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Reitor: Aldo Nelson Bona

Vice-reitor: Osmar Ambrósio de Souza

Universidade Aberta do Brasil


UAB/UNICENTRO

Coordenação:
Maria Aparecida Crissi Knuppel

Projeto TICS/UAB/Unicentro
Coordenação:
Maria Terezinha Tembil; Ariane Carla Pereira

Revisão/Correção Linguística:
Célia Bassuma Fernandes e Daniela Leonhardt

Planejamento gráfico: Lucas Gomes Thimóteo

Diagramação: Lucas Gomes Thimóteo

Comissão Científica
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE
Carlos Alberto Kuhl
UNICENTRO
Diocesar Souza
Edélcio José Stroparo
Marcio Alexandre Facini
João Morozini
Klevi Reali
Margareth Maciel
Regiane Trincaus
Robinson Medeiros
Romeu Scharz Sobrinho
Ruth Rieth Leonhardt
Vanessa Lobato
Waldemar Feller

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2.5.1 Atenção Básica ............................. 18
2.5.2 Média Complexidade .................. 19
2.5.3 Alta Complexidade ...................... 20
2.6 Direção e Articulação do SUS ........... 20
2.7 Pacto pela Saúde ................................. 21
2.7.1 Pacto pela vida .............................. 22
2.7.2 Pacto em defesa do SUS ............. 23
2.7.3 Pacto de gestão do SUS .............. 23
2.8 Programa Saúde da Família – PSF .... 24
2.8.1 Características .............................. 25
2.8.2 Composição .................................. 26
2.8.3 Atribuições dos membros da equi-
pe ............................................................. 26
2.8.4 Responsabilidades das esferas ges-
toras ........................................................ 27
2.8.5 Desafios Institucionais ............... 27
SUMÁRIO 2.8.6 Desempenho ................................ 27
2.9 Núcleos de Apoio ao Saúde da Família
I - Introdução ................................................... 5 – NASF ...................................................... 28
II – Capítulo 1 - Histórico da Saúde Pública IV - Capítulo 3 - Fisioterapia e Saúde Coleti-
no Brasil ............................................................ 7 va ..................................................................... 29
1.1 Processo saúde-doença ...................... 11 3.1 O fisioterapeuta na Atenção Básica à
III – Capítulo 2 - Sistema Único de Saúde – Saúde ........................................................... 32
SUS ................................................................. 13 3.2 O fisioterapeuta no Programa Saúde da
2.1 Constituição Federal ........................... 13 Família ........................................................ 35
2.2 Leis Orgânicas .................................... 14 3.3 Ações fisioterapêuticas voltadas para a
2.3 Princípios do SUS .............................. 15 promoção e prevenção em saúde ............ 37
2.4 Normas Operacionais Básicas .......... 16 3.3.1 Educação em Saúde .................... 38
2.5 Níveis de Atenção à Saúde ................. 17 3.3.2 Atividade domiciliar .................... 40

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3.3.3 Atividade de grupo ...................... 42
3.3.4 Atividades interdisciplinares ...... 44
3.3.5 Atuações acadêmicas ................... 45
3.3.6 Atenção aos cuidadores .............. 46
V - Considerações Finais .............................. 49
VI - Referências ............................................. 51

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Brasil, como a implantação do Programa Saú-
de da Família na década de 90 e a mudança no
perfil epidemiológico da população, trouxe-
ram a necessidade da ampliação das atuações
do fisioterapeuta para os níveis primário (pre-
venção e promoção da saúde), e secundário
(tratamento).
Sendo assim, hoje a Fisioterapia
tem uma vasta área de atuação. Contudo, este
material traz a ação da Fisioterapia na Saúde
Coletiva e Saúde Pública, resgatando alguns
aspectos históricos e de legislação. A atuação
fisioterapêutica na Atenção Básica vem ga-
Introdução
nhando importância, e é fundamental que o
A fisioterapia é uma profissão que acadêmico de fisioterapia tenha em sua for-
foi criada para atuar principalmente no nível mação o embasamento teórico e a experiên-
terciário de atenção à saúde – a reabilitação, e cia prática nesta área.
foi por esta prática que o fisioterapeuta ficou O objetivo deste material é resgatar
conhecido. acontecimentos da história da Saúde Pública
Contudo, com o passar dos anos, no Brasil, destacar pontos importantes da le-
desde a sua criação em 13 de outubro de gislação brasileira acerca da saúde, e enfati-
1969, as transformações na Saúde Pública do zar a função da fisioterapia na saúde coletiva,

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destacando as ações de promoção e preven-
ção em saúde.
No primeiro capítulo apresentamos
o histórico da saúde no Brasil, discorrendo
também sobre o processo saúde-doença. No
segundo capítulo, expomos elementos da
Constituição Brasileira, Legislação do Siste-
ma Único de Saúde – SUS e Programas do
Ministério da Saúde e a relação destes com
a atuação do fisioterapeuta. Já o terceiro ca-
pítulo terceiro traz o trabalho da Fisioterapia
na Atenção Básica, enfatizando as ações de
promoção, prevenção tratamento e reabilita-
ção em saúde neste nível de Atenção.
Espero que este trabalho possa au-
xiliar o acadêmico e profissional de Fisiote-
rapia que tem interesse pela atuação fisiotera-
pêutica em Saúde Coletiva no Brasil.

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e controle de doenças, a criação da Fundação
Nacional de Saúde em 1991 foi um marco.
Houve época em que a população
precisava de assistência à saúde, procurava
pelo curandeiros, pessoas sem formação es-
pecífica, muitas vezes ligadas à crenças reli-
giosas, ou com formação em áreas como a
física, para tratar de seus males. O médicos só
eram aceitos em casos de epidemias, devido à
precariedade dos serviços de saúde.
Em 1808, com a chegada da Corte
Portuguesa no Brasil ocorreram mudanças na

Capítulo I administração pública colonial, inclusive na


área da saúde. Na cidade do Rio de Janeiro,
1. Histórico da saúde
que era o centro das ações sanitárias, foi fun-
pública no Brasil
dada as academia médico-cirúrgicas do Rio
A história da Saúde Pública no Bra- de Janeiro em 1813, enquanto que na Bahia
sil é marcada por inúmeras mudanças admi- a fundação da mesma academia ocorreu dois
nistrativas, que começaram a ocorrer a partir anos depois. Estas duas academias se trans-
de 1930, pois até então as ações em saúde formaram nas duas primeiras escolas de me-
não possuíam organização significativa. En- dicina do país (Bertolli Filho, 2006).
tre criação e extinção de órgãos de prevenção Em 1829, foi criada a Imperial Academia de

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Medicina, órgão ligado às questões da saúde do educação e saúde na esfera governamen- 25 de julho de 1953, com a Lei nº 1.920, que
pública nacional, constantemente consultado tal. desdobrou o então Ministério da Educação e
pelo imperador Dom Pedro I. Nos primeiros anos da República, Saúde em dois ministérios: Saúde e Educação
A proclamação da República em foi criado um movimento de educação em e Cultura. A partir daí, o Ministério passou a
1889 tinha como principal objetivo a moder- saúde, com intuito de mostrar à população a ser responsável pelas atividades que eram de
nização do país. A atenção à saúde estava in- importância de adoção de hábitos mais higi- responsabilidade do Departamento Nacional
clusa nesta modernização, pois devido às epi- ênicos, com objetivo de diminuir a incidên- de Saúde (DNS). Contudo, algumas ações re-
demias de doenças transmissíveis, os índices cia de doenças infecto-contagiosas. Para isto, lacionadas à saúde ainda ficaram à cargo de
de mortalidade eram altos, e isto trazia danos foram usados cartazes, panfletos e emissoras outros ministérios e autarquias, dificultando
e dificuldades na expansão do capitalismo. de rádio, para que as pessoas pudessem rece- o controle financeiro e de pessoal (Portal
Neste contexto surgiu a chamada ber as informações. Outra ação iniciada neste da Saúde, 2012).
medicina pública, medicina sanitária, higiene período foi a formação de enfermeiras sani- Paralelamente às ações do poder
ou simplesmente, saúde pública. Este novo tárias, que tinham o compromisso de visitar público, o setor privado também se estrutu-
jeito de fazer saúde era completado por pes- os moradores em sua residência, passando os rou. Considerando que a Previdência se res-
quisa a respeito das enfermidades que atin- ensinamentos de higiene e realizando o en- ponsabilizou pela prestação de assistência
giam a coletividade – a epidemiologia (Ber- caminhamento dos doentes graves aos hos- médico-hospitalar aos trabalhadores, à custa
tollli Filho, 2006). pitais. Talvez esta prática tenha subsidiado o do rebaixamento da qualidade dos serviços,
A nova estrutura organizacional da que hoje se conhece como Programa Saúde a iniciativa privada da medicina começou a
saúde, que queria mostrar à população a pre- da Família. venda de serviços à população, aos institutos
ocupação do Estado para com ela, foi posta Embora a história da Saúde Pública de aposentadoria e pensões e ao próprio go-
em prática com a criação do Ministério da Brasileira tenha iniciado em 1808, o Ministé- verno (Bertolli Filho, 2006).
Educação e da Saúde Pública em 1930, unin- rio da Saúde só veio a ser instituído no dia Um problema bastante significativo

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na época foi o aumento da mortalidade in- ve cortes nos recursos destinados à saúde pú- Sendo assim, sobreveio a extensão da cober-
fantil nas grandes cidades, devido ao êxodo blica e intenção de incorporar ao Ministério tura médica e o envolvimento de quase todos
rural. Como medidas para minimizar e ten- da Saúde a assistência médica da Previdência os clínicos e unidades hospitalares na rede
tar solucionar este problema, multiplicaram- Social, conforme as diretrizes da III CNS. A previdenciária.
-se os serviços de higiene infantil e os pos- Conferência começa a ter relevância para le- Contudo, o INPS repassava aos
tos de puericultura. Estes serviços ofereciam var à esfera de governo os anseios da popu- serviços valores abaixo do mercado, além
vacinas e tratamento para as crianças doente lação. da morosidade nos repasses, o que determi-
e também atenção à saúde das mães. Porém, Continuando as tentativas de estru- nou a fragilidade deste sistema. Com intuito
não se via ainda investimentos em saneamen- turar o sistema, foi criado em 1966 o Insti- de amenizar os problemas, em 1974, foram
to básico, o que dificultava a erradicação dos tuto Nacional de Previdência Social (INPS), criados o Ministério da Previdência e Assis-
problemas de saúde relacionados à falta de unificando todos os órgãos previdenciários, e tência Social (MPAS) e a Empresa de Pro-
saneamento. ficando subordinado ao Ministério do Traba- cessamento de Dados da Previdência Social
Um marco da história da saúde lho. A saúde contava com duas vertentes: o (Dataprev), dentre outros órgãos. Também
aconteceu em 1963, com a realização da III INPS, que deveria tratar os doentes individu- em 1974 foi criado o INAMPS pelo regime
Conferência Nacional da Saúde (CNS). A almente, e o Ministério da Saúde, que deve- militar, pelo desmembramento do Instituto
Conferência propunha transformações nos ria elaborar e executar programas sanitários Nacional de Previdência Social (INPS). Hoje
serviços de assistência médico-sanitária e re- e assistir a população durante as epidemias o órgão correspondente é o Instituto Nacio-
estruturação das atribuições e responsabilida- (Barros, 2011). nal de Seguridade Social (INSS). Em 1975 foi
des político-administrativos, dando chances Com o INPS, o Estado tornou-se criado o Sistema Nacional de Saúde, com ob-
aos municípios de também participarem do único coordenador dos serviços de assistên- jetivo de tornar mais eficazes as ações de saú-
processo. cia médica, aposentadorias e pensões, des- de em todo o país (Portal ENSP, 2012).
Com o golpe militar em 1964, hou- contando 8% do salário dos trabalhadores. A criação de todos estes órgãos eram para

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superar as deficiências no setor, que pareciam de 1988 (Portal ENSP, 2012). na propagação do movimento da Reforma
intransponíveis. O INAMPS, na década de 80, pas- Sanitária; resultou na implantação do Siste-
Entre tantos obstáculos, houve um sou por mudanças constantes, com universa- ma Unificado e Descentralizado de Saúde
cenário positivo: a expansão da assistência lização progressiva do atendimento, já numa (SUDS); um convênio entre o INAMPS e os
médica individual e do número de leitos hos- transição para o SUS. A crise brasileira agra- governos estaduais, subsidiou a elaboração da
pitalares repercutiu na queda do índice de vou-se após a falência do modelo econômico seção “Da Saúde” da Constituição Federal e
mortalidade geral e, consequentemente, a ex- do regime militar. Procurava-se neste mo- Leis Orgânicas da Saúde – Lei 8.080/90 e Lei
pectativa de vida aumentou, nesta época, para mento atender às proposições redigidas pela 8.142/90 (Barros, 2011). Neste contexto a
63 anos. Organização Mundial de Saúde na Conferên- saúde foi definida como “direito de todos e
Em 1971 o governo criou a Central cia de Alma-Ata, ocorrida em 1978, que pre- dever do estado”.
de Medicamentos (CEME), com o objetivo conizava “Saúde para todos no Ano 2000”, Assim sendo, o Sistema Unificado
de produzir, contratar e distribuir remédios especialmente através da Atenção Primária de Saúde (SUS) passou a existir, sendo o ór-
essenciais à população de baixa renda. à Saúde. Em 1988 a Constituição Brasileira gão responsável por organizar as atividades
passou a vigorar e em 1989 os brasileiros ele- do Ministério da Saúde, do Inamps e dos
No final dos anos 70, os profissio-
nais do setor se organizaram e sur- geram o primeiro presidente da República. serviços de saúde estaduais e municipais.
giram a Associação Brasileira de
Pós-Graduação em Saúde Coletiva A 8ª Conferência Nacional de Saúde O movimento social reorganizou-se
(Abrasco) e o Centro Brasileiro de
Estudos da Saúde (Cebes). A partir foi um marco na história do SUS. Na oca- na última Constituinte, com intensa campa-
dessas associações, desenvolveu-se o
chamado Movimento Sanitarista que sião, ocorreram alguns fatos que devem ser nha travada pela afirmação dos direitos so-
buscou encontrar respostas para os
dilemas da política de saúde nacional destacados: o evento reuniu cerca de 5 mil ciais. Em 1988, nova ordem jurídica, assenta-
(BERTOLLI FILHO, 2006, p.63).
pessoas; foi a primeira CNS a ser aberta à so- da na Constituição, define o Brasil um Estado
O resultado dessas discussões foi a ciedade, ressaltando a importância da parti- Democrático de Direito, proclama a saúde
inclusão das reivindicações na Constituição cipação popular nas decisões; foi importante direito de todos e dever de Estado, estabe-

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lecendo canais e mecanismos de controle e outros sujeitos de direito que requerem pro- Este entendimento da doença, no
participação social para efetivar os princípios teção específica também foram reconhecidos, entanto, mostra-se insuficiente para abordar
constitucionais que garantem o direito indivi- assim como os povos indígenas, crianças e a saúde e, na década de 70, surgiram as pri-
dual e social (FUNASA, 2011). adolescentes, deficientes físicos, etc. A pro- meiras tentativas sistemáticas de construir
A fundação do SUS foi resultante teção e a promoção da saúde são de respon- teoricamente um conceito de saúde. Esse es-
de diversos interesses de gestores públicos, sabilidade pública, ou seja, de competência forço inicial, entretanto, ainda está ancorado
de políticos, da iniciativa privada por meio de todos os cidadãos do país, o que implica no modelo biomé­dico e numa abordagem
de hospitais e clínicas particulares, planos participação e controle social permanentes negativa da idéia de saúde. A idéia é de que
de saúde, da indústria farmacêutica, das as- (FUNASA, 2011). existe uma estrutura dinâmica e biológica que
sociações de moradores, das organizações de permite um funcionamento normal do cor-
categorias profissionais, da mídia, do poder po; qualquer alteração nesses domínios cau-
1.1 Processo saúde-doença
judiciário, entre outros (Barros, 2011). saria a doença (Arantes et al, 2008).
A implantação do SUS ocorreu de A história da produção dos concei- O processo saúde-doença é uma ex-
maneira gradativa. Primeiramente surgiu o tos de saúde e doença é marcada por inúmeras pressão usada para fazer referência a todas as
SUDS; em seguida, houve, em 1990, a incor- tentativas de encontrar padrões explicativos variáveis que envolvem a saúde e a doença de
poração do INAMPS ao Ministério da Saúde; para os sofrimentos humanos que pudessem um indivíduo ou população e considera que
e, no final de 1990, foram criadas a Lei Orgâ- superar a visão mágico-religiosa, que perdu- ambas estão interligadas e são consequência
nica da Saúde - Lei nº 8.080 (19 de setembro rou por muitos anos. Com o advento da Me- dos mesmos fatores. De acordo com esse
de 1990), que fundou o SUS, e a Lei nº 8.142 dicina Moderna, ao final da época clássica, es- conceito, a determinação do estado de saúde
de 28 de dezembro de 1990, que trouxe a par- tas explicações começaram a ser subs­tituídas de uma pessoa é um processo complexo que
ticipação da população na gestão do serviço. pela busca das causas biológicas que estariam envolve diversos elementos. Diferentemente
Além do Sistema Único de Saúde, na origem dos processos patológicos. da teoria da unicausalidade, muito aceita no

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início do século XX, que considera como fa- divíduo desde o momento da exposição aos so saúde-doença baseia-se no modo como é
tor único de surgimento de doenças um agen- agentes causais até a recuperação ou a morte. des­crito o corpo humano, cuja divisão é feita
te etiológico - vírus, bactérias, protozoários -, O conhecimento da história natural da doen- de maneira individualizada, considerando sis-
o conceito de saúde-doença estuda os fatores ça é relevante para a prevenção e controle das temas, aparelhos e órgãos, gerando uma di-
biológicos, econômicos, sociais e culturais e, doenças, sendo este um dos principais ele- ficuldade de se pensar no corpo como uma
com eles, pretende obter possíveis motiva- mentos da epidemiologia descritiva (Flet- única estrutura, apesar de complexa.
ções para o surgimento de alguma enfermida- cher e Fletcher, 1996). Pode-se dizer que a saúde e a doen-
de (Almeida Filho e Rouquayrol, Os estudos epidemiológicos descri- ça são formas pelas quais a vida de manifesta.
1992). tivos ou observacionais, nesse caso, concen- Considerando todos os aspectos ligados ao
O homem, desse ponto de vista, ne- tram-se em três classes de fatores gerais do processo complexo que envolve o estado de
cessita de um equilíbrio entre aspectos bio- processo saúde-doença: o agente, o hospedei- saúde das mesmas, é de consenso ser difícil
lógicos e em relação ao meio ambiente, para ro e o ambiente, em seus aspectos quantita- encontrar uma única definição para este pro-
que possa desfrutar de boa saúde. É nesse tivos. O lado prático desta situação é que se cesso.
sentido que brotou a associação do processo pode atuar na prevenção da doença mesmo
saúde-doença a elementos relacionados com sem o conhecimento de sua patogênese. Em
a qualidade e estilo de vida saudáveis. contrapartida, a análise patológica da história
As representações de saúde e do- natural da doença se restringe ao organismo
ença sempre tiveram relação entre os corpos vivo.
dos seres humanos, as coisas e os demais ele- Ao longo da história, muitas defi-
mentos que as rodeiam (Dias et al, 2007). nições sobre o processo saúde-doença surgi-
A história natural da doença é a des- ram e foram discutidas. Para alguns autores,
crição da evolução de uma doença em um in- uma das dificuldades da definição do proces-

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2.1 Constituição Federal

O Sistema Único de Saúde (SUS),


criado em 1988 pela Constituição Federal
Brasileira, é a assistência que todos os brasi-
leiros recebem do governo, de maneira inte-
gral, universal e gratuita, sendo considerado
um dos maiores sistemas públicos de saúde
do mundo.
O SUS é composto por centros e
postos de saúde, hospitais, laboratórios, he-
mocentros, serviços de Vigilância Sanitária,
Vigilância Epidemiológica, Vigilância Am-
Capitulo II
biental, além de fundações e institutos de pes-
2. Sistema Único de quisa (Portal da Saúde, 2011). Sendo
Saúde (SUS)
assim, o fisioterapeuta que atua em Saúde Pú-
blica poderá trabalhar em todos esses locais.
A Seção da Saúde integra a Consti-
tuição Federal Brasileira, e é composta pelos
artigos 196 a 200.
Símbolo oficial do SUS
Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/
area/345/entenda-o-sus.html

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princípios estabelecidos na Lei Orgânica de
Os artigos 196 a 200, da Seção II – No artigo 199 consta que a assistên-
DA SAÚDE da Constituição Federal, Saúde (Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
cia à saúde é livre à iniciativa privada, poden- 1990) em 1990, com base no artigo 198 da
podem ser consultados no link
http://www.conselho.saude.gov. do complementar a pública em entidades fi- Constituição Federal de 1988.
br/14cns/docs/constituicaofederal.pdf lantrópicas ou sem fins lucrativos, vedando a
As leis Orgânicas da saúde são um
destinação de recursos públicos para entidade conjunto de duas leis editadas: a Lei 8.080/90
O artigo 196 traz a famosa afirma- privadas. e Lei 8.142/90, para dar cumprimento ao
Finalizando a Seção da Saúde, o Ar- mandamento constitucional de disciplinar
ção que “a Saúde é direito de todos e dever
legalmente a proteção e a defesa da saúde
do Estado”, o compromisso da redução de tigo 200 traz as competências, além de ou-
(Conselho Nacional de Saúde,
agravos à saúde e riscos de doenças, reafir- tras atribuições, do Sistema Único de Saúde, 2011).
mando seus princípios de universalidade e como controlar e fiscalizar procedimentos,
equidade de acesso, bem como prevê ações executar as ações de vigilância sanitária e epi- A Lei Orgânica da Saúde no 8.142/90
pode ser consultada no link
de promoção prevenção e tratamento à saúde demiológica e incrementar o desenvolvimen-
http://portal.saude.gov.br/portal/
da população. to científico e tecnológico. arquivos/pdf/Lei8142.pdf
Já artigo 197 ressalta que o Poder O fisioterapeuta deve ter conheci-
Público regulamenta, fiscaliza e controla as mento desta Seção da Constituição Federal,
A Lei Orgânica da Saúde no 8.080, de
ações de serviços de saúde, podendo a exe- para atuação tanto no sistema público quanto
1990 pode ser acessada na íntegra no
cução ser feita pelo sistema público ou ter- privado, para estar ciente do que prevê a lei link
ceirizado. em relação à assistência à saúde da população http://www010.dataprev.gov.br/
O artigo 198 aborda que o SUS é brasileira. sislex/paginas/42/1990/8080.htm

único, por ter uma rede de ações e serviços


públicos regionalizada e hierarquizada e ex- 2.2 Leis Orgânicas São leis nacionais que têm o caráter
põe as diretrizes dessa operacionalização. O Sistema Único de Saúde teve seus geral, contêm diretrizes e limites que devem

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das ações de saúde, meio ambiente e
ser respeitados pela União, pelos Estados e na, 2006). saneamento básico;
XI - conjugação dos recursos finan-
Municípios ao elaborarem suas próprias nor- A descrição dos sete princípios do ceiros, tecnológicos, materiais e hu-
manos da União, dos Estados, do
mas. São destinadas a esclarecer o papel das SUS, conforme a Lei 8.080/90, é assim dis- Distrito Federal e dos Municípios, na
prestação de serviços de assistência à
esferas de governo na proteção e na defesa da posta: saúde da população;
XII - capacidade de resolução dos
saúde, orientando suas respectivas atuações serviços em todos os níveis de assis-
I - universalidade de acesso aos ser-
tência; e
para garantir o cuidado à saúde. viços de saúde em todos os níveis de
XIII - organização dos serviços pú-
assistência;
blicos de modo a evitar duplicidade
II - integralidade de assistência, en-
de meios para fins idênticos.
2.3 Princípios do SUS tendida como um conjunto articula-
do e contínuo das ações e serviços
preventivos e curativos, individuais e
Conforme citado anteriormente, o coletivos, exigidos para cada caso em O conhecimento destes princípios
todos os níveis de complexidade do
SUS foi estabelecido e regulamentado pela sistema; norteia o planejamento das ações que o fisio-
III - preservação da autonomia das
Lei Orgânca da Saúde 8.080/90. Dentre ou- pessoas na defesa de sua integridade terapeuta desenvolve na Saúde Pública, em
física e moral;
tros aspectos, a lei traz os princípios e diretri- IV - igualdade da assistência à saúde, especial na Atenção Básica. Assim, conforme
sem preconceitos ou privilégios de
zes do Sistema. qualquer espécie; a Portaria 3925/98 do Ministério da Saúde,
V - direito à informação, às pessoas
São sete os princípios do SUS. Os assistidas, sobre sua saúde; pode-se observar algumas adaptações a esses
VI - divulgação de informações
princípios da universalidade, integralidade quanto ao potencial dos serviços de princípios, com ênfase na Atenção Básica:
saúde e sua utilização pelo usuário;
e da equidade são considerados princípios VII - utilização da epidemiologia
para o estabelecimento de priorida- - Saúde como direito - a saúde é
ideológicos ou doutrinários, e os princípios des, a alocação de recursos e a orien- um direito fundamental do ser hu-
tação programática; mano, devendo o Estado prover
de descentralização, regionalização e hie- VIII – participação da comunidade; as condições indispensáveis ao seu
IX - descentralização político-ad- pleno exercício, por meio de políti-
rarquização sào denominados de princípios ministrativa, com direção única em cas econômicas e sociais que visem
cada esfera de governo: a redução de riscos de doenças e de
organizacionais. O princípio da participaçào a) ênfase na descentralização dos outros agravos e no estabelecimento
serviços para os municípios; de condições que assegurem aces-
popular não possui classificação definida b) regionalização e hierarquização da so universal e igualitário às ações e
rede de serviços de saúde; serviços para a promoção, proteção
(Associação Paulista de Medici- X - integração, em nível executivo, e recuperação da saúde individual e

15
coletiva. e estreitamento do vínculo entre as
- Integralidade da assistência - equipes de profissionais e a popula- político-administrativa, com progressiva
entendida como um conjunto articu- ção.
lado e contínuo de ações e serviços - Participação - democratização do transferência de responsabilidades e recursos
preventivos e curativos, individuais e conhecimento do processo saúde/
coletivos, exigido para cada caso, em doença e dos serviços, estimulando do nível federal para os gestores estaduais
todos os níveis de complexidade do a organização da comunidade para o
sistema. efetivo exercício do controle social, e municipais, foi um dos principais avanços
- Universalidade - acesso garantido na gestão do sistema.
aos serviços de saúde para toda po- do SUS na década de 90 e se deu através das
pulação, em todos os níveis de assis-
tência, sem preconceitos ou privilé- Normas Operacionais Básicas.
gios de qualquer espécie. O Art. 7 da Lei 8.080/90 ressalta
- Equidade - igualdade na assistên- As Normas Operacionais do SUS
cia à saúde, com ações e serviços ainda:
priorizados em função de situações representam um importante instrumento de
de risco e condições de vida e saúde
“direito à informação, às pessoas as- regulamentação desse processo de descen-
de determinados indivíduos e gru-
sistidas, sobre sua saúde; divulgação
pos de população.
de informações quanto ao potencial tralização, à medida que estabelecem, de for-
- Resolutividade - eficiência na ca-
dos serviços de saúde e sua utiliza-
pacidade de resolução das ações e
ção pelo usuário; utilização da epide- ma negociada, mecanismos e critérios para a
serviços de saúde, através da assis-
miologia para o estabelecimento de
tência integral resolutiva, contínua
prioridades, a alocação de recursos e transferência de responsabilidades e recursos
e de boa qualidade à população ads-
a orientação programática; integra-
trita, no domicílio e na unidade de
ção, em nível executivo, das ações de para estados e municípios (Souza, 2001).
saúde, buscando identificar e intervir
saúde, meio ambiente e saneamento
sobre as causas e fatores de risco aos
básico; conjugação dos recursos fi- Ao longo da década de 1990, foram
quais essa população está exposta:
nanceiros, tecnológicos, materiais e
- Intersetorialidade - desenvolvi-
humanos da União, dos Estados, do editadas quatro dessas normas – as NOB
mento de ações integradas entre os
Distrito Federal e dos Municípios, na
serviços de saúde e outros órgãos
prestação de serviços de assistência 01/91, NOB 01/92, NOB 01/93 e NOB
públicos, com a finalidade de arti-
à saúde da população; capacidade
cular políticas e programas de in-
de resolução dos serviços em todos 01/96, sendo que as duas últimas foram re-
teresse para a saúde, cuja execução
os níveis de assistência; e organiza-
envolva áreas não compreendidas no
ção dos serviços públicos de modo sultantes de processos de negociação pro-
âmbito do Sistema Único de Saúde,
a evitar duplicidade de meios para
potencializando, assim, os recursos
fins idênticos (Associação Paulista gressivamente mais intensos entre os atores
financeiros, tecnológicos, materiais
de Medicina, 2006).
e humanos disponíveis e evitando
duplicidade de meios para fins idên- setoriais, particularmente no âmbito da Co-
ticos.
- Humanização do atendimento 2.4 Normas operacionais básicas missão Intergestores Tripartite e do Conse-
- responsabilização mútua entre os
serviços de saúde e a comunidade O processo de descentralização lho Nacional de Saúde.

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2.5 Níveis de atenção à saúde o conjunto de ações levadas a efeito pelo
O conteúdo na íntegra da NOB 01/91
pode ser consultado no link Atenção à saúde é tudo que envolve SUS, em todos os níveis de governo, para o
http://siops.datasus. o cuidado com a saúde do ser humano, in- atendimento das demandas pessoais e das exi-
gov.br/Documentacao/ cluindo as ações e serviços de promoção, pre- gências ambientais, compreende três grandes
Resolu%C3%A7%C3%A3o%20
venção, reabilitação e tratamento de doenças. campos, a saber: (1) o da assistência, em que
258_07_01_1991.pdf
No SUS, o cuidado com a saúde está ordena- as atividades são dirigidas às pessoas, indivi-
do em níveis de atenção, que são: a básica, a dual ou coletivamente, e que é prestada no
O conteúdo na íntegra da NOB 01/92 de média complexidade e a de alta complexi- âmbito ambulatorial e hospitalar, bem como
pode ser consultado no link
dade. Esta organização permite uma melhor em outros espaços, especialmente no domici-
http://siops.datasus.gov.br/
Documentacao/Portaria%20 programação e planejamento das ações e ser- liar; (2) o das intervenções ambientais, no seu
234_07_02_1992.pdf viços do sistema (Ministério da Saú- sentido mais amplo, incluindo as relações e as
de, 2005). condições sanitárias nos ambientes de vida e
O modelo de atenção à saúde exis- de trabalho, o controle de vetores e hospedei-
O conteúdo na íntegra da NOB 01/93
tente hoje no Brasil é centrado no hospital. ros e a operação de sistemas de saneamento
pode ser consultado no link
http://siops.datasus.gov.br/ Contudo, estudos apontam que quando as ambiental (mediante o pacto de interesses,
Documentacao/Portaria%20 unidades básicas de saúde (UBS) funcionam as normalizações, as fiscalizações e outros);
545_20_05_1993.pdf adequadamente, são capazes de resolver, e (3) o das políticas externas ao setor saúde,
com qualidade, cerca de 80% dos problemas que interferem nos determinantes sociais do

Acesse o conteúdo na íntegra da NOB de saúde da população. Assim, é necessário processo saúde-doença das coletividades, de
01/96 no endereço eletrônico aprimorar os serviços públicos neste nível de que são partes importantes questões relativas
http://portal.saude.gov.br/portal/ atenção. às políticas macroeconômicas, ao emprego, à
arquivos/pdf/nob96.pdf
A atenção à saúde, que encerra todo habitação, à educação, ao lazer e à disponibi-

17
lidade e qualidade dos alimentos (NOB-SUS, o usuário começa a ser atendido na atenção necessários mais investimentos neste nível de
1996). básica, e seu problema pode ter solução no atenção, pois só assim será possível acabar
nível de alta complexidade. O SUS tem as com as filas, com o consumo abusivo de me-
2.5.1 Atenção básica
suas ações para que o usuário receba toda a dicamentos e com o uso indiscriminado de
Atenção básica é a definição usada atenção de que necessita para resolução de equipamentos de alta tecnologia (Ministé-
para o primeiro nível de atenção à saúde ofe- seu problema de saúde. rio da Saúde, 2004).
recido pelo SUS. Conglomera um conjunto A atenção básica é composta pe- A estratégia adotada pelo Ministério
de ações de caráter individual ou coletivo, las especialidades básicas da saúde, que são: da Saúde, como prioritária para a organização
abrangendo a promoção da saúde, a preven- clínica médica, pediatria, obstetrícia, gine- da atenção básica é a estratégia Saúde da Fa-
ção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e cologia (inclusive as emergências referentes mília. A responsabilidade pela oferta de ser-
a reabilitação dos pacientes (Ministério a essas áreas) (Ministério da Saúde, viços de atenção básica à saúde é da gestão
da Saúde, 2007). 2004). Também é atribuição da atenção bási- municipal, já o financiamento é de respon-
Esse nível da atenção à saúde tam- ca providenciar o encaminhamento dos usu- sabilidade das três esferas de governo (CO-
bém é popularmente chamado de porta de ários para os atendimentos de média e alta NASS, vol. 8, 2007).
entrada no SUS, por oferecer o primeiro complexidade. Com o objetivo de melhor definir as
atendimento ao cidadão que procura por as- Os problemas mais comuns devem responsabilidades com a atenção básica e de
sistência pública à saúde. Contudo, o atendi- ser resolvidos na atenção básica, deixando permitir o acompanhamento da descentrali-
mento aos usuários deve seguir uma cadeia que os ambulatórios de especialidades e os zação trazida pela NOB-SUS 01/96, foi pu-
progressiva, garantindo o acesso aos cuida- hospitais cumpram com competência seu blicado pelo Ministério da Saúde, em junho
dos e às tecnologias necessárias e adequadas verdadeiro papel, resultando numa maior sa- de 1999, o documento Manual para Organiza-
à prevenção e ao enfrentamento das doenças tisfação dos usuários e na utilização mais ra- ção da Atenção Básica, que traz as responsabili-
(Ministério da Saúde, 2006). Ou seja, cional dos recursos existentes. Para isto, são dades na gestão da atenção básica, as respon-

18
A média complexidade ambulatorial
sabilidades na atenção às pessoas, e as ações rotinas administrativas e objetiva a constru- é composta por ações e serviços que
visam atender aos principais proble-
dirigidas a grupos específicos da população. ção de processo de reorganização da atenção mas e agravos de saúde da popula-
ção, cuja complexidade da assis­tência
básica (Ministério da Saúde, 2003). na prática clínica demande a dispo-
O Manual para Organização da Atenção nibilidade de profissionais especiali-
O Pacto de Indicadores da Atenção zados e a utilização de recursos tec-
Básica encontra-se no endereço eletrônico nológicos, para o apoio diagnóstico
Básica pode ser visualizado na íntegra e tratamento.
http://dab.saude.gov.br/docs/geral/ma-
em
nual_organizacao_ab.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/
No material de apoio conhecido
v3n2/a13v03n2.pdf
O Ministério da Saúde, em parceria como O SUS de A a Z, fornecido pelo Minis­
com Estados e Municípios, através do Pacto 2.5.2 Média complexidade tério da Saúde no site do Departamento de
de Indicadores da Atenção Básica, propicia É o segundo nível de atenção à saú- Atenção Básica (DAB) (http://dtr2004.sau-
a incorporação de mecanismos de monito- de, composto por ações e serviços que visam de.gov.br/susdeaz/) e construída conjunta-
ramento das ações e dos serviços de saúde, atender os principais problemas de saúde e mente pelo Conselho Nacional de Se­cretarias
por todas as instâncias de gestão do SUS (Mi- agravos da população. Neste nível de atenção, Municipais de Saúde (Conasems), há, em
nistério da Saúde, 2004). O Pacto de são disponibilizados profissionais especializa- acréscimo a esta definição, uma relação dos
Indicadores, portanto, é um instrumento na- do erecursos tecnológicos de apoio diagnósti- grupos que compõem os procedimentos de
cional de monitoramento das ações e servi- co e terapêutico (CONASS, vol.9, 2007). média complexidade do Sistema de Informa-
ços de saúde referentes à atenção básica. A Secretaria de Atenção à Saúde ções Ambulatoriais (SIA): (1) procedimentos
A principal função dos indicadores (SAS) do Ministério da Saúde (MS) define especializados realizados por profissionais
é a de estabelecer uma nova maneira de con- média e alta complexidade em saúde, em seu médicos, outros profissionais de nível supe-
duzir a gestão do SUS, em que o monitora- site na internet (http://portal.saude.gov.br/ rior e nível médio; (2) cirurgias ambulatoriais
mento e a avaliação das ações e dos serviços portal/sas/mac/default.cfm), conforme se especializadas; (3) procedimentos tráumato-
de saúde deixam de ser desenvolvidos como segue: -ortopédico; (4) ações especializadas em

19
odontologia; (5) patologia clínica; (6) anato- cirurgia vascular; cirurgia cardiovascular pe- número no nível ambulatorial, mas com im-
mopatologia e citopatologia; (7) radiodiag- diátrica; procedimentos da cardiologia inter- pacto financeiro extremamente alto, como é
nóstico; (8) exames ultra-sonográficos; (9) vencionista; procedimentos endovasculares o caso dos procedimentos de diálise, da qui-
diagnose; (10) fisioterapia; (11) terapias espe- extracardíacos; laboratório de eletrofisiolo- mioterapia, da radioterapia e da hemoterapia.
cializadas; (12) próteses e órteses; (13) aneste- gia; assistência em tráumato-ortopedia; pro-
2.6 Direção e articulação do SUS
sia (CONASS, 2007 – vol.9). cedimentos de neurocirurgia; assistência em
otologia; cirurgia de implante coclear; cirur- A direção e articulação do SUS está
2.5.3 Alta complexidade
gia das vias aéreas superiores e da região cer- prevista na Norma Operacional Básica de
A alta complexidade, nível mais ele- vical; cirurgia da calota craniana, da face e do 1996. A direção do SUS, em cada esfera de
vado da atenção à saúde, é definida pelo Mi- sistema estomatognático; procedimentos em governo – municipal, estadual e federal, é
nistério da Saúde (2004) como conjunto de fissuras lábio-palatais; reabilitação protética e composta pelo órgão setorial do poder exe-
procedimentos que envolve alta tecnologia e funcional das doenças da calota craniana, da cutivo e pelo respectivo Conselho de Saú-
alto custo, proporcionando à população aces- face e do sistema estomatognático; procedi- de, nos termos das Leis Nº 8.080/90 e Nº
so a serviços qualificados, integrando-os aos mentos para a avaliação e o tratamento dos 8.142/1990 (NOB-SUS, 1996).
níveis de atenção básica e de média comple- transtornos respiratórios do sono; assistência O processo de articulação entre os
xidade. aos pacientes portadores de queimaduras; as- gestores, nos diferentes níveis do sistema,
As principais áreas que compõem sistência aos pacientes portadores de obesi- acontece em dois grupos de negociação: a
a alta complexidade do SUS, organizadas dade (cirurgia bariátrica); cirurgia reproduti- Comissão Intergestores Tripartite - CIT e a
em redes são: assistência ao paciente porta- va; genética clínica. (CONASS, vol. 9, 2007). Comissão Intergestores Bipartite – CIB. Es-
dor de doença renal crônica (por meio dos Os procedimentos da alta comple- tas duas comissões discutem sobre a organi-
procedimen­tos de diálise); assistência ao pa- xidade são executados em sua maioria no zação, direção e gestão da saúde.
ciente oncológico; cirurgia cardiovascular; âmbito hospitalar, sendo realizado em menor A CIT é um espaço para elaboração

20
de propostas para a implantação e operacio- As decisões das Comissões Inter- Alta Complexidade; 3 – Vigilância em Saúde;
nalização do SUS, e a CIB é a instância privi- gestores que versarem sobre matéria da es- 4 – Assistência Farmacêutica; e 5 – Gestão
legiada de negociação e decisão quanto aos fera de competência dos Conselhos de Saú- do SUS. Antes do pacto, havia mais de 100
aspectos operacionais do SUS. de são submetidas à apreciação do Conselho formas de repasses de recursos financeiros, o
A CIT é composta, paritariamente, respectivo (CONASS, 2003). que trazia algumas dificuldades para sua apli-
por representação do Ministério da Saúde, do cação (Ministério da Saúde, 2007).
2.7 Pacto pela saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde Ao longo da história do SUS, hou-
(Conass) e do Conselho Nacional de Secre- O Pacto pela saúde 2006 surgiu a ve muitos avanços e também desafios per-
tários Municipais de Saúde (Conasems). A partir das discussões realizadas pelo Conse- manentes a superar pelos gestores públicos.
CIB também é formada de maneira paritária lho Nacional dos Secretários de Saúde, com Assim, os gestores do SUS têm empenhado
e integrada por representação da Secretaria objetivo de revisar o processo normativo do esforços nestas mudanças, visando buscar
Estadual de Saúde (SES) e do Conselho Esta- SUS. O Pacto foi aprovado pelos gestores do melhorias para o Sistema. Contudo, alguns
dual de Secretários Municipais de Saúde (Co- SUS na reunião da Comissão Intergestores problemas parecem não ter solução, pela di-
sems) ou órgão equivalente (Ministério Tripartite do dia 26 de janeiro de 2006, e foi ficuldade de imporem-se normas gerais a um
da Saúde, 2000). Um dos representantes operacionalizado por meio do documento de país tão grande e desigual, e pela regulamen-
dos municípios é, necessariamente, o Secretá- Diretrizes Operacionais do Pacto pela Saúde tação instituída com conteúdos normativos
rio de Saúde da Capital. 2006. de caráter muito técnico, em geral com deta-
A definição sobre o número de Com o Pacto pela Saúde (MINIS- lhamento excessivo e enorme complexidade,
membros de cada CIB considera as diferentes TÉRIO DA SAÚDE, 2006), os estados e mu- o que dificulta a operacionalização.
situações de cada estado, como número de nicípios poderão receber os recursos federais Com o intuito de superar esses pro-
municípios, número de regiões de saúde, bus- por meio de cinco blocos de financiamento: blemas, os gestores do SUS assumiram o
cando a maior representatividade possível. 1 – Atenção Básica; 2 – Atenção de Média e compromisso público da construção do Pacto

21
pela Saúde 2006. No momento de sua apro- cionais, a partir de pactuações locais (Pacto de (2006):
vação, foi acordado que o documento será pela Saúde, 2006). As ações serão plane-
• Saúde do idoso: implantar a
revisado anualmente, considerando os prin- jadas com foco em resultados, sendo respei- Política Nacional de Saúde da
Pessoa Idosa, buscando a aten-
cípios constitucionais do SUS. Os critérios tados os recursos orçamentários e financeiros ção integral.
• Câncer de colo de útero e de
para a revisão do documento serão pautados para o alcance desses resultados. mama: contribuir para a redu-
ção da mortalidade por câncer
nas necessidades de saúde da população e no O Pacto pela vida contém os seguin- de colo do útero e de mama.
• Mortalidade infantil e mater-
estabelecimento de prioridades articuladas e tes objetivos e metas prioritárias (Portaria na: reduzir a mortalidade mater-
na, infantil neonatal, infantil por
integradas nos três componentes: Pacto pela GM/MS nº 325, de 21 de fevereiro de 2008): doença diarréica e por pneumo-
nias.
vida, Pacto em defesa do SUS e Pacto de ges- • Doenças emergentes e ende-
I- atenção à saúde do idoso; mias, com ênfase na dengue,
tão do SUS. II- controle do câncer de colo de hanseníase, tuberculose, ma-
útero e de mama; lária e Influenza: fortalecer a
III- redução da mortalidade infantil capacidade de resposta do sis-
2.7.1 Pacto pela vida e materna; tema de saúde às doenças emer-
IV- fortalecimento da capacidade  gentes e endemias.
de resposta às doenças emergentes • Promoção da saúde: elaborar e
O Pacto pela vida reforça no SUS o e endemias, com ênfase na dengue, implantar a Política Nacional de
hanseníase, tuberculose, malária, in- Promoção da Saúde, com ênfase
movimento da gestão pública por resultados, fluenza, hepatite, aids; na adoção de hábitos saudáveis
V- promoção da saúde; por parte da população brasi-
estabelece um conjunto de compromissos VI- fortalecimento da atenção bási- leira, de forma a internalizar a
ca; responsabilidade individual da
sanitários considerados prioritários, pactu- VII- saúde do trabalhador; prática de atividade física regular
VIII- saúde mental; alimentação saudável e combate
ado de forma tripartite, a ser implementado IX- fortalecimento da capacidade de ao tabagismo.
resposta do sistema de saúde às pes- • Atenção básica à saúde: con-
pelos entes federados. Esses compromissos soas com deficiência; solidar e qualificar a estratégia
X- atenção integral às pessoas em si- da Saúde da Família como mo-
deverão ser efetivados pela rede do SUS, de tuação ou risco de violência; delo de atenção básica à saúde e
XI- saúde do homem. como centro ordenador das re-
forma a garantir o alcance das metas pactua- des de atenção à saúde do SUS.

das. Prioridades estaduais, regionais ou muni- As prioridades do Pacto pela vida e


cipais podem ser agregadas às prioridades na- seus objetivos são, segundo o Pacto pela Saú-

22
2.7.2 Pacto em defesa do SUS MS, de 3 de setembro de 2009. mativos. Também constam do Pacto o refor-
ço da territorialização da saúde como base
O Pacto em Defesa do SUS tem o 2.7.3 Pacto de gestão do SUS
para organização dos sistemas, a importância
objetivo de reforçar o SUS como política de
O Pacto de Gestão do SUS também da participação e do controle social, e expli-
Estado mais do que política de governos, e
é descrito na Portaria 2048 MS, de 3 de se- citação das diretrizes para o sistema de finan-
de defender os princípios norteadores dessa
tembro de 2009. Este Pacto estabelece as res- ciamento público tripartite.
política pública.
ponsabilidades claras de cada ente federado As prioridades do Pacto de Gestão
A concretização desse Pacto passa
de forma a diminuir as competências concor- são definir de forma inequívoca a responsa-
por um movimento de repolitização da saú-
rentes e a tornar mais claro quem deve fazer bilidade sanitária de cada instância gestora do
de, com uma clara estratégia de mobilização
o quê, contribuindo, assim, para o fortaleci- SUS e estabelecer as diretrizes para a Gestão
social envolvendo o conjunto da sociedade
mento da gestão compartilhada e solidária do do SUS.
brasileira, extrapolando os limites do setor e
SUS.
vinculada ao processo de instituição da saúde As Diretrizes Operacionais para os
Esse Pacto parte da verificação irre-
como direito de cidadania, tendo o financia- Pactos pela vida, em defesa do SUS
futável de que o Brasil é um país com muitas e de Gestão do Ministério da Saúde
mento público da saúde como um dos pon-
diferenças regionais, e surgiu no sentido de (2006) podem ser visualizadas no link:
tos centrais (Portaria 2048 MS, de 3 de
aprimorar o avanço na regionalização e na http://dtr2001.saude.gov.br/editora/
setembro de 2009). produtos/livros/pdf/06_0257_M.pdf
descentralização do SUS.
As prioridades do Pacto em Defe-
O Pacto radicaliza a descentralização
sa do SUS são implementar um projeto per-
de atribuições do Ministério da Saúde para os
manente de mobilização social e elaborar e
Estados, e para os Municípios, promovendo
divulgar a carta dos direitos dos usuários do
um choque de descentralização, acompanha-
SUS, e foram definidos pela Portaria 2048
do da desburocratização dos processos nor-

23
2.8 Programa Saúde da Família - PSF te do processo de reforma do setor da saúde, O PSF foi pensado para corrigir
com intenção de aumentar a acessibilidade algumas deificiência na atençào à saúde dos
ao SUS e aprimorar as ações de prevenção e brasileiros, buscando minimizar problemas
promoção da saúde. Em 1994 o Ministério da como supervalorização das práticas da assis-
Saúde lançou o Programa Saúde da Família tência curativa, especializada e hospitalar.
Símbolo oficial do Programa Saúde da Família
Disponível em: http://dab.saude.gov.br/atencaobasica.php como política nacional de Atenção Básica. A Saúde da Família é uma estratégia
Hoje, quase vinte anos depois de sua de ação, operacionalizada mediante a implan-
O Programa Saúde da Família – criação, o PSF é tido como uma das princi- tação de equipes multiprofissionais em unida-
PSF, é uma estratégia da atenção básica. pais estratégias de reorganização dos serviços des básicas de saúde. As equipes são respon-
Na década de 1990 iniciou-se a im- e de reorientação das práticas profissionais sáveis pelo acompanhamento de um número
plementação da estratégia do Programa Saú- neste nível de assistência. Porém, traz muitos definido de famílias, localizadas em uma área
de da Família (PSF) que, no contexto da po- e complexos desafios a serem superados para geográfica delimitada. As equipes atuam com
lítica de saúde brasileira, deveria contribuir consolidar os propósitos do Programa (Gil, ações de promoção da saúde, prevenção, re-
para a construção e consolidação do Sistema 2005). cuperação, reabilitação de doenças e agravos,
Único de Saúde (SUS). Tendo em sua base No âmbito da reorganização dos e na manutenção da saúde desta comunidade.
os pressupostos do SUS, a estratégia do PSF serviços de saúde, a estratégia da saúde da fa- A responsabilidade pelo acompanhamento
propõe a expectativa relativa à reorientação mília vai ao encontro dos debates e análises das famílias coloca para as equipes saúde da
do modelo assistencial a partir da atenção bá- referentes ao processo de mudanças no SUS, família a necessidade de ultrapassar os limites
sica (Brasil, 1997). que visam um novo modelo de assistência à classicamente definidos para a atenção básica
O Programa de Agente Comunitá- saúde que valorize as ações de promoção e no Brasil, especialmente no contexto do SUS
rios de Saúde – PACS, criado em 1991, ante- proteção da saúde, prevenção das doenças e (Saúde da família, 2012).
cedeu o Programa Saúde da Família, e foi par- atenção integral às pessoas. A estratégia de Saúde da Família é

24
um projeto dinamizador do SUS, condicio- programa vem sendo a valorização dos as- De acordo com a Portaria, além das
nada pelo progresso histórico e organização pectos que influenciam a saúde das pessoas características do processo de trabalho das
do sistema de saúde no Brasil, buscando me- fora do ambiente hospitalar. equipes de atenção básica ficaram definidas
lhor utilização dos demais níveis de atenção. as características do processo de trabalho da
2.8.1 Características
A adesão de gestores estaduais e municipais Saúde da Família (Portaria No 648, 2006):
aos seus princípios foi extremamente satisfa- O PSF é regulamentado pela Porta-
- manter atualizado o cadastramento
tória, e contribuiu para uma expansão rápi- ria Nº 648, de 28 de março de 2006, que esta- das famílias e dos indivíduos e utili-
zar, de forma sistemática, os dados
da do Programa. Entretanto, a consolidação belece que o PSF é a estratégia prioritária do para a análise da situação de saúde
considerando as características so-
dessa estratégia, que vem trazendo resultados Ministério da Saúde para organizar a Aten- ciais, econômicas, culturais, demo-
gráficas e epidemiológicas do terri-
positivos nos indicadores, precisa ser ampara- çào Básica — que tem como um dos seus tório;
- definição precisa do território de
da por um processo que permita a substitui- fundamentos possibilitar o acesso universal atuação, mapeamento e reconhe-
cimento da área adstrita, que com-
ção da rede básica de serviços tradicionais no e contínuo a serviços de saúde de qualidade, preenda o segmento populacional
determinado, com atualização con-
âmbito dos municípios e pela visualização de reafirmando os princípios básicos do SUS: tínua;
- diagnóstico, programação e imple-
resultados positivos nos indicadores de saúde universalização, equidade, descentralização, mentação das atividades segundo
critérios de risco à saúde, priorizan-
e de qualidade de vida da população assistida. integralidade e participação da comunidade - do solução dos problemas de saúde
mais frequentes;
Atualmente, o PSF é definido como mediante o cadastramento e a vinculação dos - prática do cuidado familiar amplia-
do, efetivada por meio do conheci-
Estratégia Saúde da Família (ESF), ao invés usuários (Saúde da família, 2012). mento da estrutura e da funciona-
lidade das famílias que visa propor
de programa, visto que o termo programa intervenções que influenciem os
processos de saúde doença dos in-
Portaria Nº 648, de 28 de março de
aponta para uma atividade com início, de- divíduos, das famílias e da própria
2006, que regulamenta o PSF, está comunidade;
senvolvimento e finalização, e esta estratégia, - trabalho interdisciplinar e em equi-
disponível em pe, integrando áreas técnicas e pro-
qualificada e resolutiva, não prevê um tempo http://dtr2001.saude.gov.br/sas/ fissionais de diferentes formações;
- promoção e desenvolvimento de
para finalizar. Um dos pontos positivos do PORTARIAS/Port2006/GM/GM-648.htm ações intersetoriais, buscando par-

25
cerias e integrando projetos sociais e
setores afins, voltados para a promo- jornada de trabalho de 40 horas semanais micílio, busca ativa e notificação de doenças
ção da saúde, de acordo com priori-
dades e sob a coordenação da gestão para todos os integrantes (Brasil, 1997). e agravos de notificaçào compulsória, reali-
municipal;
- valorização dos diversos saberes Inúmeras cidades brasileiras con- zação de escuta qualificada das necessidades
e práticas na perspectiva de uma
abordagem integral e resolutiva, pos- tratam outros profissionais como farma- dos usuários, participação nas atividades de
sibilitando a criação de vínculos de
confiança com ética, compromisso e cêuticos, nutricionistas, educadores físicos, planejamento das ações da equipe.
respeito;
- promoção e estímulo à participação psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, O fisioterapeuta que pretende atuar
da comunidade no controle social,
no planejamento, na execução e na terapeutas ocupacionais, entre outros. Nos no Programa precisa ter domínio dessas
avaliação das ações; e
- acompanhamento e avaliação sis- municípios que ainda nào implantaram o Nú- ações, para que possa desenvolver um pa-
tematica das ações implementadas,
visando à readequação do processo cleo de Apoio à Saúde da Família – NASF, pel efetivo dentro da equipe. A realização do
de trabalho.
esta é a maneira do fisioterapeuta atuar pelos atendimento domiciliar, por exemplo, é um
municípios na atenção básica à saúde. necessidade bastante frequente nesse nível de
2.8.2 Composição atenção. É uma das atividades mais enrique-
2.8.3 Atribuições dos membros da
cedoras para o fisioterapeuta, pois ao mes-
Para a implantação das Equipes de equipe
mo tempo em que ele precisa, muitas vezes,
Saúde da Família é estabelecido, entre outros
As atribuições dos profissionais per- improvisar e desenvolver a criatividade para
critérios, uma equipe multiprofissional res-
tencentes à equipe ficaram estabelecidos tam- realizar o atendimento no domicílio, o con-
ponsável por, no máximo, 4.000 habitantes,
bém pela Portaria Nº 648, de 28 de Março tato com o ambiente em que o paciente vive,
sendo que a média recomendada é de 3.000.
de 2006, podendo ser complementadas pela seu cuidador e familiares pode trazer conhe-
A equipe básica composta por mi-
gestão local. cimentos nào descritos na literatura.
nimamente médico, enfermeiro, auxiliar de
Dentre as atribuições comuns a to-
enfermagem (ou técnico de enfermagem) e
dos os profissionais que integram as equipes,
Agentes Comunitários de Saúde, term uma
destacam-se a realização do cuidado no do-

26
2.8.4 Responsabilidades das esferas 2.8.5 Desafios institucionais moramento das ações conduzidas pela equipe
gestoras em atenção básica Saúde da Família.
Mesmo com todas as mudanças já
As responsabilidades das esferas ocorridas no âmbito do PSF, ainda existem 2.8.6 Desempenho
gestoras da atenção básica foram assim defi- alguns desafios institucionais para expan-
Mesmo com desafios a serem supe-
nidas (Portal da Saúde, 2011): dir e qualificar a atenção básica no contexto
rados, alguns fatores podem ser considerados
brasileiro. A elaboração de protocolos assis-
(1) Federal: elaborar as diretrizes da para demonstrar o desempenho do Progra-
política nacional de atenção básica; tenciais integrados (promoção, prevenção,
co-financiar o sistema de atenção bá- ma Saúde da Família. Como destaques desse
sica; ordenar a formação de recursos recuperação e reabilitação) dirigidos aos pro-
humanos; propor mecanismos para bom desempenho, salienta-se que o modelo
a programação, controle, regulação e blemas mais frequentes do estado de saúde
avaliação da atenção básica; manter de Atenção à Saúde do Brasil é referência in-
as bases de dados nacionais; (2) Es- da população, com indicação da continuida-
tadual: acompanhar a implantação e ternacional, a Atenção Básica em Saúde é a
execução das ações de atenção básica de da atenção, sob a lógica da regionalização,
em seu território; regular as relações pauta política dos gestores públicos, a estra-
inter-municipais; coordenar a execu- flexíveis em função dos contextos estaduais,
ção das políticas de qualificação de tégia Saúde da Família está consolidada nos
recursos humanos em seu território; municipais e locais, é um dos desafios.
co-financiar as ações de atenção bá- municípios brasileiros. Pesquisas demons-
sica; auxiliar na execução das estra- Outro desafio é a revisão dos pro-
tégias de avaliação da atenção básica tram que a cada 10% de aumento de cober-
em seu território; (3) Municipal: defi- cessos de formação e educação em saúde com
nir e implantar o modelo de atenção tura, o índice de mortalidade infantil cai em
básica em seu território; contratua- ênfase na educação permanente das equipes,
lizar o trabalho em atenção básica; 4,6%.
manter a rede de unidades básicas coordenações e gestores.
de saúde em funcionamento (gestão O aumento da satisfação dos usuá-
e gerência); co-financiar as ações de Mais uma vez destaca-se a relevân-
atenção básica; alimentar os sistemas rios quanto ao atendimento recebido, resul-
de informação; avaliar o desempe- cia do conhecimento destes desafios por
nho das equipes de atenção básica tado das mudanças das práticas das equipes
sob sua supervisão. parte do fisioterapeuta para que, dentro da
de saúde é o fator que pode ser considerado
equipe, ele possa atuar efetivamente no apri-
o mais relevante para os objetivos propostos

27
- CBO: Médico Acupunturista; As-
por este modelo de Atenção. sica, bem como sua resolubilidade, apoiando sistente Social; Profissional da Edu-
cação Física; Farmacêutico; Fisio-
a inserção da estratégia de Saúde da Família terapeuta; Fonoaudiólogo; Médico
2.9 Núcleos de Apoio da Saúde da Ginecologista; Médico Homeopata;
na rede de serviços e o processo de territo- Nutricionista; Médico Pediatra; Psi-
Família - NASF cólogo; Médico Psiquiatra; e Tera-
rialização e regionalização a partir da atenção peuta Ocupacional.
§ 3º - O NASF 2 deverá ser compos-
Considerando, dentre outras ques- básica”. to por no mínimo três profissionais
de nível superior de ocupações não-
tões, o Inciso II do Art. 198 da Constituição Para isso, a Portaria classifica os coincidentes entre as listadas no § 4º
deste artigo.
da República Federativa do Brasil, de 1988, NASF em duas modalidades: NASF 1 e § 4º - Para efeito de repasse de re-
cursos federais, poderão compor os
que dispõe sobre a integralidade da atenção NASF 2. Para cada uma das modalidades, NASF 2 as seguintes ocupações do
Código Brasileiro de Ocupações -
como diretriz do Sistema Único de Saúde – estipula um mínimo de profissionais de nível CBO: Assistente Social; Profissional
da Educação Física; Farmacêutico;
SUS, o Ministério da Saúde criou os Núcleos superior, como o Profissional de Educação Fisioterapeuta; Fonoaudiólogo; Nu-
tricionista; Psicólogo; e Terapeuta
de Apoio à Saúde da Família (NASF) – atra- Física, o Assistente Social, o Fisioterapeuta, Ocupacional.

vés da Portaria Nº154, de 24 de janeiro de o Fonoaudiólogo, dentre outros, conforme


2008. descrito no Art. 3º: A criação do NASF foi extrema-
mente importante para o reconhecimento da
Art. 3º - Determinar que os NASF
A Portaria de criação do Núcleo de estejam classificados em duas moda- atuação fisioterapêutica na atenção básica. A
Apoio da Saúde da Família – NASF lidades, NASF 1 e NASF 2, ficando
vedada a implantação das duas mo- contratação de fisioterapeutas, que era prática
pode ser consultada em dalidades de forma concomitante
http://189.28.128.100/dab/docs/ nos Municípios e no Distrito Fede- de apenas alguns gestores municipais, passou
ral.
legislacao/portaria154_24_01_08.pdf § 1º - O NASF 1 deverá ser compos- a ser regulamentada com o NASF, fortalecen-
to por, no mínimo cinco profissio-
nais de nível superior de ocupações do também a oferta de tratamento multipro-
Segundo o Art. 1º da Portaria, os não-coincidentes entre as listadas no
§ 2º deste artigo. fissional à população.
NASF têm por objetivo: “ampliar a abran- § 2º - Para efeito de repasse de re-
cursos federais, poderão compor
gência e o escopo das ações da atenção bá- os NASF 1 as seguintes ocupações
do Código Brasileiro de Ocupações

28
número de pessoas que ficaram feridas, e pre-
cisavam de uma abordagem de reabilitação.
A fisioterapia surgiu no Brasil na dé-
cada de 60, com o propósito de reabilitar e
pessoas fisicamente lesadas nas grandes guer-
ras, em acidentes de trabalho ou por doenças.
Pode-se definir Fisioterapia como
ciência da saúde, que estuda, previne e tra-
ta distúrbios cinéticos funcionais em órgão e
sistemas do corpo humano. Suas ações são
fundamentadas nos mecanismos terapêuti-
cos próprios, sistematizados por estudos de
diversas áreas, como biomecânica, cinesia, fi-
Capítulo III
siologia e patologia.
3. Fisioterapia e Saúde A Fisioterapia é uma atividade de
Coletiva
saúde, e está regulamentada pela seguinte le-
A fisioterapia é uma ciência antiga gislação: Decreto-Lei 938/69, Lei 6.316/75,
e as primeiras expressões foram atos de es- Decreto 9.640/84, Lei 8.856/94, e pelas Re-
fregar o local dolorido para tentar diminuir a soluções do Conselho Federal de Fisioterapia
dor. Ao longo dos tempos ela evolui e surgiu e Terapia Ocupacional – Coffito.
como profissão em meados do século XX, Foi regulamentada como profis-
após as guerras mundiais, devido ao grande são de nível superior no país em outubro de

29
1969, pelo Decreto-Lei nº. 938, que, em seu nos níveis de prevenção primária, secundá- às condições de vida e da garantia do direito
art. 3º, estabeleceu que “é atividade privativa ria e terciária” (Brasil, 1978). Apesar dessa do exercício da cidadania (Rezende et al,
do fisioterapeuta executar métodos e técnicas nova definição das práticas profissionais, a 2009). A partir desse momento histórico, o
fisioterápicas com a finalidade de restaurar, atuação fisioterapêutica continuou tendo sua sistema público de saúde começava a ser or-
desenvolver e conservar a capacidade física maior atuação no nível terciário de atenção à ganizado, e foi um período de extrema im-
do paciente” (Brasil, 1969). Esta definição, saúde, ou seja, na reabilitação. portância para a saúde brasileira.
bem como sua prática, tornou a fisioterapia A origem histórica da profissão, e o Em decorrência do movimento sa-
uma profissão reconhecida por seu caráter contido no Decreto-Lei nº 938/69, marca- nitarista, em março de 1986 ocorreu a Oitava
reabilitador. ram a fisioterapia como profissão reabilitado- Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS), que
Apenas em 1975, com a criação do ra, não havendo espaço, à época, para atua- tinha por objetivo a reforma do sistema de
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia ção profissional na atenção básica, tampouco saúde brasileiro. O resultado final desta Con-
Ocupacional (COFITTO), pela Lei nº 6.316, existiam ações de promoção e prevenção em ferência foi a definição de saúde de uma ma-
se iniciou o processo de regulamentação da saúde. neira mais abrangente do que a que existia até
profissão de Fisioterapia. Este Conselho emi- Na década de 80, o Movimento da então, acompanhada da proposta de criação
tiu, em fevereiro de 1978, a Resolução CO- Reforma Sanitária despontou como um dos de um sistema unificado de saúde, no qual as
FITTO nº 08, aprovando as normas para protagonistas políticos na luta pela redemo- ações de prevenção e cura seriam integradas.
habilitação ao exercício da profissão de fi- cratização do país. Em virtude das novas A Fisioterapia não poderia ficar de
sioterapeuta que, refletindo o movimento da concepções do processo saúde-doença, sur- fora nesse período de transformações. Após
saúde então vigente, definiu como atos desse gidas no cenário mundial, iniciou-se no país a 8ª CNS e antes da criação do Sistema Único
profissional, “planejar, programar, ordenar, a discussão sobre a reestruturação da políti- de Saúde, a Resolução COFFITO nº 80, de
coordenar, executar e supervisionar métodos ca de saúde brasileira, a partir da incorpora- maio de 1987, por meio de atos complemen-
e técnicas fisioterápicos que visem à saúde ção de seus determinantes sociais, da ênfase tares, buscou ampliar as atribuições do fisiote-

30
rapeuta visando adequar a profissão ao novo fisioterapeuta, apesar de ter sido regulamen- ráter reabilitador, o desafio de uma nova área
momento da saúde brasileira. A principal no- tada apenas no final da década de 80, atende de atuação não é tão simples de ser alcançado.
vidade da Resolução nº 80 era em relação ao ao preconizado pela Declaração de Alma-Ata Embora, nos últimos anos, a fisioterapia te-
objeto de estudo e trabalho do fisioterapeuta: quase dez anos antes, de que os cuidados pri- nha ampliado sua atuação em áreas como fi-
mários têm que proporcionar tanto os servi- sioterapia dermatofuncional, fisioterapia car-
A fisioterapia é uma ciência aplicada,
cujo objeto de estudos é o movimen- ços de promoção e prevenção, quanto os de diorrespiratória, desportiva, terapia manual,
to humano em todas as suas formas
de expressão e potencialidades, quer cura e reabilitação, de acordo com as necessi- essa ampliação se concentrou mais no nível
nas suas alterações patológicas, quer
nas suas repercussões psíquicas e or- dades da comunidade. terciário do que no primário.
gânicas, com objetivos de preservar,
manter, desenvolver ou restaurar a Sendo assim, após a criação do SUS Mudanças na organização social, no
integridade de órgão, sistema ou fun-
ção (Brasil, 1987). na década de 80 e as mudanças na regula- quadro epidemiológico e na organização dos
mentação, acrescidas das mudanças no perfil sistemas de saúde, fazem a fisioterapia conti-
Anos mais tarde, uma outra resolu-
epidemiológico e as transformações práticas nuar repensando seu objeto de intervenção,
ção - Resolução COFITTO nº 80/87, acres-
no sistema de saúde brasileiro, a fisioterapia devendo avançar não só na reabilitação, mas
centou que o fisioterapeuta poderia atuar
se viu diante de novos desafios e encargos agora, mais do que nunca, na promoção da
juntamente com outros profissionais nos di-
profissionais. De uma atuação extremamen- saúde, considerando a nova lógica de organi-
versos níveis da assistência à saúde, na admi-
te reabilitadora, atuando apenas em clínicas e zação dos modelos assistenciais.
nistração de serviços, na área educacional e
hospitais, em casos que tinham como prog- A Fisioterapia Coletiva engloba e
no desenvolvimento de pesquisas. Esta regu-
nóstico cura, sequela ou reabilitação, a fisiote- amplia a fisioterapia reabilitadora, possibili-
lamentação deu suporte para o fisioterapeuta
rapia começou a pensar em ações para a saú- tando o desenvolvimento da prática fisiote-
atuar na atenção básica, área em que a pro-
de coletiva, tendendo principalmente às ações rapêutica. A Fisioterapia Coletiva, possibilita
fissão tem ganhado cada vez mais espaço de
de promoção e prevenção em saúde. e incentiva a atuação também no controle de
atuação. Esta mudança no modo de atuar do
Todavia, por ter em sua gênese o ca- risco, ou seja, no controle de situações que

31
podem potencializar o surgimento da doença atuação da fisioterapia continua sendo o formadoras ligadas à fisioterapia começaram
(Bispo Júnior, 2010). Se antes o fisiotera- movimento humano. O desenvolvimento da a estimular a participação do fisioterapeuta na
peuta só atuava com o paciente doente, agora profissão deve ocorrer nos três níveis, contu- atenção básica. Nos últimos anos, a atuação
ele também pode intervir junto ao indivíduo do existe a necessidade de aprimoramento no do fisioterapeuta na atenção básica parece ter
saudável, realizando intervenções para que o nível primário. Neste, as práticas são direcio- sido impulsionada pelas Diretrizes Curricula-
mesmo permaneça saudável. nadas às coletividades humanas, realizando res dos cursos de graduação em fisioterapia a
A atuação fisioterapêutica proposta ações que visem a promoção da saúde e pre- partir de 2002 (Portes et al, 2011).
ao conjunto de pessoas, potencializa os resul- venção de distúrbios do sistema locomotor. As dificuldades de adaptação da fi-
tados das ações de saúde, buscando transfor- A aproximação entre fisioterapia e sioterapia à nova realidade, qual seja, a inver-
mar as condições de vida dos grupos popu- saúde coletiva possibilita novas reflexões so- são do modelo assistencial que passou a prio-
lacionais, através da prevenção de doenças. bre o papel da fisioterapia no atual quadro rizar as ações no nível primário de atenção
Nesse sentido, a epidemiologia contribui de epidemiológico e na nova lógica de organiza- à saúde, parece ter gerado um novo cenário
maneira significativa para estas práticas, pois ção dos serviços de saúde, o que pode con- ainda mais desafiador para essa profissão. O
oferece subsídios quanto à distribuição das tribuir para o crescimento e desenvolvimento papel da fisioterapia na sociedade brasileira é
doenças nas coletividades e seus fatores de da profissão, propiciando ações relacionadas norteado pelo perfil epidemiológico da po-
risco, e das ciências sociais, que apontam as- à saúde integral das pessoas. pulação, ou seja, serão consideradas as prin-
pectos históricos e culturais que influenciam cipais causas de morbidade e mortalidade da
3.1 O fisioterapeuta na atenção básica
no processo saúde-doença. população.
à saúde
É importante ressaltar que a fisiote- A transição demográfica brasileira
rapia na atenção básica não extingue a ação Diante das mudanças regulamenta- traz uma série de situações novas não só para
nos níveis secundário e terciário, apenas am- res da profissão e das reformulações na po- a fisioterapia, mas também para as demais
plia a prática profissional, pois o objeto da lítica de saúde, instituições representativas e profissões da saúde, como: o elevado cres-

32
cimento populacional, o aumento da taxa de las, centros sociais urbanos e outros. Tal fato como doutrina universal. Segundo a Declara-
urbanização e a crescente expectativa de vida, produz peculiaridades distintas em relação à ção de Alma- Ata, os cuidados primários de
aumento da prevalência de obesidade, inclusi- trajetória das profissões que já possuíam ex- saúde
ve a infantil, mudança nas causas de mortali- periências no que era considerada Saúde Pú-
representam o primeiro nível de contato dos
dade da população brasileira, com diminuição blica no Brasil, comparada às profissões que indivíduos, da família e da comunidade
com o sistema nacional de saúde, através
da mortalidade por doenças infecciosas e pa- não passaram por essa experiência e tiveram do qual os cuidados de saúde são levados
o mais proximamente possível aos lugares
rasitárias e aumento dos óbitos por doenças suas ações voltadas para os hospitais, clínicas onde pessoas vivem e trabalham, e consti-
tuem o primeiro elemento de um continuado
do aparelho circulatório, doenças neoplásicas e consultórios. processo de assistência à saúde (WHO,
1978).
e por causas externas. Estas situações, em sua Dentre as proposições dos modelos
maioria, poderiam ser modificadas com ações assistências, o modelo de vigilância à saúde A atenção básica à saúde ou primei-
eficientes de saúde em promoção da saúde e destaca a regionalização e a hierarquização ro nível de atenção à saúde, é definida como
prevenção de doenças. como princípios estratégicos e define a aten- a porta de entrada do SUS, o contato primá-
Alguns problemas que a Fisiote- ção básica como eixo de reestruturação do rio e preferencial da população com os pro-
rapia enfrenta em relação à sua inserção na sistema. A atenção básica, constitui o eixo es- fissionais da saúde. Este nível de atenção é
atenção básica, também foram encontradas truturante do sistema, e os demais níveis de orientado pelos princípios da universalidade,
por outras áreas da saúde. Contudo, a fisio- atenção são planejados a partir das demandas integralidade e equidade –, ressalta o trabalho
terapia apresenta uma característica histórica emanadas desse primeiro nível (Teixeira, em equipe e engloba um conjunto de ações
que possibilitou a outras profissões da saúde Paim e Vilasbôas, 1998). de caráter individual e coletivo.
como a medicina, estar em espaços assisten- Na Conferência Internacional sobre A atenção básica passa, então, a ser
ciais mais próximos da comunidade, que hoje Cuidados Primários de Saúde, realizada em defendida como o primeiro nível do cuida-
são os locais onde a atenção básica à saúde Alma-Ata em 1978, houve a determinação do, representada por um conjunto de ações
está situada, como: postos de saúde, esco- e abrangência da atenção primária à saúde de saúde, no âmbito individual e coletivo, que

33
abrangem a promoção e a proteção da saú- curso de graduação em fisioterapia em 2002 níveis de atenção à saúde, e assim, a profissão
de, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o (Brasil, 2002). teve que agregar novos valores à sua prática.
tratamento, a reabilitação e a manutenção da As Resoluções COFFITO-10 (Co- Freitas (2006) destacou algumas característi-
saúde (Portaria nº 648, Brasil, 2006). ffito 1978) e COFFITO-80 (Coffito, cas dessa atuação:
A proposta da atenção básica é via- 1987) determinam a participação do fisio-
as intervenções são em domicílios,
bilizar, a partir do primeiro nível do cuidado, terapeuta na promoção, tratamento e recu- escolas, salões das Unidades Bási-
cas de Saúde - UBS, igrejas, praças;
a integração dos diversos pontos de atenção peração da saúde das pessoas, e preveem a o atendimento não é exclusivamen-
te individualizado, incorporando-se
à saúde, possibilitando uma assistência contí- participação do profissional como membro a este o atendimento em grupo; as
ações são voltadas para a preven-
nua, de qualidade, com menor custo e em lu- de uma equipe de saúde e em programas de ção e promoção da saúde e a prática
profissional é baseada em decisões
gar e tempo certos. Devido ao fato de poder assistência à comunidade, com a responsabi- coletivas, numa perspectiva interdis-
ciplinar.
resolver até oitenta por cento dos problemas lidade e com objetivos de preservar, promo-
de saúde, se faz necessário o aperfeiçoamento ver, aperfeiçoar ou adaptar, através de uma Apesar da atuação do fisioterapeuta
deste nível de atenção por parte dos profis- relação terapêutica, o indivíduo a uma melhor ainda ser modesta na atenção básica, compa-
sionais que nele atuam. qualidade de vida. As Diretrizes Curriculares rada aos demais níveis de atenção à saúde, já é
A atuação do fisioterapeuta na aten- retomam essa capacidade de atuar em todos possível encontrar diversos trabalhos na lite-
ção básica está regulamentada por algumas os níveis de atenção à saúde e reafirmam os ratura sobre experiências da fisioterapia neste
legislações: COFFITO-10, que aprova o Có- objetivos defendidos pela COFFITO-80, primeiro nível. Muitos desses trabalhos estão
digo de Ética Profissional em 1978 (Coffito além de definir que as ações são tanto em ní- relacionado à pesquisas feitas por instituições
1978); COFFITO-80 em 1987, que comple- vel individual quanto coletivo. de ensino superior, ligadas à formação de no-
menta a COFFITO-8 e a COFFITO-37 (Co- Na atenção básica, o trabalho do fi- vos profissionais, fato este que demonstra a
ffito 1987); Resolução CNE/CES 4, que ins- sioterapeuta tem algumas particularidades di- preocupação dos docentes em formar profis-
titui as Diretrizes Curriculares Nacionais do ferentes das atividades realizadas nos demais sionais preparados para a realidade atual da

34
Saúde Pública no Brasil. ta é mais em virtude do atendimento domici- balho da fisioterapia pode funcionar como
As atividades fisioterapêuticas na liar individual, devido à elevada demanda, do uma ponte entre a comunidade e a equipe de
atenção básica podem ser individualizadas que em ações preventivas e educativas. Nesse saúde, favorecendo a troca de informações
ou coletivas, isoladas ou interdisciplinares. sentido, é papel das instituições formadoras (Freitas, 2006); o fisioterapeuta na ABS atua
De acordo com Ragasson et al (2006), o fisio- mostrar aos acadêmicos os caminhos para nos níveis de promoção da saúde, prevenção
terapeuta deve atuar de maneira integrada à que a atuação do fisioterapeuta não fique só de doenças, cura e reabilitação, além de pro-
equipe, e suas responsabilidades são planejar, no atendimento domiciliar, mas englobe to- mover educação continuada e a participação
implementar, controlar e executar políticas, das as possibilidades de ações nesta área. popular (Hass, 2003; Ragasson et al,
programas, cursos, pesquisas ou eventos em O atendimento domiciliar, dentre 2006); o fisioterapeuta pode ser considerado
Saúde Pública. O trabalho do fisioterapeuta todas as atividades do fisioterapeuta na aten- um agente multiplicador de saúde na atenção
pode ser executado para todas as faixas etá- ção básica, talvez seja o mais praticado em ra- básica, pois além de contribui para uma as-
rias – crianças, adolescentes, adultos e idosos. zão da importância dessa atividade. Por esse sistência integral e equânime e atuar em to-
Neste nível de atenção, a partici- tipo de atendimento, o fisioterapeuta conse- dos os níveis de atenção, consequentemente,
pação de acadêmicos de fisioterapia junto à gue colocar em prática o conceito de atenção promove a melhoria da qualidade de vida da
equipe de saúde em uma Unidade Básica de integral ao indivíduo. O contato direto com o população (Ferreira et al, 2005).
Saúde também será estimulada, através de es- usuário em sua casa estreita a relação entre o
3.2 O Fisioterapeuta no Programa
tágios ou projetos de pesquisa ou extensão. profissional e o usuário e a família, pois possi-
Saúde da Família
Nesse ambiente, o acadêmico poderá viven- bilita conhecer a rotina e o cotidiano familiar,
ciar a prática da atuação do fisioterapeuta, co- tornando a intervenção mais eficiente. O Programa Saúde da Família (PSF)
nhecendo suas ações. Alguns autores, como Vários autores afirmam a impor- foi adotado pelo governo federal como eixo
Trelha et al (2007) e Ribeiro (2001), no entanto, tância do trabalho do fisioterapeuta na aten- estruturante da Atenção Básica no SUS em
têm observado que a prática do fisioterapeu- ção básica. Dentre estas, destacam-se: o tra- meados da década de 90.

35
boração da família, para que o proce-
A necessidade de implementação do Ministério da Saúde (2003), não são en- dimento seja completo e eficaz;
- realizar técnicas de relaxamento,
de estratégias que viabilizassem um serviço contradas atribuições específicas do fisiotera- prevenção e analgesia para diminui-
ção e/ou alívio da dor nas diversas
de saúde universal, integral, eficaz, eficiente, peuta na ESF. Porém, Ragasson et al (2006, patologias ginecológicas;
- atuar no pré-natal e puerpério re-
com equidade e participação popular, fez sur- pág. 4-5), a partir da vivência prática de fisio- alizando condicionamento físico,
exercícios de relaxamento e orienta-
gir a Estratégia Saúde da Família. A propos- terapeutas em Residência em Saúde da Famí- ções;
- desenvolver atividades físicas e
ta de humanização da assistência e o vínculo lia, elaboraram um perfil com as atribuições culturais para a terceira idade, pre-
servando a independência funcional
de compromisso e de corresponsabilidade, desse profissional na equipe, o qual tam- do idoso, melhorando sua qualidade
de vida e prevenindo complicações
estabelecido entre os serviços de saúde e a bém foi abordado por Silva et al (2005, pág. decorrentes da idade;
- desenvolver programas de ativi-
população, fazem do Programa de Saúde da 17-18). Segundo esses autores, as atribuições dades físicas, condicionamento car-
diorrespiratório, e orientações nutri-
Família um projeto de grande potencialida- do fisioterapeuta na ESF são: cionais para o obeso;
- prescrever atividades físicas, prin-
de transformadora do modelo assistencial da cipalmente exercícios aeróbicos, em
- executar ações de assistência inte-
patologias específicas como a hiper-
saúde brasileira (Brasil et al, 2005). gral em todas as fases do ciclo de
tensão arterial sistêmica, diabetes
vida, intervindo na prevenção, por
mellitus, tuberculose e hanseníase,
O trabalho de equipes multipro- meio da atenção primária e também
a fim de prevenir e evitar complica-
em nível secundário e terciário de
ções;
fissionais no PSF é a principal característica saúde;
- atender de forma integral às famí-
- realizar atendimentos domicilia-
lias por meio de ações interdiscipli-
dessa estratégia de ação na atenção básica. A res em pacientes portadores de
nares e intersetoriais, visando assis-
enfermidades crônicas e/ou dege-
tência e inclusão social de portadores
equipe compõe-se, no mínimo, de um médico, nerativas, pacientes acamados ou
de deficiências.
impossibilitados. Encaminhando
um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e aos serviços de mais complexidade,
quando necessário;
seis agentes comunitários de saúde e, quando - prestar atendimento pediátrico Como exemplos práticos dessas atri-
a pacientes portadores de do-
ampliada, inclui um dentista, um auxiliar de enças neurológicas com retardo do buições, cita-se o trabalho que a fisioterapia
desenvolvimento neuropsicomotor,
consultório dentário e um técnico em higiene má formações congênitas, distúrbios faz com grupos de gestantes, grupos de pre-
nutricionais, afecções respiratórias,
dental, como já citado anteriormente. deformidades posturais; venção e correção postural; grupos de mães
- orientar os pais ou responsáveis,
Nos documentos oficiais, como o contando com a dedicação e cola- de crianças com os mais diversos acometi-

36
mentos; grupos de idosos; atuação na saúde o PSF, mas vem conquistando seu espaço nos ca profissional, principalmente na formação
da criança; atendimento individual na UBS ou últimos anos. De acordo com as necessidades dos novos fisioterapeutas.
no domicílio; estimulação em crianças com locais dos municípios, ele pode integrar uma
3.3 Ações fisioterapêuticas voltadas
atraso no desenvolvimento neuropsicomo- equipe multiprofissional de apoio às equipes
para a promoção e prevenção em
tor; atuação nas creches; resgate dos cuida- de Saúde da Família.
saúde
dores dentro do ambiente familiar; orienta- Com a ocorrência das transforma-
ções de saúde em geral, não só relacionada a ções demográficas e epidemiológicas, acres- A definição mais recente de promo-
fisioterapia; educação em saúde em escolas e cidas da implantação do PSF, percebeu-se a ção da saúde está presente na Carta de Ottawa
empresas, dentre tantas outras. importância da inserção do fisioterapeuta na (1986), que afirma ser o nome dado ao “[...]
A corresponsabilidade dos gover- equipe do Programa. processo de capacitação da comunidade para
nos municipais e federal pelo financiamento A inserção do fisioterapeuta nos ser- atuar na melhoria de sua qualidade de vida e
das equipes de Saúde da Família, somada à viços de atenção primária à saúde é um pro- saúde, incluindo uma maior participação no
diretriz apresentada pelo Ministério da Saú- cesso em construção, tendo em vista que sua controle deste processo” (Brasil, 2002(b)).
de para sua composição mínima, cria a ne- regulamentação só ocorreu em 2008, com a Como já discutido anteriormente
cessidade de ampliar a discussão sobre a in- criação dos Núcleos de Apoio à Saúde da nesse material, o fisioterapeuta, que tinha suas
tegração, nas equipes, de outras categorias Família - NASF. Com o NASF, surgiu a ne- ações voltadas, quase que exclusivamente, à
profissionais não contempladas diretamente cessidade de organizar as práticas profissio- cura de doentes e à reabilitação de sequela-
na proposta do governo federal, assim como nais da Fisioterapia, em todas as ações de sua dos, vem reestruturando suas práticas profis-
sobre as possíveis formas de se fazer essa in- responsabilidade, na Estratégia de Saúde da sionais e redefinindo seu campo de atuação.
tegração (Rezende et al, 2009). Família. Sendo assim, cabe aos profissionais Portes et al (2011, pág. 3-7), através
O fisioterapeuta não é um profissio- da área, em especial os que atuam no Ensino de um revisão da literatura sobre a atuação
nal que integra a equipe mínima proposta para Superior de Fisioterapia, estimular esta práti- fisioterapêutica na Atenção Básica, encon-

37
acadêmicas;
traram as seguintes categorias de atuação básica, que visam promoção e prevenção em 7) o acolhimento integrado e quali-
ficado deve ser uma prática que cor-
profissional: educação em saúde, atividade saúde. Contudo, é preciso que seja dada a responda às ações em saúde de todos
os profissionais da saúde;
domiciliar, atividade de grupo, investigação mesma tratativa para essas ações na formação 8) os atendimentos individuais na
unidade básica de saúde devem levar
epidemiológica e planejamento das ações, ati- de novos profissionais, em relação às ativida- em consideração a singularidade de
cada usuário e podem ser trabalha-
vidades interdisciplinares, atuações acadêmi- des reabilitadoras. dos para o encaminhamento ao se-
tor secundário, para as orientações
cas, atendimentos individuais na UBS, aten- Portes et al (2011, pág. 7-8) propõem de autocuidado, para o acolhimento
integrado ou no sentido de preparar
ção aos cuidadores, atuações intersetoriais e algumas diretrizes para o trabalho do fisiote- o indivíduo para as atividades em
grupo;
acolhimento. Já Bispo Júnior (2010, pág.6-8), rapeuta na atenção primária à saúde, com a 9) as ações de promoção da saúde
devem atender às necessidades que o
em seu trabalho sobre os desafios e as novas intenção de que estas sejam ampliadas, discu- usuário apresenta como sujeito úni-
co e portador do direito à saúde; e
responsabilidades profissionais da fisioterapia tidas e reformuladas: 10) a intersetorialidade e o sistema de
referência e contrarreferência devem
em saúde coletiva, traz como possibilidades ser adotados nas práticas da atenção
1) as atividades domiciliares devem
primária à saúde.
da fisioterapia na Atenção Básica: vigilância apresentar um perfil mais interdisci-
plinar;
dos distúrbios cinesiofuncionais, orientações 2) nas atividades de grupo, devem ser
priorizadas as ações de promoção de Algumas categorias de atuação pro-
posturais, desenvolvimento da participação saúde, não focalizando as patologias
como forma de identificação dos fissional propostas por Portes et al (2011) se-
comunitária e desenvolvimento de ambientes grupos;
3) na formação profissional do fisio- rão consideradas a seguir para exposição das
saudáveis e incentivos a estilos de vida saudá- terapeuta, é importante que haja uma
maior capacitação nas ações de edu- ações fisioterapêuticas voltadas para à pro-
veis. Barros et al (2005) também destacaram cação em saúde;
4) a investigação epidemiológica moção e prevenção em saúde.
as atividades fisioterapêuticas desenvolvidas para o planejamento das ações deve
estar contida em todo o processo de
na unidade básica de saúde, que foram des- trabalho;
5) as ações interdisciplinares devem 3.3.1 Educação em saúde
critas anteriormente. ser priorizadas em todas as ativida-
des;
Portanto, observa-se a existência 6) uma articulação permanente deve Educação em saúde é o trabalho que
ser estabelecida com a formação
de muitas ações do fisioterapeuta na atenção profissional através de atividades profissionais da saúde fazem de levar o co-

38
nhecimento para as pessoas da comunidade, bém pode interagir com a equipe multipro- cador. Na anamnese, ao coletar informações
para que estas possam desenvolver seu senso fissional, articulando seu trabalho aos demais como estado geral de saúde, hábitos de vida e
crítico no que diz respeito à sua saúde. Atra- membros, em especial aos agentes comunitá- antecedentes pessoais, o fisioterapeuta passa
vés da aquisição de conhecimento, as pesso- rios. Para informar a população, o fisiotera- informações pertinentes a cada caso, no intui-
as podem tomar decisões sobre suas vidas e peuta dispõe de diversas estratégias. to de promover saúde e estimular o indivíduo
o ambiente em que vivem, para que tenham Uma delas é a realização de palestras a prevenir situações a que ele esteja sujeito,
uma boa qualidade de vida e afastem os riscos em escolas, em empresas, na unidade básica que prejudiquem sua saúde e, consequente-
de desenvolverem doenças. de saúde, em grupos de apoio. Outra forma mente, sua qualidade de vida.
Assim como o indivíduo tem direito de divulgar informações é pela elaboração Em serviços que possuem equipe
à informação, o cidadão tem o dever de se in- de panfletos informativos. Também se pode multidisciplinar, a educação em saúde tam-
formar. Porém, acredita-se ser papel dos pro- fazer dias de ação nos mais variados locais, bém é estimulada. Ela pode ocorrer tanto
fissionais da saúde levar seus conhecimentos unindo as diversas estratégias. Por exemplo, entre os profissionais, e cada um oferecerá
às comunidades, para promover saúde e pre- fazer um dia de ação sobre hipertensão ar- contribuições relacionadas à sua especialida-
venir doenças. Durante a formação acadêmi- terial, realizando palestra, aferindo a pressão de, quanto entre a equipe e o público que por
ca o futuro profissional aprende a educar para das pessoas e informando, com panfletos, so- ela é atendido.
a saúde, para que seja fortalecida a tendência bre os riscos à saúde que o mau controle da O atendimento domiciliar também
de estimular a atuação do fisioterapeuta na pressão pode causar. oferece oportunidade para educação em saú-
atenção básica. A educação em saúde por parte de de. No domicílio, além de se dedicar à recu-
Na educação em saúde, o fisiotera- fisioterapeutas deve ser incentivada durante a peração, reabilitação e readaptação do pacien-
peuta trabalhará com temas não só ligados à formação e em serviços de fisioterapia. Du- te, procura-se identificar, através do diálogo,
fisioterapia, mas referentes à saúde das pesso- rante uma sessão de atendimento, o fisiote- as atividades desenvolvidas naturalmente pe-
as de maneira integral. O fisioterapeuta tam- rapeuta já começa a exercer o papel de edu- los familiares e cuidadores, e observa-se a ne-

39
cessidade de incentivar e orientar as possíveis equipes multiprofissionais, que atuarão nos vive, recebe informações que podem contri-
ações, promovendo uma saúde integral. Esti- níveis de incidência preventiva, terapêutica e buir para melhorias no tratamento (Haas,
mula-se, assim, as atividades favoráveis den- reabilitadora. 2003). Todos esses subsídios permitem um
tro da realidade de cada família, cuidador e melhor direcionamento das ações, o que pro-
A Lei 10.424 pode ser consultada no
domicílio, valorizando e reconhecendo a sua piciará uma melhor efetividade do tratamento
endereço eletrônico
participação como membro da equipe de saú- http://www.planalto.gov.br/ e, consequentemente, melhor resolutividade
de (Torres, Estrela e Ribeiro, 2009). ccivil_03/leis/2002/l10424.htm dos problemas apresentados pelo paciente.
Assim como na educação popular,
3.3.2 Atividade domiciliar
Hoje, o atendimento domiciliar é uma os projetos de extensão universitários são ex-
O atendimento domiciliar realizado atividade bastante comum de ser realizada por celentes oportunidades de estimular a ativida-
por fisioterapeutas teve início nos anos 70, fisioterapeutas que atuam na atenção básica em de domiciliar durante a graduação.
nos Estados Unidos, França e Inglaterra. No saúde. Ragasson et al (2007) o descreveram como Com o projeto de extensão Fisiote-
Brasil começa na década de 80, e foi regu- imprescindível ao fisioterapeuta, pois permite rapia na comunidade, desenvolvido nos anos de
lamentado apenas em 2002. No dia quinze conhecer realidade das pessoas, observar como 2002 a 2004 e do projeto de extensão Fisiote-
de abril de 2002, a Lei 10.424 foi sancionada são executadas as atividades de vida diária, e para rapia Domiciliar realizado em 2007 e 2008, em
acrescentando novo capítulo e artigo à Lei tudo que precisa de intervenção são feitos os en- localidades diferentes, no município de Gua-
8.080, que criou o Sistema Único de Saúde. caminhamentos e orientações necessárias. rapuava-Pr, como docente do curso de Fisio-
A nova Lei inclui os procedimentos fisiotera- O acesso do fisioterapeuta ao domi- terapia da Universidade Estadual do Centro-
pêuticos entre os cobertos para atendimento cílio permite uma vivência muito significativa. -Oeste -UNICENTRO, pode-se desenvolver,
e internação domiciliar. Essa atenção, que an- Ao chegar ao domicílio, o profissional tem junto com os acadêmicos de graduação em
tes ocorria de forma espontânea, em poucos que aprimorar suas possibilidades de inter- fisioterapia, atendimentos domiciliares. Para
municípios, agora deverá ser realizada por venção, avaliar a atmosfera em que o paciente a execução dos projetos, foi realizado levan-

40
tamento de pacientes domiciliares, nas Uni- Brasil.
dades Básicas de Saúde dos bairros, e em
seguida estes eram visitados e convidados a
participar do projeto. Realizava-se avaliação
fisioterapêutica por meio de fichas específi-
cas e, em seguida, iniciavam os atendimentos
domiciliares, que ocorriam duas vezes por se-
Foto 1 - Projeto Fisioterapia na comunidade (2003)
mana, com duração de uma hora cada. A evo- Fonte: Arquivo pessoal
Foto 4 - Projeto Fisioterapia domiciliar (2007)
Fonte: Arquivo pessoal
lução dos pacientes era registrada após cada
atendimento.
As atividades domiciliares, em geral,
Os pacientes apresentavam quadros
estão relacionadas aos pacientes que apre-
clínicos variados, mas melhoras como ganho
sentam impossibilidade de se deslocar até
de mobilidade, prevenção de complicações,
as unidades de saúde. A realização de visitas
motivação e envolvimento da família foram
Foto 2 - Projeto Fisioterapia na comunidade (2004) domiciliares multiprofissionais é escassa, em
observados em todos os casos. Além dos Fonte: Arquivo pessoal
virtude do tempo demandado para o deslo-
benefícios aos pacientes, os projetos foram
camento da equipe e todo o processo de in-
fundamentais para a evolução formativa dos
tervenção.
acadêmicos. Por meio desses projetos, ficou
A relevância da assistência fisiotera-
evidente que envolver acadêmicos de fisiote-
pêutica domiciliar na comunidade se justifica
rapia em atendimentos domiciliares é funda-
pelo fato de que muitas pessoas enfrentam
mental para a formação de profissionais co-
obstáculos de acesso aos serviços de saúde
nhecedores da realidade da Saúde Pública no Foto 3 - Projeto Fisioterapia na comunidade (2003)
Fonte: Arquivo pessoal

41
por diversos fatores, como a distância entre que uma pequena parcela dos que estão ex- de saúde - ACS. Loures e Silva (2010) encon-
o local de moradia e os serviços que prestam cluídos do acesso ao serviço de fisioterapia traram diversos autores que concordam com
atendimento fisioterapêutico, a limitação fí- possam ter um atendimento. Além disso, é esta afirmação. Em diversos estudos os ACS
sica que impede o deslocamento em trans- um mecanismo excelente para proporcionar elaboravam listas de pacientes, identificados
portes coletivos, os custos financeiros com aos acadêmicos um contato com a saúde co- por meio de busca ativa em suas respectivas
deslocamentos e até mesmo a insuficiência letiva. microáreas. Em alguns casos, os ACS fazem
de vagas nos serviços. Segundo Torres, Estre- O desafio para ser enfrentado em re- a triagem prévia, discutem os casos com os
la e Ribeiro (2009), estes obstáculos podem lação ao atendimento domiciliar é encontrar acadêmicos e realizam o acompanhamento
fazer com que muitas pessoas tenham seus soluções em relação ao tempo dedicado à ati- dos pacientes e de seus familiares. O atendi-
problemas de saúde agravados, e dificultado vidade domiciliar e à metodologia de eleição mento fisioterapêutico domiciliar pode ainda
ou impossibilitado o processo de reabilitação, dos usuários que necessitam de atendimentos ser complementado pelo monitoramento dos
como também gerado uma assistência inade- Essa estratégia de seleção é definida por cada agentes, que observam as orientações dadas e
quada à saúde. equipe de saúde, de acordo com a realidade e acompanham o paciente no intervalo entre as
A assistência fisioterapêutica domi- as necessidades de cada localidade, levando- visitas do fisioterapeuta.
ciliar, à luz da educação em saúde, ao mesmo -se em conta o custo benefício desta ação. É Talvez o acompanhamento dos ACS
tempo que promove uma assistência à po- fato que o atendimento domiciliar demanda aos pacientes seja um grande aliado no pro-
pulação desassistida, amplia a visão de saú- de mais tempo em virtude do deslocamento cesso de transpor as dificuldades na imple-
de como processo educativo. A realização de dos profissionais, mas o benefício levado ao mentação mais efetiva do atendimento domi-
projetos de extensão universitários, com o paciente e sua família são imensuráveis. ciliar.
atendimento no domicílio em comunidades Para a seleção dos domicílios que
3.3.3 Atividade de grupo
desassistidas pela fisioterapia, não soluciona precisam ser visitados, o fisioterapeuta con-
o problema, mas com certeza contribui para ta com o trabalho dos agentes comunitários Atividades em grupo, em Saú-

42
de Coletiva, podem ter dois aspectos: intera- CENTRO em um asilo. tes as atividades eram mais restritas, devido
gir com pessoas em condições de saúde se- à limitação física, porém eram planejadas de
melhantes, promover atendimento coletivo maneira que todos pudessem participar.
para suprir a demanda. Em ambos os casos, O planejamento das atividades
as ações podem ser de promoção e prevenção para o grupo deve ser criterioso, para que se
em saúde, bem como de tratamento conjun- evitem situações desconfortáveis. Ao passo
to, quando o grupo apresentar a mesma pa- que traz interação, divertimento e troca de
tologia ou disfunção. É importante ressaltar Foto 5 - Projeto Fisioação (2004)
experiências, pode trazer frustrações caso um
que, para as atividades de tratamento coletivo Fonte: Arquivo pessoal dos membros não desempenhe as atividades
terem resultados positivos, o grupo deve ser propostas como os demais.
homogêneo. As atividades em grupo podem
Na maioria das vezes, as pessoas ser direcionadas para todas as faixas etárias.
gostam das atividades em grupo, por elas se- Ações de promoção e prevenção em saúde
rem mais prazerosas, e por estarem junto à são direcionadas ao usuário em sua idade
pessoas com as mesmas condições ou difi- produtiva, para estimular a saúde do trabalha-
culdades. As atividades podem ser realizadas Foto 6 - Projeto Fisioação (2004) dor. Para adultos jovens, também são propos-
Fonte: Arquivo pessoal
com pessoas de todas as faixas etárias. Contu- tas atividades em grupo para indivíduos com
do, o mais frequente é encontrar na literatura Os grupos foram formados consi- doenças que envolvem o sistema cardiorres-
atividades em grupo apenas para a terceira derando quem deambulava e quem era ca- piratório ou músculo-esquelético como, por
idade. Abaixo, imagens de atividades do pro- deirante, buscando a harmonia entre eles. exemplo, grupo de caminhada para hiperten-
jeto de extensão Fisioação, desenvolvido em Assim, eram realizadas atividades específicas sos e o programa de atenção aos diabéticos
2006 por acadêmicos de fisioterapia da UNI- para cada grupo. Para o grupo de cadeiran- (Sampaio, 2002).

43
Para a saúde do idoso, existem ativi- tes os grupos podem ser formados para se mum (Portes et al, 2011). Neste contexto,
dades para grupos posturais e de exercícios, trabalhar a estimulação do desenvolvimento coloca-se em prática a Saúde Pública, por
não enfocando nenhuma disfunção específica neuropsicomotor normal e anormal, estimu- meio de ações voltadas para grupos sociais
do processo de envelhecimento. Neste senti- lação de crianças com quadros neurológicos, ou populações.
do, parece que esta atividade está embasada tratamentos respiratórios, atividades para Sabe-se que, para alguns profissio-
no conceito de envelhecimento ativo, preco- correção postural realização de grupos com nais, atuar de maneira interdisciplinar não é
nizado pela Organização Mundial de Saúde, mães de crianças com estes acometimentos, uma tarefa fácil. Contudo, em saúde, esta prá-
podendo também serem feitos grupos com psicomotricidade, dentre outras. tica deve ser estimulada, pois potencializa as
determinadas condições, como grupos de Na prática, e na literatura, encon- ações de cada profissional e melhora os re-
diabéticos, com sequela de acidente vascular tram-se atividades em grupo mais voltadas sultados obtidos pelo paciente. Por exemplo,
encefálico ou artrose. Nesse grupo, podem para situações específicas do que para pro- um paciente que sofreu um acidente vascular
ser propostas atividades de tratamento coleti- moção e prevenção em saúde, cabendo, mais encefálico e apresenta disfagia, hemiparesia
vo, com grupos homogêneos, como aponta- uma vez, ao fisioterapeuta e às instituições de e depressão, precisará de cuidados de fono-
do anteriormente. ensino superior, praticar e incentivar esta prá- audiologia, nutrição, fisioterapia e psicologia.
As atividades relacionadas à saúde tica. Se esses profissionais atuarem de maneira
da mulher abrangem grupos de mastectomi- interdisciplinar, o prognóstico do paciente
3.3.4 Atividades interdisciplinares
zadas, gestantes, mulheres no pós-parto, com será mais satisfatório. O fisioterapeuta pode
incontinência urinária e no climatério. Tam- A atuação interdisciplinar da saúde orientar a nutricionista sobre uma maneira
bém pode-se pensar em grupos para promo- se configura como uma das diretrizes do Pro- adequada de o paciente posicionar-se para
ção da saúde, visando melhora da postura e grama Saúde da Família, porém a ação con- se alimentar, o psicólogo pode orientar o fi-
flexibilidade. junta dos profissionais da saúde nas ações na sioterapeuta maneiras de estimular o pacien-
Na saúde da criança e de adolescen- atenção básica ainda não é uma prática co- te durante as sessões de fisioterapia, e assim

44
por diante. Discutir os casos clínicos entre a reunir universidade, faculdades, membros da 3.3.5 Atuações acadêmicas
equipe traz contribuições significativas para a igreja e da comunidade que ofereceram servi-
O envolvimento de acadêmicos da
reabilitação de pacientes. ços à população, como avaliação postural por
graduação em Fisioterapia no âmbito das
A interdisciplinaridade também acadêmicos de Fisioterapia, avaliação de fe-
ações na atenção básica ocorre por meio de
ocorre em ações preventivas e de promoção ridas com alunos da Enfermagem, recreação
estágios curriculares, projetos de pesquisa e
de saúde. Para estimular a prevenção da dia- por acadêmicos de Educação Física, avaliação
projetos de extensão. Algumas disciplinas,
betes, por exemplo, podem ser executadas nutricional, serviços de cartório, corte de ca-
como Saúde Coletiva e Fisioterapia e Fisio-
ações com médico, nutricionista, educador belo, assessoria jurídica, entre outros.
terapia Preventiva, também podem oferecer
físico, enfermeiro, fisioterapeuta, farmacêuti-
oportunidades de atuações acadêmicas junto
co, psicólogo, pois todos esses profissionais
à comunidade.
atendem essa enfermidade depois que ela está
Geralmente, o envolvimento acadê-
instalada.
mico dos cursos de Fisioterapia, em unidades
Assim como a educação em saúde
escolares, nos centros de saúde, associações,
e as atividades em grupo, as atividades inter-
se dá exclusivamente sob a supervisão de do-
disciplinares, e aqui colocam-se todas as áreas
centes. É através das atuações acadêmicas
da saúde, não só a fisioterapia, são práticas a
que o aluno coloca em prática a teoria e a
serem estimuladas na graduação, ou seja, na
prática, realizando suas primeiras sessões de
formação desses profissionais.
atendimento. O aprendizado adquirido com
Como exemplo, mostrado na Foto 7,
essa atividade é fundamental para a formação
há um dia de ações interdisciplinares e acadê-
profissional, pois permite experiência que
micas na Paróquia Santana, no município de
Foto 7 – Dia de ação na Paróquia Santana, Guarapuava-Pr a sala de aula não é capaz de proporcionar,
Guarapuava-Pr. Nesse dia, o padre conseguiu (2012)
Fonte: Arquivo pessoal

45
como a relação terapeuta-paciente, os estu- Durante a graduação, o acadêmico As atividades acadêmicas que são
dos de casos reais, muitas vezes fora dos pa- tem a oportunidade de participar de projetos realizadas fora da sala de aula, junto à comu-
drões encontrados na literatura, exercício da de pesquisa e extensão, que lhe proporcio- nidade, seja por meio de práticas, projetos de
criatividade quando o paciente não consegue nam contato com pacientes e comunidade. extensão ou estágios, têm um papel funda-
realizar aquilo que foi proposto a ele, contato Nos últimos anos do curso, são os estágios mental na formação do fisioterapeuta, pois
com casos raros, entre outras. supervisionados que proporcionam o apren- ele pode colocar em prática os aprendizados
dizado mais específico. Os alunos passam por técnicos, ao mesmo tempo em que conhece a
diversos campos de estágio como clínicas, realidade das pessoas com que, após gradua-
hospitais e associações, atuando em variadas do, passará a conviver.
áreas como ortopedia, pediatria, neurologia,
3.3.6 Atenção aos cuidadores
cardiopulmonar, preventiva, dermatofuncio-
nal, entre outras. Além de cuidadores de idosos, o fi-

Foto 8 - Estágio Clínica Escola de Fisioterapia da Unicentro


Nas disciplinas com atividades prá- sioterapeuta convive com cuidadores de pa-
(2007)
Fonte: Arquivo pessoal
ticas, ações junto à comunidade podem ser cientes neurológicos, de crianças sindrômi-
estimuladas. Por exemplo, na disciplina de cas, de sequelados de traumas ortopédicos,
Fisioterapia Geriátrica, as práticas podem dentre outros.
ser realizadas junto a grupos de idosos, com No Brasil, cada vez mais pessoas en-
atividades de educação em saúde, como pa- contram-se na dependência de uma ou mais
lestras, atividades em grupo, enfatizando as pessoas que suprem as suas incapacidades
habilidades motoras, atividades interdiscipli- para a realização das atividades de vida diá-
nares, como avaliações de fisioterapeutas, psi- ria, ou seja depende de cuidadores. Na maio-
Foto 9 - Estágio Clínica Escola de Fisioterapia da Unicentro
(2007) cólogos, nutricionistas. ria dos casos o cuidador é um familiar, que
Fonte: Arquivo pessoal

46
mais frequentemente é a mulher. Esta pode acadêmicos do curso de Fisioterapia da UNI-
ser cuidadora de marido, pais ou mesmo fi- CENTRO, foram realizadas visitas domicilia-
lhos, geralmente reside no mesmo domicílio, res e orientações aos cuidadores de pacientes
deixa suas atividades para atender aquele ente neurológicos atendidos pela Clínica Escola
que precisa. Nesse sentido, o fisioterapeuta de Fisioterapia da UNICENTRO. Além dos
pode ter o cuidador como um auxiliar, mas é ensinamentos propostos pelo projeto, houve
importante também dar atenção a quem está aprendizado com os cuidadores, ressaltando a
cuidando, proporcionado orientações que importância da troca de experiências entre o
facilitem o trabalho, que o cuidador procure técnico e a vivência pessoal de cada um deles.
ajuda quando necessitar, que tenha um tempo Nas imagens abaixo, algumas adap- Foto 11 – Projeto Fisiocuida (2006)
Fonte: Arquivo pessoal
só para ele, para que não venha a adoecer. tações encontradas nos domicílios visitados.
Quando o cuidador é um membro O fisioterapeuta deve ter claro, em
da família, o ambiente familiar se torna um suas atividades, promover orientações aos
facilitador do tratamento diferenciado ao pa- cuidadores de seus pacientes, para que pos-
ciente, pois só o ambiente já é um estimulador sam ser coadjuvantes na melhora dos casos e
do tratamento, além dos cuidados, carinho e da qualidade de vida dos pacientes. E, muitas
afeto oferecidos pela família. O fisioterapeu- vezes, o fisioterapeuta pode se surpreender
ta deve conhecer a relação cuidador-paciente, com orientações de cuidados que ele recebe-
para promover as orientações necessárias rá de cuidadores, pois a convivência diária e
para os cuidados diários com o paciente. a realização de cuidados podem ensinar uma
Por meio do Projeto de extensão Fi- Foto 10 – Projeto Fisiocuida (2006) prática que o fisioterapeuta não terá em sua
Fonte: Arquivo pessoal
siocuida, desenvolvido em 2006 por docente e formação.

47
48
Sistema Único de Saúde – SUS. Assim, pode-
-se compreender melhor as transformações
pelas quais a Fisioterapia passou desde a sua
criação.
Inicialmente uma profissão volta-
da para a reabilitação, hoje a Fisioterapia se
mostra bastante presente na Atenção Básica,
por meio da prevenção e promoção da saúde.
Entretanto, esta atuação ainda está se solidifi-
cando, mas o que satisfaz é que este assunto é
amplamente estudado e discutido no âmbito
acadêmico, o que poderá consolidar esta área
de atuação do fisioterapeuta, a prevenção e
Considerações finais
promoção da saúde, assim como ocorreu
A revisão dos aspectos históricos com a reabilitação.
da Saúde no Brasil permite entender como Os projetos executados e apresenta-
ocorreu e ocorre o processo saúde-doença dos no último capítulo são exemplos de que
em uma população. Conhecer e discutir a a atuação do fisioterapeuta na saúde coletiva
legislação brasileira e documentos do Minis- pode se dar em diversos locais, e ser direcio-
tério da Saúde que tratam da saúde pública nada para os mais diferentes públicos. Os re-
brasileira dá embasamento a profissionais da sultados obtidos com experiências de exten-
saúde e porque não, a cidadãos que usam o são devem ser incorporadas ao ensino, com o

49
intuito de aproximar a prática profissional da
atenção básica.

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