Você está na página 1de 27

O PARTOGRAMA

PARTE III:
MANUAL DO ORIENTADOR

(PRELIMINAR)

PARTOGRAMA DA OMS ADAPTADO PARA O


PARANÁ PELA SESA E COMITÊ ESTADUAL
DE MORTALIDADE MATERNA
TRADUÇÃO: HEITOR PASSERINO NETO

CURITIBA
1999
1

MANUAL DO ORIENTADOR

1. INTRODUÇÃO

Este manual do orientador pretende ajudá-lo a ensinar o uso do partograma


da O.M.S. Para que isto seja alcançado, você precisa entender os princípios que o
norteiam e ter a adequada experiência prática do acompanhamento do trabalho de
parto com o partograma da O.M.S. Você precisa estar familiarizado com as informações
dos “Princípios e Estratégias” e do “Manual do Usuário”. As pessoas que atendem o
trabalho de parto e que estejam aprendendo o uso do partograma, precisam ter cópias
do “Manual do Usuário” e deverão consultá-lo durante o curso de introdução que você
está lecionando.

1. OBJETIVOS

Você e os participantes do curso, precisam entender o que estão tentando


alcançar e isto deve estar claro quando o curso terminar. O objetivo primordial é reduzir
a incidência do trabalho de parto prolongado e obstruído, pelo reconhecimento precoce
e, desta forma, reduzir as complicações decorrentes destas condições. Para que isto
seja alcançado, a aplicação do partograma precisa ser entendida e os participantes
devem alcançar os seguintes objetivos (também listados no Manual do Usuário):

OBJETIVOS PARA OS PARTICIPANTES

Após completar o curso de treinamento, os participantes devem estar


aptos a:
• Entender o conceito do partograma.
• Anotar as observações corretamente no partograma.
• Entender a diferença entre fase latente e fase ativa do trabalho de parto.
• Interpretar um partograma preenchido e reconhecer qualquer desvio da
normalidade.
• Monitorar a progressão do trabalho de parto, reconhecendo a necessidade de ação
no tempo apropriado e decidir quanto ao encaminhamento.
• Explicar o significado do partograma.

.
Presume-se que você e os participantes têm experiência em cuidar de
gestantes em trabalho de parto e isto deve incluir o conhecimento do exame vaginal
para avaliar a dilatação cervical. A fisiologia do trabalho de parto e atendimento básico
em enfermagem não são revisados neste manual, exceto quando são de particular
relevância para o uso do partograma. A maior parte do que os participantes vão
aprender não será um acontecimento novo. Eles aprenderão como usar o
conhecimento e sabedoria que possuem para melhor cuidar das mulheres em trabalho
2

de parto. Use o conhecimento deles para conduzí-los da parte que já sabem para a que
desconhecem a respeito das características do partograma.
Este guia facilitador é dividido em diversas unidades, para ajudá-lo a
construir o entendimento do partograma e o seu uso. Cada unidade é iniciada pelo
sumário dos objetivos do ensino e conclui com os objetivos do aprendizado que
precisam ser adquiridos pelos participantes. Também estão incluídas sugestões de
exercícios para ajudar no entendimento de cada unidade.

2. UMA VISÃO GERAL

É importante não perder de vista os objetivos do curso e do uso do


partograma. Enquanto trabalha através das unidades, lembre-se de que o partograma é
uma ferramenta de avaliação e interpretação da progressão do trabalho de parto. Sua
característica central é a anotação gráfica da dilatação cervical, mas a descida da
cabeça fetal e a atividade uterina são também indicadores da progressão do trabalho
de parto. O partograma também detecta outros problemas que apareçam na mãe e no
feto durante o trabalho de parto. Fique também seguro de que o cuidado individual e a
atenção para cada mulher em trabalho de parto sejam enfatizados. O cuidado do
trabalho de parto é mais do que somente o partograma.

4. UNIDADE 1: INTRODUZINDO O PARTOGRAMA

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Tornar os participantes cientes das observações que são feitas durante o


trabalho de parto e anotadas no partograma;
2. Introduza a idéia do partograma e para o que serve;
3. Discuta o exame das gestantes antes de iniciar o partograma.

Material requerido:
• Um manual do usuário para cada participante.
• Quadro negro, giz ou flipchart e canetas.

4.1 – GRUPO DE DISCUSSÃO

Procure saber de onde vêm os participantes, que problemas eles encontram nas
gestantes em trabalho de parto e como eles atuam (presentemente) com os problemas
do trabalho de parto prolongado. Isto irá conduzí-lo e ao grupo, a um conhecimento
mútuo e apreciar as situações e problemas uns dos outros. Discuta o particular
problema dos longos e difíceis trabalhos de parto e o que pode acontecer,
especialmente a ruptura uterina, hemorragia pós-parto, sepse puerperal e fístula vésico-
vaginal.
3

Conduza a discussão para que seja feita uma lista de “todas” as observações
que eles correntemente fazem em uma gestante em trabalho de parto. Liste-as num
quadro negro como eles as mencionaram e divida-as em grupos lógicos (como no
manual do usuário). Isto levará o grupo a perceber que eles já fazem muito do que é
requerido pelo partograma e dará a eles a confiança para prosseguirem. Descubra
como os participantes fazem presentemente as suas anotações das observações e
assegure-se de que eles entendem o significado de cada observação.

4.2 – INTRODUZINDO O PARTOGRAMA

Você agora estará pronto para introduzir a idéia do partograma como uma
maneira de identificar o problema do trabalho de parto prolongado, através da anotação
das observações de um modo particular.
Agora incentive os participantes a lerem as sessões 4 e 5 do Manual do
Usuário. Explique que eles não precisam se preocupar em entender todos os objetivos
neste estágio.

4.3 – PROCURANDO CASOS ESPECIAIS

Neste estágio, será útil rever a sessão 3 do Manual do Usuário: “Quem não pode
ter um partograma“. Estimule os participantes a listarem problemas que possam ser
identificados antes do início do trabalho de parto ou durante o mesmo e que necessitem
uma ação especial.

Os exemplos incluirão:
• Estatura muito baixa;
• Hemorragia ante-parto;
• Pré-eclâmpsia e eclâmpsia severa;
• Sofrimento fetal;
• Cesariana anterior;
• Anemia;
• Gestação múltipla;
• Apresentação anômala;
• Trabalho de parto prematuro;
• Trabalho de parto obstruído.

Quando admitida em trabalho de parto, toda gestante deve ser examinada quanto
aos problemas acima citados e, caso indicado, uma ação apropriada deve ser
desenvolvida. Esta ação dependerá do problema e da situação local e poderá incluir a
imediata transferência do paciente para o hospital ou a um parto imediato.

Os participantes precisam aprender a questionar-se sobre cada gestante:


4

Pode esta mulher ser acompanhada e continuar o trabalho de parto aqui?


• Se a resposta é não, uma ação apropriada precisa ser tomada.
• Se a resposta é sim, comece o partograma.

O partograma pode ser usado para monitorar a progressão do trabalho de


parto em todas as gestantes, a menos que uma ação imediata seja indicada. O
partograma pode ser de particular utilidade no trabalho de parto em casos de
apresentação pélvica, gravidez múltipla e cesariana anterior.
Discuta brevemente a conduta dos casos especiais, de acordo com a
situação local.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO

Ao final da unidade 1, o participante estará capacitado a:


1. Conhecer o partograma e para o que serve;
2. Listar as observações normalmente detectadas no trabalho de parto;
3. Listar os casos especiais para os quais o partograma não será apropriado.

5. UNIDADE 2: MEDINDO A DILATAÇÃO CERVICAL NO TRABALHO DE PARTO

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Ensinar a medida da dilatação cervical no trabalho de parto, pelo exame vaginal;


2. Ensinar a diferença entre fase ativa e latente do trabalho de parto;
3. Ensinar a frequência do exame vaginal no trabalho de parto.

Materiais requeridos:
• Quadro negro ou flipchart.
• Quadro de medidas cervicais.

Esta unidade 2 será uma revisão para aqueles participantes já familiarizados


com a dilatação cervical durante o trabalho de parto. Todavia, dois importantes novos
conceitos serão introduzidos:
1. A diferença entre fase latente e fase ativa do trabalho de parto.
2. O entendimento do índice normal de dilatação cervical.

O Manual do Usuário não é necessário para esta unidade, com exceção do


anexo I.
5

5.1 – EXAME VAGINAL

Como sempre, inicie pelo conhecido e conduza-os a novas informações.


Primeiramente, relembre aos participantes desta regra importante:

Uma mulher que tenha tido uma hemorragia ante-parto não poderá ter um
exame vaginal.

O partograma da dilatação cervical não poderá ser iniciado nestes casos,


enquanto não tenha sido afastada a possibilidade de existir uma placenta prévia.
Descubra através de discussão, qual a experiência que os participantes têm
do exame vaginal no trabalho de parto:
• Qual a frequência dos exames vaginais durante o trabalho de parto?
• Que informações eles obtêm?
• Com que rapidez eles esperam que o colo dilate?

Escreva as informações em um quadro negro do modo que você as obtêm.


Isto pode incluir:
• Apresentação;
• Dilatação cervical;
• Bolsa;
• Palpação da coluna;
• Posição da parte palpada;
• Apagamento do colo ( diminuição );
• Moldagem dos ossos;
• Natureza do líquido amniótico.

Discuta a razão pela qual todas essas coisas devam ser examinadas.
Pergunte aos participantes, qual informação eles consideram ser a mais importante
(isto pode ser feito por um escrutínio secreto: cada participante escreve sua escolha em
um pedaço de papel, que pode ser coletado e apurado. Isto ajuda a manter a classe
interessada).
A informação mais importante é a dilatação cervical. Este é o modo mais
confiável de acompanhar a progressão do trabalho de parto, mesmo considerando que
outros itens descobertos no exame vaginal são também importantes.
Neste estágio, você poderá ter problemas com alguns participantes que
tenham mais experiência do que os outros. Caso eles desejem discutir de forma mais
detalhada os problemas como a bolsa ou a moldagem encontrada no exame vaginal, é
melhor deixar esta discussão para mais tarde no curso e concentrar-se na dilatação
cervical, que é a característica central do partograma.
6

5.1.1 – QUADROS DE MEDIDAS CERVICAIS

Assegure-se de que os participantes entendem o conceito da medição da


dilatação cervical em centímetros. Construa um ou diversos quadros de medidas
cervicais em madeira, plástico ou cartolina, com anéis de diferentes dilatações (de 1 a
10cm, cortados no material). Veja o anexo 1 do Manual do Usuário. Assegure-se de
que todos os participantes têm ou estão capacitados a fazer tais quadros para o seu
próprio uso.

5.1.2 – EXPERIÊNCIA PRÁTICA

Seria o ideal se cada participante pudesse realizar exames vaginais


supervisionados em gestantes em trabalho de parto, durante o curso. Encorage-os a
comparar os seus achados de exame cervical com o quadro de dilatações, para
adquirirem uma medição precisa da dilatação do colo.

5.2 – IDENTIFICANDO AS FASES LATENTE E ATIVA NO TRABALHO DE PARTO

Os participantes saberão que o trabalho de parto se inicia vagarosamente,


muitas vezes com diversas contrações fracas. De repente, iniciam-se as contrações
fortes e o trabalho de parto progride rapidamente. Deixe claro que este começo
vagaroso equivale ao início da dilatação cervical até 3cm. Isto é chamado de fase
latente do trabalho de parto. Contrações fortes o suficiente para causar desconforto na
fase latente do trabalho de parto, não podem durar mais do que 8h, todavia poderão
durar dias de contrações fracas e irregulares antes que se desencadeie o TP.

Fase latente = trabalho de parto inicial: abaixo de 3cm de dilatação e 8h ou menos de


duração.

Fase ativa = parte principal do trabalho de parto: de 3 a 10cm de dilatação a 1cm/h ou


mais rápido.

Os participantes precisam entender que a fase ativa do trabalho de parto


poderá parecer mais difícil para a gestante, por serem mais fortes as contrações. Mas
quanto maior a progressão alcançada, as contrações tornam-se mais rápidas e
eficientes.
Enfatize que o partograma os auxiliará a identificar aquelas gestantes nas
quais a fase latente do trabalho de parto está demorando muito ou a fase ativa está
progredindo muito vagarosamente.
Muitos participantes estarão cientes disto e vão querer discutir. Na
primigesta, o colo geralmente estará totalmente apagado quando é alcançada a
dilatação de 3cm, o que poderá não acontecer na multípara. Nestes casos, uma vez
alcançados os 3cm de dilatação e estando a mulher em trabalho de parto com
contrações, o trabalho de parto passa a ser considerado como fase ativa.
Para o propósito do partograma da O.M.S., foi decidido que somente a
dilatação poderá determinar a mudança da fase latente para a fase ativa do trabalho de
parto.
7

Enfatize que a maior parte das mulheres em trabalho de parto que tenham
passado da fase latente para a fase ativa, estarão com mais de 3cm de dilatação.

5.3 – FREQUÊNCIA DOS EXAMES VAGINAIS

Você já tomou conhecimento de quantos exames vaginais os participantes


executam durante um trabalho de parto. Agora pergunte com que frequência os exames
deveriam ser efetuados para saber quão bem o trabalho de parto está progredindo,
tendo em mente o que eles acabaram de aprender.
Incentive-os a aceitar que o intervalo correto entre dois exames vaginais é de
4h.
• Eles entendem os problemas associados com exames vaginais mais frequentes?
- Desconforto para a mãe.
- Perigo de introduzir uma infecção.

• E o problema associado com um exame menos frequente?


- Retardo no diagnóstico da progressão lenta do trabalho de parto.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO

Ao final da unidade 2, o participante será capaz de:

1. Entender como avaliar a dilatação cervical no trabalho de parto, usando a tábua de


avaliação cervical e, caso possível, ter tido alguma experiência prática
supervisionada;
2. Entender a diferença entre as fases ativa e latente do trabalho de parto e quão
rapidamente cada uma deverá progredir;
3. Saber com que frequência os exames vaginais deverão ser efetuados e porquê.

6. UNIDADE 3: ANOTANDO A DILATAÇÃO CERVICAL NO GRÁFICO

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Ensinar como os gráficos podem recordar as mudanças num certo período de


tempo;
2. Ensinar como anotar a dilatação cervical no gráfico, na hora do exame.

Material requerido:
• Gráficos de crescimento fetal, um para cada participante;
• Gráficos (papel impresso);
• Lápis e borrachas.
8

Nesta unidade, os participantes serão introduzidos no conceito de como


anotar a dilatação cervical no gráfico. Eles precisam estar capacitados a fazer isso
corretamente ou não poderão usar o partograma.
Gráficos são uma maneira de recordar a mudança de posição ou o lugar de
alguma coisa em um período de tempo.
A maior parte dos participantes estará familiarizada com o uso das tabelas de
crescimento da criança. A marcação da dilatação cervical é muito semelhante.

6.1 – UNIDADE 3 – EXERCÍCIOS

6.1.1 – ANOTANDO O PESO DA CRIANÇA POR IDADE

Caso os participantes estejam familiarizados com isto, pratique anotando o


peso da criança por idade na tabela de crescimento.
Tente obter uma tabela de crescimento em branco, um lápis e uma borracha
para cada participante. Leia os seguintes exemplos ou anote-os em um quadro e peça
aos participantes que os transfiram para a tabela de peso por idade da criança.
Verifique se cada um está anotando corretamente na tabela.

1. Peso ao nascer: 3,0Kg


1 mês: 3,5Kg
2 meses: 4,0Kg
3 meses: 4,5Kg
4 meses: 5,0Kg

2. Peso ao nascer: 3,0Kg


4 meses: 5,0Kg
6 meses: 6,0Kg
12 meses: 10,5Kg

2. Peso ao nascer: 4,0Kg


3 meses: 6,0Kg
9 meses: 8,5Kg
12 meses: 10,0Kg

Outros exemplos podem ser feitos.


Enfatize que o peso situa-se no eixo vertical e muda em um período de tempo
(meses) no eixo horizontal.

6.1.2 – ANOTANDO A DILATAÇÃO CERVICAL

Agora os participantes poderão praticar a marcação da dilatação cervical no


tempo em um gráfico (não o partograma que é muito complicado neste estágio).
Caso cada participante tenha uma folha de gráfico (sendo necessário, eles
podem fazê-lo desenhando as linhas), um lápis e uma borracha, diversos exemplos
podem ser anotados no mesmo papel.
9

Primeiro eles deverão marcar as horas ao longo da linha horizontal da base e


os centímetros ao longo da linha vertical (do lado esquerdo). A dilatação cervical é
aferida a cada 4h.
Especifique as diferentes dilatações nos horários definidos e assegure-se de
que os participantes estão anotando corretamente. Anote você mesmo em um gráfico
no quadro negro, para que todos vejam.

1. Na admissão 2cm
Após 4h 4cm
Após 8h 8cm

2. Na admissão 1cm
Após 4h 2cm
Após 8h 4cm
Após 9h 9cm

3. Na admissão 3cm
Após 4h 2cm
Após 8h 3cm
Após 12h 8cm

Outros exemplos podem ser feitos, mas neste estágio, assegure-se de que
eles farão gráficos que demonstrem o padrão normal do trabalho de parto, como todos
os exemplos acima.

6.1.3 – DISCUSSÃO

Os participantes deverão olhar o padrão dos gráficos que eles desenharam.


Os exercícios foram escolhidos para mostrar o padrão típico de um trabalho de parto
normal.
Assegure-se de que os participantes entendam que 1 quadrado no gráfico
representa 1 cm de dilatação para cima e 1h do tempo ao longo da base.
Tendo visto estas duas coisas, isto os ajudará a entender a próxima unidade,
a qual trará o que foi aprendido nesta unidade e nas que a precederam.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO

Ao final da unidade 3, os participantes estarão aptos a:


1. Entender como um gráfico recorda a mudança de alguma coisa no tempo;
2. Anotar no gráfico a dilatação cervical no tempo.
10

7. UNIDADE 4: ANOTANDO A DILATAÇÃO CERVICAL NO PARTOGRAMA

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Rever e combinar o conhecimento aprendido nas unidades 2 e 3;


2. Ensinar a anotação da dilatação cervical no partograma;
3. Aprender a reconhecer no partograma o padrão normal das fases latente e ativa do
trabalho de parto.

Material requerido:
• Quadro negro, retroprojetor e flanelógrafo.
• A parte central do partograma com a marcação da fase latente e a linha de alerta.
• Partograma.
• Lápis e borrachas.
Agora os participantes deverão ter um entendimento firme das duas diferentes
fases do trabalho de parto e de como anotar a dilatação cervical no gráfico. Eles
poderão agora, aplicar este conhecimento no partograma.

7.1 – ENTENDENDO O PARTOGRAMA

Uma cópia da parte central do partograma (veja fig. III.2) deve ser desenhada
em um quadro negro ou projetada com um retroprojetor ou usado um flanelógrafo, para
ajudá-lo a ensinar esta unidade.

Fig. III.2

Relembre aos participantes o que eles aprenderam nas unidades prévias:


• A fase latente dura até 8h;
• Na fase ativa o colo deverá dilatar 1cm/h ou mais;
11

• Lembrar o formato dos gráficos que eles traçaram na última unidade;


• Cada quadrícula do gráfico representa 1cm na vertical e 1h na horizontal.

7.2 – QUANDO INICIAR O PARTOGRAMA

O grande trabalho multicêntrico com o partograma da O.M.S. mostrou como


é importante que o partograma seja iniciado somente quando a mulher estiver em
trabalho de parto. O critério usado neste trabalho e mostrado na seção 5.1.1 do Manual
do Usuário, precisa ser fortemente enfatizado.
• Na fase latente, as contrações têm que ser 2 ou mais em 10 minutos; cada uma com
duração de 20 segundos ou mais.
• Na fase ativa, as contrações têm que ser 1 ou mais em 10 minutos, cada uma
durando 20 segundos ou mais.

A importância disto é novamente enfatizada no Manual do Usuário e deverá


ser discutida posteriormente, quando você estiver ensinando a unidade 5. O
partograma não poderá ser começado se a mulher não estiver em trabalho de parto.
Agora, construa um partograma no quadro negro. Neste estágio não desenhe
a linha de ação.
Mostre como a linha preta larga enfatiza todos os quatro pontos acima. O
nome da linha de alerta não é importante neste estágio, mas mostre como ela se move
a 1cm/h, unindo os ângulos opostos das quadrículas.
Gaste algum tempo para assegurar-se de que os participantes entenderam
esta característica antes de iniciar a anotação da dilatação cervical, conquanto eles
possam considerar ser mais fácil o aprendizado através da prática, anotando as
dilatações cervicais no gráfico.
Os participantes deverão agora, ler e estudar a seção 5.1.2 do Manual do
Usuário, dedicando uma atenção especial à parte central do partograma, onde as
dilatações cervicais são anotadas graficamente. Eles deverão ignorar a linha de ação e
outras características do partograma no presente momento.

7.3 – ANOTANDO A DILATAÇÃO CERVICAL NA ADMISSÃO

Ensine aos participantes como anotar a dilatação cervical na admissão no


local correto, seguindo a seguinte ordem:
1. Faça o exame vaginal e meça a dilatação cervical.
2. Decida se o trabalho de parto está na fase latente (dilatação cervical 0 a 2cm) ou na
fase ativa (dilatação cervical igual ou maior que 3cm).
3. Coloque um sinal (cruz, X, ), para marcar a dilatação cervical no local correto do
partograma.
- Caso o colo esteja na fase latente (menos que 3 cm), coloque o sinal na hora
zero (linha da esquerda do gráfico).
- Caso o colo esteja na fase ativa (3cm ou mais) coloque o sinal na linha de alerta
sobre o número correto de cm (3 a 10cm).
Use o quadro negro ou flanelógrafo para demonstrar os diversos horários.
4. Veja a hora do exame vaginal e anote na quadrícula na próxima hora ou meia hora
12

abaixo do sinal que já foi colocado (sinal de dilatação).


Cientifique que outras rotinas devem ser anotadas no partograma na mesma
hora, mas que inicialmente você se concentrará na anotação da dilatação cervical.

7.3.1 – EXERCÍCIOS

Caso seja possível, dê a cada participante diversos partogramas em branco


ou então um partograma, mais lápis e borracha. Apresente diversas dilatações
cervicais e assegure-se de que cada treinando está anotando corretamente no seu
partograma a primeira dilatação apresentada. Não discuta a anotação das
subsequentes dilatações cervicais, enquanto todos os participantes não tiverem
anotado a primeira dilatação de forma correta.

7.4 – ANOTANDO AS DILATAÇÕES CERVICAIS SUBSEQÜENTES

Ensine aos participantes as seguintes regras:


1. Faça o exame vaginal a cada 4h para avaliar a dilatação cervical.
2. Marque com uma flecha a hora do próximo exame (no partograma). Quando o
participante estiver familiarizado com o uso do partograma, isto não será necessário.
3. Anote este dilatação cervical no partograma.

Trabalhos de parto que estejam na fase ativa na hora da admissão ou que


permaneçam na fase latente, deverão ser anotados com facilidade, mas dê exemplos
dos diversos casos, no quadro negro ou no flanelógrafo.

7.4.1 – OUTROS EXEMPLOS

Somando-se aos seus próprios exemplos, os participantes deverão estudar


aqueles da seção 5.1.2 do Manual do Usuário.

7.4.2 – EXERCÍCIOS

Defina as dilatações cervicais em um espaço de 4h e peça aos participantes


para que as anotem nos partogramas. Assegure-se de que as dilatações que você
definiu estejam ambas na fase latente ( 0 – 2cm ), ou então ambas na fase ativa ( 3 –
10cm ). Assegure-se também de que as dilatações que você definiu como na fase ativa,
estarão na ou à esquerda da linha de alerta (por exemplo: com uma progressão de
dilatação de 4 cm em 4h).

7.5 – ANOTANDO A TRANSFERÊNCIA DA FASE LATENTE PARA A FASE ATIVA

Agora os participantes estarão ansiosos em saber como anotar um trabalho


de parto que se move da fase latente para a fase ativa em menos de 8h e há
necessidade de falar sobre a transferência.
No primeiro exame que mostre que o trabalho de parto está na fase ativa, a
dilatação cervical deve ser anotada sobre a linha de alerta.
13

Na prática, isto significa que os treinandos precisam aprender a seguinte


regra:

Na primeira vez em que a dilatação cervical seja igual ou maior do que 3cm, anote-a na
linha de alerta.

Diga-lhes que estudem a fig. II.4 e as observações nela contidas (Manual do


Usuário) e discutam juntos o que aconteceu.
Assegure-se de que eles entenderam os seguintes passos:
1. Na admissão o trabalho de parto estava na fase latente.
2. O trabalho de parto estava na fase ativa 4h mais tarde e após anotar esta dilatação
cervical, ela foi transferida de imediato para a linha de alerta, onde o trabalho de
parto precisa ser anotado.
3. A hora ( 18:00 ) foi transferida para o local certo.
4. Enfatize que todas as outras anotações foram transferidas para suas novas
posições no partograma.

7.6 – UNIDADE 4 – EXERCÍCIOS

Os participantes necessitam agora, praticar diversos exercícios para


assegurar-lhes que tenham um firme domínio da técnica da anotação da dilatação
cervical durante o trabalho de parto normal.
Diga-lhes para anotarem corretamente os seguintes achados, fazendo um
partograma separado para cada caso:
1. Admitida às 16:00h com dilatação cervical de 1cm. Às 20:00h : 2cm.
2. Admitida às 09:00h com dilatação cervical de 5cm. Às 13:00h: 9cm.
3. Admitida às 02:00h com dilatação cervical de 1cm.
Às 06:00h: 2cm.
Às 10:00h: 4cm.
Às 14:00h: 8cm.
4. Admitida às 05:00h com dilatação cervical de 3cm. Às 09:00h: 9cm.
5. Admitida às 18:00h com dilatação cervical de 2cm.
Às 22:00h: 5cm.
Às 02:00h: 10cm.
6. Admitida à 01:00h com dilatação cervical de 01cm.
Às 05:00h: 2cm.
Às 09:00h: 8cm.
7. Admitida às 16:00h com dilatação cervical de 2 cm.
Às 20:00h: 2cm.
Às 24:00h: 3cm.
Às 04:00h: 7cm.
8. Admitida às 22:00h com dilatação cervical de 1cm.
Às 02:00h: 10cm.
14

Caso você faça outros exemplos, assegure-se de que eles ilustrem o TP


normal, isto é, fase latente de 8 h ou menos e fase ativa com um índice de dilatação
de 1 cm/h e assim manter-se à esquerda da linha de alerta. Estes exercícios podem
ser feitos da maneira inversa, com você ilustrando diversos partogramas de TP
normal e pedindo aos participantes para escrever ou falar o que os gráficos
representam para eles:
1. A que horas foi o exame vaginal?
2. Quais eram as dilatações cervicais nos diversos horários?
3. Em que fase está o TP?

7.6.1 DISCUSSÃO

Enfatize aos participantes de que até agora eles estiveram trabalhando com
parto normal, com a fase latente menor do que 8 horas e a fase ativa progredindo a
1 cm/h ou mais. Deste modo, os sinais de dilatação da fase latente não deverão,
normalmente, ultrapassar para além da linha larga de 8h no partograma e os sinais
da fase ativa também não deverão, normalmente, ultrapassar para além da linha de
alerta.
Estes pontos são enfatizados ao final da seção 5 do Manual do Usuário e os
participantes deverão ler e aprender estes “Pontos Importantes”.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO

Ao final da unidade 4, os participantes estarão aptos a:


1. Saber o padrão normal das fases latente e ativa do trabalho de parto;
2. Anotar corretamente, no partograma, a progressão da dilatação cervical do trabalho
de parto normal.

8. UNIDADE 5: ANOTANDO OUTROS SINAIS DA PROGRESSÃO DO TRABALHO


DE PARTO

OBJETIVOS DO ENSINO
1. Descrever o exame vaginal para avaliar o nível da cabeça fetal e ensinar como
anotar no partograma;
2. Ensinar a avaliar e a anotar as contrações uterinas;
3. Rever todos os aspectos de avaliação da progressão do trabalho de parto, no
partograma.

Materiais requeridos:
• Pelve e boneca ou craneo fetal
• Partogramas
• Lápis e borrachas
15

• Papel quadriculado
• Quadro negro

8.1 DISCUSSÃO

Conquanto seja a dilatação cervical o sinal mais importante da progressão do


T.P. e a sua anotação seja a parte central do partograma, temos outros sinais
importantes:
• Contrações uterinas
• Descida da cabeça fetal
Isto está escrito de maneira compreensível nas seções 5.1.3 e 5.1.4 do
Manual do Usuário, mas os participantes não deverão ler estas páginas por enquanto.
Antes de ensinar a respeito desses importantes sinais ou dizer-lhes para
lerem as páginas citadas, pergunte aos participantes quais são as suas idéias quanto
ao acompanhamento da progressão do T.P., além da avaliação da dilatação cervical;
discuta com eles as suas respostas. Conduza a discussão em direção das duas
características que você vai explorar com eles.

8.2 DESCIDA DA CABEÇA FETAL

Alguns participantes poderão estar familiarizados com o conceito do


acompanhamento da descida do polo cefálico pelo método de DeLee mas mesmo
assim reveja com eles. Eles também necessitarão que seja falado sobre a anotação do
nível do polo cefálico no partograma.
• Em algumas gestantes o polo cefálico não desce na pelve até uma fase mais
adiantada do parto e você deverá levar isto em conta.
• Lembre aos participantes que a bexiga deverá estar vazia quando a altura do
polo cefálico for medida.

8.2.1 ENSINO PRÁTICO

Tente obter um modelo de pelve e o de um feto (boneca) para melhor


demonstrar (fig. II.6 e II.7 no manual do usuário) e para que os participantes possam
estudar. Procure, também, conseguir uma clínica de atendimento de pré-natal, onde os
participantes possam praticar a palpação do nível do polo cefálico em gestantes no final
da gravidez.

8.2.2 ANOTANDO A DESCIDA DA CABEÇA NO PARTOGRAMA

Isto está ilustrado na Fig.II.8 do Manual do Usuário. Ensine aos participantes


as seguintes regras:
1. Examine a mobilidade do polo cefálico antes de cada exame vaginal
(normalmente 1 vez a cada 4 h);
2. Anote no partograma a altura do polo cefálico, pelo método de DeLee;
16

3. Anote com um O no partograma. Isto significa que cada vez que for anotada
a dilatação cervical, também será anotada com O o nível do polo cefálico;
4. Quando o sinal da dilatação cervical é transferido para a linha de alerta, no
momento em que o TP entra na fase ativa, o sinal O também deve ser
transferido;
5. A cabeça deverá descer normalmente durante o TP e dessa maneira você a
sentirá cada vez mais baixaaa no canal de parto. Isto significa que enquanto
o sinal da dilatação cervical sobe no gráfico, o sinal O do nível da cabeça fetal
deverá descer no gráfico. O sinal O jamais poderá subir no gráfico – isto não
acontece no TP. A Fig. II.8 no Manual do Usuário ilustra todos esses pontos.

8.2.3 EXERCICIOS

a) Caso seja possível, peça aos participantes que façam um exame vaginal e
avaliem em que plano de DeLee se encontra o polo cefálico.
b) Peça aos participantes para anotarem os vários níveis do polo cefálico em
seus partogramas. Dite números representando diversas dilatações cervicais
e níveis de descida da cabeça fetal e peça aos treinandos que marquem
ambos no mesmo partograma.

8.3 CONTRAÇÕES UTERINAS

Pergunte aos participantes como eles avaliam as contrações uterinas e como


as anotam. Muitos irão sugerir a avaliação da força das contrações. Deixe claro de
que isto é muito difícil de avaliar, pois diferentes gestantes sentirão de maneiras
diferentes as contrações de mesma intensidade. É melhor anotar características que
possam ser avaliadas cuidadosamente com o uso de um relógio, tais como:
• Com que frequência aparecem as contrações? (FREQUÊNCIA)
• Quanto tempo elas permanecem? (DURAÇÃO)
Caso os atendentes do TP mudem, as anotações continuam a ser feitas do
mesmo modo e são comparáveis.
A seção 5.1.4 do Manual do Usuário descreve estas características e de
como anota-las no partograma. Diga aos participantes para que leiam estas páginas.
A frequencia e duração das contrações uterinas precisam ser avaliadas
quando do início do partograma. Uma revisão das regras de como se deve iniciar o
partograma está descrita na unidade 4.

8.3.1 ANOTANDO AS CONTRAÇÕES NO PARTOGRAMA

Ensine as seguintes linhas mestras:


1. As contrações uterinas são avaliadas e anotadas no partograma com uma
frequência maior do que as da dilatação cervical e do nível da cabeça fetal:
a cada hora na fase latente e a cada meia hora na fase ativa do TP.
2. Avalie as contrações nos últimos 10 min. de cada hora ou de cada meia
hora.
3. Conte o total de contrações em 10 min. e meça em segundos quanto tempo
cada uma permanece (Frequência e Duração).
17

4. Preencha uma quadrícula no partograma, para cada uma das contrações


contadas nos 10 min. e anote na hora correspondente ao exame (até 5
contrações).
5. Quanto mais tempo dure a contração, mais forte (escuro) deverá ser o
preenchimento das quadrículas.

8.3.2 EXERCÍCIOS

Para não desperdiçar um grande número de partogramas em branco, prepare


diversas folhas com quadrículas (ou use papel quadriculado) para que os participantes
anotem as contrações, podendo também ser usado o quadro negro para esse fim.
1. Diga-lhes o número de contrações em 10 min. e quanto dura cada uma. Peça
aos participantes que façam as anotações de acôrdo.
2. Faça o exercício reverso, preenchendo os quadrículos e pedindo aos
participantes que interpretem o significado.
3. Faça algumas contrações curtas e sem frequência para que os participantes
possam decidir se a mulher está em TP e se o partograma precisa ser
iniciado.
A figura 11.10 no Manual do Usuário ilustra a anotação das contrações junto
com outras anotações. Os participantes deverão estudá-la agora.

8.4 UNIDADE 5 – EXERCÍCIOS

Os participantes já aprenderam agora a anotar no partograma todas as


observações da progressão do TP normal, sendo um bom momento para fazer uma
revisão. Isto será feito de um modo melhor, dando aos participantes dois tipos de
exercícios: preencher partogramas e interpretar partogramas preenchidos. As questões
podem ser revertidas quando você preenche um partograma com as anotações
contidas nos exercícios e a seguir pede aos participantes que façam a interpretação.
Para cada um dos casos descritos, preencha as informações no partograma
e responda às seguintes questões:
1. Quanto tempo passou desde a admissão da mulher em TP?
2. Em que fase do TP ela está?
3. Em que hora é esperada a dilatação completa?
4. Quando deverá ser feita a próxima avaliação com toque vaginal?
5. Quando deverá ser avaliada a altura da cabeça fetal?
6. Com que frequência deverá ser avaliada a dinâmica uterina?

Trace um padrão das contrações entre as avaliações, onde haja mais do que
um caso.
CASO 1: Sra. A, admitida às 4:00 h
-Nível da cabeça: plano de DeLee 0
-Dilatação cervical: 5 cm
-Contrações: 3 em 10 min., com duração de 50 Seg. cada uma.

CASO 2: Sra. B, admitida às 20:00 h


-Nível da cabeça: plano de DeLee –2
18

-Dilatação cervical: 2 cm
-Contrações: 2 em 10 min., com duração de 25 Seg.
cada uma.
Às 24:00 h: -Nível da cabeça +1 no método de DeLee
-Dilatação cervical: 3 cm
-Contrações: 4 em 10 min., com duração
de 45 seg. cada uma.

CASO 3: Sra. C, admitida às 21:00 h


-Nível da cabeça: plano de DeLee –3
-Dilatação cervical: 6cm
-Contrações: 3 em 10 min., com duração de 30 seg.
cada uma.
À 1:00 h: -Nível da cabeça: plano vulvar
-Dilatação cervical: 10 cm
-Contrações: 4 em 10 min., com duração de
55 seg. cada uma.

CAS0 4: Sra. D, admitida às 10:00 h


-Nível da cabeça: plano de DeLee –4
-Dilatação cervical: 1 cm
-Contrações:2 em 10 min., com duração de 20 seg.
cada uma.
Às 14:00 h: -Nível da cabeça: plano de DeLee –2
-Dilatação cervical: 2 cm
-Contrações: 2 em 10 min., com duração
de 30 seg. cada uma.
Às 18:00 h: -Nível da cabeça: plano de DeLee 0
-Dilatação cervical: 4 cm
-Contrações: 3 em 10 min., com duração
de 35 seg. cada uma.
Às 22:00 h: -Nível da cabeça: plano vulvar
-Dilatação cervical: 9 cm
-Contrações: 5 em 10 min., com duração
de 50 seg. cada uma.
Outros exemplos similares podem ser feitos.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO
Ao final da unidade 5 os participantes terão que ser capazes de:
1. Saber quando iniciar um partograma, nas fases latente e ativa do TP;
2. Avaliar a progressão do TP normal, pela medida da dilatação cervical, descida da
cabeça fetal e contrações uterinas;
3. Saber com que frequência fazer as avaliações;
4. Anotar os dados de modo correto, no partograma;
5. Entender as diferenças entre fase latente e fase ativa do TP.
19

9. UNIDADE 6: ANOTANDO AS CONDIÇÕES FETAL E MATERNA

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Discutir as observações das condições fetal e materna;


2. Ensinar como as observações são anotadas no partograma;
3. Rever todos os aspectos das anotações do TP normal no partograma.

Materiais requeridos:
• Partogramas
• Craneo fetal e pelve
• Quadro negro ou flipchart.

A principal regra do partograma é ajudar no reconhecimento precoce do


trabalho de parto prolongado, sendo também uma concisa e completa memória de
todas as observações rotineiras do TP. Ele é uma anotação do evento no tempo real,
facilitando uma revisão rápida do padrão do TP.
No transcurso da unidade 6 você precisa ensinar aos participantes como
anotar as observações das condições fetal e materna durante o TP. A maior parte das
informações precisam ser revistas e eles precisam aprender onde e como anotá-las no
partograma.

9.1 A CONDIÇÃO FETAL


(Veja a seção 5.2 do Manual do Usuário).

Discuta com os participantes sobre como eles avaliam a condição fetal no TP,
a frequência com que eles fazem as observações e como eles costumam anotar os
dados encontrados. Escreva no quadro negro os pontos principais encontrados na
discussão. Eles deverão, necessariamente, incluir:
• Índice do batimento cárdio-fetal
• Estado do líquido amniótico
• Cavalgamento dos ossos do craneo fetal

Discuta a importância de cada um. Todos os treinandos deverão estar


familiarizados com os dois primeiros. Alguns poderão desconhecer a moldagem
(cavalgamento dos ossos do craneo fetal).

Para ensinar o que é a moldagem, tente obter um modelo de craneo fetal e se


possível, examinar a cabeça de um recém-nascido. Mostre como os ossos são
separados e podem ser comprimidos uns contra os outros durante o TP, quando o
craneo passa pela pelve materna.

Assegure-se de que os participantes entendam a diferença entre céfalo-


hematoma (bossa) e moldagem, conquanto cada um possa ser um sinal de TP
20

prolongado ou de possível desproporção. É praticamente impossível avaliar o grau de


moldagem enquanto não houver uma dilatação de 4 cm.

Alguns participantes poderão estar inseguros quanto à sua capacidade para


avaliar a moldagem. Assegure de que em alguns casos é difícil mesmo para pessoas
com experiência e que quanto mais capazes eles se tornarem em avaliar a dilatação
cervical da maneira correta, estarão ampliando suas capacidades de detectar um TP
anormal usando o partograma.

Os participantes precisarão rever a seção 5.2.3 do Manual do Usuário.


Discuta qualquer problema que eles tenham em entender esta unidade.

9.1.1 ANOTANDO A CONDIÇÃO FETAL NO PARTOGRAMA

Enfatize que a condição fetal é anotada na parte de cima do partograma.

• Batimento cardíaco fetal (BCF): anote a cada meia hora. Tendo entendido
como anotar a dilatação cervical no gráfico, os participantes não deverão
ter dificuldade em anotar o BCF. Caso seja necessário reveja a unidade 3
que descreve como anotar os dados no gráfico.
• Líquido amniótico: anote de 4 em 4 h, por ocasião do exame vaginal. A
qualquer tempo se houver mudança no aspecto do líquido amniótico, como
tornar-se meconial.
• Moldagem: pesquise e anote a cada exame vaginal.

Assegure-se de que todos os participantes sejam capazes de anotar a


condição fetal de maneira correta, no partograma. As abreviações a serem usadas
estão explicadas na seção 5.2.3 do Manual do Usuário.

Relembre aos participantes que quando o TP se move da fase latente para a fase
ativa, todas as anotações precisam ser transferidas ao mesmo tempo.

A figura II.11 ilustra isto, no Manual do Usuário.

9.1.2 CONDUTA NO SOFRIMENTO FETAL

Os treinandos levantarão questões, neste estágio, sobre o que fazer quando


qualquer das observações da condição fetal for anormal. Aproveite para discutir o
assunto com eles. A ação varia dependendo da situação local. As ações possíveis
podem ser resumidas em:
• Observação
• Transferência
• Parto
21

9.1.3 RUPTURA ARTIFICIAL DAS MEMBRANAS (RAM)

Enquanto é discutido o líquido amniótico, são levantadas questões sobre a


ruptura artificial das membranas (RAM) no TP. Isto é discutido na seção 7 do Manual
do Usuário. A conduta e os protocolos são diferentes de local para local e em geral
deve-se falar sobre a conduta adotada no serviço.

9.2 A CONDIÇÃO MATERNA

Antes que esse assunto seja lido no Manual do Usuário (seção 5.3) pergunte
aos participantes quais as observações que eles fazem rotineiramente na gestante em
TP e como eles as anotam. Liste-as no quadro negro.
Discuta o porque de fazer tais observações e os índices de normalidade
delas. Os treinandos deverão ler sobre o assunto no Manual, para revisarem as
observações que devem ser feitas.

9.2.1 ANOTANDO A CONDIÇÃO MATERNA NO PARTOGRAMA

Demonstre que as observações maternas são anotadas na parte de baixo do


partograma. Enfatize que voces viram e discutiram todas as partes do partograma,
exceto a linha de ação, e o que a princípio parecia difícil e confuso é agora claro e fácil
de acompanhar.

9.2.2 MEDICAMANTOS, FLUIDOS E.V. E OCITOCINA

Muitos participantes podem não ter acesso a eles mas quando são usados,
seu uso deve ser anotado no local apropriado do partograma. Demonstre para eles. A
não ser os analgésicos, não se deve normalmente usar medicamentos, ocitocina ou
fluidos endo-venosos. A ocitocina e o seu uso serão discutidos posteriormente na
seção 7 da parte II.

9.3 UNIDADE 6. EXERCÍCIOS

1. Peça aos participantes para listarem todas as observações das condições


fetal e materna e com que frequência elas devem ser anotadas;
2. Assegure-se de que os participantes sabem anotar corretamente no
partograma, ditando dados como o batimento cárdio-fetal, condição do
líquido amniótico e a pressão sanguínea. Observe se as anotações
foram feitas corretamente;
3. Construa de forma gradual um partograma completo no quadro negro ou
no flanelógrafo, ditando as observações e pedindo aos participantes que
as anotem no desenho. Este tipo de exercício é gratificante e ajuda a
clarear áreas problemáticas;
4. Consiga prontuários de TP sem partograma e veja se os participantes são
capazes de fazer partogramas para eles. Isto é, de um modo geral, difícil
mas pode ajudar muito na compreensão do partograma. Também
22

demonstrará o quão bem o partograma dá uma visão clara e concisa do


TP;
5. Onde for possível, faça com que os participantes observem gestantes em
TP e anotem os dados no partograma. Eles estarão capacitados a
preencher um partograma completo. Neste estágio, escolha gestantes
com TP normal.

OBJETIVOS DO APRENDIZADO

Ao final da unidade 6 os participantes estarão capacitados a:


1. Saber quais observações são feitas para acompanhar as condições fetal e materna
no TP;
2. Anotar corretamente no partograma as condições fetal e materna;
3. Reconhecer qualquer anormalidade nas anotações das condições fetal e materna e
ser capaz de discutir a ação requerida para solucioná-la;
4. Fazer todas as anotações necessárias no partograma de uma gestante em TP
normal.

10. UNIDADE 7: USANDO O PARTOGRAMA PARA O RECONHECIMENTO DO TP


ANORMAL

OBJETIVOS DO ENSINO

1. Ensinar o reconhecimento do TP prolongado, usando as linhas de alerta e ação;


2. Discutir outros problemas do TP;
3. Discutir as opções de conduta no TP com problemas.

Materiais requeridos:
• Quadro negro
• Partogramas
• Lápis e borrachas

Os participantes deverão possuir agora o conhecimento suficiente para fazer


observações no partograma e deverão estar totalmente cientes do padrão partográfico
do TP normal.

Esta unidade ensina o reconhecimento do trabalho de parto prolongado


usando o partograma e sugere possíveis ações nos diferentes estágios. Outros
problemas do TP são discutidos de maneira sumária.
23

10.1 TRABALHO DE PARTO PROLONGADO

Revisão da unidade 2.

Lembre aos participantes sobre os seguintes fatos importantes:


• Só poderá iniciar o partograma se as contrações forem de um mínimo de 2
em 10 minutos e cada uma durando mais que 20 seg.(na fase latente); ou 1
em 10 min., cada uma durando mais que 20 seg. (na fase ativa).
• A fase latente do TP não poderá ser mais longa do que 8 horas.
• Na fase ativa do TP o colo deverá ter uma dilatação de 1 cm/hora ou mais.
No partograma isto significa que a linha em negrito das 8 h da fase de
latência (linha de alerta) não deverá ser cruzada e, na fase ativa, a dilatação não
deverá ultrapassar para a direita da linha de alerta.

10.1.1 FASE LATENTE PROLONGADA

Os participantes deverão ler e estudar a seção 6.1 do Manual do Usuário.


Caso o TP não tenha alcançado a fase ativa após 8 h de observação, a fase
latente é considerada prolongada.
Uma decisão precisa ser tomada quanto a uma conduta posterior. Esta
decisão dependerá das condições locais mas, normalmente, as ações possíveis são as
seguintes:
• Em uma casa de parto: transferir para a unidade hospitalar de referência.
• Em um hospital: continue a observar ou
• Ruptura das membranas e condução do parto.
Discuta estas ações com os participantes, dentro do contexto da situação
local.

10.1.2 FASE ATIVA PROLONGADA

Quando a dilatação cervical se move para a direita da linha de alerta, é um


aviso de que o TP está lento e de que poderá haver problema.
Neste estágio, desenhe a linha de ação no partograma. Mostre como a linha
de ação se inicia 4 h para a direita da linha de alerta e se move a 1 cm/h unindo os
cantos das quadrículas.
Caso a dilatação continue a progredir vagarosamente e alcance a linha de
ação no partograma, o TP será perigosamente vagaroso e será necessário uma
tomada de decisão definitiva sobre que ação desencadear.
Ensine aos participantes:
• O movimento para a direita da linha de alerta significa atenção: transfira a
gestante da casa de parto para o hospital.
• Alcançar a linha de ação significa possível perigo: uma decisão é requerida
sobre a conduta posterior (usualmente por um obstétra ou outro médico)
24

Os participantes deverão, agora, ler e estudar a seção 6.2 e 6.3 do Manual do


Usuário.

10.2 CONDUTA NA PROGRESSÃO ANORMAL DO TP

O partograma da OMS oferece um aviso precoce sobre o TP com progressão


lenta e também indica quando será necessário intervir.
As situações e disponibilidades locais variam enormemente e cada área pode
desenvolver seus planos de conduta. O protocolo de conduta descrito na seção 7 do
Manual do Usuário foi usado com sucesso em um estudo multicêntrico do partograma
da OMS e é recomendado em muitos locais. Os participantes deverão ler estas
páginas.
Discuta com eles quais as opções que são apropriadas em suas condições
locais. Dependendo do nível dos participantes, certos aspectos de conduta podem ser
discutidos em detalhe. A possibilidade da ruptura artificial das membranas (RAM)
requer uma discussão particular. O protocolo recomenda RAM na fase ativa a qualquer
tempo, particularmente caso a dilatação se mova para a direita da linha de alerta.

10.3 RECONHECENDO OUTROS PROBLEMAS NO TP

O partograma é desenhado para o reconhecimento do TP prolongado mas


outros problemas podem aparecer durante um TP que esteja progredindo normalmente.
Discuta que problemas poderão ser. Convide os participantes a darem sugestões,
escrevendo uma lista no quadro negro ou então convidando-os a escrever suas
próprias listas para então comentar suas respostas. Os problemas que possivelmente
sejam incluidos são:
• Aumento da pressão sanguínea
• Retenção urinária
• Proteinúria
• Sangramento
• Sofrimento fetal
• Febre
• Taquicardia
• Cetonúria
• Cabeça alta persistente
• Diagnóstico de gemelaridade ou de má apresentação

A não ser o último, todos podem ser diagnosticados pelas anotações do


partograma. Enfatize isto aos participantes. Também é importante acentuar que o TP
obstruido pode ocorrer mesmo que o TP não seja prolongado. Preste atenção especial
em uma cabeça que permaneça alta.
Comente de maneira breve a conduta para cada um dos problemas. Isto
dependerá muito da situação local. Geralmente quando estes problemas são
detectados em uma casa de parto (sem uma completa disponibilidade obstétrica) está
indicada a transferência para o hospital de referência, quando possível.
25

10.4 UNIDADE 7 EXERCÍCIOS

Os participantes deverão completar partogramas demonstrando TP


prolongado. A seguir apresente exemplos nos quais haja dilatação cervical. Como
anteriormente, os exercícios poderão ser feitos de maneira reversa, pedindo aos
participantes para interpretarem partogramas preenchidos. Os participantes estarão
aptos a completar os exercícios do final do manual do usuário.

1. Admitida às 8:00 h, com dilatação cervical de 4 cm


Às l2:00 h, 6 cm
Às16:00 h, 7 cm
2. Admitida às 14:00 h, com dilatação cervical de 1 cm
Às 18:00 h, 2 cm
Às 22:00 h, 2 cm
3. Admitida às 22:00 h, com dilatação cervical de 4 cm
Às 2:00 h, 8 cm
Às 6:00 h, 9 cm

4. Admitida às 5:00 h, com dilatação cervical de 2 cm


Às 9:00 h, 3 cm
Às 13:00 h, 5 cm
Às 17:00 h, 7 cm

5. Admitida Às 3:00 h, com dilatação cervical de 1 cm


Às 7:00 h, 5 cm
Às 11:00 h, 9 cm
Às 13:00 h, ainda sem ter o parto

Após anotar cada dilatação os participantes deverão decidir quais destas


opções deverão ser executadas:
• Esperar 4 h e fazer outro exame vaginal?
• Transferir para o hospital?
• Decidir uma conduta posterior baseada em um exame cuidadoso?

OBJETIVOS DO ENSINO

Ao final da unidade 7 os participantes estarão aptos a :


1. Saber quando iniciar o partograma;
2. Entender e completar todas as partes do partograma;
3. Descrever todas as anormalidades no TP;
4. Saber como reconhecer o TP prolongado no partograma;
5. Saber quando transferir uma gestante em TP da casa de parto para o hospital;
6. Ter algum conhecimento de possíveis opções de conduta durante o TP prolongado.
26