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Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 Caderno de Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Aula ÚNICA (TEORIA)


APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 2
SOBRE O NOSSO CURSO .......................................................................................................... 3
SOBRE O PROFESSOR MAIS BONITO DE PSICOLOGIA DO PSICOLOGIA NOVA ......................... 3
SOBRE O NOSSO GRUPO DO WHATSAPP ............................................................... 4
SOBRE A SUA ENTREVISTA PÓS-APROVAÇÃO ..................................................... 4
SOBRE A BANCA ....................................................................................................... 4
CONTEÚDOS (NOVOS) .............................................................................................. 5

35
1. PRINCÍPIOS, DIRETRIZES E OBJETIVOS DA POLÍTICA NACIONAL DE

1:
ASSISTÊNCIA SOCIAL PNAS/2004 E NOB/SUAS. ................................................. 6

:4
POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PNAS). ...................................................... 6

09
0
2. DIRETRIZES PARA A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NOS SERVIÇOS, BENEFÍCIOS

02
E PROGRAMAS DO CRAS SEGUNDO AS REFERÊNCIAS TÉCNICAS PARA

/2
03
ATUAÇÃO DO(A) PSICÓLOGO(A) NO CRAS/SUAS. ................................................14

0/
3. POLÍTICA NACIONAL PARA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA. ................. 27

-2
4. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR NO BRASIL. ............. 31

om
VIOLÊNCIA ........................................................................................................................... 31

l.c
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E URBANA..................................................................................... 38
ai
tm
VIOLÊNCIA SEXUAL NA FAMÍLIA......................................................................................... 39
ho

CONSEQUÊNCIA DA VIOLÊNCIA PARA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE ................................. 42


s@

ABANDONO E DELINQUÊNCIA INFANTO-JUVENIL ................................................................ 44


ia

O PAPEL DA FAMÍLIA, DO PSICÓLOGO E DA JUSTIÇA ............................................................ 46


yd
lin

RESENHA: CRIANÇAS VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL (GABEL, 1998) .................................... 46


ke

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA,


ac

ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL E SUAS FAMÍLIAS: REFERÊNCIAS PARA A ATUAÇÃO DO


-j

PSICÓLOGO ........................................................................................................................... 54
0
-8

REDE DE PROTEÇÃO À MULHER ............................................................................81


41
.0

5. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO. ......................................... 84


01

CÓDIGO DE ÉTICA: RESOLUÇÃO CFP Nº 010/05 ................................................................. 84


.2
25

6. TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO SEGUNDO O DSM V (TDAH E


-0

TRANSTORNO ESPECÍFICO DA APRENDIZAGEM); TRANSTORNOS


a

RELACIONADOS A TRAUMA E ESTRESSORES; TRANSTORNOS DISRUPTIVOS,


lv
Si

DO CONTROLE DE IMPULSOS E DA CONDUTA. .................................................... 94


da

TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO................................................................... 95
s

TRANSTORNOS RELACIONADOS A TRAUMAS E ESTRESSORES ............................................ 99


ia
D

TRANSTORNOS DISRUPTIVOS, DO CONTROLE DE IMPULSOS E DA CONDUTA ................. 104


y
in

7. TRANSTORNOS RELACIONADOS A USO DE ÁLCOOL E ALUCINÓGENOS


el
ck

SEGUNDO O DSMV. ............................................................................................... 107


Ja

8. PREVENÇÃO DO SUICÍDIO DE ACORDO COM A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE


SAÚDE: FATORES E SITUAÇÕES DE RISCO, FATORES DE PROTEÇÃO. ............ 112
EXTRA: ATENDIMENTO NO SUAS ÀS FAMÍLIAS E AOS INDIVÍDUOS EM
SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E RISCO PESSOAL E SOCIAL POR VIOLAÇÃO
DE DIREITOS ASSOCIADA AO CONSUMO DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS....... 118

1
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Apresentação
Como é bom estar aqui com vocês! Nessa primeira aula iremos entrar
direto em nosso material. Assistam ao vídeo sobre o nosso concurso, ele é logo o
primeiro de nossa lista de vídeos!
O presente curso intensivo e PÓS-EDITAL será voltado para o concurso da
Prefeitura de Goiânia (GO). Essa obra prima de curso será voltada para os
conteúdos específicos de psicologia para o cargo de Psicólogo para a Secretária
de Administração da Prefeitura Municipal (SEMAD-Goiânia)

35
1:
Link do edital: https://centrodeselecao.ufg.br/2020/concurso-

:4
09
goiania/editais/127-edital-001-2020.html

0
São DOIS os cargos:

02
/2
- Analista em Assuntos Sociais – Psicólogo

03
- Especialista em Saúde – Psicólogo

0/
-2
om
Dados sobre o seu concurso:

l.c
Banca: Centro de Seleção da UFG
ai
Valor da taxa de inscrição: R$120,00 tm
ho

03/05/2020 – Analista Social


s@

17/05/2020 – Especialista em Saúde


ia
yd

As provas serão aplicadas na cidade de Goiânia e(ou) Região Metropolitana.


lin
ke
ac

Cargo: Analista em Assuntos Sociais


-j

Vagas: 25
0
-8

Remuneração: R$ 2.723,78
41
.0

Carga Horária: 30 horas semanais


01

Prova Objetiva (4 alternativas)


.2
25

Língua Portuguesa – 10 questões (peso 1)


-0

Matemática – 10 questões (peso 1)


a
lv

História, Geografia e Conhecimentos Gerais de Goiânia e do Estado de


Si
da

Goiás – 10 questões (peso 1)


s

Conhecimentos Específicos - 20 questões (peso 3)


ia
D

TOTAL DE PONTOS: 90
y
in

Inscrições: 19/03 a 08/04/20


el
ck
Ja

7 motivos para você entrar em nossa turma


1. Terminaremos TODO o curso antes do início das inscrições!!!
2. Não tem discursiva para psicólogo.
3. Não tem prova de títulos
4. Não tem prova física
5. Conteúdo de psicologia bastante enxuto
6. Conhecemos a banca
7. São só 4 alternativas por questão

| 2
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Sobre o nosso curso


Carga Horária Total do Curso: 14 horas/aula (28 blocos de 25 minutos
cada).
Início da liberação das aulas gravadas e escritas: 27/02/2020
Certificado ao final do curso: Sim (após 80% de visualização do
conteúdo).
Preço do certificado: Gratuito.
Professor: Alyson Barros

35
1:
O curso será ministrado através de videoaulas e pdfs.

:4
09
0
Sobre o professor mais bonito de psicologia do

02
/2
Psicologia Nova

03
0/
-2
om
Para quem não me conhece, sou o Professor Alyson Barros, não sou

l.c
novato na área, ao contrário, posso dizer que sou um dos professores com a

ai
carreira mais sólida na área de concursos de psicologia1. Já trabalhei nas maiores
tm
ho
empresas preparatórias de concursos (fui o primeiro professor de psicologia do
s@

Estratégia Concursos, Aprova Concursos, Questões de Concurso, Eu Vou Passar e


ia

CERS), e sempre senti uma pontinha de inveja das áreas de direito, português ou
yd
lin

até informática. Eles possuem, como vocês sabem, uma variedade maior de cursos
ke

e de plataformas de ensino. Desde 2012 trabalho lecionando o que amo


ac
-j

(psicologia) e depois de mais de 170 cursos lecionados (!!!), eis que consegui
0
-8

estruturar um portal à altura dos meus alunos de psicologia: o PSICOLOGIA NOVA.


41

Precisava de uma casa para poder elevar o nível dos meus cursos e dos
.0
01

concurseiros que nos acompanham. =]


.2
25

Fui aprovado em um dos concursos mais difíceis e surreais do Brasil


-0

(Analista do Planejamento e Orçamento do Ministério do Planejamento,


a

Orçamento e Gestão) e de outros concursos. Mestre em avaliação psicológica, três


lv
Si

especializações, formado em psicologia, etc. Currículo impressionante, não acha?


da

Não. Currículo de professor na preparação de candidatos para concursos é


s
ia

praticamente inútil. Ter passado em um grande concurso (nível Auditor da


D
y

Receita), ter um grande currículo acadêmico e ter toda essa experiência na área
in
el

não lhes oferece um diferencial, não é verdade?


ck
Ja

E se eu disser que no meu primeiro trabalho como professor aprovei o


primeiro lugar do STJ (2012)? E que conquistei o bicampeonato do STJ (2018)?
Preenchi as duas únicas vagas do TCDF? Aprovei mais de 65% dos candidatos na
SES/DF? Mais de 70% dos candidatos no TJ-GO? O primeiro lugar da AL-RN? O
segundo lugar do TRT-SC? O primeiro lugar do MAPA? O primeiro lugar do TRT 15ª
Região? O primeiro lugar do CNJ? Mais de 50% dos que já foram chamados no

1
Procurem pelas evidências no nosso canal no Youtube:
https://www.youtube.com/psicologianova. Não acreditem em qualquer argumentação
sem provas concretas.

| 3
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

INSS? O primeiro lugar do TRT 8ª Região? O primeiro lugar do TRT-GO? O primeiro


lugar do EBSERH Fortaleza? O segundo lugar do TRT-PB? Os cinco primeiros
lugares do TRT-MG? Os primeiros lugares do TRE-RS? Os primeiros lugares do
TJDFT?2 Os primeiros da Prefeitura de Teresina? Tivemos 3 entre os 7 primeiros do
TRF 2º Região. Estamos aguardando o resultado do IGP-RS! Na Secretaria de
Educação do DF marcamos 8 entre os 12 primeiros! SESA-PR 60% de aprovação.
TJ-SP marcamos mais de 50% das aprovações. No TJPE demos um show de
aprovação nos primeiros lugares. TJ-PE mais de 40% de aprovação (por
enquanto). No DPE-RS marcamos os 3 primeiros lugares. 2017 foi um ano

35
excelente! E no TRE-RJ? Primeiro lugar também! ITEP-RN, 5 dos 7 primeiros. AHM-

1:
:4
SP, 5 dos 6 primeiros lugares. ABIN 2018 temos os 3 primeiros alunos! CLDF, por

09
enquanto, os primeiros lugares das duas categorias. Na EBSERH 2018 aprovamos o

0
02
primeiro lugar de organizacional. Aprovamos um dos lugares na SENAGO (foi UFG).

/2
03
Pffff... A lista é quase infindável. Estamos aguardando o resultado da EBSERH

0/
2020! Também estamos esperando o final da novela da SEDEST/DF.

-2
Agora melhorou, não foi? =] Máquina Mortífera, você está no preparatório

om
l.c
certo.

ai
Uma das coisas que mais gosto é competir por resultados, ainda mais em
tm
ho
concursos! Tenho a plena convicção que nossos alunos estão representando o
s@

nosso trabalho na hora da prova. Por isso, faço questão de elaborar o melhor
ia

material do mercado, com os melhores pdfs e os melhores vídeos.


yd
lin

Agora, claro, quero que o nosso material favoreça os alunos honestos, os


ke

que estão matriculados em nosso curso. Aluno pilantra e mau-caráter não merece
ac
-j

nosso material e nem o serviço público. O Brasil tá de saco cheio de malandro e de


0
-8

palhaço, sem #mimimi.


41
.0
01

Fim de desabafo.
.2
25
-0
a

Sobre o nosso grupo do WhatsApp


lv
Si
da

Não é obrigatório, mas recomendo muuuuuito! Se você não está, fale com
s

o Batman. O que ocorre no grupo do WhatsApp, fica no grupo do WhatsApp.


ia
D
y
in

Sobre a sua entrevista pós-aprovação


el
ck

Não é obrigatório, mas também recomendo muuuuuito! =]


Ja

Sobre a banca
Galera, eu tenho as seguintes provas da UFG:

2
Esses são os que lembro agora! Fora os aprovados que usam nosso material para
estudar para outros concursos!

| 4
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

35
1:
:4
09
0
02
/2
03
0/
-2
Caso tenham mais alguma, compartilhem no grupo.

om
Irei lançar um planner de estudos para vocês e um compêndio com todas

l.c
essas provas. Vocês não vão treinar pouco. Vão treinar MUITO!

ai
tm
A UFG é uma banca meio acadêmica e meio de concurso. Isso significa,
ho
como veremos já na aula 1, por exemplo, que eles mesclam questões aleatórias de
s@

livros e de sites toscos da internet (infelizmente).


ia
yd

Não vou mentir para vocês, quase 15% das questões são decoreba pura. Se
lin

você tem a sorte de estudar pelo material certo, bingo! Senão, pegue seu
ke

banquinho e saia de fininho.


ac
-j

Felizmente, temos tudo esquadrinhado!


0
-8
41

Ah Alyson, e se mudarem os conteúdos?


.0
01
.2
25

Mudaram! Por isso estamos relançando absolutamente tudo neste final de


-0

semana. Eu disse TUDO! E se mudarem de novo, eu atualizo tudo de novo!


a
lv

Aqui é máquina mortífera, somos o álcool em gel do corona, somos o


Si

Psicologia Nova.
da

Deixa de preguiça e desculpa esfarrapada e venha estudar!


s
ia
D
y
in
el
ck

Conteúdos (novos)
Ja

Tudo atualizado de acordo com o primeiro aditivo:


https://centrodeselecao.ufg.br/2020/concurso-goiania/editais/131-1º-aditivo-ao-
edital.html

| 5
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

CARGO/FUNÇÃO: ANALISTA EM ASSUNTOS SOCIAIS/PSICÓLOGO


Disciplina: Psicologia

1. Princípios, Diretrizes e Objetivos da Política Nacional de Assistência Social


PNAS/2004 e NOB/SUAS. 2. Diretrizes para a atuação do psicólogo nos serviços,
benefícios e programas do CRAS segundo as Referências Técnicas para atuação
do(a) psicólogo(a) no CRAS/SUAS. 3. Política Nacional para População em
Situação de Rua. 4. Violência Doméstica e Violência Intrafamiliar no Brasil. 5.

35
Código de Ética Profissional do Psicólogo. 6. Transtornos do

1:
:4
Neurodesenvolvimento segundo o DSM V (TDAH e Transtorno Específico da

09
Aprendizagem); Transtornos Relacionados a Trauma e Estressores; Transtornos

0
02
Disruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta. 7. Transtornos relacionados a

/2
03
uso de Álcool e Alucinógenos segundo o DSMV. 8. Prevenção do Suicídio de acordo

0/
com a Organização Mundial de Saúde: Fatores e Situações de Risco, Fatores de

-2
Proteção.

om
l.c
ai
Ah, se liguem aí: a aula de hoje é única (só teoria), mas teremos depois uma
tm
ho
outra aula só com questões!
s@

Imprima, faça pipoca e vamos para a aula!


ia
yd
lin

1. Princípios, Diretrizes e Objetivos da Política


ke
ac

Nacional de Assistência Social PNAS/2004 e


-j
0

NOB/SUAS.
-8
41
.0
01

Aqui entendo que eles peçam apenas a parte dos princípios, diretrizes e
.2
25

objetivos da PNAS/2004. Iremos um pouquinho além. Ah, trabalharemos com toda


-0

a NOB/SUAS. Não quero surpresas na hora da nossa prova. =]


a
lv
Si

Política Nacional de Assistência Social (PNAS).


da
s

Segundo o MDS:
ia
D

Política de Assistência Social


y
in

O QUE É?
el
ck

Em setembro de 2004, foi aprovada na Reunião Descentralizada e Ampliada


Ja

do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, a Política Nacional de


Assistência Social – PNAS.
A Política de Assistência Social estabelece princípios e diretrizes para a
implementação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e é resultado de
amplos debates realizados em todos os Estados e no Distrito Federal durante o
ano de 2004, a partir de uma proposta preliminar elaborada pela Secretaria
Nacional de Assistência Social – SNAS/MDS com a participação ativa do CNAS,
dando cumprimento às deliberações da IV Conferência Nacional de Assistência
Social (2003).

| 6
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

QUAL A IMPORTÂNCIA?
O SUAS reorganiza os serviços, programas, projetos e benefícios relativos à
assistência social considerando as cidadãs e os cidadãos que dela necessitam.
Garante proteção social básica e especial de média e alta complexidade, tendo a
centralidade na família e base no território, ou seja, o espaço social onde seus
usuários vivem.
QUAL O NORMATIVO?
A Norma Operacional Básica - NOBSUAS disciplina a operacionalização da
gestão da Política de Assistência Social, conforme a Constituição Federal de 1988,

35
a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, de 1993, e legislação complementar

1:
:4
aplicável nos termos da Política Nacional de Assistência Social de 2004,

09
considerando a construção do SUAS, abordando, dentre outras questões, a divisão

0
02
de competências e responsabilidades entre as três esferas de governo; os níveis de

/2
03
gestão de cada uma dessas esferas; as instâncias que compõem o processo de

0/
gestão e como elas se relacionam; os principais instrumentos de gestão a serem

-2
utilizados; e, a forma de gestão financeira que considera os mecanismos de

om
l.c
transferência, os critérios de partilha e de transferência de recursos.

ai
tm
ho
s@

A versão completa está aqui:


ia

http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/P
yd
lin

NAS2004.pdf
ke
ac
-j
0
-8

O que nós vamos ver a seguir é um resumo da PNAS – 2004.


41
.0
01

2.1. Princípios
.2
25

Em consonância com o disposto na LOAS, capítulo II, seção I, artigo 4o, a


-0

Política Nacional de Assistência Social rege-se pelos seguintes princípios


a
lv

democráticos:
Si

I – Supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências


da

de rentabilidade econômica;
s
ia
D

II – Universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da


y
in

ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas;


el
ck

III – Respeito à dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a


Ja

benefícios e serviços de qualidade, bem como à convivência familiar e


comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade;
IV – Igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de
qualquer natureza, garantindo-se equivalência às populações urbanas e
rurais;
V – Divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos
assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Público e dos
critérios para sua concessão.
2.2. Diretrizes

| 7
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A organização da Assistência Social tem as seguintes diretrizes,


baseadas na Constituição Federal de 1988 e na LOAS:
I - Descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas
gerais à esfera federal e a coordenação e execução dos respectivos programas às
esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência
social, garantindo o comando único das ações em cada esfera de governo,
respeitando-se as diferenças e as características socioterritoriais locais;
II – Participação da população, por meio de organizações representativas, na
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis;

35
III – Primazia da responsabilidade do Estado na condução da Política de

1:
:4
Assistência Social em cada esfera de governo;

09
IV – Centralidade na família para concepção e implementação dos benefícios,

0
02
serviços, programas e projetos.

/2
03
0/
2.3. Objetivos

-2
A Política Pública de Assistência Social realiza-se de forma integrada às

om
l.c
políticas setoriais, considerando as desigualdades socioterritoriais, visando seu

ai
enfrentamento, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para
tm
ho
atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais. Sob essa
s@

perspectiva, objetiva:
ia

• Prover serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social


yd
lin

básica e, ou, especial para famílias, indivíduos e grupos que deles


ke

necessitarem.
ac
-j

• Contribuir com a inclusão e a eqüidade dos usuários e grupos


0
-8

específicos, ampliando o acesso aos bens e serviços socioassistenciais


41

básicos e especiais, em áreas urbana e rural.


.0
01

• Assegurar que as ações no âmbito da assistência social tenham


.2

centralidade na família, e que garantam a convivência familiar e


25
-0

comunitária.
a

2.4. Usuários
lv
Si

Constitui o público usuário da Política de Assistência Social, cidadãos e


da

grupos que se encontram em situações de vulnerabilidade e riscos, tais como:


s
ia

famílias e indivíduos com perda ou fragilidade de vínculos de afetividade,


D
y

pertencimento e sociabilidade; ciclos de vida; identidades estigmatizadas em


in
el

termos étnico, cultural e sexual; desvantagem pessoal resultante de deficiências;


ck
Ja

exclusão pela pobreza e, ou, no acesso às demais políticas públicas; uso de


substâncias psicoativas; diferentes formas de violência advinda do núcleo familiar,
grupos e indivíduos; inserção precária ou não inserção no mercado de trabalho
formal e informal; estratégias e alternativas diferenciadas de sobrevivência que
podem representar risco pessoal e social.

2.5. Assistência Social e as Proteções Afiançadas


2.5.1. Proteção Social Básica
A proteção social básica tem como objetivos prevenir situações de risco por meio
do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos

| 8
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

familiares e comunitários. Destina-se à população que vive em situação de


vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação (ausência de renda, precário ou
nulo acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou, fragilização de vínculos afetivos –
relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por
deficiências, dentre outras).
Prevê o desenvolvimento de serviços, programas e projetos locais de
acolhimento, convivência e socialização de famílias e de indivíduos, conforme
identificação da situação de vulnerabilidade apresentada. Deverão incluir as pessoas
com deficiência e ser organizados em rede, de modo a inseri-las nas diversas ações

35
ofertadas. Os benefícios, tanto de prestação continuada como os eventuais,

1:
:4
compõem a proteção social básica, dada a natureza de sua realização.

09
Os programas e projetos são executados pelas três instâncias de governo e

0
02
devem ser articulados dentro do SUAS. Vale destacar o Programa de Atenção

/2
03
Integral à Família – PAIF que, pactuado e assumido pelas diferentes esferas de

0/
governo, surtiu efeitos concretos na sociedade brasileira.

-2
O BPC constitui uma garantia de renda básica, no valor de um salário mínimo,

om
l.c
tendo sido um direito estabelecido diretamente na Constituição Federal e

ai
posteriormente regulamentado a partir da LOAS, dirigido às pessoas com deficiência
tm
ho
e aos idosos a partir de 65 anos de idade, observado, para acesso, o critério de renda
s@

previsto na Lei. Tal direito à renda se constituiu como efetiva provisão que traduziu o
ia

princípio da certeza na assistência social, como política não contributiva de


yd
lin

responsabilidade do Estado. Trata-se de prestação direta de competência do Governo


ke

Federal, presente em todos os Municípios.


ac
-j

O aperfeiçoamento da Política Nacional de Assistência Social compreenderá


0
-8

alterações já iniciadas no BPC que objetivam aprimorar as questões de acesso à


41

concessão, visando uma melhor e mais adequada regulação que reduza ou elimine o
.0
01

grau de arbitrariedade hoje existente e que garanta a sua universalização. Tais


.2

alterações passam a assumir o real comando de sua gestão pela assistência social.
25
-0

Outro desafio é pautar a questão da autonomia do usuário no usufruto do


a

benefício, visando enfrentar problemas como a questão de sua apropriação pelas


lv
Si

entidades privadas de abrigo, em se tratando de uma política não contributiva. Tais


da

problemas somente serão enfrentados com um sistema de controle e avaliação que


s
ia

inclua necessariamente Estados, Distrito Federal, Municípios, conselhos de


D
y

assistência social e o Ministério Público.


in
el

Nestes termos, o BPC não deve ser tratado como o responsável pelo grande
ck
Ja

volume de gasto ou como o dificultador da ampliação do financiamento da


assistência social. Deve ser assumido de fato pela assistência social, sendo conhecido
e tratado pela sua significativa cobertura, 2,5 milhões de pessoas, pela magnitude do
investimento social, cerca de R$ 8 bilhões, pelo seu impacto econômico e social e por
retirar as pessoas do patamar da indigência. O BPC é processador de inclusão dentro
de um patamar civilizatório que dá ao Brasil um lugar significativo em relação aos
demais países que possuem programas de renda básica, principalmente na América
Latina. Trata-se de uma garantia de renda que dá materialidade ao princípio da
certeza e do direito à assistência social.

| 9
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Os benefícios eventuais foram tratados no artigo 22 da LOAS. Podemos


traduzi-los como provisões gratuitas implementadas em espécie ou em pecúnia que
visam cobrir determinadas necessidades temporárias em razão de contingências,
relativas a situações de vulnerabilidades temporárias, em geral relacionadas ao
ciclo de vida, a situações de desvantagem pessoal ou a ocorrências de incertezas
que representam perdas e danos. Hoje os benefícios eventuais são ofertados em
todos os Municípios, em geral com recursos próprios ou da esfera estadual e do
Distrito Federal, sendo necessária sua regulamentação mediante definição de
critérios e prazos em âmbito nacional.

35
Os serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica

1:
:4
deverão se articular com as demais políticas públicas locais, de forma a garantir a

09
sustentabilidade das ações desenvolvidas e o protagonismo das famílias e

0
02
indivíduos atendidos, de forma a superar as condições de vulnerabilidade e a

/2
03
prevenir as situações que indicam risco potencial. Deverão, ainda, se articular aos

0/
serviços de proteção especial, garantindo a efetivação dos encaminhamentos

-2
necessários.

om
l.c
Os serviços de proteção social básica serão executados de forma direta nos

ai
Centros de Referência da Assistência Social – CRAS e em outras unidades básicas e
tm
ho
públicas de assistência social, bem como de forma indireta nas entidades e
s@

organizações de assistência social da área de abrangência dos CRAS.


ia
yd
lin

Centro de Referência da Assistência Social e os Serviços de Proteção Básica


ke

O Centro de Referência da Assistência Social – CRAS é uma unidade pública


ac
-j

estatal de base territorial, localizado em áreas de vulnerabilidade social, que


0
-8

abrange um total de até 1.000 famílias/ano. Executa serviços de proteção social


41

básica, organiza e coordena a rede de serviços socioassistenciais locais da política


.0
01

de assistência social.
.2

O CRAS atua com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando


25
-0

a orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. Neste sentido é responsável


a

pela oferta do Programa de Atenção Integral às Famílias. Na proteção básica, o


lv
Si

trabalho com famílias deve considerar novas referências para a compreensão dos
da

diferentes arranjos familiares, superando o reconhecimento de um modelo único


s
ia

baseado na família nuclear, e partindo do suposto de que são funções básicas das
D
y

famílias: prover a proteção e a socialização dos seus membros; constituir-se como


in
el

referências morais, de vínculos afetivos e sociais; de identidade grupal, além de ser


ck
Ja

mediadora das relações dos seus membros com outras instituições sociais e com o
Estado.
O grupo familiar pode ou não se mostrar capaz de desempenhar suas
funções básicas. O importante é notar que esta capacidade resulta não de uma
forma ideal e sim de sua relação com a sociedade, sua organização interna, seu
universo de valores, entre outros fatores, enfim, do estatuto mesmo da família como
grupo cidadão. Em conseqüência, qualquer forma de atenção e, ou, de intervenção
no grupo familiar precisa levar em conta sua singularidade, sua vulnerabilidade no
contexto social, além de seus recursos simbólicos e afetivos, bem como sua
disponibilidade para se transformar e dar conta de suas atribuições.

| 10
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Além de ser responsável pelo desenvolvimento do Programa de Atenção


Integral às Famílias – com referência territorializada, que valorize as
heterogeneidades, as particularidades de cada grupo familiar, a diversidade de
culturas e que promova o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários –,
a equipe do CRAS deve prestar informação e orientação para a população de sua
área de abrangência, bem como se articular com a rede de proteção social local
no que se refere aos direitos de cidadania, mantendo ativo um serviço de
vigilância da exclusão social na produção, sistematização e divulgação de
indicadores da área de abrangência do CRAS, em conexão com outros territórios.

35
Realiza, ainda, sob orientação do gestor municipal de Assistência Social, o

1:
:4
mapeamento e a organização da rede socioassistencial de proteção básica e

09
promove a inserção das famílias nos serviços de assistência social local. Promove

0
02
também o encaminhamento da população local para as demais políticas públicas

/2
03
e sociais, possibilitando o desenvolvimento de ações intersetoriais que visem a

0/
sustentabilidade, de forma a romper com o ciclo de reprodução intergeracional do

-2
processo de exclusão social, e evitar que estas famílias e indivíduos tenham seus

om
l.c
direitos violados, recaindo em situações de vulnerabilidades e riscos.

ai
São considerados serviços de proteção básica de assistência social
tm
ho
aqueles que potencializam a família como unidade de referência, fortalecendo
s@

seus vínculos internos e externos de solidariedade, através do protagonismo de


ia

seus membros e da oferta de um conjunto de serviços locais que visam a


yd
lin

convivência, a socialização e o acolhimento, em famílias cujos vínculos familiar e


ke

comunitário não foram rompidos, bem como a promoção da integração ao


ac
-j

mercado de trabalho, tais como:


0
-8

• Programa de Atenção Integral às Famílias.


41

• Programa de inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da


.0
01

pobreza.
.2

• Centros de Convivência para Idosos.


25
-0

• Serviços para crianças de 0 a 6 anos, que visem o fortalecimento dos


a

vínculos familiares, o direito de brincar, ações de socialização e de


lv
Si

sensibilização para a defesa dos direitos das crianças.


da

• Serviços socioeducativos para crianças, adolescentes e jovens na faixa


s
ia

etária de 6 a 24 anos, visando sua proteção, socialização e o


D
y

fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.


in
el

• Programas de incentivo ao protagonismo juvenil, e de fortalecimento


ck
Ja

dos vínculos familiares e comunitários.


• Centros de informação e de educação para o trabalho, voltados para
jovens e adultos.

2.5.2. Proteção Social Especial


Além de privações e diferenciais de acesso a bens e serviços, a pobreza
associada à desigualdade social e a perversa concentração de renda, revela-se numa
dimensão mais complexa: a exclusão social. O termo exclusão social confunde-se,
comumente, com desigualdade, miséria, indigência, pobreza (relativa ou absoluta),
apartação social, dentre outras. Naturalmente existem diferenças e semelhanças

| 11
Professor Alyson Barros
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

entre alguns desses conceitos, embora não exista consenso entre os diversos autores
que se dedicam ao tema. Entretanto, diferentemente de pobreza, miséria,
desigualdade e indigência, que são situações, a exclusão social é um processo que
pode levar ao acirramento da desigualdade e da pobreza e, enquanto tal, apresenta-
se heterogênea no tempo e no espaço.
A realidade brasileira nos mostra que existem famílias com as mais
diversas situações socioeconômicas que induzem à violação dos direitos de seus
membros, em especial, de suas crianças, adolescentes, jovens, idosos e pessoas
com deficiência, além da geração de outros fenômenos como, por exemplo,

35
pessoas em situação de rua, migrantes, idosos abandonados que estão nesta

1:
:4
condição não pela ausência de renda, mas por outras variáveis da exclusão social.

09
Percebe-se que estas situações se agravam justamente nas parcelas da população

0
02
onde há maiores índices de desemprego e de baixa renda dos adultos.

/2
03
As dificuldades em cumprir com funções de proteção básica, socialização e

0/
mediação, fragilizam, também, a identidade do grupo familiar, tornando mais

-2
vulneráveis seus vínculos simbólicos e afetivos. A vida dessas famílias não é regida

om
l.c
apenas pela pressão dos fatores socioeconômicos e necessidade de sobrevivência.

ai
Elas precisam ser compreendidas em seu contexto cultural, inclusive ao se tratar da
tm
ho
análise das origens e dos resultados de sua situação de risco e de suas dificuldades
s@

de auto-organização e de participação social.


ia

Assim, as linhas de atuação com as famílias em situação de risco devem


yd
lin

abranger desde o provimento de seu acesso a serviços de apoio e sobrevivência,


ke

até sua inclusão em redes sociais de atendimento e de solidariedade.


ac
-j

As situações de risco demandarão intervenções em problemas específicos e,


0
-8

ou, abrangentes. Nesse sentido, é preciso desencadear estratégias de atenção


41

sociofamiliar que visem a reestruturação do grupo familiar e a elaboração de novas


.0
01

referências morais e afetivas, no sentido de fortalecê-lo para o exercício de suas


.2

funções de proteção básica ao lado de sua auto-organização e conquista de


25
-0

autonomia. Longe de significar um retorno à visão tradicional, e considerando a


a

família como uma instituição em transformação, a ética da atenção da proteção


lv
Si

especial pressupõe o respeito à cidadania, o reconhecimento do grupo familiar como


da

referência afetiva e moral e a reestruturação das redes de reciprocidade social.


s
ia

A ênfase da proteção social especial deve priorizar a reestruturação dos


D
y

serviços de abrigamento dos indivíduos que, por uma série de fatores, não
in
el

contam mais com a proteção e o cuidado de suas famílias, para as novas


ck
Ja

modalidades de atendimento. A história dos abrigos e asilos é antiga no Brasil. A


colocação de crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e idosos em
instituições para protegê-los ou afastá-los do convívio social e familiar foi,
durante muito tempo, materializada em grandes instituições de longa
permanência, ou seja, espaços que atendiam a um grande número de pessoas,
que lá permaneciam por longo período – às vezes a vida toda. São os chamados,
popularmente, como orfanatos, internatos, educandários, asilos, entre outros.
São destinados, por exemplo, às crianças, aos adolescentes, aos jovens, aos
idosos, às pessoas com deficiência e às pessoas em situação de rua que tiverem seus
direitos violados e, ou, ameaçados e cuja convivência com a família de origem seja

| 12
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considerada prejudicial a sua proteção e ao seu desenvolvimento. No caso da


proteção social especial, à população em situação de rua serão priorizados os
serviços que possibilitem a organização de um novo projeto de vida, visando criar
condições para adquirirem referências na sociedade brasileira, enquanto sujeitos de
direito.
A proteção social especial é a modalidade de atendimento assistencial
destinada a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e
social, por ocorrência de abandono, maus tratos físicos e, ou, psíquicos, abuso
sexual, uso de substâncias psicoativas, cumprimento de medidas sócio-

35
educativas, situação de rua, situação de trabalho infantil, entre outras.

1:
:4
São serviços que requerem acompanhamento individual e maior

09
flexibilidade nas soluções protetivas. Da mesma forma, comportam

0
02
encaminhamentos monitorados, apoios e processos que assegurem qualidade na

/2
03
atenção protetiva e efetividade na reinserção almejada.

0/
Os serviços de proteção especial têm estreita interface com o sistema de

-2
garantia de direito exigindo, muitas vezes, uma gestão mais complexa e

om
l.c
compartilhada com o Poder Judiciário, Ministério Público e outros órgãos e ações

ai
do Executivo. tm
ho
Vale destacar programas que, pactuados e assumidos pelos três entes federados,
s@

surtiram efeitos concretos na sociedade brasileira, como o Programa de Erradicação do


ia

Trabalho Infantil – PETI e o Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e


yd
lin

Adolescentes.
ke
ac
-j

Proteção Social Especial de Média Complexidade


0
-8

São considerados serviços de média complexidade aqueles que oferecem


41

atendimentos às famílias e indivíduos com seus direitos violados, mas cujos vínculos
.0
01

familiar e comunitário não foram rompidos. Neste sentido, requerem maior


.2

estruturação técnico-operacional e atenção especializada e mais individualizada, e,


25
-0

ou, de acompanhamento sistemático e monitorado, tais como:


a

• Serviço de orientação e apoio sociofamiliar.


lv
Si

• Plantão Social.
da

• Abordagem de Rua.
s
ia

• Cuidado no Domicílio.
D
y

• Serviço de Habilitação e Reabilitação na comunidade das pessoas com


in
el

deficiência.
ck
Ja

• Medidas socioeducativas em meio-aberto (Prestação de Serviços à


Comunidade – PSC e Liberdade Assistida – LA).
A proteção especial de média complexidade envolve também o Centro de
Referência Especializado da Assistência Social, visando a orientação e o convívio
sociofamiliar e comunitário. Difere-se da proteção básica por se tratar de um
atendimento dirigido às situações de violação de direitos.

Proteção Social Especial de Alta Complexidade


Os serviços de proteção social especial de alta complexidade são aqueles que
garantem proteção integral – moradia, alimentação, higienização e trabalho

| 13
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protegido para famílias e indivíduos que se encontram sem referência e, ou, em


situação de ameaça, necessitando ser retirados de seu núcleo familiar e, ou,
comunitário. Tais como:
• Atendimento Integral Institucional.
• Casa Lar.
• República.
• Casa de Passagem.
• Albergue.
• Família Substituta.

35
• Família Acolhedora.

1:
:4
• Medidas socioeducativas restritivas e privativas de liberdade

09
(semiliberdade, internação provisória e sentenciada).

0
02
• Trabalho protegido.

/2
03
0/
-2
om
l.c
ai
tm
ho
s@
ia
yd
lin

2. Diretrizes para a atuação do psicólogo nos


ke
ac

serviços, benefícios e programas do CRAS segundo


-j
0

as Referências Técnicas para atuação do(a)


-8
41

psicólogo(a) no CRAS/SUAS.
.0
01
.2
25

Essas referências estão no link:


-0

http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/artes-graficas/arquivos/2008-
a
lv

CREPOP-CRAS-SUAS.pdf
Si
da

É um caderno bem curtinho. Recomendo que baixe para imprimir. Sempre


s

que leio essa cartilha tenho a convicção que ela é mais uma forma de pensar a
ia
D

psicologia social que um caderno de diretrizes objetivas e claras sobre métodos.


y
in

Sim, não preciso falar que somente somente somente somente somente somente
el
ck

somente somente é possível conceder a autonomia do sujeito através da visão da


Ja

psicologia social crítica. Ela é fabulosa, milagrosa, libertadora, nutritiva, álcool em


gel, é tudo (pelo menos até o dia da prova).
Eis os pontos principais (concursáveis) do caderno:

I – Dimensão ético-política da Assistência Social

| 14
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Reconhecer a trajetória percorrida pela Assistência Social, nas últimas duas


décadas, instrumentaliza-nos para enfrentar os desafios próprios de processos de
mudanças e transformações sociais, que, queremos nós, não sejam superficiais
nem “de fachada”. Os processos gerados a partir da Constituição Federal de 1988,
no que dizem respeito à Assistência Social, tiveram implicações fundamentais,
uma vez que colocaram suas ações articuladas com a Saúde e a Previdência
Social. Constituiu-se, assim, o Sistema Brasileiro de Seguridade Social, a partir do
qual, desde 1993, com a vigência da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), esta
passa a ser reconhecida enquanto política pública, devendo garantir direitos e

35
promover a cidadania de amplos os segmentos da população, que amargam, pela

1:
:4
produção e acirramento das desigualdades sociais, o lugar de excluídos.

09
0
02
No entanto, após a primeira metade da década de 1990, significativas

/2
03
alterações institucionais foram operadas em torno das políticas públicas da

0/
Assistência Social, com uma abordagem que conciliava iniciativas do Estado e do

-2
terceiro setor. Assim, destacou-se o papel da filantropia e da solidariedade social e

om
a participação do setor privado, lucrativo ou não lucrativo, na oferta de serviços e

l.c
ai
bens (IPEA, 2007). tm
ho
s@

[...]
ia
yd
lin

A Política Nacional de Assistência Social (PNAS, 2004), operacionalizada


ke

através do SUAS (2005), traz como projeto político, a radicalização dos modos de
ac

gestão e financiamento da política de Assistência Social. Essas marcas, se


-j
0

garantidas e legitimadas por meio dos movimentos populares, da participação


-8
41

plena de seus usuários e do fortalecimento dos espaços e instâncias de controle


.0
01

social, deverão fazer com que as ações propostas estejam conectadas com seus
.2

territórios, seus sujeitos, suas prioridades. Estamos, então, falando da sua


25
-0

efetividade enquanto política para a promoção da vida.


a
lv
Si

A proteção social básica ocupa-se das ações de vigilância social, prevenção


da

de situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e


s
ia

aquisições e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Casos


D

notadamente complexos, que implicam violação de direitos (violência e abuso


y
in
el

sexual, exploração do trabalho infantil, pessoas em situação de rua etc.) são


ck

encaminhados aos serviços e programas, correspondentes à Proteção Social


Ja

Especial.

Segundo a PNAS (2004), a proteção social especial é

(...) uma modalidade de atendimento assistencial destinada a


famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal
e social, por ocorrência de abandono, maus tratos físicos e/ou
psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psicoativas,

| 15
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cumprimento de medidas socioeducativas, situação de rua,


situação de trabalho infantil, entre outras (PNAS, 2004, p.28).

Quando estamos dentro dos territórios de pertencimento das camadas


mais apartadas do acesso a bens e serviços, no Centro de Referência de
Assistência Social – CRAS, motivo da elaboração deste primeiro documento, o que
temos como propósito é nos ocuparmos das situações que demandam atenção,
cuidado, aproximação. O CRAS tem como objetivo o desenvolvimento local,
buscando potencializar o território de modo geral. O foco da atuação do CRAS é a

35
prevenção e promoção da vida, por isso o trabalho do psicólogo deve priorizar as

1:
:4
potencialidades. Nossa atuação deve se voltar para a valorização dos aspectos

09
saudáveis presentes nos sujeitos, nas famílias e na comunidade. A atuação do

0
02
psicólogo no CRAS tem foco na prevenção e “promoção de vida”, mas isto não

/2
03
significa desconsiderar outros aspectos relacionados às vulnerabilidades.

0/
-2
Temos muito que ver fora dos consultórios, dos settings convencionais.

om
Temos a oportunidade de estabelecer muitos olhares, muitas conexões, muitas

l.c
ai
redes. Temos a oportunidade de trabalhar com a vida, não com o pobre, o pouco,
tm
ho
o menos. Temos o dever de devolver para a sociedade a contradição, quando
s@

muitos não usufruem de um lugar de cidadania, que deveria ser garantido a todos,
ia

como direito. Para isto devemos nos ocupar de todos os casos, pois eles estão ali,
yd
lin

pedindo algo, e, às vezes, porque demoramos demais, nem pedindo estão mais.
ke

Mais motivos temos para nos aproximar e retomar o que deve ter ficado perdido
ac
-j

nos fragmentos dos atendimentos segmentados, dos encaminhamentos


0

assinalados nos papéis, mas ainda não inscritos na vida.


-8
41
.0
01

Para tanto, e para chegar perto de quem realmente mais precisa, será
.2

importante não inventar a roda, e, sim, fazer a roda andar. É preciso articular com
25
-0

ações existentes nas regiões, nas comunidades. Devemos, pela condição de sujeito
a

integral, entender o desafio da incompletude institucional e da intersetorialidade.


lv
Si

Potencializar parcerias, articular as ações que complementam nossa intervenção,


da

e por esta integração preencher de significado cada passo proposto, para nós
s
ia

(técnicos) e para os destinatários da nossa intervenção, pois esta estratégia nos


D
y

fará ganhar em efetividade e resultado. Certamente fará ganhar a todos em


in
el

cidadania.
ck
Ja

[...]

É importante articularmos nossas ações às já existentes nas comunidades e


realizadas pelos moradores das regiões e territórios atendidos pelo CRAS. Um dos
grandes desafios refere- se à articulação com a rede socioassistencial e
intersetorial, além do desenvolvimento de ações de forma integrada e
complementar, que perceba o sujeito e a comunidade de forma integral e não
fragmentada. Esse diálogo permanente fortalece laços e parcerias e potencializa
ações de forma continuada. Desta forma, pensar estratégias que considerem esses

| 16
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aspectos fortalece nossa atuação e aproxima-nos da comunidade e de suas


demandas.

Uma atuação comprometida com a promoção de direitos, de cidadania, da


saúde, com a promoção da vida e que leve em conta o contexto no qual vive a
população referenciada pelos CRAS tem o suporte teórico e prático de Sílvia Lane,
Martín Baró, Sawaia e de vários outros estudiosos da Psicologia Social, da
Psicologia Comunitária, da Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia
Institucional, dentre outras.

35
1:
:4
[...]

09
0
02
Com base nesses conhecimentos, intervenções psicológicas com a

/2
finalidade da promoção da autonomia têm envolvido a participação efetiva da

03
0/
comunidade, parcerias com instituições como igrejas e movimentos sociais, ações

-2
comprometidas com o bem-estar, com a diversidade e as subjetividades de todos.

om
Como afirma Lane (2001), a Psicologia deve recuperar o indivíduo na interseção de

l.c
ai
sua história com a história de sua sociedade, pois é somente este conhecimento
tm
que permite compreender o homem como produtor de sua história. Assim, a
ho
s@

participação social é condição básica à cidadania.


ia
yd

A Psicologia pode contribuir para resgatar o vínculo do usuário com a


lin
ke

Assistência Social. A dignidade do público-participante é favorecida a partir de


ac

uma relação qualificada com a Assistência Social. Isto impõe a necessidade de se


-j
0

pensarem possibilidades de enfrentamento das dificuldades de realização do


-8
41

controle social. Existe, de fato, espaço para os usuários, na elaboração das ações e
.0

políticas destinadas a sua comunidade? A partir de uma análise crítica da


01
.2

Assistência Social, os psicólogos devem contribuir para a superação dessas


25

barreiras.
-0
a
lv
Si

[...]
da
s

Temos compromisso com a autonomia dos sujeitos, com a crença no


ia
D

potencial dos moradores e das famílias das populações referenciadas pelos CRAS,
y
in

para que rompam com o processo de exclusão/marginalização, assistencialismo e


el
ck

tutela. É fundamental a apropriação do lugar de protagonista na conquista e


Ja

afirmação de direitos, para que possamos trabalhar com essa perspectiva. Para
uma atuação ética e política, compreendemos ser imprescindível a identificação e
apropriação da atuação, enquanto profissional, e crença no que se faz, mesmo
diante de adversidades e desafios inerentes a ela. Isso contribui para um
protagonismo de fato, capaz de fomentar, em outros, a construção de autonomias
e a geração de outros protagonistas.

[...]

| 17
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II – Psicologia e Assistência Social

A atuação do psicólogo, como trabalhador da Assistência Social, tem como


finalidade básica o fortalecimento dos usuários como sujeitos de direitos e o
fortalecimento das políticas públicas. As políticas públicas são um conjunto de
ações coletivas geridas e implementadas pelo Estado, que devem estar voltadas
para a garantia dos direitos sociais, norteando-se pelos princípios da
impessoalidade, universalidade, economia e racionalidade e tendendo a dialogar
com o sujeito cidadão.

35
1:
:4
Uma Psicologia comprometida com a transformação social toma como

09
foco as necessidades, potencialidades, objetivos e experiências dos oprimidos.

0
02
Nesse sentido, a Psicologia pode oferecer, para a elaboração e execução de

/2
03
políticas públicas de Assistência Social – preocupadas em promover a

0/
emancipação social das famílias e fortalecer a cidadania junto a cada um de seus

-2
membros – contribuições no sentido de considerar e atuar sobre a dimensão

om
subjetiva dos indivíduos, favorecendo o desenvolvimento da autonomia e

l.c
ai
cidadania. Dessa maneira, as práticas psicológicas não devem categorizar,
tm
ho
patologizar e objetificar as pessoas atendidas, mas buscar compreender e intervir
s@

sobre os processos e recursos psicossociais, estudando as particularidades e


ia

circunstâncias em que ocorrem. Tais processos e recursos devem ser


yd
lin

compreendidos de forma indissociada aos aspectos histórico-culturais da


ke

sociedade em que se verificam, posto que se constituem mutuamente.


ac
-j
0

[...]
-8
41
.0

É preciso, portanto, olhar o sujeito no contexto social e político no qual


01
.2

está inserido e humanizar as políticas públicas. Os cidadãos devem ser pensados


25

como sujeitos que têm sentimentos, ideologias, valores e modos próprios de


-0

interagir com o mundo, constituindo uma subjetividade que se constrói na


a
lv
Si

interação contínua dos indivíduos com os aspectos histórico-culturais e afetivo-


da

relacionais que os cercam. Essa dimensão subjetiva deve ser levada em


s
ia

consideração quando se organizam e executam as políticas públicas.


D
y
in
el

Compreender o papel ativo do indivíduo e a influência das relações sociais,


ck

valores e conhecimentos culturais sobre o desenvolvimento humano pode


Ja

favorecer a construção de uma atuação profissional que seja transformadora das


desigualdades sociais. Ao levar em consideração essa dimensão do
desenvolvimento dos sujeitos, contribui-se para a promoção de novos significados
ao lugar do sujeito cidadão, autônomo e que deve ter vez e voz no processo de
tomada de decisão e de resolução das dificuldades e problemas vivenciados.

[...]

| 18
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

As atividades desenvolvidas no CRAS estão voltadas para o alívio imediato


da pobreza, para a ruptura com o ciclo intergeracional da pobreza e o
desenvolvimento das famílias. Os psicólogos no CRAS devem promover e
fortalecer vínculos sócio-afetivos, de forma que as atividades de atendimento
gerem progressivamente independência dos benefícios oferecidos e promovam a
autonomia na perspectiva da cidadania. Atuar numa perspectiva emancipatória,
em um país marcado por desigualdades sociais, e construir uma rede de proteção
social é um grande desafio. Temos o compromisso de oferecer serviços de
qualidade, diminuir sofrimentos, evitar a cronificação dos quadros de

35
vulnerabilidade, defender o processo democrático e favorecer a emancipação

1:
:4
social. Para isso, é importante compreender a demanda e suas condições

09
históricas, culturais, sociais e políticas de produção, a partir do conhecimento das

0
02
peculiaridades das comunidades e do território (inserção comunitária) e do seu

/2
03
impacto na vida dos sujeitos. Qual é a demanda apresentada pelos usuários da

0/
Assistência Social?

-2
om
Num modelo assistencialista, os profissionais são os ‘salvadores’ que fazem

l.c
ai
de tudo para aliviar a miséria. O problema é que, quando se colocam nesse lugar,
tm
ho
invertem a demanda e acham que sabem o que é melhor para o usuário. O
s@

importante, no entanto, é compreender a demanda dos usuários, em seus


ia

aspectos históricos, sociais, pessoais e contextuais, para se realizar uma


yd
lin

intervenção psicológica mais efetiva e resolutiva, com base na demanda planejada


ke

(construída pelo diálogo entre o saber do técnico e do população referenciada), e


ac
-j

não só na demanda espontânea.


0
-8
41

Na relação com as famílias é importante também estar atento ao processo


.0
01

de culpabilização da família. A extrema valorização da família e a idealização do


.2

núcleo familiar contribuíram para se pensar que “ (...) se tudo se remete à família,
25
-0

tudo é culpa da família” (MELMAN, 2002, p. 38). Respeito mútuo, respeito a si


a

próprio e reconhecimento do outro são importantes para a construção de relações


lv
Si

de confiança entre profissionais e população atendida e para se possibilitar uma


da

postura autônoma, contribuindo para a re-significação do lugar do indivíduo,


s
ia

empoderando-o enquanto sujeito cidadão de direitos.


D
y
in
el

Quando os profissionais têm disponibilidade para revisitar e aprimorar


ck
Ja

suas ações, com base no conhecimento compartilhado com diferentes


profissionais e usuários, realizam troca de saberes e constroem práticas
interdisciplinares mais colaborativas, ricas e flexíveis. A prática interdisciplinar é
uma prática política, um diálogo entre pontos de vista para se construírem
leituras, compreensões e atuações consideradas adequadas, e visa à abordagem
de questões relativas ao cotidiano, pautadas sobre a realidade dos indivíduos em
seu território.

Para o enfrentamento dessas situações, é relevante também a


identificação e consideração das expectativas, necessidades e potencialidades dos

| 19
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

usuários e a análise da adequação das ações propostas ao campo da Assistência


Social.

Princípios que devem orientar a prática do psicólogo no CRAS:

1. Atuar em consonância com as diretrizes e objetivos da PNAS e da


Proteção Social Básica (PSB), cooperando para a efetivação das
políticas públicas de desenvolvimento social e para a construção de
sujeitos cidadãos;

35
1:
:4
2. Atuar de modo integrado à perspectiva interdisciplinar, em

09
especial nas interfaces entre a Psicologia e o Serviço Social,

0
02
buscando a interação de saberes e a complementação de ações,

/2
com vistas à maior resolutividade dos serviços oferecidos;

03
0/
3. Atuar de forma integrada com o contexto local, com a realidade

-2
municipal e territorial, fundamentada em seus aspectos sociais,

om
políticos, econômicos e culturais;

l.c
ai
tm
4. Atuar baseado na leitura e inserção no tecido comunitário, para
ho
s@

melhor compreendê-lo, e intervir junto aos seus moradores;


ia

5. Atuar para identificar e potencializar os recursos psicossociais,


yd

tanto individuais como coletivos, realizando intervenções nos


lin
ke

âmbitos individual, familiar, grupal e comunitário;


ac
-j
0

6. Atuar a partir do diálogo entre o saber popular e o saber científico


-8
41

da Psicologia, valorizando as expectativas, experiências e


.0

conhecimentos na proposição de ações;


01
.2

7. Atuar para favorecer processos e espaços de participação social,


25

mobilização social e organização comunitária, contribuindo para o


-0

exercício da cidadania ativa, autonomia e controle social, evitando a


a
lv
Si

cronificação da situação de vulnerabilidade;


da
s

8. Manter-se em permanente processo de formação profissional,


ia
D

buscando a construção de práticas contextualizadas e coletivas;


y
in

9. Atuar com prioridade de atendimento aos casos e situações de


el
ck

maior vulnerabilidade e risco psicossocial;


Ja

10. Atuar para além dos settings convencionais, em espaços


adequados e viáveis ao desenvolvimento das ações, nas instalações
do CRAS, da rede socioassistencial e da comunidade em geral.

Desde o ponto de vista conceitual, a ação do psicólogo e do assistente


social e as diretrizes do Ministério de Desenvolvimento Social unem-se na
reabilitação psicossocial de um lado e de outro, na promoção da cidadania e do
protagonismo político.

| 20
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

III – Atuação do psicólogo no CRAS

O CRAS é responsável pela oferta de serviços continuados de proteção


social básica e de Assistência Social às famílias, grupos e indivíduos em situação
de vulnerabilidade social. Nessa unidade básica da Assistência Social são
realizados os seguintes serviços, benefícios, programas e projetos (BRASIL, 2006a):

1. Serviços: socioeducativo-geracionais, intergeracionais e com


famílias; sócio-comunitário; reabilitação na comunidade; outros;

35
2. Benefícios: transferência de renda (bolsa-família e outra);

1:
:4
Benefícios de Prestação Continuada – BPC; benefícios eventuais –

09
assistência em espécie ou material; outros;

0
02
/2
3. Programas e Projetos: capacitação e promoção da inserção

03
0/
produtiva; promoção da inclusão produtiva para beneficiários do

-2
programa Bolsa Família – PBF e do Benefício de Prestação

om
Continuada; projetos e programas de enfrentamento à pobreza;

l.c
ai
projetos e programas de enfrentamento à fome; grupos de
tm
produção e economia solidária; geração de trabalho e renda.
ho
s@
ia

O psicólogo pode participar de todas essas ações, articulando a sua


yd

atuação a um plano de trabalho elaborado em conjunto com a equipe


lin
ke

interdisciplinar. As ações devem ter caráter contínuo e levar em conta que o


ac

público-participante do CRAS é a população em situação de vulnerabilidade social


-j
0

decorrente da pobreza, privação e/ou fragilização de vínculos efetivos relacionais


-8
41

e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por


.0

deficiências, dentre outras). Dado isso, a atuação do psicólogo deve se apoiar em


01
.2

investigações sobre essas situações no território de abrangência do CRAS (BRASIL,


25

2007).
-0
a
lv
Si

Segundo as orientações técnicas do Ministério do Desenvolvimento Social


da

(MDS), as ações dos profissionais que atuam no CRAS devem


s
ia
D

(...) provocar impactos na dimensão da subjetividade política dos


y
in

usuários, tendo como diretriz central a construção do protagonismo


el
ck

e da autonomia, na garantia dos direitos com superação das


Ja

condições de vulnerabilidade social e potencialidades de riscos


(BRASIL, 2006a, p. 13).

As atividades do psicólogo no CRAS devem estar voltadas para a atenção e


prevenção a situações de risco, objetivando atuar nas situações de
vulnerabilidade por meio do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários
e por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições pessoais e
coletivas.

| 21
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Intervir em situações de vulnerabilidades, dentro da Assistência Social,


implica diretamente em promover e favorecer o desenvolvimento da autonomia
dos indivíduos, oportunizando o empoderamento da pessoa, dos grupos e das
comunidades. Temos, aqui, a necessidade de mudanças nos referenciais teórico-
metodológicos, na fundamentação dos programas, projetos, serviços e benefícios
que devem se dar em nova ótica, investindo-se no potencial humano. Esse
investimento pode produzir superação e desenvolvimento, mas, para tanto,
também são fundamentais mudanças na forma de compreendermos a pobreza e a
maneira de atuarmos sobre ela, gerando, por meio dos vínculos estabelecidos no

35
atendimento, e de um conjunto de ações potencializadores, o rompimento do

1:
:4
ciclo de pobreza, a independência dos benefícios oferecidos e a promoção da

09
autonomia, na perspectiva da cidadania, tendo o indivíduo como integrante e

0
02
participante ativo dessa construção.

/2
03
0/
Para produzir esses resultados devem ser identificados/criados serviços

-2
que dêem retaguarda às ações do CRAS. Nesse sentido, deve-se identificar redes

om
de apoio e deve-se articular os serviços do CRAS com os serviços oferecidos por

l.c
ai
outras políticas públicas, por meio da intersetorialidade. tm
ho
s@

Em se tratando do trabalho do psicólogo, que, conforme sugerido alhures,


ia

deve enfatizar as relações da pessoa com os seus contextos, atentar para a


yd
lin

prevenção de situações de risco e contribuir para o desenvolvimento de


ke

potencialidades pessoais e coletivas, este profissional deve pautar seu atuação


ac
-j

pelos marcos normativos da Assistência Social, como o Guia de Orientação


0

Técnica – SUAS No 1 (BRASIL, 2005), que versa sobre as diretrizes metodológicas


-8
41

para o trabalho com famílias e indivíduos, bem como sobre os serviços e ações do
.0
01

PAIF ofertados pela equipe de profissionais do CRAS. Portanto, em casos de


.2

identificação de demandas que requeiram ações e serviços não previstos nestes


25
-0

aparatos normativos, como, por exemplo, o acompanhamento clínico de natureza


a

psicoterapêutica, o profissional de Psicologia deve acessar outros pontos da rede


lv
Si

de serviços públicos existentes no seu território de abrangência ou no plano


da

municipal, com vistas à efetivação dos direitos dos usuários a serviços de


s
ia

qualidade e à devida organização das ações promovidas pelas políticas públicas


D
y

de Seguridade Social.
in
el
ck
Ja

Conforme estabelece a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos


do SUAS (NOB–RH/SUAS), atuam, no CRAS, assistentes sociais, psicólogos e, em
alguns casos, também outros profissionais (BRASIL, 2006b). Portanto, o psicólogo
passou a integrar as equipes de trabalhadores do SUAS e vem contribuindo para
que o CRAS cumpra seus objetivos dentro da política de Assistência Social. Esse
local de atuação traz para o psicólogo alguns desafios, dentre eles:

» apropriar-se dos marcos legais e normativos operacionais da política


pública em geral e, em especial, das políticas de Assistência Social, dentre
outras: Constituição Federal – 1988; Lei Orgânica da Assistência Social –

| 22
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LOAS/1993; Estatuto da Criança e Adolescente – ECA/1990; Plano Nacional


de Assistência Social – PNAS/2004; Política Nacional do Idoso – PNI/1994;
Política Nacional de Integração da Pessoa com Deficiência – NOB-
SUAS/2005; Novo Código Civil; leis, decretos e portarias do Ministério do
Desenvolvimento Social, que possam ser pertinentes à ação dos
profissionais;

» apropriar-se dos fundamentos ético legais, teóricos e metodológicos para


o trabalho com e para as famílias, seus membros e indivíduos,

35
considerando, sobretudo, as necessidades e possibilidades objetivas e

1:
:4
subjetivas existentes no território onde estes atores vivem;

09
0
02
» apropriar-se de conhecimentos sobre: indicadores de vulnerabilidade e

/2
03
risco sócio-psicológico; especificidades étnicas e culturais da população

0/
brasileira; trabalho social com famílias, seus membros e indivíduos;

-2
trabalho com grupos e redes sociais; dialética exclusão/inclusão social;

om
leitura sócio-psicológica da realidade, como pesquisa-ação- participante;

l.c
ai
políticas públicas, dentre outros; tm
ho
s@

» orientar-se pelos princípios éticos que devem nortear a intervenção dos


ia

profissionais da Assistência Social, conforme proposto na NOB–RH/SUAS:


yd
lin
ke

1. defesa Intransigente dos direitos socioassistenciais;


ac

2. compromisso em ofertas, serviços, programas, projetos e


-j
0

benefícios de qualidade que garantam a oportunidade de


-8
41

convívio para o fortalecimento de laços familiares e sociais;


.0

3. promoção, aos usuários, do acesso a informação,


01
.2

garantindo conhecer o nome e a credencial de quem os


25

atende;
-0

4. proteção à privacidade dos usuários, observando o sigilo


a
lv
Si

profissional, preservando sua privacidade e opção e


da

resgatando a sua história de vida;


s
ia
D

5. compromisso em garantir atenção profissional


y
in
el

direcionada para a construção de projetos pessoais e sociais


ck

para a autonomia e sustentabilidade;


Ja

6. reconhecimento do direito dos usuários a terem acesso a


benefícios e renda e a programas de oportunidades para
inserção profissional e social;

7. incentivo aos usuários para que exerçam seu direito de


participar de fóruns, conselhos, movimentos sociais e
cooperativas populares de produção;
8. garantia do acesso da população a política de Assistência
Social, sem discriminação de qualquer natureza

| 23
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(gênero,raça/etnia, credo, orientação sexual, classe social ou


outras), resguardados os critérios de elegibilidade dos
diferentes programas, projetos, serviços e benefícios;

9. devolução das informações colhidas nos estudos e


pesquisas aos usuários, no sentido de que estes possam usá-
las para o fortalecimento dos seus interesses;
10. contribuição para a criação de mecanismos que venham
a desburocratizar a relação com os usuários, no sentido de

35
agilizar e melhorar os serviços prestados.

1:
:4
09
A prática profissional do psicólogo junto a políticas públicas de Assistência

0
02
Social é a de um profissional da área social produzindo suas intervenções em

/2
03
serviços, programas e projetos afiançados na proteção social básica, a partir de

0/
um compromisso ético e político de garantia dos direitos dos cidadãos ao acesso à

-2
atenção e proteção da Assistência Social. A partir da interface entre várias áreas da

om
Psicologia, estas ações estão sendo construídas numa perspectiva interdisciplinar,

l.c
ai
uma vez que vão constituindo várias funções e ocupações que devem priorizar a
tm
ho
qualificação da intervenção social dos trabalhadores da Assistência Social.
s@
ia

[...]
yd
lin
ke

O psicólogo deve integrar as equipes de trabalho em igualdade de


ac

condições e com liberdade de ação, num papel de contribuição nesse processo


-j
0

de construção de uma nova ótica da promoção, que abandona o assistencialismo,


-8
41

as benesses, que não está centrada na caridade e nem favor, rompendo com o
.0

paradigma da tutela, das ações dispersas e pontuais.


01
.2
25

[...]
-0
a
lv

Apontam-se, a seguir, algumas diretrizes para a atuação do psicólogo nos


Si
da

serviços, benefícios e programas do CRAS:


s
ia
D

» desenvolver modalidades interventivas coerentes com os


y
in

objetivos do trabalho social desenvolvido pela Proteção Social


el
ck

Básica e Proteção Social Especial (média e alta), considerando que o


Ja

objetivo da intervenção em cada uma difere, assim como o


momento em que ele ocorre na família, em seus membros ou
indivíduos;

» facilitar processos de identificação, construção e atualização de


potenciais pessoais, grupais e comunitários, de modo a fortalecer
atividades e positividades já existentes nas interações dos
moradores, nos arranjos familiares e na atuação dos grupos,
propiciando formas de convivência familiar e comunitária que

| 24
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favoreçam a criação de laços afetivos e colaborativos entre os


atores envolvidos;

» fomentar espaços de interação dialógica que integrem vivências,


leitura crítica da realidade e ação criativa e transformadora, a fim de
que as pessoas reconheçam-se e se movimentem na condição de
co-construtoras de si e dos seus contextos social, comunitário e
familiar;
» compreender e acompanhar os movimentos de construção

35
subjetiva de pessoas, grupos comunitários e famílias, atentando

1:
:4
para a articulação desses processos com as vivências e as práticas

09
sociais existentes na tessitura sócio- comunitária e familiar;

0
02
/2
03
» colaborar com a construção de processos de mediação,

0/
organização, mobilização social e participação dialógica que

-2
impliquem na efetivação de direitos sociais e na melhoria das

om
condições de vida presentes no território de abrangência do CRAS;

l.c
ai
tm
» no atendimento, desenvolver as ações de acolhida, entrevistas,
ho
s@

orientações, referenciamento e contra- referenciamento, visitas e


ia

entrevistas domiciliares, articulações institucionais dentro e fora do


yd
lin

território de abrangência do CRAS, proteção pró-ativa, atividades


ke

socioeducativas e de convívio, facilitação de grupos, estimulando


ac

processos contextualizados, auto-gestionados, práxicos e


-j
0

valorizadores das alteridades;


-8
41
.0

» por meio das ações, promover o desenvolvimento de habilidades,


01
.2

potencialidades e aquisições, articulação e fortalecimento das redes


25

de proteção social, mediante assessoria a instituições e grupos


-0

comunitários;
a
lv
Si
da

» desenvolver o trabalho social articulado aos demais trabalhos da


s
ia

rede de proteção social, tendo em vista os direitos a serem


D

assegurados ou resgatados e a completude da atenção em rede;


y
in
el
ck

» participar da implementação, elaboração e execução dos projetos


Ja

de trabalho;

» contribuir na elaboração, socialização, execução, no


acompanhamento e na avaliação do plano de trabalho de seu setor
de atuação, garantindo a integralidade das ações;
» contribuir na educação permanente dos profissionais da
Assistência Social;

| 25
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» fomentar a existência de espaços de formação permanente,


buscando a construção de práticas contextualizadas e coletivas;
» no exercício profissional, o psicólogo deve pautar-se em
referenciais teóricos, técnicos e éticos. Para tanto, é fundamental
manter-se informado e atualizado em nível teórico/técnico,
acompanhando as resoluções que norteiam o exercício;

» na ação profissional, é fundamental a atenção acerca do


significado social da profissão e da direção da intervenção da

35
Psicologia na sociedade, apontando para novos dispositivos que

1:
:4
rompam com o privativo da clínica mas não com a formação da

09
Psicologia, que traz, em sua essência, referenciais teórico- técnicos

0
02
de valorização do outro, aspectos de intervenção e escuta

/2
03
comprometida com o processo de superação e de promoção da

0/
pessoa;

-2
om
» os serviços de Psicologia podem ser realizados em organizações

l.c
ai
de caráter público ou privado, em diferentes áreas da atividade
tm
ho
profissional, sem prejuízo da qualidade teórica, técnica e ética,
s@

mantendo-se atenção à qualidade e ao caráter do serviço prestado,


ia

as condições para o exercício profissional e posicionando-se, o


yd
lin

psicólogo, enquanto profissional, de forma ética e crítica, em


ke

consonância com o Código de Ética Profissional do psicólogo.


ac
-j
0
-8
41
.0

IV – Gestão do trabalho no SUAS


01
.2
25

A NOB–RH/SUAS consolida os principais eixos a serem considerados para a


-0

gestão do trabalho na área da Assistência Social, tais como: equipes de referência;


a
lv
Si

diretrizes nacionais para os planos de carreira, cargos e salários; diretrizes para o


da

co-financiamento da gestão do trabalho; responsabilidades e atribuições do


s
ia

gestor federal, dos gestores estaduais, do gestor do Distrito Federal e dos gestores
D

municipais para a gestão do trabalho no âmbito do SUAS; entre outros eixos. Além
y
in
el

disso, a gestão do trabalho do âmbito do SUAS deve também (NOB–RH/ SUAS,


ck

2006):
Ja

» garantir a “desprecarização” dos vínculos dos trabalhadores do


SUAS e o fim da terceirização;
» garantir a educação permanente dos trabalhadores, levando em
consideração a diversidade de temas oriundos da prática de
intervenção no SUAS, de acordo com as categorias profissionais que
hoje contribuem para o desenvolvimento da PNAS;

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» realizar planejamento estratégico e plano de ação coletivos, para a


consolidação do trabalho interdisciplinar no atendimento integral
às famílias;
» garantir a gestão participativa com controle social;

» integrar e alimentar o sistema de informação.

[...]

35
A proposta de educação permanente, que vem sendo implantada no Brasil

1:
:4
desde 2003, na área da saúde, e que agora está sendo implantada na área da

09
Assistência Social, destaca a importância do potencial educativo no processo de

0
02
trabalho para a sua transformação. Busca a melhoria da qualidade do cuidado, a

/2
capacidade de comunicação o compromisso social entre as equipes de trabalho,

03
0/
os gestores do sistema, instituições formadoras e o controle social. Estimula

-2
também a produção de saberes, a partir da valorização da experiência e da cultura

om
do sujeito das práticas de trabalho, numa dada situação e com postura e escuta

l.c
ai
ativas, críticas e reflexivas. tm
ho
s@

Um dos principais desafios aos processos de educação permanente


ia

consiste em articular a visão global do sistema com a análise dos problemas


yd

efetivos da prática em contextos específicos. Para isso, a NOB/RH–SUAS prevê que


lin
ke

a educação permanente dos trabalhadores da área da Assistência Social deva ser


ac

promovida com a finalidade de se produzirem e difundirem conhecimentos que


-j
0

devem ser direcionados ao desenvolvimento de habilidades e capacidades


-8
41

técnicas e gerenciais, ao efetivo exercício do controle social e ao empoderamento


.0

dos usuários para o aprimoramento da política pública.


01
.2
25
-0
a
lv
Si
da
s
ia

3. Política Nacional para População em Situação de


D
y

Rua.
in
el
ck

Segundo o Ministério das Mulheres3: A Política Nacional para a População


Ja

em Situação de Rua – PNPR, foi instituída pelo Decreto nº 7.053, de 23 de


dezembro de 2009 para assegurar o acesso amplo, simplificado e seguro aos
serviços e programas que integram as diversas políticas públicas desenvolvidas
pelos nove ministérios que o compõem.
A PNPR garante os processos de participação e controle social e possui
entre seus princípios, além da igualdade e equidade, o respeito à dignidade da
pessoa humana; o direito à convivência familiar e comunitária; a valorização e

3
https://www.mdh.gov.br/navegue-por-temas/populacao-em-situacao-
de-rua/politica-nacional-para-a-populacao-em-situacao-de-rua

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respeito à vida e à cidadania; o atendimento humanizado e universalizado; e o


respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade, nacionalidade,
gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às pessoas com
deficiência.
A estruturação da PNPR conta com a instância de discussão e deliberação
sobre as políticas públicas para a População em Situação de Rua no âmbito
nacional, o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política
Nacional para a População em Situação (CIAMP- Rua); a Coordenação da PNPR e
do CIAMP-Rua realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH); os comitês

35
gestores locais; as representações da sociedade civil tais como o Movimento

1:
:4
Nacional da População em Situação de Rua, os representantes dos Fóruns

09
estaduais da População em situação de rua e da Pastoral Nacional do Povo da Rua

0
02
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e das redes de atendimento

/2
03
das várias políticas ofertadas pelos ministérios que compõem o CIAMP-Rua.

0/
Vejamos que diz esse curto decreto:

-2
Art. 1o Fica instituída a Política Nacional para a População em Situação de

om
l.c
Rua, a ser implementada de acordo com os princípios, diretrizes e objetivos

ai
previstos neste Decreto. [princípios, diretrizes e objetivos, isso é o que cairá em sua
tm
ho
prova]
s@

Parágrafo único. Para fins deste Decreto, considera-se população em situação


ia

de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema,


yd
lin

os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia


ke

convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas


ac
-j

como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem


0
-8

como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia


41

provisória.
.0
01

Art. 2o A Política Nacional para a População em Situação de Rua será


.2

implementada de forma descentralizada e articulada entre a União e os demais


25
-0

entes federativos que a ela aderirem por meio de instrumento próprio.


a

Parágrafo único. O instrumento de adesão definirá as atribuições e as


lv
Si

responsabilidades a serem compartilhadas.


da

Art. 3o Os entes da Federação que aderirem à Política Nacional para a


s
ia

População em Situação de Rua deverão instituir comitês gestores intersetoriais,


D
y

integrados por representantes das áreas relacionadas ao atendimento da


in
el

população em situação de rua, com a participação de fóruns, movimentos e


ck
Ja

entidades representativas desse segmento da população.


Art. 4o O Poder Executivo Federal poderá firmar convênios com entidades
públicas e privadas, sem fins lucrativos, para o desenvolvimento e a execução de
projetos que beneficiem a população em situação de rua e estejam de acordo com
os princípios, diretrizes e objetivos que orientam a Política Nacional para a
População em Situação de Rua.
Art. 5o São princípios da Política Nacional para a População em Situação
de Rua, além da igualdade e equidade:
I - respeito à dignidade da pessoa humana;
II - direito à convivência familiar e comunitária;

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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

III - valorização e respeito à vida e à cidadania;


IV - atendimento humanizado e universalizado; e
V - respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade,
nacionalidade, gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às
pessoas com deficiência.
Art. 6o São diretrizes da Política Nacional para a População em Situação de
Rua:
I - promoção dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e
ambientais;

35
II - responsabilidade do poder público pela sua elaboração e financiamento;

1:
:4
III - articulação das políticas públicas federais, estaduais, municipais e do

09
Distrito Federal;

0
02
IV - integração das políticas públicas em cada nível de governo;

/2
03
V - integração dos esforços do poder público e da sociedade civil para sua

0/
execução;

-2
VI - participação da sociedade civil, por meio de entidades, fóruns e

om
l.c
organizações da população em situação de rua, na elaboração, acompanhamento

ai
e monitoramento das políticas públicas; tm
ho
VII - incentivo e apoio à organização da população em situação de rua e à sua
s@

participação nas diversas instâncias de formulação, controle social,


ia

monitoramento e avaliação das políticas públicas;


yd
lin

VIII - respeito às singularidades de cada território e ao aproveitamento das


ke

potencialidades e recursos locais e regionais na elaboração, desenvolvimento,


ac
-j

acompanhamento e monitoramento das políticas públicas;


0
-8

IX - implantação e ampliação das ações educativas destinadas à superação


41

do preconceito, e de capacitação dos servidores públicos para melhoria da


.0
01

qualidade e respeito no atendimento deste grupo populacional; e


.2

X - democratização do acesso e fruição dos espaços e serviços públicos.


25
-0

Art. 7o São objetivos da Política Nacional para a População em Situação de


a

Rua:
lv
Si

I - assegurar o acesso amplo, simplificado e seguro aos serviços e programas


da

que integram as políticas públicas de saúde, educação, previdência, assistência


s
ia

social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda;


D
y

II - garantir a formação e capacitação permanente de profissionais e gestores


in
el

para atuação no desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais, transversais


ck
Ja

e intergovernamentais direcionadas às pessoas em situação de rua;


III - instituir a contagem oficial da população em situação de rua;
IV - produzir, sistematizar e disseminar dados e indicadores sociais,
econômicos e culturais sobre a rede existente de cobertura de serviços públicos à
população em situação de rua;
V - desenvolver ações educativas permanentes que contribuam para a
formação de cultura de respeito, ética e solidariedade entre a população em
situação de rua e os demais grupos sociais, de modo a resguardar a observância
aos direitos humanos;

| 29
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

VI - incentivar a pesquisa, produção e divulgação de conhecimentos sobre a


população em situação de rua, contemplando a diversidade humana em toda a
sua amplitude étnico-racial, sexual, de gênero e geracional, nas diversas áreas do
conhecimento;
VII - implantar centros de defesa dos direitos humanos para a população em
situação de rua;
VIII - incentivar a criação, divulgação e disponibilização de canais de
comunicação para o recebimento de denúncias de violência contra a população
em situação de rua, bem como de sugestões para o aperfeiçoamento e melhoria

35
das políticas públicas voltadas para este segmento;

1:
:4
IX - proporcionar o acesso das pessoas em situação de rua aos benefícios

09
previdenciários e assistenciais e aos programas de transferência de renda, na

0
02
forma da legislação específica;

/2
03
X - criar meios de articulação entre o Sistema Único de Assistência Social e o

0/
Sistema Único de Saúde para qualificar a oferta de serviços;

-2
XI - adotar padrão básico de qualidade, segurança e conforto na

om
l.c
estruturação e reestruturação dos serviços de acolhimento temporários, de

ai
acordo com o disposto no art. 8o; tm
ho
XII - implementar centros de referência especializados para atendimento da
s@

população em situação de rua, no âmbito da proteção social especial do Sistema


ia

Único de Assistência Social;


yd
lin

XIII - implementar ações de segurança alimentar e nutricional suficientes


ke

para proporcionar acesso permanente à alimentação pela população em situação


ac
-j

de rua à alimentação, com qualidade; e


0
-8

XIV - disponibilizar programas de qualificação profissional para as pessoas


41

em situação de rua, com o objetivo de propiciar o seu acesso ao mercado de


.0
01

trabalho.
.2

Art. 8o O padrão básico de qualidade, segurança e conforto da rede de


25
-0

acolhimento temporário deverá observar limite de capacidade, regras de


a

funcionamento e convivência, acessibilidade, salubridade e distribuição


lv
Si

geográfica das unidades de acolhimento nas áreas urbanas, respeitado o direito


da

de permanência da população em situação de rua, preferencialmente nas cidades


s
ia

ou nos centros urbanos.


D
y

§ 1o Os serviços de acolhimento temporário serão regulamentados


in
el

nacionalmente pelas instâncias de pactuação e deliberação do Sistema Único de


ck
Ja

Assistência Social.
§ 2o A estruturação e reestruturação de serviços de acolhimento devem ter
como referência a necessidade de cada Município, considerando-se os dados das
pesquisas de contagem da população em situação de rua.
§ 3o Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por
intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social, fomentar e promover a
reestruturação e a ampliação da rede de acolhimento a partir da transferência de
recursos aos Municípios, Estados e Distrito Federal.
§ 4o A rede de acolhimento temporário existente deve ser reestruturada e
ampliada para incentivar sua utilização pelas pessoas em situação de rua,

| 30
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

inclusive pela sua articulação com programas de moradia popular promovidos


pelos Governos Federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal.
[...]
Art. 15. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da
República instituirá o Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos para a
População em Situação de Rua, destinado a promover e defender seus direitos,
com as seguintes atribuições:
I - divulgar e incentivar a criação de serviços, programas e canais de
comunicação para denúncias de maus tratos e para o recebimento de sugestões

35
para políticas voltadas à população em situação de rua, garantido o anonimato

1:
:4
dos denunciantes;

09
II - apoiar a criação de centros de defesa dos direitos humanos para

0
02
população em situação de rua, em âmbito local;

/2
03
III - produzir e divulgar conhecimentos sobre o tema da população em

0/
situação de rua, contemplando a diversidade humana em toda a sua amplitude

-2
étnico-racial, sexual, de gênero e geracional nas diversas áreas;

om
l.c
IV - divulgar indicadores sociais, econômicos e culturais sobre a população

ai
em situação de rua para subsidiar as políticas públicas; e tm
ho
V - pesquisar e acompanhar os processos instaurados, as decisões e as
s@

punições aplicadas aos acusados de crimes contra a população em situação de


ia

rua.
yd
lin
ke
ac
-j
0
-8

4. Violência Doméstica e Violência Intrafamiliar no


41
.0

Brasil.
01
.2
25

Violência
-0
a

Do ponto de vista técnico, a violência pode estar presente em todo tipo de


lv
Si

relação social humana. Interessa-nos adentrar no modo psicológico como essa


da

violência produzida e quais as suas nuances. Não abordaremos, portanto, as


s
ia

perspectivas sociológicas ou até antropológicas que também buscam explicar


D
y

esse fenômeno.
in
el

Antes de falarmos em processos psicológicos de vitimização, devemos


ck
Ja

elucidar a violência em si e os seus tipos. Nesta seara, temos três dimensões:


a) Violência Física
b) Violência Psicológica
c) Violência Sexual.
De acordo com Brasil (2002) A violência física pode ser definida como atos
violentos, uso de força física de forma intencional, não acidental, praticada por
pais, responsáveis, familiares ou pessoas próximas da criança ou do adolescente,
com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a vítima, deixando ou não marcas
evidentes em seu corpo.

| 31
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Nesse aspecto, a violência contra a criança e o adolescente só pode ser


considerada quando esta tiver propósito lesivo para a vítima. São descartados
aqueles casos ocasionados por algum tipo de acidente, ou ainda com a intenção e
punição educativa.
Ainda de acordo com Brasil (2002) A violência sexual se define:
Em todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo
agressor está em estágio mais adiantado que a criança ou o adolescente. Tem por
intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual.
Apresenta sob a forma de práticas eróticas e sexuais impostas à criança ou ao

35
adolescente pela violência física, ameaças ou indução de sua vontade. [...] Engloba

1:
:4
ainda a situação de exploração sexual visando lucros como é o caso da

09
prostituição e da pornografia.

0
02
Nos casos de violência sexual, nem sempre a vítima apresenta sinais

/2
03
corporais visíveis. No entanto, esse tipo de violência só será notado quando

0/
houver penetração ou algo que subentenda o uso de força física, necessitando um

-2
maior auxílio do poder judiciário para obter provas concretas da ocorrência do

om
l.c
abuso.

ai
A violência psicológica constitui toda forma de rejeição, depreciação,
tm
ho
discriminação, desrespeito, cobranças exageradas, punições humilhantes e
s@

utilização da criança e do adolescente para atender às necessidades psíquicas dos


ia

adultos. (Brasil, 2002).


yd
lin

É certo que, essas formas de maus-tratos causam danos ao


ke

desenvolvimento biopsicossocial da criança e do adolescente, afeta a sua


ac
-j

estrutura emocional, cognitiva e pessoal de encarar a vida. Esse tipo de violência é


0
-8

por sua vez, um dos mais difíceis de serem identificados, pela falta de
41

materialidade e evidências que comprovem o fato.


.0
01

Existe uma ilusão de que a sociedade realmente sabe como lidar com
.2

situações de violência, devido ao intenso debate na imprensa, em livros, mas a


25
-0

verdade é que se instalou uma perda do estranhamento diante das agressões


a

vividas ou presenciadas no dia a dia, e reside exatamente aí o perigo. Enquanto a


lv
Si

violência, seja a psicológica, física ou sexual, neste caso, contra crianças e


da

adolescentes, não chamar atenção das pessoas, não lhes causar indignação
s
ia

suficiente para que denunciem os agressores, dificilmente será um problema que


D
y

poderá ser avaliado com bases em números reais de ocorrências, dificultando,


in
el

assim, sua resolução.


ck
Ja

Ainda existe uma incerteza nas consequências precisas e causas


universais da violência contra crianças e adolescentes. Cada caso tem suas
peculiaridades e as definições de agressão variam entre pesquisadores da área.
Fato certo, é que a mudança de mentalidade com relação a proteção que deveria
sempre ser esperada do ambiente familiar, ajudou a criar um alerta não só entre a
população mas, também, entre os profissionais e pesquisadores que tratam
dessas crianças e adolescentes que passam pelos diversos tipos de violência. Esta
postura do familiar como agressor da criança e do adolescente foi bem elucidada
por Bock:

| 32
Professor Alyson Barros
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A família, como lugar de proteção e cuidado, é, em muitos casos, um mito.


Muitas crianças e adolescentes sofrem ali suas primeiras experiências de violência:
a negligência, os maus-tratos, a violência psicológica, a agressão física, o abuso
sexual.
Fonte: Bock, 2002.

Considerar que as agressões sofridas podem ter como causadores os


próprios pais, por exemplo, foi um fator que ajudou a traçar o perfil destes
agressores e da própria vítima, de forma a contribuir com um método mais

35
1:
eficiente para diagnosticar a violência e assim, poder combatê-la e até preveni-la

:4
através da investigação mais específica de suas causas. Vale observar o que

09
0
conclui Gonçalves:

02
/2
Quando a comunidade científica reconheceu que certos ferimentos

03
infligidos aos corpos das crianças tinham como origem a agressão paterna ou

0/
-2
materna, rompeu-se o grande ciclo da civilização que fez da família o centro e o

om
núcleo da proteção à criança.

l.c
Fonte: Gonçalves, 1999.
ai
tm
ho

A imprecisão nas conclusões acerca dos efeitos da violência, apesar


s@

dessas pesquisas, ainda persiste. Por uma questão, inclusive, cultural, o que pode
ia
yd

ser considerado violência contra crianças em determinada comunidade,


lin

resultando em sérias consequências psicológicas à criança, em outras


ke
ac

comunidades pode não passar de um ritual que não provocará danos graves e
-j

passará despercebido como algo comum. Neste ponto, é importante que se faça
0
-8

uma definição do que pode ser violência e o que vem a ser a vítima, de acordo com
41
.0

a realidade vivida e não somente pautando-se no senso comum.


01

A violência pode obter uma definição generalizada, como é possível


.2
25

perceber, segundo Velho (1996): “é o uso agressivo da força física de indivíduos ou


-0

grupos contra outros.” Afirmando mais adiante que: “violência não se limita ao
a
lv

uso da força física, mas a possibilidade ou ameaça de usá-la constitui dimensão


Si
da

fundamental de sua natureza.”


s

Independente do contexto, a violência não é só uma qualidade de relação


ia
D

interpessoal, mas um complexo sistema de agressor/vítima e de objetos que


y
in

sustentam ou tentam resolver essa violência. Estou falando dos aparatos


el
ck

tecnológicos, jurídicos e sociais para lidar com a violência. Emerge mais


Ja

recentemente, por exemplo, o cyberbulling, surgem leis de proteção a grupos


sociais específicos, a sociedade passa a considerar crimes condutas
discriminatórias acerca da orientação sexual, etc.
Por outro lado, quando falamos de violência como fenômeno da sociedade,
não há como dissocia-la da delinquência. Além disso, todo crime é, em si, um ato
de violência contra a humanidade.
No linguajar comum, violência é sinônimo de agressão. Porém, para nós
psicólogos, a violência é mais que a agressão. Enquanto o comportamento
agressivo é um comportamento adaptativo humano e necessário como habilidade

| 33
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no trato social, a violência é um exagero da agressividade, a ponto de transgredir


as regras sociais e morais de um grupo de pessoas. É um atentado que pode ser
físico e psicológico.
Atenção: a violência é exagerada agressão física e ou psicológica que ultrapassa o
aceitável socialmente.
No caso específico da violência doméstica contra a criança e o
adolescente, Minayo (2002) afirma que pode ser considerada como uma das
formas de manifestação de violência, caracterizada como aquela que é exercida
na esfera privada. A autora associa ainda a violência sofrida por crianças e

35
adolescentes com suas condições de vida e com a atuação de jovens

1:
:4
transgressores. Apesar do conceito exposto pela autora, outros estudiosos

09
defendem a consideração, também, de determinantes diversos, além dos sociais,

0
02
visto que a violência doméstica não é exclusividade das classes menos

/2
03
favorecidas.

0/
No Brasil, somente ao final dos anos 80 foi dado devido destaque para os

-2
casos de violência contra a criança e o adolescente, e na Constituição Federal de

om
l.c
1988 temos um exemplo disso:

ai
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança,
tm
ho
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
s@

alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao


ia

respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a


yd
lin

salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade


ke

e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)


ac
-j

Um dos critérios para caracterizar um ato como violento, no Brasil, é a


0
-8

intencionalidade, ou seja, o propósito em realmente ocasionar a violência contra


41

alguém. Porém, algumas polêmicas diante destas definições são inevitáveis. A


.0
01

grande questão seria a que ponto um tapa, que em algumas comunidades não é
.2

considerado algo muito grave, por exemplo, poderá ser considerado um ato de
25
-0

violência. Existem propostas para se mensurar o nível de cada tipo de agressão, a


a

exemplo do que é exposto por Emery e Laumann-Billings (1998) que afirmam


lv
Si

existir a violência em família leve, ou moderada classificada como “maus-tratos


da

em família” e a violência do tipo grave denominada “violência familiar”. Esta


s
ia

última seria a de consequências mais profundas para a criança e o adolescente,


D
y

com traumas psicológicos, violação sexual e danos físicos.


in
el

O desafio observado, não só na realidade brasileira, mas em boa parte


ck
Ja

dos países, é descobrir, de fato, os casos existentes de violência doméstica contra


criança ou adolescente. Os pais e familiares muitas vezes deixam a situação de
violência “escondida” dos olhos da sociedade, principalmente quando a agressão
parte daqueles que deveriam proteger a prole, circunstância que implica
constrangimento para a vítima e os demais familiares. Tal situação dificulta o
trabalho de médicos, psicólogos, juízes, assistentes sociais e tantos outros
profissionais que vêm tentando ajudar as vítimas a superar estes acontecimentos
também afastando e punindo seus agressores.
Diante desta violência encoberta pela família, o método a ser utilizado
para facilitar o diagnóstico dos casos de agressão contra crianças e adolescentes é

| 34
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baseado na busca por indícios, que são revelados através do depoimento dos pais
e familiares em geral (observando-se se há grande diferença entre o que é relatado
entre eles e a vítima) e do próprio comportamento da criança de forma isolada e
na interação com os pais (se é distante ou não), além da investigação de lesões
físicas repetitivas na vítima e até sua frequência escolar (se vem caindo e possui
relação com alguma violência sofrida).
As consequências da violência em família contra crianças e adolescentes
podem ser das mais variadas, dependendo, inclusive do ambiente cultural no qual
a família está inserida. Entretanto, de uma forma geral, segundo Gonçalves:

35
A violência em família pode acarretar uma enorme gama de

1:
:4
consequências para a criança, e esses efeitos variam do físico- ferimentos externos

09
ou internos – ao psíquico- distúrbios mais ou menos graves que podem envolver

0
02
agressividade, ansiedade ou depressão.

/2
03
Fonte: Gonçalves, 1999.

0/
-2
Dentre as várias consequências psicológicas destacam-se o transtorno do

om
estresse pós-traumático, altos índices de depressão, baixa autoestima, dificuldade

l.c
de relacionamentos interpessoais com crianças e adultos, ansiedade,

ai
amadurecimento sexual precoce, fobias. tm
ho

O espaço entre a violência e os seus efeitos também pode variar, em


s@

muitos casos, demorando anos para aparecer, e acarretando, desta forma, uma
ia
yd

dificuldade para os profissionais, em relacionar a agressão com a consequência


lin

futura. Isto interfere diretamente nos dados estatísticos, pela razão de que nem
ke
ac

sempre dados de mortes, por exemplo, são conectados com a intencionalidade de


-j

um ato violento praticado muito tempo antes do óbito.


0
-8

Diante desta observação geral sobre a violência familiar e seus efeitos, é


41

importante frisar a possibilidade de minimizar as consequências deste ato danoso


.0
01

através de medidas simples: utilização da escola como um identificador de


.2
25

mudanças no comportamento e como orientadora para a conduta dos agressores


-0

(medida principal e estratégica); contar com o auxilio de profissionais


a
lv

especializados, como psicólogos e assistentes sociais no acompanhamento à


Si

vítima para seu retorno a uma vida normal; a intervenção dos profissionais do
da

Direito na função de encaminhar um tratamento adequado à vítima e a devida


s
ia
D

punição ao agressor, garantindo que a violência não se repita. Também faz-se


y
in

mister citar a importância da família no processo de recuperação da criança ou


el
ck

adolescente, devendo obter consciência diante dos fatos e apoiar a vítima, mesmo
Ja

que se impossibilite a reintrodução do agressor no núcleo familiar, não


transferindo sentimentos de culpa ao indivíduo que sofreu a violência e
procurando reestabelecer uma convivência saudável com os demais membros da
família.
Aqui preciso fazer algumas considerações sobre a violência doméstica e
suas consequências psicológicas. De acordo com Minayo (2002) a violência
doméstica contra a criança e o adolescente pode ser considerada como uma das
formas de manifestação de violência, caracterizada como aquela que é exercida
na esfera privada.

| 35
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O fenômeno da violência doméstica contra a criança e o adolescente é


universal, atinge todas as camadas na sociedade, desconstruindo para a vítima a
representação social da família, que outrora era um lugar de acolhimento,
atenção, cuidado e provimento de suas necessidades. A vítima perde o direito de
ser criança e sente-se desprotegida no seio do seu lar.
O destaque dado à violência na família e, em particular, contra a criança e
o adolescente, tem seu fundamento pelo fato de se constituir no embrião da
violência social de maneira geral. Enfatizando: na unidade familiar encontra-se o
laboratório sórdido das perversidades, (Fiorelli,2011).

35
E quanto as notificações da violência? Sobre esse tema, é digno destacar.

1:
:4
Apesar das determinações legais contidas no ECA, a subnotificação da

09
violência é uma realidade no Brasil. Isso não surpreende, se considerarmos que o

0
02
mesmo ocorre em países onde a legislação é mais antiga e os sistemas de

/2
03
atendimento mais aprimorados. Uma pesquisa realizada em trinta países em 1992

0/
-2
mostrou que apenas a metade das nações desenvolvidas e um terço dos países em

om
desenvolvimento dispunham de registros centralizados; em países como Estados

l.c
Unidos, França e Alemanha, a coleta de dados é fragmentada e com escassa

ai
comparabilidade (Daro, 1992, apud Huertas, 1997). tm
ho
A similaridade parece indicar a presença de dificuldades técnicas
s@

específicas do processo de notificar. Aqui também, apesar da obrigatoriedade e do


ia
yd

reconhecimento do valor da notificação, os profissionais têm dificuldades em


lin

adotá-la como conduta padrão.


ke

Tais dificuldades podem ser resumidamente agrupadas da seguinte


ac
-j

forma:
0
-8

A identificação da violência nos serviços de saúde é ainda carregada de


41

muitas incertezas. A questão não tem sido tratada na maioria dos currículos de
.0
01

graduação (Almeida, 1998) logo, muitos profissionais não dispõem de informações


.2
25

básicas que permitam diagnosticá-la com um mínimo de acurácia.


-0

Fonte: Gonçalves e Ferreira (2002)


a
lv
Si

Segundo Fiorelli e Mangini (2102), o comportamento do agressor demonstra


da

impulsividade; quando alguma emoção negativa o domina (raiva, por exemplo),


s
ia
D

experimenta imediata regressão a estágios primários do desenvolvimento


y
in

psicológico e prevalece o egocentrismo. Não há direitos para o outro. A


el
ck

expectativa de punição inexistente ou insignificante funciona como motivador


Ja

para que o indivíduo não desenvolva qualquer autocontrole.


Consequências da violência nas crianças:
a) Sentimento de insegurança em relação ao convívio social;
b) Perda do sentido de proteção família;
c) Ideias paradoxais a respeito de valores sociais como o sentido da
sociedade, justiça, etc.

Para a compreensão do fenômeno da violência, Viana (1999) enumera uma


série de variáveis que irão caracterizar esse fenômeno:

| 36
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•Características da vítima (mulher, negro, criança, etc.)


•Características dos agentes (policial, delinquente, vigilante, etc.)
•Local onde ocorre (campo, cidade, escola, rua, instituição, etc.)
•Forma como se realiza (simbólica, sexual, física);
•Objetivos ( repressão, contenção, educação, punição);
•Motivações inconscientes (reação, vingança, recreação, conquista,
etc.)
Não sou o Viana, mas além desses pontos descritos, eu adicionaria mais
três: a estrutura cognitiva, intensidade/frequência da violência e a cultura.

35
Sabemos que quanto mais frágil for a estrutura cognitiva da pessoa que sofre a

1:
:4
violência, maiores serão suas consequências. Assim também o é para a

09
intensidade da violência, quanto maior sua intensidade, maiores seus efeitos. A

0
02
cultura, por sua vez, não só legitima a violência em alguns casos, como também

/2
03
pode manter a violência contínua e agravar as suas consequências. Não foi há

0/
-2
muito tempo que vivemos uma fase onde a criança era propriedade dos pais e

om
esses tinham o direito absoluto sobre ela, podendo usar de castigos físicos e

l.c
psicológicos como forma de educação. Felizmente, a cultura está mudando.

ai
Além desses conceitos, é salutar a referência à obra e ao trecho de artigo de
tm
ho
Rosângela Francischini:
s@

A prática de violência contra crianças e adolescentes (maus tratos, abandono e


ia
yd

negligência, abuso e exploração sexual comercial, trabalho infantil, dentre outras)


lin

não é recente. Um olhar atento à trajetória histórica de crianças pobres no Brasil


ke
ac

nos mostra a procedência dessa afirmação. Sua visibilidade, no entanto, vem


-j

ganhando novos contornos, principalmente, na proporção e extensão que vem


0
-8

ocorrendo nas duas últimas décadas, no Brasil. A promulgação do ECA, com


41

certeza, contribuiu e vem contribuindo para que se torne visível uma condição,
.0
01

antes de tudo, de violação dos Direitos Humanos, conforme Declaração Universal


.2
25

dos Direitos Humanos, da ONU.


-0

Vários são os fatores que contribuem para que essa prática seja observada
a
lv

e mantida, dentre os quais destacamos: as relações de poder e de gênero


Si

predominantes nas sociedades, as características do agressor e da vítima,


da

questões culturais, ausência de mecanismos seguros e confiáveis, medo de


s
ia
D

denunciar, ineficiência dos órgãos de atendimento, certeza de impunidade, dentre


y
in

outras.
el
ck

Fonte: Rosângela Francischini e Manoel Onofre de Souza Neto. Enfrentamento à


Ja

violência contra crianças e adolescentes: projeto escola que protege. Revista do


Departamento de Psicologia - UFF, v. 19 - n. 1, p. 243-252, Jan./Jun. 2007.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rdpsi/v19n1/18.pdf

A seguir, listo os conceitos psicológicos teóricos mais comuns no


entendimento da violência na visão de Fiorelli e Mangini (2012):
a) Mecanismo de defesa inconsciente: Winnicott sugere que a agressão pode
ser percebida como reação à frustração. Na impossibilidade de ver
realizado o seu desejo, o psiquismo reage e desloca a energia para a

| 37
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agressividade. Trata-se, pois, de mecanismo de defesa, por exemplo, na


forma de deslocamento ou sublimação.
b) Descarga de energia psíquica: Winnicott também sugere que a
agressividade constitui uma fonte de energia do indivíduo; a intenção de
realizar algo manifesta-se de maneira mais ou menos violenta. [...]
c) Fenômeno da percepção: Já sob uma perspectiva gestáltica, a
agressividade pode resultar da percepção inadequada dos
comportamentos emitidos; o indivíduo não discrimina os detalhes que
diferenciam um comportamento agressivo de outro socialmente adaptado;

35
ao praticar reiteradamente os primeiros, estes acabam constituindo-se na

1:
:4
figura em sua percepção; ante qualquer estímulo, constituem a resposta de

09
eleição. O indivíduo proveniente de um meio onde tais comportamentos

0
02
são corriqueiros percebe-os como normais e desejáveis; não os discrimina

/2
03
de outros igualmente adaptados. [...]

0/
d) Condicionamento operante por reforço positivo: o comportamento pode

-2
ser aprendido. [...]

om
l.c
e) Aprendizagem pela observação de modelos: [...] Trata-se, aqui, do

ai
conceito de aprendizagem social formulado por Bandura, onde são
tm
ho
determinantes os modelos. [...]
s@

f) Efeito motivacional: A glorificação da violência e dos violentos,


ia

intensamente praticada pelos meios de comunicação, desenvolve a


yd
lin

percepção para os benefícios da violência na conquista de status, um fator


ke

motivacional de alto nível segundo a hierarquia de Maslow. [...]


ac
-j

g) Transformação de valores: os efeitos motivacionais não seriam tão


0
-8

extensos se os valores sociais constituíssem uma “junta de dilatação” para


41

suportar os impactos desse convite brutal. [...] Valores, comportamentos e


.0
01

linguagem induzem pensamentos que conduzem à prática da violência.


.2

h) Expectativas: os mecanismos de detecção, punição e neutralização dos


25
-0

comportamentos violentos disponíveis na sociedade variam entre o


a

precário e o inexpressivo. A impressão que se tem é que, apesar de todo o


lv
Si

aparelhamento legal, aquele que burla as regras não sente especial


da

controle e certeza de punição. As teorias em torno da expectativa para


s
ia

promover a motivação funcionam, nesta situação, de maneira perversa. O


D
y

indivíduo comporta-se de maneira inadequada e sabe que nada


in
el

acontecerá; o “nada acontecer” constitui um reforço positivo vital para


ck
Ja

fortalecer a expectativa de impunidade. [...]

Violência Doméstica e Urbana


Entre as faces da violência na família, estão: o assédio moral, o abuso
sexual a violência física (incluindo a violência sexual), a violência psicológica, a
violência contra idosos, crianças, adolescentes, etc. Esse tipo de violência produz

| 38
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

uma série de consequências nas vítimas não só pelo tipo de violência, mas pelo
contexto em que foi produzido. Falaremos mais sobre isso nos tópicos seguintes.
Sobre a violência urbana, o fenômeno é diferente. Esse é um tipo de
violência percebido fora do ambiente de proteção da família e da casa. Boa parte
dos teóricos que estudam esse assunto versam sobre como a violência urbana
afeta os nossos modelos de comportamento e percepção de justiça/impunidade.
No entanto, a aprendizagem de modelos violentos não é exclusividade do
ambiente externo. A violência praticada entre os cônjugues transmite aos filhos
uma aprendizagem geral sobre os métodos de exercê-la e desenvolve uma

35
percepção de que tais comportamentos são válidos como forma de

1:
:4
relacionamento interpessoal (Fiorelli e Mangini, 20120).

09
0
02
/2
03
Violência Sexual na Família

0/
-2
om
No Brasil, apesar da intensificação de pesquisas que investigam a dinâmica

l.c
e os efeitos desta forma de violência, constata-se a necessidade de estudos sobre
ai
tm
a avaliação e a intervenção psicológica nesse contexto. Sobre a definição da
ho

violência familiar e o papel do psicólogo, separei um excelente trecho de artigo:


s@
ia
yd

Esta forma de violência pode ser definida como qualquer contato ou


lin
ke

interação de uma criança ou adolescente com alguém em estágio mais avançado


ac

do desenvolvimento, na qual a vítima estiver sendo usada para estimulação sexual


-j

do perpetrador. A interação sexual pode incluir toques, carícias, sexo oral ou


0
-8

relações com penetração (digital, genital ou anal). O abuso sexual também inclui
41
.0

situações nas quais não há contato físico, tais como voyerismo, assédio, exposição
01

a imagens ou eventos sexuais, pornografia e exibicionismo. Estas interações


.2
25

sexuais são impostas às crianças ou aos adolescentes pela violência física,


-0

ameaças ou indução de sua vontade (Azevedo & Guerra, 1989; Thomas, Eckenrode
a
lv

& Garbarino, 1997).


Si
da

O abuso sexual também pode ser definido, de acordo com o contexto de


s

ocorrência, em diferentes categorias. O abuso sexual intrafamiliar ou incestuoso é


ia
D

aquele que ocorre no contexto familiar e é perpetrado por pessoas afetivamente


y
in

próximas da criança ou do adolescente, com ou sem laços de consangüinidade,


el
ck

que desempenham um papel de cuidador ou responsável destes (Cohen &


Ja

Mannarino, 2000a; Habigzang & Caminha, 2004; Koller & De Antoni, 2004). Por
outro lado, o abuso sexual que ocorre fora do ambiente familiar envolve situações
nas quais o agressor é um estranho, bem como os casos de pornografia e de
exploração sexual (Koller, Moraes & Cerqueira-Santos, 2005).
A experiência de abuso sexual pode afetar o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e social de crianças e adolescentes de diferentes formas e intensidade
(Elliott & Carne, 2001; Runyon & Kenny, 2002; Saywitz, Mannarino, Berliner &
Cohen, 2000). O impacto da violência sexual está relacionado a três conjuntos de
fatores: fatores intrínsecos à criança, tais como vulnerabilidade e resiliência

| 39
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pessoal; fatores extrínsecos, envolvendo a rede de apoio social e afetiva da vítima;


e, fatores relacionados com a violência sexual em si, como por exemplo, duração,
grau de parentesco/confiança entre vítima e agressor, reação dos cuidadores não-
abusivos na revelação e presença de outras formas de violência (Habigzang &
Koller, 2006).
Devido à complexidade e à quantidade de fatores envolvidos no impacto da
violência sexual para a criança, esta experiência é considerada um importante
fator de risco para o desenvolvimento de psicopatologias (Saywitz et al., 2000).
Crianças e adolescentes podem desenvolver quadros de depressão, transtornos de

35
ansiedade, alimentares e dissociativos, enurese, encoprese, hiperatividade e

1:
:4
déficit de atenção e transtorno do estresse pós-traumático (Briere & Elliott, 2003;

09
Cohen, Mannarino & Rogal, 2001; Duarte & Arboleda, 2004; Habigzang & Caminha,

0
02
2004; Runyon & Kenny, 2002). Entretanto, o transtorno do estresse pós-traumático

/2
03
(TEPT) é a psicopatologia mais citada como decorrente do abuso sexual, uma vez

0/
que é estimado que 50% das crianças que foram vítimas desta forma de violência

-2
desenvolvem sintomas (Cohen, 2003; Saywitz et al., 2000).

om
l.c
Além de transtornos psicopatológicos, crianças e adolescentes vítimas de

ai
abuso sexual podem apresentar alterações comportamentais, cognitivas e
tm
ho
emocionais. Entre as alterações comportamentais destacam-se: conduta
s@

hipersexualizada, abuso de substâncias, fugas do lar, furtos, isolamento social,


ia

agressividade, mudanças nos padrões de sono e alimentação, comportamentos


yd
lin

autodestrutivos, tais como se machucar e tentativas de suicídio. As alterações


ke

cognitivas incluem: baixa concentração e atenção, dissociação, refúgio na


ac
-j

fantasia, baixo rendimento escolar e crenças distorcidas, tais como percepção de


0
-8

que é culpada pelo abuso, diferença em relação aos pares, desconfiança e


41

percepção de inferioridade e inadequação. As alterações emocionais referem-se


.0
01

aos sentimentos de medo, vergonha, culpa, ansiedade, tristeza, raiva e


.2

irritabilidade (Cohen & Mannarino, 2000b; Cohen et al., 2001; Habigzang & Koller,
25
-0

2006; Haugaard, 2003; Jonzon & Lindblad, 2004). O abuso sexual também pode
a

ocasionar sintomas físicos tais como hematomas e traumas nas regiões oral,
lv
Si

genital e retal, coceira, inflamação e infecção nas áreas genital e retal, doenças
da

sexualmente transmissíveis, gravidez, doenças psicossomáticas e desconforto em


s
ia

relação ao corpo (Sanderson, 2005).


D
y

O abuso sexual no contexto familiar é desencadeado e mantido por uma


in
el

dinâmica complexa. O agressor utiliza-se, em geral, de seu papel de cuidador, da


ck
Ja

confiança e do afeto que a criança tem por ele para iniciar, de forma sutil, o abuso
sexual. A criança, na maioria dos casos, não identifica imediatamente que a
interação é abusiva e, por esta razão, não a revela a ninguém. À medida que o
abuso se torna mais explícito e que a vítima percebe a violência, o perpetrador
utiliza recursos, tais como barganhas e ameaças para que a criança mantenha a
situação em segredo. Estudos apontam que esse segredo é mantido, na maioria
dos casos, por pelo menos um ano (Furniss, 1993; Habigzang & Caminha, 2004;
Habigzang, Koller, Azevedo & Machado, 2005). A criança sente-se vulnerável,
acredita nas ameaças e desenvolve crenças de que é culpada pelo abuso, sentindo
vergonha e medo de revelá-lo à família e ser punida. Dessa forma, adapta-se à

| 40
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situação abusiva, acreditando manter a estabilidade nas relações familiares


(Cohen & Mannarino, 2000a). Outro fator freqüentemente associado ao abuso
sexual, que dificulta que sua dinâmica seja rompida, é a presença de outras formas
de violência intrafamiliar, tais como negligência, abusos físicos e emocionais. A
violência gera um ambiente, no qual predominam os sentimentos de medo e de
desamparo. Estes contribuem para que o abuso sexual seja mantido em segredo
pela própria vítima e por outros membros da família que, em alguns casos
conhecem a situação, mas não a denunciam (De Antoni & Koller, 2000; Habigzang
& Koller, 2006; Kellog & Menard, 2003).

35
Fatores externos à família também contribuem para que o abuso sexual

1:
:4
não seja interrompido. Estes fatores estão relacionados com a relutância de

09
alguns profissionais da saúde e da educação em reconhecer e denunciar o abuso,

0
02
bem como a insistência dos tribunais por regras estritas de comprovação do abuso

/2
03
para a proteção da vítima e para a penalização do agressor. Alguns profissionais

0/
tendem a negar e a subestimar a severidade e a extensão do abuso sexual, devido

-2
ao fato de que esse significa a violação de tabus sociais, como o incesto (Furniss,

om
l.c
1993). Até recentemente, a criança que fazia revelações de abusos sexuais era

ai
suspeita de fantasiar (Thouvenin, 1997). Atualmente, os profissionais da saúde
tm
ho
capacitados para trabalhar com crianças vítimas de violência tendem, a saber, que
s@

são raros os casos em que as crianças não dizem a verdade. A revelação é um


ia

momento crucial que pode, por si só, representar um risco de trauma suplementar
yd
lin

para a criança ou adolescente. Dessa forma, a denúncia do abuso aos órgãos de


ke

proteção e o acompanhamento do caso por profissionais da saúde são


ac
-j

fundamentais e eles precisam estar conscientes das implicações legais e éticas de


0
-8

suas intervenções ou de sua omissão (Saywitz et al., 2000).


41

HABIGZANG, Luísa Fernanda et al. Avaliação psicológica em casos de abuso sexual


.0
01

na infância e adolescência. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2008, vol.21, n.2


.2
25

[cited 2013-08-08], pp. 338-344 . Available from:


-0

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
a
lv

79722008000200021&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-


Si

7972. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722008000200021.
da
s
ia
D

Quem é o agressor?
y
in
el
ck

A violência sexual doméstica pode desencadear sérias consequências para


Ja

crianças e adolescentes, além de sequelas físicas, comprometimentos emocionais


na fase adulta, como distúrbios de caráter e do comportamento social,
prostituição e sintomatologia pré- delinquente, frigidez e aversão pelas relações
sexuais, neurose aguda, reações depressivas com tentativas de suicídio e ciúme
excessivo.
Segundo o UNICEF (2000), em 90% dos casos conhecidos de violência
sexual contra meninas no Brasil o agressor é o pai ou o padrasto da vítima. Torna-
se imprescindível atentar para a linguagem semi-silenciosa de uma criança ou
adolescente violentados sexualmente, no sentido de que, através da escuta, surja

| 41
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espaço para a expressão de seu sofrimento, para que seja possível elaborar o
trauma e engendrar novas perspectivas de desenvolvimento.
Fonte: Sandla Wilma de Barros Santos. Incesto e Sociodrama Familiar. Disponível
em: http://www.asbap.com.br/producao/incesto_sociodrama_familiar.pdf

Consequência da violência para a criança e o


adolescente

35
1:
:4
Segundo Fiorelli e Mangini (2102), os adolescentes que sofreram maus

09
tratos familiares quando crianças:

0
02
- Sofrem mais episódios de violência na escola; [...]

/2
- vivem mais agressões na comunidade; [...]

03
0/
- Transgridem mais as normas sociais. [...]

-2
Esses mesmos adolescentes:

om
- Vivenciam menor apoio social;

l.c
ai
- Possuem autoestima mais baixa; [...] tm
- Têm uma representação de si mais depreciativa; [...]
ho
s@

- Quando vivenciam violência psicológica, têm menor capacidade de


ia

resiliência, isto é, de seguir em frente a despeito das adversidades.


yd
lin

[...]
ke
ac
-j

São apenas essas as consequências? Absolutamente, não. Temos, por


0

exemplo, uma série de consequências emocionais ao abuso sexual familiar. Sobre


-8
41

a definição de alterações emocionais, cabe uma definição:


.0
01
.2

As alterações emocionais referem-se aos sentimentos de medo, vergonha,


25
-0

culpa, ansiedade, tristeza, raiva e irritabilidade. Entre as alterações


a

comportamentais destacam-se: conduta hipersexualizada, abuso de substâncias,


lv
Si

fugas do lar, furtos, isolamento social, agressividade, mudanças nos padrões de


da

sono e alimentação, comportamentos autodestrutivos, tais como se machucar e


s
ia

tentativas de suicídio (Cohen, Mannarino, & Rogal, 2001; Haugaard, 2003; Jonzon &
D
y

Lindblad, 2004; Rosenthal, Feiring, & Taska, 2003). O abuso sexual também pode
in
el

ocasionar sintomas físicos, tais como hematomas e traumas nas regiões oral,
ck
Ja

genital e retal, coceira, inflamação e infecção nas áreas genital e retal, doenças
sexualmente transmissíveis, gravidez, doenças psicossomáticas e desconforto em
relação ao corpo (Sanderson, 2005).
Fonte: HABIGZANG, Luísa Fernanda et al. Entrevista clínica com crianças e
adolescentes vítimas de abuso sexual. Estud. psicol. (Natal) [online]. 2008, vol.13,
n.3 [cited 2013-08-09], pp. 285-292 . Available from:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
294X2008000300011&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1413-
294X. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2008000300011.
Ainda sobre as consequências do abuso sexual, temos:

| 42
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O impacto da violência sexual no desenvolvimento emocional e acadêmico


A vítima de violência sexual está exposta a diferentes riscos, que
comprometem sua saúde física e mental (Neves, Ramirez & Brum, 2004). As
conseqüências da violência sexual são múltiplas, e seus efeitos físicos e
psicológicos podem ser devastadores e duradouros (Kaplan & Sadock, 1990).
A literatura refere-se a alterações resultantes do impacto da vitimização
sexual que seriam úteis para a sua identificação. Depressão, sentimentos de culpa,
comportamento autodestrutivo, ansiedade, isolamento, estigmatização, baixa

35
auto-estima, tendência à revitimização e abuso de substâncias, queixas somáticas,

1:
:4
agressão, problemas escolares, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT),

09
comportamentos regressivos (enurese, encoprese, birras, choros), fuga de casa e

0
02
ideação suicida são sintomas que podem aparecer na infância e se estender pela

/2
03
vida adulta (Boney-McCoy & Finkelhor, 1995; Finkelhor & Tackett, 1997; Williams,

0/
-2
2002).

om
As manifestações do TEPT na infância e adolescência são mais graves e

l.c
comprometedoras, uma vez que as funções afetivas e cognitivas do sistema

ai
nervoso central não amadureceram e não foram ainda totalmente reguladas.
tm
ho
Doenças sexualmente transmissíveis, traumas físicos e ginecológicos, gravidez,
s@

transtornos mentais e dificuldades no ajustamento sexual adulto são apenas


ia
yd

algumas das possíveis conseqüências físicas, emocionais, sexuais e sociais da


lin

violência (Amazarray & Koller, 1998).


ke

Dentre os indicadores mais relatados, encontra-se o comportamento


ac
-j

sexualizado, que não é exclusivo de crianças vítimas de abuso sexual, mas é


0
-8

considerado como o que melhor as identifica (Williams, 2004). As brincadeiras


41

sexualizadas com bonecos, a introdução de objetos no ânus ou na vagina, em si


.0
01

mesmo ou em outras crianças, a masturbação excessiva em público, o


.2
25

comportamento sedutor, a solicitação de estimulação sexual e um conhecimento


-0

sobre sexo inapropriado à idade incluem-se nos comportamentos sexualizados.


a
lv

É consenso, entre muitos pesquisadores, que há um severo impacto da


Si

vitimização por violência sexual no desempenho e na vida acadêmica da vítima.


da

Alterações no desenvolvimento cognitivo, na linguagem, na memória e no


s
ia
D

rendimento escolar, rebaixamento da percepção do próprio desempenho e


y
in

capacidade, agressividade e impulsividade têm sido freqüentemente relatados


el
ck

(Amazarray & Koller, 1998; Ferrari & Vecina, 2002; Finkelhor & Tackett, 1997;
Ja

Kaplan & Sadock, 1990; Williams, 2002). No entanto, dados encontrados sugerem
que as vítimas parecem ser afetadas de diferentes maneiras e graus; enquanto
algumas parecem sofrer conseqüências mínimas, outras sofrem graves problemas
sociais e psiquiátricos (Dattilio & Freeman, 1995), portanto, não se deve esperar
um perfil extremamente característico, pois isto limitaria o diagnóstico.
O relacionamento entre agressor e vítima tem sido descrito como um dos
fatores mais relevantes no agravamento do impacto da violência sexual. Outros
fatores referentes à ação sexual em si, como a intensidade da violência sexual e
não sexual, a força empregada, o número de agressores, assim como a freqüência

| 43
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e a duração da violência, também são apontados como agravantes que acentuam


os danos e pioram o prognóstico (Williams, 2002). Ausência de figuras parentais
protetoras, de apoio social, ou a resposta negativa da família/pares/educadores à
descoberta da violência acentuam o dano (Amazarray & Koller, 1998; Williams,
2002).
Fonte: VIODRES INOUE, Silvia Regina and RISTUM, Marilena. Violência sexual:
caracterização e análise de casos revelados na escola. Estud. psicol.
(Campinas)[online]. 2008, vol.25, n.1 [cited 2013-08-09], pp. 11-21 . Available from:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-

35
166X2008000100002&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0103-

1:
:4
166X. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2008000100002.

09
0
02
/2
03
Abandono e delinquência infanto-juvenil

0/
-2
om
Vocês não imaginam o quanto é difícil entender esse tema, pior ainda é

l.c
explicar esse mesmo tema para concursos. Digo isso, pois, de cara, não podemos
ai
tm
afirmar, em absoluto, que exista uma correlação positiva entre abandono e
ho

delinquência infanto-juvenil. Uma coisa é pegar um grupo de menores


s@

delinquentes e explicar como seus respectivos processos de abandono geraram


ia
yd

comportamentos socialmente delinquentes, outra é pegar todas as crianças


lin
ke

abandonadas ou negligenciadas emocionalmente e verificar os comportamentos


ac

de delinquência.
-j

Nessa perspectiva, que eu claramente adoto, não podemos falar em


0
-8

crianças e adolescentes infratores em função da ausência de pai, de mãe, de


41
.0

ambos, da pobreza ou da falta de oportunidade de estudo e trabalho. Devemos


01

falar, ao contrário, em na delinquência entendida em seu contexto social (acima


.2
25

do psicológico). Em função de inúmeros fatores que já tratamos, como a


-0

aprendizagem social, a formação da cultura e da identidade social das crianças e


a
lv

adolescentes. Caso você tenha tempo para a prova, recomendo que pesquise um
Si
da

pouco a Teoria da Identidade Social. Foge um pouco do nosso contexto, mas é um


s

excelente assunto.
ia
D

Assim, se perguntarem em sua prova se a delinquência é consequência de


y
in

um ambiente precário ou do abandono, você terá de justificar que esse é, na


el
ck

verdade, um fenômeno multifatorial e que não temos indícios suficientes para


Ja

afirmar que existe uma relação direta entre essas duas variáveis.
Mas, me conterei e falarei do que pode cair em sua prova caso a postura da
banca não seja a minha – e você tem de ficar muito atento para identificar a linha
da prova. Em sentido oposto, alguns autores da psicologia social e de fora dessa
ciência, defendem que o adolescente marginalizado é, em grande parte, vítima de
desigualdade social, pois que não tem renda suficiente para usufruir de bens e
serviços básicos, como saúde, educação, habitação e lazer. A consequência dessas
visão é que o jovem fica ansioso quando se compara com o que assiste em sua
televisão ou vê nas ruas. Ele não tem liberdade de usufruir do que os outros

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usufruem por não ter condições de acesso (dinheiro). A delinquência é, nessa


simplificação de perspectiva, um protesto e também uma forma de adquirir o que
ele não conseguiria pelas vias normais ou que demoraria para conseguir.
Porém, tenho de destacar, que a delinquência de crianças das classes A
(alta) e B (média) aumentou vertiginosamente nos últimos anos. Como a
perspectiva de desigualdades sociais vê isso? Não vê. É mais um indicador que
esse fenômeno é multifatorial.
Independente dessas duas correntes que tentei simplificar, o pai e a mãe
não podem ser olvidados desse processo (com as devidas ressalvas). É a família

35
que forma a primeira grande matriz de valores sociais da criança e do adolescente.

1:
:4
Sobre o papel da família, e ai contemplando o tópico, a psicanálise fala:

09
0
02
A ausência da função paterna, que representa a simbologia da lei, da

/2
03
autoridade, tem sido constantemente relacionada com a violência infanto-juvenil.

0/
-2
O pacto com a Lei do Pai prepara e torna possível o pacto social.

om
[...]

l.c
A importância da presença materna e paterna para o desenvolvimento da

ai
criança também é entendimento uníssono na doutrina. A criança vive
tm
ho
principalmente nas ligações afetivas e daí retiram o fortalecimento da própria
s@

existência. Tanto que o abandono psíquico e afetivo, a não-presença do pai no


ia
yd

exercício de suas funções paternas, como aquele que representa a lei, o limite,
lin

segurança e proteção. é considerado pior que o abandono material (PEREIRA,


ke

2004).
ac
-j

A importância da mãe é amplamente admitida por diversas áreas do


0
-8

conhecimento. A orientação da vivência feminina é demonstrada pela segurança


41

outorgada ao filho e na segurança que este tem de si próprio. Todavia para o filho
.0
01

galgar e alcançar o mundo das vivências humanas e o do próprio ser precisa do


.2
25

encontro com o pai e com a mãe.


-0

Segundo Juristsch (1970), a ausência do pai restringe o campo de vivência


a
lv

infantil, uma vez que, permanecem inexploradas muitas possibilidades psíquicas


Si

que influenciarão em maior ou menor grau na conduta infantil. Isto porque lhe
da

falta a coragem e a segurança de si para encontrar-se com o mundo e com as


s
ia
D

outras pessoas.
y
in

Com a separação e/ou divórcio dos pais, permanecendo a guarda com a


el
ck

mãe, ocorre um esmaecimento da imagem paterna, na medida em que o contato


Ja

com o pai torna-se restrito ou mesmo nulo.


Ao tratar da importância do pai para a formação e desenvolvimento do filho,
necessário se faz entender as linhas básicas da abordagem psicanalítica acerca do
assunto.
Os teóricos psicanalíticos acreditam que a interação entre as características
inatas da criança e o ambiente desempenha um papel central na criação de
diferenças de personalidade.
Fonte: http://jus.com.br/artigos/9502/desagregacao-familiar-e-delinquencia-
infanto-juvenil

| 45
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O papel da família, do psicólogo e da justiça


Sem dúvida, o papel da família, do psicólogo e da justiça é o de proteção
contra a violência urbana e doméstica. Sobre o papel da família, é válido destacar
que muitas vezes diante da revelação de abuso sexual, a mesma nega o fato ou
recrimina a criança. Por outro lado, existe uma patente impunidade dos que

35
1:
agridem e os serviços psicológicos oferecidos ainda são incipientes.

:4
09
Os profissionais e as instituições que constituem a rede de apoio social para

0
crianças e famílias vítimas de violência sexual encontram-se diante do desafio de

02
/2
evitar formas traumáticas de intervenção sem incorrer, contudo, em uma postura

03
negligente (Ferreira & Schramm, 2000). A organização e a eficácia das redes de

0/
-2
apoio às crianças e aos adolescentes vítimas de abuso sexual foram avaliadas

om
através de uma pesquisa documental, na qual foram analisados todos os

l.c
expedientes de casos de violência sexual ajuizados pela Coordenadoria das
ai
tm
Promotorias da Infância e Juventude de Porto Alegre no período de 1992 a 1998.
ho

Foi constatado que, na maioria dos casos, a violência sexual já era do


s@

conhecimento dos familiares, entretanto a denúncia se efetivou por motivos


ia
yd

diversos do ato em si. Em relação ao atendimento efetuado pela rede, ficou


lin
ke

evidente que o abuso sexual, foco da denúncia, foi muitas vezes ignorado, sendo
ac

que as intervenções se deram em função de outras violações. Desta forma, não


-j

houve acompanhamento, avaliação e atendimento adequado aos casos. Os


0
-8

agressores, com poucas exceções, foram punidos criminalmente. Na maioria dos


41
.0

casos analisados, as crianças foram abrigadas e alguns pais agressores


01

destituído(s) do pátrio poder. O estudo apontou a necessidade emergente de criar


.2
25

serviços especializados de atendimento e capacitar os profissionais que trabalham


-0

com essas crianças e com suas famílias, permitindo-lhes obter uma compreensão
a
lv

real dos casos, bem como conduzir uma intervenção adequada (Habigzang,
Si
da

Azevedo, Koller & Machado, 2006).


s

HABIGZANG, Luísa Fernanda et al. Avaliação psicológica em casos de abuso sexual


ia
D

na infância e adolescência. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2008, vol.21, n.2


y
in

[cited 2013-08-08], pp. 338-344 . Available from:


el
ck

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
Ja

79722008000200021&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-


7972. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722008000200021.

Resenha: Crianças Vítimas de abuso sexual


(Gabel, 1998)

| 46
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Apesar do foco desse livro ser o abuso sexual, temos a definição de vários
conceitos úteis para o nosso concurso. Esse é aquele livro que você tem de ter em
sua biblioteca. Apesar do ano, e de se referir mais a dados franceses e americanos,
é uma aula compilada sobre o entendimento do abuso sexual. O livro começa com
algumas observações preliminares que são retomadas ao longo de todo o texto
(considerando que o livro é uma compilação de textos de vários autores, não é de
se estranhar a repetição de conceitos) e passeia por algumas poucas teorias
psicanalíticas, dados franceses, muitas pesquisas e algumas descrições de caso.
No Capítulo IV (Violência e Abusos Sexuais em Instituições para Crianças e

35
Adolescentes), por exemplo, Tomkiewicz faz uma interessante distinção que creio

1:
:4
que seja interessante para começarmos a resenha desse livro.

09
a) “Violência” implica o uso da força física (estupro, sevícias) ou

0
02
psicológica (ameaças ou abuso de autoridade). Podemos incluir aí atos cometidos

/2
03
contra menores cuja idade ou deficiência mental os tornem incapazes de

0/
compreender seu significado.

-2
b) “Abuso” implica, ao contrário, ausência de utilização da força.

om
l.c
Nesse caso, a satisfação sexual é obtida pela sedução; a lei inclui ai os atos

ai
cometidos com certa cumplicidade e mesmo com o consentimento do menor. O
tm
ho
caráter repreensível dos atos varia segundo a suscetibilidade da época, do meio
s@

social, do juiz, do moralismo. A meu ver, essa questão moral tende a confundir-se
ia

com o problema da possibilidade de “consentimento esclarecido” da presumível


yd
lin

vítima. Tais abusos, de maior ou menor gravidade, ocorrem com frequência nas
ke

instituições para adolescentes.


ac
-j
0
-8

Etimologicamente “abuso sexual” indica a separação, o afastamento do


41

uso (“us”) normal. O Abuso é, ao mesmo tempo, o uso errado e um uso excessivo.
.0
01

O que não significa, como dizem os que criticam esse termo, que houvesse um uso
.2

permitido, pois abusar é precisamente ultrapassar os limites, e, portanto,


25
-0

transgredir.
a

De todos os aspectos dos maus-tratos, o abuso sexual de crianças é talvez


lv
Si

um dos mais difíceis de delimitar, pois apoia-se na utilização abusiva da


da

autoridade sobre a criança que o adulto detém. Além disso, ela envolve não só a
s
ia

sexualidade do adulto, mas também a da criança, e, por isso, coloca sobre essa
D
y

última o peso de uma grande culpa. E, no entanto, não há certeza alguma de que
in
el

os abusos sexuais deixem, em todas as crianças, marcas tão profundas ou


ck
Ja

indeléveis: talvez sejam mais a vulnerabilidade, a idade da criança, a repetição e o


tipo de abuso sexual ou o silêncio em torno da criança que fundamentam a
gravidade do traumatismo.
O abuso sexual praticado contra a criança é uma das formas de maus-
tratos que mais se ocultam: a criança tem medo de falar e, quando o faz, o adulto
tem medo de ouvi-la. No entanto, convém talvez distinguir os abusos sexuais
cometidos por adultos contra crianças dos que as crianças ou adolescentes
cometem contra eles. Da mesma forma, impõe-se distinção entre os abusos
sexuais cometidos dentro da família – e particularmente o incesto – e os que são
cometidos fora dela.

| 47
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

No Primeiro Capítulo (Há Algo de Podre no Reino de Édipo), usa-se da


“etnopsicanálise” para, através da exemplificação de casos e do delineamento de
outras culturas, mostrar que as relações edípicas e o que se entende por abusos
sexual é entendido, e até vivido, de forma diferente para cada tipo de sociedade.
Lembremo-nos, finalmente, que na maior parte das sociedades
tradicionais as crianças praticam uma sexualidade completa (inclusive o coito) a
partir de seis ou sete anos, período que aprendemos a denominar no ocidente – e,
aliás, de modo bastante impróprio - de “período de latência”.
...

35
Se entendemos por “período de latência” uma “interrupção” do desejo

1:
:4
sexual, a observação das crianças em uma sociedade tradicional deverá nos levar

09
a pensar que o “período de latência” é pura invenção de um século XIX puritano e,

0
02
artificialmente, estudioso.

/2
03
Fonte: Gabel (1998)

0/
-2
om
Sugere-se que o “incesto” seja cultural:

l.c
Observando-a superficialmente, a proibição do incesto talvez pareça
ai
tm
“natural”. Poderíamos pensar que se todos os homens, em todas as latitudes,
ho

criaram explicitamente uma lei proibindo a lei incestuosa, é porque essa lei
s@

correspondia – talvez mesmo após certos desvios lógicos – a um tipo de “natureza


ia
yd

humana”. Mas isso seria precipitar nossa análise. Pois uma série de fatos nos
lin

obriga a abandonar tal hipótese ou a tornar mais complexo o nosso raciocínio: 1)


ke
ac

Se a regra de proibição de incesto está presente em todo luar, o mesmo acontece


-j

com suas transgressões. A regra não é um fato! Porém, uma vez instituída, todos
0
-8

se organizam em relação a ela; 2) A regra de proibição do incesto, repito, não


41
.0

concerne prioritariamente às relações sexuais, mas, sim, às alianças matrimoniais.


01

Surpreendentemente, é entre os animais que encontramos mecanismos, às vezes


.2
25

extremamente sutis, de evitar, aí sim, as relações sexuais incestuosas. Os animais


-0

parecem, assim, proibir as relações sexuais incestuosas, enquanto que os homens


a
lv

só proibiram as alianças culturalmente definidas como incestuosas; 3) Sem


Si

dúvida, os homens das sociedade tradicionais associam toda forma de infelicidade


da
s

à transgressão do tabu do incesto.


ia
D

Fonte: Gabel (1998)


y
in
el
ck

Desde o nascimento, a criança é vítima de forças pulsionais, fonte de


Ja

tensões e de excitações que ela só controla parcialmente. A mãe irá exercer um


papel concomitante, de “anteparo da excitação” para que a criança só receba os
estímulos externos que seja capaz de integrar. Em um “banho de afeto” as
diferentes zonas erógenas, ou seja, zonas-fontes de prazer, na intimidade das
relações mãe-bebê, durante as atividades que pontuam a vida cotidiana
(alimentação, troca de roupa, banho, brincadeiras, etc.)
Spitz já havia estudado, em 1964, o jogo genital nos primeiros meses de
vida (jogo genital definido como atividade exploratória de suas partes genitais,
pela criança ainda pequena), em função da qualidade da relação mãe-bebê. Ele

| 48
Professor Alyson Barros
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ressalta o jogo genital como um indicador válido da qualidade da relação mãe-


bebê: se a mãe e a criança têm uma boa relação, a criança brinca com seus órgãos
genitais ao final do primeiro ano de vida; na ausência da relação mãe-bebê, os
jogos genitais não ocorrem.
O livro começa a ficar interessante a partir da página 54, no tópico: Por
que o Silêncio, o Segredo, a Negação? Nesse ponto nos é apresentado um modelo
para a compreensão do abuso sexual em si. O autor referência aqui, um dos mais
importantes para a sua prova, é Summit. Segundo esse autor, a criança aparece
duplamente como vítima: dos abusos sexuais e da incredulidade dos adultos.

35
As reações descritas por Summit como sendo as mais características da

1:
:4
criança vão, de fato, reforçar os adultos e seus preconceitos. Elas são cinco. As

09
duas primeiras, o segredo e o sentimento de impotência, estão ligadas à

0
02
“vulnerabilidade” da criança. As outras três são consequências dos abusos

/2
03
sexuais: a criança cai na armadilha e se adapta; a revelação é tardia e não

0/
-2
convence; a criança vai se retratar.

om
Fonte: Gabel (1998)

l.c
ai
Sobre a Síndrome de Adaptação, é válido citar: tm
ho

Ferenczi, no seu artigo sobre a confusão de línguas (1993), fala da


s@

Síndrome de Adaptação da Criança Vítima de Abuso Sexual: O primeiro


ia
yd

movimento da criança seria de recusa, o ódio e nojo, isso se não existisse um


lin

medo intenso. As crianças sentir-se-iam física e moralmente indefesas, e este


ke
ac

medo, quando atinge o ápice, obriga-as a submeterem-se automaticamente à


-j

vontade do agressor, adivinhando o seu menor desejo e identificando-se


0
-8

totalmente com ele. Essa identificação seria a introspecção do sentimento de


41
.0

culpa do adulto. Ela viveria uma grande confusão, é ao mesmo tempo, inocente e
01

culpada, a sua confiança no testemunho dos seus próprios sentidos está abalada.
.2
25

A criança torna-se um ser que obedece mecanicamente, mas já não consegue dar-
-0

se conta das razões desta atitude.


a
lv

Fonte: http://www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2005018.pdf
Si
da
s

Convêm agora separar em tópicos, como os apresentados no livro, uma


ia
D

espécie de conceitos atrelados ao abuso sexual:


y
in

(a) O Segredo: A realidade aterrorizante deve-se ao fato do abuso


el
ck

sexual só acontecer quando a criança está sozinha com o adulto e esse segredo
Ja

jamais deve ser partilhado com quem quer que seja. Esse terrível segredo tem de
ser preservado pela ameaça, por exemplo, “não diga nada para sua mãe, senão ela
vai me odiar”; “se ela souber, vai matar você, vai manda-lo para o colégio interno”.
(b) A criança vive uma relação de submissão à autoridade do adulto:
ensinamos as crianças a desconfiarem de estranho, mas, simultaneamente, a
serem obedientes e afetuosas com todos os adultos que cuidam delas. A criança
não provoca, não parece seduzir o adulto. É fato essencial: o indivíduo que comete
o abuso, na maioria dos casos, é alguém conhecido que vai primeiramente

| 49
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estabelecer uma relação de confiança com a criança e certificar-se de que sua


vítima não se queixará quando ele for longe demais.
(c) A criança adapta-se a essa situação: “Se a criança não procurou
imediatamente ajuda e não foi protegida, sua única opção possível é aceitar a
situação e sobreviver, ao preço de uma inversão de valores morais e alterações
psíquicas prejudiciais à sua personalidade”. Ela sobreviverá por meio de uma
clivagem – funcionando com se tivesse várias personalidades -, seja pela
conversão da experiência no seu oposto: o que era ruim será afirmado como bom;
seja pelo mecanismo de identificação com o agressor.

35
(d) A revelação tardia e não convincente: Após anos de abuso, a

1:
:4
própria criança/adolescente, tem dificuldades em entender o quadro que viveu.

09
Em um outro ponto do livro, aparece a referência para o estado psicológico do

0
02
momento da revelação (não necessariamente tardia): “Paradoxalmente, é no

/2
03
momento da revelação que se produzem graves descompensações: tentativas de

0/
suicídio, fugas, prostituição, toxicomania ou manifestações psicóticas; a criança

-2
parecia adaptar-se à situação, a coesão do Eu era mantida pela dominação do

om
l.c
parceiro; no momento da revelação, a criança encontra-se só, sem pontos de

ai
referência, exposta à confusão”. Summit sublinha, no momento da revelação, a
tm
ho
conveniência da presença do advogado especializado em criança, e do psiquiatra
s@

e/ou psicólogo como especialistas, com a condição de que eles próprios não
ia

incorram na síndrome de adaptação.


yd
lin

(e) A retratação: a criança, em menor frequência o adolescente, tende


ke

a retratar-se para reduzir a tensão causada pela sua revelação. Volta atrás no
ac
-j

depoimento dado ou silencia. Em função disso é fundamental o amparo


0
-8

emocional de uma equipe preparada. Não digo, contudo, que a equipe estimule a
41

produção de informações (pesquise sobre o caso americano das memórias


.0
01

reprimidas), mas que acolham a criança e deem condições para seu depoimento.
.2

No próprio capítulo são citadas três conclusões sobre o depoimento de


25
-0

agressores:
a

a) Os agressores sentem-se capazes de identificar as crianças


lv
Si

vulneráveis e aproveitar-se dessa vulnerabilidade para abusar sexualmente delas.


da

b) A coerção é inerente ao abuso sexual


s
ia

c) Os agressores empenham-se em dessensibilizar as crianças aos


D
y

contatos sexuais.
in
el

Essa última conclusão merece destaque. Os agressores desenvolvem uma


ck
Ja

estratégia bastante sofisticada para a progressão do contato das regiões não


sexuais (pernas costas) em direção aos órgãos genitais. Essa evolução ocorre de
tal modo que a criança pode sentir que deu seu consentimento. Se esse assunto
não despertasse tanto asco, arriscaria citar Wolpe, mas aqui, diferentemente de
outras partes da matéria, não me permito gracejos.
É preciso ensinar as crianças que elas podem voltar atrás nesse seu
consentimento ou que consentir uma coisa não é consentir tudo. Dai a
necessidade de mais informações sobre a maneira pela qual a criança percebe se
está ou não autorizada a fazer certas coisas e sobre seu nível de responsabilidade
sobre seus atos.

| 50
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Na segunda parte do livro (As crianças vítimas, consequências a curto e


médio prazo), Rouyer afirma que a maioria dos autores concorda em reconhecer
que a criança vítima de abuso sexual corre o risco de uma psicopatologia grave,
que perturba sua evolução psicológica, afetiva e sexual. Aqui, a gravidade do
abuso será dado pelos fatores implicados. Assim, influenciam tanto a maturidade
fisiológica da criança quanto a psicológica: quanto mais cedo ocorreu o incesto,
maior o risco de que as feridas sejam irreversíveis, particularmente ao nível de
identidade. Rouyer afirma que o abuso sexual cometido por familiares (incesto) é o
tipo de abuso mais grave, por provocar na criança uma confusão em relação às

35
imagens parentais.

1:
:4
Nas crianças e adolescentes, quando o abuso sexual é seguido de

09
violência, há sequelas visíveis: esquimoses, lacerações, infecções. Mas as sevícias

0
02
afetivas são, provavelmente, as mais graves e difíceis de avaliar: sentimento de

/2
03
culpa, angústia, depressão, dificuldade de relacionamento e sexuais na idade

0/
adulta, etc.

-2
O autor apresenta uma lista não exaustiva de consequências imediatas:

om
l.c
a) Estresse

ai
b) Anestesia afetiva seguida por terror tm
ho
c) Regressões
s@

d) Manifestações psicossomáticas
ia

e) Lesões genitais
yd
lin

f) Lesões corporais
ke

O autor vai adiante:


ac
-j

As queixas somáticas são habituais: mal-estar difuso, impressão de


0
-8

alteração física, persistência das sensações que lhe foram impingidas, dores nos
41

ossos.
.0
01

A enurese e a encoprese são frequentes, sobretudo nas crianças menores


.2
25

e nas que sofreram penetração anal.


-0

As dores abdominais agudas sem substrato orgânico ocorrem em todas as


a
lv

idades, sobretudo em adolescentes. Encontramos crises de falta de ar, desmaios ,


Si

problemas relacionados à alimentação – como náuseas, vômitos, anorexia ou


da

bulimia – que, assumirão, em seguida, outro significado, a saber, a recusa da


s
ia
D

feminilidade e a destruição do corpo. Nesse estado, a anorexia e a bulimia podem


y
in

ser fenômenos de rejeição e de compensação transitórios.


el
ck

A interrupção da menstruação dá-se mesmo quando não houve


Ja

penetração vaginal. À repugnância de si mesma podemos acrescentar os rituais de


“se lavar”, as dermatoses provocadas por lesões consequentes do ato de se coçar,
que vão até o sangramento, sendo essa uma maneira de se reapropriar do corpo
pela excitação, pelo prazer e pelo sofrimento.
As perturbações do sono são constantes e traduzem a angústia de baixar
a guarda e ser agredido sem defesa; observa-se a recusa das crianças menores em
ir deitar-se, agarrando-se ao adulto não implicado; do mesmo modo, observamos
rituais de averiguação, de prevenção ao colocar em torno da cama objetos que
possam fazer barulho caso alguém se aproxime; certas crianças dormem
completamente vestidas. O despertar angustiado durante a noite também é muito

| 51
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frequente e se manifesta na forma de pesadelos. Em geral, e menos


temporariamente, ocorre o prejuízo das funções intelectuais e criadoras. A criança
para de brincar, desinteressa-se dos estudos, fecha-se em si mesma, torna-se
morosa ou inquieta.
As perturbações na criança de cinco a dez anos podem expressar-se por
meio de desenhos estereotipados e precisos que demonstram conhecimentos
sexuais inadequados para a idade; neles aparecem, sem nenhuma simbolização,
atributos sexuais e cenas de coito, que são bem diferentes daqueles que os pré-
adolescentes desenham de si.

35
Os abusos sexuais que acontecem durante a adolescência, em geral,

1:
:4
provocam sintomas de início mais ativos e intensos, que se originam de tentativas

09
de suicídio e fuga. São possíveis causas de anorexia grave e dores abdominais

0
02
agudas.

/2
03
Se o diagnóstico de abuso sexual não foi feito, e as pessoas não acreditam

0/
na criança, os distúrbios são mais discretos.

-2
om
Fonte: Gabel (1998)

l.c
ai
Antigamente tinha-se a visão que as denúncias de abuso feitas por
tm
ho
adolescentes eram infundadas ou injustificadas. Isso se devia a compreensão que
s@

jovens são sedutores por natureza (e teriam provocado o abuso) ou têm


ia
yd

características de naturais de mitomania (tendência a criar mentiras). Felizmente


lin

essa imagem foi superada do imaginário social e aceita-se tais tipos de denúncia
ke

com a mesma seriedade que as de agressão à crianças.


ac
-j

No entanto, destaco que no trabalho com adolescentes é importante que


0
-8

os profissionais envolvidos não caiam em duas armadilhas (descritas na terceira


41

parte). A primeira é a falsa acusação (causado pelo adolescente mitômano) e a


.0
01

segunda é a retratação.
.2
25

Na maior parte dos casos, a vítima de abuso sexual continua a sofrer as


-0

sequelas muito tempo depois de ter vivido a violência. Em tal contexto de


a
lv

fragilização, uma jovem pode, com muito mais facilidade que outra, sentir-se
Si

ameaçada e até agredida, quando na realidade não há nenhuma evidência que


da

corrobore seus receios. Nessas condições, poderá fazer acusações graves, de boa-
s
ia
D

fé, sendo que o verdadeiro problema consistiria em numa “patologia seqüelar”


y
in

diante dos homens em geral ou de um indivíduo em particular.


el
ck

A retratação, após um primeiro relato de abuso sexual, é normalmente


Ja

interpretado como prova a posteriori do caráter infundado ou fabricado da


acusação, e vem de certo modo corroborar essa odiosa mentira. A realidade não é
tão simples. Durante a crise de revelação, e sobretudo nos casos de abusos sexuais
intrafamiliares, subestima-se a ambivalência e a culpa da criança, da mesma
forma com que se ignora quase sempre a série de pressões familiares contra as
quais é muito difícil lutar. A retratação, na maior parte dos casos, visa, portanto,
reestabelecer a aparente coesão familiar que precedia a descoberta. Nesse
sentido, é um verdadeiro sintoma de adaptação, trágico, pensando bem, que
deveria, a priori, reforçar as suspeitas de abuso e não o contrário.

| 52
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SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
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Fonte: Gabel (1998)

Além disso, destaco que, via de regra, o depoimento da criança e do


adolescente sobre o abuso sexual sofrido é sine qua non para que o status quo seja
mudado. Esse é um momento de ruptura, que deve ser compreendido no contexto
da história familiar e da história da criança e do adolescente. Porém, obter um
depoimento e validar um testemunho ainda são problemas difíceis de resolver. A
criança da qual se abusou sexualmente é ao mesmo tempo vítima e testemunha;
além disso, chamada a repetir suas versões dos fatos e confrontada com o autor,

35
ela está em uma situação que comporta riscos para si própria e para a validade do

1:
:4
próprio testemunho. É importante destacar, também, que o momento da

09
revelação é crucial por si só. Esse momento apresenta risco de trauma

0
02
suplementar para a criança ou adolescente. Pode significar um risco de violação

/2
03
na medida em que a criança ou o adolescente esperava que a revelação trouxesse

0/
alguma realização (que não veio).

-2
Sobre a memória fiel dos fatos, é importante observar:

om
l.c
Os resultados de numerosos estudos sobre a memória da criança,

ai
evocados por Van Gijseghem, justificam a necessidade de se evitar a implicação de
tm
ho
interrogatórios, como é de praxe:
s@

- A lembrança diminui progressivamente com o tempo;


ia
yd

- A memória e a lembrança são contaminadas pela informação obtida


lin

depois do acontecimento, efeito que pode ser induzido por perguntas sugestivas;
ke

- A criança tem uma percepção do tempo diferente da que tem um adulto.


ac
-j

Ela não é sequencial, mas organizada em torno de detalhes significativos


0
-8

associados a acontecimentos que a tocam de perto; e


41

- A memória de um fato diminui progressivamente em prol de um


.0
01

“enredo”. Por ocasião de novos interrogatórios, a criança usará esse enredo para
.2
25

encontrar os elementos de suas respostas, em um processo que vai se intensificar


-0

com o tempo. Daí pode resultar, então, uma impressão de inconsistência e de


a
lv

dúvida para quem estiver fazendo a pesquisa.


Si

Fonte: Gabel (1998)


da
s
ia
D

Outro ponto significativo do texto é:


y
in

O trauma grave é acompanhado da impossibilidade de pensar. Um


el
ck

aspecto peculiar nessa conduta (o incesto) é que a criança é colocada diante do


Ja

desejo de assassinato, assassinato de si mesma enquanto criança. O psicanalista


americano Shengold afirma que tais crianças sofrem um “assassinato da alma”.
...
Constatamos, às vezes com surpresa, que certas crianças e adolescentes
conseguem manter um rendimento escolar satisfatório Elas o fazem às custas de
clivagens e desestruturação em outros domínios.
Fonte: Gabel (1998)

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Para lidar com o trauma do incesto, busca-se uma terceira pessoa


confiável e a lei. As duas pessoas que deveriam ser confiáveis naturalmente (o pai
e a mãe) não se adequam a esse papel. Um agente externo acaba sendo a válvula
de confiança necessária para a revelação e a expressão das angústias.
É interessante destacar o resultado de um estudo exposto no livro sobre o
relacionamento de mulheres que foram abusadas sexualmente com as suas mães
ausentes. O resultado desse estudo (pág. 97) demonstra que essas mulheres
caracterizam seus relacionamentos com termos como “frieza e distância
emocional”. Em contrapartida, por terem um modelo materno insuficiente para se

35
identificar, sentem-se obrigadas a ser distantes com os próprios filhos, a conferir-

1:
:4
lhes excessiva autonomia cedo demais. Os autores sublinham que isso só faz

09
aumentar a demanda afetiva da criança em relação ao pai.

0
02
Na parte 4 (Os que Cometem Abusos Sexuais), é explicitada uma teoria

/2
03
dos agressores (psicopatas) sexuais:

0/
-2
Nossa prática profissional com esses indivíduos mostrou que sua vida se

om
organiza em torno de um tríptico existencial que chamamos de “3D”: Denegação,

l.c
Desafio e Delito.

ai
tm
Denegação: modo de defesa onde o sujeito se recusa a reconhecer a
ho

realidade, em especial, o trauma. Assim, no nosso contexto estudado, o agressor


s@

psicopata é incapaz de reconhecer a sua responsabilidade ou sua causalidade


ia
yd

psíquica dos males que o oprimem.


lin

Desafio: é o desafio aos outros e à lei. É uma ação que busca


ke
ac

restaurar a onipotência narcísica.


-j

Delito: é a ação de abuso sexual em si.


0
-8

E, por fim, após a análise de alguns casos e referências à personalidades


41

perversas, psicopatas e do tipo borderline, é descrita a conclusão de um estudo,


.0
01

de Scherrer, que identificou traços comuns na biografia dos que cometeram


.2
25

delitos sexuais:
-0

a) Suas mães teriam desempenhado, na realidade, o papel de pai


a
lv

primitivo;
Si

b) Esses sujeitos, em geral, apresentavam incapacidade de levar


da

relações objetais satisfatórias com o sexo oposto, o que se traduzia por uma
s
ia
D

problemática de impotência e a atuação de uma relação de força “primitiva com a


y
in

mulher”.
el
ck
Ja

Serviço de Proteção Social a Crianças e


Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e
Exploração Sexual e suas Famílias: referências
para a atuação do psicólogo
Esse é o nome da cartilha lançada pelo CFP em 20094.

4
https://site.cfp.org.br/wp-
content/uploads/2009/10/CREPOP_Servico_Exploracao_Sexual.pdf

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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Eis os principais pontos da cartilha:

Psicologia e políticas públicas – formação e trans-formação


[...]
A formação profissional, portanto, deve acompanhar essas transformações,
implementando novos desenhos de práticas profissionais. É compromisso ético
desconstruir cristalizações técnicas e propor inovações diante das demandas
atuais. Temos essa responsabilidade, pois observa-se, entre muitas outras
questões, que os avanços na legislação brasileira no que se refere ao Sistema de

35
Garantias e Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente, com destaque para o

1:
:4
Estatuto da Criança e do Adolescente, são de abrangência, complexidade e

09
qualidade que devem ser plenamente identificados e incorporados nas práticas

0
02
dos profissionais responsáveis pela implantação e pela implementação de

/2
03
políticas públicas no Brasil, inclusive os/as psicólogos/as.

0/
[...]

-2
O psicólogo, para dar conta das demandas atuais no seu trabalho, deve

om
l.c
refletir permanentemente sobre suas ações, reinventar suas intervenções e criar

ai
outros fazeres, pautado sempre por uma atitude científica e por referenciais
tm
ho
teóricos consistentes.
s@

Kastrup, apud Lazzarotto (2004, p. 67), destaca que “[...] a prática


ia

profissional não pode fazer com que se perca a condição de aprendiz. A formação
yd
lin

e a aplicação não são dois momentos sucessivos, mas devem coexistir sempre.”
ke

Manter a permanente problematização da prática é uma exigência do exercício


ac
-j

profissional e um fundamento da ética profissional. “A ética demarca a fronteira


0
-8

entre a teoria e a prática, entre o pensamento e a vida, entre a concretude da


41

história e a abstração do conhecimento.” (DRAWIN, 2003).


.0
01

Nos contextos da assistência social, o psicólogo tem de ter toda cautela


.2

para não contaminar as novas práticas profissionais com modelos


25
-0

assistencialistas, tutelares e adaptacionistas, centrados em uma ação


a

individualizada, que desconectam o sujeito da sua realidade e contribuem para a


lv
Si

legitimação de modos maquiados de exclusão social. Isso não significa que


da

devemos desconsiderar a singularidade e a experiência subjetiva de cada


s
ia

indivíduo, especialmente daqueles que apresentam sofrimento psíquico, mas


D
y

nosso olhar deve fazer a leitura da realidade sempre de forma contextualizada.


in
el

Atentos às diferentes formas de subjetivação, no contexto da assistência


ck
Ja

social, o psicólogo deve ser promotor de práticas emancipatórias e


comprometidas com a transformação da realidade.
O CREAS e o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes
[...]
A partir do redesenho da política de assistência social, as atividades
desenvolvidas pelos psicólogos não sofreram alterações substanciais com relação
ao momento da criação do programa Sentinela, exceto pela confusão instalada
quanto à concepção do seu trabalho no âmbito do CREAS. Essa transformação não
se tem dado de forma tranquila em muitas localidades, e equívocos vêm sendo

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identificados, especialmente porque outros serviços especializados passam a ser


lotados também no CREAS.
Em levantamento nacional realizado pelo Programa Escola de Conselhos
da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul com os operadores do Serviço
Sentinela, 19% deles afirmaram não conhecer a dinâmica de funcionamento do
CREAS, e 70% afirmaram conhecer superficialmente ou com alguma dificuldade.
(AMORIM; CONTINI; MEZA, 2005).
Já em 2007, os resultados da pesquisa realizada pelo CFP demonstram
avanço, indicando que vêm sendo operadas mudanças, apesar de quase 50% dos

35
entrevistados afirmarem conhecer apenas parcialmente o CREAS. Nesse sentido,

1:
:4
os psicólogos que atuam nessa área admitem maior conhecimento dos marcos

09
lógicos e legais, especialmente acerca do ECA, do Plano Nacional e da rede de

0
02
enfrentamento da violência sexual infanto-juvenil.

/2
03
O que se percebe é que os psicólogos têm buscado aprimoramento: 68%

0/
declararam ter pós-graduação; 77% dos inseridos no Serviço de Enfrentamento

-2
têm especialização na área; 18% têm mestrado, e 5% têm doutorado. Dessa forma,

om
l.c
a formação continuada tem sido estratégia de qualificação dos psicólogos para

ai
que se sintam preparados para as exigências na implementação de políticas
tm
ho
públicas da assistência social.
s@

Limites e possibilidades de uma prática em construção


ia

Embora sejam inúmeras as possibilidades de inserção do psicólogo como


yd
lin

operador da Política Nacional da Assistência Social, neste material, destaca-se sua


ke

atuação no Serviço de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e


ac
-j

Adolescentes e suas Famílias.


0
-8

A violência deve ser compreendida como produto de um sistema complexo,


41

de relações historicamente construídas e multideterminadas, que envolve


.0
01

diferentes realidades de uma sociedade, assentadas em uma cultura, permeadas


.2

por valores e representações (AMORIM, 2005). Essa multideterminação implica,


25
-0

portanto, que voltemos nosso olhar para as diferentes realidades – familiar, social,
a

econômica, política, jurídica – que estão assentadas em uma cultura e organizadas


lv
Si

em uma rede dinâmica de produção de violência.


da

A violência contra crianças e adolescentes faz parte de uma cultura


s
ia

baseada em concepções de infância, adolescência, sexualidade e violência que


D
y

não estão descoladas das relações econômicas, de gênero e de raça que


in
el

configuram a estrutura da nossa sociedade. Embora muitas vezes se esteja diante


ck
Ja

de um indivíduo e, no máximo, de uma família, não se pode perder de vista que a


violência é sempre fenômeno a ser contextualizado e considerado em sua
complexidade.
É pertinente, nesse contexto, enfocar sinteticamente alguns marcos
conceituais relativos especialmente à violência contra crianças e adolescentes.
Esta publicação não se detém apenas na violência sexual, mas em todos os tipos
de violência perpetradas contra crianças e adolescentes, isso porque, em
consonância com o observado em outros estudos, este estudo identificou – a
partir dos dados apontados no Relatório Preliminar de Análise Qualitativa da
Pesquisa (CEAPG/FGV, 2007) – que os serviços de proteção social às crianças e aos

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adolescentes vítimas de violência, abuso e exploração sexual e a suas famílias


atendem também a outros tipos de violência, e não apenas a violência sexual.
A complexidade do fenômeno da violência contra crianças e adolescentes é
consenso, e muitos são os critérios utilizados para classificar os tipos de violência.
É importante destacar que qualquer classificação é tentativa de organização,
processo pelo qual fenômenos complexos são dispostos em categorias, de acordo
com alguns critérios estabelecidos. Há clareza de que nenhuma classificação
esgota a complexidade do fenômeno que abordamos, e devemos considerar que
os diversos tipos de violência não são excludentes.

35
Em linhas gerais, a violência contra crianças e adolescentes pode ser dividida em:

1:
:4
a) Intrafamiliar: quando existe laço familiar, biológico ou não, ou relação de

09
responsabilidade entre vítima e autor/a da violência. Quando ocorre no espaço

0
02
onde reside a família, é chamada também de violência doméstica.

/2
03
b) Extrafamiliar: se o autor da violência não possui laços familiares ou de

0/
responsabilidade com o violado. Embora, na violência extrafamiliar, o agressor

-2
possa ser um desconhecido, na maioria das vezes, ele é alguém que a criança ou o

om
l.c
adolescente conhece e em quem confia.

ai
Em relação às formas de apresentação, a violência contra crianças e
tm
ho
adolescentes pode ser classificada como: negligência, violência física, violência
s@

psicológica e violência sexual.


ia

a) Negligência
yd
lin

Ocorre negligência quando a família ou os responsáveis pela criança ou


ke

pelo adolescente se omitem em prover suas necessidades físicas e/ou emocionais


ac
-j

básicas para o desenvolvimento saudável. Consiste em falhas com os cuidados


0
-8

básicos e com a proteção da criança ou do adolescente, e deve ser distinguida da


41

carência de recursos socioeconômicos.


.0
01

b) Violência física
.2

Dentre os tipos de violência, esse é um dos mais presentes nos estudos


25
-0

científicos. Os nomes mais utilizados são: abuso físico, maus-tratos físicos e


a

violência física. Inicialmente, o fenômeno estava associado à Medicina e ligado ao


lv
Si

espancamento de crianças pequenas; posteriormente, os estudos acerca da


da

violência física passaram a ser encarados no nível transdisciplinar.


s
ia

c) Violência psicológica
D
y

Também conhecida como tortura psicológica, abuso psicológico ou abuso


in
el

emocional, é pouco reconhecida como violência pela maioria das pessoas. Só


ck
Ja

muito recentemente os estudiosos passaram a investigar essa modalidade.


Constitui-se, portanto, em violência psicológica: rejeição, humilhação,
constrangimento, depreciação, ameaça de abandono, discriminação, desrespeito,
utilização da criança como objeto para atender a necessidades psicológicas de
adultos. Pela sutileza do ato e pela falta de evidências imediatas, esse tipo de
violência é um dos mais difíceis de caracterizar e conceituar, apesar de
extremamente frequente. Cobranças e punições exageradas são formas de
violência psicológica, que podem trazer graves danos ao desenvolvimento
psicológico, físico, sexual e social da criança. (ABRAPIA, 1997, p. 11).
d) Violência sexual

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Dentre as formas de violência contra crianças e adolescentes, a mais


perturbadora é, inegavelmente, a violência sexual, que, embora identificada com
fenômeno antigo, só passou a ser considerada problema social a partir do século
XX, quando foi inserida no contexto dos direitos humanos e considerada
responsável por sérias consequências, como o comprometimento do
desenvolvimento físico, psicológico e social de suas vítimas.
A violência sexual apresenta-se, em geral, pelo abuso e pela exploração
sexual. Como outras formas de violência contra a criança e o adolescente, não são
fatos novos. Há relatos bíblicos fazendo referência a essas práticas. Mesmo vindo

35
de longa data o reconhecimento da existência do abuso e da exploração sexual,

1:
:4
essas são práticas que só foram formalmente identificadas e estudadas a partir da

09
década de 1960 (AMORIM, 2005).

0
02
d. 1) Abuso sexual

/2
03
De acordo com Azevedo (1997), violência sexual é todo ato ou jogo sexual,

0/
relação hetero ou homossexual entre um ou mais adultos e uma criança ou um

-2
adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente essa criança ou esse

om
l.c
adolescente ou utilizá-los para obter estimulação sexual de sua pessoa ou de

ai
outra pessoa. O agressor pode se impor por força, ameaça ou indução da vontade
tm
ho
da vítima.
s@

O abuso sexual compreende uma série de situações que estão locali- zadas
ia

em um continuum que muitas vezes dificulta o estabelecimento dos limites entre o


yd
lin

aceitável e o inaceitável, especialmente em uma cultura como a nossa, que


ke

sexualiza a infância.
ac
-j

d. 2) Exploração sexual de crianças e adolescentes


0
-8

A exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é uma forma de


41

violência sexual que se caracteriza pela obtenção de vantagem ou proveito, por


.0
01

pessoas ou redes, a partir do uso (abuso) do corpo dessas crianças ou


.2

adolescentes, com base em relação mercantilizada e de poder. Contextualiza-se


25
-0

em função da cultura, do padrão ético e legal, do trabalho e do mercado. É


a

importante ressaltar que o fenômeno não ocorre somente nos setores mais
lv
Si

empobrecidos da população, mas perpassa todas as classes sociais. O que difere,


da

em função dos extratos sociais, “[...] é o controle social e a visibilidade dessas


s
ia

formas cotidianas de exploração.” (LEAL, 1999, p. 22).


D
y

O fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes é identificado


in
el

em todo o mundo, e essa constatação tem mobilizado diferentes atores da


ck
Ja

sociedade no sentido de identificar, compreender e enfrentar essa cruel forma de


violação de direitos.
Faleiros (2004) observa que, na sociedade brasileira, enquanto a violência
sexual intra e extrafamiliar é considerada e nomeada como abuso, nem sempre a
exploração sexual comercial é identificada como violência sexual ou como abuso
sexual. O autor chama a atenção para o fato de que, independentemente de
contexto, todas as formas de violência sexual constituem abuso.
Faleiros (2004) sistematiza quatro modalidades de exploração sexual
comercial de crianças e adolescentes, em consonância com as deliberações
mundiais a partir do Congresso de Estocolmo. São elas:

| 58
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Prostituição infantil
É definida como a atividade na qual atos sexuais são negociados em troca
de pagamento, não apenas monetário, mas que podem incluir a satisfação das
necessidades básicas (alimentação, vestuário, abrigo) ou o acesso ao consumo de
bens e de serviços (restaurantes, bares, hotéis, shoppings, diversão).
A utilização da expressão prostituição com referência a crianças e
adolescentes é bastante discutível, e a construção da expressão “exploração da
prostituição infantil” resolve em parte a questão. Crianças e adolescentes, por
estar submetidos a condições de vulnerabilidade e risco social, são considerados

35
(as) prostituídos(as), e não, prostitutos(as).

1:
:4
Existem variações na faixa etária de crianças e adolescentes nessa situação,

09
mas as idades entre 12 e 18 anos são as mais comuns. A maioria é afrodescendente

0
02
e migra internamente ou é enviada para fora do País (LEAL, 2002).

/2
03
Turismo sexual

0/
Caracteriza-se pelo comércio sexual em regiões turísticas, envolvendo

-2
turistas nacionais e estrangeiros e principalmente mulheres jovens, de setores

om
l.c
pobres e excluídos, de países do Terceiro Mundo. O principal serviço

ai
comercializado no turismo sexual é a prostituição, incluindo nesse comércio a
tm
ho
pornografia (shows eróticos) e o turismo sexual transnacional, que acoberta
s@

situações de tráfico de pessoas para fins sexuais.


ia

O turismo sexual é talvez a forma de exploração sexual mais articulada com


yd
lin

as atividades econômicas, como no caso do desenvolvimento do turismo. A rede


ke

de turismo sexual envolve agências de viagens, pacotes turísticos, guias, hotéis,


ac
-j

restaurantes, boates, casas de shows, taxistas, etc. e inclui-se em uma economia


0
-8

globalizada.
41

Pornografia
.0
01

Trata-se de produção, exibição, divulgação, distribuição, venda, compra,


.2

posse e utilização de material pornográfico.


25
-0

Segundo o Projeto de Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da


a

Criança, citado por Leal,


lv
Si

[...] por utilização de crianças na pornografia se entende


da

comercialização/tráfico ou difusão, ou a produção ou posse (para


s
ia

fins de comercialização/tráfico, difusão ou outro fim ilícito) de


D
y

quaisquer materiais que constituam uma representação de uma


in
el

criança realizando atos sexuais explícitos ou representando como


ck
Ja

participante neles (ou utilizando) em uma atividade sexual


(explícita) ou qualquer representação (ilícita) do corpo ou de parte
do corpo, de uma criança, cujo caráter dominante seja a exibição
com fins sexuais (entre outras coisas, incentivar a prostituição
infantil e a utilização de crianças na pornografia, inclusive no
contexto do turismo sexual que afeta as crianças). (LEAL, 1999, p.
12).
A rede mundial de computadores tornou-se território fértil de disseminação
de práticas pornográficas, especialmente as que envolvem crianças e
adolescentes. Devido ao fácil acesso, a enorme abrangência e as dificuldades

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operacionais e legais no seu controle, a internet passou a merecer atenção


especial de organismos nacionais e internacionais de proteção à infância.
Tráfico para fins sexuais
A ONU, em 1994, definiu o tráfico de pessoas como o movimento
clandestino e ilícito de pessoas através de fronteiras nacionais, principalmente
dos países em desenvolvimento e de alguns países com economias em transição,
com objetivo de forçar mulheres e adolescentes a entrar em situações
sexualmente ou economicamente opressoras e exploradoras, para lucro de
aliciadores, traficantes e crime organizado ou para outras atividades (por

35
exemplo, trabalho doméstico forçado, emprego ilegal ou falsa adoção).

1:
:4
No Brasil, país em que foram identificadas inúmeras rotas nacionais e

09
internacionais, o tráfico para fins sexuais é, predominantemente, de mulheres e

0
02
garotas negras e morenas, com idade entre 15 e 27 anos. (LEAL, 2002).

/2
03
A tipificação das diferentes formas de violência contra crianças e

0/
adolescentes é estratégia didática. Raramente encontra-se a ocorrência de apenas

-2
um tipo de violência.

om
l.c
Refletindo sobre as causas e as consequências das múltiplas violências contra

ai
crianças e adolescentes tm
ho
Não é simples identificar a etiologia (causa) dos casos das múltiplas
s@

violências impostas a crianças e adolescentes até porque, como dito


ia

anteriormente, são fenômenos que envolvem fatores de diversas ordens –


yd
lin

individuais, sociais, culturais, familiares, psicológicas, econômicas, etc. –, em geral


ke

inter-relacionados.
ac
-j

Dessa forma, qualquer abordagem profissional, seja de prevenção ou


0
-8

intervenção, deve ser considerada sempre de forma interdisciplinar, envolvendo


41

diferentes olhares, segmentos e práticas profissionais, configurando verdadeira


.0
01

rede de proteção.
.2

Muitos aspectos devem ser levados em conta quando se pensa nas


25
-0

consequências das violências contra crianças e adolescentes, tanto do ponto de


a

vista dos operadores das políticas quanto do ponto de vista dos envolvidos nas
lv
Si

situações.
da

De modo geral, os danos são classificados como primários e secundários


s
ia

(FURNISS, 1993). No primeiro grupo, estão aqueles decorrentes da própria


D
y

situação de violência e, no segundo, aqueles decorrentes de intervenções


in
el

inadequadas ou de não intervenções da rede de atendimento e proteção.


ck
Ja

Em relação à criança ou ao adolescente, as consequências da violência


estão relacionadas com fatores intrínsecos, tais como vulnerabilidade e resiliência
(constituição psíquica, temperamento, resposta ao nível de desenvolvimento
neuropsicológico) e com a existência de fatores de risco e proteção extrínsecos
(recursos sociais, rede de suporte social e afetiva, funcionamento familiar,
recursos emocionais dos cuidadores e recursos financeiros).
As sequelas deixadas pela violência podem ser evidentes ou imperceptíveis,
mais ou menos graves, mas sempre presentes. O grau de severidade dos efeitos da
violência varia de acordo com: tipo de violência, idade da criança, duração da
situação, grau de violência, diferença de idade entre a pessoa que cometeu a

| 60
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violência e a vítima, importância da relação entre a vítima e o autor da agressão e


a ausência de figuras parentais protetoras e de apoio social (nesses casos, o dano
psicológico é agravado) e o grau de segredo e de ameaças contra a criança.
Entre as consequências mais comuns, são apontadas: lesões físicas, morte,
sentimentos de raiva e medo em relação ao autor de agressão, quadros de
dificuldades escolares, dificuldade para confiar em outros adultos, autoritarismo,
“morte da alma”, apatia, atitudes antissociais (delinquência), violência doméstica
quando adulto, parricídio/matricídio, abuso de drogas, quadros depressivos em
variável intensidade e transtornos graves de personalidade (quadros dissociativos,

35
personalidade múltipla, etc.).

1:
:4
O(a) autor(a) da violência

09
Contrariando muitas representações de que os(as) agressores(as) sexuais

0
02
são pessoas estranhas às vítimas, dados demonstram que os agressores, em geral,

/2
03
são pessoas próximas e de confiança da criança. Em cerca de 85% a 90% dos

0/
casos, exceto em situações de exploração sexual, são pais, mães, professores(as),

-2
tios(as), etc. No caso de violência física, a maioria é de mulheres (mães,

om
l.c
cuidadoras, professoras). No caso de violência sexual, a maioria são homens

ai
heterossexuais, com idade entre 16 e 40 anos, e, quando ocorre na família, 44%
tm
ho
são pais, 17% padrastos, 10% tios (GABEL, 1997). Esses dados são corroborados
s@

pelas estatísticas brasileiras em inúmeros estudos.


ia

Geralmente, os autores de violência parecem normais, sem características


yd
lin

estereotipadas, ocupam lugar de provedor na família e não possuem vícios. É


ke

comum que os(as) autores(as) de agressão possuam história de violência em suas


ac
-j

vidas.
0
-8

No caso do abuso sexual, este pode ser entendido de modo semelhante a


41

qualquer adição (drogas, por exemplo) e, como tal, constitui quadro que interage
.0
01

com as características da criança e de toda a família.


.2

Furniss (1993), ao descrever a síndrome da adição, destaca algumas


25
-0

características do(a) autor(a) de abuso sexual:


a

• As pessoas que abusam sexualmente de crianças e adolescentes sabem que o


lv
Si

abuso é errado e que constitui crime;


da

• As pessoas que abusam sexualmente de crianças e adolescentes sabem que o


s
ia

abuso é prejudicial à criança; apesar disso, o abuso acontece;


D
y

• Oabusosexual,comooutrasadições,nãocriaprimariamente uma experiência


in
el

prazerosa, mas serve para o alívio de tensão;


ck
Ja

• O processo é conduzido pela compulsão à repetição;


• Os sentimentos de culpa e o conhecimento de estar prejudicando a criança
podem levar a tentar parar o abuso;
• O aspecto sexual egossintônico (em “sintonia” com o ego) do abuso sexual dá à
pessoa que abusa a “excitação” que constitui o elemento aditivo central;
• A gratificação sexual do ato sexual ajuda a evitação da realidade e apoia uma
baixa tolerância à frustração, denotando um ego frágil;
• As pessoas que abusam sexualmente de crianças e adolescentes tornam-se
dependentes psicologicamente dos atos, por aliviarem a tensão;

| 61
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• As pessoas que abusam sexualmente de crianças e adolescentes tendem a negar


a dependência, para ela própria e para os outros, independentemente de ameaças
legais;
• A tentativa de parar o abuso pode levar a sintomas de abstinência como
ansiedade, irritabilidade, agitação e outros sintomas (FURNISS, 1993, p. 37).
Ainda que esse quadro de síndrome possa servir de referência para a
compreensão do processo que constitui a dinâmica do autor ou autora de
violência contra crianças e adolescentes, o cenário geral desse fenômeno indica
que, ao se abordar a questão do autor ou da autora de violência, é preciso levar

35
em conta uma série de fatores socioculturais que interferem na determinação de

1:
:4
suas ações. Elementos como a socialização de gênero e a cultura familiar

09
adultocêntrica podem interferir fortemente na tomada de consciência por parte

0
02
de quem pratica a violência, dificultando a percepção de seu ato como um crime

/2
03
grave. Também uma hierarquia familiar fortemente marcada pelo sexismo e pelo

0/
machismo pode facilitar a formação de homens e mulheres abusadores(as).

-2
No caso da exploração sexual, a demanda é predominantemente masculina

om
l.c
– quem se serve da exploração sexual são pessoas do sexo masculino, e a esse

ai
público devem ser estrategicamente dirigidas as ações mobilizatórias.
tm
ho
A pesquisa do CFP indica ainda que os psicólogos, embora reconheçam os
s@

avanços, inclusive do ponto de vista da consciência social e do reconhecimento do


ia

seu papel, apontam dificuldades na sua prática pela ausência de padronização


yd
lin

metodológica nos serviços. Esta publicação não se propõe a padronizar as


ke

atividades do psicólogo no âmbito do serviço, mas, no Eixo 3, estão contidas


ac
-j

referências importantes para subsidiar o planejamento e a atuação profissional.


0
-8

Há de se considerar que a construção de referências se dá a partir da prática, e que


41

a responsabilidade dos psicólogos nesse contexto é a de avaliar


.0
01

permanentemente essa prática, criar novas referências e referendar outras, ou


.2

seja, a produção de conhecimento deve ser compreendida como dialética, e teoria


25
-0

e prática estão sempre em mútua construção.


a

Enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes:


lv
Si

aspectos teóricos, técnicos, metodológicos e éticos


da

[...]
s
ia

Em síntese, no campo da assistência social, as ações do psicólogo,


D
y

especialmente no Serviço de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e


in
el

Adolescentes e suas Famílias, que podem ocorrer em âmbito individual ou no


ck
Ja

grupal, requerem embasamento teórico bem definido (que possibilitem adequada


leitura da situação e dos sujeitos nela envolvidos), planejamento (que norteará as
ações em cada caso), registro (que possibilita o contínuo estudo das situações) e
avaliação sistemática (que visa a constatar a adequação das ações). (AMORIM,
2007).
[...]
Aos psicólogos que atuam nesse contexto, é imprescindível a apropriação
acurada de parâmetros profissionais, conforme apontam as Resoluções do CFP
referidas a seguir.

| 62
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Da Resolução CFP no 10/2005, que institui o Código de Ética Profissional do


Psicólogo, do qual destacamos de seu preâmbulo:
[...] um Código de Ética profissional, ao estabelecer padrões esperados quanto às
práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade,
procura fomentar a autorreflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis,
de modo a responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por ações e suas
conseqüências no exercício profissional. A missão primordial de um Código de
Ética profissional não é normatizar a natureza técnica do trabalho, e, sim,
assegurar, dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas

35
desenvolvidas, um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social

1:
:4
daquela categoria. Códigos de ética expressam sempre uma concepção de homem

09
e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos.

0
02
Traduzem-se em princípios e normas que devem pautar-se pelo respeito ao sujeito

/2
03
humano e seus direitos fundamentais.” (CFP, 2005a).

0/
Destacam-se também os seguintes princípios fundamentais:

-2
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da

om
l.c
liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser

ai
humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal
tm
ho
dos Direitos Humanos.
s@

II. O psicólogo trabalhará visando a promover a saúde e a qualidade


ia

de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a


yd
lin

eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação,


ke

exploração, violência, crueldade e opressão.


ac
-j

[...]
0
-8

Discutir o atendimento psicológico de crianças e adolescentes em situação


41

de violência sexual no âmbito da política de assistência social não é tarefa simples.


.0
01

Por isso, é importante refletir sobre algumas questões diretamente relacionadas


.2

ao lugar de onde se fala, às características do sujeito que se atende e aos


25
-0

pressupostos teóricos e metodológicos em que está fundamentada a prática dos


a

profissionais que atuam nessa área.


lv
Si

O atendimento psicológico deve compor a atenção psicossocial, que é


da

operacionalizada por um conjunto de procedimentos técnicos especializados, com


s
ia

o objetivo de estruturar ações de atendimento e de proteção a crianças e


D
y

adolescentes, proporcionando-lhes condições para o fortalecimento da


in
el

autoestima, o restabelecimento de seu direito à convivência familiar e comunitária


ck
Ja

em condições dignas de vida e possibilitando a superação da situação de violação


de direitos, além da reparação da violência sofrida.
O presente texto pretende subsidiar as ações dos profissionais envolvidos
no atendimento psicossocial especializado a crianças e adolescentes vítimas de
violência sexual, no âmbito do CREAS, mas deve ser encarado apenas como
direcionador, inspirador e motivador de reflexões que levem à consolidação de
práticas que conciliem as dimensões teórica, técnica, ética e política do
atendimento psicossocial. Para esse atendimento psicossocial especializado, não
existe receita pronta. As diretrizes ora apontadas devem servir de referência para a

| 63
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equipe de trabalho procurar construir permanentemente conhecimentos que vão


subsidiar suas práticas.
O atendimento psicossocial
O objetivo do atendimento psicossocial no Serviço é efetuar e garantir o
atendimento especializado, e em rede, a crianças e adolescentes em situação de
violência e a suas famílias, por profissionais especializados e capacitados (BRASIL,
2006a).
O atendimento psicossocial é um instrumento fundamental para a garantia
dos direitos de crianças e adolescentes, que tem como referência básica os

35
princípios de prioridade absoluta, por ser sujeitos de direitos e em condição

1:
:4
peculiar de desenvolvimento. Configura conjunto de atividades e ações

09
psicossocioeducativas, de apoio e especializadas, desenvolvidas individualmente

0
02
e em pequenos grupos (prioritariamente), de caráter disciplinar e interdisciplinar,

/2
03
de cunho terapêutico – não confundir com psicoterapêutico –, com níveis de

0/
verticalização e planejamento (início, meio e fim), de acordo com o plano de

-2
atendimento desenvolvido pela equipe. Esse atendimento deve ser

om
l.c
operacionalizado, prioritariamente, pelos grupos de apoio às crianças e aos

ai
adolescentes e pelo grupo de apoio às famílias e de oficinas socioeducativas.
tm
ho
Sugere-se que o atendimento individual seja utilizado apenas nas entrevistas
s@

iniciais, como forma de avaliação preliminar e preparação da criança e do


ia

adolescente para a entrada nos grupos, ou quando, a partir dessa avaliação, ficar
yd
lin

constatado que o trabalho em grupo não é indicado.


ke

Entende-se por atendimento a atenção física, jurídica, psicológica,


ac
-j

econômica e social prestada a todas as pessoas envolvidas na situação de


0
-8

violência sexual. O atendimento deve ser entendido ainda como conjunto de ações
41

internas do CREAS e dos demais serviços da rede, e deve estar voltado, além da
.0
01

atenção emergencial para a redução de danos sofridos pelos sujeitos, para a


.2

mudança de condições subjetivas que geram, mantêm ou facilitam a dinâmica e


25
-0

as ameaças abusivas. As ações devem ser potencializadoras da autonomia,


a

favorecendo a participação na rede social ampliada, compreendendo crianças e


lv
Si

adolescentes como sujeitos desejantes e de direitos.


da

No caso do profissional psicólogo, não é incomum que se confunda


s
ia

abordagem psicossocial com psicoterapia. A abordagem psicossocial, sem dúvida,


D
y

pode e deve ter efeitos terapêuticos, mas ela se distingue da psicoterapia pela
in
el

forma de intervenção e pelos objetivos. A psicoterapia tem o seu lugar na atenção


ck
Ja

à saúde, mais especificamente, nos serviços de saúde mental. Nem todas as


crianças e nem todos os adolescentes que passam pelos serviços da assistência
social têm demanda para a psicoterapia, e o psicólogo do CREAS deve avaliar
adequadamente cada situação, indicando a psicoterapia quando necessário.
Os profissionais envolvidos no atendimento psicossocial devem, portanto,
estar aptos a lidar permanentemente com o novo, sendo capazes de observar,
interpretar e compreender as situações que se apresentam. Para tanto, devem ser
instrumentalizados com sólido instrumental teórico (que permita leitura e
interpretação da realidade apresentada) e estratégias metodológicas e técnicas
(que possam ser utilizadas como referências de suas ações).

| 64
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O compromisso fundamental é a interrupção do ciclo da violência. Para


isso, serão necessárias medidas jurídicas de responsabilização do autor da
agressão, medidas sociais de proteção às crianças e de reinserção escolar ou
laboral, medidas médicas de tratamento das consequências e medidas
psicossociais.
O serviço deve desenvolver acolhimento, escuta, atendimento
especializado, em rede, interdisciplinar, encaminhamento e acompanhamento de
crianças, adolescentes e famílias em situação de violência sexual (inclusive os
autores da agressão sexual), criando condições que possibilitem a garantia dos

35
direitos, o acesso aos serviços de assistência social, saúde, educação, justiça e

1:
:4
segurança, esporte, lazer, cultura, geração de renda e qualificação profissional,

09
garantindo compromisso ético, político e multidisciplinariedade das ações

0
02
(BRASIL, 2006b).

/2
03
Alguns conceitos importantes

0/
Atendimento: ato ou efeito de atender; atenção sistemática prestada ao

-2
grupo familiar e/ou à criança e ao adolescente pela equipe do Serviço de

om
l.c
Enfrentamento, por meio de atividades relacionadas à organização do processo de

ai
trabalho técnico de cada área do conhecimento envolvida; conjunto de atividades
tm
ho
desenvolvidas pela equipe multiprofissional com o objetivo de prestar apoio
s@

psicossocial e jurídico; processo de intervenção do técnico na dinâmica da criança,


ia

do adolescente e de sua família.


yd
lin

Encaminhamento: ato de encaminhar; conduzir e dirigir as pessoas que


ke

estão sendo atendidas no CREAS/Serviço de Enfrentamento para outras políticas


ac
-j

setoriais e/ou serviços da Rede de Proteção Integral; procedimentos que visam ao


0
-8

acesso de famílias, seus membros e indivíduos aos serviços.


41

Acompanhamento: monitorar os encaminhamentos realizados para outras


.0
01

políticas setoriais e serviços da Rede de Proteção Social; ato de acompanhar o


.2

atendimento que está sendo realizado, por outros serviços e ações definidos no
25
-0

Plano de Intervenção, para a superação da violação dos direitos.


a

Segundo o documento editado pelo MDS no Módulo de Capacitação à


lv
Si

Distância de Gestores de Assistência Social, o acompanhamento é definido como:


da

O acompanhamento psicossocial tem como objetivo, ainda,


s
ia

proporcionar uma reflexão e avaliação permanente acerca das


D
y

metas, objetivos e compromissos pactuados no Plano de


in
el

Atendimento. Nessa etapa, a partir de uma interação ativa, tem-se a


ck
Ja

possibilidade de construir um conhecimento mais aprofundado


sobre a família: seus recursos, sua história, seus vínculos, suas redes
sociais de apoio, o contexto socio-histórico e cultural no qual está
inserida, sua relação com o mesmo, etc. Essa etapa tem como
objetivo, portanto, oportunizar espaços de escuta, diálogo e trocas
que favoreçam: o protagonismo das famílias e sua participação
social; a reflexão crítica e criativa sobre a realidade vivida; a
reparação de experiências de violação de direitos; a construção de
novas possibilidades de enfrentamento; e o

| 65
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fortalecimento/reconstrução de seus vínculos afetivos familiares e


comunitárias.
Atenção: conjunto de atos técnicos promovidos por profissional no campo
da assistência social, da saúde, da educação, da profissionalização e geração de
renda, da cultura, do esporte e lazer, etc., como escuta, atendimento,
encaminhamento, acompanhamentos, orientação, etc.
Planejamento da intervenção
Atender a demanda tão complexa de promoção do desenvolvimento
psicossocial de crianças e adolescentes em situação de risco pressupõe a inserção

35
de práticas de outros campos e o envolvimento de diversos profissionais, de áreas

1:
:4
diferentes, promovendo prática transdisciplinar. Isso significa que cada caso é

09
visto como único, com suas especificidades e particularidades. Os profissionais

0
02
intervêm de maneira articulada, cada um em sua especialidade, mas atuam com

/2
03
vistas a um objetivo comum, que é oferecer atendimento especializado que

0/
compreenda esse sujeito em suas diversas dimensões.

-2
O primeiro passo para o planejamento da intervenção consiste na

om
l.c
identificação do fenômeno. Segundo Azevedo e Guerra (2001), essa identificação

ai
pode ser sumária, em casos emergenciais que demandem ação imediata, ou
tm
ho
aprofundada mediante diagnóstico multiprofissional. O segundo passo a se levar
s@

em conta é o envolvimento de parceiros, profissionais e/ou institucionais, uma vez


ia

que a violência sexual é fenômeno complexo, que pressupõe diversos olhares e


yd
lin

intervenções em vários níveis.


ke

Dessa forma, para que o planejamento da intervenção seja bem- -sucedido,


ac
-j

torna-se necessário o envolvimento de toda a rede local de atenção à infância e à


0
-8

adolescência bem como o conhecimento do fluxo de encaminhamento e


41

atendimento/ acompanhamento a ser acessado.


.0
01

Como já referido anteriormente, é necessário adotar uma prática de


.2

atendimento articulada e integrada com outros profissionais e com outros


25
-0

serviços (saúde, educação, justiça), para os encaminhamentos que ajudem na


a

resolução do problema. Nesse sentido, é fundamental reconhecer-se como parte


lv
Si

de uma rede de proteção que deve ser conhecida por quem faz o atendimento.
da

Além disso, os profissionais das diferentes áreas (advogado, psicólogo,


s
ia

assistente social e educador social) não devem atuar de maneira isolada. Toda a
D
y

equipe tem acesso aos procedimentos adotados por seus membros de acordo com
in
el

o sigilo e a conduta ética de suas profissões. Dessa forma, a equipe busca


ck
Ja

identificar necessidades individuais elaborando planos de intervenções singulares.


Um ponto de destaque para o atendimento a esse público em situação de
risco é que muitas vezes torna-se necessária a ultrapassagem de settings (espaços,
contextos) terapêuticos clássicos, ou seja, não se pode ficar engessado nessas
amarras, sob pena de não se conseguir efetivar o trabalho. O profissional deve
levar o atendimento até onde se encontra o sujeito, e, muitas vezes, o encontro
terapêutico se dá em ambiente diverso do que está convencionado, qual seja, a
sala de atendimento propriamente dita. É importante pensar em momentos
terapêuticos, que podem se dar no consultório, em uma visita domiciliar, em uma
consulta médica ou em uma saída para confecção de documentos. O mais

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relevante nessa perspectiva é a formação de vínculos, a possibilidade de interagir


com o sujeito, acessar a sua subjetividade, estabelecer relação.
Atualmente, são aplicados diversos modelos de intervenção em casos de
violência contra crianças e adolescentes. Furniss (1993) traz à reflexão alguns
modelos de intervenção contemporâneos, que podem ser adaptados para os
casos de violência sexual.
A intervenção punitiva primária refere-se a toda intervenção cujo foco
esteja voltado para o autor da agressão com o objetivo exclusivo de puni-lo. Esse
modelo compreende a violência como fenômeno monocausal, ou seja, a

35
explicação se concentra apenas nas características individuais do agressor.

1:
:4
A intervenção primária protetora da criança tem como foco a criança/

09
vítima, com o claro objetivo de proteger seu desenvolvimento físico, emocional e

0
02
moral.

/2
03
Já a intervenção terapêutica primária considera a singularidade do sujeito

0/
e o contexto em que está inserido; considera a família como o espaço privilegiado

-2
de acolhimento e que a intervenção deve se dar com todos os seus membros.

om
l.c
Esses três modelos refletem as perspectivas que podem ser adotadas no

ai
enfrentamento à violência sexual. Os dois primeiros focalizam apenas um dos
tm
ho
aspectos da situação (agressor vs. vítima), sem considerar a característica
s@

multifacetada do problema, e ainda se encontram muito presentes nas práticas de


ia

intervenção. O terceiro é o que mais se aproxima dos parâmetros de atendimento


yd
lin

no qual o CFP acredita, pois concebe o sujeito atendido em contexto e ambiente


ke

familiar que precisam ser contemplados no atendimento.


ac
-j

É sempre importante levar em conta que, além das medidas de


0
-8

atendimento, se devem oferecer também medidas de acompanhamento e


41

controle, acompanhamento para identificar eventuais falhas no processo de


.0
01

atendimento e encaminhamentos, e controle para corrigir essas falhas. Os


.2

encaminhamentos à rede não podem ser tratados como transferência de


25
-0

responsabilidade, pois cabe a todos os profissionais e instituições zelar pelo bem-


a

estar da criança e do adolescente e pelo compromisso de contribuir para o


lv
Si

processo de interrupção do ciclo da violência.


da

Não se fala apenas de intervenções técnicas, mas também de articulação


s
ia

entre os membros da equipe (trabalho transdisciplinar) e entre os diversos setores


D
y

da sociedade (trabalho interinstitucional), ou seja, a construção de redes que


in
el

viabilizem ações concretas. Essa é a única forma de enfrentar a rede que sustenta
ck
Ja

as violências sexuais contra crianças e adolescentes.


Estudo de caso
O estudo de caso é uma estratégia metodológica fundamental para a
realização das ações no CREAS e para o planejamento das ações. É a partir desse
momento que a equipe pode, de forma fundamentada, planejar as ações para
cada caso, além de criar condições de instrumentalização para situações
similares. O espaço das reuniões da equipe é importante também para o
compartilhamento das dificuldades e das angústias, considerando que o trabalho
com a violência sexual é complexo e afeta diretamente os profissionais.

| 67
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Cada caso requer um planejamento específico; o desenvolvimento desse


planejamento acontece nas reuniões semanais de equipe. A partir da realização do
diagnóstico social e dos primeiros atendimentos, já é possível ter uma ideia das
necessidades e dos encaminhamentos que podem ser feitos. É importante
salientar que essas reuniões são extremamente importantes para a condução
adequada dos casos e para as tomadas de decisão. O andamento dos
atendimentos é avaliado em conjunto, e os passos, discutidos com os profissionais
das diversas áreas da equipe.
Sugere-se que, a cada vez, um membro da equipe fique responsável por

35
apresentar o caso a ser discutido e analisado por todos.

1:
:4
Roteiro de estudo de caso

09
1. Identificação do caso;

0
02
2. Histórico (resumo da história do sujeito, da situação de

/2
03
violência vivenciada e do seu percurso institucional);

0/
3. Profissionais envolvidos (quais profissionais da equipe

-2
estão atuando diretamente no caso e qual o papel de cada

om
l.c
um deles);

ai
4. Reflexão teórico-metodológica (de que maneira a teoria
tm
ho
respalda a atuação de cada profissional em relação ao caso
s@

específico, a metodologia utilizada é a mais adequada, que


ia

outras referências podem ser incorporadas à atuação da


yd
lin

equipe);
ke

5. Questões importantes para o planejamento da ação;


ac
-j

6. A criança ou o adolescente estão em segurança?


0
-8

7. Existe adulto de referência? Este tem condições efetivas de


41

garantir a segurança física e emocional da criança ou do


.0
01

adolescente?
.2

8. A família tem acesso à rede de proteção social básica? De


25
-0

que forma o serviço pode colaborar nesse sentido?


a

9. As ações propostas levam em consideração a autonomia


lv
Si

do sujeito e da família?
da

10. Existe diálogo entre as ações psicossociais e jurídicas?


s
ia

Essas ações estão sendo desenvolvidas em paralelo ou de


D
y

maneira articulada? 11. Os aspectos relacionados à saúde


in
el

(física e mental) da criança e do adolescente foram levados


ck
Ja

em consideração no planejamento da ação?


12. A situação de violência interferiu no processo de
desenvolvimento da aprendizagem da criança ou do
adolescente?
13. Encaminhamentos;
14. Estratégias de acompanhamento dos encaminhamentos;
15. Situação das relações familiares – conflitos
transgeracionais, padrões violadores de relacionamento,
vinculações afetivas, aspectos favorecedores do
desenvolvimento, etc.

| 68
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É importante que o estudo de caso aponte também a necessidade de


elaborar em conjunto com a família o plano de atendimento.
Operacionalização do atendimento
Os procedimentos operacionais implicam uma sequência de passos ou
técnicas que descrevem em detalhes como determinada tarefa ou função deve ser
realizada. Os procedimentos costumam detalhar as várias atividades que devem
ser realizadas para o alcance de determinado objetivo. Entretanto, não podem ser
compreendidos como uma receita de bolo, como algo frio e distante do meio em
que é utilizado. Os procedimentos devem ser construídos na dimensão humana,

35
fundamentados em visões de mundo e no arcabouço teórico de referência.

1:
:4
Como já dito anteriormente, a prática do profissional de Psicologia no

09
CREAS deve estar comprometida com uma perspectiva emancipatória, promotora

0
02
de autonomia e consciência social, ou seja, deve proporcionar o empoderamento

/2
03
do sujeito, o desenvolvimento de uma consciência crítica e sua efetiva

0/
participação na sociedade.

-2
As responsabilidades em relação ao processo de atendimento devem ser

om
l.c
compartilhadas com a criança, o adolescente e a família, pois isso fortalece o

ai
sujeito, estimula a cooperação, a solidariedade, o desenvolvimento do
tm
ho
comportamento cidadão e a construção da autonomia, de acordo com o Módulo
s@

de Capacitação a Distância de Gestores de Assistência Social:


ia

O plano de atendimento, cuja elaboração deve se basear em uma


yd
lin

metodologia participativa que envolva a família, deve conter as


ke

estratégias direcionadas ao atendimento, pactuando


ac
-j

responsabilidades e compromissos, levantando metas e objetivos e


0
-8

mobilizando os recursos necessários para potencializar os recursos da


41

família para o exercício de sua função, fortalecer seu protagonismo e


.0
01

participação social e suas redes sociais de apoio na comunidade.


.2

Considerando o que foi dito anteriormente, passaremos então a descrever


25
-0

quais as estratégias têm sido utilizadas no atendimento psicossocial no âmbito do


a

CREAS.
lv
Si
da

Acolhimento e triagem
s
ia

O primeiro atendimento tem como objetivo o acolhimento da criança, do


D
y

adolescente e de sua família, bem como o levantamento das suas demandas


in
el

imediatas, atentando-se para as situações de emergência e/ou ameaças que


ck
Ja

possam surgir em alguns casos. O atendimento realizado com crianças e


adolescentes para os quais não tenha havido atendimento prévio do Conselho
Tutelar deve ser noticiado/comunicado imediatamente pelo CREAS ao Conselho
Tutelar, em observância ao disposto no artigo 13 do ECA.
Portanto, o atendimento no CREAS antes do Conselho Tutelar seria uma
exceção. Além dessa exceção do CREAS como primeiro serviço a ter contato com a
situação, é importante ressaltar, ainda, que, ao longo do atendimento, podem ser
identificadas novas situações que demandem a aplicação de novas medidas e,
nessa situação, também o Conselho Tutelar deve ser acionado. (BRASIL, 1990).

| 69
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O acolhimento é fundamental, e constitui fator determinante para a


permanência ou não da criança/do adolescente na instituição, assim como para
sua adesão ao atendimento. O pedido inicial das crianças, dos adolescentes e de
família é o de ser ouvidos e acreditados sem julgamentos. Segue-se a isso a
necessidade de proteção, acolhimento e ajuda para lidar com os aspectos
subjetivos advindos da violência sexual. Deve-se levar em conta que o trabalho é
desenvolvido com crianças, adolescentes e seus familiares, que estão
extremamente fragilizados e em risco pessoal e social. Um acolhimento
inadequado pode deflagrar um processo de revitimização e comprometer todo o

35
atendimento.

1:
:4
O sigilo, a crença e o amparo social da fala da criança são inerentes a esse

09
tipo de trabalho. É importante atentar que, muitas vezes, a ida ao CREAS significa

0
02
um pedido de socorro, uma forma de buscar interromper o ciclo da violência e se

/2
03
refazer após um acontecimento desse tipo. É preciso levar em consideração o

0/
quão difícil é para a criança estar ali, muitas vezes como denunciante, fragilizada e

-2
até mesmo exposta a inúmeros procedimentos jurídicos e a pressões da família e

om
l.c
da sociedade.

ai
Deve-se lembrar que os sujeitos em situação de violência sexual
tm
ho
geralmente se encontram bastante fragilizados, podendo apresentar dificuldade
s@

de confiar em outras pessoas, por todas as características envolvidas nesse tipo de


ia

situação. Por isso, o profissional que realiza o acolhimento deve adotar uma
yd
lin

postura que transmita segurança. Esse cuidado é válido também para os casos
ke

que não são de competência do CREAS/Serviço de Enfrentamento e que serão


ac
-j

encaminhados. Ao fazer o encaminhamento para a rede de serviços, é importante


0
-8

conhecer as instituições parceiras, suas atribuições e competências e o perfil do


41

público que atendem. Além disso, faz-se necessário contato prévio com os
.0
01

profissionais da instituição para a qual está sendo encaminhado o caso para que,
.2

de fato, seja garantido o atendimento.


25
-0
a

Entrevistas psicológicas iniciais


lv
Si

Após o levantamento de dados na anamnese social, o caso é encaminhado


da

para o profissional de Psicologia para proceder às entrevistas psicológicas iniciais.


s
ia

Quando se trata de criança e adolescente, a entrevista inicial pode ser realizada


D
y

com a mãe ou com o adulto responsável, com o objetivo de obter informações a


in
el

respeito dos danos emocionais decorrentes da violência, as reações da criança, do


ck
Ja

adolescente e da família e principalmente a capacidade desse adulto de referência


ser um cuidador da criança.
Na entrevista com o adulto responsável, é importante buscar informações a
respeito do seu papel em relação à criança, do histórico de situações de violência
na família, como se lida com a sexualidade no contexto familiar, quais as
possibilidades da família para suportar o processo judicial, além da forma como
são estabelecidas as relações entre os membros da família.
Deve-se estar atento, principalmente na violência intrafamiliar, se a família
está envolvida em situações de crise (e de que tipo), se existe propensão para a
continuidade da violência. É importante verificar o risco de o abuso acontecer com

| 70
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outras crianças da família e quais foram as situações que indicaram a ocorrência


da violência.
É preciso estabelecer um contato empático e haver clima favorável para os
responsáveis fornecerem todas as informações, procurando mostrar que o
interesse é ajudar a criança/o adolescente e a família como um todo, e não,
proceder a julgamentos. Deve-se levar em consideração que, nos casos de
violência sexual, a eficácia da atuação é muito influenciada pelo nível de
envolvimento das famílias e pela abordagem inicial, pela qualidade do vínculo
estabelecido.

35
Além desses aspectos, é preciso estar atento, pois, em alguns casos, em

1:
:4
situações de disputa pela guarda de uma criança, pode acontecer de um dos pais

09
manipular as crianças para que insinuem situação de abuso, a fim de prejudicar a

0
02
imagem do outro. Esses são casos que merecem atenção redobrada, embora a

/2
03
crença na palavra da criança continue sendo premissa básica.

0/
No contato inicial com a criança ou o adolescente, cuidados importantes

-2
devem ser tomados.

om
l.c
Ao receber a criança ou o adolescente, o psicólogo deve apresentar-se,

ai
perceber se ela sabe algo sobre o Serviço de Proteção Especial; caso ainda não
tm
ho
saiba, conversar sobre o que é, o que faz, quem trabalha nele e como trabalha.
s@

Deve informar que outras crianças também frequentam esse espaço e deixar o
ia

entrevistado à vontade para perguntar e se apresentar. Esse contato inicial tem o


yd
lin

objetivo principal de estabelecer o vínculo necessário.


ke

Essa entrevista com a criança deverá ser conduzida de forma não diretiva e
ac
-j

em espaço adequado, que favoreça um nível de conversa mais espontânea e


0
-8

apropriada a cada criança, respeitando seu desenvolvimento e sua história de


41

vida.
.0
01

Nessas entrevistas, observa-se cuidadosamente o desenvolvimento da


.2

criança e do adolescente para que se defina qual o grupo adequado para sua
25
-0

inclusão.
a

No momento do atendimento, a atenção deve ser dedicada exclusivamente


lv
Si

para a criança e o adolescente, e a linguagem deve ser simples e clara. Deve-se


da

também respeitar o tempo de cada indivíduo. Às vezes são necessários meses para
s
ia

que a criança ou o adolescente se sinta segura/o para falar de questões íntimas, e


D
y

é preciso compreender o ritmo de cada um.


in
el

A avaliação psicológica tem como objetivo compreender a situação de


ck
Ja

violência, avaliando seus impactos sobre a criança/o adolescente e a família. Além


disso, possibilita ao profissional verificar qual a abordagem psicossocial e/ou
psicoterapêutica mais adequada para o caso, e se são necessárias outras
avaliações, entrevistas ou processos diagnósticos. A partir dos dados colhidos no
processo de avaliação psicológica, a criança/o adolescente poderá ser
encaminhada/o para os serviços que atenderão suas demandas psicológicas:
apoio psicossocial, trabalho em grupo ou outro acompanhamento no âmbito da
saúde mental, inclusive psicoterapia.
Sugere-se que a avaliação psicológica se dê em entrevistas individuais, com
a criança/o adolescente, por meio de sessões no mínimo semanais O processo de

| 71
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avaliação psicológica muitas vezes não se esgota em um único encontro,


demandando-se pouco mais de tempo para se chegar a diagnóstico mais preciso.
O atendimento às famílias poderá ser realizado de conformidade com as
informações relatadas pela criança/adolescente sobre os vínculos e de acordo
com o andamento do atendimento e das avaliações procedidas.

Atendimento psicológico
Compreende encontros sistemáticos de apoio e orientação referentes a
demandas psicológicas que podem ser trabalhadas no âmbito do CREAS. O papel

35
do psicólogo é proporcionar atendimento a crianças/adolescentes e suas famílias

1:
:4
que apresentem sofrimento emocional e psíquico decorrente da sua vivência na

09
situação de violência sexual.

0
02
Essa atividade psicossocial deve ser uma prática comprometida com a

/2
03
singularidade do sujeito, que necessita de um espaço em que seja ouvido e tratado

0/
como tal. O psicólogo deve propiciar uma escuta atenta, oportunizando a

-2
emergência de significados ocultos ou inconscientes. É o profissional que exercerá

om
l.c
o trabalho com sentimentos e subjetividade de crianças/adolescentes vitimizados

ai
e suas famílias – criando ambiente favorável ao resgate da autoestima, à
tm
ho
reconstrução de relações afetivas, à reconstrução de significados acerca da
s@

vivência, à compreensão acerca da dinâmica familiar, aos limites e cuidados na


ia

família, ao desenvolvimento da sexualidade, etc. Diversos autores tratam da


yd
lin

prática da violência, de sua revelação e da entrada de atores institucionais na


ke

dinâmica familiar, fatores que podem repercutir nas relações afetivas, na dinâmica
ac
-j

da família e no desenvolvimento da criança/do adolescente.


0
-8

É importante que a equipe esteja atenta sobre a demanda de psicoterapia


41

que pode surgir em alguns casos. Esse trabalho é atribuição da política pública de
.0
01

saúde, uma vez que os agravos provocados pela violência sexual devem ser
.2

atendidos também no campo da saúde mental; devem, portanto, ser


25
-0

encaminhados para as unidades de saúde especializadas no atendimento de


a

crianças e adolescentes ou para outros serviços disponíveis no município. Deve- se


lv
Si

destacar que o atendimento psicológico realizado no CREAS não constitui


da

processo de psicoterapia. O atendimento psicossocial deve ser realizado


s
ia

prioritariamente em grupo, sendo o atendimento individual considerado apenas


D
y

em casos excepcionais.
in
el
ck
Ja

Fundamentação para o trabalho em grupo


O trabalho em grupo configura uma das técnicas possíveis do atendimento
psicossocial. A opção pelo grupo está sustentada pela afirmação de que este
consiste em um espaço de conscientização e participação, no qual o processo
interpessoal (participação em atividades grupais – relação com outros
componentes do grupo) é transformado em processo intrapessoal (fortalecimento
da autoestima, ressignificação de valores e percepções pessoais). O trabalho em
grupo constitui um dispositivo potente de produção de relações e experiências,
colocando o sujeito como ator principal do seu processo de desenvolvimento, em
que vivencia e exerce sua cidadania.

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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

O grupo possibilita a interação, que, de acordo com Villardi (2001), se refere


à afetação mútua, ou seja, uma dinâmica em que a ação ou o discurso do outro
causam modificações na forma de agir e pensar. Além disso, proporciona a troca e
a busca por um objetivo comum, por meio do compartilhamento de informações,
sentimentos e conhecimentos entre os participantes, resultando na construção do
saber, que, no nosso caso específico, é a superação da situação de violência, a
reinserção social e a autonomia. No trabalho em grupo, a diversidade, o diferente,
é visto como instrumento coletivo e de crescimento individual.
Objetiva-se, com o trabalho em grupo, proporcionar o espaço de

35
convivência e o compartilhamento de experiências com vistas a ampliar as

1:
:4
possibilidades de expressão do sujeito no mundo. São também objetivos do

09
trabalho em grupo o resgate da corporeidade e a reconstrução de relações e

0
02
vínculos afetivos com a família, a comunidade e o grupo de pares.

/2
03
Como todas as modalidades de atendimento psicossocial, o trabalho em

0/
grupo também deve considerar a história do sujeito, seus recursos pessoais, os

-2
aspectos conflituosos e subjetivos para desenvolver, de forma coletiva, estratégias

om
l.c
e projetos de vida. Nesse processo, o sujeito torna-se capaz de identificar os

ai
fatores que o levaram a vivenciar situações de vulnerabilidade e exploração, e, a
tm
ho
partir da análise de suas condições atuais de vida e de outras realidades, avaliar os
s@

recursos disponíveis e as oportunidades (educacionais, mercado de trabalho, etc.).


ia

No grupo, é preciso desenvolver atividades que promovam a construção e a


yd
lin

reconstrução da sua representação do mundo, transformando a si mesmo e ao


ke

sonho de autorrealização em processo permanente de autoavaliação e


ac
-j

autocriação (DOLABELA, 2003).


0
-8

Dentre as atividades a ser desenvolvidas no âmbito do grupo, indicam- se


41

as oficinas temáticas como um dos recursos para trabalhar temas específicos,


.0
01

como direitos humanos, direitos sexuais e reprodutivos, violação de direitos,


.2

relações familiares, vínculos afetivos, retorno ao lar e políticas públicas, entre


25
-0

outros.
a
lv
Si

Grupos de apoio a crianças e adolescentes


da

Grupos de apoio são espaços privilegiados de escuta onde crianças e


s
ia

adolescentes podem falar sobre a violência, seus medos, conflitos, dúvidas e


D
y

angústias. Esses grupos são conduzidos prioritariamente pelo profissional de


in
el

Psicologia, e devem, necessariamente, ocorrer no mínimo uma vez por semana.


ck
Ja

Os grupos devem possibilitar o fortalecimento e/ou o restabelecimento dos


vínculos familiares e sociocomunitários, a elevação da autoestima e a retomada
do desenvolvimento emocional, afetivo, físico, sexual e social, protegido e a salvo
de toda e qualquer violência ou violação dos direitos individuais e coletivos.
Os grupos devem ser formados de acordo com a faixa etária, e sugere- se a
sua composição com oito participantes. Considerando as questões específicas do
abuso e da exploração sexual, é importante que se organizem, ao menos
inicialmente, separadamente por tipo de violência.
O CREAS deverá definir se esses grupos serão fechados ou abertos, ou seja,
se terão uma composição inicial dos participantes e seguirão nesse mesmo grupo

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até o encerramento do trabalho ou se estarão abertos para a entrada de novos


participantes durante o processo.
Grupos de apoio às famílias
Os grupos de apoio às famílias são formados por membros adultos das
famílias de crianças e adolescentes atendidos no serviço. Esses grupos têm o
objetivo de fortalecer os familiares para o enfrentamento das consequências da
violência e para o suporte emocional que a criança/o adolescente em situação de
violência sexual necessita.
Além do objetivo de acolhimento e de oferecer orientações para a família

35
no que diz respeito às questões advindas da violência, o grupo de apoio tem

1:
:4
função pedagógica e política, uma vez que os participantes estão se

09
instrumentalizando para o exercício de sua cidadania e para a busca de seus

0
02
direitos. É papel do grupo de apoio despertar a consciência de que a denúncia e a

/2
03
responsabilização dos autores da agressão sexual são de fundamental

0/
importância para romper o ciclo da violência e a consequente impunidade.

-2
O grupo também tem o papel de contribuir para a conscientização acerca

om
l.c
da dinâmica familiar, para o desenvolvimento de novas estratégias para lidar com

ai
conflitos na família e para fortalecer relações afetivas e capacidade de cuidar da
tm
ho
família, conscientizando os membros de suas dificuldades e potencialidades.
s@

Esses aspectos são importantes, pois a violência pode ser praticada pela própria
ia

família. Cabe, nesse sentido, a sugestão de organizar grupos de familiares segundo


yd
lin

a violência vivida pela criança/pelo adolescente: violência intrafamiliar e violência


ke

extrafamiliar. Para atingir os objetivos desse trabalho, é recomendado que os


ac
-j

encontros do grupo ocorram semanalmente, podendo, em casos excepcionais,


0
-8

acontecer a cada quinze dias.


41

A coordenação do grupo de famílias fica a cargo, prioritariamente, do(a)


.0
01

assistente social ou do psicólogo(a), podendo contar com a presença de outros


.2

membros da equipe, sempre que necessário.


25
-0
a

Entrevistas de revelação
lv
Si

Não é incomum que, especialmente nos casos de abuso sexual, o CREAS


da

receba casos onde exista somente suspeita da violência. A própria família pode
s
ia

procurar o serviço ou algum órgão da Justiça e solicitar auxílio por meio da


D
y

elaboração de relatórios. A equipe do CREAS precisa estar preparada para realizar


in
el

entrevistas de revelação.
ck
Ja

Por entrevistas de revelação, entendem-se aquelas entrevistas que podem


confirmar a existência da situação de violência sexual. Em muitos casos não há
queixa formalizada com uma situação definida. O objetivo da entrevista de
revelação é trazer luz aos fatos e tentar esclarecer o que está acontecendo com a
criança ou o adolescente e, assim, poder ajudá-los.
A entrevista de revelação é um processo, e exige, devido a sua
complexidade, mais de um encontro para ser finalizada. É necessário entrevistar
os outros membros da família, pois essas pessoas podem oferecer informações
valiosas sobre a situação de abuso.

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A entrevista de revelação tem por objetivo:

• Levantar evidências sobre a possível ocorrência do abuso-


vitimização sexual doméstica e sobre a sua natureza;
• Avaliar a possível gravidade do abuso sexual e de seu impacto
sobre a vítima e demais membros da família;
• Avaliar o risco psicológico decorrente do abuso para a vítima e
para outras crianças e adolescentes eventualmente existentes no
lar;

35
• Junto com a equipe, avaliar quais as medidas mais adequadas de

1:
:4
intervenção social, psicológica, jurídica e médica.

09
A maneira como é estabelecido o vínculo entre o psicólogo e a criança ou o

0
02
adolescente é fundamental. É muito importante proporcionar um clima de

/2
03
confiança, disponibilidade e acolhimento. Na entrevista de revelação, o psicólogo

0/
deve avaliar o entendimento da criança ou do adolescente sobre o motivo pelo

-2
qual está sendo entrevistado. Isso ajuda a perceber se foram preparados por

om
l.c
algum adulto para a entrevista.

ai
Existem pontos importantes a se considerar/avaliar durante o processo
tm
ho
(ABRAPIA, 1997):
s@

• Avaliação do desenvolvimento geral da criança/adolescente;


ia

• Noções de conceitos como verdade e mentira;


yd
lin

• Conhecimento da criança/adolescente sobre regras e


ke

consequências da transgressão;
ac
-j

• Avaliar a compreensão da criança/adolescente sobre os diferentes


0
-8

sentimentos e carícias/carinhos agradáveis e desagradáveis;


41

• Inserir a questão do segredo e do medo e a importância de dizer a


.0
01

verdade;
.2

• Averiguar os sentimentos da criança/adolescente em relação aos


25
-0

familiares e adultos de seu convívio.


a

Os pontos acima servem para orientar a entrevista, cabendo ao psicólogo


lv
Si

buscar ampliar e fazer as adequações necessárias para cada caso. Cabe também a
da

utilização de teste e técnicas psicológicas caso o psicólogo julgue necessário, daí


s
ia

ressaltamos mais uma vez a necessidade de sustentação teórica e flexibilidade


D
y

técnica a fim de subsidiar as ações profissionais.


in
el

No final do processo de entrevista de revelação, o psicólogo deverá


ck
Ja

elaborar parecer psicológico sobre o caso, seguindo as normas estabelecidas pelo


Conselho Federal de Psicologia (CFP). Esse material poderá ser utilizado durante o
processo judicial, se solicitado.
Vale lembrar que a Resolução no 07/2003, do CFP, que institui o Manual de
Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo psicólogo, além de apontar
as formas de redação de documentos, indica o seguinte:
Torna-se imperativa a recusa, sob toda e qualquer condição, do uso dos
instrumentos, técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na
sustentação de modelos institucionais e ideológicos de perpetuação da
segregação aos diferentes modos de subjetivação. Sempre que o trabalho exigir,

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sugere-se uma intervenção sobre a própria demanda e a construção de um projeto


de trabalho que aponte a reformulação dos condicionantes que provoquem o
sofrimento psíquico, a violação dos direitos humanos e a manutenção das
estruturas de poder que sustentam condições de dominação e segregação. Deve-
se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um trabalho de
qualidade cujos princípios éticos sustentam o compromisso social da Psicologia.
Dessa forma, a demanda, tal como é formulada, deve ser compreendida como
efeito de uma situação de grande complexidade. (CFP, 2003a).
Vale a pena destacar ainda o caráter confidencial referente a todos os

35
laudos emitidos sobre aspectos da personalidade e da vida das crianças e/ou

1:
:4
adolescentes atendidos, sendo garantida sua utilização de forma reservada e

09
restrita ao trato profissional.

0
02
É importante que o resultado da avaliação do caso final seja discutido pela

/2
03
equipe multidisciplinar para que a intervenção seja planejada e executada de

0/
acordo com a concepção de um trabalho que deve ser realizado de forma coletiva

-2
e processual.

om
l.c
O psicólogo do CREAS não deve se tornar um mero “investigador” das

ai
situações de violência, encaminhados pela Justiça ou pelo Conselho Tutelar. Seu
tm
ho
papel fundamental é trabalhar na reconstrução de relações e no fortalecimento
s@

das possibilidades de continuidade de um desenvolvimento saudável, apesar da


ia

violência vivida.
yd
lin

É importante ressaltar que o psicólogo do CREAS não deve ocupar o lugar


ke

do psicólogo ausente nas demais instâncias. Assim, do mesmo modo que não deve
ac
-j

ocupar o lugar do psicoterapeuta, ausente na rede de saúde, não deve ocupar o


0
-8

lugar do psicólogo da equipe de outros atores do Sistema de Garantia de Direitos


41

(art. 150, ECA).


.0
01

O setor psicossocial e sua relação com o atendimento jurídico


.2

Considerando o fato de o fenômeno da violência ser complexo e


25
-0

multifacetado, outra dimensão a ser trabalhada é a jurídica. É imprescindível


a

considerar os aspectos relacionados à defesa e à responsabilização no


lv
Si

atendimento a crianças e adolescentes em situação de violência sexual, para que


da

realmente se ofereça uma atenção que compreenda a problemática em sua


s
ia

totalidade.
D
y

Tradicionalmente, o atendimento psicossocial e jurídico operam


in
el

isoladamente, o que, em muitas situações, ocasiona dano adicional ao sujeito,


ck
Ja

uma vez que o fragmenta em dimensões distintas: punição do agressor e


tratamento das consequências. O atendimento articulado (jurídico e psicossocial)
é a proposta do CREAS, na perspectiva de um atendimento que considere o
aspecto global, levando-se em conta os aspectos criminal, de proteção e
terapêutico.
O atendimento acompanhamento jurídico deve acontecer de forma
integrada e articulada com o atendimento psicossocial. O psicólogo trabalha as
questões relativas aos aspectos psicológicos da violência e suas consequências
psíquicas, sem perder de vista a importância do processo jurídico e da
responsabilização dos autores de agressão sexual. Ao oferecer atendimento

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psicossocial a crianças, adolescentes e suas famílias, o CREAS busca atingir não só


sua reconstrução como sujeitos, mas também fortalecê-los e instrumentalizá-los
para enfrentar o processo judicial, quando for o caso. Para alcançar esse objetivo é
preciso ver a criança não apenas como vítima de um processo jurídico, mas
também como um sujeito singular, inserido socialmente e que necessita de espaço
para ser escutado e tratado como tal.
Ao fazer uma petição ou alegação, o advogado se baseia não apenas nos
aspectos jurídicos mas também na dinâmica familiar, no comportamento da
criança e na repercussão da situação de violência para esse sujeito. Nesse sentido,

35
a articulação entre psicólogo e advogado é fundamental.

1:
:4
O psicossocial fornece, ao jurídico, subsídios para a condução da oitiva das

09
vítimas e discute estratégias de trabalho com a família, especialmente no tocante

0
02
às dúvidas sobre o processo de apuração e sobre a responsabilização dos

/2
03
agressores – a responsabilização muitas vezes é importante para se trabalhar com

0/
a reparação da violência vivida.

-2
Um aspecto muito importante do trabalho do psicólogo no CREAS é o

om
l.c
acompanhamento das crianças e dos adolescentes nas audiências. A presença

ai
do(a) psicólogo(a), além de representar figura de confiança para a criança,
tm
ho
facilitando seu depoimento e tornando-o menos traumático, estabelece nova
s@

configuração no espaço jurídico, afinal é o técnico de um centro especializado que


ia

se encontra presente, chamando-se a atenção para o fato de que crianças e


yd
lin

adolescentes merecem tratamento específico e cuidadoso. Nos casos em que a


ke

criança/o adolescente apresenta dificuldade de expressão, a presença do


ac
-j

profissional de Psicologia ou Serviço Social durante a audiência facilita a


0
-8

revelação dos fatos, por transmitir mais segurança ao sujeito. A presença do


41

profissional de Psicologia tem sido avaliada como de fundamental importância


.0
01

nessas circunstâncias.
.2
25
-0

Aspectos específicos do atendimento a crianças e adolescentes em situação de


a

exploração e tráfico para fins sexuais – sujeitos em situação de


lv
Si

vulnerabilidade com direitos violados


da

Em primeiro lugar, é preciso considerar o fenômeno com o qual se está


s
ia

trabalhando. Conforme já referenciado anteriormente, esse tema deve ser


D
y

abordado a partir da perspectiva de esse fenômeno constituir uma violação dos


in
el

direitos humanos de crianças e adolescentes, direitos que estão descritos na


ck
Ja

Constituição Federal, na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e no Estatuto da


Criança e do Adolescente (ECA): direito à saúde, à convivência familiar e
comunitária, à cultura, à educação e ao desenvolvimento biopsicossocial, dentre
outros.
A violência sexual é produto de relações sociais desiguais, onde a interação
dos atores envolvidos se estabelece numa dinâmica em que o(a) autor(a) da
agressão tem alguma condição de vantagem, seja física, emocional, econômica
seja social, sobre a vítima. Como afirma Chauí (1985), a violência é a
transformação dos diferentes em desiguais e dessa desigualdade em uma relação

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de poder: do mais forte sobre o mais fraco, do maior sobre o menor, do homem
sobre a mulher, do adulto sobre a criança.
Em lugar de tomarmos a violência como violação e transgressão de
normas, regras, etc., preferimos considerá-la sob dois outros ângulos. Em primeiro
lugar, como conversão de uma diferença e de uma assimetria numa relação
hierárquica de desigualdade, com fins de dominação, de exploração e de
opressão. Isso é a conversão dos diferentes em desiguais e a desigualdade em
relação entre superior e inferior. Em segundo lugar, como ação que trata um ser
humano não como sujeito, mas como uma coisa. Está caracterizada pela inércia,

35
pela passividade e pelo silêncio. De modo que, quando a atividade e a fala de

1:
:4
outrem são impedidas ou anuladas, há violência. (CHAUÍ, 1985, p. 35).

09
Além disso, essa violência está configurada em um contexto

0
02
multidimensionado, com aspectos relacionados à sociedade, à cultura, à

/2
03
economia e às características psicoemocionais dos indivíduos envolvidos.

0/
Nesse contexto, é preciso considerar que os sujeitos submetidos a essa

-2
situação geralmente são pessoas afetadas por fatores de riscos que contribuem

om
l.c
para o processo de sua vulnerabilização. Considera- se que esses fatores são

ai
eventos que, quando presentes, impactam negativamente sobre o sujeito,
tm
ho
aumentando a probabilidade de a criança ou o adolescente apresentar
s@

dificuldades físicas, sociais e emocionais. Separação dos pais, perda de entes


ia

queridos, acidentes e violência doméstica são exemplos de fatores de risco. Esses


yd
lin

fatores isoladamente não têm o poder de determinar a vivência de uma situação


ke

de violência, mas, quando se apresentam de maneira associada, podem facilitar o


ac
-j

processo de vulnerabilidade do sujeito.


0
-8

Sendo assim, a exposição a fatores de risco durante a infância e a


41

adolescência pode promover um processo de vulnerabilização, que dificulta que


.0
01

crianças e adolescentes tenham condição de se estruturar de forma a dar


.2

respostas adequadas a situações adversas, tornando- se mais suscetíveis à


25
-0

inserção em situações como a exploração sexual, como exemplo.


a

Nesse sentido, ao pensar no atendimento a crianças e adolescentes em


lv
Si

situação de exploração sexual, deve-se considerar fundamental fazer o


da

levantamento da história de vida, a partir da fala da pessoa atendida, para avaliar


s
ia

o grau de vulnerabilidade e risco a que a criança/o adolescente está sujeita(o).


D
y

Esse procedimento é muito importante para o planejamento da intervenção que


in
el

indicará as etapas necessárias para a situação apresentada.


ck
Ja

Além dos fatores de risco, é importante também fazer o levantamento dos


chamados fatores de proteção. Esses fatores referem-se aos aspectos que podem
favorecer a resiliência. São recursos que auxiliam o sujeito a enfrentar as situações
estressoras e conseguir bons resultados, e estão relacionados a: 1) características
individuais, como autoestima e competência social; 2) apoio afetivo transmitido
por pessoas da família ou da rede social – os vínculos positivos, 3) apoio social
externo, representado por pessoas ou instituições da comunidade com quem o
sujeito pode contar – recursos materiais ou humanos que atuam como suporte ou
fator de proteção social. O apoio profissional consistente, durante o atendimento,

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insere-se justamente nesse terceiro aspecto, e pode ser fundamental como fator
de proteção.
Nesse contexto de vulnerabilização de crianças e adolescentes sujeitos
especialmente à exploração sexual, dois aspectos centrais devem ser trabalhados
no atendimento: a sexualidade e a estigmatização relacionada à prática da
prostituição .
Com relação à sexualidade, é importante considerar a vivência que a
criança/o adolescente tem nessa área, quais os fatores de risco e de proteção. É
fundamental trabalhar não só com a fala da vivência sexual mas também com a

35
forma como o corpo se apresenta e se relaciona com o mundo e as pessoas. O

1:
:4
atendimento deve possibilitar a reflexão de que a violência sexual é violação da

09
sexualidade, e que é possível vivenciar a sexualidade como um direito. Em

0
02
complementação a esse trabalho de fala, é necessário trabalhar o corpo na

/2
03
perspectiva do projeto de vida em construção.

0/
No tocante ao estigma da prostituição, a exploração sexual envolve

-2
crianças e adolescentes em cenas de comercialização das relações sexuais,

om
l.c
geralmente com homens adultos, que lhes imprimem marca associada à figura da

ai
prostituta, o que interfere de maneira decisiva no processo de formação da
tm
ho
identidade, especialmente por se tratar de sujeitos em desenvolvimento. O
s@

atendimento deve possibilitar a reflexão sobre essa vivência e sobre como ela
ia

afeta a identidade do sujeito atendido.


yd
lin

A abordagem sobre identidade é fundamental, pois cada pessoa é


ke

constituída por uma identidade pessoal (a forma como ela se percebe) e por uma
ac
-j

identidade social (aquilo que a sociedade lhe atribui a partir de sua inserção em
0
-8

determinada posição ou status social).


41

Crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência sexual, pelo


.0
01

fato de ainda se encontrar em processo de desenvolvimento, não conseguem


.2

distinguir bem a identidade pessoal da social. O exercício da sexualidade pautado


25
-0

pela violência poderá afetar diretamente a construção dessa identidade.


a

A vivência de estigmatização permanente pode configurar um dos aspectos


lv
Si

que possibilitam a manutenção da criança ou do adolescente na situação de


da

exploração sexual por inviabilizar outras formas de inserção social. Além disso,
s
ia

esse aspecto constitui uma das grandes dificuldades apresentadas no


D
y

desenvolvimento de metodologias de atendimento psicossocial e, por isso


in
el

mesmo, estas devem ser levadas em consideração no planejamento de qualquer


ck
Ja

ação voltada para esse público.


Atendimento aos autores de agressões sexuais
A incorporação do atendimento aos autores de agressões sexuais se torna
indispensável ao trabalho com crianças e adolescentes em situação de violência
sexual, principalmente pelo fato de todo o trabalho ter sido planejado
considerando a centralidade na família, em especial por ser esse um direito da
criança ou do adolescente violado. Nesse sentido, os laudos endereçados ao
sistema de Justiça ou de responsabilização devem demonstrar, sempre que
possível, o alcance e a importância de isso de fato se efetivar e sua repercussão no
equilíbrio futuro da criança ou do adolescente.

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É imprescindível que as redes locais constituam alternativas para esse tipo


de atendimento, especialmente no âmbito das políticas públicas da saúde, pois,
em sua grande maioria, os agressores revelam transtornos de personalidade, com
atitudes que indicam tratamento em saúde mental.
O CREAS poderá realizar esse atendimento desde que:
1 – Priorize o atendimento de crianças e adolescentes;
2 – Tenha efetivo de profissionais suficiente para atender tanto as crianças
e os adolescentes quanto para atender os autores de agressão sexual;
3 – Estabeleça agenda, cronograma, que não coloque crianças e

35
adolescentes em situação de constrangimento e risco (encontrar autores

1:
:4
de agressão sexual no CREAS/Serviço de Proteção nos mesmos dias e

09
horários, por exemplo). O atendimento à vítima e ao agressor deve ser bem

0
02
diferenciado, com profissionais para cada atendimento. O fato de o

/2
03
atendimento ocorrer no mesmo local já é um entrave, e pior seria se

0/
acontecesse em horários semelhantes; deve haver dias específicos para

-2
cada um, vítimas e agressores. Isso muda de perspectiva apenas nos

om
l.c
centros que trabalham com psicoterapia familiar. O não cumprimento

ai
desses cuidados mínimos pode trazer constrangimento, medo e acabar não
tm
ho
efetivando o vínculo necessário à terapia.
s@

[...]
ia

A complexidade e as especificidades decorrentes das situações de violência


yd
lin

sexual exigem dos atendimentos a busca permanente do diálogo teórico com


ke

diversas áreas do conhecimento. Pinheiro (2006) chama a atenção para esse fim
ac
-j

ao declarar que diferentes profissões não podem mais abordar o problema


0
-8

isoladamente, de maneira estanque. Os sistemas de saúde pública, de Justiça


41

criminal, de serviços sociais e de educação, as organizações de direitos humanos,


.0
01

os meios de comunicação de massa e empresas têm interesse comum em eliminar


.2

a violência contra a criança e podem identificar formas mais eficientes e eficazes


25
-0

de alcançar essa meta se trabalharem juntos.


a

Para a concretização dessa tarefa, ganha relevância a atuação


lv
Si

interdisciplinar, que envolve questões histórico-culturais, sociais,


da

comportamentais e econômicas, que devem ser tratadas a partir de contextos que


s
ia

não prejudiquem o desenvolvimento pleno da cidadania.


D
y

Segundo Paro e Machado (2001), a existência de equipe composta por


in
el

diversas áreas do saber favorece a leitura da realidade, pois, ao reunir vários


ck
Ja

conhecimentos, amplia-se a visão do todo, evitando a fragmentação da realidade.


Nesse movimento de interlocução do conhecimento determina-se uma direção de
mudança, tanto na parte específica quanto na parte global de cada área.
Ao estabelecer claramente o objetivo de promover a efetivação da prática
de atendimento, o ECA já pressupõe a existência de um sistema de garantia de
direitos (SGD) que se apoia em três dimensões: a de promoção de direitos, a de
defesa e a de controle social, que constituem eixos estratégicos e
complementares.
Como é de conhecimento de todos, o SGD se materializa, na prática, por
meio de uma política de atendimento, resultado de um conjunto articulado de

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ações governamentais e não governamentais na esfera da União, dos estados, do


Distrito Federal e dos municípios.
O desenho do SGD revela uma proposta cujo objetivo é ser capilar o
suficiente, com capacidade de acionar os serviços intersetoriais necessários. Por
isso, uma de suas diretrizes na política de atendimento é a integração operacional
de órgãos como o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as
Delegacias Especializadas.
O Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente não é algo
isolado da realidade, encontra-se profundamente inserido em um macrocontexto,

35
passando por suas influências e limitações. Ele deve ser compreendido como

1:
:4
conjunto de instâncias e seus respectivos órgãos, que se encarregam de assegurar

09
a implementação das leis de proteção a esse segmento social. A própria

0
02
concepção desse sistema contribuiu para assegurar um esboço de atenção em

/2
03
uma perspectiva de rede de atendimento.

0/
Nesse sentido, ao tratar-se de atendimento que envolva situações de

-2
violência, tem-se que os serviços devem basear suas ações em uma configuração

om
l.c
de rede, especialmente por ter como foco um fenômeno multideterminado, como

ai
é o caso da violação dos direitos sexuais da população infanto-juvenil.
tm
ho
Conforme Oliveira (2004), as Redes de Apoio e Proteção são formas de
s@

organização social que vêm se estruturando, no Brasil, desde a década de 80, com
ia

o objetivo de socializar e propiciar funcionalidade às intervenções em favor de


yd
lin

pessoas em situações de vulnerabilidade e risco. A complexidade das relações que


ke

envolvem a violação de direitos de crianças e adolescentes exige que o sistema


ac
-j

funcione em sintonia com a sociedade no estabelecimento de interconexões


0
-8

flexíveis e criativas. Assim, o trabalho em Redes de Proteção toma como


41

estratégia-chave a consolidação de parcerias.


.0
01

Pfeiffer (2004) destaca que a rede não é um novo serviço, ou uma nova
.2

obra, mas sim uma concepção de trabalho que dá ênfase à atuação integrada e
25
-0

intersetorial, envolvendo todas as instituições que desenvolvem atividades com


a

crianças e adolescentes e suas famílias. O trabalho integrado cria possibilidade


lv
Si

para a efetivação de serviços, pois a articulação entre os vários serviços mobiliza


da

as equipes para a realização de atendimento mais qualificado e eficiente.


s
ia
D
y
in
el
ck
Ja

Rede de proteção à Mulher

Aqui temos uma importante publicação Rede de Enfrentamento à


Violência contra as Mulheres, da Secretaria de Políticas para as Mulheres /
Presidência da República (SPM/PR), de 2011. É bem curtinho:

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SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

O conceito de rede de enfrentamento à violência contra as mulheres diz


respeito à atuação articulada entre as instituições/ serviços governamentais, não-
governamentais e a comunidade, visando ao desenvolvimento de estratégias
efetivas de prevenção e de políticas que garantam o empoderamento e construção
da autonomia das mulheres, os seus direitos humanos, a responsa- bilização dos
agressores e a assistência qualificada às mulheres em situação de violência.
Portanto, a rede de enfrentamento tem por objetivos efetivar os quatro eixos
previstos na Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres -
combate, preven- ção, assistência e garantia de direitos - e dar conta da

35
complexidade do fenômeno da violência contra as mulheres.

1:
:4
A fim de contemplar esses propósitos, a rede de enfrentamen- to é

09
composta por: agentes governamentais e não-governamentais formuladores,

0
02
fiscalizadores e executores de políticas voltadas para as mulheres (organismos de

/2
03
políticas para as mulheres, ONGs feministas, movimento de mulheres, conselhos

0/
-2
dos direitos das mulheres, outros conselhos de controle social; núcleos de enfren-

om
tamento ao tráfico de mulheres, etc.); serviços/programas voltados para a

l.c
responsabilização dos agressores; universidades; órgãos federais, estaduais e

ai
municipais responsáveis pela garantia de di- reitos (habitação, educação,
tm
ho
trabalho, seguridade social, cultura) e serviços especializados e não-
s@

especializados de atendimento às mulheres em situação de violência (que


ia
yd

compõem a rede de atendi- mento às mulheres em situação de violência).


lin

Já a rede de atendimento faz referência ao conjunto de ações e serviços


ke

de diferentes setores (em especial, da assistência social, da justiça, da segurança


ac
-j

pública e da saúde), que visam à ampliação e à melhoria da qualidade do


0
-8

atendimento, à identificação e ao en- caminhamento adequados das mulheres em


41

situação de violência e à integralidade e à humanização do atendimento. Assim, é


.0
01

pos- sível afirmar que a rede de atendimento às mulheres em situação de violência


.2
25

é parte da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres (vide quadro 1),


-0

contemplando o eixo da “assistência” que, segundo o previsto na Política Nacional


a
lv

de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, objetiva:


Si

(...) garantir o atendimento humanizado e qualificado às


da

mulheres em situação de violência por meio da formação


s
ia
D

continuada de agentes pú- blicos e comunitários; da criação


y
in

de serviços especializados (Casas-Abri- go/Serviços de


el
ck

Abrigamento, Centros de Referência de Atendimento à


Ja

Mulher, Serviços de Responsabilização e Educação do


Agressor, Juiza- dos de Violência Doméstica e Familiar contra
a Mulher, Defensorias da Mulher, Delegacias Especializadas
de Atendimento à Mulher); e da constituição/fortalecimento
da Rede de Atendimento (articulação dos governos – Federal,
Estadual, Municipal, Distrital- e da sociedade civil para o
estabelecimento de uma rede de parcerias para o
enfrentamento da violência contra as mulheres, no sentido
de garantir a integralidade do atendimento (SPM, 2007, p. 8).

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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A rede de atendimento à mulher


C emsituação
 R de violência
E está
 V dividida em
 M
  R  A  M  S  V
quatro principais setores/áreas (saúde, justiça, segurança pública e assistência
social) e é composta por duas princi- pais categorias de serviços (vide quadro 1):

Quadro 1: Principais Características da Rede de Enfrentamento e da Rede de


Atendimento às Mulheres em Situação de Violência
Rede de Enfrentamento Rede de Atendimento
Contempla todos os eixos da Política Nacional Refere-se somente ao eixo da
(combate, prevenção, assistência e garantia de direitos). Assistência /Atendimento

35
1:
Inclui órgãos responsáveis pela gestão e controle Restringe-se a serviços de

:4
social das políticas de gênero, além dos serviços de atendimento (especializados e não-

09
atendimento. especializados).

0
02
/2
É mais ampla que a rede de atendimento às mulheres Faz parte da rede de enfrentamento

03
em situação de violência. à violência contra as mulheres.

0/
-2
om
- serviços não-especializados de atendimento
serviços não-especializados de atendimento à àmulher - que, em geral,
mulher - que,

l.c
constituem a porta de entrada
a portadademulher
entrada na rede (anasa- ber, hospitais gerais,
ai
em geral, constituem da mulher rede (a sa-
serviçosber,
de atenção básica, programa saúde da família, tm
delegacias comuns, polícia
hospitais gerais, serviços de atenção básica, programa saúde da
ho

militar, polícia federal, Centros de Referência de Assistência Social/CRAS, Centros


s@

família, delegacias comuns, polícia militar, polícia federal, Centros


de Referência Especializados de Assistência Social/CREAS, Ministério Público,
ia

de Referência de Assistência Social/CRAS, Centros de Referência


yd

defensorias públicas);
lin

Especializados de Assistência Social/CREAS, Ministério Público,


ke

defensorias públicas); de atendimento à mulher - aqueles que atendem


ac

- serviços especializados
-j

exclusivamenteserviços especializados
a mulheres de atendimento
e que possuem à mulher
expertise no tema - aqueles
da violência contra
0
-8

que atendem exclusivamente a mulheres e que possuem expertise


as mulheres.
41

no tema da violência contra as mulheres.


.0
01

No que tange aos serviços especializados, a rede de atendimento é


.2
25

composta por:No Centros de Atendimento


que tange à Mulher em asituação
aos serviços especializados, de violência (Centros
rede de atendi-
-0

de Referência
mento édecomposta
Atendimento à Mulher,
por: Centros Núcleos de Atendimento
de Atendimento à Mulher em à Mulher em
a
lv

situaçãosituação
de Violência, Centros
de violência Integrados
(Centros da Mulher),
de Referência Casas Abrigo,
de Atendimento à Casas de
Si

Acolhimento
Mulher,Provisório
Núcleos de (Casas-de-Passagem), Delegacias
situação de Especializadas de
da

Atendimento à Mulher em Vio- 15


Atendimento
lência,àCentros
MulherIntegrados
(Postos oudaSeções daCasas
Polícia de Atendimento à Mulher),
s

Mulher), Abrigo, Casas de


ia
D

NúcleosAcolhimento
da Mulher nas Defensorias Públicas, Promotorias Especializadas,
Provisório (Casas-de-Passagem), Delegacias Espe- Juizados
y
in

Especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Central de Atendi-


el

cializadas de Atendimento à Mulher (Postos ou Seções da Polícia


ck

mento à Mulher - Ligue 180, Ouvidoria da Mulher, Serviços de saúde voltados para
de Atendimento à Mulher), Núcleos da Mulher nas Defensorias
Ja

o atendimento aos casos de violência sexual e doméstica, Posto de Atendimento


Públicas, Promotorias Especializadas, Juizados Especiais de Vio-
Humanizado nos aeroportos (tráfico de pessoas) e Núcleo de Atendimento à
lência
Mulher nos Doméstica
serviços e Familiar
de apoio contra a Mulher, Central de Atendi-
ao migrante.
mento à Mulher - Ligue 180, Ouvidoria da Mulher, Serviços de
Asaúde
redevoltados para o atendimento
de enfrentamento aos casos
à violência de violência
contra sexual é marcada,
as mulheres
portanto,e doméstica, Posto de Atendimento
pela multiplicidade de serviçosHumanizado nos aeroportos
e de instituições. Esta diversidade deve
ser compreendida como parte de um processo de construção que visa abarcar a
multidimensionalidade e a complexidade da violência contra as mulheres.
Todavia, para que o enfrentamento da violência se efetive, é importante que

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serviços e instituições atuem de forma articulada e integrada. No âmbito da


assistência, é fundamental que os serviços trabalhem a partir de uma perspectiva
intersetorial e que definam fluxos de atendimento compatíveis com as realidades
locais os quais devem contemplar as demandas das mulheres em suas
diversidades. A perspectiva da intersetorialidade representa, portanto, um desafio
na medida em que insta a uma ruptura com o modelo ‘tradicional’ de gestão
pública, que tende à departamentalização, à desarticulação e à setorialização das
ações e das políticas públicas.

35
1:
:4
09
5. Código de Ética Profissional do Psicólogo.

0
02
/2
03
0/
-2
Código de Ética: Resolução CFP Nº 010/05

om
l.c
ai
Vamos direito ao Código de Ética dos Psicólogos. Recomendo várias
tm
leituras atenciosas e muito marcador de texto. Esse tópico está presente em quase
ho
s@

100% dos concursos de psicologia. Sublinharei os pontos principais do texto e


ia

colocarei minhas anotações em vermelho.


yd
lin
ke

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO (Resolução CFP n° 10/2005)


ac
-j

Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca


0

atender demandas sociais, norteado por elevados padrões técnicos e pela


-8
41

existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada


.0
01

profissional com seus pares e com a sociedade como um todo.


.2

Um Código de Ética profissional, ao estabelecer padrões esperados


25
-0

quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela


a

sociedade, procura fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da


lv
Si

sua práxis, de modo a responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por ações e suas


da

conseqüências no exercício profissional. A missão primordial de um código de


s
ia

ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho, e, sim, a de


D
y

assegurar, dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas


in
el

desenvolvidas, um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social


ck
Ja

daquela categoria.
O código de ética prevê todas as situações em que deverá ser
aplicado? Não. Por isso constitui-se como princípios que
fundamentarão a conduta profissional.
Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de
sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se
em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e
seus direitos fundamentais. Por constituir a expressão de valores universais, tais
como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos; sócio-
culturais, que refletem a realidade do país; e de valores que estruturam uma

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profissão, um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas
e imutável no tempo. As sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso
exige, também, uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos
orienta.
Dois pontos importantes: todo código de ética é determinado
historicamente e o nosso foi influenciado pela Declaração
Universal dos Direitos Humanos.
A formulação deste Código de Ética, o terceiro da profissão de psicólogo
no Brasil, responde ao contexto organizativo dos psicólogos, ao momento do país

35
e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e

1:
:4
profissional. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade, sentida

09
pela categoria e suas entidades representativas, de atender à evolução do

0
02
contexto institucional-legal do país, marcadamente a partir da promulgação da

/2
03
denominada Constituição Cidadã, em 1988, e das legislações dela decorrentes.

0/
Consoante com a conjuntura democrática vigente, o presente Código foi

-2
construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão,

om
l.c
suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O

ai
processo ocorreu ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta
tm
ho
dos psicólogos e aberto à sociedade.
s@

Ô drama do CFP, essa é dispensável.


ia

Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais


yd
lin

de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem


ke

seguidas pelo psicólogo. Para tanto, na sua construção buscou-se:


ac
-j

Eis a lista dos pressupostos que nortearam a construção do nosso


0
-8

código de ética que todo candidato deve saber.


41

a. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem


.0
01

orientar a relação do psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades


.2

profissionais e a ciência, pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas


25
-0

demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional.


a

b. Abrir espaço para a discussão, pelo psicólogo, dos limites e interseções


lv
Si

relativos aos direitos individuais e coletivos, questão crucial para as relações que
da

estabelece com a sociedade, os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários


s
ia

dos seus serviços.


D
y

c. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a


in
el

crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes


ck
Ja

multiprofissionais.
d. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não
em suas práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se
restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.
Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a
expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade
as responsabilidades e deveres do psicólogo, oferecer diretrizes para a sua
formação e balizar os julgamentos das suas ações, contribuindo para o
fortalecimento e ampliação do significado social da profissão.
Vou destacar as utopias os objetivos:

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a) delinear para a sociedade as responsabilidades e


deveres do psicólogo
b) oferecer diretrizes para a sua formação
c) balizar os julgamentos das suas ações
d) contribuir para o fortalecimento e ampliação do
significado social da profissão

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da

35
dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que

1:
:4
embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

09
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das

0
02
pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas

/2
03
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

0/
Atente para a expressão “contribuirá para a eliminação”.

-2
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e

om
l.c
historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.

ai
IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo
tm
ho
aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia
s@

como campo científico de conhecimento e de prática.


ia

V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da


yd
lin

população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços e


ke

aos padrões éticos da profissão.


ac
-j

VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com
0
-8

dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada.


41

Aqui não tem escolha, em situações que o psicólogo presencie a


.0
01

degradação da psicologia, deve agir obrigatoriamente.


.2

VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os


25
-0

impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais, posicionando-se


a

de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código.


lv
Si

Uma dica: decore o VII. Cai na literalidade na maioria das bancas


da

em que trabalhei,
s
ia
D
y

DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO


in
el

Agora começa a parte boa!


ck
Ja

Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:


a) Conhecer, divulgar, cumprir e fazer cumprir este Código;
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as
quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho
dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios,
conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência
psicológica, na ética e na legislação profissional;
A legislação profissional inclui não só a elaborada para os
profissionais de psicologia como a existente para o contexto de

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trabalho do psicólogo (Exemplo, Código de Ética do Poder


Executivo para psicólogos servidores do poder executivo).
d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de
emergência, sem visar benefício pessoal;
O que isso realmente significa na prática? Significa que o
psicólogo deve se apresentar para o trabalho em situações de
calamidade pública ou de emergência, mesmo que seja sem
remuneração. Esse preceito está de acordo com o humanismo da
Declaração Universal dos Direitos Humanos.

35
e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos

1:
:4
do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia;

09
Nada de preços ou condições exorbitantes.

0
02
f) Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psicológicos,

/2
03
informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo

0/
profissional;

-2
Esse “a quem de direito” é o usuário do serviço e/ou seu

om
l.c
responsável.

ai
g) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de
tm
ho
serviços psicológicos, transmitindo somente o que for necessário para a
s@

tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário;


ia

h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a


yd
lin

partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que


ke

solicitado, os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho;


ac
-j

i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo, guarda


0
-8

e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas


41

conforme os princípios deste Código;


.0
01

j) Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais,


.2

respeito, consideração e solidariedade, e, quando solicitado, colaborar


25
-0

com estes, salvo impedimento por motivo relevante;


a

k) Sugerir serviços de outros psicólogos, sempre que, por motivos


lv
Si

justificáveis, não puderem ser continuados pelo profissional que os


da

assumiu inicialmente, fornecendo ao seu substituto as informações


s
ia

necessárias à continuidade do trabalho;


D
y

l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou


in
el

irregular da profissão, transgressões a princípios e diretrizes deste Código


ck
Ja

ou da legislação profissional.

Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:


O Artigo 1° e o 2° devem ser relidos até a exaustão. Apesar de
parecerem longos, são de “bom senso” da prática profissional e
fáceis de serem identificados em qualquer prova.
a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão;

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b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas,


de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do
exercício de suas funções profissionais;
c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas
psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de
violência;
d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam
o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade
profissional;

35
e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou

1:
:4
contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços

09
profissionais;

0
02
f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de

/2
03
atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não

0/
estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão;

-2
g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico científica;

om
l.c
h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas

ai
psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas;
tm
ho
i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços;
s@

j) Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha


ia

vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente nos


yd
lin

objetivos do serviço prestado;


ke

k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos


ac
-j

pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade


0
-8

do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação;


41

l) Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando benefício


.0
01

próprio, pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual


.2

mantenha qualquer tipo de vínculo profissional;


25
-0

m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que


a

possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas, decorrentes de


lv
Si

informações privilegiadas;
da

n) Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais;


s
ia

o) Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens


D
y

outras de qualquer espécie, além dos honorários contratados, assim como


in
el

intermediar transações financeiras;


ck
Ja

p) Receber, pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de


serviços;
q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados
de serviços psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor
pessoas, grupos ou organizações.
Mas Alyson, não podemos realizar diagnóstico? Isso é culpa do tal
do Ato Médico? Não. Veja bem, não podemos realizar diagnóstico
que exponha pessoas, grupos ou organizações.

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Art. 3º – O psicólogo, para ingressar, associar-se ou permanecer em uma


organização, considerará a missão, a filosofia, as políticas, as normas e as práticas
nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código.
Parágrafo único: Existindo incompatibilidade, cabe ao psicólogo recusar-se a
prestar serviços e, se pertinente, apresentar denúncia ao órgão competente.

Art. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:


a) Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as
condições do usuário ou beneficiário;

35
b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o

1:
:4
comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser

09
realizado;

0
02
c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do

/2
03
valor acordado.

0/
-2
Art. 5º – O psicólogo, quando participar de greves ou paralisações, garantirá que:

om
l.c
a) As atividades de emergência não sejam interrompidas;

ai
b) Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários
tm
ho
dos serviços atingidos pela mesma.
s@
ia

Art. 6º – O psicólogo, no relacionamento com profissionais não psicólogos:


yd
lin

a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados


ke

demandas que extrapolem seu campo de atuação;


ac
-j

b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço


0
-8

prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações,


41

assinalando a responsabilidade, de quem as receber, de preservar o sigilo.


.0
01
.2

Art. 7º – O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que


25
-0

estejam sendo efetuados por outro profissional, nas seguintes situações:


a

Olho no lance! Essas 4 condições são vitais para o seu concurso!


lv
Si

a) A pedido do profissional responsável pelo serviço;


da

Não é a pedido do paciente se o serviço ainda estiver em curso.


s
ia

b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço,


D
y

quando dará imediata ciência ao profissional;


in
el

Ocorre a intervenção, mas o psicólogo que intervir deve dar


ck
Ja

imediata ciência ao profissional anterior de sua atuação. Sendo


assim, ele não pede autorização, mas comunica a atuação.
c) Quando informado expressamente, por qualquer uma das partes, da
interrupção voluntária e definitiva do serviço;
Quando informado pelo paciente ou por psicólogo anterior que o
vínculo de atendimento não existe mais.
d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte
da metodologia adotada.

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Art. 8º – Para realizar atendimento não eventual de criança, adolescente ou


interdito, o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus
responsáveis, observadas as determinações da legislação vigente:
Ao menos um dos responsáveis deverá autorizar o atendimento
de criança, adolescente ou interdito. Isso não significa que seja
necessariamente um dos pais. Pode ser a avó ou, como expresso
no parágrafo seguinte, o Juiz da Infância e Adolescência, por
exemplo.
§1° – No caso de não se apresentar um responsável legal, o atendimento deverá

35
ser efetuado e comunicado às autoridades competentes;

1:
:4
§2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem

09
necessários para garantir a proteção integral do atendido.

0
02
/2
03
Art. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por

0/
meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a

-2
que tenha acesso no exercício profissional.

om
l.c
ai
Art. 10 – Nas situações em que se configure conflito entre as exigências
tm
ho
decorrentes do disposto no Art. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais
s@

deste Código, excetuando-se os casos previstos em lei, o psicólogo poderá decidir


ia

pela quebra de sigilo, baseando sua decisão na busca do menor prejuízo.


yd
lin

Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo, o


ke

psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias.


ac
-j
0
-8

Art. 11 – Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo poderá prestar


41

informações, considerando o previsto neste Código.


.0
01

E comunicará apenas o necessário.


.2
25
-0

Art. 12 – Nos documentos que embasam as atividades em equipe


a

multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o


lv
Si

cumprimento dos objetivos do trabalho.


da

Novamente, comunicará apenas o necessário.


s
ia
D
y

Art. 13 – No atendimento à criança, ao adolescente ou ao interdito, deve ser


in
el

comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem


ck
Ja

medidas em seu benefício.


Novamente, comunicará apenas o necessário.

Art. 14 – A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática


psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente,
devendo o usuário ou beneficiário, desde o início, ser informado.

Art. 15 – Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo, por quaisquer motivos,


ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais.

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§ 1° – Em caso de demissão ou exoneração, o psicólogo deverá repassar


todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo, ou lacrá-lo para posterior
utilização pelo psicólogo substituto.
§ 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia, o psicólogo
responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia, que providenciará a
destinação dos arquivos confidenciais.

Art. 16 – O psicólogo, na realização de estudos, pesquisas e atividades voltadas


para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias:

35
a) Avaliará os riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como pela

1:
:4
divulgação dos resultados, com o objetivo de proteger as pessoas, grupos,

09
organizações e comunidades envolvidas;

0
02
b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos, mediante

/2
03
consentimento livre e esclarecido, salvo nas situações previstas em

0/
legislação específica e respeitando os princípios deste Código; [desconheço

-2
legislação que preveja essas exceções].

om
l.c
c) Garantirá o anonimato das pessoas, grupos ou organizações, salvo

ai
interesse manifesto destes; tm
ho
d) Garantirá o acesso das pessoas, grupos ou organizações aos resultados
s@

das pesquisas ou estudos, após seu encerramento, sempre que assim o


ia

desejarem.
yd
lin
ke

Art. 17 – Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer, informar,


ac
-j

orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas


0
-8

neste Código.
41
.0
01

Art. 18 – O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou venderá a


.2

leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício


25
-0

ilegal da profissão.
a
lv
Si

Art. 19 – O psicólogo, ao participar de atividade em veículos de comunicação,


da

zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito


s
ia

das atribuições, da base científica e do papel social da profissão.


D
y
in
el

Art. 20 – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer


ck
Ja

meios, individual ou coletivamente:


a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro;
b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que
possua;
c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a
técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela
profissão;
d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;
e) Não fará previsão taxativa de resultados;
f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais;

| 91
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g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras


categorias profissionais;
h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 21 – As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração


disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades, na forma dos dispositivos
legais ou regimentais:

35
a) Advertência;

1:
:4
b) Multa;

09
c) Censura pública;

0
02
d) Suspensão do exercício profissional, por até 30 (trinta) dias, ad

/2
03
referendum do Conselho Federal de Psicologia;

0/
e) Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Federal

-2
de Psicologia.

om
l.c
ai
Art. 22 – As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão
tm
ho
resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia, ad referendum do Conselho
s@

Federal de Psicologia.
ia
yd
lin

Art. 23 – Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência


ke

quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código.


ac
-j
0
-8

Art. 24 – O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de


41

Psicologia, por iniciativa própria ou da categoria, ouvidos os Conselhos Regionais


.0
01

de Psicologia.
.2
25
-0
a
lv

Leu todo o nosso código de ética? Leia de novo. O que tenho para te falar
Si

não é animador: decore o código de ética. Você precisa saber das definições aqui
da

utilizadas. O código é pequeno, mesmo assim, devo fazer algumas considerações


s
ia
D

esquematizadas para você não mais esquecer.


y
in

Pontos Principais
el
ck
Ja

| 92
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Deveres Fundamentais Vedações

• Atuar naquilo que é capacitado, com • Praticar atos que caracterizem


qualidade e seguindo princípios negligência, discriminação,
fundamentais; exploração, violência, crueldade ou
• Atuar em situações de calamidade opressão;
pública • Induzir a convicções políticas,
• Fornecer informações (transmitindo filosóficas, morais, ideológicas,
somente o que for necessário para a religiosas, de orientação sexual ou a
qualquer tipo de preconceito, quando

35
tomada de decisões que afetem o

1:
usuário ou beneficiário); do exercício de suas funções

:4
profissionais; Induzir qualquer

09
• Encaminhar quando necessário
pessoa ou organização a recorrer a

0
• Representar contra exercício ilegal ou

02
seus serviços;
irregular da profissão, transgressões a

/2
• Ser cúmplice do exercício ilegal da

03
princípios e diretrizes deste Código

0/
ou da legislação profissional. profissão e de psicólogos com práticas

-2
não reconhecidas;

om
• Emitir documentos sem

l.c
fundamentação e qualidade técnico

ai
tmcientífica ou interferir na validade e
ho
fidedignidade de instrumentos e
s@

técnicas psicológicas;
ia

• Estabelecer vínculos que prejudiquem


yd

a qualidade do trabalho (seja no


lin

atendimento ou na avaliação) ou visar


ke
ac

benefício próprio.
-j
0
-8
41

“Visar benefício próprio”. Quando a questão vier referindo-se ao nosso


.0
01

código, observe se a situação apresentada sustenta algum caso que vise benefício
.2

próprio (prolongamento das sessões, empréstimos pessoais, estipular o preço


25
-0

após o início dos trabalhos, porcentagem recebida por encaminhamento, etc.).


a

Caso isso ocorra, ficará fácil identificar o erro inferido.


lv
Si

Para garantir que o psicólogo vá seguir os preceitos éticos explicitados, a


da

garantia que o próprio Código Oferece é a capacidade que nós temos de recusar-
s
ia

nos a prestar serviços e, se pertinente, apresentar denúncia ao órgão competente.


D
y

Além disso, podemos intervir no trabalho de outros profissionais nas


in
el

seguintes situações:
ck
Ja

a) A pedido do outro profissional responsável pelo serviço;


b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário;
c) Quando o trabalho do outro profissional estiver encerrado;
d) Quando for a metodologia adotada.
Outro ponto importante é que, no atendimento de crianças, adolescentes
ou interditos, ao menos um dos responsáveis deverá autorizar o atendimento. De
que forma ocorre essa autorização? Bom, a legislação vigente não fala nada
específico sobre isso, e, como você deve saber, a autorização verbal acaba sendo
suficiente.

| 93
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O psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo apenas na situação em


que busque o menor prejuízo. E, mesmo assim, deverá apenas prestar as
informações estritamente necessárias (isso vale para a quase totalidade dos
processos de comunicação oficiais do psicólogo).
O que fazer com os arquivos confidenciais? Essa é fácil, atente para os
dois casos: em caso de demissão ou exoneração do psicólogo, seu material deve
ser passado para quem o vier a substituir ou deve lacrar o material para posterior
utilização; em caso de extinção do serviço de psicologia, o psicólogo informará a
extinção ao Conselho Regional de Psicologia, que ficará responsável pela

35
destinação do material.

1:
:4
Na hora de fazer propaganda, o psicólogo deve informar seu nome

09
completo, número de registro e CRP. Além disso:

0
02
a) Poderá divulgar qualificação profissional e qualificações,

/2
03
atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam

0/
reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;

-2
b) Não poderá divulgar o preço, divulgar expectativa de resultados

om
l.c
(de forma taxativa), se promover em detrimento de outros

ai
profissionais e nem fará sensacionalismo sobre sua atividade
tm
ho
profissional.
s@

E, por fim, a lista das penalidades aplicadas:


ia

a) Advertência;
yd
lin

b) Multa;
ke

c) Censura pública;
ac
-j

d) Suspensão do exercício profissional, por até 30 (trinta) dias, ad


0
-8

referendum do Conselho Federal de Psicologia;


41

e) Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho


.0
01

Federal de Psicologia.
.2

Observe que o código de ética não estipula os casos em que as


25
-0

penalidades são aplicáveis. Isso ocorre por meio de outras legislações, julgados,
a

posicionamentos e pelo julgamento através de comissão de ética para cada caso


lv
Si

apresentado.
da
s
ia
D
y

6. Transtornos do Neurodesenvolvimento segundo o


in
el
ck

DSM V (TDAH e Transtorno Específico da


Ja

Aprendizagem); Transtornos Relacionados a Trauma


e Estressores; Transtornos Disruptivos, do
Controle de Impulsos e da Conduta.

| 94
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Transtornos do Neurodesenvolvimento
se manifestam cedo no desenvolvimento

Características são déficits no desenvolvimento

acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional.

Deficiência Intelectual (Transtorno do Desenvolvimento Intelectual)

Deficiências Intelectuais Atraso Global do Desenvolvimento

Transtornos do Deficiência Intelectual (Transtorno do Desenvolvimento Intelectual) Não Especificada


Neurodesenvolvimento
Transtorno da Linguagem

Transtorno da Fala

35
Transtornos da Comunicação Transtorno da Fluência com Início na Infância (Gagueira)
Tipos

1:
Transtorno da Comunicação Social (Pragmática)

:4
09
Transtorno da Comunicação Não Especificado

0
Transtorno do Espectro Autista Transtorno do Espectro Autista

02
/2
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade

03
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Outro Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Especificado

0/
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Não Especificado

-2
om
Transtorno Com prejuízo na leitura
Específico da

l.c
Aprendizagem Transtorno Específico da Aprendizagem Com prejuízo na expressão escrita

ai
Com prejuízo na matemática
tm
ho
Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação
Transtornos Motores
s@

Transtorno do Movimento Estereotipado


ia

Transtorno de Tourette
yd

Transtornos do Tipos
Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente (Crônico)
Neurodesenvolvimento
lin

Transtornos de Tique Transtorno de Tique Transitório


ke
ac

Outro Transtorno de Tique Especificado


-j

Transtorno de Tique Não Especificado


0
-8

Outro Transtorno do Neurodesenvolvimento Especificado


Outros Transtornos do Neurodesenvolvimento
41

Transtorno do Neurodesenvolvimento Não Especificado


.0
01
.2

A. Déficits em funções intelectuais


25

1. Deficiência Intelectual
-0

(Transtorno do Desenvolvimento B. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para


atingir padrões de desenvolvimento
Intelectual)
a
lv

C. Início dos déficits intelectuais e


Si

Possui
adaptativos durante o período do múltiplas
da

desenvolvimento. causas
s
ia

Deficiências 2. Atraso Global do indivíduos com menos de 5 anos de idade


D

Intelectuais Desenvolvimento
y

nível de gravidade clínica não pode ser avaliado de modo


in

confiável durante a primeira infância.


el
ck

3. Deficiência Intelectual (Transtorno do


Ja

pessoas com mais de 5 anos de idade


Desenvolvimento Intelectual) Não Especificada
não preenchem totalmente o TDI

| 95
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A. Dificuldades persistentes na aquisição e no uso da 1. Vocabulário reduzido


linguagem em suas diversas modalidades devido a
déficits na compreensão ou na produção 2. Estrutura limitada de frases

1. Transtorno 3. Prejuízos no discurso


da Linguagem
B. As capacidades lingüísticas abaixo do esperado para a idade

C. Início precoce

1. Repetições de som e sílabas.

Transtornos 2. Prolongamentos sonoros das consoantes e das vogais.


da A. Perturbações na fluência
Comunicação normal e no padrão temporal da 3. Palavras interrompidas
fala inapropriadas para a idade (1
I ou mais) 4. Bloqueio audível ou silencioso
2. Transtorno
da Fluência

35
5. Circunlocuções (substituições de palavras para evitar palavras problemáticas).
com Início na

1:
Infância 6. Palavras produzidas com excesso de tensão física.

:4
(Gagueira)

09
7. Repetições de palavras monossilábicas

0
B. A perturbação causa ansiedade

02
/2
C. O início dos sintomas ocorre precocemente

03
0/
-2
1. Déficits no uso da comunicação com fins sociais
A. Dificuldades

om
persistentes no
2. Prejuízo da capacidade de adaptar a comunicação para se adequar
uso social

l.c
ao contexto ou às necessidades do ouvinte
(todos)

ai
3. Dificuldades de seguir regras para conversar e contar histórias
3. Transtorno da tm
ho
Comunicação Social 4. Dificuldades para compreender o que não é dito de forma explícita
(Pragmática)
s@

B. Os déficits resultam em limitações funcionais na comunicação efetiva, na participação


social, nas relações sociais, no sucesso acadêmico ou no desempenho profissional,
ia

individualmente ou em combinação.
yd

Transtornos da
lin

C. O início dos sintomas ocorre precocemente


Comunicação
ke

II 4. Transtorno da
ac

Comunicação Não Não satisfazem todos os critérios para transtorno da comunicação ou para qualquer
-j

Especificado transtorno na classe diagnostica dos transtornos do neurodesenvolvimento.


0
-8
41
.0
01
.2

A. Déficits persistentes na comunicação 1. Déficits na reciprocidade socioemocional


25

social e na interação social em múltiplos


2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para
contextos
-0

interação social
a

3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos


lv
Si

1. Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos


da

B. Padrões restritos e repetitivos de 2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões
comportamento, interesses ou atividades ritualizados de comportamento verbal ou não verbal
s
ia

(2 itens)
D

3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco


y
in

4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por


el

aspectos sensoriais do ambiente


ck

C. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do


Ja

desenvolvimento
Transtorno
do Espectro (podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais
Autista excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por
estratégias aprendidas mais tarde na vida).

Nota: Asperger ou transtorno global do desenvolvimento sem outra


especificação devem receber o diagnóstico de transtorno do espectro
autista.

Com ou sem comprometimento intelectual concomitante

Especificar se: Com ou sem comprometimento da linguagem concomitante

Associado a alguma condição médica ou genética conhecida ou a fator ambiental

Geralmente começa no segundo ano de vida


Desenvolvimento e Curso
Pode aparecer antes

| 96
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a. Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros


por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras
A. Um padrão atividades
persistente de
desatenção e/ou b. frequentemente tem dificuldade de manter a atenção em tarefas
hiperatividade- ou atividades lúdicas
impulsividade que
interfere no c. frequentemente parece não escutar quando alguém lhe dirige a
funcionamento e 1. Desatenção (6 palavra diretamente
no sintomas por 6
Transtorno de meses, se for d. Frequentemente não segue instruções até o fim e não consegue
desenvolvimento
Déficit de (1 e/ou 2) adulto 5 sintomas) terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho
Atenção/
Hiperatividade e. Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
I f. Frequentemente evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas

35
que exijam esforço mental prolongado

1:
:4
g. Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades

09
h. Com frequência é facilmente distraído por estímulos externos

0
02
/2
03
a. Frequentemente remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira.

0/
2. Hiperatividade b. Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado.

-2
e impulsividade
c. Frequentemente corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado.

om
(6 sintomas por 6
meses, se for

l.c
d. Com frequência é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente.
Transtorno de adulto 5

ai
Déficit de sintomas) e. Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado"
Atenção/ tm
ho
Hiperatividade f. Frequentemente fala demais.
s@

II g. Frequentemente deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída.
ia

h. Frequentemente tem dificuldade para esperar a sua vez.


yd
lin

i. Frequentemente interrompe ou se intromete.


ke
ac
-j

B. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estavam


0

presentes antes dos 12 anos de idade.


-8
41

C. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estão


.0

presentes em dois ou mais ambientes


01
.2

D. Há evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento


25

Transtorno de social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem sua qualidade.


-0

Déficit de
a

Apresentação combinada
lv

Atenção/
Si

Hiperatividade
Subtipos: Apresentação predominantemente desatenta
da

III
s

Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva


ia
D
y

nem todos os critérios foram preenchidos nos


in

últimos 6 meses
el

Especificar se: Em remissão parcial


ck
Ja

| 97
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A. Dificuldades na 1. Leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço


aprendizagem e no
2. Dificuldade para compreender o sentido do que é lido
uso de habilidades
acadêmicas (1 3. Dificuldades para ortografar (ou escrever ortograficamente)
sintoma, 6 meses)
4. Dificuldades com a expressão escrita

5. Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo

6. Dificuldades no raciocínio

B. As habilidades acadêmicas afetadas estão substancial e


quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica do
Transtorno

35
indivíduo. Se tiver 17 anos ou mais, deve apresentar histórico.
Específico da

1:
Aprendizagem C. As dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares,

:4
09
mas podem não se manifestar completamente até que as exigências pelas
habilidades acadêmicas afetadas excedam as capacidades limitadas do

0
02
indivíduo

/2
03
Com prejuízo na leitura (dislexia)
Especificar todos os domínios e sub-habilidades

0/
acadêmicos prejudicados. Com prejuízo na expressão escrita

-2
om
Com prejuízo na matemática

l.c
ai
tm
A. aquisição e a execução de habilidades motoras
ho
1. Transtorno do coordenadas estão substancialmente abaixo do esperado
s@

Desenvolvimento da
B. O déficit interfere, significativa e persistentemente nas
Coordenação
ia

atividades cotidianas apropriadas à idade cronológica


yd

C. O início dos sintomas ocorre precocemente no período do desenvolvimento.


lin

Transtornos
ke

Motores 2. Transtorno do A. Comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem propósito


ac

Movimento
-j

B. O comportamento motor repetitivo interfere em atividades sociais,


Estereotipado
0

acadêmicas ou outras, podendo resultar em autolesão.


-8
41

C. O início se dá precocemente no período do desenvolvimento.


.0
01
.2

A. Múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais estiveram presentes em algum momento
25

durante o quadro, embora não necessariamente ao mesmo tempo.


1. Transtorno
-0

B. Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência, mas persistiram por mais de um ano desde
de Tourette o início do primeiro tique.
a
lv

C. O início ocorre antes dos 18 anos de idade.


Si
da

A. Tiques motores ou vocais únicos ou múltiplos estão presentes durante o quadro, embora não
ambos.
s
ia

B. Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência, mas persistiram por mais de um ano desde
D

o início do primeiro tique.


2. Transtorno de Tique
y

Motor ou Vocal C. O início ocorre antes dos 18 anos de idade.


in

Persistente
el

D. A perturbação não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância


Transtornos
ck

de Tique
Ja

E. Jamais foram preenchidos critérios para transtorno de Tourette.

Apenas com tiques motores


Especificar se:
Apenas com tiques vocais

A. Tiques motores e/ou vocais, únicos ou múltiplos.

3. Transtorno B. Os tiques estiveram presentes por pelo menos um ano desde o início do primeiro tique.

de Tique C. O início ocorre antes dos 18 anos de idade.


Transitório
D. A perturbação não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição
médica

E. Jamais foram preenchidos critérios para transtorno de Tourette ou transtorno de tique motor ou
vocal persistente (crônico).

| 98
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Transtornos Relacionados a Traumas e


Estressores

Transtorno de apego reativo

35
Transtornos Transtorno de interação social desinibida

1:
Relacionados a

:4
Traumas e Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

09
Estressores

0
Transtorno de estresse agudo e os transtornos de adaptação

02
/2
03
0/
-2
om
l.c
ai
A. Um padrão consistente de
comportamento inibido e emocionalmente
retraído em relação ao cuidador adulto,
tm
1. A criança rara ou minimamente busca
conforto quando aflita.
ho
manifestado por dois aspectos
s@

2. A criança rara ou minimamente responde a


medidas de conforto quando aflita.
ia
yd

1. Responsividade social e emocional mínima a


lin

outras pessoas.
B. Perturbação social e emocional
ke

persistente caracterizada por pelo menos 2. Afeto positivo limitado.


ac

dois dos seguintes aspectos:


-j

3. Episódios de irritabilidade, tristeza ou temor


0

inexplicados, evidentes até mesmo durante interações


-8

não ameaçadoras com cuidadores adultos.


41
.0

1. Negligência ou privação social na forma de ausência persistente


01

do atendimento às necessidades emocionais básicas de conforto,


C. A criança vivenciou um padrão de
estimulação e afeição por parte de cuidadores adultos.
.2

extremos de cuidado insuficiente


25

Transtorno evidenciado por pelo menos um dos 2. Mudanças repetidas de cuidadores, limitando as oportunidades
-0

de Apego seguintes aspectos: de formar vínculos estáveis

Reativo
a

3. Criação em contextos peculiares que limitam gravemente


lv

oportunidades de formar vínculos seletivos.


Si
da

D. Presume-se que o cuidado do Critério C seja responsável pela


perturbação comportamental do Critério A (p. ex., as perturbações do
s
ia

Critério A iniciam após a ausência de cuidado adequado do Critério C).


D
y

E. Não são preenchidos os critérios para transtorno do espectro


in

autista.
el
ck

F. A perturbação é evidente antes dos 5 anos de idade.


Ja

G. A criança tem uma idade de desenvolvimento mínima de 9 meses.

Especificar se: Persistente: O transtorno está presente há mais de 12 meses.

| 99
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A. Um padrão de comportamento
no qual uma criança aborda e 1. Discrição reduzida ou ausente em abordar e interagir com
adultos desconhecidos.
interage com adultos
desconhecidos e exibe pelo 2. Comportamento verbal ou físico excessivamente familiar.
menos dois dos seguintes
comportamentos: 3. Diminuição ou ausência de retorno ao cuidador adulto
depois de aventurar-se, mesmo em contextos não familiares.

4. Vontade de sair com um adulto estranho com mínima ou


nenhuma hesitação.

B. Os comportamentos do Critério A não se limitam a impulsividade,


incluindo comportamento socialmente desinibido.

35
C. A criança sofreu um padrão 1. Negligência ou privação social na forma de ausência persistente

1:
de atendimento às suas necessidades emocionais básicas de
de extremos de cuidado
conforto, estimulação e afeto por parte de cuidadores adultos.

:4
insuficiente evidenciado por

09
Transtorno de
pelo menos um dos seguintes 2. Mudanças repetidas de cuidadores, limitando as oportunidades
Interação Social

0
aspectos: de formar vínculos estáveis.
Desinibida

02
/2
3. Criação em contextos peculiares que limitam gravemente as

03
oportunidades de formar vínculos seletivos.

0/
D. Presume-se que o cuidado do Critério C seja responsável pela

-2
perturbação comportamental do Critério A (p. ex., as perturbações do

om
Critério A começam depois do cuidado patogênico do Critério C).

l.c
E. A criança tem uma idade de desenvolvimento mínima de 9 meses.

ai
Especificar se: tm
Persistente: O transtorno está presente por mais de 12 meses.
ho
s@
ia
yd
lin
ke
ac
-j
0
-8
41
.0
01
.2
25
-0
a
lv
Si
da
s
ia
D
y
in
el
ck
Ja

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O TEPT pode ocorrer em qualquer idade a partir do primeiro ano de


vida.

Os sintomas geralmente se manifestam dentro dos primeiros três


meses depois do trauma, embora possa haver um atraso de meses, ou
até anos, antes de os critérios para o diagnóstico serem atendidos.

1. Vivenciar diretamente o evento traumático.


A. Exposição a episódio
2. Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas.
concreto ou ameaça de morte,
lesão grave ou violência sexual 3. Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo. Nos casos de
em uma (ou mais) das seguintes episódio concreto ou ameaça de morte envolvendo um familiar ou amigo, é preciso que
formas: o evento tenha sido violento ou acidental.

4. Ser exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do evento traumático.


Transtorno de [NÃO SE APLICA A CRIANÇAS ABAIXO DE 6 ANOS]

35
Estresse Pós-
traumático I Nota: O Critério A4 não se aplica à exposição por meio de mídia eletrônica, televisão,

1:
filmes ou fotografias, a menos que tal exposição esteja relacionada ao trabalho.

:4
09
1. Lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático.

0
02
Nota: Em crianças acima de 6 anos de idade, pode ocorrer brincadeira repetitiva na qual
temas ou aspectos do evento traumático são expressos.

/2
03
2. Sonhos angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou o sentimento do sonho
B. Presença de um (ou mais) estão relacionados ao evento traumático.

0/
dos seguintes sintomas

-2
intrusivos associados ao evento Nota: Em crianças, pode haver pesadelos sem conteúdo identificável.
traumático, começando depois

om
3. Reações dissociativas (p. ex., flashbacks) nas quais o indivíduo sente ou age como se o
de sua ocorrência: evento traumático estivesse ocorrendo novamente. (Essas reações podem ocorrer em um

l.c
continuum, com a expressão mais extrema na forma de uma perda completa de

ai
percepção do ambiente ao redor.)

tm
Nota: Em crianças, a reencenação específica do trauma pode ocorrer na brincadeira.
ho
4. Sofrimento psicológico intenso ou prolongado ante a exposição a sinais internos ou
s@

externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático.


ia

5. Reações fisiológicas intensas a sinais internos ou externos que simbolizem ou se


yd

assemelhem a algum aspecto do evento traumático.


lin

C. Evitação persistente de
ke

1. Evitação ou esforços para evitar


estímulos associados ao evento
ac

recordações, pensamentos ou sentimentos


traumático, começando após a angustiantes acerca de ou associados de perto
-j

ocorrência do evento, conforme ao evento traumático.


0

evidenciado por um ou ambos


-8

2. Evitação ou esforços para evitar lembranças


dos seguintes aspectos:
41

externas que despertem recordações, pensamentos


ou sentimentos angustiantes acerca de ou associados
.0

de perto ao evento traumático.


01
.2

1. Incapacidade de recordar algum aspecto importante do evento


25

D. Alterações negativas em traumático (geralmente devido a amnésia dissociativa, e não a


Transtorno de
-0

cognições e no humor outros fatores, como traumatismo craniano, álcool ou drogas).


Estresse Pós-
associadas ao evento traumático
a

traumático II 2. Crenças ou expectativas negativas persistentes e exageradas a


lv

começando ou piorando depois respeito de si mesmo, dos outros e do mundo


Si

da ocorrência de tal evento,


conforme evidenciado por dois
da

3. Cognições distorcidas persistentes a respeito da causa ou das


(ou mais) dos seguintes conseqüências do evento traumático que levam o indivíduo a culpar
s

aspectos: a si mesmo ou os outros.


ia
D

4. Estado emocional negativo persistente


y
in

5. Interesse ou participação bastante diminuída em atividades significativas.


el
ck

6. Sentimentos de distanciamento e alienação em relação aos outros.


Ja

7. Incapacidade persistente de sentir emoções positivas

| 101
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SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

1. Comportamento irritadiço e surtos de raiva (com pouca ou


nenhuma provocação) geralmente expressos sob a forma de
E. Alterações marcantes na excitação
agressão verbal ou física em relação a pessoas e objetos.
e na reatividade associadas ao
evento traumático, começando ou 2. Comportamento imprudente ou autodestrutivo.
piorando após o evento, conforme
evidenciado por dois (ou mais) dos 3. Hipervigilância.
seguintes aspectos:
4. Resposta de sobressalto exagerada.

5. Problemas de concentração.

6. Perturbação do sono (p. ex., dificuldade para iniciar ou


manter o sono, ou sono agitado).

Transtorno de F. A perturbação (Critérios B, C, D e E) dura mais de um mês.

35
Estresse Pós-

1:
traumático III G. Sofrimento E Prejuízo

:4
09
1. Despersonalização
Determinar o subtipo: Com sintomas dissociativos

0
02
2. Desrealização

/2
Especificar se: Com expressão tardia (critérios se completam após 6 meses)

03
0/
-2
om
l.c
ai
tm
ho
s@
ia
yd
lin
ke
ac
-j
0
-8
41
.0
01
.2
25
-0
a
lv
Si
da
s
ia
D
y
in
el
ck
Ja

| 102
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

1. Vivenciar diretamente o evento traumático.

2. Testemunhar pessoalmente o evento ocorrido a outras pessoas.


A. Exposição a episódio concreto
3. Saber que o evento ocorreu com familiar ou amigo próximo.
ou ameaça de morte, lesão grave
ou violação sexual em uma (ou Nota: Nos casos de morte ou ameaça de morte de um familiar ou
mais) das seguintes formas: amigo, é preciso que o evento tenha sido violento ou acidental.

4. Ser exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do


evento traumático

Nota: Isso não se aplica à exposição por intermédio de mídia


eletrônica, televisão, filmes ou fotografias, a menos que tal
Transtorno de exposição esteja relacionada ao trabalho.
Estresse Agudo I

35
C. A duração da perturbação Nota: Os sintomas começam geralmente logo após o trauma, mas

1:
(sintomas do Critério B) é de três é preciso que persistam no mínimo três dias e até um mês para

:4
dias a um mês depois do trauma. satisfazerem os critérios do transtorno.

09
D. Sofrimento E Prejuízo.

0
02
Sintomas de intrusão

/2
03
1. Lembranças angustiantes recorrentes, involuntárias e intrusivas do evento traumático.

0/
Nota: Em crianças, pode ocorrer a brincadeira repetitiva na qual temas ou aspectos do

-2
evento traumático são expressos.

om
2. Sonhos angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou o afeto do sonho estão
relacionados ao evento.

l.c
ai
Nota: Em crianças, pode haver pesadelos sem conteúdo identificável.
tm
3. Reações dissociativas (p. ex., flashbacks) nas quais o indivíduo sente ou age como se o
ho
evento traumático estivesse acontecendo novamente. (Essas reações podem ocorrer em um
s@

continuum, com a expressão mais extrema sendo uma perda completa de percepção do
ambiente ao redor.)
ia

Nota: Em crianças, a reencenação específica do trauma pode ocorrer nas brincadeiras.


yd

B. Presença de nove (ou mais)


lin

dos seguintes sintomas de 4. Sofrimento psicológico intenso ou prolongado ou reações fisiológicas acentuadas em
resposta a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto
ke

qualquer uma das cinco


do evento traumático.
categorias de intrusão, humor
ac

negativo, dissociação, evitação


Humor negativo
-j

e excitação, começando ou
0

piorando depois da ocorrência 5. Incapacidade persistente de vivenciar emoções positivas


-8

Transtorno de do evento traumático:


41

Estresse Agudo Sintomas dissociativos


II
.0

6. Senso de realidade alterado acerca de si mesmo ou do ambiente ao redor


01
.2

7. Incapacidade de recordar um aspecto importante do evento traumático


25

Sintomas de evitação
-0

8. Esforços para evitar recordações, pensamentos ou sentimentos angustiantes acerca do,


a

ou fortemente relacionados ao, evento traumático.


lv
Si

9. Esforços para evitar lembranças que despertem recordações, pensamentos ou


sentimentos angustiantes acerca do, ou fortemente relacionados ao, evento traumático.
da

Sintomas de excitação
s
ia
D

10. Perturbação do sono


y
in

11. Comportamento irritadiço e surtos de raiva geralmente expressos como agressão verbal
el

ou física em relação a pessoas ou objetos.


ck

12. Hipervigilância.
Ja

13. Problemas de concentração.

14. Resposta de sobressalto exagerada.

| 103
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SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A. Desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais em


resposta a um estressor ou estressores identificáveis ocorrendo dentro
de três meses do início do estressor ou estressores.

B. Esses sintomas ou 1. Sofrimento intenso desproporcional à gravidade ou à


intensidade do estressor, considerando-se o contexto
comportamentos são clinicamente
cultural e os fatores culturais que poderiam influenciar a
significativos, conforme gravidade e a apresentação dos sintomas.
evidenciado por um ou mais dos
seguintes aspectos: 2. Prejuízo significativo no funcionamento social,
profissional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.

C. A perturbação relacionada ao estresse não satisfaz os critérios de


outro transtorno mental e não é meramente uma exacerbação de um

35
transtorno mental preexistente.

1:
Transtornos de

:4
Adaptação D. Os sintomas não representam luto normal.

09
0
E. Uma vez que o estressor ou suas conseqüências tenham cedido, os

02
sintomas não persistem por mais de seis meses.

/2
03
Com humor deprimido: Humor deprimido, choro fácil ou sentimentos de desesperança

0/
são predominantes.

-2
Com ansiedade: Nervosismo, preocupação, inquietação ou ansiedade de separação são

om
predominantes.

l.c
Com misto de ansiedade e depressão: Predomina uma combinação de depressão e

ai
Determinar ansiedade.
o subtipo: tm
ho
Com perturbação da conduta: Predomina a perturbação da conduta.
s@

Com perturbação mista das emoções e da conduta: Tanto sintomas emocionais como
ia

perturbação da conduta são predominantes.


yd

Não especificado: Para reações mal-adaptativas que não são classificáveis como um dos
lin

subtipos específicos do transtorno de adaptação.


ke
ac
-j

Transtornos Disruptivos, do Controle de


0
-8
41

Impulsos e da Conduta
.0
01
.2
25
-0

Transtorno de Oposição Desafiante


a
lv

Transtorno Explosivo Intermitente


Si

Transtornos
da

Disruptivos, Transtorno da Conduta


s
ia

do Controle
D
y

de Impulsos e Piromania
in
el

da Conduta
ck

Cleptomania
Ja

| 104
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A. Um padrão de humor raivoso/ Humor Raivoso/Irritável


irritável, de comportamento
1. Com frequência perde a calma.
questionador/desafiante ou
índole vingativa com duração de 2. Com frequência é sensível ou facilmente incomodado.
pelo menos seis meses, como
evidenciado por pelo menos 3. Com frequência é raivoso e ressentido.
quatro sintomas de qualquer das
Comportamento Questionador/Desafiante
categorias seguintes e exibido na
interação com pelo menos um 4. Frequentemente questiona figuras de autoridade ou, no
indivíduo que não seja um caso de crianças e adolescentes, adultos.
irmão.
5. Frequentemente desafia acintosamente ou se recusa a

35
obedecer a regras ou pedidos de figuras de autoridade.

1:
6. Frequentemente incomoda deliberadamente outras pessoas.

:4
09
7. Frequentemente culpa outros por seus erros ou mau

0
comportamento.

02
/2
Índole Vingativa

03
0/
8. Foi malvado ou vingativo pelo menos duas vezes nos
Transtorno

-2
últimos seis meses.
de

om
Oposição
B. A perturbação no comportamento está associada a sofrimento para
Desafiante

l.c
o indivíduo ou para os outros em seu contexto social imediato (p. ex.,

ai
família, grupo de pares, colegas de trabalho) ou causa impactos
tm
negativo no funcionamento social, educacional, profissional ou outras
ho
áreas importantes da vida do indivíduo.
s@

C. Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de


ia
yd

um transtorno psicótico, por uso de substância, depressivo ou bipolar.


lin

Além disso, os critérios para transtorno disruptivo da desregulação do


ke

humor não são preenchidos.


ac
-j
0
-8
41
.0
01

1. Agressão verbal ou agressão física dirigida a


propriedade, animais ou outros indivíduos,
.2
25

ocorrendo em uma média de duas vezes por


semana, durante um período de três meses. A
-0

A. Explosões comportamentais agressão física não resulta em danos ou destruição


a

recorrentes representando de propriedade nem em lesões físicas em animais


lv

uma falha em controlar ou em outros indivíduos.


Si

impulsos agressivos, conforme


da

manifestado por um dos 2. Três explosões comportamentais envolvendo


seguintes aspectos: danos ou destruição de propriedade e/ou agressão
s
ia

física envolvendo lesões físicas contra animais ou


D

outros indivíduos ocorrendo dentro de um período


y

de 12 meses.
in
el
ck

B. A magnitude da agressividade expressa durante as explosões


Ja

recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação


ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.

Transtorno C. As explosões de agressividade recorrentes não são premeditadas


(i.e., são impulsivas e/ou decorrentes de raiva) e não têm por
Explosivo finalidade atingir algum objetivo tangível (p. ex., dinheiro, poder,
Intermitente intimidação).

D. As explosões de agressividade recorrentes causam sofrimento


acentuado ao indivíduo ou prejuízo no funcionamento profissional ou
interpessoal ou estão associadas a conseqüências financeiras ou
legais.

E. A idade cronológica é de pelo menos 6 anos (ou nível de


desenvolvimento equivalente).

| 105
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Agressão a Pessoas e Animais

A. Um padrão de 1. Frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros.


comportamento
repetitivo e persistente 2. Frequentemente inicia brigas físicas.
no qual são violados
direitos básicos de 3. Usou alguma arma que pode causar danos físicos graves a outros (p. ex., bastão,
outras pessoas ou tijolo, garrafa quebrada, faca, arma de fogo).
normas ou regras
sociais relevantes e 4. Foi fisicamente cruel com pessoas.
apropriadas para a
idade, tal como 5. Foi fisicamente cruel com animais.
manifestado pela
presença de ao menos 6. Roubou durante o confronto com uma vítima (p. ex., assalto, roubo de bolsa, extorsão,
três dos 15 critérios roubo à mão armada).
seguintes, nos últimos

35
12 meses, de qualquer 7. Forçou alguém a atividade sexual.

1:
uma das categorias
adiante, com ao menos Destruição de Propriedade

:4
um critério presente

09
nos últimos seis 8. Envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndios com a intenção de causar
Transtorno

0
meses: danos graves.

02
da
Conduta I

/2
9. Destruiu deliberadamente propriedade de outras pessoas (excluindo provocação de
incêndios).

03
0/
Falsidade ou Furto

-2
10. Invadiu a casa, o edifício ou o carro de outra pessoa.

om
11. Frequentemente mente para obter bens materiais ou favores ou para evitar obrigações

l.c
ai
12. Furtou itens de valores consideráveis sem confrontar a vítima
tm
ho
Violações Graves de Regras
s@

13. Frequentemente fica fora de casa à noite, apesar da proibição dos pais, com início
antes dos 13 anos de idade.
ia
yd

14. Fugiu de casa, passando a noite fora, pelo menos duas vezes enquanto morando com
lin

os pais ou em lar substituto, ou uma vez sem retomar por um longo período.
ke

15. Com frequência falta às aulas, com início antes dos 13 anos de idade.
ac
-j

B. A perturbação comportamental causa prejuízos clinicamente


0
-8

significativos no funcionamento social, acadêmico ou profissional.


41
.0

C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, os critérios para transtorno da


01

personalidade antissocial não são preenchidos.


.2
25

Transtorno Tipo com início na infância (antes dos 10 anos)


-0

da Conduta
a

Subtipos Tipo com início na adolescência


lv

II
Si

Início não especificado


da
s
ia

Especificar Com emoções pró-sociais limitadas


D
y
in
el
ck
Ja

| 106
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

A. Incêndio provocado de forma deliberada e proposital em mais de


uma ocasião.

B. Tensão ou excitação afetiva antes do ato.

C. Fascinação, interesse, curiosidade ou atração pelo fogo e seu


contexto situacional (p. ex., equipamentos, usos, conseqüências).

D. Prazer, gratificação ou alívio ao provocar incêndios ou quando


testemunhando ou participando de suas conseqüências.

Piromania E. O incêndio não é provocado com fins monetários, como expressão

35
1:
de uma ideologia sociopolítica, para ocultar atividades criminosas, para

:4
expressar raiva ou vingança, para melhorar as circunstâncias de vida

09
de uma pessoa, em resposta a um delírio ou alucinação ou como

0
02
resultado de julgamento alterado

/2
03
F. A provocação de incêndios não é mais bem explicada por transtorno

0/
da conduta, por um episódio maníaco ou por transtorno da

-2
personalidade antissocial.

om
l.c
ai
A. Falha recorrente em resistir aos impulsos de roubar objetos que não
tm
são necessários para uso pessoal ou em razão de seu valor monetário.
ho
s@

B. Sensação crescente de tensão imediatamente antes de cometer o


ia

furto.
yd
lin

C. Prazer, gratificação ou alívio no momento de cometer o furto.


ke
ac

Cleptomania D. O ato de furtar não é cometido para expressar raiva ou vingança e


-j

não ocorre em resposta a um delírio ou a uma alucinação.


0
-8
41

E. O ato de roubar não é mais bem explicado por transtorno da


.0

conduta, por um episódio maníaco ou por transtorno da personalidade


01

antissocial.
.2
25
-0
a
lv
Si

7. Transtornos relacionados a uso de Álcool e


da
s

Alucinógenos segundo o DSMV.


ia
D
y
in
el
ck

Abrange 10 classes distintas de drogas


Ja

álcool; cafeína; Cannabis; alucinógenos (com


Transtornos categorias distintas para fenciclidina [ou
Todas as drogas que são consumidas em excesso têm em
relacionados ao arilciclo-hexilaminas de ação similar] e outros comum a ativação direta do sistema de recompensa do
uso e abuso de alucinógenos); inalantes; opioides; sedativos, cérebro, o qual está envolvido no reforço de
substâncias hipnóticos e ansiolíticos; estimulantes comportamentos e na produção de memórias.
psicoativas (substâncias tipo anfetamina, cocaína e outros
estimulantes); tabaco; e outras substâncias (ou A ativação do sistema de recompensa é intensa a ponto
de fazer atividades normais serem negligenciadas.
substâncias desconhecidas).
O dsm-5 removeu a divisão feita pelo dsm-iv-tr entre os
diagnósticos de abuso e dependência de substâncias reunindo-
os como “Transtorno por uso de substâncias”

| 107
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baixo controle, deterioração social, uso arriscado e critérios farmacológicos.

indivíduo pode consumir a substância em quantidades maiores ou ao longo


de um período maior de tempo do que pretendido originalmente

indivíduo pode expressar um desejo persistente de reduzir ou regular o uso


da substância e pode relatar vários esforços malsucedidos para diminuir ou
descontinuar o uso

indivíduo pode gastar muito tempo para obter a substância, usá-la ou


Critérios recuperar-se de seus efeitos
gerais:
em casos mais graves por uso de substância, praticamente todas as
atividades diárias do indivíduo giram em tomo da substância.

A fissura se manifesta por meio de um desejo ou necessidade intensos de

35
usar a droga que podem ocorrer a qualquer momento

1:
Transtornos por

:4
Uso de A fissura está relacionada com condicionamento clássico

09
Substâncias
A fissura pode ser um preditor de recaída

0
(generalidades)

02
Prejuízo social

/2
03
Pode ameaçar a integridade física.

0/
-2
om
síndrome reversível específica de determinada substância que ocorreu

l.c
devido a sua recente ingestão

ai
tm
é comum entre pessoas com transtorno por uso de substância, mas
ho
também ocorre com frequência em indivíduos sem esse transtorno.
s@
ia

essa categoria não se aplica ao tabaco.


yd
lin

Abstinência
ke

Intoxicação e
ac

Abstinência de desenvolvimento de uma alteração comportamental problemática


-j

específica a determinada substância, com concomitantes fisiológicos e


Substância
0

cognitivos, devido a interrupção ou redução do uso intenso e


-8

(generalidades)
prolongado da substância
41
.0

causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no


01

funcionamento social
.2
25

A maioria dos indivíduos com abstinência sente necessidade de


-0

readministrar a substância para reduzir os sintomas.


a
lv
Si
da

Transtorno por Uso de Álcool


s
ia
D

Intoxicação por Álcool


y
in

Transtornos
el

Abstinência de Álcool
ck

Relacionados
Ja

ao Álcool Outros Transtornos Induzidos por Álcool

Transtorno Relacionado ao Álcool Não Especificado

| 108
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A. Ingestão recente de álcool.

B. Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente


significativas e problemáticas desenvolvidas durante ou logo após a
ingestão de álcool.

1. Fala arrastada.
C. Um (ou mais) dos seguintes
2. Incoordenação.
sinais ou sintomas,
Intoxicação por desenvolvidos durante ou logo 3. Instabilidade na marcha.
Álcool após o uso de álcool:
4. Nistagmo.

35
5. Comprometimento da atenção ou da memória.

1:
:4
6. Estupor ou coma.

09
0
D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica

02
nem são mais bem explicados por outro transtorno mental, incluindo

/2
intoxicação por outra substância.

03
0/
-2
om
A. Cessação (ou redução) do uso pesado e prolongado de álcool.

l.c
ai
tm
1. Hiperatividade autonômica (p. ex., sudorese ou
ho
B. Dois (ou mais) dos frequência cardíaca maior que 100 bpm).
s@

seguintes sintomas,
2. Tremor aumentado nas mãos.
desenvolvidos no período de
ia

algumas horas a alguns dias


yd

3. Insônia.
após a cessação (ou redução)
lin

4. Náusea ou vômitos.
ke

do uso de álcool descrita no


ac

Critério A:
Abstinência de 5. Alucinações ou ilusões visuais, táteis ou
-j

auditivas transitórias.
Álcool
0
-8

6. Agitação psicomotora.
41
.0

7. Ansiedade.
01
.2

8. Convulsões tônico-clônicas generalizadas.


25
-0

C. Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente


significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em
a
lv

outras áreas importantes da vida do indivíduo.


Si
da
s
ia
D
y
in
el
ck

Intoxicação por Cafeína


Ja

Abstinência de Cafeína
Transtornos
Relacionados à Outros Transtornos Induzidos por Cafeína
Cafeína
Transtorno Relacionado à Cafeína Não Especificado

| 109
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A. Consumo recente de cafeína (geralmente uma dose alta muito


superior a 250 mg).

1. Inquietação.

2. Nervosismo.

3. Excitação.

4. Insônia.
B. Cinco (ou mais) dos seguintes
5. Rubor facial.
sinais ou sintomas, desenvolvidos
durante ou logo após o uso de 6. Diurese.

35
cafeína:

1:
Intoxicação por 7. Perturbação gastrintestinal.

:4
Cafeína

09
8. Abalos musculares.

0
02
9. Fluxo errático do pensamento e do discurso.

/2
10. Taquicardia ou arritmia cardíaca.

03
0/
11. Períodos de energia inesgotável.

-2
12. Agitação psicomotora.

om
l.c
C. Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente

ai
significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em
tm
outras áreas importantes da vida do indivíduo.
ho
s@
ia
yd
lin

A. Uso diário prolongado de cafeína.


ke

B. Cessação ou redução
ac

abrupta do uso de cafeína,


-j

1. Cefaléia.
seguida, no período de 24
0
-8

horas, de três(ou mais) dos 2. Fadiga ou sonolência acentuadas.


41

seguintes sinais ou
.0

Abstinência de sintomas: 3. Humor disfórico, humor deprimido ou irritabilidade.


01

Cafeína 4. Dificuldade de concentração.


.2
25

5. Sintomas gripais (náusea, vômitos ou dor/rigidez muscular).


-0

C. Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente


a
lv

significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em


Si

outras áreas importantes da vida do indivíduo.


da
s
ia
D

Transtorno por Uso de Cannabis


y
in
el

Intoxicação por Cannabis


ck
Ja

Transtornos Abstinência de Cannabis


Relacionados a
Cannabis Outros Transtornos Induzidos por Cannabis

Transtorno Relacionado a Cannabis Não Especificado

| 110
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

1. Cannabis é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período


mais longo do que o pretendido.

2. Existe um desejo persistente ou esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou


controlar o uso de Cannabis.

3. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção de Cannabis, na


A. Um padrão utilização de Cannabis ou na recuperação de seus efeitos.
problemático de uso de
Cannabis, levando a 4. Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar Cannabis.
comprometimento ou 5. Uso recorrente de Cannabis, resultando em fracasso em desempenhar papéis
sofrimento clinicamente importantes no trabalho, na escola ou em casa.
significativos,
manifestado por pelo 6. Uso continuado de Cannabis, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes
menos dois dos ou recorrentes causados ou exacerbados pelos efeitos da substância.
seguintes critérios, 7. Importantes atividades sociais, profissionais ou recreacionais são abandonadas ou

35
ocorrendo durante um reduzidas em virtude do uso de Cannabis.
Transtorno por

1:
período de 12 meses:
Uso de

:4
8. Uso recorrente de Cannabis em situações nas quais isso representa perigo para a
Cannabis

09
integridade física.

0
9. O uso de Cannabis é mantido apesar da consciência de ter um problema físico ou

02
psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela
substância.

/2
03
10. Tolerância,
a. Necessidade de quantidades progressivamente maiores de

0/
definida por
Cannabis para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.

-2
qualquer um dos
seguintes aspectos:
b. Efeito acentuadamente menor com o uso continuado da mesma

om
quantidade de Cannabis.

l.c
11. Abstinência,

ai
manifestada por
a. Síndrome de abstinência característica de Cannabis
qualquer dos
seguintes aspectos:
tm
ho
b. Cannabis (ou uma substância estreitamente relacionada) é
consumida para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.
s@
ia
yd

A. Uso recente de Cannabis.


lin
ke

B. Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente


ac

significativas e problemáticas (p. ex., prejuízo na coordenação motora,


-j

euforia, ansiedade, sensação de lentidão do tempo, julgamento


0

prejudicado, retraimento social) desenvolvidas durante ou logo após o


-8
41

uso de Cannabis.
.0
01

1. Conjuntivas hiperemiadas.
Intoxicação por C. Dois (ou mais) dos seguintes sinais ou
.2

Cannabis sintomas, desenvolvidos no período de 2 horas


25

2. Apetite aumentado.
após o uso de Cannabis:
-0

3. Boca seca.
a
lv

4. Taquicardia.
Si
da

D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica


s

nem são mais bem explicados por outro transtorno mental, incluindo
ia

intoxicação por outra substância.


D
y
in
el
ck
Ja

Transtorno por Uso de Tabaco

Abstinência de Tabaco
Transtornos
Relacionados ao Outros Transtornos Induzidos por Tabaco
Tabaco
Transtorno Relacionado ao Tabaco Não Especificado

| 111
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

8. Prevenção do Suicídio de acordo com a


Organização Mundial de Saúde: Fatores e Situações
de Risco, Fatores de Proteção.
Estamos tratando desse documento aqui:
https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_educ_por
t.pdf
Cuidado, a OMS tem um zilhão de orientações em cadernos diferentes.

35
Desde orientações para a mídia até para conselheiros. Iremos adotar o Manual

1:
:4
para Professores e Educadores.

09
Se liga ai nos pontos principais:

0
02
/2
03
Fatores de proteção

0/
-2
Fatores importantes que fornecem proteção contra o comportamento

om
suicida são:

l.c
ai
tm
ho
Padrões familiares
s@
ia

• bom relacionamento com familiares;


yd
lin

• apoio familiar.
ke
ac

Personalidade e estilo cognitivo


-j
0
-8
41

• boas habilidades/ relações sociais;


.0

• confiança em si mesmo, em suas conquistas e sua situação atual;


01
.2

• capacidade de procurar ajuda quando surgem dificuldades, ex. em


25

trabalhos escolares;
-0

capacidade de procurar conselhos quando decisões importantes devem ser


a


lv
Si

tomadas;
da

• estar aberto para os conselhos e as soluções de outras pessoas mais


s
ia

experientes;
D

estar aberto ao conhecimento.


y


in
el
ck

Fatores culturais e sócio-demográficos:


Ja

• integração social, ex. através de participação em esportes, igrejas, clubes e


outras atividades;
• bom relacionamento com colegas de escola;
• bom relacionamento com professores e outros adultos;
• aceita a ajuda de pessoas relevantes.

| 112
Professor Alyson Barros
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Fatores e Situações de Risco

O comportamento suicida em certas situações particulares é mais comum


em determinadas famílias que em outras, por fatores ambientais e genéticos.
Estudos mostram que todos os fatores e situações descritas abaixo estão
freqüentemente associados a tentativas de suicídio e suicídio entre crianças e
adolescentes. Mas deve ser lembrado que eles não estão necessariamente
presentes em todos os casos.

35
Deve-se recordar que os fatores e situações de risco descritas abaixo

1:
:4
variam entre continentes e países, dependendo de fatores culturais, políticos e

09
econômicos que diferem mesmo em países vizinhos.

0
02
/2
03
0/
-2
Fatores culturais e sócio-demográficos

om
l.c
ai
Baixo nível socioeconômico e/ou educacional, e desemprego na família são
tm
fatores de risco. A população indígena e a de imigrantes pode fazer parte deste
ho
s@

grupo já que eles freqüentemente passam por dificuldades emocionais,


ia

lingüísticas, e possuem uma pobre rede de apoio social. Na maioria dos casos,
yd

estes fatores estão combinados com o impacto psicológico de tortura, ferimentos


lin
ke

de guerra e isolamento (mais no caso de refugiados).


ac
-j
0

Estes aspectos culturais estão relacionados com a pouca participação nas


-8
41

atividades sociais rotineiras, assim como com conflitos por diferentes valores.
.0

Conflitos estes, em especial, são importantes para garotas nascidas e criadas em


01
.2

um país novo e livre, mas que mantêm raízes fortes em suas culturas de origem,
25

com pais mais conservadores ainda.


-0
a
lv

Cada pessoa individualmente é influenciada por tradições culturais


Si
da

coletivas. As crianças e os adolescentes que carecem de raízes culturais têm


s

marcantes problemas de identidade e falta de modelo para a resolução dos


ia
D

conflitos. Em algumas situações estressantes, eles podem recorrer a um


y
in

comportamento autodestrutivo, como tentativa de suicídio ou suicídio.


el
ck
Ja

Existe um risco aumentado de comportamento suicida entre a população


indígena versus a não-indígena.

A inconformidade com os atributos de gênero e questões relacionadas à


identidade e orientação sexual também são fatores de risco para o
comportamento suicida. As crianças e os adolescentes que não são aceitos
abertamente em sua cultura, pelos pais e familiares, ou na escola e outras
instituições têm sérios problemas de aceitação e falta de modelos de identificação
para um desenvolvimento adequado.

| 113
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Padrão familiar e eventos de vida negativos durante a infância

Padrões familiares destrutivos e eventos traumáticos no inicio da infância


afetam a vida posteriormente, principalmente se houve dificuldade em lidar com o
trauma.

Aspectos da disfunção e instabilidade familiar e eventos de vida negativos


descobertos em crianças e adolescentes suicidas são:

35
• psicopatologia dos pais, com presença de transtornos afetivos e outros

1:
:4
transtornos psiquiátricos;

09
• abuso de álcool e outras substâncias, ou comportamento anti-social na

0
02
família;

/2
história de suicídio ou tentativas na família;

03

0/
• abuso e violência familiar (inclui abuso físico e sexual na infância);

-2
• cuidado insuficiente provido pelos pais/guardiões, com pouca

om
comunicação familiar;

l.c
ai
• brigas freqüentes entre pais/guardiões, com tensão e agressão;
tm
divorcio, separação ou morte de pais/guardiões;
ho

s@

• autoridade excessiva ou inadequada de pais/guardiões;


ia

• falta de tempo dos pais/guardiões para observar e lidar com estresse


yd
lin

emocional das crianças, criando um ambiente emocional negativo de


ke

rejeição e negligência;
ac

rigidez familiar;
-j


0

• família adotiva
-8
41
.0

Estes padrões familiares freqüentemente, mas não sempre, estão presentes


01
.2

em casos de crianças e adolescentes que tentam ou cometem suicídio. Evidências


25

sugerem que pessoas jovens suicidas freqüentemente vêm de famílias com mais
-0

de um problema, sendo assim os riscos são cumulativos. Como eles são leais aos
a
lv
Si

pais e às vezes não desejam, ou são proibidos de revelar segredos familiares,


da

geralmente resistem em procurar ajuda fora da família.


s
ia
D

Estilo de personalidade e cognitivo


y
in
el
ck

Os traços de personalidade seguintes são freqüentemente observados durante


Ja

a adolescência, estão também associados com o risco de tentativas de suicídio e


suicídio (mais freqüentemente concomitantes a transtornos mentais), portanto
sua utilidade em predizer suicídio é limitada:

• humor instável;
• raiva e comportamento agressivo;
• comportamento anti-social;
• comportamento manipulativo
• alta impulsividade;

| 114
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• irritabilidade;
• pensamento e padrões rígidos de enfrentamento de problemas
• pouca habilidade para resolver problemas;
• dificuldade em aceitar a realidade;
• tendência a viver num mundo ilusório;
• fantasias de grandeza alternando com sentimentos de menos valia;
• baixa tolerância a frustrações ;
• ansiedade, particularmente com sinais de sofrimento físico ou frustração
leves;

35
• perfeccionismo;

1:
:4
• sentimentos de inferioridade e incerteza que podem estar mascarados por

09
manifestações exageradas de superioridade, comportamento provocativo

0
02
ou de rejeição a colegas e adultos, incluindo pais;

/2
03
• incertezas em relação à identidade ou orientação sexual;

0/
relacionamentos ambivalentes com pais, outros adultos e amigos.

-2

om
Enquanto há muito interesse nas correlações entre fatores cognitivos e de

l.c
ai
personalidade com o risco de comportamento suicida entre adolescentes, as
tm
ho
pesquisas disponíveis mostram que qualquer traço cognitivo ou de personalidade
s@

especifico é geralmente esparso e freqüentemente equivocado.


ia
yd
lin
ke
ac

Transtornos psiquiátricos
-j
0
-8
41

O comportamento suicida é mais freqüente em crianças e adolescentes com os


.0

transtornos psiquiátricos seguintes.


01
.2
25

Depressão
-0
a
lv

A combinação de sintomas depressivos e o comportamento anti-social têm


Si
da

sido descritos como o antecedente mais comum entre adolescentes suicidas.


s

Vários estudos têm demonstrado que mais de três quartos daqueles que
ia
D

eventualmente tiram suas próprias vidas apresentam um ou mais sintomas


y
in

depressivos, a muitos sofrem de transtorno depressivo já estabelecido.


el
ck
Ja

Estudantes que sofrem de depressão geralmente queixam-se de sintomas


físicos quando procuram o médico. Estas queixas somáticas, como dor de cabeça,
de estomago, nas pernas ou peito, são freqüentes.

As garotas deprimidas têm tendências fortes de abandono, se tornam


quietas, sem esperanças e inativas. Já os garotos deprimidos tendem a apresentar
comportamento agressivo e inadequado, acabam demandando mais atenção de
seus pais e professores. A agressividade pode levar à solidão, que é isoladamente
um fator de risco para o comportamento suicida.

| 115
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Apesar de sintomas depressivos ou transtornos depressivos serem comuns


em crianças suicidas, eles não são necessariamente concomitantes aos
pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio. Os adolescentes podem se matar
sem estarem deprimidos, e podem estar deprimidos e não se matarem.

Transtornos de ansiedade

Estudos têm verificado uma relação consistente entre transtornos de


ansiedade e tentativas de suicídio entre homens, existe uma associação mais fraca

35
entre as mulheres. Traços de ansiedade parecem afetar o risco de comportamento

1:
:4
suicida de forma relativamente independente à depressão. Isto sugere que o grau

09
de ansiedade dos adolescentes deve ser avaliado e tratado. Sintomas

0
02
psicossomáticos também estão freqüentemente presentes em pessoas

/2
03
atormentadas com pensamentos suicidas.

0/
-2
Abuso de álcool e drogas

om
l.c
ai
História de abuso de álcool e drogas está presente entre muitas crianças e
tm
adolescentes que cometem suicídio. Neste grupo etário tem sido encontrado que
ho
s@

um em cada quatro paciente suicida consumiu álcool ou droga antes do ato.


ia
yd

Transtornos alimentares
lin
ke
ac

Por causa da insatisfação com seus corpos, muitas crianças e adolescentes


-j
0

tentam perder peso e ficam preocupados com o que devem ou não comer. Cerca
-8
41

de 1 a 2% das adolescentes femininas sofrem de anorexia ou bulimia. Meninas


.0

anoréticas muito freqüentemente também sofrem de depressão. O risco de


01
.2

suicídio entre meninas anoréticas é em geral 20 vezes maior que da população


25

jovem. Descobertas recentes mostram que meninos também podem sofrer de


-0

anorexia e bulimia.
a
lv
Si
da

Transtornos psicóticos
s
ia
D

Apesar de poucas crianças e adolescentes apresentarem uma forma severa de


y
in

transtorno psiquiátrico, como esquizofrenia ou transtorno afetivo bipolar, o risco


el
ck

de suicídio é muito alto entre os afetados. A maioria dos jovens psicóticos é


Ja

caracterizada por apresentar vários fatores de risco , como problemas com


bebida, fumo excessivo e abuso de drogas.

Prévias tentativas de suicídio

História de uma única tentativa de suicídio ou tentativas recorrentes, com


ou sem os transtornos psiquiátricos mencionados acima, é um importante fator de
risco para o comportamento suicida.

| 116
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Presença de eventos de vida negativos como desencadeadores de


comportamento suicida

Maior susceptibilidade ao estresse, estilo cognitivo e traços de


personalidade mencionados anteriormente (decorrentes de fatores genéticos,
padrões familiares e eventos de vida estressantes no inicio do desenvolvimento),
são geralmente observados em crianças e adolescentes suicidas. Esta
susceptibilidade torna difícil lidar com eventos de vida negativos, o
comportamento suicida é, portanto precedido de eventos estressantes. Eles

35
desencadeiam sentimentos de abandono e desesperança, isto pode trazer à tona

1:
:4
pensamentos de suicídio e levar à tentativa de suicídio ou suicídio.

09
0
02
Situações de risco e eventos que podem desencadear tentativas de suicídio ou

/2
03
suicídio são:

0/
-2
• sensações que podem ser vividas como prejudiciais (sem necessariamente

om
serem quando avaliadas objetivamente): crianças e adolescentes

l.c
ai
vulneráveis podem perceber situações triviais como sendo profundamente
tm
danosas e reagem com comportamento ansioso e caótico, enquanto jovens
ho
s@

suicidas percebem tais situações como ameaças diretas contra sua auto-
ia

imagem e sofrem como se houvesse uma ferida na dignidade pessoal.


yd
lin

• problemas familiares;
ke

• separação de amigos, namorado(a), colegas de classe, etc,;


ac

morte de pessoa amada e/ou significativa;


-j


0

• término de relacionamento amoroso;


-8
41

• conflitos ou perdas interpessoais;


.0
01

• problemas legais ou disciplinares;


.2

• opressão pelo seu grupo de identificação ou comportamento auto-


25
-0

destrutivo para aceitação no grupo;


a

• opressão e vitimização;
lv
Si

• decepção com resultados escolares e falência nos estudos;


da

• demandas altas na escola durante época de provas;


s
ia

• desemprego e dificuldades financeiras;


D
y

• gravidez indesejada, aborto;


in
el

• infecção por HIV ou outra doença sexualmente transmissível;


ck
Ja

• doença física grave;


• desastres naturais.

E assim terminamos a teria para a SEMAD-Goiânia!!!!

Maaaaaas....

| 117
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EXTRA: Atendimento no SUAS às famílias e aos


indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco
pessoal e social por violação de direitos associada
ao consumo de álcool e outras drogas.
Leia se quiser (passar). Mas leia, ok?
Esse é um caderno lindo produzido pelo MDS. Ele pode ser acessado aqui:
http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/cartilhas/Sua

35
1:
s_trabalhoSocial_vulnerabilidade_consumodedrogas.pdf

:4
09
Eis os pontos principais.

0
02
/2
3.1. PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA: prevenção e vigilância sociassistencial

03
A Proteção Social Básica (PSB) possui uma dimensão inovadora, pois

0/
-2
supera a atenção às situações críticas ou dificuldades já instaladas para assegurar,

om
a partir das potencialidades das famílias e dos indivíduos no território, novos

l.c
patamares de cidadania na garantia de direitos e na prevenção de riscos por
ai
violação de direitos. tm
ho

O objetivo central da Proteção Social Básica é a prevenção de ocorrências


s@

de situações de vulnerabilidade, risco social e violações de direitos nos territórios.


ia
yd

Em suas ações, efetivam-se investimentos na diminuição das vulnerabilidades


lin

sociais e na ampliação das potencialidades e aquisições, fortalecendo fatores de


ke
ac

proteção às famílias, por meio da oferta territorializada de serviços


-j

socioassistenciais, compreendidos como atividades continuadas que objetivam a


0
-8

melhoria da qualidade de vida da população.


41
.0

O trabalho social coordenado pelos Centros de Referência de Assistência


01

Social (CRAS) volta-se à população que vive em situação de fragilidade decorrente


.2
25

da pobreza, ausência de renda, acesso precário ou nulo aos serviços essenciais


-0

públicos ou fragilização de vínculos afetivos (discriminações etárias, étnicas, de


a
lv

gênero, por deficiências, usos de crack, álcool e outras drogas, dentre


Si
da

outras)(BRASIL, 2012).
s

[...]
ia
D

Sob esta ótica, o enfrentamento das vulnerabilidades sociais associadas a usos de


y
in

drogas pressupõe identificar e reconhecer nos territórios e nos contextos


el
ck

familiares fatores de risco e de proteção em relação aos usuários da política de


Ja

Assistência Social, ou seja, a família e seus membros. O trabalho com foco na


prevenção pressupõe, para além da atuação do SUAS, a articulação intersetorial e
interinstitucional entre os diversos atores nos territórios, na perspectiva de
atender as diferentes demandas dos sujeitos.
Nesse documento, é importante ressaltar o caráter estratégico dos serviços
socioassitenciais da PSB ofertados nos territórios Serviço de Proteção e
Atendimento Integral à Família (PAIF) e Serviço de Convivência e Fortalecimento
de Vínculos -, e sua estreita interação com os serviços da Proteção Social Especial
(PSE), particularmente, o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a

| 118
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Famílias e Indivíduos (PAEFI), como perspectiva de construção da rede de


proteção no território.
[...]

3.2. PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PSE: atendimento especializado a famílias e


indivíduos em situação de risco por violação de direitos
A atenção na Proteção Social Especial, de acordo com a PNAS, tem como objetivo
contribuir para a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, o
fortalecimento de potencialidades e aquisições e a proteção de famílias e

35
indivíduos para o enfrentamento das situações de risco pessoal e social, por

1:
:4
violação de direitos.

09
Nesta perspectiva, os serviços de PSE exigem maior especialização nas

0
02
intervenções profissionais. Caracterizam-se por um acompanhamento mais

/2
03
singularizado e por uma exigência maior de flexibilidade e diálogo com redes

0/
intersetoriais, tendo em vista a complexidade das demandas apresentadas pelos

-2
seus usuários, incluídos aqueles cujas situações de risco estão associadas ao

om
l.c
consumo de álcool e outras drogas.

ai
De acordo com a Tipificação Nacional (2009), a PSE está divida em Média e Alta
tm
ho
Complexidade.
s@

3.2.1 Proteção Social Especial de Média Complexidade: Unidades de Referência e


ia

Serviços Especializados
yd
lin

O Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) é uma unidade


ke

pública estatal de abrangência municipal ou regional que tem como papel


ac
-j

constituir-se em lócus de referência, nos territórios, da oferta de trabalho social


0
-8

especializado no SUAS as famílias e indivíduos em situação de risco pessoal ou


41

social, por violação de direitos” (BRASIL, 2011a, p. 23).


.0
01

No CREAS são ofertados serviços a famílias e indivíduos em situação de risco


.2

pessoal e social, por violação de direitos, em conformidade com as demandas


25
-0

identificadas no território, a exemplo de: violência física, psicológica, negligência,


a

maus tratos e/ou abandono; violência sexual, abuso ou exploração sexual;


lv
Si

afastamento do convívio famíliar, devido à aplicação de medida de proteção;


da

situação de rua; trabalho infantil; discriminações em decorrência a orientação


s
ia

sexual, etnia, raça, deficiência, idade, convivência com consumo de álcool e outras
D
y

drogas, entre outras.


in
el

O CREAS oferta obrigatoriamente o Serviço de Proteção e Atendimento


ck
Ja

Especializado a Família e Indivíduos (PAEFI) e, de acordo com a Tipificação, o


CREAS pode ofertar:
• • Serviços Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida
Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à
Comunidade (PSC);
• • Programa de Trabalho Infantil (PETI)
• • Serviço Especializado em Abordagem Social;
• • Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência,
Idosas e suas famílias.

| 119
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3.2.1.a Serviço e Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos


(PAEFI)
O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI
é o serviço socioassistencial estruturante da unidade CREAS, responsável pelo
trabalho social a famílias que estão em situação de risco pessoal e social por
violação de direitos. Segundo a Tipificação Nacional de Serviços
Socioassistenciais, o atendimento no serviço fundamenta-se no respeito à
heterogeneidade, potencialidades, valores, crenças e identidades das famílias. O
Serviço deve buscar contribuir para o fortalecimento da família na sua função

35
protetiva, contribuir para romper com padrões violadores de direitos, para a

1:
:4
reparação de danos, prevenir a reincidência de violação de direitos, dentre outros

09
objetivos.

0
02
O PAEFI deve ser ofertado, obrigatoriamente, no CREAS, seja de abrangência

/2
03
municipal ou regional. Os indivíduos e famílias podem acessar o PAEFI por meio de

0/
encaminhamentos dos serviços que compõem a rede socioassistencial e a rede

-2
intersetorial das diversas políticas públicas e órgãos de defesa de direitos.

om
l.c
Também podem acessá-lo por demanda espontânea, ou seja, famílias e indivíduos

ai
que buscam atendimento, voluntariamente, quando necessitam. tm
ho
Tendo em vista a complexidade das situações de seu âmbito de atuação, a equipe
s@

do PAEFI deve procurar compreender suas histórias e o contexto das situações


ia

vivenciadas pelos usuários a partir do contexto familiar, comunitário e social na


yd
lin

qual estão inseridos, assim como as fragilidades/dificuldades e


ke

potencialidades/recursos. É importante atentar-se para as dinâmicas dos grupos


ac
-j

familiares e suas constituições, o nascimento dos filhos, a idade escolar, os


0
-8

envelhecimentos na família, a convivência com consumo de álcool e outras


41

drogas, dentre outras condições que ampliam riscos por violação de direitos. Essas
.0
01

questões têm significados particulares para cada uma e influenciam as dinâmicas


.2

das famílias, potencializando ou fragilizando vínculos no território.


25
-0

[...]
a

O PAEFI pode identificar que o usuário do Serviço apresenta necessidades do


lv
Si

campo da saúde, por exemplo relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas,


da

como avaliação médica, cuidados, orientações especializadas, uso de


s
ia

medicamentos, internações hospitalares, dentre outras. Nestes casos, o Serviço


D
y

deve articular-se com a área da saúde para realizar encaminhamentos no


in
el

território. O encaminhamento à rede de saúde, nesse caso, faz parte do processo


ck
Ja

de acompanhamento do PAEFI e os técnicos do serviço devem estar atentos ao


processo de vinculação do usuário ao encaminhamento, ás respostas da política
de saúde, e articular estratégias de acompanhamentos conjuntas, estimular a
continuidade dos atendimentos e a adesão ao tratamento proposto. Nesse
processo, os encaminhamentos não consistem simplesmente em atos
administrativos. Requer do Serviço que a pessoa e a família sejam informadas
sobre os motivos dos encaminhamentos, a importância da adesão a outros
serviços, reafirmando a importância da atuação articulada e integrada dos
Serviços do SUAS.
[...]

| 120
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Com a implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a partir de


2005, o enfrentamento ao trabalho infantil, no âmbito da assistência social,
passou a ser realizado através de um esforço articulado dos serviços
socioassistenciais, e atualmente é composto por:
• • busca ativa realizada pelo Serviço Especializado em Abordagem Social
nos CREAS e pelas equipes volantes do CRAS;
• • registro das famílias no CadÚnico;
• • atendimento das crianças e adolescentes no Serviço de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que integra a Proteção Social Básica;

35
• • trabalho social com as famílias, nos serviços continuados do Serviço de

1:
:4
Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e do Serviço de Proteção

09
e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI);

0
02
• • acesso à profissionalização às famílias e aos adolescentes a partir dos

/2
03
dezesseis anos com ofertas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino

0/
Técnico e Emprego (Pronatec) por intermédio do Programa de Promoção

-2
om
do

l.c
Acesso ao Mundo do Trabalho (Acessuas/Trabalho).

ai
[...] tm
ho
Serviço Especializado em Abordagem Social
s@

O Serviço Especializado em Abordagem Social está tipificado no âmbito da


ia
yd

proteção social especial de média complexidade, e tem por objetivo assegurar o


lin

trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique, nos territórios, a


ke

incidência de situações de risco pessoal e social como, por exemplo, trabalho


ac
-j

infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, entre


0
-8

outras, considerando as praças, entroncamento de estradas, fronteiras, espaços


41

públicos, comercio, terminais de ônibus, três, metrô e outros (BRASIL, 2009, p. 22).
.0
01

O serviço deve ser vinculado ao CREAS, ao Centro POP ou à unidade referenciada


.2
25

ao CREAS.
-0

[...]
a

De acordo com a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais do SUAS, o


lv
Si

Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas
da

famílias pode ser ofertado no CREAS, em Unidades Referenciadas, no domicílio ou


s
ia

em Centros-dia de referência.
D
y
in

O Centro-dia é um equipamento socioassistencial destinado à atenção diurna à,


el

pessoas com deficiência e à, pessoas idosas, em situação de dependência, é uma


ck
Ja

das unidades onde pode ser ofertado o Serviço de Proteção Social Especial para
Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. O Centro-dia é composto por uma
equipe multidisciplinar, visando o fortalecimento de vínculos, autonomia e
inclusão social, por meio de ações de acolhida; escuta, informação e orientação;
elaboração de Plano Individual e/ou Familiar de Atendimento; orientação e apoio
nos autocuidados; apoio ao desenvolvimento do convívio familiar, grupal e social;
identificação e fortalecimento de redes comunitárias de apoio; identificação e
acesso a tecnologias assistivas e/ou ajudas técnicas de autonomia no serviço, no
domicílio, e na comunidade; apoio e orientação aos cuidadores familiares com
vistas a favorecer a autonomia da dupla pessoa cuidada e cuidador familiar.

| 121
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

[...]
Serviço Especializado para Pessoas em situação de Rua (Centro Pop)
O Centro Pop configura-se como uma unidade de referência da Proteção Social
Especial de Média Complexidade do SUAS voltada à oferta do Serviço
Especializado para Pessoas em Situação de Rua. Este Serviço é destinado a
indivíduos e famílias que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou
sobrevivência. A criação do Centro Pop para ofertar o Serviço Especializado para a
População em Situação de Rua foi prevista no Decreto no 7.053/2009, que institui a
Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial

35
de Acompanhamento e Monitoramento. Esta unidade especializada também está

1:
:4
prevista na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais do SUAS.

09
O Centro Pop, considerando sua finalidade, deve funcionar em espaço físico

0
02
próprio, contar com instalações amplas e acessíveis, integradas por ambientes

/2
03
destinados à acolhida, guarda de pertences, realização de oficinas

0/
socioeducativas, higiene pessoal, dentre outras finalidades, conforme Orientações

-2
Técnicas sobre o Serviço disponíveis no site do MDS.

om
l.c
As ofertas de espaços de cuidado, no Centro Pop, devem ser entendidas como

ai
parte da metodologia do Serviço no processo de ação com os usuários deste e,
tm
ho
portanto, como elementos de resgate da autoestima, do autovalor e da
s@

possibilidade de ressignificação do sujeito em sua vivencia pessoal e social. Nesse


ia

sentido, devem ser humanizados e acessíveis. Como unidade de referência para a


yd
lin

população em situação de rua, deve prever funcionamento de 8 horas por dia e


ke

servir como endereço de referência para as pessoas em situação de rua, inclusive


ac
-j

para a inserção destes no Cadastro Único dos Programas Sociais.


0
-8

As práticas profissionais deste serviço devem expressar capacidade de acolher os


41

usuários em duas dimensões (acolhida inicial e a postura receptiva ao longo de


.0
01

todo o atendimento e acompanhamento). As atividades ofertadas em seu âmbito


.2

devem contribuir para a garantia das seguintes seguranças socioassistenciais:


25
-0

segurança de acolhida: acolhimento no Serviço em condições de dignidade,


a

resgate ou minimização de danos decorrentes de vivências de isolamento,


lv
Si

violências, abusos, abandono, preservação de identidade, integridade e história


da

de vida; segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social:


s
ia

fortalecimento, resgate e construção ou reconstrução de vínculos familiar sociais e


D
y

comunitário, acesso a serviços essenciais não só do âmbito do SUAS, como das


in
el

demais políticas públicas setoriais, conforme necessidades; e, segurança de


ck
Ja

desenvolvimento de autonomia individual, familiar e social: garantia de vivências


pautadas pelo respeito, fundamentadas em princípios éticos de justiça e
cidadania, apoio à construção de projetos pessoais e sociais e fortalecimento da
autoestima, acesso à documentação civil, apoio à construção de autonomia e
bem-estar, dentre outros suportes e apoios.
[...]
Outra dimensão importante a ser considerada no serviço ofertado pelo Centro Pop
é que, dentre a população em situação de rua, existem pessoas que possuem
residência, mesmo que distante, e que usam a rua como espaço de trabalho e de
sobrevivência, situações que merecem especial atenção, apoio e orientação sobre

| 122
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

o ir e vir com segurança, dignidade e respeito ao próximo nas vivências de rua, que
consiste, muitas vezes, em um território de desproteção, com características de
tensões, conflitos e disputas de poder, podendo, portanto, ampliar a exposição a
riscos.
O serviço deve, ainda, orientar o usuário sobre outras ofertas públicas como:
abrigamento/acolhimento, restaurantes populares, transporte, qualificação
profissional e acesso a trabalho, ou outros que possam servir de apoio a esta
população.
Ademais, o Centro Pop deve promover o acesso à documentação pessoal dessa

35
população, a inclusão dos usuários do serviço no Cadastro Único para Programas

1:
:4
Sociais (CADÚnico), necessário para o acesso ao Programa Bolsa Família e a outros

09
benefícios no município, e acesso ao Benefício Prestação Continuada (BPC),

0
02
conforme o caso. Para facilitar a inclusão no Cadastro Único e o acesso a outros

/2
03
direitos, o endereço do Centro Pop pode, inclusive, ser utilizado como endereço de

0/
referência pelo usuário. Na perspectiva da integração entre serviços, benefícios e

-2
programas de transferência de renda, estes encaminhamentos devem ser

om
l.c
realizados no contexto de sua vinculação a serviços.

ai
[...] tm
ho
Proteção Social Especial de Alta Complexidade: Proteção Integral e Acolhimento
s@

A Proteção Social Especial de Alta Complexidade compreende a oferta de serviços


ia

de acolhimento, em distintas modalidades, para famílias e/ou indivíduos que se


yd
lin

encontram sem referência familiar ou comunitária ou necessitam ser afastados do


ke

núcleo familiar e/ou comunitário de origem, como forma de garantir a proteção


ac
-j

integral. Destina-se a públicos diferenciados, como crianças e adolescentes,


0
-8

jovens entre 18 e 21 anos, jovens e adultos com deficiência, adultos e famílias,


41

mulheres em situação de violência doméstica, idosos e famílias ou indivíduos


.0
01

desabrigados/desalojados.
.2

Em geral, os serviços de acolhimento funcionam como moradias provisórias até


25
-0

que seja viabilizado o retorno à família de origem, o encaminhamento para família


a

substituta – quando for o caso – ou o alcance da autonomia (moradia


lv
Si

própria/alugada ou mesmo outras formas de usufruto desta).


da

[...]
s
ia

De acordo com a Tipificação Nacional, há distintas modalidades e unidades de


D
y

oferta dos Serviços de Acolhimento, a depender do público atendido, quais sejam:


in
el
ck
Ja

| 123
novos projetos de vida, ainda que isto envolva, enquanto possibilidade de proteção
social, a permanência no acolhimento por períodos mais prolongados.
DeProfessor Alyson
acordo com Barros Nacional, há distintas modalidades e unidades
a Tipificação
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
de oferta dos Serviços de Acolhimento, a depender do público atendido, quais sejam:
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Público Modalidades de serviços Unidades de oferta

Serviços de Acolhimento Abrigo Casa-lar


Institucional institucional
Crianças e
adolescentes Serviço de Acolhimento em Unidades de referência da PSE e
Família Acolhedora residências das famílias
acolhedoras

Jovens entre 18 e 21 anos Serviço de Acolhimento em República


República

35
1:
:4
Jovens e adultos com Serviço de Acolhimento Residência Inclusiva

09
deficiência Institucional

0
02
Serviços de Acolhimento Abrigo Casa de

/2
03
Institucional institucional Passagem
Adultos e famílias

0/
-2
Serviço de Acolhimento em República

om
República

l.c
ai
Mulheres em situação de Serviço de Acolhimento Abrigo institucional
violência doméstica Institucional
tm
ho
s@

Serviços de Acolhimento Abrigo Casa-lar


ia

Institucional institucional
yd

Pessoas idosas
lin
ke

Serviço de Acolhimento em República


ac

República
-j
0

Famílias e indivíduos Serviço de Proteção em Unidades referenciadas ao órgão


-8
41

desabrigados/desalojados Situações de Calamidades gestor da Assistência Social


.0

Públicas e de Emergências
01
.2

[...]
25

96
Serviços de Acolhimento para crianças, adolescentes e jovens: Casa-Lar, Abrigo
-0

Institucional, Família Acolhedora e República


a
lv
Si

Os Serviços de Acolhimento para o público infanto-juvenil são aqueles que


da

ofertam acolhimento provisório e excepcional para crianças e adolescentes de 0 a


s
ia

18 anos, afastados do convívio familiar em decorrência da aplicação de medida


D

protetiva por autoridade judicial (ECA, Art. 101), em função de abandono ou cujas
y
in
el

famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de


ck

cumprir a sua função de cuidado e proteção, até que seja viabilizado o retorno ao
Ja

convívio com a família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento


para família substituta – quando for o caso -, ou, ainda, o alcance da autonomia.
Podem ser ofertados em distintas modalidades, conforme quadro a seguir:

| 124
Professor Alyson Barros
SEMAD-Goiânia 2020 CADERNO ÚNICO - Teoria
Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Unidade de Capacidade de Características


oferta do serviço atendimento

Unidade com características residenciais, inserida na


comunidade, que deve proporcionar ambiente
Até 20 crianças e acolhedor e condições de atendimento com
Abrigo
adolescentes por dignidade. No abrigo institucional, há equipe técnica
Institucional
unidade e cuidadores que são responsáveis pelo atendimento

35
das crianças e adolescentes, observadas as

1:
:4
competências de cada um.

09
0
02
Unidade residencial em que pelo menos uma pessoa

/2
03
ou casal trabalha como educador/cuidador residente -

0/
Até 10 crianças e

-2
em uma casa que não é a sua -, contando com o
Casa-Lar adolescentes por

om
suporte de uma equipe de referência. Na casa-lar,

l.c
unidade

ai
existe a possibilidade do desenvolvimento de relações
tm
mais próximas de um ambiente familiar.
ho
s@
ia

Acolhimento da criança/adolescente se dá nas


yd
lin

residências de famílias acolhedoras cadastradas,


ke

Até 1 criança ou selecionadas, capacitadas e acompanhadas pela


ac
-j

adolescente por família equipe técnica do serviço. C onforme diretrizes


0
-8

(exceto grupo de internacionais adotadas pelo Brasil, esta opção é


41

Família irmãos, que devem


.0

particularmente recomendada para crianças muito


01

Acolhedora ficar juntos na mesma


.2

pequenas e dependentes (de 0 a 3 anos) e para


25

família acolhedora)
-0

aquelas que tenham possibilidades de retornar às


a

famílias de origem. Observa-se que a equipe de


lv
Si

referência do serviço deverá estar sediada em unidade


da
s

de referência da Proteção Social Especial.


ia
D
y
in

Para jovens de 18 a 21 anos, há o Serviço de Acolhimento em República, que


el
ck

oferece moradia e acompanhamento técnico aos jovens, preferencialmente após


Ja

desligamento de Serviços
Para jovens de 18 a 21deanos,
Acolhimento
há o Serviçopara crianças e em
de Acolhimento adolescentes,
República, por
estarem em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social, com vínculos
que oferece moradia e acompanhamento técnico aos jovens, preferencialmente após
familiares rompidos ou extremamente fragilizados e/ou sem condições de
desligamento
moradia de Serviços de Acolhimento
e autossustentação. para crianças
O Serviço deve e adolescentes,
ser ofertado de formapor estarem
a possibilitar o
desenvolvimento gradual da autonomia
em situação de vulnerabilidade e independência
e risco pessoal e social, com de seus moradores.
vínculos familiares As
Repúblicas, organizadas em unidades femininas emasculinas, devem favorecer o
acesso a serviços essenciais e benefícios no território, em especial a saúde, 100 a
educação, a moradia, a qualificação profissional e o acesso e inserção no mundo
do trabalho, contribuindo para a construção dos projetos de vida dos jovens.

| 125
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

[...]
Serviços de Acolhimento para Adultos e Famílias: Abrigo Institucional, Casa de
Passagem e República
A proteção social de indivíduos e famílias (acompanhados ou não de filhos ou
dependentes) em situação de rua e desabrigo por abandono, migração e ausência
de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de autossustento
representa um desafio para todas as políticas públicas. No âmbito dos Serviços de
Acolhimento, este desafio se traduz na perspectiva destes se constituírem numa
moradia de apoio, de caráter provisório, ao mesmo tempo em que possibilita o

35
desenvolvimento de condições para a independência e o autocuidado e promove

1:
:4
o acesso à rede socioassistencial e demais políticas públicas (saúde, educação,

09
qualificação profissional, trabalho e renda, habitação, entre outras).

0
02
[...]

/2
03
Ainda a respeito dos Serviços de Acolhimento para jovens e adultos, ressaltamos

0/
que é frequente confundi-los com as Comunidades Terapêuticas. As Comunidades

-2
Terapêuticas são considerados Serviços de Atenção em Regime Residencial,

om
l.c
conforme Portaria no 131, de 26 de janeiro de 2012 do Ministério da Saúde,

ai
destinados a oferecer cuidados contínuos, de caráter residencial transitório para
tm
ho
adultos com necessidades clínicas estáveis decorrentes de álcool e outras drogas.
s@

Estas unidades devem obedecer a Resolução da ANVISA no 29/2011 e a Resolução


ia

do CONAD No 01/2015, que estabelecem parâmetros e diretrizes de


yd
lin

funcionamento das entidades que realizam o acolhimento de pessoas, em caráter


ke

voluntário, com problemas associados ao uso nocivo ou dependência de


ac
-j

substância psicoativa. Não se configuram, portanto, em Serviços de


0
-8

Acolhimento ou unidades do SUAS.


41
.0
01

Serviço de Acolhimento para mulheres em situação de violência: Abrigo


.2

Institucional
25
-0

O Serviço de Acolhimento para Mulheres em situação de no âmbito do SUAS trata-


a

se de acolhimento provisório para mulheres, acompanhadas ou não de seus filhos,


lv
Si

em situação de risco ou ameaças em razão de violência doméstica e familiar.


da

Trata-se de uma medida emergencial, que visa à proteção integral das mulheres e
s
ia

seus dependentes.
D
y

As proteções nas situações de violência e violação de direitos, como a violência


in
el

física, psicológica, sexual e outras, causadoras de lesão ou provocadoras de


ck
Ja

sofrimento psicológico ou dano moral, são de fundamental importância e, às


vezes, requerem medidas protetivas de urgência, dentre as quais se destaca o
afastamento das vítimas de suas residências, gerando, em diversos casos, a
necessidade de atendimento da mulher em um serviço de acolhimento, a exemplo
dos abrigos institucionais, unidades do SUAS que atendem a esse público em
específico.

Serviço de Acolhimento para pessoas idosas: Casa-Lar, Abrigo Institucional


(ILPI) e República

| 126
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Cargo: Analista em Assuntos Sociais

Estes Serviços destinam-se a pessoas com 60 anos ou mais de idade, de ambos os


sexos, independentes e/ou com algum grau de dependência, que não dispõem de
condições para permanecer com a família, com vivência de situações de violência
e/ou negligência, em situação de rua e abandono, com vínculos familiares
fragilizados ou rompidos. As unidades para a oferta do Serviço de Acolhimento
para pessoas idosas devem resguardar características domiciliares na sua
organização e estar localizadas no território em áreas residenciais. O Serviço pode
ser ofertado nas unidades: Abrigo Institucional (para idosos independentes e/ou
com diversos graus de dependência), Casa Lar (para grupos de até 10 pessoas,

35
com maior autonomia) e República (para aqueles com condições de desenvolver,

1:
:4
de forma independente, as atividades da vida diária).

09
Seja na modalidade abrigo institucional (ou ILPI), casa-lar ou república, os serviços

0
02
de acolhimento para os idosos compõem o conjunto de ofertas do Sistema Único

/2
03
de Assistência Social (SUAS), para as quais o estreitamento e a articulação com a

0/
rede socioassistencial como um todo e as demais políticas públicas se faz

-2
indispensável para garantir o “acolher com dignidade, qualidade e respeito”,

om
l.c
primando, em primeira instância, pelo direito à vida, que se estende do pré-natal à

ai
velhice, passando pela infância, adolescência, vida adulta e meia-idade, e, não
tm
ho
menos importante, pelo direito ao cuidado.
s@

A provisoriedade e a excepcionalidade dos Serviços de Acolhimento não impedem


ia

o caráter da proteção integral ao deparar-se com o impedimento do viver sozinho


yd
lin

ou do retorno à família. Neste contexto, é preciso preparar não apenas a pessoa


ke

idosa, mas também a equipe técnica responsável pelo atendimento, que deve
ac
-j

levar esta condição em consideração no ato de construção do Plano de


0
-8

Atendimento Individual e/ou Familiar, identificando estratégias que superem o


41

isolamento social e garantam a participação social dos idosos. No Serviço de


.0
01

Acolhimento, as pessoas idosas com vínculo de parentesco ou afinidade (casais,


.2

irmãos, amigos etc.) devem ser atendidas na mesma unidade para fortalecer os
25
-0

vínculos familiares.
a
lv
Si
da
s
ia
D
y
in
el
ck
Ja

Bons estudos! =]
Professor Alyson Barros

| 127