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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE CARATINGA/MG.

Processo: nº. 0134.15.005967-0

RENATO ANDRADE DE ARAÚJO, qualificado nos autos em epígrafe


que lhe move JUSTIÇA PÚBLICA, em tramite por esta r. Vara e cartório, vem
muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seu defensor
nomeado ao final assinado, com endereço eletrônico:
wesleycampos.adv@gmail.com, para tempestivamente apresentar
ALEGAÇÕES FINAIS, com fundamento no artigo 403 parágrafo 3º do Código de
Processo Penal, que faz pelas razões e de direito a seguir expostos:

I – BREVE RELATO DO S FATOS

Consta denúncia oferecida pelo MP por crime capitulado no art. 306 do


Código de Trânsito Brasileiro - Lei 9503/97.

Diz-se que em 09 de maio de 2015, por volta das 14h00min, o


denunciado conduzia veículo automotor VW Kombi quando foi abordado pela
polícia militar e constatado através do teste de etilômetro a concentração
alcoólica superior a 0,3 miligramas por litro de ar alveolar, tendo como resultado
a prisão em flagrante.

Os trâmites processuais transcorreram conforme a lei, tendo o


denunciado, durante o interrogatório, confessado ter ingerido bebida alcoolica e
seguidamente conduzido o referido veículo.

Oportuna e breve síntese dos fatos.

II - DA CONFISSÃO

Prescreve o artigo 65, inciso III, alínea “d”, do Código Penal, que a
confissão espontânea da autoria do crime, perante autoridade, é circunstância
que sempre atenua a pena. Assim entende-se que se o agente confessar
espontaneamente a autoria do fato delituoso, em presença de autoridade, faz jus
à circunstância legal da redução de pena.
Extrai-se então, que são dois os requisitos para o reconhecimento da
atenuante:

a) existir confissão espontânea de autoria de crime;

b) seja feito perante autoridade.

Ambos os requisitos foram plenamente preenchidos garantindo ao


denunciado a atenuação da sua sanção penal.

Ainda sobre a confissão, pontuando os pormenores, é de entendimento


jurisprudencial que é desnecessário que a confissão seja espontânea. A mera
existência de confissão já satisfaz o requisito para a configuração da atenuante.
Em que pese a analogia, segue entendimento jurisprudencial que se aplica
claramente ao caso:

(...) CONFISSÃO PARCIAL. UTILIZAÇÃO PARA A CONDENAÇÃO. ATENUANTE


CONFIGURADA. RECONHECIMENTO E APLICAÇÃO OBRIGATÓRIOS. (...) 1. A
confissão realizada em juízo sobre a propriedade da droga é suficiente para fazer incidir
a atenuante do art. 65, III, d, do Código Penal, quando expressamente utilizada para a
formação do convencimento do julgador, pouco importando se a admissão da prática do
ilícito foi espontânea ou não, integral ou parcial. (STJ. HC 186.375/MG. Rel. Jorge Mussi.
T5. DJe 01.08.2011).

E também: STJ. HC 98.931/SP. Rel. Maria Thereza de Assis Moura. T6.


DJe 15.08.2011.

Assim resta demonstrado o claro direito do autor na aplicação da


atenuante supracitada, com base no interrogatório em juízo e entendimento
jurisprudencial supracitado.

III - CONCLUSÃO

Conforme o exposto pleitea o denunciado pelo conhecimento da


atenuante do Art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal, conforme determinado
em lei.

Caratinga, 26 de fevereiro de 2018


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Wesley Vieira Campos

OAB/MG 177.920

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