Você está na página 1de 180
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade

Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti

Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade

Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti

Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho

Diretor de Operações

Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO
SEGURANÇA EM
ELETRICIDADE
Série energia – geraÇÃO, TranSMiSSÃO e DiSTriBUiÇÃO SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

© 2017. SENAI – Departamento Nacional

© 2017. SENAI – Departamento Regional da Bahia

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, me- cânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela Equipe de Inovação e Tecnologias Educacionais do SENAI da Bahia, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional da Bahia Inovação e Tecnologias Educacionais – ITED

FICHA CATALOGRÁFICA

S491s

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Segurança em eletricidade / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Departamento Nacional, Departamento Regional da Bahia. - Brasília: SENAI/DN, 2017. 176 p.: il. - (Série Energia - Geração, Transmissão e Distribuição).

ISBN 978-85-505-0250-2

1. Engenharia elétrica. 2. Medidas de segurança. 3. Eletricidade. 4. Segurança do trabalho. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. II. Departamento Nacional. III. Departamento Regional da Bahia. IV. Segurança em eletricidade. V. Série Energia - Geração, Transmissão e Distribuição.

SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional

CDU: 621.3

Sede Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br

Lista de ilustrações

Figura 1 - Riscos elétricos

19

Figura 2 - Choque elétrico

20

Figura 3 - Choque elétrico dinâmico

25

Figura 4 - Tensão de toque (caso 01)

26

Figura 5 - Tensão de toque (caso 02)

27

Figura 6 - Tensão de passo

28

Figura 7 - Trajetória da corrente

30

Figura 8 - Descarga atmosférica

31

Figura 9 - Descarga de eletricidade estática do caminhão

32

Figura 10 - Campo eletromagnético

33

Figura 11 - Influência eletromagnética em redes elétricas

34

Figura 12 - Arco elétrico

35

Figura 13 - Vestimenta de proteção contra arco elétrico

36

Figura 14 - Queda

36

Figura 15 - Acidentes de origem elétrica

39

Figura 16 - Situação de perigo

40

Figura 17 - Controle do risco elétrico

41

Figura 18 - Trabalho em altura

42

Figura 19 - Ambiente confinado

43

Figura 20 - Luminária para área classificada

44

Figura 21 - Iluminação de uma refinaria de petróleo

45

Figura 22 - Descarga atmosférica sobre a rede elétrica

46

Figura 23 - Risco de animais perigosos no ambiente de trabalho

48

Figura 24 - Rede elétrica dentro da vegetação

49

Figura 25 - Choque elétrico dinâmico de contato direto

52

Figura 26 - Choque elétrico dinâmico de contato indireto

52

Figura 27 - Medidas de controle de risco elétrico

59

Figura 28 - Desligamento da rede secundária

61

Figura 29 - Bloqueio com cadeados

62

Figura 30 - Equipotencialização

63

Figura 31 - Equipotencialização em uma edificação

64

Figura 32 - Fuga de corrente pela carcaça do motor

65

Figura 33 - Barreira

67

Figura 34 - Invólucro representado por um painel elétrico

67

Figura 35 - Placa isolante representando um obstáculo

68

Figura 36 - Mantas vermelhas representando o anteparo

68

Figura 37 - Isolação de uma emenda

69

Figura 38 - Símbolo de dupla isolação

70

Figura 39 - Condutores fora de alcance

71

Figura 40 - Separação elétrica

72

Figura 41 - Atuação do DR

73

Figura 42 - Dispositivo diferencial residual (DR)

74

Figura 43 - Aterramento temporário

76

Figura 44 - Aterramento de proteção

76

Figura 45 - Esquema TN-S

77

Figura 46 - Esquema TN-C

78

Figura 47 - Esquema TM - C – S

78

Figura 48 - Esquema TT

79

Figura 49 - Esquema IT

80

Figura 50 - Equipamentos de segurança e proteção

85

Figura 51 - Conjunto para aterramento temporário

87

Figura 52 - Tapete de borracha isolante

88

Figura 53 - Cones e fita de sinalização

89

Figura 54 - Placas de sinalização

89

Figura 55 - Protetores isolantes

90

Figura 56 - Bota de segurança

91

Figura 57 - Luvas isolantes para eletricista

92

Figura 58 - Inflador para teste de luvas de proteção elétrica

92

Figura 59 - Capacete

93

Figura 60 - Cinto de segurança para eletricista

94

Figura 61 - Talabarte

95

Figura 62 - Trava queda

95

Figura 63 - Linha da vida com trava queda

96

Figura 64 - Protetor auricular

96

Figura 65 - Óculos de segurança

97

Figura 66 - Uniforme para eletricista

98

Figura 67 -

Rotinas e procedimentos de trabalho

103

Figura 68 - Procedimentos de trabalho

104

Figura 69 - Modelo de ordem de manutenção

105

Figura 70 - Procedimento de trabalho

106

Figura 71 -

Ordem de serviço

108

Figura 72 - Permissão de trabalho

109

Figura 73 -

Sinalização

113

Figura 74 -

Socorristas atendendo vítima de acidente

122

Figura 75 - Vítima de acidente com eletricidade

124

Figura 76 - Hemorragia

126

Figura 77 -

Tipos de hemorragias

126

Figura 78 - Respiração artificial

128

Figura 79 -

Massagem cardíaca

129

Figura 80 - Massagem cardiorrespiratória

130

Figura 81 - Pontos para verificação de pulsação

130

Figura 82 - Técnicas de transporte de vítima

131

Figura 83 -

Tipos de combustível

135

Figura 84 - Tetraedro do fogo

136

Figura 85 - Sistemas de combate a incêndio

140

Figura 86 -

Proteção Individual para atividades envolvendo eletricidade

146

Figura 87 - Reunião da CIPA

147

Figura 88 -

Utilização dos EPI

149

Figura 89 -

Postura inadequada

152

Figura 90 -

Espaços confinados

154

Figura 91 -

Trabalho em altura

156

Figura 92 - Segurança nas atividades do eletrotécnico

159

Figura 93 -

Tomada sobrecarregada

162

Quadro 1 - Efeitos da corrente elétrica

22

Quadro 2 - Classificação de zonas conforme concentração de gases inflamáveis

42

Quadro 3 - Classe de isolação elétrica de luvas de segurança

73

Quadro 4 - Medidas e equipamentos de proteção coletiva

85

Quadro 5 - Análise preliminar de risco elétrico

109

Quadro 6 - Materiais do kit de primeiros socorros

118

Quadro 7 - Tipos de extintores

137

Quadro 8 - Classificação dos agentes de riscos

160

30

Tabela 1 - Percurso da corrente de choque elétrico Tabela 2 - Classe de isolação para luvas de proteção elétrica

93

Sumário

1

Introdução

 

13

2 Riscos em instalações elétricas e serviço com eletricidade

19

 

2.

1 Choque elétrico

20

 

2.1.1 Mecanismo do choque elétrico

21

2.1.2 Fatores agravantes do choque elétrico

23

 

2.

2 Tipos de choques elétricos

25

 

2.2.1 Choque elétrico dinâmico

25

2.2.2 Choque elétrico de descarga atmosférica

31

2.2.3 Choque elétrico com eletricidade estática

32

 

2.3 Campos eletromagnéticos

33

2.4 Arco elétrico

 

34

 

2.4.1 Queimaduras

35

2.4.2 Quedas

36

3 Acidentes de origem elétrica

39

 

3.1 Conceito legal de acidente do trabalho

40

 

3.1.1

Perigo e risco

40

 

3.2 Riscos adicionais

41

 

3.2.1 Altura

41

 

3.2.2 Ambiente confinado

43

3.2.3 Área classificada

43

3.2.4 Condições atmosféricas

45

 

3.3 Causas de acidentes relacionadas ao trabalho

49

 

3.3.1 Causas imediatas de acidentes

49

3.3.2 Causas básicas de acidentes

50

 

3.4 Causas de acidentes com eletricidade

51

 

3.4.1

Causas diretas de acidentes com eletricidade

51

 

3.5 Causas indiretas de acidentes com eletricidade

53

3.6 Discussão de casos

53

4 Medida de controle de risco elétrico

59

 

4.1 Proteção contra choque elétrico

60

4.2 Desenergização

 

60

4.3 Bloqueio e impedimentos

62

4.4 Equipotencialização

63

4.5 Seccionamento automático da instalação

65

4.6 Extra baixa tensão

66

4.7 Barreira e invólucro

67

4.8 Obstáculo e anteparo

68

4.10

Isolação dupla ou reforçada

70

 

4.11 Colocação fora do alcance

71

4.12 Separação elétrica

72

4.13 Dispositivo a corrente de fuga

73

4.14 Aterramento

75

5

Equipamento de segurança e proteção

85

5.1 Equipamento de proteção coletiva

86

5.2 Equipamento de proteção individual

90

6

Rotinas de trabalho – procedimentos

103

6.1 Procedimentos de trabalho

104

6.2 Liberação para serviço

107

6.2.1 Ordem de serviço

107

6.2.2 Permissão para execução de trabalho

109

6.2.3 Técnicas de Análise de Risco (APR)

110

6.3 Inspeções de área, serviço, ferramental e equipamentos

112

6.4 Sinalização

113

6.5 Responsabilidades

113

7

Primeiros socorros

119

7.1 Definição

121

7.2 Socorrista

122

7.3 Importância dos primeiros socorros

123

7.4 Noções sobre lesões

124

7.5 Priorização do atendimento

125

7.6 Hemorragias

126

7.7 Respiração artificial

127

7.8 Massagem cardíaca

128

8

Proteção e combate a incêndios

135

8.1 Noções básicas

137

8.2 Medidas preventivas

137

8.3 Métodos de extinção

138

9

Regulamentação do Ministério do Trabalho e Previdência Social

145

9.1 NR 05 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)

147

9.2 NR 06 – Equipamento de Proteção Individual (EPI)

148

9.3 NR 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade

151

9.4 NR 17 – Ergonomia

152

9.5 NR 21 – Trabalho a céu aberto

153

9.6 NR 33 – Espaço confinado

154

9.7 NR 35 – Trabalho em altura

156

10 Segurança do trabalho

159

10.1

Organização do local de trabalho

160

10.2

Organização dos dados e informações coletadas

161

10.3

Procedimentos de segurança

162

Referências

167

Minicurrículo dos autores

169

Índice

173

Prezado(a) aluno(a),

Introdução 1
Introdução
1
Prezado(a) aluno(a), Introdução 1 É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)

É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) apre- senta o livro didático de Segurança em Eletricidade.

Este livro tem o objetivo de fornecer os conhecimentos necessários de segurança em eletri- cidade, pretendendo desenvolver em você capacidades técnicas para prevenção de acidentes relacionados com serviços de eletricidade, com base na norma regulamentadora NR 10, bem como capacidades sociais, organizativas e metodológicas, de acordo com a atuação do técnico no mundo do trabalho.

Este material didático foi fundamentado, durante todo processo de elaboração, na norma técnica NBR5410, Instalações elétricas em baixa tensão e na Norma Regulamentadora NR10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. A NR10 sustenta os princípios de se- gurança no trabalho com eletricidade. Ela tem força de lei e, sem dúvida, é uma das grandes conquistas dos trabalhadores do setor elétrico.

Os conhecimentos apresentados neste material poderão ser aplicados na segurança no tra- balho, na elaboração de projeto, em primeiros socorros e no combate a princípio de incêndio. Também deverão ser usados na orientação de pessoas não avisadas sobre os riscos elétricos, visto que as estatísticas de acidentes no trabalho com eletricidade e na população ainda são alarmantes.

Neste livro, inicialmente estudaremos o choque elétrico, seus efeitos, mecanismos e as con- sequências nos diversos níveis de tensão. Faremos a distinção entre perigo e risco e avançare- mos no estudo dos riscos adicionais.

Estudaremos alguns acidentes reais e que tiveram a eletricidade como principal causador. Ao obter informações sobre acidentes de natureza elétrica, e com os conhecimentos adquiri- dos deste material, estaremos aptos a analisar um acidente, indicando, corretamente, as cau- sas relacionadas ao trabalho e à eletricidade.

Estudaremos, também, as várias medidas de controle de riscos elétricos, EPI e EPC e do- cumentos e procedimentos estabelecidos pela norma NR10 para o trabalho seguro com ele-

14
14

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

tricidade. Conheceremos as técnicas de primeiros socorros, vistas de maneira fundamental na ajuda de acidentados com eletricidade e veremos os principais meios de combate a princípio de incêndio.

Por fim, esta unidade curricular servirá para despertar suas capacidades sociais, organizativas, metodo- lógicas e técnicas. Queremos que você se preocupe com sua qualidade de vida e com os impactos que a eletricidade traz na sua vida profissional e na população de modo geral.

Os estudos desta unidade curricular lhe permitirão desenvolver:

CAPACIDADES SOCIAIS, ORGANIZATIVAS E METODOLÓGICAS

a) Comunicar-se com clareza;

b) Demonstrar atitudes éticas;

c) Ter proatividade;

d) Ter responsabilidade;

e) Trabalhar em equipe;

f) Comunicar-se com clareza;

g) Demonstrar atitudes éticas;

h) Ter proatividade;

i) Ter responsabilidade;

j) Trabalhar em equipe;

k) Cumprir normas e procedimentos;

l) Identificar diferentes alternativas de solução nas situações propostas;

m) Manter-se atualizado tecnicamente;

n) Ter capacidade de análise;

o) Ter senso crítico;

p) Ter senso investigativo;

q) Ter visão sistêmica.

CAPACIDADES TÉCNICAS

a) Elaborar e seguir Análise Preliminar de Risco (APR);

b) Identificar a área a ser sinalizada e isolada;

c) Identificar as condições de segurança para execução do projeto;

1 INTRODUÇÃO

15
15

e) Identificar as normas técnicas e de segurança;

f) Identificar e aplicar técnicas e métodos de primeiros socorros;

g) Identificar e utilizar EPI e EPC adequados à atividade e à classe de tensão;

h) Identificar lesões causadas por acidentes elétricos;

i) Identificar medidas preventivas de proteção e combate a incêndios;

j) Identificar métodos de princípios de incêndios;

k) Identificar os riscos inerentes ao trabalho com a eletricidade;

l) Identificar prioridade de atendimento;

m) Interpretar e executar os procedimentos de trabalho;

n) Interpretar e executar serviços de acordo com a Ordem de Serviço (OS);

o) Interpretar índices de acidentes no trabalho;

p) Interpretar informações técnicas;

q) Reconhecer normas técnicas e regulamentadoras vigentes;

r) Reconhecer princípios de saúde, segurança e combate a incêndio do trabalho em eletricidade.

Lembre-se de que você é o principal responsável por sua formação e isso inclui ações proativas, como:

a) Consultar seu professor-tutor sempre que tiver dúvida;

b) Não deixar as dúvidas para depois;

c) Estabelecer um cronograma de estudo que você cumpra realmente;

d) Reservar um intervalo para quando o estudo se prolongar um pouco mais.

Bons estudos!

Riscos em instalações elétricas e serviço com eletricidade

2
2
em instalações elétricas e serviço com eletricidade 2 A eletricidade quando usada e controlada adequadamente

A eletricidade quando usada e controlada adequadamente proporciona grandes benefí- cios às pessoas e, certamente, utilizamos muito bem suas vantagens, pois a eletricidade está presente em nossas residências proporcionando bem-estar, na indústria acionando os moto- res no processo de produção, nos hospitais ajudando a manter a saúde e a vida, enfim, ela é importante em nosso dia a dia. Mas, é preciso saber lidar com a eletricidade, esta força útil e poderosa que a cada ano provoca milhares de acidentes em todo mundo.

que a cada ano provoca milhares de acidentes em todo mundo. Figura 1 - Riscos elétricos

Figura 1 - Riscos elétricos Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Neste capítulo, abordaremos as frequentes situações de riscos em instalações e serviço com eletricidade, detalhando os fatores causadores de acidentes, incluindo queimaduras e quedas. Estudaremos o choque elétrico como a principal causa de acidentes com eletricidade, visando conhecer melhor seus efeitos e consequência, e, com isso, entender claramente o que aconte- ce com a corrente elétrica dentro do corpo humano em caso de acidentes.

Estamos certos da importância deste capítulo e dos conhecimentos para o entendimento sobre os mecanismos e consequências de choque elétrico. Com dedicação, você, com certeza, desenvolverá a consciência dos riscos elétricos tanto no trabalho como no convívio doméstico, orientando, trabalhando e informando sobre o uso seguro da eletricidade.

Bom estudo!

18
18

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

2. 1 CHOQUE ELÉTRICO

O movimento de uma corrente elétrica de intensidade razoável através do corpo humano provoca sen- sações insuportáveis, que estão entre uma simples sensação de formigamento no corpo até a inconsciên- cia e morte.

Veja, na figura apresentada a seguir, que a corrente elétrica entra por uma mão e sai por um pé, estabe- lecendo um choque elétrico.

mão e sai por um pé, estabe- lecendo um choque elétrico. Figura 2 - Choque elétrico

Figura 2 - Choque elétrico Fonte: SENAI DR BA, 2017.

As sensações e danos da corrente elétrica no corpo humano caracterizam o choque elétrico, que é de- finido como sendo um distúrbio físico de efeitos diversos que se manifestam no organismo humano ou animal quando este é percorrido por uma corrente elétrica.

SAIBA MAIS Os dados estatísticos de acidentes no setor elétrico são apresentados a cada ano

SAIBA

MAIS

Os dados estatísticos de acidentes no setor elétrico são apresentados a cada ano nos relatórios da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (ABRACOPEL). Busque pela internet o site oficial dessa associação para acompanhar e entender, através desses relatórios, o que está acontecendo e o que está sendo feito sobre segurança em eletricidade no Brasil.

Veja, a seguir, a reação dos principais distúrbios de um choque elétrico no corpo humano.

a) Contração muscular (tetanização);

b) Parada respiratória;

c) Fibrilação ventricular no coração;

d) Parada cardíaca;

e) Queimaduras.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

19
19

O agravamento dos distúrbios citados pode levar o corpo a desenvolver outras reações a exemplo de:

a) Necrose: perda de tecidos, músculo, osso, órgãos provocados pelas queimaduras;

b) Asfixia: provocada pela tetanização 1 dos músculos da respiração;

c) Morte: parada cardiorrespiratória;

d) Eletrólise no sangue: o movimento da corrente contínua pelo sangue que provoca a junção de sais minerais em determinados órgãos, a exemplo do coração, provocando coágulo que pode bloquear ou reduzir a circulação de sangue.

Danos a órgãos:

a) Insuficiência renal: durante a ocorrência das queimaduras de choque elétrico, pode haver a liberação de toxinas, como a mioglobina. Os rins trabalham mais para eliminar estas toxinas e limpar o sangue. Nestas condições, os rins podem saturar, deixando de fazer o seu papel de filtrar o sangue e, dessa forma, provocar a insuficiência renal;

b) Prolapso: caracteriza-se pelo deslocamento total ou parcial de um órgão, comprometendo seu funcionamento.

CURIOSIDADES Muitos órgãos no corpo humano, aparentemente sadios, que se envol- vem em um choque

CURIOSIDADES

Muitos órgãos no corpo humano, aparentemente sadios, que se envol- vem em um choque elétrico, podem depois de dias ou meses apresentar sintomas anormais devido ao efeito da corrente elétrica. Estes sintomas, no futuro, muitas vezes não são associados ao choque elétrico.

Agora que entendemos o choque elétrico e suas reações no corpo humano, vamos continuar analisan- do a forma como o choque elétrico se estabelece.

2.1.1 MECANISMO DO CHOQUE ELÉTRICO

Para que ocorra o choque elétrico, é necessário que exista uma diferença de potencial elétrico (d.d.p), que são potenciais elétricos com diferentes concentrações de cargas elétricas, assim, no potencial negati- vo existe uma maior contração de elétrons e no potencial positivo uma menor contração. Estes potenciais estão sempre prontos para estabelecer o equilíbrio entre eles. Esta tentativa de equilíbrio acontece no momento em que uma pessoa entra em contato com estes dois pontos fluindo cargas elétricas pelo corpo e formando o choque elétrico.

Tome como exemplo uma criança em pé, que consegue colocar um grampo metálico no furo fase da tomada. A d.d.p está entre a mão e os pés da criança. Como isto, a corrente elétrica entra pela mão, atra- vessa o corpo e sai pelos pés, nestas condições, temos um circuito elétrico fechado e a confirmação de um choque elétrico.

20
20

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

CURIOSIDADES Os valores de tensão residencial no Brasil, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica

CURIOSIDADES

Os valores de tensão residencial no Brasil, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), estão entre 127 V e 220 V. Portanto, pode- mos afirmar que quando é usada a tensão de 220 V, a corrente, os efeitos e os riscos são maiores com relação ao uso de 127 V.

Em caso de choque elétrico, nos locais de entrada e saída da corrente, que geralmente são as mãos e os pés, as resistências elétricas são maiores. Nestes locais, têm-se também um maior consumo de energia por efeito Joule 2 e, consequentemente, maiores danos físicos (queimaduras, carbonização), principalmente no contato com alta-tensão onde a corrente é intensa. No caso do choque elétrico da criança citada, mesmo em baixa tensão existe a possibilidade de ocorrer queimaduras nas regiões de contato, mãos e pés, devido à sensibilidade da pele nestes pontos.

Veja, na fórmula a seguir, que a potência elétrica nos locais de contato é o que resulta do quadrado da corrente (I) multiplicado pela resistência oferecida (R) nos pontos de entrada e saída da corrente, isto é, as mãos e os pés.

P

=

I 2 x R

P – potência no ponto de contado

I – corrente do choque elétrico

R – resistência de contato

Vamos continuar, pois já entendemos que a diferença de potencial elétrico é importante na formação do choque elétrico, assim, vamos prosseguir para compreender com a Lei de Ohm. Essa lei envolve três grandezas elétricas: tensão, corrente e resistência; e diz, através de uma relação matemática, que a corrente elétrica está diretamente proporcional à tensão elétrica e inversamente proporcional à resistência elétrica.

DINâMICA DO CHOQUE ELÉTRICO

Para simplificar o entendimento da dinâmica do choque elétrico, usaremos uma das fórmulas origina- das da Lei de Ohm. Veja a seguir.

I

=

U

R

Observe, a seguir, a explicação detalhada da fórmula apresentada.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

21
21

a) A tensão elétrica “U”: conforme fórmula matemática anterior, é a força que empurra a corrente elétrica através do corpo, desta maneira, a corrente elétrica está diretamente proporcional à ten- são elétrica, assim quanto maior o valor da tensão, maior será a corrente e os efeitos;

b) A resistência elétrica “R”: tem relação inversa com os efeitos no corpo, isto é, o aumento da re- sistência diminui a corrente e, consequentemente, os efeitos no corpo humano. Por isso, ela tem associação direta com a segurança pessoal no aumento da isolação ou no uso dos equipamentos de proteção individual;

c) A corrente elétrica “I”: essa corrente, como sendo o movimento das cargas elétricas, depende da tensão e da resistência elétrica e provoca os efeitos danosos no corpo humano. Com isto, po- demos observar que entre as grandezas elétricas vistas na fórmula da Lei de Ohm, a corrente é que realmente provoca todos os danos nos choques elétricos.

Vamos, a seguir, analisar os fatores que podem aumentar os efeitos prejudiciais de um choque elétrico.

2.1.2 FATORES AgRAvANTES DO CHOQUE ELÉTRICO

Quem nunca se envolveu em um choque elétrico? A maioria das pessoas, com maior ou menor inten- sidade, já se envolveu em um choque elétrico. Mas é importante que correntes elétricas externas não en- trem em nosso corpo, pois o coração, órgão autônomo, gera seu próprio pulso elétrico no nodo sinoatrial 3 , para contrair e bombear sangue. Uma corrente externa passando pelo coração, sobreposta aos seus pulsos elétricos, pode parar ou colocar o coração fora de ritmo.

Veja, a seguir, os fatores que influenciam na gravidade de um choque elétrico.

a) Tipo da corrente elétrica (alternada ou contínua);

b) Frequência da corrente elétrica;

c) Tempo de duração do choque elétrico;

d) Área de contato do choque elétrico;

e) Pressão do contato;

f) Intensidade da corrente elétrica;

g) Trajeto da corrente elétrica pelo corpo humano;

h) Condições da pele do corpo humano (seca, úmida, molhada);

i) Constituição física do indivíduo;

j) Estado de saúde do indivíduo;

k) Presença no corpo de equipamento eletrônico para manter a vida;

l) Nível de tensão elétrica.

22
22

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

A seguir, veja o quadro com os possíveis efeitos da corrente elétrica em caso de um choque elétrico com baixa tensão.

 

EFEITOS DO CHOQUE ELÉTRICO DEPENDENTE DA CORRENTE

0,1 a 0,5mA

• Leve percepção superficial; habitualmente nenhum efeito.

0,5mA a 10mA

• Ligeira paralisia nos músculos do braço, com início de tetanização; habitualmente nenhum efeito perigoso.

10mA a 30mA

• Nenhum efeito perigoso se houver interrupção em, no máximo, 200ms.

30mA a 500mA

• Paralisia estendida aos músculos do tórax com sensação de falta de ar e tontura;

• Possibilidade de fibrilação ventricular se a descarga elétrica se manifestar na fase crítica do ciclo cardíaco e por tempo superior a 200ms.

Acima de 500mA

• Trauma cardíaco persistente; nesse caso, o efeito é letal, salvo intervenção imediata de pessoa especializada com equipamento adequado.

Quadro 1 - Efeitos da corrente elétrica Fonte: IEC 61140, 2016.

Leia o Casos e Relatos a seguir e reflita sobre os riscos em instalações elétricas e serviços com eletricida- de. Perceba, a partir da situação contada, os efeitos que uma corrente elétrica pode ter no corpo humano e a necessidade de cuidado ao realizar serviços que envolvam a eletricidade.

CasOs E RELaTOscuidado ao realizar serviços que envolvam a eletricidade. Acidente com estrutura metálica próxima a rede elétrica.

Acidente com estrutura metálica próxima a rede elétrica.

Em uma cidade do interior, um comerciante resolveu instalar um ponto de alto-falante para divulgar seu comércio. Conseguiu vários pedaços de tubos metálicos e levou para um soldador emendar. Fei- to isto, adaptou o alto-falante em uma das extremidades do tubo e fez um buraco no chão a alguns metros da rede elétrica de alta-tensão, para fixar o tubo que foi emendado.

Estava tudo certo, os tubos emendados estavam na altura desejada, o buraco para fixar os tubos estava feito, o alto-falante estava fixado. No entanto, a estrutura de tubos ficou muito pesada e o co- merciante sozinho não conseguia levantar. Saiu atrás de amigos na vizinhança para ajudar a levantar e fixar o tubo. Conseguiu três pessoas. Com o peso da estrutura, as quatro pessoas realizavam muito esforço para tentar manter o tubo na posição vertical.

O tubo balançava muito e a preocupação do comerciante era não deixá-lo tocar na rede elétrica. Em

um determinado instante, o tubo começa a inclinar para o lado da rede elétrica. O comerciante faz

um forço intenso para que o tubo não tocasse na rede elétrica, mas ele não consegue evitar o pior, o tubo faz contato com a rede elétrica de alta-tensão com as quatro pessoas em contato com o tubo.

O comerciante fica preso ao tubo e seu corpo começa a queimar, uma das outras três pessoas têm

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

23
23

morte imediata e as outras duas caem agonizando. O desfecho desse caso é que duas pessoas mor- rem e duas ficaram feridas com queimaduras nas mãos e nos pés.

Este tipo de situação que acabamos de ler é muito comum com estruturas metálicas, tubos ou ante- nas e geralmente resulta em acidente grave. Havendo necessidade de realizar um serviço próximo a uma rede elétrica, é importante solicitar ajuda da concessionária de energia para fazer o desligamen- to, a fim de que haja segurança no serviço a ser realizado.

Após analisarmos os mecanismos do choque elétrico e os mecanismos que o agravam, estamos prepa- rados para analisar os tipos de choques elétricos existentes.

2. 2 TIPOs dE CHOQUEs ELÉTRICOs

A seguir, veremos os três tipos de choques elétricos, o choque elétrico dinâmico, o choque de descarga atmosférica e o choque elétrico com eletricidade estática. O entendimento sobre os tipos de choques exis- tentes é importante para a proteção dos riscos em instalações e serviços com eletricidade.

2.2.1 CHOQUE ELÉTRICO DINâMICO

Choque elétrico dinâmico é o contato com partes energizadas de uma instalação elétrica com tensão elétrica perigosa, isto é, valores de tensão acima de 50V alternado ou 120V contínua. O choque elétrico dinâmico é o tipo de choque elétrico mais perigoso, pois ele permanece constante enquanto a pessoa acidentada estiver em contato com a parte energizada.

pessoa acidentada estiver em contato com a parte energizada. Figura 3 - Choque elétrico dinâmico Fonte:

Figura 3 - Choque elétrico dinâmico Fonte: SENAI DR BA, 2017.

24
24

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

O choque dinâmico está condicionado a uma tensão de toque ou uma tensão de passo, conforme ve-

remos a seguir;

TENSãO DE TOQUE

Tensão de toque é a tensão da diferença de potencial nos pontos de contato quando a corrente elétrica circula pelo corpo. Geralmente, essa tensão envolve os membros superiores e inferiores do corpo.

Na tensão de toque, podemos ter situações diversas com relação aos pontos de entrada e saída da cor- rente. Vamos estudar duas condições muito comuns.

A primeira condição de choque é quando a tensão de toque provoca um choque elétrico em relação à

terra, isto é, quando a corrente entra por uma mão e sai pelos pés. Os pontos de contato, portanto, seriam

uma mão e os dois pés, conforme demonstrado na figura a seguir.

Neutro Fase U Rc1 Ic Ut Rc Rcp1 Rcp2 Terra Rt Figura 4 - Tensão
Neutro
Fase
U
Rc1
Ic
Ut
Rc
Rcp1
Rcp2
Terra
Rt
Figura 4 - Tensão de toque (caso 01)
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Rc1: resistência de contato da mão.

Rpc1:resistência de contado do pé esquerdo

Rcp2: resistência de contato do pé direito

Rt: resistência de terra

Ic:

corrente do choque elétrico

U:

tensão da instalação

Ut: tensão de toque

Re: resistência equivalente

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

25
25

Observe na imagem sobre a tensão de toque que ao se deslocar pelo corpo a corrente será limitada pela

resistência de contato da mão (Rc1), resistência interna do corpo (Rc), resistências dos pés (Rcp1 e RCp2) e

a resistência de terra (Rt).

A fórmula a seguir explica bem a situação da figura anterior.

Considerando que: Rcp1 = Rcp2 = Re

Ic

=

U

Rcm + Rc + ( Re ) + Rt

2

Ut

=

(Rcm + Rc + ( Re )) x Ic

2

A segunda condição de contato é quando uma estrutura metálica aterrada é acidentalmente energiza-

da, configurando um curto-circuito monofásico à terra. A corrente (It), nesta condição, passará pela estru-

tura metálica e, através do aterramento, invadirá o solo em direção à malha de aterramento. A corrente (It)

e

a resistência (Rt1) geram potenciais de tensão no solo. Uma pessoa em contato com a estrutura metálica

e

sobre o solo ficará submetida a um choque elétrico com a tensão de toque, conforme figura seguinte.

lf Rcm Ic Ut Rc Estrutura metálica Rcp1 lt Rt1 Rt
lf
Rcm
Ic
Ut
Rc
Estrutura
metálica
Rcp1
lt
Rt1
Rt

Figura 5 - Tensão de toque (caso 02) Fonte: SENAI DR BA, 2017.

If: corrente de falta ou corrente no momento do curto-circuito com estrutura

Rcm: resistência de contato da mão

Ic: corrente do choque elétrico

Ut: tensão de toque

Rc: resistência interna do corpo

Rcp1: resistência de contato dos pés

26
26

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Observe a fórmula seguinte para entender melhor a situação apresentada na figura anterior.

Ut

Rt1 x (Rcm + Rc + Rcp1)

=

x If

Rt1 + Rcm + Rc + Rcp1

Ic

=

Ut

Rcm + Rc + Rcp1

FIQUE ALERTA No uso da chave teste neon, é necessário colocar o dedo em uma

FIQUE

ALERTA

No uso da chave teste neon, é necessário colocar o dedo em uma parte metálica da chave para a lâmpada neon sinalizar o condutor fase da instalação. Veja que nesta operação você é parte importante de um circuito elétrico. Este procedimento é total- mente inadequado, pois nenhuma parte do seu corpo pode ser usado para comple- tar um circuito elétrico.

Após analisar as condições de contato da tensão de toque, vamos analisar mais uma condição relacio- nada ao choque dinâmico, a tensão de passo.

TENSãO DE pASSO

A tensão de passo é a diferença de potencial encontrada entre os dois pés de uma pessoa no instante

em que uma intensa corrente elétrica se movimenta no solo.

Esta corrente no solo pode ser originada de um curto-circuito em alta-tensão em relação à terra ou de uma descarga atmosférica surgida de um raio.

A tensão de passo tem valor máximo quando está junto ao ponto de origem e o valor reduzido quan-

do muito afastado dele. Se uma pessoa estiver em pé em qualquer ponto dentro da região onde há essa distribuição de potencial, entre seus pés haverá uma diferença de potencial chamada de tensão de passo.

A tensão de passo, matematicamente, depende da multiplicação da resistência no solo (Rt2) pela cor-

rente de terra (It), assim, quanto maior a distância entre um pé e outro, maior o valor de RT2 e, consequen- temente, maior o valor de tensão (Up), conforme representado na figura a seguir.

lf Rc Estrutura metálica Up Rcp1 Rcp2 lc Rt Rt1 Rt Solo Figura 6 -
lf
Rc
Estrutura
metálica
Up
Rcp1
Rcp2
lc
Rt
Rt1
Rt
Solo
Figura 6 - Tensão de passo
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

27
27

Veja a fórmula a seguir que explica a tensão de passo apresentada na figura anterior.

Ic

=

Up

Rc1 + Rcp1 + Rcp2

Ut

=

Rt2 x (Rcp1 + Rc + Rcp2)

x If

Rt2 + Rcp1 + Rc + Rcp2

Ic:

corrente elétrica do choque elétrico

If:

corrente de falta ou corrente no momento do curto-circuito com estrutura metálica

Up: tensão de passo

Rt1: resistência de terra 1

Rt2: resistência de terra 2

Rt: resistência de terra

Rcp1: resistência de contato dos pés 1

Rcp2: resistência de contato dos pés 2

Rc: resistência interna do corpo

FIQUE ALERTA Se um fio de alta-tensão cai no solo ou no teto de um

FIQUE

ALERTA

Se um fio de alta-tensão cai no solo ou no teto de um carro e você notar que tem corrente fluindo para o solo, é possível que existam potenciais elétricos de tensão no solo, nesta situação se deve andar com os pés bem juntos um do outro até um local seguro para evitar choque elétrico de tensão de passo.

Veremos, a seguir, como as correntes se movimentam no corpo quando ocorre o choque elétrico.

ESpRAIAMENTO DA CORRENTE DE CHOQUE ELÉTRICO

O espraiamento é a distribuição da corrente elétrica dentro do corpo humano no instante do choque

elétrico. Assim, a corrente elétrica quando entra no corpo encontra regiões com resistências elétricas e áreas transversais 4 diferentes. Isto significa que o total da corrente que entra por uma mão percorre o braço e se espalha quando chega no tronco, portanto, uma possível corrente que chega no coração é uma parte da corrente total que entrou no corpo pela mão.

28
28

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

O espraiamento da corrente de um choque elétrico pode se apresentar na forma de microchoque ou

macrochoque.

a) Macrochoque: é quando uma corrente elétrica externa entra no corpo. Esta é a forma mais co- mum de um choque elétrico;

b) Microchoque: acontece quando uma corrente elétrica é gerada dentro do corpo, geralmente por defeito de equipamento médico–hospitalar.

A tabela a seguir apresenta a trajetória e o valor da corrente de espraiamento no corpo e, com isso, o

percentual da corrente que passa pelo coração.

LOCAL DE ENTRADA

TRAJETÓRIA

PORCENTAGEM DA CORRENTE

Figura A

Da cabeça para o Pé direito

9,7%

Figura B

Da mão direita para o pé esquerdo

7,9%

Figura C

Da mão direita para a mão esquerda

1,8%

Figura D

Da cabeça para a mão esquerda

1,8%

Figura E

Tensão de Passo

0%

Tabela 1 - Percurso da corrente de choque elétrico Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Com base na tabela apresentada, observe, na figura seguinte, a representação da trajetória da corrente no corpo humano.

A B C D E
A
B
C
D
E

Figura 7 - Trajetória da corrente Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Agora, iniciaremos os estudos sobre os choques elétricos relacionado a fenômenos atmosféricos.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

29
29

2.2.2 CHOQUE ELÉTRICO DE DESCARgA ATMOSFÉRICA

Vamos entender como se forma a diferença de potencial entre a nuvem e o solo, que antecede a des- carga atmosférica, isto é, raio. A compreensão sobre esse assunto é importante para a proteção nos dias de chuva, principalmente quando o profissional eletrotécnico estiver realizando serviços em áreas abertas e ao ar livre.

O raio é um arco elétrico que se forma entre a nuvem e o solo. Para isto acontecer, é necessária a for-

mação de uma diferença de potencial entre nuvem e solo, esta d.d.p começa com o atrito de partículas de água e gelo agitadas dentro da nuvem. No atrito, estas partículas ganham ou perdem elétrons, ficando eletrizadas, e uma delas torna-se positiva e a outra negativa. Dentro da nuvem, estas partículas eletrizadas se separam, as positivas se deslocam para a parte superior da nuvem e as negativas acumulam-se na parte inferior, próxima ao solo.

O campo elétrico negativo na região inferior da nuvem influencia as partículas no solo deixando a su-

perfície terrestre na direção da nuvem positiva. Temos um grande capacitor onde a nuvem e solo são as placas e o ar o dielétrico. Nestas condições, a d.d.p entre nuvem e solo é estabelecida de forma intensa e crescente até acontecer o raio, que provoca a descarga e equilíbrio entre nuvem e solo, conforme figura apresentada a seguir.

O choque elétrico de descarga atmosférica acontece quando uma pessoa diminui o dielétrico ou a dis-

tância entre a nuvem e o solo, antecipando a descida das cargas negativas em direção a terra, que nestas condições é um potencial positivo. Neste instante, a pessoa é atingida pela corrente elétrica de um raio no processo de equilíbrio de cargas elétricas entre a nuvem e o solo.

+ + + + + + + _ _ _ _ _
+ +
+ + +
+ +
_
_
_
_
_
+ + + + + + + + +
+
+
+ +
+
+ +
+ +

Figura 8 - Descarga atmosférica Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Com o estudo a seguir, vamos compreender que podemos acumular carga elétrica em nosso corpo atritando com o ar ou com materiais isolantes e isto pode ser um risco em instalações e serviço com eletri- cidade.

30
30

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

2.2.3 CHOQUE ELÉTRICO COM ELETRICIDADE ESTáTICA

A eletricidade estática é gerada a partir do atrito entre dois corpos, deixando os mesmo com cargas

elétricas opostas. Esta situação pode acontecer no nosso corpo quando andamos sobre um piso de carpete com um calçado isolante em ambiente de baixa umidade do ar ou em linhas de transmissões desligadas com atrito de fortes ventos. Por isso, nos casos de serviços em linha de transmissão desligada, o aterramen- to apropriado (no início e no fim da linha) é muito importante.

O choque estático é uma descarga rápida que acontece quando entramos em contato com os poten-

ciais estáticos (positivo e negativo) e, na maioria das vezes, ele causa apenas certo desconforto, leve cho- que elétrico.

Em locais onde o ar é muito seco, os valores de tensão estáticas geradas crescem muito, aumentando os riscos de acidentes em áreas explosivas, em função de uma centelha 5 existente no momento da descarga.

Uma situação muito comum de acúmulo de eletricidade estática é quando um caminhão tanque trans- porta líquido inflamável. Durante o seu deslocamento, atritando com o ar, a lataria do caminhão perde carga elétrica ficando eletrizada de forma positiva. Esta situação é uma condição insegura e requer muito cuidado. Por isso, para descarregar o líquido inflamável, o procedimento correto é aterrar a lataria do ca- minhão para retirar possíveis cargas acumuladas. Sem esta rotina de previamente aterrar a lataria do ca- minhão, pode acontecer uma descarga elétrica estática no momento da saída do líquido inflamável, o que provocará uma centelha e, consequentemente, uma explosão.

GASOLINA
GASOLINA
uma centelha e, consequentemente, uma explosão. GASOLINA Figura 9 - Descarga de eletricidade estática do caminhão

Figura 9 - Descarga de eletricidade estática do caminhão Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para dar continuidade ao assunto sobre os riscos em instalações e serviços com eletricidade, veremos, a seguir, os campos eletromagnéticos e sua influência nos trabalhadores, nas redes elétricas e nos equipa- mentos eletrônicos.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

2.3 CamPOs ELETROmaGnÉTICOs

31
31

Os campos eletromagnéticos estabelecem uma região no espaço com capacidade de modificar a es- trutura atômica de um corpo, isto é, eles agem diretamente no átomo de um material. Isso acontece por interferência de um campo elétrico e de um campo magnético, cada qual efetivamente agindo de forma independente.

O campo elétrico interage sobre cargas elétricas criando corpos eletrizados, a exemplo do deslocamen-

to de cargas elétricas através do ar quando um corpo se aproxima de uma linha de alta-tensão. A intensi- dade do campo elétrico depende muito da distância em relação ao corpo eletrizado.

O campo magnético produz um fluxo magnético que interfere nos fios condutores agindo diretamente

sobre os átomos-imãs para criar polos magnéticos.

sobre os átomos-imãs para criar polos magnéticos. Figura 10 - Campo eletromagnético Fonte: SHUTTERSTOCK,

Figura 10 - Campo eletromagnético Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

A variação do campo magnético agindo sobre um condutor gera uma tensão elétrica no mesmo, isto é

normal nos enrolamentos de um transformador. Mas, o campo eletromagnético de um raio, quando atinge uma rede elétrica ou de telecomunicação, pode gerar uma tensão mais elevada, de curta duração, que é sobreposta à tensão normal criando um distúrbio nesta rede. Esta tensão gerada nesta rede por campo eletromagnético é chamada de tensão transitória e pode provocar danos a equipamentos elétricos e ele- trônicos.

Outra situação que deve ser bem observada é quando temos redes de alta-tensão muito próximas uma da outra. O campo eletromagnético de uma rede energizada pode induzir uma tensão em uma rede que esteja próxima. Portanto, em função desta situação, no caso de manutenção em redes elétricas que já foram desligadas, é importante seguir os procedimentos de segurança apropriados, como, por exemplo, verificar a ausência de tensão na rede e fazer o aterramento apropriado.

32
32

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

32 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Figura 11 - Influência eletromagnética em redes elétricas Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017. Com

Figura 11 - Influência eletromagnética em redes elétricas Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Com relação a seres humanos, um campo eletromagnético provoca a formação de uma carga elétrica sobre a superfície da pele, desarrumando a estrutura atômica da célula e provocando um pequeno fluxo de corrente. Normalmente, estes efeitos não são prejudiciais aos seres humanos, no entanto, dentro de um campo eletromagnético muito intenso, em determinadas pessoas, pode ocorrer um funcionamento anormal de implantes eletrônicos como marca-passo e também na circulação de corrente em próteses metálicas, a ponto de provocar aquecimento, o que pode acarretar lesões internas.

No setor elétrico, nos serviços e manutenção, os riscos relacionados a um arco elétrico são vistos com muita apreensão devido ao grande poder térmico que ele possui. A seguir, você vai poder compreender melhor este assunto.

2.4 aRCO ELÉTRICO

O arco elétrico é o movimento da corrente elétrica pelo ar ionizado 6 , liberando grande quantidade de energia e gerando calor intenso.

Os acidentes com arco elétrico são comuns e envolve, na maioria das vezes, profissionais experientes da área elétrica. Esses acidentes geralmente acontecem devido a fatores do ambiente de trabalho listados seguir.

a) Curto-circuito entre cabos energizados;

b) Aproximação de dois condutores com tensão elevada;

c) Falhas de equipamentos energizados;

d) Manipulação desatenta de ferramentas ou instrumentos com circuito ligado;

e) Poeira em suspensão em quadro de barramento ou conexão de dispositivos elétricos;

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

f) Animais em subestações 7 ou painéis elétricos.

33
33
f) Animais em subestações 7 ou painéis elétricos. 33 Figura 12 - Arco elétrico Fonte: SENAI

Figura 12 - Arco elétrico Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Os acidentes com arco elétrico geram várias formas de energias, como aumento da temperatura, mo- vimento do ar, luz intensa e ruído elevado. O aumento da temperatura provoca a fusão dos metais e con- sequentes respingos destes que são projetados em todas as direções causando ferimentos graves, como queimaduras, conforme veremos a seguir.

2.4.1 QUEIMADURAS

O calor gerado no momento de um o arco elétrico chega a temperaturas de 6000° a 30000° célsius,

provocando queimaduras graves. O tempo de exposição ao calor de um arco elétrico é um dos fatores que agravam as consequências de uma queimadura. Assim, para minimizar esse tipo de acidente, é necessária a instalação de dispositivos de seccionamento 8 com proteção para abertura sob carga, que tenham sido bem dimensionados e tenham sensibilidade de abertura rápida em caso de curto-circuito.

O profissional da área de elétrica que trabalha em instalações com possibilidade de formação de arco

elétrico, conforme NR10 - Segurança em Instalações e Serviço com Eletricidade, deve estar equipado de

vestimentas antichamas dimensionadas a partir de um estudo térmico que tenha como base proteger o profissional do arco elétrico mais perigoso existente no ambiente de trabalho.

Em muitos ambientes de trabalho, como subestações, a vestimenta antichama deve incluir máscara que proteja o pescoço, cabeça e cabelos do arco elétrico e suas consequências. Veja na figura a seguir.

7 Subestações: é o local composto de equipamentos de controle e proteção, delimitado, podendo ser classificadas em elevadora de tensão ou abaixadora.

34
34

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

34 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Figura 13 - Vestimenta de proteção contra arco elétrico Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Figura 13 - Vestimenta de proteção contra arco elétrico Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Outro tipo de acidente que pode ser gerado pelo arco elétrico são as quedas. Aprenda mais sobre isso a seguir.

2.4.2 QUEDAS

O efeito da expansão do ar em volta do local gerador do arco elétrico cria forças intensas capazes de deslocar equipamentos e pessoas, provocando queda. As quedas podem resultar em lesões graves se o trabalho estiver sendo realizado em condições de risco adicional como a altura.

Para serviços em altura, principalmente com circuito energizado, deve-se adotar medidas preventivas sobre a possibilidade de queda, utilizando os EPI necessários e os conhecimentos da NR35 (Trabalho em altura), visto que o treinamento desta norma é obrigatório para serviço em altura conforme o Ministério do Trabalho (MT).

obrigatório para serviço em altura conforme o Ministério do Trabalho (MT). Figura 14 - Queda Fonte:

Figura 14 - Queda Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

2 RIsCOs Em InsTaLaçõEs ELÉTRICas E sERvIçO COm ELETRICIdadE

35
35

Através do estudo mais detalhado sobre o choque elétrico, poderemos contribuir pra redução da triste estatística de acidentes no setor elétrico.

Estamos encerrando este capítulo convicto de que você possui conhecimentos importantes sobre se- gurança em eletricidade. Conhecimentos esses de abrangência doméstica e profissional, que são suficien- tes para sua segurança e de pessoas do seu convívio. Esperamos que através do estudo desse capítulo você esteja ciente do poder da eletricidade e dos benefícios que ela proporciona, e conscientes dos riscos envolvidos na sua utilização.

e conscientes dos riscos envolvidos na sua utilização. RECaPITULandO Abordamos o choque elétrico e entendemos o

RECaPITULandO

Abordamos o choque elétrico e entendemos o mecanismo de como ele é formado, desta forma, ana- lisamos que é possível se proteger, tomar medidas de prevenção e evitar acidentes com eletricidade.

A preocupação principal no choque elétrico é o coração, que não deve ser percorrido por correntes elétricas externas visto que ele é um órgão que produz seu próprio pulso elétrico para funcionar corretamente e manter a vida.

Estudamos os tipos de choques elétricos e vimos que o choque dinâmico é mais perigoso, mais

E os

comum e mais fácil de ser formado em função dos possíveis acessos a partes energizadas.

choques elétricos estáticos menos perigosos em relação aos efeitos no corpo, mas a eletricidade estática é indesejável em ambientes explosivos e em áreas classificadas onde pode existir atmosfera explosiva.

Estendemos bem as descargas atmosféricas previsíveis na sua formação e imensuráveis nos danos causados em pessoas e patrimônios.

Encerrando, vimos o arco elétrico causador de graves acidentes com queimaduras e quedas, e des- cobrimos que é muito frequente acidente em profissionais experientes.

Acidentes de origem elétrica

3
3
Acidentes de origem elétrica 3 O acidente de trabalho acontece quando existe uma situação na qual

O acidente de trabalho acontece quando existe uma situação na qual o trabalhador, no exercício das suas atividades, é acometido de dano físico, que o impede de prosseguir com o seu serviço de forma permanente ou temporária.

Neste capítulo, teremos a oportunidade de estudar as causas relacionadas ao acidente no trabalho e as causas elétricas formadoras dos acidentes com eletricidade, que geralmente acontecem por contato com partes energizadas da instalação. Como vimos ao estudar sobre os riscos em instalações elétricas e serviços com eletricidade, energizar o corpo pode trazer consequências graves.

Todo ano no Brasil ocorrem centenas de mortes devido a acidentes com eletricidade. Além disto, esses acidentes têm índices elevados na construção civil e na manutenção e montagem de redes de distribuição de energia. Ciente desta situação, este capítulo possibilitará uma aná- lise geral sobre os acidentes de origem elétrica que ocorrem em ambientes urbanos, indústrias e doméstico.

que ocorrem em ambientes urbanos, indústrias e doméstico. Figura 15 - Acidentes de origem elétrica Fonte:

Figura 15 - Acidentes de origem elétrica Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

38
38

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Apresentaremos, também, neste capítulo, casos de acidentes para discussão e análise. Todos os aciden- tes que serão mostrados foram descritos a partir de uma situação real.

Faremos um estudo que possibilitará entender bem o conceito de perigo e risco, termos muito comuns em situações de apreensão preocupantes que somos acometidos no dia a dia ou no trabalho. Veremos também os riscos adicionais, que estão presentes no ambiente do trabalho com eletricidade, mas sempre considerando o risco elétrico com o principal.

Aproveitem bem os conhecimentos propostos neste capítulo, pois eles serão muito importantes na sua vida profissional e diária.

3.1 ConCeito legAl de ACidente do trAbAlho

Acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, que cause a morte ou perda, ou ainda a redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho.

As expressões perigo e risco são muito utilizadas quando se trata do tema acidentes de trabalho. É muito importante que o profissional da área de eletricidade saiba definir e interpretar cada uma dessas expressões para que ele trabalhe de um modo que minimize os acontecimentos dos perigos e riscos.

3.1.1 Perigo e risco

O perigo é uma condição ambiental que pode causar danos à saúde, ferimentos, agressão física ou até a morte.

à saúde, ferimentos, agressão física ou até a morte. Figura 16 - Situação de perigo Fonte:

Figura 16 - Situação de perigo Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Um bom exemplo de perigo é quando cabos ou barramentos expõem os condutores (cobre, alumínio) energizados. Nesse cenário, existe uma condição de perigo, pois o contato com essas partes expostas pode causar ferimentos e até a morte.

3 ACidentes de origem elétriCA

39
39
C U R I O S I D A D E S O risco depende

CURIOSIDADES

O risco depende da existência do perigo. Se o perigo for eliminado, con- sequentemente o risco deixa de existir.

O risco é a exposição ou aproximação de um perigo. Como sabemos, a eletricidade é perigosa e a apro-

ximação de instalações elétricas oferece risco, no entanto, os riscos podem ser controlados quando os condutores energizados são isolados, cobertos ou colocados fora do alcance. É importante saber que esta ação não elimina o perigo, mas faz o controle do risco elétrico.

elimina o perigo, mas faz o controle do risco elétrico. Figura 17 - Controle do risco

Figura 17 - Controle do risco elétrico Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Agora que sabem quando estamos em condições de risco, vamos ampliar nosso conhecimento estu- dando sobre os riscos adicionais.

3.2 risCos AdiCionAis

Os riscos adicionais são todos os fatores de risco, além do elétrico, específicos da condição de trabalho, que possam contribuir ou causar acidentes.

Estudaremos, a seguir, os principais riscos adicionais envolvidos no trabalho com eletricidade, conside- rando o risco elétrico como o principal.

3.2.1 AlturA

A altura como risco adicional da eletricidade merece especial atenção em função das graves conse-

-quências originadas das quedas. Vamos entender o motivo da altura ser um risco adicional.

40
40

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

As perdas de controle dos movimentos do corpo no momento do choque elétrico ou o movimento brusco do ar em caso de arco elétrico são fatores determinantes para estabelecer o desequilíbrio no traba- lho em altura, e, consequentemente, provocar quedas. Por este motivo, no trabalho com eletricidade em altura, é importante o uso do cinto de segurança.

O trabalho em altura atualmente requer a obrigatoriedade no treinamento da norma regulamentadora NR35 - Trabalho em Altura, nela se encontram todas as regras de segurança para o trabalho seguro em altura.

SAIBA MAIS Acesse o site oficial do Ministério do Trabalho e tenha acesso a NR35

SAIBA

MAIS

Acesse o site oficial do Ministério do Trabalho e tenha acesso a NR35 para obter mais conhecimento sobre o trabalho em altura.

Seguem algumas regras que devem ser observadas para trabalho em altura em eletricidade.

a) É obrigatório o cinto de segurança tipo paraquedista com ponto para fixação de trava queda;

b) É obrigatório o uso de capacete com jugular;

c) É obrigatório o uso de trava queda com linha da vida (mencionados no capítulo 5, item 5.3.4 da

NR35);

d) Todos os equipamentos responsáveis pela elevação do profissional até o ponto de trabalho de- vem ser rigorosamente inspecionados;

e) Equipamentos e ferramentas devem ser levados para o alto através de uma bolsa específica.

ser levados para o alto através de uma bolsa específica. Figura 18 - Trabalho em altura

Figura 18 - Trabalho em altura Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Veremos, a seguir, mais um risco adicional, o ambiente confinado.

3 ACidentes de origem elétriCA

3.2.2 Ambiente confinAdo

41
41

Ambiente confinado é um local em forma de caixa ou tubo, geralmente com uma pequena entrada e pouca ventilação, onde com dificuldade é possível o acesso de pessoas.

FIQUE ALERTA Os acidentes em ambientes confinados, geralmente, envolvem uma atmosfera agres- siva 9 e

FIQUE

ALERTA

Os acidentes em ambientes confinados, geralmente, envolvem uma atmosfera agres- siva 9 e muitos socorristas desavisados acabam respirando o ar deste ambiente fican- do na mesma situação do acidentado.

Os ambientes confinados não são projetados para ocupação contínua de pessoas, visto que eles têm meios limitados de entrada e saída e a ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes perigosos.

é insuficiente para remover contaminantes perigosos. Figura 19 - Ambiente confinado Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Figura 19 - Ambiente confinado Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Trabalhadores que necessitam adentrarem em ambiente confinado necessitam obrigatoriamente de treinamento na norma regulamentadora NR33 - Espaço Confinado.

3.2.3 ÁreA clAssificAdA

Áreas classificadas são locais dentro de uma empresa ou estabelecimento com possibilidade de forma- ção, ou existência, de uma atmosfera explosiva por presença contínua ou eventual de gases inflamáveis. Áreas com essas características são consideradas de alto risco para o trabalho com eletricidade.

As instalações elétricas em áreas classificadas especiais, os equipamentos, tubulações e caixas devem ser à prova de explosão, conforme norma, pois a presença de eletricidade nessas áreas pode ser a única fonte potencial de calor e centelha, essenciais para ignição 10 do processo explosivo.

9 Atmosfera agressiva: é uma atmosfera com teor de oxigênio não apropriado à respiração (excesso maior de 23% ou menor que 20,9%) e/ou com presença de contaminantes tóxicos como monóxido de carbono e Gás Sulfídrico.

42
42

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

As instalações elétricas e equipamentos contidos em áreas classificadas devem ser projetados para limi- tar o calor e a supressão de arco elétrico, de maneira que elimine possibilidade de inflamação de possíveis gases inflamáveis contidos nessas áreas. Observe, na figura da luminária apresentada a seguir, um exemplo desse tipo de equipamento, uma luminária à prova de explosão para ambiente de área classificada.

à prova de explosão para ambiente de área classificada. Figura 20 - Luminária para área classificada

Figura 20 - Luminária para área classificada Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Nas áreas classificadas, a concentração ou não de gases em determinadas regiões pode ser avaliada com o objetivo de limitar o acesso de pessoas e de realizar ações que previnam acidentes. Os trabalhadores da área elétrica, dentro de uma área classificada, estão submetidos a um risco adicional e devem ser instru- ídos sobre esses riscos, de maneira que exerçam suas atividades com segurança.

No quadro a seguir, veja a classificação em zonas das áreas classificadas por concentração de gases inflamáveis segundo a IEC 60079-10: 2016.

Zona 0

Área na qual uma mistura de gás e ar, potencialmente explosiva, pode estar presente continuamente ou por grandes períodos de tempo.

Zona 1

Área na qual uma mistura de gás e ar, potencialmente explosiva, pode estar presente durante o funcionamento normal do processo.

Zona 3

Área na qual uma mistura de gás e ar, potencialmente explosiva, pode não estar presente. Caso esteja, será por curtos períodos.

Quadro 2 - Classificação de zonas conforme concentração de gases inflamáveis Fonte: IEC 60079-10, 2016.

Veja, a seguir, a imagem de uma instalação elétrica de uma refinaria de petróleo que pode ser conside- rada uma área classificada. Essa refinaria teve o sistema de iluminação construído com luminárias à prova de explosão.

3 ACidentes de origem elétriCA

43
43
3 ACidentes de origem elétriCA 43 Figura 21 - Iluminação de uma refinaria de petróleo Fonte:

Figura 21 - Iluminação de uma refinaria de petróleo Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Agora, veremos que as condições atmosféricas no trabalho com eletricidade é um risco adicional, prin- cipalmente quando o trabalho é realizado ao ar livre.

3.2.4 fAunA

No trabalho com eletricidade em locais com possibilidade da presença de animais peçonhentos como cobras, escorpiões, insetos e aranhas, devem ser realizadas inspeções minuciosas no ambiente de trabalho, principalmente em caixas passagem, armários, quadros elétricos, postes, galerias, etc.

armários, quadros elétricos, postes, galerias, etc. CAsos e relAtos Ataque de abelhas Os eletricistas de

CAsos e relAtos

Ataque de abelhas

Os eletricistas de prontidão, Marcos e Sérgio, trabalhadores de uma concessionária de energia, fo- ram chamados para resolver um problema de falta de energia elétrica em uma localidade na zona rural, a 10 km da cidade.

Chegando na região, procuraram o endereço escrito no formulário de ocorrência. Achando o ende- reço, Sérgio sai do veículo e fala:

- Marcos, eu vou fazer a inspeção visual na rede elétrica.

Marcos fica no veículo preparando a documentação e inspecionando equipamento e ferramentas. Depois de alguns minutos, Sérgio chega de volta. Marcos fala:

- Sérgio, você detectou algum problema?

44
44

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

- Sim, Marcos, temos porta-fusível aberto em uma chave de um poste na rede primária próximo daqui.

Os dois eletricistas foram até o poste onde estava a chave com o porta-fusível aberto. Marcos, atra- vés do rádio, informa o problema à central e pede autorização para realizar o trabalho de troca do elo fusível. Marcos fala:

- Sérgio, recebi autorização para realizarmos o trabalho, vamos nos preparar.

Sérgio retira do veículo a escada, coloca-a corretamente no poste e faz as devidas amarrações. En- quanto isso, Marcos, via rádio, verifica a potência do transformador e o tipo de elo fusível para subs- tituição.

Sergio fala:

- Marcos, vou subir na escada para retirar o porta-fusível com o elo queimado.

Sérgio sobe na escada com os EPI necessários e, usando um bastão de fibra de vidro, retira o porta- -fusível com elo queimado. Marcos posicionado no chão, junto à escada, recebe o porta-fusível. Ime- diatamente ele realiza troca do elo fusível e entrega o porta-fusível recuperado para Sérgio. O poste era de concreto redondo e oco na parte superior, local onde existiam abelhas, Sérgio, quando bate o porta-fusível para fixação na chave, balança o poste estressando as abelhas. Neste momento, as abelhas atacam os dois eletricistas.

Este acidente que envolve animal peçonhento poderia ser evitado se fossem tomadas as devidas precauções com relação à análise preliminar de risco e a inspeção do ambiente de trabalho.

A fauna, nestes ambientes, estabelece um risco adicional podendo causas agressão física, interrupção de energia, curto-circuito e arco elétrico.

interrupção de energia, curto-circuito e arco elétrico. Figura 22 - Risco de animais perigosos no ambiente
interrupção de energia, curto-circuito e arco elétrico. Figura 22 - Risco de animais perigosos no ambiente

Figura 22 - Risco de animais perigosos no ambiente de trabalho Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3 ACidentes de origem elétriCA

3.2.5 florA

45
45

A vegetação quando cresce e envolve a rede elétrica pode causar choques elétricos, interrupção de energia e incêndios. Em dias de chuvas, os riscos são maiores, pois as árvores podem entrar em contato com a rede elétrica, ficando muito mais energizadas por causa da umidade.

FIQUE ALERTA É bom evitar o plantio de árvores embaixo da rede elétrica, principalmente árvores

FIQUE

ALERTA

É bom evitar o plantio de árvores embaixo da rede elétrica, principalmente árvores de grande porte.

Quando uma árvore se aproximar da rede elétrica, a poda é recomendada, mas ela deve ser executada com segurança e por um técnico especializado que deve atuar com procedimentos de segurança adequa- dos.

que deve atuar com procedimentos de segurança adequa- dos. Figura 23 - Rede elétrica dentro da

Figura 23 - Rede elétrica dentro da vegetação Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Agora, vamos iniciar o estudo das causas de acidentes relacionados a fatores de trabalho que envolvem o comportamento humano e as condições do ambiente de trabalho.

3.2.6 condiÇÕes AtmosfÉricAs

No uso da eletricidade em atividades como montagem e manutenção, a condição atmosférica pode estabelecer fatores preocupantes, pois ela envolve fenômenos climáticos imprevisíveis e que não podem ser controlados pelo homem. A umidade do ar, as descargas atmosféricas, a fauna e a flora são condições que merecem atenção no trabalho com eletricidade, conforme estudaremos a seguir.

46
46

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

umidAde

Podemos analisar a umidade em determinados ambientes com eletricidade em duas situações, a baixa umidade do ar e alta umidade do ar.

a) Baixa umidade do ar: pode provocar, facilmente, o acúmulo de eletricidade estática. A descarga destes potenciais elétricos estáticos podem provocar danificação de equipamentos eletrônicos sensíveis e centalhamento em ambientes explosivos, causando acidentes graves, como a infla- mação de gases e explosões;

b) Alta umidade do ar: é um grande problema no trabalho de manutenção elétrica em alta-tensão. Os trabalhos com equipamentos energizados de alta-tensão só devem ser iniciados se as condi- ções meteorológicas forem favoráveis, portanto, não é permitido o trabalho com chuvas e nebli- nas densas, principalmente sobre ventos fortes.

Veremos, a seguir, mais uma condição atmosférica que se caracteriza como um risco adicional para o trabalho com eletricidade, as descargas atmosféricas.

descArgAs AtmosfÉricAs

Os raios são fenômenos elétricos, de ação rápida, imprevisíveis na sua capacidade energética e de gran- de poder de danificação quando não são tomadas medidas que facilitem sua descarga segura para terra. Os trabalhos em redes elétricas em condições atmosféricas desfavoráveis com possibilidade de formação de raios estabelecem um risco adicional.

Os grandes valores e forma variável da corrente elétrica de um raio geram intensos campos eletromag- néticos com poder de induzir tensões elétricas transitórias em estruturas metálicas ou na rede elétrica. Mas o que são as tensões transitórias? As tensões transitórias são elevações de tensão de curtíssima duração em um circuito elétrico, geradas a partir da manobra de carga de potência elevada, curto-circuito e descarga atmosférica. No caso específico de descarga atmosférica, as tensões transitórias podem ser produzidas em duas possibilidades:

a) Descarga direta: quando o raio atinge diretamente condutores da rede elétrica ou telefônica. Esta formação de tensão transitória pode danificar equipamentos elétricos e, também, provocar graves acidentes nas pessoas;

b) Descarga indireta: quando na descida de um raio, sem atingir diretamente uma rede elétrica, mas próximo a ela, é estabelecido um campo eletromagnético intenso que se propaga no ar, viajando e envolvendo a rede elétrica ou telefônica. Nesta condição, por indução magnética 11 , aparecerá uma elevação de tensão de curta duração nestas redes. Esta forma de produzir tensão transitória geralmente provoca danos a equipamentos elétricos.

3 ACidentes de origem elétriCA

47
47
CURIOSIDADES Atualmente, encontram-se à venda, no mercado, os Dispositivos de Pro- teção contra Surtos (DPS),

CURIOSIDADES

Atualmente, encontram-se à venda, no mercado, os Dispositivos de Pro- teção contra Surtos (DPS), que têm a função de proteger as instalações elétricas contra tensões transitórias.

Perceba, na imagem a seguir, a descarga atmosférica sobre a rede elétrica.

a seguir, a descarga atmosférica sobre a rede elétrica. Figura 24 - Descarga atmosférica sobre a

Figura 24 - Descarga atmosférica sobre a rede elétrica Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2017.

Veja a seguir que determinados animais e a vegetação também podem ser um risco adicional no traba- lho com eletricidade.

3.3 CAusAs de ACidentes relACionAdAs Ao trAbAlho

As causas de acidentes no trabalho estão no comportamento inadequado do trabalhador quando ele não respeita as regras de segurança ou, pior, essas causas podem estar ocultas no próprio ambiente de trabalho. Veja, a seguir, as causas imediatas de um acidente de trabalho.

3.3.1 cAusAs imediAtAs de Acidentes

As causas imediatas são as que efetivamente provocam o acidente ou de alguma maneira participam para a sua formação. As causas imediatas de acidentes ocorrem devido a fatores pessoais que denomina- remos de desvio comportamental e fatores que estão no ambiente indicados como condição insegura.

a) Desvio comportamental: é o comportamento humano contrário aos padrões normais de segu- rança. Esse comportamento pode causar acidente. Veja alguns exemplos:

- Dirigir veículos desobedecendo a sinalização;

- Não proteger os olhos no uso de ferramentas que projeta resíduos metálicos;

48
48

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

- Não planejar atividades que ofereçam risco de acidentes;

- Não usar EPI em atividades de risco previsto;

- Usar ferramentas inadequadas ou defeituosas;

- Baipassar 12 dispositivos de segurança em instalações elétricas;

- Deixar de usar EPI.

b) Condição insegura: são circunstâncias de perigo presentes no ambiente de trabalho que po- dem causar acidentes. Veja alguns exemplos:

- Cabos expondo o cobre energizado e acessível;

- Ambiente de trabalho mal iluminado;

- Baixa isolação em equipamentos elétricos;

- Falta de proteção em partes rotativas de máquina;

- Local com alto nível de ruído;

- Equipamento elétrico sem aterramento e alimentado com tensão perigosa;

- Mau contato em conexões elétricas;

- Máquinas em estado precário de manutenção.

3.3.2 cAusAs bÁsicAs de Acidentes

A causa básica é a origem da causa do acidente, ou seja, as condições ou os fatores que originaram o

desvio comportamental ou a condição insegura.

A causa básica quando ligada ao desvio comportamental está relacionada a uma série de fatores pesso-

ais, por outro lado, quando a causa básica tem relação com uma condição insegura, ela envolve uma série de fatores de trabalho.

Veja, a seguir, alguns fatores da causa básica.

a) Fatores pessoais

- Atitude imprópria;

- Hábito Impróprio;

- Falta de experiência;

- Problemas de saúde;

- Falta de habilidade;

3 ACidentes de origem elétriCA

- Falta no treinamento;

- Falta de conhecimento.

b) Fatores do trabalho

- Falha de montagem;

- Falha de projeto;

- Falha de planejamento;

- Falha de gerenciamento;

- Falha de construção;

- Falha de treinamento;

- Falha de manutenção.

49
49

Foram analisadas as causas gerais de acidentes relacionados ao trabalho. Veja, no tópico seguinte, as causas específicas de acidentes no trabalho com eletricidade.

3.4 CAusAs de ACidentes Com eletriCidAde

No ambiente do trabalho com eletricidade, os profissionais ficam muito próximos de circuitos elétricos ou de condições desfavoráveis, a exemplo de raios, eletricidade estática e a falta de atenção ou descumpri- mento de regras de segurança que podem causar acidentes.

A seguir, veremos as causas diretas e causas indiretas dos acidentes com eletricidade.

3.4.1 cAusAs diretAs de Acidentes com eletricidAde

A causa direta está condicionada ao contato de parte do corpo de uma pessoa com locais energizados

da instalação. Essas causas podem ser classificadas quanto à forma do contato físico, conforme veremos a seguir.

CURIOSIDADES Em média, no Brasil, existe um acidente fatal com eletricidade na popu- lação por

CURIOSIDADES

Em média, no Brasil, existe um acidente fatal com eletricidade na popu- lação por dia, supostamente estes valores são bem maiores, pois muitos acidentes desta natureza não são registrados.

50
50

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

contAto direto

O contato direto é o toque do corpo com partes metálicas com tensão perigosa. Podemos citar como

exemplo o contato com o condutor exposto energizado de um cabo desencapado ou o contato direto com um barramento energizado de um quadro de distribuição.

Neutro

Fase
Fase

Figura 25 - Choque elétrico dinâmico de contato direto Fonte: SENAI DR BA, 2017.

contAto indireto

O contato indireto consiste no toque do corpo humano em partes condutoras energizadas acidental-

mente ou energizadas por falha de isolamento elétrico. Como exemplo desse tipo de contato, podemos citar o choque elétrico por contato com a carcaça de um motor elétrico por falha de isolação ou na caixa metálica de uma máquina de lavar, energizada acidentalmente com tensão perigosa.

Neutro Fase Folha de isolação M1 Máquina de lavar
Neutro
Fase
Folha de
isolação
M1
Máquina de lavar

Figura 26 - Choque elétrico dinâmico de contato indireto Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3 ACidentes de origem elétriCA

51
51

Após analisar as causas diretas de acidentes com eletricidade, veja no próximo tópico quais são as cau- sas indiretas.

3.5 CAusAs indiretAs de ACidentes Com eletriCidAde

As causas indiretas de acidentes com eletricidade envolvem condição atmosférica, equipamento que acumula eletricidade e reação na aproximação de redes de alta-tensão. Essas causas podem levar ao cho- que elétrico nas seguintes condições:

a) Por eletricidade estática. Exemplo: choque em capacitores;

b) Por descargas atmosféricas. Exemplo: acidentes com raios;

c) Por equilíbrio eletrostático. Exemplo: arco elétrico na zona de risco próximo a uma rede de alta- -tensão;

d) Por tensão induzida em redes de alta-tensão. Exemplo: tensão induzida no cruzamento de duas redes de alta-tensão.

Agora, vamos realizar a análise de acidentes com eletricidade que aconteceram de fato e para esta aná- lise são necessários os conhecimentos adquiridos nos capítulos anteriores. Lembre-se que as causas ime- diatas estão relacionadas ao desvio comportamental e condição insegura. Mas, quando no acidente existir envolvimento de eletricidade, teremos as causas diretas e indiretas. Com isso, vamos fazer as análises.

3.6 disCussão de CAsos

No estudo dos acidentes que serão apresentados, identificaremos se o acidente possui as seguintes causas:

a) Causa de trabalho: causa imediata, causa básica;

b) Causa elétrica: direta ou indireta.

cAso 1

Ao atender reclamação de falta de energia, compareceu ao local e notou que uma das fases estava des- conectada. Quando subiu na escada de madeira, ao chegar na posição e trabalho, foi testar com a mão a baixa tensão, sofrendo choque elétrico, caindo e, em consequência, tendo fraturas múltiplas.

52
52

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

AnÁlise

a) Causa imediata devido a:

- Desvio comportamental: o desvio de comportamento do trabalhador foi quando usou sua mão para testar a existência de tensão na rede elétrica;

- Condição insegura: neste acidente, a rede elétrica energizada e a altura para trabalho são as condições inseguras;

b) Causa básica: o texto mostra que existiu falha de planejamento, pois o profissional não tinha, no momento, o instrumento adequado para medição de tensão, com isto, esta situação o levou a cometer uma atitude imprópria estabelecendo um desvio de comportamento;

c) Causa direta: Foi um choque elétrico dinâmico, pois houve um contato direto com a rede elétri- ca.

cAso 2

Uma equipe de linha viva realizava manutenção no SEP, em via vicinal a BR, local devidamente sinaliza- do, quando um caminhão de combustíveis desgovernado tombou e atingiu o veículo da empresa, incen- diando-o. O combustível incandescente atingiu a vítima.

AnÁlise

a) Causa imediata devido a:

- Condição insegura: a condição insegura para a equipe de trabalho estava no serviço executa- do próximo a uma rodovia de trânsito intenso;

b) Causa básica: a causa básica deste acidente foi a falta de planejamento, pois nestas condições de trabalho no planejamento do serviço seria necessário um controle do tráfego, realizado por empresa ou órgão público responsável pela pista.

cAso 3

O eletricista estava no solo auxiliando a equipe de linha viva que realizava instalação de chaves de faca na estrutura. Havia dois eletricistas no cesto aéreo duplo isolado (caminhão de linha viva) e dois eletricistas no solo. O acidentado recebeu ordem do encarregado, que estava no cesto aéreo, para pegar material no caminhão a ser utilizado pela equipe na próxima etapa da atividade. O veículo e a respectiva lança e cesto aéreo estavam posicionados para a realização da instalação da terceira chave faca abaixo da rede de MT, utilizando procedimentos de trabalho em rede desenergizada. O cotovelo da lança estava próximo à rede energizada de MT, fora da região das coberturas rígidas. Com a aproximação ou toque da lança do

3 ACidentes de origem elétriCA

53
53

veículo (parte não isolada) na rede de MT, ocorreu a energização do caminhão. Os eletricistas que estavam no cesto aéreo escutaram um barulho como o de arco elétrico e o grito do eletricista acidentado. Quando olharam para o solo, viram o eletricista caindo próximo ao caminhão.

AnÁlise

a) Causa imediata devido a:

- Desvio comportamental: neste acidente, a equipe de trabalho não tem um comportamento adequado no posicionamento do caminhão, deixando parte dele em condições de entrar em contato com e rede elétrica. Outro comportamento não adequado da equipe foi utilizar pro- cedimento de trabalho em rede desenergizada, enquanto próximo ao local existia rede ener- gizada.

- Condição insegura: a condição insegura neste acidente acontece quando o caminhão é ener- gizado e, como consequência, o eletricista que estava no solo se acidenta.

b) Causa básica: a atitude imprópria da equipe no posicionamento do caminhão e a falha de pla- nejamento no trabalho com rede desenergizada foram importantes para formação do acidente;

c) Causa direta: choque dinâmico de contato indireto. O caminhão não é um equipamento que deve ser energizado, por isso, um choque elétrico na estrutura do caminhão é considerado dinâ- mico de contato indireto.

O estudo desse capítulo deixa uma reflexão sobre o uso da eletricidade e ao mesmo tempo sobre a segurança das pessoas. Ele possibilitou uma análise geral sobre as causas de acidentes relacionados com a eletricidade e as ações que são necessárias para evitá-los. Esse conhecimento é muito importante para a atuação profissional, pois permite a identificação dos comportamentos individuais e das condições neces- sárias à segurança no trabalho com eletricidade.

54
54

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

reCAPitulAndo54 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Neste capítulo, aprendemos que quando estamos expostos a uma situação de perigo

Neste capítulo, aprendemos que quando estamos expostos a uma situação de perigo consequente- mente estamos em condições de risco.

Vimos, também, que existem outros riscos em serviços com eletricidade além dos elétricos, que cha- mamos de riscos adicionais. Assim, tivemos a oportunidade de aprender que os riscos adicionais se associam aos riscos elétricos, aumentando as preocupações, no trabalho, com eletricidade.

Estudamos que no trabalho ou atividade, quando acontece um acidente, as causas imediatas e bá- sicas sempre estão envolvidas, pois associam fatores pessoais, desvio comportamental, fatores am- bientais e condição insegura.

Aprendemos que quando os acidentes têm natureza elétrica ficam bem definidas as causas diretas e indiretas. As causas diretas estão relacionadas com o contado direto ou indireto com partes energi- zadas. E as causas de acidentes elétricos indiretos estão relacionadas com fenômenos elétricos, com tensão transitória e descargas atmosféricas.

Concluímos este capítulo com uma análise de diversos acidentes que aconteceram no setor elétrico e na população.

3 ACidentes de origem elétriCA

55
55

Medida de controle de risco elétrico

4
4
Medida de controle de risco elétrico 4 A simples ação de ligar e desligar um interruptor

A simples ação de ligar e desligar um interruptor para acender uma lâmpada oferece risco

elétrico que deve ser controlado. A partir desta situação, é preciso pensar o que fazer para controlar bem o risco existente e encaixar uma ou várias medidas de controle de risco que estudaremos neste capítulo.

As medidas de controle do risco elétrico são compreendidas como sendo a utilização de dispositivos e métodos para uma intervenção segura em instalações elétricas. São medidas que têm o objetivo de proteger as pessoas, visando neutralizar ou administrar com segurança os riscos elétricos no trabalho com eletricidade ou no ambiente com instalações elétricas.

eletricidade ou no ambiente com instalações elétricas. Figura 27 - Medidas de controle de risco elétrico

Figura 27 - Medidas de controle de risco elétrico Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

A norma NR10 de segurança em instalações e serviço com eletricidade tem como objetivo

estabelecer os requisitos e as condições mínimas para a implementação das medidas de con- trole e sistemas preventivos, desta forma, as medidas de controle de riscos elétricos devem ser antecipadas na fase de elaboração dos projetos de elétrica ou no instante que antecede o planejamento de uma atividade.

58
58

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Neste capítulo, veremos as principais medidas de controle de risco elétrico estabelecidas pela NR10 e indicadas a seguir.

a) Desenergização;

b) Bloqueios e impedimentos;

c) Equipotencialização;

d) Seccionamento automático da alimentação;

e) Extra baixa tensão;

f) Barreiras e invólucros;

g) Obstáculos e anteparos;

h) Isolamento das partes vivas;

i) Isolação dupla ou reforçada;

j) Separação elétrica.

4.1 Proteção contra choque elétrico

A NBR 5410:2004 - Instalações Elétricas de Baixa Tensão é uma norma técnica que regulariza a instala- ção elétrica em baixa tensão, com isto ela estabelece dois princípios importantes de segurança que funda- mentam as medidas de proteção contra choque elétrico sempre observadas nas medidas de controle de risco elétrico. Veja quais são esses dois princípios.

a) Partes vivas da instalação elétrica não devem ser acessíveis;

b) Massas ou partes condutivas acessíveis não devem oferecer perigo, sejam em condições nor- mais, seja, em particular, em caso de alguma falha que as tornem acidentalmente vivas.

Agora que você foi informado sobre os princípios de segurança da norma técnica NBR5410, iniciaremos nossos estudos sobre as principais medidas de controle do risco elétrico.

4.2 Desenergização

Desligar um circuito para serviço com eletricidade é um controle de risco muito eficiente, visto que esta medida elimina o perigo da eletricidade no ponto de trabalho. É uma medida de proteção coletiva priori- tária da NR10, mas que deve ser associada a outras medidas para garantia de maior proteção.

Para realizar o desligamento, é necessário fazer o seccionamento ou abertura de contatos de um dispo- sitivo de manobra (disjuntores, chaves secionadoras), provocando a interrupção da alimentação elétrica em um circuito ou equipamento. O ideal, se possível, é ter as aberturas visíveis dos contatos com afasta- mento de abertura seguro e dispositivo acoplado de extinção de arco elétrico.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4 MeDiDa De controle De risco elétrico Figura 28 - Desligamento da rede secundária Fonte: SENAI

Figura 28 - Desligamento da rede secundária Fonte: SENAI DR BA, 2018.

59
59

A NR10 dispõe de um subitem (NR 10.5.1) específico com regras claras sobre desligamento de circuito. De acordo com esse subitem, somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas libera- das para trabalho mediante os procedimentos descritos a seguir.

a) Seccionamento: é o desligamento do dispositivo que alimenta o circuito. Esse desligamento é feito através da abertura dos contatos;

b) Impedimento de reenergização 13 : é a ação de bloqueio mecânico do dispositivo que foi desli- gado;

c) Constatação da ausência de tensão: é o ato de verificar se os condutores do circuito foram re- almente desligados. Essa confirmação deve ocorrer através de instrumentos de medidas elétricas, geralmente utilizamos o multímetro ou um detector de tensão;

d) Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circui- tos: é o ato de aterrar temporariamente os condutores do circuito que foi desligado, para garantir segurança no serviço;

e) Proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada: é a ação de isolar possí- veis condutores energizados próximo à área onde está sendo feito o serviço;

f) Instalação da sinalização de impedimento de reenergização: consiste em uma sinalização fi- xada no bloqueio do dispositivo que foi desligado através de um cartão contendo, no mínimo, o nome e o contato do profissional ou profissionais responsáveis pelo impedimento de reenergi- zação.

Continuando nosso estudo sobre controle de risco elétrico, veja mais detalhadamente o próximo tópi- co que fala sobre bloqueio e impedimento de reenergização.

60
60

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

4.3 Bloqueio e iMPeDiMentos

O bloqueio e impedimentos consistem da utilização de meios que impossibilitem o religamento de um

dispositivo de alimentação elétrica. Isso ocorre através do bloqueio dos meios de ligamento do dispositivo que foi seccionado, evitando um religamento acidental ou não autorizado do circuito.

O bloqueio de reenergização deve ser feito pelos trabalhadores envolvidos na atividade, portanto, cada

profissional deve ter seu próprio dispositivo de lacre(cadeado), sendo assim, quando o serviço envolve mais de um profissional, cada um é responsável por liberar sua parte no serviço. Veja o exemplo na figura abaixo onde são utilizados um cadeado e uma trava múltipla, para evitar o religamento indevido de um equipamento em manutenção.

o religamento indevido de um equipamento em manutenção. Figura 29 - Bloqueio com cadeados Fonte: SHUTTERSTOCK,

Figura 29 - Bloqueio com cadeados Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

A NR10 estabelece que, na medida do possível, os projetos devem prever dispositivos de manobra da

instalação, como chaves seccionadoras ou disjuntores que incorporem condições de impedimento de re- energização do circuito. Estes impedimentos podem ser feitos através de bloqueios mecânicos, a exemplo de:

a) Utilização de cadeado colocado na alavanca de manobra em chaves seccionadoras;

b) Utilização de cadeado travando a tecla de um disjuntor através de trava específica;

c) Retirada dos fusíveis de alimentação do circuito que deve ser desligado;

d) Extração do disjuntor quando for possível.

Continuando nosso estudo sobre medidas de controle de risco elétrico, veremos os processos de equi- potencialização.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4.4 equiPotencialização

61
61

Visando a segurança no serviço com eletricidade, a equipotencialização é a ação de unir e conectar em um mesmo potencial, que geralmente é um ponto de aterramento, condutores de um circuito não energi- zados que foram desligados para serviço.

A NR10, quando aborda o processo seguro de desligamento para trabalho com eletricidade, sinaliza que seja executada a instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores do circuito que foi desligado. Veja, na figura a seguir, a ilustração da equipotencialização dos condutores da rede elétrica usando o aterramento como potencial comum.

A B C
A
B
C

Figura 30 - Equipotencialização Fonte: SENAI DR BA, 2017.

EQUIPOTENCIALIZAÇÃO

ATERRAMENTO

62
62

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Observe, na figura apresentada a seguir, a equipotencialização de uma edificação.

Elementos metálicos da construção Tubulações metálicas Neutro não elétricas Condutores de proteção
Elementos metálicos da
construção
Tubulações metálicas
Neutro
não elétricas
Condutores de proteção
Condutores de
Para instalação de
alimentação
Condutor de
telecomunicação
proteção
principal
Ao eletrodo de aterramento do
SPDA e da antena de TV
Terminal de
aterramento
Condutor de
Blindagem
aterramento
metálica
do cabo
Água
Esgoto
Gás
Ligação para o sistema de aterramento da
fundação do prédio

Figura 31 - Equipotencialização em uma edificação Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Outra forma de utilizar o processo de equipotencialização é quando em uma edificação todas as massas metálicas (ferragens estruturais, bandejas, eletrocalhas, grades, guarda-corpo, corrimões, portões, base de antenas, carcaças de equipamentos elétricos, reservatórios, tubulação de gás, água, esgoto e hidrante, se metálicos, e inclusive os condutores do sistema de para-raios e antena de TV) são unidas através de condutores e aterrados em um sistema de aterramento central feito na própria estrutura de ferragem na fundação do prédio, conforme mostra a figura anterior.

Agora, veremos a medida de controle de risco elétrico onde deve acontecer o desligamento automático da instalação em caso de choque elétrico.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4.5 seccionaMento autoMÁtico Da instalação

63
63

Na impossibilidade de realizar a desenergização do circuito, o seccionamento automático da instalação é uma medida de controle de risco elétrico para segurança coletiva, conforme NR10, subitem 10.2.8.2.1.

O seccionamento automático da instalação deve acontecer sempre que uma estrutura metálica ater- rada for energizada, conforme ABNT NBR 5410:2004 item 5.1.2.2.4.3, estabelecendo uma tensão de toque perigosa (Ut).

No exemplo apresentado na figura a seguir, temos um motor elétrico que por falha de isolação tem a carcaça metálica energizada. Uma pessoa em contato com a carcaça do motor (M1) está envolvida em um choque elétrico dinâmico de contato indireto. Nessa situação, é necessário o disparo imediato do disposi- tivo de proteção (DR). Ele deverá atuar seccionando automaticamente a instalação no instante da energi- zação da estrutura metálica do motor M1. Neste momento, se estabelece a corrente de fuga (If) entrando no DR1 juntamente com a corrente nominal do motor (In).

Analisando o percurso das correntes na figura a seguir, fica evidente que a corrente que entra no DR1 (In+If) é diferente da corrente que sai (In), desta maneira, o DR automaticamente desliga a alimentação do motor, fazendo a proteção adicional contra choque elétrico. O disjuntor (D1) no circuito é mais eficiente na proteção da instalação contra sobrecarga e curto-circuito, desta maneira, também fazendo a proteção do próprio DR1.

In + If Neutro In + If Fase In + If DR1 If In D1
In + If
Neutro
In + If
Fase
In + If
DR1
If
In
D1
Falha de
Isolação
Motor
Ut
If
M1
SOLO
If

Figura 32 - Fuga de corrente pela carcaça do motor Fonte: SENAI DR BA, 2017.

64
64

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Ut - tensão de toque

In - corrente nominal do motor

If - corrente de fuga

O tempo de atuação do dispositivo de seccionamento automático depende da corrente (If+In) que é

limitada pelo sistema de aterramento. Com isso, o sistema de aterramento deve ser executado atendendo a norma técnica.

Veremos, a seguir, mais uma medida de controle do risco elétrico relacionada ao trabalho com tensão elétrica de valor seguro.

4.6 eXtra BaiXa tensão

A extra baixa tensão são valores de tensões seguras para trabalho. E estão nos limites igual ou inferior a

50V em corrente alternada e igual ou inferior a 120V em corrente contínua. Acima destes valores se encon- tram as baixas tensões e, com isto, os valores de tensões perigosas.

Para trabalho de manutenção com extra baixa tensão, a NR10 não exige treinamento de segurança, visto que com estes valores de tensão não existe a possibilidade de um acidente grave, principalmente os que envolvem danos no coração.

É comum o uso de tensão de 24V em circuitos lógicos ligados a botões ou botoeiras em máquinas que sejam manuseadas em ambientes de trabalho úmidos. São ambientes em que a resistência elétrica do cor- po das pessoas e da isolação dos equipamentos estão reduzidas, proporcionando risco elevado de choque elétrico se a tensão elétrica estiver dentro dos valores acima da extra baixa tensão.

SAIBA MAIS Saiba mais sobre extra baixa tensão lendo o item 5.1.2.5 da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

SAIBA

MAIS

Saiba mais sobre extra baixa tensão lendo o item 5.1.2.5 da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2004 Versão corrigida: 2008.

Veremos, agora, mais uma medida de controle de risco elétrico relacionada a guarda segura de partes energizadas da instalação elétrica.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4.7 Barreira e inVÓlucro

65
65

As barreiras são dispositivos que impedem qualquer contato com partes energizadas da instalação. Elas devem ter boa qualidade e uma estrutura robusta e durável, e devem ficar a uma distância segura o suficiente das partes energizadas para manter alto grau de proteção dos riscos elétricos.

para manter alto grau de proteção dos riscos elétricos. Figura 33 - Barreira Fonte: SENAI DR

Figura 33 - Barreira Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O invólucro são caixas de material de PVC 14 ou metálicas, que envolvem partes energizadas a fim de im- pedir qualquer contato com as partes internas, a exemplo de quadros ou painéis elétricos que acomodam de forma segura e garante dificuldade de acesso às partes energizadas.

Veja, na figura a seguir, um exemplo de invólucro representado por um painel elétrico industrial.

invólucro representado por um painel elétrico industrial. Figura 34 - Invólucro representado por um painel elétrico

Figura 34 - Invólucro representado por um painel elétrico Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

66
66

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Agora, você verá a medida de controle do risco elétrico que estabelece um obstáculo para o acesso às partes energizadas da instalação, evitando o contato não intencional.

4.8 oBstÁculo e anteParo

O obstáculo é uma peça isolante colocada entre o trabalhador e uma parte metálica energizada de uma

instalação elétrica, de maneira que impeça o contato acidental, mas não o contato intencional deliberado.

acidental, mas não o contato intencional deliberado. Figura 35 - Placa isolante representando um obstáculo

Figura 35 - Placa isolante representando um obstáculo Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O Anteparo é uma peça isolante que envolve uma parte metálica energizada da instalação, oferecendo

proteção para um possível contato acidental. Observe, na imagem apresentada a seguir, que as mantas vermelhas representam o anteparo.

a seguir, que as mantas vermelhas representam o anteparo. Figura 36 - Mantas vermelhas representando o

Figura 36 - Mantas vermelhas representando o anteparo Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

67
67

Para dar continuidade aos estudos, veremos como deve ser a isolação elétrica das partes energizadas acessíveis de uma instalação elétrica, visto que o isolamento é uma medida de controle de risco muito importante na prevenção do choque elétrico.

4.9 isolaMentos Das Partes ViVas

O isolamento das partes vivas é a ação de recobrimento de contatos elétricos ou partes energizadas da instalação com o uso de material isolante capaz de suportar solicitações térmicas, elétricas e químicas, a exemplo da fita isolante usada para isolar emenda de fios ou cabos.

da fita isolante usada para isolar emenda de fios ou cabos. Figura 37 - Isolação de

Figura 37 - Isolação de uma emenda Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

CURIOSIDADES O procedimento correto para isolar uma emenda é enrolar a fita isolante sobre o

CURIOSIDADES

O procedimento correto para isolar uma emenda é enrolar a fita isolante sobre o cobre exposto formando três camadas de fita. As duas primeiras camadas devem ser executadas esticando a fita isolante, mas é preciso cuidado para não romper a fita. Na última camada, enrolar a fita sem esticar.

Você verá, a seguir, que reforçar ou duplicar a isolação elétrica de um equipamento ou dos condutores da instalação elétrica é sem dúvida uma medida de controle de risco elétrico.

68
68

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

4.10 isolação DuPla ou reForçaDa

A isolação dupla ou reforçada tem a finalidade de proporcionar um nível maior de isolação e proteção

através da aplicação de duas isolações, uma básica e uma complementar ou uma única reforçada.

A isolação básica está diretamente ligada ao metal condutor, oferecendo o mínimo de isolação elétrica.

Como exemplo de isolação básica, temos o PVC que cobre os condutores ou a fita isolante.

A isolação complementar é independente e deve assumir a proteção de isolação elétrica em caso de

falha da isolação básica. Como isolação complementar, temos os eletrodutos e canaletas isolantes.

A isolação reforçada é uma isolação única sobre as partes metálicas do condutor. A isolação reforçada

equivale a isolação proporcionada por uma dupla isolação. Ela é utilizada em locais onde não é possível fazer uma proteção complementar de eletrodutos, calhas ou canaletas.

Alguns eletrodomésticos e ferramentas elétricas portáteis, como furadeira e parafusadeiras manuais, utilizam isolação dupla. Quando um equipamento adota no seu processo de fabricação a dupla isolação, na placa de identificação desta ferramenta deve aparecer um símbolo na forma de dois quadrados de ta- manhos diferentes, um dentro do outro como indicado na figura a seguir.

um dentro do outro como indicado na figura a seguir. Figura 38 - Símbolo de dupla

Figura 38 - Símbolo de dupla isolação Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Nós estudamos a isolação dos condutores acessíveis que podem estar energizados. Agora, no tópico seguinte, veremos que manter inacessíveis as linhas áreas com condutores sem isolação é uma medida de controle de risco elétrico.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4.11 colocação Fora Do alcance

69
69

A colocação fora do alcance de partes energizadas de uma instalação ou equipamento elétrico é uma medida empregada para impedir o contato involuntário com partes energizadas e, assim, evitar um cho- que elétrico de contato direto.

Veja, na figura seguinte, que geralmente as redes elétricas ficam a uma altura não acessível para as pessoas.

ficam a uma altura não acessível para as pessoas. 8 metros Figura 39 - Condutores fora

8 metros

Figura 39 - Condutores fora de alcance Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Agora, veremos uma forma diferente de controle do risco elétrico, é a criação de um novo circuito.

70
70

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

4.12 seParação elétrica

A separação elétrica é composta de um circuito independente de neutro não aterrado, criado a partir de

uma fonte de separação elétrica.

É comum utilizar como fonte de separação elétrica um transformador de isolação com o seu enrola-

mento primário alimentado com tensão da rede elétrica e o enrolamento secundário com seus potenciais não aterrados. Assim, no circuito secundário não haveria possibilidade de choque elétrico entre seus po- tenciais e o solo. No entanto, o choque elétrico pode acontecer no contato entre os próprios potenciais do secundário do transformador.

FIQUE ALERTA Não devemos utilizar autotransformadores quando desejamos a separação elétrica de circuitos. A

FIQUE

ALERTA

Não devemos utilizar autotransformadores quando desejamos a separação elétrica de circuitos. A separação elétrica de circuitos deve ser realizada com o uso de trans- formadores com primário e secundário bem definidos e isolados um do outro.

Veja a figura a seguir que ilustra a situação de uma separação elétrica e verifique que a pessoa “A” é acometida por um choque elétrico dinâmico de contato direto, pois ela fecha um circuito perfeito em rela- ção à terra pelo motivo do neutro que alimenta o circuito primário do transformador estar aterrado. Veja o movimento da corrente Ic através do corpo em direção ao solo à procura do neutro aterrado.

Observe a condição da pessoa “B”, verifique que ela, também, está em contato com o condutor fase do secundário do transformador, no entanto, não circula corrente em seu corpo e, portanto, não é estabele- cido o choque elétrico, pois o neutro deste lado do transformador não é aterrado no circuito secundário.

It Im Neutro It Fase Im It 127V B A lc lc Fase 127V Neutro
It
Im
Neutro
It
Fase
Im
It
127V
B
A lc
lc
Fase
127V
Neutro
lc
Terra

Figura 40 - Separação elétrica Fonte: SENAI DR BA, 2017.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

It - corrente elétrica total (Im + Ic)

Im - corrente de magnetização do transformador.

Ic - corrente do choque elétrico

71
71

Continuando o estudo das medidas de controle de risco elétrico, veremos que existem dispositivos muito eficientes para desligamento do circuito em caso de choque elétrico.

4.13 DisPositiVo a corrente De Fuga

O dispositivo a corrente de fuga ou dispositivo diferencial residual, conhecido como DR, é utilizado para

proteção das pessoas contra correntes perigosas de um choque elétrico. Para isso, ele deve ter sensibili- dade de, no momento do choque elétrico com valor máximo de até 30 mA, desligar o circuito elétrico. O DR não evita o choque elétrico, mas desliga a instalação quando a corrente, nestas condições, evolui para valores que possam provocar um acidente grave.

CURIOSIDADES Quando acontece uma fuga de corrente para terra por baixa isolação e com um

CURIOSIDADES

Quando acontece uma fuga de corrente para terra por baixa isolação e com um DR instalado neste circuito, automaticamente haverá o desliga- mento se a corrente de fuga for suficiente para disparar o DR, próximo a 30mA. Se a corrente de fuga for insuficiente, o DR não irá atuar e, com isso, haverá um aumento do custo na conta de energia elétrica, provoca- do pelas perdas indesejáveis da corrente de fuga.

Observe, na imagem apresentada a seguir, a atuação do DR.

Circuito em funcionamento normal

F 10A 10A N 10A - A DR - EQUIPAMENTO
F
10A
10A
N
10A
-
A
DR
-
EQUIPAMENTO

A corrente que

entra no circuito é a mesma que sai.

O DR não dispara.

In = 10A

Circuito com disparo do DR

F 10,03A 10A N 10A 10,03A - A DR - EQUIPAMENTO 0,03A
F
10,03A
10A
N
10A
10,03A
-
A
DR
-
EQUIPAMENTO
0,03A

A corrente que

entra no circuito é diferente da que sai.

O DR dispara.

In = 10A

Figura 41 - Atuação do DR Fonte: SENAI DR BA, 2017.

72
72

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

Na imagem apresentada, é possível perceber que o esquema da esquerda indica a não atuação de um DR e o esquema da direita indica a condição de atuação do DR.

FIQUE ALERTA Os DR têm um botão para teste que simula a situação de um

FIQUE

ALERTA

Os DR têm um botão para teste que simula a situação de um choque elétrico, é reco- mendado o acionamento deste botão, testando o DR, pelo menos uma vez por mês ou sempre que for acontecer uma manutenção na instalação elétrica.

Atualmente, é comum encontrar DR bipolar para circuito monofásico (fase + neutro) e tetrapolar para circuito bifásico e trifásico (2 fases + neutro ou 3 fases + neutro).

In 63A Un 230V Ian 30 mA IEC41508 0810014
In 63A
Un 230V
Ian 30 mA
IEC41508
0810014
In 32A Un 230/400V Ian 30 mA
In 32A
Un 230/400V
Ian
30 mA

Figura 42 - Dispositivo diferencial residual (DR) Fonte: SENAI DR BA, 2017.

No tópico seguinte, você estudará a medida de controle de risco elétrico que utiliza ligações elétricas no solo.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

4.14 aterraMento

73
73

O aterramento é uma instalação composta de uma haste de aterramento fincada no solo de onde é

fixado um cabo denominado de Condutor de Proteção (PE, do inglês - protection earth ou proteção terra). O condutor de proteção geralmente é conectado a um barramento em quadro elétrico de onde é deriva- do para as estruturas metálicas dos vários equipamentos da instalação que necessita de proteção contra choque elétrico.

Para conexão do sistema de aterramento em um equipamento elétrico, é importante que seja obser- vada a classe de isolamento elétrico do equipamento e, com isto, verificar se é necessário e como fazer o aterramento. O quadro a seguir mostra as classes de isolamento elétrico, como base na norma IEC 61140, onde são classificados os equipamentos por nível de proteção contra choque elétrico.

Classe 0

Aparelho que funciona com tensão perigosa, acima de 50V, de isolamento simples, com chassi metálico sem condições de ligação à terra.

Classe I

Aparelho que funciona com tensão perigosa, acima de 50V, de isolamento simples, com chassi metálico com condições de ligação à terra.

Classe II

Aparelho que funciona com tensão perigosa, acima de 50V, de isolamento duplo, sem condições de ligação à terra.

Classe III

Aparelho que funciona com tensão segura igual ou abaixo de 50V. Aparelho de classe III não precisa de aterramento.

Quadro 3 - Classe de isolação elétrica de luvas de segurança Fonte: IEC 61140, 2016.

O sistema de aterramento pode ser apresentado de três formas dependendo da função que vai exercer

na instalação. Os tipos apresentados são:

a) Aterramento temporário;

b) Aterramento de proteção;

c) Aterramento funcional.

O aterramento temporário é a equipotencialização e aterramento dos condutores de um circuito dese-

nergizado, geralmente para manutenção. Esse aterramento é realizado visando a proteção de uma even- tual energização acidental dos condutores, seja uma energização direta, indireta ou por indução eletro- magnética.

74
74

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

74 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Figura 43 - Aterramento temporário Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017. O aterramento de proteção

Figura 43 - Aterramento temporário Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

O aterramento de proteção é feito através da ligação de um condutor de proteção denominado de “PE”,

que tem uma extremidade ligada em uma haste de aterramento ou uma malha de aterramento 15 e a outra extremidade ligada à estrutura metálica do equipamento que se quer aterrar. A sua função básica é fazer a proteção contra choque elétrico.

Haste de aterramento
Haste de aterramento

Condutor de proteção (PE)

Conector de aterramento

Figura 44 - Aterramento de proteção Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O aterramento funcional é a ligação à terra de um dos fios do sistema de fornecimento de energia, ge-

ralmente o neutro.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

75
75

O aterramento funcional combina a proteção das pessoas contra choque elétrico e o correto funciona-

mento da instalação. Com isso, ele pode interferir na estabilização da tensão da alimentação em relação à terra e na proteção de descarga atmosféricas. Veremos, a seguir, os diferentes tipos de aterramento.

EsquEma TN-s

O esquema TN-S, na figura seguinte, apresenta as seguintes características:

a) Neutro aterrado na origem da alimentação;

b) O condutor neutro e o condutor de proteção “PE” são separados ao longo da instalação.

A B C N PE PE PE
A
B
C
N
PE
PE
PE

EsquEma TN-C

Esquema TN - S

Figura 45 - Esquema TN-S Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O esquema TN-C, da figura seguinte, apresenta as seguintes características:

a) Neutro aterrado na origem da alimentação;

b) As funções de neutro e condutor de proteção são combinadas em um único condutor em toda instalação, veja a indicação “PEN” e observe que existe trecho em que ele é neutro e trecho em que ele é condutor de proteção “PE”.

76
76

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

A B C PEN PE PE N
A
B
C
PEN
PE
PE
N

EsquEma TN - C- s

Esquema TN - C

Figura 46 - Esquema TN-C Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O esquema TN - C - S apresenta as seguintes características:

a) Neutro aterrado na origem da alimentação;

b) Em partes da instalação, a função de neutro e condutor de proteção é combinada em um único condutor.

Veja, na imagem a seguir, o trecho do circuito indicado com “PEN” e observe que dele deriva neutro para ligar o motor e o condutor de proteção PE que faz o aterramento.

A B C PEN PEN PE N PE
A
B
C
PEN
PEN
PE
N
PE

Esquema TN - C - S

Figura 47 - Esquema TM - C – S Fonte: SENAI DR BA, 2017.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

EsquEma TT

O esquema TT apresenta as seguintes características:

77
77

a) Neutro aterrado na origem da alimentação;

b) As massas são ligadas diretamente a um condutor de proteção “PE” que é conectado a um siste- ma de aterramento.

A B C N PE PE
A
B
C
N
PE
PE

EsquEma IT

Esquema TT

Figura 48 - Esquema TT Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O esquema IT apresenta as seguintes características:

a) Neutro da alimentação não é diretamente aterrado;

b) Existe uma impedância 16 acoplando neutro e terra, limitando as correntes de falta;

c) As massas metálicas são ligadas diretamente a um sistema de aterramento através dos conduto- res PE, conforme pode ser visto no esquema a seguir.

78
78

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

A B C N PE PE Impedância
A
B
C
N
PE
PE
Impedância

Esquema IT

Figura 49 - Esquema IT Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Observe no Casos e Relatos a seguir como realizar o processo de aterramento de forma adequada e perceba que muitos detalhes são importantes para realização de um bom aterramento.

casos e relatossão importantes para realização de um bom aterramento. Sistema de aterramento Depois de uma aula teórica

Sistema de aterramento

Depois de uma aula teórica sobre aterramento, o professor e a turma se preparam para executar uma atividade prática de execução e medição de aterramento. O professor Pedro, com o auxílio dos alunos, separa as hastes de aterramento, uma marreta de 500 gramas, um cavador, uma caixa de inspeção de aterramento, um balde com água e o aparelho de medição terrômetro. Ele reuniu sua turma para em um local na escola não pavimentado, com solo à vista, apropriado para a atividade prática de aterramento. Apresentou o terrômetro e explicou à turma como ele funcionava e como deveria ser utilizado naquele momento.

O aluno José, com a haste de aterramento na mão, pergunta:

- Professor, esta haste de aterramento é de cobre?

- Não, José, as hastes de aterramento geralmente são ferro revestido com uma pequena camada de

cobre. O cobreamento é realizado na fabricação da haste através de um processo eletrolítico, e esta cobertura de cobre não dever ser menor que 0,254mm.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

79
79

O professor Pedro escolhe o local apropriado para fazer o aterramento e reúne os alunos em volta

para dar início ao processo de execução. Ele explica que farão um buraco no solo de aproximada- mente 40 cm de profundidade e 30 cm de diâmetro para instalar a caixa de inspeção. Os alunos fize- ram o buraco no solo e instalaram a caixa de inspeção. O professor Pedro orienta a turma a colocar um pouco de água dentro da caixa de inspeção para facilitar a introdução da haste de aterramento no solo.

O professor Pedro faz a demonstração da colocação da haste no solo e consegue introduzir aproxi-

madamente 70% da haste apenas com esforço físico. Para a introdução total da haste, o professor utiliza uma marreta, golpeando uma madeira sob a ponta da haste e feito isso prepara o instrumento terrômetro para fazer a medição da resistência de terra. Ele abre o instrumento separando as três pontas e explicando a função de cada ponta de prova para os alunos. Depois fala:

- José, coloque a ponta verde na haste de aterramento.

- João, finque a haste de ensaio com o cabo amarelo a 5 metros de distância da haste.

- Carlos, finque a haste de ensaio do cabo vermelho alinhada com haste do cabo amarelo e a haste principal a uma distância de 10 metros.

Depois da instalação das pontas de prova, o professor Pedro reuniu os alunos em volta do instru- mento, criou uma expectativa e apertou o botão de teste e fez a medição de aterramento. A resis- tência encontrada foi de 23Ω. Os alunos ficaram um pouco desapontados, pois achavam que com todo esforço iriam encontrar uma resistência de terra abaixo de 10Ω. Valor de referência para um bom nível de aterramento ensinado na aula teórica pelo professor Pedro. O professor Pedro explica que esta medição é normal, e o que precisavam fazer para melhorar a resistência de terra eles viram nas aulas teóricas.

- Fale, Carlos, o que você faria.

- Eu faria o tratamento do solo ou aprofundava a haste.

- E você, José?

- Fincava mais hastes, interligando uma as outras para fazer uma malha de aterramento.

O professor concluiu dizendo que todos estavam certos e de parabéns.

Podemos concluir, com base no que foi estudado nesse capítulo, que as medidas de controle de risco elétrico como as citadas na NR10 têm muita importância na segurança individual e coletiva, seja no traba- lho ou no dia a dia da população. Com base nesse estudo, a partir de agora, você pode identificar as etapas de desenergização, conforme a norma NR10, os riscos inerentes ao trabalho com a eletricidade, as normas técnicas e de segurança e as condições de segurança para execução do projeto.

80
80

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

recaPitulanDo80 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Neste capítulo, estudamos que os perigos e consequentes condições de risco no

Neste capítulo, estudamos que os perigos e consequentes condições de risco no uso da eletricidade são minimizados, controlados e até eliminados através do emprego das medidas de controle de risco.

A segurança prioritária na intervenção ou em serviço nas instalações elétricas é o desligamento do circuito. Dessa forma, a eletricidade é interrompida no dispositivo de manobra, portanto, o risco é controlado, mas o perigo da eletricidade continua existindo. Verificamos, portanto, que desligar a instalação não é suficiente para intervenção imediata, é necessário verificar a real ausência de ten- são, fazendo medições apropriadas. Além de tudo, o aterramento precedido da equipotencialização do circuito que foi desligado e o bloqueio do dispositivo alimentador garantem ao trabalhador tran- quilidade e segurança no trabalho propriamente dito.

Estudamos o seccionamento automático da instalação como uma medida de proteção coletiva, principalmente na proteção da energização de massas metálicas de equipamentos elétricos. Neste caso, é preciso que os dispositivos supervisores de segurança como fusíveis, disjuntores, DR e outros, associados a um bom sistema de aterramento, provoquem o desligamento automático em caso de correntes anormais perigosas.

Verificamos, também, que o trabalho com extra baixa tensão menor ou igual a 50V em corrente alternada é seguro e não necessita de treinamento de segurança. Assim, entendemos que o uso de ferramentas alimentadas extra baixa tensão ou dupla isolação torna o trabalho mais seguro com relação a choque elétrico.

Agora, podemos diferenciar barreira ou invólucro de obstáculo e anteparo. Sabendo que barreira ou invólucro guardam de forma segura as partes energizadas, enquanto que obstáculo e anteparo obstruem as partes energizadas, mas não impedem o contato acidental.

4 MeDiDa De controle De risco elétrico

81
81

Equipamento de segurança e proteção

5
5
Equipamento de segurança e proteção 5 Os equipamentos de proteção são utilizados na realização de serviços

Os equipamentos de proteção são utilizados na realização de serviços em instalações elétri- cas para garantir segurança e saúde aos trabalhadores que diretamente e indiretamente estão envolvidos nesses serviços e, também, para as pessoas que estão próximas a esses locais de trabalho.

Cada equipamento de segurança e proteção para uso em eletricidade é projetado para, especificamente, proteger uma parte definida no corpo, como os membros superiores e infe- riores do corpo, das consequências de um acidente.

e infe- riores do corpo, das consequências de um acidente. Figura 50 - Equipamentos de segurança

Figura 50 - Equipamentos de segurança e proteção Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Nos capítulos anteriores, podemos constatar que, apesar de ser muito importante em nos- sas vidas, a eletricidade é perigosa, com isso é necessário adotar medidas preventivas do con- trole dos riscos elétricos. Os equipamentos de proteção e segurança são os meios empregados para fazer o controle destes riscos elétricos durante a realização de serviços com eletricidade. Portanto, para a proteção coletiva, estudaremos os chamados Equipamentos de Proteção Co- letiva (EPC), enquanto que para a proteção individual veremos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

O uso dos EPC, de acordo com as normas, é uma medida prioritária para garantir a segu- rança e saúde dos trabalhadores e pessoas não orientadas que estejam próximas a um serviço.

84
84

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

O uso dos EPI é obrigatório quando o serviço a ser executado de alguma forma expuser exclusivamente

o corpo do trabalhador a riscos. A necessidade dos EPI deve ser analisada nos métodos de prevenção de acidentes que antecedem um serviço elétrico, portanto, os empregadores e trabalhadores devem estar conscientes da disponibilidade e uso desses equipamentos.

Como relação ao trabalhador, o não uso do EPI é considerado negligência com as leis trabalhistas, e essa conduta, consequentemente, pode gerar demissão por justa causa 17 . Portanto, neste capítulo, você deve ficar atento às informações apresentadas para um trabalho tranquilo e seguro.

5.1 EquipamEnto dE protEção colEtiva

A NR10 alerta que:

Em todos os serviços executados em incitações elétricas deve ser prevista e adotada, prioritariamente, medidas de proteção e controle aplicáveis, mediante procedimentos, às atividades a serem desenvolvidas, de forma a garantir a segurança e a saúde dos tra- balhadores. (BRASIL, 2004).

As medidas previstas na NR10 visam à proteção não só dos trabalhadores envolvidos com a atividade principal que será executada e que gerou o risco, como também a proteção de outros funcionários que possam executar atividades paralelas nas redondezas ou até de passantes, cujo percurso pode levá-lo à exposição ao risco existente.

Conforme NR10, as medidas de proteção coletiva no serviço com eletricidade compreendem priorita- riamente a desenergização elétrica e, na sua impossibilidade, o emprego de tensão de segurança 18 , o que significa que as seguintes medidas podem ser tomadas, como:

a) Isolação das partes vivas;

b) Obstáculos;

c) Barreiras;

d) Sinalização;

e) Sistema de seccionamento automático de alimentação;

f) Bloqueio do religamento automático.

As medidas e proteção coletivas não devem ser confundidas com equipamento de proteção coletiva (EPC), veja o quadro a seguir.

17 Demissão por justa causa: é a demissão do empregado por um motivo previsto em lei, que isenta o empregador do pagamento de alguns direitos trabalhistas.

5 EquipamEnto dE sEgurança E protEção

85
85
 

MEDIDA DA PROTEÇÃO COLETIVA

 

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO COLETIVA

Fazer Isolamento de área de trabalho

 

Uso de cones, fita zebrada

   

Uso de mantas isolantes

• Fazer a proteção conta choque elétrico.

 

Uso aterramento temporário.

 

Uso de tapete isolante

• Seccionamento automático da instalação

 

Uso de DR (dispositivo diferencial- residual) e disjuntores na instalação elétrica

• Fazer o bloqueio de equipamento responsável pela energização do circuito.

Uso de cadeados para travamento do dispositivo de seccionamento

• Fazer sinalização de área de trabalho, equipamentos e ambiente com tensão perigo.

 

Uso de placas de sinalização

 

Uso de sinalizadores luminosos

Quadro 4 - Medidas e equipamentos de proteção coletiva Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O quadro mostra que as medidas de proteção coletiva se utilizam dos EPC, quando necessário, para

alcançar seus objetivos. E os EPCs sempre são criados para atender às medidas de proteção coletiva.

A seguir, faremos um estudo detalhado dos principais equipamentos de proteção coletiva utilizados no trabalho com eletricidade.

Conjunto de aterramento temporário

A instalação do conjunto de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores do cir-

cuito, mencionado na NR10, deve acontecer após a desenergização do circuito para serviço. Este proce- dimento estabelece a proteção de todos os profissionais envolvidos no trabalho. Com isso, é garantido proteção contra uma energização indevida no circuito em manutenção.

uma energização indevida no circuito em manutenção. Figura 51 - Conjunto para aterramento temporário Fonte:

Figura 51 - Conjunto para aterramento temporário Fonte: SENAI DR BA, 2017.

86
86

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

O conjunto de aterramento temporário é composto de um conjunto de “garras” metálicas interligadas

através de cabos para fixação nos condutores da rede e a um eletrodo de aterramento ou um ponto de estrutura aterrado, conforme figura apresentada.

tapete de BorraCHa iSoLante

O tapete isolante é um acessório adicional em manobra de equipamentos em alta-tensão. Ele protege

contra contatos indiretos ou tensão de passo.

Ele protege contra contatos indiretos ou tensão de passo. Figura 52 - Tapete de borracha isolante

Figura 52 - Tapete de borracha isolante Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Cone e Fita de SinaLiZaÇÃo

Os cones e fitas de sinalização são utilizados para demarcar uma região de trabalho, proporcionando o isolamento dos profissionais, equipamentos e ferramentas. Dessa forma, restringindo o acesso de pessoas não autorizadas às regiões de risco no próprio ambiente de trabalho.

5 EquipamEnto dE sEgurança E protEção

87
87
Figura 53 - Cones e fita de sinalização Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Figura 53 - Cones e fita de sinalização
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Os cones e fitas de sinalização devem ser resistentes a intempéries como sol e chuva. Além disso, é im- portante que esses equipamentos tenham partes refletivas, isso significa que eles podem ser visualizados à noite e em locais mal iluminados.

pLaCaS de SinaLiZaÇÃo

As placas de sinalização devem informar ou sinalizar a existência de um perigo. Elas têm como objetivo chamar a atenção de forma rápida e inteligível para objetos ou situações que coloquem em risco a segu- rança das pessoas.

PERIGO RISCO DE CHOQUE ELÉTRICO
PERIGO
RISCO DE
CHOQUE ELÉTRICO

Figura 54 - Placas de sinalização Fonte: SENAI DR BA, 2017.

As placas de sinalização devem ser utilizadas em locais onde haja situação de risco de morte ou aciden- tes graves, além de informar e advertir sobre os riscos do contato direto ou indireto com a eletricidade.

88
88

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

protetoreS iSoLanteS de BorraCHa ou pVC para redeS

Os protetores isolantes de borracha ou PVC para redes são anteparos que visam encobrir um condutor da rede elétrica energizada, ou que passa a ser energizado. Esses tipos de protetores evitam que durante o trabalho o profissional tenha o contato acidental com a rede elétrica energizada.

tenha o contato acidental com a rede elétrica energizada. Figura 55 - Protetores isolantes Fonte: SENAI

Figura 55 - Protetores isolantes Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Além do uso dos equipamentos que objetivam a proteção coletiva, a utilização dos equipamentos para proteção individual é essencial para a segurança e saúde, conforme veremos no tópico a seguir.

5.2 EquipamEnto dE protEção individual

Os equipamentos de proteção individual são projetados para proteger o trabalhador em serviço de forma pessoal.

Nos serviços em instalações elétricas, quando as medidas de proteção coletiva forem insuficientes ou inviáveis para controle do risco elétrico, devem ser adotados equipamentos de proteção individual espe- cífico e adequado à atividade desenvolvida, em atendimento a NR-6 Equipamento de Proteção Individual.

Os EPI fabricados devem ser testados, avaliados e certificados por um órgão credenciado do Ministério do Trabalho e Emprego que emitirá o certificado de Aprovação (CA).

CURIOSIDADES Os fabricantes de EPI fazem os devidos ensaios dos seus equipamentos depois de fabricados,

CURIOSIDADES

Os fabricantes de EPI fazem os devidos ensaios dos seus equipamentos depois de fabricados, mas estes ensaios não têm validade para venda do produto. Os equipamentos de proteção só podem ser comercializados após ensaios e aprovação realizados por órgão credenciado pelo Minis- tério do Trabalho e Emprego.

5 EquipamEnto dE sEgurança E protEção

89
89

Somente após esse procedimento os EPI poderão ser colocados à venda. Além disto, o EPI dever ser fornecido ao trabalhador pelo empregador.

SAIBA MAIS É possível verificar a situação do Certificado de Aprovação (CA) de um EPI

SAIBA

MAIS

É possível verificar a situação do Certificado de Aprovação (CA) de um EPI no site oficial do Ministério do Trabalho. Acesse o site, busque por Certificado de Aprovação de Equi- pamento de Proteção Individual (CAEPI) e boa consulta.

Veremos, nos tópicos a seguir, os vários EPI básicos para o serviço com eletricidade.

CaLÇado de SeguranÇa (Botina para eLetriCiSta)

As botas de segurança fazem a proteção dos pés contra ferimentos. Por ter solado fabricado de material isolante elétrico, elas minimizam os efeitos de um choque elétrico de contato direto ou indireto. Mas elas não podem assumir a proteção total contra choque elétrico.

A bota de segurança é um EPI que se desgasta constantemente, portanto, ela atua como dispositivo auxiliar quando se usa luvas isolantes.

como dispositivo auxiliar quando se usa luvas isolantes. LuVaS iSoLanteS Figura 56 - Bota de segurança

LuVaS iSoLanteS

Figura 56 - Bota de segurança Fonte: SENAI DR BA, 2017.

As luvas isolantes são fabricadas especificamente para a proteção das mãos e punhos contra o choque elétrico. A luva isolante é confeccionada com borracha e, por isso, sempre é necessário utilizar uma luva de couro por cima dela, a fim de protegê-la contra rasgos ou furos.

Diferente das botas de segurança, as luvas isolantes devem proporcionar proteção total contra choque elétrico, portanto, a liberação desse tipo de luva para venda depende da realização de ensaios elétricos rigorosos, conforme norma NBR 16295:2014 - Luvas de material isolante.

90
90

SEGURANÇA EM ELETRICIDADE