Risco

Combinando-se as categorias de freqüência com as de severidade, obtém-se uma matriz de risco a


qual fornece uma indicação qualitativa do nível de risco de cada cenário identificado na análise.

27
RISCO

Freqüência 1. desprezível
Se A B C D E

ve 2. menor
IV

III 3. moderado

II 4. sério

I 5. crítico

Oitava coluna – Recomendações

Esta coluna deve conter as recomendações relacionadas as cenário acidental analisado, como
medidas mitigadoras de risco proposta pela equipe de realização da APP ou quaisquer observações
pertinentes aos cenários de acidentes em estudo.

28
5. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO E USO DE EQUIPAMENTOS PARA
CONTROLE DE RISCOS
A NR-33 assim como NBR 14787 quando descrevem sobre Prevenção de Acidentes, Procedimentos
e Medidas de Proteção, tratam sobre os equipamentos que são essenciais para a segurança do
trabalho, sem considerar aqueles que serão usados como ferramentas para execução da tarefa
objeto da entrada; define os equipamentos de iluminação, de atendimento pré-hospitalar, de proteção
individual, de comunicação, de ventilação; mas o grande destaque é para o equipamento, de
sondagem atmosférica inicial, mais conhecido como detector ou monitor de gases.

O detector de gases possui especificações de acordo com a NBR 60529 e só pode ser utilizado se
for aprovado como Ex i, por um Organismo de Certificação de Produto (OCP) do INMETRO, pois um
espaço confinado que teve ou pode conter produto inflamável deve ser considerado como Zona 0, no
momento de sua abertura e o detector de gases tem que possuir o Tipo de Proteção apropriado para
tal (no mínimo BR Ex ia IIC T4). Esse detector informará se a classificação será mantida ou reduzida
a outras de menor risco, através da análise do valor do Limite Inferior de Explosividade, lido no visor.

A norma prevê, também, que tais detectores tenham proteção contra interferência eletromagnética,
para que não sejam prejudicados, em seu funcionamento normal, por campos eletromagnéticos
advindos de linhas de transmissão e subestações de energia elétrica, rádios e telefones sem fio,
torres de telecomunicações, máquinas industriais, etc.

Contra explosão não existe EPI. Portanto, qualquer indicação positiva do detector deve ser
considerada com seriedade e, a partir desse momento, proíba a entrada de pessoas. Inicie o
processo de diluição e eliminação da condição de risco, por meio de ventilação. Após a constatação
de que o risco foi eliminado a entrada pode ser liberada e, durante todo o trabalho, as condições
atmosféricas devem ser monitoradas continuamente.

A portaria nº. 83 de 03/04/2006 do INMETRO, no artigo 2, define:

que fica mantida a obrigatoriedade da identificação da certificação no âmbito do Sistema Brasileiro de


Avaliação da Conformidade – SBAC, iniciada em janeiro de 1995, para todos os equipamentos
elétricos, eletrônicos, associados, acessórios e componentes a serem utilizados em atmosferas
potencialmente explosivas, nas condições de gases e vapores inflamáveis, comercializados e
utilizados no Brasil, salvo as exceções previstas no regulamento de Avaliação da Conformidade de
Equipamentos Elétricos para Atmosferas Potencialmente Explosivas, nas condições de gases e
vapores inflamáveis.

Art. 3 – A certificação será concedida por Organismo de Avaliação da Conformidade (OAC)


acreditada pelo INMETRO.

Nos espaços confinados pode-se encontrar atmosfera com teor de oxigênio diferente da condição
normal para o ser humano e sua concentração deve ser verificada assim como a presença de gases
tóxicos.

29
Em termos ideais a eliminação desse tipo de risco é recomendada por meio de um sistema de
ventilação, mas em casos de maior emergência a utilização de EPI especiais, que mantenham o
sistema respiratório alheio à mistura gasosa confinada podem ser adotados e o trabalho se
desenrolar, daí por diante, sem a necessidade do detector de gases, que se no ambiente confinado
permanecer, sob aquelas condições, sofrerá deterioração prematura dos seus sensores.

A operação dos equipamentos deve ser precedida por uma leitura detalhada do manual de
operação fornecido pelo fabricante/distribuidor, dando-se a devida importância e atenção às
advertências e limitações do equipamento.

Existem várias marcas e modelos disponíveis no mercado, mas, em geral, para a aplicação de
monitoração de atmosferas em espaços confinados, a base tecnológica é a mesma. Via de regra os
sensores para detectar gases inflamáveis são do tipo catalítico, que possuem uma câmara que
permite a entrada de misturas inflamáveis através de um sinterizado e lá se processa a queima, que
desestabiliza a corrente elétrica nos eletrodos, que é comparada à corrente medida e registrada na
calibração, dando-se, assim, o resultado em L.I.E.

Os sensores de oxigênio e gases tóxicos são do tipo eletroquímico. Possuem uma base ácida que
reage com a presença do gás de referência diminuindo a resistência elétrica e aumentando a
corrente nos eletrodos, que também é comparada à corrente do valor de calibração dando o
resultado em percentagem de volume, para o oxigênio, e em partes por milhão (ppm), para gases
tóxicos.

A citada NBR, ainda, prevê que se faça um teste de resposta antes de cada utilização; isto porque os
sensores trabalham com ínfimas correntes elétricas em ma (mili-ampère) ou µA (micro-ampère). Tais
correntes são susceptíveis às variações de temperatura, umidade, pressão, instabilidades de cargas
das baterias/pilhas. Por exemplo: se um detector de gás for ligado num ambiente com ar
condicionado operando em baixa temperatura (± 17ºC), ao fazer o auto-zero, assumirá a corrente do
momento em função das condições como o ponto referencial de início de medição; depois, se levado
para um ambiente externo, com temperatura sensivelmente superior, haverá, devido a elasticidade
térmica dos materiais, uma diminuição da resistência elétrica e o ponto zero será perdido. Isso pode
fazer diferença nos valores medidos e determinar as decisões que devam ser tomadas com falsas
medidas.

Já existem alguns equipamentos com programas gerenciadores de falhas capazes de alertar ao


usuário, de que padrões iniciais de calibração e zero estão sendo perdidos. Também podem
determinar a perda do ponto de calibração e zero se os sensores receberem algum tipo de saturação,
o que ocorre quando é feito algum tipo de “teste” sem critério técnico, ou seja, sem mistura certificada
para tal, por exemplo, aplicando gás de isqueiro para verificar se o sensor de inflamáveis está
respondendo, ou fumaça de cigarro para ter resposta do sensor de monóxido de carbono (CO).

No momento da abertura do espaço confinado, o detector de gases deverá estar ligado e ter
verificada sua resposta; se esta não foi condizente, o monitor deve ser calibrado novamente e
tomados os seguintes passos:

30
 Investigue, antes, ao redor da escotilha ou tampa, se não há traços de gases, que porventura
estejam vazando do interior;

 Posicione-se de forma que a abertura não o exponha diretamente à emanação dos gases vindos
do interior;

 Continue investigando, com o monitor de gases;

 Abra completamente e investigue o interior, em várias posições, para buscar a identificação de


gases mais leves e mais pesados que o ar;

 Em não havendo risco, fixe o monitor, através das alças, no colo e cintura do funcionário que fará
a entrada; ele, ali, deve permanecer até sua saída;

 Explique a este portador que, se em algum momento o monitor alarmar, todos devem sair
imediatamente e procurar o responsável pelo trabalho;

 Se houver: parada para descanso, para reavaliação de trabalho, preparação de material, almoço
etc.; investigue novamente, antes da reentrada, realizando, antes, o teste de resposta.

Aqui em nossos treinamentos usaremos os detectores multgás GX-2009, que possuem certificação
de conformidade.

31
Este monitor de gás pessoal, modelo GX-2009 é dotado para proporcionar a monitoração contínua da
exposição a gases combustíveis (HC), oxigênio, gases tóxicos em ambientes perigosos.

Princípio de detecção: HC - combustão catalítica O2 – célula galvânica H2S e CO –


célula eletroquímica pode operar em até 20 horas de uso
contínuo.

Classificações Aprovações: IECEX ZONA 0 EX IA11CT4; Certificado CEPEL / INMETRO /


EX 1794/09X

Peso: 130g

Carcaça: Emborrachada com proteção contra altos impactos e resistência


a radiofreqüência, a prova d’água e poeira com aprovação IP-
6,7

5.1. Gestão de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços


Confinados.
Os espaços confinados podem apresentar uma variedade de riscos: dificuldade de acesso (que pode
exigir posturas arriscadas), problemas de visibilidade, de mobilidade etc. Porém nada se iguala aos
riscos atmosféricos que são responsáveis pela maioria dos acidentes, principalmente quando não
são bem identificados e gerenciados.

O ambiente pode ficar extremamente perigoso por ter sido local de processamento ou
armazenamento de produtos químicos ou apenas pode tornar-se fatal por ter estado um longo
período fechado sem troca gasosa com a atmosfera livre. O certo é que a possibilidade de se
encontrar mistura gasosa inadequada à permanência humana em um espaço confinado é grande.

Em se tratando de atmosferas explosivas, os acidentes podem envolver pessoas e/ou patrimônio de


terceiros que nada têm com o trabalho em espaço confinado. É o caso dos subterrâneos das cidades
por onde circulam linhas telefônicas, energia elétrica, redes de saneamento e de gás. A análise dos
riscos atmosféricos (gases asfixiantes, tóxicos e inflamáveis) desses locais, proporciona a prevenção
adequada desses perigos.

O item 33.3 (Gestão de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaço Confinado), da NR 33,
determina que a atmosfera seja monitorada continuamente nas áreas onde os trabalhadores
autorizados estiverem desempenhando as suas tarefas. É obrigatório:

Verificar se as condições de acesso e permanência são seguras;

Testar os equipamentos de medição antes de cada utilização;

32
Garantir que o equipamento de leitura direta sejam intrinsecamente seguro provido de alarme,
calibrado e protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de rádio freqüência e;

Em áreas classificadas, os equipamentos estejam certificados ou possuam documento contemplado


no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade do INMETRO.

A NR-33 também determina que nos estabelecimentos onde hajam espaços confinados, devem ser
observados, de forma complementar, os atos normativos NBR 14787 e NBR 14606.

33
6. FUNCIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS

6.1. Equipamentos Essenciais


Para oferecer mais segurança ao trabalhador que atua em espaços confinados, existem alguns
equipamentos que são essenciais para a segurança do trabalhador. A NBR 14787 no item 6 enumera
alguns deles.

6.2. Equipamentos de Iluminação


Deve-se tomar cuidado especial quanto à utilização de luminárias portáteis, pelo fato de serem mais
sujeitas a danos, mau uso e apresentar falhas e defeitos em função de quedas e má conservação.
Por isso sugerimos que as luminárias antes do uso sejam inspecionadas rigorosamente, sempre que
possível seja adotados luminárias portáteis de segurança aumentando com invólucro não metálico,
as quais possuem alta eficiência luminosa, suportam impactos e possuem elevada vida útil.

6.2.1. Equipamentos de Atendimento Pré-Hospitalar

Durante trabalhos em espaços confinados em função da gravidade, a equipe do resgate poderá


utilizar alguns equipamentos para mobilização e transporte, como pranchas, ked, macas para
conduzir a vitima a enfermaria ou o local seguro para atendimento especializado.

6.2.2. Equipamentos de Ventilação

Os dispositivos de ventilação têm o objetivo de remover os contaminantes existentes ou os que


possam surgir durante a execução do trabalho no espaço confinado.

Após ser considerado seguro para entrar no espaço confinado continue com a ventilação enquanto
houver alguém dentro do espaço, evitando concentrações atmosféricas nocivas no local de trabalho.
Caso o ambiente se torne inseguro durante o trabalho ou o alarme do detector multigás seja
acionado, paralise os serviços e saia do ambiente, mantenha a ventilação, informe a
segurança/supervisão e só retorne após nova medição para verificação da atmosfera.

Quando ventilar? Sempre que a atmosfera interna se tornar perigosa em qualquer dos seguintes
casos:

o ar contém pouco oxigênio.

o ar contém excesso de oxigênio.

a atmosfera é inflamável.

o ar é tóxico.

Caso exista qualquer uma destas condições, inicie a ventilação com bastante antecedência, de modo
que a atmosfera já esteja em condições seguras antes da entrada de pessoas.

34
Antes de liberar a entrada, teste a atmosfera com detector multigás apropriado, para estar certo que
a ventilação foi suficiente para tornar o ambiente compatível, para que seja executado o trabalho.

Existem diferentes dispositivos de ventilação sendo usados em espaço confinado. Devem ser
observados alguns dados importantes:

Ventiladores/insufladores de ar são equipamentos mais usados para mover o ar. A capacidade de


ventilação, insuflação e manutenção desses equipamentos e sua eficiência, são fatores que devem
ser pensados durante a compra desses equipamentos.

Os fatores abaixo relacionados devem ser considerados na aquisição destes equipamentos e quando
forem utilizados em serviços em espaços confinados.

O volume de ar a ser removido, determina a capacidade do equipamento necessária para atender o


objetivo, já que estes equipamentos são dimensionados por quantos metros cúbicos de ar por minuto
ele consegue mover (CFM – Efetive Blower Capacity – Capacidade Efetiva do Ventilador) Essa
avaliação é freqüentemente calculada levando em consideração comprimento do duto, quantidade de
curvas (90º), quanto maior o duto e curvas diminui o (CFM) do equipamento.

O volume de ar necessário para remover o contaminante do ambiente pode ser feito através da
3
seguinte fórmula: L x h x C = V(m ), onde:

L = largura interna do equipamento

h = altura interna do equipamento

C = comprimento interno do equipamento


3
Logo o volume (V) é calculado em m . De posse desses dados divida o volume que você encontrou
pelo CFM do seu equipamento (determinado pelo fabricante) para determinar quanto tempo você
gastará para realizar a troca de todo o seu volume de ar existente no compartimento.

Quando este cálculo estiver concluído você perceberá que sempre dará números decimais;
arredonde sempre para cima o volume e o CFM para baixo, assim você terá uma margem de
segurança conhecida como zona amortecida.

Duração necessária da ventilação

O padrão de uma ventilação industrial comum necessária em um trabalho de atmosfera tóxica ou


inflamável é de sete trocas de volume de ar por hora depois da entrada. Isto será feito para
procedimentos iniciais ao trabalho, não sendo considerados para operações de resgate, onde a
equipe deve entrar munida de equipamentos de proteção respiratória quando necessário.
Dependendo do contaminante pode ser utilizado de 6 a 12 trocas por hora.

Durante a década de 80, os engenheiros da BELL Canadá Telecomunicações conduziram alguns


destes testes em poços de inspeção obtendo os seguintes resultados:

Poços convencionais de 60 – 240 metros cúbicos.

Entrada nos poços de inspeção com entrada profunda.

35
Entrada em poços com formas irregulares.

Entrada em poços rasos.

Para calcular o tempo necessário de purga utilizaram a seguinte equação:

T = 7,5 V onde:

T = tempo de purgação em minutos

V = volume do espaço em metros cúbicos

C = capacidade efetiva de sopro (CFM)

CFM = Efective Blower Capacity (Capacidade efetiva do Ventilador) em pés cúbico por minuto.

Ventilação
Vazão do Equipamento Dimensão do Troca de ar
3 necessária
(m /h) compartimento Volume volume EC
3 (minutos)
(m )
Al La Com
A B 7,5 X A B
t. do p
960 1720 3 1 2 6 45 3’ 2’
- - 2 2 2 8 60 4’ 2’
- - 3 3 5 45 338 21’ 12’
- - 4 2 4 32 240 15’ 8’
- - 3 5 8 120 900 56’ 31’
Cálculo exemplo 1 letra A:
3
960 m t = 7,5 V

h C
3
ambiente confinado 3 x 1 x 2 = 6m (volume Eq)
3 3
ambiente confinado 6m x 7,5 (volume (C/CTE BEL) = 45 m

Há dois sistemas de ventilação geral:

Ventilação de Exaustão: retira o ar contaminado do interior do espaço confinado.

Ventilação Insuflada: sopra ar fresco para dentro.

Expulsar o ar contaminado de um espaço confinado é melhor quando a atmosfera pode ser


inflamável ou tóxica. Soprar o ar para dentro pode espalhar os contaminantes.

36
A ventilação deve garantir constante circulação de ar fresco por todas as áreas de um espaço
confinado. Estes são dois problemas principais a serem observados:

Este problema pode ser evitado de três maneiras:

O equipamento tem que ter potência suficiente para empurrar o ar na distância necessária para
ventilar toda a área. Deve ser capaz de capturar e eliminar todos os contaminantes. Uma série de
ventiladores pode ser necessária para deslocar o ar em longas distâncias ou para ventilar uma
grande área.

Oriente corretamente as tomadas de ar fresco e as saídas de exaustão. Se possível, o ar de


admissão e o ar de saída devem passar por aberturas diferentes. Faça uma rede eficiente de dutos

Os dutos permitem a distribuição do fluxo de ar a todas as áreas do espaço confinado.

Posicione os dutos onde eles não possam ser danificados pelo seu trabalho.

Mantenha os dutos tão curtos e retos quanto possível para atingir as áreas aonde eles devem
chegar.

Não dobre ou faça curvas muito fechadas com os dutos.

Certifique-se de que todas as conexões estejam apertadas.

37
Certifique-se de que nenhum ventilador ou duto restrinja fisicamente as rotas
de fuga

Se for necessária a ventilação para fornecer ar fresco a um espaço confinado, a insuflação é


usualmente a melhor opção. As perguntas e respostas a seguir poderão assistir você na decisão de
qual tipo de ventilação utilizar.

6.2.3. Equipamentos de Proteção Individual

Em função dos riscos existentes nos espaços confinados é obrigatório o uso de EPIs de acordo com
o analise de risco realizado antes da emissão da PET. A NR-6 estabelece que os EPIs devem ser
fornecidos obrigatoriamente pela empresa aos empregados, quando as condições de trabalhos
exigirem.

6.2.4. Equipamentos de Comunicação

Durante o trabalho, cabe ao observador/vigia manter


comunicação permanente com a equipe de executantes, por
meio de rádios de comunicação intrinsecamente seguros para
trabalhar em áreas classificadas, independente de outros
recursos previstos para serem utilizados durante uma
emergência.

Antes do início do trabalho, o observador/vigia deve checar a


comunicação com a supervisão, enfermagem, rádio operador e
equipe de resgate e salvamento. Deve-se informar o serviço a
ser realizado, a quantidade de pessoas envolvidas, certificando-
se de que toda equipe de apoio está ciente do trabalho no EC.

6.2.5. Equipamentos de Sondagem Inicial e Monitoração Contínua da Atmosfera

Esse equipamento é mais conhecido como detector ou monitor de gases. Deve


ser calibrado e testado antes do uso e adequado para trabalho em áreas
potencialmente explosivas.

A NBR 14787 determina que o detector de gases só pode ser utilizado se for
aprovado por um Organismo de Certificação de Produto – OCP do INMETRO
Como Ex i, ou seja, se ostentar legalmente a certificação. O espaço confinado, que teve ou pode
conter produto inflamável, deve ser considerada como Zona zero “0” no momento de sua abertura e o
detector de gases tem que possuir o tipo de proteção apropriado para tal (no mínimo BR Ex ia IIC
T4).

38
Esse detector informará se a classificação será mantida ou reduzida a outras de menor risco, através
da análise do valor do Limite Inferior de Explosividade indicado no visor.

A norma também prevê que tais detectores tenham proteção contra interferência eletromagnética.
Assim o funcionamento normal não será prejudicado por campos eletromagnéticos, provenientes de
linhas de transmissão e subestações de energia elétrica, rádios e telefones sem fio, torres de
telecomunicações etc.

Marcação para ser afixada no corpo do equipamento:

BR Ex i a d II C T4 –20ºC a +55ºC

BR Equipamento certificado no Brasil.

Pode operar em atmosfera explosiva, mesmo em zona zero “0”.

Refere-se ao grau de falhas “a”. Indica que o equipamento, mesmo sendo


Exi a
exposto a duas falhas simultaneamente, não é capaz de inflamar uma
mistura.

d Segurança adicional. Possui invólucro a prova de explosão

Indica que o equipamento pode operar em atmosfera que contenha


II C
acetileno ou hidrogênio

Sua temperatura de superfície, mesmo em condições adversas, não


T4
ultrapassa 135ºC.

- 20ºC a Indica que seus circuitos suportam variação de temperatura entre.


+55ºC

Monitor Portátil Mult Gás.

Existem várias marcas e modelos no mercado, mas em geral,


para a aplicação de monitoramento de atmosferas em espaços
confinados, a base tecnológica é a mesma. O circuito, mesmo
em condições anormais de operação, não libera energia elétrica
ou térmica suficiente para causar ignição de uma atmosfera
explosiva, mesmo em um espaço confinado que contenha
produto inflamável.

Este equipamento deve fazer leitura direta do percentual de oxigênio (O2) presente no local, gases e
vapores inflamáveis (LIE/LSE), contaminantes tóxicos, principalmente monóxido de carbono (CO) e
gás sulfídrico (H2S).

39
Limites de Alarmes

O limite dos alarmes do detector de gases, segundo a NR 15, estabelece verificação do limite ACGIH
e comparar valores restritivos.

Gases combustíveis 10% do L.I.E.

Oxigênio 19,5% Vol. E 23% Vol.

Monóxido de Carbono LT = 39 ppm

Gás Sulfídrico LT = 8 ppm

É importante proceder à criteriosa detecção e controle de gases (asfixiantes, tóxicos e inflamáveis)


para se prevenir adequadamente dos diferentes tipos de gases é preciso analisar os riscos
atmosféricos.

Detectores Eletrônicos de Gás

Disponíveis em uma grande variedade e testam de um até quatro tipos de condições;

Têm calibragem precisa;

Devem sofrer manutenção constante;

Devem ser checados antes de cada uso;

Devem ser testados para detectar vazamentos (os que possuem bombas);

Baterias com carga total.

Por que o teste é necessário?

Garante ambiente seguro para o trabalho;

Identifica vazamentos;

Mantém condições seguras;

Identifica a necessidade do equipamento de proteção pessoal.

Quando realizar o teste?

Antes e após a exaustão/insuflação/purga,

Imediatamente antes da entrada;

Em intervalos representativos;

Durante a entrada e execução do trabalho se as condições mudarem.

Onde fazer o teste?

Faça um teste inicial do lado de fora do espaço como uma pesquisa e

Experimente passar pelo espaço horizontal e/ou verticalmente.

40
Procedimentos de teste:

Inicie o teste após 15 min de interrupção dos exaustores ou ventiladores;

Teste desde o topo até o fundo - em volta dos dutos de trabalho e sob as superfícies;

Dê tempo para o alcance dos sensores.

NUNCA confie nos seus próprios sentidos para determinar se o ar no espaço


confinado é seguro!

Você pode não ver ou sentir muitos gases tóxicos ou vapores, nem
determinar o nível de oxigênio.

41
7. PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
A Instrução Normativa nº 01 de 11/04/94, estabelece regulamento técnico sobre o uso de
equipamentos para proteção respiratória (EPR).

O empregador deve adotar um conjunto de medidas com a finalidade de adequar a utilização dos
equipamentos de proteção respiratória, quando necessário, para complementar as medidas de
proteção coletiva ou enquanto as mesmas estiverem sendo implementadas com a finalidade de
garantir uma completa proteção ao trabalhador contra os riscos existentes no ambiente de trabalho.

A NR 33, no item 3.4.10 diz que em caso de atmosfera IPVS o espaço confinado somente pode ser
adentrado com a utilização de máscara autônoma de demanda com pressão positiva ou com
respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape.

Deficiência ou excesso de O2 é a causa mais freqüente de fatalidade em espaço confinado. Já houve


casos de morte confirmada em locais com menos de 2 m de profundidade em escavações de poço,
onde o gás metano migrou deduzindo a concentração de O2 no ambiente. Gases mais pesados que o
ar deslocam o O2 para a parte superior do recipiente, isso quer dizer que o ar pode conter
concentrações normais de oxigênio próximo à abertura superior do equipamento e concentração
próximo a zero na parte inferior.

Outros gases, como o nitrogênio, por exemplo, reduzem a pressão parcial do oxigênio. A atmosfera
terrestre, excluindo o vapor de água é composta basicamente por:

Pressão parcial nível do mar


Gás % Por volume
(mm Hg)
Nitrogênio 78,1 593
Oxigênio 20,9 159
Argônio 0,9 7,1
Outros gases 0,1 0,76
Portanto, a pressão parcial de um gás em mistura gasosa é a pressão que teria se ocupasse sozinho
o volume do recipiente. Para o oxigênio ao nível do mar, o cálculo é feito por meio da fórmula PPO2 =
(%O2) x 760 mmHg.

100

O percentual volumétrico de O2 na atmosfera não varia com a altitude. A pressão parcial é que
diminui com o aumento da altitude devido à redução da pressão atmosférica. Qualquer que seja a
causa, a redução da pressão parcial resulta no mesmo efeito para o organismo humano, pois a PPO2
alveolar é quem determina o transporte de O2 pela hemoglobina.

Pessoas que vivem em grande altitude não apresentam efeitos fisiológicos negativos devido às
alterações que ocorrem nos sistemas respiratório, cardiovascular e hematopoiético. Essas alterações
se completam, em média, após 4 semanas de permanência no ambiente com PPO2 diferente daquela
ao nível do mar.

Segundo a Portaria 3214/78 do MTE, NR-15, anexo 11, a exposição à concentração inferior a 18%
de oxigênio no ar caracteriza risco grave e iminente, ou seja, a exposição não pode ser permitida

42
para o desenvolvimento do trabalho. Neste caso as NRs 6 e 15 proíbem a utilização de respiradores
purificadores de ar. Já nos Estados Unidos a proibição de respiradores purificadores de ar é de
19,5%, mesmo valor adotado pela NR-33. Já a NBR/ABNT 12542 traz novidades ao classificar as
atmosferas com deficiência de oxigênio em:

Imediatamente Perigosa a Vida e a Saúde (IPVS): quando o teor de oxigênio (em volume) no
ambiente está abaixo de 12,5% ao nível do mar (760 mm hg), ou seja, quando a pressão parcial de
oxigênio (PPO2 ) é inferior a 95 mm Hg.

Não IPVS: quando o teor de oxigênio (em volume) está entre 12,5% e 21% ao nível do mar, ou
quando a (PPO2) é superior a 95 mm Hg. Portanto, 18% segundo a NR-6 e NR-15 corresponde a
uma deficiência de oxigênio e não IPVS.

A asfixia está relacionada à pressão parcial de oxigênio. Existe consenso entre os fisiologistas de que
se os sintomas de asfixia se tornam evidentes quando o PPPO2 atinge 60mm Hg. Situação que
ocorre quando, ao nível do mar, a concentração de oxigênio no ar atinge 14,5%. Na situação limite
IPVS, isto é 12,5% de oxigênio ao nível do mar, ou 95mm Hg, a PPO2 é de 48 mm Hg circunstância
em que a hemoglobina apresenta 82% de saturação. Neste caso o auto resgate é impossível e o
indivíduo fica dependendo da equipe de resgate, que precisa agir rapidamente, pois valores abaixo
de 12,5% de O2 caracterizam situação IPVS que pode causar a morte dependendo do tempo de
exposição.

A tabela abaixo mostra variação da pressão atmosférica com a altitude porcentagem de oxigênio
equivalente ao nível do mar.

Pressão Porcentagem PPO2 Porcentagem de O2


Altitude (m) Atmosférica de O2 no no ar (mm equivalente ao nível
(mm Hg) ambiente Hg) do mar (*)
Nível do
760 20,9 159 20,9
Mar
750 689 20,9 145 19
2.250 581 20,9 121 16
3.000 523 20,9 110 14,5
4.200 450 20,9 94 12,5
5.400 387 20,9 81 10,6
6.000 349 20,9 73 9,6
9.000 226 20,9 47 6,2
12.000 141 20,9 29 3,8

Porcentagem de oxigênio no ar que ao nível do mar, apresenta a mesma PPO2 que na altitude
considerada. Por Exemplo, os sintomas de uma pessoa a 3.000 metros de altitude, respirando ar com
20,9% de O2 e os de outra pessoa respirando o ar, ao nível do mar com 14,5% oxigênio seriam
iguais.

Efeitos fisiológicos diversos:

aumento da pulsação e de freqüência respiratória

43
diminuição da atenção e raciocínio

fadiga anormal

perturbação emocional

falta de coordenação e incapacidade de julgamento

coordenação motora reduzida

respiração prejudicada

náusea, vômitos e dores ao coração

abaixo de 10% de O2 incapacidade de executar movimentos, perda de consciência e convulsões e


morte.

A NR-33 determina como valores normais, a taxa de oxigênio entre 19,5% a 23% de volume de
oxigênio. Para trabalhos fora destes valores exige-se a adoção de medidas de controle e utilização
de equipamentos de proteção respiratória.

Como os riscos em um espaço confinado, muitas vezes, não são percebidos somente pelos sentidos.
Por isso é importante que seja feita a análise preliminar de perigo para identificar a proteção
respiratória adequada, bem como informações e treinamento, sobre o uso correto dos equipamentos.

Você também desempenha um importante papel. Depois de selecionar o respirador apropriado deve
utilizá-lo durante todo o tempo em que estiver executando a tarefa, até sair do espaço confinado.
Para sua própria segurança, verifique se o seu respirador está se ajustando bem ao rosto e se é
necessário algum reparo.

Também deve comunicar à sua supervisão se houver problemas com o equipamento ou se você tem
alguma enfermidade como asma, alergias ou pressão arterial elevada, que o impeça de usar um
respirador.

Você e sua empresa podem trabalhar juntos para proteger a saúde dos trabalhadores em situação
perigosa.

A finalidade básica de qualquer respirador é simplesmente proteger o sistema respiratório da


inalação de substâncias tóxicas. Os respiradores oferecem proteção de duas formas: removendo o
contaminante do ar antes que ele seja inalado ou suprindo o ar respirável de uma fonte independente
de abastecimento.

Segundo a NBR 12543/99 os respiradores são classificados em dois grupos:

7.1. Supridores de Ar
São respiradores independentes. Essa classe de respirador supre ao usuário ar ou outro gás
respirável vindo de uma atmosfera independente do ar ambiente. Pertencem a esta categoria as
máscaras autônomas, os respiradores de linha de ar mandado e cilindros auxiliares para fuga.

44
7.1.1. Conjunto Autônomo

Equipamento composto por um cilindro de ar respirável, suporte com alças e cintos e é transportado
nas costas como se fosse uma mochila. Utilizado em situações de emergência, busca salvamento e
combate a incêndio, onde a atmosfera não se encontra em níveis aceitáveis.

Cálculo de utilização do EPR

P.T. Cilindro de Composite: 300 bar Peso 3,8 Kg


Pressão de trabalho
Cilindro de Aço Carbono: 200 bar Peso médio 12 Kg
V.L. Composite Fibra de Carbono: 6,8 litros Peso 3,8 Kg
Volume em Litros
Aço Carbono: 7 litros Peso médio 12 Kg

Cálculo de Quantidade de Ar Respirável:

P.T. x V.L. = Quantidade de Ar Respirável

Composite Fibra de Carbono: 300 x 6.8 = 2.040 litros de ar respirável

Aço Carbono: 200 x 7 = 1400 litros de ar respirável

Cálculo de Autonomia:

Quantidade de Ar Respirável % M.C.H. = Autonomia.

M.C.H.: Média de Consumo Humano

Consumo por minuto entre 28 a 40 litros/min (Fonte: Air Safety)

O máximo que o ser humano consome é: 132 litros/min

45
Composite Fibra de Carbono 2040 ÷ 40 = 51 min (tempo total)

Aço Carbono 1400 ÷ 40 = 35 min (tempo total)

Reserva de Cilindro:

50 bar – Alarme indicara que o equipamento encontra-se na reserva

50 x 6.8 = 340 ÷ 40 = 8.5 min

50 x 7 = 350 ÷ 40 = 8.75 min

Pressão do cilindro ATM/BAR Cilindro de 1.400 l

200 BAR 25 min

190 BAR 23 min

180 BAR 21 min

170 BAR 19 min

160 BAR 18 min

Considerando consumo médio de 40 l/min

Duração completa: tempo do início até não mais restar ar no cilindro.

Duração do trabalho: temo do início do trabalho até soar o apito de aviso.

Margem de segurança: tempo de início do apito até não mais haver ar no cilindro

(aproximadamente 5 min).

Duração completa: duração do trabalho - margem de segurança.

Esses tempos variam de acordo com o tamanho, as condições físicas do usuário e o tempo de
deslocamento para fora do espaço confinado.

Média de consumo de um adulto para atividade leve/descanso é de 28 a 40 l /min.

Média de consumo de um adulto para atividade moderada 40 a 60 l /min – trabalhos de rotina.

Média de consumo de um adulto para atividade pesada 60 a 80 l /min – atividade de resgate.

OBS: O máximo que o ser humano pode consumir é em torno de 132 l /min.

O equipamento sempre deverá ser utilizado quando o usuário estiver em área IPVS.

O executante deverá a todo o momento monitorar o seu consumo;

Sair do local sempre que ouvir o sinal sonoro (alarme) ou determinar o valor
aproximado para sua saída segura.

46
7.1.2. Arcofil

Sistema utilizado para filtrar o ar comprimido, umedecer e


distribuir através de mangueiras atóxicas aos usuários durante
realização de trabalho em locais IPVS

7.1.3. Par 4000

Equipamento composto de dois cilindros de ar respirável


contendo 2000 litros de ar em cada cilindro formando assim
4000 litros de ar respirável. Também existem duas saídas de ar
permitindo assim que duas pessoas trabalhem simultaneamente.

7.1.4. Conjunto Autônomo de Respiração de Linha de Ar (CARLA)

Equipamento projetado para fuga que deve ser utilizado sempre que for necessária a utilização de ar,
enviado independente de qual for o sistema de alimentação (arcofil ou sistema de cascata PAR
4000), pois caso o ar apresente falhas, a pessoa utilizará o ar do CARLA para sair do local.

O CARLA é composto de um cilindro de ar respirável, normalmente de 1,5 litros ou 2 litros em volume


de ar, específico para executar o auto-resgate, ou seja, sair de um local por meios próprios.

7.2. Respiradores Purificadores de Ar


São compostos por uma máscara facial ou semi-facial com filtros químicos, mecânicos ou
combinados. A utilização destes respiradores é contra indicada se, durante a avaliação de risco para
liberação de trabalhos em espaços confinados for detectada concentração de oxigênio abaixo de
19,5%.

47
48
8. ÁREA CLASSIFICADA
Os espaços confinados concentram seu maior potencial de risco na atmosfera.

Quando se tem o risco de asfixia e a urgência do trabalho não permite que se faça a troca
atmosférica, existe a opção de que a entrada e trabalho sejam realizados com o uso de
Equipamentos de Proteção Individual – EPI; essa solução também é permitida para quando se
identificar atmosfera com presença de gases tóxicos. Porém, em se tratando de risco de explosão,
nada pode substituir a tarefa de substituição da mistura inflamável por ar em condições de respirar,
pois não existe EPI contra explosão.

Quando se tem ou pode ter uma atmosfera explosiva, é necessário que se faça um minucioso
controle das fontes de calor e centelha que podem inflamar os gases e vapores misturados com o ar,
gerando uma reação em cadeia, com velocidade de queima tão rápida que projete grande energia
em todas as direções.

Historicamente as instalações elétricas e os equipamentos elétricos e eletrônicos têm sido os


grandes causadores de explosões, o que levou a ciência pesquisar maneiras de torná-los seguros
para operarem em ambientes com atmosferas potencialmente explosivas.

As soluções encontradas oferecem segurança adequada, desde que as normas que as regem sejam
estritamente observadas, desde o projeto até a manutenção das instalações e equipamentos.

Um tipo de proteção aplicada a uma instalação ou equipamento elétrico é eficaz se forem observadas
as restrições de entrada e operação em determinadas classes de ambientes, segundo a
probabilidade, da presença de inflamáveis na atmosfera. Para guiar a seleção dos tipos de proteções
adequadas, foram criados, a partir da possibilidade de contaminação atmosférica por inflamáveis,
códigos de classificação de áreas.

O Brasil, na década de 1980, optou por elaborar as normas com base nas da International
Electrotechnical Commission, - IEC, que é o órgão internacional de normalização para o setor
elétrico, abandonando, então, a tradicional orientação americana, com normas baseadas nos
documentos da National Electrical Code - NEC e as publicações da American Petroleum Institute -
API.

As empresas foram divididas em dois grandes grupos:

 Grupo I – Mineração Subterrânea

 Grupo II – Indústrias de Superfícies

Quanto aos produtos utilizados, as empresas do Grupo II receberam a subdivisão:

 Grupo IIA: operam com produtos que necessitam de energia 180 µJ (micro joule) para serem
inflamados, tendo como referência o Propano.

 Grupo IIB: operam com produtos que necessitam de energia 60 µJ para serem inflamados,
tendo como referência o Etileno.

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 Grupo IIC: operam com produtos que necessitam de energia igual ou superior a 20 µJ para serem
inflamados, tendo como referência o Acetileno.

Quanto à probabilidade da presença de mistura inflamável, as áreas foram distribuídas em:

 Zona 0 = Contínua – Local onde a presença da substância inflamável é encontrada em todos os


momentos; exemplo interior de tanques.

 Zona 1 = Provável – Local onde a presença da substância inflamável pode ocorrer em condições
normais de operação do equipamento ou processo.

 Zona 2 = Pouco Provável – Local onde a presença da substância inflamável é pouco provável de
ocorrer, estando associada à operação anormal ou falha do equipamento ou processo.

Para dimensionar a extensão da área de risco, é necessário que se conheça alguns parâmetros:

 densidade do gás ou vapor – se o gás ou vapor é mais leve ou mais pesado que o ar.

 classe de temperatura das substâncias inflamáveis, que é a temperatura de auto ignição.

 dimensões e forma do equipamento de processo e volume do material envolvido.

 condições de ventilação.

Agora, com todos esses dados obtidos, podemos, classificar a área adequadamente e, depois de
classificá-la, saber que tipo de equipamento elétrico, nela, pode ser usado.

Classificação de Área

Grupo I – Mineração

Grupo II – Outras Indústrias

 A = 180 J - Propano

 B = 60 J – Etileno

 C = 20 J – Acetileno e Hidrogênio

Zonas – Limites de área onde a presença de mistura inflamável pode ser:

Contínua – Zona 0 (interior de tanques)

Provável – Zona 1 (área de processo aberto – ao redor de respiros)

Pouco provável – Zona 2 (ao redor de tanques e dutos)

A classificação americana NEC não é válida no Brasil

8.1. Equipamento Elétrico para Atmosfera Explosiva


Para operar em ambiente que contém ou possa conter atmosfera explosiva, o equipamento elétrico
deve possui características especiais, diferenciadas dos de uso geral, que garantam que ele não seja
capaz de inflamar a mistura inflamável/ar, em condições normais de operação e, em alguns casos,
também em condição de falha (curto-circuito).

50
O tipo de proteção que trata como o equipamento deve dificultar o contato da mistura inflamável com
seus circuitos energizados, ou a dificuldade de inflamar tal atmosfera, quando é realizado o contato.

A expressão à prova de explosão foi, por muito tempo, tida como a representação máxima da
segurança elétrica para atmosferas explosivas, isso porque os padrões americanos, que já não são
mais adotados no Brasil, são fundamentados principalmente nesse tipo de proteção, que produzem
instalações e equipamentos robustos, mas pesados e caros. O tempo mostrou que apesar disso a
segurança ainda era falha e tornou-se necessário pesquisar mais e procurar alternativas que
viabilizassem maior segurança, com menor custo e mais praticidade, dando origem a uma família de
tipos de proteção, como segue:

Tipos de Proteção

à prova de explosão Ex d

pressurizado Ex p

imerso em óleo Ex o

imerso em areia Ex q

imerso em resina Ex m

segurança aumentada Ex e

não acendível Ex n

segurança intrínseca Ex i

especial Ex s

Nos dias de hoje, novamente, o modismo abarca a expressão intrinsecamente seguro, e todos
querem todos os tipos de equipamentos, para atmosferas explosivas, com essa característica, que só
é possível em instalações e equipamentos que operam com baixa energia.

Vamos compreendê-los melhor:

Ex d (à prova de explosão), é o equipamento acondicionado em um invólucro que possui paredes


grossas e um interstício entre corpo e tampa, capaz de aliviar os gases de uma explosão interna, em
condições de volume e temperatura reduzida, incapaz de detonar a atmosfera externa.

Ex p (pressurizado), é o equipamento acondicionado em um invólucro que, ligado a uma fonte de gás


inerte ou ar comprimido, seu interior, que contém o circuito elétrico é mantido em pressão positiva,
impedindo que uma mistura explosiva adentre.

Ex o (imerso em óleo), é o equipamento acondicionado em um invólucro que está repleto de óleo,


que cobre todas as partes do circuito.

51
Ex q (imerso em areia), apresenta configuração semelhante ao anterior.

Ex m [imerso em resina (encapsulado)], idem ao anterior.

Ex e (segurança aumentada), é o equipamento em que medidas construtivas adicionais são


aplicadas, para que em condições normais de operação não produzam centelhamento ou alta
temperatura.

Ex n (não acendível), que em condições normais e em “certas” condições anormais, não é capaz de
causar a ignição de uma atmosfera explosiva, bem como não é provável que ocorra uma falha capaz
de causar a ignição dessa atmosfera.

Ex h (hermético), invólucro com fechamento que impede, totalmente, troca com atmosfera externa. –
Sua eficácia não foi comprovada e está, atualmente, fora das normas e uso.

Ex i (segurança intrínseca), é o circuito que, mesmo em condições normais e anormais (curto-circuito


ou falta à terra) de operação, não é capaz de liberar energia elétrica (faísca) ou térmica suficiente
para causar a ignição de uma atmosfera explosiva. Tal condição de segurança independe do
invólucro e é mantida mesmo que o circuito esteja aberto e operante na atmosfera explosiva. É o
mais seguro entre todos os tipos, mas aplica-se, apenas, a equipamentos que operam, naturalmente,
com baixa energia; geralmente equipamentos e circuitos eletrônicos.

Os equipamentos de segurança intrínseca ainda são classificados em duas categorias:

ia, capazes de manter as condições de segurança, mesmo que, em operação normal, duas falhas
contáveis e falhas não contáveis o levem às condições mais desfavoráveis.

ib, capazes de manter as condições de segurança, mesmo que, em operação normal, uma falha
contável e falhas não contáveis o levem às condições mais desfavoráveis.

Ex s (especial), quando, em função de um estudo específico de um local, é projetado um


equipamento que atenda aqueles requisitos específicos.

Em função da segurança eficaz e confiabilidade, que cada tipo de proteção proporciona, a NBR IEC
60079 estipula quais tipos são permissíveis para cada ZONA de classificação de área.

Zona 0 – Ex ia - Ex s; o uso dos demais tipos não é permitido.

Zona 1 – Ex d - Ex p - Ex q - Ex o – Ex e – Ex ia – Ex ib – Ex m – Ex s

Zona 2 - Ex d - Ex p - Ex q - Ex o – Ex e – Ex ia – Ex ib – Ex m – Ex s – Ex n

O curto-circuito pode ser causado por fatores como: fadiga dos condutores e partes do sistema;
conexões inadequadas; penetração de objeto, poeiras e/ou umidade, que comprometam a
estabilidade das partes energizadas.

Para prevenir tais ocorrências, deve-se realizar uma montagem com pessoal habilitado para tal, com
ferramental apropriado, realizar inspeções e testes periódicos e usar grau de proteção adequado à
presença de particulados e umidade no local do uso e/ou instalação.

52
O grau de proteção dos equipamentos é, no Brasil, especificado pela NBR IEC 60529 e é conhecido
como Grau de Proteção IP (XY) – Index of Protection, expressão em inglês, mantida pela sua ampla
compreensão internacional, que quer dizer Índice de Proteção.

A letra X é substituída por um algarismo, de 0 a 6, que em ordem crescente, representa a maior


dificuldade de penetração de sólidos:

DÍGITO X

0 Não protegido. Sem proteção especial.

Protegido contra objeto sólido maior


1 Grande parte do corpo, como a mão.
que 50 mm.

Protegido contra objeto sólido maior Dedos de adultos e objetos maiores que 80
2
que 12 mm. mm e com a menor dimensão > 12 mm.

Protegido contra objeto sólido maior Ferramentas, fios etc cuja menor dimensão
3
que 2,5 mm seja 2,5 mm.

Protegido contra objeto sólido maior Fios, fitas, grânulos e objetos cuja menor
4
que 1 mm. dimensão seja 1 mm.

Protegido contra objeto sólido maior Nenhuma poeira deve ser admitida no interior
5
que 0,5 mm. do equipamento.

Alguma poeira pode ser admitida, mas se


Protegido contra poeiras e contato
6 penetrar não deve prejudicar a operação do
com partes internas.
equipamento.

A letra Y é substituída por um algarismo, de 0 a 8, que em ordem crescente, representa a


maior dificuldade de penetração de água:

DÍGITO Y

0 Não protegido. Sem proteção especial, invólucro aberto

Gotas de água caindo na vertical


Protegido contra queda vertical de
1 (condensação), não prejudicam o
gotas de água.
equipamento.

Gotas de água com 15º de inclinação, em


Protegido contra a queda de água
2 relação à vertical, não devem prejudicar o
com 15º de inclinação.
funcionamento.

53
Não deve ter o funcionamento prejudicado por
3 Protegido contra água aspergida. água aspergida com 60º graus de inclinação,
em relação à vertical.

Projeção de água, de qualquer direção, não


4 Protegido contra projeção de água.
deve prejudicar o funcionamento.

Água projetada por bico, de qualquer


5 Protegido contra jatos de água. direção, não deve prejudicar o
funcionamento.

Jatos potentes, ou água em forma de onda


6 Protegido contra jatos de água.
não deve prejudicar o funcionamento.

Protegido contra efeitos de Não deve haver penetração de água, sob


7
imersão. certas condições de tempo e pressão.

8 Protegido contra imersão. Adequado para submersão contínua.

Outra característica importante é a temperatura de superfície, que é a mais alta temperatura, que
pode ser atingida, em serviço e sob as mais adversas condições, por qualquer parte ou superfície de
um equipamento elétrico que seja capaz de provocar a ignição de uma atmosfera inflamável ao seu
redor.

Para selecionar-se o equipamento é necessário ter a informação das temperaturas de ignição dos
gases e vapores inflamáveis, que estão ou poderão estar presentes e compará-las com a classe de
temperatura dos equipamentos, que porventura se pretenda usar.

Classes de Temperatura das Substâncias Inflamáveis

T1 > 450º C

T2 > 300º C

T3 > 200º C

T4 > 135º C

T5 > 100º C

T6 > 85º C

A seriedade com que devem ser tratados os equipamentos elétricos, que podem operar em
atmosferas potencialmente explosivas, levou os governos a regulamentarem o assunto e permitirem
que, apenas, sejam colocados nos mercados, aqueles que atendam aos requisitos normatizados,

54
confirmados em ensaios laboratoriais representativos das mais severas condições normais e
anormais dando origem aos sistemas de Certificação de Conformidade.

No Brasil, a Portaria INMETRO nº. 83, de 03 de abril de 2006, artigo 2, determina a obrigatoriedade
de que todos os equipamentos elétricos, acessórios e componentes para atmosferas potencialmente
explosivas, sejam certificados de acordo com o Sistema Brasileiro d Avaliação da Conformidade –
SBAC, e que a não observância dessa obrigatoriedade seja passível de punição, de acordo com
regra específica.

Assim, sempre que for necessário usar um equipamento, em área classificada, deve-se em primeiro
lugar saber qual a classificação, ou seja, em qual zona ela se enquadra; saber que tipo de proteção é
permitido naquela classificação; buscar, nos arquivos ou solicitar aos fornecedores cópia do
certificado de conformidade; analisar na linha marcação, dos certificados, se os equipamentos
atendem aos requisitos para operarem na classe em que a área foi incluída; selecionar ou adquirir
equipamentos entre os que atendem aos requisitos.

Artigo 4 da Portaria 83 de 03/04/2006

As unidades marítimas fabricadas no exterior e importadas destinadas à lavra de petróleo ou ao


transporte de produtos inflamáveis, para trabalho offshore, serão dispensadas da obrigatoriedade da
certificação no âmbito do SBAC, uma vez que para elas são válidos os critérios para aceitação dos
fornecedores e as certificações adotadas pelas sociedades classificadoras.

A marcação, de que trata o parágrafo anterior identifica:

Que a certificação foi feita no Brasil – BR

Que o equipamento é para atmosfera Explosiva – Ex

O Tipo de Proteção

Se for de segurança intrínseca o grau aplicado a ou b

Grupo e gás de aplicação

Classe de temperatura

Temperatura ambiente de operação

Exemplo de marcação: BR Ex ia d IIC T4 (Tamb= -20ºC +55ºC)

Significa que esse produto está certificado no Brasil, e que pode operar em atmosferas explosivas
mesmo em ZONA 0, pois é intrinsecamente seguro com grau a, mantendo a segurança mesmo que
ocorram duas falhas simultaneamente e que, como segurança adicional possui d invólucro à prova
de explosão e que pode operar em atmosfera que contenha acetileno ou hidrogênio IIC e que sua
temperatura de superfície, mesmo em condições adversas, não ultrapassa 135ºC (T4) e que seus
circuitos suportam variações de temperatura que podem variar de -20ºC a +55ºC.

55
9. PERMISSÃO DE ENTRDA E TRABALHO
Antes da emissão do formulário de Permissão de Entrada* e Trabalho – PET – (vide ANEXO B como
exemplo), o Supervisor de Entrada*, em conjunto com o Supervisor dos executantes e o Técnico de
Segurança, preenche o procedimento constante no anexo II da NR-33, que servirá de parâmetro para
o preenchimento do PET específico de cada empresa.

É importante que os executantes, sejam eles empregados e/ou contratados habilitados, conheçam os
procedimentos internos da empresa para entrada e resgate. Esses procedimentos têm a função de
informar sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão suas atividades.

Os equipamentos de medição da atmosfera têm que ser testados antes de cada utilização. Estes
equipamentos devem ser de leitura direta, intrinsecamente seguro*, provido de alarme, calibrado e
protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofreqüência.

Para trabalhos a quente é muito importante a adoção de medidas para eliminar ou controlar os riscos
de incêndio ou explosão.

É proibido deixar cilindros de oxiacetileno ou mangueiras pressurizadas com esses gases no interior
de espaços confinados mesmo em períodos em que não haja pessoas trabalhando.

A PET só serve para uma única entrada (conforme manda o item 33.3.3.1 da NR-33). É atribuição de
o Supervisor preencher e datar a PET em três vias antes do ingresso dos trabalhadores. Uma cópia
permanece com o vigia para controle das pessoas autorizadas e conhecimento dos trabalhos a
serem realizados. Após o término do serviço ou saída de todos os trabalhadores, a PET deve ser
encerrada e arquivada por cinco anos conforme orienta a NR-33, no item 33.3.3, letra i e j.

A entrada não pode ser permitida se algum campo não for preenchido ou
contiver a marca na opção “Não”.

A falta de monitoramento contínuo da atmosfera, alarme, ordem do Vigia ou


qualquer situação de risco à segurança dos trabalhadores, implicam no
abandono imediato da área.

Qualquer saída de toda equipe por qualquer motivo implica a emissão de


nova permissão de entrada*. Esta permissão de entrada deverá ficar exposta
no local de trabalho até o seu término. Após o trabalho, esta permissão
deverá ser arquivada.

56
57
10. PRÁTICAS SEGURAS EM ESPAÇOS CONFINADOS
A experiência e conhecimento dos profissionais envolvidos na liberação e execução dos serviços a
serem realizados dentro dos espaços confinados e a utilização de equipamentos essenciais, tanto de
monitoração continua como EPIs, EPRs de boa qualidade, é fator importantíssimo para que o
trabalho seja realizado com o menor potencial de risco possível, tornando a atividade segura e
possivelmente sem acidente.

Para que está atividade seja desenvolvida com pouca possibilidade de falha é importante que as
faces do triângulo equilátero que representam trabalho seguro em espaços confinados sejam
respeitadas e praticadas por toda a equipe durante toda jornada de trabalho

58
11. RESGATE
O resgate em espaço confinado envolve técnicas específicas com o
objetivo de retirar o acidentado com vida daquele ambiente. O resgate
só pode ser realizado por pessoas treinadas e capacitadas.

Os resgatistas devem ser treinados em Primeiros Socorros, (avaliação


de sinais vitais, respiração cárdio-respiratória), imobilização, transporte
de acidentados e competentes para utilizar os equipamentos
apropriados, que devem estar disponíveis constantemente no local de
trabalho.

Durante a realização de trabalhos ou resgate e salvamento de pessoas é necessária, além do


treinamento, a utilização de equipamentos certificados e de boa qualidade que estejam disponíveis,
de forma a facilitar a operação das equipes, que devem agir rápida e eficientemente.

11.1. Operações de Emergência e Salvamento


Ação desenvolvida pela equipe de resgate, cujo objetivo é a retirada da vítima exposta a um
ambiente IPVS (Imediatamente Perigoso à Vida e à Saúde). Nesta operação existe grande
preocupação com a sobrevivência e redução de danos ou sofrimento para a vítima.

Lembre-se de que durante a operação de resgate você está se expondo ao risco, portanto evite
atitudes precipitadas, pois há a necessidade de cuidados especiais.

Um bom planejamento começa pela liderança da equipe que deve ser capaz de ordenar as idéias e
ações checando as informações antes de iniciar a operação de resgate.

Você terá condições de executar um resgate rápido e eficiente através de informações colhidas com
o observador do espaço confinado e analisando as informações contidas nas Permissões (PT de
entrada e PT para execução do serviço).

O uso de equipamentos de comunicação é essencial. Não esqueça: a fronteira entre a situação


segura e a possibilidade de ocorrer um acidente durante o resgate é grande. Daí a necessidade de
uma equipe bem treinada, que conheça os riscos de um espaço confinado, que tenha conhecimento
de primeiros socorros, técnicas de imobilização, transporte de acidentados e estar habilitado a usar
equipamentos de Proteção respiratória.

Para o resgate em altura ou em espaço confinado é importante que se use equipamento de boa
qualidade bem como ter uma equipe de resgate treinada e avisada do serviço que está sendo
desenvolvido para que se possa atender imediatamente no caso de ocorrência de emergência.

Os itens 33.4.1, 33.4.2 e 33.4.3 da NR-33 dizem:

33.4.1 O empregador deve elaborar e implementar procedimentos de emergência e resgate


adequados aos espaços confinados incluindo, no mínimo:

59
a) descrição dos possíveis cenários de acidentes, obtidos a partir da Análise de Riscos;

b) descrição das medidas de salvamento e primeiros socorros a serem executadas em caso de


emergência;

c) seleção e técnicas de utilização dos equipamentos de comunicação, iluminação de emergência,


busca, resgate, primeiros socorros e transporte de vítimas;

d) acionamento de equipe responsável, pública ou privada, pela execução das medidas de resgate e
primeiros socorros para cada serviço a ser realizado; e

e) exercício simulado anual de salvamento nos possíveis cenários de acidentes em espaços


confinados.

33.4.2 O pessoal responsável pela execução das medidas de salvamento deve possuir aptidão física
e mental compatível com a atividade a desempenhar.

33.4.3 A capacitação da equipe de salvamento deve contemplar todos os possíveis cenários de


acidentes identificados na análise de risco.

O item 13 da NBR 14787 define os seguintes requisitos que devem ser aplicados pelos
empregadores que tenham trabalhadores que entrem em espaços confinados para executar os
serviços de resgate:

a) O empregador, ou seu representante com habilitação legal, deverá assegurar que cada membro
do serviço de resgate tenha equipamento de Proteção Individual, Respiratória e de Resgate
necessários para operar em espaços confinados e que sejam treinados para seu uso adequado.

b) Cada membro do serviço de resgate e salvamento deverá receber o mesmo treinamento para
desempenhar as tarefas de resgate designadas.

c) Cada membro do serviço de resgate deverá receber o mesmo treinamento requerido para os
trabalhadores autorizados.

d) Cada membro do serviço de resgate deverá ser capacitado, fazendo resgate em espaços
confinados, ao menos uma vez a cada 12 meses, por meio de treinamentos simulados, nos quais
eles removam manequins ou pessoas dos atuais espaços confinados ou módulos de treinamentos.

e) Cada membro da equipe de resgate será treinado em primeiros socorros.

f) Para facilitar a retirada de pessoas do interior de espaços confinados sem que a equipe de resgate
precise adentrar nestes, poderão ser utilizados movimentadores individuais de pessoas, atendendo
aos princípios dos primeiros socorros, desde que não prejudiquem a vítima.

g) Roteiro de Exercícios - Prática (Resgate).

11.2. Principais Equipamentos Utilizados em Resgate


A seguir, descrevemos os principais equipamentos utilizados para auto resgate ou pela equipe de
salvamento.

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EPI (Equipamento de Proteção Individual) é todo dispositivo ou meio de uso pessoal destinado a
preservar e proteger a integridade física do empregado durante o exercício de suas funções contra as
conseqüências resultantes de acidente de trabalho.

A NR-6 estabelece que os EPIs devem ser fornecidos obrigatoriamente pela empresa aos
empregados, quando as condições de trabalho exigirem.

OBRIGAÇÕES

Empregador Empregado

 Usar obrigatoriamente o EPI indicado


apenas para a sua finalidade;
 Fornecer, gratuitamente, aos
empregados os EPIs necessários em  Responsabilizar-se pela guarda e
perfeito estado de conservação e conservação do seu EPI;
funcionamento e
 Comunicar eventual alteração no EPI, que o
 Instruir os empregados e treiná-los para torne parcial ou totalmente danificado e
essa utilização.
 Responsabilizar-se por danos ou uso
inadequado do EPI, bem como seu extravio.

Capacete utilizado na atividade de resgate

O capacete é um item obrigatório durante a atividade de resgate em


altura em função dos riscos existentes havendo necessidade de
atender algumas características tais como:

Deve possuir as seguintes características.

ser leve, resistente, não atrapalhar a visibilidade, possuir suporte com


jugular integrado ao capacete com suspensão de 3 pontos para evitar
que o capacete caia ao ser atingido por golpes que forcem o mesmo em direção a face.

O capacete para operações de resgate em alturas deve preencher os requisitos conforto, proteção,
qualidade.

Cintos de Segurança - Modelo Pára-Quedista Utilizado em Resgate

São equipamentos fabricados com fibras de poliamida ou poliéster, em vários tipos e modelos, cada
um apresentando características exclusivas para atender as mais variadas atividades.

Este EPI deve combinar conforto, liberdade de movimento e facilidade de uso, sem sacrificar a
segurança. Os cintos utilizados em resgate são projetados para suportar quedas e grandes impactos,
e são desenhados para a pessoa ficar suspensa pelo cinto por muito tempo. Apesar disso, não são
recomendadas operações com mais de uma hora. Dessa forma, os cintos são construídos com fitas
largas, acolchoadas, com vários pontos de ancoragem, sendo no mínimo um frontal, um traseiro e

61
dois pontos de fixações laterais. Os pontos de ancoragens são feitos por anéis “D” com ou sem volta
de segurança os quais devem suportar uma carga mínima de 22KN.

Todos os cintos pára-quedistas são projetados para reter uma pessoa com segurança em caso de
queda livre, distribuindo as forças de impacto através das pernas, quadris, tórax e ombro. É
importante que se utilize o modelo indicado à atividade específica, respeitando suas limitações de
capacidade de peso e tamanho conforme especificação do fabricante. No caso de resgate sugerimos
usar cinto que tenha pelo menos 5 argolas como ponto de sustentação.

Inspeção: Antes da utilização, realizar uma inspeção minuciosa em todas as costuras, cintos, fivelas,
anéis de sustentação, cabos e suportes de um modo geral. Caso apresente defeito não use. Alguns
fabricantes sugerem inspeções trimestrais mesmo que o equipamento não esteja em uso.

Lavagem: Lavar com água corrente e sabão neutro, secar a sombra, no caso de conter graxa alguns
fabricantes sugerem a retirada com tricloretileno.

Armazenagem: Guardar o cinto em local seco e ventilado, não expor ao calor ou agentes químicos,
materiais corrosivos e solventes.

Vida útil: Em torno de 5 anos se usado e guardado em condições normais.

O ideal é que haja um cinto exclusivo para cada usuário, o que possibilita maior controle e melhor
histórico do mesmo. Alguns fabricantes disponibilizam cintos com etiquetas para inspeção e registro,
além de conter informações rápidas sobre características do equipamento.

Durante o uso evite contato com material quente ou cortante

62
Cintos que se ajustam em torno da cintura, em torno das coxas
Classe I ou abaixo das nádegas. São desenhados para fuga de
emergência e tem carga para apenas uma pessoa.

Classe II Cintos que se ajustam em torno da cintura, em torno das coxas


ou abaixo das nádegas. Podem atender cargas de resgate.

Cintos que se ajustam em torno da cintura, em torno das coxas


ou abaixo das nádegas e sobre os ombros. Podem atender
Classe III
cargas de resgate e inversão (ponta cabeça), caso venha a
ocorrer. Pode ser apresentado em uma única peça ou ter mais
partes.

Obs.: Para resgate usar somente cintos classes II ou III, segundo recomendações da NFPA 1983.

Corda/Cabo

As cordas são elementos básicos do resgate técnico e este tipo de


resgate é conhecido como resgate de cordas. Apresentam-se sob
diversos tipos e formas de material, podendo ser de aço ou de cordas.
As de cordas são feitas de fibras naturais ou sintéticas. Se mantida em
boas condições de uso e estocagem, a vida útil chega a 5 anos. Se a
freqüência de uso for muito grande, a vida útil passa a ser de 2 a 3
anos. Vale lembrar que independente do tempo de uso, as cordas
antes de serem utilizadas devem ser inspecionadas.

Construção das cordas

Existem diversas formas de construção de cordas. No entanto o único


tipo de corda recomendável para o uso de resgate é a construção
conhecida como capa e alma. Esta construção consiste de uma alma de
fibra contínua que absorve em torno de 80% da carga. Esta alma é
recoberta por uma capa trançada que a protege da abrasão e outros
agentes agressivos. A capa responde em torno de 20% de resistência.

Principais cuidados

Nunca utilize peso superior à capacidade da corda.

Evite:

Contato da corda com produtos químicos.

63
Guardar as cordas com nó atado.

Atrito com cantos cortantes.

Rappel ou descida muito rápida. O atrito danifica a corda podendo haver ruptura

Utilize protetor para corda evitando danos.

Realize inspeção periódica e sempre antes da utilização.

Substitua a corda quando:

Apresentar desgaste na capa,

Tiver sido danificada superficialmente,

A alma apresentar danos ou

Estiver fora da validade.

Fita

Os anéis de fitas de segurança são fabricados com fibras de poliamida ou poliéster, com diâmetros
2
variados, possuindo resistência mínima de tração de 2.200 Kgf/cm . Este equipamento é utilizado
para trabalhar em alturas e escaladas esportivas.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Faça inspeção rigorosa na fita, principalmente na costura, para verificar:

Se há fios soltos;

Fitas desgastadas;

Fitas descoladas;

Contaminação com óleo, graxa, ácidos, areia e outros produtos químicos.

Lavagem: o fabricante recomenda lavar com água corrente, sabão neutro e secar a sombra.

Armazenamento: guardar as fitas em local seco e ventilado e não expor ao calor.

Garantia de 3 a 5 anos se estiver em bom estado de conservação.

Devem-se utilizar fitas certificadas com identificação legível da capacidade de ruptura.

64
Guincho

São dispositivos utilizados em resgate. Oferecem desempenho com tecnologia, mantendo sempre
segurança e facilidade de manuseio.

Normalmente, os guinchos possuem um suporte para montagem rápida


e têm sistema de giro livre para facilitar a manobrabilidade do operador.
Alguns apresentam sistema de embreagem de sobrecarga, carcaça de
polietileno, resistência à corrosão, podendo ainda ter ganchos de
segurança e cabo de aço.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Verificar a capacidade para resgate de pessoas conforme definições do fabricante, normalmente em


torno de 160 Kg.

Grigri

Dispositivo constituído em duralumínio utilizado com freqüência em


atividades de rappel e alpinismo. O travamento e controle de descida
são realizados pelo próprio usuário. Este equipamento utiliza
normalmente cordas entre 10 e 13 mm de diâmetro. Este dispositivo
pode substituir o equipamento conhecido como figura oito em
atividades de rappel.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Colocação: seguir esquema, gravado no equipamento. Após colocação da corda, bloquear a haste
metálica com mosquetão de segurança, garantindo o fechamento.

Verificação de funcionamento: antes de cada utilização, deve-se efetuar uma prova para assegurar
que a colocação do cabo está correta e comprovar o bom funcionamento do equipamento. Não se
esqueça de verificar primeiro a condição em que foi fixado o cabo no mínimo de dois pontos de
sustentação e se ele possui comprimento suficiente para atingir o objetivo.

Evite contato do mecanismo com areia.

Ao efetuar a descida, uma das mãos aciona a alavanca para liberar o cabo e a outra mão segura
firme o cabo abaixo da coxa (quadril), controlando a velocidade de descida através da alavanca.

Ascensor com Punho

Conhecidos também como jumar, devido ao fabricante espanhol desses


equipamentos. São sistemas de trava munidos de um punho para
agarra. Os ascensores são normalmente utilizados para o levantamento
de pessoas em cordas, podendo ser colocados ou retirados do cabo

65
facilmente, cuja ação de bloqueio é feita através de excêntrico munido de dentes.

Estes equipamentos são fabricados em duralumínio com sistema de travamento do cabo.

São utilizados pelas equipes de resgate como recurso para deslocamentos verticais ou horizontais.
Existe puxador para mão esquerda e direita.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Inspecione o equipamento verificando se não existe trincas, rachaduras ou desgaste no sistema de


trava.

Polia e Roldana

Consta de um disco que pode girar em torno de um eixo que passa por
seu centro. Além disso, na periferia desse disco existe um sulco,
denominado gola, dentro da qual trabalha uma correia de transmissão
de movimento.

As polias ou roldanas podem ser simples, duplas ou triplas.

São sistemas que têm a finalidade de diminuir a quantidade de força

aplicada, içamento ou descida de pessoas ou cargas, através de uma


combinação de polias, cabos e nós.

Os sistemas montados com cabos são ferramentas muito versáteis. São


relativamente leves, fortes e podem ser usados em várias de aplicações.

As roldanas devem ser certificadas e constar sua capacidade de carga,


normalmente este equipamento pode ser fabricado em duralumínio ou
em aço especial.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Antes do uso verifique se existem rachaduras, trincas, amassamento ou desgaste do sistema de


roldana.

Evite o contato com areia para não danificar o sistema de roldana.

Mosquetão

Existem vários modelos e tipos de mosquetões, fabricados em aço ou


duralumínio. Estes equipamentos podem ser fabricados com
fechamento simples ou com travas.

Mosquetões utilizados em serviços de entrada ou resgate em espaços


confinados devem ter fechamento e travamento duplos automático e
possíveis de serem abertos no por duas ações deliberadas
consecutivas. Já existem mosquetões com fechamento triplo.

66
Estes mosquetões devem ter resistência mínima de tração de 2.200 Kgf/cm2. Em atividades mais
agressivas, é aconselhável utilizar mosquetões em aço carbono por serem mais resistentes.

Todo mosquetão deve ter gravada a capacidade de trabalho. Quando abertos ou destravados, a
capacidade de trabalho é reduzida em aproximadamente 1/3 da carga nominal.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Evite contato com areia no sistema de travamento.

Não use caso verifique alguma deformação (amassamento profundo, trincas, rachaduras) ou se o
sistema de travamento não estiver funcionando.

Placa Multiplicadora

A placa multiplicadora deve ser certificada É fabricada em duralumínio


ou em aço inox que permite a conexão organizada dos diversos
sistemas de resgate ao ponto de ancoragem. Recomenda-se placa
com resistência mínima de pelo menos 40 KN.

Tripé/Mono Pé

Fabricado em duralumínio o equipamento é projetado para sustentar


subidas e descidas de uma carga compatível com sua capacidade,
conforme definições do fabricante.

Os tripés são leves e portáteis sem sacrificar a resistência e


durabilidade. A montagem deve ser simples, rápida e possível por
apenas uma pessoa.

São compostos de pernas telescópicas ajustáveis com travas,


correntes de segurança, sapatas com borracha antiderrapante, conjunto com roldanas para
passagem do cabo, suportes para fixação do guincho e/ou trava-quedas.

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São fabricados em material resistente à corrosão, com vários modelos disponíveis no mercado de
forma a atender às várias condições de trabalho.

Talabarte

Dispositivo criado com o objetivo de absorver o impacto sofrido pelo usuário


durante uma queda, anulando as forças de impacto sobre o corpo.

Estão disponíveis em muitas variações, em diversos modelos de forma a atender


as necessidades da natureza do trabalho. Possuem as seguintes características:

Construído com fita em poliéster com força de tensão entre 2.608 a 4.445 Kgf.

São absorvedores de energia atendendo os diversos tipos de trabalhos.

Atua como um dos componentes vitais de um sistema completo de proteção contra quedas, já que
limita as forças de impacto a no máximo 408 Kgf.

Possui de 5 a 7 pontos por polegada. São costurados com força para resistir a trabalhos pesados.

Expande a 1,82 m e contrai a 1,37 m.

Tem fita dupla 100% para ancoragem.

Tem gancho com travamento automático no centro, gancho de alumínio nas extremidades (abertura
2 ¼).

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Trava-Quedas

São equipamentos que oferecem segurança adicional ao usuário do


cinto de segurança, durante a execução de determinado serviço em que
exista a probabilidade de queda. Deve ser utilizado sempre a uma altura
superior a do tórax, nunca abaixo, já que a sua finalidade é reduzir as
forças de impacto no caso de queda-livre causada pelo rompimento do
cabo principal de sustentação.

Estes equipamentos são fabricados em material resistente à corrosão e apresentam facilidades de


movimentação ao usuário.

Existem vários modelos de trava-quedas, desde os mais simples ao


retrátil com guincho, que é composto por um dispositivo de proteção
contra quedas e resgate.

O modelo retrátil possui dispositivo de parada de emergência e é


tencionado por molas para os movimentos normais de trabalho.
Contudo, ao escorregar ou cair, o impulso da queda ativa os
mecanismos do freio impedindo a queda.

Cuidados a serem observados antes da utilização:

Antes de usá-lo, faça uma inspeção minuciosa de todo o conjunto, inclusive no cabo de sustentação
e posicionamento correto de travamento.

Evite pancadas fortes, contato com produtos químicos e/ou com areia.

Rádios

Durante a operação de resgate, o coordenador da equipe e os


coordenadores da unidade operacional usam rádios para se
comunicar.

Tipos de Nós

A técnica de fazer e utilizar um nó são recursos amplamente


utilizados para auxiliar resgate e prender equipamentos ou
ferramentas.

Vantagens dos nós:

têm baixíssima tendência de se soltar, mesmo sob tensão ou flexão, quando feitos corretamente;

a inspeção é fácil e é possível observar se estão corretamente executados;

é fácil aprender e lembrar como confeccioná-los.

Os nós podem ser: de ponta de corda, de meio de corda, de união entre cordas, de voltas.

Alguns tipos de nós utilizados em resgate:

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Nó oito simples ou oito duplo – utilizado para evitar o desfiamento da ponta de
uma corda, utilizado também por montanhistas para unir duas cordas.

Nó volta do fiel ou nó de porco – é utilizado para suportar bem a tensão, não


corre lateralmente e permite amarrar a corda a um ponto fixo.

Nó direito – utilizado para unir duas cordas da mesma espessura.

Nó direito alceado – como o nó direito simples é utilizado para unir dois cabos
da mesma espessura, porém possui uma alça que desata o nó quando o nó
direito não é permanente e precisa ser desfeito mais tarde.

Nó de frade ou final de linha – usado para criar um tensor na corda; pode servir
para parar uma roldana ou auxiliar na subida ou descida de uma corda como
nó de apoio.

Nó de correr com uma ou duas voltas – Utilizado com cordas de mesmo


diâmetro para unir dois cabos. Emendas de corda.

Nó oito simples ou oito duplo: evita desfiamento da ponta de uma corda.

Nó volta do fiel ou nó de porco: permite amarrar a corda a um ponto fixo.

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Prusik

São técnicas desenvolvidas, desenvolvidas pelo Dr. Karl Prusic, para dar nós em fitas ou cordas
utilizados por escaladores. Essa técnica de “Prusik” trás grande vantagem durante a escalada porque
deslizam antes de falhar mostrando escaladas quando estão sobrecarregados.

Paramentas para uso de nó de Prusik

Prusik duplos devem ser usados apenas para uso pessoal de escalada.

Prusik triplos devem ser usados para quase todas as outras aplicações, podendo ser usado com
segurança adicional em um nó de corda conectado à ancoragem.

Princípios da ancoragem

Todas as manobras de resgate e trabalhos em altura se iniciam pela escolha dos pontos de
ancoragem seguida das amarrações. A habilidade de escolher pontos de ancoragem é um dos
fundamentos do grupo de resgate de técnicos de altura.

71
12. ATENDIMENTO BÁSICO À VÍTIMA
Primeiros Socorros são os cuidados iniciais prestados à vítima e devem ser executados por pessoa
treinada, até que a chegada da assistência especializada para atender a vítima.

O principal objetivo do resgatista é manter a vida e evitar que lesões já existentes se agravem.

Nunca tente efetuar procedimentos para os quais não foi treinado.

Mantenha-se calmo.

Evite pânico

O resgatista não substitui o médico, portanto não pode liberar vítimas ou


prescrever tratamentos.

12.1. Avaliação do Cenário


Procedimentos que Antecedem a Abordagem

Respirar para manter a calma. Planejar as ações a serem executadas antes de abordar a vítima.

Observar o local para identificar possíveis riscos. O local deve oferecer total segurança

Acionar apoio especializado (equipe de resgate, profissional de saúde de bordo, sala de controle),
outros resgatistas.

Isolar a área para facilitar a atuação dos resgatistas e expor desnecessariamente outras pessoas
que não estejam envolvidas no socorro.

Providenciar proteção individual para evitar contaminação do resgatista (luva, óculos etc).

Caso a cena não esteja segura, não se aproxime e isole a área


até que a equipe de resgate chegue. O vigia deve cuidar da
sinalização e isolamento da área para prevenir novos acidentes.

Todas as precauções devem ser tomadas durante o exame e manipulação da vítima. Isto evita
lesões corporais ao resgatista, contaminação por agentes biológicos (microorganismos) ou
substâncias tóxicas presentes na superfície do corpo, sangue e secreções da vítima.

72
É obrigatório proteger as mãos durante a manipulação da vítima
com o uso de luvas impermeáveis (quando existir presença de
sangue ou secreções), devido aos riscos de contaminação, por
vírus da hepatite ou HIV, entre outros.

12.2. Estojo de Primeiros Socorros


Um kit básico deve conter:

ataduras de crepom colar cervical

compressas cirúrgicas cânula de guedel

gaze lanterna

tesoura com ponta romba pocket mask

esparadrapo ambu

luvas de látex prancha para remoção com imobilizadores


laterais de cabeça e cinto de segurança.
talas impermeabilizadas

A pocket mask deve ser usada para sua segurança no ato da ventilação.

Quando houver suspeita de presença de gás tóxico no ar, não se aproxime sem uso de equipamento
específico (EPR).

Se no local houver uma ou mais vítimas dever haver um líder entre os resgatistas, que deve ser o
indivíduo com maior nível de treinamento e conhecimento dos procedimentos.

Previna-se contra riscos, desabamento, incêndio, explosão, contaminação com produtos tóxicos (gás,
produto líquido tóxico), choque elétrico etc.

Em vítimas de trauma por queda, a informação sobre a altura da queda é muito importante.

A equipe de trabalhadores que se encontra dentro do espaço confinado deve informar rapidamente ao
vigia/observador a ocorrência de mal súbito ou acidentes. Imediatamente o vigia/observador aciona a
equipe de resgate e salvamento, que providenciará a retirada dos trabalhadores, através de técnicas e
equipamentos apropriados. Uma vez retirados, os trabalhadores são transportados para uma área
segura onde receberão atendimento especializado.

Enquanto a vítima aguarda a chegada da equipe de resgate e salvamento, cabe ao resgatista que está
no local, auxiliar na prestação de primeiros socorros básicos, desde que tome os cuidados necessários
para não agravar o estado das vítimas. O ambiente tem que estar seguro e não oferecer risco de
morte.

73
O mult gás deve ser utilizado para verificar se o ambiente está inseguro ou IPVS (imediatamente
perigoso à vida e à saúde). Em caso positivo, a equipe de trabalhadores deve sair imediatamente do
local utilizando técnicas de auto-resgate, enquanto a equipe de resgate e salvamento se prepara para
entrar ao local para efetuar o resgate das vítimas.

12.2.1. Parada Cardíaca – Parada Cardiorrespiratória (PCR)

É o exemplo mais importante de uma emergência. As manobras devem ser iniciadas dentro de um
período máximo de 4 minutos a partir da ocorrência, pois é o tempo médio que o cérebro resiste sem
oxigenação, sem que haja comprometimento.

Sinais observados:

 Ausência de respiração: pode preceder a parada cardíaca ou ocorrer após seu estabelecimento.

 Inconsciência: pode ocorrer antes ou suceder a parada cardíaca, mas é um sinal inespecífico. A
perda da consciência ocorre por causa da diminuição de oxigênio do cérebro.

 Dilatação da pupila (midríase): é relativamente tardia ocorrendo até 45 segundos após a Parada
Cardíaca, mas pode aparecer em outras situações sem que haja PCR (uso de drogas ilícitas).

 Aspecto de morte: com cianose (pele azulada) nas extremidades superiores e inferiores e palidez.
Também não é específico de PCR.

12.3. Abordagem Inicial da Vítima

12.3.1. Abordagem à Vítima

Após ter assegurado a sua própria proteção, o socorrista passa à etapa de socorro, propriamente dita
e dois procedimentos são de fundamental importância:

 A estabilização da coluna cervical e a avaliação do nível de consciência através de estímulo


verbal.

74
12.3.2. Algoritmo de Suporte Básico de Vida Simplificado

75
12.4. Reanimação Cardiopulmonar (RCP)

É um conjunto de medidas que têm o objetivo de oferecer oxigênio à vítima e manter o sangue
circulando pelos vasos sanguíneos.

 Verificar responsividade - Estímulo Verbal; Expansão torácica - Respiração.


 Reconheça e acione imediatamente o socorro especializado, com base nos sinais de que a vítima
não responde, e para o início da RCP se a vítima não responder, não apresentar respiração ou
apresentar respiração anormal (isto é apenas com gasping (respiração agônica).

Sequência da RCP: C-A-B

Compressão:

Iniciar compressões torácicas antes da ventilação, as


compressões torácicas fornecem fluxo sanguíneo vital ao
coração e ao cérebro;

A frequência de compressões deve ser, no mínimo, de 100 por


minuto.

O esterno adulto deve ser comprimido, no mínimo, 2 polegadas


(5 cm).

Abrir vias aéreas:

Mantenha a cabeça da vítima em posição neutra.

Boa ventilação:

Realize duas ventilações

Modo de realizar RCP

76
Manobra de Reanimação Cardiorrespiratória

Trata-se de um conjunto de medidas que têm por objetivo oferecer oxigênio à vítima e manter o sangue
circulando pelos vasos sanguíneos.

Principais manobras: compressão torácica (suporte circulatório), desobstrução de vias aéreas, suporte
respiratório, respiração máscara-boca (sempre que o socorrista tenha condições para fazê-lo e sinta-se
seguro).

A manobra de reanimação cardiopulmonar deve ser iniciada dentro de um período máximo de 4 minutos
a partir da ocorrência, pois é o tempo médio que o cérebro resiste sem oxigenação sem que haja
comprometimento.

 Posicione a vítima em uma superfície plana e rígida.

 Ajoelhe-se ao lado da vítima, colocando a região hipotênar (calcanhar das mãos) de uma das mãos
em cima do osso esterno, situado no centro da linha média intermamilar, mantendo esta mão aberta e
inclinada para que só a parte detrás comprima o osso e a outra mão em cima da primeira, sendo esta
com os dedos entrelaçados, a fim de lhe oferecer maior apoio.

 Mantenha os braços esticados formando um ângulo de 90° em relação ao tórax da vítima.

 Comprima em uma frequência rápida aproximadamente de 5 centímetros de forma que se bombeie


o sangue do interior do coração para os diversos tecidos do corpo, garantindo principalmente a
oxigenação cerebral.

 Realize 30 compressões seguidas de 2 ventilações

 A cada ciclo de 5 ciclos realize o rodízio do compressor em caso de cansaço.

Na ausência de equipamentos para realizar as ventilações, é aconselhável que o


socorrista leigo treinado realize somente compressões torácicas (no mínimo 100 compressões
por minuto). American Heart Association – diretrizes 2010 para RCP.

77
Com a nova sequência “compressões torácicas primeiro”, a RCP será executada se o adulto não
estiver respondendo e nem respirando ou não respirando normalmente (como já mencionado, os
socorristas leigos serão instruídos a aplicar a RCP se a vítima que não responde “não estiver respirando
ou estiver apenas com gasping”). A sequência da RCP começa com compressões (sequência C-A-B).
Logo, a respiração é verificada rapidamente como parte da verificação quanto PCR; após a primeira
série de compressões torácicas, a via aérea é aberta e o socorrista aplica duas ventilações.

Obs.: Todos os socorristas leigos treinados devem, no mínimo, aplicar compressões torácicas
em vítimas de PCR (Parada Cardiorrespiratória). Além disso, se o socorrista leigo treinado puder realizar
ventilações de resgate, as compressões e as ventilações devem ser aplicadas na relação de 30
compressões para cada 2 ventilações. O socorrista deve continuar a RCP (Reanimação Cardiopulmonar)
até que o profissional de saúde assuma os cuidados com a vítima. (American Heart Association –
diretrizes 2010 para RCP).

78
12.4.1. Avaliação Secundária
Descubra o paciente para observar a presença de lesões graves tais como traumatismos penetrantes, e
verifique a presença de fraturas em áreas cobertas pelas roupas.

Avaliação da cabeça:

 Verifique a presença de sangramentos, lesões no rosto e


crânio; avalie a cor da pele e da face.

 Dê muita atenção para o crânio, olhos, boca e orelhas.

Avaliação do pescoço:

 Observe lesões perfurantes, edema e hemorragias externas

 Palpe as artérias carótidas (uma de cada vez);

 Observe a centralização e integridade da traquéia.

 Após completar o exame, coloque o colar cervical.

Avaliação do Tórax

 Procure por ferimentos, hematomas, perfurações,


deformidades e movimentos respiratórios anormais.

 Observe as clavículas;

 cheque se há ocorrência de dor ao papar o tórax.

Avaliação do Abdômen

 Verifique a presença de ferimentos, perfurações e


sangramentos;

 Palpe delicadamente deste equipamento.

 Palpe delicadamente o abdômen, para checar se há dor.

Avaliação extremidades superiores e inferiores

Observar a presença de ferimentos, deformidades, lesões com exposição óssea e hemorragias.

79
Palpar as superfícies ósseas procurando determinar a presença de fraturas. Testar a sensibilidade dos
membros ao toque, comparando ambos os lados.

Executar movimentos suaves de flexão e extensão das articulações.

Suspeite de lesão de coluna cervical em toda vítima de trauma que esteja


desacordada ou com ferimentos no tórax, cabeça e/ou pescoço.

12.5. Outras Situações de Emergência

12.5.1. Hemorragia

Hemorragia é a perda de sangue do interior de um vaso sangüíneo (artéria, veia ou capilar).

Considerado o tipo de vaso lesado a hemorragia pode ser:

Arterial: perda de sangue de uma artéria. Sangramento de coloração é vermelho-clara (rico em O2) e
em jato (a pressão é maior nas artérias). Quando ocorre em grandes artérias é mais difícil controlar.

Venosa: perda de sangue de uma veia. Ocorre um sangramento, geralmente de coloração vermelho-
escura (rico em CO2) e contínuo, que escorre pelas bordas da ferida.

Capilar: perda de sangue causada pelo rompimento dos capilares sanguíneos, são vasos sanguíneos
muito pequenos.

Quanto à localização a hemorragia classifica-se em:

Externa: visível porque extravasa para fora do corpo. Geralmente pode ser controlada utilizando
técnicas básicas de primeiros socorros, (quando ocorre em ferimentos em geral, hemorragias de
fraturas abertas.)

Interna: o sangue extravasa para o interior do próprio corpo. Geralmente não é visível, a não ser numa
situação de sangramento no estômago, em que a vítima vomita sangue. Os traumas contusos são as

80
principais causas de hemorragia interna (acidentes de trânsito, quedas, chutes e explosões). As
medidas pré-hospitalares básicas geralmente não funcionam.

Toda hemorragia deve ser controlada imediatamente, pois um sangramento


abundante pode levar à morte.

Medidas de Controle de Hemorragias Externas:

 Manipule a vítima com luvas para proteger as mãos;

 Eleve se possível, o local do sangramento acima do nível do coração. Não elevar os membros que
tiverem com sinais de fratura ou luxação;

 Coloque compressa sobre o ferimento, pressionando com firmeza durante alguns minutos. Use uma
compressa limpa e seca (gaze). Caso a compressa fique encharcada de sangue, coloque outra
compressa sem retirar a primeira. Se não dispuser de compressa, pressione o vaso (artéria ou veia)
lesionado com as mãos firmemente;

 Fixe a compressa sobre o ferimento com bandagem (tira de pano, gravata, cinto);

 Mantenha a vítima agasalhada em casos de tremores;

 Não limpe ou lave o ferimento, pois o coágulo formado poderá soltar-se, provocando nova perda de
sangue;

 Se suspeitar de lesão interna, apenas umedeça os lábios da vítima com água, pois ela não pode
ingerir nada;

 Nos ferimentos de pouca gravidade, pode-se lavar bem com água e sabão.

Torniquete

Procedimento utilizado para contenção de sangramentos vultosos. É indicado somente quando todas as
outras técnicas para contenção de hemorragia forem ineficazes. Muito cuidado ao realizar este
procedimento.

Procedimento

 O torniquete deve ser realizado com uma bandagem resistente com pelo menos 3 cm de largura
envolvendo o membro com a mesma;
 Meça cinco centímetros (aproximadamente) acima do ferimento;
 Aperte com uma haste rígida rosqueando até que o sangramento cesse;
 Mantenha apertado por no máximo 5 minutos e afrouxe por alguns segundos apertando em
seguida por mais 5 min. E assim sucessivamente até a chegada do socorro especializado.

81
IMPORTANTE
Para a retirada do torniquete, faça-o de forma lenta e gradual.
Nunca use arame, corda, barbante ou outros materiais muito finos para evitar a
lesionamento da pele.

Conduta em Outras Hemorragias

Hemorragia nasal (epistaxe):

 Mantenha a vítima sentada, mantendo sua cabeça em posição vertical;


 Aperte as narinas por 5 minutos (aproximadamente);
 Peça à vítima que respire pela boca;
 Leve a vítima para avaliação com o profissional de saúde da unidade, mesmo que a hemorragia
pare;

Hemorragia dos pulmões (hemoptise):


 Sangue de cor vermelha forte é eliminado durante acesso de tosse.
 Coloque a vítima deitada em decúbito dorsal (barriga para cima) com a cabeça voltada para um dos
lados, no mesmo nível do corpo.
 Não administre medicamentos, líquidos ou alimentos ao paciente. Mantenha a vítima em jejum.
 Consiga atendimento médico rapidamente, pois é uma emergência.

Hemorragia do aparelho digestório - esôfago, estômago, intestino - (hematêmese)

O paciente tem náuseas e o sangue é eliminado com o vômito. O sangramento pode ser vermelho vivo
ou cor em “borra de café”. Em alguns casos, o sangue pode ser eliminado pelas fezes, que saem
pastosas e com a cor preta como o piche.

 Não ofereça nenhum tipo de alimento ou líquido


 Certifique-se da respiração
 Transporte a vítima o quanto antes para assistência especializada com a cabeça lateralizada.

Em caso de suspeita de hemorragia interna somente avalie os sinais vitais,


monitorando a vítima e nunca forneça água.

82
12.5.2. Queimaduras

São lesões em determinada parte do organismo desencadeada por um agente físico, químico ou
biológico.

Classificação das queimaduras pela profundidade/grau:

Classificação das queimaduras pela profundidade/grau

Primeiro grau

Segundo grau

Terceiro grau

A pele é maior órgão do corpo humano e funciona como barreira contra a perda de água e calor, tendo
também papel importante na proteção contra infecções.

As queimaduras podem ser causadas pelo calor, frio, corrente elétrica, produtos químicos ou pela
radiação (exposição à luz solar ou fontes nucleares).

Dependendo da localização, extensão ou grau de profundidade, podem significar perigo para a vida.

Queimadura É a queimadura mais superficial e


de 1º grau caracteriza-se por deixar a pele
avermelhada, inchada e a extremidade
dolorida

83
Queimadura Caracteriza-se pelo aparecimento da
de 2º grau bolha. Tem uma profundidade
intermediária.

Queimadura Caracteriza-se pelo aparecimento de


de 3º grau uma zona de morte tecidual (necrose).
É a mais profunda e a mais grave.

Extensão da área queimada

Avaliação que calcula a porcentagem da superfície do corporal queimada (SCQ). O método mais
usado é a regra dos nove.

Definição de Grande Queimado

1º grau > 25% de (SCQ) em adultos

2º grau > que 20% de SCQ em crianças

3º grau > 10% de SCQ em qualquer faixa etária

Associação com traumatismos graves


4¹/2
Muitas vítimas apresentam queimaduras elétricas, inalação de
fumaça, lesões em mãos, pés, face, olhos e períneo.

Queimados com lesões moderadas, mas de alto risco clínico 18


4¹/2 18 4¹/2 4¹/2
(diabéticos, cardíacos).

Regra dos Nove


9 9 9 9
cabeça e pescoço: 9%

região genital: 1%

tronco: total: 36%

região anterior do tórax: 9%, região posterior do tórax: 9%, abdômen: 9%, região lombar: 9%

84
Membro superior: 9% (cada) sendo: braço: 4.5% e antebraço: 4.5%

Membro inferior: 18% (cada) sendo: coxa: 9% e perna 9%

Ações Imediatas à Vítima Queimada

Romper a fonte de calor

Resfriar a área atingida com água limpa e corrente

Alertar para o risco de hipotermia nos grandes queimados

Não furar as bolhas.

Não retirar sujeira impregnada.

Não tocar a área queimada com as mãos.

Não usar pomadas sem orientação do profissional de saúde.

Não retirar objetos grudados na queimadura.

Não utilizar pó de café, pasta de dente, óleo, manteiga, vinagre, terra etc.

85
12.5.3. Fraturas

É a ruptura total ou parcial da estrutura óssea, podendo ser fechada ou aberta.

Fratura fechada: Não há o rompimento da pele.

Fratura aberta: Há o rompimento da pele, muitas vezes


causado pelo próprio fragmento ósseo, ficando o osso em
contato com o meio ambiente, facilitando a contaminação por
bactérias e o risco de infecção.

Como reconhecer:

• Compare o membro suspeito com o correspondente não comprometido;

• Procure deformações (angulações, encurtamentos, etc.);

• Palidez e cianose nas extremidades;

• Crepitação;

• Ferimentos;

• Dor á manipulação delicada (solicite que o paciente movimente, não force o movimento);

• Inchaço;

Algumas fraturas de extremidade podem oferecer risco imediato, por causa de complicações
associadas, como por exemplo:

 Esmagamento com contaminação (graxa, terra, etc.);

 Fratura aberta nos cotovelos e joelhos pode resultar em trauma vascular grave;

 Amputação traumática de membros atingindo grandes vasos. Exemplo: Artéria femural.

Conduta

Fratura fechada

 Alinhar o membro, quando possível (tracionando) segurando sempre em duas articulações


próximas da fratura;
 Se encontrar grande resistência, imobilize na posição encontrada;
 Imobilize com tala ou material rígido. A imobilização deve atingir uma articulação acima e outra
abaixo da fratura;
 Procure movimentar a parte afetada o menos possível.

86
Fratura aberta

 Alinhe o membro, quando possível (tracionando);


 Se encontrar grande resistência, imobilize na posição encontrada;
 Faça um curativo com gaze ou pano limpo no local do ferimento;
 Controle a hemorragia, evitando pressionar firmemente;
 Imobilize com tala ou material rígido;

Imobilização

Princípios básicos:

• Mantenha a vítima (preferencialmente) deitada em decúbito dorsal (barriga para cima);


• Descubra a lesão cortando a roupa da vítima;
• Remova anéis e braceletes que podem comprometer a circulação;
• Coloque as extremidades da vítima em posição anatômicas e alinhadas quando possível. Caso
haja resistência, imobilize o membro afetado na posição encontrada;
• Não tente reduzir (colocar osso no lugar) fratura. Isto é trabalho do especialista;
• A imobilização deve incluir uma articulação acima e uma abaixo do ponto da fratura. Assim o
comprimento da tala utilizada deve ultrapassar estas duas articulações;
• Fixe as talas com bandagens;
• Na ausência de talas próprias para imobilização, o socorrista deverá utilizar materiais de
improviso como papelão, pedaço de madeira, travesseiro etc.

Fratura no crânio

Traumatismo craniano, acompanhado de sangramento no cérebro. Se não tratado a tempo e


adequadamente pode levar à morte.

Sinais e sintomas de fratura no crânio (TC):

Dores;

Hematomas na calota craniana;

Vômito;

Hemorragia nasal, pela boca e/ou ouvidos;

Alteração do ritmo respiratório e/ou parada cardíaca;

Inconsciência.

Conduta

Manter monitoramento dos sinais vitais e

87
Levar imediatamente para assistência especializada com a cabeça ligeiramente mais alta que o
restante do corpo.

Fratura de coluna

Traumatismos violentos podem levar a fratura de coluna, com possibilidade de lesão na medula
espinhal e comprometimento neurológico irreversível. Em casos de acidentes por desaceleração ou
choque violento, previna sempre esta possibilidade.

Conduta

Não vire ou flexione pessoa com suspeita de lesão na coluna;

Estabilize o pescoço com colar cervical. Na falta deste, improvise;

Transporte o vítima sobre superfície plana e rígida, fixado de maneira a permanecer imóvel. Evite
qualquer situação que possa movimentar a vítima e o deslocamento da coluna (freadas, balanços)

Monitore os sinais vitais.

Fratura nas costelas

As fraturas nas costelas podem produzir lesão interna e nos pulmões,


causando pneumotórax (ar dentro da cavidade pleural) ou hemorragias,
comprometendo a dinâmica respiratória.

Sinais e sintomas:

Respiração difícil;

Dores a cada movimento respiratório.

Conduta

Fazer a vítima expirar e imobilizar o tórax com ataduras, sem apertar muito para não impedir o
movimento respiratório;

Levar a vítima para atendimento especializado.

12.5.4. Lesões na Coluna Vertebral

O tratamento mal conduzido em lesões de coluna vertebral pode ocasionar a morte ou incapacidade
permanente. Aproximadamente l0% das lesões medulares são causadas por manipulação incorreta
das vítimas de trauma.

88
Cuidados imediatos

Mantenha a vítima imóvel e agasalhada.

Cuide para não agravar a lesão em caso de necessidade de aplicar respiração máscara-boca;

Improvise com papelão, ou enrolando uma toalha, camisa, imobilizando com um cinto sem apertar,
para não sufocar a vítima, se a lesão for na região cervical (pescoço) e não houver um colar
disponível;

Deve-se suspeitar de lesão de coluna cervical em todas as vítimas de trauma.

Para transportar uma vítima com lesão na coluna vértebra utilize uma superfície plana e rígida, evite
trancos e balanços bruscos, imobilize a região fraturada e levante a vítima uniformemente.

12.5.5. Outras Lesões

Luxações: são lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é
deslocada de seu lugar. O dano aos tecidos pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos, nervos
e a cápsula articular.

Entorses:um dos ossos da articulação se desloca da casula articular e


retorna para a articulação (vai e volta). Podem ser de grau mínimo ou
grave causando ruptura completa do ligamento. As formas graves
produzem perda da estabilidade da articulação, às vezes
acompanhada por luxação.

Distensões: lesões de músculos ou seus tendões. Geralmente são


causadas por hiperextensão ou por contrações violentas. O grau de lesão é
variável, podendo ser mínimo ou grave com ruptura do tendão.

Conduta: Manter a região afetada imóvel para não agravar a lesão. Imobilizar
com talas e ataduras de crepom, caso não tenha recurso improvisar a
imobilização.

12.6. Equipamentos de Imobilização

89
Bandagens: são a única opção pré-hospitalar para imobilização de fraturas de clavícula, de cabeça do
úmero e da escápula. São utilizadas bandagens triangulares e em gravata que oferecem a
possibilidade de confecção de tipóias e de auto-imobilização.

Imobilizadores Rígidos (Talas): são adaptados ao corpo para manter a estabilidade. Podem ser de
madeira, papelão, alumínio. A fixação do imobilizador é feita através de
bandagens. Podem ser usadas tiras de pano, ataduras, fitas ou qualquer outro
material disponível. Não apertar muito para não prejudicar a circulação
sangüínea. Para acolchoar as talas, use panos ou ataduras. São úteis
especialmente em lesões de mãos, pés, punhos, tornozelos, antebraços e
pernas.

12.6.1. Princípios Básicos de Imobilização

Mantenha a vítima (preferencialmente) deitada em decúbito dorsal (barriga para cima);

Descubra a lesão cortando a roupa da vítima;

Remova anéis e braceletes que podem comprometer a circulação (quando possível);

Coloque as extremidades da vítima em posição anatômicas e alinhadas quando possível, caso haja
resistência, imobilize o membro afetado na posição encontrada;

Não tente reduzir (colocar osso no lugar) fratura, isto é trabalho do especialista;

A imobilização deve incluir uma articulação acima e uma abaixo do ponto da fratura. assim o
comprimento da tala utilizada deve ultrapassar estas duas articulações;

Fixe as talas com bandagens;

Eleve a extremidade após o procedimento se possível.

Na ausência de talas próprias para imobilização, o resgatista deverá utilizar materiais de improviso
como papelão, pedaço de madeira, travesseiro etc.

12.7. Transporte de Acidentado


São técnicas utilizadas para remover a vítima para um local seguro. A presença de riscos no local
(incêndio, explosão etc), o número de pessoas disponíveis para o transporte, a gravidade da vítima e o
local onde a vítima se encontra influenciam na escolha do tipo de resgate.

90
O transporte de vítimas de traumatismos é atividade especializada, que deve ser conhecida e praticada
por todos os resgatistas. O transporte de vítimas é um determinante da boa prestação de primeiros
socorros.

O transporte realizado com a técnica incorreta, não só é arriscado para a vítima, mas também para o
próprio resgatista, que pode desenvolver uma lesão muscular ou de coluna. Antes de iniciar qualquer
atividade de remoção e transporte de vítimas, o resgatista tem por obrigação:

verificar se a vítima está respirando e se mantém batimentos cardíacos;

verificar se há sangramento, o qual deve ser controlado antes de transportá-la;

imobilizar as fraturas se houver tempo.

12.7.1. Transporte de Vítima com Suspeita de Lesão na Coluna Vertebral

Feito em superfície rígida: o decúbito dorsal (deitado de costas) é a posição ideal, pois permite a
estabilização da coluna e início das medidas de suporte de vida. A vítima deve permanecer
estabilizada manualmente até estar fixada no imobilizador. O colar cervical, isoladamente, não é um
bom imobilizador, pois não impede totalmente os movimentos da coluna cervical.

As técnicas mais utilizadas são as manobras de rolamento.

O princípio básico consiste em um dos resgatistas estabilizar manualmente a cabeça e coluna cervical
da vítima, enquanto outros dois resgatistas (se possível, três) movimentam a vítima em bloco, de
maneira sincronizada. Deve-se sempre respeitar a estabilização da coluna vertebral como um todo,
movimentando a vítima em bloco.

As técnicas mais utilizadas são as manobras de rolamento.

Rolamento de 90º: Utilizado para vítimas em decúbito dorsal (barriga para cima).

Técnica

Um dos resgatistas estabiliza a cabeça da vítima por trás (líder);

Outro resgatista (auxiliar) coloca o colar cervical.

91
Um dos resgatistas posiciona a prancha paralelamente à vítima, do lado oposto ao do rolamento;

Dois auxiliares se ajoelham, lado a lado, ao nível dos ombros e joelhos da vítima;

Rola-se a vítima em bloco ao comando do líder, até a posição de decúbito lateral, para o lado onde
estão os resgatistas auxiliares;

A prancha é deslizada até encostar-se ao corpo da vítima;

Após o comando do resgatista líder, a vítima é devolvida, em bloco ao decúbito dorsal sobre a
prancha;

Ajustar a vítima sobre a prancha na posição a cavaleiro, com movimentos únicos para baixo e para
cima da prancha até o alinhamento perfeito da vítima;

Manter, todo o tempo, a estabilização manual da cabeça e pescoço;

Fixar o tronco, membros superiores e inferiores e extremidades com os cintos e

Fixar a cabeça da vítima com os imobilizadores laterais.

Rolamento de 180º

Utilizado para vítimas encontradas em decúbito ventral (deitado de barriga para baixo)

Transporte na prancha longa

A prancha longa é um recurso para resgate vertical e horizontal. Geralmente é construída em madeira,
mas também pode ser feita de plástico injetado. Necessita-se de três cintos ou fitas de segurança para
fixação de tronco e membro e de um imobilizador lateral para cabeça, visando evitar a movimentação
desta durante o transporte.

O princípio básico consiste em um dos socorristas estabilizar manualmente a cabeça e pescoço da


vítima, enquanto outros dois socorristas (se possível três) movimentam a vítima em bloco, de maneira
sincronizada. Deve-se sempre respeitar a estabilização da coluna, movimentando a vítima em bloco.

92
Técnica

O resgatista líder fica atrás da cabeça da vítima e inicia a estabilização manual.

Posicione a prancha paralelamente ao corpo da vítima, para o lado que o rolamento será feito.

Os dois auxiliares se colocam ajoelhados sobre a prancha, ao nível de seus ombros e quadris;

Após o comando do líder, role a vítima 90º, em bloco, para o lado da prancha, deixando-a em decúbito
lateral;

Os auxiliares saem da prancha, ajoelhando-se no solo;

O líder comanda o novo rolamento da vítima sobre a prancha;

Coloque o colar cervical e fixe a cabeça da vítima com os imobilizadores laterais.

No rolamento 180º a prancha deverá ser posicionada ao lado em que aponta


a nuca da vítima e as mãos do líder serão posicionadas com os dedos
polegares voltados para a face da vítima, nunca direcionados para a nuca.

Ao iniciar os rolamentos, o líder deve sustentar o peso da cabeça da vítima


para que a não ocorra o movimento pendular o que, se acontecer, poderá
ocasionar complicações para vítima.

93
Glossário

Abertura de linha: abertura intencional de um duto, tubo, linha, tubulação que está sendo utilizada ou
foi utilizada para transportar materiais tóxicos, inflamáveis, corrosivos, gás, ou qualquer fluido em
pressões ou temperaturas capazes de causar danos materiais ou pessoais visando a eliminar energias
perigosas para o trabalho seguro em espaços confinados.

Análise de Risco: processo ou conjunto de técnicas, cujo objetivo consiste na execução de uma
análise de segurança da instalação, de forma ampla, como também de seus possíveis riscos, incluindo
os seguintes aspectos:

Todas as substâncias inflamáveis, explosivas ou reativas presentes na instalação, que possam


representar risco;

Medidas de prevenção de acidentes;

Medidas para controle das conseqüências de acidentes para os trabalhadores e para pessoas que
vivem ou trabalham fora da instalação ou para o meio ambiente.

Análise Preliminar de Perigo (APP): avaliação inicial dos perigos potenciais, suas causas,
conseqüências e medidas de controle.

Aprisionamento: condição de retenção do trabalhador no interior do espaço confinado, que impeça


sua saída do local pelos meios normais de escape ou que cause lesões ou morte do trabalhador.

Área classificada: área na qual uma atmosfera explosiva de gás está presente ou na qual é provável
sua ocorrência a ponto de exigir precauções especiais para construção, instalação e utilização de
equipamento elétrico.

Área de Segurança: área em torno do acesso ao equipamento, sinalizada de forma que proíba a
produção de chama ou centelhas e acesso de pessoas não autorizadas ao equipamento confinado.

Atmosfera IPVS: Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde.

Atmosfera de risco: Condição em que a atmosfera, em um espaço confinado, ofereça riscos ao local
e exponha os trabalhadores ao perigo de morte, incapacitação, restrição da habilidade para auto-
resgate, lesão ou doença aguda causada por uma ou mais das seguintes causas:

Gás/vapor ou névoa inflamável em concentrações superiores a 10% do seu limite inferior de


explosividade (LIE) ou LOWER EXPLOSIVE LIMIT (LEL)

Poeira combustível, em concentração dentro da faixa de inflamabilidade ou explosividade.

Notas:

Misturas de pós combustíveis com ar somente podem sofrer ignição dentro de suas faixas explosivas,
as quais são definidas pelo limite inferior de explosividade (LIE) e o limite superior de explosividade
(LSE). O LIE está geralmente situado entre 20 g/m³ e 60 g/m³ (em condições ambientais de pressão
e temperatura) ao passo que o LSE situa-se entre 2 e 6 kg/m³ (nas mesmas condições ambientais de

94
pressão e temperatura); se as concentrações de pó puderem ser mantidas fora dos seus limites de
explosividade, as explosões de pó serão evitadas.

As camadas de poeiras, diferentemente dos gases e vapores, não são diluídas por ventilação ou
difusão após o vazamento ter cessado.

A ventilação pode aumentar o risco, criando nuvens de poeira, resultando em aumento da extensão.

As camadas de poeira depositadas podem criar um risco cumulativo, enquanto gases ou vapores não.

Camadas de poeira podem ser objeto de turbulência inadvertida e se espalharem, pelo movimento de
veículos, pessoas, etc.

Concentração de oxigênio atmosférico abaixo de 19,5% ou acima de 23% em volume.

Concentração atmosférica de qualquer substância cujo limite de tolerância seja publicado na NR-15 do
Ministério do Trabalho e Emprego ou em recomendação mais restritiva (ACIGIH), e que possa resultar
na exposição do trabalhador acima desse limite de tolerância;

Qualquer outra condição atmosférica imediatamente perigosa à vida ou à saúde – IPVS.

Nota: IPVS – também é conhecido com IDLH – Immediately dangerous to health and life.

Atmosfera pobre em oxigênio: atmosfera contendo menos de 19,5% de oxigênio em volume.

Atmosfera rica em oxigênio: atmosfera contendo mais de 23% de oxigênio em volume.

Avaliações iniciais da atmosfera: conjunto de medições preliminares realizadas na atmosfera do


espaço confinado.

Auto-resgate: capacidade desenvolvida pelo trabalhador através de treinamento que possibilita seu
escape com segurança do ambiente confinado em que entrou em IPVS.

Base técnica: conjunto de normas, artigos, livros, procedimentos de segurança de trabalho, e demais
documentos técnicos utilizados para implementar o Sistema de Permissão de Entrada e Trabalho em
espaços confinados.

Boca de visita: abertura localizada na geratriz superior do tanque, que permite o acesso ao seu
interior.

Bloqueios: dispositivos que impedem a liberação de energias perigosas tais como: pressão, vapor,
fluidos, combustíveis, água, esgotos e outros.

Chama aberta: mistura de gases incandescentes emitindo energia, que é também denominada chama
ou fogo.

Condições de entrada: condições ambientais que permitem a entrada em um espaço confinado onde
haja critérios técnicos de proteção para riscos atmosféricos, físicos, químicos, biológicos e/ou
mecânicos que garantam a segurança dos trabalhadores.

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Condição IPVS: Qualquer condição que coloque um risco imediato de morte ou que possa resultar em
efeitos à saúde irreversíveis ou imediatamente severos ou que possa resultar em dano ocular, irritação
ou outras condições que possam impedir a saída de um espaço confinado.

Condição proibitiva de entrada: Qualquer condição de risco que não permita a entrada em um
espaço confinado.

Contaminantes: referem-se aos gases, vapores, névoas, fumos e poeiras presentes na atmosfera do
espaço confinado.

Deficiência de Oxigênio: atmosfera contendo menos de 19,5% de oxigênio em volume.

Engolfamento: é a captura de uma pessoa por líquidos ou sólidos finamente divididos que possam ser
aspirados, causando a morte por enchimento ou obstrução do sistema respiratório. Pode ainda exercer
força suficiente no corpo para causar morte por estrangulamento, constrição ou esmagamento.

Equipamentos de resgate: Materiais necessários para a equipe de resgate utilizar nas operações de
salvamento em espaços confinados.

Equipamento intrinsecamente seguro (Ex-i): Situação em que um equipamento não libere energia
elétrica (faísca) ou térmica suficiente para, em condições normais (isto é, abrindo ou fechando o
circuito) ou anormais (curto-circuito ou falta à terra), causar a ignição de uma dada atmosfera
explosiva, conforme expresso no certificado de conformidade do equipamento.

Espaço confinado simulado: Espaço confinado representativo em tamanho de abertura, configuração


e meios de acesso para o treinamento do trabalhador, que não apresenta riscos.

Diagrama de Fluxo: representação gráfica do fluxo do processo de produção e/ou armazenagem e/ou
transferência de líquidos combustíveis, líquidos inflamáveis e gases inflamáveis.

Enriquecimento de Oxigênio: atmosfera contendo mais de 23% de oxigênio em volume.

Folha de Permissão de Entrada (FPE): documento contendo o conjunto de medidas de controle,


visando a entrada e desenvolvimento de trabalho seguro, medidas de emergências e resgate em
espaços confinados.

Etiquetagem: colocação de rótulo num dispositivo isolador de energia para indicar que o dispositivo e
o equipamento a ser controlado não podem ser utilizados até a sua remoção.

Faísca: partícula candente gerada no processo de esmerilhamento, polimento, corte ou solda.

Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: conjunto de medidas


técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e coletivas necessárias para garantir o trabalho
seguro em espaços confinados.

Inertização: deslocamento da atmosfera por um gás inerte, resultando numa atmosfera não
combustível.

Intrinsecamente Seguro: situação em que o equipamento não é capaz de liberar energia elétrica ou
térmica suficientes, para em condições normais ou anormais, causar a ignição de uma dada atmosfera

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explosiva, conforme expresso em situações peculiares, tais como trabalhos a quente, atmosferas IPVS
ou outras.

Incidente: qualquer evento não programado que possa indicar a possibilidade de ocorrência de
acidente.

Lacre: braçadeira ou outro dispositivo que precise ser rompido para abrir um equipamento.

Leitura direta: dispositivo ou equipamento que permite realizar leituras de contaminantes em tempo
real.

Isolamento: Separação física de uma área ou espaço considerado próprio e permitido para o
adentramento de uma área ou espaço considerado impróprio (perigoso) e não preparado para o
adentramento.

Medidas Especiais de Controle: medidas adicionais de controle necessárias para permissão de


trabalho em espaços confinados em situações peculiares, tais como trabalhos a quente, atmosferas
IPVS ou outras.

Metodologia de Análise de Risco: tipos de processo ou de técnicas de execução de análise de risco


da instalação ou parte dela.

Ordem de Bloqueio: ordem de suspensão de operação normal de espaço confinado.

Ordem de Liberação: ordem de reativação de operação normal do espaço confinado.

Oxigênio puro: atmosfera contendo somente oxigênio (100 %).

Permissão de Entrada e Trabalho (PET): documento escrito contendo o conjunto de medidas de


controle visando à entrada e desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e
resgate em espaços confinados.

Permissão de Trabalho: é um documento emitido por pessoa qualificada e credenciada para tanto
pela empresa e deve identificar de forma objetiva e sucinta o serviço a ser executado. Trabalhadores
responsáveis pela execução, os riscos existentes, as medidas de controle dos mesmos e também as
restrições de uso de equipamentos geradores de fontes de ignição.

Proficiência: competência, aptidão, capacidade e habilidade aliadas à experiência.

Programa de Proteção Respiratória: conjunto de medidas práticas e administrativas necessárias


para proteger a saúde do trabalhador pela seleção adequada e uso correto dos respiradores.

Programa para entrada em espaço confinado: Programa geral do empregador ou seu


representante, com habilitação legal, elaborado para controlar e proteger os trabalhadores de riscos
em espaços confinados e para regulamentar a entrada dos trabalhadores nestes espaços.

Purga: método pelo qual gases, vapores e impurezas são retirados dos espaços confinados.

Quase-acidente: qualquer evento não programado que possa indicar a possibilidade de ocorrência de
acidente.

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Responsável Técnico: profissional habilitado e qualificado para identificar os espaços confinados
existentes na empresa e elaborar as medidas de engenharia, administrativas, pessoais e de
emergência e resgate.

Risco Grave e Iminente: Qualquer condição que possa causar acidente de trabalho ou doença
profissional com lesão grave à integridade física do trabalhador.

Riscos psicossociais: influência na saúde mental dos trabalhadores, provocada pelas tensões da
vida diária, pressão do trabalho e outros fatores adversos.

Salvamento: procedimento operacional padronizado, realizado por equipe com conhecimento técnico
especializado, para resgatar e prestar os primeiros socorros a trabalhadores em caso de emergência.

Sistema de Permissão de Entrada em Espaços Confinados: procedimentos escritos para preparar


uma permissão de entrada segura e para retorno do espaço confinado ao serviço depois do termino
dos trabalhos.

Supervisor de Entrada: técnico encarregado para operacionalizar a permissão de entrada,


responsável pelo acompanhamento, comunicação e ordem de abandono para os trabalhadores.

Travas: dispositivo que utiliza um meio tal como chave ou cadeado para garantir isolamento de
dispositivos que liberem energia elétrica ou mecânica.

Profissional Legalmente Habilitado: aquele que tem competência legal e habilitação exigida por lei.

Sistema de Segurança: dispositivos para a prevenção de acidentes no processo de produção,


armazenagem, transferência e/ou manuseio de líquidos combustíveis, líquidos inflamáveis e gases
inflamáveis.

Trabalhador Autorizado: é aquele designado pela empresa para assegurar o comprimento de uma ou
mais tarefas especificas e que possua conhecimento e experiência suficientes para o desempenho de
tais tarefas.

Trabalhador Capacitado: é aquele que recebeu treinamento na empresa ou mediante curso


ministrado por instituição pública e privada, desde que sob supervisão de profissional legalmente
habilitado.

Trabalho a Frio: todo trabalho que não requer o uso de chama, nem operação de que resulte
temperatura elevada ou centelha.

Trabalho Quente: todo trabalho que requer o uso de chama a descoberto ou operação capaz de
produzir temperatura elevada ou centelha.

Vigia: trabalhador designado para permanecer fora do espaço confinado e que é responsável pelo
acompanhamento, comunicação e ordem de abandono para os trabalhadores.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. Advanced trauma life support.1997. Chicago.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Postos de Serviços – Entrada em Espaço


Confinado: NBR 14606.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Espaço Confinado - Prevenção de Acidentes,


Procedimentos e Medidas de Proteção: NBR 14787.

BASIC Trauma Life Support Guide.

CANETTI, Marcelo Domingues. Protocolos Médicos Avançados de Atendimento Pré-Hospitalar do


GSE/CBMERJ 2003. São Paulo: Editora Atheneu.

INTERNATIONAL Medical Guide for Ships,

JORDÃO, Dácio Miranda. Manual de Instalações Elétricas em Indústrias Químicas, Petroquímicas e


Petróleo. Rio de Janeiro: QualityMark, 2004.

Manual de Equipamentos Utilizados em Resgate e Trabalhos em Espaços Confinados – Petzl

Manual de Equipamentos Utilizados em Resgate e Trabalhos em Espaços Confinados – Task

Manual de Operações e Detecção de Gás Impact Pro – Zell Ambiental

Manual de Emergência Primeiros Socorros do Corpo de Bombeiros – RJ

MANUAL para Técnicos de Emergências Médicas GSBE-RJ

Manual sobre Nós e Amarras – União dos Escoteiros do Brasil (Região de São Paulo)

MINISTÉRIO DO TRABALHO (Brasil). Normas Regulamentadoras 7, 9, 18 e 33.

NORMA DE TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS N-2637 - PETROBRAS.

OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH ADMINISTRATION - OSHA – Trabalhos em Espaço


Confinado.

SANTOS, Raimundo Rodrigues et al, Manual de Socorro de Emergência. Editora Atheneu, 2000.

TORLONE, Maurício. Manual de Proteção Respiratória – ABHO

99
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