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Função de pesquisa ..................

23 Inibidores da enzima conversora de


Qualificação de compradores.. 24 angiotensina (ECA) .................. 46
FORMAS FARMACÊUTICAS .................... 3
Solicitação de compras ............ 24 Bloqueadores de receptores de
SÓLIDOS .............................................. 3 angiotensina (BRAs) ................ 46
Pós 3 MANIPULAÇÃO.................................... 26 Bloqueadores β-adrenérgicos .......... 47
Granulações ..................................... 3 CÁLCULOS DE CONCENTRAÇÕES.......... 27 Diuréticos ....................................... 47
Comprimidos .................................... 3 Vasodilatadores diretos .................. 47
RAZÃO DE CONCENTRAÇÃO (RC) ......... 28 Fármacos ionotrópicos .................... 47
Drágeas............................................ 4
Cápsulas ........................................... 4 Miligramas por cento (mg%) ........... 29 Antagonistas da aldosterona .............. 47
Cápsulas de gelatinas (CG) ................... 4 Partes por milhão (ppm) e partes AGENTES ANTIARRÍTIMICOS .............. 48
LÍQUIDOS ............................................ 4 por bilhão (ppb)...................... 29 Classes............................................ 48
Soluções ........................................... 4 Classe 1 ............................................. 48
CONTROLE DE QUALIDADE (CQ) .......... 30 Classe 2 .......................................... 49
Preparações otológicas........................ 5
Soluções vaginais e retais .................... 5 Garantia da qualidade (GQ) ............ 30 Classe 3 ............................................. 49
Gargarejo............................................ 5 Gestão da qualidade .......................... 30 Classe 4 ............................................. 50
Preparações oftálmicas ....................... 5 ANTIAGINOSO ................................... 50
Preparações nasais .............................. 5 FARMACOLOGIA DO SNC..................... 32 ANTI-HIPERTENSÃO ........................... 51
Preparações orais ................................ 5 SNA 32 Diuréticos ....................................... 51
Suspensões ....................................... 6 SNC 33 Reguladores de volume ................... 52
Emulsões .......................................... 7 PSICOTRÓPICOS................................. 34 Inibidores do sistema renina-
Pomadas .......................................... 8 Hipnóticos e sedativos .................... 34 angiotensina ........................... 52
Tipos de pomadas ............................... 9
Ansiolítico ....................................... 34 FARMACOLOGIA DA DOR .................... 53
Ceras e ceratos.................................... 9
Benzodiazepínicos ............................. 35
Cremes ............................................. 9 OPIÓIDES........................................... 53
Barbitúricos .................................... 36
Pastas .............................................. 9 Morfina .......................................... 53
AGENTES ANTIDEPRESSIVOS .............. 36
Gel ou Pomadas-géis ........................ 9 PARACETAMOL .................................. 54
Inibidores da MAO .......................... 36
Supositórios ...................................... 9
Inibidores da recaptação................. 37 ANTIINFLAMATÓRIO ........................... 55
Óvulos ............................................ 10 Antidepressivos tricíclicos (ADT´s) ...... 37
Velas10 Inibidores seletivos da recaptação de
Prostaglandinas (PG´s) .................... 55

BIODISPONIBILIDADE .......................... 11 5HT ........................................ 37 FARMACOLOGIA ANTIFÚNGICA ........... 57


Inibidores da recaptação de 5HT-NE .. 37
Determinação de biodisponibilidade11 FARMACOLOGIA ANTIPSICÓTICA ....... 38 Inibidores da síntese de DNA ........... 57
Fatores que influenciam a Antipsicoticos típicos....................... 38 Inibidores da mitose........................ 57
biodisponibilidade .................. 11 Antipsicóticos atípicos..................... 38 Inibidores da membrana ................. 58
Extensão da absorção ..................... 12 FARMACOLOGIA RESPIRATORIA......... 40 Inibidores do ergosterol .................. 58
Eliminação de primeira passagem ... 12 Inibidores da esqualeno epoxidase..... 58
Droga antiasmática ........................ 40
Instabilidade química ........................ 12 Inibidores da 14α-esterol das
Tosse .............................................. 41
Natureza da formação do fármaco..... 12 metilase ................................. 59
FARMACOLOGIA DO TGI .................... 42
Inibidores da parede celular ............ 59
ESTABILIDADE ..................................... 14 Distúrbios ácido-pépticos ................ 42
Antiácidos ......................................... 43 FARMACOLOGIA ANTIMICROBIANA .... 60
Tipos de estabilidades..................... 14 Inibidores H2 ..................................... 43
Mecanismos mais comuns de Mecanismo de ação ........................ 60
Inibidores da bomba de prótons ........ 43
degradação química dos Inibição da parede celular ............... 60
Protetores da mucosa ..................... 44
fármacos ................................ 14 β-lactâmicos ...................................... 60
Vomito ........................................... 44
Inibidores da β-lactamase .................. 62
PRAZO DE VALIDADE ........................... 16 Antagonistas dos receptores
Inibidores da topoisomerase ........... 62
muscarinicos .......................... 44
Politica de prazo de validade........... 16 Antagonistas dos receptores
Inibidores da transcrição ................. 62
ARMAZENAMENTO ...................... 17 dopaminérgicos ...................... 44 Inibidores da tradução .................... 63
Condições de armazenamento... 17 Purgantes ....................................... 44 Subunidade 50S ................................. 63
Estocagem .................................. 17 Aminoglicosídios (30S) ....................... 63
Motilidade gastrointestinal ............. 45
DISTRIBUIÇÃO .............................. 18 Antidiarreicos ................................. 45 FARMACOLOGIA ANTI-HELMÍNTICA .... 65
DISPENSAÇÃO ..................................... 21 Loperamida ....................................... 45
Inibidores da polimerização
Difenoxilato e difenoxina ................... 45
Etapas ............................................ 22 tubulinica ............................... 65
ADMINISTRAÇÃO DE FARMACOLOGIA CARDÍACA ................ 46 Desacopladores da fosforilação
COMPRAS ............................... 23 Inibidores do sistema renina- oxidativa ................................ 66
Princípios .................................... 23 angiotensina .......................... 46 Coordenação neuromuscular........... 66
Organograma.............................. 23
ANESTÉSICOS ....................................... 68
FORMAS FARMACÊUTICAS Granulações
Ou preparação medicamentosa é como o São formas farmacêuticas sólidas constituídas
medicamento se apresenta para ser usado, como por um ou mais PA, adicionados com adjuvantes,
resultado da mistura de substância adequado para sob a forma de grânulos homogêneos, destinados
serem administradas com finalidade terapêutica. A à administração oral, ou como intermediários nas
ANVISA conceitua a forma farmacêutica preparações de drágeas, cápsulas e comprimidos.
substâncias que após uma ou mais operações São constituídos por substâncias medicamentosas
farmacêuticas executadas com ou sem a adição associadas a açúcares ou outros adjuvantes,
de excipientes apropriados, a fim de facilitar o seu apresentando-se formados por pequenos grãos ou
uso e obter o efeito terapêutico desejados, com grânulos irregulares, cujo conjunto tem aspecto
características apropriadas a uma determinada via homogêneo.
de administração.  Vantagens:
As formas farmacêuticas são as formas físicas  Não liberam pós durante sua armazenagem e
de apresentação de medicamentos (comprimido, administração;
xarope, supositório etc.). E são classificados em  Os grãos constituintes não aderem entre si;
sólidas, líquidas, pastosas e gasosas.  São mais agradáveis de ingerir do que os
Exemplos de formas farmacêuticas: pós, e a posologia é facilmente mantida
1. Para uso interno via oral: porque a sua quantidade pode ser medida
por meio de colheres;
SÓLIDOS  Quando preparamos sob as formas
 Pós; efervescentes são susceptíveis de melhor
 Aglomerados: conservação do que os pós-correspondentes,
 Pílulas; tendo menor área de superfície, são menos
 Pastilhas; afetados pela umidade;
 Comprimidos;  Ao contrário dos pós, podem ser revestidos
 Cápsulas; com envolvimentos protetores.
 Drágeas;
 Granulados. Comprimidos
São preparações farmacêuticas sólidas, de
Pós formas variadas, cilíndrica ou lenticular, obtidas
São partículas sólidas, livres e secas, mais ou agregando-se por pressão, varias substâncias
menos finas, com um ou mais PA adicionados ou medicamentosas secas, e podendo ou não
não adjuvantes e, se preciso com corante e encontrar-se envolvidas por revestimentos
aromatizante. São resultados da divisão das especiais, formando as drágeas. Sua grande
formas farmacêuticas sólidas, constituindo uma maioria é destinada à via oral, sofrendo
forma de administração direta ou destinada à desagregação na boca, estômago ou intestino.
obtenção de outras formas. Para prepararmos  Vantagens:
comprimidos, hóstias, pastilhas, pílulas, etc.  Maior precisão de dosagem e menor
Precisamos pulverizar as drogas constituintes das variabilidade de conteúdo;
respectivas fórmulas, que só depois serão  Facilidade de manuseio, administração e
trabalhadas no sentido de se obter o medicamento transporte pelo usuário;
desejado. A redução dos fármacos a pó apresenta  Maior estabilidade física e microbiológica;
várias vantagens, a pulverização não diminui a  Melhor adequação à produção em escala
atividade dos fármacos e cria-lhes condições para industrial e menor custo.
que apresentem um efeito farmacológico mais  Desvantagens:
rápido e regular. Muitos fármacos se dissolvem  Não é uma forma farmacêutica emergencial;
depois de pulverizados e, de um modo geral, a  Impossibilidade de adaptação de posologia
sua extração, é mais eficaz à medida que diminui individual;
suas partículas.  Impossibilidade de obtenção econômica de
 Vantagens: quantidades reduzidas, dado ao custo
 Substituem outras preparações da mesma elevado do equipamento;
droga;  Impossibilidade de administração a lactantes
 Teor mais elevado de PA do que outras e idosos.
formas farmacêuticas;
 Obtenção mais econômica e rápida, sem
necessidade de recorrer a dissolvente e a
aparelhagem é menos complicada.
Drágeas LÍQUIDOS
Embora possamos revestir os granulados, as Podem conter uma ou mais substâncias químicas
pílulas e as capsulas, os comprimidos são as dissolvidas num solvente adequado, ou em uma
formas farmacêuticas com maior aplicação desse mistura de solventes miscíveis, ou dispensáveis
processo. Comprimidos revestidos são chamados no que diz respeito às preparações. Representam
de drágeas. a maior parte das formas farmacêuticas, quando
 Vantagens: comparada com a concentração do ativo.
 Administração de medicamento com PA de  Soluções:
aromas ou sabor desagradável;  Simples e Composta;
 Possibilita o uso de substâncias que  Xaropes;
atacariam as mucosas;  Elixires.
 Permite, com o envolvimento adequado, que  Dispersões:
os comprimidos resistam à ação do suco  Emulsões;
gástrico;  Suspensões.
 Promove fácil deglutição dos comprimidos
que desliza melhor para o estômago, já que Soluções
suas arestas foram arredondadas. São misturas de duas ou mais substâncias do
ponto de vista químico e físico são homogêneas.
Cápsulas As soluções farmacêuticas são sempre líquidas e
São formas farmacêuticas sólidas, com invólucro obtidas da dissolução de um sólido ou líquido em
duro ou mole, de várias formas e tamanhos, outro líquido. Os fatores que influenciam na
contendo uma dose unitária de PA. Os invólucros dissolução são:
são formados de gelatina de origem animal,  pH: Dependendo do pH do soluto, há maior
também podem ser de amido. ou menor dissolução do mesmo em função
do pH do solvente;
Cápsulas de gelatinas (CG)  Agitação: em geral, quanto maior a agitação
São preparações feitas por invólucros gelatinosos melhor a dissolução;
ocos, de forma esférica, ovoide, coradas ou  Tamanho do soluto: quanto menor a
brancas, contendo PA sólidos, pastosos ou partícula do soluto a ser dissolvido, melhor
líquidos. As cápsulas duras tem o invólucro é sua dissolução.
constituído por gelatina. As cápsulas moles ou  Temperatura: em geral o aumento da
elásticas são formadas por gelatinas adicionadas temperatura facilita a dissolução.
de emoliente. As CG duras são consideradas, a  Vantagens:
melhor forma para acondicionar PA, pois  Flexibilidade de dosagem;
protegem contra ação da luz, da associação de  Facilidade de administração;
substâncias incompatíveis, impedido a percepção  Rápida absorção;
de sabor e odor desagradável dos fármacos, com  Homogeneidade na dosificação independente
pouco volume, conservam-se bem e de boa da agitação, quando comparada à forma de
aparecia. Por outro lado, as substâncias suspensão;
administradas na forma de CG orais são  Possibilidade de adição de co-solventes para
rapidamente liberadas quando em contato com o princípios ativos pouco solúveis no veículo
suco gástrico, mas podemos revesti-las com principal.
envolvimento gastrorresistentes, fazendo  Desvantagens:
degradar-se no intestino. Sob a forma de CG  Maior possibilidade de alterações físico-
podemos administrar medicamentos destinados a químicas;
proporcionarem uma ação farmacológica líquida,  Maior possibilidade de contaminação;
sejam acondicionados no invólucro gelatinoso  São mais difíceis de serem transportados
pequenos grânulos com tempos de desagregação pelo paciente do que as formas sólidas.
diferente. As CG podem ser administradas por  O paciente pode não ter acesso a sistema de
vias diferentes da bucal preparando-se cápsulas medida de volume preciso e uniforme,
para aplicação retal, nasal e vaginal. Para podendo haver variação de uma dose para
satisfazer os requisitos, é preciso ter as seguintes outra.
qualidades:  Sistema homogêneo: É caracterizado por
 Os PA devem ser estáveis; apresentar somente uma fase, podendo ser
 Os receptores gelatinosos não devem sofrer constituída por uma substância pura ou uma
alterações; mistura homogênea:
 As cápsulas devem ser administradas sem  Água e sal, água e açúcar;
qualquer incomodo causado pelo cheiro ou Sempre que não podemos distinguir as fases de
pelo sabor dos seus componentes; um sistema a olho nu ele é classificado como
 O tamanho e forma das capsulas devem ser homogêneo.
adequados à administração.
Preparações otológicas As soluções oculares são administradas em
São preparações destinadas à aplicação na pequenas quantidades, são usadas soluções em
cavidade auricular, apresentadas sob formas gotas e pomadas aplicadas, em finas camadas na
líquidas ou semi-sólidas. São produtos semi- margem das pálpebras. Os colírios devem ser
estéreis, veículo viscoso, para aderir às paredes estéreis e com boa conservação. Podemos usar
do conduto auditivo. É usado para remoção de conservantes para manter a esterilidade durante o
cerume em excesso, tratamento de infecções, uso, quando livre de conservantes devem ser
inflamações ou dores nos ouvidos. acondicionados em embalagem de dose unitária.
 Líquidas: São formas destinadas à instilação
no conduto auditivo; Preparações nasais
 Pomadas óticas: São preparações semi- São preparações destinadas à aplicação na
sólidas aplicadas no exterior do ouvido. mucosa nasal, sendo apresentadas sob formas
 Pós de uso ótico ou insuflações: São líquidas ou semi-sólidas.
preparações preparadas com pó ou misturas  Errinos: Forma farmacêutica destinada ao
de pós finamente divididos que são tratamento da mucosa nasal é geralmente de
administrados no conduto auditivo. ação tópica. A maior parte contem agentes
adrenérgicos e são usadas por sua atividade
Soluções vaginais e retais descongestionante. Os descongestionantes
 Duchas: São preparações farmacêuticas nasais são soluções aquosas, isotônicas em
líquidas destinadas a serem introduzidas em relação aos fluidos nasais, tamponados, com
cavidade do corpo com finalidade de limpeza e conservantes se preciso. É usado no
assepsia: tratamento de renite e sinusite. Os errinos
 Enema: Forma farmacêutica líquida destinada podem ser veiculados com solução aquosa,
a ser instilada no reto com fim laxativo ou para solução oleosa e pomadas. A maioria das
produzir outro efeito local ou ainda sistêmico soluções nasais são preparações aquosas,
aplicação visando à ação sistêmica com efeito isotônicas e tamponadas para manter a
rápido. estabilidade. As soluções oleosas mantêm o
 Colutórios: São medicamentos que agem principio ativo mais tempo em contato com a
diretamente na gengiva e na mucosa bucal, mucosa e ainda protege do ressecamento,
ajudam a eliminar o mau hálito e também porém, alteram a viscosidade dificultando o
podem ter efeito antibacteriano anticárie. A movimento ciliar. As pomadas apresentam alta
maioria deles é apresentada em forma de viscosidade, prejudicando o movimento ciliar.
spray ou elixir e fazem parte da rotina de Alguns descongestionantes nasais podem ser
higiene oral de muitas pessoas. administrados na forma de inalantes. O
principio ativo volátil é colocado junto com o
Gargarejo inalante que se volatiliza lentamente a
São soluções aquosas à lavagem e assepsia da temperatura ambiente liberando o PA.
boca e garganta. Suas principais características
são: cores fortes, veículo aquoso ou hidroalcoólico, Preparações orais
pode conter mel, glicerina e flavorizantes. São formas farmacêuticas líquidas destinadas ao
Fármacos como anticépticos, antibióticos e uso oral e podem ser classificados em: xarope,
anestésicos locais. elixir e gotas.
 Vantagens: Os líquidos são deglutidos mais
Preparações oftálmicas facilmente que sólidos, sendo mais indicado
São preparações destinadas à aplicação na para uso pediátrico, os fármacos devem estar
mucosa ocular sendo apresentada sob formas em soluções para serem absorvidos e quando
líquidas ou semi-sólidas. administrados nessa forma estarão
 Colírios: São preparações farmacêuticas prontamente disponíveis para serem
aplicada nos olhos. É um medicamento para absorvidos. Respostas farmacêuticas mais
ser aplicado nos olhos e pálpebras, de uso rápidas comparando com a forma sólida. A
tópico. Soluções ou suspensões aquosas ou administração de fármacos solução pode
oleosas contendo uma ou várias substâncias diminuir o efeito irritante de certos fármacos
medicamentosas destinadas à instilação como aspirina e cloreto de potássio, pois serão
ocular. O fármaco vai se dissolver no filme rapidamente diluídos nos fluidos corporais.
aquoso formado pela conjuntiva. Trata  Desvantagens: Os líquidos são volumosos
condições superficiais ou intraoculares: apresenta o inconveniente de transporte e
 Incluindo infecções bacterianas, fúngicas e estocagem. Casos de quebra do frasco perde
virais dos olhos ou pálpebras; o produto, tratando de estabilidade, sob a
 Conjuntivites alérgicas ou infecções; forma de solução os componentes são menos
 Síndrome do olho seco. estáveis do que quando estão sob a forma
sólida.
 Elixir: Forma farmacêutica líquida Suspensões
hidroalcóolica aromatizada e edulcorada com São formas farmacêuticas que contêm partículas
sacarose ou sacarina para uso oral. São do PA numa dispersão uniforme, num veículo no
preparações líquidas límpidas, hidroalcoolicas qual o PA apresenta uma solubilidade mínima.
apresentando teor alcoólico na faixa de 20 a São preparações líquidas que contem uma ou
50%. Ele pode ser um veículo para outras mais substâncias químicas dissolvidas num
preparações, os elixires são preparados por solvente ou numa mistura de solventes, que, de
dissolução simples e devem ser envasado em acordo com as suas características, usamos as
frasco de cor âmbar e mantidos em lugar soluções para via oral, ótica, oftálmica ou tópica.
fresco e ao abrigo da luz. A vantagem no uso da suspensão em qualquer
 Vantagens: A razão para se optar por forma, para um líquido a maior parte limitada para
suspensões são: preparações de um sólido, um líquido, e
 Aumento ou controle da biodisponibilidade; frequentemente um gás solúvel num liquido.
Correção ou atenuação de sabor São sistemas heterogêneos em que a fase
desagradável; externa é líquida ou semissólida, e a fase interna é
 Aumento da estabilidade química em constituída por partículas sólidas insolúveis no
solução; meio usado. O fármaco é conhecido como fase
 Possibilidade de administrar fármacos dispersa, enquanto que o veículo é chamado fase
insolúveis na forma líquida; dispersante, juntos produzem um sistema
 Maior facilidade na correção de sabor disperso. Usamos as suspensões para três
desagradável de certos fármacos; finalidades:
 Retarda o tempo de absorção de fármacos  Para uso oral;
por via injetáveis;  Para aplicação tópica na pele e mucosas;
 Desvantagens:  Para administração parenteral.
 Baixa estabilidade física; Algumas suspensões orais já vêm prontas para o
 Menor uniformidade; uso, estão dispersas num veículo líquido com ou
 Menor velocidade de absorção. sem estabilizantes e outros aditivos farmacêuticos.
Outras estão disponíveis para o uso na forma de
 Xaropes: São preparações aquosas pó seco, destinado a serem misturado com veículo
concentradas em açúcar ou outra substância líquido. Este tipo de produto geralmente é uma
que o substitua, com ou sem adição de mistura de pós que tem fármacos, agentes
flavorizantes ou PA. Xaropes que contem suspensores e conservantes. A fase dispersa é
flavorizantes e não fármacos são chamados de insolúvel na fase líquida, mas, através de agitação
veículos não medicamentosos, apresentam a podem ser facilmente suspensas. Esta mistura ao
finalidade de ser usado como veículo de sabor ser diluída e agitada com uma quantidade de
agradável para os fármacos que lhe serão veículo forma uma suspensão apropriada para a
acrescentados. administração, chamada de suspensão
 Xaropes com e sem açúcar: O açúcar mais extemporânea. Esta forma é ideal para veicular
usado na preparação de xaropes é a os fármacos instáveis em meio líquido. Deve ter a
sacarose, podendo ser substituído por outros seguinte palavra: AGITE ANTES DE USAR.
não açúcares como sorbitol, glicerina e
propilenoglicol. Muitas vezes a sacarose não
é usada na preparação dos xaropes para que
esses possam ser administrados. Aos
pacientes diabéticos, compostos como
sorbitol, glicerina e propilenoglicol não devem
contar na formulação do xarope, sendo
substituídos por compostos não glicogênicos
como metilcelulose e hidroxietilcelulose.
 Xarope simples: É preparado pela
dissolução de 85g de sacarose em água
suficiente para obter 100ml de solução, sendo
que se for usada em seguida não precisa de
conservante.
Emulsões
São dispersões de duas fases líquidas
constituída por um líquido imiscível num outro
líquido sob a forma de gotículas. Sua estabilidade
depende do tipo de agentes emulsionantes
usados, e da película interfacial capaz de formar-
se rapidamente, impedindo a aproximação e união
da fase dispersa. Figura 2: Emulsão. (a) fase oleosa; (b) fase aquosa.
A partir dos componentes e da viscosidade
podemos separá-las como líquidos para uso  Tipos de emulsão: A fase em que o
internos ou externos, ou semissólidos para uso tensoativo for mais solúvel determina a fase
externo. As formas de uso externo são chamadas externa. Sendo assim, as emulsões se dividem
loções quando líquidas, de cremes quando em simples e múltiplas.
sólida. São classificadas pelo:  Simples:
 Tamanho das gotículas: microemulsões e  o/a: fase interna formada por gotículas de
emulsões; óleo envoltas pela fase aquosa, são
 Número de fases: bifásica, trifásica e múltipla; facilmente lavadas;
 Dispersão das fases: emulsões (a/o) ou (o/a).  a/o: fase interna formada por gotículas de
 A maioria das emulsões é do tipo o/a: laváveis H2O, envolta por uma fase oleosa contínua.
e facilmente removidos da pele ou das roupas,  Múltiplas
apresentando melhor biodisponibilidade.  a/o/a: Água em óleo, em água: fase mais
interna aquosa, circundada por uma fase
intermediária oleosa, e por fim, envolvida
pela fase aquosa;
 o/a/o: Óleo em água, em óleo: fase mais
interna oleosa, circundada por uma fase
Figura 1: Emulsão. (a) tensoativos (agente emulsificante); (b)
intermediária aquosa, e por fim, envolvida
óleo; (c) água; (d) agitação; (e) emulsão. pela fase oleosa.

 Vantagens:
 Aumento da estabilidade química da solução;
 Solubilização do fármaco na fase interna ou
externa;
 Mascaramento de sabor e odor desagradável
de certos fármacos pela solubilização;
 Biocompatibilidade com a pele humana. Figura 3: (1) emulsões o/a: (a) água; (b) óleo. (2) emulsões
 Desvantagens: a/o: (a) óleo: (b) água. (3) emulsão o/a/o. (a) água; (b) óleo; (c)
água. (4) emulsão o/a/o; (d) óleo.
 Baixa estabilidade física ou físico-química;
 Menor uniformidade.
 Uso interno e externo: O interesse da
 Pré-requisitos: As emulsões devem farmacotécnica nas emulsões vem da
apresentar viscosidade adequada ao uso possibilidade da administração, numa mistura
tópico ou oral. Os tensoativos usados na substâncias hidro e lipossolúveis, o que,
estabilização das emulsões devem apresentar conforme ao seu fim, podem ser uma emulsão
valores de EHL adequados e ser compatíveis de uso interno ou externo.
com uso interno ou externo.  Uso interno: Uma emulsão para uso interno
pode ser administrada oralmente ou por via
 Componentes: São constituídos por duas
endovenosa.
fases uma de natureza aquosa e outra oleosa,
 Via oral: As emulsões administradas por VO
e os agentes emulsivos sempre entre elas.
pertencem ao tipo o/a, tornando palatáveis
 Fase aquosa: A H2O fase obrigatória em
óleos intragáveis, visto que a dispersão é
todas as emulsões podem ter em dissolução
feita em veículo aquoso edulcorado e
várias substâncias, como produtos
flavorizado, e a fase interna passa pelas
medicamentosos, conservantes, corantes,
papilas gustativas sem entrar em contato
edulcorantes e aromatizantes.
com elas, indo direto para o estômago. Os
 Fase oleosa: A fase oleosa de uma emulsão
agentes molhantes devem ser
pode ser constituída por óleos, resinas,
hidrossolúveis, pois tais substâncias devem
goma-resina, ceras e gorduras, além de
ficar concentradas na fase externa da
substâncias lipossolúveis, como o salicilato
emulsão, uma vez que poderão disfarçar o
de fenilo, cânfora, vitaminas óleos solúveis,
gosto da droga que queremos corrigir.
antioxidantes e anticépticos, etc.
O tamanho reduzido dos glóbulos de óleo pode 2. Para uso externo:
torná-lo mais digerível e acelerar sua absorção.  Cutâneo (tópico):
Em alguns casos podemos corrigir o gosto  Pomadas;
desagradável de algumas substancias  Cremes;
hidrossolúveis que figuram na mesma emulsão o/a  Unguentos;
recorrendo a uma dupla emulsão. Conseguimos  Pasta;
encobrir o gosto amargo de um produto solúvel na  Cataplasma;
água incorporando-o primeiro na fase interna de  Loções.
uma emulsão do tipo a/o por adição de um agente  Retal (supositórios):
emulsivo do tipo hidrófilo, resultando que a  Vaginal;
substância amarga fica situada na parte mais  Óvulos;
interna da fase aquosa da dupla, emulsão a/o/a,  Comprimidos;
conseguindo-se, assim, disfarçar o seu paladar  Geleias;
desagradável.  Oftalmológico;
 Uso externo: Para aplicação externa as  Otorrinolaringológico.
emulsões podem ser do tipo o/a ou a/o,
podendo ser preparada uma fórmula de Pomadas
consistência variável. As soluções de uso Formas farmacêuticas plásticas deformáveis, de
externo, aplicáveis sobre a pele, podem ser consistência mole, destinada ao uso externo, para
preparadas na forma o/a ou a/o dependendo a ação tópica, dotadas de propriedades plásticas
de fatores, como natureza dos agentes que permitem, mediante um esforço mecânico,
terapêuticos, necessidade de um emoliente, e que a sua forma se modifique, adaptando-se às
situação da superfície cutânea. Na pele superfícies da pele ou às paredes das cavidades
íntegra, as emulsões de a/o geralmente podem mucosas que se aplicam.
ser aplicadas com mais uniformidade, pois a As pomadas são usadas para ações epidérmicas,
pele está coberta por uma fina película de já que a penetrabilidade dos fármacos que
sebo, e essa superfície é mais facilmente transportam é pouca. Nestas circunstâncias são
umedecida por óleo do que por água. As especialmente usados como veículos de fármacos
emulsões de a/o também são mais emolientes antissépticos e adstringentes. São classificadas
para a pele, pois resistem mais à secagem e quanto à sua composição ou em relação ao tipo
são resistentes à retirada pela água. Por de ação terapêutica, em:
vezes, a emulsificação de um medicamento  Epidérmicas: Pomadas que possui fraco ou
numa base provoca a diminuição do ritmo de nenhum poder de penetração cutânea;
absorção dessa substância através da pele e  Endodérmicas: Pomadas que penetram na
das membranas mucosas e tal propriedade epiderme, atuando nas camadas mais
pode ser aproveitada para obtenção de profundas, mas sem que os fármacos
fórmulas de ação retardada. Assim a efedrina, veiculados cheguem à circulação.
na forma de emulsão o/a, é mais lentamente De acordo com o aspecto, consistência ou
absorvida pela mucosa nasal do que aplicada composição do excipiente:
em solução oleosa, o que torna possível  Pomadas propriamente ditas: São untuosas
prolongar seu efeito vasoconstritor local. e preparadas com excipientes gordurosos ou
com PEG;
 Cremes: São preparados com excipientes
emulsivos do tipo o/a ou a/o;
 Cerelos ou Cerotos: Contém uma % de
ceras;
 Unguentos: Quando contém resinas;
 Pasta dérmica: Apresentam-se espessas,
com muitos pós-insolúveis;
 Glicerídeos: Excipiente constituído de gel de
amido com um poliol, como a glicerina;
 Pomadas-geleia: Quando os seus excipientes
são géis minerais ou orgânicos.
Tipos de pomadas Pastas
 Pomadas propriamente ditas (PPD): São O termo pasta dérmica, designa preparações
preparadas com excipientes gordurosos ou para aplicação cutânea que tem uma quantidade
com PEG, apresentam-se moles e untuosas. de substâncias pulverulentas.
São preparações anidras ou com pouca A presença de altas concentrações de pós torna
quantidade de água incorporada. Em regra, as pastas completamente diferentes das pomadas
são congestivas, pois não permitem a propriamente ditas, pois apresentam um ligeiro
respiração cutânea. A PPD que contém efeito secante, absorvendo os exsudados
resinas é designada por unguentos. O termo cutâneos, o que se deve à adsorção ou à
unguento vem do latim Ungere=untos e é hoje capilaridade, não causando congestão dos
tomado no sentido, de qualquer tipo de tecidos, como acontece com as pomadas.
pomada. Unguentos são preparações de Podemos usa-lo para superfícies cutâneas úmidas
consistência firme, mais espessa do que a dos ou molhadas, estando indicado, neste caso, o uso
ceratos, que além de, conterem natureza de pasta formada por excipientes hidrófilos
resinosa, podem apresentar ceras. miscíveis com as secreções da pele.
 PPD hidrófobas: formas semi-sólidas,
translucidas, pegajosas, e consistentes Gel ou Pomadas-géis
que absorvem pouca água; São constituídos por géis minerais ou orgânicos.
 PPD hidrófilas: formas miscíveis na água, As pomadas géis tem um efeito emoliente e
composta de polímeros hidrófilos (PEG) de refrescante, mas a sua rápida secagem
pesos moleculares distintos. São transforma-os numa película quebradiça quando
consistentes, removidas por água e de aplicadas na epiderme. Por outro lado, estas
aparência translucida. pomadas são susceptíveis de não apresentarem
poder de penetração cutânea, já que os seus
Ceras e ceratos excipientes, formados por grandes moléculas
Dentro das PPD temos aquelas que contêm coloidais, não podem atravessar a epiderme
ceras e podemos designar por ceratos. O termo intacta e, não mostram qualquer espécie de
cerato ou ceroto provém da designação dada, em afinidade as proteínas da pele.
latim, as preparações untuosas que apresentam
elevada quantidade de ceras. Consideramos como Supositórios
ceratos as pomadas com 20% ou mais de ceras, São preparações farmacêuticas sólidas, com um
podendo possuir uma pequena quantidade de ou vários PA, de forma e peso variado. A sua
água, mas que, não formam emulsões forma (cônica ou ovoide), volume, consistências
verdadeiras, mas pseudoemulsões. são adaptadas à administração retal. No reto
devem fundir-se, dissolver-se, emulsionar ou
Cremes desagregar-se. Normalmente com peso
Cremes são emulsões com substâncias aproximado de 2,5g, para adultos 1,5g para
medicamentosas dissolvidas ou suspensas nas crianças e 1g para lactantes. Os PA são triturados
suas fases aquosa ou oleosa. A maioria são e tamisados, em seguida dispersos ou dissolvidos
emulsões de o/a, também são preparados vários num excipiente simples ou composto, solúveis ou
cremes de a/o. Por vezes, a fase oleosa pode disperso na água ou que funde à temperatura
apresentar elevado poder de penetração na pele, corporal. Assim, os supositórios podem destinar-
em especial molhantes, que permitem atravessar se a um tratamento local (adstringentes,
a barreira lipídica cutânea que emulsionam. Esta desinfetantes, anestésicos, anti-inflamatório,
propriedade favorece o contato com a superfície laxativos por efeito osmótico, etc.), ou substituírem
do tecido epitelial e permite a mistura, por as preparações que eram por via oral (fármacos
emulsificação, com conteúdo dos sacos pilo- irritantes, nauseosos, com cheiro e sabor
sebáceos. Esses cremes combinam-se, pelos desagradável; existência de lesões gástricas,
seus constituintes emulsivos, com as proteínas impossibilidade de deglutição, tratamento em
celulares, sendo mais intensa a fixação quando os pediatria, etc.). Os supositórios também podem
emulgentes forem catiônicos. substituir as medicações parenterais,
Os cremes de o/a são bem tolerados nas hipodérmicas e intramusculares, sempre que os
epidermes, podendo ser irritantes, em especial os fármacos determinem reações locais, como
de aniões ativo, quando a pele apresenta solução endurecimento, infiltração dolorosa, tumefação,
de continuidade. Nesses casos, tem-se procurado etc. Ou quando as substâncias medicamentosas
reduzira a irritação provocada adicionando sais influenciam o metabolismo, ou seja, inativados
tampões ao creme. pelas enzimas da região.
Uma das principais vantagens dos cremes o/a é o
fato de serem facilmente removido da pele ou das
roupas por simples lavagem.
Óvulos
Conhecidos como supositório vaginal, são
preparações farmacêuticas de forma ovoide, de
consistência sólida, em regra mole, destinado a
serem introduzidos na vagina. Obtidas por
solidificação ou compressão em moldes, são
obtidos por incorporação de PA num excipiente
Hidrodispersíveis, como a glicerina-gelatinada. Em
geral destinado à ação local, sendo antibióticos,
antiparasitários, antissépticos, entre outros, os
fármacos mais usados em óvulos são:
 Mercurocromo (antisséptico), Tanino
(adstringente), Ópio (calmante), Penicilina e
sulfamidas (bactericida e bacteriostático).

Velas
São preparações farmacêuticas consistentes de
forma cilíndrica destinada à aplicação uretral. São
cilíndricos arredondados numa das extremidades,
eram preparadas com lactose, goma arábica e
mel, hoje são obtidos com gelatina-glicerinada,
manteiga de cacau e glicerídeos semissintéticos.
Devem ser sólidos, mas elásticas para resistir,
sem ruptura, as deformações inerentes a sua
aplicação.

3. Para uso parenteral:


 Grandes volumes:
 Nutrição parenteral prolongada;
 Pequenos volumes (ampolas, injeções);
 Intramuscular;
 Intravenoso;
 Intrarraquidiano.
 Contraste radiológico;
 Intradérmico (pellets),
BIODISPONIBILIDADE Determinação de biodisponibilidade
A biodisponibilidade mede a quantidade de um A biodisponibilidade é determinada pela
medicamento contido em determinada forma comparação dos níveis plasmáticos do fármaco e
farmacêutica que, ao ser administrada por de uma via particular de administração (ex.:
qualquer via num organismo vivo, atinge a administração oral) com os níveis plasmáticos do
circulação sanguínea de forma inalterada. A fármaco obtidos por injeção IV, na qual o fármaco
biodisponibilidade é também a quantidade de entra na circulação rapidamente. Quando o
medicamento que atinge não só a circulação fármaco é administrado por via oral somente parte
sanguínea como também o local de ação. Os da dose aparece no plasma. Lançando a
dados de biodisponibilidade são usados para concentração plasmática do fármaco contra o
determinar: tempo, podemos mensurar a área sob a curva
 A quantidade de um medicamento absorvido a (ASC). Essa curva reflete a extensão da absorção
partir de uma determinada forma farmacêutica; do fármaco. A biodisponibilidade de um fármaco
 A velocidade de absorção do medicamento; administrado por via oral é a relação da área
 A permanência do medicamento nos líquidos calculada para a administração oral comparada
do organismo e sua correlação com as com à área calculada para a injeção IV quando a
respostas farmacológicas ou tóxicas. dosagens são equivalente.
Estas informações tem importância para a
determinação da posologia de um medicamento e
da sua forma farmacêutica.

Figura 6: Determinação de biodisponibilidade: (1)


concentração plasmática do fármaco; (2) tempo; (a) ASC
Figura 4: A duração da ação e concentração plasmática de injetada; (b) ASC oral; (c) fármaco administrado; (d) fármaco
uma droga pode ser afetada pela sua velocidade de absorção. injetado; (e) fármaco administrado por via oral.
Na figura há 3 medicamentos com taxas de absorção
diferentes. O medicamento A é absorvido rapidamente, o
medicamento C sofre absorção lenta, a velocidade de
Fatores que influenciam a biodisponibilidade
absorção do medicamento B está entre as dos medicamentos Em contraste com a administração IV, que confere
A e C. o medicamento A alcança a maior concentração 100% de biodisponibilidade, a administração oral
plasmática máxima. O medicamento C é absorvido
lentamente e nunca alcança uma concentração plasmática de um fármaco envolve metabolismo de primeira
elevada, ficando mais tempo no plasma que os medicamentos passagem. Está biotransformação, além das
A e B. características físicas e químicas dos fármacos,
determina a quantidade de fármaco que alcança a
circulação e a que velocidade. A ÁREA SOB A
CURVA (ASC) do tempo de concentração no
sangue é proporcional à extensão da
biodisponibilidade de um fármaco, se a eliminação
for de primeira ordem para uma dose intravenosa,
presume-se que a biodisponibilidade seja igual à
unidade. No caso de um fármaco administrado por
via oral, a biodisponibilidade pode ser menor que
100%, por quatro razões principais:
1. Extensões incompletas da absorção através
Figura 5: Curvas e tempo de concentração no sangue, da parede intestinal;
ilustrando como mudanças na velocidade de absorção e 2. Eliminação na primeira passagem pelo fígado.
extensão da biodisponibilidade pode influenciar tanto a 3. Instabilidade química.
duração da ação como a efetividade da mesma dose total de
um fármaco, administrado em três formulações diferentes. A 4. Natureza da formação do fármaco.
linha tracejada indica a CA do fármaco no sangue: (1)
concentração do fármaco no sangue; (2) tempo; (A) fármaco
rápida e completamente disponível; (B) somente metade da
disponibilidade de A, mas velocidade igual a A; (C) fármaco
completamente disponível, mas velocidade somente metade
de A.
Extensão da absorção Instabilidade química
Depois da administração oral, um fármaco pode Alguns fármacos, como a benzilpenicilina são
ser absorvido incompletamente, por exemplo, instáveis no pH gástrico. Outros, como a insulina,
somente 70% de uma dose de digoxina alcançam são destruídos no TGI pelas enzimas.
a circulação sistêmica. Isso se deve à falta de
absorção do intestino. Outros fármacos são Natureza da formação do fármaco
demasiadamente hidrofílico (Atenolol) ou lipofílico A absorção pode ser alterada por fatores não
(aciclovir) para serem absorvidos com facilidade, e relacionados com a sua estrutura química. Por
sua baixa biodisponibilidade também se deve à exemplo, o tamanho da partícula, o tipo de sal, o
absorção incompleta. polimorfismo cristalino, o revestimento entérico e a
Se muito hidrofílico, o fármaco não pode presença de excipiente (como os agentes
atravessar a membrana lipídica celular; se aglutinantes e dispersantes) podem influenciar a
lipofílico demais, o fármaco não é solúvel o facilidade da dissolução e, por isso, alterar a
bastante para cruzar a camada de água adjacente velocidade de absorção.
à célula. Fármacos podem não ser absorvidos por
causa de um transportador inverso associado à Ex.: 1: Sobre biodisponibilidade, analise as
glicoproteína-P. esse processo bombeia afirmativas a seguir.
ativamente o fármaco fora das células da parede 1. A biodisponibilidade é menor do que 100%
intestinal e de volta ao lúmen do intestino. A para fármacos que não são administrados por
inibição da glicoproteína-P e do metabolismo da via intravenosa.
parede intestinal, por exemplo, por suco de 2. A ÁREA SOB A CURVA (ASC) é o parâmetro
toranja, pode se associar aumento da absorção do farmacocinético usado para avaliar a
fármaco. biodisponibilidade absoluta.
3. Medicamentos de uso oral cujos fármacos não
Eliminação de primeira passagem sejam absorvidos no trato gastrintestinal não
Após a absorção através da parede intestinal, o necessitam de estudos de biodisponibilidade
sangue da veia porta leva o fármaco ao fígado relativa.
antes da entrada na circulação sistêmica. Um 4. A biodisponibilidade traduz a velocidade e a
fármaco pode ser metabolizado na parede extensão de absorção de um fármaco a partir
intestinal (ex.: pelo sistema enzimático CYP3194), de uma forma de administração.
ou mesmo no sangue da porta, porem, é mais Assinale:
comum, o fígado metabolizar antes do fármaco a. Se apenas a afirmativa 2 estiver correta.
atingir a circulação sistêmica. Além disso, o fígado b. Se apenas as afirmativas 2, 3 e 4 estiverem
excreta o fármaco na bile. Qualquer desses corretas.
lugares contribui para a redução da c. Se apenas as afirmativas 2 e 3 estiverem
biodisponibilidade, e o processo geral é conhecido corretas.
como eliminação de primeira passagem o efeito d. Se apenas a afirmativa 4 estiver correta.
da eliminação hepática na primeira passagem e. Correta: Se todas as afirmativas estiverem
sobre a biodisponibilidade é expresso como a corretas.
razão de extração (ER):
𝐶𝐿𝑙𝑖𝑔𝑎𝑑𝑜 Ex.: 2: Com relação a biodisponibilidade de um
ER 𝑄
fármaco é INCORRETO afirmar que:
Onde Q é o fluxo sanguíneo hepático, a. Incorreta: Para uma dose, por via oral, de um
normalmente cerca de 9L/h numa pessoa que fármaco a biodisponibilidade pode ser superior
pesa 70Kg. a unidade ou 100%.
A biodisponibilidade sistêmica do fármaco (F) b. A biodisponibilidade é a fração do fármaco
pode ser prevista a partir da extensão de inalterado que alcança a circulação sistêmica
absorção (f) e da razão de extração. após sua administração por qualquer via.
F=fx(1-ER) c. Para uma dose intravenosa de um fármaco, a
Um fármaco como a morfina é quase biodisponibilidade é igual à unidade ou 100%.
completamente absorvida (f=1), de modo que a d. Para uma dose, por via oral, de um fármaco a
perda no intestino é irrisória. Contudo, a razão de biodisponibilidade pode ser inferior a unidade
extração hepática para a morfina é a depuração ou 100%.
da morfina (60L/h/70Kg) dividida pelo fluxo
sanguíneo hepático que a biodisponibilidade da
morfina seja cerca de 33%, o que está próximo do
valor observado.
Ex.: 3: De acordo com as definições técnico- a. A dose IM é maior devido ao metabolismo de
científicas e legais, dois medicamentos serão primeira passagem.
considerados bioequivalentes quando, b. A dose VO é maior devido à forte ligação com
apresentados sob a mesma forma farmacêutica e proteínas plasmáticas.
contendo idêntica composição qualitativa e c. A dose IM é maior devido ao elevado volume
quantitativa de princípios ativos, apresentarem de distribuição.
comparável biodisponibilidade quando estudados d. Correta: A dose VO é maior devido à
num mesmo desenho experimental. A respeito do diminuída biodisponibilidade.
assunto, assinale a alternativa CORRETA.
a. A biodisponibilidade é uma característica Ex.: 6: É CORRETO afirmar que O termo
exclusiva do fármaco, correspondendo à biodisponibilidade pode ser considerado como
fração de uma dose oral que chega na sinônimo do termo bioequivalência.
circulação sistêmica na forma de fármaco a. Se considera biodisponibilidade como sendo a
intacto. taxa e a extensão na qual uma molécula ativa
b. Correto: Variações na atividade enzimática da é absorvida e torna-se disponível no sítio de
parede intestinal ou do fígado, no pH gástrico ação da droga.
ou na motilidade intestinal podem afetar a b. A biodisponibilidade é determinada através da
biodisponibilidade de medicamentos. medida da concentração do princípio ativo da
c. Para que dois medicamentos possam ser droga no sangue total, e não em outro líquido
considerados intercambiáveis, será suficiente biológico.
apresentar os estudos de biodisponibilidade de
cada um deles.
d. Quando se estuda biodisponibilidade de c. Biodisponibilidade absoluta é a fração da dose
determinado medicamento em determinado que é efetivamente absorvida após
indivíduo, considera-se possível a administração extravascular de um
extrapolação dos resultados obtidos para um medicamento. É calculada tendo como
período de até 15 anos de vida. referência a administração do mesmo fármaco
e. Em relação à biodisponibilidade de por via intravascular, que possui por definição
determinado fármaco, considera-se que esse biodisponibilidade igual a 0%.
medicamento terá um efeito mais acentuado d. Correto: A biodisponibilidade relativa entre
quando a sua absorção for mais lenta, quando medicamentos administrados por via
comparado a condições em que sua absorção intravascular pode ser avaliada pela
seja mais rápida. comparação de parâmetros farmacocinéticos
relacionados à quantidade absorvida e à
Ex.: 4: Os principais fatores capazes de alterar a velocidade do processo de absorção.
biodisponibilidade de medicamentos estão
relacionados ao indivíduo e as características do Ex.: 6: Assinale, dentre as alternativas abaixo, a
medicamento. que melhor conceitua bioequivalência:
Assinale a alternativa que indique um fator que a. Bioequivalência consiste na apresentação de
NÃO interfere na biodisponibilidade. duas drogas diferentes que apresentam a
a. Incorreta: O tamanho do medicamento. mesma disponibilidade após serem
b. A técnica de granulação e compressão do administradas em concentrações e doses
fármaco. diferentes, que apresentam a mesma
c. O polimorfismo genético. funcionalidade no organismo, mas que podem
d. O polimorfismo do fármaco. trazer efeitos adversos.
e. O fluxo sanguíneo. b. Correta: Bioequivalência consiste na
demonstração de equivalência farmacêutica
Ex.: 5: A biodisponibilidade indica a velocidade e entre produtos apresentados sob a mesma
a extensão de absorção de um princípio ativo em forma farmacêutica, contendo idêntica
uma forma de dosagem, a partir de sua curva de composição qualitativa e quantitativa de
concentração/tempo na circulação sistêmica ou de princípios ativos, e que tenham comparável
sua excreção na urina. A clorpromazina, biodisponibilidade, quando estudados sob um
antipsicótico de amplo uso, apresenta uma mesmo desenho experimental.
biodisponibilidade em torno de 30%. Outras c. Bioequivalência consiste na biodisponibilidade
características farmacocinéticas deste fármaco de determinada droga ao ser administrada por
são a elevada metabolização (inclusive de vias diferentes e que tem a mesma função
primeira passagem), 90% de ligação a proteínas fisiológica no organismo, independente da
plasmáticas e elevado volume de distribuição dose utilizada sem que isso provoque efeitos
(VD). Comparando a dose máxima administrada adversos.
pela via oral (VO) e pela via intramuscular (IM) da d. Nenhum das alternativas.
clorpromazina, é CORRETO afirmar que:
ESTABILIDADE A deterioração de drogas por oxidação requer a
É a extensão de tempo na qual o produto presença de oxigênio e procede sob determinadas
mantém, dentro de limites específicos, através do condições. O oxigênio existe não só sobre a forma
período de armazenamento e uso, as mesmas de oxigênio molecular O2, mas também como um
propriedades que possuía no momento da sua dirradical O-O. Esta espécie de radical possui dois
fabricação. Estes termos indicam o período para o elétrons desemparelhada os quais podem iniciar
qual um mínimo de 90% em relação ao valor de reações e cadeia resultando a quebra das
teor da droga (principio ativo) que permanece moléculas da droga, articuladamente se a reação
intacto e disponível para cumprir sua ação ocorre na presença de catalizadores tais como a
terapêutica. A estabilidade e compatibilidade são luz, calor, alguns íons de metais e peróxidos.
elementos críticos na precisa e apropriada A autoxidação é uma reação espontânea que
administração de medicamentos aos pacientes. acontece sob condições ambientais de exposição
ao oxigênio atmosférico. Compostos fenólicos tais
Tipos de estabilidades como aminas simpaticomiméticas são
 Estabilidade química: Cada ingrediente ativo rapidamente oxidadas e pH neutro ou alcalino.
contido na preparação, mantém sua Esta reação ocorre muito mais lentamente em pH
integridade e potência rotulada, dentro de menor que 4,0 para o controle deste processo de
limites específicos; degradação são normalmente usados agentes
 Estabilidade física: As propriedades físicas antioxidantes e sequestrantes.
originais, incluindo aparência, palatabilidade,  Drogas suscetíveis a oxidação:
uniformidade, sustentabilidade (aplicável a  Substâncias fenólicas: Morfina, fenilefrina,
suspensões) são mantidas; catecolamina (adrenalina, noradrenalina),
 Estabilidade microbiológica: Ou resistência hidroquinona, resorcinol, paracetamol,
ao crescimento microbiano é mantida de salbutamol;
acordo com o requerimento especificado e  Aminas aromáticas;
aplicação do produto. Os agentes  Compostos polinsaturados: Óleos,
antimicrobianos que estão presentes mantem gorduras, vitaminas lipossolúveis (vitamina
sua efetividade dentro de limites especificados. A, E), ác. Retinóico e flufenazina;
 Estabilidade terapêutica: O efeito terapêutico  Fenotiazínicos (tioéteres): Clorpomazina,
(farmacodinâmico) permanece inalterado; mometazina, trifluporazina, tioridazina e
 Estabilidade toxicológica: Não ocorre flufenazina;
nenhum aumento significante da toxicidade.  Substâncias esteroidais: Corticosteroides;
 Estatinas: lovastatina, imipramina,
Mecanismos mais comuns de degradação amitriptilina, etc.;
química dos fármacos  Antidepressivos tricíclicos: Imipramina,
Existem vários mecanismos de degradação das amitriptilina, etc;
moléculas dos fármacos, hidrólise, redução,  Outras substâncias: Vitamina C,
fotólise ou fotodegradação e racemização e anfotericina B, nitrofurantoína, tetraciclina,
epimerização. Embora muitos processos de furosemida, ergotamina, sulfacetamida,
degradação química de fármacos possam ser captopril.
observados através de mudanças de cor,  Hidrólise: É um processo de solvólise no qual
formação de precipitados e evolução de gases, a a molécula de uma substância interage com
maioria das incompatibilidades químicas moléculas degradando-a. A hidrólise
resultantes de interações que promovem geralmente envolve o ataque pela água das
alterações ou rearranjos moleculares não são ligações lábeis de molécula da droga
visivelmente observáveis. A degradação química dissolvidas, resultando em mudanças
de fármacos pode ocorrer por diferentes moleculares. O processo hidrolitico é
mecanismos: provavelmente a causa mais importante e
 Oxidação: quimicamente a oxidação envolve a frequente de degradação de fármacos, devido
perda de elétrons de um átomo de uma ao grande número de fármacos com
molécula. Cada elétron perdido é aceito por grupamentos funcionais susceptíveis a
algum outro átomo ou molécula, de tal modo a hidrólise, tais como os ésteres e amidas.
promover a redução do átomo ou molécula  Drogas suscetíveis à hidrólise:
recipiente. Em compostos inorgânicos a  Ésteres: Ácidos acetilsalicílicos, procaína,
oxidação é acompanhada por aumento da benzocaína, atropina, digitoxina, pilocarpina,
valência de um elemento, por exemplo, os íons ácido ascórbico;
ferrosos (Fe+2) em íon férrico (Fe+3). Em  Tio ésteres: Espironolactona;
compostos orgânicos o processo oxidação  Amidas: Nicotinamida, paracetamol,
frequentemente envolve a perda de hidrogênio procainamida;
(desidrogenação).  Imidas: Fenitoina, barbitúricos, riboflavina;
 Amidas cíclicas (anéis tipo lactâmicos):
penicilinas, cefalosporinas;
 Desidratação: assim como a umidade Esta epimerização também pode resultar em
favorece a degradação de várias moléculas de perda da atividade farmacológica. As reações de
fármacos, promovendo a instabilidade destas racemização e epimerização são influenciadas
ou da forma farmacêutica que as conte, a pelo pH e catalisada por ácidos e bases,
remoção da água uma molécula da droga ou condições ótimas de pH são necessárias para
do produto pode ser considerado um processo maios estabilidade.
de degradação.  Polimerização: é um processo no qual duas
 Desidratação por disolvação: é a perda da ou mais moléculas de um fármaco se unem,
umidade da forma farmacêutica ou da água formando um complexo, este processo ocorre
de cristalização da molécula. durante o armazenamento de soluções
 Ex.: Perda de água em cremes, pomadas, aquosas concentradas de aminopenicilinas,
suspensões, desolvação da teofilina como por exemplos: Amipicilina sódica e
monohidratada e da ampicilina trihidratada. amoxicilina.
 Desidratação por remoção de um próton e de  Reversão polimórfica: algumas drogas
um grupo hidroxila. apresentam a propriedade de existirem em
 Ex.: tetraciclina, prostaglandinas. mais de uma forma cristalina, chamadas
polimorfos. Os polimorfos têm a mesma
 Fotólise ou fotodegradação: é a catalise pela estrutura química, mas diferentes
luz de reações de degradação tais como a propriedades físicas, tais como a
oxidação ou hidrólise, uma variedade de solubilidade, densidade, dureza, ponto de
mecanismos de decomposição de luz por uma fusão, etc. quando uma forma polimórfica
molécula produz sua ativação, a partir da qual muda para outra reversivelmente, ela é
a molécula ativada pode emitir energia de chamada de enantiotrópica se a transição de
frequência diferente da recebida (fenômeno uma forma para outra ocorrer de forma
chamado florescência ou fosforescência) ou irreversível, dizemos ser uma transição
também pode provocar a decomposição das monotrópica. No prepara de produtos
moléculas (fotólise). As reações de farmacêuticos estáveis, o polimorfismo
fotodegradação dependem de onde a luz. representa um indesejável e importante fator
Quanto maior a intensidade e o comprimento no crescimento cristalino em preparações
de onda da luz, maior será a velocidade e os farmacêuticas, caking de suspensões
graus de fotodegradação dependem tanto da (suspensões que não podem ser facilmente
intensidade como do comprimento de onda da ressuspendidas), cremes e pomadas.
luz. Quanto maior a intensidade e o Portanto, o polimorfismo pode ser um fator de
comprimento de onda luz, maior será deletéria instabilidade em preparações farmacêuticas.
que a luz visível (s raios solares são mais  Drogas que podem ter polimorfismos:
deletérios do que a luz fluorescente) um  Clorafenicol;
grande número de fármacos são sensíveis à  Ampicilina;
luz permitindo a degradação fotolítica, tais  Metilprednisona;
como:  Hidrocortisona;
 A amfotericina B; a furosemida, vitamina A.  Sulfonamidas;
nifedipina, hidrocortisona, prednisolona,  Barbitúricos.
ácido fólico dentre vários outros.
 Racemização e epimerização: Pode ocorrer
com drogas que são opticamente ativas, pelas
existências de um carbono quiral central na
molécula. Se um isômero é mais
farmacologicamente ativo que o outro, este
processo pode resultar em perda da atividade
terapêutica. Isto ocorre, por exemplo, com a
epinefrina, cujo isômero é 15 vezes mais ativo
do que o d-isômero. Se a molécula da droga
possui somente um centro quiral na molécula,
um isômero pode ser favorecido mais do que o
outro.
 Epímeros são compostos que possuem a
mesma configuração em todos os carbonos,
exceto num carbono. A tetraciclina em
solução epimeriza, antibacteriana; a
pilocarpina pode epimerizar em
isopilocarpina.
PRAZO DE VALIDADE Politica de prazo de validade
É a data após a qual a preparação farmacêutica Levando em conta as características físico-
manipulada não deverá ser usada, é determinada químicas das drogas, da forma farmacêutica e
a partir da data de preparação do produto. consequente suscetilidade aos principais
Fatores à serem analisados para se estabelecer o processos de degradação química, sugerimos a
prazo de validade em formulações magistrais. seguir um critério de prazo de validade para
 Formas farmacêuticas: sólidos ou líquidos formulações magistrais. Embora empírico, o
que não contenham água na sua composição, critério é baseado nas recomendações da
normalmente apresentam uma estabilidade farmacopeia americana na 24º edição e projetado
bem maior quando comparadas com formas de forma geral porem racional e fundamentada
farmacêuticas que contenham água. Portanto cientificamente, um presumível período de tempo
pós, comprimidos, cápsula, tabletes e outras em que uma forma magistral apresentaria uma
formas sólidas ou líquidos que não contenham estabilidade adequada. Todavia. É recomendável
água (veiculo oleoso) são mais estáveis e que se faça estudos de estabilidade ara as
portanto poderão apresentar um prazo de formulações consagradas pela prescrição
validade maior comparadas com as formas frequente e que faça parte de estoques
farmacêuticas que contêm agua como por estratégicos.
exemplo xaropes, suspensões aquosas,
soluções aquosas, emulsões, etc.
 Material de embalagem: a embalagem para
produtos farmacêuticos deve proteger a
preparação da umidade, da luz e da atmosfera
(oxigênio).
 Duração do tratamento: o prazo de validade
deve ser suficiente para abranger o período do
tratamento para o qual formulação foi
prescrita;
 Dados científicos: laboratoriais (estudos de
estabilidade) ou de alguma referência
bibliográfica.
Os prazos de validade, recomendadas para
preparações magistrais embaladas em recipiente
hermeticamente fechada e protegidos da luz, na
temperatura ambiente controlados são:
 Formulações sólidas e líquidas não
aquosas: se a fonte do ingrediente é um
produto manufaturado (industrializado), o
prazo de validade não deve exceder a 25% do
tempo remanescente para a data de expiração
do produto original, ou 6 meses, o que formas
precoce. Se a fonte de ingrediente é uma
substância farmacopeica, o prazo de validade
não deverá exceder a 6 meses.
 Formulação contendo água: preparações
obtidas a partir de ingredientes na forma
sólida, o prazo de validade não deverá
ultrapassar 14 dias quanto estocado em
temperaturas baixas;
 Para todas as outras formulações: próxima
de 30 dias ou a duração da terapia. Se houver
suporte cientifico válido informando
apropriadamente a estabilidade da formulação
em especifico, o prazo de validade proposto
acima poderá ser excedido.
ARMAZENAMENTO Estocagem
É a etapa do ciclo da AF que visa garantir a A estocagem de medicamentos deve ocorrer de
qualidade e a guarda segura dos medicamentos forma a garantir a segurança e as características
nas organizações da área da saúde. Constitui-se de qualidades dos medicamentos estocados, para
como um conjunto de procedimentos que realizar o armazenamento, de modo que se
envolvem o recebimento a estocagem, guarda atentam as boas práticas, são necessários
segurança contra danos físicos, furtos ou roubos, conhecimentos técnicos sobre os produtos a
a conservação, o controle de estoque e a entrega. armazenar e sobre gestão de estoques. Para a
O armazenamento deve levar e consideração a correta estocagem dos medicamentos,
similaridade dos itens, a rotatividade, o volume e o acompanha as orientações a seguir:
peso dos produtos, bem como a ordem de entrada  Observe os medicamentos que exigem
e saída. cuidados especiais de armazenamento, como
O armazenamento tem como objetivo básico termolábeis e psicotrópicos;
garantir a conservação dos medicamentos,  Estoque os medicamentos por nome genérico,
germicidas, correlatos e outros materiais lote e validade de forma a partir fácil
adquiridos, dentro de padrões e normas técnicas identificação.
especificam que assegurem a manutenção das  Não arraste caixas, nem arraste ou coloque
características e qualidade necessárias à correta muito peso sobre elas;
utilização.  Os medicamentos devem ser conservados nas
Todos os produtos são armazenados embalagens originais. Ao serem retiradas das
obedecendo às condições técnicas ideais de luz, caixas, as embalagens devem ser
temperatura e umidade numa central de identificadas.
abastecimento farmacêutico.
Os produtos devem ser dispostos de forma a
garantir inviolabilidade, características físico-
químicas, observação dos prazos de validade,
com a manutenção da qualidade dos produtos.
Uma boa armazenagem e fator de suma
importância em todo processo da assistência
farmacêutica hospitalar, gerando redução de
custos, a manutenção do tratamento ao paciente e
uma organização nas varias atividades da
farmácia.

Condições de armazenamento
 Estrutura física: o armazenamento de
medicamentos, produtos farmacêuticos e
dispositivos médicos devem ser feito de modo
a garantir as condições necessárias de
espaço, luz, temperatura, umidade e
segurança dos medicamentos, produtos
farmacêuticos e dispositivos médicos.
 Medicamentos sujeitos a controle especial:
Recomenda-se que haja uma sala reservada
para o armazenamento destes medicamentos
e, neste caso, a esma deve atender as
especificações sobre a ventilação,
temperatura, condições de luminosidade e
umidade.
 Medicamentos termolábeis: Devem ser
armazenados em equipamentos apropriados
para a conservação a frio (câmara fria ou
refrigerador). A escolha de qual deles será
usada depende do volume de medicamentos
que precisam ser armazenados.
DISTRIBUIÇÃO  Diminuir os custos com medicamentos:
Alguns dos erros possíveis de ocorrer na com a dispensação por pacientes, e no
administração de medicamentos em pacientes máximo por 24 horas, diminuem-se os custos
hospitalizados estão relacionados ao sistema de de estoques e evitam-se gastos
distribuição dos mesmos. Quanto mais eficiente o desnecessários de doses excedentes. Estudos
sistema de distribuição, maior contribuição será neste sentido demonstraram que 25% do
prestada para garantir o sucesso das terapêuticas consumo de medicamentos podem ser
e profilaxia instauradas. O controle de distribuição reduzidos em hospitais que adota o sistema de
de germicidas, conforme o nível de atividade distribuição de medicamentos por dose
determinadas pelas rotinas instituídas pelos unitária.
serviços de CIH, é fundamental, para que somente  Aumentar a segurança para o paciente: é
pessoas treinadas tenham acesso aos mesmos. obtido pela consecução dos objetivos
Um sistema de distribuição de medicamentos anteriores, pois existe a adequação da
deve ser racional, eficiente, econômico, seguro e terapêutica, redução de erros, racionalização
deve estar de acordo com o esquema terapêutico da distribuição e aumento do controle dos
prescrito. Quanto maior a eficácia do sistema de medicamentos.
distribuição, mais garantido será o sucesso da As principais características de cada sistema de
terapêutica e da profilaxia instaurada no hospital. distribuição são:
O sistema a ser escolhido e implantado no  Coletivo: Suas principais características são
hospital pelo profissional farmacêutico deve seguir estoques nos setores assistenciais, onde a
alguns critérios, de acordo com os aspectos farmácia fornece medicamentos e produtos de
relacionados a seguir. saúde em suas embalagens originais
 Garantir o comprimento da prescrição; atendendo solicitado pelo pessoal de
 Racionalizar a distribuição dos medicamentos; enfermagem, ou segundo estoque mínimo e
 Garantir a administração correta do máximo para cada unidade solicitante, feito em
medicamento; nome da unidade e não de pacientes. É um
 Diminuir os erros relacionados com a sistema mais caracterizado como distribuição
medicação (administração de medicamentos do que de dispensação, pois a farmácia
não prescritos, troca da via de administração, apenas transfere os produtos para as unidades
erros de doses etc.); que formam seus estoques. A farmácia se
 Monitorar a terapêutica; torna um distribuidor de medicamentos, não
 Reduzir o tempo de enfermagem dedicado ás tento contato com a prescrição médica, o que
tarefas administrativa e manipulação dos impede o acompanhamento da
medicamentos; farmacoterapia. Outras desvantagens deste
 Racionalizar os custos com a terapêutica. sistema estão nas dificuldades no controle
A organização Panamericana de saúde indica logístico dos estoques, com altos, custos de
como objetivo de um sistema racional de estocagem, maior probabilidade de erros de
distribuição de medicamentos, as seguintes: administração de medicamentos, perdas por
 Diminuir erros de medicação: estudos caducidade e ou má armazenagem e desvios,
relaciona aos sistemas tradicionais uma entre outros.
elevada incidência de erros, que incluem  Vantagens:
desde a incorreta transcrição de prescrição até  Rápida disponibilidade de medicamentos na
erros de vias de administração e planejamento unidade assistencial;
terapêutico;  Mínimas atividades de devolução à
 Racionalizar a distribuição de farmácia;
medicamentos: o sistema de distribuição  Redução das necessidades de recursos
deve facilitar a administração, dos humanos e infraestruturas da farmácia
medicamentos, através de uma dispensação hospitalar;
ordenada, por horários e por paciente, e em  Mínima espera na execução da prescrição;
condições adequadas para a pronta  Ausência de investimento inicial.
administração;  Desvantagens:
 Aumentar o controle sobre os  Aumento potencial de erros de medicação;
medicamentos: acesso do farmacêutico às  Perdas econômicas devido à falta de
informações sobre o paciente, tais como: controle: caducidade, mas condições de
idade, peso, diagnóstico e medicamentos armazenagem e outros;
prescritos, permite efetuar avaliação da  Aumento de estoque de medicamentos na
prescrição médica, monitorizara duração da farmácia hospitalar e nas unidades
terapêutica, informar sobre possíveis reações assistenciais;
adversas, interações, não cumprimento do  Incremento das atividades do pessoa de
plano terapêutico, melhor forma de enfermagem;
administração e outros.
 Facilidade de acesso aos medicamentos por  Não permite controle total sobre as perdas
qualquer pessoa; econômicas (caducidade, doses não
 Difícil integração do farmacêutico à equipe administradas, desvios e outros).
de saúde. Pode ser feito de duas formas, direta ou indireta,
de acordo com o documento de solicitação:
 Indireta: Neste caso, a farmácia recebe as
solicitações de medicamentos por meio de
uma transcrição de prescrição médica feita
pela enfermagem (requisição em nome do
paciente). Podem ocorrer erros de transcrição,
prescrições adulteradas e outros.
 Direta: A farmácia recebe as solicitações de
medicamentos através de uma cópia da
prescrição médica, com a possibilidade do
contato com a prescrição e,
consequentemente, possível intervenção
farmacêutica minimizando erros citados
anteriormente.
O Sistema de distribuição por prescrição
individualizada pode ser implementado na forma
de sua distribuição, de duas formas:
1. Os medicamentos são dispensados num único
compartimento, podendo ser um saco plástico
Figura 7: Modelo de dispensação coletiva. identificado com a unidade de internação, o
número eleito, nome do paciente, contendo
 Individualizado: Existe a necessidade de um todos os medicamentos de forma desordenada
investimento inicial em infraestrutura e igual do sistema coletivo para um período de
recursos humanos, com necessidade de 24 horas.
plantão da farmácia para atendimento das 2. Os medicamentos são fornecidos em
demandas, mas reduz os custos com embalagens, disposto segundo o horário de
medicamento reduz o tempo da enfermagem administração constante na prescrição médica
quanto às atividades com medicamento e individualizada e identificada para cada
permite aumento da integração do paciente e para o máximo de 24 horas. Sua
farmacêutico com a equipe assistencial. O distribuição pode ser feita em embalagem
fornecimento de medicamento individualizado plástica, com separações obtidas por
por pacientes, não determina, em larga escala, termossolda ou em escaninhos adaptáveis a
a diminuição do tempo de preparo de doses, carros de medicamentos adequados ao
erros de administração, perdas por sistema de distribuição.
deterioração, desvio e outros, mas assegura
maior qualidade da farmacoterapia pela
participação efetiva do farmacêutico no
processo do medicamento.
 Vantagens:
 Diminuição do estoque nas unidades
assistenciais;
 Redução potencial de erros de medicação;
 Facilidade para devoluções à farmácia;
 Reduz o tempo do pessoal de enfermagem
quanto às atividades com medicamentos;
 Aumento da integração do farmacêutico com
a equipe de saúde.
 Desvantagens:
 Aumento das necessidades de recursos Figura 8: Modelo de dispensação por prescrição individual.

humanos e infraestrutura da farmácia


hospitalar; A modalidade 2 reduz erros e perdas,
 Exigência de investimentos inicial; propiciando facilidade para a instalação de
 Incremento das atividades desenvolvidas controle da dispensação, ou seja, a revisão de
pela farmácia; todas as prescrição atendidas para verificar erros
 Necessidade de plantão na farmácia de dispensação e propicia a verificação da
hospitalar; interações e aumento da capacidade de controle
 Permite ainda potenciais erros de de estoques tanto m nível de farmácia hospitalar,
medicação; como das unidades de internação.
A união desses sistemas é chamada sistema
combinada de distribuição de medicamentos,
em que, para as unidades de internação, o
sistema de distribuição é por prescrição
individualizada, e para as áreas fechadas como
centro cirúrgico ambulatorial, o sistema é coletivo
ou de estoque por unidade assistencial.
 Dose unitária: Os elementos que distinguem
o sistema de distribuição por dose unitária das
tradicionais são medicamentos contidos em
doses unitárias, dispostos conforme o horário
de administração e prontos a serem
administrados segundo a prescrição médica,
individualizados e identificados para cada
paciente. É o sistema que permite maior
contato do farmacêutico com a prescrição e
com toda equipe multiprofissional e, também,
pelo controle que proporciona a farmácia, no
que se refere ao uso de medicamentos. Neste
sistema ocorre o melhor controle e
racionalização no uso de medicamentos
através da monitorização terapêutica. Para
esta implantação, é preciso, um investimento
financeiro em infraestrutura e equipamentos de
acordo com as legislações específicas, além
de uma adequação do quadro de
colaboradores da farmácia atendendo as
necessidades das atividades a serem
implantadas. Uma das áreas necessária para a
efetivação desse sistema é a farmacotécnica
de medicamentos orais e de injetáveis, pois os
medicamentos são dispensados após o
preparo para administração. O preparo de
doses unitárias e unitarização de doses de
medicamentos de formas farmacêutica.
Contribui para a redução de procedimentos
definidos e registro. Deve existir plano de
prevenção de trocas ou misturas de
medicamentos em atendimentos à legislação
vigente.

Figura 9: Modelo de distribuição por dose unitária.


DISPENSAÇÃO A dispensação de medicamentos é uma atividade
Conforme a lei 5991/73, que rege o controle técnica de orientação ao paciente de importância
sanitário do comércio de drogas, medicamentos, para a observância ao tratamento, portanto, eficaz
insumos farmacêuticos e correlatos, no Brasil, quando bem administrado a implantação de um
dispensação é o ato de fornecimento ao sistema racional de dispensação de
consumidor de drogas, medicamentos, insumos medicamentos e de outros produtos para a saúde
farmacêuticos e correlatos, a título remunerado ou deve ser priorizada pelo estabelecimento de
não. Esta lei exige a presença do farmacêutico ou saúde e pelo farmacêutico, de forma a buscar
substituto, sem, contudo, garantir a assistência processos que garantam a segurança do paciente,
efetiva deste profissional no ato de dispensar e a orientação necessária ao uso racional do
nas outras atividades realizadas pelas farmácias e medicamento, sendo recomendado pela portaria
drogarias, deixando transparecer apenas o 4283/10, a adoção de um sistema individual ou
aspecto comercial do ato, com interesse principal unitário de dispensação. Dependendo das
centrado no lucro. características e objetivos do estabelecimento de
A PNM regulamenta através da portaria 3926/98, saúde a dispensação também poderá ser
definiu a dispensação como o ato do profissional descentralizada, através das farmácias satélites.
farmacêutico de proporcionar um ou mais Estas poderão estar localizadas em blocos
medicamentos a um paciente, geralmente como cirúrgicos, unidades de terapia intensiva, outras
resposta à apresentação de uma receita unidades de assistência ao paciente como pronto
elaborada por um profissional autorizado. Neste atendimento e pronto socorro. É a atividade dos
ato o farmacêutico informa e orienta o paciente farmacêuticos com mais visibilidade e onde mais
sobre o uso adequado do medicamento. São se estabelece o contato com os serviços clínicos
elementos importantes da orientação, entre do hospital. O farmacêutico deve considerar como
outros, a ênfase no cumprimento da dosagem, a característica para um sistema adequado a
influência dos alimentos, a interação com outros racionalidade eficácia, economia e, sobretudo se
medicamentos, o reconhecimento de reações oferece segurança ao paciente. A dispensação de
adversas potenciais e as condições de medicamentos só deverá ser efetuada perante a
conservação dos produtos. Nesse conceito, o apresentação de uma prescrição médica que pode
aspecto comercial da atividade é excluído, dando- ser informatizada, manual com copia original,
lhe um caráter profissional na medida em que fotocópia, carbonada, digitalizada, onde devem
deixa claro que o farmacêutico é responsável não constar, no mínimo, os seguintes elementos.
só pelo fornecimento do medicamento, como  Identificação do paciente;
também pela orientação para o seu uso  Registro hospitalar;
adequado. Além disso, insere a atividade num  Leito e unidade de internação;
grupo multiprofissional de assistência à saúde,  Data da prescrição;
mais especificamente a assistência farmacêutica.  Designação de medicamentos
Com a criação da ANVISA em 1999, surgiu outras preferencialmente por DCB ou nome de
normas sanitárias complementares à legislação registro e indicação de dose, forma
federal relativas aos estabelecimentos farmacêutica, intervala de dose e via de
farmacêuticos para colocar em pratica a PNM. A administração;
resolução 328/99, dispõe sobre requisitos  Identificação do médico prescritor e assinatura;
exigidos para a dispensação de produtos de Para minimizar erros e importante evitar a
interesse à saúde em farmácias e drogaria entre transcrição médica em casos necessários e
outras coisas, institui o regulamento técnico sobre recomentada a solicitação da prescrição médica
as boas práticas de dispensação de original para a conferência do farmacêutico.
medicamentos em farmácias e drogarias. Como Aspecto legal: conforme o art. 2o da resolução
podemos ver as atribuições do farmacêutico, ao CFF357/01, a presença e atuação do farmacêutico
dispensar medicamentos, tomaram uma dimensão é requisito essencial para a dispensação de
muito maior, hoje a dispensação não significa medicamentos, sendo esta uma atribuição
apenas entregar o medicamento prescrito ou indelegável, não podendo ser exercida por
indicado pelo farmacêutico, mas se trata da mandado nem representação. De acordo com
atuação clínica do farmacêutico, com o objetivo de essa resolução, ao dispensar medicamentos, o
proporcionar ao paciente, não só o medicamento, farmacêutico deve explicar clara e
como também os serviços clínicos que o detalhadamente ao paciente o beneficio do
acompanham, promovendo o uso racional de tratamento.
medicamentos e a proteção do paciente e a
prováveis PROBLEMAS RELACIONADOS AO
USO DE MEDICAMENTOS (PRMs).

d
Etapas  Exame físico do medicamento: O
É classificada em quatro etapas distintas: farmacêutico deve realizar o exame físico do
abordagem do paciente, análise da restrição, medicamento, antes da entrega, do mesmo ao
exame físico dos medicamentos e orientação ao paciente. Nesta questão, ele irá observar
paciente: atentamente se as características físicas do
 Abordagem ao paciente: a dispensação tem medicamento estão mantidas e se a validade é
inicio com a acolhida do paciente, ao procurar compatível com o tempo proposto do uso da
atendimento farmacêutico, espera encontrar terapia. Na oportunidade, o paciente deve ser
um profissional com conhecimento técnico e orientado para a importância da correta
postura profissional. A abordagem ideal pode conservação deste produto durante e após seu
contribuir para a adesão ou não ao tratamento uso evitando desta forma o uso ou reutilização
proposto, e o farmacêutico deve aproveitar de um produto impróprio para consumo.
essa oportunidade para estabelecer uma
relação de confiança com o paciente, devendo
ouvi-lo, respeitá-lo e compreende-lo. Nessa
etapa, são coletadas as informações gerais do
paciente, tais como dados pessoais, estado
atual de saúde, hábito de vida e
comportamento adotados quando de uso de
medicamentos, sendo esta uma grande
oportunidade de conquista da confiança do
paciente. Recomenda-se que as farmácias
tenham uma área reservada para atendimento,
uma vez que o ambiente propiciará uma maior
ou menor proximidade do paciente com o
farmacêutico.
 Análise da prescrição: Nesta fase serão
observados os aspectos farmacodinâmicos,
farmacocinéticos e legais da prescrição. O
farmacêutico deve iniciar, perguntando ao
portador da receita se é ele o paciente que
fará uso daquela prescrição, pois, caso não
seja, deve-se atentar para a relação existente
entre o comprador e o usuário, garantindo que
a informação prestada seja repassada com o
maior cuidado ao usuário daquele
medicamento. Antes, de repassar informações
ao usuário do medicamento, deve munir‑se de
alguns dados referentes ao usuário do
medicamento, tais como a idade, peso,
existência de outras doenças ou de
manifestações alérgicas. Estes dados visam a
auxiliar o farmacêutico na analise da
aplicabilidade da medicação e da posologia
prescrita, evitando problemas relacionados ao
medicamento devido, tanto pela efetividade
quando pelas doses usadas.
Ainda nesta fase, o farmacêutico avalia a
legibilidade, a data e os aspectos legais da
prescrição tomando-se por base as normas legais
existentes, citando-se o capítulo 6 da lei 5991/73,
das boas práticas de prescrição, das boas práticas
em farmácia descritas na resolução CFF 357/01 e
na portaria 344/98, ainda a RDC 44/09, da
ANVISA.
ADMINISTRAÇÃO DE COMPRAS Organograma
 Função compras: É um segmento essencial 1. Chefe de compras: Subordina-se ao gerente
do departamento de materiais ou suprimentos. de materiais ou suprimentos; estuda e analisa
Tem a finalidade de suprir as necessidades de as solicitações de compras; coordena
materiais ou serviços planeja-los pesquisa de fornecedores e coleta preços;
quantitativamente e satisfaze-las no momento organiza concorrência e estuda os respectivo
certo com as quantidades corretas: resultados; mantém contato com fornecedores;
 Objetivos: solicita testes de qualidade de materiais e
 Manter um fluxo contínuo de suprimentos, a medicamentos; presta assessoria as varias
fim de atender à demanda; seções com informações e soluções técnicas;
 Coordenar o fluxo de maneira que seja controla prazo de entrega e elabora previsão
aplicado um mínimo de investimento, sem periódica de compras.
afetar a operacionalidade da empresa; 2. Acompanhador de compras (Follow-up):
 Comprar materiais e insumos pelos menores acompanha, documenta e fiscalizas as
preços, obedecendo a padrões de quantidade encomendas e observância aos respectivos
definidas. prazos de entregas, informa ao comprador o
 Procurar sempre dentre de uma negociação resultado do acompanhamento e efetua
justa e honesta, as melhores condições para cancelamento, modificações e pequenas
a empresa, sobretudo quanto a condições de compras conforme determinação da chefia.
pensamentos.
Comprar bem é um dos principais meios para a Função de pesquisa
redução dos custos hospitalares. Isso significa A pesquisa é o elemento fundamental da
verificar cuidadosamente preços, prazos e operação de compras cabem a ela as funções a
qualidades do material e do serviço. A seleção de seguir:
fornecedores é considerada ponto chave no 1. Estudo dos materiais: avaliação das
processo de compra. A potencialidade do necessidades da empresa para períodos que
fornecedor deve ser confirmada, assim como suas variam de um a dez anos; tendência a curto e
instalações e seus produtos. É importante longo prazo das ofertas e demandas;
estabelecer critérios para o cadastramento de tendência de preço; melhorias tecnológicas e
fornecedores, assim como são recomentados perspectivas para possíveis substitutos e
visitas periódicas e programadas de auditoria, em desenvolvimentos de padrões e
especial no caso de fornecedores que interferem especificações.
com a qualidade dos serviços prestados pelo 2. Análises econômicas: efeitos do ciclo
hospital. econômicos sobre os materiais comprados;
tendência dos preços gerais; influência das
Princípios variações econômicas sobre fornecedores e
Autoridade para comprar, registro de compra, concorrentes;
registro de preço, registro de estoque e consumo, 3. Análises econômicas: Qualificação dos
registro de fornecedores, arquivos de fornecedores ativos em potencial; estudo das
especificações e arquivos de catálogos. instalações dos fornecedores; avaliação de
Atividade: desempenho e análise da condição financeira;
1. Pesquisa de fornecedores: estudo do 4. Análise do Custo e do preço: Estudo
mercado, estudo dos materiais, analise dos comparativo de materiais similares (análise
custos, investigação das fontes de farmacoeconômico); análise de custo e da
fornecimento, desenvolvimento de fontes de margem de lucro do fornecedor;
materiais alternativos; 5. Análise das embalagens e do transporte:
2. Aquisição: conferencia de requisição, análise efeito da localização dos fornecedores sobre o
das cotações, decisão sobre compras por meio custo; métodos alternativos de despacho; e
de contratos ou no mercado aberto, entrevista sugestões de alteração de embalagens;
com vendedores, negociação de contratos, 6. Análise administrativa:
efetivação das encomendas e de compras, e  Controle de formulário: Análise de
acompanhamento de recebimento de organização e método; simplificação do
materiais; trabalho; uso de processamento eletrônico de
3. Administração: manutenção de estoques dados e elaboração de relatórios
mínimos, transferência de materiais, evitar
excessos e obsolescência de estoques,
padronização de todos os aspectos possíveis.
4. Diversos: estimativa de custo, descarte de
materiais desnecessários, obsoletos ou
excedentes, preservação das relações
comerciais recíprocas.
Qualificação de compradores 1. Mercadorias devem ser entregues no prazo
O profissional responsável pelas compras deve combinado. O não comprimento garante o
apresentar as seguintes características: direito de cancelar o pedido de compra, total
 Ter experiência na área; ter escolaridade de ou parcial, sem prejuízo de nossa parte;
nível superior (desejável) formação em farmácia 2. Todo material deverá estar de acordo com o
ou em administração hospitalar; conhecer as pedido, e sua aceitação está sujeitas à
características de medicamentos e correlatos; aprovação de nossa inspeção. Qualquer
saber ouvir os argumentos apresentados pelos despesa de transporte, em casos de rejeição,
vendedores; estar identificados com a politica e o ficará por conta do fornecedor;
padrão de ética definidos pelo hospital, como, 3. Reservamo-nos o direito de recusar, à custo
exemplo, manutenção de sigilo em negociações do fornecedor, qualquer parcela do material
que envolvam mais de um fornecedor, ser recebido em quantidade superior ao pedido;
dotado de iniciativa e visão de oportunidade de 4. A presente encomenda não poderá ser
novos negócios que vissem à economia das efetuada por preços mais altos do que os
finanças do hospital. estabelecidos;
5. Não será aceitos responsabilidades de
Solicitação de compras pagamento referentes a transportar,
É o documento que autoriza o comprador a embalagens, seguros etc.
executar uma compra. Informa o que se deve 6. Fica entendido que o fornecedor será
comprar, a quantidade, o prazo de entrega, o local considerado responsável por qualquer
de entrega e, em casos especiais, os prováveis obrigação ou ônus decorrente da venda de
fornecedores. qualquer produto que viole leis, decretos ou
direitos de patentes;
Cotação 7. Não assumimos nenhuma responsabilidade
É o registro do preço obtido da oferta de vários por mercadorias cuja entrega não tenham sido
fornecedores em relação ao material cuja compra devidamente autorizada por um pedido de
foi solicitada não deve ter rasuras e deve compras aprovadas.
apresentar o preço, a quantidade e a data do
recebimento na seção de compras. Acompanhamento de compras (Follow-up)
Deve-se manter a cotação sempre à mão para Um comprador deve manter um arquivo para
eventuais consultas e análises de auditoria e, registrar a ``vida´´ do produto, controlando todas
também, para melhor visualização dos dados, a as fases do, processo de compra, as variações de
serem transcritos num mapa, o qual e copia das preço, as modificações das quantidades
cotações recebidas. solicitadas, as entregas recebidas e o
Condições mais usuais oferecidas pelos cumprimento das condições acertadas.
fornecedores por meio de propostas:
 As propostas ficam sujeitas a confirmação; Controle de qualidade e inspeção
 Os preços indicados são liquidas, para São condições importantes para o processo de
entregar na fábrica; compra:
 Em caso de atraso na entrega sem culpa do  Prazo: o setor de compras deve divulgar o
fornecedor, as datas do pagamento tempo preciso para completar, o processo
permanecerão as mesmas. de compras, de modo que se evitem
problemas de abastecimento;
Pedidos de compras  Frete;
É o contrato formal entre a empresa e o  Embalagens;
fornecedor, devendo representar todas as  Condições de pagamentos e descontos,
condições e característica da compra
estabelecida. O pedido de compra aceito pelo Fontes de fornecimento
fornecedor implica o atendimento de todas as Incluem-se entre os fornecedores de um hospital:
condições estipuladas como: laboratórios farmacêuticos, distribuidoras de
 Especificações; medicamentos, fabricantes e distribuidoras de
 Quantidade; correlatos (chamados de cirúrgico).
 Frequência de entregas; Os fornecedores podem ser selecionados e
 Prazos; avaliados quanto aos seguintes aspectos:
 Preço;  Preço;
 Local e horário de entrega.  Qualidade;
No pedido de compras de hospitais, é comum  Condições de pagamento;
constarem as condições da compra, como a  Condições de embalagem e transporte;
seguir:  Cumprimento dos prazos de entrega
estabelecidos;
 Manutenção dos padrões de qualidade
estabelecida;
 Politicas de preços determinados;
 Assistência técnica;
 Atendimento;
 Programa de qualidade.
E importante acentuar que a seleção além de
obedecer a uma mistura desses critérios, deve
seguir os preceitos legais, possíveis de alteração
por lei, portaria ministeriais, resoluções e outros
dispositivos legais que regulamentam o comércio
farmacêutico e correlato.
MANIPULAÇÃO
Os processos de manipulação devem ser feitos
por mão de obra especializada e acompanhada de
perto pelo farmacêutico responsável. Questões a
serem consideradas antes da manipulação de
uma prescrição:
 Racionalidade da prescrição: ingrediente,
intenção de uso, dose e modo de
administração;
 Propriedade físico-química, medicinal e uso
farmacêutico das substâncias prescritas;
 Absorção e via de administração adequada:
preparação do produto manipulado de acordo
com o proposito da prescrição;
 Excipiente adequado: risco de alergia,
irritação, toxicidade ou resposta organoléptica
indesejável do paciente;
 pH: ideal para maior estabilidade ou
adequação ao uso;
 Ingredientes da formulação: identidade
adequada do manipulador (cálculos
matemáticos, controle de qualidade: peso
médio, pH, observação visual);
 Equipamentos e ingredientes disponíveis: e
em quantidade suficiente;
 Referencias bibliográfica: uso, preparação,
estabilidade, administração e embalagem do
produto;
 Validade: projeção razoável e racional da
validade do produto;
 Quantidade dispensada: equivalente ao
prazo de validade do produto;
 Correto armazenamento do produto por parte
do paciente.
CÁLCULOS DE CONCENTRAÇÕES
Densidade
Densidade (d) é massa por unidade de volume
de uma substância. A densidade é normalmente
expressa como por centímetro cúbico (g/cc).
Como o grama é definido como a massa de 1cc
de água a 4ºC, a densidade da água é d 1g/cc.
Para nossos propósitos, é considerado que 1ml
pode ser usado como equivalente. A 1cc,a
densidade da água pode ser expressa como
1g/ml. Por outro lado, um mililitro de mercúrio
pesa 13,6g. Consequentemente, sua densidade
é de 13,6/ml. A densidade pode ser calculada
dividindo-se a massa elo volume.
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎
 Densidade = 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒
Assim, se 1ml de ácido sulfúrico pesam 18g,
sua densidade é:
18(𝑔)
 Densidade = 10𝑚𝑙 = 1,8g/ml.
RAZÃO DE CONCENTRAÇÃO (RC) Para alcançar uma RC para uma porcentagem, é
As concentrações de preparações farmacêuticas conveniente converter os dois últimos zeros da
muito diluídas (soluções peso-volume) razão para o sinal (%), alterar o valor
frequentemente são expressa em função de suas remanescente para uma fração comum, então,
RC. A RC constitui outra forma de expressar a expressar a fração decimal em porcentagem.
porcentagem da concentração.  1:100= 1/1% = 1%;
 1:200= ½ % = 0,5%;
 Uma solução 1% (p/V) é uma RC 1:100 (p/V) são  3:500= 3/5% = 0,6%;
equivalentes.  1:2.500= 1/25% = 0,04%;
 1:10.000= 1/100% = 0,01%.
A forma mais adequada de expressar a RC é
Os problemas abaixo demonstram o cálculo da
atribuir 1, para o valor numérico do soluto.
RC de uma solução ou preparação líquida,
Podemos fazer isso quando calculamos a RC
quando o peso do soluto ou do componente é
estabelecendo-se uma proporção a partir dos
dado num volume especifico de solução ou
dados:
preparação líquida.
1𝑔 𝐱𝑔
=  Uma solução injetável contém 2mg de fármacos por ml
10000𝑚𝑙 100 𝑚𝑙 de solução qual é a RC (p/V) da solução.
2mg=0.002g
O x resulta em porcentagem: 0,002𝑔 1𝑚𝑙
=𝑥 (𝑚𝑙) = 500ml
Resolvendo por proporção: 1𝑔
RC = 1:500.
1𝑔 𝐱𝑔
=  Qual é a RC (p/V) de um solução preparada por meio da
10000𝑚𝑙 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡. 𝑚𝑙
dissolução de 5 comprimidos, cada um contendo de 2,25g
de cloreto de sódio, em água suficiente para preparar
X = g em ml dado. 1800ml?
2,25g x 5=11,25g de cloreto de sódio.
As concentrações de soluções muito diluídas são 11,25𝑔 1800𝑚𝑙
= 𝑥 𝑚𝑙 =160ml.
expressas com base na RC. Como as 1𝑔
porcentagens de soluções ou preparações RC = 1:160.
líquidas. Por exemplo, 5% significa 5 partes por
100 ou usar o número inteiro 1 precedendo os Ao resolver problemas nos quais os cálculos são
dois pontos : assim, 5:100 = 1:20. Por exemplo, baseados na RC, algumas vezes é conveniente
transformar a RC na correspondente
quando uma RC 1:1000 e usada para designar
porcentagem.
uma concentração, ela é interpretada da seguinte  Quantos gramas de permanganato de potássio
forma: deveriam ser usados para preparar 500ml de uma
 Sólido em líquidos = 1g de soluto em 1000ml solução de 1:2500?
de solução ou preparação líquida;
 Líquidos em líquidos = 1ml do componente 1:2500 = 0,04%
em 1000ml e solução ou preparação liquida 500g x 0,0004 = 0,2g
 Sólidos em sólidos = 1g de componentes em
1000g de mistura. Ou
As razões e PC de qualquer solução ou mistura
de sólidos são proporcionais, podendo ser 1:2500 significa 1g em 2500ml de solução
facilmente convertidos uma nas outras pelo uso de
proposição. 2500ml= 1g
 Cálculo de RC: 500ml = xg x = 0,2g
 Expresse 0,02% como uma RC;
0,02% 1 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒  Quantos mg de violeta genciana seria preciso para
=
100% 𝑥 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠
= 1:5000 preparar a seguinte solução?
Solução de violeta genciana: 500ml
RC = 1:5000. 1:10000
Posologia: usar externamente, conforme indicado.
 Expresse 1:4000 como uma PC:
4000 (𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠) 100% 1:10000 0,01%
1 (𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒)
= 𝑥 % = 0,0025% =0,0001 = 0,05g ou 50mg.
500𝑔
PC= 0,0025%.
Ou
10000𝑚𝑙 1𝑔
500𝑚𝑙
=𝑥𝑔 = 0,050g ou 50mg.
 Quantos mg de hexaclorofeno deveriam ser usados para Dependendo das formas físicas dos traços de
manipular a seguinte prescrição? substâncias e do produto final, uma concentração
Hexaclorofeno: 1:400 .
Pomada hidrofílica QSP: 10g . expressam em ppm ou ppb pode, teoricamente,
Posologia: aplique: ser calculada com base no p/V, volume-volume
(v/v) ou peso-peso (p/p). Em termos práticos, as
1:400 = 0,25% unidades de soluto e da solução são geralmente
10g x 0,0025 = 0,025g ou 25mg. consideradas iguais.

Ou  Expresse 5 ppm de ferro na água em PC e RC.


5 ppm = 5 partes em 1000000 de partes.
= 1:200000 RC;
1:400 significa 1g por 400g de pomada. = 0,005% PC
400𝑔 1𝑔
= x=0,025g ou 25mg.  A concentração de um aditivo numa ração animal é de
10𝑔 𝑥 (𝑔)
12,5 ppm. Quantas mg da substância deveriam ser
usadas para preparar 5,2kg de ração?
Conversão simples de concentrações para 12,5 ppm = 12,5g (substância) em 1kg ou 1000g de
mg/ml: Em algumas situações os farmacêuticos (ração).
1000𝑔 5,200𝑔
precisam converter rapidamente concentrações de =
12,5𝑔 𝑥𝑔
produtos expressas como porcentagem de X=0,065g = 65mg.
concentração, RC ou g/l para mg/ml.
 Para converter a PC de um produto para mg/ml,
multiplique a PC, expressa como um número inteiro, por
10.
4 x 10 = 40mg/ml.

 Para converter a RC de um produto para mg/m, divida a


RC por 1000.
1:10000 (p/V) para mg/ml.
10000 ÷ 1000 = 1mg/10ml.

 Para converter as concentração de um produto


expressa em g/l para mg/ml, converta o numerador para
mg e divida-o pelo número de ml do denominador.
Converta a concentração de um produto de 1g/250ml
para mg/ml.
1000 ÷ 250 = 4mg/ml.

Miligramas por cento (mg%)


O termo mg% expressa o número de mg da
substância por 100ml de líquido. Ele é usado para
indicar a concentração de um fármaco ou
substancia natural num fluido biológico, como o
sangue. Dessa forma, a afirmação de que a
concentração de nitrogênio não-proteico no
sangue é de 30mg%, significa que cada 100ml de
sangue contem 30mg de nitrogênio não-proteico.

Partes por milhão (ppm) e partes por bilhão


(ppb)
As concentrações de solutos muito diluídas são
geralmente expressas em ppm, ou seja, o número
de um agente por 1 milhão ou 1 bilhão de partes
do total.

 A quantidade de flúor na água potável, usada para


reduzir as cáries, frequentemente é de 1 parte de flúor
por 1 milhão de partes de água (1:1000000).

O conteúdo expresso em partes por milhão ou


partes por bilhão também pode ser usado para
descrever a quantidade de traços de impureza em
amostras e de elementos em amostras biológicas.
CONTROLE DE QUALIDADE (CQ) Gestão da qualidade
Ao estudarmos o CQ nos deparamos com uma É o conjunto de atividades gerenciais que
disciplina que retém conceitos teóricos e determinam a politica da qualidade, seus objetivos
aplicações de varias áreas da ciência e responsabilidades implementos por meio do
farmacêutica, como química analítica, química planejamento, garantia controle e melhoria
orgânica, microbiologia, bioquímica e deontologia. contínua da qualidade. Gerenciamento da
O termo CQ aplicada a medicamentos, cosmético qualidade é o aspecto da função que determina e
e correlato é um atributo que vai além da esfera implementa a politica de medicamentos ou seja,
comercial da competitividade agregando valores as intenções, e direções globais relativas à
jurídicos, éticos e até culturais. qualidade formalmente expressa e autorizada pela
Devemos considerar a legislação referente ao administração superior da empresa. Na
CQ dos medicamentos, cosméticos e correlatos. fabricação, no fornecimento de medicamento, o
Várias resoluções e guias da ANVISA têm sido termo gestão de qualidade é um instrumento
publicas e outras revogadas. É importante lembrar fiscalizador e normadizador, servindo de
que as resoluções são documentos com poder de gerenciamento para uma infraestrutura apropriada
lei devem ser obedecidos, e guias são ou sistema de qualidade, englobando a estrutura
documentos que sugerem uma linha a ser organizacional, os procedimentos, os processos e
seguida, interpretado e até adaptada. os recursos.
Conjunto de atributos que se deseja para um  Ferramentas de gestão da qualidade: A
determinado produto. A satisfação das qualidade total é uma filosofia de gestão
expectativas do cliente e o cumprimento de baseada na satisfação dos clientes internos e
aspectos técnicos e de performance legalmente externos envolvidos na empresa, ou seja, é um
exigidos são dois fatores determinantes para o meio para atingir os objetivos e resultados
conceito. desejados, e como tal, faz uso de um conjunto
A evolução dos mecanismos de CQ passou por de técnicas e ferramentas integradas ao
três fazes históricas: modelo de gestão. Considerando a qualidade
 Era da inspeção; total, um sistema de qualidade eficiente deve
 Era do controle estatístico; conter com a efetiva de todos os envolvidos no
 Era da qualidade total. processo produtivo.
A GQ baseia-se nos princípios da qualidade total,  PDCA/SDCA: O ciclo foi muito difundido nas
sendo necessário o controle de toda a cadeia áreas de engenharia industrial. Trata-se de
produtiva, deste a qualidade dos fornecedores até um método simples para organizar e
os SERVIÇOS DE ATENDIMENTO AO sequenciar a busca por soluções de
CONSUMIDOR (SAC), que a partir da lei de problemas e melhorias de processos.
defesa do consumidor 878/90 tornaram-se  Plano: Primeiramente devemos fazer um
obrigatórios. plano onde deverão ser investigadas as
causas e consequências dos problemas.
Garantia da qualidade (GQ) Após o levantamento feito em cada área
É uma estratégia de diferenciação e de levantando os principais pontos
sobrevivência. Garantir a qualidade é primar pela relacionados abaixo, é elaborado um plano
prevenção de defeitos, evitando qualquer para que o problema deixe de acontecer ou
retrabalho. Deste modo, a manutenção e a que pelo menos se possa isolar o problema.
melhoria continuada qualidade permeia a redução  Problema: por que está acontecendo o
de custo, que por sua vez, é essencial num problema? Que são enfrentados pela
mercado muito competitivo, enfim, a GQ é um empresa e alguma área;
conjunto de ações sistematizadas necessárias e  Causas: por que está acontecendo e
suficientes para promover a confiança em que os problema? Tem a ver com material,
requisitos da qualidade de um produto ou serviços métodos, mão de obra, máquina, medida?
sejam atendidos. Para a GQ, essas ações devem Tem origem em outras áreas? Quais?
estar harmoniosamente correlacionadas e serem  Consequências: o que irá acontecer se o
geridos como um todo, originando o que problema não for resolvido? Vai influir em
conhecemos por gestão da qualidade. outras áreas ou clientes? Quais?
 Soluções possíveis: quais são as soluções
possíveis para a resolução do problema? A
obtenção do maior número de informação
depende de amigos, funcionários etc. após a
sugestão deve ser feita uma análise
criteriosa sobre todas as alternativas.
 Tempo estimado para a resolução do
problema: defina um temo certo para
resolve-lo;
O ciclo da PDCA possuía quatro letras que  Seis sigmas: Visa detectar e eliminar as
representam as seguintes palavras em inglês: causas dos erros ou falhas ocorridas durante
 P=Plan (plano): Consiste nas etapas acima; os processos, focalizando resultados
 D=Do (fazer): É o estagio de implementação relevantes aos clientes. É uma metodologia
do plano, onde é determinado o que fazer e inovadora centrada na eliminação dos
quem irá fazer e quando deverá agir. defeitos de processos dentro de uma
 C=Check (verificar): É o estágio onde as organização e quem o objetiva de
pessoas envolvidas para resolução do proporcionar aos seus clientes um
problema ou melhoria do método atuarão para serviço/produto, próximo da perfeição. O
saber se as medidas tomadas para eliminação termo 6 sigmas, representa a variação
do problema ainda estão sendo tomadas. mínima desejada no decorrer dos processos
 A=Action (ação): É o momento em que, que têm impacto sobre o cliente. Entende-se
percebendo que o problema (falha) voltou, assim que, ao reduzir a probabilidade de
tomam-se as medidas necessárias para folhas e defeitos é otimizada a relação com o
correção. cliente e consequentemente performance da
O ciclo da PDCA é sequencial, ou seja, cada vez empresa em termos operacionais e
que e chega à letra A, começa tudo de novo, na financeiros. Em termos práticos, as
letra P. organizações que desenvolvem sistema 6
Sempre que completamos um ciclo considera-se sigma na sua estrutura, tem como meta
que alguma melhoria no processo aconteceu. atingir 3,4 defeitos por cada milhão de
Portanto, toda vez que se roda o ciclo PCDA, oportunidades, assumindo-se uma
algum novo problema será descoberto e o oportunidade como todos os momentos em
processo (empresa) encontrará um novo nível de que uma empresa falhar durante um
excelência. processo. A aplicação desta metodologia
 Programa 5´S: A ferramenta 5´s não é apenas assenta na implementação de um sistema
um programa, mas uma filosofia de vida. Com o baseado na mensuração e monitoria de
objetivo de tornar o ambiente de trabalho mais processos, para que os desvios a
agradável e seguro, algumas empresas vem normalização, sejam evitados ao máximo, por
aplicando os princípios japoneses do 5´S. este mais que as consequências nefastas que dai
trabalho é considerado a base para se atingira possa advir sejam igualmente evitadas. A
qualidade total mediante treinamento e aplicação da metodologia passa pelas
conscientização. Os colaboradores são seguintes fases:
incentivados a implementarem ações de  Definição: Identificação de problemas e
melhorias para cada um dos princípios do 5´S. processos;
1. SEIRI = Organização e senso de uso;  Medição: Caracterização atual e desejada
2. SETON = Arrumação e ordenação; do processo;
3. SEISON = Limpeza;  Análise: Estudo do impacto de cada
4. SEIKETSO = Padronização; variável sobre o processo;
5. SHITSUKE = Disciplina.  Melhoria: Realização de experiência
Através do 5´S os colaboradores são envolvidos através de modelos matemáticos;
na melhorias de tudo o que os rodeia e rodeia  Controle: Acompanhamento do processo
seu trabalho, são convidados a usar sua de melhoria.
criatividade e dar soluções pessoais e em grupo, Trata-se de uma metodologia que atravessa
para pequenas melhorias localizadas. Com isso, toda a empresa e requerem responsáveis cuja
as pessoas começam a se sentir autorizadas a responsabilidade passe unicamente pelo
gerar mudanças, a gostar de realizar mudanças, desenvolvimento de melhorias contínuas.
e a tomar gosto por esta participação em
melhorias que as afetam diretamente.
O 5´S assim como qualquer outro sistema de
gestão participativo o segredo do sucesso na
implantação está ligada ao fato de as mudanças
serem feitas por todos os envolvidos (desde o
diretor até o faxineiro), criando assim um senso
de responsabilidade, que nos primeiros 4´S é
moldado, e a disciplina é apenas a
consequência do gosto de participar em
decisões, por isso, todo cuidado é pouco,
devemos incentivar mas nunca impor, sob o risco
de não alcançar os objetivos.
FARMACOLOGIA DO SNC Além disso, neurônios colinérgicos inervam os
O conhecimento hoje adquirido, sobre a estrutura músculos no sistema somático SS e também
da sinapse, demonstra que ela pode explicar as desempenha função importante no SNC.
ações de praticamente todas as drogas que agem  Neurotransmissão: Envolve 6 etapas
no SNC e no SNA, com exceção, dos AL´s que sequenciais:
bloqueiam a condução axonal de forma seletiva. 1. Síntese de ACh: A colina vai para o LEC
Podemos classificar a ação das drogas em para o citoplasma do neurônio colinérgico por
colinérgicas e adrenérgicas através das várias um sistema carregador dependente de
etapas em que elas atuam no ciclo dos energia que o transporta sódio e pode ser
neurotransmissores. No nível dos inibido por hemicolinio. A captação da colina
neurotransmissores, podem exercer sua atividade é o passo limitante da síntese de Ach. A
nos seguintes pontos: colina-acetiltransferase catalisa a reação da
 Interferindo na síntese do neurotransmissor; colina com a acetilcoenzima-A (CoA) para
 Competindo com a via metabólica pertencente formar Ach (um éster) no citosol. A acetil-CoA
à síntese do neurotransmissor; é originada da mitocôndria e é produzida pela
 Bloqueando o sistema de transporte da oxidação de piruvato e de ácidos graxos.
membrana axonal; 2. Armazenamento: A Ach é empacotada em
 Bloqueando o sistema de transporte da vesícula pré-sináptica por um processo de
membrana das vesículas pré-sinápticas; transporte ativo acoplado ao fluxo de prótons.
 Estimulando a liberação dos A vesícula contém também ATP e
neurotransmissores das suas vesículas de proteoglicano. A cotransmissão nos
estocagem; neurônios autônomos é uma regra, não a
 Evitando a liberação dos neurotransmissores; exceção. Significa que a maioria das
 Imitando a ação dos neurotransmissores pela vesículas contém o neurotransmissor primário
ação agonista nos receptores pós e pré- (a Ach), e o cotransmissor que aumenta ou
sinápticos; diminui o efeito de neurotransmissor primário.
Os neurotransmissores em vesículas são
 Bloqueando a ação dos neurotransmissores ao
chamados varicosidades.
nível dos receptores pós-sinápticos ou pré-
3. Liberação: Um potencial de ação, propagado
sinápticos, por competição farmacológica;
por canais de sódio voltagem-dependentes,
 Inibindo as enzimas que inativam os
chega ao terminal nervoso, abrem-se canais
neurotransmissores.
de cálcio voltagem-dependente de cálcio
intracelular. Níveis altos de cálcio promovem
SNA
a fusão das vesículas sinápticas com a
O SNA junto com o sistema endócrino coordena a
membrana celular e a liberação de seu
regulação e a integração das funções corporais. O
conteúdo no espaço sináptico. A toxina
sistema endócrino envia sinais aos tecidos-alvos,
botulínica pode inibir essa liberação.
variando os níveis de hormônios na corrente
4. Ligação da Ach ao receptor: A Ach liberada
sanguínea.
das vesículas sinápticas difunde-se através
O SN exerce a sua influência pela rápida
do espaço e se liga a um dos dois receptores
transmissão de impulsos elétricos nas fibras
pós-sináptico na célula-alvo, ao receptor pré-
nervosas, ha liberação de substâncias
sináptico na membrana do neurônio que
neurotransmissoras. Fármacos que produzem seu
liberou a ACh a outros receptores alvos pré-
efeito terapêutico primário, mimetizando ou
sinápticos. Os receptores pós-sinápticos
alterando as funções do SNA, são chamados
colinérgicos na superfície dos órgãos efetores
fármacos autonômicos. Esses fármacos
são divididos em duas classes.
autonômicos atuam estimulando porções do SNA
 Os RECEPTORES NICOTÍNICOS são
ou bloqueando as ações dos nervos autônomos.
ionotrópicos, são canais iônicos de Na/K
Os fármacos que afetam o SNA são divididos em
ativados pela Ach.
dois grupos, de acordo com o tipo de neurônio
envolvido no seu mecanismo de ação. Os  Os RECEPTORES MUSCARÍNICOS são
fármacos colinérgicos atuam em receptores que metabotrópicos em que o efeito final é
são estimulados pela Noe e Epi. Os fármacos dependente de segundos mensageiros.
colinérgicos e adrenérgicos atuam estimulando ou A ligação ao receptor leva a uma resposta
bloqueando receptores do SNA. fisiológica no interior da célula, como o inicio
de um impulso nervoso na fibra pós-
 Neurônio colinérgico: A fibra pré-ganglionar
ganglionar ou a ativação de enzimas
que termina na suprarrenal, o gânglio
específicas nas células efetora mediadas por
autônomo e as fibras pós-ganglionares da
moléculas segundo mensageiras.
divisão parassimpática usam Ach como
neurotransmissor. A divisão pós-ganglionar
simpática das glândulas sudoríparas também
usa ACh.
5. Degradação do neurotransmissor na fenda
sináptica: O sinal no local efetor pós-juncional
termina rápido devido à hidrólise da Ach pela
AChE formando colina e acetato na fenda
sináptica.
6. Reciclagem de colina e acetato: A colina
pode ser recortada pelo sistema de transporte
de alta afinidade, acoplado ao sódio, que a
leva de volta para o interior do neurônio, onde
ela é acetilada a ACh e armazenado até ser
liberada por um potencial de ação
subsequente.

Figura 10: Via de síntese, armazenamento, liberação e


degradação de Ach e agentes farmacológicos que atuam
sobre essas vias. (1) neurônio colinérgico; (2) fenda
sináptica; (3) célula pós-sináptica. (a) vesamicol; (b)
hemicolina; (c) toxina botulínica; (d) SMLE (auto-anticorpo);
(e) inibidores da Ache.

SNC
A maioria dos fármacos que atuam no SNC altera
alguma etapa do processo de neurotransmissão.
Podem atuar pré-sinapticamente influenciando a
produção, o armazenamento, a liberação ou o
término da ação dos neurotransmissores. Outros
fármacos podem ativar ou bloquear os receptores
pós-sinápticos.
PSICOTRÓPICOS  Farmacocinética: A taxa de absorção oral dos
Deste 1950 os medicamentos usados para tratar hipnótico-sedativos difere, dependendo de
transtornos psiquiátricos figuram entre a classe de fatores, incluindo lipofilicidade. Todos os
medicamentos mais prescritos. A eficácia do hipnóticos-sedativos atravessam a barreira
psicoativo é apenas parcialmente previsível e placentária durante a gravidez. Se forem
depende das propriedades e da biologia do administradas durante o período pré-parto,
paciente. podem contribuir para a depressão das
 Reações e efeitos adversos: Geralmente, os funções vitais do recém-nascido.
medicamentos psicotrópicos são seguros,  Reações adversas: As reações adversas
sobretudo em curta duração. mais comuns são: sonolência, letargia e
 Precauções: Antes de usar um medicamento, ressaca. Coma e até morte, causadas pela
é importante estar preparado para lidar de depressão dos centros medulares vitais do
forma segura com qualquer dos efeitos cérebro, resultam da superdose. O uso
adversos. prolongado, mesmo em doses terapêuticas,
 Efeitos adversos: É um risco inevitável do pode causar dependência física e psíquica. A
tratamento medicamento. Embora seja retirada abrupta desses fármacos pode
impossível ter um conhecimento de todos os resultar em síndrome de abstinência,
efeitos adversos do medicamento, os clínicos caracterizada por convulsões e delírio,
prescrevem por estar familiarizados com os podendo ocorrer come e também morte. a
mais comuns, bem como com as intoxicação é tratada por indução ao vômito, se
consequências médicas mais graves. possível, se não, por lavagem estomacal e
 Efeitos colaterais: Podem ser explicados por manutenção da respiração e circulação
suas interações com vários sistemas de adequada.
neurotransmissores, tanto no cérebro quanto
em regiões periféricas. Os medicamentos Ansiolítico
psicotrópicos mais antigos, por exemplo, A ansiedade é um estado desagradável de
produzem efeitos anticolinérgicos ou se ligam tensão, apreensão e inquietação, um medo de
a receptores dopaminérgicos, histaminérgicos origem às vezes desconhecida. Os sintomas
e adrenérgicos. Os agentes mais novos físicos da ansiedade são similares aos do medo e
costumam ter uma atividade mais especifica envolvem a ativação simpática. Os sintomas da
sobre os neurotransmissores ou uma ansiedade intensa crônica e debilitante podem ser
combinação de efeitos que os torna mais bem tratados com fármacos ansiolíticos ou com alguma
toleradas que os agentes mais antigos. forma de tratamento comportamental ou psíquica,
como muito dos fármacos ansiolíticos causam
Hipnóticos e sedativos alguma sedação, eles, com frequência funcionam
Um fármaco hipnótico-sedativo indica que ele tanto como ansiolíticos quanto hipnóticos, além
tem a capacidade de produzir sedação ou de disso, alguns têm atividades anticonvulsivantes.
incentivar o sono. Para um fármaco sedativo Os fármacos ansiolíticos são usados no
(ansiolítico) ser efetivo ele precisa exercer um tratamento dos sintomas da ansiedade, e os
efeito calmante. Um fármaco hipnótico deve fármacos hipnóticos são usados no tratamento da
produzir sonolência e estimular o início e a insônia. Apesar dos objetivos clínicos serem
manutenção de um estado de sono. Os efeitos diferentes, as mesmas drogas são frequentemente
hipnóticos envolvem uma depressão mais usadas para ambas as finalidades, variando-se
pronunciada do SNC. somente a dose para cada fim.
Os hipnóticos e os sedativos produzem sedação
e incentivam o sono. Para ser efetivo um fármaco
sedativo deve reduzir a ansiedade e exercerem
efeitos calmantes. Um hipnótico deve causar
sonolência e estimular o início do estado do sono.
Agentes dessa classe, como os
benzoadizepinas, são usados para produzir
sedação e amnésia antes ou no decorrer de
procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos, outros
como os barbitúricos, são usados em altas doses
para induzir ou manter a anestesia cirúrgica.
Benzodiazepínicos  Efeitos colaterais durante o uso
São fármacos mais usados como ansiolíticos e terapêutico: os efeitos colaterais principais
hipnóticos, não exercem efeitos antidepressivos. são sonolência, confusão, amnésia e
Eles substituíram os barbitúricos e o meprobamato comprometimento da coordenação, o que
no tratamento de ansiedade por serem fármacos afeta consideravelmente as habilidades
mais seguros e eficazes. manuais, como o desempenho ao volante.
Os benzodiazepínicos atuam seletivamente nos Intensificam os efeitos depressores de outros
receptores GABAa que medeiam a transmissão fármacos, incluindo o álcool, num modo mais
sináptica inibitória em todo o SNC. Os somatório.
benzodiazepínicos intensificam a resposta GABA  Tolerância e dependência: ocorre tolerância
facilitando a abertura de canais de cloreto ativado com todos os benzodiazepínicos, assim como
pelo GABA. Eles se ligam especificamente a um dependência, que é seu principal
sítio regulatório do receptor, e atuam inconveniente. Eles produzem dependência
alostericamente, aumentando a afinidade do em indivíduos normais e em pacientes,
GABA pelo receptor. Os benzodiazepínicos não suspender abruptamente o tratamento com
afetam os receptores para outros aminoácidos. benzodiazepínicos depois de semanas ou
O Diazepam e o Alprazolam são usados para meses causa aumento dos sintomas de
aliviar a ansiedade, depressão e à esquizofrenia. ansiedade, juntamente com tremores, tonturas,
Pelo possível desenvolvimento de tolerância. O perdas de peso e sono perturbado devido ao
uso dos benzodiazepínicos deve ser intermitente. aprofundamento do sono REM. Com o
Para o tratamento da insônia é usado diazepam, os sintomas da retirada podem
benzodiazepínico como Estazolam, o demorar até 3 semanas para se tornarem
Flurazepam, o Quazepam, o Temazepam, o aparentes. O triazolam, um fármaco de ação
Triazolam, e o Zolpidem. Podem ser muito curta e que já não é usado, o efeito da
administrados por via oral, transmucosa, retirada ocorria em algumas horas, mesmo
intravenosas e intramusculares. Eles facilitam o depois de uma dose única, produzindo insônia
início do sono e aumentam a duração global do no inicio da manhã e ansiedade durante o dia,
sono. O flurazepam é de duração longa, que quando fármaco era usado como hipnótico. Os
facilitam o início e a manutenção do sono e sintomas de abstinência física e psicológica
aumenta sua duração. O Triazolam é de início tornam difícil para os pacientes deixar de
rápido, que diminui o tempo necessário para o tomar benzodiazepínicos, mas o desejo
sono. O Clonazepam é usado para efeito compulsivo, que ocorre com muitos fármacos
antiepilético, porque os efeitos anticonvulsivantes de abuso, não é o principal problema.
não são acompanhados de comprometimento
psicomotor.
O uso crônico de benzodiazepínicos induz o
desenvolvimento de tolerância, que se manifesta
na forma de uma redução na eficácia dos
benzodiazepínicos.
Os benzoadizepinas são usados como
ansiolíticos, sedativos, antiepiléticos, relaxante
muscular, bem como para a ansiedade associada
a alguma forma de depressão e esquizofrenia. Os
benzoadizepinas facilitam o inicio do sono e
também aumentam a duração global do sono.
 Efeitos adversos: Podem ser divididos em:
efeitos tóxicos decorrentes da superdosagem
aguda; efeitos adversos que ocorrem durante
o uso terapêutico normal; tolerância e
dependência.
 Toxidade aguda: A super dosagem aguda
são consideravelmente menos perigosa que
outros ansiolíticos/hipnóticos na
superdosagem causam soo prolongado sem
depressão grave da respiração ou da função
cardiovascular. No entanto, na presença de
outros depressores do SNC, particularmente
o álcool, eles pode causar depressão
respiratória grave ou até que ameaça a vida.
.
Barbitúricos AGENTES ANTIDEPRESSIVOS
Afetam várias áreas do SNC, incluindo a medula Os antidepressivos são drogas capazes de
espinal, o tronco encefálico e o cérebro. Todos os elevar o humor. Acredita-se que a depressão é
barbitúricos exercem atividades depressoras causada por déficit funcional dos transmissores
sobre o SNC, produzindo efeitos parecidos aos das monoaminas (noradrenalina (NE)/ serotonina
dos anestésicos de inalação. Causam morte por (5HT)) e certos locais do cérebro, ao passo que a
depressão respiratória e cardiovascular se forem mania resulta de um excesso funcional. O
administrados em grandes doses. Os barbitúricos aumento de neurotransmissores na fenda
mais usados são os que exibem propriedades sináptica se dá através do bloqueio da recaptação
especificas, como o fenobarbital, usado por sua da NE e da 5HT no neurônio pré-sináptico ou
atividade anticonvulsivante, e o tiopental, ainda, através da inibição da monoamina oxidase
amplamente usado como anestésico intravenoso (MAO) que é a enzima responsável pela
ele assim como o benzodiazepínicos inativação destes neurotransmissores. Será nos
potencializam a ação da GABA. sistemas noradrenérgico e serotoninérgico
 Efeitos adversos: além do risco de sistema límbico local de ação das drogas
superdosagem perigosa, as principais antidepressivas usados na terapia dos transtornos
desvantagens dos barbitúricos residem no fato da afetividade. Foram classificados em dois
de que induzem um alto grau de tolerância e grupos os: Tricíclicos e Inibidores da
de dependência, e induzem à síntese do monoamina oxidase.
citocromo P-450 hepático e das enzimas de
conjugação. Aumentam a velocidade de Inibidores da MAO
degradação metabólica de muitas outras Os primeiros IMAO a serem usados no
drogas dando origens a varias interações tratamento da depressão foram derivados da
farmacológicas potencialmente incomodas. hidrazina, substância altamente hepatotóxica.
 Tolerância: consiste numa diminuição da Os IMAO são bem absorvidos por VO. Sua
responsabilidade a determinada droga após distribuição no organismo de acordo com a
exposição repetida, constitui uma localização da MAO, bem como a composição
característica comum dos lipídica dissular, o que explica as concentrações
sedativos/hipnóticos. A tolerância ocorre pelo mais altas no fígado, coração e cérebro.
metabolismo da droga no caso dos A principal via de degradação da 5HT é mediada
barbitúricos, e devido a infra-regulação dos pela MAO. O principal efeito dos IMAO consiste
receptores de benzodiazepínicos no cérebro. em aumentar as concentrações citoplasmáticas
 Dependência: pode ser descrida como um das monoaminas (5HT, NE e Dop) nas
estado fisiológico alterado que exige a terminações nervosas, sem afetar as reservas
administração contínua da droga para impedir vesiculares que formam o reservatório passível de
o aparecimento de uma síndrome de liberação com a estimulação nervosa. Empessoas
abstinência. No caso dos sedativos/hipnóticos sadias, os IMAO causam aumento imediato da
essa síndrome caracteriza-se por estado de atividade motora, e verifica-se o aparecimento de
maior ansiedade, insônia e excitabilidade do euforia e de excitação no decorrer de poucos dias.
SNC, que podem progredir para convulsões. A ação desses medicamentos é de longa duração
Os sedativos/hipnóticos são em sua maioria (semanas), em virtude da inibição irreversível da
capazes de produzir dependência fisiológica MAO.
quando usado de modo crônico. Os principais efeitos colaterais são a hipotensão
postural (bloqueio simpático), efeitos parecidos ao
da atropina, aumento do peso corporal,
estimulação do SNC, causando inquietação,
insônia, lesão hepática (rara). A superdosagem
aguda causa estimulação do SNC, e algumas
convulsões.

Figura 11: local de ação dos fármacos antidepressivos.


(a) IMAO. Os IMAO inibem a enzima mitocondrial, a MAO.
Aumentando as monoaminas citosólicas levando a um
aumento da captação vesicular de neurotransmissores e
a um aumento de sua liberação durante a exocitose.
Inibidores da recaptação Os inibidores seletivos da recaptação de 5HT
Os fármacos desse tipo incluem a fluoxetina, aumentam o tônus serotoninérgico, não apenas no
paroxetina, citalopram, escitalopram sertralina, cérebro, mas em todo, o corpo. O aumento
são os mais prescritos. Apresenta seletividade em serotoninérgico no SGI: diarreias e outros
relação á captura da 5HT sobre a NE, são menos sintomas gastrointestinais. O aumento dos tônus
propensos a causar efeitos adversos colinérgicos serotoninérgicos em nível da medula espinal e
que os ADT´s apresentam menos risco de super acima está associado a uma diminuição da função
dosagem. Esses fármacos aliviam os sintomas de e interesse sexuais. Também podemos incluir
uma variedade de transtorno psiquiátricos como efeitos colaterais o aumento da cefaleia e
comuns, incluindo depressão, ansiedade e insônia ou hiper-insônia. A sertralina está
transtorno obsessivo compulsivo. São usados três associada com diarreia, enquanto a paroxetina
classes de inibidores da recaptação: está associada com constipação.
Efeitos adversos: aumento agudo da atividade
Antidepressivos tricíclicos (ADT´s) sináptica serotoninérgica, alterações mais lentas
Inibem a recaptação da 5HT e NE da fenda em várias vias de sinalização e atividade
sináptica através do bloqueio dos transportadores neutrófica.
de recaptação da 5HT e da NE, respectivamente.
Os ADT´s com aminas secundárias afetam o
sistema da 5HT. É sugerido que a melhora dos
sintomas emocionais reflete uma potencialização
da transmissão medida pela 5HT, e o alivio dos
sintomas biológicos resultada da facilitação da
transmissão noradrenérgica.
Efeitos adversos: Em indivíduos não
depressivos, os ADT´s causam sedação, confusão
e falta de coordenação motora. Esses efeitos
ocorrem também nos pacientes cm depressão nos Figura 12: local e mecanismo de ação dos fármacos
primeiros dias de tratamento, as tendem a ir antidepressivos. (a) inibidores seletivos da recaptação de
serotonina (ISRS), inibem especificamente a recaptação da 5HT
desaparecendo em 1 a 2 semanas, quando se mediada pelos transportadores de 5HT (SERT) resultando em
desenvolve o efeito antidepressivo. Os efeitos níveis altos de NoE e 5HT na fenda sináptica.
atropinicos incluem boca seca, visão embaçada,
constipação e retenção urinária. Ocorre
hipotensão postural com os ADT´. Outro efeito
adverso comum é a sedação, e a longa duração
de ação significa que o desempenho diurno Inibidores da recaptação de 5HT-NE
costuma ser afetado por sonolência e dificuldade Existem algumas pessoas que não respondem a
para se concentrar. Os ADT´s particularmente em esses fármacos, uma classe mais recente de
superdosagem podem causar arritmias fármacos, os inibidores da recaptação de 5HT-NE
ventriculares associadas ao prolongamento do que inclui a Venlafaxina e a Duloxetina. A
intervalo QT. As doses terapêuticas habituais dos Venlafaxina bloqueia o transportador de recaptar
ADT´s aumentam pouco, porem de forma de 5HT e o transportador de recaptação de NE
significativa, o risco de morte súbita de causa através de um mecanismo que depende de sua
cardíaca. Os ADT´s produzem acentuada concentração, em baixas concentrações, o
potencialização dos efeitos do álcool por motivos fármaco comporta-se como um ISRS, ao passo
não bem esclarecidos. que, em concentrações elevadas, aumenta
também os níveis de NE. A duloxetina também
Inibidores seletivos da recaptação de 5HT inibe a recaptação de NE e de 5HT, e o seu uso
O primeiro ISRS introduzido foi à Fluoxetina, que foi aprovado para o tratamento da dor neuropática
contínua sendo muito prescrita. Os fármacos e de outras síndromes de dor, além do tratamento
desse tipo incluem Citalopram, Fluroxamina, de depressão.
Paroxetina, Sertralina e os Escitalopram. Os
ISRS assemelham-se aos tricíclicos, em seu
mecanismo de ação, com exceção de que os
ISRS são mais seletivos para os transportadores
da 5HT. A inibição da recaptação da 5HT aumenta
os níveis sinápticos da 5HT, produzindo aumento
de ativação do receptor de 5HT e intensificação
das respostas pós-sinápticas. Aplicação clínica:
depressão maior, transtornos de ansiedade,
transtorno depressivo, transtorno do pânico,
transtorno obsessivo compulsivo, transtorno da
alimentação.
FARMACOLOGIA ANTIPSICÓTICA Antipsicoticos típicos
Os fármacos usados para a esquizofrenia Os antipsicóticos típicos bloqueiam os
também são usados para tratar manias e outras receptores D2 em todas as vias dopaminérgicas
alterações do comportamento. O termo do SNC, seu mecanismo de ação como agente
antipsicóticos denota a capacidade desses antipsicótico envolve o antagonismo dos
fármacos de abolir a psicose e aliviar a receptores D2 mesolímbicos e mesocorticais.
desorganização do processo mental nos pacientes Os antipsicóticos típicos são divididos em
esquizofrênicos. A maioria caracteriza-se como Fenotiazinas e as Butirofenonas. O
antagonista dos receptores da Dop, muitos deles Clorpromazina é o protótipo das Fenotiazinas,
atuam sobre alvos, particularmente nos receptores enquanto o Haloperidol é a butirofenona mais
5HT, contribuindo para eficácia clínica. São usada. Apesar de diferenças na estrutura e na sua
também chamados de neurolépticos ou afinidade pelo receptor D2, todos os antipsicoticos
antiesquizofrênicos, ou ainda, tranquilizantes. típicos possuem eficácia clínica parecida em
Os fármacos antipsicóticos são divididos em dois doses padrões. Os antipsicóticos devem seus
grupos: efeitos terapêuticos ao bloqueio dos receptores
1. Os primeiros a serem desenvolvidos D2.
(Clorpromazina, Haloperidol) chamados de Os efeitos antipsicóticos exigem cercar de 80%
antipsicóticos típicos ou de 1ª geração, ou de bloqueio dos receptores D2. Os compostos de
convencionais; 1ª geração mostram preferência por D2 em relação
2. E os agentes mais recentemente aos receptores D1, enquanto alguns dos agentes
desenvolvidos (Clozapina e Risperidona) mais modernos (Sulpirida, a Missulprida) são
chamados de antipsicóticos atípicos ou de 2ª altamente seletivos para receptores D2. Acredita-
geração. se que o antagonismo dos receptores D2 na via
Efeitos adversos: mesolimbica aliviam os sintomas positivos da
 Alterações motoras extrapiramidais: esquizofrenia.
produzem dois tipos de alteração motora no
homem: Distonia aguda e discinesia tardias, Antipsicóticos atípicos
coletivamente chamadas efeitos adversos Os cinco principais antipsicoticos são a
extrapiramidais. Todos eles resultam direta ou clonazina, a olanzapina, a quetiapina, a
indiretamente de bloqueio do receptor D2 por ziprasidona e a risperidona. Esses fármacos são
via nigroestriatal. Esses efeitos adversos mais efetivos do que os antipsicóticos típicos no
constituem uma das principais desvantagens tratamento dos sintomas negativos da
dos antipsicoticos de primeira geração. esquizofrenia. Os antipsicóticos atípicos produzem
 As Distonias agudas: São movimentos sintomas extrapiramidais, significativamente, mais
involuntários. Ocorrem nas primeiras leve do que os antipsicóticos típicos em geral,
semanas e diminuem com o decorrer do esse efeito adverso só aparece quando os
tempo, é reversível quando se suspende o fármacos são administrados em altas doses.
tratamento; Os antipsicoticos atípicos possuem afinidade
 As Discenesia tardia: consistem em seletivamente baixa pelos receptores D 2, ao
movimentos involuntários, muitas vezes da contrário dos antipsicoticos típicos sua afinidade
face e da língua, mas também do tronco e da pelos receptores D2 não se correlaciona com a
extremidade, podem ser intensamente sua dose clinicamente efetiva.
incapacitante.
A sonolência e a sedação, que tendem a
diminuir com o uso contínuo, ocorrem com
muitos antipsicóticos. A atividade anti-histamínica
(H1) é uma propriedade de alguns fenotiazinas e
contribui para suas propriedades sedativas e
antieméticas, mas não para sua ação
antipsicótica. Quando bloqueiam receptores
muscarinicos reduzem vários efeitos periféricos,
inclusive, secura na boca e nos olhos,
constipação e retenção urinária.
ESTIMULANTES DO SNC Atravessa livremente a BH, o que explica, por que
Estão distribuídos em duas categorias: produz efeitos centrais mais acentuados que
1. As substancias da primeira categoria aqueles fármacos. É eliminada inalterado na urina,
(estimulantes psicomotores) tem acentuado a taxa de eliminação aumenta quando a urina se
efeito sobre a função mental e o torna mais ácida. Sua meia-vida varia de cerca de
comportamento, produzindo excitação e 5h a 20 a 30h, dependendo do fluxo urinário e do
euforia, redução da sensação de cansaço e pH urinário.
aumento da atividade motora.  Efeitos adversos: Incluem irritabilidade e
2. As substâncias da segunda categoria inquietação, à medida que as reservas
(Substâncias psicomimética (alucinógenas)) energéticas do corpo vão se esgotando. Em
afetam principalmente os padrões de doses altas, as anfetaminas podem induzir o
pensamentos e a percepção, distorcendo a pânico e paranoia.
cognição de modo complexo.
Várias dessas substâncias não possuem usos  Metilfenidato (ritalina): Estimulante do SNC
clínicos, mas são usados para objetivos parecido com a anfetamina e também pode
recreacionais, e como tais, são reconhecidos levar ao abuso. São fármacos mais prescritos
como fármacos de abuso. para crianças. É usado para o tratamento do
distúrbio de hiperatividade e déficit de
Estimulantes psicomotores atenção (DHDA).
As anfetaminas e o dextroisómero ativo, a  Mecanismo de ação: Crianças com DHDA
dextroanfetamina, junto com a metafetamina e o produzem sinais fracos de DoP, fazendo com
metilfenidato (ritalina), grupo de fármacos com que atividades geralmente de interesse para
propriedades semelhantes. Atuam nas liberações as crianças não ofereçam gratificação. Ele é
de monoaminas, sobretudo DoP e NoE, nas um inibidor do transporte de DoP e atua no
terminações nervosas cerebrais. São substratos aumento da DoP na fenda sináptica.
para os transportadores da captura de amina  Farmacocinética: O metilfenidato e o
neuronal e causam liberação desses mediadores, dextrotilfenidato são absorvidos por VO. O
produzindo os efeitos agudos. O uso prolongado, produto desesterificado, ácido ritalínico, é
são neurotóxicos, causa degeneração das excretado na urina.
terminações nervosas que contem aminas e,  Efeitos colaterais: Efeitos no TGI são os
finalmente, morte celular, efeitos causados pelo mais comuns e incluem dor abdominal e
acumulo de metabolitos reativos dos compostos náuseas. Outros efeitos incluem anorexia,
de origem nas terminações nervosas. insônia, nervosismo e febre. E contra
Seus efeitos centrais são: Estimulação indicado em pacientes com glaucoma.
locomotora, Euforia e excitação, Insônia, Aumento
de disposição e Anorexia.  Cocaína: Encontrada nas folhas de um
arbusto sul-americano, a coca. Essas folhas
 Anfetaminas: Têm ações simpatomiméticas são usadas por sua propriedade estimulante
periféricas, produz elevação da pressão por nativos da América do sul, reduzem o
arterial da motilidade gastrintestinal. Causa cansaço durante o trabalho em grandes
euforia, pela VI, tão intensa, que foi descrita altitudes.
como ``orgasmica´´. Os indivíduos tornam-se  Mecanismo de ação: Os efeitos
confiantes. Estudos mostraram melhoras no comportamentais resultam da estimulação do
desempenho mental e físico nos muitos córtex e do tronco cerebral. A cocaína liga-se
fatigados, embora não naqueles após repouso aos transportadores responsáveis pela
adequado. O desempenho mental melhora captura da DoP e da NoE nas terminações
para tarefas simples, tediosas, muito mais do nervosas e os inibe. Potencializando os
que para tarefas difíceis. efeitos periféricos da atividade nervosa
 Mecanismo de ação: Seus efeitos no SNC e simpática e produz acentuado efeito
no SNP são indiretos ambos dependem da estimulante psicomotor. Produz euforia,
elevação dos níveis de catecolaminas nas loquacidade, aumento da atividade motora e
fendas sinápticas. Possuem efeitos liberando ampliação do prazer. Seus usuários se
estoques intracelulares de catecolaminas. Ela sentem em alerta, energética e fisicamente
também inibe a MAO, altos níveis de fortes e acreditam que possuem capacidades
catecolaminas são facilmente liberadas para mentais melhoras.
as fendas sinápticas.  Farmacocinética: É administrada por VO,
 Farmacocinética: É rapidamente absorvida por inalação, fumo ou por injeção IV. A
do TGI, porém para aumentar a intensidade duração da ação da cocaína, é cerca de 30
da ``onda´´ ela pode ser aspirada ou injetada, minutos, é rapidamente metabolizada pelo
a base livre da metafetamina pode ser fígado.
queimada e tomada de modo semelhante a
cocaína.
Sendo desesterificada e desmetilada à
benzoilectonina, que é excretada na urina, a
detecção dessas substancia na urina nos permite
identificar o usuário. Um metabolito é depositado
no cabelo, com ele podemos monitorar o consumo
da cocaína.
 Efeitos colaterais: A resposta tóxica à
ingestão aguda pode provocar reações de
ansiedade que incluem hipertensão,
taquicardia, sudoração e paranoia. Como
todos os fármacos estimulantes, a estimulação
do SNC é seguida por um período de
depressão mental. Pode causar convulsões e
arritmias cardíacas.

Metilxantinas: Varias bebidas como chá, café e


cacau, contêm metilxantinas, que possuem
efeitos estimulantes centrais leves. Os principais
compostos são a cafeína e a teofilina.

FARMACOLOGIA RESPIRATORIA
Fármacos usados para o tratamentos das
doenças respiratórias podem ser aplicadas
topicamente na mucosa nasal, inaladas ou
administradas por via oral, como os nebulizadores
ou inaladores, são preferidos, pois o fármaco
atinge o tecido-alvo e minimiza os efeitos
adversos sistêmicos. Os fármacos clinicamente
úteis aliviam a patologia especifica por
relaxamento de músculos lisos bronquiais ou
modulação da resposta inflamatória.
.
Droga antiasmática
A asma é uma doença inflamatória das vias
aéreas caracterizada por episódios de
broncoconstrição aguda causando encurtamento
da respiração, tosse, tensão torácica, respiração
ruidosa e rápida. Esses sintomas podem se
resolver com exercícios de relaxamento ou com
fármacos de alivio rápido, como um agonista β2-  Glicorticoides: São os principais fármacos
adrenérgico de ação breve. O objetivo do usados por ação anti-inflamatória na asma.
tratamento da asma é reduzir o agravamento, Eles evitam a resposta inflamatória do
diminuindo a frequência dos sintomas e o grau de organismo são eficazes para reduzir os
limitação que o paciente apresenta devido a estes sintomas da asma. Não relaxam a
sintomas. Reduzir o risco, diminuindo os musculatura lisa das vias respiratórias e, por
resultados adversos associados a amas e o seu essa razão, tem pouco efeito na
tratamento. broncoconstrição aguda. Não são
Há duas classes de fármacos antiasmáticos; broncodilatadores, mas impedem a
broncodilatadores e anti-inflamatórios. Os progressão da asma crônica e são eficazes
broncodilatadores revertem o broncoespasmo da na asma grave aguda. Eles diminuem a
fase imediata; os anti-inflamatórios inibem ou formação de citocinas, em particular das
previnem os componentes inflamatórios de ambas citocinas TH2, que recrutam e ativam
às fases. eosinófilos e são responsáveis por promover
 Broncodilatadores: Os principais são a produção de IgE e a expressão de
agonistas β2-adrenérgico; outros incluem a receptores de IgE. Os principais compostos
teofilina, antagonistas dos receptores de usados são beclometasona, budesonida,
cisteinil-leucotrienos e antagonistas fluticasona, mometasona e ciclesonda.
muscarinicos. Administrada por inalação por meio de um
 Fármacos β2-seletivos: Os fármacos inalador com válvula mediadora de dose ou
agonistas seletivos dos receptores β2, inalador de pó seco, sendo atingindo o efeito
(Salbutamol) são os agentes pleno sobre a hiper-responsabilidade
simpatomiméticos mais usados no tratamento brônquica somente depois de semanas
da broncoconstrição asmática. São efetivos depois de semanas ou meses de terapia. São
quando inalados ou administrados por via oral ais usados profilaticamente para controlar a
e apresentam maior duração de ação. asma, em vez de reverter os sintomas
Broncodilatadores como o salbutamol, agudos da doença. Ao estabelecer a dose
quando inalado são efetivos e seguros, e de ideal do fármaco, deve-se ter em mente que
baixo custo. Os pacientes asmáticos que o grau máximo de melhora da função
fazem uso de β2-adrenérgicos inalados os pulmonar pode ocorrer apenas depois de
usam apenas quando precisam. varias semanas de tratamento.
 Inibidores dos Leucotrienos: O  Efeitos adversos: são incomuns os efeitos
Leucotrienos β4 é um quimioatrativo potente indesejáveis graves com esteroides
de neutrófilos, e LTC4 e LTD4 exercem efeitos inaladores. Pode ocorrer candidíase
que ocorrem na asma, inclusive orofaríngea (sapinho), bem como irritação
broncoconstrição, aumento da reatividade da garganta e voz rouca, mas o uso de
brônquica, edema de mucosa e espaçador que diminuem a deposição
hipersecreção de muco. São estudadas duas orofaríngea do fármaco e aumenta a
abordagens para interromper a via dos deposição nas vias aéreas, reduz esses
Leucotrienos: problemas.

1. A inibição da 5-lipoxigenase, impedindo a


síntese dos Leucotrienos, e a inibição da
ligação do LTD4ao seu receptor nos tecidos- Tosse
alvo, evitando sua ação; É um reflexo protetor que retira material
2. Foi demostrada eficácia no bloqueio da estranho e secreções dos bronquíolos. Os
resposta das vias respiratórias a exercício e à antitussígenos são todos anestésicos opioides
provocação antigênica com fármacos de que atuam no tronco encefálico, deprimindo um
ambas categorias. centro da tosse. Eles suprimem a tosse em
A zileutona inibidor da 5-lipoxigenase, e com a doses abaixo da necessária para alivio da dor. A
zafirlucaste e montelocaste, antagonistas do codeína é o opióide fraco com tendência
receptor de LTD4. Todos se mostraram capazes consideravelmente menor de causar
de melhorar o controle da asma e reduzir a dependência do que a dos opioides principais e
frequência das crises em pacientes ambulatoriais. é um supressor moderado da tosse. Diminuem
Efeitos adversos: O mais comum é o tremor, as secreções nos bronquíolos, o que espessa o
outros efeitos indesejáveis são taquicardia e escarro, e inibe a atividade ciliar. É comum a
arritmia cardíaca. constipação.

 Anti-inflamatório:
FARMACOLOGIA DO TGI
As principais condições patológicas nas quais é
útil reduzir a secreção ácida são a ulceração
péptica, e a esofagite de refluxo.

Distúrbios ácido-pépticos
O controle da acidez gástrica é fundamental no
tratamento desses distúrbios, embora esta
abordagem não trate o processo fisiológico
fundamental.
 Úlcera péptica: A terapia antissecretória da
úlcera péptica e da esofagite de refluxo
envolve a diminuição da secreção de ácido
com antagonistas dos receptores H2 ou
inibidores da bomba de prótons ou
neutralização do ácido secretado com
antiácidos. O tratamento da ulcera péptica
deve incluir a erradicação do H. pylori com uso
de antimicrobianos, como a amoxicilina e diminuindo sobre a secreção de ácido na
metronidazol. A bactéria H. pylori produz a presença de bloqueio dos receptores.
enzima uréase, que converte a ureia em São usados quatro H2-antagonistas:
amônia e CO2 que posteriormente é convertida Cimetidina, Ranitidina, Femotidina e Nizatidina.
em bicarbonato. Os fármacos usados no
tratamento dos distúrbios ácido-péptico podem Inibidores da bomba de prótons
ser divididos em duas classes: Agem através da inibição irreversível do
1. Fármacos que reduzem a acidez H+/K+ATPase, que constituí a etapa final na via de
intragástrica; secreção ácida. Temos seis inibidores da bomba
2. Fármacos que promovem a defesa da de prótons para uso clínico: Omeprazol,
mucosa. Esomeprazol, Dexlansoprazol, Rabeprazol e
Pacientes com esse problema podem tomar Pantoprazol. Todos são benzimidazólicas
antiácidos ou H2-antagonistas. Como é substituídos, parecidos com receptores H2 na sua
proporcionada uma rápida neutralização do ácido, estrutura mas com mecanismo de ação diferente.
os antiácidos produzem alivio sintomático mais Todos esses fármacos estão disponíveis em
rápido do que os antagonistas dos receptores H 2. formulações orais. Eles são administrados na
forma de pró-fármacos inativos. Uma dose diária
Antiácidos única afeta a secreção ácido durante 2 a 3 dias,
Os antiácidos são bases fracas que reagem com devido ao seu acúmulo nos canalículos.
o HCl gástrico, formando sal e água. O (omeprazol, lanoprazol e pantoprazol). O
bicarbonato de sódio reage rapidamente com o tratamento crônico com omeprazol reduz a
HCl formando dióxido de carbono e cloreto de absorção de vitamina B12. Para proteger o pró-
sódio. A formação de dióxido de carbono resulta fármaco de sua rápida destruição no TGI. Os
em distensão em distensão gástrica e eructações. inibidores da bomba de prótons são bases fracas
Atuam ao neutralizar o ácido gástrico, elevando, o lipofílicas que, após absorção intestinal, sofrem
H1 gástrico para inibir a atividade péptica, que rápida difusão pela membrana lipídica para os
cessa com um valor de pH de 5. Os antiácidos componentes acidificados.
comuns consistem de sais de magnésio e de
alumínio. Os sais de magnésio causam diarreia,
enquanto os sais de alumínio provocam
constipação. Todos os antiácidos podem afetar a
absorção de outras medicações por causa de sua
ligação ao fármaco ou aumento do pH, com
consequente alteração na dissolução ou
solubilidade do fármaco.

Inibidores H2
Os antagonistas dos receptores H2 inibem
competitivamente as ações da histamina em todos
os receptores H2, porem sua aplicação clinica
consiste na sua atuação como inibidores da
secreção de ácido gástrico. Esses agentes
reduzem a secreção ácida basal é estimulada por
alimentos, além de promoverem a cicatrização das
úlceras duodenais. São seletivos e não alteram os
receptores H1 e H3. Ocorre redução do volume de
secreção gástrica e da concentração da pepsina.
A redução da secreção de ácido pela histamina,
gastrina e pepsina ocorre por dois mecanismos:
 1º a histamina liberada pelas células ECL
pela gastrina ou por estimulação local tem a
sua ligação ao receptor H2 da célula parietal
bloqueada;
 2º a estimulação direta da célula parietal pela
gastrina bloqueada Ach exercem um efeito
Vomito
Vomitar é um processo complexo e exige
atividade coordenadas dos músculos respiratório
somáticos e abdominais, bem como dos músculos
involuntários do TGI através do esôfago relaxado,
associado a contração sustentadas de diafragma
e músculos abdominais, e o aumento da pressão
intra-abdominal. A náusea é a de urgência de
vomitar, ocorrendo simultaneamente a perda de
tônus e peristalse gástrica, contração de duodeno
e refluxo de conteúdo intestinal para o estomago.
A estrutura anatômica integrada do vomito é o
centro bulbar do vômito, localizado na formação
reticular lateral. São usados diferentes agentes
antieméticos para condições diferentes.

Antagonistas dos receptores muscarinicos


A serotonina atua como neurotransmissor do
vômito. Antagonista seletivo dos receptores da
serotonina, por exemplo, a ondansetrona, a
granisetrona e a tropsetrona, são usadas na
prevenção e no tratamento dos vômitos causados
por agentes citotóxicos.

Figura 13: mecanismo de ação do omeprazol, um inibidor da


Antagonistas dos receptores
bomba de prótons. (a) célula parietal; (b) canalículo; (c) dopaminérgicos
omeprazol; (d) atravessa livremente a membrana plasmática; A metoclopra é antagonista dos receptores
(e) citoplasma; (f) sangue; (g) omeprazol (pró-fármaco); (h)
exposto ao ambiente acido do canalículo da célula parietal; (i) dopaminérgicos, que atuam na ZGQ. Elas também
sulfenamida ativa; (j) reage rapidamente formando um possuem ações periféricas, aumentando a
dissulfeto covalente; (l) complexos sulfenamida (enzima motilidade do estômago e do intestino, sem
inativa)
estimulação concomitante da secreção gástrica, o
Protetores da mucosa que contribui para seu efeito antiemético, podendo
Dispomos de vários mecanismos de defesa da ser usada na terapia de distúrbios gastrintestinais.
mucosa para a prevenção e para o tratamento dos Purgantes
distúrbios ácido-péptico. Os agentes que Neles é apropriado para evitar a constipação com
promovem a defesa da mucosa são usados para o uma alimentação rica em fibras e liquido.
alivio sintomático da doença ulcera péptica. Esses Vários medicamentos podem acelerar o transito
fármacos incluem agentes de revestimentos e de alimento, por diferentes métodos:
prostaglandina.  Aumentando-se o volume dos resíduos
 Sucralfato: é um sal de sacarose complexado sólidos não absorvíveis com laxativos de bolo
com hidróxido de alumínio sulfatado. Em água fecal;
ou soluções ácidas, forma uma pasta viscosa  Aumentando-se o conteúdo de agua com
e de consistência firme, que se liga laxativos osmóticos;
seletivamente às ulceras e erosões por até 6  Alterando-se a consistência das com
horas. Possui pouca capacidade de modificar emolientes fecais;
o pH gástrico. O gel formado protege a  Aumentando-se a motilidade e a secreção
superfície luminal do estômago da degradação (purgativos estimulantes).
pelo ácido e pela pepsina. Os laxativos podem ser classificados de acordo
 Bismuto: é um agente de revestimento usado com seus mecanismos de ação em:
na doença péptica. Os sais de bismuto  Formadores de bolo fecal: incluem a
combinam-se com glicoproteínas do muco, metilcelulose e algumas resinas vegetais,
formando uma barreira que protege a úlcera como, agar, farelo e casca de spaghula. Esses
lesão adicional pelo ácido e pela pepsina. É agentes são polímeros de polissacarídeos, que
um medicamento que não precisa de são degradados pelos processos normais da
prescrição médica. É um complexo de cristal digestão. Atuam em virtude da sua capacidade
consistindo em bismuto trivalente e salicilado em reter agua na luz intestinal, promovendo
suspenso numa mistura de argila de silicato de assim o peristaltismo. Levam vários dias para
magnésio e alumínio. Acredita-se que o exercer ação, mas não apresentam efeitos
bismuto tenha efeito antissecretório, anti- indesejáveis.
inflamatório e antimicrobiano; pode aliviar
náuseas e cólicas abdominais.
 Laxantes osmóticos: Eles mantem por Antidiarreicos
osmose um volume aumentado de liquido na Podem ser usados com segurança em pacientes
luz do intestino o que acelera a transferência com diarreia aguda leve a moderada. Não devem
do conteúdo intestinal através do intestino ser usadas em pacientes com diarreia
delgado, resultando por chegada de um sanguinolenta, febre alta ou toxicidade sistêmica.
volume inusitadamente grande no cólon. Isto Aumentam a atividade de segmentação do colo
provoca distensão e consequentemente pela inibição dos nervos colinérgicos pré-
purgação em cerca de uma hora. Os principais sinápticos nos plexos submucosos e mioentérico e
sais usados são o sulfato de magnésio e o resultam em aumento do tempo de transito
hidróxido de magnésio. É insolúveis, colônico e absorção da água fecal. Opiáceos são
permanecerem na luz e retem a agua, muito usados no tratamento da diarreia e podem
aumentado o volume das fezes. São agir por vários mecanismos diferentes, são
compostos solúveis, que resultam num preferidos a outros agentes devido à sua
aumento da liquefação das fezes, devido a um capacidade limitada de penetrar no SNC A
aumento da água fecal. O leite de magnésia é loperamida é um agonista opióide, que não
um laxativo osmótico de uso comum. O atravessa a BHE e não tem propriedade
sorbitol e a lactulose são açúcares não analgésica.
absorvíveis que podem ser usadas na
prevenção o no tratamento da constipação Loperamida
intestinal. Esses açúcares são metabolizados É um antidiarreico de ação oral. Aumenta o tempo
por bactérias colônias, produzindo intensa de transito entre a boca e o ceco. A loperamida
flatulência e cólica. também aumenta o tônus do esfíncter anal, efeito
 Emolientes fecais: O docusato de sódio é um que pode ter uso terapêutico para alguns
composto tensoativo, que atua no TGI de pacientes com incontinência anal. Também possui
modo semelhante a um detergente, a atividade antissecretória contra a toxina da
produzindo fezes de consistência mole. cólera e algumas outras formas de toxinas de E.
 Purgativos estimulantes: O sene possui coli. A loperamida é eficaz contra a diarreia do
atividade laxativa, visto que contém derivados viajante, usada sozinha ou isolada a
de andraceno (emodina) em combinação com antimicrobianos.
açucares, formando glicosídios. A droga passa
de modo inalterado pra o colón, onde as Difenoxilato e difenoxina
bactérias de hidrolisam a ligação glicosídicas, São derivados piperidinicos estruturalmente
liberando os derivados de antracenos livres, relacionados com a meperidina. A difenoxina é o
que são absorvidos e exercem efeitos metabolito ativo do difenorréia. Como
estimulantes direto sobre o plexo mioentérico, antidiarreicos, o difenoxilato e a difenocina são
resultando em atividade da musculatura lisa e, pouco mais potentes que a morfina.
portanto, defecação;
 Amolecedores: amolecem o material fecal,
permitindo a penetração de água e lipídeos.
Os mais comuns são o docusato e os
supositórios de glicerina.

Motilidade gastrointestinal
As drogas que aumenta a motilidade
gastrointestinal são a Domperidona, a
Metoclopramida que exerce um efeito estimulante
local significativo sobre a motilidade gástrica,
causando acentuada aceleração do esvaziamento
gástrico, sem estimulação concomitante da
secreção ácida gástrica. É útil no tratamento do
refluo gastroesofágico e no distúrbio do
esvaziamento gástrico.
FARMACOLOGIA CARDÍACA  Ações sobre o coração: Os inibidores da
Insuficiência cardíaca (IC): É uma alteração ECA diminuem a resistência vascular, o tônus
progressiva no qual o coração é incapaz de venoso e a pressão arterial. Diminuem a pré e
bombear sangue suficiente para suprir as pós-carga, resultando aumento do débito
necessidades do organismo. Seus sintomas são cardíaco. O uso de inibidores da ECA no
dispneia, fadiga e retenção de liquido. Ela é tratamento da IC diminui significativamente a
decorrente de uma redução da capacidade do morbidade e a mortalidade.
coração em encher-se de sangue ou ejetá-lo de  Farmacocinética: Todos os inibidores da ECA
forma adequada. É frequentemente acompanhada são absorvidos de forma adequada, não
por aumento anormal do volume de sangue e de completamente, após a administração por via
líquido intersticial. Objetivos farmacológicos na oral. A presença de alimentos pode diminuir a
IC: São de aliviar os sintomas tornar lenta a absorção dos fármacos, eles devem ser
progressão da doença e aumentar a sobrevivência tomados com estomago vazio.
temos seis classes de fármacos usados para isso:  Efeitos adversos: Incluem-se hipotensão
postural, insuficiência renal, hiperpotassemia,
Inibidores do sistema renina-angiotensina angiodema e tosse seca persistente. A
A IC causa ativação do sistema renina- possibilidade de hipotensão sintomática com o
angiotensina por dois mecanismos: uso de inibidores da ECA requer monitoração
a. Aumento da liberação de renina pelas células cuidadosa. Os inibidores da ECA não devem
justaglomerulares nas arteríolas aferentes ser usados em mulheres gestantes, pois estes
renais em resposta à diminuição da pressão fármacos são tóxicos para o feto.
de perfusão renal, resultante do coração
insuficiente; Bloqueadores de receptores de angiotensina
b. Liberação de renina pelas células (BRAs)
justaglomerulares promovida por estimulação São compostos ativos por via oral que são
simpática e ativação dos receptores β. A antagonistas competitivos potentes do receptor
produção de angiotensina 2, um potente tipo 1 de angiotensina. A Losartana é o fármaco
vasoconstritor, e a subsequente estimulação protótipo. Os BRAs têm a vantagem de bloqueio
da liberação de aldosterona que causa mais completo da ação de angiotensina, pois os
retenção de sal e água levam ao aumento da inibidores da ECA inibem somente uma enzima
pré-carga e da pós-carga, que é característica responsável pela produção de angiotensina 2.
da insuficiência cardíaca. Além disso, níveis Além disso, eles não afetam os níveis de
altos de angiotensina 2 e aldosterona têm bradicinina.
efeitos prejudiciais direto no músculo cardíaco,  Ações sobre o coração: Todos os BRAs são
favorecendo o remodelamento, a fibrose e as aprovados para o tratamento da hipertensão
alterações inflamatórias. com base na sua eficácia clinica em reduzir a
Dependendo da gravidade da IC e de fatores pressão arterial e diminui a morbidade e a
individuais do paciente uma ou mais classes de mortalidade associada a hipertensão. Seu uso
fármacos são usados. Os benefícios da na IC é como substituto dos inibidores da ECA
intervenção farmacológica incluem redução da por pacientes com tosse intensa ou
carga do miocárdio, diminuição do volume de angiodema.
líquido extracelular, aumento da contratilidade  Farmacocinética: Todos os inibidores da ECA
cardíaca e redução da velocidade remodelamento são absorvidos de forma adequada, mas não
cardíaco. completamente, após a administração via oral.
A presença de alimentos pode diminuir a
Inibidores da enzima conversora de absorção dos fármacos, eles devem ser
angiotensina (ECA) tomados com estomago vazio. Com exceção
São os fármacos de escolha na IC. Eles do captopril, os inibidores da ECA são pró-
bloqueiam a enzima responsável pela fármacos que precisam de ativação por
transformação de angiotensina 1 no potente hidrolise pelas enzimas hepáticas. A
vasoconstritor angiotensina 2. Também diminuem eliminação renal da molécula ativa é
a velocidade de inativação da bradicinina pela importante para a maioria dos inibidores da
redução dos níveis de angiotensina 2 circulante, ECA;
os inibidores da ECA também diminuem a  Efeitos adversos: Incluem-se hipotensão
secreção de aldosterona, resultando em menor postural, insuficiência renal, hiperpotassemia,
retenção de sódio e de água. angiodema e tosse seca persistente. Os
inibidores da ECA não devem ser usados em
mulheres gestantes, pois são tóxicos para o
feto.
Bloqueadores β-adrenérgicos  Glicosídeos digitálicos: são frequentemente
O benefício dos β-bloqueadores é atribuído, em chamados digitálicos ou digitálicos cardíacos,
parte, à sua propriedade de prevenir as mudanças pois a maioria dos fármacos é proveniente da
que ocorrem em virtude da ativação crônica do planta digitalis (dedadeira). São compostos
SNP, incluindo diminuição da frequência cardíaca quimicamente parecidos que podem aumentar
e inibição da liberação de renina dos β- a contratilidade do músculo cardíaco, vista
bloqueadores são aprovados para uso na IC: o disso, são muito usados no tratamento da IC.
carvedilol e o metoprolol de ação prolongada. O Os glicosídeos no músculo cardíaco, e dessa
carvedilol é um antagonista de β-adrenorreceptor forma, aumenta a contração do miocárdio atrial
não seletivo que também bloqueia β- e ventricular (ação ionotropica positiva). O
adrenorreceptor, o metoprolol e um antagonista β1 digitálico mais usado é a digoxina.
seletivo. O carvedilol e o metoprolol diminuem a  Farmacocinética: Todos os glicosídeos
morbilidade e a mortalidade associada à IC. O digitálicos possuem as mesmas ações
tratamento deve iniciar com baixas dosagens e farmacológicas, mas variam em potencia e
gradualmente ser titulada a dosagem eficaz com farmacocinética. A digoxina é muito potente,
base na tolerância do paciente. com índice terapêutico estreito e longa meia
vida de cerca de 36 horas. A digoxina é
Diuréticos eliminada de forma inalterada pelos rins.
Aliviam a congestão pulmonar e o edema Tem amplo volume de distribuição porque
periférico. Esses fármacos são úteis na redução acumula nos músculos. A digoxina tem
dos sintomas da sobrecarga de volume, incluindo tempo de meia-vida muito longo e é
ortopneia e dispneia paroxística noturna. Os extensamente biotransformado pelo fígado
diuréticos diminuem o volume plasmático, e, antes da excreção nas fezes, e os pacientes
subsequentemente, diminuem o retorno venoso ao com doenças hepáticas podem precisar
coração, diminuindo a carga de trabalho cardíaca reduzir as doses.
e a demanda de oxigênio. Os diuréticos podem  Efeitos adversos: A toxidade da digoxina é
diminuir também a pós-carga pela redução de uma das reações adversas a fármaco mais
volume plasmático, reduzindo, assim, a pressão comum encontrada. Os efeitos adversos
arterial. Os diuréticos tiazílicos são relativamente podem ser controlados suspendendo o uso
fracos e perdem eficácia em pacientes com do glicosídeo cardíaco, medindo o nível
depuração de creatina inferior a 50ml/min. Os sérico de potássio, e, se indicado,
diuréticos de alça são usados em pacientes que administrando suplemento de potássio. Os
necessitam diurese intensa e em pacientes com tipos de efeitos adversos são:
insuficiência renal. Os diuréticos de alça são os  Efeitos cardíacos: o mais comum é a
diuréticos mais usados na IC. arritmia caracterizada por tonar lenta a
condução átrio ventricular associado com
Vasodilatadores diretos arritmia arterial. Diminuição do potássio
A dilatação de vasos sanguíneos venosos leva a intracelular é o fato predisponente primário
uma diminuição na pré-carca cardíaca pelo nesse efeito.
aumento da capacitância venosa; dilatadores
arteriais reduzem a resistência arteriolar sistêmica Antagonistas da aldosterona
e diminuem a pós-carga. Os nitratos são os Pessoas com doenças cardíacas avançadas
dilatadores venosos mais usados e pacientes com apresentam níveis altos de aldosterona devido à
IC congestiva. Se o paciente é intolerante aos estimulação da angiotensina 2 e à redução da
inibidores da ECA ou aos β-bloqueadores, ou se depuração hepática do hormônio. A
necessária uma resposta vasodilatadora adicional, espironolactona é um antagonista direto da
pode ser usado à associação de hidralazina e aldosterona; desta forma previne a retenção de
dinitrato de isossorbida. Esta associação é muito sal, a hipertrofia miocárdica e a hipotassemia.
eficaz em pacientes negros com IC. A hidralazina Como ela promove retenção de potássio, os
diminui a pós-carga e o nitrato orgânico reduz a pacientes não devem receber suplementação de
pré-carga. potássio. Os efeitos adversos incluem distúrbios
gástricos, como gastrite e ulcera péptica, efeito
Fármacos ionotrópicos sobre o SNC, como letargia e confusão, e
Aumenta a contratilidade do músculo cardíaco e, alterações endócrinas, como ginocomastia,
dessa forma aumenta o débito cardíaco. Embora diminuição do libido e irregularidade menstrual.
esses fármacos atuem por diferentes
mecanismos, em todos os casos a ação inotrópica
é o resultado do aumento da concentração de
cálcio citoplasmático, o qual aumenta a
contratilidade do musculo cardíaco.
AGENTES ANTIARRÍTIMICOS Classes
A meta da terapia arrítmica é reduzir a atividade Os antiarrítmicos podem ser classificados de
do marca-passo ectópico e modificar a condução acordo com seu efeito predominante sobre o
ou refradariedade nos circuitos de reentrada para potencial de ação (PA). Os antiarrítmicos são
desabilitar o movimento em circulo. Os principais organizados em quatro classes de acordo com
mecanismos farmacológicos para isso são: seu mecanismo de ação. Os agentes
1. Bloquear os canais de sódio; antiarrítmicos de:
2. Bloquear os efeitos autônomos simpáticos no 1. Classe 1: São bloqueadores dos canais de
coração; Na+;
3. Prolongar o período refratário efetivo; 2. Classe 2: São bloqueadores dos receptores β-
4. Bloqueadores dos canais de cálcio. adrenérgicos;
Os antiarrítmicos diminuem a automaticidade dos 3. Classe 3: São bloqueadores dos canais de K +;
marca-passos ectópicos mais do que a do nó SA. 4. Classe 4: Bloqueiam os canais de Ca2+.
Também reduzem a condução e a excitabilidade e
aumentam o período refratário em maior extensão Classe 1
no tecido despolarizado do que no tecido normal As drogas de classe 1 exercem bloqueio direto
polarizado. Isso é feito ao bloquear seletivamente nos canais de Na+, com tendência variável, e se
os canais de sódio ou de cálcio das células diferenciam nas subclasses:
despolarizadas.  1A: Depressão moderada da fase 0 e da
O efeito específico de determinado bloqueador velocidade de condução, com bloqueio
dos canais decorre da função da corrente adicional dos canais de K + e de retardo de
transportadora pelo canal específico no potencial repolarização;
de ação cardíaca.  1B: Depressão discreta a moderada da fase 0
e sem efeito nos canais de K+;
Ex.: Os bloqueadores dos canais de Na+ e Ca2+ alteram o  1C: Depressão acentuada da fase 0 e da
potencial limiar, enquanto os bloqueadores dos canais de K+
tendem a prolongar a duração do potencial de ação. condução, com pouco ou nenhum efeito nos
canais de K+.
Esses fármacos podem ter acesso ao canal Em consequência do bloqueio de Na +, há um
iônico ao atravessar os poros do canal ou ao menor número de canais disponíveis para
difundir-se através da dupla camada lipídica abertura, em resposta à despolarização da
dentro da qual se encontra o canal. Os membrana elevando, assim, o limiar para o
bloqueadores dos canais iônicos dependente do disparo do potencial de ação e lentificando a taxa
estado constitui um importante conceito na ação de despolarização. Ambos os efeitos estendem à
dos fármacos antiarrítmicos. Os canais iônicos são duração da fase 4 e, diminuem a frequência
capazes de assumir vários estados de cardíaca.
conformação, e as mudanças na permeabilidade
da membrana a determinado íon são mediadas
por alterações conformacionais nos canais através
dos quais este íon passa. Com frequência, os
agentes antiarrítmicos exibem afinidades
diferentes por diferentes estados de conformações Figura 14: efeitos dos agentes antiarrítmicos da classe IAM,
dos canais com maior afinidade do que outras IB e IC sobre o potencial de ação ventricular. (a) bloqueio
+
conformações do canal com maior afinidade. Esse moderado dos canais de Na , (1) classe 1A; (b) repolarização
+
prolongada; (c) bloqueio leve dos canais na ; (2) classe 1B;
tipo de ligação é conhecido como ``dependente (d) repolarização encurtada; (e) acentuado bloqueio dos
do estado´´. Um bom exemplo são os +
canais de Na ; (3) classe IC; (f) nenhuma alteração na
bloqueadores dos canais de Na+. repolarização.

+
O canal de Na sofre alterações de seu estado (aberto-  Classe 1A: Os antiarrítmicos da classe 1A
fechado-inativo) enquanto dura um potencial de ação. o canal exercem bloqueio moderado sobre os canais
torna-se inativo durante a fase de platô e modifica=se de Na+ e prolongam a repolarização tanto das
novamente para a conformação em repouso (fechado)
quando a membrana é repolarizada para o seu potencial em
células do nó AS* quanto dos miocitos
repouso. ventriculares. Através dos bloqueios dos
canais de Na+, esses agentes diminuem a
Os bloqueadores dos canais de Na+ ligam-se, velocidade de ascensão da fase 0, o que
preferencialmente ao canal de Na + nos estados diminuem a velocidade de condução através
abertos e inativado, mas não do canal no seu do miocárdio.
estado de repouso (fechado). Dessa forma, os
fármacos tendem a bloquear os canais durante o
potencial de ação e a dissociar-se deles durante a
diástole.
 Procainamida: Ao bloquear os canais de O labetalol e o carvediol induzem a
sódio, ela prolonga a elevação do PA e a vasodilatação ao antagonizar a vasoconstrição
condução, e prolonga a duração do QRS do mediada pelos receptores α-adrenérgicos,
ECG. O fármaco também bloqueia a APD enquanto o pindolol é um agonista parcial nos
(uma ação de classe 3) por meio do bloqueio receptores β2-adrenérgicos.
inespecífico dos canais de potássio. A
procainamida possui ações depressoras Classe 3
diretas sobre os nodos SA e AV, as quais são Bloqueiam os canais de K+; Dois tipos de
contrabalanceadas apenas discretamente correntes determinam a duração da fase do platô
pelos bloqueios vagais induzidos por do PA* cardíaco: As correntes de Ca2+
fármacos. despolarizantes para dentro da célula e as
 Efeitos extracardíacos: Possui correntes de K+ hiperpolarizantes para fora da
propriedade de bloqueio ganglionar. Tal célula. Durante um PA* normal, as correntes de K+
ação a resistência vascular periférica e hiperpolarizantes diminuem a duração do platô,
pode provocar hipotensão, em particular com retorno mais rápido do PM, a seu valor em
como uso intravenoso. repouso, enquanto as correntes de K+
 Toxidade: Os efeitos cardíotóxicos da hiperpolarizantes menores aumentam a duração
procainamida incluem o prolongamento do platô e retardam o retorno do PM para o seu
excessivo do PA, o prolongamento do valor de repouso.
intervalo Q-T e a indução da arritmia A Ibutilida é um agente de classe 3 que prolonga
torsades de pointes e sincope um efeito a repolarização através da inibição da corrente de
colateral preocupante da terapia com K+ retificação tardia. Esse agente também
procainamida á longo prazo é uma intensifica a corrente de Na + lenta dirigida para
síndrome que se assemelha ao lúpus dentro da célula, que prolonga ainda mais a
eritematoso e que, comumente, consiste repolarização.
em artralgia e artrite. A Dofetilida é um agente de classe 3 apenas
 Farmacocinética: Podem ser administrada disponível por VO. Inibe o componente rápido da
por via intravenosa e intramuscular, sendo corrente retificadora de K + tardia e não exerce
absorvida por VO. Ela é eliminada por nenhum efeito sobre a corrente de Na + para dentro
metabolismos hepáticos e pelos rins. Tem da célula. A dofetilida aumenta a duração do PA*
meia vida de 4 a 3 horas, exigindo e prolonga o intervalo QT de forma dependente da
dosagem frequente ou uso de forma de dose.
liberação lenta. O Sotalol é um agente antiarrítmico misto das
classes 2 e 3. Esse fármaco antagoniza não
Classe 2 seletivamente os receptores β-adrenérgicos e
São os antagonistas β-adrenérgicos, atuam também aumentam a duração do PA* ao bloquear
através da inibição dos influxos simpáticos para as os canais de K+.
regiões de regulação do ritmo do coração. A A Amiodarona é o principal agente antiarrítmico
estimulação simpática libera NoE, que se liga aos da classe 3 mas também atua como antiarrítmico
receptores β-adrenérgicos nos tecidos nodais. da classe 1, 2 e 4. A capacidade da amiodarona
Essa ativação desencadeiam um aumento na de exercer essa diversidade de efeitos pode ser
corrente marca-passo que aumenta a frequência explicada pelo seu mecanismo de ação: Alteração
de despolarização da fase 4 e, leva a um disparo da membrana lipídica na qual se localizam os
mais frequente do nó. Os antagonistas β- canais iônicos e os receptores. Em todos os
adrenérgicos não seletivos que antagonizam os tecidos cardíacos, a amiodarona aumenta o
receptores tanto β1-adrenérgicos quanto β2- período refratário efetivo através do bloqueio dos
adrenergicos. São amplamente usados no canais de K+ responsável pela repolarização, esse
tratamento da taquiarritmias causadas por prolongamento da duração do potencial de ação
estimulação das catecolaminas durante o diminuindo a reentrada.
exercicio físico ou o estresse emocional.
 Propanolol: Reduz a incidência de arritmias
súbitas fatais depois do infarto do miocárdio.
Reduzem a taxa de mortalidade no primeiro
ano após uma taque cardíaco, em parte devido
a sua capacidade de prevenir arritmias
ventriculares;
 Metoprolol: Antagonista β-adrenérgico mais
usado no tratamento de arritmias cardíacas,
ele reduz o risco de broncoespasmo. É
extensamente biotransformado e tem ampla
penetração no SNC.
Classe 4 ANTIAGINOSO
Atuam nos tecidos nodais AS* e AV, pois eles A doença aterosclerótica das artérias coronária,
dependem das correntes de Ca 2+ para a fase de é a causa mais comum de mortalidade em todo o
despolarização do Pa*. A principal ação mundo. Os pacientes comumente morrem por
terapêutica dessa classe é lentificar a ascensão insuficiência da bomba devido a um infarto do
do PA* nas células do nó AV, resultando em miocárdio ou devido à arritmia fatal. A doença das
diminuição da velocidade de condução através do artérias coronárias pode e apresentar de
nó AV. (verapamil e diltiazem). diferentes formas, como angina de peito, síndrome
 Verapamil: Apresenta maior ação no coração coronária aguda, arritmias respiração curta.
do que no músculo liso vascular, ao passo que Angina pectoris é um quadro repentino e grave
o nifedipino, um bloqueador de canal de cálcio caracterizado por dor comprimindo o peito que se
usado no tratamento de hipertensão, exerce irradia pelo pescoço, pela mandíbula, pelas costas
um efeito mais intenso no musculo liso pelos braços. É causada pelo fluxo sanguíneo
vascular do que no coração. O diltiazem tem coronário é insuficiente para suprir a demanda de
uma ação intermediária. oxigênio do miocárdio, levando à isquemia.
 Farmacocinética: O verapamil e o diltiazem São usados três classes de fármacos,
são absorvidos após administração por VO. O isoladamente ou em associações, são usados no
verapamil é extensamente biotransformado tratamento de pacientes com angina estável. Eles
pelo fígado: portanto, deve-se ter cuidado diminuem a demanda de oxigênio pelo coração
quando esse fármaco é administrado em afetando a pressão arterial, o retorno venoso, a
paciente com disfunção hepática. frequência e a contratilidade cardíaca.
 Efeitos extracardíacos: Bloqueia os canais  Nitratos orgânicos (nitroglicerina): usados
de cálcio do tipo L ativados e inativados. no tratamento da angina pectoris são ésteres
Assim, seu efeito é mais acentuado nos simples ácidos nítricos e nitrosos com glicerol.
tecidos que se despolarizam com frequência, Esses compostos causam rápida redução na
naquelas que estão menos completamente demanda miocárdica de oxigênio, seguido por
polarizados em repouso, e naqueles em que alivio rápido dos sintomas. Os nitratos inibem a
a ativação depende apenas da corrente de vasoconstrição ou espasmo coronariano
cálcio, como os nodos AS e AV. o verapamil aumentando a perfusão do miocárdio e assim
lentifica o nodo SA e AV por meio de sua aliviam a angina vasoespaticas também
ação direta, mas sua ação hipotensora relaxam as veias, diminuindo a pré-carga e o
ocasionalmente resulta num pequeno consumo cardíaco da angina de esforço. A
aumento do reflexo da frequência SA. nitroglicerina diminui o consumo de oxigênio
 Efeitos adversos: Tem propriedades pelo miocárdio em virtude da diminuição do
inotrópicas negativas e, podem ser trabalho cardíaco.
contraindicado em pacientes com função  Farmacocinética: O tempo de
cardíaca deprimida preexistente. Ambos os estabelecimento da ação varia de um minuto
fármacos também podem diminuir a pressão para a nitroglicerina a mais de uma hora para
arterial devido à vasodilatação periférica um o mononitrato de isossorbida. Ela sofre
efeito que é até benéfico no tratamento da biotransformação de primeira passagem no
hipertensão. fígado. Dessa forma, é comum o seu uso por
via sublingual ou adesiva transdérmico,
evitando, assim, essa via de eliminação.
 Efeitos adversos: O efeito adverso mais
comum é a cefaleia, doses altas também
causam hipotensão postural, rubor facial e
taquicardia. Os inibidores da fosfodiesterase-
5 como sildenafila, potencializam a ação dos
nitratos.
ANTI-HIPERTENSÃO Diuréticos
A hipertensão é definida como uma pressão Os fármacos que bloqueiam as funções de
sanguínea sistólica contínua maior do que transporte dos túbulos renais são ferramentas
140mmHg ou uma pressão sanguínea diastólica clinicas valiosas no tratamento desses distúrbios.
contínua maior do que 90mmHg. A hipertensão Um diurético aumenta o volume de urina, em
resulta do aumento do tônus do músculo liso quanto um natriurético provoca aumento na
arteriolar vascular periférico, que leva ao aumento excreção renal de 11Na, e um aquarético aumenta
da resistência arteriolar e à redução da a excreção de água sem solutos. Reduzem a
capacitância do sistema venoso. pressão arterial, sobretudo ao produzirem
O objetivo do tratamento é reduzir a morbidade depleção das reservas corporais de 11Na.
cardiovascular e renal e a mortalidade. Os Inicialmente, reduzem a pressão arterial ao
fármacos usados no tratamento da hipertensão diminuírem o volume sanguíneo e o débito
são classificados em quatro categorias com o cardíaco, pode ocorrer aumento da resistência
objetivo de orientar o tratamento. vascular periférica. Os diuréticos são efetivos na
Todos os agentes anti-hipertensivos atuam num redução da pressão arterial em 10 a 15mmHg na
ou mais dos quatro locais anatômicos de controle: maioria dos pacientes, e, com frequência, os
como rim, coração, artérias e veias. Produzindo diuréticos usados isoladamente proporcionam um
efeitos ao interferirem nos mecanismos normais tratamento adequado para a hipertensão leve ou
da regulação da pressão arterial. Esses fármacos moderada. Os diuréticos tiazídicos são
são divididos de acordo com o principal local apropriados para maioria dos pacientes com
regulador ou mecanismos comuns de ação. As hipertensão leve ou moderados, e com
categorias incluem: normalidade das funções cardíaca e renal. Os
1. Diuréticos: Reduzem a pressão arterial por diuréticos poupadores de 19K são úteis tanto para
meio da depleção de 11Na corporal, diminuição evitar a depleção excessiva de 19K quanto para
do volume sanguíneo, talvez, outros aumentar os efeitos natriuréticos de outros
mecanismos; diuréticos. O tratamento com doses baixas de
2. Agentes simpaticoplégicos: Baixam a diuréticos e seguro, barato e eficaz na prevenção
pressão arterial por meio da redução da de derrame, infarto do miocárdio e IC congestiva,
resistência vascular periférica, inibição da todos os quais podem causar morte.
função cardíaca e aumento do acúmulo  Diuréticos tiazilicos: Todos os diuréticos
venoso nos vasos de capacitância. Esses orais são eficazes no tratamento da
agentes são ainda subdivididos de acordo com hipertensão, mas os tiazilicos tem sido os mais
seus supostos locais de ação no arco-reflexo usados. Os tiazílicos, como a hidroclorotiazida
simpático; e a clortalidona, diminuem a pressão arterial
3. Vasodilatador direto: Reduzem a pressão ao inicialmente por aumentar a excreção de sódio
relaxarem o músculo liso vascular, relaxando, e água. Isso causa uma redução do volume
os vasos da resistência e, aumentando extracelular, resultando em diminuição do
também a capacitância; debito cardíaco e do fluxo sanguíneos renal.
4. Agentes que bloqueiam a produção ou  Farmacocinética: Os diuréticos tiazílicos
ação da angiostensina: Reduzem a são ativados por VO. A velocidade de
resistência vascular periférica e o volume absorção e eliminação vária embora
sanguíneo. nenhuma vantagem nítida exista entre eles.
Todos os tiazilicos são substratos ar o
sistema excretor de acido orgânico do
néfron e, como tal, podemos competir com o
ácido úrico pela eliminação.
 Efeitos adversos: Os diuréticos tiazilicos
induzem hipotassemia e hiperuricemia em
70% dos pacientes e hiperglicemia em 10%.
Podem causar ataque agudo da gota.
 Agentes que diminuem a reabsorção renal Reguladores de volume
de Na+: O rim modifica a composição iônica do Inibidores do sistema renina-angiotensina
filtrado glomerular através da ação combinada Usa 3 estratégias para a interromper o sistema
de transportadores e canais iônicos nas renina-angiotensina-aldosterona (RAA):
membranas. Esse transporte pode ser 1. Os inibidores da ECA reduzem a pressão
modulado farmacologicamente pelas ações de arterial reduzindo a resistência vascular
agentes diuréticos para regular o volume e a periférica sem aumentar reflexamente o débito,
composição da urina. A inibição da reabsorção a frequência ou a contratilidade cardíaca. Eles
de íons leva a uma redução da força bloqueiam a ECA que hidrolisa a angiotensina1
propulsora osmótica que favorece a para formar a angiotensina2. Também é
reabsorção de H2O nos segmentos do néfron responsável pela degradação da bradicinina
permeáveis à H2O. Os diuréticos atuam sobre que aumenta a produção de óxido nítrico e
a reabsorção de 11Na ao longo dos 4 prostaciclina nos vasos sanguíneos. Diminuem
segmentos dos néfron. O rim concentra e os níveis de angiotensina2 e aumenta os de
secreta esses fármacos na luz tubular, bradicinina ocorre vasodilatação de arteríolas
permitindo que os diuréticos alcancem e veias como resultado de combinação de
concentrações mais altas no túbulo do que no efeitos de vaso constrição diminuída causada
sangue. pela redução dos níveis de angiotensina2 e
 Diuréticos de alça: Atuam no ramo vasodilatação devido ao aumento da
ascendente da alça de Henle, causando bradicinina. Reduzindo os níveis de
inibição competitiva do co-transportador de angiotensina2, os inibidores da ECA diminuem
Na+ e -K+, na membrana apical das células do a secreção de aldosterona, resultando em
ramo ascendente da alça. Ocorre também menor retenção de 11Na e H2O. Os inibidores
inibição da reabsorção no túbulo contorcido da ECA diminuem a pré-carga e a pós-carga
distal, podendo resultar em aumento do aporte cardíaca, reduzindo, assim, o trabalho
de 20Ca e 12Mg luminal nos locais distais de cardíaco.
reabsorção no túbulo contorcido distal, 2. Os antagonistas dos receptores de
resultando em excreção aumentada de 20Ca e angiotensina: Como a Losartana e a
de 12Mg. Valsartana, inibem a ação da AT2 em seu
 Diuréticos do ducto coletor (poupadores de receptor. Aumenta indiretamente a atividade
potássio): Aumentam a reabsorção de 19K no do relaxamento vascular dos receptores AT2.
néfron. Os agentes pertencentes a essa classe Tanto os inibidores da ECA quanto os
interrompem a reabsorção de Na + das células antagonistas AT1 aumentam a liberação de
principais do ducto coletor através de 2 renina como mecanismo compensatório, no
mecanismos. Os agentes como a caso do bloqueio AT1, o aumento da AT2
espirolactona inibem a biossíntese de novos resulta em sua interação aumentada com
canais de Na+ nas células principais, enquanto receptores AT2.
os agentes como a amilorida bloqueia a 3. Os antagonistas do receptor de minérios ou
atividade dos canais de Na + na membrana corticoides bloqueiam a ação da aldosterona
luminal dessas células. A espironolactona inibe no ducto coletor do néfron.
a ação da aldosterona através de sua ligação
ao receptor de mineralocorticoides, impedindo
a sua translocação nuclear e amilorida é um
inibidor competitivo do canal de Na + epitelial
na membrana apical das células epiteliais.
 Diuréticos osmóticos: Como o Manitol, são
pequenas moléculas filtradas no glomérulo,
mas que não sofrem reabsorção subsequente
no néfron. Consequentemente, representam
uma força osmótica intraluminal que limita a
reabsorção de H2O através dos segmentos do
néfron permeáveis à H2O. Os efeitos dos
agentes osmóticos são maiores no túbulo
proximal, onde ocorre a maior parte da
reabsorção isosmótica de H2O.
 Diuréticos inibidores da anidrase
carbônica: É encontrada em locais do néfron,
onde catalisam a desidratação do H3CO3 à
CO2 na membrana luminal e a reidratação do
CO2 a H3CO3 no citoplasma. Ao bloqueá-la os
inibidores reduzem a reabsorção de NaHCO 3 e
causam diurese.
FARMACOLOGIA DA DOR A morfina ou a diamorfina (heroína) administradas
A dor é subjetiva, difícil de definir, embora por via intravenosa, o resultado será um ``ímpeto
saibamos o que significa. É a resposta direta a um súbito´´ que se assemelha a um orgasmo
evento indesejável ligado a lesão tecidual, como abdominal. A euforia produzida depende das
trauma, inflamação ou câncer, as dores intensas circunstâncias. Nos pacientes angustiados, é
podem originar-se de qualquer causa pronunciado, as nos pacientes acostumados a dor
predisponente obvia ou persistir por muito tempo crônica, a morfina causa analgesia com pouca ou
depois que a lesão esteja resolvida. Também nenhuma euforia. Alguns pacientes relatam
pode ocorrer em consequência de lesão cerebral agitação, e não euforia, sob estas circunstâncias.
ou de nervo. As afecções dolorosas do segundo  Depressão respiratória: Resultando em
tipo são geralmente descritos como dores aumento da PCO2 arterial, ocorre com uma
neuropáticas. São causa comuns de incapacidade dose normal analgésica de morfina ou
e angustia e, em geral, respondem menos aos compostos relacionados, embora em pacientes
analgésicos convencionais que as afecções em com dor grave o grau de depressão
que a causa imediata está clara. respiratória produzido possa ser menor do que
E condições normais, a dor associa-se à o antecipado. A depressão respiratória e
atividade de impulsos em fibras aferentes mediada por receptores μ. O efeito depressor
primárias dos nervos periférico. Estes nervos está associado à diminuição da sensibilidade
possuem terminações sensitivas nos tecidos do centro respiratório à PCO2 arterial e à
periféricos e são ativados por estímulos de vários inibição da geração do rito respiratório.
tipos (mecânicos, térmicos e químicos). A maioria  Depressão do reflexo da tosse: A supressão
dos neurônios de fibras não-mielinizadas (C*) é da tosse surpreendentemente, não se
associado as terminações nociceptivas polimodais relaciona com as ações analgésicas e
e transmite dor profunda, difusa e em queimação, depressoras dos opióides, e seu mecanismo
enquanto as fibras mielinizada (Aδ) transmitem ao nível dos receptores não está claro. A
dor aguda bem localizada. As fibras C* e Aδ codeína e a folcodina suprimem a tosse em
transmitem a informação nociceptiva proveniente doses subanalgésica, porém causam
do musculo e das vísceras, assim como as da constipação como efeito adverso.
pele. A lesão tecidual é a causa imediata da dor e  Náuseas e vômitos: Ocorrem em até 40%
resulta e liberação local de uma variedade de dos pacientes a quem se administra morfina, e
substâncias químicas que atuam sobre as não parecem ter efeitos separáveis do efeito
terminações nervosas, seja ativando-as analgésico entre uma variedade de analgésico
diretamente, ou potencializando sua sensibilidade opioides. O local de ação é a área postrema,
a outras formas de estimulação. região do bulbo e que muitos tipos de
estímulos químicos podem iniciar os vômitos.
OPIÓIDES Náuseas e vômitos após a injeção de morfina
O ópio é um extrato do suco da papoula, que geralmente são transitórios e persistem e
contém morfina e outros alcaloides relacionados. possam limitar a adesão do paciente. A
São usados para fins medicinais a milhares de administração aguda da morfina-6-glucuronida,
anos, como agente promotor de euforia, analgesia um metabolito ativo da morfina, pode produzir
e para evitar a diarreia. náuseas e vômitos, devido ao fato de ser mais
polar e não penetrar na área postrema, como a
Morfina morfina.
Os efeitos, mas importantes da morfina ocorrem  Constrição pupilar (miose): É causada por
no SNC e no TGI, embora tenham sido descritos estimulação do núcleo do nervo oculomotor
vários efeitos de significativos menores sobre mediado pelos receptores μ e k. Pupilas
outros sistemas. puntiformes são características para
 Efeitos no SNC: diagnosticar intoxicação por opioides, porque a
 Analgesia: Tem efeito na maioria dos tipos maioria das causas de coma e depressão
de dores agudas e crônicas, em geral, menos respiratória produz dilatação pupilar. A
eficaz nas síndromes de dor neuropática do tolerância não se desenvolve à constrição
que nas dores associadas à lesão tecidual, induzida pelos opioides e, portanto, pode ser
inflamação ou crescimento tumoral. Ela observado em usuários de drogas
também reduz o componente afetivo da dor. dependentes de opioides que estejam usando
 Euforia: A morfina causa potente sensação opióide por tempo considerável.
de contentamento e bem estar. É um  Efeitos no TGI: Os opióides aumentam o
componente importante de seus efeitos tônus e reduz a motilidade em muitas pares do
analgésicos, porque a agitação e a ansiedade sistema do TGI, resultando em constipação, eu
associadas a uma doença dolorosa ou pode ser grave e problemática para o paciente.
trauma, são assim reduzidos. O atraso resultante nos esvaziamento gástrico
pode retardar a absorção de outros fármacos.
A pressão no trato biliar aumenta em razão da
contração da bexiga e constrição do esfíncter PARACETAMOL
biliar. Os opioides devem ser evitados em Os fármacos anti-inflamatórios não esteroidais
pacientes que sofrem de dores biliares devido (AINEs) são usados para tratar afecções
a cálculos, nos quais pode ser aumentada ao inflamatórias dolorosas e para reduzir quadros
invés de aliviadas. febris. Ele difere dos outros AINEs por produzir
 Outras ações dos opióides: A morfina efeitos analgésicos e antipiréticos, enquanto lhe
libera histamina dos mastócitos através de faltam os efeitos anti-inflamatórios. Não possui a
ação não relacionada aos receptores opióide. tendência de outros AINEs para causar ulceração
A liberação de histamina pode causar efeitos gástrica e sangramento. O paracetamol é bem
locais, como urticária e prurido no local da absorvido por VO, e sua meia vida plasmática é
injeção, ou efeitos sistêmicos, chamados de cerca de 3 horas. É metabolizado por
broncoconstrição e hipotensão. O efeito hidroxilação, conjugação principalmente como
broncoconstritor pode ter serias glicuronideo e eliminado na urina. A
consequências para os pacientes asmáticos superdosagem de paracetamol causa grave lesão
,aos quais a morfina não deve ser hepática, comumente fatal, e o fármaco costuma
administrada. A hipotensão e a bradicardia ser usado em tentativas de suicídios.
ocorrem com doses elevadas da maioria dos
opioides, devido à ação sobre a medula. Com
a morfina e fármacos similares, a liberação
de histamina pode contribuir para a
hipotensão. Os efeitos no músculo liso são
leves embora possam ocorrer espasmos
uterinos, da bexiga e dos ureteres. Os
opioides exercem efeitos imunossupressores
complexos, e podem ser importantes, como
ligação entre o SN e a função imunológica.
 Tolerância e dependência: Os diferentes
mecanismos adaptativos celulares são
responsáveis pela tolerância e dependência.
Estes fenômenos ocorrem, sempre que os
opioides são administrados por mais que
alguns dias.
 Tolerância: A tolerância às muitas ações dos
opioides desenvolve-se em alguns dias, como
administração repetitiva. A rotatividade de
fármaco e frequentemente usado na clinica
para superar a perda da eficácia.
 Dependência física: Refere-se a
determinado estado em que a retirada do
fármaco causa efeitos fisiológicos adversos,
ou seja, síndrome de abstinência.
 Farmacocinética: A absorção da morfina por
VO é variável. A própria morfina é absorvida
sendo comumente administrada por via
intravenosa ou intramuscular para tratar dor
aguda, intensa, a morfina por via oral, costuma
ser usada para aumentar sua duração de
ação. A codeína é bem absorvida e
administrada por via oral. A maioria dos
fármacos parecidos à morfina passa por
considerável metabolismo de primeira
passagem, e, portanto, eles são muito menos
potentes quando usado por VO, e não
injetados. A meia vida plasmática da morfina é
de 3 a 6 horas. O metabolismo hepático é a
principal modalidade de inativação, geralmente
por conjugação com glicuronideo.
 Efeitos adversos: A superdosagem aguda
com morfina resulta em coma e depressão
respiratória, caracteristicamente com
constrição pupilar.
ANTIINFLAMATÓRIO As duas enzimas são homologas; no entanto, a
A inflamação é uma resposta normal de conformação para os sítios de ligação ao
proteção às lesões teciduais causadas por trauma substrato e regiões catalíticas é um pouco
físico, agentes químicos ou microbiológicos diferente.
nocivos. A inflamação é a tentativa do organismo
de inativar ou destruir os organismos invasores, Ex.: A COX2 apresenta um canal de substrato maior e mais
remover os irritantes e preparar o cenário para o flexível do que a COX1 que apresenta um espaço maior no
sítio de ligação dos inibidores.
reparo tecidual. Quando a recuperação está
completa, normalmente o processo inflamatório 2. Via da lipoxigenase: Alternativamente, muitas
cessa. Entretanto, pode ocorrer ativação impropria
lipoxigenases podem agir sobre o ácido
do sistema imune resultando em inflamações e
araquidônico para formar 5HPETE, 12HPETE
causando doenças imunomediadas, como a artrite
e 15HPETE, que são derivados peroxidados
reumatoide (AR*) A reação inflamatória está
instáveis e se convertem nos correspondentes
presente em quase todas as lesões produzidas no
derivados hidroxilados (Os HETES) ou em
organismo humano. As manifestações clínicas do
leucotrienos ou lipoxinas, dependendo do
processo inflamatório são dor, hiperalgésia,
tecido. Os fármacos antileucotrienos, como o
eritema, edema e limitação funcional. Os fármacos
zileutona, o zafirlucaste e o montelucaste, são
AINEs e celecoxibe (inibidor do COX 2).
uteis no tratamento da asma alérgica
moderada.
Prostaglandinas (PG´s)
Todos os AINEs inibem a síntese das PG´s.
 Bimatoprosta e latanoprosta: A latanoprosta
Assim, para entender os AINEs, precisamos
é um análogo da PGF2 indicado para o
compreender a atividade e biossíntese da PG´s.
tratamento do glaucoma de ângulo aberto e
As PG´s e os compostos relacionados são
pressão intraocular alta. O bimatoprosta
produzidos em mínimas quantidades por
mimetiza as prostamidas endógenas
praticamente todos os tecidos. Geralmente atuam
resultando na mesmo redução da pressão
localmente nos tecidos, onde são sintetizados,
intraocular eficaz. Assim, o bimatoprosta
sendo rapidamente metabolizados em produtos
aumenta a proeminência, o comprimento e a
inativos nos seus locais de ação. Eles não
pigmentação dos cílios e também esta
circulam em quantidades significativas no sangue.
aprovado para o tratamento da hiposicose dos
 Síntese: O ácido araquidônico é o principal
cílios.
precursor da PG´s e dos compostos  Mecanismo de ação: Fixando-se ao receptor
relacionados. Está presente em componentes
FP das PG´s, latanoprosta e travoprosta
dos fosfolipídios das membranas celulares. O
aumenta o efluo uveoescleral diminuindo a
acido araquidônico livre é liberado dos
pressão intraocular. O efeito do bimatoprosta
fosfolipídios teciduais pela ação da fosfolipase
é similar.
A2 e outra acidrolases por um processo
 Efeitos adversos: As reações oculares
controlado por hormônios e outros estímulos.
incluem visão turva, alteração na coloração
Existem duas vias para a síntese de
íris (aumenta a pigmentação marrom),
eicosanoides a partir do ácido araquidônico:
aumento do número e pigmentação dos
1. Via da ciclo-oxigenase: Todos os
cílios, irritação ocular e sensação de corpo
eicosanoides com estrutura de anéis (PG´s,
estranho,
tromboxanos e prostaciclinas) são
sintetizados pela via da ciclo-oxigenase.
Temos duas isoformas relacionadas das
enzimas ciclo-oxigenase.
a. Ciclo-oxigenase1 (COX1): Responsável
pela produção fisiológica de prostanóides. A
COX1 é uma enzima constitutiva, regulando
os processos celulares normais, como a
citoproteção gástrica, a homeostase
vascular, a agregação plaquetária e as
funções reprodutiva e renal.
b. Ciclo-oxigenase2 (COX2): Provoca a
produção elevada de prostanóides que
ocorrem em locais de doença e inflamação
crônica. A COX2 é expressa de forma
constitutiva em tecidos, como cérebro, rins e
ossos. Sua expressão em outros locais
aumenta durante os estados inflamatórios
crônica.
 Ação terapêutica: As PG´s tem papel  Ibuprofeno: Possui atividade anti-inflamatória,
principal na modulação da dor, inflamação e analgésica e antipirética, além disso, podem
febre. Também controla funções, como alterar a função das plaquetas e prolongar o
secreção ácida e a produção de muco no TGI, tempo de sangramento. São inibidores
a contração uterina e o fluxo de sangue nos irreversíveis da ciclo-oxigenase, inibindo a
rins. As PG´s também estão entre os síntese de PG´s, mas não de leucotrienos. É
mediadores químicos liberados nos processos bem absorvido por VO, ligando-se quase que
alérgicos e inflamatórios. totalmente à albumina plasmática. Sofrem
 Ação anti-inflamatória: Os AINEs inibem a biotransformação hepática e são excretados
ciclo-oxigenase e, consequentemente, pelos rins.
provocam a redução das PG´s vasodiladoras  Efeitos adversos: Os mais comuns são no
(PGE2 e PGI2) e que está associado a menor TGI, variando desde dispepsia até
vasodilatação e, indiretamente, menos sangramento. Também foram registrados
edema. Não há redução de acumulo de efeitos adversos envolvendo o SNC, como
células inflamatórias, porem os AINEs cefaleia, zumbidos e tonturas.
impedem a saída do exsudato (enzimas,  Piroxicam e Meloxicam: Usados no
células de defesa, citocinas, proteínas do tratamento da AR* da espondilite anquilosante
complemento) o paracetamol não possui e da osteoartrite, apresenta meias-vias longas,
ação anti-inflamatória considerável. o que permiti a administração uma vez ao dia.
 Ação antipirética: Devido, a diminuição da O fármaco original e os metabólitos são
PGE2 que é responsável pela elevação do excretados pelos rins na urina. o meloxicam
ponto de ajuste hipotalâmico para o controle inibe a COX1 e a COX2, com ligação
de temperatura na febre. Os anti-inflamatórios preferencialmente a COX2 e em doses baixas
ativam o hipotálamo e este induz a expressão a moderadas, provoca menos irritação do TGI
de COX2 que produz as PG´s. do que o piroxicam. A excreção do meloxicam
 Ação analgésica: A diminuição de PG´s é realizada principalmente na forma de
significa menos sensibilização das metabolitos e ocorrem igual proporção na urina
terminações nervosas nociceptivas a e nas fezes.
mediadores inflamatórios, como a bradicinina.
O alivio da cefaleia é devido à menor
vasodilatação cerebral mediada pelos PG´s.
as PG´s são responsáveis por diminuir o
limiar de excitabilidade dos nociceptores das
fibras C e Ag responsáveis pela sensação de
dor.
 Salicilatos (AAS): O ácido salicílico foi
descoberto devido às suas ações antipiréticas
e analgésicas. A aspirina provoca inativação
irreversível da COX1 e COX2. Também é eficaz
em baixas doses, em distúrbios
cardiovasculares devido a sua ação
antiplaquetária. Os tipos de dores que são
aliviadas pelos salicilados são de pouca
intensidade e originam-se mais de estruturas
tegumentares que das vísceras, especialmente
cefaleia, mialgia e artralgia.
 Efeitos adversos: Desconforto epigástrico,
náuseas, vômitos. Não pode ser usados em
pacientes hemofílicos ou que usam heparina
ou anticoagulantes orais, devido ao risco de
hemorragias. A ingestão de salicilados causa
o prolongamento do tempo de sangramento.
Este efeito é devido à acetilação irreversível
da cicloxigenase plaquetária e a consequente
redução da formação de tromboxano A 2.
FARMACOLOGIA ANTIFÚNGICA Inibidores da síntese de DNA
Os fungos são células eucarióticas sem  Flucitosina (5FC): Agente antifúngico sintético
mobilidade. Diferente das plantas eles não fazem que, administrado por VO, mostra-se ativo
fotossíntese e são de natureza parasitária. Tem contra uma gama limitada de infecções
parede celular rígida composta de quitina, um fúngicas sistêmicas, sendo eficaz em
polímero de N-acetil-glicosamina, em vez de infecções causadas por leveduras.
peptideoglinao. As membranas celulares fungicas Administrado só desenvolve resistência à
contém ergosterol, em vez de colesterol, droga durante o tratamento razão pela qual é
encontrados nas membranas de mamíferos. comum ser associada com anfotericina para
Essas características químicas são úteis no infecções graves, como a meningite. Isto se dá
tratamento das infecções bacterianas, e, ao devido ao fato de ocorrer mutações na citocina
contrário, as bactérias são resistentes aos permease ou citosina desaminase do fungo.
fármacos antifúngicos.  Mecanismo de ação: A 5FC é convertida no
As infecções fúngicas são chamadas de antimetabólito 5-fluoracil (5FU) por células
micoses, podem ser dividida em infecções dos fungos, mas não em células humanas. O
superficiais e sistêmicas. 5FU inibe a timidilato sintetase e, portanto a
 As infecções fúngicas superficiais: Podem síntese de DNA. Em geral, a flucitosina é
ser classificadas em dermatomicoses e administrada por infusão intravenosa, mas
candidíase. também pode ser usado por VO.
 As dermatomicoses são infecções da pele,  Farmacocinética: A 5FC é bem absorvida
dos cabelos e das unhas causadas por por VO. Distribui-se por toda a água corporal
dermatófitos. e penetra bem no LCR. A 5FC é detectável
 A candidíase superficial, o microrganismo em pacientes e resulta da biotransformação
leveduriforme infecta as mucosas da boca da 5FC pelas bactérias intestinais. A
(afta) ou da vagina ou pele. excreção do fármaco e seus metabolitos é
 As infecções sistêmicas (micoses por filtração glomerular, a dosagem precisa
profundas): Podem envolver órgãos internos ser ajustada em pacientes com função renal
ou acometer todo o organismo do hospedeiro, comprometida.
produzindo variado quadro anatomopatológico.  Efeitos adversos: A 5FC causa neutropênia,
Os fungos dimórficos estão muito associados a trombocitopenia reversível e depressão dose-
esta condição. dependente da medula óssea. Deve-se ter
Os agentes antifúngicos devem possuir quatro cautela e pacientes submetidos à radiação ou
características: quimioterapia com fármacos que deprimem a
1. Amplo espectro de ação contra uma variedade medula óssea. Pode ocorrer disfunção
de fungos patógenos; hepática reversível com elevação das
2. Baixa toxicidade farmacológica; transaminases êmese e diarreia, são comuns,
3. Múltiplas vias de administração; e pode ocorrer também grave enterocolite.
4. Excelente penetração no líquido
cefalorraquidiano. Inibidores da mitose
Os principais alvos moleculares da terapia  Griseofulvina: Agente antifúngico de pequeno
antifúngica consistem em enzimas e outras espectro. Interfere na mitose pela ligação com
moléculas envolvidas na síntese de DNA, na os microtúbulos fúngicos, pode ser usado para
mitose, na síntese de membrana plasmática e na tratar as infecções desmatofiticas da pele ou
síntese das paredes celular dos fungos. das unhas, quando o tratamento local é
ineficaz, tratamento precisa ser prolongado.
 Farmacocinética: é administrado oralmente
é pouco hidrossolúvel, e absorção varia com
o tipo de preparação; em partículas, o
tamanho da partícula. Ela é cantada
seletivamente pela pele recém-formada e
concentrada na queratina. A meia vida
plasmática é de 24 horas, porém ela fica
Figura 41: Os fármacos antifúngicos atualmente disponíveis retida na pele por muito mais tempo. Ela
atuam sobre alvos moleculares distintos. (a) núcleo; (b) As induz potencialmente as enzimas P450 causa
alilaminas, as benzilaminas, osimidazólicos e os triazólicos
inibem a via de síntese do ergosterol no retículo varias interações farmacológicas importantes.
endoplasmático. (c) As equinocandinas inibem a síntese da  Efeitos adversos: São frequentes, porém o
parede celular dos fungos. (d) Os polienos ligam-se ao
ergosterol na membrana fúngica e, portanto, rompem a
fármaco pode causar alterações gástricas,
integridade da membrana plasmática. A anfotericina é um cefaleia e fotossensibilidade. Reações
polieno representativo. (e) A flucitosina inibe a síntese de alérgicas (erupções cutâneas, febre) também
DNA do fungo. (f) A griseofulvina inibe a mitose dos fungos
através da ruptura do fuso mitótico. podem ocorrer. Não deve ser usado em
gestantes.
Inibidores da membrana Inibidores do ergosterol
 Nistatina: É um antibiótico macrolídeo Constituem um grupo de agentes fungistáticos
poliênico de estrutura semelhante à da sintéticos, com amplo espectro de atividade. Eles
anfotericina e com o mesmo mecanismo de inibem as enzimas P450 fúngicas responsáveis
ação, ela também atua mediante ligação ao pela síntese do ergosterol, o principal esterol
ergosterol e formação de poros nas encontrado na membrana das células fúngicas. A
membranas celulares dos fungos. Seu uso depleção de ergosterol altera a fluidez da
limita-se a infecções fúngicas da pele e do TGI membrana, interferindo na ação das enzimas
da pele da vagina. associadas à membrana. O efeito global consiste
 Anfotericina: É um antibiótico de estrutura em inibição da replicação.
complexa, caracterizada por um anel de átomo
de carbono com múltiplos membros. Ela liga- Inibidores da esqualeno epoxidase
se às membranas celulares e interfere na Estes fármacos atuam inibindo a esqualeno
permeabilidade e nas funções de transporte. epoxidase, resultando no bloqueio da biossíntese
Forma um poro na membrana, criando com a do ergoesterol, um componente essencial da
parte central hidrofílica da molécula um canal membrana celular dos fungos. Os agentes
iônico transmembranar. A anfotericina é ativa antifúngicos que inibem a esqualeno epoxidase
contra a maioria dos fungos e leveduras. são divididas em alilaminas e benzilaminas, com
Quando administrada por via oral, a bases nas suas estruturas químicas em
anfotericina é pouco absorvida, razão pela Terbinafina e naftifina são alilaminas, enquanto a
qual só é administrada por esta via para butenatina é uma benzilamina. As alilaminas e
infecções fúngicas do trato gastrintestinal. benzilaminas tópicas e mais eficazes que o
 Mecanismo de ação: Varias moléculas de azólicos tópicos contra dermatófitos comuns,
anfotericina se ligam ao ergosterol nas particularmente os que causam tinha do pé.
membranas plasmáticas das células dos  Terbinafina: É o fármaco de escolha para
fungos sensíveis. Ela formam poros (canais) tratar dermatofitose, especialmente da
que precisam de interações hidrofóbicas onicomicose. É bem mais tolerado, a duração
entre o segmento lipofílico do antibiótico do tratamento é menor e mais eficaz do que
polieno e o esterol. O poro desorganiza a com itraconazol.
função da membrana, permitindo o  Mecanismo de ação: Inibe a esqualeno
vazamento de eletrólitos e pequenas epoxidase do fungo, diminuindo, assim, a
moléculas, resultando na morte da células. síntese de ergoesterol, o que acumula
 Farmacocinética: É administrado por infusão grandes quantidades tóxicas e esqualeno,
IV lenta. Ela é insolúvel em água, e a determina a morte da célula fúngica.
preparação injetável precisa de adição de  Farmacocinética: Está disponível para
desoxicolato de sódio, que produz uma administração oral e tópica, embora sua
dispersão coloidal solúvel. A anfotericina se biodisponibilidade seja só 40%. Devido à
liga extensamente às proteínas plasmáticas e biotransformação de 1ª passagem. A
se distribui por odo o organismo, ligando-se absorção não aumenta com a alimentação.
extensamente aos tecidos. 99% da terbinafina liga-se às proteína
 Efeitos adversos: Tem baixo índice plasmáticas, deposita-se na pele, nas unhas
terapêutico. Pequenas doses podem ser e na gordura. Ela se acumula no leite e, por
administrados para avaliar o grau de resposta isso, não deve ser usado em gestantes. Te
negativa do paciente, com o anafilaxia ou longa meia-vida terminal de 200 a 400 horas,
convulsões. o que pode refletir a lenta liberação desses
. tecidos. A terbinafina oral é extensamente
biotransformada, antes da excreção urinária.
 Efeitos adversos: Os mais comuns são
distúrbio do TGI (diarreia, dispepsia e
náusea), cefaleia e urticária foi registrados
distúrbios de gosto e visão, e elevação
temporária das concentrações séricas de
enzimas. Todos esses efeitos adversos
cederam com a interrupção do fármaco.
 Naftifina: É um inibidor da esqualeno
epoxidase com amplo espectro de atividade
antifúngica. Só está disponível na forma
tópica, em creme ou gel.
Inibidores da 14α-esterol das metilase
Um alvo importante na via da síntese do
ergosterol é a 14α-esterol desmetilase, uma
enzima do citocromo P450 que converte o
lanosterol em ergosterol. A diminuição na síntese
de ergosterol e o acúmulo de 14α, etil esteróis
rompem as cadeias acil agrupadas dos
fosfolipídios nas membranas dos fungos. A
estabilização da membrana fúngica leva à
disfunção das enzimas associadas à membrana,
podendo levar, à morte celular. Os azólicos são
agentes antifúngicos que inibem a enzima 14α-
esterol. Os azois são compostos sintéticos que
podem ser classificados como imidazois ou
triazois de acordo com o número de átomo de
nitrogênio no anel zólico de 5 membros. Os
imidazois consistem no cetoconazol, no miconazol
e no clotrimazol. As duas substâncias são usadas
apenas na terapia tópica. Os triazois incluem o
itraconazol o fluconazol, o voriconazol e o
poaconazol.
 Cetoconazol: Foi o primeiro azol a ser
administrado por via oral no tratamento das
infecções fúngicas sistêmicas. É bem
absorvido pelo trato gastrointestinal, seu
principal risco é a sua alta toxicidade.
 Fluconazol: É administrado por via oral ou por
intravenosa. Pode tornar o fármaco de primeira
escolha na maioria dos tipos de meningite
fúngica.
 Itraconazol: Está disponível em formulações
orais e intravenosas. É administrado por via
oral e, após absorção, sofre extenso
metabolismo hepático. Não penetram no
líquido cefalorraquidiano. A hepatoxicidade
constitui o principal efeito adverso associado à
terapia com itraconazol.

Inibidores da parede celular


Os componentes chave da parede celular dos
fungos são as quitinas, o β-(1,3)-D-glicono, o β-
(1,6)-D-glicano e as glicoproteínas da parede
celular. Os componentes da parede celular
representam alvos exclusivos para a terapia
antifúngica, os agentes usados são em geral
atóxicos.
 Equinocandinas: Seu alvo principal é a
síntese da parede celular fúngica através da
não-competitiva da síntese de β-(1,3)-D-
glicanos. A ruptura da integridade da parede
celular resulta em estresse osmótico, lise da
célula fúngica e, morte do fungo. Os três
agentes antifúngicos dessa classe são a
Caspofungina, a Micafungina e a
Anidulafungina, todos lipopeptídios
semissintéticos derivados de produtos animais.
FARMACOLOGIA ANTIMICROBIANA Inibição da parede celular
Antimicrobiano substância que mata ou inibe o O mais importante mecanismo da atividade dos
desenvolvimento de microrganismos, como antibióticos é a interferência com a síntese da
bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A terapia parede celular, e classificados como antibióticos β-
antimicrobiana baseia-se em 4 objetivos: lactâmicos, são assim chamados porque
1. Identificar e caracterizar o patógeno e seleção compartilham uma estrutura de anel β-lactâmico.
de droga baseada nos locais de infecções e Outros antibióticos podem interferir com a
nas lesões; construção da parede celular bacteriana, incluindo
2. Obtenção de concentrações efetiva do a vancomicina, doplomicina e a bacitracina.
antimicrobiano indicado por um período no
local da infecção; β-lactâmicos
3. Seleção de frequência e de proporção de Inibe a síntese da parede celular das bactérias,
dosagem e da via de administração do eles inibem a ligações cruzadas dos polímeros de
antimicrobiano, e da duração da terapia; mureína. O elemento chave desse mecanismo de
4. Fornecimentos de terapia de suporte, ação é um anel β-lactâmico de quatro membros os
apropriados para aumentar a capacidade de β-lactâmicos são divididos em quatro famílias.
superar a infecção e as alterações associadas.  Penicilina: Foi o primeiro antibiótico
Interferem nos microrganismos, mantendo-os ou descoberto, atua na síntese da parede celular
inibindo seu metabolismo ou sua reprodução, bacteriana. São os fármacos mais usados e
permitindo que o sistema imunológico destrua o menos tóxicos conhecidos, o aumento da
microrganismo. Os antibióticos bactericidas resistência limitou o seu uso.
destroem as bactérias, enquanto os antibióticos  Mecanismo de ação: É a interferência na
bacteriostáticos evitam apenas que elas se síntese do peptidoglicano da parede celular
multipliquem e permitem que o organismo elimine bacteriana, após se ligarem a proteína de
as bactérias resistentes. ligação da penicilina. Elas interferem nas
enzimas transpeptidases responsáveis pela
Mecanismo de ação formação da ligação cruzada entre o
O objetivo da terapia farmacológica filamento peptidoglicânicos.
antimicrobiana é a toxicidade seletiva, que é a  Farmacocinética: Sua via de administração
inibição e a replicação de patógenos em é determinada pela estabilidade do fármaco
concentração do fármaco abaixo da necessária ao suco gástrico e a gravidade da infecção. A
para afetar as vias do hospedeiro. Os quatro maior parte da penicilina é incompletamente
mecanismos básicos de ação dos antibióticos são: absorbida por VO e alcança o intestino em
1. Ruptura da parede celular: Por inibição da quantidade suficiente para afetar a
síntese de peptídeoglicanos; composição da flora intestinal. É bem
2. Inibição da síntese das proteínas distribuído pelo organismo, todos atravessam
bacterianas: Exerce sua ação antimicrobiana a barreira placentária, mas nenhum
agindo sobre o ribossomo. apresentou teratogênia. A via de excreção é
3. Interferência no metabolismo normal: Inibi por meio do sistema de ácido orgânico no
um precursor na síntese de ácido fólico túbulo renal, bem como filtração glomerular.
necessário para a síntese do DNA e RNA São excretados no leite.
bacteriano.  Reações adversas: As penicilinas estão
4. Interrupção da síntese do ácido nucleico: entre os fármacos mais seguros, e os níveis
Inibi enzimas responsáveis pela transcrição ou sanguíneos não são monitorados. A
a replicação do genoma. hipersensibilidade é o efeito adverso mais
importante das penicilinas. A diarreia é
causada pela ruptura no equilíbrio normal
entre os microrganismos intestinais, é um
problema comum. Todas as penicilinas tem
potencial de causar nefrite intersticial se
injetadas intratecalmente. E observado
diminuição da coagulação.

Figura 43:principais modos de ação dos antibióticos: (1)


inibidores da síntese de folato: sulfonamidas, trietoprina; (2)
inibidores da síntese da parede celular: antibióticos β-
lactamicos: penicilina, cefalosporina, carbanemos e
monobactamicos; (3) inibidores da DNAgirase:
fluoroquinolona; (4) inibidores do RNApolimerase: rifamicina;
(5) inibidores da síntese de proteínas: tetraciclinas,
aminoglicosideos e macrolideos.
 Cefalosporina: São estruturalmente diferentes  Monobactamico (Aztreonam): São ativos
das penicilinas pela presença de um anel contra a maioria das bactérias G-negativas,
acessório. As Cefalosporina de primeira porém carece de atividade contra
geração são ativas contra espécie gram- microrganismos G-positivos. A Aztreonam é
negativas bem como contra os bacilos gram- usada em pacientes alérgicos à penicilina.
negativos como Proteus mirabilis e E. Coli, que  Mecanismos de ação: Interfere na
causam infecção no trato urinário. Esses biossíntese da parede celular bacteriana, é
agentes são sensíveis a muitas β-lactamases. capaz de atravessar facilmente a membrana
 Mecanismo de ação: É idêntico ao da externa das bactérias G-negativas aeróbias e
penicilina, interferem na síntese de apresenta grande afinidade pelo tipo 3 das
peptidioglicanos bacterianos após as ligações proteínas especificas que se ligam às
às proteínas de ligação de β-lactâmicos. penicilinas. Esse tipo de afinidade faz com
 Farmacocinética: Varias cefalosporina que as bactérias se tornem filamentosas,
precisam ser administradas por via IV ou IM percam a capacidade reprodutora e morram.
devido à sua pouca absorção oral. São bem  Farmacocinética: Por não ser absorvido por
distribuído nos líquidos corporais. A VO é administrados por via IM ou IV. Sua
eliminação ocorre por meio de secreção biodisponibilidade e 100% na via IV. Ela se
tubular ou filtração glomerular. lisa as proteínas plasmáticas na taxa de 56%.
 Efeitos adversos: Produzem vários efeitos O aztreonam atravessa a placenta e é
adversos, alguns dos quais são próprio da excretada pelos rins, por filtração glomerular
cefalosporina individuais. As cefalosporina e secreção tubular.
devem ser evitados ou usadas com cautela e  Efeitos adversos: São semelhante a outros
indivíduos que são alérgicos às penicilinas. β-lactamicos. Foi registrados os seguintes
efeitos colaterais: dos e flebite no local da
 Carbanemos: São β-lactâmicos sintéticos, injeção IV, desconforto do TGI, náuseas,
estruturalmente se diferencia das penicilinas, diarreia e exantemas.
porque o átomo de enxofre do anel
tiazolidinico foi externalizado e substituído por  Vancomicina: É um glicopeptídeo adquiriu
carbonos. importância devido a sua eficácia contra
 Mecanismo de ação: Também inibe a microrganismos de resistência múltiplas, como
biossíntese da parece celular bacteriana, os SAMRs e os enterococos.
apresenta certas peculiaridades nesse  Mecanismo de ação: Ela inibe a síntese de
sentido, além de ser rapidamente bactericida fosfolipídios da parede celular bacteriana,
para as bactérias sensíveis. Exerce seu efeito bem como a polimerização do
antibacteriano ligando-se a proteínas pepdideoglicano de modo tempo-dependente,
especificas que acoplam penicilina, em ligando-se cadeia lateral do pentapeptideo
bactérias G-positivas e G-negativas, precursor. Isso impede a etapa de
produzindo esferoplasto, forma de transelicosilação na polimerização do
degradação da bactéria. peptideoglicano, enfraquecendo, a parede
 Farmacocinética: É degrada pelo suco celular e lesando a membrana celular
gástrico e não é absorvido após subjacente.
administração oral por isso é administrados  Farmacocinética: Infusão por IV lenta de
por via IV e penetram bem os tecidos e vancomicina é usada no tratamento de
líquidos corporais, se liga às proteínas infecções sistêmicas ou profilaxia. Como a
plasmáticas na taxa de 50%. São excretados vancomicina não é absorvida pela VO, essa
por filtração glomerular. via só é usada no tratamento da colite. A
 Efeitos adversos: Pode causar náusea, biotransformação do fármaco é mínima, e 90
êmese e diarreia, eosinofilia e neutropênia a 100%. É excretada na filtração glomerular.
são menos comuns que com outro β-  Efeitos adversos: Incluem febre, calafrios ou
lactamicos. Níveis altos podem causar flebite no local da infusão ruborização e
convulsões. choque resulta da liberação de histamina
associado com a infusão rápida.
Inibidores da β-lactamase Antiácidos com alumínio e magnésio interferem
A hidrolise do anel β-lactâmicos, seja por em sua absorção. As meias vidas varias de 3 a
hidrolise enzimática com β-lactamase, ou por 10 horas. A maioria das fluoroquinolonas são
ácidos, destrói a atividade antimicrobiana dos β- eliminados por mecanismos renais, quer secreção
lactâmicos. Inibidores de β-lactamase, como ácido tubular, quer filtração glomerular.
clavulânico, contém um anel β-lactâmicos, mas  Efeitos adversos: Os mais comuns são as
por si não tem atividade antibacteriana. Ligam-se alterações no TGI e as erupções cutâneas.
e inativam as β-lactamase, protegendo, assim, os Também ocorrem sintomas no SNC, coo
antibióticos que normalmente seriam substratos cefaleia e tonturas, assim como, convulsões
dessas enzimas. São formulados em associação associadas e alterações do SNC. Pode
com os antibióticos β-lactamase suscetíveis. comprometer a cartilagem e crescimento e
provocar artropatia.
Inibidores da topoisomerase
Atua através da inibição das topoisomerases, Inibidores da transcrição
são enzimas isomerases que atuam sobre a É efetiva contra bactérias que resistem em
topologia do DNA. Inibição das topoisomerases fagossomos, visto que é bactericida para bactérias
Tipo 1 e Tipo 2 interferem tanto na transcrição tanto intracelulares quanto extracelulares.
quanto na replicação do DNA controlando o super
enrolamento do DNA.  Rifampicina: São ativas contra
 Quinolona: Inibem a topoisomerase tipo 2 microrganismos Gpositivos, algumas cepas de
bacteriana. As fluroquinolonas são muito bactérias Gnegativas.
usadas no tratamento de infecções  Mecanismos de ação: A rifampicina exerce
urogenitais, respiratórias e gastrintestinal sua atividade através da formação de um
comuns causadas por microrganismos G- complexo estável com a RNApolimerase DNA
negativos. dependente bacteriana, inibindo a síntese de
 Mecanismo de ação: O alvo das quinolonas RNA. O fármaco permite o inicio da
consiste na DNA-girase e na topoisomerase 4 transcrição mais bloqueia o alongamento
bacteriana. As fluoroquinolonas são potentes quando o RNA nascente atinge um
bactericidas contra a E. coli e várias espécies comprimento de 2 a 3 nucleotídeos a
de Salmonella, Shigella, Enterobacter. As rifampicina é administrada em associação
quinolonas são bem absorvidas após com outros fármacos antituberculosos.
administração oral e distribuem-se  Efeitos adversos: A rifampicina é
amplamente pelos tecidos do corpo. geralmente bem tolerada e produz poucos
 Farmacocinética: A meia vida sérica varia de efeitos colaterais.
3-5 horas para o norfloxacino e o
ciprofloxacino até 20 horas.  Sulfonamidas: Representam o primeiro grupo
 Efeitos adversos: As quinolonas tendem a de antibióticos usados para tratar infecções
ser neutra, e pode causar convulsões em bacterianas. O termo sulfonamida, ou sufas, é
altas doses, raramente ocorre vômito e usado como denominação genérica dos
diarreia. derivados do p-aminobenzoico (PABA).
 Mecanismo de ação: Sendo um análogo do
 Fluoroquinolonas: São ativos contra varias PABA, precursor essencial na síntese do
bactérias Gpositivas e Gnegativas. Incluem os ácido fólico necessário para a síntese do
agentes de largo espectro ciprofloxacino, DNA e RNA bacteriano, ela compete com o
levofloxacino e norfloxacino. Esses agentes PABA pela enzima di-hidropteroato sintetase.
inibem a topoisomerase 2 (uma DNA-girase As sulfas são bacteriostática.
bacteriana).  Farmacocinética: É administrada oralmente
 Mecanismo de ação: Elas bloqueiam a e, é bem absorvida e bem distribuída pelo
síntese de DNA ao inibir a topoisomerase 2 e corpo, as sulfas são ligadas a albumina
4. Essa inibição impede o relaxamento do sérica em extensão depende do pKa do
DNA superespiralado, o que é necessário fármaco em particular. Em geral, quanto
para a transcrição e replicação normais. A menor o pKa, maior a ligação. Atravessa a
inibição da topoisomerase 4 interfere na barreira placentária e entrar nos tecidos
separação do DNA cromossomial replicado fetais. Sua metabolização ocorre
nas respectivas células filhas durante a principalmente no fígado. São eliminados por
divisão celular. filtração glomerular obrigando ajuste da
 Farmacocinética: depois da administração dosagem quando a função renal está
oral, são bem absorvidas e se distribuem bem diminuída. Também pode ser eliminados no
nos líquidos e tecidos orgânicos, se leite.
acumulam em vários tecidos, principalmente
nos rim, na próstata e no pulmão.
 Efeitos adversos: São sérios, necessitando  Efeitos adversos: Alterações do TGI são
da interrupção de tratamento, incluem comuns e desagradáveis, porem não são
hepatite, reações de hipersensibilidade, graves. Com a eritromicina, foi relatadas:
depressão da medula óssea e falência renal reações de hipersensibilidade, audição e,
aguda devido a nefrite intersticial ou raramente, icterícia. Pode ocorrer infecções
cristalúria. O ultimo efeito resulta da oportunistas do TGI e vagina.
precipitação de metabolitos acetilados na
urina. Pode ocorrer cianose causada pela  Clorafenicol: É um antibiótico de amplo
meta-hemoglobunemia. Efeitos adversos espectro, ele é usado no tratamento da febre
moderados incluem náusea, cefaleia e tifoide, meningite bacteriana e ricktisioses.
depressão.  Mecanismo de ação: O clorafenicol liga-se
ao RNAr 23s e inibe a formação das ligações
Inibidores da tradução peptídicas, aparentemente ao ocupar um sítio
O alvo dos inibidores da tradução é a subunidade que interfere no posicionamento do aminoacil
30S ou 50S do ribossomo bacteriano, além dos do RNAt no sítio A.
efeitos inibitórios sobre os ribossomos  Farmacocinética: Depois da administração
bacterianos, os inibidores da síntese proteica VO, o clorafenicol é absorvido de forma
podem afetar os ribossomos mitocondriais de rápida e completa. Distribui-se amplamente
mamíferos ou ambos. A inibição completa da por quase todos os tecidos e líquidos
síntese proteica não é suficiente para matar uma orgânicos, inclusive para o SNC e para o
bactéria. líquido cérebro espinal. O fármaco é inativado
por conjugação com o acido glicurônico
Subunidade 50S (principalmente no fígado) ou por redução
Os agentes antimicrobianos dirigidos contra as para inativas as aril aminas. O clorafenicol e
subunidades ribossômicas 50S mais usadas são seus produtos da degradação e inativos são
os macrolidios, o cloranfenicol e as linsosimidas, eliminados na urina. Uma pequena
ligam-se a uma pequena região do RNAr 23S quantidade é excretada na bile e nas fezes.
próximos ao contra ativo da peptídeo transferase.  Efeitos adversos: O clorafenicol é muito
tóxico, umas manifestação dessa toxicidade é
 Macrolideos: São muito usados no tratamento a síndrome do bebê cinzento, que pode
de infecções pulmonares, incluindo a doença ocorrer quando se administra clorafenicol em
dos legionários. Os principais macrolideos são altas doses a recém-nascidos.
a eritromicina, a claritromicina e a azitromicina.
 Mecanismo de ação: Os macrolideos são Aminoglicosídios (30S)
antibióticos que bloqueiam a etapa de Usadas no tratamento de infecções causadas por
translocação da síntese proteica ao atuar bactérias G-negativas administrada por VP. Os
sobre o alvo do RNAr 23s da subunidade 50s aminoglicosidios incluem a estreptomicina, a
bloqueando o túnel de saída de onde sai os neomicina, a netilmicina, a tobramicina, a
peptídeos nascentes. gentamicina e a amicacina. Os aminoglicosidios
 Farmacocinética: São administrados por ligam-se ao RNA-16S da subunidade 30S e
VO. Também pode ser administrado produzem efeitos sobre a síntese proteica que
parenteralmente, embora as injeções dependem da concentração de fármaco. Os
intravenosas podem ser seguidas por aminoglicosidios interferem na função da
tromboflebite local. Todos dessa classe subunidade 30S de decodificação do RNAm em
difundem-se pela maioria dos tecidos, porem altas concentrações os aminoglicosidios são
não cruzam a barreira hematoencefalica e há bactericidas, atua de forma sinérgica com outros
pouca penetração no liquido sinovial. A meia agentes, como os β-lactamicos. A explicação para
vida da eritromicina é de cerca de 90 minutos, esse sinergismo é que a inibição da síntese da
a claritromicina e tres vezes maior, a parede celular aumenta a entrada de
azitromicina é 8 a 16 vezes maior. Os aminoglicosidios nas bactérias.
macrolideos entram e, concentram-se nos
fagócitos, as concentrações de azitromicina
nos lisossomos dos fagócitos podem ser 40
vezes maiores que as sanguínea, elas podem
reforçar a destruição fagocítica intracelular
das bactérias. A eritromicina é parcialmente
inativada no fígado, a azitromicina é mais
resistente à inativação, e a claritromicina é
convertida num metabolito ativo. Sua inibição
do sistema citocromo P450 pode afetar a
biodisponibilidade de outros fármacos.
 Tetraciclinas: São antibióticos de amplo
espectro, usado a muito tempo. Como o
próprio nome diz, consiste em 4 anéis
fusionados com um sistema de ligação dupla
conjugada.
 Mecanismo de ação: Atuam inibido a síntese
proteica. Sua entrada nos microrganismos
suscetíveis ocorre por difusão passiva e por
um mecanismo de transporte dependente de
energia exclusiva da membrana
citoplasmática interna da bactéria. Ligando-se
de modo reversível ao rRNA-16S da
subunidade 30S e inibem a síntese proteica
através do bloqueio da ligação do aminoacil
eRNA ao sítio-A sobre o complexo mRNA-
ribossomo, no local aceptor. Por esse
mecanismo, a síntese proteica bacteriana é
inibida.
 Farmacocinética: todas as tetraciclinas são,
mais completamente absorvida por VO. A
administração desses fármacos com
alimentos lácteos diminui a absorção devido a
formação de quelatos não absorvíveis das
tetraciclinas. Com íons cálcio. As tetraciclinas
se concentram no fígado, nos rins, no baço e
na pele e se ligam aos tecidos em
calcificação. A penetração nos líquidos
orgânicos é adequada. Todas se concentram
no fígado, onde parte são biotransformada e
conjugada para formar glicuronideos solúveis.
A tetraciclina e seus metabolitos são
secretados na bile, e a maioria é reabsorvida
no intestino pela circula entéro-hepático e
entram na urina por filtração glomerular.
 Efeitos adverso: Desconforto do TGI, o
distresse epigástrico resulta de irritação da
mucosa e com frequência é responsável pela
não aderência do paciente ao tratamento. O
desconforto pode ser controlado se o fármaco
e ingerido com alimentos, exceto lácteos. A
deposição no osso e na dentição primária
ocorre durante a calcificação nas crianças em
crescimento e causa coloração e hipoplasia
dos dentes e interrupção temporária do
crescimento.
FARMACOLOGIA ANTI-HELMÍNTICA Inibidores da polimerização tubulinica
Os helmintos compreendem dois grupos Os inibidores da polimeração da tubulina são
principais, os nematelmintos (nematoides, vermes compostos que atuam sobre os parasitas por
redondos) e os platelmintos (vermes achatados ou ligação à tubulinica, a subunidade estrutural
planos). O último grupo está subdividido nos proteica dos microtúbulos. A molécula de tubulina
trematódeo (fascíolas e cestóideos (tênias). Os é um heterodímero constituído por duas proteína
seres humanos constituem os hospedeiros muito relacionada a tubulina-β e a tubulina-α. A
primários na maioria das infecções helmínticas. As afinidades desses inibidores é o principal fator que
drogas modernas apresentam larga margem de determina a atividade antiparasitária. Os
segurança, uma atividade considerável contra os microtúbulos, estruturas que compõem o
estágios imaturos ou larvais dos parasitas e um citoesqueleto das células, modificam-se por
amplo espectro de atividade. Os anti-helmínticos processos de polimerização e despolimerização da
devem ter um amplo espectro de atividade contra proteína tubulina. A ligação dos inibidores
os parasitas adultos e imaturos, ser de fácil seletivamente a subunidade de tubulina-β do
administração; ter larga margem de segurança e parasita modifica o padrão da sua
ser compatível com outros compostos, não exigir despolimerização para formação dos microtúbulos,
grandes períodos de retiradas devido a resíduos e interrompendo processos vitais para a função
ser econômicos. celular, como a divisão mitótica, o transporte de
 Mecanismo de ação: Os anti-helmínticos nutrientes e alterações na forma da célula.
precisam ser seletivamente tóxicos ao
parasita. Isso é alcançado por propriedades 1. Benzimidazois: Os benzimidazois inibem a
farmacocinéticas inerentes ao composto, que polimerização tubulinica, e inibição do
fazem com que o parasita fique exposto a transporte e do metabolismo energético é
concentrações mais altas do anti-helmíntico consequência de insuficiência da função
que as células do hospedeiro, ou inibição dos microtubular. São agentes de amplo espectro,
processos de ação fisiológico dos anti- que formam um dos principais grupos de anti-
helmínticos. helmínticos usados na clínica. Exercem ação
 Bases farmacológicas: O tratamento contra inibitória seletiva sobre a função microtubular
helmintos envolvem a interferência num ou dos helmintos. Eles ligam-se à β-tubulina livre
ambos processos energéticos, causando inibindo a sua polimerização e, assim,
inanição de parasita, ou na coordenação interferem na captação de glicose dependente
neuromuscular, levando à paralisia e a de microtúbulos. Esses compostos tem largo
subsequente expulsão do parasita. O fármaco espectro de atividade e são contra larvas
para ter ação precisa, penetrar na cutícula dos adultas e ovos. Neles incluem o mebendazol,
vermes ou ter acesso a seu trato alimentar. Os albendazol e tiabendazol.
anti-helmínticos atuam produzindo paralisia do
verme ou lesar a sua cutícula, resultando em  Mebendazol: Representa progresso no
digestão parcial ou rejeição do verme por arsenal terapêutico anti-helmíntico, tanto por
mecanismos imunológicos. sua eficácia e tolerabilidade e por seu amplo
1. Processos energéticos: Vários anti- espectro de ação contra nematoides.
helmínticos afetam direta ou indiretamente os  Mecanismo de ação: Atua inibindo a síntese
processos energéticos. de microtúbulos, interferindo em sua
2. Inibidores da polimerização tubulínica: montagem, bem como diminuindo a captação
benzimidazóis e pró-benzimidazóis. de glicose. Por inibir a polimerização da
3. Desacopladores da fosforilação oxidativa: tubulina impede a motilidade e replicação do
salicilanilidas e fenóis substituídos. DNA de nematódeo, resultando em
4. Inibidores das enzimas da via glicolítica: alterações degenerativas em células
clorsulona. tegumentares e intestinais de helmintos e
5. Coordenação neuromuscular: pode ocorrer causando, imobilização e morte dos vermes.
uma interferência nesse processo devido a  Farmacocinética: Menos de 10%
inibição do esgotamento ou à mimetização administrado por VO é absorvido. O fármaco
dos neurotransmissores excitados, e resulta absorvido liga-se à proteína (>90%), é
na paralisia espática pela ação peristáltica convertido rapidamente em metabólitos
normal do hospedeiro. inativos e possui meia-vida de 2 a 6 horas. É
6. Inibidores colinesterásicos: organo- excretada em maior parte pela urina. Além
fosfonados, cumafos, crugomato, didorvos. disso, uma parte do fármaco absorvido e de
7. Agonistas colinérgicos: imidazotiazois, seus derivados é excretada na bile. A
levamisol e tetramisol, pirimidinas. absorção é aumentada quando ingerida com
uma refeição gordurosa.
 Efeitos colaterais: A terapia por curto prazo Desacopladores da fosforilação oxidativa
é quase isenta de efeitos adversos. Náuseas  Fenóis fenólicos: Bloqueiam a produção de
brandas, vômitos, diarreia e dor abdominal energia perdida pelo calor. Os fenóis são
raramente foram reportados. Os efeitos desacopladores da fosforilação oxidativa
colaterais raros, comumente com a terapia mitocondrial. Estes compostos impedem o
em doses altas, são reações de aproveitamento das reações de oxirredução
hipersensibilidade (exantema e urticária) para produção de ATP, sendo a energia
agranulocitose, alopécia e elevação das perdida sob a forma de calor. Os fenóis são
enzimas hepáticas. É contra indicado para desacopladores da fosforilação oxidativa, por
gestantes, pois revelou embriotoxicidade e facilitarem o retorno dos íons de H+ para a
teratogenicidade em animais de laboratórios. matriz mitocondrial, desfazendo assim o
gradiente de pH responsável pela síntese de
 Albendazol: É o mais recente fármaco ATP. Após o esgotamento de suas reservas
disponível, é um anti-helmíntico de amplo energéticas, os parasitas morrem por inanição.
espectro. É administrada por via oral. Fármaco Estes medicamentos causam também o
de escolha, aprovado nos EUA para tratar a desprendimento do escólex da mucosa
doença hidática e da cisticercose. Também são intestinal e das proglotes proximais do
usados no tratamento da oxiuríase e de cestódeo.
infecções por tênias, ascaridíase, tricuríase e  Salicilanilidas: Apresentam o mesmo modo
estrongiloidíase. de ação dos substitutos fenólicos, são
 Farmacocinética: Após administração oral, desacopladores da fosforilação oxidativa
ele é absorvido de forma erradica, e, em mitocondrial, interferindo na biotransformação
seguida, sofre metabolismo de primeira energética do parasita.
passagem no fígado, gerando o metabolito
ativo sulfóxido de albendazol. Alcança Coordenação neuromuscular
concentrações plasmáticas máximas em  Praziquantel: É um anti-helmíntico de amplo
cerca de 3 horas após uma dose de 400mg e espectro, trata-se da droga de escolha para o
possui meia-vida de 8 a 12 horas. O sulfóxido tratamento de todas as espécies de
fica, em sua maioria, ligado à proteína, esquistossomo, sendo eficaz na cisticercose.
distribui-se pelos tecidos e penetra na bile, no  Mecanismo de ação: Ele altera a
líquido cerebroespinal e nos cistos hidáticos. homeostasia do cálcio nas células do verme.
Os seus metabólitos são excretados na urina. Provocando contração da musculatura e, por
 Efeitos colaterais: Nos tratamentos de curto fim, resulta em paralisia e morte do helminto;
prazo é quase isento de efeitos colaterais  Farmacocinética: é rapidamente absorvida,
significativos. Desconforto epigástrico brando possui biodisponibilidade de cerca de 80%.
e transitório, diarreia, cefaleia, náuseas, Depois de administrado por VO. Sua
tontura mal-estar e insônia podem acontecer. concentração sérica máxima é alcançada de
Nos tratamentos de longo prazo, pode 1 a 3 horas depois de uma dose terapêutica.
provocar desconforto abdominal, cefaleia, Boa parte do fármaco é metabolizada nos
febre, fadiga, alopécia, aumento de enzimas produtos mono e poli-hidroxilados inativos
hepáticas e pancitopenia. depois de uma primeira passagem no fígado.
A excreção ocorre principalmente nos rins e
 Tiobendazol: Administrado duas vezes ao dia, na bile.
durante três dias, para infecções por  Efeitos colaterais: Consistem em distúrbios
Dracunulus e por estrongiloides, e por um gastrintestinais, tonteira, dor muscular e
período de até cinco dias para a triquinase e articular, erupções cutâneas e febre baixa.
para a larva migrans cutânea.
 Farmacocinética: É insolúvel em água, é  Piperazina: Pode ser usado no tratamento de
facilmente absorvido por VO. Sua infecções pela lombriga e pelos oxiúricos. É
concentração plasmática é 100 vezes maior uma alternativa no tratamento da ascaridíase,
do que a do mebendazol. É hidroxilado no com taxa de cura superior a 90% quando
fígado e excretado na urina. administrado por dois dias, não é recomentado
 Efeitos colaterais: São mais frequentes do para infecções por outros helmintos.
que os do mebendazol. São distúrbios  Mecanismo de ação: A piperazina inibe
gastrintestinais, não são comuns, e não reversivelmente a transmissão neuromuscular
exigem a interrupção do fármaco. no verme, provavelmente ao atuar como o
GABA, o neurotransmissor inibitório sobre os
canais do cloreto operado por GABA no
músculo do nematódeo. Os vermes são
expelidos ainda vivos.
 Farmacocinética: É prontamente absorvida, tem a capacidade de curar o hospedeiro humano
e os níveis plasmáticos máximos são com infestação por Onchorca volvulos.
alcançados em 2 horas. Boa parte do Mecanismo de ação: A droga paralisa o verme
fármaco é excretada inalterada na urina e 2 a ao abrir os canais de cloreto mediado pelo GABA
6 horas, sendo que a excreção está completa e ao aumentar a condutância do cloreto regulada
em 24 horas. pelo glutamato. O resultado consiste em bloqueio
 Efeitos colaterais: Os efeitos colaterais da transmissão neuromuscular e paralisia do
brandos ocasionais incluem náuseas, verme.
vômitos, diarreia, dor abdominal, tontura e
cefaleia. Em doses altas irrita a mucosa  Oxaminiquina: É ativo contra S. masoni,
gástrica, provocando vomito e dor abdominal. afetando as formas maduras e imaturas.
 Mecanismo de ação: Pode envolver a
 Pirantel: Anti-helmíntico de amplo espectro intercalação no DNA, e sua ação seletiva
altamente efetivo para tratar infecções por pode estar relacionada com a capacidade do
oxiúros, ascaridíase e trichostrongylos parasita de concentrar a droga.
orientalis.  Farmacocinética: Absorvido por VO deve ser
 Mecanismo de ação: É um agente administrado com o alimento. Tem meia-vida
bloqueador neuromuscular que provoca a de cerca de 2 horas, é muito metabolizado
liberação de Ach e a inibição da em metabolito inativo e excretado na urina.
colinesterase; resultando na paralisia dos  Efeitos colaterais: Consistem em tonteira e
vermes, seguido por sua expulsão. cefaleia transitória, cuja ocorrência é relatada
 Farmacocinética: É mal absorvido no TGI. em 30 a 95% dos pacientes.
Os níveis plasmáticos máximos são
alcançados em 1 a 3 horas. mais da
metade da dose administrada é
recuperada inalterada nas fezes.
 Efeitos colaterais: São raros, brandos e
transitórios. Incluem náuseas, vômitos,
diarréira, cólicas abdominais, tontura,
sonolência, cefaleia, insônia, exantema,
febre e fraqueza.

 Niclosamida: Era a droga de escolha para o


tratamento da teníase, foi substituído pelo
praziguantel.
 Mecanismo de ação: Lesa irreversivelmente
o escólex e o segmento proximal. O verme
separa-se da parede intestinal e é expelido.
 Farmacocinética: Sua absorção no TGI é
desprezível.
 Efeitos colaterais: São raros e transitórios,
podem ocorrer náuseas e vômitos.

Levamisol: É eficaz nas infecções por lombriga,


exerce ação semelhante à nicotina, estimulando e,
bloqueando as junções neuromusculares. Os
vermes paralisados são, então, eliminados nas
fezes e os ovos são destruídos.
O levamisol atravessa a barreira
hematoencefálica, seus efeitos indesejáveis são
poucos.

Ivermectina: É um agente semissintético derivado


de um grupo de substâncias naturais, obtidos de
um actnomiceto. Esse fármaco possui potente
atividade anti-helmíntica contra microfilárias no
homem, constituindo a droga de escolha no
tratamento da oncocorose, que causa a cegueira
dos rios. O fármaco é usado para prevenir a lesão
ocular mediada pelas microfilárias e diminuirá a
transmissão entre seres humanos e vetores, não
• Agonistas dos receptores opióides;
• AINE;
• Antidepressivos tricíclicos;
• Anticonvulsivantes;
• Antagonistas dos receptores NMDA;
• Agonistas adrenérgicas.
• Agonistas dos receptores 5HT1.

Agonistas dos receptores opióides


São usados no controle da dor moderada a
intensa. A Morfina continua sendo muito usada,
nos últimos anos foram usadas na dor crônica não
causada por câncer. Eles produzem analgesia
através de sua ação sobre os receptores opioides
ANESTÉSICOS µ. Os locais de ação incluem o cérebro, o tronco
Vêm do grego AN=sem e AISTHESIS=sensação. encefálico primário. A morfina é metabolizada no
fígado, e o seu metabolismo de 1ª passagem
ANESTÉSICOS LOCAIS diminui a sua disponibilidade oral. a semelhança
Os anestésicos locais (AL) são um conjunto de da morfina, a codeína é um agonista dos
substâncias químicas aplicadas localmente, com receptores opióides de ocorrência natural. Embora
estruturas moleculares parecidas, capazes de seja menos efetiva que a morfina no tratamento da
inibir as sensações e prevenir o movimento. A AL dor, a Codeína costuma ser usada pelos seus
refere-se à perda de sensação numa região efeitos antitussivo (supressor de tosse) e
limitada do corpo. antidiarreico.
Os AL´s exercem efeito através do bloqueio dos Os compostos semissintéticos Oxicodona e
canais de sódio regulados por voltagem, inibindo, Hidrocodona são análogos a codeína mais efetiva.
as propagações dos potenciais de ação ao longo
dos neurônios a partir desse bloqueio AL inibiram Codeína
a transmissão da informação para o SNC. Referência: Cuidem (Cristália);
As sensações que vêm da periferia para o SNC O que é: antitussígeno e analgésico;
(aferente) e as mensagens que o SNC envia para Para que serve: dor e tosse;
a periferia (eferente) deixam de ser conduzidas Como age: a codeína liga-se a receptores
pelo nervo sob ação do AL, desaparecendo as opiáceos no SNC inibindo a chegada de impulsos
varias formas de sensibilidade (tátil, térmica e dolorosos. Por ação central suprime o reflexo da
dolorosa) e a atividade motora da área em que se tosse.
distribui o nervo ou grupo de nervos bloqueados. Riscos na gravidez: C;
Os AL´s apresentam algumas propriedades Não usar o produto: alergia a opioide, depressão
desejáveis: respiratória aguda, íleo paralítico, criança menor
• Bloqueio reversível do nervo, sem risco de de 4 anos;
produzir lesão permanente; Risco X benefício: abdômen agudo, idoso ou
• Irritação mínima para os tecidos em que são paciente debilitado, insuficiência hepática ou renal,
injetadas; doença de Addison, hipotireoidismo, hipertrofia
• Boa difusibilidade através dos tecidos, para que prostática, colite pseudomembranosa, aumento
sejam atingidos os nervos a que são destinados; prévio intracraniano, lesão intracraniana,
• Baixa toxidade sistêmica; convulsão, trauma craniano, depressão do SNS
• Inicio de ação rápida; etc.;
• Duração do efeito adequado às necessidades Reações mais comuns:
cirúrgicas habituais. • SGI: constipação;
• SNC: sentido confuso, sedação e sonolência;
Analgésico e Anestésico • Outros: suores.
Os analgésicos são inibidores específicos das Atenção ao usar outros produtos. A Codeína:
vias de dor, e os anestésicos locais são inibidores • Pode aumentar o risco de depressão do SNC:
inespecíficos das vias sensoriais periféricas, alcool, outro depressor do SNC;
motoras e autônomas. Em algumas situações • Pode ter sua ação diminuída por: Buprenofina;
clinicas é importante controlar a dor, como • Pode apresentar reações adversas importantes
traumatismo agudo, trabalho de parto ou cirurgia. com: IMAO;
Nesses casos a via da dor pode ser interrompida • Pode ter sua ação antagonizada por: Naloxona
pelo bloqueio da transmissão com AL´s ou com e Naltrexona;
administração de opióides. Varias classes de • Pode causar aumento do risco de hábito com:
fármacos são usados para o alivio da dor: álcool, outro depressor do SNC.
Considerações importantes: não dirigir veículos,
nem operar máquinas, até ter certeza de que o
produto não está afetando o estado de alerta ou a Uso oral:
coordenação motora do paciente e não ingerir • Comprimido: 10mg e 30mg (Dimorf);
bebidas alcoólicas, o produto não deve ser usado • Solução oral: 10mg/ml (dimorf);
para as tosses persistentes, como as do cigarro, • Capsula de liberação prolongada: 30mg, 60mg
Asma ou enfisema, nem quando a tosse for e 100mg (Dimorf Lc).
acompanhada secreção excessiva e ingerir Uso injetável:
grandes quantidades de líquidos. • Injetável (solução): 0,2mg/1ml, 1mg/1ml e
Codeína e associações: 10mg/1ml (dimorf).
• Codaten: analgésico opioide;
• Tylex 7,5mg: analgésico opióide associado; Oxicodona
Uso oral: Referência: Oxycontin (Zodiac);
• Comprimido: 30mg e 60mg (Codein); O que é: analgésico opioide;
• Solução oral: 3mg/ml (Codein). Para que serve: dor;
Como age: liga-se a receptores opioides no SNC
Morfina inibindo a transmissão do impulso doloroso.
Referência: Dimorff (Cristalia) e Dimorf Lc Impede ou atenua sintomas de abstinência
(Cristália); quando administrado em substituição a outros
Similar: Dolo Moff (União química); opioides nos tratamentos de desintoxicação;
O que é: analgésico opioide; Risco na gravidez: B;
Para que serve: dor intensa, dor, sedação pré- Risco X benefício: arritmia cardíaca,
operatória e adjunta da anestesia; comprometimento da capacidade de manter a
Como age: atua sobre receptores opioides no pressão sanguínea, por diminuição do volume de
SNC, alterando a percepção e a resposta sangue ou uso de determinado medicamentos,
emocional à dor. diminuição da função hepática, idoso e paciente
Risco na gravidez: C; debilitado, predisposição a hipoventilação,
Não usar o produto: reação alérgica a opioide, pacientes com inclinação ao vício.
diagnóstica ou suspeita de íleo paralítico e recém- Reações mais comuns:
nascido; • SNC: sonolência e tontura;
Risco X benefício: arritmia cardíaca, • Dermatológica: coceira;
comprometimento da capacidade de manter a • SGI: constipação, náusea e vômito.
pressão sanguínea, por diminuição do volume de Não usar o produto: em membranas mucosas, nos
sangue ou uso de determinados medicamentos, olhos ou em áreas vizinhas a eles;
diminuição da função renal, diminuição da função Reações mais comuns:
hepática, idoso e paciente debilitado, • Dermatológica: coceira, fissuras, irritação local,
predisposição a hipoventilação. maceração, queimadura e vermelhidão.
Reações mais comuns: Uso tópico:
• Cardiovascular: diminuição dos batimentos • Creme 1%: 10mg/g (Oceral e genérico);
cardíacos e queda da pressão arterial; • Solução alcoólica: 1%: 10mg/ml (Oceral e
• SGI: constipação, náusea e vômito; genérico).
• SNC: confusão mental, febre, pesadelos,
sedação, sensação de queda iminente, sonolência Agonistas sintéticos
e tontura; As duas principais classes de agonistas sintéticos
Atenção com outros produtos. A morfina: dos receptores µ são as Fenileptilaminas
• Pode aumentar o risco de hábito e de pressão (Metadona) e as Fenilpiperidinas (Fentanil e
do SNC com: alcool, outro depressor do SNC; Meperidina). A metadona é mais conhecida pelo
• Pode ter sua ação diminuía por: Buprenorfina; seu uso no tratamento de adição de drogas, mas
• Pode apresentar reações adversas importantes também pode ser usado no controle da dor. O
com: IMAO; Fentanil, um exemplo de agonista opioide sintético
• Pode ter sua ação antagonizada por: Naxolona de ação curta é 75 a 100 vezes mais potente do
e naltrexona. que a morfina. Em virtude de as altas lipofilicidade,
Considerações importantes: não ingerir bebida o fentanil é biodisponível através de varias vias
alcoólica, a morfina pode mascarar ou piorar a dor peculiares. O fentanil também pode ser
na vesícula biliar, adotar dieta rica fibras, tomar administrado por via transdermica, na forma de
grande quantidade de líquidos, tomar cuidado ao disco que libera lentamente o fármaco,
subir ou descer escadas, levantar devagar da proporcionando analgesia sistêmica de ação
cama ou da cadeira para evitar tonturas e evitar longa. O alfentanil que é ainda mais potente do
mudanças bruscas de posição. que o fentanil, é o sufentanil, que é menos
potente, estão estruturalmente relacionadas com
fentanil.
O remifentanil, o fenilpiperidina, mais
recentemente desenvolvida, exibe um Fentalina (transdérmico)
comportamento farmacocinético distinto. Outro Referência: Durogesic D-trans (Jannsen-Cilag);
fenilpiperidina é a meperidina, um agonista µ Similar: Fentanest;
eficácia analgésica semelhante à morfina. Sua O que é: opioide, derivado do ópio e agonista
atividade analgésica fica reduzida a metade opioide;
quando administrada por VO, e com frequência, o Para que serve: dor crônica. Atenção: deve ser
fármaco produz disforia. Ao contrário de outros prescrito e ter seu uso monitorado por profissional
opioides, a meperidina provoca mai midríase do capacitado e apto a identificar e tratar
que miose. hipoventilanção que possa ocorrer.
Riscos na gravidez: C;
Metadona Não usar o produto: reação alérgica a opioide, dor
Referência: Mytedom (Cristália); aguda ou pós-operatória dor crônica leve ou
O que é: analgésico opioide; intermitente em que possa ser usado um
Para que serve: dor grave, síndrome de analgésico menos potente, paciente que nunca
abstinência a opioide; recebeu opioide, mas tolerante, depressão
Como age: liga-se a receptores no SNC inibindo a respiratória considerável, especialmente quando
transmissão do impulso doloroso. Impede ou equipamentos para monitoramento ou
atenua sintomas de abstinência quando ressuscitação não estão disponíveis.
administrado em substituição a outros opioides no Risco x benefícios: arritmia cardíaca,
tratamento de desintoxicação. comprometimento da capacidade de manter a
Risco na gravidez: C; pressão sanguínea, por diminuição do volume de
Não usar o produto: alergia a opioide; sangue ou uso de determinados medicamentos,
Risco X benefícios: arritmia cardíaca, diminuição hepática, idoso e paciente debilitado,
comprometimento da capacidade de manter a predisposição a hipoventilação.
pressão sanguínea, por diminuição do volume de Reações mais comuns:
sangue ou uso de determinado medicamento, • Dermatológico: coceira e suores;
diminuição da função hepática, idoso e paciente • SGI: dor abdominal, constipação, boca seca,
debilitado, predisposição a hipoventilação etc. diarreia, náusea, má digestão e vômito;
Reações comuns: • Respiratório: dificuldade para respirar;
• SGI: náusea e vômito; • SNC: sedação, sonolência, sentidos confusos,
• SNC: sentidos confusos, tonturas, sensação de euforia, confusão mental, fraqueza, ansiedade,
queda iminente, sedação e sonolência. depressão, tontura, dor de cabeça, insônia e
Atenção com outros produtos: nervosismo.
• Pode aumentar o risco de hábito e de Atenção com outros produtos. a fentanila
depressão do SNC com: álcool, outro depressor transdérmica:
do SNC; • Pode aumentar os efeitos depressores do SNC,
• Pode ter sua ação diminuída por: Buprenorfina; os efeitos depressores respiratórios e os efeitos
• Pode apresentar graves reações com: IMAO; hipotensores com: álcool, outro depressor do
• Pode ter sua ação antagonizada por: Naxolona SNC;
e Nalfrexona; • Pode ter seus efeitos opioides reduzidos com:
• Pode aumentar o risco de constipação grave indutor de CY3A4; (Carbamazepina);
com: anticolinérgico ou outro medicamento com • Pode ter seus efeitos opioides aumentados ou
efeito anticolinérgico; prolongados com: inibidor de CY3A4
• Pode apresentar sintomas de abstinência em (Claritromicina);
pacientes tratados por dependência a opióides • Pode ser ineficaz com: Naltrexona.
com: Rifampicina, Fenitoina; Considerações importantes: cuidado ao dirigir ou
• Considerações importantes: não ingerir bebida executar atividades que exijam atenção. o
alcoólica, cuidado ao dirigir ou executar tarefas aumento de temperatura da pele pode aumentar a
que exijam atenção; este produto não é absorção de fentanila de sistema transdérmicos.
recomentado para analgesia obstétrica.

Antagonista dos receptores opióides


São usados para reverter os efeitos colaterais
Uso oral: potencialmente fatais da administração de
• Capsula: 5mg e 10mg (Mytedon); opioides, especificamente a depressão
Uso injetável: respiratória. Analoxona (antagonistas) é um
• Injetável (solução): 10mg/1ml (Mytedon); derivado sintético da Oximorfona, administrado
• Armazenagem antes de aberto: por VO é usado em condição ambulatorial, para
Temperatura ambiente (15-30 ºC); desintoxicação de indivíduos com adição de
Proteção à luz: sim é necessária. opioides. Foram desenvolvidos antagonistas
restritos à periferia, como o Alvimopam, para
reduzir o íleo pós-operatório e melhorar os efeitos
gastrintestinais do uso crônico de opióides.

Naltrexona
Referência: Revia (Cristália);
O que é: antagonista opioide, tratamento adjunto
na dependência opioide, tratamento adjunto no
alcoolismo;
Para que serve: alcoolismo, dependência opioide,
em indivíduos anteriormente dependente de
opióide e que estejam desintoxicados.
Atenção: indivíduos dependente de opioides
devem ser desintoxicados antes de iniciar o
tratamento.
Como age: a naltrexona atenua ou bloqueia
reversivelmente, os efeitos subjacentes dos
opioides administrados por via intravenosas.
Quando a naltrexona é co-administrada com a
morfina, em situações crônica, ela bloqueia a
dependência física à morfina, heroína e outros
opioides. A naltrexona tem poucas ações
intrínsecas além das suas propriedades de
bloqueio aos opioides, mas pode, contudo
produzir alguma constrição da pupila.
Risco na gravidez: C;
Não usar o produto: hipersensibilidade ao produto,
hepatite aguda ou insuficiência hepática, paciente
recebendo agonista opioide, paciente não
desintoxicado fisicamente dependente de
opioides, abstinência aguda de opioide, paciente
em que ocorreu abstinência de opioide após teste
de naxolona, teste de urina positiva para opioides,
pacientes com menos de 18 anos.
Risco x benefício: doença hepática, esquema
posológicos que envolvam doses únicas maiores
que 50mg e diminuição renal.
Reações mais comuns:
Cardiovascular: síncope