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Mudras e Bandhas

Hatha-Yoga-Pradipika:

Mudra: «selo», «marca», impressão», como sinete que autentica algo

Em Hatha-Yoga, os mudras são posições que “selam”, que “condicionam” o “sopro”


no interior do corpo.

H.Y.P. – Trad. T. Michaël)

Grande parte das vezes refere-se a Mudras, como «gestos simbólicos», especialmente
feitos com as mãos, mostrando certos estados emocionais.

“Em Hatha-yoga, os mudras, são posições que «selam» (“carimbam”), isto quer dizer:
que fecham/cativam o de forma inviolável o “sopro” no interior do corpo.

(Resumo, HYP-III, 6 e 7; Trad. T. Michaël)

“Os Mudras conferem as oito soberanias – aisvarya - ou poderes sobrenaturais – siddhi


– nascidos pelo Samadhi, distintos dos poderes obtidos ao nascer, pelas drogas,
encantações ou ascetismo (cf. Yoga Sutra IV, 1)

Estes Vibhuti, estão descritos no Cap. III, 45 e 46 dos Yoga Sutra, e são:

1. Animan: o poder de se tornar pequeno, reduzir o corpo às dimensões de um


átomo
2. Mahiman: o poder de se tornar imensamente grande
3. Lagiman: a leveza ou o poder de de ficar sem peso
4. Prãpti: o poder de alcançar todas as coisas, como o tocar a Lua com a ponta de
um dedo
5. Prãkãmya: total poder da vontade que permite realizar, instantaneamente, todos
os desejos, como o de mergulhar na terra e emergir como se fosse água
6. Vasitva:o império, domínio do sobre os elementos e a impossibilidade de ser
dominado por outros seres
7. Isitrtva: a soberania, o poder de criar, de reduzir e organizar o que é criado
8. Yatrakãmavasãyitva: o poder de dispor as coisas segundo o seu desejo (se bem
que tendo este poder, o yogin não inverte a ordem do cosmos, porque a sua
vontade coincide com a do Siddha primordial – purva siddha – Ishvara

A eles se junta a «perfeição corporal» - kaya siddhi – consistindo em: “beleza,


força e dureza adamantina” (Yoga sutra II,46)
Gherandha Samhita:

Mudras: «há vinte e cinco mudras, cuja prática dão sucesso aos Yogis» (III, 1 a 3)

Siva Samhita:

“Os Mudras devem ser praticados com o maior dos cuidados”

“Entre os muitos Mudras, os dez seguintes são os melhores, (IV, 14):


MAHA-MUDRA

“Pressionando o calcanhar esquerdo contra o períneo, e alongando em frente, a perna


direita, deve-se segurar com firmeza o pé direito com as duas mãos”

“Tendo fechado a garganta com jalandhara-bandha, devemos manter o vayu num curso
ascendente. Tal como quando se bate numa serpente com um pau, ela se endireita,
bruscamente como uma vara”

(HYP: III - 10 e 11 – trad. Tara Michaël)

“Em seguida, muito lentamente, deve-se expirar, nunca com força”

(HYP: III – 13, trad. Tara Michaël)

“As causas de sofrimento, e todos os males, a começar pela morte, são destruídos por
este mudra.

“É por isso que os sábios muito conhecedores o chamam «o grande mudra»

(HYP: III – 14, trad. Tara Michaël)


MAHABANDHA

“ A Grande Ligadura”

“ Colocar o pé esquerdo contra o períneo, e colocar o pé direito sobre a coxa esquerda.”

“ Tendo enchido o peito de ar, pressionar fortemente o queixo contra o coração,


comprimir o vayu com mula-bandha, enviar o espírito na via do meio.”

“ Tendo retido o sopro tanto tempo quanto possível, devemos deixá-lo fluir lentamente.
Tendo praticado com o lado esquerdo, devemos exercitar do mesmo modo do lado
direito.”

“ Certos Yogin têm opinião de que o bandha da garganta deve ser evitado, e nesse caso
recomendam o bandha formado com a língua pressionada contra os incisivos.

Nota:

Bandha da garganta – jalandhara bandha

“ “ língua – jihva bandha

«Pressionar o queixo contra o coração (hrdaya), isto é, contra o peito, a


alguns dedos do coração. Colocar o espírito (manas) na via do meio, no
Sushumna nadi»
“ Este pára o movimento ascendente de todos os nadi. Na realidade mahabandha
concede grandes siddhi.”

Nota: Mahabandha, restringe o movimento ascendente dos 72.000 nadi, à excepção de


Sushumna.

Shiva Shamitha:
Então (depois de Mahamudra), com o pé direito estendido, colocá-lo
sob a coxa esquerda.

Contrair o períneo e impulsionar Apana vayu para cima, ligando-o a Samana vayu.

Em seguida guiar Prana vayu para baixo, e então permitir ao sábio Yogi prendê-los em
trindade no umbigo; ou seja, o Prana e Apana devem se juntar com Samana no umbigo.

Por isso, todos os fluidos nos vasos do corpo do Yogi são impulsionados para a cabeça.

Isso deve ser praticado com muito cuidado, alternando os dois lados.
BANDHAS

Bandhas: ligadura/contracção/fechamento de certos grupos de músculos, em


determinadas zonas do corpo, para controle da energia.

1) Mula-bandha:

2) Uddiyana-bandha

3) Jãlandhara-bandha

Jalandara-bandha, consiste em colocar o queixo contra o peito, contraindo a garganta,


o que fecha a passagem do ar.

Uddiyana-bandha, deve ser feito quando estamos a preparar a retenção (kumbhaka), que
consiste na contracção do ventre, fazendo-o subir, até criar uma cavidade oca sob o
diafragma. O ventre deve ser recolhido/subido, fazendo parecer que o umbigo está
colado à CV.

Mula-bandha, consta da contracção anal/esfíncter.

“Estes três bandhas, tem por finalidade a inversão das correntes habituais da energia:

Ao contrairmos o ânus com mula-bandha, fazemos subir apana vayu, o sopro

descendente.

Ao contrairmos a garganta com jãlandhara bandha, pressionamos prana vayu, sopro


ascendente, que tende a escapar-se.

Ao puxarmos o umbigo para as costas com uddiyana bandha, fazemos entrar prana em
bramanãdi/Sushumna.

Estes bandhas, em particular mula bandha, o mais perigoso, devem ser aprendidos da
boca de um guru, porque se não forem correctamente aplicados, eles criam uma série de
doenças, como a perda do sémen, rigidez nas articulações, surdez, etc…

Segundo o Yogi Jnanesvara, “ assim que mula bandha e jalandhara bandha são
executados simultaneamente, o movimento que consiste em puxar o ventre situado sob
o umbigo, faz-se por si mesmo.