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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-1

INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES

O TRÂNSITO, PREVENÇÃO, CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS

O TRÂNSITO, CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS.

Como todos sabemos as estradas são um dos maiores índices onde se obtém
vítimas todos os anos, e pelo qual vamos considerar certos aspectos em
questão de acidentes para a sua investigação.

PREVENÇÃO E RESPONSABILIDADE.

A prevenção e responsabilidade em matéria de tráfico corresponde a todas as


Administrações públicas, desde a Estatal à local.

A administração actua de forma primária sobre os três elementos do trânsito:


- homem
- via e seu contorno
- veículo

Actuação da Administração sobre o homem como elemento do trânsito:


- Educa ao peão, condutor e usuário.
- Exige determinadas aptidões para autorizar o acto de conduzir.
- Motiva virtudes.
- Normaliza o seu comportamento mediante as oportunas disposições legais.

Actuação da Administração sobre a via e as suas condições ambientais


como elemento do trânsito:
Cria as condições económicas adequadas dos meios do trânsito, desde a
configuração e utilização das vias até à sua sinalização.

Actuação da Administração sobre o veículo como elemento do trânsito


- Regula as condições técnicas dos veículos e os seus acessórios.
- Regula os requisitos sobre circulação de veículos

Forma em que a Administração exige e controla o comportamento do


condutor, através da sua Polícia de Trânsito.
Funções das forças de segurança em matéria de trânsito:
- Trabalho disciplinar
- Averiguação das causas dos acidentes
- Instrução de diligências
- Redacção de relatórios estatísticos

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Acções primordiais da presença do pessoal da Polícia de Trânsito nas


estradas:
- Prevenção correctora e exemplar
- Instrução do documento judicial para averiguar a causa do acidente
- Investigando e pondo ao conhecimento da Autoridade Judicial as actuações
realizadas para que se estabeleçam responsabilidades civis e penais
- Formulação de impressos estatísticos com o objectivo de criar os elementos
correctores necessários de actuação da administração sobre os distintos
factores que intervêm no acidente.

ACIDENTE DE TRÂNSITO. CONCEITO. UNIDADE DE TRÂNSITO.

Acidente genericamente considerado: sucesso fortuito ou eventual que altera a


ordem das coisas, que involuntariamente origina danos nas pessoas ou
objectos.

Premissas importantes: Saber diferenciar acidente, de acontecimento que


ocasiona danos de modo pretendido pelo sujeito actuante.

Nomear aos acidentes com os seus apelidos:


- acidentes desportivos
- acidentes laborais
- acidentes de mercadorias perigosas, etc.

ACIDENTE DE TRÂNSITO. Circunstâncias necessárias para a sua


definição.
- Acontecimento eventual. Não intencionado.
- Ocorrido como consequência ou por ocasião do trânsito.
- Com intervenção de pelo menos um veículo governado ou não.
- Com produção de uma situação anómala no normal transcurso da
circulação.
- Com resultado de morte ou lesões nas pessoas, e/ou danos nas coisas ou
animais.

Premissas e especificações sobre a definição de ACIDENTE DE


TRÂNSITO.
No acidente de trânsito para além de ser um sucesso fortuito e eventual
devem-se dar as circunstâncias de:
- Que não seja intencionado e que o resultado não tenha sido querido pelo
responsável.

O facto de que um acidente de trânsito ocorra como consequência ou por


ocasião do trânsito quer dizer:
- Que se utiliza uma via aberta ao trânsito seja pública ou não, por uma ou
mais unidades de trânsito. Recordar que o trânsito implica movimento de
um lugar a outro.

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O facto de um acidente se produzir com intervenção de pelo menos um veículo


governado ou não quer dizer:

- É irrelevante que o veículo seja governado ou não.


- É ACIDENTE DE TRÂNSITO o deslizamento por uma pendente de um
veículo que atropela um peão, por ter ficado estacionado sem ter adoptado
o seu condutor as medidas de segurança para evitar o deslizamento.
- É ACIDENTE DE TRÂNSITO a queda de um ciclista.

A produção de uma situação anómala no normal transcurso da circulação quer


dizer:
- Que o veículo ver-se-á afectado por uma circunstância em que a sua
trajectória se irregularize e gere outros danos.

Unidade de Trânsito. Definição.


Toda pessoa que faça uso da via pública com ou sem veículo, qualquer que
seja este. Entendendo-se que todo veículo deve ser manejado ou estar sujeito
à responsabilidade de uma pessoa.

Avaria. Definição.
Anomalia do elemento mecânico que não necessariamente desemboca em
sinistro e por tanto não gera danos a terceiros.

Premissas:
Quando a falha mecânica origina um acidente de trânsito, a avaria passa a
converter-se em causa deixando de ser efeito.

Conceito normativo de acidente de trânsito:


- Que se produza numa via aberta à circulação pública ou tenha nela a sua
origem.
- Que por causa do mesmo, uma ou várias pessoas resultem mortas ou
feridas ou se produzam danos materiais.
- Que pelo menos um veículo em movimento esteja implicado.

Acidente ocasionado por força maior:


São aqueles que sobrevêm devido à acção inesperada da natureza. Exemplos:
- Aparição de gretas na estrada produzidas por deslocamento de terras,
erosão, terremotos ou qualquer outra causa natural.
- Saída da via devido à perda de capacidade do veículo para se aderir ao
pavimento perante a presença de uma considerável quantidade de água,
por inundações, cheias, assim como qualquer outra suposição similar.

Acidente devido a caso fortuito.


São aqueles que se dão por situações que, sem proceder de catástrofes, não
permitem outro manobrar humano.

Podem aportar uma intervenção humana, de terceira pessoa, de um modo


remoto ou indirecto.

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Exemplos:
- Deslizamento devido a uma mancha de óleo ou similar.
- Colocação de algum obstáculo na estrada.
- Rotura de alguma peça mecânica de modo imprevisto.
- Arrebentamento de pneu.

Elementos do acidente.
Todo acidente de tráfico é o resultado final de um processo no qual se
desencadeiam diversos eventos, condições e condutas.

Os factores que desembocam num acidente, surgem dentro da complexa rede


de interacções entre o condutor, veículo e a via em determinadas condições
ambientais.

As causas dos acidentes devem-se deduzir em função dos ELEMENTOS DO


ACIDENTE (a via, o veículo, o homem).

A via. Circunstâncias significativas


- Constitui o elemento mais fixo e perene.
- As melhorias na rede das vias simplifica a tarefa dos condutores e aumenta
a segurança.

Dentro do factor via para efeitos de investigação de acidentes, devemos


considerar:
- O percurso da via.
- O tipo de pavimento.
- As características da via.(estrada, auto-estrada com portagem, auto-estrada
sem portagem)
- A sinalização existente.
- Condições ambientais no momento de se produzir o acidente.

Medidas para melhorar a segurança com respeito à via.

Medidas preventivas: tentam diminuir a probabilidade de que se produza um


acidente.
Exemplos:
- Adopção de normas de projecto e ordenação do território que diminuam os
pontos potenciais de conflito (pontos negros).
- Actuações sobre o percurso, buscando a coerência entre os elementos que
a integram.
- Actuações sobre o pavimento (construção de pisos antiderrapantes e
seguros, renovando as superfícies existentes, etc.).
- Actuações sobre a sinalização e iluminação.

Outras medidas preventivas a ter em conta são as que tentam reduzir a


gravidade do acidente uma vez produzido.

Exemplos:

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- Eliminação de obstáculos laterais evitáveis.


- Projecto adequado sobre obstáculos laterais evitáveis.
- Utilização de barreiras de segurança.
- Zonas laterais de contenção de veículos que saiam fora da estrada evitando
colisões e tombos (valas metálicas, de betão, etc.).
- Postos de socorro em pontos chave.
- Pronto socorro na estrada, etc.

O veículo. Circunstâncias significativas.


É o factor material que em menor medida incide como factor no
desenvolvimento dos acidentes.

Deve-se ter em conta que nas estatísticas, dá-se-lhe menor grau de


participação acidentável, devido à sua elevada tecnologia e à falta de
preparação do pessoal investigador quanto ao exame dos órgãos do veículo,
entre outras razões.

Características dos veículos com respeito ao factor ou causa de


acidentes.
- Seu aumento crescente.
- Seu pronto envelhecimento.

Segurança no automóvel.

Segurança Activa: compõem-na aqueles elementos que exercem a sua


função enquanto o veículo está circulando e podem ser manejados segundo a
vontade do condutor, antes ou durante a marcha.

Função essencial: evitar que ocorra o acidente.

Órgãos e elementos de Segurança Activa nos veículos:


- Sistema de iluminação
- Sistema de travões
- Sistema de direcção
- Sistema de tracção
- Sistema de suspensão
- Limpa-brisas
- Pára-brisas
- Espelhos retrovisores
- Pneus

Segurança Passiva: compõem-na aqueles elementos que só desenvolvem a


sua função no momento do acidente, contribuindo à dissimulação das
consequências do mesmo (diminuindo os danos materiais e pessoais).

Elementos de Segurança Passiva nos veículos:


- Cintos de segurança
- Apoio de cabeças
- Ancoragem de assentos

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- Air bag (bolsa de ar)


- Assentos especiais para crianças.
- Salientes internos do veículo
- Capacete de protecção (para motocicletas)
- Outros.

O homem. Circunstâncias significativas.


- homem, em primeiro lugar, é o objecto final da Segurança que se trata de
conseguir na circulação.
- É o homem quem domina ou deve dominar a máquina, e tanto quanto esta
seja governável a responsabilidade recai sobre o condutor.
- A pessoa será responsável se pôde prever o acidente e não o fez, embora
com posterioridade se fizesse inevitável.
- condutor em circulação deve prever e ajustar a sua condução às variações
que o tráfico possa apresentar. Se não o faz e sobrevêm o acidente,
embora seja inevitável, a responsabilidade recairá sobre ele.

A falha humana.
Qualquer tipo de falha por parte do condutor no desempenho das habilidades
requeridas para uma condução segura.

Também qualquer acto, negligência ou imprudência por parte do peão por


transitar numa via pública sem adequação aos condicionantes do trânsito.

Causas de actuações humanas erróneas durante a condução:

A) Físicas ou somáticas (afectam o corpo do condutor)


- Alterações orgânicas transitórias (lipotimias, náuseas, enjoo, etc.)
- Alterações ou defeitos orgânicos permanentes (diabetes, insuficiência
cardíaca, artrose, etc.)
- Insuficiências motoras (falta de coordenação, falta de reflexos, etc.)
- Insuficiências sensitivas: ópticas ou acústicas (defeitos de audição ou
visão).
- Outras

B) Psíquicas (afectam a mente do condutor)


- Falta de conhecimento ou atenção
- Atitudes antisociais ou perigosas
- Doenças mentais
- Instabilidade emocional ou conflitos pessoais
- Toxicomania e alcoolismo
- Sono, cansaço, rotina, etc.
- Outras

C) Falta de conhecimento, experiência ou perícia


- Falta de conhecimento:
Uma actuação errónea do condutor poderia contribuir para esta causa
quando possamos demostrar que o condutor não sabe ou não soube

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realizar a manobra evasiva correcta ou adequada perante uma


circunstância adversa.
- Falta de experiência:
Demostrada por manifestações do condutor e outras pessoas que
demostrem que o condutor tenha conduzido pouco apesar da maior ou
menor antiguidade da expedição da sua licença o ainda que esta tenha sido
obtida recentemente.

- Perícia
Toda pessoa que tenha obtido a sua licença administrativa que lhe faculta
para conduzir veículos a motor e tenha podido demostrar previamente que
conta com a PERÍCIA suficiente, embora isto não seja assim em algumas
situações, por perda de aptidão, por má prática ou por desleixo.
Normalmente outorga-se falta de perícia aos condutores que sabendo o que
devem fazer incorrem em erros por colocá-lo em prática.

Deve-se ter em conta que a perícia é a colecção de hábitos conducentes à


capacidade de uma pessoa para manobrar um veículo sem falhas e a
percepção das condições da estrada em torno de si, sem que tenha
necessidade de pensar expressamente no que está fazendo. Em suma,
fruto da prática.

RESUMO: a participação de cada um dos três elementos no resultado final


pode ser mínima ou máxima, estando estatisticamente comprovado que a falha
no terceiro elemento, O HOMEM, é o que com maior frequência intervêm na
causa de acidentes. Na investigação do acidente, por tanto, deve-se dar a este
componente uma grande prioridade. Tenhamos também em conta, embora com
um tom humorístico, que dos três elementos O HOMEM É O ÚNICO QUE
FALA E O ÚNICO COM CAPACIDADE PARA MENTIR E DESFIGURAR OS
FACTOS.

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EVOLUÇÃO DO ACIDENTE

O espaço e o tempo no acidente

Recorde. . . o acidente apesar da sua rapidez, não se produz de uma maneira


instantânea senão que sofre uma evolução que se desenvolve no tempo e no
espaço mediante uma série de circunstancias sucessivas que se vão
encontrado até produzir o resultado ou a actualização do acidente.

O tempo deve ser reconstruído na base de momentos, nos quais as pessoas


que intervêm no acidente devem agir de uma maneira determinada e tenham-
no feito ou não.

No espaço existirão áreas ou zonas nos quais os factos se produzem e, dentro


delas, determinados pontos onde situar acções concretas.

O conjunto dum momento e um ponto será a posição.

A união de várias posições nos dará uma FASE DO ACIDENTE.

Classificação das fases em que se desenvolve o acidente de trânsito.

- FASE DE PERCEPÇÃO
- FASE DE DECISÃO
- FASE DE CONFLITO

Fase de percepção.
Delimitada inicialmente pelo Ponto de Percepção Possível (PPP) e finaliza no
Ponto de Decisão (PD) encontrando-se dentro dela o Ponto de Percepção Real
(PPR).

Forma parte da área de percepção total, que engloba ademais as outras duas
fases, tendo em conta que o condutor ou peão percebe todo o processo no
qual se vê implicado, de aqui o da área de percepção.

Quando o condutor durante o desenvolvimento de um acidente não se


apercebe de todo o processo de actualização, o que ocorre é que desaparece
ou pode desaparecer a fase de decisão.

Definições sobre situações dentro da fase de percepção.


Chamamos PONTO DE PERCEPÇÃO POSSÍVEL (PPP) pelo momento e lugar
onde o movimento ou condição inesperada ou extraordinária pode ter sido
percebido por uma pessoa normal.

Este ponto dá-se antes ou no mesmo momento da percepção real.

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O ponto de percepção possível (PPP) deve-se determinar correctamente, uma


vez que servirá de base para avaliar a conduta das pessoas que intervêm no
acidente.

A diferença entre o PPR e PPP irá dar-nos o grau de atenção e a possibilidade


de manobra.

Chamamos PONTO DE PERCEPÇÃO REAL (PPR) o momento e lugar no qual


o condutor ou peão percebeu realmente pela primeira vez o perigo ou a
situação anormal.

Enquanto que o PPP é puramente objectivo (sempre o poderemos comprovar


sobre o terreno na inspecção ocular).

O PPR é subjectivo, é um elemento dificilmente determinável sem a


manifestação do condutor ou peão.

É importantíssimo fixar o momento de percepção real, uma vez que serve para
nos indicar a presença de factores físicos ou psíquicos no sucedido que
tenham podido influir na avaliação dos seus actos.

O PPR pode não existir ou estar tão próximo do PC que não se distinga deste.

A circunstância de existir pouca diferença de espaço e tempo entre a


PERCEPÇÃO POSSÍVEL E O PC, eximirá de responsabilidade o condutor, por
nos encontrarmos perante um caso fortuito a não ser que o mesmo provocasse
a escassa diferença de espaço e tempo.

Quando não tenha existido Percepção Real, apesar de existir grande diferença
de espaço e tempo entre a Percepção Possível e o Conflito, nos indicará
possível negligencia ou descuido por parte do implicado.

Fase de decisão
Segue-se a fase de percepção uma vez conseguida a percepção real e
considera-se como aquela na qual o condutor ou peão reage perante o
estímulo anterior. Está delimitada pelo PD que a inicia e o PCL.

A fase de decisão pode ficar anulada pela rapidez de produção dos


acontecimentos, chegando nalguns casos a não existir, havendo unicamente
percepção e resultados.

Por isso deve-se ter em conta a diferença de tempo e espaço entre o PPR e
PC para deduzir as consequências correspondentes e investigá-las.

A fase de decisão desenvolve-se durante o tempo que demora o condutor em


compreender a situação, tomar uma decisão e efectuar a manobra de evasão.

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A dito tempo dá-se-lhe o nome de TEMPO DE REACÇÃO, que se define como


o que transcorre desde que o condutor ou peão se dá conta do perigo até que
actua com o fim de evitá-lo.
Outra definição seria o tempo que depois de percebe-la com os seus sentidos,
demora uma pessoa em compreender o significado de uma situação, actuar de
acordo e iniciar a acção.

SEQUÊNCIAS DO TEMPO DE REACÇÃO

1) Chegada dos estímulos (salvo no caso de acções reflexas)


2) Intelecção. O cérebro apercebe-se do perigo e elabora os meios para evitá-
lo.
3) Volição. Nesta sequência a vontade da pessoa implicada se decide a
actuar.

RECORDE: o tempo de reacção é variável e oscila de acordo com a idade, o


estado físico ou psíquico.

Em idades avançadas, cansaço, desatenção, etc., aumenta o tempo de


reacção, varia entre os 0,4 e 2 seg.

MANOBRAS DE EVASÃO

Manobra ou conjunto delas que efectua o usuário para evitar que o acidente se
produza.

Podem ser simples ou complexas e ao mesmo tempo podem ser passivas ou


activas.

Manobras activas SIMPLES PASSIVAS:


- Tocar a buzina
- Dar centelhas de luz intensiva

Manobras activas SIMPLES:


- Diminuir a velocidade
- Detenção do veículo
- Aumentar a velocidade
- Girar à esquerda ou direita
- Estando o veículo parado fazer marcha atrás

Manobras COMPLEXAS:
Resultam da utilização conjunta de várias das manobras simples.
- Diminuição de velocidade e giro
- Diminuição de velocidade e toque de buzina
- Diminuição de velocidade e centelhas
- Aumento de velocidade e giro
- Giro e toque de buzina

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RECORDE: Em algumas ocasiões, a manobra de evasão consiste em eleger


um ACIDENTE MENOR. Exemplo, para evitar uma colisão frontal, optar por
uma saída de via e queda.

Área de manobra
Lugar ou espaço onde se realiza a acção evasiva.

Começa no ponto em que o condutor apercebido pode iniciar a manobra


normal confortavelmente.

Fase de conflito
É a culminação do acidente, quer dizer, compreende o último período da
evolução deste, com a sua conclusão.

Elementos que encontramos na fase de conflito


A) Área ou zona de conflito.
É o espaço em que se desenvolve a possibilidade do acidente. É muito variável
pois depende tanto da direcção normal dos veículos e dos elementos que
intervêm no acidente, como da acção evasiva realizada por aqueles.
A área de conflito pode coincidir ou não com a área de manobra, embora
geralmente será mais reduzida.

B) Ponto Chave (PCL).


É o ponto no qual o acidente resulta inevitável. Se coincide com o PPR não
existirá manobra evasiva ou esta será muito curta.

C) Ponto de conflito (PC) ou Ponto de colisão.


É aquele em que se consome o acidente e que corresponde à posição de
máximo efeito.

Determinação do Ponto de Conflito.


Se determinará observando umas vezes as manifestações de testemunhas e
implicados, outras pela posição dos veículos participantes, resíduos ou restos
do sinistro, danificações em objectos fixos, marcas na estrada como aranhões,
fendas, raspaduras, marcas de fricção ou de deslizamento, etc.

O desalinho nas marcas de deslizamento quase sempre assinalam o ponto de


uma colisão com outro veículo ou objecto fixo, sobre tudo se são pronunciadas.

Pontos complementares do PC.


Ponto inicial do acidente ou tomada de contacto. Derivação para a posição
final.

D) Posição final (PF).


É aquela que adoptam os veículos e objectos quando chegam à imobilidade
depois do evento.

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INVESTIGAÇÃO A REALIZAR EM FUNÇÃO DAS FASES DO ACIDENTE.

A divisão da Zona e o tempo do acidente em momentos e em pontos,


configurando as diversas fases e zonas do acidente, são de especial utilidade
para a investigação exaustiva do mesmo, insistindo na busca de determinadas
provas que confirmem ou corroborem em algo ou descartando algumas
gestões que não devem resultar de utilidade pela sua não influência no
acidente.

Com base na distância existente entre o PPP e o PPR (Distância entre pontos
de percepção DPP), o experto tem um espaço para investigação psíquica e
somática dos agentes intervenientes e física das condições ambientais.

Se dita distância (DPP) é muito grande, cabe pensar com grandes


possibilidades de acerto, que o condutor ia distraído por qualquer motivo que
se deve tentar encontrar: sono, cansaço, álcool, medicamentos, doença,
conversa ou disputa com acompanhantes, etc.

Ou talvez as condições ambientais eram distintas às que o investigador


encontra ao chegar ao lugar do acidente, fazendo com que as distancias que
agora sejam largas, nas condições reinantes no momento do sucesso, fossem
curtas.

Analisemos e que nos sirva para não deixar-nos levar por uma primeira
impressão, que podem concorrer no condutor, a estrada ou o veículo
circunstâncias negativas que no entanto não tiveram participação no acidente e
às quais o investigador deve dar o seu verdadeiro valor. Tudo isso com base
nas distâncias e tempos existentes entre os diversos pontos do acidente.

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CAUSAS DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO


TIPOS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO.

Causa de um acidente é qualquer comportamento, condição, acto ou


negligência sem o qual o acidente não se teria produzido.

Causa principal ou eficiente, é aquela dentre todas as intervenientes sem a


qual o acidente não teria tido lugar.

A missão da P.R.M. em questão de Trânsito na investigação de acidentes, deve


ser tripla:
a) Conseguir dados sobre as condições de interrelação dos factores: via-
veículo-homem-norma do acidente.
b) Indagar sobre a causa da falha humana no evento.
c) Dar às Autoridades Judiciais os dados necessários para determinar as
responsabilidades a que tivesse lugar.

Classificação das causas dos acidentes de trânsito.


CAUSAS MEDIATAS: em si mesmas não dão lugar ao acidente mas favorecem
que se produza.
Podem ser:
- Relativas ao veículo
- Relativas à estrada.
- Relativas a fenómenos atmosféricos.
- Relativas ao condutor ou peão.
- Relativas a circunstâncias alheias às anteriores.

RELATIVAS AL VEÍCULO.
Deficiente funcionamento dos seus principais órgãos, excessiva potência, má
segurança activa ou passiva, etc.

RELATIVAS À ESTRADA
Defeitos no seu percurso, sinalização, piso, etc.

RELATIVAS A FENÓMENOS ATMOSFÉRICOS.


Redução da visibilidade por neblina ou chuva, ofuscamentos solares, etc.

RELATIVAS AO CONDUTOR OU PEÃO.


- Físicas ou somáticas.
- Psíquicas.
- Conhecimentos, experiências e perícia.

RELATIVAS A CIRCUNSTÂNCIAS ALHEIAS ÀS ANTERIORES.


(Quando não podem ser enquadradas nos grupos anteriores)
- Insectos que se introduzem no veículo.
- Pedra que golpeia o pára-brisas.
- Qualquer outro de muita diversa índole.

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Exemplo para determinar causas de uma ou outra índole:


`` Um turismo circula a 120 Km. Hora por uma estrada limitada a 100 Km. Hora,
em percurso recto de boa visibilidade. Dito veículo tem totalmente lisas as
cobertas e está chuviscando. Ao chegar à altura de um cruzamento de
caminhos a nível da estrada um tractor agrícola atravessa a estrada e o
condutor do turismo trava, as rodas do carro se bloqueiam e investe contra o
tractor``.

Intervêm neste caso uma série de causas com distinto grau de participação:
- Excesso de velocidade sobre a genérica.
- Mal estado dos pneus.
- Mal estado do pavimento por se encontrar com água da chuva.
- Redução de visibilidade própria da chuva.
- Possivelmente encontrasse-mos alguma relativa ao condutor.

Mas devemos pensar que se o tractor não tivesse cruzado a estrada da forma
em que o fez, o acidente não se teria produzido.

Causa principal ou eficiente. Cruzar a estrada sem respeitar a prioridade por


parte do tractor interpondo-se na trajectória seguida pelo turismo.

Dentre as outras causas deve-se tentar determinar quais devem ter levado ao
resultado final como causas imediatas e quais colaboram como causas
mediatas.

O mais difícil resulta estabelecer uma classificação válida destas causas uma
vez que entre os mesmos investigadores existem critérios diferentes.

Causas Imediatas. As que de forma directa intervêm no acidente. São em


essência as mesmas CAUSAS MEDIATAS, embora matizadas a maioria delas
pelo elemento humano.
- Velocidade ou outras infracções às Normas de circulação.
- Deficiências na percepção.
- Erros na evasão.
- Condições negativas.
- Outras.

Velocidade ou outras infracções às Normas de circulação, matizando


sempre se se trata de velocidade excessiva, velocidade inadequada ou qual é
o tipo de infracção cometida.

Deficiências na percepção, diminuição da atenção, por múltiplas causas.

Erros na evasão: não realizar manobra evasiva correcta perante a eminência


de um perigo (manobra errónea).

Condições negativas: aquela que dá lugar a uma conduta antisocial ou


perigosa.

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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CERTO TIPO DE CAUSAS


IMEDIATAS.

Velocidade é a primeira causa dos acidentes que ocorrem no mundo. Devemos


entender por velocidade absoluta a que leva um móvel num momento
determinado.

A velocidade absoluta pode estar relacionada com infracções de trânsito


quando for superior à estabelecida pelas Autoridades nos distintos
Regulamentos, em que o caso seria velocidade excessiva.

Também se pode relacionar com as condições que determine o trânsito num


momento dado, em que o caso da velocidade que interessa é a velocidade
relativa, neste caso adequada ou inadequada para esse momento e lugar.

Distinguir entre velocidade excessiva e velocidade inadequada.

É velocidade excessiva quando se ultrapassa uma limitação legalmente


estabelecida

É velocidade inadequada quando sem ser excessiva, pelas condições do


trânsito, da estrada ou da meteorologia, resulte maior que a aconselhável.

RECORDE. Toda velocidade excessiva é também inadequada ou existe uma


má legislação, mas toda velocidade inadequada não é excessiva.

Outras infracções aos Regulamentos que podem dar lugar a acidentes:


- Realizar adiantamentos não regulamentares.
- Não respeitar as prioridades de passagem em cruzes sinalizadas ou não.
- Não manter a distância de segurança regulamentaria.
- Conduzir ultrapassando o limite de alcoolemia.
- Ofuscamentos, falta de iluminação, etc.

Alguns tipos de acidente por falha humana

ACIDENTES POR POLARIZAÇÃO AFECTIVA.


São os que ocorrem por não prestar a atenção devida à tarefa de conduzir.

Devemos distinguir dois tipos de atenção:

Atenção concreta, pela qual o condutor vê os detalhes próximos.

Atenção difusa, pela qual o condutor vai formando uma ideia sobre as
condições do tráfico em geral.

O condutor deve manter ambas com a concentração de todos os seus sentidos


na condução, esquecendo qualquer outra coisa.

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Os problemas pessoais afectam em grande medida à tarefa de conduzir uma


vez que se reúnem e polarizam em torno a eles, produzindo a desatenção e a
actualização do acidente

Acidentes por infracções às normas de circulação

Supõem a maior percentagem dos acidentes de trânsito na estrada.

A causa é voluntária embora o resultado não se pretenda nem se queira.


Imprudências.

Factores que intervêm nestas infracções:


- Afã de notoriedade
- Despreocupação
- Falta de atenção
- Espírito festivo
- Ignorância das normas de circulação ou conceito erróneo delas
- A própria incompetência
- A soberba, etc.

Normas de circulação infringidas com maior frequência e que dão lugar a


acidentes de trânsito.

Velocidade, ultrapassagens, distância de segurança, prioridade de passagem,


iluminação e sinalização, mal uso da estrada, etc.

Acidentes por defeitos psicofísicos

Doenças que porta consigo o condutor do veículo no seu corpo ou mente e que
afecta o domínio que possa ter sobre os comandos do veículo.

Outro tipo de acidentes por alcoolismo ou toxicomania.

Acidentes por sono, cansaço, rotina, etc.

- Situações de fatiga em geral


- Escassez de horas em condução
- Descansos inadequados prévios à viagem
- Refeições copiosas
- Rotinas por monotonia do trajecto
- Má ventilação do veículo
- Excesso de calefacção
- Música, etc.

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RECORDE:

O sono produz:
- Diminuição da capacidade de reacção
- Alterações motrizes
- Sonolência
- Distracções
- Alteração dos órgãos dos sentidos
- Alterações na percepção
- Alterações cognitivo - condutuais
-
A fatiga produz:
- Mudanças fisiológicas transitórias
- Deterioração na actividade útil
- Surgimento de estados pessoais desagradáveis.

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DENOMINAÇÃO

1.- PELA SUA SITUAÇÃO:


 Urbanos
 Interurbanos

2.- PELOS SEUS RESULTADOS:


 Mortais
 Com feridos
 Com danos materiais

3.- PELO NÚMERO DE VEÍCULOS


IMPLICADOS:
 Simples.
 Complexos.

4.- PELO MODO EM QUE SE PRODUZEM:


 Choques. Com elementos
fixos.
 Colisões.
1. Frontais
a) Central
b) Excêntrica
c) Angular.

2. Investida.
a) Perpendicular.
b) Oblíqua.
- Anteriores.
- Centrais.
- posteriores

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-19

3. Reflexas.
Colisões sucessivas.

4. Alcances.

5. Raspões.
- Negativos. (Mesmo
sentido)
- Positivos (Sentido
contrário).

 Saídas da via.
1. Com queda.
a) Campana.
b) Tonel.

2. Sem queda.
a) Salto.
b) Sem Salto.

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DENOMINAÇÃO

 Atropelo.
a) Peões.
b) Animais.
c) Bicicletas.
d) Motocicletas.

5. ACIDENTES COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS:


 Incêndios.
 Explosões
 Queda de usuários à estrada.
 Queda de veículos a leitos de
água.

6. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES:
 Segundo a hora do dia.
(Diurnos ou nocturnos)
 Segundo o dia. (Laborais ou
festivos, retorno, etc...)
 Segundo a actividade. (Saída
ou entrada pelo trabalho)
 Segundo o transporte.
(Matérias perigosas,
menores, escolares,
militares, etc..).

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A INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES

PREPARAÇÃO DO PESSOAL PARA A INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES.

CONCEITO: Investigar é analisar um acontecimento, relacionando os detalhes


e circunstâncias que concorrem no mesmo, para tratar de explicar a causa e
como se produziu esse facto.

O objectivo fundamental em todo processo de investigação é:


- Obter dados.
- Recolher informação.
- Deduzir conclusões.
- Tirar consequências

A investigação de acidentes deve conter os seguintes dados:


- Diagrama
- Declarações de testemunhas.
- Fotografias.
- Outros materiais e resumo de factos que possam servir de apoio a
conclusões e declarações.

Diferença entre informar e investigar:

Informação do acidente:
Consiste na obtenção e registo de dados de forma objectiva que permitam
conhecer as circunstâncias do acidente, tais como:
- Onde teve lugar o acidente
- Quando
- Quem eram as pessoas afectadas
- Lesões das vítimas
- Que veículos estavam implicados
- Estado dos mesmos
- Circunstâncias da via, etc.

Não inclui conclusões e opiniões sobre a causa, falta ou possível infracção dos
interessados, senão somente os dados essenciais de carácter meramente
objectivo.

Investigação do acidente.
É a obtenção e registo de informação para formar uma opinião ou explicação
de:
- Como sucedeu o acidente
- Por que sucedeu o acidente
- De quem foi a culpa

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-27

A investigação é, pois, mais ampla que a informação uma vez que não só
consiste em recompilar dados, senão em formar opiniões.
No geral existe sempre mais de uma circunstância ou condição causadora de
dito acidente. O acidente é a combinação de uma série de circunstâncias.

Importância da investigação.
Pela investigação pode-se acrescentar a identificação das condições que
tendem a estar associadas nos acidentes.

O Estado não se deve limitar a castigar ou corrigir, senão que deve actuar
activamente, realizando uma política adequada para evitar que os acidentes
aconteçam, para preveni-los. No entanto, só pode prevenir se conhece a
origem, se sabe por que se produzem os acidentes, se investiga.

Quem deve realizar a investigação


A tarefa de investigar um acidente pode recair em quase todos os membros da
Polícia de forma geral e no pessoal da Polícia especialista em matéria de
trânsito e segurança das vias de forma particular e específica.

Qualidades de um bom investigador


- Preparação especial
- Objectividade
- Ser positivo
- Adaptabilidade
- Comportamento adequado

Preparação especial
Para ter uma ideia clara do que deve fazer e como irá faze-lo.

Objectividade
Para resistir todo tipo de impulsos negativos acerca de pessoas, coisas ou
circunstâncias, considerando os factos e situações tal e como sucederam, sem
actuar com PARCIALIDADE.

Ser positivo
Perguntando de forma clara e específica e que estas sejam compreendidas.

Adaptabilidade
Saber adaptar-se às circunstâncias do acidente para obter a informação
quando e onde o condutor ou testemunha estejam melhor dispostos a prestá-
la.

Comportamento adequado
Correcção, educação esquisita, domínio pleno da técnica de investigação,
tranquilidade e sossego para controlar a situação.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-28

Fases da investigação
- Recolha de dados
- Estudo dos dados
- Reconstrução dos acidentes
- Causas que determinaram o acidente

Missão geral
Não se podem dar normas concretas toda vez que cada acidente é diferente,
que sirvam de orientação as seguintes:
a) Apresentar-se no lugar do acidente rapidamente.
b) Evitar que o acidente adquira maiores proporções.
c) Auxiliar aos feridos.
d) Obter e anotar dados.
e) Fazer uma ideia do ocorrido a fim de encaminhar a investigação de uma ou
de outra forma.

A ordem de actuação não tem por que ser rigorosa, muda-se de acordo com a
urgência de um tipo ou outro de acção e dependendo das circunstâncias.

Actuação ao tomar conhecimento do acidente


Perante uma chamada comunicando um acidente devem-se requerer aos
seguintes dados:
- Pessoa que chama
- Lugar desde onde realiza a chamada
- Dados sobre: lugar, hora, gravidade, etc.

Enquanto se desloca ao lugar indicado deverão ser feitas as seguintes


considerações:

1. Gravidade do acidente.
Dependendo desta deverá assegurar-se se foram solicitados ou não os
meios de auxílio, gruas, Tribunal, etc.

2. Volume do trânsito.
Evitando engarrafamentos e procurando tomar o caminho mais curto para
uma rápida chegada ao lugar.

3. Hora do dia (dia-noite)


Para adoptar as medidas apropriadas com o objectivo de sinalizar veículos
ou obstáculos.

4. Condução.
Sem alardes, com segurança. Ter em conta ao chegar ao lugar do acidente,
ou deixar perfeitamente estacionado o veículo oficial.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-29

Ao chegar ao lugar do acidente

PREMISSAS:

1. Preocupar-se de adoptar as medidas pertinentes para que a situação não


piore.

2. Manter em todo momento um controle da situação e regular segundo o caso


a circulação até que contem com pessoal auxiliar para tal; sinalizar os
obstáculos e veículos para que os que se aproximem possam detectar a
tempo as incidências na circulação.

3. Controlar o cenário do acidente evitando actos de roubo e pilhagem.

INTERROGATÓRIO DE CONDUTORES.

Os condutores como fonte de informação

PREMISSAS:

a) Localizar aos condutores. Tomar em conta na hora de se manifestar.

b) Problemas pessoais.
A capacidade do condutor em responder as perguntas com precisão está
influenciada pelo que este considera os seus problemas pessoais, que para
ele são o mais importante.

c) Racionalização.
O implicado, seguindo às vezes um inapto instinto de conservação,
encontra razões que justificam a sua actuação nos factos que motivaram o
acidente.

d) Evasão de responsabilidade.
Alguns dos que se sabem culpados tratarão de desorientar, dando
informação inexacta.

e) Amnésia retrógrada.
Que consiste na perda momentânea de memória devido à comoção. Muitas
vezes a perda de memória dos acontecimentos prévios ao acidente dura
quase o mesmo tempo da inconsciência depois do acidente. Por tanto
deve-se colocar em dúvida tudo o que conte sobre o sucedido pouco antes
da actualização do acidente.

f) Falta de observação.
Muitas pessoas não podem dar informação, simplesmente porque não
devem ter observado.

g) Quando e onde perguntar.


É fundamental fazer um plano para o interrogatório.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-30

Obtenção de informação das testemunhas


Localização das testemunhas tendo em conta:
- Procurar as testemunhas o mais rápido possível.
- Solicitar a sua colaboração no lugar do acidente.
- Observar a reacção das pessoas no lugar do acidente para encontrar
possíveis testemunhas.

Os factores que influem nas testemunhas podem ser:


- Sequelas produzidas pela magnitude do acidente.
- Problemas pessoais e desejos de permanecer no anonimato.
- Desejos de abandonar rapidamente o lugar.
- Reacção à colaboração por motivos diversos.
- Podem existir testemunhas exibicionistas.

Testemunha ideal
- É aquele que viu e ouviu algo importante.
- Está seguro de si mesmo e do seu relato.
- Não é fácil que deixe influenciar o seu ânimo nem se desconcerte nem
incluso quando é interrogado pelo Tribunal.
- Sabe-se expressar bem e lhe dirá com calma, clareza e precisão quanto
saiba e nada mais.
- Não tem interesse pessoal no acidente e presenciou o sucedido ao passar
pelo lugar.
- É muito raro poder encontrar ao TESTEMUNHO IDEAL, DEVEMOS
PROCURAR AO QUE MAIS SE ASSEMELHE A ESTA IDEIA.

Obtenção de informações dos passageiros.

PREMISSAS:
- Interrogar a todos os passageiros implicados, sobre tudo em acidentes
graves ou complicados.
- Averiguar o parentesco de cada passageiro com o condutor.
- Interrogar cada condutor e passageiro por separado.
- Averiguar o que os passageiros puderam ter visto

30
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-31

A VIA
Elementos intrínsecos que modificam a via.

Dos três elementos que intervêm no acidente é o mais estável e de mais alto
custo.

ESTRUTURA . Factores que a afectam e condicionam.

a) Intrínsecos:
- Constituição
- Percurso
- Sinalização

b) Extrínsecos:
- Condições atmosféricas
- Obstáculos
- Outro tipo de incidências de carácter temporal.

PAVIMENTOS. Tipos
- Rígidos.
- Flexíveis.

PAVIMENTOS RÍGIDOS. Características.


- BASE de betão.
- QUALIDADE: Transmitir esforços a distancia repartindo-os numa grande
superfície.
- DUAS CAMADAS: De betão de grande qualidade. Economicamente é caro
com reparações de elevado custo e dificuldade.
- BOM: Para trânsito intenso e pesado.
- Grande duração.
- Incómodo.

PAVIMENTOS FLEXÍVEIS. Características.


- Constituição: DUAS CAMADAS
- MATERIAIS: Com pouca resistência à tracção e, por tanto, a transmissão
das pressões se efectua de modo normal.

PAVIMENTOS. Constituição. Camadas.


- Pavimento.
- Base.
- Sub-base
- Camada anticontaminante
- Explanada melhorada.

ASFALTO:
- É a camada superior do pavimento
- Impermeabiliza o conjunto

31
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-32

- Está em contacto permanente com a atmosfera

A sua missão é:
- Resistir à acção mecânica dos veículos e os agentes atmosféricos

Base:
A sua missão é:
- Permitir suportar as acções mecânicas

Sub-base:
A sua missão é:
- REFORÇAR a acção da base.
- DRENAR as águas filtradas.

Camada anticontaminante:
A sua missão é:
- Evitar em terrenos argilosos que ascenda a argila para a sub-base e a
contamine.

Explanada melhorada:
A sua missão é:
- Oferecer à sub-base uma resistente explanada.

Constituição:
- Material com o que se fez o terrapleno ou que tenha ficado ao descoberto
uma vez efectuadas as operações de desmonte.

Aresta da explanada:
- Intersecção do talude do desmonte ou terrapleno com o terreno natural.

ASFALTO. Tipos.

O asfalto é de dois tipos diferentes:


- Atendendo à sua componente básica pode ser:
* De cimento
* De aglomerado
- Atendendo à separação dos áridos porosidade:
* Abertos: do 6 ao 12 % de porosidade.
* Fechados: do 2 ao 6 % de porosidade.

Pavimentos . Constituição
- Cimento ou aglomerado.
- Áridos.
- Liga betuminosa (asfalto, betumes ou alcatrão).

Áridos. Missão.
- Dar consistência à mistura.
- Permitir a maior aderência possível.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-33

- Resistência ao desgaste.

Áridos. Tipos: Espessura


- Gravilha
- Fino
- Filler: pó procedente da moagem
- Cimento: a sua característica é ser mais fino
- Macadame: é o árido actual, de 4 a 6 cm de espessura.

Liga betuminosa

MISTURA feita a quente a temperatura normalizada.


FINALIDADE: Conseguir a correcta dosagem e consistência proporcionando:
Coesão (película estanque, impermeável e elástica)
Aderência (propriedade de pegar entre si os áridos.
Produto betuminoso proveniente da destilação do petróleo (asfalto, betumes
asfálticos, etc.) e de matérias carbonosas (alcatrão).

- O alcatrão é mais adesivo que os asfaltos.


- O alcatrão tem uma maior tendência ao envelhecimento que os asfaltos.

QUALIDADES DOS PAVIMENTOS


- Uniformidade
- Rugosidade
- Impermeabilidade
- Drenagem

Uniformidade
- Não existem ondulações nem desníveis
- Estradas uniformes
- Os perfis longitudinal e transversal, diferem muito pouco do perfil teórico.
- Assegura conforto pelo usuário
- Diminui gastos de tracção
- Reduz desgastes dos pneus e da estrada

Rugosidade
Afecta:
- A estabilidade dos veículos
- A aderência longitudinal e transversal
- Depende dos ângulos dos áridos e dosagem da mistura
- O excesso na mistura produz menor aderência

Impermeabilidade
- Assegura a impermeabilidade das águas de chuva para evitar rachas na
superfície.

Drenagem
- Para evitar a formação de charcos na estrada e o famoso "acqua-planix" por
acumulação de água.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-34

- A maior quantidade de água sobre o pavimento, origina menor ADERÊNCIA


dos pneus, e por tanto, maior PERIGO.

CONDIÇÕES DA SUPERFÍCIE DO PAVIMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE


PODEM CHEGAR A MODIFICÁ-LO.

a) Condições negativas na execução ou construção


b) Desgastes
c) Fendas
d) Lombas
e) Lancis
f) Bordos da estrada
g) Margens
h) Considerações ou observações finais

Pavimentos por má execução ou mau projecto da extensão do pavimento.

Causas do fracasso
- Cimentação insuficiente.

Consequências
- Gretas.
- Deformações (mais das exigíveis).
- Os Agentes atmosféricos aceleram o desgaste e produz-se a ruína do
pavimento.

Má composição granulométrica
Consequências:
- Pavimentos pouco resistentes

Desagregação por:
- Falta de resistência
- Capacidade de duração

Excesso da mistura (composto)


Consequências:
- Oscilação da massa por demasiada plasticidade
- Aparição de gretas
- Desagregação do pavimento

Aquecimento inadequado dos áridos ou do betume


Consequências :

Gera por excesso


- Perda das suas peculiaridades aglomerantes

Gera por defeito

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-35

- Pavimentos demasiado plásticos e como tal pouco aderentes.


O frio ou a chuva durante a execução.
- Fazem um pavimento pouco compacto ou resistente

DESGASTE
- Com o decorrer do tempo
-
Estradas mais propensas ao desgaste:
- Estradas de montanha (geladas)
- Estradas submetidas ao Trânsito Pesado
- Estradas com mais explanações

A cor dos aglomerados asfálticos indica:


- O mais escuro, quase negro nos indicará UMA CAMADA RECENTE.
- O mais branco-azulado ou acizentado, indica-nos que leva VÁRIOS ANOS
DE RODAGEM.

A classificação que costumamos utilizar na investigação de acidentes para


classificar os pavimentos é a seguinte:

BOM:
- Bom aspecto com áridos bastante angulosos.

REGULAR
- Bom aspecto com áridos gastos e redondeados.
- Deficiências na sua contextura.

MAU ESTADO
- Pedras totalmente desgastadas
- Buracos
- Fissuras notórias
- Ondulações, etc.

Fendas ou rodagens. Circunstâncias negativas para o pavimento.


- Perda de controle ou aderência.

Vantagens para o investigador:


- São facilmente identificáveis para os investigadores por permanecer depois
da actualização do acidente.
- São perigosos a altas velocidades.

Inconvenientes das FENDAS LONGITUDINAIS.


- Actuam como carris.
- São perigosos se se têm que esquivar.
- De não se contar com ângulo suficiente de saída constituem perigo ao
saltar por eles.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-36

Em FENDAS ou TRILHOS de mais de 8 cm. de profundidade e pisados em


ângulo especialmente em veículos que patinam sobre pavimentos rígidos e
compactos costumam-se produzir tombos.

Buracos ou lombas. Circunstâncias negativas que afectam ao pavimento.


Os buracos e lombas cuja longitude é superior a 30 cm. e largura superior à do
pneu contribuem para o desenvolvimento do acidente.

Uma série de pequenos buracos ou lombas em linha podem produzir uma


vibração suficiente para que o veículo perda o controle.

Tábua de lavar.
É uma série de buracos e lombas contínuos. Vão fazendo ondulações ou riços
nas estradas.

A lomba isolada constitui maior perigo.

Lancis. Medianas centrais de cimento.

Os lancis actuam como fendas. Os pneus ao embater contra um lancil em


ângulo, deixam marcas nos pneus e roços nos lancis.

Os roces nos lancis constituem marcas importantes para determinar o lugar da


saída da via.

A roda que tropeça primeiro contra lancil ou mediana, deixará uma marca de
ROÇO mais visível.

No pneu sucederá o mesmo uma vez que ao ser o primeiro que tropeça o fará
com maior violência.

Os lancis são com frequência CAUSA DE TOMBO OU PERDA DE CONTROLE


DO VEÍCULO.

Medianas centrais. Ao ser investidas por um veículo obrigam este a sair


despistado para a margem direita.

Bordos da estrada.
Denominam-se ESCALÕES LATERAIS costumam ser ``factor do acidente``.

Em muitas vias encontramo-los situados em plano superior às margens.

Têm importância quando a margem está a mais de 10 cm. por debaixo do nível
do pavimento da estrada. São mais perigosos os situados em superfícies de
betão com um perfil recto.

Margens
Margens moles podem produzir:
- perda de controle

36
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-37

- tombos
- travagens bruscas

Os acidentes nas margens moles estão relacionados na maioria dos casos com
FALHAS DO CONDUTOR.
Os giros bruscos produzem tombos ao fazer as rodas dianteiras fendas nas
margens moles.
As margens moles são perigosas a velocidades altas.

O Percurso.
O percurso de uma via é a sua configuração geométrica.

O percurso considera-se:
- em planta
- em perfil
Percurso em planta (a vista de pássaro)
- largura
- divisão e número de carris
- forma e tipo da via

Percurso em perfil (permite conhecer primordialmente a magnitude em


sentido vertical)
- verticalidade
- pendentes
- elevações
- rasantes

Tipos de acidentes nos quais o percurso tenha uma certa influência.


- Saídas da via em curva por velocidade inadequada
- Saída da via por monotonia
- Colisões em investidas nos cruzamentos.
- Choques em estreitamentos
- Colisões frontais por adiantamentos em mudanças de rasante

Condições do percurso que aumentam o risco de modo notável


a) Intersecções ou cruzamentos
b) Curvas
c) Mudança de rasante
d) Rampas e pendentes
e) Estreitamentos

Curvas. Elementos que intervêm no seu molde


- O `` desenho`` das curvas por veículos largos.
- A Sua visibilidade que pode ser, boa, escassa, reduzida.
- A estabilidade ( tendo em conta o efeito da força centrífuga).

Força Centrífuga.
É aquela pela qual um corpo tende a afastar-se da curva que descreve no seu
movimento e seguir pela tangente.

37
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-38

Força com que uma massa, que percorre uma circunferência, reage contra a
força centrípeta que lhe obriga a percorrer dita circunferência.

A força centrípeta é a que faz mover o veículo na trajectória curva que se vai
desenhando com a direcção, e a força centrífuga é a que trata de obrigar-lhe a
sair pela tangente da curva.

O Peralte (elevação do arco da curva).


O peralte assegura uma melhor repartição do peso sobre a estrada e dá ao
condutor uma impressão satisfatória, que lhe evita a tentação de ``tomar a
corda``.

O peralte será maior quanto menor for o raio da curva.

Uma curva tem peralte quando a estrada está mais elevada no exterior que no
interior.
As curvas de nível ou sem peralte são mais perigosas.

O peralte invertido existe quando o interior do centro da estrada está mais


elevado que o exterior.

Elementos perigosíssimos no percurso de uma curva.


- Curvas isoladas de pequeno raio rompendo a homogeneidade do percurso.
- A união sem alinhamento intermédio, de duas curvas com a concavidade no
mesmo sentido e de raios diferentes.

Mudanças de rasante.
- São tão perigosas os de pequena como os de grande quota.
- Afectam principalmente á visibilidade e com tal a manobra de adiantamento.
- Os acidentes nestes percursos são na maioria dos casos graves.
- Dão-se com frequência acidentes por alcance a veículos lentos (bicicletas,
tractores agrícolas, veículos de tracção animal, etc.)

Rampas e pendentes.
a) Necessidade de continuada energia de freio para camiões que pode
incidir em desgastes e alterações das suas possibilidades mecânicas.
b) Incremento inadequado da velocidade por parte de condutores
inexperientes.
c) As rampas convertem os veículos pesados em lentos, com possibilidades
de alcance.
d) Carris para veículos lentos mal construídos.

Tipos de estreitamentos.
a) de fabrico
b) por obras
c) Outros

Estreitamentos por obras de fábrica

38
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-39

- Pontes
- Esgotos
Os acidentes do tipo são raspões positivos contra veículo ou parapeito e
choques contra a mesma.

Estreitamento por obras. Circunstâncias negativas.


Também no pouco respeito dos condutores por este tipo de sinais. Igualmente
se observa que muitas obras na estrada uma vez finalizadas deixa-se de
recolher a sinalização.

Outros estreitamentos
São em geral os que se devem a fenómenos extraordinários.
- Desprendimento.
- Queda de cargas.
- Acidentes prévios.

O AMBIENTE

Condições atmosféricas.
Transformam por completo as características da via. Condições atmosféricas
negativas para a circulação:
- Neve
- Gelo
- Chuva
- Nevoeiro
- Escuridão
- Outras

Neve
Acidentes de pouca gravidade ao circular a velocidades curtas.
CAUSAS DOS ACIDENTES:
- Velocidade inadequada, falta de perícia e outras eventualidades.
SITUAÇÕES DE MAIOR PERIGO:
- Durante a noite
- Situações de escassa circulação
- Rampas e pendentes
- Neve com o sol brilhante. Produz encadeamento e cansaço no condutor.

Gelo. Circunstâncias negativas


- Menor factor de aderência que o da neve.
- Maior perigo pelo inesperado da sua aparição.
- Acidentes de maior gravidade os produzidos quando se circula a maior
velocidade e se vêm os usurários surpreendidos pelo inesperado do
sucesso.
- Tanto a neve como o gelo afectam a visibilidade dos sinais verticais e
horizontais.

Chuva. Circunstâncias negativas.

39
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-40

- Perigosa para a visibilidade dos condutores


- Diminui a aderência
- Modifica o reflexos dos sinais, com maior incidência durante a noite.
- Grande quantidade de água pode chegar a produzir "acqua planning", isto
consiste numa perda total de contacto do pneu com o pavimento, devido e
motivado pela perda de aderência ao formar-se entre ambas superfícies
uma espécie de película derrapante.

Dificuldades para o investigador.


Variação das condições à sua chegada ao lugar dos factos.
PREMISSAS:
- Fazer constar se funcionava o limpa-pára-brisas.
- Fazer constar o desenho do pneu.

Nevoeiro. Circunstâncias negativas.

- Reduz-se sensivelmente a visibilidade por frente e por trás.


- Aproxima o PPP ao PC aumentando o risco.
- Dificuldade para divisar peões, ciclistas, motocicletas, etc.
PREMISSAS:
- Comprovar o sistema de iluminação e se o levava em funcionamento.
- Determinar posição chave de luzes.
- Adopção urgente de medidas de sinalização.
A velocidade adequada nestes casos será aquela que permita deter ao
veículo perante a eventualidade previsível.

Escuridão. Circunstâncias negativas.

A gravidade dos acidentes durante a noite é maior por:


- Diminuição da visibilidade e do campo de acção do condutor.
- Diminuição, por tanto, do espaço de manobra, e da distância entre o PPP e
o P de conflito.
- Imperceptibilidade de determinadas eventualidades, tais como situação na
estrada, de peões, animais ou objectos.
- Maior velocidade de impacto por não fazer nada e nenhum tipo de
manobras evasivas perante as eventualidades não percebidas.

PREMISSAS:

- Comprovação dos sistemas de iluminação em especial ou que corresponda


a veículos lentos ou veículos detidos.
- Comprovar se os condutores ou peões apresentam defeitos de visão.

Outras causas negativas

Vento. Circunstâncias negativas.


- Fortes ventos que fazem com que os veículos ligeiros com reboque sejam
propícios a quedas.

40
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-41

- Que as motorizadas percam estabilidade.


- Os ventos que tem força de furacão produzem acidentes por causa de força
maior.

Correntes de água. Condições negativas.


- Cheias, produzem "acqua-planing".
- Costumam produzir acidentes por causa de força maior.

Obstáculos.
- Ocasionados pelo contorno por onde percorre a via. Estão dados pelo
homem e a natureza.

OBSTRUÇÕES VISUAIS

Obstáculos que se situam diante da vista do condutor que lhe impedem ver o
que existe detrás.

PREMISSAS:
- A escuridão que afecta de forma negativa nas obstruções visuais.
- Saber diferenciar ``obstrução visual`` de ``visibilidade reduzida``.
- A visibilidade reduzida é originada habitualmente pela escuridão.
- A obstrução visual é geralmente motivada pela presença de um obstáculo.
O perigo está por trás do obstáculo.
Tipo de obstáculos que podem causar obstrução visual ou teor da sua má
situação.
- Cartazes publicitários
- Pequenos edifícios
- Carros estacionados
- Postes
- Árvores ou grupos de árvores
- Obstruções visuais verticais
- Cumes, pontos elevados
- Colinas
- Pontes
- Mudanças de rasante
- Configuração da estrada
- Depressões no terreno

A escuridão afecta de forma negativa perante estas obstruções visuais.

ENCADEAMENTOS. Circunstâncias negativas.


- É uma circunstância negativa que não permanece e por tanto difícil de
investigar.
- Determinar se existe possibilidade ou probabilidade.
- Os veículos que ofuscam costumam desaparecer do lugar e é muito difícil a
investigação acerca dos mesmos.
- Costuma-se alegar encadeamento para mascarar as falhas do condutor.
- Os encadeamentos costumam-se produzir em estradas estreitas.

41
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-42

Tipos de Encadeamentos
- Encadeamentos por projectores ou faróis de automóvel
- Encadeamentos por luzes fixas
- Encadeamentos pelo sol

Causas de encadeamentos por luzes fixas ou por reflexo.


- Iluminação pública das vias
- Anúncios luminosos
- Luzes projectadas sobre a via, desde outros pontos, etc.

42
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-43

O VEÍCULO COMO FACTOR DO ACIDENTE

INTRODUÇÃO

O veículo é dos três elementos que se integrante num acidente, o que em


menor medida participa como factor.

O factor veículo contribui em menor medida como elemento, factor ou causa


nos acidentes entre outras causas porque:
- Introduziram-se melhorias técnicas no seu desenho e construção.
- Existe uma grande competitividade no sector automóvel.
- Pela Regulamentação de controle dos elementos mecânicos por parte das
Administrações.
- Aceitando que o veículo seja o elemento que menos contribui como causa
nos acidentes, não se deve esquecer que joga um papel muito importante
na magnitude dos danos produzidos às pessoas e coisas.

Circunstâncias negativas à hora de realizar uma investigação sobre a


participação do veículo como factor do acidente.
1) A sua elevada tecnologia
2) Falta de preparação do pessoal investigador
3) Escassos conhecimentos mecânicos do pessoal
4) Falta de informação tecnológica sobre veículos de motor
5) Dificuldades práticas e legais à hora de determinar as deficientes condições
de segurança do veículo.

SEGURANÇA DO AUTOMÓVEL. Segurança activa e Segurança passiva.

INTRODUÇÃO.

Quando ao princípio dos nossos estudos falamos da segurança do automóvel o


fazíamos de forma geral, dizendo que na segurança do automóvel intervinham
ELEMENTOS DE SEGURANÇA ACTIVA E ELEMENTOS DE SEGURANÇA
PASSIVA.

Segurança Activa
É composta por aqueles elementos que exercem a sua função enquanto que o
veículo está circulando e podem ser manejados à vontade do condutor e cuja
função essencial é ``evitar o acidente``.

EXEMPLOS:
- Sistema de iluminação
- Sistema de travões
- Sistema de direcção
- Limpa-pára-brisas
- Espelho retrovisor
- Pneus

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-44

- Etc.

Segurança activa é: conjunto de condições técnicas que contribuem para evitar


ou minimizar os actos e comportamentos inseguros do condutor.

Se anteriormente quando falávamos de elementos de segurança passiva nos


veículos dizíamos que estes só desenvolviam a sua função no momento do
acidente, contribuindo para paliar as consequências do mesmo (diminuindo os
danos materiais e pessoais) e destacávamos dentre eles:
- Cintos de segurança
- Apoia-cabeças
- Âncoras de assentos e cintos
- Air-bag
- Assentos especiais para crianças
- Salientes internos do veículo
- Capacete de protecção para motoristas, etc.

Agora e do mesmo estudo anterior convém afirmar que SEGURANÇA PASSIVA


é:

Conjunto de condições técnicas que têm como finalidade evitar ou


minimizar os danos produzidos a pessoas ou coisas transportadas no
veículo, ou com as quais este pode ter relação quando tem lugar um
acidente.

Entre os factores mais importantes da Segurança passiva destacam-se:


- Capacidade para suportar impactos (crashworthinen)
- Retenção de ocupantes
- Superfícies exteriores
- Superfícies interiores
- Pára-brisas
- Prevenção do risco de incêndio.

Sistemas de controle de veículos


Os sistemas sobre os quais actua o condutor para controlar o veículo.
- Aceleração
- Travões
- Direcção.

SISTEMAS ANTI-BLOQUEIO ABS

O ABS é uma inovação técnica na Segurança Activa dos automóveis que,


fundamentalmente, tem como objectivo impedir que as rodas se bloquem
perante uma situação persistente do condutor sobre o sistema de travagem.

Essencialmente consiste:

44
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-45

Numa unidade de controle que recebe informação de um captador, geralmente


tacométrico, situado em cada roda.

A unidade de controle verifica o valor da redução da aceleração angular em


caso de travagem e quando esta ou a velocidade adquirem valores que
indicam que o ponto de bloqueio está próximo, actua sobre os cilindros de freio
da correspondente roda, diminuindo a pressão e, por tanto, o par de travões, a
um valor inferior ao que produz o bloqueio.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-46

Que tem vindo a solucionar


Quando as rodas de um veículo se bloqueiam, como consequência de uma
travagem muito severa, toda a capacidade aderente no contacto pneumático do
pavimento "consome-se" na direcção longitudinal, como consequência, produz-
se praticamente uma perda total de aderência em sentido lateral, pelo que
qualquer acção sobre o veículo nessa direcção (força centrífuga em curva,
vento lateral, etc), fará com que se desloque lateralmente.

O movimento lateral de um veículo como consequência de actuar sobre este,


forças laterais depois de um bloqueio de rodas, costuma ser perigoso.

Que eixos são mais perigosos na hora de um bloqueio de rodas.

Veículos de dois eixos:


- É mais perigoso o bloqueio do eixo traseiro que o do eixo dianteiro.
- Em caso do bloqueio do eixo traseiro de um veículo de dois eixos pode-se
produzir o efeito denominado "cabeça-cola" com giro total do veículo com
respeito a um eixo perpendicular à estrada, num processo instável da
direcção que o condutor não pode controlar.

Veículo tractor com semi-reboque:


O perigo potencial de maior a menor dá-se perante o bloqueio de:
- Eixo traseiro do tractor
- Eixo do semi-reboque
- Eixo dianteiro do tractor.

No caso de bloqueio das rodas traseiras do tractor (composição Tractor-semi-


reboque), ambas partes tendem a "dobrar-se" uma sobre outra.
- A este comportamento dá-se-lhe o nome de "efeito navalha ou tesouras".

Vantagens do sistema
a) A SUA ELEVADA FIABILIDADE.
Caso de avaria no sistema não influi no sistema convencional e vice-versa.
Uma avaria na instalação normal não afecta ao circuito de ABS.

b) CAPACIDADE DE MANOBRA DO VEÍCULO.


Perante uma situação de conflito, ao não se bloquearem as rodas podemos
girar e evitar os obstáculos.

c) MELHORIAS NOTÁVEIS NO COMPORTAMENTO DOS PNEUS, sobre


superfícies de pouca aderência (gelo, neve, água, gravilha, etc.)

d) CONSERVAÇÃO DA MANEABILIDADE DA DIRECÇÃO em caso de que as


rodas de um e outro lado pisem superfícies diferentes e se tenha
necessidade de travar, ao se dispor de controle de bloqueio individual para
cada roda.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-47

e) REDUÇÃO DAS DISTÂNCIAS DE TRAVAGEM de modo especial em solos


de baixa aderência.

f) REDUZ SENSIVELMENTE o desgaste dos pneus.

g) PERMITE a travagem em curvas.

INCONVENIENTES DO SISTEMA
É importante destacar que não apresenta nenhum tipo de inconvenientes
graves para o usuário, mas sim para o investigador de acidentes, porque ao
não deixar marcas de deslizamento, é mais difícil calcular a velocidade do
automóvel que possui a instalação do referido sistema.

DISTÂNCIAS DE TRAVAGEM
FACTORES que intervêm:
- Aderência do pavimento
- Pressão de travagem
- Estado da estrada
- Carga
- Pendente da estrada
- Velocidade, etc.

Está demostrado que a distância de travagem num veículo dotado de ABS, é


inferior à do sistema convencional.

MARCAS

Os veículos dotados de ABS não costumam deixar marcas de


deslizamento apreciáveis sobre o pavimento.

Em casos de pavimentos de grande aderência e com um pneu em bom


estado, observa-se ao culminar a trajectória o sombreado denominado
“raspagem de pneu” produzido por desprendimento ligeiro de partículas de
borracha do pneu que se aderem ao pavimento, sombreado que é idêntico ao
que se produz nos sistemas convencionais no início do bloqueio da roda.

Em superfícies com ligeira sujidade do pavimento, costuma-se produzir o


efeito denominado “marca por varredura” o pneu desliza sobre este e faz o
efeito de um varrido.

Em caso de que entre a escultura dos pneus se levem pedras


incrustadas, produzirão fendas ou arranhões longitudinais.

COMPORTAMENTO DINÂMICO DO VEÍCULO.

ASPECTOS:

A) Dinâmica longitudinal.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-48

B) Dinâmica transversal.

Dinâmica longitudinal

Produz-se nos processos de aceleração e travagem.

Na aceleração desde o ponto da segurança exige-se:

- Potência suficiente para poder acelerar num breve espaço de tempo


com o objectivo de poder realizar rapidamente: Manobras de
emergência-escapar de situações perigosas-minimizar os tempos de
adiantamentos etc...

RESPECTIVAMENTE AO SISTEMA DE TRAVAGEM EXIGEM-SE


MELHORIAS PARA:

- Aumentar a capacidade de travagem.


- Minimizar a distância de travagem.
- Aumentar a estabilidade do veículo em travagens bruscas.
- Sistemas mais fiáveis evitando que uma avaria fortuita os inutilize.
- Instalação de travões de disco.
- Duplo circuito.
- Protecções e detectores de avaria em sistemas hidráulicos e pneus.
- Sistemas antibloqueio.

A dinâmica transversal

“Afecta ao comportamento lateral do veículo, ou melhor à


ESTABILIDADE DIRECCIONAL.”

Caracteriza-se porque é uma alteração capaz de desviar a


trajectória prevista pela direcção de um veículo .

Em caso de perda de estabilidade e movimento lateral, de alto


risco, combinam-se os sistemas de dinâmica longitudinal e transversal .

- A estabilidade ou instabilidade do veículo influi notavelmente na sua


segurança.
- Em geral manifesta-se:
Em giros.
Por acção do vento lateral.
- No comportamento da dinâmica transversal ou estabilidade
direccional intervêm:

Os pneus, tipos, pressões de ar, possíveis deficiências entre pneus


de um mesmo eixo e entre diferentes eixos.

Desenho e componentes da suspensão.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-49

Barras estabilizadoras.

A posição do centro de gravidade e a sua capacidade de poderem


ser alterados com a carga.

Os desenhos aerodinâmicos.

PNEUS.

GENERALIDADES.-

O pneu é o elemento do veículo que faz contacto com a via.

Órgão vital mais influente na génesis do acidente.

Elemento que proporciona conforto nos veículos.

Elemento do automóvel que mais progressão técnica tem tido nos


últimos anos.

ESTRUTURA

- Roda.
É o conjunto formado por:
Janta, coberta e outros elementos (que podem concorrer ou não
dependendo do tipo de roda).

- Janta.
É o elemento metálico que mediante um perfil adequado,
suporta e serve de apoio à coberta unindo-a ao veículo. Vem definida
pelo seu perfil.

Perfil da janta. Elementos.

PESTANA. Nela se apoia o talão da coberta.


ASSENTO. É a parte da janta sobre a qual se apoia a base do
talão da coberta. Pode ser plano ou inclinado.
LARGURA DA JANTA. É a distância compreendida entre os dois
vértices formados pelos assentos do talão e as pestanas.

- Coberta .
É a parte mais resistente do pneu, e está formada por :

CARCASSA, BANDA DE RODAGEM, OS TALÕES E OS


FLANCOS.

CARCASSA: Suporta a pressão de ar e os esforços exteriores do


pneu.
Composição:

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-50

Exterior revestido de borracha.


No interior da borracha vão embutidas várias camadas de tecido.
Número de camadas de acordo com o tipo de coberta e o fim que se dê
a esta.
Capacidade de carga. Depende de:
Número de camadas.
Disposição das camadas.
Resistência das camadas.

BANDA DE RODAGEM. Zona que contacta com o solo e


assegura a aderência do veículo à estrada, independentemente do
estado do pavimento e permite a transmissão dos esforços de tracção
e travagem evitando os deslizamentos.
Proporciona ao pneu as seguintes características:
Aderência
Tracção
Resistência ao desgaste
Perfil. Pelo qual se transmite ao terreno todas as forças periféricas.

TALÕES. Permitem que a cobertura se ajuste à janta metálica.


Isto se consegue mediante a montagem de aros de aço, que impede à
coberta estender-se.

OS FLANCOS. Estão situados entre os talões e a banda de


rodagem.
Missão: encarregam-se de absorver todo tipo de flexões, tanto
verticais como laterais.
Da sua maior ou menor rigidez dependerá o grau de conforto.

Os pneus sem câmara de denominam ``Tubeless``


Os pneus com câmara são os tradicionais.

Vantagens do pneu tubeless.


Em caso de furos a perda de ar é menor nestes pneus.
Tem maior facilidade de montagem.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-51

Nomenclatura de algumas partes da coberta.

ESCULTURA. Desenho que apresenta a banda de rodagem.


ESTRUTURA DA COBERTA. Parte interior da mesma e pode ser
diagonal, diagonal cinturada e radial.
Estrutura diagonal. Características. A sua carcassa composta por
várias lonas superpostas e cruzadas.
Estrutura diagonal cinturada. Características. Carcassa composta
por várias lonas superpostas e cruzadas à que se acrescentam as duas
outras lonas de armação.
Estrutura radial. Características. Consta de uma só lona de
carcassa com aros circulares com lona de armação na cimeira com o
qual se consegue que o flanco e a banda de rodagem sejam
independentes.

Marcas identificativas das cobertas.


Dimensões
Características
Matrícula (algumas marcas)
Medidas (três cifras em mm. ou duas cifras em polegadas, a
primeira cifra indica a espessura da coberta, a segunda indica o
diâmetro entre talões ou diâmetro nominal).
As letras indicam determinadas características das cobertas.
A palavra `` tubeless`` indica sem câmara.
A palavra ``revogável`` indica que é apta para o recauchutado.
Radial deve levar letras ``s`` ou ``x``.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-52

Funções e peculiaridades técnicas das rodas.

As rodas mantém o contacto do veículo com o solo, e exercem as


seguintes funções:
Contribuem para o conforto, onde participam em certa medida na
amortização.
Suportam o peso do veículo. Daqui que todos os veículos não
devem levar o mesmo tipo de pneus, em especial, os flancos devem-se
diferenciar uma vez que são os receptores directos da carga.
Transmitem os esforços de tracção.
Dirigem o veículo e o mantém na trajectória pretendida pelo
condutor.
São os que transmitem a força de diminuição de velocidade ou
travagem, transformando em roce dita energia de freio.
Participam na sujeição do veículo perante a tendência do mesmo
em se sair das curvas devido à força centrífuga.

Aderência dos pneus.

A melhor aderência do pneu com o pavimento depende:

Tipo de pneu
Estado do pneu
Estado de pavimento.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-53

Força de roce. É a que empurra ao pneu contra o pavimento e se


descompõe em dois:
- Força de histéresis
- Força de adesão.

Histéresis. Força que impede que um corpo elástico, neste caso


a borracha do pneu, recupere a sua forma inicial depois de terminar o
esforço que a deformou, pelo que persiste uma pequena deformação
que facilita um maior roce ao se recuperar da deformação de forma
progressiva.

Adesão. Fenómeno de tensão entre duas superfícies em


contacto, onde as moléculas estabelecem relação entre si ( tipo
eléctrico), de atracção.

É IMPORTANTE RECORDAR:

Que a adesão e a histéresis são os componentes do roce.


O roce mede-se por um valor denominado ``coeficiente de roce`` .
O coeficiente de roce indica-nos o grau de duas superfícies entre
elas.
Quanto maior é o coeficiente de roce maior será a aderência
existente, considerando que dito coeficiente sempre é relativo a duas
superfícies entre si.
Os coeficientes de roce vêm-se afectados pela qualidade do
pavimento.

Missões dos canais da escultura de um pneu

1) Refrigeração. Ao levar menos superfície em contacto com o


pavimento que um pneumático liso sem desenho.
2) Evacuação da água quando a estrada se molha pelos efeitos
da chuva.

Quando existe tal quantidade de água que ditos canais não sejam
capazes de evacuar, forma-se uma película entre o pneu e o pavimento
pelo qual se desliza o veículo sem controle. É o que se conhece como
efeito ``acquaplaning``.
O acquaplaning é mais perigoso em vias rápidas.

FLEXIBILIDADE

Eixos de flexibilidade do pneu:


- Vertical
- Transversal
- Longitudinal.
Conseguimos a flexibilidade vertical com um pneu de perfil mais
baixo (diminuição de altura com relação à largura do mesmo).

53
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-54

Também com enchimentos de ar inferiores.

Flexibilidade transversal. Movimento lateral dos exteriores do pneu


por sobrecarga aplicada no centro da roda e perpendicular ao plano da
mesma. Deriva.

Flexibilidade longitudinal. É a que se produz como consequência de


deslocamento para frente do eixo seguindo o sentido de avance da roda,
travagens, acelerações, etc.

Chama-se ``deriva`` de um pneu submetido a um empurrão lateral, à


variação de trajectória registada na rodagem como consequência de uma
deformação da coberta.

A influência da ``deriva`` na estabilidade do veículo é importante, se


consideramos a estabilidade como a capacidade do veículo para se manter na
trajectória mandada pelo condutor apesar das forças externas.

A deriva depende de :

- Força lateral
- Força centrífuga. ``É aquela pela qual um corpo tende a afastar-se da
curva que descreve no seu movimento e seguir pela tangente.

``Força com que uma massa, que percorre uma circunferência,


reage contra a força centrípeta que lhe obriga a percorrer dita circunferência.

A força centrípeta é a que faz mover ao veículo na trajectória curva que


se vai desenhando com a direcção, e a força centrífuga é a que trata de
obrigar-lhe a sair-se pela tangente da curva.

- Pressão de ar (A maior pressão maior deriva )


- A carga
- A velocidade
- A estrutura da coberta
- Largura da janta.

Maior ``deriva`` em eixo dianteiro que no eixo traseiro:


SUBVIRA

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-55

O subvirado produz-se nos veículos dotados de tracção dianteira.


Maior deriva no eixo traseiro que no eixo dianteiro, produz-se uma maior
instabilidade, o veículo:
SOBREVIRA
O sobrevirado produz-se nos veículos dotados de tracção traseira.

Importância das pressões de pneus.

Os pneus estão desenhados para que se estabeleça um equilíbrio entre


a pressão de ar, carga e resistência da carcassa.

Baixo enchimento de ar provoca:


Flexões exageradas na carcassa
Aumento da temperatura interna
Pode provocar rotura e deslocação das lonas
Reduz a possibilidade de recauchutagem
Rebaixa o rendimento Quilométrico
Aumenta o consumo de combustível
Maior desgaste nos lados exteriores da banda de rodagem
Perigo de inflamação nos pneus geminados ao se produzir acumulação de
calor por roce interno e externo.

Pneu super cheio:

Provoca sobre a carcassa, uma sobre-fatiga pela acumulação da tensão nas


partes inferiores.
Pode produzir roturas no tecido da carcassa.
Maior dureza e rigidez.
Perda de aderência.
Risco de cortes e furos.

Capacidade de carga dos pneus.

A capacidade de carga dos pneus corresponde-se com a pressão à qual


estão cheios de ar.
Pneu pouco carregado, apresenta menor superfície de contacto com o solo
(equivale a super-cheio).

Pneu sobrecarregado (baixa inflamação) desgasta-se muito mais rapidamente


pelos bordes.

Casos de necessidade do aumento da pressão de ar:

Rodagem por auto-estradas


Veículo muito carregado
Condução desportiva

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-56

Influência dos desgastes nos acidentes

Os desgastes na banda de rodagem influem em:

Aderência
Eficácia da travagem
Estabilidade nas curvas

A parte mais débil dos pneus são os flancos, os seus desgastes


costumam fazer com que os pneus arrebentem inesperadamente produzindo
consequências catastróficas.

O VEÍCULO COMO FACTOR


DO ACIDENTE - II -

O conceito normativo de acidente de trânsito.

1. Acidente de trânsito.

São objecto desta estatística os que reúnem as seguintes circunstâncias:

a) Serem dados, ou ter a sua origem, numa das vias ou terrenos objecto da
legislação sobre trânsito, circulação de veículos a motor e a segurança
das vias.

b) Resultar como consequência dos mesmos:


Uma ou várias pessoas mostras ou feridas.
Só danos materiais.

c) Estar implicado pelo menos um veículo em movimento.

2. Veículo implicado

56
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-57

Considera-se que um veículo está implicado num acidente de trânsito


quando concorrem uma ou várias das circunstâncias detalhadas a continuação:

2.1. Entrar o veículo em colisão com:


Outro ou outros veículos, em movimento, parados ou estacionados.
Peões.
Animais.
Outro obstáculo.

2.2. Sem ter produzido colisão, resultar, como consequência do acidente,


mortos ou feridos o condutor e/ou algum passageiro do veículo, ou ter
ocasionado só danos materiais.

2.3. Sem ter produzido colisão com o veículo este estar parado ou
estacionado de forma perigosa, de modo que constitua um dos factores
do acidente.

2.4. Sem o veículo ter sofrido directamente as consequências do acidente, o


comportamento do condutor ou de algum dos passageiros constituir um
dos factores que tenham provocado o mesmo.

2.5. Ter sido atirado o condutor ou um passageiro do veículo por outro no


momento em que subia ou descia dele, em cujo caso ambos veículos
consideram-se implicados no acidente.

3. Excepções.

3.1. Ter sido atirado o condutor ou um passageiro de um veículo por outro


quando já se afastava o primeiro em cujo caso só o veículo que efectuou
o atropelamento considera-se veículo implicado no acidente e o peão
atropelado.

3.2. Ter sido atropelado um peão que atravessa a estrada oculto por um
veículo parado ou em marcha, em cujo caso este veículo não se
considera implicado no acidente, ao menos que se encontre nalguma
das situações descritas no epígrafe 2.

4. Definições específicas.

Para os efeitos desta estatística, considera-se como:

4.1. Acidentes com vítimas: Aquele em que uma ou várias pessoas


resultam mortas ou feridas.

4.2. Acidente mortal: aquele em que uma ou várias pessoas resultam


mortas dentro das primeiras vinte e quatro horas.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-58

4.3. Acidente só com danos materiais: aquele em que não se ocasionaram


nem mortos nem feridos.

4.4. Vítima: toda pessoa que resulte morta ou ferida como consequência de
um acidente de trânsito.

4.5. Morto: Toda pessoa que, como consequência do acidente faleça no acto
ou dentro dos trinta dias seguintes.
O número de falecidos durante as primeiras vinte e quatro horas será
determinado mediante o controlo de todos os casos; o dos falecidos
dentro dos trinta dias será determinado, até ao momento em que esteja
plenamente garantido o controlo real de todos os feridos durante esse
período, aplicando a cifra de mortos a vinte e quatro horas o factor de
correcção que se deduza do controlo real de uma amostra
representativa de feridos graves, que, pelo menos cada quatro anos,
fará a Direcção Geral de Trânsito sob a supervisão do Conselho
Superior de Trânsito e Segurança da Circulação Vial.

4.6. Ferido: toda pessoa que não resultou morta num acidente de trânsito,
mas sofreu uma ou várias feridas graves ou leves.

4.7. Ferido grave: toda pessoa ferida num acidente de trânsito e cujo estado
necessita de uma hospitalização superior a vinte e quatro horas.

4.8. Ferido leve: toda pessoa ferida num acidente de trânsito à qual não se
pode aplicar a definição de ferido grave.

4.9. Condutor: toda pessoa que, nas vias ou terrenos que refere o epígrafe
1.1, leva a direcção de um veículo, guia animais de tracção, carga ou
sela, ou conduz um rebanho.

4.10. Passageiro: Toda pessoa que, sem ser condutor, encontra-se dentro ou
sobre o veículo.

4.11. Peão: Toda pessoa que, sem ser condutor, transita a pé pelas cias ou
terrenos aludidos no epígrafe 1.1.
Consideram-se do mesmo modo, peões os que empurram ou arrastam
um carrinho de bebé ou de inválido ou qualquer outro veículo sem motor
de pequenas dimensões, os que conduzem a pé um ciclo ou ciclomotor
de duas rodas e os inválidos que circulam ao passo numa cadeira de
duas rodas, com ou sem motor, assim como as pessoas que circulam
sobre patins ou outros artefactos parecidos pelas vias ou terrenos
descritos anteriormente.
São igualmente peões, as pessoas que se encontram reparando o motor
mudando pneus ou realizando outra operação similar.

58
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-59

O VEÍCULO COMO FACTOR DO ACIDENTE (II)

1.1. Recauchutado e Reesculturado.-

Pneu recauchutado é um pneu usado que foi recondicionado, mudando


unicamente a borracha da banda de rodagem. Admite-se a possibilidade de
fazer pequenas reparações na estrutura sob a borracha a substituir.
Pneu renovado é um pneu recauchutado no qual foram substituídos total ou
parcialmente as lonas que formam o cinto, sob a banda de rodagem.
A data de realização do trabalho de recauchutagem e da renovação devem
aparecer na parte destinada para o mesmo, encontrando-se este lugar onde
esta referência no mesmo lugar que a identificação do pneu.

Voltar a gravar os pneus é uma operação pela qual se elimina a borracha no


fundo das fendas da banda de rodagem do pneu usado, com o objectivo de
incrementar a sua profundidade. Esta operação só é permitida nos pneus onde
apareça, junto com a identificação do pneu, a palavra “REGROOBABLE”, não
podendo fazer-se noutros pneus que não tenham esta palavra.

ESTRUCTURA DO PNEU

A carcassa esta constituida por multiplas telas cruzadas diagonalmente, sendo


as peredes laterais e o piso solidarios.

Quando roda o pneu, as flexões são transmitidas ao piso, originando:


.Deformação da superfície de contacto com o solo.
.Fricções com o solo.
As f-orças que incidem sobre o pneu originam deslocamento das telas da
carcassa que originam:

- Desgaste mais rápido.


- Menor aderência.
- Consumo de combustível elevado.

59
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-60

Carcassa Radial + Cintura :


Uma ou mais telas com os cabos dispostos em forma de raios.

Composto de duas a quatro cintas dispostas de tal maneira que formam


uma malha triangular, portanto deformável, em sentido lateral e muito
flexível em sentido longitudinal.

A carcassa e a cintura acoplam-se fonnando a estrutura do pneu radial.

As paredes laterais e o piso trabalham independentemente

? O QUE NOS DA A TECNICA RADIAL ?

- Redução das deformações da superfície de contacto com o solo.


- Redução das fricções com o solo.
- Não existe deslocamento e.ntre telas da carcàssa.

Como consequência obtemos:


- Aumento de rendimento quilométrico.
- Melhoria da aderência.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-61

- Melhor estabilidade.
- Diminuição de consumo de carburante.
- Conforto e suavidade devido à grande flexibilidade vertical.
- Menor aquecimento do pneu.

PARTES DO PNEU
CARCASSA:
Estrutura flexível, formada por arcos rectos de aço ou fibras. Estes raios
cobertos com borracha, formam as telas da carcassa. .

As sua funções são:


- Suportar a carga e a velocidade com a ajuda da pressão de enchimento. .
- Participar na estabilidade
- Participar no conforto.
- Participar no rendimento.

ARCOS RECTOS

PISO

61
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-62

É a parte da coberta em contacto com o solo e está formada por uma grossa
camada de borracha na qual se praticam uma série de ranhuras que dão
origem ao desenho.

As suas funções são:


- Aderência em seco e em molhado.
- O rendimento quilométrico, resistência ao desga.ste e à forma irregular do
mesmo. - Baixa resistência na rodagem.
- Participar no conforto (sonoridade ao rodar)
- Participar na direccionalidade
- Estética.

AVANTAGENS DO RADIAL- TUBELLES


- Em caso de furo, o esvaziamento lento, o que permite na maioria dos casos,
chegar a um lugar de reparaçao.
- O conjunto é perfeitamente hermético com ausência de oxidação do interior
da janta .
- A montagem é mais simples

INCONVENIENTES DA MONTAGEM COM CÂMARA


Na montagem: risco de entalar a câmara

62
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-63

No enchimento: risco de baixo enchimento por bolsa de ar


Em caso de furo: perda de ar instantânea.

CODIGOS DE VELOCIDADE
Código de velocidade Velocidade em km/h
A5 25
E 70
F 80
G 90

63
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-64

J 100
K 110
L 120
M 130
N 140
P 150
Q 160
R 170
S 180
T 190
H 210
V 240
VR > 210
ZR < 240

EXEMPLO DE IDENTIFICAÇÃO DE COBERTAS

COBERTA: 185/70 R 14 82T MXT TL


MARCAÇÃO DOT: FH J6 E2E 210
FH: Código de Fábrica
J6: Código da dimensão
E2E: Código do tipo de pneu
210 : Data de fabricação (21 sem. 1999)

2. DESGASTES.-

2.1. Externos.-

O clima. O aumento de temperatura ambiental modifica a rigidez dos elementos


do pneu e origina perdas importantes de matéria. A humidade reduz o desgaste
(o vapor de água reduz a temperatura de funcionamento, mas são mais
susceptíveis aos cortes.

64
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-65

Revestimento da estrada. O tipo de pavimento influi no desgaste por acção da


força de fricção. Um pneu sobre pedrinhas desgasta-se, aproximadamente,
seis vezes mais que sobre asfalto liso.

Perfil da estrada. Provocam desgastes desiguais nos pneus por causa dos
perfis convexos que facilitam o escoamento de água.

Desenho. As curvas da estrada provocam maior desgaste pois a força lateral


que se produz nas curvas provoca deslizamentos transversais, transferências
de carga e flexões repetidas da carcassa.

2.2. Internos.-

Podem ser relativos ao veículo e ao condutor.

2.2.1.- Relativos aos veículos:

- Excesso de Carga. Cada pneu está preparado para suportar uma


determinada carga, quando levam sobrecarga os flancos sofrem em excesso e
aparecem rachas rapidamente. O resultado pode ser acidente por defeito
mecânico.

- Pressão de Enchimento. Tanto por excesso como por defeito o seu


rendimento não é o adequado.

- Veículo. Más direcções, montagens inadequadas, regras ou paralelismos


defeituosos geram desgastes anormais.

2.2.2. Relativas ao condutor:

- Velocidade. Uma excessiva e constante velocidade sem tomar em conta as


peculiaridades de construção do pneu, leva a um desgaste prematuro.

- Condução agressiva. Arranques e acelerações rápidas em semáforos,


travagens sucessivas e constantes, fazer curvas com grande velocidade geram
um desgaste muito rápido dos pneus.

- Estacionamentos. Parar o veículo roçando-o com as margens do passeio ou


apertar os flancos dos pneus, conduz à deterioração dos mesmos.

2.3. Segundo a zona ou lugar de substituição do desgaste, poderíamos


classifica-lo:

2.3.1. Na banda de rodagem:

a) Desgaste Normal-Rápido devido a:

- Estado, perfil e desenho da estrada (estrada de montanha).


- Velocidade e estilo de condução.

65
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-66

- Temperatura ambiente e clima.


- Cobertura não adequada ao veículo.

b) Desgaste Anormal-Rápido produzidos por:

- Perda de paralelismo dos pneus.


- Desajustamento dos órgãos de direcção de suspensão ou de travagem.
- Perda de paralelismos dos eixos.

c) Desgaste em dentes de serra provocado por:

- Má amortização ou suspensão.
- Mau enchimento.
Caracteriza-se porque cada taco de borracha apresenta uma aresta viva e
outra mais desgastada.

d) Desgaste crescente de um ombro a outro:

- Excesso ou contra carroçaria.

e) Desgaste “em cone” e “fundo” devido a:

- No primeiro caso existe baixo enchimento, no segundo enchimento a mais.

f) Desgaste em carril ou circular produzido por:

- Zona de desgaste circular que não afecta à totalidade da largura da banda


de rodagem.
- Pode ser devido a um roço anormal com determinada parte do veículo.

2.3.2. na parede lateral

a) Roço e desgaste circular:

- Roço contra margens.

b) Corte circular:

- Contacto permanente com alguma peça do veículo.

c) Fendas

- Envelhecimento, exposição ao ar livre, sobrecargas.

d) Objecto entre pneus:

- Costuma suceder em pneus gémeos, quando algum objecto não se retira


dentre os mesmos e percorre um longo trajecto.

66
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-67

e) Contacto com o solo:

- Acontece quando o pneu gira sem ar.

2.3.3. Outros.

Deterioração nos calços e nas válvulas devido a más montagens.


A má colocação de calços pode originar um corte no flanco que faz com que
arrebente o pneu. Um corpo estranho, aprisionado entre o talão e a janta,
também lesiona progressivamente ao pneu, arrebentado se no se corrige a
tempo o defeito.
A válvula em má posição ou desprendida pode ocasionar uma súbita perda de
ar.
A eleição de uma câmara indevida, pode provocar um esvaziamento repentino
que pode ser perigoso a velocidades elevadas.

EXAME DE PNEUS APÓS O ACIDENTE.

Os pneus podem contribuir para o acidente de duas maneiras: Quando o


desenho desapareceu, afectando com isso à travagem e à viragem e segundo
a perda de ar por rebentamento, furo, separação da banda de rodagem que
podem prejudicar a acção do condutor antes da produção da situação de
perigo.

3.1. Níveis da investigação.-

1.- Exame do pneu. Se temos razão para suspeitar que a perda de ar ou


rebentamento pode ter contribuído para o acidente, deve-se fazer anotações
dos seguintes dados:

a) Se o pneu encontra-se correcto, marque dita observação.


b) Se o pneu está sem ar, assinale dita circunstância acrescentando:
- Talão fora de sítio.
- Janta deformada.
- Buraco.
- Podem coexistir as três.

c) Enquanto o veículo se encontra levantado pela grua, comprovar e anotar as


seguintes observações:

- O pneu gira livremente.


- O pneu gira pesadamente.
- O pneu está bloqueado.

67
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-68

2.- Exame da estrada. Se pensamos que o pneu contribuiu para o acidente,


observe as marcas no pavimento.
Um pneu completamente vazio deve deixar uma marca muito irregular,
ondulada ou com interrupções.
Uma saída de ar de modo progressiva, pode-se observar uma marca estreita e
débil de um dos ombros ou cantos do pneu desde uma longa distância antes
do acidente.
A carência das citadas marcas não significa que não exista rebentamento ou
esvaziamento.

3.- Técnicas de investigação seguintes. O exame das rodas deve ser realizado
quando alguém responsável das partes implicadas, considera que um pneu ou
roda tenham influído na produção do acidente.

3.2. Etapas de investigação.-

A.- Descrição do pneu. Tipo, marca, número de série, veículo ao qual pertence,
lugar onde estava colocado em dito veículo, medidas do pneu, principais
características, pressão, medidas da janta e profundidade do desenho que
indica o desgaste.

B.- Observe e anote as anomalias no pneu e na roda.

C.- Especifique qualquer outra circunstância.

D.- Deduza quando aconteceu o rebentamento dentro do desenvolvimento do


acidente.

3.3. Registo do exame técnico do pneu.-

- Localização de anomalias. Existem dois métodos:

1.- Posição do pneu em relação a um ponto (geralmente toma-se o


número de série como referência). Coloca-se a série numeral ou o dado que
nos sirva de referência na parte superior (às 12 de um relógio), designe a
anomalia mediante uma letra e descreva a sua posição segundo a fora do
relógio que está situada. Podem localizar-se as anomalias na cara interior ou
exterior do pneu.

2.- Marcar um sinal num diagrama do pneu. (o mesmo sistema de


localização que o primeiro mas substituindo-se o número de série por um sinal
que o investigador põe no desenho do pneu).

3.4. Descrição das anomalias.-

A.- PNEUS:

68
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-69

1.- Fendas. É uma abertura com menos de um centímetro de diâmetro e com


variada forma.

2.- Corte. É uma abertura com margens uniformes e suaves e com a


possibilidade ou não de extremidades das cordas desfiados. Existem dois tipos
diferentes:

a) Corte feito mediante folhas de metal cortante, ou de outros materiais, como


vidro. Mais assinalado na parte externa que na interna do pneu, daqui que
frequentemente seja superficial. Mostra o interior ou margens, mas
raramente com separação de dobras ou lonas. Pode ter qualquer direcção e
ser comprido ou curto.
b) Rebentamento ou rotura das cordas em diagonal. Mais frequente no interior
que no exterior. As lonas estão sempre penetradas e às vezes, existe
separação de capas, mas raramente mostram o interior. Costumam
aparecer como um par de cortes cruzados ou formando ângulo em forma de
T ou X. Produz-se de repente na banda de rodagem ou no flanco por uma
pressão externa localizada (mordisco de pneu).

3.- Fenda Radial. Abertura de margens irregulares. Frequentemente mostram


cordas irregulares emaranhados e com finais desfiados. Com pequena perda
ou não de material. Superfícies irregulares e sem estrias. Geralmente
apresentam forma variável.

69
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-70

4.- Laceração. Aberturas rasgadas, áreas com material desfeito e abrasões


internas. Alguma capa ou lona separada e geralmente, cordas soltas e
desfiadas.

5.- Desgaste. Superfície lisa por perda progressiva de material sem estria nem
abrasões. Só acontece na banda de rodagem. As áreas desgastadas podem
estar esburacadas ou onduladas. No há perda de material.

6.- Abrasão. Áreas de superfície com estrias e outros signos de fricção ou


raspão. Pode estar muito áspero ou só ligeiramente desgastado. Pode
encontrar-se na parte interior ou exterior da superfície. Frequentemente
encontram-se próximas às do talão da janta.

7.- Queimaduras. Apresenta signos de calor ou carbonização, descoloração da


borracha, endurecimento ou das fibras da corda, bolhas na superfície. Não
existem estrias, existem quatro tipos de queimaduras:

a) Grande queimadura, de modo que o material do pneu foi consumido


completamente. Em casos extremos a única coisa que fica é o anel metálico
do talão.
b) Raspões ou bolhas superficiais, a parte externa do pneu foi afectada pelo
fogo próximo ou, por chamas indirectas.
c) Carbonização da borracha ou da corda queimada pela flexão a que se
submete o pneu após o esvaziamento ou quando a superfície se
desprendeu.
d) Fricção da banda de rodagem de modo tão intensivo que eleva a
temperatura até ao ponto em que a borracha muda de tom sem
aproximação ao fogo.

8.- Separação da superfície, a banda de rodagem (dificilmente os flancos) pode


separar-se do corpo do pneu. Nalgumas ocasiões, a superfície do material

70
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-71

forma uma borbulha ou elevação e o material desprende-se. As superfícies


separadas podem apresentar duas diferentes características:

a) Suave desgaste gerado pelos raspões ou fricção entre capas depois da


separação inicial e, nalgumas ocasiões, devido à exposição ou roço da
capa inferior após o desprendimento da superior.
b) Corda ao descoberto.

9.- Separação de capas. Separação entre capas ou dobras a mais de 6mm. da


margem. Pode ou não estar acompanhada de separação total de superfície.

10.- Raspadura. É sinal de que algum objecto fez pressão contra a superfície
enquanto o veículo avançava. Pode haver uma ligeira introdução, uma abrasão
superficial, estrias ou arranhões.

11.- Guarda-lama. Um pedaço de material de superfície não de todo


desprendida pode revelar uma anomalia importante. Pode ir acompanhado de
um pequeno buraco, um corte, rasgão ou separação de superfície. Não é a
separação de capas.

12.- Talão rasgado. Um sinal de que um ou mais anéis metálicos estão partidos
ou pelo menos torcidos; podem estar à vista ou não.

13.- Outras anomalias. Danos nas câmaras, remendos ou reparações,


reparação completa da banda de rodagem, etc.

A distinção entre as distintas categorias nem sempre é clara, por exemplo,


pode haver dificuldade para distinguir entre rasgão e laceração ou abrasão,
neste caso, duas ou mais categorias podem-se assinalar.
A profundidade da anomalia pode ser descrita suficientemente com uma das
três subdivisões:

a) Superficial: Não ficam expostos os aros ou anilhos das cordas. Pode ser
bastante profundo desde a banda de rodagem (que é grossa) ou muito
ligeira onde os flancos têm a borracha fina.
b) Penetrante: expõe dobras ou capas e aros metálicos.

71
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-72

c) Muito profundo, que se estende desde a parte externa à interior. Se não é


claramente visível, pode denotar-se introduzindo uma agulha ou
profundímetro para comprovar a sua profundidade. Às vezes as aberturas
internas e externas encontram-se ligadas, mas suficientemente afastadas
para não poder encontra-lo, embora o pneu perdesse ar.

O aparecimento da anomalia no pneu pode ser descrita por uma das quatro
características seguintes:

a) Circunstancial ou longitudinal. A grande dimensão da anomalia é paralela


geralmente à banda de rodagem ou à margem. O ângulo entre a dimensão
longitudinal e a margem da banda é menor de 20°.
b) Transversal ou radial. A dimensão longitudinal esta geralmente ao longo da
banda de rodagem ou do flanco. O ângulo com a margem é maior de 70°.
c) Oblíquo. A dimensão longitudinal não é nem transversal nem
circunferencial.
d) Não direccional. A largura e comprimento da anomalia são da mesma
identidade.

A forma da anomalia pode ser descrita mediante letras maiúsculas que sejam
similares à sua forma:

O.- Redondo ou irregular de forma, sem ramificações e claramente não


direccional.
I. - Largo e estreito sem ramificações e claramente direccional.
L. – Duas ramificações formando um ângulo obtuso (maior que um recto).
V.- Duas ramificações formando um acutângulo.
T.- Três ramificações, uma formando ângulo recto com as outras duas.
Y.- Três ramificações com iguais ângulos aproximadamente entre elas.
X.- Quatro ramificações.
U.- Rotura curva com os finais juntos.
C.- Rotura curva com os finais separados.

A localização da anomalia deve ser especificada segundo se encontre na


banda, no flanco, no talão ou por cima. Se a anomalia encontra-se em mais de
uma parte, deve-se anotar cada uma delas, indicando-se se é na parte interior
ou exterior. Se uma anomalia incide em ambas partes, anote-o.

B.- DEFORMAÇÕES DA JANTA. ABRASÕES.

72
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-73

Anote se a janta encontra-se deformada na parte interna ou externa e use três


medições para descrever a extensão da deformação.

Interna. A cara de contacto com a parte interior do veículo.


Externa. Virado para a parte de fora.
Afundamento máximo. O maior deslocamento radial devido à deformação.
Deformação axial. É o maior deslocamento do talão da janta de sentido lateral.
As abrasões. Podem ser estriadas, radiais, transversais ou oblíquas, com a
mesma catalogação que para as anomalias dos pneus.

C.- ANOMALIAS DAS RODAS.

Se a roda está torcida de tal maneira que bamboleia ao rodar.


Estado dos parafusos que prendem a roda ao veículo, assim como o estado
dos buracos onde vão colocados ditos parafusos (se estão deformados ou
aumentaram de tamanho, se estão dentados, etc.).
Temos que assinalar qualquer outra anomalia da roda como por exemplo,
válvula perdida ou danificada, corrosão, pedras, terra, ramos, etc.

3.5.- O que mostram as anomalias.-

As anomalias indicam determinadas circunstâncias. Uma anomalia pode


determinar mais de uma circunstância.
O descobrimento e descrição de anomalias é uma simples tarefa de busca, de
observação e de classificação, mas decidir o que indicam as anomalias, requer
uma análise profunda acerca do comportamento dos pneus e do veículo.
Outras circunstâncias, para além das anomalias devem ser consideradas.
Nalgumas ocasiões, uma indicação é clara e definitiva, outras vezes, só uma
possibilidade, ou talvez, duas possibilidades.
É praticamente impossível realizar uma lista de todas as anomalias e de todas
as combinações factíveis. Algumas indicações são confirmadas ou baseadas
no conhecimento de outras circunstâncias de um acidente como o modo de
colisão ou marcas no pavimento deixadas pelo pneu.

A.- Ritmo de começo.

73
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-74

Algumas anomalias começam e desenvolvem-se rapidamente, outras


lentamente. O carácter da anomalia usualmente indica o ritmo do início.
Existem cinco tipos de categorias gerais:
a) Graduais. Desenvolvem-se em dias, semanas, inclusive meses. O pneu
pode ter rodado muitos quilómetros durante o desenvolvimento. Por
exemplo, o desgaste excessivo ou irregular da banda de rodagem; outro,
quando uma reparação interior progride como uma borbulha entre
superfícies reparadas e finalmente se expõe, mostra a erosão lisa devido à
fricção das superfícies entre si.
b) Lentas. Desenvolvem-se em horas. As separações de capas ou erosões na
janta quando um pneu roda muito vazio por um elevado número de
quilómetros, ou alta velocidade.
c) Rápidas. Produz-se em minutos. Uma queimadura por fogo exterior requer
um minuto ou dois para produzir a anomalia resultante.
d) Súbitas. Desenvolvem-se em segundos, por exemplo, abrasão ou roço do
pneu ou janta com a estrada; furos devido a um objecto pungente que se
introduz com o pneu rodando.
e) Instantâneas. Em fracções de segundo. A maioria dos picos, cortes,
rebentamentos e golpes de janta são instantâneos.

É frequentemente difícil determinar em qual destas categorias encontra-se a


anomalia. Por isso devem anotar-se duas ou mais como possíveis.

O ritmo de início da anomalia não deve confundir-se com o ritmo da perda de


ar do pneu. Exemplo: um pequeno furo pode desenvolver-se subitamente, mas
o ar pode ir saindo de modo progressivo ao longo de horas antes de se notar
com evidência. Por outro lado, uma deficiência no pneu devido a uma pressão
baixa dura dias em aparecer mas, a perda de ar na situação final pode chegar
a ser instantânea.

B.- Perda de ar.

O tempo requerido para que o pneu chegue a estar sem ar, depende da
medida do buraco através da qual o ar escapa e o tempo durante o qual
persiste a abertura. Muitos pneus furados ou esburacados aumentam o
tamanho dos furos à medida em que o ar vai escapando. Mas às vezes o pneu
desmonta-se da janta num momento e volta-se a colocá-lo no seu sítio antes
de que muito ar tenha escapado.
O ritmo pode-se descrever em quatro categorias:

a) Sem nenhuma perda de ar. Muitas anomalias superficiais encontram-se


nesta categoria.
b) Pequeno escape que resulta de buracos pequenos, válvulas que funcionam
mal ou um remendo mal colocado. O ar escapa sem ruído. Voltar a enche-lo
permite usa-lo de novo durante um leve espaço de tempo.
c) Perda rápida que acontece quando se trata de um buraco de notável
extensão.

74
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-75

d) Ocorre uma leve explosão quando existe um buraco que permite inclusive
introduzir um dedo. Produz-se no pneu ou entre a janta e o pneu. Cortes,
bolhas ou rebentamentos podem ocasionar buracos notáveis. Esta perda
súbita de ar é descrita como um rebentamento quando não acompanhada
da colisão do veículo. Frequentemente, acontece quando o pneu sofre os
efeitos do choque violento e então o ruído próprio da colisão oculta o
rebentamento. Acontece, às vezes, que um pequeno buraco aumenta tão
rapidamente que chega a ser como uma explosão porque a pressão do ar
perdido durante a marcha do veículo pode produzir anomalias tais como
separação de dobras ou capas ou inclusive abrasão da banda de rodagem.

C.- Por contacto.

A natureza da anormalidade pode indicar que um contacto não usual do pneu


ou janta pode ter sido feito com outras superfícies ou objectos. Os danos no
pneu por contacto pode ter acontecido por três fontes principais:

a) A superfície da estrada ocasiona desgastes e às vezes, irregulares


deformações, quando se trata de estradas ou pavimentos muito abrasivos
podem marcar ou raspar o pneu se o mesmo desliza. Ordinariamente, os
pavimentos ferem a borracha do pneu que desliza no ponto onde a
descoloração se observa. Podem deixar à vista as cordas se o espaço
percorrido deslizando ultrapassa os 30 metros.
b) Outras partes do veículo podem cortar, picar, rebentar, incluso queimar o
pneu numa colisão, outros elementos podem provocar erosões. Um
detalhado exame do veículo pode-nos mostrar qual é a parte que roçou ou
golpeou ao pneu. Estas encontram-se geralmente nos guarda-lamas e não
são facilmente visíveis.

COTAS DIMENSIONAIS, SÉRIES E EQUIVALÊNCIAS

COTAS:

Os pneus designam-se basicamente por duas cotas


COTAS S: Distância entre as partes mais salientes das paredes laterais
dos pneus.
COTA Ø : Diâmetro entre talões do pneu.

75
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-76

Existem outras cotas:

R, : raio com carga


R : raio sem carga
C de R: circunferência de rodagem
Ø máx.: diâmetro máximo (2R)
SÉRIE

Série= relação que existe entre a altura (H) e a largura (S)

Série = H/S

EQUIVALÊNCIAS:

Critérios de equivalência de pneus .


A substituição de pneus num veículo deve ser feita por outros
iguais aos de homologação ou seus equivalentes.
Pneus equivalentes são aqueles que reúnem ao mesmo tempo as
seguintes condições:
Índice de capacidade de carga igual ou superior .
Código de categoria de velocidade igual ou superior .
Igual diâmetro exterior, com as tolerâncias definidas
nos Regulamentos de Homologação de Pneus anexos ao
acordo de Genebra.
Em todos os casos:
O pneus devem ter interferências com outras partes do
veículo.

76
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-77

O perfil de jante de montagem deve ser o correspondente


ao mesmo.

Em caso de dúvida, consulte-nos.

ESTABILIDADE -DERIVA

Entende-se por estabilidade de um veículo na estrada, o facto de


poder seguir a trajectória desejada pelo condutor, sejam quais forem as
forças transversais (força centrífuga, vento lateral, etc.) que incidam
sobre o pneu.

DERIVA:
Um pneu submetido a uma força lateral sofre uma deformação
que provoca a variação da trajectória. A esta variação chama-se deriva e
o ângulo compreendido entre a trajectória real e a teórica, forma o
ângulo de deriva.

O valor do ângulo de deriva é função de:

A força lateral
A velocidade
A carga
Pressão de enchimento
Da largura da janta

ESTABILIDADE EM LINHA RECTA E EM CURVA

Em geral, para melhorar a estabilidade do veículo é importante


que os pneus do eixo traisera tenham menor deriva que os dianteiros.

EM LINHA RECTA:

77
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-78

Um veículo desloca-se em linha recta com indica a figura 1 submetemo-


lo a uma força lateral (vento), podemos então manipular duas hipóteses:

a) MAIOR DERIVA NO EIXO DIANTEIRO QUE NO TRASEIRO. Será


então este o dixo o que perde com amior facilidade a trajectória recta.
Figura 2

Neste caso, bastará corrigir a direcção em sentido contrário ao que se


desloca o veículo para retornar á linha recta. VEÍCULO ESTÁVEL.

b) MAIOR DERIVA NO EIXO TRASEIRO QUE NO DIANTEIRO. Sob


esta segunda hipótese será o eixo traseiro o que perde a trajectória.
Figura 3

78
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-79

Par corrigi-la, deve-se girar a direcção no sentido em que se deloca o


veículo para se conseguir a linha recta. (Manobra não evidente para a
maioria dos condutores). O veículo é inestável.

EM CURVAS

A força lateral á qual submetemos ao veículo é a força


centrífuga.Figura 4

Partamos de novo das duas hipóteses possíveis:

a) MAIOR DERIVA NO EIXO DIANTEIRO. Este eixo perderá por tanto a


trajectória ideal (mesmo aio de giro que tenha a curva). Figura 5

VEÍCULO SUB-VIRADOR

79
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-80

Para corrigir bastará girar mais a direcção.

b) MAIOR DERIVA NO EIXO TRASEIRO. Será este o que perde a


trajectória. Figura 6

VEÍCULO SOBRE VIRADOR

Para corrigir deve-se girar o volante no sentido contrário ao da curva


(manobra não evidente para todos os condutores).

Podemos concluir que para condutores normais, convém que o veículo


tenha maior aderência e menor deriva no eixo traseiro que no dianteiro,
pelo qual:

1. Dando MAIS PRESSÃO AO EIXO TRASEIRO QUE AO DIANTEIRO,


diminui a deriva do eixo traseiro.

80
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-81

2. Com o fim de limitar a derrapagem e deriva do eixo traseiro,


recomenda-se a montagem dos PNEUS NOVOS NESTE EIXO. E NÃO NOE
ElXO DIANTEIRO

É possível pensar, a teor da segunda afirmação, que os pneus novos


déveriam montar-se no eixo traseiro, senão no eixo motriz, independentemente
de que este eixo seja o dianteiro ou o traseiro. Partamos da base de que um
pneu gasto ( careca), não se deve montar em nenhum dos eixos.
Pensemos que os efeitos que sobre a estabilidade do veículo pode ter o
facto de levar mais ou menos desenho num pneu ao acelerar (eixo motriz).

Em recta:

O efeito seria que quando aceleremos, as cobertas girem um pouco em


falso (patinem), mas isto é menos "PERIGOSO" que a derrapagem do eixo
traseiro, como consequência da falta de escultura (já vimos o que ocorre
quando o carro "vai-se" por frente ou por trás).

Em curva:

Deve-se pensar que ninguém acelera ao entrar numa curva, senão que
a operação "normal" será a de acelerar no momento de sair da mesma.

.
No fundo da escultura encontram-se os indicadores de desgaste, que se
manifestam pela aparição de bandas transversais lisas, quando a profundidade
do desenho é de 1,6 m/m e localiza-se à altura dos TWI (do inglês Tread Wear
Indicator).

A sua aparição indica a necessidade de substituir os pneus, pelo qual


regula a profundidade das ranhuras dos pneus de alguns tipos de veículos a
motor e seus reboques, como são:

1. Os pneus dos veículos compreendidos nas categorias que a


continuação se relacionam devem apresentar, durante a sua utilização em
estrada e demais vias de uso público, uma profundidade de toda a largura do
piso com pelo menos 1,6 milímetros.

81
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-82

2. As categorias acima referidas são:


-M 1: Veículos destinados ao transporte de pessoas que tenham, para
além do assento do condutor, oito lugares sentado no máximo.
-N 1 : Veículos destinados ao transporte de mercadorias com um peso
máximo autorizado inferior a 3.500 Quilogramas.
-01: Reboques cujo peso máximo autorizado seja inferior a 750
Quilogramas.
-02: Reboques com um peso máximo autorizado superior a 750
Quilogramas mas inferior a 3.500.

Ficam excluídos do âmbito de aplicação do epígrafe anterior os veículos


históricos equipados originalmente com pneus ou coberta de outros tipos, que
quando eram novos tinha ranhuras de uma profundidade inferior a 1,6
milímetros, sempre que ditos veículos estejam equipados com os citados
pneus, que se utilizem em condições excepcionais e que não se utilizem nunca
na via pública.

O HOMEM COMO FACTOR DO ACIDENTE

Personalidade do condutor com respeito aos acidentes de trânsito.

É o conjunto de qualidades que motivam no indivíduo o seu


comportamento. Numa palavra as qualidades que o diferenciam dos demais.

PARTES DA PERSONALIDADE

Faculdades naturais

Dotes físicas ou intelectuais adquiridas de forma natural.

Aptidões técnicas
São as que se adquirem mediante o estudo e a prática de conduzir.

O carácter

Forma peculiar do comportamento de uma pessoa.

Faculdades naturais

82
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-83

a) Deficiências sensoriais e preceptivas.


Vista
Ouvido

b) Deficiências mentais e nervosas


c) Deficiências físicas
Musculares
Esteológicas

Deficiências sensoriais e preceptivas. Vista e ouvido.

A VISTA. Circunstâncias negativas no momento de conduzir.

a) Falta de agudeza visual.

As deficiências de visão, especialmente os casos de agudeza Visual


diminuída por:
Anomalias do sistema muscular ocular.
Campo visual restringido
Sensibilidade ao ofuscamento.

A agudeza visual ou viveza da vista é particularmente importante para a


leitura das mensagens dos sinais.

b) Cegueira nocturna.
É a capacidade de ver objectos de pouco contraste com pouca
iluminação.
Circunstâncias negativas da cegueira nocturna
Roupas e objectos escuros
Luas e pára-brisas coloridos
Lentes de cores.

c) Cegueira por resplendor.


É a lentidão na recuperação da vista após ter olhado de noite uma luz
deslumbrante.

d) Campo visual.
Deve ser normal em ambos olhos ou com as reduções máximas
marcadas.
Estreito campo visual. É a incapacidade de ver para os dois lados.
Efeito túnel. Campo de visão muito estreito.
Pessoas com um único olho. Apresenta estreito campo de visão pelo
lado defeituoso.

e) A percepção em profundidade.
É a capacidade de calcular distâncias de objectos próximos
empregando ambos olhos.

83
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-84

f) Daltonismo.
Defeito na visão que consiste na incapacidade de distinguir certos
matizes entre vermelho e verde.

g) Outras deficiências na vista.


Dificuldades na fusão e combinação nas imagens formadas pelos dois
olhos.

Factores que dão segurança com respeito a uma boa visão.

A boa visão
Agudeza visual
Rapidez preceptiva

O OUVIDO. Circunstâncias negativas.

Pode-se pensar que um implicado no acidente tem algum defeito


no ouvido, entre outros, nos seguintes casos:
1) Alguém tocou a buzina para passar e o condutor em questão,
nem abrandou a marcha nem cedeu a passagem.
2) O condutor, aparentemente, não ouviu o apito do comboio.
3) Um peão que não fez caso de uma buzina ou parece que não
ouviu os ruídos do trânsito.
4) Condutor implicado que tem próteses auditiva aplicada ao
ouvido.
5) Tem dificuldades para ouvir, ou não entende bem uma
conversação normal.

Deficiências mentais e nervosas.

Condições psíquicas
Condições mentais
Inteligência.

Inteligência. Na situação de conduzir.

A inteligência é um factor fundamental do bom comportamento do


condutor.
A falta de inteligência à condução pode-se confundir às vezes
pela falta de perícia devido a curta instrução ou prática insuficiente.

Deficiências físicas ( musculares e esteológicas)


Diminuição de faculdades
Condutores de estatura baixa
Condutores carentes de algum membro
Estas carências diminuem ao se substituir veículos adaptados com
ensino especial.

Articulações. Circunstâncias negativas.

84
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-85

Dor ou ancilosamento das articulações pode dificultar um condutor a


conseguir que o carro faça o que ele quer.
Resolve-se com aparelhos especiais.

Excesso de peso.
O peso excessivo exerce um efeito negativo nos trabalhos de
condução sobre tudo na ligeireza no momento de realizar manobras com
o volante.

Força. Circunstâncias negativas


Raquitismo
Impedidos físicos
Velhice
Na realidade a falta de forças pode incidir de forma negativa em:
1) Acidentes de giros: o condutor costuma recortar as esquinas.
2) Travagens insuficientes
3) Outras manobras evasivas impróprias.

Aptidões técnicas.

Capacidade. Considerações a ter em conta.


A capacidade natural para conduzir não é suficiente. Devem-se aprender
certas aptidões adicionais em forma de perícia e conhecimentos.
A prática desenvolve os hábitos na condução.
A falta de conhecimentos ou perícia pode contribuir a qualquer tipo de
acidente.
A ignorância das normas demostra incapacidade.

Conhecimento da acção evasiva


Não só pela ignorância das regras se tem pouco conhecimento.
Os condutores necessitam preparação para realizar manobras evasivas
em casos urgentes.
Entradas e saídas de curvas
Surpresa perante lombas
Surpresa perante manobra não regulamentaria.
Perícia. Definição

``É a colecção de hábitos conducentes à capacidade de uma pessoa


para manobrar um veículo sem falhas e a percepção das condições da
estrada em torno de si, sem que tenha necessidade de pensar
expressamente no que está fazendo``.

O CARÁCTER
O carácter forma parte da personalidade.
Qualidade difícil de definir.
É todo rasgo diferencial de objectivos, ou de indivíduos humanos
ou animais. Definição léxica.
Valor de uma pessoa segundo a sua moral e segundo a sua
vontade.

85
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-86

As emoções. Características

Costumam ser passageiras e para determina-las deve-se


comprovar:
Se existiram previamente ao acidente.
Disputas por problemas sentimentais ou laborais e outras parecidas e
que qualquer tipo de emoção possa afectar ao condutor.
É difícil descobrir a emoção como causa do acidente.
Não devemos julgar o estado emocional de um condutor anterior ao
acidente pelo estado emocional que manifeste depois de sofre-lo.

TEMPO DE REACÇÃO

É o tempo que, depois de percebe-la com os seus sentidos,


demora uma pessoa em compreender o significado de uma situação,
actuar de acordo e iniciar a acção.

O tempo de reacção vem por intermédio de:


Órgãos sensitivos
A mente
Os nervos
Os músculos

Durante este tempo de reacção deve-se acrescentar o tempo para fazer


a manobra de controle do veículo antes que este responda aos desejos
do condutor.

TIPO DE REACÇÕES

Reacções reflexas
Reacções simples
Reacções complexas
Reacções discriminatórias

Reacções reflexas:

São instintivas
São quase sempre erróneas e catastróficas
Requerem um tempo mínimo.

Reacções simples:

São esperadas
O condutor sabe o que fará perante a contingência.
É o tipo de acção mais corrente
São fruto do hábito e da prática
Precisam de ½ segundo.

86
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-87

Reacções complexas:

Escolher a mais correcta entre várias acções possíveis


Opções frequentes e conhecidas pelo condutor
Precisam de ½ a 2 segundos, segundo a complexidade das
opções.

Tempos de percepção ou diferenças entre pontos de percepção.

``Tempo de percepção é o intervalo entre o momento em que se


pode ter percebido uma condição ou movimento em circunstâncias
normais (PPP) e a percepção real.
Em realidade é a demora na percepção.
O tempo de percepção tal como se estuda na investigação de acidentes,
não inclui o tempo necessário para compreender, entender ou avaliar a
acção a realizar.
No tempo de percepção somente actua o órgão do sentido.
O tempo requerido para avaliar ou compreender forma parte do tempo
de reacção.
O tempo de reacção será mais breve naqueles condutores que sempre
estão de sobreaviso (atentos).

ATENÇÃO E DISTRACÇÕES. Atributos da atenção.

A actividade.
Consiste na activação do sistema nervoso.
Procurar não estar submetido a:
Fatiga, efeitos de medicamentos ou drogas depressivas do sistema
nervoso.

A amplitude
Deve-se entender que a capacidade sincrónica do condutor é muito
limitada.
Normalmente a banda de estímulos está entre 6 e 11 sempre que sejam
de diferente tipo.
O condutor deve tratar de evitar estímulos que polarizem a sua atenção.

A selectividade
Selecção dos estímulos interessantes, subestimando-se aos demais.
Organização e direcionalidade
Os estímulos elegidos, devem de ser integrados, organizados e
dirigidos de maneira adequada para um objectivo
``A segurança na condução``.

87
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-88

Reacções discriminatórias
Escolher entre várias acções possíveis a mais correcta.
São opções não frequentes
Podem exigir até um minuto, segundo a sua complexidade.

Diferenças entre as reacções complexas e as discriminatórias


.
As reacções complexas diferenciam-se das reacções
discriminatórias em que as primeiras são conhecidas pelo condutor e
mais frequentes que as segundas.

Circunstâncias que afectam ao tempo de reacção

A idade
Tempos mais curtos em jovens e pessoas maduras
Tempos mais longos em pessoas maiores

A força do estímulo
Perante estímulos enérgicos ... pronta acção
Perante estímulos demasiado fortes... reacção instintiva errónea
de consequências catastróficas.

O estado físico
Fatiga, cansaço, sono, influência de álcool, drogas,
estupefacientes, medicamentos.
(Aumenta o tempo de reacção e diminui a precisão da reacção).

Os hábitos
Os bons hábitos, a instrução e a prática, reduzem o tempo de
reacção.

A reacção e a personalidade
Reacção. Não é independente por si mesma, está composta e
afectada por todos os elementos da personalidade.

Dependências da reacção:
Estado físico
Conhecimentos
Perícia
Carácter

As distracções
Trata-se de atenção inadequada, deve-se a factores :
Internos (procedem do próprio indivíduo)
Externos (procedem do meio ambiente que circunda ao condutor)

88
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-89

CONCEITOS E TIPOS DE DISTRACÇÕES

Por pequenos incidentes e moléstias


Abelha e outros insectos.
Pedras atiradas por camiões
Cargas que se soltam
São muito perigosas.

Exigências do interior do carro.


Crianças que choram
Animais a bordo do carro
Impertinências de ocupantes
A radio
Perigo relativo, são muito frequentes

Exigências do próprio condutor


Acender cigarros
Abrir e fechar portas
Arranjar-se a roupa
Olhar para um mapa
Ordenar géneros
Acender a radio
Colocar uma cassete
São pouco perigosas, muito frequentes

Distracções do exterior do veículo


Cartazes
Anúncios
Lugares panorâmicos
Raparigas bonitas
Homens atractivos
Acidentes automobilísticos
Buscar sinais nas estradas
Carros de fantasia
São muito perigosas, muito frequentes.

Preocupações
Provocam visões
Absorto em si mesmo
Sonolência ou sonhar acordado
Condições sentimentais
Desenganos amorosos
Disputas laborais
São muito perigosas, muito frequentes, retardam acções porque a
mente está ocupada noutra coisa.

Causas graves de distracções que provocam acidentes de


circulação.
Drogas e narcóticos

89
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-90

O álcool
Inalação do monóxido de carbono
Cansaço, tédio
O sono
As doenças
Factores diversos

TIPOS DE FATIGA

Fatiga activa
É a que se desprende do esforço muscular e de atenção que todo
o trabalho implica

Fatiga passiva
É a fatiga difusa dos músculos pelas mudanças contínuas de
posição à qual o condutor se vê submetido e à monotonia que gera o
trabalho em si.

Fatiga acumulada
É a que corresponde a um organismo que inicia a sua tarefa sem
haver tido repouso suficiente ou o sono necessário para eliminar a fatiga
anterior.

O SONO

Todos os estudiosos e científicos no momento de analisar o sono,


perante o facto da condução de automóveis consideram:
``Conduzir sob os efeitos do sono leva inevitavelmente ao
acidente, porque este deixa muito marcadas as complexas capacidades
psicofisiológicas que são necessárias para conduzir``.

Doenças que costumam influir na condução provocando


distracções.
Doenças de coração
Epilepsia
Diabetes
Demência
Depressões
Tendência ao suicídio
Insónias
Alterações na percepção
Ansiedade e irritabilidade
Aumento injustificado da fatiga
Alterações sensoriais

FACTORES DIVERSOS

A falta de exercício
Abuso de vinhos e licores

90
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-91

Uso exagerado do tabaco


Consumo excessivo de medicamentos
Influencia da má alimentação
Adaptação emotiva

ESTUDO DOS INDÍCIOS DA VIA


JUSTIFICAÇÃO.-

1) As marcas e impressões contribuem à aclaração do sucedido.


2) Complementam as declarações das testemunhas e pessoas
afectadas.
3) Provam ou desmentem teorias acerca do ocorrido e marcam, o
rumo de uma ulterior investigação.
4) Todos os acidentes dos veículos motorizados deixam algum sinal
físico do que ocorreu:
- Danos causados a um veículo
- Lesões a um peão
- Marcas no pavimento, etc.
5) São os únicos indícios que podemos obter em acidentes mortais
onde não sobrou ninguém para contar-nos o sucedido.
6) Existem condutores ou pessoas implicadas que incluso tratam de
ocultar a verdade. Outros não sabem explicar o ocorrido ou
baseiam as suas informações no que a sua imaginação lhes
induz.

VARIEDADES DE RESTOS

91
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-92

1) Resíduos da parte inferior do veículo (também chamados


RESTOS DA INFRA-ESTRUTURA.
2) Partes ou peças do veículo
3) Fluídos do veículo
4) Carregamento líquido
5) Carregamento sólido
6) Materiais da estrada
7) Sangue e roupas

Que nos dizem em geral estes restos


- Provável ponto de colisão ou ponto de conflito
- Em algumas ocasiões ajudam a identificar um veículo que fugiu
da cena do acidente.

ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA UMA DAS VARIEDADES DE


RESTOS.

Resíduos da parte inferior dos veículos, também chamados restos da


infra-estrutura.

``São os que se desprendem da parte inferior dos veículos por


roço, golpe ou sacudidela violenta na colisão``.

Tipos
- Barro
- Pó
- Fuligem
- Pintura
- Alcatrão

Produtores
- Pára-choques
- Guarda-lama
- Chassis e outras partes do veículo

Que indicam pela sua situação

1) Materiais amontoados sobre um pequeno círculo de


terreno.
Indicam: provável ponto em que teve lugar a colisão com as
partes mais danificadas do veículo.
2) Materiais deslocados na direcção da marcha dos veículos
até à sua posição final.
Indicam: que os veículos ao colidir encontravam-se sobre o sítio
de máxima concentração dos resíduos ou muito próximo do
mesmo.

92
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-93

Partes ou peças do veículo

``São as partes desprendidas do veículo como consequência da


colisão``
Tipos:
- Fragmentos de vidros
- Partes metálicas
- Acessórios

Que indicam pela sua situação

Em geral são muito dispersos e saem projectados para um ou


outro lado da estrada.
Indicam: trajectória ou senda seguida depois da colisão ou choque.

Fluídos do veículo

``Vertidos ou derrames de líquidos ao sair ou escapar dos


depósitos contentores como consequência de golpes ou avarias``.

Tipos de líquidos procedentes do veículo

1) A água do radiador (é a mais corrente)


2) O óleo do cárter (é o que segue com frequência)
3) Gasolinas e combustíveis (felizmente não são muito frequentes)
4) Fluídos de transmissões automáticas de certos tipos de veículos
5) Líquidos de travão, dos que raramente costumam existir em
grandes quantidades
6) Ácidos das baterias

Que indicam pela sua situação

Provável ponto de conflito dependendo da proximidade a que se


encontrem com respeito ao veículo produtor.

Carregamentos líquidos.
``Restos ou derrames de carregamentos líquidos do contentor de
carga que os transporta, como consequência de avaria ou destroços
produzidos num conflito ``.

Que nos indicam

Geralmente a trajectória seguida pelo veículo quando descrevem


um percurso.
Quando se acumulam formando um charco e o veículo foi retirado
da cena, indicam a posição final do mesmo depois do acidente.

Premissas a ter em conta:

93
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-94

Averiguar se debaixo destes líquidos, derramados sobre o


pavimento, puderam existir marcas ocultas de derrapagens ou arrastes.
Evitar, enquanto se faz o reconhecimento, que os demais veículos
passem por cima das marcas.

Carregamentos sólidos

``Restos ou parte da carga transportada por um veículo que caem


ou são atirados ao solo da estrada pela violência da colisão ou como
consequência do conflito``.

Que indicam

Se são material a granel como cascalho, cimento, cereais,


fertilizantes, etc., costumam ficar espalhados próximo do provável ponto
de colisão (como acontece no caso dos restos da infra-estrutura).
Indicam: provável ponto de colisão.

Se caem de forma gradual, indicam: a senda ou trajectória


seguida pelo veículo até à sua posição final.

Premissas: averiguar se sob este tipo de restos podem existir


outras marcas importantes (Protegê-las).

Materiais na estrada

``Restos de pavimento ou outros materiais que configuram o pavimento


e os limites de uma estrada, arrancados pela colisão e espalhados para
fora do lugar em que se encontravam``.

Os mais propícios:
Pavimentos com cascalho ou resíduos de carvão mineral.

Lugares mais comuns:


Margens e cruzamentos com acumulação de pedras soltas ou a granel.

Que nos indicam

Em geral ficam espalhados ficando dispersos a certa distância. Pouco


nos indicarão sobre trajectórias e prováveis pontos de colisão ou
encontro.
Indicam: que o ponto desde onde foram arrancados passou o veículo
que os produziu.

Sangue e roupas

O sangue e a roupa das testemunhas é também ``resto`` quando


o primeiro cai, salpica ou escorre sobre a rua, estrada ou terreno e a

94
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-95

segunda fica presa nalguma parte saliente ou rocha sobre o pavimento.


Este tipo de restos ajuda-nos a determinar e averiguar o sítio onde foi
arrastada uma pessoa ferida ou o lugar onde foi abandonado um
cadáver.

Trate de localizar os restos de sangue, para incluí-los no croques


e trate de fotografá-los.

DANIFICAÇÕES A OBJECTOS FIXOS

Tipos
Valas protectoras, muros, cercas, sinais, postes, parapeitos de
pontes, outras estruturas por cima da superfície da estrada.
Ajudam-nos a determinar a senda ou trajectória seguida pelo
veículo autor dos danos.

MARCAS DEIXADAS POR PARTES METÁLICAS SOBRE O


PAVIMENTO.

1 Arranhões
2 fendas
3 Raspaduras
4 Fendas

Arranhões
São marcas que ao deslizar, deixam sobre o pavimento partes do
veículo que não sejam precisamente as rodas.
Não confundir com:
- Marcas de deslizamento devido ao seu grande parecido com elas.
- Limalha no pavimento

Tipos:
1) Estrias ou pequenas fendas de uns 15 mm. de profundidade
produzidos por um ligeiro desgarre ou movimento forçado de
materiais da estrada pelas partes metálicas do veículo.
2) Restos de materiais do veículo. (pintura, fuligem e metais moles
como o alumínio e o chumbo).

Que nos indicam:


Lugar por onde arrastou uma peça partida do veículo depois do
desenganche ou arraste deste por parte da grua.
Posição de um veículo no momento de uma colisão.
Curso que seguiu o móvel posteriormente à colisão.
Geralmente as partes desprendidas produzem os danos depois
da colisão.
Também podem indicar o lugar onde virou um veículo e se o fez
na estrada ou não.

95
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-96

Partes do veículo mais propensas a realizar arranhões na


estrada.
- Carroçaria, pára-choques, chassis, motor, transmissão, diferencial,
órgãos da suspensão, molas da árvore de transmissão, etc.
- As jantas não costumam deixar tantos arranhões como se lhe
atribuem.

Comportamento das jantas


- O pneu vazio impede que a janta faça contacto com o solo.
- Quando as jantas deixam marcas, estas não adoptam a forma de
arranhões bruscos angulares, senão de ligeiras depressões
arredondadas.
- Se as rodas patinam lateralmente, as jantas deixarão raspões.

Fendas
``São depressões ou estrias profundas que se produzem quando
o material do pavimento é escavado por partes fortes do veículo,
geralmente sob a pressão das intensas forças que se desenvolvem
durante a colisão``.

Como se produzem as fendas


Um veículo durante uma colisão desenvolve, momentaneamente,
uma força superior ao seu próprio peso sobre o pavimento e, por
conseguinte, pode deixar marcas mais profundas que as que produziria
com uma simples derrapagem.
Podem estar produzidas por um eixo da transmissão que se
desprenda ou quebre enquanto o veículo está ainda em marcha.
Também podem ser produzidas pelas partes fortes ou duras do
veículo que golpeiam o pavimento depois de um choque, salto ou queda.
Tipos
Cavidades: que ficam na estrada quando se arranca parte do
material da mesma.
Raspado: extensas raspaduras transversais na direcção de
marcha do veículo, que lavram os cantos afiados sobre o pavimento.
Estriado: estrias ou arranhões largos, estreitos e profundos, como
consequência de desgarres produzidos por parafusos e outras peças
similares.
Duração
Este tipo de marcas durará até que seja reparado o pavimento.
As fendas diferenciam-se dos arranhões na sua maior
profundidade.
As fendas são mais profundas e produzem perda do revestimento
ou desgarre do material na estrada.
Os arranhões desgarram mais superficialmente e deslocam o
material aos lados.
Raspões
``São arranhões largos ou conjunto de arranhões. Geralmente o
material não é removido se não esmagado``.
Fendas

96
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-97

``Podem ser feitos por partes metálicas do veículo ou pelos pneus


e costuma ser difícil determinar que parte do veículo as realizou``.
Para confrontar convém medir as marcas para compará-las com
as peças que as produziram.

SINAIS DE PNEUS

Sinais de pneus existem muitos mas nem todos tem o mesmo


valor e transcendência.
Devem-se conhecer as suas diferenças e o que significam, a sua
representação em croques e o modo mais preciso para resumi-las e
fotografá-las, uma vez que algumas delas, por si mesmas, são capazes
de explicar como se produziu o acidente.

TIPOS DE SINAIS DE PNEUS

IMPRENSA
É o desenho do pneu impresso em terreno mole, húmido ou não.
O desenho reproduz-se com tanta fidelidade quanto permita o
material que recebe a pressão da roda.
Aparecem nas margens da via, valetas ou caminhos de terra.

São importantes para


Determinar se antes da colisão ou saída definitiva, houve uma
saída inicial prévia.
Averiguar ou confirmar a natureza do pneu num acidente com
fuga.
Concretizar o ângulo de saída da via.

TISNADA
Produz-se no pavimento, em épocas calorosas e principalmente
por pneus pesados, que deixam nas suas manobras a pequena
velocidade um sinal inequívoco do desenho do pneu correspondente.
Surgem devido ao calor do roçamento e com a roda girando
normalmente.
Normalmente não estão relacionadas com acidente algum.
Apreciam-se com mais facilidade nas superfícies claras devido ao
contraste.

EMBARRAR
Produz o pneu do veículo que tenha passado previamente por
barro, deixa mais tarde no pavimento duro a marca clara do seu
desenho enlameado. Só tem transcendência se momentos antes ou
depois o veículo que as imprimiu teve um acidente.

UNTAR
É produzida pelo pneu, incluso sem se observar a escultura,
depois de ter passado previamente por cima de uma substância líquida

97
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-98

(azeite, óleo, líquido de bateria, etc.). Podem ter relação ou não com um
determinado acidente.
A sua importância radica em que em determinadas ocasiões
traçam a trajectória seguida pelo veículo depois da colisão.

ESTAMPA
É um rasto deixado pelos pneus, após ter passado por cima de
uma substância não líquida (gesso, poeira de estrada, etc.).

ABRASÃO
Produzida pelos pneus quando rodam vazios durante um trajecto,
mais ou menos curto, em especial em veículos de terceira categoria.

FENDA
Quando o veículo circula com alguma roda bloqueada e o faz em
terreno brando, o deslizamento faz com que se produza um verdadeiro
varrido de material brando que a roda encontra à sua passagem
marcando uma fenda ou caminho.

É importante diferenciar a fenda, caminho ou carril formado pela


roda bloqueada da marca à que chamamos impressa, uma vez que esta
roda gira livremente e não bloqueada. Esta diferença poderá indicar-nos
se o condutor fez alguma coisa ou não para tentar corrigir a trajectória
do veículo ou se reagiu de algum modo.

MARCAS DE TRAVAGEM
``As marcas de travagem ou deslizamento são sinais deixados no
pavimento devido ao bloqueio de rodas``.

Explicação sobre a sua produção.


``Quando se acciona o pedal de travões com a pressão suficiente
e esta se mantém, sobrevem o deslizamento do pneu sobre um mesmo
ponto, o qual não gera roçamento com os áridos da via, um
desprendimento de intenso calor, capaz de corroer a borracha da banda
de rodagem``.
As marcas deixadas pelo deslizamento ou travagem, são em
realidade as limalhas que ficam impregnadas durante um certo
tempo no pavimento.
Para além da marca, em ocasiões também se considera a
borracha pulverizada que pelo aquecimento e desagregação acumula-
se no percurso do desenho e fica depositada, como resíduo do
pneumático ao final da patinagem quando a roda começa por girar de
novo.
Factores atmosféricos prejudiciais para a conservação deste e de
quase todos os tipos de marcas sobre o pavimento são a chuva, vento,
gelo e neve.

98
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-99

Como factor negativo também devemos considerar o intenso


trânsito e tratar a forma de conservar as marcas até que tenham sido
recolhidas, detalhadas e medidas e segundo o caso fotografadas.

RASPADURAS
Consiste num arranhão ou conjunto de eles observáveis no
pavimento e produzidos por troços de pedra ou gravilla que incrustados
no desenho da banda de rodagem, lesionam pelo roce o pavimento. São
parecidas às raspaduras produzidas pelas partes metálicas dos veículos
mas mais superficiais.
Podem parecer combinados com marcas de travagem.
Podem-nos indicar uma saída prévia à produção da marca em
questão e, por último, podem ser um elemento fundamental na
investigação de acidentes onde um dos veículos esteja dotado de
sistema de antibloqueio de rodas ABS.

VARRIDO
Quando a roda patina sobre um pavimento com sujidade. O efeito
é de limpeza como quando se passa uma vassoura.
Não se costuma encontrar só e pode estar combinado com outro
tipo de marcas tais como deslizamento ou raspadura.
Desaparecem rápido devido à circulação que passa sobre as
mesmas e aos factores atmosféricos.

SECADO
Quando a roda patina sobre um pavimento molhado, o pneu o que
faz é secar a superfície.

ARRASTE
Produz-se quando o veículo acidentado é arrastado pela grua,
com as rodas bloqueadas.
Também se geram quando após a colisão fica bloqueada uma ou
várias rodas, e o deslocamento devido à energia residual obriga a
marcar dito arraste sobre o pavimento.
Tem uma importância fundamental para averiguar o trajecto desde
o ponto de colisão à posição final e com isso, ajudar à reconstrução do
acidente.

ACELERAÇÃO
Marca que se produz quando a roda gira a uma velocidade
superior à que permite a potência o desenvolvimento do veículo, embora
este se dirija na mesma direcção que as rodas que a produzem.

DESACELERAÇÃO
Marca que se produz quando a roda gira a uma velocidade inferior
à que permite o desenvolvimento do motor do veículo, embora este se
dirija na mesma direcção das rodas.

MARCAS DE FRICÇÃO

99
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-100

Vulgarmente denominado ``derrapagens``, são produzidas de


forma longitudinal aceleração e desaceleração ou de forma lateral por
deslizamento lateral ou de lado quando as rodas giram ao mesmo
tempo que se deslizam.

Produzidas por desaceleração


Produzem-se quando o veículo desacelera por acção dos travões
e os pneus giram e patinam ao mesmo tempo.

Localização
No começo das marcas de deslizamento, depois de aplicar o
travão com bastante força para desacelerar o veículo, mas antes de que
as rodas fiquem totalmente bloqueadas.

Forma e dimensões
São marcas no geral muito curtas se se pisa o travão
repentinamente e, no geral, não se diferenciam da parte sombreada das
marcas de travagem.

Produzidas por aceleração


Produzem-se quando o esforço do motor é superior à inércia. As
rodas giram com maior rapidez que a sua capacidade para o arraste
permite.

Forma e dimensões
Parecidas às marcas de deslizamento, mas diferenciam-se das
mesmas, em que são mais intensas ao princípio e vão perdendo tom
progressivamente à medida que a roda se desliza menos, não se
aprecia tão claramente o desenho do pneumático.

Medidas
Apenas chegam aos três metros.

Forma de se gerar
São geradas pelas rodas motrizes e costumam aparecer nos
cruzamentos regulados por semáforos e pontos de saída de imóveis.

Importância em investigação.
São de pouca importância, salvo que indiquem a rapidez de saída
de um veículo numa intersecção.
É importante distingui-las das marcas de travagem.

Marcas de derrapagem produzidas por deslocamentos laterais.


São as marcas que deixa um pneu que roda e que, por sua vez,
desliza de lado.

Premissas para o investigador determinar marcas de derrapagem


laterais.

100
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-101

1- Deve-se ter em conta que este tipo de marcas se podem


gerar antes ou depois da colisão.
2- Dependendo do momento da produção a investigação dirige-
se de uma forma ou de outra.
3- A característica fundamental das marcas de fricção ou
derrapagens laterais é um estriado transversal ou diagonal
sobre o pavimento.
4- As estrias são produzidas pelos canais do ombro do pneu
destinados a evacuar a água.
5- A intensidade depende da força centrífuga, quer dizer, da
velocidade.
6- A sua largura é variável, e em algumas ocasiões,
especialmente em curvas e quando são produzidas por
motorizadas, são vistas em perspectiva como uma ligeira
linha. São inapreciáveis se se observam em perpendicular.
7- Muitas destas marcas de derrapagem lateral finalizam no
borde da estrada e são preludio de uma saída de via
8- Para descrevê-las no croques é necessário constatar a
direcção das estrias.
9- Recordar que estas marcas costumam aparecer combinadas
com outras de deslizamento e de arraste.
10- Estas marcas podem indicar:
- Velocidade inadequada
- Manobra evasiva após uma distracção ou um perigo
patente originado por um terceiro implicado.

INVESTIGAÇÃO DE DANOS NOS


VEÍCULOS
OBSERVAÇÃO INICIAL

Que demostra ao investigador.

A situação geral do sucedido.


Relação de prioridades.
Medidas de urgência a adoptar como por exemplo:
- Desligar sistemas de ignição para evitar incêndios.
- Tirar pessoas da cabina do veículo
- Reclamar auxilio sanitário
- Avaliar situação do trânsito
- Restabelecer a circulação
- Retirada de veículos que interceptem a via, etc.

RECONHECIMENTO PRELIMINAR

Que mostra ao investigador.

101
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-102

A posição e os danos visíveis dos veículos implicados após uma rápida


avaliação dos danos evidentes, determinaram-nos:

Um primeiro ponto de partida para o enfoque da investigação.


Um plano de perguntas a condutores e testemunhas.

A possibilidade de reconhecer certas partes do veículo, como são:


- Luzes
- Partes do veículo que tiveram contacto com o solo a parte dos
pneumáticos.
- Posição da alavanca de mudanças.
- Indicações do velocímetro sobre velocidades.
- Posição de interruptores de iluminação e sinalização.
- Revisão do disco – diagrama do tacógrafo em veículos obrigados a
leva-los instalados.

O reconhecimento preliminar vai-nos proporcionar uma valiosa


imagem visual para a reconstrução do acidente, do mesmo modo irá
servir-nos de orientação para o exame final.

RECONHECIMENTO FINAL

Quando se deve realizar.

No momento em que as circunstâncias e a prudência o


aconselhem após adoptar as medidas de urgência e efectuar as
diligências indispensáveis.
Qual é a sua importância
A sua importância radica em que o reconhecimento final dos
danos nos veículos resulta imprescindível para a investigação, ao ser
uma ampliação organizada e mais detalhada que a que se pode obter do
reconhecimento preliminar.

Que lhe indica ao investigador


Contraste das manifestações dos implicados e testemunhas no
que respeita ao estado e funcionamento do veículo com os danos que o
investigador tenha observado.

Premissas com respeito ao veículo


Evitar, após assessorar às pessoas ou entidades depositárias do
veículo, sobre a inconveniência de reparar o móvel, salvo que se conte
com a Autoridade Judicial.

RECONHECIMENTO TARDIO
Realiza-se quando não se chega a tempo para reconhecer o
veículo na cena do sucedido e tem mais inconvenientes que vantagens.
Vantagens:

102
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-103

Ressaltar somente que se conta com todo o tempo que se precise sem
pressas para realizar outras diligências.
Inconvenientes:
Tardança em realiza-lo. Pode ter gerado danos na transferência que nos
levem a confusão.
Existe dificuldade para contrastar danos e marcas.
Teremos que nos valer de terceiros para determinar o momento e lugar
de produção dos danos, condições do veículo depois do acidente, etc.

AUTORIDADE PARA REALIZAR O RECONHECIMENTO

Quem pode entrar nos veículos acidentados.

Qualquer pessoa que se encontre no cenário de um acidente


pode penetrar no compartimento do veículo para salvar vidas e bens.

Requisitos
Que seja um caso de urgência e adoptando cuidados razoáveis

Inspecção normal
Pode ser feia por qualquer membro da polícia, no decurso da sua
investigação normal no lugar do acidente.

Inspecção normal. O que implica

1) Recompilação de dados sobre o veículo.


2) Reconhecimento dos danos.
3) Causa das lesões a ocupantes e peões
4) Estado do veículo.

Normas de carácter geral para efectuar reconhecimento a


veículos que tenham sido retirados e transferidos a uma garagem,
depósito ou domicilio do seu proprietário.
Licença do proprietário, do dono do depósito ou do representante
do proprietário.
Não obstante, como os veículos estarão à disposição Judicial, o
pessoal da equipa de instrução das diligencias como delegado do Juiz
que entende do caso, poderá fazer os exames referentes às mesmas
que sejam necessárias.

103
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-104

ACTUAÇÃO SOBRE OS ACIDENTES DE


TRÂNSITO

GENERALIDADES

A PRM ejercerá em todo o território nacional a vigilância e disciplina de


transito, circulação e transporte pelas vias públicas urbanas e interurbanas,.
Desta forma deriva a instruçao de auto em caso de acidentes, a emissão
de relatórios técnicos , socorrer e auxiliar aos utentes das citadas vias.
Esta obrigação será realizada especialmente pelos componentes da
Polícia de Trânsito da PRM, mas não se exime do seu cumprimento a nenhuma
unidade do corpo, a quem de facto terá que intervir em algumas vezes
colaborando com as unidades de trânsito e outras cumprindo todos os
requisitos que um acidente de viação exige.
Em todo caso deve-se ter em conta que estas actuações correspondem
a PRM e que o cidadão a socorrer ou auxiliar quer e tem direito a um serviço
rápido e eficaz, sem importar lhe a especialidade dos componentes da PRM
que interviram.

104
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-105

Como pode-se observar no segundo parágrafo, as intervenções nos


acidentes de viação têm um duplo tipo de serviço humanitário e de Policía
Judicial. Neste caso só trataremos o seu aspecto humanitário e a colaboração
com as equipas da Polícia Judicial (Equipas de relatórios judiciais).

NORMAS DE ACTUACÃO

Logo que se tenha conhecimento de ter acontecido um acidente de


viação, uma patrulha vai-se apresenta no lugar dos factos, quer pela sua
iniciativa ou pela ordem superior.
A deslocação ao lugar de acidente far-se-á com rapidez e seguranca,
tomando as medidas de autodefesa necessárias.
Uma vez no lugar, terão em mente que o mais lamentável seria que
ocorresse outro acidente de viação enquanto eles são os encarregados da
segurança das vias, pelo que ao mesmo tempo que socorrem e auxiliam as
vítimas, devem regular a círculação e sinalizar a zona, para evitar a ocorrência
de outros acidentes.
Se existirem feridos, deve-se solicitar as ambulâncias necessárias para
evacuá-los a um centro sanitário, depois de prestar-lhes os primeiros socorros,
se isso for necessário.
Igualmente deve-se solicitar do centro policial o envio de taxis ou
notificação dos familiares se assím os implicados o desejarem.

Deixarão expedida a via, marcando previamente num esboço realizado a


mão alçada e no próprio lugar onde se encontram, o ponto em que ficaram os
veículos imp\icados, a situação das marcas de travagem ou derrape, aranhões,
estilhaços de vidro, manchas de óleo, água ou carburante, , danos nos
veículos, terra e qualquer outro sinal que tende ao esclarecimento dos factos.
Se para estes necessitarem apoio de uma grua, a solicitarão.

Se houver algum cadáver no terreno, que impeça ou faz com que o


transito seja perigoso deve-se marcar o seu contorno com giz e tirar-se-á
fotografias, depois da câmara fotográfica, deve se retíra o cadáver para ao lado
da via, tapando-o com o que se dispõe nesse momento.

Uma vez socorridas as vítimas e regularizada a circulação, recolhe-se as


cartas de condução dos condutores implicados, assim como os livretes de
circulação e seguros dos veículos. Toda esta documentação, assim como o
esboço, lugar de evacuação dos feridos e demais provas, serão entregues a
equipa de relatórios judiciais ou ao instrutor do auto, quando comparecer.

Se a equipa citada não poder apresentar-se com rapidez, se notificará


aos implicados e testemunhas, se desejar ausentar-se do lugar dos factos,
toma-se previamente o endereço do domicílio e do telefone, para as
posteriores investigações que desejam realizar os instrutores dos autos.

105
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-106

Se os veículos implicados podem continuar a circular, deixa-se em poder


dos seus titulares ou condutores e à disposição do Juiz competente, fazendo-
lhes saber que para repará-los necessitam autorização da dita autoridade.

Em caso de não poder circular, solicitar-se-á aos implicados que grua


desejam que os retire e a quem alugar. Se não tiverem preferência por
ninguém de concreto, solicitar-se-á a mais próxima ao lugar de acidente.

Se no momento do sínistro os titulares da bagagem, coisas ou carga que


transporta o veículo não puderam retirá-los, a força que actua encarregar-se-á
dos mesmos, transportando-os, ou ordenando a sua transferência a um lugar
seguro e se é possivel fazer a relação por escrito em conformidade dos seus
proprietários.

Se hóuver atraso dos instrutores de autos, deve-se autorizar aos


condutores implicados, ausentar-se do lugar do acidente, e serão submetidos
previamente a uma prova de alcoolismo, e se não dispor de alcoometro,
solicitar-se-á a presença de outra patrulha que disponha do dito intrumento.
A chegada ao lugar dos factos, deverá dar-se informação da situação,
aos seus superiores e em caso que haja algum cadáver, far-se-á a
participação ao Juiz competente.

Da sua intervenção deve-se elaborar um relatório detalhado e far-se-á


constar a tal ocorrência na ordem de serviço.

ACTUAÇÃO SOBRE OS INFRACTORES


A FUNÇÃO DE MULTA

No cumprimento da norma vigente, os componentes da PRM têm o


dever de denunciar todas as transgressões que observam, e de cuja certeza a
comissão não tenha menor duvida ou reparo, sendo preferível-no caso de
incerteza faça uma simples advertência ao utente para que se evite tais
infracções.
O objectivo duma multa é fundamentalmente um exemplo e corrector
das condutas que se supõem ser uma violação das disposições que regulam a
adequada convivência na via. A sua tarefa é informativa em quanto supõe uma
modificação de conhecimentos erradamente adquiridos.
O autuante não assumirá funções que não lhe compete no
procedimento, limita-se apenas a cumprir a sua missão de constatar os factos
ocorridos. Com tal propósito deverá relatá-los com a plena objectividade que a
sua transcendente função lhe é exigido, aumentará no documento, ou em outro
adicional se fôr conveniente, com o .maior detalhe possível quantas
circunstâncias individualizam ou particularizam o facto multado, em especial, as

106
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-107

que agravam ou atenuam. Deverá ter em consideração que a função


sancíonadora recai na autoridade competente.
A objectividade natural deverá traduzir-se na interpretação clara do facto
multado sem manifestar nem fazer patentes prejuízos ou inimizade. Nunca se
empregarão termos ofensivos ou que possam supor menosprezo a pesssoa
multada.
Sempre deve ser pouca a moderação no tom e prudência nas frases que
se empregam no momento da multa, procurar não provocar a irritação do
multado e evitar entrar em discussões, e outro obstáculos para que possa
admitir dentro de um certo lirnite e avaliar se o que é pertinente, as alegações
que se possa fazer, e neste sentido far-se-á constar nos documentos
correspondentes folhas de alegações (se assim o desejar o multado). Deve-se
responder as consultas procedentes, tais como artigo infringido, conceito,
direcção e tudo que se questione para a melhor compreensão do facto
autuado.
Também não se deve permanecer impassível sem pronunciar palavra,
nem dar satisfação as perguntas pertinenites que se fazem ao autuante, todas
as vezes que puder ser interpretado como indiferença as razões que o autuado
expõe.
Deverá elaborar-se a multa o mais breve possível porque a demora
poderá ser causa de incidentes. Se são dois os avisos a redigir os
componentes vão distríbuir-se do trabalho de elaboração com independência
da obrigação cabendo a assinatura to autuante que apreciou a infracção.
Quando o autuado alegar ter pressa, deve-se lhe pedir o número da
carta ou licença de condução e o endereço do domicílio que o acredite, deve-
se lhe informar a razão pela qual se lhe autua, e salvo as provas documentais
consideradas pertinentes vai-se permitir a continuação com a advertência de
que o acto da notificação tenha sido cumprido.
As multas serão formuladas nos livros regulamentares, com arranjo das
instruções que se recebem e os autuantes observarão com exactidão as
formalidades exígidas para evitar a nulidade em acto.

No concreto:

Deve-se comprovar de forma inequívoca a identidade e domicilio do


infractor, assim como a titularidade ou posse legal do veículo, se expressará
perfeitamente o lugar da infracção de forma que não ofereça dúvidas do ponto
exacto da ocorrência da infracção.
Na redacção utilizar-se-á a língua Portuguesa.

No caso de que exista causa que impossibilite a paragem, fará-se


constar no aviso o motivo, evitando o uso de termos ou frases já previstos.

Quando uma multa for passada e o condutor não assine o original da


mesma cópia far-se-á constar esta circunstância no mesmo, remetendo-o junto
com a original ao organismo competente.

Redigido o aviso da multa e entregue a original ao interessado as


correcções que por erro sejam necessárias introduzir deverão ser ressalvadas,

107
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-108

tanto na cópia como na original que se entrega ao infractor. No caso de que o


erro tenha sido constatado depois de ter sido entregue a original do aviso ao
infractor , far-se-á constar na nota anexa a original sem rectificar o aviso de
multa, fazer figurar na mesma que o infractor não tem conhecimento desta.

No caso da concorrência de muitas infracções autuar-se-á a mais grave,


advertindo do resto ao infractor, sem que em nenhum caso a actuação do
autuante possa dar lugar a interpretações de busca de infracções não
observadas anteriormente ou que traduzam vinganças improcedentes.

Por nenhum conceito fixar-se-á um determinado número de multas nem


se entabularão competições de tal sentido pelos membros da PRM, não
adoptar atitudes que mostrem uma afã de persecução imprópria da natural
linha de conduta a seguír. Não são admissíveis também inibições que ponham
em evidência ou total despreocupação pela vigilância encomendada com as
negativas consequências que possa supor para a observância da disciplina da
circulação.

O agente autuante deve abster-se de receber carteiras ou pastas que


contenham outro tipo de documentos que não sejam os estritamente
necessáríos para formular a multa, ou se for necessário, pedir que sejam
extraídos os mesmos do lugar pelos condutores ou utentes para a sua entrega
a força autuante, com objectivo de evitar que possam alegar o
desaparecimento de dinheiro e outros objectos de valor.

PARAGEM DE VEÍCULOS

A paragem de veículos objecto de autuação deve-se levar a cabo em


lugares cuja orografia permita a paragem momentânea sem criar riscos
concretos para a segurança da via, disponham de suficiente visibilidade e
sejam adequados aos fins perseguido, tendo em conta o tipo de veículos a
controlar e a meta de ditas inspecções. Em qualquer caso a ligação com a
Central Policial deve estar assegurada.
Para ordenar a paragem dos veículos como consequência de alguma
infracção ou por qualquer outra causajustjfícada, deve-se ter em conta os
seguintes extremos:

Não ordenar a paragem de nenhum veículo no lugares onde pelo


regulamento é proibido ou seja perigoso para o trânsito, assim
como fazê-lo a vários utentes ao mesmo tempo provocando
manobras arriscadas ou incomodas ou desnecessárias.
Se a paragem é ordenada na presença da Patrulha a pé firme, o
sinal reguamentar deverá fazer-se a uma distância do veiculo de
tal modo que não se possa originar uma situação de perigo e
evitar-se riscos inúteis colocando-se imprudentemente a frente do
mesmo.

108
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-109

Neste caso, o braço direito deverá estender-se o mais possível para


cima com a finalidade de oferecer a maior visibilidade ao condutor destinatário
desta obrigação, o esquerdo reforçará o sinal de paragem oscilando no plano
horizontal e a indicar a margem da estrada. Nestas circunstâncias o executante
vai pôr a velocidade média na via para ajustar o tempo prévio de realização. Ao
dispor-se de elementos auxiliares, tais como banderolas ou sinais e reforço vai
empregar-se sem excusar em especial nas autopistas, auto-estradas e vias
rápidas. Neste tipo de estradas, a colocação dos Agentes far-se-á de modo
escalonado no sentido do movimento, sem que a distancia eritre os dois seja
inferior a 70 metros, com o fim de reforçar o sinal da paragem. De noite deve-
se empregar a lanterna de dotaçao e as equipas reflectoras por completo, a
este respeito, os movimentos da luz deverão realizar-se com a antecedência
suficiente é através deste modo que se reconhece facilmente e usualmente
aceitáveis, tendo em conta que a ausência de normas específicas pode pôr
confusões para o utente, pelo que ditos movimentos serão praticados em todas
as unidades de modo uniforme, de acordo com os ensinamentos recebidos no
processo de instrução.

Quando o veiculo estiver parado, um dos componentes de serviço se


aproximará pelo lado esquerdo, com objectivo de evitar atropelos a pesar de ter
que vencer aos lógicos incómodos e dificuldades que isso trás, e a não ser
assim o realizará pelo direito sempre e quando a situação do veiculo seja tal
forma que não constitui perigo ao existir espaço suficiente até a màrgem da
estrada. Nesta situação a permanência no lateral direito será a imprescindível,
devendo situar-se de acordo com o estabelecido duma forma geral nas normas
de actuação, (o incumprimento desta disposição será severamente corrigida
pelas consequências fatais que isso pode trazer).

Se a paragem acontece de noite, a aproximação efectuará-se pela parte


posterior do veículo utilizando a lanterna de modo que não possa haver
surpresas ante uma hipotética acção violenta dos ocupantes. Convidar-se-á a
estes para que acendam a luz interna do veículo. Um dos componentes
proteger-se-á de quem se aproxima, e em todo mornento deve-se dar exacto
cumprimento as normas de autoprotecção. Se a paragem nócturna do veIculo
tenha-se realizado desde o veículo de quatro rodas, deve-se empregar as luces
da ponte de sinalização para observar os movimentos dos utentes.

Em qualquer situação, deverá se assumir que nem sempre o utente será


capaz de compreender perfeitamente as indicações do agente, pelo que a dita
prevenção supõe a repetição ou reiteração das mesmas até que se chegue a
convencer-se que a instrução foi captada correctamente.

Se o sinal deve-se executar desde o veículo de quatro rodas vai-se


completar a ordem de paragem, quem verifca e o integrante do serviço não o
condutor, através do emprego dos sinais da ponte de sinalização.

A noite e durante o tempo que dure a paragem deve-se ordenar ao


condutor que ponha a iluminação ordinária, evitando que se possa produzir
encandeamentos aos demais veículos ao utilizar outro sistema de iluminação.

109
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-110

Ao ordenar novamente o segmento do veículo não se deve omitir a


saudação militar, a despedida de cortesia e o tratamento que corresponda,
regulando a sua entrada em circulação.

CONTROLE E DIRECÇÃO DO TRÂNSITO


No cumprimento das disposições legais, a PRM, exerce no âmbito das suas
competencias as funções de regulamentação e controle do transito, cujo
objectivo fundamental é a obtenção da melhor fluidez alcançável sem
detrimento, em nenhum caso, de outro principio vial, a segurança.

ORDENAÇÃO E CONTROLE DE TRÂNSITO

O conceito de controle de trânsito, e a função que compreende o


mesmo, abarca em
primeiro lugar, a captação de todas as variáveis que afectam a fluidez e
segurança das vias que tem ao seu cargo a PRM em especial, as
características da circulação e as incidências que nela surgem. Em segundo
lugar, a exploração de tais dados para a distribuição nos diferentes serviços
ordinários e extraordinários. Em terceiro e ultimo, manter actualizada a
informação aos utentes como factor fundamental de serviço público.

Para estes efeitos, deve-se ter em conta os seguintes conceitos:

INTENSIDADE DO TRÂNSITO: Entende-se , como o número de


veículos que passa através duma secção fixa da estrada por unidade de
tempo. As mais usadas são veículos por hora e veículos por dia. As medições

110
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-111

são levadas a cabo através da realização de avaliação, manual, ou através dos


meios técnicos.
COMPOSIÇÃO DO TRANSITO: Percentagem de veículos com a
intensidade média diária, que pertencem a cada categoria (veículos de duas
rodas, ligeiros e pesados).
VELOCIDADE PERCORRIDA DE UM VEICULO: É a velocidade média
conseguida pelo veículo ao percorrer uma distância dada da estrada.
VELOCIDADE MÉDIA ESPACIAL: É a velocidade média de todos os
veículos que num instante determinado estão numa distância de uma estrada
dada.
DENSIDADE DE TRÂNSITO: Número de veículos que existem por
unidade de longitude sobre uma estrada. Tem marcado interesse para o cálculo
do número de veículos parados numa paragem.
TEMPO DE DEMORA: Considera-se como talo tempo que atrasa um
determinado veículo em superar uma paragem. É um elemento que deve
dominar os regulamentos que afectam as intercessões e aos que comportem
correntes alternativas de circulação, pelo que todo pessoal deverá conhecer o
conceito e a sua aplicação.
CAPACIDADE DA VIA: Número máximo de veículos que podem circular
por ela em determinadas condições. A capacidade das vias depende,
fundamentalmente, da velocidade média dos veículos, da composição do
trânsito, do traçado, da sua largura em número das faixas, da existência de
obstáculos e intercessões. Quando o número de veículos que circula por uma
determinada estrada excede ao que é capaz de suportar produz-se a
congestão. A capacidade das vias pode-se aumentar limitando a circulação de
determinados veículos de baixa velocidade média em períodos curtos de
tempo, aumentando o número de faixas (por exemplo, aproveitando
ternporariamente a margem), e com outras medidas de ordenação que se
expressam mais a frente.

NÍVEIS DE SERVIÇO: Ao participar nas ocorrências deve-se ter em


consideração os seguintes códigos de níveis de serviço nas estradas:

BRANCO ................................... CIRCULAÇÃO NORMAL


VERDE ....................................CIRCULAÇÃO INTENSA
AMARELO..................................CIRCULAÇAO DISCONTINUA
VERMELHO............................... SATURAÇÃO
PRETO ........................................COLAPSO CIRCULATORIO

Os níveis branco e verde serão dados unicamente quando passa-se


neles desde situações mais graves.
Todos os dírigentes, na planificação, organização e execução dos
serviços, utilizarão
estes conceitos técnicos de controle de trânsito para obter uma melhor
materialização destes.

TÉCNICAS DE ORDENAÇÃO

111
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-112

Através destas técnicas pretende-se alcançar um aumento de


rendimento ou nível de serviço e da segurança das vias, na situação
conjuntural. Quando os problemas de reduzir a fluidez são estruturais, vai
corresponder as autoridades competentes a adopção das medidas correctivas
necessárias.
Os princípios a ter em conta para a adopção de medidas de ordenação
são:

»Não se deve causar maior incomodo naquilo que se trata de


evitar.

»É imprescindível uma perfeita informação ao utente que se


mostra surpreendido pela vigência da medida. A este respeito
deve-se ter em conta que o mais importante para utente é
conhecer o que está acontecendo e que consequências isso trás
para ele.

»As medidas devem ser de cumprimento razoavelmente possível,


pois ao contrário, haverá uma vulnerabilidad constante.

»Deve-se observar o resultado da adopção das ditas medidas


pois necessitam de variação constante.

As técnicas consistem:

»Supressão momentânea das curvas. Aumento da capacidada


das vias. Pode bastar a regulamentação dos peões. Se a acção é
duradoira, deve-se reforçar com sinalização.

»Limitação ou proibição temporária de estacionamentos. Da


fluidez e segurança em especial, nas travessias congestionadas
ou onde a regulamentação da velocidade média deve-se a hábitos
de paragem ou procura de estacionamento. É imprescindível o
uso de sinais de abalizamento complementares.

»Estabelecimento provisória de circulação em sentido único.


Embora seja uma medida de grandes vantagens, o seu emprego
requer muita ponderação, pois necessita de um itinerário
alternativo adequado. É útil nos estreitamentos acidentais requer
a regulamentação coordenada por parte dos agentes.

»Dispositivos de cones. Assinala a divisão de correntes de


circulação em sentido oposto, exige-se a intervenção de
empresas especializadas e desdobramento policial considerável,
salvo caso em que o dispositivo seja de escassa longitude.

112
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-113

»Realização de desvios para descongestionar uma paragem ou


para salvar-se de um obstáculo. Os desvios não devem
incomodar demais ao utente, a informação deve ser exacta e
completa, nem o tempo do percurso pelo novo itinerário deve ser
superior ao tempo de demora na bicha de paragem e, finalmente,
não se deve criar um aumento considerável da perigosidade da
viagem, ou provocar danos estruturais de difícil reparação nas
vias utilízadas para evitar o congestionamento. Para a previsão
dos mesmos deve.se empregar todos os meios técnicos
disponíveis.

TECNICAS DE REGULAMENTAÇAO E AGILIZAÇAO

Quando como consequência de acidentes, obstáculos, congestões de


transito, operaçoes de grande intensidade ou aglomerações por diversas
causas, dispõe-se ou seja é necessária para regular as correntes círculatórias
por parte dos autuantes, e vai ter-se em conta as seguintes questões:

»Os sinais que os agentes executam, tanto com os braços, como


quando se reforçam com as lanternas serão as regulamentares,
reforçadas com outras complementares que têm como objectivo a
chamada de atenção dos utentes, a redução da sua velocidade e
a obediência do sinal emitido. Deve ser levado a cabo com toda
energia, ,sem indicações e realizadas com a antecedência
suficiente assim como para dar tempo de reacção aos condutores
destinatários da ordem. Em qualquer caso, quando se emite o
sinal de alto ou o de continuar o movimento, o olhar do agente
deve-se dirigir claramente ao receptor, para fortalecer a
determinação.

»Não é admissivel que na actívidade reguladora os agentes


demostrem gestos grosseiros de falta de cortesia ou impróprias
que baixem o tradicional espírito de cortesia da Polícia. Confundir
a energia dos movimentos com a falta de modéstia produz uma
imagem negativa e deve ser ernendada por todos os
responsáveis.

»Se fôr necessário regular o trânsito por existência de algum


obstáculo que não possa ser retirado no acto, em primeiro lugar
deve-se sinalizar o mesmo nos dois sentidos da via através do
emprego da sinalização, tetrápodos reflexivos ou cónes de
rotação e a distância necessária para evitar manobras bruscas
por parte dos utentes.

»Um dos componentes da Patrulha ou grupo deve adiantar-se


pela banda afectada em direcção donde vem a circulação com

113
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-114

objecto para poder advertir com ternpo aos utentes da


necessidade de parar ou reduzir a velocidade.

»Sempre deve-se ter em conta a velocidade média de circulação


da via para ponderar a situação concreta da sinalização, sem que
em caso nenhum seja admissivel afixar dita sinalização tão
próxima ao obstáculo que seja totalmente ineficaz. A mesma
prevenção deve-se cumprir no referente a colocação dos
reguladores, de modo que em autopistas, auto-estradas e vias
rápidas, o componente que tenha como missão pôr a vista o
obstáculo e o oportuno desvio dos veículos, deve-se colocar a
menos de 100 metros do lugar onde está o entorpecimento.
Noutro tipo de vias, a distância poderá ser menor, mas tendo em
conta sempre o repetido dado da velocidade média de circulação
no troço em questão.

»De noite, deve-se utilizar os emissores portáteis de luz como


primeira medida de urgência, até certo momento, se as
circunstâncias o requer e o obstáculo fôr duradoiro, as
autoridades da conservação da via adoptarão as medidas
consequentes.

»A Polícia nunca se colocará em mudanças de rasante ou curvas


sem visibilidade, separando-se de tais lugares a distância
necessária até ocupar um ponto com plena visibilidade e sempre
que seja possível fora do interior da estrada ou o mais próximo da
margem.

»Em caso de paragens ocasionadas por qualquer incidente, deve-


se primar pela segurança, colocando-se um dos integrantes do
serviço em bicha na qual vai-se deslocando em par, com a
finalidade de evitar toques. Isto facilitará a informação da
oscilação e tempo de demora ao componente que se encontra a
regular, e que executará em consequência.

»Sempre terá-se em conta o sentido de maior intensidade de


trânsito para acomodar os cortes intermitentes ao indicar o tempo
de espera, de modo que as interrupções sejam racionais e
comportem incómodos similares a ambas correntes circulatórias.
O mesmo critério é aplicável na regulamentação de intercessões
onde nunca se estabeleceram ciclos regulares que possam
causar graves diferenças de tempos de espera numa direcção
determinada. Nestes casos, quem exerce o comando do serviço
deverá comprovar permanentemente os efeitos da acç.ão
reguladora, modificando o tempo de passagem de acordo com as
pontuais necessidades.

114
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-115

»Nas alternativas de passagem, evitar-se-á que o primeiro veículo


a interromper a velocidade seja um veículo com aceleração lenta,
uma vez que ao reiniciar o ciclo a fluidez pode ser prejudicada.

»Na actividade de agilizar deve-se eleger ponto idóneo, donde se


aprecia os veículos que reduzem a sua velocidade, bem pela
existência de pendentes ou por motivos externos que provocam a
distracção dos condutores. Em tais casos, os movimentos dos
autuantes deverão ser muito activos, acompanhados por ligeiros
toques de apitos e ter a prevenção de dirigir o olhar para o sentido
da circulação para evitar encalços provocados pelo próprio
exercício ativador.

»Quando existem vários agentes a regular no mesmo troço, a


coordenação será a chave do exercício correcto do serviço. O
comandante ou o mais caracterizado dos executantes, elegerá um
coordenador que será quem decidirá o tempo de paragem e
movimento combinado entre todos os reguladores.

»Naqueles lugares onde a acção agilizadora resulte ineficaz por


circunstâncias estruturais ou de sinalização, os realizadores do
serviço tratarão de evitar os acidentes por calços, situando-se
para o efeito em bicha de paragem. Quando ditas paragens sejam
permanentes deve- se instar as autoridades competentes para a
colocação do sinal oportuno.

»Para levar a cabo uma regulação móvel, actuar-se-á com


preferência com triciclos, um dos componentes deve ocupar uma
posição que permite a visão por parte dos veículos que lhe
seguem. Ademais deve-se ter em conta que a alternativa de
passagem a ser facilitada pela força, deverá ser correctamente
coordenada, empregando-se as transmissões daquelas que serão
dotadas e não provocar situações difíceis com o seu deficiente
exercício.

»Quando solicitar-se à colaboração da Polícia nos processos de


retirada de veículos acidentados, a carga espalhada na rua,
obstáculos, etc ou seja é necessário regular algum troço da
estrada pelo exercício de alguma actividade que conte com a
pertinente autorização de quem o requeira, a central policial dará
seguimento as oportunas instruções aos executantes m§lis
próximos para que levem a cabo a colaboração, tendo em conta
que a rápida intervenção poderá evitar possíveis desfasamentos
na segurança das vias.

SINAIS DOS AGENTES DE TRÂNSITO

115
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-116

Os sinais dos Agentes, homologados são de obrigatório cumprimento


para todas pessoas para a obtenção da carta de condução, são as recolhidas
na legislação de trânsito moçambicano, na prática, especialmente nas vias
interurbanas, quando a circulação desenvolve-se a velocidades altas, estes
sinais devem ir precedidos de outras complementares, para chamar a atenção
aos condutores, afim de que reduzam a sua velocidade e posteriormente
executem a manobra que lhe seja ordenada.

Os sinais dos agentes que regulam a circulação serão sempre


executivas, levar-se-ão a cabo com toda energia e claridade, para que não
surjam erros na sua interpretação, porque em função da energia do agente, no
nosso caso de polícia da PRM, transmitirá aos condutores a maior ou menor
celeridade que se pretende transmitir a circulação.

Os sinais dos agentes sempre prevalecem sobre qualquer outra


voluntária ou involuntária que possa aparecer, independentemente do seu
carácter ou forma, pelo que os condutores nos lugares onde existe ou haja um
agente regulando o trânsito só debe-se ter em conta os sinais deste e, o agente
é o responsável da segurança e fluidez.

Os sinais que podem fazer aos agentes encarregues da regulação do


trârnsito são as seguintes:

1. SINAIS OPTICOS:
Com o braço
Com lanternas
Com os prioritários do veículo

2. SINAIS ACÚSTICOS:
Com meio de apito
Com o megafone do veículo

ACTUAÇÃO PERANTE CATÁSTROFES


OU GRANDES ACIDENTES NAS CIDADES
E NO MEIO RURAL
Nas grandes catástrofes, acidentes ferroviários, autocarros, aviação,
desmoronamento de edifícios, explosões em fábricas, etc., geralmente o
número de vítimas, é elevado.
Nestes casos, o trabalho policial consiste essencialmente, na realização
das seguintes operações:
- Recuperação de pessoas.
- Evacuação urgente dos feridos.
- Identificação das vítimas.

116
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-117

- Averiguação das causas do sinistro.


Nos primeiros momentos, a recuperação e a evacuação das vítimas,
requer toda a prioridade nos trabalhos, devendo conjugar essa urgência com a
sua identificação. Deverá ser sempre coordenada sob uma única direcção,
devendo procurar uma assessoria dos técnicos ou especialistas nas diferentes
matérias.

DIVISÃO DO PESSOAL EM EQUIPAS

Todo o pessoal, policial, militar ou civil, que vai prestar ajuda nos
trabalhos de salvamento, deve ser colocado numa equipa segundo os seus
conhecimentos ou aptidões.
As equipas a serem formadas são:
1. Segurança e regulamentação do trânsito.
2. Salvamento de pessoas e recuperação de bagagem.
3. Sanitário.
4. Identificação.
5. Evacuação de pessoas.
6. Investigação das causas.

OPERAÇÕES PRELIMINARES

Logo que cheguem as forças policiais ao lugar da catástrofe, as


primeiras operações a realizar, embora os trabalhos de recuperação das
vítimas comecem simultaneamente, são:
- Cercar a zona.
- Estabelecer os postos.
- Estabelecer os serviços de segurança e regulamentação do trânsito.

CERCAR A ZONA.
Esta deve ser feita com obstáculos, cordas etc., deve-se deixar uma
porta de entrada e uma ou duas de saída, não permitir desta última a entrada
de noite. Todas elas serão vigiadas pelas forças policiais, para evitar a entrada
de curiosos é ter as portas desocupadas para a entrada e saída, do pessoal
que actua na evacuação das vítimas.
O posto sanitário deve ser o serviço mais próximo do lugar do sinistro e
deve ter acesso fácil.
O escritório de identificação deve estar a continuação do posto sanitário,
entre este e os postos de feridos e cadáveres; uns e outros, antes de chegar
nos seus postos respectivos, vão passar primeiro pelo escritório de
identificação.
O depósito da bagagem não deve estar separado do escritório de
identificação
O depósito de cadáveres, é o lugar onde estes se encontram para a sua
identificação e posterior evacuação.
Carga de ambulâncias e estacionamento de veículos. Dentro do recinto
cercado não devem entrar outros veículos que não sejam ambulâncias, com
itinerário breve e fácil, assim como os que tenham que intervir de alguma
maneira no facto ( coches escada, gruas, etc.).

117
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-118

Zona de espera dos familiares. Estes não devem entrar e permanecer na


zona de saída. Vai-se exercer sobre eles uma vigilância suficiente para impedir
a sua entrada. Quando se lhes facilite a entrada vai-se fazer em pequenos
grupos.

ESTABELECIMENTO DE SERVIÇOS DE SEGURANÇA


O Serviço de Segurança vai começar a funcionar imediatamente. As
suas missões serão:
Vigiar a zona cercada e seus arredores para:
- Evitar actos de pilhagem.
- Impedir a entrada de curiosos e familiares.
- Fazer cumprir as normas que o chefe das operações dá.
- Estabelecer uma ligação de radio com a Central de Policia.
- Iluminar a zona se o trabalho realizar-se a noite.

REGULAMENTAÇÃO DO TRÂNSITO
Este serviço vai ter como missões:
- Dar a maior fluidez ao trânsito com prioridade a serviços de urgência.
- Impedir a entrada de veículos não autorizados.
- Evacuar os veículos das proximidades.
- Tirar para fora todos os veículos que levam pessoal ou material ao lugar,
logo que estiverem vazios.

EQUIPA DE RECUPERAÇÃO
Este serviço terá as seguintes missões:
- Evacuar os feridos ao posto de socorro.
- Recuperar os cadáveres.
- Recolher a bagagem e outros objectos.

Grupos que as integram:


Para estas missões estarão integrados pelos seguintes grupos
- De inquérito
- De maqueiros
- De recuperação de bagagem
Os grupos de inquérito devem ir equipados de ferramenta adequada
para libertar os corpos aprisionados.

FORMAS DE ACTUAÇÃO
Com as vítimas:
Enquanto um grupo descobre uma vítima, ferido ou morto, o chefe do
grupo vai mandar os maqueiros para os conduzir ao posto de socorro,
amarando ao seu corpo uma etiqueta com um número e a discrição em bloco e
fazer constar num esboço a situação da vítima e alguns dados breves. No lugar
onde se encontra vai-se deixar o mesmo número para posteriores verificações.
Os restos humanos incompletos, que também se atribui um número,
serão levados em sacos directamente ao escritório de identificação.
As pessoas ilesas são conduzidas a uma zona de espera. Podem ser
úteis na identificação das vítimas e na averiguação das causas do sinistro e
depois serão evacuadas.

118
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-119

Com a bagagem:
Com a bagagem e outros objectos que vão sendo encontrados vai-se
proceder da mesma maneira que se procedeu com as vítimas.

TRATAMENTO DE URGÊNCIA
O posto sanitário estará composto por tantos médicos, sanitários e
diplomados que se apresentem.
A sua obrigação será:
- Certificar a morte dos cadáveres.
- Fazer tratamentos de urgência aos feridos para a sua transferência aos
centros sanitários fixos.

IDENTIFICAÇÃO
O serviço de identificação estará próximo ao sanitário. Deste, os feridos
ou cadáveres passarão para o outro. Estará composto por :
- Médico forense
- Odontologista
- Um mínimo de dois policias técnicos na matéria
- Um fotógrafo
- Vários ajudantes
Sempre vai-se dar prioridade aos feridos para o seu processo de
evacuação.

Identificação dos feridos


Se o ferido pode falar ou leva algum documento é suficiente. Se não se
pode conhecer a sua identidade, vai-se atribuir um número, mais tarde, quando
estiver recuperado vai-se proceder a sua identificação no Centro Sanitário.

Identificação dos cadáveres


Devemos diferenciar dois casos:
DOCUMENTADOS: As operações iniciam-se pelos cadáveres mais
fáceis de identificar, segundo vão chegando, examinar em busca da
documentação pessoal, separar os que levam identificação dos que não levam
A todos os cadáveres vai-se atribuir um cartão numerado, levando-se o
controle dos mesmos, e constar nele o inquérito do documento em que se
baseou a identificação.
Todos os objectos que cada um leva, vão ser introduzidos numa bolsa
que será atribuída o mesmo número que tem o cadáver.
Os cadáveres já identificados, serão retirados para um lugar de espera
aguardando a sua posterior transferência.
Até a identificação de todos os cadáveres, não se vai permitir a
evacuação de nenhum fora do recinto cercado, emborca esteja já identificado,
porque é possível que se cometam erros que devem ser sanados confrontando
vários cadáveres.
INDOCUMENTADOS: Uma vez transferidos do posto de identificação os
documentados, vai-se iniciar o estudo dos carentes de documentação.
Primeira fase: Alinham-se todos aqueles que tem rosto que se
reconhece ou roupas em estado de ser identificadas.

119
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-120

Convida-se as pessoas que saíram ilesas ou feridos ligeiros para que os


identifiquem. Igualmente vai-se fazer com os familiares presentes no lugar.
Normalmente só haverá uma destas pessoas no lugar de identificação, até que
não tenha acabado não se admite a entrada de outra.
Os cadáveres já identificados serão evacuados do posto com as
mesmas formalidades dos documentados.
Em caso de haver alguma dúvida, vai-se obter vestígios digitais e
fotografias "post mortem" de identificação.
Segunda fase: Com os cadáveres não documentados, que ninguém os
tenha reconhecido, vai-se fazer o seguinte:
Tirar-se a roupa deixando-a ao lado do cadáver.
Fazer-se a inspecção na roupa a procura de algum papel ou objecto nos
bolsos.
Traz-se a bagagem que foi encontrada junto aos cadáveres e vai-se
classificar de acordo a aproximação.
Abre-se a dita bagagem e inspecciona-se no seu interior.
A cada cadáver atribui-se um número, que deve ser o mesmo que se
atribui ao vestuário e objectos.
Início das operações de identificação propriamente ditas:
- Descrição da roupa.
- Descrição dos objectos.
- Descrição pessoal.
Vai-se comprovar se há correlação entre cada cadáver, com a sua roupa
e os objectos do interior de cada bagagem, e o que havia nas suas imediações
(o que está neste momento nos seus pés).
Tomam-se impressões digitais.
Tiram-se fotografias para a sua posterior identificação.
Com todos estes dados vai-se realizar um estudo tendo em conta outras
contribuições, como são:
- Lista de pessoas que havia no lugar do sinistro. Esta lista sempre existe nas
fábricas, hotéis, aviões, barcos etc.
- Descrições facilitadas pêlos familiares que ainda não localizaram os seus
parentes. São particularmente interessantes os dados referentes a antigas
fracturas, cicatrizes, lunares, tatuagens, etc.
Finalmente cada cadáver será introduzido num caixão, que no seu
exterior vai ser atribuído o mesmo número que leva o cadáver, e já podem ser
evacuados ao seu lugar de destino.

Identificação dos ilesos


Também vai-se verificar a identificação de todas pessoas que saíram
ilesas. Esta operação é muito importante, já que a sua exclusão da lista reduz
os cadáveres a identificar.
Os ilesos uma vez identificados, ficam em zona reservada para eles para
casos de identificação de cadáveres se for necessário

EVACUAÇÃO DE FERIDOS
É a que maior dificuldade oferece desde a identificação, já que depois
dos primeiros socorros, serão transferidos para diferentes Centros
Hospitalares.

120
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-121

Normas a seguir:
Dar a cada condutor de ambulância um cartão com o número destes. O
Condutor deve Informar, ao pessoal do Centro Sanitário , para não separar o
número de identificação da vítima.
Receber dos condutores, no seu regresso , o nome do Centro onde está
internado cada ferido.

EVACUAÇÃO DE CADÁVERES
Os cadáveres serão evacuados ao depósito ou lugar que o juiz instrutor
designar.

EVACUAÇÃO DE BAGAGEM E OBJECTOS


A bagagem e objectos de propriedade desconhecida serão remitidos ao
Juiz Instrutor, junto da relação detalhada dos mesmos e especificando o
conteúdo de cada fardo ou bolsa, assim como o número atribuído.

INVESTIGAÇÃO DAS CAUSAS


Quando os cadáveres tiverem sidos resgatados e retirados do lugar do
sinistro, a equipa de investigação vai fazer uma inspecção a procura de indícios
que possam esclarecer as causas da catástrofe.
Quando se encontre algo concreto vai-se solicitar a intervenção de
técnicos ou peritos se for necessário.
Também vai-se ouvir as declarações das testemunhas.
Vai-se realizar um esboço detalhado do lugar, com a indicação do sitio
onde foram encontrados cadáveres, bagagem, etc.
Vai-se tirar fotografias em número suficiente de panorâmica e detalhes
que sirva de testemunho e continuar a investigação mais tarde. Todos os
indícios que se vão descobrindo na inspecção ocular vão ser vedados, e
incluso vigiados se for importantes, para evitar a sua destruição.

RELATÓRIOS
Do sinistro deve-se redigir dois relatórios:
relatório de identificação: É um resumo do livro onde se foi anotando
todos os detalhes referentes a cada cadáver. Devem ficar bem claras as provas
em que se baseou a identificação de cada cadáver.
relatório de investigação: Partindo das averiguações praticadas, deve
indicar as causas do sinistro e os nomes dos responsáveis. Irá documentado
de esboços e fotografias, assim como as provas que foram consideradas
oportunas a dar.

ACTUAÇÃO NO CASO DE ROUBOS DE


VEÍCULOS E RECUPERAÇÃO

121
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-122

Comete roubo aquele que com a intenção de lucro apodera-se de coisas


móveis alheias com violência ou intimidação nas pessoas ou força sobre as
coisas.

Por regra geral, vai-se detectar estes veículos patrulhando pela via
pública ou por avisos dos cidadãos a observar o veículo estacionado durante
algum tempo sem que ninguém faça uso do mesmo.

Em muitos casos, quando os delinquentes cometem algum facto de


delito com o veículo, levam-no a um lugar desabitado e procedem a sua
queimada, deitando-o gasolina, para apagar qualquer tipo de sinal ou vestígio
com os quais podem ser identificados.

Quando tenhamos suspeita de que um veículo encontrava-se procurado


ou controlado como roubado, vai-se solicitar dados ao centro policial. Uma vez
nos comunique a sua procura, se este vai ocupado, vai-se mandar parar e
comprovar a documentação, já que acontecem casos em que não se deu conta
da sua recuperação e ainda constam como roubados. Caso se encontrar em
vigor a sua procura, vai-se proceder a detenção dos mesmos ou da pessoa que
o conduz, levando a pessoa e o veículo ao centro policial, assim como o
veículo para a sua inspecção e responsabilizar-se de objectos de valor, se
houver.

Vai-se avisar ao proprietário do veículo para responsabilizar-se do


mesmo. Caso o veículo encontre-se abandonado, vai-se trasladar para o
centro policial ou ao depósito fazendo uso duma grua.

Outro dado a ter muito em conta no roubo de veículos, é não tocar o


mesmo:
- Se tem interesse policial.
- Se foi roubado com intimidação.
- Se existe suspeita de explosivo.

Nestes casos, vai-se solicitar a equipa de especialistas.

NORMAS GERAIS:
- Revistar o interior do veículo.
- Recolher objectos de valor; e depositar.
- Recolher a documentação.
- Retirar o veículo.
- Trasladar o veículo às dependências policiais ou depósito.
- Instrução de diligências. É importante fazer constar o lugar, a
data e o número de diligências de denuncia subtracção,
proprietário, residência e telefone, assim como a relação dos
efeitos que se depositaram e os entregue ao dono.

122
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-123

O PROCESSO
1.1 INTRODUÇÃO.

O processo é o conjunto de diligências que os funcionários da polícia judiciária


redigem para averiguar e provar um facto delitivo, assim como a gestão e descobertas
realizadas, para determinar as circunstâncias que concorreram ao mesmo, as
possibilidades e responsabilidades dos autores, cúmplices e encobridores, com o
objectivo de pô-los a disposição da autoridade judicial, nos casos determinados pela
Lei.
O processo pode ser consequência duma denuncia dum particular ou resultado
duma actividade começada pela própria polícia judiciária.
Os componentes das equipas do processo e Informes vão elaborar o
“processo” das diligências, num papel selado ou num papel comum, no qual vão
especificar com maior exactidão e veracidade, todos os factos averiguados, incluindo
as declarações e relatórios recebidos e anotar todas as circunstâncias que tenham
observado e que possam ser prova ou indício do delito.

1.1.1. OBJECTIVO.
O objectivo do processo:
- Provar a existência do delito.

123
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-124

- Descobrir o delinquente.
- Recolher as provas de delito.
Por conseguinte, com estas premissas podemos tirar uma definição do
processo.

1.1.2. DEFINIÇÃO.
“Conjunto de diligências que a polícia realiza com o objectivo de provar
o delito, descobrir o delinquente e recolher as provas do delito”.

1.1.3. INICIAÇÃO.
O início dum processo pode provir :
1) Da denuncia verbal ou escrita dum particular.
2) Da iniciativa própria da polícia.
3) Pelo requerimento da autoridade judicial ou procuradoria geral.

1.1.4. CARÁCTER DO PROCESSO.


Em qualquer dos três casos, o processo deve ser considerado em todos os
efeitos legais como uma “denuncia”.

1.1.5 VALOR DO PROCESSO.


“Denuncia”. Simples dado que o instrutor necessita para o juízo de alguns
factos conhecidos através dum terceiro.
“Declaração referente a testemunhas”. É o próprio conhecimento do facto pelo
instrutor do processo e que assim o faz constar .

1.1.6 FORMA DO PROCESSO.


a) Processo propriamente dito.
b) Relação verbal circunstanciada: quando um processo não pode ser
redigido, deve-se substituir por uma relação verbal circunstanciada, que vai
reduzir a escrita duma forma real para quem o processo deve ser
apresentado, apresentando-se o motivo pelo qual não foi redigido na forma
estabelecida.

1.1.7 REQUISITOS DO PROCESSO.

1) Requisitos de fundo.
2) Requisitos de forma

REQUISITOS DE FUNDO:
Podem ser resumidos da seguinte forma:
- Nunca se deve qualificar o facto nem as pessoas.
- Deve conter medidas dirigidas ao auxilio das vítimas..
- Tomar medidas dirigidas a provar o facto.
- Tomar medidas direccionadas a detenção dos autores, ou pelo menos
realizar as averiguações necessárias para a sua identificação.
- Medidas sobre a recolha do corpo, instrumentos e provas do delito.
- Realizar as diligências mais decisivas sobre as vítimas, testemunhas, etc.
- Fazer constar todos os indícios, provas a serem postas a disposição da
autoridade judicial.
- Deve conter uma redacção circunstanciada e exacta do facto delitivo,
omitindo todo tipo de ambiguidades.
- Consignar circunstâncias favoráveis e desfavoráveis ao presumível
culpado.

124
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-125

REQUISITOS DE FORMA:
Os requisitos de forma podem ser de dois tipos:
a) Os estabelecidos pela própria Lei.
b) Os estabelecidos pelas instituições legais.
De forma geral enumeram-se algumas normas válidas a ambos casos:
- Pode-se utilizar papel comum ou folio normal.
- Recomenda-se o emprego duma boa caligrafia, limpeza e clareza, com
preferência a máquina ou computador.
- Enumerar e selar, com o selo da unidade, todos os fólios na parte superior
direita, tanto no anverso como no reverso.
- Deve-se iniciar com uma coberta na qual se faz constar os dados das
unidades da policia, tribunal onde se entrega, data, documento de
identificação e nome dos instrutores, número de diligências do tribunal.
- Iniciar e terminar todas as diligências com o lugar, data, hora e outras
circunstâncias.
- Não deixar espaços em branco; os que restam deverão ser anulados.
- Não fazer emendas nem rasuras; os erros serão rectificados da seguinte
forma:
- Caso se observe o erro logo depois de ser cometido, será rectificado
através da palavra “digo” ou “quero dizer”.
- Se o erro se observar depois de terminar a diligência, mas antes de
assiná-la diz-se “na linha...., onde disse ...., deve dizer...”.
- Se observarmos o erro depois de termos assinado as diligências,
faremos uma diligência “rectificando o erro”.
- Margem: deixa-se na parte superior, margem direita, assim como à direita
do anverso uma pestana de vários centímetros.
- A assinatura do instrutor, deve figurar, pelo menos uma vez por folio.
- Os que não sabem assinar, devem pôr o sinal do dedo indicador da mão
direita.
- Fazer constar que o declarante leu a declaração, que lhe foi apresentado,
que nega a ambas coisas; tudo isso antes de a assinar.
- A última diligência deve ser “diligência de entrega”; nela far-se-á constar o
número de fólios do processo, se são ou não escritos em ambas caras, os
objectos que se põem a disposição judicial, aqueles que se entregam e os
que ficam depositados, apresentações que devem ser feitas perante o juiz,
e detidos caso se apresentem, etc.
-
Em todo caso, respeitar as três condições fundamentais que um processo deve
reunir :
- Precisão.
- Concisão
- Detalhe.

1) PRECISÃO: Que não é outra coisa que “exactidão”. Exactidão nas


medições, na redacção das declarações, na determinação das horas. Não
se deve utilizar expressões duvidosas, tais como: “o acidente pode
ocorrer...”, “uma distância aproximada de ...”, “possivelmente fez caso
omisso...”.

2) CONCISÃO: que é conseguida pela selecção de pessoas a interrogar e


das perguntas a formular. Não é por tomar maior número de declarações
que se chega a um melhor conhecimento das circunstâncias do facto.

125
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-126

3) DETALHE: que consiste na não omissão de nenhum dado que possa ser
essencial. Fundamentalmente dos sinais, situação dos veículos; e qualquer
outro tipo de provas, prestar uma atenção especial aos elementos
susceptíveis de desaparecimento ou deslocação nos momentos iniciais.

1.1.8 RESUMO.

O processo é a primeira peça do processo-sumário, e daí deduz-se a sua


importância.

1.2. O PROCESSO.

1.2.1. FUNCIONÁRIOS ENCARREGUES DA SUA ELABORAÇÃO.


São os funcionários ou agentes da polícia que têm o poder legal para
instruir os processos.

1.2.2. PRAZOS DE ENTREGA DO PROCESSO.


Os prazos de entrega do processo serão em todo momento determinados pela
legislação vigente (Lei do Processo Penal).

1.2.3. INTERROGATÓRIO AOS CULPADOS.


Os interrogatórios que são feitos à pessoas implicadas num acidente
deve-se ter em conta as seguintes premissas:

- Evitar perguntas capciosas ou insidiosas.


- Observar as formalidades legais; não usar, sob nenhum conceito, meios de
averiguação que a Lei não permita.

1.2.4. OUTRAS CONSIDERAÇÕES:


Nos processos que os agentes da polícia instruem deve-se fazer constar tanto
as circunstâncias favoráveis como desfavoráveis aos culpados, seguindo um principio
recto de igualdade e justiça.

1.2.5. FORMA DE INSTRUIR O PROCESSO:


Não é possível determinar a prior de maneira exacta e precisa a forma
de instruir correctamente um processo.
Ao dizer “instruir correctamente” entende-se, instruir um processo de maneira
que com ele os objectivos que se pretendem sejam cumpridos, e que depois não
venha um conflito legal sobre o instrutor de forma não pretendida ou involuntária;
somente devido a ignorância, precisamente fruto da falta de profissionalismo do
mesmo.
Para instruir um processo de forma correcta, não basta conhecer algumas
normas gerais. Elas somente servirão de guia ou orientação ao futuro instrutor, o qual,
vai completar com outros conhecimentos relacionados com a sua profissão, sempre
tem a sua disposição o poder de chegar a um domínio total do processo.
Não obstante para a instrução do processo deve-se tentar dominar estas
regras gerais ou pauta, tendo sempre em conta o problema exposto anteriormente.
Cada processo, dependendo do facto que se pretende recolher em cada caso,
terá um número de diligências não predeterminado e que serão diferentes. Portanto,
não se pode estabelecer regras fixas para a sua elaboração.

1.2.6. IMPORTÂNCIA DO MÉTODO:

126
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-127

Método, que não é outra coisa que a forma de dizer ou fazer com ordem
uma coisa, forma de fazer ou proceder, hábito ou costumes que cada um tem e
observa.
Para isso, e tendo em conta as condições que a nosso entender, consideramos
fundamentais para a elaboração do processo, podemos dizer que sem o método não
vai-nos ser fácil cumpri-las devidamente.
Dentro das diligências a realizar, mas sobre tudo nas mais importantes, há uma
série de detalhes e circunstâncias que, em todo caso, há que fazer constar e que não
podem ser esquecidas; daí que com a actuação metódica quanto aos extremos a
consignar e ordem de enumeração, diminuem as possibilidades de incorrer em alguma
omissão.
Quando tratamos posteriormente as diferentes diligências, fá-lo-emos seguindo
um processo lógico e que será considerado o mais apropriado para conseguir o nosso
objectivo.

1.3. A INSPECÇÃO OCULAR SEGUNDO AS DECLARAÇÕES.

1.3.1 A INSPECÇÃO OCULAR. FORMA GERAL.


Uma das mais importantes entre as primeiras diligências é a realização da
inspecção ocular, pois leva-se a efeito nos momentos mais imediatos ao cometimento
do facto delitivo podendo facilmente surpreender o segredo do mesmo e a
culpabilidade do delinquente, ainda não reposto do acto que acaba de cometer nem
prevenido de meios para esconder a sua intervenção no mesmo.

1.3.2. CASOS QUE PODEM ACONTECER:


Na realização pode-se dar três casos:
1. Quando o delito que se persegue tiver deixado vestígios ou provas materiais
da sua perpetração.
Neste caso o juiz instrutor, ou seu substituto, deve recolher e conservar esses
vestígios e provas materiais para o juízo oral, se for possível, levar a efeito a
inspecção ocular e a descrição de tudo aquilo que possa ter relação com a existência
e natureza do facto. Para este objectivo, deve-se consignar nos autos a descrição do
lugar do delito, o sitio e estado dos objectos que nele se encontram, os acidentes do
terreno ou a situação das casas e todos outros detalhes que possam ser utilizados,
tanto para a acusação como para a defesa.
Não se deve recolher e conservar só os vestígios e provas materiais do delito,
senão também descrever aqueles outros que facilmente podem se apagar ou destruir
pela acção do tempo ou por pessoas interessadas no seu desaparecimento.
Na descrição do lugar deve-se procurar a simplicidade, precisão e a devida
clareza, determinando-se, caso for possível, o ponto em que se encontram, o
agressor, o agredido e as testemunhas que presenciaram o facto.
Para a melhor clareza ou prova dos factos, será levantado o plano do lugar,
suficientemente detalhado, ou far-se-á o retracto das pessoas que tenham sido objecto
do delito ou a copia ou desenho dos objectos ou instrumentos do mesmo que tenham
sido encontrados.
Na actualidade é muito frequente e é aconselhável a obtenção de fotografias,
particularmente colocando testemunhas métricas, como meio complementar das
anteriores.
Caso se trate dum roubo ou de qualquer outro delito cometido com
arrombamento, escalamento ou vigilância, deve-se descobrir os sinais deixados, e
deve-se pedir o parecer dos peritos sobre a forma, instrumento, meios ou tempo do
cometimento do delito.

127
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-128

Portanto é necessário fazer constar no processo o estado em que se


encontravam as portas, janelas e móveis, os sinais nas paredes, paredes curtas ou
soalhos, se o lugar constitui albergue, casa habitada ou moradia, etc., pela influencia
que as ditas circunstâncias podem ter na qualificação jurídica do facto.
Para levar a cabo o descrito anteriormente, a autoridade poderá ordenar que as
pessoas que tenham sido encontradas no lugar de delito não se ausentem durante a
diligência da descrição, mandar comparecer de forma imediata e tomar as suas
declarações de forma separada.

2. Quando não tiverem ficado sinais ou vestígios do delito.


A autoridade averiguará e fará constar, se o desaparecimento das provas
materiais ocorreu de forma natural, casual ou intencional, e as causas do mesmo ou
meios que foram empregues para o efeito, seguidamente proceder a recolha e
consignar no processo as provas de qualquer tipo que possam ser adquiridas acerca
da perpetração do delito.

3. Quando o delito for dos que não deixam sinais da sua perpetração:
O instrutor deve procurar fazer constar, por declarações das testemunhas e por
outros meios de prova a execução do delito e suas circunstâncias, assim como a
preexistência das coisas quando o delito tiver acontecido com o objectivo de subtrair
as mesmas.
Todas as diligências compreendidas neste capítulo serão feitas por escrito no
acto da inspecção ocular, e serão assinadas pelo instrutor, secretário e pessoas que
estejam presentes.
Dadas as características especiais dos acidentes de viação, na maioria dos
casos não parece aplicável o citado anteriormente. Mas tendo em conta que sobre o
terreno é impossível tirar conclusões de carácter definitivo de todos os vestígios ali
existentes, só pode-se recolher os dados necessários. O seu ajustamento, dedução
lógica, cálculo correspondente, não se pode pretender que seja realizado ali, sob pena
de prolongar a realizção da diligência por mais tempo, retardando o processo.
O acima exposto dá nos as diferenças fundamentais entre a diligência de
inspecção ocular do processo e a do “informe técnico”.
Tratando-se de acidentes, a diligência de inspecção ocular no processo deverá
conter sem escusar os seguintes dados:
A) Localização exacta do acidente no tempo e lugar.
B) Situação dos veículos depois do acidente.
C) Situação do cadáver/es, se houverem.
D) Situação dos restos desprendidos dos veículos.
E) Situação dos vestígios sobre o pavimento produzidos pelos veículos
participantes.
F) Danos nos veículos (ainda que não avaliados), e muito especialmente
ressalvando se o veículo sofreu danos importantes que possam afectar
algum elemento de segurança dos sistemas de direcção, suspensão,
transmissão ou sistema de travões, ou ao chassis ou a estrutura que
suporta e os pontos de encaixe de algumas destas partes, para que seja
feita uma inspecção técnica do veículo.
G) Sinalização existente.
H) Circunstâncias meteorológicas no momento do acidente ou da chegada da
força.
I) Qualquer outro que compreenda a descrição dos sinais ou vestígios
susceptíveis de desaparecer.
No epígrafe da inspecção ocular do Informe Técnico, deve-se complementar e
ampliar a diligência da inspecção ocular do processo, pois dispõe-se de mais

128
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-129

tempo para instruí-lo e deve-se contar com os resultados das análises,


contrastes e provas dos peritos, fotografias, etc.
O informe técnico, não tem diligências senão pontos (ponto 1.-,2.-,...)
No caso de acidente anormal, pela forma de ocorrência ou outra causa, é
possível que sejam necessários outros dados para além dos apontados, sempre
atendendo a sua particularidade.
Recordemos que é absolutamente necessário ter em conta o assinalado no
primeiro capítulo, sobre a forma de redigir o processo, considerando que esta
diligência prima fundamentalmente pela precisão das medidas.

1.4. DECLARAÇÕES DOS CONDUTORES:


Facilmente se compreende que se um acidente não apresenta muitas
dificuldades e a equipa de processos encontrar-se com o efectivo completo, o
ideal seria que, enquanto dois componentes da equipa realizam a inspecção
ocular, o outro se dedicasse a localizar e tomar por separado as declarações
dos condutores participantes. Diligência que requer ser feita no mesmo lugar.
Se isso não for possível, devemos ter os condutores separados.
Sobre a forma de tomar as declarações dos condutores, constitui um
capítulo à parte no tema sobre “investigação de acidentes”, mas o que se
consigna são os pontos fundamentais da declaração, que são os seguintes:

- Identificação.
- Intervenção e revista da documentação do veículo e a carta de
condução.
- Formulação de perguntas e redacção literal das suas respostas, as
quais em nenhum caso deverão ser sugeridas. Em outras ocasiões
poder-se-á sugerir uma redacção mais gramatical que a resposta,
para o seu melhor entendimento, mas sempre respeitando o que o
condutor quer dizer.
- Convidar aos referidos condutores para comparecerem
imediatamente ou dentro das vinte e quatro horas seguintes perante
a autoridade judicial competente (caso for necessário).
- Advertir que o veículo fica a disposição judicial. Se o veículo tiver
sofrido em consequência do acidente, ou outra causa, um dano
importante que possa afectar algum elemento de segurança dos
sistemas de direcção, suspensão, transmissão ou de travões, ou
chassis, ou a estrutura que suporta os pontos de encaixe de alguma
destas partes deve-se recolher o livrete do carro(para remetê-lo à
autoridade competente), o qual não será devolvido até que o veículo
esteja reparado, uma vez reparado, é a vistoria do veículo, que
acredita a sua aptidão para circular pelas vias públicas.

Em alguns casos, a diligência da declaração deverá ser precedida duma


deslocação, caso o condutor tenha sido levado a um centro sanitário para
receber tratamento. Nestes casos, há que ter em conta que pode acontecer
que o relatório do médico sobre o lesionado, dê ordem para não ser
incomodado, devido a gravidade das lesões ou porque assim o médico o acha
oportuno, pelo que sempre que tenhamos que proceder a tomada de
declarações do mesmo, devemos ter a autorização do médico correspondente,
responsável da sua assistência, isto tudo deve ser feito constar nas diligências,

129
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-130

tanto para o caso em que não fomos dados a autorização como em casos em
que nos é negada, vamo-nos limitar a descrever a tal recusa sem entrar em
mais detalhes.

1.5. OUTRAS DECLARAÇÕES DE INTERESSE:


Não há dúvida de que independentemente dos condutores, existem na
maioria dos casos, outras testemunhas ou participantes, cujas declarações
podem dar luz verde sobre a forma em que os factos se desenrolaram.
É fundamental, a localização exacta dos mesmos, aproveitando aos que
efectivamente servem para corroborar as declarações ou desvirtuá-las. As
referidas declarações podem ser classificadas da seguinte forma:
- Não participantes (podem ser testemunhas visuais e testemunhas
auditivos), podendo ser diferenciados entre peões não implicados e
condutores de veículos não participantes.
- Participantes, que podem ser utentes de algum veículo participante
ou peões participantes no acidente.
Dependendo das características do acidente, procuraremos estabelecer
uma selecção adequada das testemunhas, não deixar antes de eles provarem
o que nos dizem, e mais tarde fazer o julgamento sobre o valor do declarado.
Não serão muito frequentes os casos em que possamos precisar das
testemunhas de um tipo e de outro, pelo que devemos empregar toda a nossa
habilidade para localizá-los.
As partes fundamentais das diligências, são:
- Identificação.
- Determinação da sua localização no momento do acidente.
- Formulação de perguntas e redacção de respostas insistindo sempre
na diferenciação entre o “se viu” e o “se olhou”.
- Pedido de comparência, assim como proceder com os condutores.
OUTRAS DILIGÊNCIAS:
É difícil determinar “a prior” quais serão estas, já que em cada caso
particular podem sobrepôr-se umas às outras. Não obstante e
independentemente do facto de que qualquer diligência que possa ajudar a
autoridade Judicial a determinar a forma em que o acidente ocorreu será de
interesse e vamos seguir expondo algumas das mais frequentes.

DILIGÊNCIA DE RECEPÇÃO DA INFORMAÇÃO OU DILIGÊNCIA DE


CONHECIMENTO DO FACTO.
Esta diligência na maioria das vezes vai iniciar o processo e nela
far-se-á constar em primeiro lugar os dados do agente que recebe a
noticia ou a informação, não esquecendo de pôr o seu número de
identificação, nome e apelidos, emprego e unidade onde presta os seus
serviços, assim como o lugar em que se começa a diligência.
No caso de que a informação que se receba seja dum acidente de
viação, não esquecer, sempre que for possível, reflectir os dados da
pessoa que participa a notícia e o lugar desde onde o acidente ocorreu.
No caso muito frequente de não ser o Instrutor a receber a informação,
não se esquecer de tomar os dados de quem recebeu a noticia.

130
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-131

Fazer constar nesta diligência, todos os primeiros dados que


possui sobre o facto.

DILIGÊNCIA DE DESLOCAÇÃO.
Uma vez que se tomou conhecimento do acidente e reflectidas
todas as circunstâncias apontadas anteriormente, os agentes
Instrutores, devem deslocar-se ao lugar do facto pelo meio mais rápido e
mais idóneo; uma vez ali, cujo momento deve ser reflectido duma forma
clara, iniciarão as averiguações e diligências oportunas.
Não se esquecer nunca de fazer constar nesta diligência a força
que se encontrava no lugar à chegada dos instrutores, ou se não havia
força pública no mesmo, a presença de curiosos sobre o cenário e a sua
atitude. Alterações ocorridas nas pessoas e nas coisas e as medidas de
socorro as vitimas.

DILIGÊNCIA DANDO CONTA AO TRIBUNAL.


Fazer constar que o facto põe-se ao conhecimento do juiz
competente nos casos em que assim se requeira, com a hora exacta e o
meio empregue para transmitir o aviso, assim como a pessoa que
recebe a mensagem. Fazer constar que a chamada fica registada no
livro oficial que deverá existir no posto e o número de registo.

DILIGÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DO GRAU DE IMPREGNAÇÃO


ALCOÓLICA COM O APARELHO DE PRECISÃO.
Sempre que se produza um acidente esta diligência deve
abranger a todos os condutores implicados e que não se encontram
hospitalizados. Todos os detalhes relativos a esta diligência, serão
estudados duma forma independente no tema de ALCOOLISMO.

Em caso de encontrarem-se hospitalizados, também far-se-á com


a autorização médica e com as provas que este recomendar.

DILIGÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER.


Sempre que houver cadáver, é conveniente que a identificação do
mesmo se faça na presença do juiz competente. Por esse motivo,
deverá abranger previamente a este, uma DILIGÊNCIA DE
APRESENTAÇÃO DO JUIZ NO LUGAR DOS FACTOS.

DILIGÊNCIA DO LEVANTAMENTO DO CADÁVER.


(Se houver).

DILIGÊNCIA DE INSPECÇÃO OCULAR.


(Tratou-se anteriormente).

DILIGÊNCIA DE COMPARÊNCIA.
Mediante a qual se convoca as pessoas implicadas de alguma
forma no acidente para comparecerem imediatamente ou dentro das 24
horas seguintes, quando isso for necessário. Sempre em virtude da
legislação vigente.

131
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-132

DILIGÊNCIA DE DETENÇÃO E LEITURA DE DIREITOS.


Sempre em virtude da legislação vigente, a leitura de direitos deve
ser imediata a detenção, fazendo constar de forma clara os direitos que
assistem ao detido. Se o detido renunciar a algum direito, é conveniente
incluir uma diligência de “renúncia ao direito”.

DILIGÊNCIA DE INFORMAÇÃO À ORDEM DOS ADVOGADOS.


Sempre de acordo com a legislação vigente, o detido pode optar
por escolher um advogado da sua livre vontade ou um oficioso. Em
ambos casos, sempre dever-se-á participar à ordem de Advogados, para
comunicar a opção desejada pelo detido e é este organismo que solicita
a presença do advogado escolhido ou oficioso que esteja de serviço
naquele turno no lugar da detenção daquele.
Sem prejuízo do anterior, pode-se para além disso chamar
directamente o advogado escolhido livremente pelo detido,
exclusivamente para agilizar as diligências.
Quando se faz chegar esta diligência, ter um cuidado especial de
fazer constar a hora da chamada, meio utilizado para realizá-la, quem
recebeu a chamada e a resposta recebida. Fazer constar que esta
chamada fica registrada no livro oficial que deverá existir no posto e o
número de registo.

DILIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DO ADVOGADO.


Nela far-se-á constar a hora exacta em que se faz o acto da
presença, nome e apelidos do mesmo e número do cartão profissional
da ordem a que pertence.
Esta diligência, deverá ser assinada pelo advogado, juntamente
com o instrutor e secretário.

DILIGÊNCIA DE AVISO A FAMILIARES OU PESSOAS DESIGNADAS.


Nela deve-se fazer constar o meio pelo qual o aviso é dado e a
quem. O mesmo deverá ser registado no livro oficial que existe para o
efeito.

DILIGÊNCIA DE AVISO A UM MÉDICO.


Deve-se fazer constar da mesma forma que na diligência anterior.

DILIGÊNCIA DE OBSERVAÇÃO MÉDICA.


Na qual far-se-á constar, para além da hora da consulta médica
os dados profissionais do médico, o resultado da tal consulta e será
exigido um relatório médico assinado por quem realizou a observação,
que será anexo ao processo, fazendo constar na diligência que,
também, deverá ser assinado pelo médico, Instrutor e secretário.

DILIGÊNCIA DE DESLOCAÇÃO.

132
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-133

Esta diligência será feita sempre que a força instrutora se veja na


necessidade de deslocar-se a um centro de saúde, domicilio, etc., para
tomar declarações aos feridos, médicos, testemunhas, etc.

DILIGÊNCIA DA JUNÇÃO DE DOCUMENTOS.


Nesta serão mencionados todos os documentos recolhidos ou
elaborados referentes a pessoas, veículos, etc.e sempre serão anexos
ao processo. Não se deve esquecer nunca de recolher o disco-diagrama
do tacógrafo nos veículos obrigados a levar, pois constitui uma prova fiel
e segura do sucedido, assim como o mapa estatístico de Alcoolismo com
o seu resultado.

DILIGÊNCIA DE RETIRADA E PARQUEAMENTO DE VEÍCULOS.


Mediante esta diligência faremos constar a forma em que os
veículos retirados do lugar do acidente se encontravam.
Se o veículo pode voltar a circular por si só, deve-se fazer constar
quem se encarrega do mesmo.
Quando os veículos tiverem ficado impossibilitados de circular por
si só, dever-se-á fazer constar a máquina que vai os retirar, do lugar
onde ficarão parqueados e a descrição dos objectos de valor que
contêm no seu interior, tais como rádio-cassettes, jantas de alumínio,
antenas, aparelhos de ar condicionado e, em geral, qualquer outro
objecto de valor que possa desaparecer do veículo, anotando a marca,
modelo e se for possível a numeração de tudo.
Não se deve esquecer nunca, que devemos fazer constar, que
estes veículos, tanto os que continuam a circular, como os que são
retirados, ficarão sempre a disposição judicial

DILIGÊNCIA DE O LETRADO PASSAR A ENTREVISTAR-SE


RESERVADAMENTE COM O DETIDO.
Esta diligência é muito conveniente fazê-la sempre que o detido
quizer, fazendo o uso dos seus direitos, passa a entrevistar-se
reservadamente com o advogado que lhe assiste, no fim da tal entrevista
o detido, advogado que lhe assiste e a entidade instrutora deverão
assinar a diligência.

DILIGÊNCIA DE VERIFICAÇÃO DA IDENTIFICAÇÃO.


Esta diligência, será necessária somente em algumas ocasiões e
sempre será feita tendo em conta o disposto na legislação vigente.

OUTRAS DILIGÊNCIAS DE INTERESSE.


1.- Diligência de localização dos que causam acidentes e depois
fogem.- É a mais importante e nela far-se-á constar com todos
detalhes as nossas actuações e as medidas que tenhamos
tomado para a localização do condutor e veículo; dados que
tenhamos deduzido da nossa investigação no lugar do
acontecimento e quais vão ser as linhas gerais da nossa posterior
actuação à entrega do processo, caso o juiz considerar
necessário fazer alguma observação ao processo.

133
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-134

2.- Diligência da vistoria dos veículos.- Serve para determinar os


danos e as possíveis avarias causadas pelo acidente, em caso de
que assim os condutores não nos tenham declarado e tenhamos
deduzido da informação recolhida.
3.- Diligência de retirada do cadáver.- É importantíssima a
descrição prévia sobre a posição do assassinado. Sempre serão
obtidas previamente fotografias desde quatro pontos de vista no
mínimo, assinalar sobre o lugar com giz, a situação exacta que
ocupava.
4.- Diligência de oferta de acções- autoriza a policia judiciária a
instruir ao prejudicado ou ofendido nos direitos que lhe assistem e
embora a referida faculdade se encontre dentro do procedimento
abreviado, na hora de elaboração do processo, o instrutor que
actua desconhece o procedimento que vai advir, pelo que é
conveniente instruir ao prejudicado ou ofendido, em todos os
processos que se instruam, dos direitos que lhe assiste,
favorecendo desta forma ao denunciante, já que lhe permite ser
“parte” no processo desde o principio.

DILIGÊNCIA DE ENTREGA.
Sempre é a última diligência do processo; depois dela não
se podem fazer outras a não ser que se faça em ampliação de
diligências.
Nela vão figurar os veículos, objectos e demais
documentos apreendidos e depositados e serão entregues ao
tribunal, assim como os detidos que se põem a disposição Judicial
e as provas anexas.
Assim, vai se fazer constar que o condutor infractor foi
retirado a carta de condução para ser remetida posteriormente a
autoridade competente e sempre de acordo com a legislação
vigente.
De todos processos que se instruam, a cópia deverá ser
remitida ao Procurador da República a diversos níveis.
E outra cópia vai ficar no nosso posto de destino, para os
casos em que uma outra autoridade qualquer o requeira.

O CORPO DO DELITO
A semelhança do que ocorre com os sinais, vestígios e demais
provas materiais do facto puníveis, a descrição, ocupação e
conservação do corpo do delito constitui um dos meios mais importantes
de investigação.
Na realização da inspecção ocular podem ser encontradas, para
além de pessoas ou coisas que tenham sido objecto do facto punível, os
instrumentos com que tenha sido cometido e aqueles outros objectos
que tenham relação com a sua execução e que, ainda geralmente
quando são denominados conjuntamente “corpo do delito”, têm acepção
própria.

DEFINIÇÃO.

134
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-135

São todas as pessoas ou coisas, relativamente permanentes,


sobre ou mediante as quais se cometeu o delito, assim como qualquer
outra coisa que seja efeito imediato do delito mesmo o que se refira a ele
e que possa ser utilizado como prova.

CONCEITOS.
Há que diferenciar três conceitos:
a.- Corpo do delito no sentido estrito: É a pessoa, coisa ou objecto
do mesmo, contra a qual se dirigiu o acto punível ou que tenha sofrido
directamente os seus efeitos. Num homicídio, o morto; num roubo o
objecto roubado, etc.
b.- Instrumentos de delito ou peças de execução: São os meios
empregues pelos delinquentes para cometer o delito. Exemplo: pistola,
revólver, navalha, etc.
c.- Peças de convicção.- São todos os demais objectos que não
sendo o corpo de delito nem instrumentos do mesmo, têm relação com
ele e podem servir de prova acerca da participação de alguma pessoa
ou para provar as circunstâncias. Exemplos: Sangue, fios, cabelos,
roupa, pintura, etc.

RECOLHA DE OBJECTOS.
Nos primeiros momentos o juiz instrutor ou o instrutor vai procurar
nos primeiros momentos recolher as armas, instrumentos ou objectos de
qualquer tipo que possam ter relação com o delito e que se encontram
no lugar do cometimento do delito, ou nas suas imediações, ou em
poder do réu, ou noutra parte conhecida, fazendo diligência expressiva
do lugar, tempo e ocasião em que foram encontrados, descrevendo-os
minuciosamente para que se possa formular uma ideia cabal dos
mesmos e das circunstâncias em que foram encontrados.
A diligência será assinada pela pessoa em cujo poder foram
encontradas, notificando-se a mesma o auto em que se manda recolhê-
las.

VERIFICAÇÃO PELOS PERITOS.


O juiz poderá ordenar também a verificação pelos peritos de
qualquer objecto ou documento relacionado com o delito, fazendo-se
constar por diligência a verificação e o informe dos peritos
A esta diligência poderá assistir o processado e o seu defensor.

CONSERVAÇÃO DOS OBJECTOS.


Os instrumentos, armas e objectos, serão cobertos se for
possível, ordenando a sua retenção e conservação. As diligências serão
assinadas pela pessoa em cujo poder foram encontrados, na sua
ausência, por duas testemunhas.
Se os objectos, pela sua natureza não puderam ser conservados
na sua forma natural, o juiz resolverá o que achar mais conveniente para
conservá-los da melhor forma possível e se forem objectos que não

135
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-136

podem levar muito tempo, poderá ordenar a sua venda com as garantias
que procedam, atendendo o seu valor e depositando a sua importância.

IDENTIFICAÇÃO DE CADÁVERES.
Nos casos da morte violenta ou suspeita de criminalidade:
1.- Os componentes da policia, feita a descrição assinalada
anteriormente vão dar imediatamente conta da situação a
autoridade judicial e ao médico forense, realizando custodia do
cadáver e dos instrumentos ou objectos que se encontrem nas
suas imediações até a chegada daqueles.
Mas deve-se ter muito em conta, que nos referimos aos
casos de morte confirmada e não a meras presunções de tal, pelo
que, em particular, quando uma diligência faz-se imediatamente
depois do cometimento dum delito, no entanto existir a menor
suspeita de que a vítima pode encontrar-se ainda com vida, deve-
se requerer a presença do pessoal de saúde necessário para dar
os primeiros socorros, cumprindo assim com a mais importante
das primeiras diligências impostas pela lei, transferindo-se o corpo
do delito ao lugar que se necessita para o tal fim, sem que
possam existir infundados temores acerca da responsabilidade
em que se possa incorrer por ordenar o seu levantamento.
2.- O juiz instrutor ou seu substituto ordenará o levantamento do
cadáver, e :
- Antes de proceder o enterro do cadáver ou imediatamente
depois da sua exumação, deve-se identificar por meio de
testemunhas.
- Se não há testemunhas e o estado do cadáver o permitir,
deve-se expor ao público antes de se realizar a autopsia,
durante vinte e quatro horas no mínimo expondo-se num cartel
ou lugar, dia e hora em que se encontrou e o juiz que estiver
instruindo o sumário, a fim de lhe facultar algum dado que
possa contribuir para o esclarecimento do delito.
- Se a pesar de tudo, o cadáver não for reconhecido, o juiz vai
recolher tudo que tinha vestido quando foi encontrado, para
servir de identificação oportunamente.

LEVANTAMENTO E TRANSFERÊNCIA DE CADÁVERES.


O levantamento do cadáver vai ser realizado pelo juiz. No entanto,
os membros da polícia poderão caso se tiver produzido a morte de
alguma pessoa e o cadáver se encontrar na via pública ou noutro lugar
inadequado, transferir o mesmo para o lugar próximo que seja mais
idóneo dentro das circunstâncias, até que a autoridade Judicial adopte
as medidas oportunas. Nestas circunstâncias excepcionais, nas quais
temos que adoptar esta medida de urgência, deve-se descrever
previamente a posição do assassinado, obtendo-se as fotografias e
assinalando sobre o lugar a situação exacta que ocupava
Da leitura do preceito legal, se obtêm algumas conclusões:
a.- Faculta-se a polícia para transferir o cadáver. A utilização do
referido termo e não o do levantamento, diferenciar uma actuação da

136
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-137

outra. O levantamento só pode ser levado a cabo pelo juiz com


requisitos legais.
b.- A transferência, é uma medida provisória que dura até que “a
autoridade judicial adopte as medidas oportunas”.
c.- No campo dos acidentes de viação, é obvio que as pessoas
falecidas se encontrem quase sempre na via pública ou num lugar muito
próximo dela, lugar que a lei considera como inadequado, posto que a
expressão legal utiliza o termo “ou noutro lugar..........”, o que implica que
a referida consideração é equivalente a da via pública.
d.- O tema mais duvidoso é o que se deve entender por lugar
próximo. Nós nos inclinamos pelo sentido comum, como podemos ver
nos seguintes exemplos:
- Interromper o trânsito de forma que possa perigar a vida e a
integridade das pessoas.
- Que a forma ou lugar em que se encontre o cadáver afecte a moral, a
piedade ou aos bons costumes.
- Que se possa promover alguma desordem ou alteração de não se
tomar tal medida.

A AUTOPSIA.
A autopsia será efectuada pelos médicos forenses, ou alguém
designado pelo juiz, os quais, depois de descrever exactamente a dita
operação, informarão sobre a origem do falecimento e suas
circunstâncias.
As autopsias serão feitas num local público que em cada
povoação a administração terá destinado para esse fim e para o
depósito de cadáveres. No entanto, o juiz poderá ordenar para que se
realize num outro lugar ou no domicilio do defunto, caso a sua família
pedir e que não prejudique o êxito do sumário.
Se o juiz não poder assistir, poderá delegar um funcionário da
polícia, para que lhe represente, dando a este a fé da sua assistência,
junto ao médico forense e secretário da causa.

137
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-138

COMANDO GERAL DA P.R.M. POLÍCIA DE TRÂNSIT0.

COMANDO DA CIDADE

PROCESSO.

Instruído por motivo do acidente de viação ocorrido às _____ horas do


dia ____ de __________________________ de 200 _____, no local exacto

138
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-139

________, da Av/Rua
_______________________________________________________________,
distrito de
_______________________________________________________, Área
Jurisdicional de
_________________________________________________________,
consistente
em_____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_____________________________________________________________
Tendo resultado como
consequências_________________________________________

DILIGÊNCIAS Nº.________

TRIBUNAL DE INSTRUÇÃO DE_____________

INSTRUTOR. AUXILIAR.

139
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-140

Folha Nº __

PROCESSO INSTRUÍDO POR MOTIVO DE ACIDENTE DE VIAÇÃO

O Sr ._________________________________________________
portador do B.I. Nº_______________ Polícia da República de Moçambique
pertencente a______________________________________ da brigada de
trânsito da P.R.M., com a especialidade de ___________________por meio do
presente processo faz constar:

Que às ______horas do dia _________de __________de


200___________,tomou conhecimento por meio de_______________(1),da
ocorrência de um acidente de viação, no quilómetro____ da Av/Rua
_____________________ (__________________) distrito de
_________________, Área Jurisdicional de _______________, que pelo que
tipo de acidente
em_________(2)__________________________________________________
_________________________________, pelo que acto seguido e
acompanhado pelo Sr ______________________________ de igual cargo e
Unidades portador do B.I. Nº. ________________, foi transportado para o lugar
citado por meio do veículo oficial atribuído ao serviço, apresentando-se no
mesmo às _____________horas do dia ____,

No momento da ocorrência, encontravam-se no lugar descrito


_______________________________________________________________
____________________(3), tendo se produzido as seguintes modificações
:_______________________________________________________________
_____________(4).

Uma vez comprovada a veracidade dos factos, dá-se início às presentes


diligências encaminhadas à averiguação das causas do acidente.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, assinada pela força


instrutora, em ___________________às ____horas do dia _____de
_______________de 20___.

NOTAS SOBRE A PRESENTE DILIGÊNCIA:

1. Referir o meio pelo qual se teve conhecimento da notícia e os dados sobre as pessoas que participaram a
ocorrência, assim
como os dos que a receberam, caso fôr diferente do instrutor.

2.- Indicar a primeira versão, ou um resumo sobre o tipo de acidente que se tratar, deduzido da comunicação
que se receber. Por exemplo: saída da via, alcance, dois veículos implicados, acidente com feridos. Etc.

3.- Citar as pessoas encontradas no local à chegada dos instrutores: Outro par da P.R.M., ou de outro corpo
diferente; testemunhas presenciais, espectadores, curiosos, etc

4.- Referir as modificações havidas com respeito à posição final das pessoas, veículos, objectos, etc. Com
respeito aos feridos, citar se foram evacuados

140
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-141

Folha Nº._____
DILIGÊNCIA PARA PRESTAR CONTAS AO TRIBUNAL

Em __________________, às _____horas do dia _____de ________ de


200___, por meio da força instrutora procede-se à prestação de contas ao
Tribunal de Instrução de _________________________, por meio de
___________________, da ocorrência de um acidente de viação tendo como
resultado________sendo recolhida a comunicação por ________________.

A referida comunicação fica anotada no Livro Oficial de _____,


pertencente ao Destacamento de _________, com o Nº de registo ______.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, assinada pela força


instrutora no lugar, dia e hora acima referidos.

141
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-142

Folha Nº.______

DILIGÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER

Em _______________, às ____ horasdodia_____de________de


200_____, por meio da força instrutora e na presença das testemunhas
o Sr .____________________________________ portador do B.I.
Nº.___________ e o Sr._______________________ portador do B.I. Nº
_________, procedeu-se à identificação do cadáver, mediante o B.I.
Nº_____________,encontrado em __________________________, pelo
que resultou ser o Sr _______________________________________,
nascido no dia ____de_______ de 200____, em __________________,
filho de _____________ e de ______________, local de residência em
_______________ Av/Rua ______________________ Nº ____.
B.I. Nº .__________, emitido em___________ aos ___/___/___.
O cadáver encontrava-se situado em _______________________, na
posição ____________________, observam-se as seguintes feridas e
lesões__________________________________________________________
_______________________________________________________________.

As suas roupas apresentam o seguinte estado


________________________________________________________.

E, para que conste, redige-se a presente diligência que é assinada


pelas testemunhas depois de lida por si, como prova de conformidade,
junto da força instrutora, no lugar, data e hora acima indicados.

Após proceder a tomada de fotografias, de situação e detalhe, assinala-se a sua


localização.
Na diligência de Inspecção Ocular descrevem-se em detalhe a posição do
cadáver com respeito ao veículo e restantes sinais, marcas e circunstâncias.

142
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-143

CASO CORRESPONDA, DEVE SE FAZER CONSTAR O SEGUINTE:


Como consequência de o cadáver ter sido encontrado
interceptando a via pública, constituindo perigo para o resto dos usuários
da mesma, em virtude do disposto no artigo x da legislação
correspondente por meio da força instrutora procede-se à remoção do
mesmo para __________________________________, por ser
considerado o mais próximo e idóneo, dentro das circunstâncias que
concorrem.

143
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-144

Folha Nº ______

DILIGÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER

No lugar do acidente, às____ horas do dia ____ de ____________de


200 ____, por meio da força instrutora, e na presença das testemunhas
conhecedoras da personalidade do falecido chamadas
Sr.__________________(_____________) e Sr ____________________
(_____________), ambos residentes na localidade de_________________ ,
Procede-se à investigação do cadáver mediante o seu B.I, encontrado em
(1)_____________________________________________________________
______________________________________________________________.
Resultando ser o Sr ___________________________ nascido no dia _____ de
______de 200____ e vizinho de________________ com domicílio
em_________________________ portador do B.I. Nº ____________, emitido
em__________ Aos ___/___/___.

( * ) CASO CORRESPONDA, DEVE SE FAZER CONSTAR O SEGUINTE:


Como consequência de o cadáver encontrar-se a interceptar a via pública, pondo em perigo o resto dos
usuários da mesma, em virtude dos disposto no artigo X da legislação correspondente, por meio da força instrutora
procede-se a remoção do mesmo para (2)
_______________________________________________________________________________, por este ser
considerado
o mais próximo e idóneo, dentro das circunstâncias que concorrem.

O cadáver após o acidente encontrava-se situado em_________________

São tiradas fotografias antes de transferi-lo para o lugar indicado, para


comparar a sua posição inicial após a actualização do evento.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada


pelas testemunhas, uma vez lida por si, e como prova da sua conformidade,
junto da força instrutora, no lugar, dia e hora indicados no início da mesma.

1.- Descrever o lugar onde foi encontrado o documento identificativo.


2.- Descrever o lugar para onde foi removido momentaneamente.
3.- Descrever a situação e posição em que se encontrava o cadáver, antes de ser removido por razões
extraordinárias.

144
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-145

Folha Nº ________

DILIGENCIA DE REMOÇÃO DO CADÁVER.

Em ____________________, às _____ horas do dia _____ de


______________ de 200____, apresentados no lugar do acidente, o Juiz de
Instrução de ____________________,Sr.
____________________________________________, certifica a morte do
Sr.________________________________________ , cuja filiação completa
consta na diligência de identificação do cadáver, como consequência das
lesões produzidas no acidente (descrever as que sejam patentes), dispondo a
Autoridade Judicial a remoção do cadáver e a sua transferência para
_________________________________, assim como para que os instrutores
continuem as presentes diligências.

E, para que conste, como diligência, que é assinada pela força


instrutora no lugar, data e hora acima referidos.

NOTA: O importante na diligência de identificação do cadáver, perante as várias situações que


se nos podem apresentar, e após se indicar onde é realizada, o dia e hora, deve se fazer
constar a forma em que se procedeu a identificação, detalhando os meios dos quais se valeu, e
a circunstância caso motivos extraordinários, tenha sido necessário a transferência
momentânea do cadáver para um lugar mais idóneo, em cujo caso tinha que se fazer constar
que foram tomadas as fotografias, e realizaram-se as marcas oportunas no lugar que
inicialmente ocupava antes da sua remoção.

Folio n

145
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-146

Folha Nº._______

DILIGÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DA FORÇA PARA A UNIDADE


SANITÁRIA

Em _________________________________, às _____________ horas do dia


____ de _________ de 200____, o instrutor subscrito, por meio da presente
diligência faz constar:
Que tendo conhecimento e certeza de que na unidade sanitária de
______estão a ser atendidos 1)_________________________relacionados
com o veículo acidentado, efectua-se a transferência no veículo oficial para a
referida unidade sanitária, para se proceder à tomada de declaração aos
indivíduos indicados e realizar, e caso fôr necessário, as provas de alcoolemia
oportunas.

E, para que conste, como diligência, que é assinada pelos Instrutores


no lugar, dia e hora indicados no início da mesma.

1.- Devem ser descritas a filiação das pessoas internadas, e a sua relação com o veículo acidentado, e com
o condutor.

146
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-147

Folha Nº______

DILIGÊNCIA DE REMOÇÃO DO CADÁVER.

Em _______________________, às _____ horas do dia _____de


____________de 200____, apresentados no lugar do acidente, o Exmº.
Senhor Juiz de Instrução de ______________________________, e o Médico
Legista,Sr.______________________, este certifica a morte do
Sr/Srª__________________________, cuja filiação completa consta na
diligência de identificação do cadáver, como consequência das lesões
produzidas no acidente (descrever as que sejam patentes), dispondo a
Autoridade Judicial a remoção do cadáver e a sua transferência para_______
________________________________________, assim como para que os
instrutores continuem as presentes diligências.

E, para que conste, como diligência, que é assinada pela força instrutora
no lugar, data e hora acima indicados.

NOTA: O importante na diligência de identificação do cadáver, perante as várias situações que se nos podem
apresentar, e após indicar onde se realiza, o dia e a hora, é fazer constar a forma em que se procedeu a identificação,
detalhando os meios dos quais nos valemos, e a circunstância e se por motivos extraordinários foi necessária a
remoção momentânea do cadáver para um lugar mais idóneo, em cujo caso deveria se fazer constar que foram tiradas
as fotografias, e realizaram-se as marcas oportunas no lugar que inicialmente ocupava antes da sua movimentação.

147
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-148

Folha
Nº._______

DILIGÊNCIA DE DETECÇÃO ALCÓOLICA (PRIMEIRO CASO)

Em _____________________, às _____ horas do dia _____


de____________de 200__, a força instrutora inicia as actuações conducentes
a realização da prova de detecção alcoólica, conforme o estabelecido na
legislação, ao condutor do veículo da classe ___________________, marca
_________________, modelo_________, Matrícula______________ Sr.
________________________, portador do B.I. Nº ____________

INFORMADO sobre a obrigação que tem de se submeter à prova de


detecção alcoólica mediante o ar espirado ao encontrar-se implicado
directamente num acidente de viação e que a recusa constitui um delito de
DESOBEDIÊNCIA GRAVE, previsto na legislação o qual é-lhe lido pelos
instrutores, declara que deseja ser submetido à mesma, pelo que a seguir lhe é
explicado o processo a ser realizado.

A primeira prova é realizada com um etilómetro digital de marca


______,Modelo ____, número de identificação _______, oficialmente
autorizado polo centro correspondente, às ___ horas, tendo dado um resultado
POSITIVO de ___ miligramas de álcool por litro de
A seguir, e tendo a prova anterior resultado POSITIVA, informa-se ao
condutor indicado que, caso o desejar, para uma maior garantia, ser-lhe-á feita
para efeitos de contraste uma segunda prova de detecção alcoólica,
transcorridos MAIS DE DEZ MINUTOS, advertindo-lhe que se abstenha de
fumar ou ingerir qualquer tipo de bebida ou comida, assim como de praticar
exercício físico algum, declarando o seu consentimento.

Neste acto, e informado sobre o direito que tem para formular todas as
alegações ou observações tenha por conveniente, por si mesmo ou por meio
de um acompanhante ou defensor, caso o tenha, assim como para contrastar
os resultados obtidos mediante a análise de sangue, urina ou outros análogos
que o pessoal facultativo da unidade sanitária para a qual fôr transferido
estimar mais adequados, declarando que ___ deseja contrastar os referidos
resultados.
Às __ horas do mesmo dia, tendo-se respeitado os requisitos
anteriormente expostos, o condutor já citado é submetido a uma segunda prova
com o etilómetro evidencial de marca e Nº. de identificação_____,dando um
resultado POSITIVO de ___ miligramas de álcool por litro de ar espirado.

E, para que conste, redige-se a presente diligência que é assinada pelo


condutor, depois de lida e em prova de conformidade, junto da força instrutora,
às _______horas do dia______ de_________________ de 200____.

148
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-149

FolhaNº.___

DILIGÊNCIA DE DETECÇÃO ALCÓOLICA ( SEGUNDO CASO)

Em __________, às ___ horas do dia ___ de _________ de 200___, a


força instrutora inicia as actuações conducentes a realizar a prova de detecção
alcoólica, conforme o previsto na legislação, ao condutor do veículo, da classe
________, de marca ________, modelo _________ , matrícula __________ ,
conducido por o Sr. ____________________, portador do B.I. Nº _________.

INFORMADO sobre e obrigação que tem de ser submetido à prova de


detecção alcoólica mediante o ar espirado ao encontrar-se implicado
directamente num acidente de viação e de que a recusa constitui um delito de
DESOBEDIÊNCIA GRAVE, previsto na legislação, o qual é-lhe lido pelos
instrutores, declara que NÃO DESEJA SER SUBMETIDO À MESMA,

Por tudo o que é exposto e NÃO mostrando sintomas evidentes de


embriaguez, procede-se a instrução de diligências por uma situação de delito
de DESOBEDIÊNCIA GRAVE.

E, para que conste, redige-se a presente diligência que é assinada pela


força que actua, e o mencionado condutor, depois de ser lida por si e em prova
de conformidade, às _____ horas do dia _____ de ____________ de 200____

DILIGÊNCIAS QUE SE REALIZAM NESTE CASO:

- Diligência inicial (que começa como se se tratasse de um delito de condução sob a influência de bebidas
alcoólicas e vai-se transformando pela circunstância negativa) .
- Diligência de detenção e leitura de direitos.
- Diligência de constância de falta de sintomas externos.
- Diligência de aviso e apresentação do Advogado.
- Diligência de designação e aviso de familiar.
- Diligência de aviso à um médico e observação ao detido.
- Declaração do detido.
- Diligência de disposição judicial.
- Diligência de entrega do auto.

Folha N º__

149
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-150

DILIGÊNCIA DE DETECÇÃO ALCOÓLICA (TERCEIRO CASO)

Em____________, às ___ horas do dia ____de ________ de 200__,


força instrutora inicia as actuações conducentes a realizar a prova de detecção
alcoólica, conforme o previsto na legislação vigente, ao condutor do veículo, da
classe _________, marca ________, modelo ________ matrícula
___________ , portador do B.I. Nº._________________ .

INFORMADO sobre a obrigação que tem de ser submetido à prova de


detecção alcoólica mediante o ar espirado ao encontrar-se implicado
directamente num acidente de viação e de que a recusa constitui um delito de
DESOBEDIÊNCIA GRAVE, previsto na legislação. O qual é-lhe lido pelos
instrutores, declara que NÃO DESEJA SER SUBMETIDO À MESMA .

Por tudo o que foi exposto, e mostrando sintomas evidentes de


embriaguez, procede-se a instrução de diligências pelos supostos delitos de
conduzir um veículo a motor sob a influência de bebidas alcoólicas e de
desobediência grave ao agente da autoridade no exercício das suas funções,
tipificados na legislação actual.

E, para que conste, redige-se a presente diligência que é assinada pela


força instrutora e pelo encartado, depois de lida por si e como prova de
conformidade, às ____ horas do dia____ de _______________ de 200____ .

DILIGÊNCIAS QUE SE REALIZAM NESTE CASO:

- Diligência inicial (que inicia como se se tratasse de um delito de condução sob a influência de bebidas e
vai-se transformando pela circunstância da recusa) .
- Diligência de detenção e leitura de direitos.
- Diligência de sintomas externos .
- Resto das diligências caso anterior.

Portanto, a única variação entre uma situação e a outra, reside no reflexo ou não dos sintomas que o
encartado apresentar.

150
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-151

Folha
Nº.________

DILIGENCIA DE DETENÇÃO

Em _______________(____________________), às ___ horas do


dia___ de___________ de 200__ , procede-se à detecção do Sr/ Sra.
______________________________, portador/a do B.I. Nº._______, nascido/a
em___________(___________) Av/Rua __________________, Nº.___, como
presumível ________ de um/os delito/s de___________________________

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


pessoa detida e pela Força Instrutora, na data, lugar e hora acima indicados.

151
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-152

Folha Nº.
________

DILIGÊNCIA DE INSPECÇÃO OCULAR.-


No local dos factos, às ____ horas do dia___ de_____________ de
200__, é realizada pela força instrutora a correspondente INSPECÇÃO
OCULAR que reflecte os seguintes dados:

IDENTIFICAÇÃO DO ACIDENTE:

ACIDENTE DE VIAÇÃO ocorrido às___ horas do dia ____ de


__________ de 200____, no quilómetro _____ da Av/Rua_________________
(caso seja necessário ) cruzamento com a Av/Rua ____________________,
distrito de____________, Área Jurisdicional de ______________, por (choque
entre carros, atropelamento, despistamento, etc.) do veículo___________
contra o veículo __________ (ou consoante a forma em que se produziu o
acidente), com o resultado de (especificar se se trata de danos materiais, a
consideração dos mesmos e caso haja, o número de mortos, feridos graves e
leves) .

SENTIDO DE CIRCULAÇÃO:

A inspecção ocular realiza-se tomando o sentido da circulação


de_____________ para _____________________, que era o que o veículo
seguia ______________.

Sentido de circulação dos veículos:

O ligeiro __________ circulava no sentido ___________________.


O ligeiro __________ circulava no sentido __________________.
O ligeiro __________ circulava no sentido __________________.
O peão ou ciclista, ou cabeça de gado, etc. , estava a atravessar por
_________________ .

Pontos fixos de referência:


Ponto fixo A: __________________________________________
Ponto fixo B:___________________________________________
Distância entre os Pontos Fixos:___________________________

(NOTA: Ao descrever os pontos fixos, há que fazé-lo indicando a sua


localização em relação à estrada, para que sem contemplar o esquema,
possam ser definidos.) .

152
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-153

Folha Nº.__

CARACTERÍSTICAS DA VIA:

Tipo_____________________________________________(1)
Tipo de estrada____________________________________(2)
Largura da estrada_________________________________
Configuração da estrada_____________________________(2 bis)
Número de faixas__________________________________
Largura das faixas_________________________________
Pavimento________________________________________(3)
Estado de conservação_____________________________
Superfície________________________________________(4)
Passeios (praticáveis/ impraticáveis), pavimento__________(3)
Berma da estrada__________________________________
Obstáculos na via (caso afirmativo descrever se são fixos ou
provisórios)___(5)
Visibilidade_______________________________________(6)
Luminosidade_____________________________________(7)
Ofuscação (caso seja afirmativo de que para algum dos condutores ou
implicados existir esta possibilidade, devem ser descritas as causas que
podem ter produzido o acidente)
Tipo de intersecção (caso existir)_____________________________(8)
Prioridade de passagem (regulada por). (Em caso de acidentes em
cruzamentos)____(9)

Sinalização:

Vertical________________________________________________
Horizontal_____________________________________________
Outro tipo de
sinais_____________________________________________

Limitações de velocidade:

Genérica:
(por cada veículo participante)____________________________
Específica:___________________________________________
Circulação:__________________________________________(10)

OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS

Dia de semana__________________________________________
Festividade:____________________________________________
Factores atmosféricos:_________________________________(11)

153
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-154

Folha Nº.___

MARCAS E VESTÍGIOS:

(Neste epígrafe daremos referência à todas aquelas que se encontrarem


no lugar do acidente, a título informativo expõem-se nas seguintes)

DE TRAVAGEM : (deve se observar a sua situação na estrada, com


respeito aos pontos de referência, quer dizer deverá ser descrita com
clareza para que o leitor sem reparar no esboço tenha uma ideia da
localização das mesmas. Esta aclaração é válida tanto para as marcas,
vestígios e descrição dos pontos de conflito e posição final dos veículos,
pessoas ou coisas)

DE DERRAPAGEM:______________________________________

Outras dos pneus:_________________________________


Aranhões:_______________________________________
Raspagens:_____________________________________
Sulcos e fendas:__________________________________
Restos de infraestrutura:___________________________
Liquidos:_______________________________________
Sangue e roupas:________________________________
Outros restos:__________________________________

Danos alheios ao veículo: (Descrever com exactidão, fazendo constar o


lugar de localização destes).

PONTOS DE REFERÊNCIA EM ORDEM DE SITUAÇÃO DOS


VEICULOS:

Ponto Provável de Acidente:___________________________


(Explicar em que nos baseamos para considerar o dito ponto,
marcando a sua localização em relação à estrada e os pontos de
referência para a tomada de medidas) .

Posição final dos veículos:_________________________


(Fazer constar a sua localização com respeito à via principal e dos
pontos de referência) .

Posição das pessoas ou dos cadáveres:_________________


(Este ponto é para fazer constar a posição final do ou dos
cadáveres ou mesmo das pessoas que por terem resultado feridas
estejam presas ou de forma estática no lugar do acidente) .

154
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-155

EXAME DOS VEÍCULOS:

Correspondente ao veículo de matrícula_________________

Presumível estado de conservação inicial:_____________(12)

Avarias por consequência do acidente:__________________

Alavanca de mudanças de velocidades na________________

Velocímetro, marca__________________ kms/ hora.

Conta quilómetros, marca _____________kms.

Tacógrafo:_______________________________________

155
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-156

Folha Nº.___

EXAME PERICIAL DOS ÓRGÃOS DO VEÍCULO:

Iluminação e sinalização óptica:_________________________(13)


Órgão de travagem:______________________________________
Órgãos de direcção:____________________________________
Pneus:________________________________________________
Marca:________________________________________________
Estado:_______________________________________________
Profundidade do desenho:_______________________________
Pressões:____________________________________________

Outros órgãos que tenham influído no acidente:_________________

Nota: por cada veículo deve se relacionar o seu estudo.

DESTINO FINAL DO VEICULO: (Fazer constar o nome do lugar para


onde foi levado e quem interveio na remoção, e se no seu interior levava
alguma peça ou coisa de valor, sinais na parte interna produzidas pelo
condutor, ocupantes, carga, etc. , que não pertenciam a sua estrutura) .

VEÍCULOS E PESSOAS PARTICIPANTES:

Fazer a relação dos veículos, os seus condutores e ocupantes em


primeiro lugar, anotando a sua posição no automóvel, indicando nesta
diligência os seus nomes, apelidos e B.I., sempre que a sua filiação completa
for incluída nas diligências de filiação ou nas de descrição de documentos.

Fazer a relação dos peões ou testemunhas, de igual forma que os


anteriores.

DOCUMENTAÇÃO DOS VEÍCULOS:

Convém indicar que constam na diligência de identificação dos


condutores.

E, para que conste, redige-se como diligência que é assinada pela


força instrutora às ____ horas do dia ___ de _____________ de 200____.

Folha Nº ______

156
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-157

DEFINIÇÕES E CONCEITOS COMPLEMENTARES:

(1) Classe: Autopista – Autovia – Estrada Nacional – Estrada Distrital –


Estrada Local ou Provincial – Via Urbana – Outra

(2) Tipo: Única com sentido duplo– Única de um só sentido – dupla direita –
dupla esquerda – Via de serviço – Outro tipo.

(3) Pavimento: Rígido ou flexível, com pavimento de : Asfalto – Cimento –


Paralelepípedos de pedra – Ladrilho - Aglomerado asfáltico – Aspersão
asfáltica – Macadame –Empedrado – Outro tipo.

(4) Superfície: Seca e limpa – Molhada – Húmida – Encharcada – Lama –


Neve – Gelada – Buracos - Brita – Oleosa – Folhas – Outras.

(5) Obstáculos na via: Buracos – Lombas – Valetas – Sulcos – Bandas


rugosas – Estreitamentos – Alturas – Obras – Passagens de nível –
Declives centrais – declives laterais – Outros acidentes ou obstáculos.

(6) Visibilidade: Boa – Boa em linha recta, com ______m. Em frente, e


______m. por trás. Boa com ______m. em oblíquo – Reduzida por:
Edifícios – configuração do terreno – árvores – Vegetação – Chuva –
Granizo – Nevoeiro – Fumo – Poeira – Posição solar - Outras.

(7) Luminosidade: Pleno dia – Amanhecer – Tarde – Crepúsculo – Noite –


Lua. Grande luminosidade – Luminosidade normal – Luminosidade
reduzida – Via iluminada – Via insuficientemente iluminada – Distância
visível em _______metros.

(8) Tipo de Intersecção: Em T, Y, X, +. ligação de entrada – ligação de saída –


Giratório – Outro tipo - Não existe.

(9) Prioridade de passagem: Só sinais de Código trânsito – Só marcas na via


- Agentes – Semáforos – Sinal de Stop – Sinal de “Ceder a passagem".

(10)Circulação: Escassa – Fluída – Intensa – Congestionada – Outro tipo.


Caso interesse determinar se esta circunstância pode ter afectado o
desenvolvimento do acidente, deve ser feita uma contagem de veículos
por/hora em cada sentido

(11).Factores atmosféricos: Bom tempo – Mau tempo (Nublado – nevoeiro –


neblina – chuva – neve – granizo – tormenta. Dentro das circunstâncias
adversas, devem ser acrescentadas se são: Muito fortes – Fortes – Médias –
Débeis).

157
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-158

(12)Estado de conservação: Aparentemente sem defeito – Furo ou


rebentamento - Mau estado dos pneus – Iluminação deficiente –
Sobrecarregado – Travões deficientes – Outros defeitos.

(13)Iluminação: Funciona perfeitamente – Em deficiente estado de


funcionamento (expôr se terá sido ou não como consequência do acidente).

Quando necessário, consoante as características do acidente e do veículo, devem ser elaboradas as diligências
independentes do
tacógrafo e do disco diagrama, que se incluirá no Processo ou Relatório Técnico.

158
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-159

Folha Nº ___

DILIGÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO E DE ESTUDO DO TACÓGRAFO E


DO DISCO DIAGRAMA, CORRESPONDENTE AO VEICULO DE
MATRICULA.

 Tacógrafo:

- Marca _______________, Tipo (automático, electrónico, combinado),


número de identificação ____________________.
- Homologação de discos: _________________(E 1-40)________________ .

- PRECINTOS: Do aparelho corrector. O gerador de impulsos encontra-se (em


boas condições) ou (deteriorado devido ao uso ou colisão) .

* Disco de diagrama:

Número___________ . Homologação adequada (ou não) para o tacógrafo instalado no veículo.


Nome do condutor: _____________________________________
Origem ______________________________________________
Quadro de Actividades:
De_____ a______ horas: (condução/descanso/ etc) .
Kms percorridos ____________ .

De_____ a _____ horas: (condução/descanso/etc).


kms. percorridos _____________ .

De ______ a ______horas: (condução/descanso/etc) .


kms. percorridos_____________ .

De ______a _______horas: (condução/descanso/etc).


Kms percorridos _____________.

Conta quilómetros inicial: ___________________________


Conta quilómetros no momento do acidente:_______________
Quilómetros percorridos:_______________________________
Tempo total de condução_____________________________
Tempo total de descansos____________________________
Infracções observadas durante o percurso: _______________
Velocidade no momento do acidente:____________________
Estudo de anomalias e/ou manipulações observadas:________

- Estudo dos discos diagrama dos ______dias anteriores ao acidente.

- E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


força instrutora, às____ horas do dia_____ de ___________de 200____

159
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-160

Folha Nº ___

DECLARAÇÃO DO SR __________________________________,
CONDUTOR DO VEÍCULO DE CLASSE _____________________,
MARCA ________ MODELO _________, MATRÍCULA _____________

Em _________________, às____ horas do dia_____ de


____________de 200___,o Instrutor que subscreve por meio da presente
diligência faz constar:

Que se procede à tomada de declaração, à pessoa anotada no início da


presente, nascido aos ____/____/____, filho de______________ e de
____________, natural e vizinho de ___________, local de residência
Av/Rua ______________________ Nº. ___. Telefone Nº __________
Outros domicílios:______________________________________________

APRESENTA E RETIRA OS SEGUINTES DOCUMENTOS:

- B.I. Nº. ____________, emitido em __________ aos ___/____/____ .


- CARTA DE CONDUÇÃO da classe ______________, emitido pelos Serviços
de Viação de ____________ aos ____/____/____, validade ____/____/____
Restrições:____________________________________________________
__________________________________________________________
- TITULO DE PROPRIEDADE, emitido pelos Serviços de Viação de
_______________, aos ____/____/_____, em nome de
___________________Local de residência___________________________
Matriculado pelos serviços de Viação de ____________, aos ____/____/_____
- LIVRETE emitido em__________________________ aos ____/____/____
data da Ultima inspecção ________________________ data de validade
____/____/_____ .
-APÓLICE E RECIBO DE SEGURO Nº.____________ ,validade de
____/____/____ a ____/____/_____, contratado com a Companhia Seguradora
_____________, com sede social em_______ Av/Rua
____________________. Nome do Funcionário ________________________,
Portador do B.I.Nº _______________ .

AO TER SIDO PERGUNTADO.............. para Dizer a forma como se produziu o


acidente,
DECLARA:______________________________________________________
_______________________________________________________________

AO TER SIDO PERGUNTADO POR .................. DECLARA: (esclarecer os


aspectos da sua declaração, perguntar dados de interesse para o esclarecimento) .

AO TER SIDO PERGUNTADO ........................ se tem alguma coisa mais


a acrescentar ao exposto, DECLAROU que não, que o dito é a verdade pelo
que se afirma e ratifica.

160
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-161

Folha Nº._____

COMPARÊNCIA (caso seja necessário) Por meio da presente notifica-se


ao interessado a obrigação que tem de apresentar-se perante (Autoridade
Judicial que corresponder) no prazo (faz-se constar a hora, dia, mês e ano nos
quais deve realizar) .

ADVERTÊNCIA: Dá-se a conhecer que o


veículo____________________ está a disposição da Autoridade Judicial.

E, para que conste, redige-se a presente diligência que é assinada pelo


declarante, uma vez lida por si e como prova de conformidade junto da força
instrutora às ______ horas do dia _______________ de 200 ____ .

DILIGÊNCIA DE OFERTA DE ACÇÕES

Em ________________, às ____horas do dia____ de ____________ de


200 _____, redige-se a presente diligência para fazer constar:

Que a pessoa abaixo indicada, implicada no acidente de trânsito à qual


contraem-se estas diligências, é devidamente informada de modo
compreensível que, sempre que o facto não constitua delito e seja conceituado
como INFRACÇÃO DE IMPRUDÊNCIA, tendo como resultado lesões e danos,
ou unicamente lesões, ou morte, para a sua persecução penal é condição
indispensável que, como prejudicado, formular uma denúncia prévia perante a
Autoridade Judicial, Ministério Fiscal ou Autoridade Policial correspondente,
antes do transcurso de SEIS MESES após a ocorrência do acidente, sendo
competente neste caso o Tribunal de Instrução de ________________, já que
uma vez vencido o referido prazo, a acção penal prescreve e só resta ao
prejudicado mover uma petição de natureza Civil pelo conduto do Julgamento
Verbal Civil, qualquer que seja o valor reclamado pelos danos e prejuízos
ocasionados, e perante o tribunal de Primeira Instância do lugar onde ocorreu o
sinistro, segundo a legislação.

Sr .____________________________________, B.I. Nº.________,


como _____________ do veículo de marca __________________________,
modelo ________________, matrícula _______________________ .

Que......(1)

161
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-162

Folha Nº.______

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pelo


implicado acima citado, ou pelo seu representante legal acima referido, uma
vez lida por si e julgada conforme, junto da força actuante, no lugar e data
acima indicados.

(1) Deve-se incluir o epígrafe procedente, dos três seguintes, consoante os casos.

 Que, como prejudicado pelo acidente de trânsito que motiva estas diligências, formula
expressa DENÚNCIA, para prosseguir os factos e iniciar o oportuno procedimento penal.

 Que se reserva o direito que lhe assiste de apresentar denúncia perante a Autoridade
Competente no prazo útil para tal.

 Que, por impossibilidade física do prejudicado/ lesionado Sr/Srª


_________________________________, o/a qual como resultado do acidente, teve que ser
evacuado/a ao Hospital_________________________ ,

sito na Av/Rua __________________________________, Sr. /Srª. ________________________


portador do B.I. Nº.___________________ com domicílio na Av/Rua ____________________
Nº._____ de _____________________, telefone ____________, como mandatário verbal do
lesionado, formula expressa DENÚNCIA pelos factos, objecto deste Auto, sem prejuízo de que,
uma vez que o acidentado estiver recuperado, ratificar esta denúncia, perante a Autoridade
Judicial competente no correspondente procedimento penal.

DILIGÊNCIA DE RELATÓRIO

Com vista a Inspecção Ocular realizada no lugar dos factos, as


declarações dos condutores implicados, usuários e testemunhas, danos
observados nos veículos, sinais e restantes circunstâncias, É PARECER da
força instrutora que o acidente ocorreu da seguinte forma:

Quando o veículo.............................

Tudo isto salvo parecer Superior V. Exª.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


força instrutora em _________________, às ______horas do dia ____ de
__________de 200___.

Folha Nº.______

162
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-163

DILIGÊNCIA DE ENTREGA

Às ______horas do dia ____de ______________de 200 ___, faz-se a


entrega no Tribunal de Instrução de____________________ do presente
processo que consta de __________folhas úteis de uma só cara e o
esquema, com o recibo, assim como das seguintes pessoas,
documentos e bens:

Pessoas: (Citar a unidade hospitalar onde foram levados os feridos, situação de menores
etc.) .

Documentos:

Bens:

Indicado que os veículos implicados ficaram depositados à


disposição desse tribunal, nos seguintes lugares:

Veículo ___________depositado em ____________________

Veículo ___________depositado em ____________________

Veículo ___________depositado em ____________________

Permita-me salientar igualmente, que remeto a cópia do presente


processo ao Exmº. Senhor Fiscal da Audiência Provincial de
_______________.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é


assinada pela força instrutora no lugar, hora e data indicados.

163
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-164

164
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-165

Folha Nº ______

POLÍCIA DE TRÂNSITO PROCESSO INSTRUÍDO POR AUTORIDADE


JUDICIAL
DA P.R.M. UM PRESUMÍVEL DELITO CONTRA
RECEPTORA
A SEGURANÇA DO TRÂNSITO
______________ ______________________
________________
INSTRUTORES:
CATEGORIA Nº DE B.I.
__________________________
__________________________

DILIGÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DO GRAU DE IMPREGNAÇÃO


ALCOÓLICA .

Às ____horas do dia _____ de ______________________ de 200 ____,


no km._________ da Av/Rua ______________ (__________________), distrito
de ____________________ e Área Jurisdicional de ____________________,
o/a condutor/a do veículo da classe __________ marca________, modelo
__________, matrícula _______ Sr./Srª_____________________ portador/a
do B.I. Nº._________.

De acordo com o estabelecido na legislação, sobre Trânsito, Circulação


de veículos a motor, e Segurança Vial, no Regulamento Geral de Circulação,
INFORMA-SE:
Que vai-se submeter à prova de detecção alcoólica, e que a mesma é
VOLUNTÁRIA, se bem que todos os condutores ficam OBRIGADOS a
submeter-se às provas legalmente estabelecidas para a determinação.

Que a recusa, poderia comportar o cometimento de um DELITO DE


DESOBEDIÊNCIA GRAVE, contido na legislação.

Caso o resultado fôr positivo, tem o direito de ser submetido a uma


segunda prova de detecção alcoólica por ar espirado, mediante um
procedimento similar ao utilizado para a primeira, para efeitos de contraste.

Que tem o direito de controlar, por si ou por qualquer acompanhante ou


testemunhas presentes, que entre a realização da primeira e segunda prova,
medeie um tempo mínimo de 10 minutos.

Se realizar a prova com o etilómetro evidencial, (ou de precisão ou de


infravermelhos), de marca ________________, modelo ____________, Nº
__________ ,
Oficialmente autorizado pelo Centro Moçambicano de Metrologia, o qual foi
submetido às verificações periódicas estabelecidas, permanecendo o condutor
entre a realização de ambas medições sem comer, beber, fumar ou realizar
nenhum exercício físico.
FolhaNº.______

165
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-166

RESULTADO DAS PROVAS COM O ETILÓMETRO EVIDENCIAL, DE


PRECISÃO OU DE INFRAVERMELHOS.
1ª PROVA.- Hora: ________, miligramas de álcool por litro de ar espirado:_______ .

2ª PROVA.- Hora: _______ , miligramas de álcool por litro de ar espirado:________ .

MOTIVO DAS PROVAS

( ) Acidente, ( ) Sintomas evidentes, ( ) Infracção Art._______ , ( ) Controle Preventivo.

Neste acto, é informado sobre o direito que tem de formular todas as


alegações ou observações que achar convenientes, por si mesmo ou por meio
de um acompanhante ou defensor, caso o tiver, assim como de contestar os
resultados obtidos mediante análises de sangue, urina ou outros análogos que
o pessoal facultativo da unidade hospitalar para o qual fôr evacuado estimar
mais adequados, declarando que ____ deseja contestar os referidos
resultados.
E, para que conste, redige-se a presente, que após ser lida pela pessoa
interessada, é assinada juntamente com a Força Instrutora, no lugar, data e
hora acima indicados.

DILIGÊNCIA DE SINTOMAS EXTERNOS QUE APRESENTA O/A


CONDUTOR/A IMPLICADO/A .

Em ___________________ (____________________), às_____ horas


do dia ______ de _____________ de 200____, por meio da presente diligência
procede-se à descrição dos sintomas externos que apresenta o Sr./ Srª.
_____________________
Portador/a do B.I. Nº __________________________, condutor/a do veículo
de matrícula ________, em relação com o facto que nos ocupa:
CONSTITUIÇÃO FÍSICA ( ) ( ) Média ( ) Pequena ( )
utros________________________
SINAIS EXTERNOS ( ) ( ) Feridas ()
Outros_____________________________________
ASPECTO GERAL ( ) ( ) Tremores ( )
Outros____________________________________
COMPORTAMENTO ( ) Dono de ( ) Educado ( ) Rude ( )
Outros_____________________________
ASPECTO DO OLHAR ( ) Olhos ( ) Velados ( ) Brilhantes ( )
Outros______________________
Rosto ( ) ( ) Pálido ( ) Suores ( ) Outros
_________
HÁLITO Cheiro a ____(sim)_____(não)___ ( Riscar o que não interessa)
FALA ( ) Clara ( ) Pastosa ( ) Titubeante ( )
Outros_______
CAPACIDADE DE ( ) ( ) ( ) ___
_____________________ ( ) Hilação ( ) ( ) Outros ___
DEAMBULAÇÃO ( ) Normal ( ) Vacilante ( ) Outros __
OBSERVAÇÕES: ___
E, para que conste, redige-se a presente, que é assinada pela Força
Instrutora no lugar e data acima indicados.

Folha Nº.______

166
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-167

DILIGÊNCIA DE EXTRACÇÃO DE SANGUE.

Às ____ horas do dia ____ de_________________ de 200___, a Força


Instrutora transporta no veículo oficial a/o condutor/a do veículo de marca
________, Modelo ___________, matrícula __________, portador do B.I. Nº.
___________,para o Centro Sanitário ______________, da localidade de
_____________ (____________), com o objectivo de, por sua vontade
expressa, lhe ser extraída uma amostra de sangue para a sua análise,
chegando ao referido Centro às ____horas do dia ________.

Seguidamente, às____horas do dia ___ de ______________de 200


____, pelo Médico _________________Sr/.Srª. _________________________
como Nº. de Inscrição _________, de serviço no Centro Sanitário, procede-se
a realização de uma extracção de sangue à pessoa interessada, a qual acede
voluntariamente para tal, tendo dado o seguinte resultado:

( ) _____ gramas de álcool por 1.000 cm3. de sangue.

( ) ___ desconhece-se por estar pendente de análise em _______

E, para que conste, redige-se a presente, que é assinada pela pessoa


implicada, o Médico e a Força Instrutora, no lugar, data e hora acima indicados.

Folha Nº.______

167
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-168

DILIGÊNCIA DE DETENÇÃO E LEITURA DE DIREITOS .

Em ______________ (______________________), às _____ horas do


dia _____ de ____________ de 200___, procede-se à detenção do Sr./Srª
_______________________, portador do B.I. Nº.__________ nascido/a em
_____________ (_______________), aos ____de ____________ de 200___,
local de residência _____________ (______________), Av/Rua
________________, Nº. ___, como presumível _________de um/os delito/s
de__________________________.

A pessoa detida, em conformidade com o disposto na Legislação


Moçambicana, é informada das causas determinantes da sua detenção, e dos
direitos constitucionais que lhe assistem desde este momento, consistentes em
:

a.- Direito de manter o silêncio não declarando caso não quiser; ao não
responder alguma ou algumas das perguntas que lhe formularem, ou
manifestar que só declarará perante o Juiz.
b.- Direito de não declarar contra si mesmo e de não se confessar culpado.
c.- Direito de designar um Advogado e de solicitar a sua presença para que as
diligências policiais e judiciais de declaração e intervenha em todo o
reconhecimento de identidade da qual fôr objecto. Se a pessoa detida ou presa
não deverá designar um Advogado, proceder-se-á à designação de ofício,
sempre que não renunciar a isso.
d.- Direito de que se ponha ao conhecimento do familiar ou pessoa que
desejar, o facto da detenção e o lugar de custódia em que se encontrar em
cada momento. Os estrangeiros terão o direito de, as circunstâncias anteriores,
serem comunicadas à Oficina Consular do seu país.
e.- Direito de ser assistido gratuitamente por um intérprete, quando se tratar de
uma pessoa estrangeira que não compreenda ou fale o português.
f.- Direito de ser observado pelo médico legista ou o seu substituto legal e, em
sua falta, pelo da Instituição em que se encontrar, ou por qualquer outro
dependente do Estado ou de outras Administrações Públicas.

Declarando que:

_______________ deseja declarar.


_______________ designa um advogado.
_______________ renuncia o Advogado de Oficio.
_______________ deseja que se passe um aviso ao familiar ou outra pessoa.
_______________ deseja um intérprete.
_______________ deseja uma observação médica.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


pessoa detida e pela Força Instrutora, na data, lugar e hora acima indicados.

168
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-169

Folha Nº._______

DILIGÊNCIA DE AVISO AO LETRADO/A DESIGNADO/A.

Em ___________ (___________), às ___ horas do dia ___ de


_____________de 200___, por esta diligência faz-se constar, que procede-se
mediante um aviso telefónico para o número ____________, da localidade de
______________, pertencente ao COLÉGIO DE ADVOGADOS de
______________, para notificar que a pessoa detida
Sr./Srª.____________________________ designou para que lhe assista, nas
diligências que se tramitam neste processo, o/a Letrado/a Sr./Srª.
__________________________, ficando este aviso registado no livro de
Telefonemas desta Unidade com o Nº ____.

E, para que conste, redige-se a presente, que é assinada pela Força


Instrutora, no lugar, data e hora acima indicados.

DILIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LETRADO/A.

Em ________________ (_______________), às ____ horas do dia ____


de _________________de 200____, comparece nesta instituição, a fim de
assistir à pessoa detida, o/a Sr./Srª.___________________________o/a
Letrado/a do Ilustre Colégio de Advogados de __________________________
Sr./Srª.___________________________ ,portador do B.I. Nº.__________ e do
cartão de trabalho Nº.___________

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada


pelo/a Letrado/a e a Força Instrutora, no lugar, data e hora acima indicados.

Folha Nº ______

169
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-170

DILIGÊNCIA DE AVISO AO FAMILIAR.

Em __________________ (________________), às _____ horas do dia


____de ______________ de 200 ______, por esta diligência faz-se constar
que por meio de ______________procede-se à comunicação ao Sr ./Srª
_________________________ sobre a detenção do Sr./Srª.
________________________ e o lugar em que se encontra.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


Força Instrutora no lugar, data e hora acima indicados.

DILIGÊNCIA DE AVISO A UM MÉDICO.

Em ______________ (_______________), às ____ horas do dia ____de


_______________de 200______, procede-se ao aviso ao
médico________________Sr./Sraª ________________________________
conforme o seu pedido.

E, para que conste, redige-se a presente, que é assinada pela Força


Instrutora no lugar, data e hora acima indicados.

DILIGÊNCIA DE OBSERVAÇÃO MÉDICA.

Em _______________ (________________), às _____ horas do dia


_____ de ________________de 200______, procede-se, pelo _____________
Sr./Srª. ________________________________________________________
Portador do B.I. Nº __________________, e em________________________
a observação da pessoa detida o Sr./Srª. ___________________________
com o resultado que se indica no relatório médico que se anexa à folha
Nº.______.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


pessoa detida, o/a Letrado/a, o/a Médico/a e pela Força Instrutora, no lugar,
data e hora acima indicados.

Folha Nº _______

170
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-171

DILIGÊNCIA DE DECLARAÇÃO DO/A CONDUTOR/A IMPLICADO/A.

Em ____________ (_______________), às ____horas do dia____ de


___________de 200____, na presença do/a letrado/a Sr/Srª
______________________, e Nº de Colegiado ________, procede-se à
tomada de declaração do/a condutor/a Sr./Srª._________________________ ,
nascido aos _____/____/_____, portador do B.I. Nº.____________ local de
residência na Av/Rua ___________________________ (_______________), o
qual está na posse da seguinte documentação:

-CARTA DE CONDUÇÃO: Correspondente ao veículo da classe


_____________ de marca _______________, modelo _____________,
matrícula ___________, Nº. de chassis _____________________________,
constando como titular o Sr./Srª. _____________________________________
local de residência Av/Rua _____________________________ Nº ______,
emitida nos serviços de Viação de __________________ aos_______

-CERTIFICADO DE SEGURO: Concertado com a


Entidade_____________apólice Nº._____________________________ .

PERGUNTADO/A sobre a quantidade e tipo de bebidas alcoólicas


ingeridas durante as últimas 24 horas, DECLARA:
_______________________________________________________________
_______________ _______________________________________________

PERGUNTADO/A sobre a hora em que tomou a última refeição,


DECLARA:
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

PERGUNTADO/A se padece de alguma doença ou tomou algum


medicamento, substância estupefaciente, psicotrópica, estimulante ou outra
análoga, DECLARA:
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

PERGUNTADO/A se tinha mais alguma coisa para alegar, DECLARA:


_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

E, para que conste, redige-se a presente, que é assinada pelo/a


Letrado/a, a pessoa inculpada e pela Força Instrutora, no lugar, data e hora,
acima indicados.

171
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-172

Folha Nº._______

DILIGÊNCIA PARA FAZER CONSTAR AS MEDIDAS ADOPTADAS COM O


VEÍCULO IMPLICADO.

Em ____________ (_____________),às ____ horas do


dia____de______________ de 200____, faz-se constar pela presente
diligência, que dados os resultados obtidos nas provas de detecção alcoólica e
os sintomas que apresenta a pessoa condutora implicada, o veículo da
classe____________, de marca _____________, modelo ____________,
matrícula ________________, é submetido às seguintes medidas cautelares:
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

Também foram tomadas as seguintes prevenções, para a segurança das


pessoas transportadas:
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


Força Instrutora, no lugar, data e hora acima indicados.

DILIGÊNCIA DE COMPARÊNCIA.

Em _______________ (___________________), às_____ horas do dia


____ de ___________________ de 200______, é posto/a em liberdade o/a
condutor/a do veículo da classe ________________, matrícula ____________
o Sr./Srª. _____________________________ ,levando ao seu conhecimento
sobre a obrigação que tem de apresentar-se, ao Tribunal de Instrução de
_______________________, quando o Meretríssimo o dispor, com a sua
documentação pessoal, e a correspondente ao veículo.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


pessoa condutora implicada, e pela Força Instrutora no lugar, data e hora
acima indicados.

Folha Nº._______

172
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-173

DILIGÊNCIA DE ENTREGA.

Em ________________ (____________), às ___horas do dia ____


de______________ de 200____, representada pela Força Instrutora no tribunal
de Instrução de ______________________, faz-se a entrega das presentes
diligências, que constam de_______ folhas úteis.

E, para que conste, redige-se a presente diligência, que é assinada pela


Força Instrutora no lugar, data e hora acima indicados.

EXEMPLO DE INSPECÇÃO OCULAR

173
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-174

CASO DE ACIDENTE TRÂNSITO:

DILIGÊNCIA DE INSPECÇÃO OCULAR.___________________________

No local dos factos, pelas 13:00 horas do dia 19 de fevereiro de 2000, é


realizada pela força instrutora a correspondente Inspecção Ocular, que reflecte
os seguintes dados:

IDENTIFICAÇÃO DO ACIDENTE. _________________________________


Acidente de viação ocorrido às 12:00 horas do dia 19 de Fevereiro de
2000, no Quilómetro cinco da Estrada Nacional N.º 1 (Maputo-Matola), Área
jurisdicional de (nome da Área), consistente numa colisão frontal do veículo
Marca Toyota, modelo Corolla, matrícula MMA-28-12 e o veículo marca Nissan,
modelo Patrol, matrícula MMA-14-32, quando estava a fazer uma
ultrapassagem, tendo resultado na morte do motorista do veículo MMA-28-12,
ferido leve o motorista do veículo MMA-14-32 e danos materiais nos dois
veículos, de consideração grave.

SENTIDO DE CIRCULAÇÃO:
A inspecção ocular realiza-se tomando o sentido da circulação de Maputo a
Matola, que era o que o veículo com matrícula MMA-14-32 seguia.

SENTIDO DE CIRCULAÇÃO DOS VEÍCULOS:


O ligeiro marca Toyota modelo Corolla, matrícula MMA-28-12, circulava
no sentido Matola-Maputo.

O ligeiro marca Nissan modelo Patrol, matrícula MMA-14-32, circulava


no sentido Maputo-Matola.

PONTOS FIXOS DE REFERÊNCIA:

PONTO FIXO A: posto de energia, com número 8S, situado na berma


direita em relação ao sentido da inspecção ocular, a 250 metros do
ponto quilométrico 8 e a 1,5 metros da berma da estrada, medidos de
forma vertical ao eixo da estrada.

PONTO FIXO B: sinal do trânsito de limitação de velocidade "Proibido ir


a mais de 60 Km/h", situado na direita em relação ao sentido da
inspecção ocular, e obrigando a respeitá-la aos veículos que circulam
de Matola a Maputo. Desde o sinal até ao ponto quilométrico 4 há 310
metros e desde o sinal até à berma da estrada há 0,75 metros medidos
pela forma vertical ao eixo da estrada.

DISTÂNCIA ENTRE OS PONTOS FIXOS: 60 metros.

CARACTERÍSTICAS DA VIA:

174
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-175

TIPO: Estrada nacional.


TIPO DE VIA: Única, com sentido duplo.
LARGURA DA ESTRADA: 10 metros.
CONFIGURAÇÃO DA ESTRADA: traço recto, com 300 metros de
comprimento.
NÚMERO DE FAIXAS: duas, uma para cada sentido.
LARGURA DE FAIXAS: a faixa direita no sentido da inspecção ocular tem
5,5 metros de largura medidos desde a margem direita da estrada ao eixo
central da mesma e a faixa esquerda no sentido da inspecção tem 4,5
metros medidos desde a margem esquerda ao eixo central da estrada.
PAVIMENTO: flexível, com pavimento de aglomerado asfáltico.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: mau, pavimento muito velho com as pedras
desgastadas e com muitos buracos com medidas que oscilam entre 30 cm
de diâmetro até 50 cm de diâmetro.
SUPERFÍCIE: limpa e seca.
PASSEIOS. Não se observam.
BERMAS DA ESTRADA: Na berma da parte direita em relação ao sentido
da inspecção ocular observamos uma franja de areia de 3 metros de largura
e depois desta franja existem árvores e plantas.
Na berma esquerda em relação ao sentido da inspecção existe uma franja
de areia de 2 metros e a continuação árvores e plantas.
OBSTÁCULOS NA VIA: Não se observam.
VISIBILIDADE: Boa, porque é um traço recto de 100 metros à frente do
lugar do acidente e de 200 metros por trás do lugar do acidente em relação
ao sentido da inspecção ocular.
LUMINOSIDADE: Boa, porque no momento do acidente eram as 12:00
horas, ou seja, que o acidente aconteceu em pleno dia.
OFUSCAÇÃO: A força instrutora pensa que não houve ofuscação para
nenhum dos dois condutores pois Às 12:00 hortas o sol estava no Sul, e o
veículo MMA-28-12 circulava de este a Oeste em direcção a Maputo e o
veículo MMA-14-32 também não porque circulava de Oeste a Este em
direcção a Matola.
TIPO DE INTERSECÇÃO: Não há.
PRIORIDADE DE PASSAGEM: Não há.
SINALIZAÇÃO:
VERTICAL: Sinal de trânsito de proibido circular a mais de 60 Km/h que
está no lado direito da estrada no sentido da inspecção ocular e obriga
aos veículos que circulam em direcção a Matola-Maputo pela faixa
direita no sentido da inspecção ocular, e que tomamos como ponto fixo
B.
HORIZONTAL: Não se observam.
Agentes: Não se observam.
OUTRO TIPO DE SINAIS: Não se observam.

175
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-176

LIMITAÇÕES DE VELOCIDADE:

GENÉRICA: Para os veículos ligeiros não há.


ESPECÍFICA: A partir do lugar onde fica o sinal de proibido circular a mais
de 60 Km/h, que está situada no lado direito em relação ao sentido da
inspecção até 200 metros mais adiante a partir do sinal em direcção a
Matola-Maputo, uma vez que obriga aos veículos que circulam pela faixa
direita no sentido Matola-Maputo, depois dos 200 metros há um sinal de fim
da proibição de circular a mais de 60 Km/h.
CIRCULAÇÃO.: Fluída, circulando os veículos a grande velocidade.

OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS:

DIA DE SEMANA: 5ª feira.


FESTIVIDADE: Não é.
FACTORES ATMOSFÉRICOS: Bom tempo, céu limpo com sol.

MARCAS E VESTÍGIOS:

DE TRAVAGEM:
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Observa-se na faixa esquerda
do sentido da inspecção ocular, perto do eixo central da estrada, uma
dupla marca de travagem de 20 cm de largura e de 20 metros de
comprimento. A distância até aos pontos fixos é:
Lado direito traseiro até ao ponto fixo A: 18 metros.
Lado direito traseiro até ao ponto fixo B: 30 metros.
Lado esquerdo traseiro até ao ponto fixo A: 15 metros.
Lado esquerdo traseiro até ao ponto fixo B: 25 metros.
Lado direito dianteiro até ao ponto fixo A: 35 metros.
Lado direito dianteiro até ao ponto fixo B: 11 metros.
Lado esquerdo dianteiro até ao ponto fixo A: 38 metros.
Lado esquerdo dianteiro até ao ponto fixo B: 20 metros.
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Não se observam.

DE DERRAPAGEM:
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Não se observam.
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Observam-se marcas de dupla
derrapagem em forma semicircular desde o eixo central da estrada até à
posição final do veículo na faixa direita no sentido da inspecção ocular,
com 8 cm de largura e 8 metros de comprimento, com as seguintes
medidas até aos pontos fixos em relação ao sentido da inspecção:
Lado direito traseiro até ao ponto fixo A: 1o metros.
Lado direito traseiro até ao ponto fixo B: 32 metros.
Lado esquerdo traseiro até ao ponto fixo A: 12 metros.
Lado esquerdo traseiro até ao ponto fixo B: 25 metros.
Lado direito dianteiro até ao ponto fixo A: 18 metros.
Lado direito dianteiro até ao ponto fixo B: 15 metros.
Lado esquerdo dianteiro até ao ponto fixo A: 21 metros.
Lado esquerdo dianteiro até ao ponto fixo B: 20 metros.

176
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-177

OUTRAS DOS PNEUS:


PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Não se observam.
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Não se observam.

ARRANHÕES:
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Não se observam.
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Não se observam.

RASPÕES:
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Não se observam.
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Observa-se uma marca de
raspagem de forma semicircular desde o eixo central da estrada até à
metade da faixa direita em relação ao sentido da inspecção ocular,
produzida pelo pára-choques do veículo depois de se desprender do
veículo por causa do impacto, com uma largura de 15 metros e com 7
metros de comprimento, com uma distância ao ponto fixo A em relação
ao sentido da inspecção de:
Extremo traseiro até ao ponto fixo A: 10 metros.
Extremo traseiro até ao ponto fixo B: 25 metros.
Extremo dianteiro até ao ponto fixo A: 23 metros.
Extremo dianteiro até ao ponto fixo B: 16 metros.

SULCOS E FENDAS:
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Não se observam.
PARA O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Não se observam.

RESTOS DA INFRA-ESTRUTURA: Observa-se uma zona de terra situado


perto do eixo central da estrada na faixa esquerda em relação ao sentido da
inspecção, cujo diâmetro é de 20 metros, sendo a distância desde o ponto
central da zona até ao ponto fixo A de 19 metros e ao ponto fixo B de 27
metros. Supõe-se que pertença ao veículo de matrícula MMA-14-32, porque
existe debaixo do mesmo veículo e rodas restos do mesmo tipo de terra.

LÍQUIDOS: Observa-se por baixo do veículo matrícula MMA-28-12 situado


na faixa direita em relação ao sentido da inspecção ocular, um charco de
água que procede do radiador do veículo referido, com um diâmetro de 50
cm e a uma distância do ponto central do charco até ao ponto fixo A de 10
metros e uma distância do ponto fixo B de 25 metros.

SANGUE E ROUPAS: Observa-se no centro da faixa direita no sentido da


inspecção uma mancha de sangue de 10 cm de diâmetro, supostamente
pertencente ao motorista do veículo matrícula MMA-28-12, que resultou
morto, estando o centro da mancha a 7 metros do ponto A e a 33 metros do
ponto fixo B.
Também observa-se um sapato direito de cor preta, pertencendo
supostamente ao motorista morto por calçar no pé esquerdo um sapato
igual. O mesmo está situado no centro da faixa direita no sentido da

177
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-178

inspecção ocular, a uma distância de 27 metros do ponto fixo A e 13 metros


do ponto fixo B.

OUTROS RESTOS: Observam-se restos de vidros e de pára-choque perto


do eixo central da estrada, na faixa esquerda do sentido da inspecção, cujo
diâmetro é de 2,5 metros, sendo a distância desde o ponto central da zona
até ao ponto fixo A de 20 metros e ao ponto fixo B de 26 metros.

DANOS ALHEIOS AOS VEÍCULOS: Não se observam.

PONTOS DE REFERÊNCIA EM ORDEM DE SITUAÇÃO DOS VEÍCULOS:

PONTO PROVÁVEL DO ACIDENTE: O ponto provável do acidente acha-se


que está localizado perto do eixo central da estrada, na faixa esquerda do
sentido da inspecção por ser onde ficam os restos da infra-estrutura e os
restos de vidros, e também porque é onde terminam as marcas de
travagem do veículo MMA-14-32. Sendo a sua localização em relação aos
ponto fixos de:
Ponto de conflito até ao ponto fixo A: 19,5 metros.
Ponto de conflito até ao ponto fixo B: 26,5 metros.

POSIÇÃO FINAL DOS VEÍCULOS:


DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: A posição final deste veículo
apoiado sobre as quatro rodas encontra-se na faixa de areia que está
situada na berma da faixa esquerda do sentido da inspecção, com as
seguintes medidas desde os eixos do veículo até aos pontos fixos:
Eixo traseiro direito até ao ponto fixo A: 31 metros.
Eixo traseiro direito até ao ponto fixo B: 15 metros.
Eixo traseiro esquerdo até ao ponto fixo A: 32 metros.
Eixo traseiro esquerdo até ao ponto fixo B: 17 metros.
Eixo dianteiro direito até ao ponto fixo A: 34 metros.
Eixo dianteiro direito até ao ponto fixo B: 12 metros.
Eixo dianteiro esquerdo até ao ponto fixo A: 36 metros.
Eixo dianteiro esquerdo até ao ponto fixo B: 14 metros.
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: A posição final deste veículo é
sobre as suas quatro rodas de forma vertical angular direita em relação
ao eixo central da estrada na faixa direita ao sentido da inspecção
ocular, com as seguintes medidas desde os eixos do veículo até aos
pontos fixos:
Eixo traseiro direito até ao ponto fixo A: 8 metros.
Eixo traseiro direito até ao ponto fixo B: 26 metros.
Eixo traseiro esquerdo até ao ponto fixo A: 10 metros.
Eixo traseiro esquerdo até ao ponto fixo B: 28 metros.
Eixo dianteiro direito até ao ponto fixo A: 12 metros.
Eixo dianteiro direito até ao ponto fixo B: 22 metros.
Eixo dianteiro esquerdo até ao ponto fixo A: 14 metros.
Eixo dianteiro esquerdo até ao ponto fixo B: 24 metros.

178
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-179

POSIÇÃO DAS PESSOAS OU DOS CADÁVERES:


POSIÇÃO DO CADÁVER DO MOTORISTA DO VEÍCULO MMA-28-12:
Observa-se o cadáver do motorista no centro da faixa direita no sentido
da inspecção ocular, no lado esquerdo do veículo MMA-28-12, em
posição de barriga para cima, com as costas apoiadas no chão, com
uma perna flexionada, a outra perna estendida e os braços em posição
de cruz, com sangue na cara, na cabeça e nas roupas, e diversas
feridas na cara, na cabeça e nas mãos. Observam-se também raspões
nas calças do cadáver, e a perda do sapato direito, sendo a sua posição
em relação aos pontos fixos o seguinte:
Da cabeça do cadáver ao ponto fixo A: 5 metros.
Da cabeça do cadáver ao ponto fixo B: 32 metros.
Da entreperna do cadáver ao ponto fixo A: 6 metros.
Da entreperna do cadáver ao ponto fixo B: 33 metros.
Da mão esquerda do cadáver ao ponto fixo A: 6,5 metros.
Da mão esquerda do cadáver ao ponto fixo B: 34 metros.

EXAME DOS VEÍCULOS:

PRESUMÍVEL ESTADO DE CONSERVAÇÃO INICIAL:


CORRESPONDENTE AO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Acha-se
bom o estado inicial segundo o ano de fabrico, ano 1996.
CORRESPONDENTE AO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Acha-se
bom o estado inicial segundo o ano de fabrico, ano 1993.

FORÇA PRINCIPAL DO IMPACTO (FPI):


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Encontra-se na parte frontal
direita do veículo, onde o veículo tem todos os danos.
NO VEÍCULO MATRICULA MMA-28-12: encontram-se na parte frontal
central direita, onde tem todos os danos do veículo.

CONSIDERAÇÃO DOS DANOS:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: De consideração leve,
afectando ao sistema de iluminação direito.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: De consideração grave,
afectando o impacto à direcção e amortecedor e ao sistema de
iluminação direito.

AVARIAS COMO CONSEQUÊNCIA DO ACIDENTE:


DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Capot dianteiro deformado,
fazendo uma curva para cima, a parte direita do pára-choques
estragado, toda a iluminação direita estragada, ala lateral direita
deformada para dentro.
DO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Capot dianteiro fazendo curva
para cima, radiador e ventilador estragado, pára-choques estragado no
lado direito, toda a iluminação direita estragada, pára-brisas estragado,
pontos de fixação do motor deformado, ala lateral dianteira direita
deformada, amortecedor dianteiro direito estragado e o eixo dianteiro
partido.

179
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-180

ALAVANCA DE MUDANÇA DE VELOCIDADES:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Encontra-se na quinta posição.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Encontra-se na terceira
posição.

VELOCÍMETRO:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Marca 0 Km/h
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Marca 0 Km/h

CONTA-QUILÓMETROS:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Marca 25.853 Quilómetros
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Marca 180.585 Quilómetros

TACÓGRAFO: Não se observa a instalação em nenhum dos dois veículos.

EXAME PERICIAL DOS ÓRGÃOS DO VEÍCULO:

ILUMINAÇÃO E SINALIZAÇÃO ÓPTICA:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Aparentemente em bom estado
de conservação, embora o lado direito dianteiro esteja estragado, acha-
se que antes do acidente estava bom.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Aparentemente em bom estado
de conservação, embora o lado direito dianteiro esteja estragado, acha-
se que antes do acidente estava bom.

ÓRGÃO DE TRAVAGEM:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Observam-se as borrachas dos
travões desgastadas.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Observa-se que estão em bom
estado de conservação.

ÓRGÃOS DE DIRECÇÃO:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Observa-se que estão em bom
estado.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Supõe-se em bom estado antes
do acidente, já que depois do acidente ficou danificado.

AMORTECEDORES:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Observa-se que estão em bom
estado.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Supõe-se em bom estado de
conservação o amortecedor dianteiro direito antes do acidente, já que
depois do acidente ficou danificado. O resto dos amortecedores estão
em bom estado.

180
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-181

PNEUS:
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Marca Pirelli, modelo P-7000
tubeless, com as medidas 210/80 R 15, com índice de velocidade
máxima 150 Km/h, com data de fabrico 085.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Marca Michelin, modelo P-
1000, tubeless, com as medidas 180/70 R 14, com índice de velocidade
máxima 180 Km/h, com data de fabrico 028

ESTADO DE CONSERVAÇÃO DOS PNEUS:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Em mau estado de
conservação, com muitos cortes e gretas da rodadura dos pneus, e o
desenho muito desgastado, e com diversos abrasões no desenho.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Em bom estado de
conservação, sem cortes nem gretas e em bom estado do desenho.

PROFUNDIDADE DO DESENHO DOS PNEUS:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: 0,1 mm quase sem desenho,
praticamente lisos.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: 1 mm em bom estado de
conservação.

PRESSÕES DOS PNEUS:


NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Nos pneus dianteiros 2,1 Kg/m³
e nos traseiros 2,2 Kg/m³, correctos segundo os fabricantes dos carros e
dos pneus que leva o carro.
NO VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Nos pneus dianteiros 1,8 Kg/m³
e nos traseiros 2,0 Kg/m³, correctos segundo os fabricantes do carro e
dos pneus que leva o carro.

OUTROS ÓRGÃOS QUE TENHAM INFLUÍDO NO ACIDENTE: Não se


observam em nenhum dos veículos.

DESTINO FINAL DO VEÍCULO:


O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-14-32: Foi transferido pela grua da
P.R.M., matrícula PRM-12-12 até ao Conselho Municipal da Cidade de
Maputo, onde fica à disposição da Autoridade Judicial, ficando com a
documentação e todos os objectos de valor que ficavam dentro do
veículo, o condutor do mesmo, Senhor Renato Matusse, B.I. n.º
11.111.111.
O VEÍCULO MATRÍCULA MMA-28-12: Foi transferido pela grua da
P.R.M., matrícula PRM-12-11 até ao Conselho Municipal da Cidade de
Maputo, onde fica à disposição da Autoridade Judicial.

VEÍCULOS E PESSOAS PARTICIPANTES:


Senhor Américo Samuel, B.I. n.º 22.222.222, motorista do veículo MMA-
28-12, que resultou morto, ficando o corpo na estrada, no lado esquerdo
do veículo, na faixa direita do sentido da inspecção.

181
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-182

Senhor Renato Matusse, B.I. n.º 11.111.111, motorista do veículo


matrícula MMA-14-32, o qual estava no momento em que chegou a
Força Instrutora ao lado do morto, tentando auxiliá-lo.

DOCUMENTAÇÃO DOS VEÍCULOS E PESSOAS:


A documentação do veículo matrícula MMA-28-12 e do motorista morto
fica em poder da Força Instrutora para a sua remissão à Autoridade
Judicial, assim como as provas do acidente.
A documentação do veículo MMA-14-32 fica em poder do dono do carro
Senhor Renato Matusse, B.I. n.º 11.111.111, participando-lhe que ficam à
disposição da Autoridade Judicial.

E, para que conste, redige-se como diligência que é assinada pela Força
Instrutora às 14:30 horas do dia 19 de Fevereiro de 2000.

Assinatura da Força.

182
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-183

DILIGÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO SR. ANDRÉ PEREIRA, CONDUTOR E


TITULAR DO VEÍCULO MARCA FORD GALAXY GLX 1.9 TDI, MATRÍUCLA MLF-
28-36.

No lugar do acidente pelas 10:30 horas do dia 20 de Maio de 2000, a Força


Instrutora que subscreve, por meio da presente diligência faz constar:

Que se procede a tomada de manifestação à pessoa anotada ao início da


presente, nascido aos 12 de Janeiro de 1965, filho de André e Monica, natural e
residente em Sofala, Beira, com domicílio na Rua Mateus n.º 1 telefone 232 323, este
domicílio coincide com o que aparece no seu Bilhete de Identidade.

APRESENTA E RETIRA OS SEGUINTES DOCUMENTOS:

B.I. n.º 22.222.222, expedido em Beira, aos 12/01/93.

CARTA DE CONDUÇÃO da classe B-1, expedido pelos Serviços de Viação de Beira,


aos 12/12/88, válido até ao 12/12/98. Não existem restrições.

LICENÇA DE CIRCULAÇÃO expedido pelo Conselho Municipal da Beira, aos


01/03/95. Matriculado nessa mesma data pelos Serviço de Viação.

CARTA DE INSPECÇÃO TÉCNICA expedida em Beira pelo Ministério da Indústria e


Energia aos 12/01/95. A próxima inspecção deverá ser feita em Janeiro de 2000.

CERTIFICADO E RECIBO DO SEGURO OBRIGATÓRIO DE ACIDENTES n.º


00004530530, válido desde o dia 05/12/97, até ao dia 05/12/98, feito com a
Companhia de Seguros de Moçambique, sediado em Maputo, Av. 25 de Setembro, n.º
123. C.P. 2000.

PERGUNTADO para que diga a forma em que se produziu o acidente, MANIFESTA


que "Circulava pela Estrada Nacional n.´1, aproximadamente às 9:30 horas pela faixa
que vai em direcção a Maputo, quando à altura do Quilómetro 2 aproximadamente,
meti-me na Rua X que existe no lado direito em direcção à ECMEP (Empresa de
Construção e Manutenção de Estradas e Pontes) na Junta, pelo qual chega-se ao
Bairro Luis Cabral, para visitar o meu irmão que lá trabalha, quando ao fazer a curva
para a referida Rua virei a cabeça e vi como uma motorizada vinha a toda a
velocidade, não me dando tempo para esquiva-la, pois tinha reduzido a velocidade
para meter-me na Rua X e circulava muito devagar, não me tendo apercebido dela
antes por vir atrás de mim um camião, vindo a referida motorizada adiantando pela
faixa direita em sentido a Maputo ao camião que me precedia, colidindo a motorizada
com a parte dianteira do meu veículo, e saindo a mesma lançada para a direita.
Saindo da estrada pela Rua de acesso ao Bairro Luis Cabral, que era a que eu queria
aceder, ficando o condutor da motorizada deitado na Rua X, continuando a motorizada
o seu deslocamento desenfreado alguns metros até chocar contra um muro de
delimitação da Empresa ECMEP, caindo depois na Rua de acesso. Ao ver o que havia
ocorrido saí do carro e ví que o condutor da motorizada que se encontrava deitado no
caminho estava a sangrar do braço e da perna, e que do capacete que trazia na
cabeça saia sangue. Nesse momento apareceu um agente de motorizada, que
resultou ser o companheiro da pessoa acidentada, o qual aproximou-se do seu
companheiro e disse que tinha falecido, depois dirigiu-se para a sua motorizada e
avisou-vos, e pouco tempo depois apresentaram-se".

183
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-184

PERGUNTADO se se apercebeu de que a motorizada estava adiantando ao camião


que o precedia, MANIFESTA que "Não, porque não tenho espelho retrovisor esquerdo,
e além disso encostei-me à esquerda para poder entrar bem no caminho de acesso à
finca."

PERGUNTADO desde quando saiu em viagem, manifesta que "Vinha de Massinga,


Inhambane".

PERGUNTADO quanto tempo levava conduzindo, MANIFESTA que "Cerca de 8 horas


aproximadamente".

PERGUNTADO se durante a viagem parou para descansar nalgum momento,


MANIFESTA que "Não fiz nenhuma paragem".

PERGUNTADO se o condutor da motorizada fez-lhe algum sinal quando ele se dirigia


à Rua X, MANIFESTA que "quando a referida motorizada ultrapassou ao camião, não
lhe vi fazer nenhum sinal pois passou tudo muito rápido, por circular a mesma a muita
velocidade".

PERGUNTADO se tentou realizar alguma manobra para tentar evitar a colisão,


MANIFESTA que "Não, não pude, porque eu circulava a uma velocidade muito
pequena".

PERGUNTADO se viu a manobra que realizou o condutor da motorizada ao ver que


você ia entrar numa via de acesso que se encontrava na faixa direita em sentido a
Maputo MANIFESTA que "Não sei, tudo foi muito rápido e não me apercebi da
manobra que realizou".

PERGUNTADO se tem alguma coisa mais que dizer, MANIFESTA que "Não tenho
mais nada que dizer".

COMPARÊNCIA por meio da presente notifica-se ao interessado a obrigação que tem


de se apresentar perante o Ilustríssimo Senhor Juiz de Instrução do Tribunal da
Cidade de Maputo, com a maior brevidade possível e dentro dos prazos marcado pela
Lei.

INFORMA-SE: comunica-se que o veículo acidentado fica à disposição da Autoridade


Judicial.

E, para que conste, coloca-se como diligência que assina o manifestante uma
vez lida por si e como prova de conformidade da Força Instrutora no local, dia e hora
ao princípio indicados.

184
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-185

PROCESSO INSTRUÍDO COM MOTIVO DE ACIDENTE DE TRÂNSITO

FERNANDO FRANCISCO (222222), Guarda da P.R.M. actualmente


prestando serviços da sua classe no Centro de Formação de Quadros da
P.R.M. em Michafutene (Maputo), por meio do presente processo faz constar o
seguinte:

Que pelas 22:20 horas do dia vinte e oito de Abril de mil novecentos e
noventa e nove, enquanto se encontrava prestando serviço de vigilância de
estradas na Avenida de Moçambique, à altura do quilómetro 16 da mesma em
união do Guarda da P.R.M. ALFREDO SANCHO (333333), pertencente à
mesma unidade anteriormente citada, recebem chamada mediante rádio
transmissor oficial, proveniente da Central COTA, na qual se encontra
prestando serviço o guarda da P.R.M. ROBERTO GOMES (111111),
comunicando que "ocorreu um acidente na Avenida de Moçambique, à altura
do Km 13 aproximadamente, com várias pessoas feridas". Pelo que acto
seguido deslocam-se até o citado ponto quilométrico, apresentando-se no
mesmo às 22:35 horas do dia da data.

No momento da sua chegada, encontram um par de motoristas


composto pelos Guardas da P.R.M. JOÃO GOMES (444444) e LUÍS ROCHA
(555555), os quais nesse momento encontravam-se regulando a circulação no
local do acidente; encontrando-se também no local do acidente um veículo de
marca Renault Megane 1.3 RN 5p, de matrícula MLL-13-17, situado sobre as
suas quatro rodas em posição oblíqua com a parte frontal do veículo em
direcção ao eixo longitudinal da estrada no carril esquerdo sentido Maputo, em
cujo interior observa-se a uma pessoa sentada no assento anterior direito com
a cabeça apoiada no repousa cabeças de dito veículo, caindo da mesma um
jorro de sangue, misturada com um líquido de cor amarela, que lhe sai do
ouvido e nariz, na camisa da vítima, sendo esta pessoa supostamente cadáver,
segunda certificaram os componentes da ambulância de matrícula MMA-12-34,
os quais certificaram documentalmente chamar-se FACUNDO GIL (666666) e
LUÍS FERNANDO (777777), os quais prestam serviço no Hospital Psiquiátrico
de Infulene (Maputo), sendo estes mesmos os que transferiram ao Senhor
JOÃO GIL, com B.I. n.º (888888), condutor do carro Renault Megane 1.4 RN,
matrícula MLL-13-17, ao hospital anteriormente citado, por encontrar-se
gravemente ferido. No lugar do acidente, observa-se também outro veículo de
marca SSANGYONG MUSSO E 32, matrícula MLE-02-69, situado sobre as
suas quatro rodas no carril direito em sentido a Marracuene,
perpendicularmente ao eixo da estrada, com a parte frontal do veículo em
direcção à margem direita da estrada em sentido a Maputo.

Encontrando-se no lugar do acidente a pessoa que manifestou ser André


Pereira, com B.I. (999999), condutor do veículo marca SSANGYONG MUSSO
E 32, matrícula MLE-02-69, o qual se encontrava ao lado do seu veículo no
momento da comparência da força instrutora, no local do acidente
encontravam-se também outras duas pessoas, juntas, que se encontravam na
margem direita da estrada em sentido a Maputo, os quais acreditam
documentalmente chamar-se JOSÉ BONO, com B.I. n.º (000000), condutor do

185
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-186

camião marca PEGASWO TRONER, com matrícula MMA-12-12, transportando


um reboque com matrícula MMA-05-67-R, o qual manifesta "o veículo Renault
Megane estava a fazer um ultrapassagem quando ocorreu o acidente" e a
outra pessoa acreditou documentalmente chamar-se ROGÉRIO PIRES, com
B.I. n.º (123123), condutor do turismo Renault Laguna, com matrícula MMA-12-
34, o qual manifesta "eu, como adiantava ao outro Renault e quando ocorreu o
acidente".

No lugar dos factos observam-se as seguintes modificações: evacuação


do condutor do veículo de marca Renault Megane 1.3 RN 5p, de matrícula
MLL-13-17, ao Hospital Psiquiátrico de Infulene, numa ambulância do mesmo.

Uma vez comprovada a situação final dos caros sobre a estrada depois
do acidente, procede-se à retirada dos mesmos da estrada, para restabelecer a
circulação da via.

Uma vez comprovada a veracidade dos factos, dá-se início às presentes


diligências, encaminhadas à averiguação das causas e demais circunstâncias
que aconteceram no acidente.

E para que conste, estende-se a presente diligência que é assinada pela


Força Instrutora às 23:00 horas do dia vinte e oito de Abril de Mil novecentos e
noventa e nove.

186
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-187

DILIGÊNCIA DE RELATÓRIO

Em vista da Inspecção Ocular feita no lugar dos factos, manifestações,


marcas e vestígios e demais circunstâncias, é parecer do instrutor que no
presente acidente de trânsito se apresentem as seguintes hipóteses:

1ª Hipótese: Pavimento da estrada molhado, que pode ter ocasionado o


deslizamento da motocicleta.

2ª Hipótese: Funcionamento defeituosos dos indicadores de direcção do


veículo Ford Galaxy GLX 1.9 TDI, matrícula MLT-28-36, que pode ter
ocasionado a falta de percepção da manobra por parte do condutor da
motocicleta.

3ª Hipótese: Pneus defeituosos da motocicleta BMW K-75, matrícula MLM-28-


14, por causa de deformações e desgaste dos mesmos, que pode ter
ocasionado o deslizamento da motocicleta por estar molhado o pavimento.

4ª Hipótese: Cansaço do condutor do veículo matrícula MLT-28-36, que pode


ter ocasionado um atraso no tempo de reacção do mesmo.

5ª Hipótese: Falta de percepção por parte do condutor do condutor do Ford


Galaxy GLX 1.9 TDI, matrícula MLT-28-36, que pode ter ocasionado a surpresa
da sua intrusão no carril esquerdo do sentido da inspecção, ao condutor da
motocicleta matrícula MLM-28-14.

6ª Hipótese: Velocidade excessiva por parte do condutor do veículo da


motocicleta matrícula MLM-28-14, que pode ter ocasionado a impossibilidade
de reacção para poder fazer uma manobra de evasão segura.

Com respeito às hipóteses apresentadas realiza-se um ESTUDO


RACIONAL e OBJECTIVO sobre a mesma, com o seguinte resultado:

1ª Hipótese: Descarta-se a possibilidade de que o pavimento molhado tenha


sido a causa principal do acidente, segundo se reflecte na Inspecção Ocular,
epígrafe "Superfície" (pág. 17) "Molhada a limpa", seja a causa principal do
acidente, baseando-se em que se a velocidade da motocicleta fosse a
adequada, não se deveria ter produzido deslizamento algum e não se poderia
produzir a colisão.

2ª Hipótese: descarta-se que a causa principal do acidente tenha sido o


funcionamento defeituoso dos indicadores de direcção do veículo Ford Galaxy
GLX 1.9 TDI, matrícula MLT-28-36, segundo se descreve na Inspecção Ocular,
epígrafe "Exame Pericial do Veículo" (pág. 24), baseando-se em que se o
condutor da motocicleta matrícula MLM-28-14 tivesse circulado à velocidade
correcta, ter-lhe-ia dado tempo para fazer uma manobra de evasão ou poder

187
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-188

travar a tempo, não influindo estes indicadores do veículo na realização do


acidente.

3ª Hipótese: Descarta-se que a causa principal do acidente tenha sido o mau


estado dos pneus da motocicleta BMW K-75, matrícula MLM-28-14, segundo
se descreve na Diligência da Inspecção Ocular do veículo epígrafe "EXAME
PERICIAL DO VEÍCULO-Pneus" (pág. 23) "...mau estado de conservação, com
várias deformações e o desenho desgastado nas partes laterais dos mesmos.
Profundidade de 2 milímetros...", onde se descreve que se encontrava
desgastadas, com uma profundidade de dois milímetros, apresentado também
deformações nos talões das rodas, não se acredita na possibilidade de que
seja a causa principal baseando-se em que se o condutor do veículo tivesse
circulado a uma velocidade adequada, não teria havido possibilidade de colisão
e os pneus não teriam intervindo no acidente.

4º Hipóteses: Descarta-se que o cansaço do condutor do veículo matrícula


MLT-28-36, que se deduz do seu depoimento (pág. 8) "cerca de 8 horas
aproximadamente de condução", baseando-se em que se o condutor da
motocicleta tivesse ido a uma velocidade adequada, este facto não teria
influído na consecução do acidente.

5ª Hipótese: Descarta-se a possibilidade de que o erro de percepção do


condutor do veículo matrícula MLT-28-36, tenha sido a causa principal do
acidente, segundo refere no depoimento de dito condutor (pág. 8) "... não
tendo-me apercebido dela antes, por preceder-me por trás um camião...",
baseando-se em que se o condutor da motocicleta matrícula MLM-28-14,
tivesse circulado a uma velocidade adequada às circunstâncias, ter-lhe-ia dado
tempo para travar ou fazer uma manobra de evasão adequada.

6ª Hipótese: Aceita-se que a causa principal do acidente tenha sido a


velocidade excessiva por parte do condutor do veículo matrícula MLM-28-14,
segundo depoimentos do condutor do veículo matrícula MLT-28-36 (pág. 7)
"...vi como uma mota circulava a toda velocidade...", e do condutor do camião
matrícula MLM-12-12 (pág. 13), "...uma motocicleta vinha muito depressa...", e
pelo comprimento das marcas dos arranhões e de fricção que se descrevem na
Inspecção Ocular (pág. 20), dos danos causados em ambos veículos segundo
refere na Inspecção Ocular (pág. 23 e 24), e segundo no lugar onde ficaram a
motocicleta e o corpo do condutor (pág. 22), baseando-se em que se a
motocicleta matrícula MLM-28-14 tivesse circulado a uma velocidade mais
reduzida o acidente não teria ocorrido.

- CAUSAS MEDIATAS:

- Relativas à via:
- Pavimento molhado.

- Relativas às condições atmosféricas:


- Tempo um pouco nublado.

188
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-189

- Relativas ao veículo:
- Do veículo matrícula MLM-28-14:
Pneus desgastados e deformados.
- Do veículo matrícula MLT-28-36:
Funcionamento defeituoso dos indicadores de direcção.

- Relativas às pessoas:
- Físicas:
- Do condutor do veículo matrícula MLM-28-14:
Não há.
- Do condutor do veículo matrícula MLT-28-36:
Não há.

- Psíquicas:
- Do condutor do veículo matrícula MLM-28-14:
Não há.
- Do condutor do veículo matrícula MLT-28-36:
Cansaço

- Falta de conhecimento, perícia ou experiência:


- Do condutor do veículo matrícula MLM-28-14:
Não há.
- Do condutor do veículo matrícula MLT-28-36:
Não há.

- CAUSAS IMEDIATAS:

- INFRACÇÃO AO REGULAMENTO GERAL DE TRÂNSITO, por parte do


condutor do veículo matrícula MLM-28-14:
- Circular a uma velocidade superior à indicada para esse tipo de via e em
razão do veículo de que se trata.

- INFRACÇÃO AO REGULAMENTO GERAL DE TRÂNSITO, por parte do


condutor do veículo matrícula MLT-28-36:
- Não há.

- CAUSA PRINCIPAL OU EFICIENTE (Sem a qual não se teria produzido o


acidente):

Velocidade excessiva por parte do condutor da motocicleta matrícula MLM-


28-14.

Com base nas hipóteses aceites assim como das causas que intervieram, é
parecer do instrutor, que o acidente de trânsito teve o seguinte
desenvolvimento:

189
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-190

Às 09:0 horas do dia 20 de Maio de 2000, o monovolume Ford Galaxy GLX


1.9 TDI, matrícula MLT-28-36, circulava pela Avenida de Moçambique (Maputo-
Marracuene), e ao situar-se num caminho de terra de acesso à quinta "O
cajueiro", que se encontrava à direita em direcção a Marracuene, viu como
uma motocicleta vinha a toda velocidade pelo carril direito em sentido a
Marracuene, ultrapassando um camião. Ao estar tão perto dele, a motocicleta
não teve tempo para fazer uma manobra para sair do carril direito em que se
encontrava ocupando parcialmente por estar fazendo a manobra de
incorporação ao caminho de acesso à finca; colidindo a motocicleta matrícula
MLM-28-14 e o turismo MLT-28-36 de forma FRONTELATERAL, atingindo a
motocicleta a parte anterior do lateral direito do monovolume. Resultando do
mesmo MORTO o condutor da motocicleta matrícula MLM-28-14, ILESO o
condutor do monovolume matrícula MLT-28-36 e DANOS de consideração em
ambos veículos.

Tudo isso salvo superior parecer de V.Excia.

E para que conste, põe-se como diligência, que assina o Instrutor, em


Maputo, pelas 15:00 horas do dia 20 de Maio de 2000.

EXEMPLO DE DESCRIÇÃO DE UMA MARCA DE TRAVAGEM, válido


igualmente para qualquer outro tipo de impressões, marcas ou vestígios em
refereência á sua redacção na diligência de inspecção ocular por acidente de
trânsito.

OBSERVAÇÕES QUE DEVEM SER TOMADAS EM CONTA

1. Descrever a situação da marca com respeito à via (faixa direita sentido


x. Faixa esquerda sentido x.Margem direita ou margem esquerda sentido x,
sobre o centro da estrada, fora da estrada, etc.).

190
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-191

2. Forma do desenho da impressão ou marca ou em que consiste o


vestígio (duplo traçado, traço único, com desvio à direita ou esquerda no seu
final, cortada, traço descontínuo, em forma de arco, etc.).
3. Indicar o veículo ou pneus ou partes do veículo produtor das impressões
ou marcas.
4. Sentido seguido pelas marcas (seguindo a rota ou trajectória do veiculo,
derivando para a direita ou esquerda, girando para um lado ou outro, etc.)
5. Longitude total da marca ou marcas.
6. Separação no seu início e final (ver desenhos e letras A e R), do traço
mais próximo à margem esquerda da plataforma ou estrada segundo o sentido
de circulação do veículo.
7. Separação no princípio e final do traço mais próximo à margem
esquerda da plataforma ou estrada segundo o sentido de circulação do veículo
em relação aos PONTOS DE REFERENCIA ( A E B ).

EXEMPLO DE DESCRIÇÃO DO PROVÁVEL PONTO DE COLISÃO TAMBÉM


CHAMADO PONTO DE CONFLITO (Dependendo do tipo de acidente), válido
igualmente para determinar pontos iniciais de saída de vias e outros.
Premissas a tomar em conta para a sua redacção na diligência de inspecção
ocular por acidente de trânsito.

PREMISSAS QUE DEVEM SER TOMADAS EM CONTA

1. Determinar em que indícios nos baseamos para situar o ponto de conflito ou


provável ponto de colisão (segundo se trate de colisões, choques ou saídas de
via), como por exemplo: restos de pó ou barro, roce de partes metálicas, vidros
ou restos de infra-estrutura, marcas na estrada, danos em objectos fixos, etc.

191
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-192

2.- Descrever a situação do ponto de conflito com respeito à via (faixa direita
sentido x. Margem direita ou margem esquerda sentido x, sobre o centro da
estrada, fora da estrada, etc.).

3.- Indicar o veículo ou partes do veículo produtor das impressões, marcas ou


vestígios susceptíveis de ser considerados como ponto de conflito.

4.- Superfície que abarca a zona onde se situam os indício que originam que
sejam considerados como provável ponto de colisão ou conflito.

5.- Situação com respeito aos PONTOS FIXOS DE REFERÊNCIA A e B.

DILIGÊNCIA DE INFORME

À vista da inspecção ocular feita no lugar dos factos, manifestações dos


condutores implicados, danos sofridos pelos veículos, impressões, vestígios e
demais circunstâncias, é parecer do instrutor que no presente acidente de
trânsito encontrem-se as seguintes hipóteses:

* Enumeram-se as possíveis hipóteses (pelo menos três),


especificando o condutor ou o veículo ao qual a mesma se
apresenta.

Exemplo:

1ª Hipótese: falhas nalguns órgãos vitais do veículo (indicar de que


veículo se trata) e (qual é o órgão ou órgãos que falharam).

2ª Hipótese: Achado de algum obstáculo na estrada ou invasão na


mesma de algum animal solto. (citar expressamente o obstáculo ou
animal em questão).

3ª Hipótese: Falha humana por parte do (indicar o condutor ao que se


faz referência) e (em que consiste a falha ou falhas em questão).

* Com respeito às hipóteses apresentadas faz-se um estudo


detalhado e objectivo sobre as mesmas, aceitando-as ou
descartando-as.

Exemplo:

1ª Hipótese: Descarta-se a mesma uma vez que após a chegada ao


lugar dos factos da Força Instrutora, procedeu-se por parte da mesma à
realização de um exaustivo reconhecimento do (indicar o veículo que se
reconhece), comprovando-se que tanto o sistema de direcção como o de
travagem, assim como os pneus, encontravam-se em perfeito estado de

192
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-193

uso e conservação, não havendo razões para que os mesmos


pudessem falhar. (o sistema ou órgão que houvesse falhado)

2ª Hipótese: Descarta-se a segunda hipótese uma vez


que .............................................

3ª Hipótese: Aceita-se esta hipótese, uma vez que no transcurso da


Inspecção ocular feita pela Força Actuante, foi encontrado no interior do
porta-luvas lateral direito do veículo (indicar o veículo ao qual se fez
referência), o fármaco anti-gripe "Paracetamol 750", o qual se
encontrava a falta de três unidades. Escrutado igualmente o interior do
cinzeiro do turismo, foi localizado um dos protectores plastificados que
contêm e preservam o referido produto, calculando-se com isso o seu
consumo por parte do condutor anteriormente À produção do acidente,
provocando no mesmo uma situação de fatiga, concretamente
sonolência, com a conseguinte diminuição, da capacidade de reacção e
perda de consciência, efeitos secundários descritos na indicação do
documento.

* A continuação e com base na hipótese aceite faz-se um relato da


forma em que se produziu o acidente, utilizando o verbo no tempo
passado.

* Por último enumeram-se as causas IMEDIATAS e MEDIATAS


relativas a pessoas, via e veículos implicados no acidente, reflectindo
dentre todas elas a que considere PRINCIPAL ou EFICIENTE.

Tudo isso salvo parecer superior de V.Excia.

E para que conste põe-se na diligência, que é assinada pela Força


Instrutora, em Maputo, pelas _________ horas do dia _____ de ____________
de _______.

193
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-194

INFORME TÉCNICO
INFORME FOTOGRÁFICO
E CROQUES

1.- O INFORME TÉCNICO.

1.1.- CONCEITO.
1.1.1.- Características principais.
1.1.2.- Conteúdo.
1.2. NORMATIVA DE ACTUAÇÃO E PRAZO DE ENTREGA.
1.3. PARTES DE QUE CONSTA.
1.4. NORMAS FINAIS.

2.- PAUTA PARA A CONFECÇÃO DO INFORME TÉCNICO.

2.1.- PORTADA
2.2.- CORPO DO INFORME TÉCNICO.
2.2.1.- Assunto.
2.2.2.- Comparência.
2.2.3.- Pessoas implicadas.
2.2.4.- Veículos implicados.
2.2.5.- Descrição do lugar do acidente.
2.2.6.- Extracto das manifestações de interesse.
2.2.7.- Reconstrução do acidente.
2.2.8.- Apreciação da forma em que se produziu o acidente.
2.2.9.- Causas do acidente.
2.2.l0.- Entrega do informe técnico.
2.3.- A ESTRADA, OS SEUS ATRIBUTOS E MODIFICAÇÕES.
2.3.1.- Atributos.
2.3.2.- Modificações.

III O INFORME FOTOGRÁFICO.

3.1.- AS FOTOGRAFIAS.
3.2.- QUANDO SE DEVEM FAZER.
3.3.- O QUE SE DEVE FOTOGRAFAR.
3.4.- NOTAS AO PÉ DA FOTOGRAFIA.
3.5.- TIPOS DE FOTOGRAFIAS.
3.5.1.- Panorâmicas.
3.5.2.- Marcas.
3.5.3.- Pontos de conflito.
3.5.4.- Posição do cadáver.
3.5.5.- Posição final dos veículos.
3.5.6.- Danos dos veículos.

194
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-195

IV.-CROQUES

4.1.- DEFINIÇÃO.
4.2.- CROQUES PANORÂMICO OU DE CAMPO.
4.3.- EXECUÇÃO DO CROQUES.
4.3.1.- Exame do terreno.
4.3.2.- Eleição da escala.
4.3.3.- Eleição de pontos fixos.
4.3.4.- Recolha de pares de medidas.
4.3.5.- Condição iniludível: medir e assinalar.
4.3.6.- Esboço rápido e à mão livre.
4.3.7.- Realização completa do croques.
4.3.8.- Legenda e orientação.

5.- AS MEDIDAS

5.1.- MEDIÇÕES POR TRIANGULAÇÃO.


5.2.- TRIANGULAÇÃO A DOIS PONTOS PRÓXIMOS.
5.3.- MEDIDAS DE CURVAS.
5.4.- CÁLCULO DE RAIO DE CURVAS.
5.5.- GRAU DE UMA CURVA.
5.6.- MEDIÇÃO DE ÂNGULOS EM INTERSECÇÕES.
5.6.1.- Valendo-se de qualquer distância adequada.
5.6.2.- Empregando os extremos de uma curva.
5.7.- MÉTODO GRÁFICO PARA O CÁLCULO DA PENDENTE.
5.8.- MÉTODO GRÁFICO PARA TRAÇAR O PERFIL NO
CROQUES.

195
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-196

1.- O INFORME TÉCNICO.-

1.1.- CONCEITO:

Quando existe um acidente de trânsito no qual um dos implicados falece


antes das vinte e quatro horas de se ter produzido o acidente, ou no momento
do acidente, a Equipa de Atestados deve confeccionar, não somente o atestado
e o croques, mas também um “informe técnico” que o complementa e que se
deve entregar no mesmo Tribunal no tempo previsto pela Lei.

O “informe técnico” é, pois, um documento independente do atestado, e


não um resumo do mesmo, nem forma parte dele.

Acrescenta novos dados técnicos para a investigação das causas que


produziram o acidente, ampliando e complementando os dados já reflectidos
no atestado. Se a Autoridade judicial assim o dispuser, como acontece
praticamente em todos os acidentes, passará a formar parte do sumário.

1.1.1.- CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

- É uma ampliação do atestado. É muito mais detalhado.

- É independente do mesmo. Não tem diligências, senão epígrafes.

- Necessita de maior tempo para a sua confecção. Por isso, anexam-


se os resultados de exames, provas, análises, contrastes e
fotografias.

1.1.2.- CONTEÚDO:

- Informe técnico propriamente dito, que é o conjunto de dados e


investigações realizadas.

- Informe fotográfico, que complementa o croques e a Inspecção


Ocular feita.

O croques é um documento que forma parte do atestado e entrega-se


juntamente com ele em todos os acidentes, salvo quando se confecciona
também o Informe Técnico que se costuma entregar como anexo e ter
assim mais tempo para a sua perfeita elaboração.

1.2.- NORMATIVA DE ACTUAÇÃO E PRAZO DE ENTREGA:

O Informe Técnico deve ser feito pela mesma equipa que fez o atestado
do acidente, e se fará por dois motivos:

196
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-197

a) Em todos os acidentes graves, considerando-se como tais os


seguintes:

- Quando falece algum implicado no mesmo antes de 24 horas


passadas após a realização do acidente.

- Quando existe um grande número de implicados (mais de três).

- Quando existem muitos feridos graves (mais de três).

- Quando se trata de um acidente de transporte escolar, mercadorias


perigosas ou características similares.

b) Quando for solicitado pela Autoridade Judicial.

O prazo normal de entrega do Informe Técnico será o disposto nas


disposições legais, seja desde a data de entrega do atestado ou desde que
seja pedido pela Autoridade Judicial.

Este prazo de tempo deve ser empregue pela Equipa de Atestados ao


efectuar a investigação, o mais detalhada possível, das causas que motivaram
o acidente, acrescentando uma série de dados e detalhes técnicos que não
foram observados no atestado, devido ao curto espaço de tempo que este tem
para a sua entrega no Tribunal.

O nível de conhecimentos da Equipa de Atestados joga um papel


fundamental no Informe Técnico, pois ao longo da sua elaboração existirão
uma série de considerações, de carácter subjectivo, que serão reflexo da
imparcialidade e preparação da Equipa, e que terá importância ao longo de
todo o Sumário.

Independentemente de que se elabora o Informe Técnico nos atestados


em que exista alguma pessoa falecida, também se pode realizar naqueles
outros que pelas suas características especiais o requeiram a pedido do
instrutor, como transporte escolar, mercadorias perigosas e outros acidentes
singulares.

Deve possuir a simplicidade necessária para poder encontrar com


facilidade os dados que interessem e igualmente, a suficiente clareza na
expressão de motivos e ideias da força instrutora.

Na sua confecção, com maior intensidade que em qualquer atestado, é


necessário ordem e método na sua realização.

1.3.- PARTES DE QUE CONSTA:

O Informe Técnico consta das seguintes partes:

197
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-198

1) Capa.

2) Corpo do Informe Técnico.

3) Croques.

4) Informe fotográfico.

A segunda parte “corpo do Informe Técnico” deve constar dos


seguintes epígrafes:

- Assunto.

- Comparência.

- Pessoas implicadas no acidente (condutores, usuários, peões,


testemunhas, modificações nas pessoas).

- Veículos implicados no acidente, que inclui: veículos implicados,


exame dos veículos, danos sofridos pelos mesmos, exame pericial e
modificações existentes nos veículos.

5) Descrição do lugar do acidente, que inclui:

- Tipo de via e características, com um pormenorizado estudo da


classe, percurso, pavimento, sentido de denominação, pontos fixos
de referência, visibilidade e ofuscação.

- A sinalização, com reflexo da vertical, horizontal, balizagem, agentes


de tráfico, etc.

- Condições atmosféricas e outras circunstâncias de interesse.

- Marcas e vestígios. Se descreverão: posição final de veículos e


pessoas; marcas de veículos; partes dos veículos; restos de infra-
estruturas; líquidos; sangue; danos alheios aos veículos; qualquer
outra de interesse.

6) Extracto das manifestações de interesse.

7) Reconstrução do acidente. Para tal teremos em conta: posição final


dos veículos; pontos de percepção possíveis; ponto de percepção real;
ponto de decisão; ponto de conflito; itinerário seguido pelos veículos;
posição final; estudo de velocidades.

7) Apreciação do modo em que se produziu o acidente.

8) Causas do acidente.

198
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-199

9) Entrega do Informe Técnico.

1.4.- NORMAS FINAIS:

Para uma correcta interpretação de tudo mencionado e com o fim de


planificar e actuar com imparcialidade na confecção de um Informe Técnico,
devemos ter em conta as seguintes normas:

- Não devemos aceitar como boa a teoria pré concebida do sucedido.

- Não esperar que ninguém nos explique o sucedido.

- Deve-se distinguir entre factos e opiniões.

- Não aceitar somente os factos que se ajustam a uma teoria,


menosprezando os demais.

2.- PAUTA PARA A CONFECÇÃO DO INFORME TÉCNICO.-

2.1.- CAPA:

Irá conter os dados da Unidade à qual pertence o instrutor e dados


deste, assim como os dos auxiliares.

Extracto do acidente, Tribunal ou organismo no qual se entrega e


número de diligências prévias; se não se conhece dito número, o que lhe
corresponda de saída da Unidade.

2.2.- CORPO DE INFORME TÉCNICO:

2.2.1.- ASSUNTO:

Este epígrafe constará de novo um extracto do acidente e que coincidirá


com o da capa, tendo a expressão seguinte: "Acidente de trânsito ocorrido
às ... do dia ... / ... / ..., no Quilómetro ... da estrada ..., demarcação territorial de
..., demarcação judicial de ..., consistente em ..., do turismo marca ..., matrícula
..., com o veículo marca ..., matrícula ..., resultando do mesmo ...”.

2.2.- COMPARÊNCIA:

Neste epígrafe toma-se em conta as normas do capítulo dedicado às


diligências do atestado”, diligencia de transferência quanto à forma e o meio
com que a força instrutora se desloca ao local do acidente, que sempre deve
ser a mais idónea do caso, momento de chegada ao local do acidente e

199
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-200

pessoal que se encontrava no mesmo em dito momento e actividade que


realizava.

Do mesmo modo, deverá constar a hora em que se teve conhecimento


da ocorrência do acidente.

2.2.3.- PESSOAS IMPLICADAS:

Far-se-á constar o pessoal implicado: condutor, usuários, peões,


testemunhas, modificações tidas nas pessoas; mencionando-os na seguinte
ordem: primeiro os falecidos, a continuação os feridos graves, depois os feridos
leves e finalmente os ilesos.

E precisamente por esta ordem recordaremos a alusão ao “método” de


capítulos anteriores referidos ao atestado.

De cada condutor se anotarão os seguintes dados: nome e apelidos;


documento de identidade pessoal (filiação completa); Licença de Condução
(dados completos que constem no mesmo); restrições que tiver impostas a
Licença de Condução.

Do mesmo modo, de cada condutor se recolherão os seguintes dados:


se leva posto o cinto de segurança ou o capacete de protecção para os casos
em que for obrigatório; em caso de ter alguma restrição na Licença de
Condução, deve-se averiguar se fazia uso dela no momento do acidente; se é
ou não proprietário do veículo que conduzia; lesões sofridas após o acidente.

Respectivamente aos usuários, se anotará: nome e apelidos; Bilhete de


Identidade pessoal (filiação completa); assento que ocupava dentro do veículo;
se levava ou não o cinto de segurança apertado ou o capacete protector,
resultado do acidente.

Em relação aos peões, se anotará: nome e apelidos; documento de


Identidade pessoal (filiação completa); as cores da roupa que vestia no
momento do acidente.

Respectivamente às testemunhas, sempre se deverá fazer constar a sua


existência ou não no Informe Técnico. Existindo testemunhas, far-se-á constar:
a quantidade dos mesmos; filiações completas; se está ou não em posse da
Licença de Condução, classe deste último; posição que ocupava com respeito
ao lugar em que ocorreu o acidente.

Sobre as modificações, se descreverá: se os feridos foram evacuados


ao centro médico, forma da evacuação e nome do centro hospitalar; se os
falecidos foram retirados da estrada (segundo o caso); pessoas implicadas que
por algum motivo se ausentaram do lugar, etc.

200
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-201

2.2.4.- VEÍCULOS IMPLICADOS:

- Descrição dos veículos implicados, um por um, anotando os


seguintes dados: tipo, matrícula, marca, modelo, cor, titular (com
filiação completa), número de bastidor, número de lugares, data do
registo automóvel, dados relativos ao seguro do veículo; autorizações
especiais (segundo o caso) e qualquer outro dado de interesse que
se considere relevante.

- Exame dos mesmos, comprovando fundamentalmente o estado no


momento anterior ao acidente; concretamente: pneumáticos, sistema
de travões, sistema de direcção, sistema de iluminação, e qualquer
outro dado indicativo que se considere necessário.

Do mesmo modo, se anotará a posição que ocupa a alavanca de


mudanças de velocidades; a alavanca de accionamento do sistema
de iluminação e sinalização; velocidade que marca o velocímetro;
outros órgãos que, no caso concreto, possam ser de interesse para a
investigação do acidente.

- Modificações havidas nos veículos (descrição dos danos sofridos),


descrevendo: se foram movidos da sua posição final, objectos que
tenham sido retirados e por quem, etc.

2.2.5.- DESCRIÇÃO DO LUGAR DO ACIDENTE:

- Tipo de via e características, anotando: percurso; pavimento, tipo e


estado; sentido de denominação da via; pontos fixos de referência;
visibilidade e ofuscação; assim como a sinalização, e se esta é:
vertical, horizontal, balizamento, agentes de trânsito ou qualquer
outra; condições atmosféricas; qualquer outro dado de interesse.

- Marcas e vestígios. Far-se-ão constar: posição final do veículo e


pessoas; marcas de pneumáticos de veículos; partes desprendidas
dos veículos; restos de infra-estrutura; líquidos; sangue; danos
alheios aos veículos.

Com respeito ao tipo de via e suas características, devem ser descritas


da maneira mais completa possível, permitindo uma imagem total e
fidedigna do cenário do acidente e as suas imediações; não esquecendo
de anotar as margens da estrada e outros dados que possam ser de
interesse.

Quando existam cruzamentos ou bifurcações, etc., onde coincidam


várias vias, devem-se detalhar não somente os dados do percurso onde
ocorreu o acidente, mas também aqueles outros por onde circulava
algum veículo ou influiu com o seu simples percurso de alguma forma no
acidente.

201
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-202

Quando existam marcas ou vestígios, o instrutor tomará um sentido de


circulação como referência para fazer as descrições, medidas,
fotografias, etc.

Respectivamente aos pontos fixos de referência, devem ser pelo menos


dois, e situados o mais próximo possíveis do ponto do acidente, para
evitar mediações longas e complicadas com possibilidade de erro.

Respectivamente à velocidade e aos ofuscamentos, deve-se estudar a


visibilidade de cada via por separado e a obstruções que na mesma
pudessem existir. Do mesmo modo, deve-se fazer relacionando dois ou
mais veículos entre si, observando os edifícios, veículos estacionados,
etc. que tenham podido produzir alguma obstrução visual embora seja
momentânea.

A equipa, no seu carro oficial, deve repetir os diversos itinerários


seguidos por cada um dos veículos implicados para poder apreciar de
forma mais real, a visibilidade de cada percurso. Do mesmo modo,
devem-se ter em conta outras circunstâncias como a hora solar do
acidente, nascer e por do sol, ofuscamentos, etc.

A sinalização é um dos dados mais importantes a reflectir, não se


devendo omitir nenhum tipo de sinalização existente no lugar do
acidente. É importante assinalar a situação do sinal, sentido em que se
encontrava, visibilidade do mesmo, etc. Descreveremos se os sinais
verticais são de advertência ou perigo, de regulação ou de indicação. Se
existem marcas na via, deverão ser descritas segundo a função que
desempenham. Se existem semáforos, deve-se indicar se funcionavam
ou não, assim como a fase em que se puderam encontrar no momento
do acidente. Deve-se constar se existem ou não agentes regulando o
trânsito da via. Igualmente, far-se-á constar se existem sinais de
balizamento, velocidade genérica de cada via, velocidade específica de
cada veículo e da via.

Do mesmo modo, respectivamente a outras circunstâncias, se anotarão


aquelas gerais que rodeiam o lugar no momento do acidente, tais como:
lugares povoados ou despovoados; muito ou pouco trânsito; dia de labor
ou festivo; circulação existente.

Com relação às marcas de travões, se descreverão as encontradas na


zona do acidente, tomando medidas do seu comprimento, largura, veículo que
as tenha produzido situação na estrada em relação à margem da mesma ou à
linha longitudinal caso exista, intensidade da travagem, assinalando se é
contínua ou progressiva, crescente ou decrescente, graus do ângulo que
formam com o eixo longitudinal da via.

202
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-203

Devem-se medir as distâncias desde o princípio até ao fim da travagem


e os pontos de decisão e de colisão; indicando-se, em todo o caso, a posição
final dos veículos.

As marcas de fricção se descreverão de forma análoga às anteriores,


indicando as causas que tenham produzido o tipo de marcas, assinalando
claramente o ponto de saída da via do veículo caso exista.

Nas partes do veículo se descreverão aquelas correspondentes aos veículos


e que se encontram sobre a estrada, tais como portas desprendidas, assentos,
pedaços do mostrador, vidros, baterias, etc. Deve-se descobrir a distância em
que se encontra o ponto de conflito e o diâmetro ou dimensões da zona que
abarca.

Nos restos de infra-estrutura, descrever-se-ão aqueles depositados


anteriormente nos veículos, caídos no pavimento como consequência do
impacto; entre eles, podemos destacar os restos de pó, barro, capim, água ou
outro tipo de líquidos ou sólidos. Devemos referir a zona em que se encontram,
dimensões e distâncias do ponto de conflito.

Nos danos alheios aos veículos far-se-ão constar os danos causados


à valas metálicas, árvores, construções, sinais de trânsito, etc., descrevendo o
proprietário.

2.2.6.- EXTRACTO DAS MANIFESTAÇÕES DE INTERESSE:

Trata-se de extrair as manifestações do atestado, não de repeli-las.


Igualmente, devem-se extrair as que resultem interessantes, omitindo aquelas
que não iluminem a investigação. Em todo o caso, podemos referir-nos ao
atestado feito no dia do ocorrido.

2.2.7.- RECONSTRUÇÃO DO ACIDENTE:

Para tal devemos ter em conta os seguintes dados:

- Posição inicial dos veículos.

- Posição de percepção possível.

- Pontos de percepção real.

- Pontos de decisão.

- Pontos de conflito ou colisão.

- Itinerário seguido pelos veículos.

203
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-204

- Posição final.

- Estudo das velocidades.

- Linhas de força.

Para cada veículo far-se-á um estudo dos sucessivos pontos de


percepção que tenham feito os diversos condutores no transcurso do
acidente, assinalando se o grau de atenção e tempo de reacção de cada
um deles foi impróprio de um condutor normal ou se iam distraídos na
condução. Para tal devem-se estudar, em relação ao ponto de conflito os
aspectos contidos nos parágrafos anteriores.

2.2.8.- APRECIAÇÃO DA FORMA EM QUE SE PRODUZIU O ACIDENTE:

Depois de estudar com detalhe os epígrafes anteriores, o instrutor irá


detalhar de uma forma imparcial e simples a forma em que, a seu juízo, se
pôde produzir o acidente, causas do mesmo e comportamento de veículos e
condutores.

Para tal deve basear-se em factos conhecidos e recompilados ao longo


do Informe Técnico, baseando-se neles para chegar de uma forma pessoal e
subjectiva a determinadas conclusões com respeito aos factores operativos ou
dinâmicos que influem no acidente.

Partindo da posição inicial dos veículos, trajectórias seguidas, danos e


marcas encontradas, poderemos determinar o "ponto de conflito" do acidente,
que é o ponto onde se produziu o evento, assim como justificar, em função das
forças físicas actuantes, o movimento dos veículos até ao seu ponto final.

Em certas ocasiões, deve-se basear em princípios mecânicos


(velocidades, força centrífuga, etc.) que expliquem o comportamento dos
veículos em movimento; noutras em princípios de psicologia que tentem
explicar as reacções dos condutores.

Para fazer este epígrafe correctamente, deve-se tomar em conta todos


os dados recolhidos exaustivamente e de forma precisa nos epígrafes
anteriores e que devem ser todos complemento uns dos outros, sem
contradições nem erros, confeccionando-se o relato de como se produziu o
acidente.

Dito relato deve ser claro, conciso e completo, utilizando uma linguagem clara e
facilmente compreensível, traduzindo a tecnologia utilizada com a finalidade de
que seja claramente entendida por quem o leia, mesmo não sendo técnico na
matéria. Finaliza-se dizendo a causa ou conjunto de causas que produziram o
resultado, destacando a principal caso se desse tal circunstância.

204
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-205

2.2.9.- CAUSAS DO ACIDENTE:

Neste epígrafe deve-se ter em conta, fundamentalmente, que todo


acidente de trânsito é o resultado de uma série de acontecimentos que
aconteçam simultânea ou sucessivamente até produzir-se o evento; que as
causas de todo acidente são, por tanto, várias, e que cada uma delas tem mais
ou menos importância segundo os casos. De todas as causas que
intervenham, a maior parte das vezes existirá uma ou várias que terão sido
decisivas para que se produza o sucedido. Ditas causas, chamadas “causas
principais ou eficientes”, convém destacá-las das demais. Outras vezes, no
entanto, será mais subjectivo realçar a intervenção de dita causa ou causas
deficientes e, em tais casos, é melhor omitir dito conceito de “causa principal ou
eficiente”.

A concorrência de toda causa deve ir acompanhada pelo devido raciocínio


lógico por parte do instrutor, apoiados nos factos e provas ou indícios que
constatem dita presença, de modo que seja dificilmente refutável o seu
acréscimo ao resultado do acidente.

A mera menção das causas sem suporte objectivo demonstra escasso


sentido pericial do investigador, com independência das circunstâncias e fácil
ataque que o seu informe técnico pode ter nos Tribunais, destinatários últimos
de um trabalho elaborado.

Não se deve esquecer que toda opinião se deve sustentar com o


correspondente argumento que fundamente o acto, doutro modo, não deixa de
ser mais que isto: simples pareceres.

2.2.10.- ENTREGA DO INFORME TÉCNICO:

Se entregará no mesmo Tribunal ou organismo onde se entregou o atestado,


dentro do prazo que determine a Lei.

O Chefe da Unidade dará o seu parecer e assinará a cópia antes que o


Informe Técnico se envie a Tribunal, com o fim de comprovar que não existe
nenhum erro e que está feito de acordo com as normas estabelecidas.

2.3.- A ESTRADA, SEUS ATRIBUTOS E MODIFICAÇÕES.

2.3.1.- ATRIBUTOS:

- Atributos de actuação: percurso, características do pavimento,


dimensões, dispositivos limítrofes (margens, valas, etc.).

- Atributos de decisão: sinais luminosos, sinais de controle de tráfico,


sinais e marcas rodoviários reguladores.

205
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-206

- Atributos de reconhecimento: luz, visibilidade, obstruções visuais,


facilidades de reconhecimento, ajudas para reconhecimento,
distracção, sinais de aviso, sinais de orientação.

- Atributos modificadores temporais: condições atmosféricas, luz


natural, dispositivos de avisos temporais, actividades marginais
temporais, objectos marginais, objectos na estrada, deterioração do
percurso, símbolos sociais ilegais, sulcos e covas na estrada

- Atributos modificadores permanentes: desgaste, deterioração por


antiguidade.

A avaliação por parte da Equipa de Atestados destes atributos


dependerá do lugar, hora e demais circunstâncias do acidente. Por
exemplo, pode suceder que a Equipa chegue ao local dos factos numa
hora diurna e o acidente se tenha produzido durante a noite. Isto fará
com que os componentes da Equipa se devam transferir imediatamente
à hora em que realmente aconteceu o acidente para o estudo correcto
de alguns factores, como visibilidade, ofuscação, etc.

Do mesmo modo, é provável que outras provas ou dados de importância


como restos de vidros, marcas ou impressões tenham sofrido diversas
alterações, o que obrigará a uma investigação nesse sentido entre os
condutores, outros implicados e testemunhas para determinar as
características existentes no momento do acidente.

É fundamental, por tanto, para a Equipa de Atestados, deslocar-se


rapidamente ao lugar do acidente, com o objecto de recolher no mesmo
lugar a maior quantidade de provas possíveis e evitar que estas possam
desaparecer, sem entrar noutras considerações como a conveniência de
tomar rapidamente declarações dos implicados num acidente.

206
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-207

COMANDO GERAL DA P.R.M. POLÍCIA DE TRÂNSITO.

COMANDO DA CIDADE.

INFORME TÉCNICO

Instruído como complemento das diligencias número ________, por causa do acidente
de viação ocorrido às _____ horas do dia ___ de _______ de _____, no ponto Quilométrico
_______, da estrada __________________________________________, área municipal de
______________________________________________________, da competência judicial de
_______________________________________________________________, consistente em
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

INSTRUTOR:

207
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-208

INFORME TÉCNICO

1.- ASSUNTO

ACIDENTE de viação ocorrido às ________ horas do dia ___/____/___, no


Quilómetro__________ da estrada _________________________________________, área
municipal de __________________, da competência Judicial de ______________ consistente
em ________________ entre os veículos __________________________, resultando como
consequência do mesmo ___________________________________
_____________________________________________________________________.

2.- COMPARÊNCIA

A força instrutora teve conhecimento do acidente, por _____________________, às


_______ horas do dia ___/____/___, apresentando-se no lugar dos acontecimentos às _______
horas do dia ___/____/___.
No momento da comparência, encontravam-se no lugar do acidente __________
_____________________________________________________________________, tendo-se
produzido as seguintes modificações : _______________________________
_____________________________________________________________________________
______________________________________________________________.

3.- PESSOAS IMPLICADAS

3.1.- Condutores .
3.1.1.- Sr.(ª) ______________________________________ condutor do veículo Marca
_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___
 Licença de Condução N.º __________________ da classe_______________
expedido em _______________________ aos ___/____/___ e válido até ___/____/___ com as
seguintes restrições: ______________________________________________
_____________________________________________________________________.
No momento do acidente ____________________________________________ fazia
uso do cinto de segurança (ou capacete de protecção, segundo o caso).
No momento do acidente ____________________________________________
cumpria as restrições marcadas na sua Licença de Condução.

RESULTOU: _________________________ .

3.1.2.- Sr.(ª) ______________________________________ condutor do veículo Marca


_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___

208
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-209

 Licença de Condução N.º __________________ da classe_______________


expedido em _______________________ aos ___/____/___ e válido até ___/____/___ com as
seguintes restrições: ______________________________________________
_____________________________________________________________________.
No momento do acidente ____________________________________________ fazia
uso do cinto de segurança (ou capacete de protecção, segundo o caso).
No momento do acidente ____________________________________________
cumpria as restrições marcadas na sua Licença de Condução.

RESULTOU: _______________.

3.2.- Usuários.
3.2.1.- Sr.(ª) _______________________________________ usuário do veículo Marca
_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___
No momento em que produziu o acidente ocupava o assento _______________ do
veículo citado, ____________________ fazendo uso do cinto de segurança (ou capacete de
protecção, segundo o caso).

RESULTOU: __________________.

3.2.2.- Sr.(ª) _______________________________________ usuário do veículo Marca


_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___
No momento em que produziu o acidente ocupava o assento _______________ do
veículo citado, ____________________ fazendo uso do cinto de segurança (ou capacete de
protecção, segundo o caso).

RESULTOU: __________________.

3.3.- Peões:
3.3.1.- Sr.(ª) _______________________________________ usuário do veículo Marca
_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___

RESULTOU: ______________________.

3.4.- Testemunhas:
3.4.1.- Sr.(ª) _______________________________________ usuário do veículo Marca
_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de

209
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-210

nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de


______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___
 ________________ possui Licença de Condução da classe _____________
No momento do acidente encontrava-se ________________________________
_____________________________________________________________________.
3.4.2.- Sr.(ª) _______________________________________ usuário do veículo Marca
_____________ Modelo ____________________ Matrícula ________________ Local de
nascimento _________________________ Data de nascimento ___/____/___ filho de
______________________________ e de _____________________________ com domicílio
em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.

 B.I. N.º _______________, expedido em ______________ aos ___/____/___


 ________________ possui Licença de Condução da classe _____________.
No momento do acidente encontrava-se ________________________________
_____________________________________________________________________.

3.5.- Modificações nas pessoas :


As pessoas implicadas no acidente sofreram as seguintes modificações com respeito ao
seu estado e posição final.

4.- VEÍCULOS IMPLICADOS.

4.1.- Veículos implicados (Descrição)


4.1.1.- VEÍCULO Tipo ____________ Marca ___________ Modelo __________ Cor
__________ Matrícula _______________ Titular Sr.(ª) ______________________ com
domicílio em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.
N.º bastidor __________________ N.º de lugares: ______ P.M.A. ________________ Data do
Registo Automóvel ___/____/___ Local do Registo Automóvel _______________________
DADOS DA EMPRESA (segundo o Caso) ____________________________________
_____________________________________________________________________.
(* Dados tirados da LICENÇA DE CONDUÇÃO do veículo).
Última Inspecção Técnica feita em ____________________________________ no dia
___/____/___. Válido até ___/____/___
Seguro Obrigatório de Automóveis feito pela Empresa ____________________,
Domicilio Social ________________________________________________________
Segurado Sr.(ª) ________________________________________________________, B.I. N.º
_________________ Número de Apólice ________________________ está ao corrente de
pagamento, até à data ___/____/___
Cobertura do Seguro ______________________________________________.
Autorizações especiais e dados das mesmas: ___________________________
_____________________________________________________________________.
Carga no momento do acidente; Classe ____________Quantidade __________.

4.1.2.- VEÍCULO Tipo ____________ Marca ___________ Modelo __________ Cor


__________ Matrícula _______________ Titular Sr.(ª) ______________________ com
domicílio em _______________________________________________________
_______________________________________________ telefone: ______________.

210
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-211

N.º bastidor __________________ N.º de lugares: ______ P.M.A. ________________ Data do


Registo Automóvel ___/____/___ Local do Registo Automóvel _______________________
DADOS DA EMPRESA (segundo o Caso) ____________________________________
_____________________________________________________________________.
(* Dados tirados da LICENÇA DE CONDUÇÃO do veículo).
Última Inspecção Técnica feita em ____________________________________ no dia
___/____/___. Válido até ___/____/___
Seguro Obrigatório de Automóveis feito pela Empresa ____________________,
Domicilio Social ________________________________________________________
Segurado Sr.(ª) ________________________________________________________, B.I. N.º
_________________ Número de Apólice ________________________ está ao corrente de
pagamento, até à data ___/____/___
Cobertura do Seguro ______________________________________________.
Autorizações especiais e dados das mesmas: ___________________________
_____________________________________________________________________.
Carga no momento do acidente; Classe ____________Quantidade __________.

4.2.- Exame dos veículos.


4.2.1.- Danos sofridos :
 PELO VEÍCULO MATRÍCULA _____________________________________
Como consequência do acidente, sofreu os seguintes danos:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
____________________________________________________
 PELO VEÍCULO MATRÍCULA _____________________________________
Como consequência do acidente, sofreu os seguintes danos:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
____________________________________________________

4.2.2.- Exame pericial dos veículos:


 DO VEÍCULO MATRÍCULA_____________________________________
- PNEUMÁTICOS:
Marca _____________________________________________________ Tipo
_______________________________________________________ Pressões
___________________________________________________ Profundidade
do desenho ______________________________________ Estado geral
________________________________________________ Outros dados de
interesse _____________________________________

- SISTEMA DE TRAVÕES: ______________________________________________

- SISTEMA DE DIRECÇÃO: _____________________________________________

- ILUMINAÇÃO: _______________________________________________________

- VELOCÍMETRO: Marca _________________________km.

- ALAVANCA DE MUDANÇA DE VELOCIDADES EM POSIÇÃO DE: _____________

- INTERRUPTOR DE LUZES EM POSIÇÃO DE: _____________________________

- OUTROS ÓRGÃOS QUE POSSAM SER DE INTERESSE: ___________________


___________________________________________________________________

211
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-212

 DO VEÍCULO MATRÍCULA_____________________________________
- PNEUMÁTICOS:
Marca _____________________________________________________ Tipo
_______________________________________________________ Pressões
___________________________________________________ Profundidade
do desenho ______________________________________ Estado geral
________________________________________________ Outros dados de
interesse _____________________________________

- SISTEMA DE TRAVÕES: ______________________________________________

- SISTEMA DE DIRECÇÃO: _____________________________________________

- ILUMINAÇÃO: _______________________________________________________

- VELOCÍMETRO: Marca _________________________km.

- ALAVANCA DE MUDANÇA DE VELOCIDADES EM POSIÇÃO DE: _____________

- INTERRUPTOR DE LUZES EM POSIÇÃO DE: _____________________________

- OUTROS ÓRGÃOS QUE POSSAM SER DE INTERESSE: ___________________


___________________________________________________________________

 DO VEÍCULO MATRÍCULA_____________________________________

- PNEUMÁTICOS:
Marca _____________________________________________________ Tipo
_______________________________________________________ Pressões
___________________________________________________ Profundidade
do desenho ______________________________________ Estado geral
________________________________________________ Outros dados de
interesse _____________________________________

- SISTEMA DE TRAVÕES: ______________________________________________

- SISTEMA DE DIRECÇÃO: _____________________________________________

- ILUMINAÇÃO: _______________________________________________________

- VELOCÍMETRO: Marca _________________________km.

- ALAVANCA DE MUDANÇA DE VELOCIDADES EM POSIÇÃO DE: _____________

- INTERRUPTOR DE LUZES EM POSIÇÃO DE: _____________________________

- OUTROS ÓRGÃOS QUE POSSAM SER DE INTERESSE: ___________________


___________________________________________________________________

4.3.- Modificações nos veículos.


Após o acidente, os veículos sofreram as seguintes modificações com respeito à sua
posição final e estado:

212
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-213

5.- DESCRIÇÃO DO LUGAR DO ACIDENTE

5.1.- Tipo de via e características:


* Sentido de denominação.- Para melhor compreensão, realiza-se o estudo tomando o
sentido de circulação de _______________________ a _______________, que era seguido por
_____________________________________________________
* Pontos fixos de referência.
Para as medições foram tomados os seguintes pontos fixos de referência:
A) ______________________________________________________________
B) ______________________________________________________________
C) ______________________________________________________________

 Distancia entre os pontos fixos:_____________________________________


 Estrada tipo ______________ denominação __________________________ com
________________ faixas de circulação sentido ___________________

Sentidos de circulação separados por __________________________________


faixas de circulação delimitados por ___________________________________
- Largura da estrada ______________________________________________
- Largura das faixas de circulação ___________________________________
- Largura de margens _____________________________________________
Descrição das margens da Via _______________________________________
________________________________________________________________

*Traçado ____________________ com uma pendente de __________________ em


sentido _______________________________ e uma inclinação de ____________ para
_______________________
Outros dados __________________________________________________________

* Pavimento tipo ___________________________ em ____________________


estado de conservação e manutenção, com as seguintes anomalias: ______________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

Estado circunstancial do mesmo ______________________________________ por


motivo de __________________________________________________________.
Margens tipo _____________________ em ______________________estado de
conservação e manutenção com as seguintes anomalias: _____________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

* Visibilidade e Ofuscação ___________________________________________


_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

 Sinalização:
1.- VERTICAL :
2.- HORIZONTAL :
3.- BALIZAMENTO :
4.- AGENTES DE TRÁFICO OU OUTRA SINALIZAÇÃO :
5.- Sinalização de velocidade genérica da via: ____________________ km/hora.
6.- Limitação de velocidade específica:
 Para a via :__________________________,_____________ km/hora.

213
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-214

 Para o veículo _______________________,_____________ km/hora.


 Para o veículo _______________________,_____________ km/hora.
 Para o veículo _______________________,_____________ km/hora.
 Condições atmosféricas :
No momento do acidente, o tempo era _________________________________
________________________________________________________________.
Soprava vento de fora ___________________ em direcção ________________.
Outros dados ambientais:
__________________ Crepúsculo.
__________________ Amanhecer.
__________________ Noite.
__________________ Dia.
Iluminação: ______________________________________________________.
* Outras circunstâncias:
O acidente deu-se no dia:
A circulação ___________________________________________________________ tinha
retenções por ______________________________________________________ Outros dados
que possam ser de interesse: __________________________________

5.2.- Marcas e vestígios.


* Posição final :
- Do veículo _________________________________________________
Após o acidente ficou na seguinte posição: ________________________
- Do veículo _________________________________________________
Após o acidente ficou na seguinte posição: ________________________.
- Do veículo _________________________________________________
Após o acidente ficou na seguinte posição: ________________________.
* Outros veículos:
* Das pessoas.
Após o acidente, as pessoas ficaram na seguinte posição: _________________
_____________________________________________________________________________
______________________________________________________________.

* Marcas dos veículos :

MARCAS DE TRAVAGEM

MARCAS DE FRICÇÃO

MARCAS DE DERRAPAGEM

* Partes dos veículos :


No lugar do acidente, encontram-se as seguintes partes e peças correspondentes aos
veículos e na posição que se menciona: ____________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
*
Restos da Infra-estrutura: ________________________________________________
______________________________________________________________________

* Líquidos:
* Sangue:
* Outros:
 Danos alheios aos veículos :

214
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-215


6.- EXTRACTO DAS INFORMAÇÕES DE INTERESSE :

Das informações tomadas às pessoas implicadas no acidente, que aparecem no


Atestado enviado a esse Tribunal com data ___/____/___, folhas N.º _____, cabe
destacar o seu interesse para a determinação das causas que produziram o mesmo, sendo
o seguinte :
Quando o veículo . . .

7.- RECONSTRUÇÃO DO ACIDENTE :

7.1.- Posição inicial dos veículos e peões :


O veículo matrícula__________circulava sentido_______________ pela
faixa________________________
O veículo matrícula ___________ circulava sentido________________ pela
faixa__________________________________
O veículo matrícula ______________circulava sentido_______________ pela
faixa__________________________________

7.2. Pontos de percepção possível :

Para cada veículo medem-se no sentido da sua marcha e sobre o eixo


longitudinal da estrada, sendo a sua distância ao PONTO DE CONFLITO, a
seguinte:
.. Para o veículo matrícula ____________, é de ________________ metros.
.. Para o veículo matrícula ____________, é de ________________ metros.
.. Para o veículo matrícula ____________, é de ________________ metros.

EXPLICAÇÃO DE PORQUÊ SE TOMOU PARA CADA VEÍCULO


O PONTO DE PERCEPÇÃO POSSÍVEL DESCRITO ANTERIORMENTE :

7.3. Pontos de Percepção Real :


Medem-se para cada veículo da mesma forma no epígrafe anterior,
sendo as distâncias as seguintes:
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de _________ metros.
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de _________ metros.
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de _________ metros.

EXPLICAÇÃO:

7.4. Pontos de Decisão :


Medidos do mesmo modo nos epígrafes anteriores :
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de ________ metros.
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de ________ metros.
.. Para o veículo matrícula _____________________, é de ________ metros.

215
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-216

EXPLICAÇÃO:

7.5. Ponto de conflito :


Está situado em ___________________, a _______________metros do
ponto fixo de referência_______________________ e a _________ metros do
ponto fixo de referência ________________________.

7.6.- Itinerário seguido pelos veículos e pessoas :

Envia-se o croques anexo ao presente Informe Técnico.

7.7.- Posição final de veículos e pessoas :

Envia-se ao epígrafe 5.2. do presente Informe Técnico e o croques


anexo ao mesmo.

7.8.- Estudo das velocidades dos veículos :

De acordo com as marcas de travagem encontradas, manifestações, ...

8.- CAUSAS DO ACIDENTE .

8.1.- Causas Mediatas :


8.1.1. Relativas aos veículos: ________________________________
8.1.2. Relativas à estrada: ___________________________________
8.1.3. Relativas a fenómenos atmosféricos: _________________
8.1.4. Relativas aos condutores :
A) SOMÁTICAS:___________________
D) PSÍQUICAS:___________________
E) CONHECIMENTOS,EXPERIÊNCIA,PERÍCIA:_________
8.1.5. Relativas a circunstâncias alheias às anteriores:
_______________________________________________________________

8.2.- Causas Imediatas :


8.2.1.- INFRACÇÕES AO CÓDIGO DE ESTRADA :
a) Velocidade:_________________________________________
b) Outras Infracções:___________________________________
8.2.2.- DEFICIÊNCIAS NA PERCEPÇÃO:
_______________________________________________________________
8.2.3.- ERROS NA EVASÃO:
_______________________________________________________________
8.2.4.- CONDIÇÕES NEGATIVAS: __________________________
8.2.5.- OUTRAS: _________________________________________

216
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-217

9.- APRECIAÇÃO DA MANEIRA EM QUE SE PRODUZIU O ACIDENTE .

Da Inspecção Ocular feita no lugar dos acontecimentos, lesões nas


pessoas, danos sofridos pelos veículos implicados, manifestações e demais
circunstâncias, é parecer do INFORMANTE que o acidente teve o seguinte
desenvolvimento:

10.- ENTREGA DO INFORME TÉCNICO .

Às _______ horas do dia _____ de _________________ de 200 ____,


faz-se entrega em ______________________ do presente Informe Técnico,
acompanhado de CROQUES e INFORME FOTOGRÁFICO. Todo assinado.

________________, aos ____de _______________ de 200__

O INSTRUTOR

Ass.: ________________________________

217
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-218

3.- O INFORME FOTOGRÁFICO

3.1.- AS FOTOGRAFIAS:

São complemento dos dados e provas obtidas na


inspecção ocular, e um meio útil na investigação do acidente. Mas nunca
devem substituir às medições e croques efectuados.

As fotografias descrevem os factos fielmente e registam


detalhes que puderam passar despercebidos no lugar do acidente ou ajuda a
recordar outros esquecidos, em particular estão relacionadas muito
estreitamente com o croques que se fez do acidente, de modo que este não
deve ser terminado até não ser comparado com as fotografias. Assim é
frequente que alguns detalhes importantes, sobre tudo o croques faz-se em
"draft" no mesmo lugar dos acontecimentos, não se reflectem nele próprio, e à
vista da fotografia apreciam-se os erros.

É necessário assinalar que com a utilização de câmaras de


vídeo pode-se obter um complemento idóneo da inspecção ocular dos
acidentes, sempre que a utilização das imagens se reconheça e se admita
como prova nos tribunais.

3.2.- QUANDO SE DEVEM FAZER

Durante a inspecção ocular e à medida em que vamos


recolhendo dados sobre o acidente.

Muitas provas podem desaparecer com facilidade, como


restos de vidros ou marcas e impressões, pelo que se deve fotografar o quanto
antes possível.

Outras, como as panorâmicas do lugar do acidente, danos


dos veículos ou os sinais existentes, podem esperar mais tempo.

Quando o acidente tenha acontecido durante a noite,


devemos limitar-nos em obter fotografias de detalhe que podemos efectuar
com o "flash", voltando em horas diurnas para obter outras como panorâmicas,
marcas, etc., salvo o auxílio de outros elementos de iluminação.

3.3.- QUE SE DEVE FOTOGRAFAR

Todas aquelas provas ou dados que consideremos de


importância no acidente e que permitam complementar a inspecção ocular e o
croques realizado. Não se podem dar normas concretas sobre o número ou
tipo de fotografias necessárias em cada acidente, senão que dependerá das
circunstâncias do mesmo, causas que o motivaram, número de veículos

218
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-219

implicados, etc. Deve ser o instrutor do informe o que com a sua experiência e
habilidade decida as fotografias que são necessárias em cada caso.

Não obstante, podemos citar alguns dados fundamentais


que se devem fotografar em todos os acidentes:

- Panorâmicas, desde o ponto de vista que tinham os


condutores, ou incluso mais amplos, que permitam uma
correcta observação do lugar.

- Restos de vidros, marcas, líquidos, etc., sobre a estrada.

- Ponto de conflito ou colisão.

- Posição do cadáver ou lugar onde esteve se foi retirado.

- Marcas de travões, derrape, etc.

- Posição final dos veículos.

- Danos que apresentam os veículos, fotografando os laterais,


frontal e traseira destes, independentemente dos danos que
sofram.

- Detalhes de órgãos de relevância

3.4.- NOTAS AO PÉ DA FOTOGRAFIA

Podem-se estacar alguns detalhes da fotografia, desenhando


sobre ela pequenos círculos ou setas que marquem esses detalhes, e que se
explicarão no pé da foto.

Assim, na foto aparece um sinal de “stop”, pode-se destacar com


um círculo e uma letra (A), que podemos comentar como: (A), sinal de “Stop”,
situada na estrada nacional, sentido Maputo.

O número destas notas explicativas dependerá do tipo de


fotografias. Umas necessitarão três ou quatro notas, e outras somente uma ou
duas.
Antes das notas colocar-se-á uma pequena legenda que explique
brevemente a fotografia

3.5.- TIPOS DE FOTOGRAFIAS:

Vamos comentá-las na mesma ordem de colocação que levarão


no informe fotográfico.

219
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-220

3.5.1.- PANORÂMICAS:

É uma fotografia em profundidade de todo o panorama,


recolhendo a maior parte de detalhes do mesmo. Deve reflectir o que viu o
condutor do veículo no momento anterior à produção do acidente, pelo que a
câmara colocar-se-á, caso seja possível, à mesma altura que tinha dito
condutor.

Se existem vários veículos implicados, deve-se procurar obter


panoramas que reflictam ambos sentidos da circulação. Se existem várias vias
de circulação, um panorama por cada veículo que circule em cada via.

Em cruzamentos ou bifurcações, para além dos panoramas


próprios dos veículos, pode-se obter outro do lado contrário do cruzamento,
que permita observar a direcção de chegada de cada veículo. É conveniente
aproveitar qualquer altura existente para poder obter algum panorama do lugar
do acidente. Podem-se colocar diversas notas que expressem:

- Sentido da circulação.

- Trajectória seguida por cada veículo.

- Outros aspectos gerais, como sinais, pontos fixos, etc.

3.5.2.- MARCAS:

Em geral, deve-se procurar que cada fotografia não mostre


somente o objecto a destacar, senão a relação deste objecto com outros
elementos do acidente que permitam a sua fácil localização no cenário dos
acontecimentos.

Por exemplo, se queremos fotografar uma marca de travagem,


esta deve aparecer com outros objectos, como restos de vidros, arranhões,
etc., que a situem devidamente. Deve-se orientar a câmara no mesmo sentido
de circulação que levava o veículo que produziu o acidente.

Na pequena legenda deve-se dizer claramente a que veículo


pertence e que rodas as originaram.

De cada marca far-se-á outra fotografia de detalhe, colocando a


fita métrica na estrada por cima da marca e colocando a câmara perpendicular
ao pavimento. Assim poder-se-á apreciar a largura da marca em centímetros.
Esta fotografia de “detalhe” se colocará no informe fotográfico a continuação da
marca de travagem.

220
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-221

Do mesmo modo poder-se-ia fazer com outros tipos de marcas,


objectos, líquidos, etc., que tenham ficado sobre a estrada.

Nas notas devem-se constar essencialmente os objectos que


apareçam na fotografia e que sirvam para situar a marca na estrada.

3.5.3.- PONTO DE CONFLITO:

Relacionaremos também com outros detalhes do acidente que


nos tenham ajudado a sua localização, como restos de vidros, de líquidos, etc.,
e que devem aparecer sem falta na fotografia e comentadas nas
correspondentes notas.

3.5.4.- POSIÇÃO DO CADÁVER:

Se a posição do cadáver na estrada constituir um obstáculo para


a circulação, poderemos remove-lo da via sempre que exista autorização
judicial até um lugar próximo, marcando-o e fotografando-o previamente.

Por isso, caso tenha sido retirado fotografaremos o sinal de giz


que lhe marcava e também a sua nova situação fora da estrada.

Se ficou no interior de algum veículo, poderemos auxiliar-nos do


"flash" para fotografa-lo. Se faleceu durante a transferência a algum centro
sanitário, o local de onde foi retirado, etc. As fotografias são muito importantes
para uma possível identificação de indocumentados.

Igualmente obteremos na fotografia, caso seja possível, outros


detalhes como o veículo em que viajava.

3.5.5.- POSIÇÃO FINAL DOS VEÍCULOS:

Obter-se-á uma fotografia por cada veículo, salvo que tenham


ficado muito próximos. Nela se recolhem outros dados de carácter permanente
como árvores e sinais de trânsito, que nos permitam a sua rápida localização.

Nas notas procuraremos pôr e desenhar previamente nas


fotografias, algumas particularidades como:

- Trajectória seguida pelos veículos.

- Movimentos sofridos como consequência da colisão.

- Qualquer outro que seja significativo.

221
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-222

3.5.6.- DANOS DOS VEÍCULOS:

A continuação da fotografia da posição do sinal, irá a de danos de


cada veículo, tirada a escassa distância e explicando nas notas os mecanismos
avariados.

Igualmente se deverão obter outras de “detalhe” sobre algum


aspecto concreto de determinados mecanismos e proceder, posteriormente, à
sua ampliação no laboratório como prova de alguma possível falha mecânica.

Nestas fotografias é conveniente colocar um testemunho métrico


ao lado para observar claramente a dimensão real do objecto.

Deve-se fazer a reportagem desde os quatro planos do veículo.


Em caso de necessidade, utilizando meios auxiliares, tomar-se-ão fotografias
aéreas.

Qualquer menção que no informe técnico se faça da intervenção


de um elemento do veículo causador do acidente significará uma exaustiva
reportagem fotográfica de dito órgão, como por exemplo furo de pneumático,
jantas, etc.

222
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-223

COMANDO GERAL DA P.R.M. POLÍCIA DE TRÂNSITO

COMANDO DA CIDADE

INFORME FOTOGRÁFICO

Complementar com as diligências instruídas no dia ____ de __________


de ______, por motivo do acidente de viação ocorrido às __________ horas do
dia ____ de ______________ de ______ no ponto quilométrico __________ da
estrada _________________________________________________________
_______________________________________________________________,
(_________________________________)_____________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________.

DILIGÊNCIAS ENTREGUES EM __________________

INSTRUTOR AUXILIARES

223
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-224

NEGATIVO

NEGATIVO

224
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-225

4.- O ESBOÇO

4.1.- DEFINIÇÃO.

Os esboços são desenhos simples e de fácil interpretação cuja finalidade


é representar os detalhes importantes do terreno ou objectos de interesse,
desde o ponto de vista judicial ou policial.

Existem muitos tipos de esboços como são o de combate,


reconhecimento referência, panorâmico, etc. Desde o ponto de vista policial e
para o tema que nos ocupa iremos estudar somente o panorâmico.

4.2.- ESBOÇO PANORÂMICO OU DE CAMPO

Tem por objectivo, a representação de um plano do aspecto do terreno,


tal como se apresenta perante a nossa vista, desde um ponto de observação
terrestre.

As características essenciais de um bom esboço são:

- Precisão. Mediante a utilização


de traços secos,
contínuos, bem
limitados e situados
- Simplicidade. Não indicando mais
que o essencial.
- Clareza. Para que
sobressaiam os
detalhes que nos
interessam.
- Compreensíveis. Para que qualquer que
os examine, possa de seguida identificar
cada símbolo com o que representa, uma
árvore, um automóvel, um sinal de trânsito,
etc.
4.3.- EXECUÇÃO DE UM ESBOÇO.

Deve-se fazer de uma maneira gradual e progressiva, em fases


sucessivas e de modo que possa ser utilizado em qualquer delas, assim
poderíamos marcar perfeitamente as fases:

Exame do terreno (acidentado).


Eleição da escala.
Eleição dos pontos fixos.
Recolha de pares de medidas.
Esboço rápido e à mão livre.

225
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-226

Realização completado esboço.


Legenda e orientação.

4.3.1.- Exame do terreno.

Antes de realizar qualquer operação é necessário ver e observar o


acidente, pessoa, veículo, objecto, obstáculo, via, margens, etc., para termos
uma ideia aproximada dos acontecimentos, saber o que é mais importante que
devemos fazer sobressair, dados a mostrar em geral.

4.3.2.- Eleição da escala.

Quer dizer, verificar se com uma escala determinada esse acidente que
queremos representar no esboço cabe perfeitamente nele. Naturalmente é
necessário escolher a escala de tal forma que nem o esboço nos seja, de
acordo com as dimensões do papel, geralmente DIN A-4 ou DIN A-3, tão
epqueno que exista desproporção com ele, nem tão grande que não possamos
enquadrar perfeitamente todo o terreno a representar. Normalmente deverá
variar entre 1/100 e 1/300.

4.3.3.- Eleição de pontos fixos.

A importância na eleição destes pontos é grande, uma vez que de ele


irão partir todos os grupos de medidas que se façam nos diferentes pontos.
Estes pontos devem ser fixos, que não possam ser facilmente alteráveis.
Podem-se escolher árvores, estacas quilométricas, esquinas de casas
próximas, limites de alcantarillas, postes de sinalização, etc., todos os que
levados ao esboço através da escala nos dêem um perfeito enquadramento.

4.3.4.- recolha de pares de medidas.

As distâncias devem ser tomadas mediante medições exactas e duplas


para cada ponto do objecto a representar e tomando como origem os pontos
elegidos previamente. É importante marcar com giz exactamente o lugar da
medição.

Os veículos devem ser fixados mediante medições aos eixos das rodas,
tomando assim também a largura (anterior, média e posterior), assim como o
comprimento do veículo. A posição das rodas deve ser situada adequadamente.

226
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-227

FOLHA DE MEDIÇÕES

- Largura da estrada incluídas linhas de margem ____________ metros.

- Largura das margens ........................................ ____________ metros.

- Situação do Ponto Fixo A, com respeito à perpendicular da margem mais


próxima da estrada ............................................ ____________ metros.

- Situação do Ponto Fixo B, com respeito à perpendicular da margem mais


próxima da estrada ............................................. ____________ metros.

- Distância entre dois pontos fixos ........................ ____________ metros.

- Outras medições ou dados de interesse:


________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
__________________.

Num. Ponto Fixo "A" Ponto fixo "B" Obser.

227
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-228

FIGURA .- 1

Os cadáveres devem ser situados pelas medições aos braços, pernas e


cabeça. O resto dos objectos, por tantos pontos quantos sejam necessários
para determinar perfeitamente as suas dimensões.

Todas estas operações são de uma grande importância e devem ser


feitas com extrema precisão, tanto para fazer a representação do acidente o
mais semelhante possível, como para fazer no mesmo dia uma possível
reconstrução.

Iremos ver finalmente em que tipos de acidentes se requer fazer


medições. Não é necessário tomar medidas nem fazer esboços dos acidentes
insignificantes, mas deve estar preparado para fazer medições urgentes nos
seguintes casos:

-Todos os acidentes mortais.


-Todos os que deixem marcas de derrapagem, travões, etc.
-Todos os acidentes em que o veículo sai da estrada numa curva.
-Em todos os acidentes graves que possam conduzir a uma acção
judicial, ao circular em sentido proibido, efectuar giros perigosos à direita
ou esquerda e em todos aqueles em que as provas materiais justifiquem
que a acção legal posterior possa ter êxito.
-Acidentes que incluam obstruções visuais no exterior dos veículos.
Estas adquirem um valor especial para os técnicos de trânsito.
-Acidentes graves e raros que não tenham aparente explicação.
-Acidentes nas linhas limítrofes das cidades, províncias ou fronteiras
municipais e de aqueles que em parte recaem sobre as propriedades
privadas.
-Resumindo, deve-se realizar o esboço em todos os acidentes graves ou
singulares.

4.3.5.- Condição iniludível: Medir e assinalar.

-Os lugares onde foram parar os veículos depois da colisão (posição


final).
-Os lugares onde jazem as pessoas mortas ou feridas depois da colisão.
-Tudo o que indique o ponto da colisão, saída da estrada ou margem.
-Tudo o que mostre a posição do veículo na estrada antes da colisão. O
mais corrente são as fendas de travagem e os sinais de patinagem.

228
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-229

4.3.6.- Esboço rápido e à mão livre.

Em todo acidente deve-se confeccionar sempre um rascunho do esboço


de forma rápida, para depois, na realização do definitivo poder materializá-lo
sem erros e com maior facilidade, para além de recolher numerosos dados que
pela sua fugacidade se poderiam perder, como pode acontecer com marcas
que durem escassos minutos, por exemplo: sombras de deslizamentos,
pequenos charcos de gasolina ou água, resíduos de sujidade, posição de
mortos e feridos, posição do veículo, etc.

Este rascunho pode-se realizar começando por desenhar a estrada,


passeios e valas; seguidamente procede-se a situar os veículos que tenham
intervindo no acidente; e posteriormente árvores, casas, marcos divisórios,
sinais de trânsito e em geral todos quanto detalhes nos interessem que ficam
reflexos no esboço.

4.3.7.- Realização completa do esboço.

Posteriormente e a partir do rascunho do esboço deverá realiza-se o


esboço definitivo, numa escala determinada, previamente elegida. Este esboço
deve ser o mais claro possível e abarcar não só a zona dos acontecimentos
mas também as suas avenidas numa amplitude considerável. Deverão ser
colocados também os pontos desde os quais se tenham tirado fotografias.

Para facilitar o esboço de veículos, árvores, sinais, etc., existe uma


planta que representa a escala de 1/100 de todos os objectos que nos possam
apresentar um acidente.

A primeira operação a realizar para passar os po tos importantes ao


esboço, uma vez situados sobre o terreno, é tomar do rascunho as distâncias
desde cada um dos pontos fixos ou ir situando-os paulatinamente.

Se o acidente se produziu num percurso plano mas na encosta, colocar-


se-ia no perfil o desnível, para o qual se colocará debaixo do esboço um perfil
assinalando-o. Para calcular o mesmo procede-se a colocar a cinta
sensivelmente horizontal, tocando um, o mais alto dos seus extremos, o solo,
depois dobra-se em ângulo recto e medem-se as distâncias que existem entre o
outro extremo e o solo. Esta medida irá dar-nos o desnível.

Se fosse em curva, esta deve ser desenhada segundo se assinalou,


indicando a sua visibilidade.

4.3.8.- Legenda e orientação.

Todo esboço terá a descrição do acidente de que se trate e uma legenda


explícita na qual constem as anotações que aclarem e o nome do desenhador.
229
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-230

A legenda de um esboço é o conjunto de letras, desenhos e signos


convencionais que servem para completar os dados reflexos no desenho.

Se é em estrada ou num percurso, indicar os desvios e o nome das


mesmas, o ponto quilométrico e hectómetro, fazendo constar, se possível,
incluso os metros, largura da estrada e quantos dados sirvam para situar
exactamente o ponto em que ocorreu o acidente, situação de vidros, veículos
sobre a estrada. A cada um destes pontos se lhe dará um número ou letra, que
virão reflectidos na parte inferior do esboço e a continuação, separadas por um
hífen, a explicação do detalhe de que se trate.

Posteriormente e uma vez desenhado o esboço de campo, é necessário


orienta-lo. Para tal situa-se dito plano sobre uma prancha de suporte (a mesma
mesa que existe no carro de testemunhos), ou melhor uma pasta, mas sempre
posta em posição horizontal e de maneira que a direcção de uma das linhas
rectas mais importantes, por exemplo margem da estrada, coincida
exactamente com a correspondente do terreno. Uma vez feita esta até que a
agulha concorde com a direcção norte-sul. Caso não possa usar este
procedimento, o esboço pode orientar-se por qualquer dos assinalados noutros
temas.

Para evitar confusões deve-se marcar com uma ponta de seta e um N a


direcção norte.

230
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-231

ESCOLA DE TRÂNSITO

ESBOÇO: Do acidente de trânsito ocorrido às 16'45 horas do dia ___ de


Março de 20___, no Quilómetro 7'500 da estrada LOCAL
___________________término e partido judicial de _____________ e posterior
investida do autocarro ao turismo marca Volvo M-0011-KT, à carrinha marca
Ford Transit _____________ e posterior investida do autocarro ao turismo
marca Opel Omega TO-2323-I, resultando do mesmo UM MORTO, SEIS
FERIDOS LEVES E DANOS MATERIAIS NOS VEÍCULOS.-

ESBOÇO: Do acidente de viação ocorrido às _____ horas do dia


_____de de 20___, por altura do quilómetro 9 da estrada M301, N-IV
percurso antigo Cienpozuelos, Término Municipal de Cienpozuelos (Madrid) e
Partido Judicial de Valdemoro (Madrid), consistente na invasão do carril
contrário da carrinha R-Express matícula TO-8734-I,m provocando saída da via,
e atropelamento a peão, do turismo Opel Omega, matrícula CR-3740-L,
resultando UM PEÃO/MORTO, UM FERIDO LEVE E DANOS MATERIAIS.

ESBOÇO: Do acidente de viação ocorrido às horas do dia ___


de_____________ de 20____, no quilómetro 40'500 da estrada N-IV mudança
de sentido), término municipal e Partido Judicial de Aranjuez (Madrid),
consistente em colisão por investida oblíqua central esquerda do turismo
Fiat/Tempra, matrícula M 1221-MM, procedente da estrada M-305, contra
carrinha Renault Express, matrícula GU-9876-G, que circulava com prioridade,
com resultado de UM MORTO, UM FERIDO GRAVE, DOIS FERIDOS LEVES E
DANOS MATERIAIS.

ESBOÇO: Do acidente de viação ocorrido às ____ horas do dia ___ de


__________ de 20____, no quilómetro ________ da estrada
__________________, Término Municipal de _______________, consistente
em ____________________, com o resultado de
____________________________________________________

Escala = 1 : 200 Desenhado por:__________________

231
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-232

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-233

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-235

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-236

5.- AS MEDIDAS

5.1.- MEDIÇÕES POR TRIANGULAÇÃO

Nas estradas sem pavimentar, sem margens bem definidas ou sem


amuradas, em curvas muito pronunciadas e nas intersecções, especialmente se
são grandes e irregulares, não se podem localizar os objectos facilmente desde
os limites do passeio. Então o melhor sistema é a triangulação. Para efectuá-la,
localizados dois pontos fixos na estrada ou perto dela, tomam-se as medidas
desde o objecto que se deseja representar até cada um dos pontos, logo mede-
se a distância entre os pontos fixos para que apareça um triângulo.

Na Fig.2 pretende-se localizar o lugar onde foi encontrado um peão,


depois de ser atropelado por um condutor que se pôs em fuga. Os dois pontos
fixos encontram-se localizados no lugar em que o passeio tem as margens
riscadas. Medindo só linearmente, forma-se um triângulo que estabelece
exactamente a localização do peão.

FIGURA 2.- Esquema de campo que localiza um corpo numa intersecção por
triangulação.

O que se deve fazer depois da triangulação, é medir simplesmente


triângulos que enlacem os objectos móveis aos pontos permanentes, quer dizer,
mede-se um triângulo para cada ponto que se deseja representar. O ponto a
medir encontra-se num dos vértices de dito triângulo e os outros dois vértices
são os pontos fixos tomados previamente.

236
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-237

Os pontos fixos são fáceis de encontrar, como ordinário pode-se escolher


dentre vários. Para simplificar bastante o desenho e fazer medições acessíveis
é aconselhável eleger os mais próximos, pois nas medições longas perde-se
precisão, e é preferível trabalhar com triângulos rectos, mas não obtusângulos.
Fig. 3.

FIGURA 3.- Exemplos de triângulos para a localização de pontos determinados


numa estrada.

Quando exista somente um ponto fixo também se pode formar triângulos,


pois elege-se outro fixo, marcando com giz uma cruz próxima à margem da
estrada. FIG.4.

FIGURA 4.- Localização por meio de um triângulo, com um único ponto de


referência e um ponto auxiliar localizado por medições.

5.2.- TRIANGULAÇÃO A DOIS PONTOS PRÓXIMOS

237
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-238

Se se deseja situar dois pontos que estejam próximos entre si, pode-se
utilizar a mesma base para os dois triângulos. Fig. 5. Quando se tenha que
determinar as posições de mais de dois objectos que tenham de ser retirados
da estrada, pode-se partir de vários objectos ou pontos permanentes para
formar as bases de quantos triângulos sejam necessários. Irá poupar-se tempo
na triangulação fazendo várias medições desde um mesmo ponto, até, por
exemplo as esquinas anterior e posterior de um veículo. O ajudante não tem
que se mover e o investigador também não tem que desenvolver a cinta do
todo, conseguindo maior rapidez e precisão.

FIGURA 5.- Localização em intersecção por triangulação utilizando a mesma


base para os dois triângulos.

5.3.- MEDIDAS DE CURVAS

Para representar graficamente o percurso da curva, tomam-se


sucessivos pontos da mesma e pelo procedimento de medições de triangulação
representa-se cada um dos elegidos. Com um flexímetro ou uma escantilhão de
curvas, elegemos aquela que coincida com os pontos representados e
obteremos uma curva que se aproximará à da realidade; tanto mais perfeito
será o traçado, quanto maior for o número de pontos elegidos. Fig. 6.

5.4.- CÁLCULO DE RAIO DE CURVAS.

238
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-239

Para encontrar graficamente o raio de uma curva, elegem-se três pontos


da mesma, dois nos extremos e um do centro aproximadamente; estes três
pontos representados graficamente, irão dar-nos um triângulo, o ponto de
intersecção das mediatrizes será o centro da circunferência que passa por ela e
a distância desde dito ponto a um dos vértices do triângulo, será o raio da
curva. Fig. 7. Este seria o cálculo geométrico.

O cálculo geométrico será assim: seguindo com a Fig. 7, uniremos A


com o extremo E do diâmetro EB e se formará um triângulo EAB, rectângulo
em A. Em todo triângulo rectângulo verifica-se que a altura, (h = segmento AD)
sobre a hipotenusa (Teorema da altura).

ED = AD ; ED = DB
AD DB

AD = AC , ou seja AD = corda e
2 2
ED = 2R - DB

AC² = DB (2R - DB) ,


2

AC² = 2RDB - DB² ,


4

2RDB = AC² + DB² ,


4

2R = AC² + DB² ; R = AC² + DB


4DB DB 8DB 2

239
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-240

Com o qual calculamos o raio em função da corda AC e do vector ou seta DB,


dados que são fáceis de calcular, pois podem-se medir comodamente no
terreno.

Teorema da altura:

ED = AD ; AD² = ED x DB
AD DB

5.5.- GRAU DE UMA CURVA.

O grau de uma curva é o número de graus que mede o ângulo central


subtendido por um arco de 100m medidos sobre a circunferência. Para calcula-
lo:

2R ---------------- 360º


100 ---------------- xº

Xº = 360º x 100 = 180º x 100 =


2R R

= 5729'56  5730º
R R

A linha será a trajectória ideal que deverá levar um veículo pelo centro de
um carril.

240
ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-241

5.6.- MEDIÇÃO DE ÂNGULOS EM INTERSECÇÕES.

Quando as estradas não se cruzam em ângulos rectos deve-se encontrar


o ângulo entre as mesmas. Talvez a melhor forma de medir um ângulo entre
duas linhas que se cruzam, seja medir um triângulo com as duas linhas como
lados e uma linha transversal para o terceiro lado. O comprimento dos dois
lados pode ser qualquer distância apta para ser medida, mas é preferível em
geral, que sejam iguais. Depois meça o terceiro lado.

Na Fig. 9 queremos tomar a medida do ângulo em X. Meça ao longo de


um lado qualquer distância hábil, por exemplo, desde N, até ao ponto m e
coloque o sinal. Ao longo de outro lado meça uma distância N, se puder ser a
mesma distância M, até ao ponto n, e marque-a. Meça entre os pontos m e n
para encontrar a distância L. Anote todas as medidas.

FIGURA.- 9 - Construção de um triângulo para medir ângulo.

Realmente os limites de duas estradas raramente se cruzam num ponto


muito pronunciado. De ordinário existe uma curva entre elas. Por tanto, para
encontrar o ponto de triângulo na estrada, tem de localizar um sítio desde o
qual possa observar ao longo dos limites de ambas estradas sem mudar de
posição. Chamaremos a este ponto de X ou Y.

5.6.1.- Valendo-se de qualquer distância adequada.

Na Fig. 10 procure X observando ambos lados da estrada. Marque-os no


pavimento. Depois meça uma distância hábil, suponhamos 20m, até m e
assinale o ponto. Faça o próprio até h, igualmente 20m. Então meça a distância
L, desde m a n e a largura das estradas A, B e C. Isto é quanto necessita se a
margem da estrada prossegue em linha recta.

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ACIDENTES DE TRÂNSITO E DILIGÊNCIAS-CURSO DE TRÂNSITO-242

5.6.2.- Utilizando os extremos de uma curva.

Na Fig.10 existe uma curva ou margem da estrada muito pronunciada.


Assinale os pontos m e n onde termina a curva no ângulo e começam os limites
rectos. Observe para encontrar o ponto X. Depois meça os três lados do
triângulo M, N e L e a largura das estradas A, B e C. A vantagem deste sistema
estriba em que quase sempre se pode utilizar a medida L para achar também o
raio da curva se M e N não se estendem para além dos extremos da curva.

5.7.- MÉTODO GRÁFICO PARA O CÁLCULO DE PENDENTE.

Pega-se numa régua que tenha um metro de comprimento e faz-se o


aparelho, tal como indica a Fig. 11. Uma vez colocado sobre a rampa ou
pendente do terreno, veremos como a régua b nos marcará uma medida na
divisão correspondente, por exemplo tal como se vê na Fig. 11, a 20 serão
centímetros.

A continuação se dirá:

Se a 1m --------------- 20cm
a 100m --------------- X
X = 20cm x 100 = 20m
Pte = 20%

Que será a percentagem de pendente nesse plano de terreno.


o

5.8.- MÉTODO GRÁFICO PARA TRAÇAR O PERFIL NO ESBOÇO.

242