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Não são poucas nem pequenas as referências ao padre Monsabré.

Daniel-Rops,
que o chama de “grande pregador de Notre-Dame”, fala do seu importante papel para a
Igreja como um dos grandes oradores de sua época. Assim como vários pensadores
católicos de sua época, ele percebeu a importância de pôr o grande público em contato
com os ensinos da Igreja. "Contrariamente ao que muitas vezes se escreve, a Igreja
compreendera perfeitamente que tinha obrigação de difundir por todos os meios o
depósito espiritual de que é guardiã. Uma das iniciativas mais marcantes fora a criação
em 1835 das Conferências de Notre-Dame, concebidas por mons. Quélen e notabilizadas
por Lacordaire. Substituindo o gênero ‘sermão’ pelo de ‘conferência’, sensibilizavam-se
melhor os leigos, se não mesmo os indiferentes. O êxito da iniciativa fora imediato e iria
prolongar-se até aos nossos dias, com oradores tais como o pe. Ollivier, o pe. Monsabré,
mons. d'Hulst [...] Pelos finais do século XIX, um vasto movimento conduz a uma
renovação, a um aprofundamento apologético. No púlpito de Notre-Dame, a evolução da
arte oratória é impressionante: Lacordaire tinha apelado sobretudo para o sentimento; as
exposições doutrinárias do pe. Monsabré ou as análises de teologia moral de mons.
d'Hulst são coisa bem diferente” (História da Igreja, v. 9, pp. 170, 592, 608, 672).
Ele não é elogiado e citado apenas por Daniel-Rops. O pe. Luiz Chiavarino, autor
do livro Confessai-vos Bem, no capítulo intitulado “Deus perdoa sempre”, chama-o "um
dos maiores oradores franceses". Em seu famoso Curso de Apologética Cristã (p. 8) o
padre W. Devivier S. J usa-o como fonte, e pe. E. Hugon O. P., em "Os princípios da
filosofia de Santo Tomás de Aquino", também o tem como fonte constante (cf. páginas
76, 222, 226, 254, 263, 272, 277, 284). É notável a afirmação do padre Emilio Villelga
Rodríguez de que a "Exposição do Dogma Católico" é um "monumento de saber
filosófico e teológico” (Apologética Contemporânea, p. 2).
Para encerrar, eis um trecho escrito pelo pe. Monsabré citado por Garrigou-
Lagrange. Este grande teólogo, além de colocá-lo entre grandes autoridades ao falar sobre
Nossa Senhora (permanencia.org.br/drupal/node/478), em “A Vida Eterna e a
Profundidade da Alma”, no qual cita-o constantemente, presenteia-nos com esta pérola
retirada dos Retiros de Notre-Drame: “Suprema lição de previsão: (1) Para aproveitar-se
da última hora há que saber reconhece-la. Ora, com a maior frequência tudo conspira para
dissimulá-la ao pecador quando chega: suas próprias ilusões ou a vileza, a negligência, a
falta de sinceridade dos que lhe rodeiam. (2) Para aproveitar a última hora quando se sente
vir, é necessário a vontade de converter-se; mas é muito de temer que o pecador o queira
realmente. A tirania do costume imprime às últimas vontades o selo da irresolução. As
demoras interessadas do pecador debilitaram sua fé e ofuscaram o respeito a suas
condições. Donde se segue que sua última hora se aproxima sem que se comova, e assim
sucede que morre impenitente. (3) Para aproveitar bem a última hora, quando alguém
quer converter-se, é necessário que a conversão seja sincera, e para isso é necessária a
graça eficaz. Mas o pecador empedernido não tem em conta a graça em seus cálculos,
mas somente sua própria vontade. E mesmo que conte com a graça, faz o possível para
fugir de si até o último momento, especulando vilmente com a misericórdia de Deus. Em
tais condições, chegará a ter uma verdadeira dor da ofensa feita a Deus, um verdadeiro e
generoso arrependimento? O pecador empedernido não sabe já que é o arrependimento,
e corre grande perigo de morrer em seu pecado. Daí a conclusão: assegurar-se com tempo
o benefício de uma verdadeira penitência, para não correr o risco sentir falta quando
houver de decidir a nossa eternidade".