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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Prof. Mariela Ribeiro Nunes Cardoso

Jornalista e advogada na Área Civil e Direito de Família.

Especialização na Fundação Getúlio Vargas, graduada pelo Centro Universitário Eurípides de Marília e pela Universidade de
Marília.

AUXILIAR DE BIBLIOTECA

Caro Concurseiro:

Obrigado por adquirir a apostila da Editora Nova. Para nós é uma imensa satisfação tê-lo como nosso leitor. Graças a sua con-
fiança nosso trabalho vem se expandindo por todo o país. Esperamos atender suas expectativas e auxilia-lo em seu
estudo; oferecemos suporte para dúvidas que porventura venham surgir.

A partir de agora serão analisados os temas em relação a esta matéria.

O objetivo do presente trabalho é potencializar os seus estudos, sendo que procuramos trazer um conteúdo mais
abrangente, via-bilizando um estudo mais aprofundado do tema.

O foco principal é disponibilizar um material didático, objetivo e de conteúdo amplo, que os capacite para concursos públicos.
Portanto, não deixe de fazer a leitura minuciosa de toda a legislação pelo fato de que muitos artigos são autoexplicativos; tentar

explica-los ou comenta-los poderia não ser didático.

Diante disto, aproveitem o material fazendo-o bom uso e boa sorte, para novas conquistas, com muita dedicação. Acredite em sua
aprovação! Acreditar em um sonho é o primeiro passo para conseguir conquista-lo!

1. NOÇÕES BÁSICAS SOBRE BIBLIOTECA.

2. TIPOS DE BIBLIOTECAS.

3. CONCEITOS BÁSICOS DE

BIBLIOTECONOMIA: ESTRUTURA,

POLÍTICAS, OBJETIVOS, ORGANIZAÇÃO


FUNCIONAL E ADMINISTRAÇÃO.

Fases da biblioteca

primeiro período histórico: com as bibliotecas do tempo de Aristóteles até começo da automação; depois: as modernas bibliotecas
com seus serviços plenamente automatizados; finalmente: a fase contemporânea da biblioteca eletrônica;

a biblioteca em papel, seguida pela biblioteca de processos automatizados, e a biblioteca digital, com artefatos
armazenados eletronicamente.

Para muitos autores, a tipologia de cada biblioteca depende das funções desempenhadas por ela. De acordo com este
entendimento, ela pode ser:

escolar – localiza-se em escolas e é organizada para integrar-se com a sala de aula e no desenvolvimento do currículo escolar. Funciona como um
centro de recursos educativos, integrado ao processo de ensino-aprendizagem, tendo como objetivo primordial de-senvolver e fomentar a leitura
e a informação. Poderá servir também como suporte para a comunidade em suas necessidades;

especializada – sua finalidade é promover toda informação especializada de determinada área, como, por exemplo,
agricultura, direito, indústria etc.

infantil – tem como objetivo primordial o atendimento de crianças com os diversos materiais que poderão enriquecer
suas horas de lazer. Visa a despertar o encantamento pelos livros e pela leitura e a formação do leitor.

pública – está encarregada de administrar a leitura e a informação para a comunidade em geral, sem distinção de
sexo, idade, raça, religião e opinião política.

nacional – é a depositária do patrimônio cultural de uma nação. Encarrega-se de editar a bibliografia nacional e fazer cumprir o depósito
legal. Em alguns casos, essa biblioteca, única, em cada país, necessita de uma política especial de recursos e, por falta de inte-resse na
conservação do patrimônio nacional, torna-se um depósito de livros, sem meios suficientes para difundir sua valiosa coleção.

universitária – é parte integrante de uma instituição de ensino superior e sua finalidade é oferecer apoio ao
desenvolvimento de programas de ensino e à realização de pesquisas.
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É importante entender que a tipologia de cada biblioteca nos ajuda não só a perceber a função social de cada uma, como também requer
um conhecimento mais apurado da comunidade na qual a biblioteca está inserida, evidenciando principalmente suas necessidades e seus
anseios por informação e hábitos culturais. Ter conhecimento das necessidades da comunidade é que propiciará o estabelecimento de
diretrizes e ações que permitirão alcançar os resultados almejados com o fazer cultural e educacional.

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Biblioteconomia é uma área interdisciplinar e também multidisciplinar do conhecimento que estuda as práticas,
perspectivas e as aplicações de métodos de representação e gestão da informação e do conhecimento em diferentes
ambientes de informação tais como bi-bliotecas e centros de documentação, centros de pesquisa. Atualmente, a área
está entrelaçada com diversas outras áreas, principalmente com a Ciência da Informação e a Documentação.

A primeira escola de Biblioteconomia do mundo foi criada por Melvil Dewey, que não só participou da criação da
American Library Association (ALA), como criou também a Classificação Decimal de Dewey.

Outros grandes nomes como Johannes Gutenberg e Gabriel Naudé, além de períodos como o Renascimento e a Revolução France-sa, também
estão atrelados à história da área. Atualmente, existem cerca de 30.000 bibliotecários no Brasil, inscritos nos 15 Conselhos
Regionais ao redor do país. A profissão de bibliotecário no Brasil é fiscalizada pelo Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB).

O bibliotecário é um profissional que trata a informação e a torna acessível ao usuário final, independente do suporte
informacional. Ele trabalha em centros de documentação, bibliotecas, pode gerir redes e sistemas de informação além
de gerir recursos informacionais trabalhando com tecnologia de ponta.

O bibliotecário é o profissional que classifica, conserva, organiza, divulga e gerencia acervos de bibliotecas, centros de
documenta-ção e os mais diversos tipos de unidades de informação.

O Conselho Federal de Biblioteconomia é a autarquia federal de fiscalização. No Brasil, a profissão do bibliotecário é


regulamentada pelas leis n° 9.674, de 26 de junho de 1998 e pela lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962 e na legislação
correlata. Suas atribuições são registrar os profissionais em biblioteconomia, fiscalizar o cumprimento do código de
ética profissional e o funcionamento de bibliotecas, dentre outras.

Luisa Orera Orera (2006) define a Biblioteconomia como uma ciência documental que tem por objeto de estudo as bibliotecas, entendidas
como sistemas de transmissão de informação para seus usuários. Tal transferência ocorre por meio das coleções, que são for-madas por
um conjunto organizado de documentos. Assim o documento é compreendido a partir da ótica da coleção que integra o acervo de uma
biblioteca. Segundo esta autora, a coleção pode ser vista como composta fundamentalmente por livros, pois estes foram durante anos o
principal suporte de informação. Entretanto, essa perspectiva alterou-se, dando espaço para outros tipos de documentos, como as
publicações periódicas, folhetos, manuscritos, músicas impressas. Acrescenta-se ainda que, devido às mudanças no mundo da infor-mação
e na editoração eletrônica, as coleções de documentos convencionais passaram a conviver com os documentos eletrônicos, con-figurando
a biblioteca como uma intermediária entre os usuários e os documentos de qualquer tipo, que trazem consigo as informações.
Retomando Bellotto (2006), cuja ideia integra o tópico dedicado à Arquivologia, destaca-se que as distinções dos documentos de
arquivos e dos documentos de bibliotecas residem em seu nascedouro. Os documentos de biblioteca são resultados de uma criação
artís-tica ou de uma pesquisa, que objetivam a divulgação técnica, científica, humanística, filosófica, ao passo que o documento de
arquivo é produzido no transcurso das atividades e funções jurídicas ou administrativas, apresentando essencialmente relações
orgânicas entre si (característica central dos documentos arquivistísticos).

Contudo, eleger uma definição de documento que seja própria da Biblioteconomia, nestes termos, se torna uma tarefa
hercúlea, posto que a maioria dos autores faz questão de ressaltar as diferenças na acepção dos termos: “dado”,
“informação”, “conhecimento” e “documento” (McGARRY, 1984). Destarte, a interpretação mais comum no campo da
Biblioteconomia, e, por extensão, da Documen-tação, é de que o conceito de documento também é amplo, proporcionando
uma miríade de possibilidades. Além disso, para ambos, o documento é produzido dentro de um contexto técnico-científico.

O bibliotecário indiano Ranganathan, na enunciação das cinco leis da Biblioteconomia (1. Os livros são usar; 2. A cada leitor
seu livro; 3. A cada livro seu leitor; 4. Poupe o tempo do leitor; 5. A biblioteca é um organismo em crescimento), recomendou
que houvesse uma extrapolação do termo livro para o termo documento. Nota-se que nessa acepção, o autor indica para um
contexto muito próximo da ideia de Biblioteconomia especializada dirigida à emergência técnica-científica: “O serviço
eficiente, rápido, preciso e exaustivo de fornecimento de micro ideias em nascimento aos especialistas, exigido pela pressão
social de hoje, denomina-se serviço de Documenta-ção” (RANGANATHAN, 2006, p. 280).

Em consequência desta visão, surgiram estudos que tentavam responder a propalada explosão informacional no contexto científico,
como descrito por Braga (1995, p.2): “A informação, na biblioteca, está ligada à documentação. A explosão e o caos documentário,
tão bem configurados por Bradford, enfocavam e enfocam informação como sinônimo de documento [...]”.

Neste contexto, interessava mapear a produção científica, mensurá-la de alguma forma, com o intuito de viabilizar o próprio
fazer científico diante de tamanho caos, e assim a Bibliometria. No Brasil os estudos nessa área emergiram na década de
1970, com a criação do mestrado em Ciência da Informação, pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD),
atual Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que oferecia a disciplina “Processamento de Dados
na Documentação”, ministrada pelo professor Tefko Saracevic. Assim, a partir desse momento, inicia-se no país uma grande
procura pela Bibliometria, sendo esta aplicada aos mais diversos campos (ALVARADO, 1984).

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Na sequência deste acontecimento, coube à Biblioteconomia, em seus cursos de graduação e, posteriormente, de pós-graduação,
dar continuidade aos estudos iniciados no mestrado do IBBD. Assim, diversos estudos, dentro das “leis” estabelecidas no contexto
da Bi-bliometria, mas com distintas abordagens, foram realizados enfocando diferentes áreas do conhecimento. Enfim, o sentido de
documento na Biblioteconomia foi sendo, cada vez mais, permeado por seu contexto científico.

Ademais, dentre os empenhos dos profissionais em relação ao tema documento, pode-se citar a criação dos tesauros
e dos vocabulá-rios controlados, que, de modo geral, representam mais um esforço no sentido de racionalizar
(categorizar) a produção científica, e, com isso, melhorar e tornar mais rápida a recuperação do documento.

Retoricamente e no sentido de reforçar os argumentos, retoma-se a Ranganathan para mostrar a intrínseca relação
entre a Bibliote-conomia e a Bibliometria:

Porém, foi somente em 1969, no seminário anual do Documentation Research and Training Centre (DRTC), que ele
apresentou um trabalho com alguns exemplos de aplicação da estatística na biblioteconomia. Foi com base neste
trabalho de Ranganathan e em pes-quisas realizadas no DRTC que Neelameghan (1969) esboçou a aplicabilidade da
biblioteconometria, ou bibliometria, como se tornou conhecida (VANTI, 2002, p. 153).

Nesta direção, pode-se dizer que a Biblioteconomia, além de se ocupar do problema da explosão documental científica, produziu boas
tentativas de respostas para as questões de armazenamento e organização de documentos. Além dos estudos bibliométricos houve um
grande avanço na criação de serviços, tais como a Disseminação Seletiva da Informação, os serviços de alerta e tantos outros. Estes
serviços eram considerados as formas pelas quais as bibliotecas filtravam a informação científica para os seus usuários.

Conceitualmente pode-se discutir, em outra direção, que essa relação intrínseca da Biblioteconomia com a Documentação e das noções de
livro e documento trazem reflexões interessantes para a atualidade, uma vez que a Biblioteconomia consegue elaborar res-postas para as
questões da Documentação e para a Ciência da Informação. Por outro lado, comparativamente, ressalta-se o forte caráter técnico-científico
do termo documento para a Biblioteconomia em relação à Arquivologia e à Museologia. Pode-se ainda dizer que a simbiose entre a
Documentação e a Biblioteconomia enriqueceu o campo de estudos desta última. Essa observação sob determinadas circunstâncias, pode
ser feita também para a relação daquela com a Arquivologia e Museologia, sendo que estas últimas não sofreram tanta influência da
Documentação proposta por Otlet, como a Biblioteconomia, que reteve, desta, amiúde, o problema da explosão do-cumentária no âmbito
técnico-científico em escala global e com auspícios de universalidade.

Por Gabrielle Francinne de S.C Tanus; Leonardo Vasconcelos Renau e Carlos Alberto Ávila Araújo

A biblioteca é divida em setores para atender ao usuário e para atender ao acervo. As principais seções (setores) da biblioteca são:
Administração – é responsável pela administração geral. Ou seja, recursos humanos, segurança, finanças, planejamento, controle,

correspondências, etc.

Desenvolvimento de coleções – é o setor responsável pelo acervo da biblioteca, ou melhor, pelo desenvolvimento da
coleção de documentos da biblioteca. É dividido em dois (em geral):
1- Seleção, que se responsabiliza por selecionar os livros e documentos que a biblioteca precisa e deseja para
melhorar sua coleção, tanto qualitativamente quanto quantitativamente.

A seleção que busca incorporar acervo à biblioteca chama-se seleção positiva. A seleção que busca retirar acervo da
biblioteca, ou descartar, é chamada seleção negativa.

2 – Aquisição, que irá implementar as decisões da seleção, ou seja, irá efetivamente adquirir os documentos selecionados pelo
setor de seleção. A aquisição pode ser de 3 formas: compra, que será por assinatura para periódicos e por licitação no caso de
órgãos públicos. Permuta, ou seja, troca de materiais entre instituições. E doação, ou seja, quando a biblioteca recebe os
documentos gratuitamente. Neste caso, é preciso avaliar criteriosamente se os livros doados realmente servem para o uso da biblioteca.

Registro – é o setor responsável por tornar os livros e documentos patrimônio da biblioteca. Cada livro/documento ira
receber o seu número de tombo e vários carimbos para assegurar a propriedade do exemplar.

PT (Processos técnicos) - é o setor que irá tratar o documento, aplicando técnicas da biblioteconomia para classificar,
indexar e catalogar.

Preservação, conservação e restauração – é o setor responsável por periodicamente avaliar o estado físico das obras
e retirar da circulação os exemplares danificados, a fim de restaurá-los ou encaderná-los.

Referência – é o setor responsável por atender o usuário. É o cartão de visitas da biblioteca. É o primeiro contato do
usuário com o a biblioteca.

Circulação – Como o próprio nome indica, é o setor responsável pela circulação do acervo, ou seja, empréstimo e devolução dos livros.
Normalmente, está ligado ao setor de referência pois faz parte do atendimento ao usuário. Além do empréstimo, que é a retirada do livro
pelo usuário, e da devolução, este setor realiza também a cobrança dos livros em atraso (por carta, telefone ou mesmo e-mail), reserva dos
livros que estão emprestados e a renovação do empréstimo, ou seja, um novo prazo para ficar com o livro.

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4. HISTÓRIA DA ESCRITA, DA LEITURA

E DO LIVRO.

Desde a descoberta da escrita pelo homem as bibliotecas modificam os suportes utilizados em seus acervos. Assim,
as primeiras bibliotecas eram constituídas por minerais escritos através de cuneiformes e hieróglifos em tabletes de
argila; depois surgiram as vegetais e animais, constituídas de rolos de papiros e pergaminhos, conhecidas como as
bibliotecas dos babilônios, assírios, egípcios, persas e chineses. Com o advento do papel, descoberto pelos árabes
surgiram as primeiras bibliotecas de papel e mais tarde as bibliotecas dos livros propriamente ditos.

Desde seu surgimento, as bibliotecas restringem as informações às altas classes sociais, ficando sob a tutela da
nobreza, do clero e da magistratura as informações. A princípio os livros eram acorrentados às prateleiras para não
serem emprestados. Afinal, os responsáveis pelas bibliotecas tinham medo de que os livros não retornassem as
mesmas ou voltassem danificados. Além disso, como controlar o impacto da informação livremente distribuída?

Contudo, só no século XVIII, iniciou-se a democratização da informação para as outras camadas da sociedade.

Na metade do século XX, a introdução dos computadores provoca uma verdadeira revolução da memória: a possibilidade da memó-
ria eletrônica, distinta da memória humana por sua duração. A memória humana está sujeita ao esquecimento
enquanto a memória das máquinas é ilimitada, dependendo de técnicas de armazenamento.

Analisando a história das bibliotecas verificamos que desde o surgimento das mesmas, os homens que exercem o poder tentam destruí-la a
fim de permanecerem no poder e manipular a sociedade. Isso ocorreu com a Biblioteca de Alexandria, biblioteca mais famosa do mundo
destruída por motivos religiosos. Ocorreu na Idade Média, quando a Igreja Católica tentou destruir as bibliotecas. Pa-radoxalmente a isso,
foram os mosteiros que serviram como esconderijos dos livros salvando-os para a posteridade. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando
Monte Cassino foi bombardeada e o maior repositório do conhecimento humano sobre a Europa foi destruído. A destruição da Biblioteca
Nacional do Camboja por Khmer Vermelho que destruiu as informações sobre a civilização cambojana.

http://www.ufjf.br/

Durante muitos séculos os conhecimentos foram transmitidos de geração em geração por meio da tradição oral,
naquele tempo, os considerados sábios eram aqueles que conseguiam transmitir os conhecimentos, por isso eram
também responsáveis pela difícil missão de repassá-los por meio da tradição oral, que por não ser registrada (escrita),
acabava comprometendo a integridade da informação, variando de acordo com a interpretação de cada um.
Mas, como se sabe, com o tempo as coisas tomaram outros rumos e foram surgindo novos meios de se comunicar. Em especial, a escrita
que mudou as relações entre os homens e a forma deles interagirem com a natureza em função de outras necessidades. Portanto, pode-se
dizer que o surgimento da escrita propiciou o aparecimento das tecnologias, fundamental ao desenvolvimento do ser humano.

O grande marco na história da humanidade foi, sem dúvida, a invenção da linguagem escrita, pois, ao preservar seus
sentimentos, suas tecnologias e seus anseios num conjunto de marcas, o homem criou a possibilidade de acumulação e produção
de conhecimentos que propiciaram o surgimento da filosofia, das ciências e das artes. Não se tem certeza absoluta da
data do surgimento, mas alguns estu-diosos dizem que ela surgiu na Mesopotâmia, localizada entre os Rios Tigre e
Eufrates, local onde apareceram as primeiras civilizações, aproximadamente no ano 4.000 a.C.

Alguns autores acreditam que as mais antigas inscrições descobertas até hoje foram achadas em Uruk (atual cidade de Warka, no sul do
Iraque) e datam de 3.300 antes de Cristo. Como os sinais eram formados por um junco ou cabo de madeira que deixava um traçado
semelhante a uma cunha, esse tipo de escrita recebeu o nome de cuneiforme — derivado do termo latino cuneus, que significa “cunha”.

Os mesopotâmios usaram a escrita cuneiforme para controlar as mercadorias que entravam e saíam dos seus palácios
e templos. Inicialmente era pictográfica, ou seja, o boi era representado por sinais que lembravam sua cabeça,
enquanto o desenho do sol surgindo no horizonte significava o dia.

A escrita cuneiforme disseminou-se por todo o Oriente próximo ao segundo milênio a.C., sendo utilizada por diferentes
povos da região, como sumérios, semitas, assírios e babilônios.

“Livros de barro” – 22.000 placas de argila gravadas formavam o acervo da mais antiga biblioteca de que se tem notícia: a do rei

Assurbanipal, na Assíria, construída sete séculos antes de Cristo.

A pictografia é uma forma de escrita pela qual, ideias são transmitidas através de desenhos. Esse tipo de escrita era
entendida em qualquer língua falada, pois possuía um grande número de símbolos.

Os pictogramas parecem ser absolutamente autoexplicativos e universais, mas na verdade possuem limitações culturais.

Por exemplo, os pictogramas de banheiro, em que o sexo é diferenciado por uma representação de uma figura
feminina usando uma saia, podem ser um problema na identificação por usuários não ocidentais. Pense bem, para os
homens pode ser difícil compreender a cultura adotada em determinados lugares em que o uso de saias masculinas é
comum. Essa diferenciação entre sexos em pictogramas ocidentais pode não ser bem interpretada.

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Hoje, o pictograma tem sido muito utilizado como sinalização de locais públicos (trânsito, endereços, explicações,
proibições etc.) em diversas peças de design gráfico.

Logo em seguida, surge a escrita hieroglífica egípcia, surgida em torno do ano 3000 a.C. Os responsáveis pela tarefa de
escrever chamavam-se escribas, homens muito admirados do Egito antigo, sendo muitos deles adorados como deuses.

Hieróglifo hieróglifo é um termo que junta duas palavras gregas – hiero que significa sagrado e glyfus que significa escrita. Poucas pessoas
na antiga civilização dominavam e conheciam a arte desses sinais que eram considerados sagrados. Suas inscrições eram mais comuns
nas paredes de templos e túmulos, e com o tempo foi evoluindo para uso em papiros ou placas de barro.

Os escribas, para escrever, utilizavam objetos de metal, osso e marfim, sendo que uma das extremidades era larga e pontiaguda, e
a outra era plana em forma de paleta com a finalidade de cancelar o texto, alisando o material arranhado ou errado.

Inicialmente, utilizados para registros contábeis como sacas de trigo, cabeças de boi etc.; posteriormente as tábuas foram utilizadas para
outras finalidades que não o registro contábil, como narrações históricas, relatos épicos, religiosos e outros tipos de inscrições.

A história do homem mostra-nos que alguns tipos de escrita, criados por outros povos, surgiram também como necessidade.

Abaixo segue breve resumo:

cuneiforme – idealizada pelos sumérios em forma de figuras gravadas sob tábuas de argila utilizando-se de estilete. A
página era cozida no forno;

hieroglífica – nome grego para a escrita pictórica dos antigos egípcios. Traduzida ao pé da letra “hieroglifo” significa
“inscrição sagrada”. A escrita hieroglífica possibilitou aos egípcios registrarem dados diversificados de sua cultura por
meio de signos. As ideias passaram a ser expressas por sinais — cada um com seu valor fonético — e não mais
através de desenhos. Esse tipo de escrita era com-posto por cerca de 1.000 sinais;

mnemônica – utilizada pelos incas da América do Sul, dividia-se em dois sistemas: os equipos e os wampus;

fonética – surgiu com a necessidade de fixar o pensamento humano. A imagem visual foi substituída pela sonora
dando início à escrita silábica, em que os sinais representam sons;

ideográfica – os objetos eram representados por sinais que interpretavam graficamente ideias. Por exemplo: a escrita chinesa.

A escrita permitiu o registro da memória, a veiculação das ideias e a criação de novas realidades, contribuindo para ampliação do

conhecimento e consequentemente do registro dos diferentes domínios do saber que gera até hoje o avanço das tecnologias.
Esse passeio pela história nos faz observar que desde os primórdios dos tempos, o homem procurou registrar suas impressões, utilizando-
se de materiais orgânicos e inorgânicos, como tintas vegetais, minerais e outros suportes encontrados na natureza, como a argila, os ossos,
as pedras, o couro, a madeira, o papiro, o pergaminho e, finalmente, o papel que teve sua origem na China.

O alfabeto

Até chegarmos à escrita alfabética passamos por um lento processo evolutivo.

Para muitos a invenção do alfabeto é atribuída ao povo de Ugarit (atual Síria) que desenvolveu um alfabeto composto
por vinte a trinta signos cuneiformes. Em seguida, os fenícios criaram um alfabeto com 22 letras. Estes dois povos são
os maiores responsáveis pela disseminação do alfabeto no mundo antigo.

Por serem comerciantes e navegadores, os fenícios em seus deslocamentos difundiam rapidamente essa nova invenção entre os
povos do Mediterrâneo: o aramaico, o hebraico, o copta, o árabe e o grego têm aí sua origem. Desse modo, acredita-se que o
alfabeto fenício acabou estimulando outros povos a criarem em conformidade com suas línguas, seus próprios sistemas de escrita.

O povo grego, por exemplo, deve a invenção do seu alfabeto aos fenícios, onde utilizava a abstração alfabética para
substituir cada som por uma letra, formando assim o primeiro alfabeto da história. O alfabeto fenício foi utilizado por
volta do final do século XII antes de Cristo.

Da escrita grega, originou-se o etrusco, que deu origem ao latim, que, por sua vez, deu origem ao português. Deve-se ressaltar que a
escrita alfabética, juntamente com a descoberta do papel, propiciou a democratização do conhecimento. Assim, o que era antes privilégio
somente de escribas, membros da igreja e da realeza passou a fazer parte do cotidiano de diferentes segmentos sociais.

Os livros

Para você ter uma ideia, os livros eram escritos manualmente e só eram encontrados nos palácios e nos templos, sendo usados por
sacerdotes e reis, que eram os poucos privilegiados que sabiam ler e escrever. O livro representava uma ostentação, um objeto de luxo.

Com a descoberta do papel e a invenção da imprensa por Gutenberg, o ler e o escrever foram se encontrando e
ganhando formas de registro.

A partir daí, deu-se início à multiplicação dos livros e as bibliotecas tornaram-se mais acessíveis ao povo, embora com um aspecto formal,
voltadas mais para a preservação do acervo do que para sua disseminação. Essas bibliotecas eram vistas como espaços para os
intelectuais. Os livros ainda eram privilégios de poucos, exigiam tratamento especial e eram cuidadosamente guardados.

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A invenção da imprensa por Gutenberg foi um marco para a ampliação do conhecimento, pois possibilitou a construção de
coleções particulares. Os livros passaram a ser material de consumo e de uso doméstico deixando de ser privilégio de
poucos. Todo esse caminho fez com que as bibliotecas, por sua vez, tomassem novos rumos, ganhando novas atribuições.

Se antes elas eram espaços silenciosos e de guarda de livros, hoje, com o avanço das novas tecnologias da
comunicação e da infor-mação, passaram a agregar novas formas de difusão da cultura.

O primeiro livro impresso por Gutenberg – a célebre Bíblia de 42 linhas, em tipos góticos – é o marco histórico dessa revolução que significou a
possibilidade de produzir livros em escala industrial e, automaticamente, para um número quase ilimitado de leitores.

Com a multiplicação dos livros, as bibliotecas tiveram que se evoluir e nos espaços informacionais foram surgindo. Os
livros ganha-ram outros formatos na edição para atender os mais diferentes tipos de leitores.

O mercado editorial, para atender a modernidade tecnológica e as novas demandas por leitura, aumentou sua capacidade e passou a
produzir milhares de exemplares em um curto período de tempo. Esse processo contribuiu substancialmente com a
democratização e com a difusão do livro e da leitura no país.

Assim, podemos dizer que a biblioteca é uma alternativa de inclusão social e se configura como um ambiente
democrático, tendo a informação como uma ferramenta importante para a conscientização dos direitos e deveres de
cada cidadão como membro da sociedade. portal.mec.gov.br

5. CONCEITO DE BIBLIOTECA.

Ferreira (1986, p. 253) define no dicionário a palavra biblioteca:

Coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres, organizada para estudo, leitura e consulta.

Edifício ou recinto onde se instala essa coleção.

Estante ou outro móvel onde se guardam e/ou ordenam os livros.

É interessante você saber que não é à toa que a palavra biblioteca tem sua origem nos termos gregos biblíon (livro) e
theka (caixa), significando o móvel ou lugar onde se guardam livros.
Foi no Egito que existiu, desde o século IV a.C., a mais célebre e grandiosa biblioteca da Antiguidade, a de Alexandria,
que tinha como ambição reunir em um só lugar todo o conhecimento humano. Seu acervo era constituído de rolos de
papiro manuscritos – apro-ximadamente 60 mil, contendo literatura grega, egípcia, assíria e babilônica.

No entanto, o conceito e as explicações para a palavra biblioteca vêm se transformando e se ajustando por meio da própria história
das bibliotecas. Para Fonseca (1992, p. 60), um novo conceito “é o de biblioteca menos como coleção de livros e outros
documentos, devidamente classificados e catalogados do que como assembleia de usuários da informação”. Isso quer dizer que as
bibliotecas não de-vem ser vistas como simples depósitos de livros. Elas devem ter seu foco voltado para as pessoas no uso que
essas fazem da informação oferecendo meios para que esta circule da forma mais dinâmica possível.

Biblioteca no termo da palavra é o espaço físico em que se guardam livros. De uma forma mais abrangente, biblioteca é todo
espaço (concreto, virtual ou híbrido) destinado a uma coleção de informações, sejam escritas em folhas de papel (livros,
monografias, enciclopé-dias, dicionários, manuais) ou ainda digitalizadas e armazenadas em outros tipos de materiais, tais como
CD, fitas, VHS, DVD e bancos de dados. Revistas e jornais também são colecionados e armazenados especialmente em uma hemeroteca.

A biblioteca é o conjunto de material, em sua maioria impresso e não produzido pela instituição em que está inserida,
de forma ordenada para estudo, pesquisa e consulta.

Normalmente é constituída de coleções temáticas e seus documentos são adquiridos através de compra ou doação,
diferentemente dos arquivos, cujos documentos são produzidos ou recebidos pela própria instituição.

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6. ORGANIZAÇÃO DE BIBLIOTECA

ESCOLAR.

Para as atividades executadas pela Biblioteca, o cargo específico é denominado:

Bibliotecário. O preenchimento deste cargo é feito por pessoa especializada com o título de Bacharel em
Biblioteconomia e Docu-mentação.

O bibliotecário é o profissional da informação que cuida de toda a logística que envolve o planejamento, a organização
e a implan-tação de bibliotecas, centros de documentação e informação, sistemas de informação e acervos multimídia,
e ainda da análise e proces-samento técnico de documentos variados.
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A missão do bibliotecário é encontrar, analisar, facilitar o acesso à informação, ensinar e auxiliar o usuário a conseguir
a informação desejada.

Auxiliar de biblioteca

O Auxiliar de Biblioteca é todo profissional que executa atividades de nível médio relativas à execução de trabalhos de
rotina de uma biblioteca, centro de documentação e/ou em setor similar. É a pessoa que participa ativamente da vida
da biblioteca, trabalhando em seus vários setores, realizando diferentes tarefas, responsabilizando-se pela transmissão
aos usuários das informações coletadas pelo bibliotecário.

O cargo de Auxiliar de Biblioteca, embora seja responsável por atividades importantes para o funcionamento da Biblioteca,
não requer formação de nível superior, ficando, no entanto o seu ocupante sob a supervisão do Bibliotecário.

Ambos devem trabalhar de forma harmoniosa para que as atividades sob a sua responsabilidade sejam realizadas de
acordo com as expectativas da Organização em geral e, particularmente, dos usuários da Biblioteca.

Funções do Auxiliar de Biblioteca

Atividades típicas atribuídas ao Auxiliar de Biblioteca:

serviços auxiliares de aquisição;

serviços auxiliares de processamento técnico;

serviços auxiliares de preparação e conservação do material bibliográfico e não bibliográfico;

conservação do material bibliográfico e não bibliográfico;

serviços auxiliares de atendimento ao público;


outras tarefas: manter arquivo e cadastro, operar equipamentos audiovisuais e reprográficos, serviços de digitação,
datilografia e outros.

No entanto são vedadas ao técnico em Biblioteconomia funções previstas especificamente para o bibliotecário, tais como:

exercer atividade de forma autônoma;

chefiar bibliotecas, centros de documentação e/ou informação ou similares e setores de processamento técnico e de referência;

executar qualquer tarefa de natureza técnica que seja privativa do bacharel em Biblioteconomia;

ministrar cursos de capacitação de recursos humanos para atuar em bibliotecas.

Entretanto, isto não diminui sua responsabilidade profissional para que a missão da biblioteca possa ser cumprida tornando-se orga-
nismo de real valor para a comunidade a que serve e para melhoria das condições de vida da sociedade que integra.

A biblioteca escolar é uma necessidade, pois não constitui uma entidade independente, mas um complemento da
escola. Se a escola inicia o aluno na instrução, a biblioteca a complementa. Sua função é a de agente educacional,
proporcionando enriquecimento da cul-tura do aluno nos diferentes campos, oportunidade para o seu desenvolvimento
social e intelectual e horas recreativas nos vários tipos de materiais existentes na biblioteca.

É também finalidade da biblioteca escolar apoiar a todos e quaisquer programas educativos. Para atender às exigências desses
programas educativos, a biblioteca escolar deverá fornecer toda espécie de tipo de materiais essenciais à obtenção dos objetivos
dos currículos, satisfazendo ao mesmo tempo aos interesses, necessidades e aptidões dos próprios alunos e professores.

FUNÇÕES E OBJETIVOS

Embora tão marginalizada de nosso sistema educacional, a biblioteca escolar, tem funções fundamentais a
desempenhar e que po-dem ser agrupadas em duas categorias – a educativa e a cultural.

Na função educativa, ela representa um reforço à ação do aluno e do professor. Quanto ao primeiro, desenvolvendo habilidades de
estudo independente, agindo como instrumento de autoeducação, motivando a uma busca do conhecimento, incrementando o gosto pela leitura e
ainda auxiliando na formação de hábitos e atitudes de manuseio, consulta e utilização do livro, da biblioteca e da informação.
Quanto à atuação do educador e da instituição, a biblioteca complementa as informações básicas e oferece seus recursos e
serviços à comunidade escolar de maneira a atender as necessidades do planejamento curricular.
Em sua função cultural, a biblioteca de uma escola torna-se complemento da educação formal, ao oferecer múltiplas possibilidades de
leitura e, com isso, levar os alunos a ampliar seus conhecimentos e suas ideias acerca do mundo. Pode contribuir para a formação de uma
atitude positiva, prazerosa frente à leitura e, em certa medida, participar das ações da comunidade escolar, servindo-lhes de suporte.

Nessas funções, por assim dizer, “ideais” de uma biblioteca escolar, estariam implícitos seus objetivos como instituição,
que rela-cionamos a seguir:

cooperar com o currículo da escola no atendimento às necessidades dos alunos, dos professores e dos demais
elementos da comu-nidade escolar;

estimular e orientar a comunidade escolar em suas consultas e leituras, favorecendo o desenvolvimento da capacidade
de selecio-nar e avaliar;

Didatismo e Conhecimento
7
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

incentivar os educandos a pensar de forma crítica, reflexiva, analítica e criadora, orientados por equipes inter-
relacionadas (edu-cadores + bibliotecários);

proporcionar aos leitores materiais diversos e serviços bibliotecários adequados ao seu aperfeiçoamento e
desenvolvimento indi-vidual e coletivo;

promover a interação professor-bibliotecário-aluno, facilitando o processo ensino aprendizagem;

oferecer um mecanismo para a democratização da educação, permitindo o acesso de um maior número de crianças e jovens
a ma-teriais educativos e, através disso, dar oportunidade ao desenvolvimento de cada aluno a partir de suas atitudes individuais;

contribuir para que o educador amplie sua percepção dos problemas educacionais, oferecendo-lhe informações que o
ajudem a tomar decisões no sentido de solucioná-los, tendo como ponto de partida valores éticos e cidadãos.

De nada serviria uma bela biblioteca escolar, com espaço físico e acervo suficiente às necessidades do estabelecimento de
ensino se, para exercer as funções e cumprir seus objetivos, não estiver em seu comando um profissional consciente, com
sensibilidade e habilita-ções básicas para manter esse espaço de cultura e informação bem azeitado e atraente.

A biblioteca deve existir em local: de fácil acesso, ventilado, iluminado (mas não exposto diretamente aos raios
solares), que permita ampliações futuras.

No acervo de uma biblioteca podemos encontrar vários tipos de documentos: livros, folhetos, periódicos, filmes, fitas,
slides ou diapositivos, discos, CDROM e DVD, fotografias, gravuras, mapas, atlas, globos.

www.ufjf.br

7. NOÇÕES DE ARQUIVOLOGIA.

Desde o desenvolvimento da Arquivologia como disciplina, a partir da segunda metade do século XIX, talvez nada tenha sido
tão revolucionário quanto o desenvolvimento da concepção teórica e dos desdobramentos práticos da gestão.

A gestão de documentos é uma operação arquivista, “o processo de reduzir seletivamente a proporções manipuláveis a
massa de documentos, que é característica da civilização moderna, de forma a conservar permanentemente os que têm um
valor cultural futuro, sem menosprezar a integridade substantiva da massa documental para efeitos de pesquisa.
Embora sua concepção teórica e prática tenha se desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial, a partir dos E.U.A. e
do Canadá, a gestão de documentos teve suas raízes no final do século XIX, em função dos problemas detectados
nas administrações públicas destes dois países, referentes ao uso e guarda da documentação.

Na primeira metade do século XX criaram-se comissões que visavam tornar mais eficiente o uso dos documentos por
parte da ad-ministração pública.

Vale ressaltar que durante esse período, as instituições arquivistas (públicas) caracterizavam-se pela função de órgãos estritamente
de apoio à pesquisa, comprometidas com a conservação e o acesso aos documentos considerados de valor histórico.

Paralelamente iniciava-se a era da chamada administração “científica”, que procurava mostrar aos administradores como racio-
nalizar o processo administrativo, desenvolvendo suas atividades de forma menos dispendiosa, melhor e mais rápida. A palavra-
chave das administrações dos países desenvolvidos - sobretudo gestão de documentos os E. U. A. - , passou a ser eficiência.

A aplicação dos princípios da administração científica para a solução dos problemas documentais gerou o conjunto de
princípios da gestão de documentos, os quais resultam, sobretudo, na necessidade de se racionalizar e modernizar as
administrações. Não se tratava de uma demanda setorizada, produzida a partir das próprias instituições arquivistas. A
gestão de documentos veio a contribuir para as funções arquivistas sob diversos aspectos:

ao garantir que as políticas e atividades dos governos fossem documentadas adequadamente;

ao garantir a melhor organização desses documentos, caso tivessem valor permanente;

ao inibir a eliminação de documentos de valor permanente;

ao definir criteriosamente a parcela dos documentos que constituiriam o patrimônio arquivístico do país, ou seja, 5% da
massa documental produzida (segundo a UNESCO).

No VIII Congresso Internacional de Arquivos, realizado em Washington, em 1976, a gerou maior consciência em todo o governo, no caso
norte-americano, quanto ao significado dos documentos, qualquer que fosse o suporte, e as suas necessidades de conservação.

As instituições arquivistas públicas, particularmente os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos e do Canadá,
adquiriram uma nova feição, assumindo também a função de órgão de apoio à administração pública, com a
competência de orientar programas de gestão de documentos nos diversos órgãos governamentais.

Didatismo e Conhecimento
8
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

A INFORMAÇÃO ARQUIVÍSTICA

Considerando a literatura da área e as práticas desenvolvidas em alguns países, pode-se sugerir que as políticas
arquivísticas têm como pressuposto:

o reconhecimento da informação governamental como um recurso fundamental para o Estado e a sociedade civil;

a informação governamental contempla a sociedade civil com o conhecimento do Estado e da própria sociedade civil -
passado e presente;

a informação assegura transparência ao Estado, facilitando ao governo administrar suas diversas funções sociais;

o livre fluxo de informação entre Estado e sociedade civil é essencial para uma sociedade democrática: cabe, assim,
ao governo minimizar a carga de demanda sobre a sociedade civil, diminuindo o custo de suas atividades de
informação e maximizando a utili-zação da informação governamental;

os benefícios sociais derivados da informação governamental devem exceder os custos públicos da informação, ainda
que tais benefícios não possam ser sempre quantificáveis;

a gestão de documentos (correntes e intermediários) governamentais é essencial para assegurar transparência e, em


conjunto com a administração dos arquivos permanentes, proteger os documentos históricos e assegurar direitos
legais e financeiros ao Estado e à sociedade;

o intercâmbio transparente e eficiente da informação científica e tecnológica, estimula a excelência na pesquisa


científica e o uso efetivo dos recursos públicos de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento;

a tecnologia da informação não é um fim em si mesmo, trata-se de um conjunto de recursos que auxilia a efetividade e
eficiência das ações do governo.

http://biblioteca.planejamento.gov.br/

8. FORMAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E

ORGANIZAÇÃO DE ACERVO.
Segundo o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia (CUNHA e CAVALCANTI. Briquet de Lemos, 2008): Acervo é
um “con-junto de documentos conservados para o atendimento das finalidades de uma biblioteca: informação,
pesquisa, educação e recreação”. Também é sinônimo de coleção.

Em suma, acervo é tudo que é documento dentro da biblioteca (essa definição é minha mesmo).

Seleção/aquisição: Como vimos mais acima, o acervo é formado através de um processo de Formação e desenvolvimento de co-
leção. Esse processo é formado pela etapa de seleção, que irá dizer quais documentos devem ser adquiridos de acordo com os
desejos e necessidades da biblioteca, e que é de bom senso estar de acordo com a Política de Formação e Desenvolvimento e com
a Política de Seleção da Biblioteca. E a etapa de aquisição será responsável por efetivar as escolhas da seleção, ou seja, adquirir,
seja por compra, per-muta (troca, que normalmente se dá entre duplicatas que as bibliotecas possuem) ou doação (que pode ser
solicitada, ou seja, a Biblioteca envia um pedido de doação a uma instituição, editora, ou mesmo ao próprio autor).

Tratamento técnico:

Tratamento técnico, ou processo técnico, é a atividade que irá tratar o documento com as técnicas da biblioteconomia
para represen-tação do documento (catalogação) e do conteúdo (classificação e indexação).

Catalogação: a catalogação é o processo de descrição do documento para a criação de um catálogo. Cada documento será catalogado a
partir de um código de catalogação – o código em vigor e mais utilizado no mundo inteiro é o AACR2 – Regras de Catalogação Anglo

Americanas segunda edição, que está em edição revista e é publicado aqui no Brasil pela FEBAB.

As informações são voltadas para descrever o documento. Então você sabe autor, título, número de páginas, ISBN, e
de quais assun-tos, de forma geral, trata, entre outras informações.

O nome do autor sempre será colocado com o último nome na frente, p.ex.: Silva, João dos Santos.

Mas caso o último nome indique parentesco, a entrada será pelo penúltimo nome seguido do parentesco (sobrinho,
neto, junior, filho, etc.). Exemplo: João dos Santos Silva Sobrinho terá entrada por:

Silva Sobrinho, João dos Santos.

A catalogação se divide em duas partes: acesso (entrada) e descrição física. O acesso irá dizer quais os pontos de
acesso para o do-cumento. Existem dois tipos de entrada: principal e secundárias. O autor lá no alto da ficha é a
entrada principal. E as demais entradas, embaixo da ficha, são as entradas secundárias.
Didatismo e Conhecimento
9
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Antes do nome do autor deverá ir na ficha o número de Cutter correspondente, que deverá ser retirado daTabela de Cutter-
San-born. A tabela é usada da seguinte forma. A entrada será por Silva, João da. Devemos então encontrar na tabela o
número correspondente a SIL, que é 581. Logo, o número será S581. Após esse número, irá entrar a primeira letra da
primeira palavra do título, exclui-se artigo, em minúscula. Se o título começar com A Arte de Estudar, o cutter será S581a.

Classificação: Classificar é atribuir uma classe (um assunto) ao livro. E isso é importante numa biblioteca, pois cada livro será
classificado sob um único assunto, ainda que composto por vários assuntos. Para tanto, as bibliotecas adotam em geral dois
esquemas de classificação. A Classificação Decimal de Dewey e a Classificação Decimal Universal. As duas tem muito em
comum. A CDU, que é baseada na CDD, dá mais liberdade ao classificador. Mas o mais importante, como não poderia deixar
de ser, são as classes. Ambas dividem o conhecimento em 10 classes principais, por isso são chamadas de classificações
decimais. E há apenas uma pequena diferença entre elas, nas classes 4 e 8, que na CDD continuam como sempre foram,
mas na CDU a classe 4 está vaga enquanto que a 8 abriga além de literatura, linguística.

As principais classes da CDU podem ser acessadas clicando nos nomes.

Por exemplo, um livro de Literatura Brasileira será classificado em 869.3 na CDD e em 869(81) na CDU. Note que a
raiz é a mesma, 869, mas o uso das tabelas é diferente para cada caso.

O número da classificação, ou número da notação ou somente notação, irá aparecer junto ao Cutter e possíveis informações
sobre edição, exemplar ou coleção, no número de chamada. Logo, o número de chamada, utilizando CDU, para um livro de
literatura brasilei-ra, vamos usar no exemplo Gabriela, cravo e Canela de Jorge Amado, será: 869(81) A481g

O número de chamada será colocado na etiqueta que fica na lombada do livro, e é o que permite a identificação do livro na estante.
Indexação: Indexar vem do termo Index, que significa índice. Índice é ” Lista dos elementos identificadores de um
documento, (autor, assunto, titulo, etc.) dispostos em determinada ordem para possibilitar seu acesso. ” (Marisa
Bräscher Basílio Medeiros) e podem ser também” Produto da indexação, como instrumento de pesquisa autônomo ou
complemento de outro. “Maria Alexandra Miranda Aparício. Aqui vale dizer a diferença entre indexação e catalogação.
A indexação representa o conteúdo, o tema, a catalogação representa a parte física, ela descreve.

Em termos práticos, indexar é representar o documento por meio de palavras. Peguemos como exemplo o livro Português
para Con-cursos, de Renato Aquino (livro aliás que recomendo toda vida). Quais palavras nós usaríamos para representar
seu conteúdo? Português e Concursos são duas prováveis. Mas poderíamos utilizar também Língua Portuguesa, Gramática,
Testes, Provas, enfim. O indexador irá decidir quais palavras serão usadas com base na política de indexação da biblioteca,
no público-alvo da indexação, e nos instrumentos que tiver em mãos (vocabulários controlados).

Preparação física do livro: Cada livro será devidamente etiquetado com o número de chamada e carimbado, antes de ir
para o acervo. Isso irá ajudar a identificar a propriedade do livro em caso de extravio. Nas bibliotecas que possuem
sistemas de segurança, cada livro receberá um alarme.

A maioria das bibliotecas costuma colocar o número do tombo no exemplar, em alguns casos, ainda se coloca data de aquisição. Além dos
carimbos e etiquetas, também podem ser colocados bolso e (não lembro como chama) uma “folha de devolução”, onde é

carimbada a data em que o livro deve ser entregue. Tanto um quanto outro são mais comuns em sistemas não automatizados.

Armazenagem da documentação, preservação do acervo:

Didatismo e Conhecimento
10
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Os livros são guardados nas estantes de acordo com sua classificação, no que se chama de ordem relativa. Ou seja, a ordem do livro é
relativa ao seu assunto. É preciso atentar para a correta ordem de arquivamento do sistema decimal utilizado pela biblioteca.

Além da ordem relativa, existe a ordem fixa, ou sistema de localização fixa. Se diz fixa pois cada livro tem o seu lugar garantido e
preservado na estante. Tipo – Corredor X, Estante 3, Prateleira 4, Posição 7 (este é apenas um exemplo ilustrativo). Quando o livro
é retirado do seu local, é colocado um objeto para guardar o seu lugar. Esse objeto é chamado de “fantasma”. Outro ponto
importante sobre localização fixa é que, em geral, as bibliotecas que a utilizam trabalham com os acervos fechados ao público.
Apenas os funcionários é que tem acesso ao acervo. Faz sentido pois para um usuário interessado em um assunto específico é
muito mais difícil achar livros daquele assunto, pois os livros estão agrupados pelo acaso e não pelo assunto.

Preservação do acervo são os cuidados tomados para que os livros tenham longa vida. Evitar comida na biblioteca é
um dos mais importantes. Outro ponto importante é manusear os livros com cuidado. Retirar o livro da estante com a o polegar e o
indicador e não puxando pela lombada. Entre outros.

Por Gustavo Henn

9. SISTEMAS DE INFORMATIZAÇÃO DO

ACERVO.

A evolução da tecnologia da informação tem atingido a área da Ciência da Informação. Consequentemente as bibliotecas
vêm evoluindo tecnologicamente para atender a demanda de usuários que é cada vez mais exigente, ou seja, eles esperam
que os serviços prestados pelas bibliotecas sejam refinados e com grande valor agregado à informação.

Os profissionais da informação são fundamentais para fazer o elo entre os usuários e novo paradigma informacional .

No Brasil as bibliotecas começaram a ser efetivamente automatizadas na década de 90, já em outros lugares do mundo a informa-tização
se iniciou muito antes. Muitas bibliotecas começaram a pensar sobre automatização por volta de 1970. (EKPENYONG, 1997).

Para Burin, Lucas e Hoffmann (2004) “A finalidade da informatização é agilizar e aumentar a eficiência e a precisão na
recupera-ção da informação”.
As unidades de informação têm investido em softwares para automatizar os serviços/produtos prestados aos clientes/usuários.
Entretanto, o processo de implantação de um sistema automatizado em uma biblioteca deve seguir uma metodologia para que real-
mente agregue valor aos serviços/produtos prestados pela Instituição. Conforme Silva e Favaretto (2005, p. 107):

Qualquer processo de migração entre sistemas e a biblioteca deve ser o mais suave possível para todos os envolvidos
– equipe responsável, staff da biblioteca e usuários. Para que isso ocorra, deve haver um planejamento com toda a
equipe, ou seja, fornecedor do novo software e os responsáveis por essa tarefa dentro da biblioteca. (...) migrações de
sucesso mantêm os dados (bibliográficos e administrativos), as funcionalidades e o fluxo de trabalho (a biblioteca não
pode deixar de disponibilizar seus serviços durante a conversão) do sistema anterior, até que sejam incorporadas as
características e capacidades do novo sistema ao servidor de produção que atende à biblioteca.

Segundo Silva e Favaretto (2005, p. 107) a obtenção de sucesso na escolha do software apropriado depende, em grande parte, da
instituição. É fundamental a compreensão do conceito moderno de gestão da informação e fazer uma leitura real da instituição como um
todo, para apresentar um sistema que atenda aos itens obrigatórios, imprescindíveis e desejáveis aos gestores.

Na pesquisa de Campregher; Oliveira; Thiry (2001, p. 30) o processo de avaliação de softwares deve ser composto por uma co-missão de
bibliotecários e analistas, levando-se em consideração um conjunto de requisitos baseados nas necessidades da instituição.

Outro fator importante a ser levado em consideração na implantação de um sistema informatizado de biblioteca é a
capacitação da equipe. É necessário ajustar um programa de treinamento em aplicações de computador para a equipe de
funcionários envolvida com o trabalho da automatização. Cabe ressaltar que não adianta somente contar com um programa
inicial de capacitação, a ins-tituição deve realizar capacitações regularmente para aprimorar a qualidade dos seus
serviços/produtos. O treinamento contínuo é necessário se manter lado a lado com as tecnologias. (CHANDRAKAR, 2003).

Neste âmbito, percebe-se que o processo de implantação de um sistema informatizado de bibliotecas não é simples,
mas pode trazer inúmeros benefícios tanto para os profissionais da informação, quanto para os usuários da biblioteca,
desde que seja bem pla-nejado.

http://www.pergamum.pucpr.br/

Do Sistema de Bibliotecas

Elaborar e propor a institucionalização da Política de Formação e Desenvolvimento do Acervo do Sistema de Bibliotecas;

Constituir e operacionalizar as ações da Comissão de Desenvolvimento do Acervo, formada por docentes e bibliotecários;

Cumprir e fazer cumprir a Política;

Didatismo e Conhecimento
11
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Manter a Política atualizada, procedendo a sua revisão sempre que o contexto acadêmico, editorial e tecnológico assim re-

querer;

Divulgar a Política aos diferentes segmentos da comunidade universitária.

PROCESSAMENTO TÉCNICO.

O processamento técnico envolve um conjunto de trabalhos voltados para análise dos livros que compõem o acervo.
Esses trabalhos vão permitir que se faça a descrição única de cada livro, tanto do ponto de vista físico (autor, título,
edição, páginas etc.), quanto do ponto de vista de seu conteúdo.

Tais descrições geram condições para que as informações sejam recuperadas. Fazem parte desse conjunto: seleção, registro,
classi-ficação, catalogação, alfabetação, colocação de etiquetas, ordenação dos livros nas estantes e preparo técnico do livro.

Embora a importância desse processamento não seja percebida pela maioria dos usuários, ele é o ponto de partida
para a organização de cada biblioteca.

Nesta unidade, vamos orientar somente o processo manual, pois o processo automatizado depende de recursos
financeiros e da escolha do recurso técnico de cada biblioteca.

Antes de descrever as etapas do processamento técnico precisamos estudar as partes do livro.

Processo manual: feito pelas mãos do catalogador (manufaturado).

Processo automatizado: feito com o auxilio de máquinas de computador, resultando geralmente em uma base de dados.

- Conjunto de partes de um livro


Um livro é dividido em partes para facilitar a leitura técnica. Externamente, suas partes dizem respeito à sua condição
física e, inter-namente, mais ao conteúdo, sendo dividido em pré-textual, textual e pós-textual.

- Partes externas

Sobrecapa: proteção para a capa. Inclui as mesmas informações contidas na capa. É uma capa solta, colocada nas
edições especiais, nem todos os livros vêm com a sobrecapa, pois é um acessório que encarece a edição. Geralmente
ao preparar o livro para ser colocado na estante, retiramos a sobrecapa.

Capa: protege o livro externamente, podendo ser encadernada ou em brochura. O anverso (frente) da capa deve
conter na parte central nome de autor, título e subtítulo. A capa pode ser de diversos materiais, como papel, cartolina,
couro ou plástico. A elaboração da capa fica a critério do editor.

Orelhas: geralmente, a capa apresenta orelhas, ou abas, ou asas, que contêm dados biográficos do autor ou comentários da obra. As
orelhas excedem-se da capa e dobram-se sobre si mesmas para dentro. Muitas vezes usamos as orelhas como marcador de página.

Lombada ou dorso: é a parte que liga as folhas do livro, onde se encontra a costura. Fica no lado externo do livro,
oposta ao corte de páginas.
Errata: lista apresentando os erros corrigidos, com indicação de páginas, parágrafo e linhas. É inserida, como encarte, antes
da folha de rosto. Nem sempre os livros vêm com errata, é claro, ela só é inserida caso a edição tenha saído com erros.

Didatismo e Conhecimento
12
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

- Partes internas (ligadas ao conteúdo)

- Pré-textual

Folha de guarda: páginas em branco, encontradas no início e no final da obra.

Falsa folha-de-rosto: é opcional; precede a página de rosto e contém apenas o título e subtítulo da publicação.

Folha-de-rosto: contém, normalmente, os elementos essenciais que identificam um livro: autor; título; número da edição; o local
(cidade) da publicação do livro; editor ou editora; ano da publicação. Observação: nem todos os livros possuem esses itens.

O verso da folha-de-rosto: contém os dados complementares de uma obra, tais como: títulos da série e número do
volume; título original da obra; copyright; relação de colaboradores; relação de edições e reimpressões anteriores, com
os respectivos editores e datas; nome e endereço da editora.

Dedicatória: folha opcional em que o autor presta homenagem ou dedica o livro a alguém. Agradecimentos: folha opcional em que o autor
indica o eventual apoio recebido na elaboração do livro.

Epígrafe: folha opcional em que o autor apresenta uma citação, seguida de indicação da autoria, relacionada com a
matéria tratada no corpo do livro.

Sumário: enumeração das principais divisões, seções e outras partes do livro, na ordem em que nele se sucedem.

Lista de abreviaturas: relação em ordem alfabética das abreviaturas, siglas e símbolos utilizados no texto, escrita por
extenso. Prefácio: texto de esclarecimento, justificação, comentário ou apresentação, escrito pelo autor ou por outra
pessoa. Copyright: registro dos direitos autorais ou editoriais.

- Miolo do livro

Textual: conjunto de folhas, reunidas em cadernos que formam o corpo do livro em que é exposto o conteúdo. -Pós-
textual

Posfácio: matéria informativa ou explicativa posterior à elaboração do texto.

Apêndice: desenvolvimento autônomo elaborado pelo autor; a fim de complementar sua argumentação, sem prejuízo
da unidade nuclear do trabalho.

Anexo: documento, nem sempre do próprio autor, que serve de fundamentação, comprovação ou ilustração.

Glossário: lista em ordem alfabética de palavras ou expressões técnicas de uso restrito ou de sentido obscuro,
acompanhadas das respectivas definições.

Índice: lista alfabética de autores e/ou assuntos e/ou nomes geográficos, por exemplo, contidos na obra, com
indicação das páginas em que são encontrados. O índice pode ser também cronológico.
Colofão: informações do impressor, endereço, local e data de impressão, localizada de preferência na página ímpar da
última folha do miolo.

Suplemento: documento que se adiciona a outro para ampliá-lo ou aperfeiçoá-lo, sendo sua relação com aquele
apenas editorial e não física, podendo ser editado com periodicidade e/ou numeração própria.

-Descrição do item

Para se descrever um item é preciso conhecer o tipo de material que se tem em mãos (livro, CD, fita VHS, outros), pois é reconhe-
cendo-o que se saberá onde se encontra sua fonte principal de informação e os elementos que deverão ser descritos.

Didatismo e Conhecimento
13
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

- Elementos para descrição

Página de rosto: é considerado o elemento mais precioso para o catalogador. Quando ela aparecer deve ser tomada
como fonte principal de informação, pois é nela que deverá aparecer o nome do autor ou autores, o título, a edição, o
local de publicação, a casa publicadora (editora) e a data de publicação.

Deve-se observar a frente e o verso da folha de rosto para a retirada de informações. Veja detalhadamente quais são
essas informações:

- autor(es): pessoa(s) física(s) responsável(eis) pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento;

-autor(es) entidade(s): instituição(ões), organização(ões),empresa(s), comitê(s), comissão(ões), evento(s), entre


outros,responsável(eis) por publicações em que não se distingueautoria pessoal;

edição: todos os exemplares produzidos a partir de um original ou matriz. Pertencem à mesma edição de uma obra,
todas as suas impressões, reimpressões, tiragens etc., produzidas diretamente ou por outros métodos, sem
modificações, independentemente do perí-odo decorrido desde a primeira publicação;

editora: casa publicadora, pessoa(s) ou instituição(ões) responsável(eis) pela produção editorial. Conforme o suporte documental, outras
denominações são utilizadas: produtores (para imagens em movimento), gravadora (para registros sonoros), entre outras.

título: palavra, expressão ou frase que designa o assunto ou o conteúdo de um documento;

subtítulo: informações apresentadas em seguida ao título, visando esclarecê-lo ou complementá-lo, de acordo com o
conteúdo do documento.

O livro precisa, primeiramente, de uma identificação, ou seja, de um carimbo com o nome da biblioteca. O livro da biblioteca tam-bém
precisa ser identificado para não ser confundido com outros livros de outras pessoas ou de outras bibliotecas. Como uma biblioteca em
geral possui muitos livros, a forma mais prática de se identificar cada livro é por meio de um carimbo que contenha seu nome.

O livro deve ser carimbado no lado contrário da lombada, ou seja, no corte do livro e na folha de rosto do livro. Algumas
bibliotecas usam, também, carimbar uma página padrão em todos os livros, carimbando sempre a página que contém
determinada numeração. Por exemplo: carimbar qualquer livro da biblioteca sempre a página 23.

Registro

Depois de identificado, o livro precisa ser registrado. Ele vai receber um número de registro único.
Para você entender melhor, vamos comparar os livros a pessoas. Cada um de nós tem um registro geral de identidade ou de certidão
de nascimento. Mesmo as pessoas gêmeas têm números de registros de identidades diferentes. Então, cada livro,
mesmo que seja igual a outros dez livros na biblioteca, vai receber sempre um número diferente.

Classificação

Classificar é na realidade uma tarefa muito importante, pois é ela que vai definir o local em que o livro vai ficar na estante.

A ideia é sempre partir do geral para o particular, ou seja, deve-se ter um assunto principal e esse é subdividido sucessivamente até se
chegar a um termo que não admite mais ser dividido. A classificação cria condições para que os livros possam ser dispostos
nas estantes de maneira sistemática, proporcionando assim seu uso. Para isso é primordial que a classificação possibilite:

localizar um livro em uma coleção;

retirar um livro para consulta com rapidez;

devolver um livro à coleção com rapidez;

inserir novo livro aos já existentes na coleção, sem que esses percam a sua ordem lógica.

A classificação por assuntos é a única a preencher as finalidades acima. É frequente um leitor chegar a uma biblioteca
sem definir o assunto que procura. Ao chegar às estantes, ele muitas vezes se admira de encontrar outros livros de
assuntos bem mais específicos dos quais nem tinha conhecimento.

A classificação por assuntos oferece essa possibilidade.

O livro, por sua forma física, só pode ocupar um lugar na coleção, por isso, quando ele tratar de diferentes assuntos, deve-se
escolher somente um, de acordo com o objetivo da biblioteca, ficando a cargo do catálogo relacionar os diferentes assuntos.

O processo de classificar implica agrupar livros pelos assuntos que tratam, trocando o nome ou o termo desses por
sinais ou símbolos correspondentes, chamados de notação da classificação.

É comum que diferentes livros tenham uma mesma notação, para diferençá-los deve-se usar a notação de autor.
O conjunto dessas duas notações recebe o nome de número de chamada. Esse número é quem individualiza o livro
dentro de uma coleção, assim, numa biblioteca não pode haver dois livros com o mesmo número de chamada. A
notação de uma classificação precisa ser simples e permitir a expansão de novos assuntos.

Quando for classificar pense sempre nas regras básicas citadas a seguir: - classificar o livro onde ele é mais procurado;

Didatismo e Conhecimento
14
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

classificar primeiro pelo assunto;

quando um assunto influenciar o outro, classificar pelo assunto influenciado. Exemplo: a informática na
biblioteconomia, classifi-car em biblioteconomia;

quando dois assuntos são subdivisões de um assunto maior, classificar pelo maior;

quando um livro tratar da história de um assunto, classificar pelo assunto;

quando um item tratar de método investigativo, classificar pelo assunto investigado.

Ministério da Educação

11. CLASSIFICAÇÃO: CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA; CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY;


CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL.

Classificação, num conceito geral, é o ato de classificar; separar por semelhanças ou diferenças; dividir. As
classificações podem ser definidas a nível social, filosóficas e bibliográficas.

A classificação social é aquela intrínseca ao ser humano, fazendo parte de sua natureza. É algo que constitui a personalidade de
uma pessoa, atuando diariamente para a organização mental dela. Por isso, elas podem classificar apenas o que lhe interessam.

A classificação filosófica é uma classificação mais elaborada e sofisticada, voltada para a definição e hierarquização do
conheci-mento humano.
Já a classificação bibliográfica se preocupa com a organização e a disposição física de documentos, visando com isso,
a sua recuperação. Busca ordenar, para arquivar e ter acesso ao documento em estantes ou nos arquivos. “Todas as
teorias da classificação bibliográfica buscam promover uma classificação sistemática, lógica que reflita crítica e
sistematicamente sobre os elementos de ligação que servem para a reunião de conceitos” (ARAÚJO, 2006, p.122).

JAMES DUFF BROWN E SUA INFLUÊNCIA NA BIBLIOTECONOMIA.

James Duff Brown nasceu em Edimburgo, na Escócia, concluiu seus estudos com doze ou treze anos, após sua
formação dedicou sua vida a leitura, particularmente em biblioteconomia, música e literatura. Trabalhou para vários
editores e livrarias de bibliotecas, logo começou a trabalhar como assistente na Biblioteca Mitchaell Glasgow. Depois
se mudou para Londres para trabalhar na Biblioteca Pú-blica Clerkernwell. Ele criou dois sistemas de classificação que
não servia para coleções grandes, por serem muito rígido: “Quinn-Brown Classification” e “Adjustable Classification”.

Posteriormente idealizou um sistema de classificação intitulado de “Subject Classification” que teve sua primeira
publicação em 1906 considerada, na época, um bom sistema de classificação, sendo usado em muitas bibliotecas
inglesas por vários anos, na qual in-troduziu o livre acesso às estantes. (BARBOSA, 1969).

Na época o bibliotecário Brown chegou a ser reconhecido como Dewey da Inglaterra, pois tinha energia
surpreendente, mostrava--se comprometido, e interessado em todos os aspectos da biblioteca e da biblioteconomia,
foi um dos primeiros a escrever livros sobre biblioteconomia e o criador do único sistema de classificação do país.

A partir desta posição, foi reconhecido e prestigiado no mundo das bibliotecas e da biblioteconomia, pois no final do
século XIX e no início do XX na Inglaterra, deu contribuição muito importante para a área da biblioteconomia.

De acordo com o que foi explanado acima, percebemos que James Duff Brown se destacou por ter elaborado o
sistema de classifi-cação, “Sbject Classification” (Classificação de Assunto), no qual trouxe o desenvolvimento na
biblioteconomia dando subsídio para a evolução de outros sistemas.

A CONTRIBUIÇÃO DE BLISS PARA A CLASSIFICAÇÃO

Conhecida também como Classificação Bibliográfica, a classificação de Bliss teve como criador o bibliotecário do College of
City of New York, Henry Evelyn Bliss. Antes de publicar o seu sistema de classificação, Bliss havia publicado outras obras, a
saber: “[...] a) Organization of knowledge, 1927; b) Organization of knowledge in libraries and the subject approach to books,
1933, 2. ed. em 1939; c) A system of bibliographic classification, 1935, 2. ed. em 1936” (BARBOSA, 1969, p. 145).

Seu sistema foi apontado como um dos melhores desenvolvimentos de classes encontrado em classificações bibliográficas.
Uma de suas principais características é a possibilidade de classificações alternativas.

Seu sistema é dividido em quatro grandes classes: Filosofia; Ciência; História; Tecnologia e Arte.
Didatismo e Conhecimento
15
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

As obras gerais dos outros sistemas são chamadas por Bliss de Classes numéricas anteriores.

Em suma, a classificação de Bliss dá liberdade ao classificador porém, infelizmente, seu sistema não apresenta
explicações nem exemplos de sua aplicação, tornando-o de difícil aprendizado.

CLASSIFICAÇÃO DE RANGANATHAN

O mais atual sistema de classificação foi criado pelo indiano Shiyali Ramanrita Ranganathan. Nascido em 1892, Ranganathan estudou na
Hind High School, em Shiali, e conseguiu a graduação em matemática no Christian College, da Universidade de Madras.

Com a sua nomeação, em 1924, de bilbiotecário da Madras University Library, Ranganathan começou a desencadear
um profundo interesse na área de Biblioteconomia, principalmente por classificações e administração de bibliotecas,
passando então a estudar na School of Librarianship, da Universidade de Londres.

Seguindo conselhos de Berwick Sayers, “Ranganathan dedicou-se à leitura de obras de Biblioteconomia, estagiou na
Croydon Pu-blic Libraries e visitou diversas bibliotecas da Grã-Bretanha”(PIEDADE, 1977, p.156).

A partir desta divergência, Ranganathan idealizou um sistema de classificação analítico-sintético, o qual motivou
profunda mudan-ça nos estudos teóricos de classificação. A necessidade de criar um novo sistema, surgiu dos estudos
dos sistemas até então existentes, observando suas aplicabilidades em várias bibliotecas e verificando as limitações
de cada um quanto a abrangência de todos os aspectos de um assunto.

O seu sistema, considerado bem mais elástico que os demais, adotou “o uso dos dois pontos (:) como símbolo para correlacionar idéias
diferentes” (BARBOSA, 1969, p. 165). Daí sua nomeação, Colon Classification ou Classificação dos Dois Pontos.

Em 1925, ao voltar da Índia, aplicou seu novo sistema de classificação na Universidade de Madras. Reconheceu que
Bliss teria influenciado nas suas teorias de classificação.

A numeração do capítulo foi feita de forma paralela, sempre com o capítulo seguinte retomando o anterior.

A primeira edição da Colon Classification data de 1933, seguindo com edições revisadas e acrescentadas até 1960.
Sua estrutura está dividida em 41 classes principais (main classes). A notação é mista, utilizando algarismos arábicos, letras maiús-culas e
minúsculas, letras gregas e sinais gráficos, além de indicadores especiais de faceta. Ela é totalmente expressiva, hierárquica e altamente
mnemônica. “É o único esquema com uma série completa de regras explícitas”( LANGRIDGE, 1977, p. 91). As tabelas auxi-liares são
divididas em subdivisões geográficas, políticas, orientadas, fisiográficas, cronológicas, por línguas e comuns.

Ranganathan reconhece cinco tipos de relacionamento entre assuntos: 1.General; 2.Bias; 3.Comparacion;
4.Difference; 5.Influen-cing.

Sua empregabilidade atual é em bibliotecas da Índia, porém exercendo forte influência sobre estudiosos e autores de
classificações nos atuais estudos.

O que pode ser destacado, é que este sistema é pioneiro da classificação moderna e ainda o único esquema geral
completamente facetado, além de ser único quanto à coerência e sistematização. Ele certamente exercerá a mais forte
atração naquele que procura a perfeição.

LIBRARY OF CONGRESS

Criada em fins do século XIX, mais exatamente em 24 de abril de 1800, a Library of Congress, ou Biblioteca do Congresso (Esta-
dos Unidos - EUA), foi inaugurada com uma coleção de 3.000 volumes. Os livros, que antes eram ordenados por tamanho, em 1892
já estavam divididos em 18 classes, baseadas nas classificações de Francis Bacon, com adaptação de Diderot e d’Alembert. Em
1815 fora adquirida a coleção de Thomas Jefferson, constituindo assim, a nova biblioteca.

Após a mudança de prédio, em 1897, os bibliotecários, sentiram a necessidade de criar um novo sistema de
classificação, que com-portasse o crescente acervo.

Designados por John Russel Young, então diretor da entidade, James Hanson e Charles Martel tomaram por guia a
Classificação Expansiva de Cutter, “introduzindo grandes modificações, especialmente quanto a notação.” (PIEDADE,
1977, p.118). A partir deste planejamento em linhas gerais, cada classe foi entregue a diversos especialistas, derivando
daí, as pequenas diferenças que ocorrem de uma classe para outra.

As classes são publicadas independentemente umas das outras, e cada uma tem seu próprio índice, sofrendo revisões e
acréscimos, conforme a expansão do acervo, publicadas quadrimestralmente no L.C. Classification: Addition and changes.

Em sua estrutura a ordem alfabética é frequentemente utilizada. Na notação, a classificação é mista, contendo letras
maiúsculas, e algarismos arábicos, de 1 a 9.999, precedidos por um ponto, chamada de números-de-Cutter, por ser
semelhante as conhecidas Author marks, projetadas por Cutter.

A Classificação da Library of Congress baseou-se em 21 classes principais, representadas de A-Z, excerto pelas letras I, O,
N, X e Y, deixadas para futuras expansões, sendo igualmente adotada por diversas bibliotecas dos EUA e no mundo.
Didatismo e Conhecimento
16
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

O sistema da Biblioteca do Congresso tem a flexibilidade para classificar qualquer tipo de material, é muito detalhado,
bastante enumerativo, porém recorrente à síntese, quando aplicada suas inúmeras tabelas auxiliares. É um esquema
prático, para aqueles que acreditam em soluções simples.

Existem vários sistemas de classificação para bibliotecas. No entanto, por ser muito prático e muito utilizado, vamos
citar aqui, de forma simplificada, somente a Classificação Decimal Universal (CDU) que derivou de outra classificação,
a Classificação Decimal de Dewey (CDD)

A CDU propõe-se a dividir o conhecimento em dez grandes classes, que variam entre os números zero e nove. Em cada classe,
para documentos classificados com números iguais, você pode ainda organizá-los em ordem alfabética de autor (número de Cutter).

- Classificação Decimal de Dewey

Sendo muito utilizada em todo o mundo e especialmente em bibliotecas públicas, CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE
DEWEY foi criada pelo bibliotecário Melvil Dewey e teve sua primeira edição publicada em 1876.

Idealizando um sistema de classificação baseado no uso de números em ordem decimal e influenciado pelo sistema de
W. T. Harris, Dewey criou o seu próprio sistema.

Em 1976, anonimamente, foi publicada a 1. Edição de Dewey, sob o título A classificação and subject índex for
cataloging and ar-ranging the books and pamphlets of a library. Só depois da 16. Edição é que o nome de Dewey
passou a fazer parte integrante do título (BARBOSA, 1969, p. 199).

A expansão de seu sistema se deu pela facilidade de memorização e da fácil localização dos livros.

O Instituto Internacional de Bibliografia, atualmente conhecido por Federação Internacional de Documentação, tomou por
base a CDD para criar seu sistema de organização conhecido hoje como Classificação Decimal Universal ou CDU.

De acordo com Barbosa “a responsabilidade editorial do sistema de Dewey está hoje a cargo de um comitê misto”.
Este Comitê tem a responsabilidade de dar continuidade e ser íntegro a numeração estabelecida pelo idealizador do sistema.

Com as Ciências e as Tecnologias em constante mudança e com o surgimento de novas ciências, o Comitê responsável pela CDD
entra num dilema: continuar com a integridade ao sistema ou acompanhar a evolução das ciências a cada edição reformulada.

O dilema está, conforme citado por Barbosa, em:

...se um sistema não evolui em terminologia e expansão de assuntos, torna-se, com o passar do tempo, obsoleto e é logo
abandonado; se, por outro lado, quer seguir à risca essa mesma evolução, motiva uma eterna reclassificação das coleções,
implicando em desperdício de tempo, pessoal e material, o que acaba, também, por levá-lo ao abandono.
Portanto, para serem íntegros com a ideia de Dewey, e não estagnarem na corrente do tempo, os editores da CDD
tentam se adequar a essas duas questões, dando primazia a integridade.

Quem também se utilizou da CDD para suas fichas impressas foi a Library of Congress. A CDD tem por base a
seguinte estrutura:

As classes principais correspondem a grosso modo, às disciplinas fundamentais do conhecimento, a saber: 100 Filosofia,
200 Re-ligião, 300 Ciências Sociais, 500 Ciência, 600 Tecnologia, 700/800 Artes, 900 História (400 Filologia não representa
uma disciplina fundamental). A ordem parece não apresentar qualquer princípio (LANGRIDGE, 1977, p. 84).

Para representar uma classe principal são necessários três algarismos.

Quando os grandes campos do conhecimento não são subdivididos, a notação é preenchida com um ou dois zeros.

Exceto por obras gerais e ficção, as obras são classificadas principalmente por assunto, com extensões para relações
entre assuntos, local, época ou tipo de material, produzindo números de classificação de no mínimo três dígitos e de
tamanho máximo indeterminado, com um ponto decimal antes do quarto dígito.

Como qualquer sistema de classificação, a CDD tem seus pontos negativos e positivos. Para tanto, aqui, vale salientar
apenas os pontos positivos, como sua grande flexibilidade, o sistema de Dewey é altamente memorizável e sempre
atualizado por novas edições ou por suplementos.

- Classificação Decimal Universal (CDU).

Esquema internacional de classificação de documentos (qualquer que seja o suporte do documento: ex.: CD, fita K-7,
fita VHS etc.), baseado no conceito de que todo o conhecimento pode ser dividido em dez classes principais e estas,
individualmente, podem ainda ser divididas em outras classes sucessivamente.

Isso ocorre em virtude da hierarquia decimal, que pode ser exemplificada da seguinte forma: suponha que o número 3
represente todo o assunto relacionado às ciências sociais. Suponha, ainda, que dentro dessa classe você quer fazer
menção ao assunto referente ao direito, representado pelo número 34.

Portanto, embora a classificação seja escrita sem a casa decimal, sua disposição deve ser entendida como se ela
fosse um número decimal. Desse modo, o número 3 (0,3) deverá vir sempre primeiro que o número 34 (0,34) quando
da organização dos documentos (livros, CDs etc.) nas estantes. Deve-se ressaltar que a classe 4 da CDU está vaga,
ou seja, não é utilizada no momento para representar qualquer tipo de assunto.

Didatismo e Conhecimento
17
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Logo, na sua biblioteca, o número 4 e seus derivados não deverão ser utilizados para representar assuntos.

Uma das vantagens em se utilizar esse tipo de classificação é que ela permite que outros documentos sejam
incorporados ao acervo sem que se tenha que refazer toda a classificação já existente.

Abaixo segue uma Tabela de CDU adaptada e simplificada. 0 Generalidades. Informação. Organização.

1 Filosofia. Psicologia.

2 Religião. Teologia.

3 Ciências sociais. Economia. Direito. Política. Assistência social. Educação.

4 Classe vaga.

5 Matemática e ciências naturais.

6 Ciências aplicadas. Medicina. Tecnologia.

7 Arte. Belas-artes. Recreação. Diversões. Desportos.

8 Linguagem. Linguística. Literatura.

9 Geografia. Biografia. História.

0 Generalidades. Informação. Organização.

01 Bibliografias. Catálogos.
02 Bibliotecas. Biblioteconomia.

030 Livros de referência: enciclopédias, dicionários.

040 Ensaios, panfletos, e brochuras.

050 Publicações periódicas. Periódicos.

06 Instituições. Academias. Congressos. Sociedades. Organismos científicos. Exposições. Museus.

070 Jornais. Jornalismo. Imprensa.

08 Poligrafias. Poligrafias coletivas.

09 Manuscritos. Obras notáveis e obras raras.

1 Filosofia. Psicologia.

11 Metafísica.

133 Metafísica da vida espiritual. Ocultismo.

14 Sistemas e pontos de vista filosóficos.

159.1 Psicologia.

16 Lógica. Teoria do conhecimento. Metodologia da lógica.

17 Filosofia moral. Ética. Filosofia prática.


2 Religião. Teologia.

21 Teologia natural. Teologia racional. Filosofia religiosa.

22 A Bíblia. Sagradas escrituras.

23 Teologia dogmática.

24 Teologia prática.

25 Teologia pastoral.

26 Igreja cristã em geral.

27 História geral da igreja cristã.

28 Igrejas cristãs. Seitas. Denominações (confissões).

29 Religiões não cristãs.

3 Ciências sociais. Economia. Direito. Política. Assistência social. Educação.

31 Demografia. Sociologia. Estatística.

Política.

Economia. Ciência econômica.

Direito. Jurisprudência.
Administração pública. Governo. Assuntos militares.

Assistência social. Previdência social. Segurança social.

Educação.

Metrologia. Pesos e medidas.

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

5 Matemática e ciências naturais.

50 Generalidades sobre as ciências puras.

Matemática.

Astronomia. Astrofísica. Pesquisa espacial. Geodesia.

Física.

Química. Mineralogia.

Ciências da Terra. Geologia. Meteorologia.

Paleontologia.

Biologia. Antropologia.

Botânica.

Zoologia.

6 Ciências aplicadas. Medicina. Tecnologia.

61 Ciências médicas.

62 Engenharia. Tecnologia em geral.

63 Agricultura. Silvicultura. Agronomia. Zootecnia.

64 Ciência doméstica. Economia doméstica.

65 Organização e administração da indústria, do comércio e dos transportes. 66 Indústria química. Tecnologia


química.

67 Indústrias e ofícios diversos.

68 Indústrias, artes e ofícios de artigos acabados.

69 Engenharia civil e estruturas em geral. Infra-estruturas. Fundações. Construção de túneis e de pontes. Superestruturas.

7 Arte. Belas-artes. Recreação. Diversões. Desportos

Generalidades.

Planejamento regional e urbano. Paisagens, jardins etc.

Arquitetura.

Artes plásticas. Escultura. Numismática.

Desenho. Artes industriais.


Pintura.

Artes gráficas.

Fotografia e cinema.

Música.

Entretenimento. Lazer. Jogos. Desportos.

8 Linguagem. Linguística. Literatura.

80 Linguística. Filologia. Línguas.

Vaga.

Literatura em língua inglesa.

Literatura alemã/escandinava/holandesa.

Literatura francesa.

Literatura italiana.

Literatura espanhola/portuguesa.

Literatura clássica (latim e grego).

Literatura eslava.

Literatura em outras línguas.

9 Geografia. Biografia. História.

90 Arqueologia. Antiguidades.

91 Geografia, exploração da Terra e viagens.

929 Biografias.

História.

História medieval e moderna em geral. História da Europa.

História da Ásia.

História da África.

História da América do Norte e Central.

História da América do Sul.

História da Oceania, dos territórios Árticos e da Antártida.

http://repositorio.ufrn.br:8080/; Ministério da Educação


Didatismo e Conhecimento
19
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

12. CATALOGAÇÃO.

Catálogo é o local onde estão ordenadas as fichas catalográficas. Se for automatizado, então existirá apenas um. Se
for manual, existirá vários, cada um com um tipo de entrada diferente.

Existem dois tipos de catálogo manual: os do público, ou externos, e os auxiliares, ou internos. Os primeiros, como o nome indica,
servem para o uso dos usuários da bibliotecas. Os segundos, para fins de uso interno pelo pessoal da biblioteca.

Em geral, ainda hoje, é possível encontrar nas bibliotecas três tipos de catálogo externo. De nome de autor, de título e
de assunto. O catálogo de autor também pode ser chamado de catálogo onomástico. O de título, de catálogo
didascálico. E o de assunto, catálogo ideográfico.

Esses catálogos podem ser organizados:

Alfabeticamente

Como um todo, com todas as entradas (autor, título e assunto) em um único catálogo, chamado de catálogo dicionário.

Com três catálogos diferentes, um para cada tipo de entrada.

Ou podem ser organizados sistematicamente, com as entradas organizadas pelo número de classificação.

Já os catálogos internos podem ser:

De identidade, organizado pelos nomes dos autores e entidades.

De assuntos, organizado pelos assuntos dos livros.


Catálogo de número de classificação

Catálogo de séries e títulos uniformes

Catálogo decisório, que organiza as decisões tomadas pela biblioteca concernentes à catalogação.

Catálogo topográfico, que é o catálogo utilizado para fins de inventário da biblioteca, pois é organizado pela número de
cha-mada dos livros.

Catálogo oficial, que é uma réplica dos catálogos externos, mas inclui apenas o ponto de acesso principal.

Catálogo de registro, para fins de controle do patrimônio da biblioteca. Atualmente, a maioria das bibliotecas utiliza o
livro de tombo para isso.

A catalogação é um dos processos técnicos utilizados para se recuperar informações. É importante se ter em mente
que catalogar é muito mais que registrar itens, ele controla o acervo com vistas a sua disponibilização, o que faz do
catálogo um canal de comuni-cação entre a biblioteca e os usuários.

Então para que serve um catálogo?

Para encontrar um livro do qual se conheça o autor, o título ou o assunto.

Para mostrar o que uma coleção contém com relação a um determinado autor.

Para mostrar o que uma coleção contém com relação a uma determinada edição.

Para mostrar o que uma coleção contém com relação a um assunto.

Os catálogos podem vir dispostos em diferentes formas, tais como: livros, folhas soltas ou fichas catalográficas, guardadas em um
móvel específico para elas. Aqui, vamos explorar mais o fichário por entendermos ser o método mais simples.

A escolha do melhor tipo de catálogo depende dos recursos disponíveis em cada biblioteca, do tamanho do seu acervo
e das características dos usuários que deverão utilizá-lo. Nesse processo, o catalogador deve ter sempre em mente
que a conveniência do público deve ser colocada à frente da facilidade dos trabalhos.
Os principais tipos de catálogos, de acordo com a função de cada um, podem ser: Catálogo de autor.

Reúne todas as fichas, por exemplo, sob as entradas principais e secundárias de autor (pessoal ou entidade coletiva) e as remissi-
vas numa única ordem alfabética. Lembre-se que remissiva quer dizer que você deverá remeter, ou melhor, relacionar, aqui no
caso, o autor ao assunto tratado. Por exemplo, se o autor Alexandre de Moraes estiver tratando do assunto direito constitucional,
deve-se fazer uma entrada para Moraes, Alexandre, escrever logo abaixo, ver direito constitucional.

Catálogo de título

Reúne todas as entradas principais (das obras que tem entrada pelo título) e secundárias (desdobramentos de título) e
as remissivas, em uma única ordem alfabética (alfabetação).

Didatismo e Conhecimento
20
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Catálogo de assunto

Refere-se ao conteúdo de cada uma das obras. Facilita para o leitor a procura de livros sobre determinado assunto e
temas correlatos. Catálogo dicionário

Apresenta, em uma única ordem alfabética, as entradas de autor, título e assunto. A alfabetação pode ser feita palavra
por palavra ou letra por letra.

- Regras para descrição bibliográfica

Mas como se prepara a ficha catalográfica?

A descrição bibliográfica é a representação das características de um livro, para torná-lo único entre os demais. A catalogação des-
critiva baseia-se no estudo do livro, na preparação e na organização das representações de mensagens (fichas catalográficas).

Para atingir seus objetivos, a catalogação descritiva deve ser:

clara – criando um código de fácil compreensão;

precisa – a representação deve referir-se apenas e a um único livro;

padronizada – no sentido de ser sempre usada da mesma forma para informações semelhantes.

- Regras gerais para descrição

A descrição do livro é feita por partes. Primeiramente se descreve o título, o subtítulo e a indicação de
responsabilidade; depois a edição e assim por diante. A soma dessas partes pode chegar até oito, e a adoção de quais
partes serão utilizadas, ou não, dependerá de cada biblioteca e de seus responsáveis.
Uma biblioteca sempre tende a ser diferente da outra, levando em consideração não só os usuários, como também o
meio no qual está inserida. Daí ser importante propor um catálogo adaptado à realidade de cada biblioteca, ou seja, a
descrição bibliográfica deve estar voltada aos desejos dos seus usuários.

Sendo assim, cada ficha catalográfica deve ser descrita de acordo com as políticas adotadas por cada biblioteca.
Abaixo segue uma descrição simples, porém eficiente, contendo elementos mínimos.

Primeiramente, descreva o nome do autor ou da entidade responsável pela autoria, seguido de ponto final.

Segundo, descreva na linha logo abaixo do nome do autor, abaixo da 3ª ou 4ª letra do sobrenome, o título do item
seguido de barra inclinada e do nome do autor novamente, agora na ordem normal, seguido de ponto final.

Terceiro, descreva a edição da obra, seguida de ponto final.

Quarto, descreva o local de publicação, seguido de dois pontos sem espaço, depois o nome da editora, seguido de
vírgula e, por fim, a data de publicação, seguida de ponto final.

Um acervo pode ser composto por diferentes coleções, formadas por diferentes itens. Portanto, o catalogador deve
reconhecer o tipo de material que tem em mãos para que a descrição seja direcionada à coleção correta. Além disso,
deve-se estar atento ao fato de que cada item possui uma fonte principal de informação, aquela com prioridade sobre
as demais fontes e que fornece os elementos para o preparo de uma descrição.

Como montar um catálogo

A descrição catalográfica é uma tarefa necessária para recolher elementos para a elaboração de um catálogo, instrumento essencial
no processo de comunicação entre a biblioteca e os seus usuários. Deve ser feita em uma ficha, reunindo todos os elementos de um
único item, julgados necessários pelo catalogador de acordo com a realidade de cada biblioteca.

Para os catálogos que ficam à disposição dos usuários, as bibliotecas geralmente utilizam fichas de cor clara, tamanho
de 7,5 X 12,5cm, acondicionadas geralmente em fichários. Além disso, costuma-se furá-las e atravessá-las com um
tipo de vareta, com o objetivo de que as fichas não sejam retiradas do lugar.

As fichas não podem ser reunidas e colocadas de qualquer maneira dentro do fichário. É preciso adotar certos critérios
para facilitar sua organização, tais como a ordem alfabética de autor, do título e do assunto. Essa organização não só
facilita para o catalogador, como também facilitará a busca de informações dos usuários.

Nesse processo, vamos usar outra técnica que será de extrema importância: a alfabetação.
Alfabetar é colocar em ordem alfabética. O alfabeto usado baseia-se em 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o,
p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.

Continuando, o arranjo básico das entradas das fichas deve ser alfabético, considerando palavra por palavra, letra por letra.

Todas as palavras devem ser consideradas com exceção dos artigos definidos e indefinidos. Veja alguns exemplos de
como proceder na alfabetação nos casos de:

Didatismo e Conhecimento
21
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

- Nomes compostos

A ordem de colocação de fichas no fichário de duas fichas com os nomes Santo André e Santo Amaro ficaria na
seguinte ordem: Santo Amaro; Santo André

- Siglas

As siglas devem ser consideradas como palavras, desconsiderando os pontos que vêm entre as letras. Por
exemplo: U.R.F.F.A = URFFA

- Abreviaturas

As abreviaturas devem ser alfabetadas como se essas tivessem sido escritas por extenso. Por exemplo: Dr. =
Doutor; Sr. = Senhor

- Cedilha

A cedilha deve vir sempre após o C.

Ex.: Caca; Caça

- Números

Os números devem ser considerados como se estivessem escritos por extenso. Por exemplo: 1001= Mil e um. -
Sobrenomes com Mc’, M’, St.

Alfabetam-se como se estivessem escrito por extenso: Mac, Saint.

McHenry, James = MacHenry, James Mc’Laren = MacLaren


St. Simon = Saint Simon

Mcdonalds = Macdonalds

- Entrada homógrafa

Reúne-se segundo seu sentido ou função, na seguinte ordem: Autor (nome próprio) Exemplo: Brasil, Vitor

Autor (entidade coletiva) Exemplo: Brasil. Ministério da Educação Assunto Exemplo: Brasil–História

- Cabeçalho de assunto

Para ordenação dos cabeçalhos de assunto cujas partes principais sejam idênticas, adota-se a seguinte ordem:

cabeçalho simples;

Exemplo:

Caça

cabeçalho com subdivisões:

– subdivisão de forma (bibliografia, periódica etc.) e de assunto;

– subdivisão de épocas, arranjadas cronologicamente;

– subdivisão geográfica;

Exemplo:
Caça – Bibliografia

Caça – História – Séc. XX

Caça – Brasil

cabeçalhos seguidos de parênteses;

Exemplo:

Caça (animal)

cabeçalhos invertidos;

Exemplo:

Caça, material de

e) cabeçalhos compostos, constituídos por um conjunto de palavras em ordem direta, com um substantivo e um adjetivo.

Didatismo e Conhecimento
22
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Exemplo:

Caça submarina

- Nomes próprios

Os nomes próprios em português, inglês devem ter sua entrada pelo último sobrenome. Por exemplo: Machado de
Assis = Assis, Machado.

João Guimarães Rosa = Rosa, João Guimarães.

- Nomes espanhóis

Os nomes espanhóis são registrados pelo penúltimo sobrenome, que corresponde ao nome da família do pai. Por
exemplo: José Oviedo y Banõs = Oviedo y Banõs, José

Francisco Pina Mello = Pina Mello, Francisco Angel Arco y Molinero = Arco y Molinero, Angel

- Nomes orientais

Nomes orientais (japonês, chineses, árabes etc.) são registrados ou arquivados tal como se apresentam, separando-se
o primeiro elemento por vírgula. Por exemplo:

Al Ben Hur = Al, Ben Hur

Li Yutang = Li, Yuntang

Mao Tse Tung = Mao, Tse Tung

- Parentesco

Os nomes que exprimem grau de parentesco, como Filho, Júnior, Sobrinho e Neto são considerados parte integrante
do último sobrenome. Por exemplo:

Antônio Almeida Filho = Almeida Filho, Antônio


Paulo Ribeiro Sobrinho = Ribeiro Sobrinho, Paulo Henrique Viana Neto = Viana Neto, Henrique Washington Rocha Júnior = Rocha Júnior,
Washington

- Congressos

Os congressos, as conferências, as reuniões etc. arquivam-se pelos nomes oficiais dos eventos, seguidos do número,
data e local de realização, entre parênteses. Por exemplo:

II Congresso de Pintura Moderna, em 1940, no Rio de Janeiro

Registra-se:

Congresso de Pintura Moderna (2.: 1940: Rio de Janeiro)

2ª Conferência de Ensino Profissional 1970, São Paulo

Registre-se:

Conferência de Ensino Profissional (2.: 1970: São Paulo)

Primeira Reunião de Assessores do Governo, em 1972, em

Belo Horizonte

Registre-se:

Reunião de Assessores do Governo (1.:1972: Belo Horizonte)

- Firmas

As firmas devem ser consideradas tais como se apresentam. Por exemplo:

Álvaro Ramos & Cia. = Álvaro Ramos & Cia. Barbosa e Santos Ltda. = Barbosa e Santos Ltda. Pereira Vieira & Irmãos
= Pereira Vieira & Irmãos Serviços auxiliares:

- separar as fichas pelo tipo, isto é, fichas principais (autor) e fichas secundárias (título, assunto, remissiva etc.). Observação: essa rotina só
se aplica nas bibliotecas que ainda mantêm catálogos convencionais em fichas.

Nas bibliotecas automatizadas, o catálogo em fichas foi substituído por listagens (catálogos impressos) que já são
alfabetadas auto-maticamente pelo sistema automatizado.

Neste caso, você só terá o trabalho de separar e colocar no lugar devido as listagens específicas de autor, título e
assunto, além de substituí-las quando estiverem desatualizadas.
Ministério da Educação

Didatismo e Conhecimento
23
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

13. BIBLIOTECA PÚBLICA: HISTÓRIA, CONCEITO, TRATAMENTO TÉCNICO DO ACERVO, SERVIÇOS,


PRESERVAÇÃO DO ACERVO E CONSERVAÇÃO.

O conceito de biblioteca pública baseia-se na igualdade de acesso para todos, sem restrição de idade, raça, sexo,
status social, etc. e na disponibilização à comunidade de todo tipo de conhecimento. Deve oferecer todos os gêneros
de obras que sejam do interesse da comunidade a que pertence, bem como literatura em geral, além de informações
básicas sobre a organização do governo, serviços pú-blicos em geral e publicações oficiais.

A biblioteca pública é um elo de ligação entre a necessidade de informação de um membro da comunidade e o recurso
informacional que nela se encontra organizado e à sua disposição.

Além disso, uma biblioteca pública deve constituir-se em um ambiente realmente público, de convivência agradável, onde as pes-
soas possam se encontrar para conversar, trocar ideias, discutir problemas, auto instruir-se e participar de atividades culturais e de lazer.

Assim, as bibliotecas públicas caracterizam-se por:

destinar-se a toda coletividade, ao contrário de outras que têm funções mais específicas;

possuir todo tipo de material (sem restrições de assuntos ou de materiais);

ser subvencionada pelo poder público (federal, estadual ou municipal).

Ela difere da biblioteca comunitária/popular, que surge da comunidade e é por ela gerida, sendo o atendimento feito,
geralmente, por voluntários.

Novos parâmetros

Frente ao conceito de biblioteca pública enunciado no Manifesto da UNESCO, torna-se evidente o papel da biblioteca pública no
Brasil de hoje – como a mais democrática instituição de caráter cultural e educacional a qual, sem dúvida alguma, tem a vocação
nata para exercer um papel social de grande relevância na inserção da sociedade brasileira na sociedade da informação.
“A biblioteca pública é o centro local de informação, disponibilizando prontamente para os usuários todo tipo de
conhecimento. Os serviços fornecidos pela biblioteca pública baseiam-se na igualdade de acesso para todos,
independentemente de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua, status social.”

Espera-se que desempenhe com eficácia sua função social de centro de leitura e informação, cabendo ressaltar que, ao cumprir este papel,
a biblioteca pública estará, certamente, atuando nas comunidades de forma a minimizar, um dos mais graves problemas desta nova
Sociedade, que é o “...risco de aprofundar a desigualdade interna de cada nação, entre ricos e pobres de informação, uma vez que a
economia da informação é regida pelos mesmos fatores estruturais e geopolíticos do sistema produtor de riquezas.”

“O fim do século está trazendo à tona uma nova reorganização dos modos de produção e negócios e, consequentemente, da
econo-mia, da sociedade e da política. Esta mudança profunda toma por base as ideias, a informação, o conhecimento, a busca da
eficiência e o inevitável risco que todas as instituições têm de enfrentar para garantir seu espaço e nele avançar. A globalização
inexorável que estamos sofrendo tem como principal componente tecnológico e industrial a computação, a informação e a
comunicação, e, no caso de países da complexidade e dimensão do Brasil, é preciso ação muito rápida e eficiente para que não
apenas soframos este processo. Deste modo, é importante a formulação de uma estratégia de governo para conceber e estimular a
inserção adequada da sociedade brasileira na sociedade da informação”.

Podem-se destacar, também, algumas funções face às mudanças decorrentes da absorção de novas tecnologias na
área da informa-ção e que se refletem em nosso cotidiano.

agente essencial na promoção e salvaguarda da democracia, através do livre acesso a todo tipo de informação
proporcionando, desta forma, matéria de reflexão para a geração do verdadeiro conhecimento;

instituição de apoio à educação e formação do cidadão em todos os níveis, através da promoção e incentivo à leitura e à formação
do leitor crítico e seletivo capaz de usar a informação como instrumento de crescimento pessoal e transformação social;

centro local de tecnologias da informação, através do acesso às novas tecnologias da informação e da comunicação,
familiarizando os cidadãos com o seu uso;

instituição cultural, através da promoção do acesso à cultura e do fortalecimento da identidade cultural da comunidade
local e nacional.

Histórico

Criada na Inglaterra como consequência da Revolução Industrial, no final do século XIX, até a época atual, a biblioteca
pública passou por profundas mudanças em seu conceito.

Didatismo e Conhecimento
24
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Destacam-se como marcos dessas mudanças os seguintes fatos: revolução industrial: o conceito inicial era vinculado à classe tra-balhadora
e às funções educativas e moralizantes; crise econômica dos anos trinta e a Segunda Guerra Mundial: a imagem da biblioteca pública
incorpora o conceito de atuar como instrumento para a paz e a democracia e identifica-se com a classe média e a população estudantil,
cada vez mais numerosas; publicação pela UNESCO, em 1949, da 1ª versão do Manifesto da Biblioteca Pública: destacan-do sua função
em relação ao ensino e caracterizando-a como centro de educação popular; década de 50: início de questionamentos crescentes por parte
da classe bibliotecária, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra, sobre o papel da biblioteca pública e sua permanente
identificação com os valores da classe média e a cultura de elite; décadas de 60 e 70: os movimentos culturais contestatórios
desencadeiam novos questionamentos sobre o papel da biblioteca pública. Procura-se uma nova função – voltada para as classes mais
desfavorecidas da sociedade – de caráter mais social; publicação pela UNESCO, em 1972, da 2ª versão do Manifesto da Biblioteca Pú-
blica: sintetizando como suas funções educação, cultura, lazer e informação; década de 80: informação e comunicação são vinculadas ao
desenvolvimento das sociedades. Inicia-se o uso generalizado dos computadores e das novas tecnologias de comunicação nas biblio-tecas,
desencadeando o aparecimento das redes de bibliotecas, o que se reflete em suas funções e conceito; década de 90: Sociedade da
Informação/Conhecimento, a revolução digital afeta o trabalho e a vida cotidiana. Necessidade dos indivíduos e das sociedades de
adaptarem-se às rápidas e crescentes mudanças. Publicação pela UNESCO, em 1994, da 3ª versão do Manifesto da Biblioteca Pública: seu
texto enfatiza o compromisso da biblioteca pública com a democratização do acesso às novas tecnologias de informação.

A evolução do seu conceito pode ser traçada através dos diversos Manifestos da UNESCO publicados ao longo dos
anos. A UNES-CO publicou pela primeira vez o Manifesto da Biblioteca Pública, em 1949, destacando sua função em
relação ao ensino e caracteri-zando-a como centro de educação popular. Como resultado da publicação do Manifesto,
houve, em várias partes do mundo, um grande movimento para o seu desenvolvimento.

A segunda versão, publicada em 1972, teve grande repercussão na América Latina e lançava como grandes atribuições da
biblioteca pública: educação, cultura, lazer e informação. Após sua publicação, várias conferências foram realizadas na
América Latina, sendo que a de 1982, em Caracas, endossando o Manifesto, propõe algumas ações específicas para a
região: propiciar o livre acesso à informação; estimular a participação da população na vida nacional e na vida democrática;
promover a difusão e a proteção das culturas nacionais, autônomas e de minorias, tendo em vista a formação da identidade
nacional, como também o conhecimento e o respeito às outras cultu-ras; formar o leitor crítico e seletivo; ser um instrumento
de educação formal e não formal; ser o centro de comunicação e informação da comunidade.

A função da biblioteca em relação à comunidade, à informação e à cultura foi sempre objeto de atenção dos
participantes de reuniões de bibliotecários atuantes na área.

Em reuniões latino-americanas posteriores surgiram outras propostas, tais como a que se refere à preocupação com a
vida das popu-lações menos favorecidas nas áreas rurais e nas periferias das grandes cidades e à atuação da
biblioteca como centro de desenvolvimento cultural da comunidade.

Por sua vez, a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, FEBAB, na sua Declaração de Princípios da
Biblioteca Pública Brasileira4, sugere que a biblioteca atue como centro de memória social e centro de disseminação
da propriedade cultural da comunidade.

Assim, face às mudanças ocorridas na sociedade no decorrer de 30 anos, desde o aparecimento da 2ª versão, a
UNESCO decidiu atualizar seus conceitos e, em 1994, durante a reunião do “PGI Council Meeting” da UNESCO,
realizada em Paris, aprovou a última versão do Manifesto.
Essa versão ressalta como básicas as missões da biblioteca que se relacionam com a informação, alfabetização, educação e cultura, e as
descreve em doze itens. Essas doze missões incorporam algumas ações propostas pelas reuniões da América Latina e Caribe, como as
relativas à herança cultural, ao apoio à tradição oral, ao acesso à informação comunitária e ao apoio à educação em todos os seus níveis.

Incorporando as novas tecnologias em seu texto, a UNESCO, propõe como missão: facilitar o desenvolvimento da informação e da
habilidade no uso de computador. Propõe, ainda, a formação de redes nacionais de bibliotecas, obedecendo a padronização de
normas de serviços e criando o relacionamento destas redes entre si e com as outras bibliotecas do país, independentemente do tipo de biblioteca.

O Manifesto da UNESCO sobre a Biblioteca Pública deve servir como fonte de reflexão sobre seu papel e suas
funções no mundo globalizado, mas cabe aos dirigentes de bibliotecas priorizar o desenvolvimento de suas funções de
acordo com a realidade local e, até mesmo, identificar novas funções dentro de suas comunidades.

Como a leitura do Manifesto é básica para a ação de qualquer biblioteca em qualquer parte do mundo, a Biblioteca Nacional
efetuou sua tradução para o português para o V Encontro do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (Salvador, BA - 1995).
O Manifesto foi lançado, em português, oficialmente, em forma de cartaz, na reunião Regional da IFLA/LAC: Manifesto da
UNESCO sobre Bibliotecas Públicas, Salvador, Bahia, março de 1998 e distribuído para todo o País.

A Biblioteca Pública

A biblioteca pública é o centro local de informação, disponibilizando prontamente para os usuários todo tipo de conhecimento.

Didatismo e Conhecimento
25
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Os serviços fornecidos pela biblioteca pública baseiam-se na igualdade de acesso para todos, independente de idade, raça, sexo, reli-gião,
nacionalidade, língua ou status social. Serviços e materiais específicos devem ser fornecidos para usuários inaptos, por alguma ra-zão, a
usar os serviços e materiais regulares, por exemplo, minorias linguísticas, pessoas deficientes ou pessoas em hospitais ou prisões.

Todas as faixas etárias devem encontrar material adequado às suas necessidades.

Coleções e serviços devem incluir todos os tipos de suporte apropriados e tecnologia moderna bem como materiais
convencionais. Alta qualidade e adequação às necessidades e condições locais são fundamentais.

O acervo deve refletir as tendências atuais e a evolução da sociedade, assim como a memória das conquistas e
imaginação da hu-manidade. Coleções e serviços não podem ser objeto de nenhuma forma de censura ideológica,
política ou religiosa, nem de pressões comerciais.

Missões da Biblioteca Pública

As seguintes missões básicas relacionadas à informação, alfabetização, educação e cultura devem estar na essência
dos serviços da biblioteca pública:

Criar e fortalecer hábitos de leitura nas crianças desde a mais tenra idade;

Apoiar tanto a educação individual e autodidata como a educação formal em todos os níveis;

Proporcionar oportunidades para o desenvolvimento criativo pessoal;

Estimular a imaginação e criatividade da criança e dos jovens;

Promover o conhecimento da herança cultural, apreciação das artes, realizações e inovações científicas;

Propiciar acesso às expressões culturais das artes em geral;

Fomentar o diálogo intercultural e favorecer a diversidade cultural;


Apoiar a tradição oral;

Garantir acesso aos cidadãos a todo tipo de informação comunitária;

Proporcionar serviços de informação adequados a empresas locais, associações e grupos de interesse;

Facilitar o desenvolvimento da informação e da habilidade no uso do computador;

Apoiar e participar de atividades e programas de alfabetização para todos os grupos de idade e implantar tais
atividades se ne-cessário.

Recursos, Legislação e Redes

A biblioteca pública deve por princípio ser gratuita.

A biblioteca pública é de responsabilidade das autoridades locais e nacionais. Deve ser apoiada por uma legislação
específica e financiada pelo governo nacional e local. Deve ser componente essencial de uma estratégia a longo prazo
para cultura, informação, alfabetização e educação.

Para assegurar a coordenação e cooperação das bibliotecas por todo o país, a legislação e planos estratégicos devem
também definir e promover uma rede nacional de bibliotecas baseada em normas de serviço.

A rede de bibliotecas públicas deve ser concebida tendo em vista sua relação com as bibliotecas nacionais, regionais, especializadas
tanto quanto, as bibliotecas escolares e universitárias.

Operação e Administração

Deve ser formulada uma política clara definindo objetivos, prioridades e serviços relacionados com as necessidades da
comunidade local. A biblioteca pública deve ser efetivamente organizada e respeitar padrões profissionais de operação.

Deve ser assegurada a cooperação com parceiros adequados, por exemplo grupos de usuários e outros profissionais,
em âmbito municipal, regional, nacional e internacional.
Os serviços devem ser fisicamente acessíveis a todos os membros da comunidade.

Isto requer que o prédio da biblioteca esteja bem localizado, com instalações corretas para leitura e estudo, assim
como tecnologias adequadas e horário de funcionamento conveniente aos usuários. Isto implica também na extensão
dos serviços aos usuários impossibi-litados de frequentar a biblioteca.

Os serviços da biblioteca devem ser adaptados às diferentes necessidades das comunidades em áreas rurais e urbanas.

O bibliotecário é um intermediário ativo entre usuários e recursos. A educação profissional e contínua do bibliotecário é
indispensá-vel para assegurar serviços adequados.

Programas de extensão e educação do usuário devem ser promovidos visando ajudá-lo a beneficiar-se de todos os
recursos dispo-níveis.

Implantação do Manifesto

Os administradores em âmbito nacional e regional e o universo da comunidade bibliotecária, em nível mundial, estão
desta forma convocados a implantar os princípios expressos neste Manifesto.

Didatismo e Conhecimento
26
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

NO BRASIL

A primeira biblioteca pública brasileira foi criada em 1811, na cidade de Salvador, Bahia. A análise dos documentos de
criação desta biblioteca demonstram a preocupação com a função de apoio à educação.

Hoje, no Brasil, o apoio à educação é ainda uma das prioridades da ação da biblioteca pública, não somente em
relação à educação formal, mas principalmente, no processo de educação continuada.

Para exercer essa função é necessário que a biblioteca trabalhe em parceria com outras entidades da comunidade,
buscando desta forma conjugar esforços para erradicar o analfabetismo e promover a inserção social dos indivíduos
através da leitura. A educação e a promoção da leitura não podem ser confiadas totalmente à escola e à família,
especialmente quando dirigidas às faixas sociais menos favorecidas da população.

Apesar do forte papel assumido pelos modernos meios de comunicação de massa, na sociedade brasileira
contemporânea, a leitura é condição essencial para que o indivíduo tenha acesso à informação. A leitura – considerada
não apenas como a decodificação de signos gráficos, mas a capacidade de percepcão crítica e interpretativa da
informação – é instrumento essencial para transformar a informação em conhecimento.

O novo conceito de biblioteca pública deve ser implementado, promovendo amplamente as facilidades oferecidas
pelas novas tec-nologias da informação (registros eletrônicos, comunicação e transferência de arquivos) e
disponibilizando esses modernos meios de comunicação e informação, através do treinamento e orientação dos
usuários para o seu uso cotidiano. A biblioteca pública deve, ainda, atuar como um centro de informação de cultura
popular promovendo a melhor integração comunidade/biblioteca, visando a coleta, preservação e disseminação da
documentação representativa dos valores culturais que expressam as raízes, jeito de ser e identidade de nosso povo.

TRATAMENTO TÉCNICO DO ACERVO REGISTRO DE OBRAS Como registrar livros e folhetos

Registrar é atribuir um número, em ordem sequencial, por ordem de chegada, a qualquer material bibliográfico ou não,
incorporan-do-o, assim, ao acervo da biblioteca.

Antes de registrar-se uma obra, deve verificar-se, no catálogo, se ela já existe ou não na biblioteca.

Caso exista, verificar seu grau de utilização, pois não vale a pena incorporar ao acervo obras repetidas de pouca
demanda, mas nem toda duplicação é desnecessária. Os materiais podem e devem ser duplicados desde que visem
atender às demandas dos usuários. Outro fator que leva à duplicação é a necessidade de preservar a memória local.
No entanto, é importante observar-se a disponibilidade de espaço físico.

Os dados necessários para efetuar o registro de livros são encontrados em suas diferentes partes.

Normalmente, os registros são feitos no livro de tombo, também conhecido como livro de registro. Na sua falta, porém, pode-
se improvisar, utilizando-se um caderno ou fichas numeradas, formando estas, o fichário de registro. Qualquer que seja sua
forma, estes registros das publicações pertencentes à biblioteca são de uso exclusivo dos funcionários.

Se preenchido devidamente, forma-se um instrumento de trabalho muito útil, pois:

Auxilia no inventário do acervo;

Fornece o número de baixas durante o ano e o motivo das mesmas;

Informa sobre o número de registro, data de entrada, forma de aquisição e quantidade de volumes existentes na
biblioteca, para fins estatísticos.

Campos ou itens de um registro (seja em livro de tombo ou em fichas):

NÚMERO: número de registro da obra, ordem crescente e infinita.

DATA: dia, mês e ano em que o registro é feito.

AUTOR: inicia-se o registro pelo último sobrenome do autor, vírgula, prenome.

TÍTULO: poderá ser abreviado se for muito extenso.

EXEMPLAR: caso exista mais de um exemplar da mesma obra anota-se a quantidade.

Caso haja obra com mais de um volume ou exemplar, cada um receberá seu próprio número. Assim, em hipótese
alguma o número de registro deve ser repetido, mesmo se um deles tiver sido retirado definitivamente da coleção.
VOLUME E TOMO: anotar o número do volume que está sendo registrado, e do tomo, quando existir.

LOCAL: local de publicação da obra.

EDITORA: nome da editora que publicou a obra.

ANO DE PUBLICAÇAO: em geral este dado encontra-se na folha-de-rosto, às vezes na ficha de catalogação na fonte.
Infelizmen-te, algumas editoras não colocam data.

FORMA DE AQUISIÇÃO: anotar se a obra foi adquirida por compra, doação ou permuta.

O número de registro de cada obra deve ser anotado no verso da sua folha-de rosto.

Didatismo e Conhecimento
27
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Existe um carimbo próprio de registro. Pode-se, também, como alternativa, utilizar etiquetas gomadas numeradas sequencialmente.

Como registrar periódicos

Revistas e jornais devem ser registrados em fichas apropriadas, por serem materiais diferentes dos livros e folhetos,
tanto pela pe-riodicidade como pela apresentação gráfica.

As fichas de registro dos periódicos (tamanho 20,5 x 12,5cm) são arrumadas em ordem alfabética de títulos. Há dois
tipos de fichas de registro de periódicos: um para revistas e outro para jornais. Em ambas aparece o termo
periodicidade que é o intervalo de tempo em que a publicação periódica é editada. Podendo ser:

DIÁRIO (todos os dias).

SEMANAL (uma vez por semana).

QUINZENAL OU BIMENSAL (duas vezes por mês).

MENSAL (uma vez por mês).

BIMESTRAL (de dois em dois meses).

TRIMESTRAL (de três em três meses).

QUADRIMESTRAL (de quatro em quatro meses).

SEMESTRAL (de seis em seis meses).

ANUAL (uma vez ao ano).


IRREGULAR (sem periodicidade certa).

Descrição da ficha de registro de revistas (campos ou itens):

Título da revista que se está registrando;

Cidade / estado da publicação da revista;

Periodicidade (se é mensal, bimestral, semanal, etc.);

Fornecedor

Ano de publicação da revista;

Volume;

Número do fascículo;

Descrição da ficha de registro de jornais (campos ou itens): TÍTULO: do jornal.

ANO: de publicação.

Nos quadrinhos, marcar, com X, os dias correspondentes aos números do jornal que compõem o acervo da biblioteca.

Outros materiais

Para o registro de outros materiais como mapas e materiais audiovisuais, usa-se o mesmo modelo sugerido para livros, acrescentan-do-se
ou substituindo dados, se necessário: no registro de diapositivos/slides, acrescentar uma coluna para a quantidade de
diapositivos que compõe a coleção; no registro de discos compactos (CD), em lugar de editora anotar gravadora.

Acrescentar uma coluna para intérprete ou compositor ou utilizar a coluna de autor; os mapas também poderão ser carimbados com
o Carimbo de Registro da biblioteca.
O carimbo deve ser batido no verso da obra ou na margem, para não cobrir dados importantes; como os livros, o registro dos mate-
riais não-bibliográficos (audiovisuais, eletrônicos, objetos) pode ser feito em um caderno ou em fichas separadas,
datando e numerando o material por ordem de entrada.

INVENTÁRIO

O inventário é o cotejo das estantes com o catálogo topográfico (fichas principais na mesma ordem em que os livros se encontram na
estante). Além de gerar um dado valioso para a biblioteca, por relacionar, com precisão, a quantidade de volumes existentes no acervo, o
inventário tem também a vantagem de mostrar a situação em que se acham as publicações; se há danos, se houve extravios.

O inventário dever ser realizado anualmente, podendo ser feito através de amostragem.

Acervo total

Para conhecer o número total de títulos de uma biblioteca, conta-se apenas cada título existente e não o número de
exemplares ou volumes. Para conhecer o volume total de livros, conta-se todos os livros, incluindo exemplares,
volumes, tomos etc.; o mesmo se faz em relação aos periódicos.

Didatismo e Conhecimento
28
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Normalmente, o termo usado é peças pois inclui todo tipo de material.

Carimbos

São usados dois carimbos para identificar a obra que está sendo incorporada ao acervo: o de identificação da
biblioteca e o de re-gistro da obra.

O carimbo de identificação da biblioteca deve ser colocado no corte do livro ou em páginas pré-determinadas. É costume carimbar,
para fins de segurança, uma ou duas páginas previamente escolhidas sempre as mesmas, em todas as publicações de determinada
biblio-teca. Exemplo: a biblioteca tal, põe o seu carimbo de identificação na página 3 e na página 31

O carimbo de registro é colocado no verso da folha-de-rosto, no canto esquerdo inferior ou o mais próximo possível deste local, mas sempre
no mesmo local. Esse carimbo deve ter os seguintes dados: nome da biblioteca/número de registro/data (dia, mês e ano).

VIABILIZANDO O ACESSO À INFORMAÇÃO

A organização do acervo

É essencial que toda biblioteca disponha de um método de organização que permita a localização rápida e eficiente de
uma obra. Como em qualquer armazém, farmácia ou supermercado onde haja grande variedade de produtos, estes
estão separados de acordo com as suas características mais comuns: cereais, verduras, brinquedos, vestuário etc.
Caso contrário, torna-se difícil localizar qualquer mercadoria. Numa biblioteca não pode ser diferente. Os livros devem
ser agrupados de acordo com os seus assuntos (literatura, história, matemática etc.).

Numa biblioteca bem organizada é possível responder-se com rapidez às seguintes perguntas:

Que obras de determinado autor a biblioteca possui? A biblioteca possui determinada obra?

O que existe, na biblioteca, sobre determinado autor ou assunto?

Que obras existem, na biblioteca, de um autor, sobre certo assunto, em tal língua?
Para que essas perguntas possam ser respondidas, é preciso que os serviços de preparação técnica do acervo e de
atendimento ao usuário funcionem com perfeição.

Processamento técnico

O processamento técnico do acervo é um serviço interno, de responsabilidade do profissional bibliotecário, consistindo


na classifica-ção e na catalogação de uma obra. A catalogação descreve fisicamente a publicação e a classificação
descreve o tema, o assunto; aquilo de que trata a obra. Os dados referentes à catalogação e classificação podem tanto
ser transcritos em fichas formando os catálogos ou inseridos em base de dados.

Nem todos os livros de uma biblioteca necessitam ser processados tecnicamente: por exemplo, uma grande coleção
de livros de bolso ou obras totalmente descartáveis com pouco tempo de durabilidade.

O processamento técnico não deve ser um empecilho para que uma obra esteja o mais rápido possível disponível para
o leitor: a biblioteca precisa mostrar que tem um serviço ágil e uma coleção atualizada. O responsável poderá fazer
uma identificação sumária da obra para agilizar sua disponibilização logo após a entrada da obra na biblioteca, mesmo
que seu jogo de fichas não tenha ainda sido completado e inserido nos fichários.

Um grande auxílio para processar um livro é a ficha da catalogação na fonte, elaborada pela Câmara Brasileira do
Livro, habitual-mente transcrita no verso da página de rosto. Para bibliotecas que acessam a Internet, a base de dados
da Biblioteca Nacional é o melhor auxílio para a catalogação: www.bn.br, selecionar no menu o item: catálogos on line.

Classificação

Pode agrupar-se os assuntos de uma obra através de uma codificação denominada de número de classificação. Utiliza-se um
sistema que possibilita a reunião, nas estantes, dos livros de um mesmo assunto. O sistema mais conhecido e utilizado
internacionalmente é a Classificação Decimal de Dewey (CDD) que divide as áreas do conhecimento em dez classes principais:

000 Obras Gerais (Ex.: Enciclopédias)

100 Filosofia

200 Religião

300 Ciências sociais (Ex.: Direito, Economia, etc.)

400 Filologia. (Estudo das línguas)


500 Ciências puras (Ex.: Matemática, Física, Química, etc.)

600 Ciências aplicadas. Tecnologia (Ex..: Medicina, Engenharia, Agricultura, etc.) 700 Arte, Esporte, Lazer

800 Literatura

900 História, Geografia e Biografias

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Estas classes por sua vez são subdivididas em mais 10 classes (ver Anexo 14 – Classificação Decimal de Dewey) e
assim por diante (sempre do geral para o mais específico):

600 Ciências aplicadas. Tecnologia

Medicina

Anatomia humana

611.1 Órgãos cardiovasculares

611.11 Pericárdio

Alguns tipos de obras têm uma letra antes do número de classificação: as obras de referência com o “R” e os folhetos
com o “F”. Outras utilizam letras que substituem o número de classificação, como “F” para todas as obras de ficção e
“B” para as biografias. Para os livros infantis de estórias pode-se usar, “Fi”, para os livros em quadrinhos,

“Q”, “CD” para discos compactos. Os administradores de biblioteca, podem adotar outros códigos de acordo com suas
necessida-des. Muito utilizado para assuntos na área infantil, é o código de cores para diferenciar os livros sem texto,
histórias de nível elementar, poesia, músicas, e outros. A ficção para jovens e adultos pode ser dividida como as fitas
de vídeo em lojas de aluguel em: aventuras, crime, ficção científica, romances, mistério, terror, etc.

Ao número de classificação de uma obra corresponde também um termo que identifica seu assunto. Geralmente são
utilizadas listas preestabelecidas com estes assuntos.

Este termo aparece na ficha principal (figura abaixo) e nas fichas de autor.

Número de chamada de uma obra

O número de chamada é um código, formado por números e letras, que identificam a obra e a localizam nas estantes e prateleiras;
é, portanto, o endereço de um livro nas estantes. Compõe-se de símbolos: na primeira linha, o número de classificação e, na
segunda linha, códigos correspondentes à autoria do livro. O modo mais fácil de simbolizar a autoria é pelas três primeiras letras do
sobrenome do autor. O número de chamada aparece nas etiquetas colocadas nas lombadas dos livros.
Em bibliotecas de grande porte usa-se uma tabela com números correspondentes aos sobrenomes dos autores. O sobrenome é
sim-bolizado por sua inicial e pelos números a ele correspondentes; a estes números segue-se, em letra minúscula, a primeira inicial do título

(último exemplo acima). A tabela mais conhecida e utilizada para simbolizar, em números, os sobrenomes, é a tabela de Cutter.
Existe uma tabela mais simples, incluindo sobrenomes em português, elaborada por Heloisa Almeida Prado, a tabela PHA.

Catalogação

É a transcrição dos elementos que identificam uma obra ou outro material em uma ficha catalográfica.

Os elementos que compõem a ficha encontram-se no início da obra, antes do texto, na chamada “folha de rosto” ou “página de ros-
to”. O quadro abaixo apresenta os elementos que compõem a ficha catalográfica, sua definição e representação.

A ficha principal reúne um conjunto de informações que possibilitam a identificação e a localização da obra no acervo
(nº. de cha-mada, autoria, título, descrição física e pista). É utilizada como base para elaboração das demais fichas
secundárias. Quando a obra não tiver autor, a ficha principal terá entrada pelo título.

Catálogos

O conjunto de fichas ou registros (no fichário manual, listagem ou base de dados) que representam as publicações do
acervo de uma biblioteca, ordenadas de acordo com um plano definido.

Ficha de autor normalmente é a ficha principal. É alfabetada pelo sobrenome do autor.

Ficha de título, igual à principal, mas com o título em destaque na parte superior da ficha. É alfabetada pelo título.

Ficha de assunto, também igual à ficha principal, mas com o assunto escrito na parte superior da ficha. É alfabetada
pelo assunto. Atenção: deverá ser feita uma ficha para cada assunto. Assim, se um livro trata de três assuntos, terá
uma ficha para cada um dos três assuntos.

Ficha topográfica, igual à matriz, armazenada pelo número de chamada.

As fichas que compõem os catálogos das bibliotecas são padronizadas. Feitas de cartolina ou outro tipo de cartão
delgado, medem 12,5 x 7,5 cm. No centro da parte inferior das fichas faz-se um furo onde se passa uma haste, para
que elas não saiam da ordem, na gaveta ou caixa onde são guardadas.

Tipos de Catálogos
São quatro os catálogos que representam o acervo bibliográfico. Catálogo Topográfico, Catálogo de autor, Catálogo de
título e Ca-tálogo de assunto.

Em bibliotecas de grande porte, as fichas irão formar os três Catálogos do público. Catálogo de título: o leitor consulta caso só tenha
conhecimento do título da obra.

Catálogo de autor: o leitor consulta quando só conhece o nome do autor. Deve ser arrumado, em ordem alfabética,
pelo último so-brenome do autor. As fichas principais ou matrizes são arquivadas neste catálogo.

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Catálogo de assunto: o leitor consulta quando não souber que obra deseja, nem tiver ideia do nome do autor. Ou
deseje ler sobre determinado assunto.

constituído das fichas de assunto. Seu arquivamento obedece unicamente ao termo que determina o assunto e são
arquivadas em ordem alfabética.

Algumas bibliotecas utilizam o Catálogo-dicionário: onde se colocam todas as fichas (de autor, de título e de assunto),
arrumadas em uma única ordem alfabética como em um dicionário. Recomendado para bibliotecas pequenas.

Os catálogos destinados a auxiliar os funcionários no seu trabalho de organização do acervo são os Catálogos internos auxiliares: Catálogo
topográfico: é um catálogo que mostra como as obras se localizam nas estantes. É formado pelas fichas principais que são arrumadas de
acordo com a classificação das obras, em ordem numérica crescente. Nelas deve-se ainda anotar o número de registro de cada obra (ou
números de registros para obras em mais de um volume) e os assuntos da mesma. Neste catálogo não é necessário ter mais de uma ficha,
mesmo se a obra tiver mais de um volume ou mais de um exemplar. Uma única ficha é suficiente, contanto que, após o seu

número de registro, acrescente-se o número do volume ou exemplar.

formado pelas fichas topográficas também chamadas matrizes, principais ou básicas.

As fichas topográficas são organizadas no fichário seguindo a ordem numérica de classificação, isto é, pelo número de chamada. Este
catálogo é indispensável para a realização anual do inventário do acervo, uma vez que o arquivamento no fichário segue a mesma ordem
dos livros nas estantes. Logicamente dentro de cada classe – 100, 200, 300, etc. e suas subclasses; é respeitada ainda a ordem alfabética.

Catálogo de registro: substitui o livro de registro ou de tombo. Consequentemente, onde existe esse tipo de livro, o
catálogo de registro é dispensável. Suas fichas são as de autores, com uma única diferença: coloca-se, no alto, o ano,
dia e número de registro, nessa ordem.

Outros catálogos: catálogo de aquisição, catálogo de editoras, de nome certo de autores, de controle de assuntos, etc.
Ordenação física do acervo

O acervo de uma biblioteca deve ser organizado de modo que os livros e demais materiais que o compõem possam ser
facilmente localizados pelos leitores, uma vez que numa biblioteca pública os leitores têm livre acesso às estantes.

A arrumação deve ser feita obedecendo a critérios previamente estabelecidos que agrupem na estante as obras de um
mesmo assun-to, geralmente usando-se o sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD). Na impossibilidade de usar
esse sistema, por falta de bibliotecário, outra organização pode ser criada, como por exemplo, agrupar os livros nas estantes
identificados por etiquetas coloridas que corresponderão a determinados assuntos. A arrumação de obras depende também
do tipo do material, por exemplo, as fitas de vídeo podem ter o mesmo arranjo das locadoras, isto é, por grandes assuntos;
os recortes de jornal, por ordem alfabética dos assuntos tratados; os discos compactos, por tipo de música, etc.
Outro cuidado a ser tomado na organização do acervo: acostumar os leitores a nunca recolocarem as obras nas estantes. Cada livro, cada
revista, cada jornal têm o seu lugar certo; e, uma obra colocada no lugar errado dificilmente será reencontrada.

Depois de utilizá-las, os leitores devem deixar as obras sobre a mesa de leitura ou no balcão de entrada, para que os
funcionários as arrumem, após a coleta da estatística diária.

Livros

Cada livro já registrado e catalogado tem na parte inferior da lombada a ETIQUETA DE LOMBADA, da qual consta o
código do seu lugar nas estantes e prateleiras da biblioteca, ou seja, o número de chamada. Assim, a sequência dos
livros na estante segue a mesma ordem do catálogo topográfico, como descrito acima.

Alguns pontos devem ser observados em relação à organização dos livros:

Estantes: devem ser abertas para facilitar a ventilação e de preferência metálicas pois facilitam a limpeza. É
fundamental a sinaliza-ção das estantes para orientar na localização dos assuntos.

Prateleiras: não devem ficar inteiramente ocupadas e ter espaço para novas obras do mesmo assunto. Com isso, evita-se o
constante remanejamento de toda a estante. Essa folga nas prateleiras tem outra utilidade além da reserva de crescimento,
pois permite que os livros sejam puxados pela parte mediana da lombada, e jamais pela sua borda superior.

As prateleiras devem ter etiquetas com o número de classificação e o assunto dos livros nelas colocados. É aconselhável, sempre que
possível, que numa mesma prateleira fiquem todas as obras sobre um mesmo assunto. Quando isto não for possível devido à grande
quantidade de publicações sobre o mesmo assunto, colocar um aviso bem visível, indicando onde fica a sua continuação.

Posição dos livros nas estantes: os livros são colocados da esquerda para a direita e devem ser mantidos na posição vertical. Para
não caírem, usam-se cantoneiras especiais denominadas bibliocantos (peças em forma de L, de metal ou de madeira). Na falta de
bibliocan-tos e quando há espaço suficiente na prateleira, pode-se usar um peso para manter os livros na posição vertical.

Alguns tipos de livros necessitam um arranjo especial (veja também acima o item Classificação – Número de Chamada
para os tipos de material, seus códigos e seu arranjo): As obras de referência devem ficar em estantes separadas, uma
vez que são utilizadas com maior frequência.

Para incentivar e aprofundar o conhecimento dos jovens, os livros informativos apropriados a leitores acima de 12 anos
podem ser colocados ao lado dos livros dos adultos.

Didatismo e Conhecimento
31
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Uma outra alternativa é destacar na área destinada aos jovens ou adolescentes (outro local de convívio na biblioteca), as
obras de especial interesse desta faixa etária, como esporte, amor, corpo e saúde, educação sexual, etc.

É muito utilizado, na área infantil, o código de cores para diferenciar os livros sem texto, histórias de nível elementar,
poesia, canções, e outros. A separação dos livros de ficção infantil por assuntos (histórias de bichos, contos de fada e
outros) é um outro modo de arranjo de livros infantis.

Os livros para crianças até 4 anos podem ser colocados em caixotes de madeira com base antiderrapante. A criança vai brincar com
o livro e irá então se familiarizando com este outro brinquedo, até se habituar e considerar como algo muito especial.

Também a ficção para jovens ou adultos pode ser dividida em: aventura, clássicos, crime, ficção científica, mistério,
romances, romances históricos, terror etc.

Para facilitar a localização dos assuntos, coloca-se ao alto de cada estante indicações com o número de classificação
seguido do nome da classe em letras maiúsculas.

Periódicos

Não devem ficar nas mesmas estantes onde se guardam os livros. A biblioteca deve ter estantes separadas,
exclusivamente para os periódicos.

Quando soltas (não encadernadas), as revistas serão guardadas em posição vertical, em caixas especiais de madeira,
metal ou pa-pelão, por ordem alfabética de títulos.

Na falta dessas caixas, as revistas, bem como os jornais, podem ser guardados em posição horizontal nas estantes.
Neste caso, cada pilha não deve ultrapassar a altura de 22,5 centímetros, pois, se a pilha for mais alta, dificultará tanto
a retirada quanto a posterior arru-mação dos fascículos.

As revistas e livros em quadrinhos podem ser destinados tanto para adultos como jovens e crianças. Podem ser
organizados em caixas ou em gôndolas.

Sugestão: os fascículos de um determinado título, podem ser colocados em uma caixa de papelão – desde que as dimensões da
caixa utilizada permitam que fiquem adequadamente acomodados. O conteúdo destas caixas deve ser devidamente identificado por
etiqueta colocada de forma bem visível . Estas caixas, dependendo do público-alvo (crianças, jovens ou adultos) e do local da
biblioteca onde serão disponibilizadas aos leitores, podem ser colocadas no chão, ou dispostas separadamente, nas estantes.

Material audiovisual / Multimeios


As fitas de vídeo e os discos compactos (CDs) devem ter um tratamento especial: as capas originais ficam em estantes ou caixas de
madeira (como lojas de música) e os vídeos e os CDs ficam estocados em estantes atrás da mesa de atendimento do setor de música. Nes-
te local também ficam os equipamentos, com saída de som através de fones de ouvidos próximos a poltronas ou cadeiras confortáveis. O
leitor não manuseia estes materiais e o equipamento de som, somente aqueles destinados ao estudo de línguas.

As fitas cassetes ou de vídeo e CD-ROMs para estudo de línguas, bem como o material gráfico que os acompanham podem
também ficar estocados no atendimento do setor de música. Esse material é colocado à disposição dos leitores para que
possam retornar e/ou avançar as fitas, nos aparelhos de vídeos ou toca-fitas destinados a esse fim.

As fitas de vídeo podem ter o mesmo arranjo utilizado nas locadoras de vídeo: aventuras, documentários, temas de
livros, esportes, infantis e outros.

Os CDs podem ter o mesmo arranjo das lojas: música clássica, MPB, músicas regionais, etc, dependendo da
criatividade dos res-ponsáveis pela biblioteca.

No acervo de uma biblioteca podemos encontrar vários tipos de documentos: livros, folhetos, periódicos, filmes, fitas,
slides ou diapositivos, discos, CDROM e DVD, fotografias, gravuras, mapas, atlas, globos.

Conservação

Para circulação do acervo, são necessárias providências quanto à conservação dos documentos. Esta atividade deve
ser desenvolvida de acordo com um regulamento próprio da biblioteca.

Os serviços são os seguintes:

recuperar e executar pequenos reparos nos materiais;

preparar e controlar materiais para encadernação.

Vários agentes agridem direta ou indiretamente o acervo. Precisamos conhecê-los e saber como minimizar sua ação
para conserva-ção dos diferentes materiais da biblioteca, são eles:

Agentes físicos: umidade, temperatura e luz

Agentes químicos: poluição atmosférica, acidez, alcalinidade, tintas


Agentes biológicos: insetos, micro-organismos (fungos e bactérias), ação do homem, desastres, etc. Poeira (agente
físico, químico e biológico).

Dicas para proteger os materiais de biblioteca:

Didatismo e Conhecimento
32
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Materiais de biblioteca se deterioram mais rapidamente quando expostos à luz solar ou mesmo à luminosidade, calor e
umidade excessiva. O correto é mantê-los afastados de janelas e fontes de calor, em local ventilado e seco.

A poeira é também grande inimiga das bibliotecas. O ar poluído pode conter partículas ácidas e nocivas, gazes, ovos
de insetos e mofo. A boa limpeza periódica é essencial para prolongar a vida dos materiais. A limpeza deve ser feita
com aspirador de pó ou pano limpo e seco, jamais espanador.

A colocação de livros, periódicos e folhetos de modo incorreto nas estantes causa deterioração e deformação dos
materiais. Evitar deixar livros inclinados ou colocados aberto, apoiados no corte da frente. Estantes muito cheias fazem
com que se retire o livro pela cabeça da lombada e impede a circulação de ar entre as obras, essencial para a boa conservação.

Podem-se prevenir muitos estragos em material bibliográfico manuseando-os corretamente. Ao tirar o livro da estante, afastar
um pouco os dois volumes vizinhos e puxá-los pelo meio. Abrir as publicações, com cuidado, sem forçá-los pelo dorso. Não
deixar os vo-lumes aberto e/ou emborcados. Não usar lápis ou caneta como marcadores de páginas.

Para a conservação do acervo é preciso tomar algumas medidas tais como:

manter as mãos sempre limpas ao lidar com os livros

não guardar alimentos e nem fazer nenhum tipo de refeição na biblioteca

nunca usar a saliva para passar páginas do livro

nunca usar fitas adesivas para colar páginas rasgadas

não usar clipes metálicos ou grampos para marcar as páginas

não dobrar as páginas para marcar

nunca retirar um livro da estante puxando-o pela borda superior da lombada

nunca usar cola plástica, devido à sua acidez


escovar e bater os livros periodicamente

realizar periodicamente limpeza da poeira com aspirador de pó, ou escova de pelo macio

realizar a dedetização periódica para evitar os insetos com inseticidas de uso domissanitário autorizados pelo Ministério da Saúde.

É importante realizar campanhas de preservação, pois o objetivo e propósito de uma biblioteca, no sentido amplo, é preservar os

documentos para torná-los úteis hoje e amanhã.

Uma mudança de atitude e de hábitos poderá contribuir para a melhor preservação das coleções e retardar a
necessidade da utiliza-ção de muitas técnicas de reparo.

portal.mec.gov.br

DEFINIÇÕES

PRESERVAÇÃO

o conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional que contribuem direta ou
indiretamente para a proteção do patrimônio. Ex.: Leis, Campanhas, Congressos etc.

CONSERVAÇÃO

o levantamento, estudo e controle das causas de degradação, permitindo a adoção de medidas de prevenção. É um procedimento
prático aplicado na preservação. Ex.: Diagnóstico, monitoramento ambiental, vistoria, etc.

CONSERVAÇÃO PREVENTIVA

São intervenções diretas, feitas com a finalidade de resguardar o objeto, prevenindo possíveis malefícios. Ex.:
Higienização, peque-nos reparos, acondicionamento, etc.

RESTAURAÇÃO
um conjunto de medidas que objetivam a estabilização ou a reversão de danos físicos ou químicos adquiridos pelo
documento ao longo do tempo e do uso, intervindo de modo a não comprometer sua integridade e seu caráter histórico.

AGENTES DE DEGRADAÇÃO DO PAPEL

- Internos

Estão ligados diretamente a composição do papel tais como: tipo de fibras, tipo de encolagem, resíduos químicos não
eliminados, partículas metálicas, ou seja, todos os componentes que fazem parte do papel.

- Externos

São os agentes físicos e biológicos, tais como: radiação ultravioleta, temperatura e umidade relativa, poluição, micro-
organismos, insetos, roedores, o homem, etc.

- AGENTES FÍSICOS a) Luz

Toda fonte de luz, seja ela natural ou artificial, emite radiação nociva, do tipo infravermelho e ultravioleta, ambos
causadores de danos ao papel. A ação da radiação ultravioleta sobre o papel é irreversível e prolonga-se mesmo terminado o
período de irradiação, contribuindo para a oxidação da celulose.

Didatismo e Conhecimento
33
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

A luz tem dois efeitos sobre o papel, ambos contribuindo para a sua degradação. O primeiro efeito caracteriza-se por apresentar uma ação
clareadora, que causa o desbotamento ou o escurecimento de alguns papéis e algumas tintas. O segundo efeito apresenta-se como uma
acelerada degradação da lignina (componente natural responsável pela firmeza e solidez do conjunto de fibras, agindo como uma espécie
de cimento) que porventura esteja presente no papel, tornando-a progressivamente escura. As fibras do papel se rompem em unidades
cada vez menores, até se tornarem insuficientes para manterem a folha unida. As reações invisíveis produzem uma quebra na estrutura
molecular do papel, resultando no seu enfraquecimento, ou seja, acelera o processo de envelhecimento deste tipo de material.

b) Temperatura e umidade relativa.

O desequilíbrio da temperatura e da umidade relativa provoca no acervo uma dinâmica de contração e alongamento dos elementos
que compõem o papel, além de favorecer a proliferação de agentes biológicos, tais como: fungos, bactérias, insetos e roedores.
Quanto mais baixa for a temperatura, maior será a permanência e durabilidade do papel. A umidade também afeta seriamente o
papel: se muito elevada, apressa a degradação ácida e se for muito baixa, facilita o ataque de agentes biológicos.

A temperatura tem influência determinante nas alterações da umidade do ar. A umidade relativa (UR) exprime a razão
da quantidade de vapor de água contido em um determinado volume de ar a dada temperatura (T) e a quantidade
máxima de água que este volume poderia conter sem verificar o fenômeno de condensação.

Quanto mais alta a temperatura, mais alta é a quantidade de água contida no ar. A queda brusca da temperatura causa a
redução de quantidade de água que o ar suporta, ocasionando a condensação de umidade e a formação de gotas de água.

Uma regra geral estabelece que as reações químicas dobram a cada elevação de temperatura de 10oC. No caso
especial da celulose, mostrou-se que testes artificiais de envelhecimento indicam que cada aumento de 5oC quase
dobra a taxa de deterioração, mesmo na ausência de luz, poluentes ou outros fatores. Por outro lado, são materiais
higroscópicos, isto é, que possuem propriedade de perda ou aquisição de água.

- AGENTES QUÍMICOS a) Poluição ambiental

O controle da qualidade do ar é essencial num programa de conservação de acervos. Os poluentes contribuem


pesadamente para a deterioração de materiais de bibliotecas e arquivos.

O ar dos centros urbanos e industriais contém uma grande diversidade de partículas e gases. As partículas compõem a
parte sólida de dimensões microscópicas dos poluentes. Reúnem especialmente o pó, a fuligem e os esporos dos
micro-organismos. Os gases formam os poluentes mais reativos e perigosos para os documentos.

O dióxido de enxofre é lançado na atmosfera, principalmente pela queima dos combustíveis fósseis empregados nos fornos
in-dustriais e nos automóveis. Ele também se combina com o oxigênio, transformando-se em trióxido de enxofre. Tal reação
química é catalisada por pequenas partículas metálicas. A combinação do trióxido de enxofre e a água, seja a do ar ou do
papel, formará o ácido sulfúrico, que provoca manchas e escurecimento do papel, além da perda de sua resistência.
O ozônio é um poderoso agente oxidante. Atua sobre os materiais orgânicos, causando o rompimento das ligações
entre os átomos de carbono.

Outros poluentes podem decorrer da volatilização de solventes de pinturas e de produtos de limpeza que contenham
derivados de petróleo. Entretanto, frequentemente, observamos a liberação destes resíduos químicos, o que se constitui num
problema que se agrava quando o edifício conta com um sistema de ar condicionado central, o qual reutiliza o ar
contaminado. Alguns gases poluentes não são tão perigosos por si mesmos, mas fazem mal ao papel, ao se combinarem
com elevada umidade relativa para a formação de ácidos. Por-tanto, a providência mais elementar para a conservação dos
acervos é reduzir a umidade relativa e a temperatura, sendo esta responsável pela aceleração das reações químicas.

b) Poeira

No pó estão contidas partículas de substâncias químicas cristalinas e amorfas, como terra, areia, fuligem e grande diversidade de
microorganismos, além de resíduos ácidos e gasosos provenientes da combustão em geral e de atividades industriais.

O pó não modifica apenas a estética dos documentos. Quando observamos a sujeira retida nos papéis, como os excrementos dos insetos,
colas e poluentes atmosféricos, observamos a ação destrutiva. As pequenas partículas possuem ação cortante e abrasiva. A ade-rência do
pó não é apenas superficial, mas também no interior da fibra, que é absorvida por meio de ligações químicas.

- AGENTES FÍSICOS MECÂNICOS a) Guarda inadequada

Encadernações mal realizadas ou em mal estado, não protegem os documentos e permitem a penetração do pó e de poluentes. Nos
documentos avulsos, o peso dificulta a retirada das caixas das prateleiras. A superlotação das caixas ocasiona também a compactação dos
papéis que, além de sofrerem rasgos e amassarem durante a retirada e reposição, favorecem a infestação de insetos e micro-organismos.

As embalagens não devem ser feitas de papel ácido, tipo kraft, que contém lignina, enxofre e acidez, os quais migram para
os docu-mentos. As amarrações com barbante provocam tensão e favorecem o corte das margens dos documentos.

b) Manuseio incorreto

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Os problemas de manuseio não se limitam apenas no momento em que os documentos estão nas mãos do usuário.
Deve ser anali-sado todo o percurso, de ida e volta, entre a estante, a sala de consultas e de reprodução. Isto depende
do treinamento de funcionários e usuários, ou seja, de todo um planejamento de conservação.

c) Desastres

Os desastres constituem os fatores de maior gravidade na destruição dos documentos. Danos provocados pelo fogo e
água podem estar ligados a causas naturais, como terremotos, vulcões, furacões ou fortes tempestades. Raios e
descargas elétricas podem causar incêndios. Do rompimento de tubulações de água, do destelhamento, da obstrução
de calhas e com a elevação dos leitos de rios podem surgir inundações.

O fogo, em virtude da sua rápida ação, pode causar danos irreparáveis. Nos casos de incêndios, a temperatura no interior do edifício
costuma chegar a níveis altíssimos. Os documentos, quando não são queimados, podem ser afetados de maneira irreversível. A fumaça e a
fuligem se espalham por toda a área, manchando, inclusive, documentos que tenham escapado do fogo. A Instalação de equipamentos
modernos de detecção de fumaça e controle do fogo deve ter prioridade nos prédios antigos e modernos que abrigam acervos. Também
deve ser priorizados a execução constante de manutenção e um exercício pleno de monitoramento do prédio com auxílio de brigadas
antiincêndios. Por outro lado, na tentativa de controlar as chamas, a água pode ampliar a extensão dos estragos.

Documentos molhados tornam-se imediatamente vulneráveis a graves danos. Além da deformação causada nas encadernações,
existe o perigo de escorrimento das tintas e o apodrecimento pelo ataque microbiológico. De acordo com a origem da inundação, a
água pode estar contaminada por fatores químicos agressivos, de grande diversidade de impurezas e de micro-organismos. A ação
de salvamento deve, portanto, ser rápida e eficaz. Para isto, deverá ser previamente planejada. Por esta razão, é essencial que
arquivos e bi-bliotecas elaborem um plano de emergência, onde estejam definidos todos os problemas que signifiquem riscos em
potencial. Ao mesmo tempo, deve ser determinada uma estratégia para o salvamento do acervo, no caso de acidentes.

O maior perigo num incêndio é o dano causado pela água de combate ao fogo, promovendo os mesmos efeitos de
uma catástrofe por inundação.

Os livros molhados aumentam de volume, os impressos em papel tipo cuchê, com revestimento brilhante, em geral usado para im-
pressão de ilustrações, transformam-se em verdadeiros tijolos com suas páginas coladas umas nas outras.

Em virtude da umidade excessiva, ocasionada pela água utilizada na tentativa de se apagar o fogo de um incêndio, ou
mesmo por inundação, o mofo começa a invadir o acervo. Os esporos são capazes de difundir-se rapidamente a
outras partes do imóvel que não foram atingidas por esses eventos.

- AGENTES BIOLÓGICOS a) Microorganismos

Encontramos uma enorme variedade de seres microscópicos no ar. O papel é vulnerável aos ataques microbiológicos, pois seu prin-cipal
constituinte, a celulose, sofre degradação provocada por diferentes espécies de fungos e bactérias. A ação de microorganismos no papel se
manifesta pelo aparecimento de manchas de várias cores, intensidades e conformações. As enzimas, que são produzidas como resultado
do metabolismo de diferentes espécies de fungos e bactérias, aceleram os processos de degradação da celulose e de colas. A
consequência é a transformação das características físicas e químicas do suporte, que fica com um aspecto filtroso e fragmentado.
1 - Bactérias

As bactérias compõem-se de uma só célula, ou podem se associar a células similares, formando colônias. As células das
bactérias não se diferenciam como as dos fungos e se classificam, de acordo com o tipo de conformação das colônias.
Normalmente sua repro-dução se faz a partir da divisão de uma célula em duas iguais. Em condições desfavoráveis, certas
bactérias também produzem esporos como forma de resistência. Neste caso, há formação de um esporo por célula.

Embora as bactérias possam crescer numa ampla faixa de temperatura (de 0 a 80oC), as condições ideais estão na
temperatura de 20 a 37oC. A umidade é indispensável tanto ao desenvolvimento das bactérias, como dos fungos. Os
ambientes que possuem elevada umidade relativa favorecem seu crescimento e multiplicação.

2 - Fungos

Os fungos constituem-se de duas partes diferenciadas: a vegetativa que é composta de hifas que servem de fixação e absorção de
alimentos; e a reprodutiva, onde se encontra uma célula que produz vários esporos. Com poucas exceções, sua reprodução se faz
por esporulação. Os esporos são células ovais, altamente resistentes aos ambientes desfavoráveis. Portanto, além de ser uma
forma de repro-dução, a esporulação também é uma forma de resistência. Neste caso, há a formação de somente um esporo por
célula que, em condições ideais, volta a se desenvolver. As condições ideais para o crescimento dos fungos estão entre 22 a 30oC,
sendo que este desenvolvimento pode também ocorrer em condições de 0 a 62oC.

No papel, as colônias de fungos costumam ser identificadas por manchas de cor amarela, mais escuras no centro e mais
claras nos contornos. Dependendo da espécie de fungo, as manchas se ampliam e se apresentam sob diversas tonalidades.
Em condições muito favoráveis, formam bolores e seus esporos, em grande quantidade, dão a impressão de um pó.

b) Insetos

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Os danos que os insetos causam aos acervos são bastante conhecidos. Produzem estragos de grande intensidade, durante
tempos relativamente curtos. A ação destrutiva é maior nas regiões de clima tropical, cujas condições de calor e umidade
relativa elevadas pro-vocam numerosos ciclos reprodutivos anuais e desenvolvimento embrionário mais rápido. São pouco
afetados pelo controle ambiental interno e acervos, uma vez que possuem uma grande capacidade de adaptação às
transformações ambientais. Além disso, podem adquirir resistência aos inseticidas com o passar do tempo.

Os grandes predadores de documentos e livros se classificam como: Tisanuros (traças), Blattoideas (baratas),
Isópteros (Cupins) e os Coleópteros (besourinhos, carunchos, brocas). Alcançam os depósitos através de janelas,
forros, ralos, etc. Também podem ser intro-duzidas por meio de aquisição de acervos ou objetos já infestados.

1 - Traças

Os Tisanuros se desenvolvem sem metamoforse, isto é, do ovo atingem sua conformação já completa, e vão aumentando de tama-
nho até a fase adulta. Não ultrapassam a 2 cm de comprimento, sem contar com as antenas e filamentos caudais. Possuem corpo
mole, recoberto por minúsculas escamas finas de cor cinzenta e brilho prateado. Desbastam couros, papéis e fotografias pela
superfície, se instalando e se desenvolvendo em locais escuros e especialmente úmidos. Sua configuração plana lhes permite
penetrar os espaços entre as folhas e por detrás dos móveis, junto às paredes.

2 - Baratas

As Blattoideas fazem uma metamorfose incompleta, passando do ovo para a ninfa e a seguir à fase adulta. Preferem
os locais es-curos, quentes e úmidos. Em geral se desenvolvem nos depósitos e nos condutores de instalações
hidráulicas e elétricas. São atraídas para os ambientes pelos resíduos alimentares. Tal como as traças, causam danos
nas superfícies e nas margens de documentos e das encadernações.

3 - Cupins

Os Isópteros se alimentam da celulose da madeira e dos papéis. São muito resistentes e vivem em colônias muitas organizadas.
Classificam-se em dois grupos: os de solo e os de madeira. Os dois tipos atacam igualmente as coleções documentais.

Os cupins de solo formam colônias subterrâneas e chegam às edificações através de canais (galerias), que constróem pelas bases de
madeira e mesmo de concreto, aproveitando suas falhas estruturais para protegê-los da luz, uma vez que não possuem proteção epitelial.

Os cupins de madeira vivem dentro da madeira de móveis, portas, forros, etc. Passam para livros e documentos que
se encontram em armários, estantes e gavetas infestadas.

Têm aversão à luz, uma vez que não possuem pêlo. Procuram exatamente os conjuntos compactos de papéis. Apesar de se alimen-tarem
da celulose do papel, preferem as madeiras e por isso mesmo, algumas vezes as coleções de documentos são usadas apenas como
caminho para que possam alcançar seu alimento. Seus estragos desenvolvem-se internamente, sobretudo através de furos.
4 - Brocas

Os Coleópteros possuem metamorfose completa: passam do ovo para a larva, desta para a pupa e, finalmente, ao inseto adulto. Suas
espécies variam de acordo com as condições climáticas de cada região. São vulgarmente denominados de brocas, carunchos ou besouri-
nho. Estes insetos perfuram as folhas compactadas ou de encadernados, até rendilhá-las, impossibilitando a leitura do texto.

5 - Piolhos

Os Psocópteros, vulgarmente conhecidos como piolho de livros, pequenos insetos de cor amarela-avermelhada, são
frequentemente encontrados entre as folhas. Sobrevivem em locais muito úmidos, pois são insetos que não atacam
diretamente o documento, porém alimentam-se dos fungos e de restos de outros insetos mortos, e pode causar danos
nos livros, roendo as encadernações, formando pe-quenos orifícios de contorno irregular.

c) Roedores

Adaptam-se a quase todas as condições climáticas e alimentam-se de matéria orgânica, geralmente restos de
alimentos. Preferem ambientes quentes, úmidos e escuros. Para manterem-se aquecidos, utilizam papéis, couro,
tecidos, plásticos picados, principalmente na confecção dos ninhos para reprodução, que ocorre até dez vezes por
ano. A invasão nos depósitos pode ser feita pelos porões, portas, janelas, forros, tubulações etc. Além dos estragos
nas coleções, os ratos oferecem o risco de transmissão de doenças ao homem, como leptospirose, hidrofobia, etc.

d) O Homem

O homem, consciente ou inconscientemente, é um dos maiores agressores do papel. O simples uso normal é o suficiente para degra-dar
este material. A acidez e a gordura do suor das mãos, em contato com o papel, produzem acidez e manchas. Também são nocivos os maus
tratos como: rasgar, riscar, dobrar, escrever, marcar, colocar clipes, grampos metálicos, colar fitas, etc. Essas atitudes são comuns, tendo-se
tornado um hábito entre as pessoas que não pensam na preservação do documento e que se importam apenas com a informação contida
no mesmo, não levando em consideração os danos, muitas vezes irreversíveis, que estão causando.

– TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO

– Diagnóstico

O diagnóstico deverá ser a primeira etapa de todo o processo de conservação, pois é neste momento, que poderá será
feito um le-vantamento detalhado das condições físicas de cada publicação. É decisivo para a definição de qual
documento será tratado primeiro, bem como, qual será selecionado, baseado na relevância da publicação para a
instituição e a disponibilização do documento em âmbito nacional.

Didatismo e Conhecimento
36
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

– Monitoramento Ambiental

O controle da temperatura e da umidade relativa do ar é de importância fundamental na preservação dos acervos de


bibliotecas e de arquivos, pois níveis inaceitáveis destes fatores contribuem sensivelmente para a desintegração dos
materiais. Um bom programa de monitoração inclui um plano escrito para a coleta de informações e a manutenção dos
instrumentos. Ele deve identificar os espaços a serem controlados, os procedimentos a serem adotados e as formas de
gravar as informações desejadas. As amostras devem ser colhidas das maiores variações possíveis de condições.

Para uma boa conservação do papel, do ponto de vista químico e físico, aconselha-se manter a temperatura entre 18 e
22oC e a umidade relativa entre 45 e 55%. A medição desses índices pode feita através da utilização de aparelhos
termohigrometros e devem ser realizadas diariamente.

O sistema de ar condicionado deverá estar ligado ininterruptamente para evitar oscilações bruscas sobre o acervo. A
manutenção de condições estáveis é de grande importância. Os níveis de temperatura ou umidade não devem ser
modificados à noite, nos fins de sema-na, ou em outras ocasiões em que bibliotecas ou arquivos estejam fechados.
Caso a umidade relativa ultrapassar os padrões adequados, deverão ser usados aparelhos desumidificadores de ar.

3.3 - Vistoria

Consiste em vistoriar o acervo por amostragem, identificando se ocorreu algum ataque de insetos ou micro-organismo. É também objetivo
da vistoria, a avaliação do estado geral dos documentos, para que sejam determinadas as providências a serem tomadas.

- Higienização

A sujidade é o agente de deterioração que mais afeta os documentos. Quando conjugada a condições ambientais
inadequadas, provoca reações de destruição de todos os suportes no acervo. Portanto, a higienização das coleções deve ser
um hábito de rotina na manutenção de bibliotecas ou arquivos, sendo assim, podemos dizer que é conservação preventiva
por excelência. Isto aumenta sensi-velmente sua vida útil. A limpeza deve ser feita em intervalos regulares, cuja frequência é
determinada pela velocidade com que a poeira se acumula nos espaços de armazenagem.

O método mais simples é a remoção do pó e demais sujidades a seco, denominada higienização mecânica a seco. Este
procedimento consiste na remoção do pó das lombadas e partes externas dos livros com aspirador de pó, utilizando-se baixa
potência, com proteção na sucção. Para a limpeza das folhas utilizam-se trinchas, escovas macias e flanelas de algodão.

Uma limpeza mais eficiente e sem riscos poderá, deve ser feita com pó de borracha, que é aplicado em pequenas quantidades, fazen-do
suaves movimentos circulares sobre as superfícies desejadas. Em seguida, deve-se removê-lo, com um pincel ou trincha, que deverá ser
manuseada no sentido de baixo para cima, direcionando todos os resíduos, para que seja feita a sucção existente na mesa própria de
higienização de livros. Nesta etapa, deverão ser removidos os corpos estranhos à obra, tais como: prendedores metálicos, etiquetas, fitas
adesivas, papéis e cartões ácidos, etc. Serão identificados também os possíveis ataques de insetos, caso ocorram.
- Acondicionamento

O acondicionamento tem por objetivo a proteção dos documentos que não se encontram em boas condições contra agentes
externos e ambientais ou para a proteção daqueles que foram restaurados a favor da manutenção da integridade física da obra,
armazenando-os de forma segura. São embalagens para o acondicionamento de volumes (livros, etc.), em estantes, no sentido
vertical. Executadas em papel cartão em torno de 300g/m2, utilizam somente o sistema de dobras e encaixe, sem fazer uso de
qualquer tipo de adesivo e são caracterizadas por uma completa vedação. O acondicionamento protege os documentos da luz, da migração de
acidez de um documento para o outro e dos desastres, como pequenos incêndios e inundações. No caso de ser necessário utilizar
amarras, não é recomendado o uso de barbantes, mas de cadarços de algodão crus de 1,5cm.

- Reparos

Pode-se prolongar a vida dos documentos, procedendo pequenos reparos (remendos), utilizando papel japonês ou outro alcalino e cola
metilcelulose para impedir que rasgos maiores, ou mesmo perdas de partes do texto. Esses recursos não podem ser aplicados em
publicações muito danificadas ou deteriorados. Neste caso deverão receber tratamento mais específico, como a restauração.

Os fragmentos: são partes integrantes dos documentos que se desprendem. Estes tem importância vital para a obra,
quando possuem dados integrantes do texto, ou partes da encadernação original.

– Encadernação e reencadernação

É o processo de conservação mais eficiente. Ocorre através da reencadernação dos documentos que foram reparados.

Atualmente a encadernação mais utilizada é a cola, ou seja, do tipo capa solta, aquela na qual os cadernos ou folhas
soltas são presos entre si para formar um bloco, utilizando uma camada de adesivo sintético ou cola, que além de
serem ácidos, com o manuseio intenso soltam-se com facilidade. No laboratório, entretanto, só poderão ser utilizados
produtos alcalinos, e quando não for possível, o material ácido deverá ser isolado com papel alcalino para evitar o
contato direto com o interior da obra e assim evitar acidificação das páginas informacionais.

No documento que apresentar folhas soltas ou a encadernação estiver fragilizada, deverá ser feito o reforço. No caso
de material mais recente, e tratando-se de encadernação de época, a obra deverá ser apenas acondicionada.

As publicações a serem encadernadas só serão definidas após o diagnóstico.

Didatismo e Conhecimento
37
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

3.8 - Armazenamento

Os documentos devem ser guardados na posição vertical, em estantes, e em ambientes bem ventilados. Os folhetos
(documentos soltos sem encadernação) devem ser armazenados em gavetas na posição horizontal e acondicionados
em caixas confeccionadas com papel neutro ou alcalino, também chamado de papel permanente. Os documentos maiores não
devem ser colocados em cima de outros menores, para evitar total deformação do suporte. O empilhamento deverá ser
criterioso, baseado nas condições físicas, do tamanho e peso de cada obra.

– Plano de Emergência

O planejamento para os casos de emergência não deverá acontecer de forma isolada. Para funcionar efetivamente, ele terá de ser
integrado aos procedimentos operacionais rotineiros da instituição. O plano precisará contemplar todos os tipos de emergência e calami-
dades que a instituição pode vir a enfrentar. Incluirá ações tanto de curto, quanto de longo prazo para os esforços de resgate e recupera-
ção. O plano deverá ser de fácil execução, de modo que instruções concisas e treinamento são fundamentais para que o êxito seja total.

http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br/

14. ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO

DE BIBLIOTECAS.

As organizações que conseguem enxergar as necessidades de mudança estão demonstrando novas alternativas,
buscando novos referenciais junto às empresas mais modernas. Esses novos referenciais direcionam para a ênfase na
qualidade, para cliente, para a aprendizagem organizacional, para o capital intelectual, entre outros.

Para Senge (1990), a distinção das organizações tradicionais e autoritárias das organizações de aprendizagem, está
no domínio de certas disciplinas básicas, nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar
resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, a aspiração coletiva é
libertada e as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo.

Etzioni apud Hall (1984), coloca que as organizações são unidades sociais deliberadamente constituídas e reconstruídas
para buscar objetivos específicos. Sua estrutura organizacional compreende as distribuições, em diversos sentidos, das
pessoas entre posições sociais que influenciam as relações de papel entre essas pessoas (BLAU apud HALL, 1984).
A inquietação e a ansiedade decorrentes das mudanças nos modelos organizacionais têm sido comuns, pois tais
mudanças não são fáceis de serem atingidas. As organizações que lidam com a informação, como as Bibliotecas,
necessitam, com urgência, enfrentar esse desafio, impulsionadas pelas inovações tecnológicas. Às suas funções
tradicionais devem ser incorporadas novas funções, compatíveis com os novos paradigmas da informação. Novos
papéis devem ser assumidos pelas bibliotecas, o que afetará sua organização (ANDRA-DE et al., 1998).

Às bibliotecas universitárias, especificamente, compete fornecer informações em níveis compatíveis com as


necessidades dos usu-ários, como apoio imprescindível às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Alguns estudos, como os de Silva (1981) e de Mercadante (1990), apontaram diversas deficiências que impedem
muitas Bibliotecas Universitárias de cumprir este importante papel.

Silva (1981), traçando um panorama do planejamento de sistemas de bibliotecas universitárias, apontou as seguintes deficiências:

a não adoção de padrões/modelos ou critérios comuns de organização e prestação de serviços;

inexistência na maioria das instituições de regulamentos/regimentos aprovados que determinam a estrutura e a


competência das bibliotecas;

falta de definição do espaço ocupado pela biblioteca junto à administração superior, inclusive sem delimitação da área
de tomada de decisão;

inexistência de representação formal dos usuários nas programações do órgão, provocando distanciamento e
inadequação de oferta e demanda de serviços.

Mercadante (1990), em estudo realizado para o Programa Nacional de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior,
analisou os modelos organizacionais de bibliotecas universitárias no Brasil, num total de 78 instituições. Dentre as
principais conclusões, destacam--se:

Houve mudanças fundamentais, poucas universidades conservam ainda bibliotecas sem coordenação;

As estruturas se apresentam muito mais formais do que reais, continuam isoladas, sem espaço junto à alta administração;

Não possuem pleno exercício do gerenciamento administrativo e financeiro.


Estudos posteriores a esse não foram realizados ou, pelo menos, publicados, com exceção de experiências individuais como,
por exemplo, o de Andrade et al. (1998), que descreve um novo modelo de organização da Biblioteca da Faculdade de
Saúde Pública da USP. No Estado de Santa Catarina, nenhum estudo de tal natureza foi realizado até então.

biblioteconomiacespe.wordpress.com

Didatismo e Conhecimento
38
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Informação e conhecimento parecem ser as chaves do novo paradigma. Informação como instrumento para reduzir as incertezas e
orientar as tomadas de decisão e, em sentido mais amplo, o conhecimento como o conjunto (em expansão contínua) de
capacidades e saberes adequados para o desenvolvimento da organização em uma sociedade em transformação permanente.

Peter Drucker e Peter M. Senge são autores que, à mesma época, independentemente, estavam trabalhando na elaboração de um
corpo teórico mediante aplicação dos conceitos de informação e de conhecimento no âmbito da teoria organizacional.

Sendo a biblioteca um tipo de organização, portanto sujeita às mesmas leis e metodologias aplicáveis ao conjunto das organizações
sociais dos nossos dias, ocorreu-nos fazer uma transposição das ideias dos dois autores e, até onde fosse possível, relacioná-los.
Em verdade, mais que visões diferenciadas de uma mesma realidade, são perspectivas independentes em uma abordagem ainda
incompleta a um fenômeno em estudo, que é o das novas organizações empresariais.

Certamente que a invocação de tais princípios e abordagens é válida, se aceitarmos que as bibliotecas estão, com
asseverou Phipps, “em um processo crítico de transformação”, ou, como a autora descreve, referindo-se às bibliotecas
acadêmicas (mas extrapolável para outros tipos de bibliotecas).

“Elas estão sendo transformadas de organizações centradas em coleções para organizações centradas no acesso [à
informação], de depositárias de formatos impressos para organizações menos atadas à ideia de lugar e a documentos
impressos. Estão relacionan-do usuários com informações disponíveis localmente ou acessíveis remotamente; e capacitando
usuários para tornarem-se mais auto--suficientes como buscadores de informação. A missão delas não estaria mudando –
elas sempre foram vistas como elos da conexão dos investigadores com a informação requerida; mas os meios disponíveis
para ampliar o sucesso da missão estão mudando dramaticamente. Como tal, os papéis que correspondem às bibliotecas no
processo de comunicação científica estão tornando-se proativos, assertivos e cooperativos”. (p. 19).

Bibliotecas em transformação, como lembra a mesma autora, estão no processo de alcance de seu potencial,
transformando-se do que são para alcançar o que pretendem ser. Estão preocupadas em aquilatar suas
potencialidades, em analisar fortalezas e suas fraquezas, bem como em buscar alternativas estratégicas para atingir
objetivos e metas que garantam, mais que a sua sobrevivência, o atingimento de sua missão.

As organizações modernas estão racionalizando suas estruturas, simplificando organogramas.

No caso das bibliotecas, a lógica aponta para três setores claramente delineados:

técnico – responsável pela seleção e organização do acervo, incluindo a catalogação e classificação, indexação e
outras atividades profissionais específicas;

social – que se ocupa da prestação de serviços ao público interno (da organização a que serve) ou externo, incluindo
empréstimo local e interinstitucional, salões de leitura, exposições, seminários, treinamento de usuários, etc.

administrativo – encarregado da aquisição de acervo e outros bens permanentes ou de consumo, da parte secretarial,
orçamentária, e até do intercâmbio de duplicatas.
Em torno dessas três áreas de atuação, é que devem ser organizados os departamentos nas grandes bibliotecas, para depois
derivar o mínimo possível de chefias ou responsáveis por setores mais específicos, limitando-se ao mínimo tais subdivisões.

Departamentos do passado atuavam como guardiões de regras e normas próprias, responsáveis por treinamentos
intensivos de pes-soal (por causa da rotatividade), supervisionando tarefas e rotinas. Hoje, o trabalho é feito por
especialistas, que são responsáveis únicos pelos trabalhos que executam e que, trabalhando em equipe, precisam
desenvolver normas e procedimentos comuns para os diversos departamentos, em sincronia.

Conforme discute Senge, a fragmentação ou departamentalização fazia parte de uma lógica cartesiana, que aconselhava
fragmentar o complexo em vários segmentos para poder administrá-lo, mas não se tinha a noção indispensável, desenvolvida a
partir da teoria geral de sistemas, de que se deve manter uma visão global, holística, de todo o processo. Assim é que os setores
técnicos, administrativos e sociais são dirigidos de forma independente, mas dentro de um plano estratégico global.

A diferença de estilo de administração corre por conta do enfoque dado à pesquisa: cada proposta de mudança, em qualquer
depar-tamento, é precedida por estudos prévios na literatura, na experiência profissional de outras instituições, mediante
discussão interna, até que se chegue a um novo procedimento, por participação e consenso interdepartamental.

O papel do especialista e as novas tecnologias organizacionais

Informação, na administração, corresponde a dados considerados relevantes e objetivos.

Visto de outra maneira, dados só constituem informação valida em um tal contexto objetivo. A assertiva é válida para
os usuários também. E conhecimento, por definição, é sempre especializado. O especialista (knowledge worker) é
sempre um especialista em seu campo - seleção, catalogação, referência, livros raros, comutação bibliográfica,
automação de processos, em permanente aperfeiçoa-mento.

A biblioteca moderna é como uma orquestra - para usar a alegoria de Peter Drucker -, com especialista em cada setor
(de compras, empréstimo, orientação aos leitores), e à direção cabe a coordenação geral.

Didatismo e Conhecimento
39
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Na biblioteca do passado, os chefes sabiam e os auxiliares executavam ordens, sob supervisão. O conhecimento estava nas esferas mais
altas da administração, os auxiliares apenas seguiam instruções e normas. Atualmente, cada setor da biblioteca é desenvolvido por um
especialista, em nível profissional ou para-profissional, cada um fazendo diferentes trabalhos, de forma independente.

Uma organização baseada em informação pode ser desenvolvida sem o uso de sofisticadas tecnologias de processamento
de dados. Mas, é óbvio, que a disponibilidade de tais novas tecnologias requerem, para seu uso efetivo na organização, de
engajamento decisivo em análise e em diagnóstico, ou seja, em manejo adequado da informação.

O uso de computadores ou qualquer outra facilidade tecnológica é empregado, quase sempre, para acelerar ou aperfeiçoar tarefas que a
biblioteca vinha desempenhando, tais como empréstimo, catalogação ou elaboração de bibliografias para os usuários. O emprego de uma
nova tecnologia, por si só, não vai garantir o sucesso ou melhora do serviço. Se o serviço estava bem planejado, poderá ganhar em
precisão ou rapidez; se estava mal planejado, poderá continuar sendo irrelevante. A medida que novas tecnologias sejam incorpo-radas,
espera-se que, concomitantemente, a análise e o diagnóstico prévios levem a um melhor desempenho, dependendo da própria
organização. Organizações baseadas na informação e no conhecimento terão mais chances de sucesso.

Conforme observa Senge, as organizações do futuro serão aquelas capazes de alinhar as responsabilidades e capacidade de aprender de
cada individuo e, talvez mais importante ainda, onde existe a possibilidade de aprender e crescer em todos os níveis de sua estrutura.

Ou seja, em que todos aprendem juntos e têm a oportunidade de seguir crescendo profissionalmente.

Senge recorda-nos que existem organizações em que as pessoas realmente sentem-se parte de uma equipe e experimentam um esfor-ço conjunto
por lograr objetivos, como em organizações teatrais, times de futebol ou associações de colecionadores e que estas mesmas pessoas gostariam de
viver a mesma satisfação nas organizações em que trabalham, com o mesmo nível de responsabilidade e de prazer.

Seriam cinco as “tecnologias” capazes de aparelhar tais organizações: enfoque sistêmico, especialização do indivíduo,
modelos mentais, visão compartilhada e grupo de aprendizagem. Curioso que Senge refere-se a estas estratégias
como “tecnologias”, no sentido de estruturas e metodologias interdependentes para conformar e orientar os esforços
(entradas, insumos em geral) em busca de resultados exitosos (saídas, produtos). São elas:

Enfoque sistêmico (systems thinking) permite aos indivíduos (e, por extensão, a organização) uma visão de suas partes e inter--
relações, interdependências etc., ao mesmo tempo em que permite perceberem o conjunto. Marco conceitual e referencial para
entender as particularidades de cada setor ou atividade, sem perder a noção da totalidade. Visão holística, global, própria dos novos tempos em
que entram em jogo teorias e conceitos ligados a teoria geral de sistemas e à gerência da qualidade total. O enfoque sistêmico
utiliza conhecimentos e instrumentos desenvolvidos nos últimos 50 anos, capazes de gerar estruturas e processos racionais e
possibilitar seu controle e desenvolvimento em bases menos aleatórias e mais eficientes.

Especialização do indivíduo (personal mastery) tem a ver com a capacidade do profissional, em qualquer nível, de dominar os co-
nhecimentos e de seu compromisso pelo aprofundamento continuo. Tem a ver com identificação da pessoa com sua atividade, ao ponto de
elegê-la como forma de criação e afirmação, como via de realização e superação pessoal, da qual deriva sua função social e a sua própria
liderança e reconhecimento. Senge reconhece que as organizações, em geral, fracassam à medida que recebem novos emprega-dos que
chegam bem preparados, plenos de energia e desejo de auto realização e, por falta de um espaço de participação e crescimento,
desperdiça-os e aprisiona-os em um processo de defasagem e desmotivação. Ao contrario, Senge está “interessado nas conexões entre
aprendizagem pessoal e a aprendizagem própria da organização, da reciprocidade ou corresponsabilidade do indivíduo e da organização nesse processo
de aprendizagem, no espírito empresarial resultante da aprendizagem”.
Modelos mentais (mental models) estão profundamente engrenados nos pressupostos, generalizações, ou mesmo em imagens que
influenciam o nosso modo de entender o mundo e como orientar nossa ação. Tem a ver também com os modelos mentais em prática na
organização, na visão ou percepção de seus mercados, de seus competidores, de seus usuários. Consequentemente, “pensamos em
planejamento como aprendizagem e o planejamento da organização como aprendizagem institucional”. E, mais importante ainda: tem a ver
com a habilidade de propiciar a oportunidade para que as pessoas discutam e contribuam com suas ideias e experiências, abrindo-se

influência dos outros. Em outras palavras, criando um espaço para aprender e crescer, desenvolvendo e ampliando a
visão das pessoas que participam do esforço.

Visão compartilhada (building shared vision) em que a língua inglesa empresta um sentido mais dinâmico ao termo que o sugerido pela
forma substantivada do idioma português, está vinculada ao ponto crítico da visão comum que as pessoas, em uma determinada or-
ganização, têm de seu empreendimento. Tem a ver com a presença (ou ausência) de visão e missão institucional, seus objetivos e metas,
assim como valores que se enraízam no corpo da organização e de seus participantes. Cita os exemplos da IBM, direcionada para a pres-
tação de serviços, da Polaroid, identificada com fotografia instantânea, da Ford, com transporte público, e a Apple, com computadores para
o grande público e com sua capacidade de orientar seu pessoal na conquista desses objetivos comuns.

As bibliotecas, salvo exceções, são orientadas para uma estrutura mais ou menos convencional, oriunda da formação e da experi-ência
internacional, em vez de amoldar-se a uma visão de serviço que, de forma mais consequente, poderia ajustar suas estruturas às
necessidades e contingências de seu próprio meio ambiente. Uma vez definida a missão própria de uma biblioteca em particular (ainda que
recorrendo aos “modelos” em voga), seria possível chegar a uma visão própria, exclusiva, orientada à satisfação dos usuários, ainda que
não necessariamente reproduzindo todo o receituário disponível na cultura biblioteconômica. Mas, em contrapartida, mais ajustada

à sua realidade, fruto de uma aprendizagem de grupo que compartilha de sua visão e orienta sua capacidade para
atingir a missão esta-belecida, ainda que esta seja “modesta” em virtude de sua própria realidade.

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

- Grupo de aprendizagem (team learning, na forma mais adjetiva que permite o idioma inglês) tem a ver com a habilidade
para desenvolver pessoas com capacidades diferenciadas, em uma direção comum. Está convencido de que o grupo supera
o individuo, na medida em que o diálogo (do grego dia-logos) é a forma efetiva de aprendizagem e que, em grupo, é possível
chegar a resultados impos-síveis na perspectiva individual. Colocar em prática a tradição do diálogo, em um novo contexto,
de competitividade, de criatividade, de participação para a conquista de objetivos comuns.

Essas “tecnologias” ou disciplinas, em conjunto, podem criar uma situação de reflexão e crescimento institucional sem
limites. Senge acredita que são mais artísticas do que práticas administrativas tradicionais, entendendo arte no sentido
legítimo do domínio de um conhecimento e de sua aprendizagem (como em sua origem) direta entre o mestre e o aprendiz, em uma
relação de interdependência necessária para a continuidade e progresso das profissões e das organizações.

A proposta tem muito que ver com as ideias da deschoolling society, em que o aprendizado deixa de ser próprio das
escolas para insertar-se nas organizações sociais em geral.

Sem pretender entrar em uma discussão despropositada sobre a oposição entre os conceitos de ensinar e aprender - Senge
enfatiza o aprender e coloca de lado a questão de ensinar -, chegamos a um ponto de reflexão sobre a questão crucial do
“treinamento”. Em uma organização baseada no conhecimento, o treinamento e uma estratégia continua, permanente, presente em todos os
níveis de suas ativi-dades e não apenas (embora requeira) programas específicos, em momentos determinados.

A especialização do individuo (personal mastery) constitui-se em uma disciplina que continuamente esclarece e
aprofunda a nossa visão particular, que orienta nossas energias criativas, que amplia nossa tolerância e paciência, e
permite ver a realidade de forma mais objetiva.

Por Antonio Miranda

15. SERVIÇOS AOS USUÁRIOS: ORIENTAÇÃO E CONSULTA, REFERÊNCIA, PESQUISAS E LEVANTAMENTOS


BIBLIOGRÁFICOS,

CIRCULAÇÃO DO ACERVO.

Serviços aos usuários são os serviços prestados pelas bibliotecas às pessoas que usam a biblioteca, os usuários. Os usuários são
basicamente de 2 tipos: os reais, que efetivamente usam a biblioteca e seus serviços; e os potenciais, que podem vir a usar a biblioteca.
Cabe a biblioteca atender as demandas tanto dos usuários reais quanto dos potenciais. Para isso, ela oferece vários serviços, a saber.

Treinamento, orientação e consulta: Quando o usuário chega à biblioteca, principalmente aqui no Brasil, é um alumbramento, um
espanto. Ainda tem muita gente, mesmo em cidades grandes, que nunca foi em uma biblioteca. Por isso, a maior parte da atenção
de treinamento, orientação e consulta é voltada para ensinar essas pessoas a utilizar os recursos e serviços da biblioteca da forma
mais completa possível. Isso vai desde de ensinar como encontrar um dicionário na organização das estantes da biblioteca até
ensinar como fazer uma busca por ordem alfabética de uma palavra em um dicionário.

Bibliotecas universitárias se deparam com a necessidade constante de treinar e orientar os usuários, especialmente os
calouros (mui-tos dos quais estão indo pela primeira vez em uma biblioteca na universidade), no uso do sistema de
gerenciamento de livros (como fazer uma busca por título, por autor, por assunto, como identificar a data, como saber se o
livro está disponível, etc.) e depois de encontrar o livro no sistema, como encontrá-lo nas estantes.

É comum as bibliotecas oferecerem visitas guiadas, para uma ambientação inicial com os novos alunos. Nas bibliotecas que não possuem
sistemas informatizados, o treinamento para o uso do catálogo é essencial.

Referência (ou serviço de referência): é o intermediário entre o acervo e o usuário. O usuário quando se depara com a
biblioteca precisa de referência, por isso esse nome. (Para alguns autores, e eu concordo com essa linha de pensamento,
todos os serviços voltados para os usuários estão dentro do serviço de referência. Mas isso é apenas a minha visão.) Afinal
de contas, como encontrar a informação que você quer diante de um mundo de documentos? É preciso de ajuda.

O serviço de referência tem por base a 4ª lei de Ranganathan, e aproveito para colocar todas aqui:

1 – Os livros são para usar

2 – A cada leitor o seu livro

3 – A cada livro o seu leitor

4 – Poupe o tempo do leitor

5 – A biblioteca é um organismo em crescimento

Por poupar o tempo do leitor, entende-se se esforçar para que o tempo entre a solicitação do usuário ao sistema e a
sua resposta seja mínimo. Para tanto, as bibliotecas cada vez mais investem em sistemas automatizados, por um lado, e em
treinamento de pessoal, por outro.

Didatismo e Conhecimento
41
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

O serviço de referência também pode ser feito à distância. O que dá mais comodidade ao usuário. Em geral, as
bibliotecas oferecem telefone, para receber críticas e sugestões e tirar dúvidas, e e-mail ou formulários web para
solicitações mais detalhadas. Neste caso, pode ser chamado de serviço de referência virtual ou digital.

Serviço de referência é o serviço responsável pelo atendimento do usuário na biblioteca. É, de forma simples, a ponte entre o acervo
informacional da biblioteca e o usuário que pretende encontrar alguma informação ali. O primeiro trabalho sobre serviço de referência data
de 1876, nos EUA. A origem do Serviço de Referência está diretamente ligada à urbanização e à industrialização, que fez com que as
grandes cidades recebessem pessoas sem o mesmo grau de cultura e letramento daquelas que frequentavam bibliotecas até então. Isso
fez com que os bibliotecários passassem a se preocupar em como atender melhor pessoas que muitas vezes sequer sabiam ler.

Dennis Grogan, um dos principais autores sobre o tema, coloca 8 etapas para o processo de referência, a saber: O problema: o
processo é iniciado com um problema que atrai a atenção de um usuário;

A necessidade de informação: explicitação do problema pelo usuário, seja por necessidade de conhecer e
compreender, seja por curiosidade ou qualquer outro motivo;

A questão inicial: o usuário formula a questão e solicita auxílio do bibliotecário; inicia-se o processo de referencia, que
compreende duas fases: a análise do problema e a localização das respostas às questões;

A questão negociada: o bibliotecário solicita esclarecimentos sobre a questão inicial para atender satisfatoriamente a
necessidade do usuário;

A estratégia de busca: o bibliotecário analisa minuciosamente a questão, identificando seus conceitos e suas relações, para
traduzi-la em um enunciado de busca apropriado à linguagem de acesso ao acervo de informações; a seguir, são escolhidos
os vários caminhos possíveis para o acesso às fontes especificas para responder a questão apresentada.

O processo de busca: estabelecimento de estratégias flexíveis que comportem mudança de curso para otimizar a busca;

A resposta: para a maioria dos casos será encontrada uma resposta, porém isso não constitui o fim do processo, pois a
resposta en-contrada pode não ser a esperada;

A solução: o bibliotecário e o usuário devem avaliar se o resultado obtido é suficiente para finalizar o processo de busca.

Clipping (ou clipagem): É uma atividade que consiste em fazer leituras de jornais, revistas e periódicos em geral a fim
de selecionar matérias de interesse para a instituição ou para os usuários individualmente.

Pesquisas e levantamentos bibliográficos: É uma das atribuições mais importantes da biblioteca e, mais nas bibliotecas espe-
cializadas, constitui boa parte das solicitações. Consiste em executar pesquisas para os usuários sobre temas específicos
nas fontes de informação disponíveis às bibliotecas. Levantamento bibliográfico é um sinônimo para “o que tem sobre
determinado assunto” ou “o que tem de determinado autor” na biblioteca. Isso é muito comum. O que tem sobre história do
Brasil? Então será feito um levantamento bibliográfico a fim de identificar a bibliografia disponível na biblioteca sobre o tema,
incluindo não apenas livros, mas artigos de perió-dicos e demais documentos.

DSI (disseminação seletiva da informação): É o serviço que leva a informação ao usuário, ou seja, dissemina a
informação sele-cionada para a pessoa que precisa/deseja receber a informação.

Em geral, o usuário tem um cadastro na biblioteca em que indica seus interesses, e a biblioteca envia informações selecionadas para

ele.

Empréstimo (Circulação): É o serviço de circulação dos exemplares (documentos) do acervo. Em geral, toda biblioteca tem
um balcão de empréstimo/devolução, com sistema automatizado ou não, em que o usuário leva o livro que quer levar,
preenche as infor-mações necessárias, e leva o livro para casa durante o período permitido de empréstimo. Caso o usuário
deseja ficar mais tempo com o livro, poderá renová-lo caso não esteja reservado, no caso de sistemas automatizados é
possível fazer isso sem ir presencialmente na biblioteca. E caso o usuário queira pegar um livro que está emprestado, poderá
fazer a reserva do livro. Também aqui, em caso de sistema automatizado, a reserva pode ser feita pelo próprio sistema.

Por Gustavo Henn

16. NOÇÕES DE NORMALIZAÇÃO DE

DOCUMENTOS (ABNT).

Para a área de informação e documentação, a normalização tem a finalidade de estruturar e apresentar graficamente
documentos como: livros, relatórios, teses, dissertações, periódicos, etc., e parte deles como: referências, resumos,
índices, sumários e outros. Seu objetivo é facilitar a pesquisa e o acesso aos documentos.

Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, normalização é a atividade que estabelece, em relação
a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do
grau ótimo de ordem em um dado contexto.

Didatismo e Conhecimento
42
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

É do conhecimento de toda comunidade acadêmica que a produção científica é tida como um dos indicadores de competência dos
departamentos no ambiente universitário, e que todo trabalhador intelectual precisa estabelecer padrões formais para garantir a efetiva
qualidade das fases do processo cientifico, isto é, desde a primeira comunicação das ideias até a apresentação final do trabalho.

Ressaltamos que a normalização documentária é um fator não só de qualidade, mas um facilitador da transferência da
informação científica – pois a inexistência desta dificulta a recuperação das fontes utilizadas para elaboração da
pesquisa acadêmica – por meio de regras, métodos e normas que proporcionam:

Identificar melhor um documento;

Facilitar a comunicação no universo acadêmico;

Melhorar a qualidade formal da produção científica. a) Artigo Científico (NBR 6022);

b) Referência (NBR6023);

c) Numeração Progressiva (NBR 6024); d) Sumário (NBR 6027);

e) Resumo (NBR 6028); f) Citação (NBR 10520);

g) Relatórios Técnico Científicos (NBR 10719); h) Trabalho Acadêmico (NBR 14724);

i) Projeto de pesquisa (NBR 15287).

Artigo em publicação periódica (NBR 6022/2003)

Estabelece sistema para a apresentação dos elementos que constituem o artigo em publicação periódica científica,
que se apresenta sob a forma de revista, boletim, anuário etc., com periodicidade e ISSN.

artigo científico: publicação com métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento;

artigo de revisão: publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas;

artigo original: publicação que apresenta temas ou abordagens originais (relatos de experiência de pesquisa, estudo de caso etc.).
Elementos pré-textuais

título e subtítulo: página de abertura do artigo, diferenciados tipograficamente;

autor(es): nome(s) do(s) autor(es) e breve currículo, endereços postal e eletrônico, em rodapé indicado por.

resumo na língua do texto: elemento obrigatório, constituído de uma sequência de frases concisas e objetivas (até 250 palavras);

palavras-chave e/ou descritores: após resumo e separadas por ponto.

Elementos textuais

introdução: parte inicial do artigo, onde devem constar a delimitação do assunto tratado, os objetivos da pesquisa e
outros ele-mentos necessários para situar o tema do artigo;

desenvolvimento: parte principal do artigo, que contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto tratado. Divide-se
em seções e subseções, conforme a NBR 6024, que variam em função da abordagem do tema e do método;

conclusão: parte final do artigo, na qual se apresentam as conclusões correspondentes aos objetivos e hipóteses.

Elementos pós-textuais

título, e subtítulo (se houver) em língua estrangeira;

resumo e palavras-chave em língua estrangeira;

nota(s) explicativa(s);

referências;

glossário;
apêndice(s);

anexo(s).

Referências (NBR 6023/2002)

NBR 6023/2002 - Estabelece os elementos a serem incluídos nas referências; ordem de apresentação e transcrição da
informação originada do documento.

Definição - Conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação individual.

Elementos essenciais e formato a) autor;

Didatismo e Conhecimento
43
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

título e subtítulo;

edição (número);

imprenta (local: editora e data).

SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Local: Editora, Ano.

Tipos de documentos

Monografias consideradas no todo

- livros;

- dicionários e enciclopédias;

- atlas;

- bibliografias ; - biografias;

- bíblias;

- normas técnicas; - patentes;

- dissertações e teses;

- publicações de congressos, conferências, simpósios, workshops, jornadas, etc.

Partes de monografias
capítulos de livros;

verbetes de dicionários e enciclopédias;

trabalhos apresentados; etc.

c) Documento jurídico

legislação (constituições; leis e decretos;

jurisprudência (súmulas, sentenças, etc.);

doutrina (monografia jurídica);

d) Publicações periódicas

periódico;

revistas;

coleções;

fascículos;

jornais;

Parte de publicações periódicas

artigo de revista
artigo de jornal, etc.

boletim.

Tipos de autoria

Autor pessoal - um autor ;

- dois autores; - três autores;

- mais de três autores.

Autor entidade

associações;

empresas;

instituições;

eventos, etc.

Órgãos governamentais

Autoria desconhecida

Organizadores, compiladores, editores, adaptadores etc.

Outros tipos de responsabilidade


tradutor;

prefaciador;

ilustrador, etc.

Didatismo e Conhecimento
44
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Título

Título de Monografias (livros, teses, artigos etc.)

reproduzido tal como aparece no documento;

diferenciado tipograficamente (negrito, itálico, sublinhado), apenas a primeira palavra, inicial em maiúscula (exceção
dos nomes próprios);

subtítulo (sem destaque, precedido por dois pontos) e indicado após o título.

O título do periódico pode ser abreviado (NBR 6032) ou não, e segue o título do artigo escrito com a primeira letra de
cada palavra em maiúscula destaque.

Edição

Indica-se a edição, em algarismo(s) arábico(s) seguido(s) de ponto e abreviatura da palavra edição, no idioma da publicação:

2. ed.

5. th.

Quando necessário indicam-se emendas e acréscimos a edição:

3. ed. rev. e aum.

Local

Quando houver homônimos, indique a localização. Viçosa, MG Viçosa, RN


Quando o local não aparece na publicação, deve-se indicar, entre colchetes, a expressão sine loco (Sem local) [S. l.]

Quando não aparece, mas pode ser identificada, coloca-se entre colchetes. [Florianópolis]

Editora

Suprimir natureza jurídica/comercial (Gráfica, Impressora, Editora, Livraria, etc). CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São
Paulo: Paz e Terra, 1999.

Na publicação: Paz e Terra Editora.

Quando o editor é o mesmo autor, ele não deve ser mencionado novamente. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA.
Catálogo de Graduação, 1994-1995. Viçosa, MG, 1994.

Quando houver mais de uma editora, indica-se a que aparecer com maior destaque, as demais podem ser também
registradas com os respectivos lugares.

Rio de Janeiro: MAST; São Paulo: UNESP.

Quando a editora não puder ser identificada, usa-se a expressão sine nomine [s. n.]

Quando o local e o editor não puderem ser identificados usa-se as duas expressões, entre colchetes. GONÇALVES, F.
B. A história do Mirador. [S.l.: s.n.], 1993.

Data

A data de publicação (ano) deve ser indicada em algarismos arábicos. 2000 e não 2.000

uando houver dúvida quanto à data, indica-se, sempre entre colchetes [1997?] para data provável

[ca. 1995] para data aproximada [199-] para década certa

[19--] para século certo [19--?] para século provável [entre 2005 e 2007] intervalo
Em publicações virtuais, insere-se também, a data de acesso ao documento.

Em publicações periódicas, é necessário acrescentar os meses, e devem ser indicados de forma abreviada (exceto
maio) e no idioma original da publicação.

ALCARDE, J. C.; RODELLA, A. A. O equivalente em carbonato de cálcio de corretivos da acidez dos solos. Scientia
Agrícola, Piracicaba, v. 53, n. 203, p. 204-210, maio/dez. 1996.

Didatismo e Conhecimento
45
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Séries e coleções

Séries ou Coleções são indicadas no final da referência, entre parênteses, e suprimindo as expressões: coleção/série.
MIGLIORI, R. Paradigmas e Educação. São Paulo: Itú, 1993. (Visão do Futuro, v. 1).

Notas

Sempre que necessário à identificação da obra, devem ser incluídas notas com informações complementares, ao final
da referên-cia, sem destaque tipográfico.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Biblioteca Universitária. Biblioteca virtual universitária 2.0.
Catálogo de livros, enciclopédias e documentos virtuais. Acesso mediante matrícula e senha da Biblioteca/UFSC.
Florianópolis, 2010. Dispo-nível em:

<http://150.162.4.10/pergamum/biblioteca_s/php/login_pearson.php>. Acesso em: 24 set. 2010.

Paginação irregular

Quando o documento não possuir numeração de página ou possuir paginação irregular, insira as expressões ao final da referência.
MARQUES, M. P.; LANZELOTTE, R. G. Banco de dados e hipermídia: construindo um metamodelo para o projeto Portinari.

Rio de Janeiro: PUC, 1993. Paginação irregular.

SISTEMA de ensino Tamandaré: sargentos do Exército e da Aeronáutica. [Rio de Janeiro]: Colégio Curso Tamandaré,
1993. Não paginado.

Ordenação das referências

As referências podem ser ordenadas por duas maneiras: sistema alfabético e numérico.

Em casos de referências de autoria igual ou título de várias edições de um documento referenciado sucessivamente,
na mesma página, pode ser substituído por seis espaços.
FREYRE, Gilberto. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no Brasil. São Paulo: Nacional, 1936. 405 p.

Numeração progressiva das seções de um documento escrito (NBR 6024/2012)

“Estabelece um sistema de numeração progressiva das seções de documentos, de modo a expor em uma sequência
lógica o inter--relacionamento da matéria e permitir sua localização.”

Definição

seção: parte em que se divide o texto de um documento;

seção primária: principal divisão do texto de um documento;

seção secundária, terciária, quaternária, quinária (limite): divisão do texto de uma seção primária, secundária, terciária,
quaterná-ria, respectivamente;

alínea: cada uma das subdivisões de um documento, indicada por uma letra minúscula e seguida de parênteses;

subalínea: subdivisão de uma alínea; deve começar por travessão seguido de espaço, com recuo em relação à alínea;

indicativo de seção: número ou grupo numérico que antecede cada seção do documento.

Sumário (NBR 6027/2012)

Enumeração das divisões, seções e outras partes de uma publicação, na mesma ordem e grafia do documento. Último
elemento pré-textual.

a palavra sumário deve ser centralizada e com a mesma tipologia da fonte utilizada para as seções primárias;

os elementos PRÉ-TEXTUAIS não devem constar no sumário;


os indicativos das seções que compõem o sumário, são alinhados à esquerda.

Resumo (NBR 6028/2003)

Estabelece os requisitos para redação e Apresentação de resumos.

Apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento.

crítico (resenha): redigido por especialistas com análise crítica de um documento;

indicativo: pontos principais do documento, não apresentando dados; não dispensa consulta documento;

informativo: informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, dispensa consulta
documento. - 150 a 500 palavras - trabalhos acadêmicos e relatórios técnico-cientifícos;

- 100 a 250 palavras - artigos de periódicos;

Didatismo e Conhecimento
46
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

50 a 100 palavras - a indicações breves;

não aplicável para resenha.

Citação (NBR 10520/2002)

Especifica as características exigíveis para citação em documentos.

Definição: Menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte.

Por quê utilizar citação?

dar credibilidade/fundamentação ao trabalho científico;

fornecer informações a respeito dos trabalhos desenvolvidos na área de pesquisa;

fornecer exemplos de pontos de vista semelhantes ou não sobre o assunto de sua pesquisa.

Formas de citação

Citação direta

Citação indireta

Citação de citação

Relatórios técnico-científicos (NBR 10719/2011)


Especifica os princípios gerais para a elaboração e a apresentação de relatórios técnico-científicos. Quando oportuna,
pode ser aplicada em outros tipos de relatório.

Definição: O relatório técnico - cientifico é um documento que relata formalmente os resultados ou progressos obtidos em
investi-gação de pesquisa e desenvolvimento ou que descreve a situação de uma questão técnica ou científica.

http://www.bu.ufsc.br/

17. DIREITOS AUTORAIS.

O Direito Autoral no Brasil está regulamentado pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Ele tem como principal objetivo a pro-
teção da expressão de ideias, reservando para seus autores o direito exclusivo sobre a reprodução de seus trabalhos.

Esse é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988 que, ao tratar “Dos Direitos e Garantias Fundamentais” (Título
II), no Capítulo I (Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos), enfoca especificamente o direito do autor.

O texto do artigo 5º da Constituição Federal, além de belo, é claro e diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,

à segurança e à propriedade (...)”. E assegura: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar”.

Entende-se por Direito Autoral a proteção de trabalhos publicados e não publicados nas áreas de literatura, teatro, pintura,
escultura, filme, trabalhos visuais de arte, incluindo fotografias e os softwares, música e coreografias de dança.

Registro de Obras Literárias e Artísticas

Desde 1973, como definido na Lei 5.988, a Biblioteca Nacional é a instituição responsável pelo registro de obras
literárias e ar-tísticas, aceitando o registro de textos dos mais diversos gêneros literários, técnicos e científicos; como
também de criações musicais, teatrais, para cinema e televisão, história em quadrinhos e personagens desenhados; e
outras produções publicitárias e para publicações periódicas.

O espírito extremamente atual que permeia as discussões sobre direito autoral faz com que até mesmo a criação de
sites, no que diz respeito à seleção, organização e disposição de seu conteúdo, possa ser registrado na Biblioteca Nacional.
Em todo o território nacional, outras instituições podem, mediante convênio com a Biblioteca Nacional, se credenciar
como escri-tórios de representação.

É importante saber, no entanto, que o registro na Biblioteca Nacional é facultativo. A proteção aos direitos do autor independe de
registro, diferentemente do que acontece, por exemplo, com a patente ou outros instrumentos de propriedade industrial.

Obras Protegidas

A Lei 9.610, no Capítulo I, Artigo 7º, define as obras intelectuais protegidas como sendo “as criações do espírito,
expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no
futuro”. E elenca os exemplos dessas criações, que reproduzimos na íntegra, abaixo:

I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;

II - as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza;

Didatismo e Conhecimento
47
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

III - as obras dramáticas e dramático-musicais;

IV - as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma; V -
as composições musicais, tenham ou não letra;

VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas;

VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia; VIII - as obras de desenho, pintura, gravura,
escultura, litografia e arte cinética;

IX - as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;

X - os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo,
cenografia e ciência;

XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;

XII - os programas de computador;

XIII - as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por
sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.

2º A proteção concedida no inciso XIII não abarca os dados ou materiais em si mesmos e se entende sem prejuízo de
quaisquer direitos autorais que subsistam a respeito dos dados ou materiais contidos nas obras.

3º No domínio das ciências, a proteção recairá sobre a forma literária ou artística, não abrangendo o seu conteúdo
científico ou técnico, sem prejuízo dos direitos que protegem os demais campos da propriedade imaterial.

www.casadoautorbrasileiro.com.br

O que é direito autoral

Direito autoral é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual,
para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. O direito
autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) e protege as relações entre o criador e quem
utiliza suas criações artísticas, literárias ou científicas, tais como textos, livros, pinturas, esculturas, músicas, fotografias
etc. Os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais.
Os direitos morais asseguram a autoria da criação ao autor da obra intelectual, no caso de obras protegidas por direito de autor. Já
os direitos patrimoniais são aqueles que se referem principalmente à utilização econômica da obra intelectual. É direito exclusivo do
autor utilizar sua obra criativa da maneira que quiser, bem como permitir que terceiros a utilizem, total ou parcialmente.

Ao contrário dos direitos morais, que são intransferíveis e irrenunciáveis, os direitos patrimoniais podem ser
transferidos ou cedidos a outras pessoas, às quais o autor concede direito de representação ou mesmo de utilização
de suas criações. Caso a obra intelectual seja utilizada sem prévia autorização, o responsável pelo uso desautorizado
estará violando normas de direito autoral, e sua conduta poderá gerar um processo judicial.

A obra intelectual não necessita estar registrada para ter seus direitos protegidos. O registro, no entanto, serve como início de prova
da autoria e, em alguns casos, para demonstrar quem a declarou primeiro publicamente.

O surgimento do direito autoral no Brasil

A partir das Constituições de 1891, 1934, 1946, 1967 e da Emenda Constitucional de 1969, o direito autoral em nosso
país passou a ser expressamente reconhecido. No caso dos direitos autorais relativos às obras musicais, foram os
próprios compositores que lutaram para a criação de uma norma para a arrecadação de direitos pelo uso de suas obras.

No Brasil, as sociedades de defesa de direitos autorais surgiram no início do século XX. Estas associações civis, sem
fins lucrativos, foram na sua maioria fundadas por autores e outros profissionais ligados à música, e tinham como
objetivo principal defender os direitos autorais de execução pública musical de todos os seus associados.

Chiquinha Gonzaga foi uma das pioneiras no movimento de defesa dos direitos autorais no país. Cada vez que suas obras
musicais eram executadas nos teatros, ela considerava justo receber uma parcela do que era arrecadado, pois entendia que
sua música era tão importante e gerava tanto sucesso quanto o texto apresentado. Em 1917, ela fundou a Sociedade
Brasileira de Autores Teatrais (que posteriormente passou a se chamar Sociedade Brasileira de Autores) - Sbat, que no início
era integrada somente por autores de teatro, mas que com o passar do tempo também permitiu a associação de
compositores musicais. Como consequência natural, o movimento associativo ampliou-se e logo surgiram outras entidades.

Com a pulverização de associações com o mesmo fim, os problemas não paravam de aumentar. Os usuários preferiam continuar a utilizar
as obras intelectuais sem efetuar qualquer pagamento, visto que o pagamento a qualquer uma das associações existentes não implicava
em quitação plena e permitia a cobrança por outra associação. As músicas, em sua grande maioria, eram (e continuam sen-do) resultados
de parcerias, e por isso possuíam vários detentores de direitos, cada qual filiado a uma das referidas entidades, gerando cobranças e
distribuições separadas. Para dar fim a esse problema, em 1973 foi promulgada a Lei 5.988/73, que criava um escritório

central para realizar, de forma centralizada, toda a arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública musical. Em 2 de
janeiro de 1977, o Ecad - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição iniciou as suas atividades operacionais em todo o Brasil.

Didatismo e Conhecimento
48
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

O direito autoral hoje no Brasil

No Brasil, a gestão coletiva surgiu da necessidade de se organizar a arrecadação e a distribuição dos direitos autorais das músicas utilizadas
em locais públicos. A impossibilidade de cada autor controlar a utilização de sua obra, em todos os cantos do país e do mun-do, fez com
que eles se reunissem em associações de música para gerir seus direitos. Este tipo de gestão garante os direitos dos
autores, intérpretes, músicos, editoras e gravadoras, especialmente porque o Brasil possui um sistema que permite arrecadar
e distribuir, conjun-tamente, os direitos de autor (autores e editoras) e conexos (intérpretes, músicos e gravadoras). A gestão
coletiva também facilita o dia a dia dos usuários de música, pois eles recebem uma autorização ampla e única para utilizar
qualquer obra musical protegida e cadastrada no banco de dados do Ecad e das associações de música.

Para os autores que não concordam com este sistema ou esta forma de centralização, a lei brasileira permite que os
mesmos admi-nistrem por conta própria o seu repertório musical, não precisando, portanto, estar associados a uma das nove
associações para que seus direitos sejam preservados e garantidos. Porém, fica claro que, num país com dimensões
continentais como o Brasil, fica praticamente inviável um titular de música conseguir identificar e controlar todos os locais que
utilizam suas obras para a cobrança dos seus devidos direitos autorais de execução pública musical.

Obra musical e fonograma

Os titulares de direito de autor estão diretamente ligados à obra musical, enquanto os titulares de direitos conexos
estão ligados ao fonograma.

A obra musical, fruto da criação humana, possui letra e música ou simplesmente música. Uma música instrumental
também é uma obra musical, mesmo não possuindo letra.

O fonograma é a fixação de sons de uma interpretação de obra musical ou de outros sons. Essa fixação em geral se dá em
um suporte material, isto é, em um produto industrializado. Cada faixa do CD, DVD ou LP é um fonograma distinto.

Os diferentes tipos de direitos

Existem diversos tipos de direitos relacionados à exploração das obras musicais e dos fonogramas. Alguns desses
direitos são exer-cidos diretamente por seus titulares, outros são geridos coletivamente. Eles são assim classificados:

- Direito de edição gráfica: relativo à exploração comercial de partituras musicais impressas. Geralmente exercido
pelos autores diretamente ou por suas editoras musicais;
- Direito fonomecânico: referente à exploração comercial de músicas gravadas em suporte material. Exercido pelas
editoras musi-cais e pelas gravadoras;

Direito de inclusão ou de sincronização – relativo à autorização para que determinada obra musical ou fonograma faça parte
da trilha sonora de uma produção audiovisual (filmes, novelas, peças publicitárias, programação de emissoras de televisão
etc) ou de uma peça teatral. Quando se trata do uso apenas da obra musical executada ao vivo, a administração é da editora
musical. Já quando se trata da utilização do fonograma, a administração é da editora e da gravadora.

Direito de execução pública – referente à execução de obras musicais em locais de frequência coletiva, por qualquer
meio ou pro-cesso, inclusive, pela transmissão, radiodifusão e exibição cinematográfica. Esse direito é exercido
coletivamente pelas sociedades de titulares de música representadas pelo Ecad.

Direito de representação pública – relaciona-se à exploração comercial de obras teatrais em locais de frequência coletiva. Se essas
obras teatrais tiverem uma trilha sonora, a autorização para a execução da trilha deverá ser obtida por meio do Ecad.

Deve ficar claro que as atribuições legais e estatutárias do Ecad dizem respeito à proteção dos direitos de execução
pública musical. A defesa dos demais tipos de direitos musicais, tais como sincronização e fonomecânicos, é exercida
diretamente por seus titulares ou por meio de outras associações de gestão coletiva.

http://www.ecad.org.br/

18. ÉTICA PROFISSIONAL/RELAÇÕES NO

AMBIENTE DO TRABALHO.

19. RELAÇÕES INTERPESSOAIS E

TRABALHO EM EQUIPE.

A ética segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Houaiss (2004, p. 319) “1) conjunto de preceitos sobre o que é
moralmente certo ou errado; 2) parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o comportamento humano”.

Segundo Motta,

Didatismo e Conhecimento
49
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, “o agir” da pessoa
humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: “o que é” o homem e “para que vive”, logo toda
capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69)

A ética é um valor fundamental de nossas atitudes. Deveria ser um valor habitual, porém a sociedade carece desse valor.
Cornelutti (apud LIMA, 1987, p. 889) fala que “o direito é necessário porque os homens não são como deveriam ser.”

Muitas atitudes encontradas são exemplos da falta de ética existente nas relações humanas, que englobam desde a família, a política e o
trabalho. O enfoque desse trabalho será voltado a conduta profissional, especificamente serão analisados os códigos de ética do bi-
bliotecário e do arquivista, este sob a ótica internacional, por não haver regulamentação nacional. O debate ético é necessário, visto que o
ser humano com consciência necessitada conduta ética e assim contribui para a melhoria das atitudes e trazem o bem estar social. Uma
profissão pautada em fundamentos éticos colabora para a construção deum mundo menos corrupto.

Entrelaçamento da ética, moral e valores

Estas três concepções fazem ou farão parte em algum momento da vida de todo o ser humano, estão interligadas e
convergem em alguns aspectos e se diferenciam em outros, dependendo do contexto sob os quais são analisadas. O
ser humano só poderá fazer uso destas três abordagens enquanto fizer parte de um ecossistema social uma vez que
vivendo isoladamente do âmbito social prescindirá de tais pressupostos. A seguir constam abordagens teóricas de alguns
autores sobre os termos ética, moral e valores, descortinando o véu existente sobre os seus significados mais intrínsecos.

Para Frei Betto (2003) são termos indissolúveis “Toda atitude ética está intimamente ligada aos valores morais que
predominam em nosso grupo social. São esses valores que inspiram nossas ações e servem de referência para avaliar
se elas são ou não eticamente aceitáveis.” (FREI BETTO, 2003, p. 17)

Enquanto que Guimarães et al agrega aos valores uma concepção normativa

[...] os valores, pressuposto da vida em sociedade, são construídos ao longo da historia de cada individuo, em suas
diferentes etapas de desenvolvimento e partem das raízes culturais de cada sociedade, que os julgam
moralmente(reflexão ética) e então são admitidos e respeitados por estes cidadãos. Desse modo, a Ética enquanto
reflexão sobre a moral, propicia que se confira aos valores a condição de: normas, princípios ou padrões sociais, de
natureza econômica, moral, religiosa, artística, cientifica, política, profissional e legal.(GUI-MARAES et al , 2009, p. 98)

Quanto à relação da ética com os valores é perceptível um relacionamento indissociável, uma vez que para que o
individuo possa realizar uma reflexão ética sobre suas ações, os valores morais já devem estar incutidos através de
sua bagagem existencial e sedimen-tados no seu interior. No que diz respeito à ética e moral estes termos muitas
vezes aparecem lado alado e não raro são confundidos em seus significados, tornando-se sinônimos uma da outra.

Por dentro da ética e da postura profissional


Segundo Guimarães et al (2009) a dimensão profissional da ética teria surgido a partir do desenvolvimento da sociedade capitalista,
averiguando as profissões no que dizia respeito questões e técnicas operacionais (como fazer) e ainda onde estas profissões estavam
inseridas socialmente, bem como seus objetivos (para que e porque fazer), surgindo assim a ética profissional que “reflete uma dimensão
cotidiana da ética no ambiente do desenvolvimento das relações de trabalho” (GUIMARÃES, et al, 2009,p.99)

Os autores acima (p.99) ainda acrescentam que a ética profissional pautada nos valores e ações que visam o agir
profissional correto e adequado podem gerar conflitos com os valores de certos indivíduos. Isto quer dizer que em
certo momento de sua atuação profissional o individuo, passível de erro como é todo o ser humano, pode sentir-se inclinado a
não agir corretamente ou por motivos alheios a sua vontade ou ainda porque os valores morais instalados dentro de si não
estão devidamente trabalhados e sedimentados, turvando a visão neste momento do certo ou errado, dobem ou do mal.

A prática profissional constitui o resultado de uma relação humano-social, sustentada na expectativa de um usuário
quanto à dispo-sição e domínio de saber que possui um prestador de serviço. Desse prestador de serviço, o usuário
espera não apenas que ele saiba o que fará, como o fará e conheça as condutas técnicas e deliberações sobre como
aplicar esse saber, mas que respeite a si próprio como executor de sua tarefa para minimamente ser humanamente
conveniente com o resultado que proporcionará ao usuário no final de seu trabalho. (SOUZA, 2007a).

O mesmo autor ainda acrescenta que “ [...] todos os profissionais, como coletivo que se identifica por sua atividade
laborativa, são levados a estabelecer [...] um conjunto de princípios que orientem as suas condutas pessoais e as suas
práticas ou ações profissionais.” (SOUZA, 2007a).

O autor (2007a) ainda comenta sobre as atitudes que constituem um profissional. Elas são decorrentes da preparação
profissional e da conduta moral, resultado da socialização, valores, justiça, porém o autor reflete sobre os gostos e
preferências individuais, que inter-virão na prática profissional.

[...] a moral profissional poderá ter nuances em sua expressão, conforme as características do objeto específico com
que trabalha e da finalidade social a que atende a respectiva profissão, isto é, da especificidade da missão profissional
de cada profissão socialmente estabelecida. (SOUZA, 2007a).

Didatismo e Conhecimento
50
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Para dar continuidade ao nosso estudo, traçamos aqui a similaridade entre os profissionais arquivistas e bibliotecários.
Ambos são responsáveis pela organização da informação para posterior uso da sociedade. Muito mais que atividades
mecânicas, temos uma res-ponsabilidade social: proporcionar o alcance da informação aos usuários de uma forma simples e
facilitada. Para que possamos exercer nossas atividades, um código de ética é necessário, para propor alguns direitos,
deveres, proibições e até sanções. A atuação dos profis-sionais da informação que atuam na área de organização e
tratamento da informação e representação temática é permeada pela constante vigília e reflexão sobre os aspectos éticos do
exercício profissional, portanto a ética é a base que sustenta a atuação do profissional da informação.

Isto se deve ao fato de que “o profissional desta área medeia, por meio de linguagens documentárias, os conteúdos
informacionais de documentos de diferentes naturezas e isso requer uma atitude ética constante.” (VALENTIM, 2004, p. 55).

A autora defende ainda que: o fazer do profissional da área está muito ligado a atitudes e comportamentos éticos, tanto em relação ao
usuário, quanto em relação ao próprio fazer informacional. Na mesma linha de pensamento Fernades-Molina (2009, p. 66) parte do princípio
de que as bibliotecas e os demais centros de informação tem missões e objetivos de caráter social atuando com uma série de valores e a
consecução de seus objetivos se obtém através de uma conduta ética. Pressupondo assim que “os profissionais da informação são agentes
morais, responsáveis ante si mesmos, ante os demais e ante a sociedade em seu conjunto.”

Código de Ética do Profissional Bibliotecário

O Código de Ética do Profissional Bibliotecário foi retirado do site do Conselho Federal de Biblioteconomia. Esta
informação é importante que seja de fácil e livre acesso a todos, principalmente os profissionais.

Uma das preocupações foi regulamentar o código, dando legalidade ao mesmo, com a publicação no Diário Oficial da
União. Mos-trando o comprometimento profissional com a questão ética. Está dividido em seções e artigos.

Souza explica sobre o Código do Bibliotecário

[...] Código Brasileiro, cujo teor é inteiramente prescritivo, ou seja, determina uma forma de atuação do bibliotecário.
Além disso, o Código de Ética do bibliotecário brasileiro está redigido segundo um modelo de redação legislativa e
institui penalidades, por eventual má conduta profissional. (SOUZA, 2007b).

E continua:

Os bibliotecários brasileiros, nos termos de seu Código de Ética, mais que autores de sua atuação, são as sujeitados ao cumprimento de
um modo de atuar. Talvez, por essa razão, pelo vício de origem brasileira de legislar sobretudo ou de regular qualquer coisa em sua
existência humana, a prescrição da postura ou conduta de Código de Ética do bibliotecário brasileiro sirva para obscurecer a verdadeira
intenção de quem criou originalmente tal Código nos idos da ditadura militar iniciada em 1964. (SOUZA, 2007b).

O código preocupa-se com os aspectos que dignificam a profissão do bibliotecário, além disso tem como direitos a
preservação profissional e o atendimento ao usuário, permeando a profissão com questões de compaixão e
gratificação. Determina ainda, o sigilo profissional que deveria ser intrínseco a todos, no entanto não é o que notamos.
As proibições são mencionadas visto que num mercado competitivo e qualificado muitos se valem de comportamentos
antiéticos para obter vantagens individuais. Julgando que estamos numa sociedade, onde a ética não é respeitada por
todos, quem infringir, deve arcar com penalidades, assim o código postula sanções para essas atitudes.
Cabe ressaltar que existe na redação do código especificações quanto aos honorários profissionais, sendo
regulamentada uma remu-neração justa.

Por Luciene Michel; Karin Lorien Menoncin; Natália Gastaud de Oliveira e Nara Rodrigues. Relação interpessoal não
existe sem trabalho em equipe

Ter uma boa relação interpessoal é fundamental para quem quer se destacar na carreira. Conflitos são comuns e a
convivência diária é difícil - principalmente com aqueles colegas que não conhecemos bem, mas um bom clima
organizacional pode trazer muitos resulta-dos benéficos, tanto para a empresa quanto ao funcionário.

Tendo em vista a importância do bom relacionamento nos resultados da empresa e na qualidade de vida de seus funcionários, empre-sas
têm adotado atividades com esse direcionamento. É o caso da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no qual a área de recursos humanos
desenvolve um trabalho direcionado para estimular as relações interpessoais entre os seus colaboradores - são realizadas dinâmicas e
atividades destinadas à melhoria do relacionamento interpessoal, que variam de acordo com as questões apresentadas pela equipe.

“Hoje não se faz mais nada sem trabalho em equipe, as competências e informações não são centralizadas em uma só pessoa. A
ajuda mútua faz parte do desenvolvimento de projetos”, afirma Fátima Motta, professora doutora do núcleo de estudos e negócios
em desenvolvimento de pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e sócia-diretora da FM Consultores.

De acordo com Fátima, o trabalho em equipe faz com que o desempenho individual se potencialize. “Para crescer precisamos do outro,
nada acontece de forma isolada. Não identificar a importância é uma cegueira que as pessoas acabam desenvolvendo”, destaca.

Como o trabalho em equipe deve ser estimulado

Um trabalho harmonioso torna tudo mais fácil e as metas cada vez mais próximas de serem cumpridas. Fátima explica que o gestor assume
um papel importante para a equipe, e deve estabelecer objetivos claros, que dependam da construção de todos. “O gestor deve entender
que ele constrói junto com os outros. Atitudes como elogiar, vivenciar e reconhecer a equipe, realizar trabalhos de desenvolvi-mento, assim
como workshops de times são importantes para aprimorar ainda mais o relacionamento”, explica. E quando em um traba-lho em equipe
existirem comandantes e comandados, qual a relação interpessoal ideal? Segundo Fátima, deve haver o mesmo vínculo, quem coordena a
equipe deve entender que a liderança é compartilhada e deve reconhecer o valor que o outro tem para contribuir com a

equipe. “Saber dar e receber feedback, estimular a equipe e comunicação aberta, são comportamentos ideais”, afirma.

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Dificuldades no relacionamento interpessoal

De acordo com Fátima, as maiores dificuldades estão na superficialidade das relações. Hoje em dia existem diversas formas de nos
comunicarmos, como e-mails e redes sociais, não precisando de contato físico. “A qualidade do contato e o vínculo com o outro é funda-
mental naquilo que ele precisa desenvolver da melhor forma”, afirma. Entender que relacionamento interpessoal não significa amizade
também é importante. “Não precisa ser amigo íntimo, apenas confiar na pessoa dentro do que está proposta e ter respeito mútuo. Saber se
comunicar e entender que o outro é diferente de você, são fatores importantes para um trabalho em equipe”, complementa.

Por Fátima Motta

Cinco pilares do relacionamento interpessoal no trabalho

Entre os relacionamentos que temos na vida, os de trabalho são diferenciados por dois motivos: um é que não
escolhemos nossos colegas, chefes, clientes ou parceiros; o outro é que, independentemente do grau de afinidade que
temos com as pessoas do ambiente corporativo, precisamos funcionar bem com elas para realizar algo juntos.

Esses ingredientes da convivência no trabalho nos obrigam a lidar com diferenças de opinião, de visão, de formação,
de cultura, de comportamento… Fazer isso pode não ser fácil, mas é possível se basearmos nossos relacionamentos
interpessoais em cinco pilares: autoconhecimento, empatia, assertividade, cordialidade e ética.

Autoconhecimento – Fundamental para administrar bem os relacionamentos, autoconhecimento implica reconhecer nossos traços de
comportamento, o impacto que causamos nos outros e que comportamentos dos outros nos incomodam. Por exemplo: uma pessoa
objetiva e dinâmica, que gosta de agir com independência e rapidez para atingir seus objetivos, pode ter conflitos na interação com
um colega de perfil mais cauteloso e metódico, que segue regras à risca e tem um ritmo mais lento por se preocupar com detalhes.
Porém, se pelo menos um dos dois tiver autoconhecimento, pode utilizar estratégias que minimizam o conflito com o outro.

Empatia – Trata-se de considerar os outros, suas opiniões, sentimentos e motivações. Sem isso, não há como chegar
a uma negocia-ção ganha-ganha, fruto de um relacionamento equilibrado. A empatia também nos torna capazes de
enxergar além do próprio umbigo e ampliar nossa percepção da realidade com os pontos de vista dos outros. Entre as
várias coisas que se pode fazer para praticá-la, a mais básica é saber ouvir.

Assertividade – Para ter relacionamentos saudáveis, não basta ouvir: é preciso também falar, expressar nossas opiniões, vontades,
dificuldades. É aí que entra a assertividade, a habilidade para nos expressar de forma franca, direta, clara, serena e respeitosa.

Cordialidade – Tratar as pessoas com cordialidade é ser gentil, solícito e simpático, é demonstrar consideração pelo o
outro de várias formas. Pode ser com o “bom dia” com que saudamos o destinatário de nossa mensagem de e-mail,
com o ato de segurar a porta do elevador para alguém entrar ou apanhar do chão um objeto que o colega deixou cair.
Dizer “obrigado” olhando a pessoa nos olhos, oferecer-se para prestar uma ajuda, cumprimentar aquele com quem
cruzamos no corredor, mesmo saber seu nome… A cordialidade desinteressada, que oferecemos por iniciativa própria,
sem esperar nada em troca, é um facilitador do bom relacionamento no ambiente de trabalho.
Ética – Ser ético é ter atitudes que não prejudiquem os outros, não quebrem acordos e não contrariem o que se
considera certo e justo. Podemos ter muito autoconhecimento, ser altamente empáticos e assertivos, mas, se não nos
conduzirmos pela ética, não conse-guiremos manter relacionamentos equilibrados.

Fortalecer esses pilares traz melhorias não só para nossas interações no trabalho, mas também para as de outras
áreas da vida – fami-liar, afetiva, social, de amizade. Vale a pena investir nisso – afinal, os relacionamentos são a
melhor escola para o nosso desenvolvimento pessoal.

Por Regina Giannetti D. Pereira

20. ATENDIMENTO AO PÚBLICO.

O atendimento ao público é a atividade fim de uma Biblioteca. Todas as demais funções desenvolvidas têm como
objetivo apoiar, facilitar e subsidiar o atendimento ao usuário. O usuário é a razão de existir de nossa Biblioteca.

Em virtude da amplitude de situações possíveis, estas diretrizes não têm como objetivo contemplar todas as práticas e princípios de
conduta, mas atender e esclarecer dúvidas relevantes e servir de base na compreensão do que consideramos como disciplina e
ética no atendimento. Portanto, em caso de dúvidas, o colaborador deverá entrar em contato com seu superior.

Para um bom atendimento ao público, é necessário que haja uma comunicação interna eficiente e que o usuário esteja
bem informa-do sobre os produtos e serviços oferecidos.

Assim, o atendimento engloba dois elementos essenciais:

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Comunicação

Publicidade

a) Comunicação: para que seja bem sucedida, é necessário que a mensagem seja transmitida de forma adequada e
compreendida pelo receptor com o mesmo sentido.

Um dos problemas mais sérios na comunicação é o entendimento equivocado da mensagem que se deseja transmitir. Muitas
vezes, o tom de voz interfere no entendimento da mensagem a ser transmitida. Pessoas que falam de forma severa e rígida
tendem a ser mal interpretadas e, frequentemente, acusadas de grosseria, estupidez e arrogância. Na verdade, a forma
como se fala tem maior peso do que o conteúdo da mensagem que se quer passar. A expressão corporal representa mais de
metade do conjunto no momento de comunica-ção. É a forma como o cliente percebe disponibilidade, paciência, segurança,
energia e agilidade. A expressão corporal engloba o modo como se inclina o corpo ou a face, a posição das mãos e dos pés,
o sorriso na face. O modo como nos mexemos e andamos pode, ou não, mostrar vitalidade.

Para que tenhamos uma comunicação efetiva, que nos faça mais produtivos, algumas regras são fundamentais:

Não falar mal dos colegas, das chefias ou dos usuários. Se tivermos alguma queixa de uma pessoa, devemos falar
diretamente com ela, evitando as “fofocas” tão prejudiciais ao ambiente de trabalho e à nossa vida pessoal. Não podemos
admitir nenhum tipo de assédio moral, o que engloba qualquer conduta que afete negativamente o desempenho do trabalho,
que denigra a dignidade de qualquer pessoa ou gere um ambiente de trabalho intimidador, hostil ou ofensivo.

A relação entre colegas, chefias e colaboradores deve ser pautada pelo respeito mútuo, honestidade, dedicação e educação.
Assim, colegas não discutem diante de outros colegas, muito menos diante do usuário. Chefias não orientam seus
colaboradores diante de outras pessoas. A conversa entre a chefia e o colaborador deve ser feita de forma reservada, longe
de outras pessoas, evitando-se todo o tipo de constrangimento. O colaborador evita pedir providências da chefia diante do
usuário ou do colega. Manter um bom relacionamento com os colaboradores, evitando discussões e conflitos durante a
jornada de trabalho é tarefa de toda a equipe. As diferenças pessoais devem ser restritas aos momentos reservados. Nas
relações de trabalho, as diferenças pessoais devem ser aceitas e o relacionamento harmonioso e amistoso.

Respeitar o horário de substituição do plantão.

Usar o crachá que nos identifica frente aos usuários e torna o atendimento mais profissional e amistoso.

As alterações na rotina do atendimento devem ser comunicadas a todos, inclusive aos usuários (ex: cartazes com
avisos, e-mails). Criar um sistema efetivo de comunicação com o usuário interno e externo deve ser uma meta a ser
perseguida. Os avisos de emergência devem ser solicitados às secretárias e colocados na agenda da Referência,
porta de entrada da Biblioteca e nos meios de comunicação virtuais: site da Biblioteca e Twitter.

Suprimento de papel para cópias, estoque de revistas para venda, troco, formulários, chaves de armários devem ser
providencia-dos pelo bibliotecário que abrir a Biblioteca. O bibliotecário do primeiro horário deve checar todos esses
itens e providenciar, com o responsável, a reposição.

Ao assumir o plantão, o bibliotecário deve supervisionar o ambiente de atendimento: salas de estudos individuais,
salão de leitura, sala de xerox, videoteca, acervos e demais espaços dedicados aos usuários. Ao detectar problemas
como luz piscando, computadores travados, piso ou paredes quebrados, sujeira no ambiente etc., informar às
secretárias, que deverão fazer ordem de serviço para o setor de manutenção ou tomar as providências cabíveis. Essa
prática favorecerá os cuidados necessários à manutenção do espaço do usuário e do nosso próprio trabalho.

O bibliotecário em seu turno é responsável pelo setor de atendimento e deverá zelar pelo espaço para que seja o mais
agradável possível para todos.

b) Publicidade: são as estratégias que a Biblioteca encontra para promover os seus produtos e serviços. Todos os colaboradores
devem incluir nas suas atividades o papel de agente promotor da Biblioteca. Para tanto é necessário que os produtos e serviços
sejam conhecidos. Caso um funcionário não conheça um determinado produto/serviço oferecido deve se inteirar com o colega.
Caso continue com dificuldades, deve pedir um treinamento à chefia imediata para que conheça o recurso oferecido e possa
orientar o usuário com segurança. Os folhetos distribuídos na referência informam ao usuário a nossa oferta de produtos/serviços e
devem ser o guia do mínimo que devemos saber para fornecermos um bom atendimento ao público.

Algumas medidas comportamentais dão maior grau de qualidade ao atendimento. Assim, devemos evitar:

Falar e rir alto, afinal estamos em um ambiente de estudos. Conversas nos corredores e escadas devem ser evitadas,
respeitando os usuários em suas leituras e estudos.

Falar mal das instituições. É aqui que passamos grande parte dos nossos dias e de onde retiramos os subsídios para
satisfazer nos-sas necessidades básicas, assim como as mais elevadas. Se tivermos problemas, ou alguma
insatisfação, devemos conversar com nosso chefe imediato, ou mesmo com a diretora, porém jamais comentar ou
reclamar para pessoas externas ao serviço que não poderão auxiliar na solução dos problemas.

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Conversar com o colega assuntos que podem ser tratados fora do horário de atendimento. As conversas com o pessoal do aten-
dimento devem se limitar ao estritamente necessário e envolver somente assuntos de trabalho. Os demais temas devem ser
tratados no ambiente interno, nunca no atendimento. Quando funcionários conversam no ambiente de atendimento pode ficar a
impressão, aos usuários, de que estão “matando” o tempo para não trabalhar. Na dúvida, devemos evitar esta postura.

Ler jornais, revistas comerciais ou acessar sites de relacionamentos (Orkut, Facebook) no horário de atendimento. Quem de nós
não se sente desconfortável ao chegar a um ambiente público e encontrar o atendente debruçado sobre um jornal, revista ou
mesmo in-teragindo socialmente em uma comunidade de relacionamentos. Assim que o usuário chegar, devemos interromper
imediatamente o que se estamos fazendo e voltar toda a atenção a ele. Devemos fornecer um atendimento tal e qual se espera
receber quando buscamos um bom serviço. Se chegarmos a um serviço público e o atendente está distraído com a Internet ou
lendo materiais que não são de trabalho, ficamos com a péssima impressão daquele serviço e daquele funcionário.

Assim, evitar esse tipo de atividade no horário do atendimento faz parte da boa conduta do funcionário público. Sabemos que ficar
esperando o usuário, sem fazer nada, é aborrecedor. Dessa forma, o funcionário pode levar para o posto de atendimento algum trabalho
para executar enquanto o usuário não chega. A Biblioteca opera com rodízios de funcionários no atendimento exatamente porque é uma
atividade que demanda dedicação. Assim, as poucas horas que estamos no atendimento devem ser de dedicação preferencial ao usuário.

Ligações com celulares. O celular é um instrumento particular de comunicação e pode ser usado durante o expediente,
desde que a pessoa tenha bom senso. Mas recomenda-se evitar o uso quando estamos no atendimento. Proibimos o
uso de celulares pelos usuários. Devemos, portanto, dar o bom exemplo, não utilizando-o.

Esperamos que todas as ações e planos da Instituição sejam sempre baseados no respeito ao ser humano e nos
valores éticos. Dessa forma, alguns pontos com relação ao atendimento devem ser observados:

Atendimento pessoal – devemos demonstrar interesse pelo problema do usuário, afinal, o problema dele é o mais
importante do mundo. Olhar nos olhos do usuário e sorrir de forma simpática, encorajando-o a informar qual é a sua
necessidade de informação. Informá-lo das diversas possibilidades de serviços que a Biblioteca oferece, a partir das
necessidades declaradas. Informação na medida certa é o que todo usuário precisa.

O funcionário deve transmitir gosto pelo trabalho e preocupação com o serviço que presta. Essas atitudes se refletem
nos chama-dos “momentos da verdade”.

Atendimento por telefone – a pessoa que está do outro lado percebe muitas das nossas atitudes quando falamos ao telefone.
Por-tanto, devemos sempre ser positivos e demonstrar entusiasmo e boa vontade em fornecer informações.

Atendimento por e-mail – responder ao usuário é muito diferente de responder a um amigo. O mínimo de formalismo é
necessário. Chame o usuário respeitosamente de senhor, senhora e não escreva de forma abreviada, fazendo o uso
adequado da língua, de forma simples, mas correta. Se tiver dúvida de como se escreve uma palavra, consulte um
dicionário ou utilize um sinônimo, mas tente escrever corretamente.

Uso do regulamento – conhecer o regulamento é fundamental para um bom atendimento. O regulamento não é uma camisa
de força e, salvo prejuízos a outros usuários, pode ser flexibilizado. O que deve prevalecer é o bom senso.

No atendimento direto, a aparência é o primeiro impacto visual e a primeira impressão do cliente sobre o atendente, sendo
fun-damental na revelação de uma atitude e de um comportamento positivos. Colaboradores em exercício de suas atividades
profissionais representam a imagem da Biblioteca e, por esta razão, devem preocupar-se em usar roupas e acessórios que
valorizem esta imagem, evitando exposições desnecessárias (decotes, saias curtas, roupas rasgadas, etc).

As regras de ouro do atendimento telefônico:

1- Atenda imediatamente, aos primeiros toques do telefone;

2- Identifique a Biblioteca e cumprimento o interlocutor com simpatia e energia. A boa disposição e alegria são
transmitidas pela voz, assim como o mau humor e o comportamento depressivo.

3- Fale de forma clara e natural. Evite utilizar termos muito técnicos. Use palavras simples e de fácil compreensão. 4-
Não se importe em repetir a informação, sempre de forma educada e paciente.

5- Mostre interesse e atenção ao ouvir o interlocutor.

6- Evite expressões de desinteresse ou que sugiram hostilidade ou negativismo do tipo “não sei”, “não temos”, “não…”; Use
antes termos como “Se não se importar de esperar um momento, vou consultar quem melhor pode informá-lo sobre esse
assunto”, “Infeliz-mente não temos essa obra, mas podemos incluí-la como sugestão para aquisição.” “Não localizei o fulano,
quer deixar um recado?” Atenda ao telefone como gostaria de ser atendido quando necessita de um serviço.

7- Tenha sempre papel e caneta perto do telefone, para poder tomar notas. 8- Mantenha a simpatia e a disponibilidade.

9- Não interrompa bruscamente o discurso do interlocutor.

10 - Evite deixar o interlocutor esperando; se não for possível fornecer a informação desejada ao interlocutor, pergunte
se ele pode aguardar um pouco ou, se for algo demorado, tome nota do número para ligar posteriormente ou sugira
que retorne a ligação alguns minutos mais tarde.

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11 - Termine a conversa com cortesia, revelando vontade e motivação na prestação de serviços, utilizando expressões
como “Sem-pre às ordens”, “Estamos ao seu dispor”, “Satisfeitos por servi-lo”, de acordo com o contexto e desligue
sempre o telefone depois do interlocutor o ter feito.

http://www.ip.usp.br/

21. NOÇÕES BÁSICAS DE SEGURANÇA

NO TRABALHO.

Em 1857, Jastrezebowisky foi o pioneiro em publicar um artigo intitulado Ensaios de ergonomia ou Ciência do trabalho. Somente após
quase cem anos o tema foi retomado, em 1949, por um grupo de cientistas e pesquisadores interessados em formalizá-lo como um novo
ramo de aplicação interdisciplinar da ciência. No ano posterior (1950), esse mesmo grupo reuniu-se novamente, objetivando adotar o
neologismo “Ergonomia”, palavra esta formada pelos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (regras). A despeito desse esforço, ainda hoje
há divergências quanto à conceituação final de ergonomia, não apenas pela sua relativa diversidade, mas também porque não há consenso
quanto ao seu status: se ciência ou se tecnologia (ERGONOMIA, 2001a).

Cronologicamente, seu desenvolvimento dá-se através de três eixos que avançam concomitantemente:

criação de entidades que a instituem, discutem seu alcance e defendem-na como campo de estudo e de trabalho;

difusão por meio da produção bibliográfica dos conhecimentos do campo gerados através da pesquisa acadêmica ou
de estudos aplicados;

academicização e escolarização do campo, através da criação de disciplinas em programas da Engenharia, Psicologia e


outros e realização de cursos com as temáticas que a Ergonomia vem desenvolvendo (ERGONOMIA, 2001a).

Na Inglaterra, em 1951, deu-se a fundação da Ergonomics Research Society. Cinco anos mais tarde, em 1956, após várias
discus-sões, dois autores, Obredame e Faverge, publicam a obra Análise do Trabalho, marco inicial para a evolução da
metodologia ergonômi-ca. Esta publicação caracterizou-se por enfocar as situações reais de trabalho visando à melhoria do
ambiente, utensílios ou equipamen-tos de trabalho e disposição destes no espaço. (ERGONOMIA, 2001a).

No Brasil, a Ergonomia começa a ser estabelecida nos anos 1960, ao ser abordada como tópico na disciplina Projeto de Produto,
ministrado por Ruy Leme e Sérgio Penna Kehl, na Escola Politécnica da USP. Posteriormente, em 1966, foi introduzida no Curso de
Projeto de Produto na ESDI/UERJ; em 1967 a disciplina Introdução à Ergonomia foi incorporada ao Curso de Psicologia Industrial II,
da USP de Ribeirão Preto; em 1970 a disciplina Ergonomia foi inserida no Mestrado em Engenharia de Produção da COPPE-UFRJ
e na área de Psicologia do Trabalho, do ISOP/FGV e em 1971 foi instalada uma área de concentração em Ergonomia, Treinamento
e Aperfeiçoamento Profissional no Mestrado em Psicologia do ISOP/FGV. (ERGONOMIA, 2001a).
Em 1968, foi publicado no Brasil o primeiro livro tratando do tema e seu foco foi o uso didático, com o título: Ergonomia: notas de aulas, de
Itiro Iida e Henri Wierzbicki. Em 1975, foi publicado, por Itiro Iida o título: Aspectos ergonômicos do urbano. No âmbito da pesquisa
acadêmica, em 1971, Itiro Iida defendeu Tese de Doutorado, na Escola Politécnica da USP, intitulada A Ergonomia do manejo.

Atualmente, no Brasil, a ergonomia está inserida, predominantemente, no campo das Engenharias, desenvolvendo métodos e técni-cas de
análise dos ambientes de trabalho. Porém essas análises são realizadas somente em profissões de “grande massa” de trabalhadores, a
exemplo, da agricultura, medicina, educação, dentre outras. Esse fenômeno pode ser constatado, por exemplo, no número e teor das
dissertações e teses apresentadas no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catari-
na, até março de 2007, que supera 540 títulos, e contempla vários campos de trabalho e ocupações profissionais.

No campo profissional do bibliotecário, que como campo não está inserido dentre aqueles de “grande massa”, há raros textos, tanto
no Brasil quanto no exterior, sobre o emprego da Ergonomia e nem sempre, diretamente, relacionados à análise dos postos e dos
am-bientes profissionais ocupados pelos habilitados neste campo. Isso parece ter relação com a limitada visibilidade social do
bibliotecário, que pode decorrer de fatores como: ser ele parte de uma profissão com pequeno contingente de profissionais, quando
comparada a outras profissões do setor de ciências sociais aplicadas; advir de uma educação universitária que, no país ou no
exterior, conta com pequeno número de escolas; fazer parte de um contexto cultural em que predomina a informalidade nas
transações discursivas, etc. Isso contribui para um relativo desconhecimento da população sobre essa profissão, o que, no caso
brasileiro, também colabora no sentido de que seu ambiente de trabalho ainda não seja o mais apropriado em termos de
proporcionar bem estar ocupacional em todas as circunstâncias e em todas as organizações empregadoras.

Aparentemente, as instituições contratantes de bibliotecários apenas focalizam o resultado final do trabalho realizado, e não se
preocupam com o processo durante sua execução. Ou seja, não se detém naquilo que é necessário, ergonomicamente, para o
desenvol-vimento das tarefas, que assegurem a sua realização com os menores riscos à saúde do profissional.

Um dos fatores mais relevantes para o desenvolvimento de qualquer ser humano, especialmente no ambiente de trabalho, é
o seu bem-estar, tanto fisiológico, quanto psíquico e físico, para que possa atuar com plenitude e satisfação.

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Sobre essa temática, reitera-se, ainda é escassa a produção científica nacional em Biblioteconomia e, em consequência, pouco se
conhece sobre a saúde do bibliotecário em seu ambiente de trabalho, especialmente quanto a estudos ergonômicos.

Através de pesquisas a serem realizadas nesse âmbito temático, poder-se-á conhecer melhor com que meios o bibliotecário poderá
desempenhar bem suas atividades. E, assim, obter-se-á uma base argumentativa mais apropriada à categoria profissional, como um todo, e
a cada um, em particular, para exigir o recurso ergonômico necessário que permita o cumprimento satisfatório dos papéis ou atribuições
inerentes à sua profissão, seja em relação ao seu próprio bem estar, seja para satisfação das instituições nas quais trabalha.

Considerando-se essas ideias iniciais, que indicam a convergência temática da Ergonomia com o ambiente onde são realizadas as
atividades bibliotecárias, o presente artigo resulta de uma busca e análise de literatura, tendo por isso o caráter de pesquisa
bibliográfica, quanto à origem dos dados. No que se refere ao seu objetivo final, trata-se de uma pesquisa exploratória em que se
examina a ideia do ambiente de trabalho em que atua o bibliotecário como um espaço produtor potencial de riscos à saúde integral
do profissional, o qual coloca o tema no eixo de discussão das possibilidades de ajuste do ambiente e das condições físico, sociais
e de gestão que levem, para além da ideia de prevenção, à possível eliminação desses riscos.

Nesse sentido, se apresenta como importante para dar suporte à reflexão da temática neste texto, a noção de saúde integral
que - progressivamente, a partir do conceito clássico de saúde postulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e do
preceito de inte-gralidade no atendimento à saúde afirmado na legislação que instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS), no
Brasil - vem se difundindo tanto no âmbito da saúde pública e coletiva, com a implantação de uma política nacional de saúde
integral, quanto no âmbito da saúde ocupacional, em que se pode destacar, dentre várias iniciativas encontradas nos setores
público e privado, o Programa criado na Uni-versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para assegurar o amparo à saúde
de seus funcionários. Igualmente significativa é a difusão, pela Organização Internacional do Trabalho(OIT), da noção de
Trabalho sem Risco e Cultura de Segurança, como um alerta que tem relação direta com o fato de que:

Anualmente, morrem cerca de 2 milhões de homens e mulheres devido a acidentes e doenças relacionadas ao
trabalho. Em todo o mundo são registrados, a cada ano, 270 milhões de acidentes de trabalho e 160 milhões de
doenças profissionais (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2004).

Por tudo isso, faz-se urgente a investigação dessa temática nas instituições onde se promove a pesquisa acadêmica em
Bibliote-conomia e Ciência da Informação, sobretudo em Programas de Pós-Graduação que disponham de linhas de
pesquisa que abordem as temáticas relacionadas aos Profissionais da Informação. Nesse espaço institucional acadêmico
podem ser tratados, dentre outros objetos de estudo, os riscos potenciais que o bibliotecário tem sobre a sua saúde na sua
relação com os ambientes de atuação ofertados no mer-cado de trabalho brasileiro.

Bibliotecários: atribuições e fontes de riscos potenciais à saúde integral

A literatura disponível no Brasil relativa ao mercado de trabalho, no qual se insere também o bibliotecário, aponta para várias situa-ções em
que se encontram as instituições nacionais, quando se trata da relação do empregador com seus empregados, indo desde o des-caso de
setores governamentais até a falta de profissionais capacitados para reconhecer, diagnosticar e notificar sobre os riscos potenciais à saúde
por que passam os profissionais bibliotecários. Um destaque pode ser dado para a incidência de problemas de saúde ocupacional referidos
pela Organização Mundial da Saúde em várias áreas, dando destaque, entre outras, àquelas ligadas “com as novas tecnologias e
informação e automação.” Essas tecnologias estão hoje como instrumental básico para uso do bibliotecário em seu espaço de trabalho.
Em geral, sobre a profissão e o profissional, a preocupação presente na literatura se adensa nas questões atinentes às habilidades
e competências profissionais, quase sempre esquecendo fatores associados ao ambiente de trabalho e ao bem-estar profissional. A
título de exemplo, o documento de maior significado para esse profissional aparecido nos últimos cinco anos, foi aquele que traz a
Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), lançado pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, desde 2002, bem como o seu
complemento, constituído pela hierarquia de funções, instituída pela Comissão Nacional de Classificação - CONCLA, órgão também
criado no âmbito do mesmo Ministério. No caso da CBO, contudo, sua finalidade é publicitar a descrição e atribuições das
ocupações predominantes no mercado de trabalho profissional, incluindo o bibliotecário.

Através da CBO, tanto empregadores quanto profissionais tomam conhecimento das habilidades que configuram a atuação de um
bibliotecário, assinalando-se suas possíveis áreas de atuação, descrita sumariamente no site do MTE, como as seguintes:

Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de infor-
mação e correlatos, além de redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais;
disseminam informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas;
realizam difusão cultural; desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviços de assessoria e consultoria (BRASIL, 2002).

De outro lado, quando se busca na literatura textos que exponham ou analisem os direitos do profissional bibliotecário
quanto à garantia de proteção de sua saúde integral no ambiente de trabalho, quase nada se encontra e isso, de certo
modo, reforça dois desvios político-administrativos que ocorrem no ambiente ocupacional brasileiro:

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uma baixa notificação dos casos de agravo à saúde do trabalhador em todos os setores, que pode ser percebida quando se exa-minam, no
capítulo 30, seção 30.4, os registros do Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS) o qual, para o grupo referente a Atividades de
Bibliotecas e Arquivos, contém no volume de 2005 as quantidades de acidentes de trabalho notificados nos anos de 2003, 2004 e 2005:
respectivamente 5, 6 e 7 casos para acidentes de trabalho típicos; 3 em 2004 e 1 em 2005 para trajeto, isto é, por acidente sofrido no
deslocamento para o local de trabalho; e 1 em 2006, para doença do trabalho (BRASIL, 2005) [16], e

a alta taxa de trabalhadores atuando num mercado informal, o que não lhe assegura direitos mínimos de qualquer
natureza e nem promove o registro das incidências de acidentes ou doenças do trabalho.

A esse propósito, em matéria publicada pelo Jornal do Brasil em 2004 sobre doenças ocupacionais, consta que oito
trabalhadores brasileiros morrem diariamente, no período de coleta dos dados, por causa destas doenças, ressalvando
que 40 milhões de brasileiros trabalham informalmente e também que:

As doenças relacionadas ao stress e à fadiga física e mental também são apontadas por especialistas como as que mais
afetam os trabalhadores apesar da subnotificação dos casos. É o que aponta uma pesquisa realizada em 2002 pelo
Laboratório de Saúde do Traba-lhador na UnB a partir de dados fornecidos pelo INSS. O estudo mostrou que bibliotecários e
profissionais de saúde são os que mais se afastam por causa de doenças mentais (DOENÇAS..., 2004).

A profissão de bibliotecário exige o emprego e muito esforço de todos os sentidos humanos da pessoa que a exerce.
Assim, o pro-fissional bibliotecário precisa estar em sintonia com o seu corpo e com sua mente para responder aos
seus compromissos profissionais, dando destaque, no mínimo, para o que prescreve o Código de Ética de sua
profissão (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONO-MIA, 2002).

Como contrapartida às suas obrigações profissionais, cabe aos empregadores assegurar ao trabalhador o direito de atuar
dignamente num ambiente que lhe proporcione o mínimo de condições de saúde e segurança, a fim de reforçar o seu bem-
estar e sua qualidade de vida. Essa tese, igualmente importante para todos os trabalhadores, foi enfatizada mais uma vez no
conjunto de discussões apresentadas na 3ª. Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, realizada de 24 a 27 de
novembro de 2005, em Brasília, DF, cujo título geral foi Trabalhar Sim, Adoecer Não.

Do mesmo modo que o acervo de uma unidade de informação (U.I.) sofre com a agressão de agentes biológicos, físicos e humanos, o
profissional responsável pela preservação e conservação, o bibliotecário, também se expõe a essas mesmas agressões.

Os riscos de origem biológica têm como fonte a utilização de produtos químicos para exterminar fungos, roedores e insetos do local
infectado, e para a conservação dos materiais/documentos; os de origem física resultam da não oferta dos equipamentos ou
utensílios de segurança necessários para a proteção e prevenção de sua saúde, e em muitos casos, também porque seus
ambientes de trabalho não se constituem em locais adequados às suas necessidades humanas. Um exemplo gritante é a irregular
limpeza e má conservação dos equipamentos de ar condicionado que, em vez de ser um benefício, transforma-se em fonte de
agravo à saúde. Locais com intensa con-centração de poluição, fuligem asfáltica, poeira, poluição sonora e grande incidência de
stress não são acidentais ou meras exceções na trajetória profissional do bibliotecário. Por outro lado, o ser humano que está por
trás do papel profissional de bibliotecário muitas vezes negligencia e/ou imagina que não precisa proteger-se contra doenças
decorrentes da profissão, o que acarreta graves problemas à saúde, deixando-o em muitos casos incapaz de retorno às atividades.
Embora essa atitude também ocorra em outras categorias de trabalhadores, há uma preocupação cada vez mais crescente de fazer
do ambiente de trabalho um lugar saudável, através de estratégias de promoção da saúde.
O enfoque que costumeiramente é dado aos trabalhos publicados na atualidade, dirige-se à preservação e
conservação dos materiais de “responsabilidade” do bibliotecário, sem sequer mencionar as medidas de segurança
que assegurem a boa saúde deste profissional. Algumas vezes consta a mera “recomendação” do uso de máscara e
luvas no momento da limpeza dos materiais e não a obrigação de seu uso, embora não seja totalmente desconhecido
que essas e outras medidas devem ser tomadas sempre, mesmo que para o manuseio diário de qualquer material.

Agressores externos costumam trazer riscos aos olhos, braços, colo e pernas do profissional bibliotecário, pois são regiões
do corpo que ficam desprotegidas durante alguns processos que necessitam de equipamentos de segurança. Nesses casos,
utensílios ou equipa-mentos são recomendados, porém não fornecidos e/ou utilizados na maioria das vezes.

Reforçando a discussão sob as perspectivas dos direitos profissionais e do conhecimento teórico-prático, sabe-se que, embora seja
uma realidade aquém de muitas instituições públicas e privadas, cabe ao bibliotecário lembrar-se de que, além de seu papel social,
ele tem um corpo físico e uma mente que requerem atenção e cuidados especiais. Ter a consciência disso deveria levá-lo a
recomendar e, em último caso, a exigir, um mínimo de medidas de segurança no ambiente em que trabalha, independente das
atividades que desempenhe. Ainda que nem todos os bibliotecários exerçam funções de conservadores e preservadores de acervo,
mas também como processadores técnicos, bibliotecários de referência, revisores, professores, consultores, entre outras atividades,
todos devem priorizar o cuidado de sua saúde ou diferentes ações de caráter físico-psíquicas, como em esforços repetitivos,
posicionamento corporal, motivação, sedentarismo, stress, entre muitos agravantes que se manifestam no ambiente ocupacional.

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Supõe-se que o problema visto pelo profissional, tanto do ângulo dos direitos quanto do ângulo do conhecimento, o levará a
preve-nir-se e a cuidar-se como obrigações profissionais, a serem correspondidas pelas obrigações e deveres de todas as
instituições em manter e proporcionar segurança a todos os seus funcionários, clientes e parceiros.

Nessa confluência de interesses é que estariam sendo consideradas as questões da saúde integral, que incluem os
determinantes da saúde dos trabalhadores, na medida em que tais fatores compreendem, além daqueles decorrentes de
riscos ocupacionais tradicionais (físicos, químicos, biológicos, mecânicos e orgânicos), outros fatores, como sociais,
econômicos, tecnológicos e organizacionais, res-ponsáveis por situações de risco para a saúde e a vida do trabalhador.

Como suporte para atender parte dessa demanda, já existem no país as Normas Regulamentadoras (NRs), que exigem a aplicação de
procedimentos quanto à saúde ocupacional, inspeção do trabalho, entre outros objetivos, e áreas de preservação. Essas NRs foram criadas
pelo Governo Federal, através do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

Relativamente aos aspectos ergonômicos, aplica-se a NR-17 estabelecida pela Portaria nº 3.751, de 23 de novembro
de 1990, cujo objetivo é o de:

[...] estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhado-res, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente (BRASIL, 2002, p. 12).

Na base dessa orientação normativa há a ideia de que os acidentes e doenças relacionados ao trabalho são agravos
evitáveis à saúde e que trabalhadores jovens, idosos e excluídos do mercado formal, são vulneráveis.

A consequência disso é que conhecer os direitos profissionais e os riscos potenciais que o bibliotecário sofre à sua
saúde, no ambien-te de trabalho, representa hoje um capital teórico que poderá resultar em instrumento de valorização
profissional e conquista de saúde e bem estar.

Ergonomia: definições, fases/paradigmas e tendências

A análise ergonômica do trabalho é um processo construtivo e participativo do empregado e empregador para a


resolução de um problema complexo, que exige o conhecimento das tarefas, da atividade desenvolvida para realizá-
las e das dificuldades enfrentadas para se atingirem o desempenho e a produtividade exigidos.

A Ergonomia pode ser apresentada como um campo de conhecimento que está presente em diversos outros e
constituído, historica-mente, desde a Antiguidade Ocidental.

Kandaronn et al (1979) citado por Vidal (2003, p. 8) constrói um quadro histórico em que arrola os precursores da
Ergonomia nos diversos campos do conhecimento, destacando as diversas contribuições que podem ser encontradas
em suas obras e que contribuem para a configuração mais ampla que a Ergonomia hoje possui:
Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

A despeito dessa longa história, o termo Ergonomia não tem utilização universal e o conceito que ele supostamente carrega se dilui
em uma multiplicidade de entendimentos e distintos nomes. O conceito com esse nome é empregado nos países europeus, incluindo a

Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos e Canadá, as expressões que mais se aproximam são: human factors (fatores humanos),
human fac-tores engineering (engenharia dos fatores humanos), engineering psychology (“ergopsicologia”), man-machine
engineering (engenharia homem-máquina) e human performance engineering (engenharia do desempenho humano). Embora a
distinção dos termos possa ser feita, existe uma tendência mundial, incluído o Brasil, para se usar o termo Ergonomia, exceto nos
Estados Unidos e Canadá, que ado-taram o termo Fatores Humanos (MORAES; MONT’ALVÃO, 2000).

As definições sobre esse tema são muitas e, dentre elas, foram destacadas algumas a seguir enunciadas, como
referência para balizar esta reflexão.

Lida (1971) foi o primeiro pesquisador brasileiro a defender uma tese de doutorado na Escola Politécnica da USP nessa área do
conhecimento, em que definiu a Ergonomia como um “[...] estudo da adaptação do trabalho ao ser humano”. (IIDA, 1971)

No âmbito internacional da literatura sobre Ergonomia, de acordo com o site ergonomia.com.br, as definições mais conhecidas e ci-tadas
são: de Montmollin (1971), que diz que a Ergonomia é a tecnologia das comunicações homem-máquina; de Grandjean (1968), que identifica
a Ergonomia como uma ciência interdisciplinar que compreende a Fisiologia e a Psicologia do Trabalho, e a Antropometria como a
sociedade no trabalho; de Leplat (1972), para quem a Ergonomia é uma tecnologia e não uma ciência, cujo objeto é a organização dos
sistemas homem-máquina; de Murrel (1965), que a define como o estudo científico das relações entre o homem e o seu ambiente de
trabalho; de Self, o qual afirma que a Ergonomia reúne os conhecimentos da Fisiologia e Psicologia e das ciências vizinhas aplicadas ao
trabalho humano na perspectiva de uma melhor adaptação dos métodos, meios e ambientes de trabalho ao homem; e de Wisner (1987),
que a define como o conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários a concepção de instrumentos, máquina e
dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto e eficácia. (ERGONOMIA..., 2001b)

Outros dois autores são citados por Santos (2006) como importantes para compor o levantamento acima: Singleton (1972), que de-
finiu a Ergonomia como uma “[...] tecnologia da concepção do trabalho baseada nas ciências da biologia humana” e Laville (1977)
que define a Ergonomia como “[...] o conjunto de conhecimentos a respeito do desempenho do ser humano em atividade, a fim de
aplicá-los à concepção de tarefas, dos instrumentos, das máquinas e dos sistemas de produção”. (tradução nossa)

Além desses autores, a International Ergonomics Association (IEA) define a Ergonomia como:

[...] o estudo científico da relação entre o homem e seus meios, métodos e espaços de trabalho”, tendo a ergonomia o
objetivo de “[...] elaborar, mediante a contribuição de diversas disciplinas científicas que a compõem, um corpo de
conhecimento que, dentro de uma perspectiva de aplicação, deve resultar em uma melhor adaptação ao homem dos meios tecnológicos
e dos ambientes de trabalho e de vida. (INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, tradução nossa)

Outra definição que de certa forma sintetiza as anteriores é apresentada por Vidal (2003), ao afirmar que :

Ergonomia (ou Fatores Humanos) é a disciplina científica que trata da compreensão das interações entre os seres
humanos e outros elementos de um sistema, e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos, a projetos
que visam otimizar o bem estar humano e a performance global dos sistemas.
Por fim, a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) define o termo como “[...] o estudo das interações do
homem com o trabalho, máquinas, equipamentos e meio ambiente, visando melhorar a segurança, conforto e
eficiência das atividades humanas”. (AS-SOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA, 2005)

De um modo geral, as conceituações convergem para dois objetivos:

o de que a ergonomia tem por finalidade a produção de conhecimentos específicos sobre a atividade do trabalho humano, e

o de que a Ergonomia promove a adaptação dos meios ao homem/trabalhador.

Embora os objetivos sejam esses, a Ergonomia, por ter múltiplo alcance sob os domínios da especialização
profissional, explora várias dimensões, e conceitua-se como:

Ergonomia física: que está relacionada com as características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua
relação a atividade física. Os tópicos relevantes incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos
repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde.

Ergonomia cognitiva: refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora
conforme afe-tem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes
incluem o estudo da carga mental de tra-balho, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem
computador, stress e treinamento, conforme esses se relacionem a projetos envolvendo seres humanos e sistemas.

Ergonomia organizacional: concerne à otimização dos sistemas sócio técnicos, incluindo suas estruturas
organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevantes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de
tripulações (CRM – domínio aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto
participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede, tele-
trabalho e gestão de qualidade (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA, 2005).

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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Essas dimensões da Ergonomia corresponderiam a uma progressividade da epistême do campo, conforme assinala
Vidal, citado por Zamberlan (2001), ao assinalar quatro objetos de estudo: postos de trabalho, situação de trabalho,
organização e contexto cultural. As-sim, dir-se-ia que a Ergonomia poderia ser apresentada com as designações
abaixo listadas, associadas com os nomes de seus principais teóricos:

Ergonomia localizada (MC CORMICK, 1971, tradução nossa; MORAES, 1998), trata da compreensão do local de
trabalho em seus aspectos físicos e perceptivos, objetos que até aqui vêm sendo tratados, mais frequentemente, na
abordagem clássica, e cujo obje-tivo tem sido o da normatividade da atividade humana. É o conceito mais restrito.

Ergonomia situada (GUÉRIN et al., 1991, tradução nossa), trata das relações entre o posto de trabalho e as atividades que nele – ou a partir
dele – se engendram, objetos que têm tido um tratamento tanto clássico – metodologia de job design – como contemporâneo

– metodologia de análise ergonômica do trabalho – e cujo objetivo tem sido o da modelagem operante da atividade de
trabalho. Este conceito envolve o anterior.

Macroergonomia (HENDRICK, 1991, tradução nossa), trata da adequação da tecnologia à organização que a pratica, objeto que tem tido
um tratamento majoritariamente clássico, o qual hoje começa a oferecer contribuições contemporâneas dentro do que os autores vêm
chamando de Organizational Design and Management (ODAM). Suas finalidades têm sido a de empregar as recomendações clás-sicas e
incorporar as modelagens contemporâneas no redesenho organizacional. Este conceito envolve os dois anteriores.

Antropotecnologia (WISNER, 1985, 1995) trata das relações entre propostas tecnológicas e contextos societais e tem
sido basica-mente desenvolvida no enfoque contemporâneo com a finalidade de entender os contribuintes de sucesso
ou fracasso da modernização técnica e gerencial. Este conceito é o mais amplo e envolve os três anteriores.

Esses recortes epistêmicos e suas dimensões foram as tendências que surgiram e estão ocorrendo no mundo de hoje.
O que há, na verdade, é uma reconfiguração social do trabalho, para utilizar uma concepção da teoria social de
Norbert Elias, e, no caso, também da Ergonomia, que se reflete no destaque e nomeação de várias etapas do seu
processo de desenvolvimento. Ora máquina, ora produção, ora organização e, agora, o ser humano.

Na etapa atual, na realidade, como afirmou Wisner, citado por Abrahão e Pinho (2002, p. 45), a:

Ergonomia sustenta-se em dois pilares. Um de base comportamental, que permite apreender as variáveis que determinam o
trabalho pela via da análise comportamental, e um outro, subjetivo, que busca qualificar e validar os resultados, ambos com o intuito
de elaborar um diagnóstico que vise transformar as condições de trabalho. (WISNER apud ABRAHÃO ; PINHO, 2002, p.45)

Nesse contexto, percebe-se que a ergonomia embasa-se no conjunto de conhecimentos científicos provenientes de
outras áreas, como Antropometria, Fisiologia, Psicologia e Sociologia.

A Ergonomia contemporânea estuda o comportamento humano a partir da análise do seu ambiente de trabalho, que reúne
alguns procedimentos sequencialmente e utiliza preceitos metodológicos para a formulação de um modelo operante de uma
situação de traba-lho. Os critérios adotados para a avaliação são, segundo (Vidal 1994, p. 20), “[...] os critérios socialmente
aceitos para avaliar o desem-penho dos sistemas de produção, quais sejam saúde, qualidade e produtividade”.

Sempre tem que se considerar que a análise ergonômica pode e deve adotar critérios laborais e psicossociais para
examinar as ati-vidades desenvolvidas pelo ser humano, em vez de focar somente na produção, com a intenção de ver
o trabalho num todo, situação em que estão o homem, a tecnologia, o ambiente, o produto e a possibilidade ou não
desse trabalhador desenvolver determinada atividade a partir de sua capacidade física e psíquica.

Por fim, nessa perspectiva, cabe situar no campo da Biblioteconomia, os problemas ergonômicos como objeto
relacionado aos direitos profissionais, que devem ser examinados quanto ao potencial de riscos ocupacionais que
podem produzir danos irreversíveis sobre a saúde integral do bibliotecário.

Bibliotecário: direitos profissionais e prevenção ética dos riscos potenciais à sua saúde integral

No que toca aos direitos profissionais do bibliotecário brasileiro, claramente explicitados, posto se tratar de uma
profissão regula-mentada por lei desde o início dos anos 1960, e possuindo um instrumento que ordena sua conduta
profissional, cabe buscar, então, no Código de Ética do Profissional Bibliotecário, o que se afirma como resguardo e
proteção possível contra a convivência com condições degradantes de trabalho.

Em primeiro lugar, o Código de Ética dispõe que é básico na atuação do bibliotecário, em relação a seus colegas,
empregadores e sociedade, a preservação da dignidade e dos interesses da profissão, chegando a determinar no inciso “e”
do artigo 5º que “[O bibliote-cário] deve evitar a aceitação de encargo profissional em substituição a colega que dele tenha
desistido para preservar a dignidade ou os interesses da profissão ou da classe, desde que permaneçam as mesmas
condições que ditaram referido procedimento” (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002)

Além dessa determinação, quando da formulação do artigo 11, seus autores especificaram os direitos do profissional bibliotecário. Dentre
eles, estipularam, nos incisos “b” e “h”, a possibilidade de tomada de iniciativas para assegurar condições dignas para o desem-penho da
profissão e, adicionalmente, no inciso “d”, poder contar, nas ações reparadoras e na busca das condições adequadas para a sua atuação
individual e coletiva, com a solidariedade do Conselho Regional de Biblioteconomia. Destacando-se os incisos mencionados, as respectivas
redações são as que se seguem, na ordem em que os incisos foram mencionados neste parágrafo:

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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Art. 11 – São direitos do profissional Bibliotecário: [...]

b - apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições em que trabalha, quando as julgar indignas do exercício
profissional, devendo, neste caso, dirigir-se aos órgãos competentes, em particular, ao Conselho Regional; [...]

h - formular, junto às autoridades competentes, críticas e/ou propostas aos serviços públicos ou privados, com o fim de
preservar o bom atendimento e desempenho profissional; [...]

d - defender e ser defendido pelo órgão de classe, se ofendido em sua dignidade profissional [...](CONSELHO
FEDERAL DE BI-BLIOTECONOMIA, 2002)

Evidentemente a interpretação, que resgata a possível aplicação desses dispositivos, parte do pressuposto de que o ambiente de
exercício profissional do bibliotecário requer, e os cuidados e atenção para que riscos à sua saúde integral, sejam objeto de
prevenção. Nesse caso, considera-se que as potenciais doenças ocupacionais são fatores que não dignificam profissionalmente os
ocupantes dos respectivos cargos e nem a profissão como um bem social. Por isso, a preocupação com a Ergonomia surge aqui
não simplesmente como uma iniciativa exclusiva daquele que emprega profissionais bibliotecários, mas é sobremaneira,
responsabilidade também de cada profissional e de sua classe, como questão ética, como um dever para que cada membro da
classe zele para que o ambiente de trabalho de cada bibliotecário não venha a ser uma fonte de traumas físicos e mentais. Com
isso, ela passa a ser vista por suas vertentes cogni-tiva e organizacional, ou seja, a análise ergonômica do ambiente de trabalho
bibliotecário se preocupa com o estudo da carga mental de trabalho, com os processos desenvolvidos para a tomada de decisão,
com o adequado desempenho especializado, com a interação homem computador, com a prevenção do stress e a realização de
treinamento capaz de valorizar os seres humanos. Isto é, dá relevância e valoriza os fatos e circunstâncias relacionadas aos
processos de comunicação, ao projeto de trabalho, à organização temporal do trabalho, ao trabalho em grupo, à participação dos
membros das equipes no dia-a-dia do trabalho, aos novos paradigmas do trabalho, ao trabalho cooperativo, à formação de uma
cultura organizacional humanista, à organização de operações em rede, ao tele-trabalho, quando cabível, e à gestão de qualidade.

A ciência ou tecnologia ergonômica vem evoluindo desde metade do século XIX como recurso que tanto pode
favorecer o desem-penho produtivo e realização financeira das empresas, quanto pode assumir o caráter de uma
estratégia capaz de levar à melhoria das condições de trabalho dos empregados daquelas. Isso se dá a partir de
procedimentos que auxiliam na análise do ambiente e dos equi-pamentos utilizados para as atividades de produção e,
em decorrência, leva à adoção de meios adequados para a superação dos pontos negativos identificados.

Desenvolvida inicialmente para responder às demandas do setor industrial, os princípios da Ergometria mostraram-se aplicáveis a
quaisquer organizações de outros setores econômicos em seus distintos ambientes e nos equipamentos utilizados. Desse modo, as
téc-nicas que ela emprega para a análise do trabalho humano chegam a ambientes distintos daqueles que representam o típico
ambiente de fábrica; portanto, chegam aos escritórios e a outros espaços e categorias de trabalhadores que se envolvem e atuam,
respectivamente, na produção terciária de serviços, como o setor de informação e as várias instituições do ciclo de produção
informacional, de comunicação, de educação e biblioteca. Esse alcance, por si mesmo, dá origem a uma tipologia ou
dimensionamento que, hoje, abrange todo o conjunto de atividades profissionais, com suas competências e habilidades, que a
designa como: Ergonomia Física, Ergonomia Cognitiva e Ergo-nomia Organizacional. Essas três dimensões são empregáveis e
podem ser utilizadas na análise das atividades executadas nas rotinas de trabalho dos profissionais bibliotecários.
Porém, embora os bibliotecários sejam por várias doenças de origem ocupacional, quase não se encontra produção de
pesquisa ou reflexões que formem uma base bibliográfica expressiva relativamente à questão dos riscos potenciais à saúde
integral que o ambiente onde atuam e os instrumentos que utilizam podem produzir. Também esse assunto, de grande
impacto, tanto para empregadores, quanto para os próprios bibliotecários, não compõe a temática que é desenvolvida como
conteúdo formativo do bibliotecário no Brasil e nem vem sendo explorado com objeto de interesse da ética profissional.

Um tema dessa relevância - cuja incidência concreta tem impacto econômico sobre as organizações empregadoras pela ausência
do bibliotecário ao serviço quando afetado por um mal ou pela aquisição de doenças do trabalho, mas tem muito mais impacto
sobre o bibliotecário, como profissional e ser humano - carece de ser urgentemente inserido na pauta das discussões de seus
direitos e garantias profissionais, e tratado pelas entidades que os representam e os defendem, como um questão do âmbito da
Ética profissional. Porém, mais que isso, é tema que deve ser inserido como objeto de pesquisa no campo da Biblioteconomia.
Supostamente, o bibliotecário não estará devidamente capacitado para atuar na sociedade se souber e pesquisar apenas as
tecnologias e técnicas que empregará em suas ati-vidades. Para ter essa capacitação, ele precisará saber e pesquisar sobre as
condições dos ambientes de trabalho onde atua coletivamente, tanto do ponto de vista físico, quanto cognitivo e organizacional.

Considerando que nos anos recentes a pós-graduação em Ciência da Informação vem ampliando o número de programas,
linhas e objetos de pesquisa no Brasil, provavelmente caberia, sobretudo aos Programas que contam com linhas de
investigação tratando dos profissionais da informação, protagonizar uma discussão sobre a pertinência de pesquisar essa
temática e gerar um conhecimento signifi-cativo a ser aplicado, a partir dos princípios e tecnologias ergonômicas, a uma
melhor relação de trabalho para os bibliotecários, de modo a auxiliar na redução dos riscos ocupacionais potenciais que
esses profissionais vêm enfrentando em diferentes ambientes e instituições empregadoras, ao longo dos anos.

Por Francisco das Chagas de Souza e Paula Senhudo da Silva.

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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

Questionário:

01. (IFRO 2013) O espaço físico da biblioteca deve consistir em um ambiente agradável, amplo, bem iluminado,
com mo-biliário adequado e que tenha, dentre outros fatores, as condições necessárias para a conservação
dos livros. Essa forma de distribuir melhor o espaço físico da biblioteca recebe o nome de:

Layout.

Acervo.

Handout.

Estrutura.

Retrato ou paisagem.

02. (IFRO 2013) Otimizar cada espaço da biblioteca é essencial, tanto no que diz respeito à organização,
quanto ao visual. Dessa forma, os livros devem ser dispostos de maneira correta, de modo que para saber a
quantidade de livros a ser colocada em determinado espaço, pode-se usar um cálculo padrão, segundo o qual:

1m2 pode comportar até 15 volumes.

1m2 pode comportar até 20 volumes.

1m2 pode comportar até 50 volumes.

1m2 pode comportar até 100 volumes.

1m2 pode comportar até 150 volumes.


(IFRO 2013) Analise as afirmativas a seguir e assinale (D) para o que for pertinente à Classificação Decimal de Dewey e

para o que for pertinente à Classificação Decimal Universal, classificações utilizadas para a organização de
documentos em bibliotecas.

(__) Apresenta notação pura. (__) Possui sete tabelas auxiliares.

(__) Possui dezenove tabelas auxiliares.

(__) Possui quatro volumes e um guia prático. (__) Possui dez classes, sendo a quarta classe vaga.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de respostas, de cima para baixo.

D, D, U, D, D.

D, U, D, U, U.

D, D, U, D, U.

U, D, U, D, U.

U, U, D, U, D.

04. (IFRO 2013) De acordo com o Ministério da Cultura, Direitos Autorais são as denominações utilizadas para
definir posse sobre obras intelectuais que podem ser

Políticas, literárias ou científicas.

Artísticas, literárias ou científicas.

Literárias, bibliográficas ou políticas.


Artísticas, ideológicas ou científicas.

Políticas, ideológicas ou bibliográficas.

05. (IFRO 2013) Leia o trecho a seguir:

‘‘A ______________ define-se como um conjunto de medidas específicas e preventivas necessárias para a
manutenção da existência física do documento.”

Preenche corretamente a lacuna acima o exposto em:

restauração

conservação

recuperação

reconstrução

documentação

Didatismo e Conhecimento
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS/Auxiliar de Biblioteca

06. (IFRO 2013) O Sistema de Classificação de Melvil Dewey abrange todos os campos do conhecimento humano, dividindo--os
em dez classes que, por sua vez, são subdivididas minuciosamente, possibilitando às bibliotecas classificarem os seus livros da
maneira mais detalhada possível. São classes do Sistema de Dewey as explicitadas a seguir, EXCETO:

Filosofia.

Literatura.

Ciências Puras.

Ciências Exatas.

Ciências Aplicadas.

Gabarito:

01
A

02
C

03
C

04
B
05
B

06
D

ANOTAÇÕES

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ANOTAÇÕES

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