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Foundations for Conveyor Safety - Guia de

Segurança sobre as boas praticas mundiais F FOOUUNNDDAATTI IOO NN SS™™ F o r


para o manuseio mais seguro de materiais Conveyor
Conveyor Safety
Safety
a granel. Guia de Segurança sobre as boas
O livro FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança ao Trabalhar com Transportadores praticas mundiais para o manuseio
tem como base a premissa de que o manuseio de materiais a granel pode ser realizado
de forma mais rentável aprimorando a segurança daqueles que trabalham com mais seguro de materiais a granel
transportadores de correia e próximos a eles. O nosso lema é o conceito Production
Done Safely™ (Produção com segurança).

Com esse objetivo, esta publicação avalia os perigos dos transportadores de correia e
analisa os padrões dos projetos, os requisitos regulatórios e os procedimentos de trabalho,
e oferece recomendações de práticas mais seguras para a concepção, a operação e a

Conveyor Safety
F O U N D A T I O N S™
manutenção dos transportadores de correia.

As informações aqui contidas ajudarão gestores e projetistas a compreenderem a

Conveyor Safety
importância da segurança no trabalho com transportadores e a contabilizar as despesas
incorridas nas melhorias nos sistemas de transportadores de correia. Ele também ajudará
trabalhadores e supervisores a entenderem os sistemas de transportadores de correia, bem
como trabalhar com eles, e próximo a eles, com mais segurança.

FOUNDATIONS™ For
Visite foundationsforconveyorsafety.com
para saber mais e obter outras fontes de informações.

F o r
MARTIN ENGINEERING
Rua Estácio de Sá, 2104 - Jd. Santa Genebra
Campinas - São Paulo - 13080.010
+55 19 37097200
Fax: +55 19 3709-7201
martin@martin-eng.com
www.martin-eng.com.br

Copyright © 2016 Martin Engineering Company


Form. nº. L4049-1-9/16 WZ

Impresso no Brasil. Primeira edição


FOUNDATIONS™
Fundamentos de
Segurança para
se Trabalhar com
Transportadores
de Correia
Guia de Segurança sobre as Boas Praticas Mundiais
para o Manuseio Mais Seguro de Materiais a Granel
FOUNDATIONS™
Fundamentos de
Segurança para
se Trabalhar com
Transportadores
de Correia
Guia de Segurança sobre as Boas Praticas Mundiais
para o Manuseio Mais Seguro de Materiais a Granel
por

R. Todd Swinderman, engenheiro


Andrew D. Marti
Daniel Marshall

Martin Engineering Company


Neponset, Illinois
EUA
| FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia

experiente. A aplicação das informações e princípios contidos


neste livro deve ser cuidadosamente avaliada a
Este livro foi publicado como um serviço para os setores de manuseio fim de determinar sua adequação a um projeto
de materiais a granel e seus trabalhadores em todo o mundo. Ele não específico.
substitui as orientações ou avaliações de profissionais de engenharia, Para obter ajuda na aplicação das informações e
e seu conteúdo deve ser cuidadosamente analisado por profissionais princípios apresentados aqui a transportadores
para determinar a adequação a projetos específicos. Qualquer usuário transportadores de correia específicos, consulte a
Martin Engineering ou outra equipe de segurança
deve pesquisar e considerar, além das normas citadas e descritas aqui,
seu contexto geral e outras normas, requisitos e recomendações legais
e profissionais relevantes. Não oferecemos nenhuma garantia em
relação ao conteúdo do livro ou à sua aplicação a qualquer situação.
Em casos de reclamações sobre o livro ou seu conteúdo, seu único
recurso será constituído por reembolso ou substituição.
Caso encontre algum erro ou deseje fornecer informações,
esclarecimentos ou outras contribuições para futuras edições, entre em
contato com a Martin Engineering (Equipe de Marketing) por e-mail
br_marketing@martin-eng.com.

FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se


Trabalhar com Transportadores de Correia
ISBN 978-0-9717121-1-3-3
Número de controle da Biblioteca do Congresso dos
EUA: 2016901217
Copyright © 2016 Martin Engineering Company
Número da peça L4049-9/16
Todos os direitos reservados. Esta publicação não pode
ser reproduzida, em nenhuma forma, sem a permissão
da Martin Engineering, empresa sediada em Neponset,
Illinois, e com sede em Campinas. Parte do conteúdo
deste livro foi reproduzida, com permissão, a partir de Martin Engineering Company
outras fontes protegidas por direitos autorais. Rua Estácio de Sá, 2104 - Jd. Santa Genebra
Campinas - São Paulo - 13080.010
Impresso no Brasil. +55 19 37097200
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iv
Guia de Segurança sobre as Boas Práticas Mundiais para o Manuseio Mais Seguro de Materiais a Granel | Índice

Índice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . v Introdução
Prefácio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . vi A necessidade de aprimorar a segurança para se
Dedicatória. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . vii trabalhar com transportadores de correia
Notas dos autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . viii 1 A missão: Production Done Safely™. . . . . . . . . . . . . . . . . 2
Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . x
Seção 1 Perigos e áreas de risco
Introdução: Os perigos dos transportadores de correia . . . 8
2 Zonas de risco dos transportadores de correia. . . . . . . . . 12
3 Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores . . . . 26

Seção 2 Problemas com o transportador e soluções


de problemas dos componentes
4 Botões e sensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
5 Alarmes de inicialização. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
6 Cabos de parada de emergência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
7 Batentes, freios contra recuo e travas . . . . . . . . . . . . . . . 95
8 Coberturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
9 Passarelas para passagem sobre e sob o transportador. . 117
10 Proteções. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
11 O mito da “proteção devido à localização”. . . . . . . . . . 165
12 Proteções dos roletes de retorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
13 Tensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181
14 Proteção contra a queda de materiais. . . . . . . . . . . . . . 195
15 Transportadores, correias e incêndios. . . . . . . . . . . . . . 207
16 Iluminação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
17 Pó . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257
18 Acesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273
19 Os riscos relacionados a ruídos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289
20 Sinalização. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 303
21 Segurança dos sistemas elétricos ao trabalhar
com transportadores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317

Seção 3 Práticas de trabalho seguras


22 Carona em transportadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 344
23 Trabalhando com segurança em torno de transportadores. . . 346
24 Transportadores, material fugitivo e limpeza. . . . . . . . . 372
25 Bloqueio do movimento da correia. . . . . . . . . . . . . . . . 390
26 Treinamento em segurança para se trabalhar
com transportadores de correia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 402

Seção 4 Avaliação de riscos


27 O censo da segurança nos transportes de correias. . . . . 425
28 Avaliação de riscos utilizando a metodologia da CEMA. . 431
29 Análise de causa-raiz. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 445
30 Análise de risco do trabalho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 457

Seção 5 Construção de transportadores melhores


e mais seguros
31 Projeto e construção de transportadores mais seguros . . . 463
32 Especificações para transportadores mais limpos,
seguros e produtivos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 481

Anexos Seção 6 O retorno


Bibliografia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 575 33 O cálculo da segurança. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 507
Índice remissivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 592 34 O retorno da segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 519
Autores e agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . 600 35 Compreensão das conexões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 559

v
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia | Prefácio

Prefácio
A relação entre segurança e produtividade

Acreditamos que este tipo de livro seja um trabalho inédito. Ele


representa a síntese das melhores práticas mundiais para concepção,
operação e manutenção mais seguras de transportadores de correia para
materiais a granel.
Nosso trabalho tem como base a premissa de que a extração e o
processamento de materiais a granel podem ser realizados de forma
segura e rentável, buscando e aplicando as melhores práticas mundiais à
segurança e à concepção dos projetos de transportadores.
O primeiro passo para a produtividade real é a segurança. Se uma
máquina, fábrica ou indústria tiver segurança, ela será produtiva;
caso contrario, fabrica, processo ou transportador não poderão ser
verdadeiramente produtivos. E isso significa que a produção não será
financeiramente bem-sucedida. A chave é o conceito Production Done
Safely™ (Produção com segurança).

Edwin H. Peterson Com o aumento dos volumes e da diversidade dos materiais


presidente do conselho e CEO transportados, o porte e a velocidade cada vez maiores dos equipamentos
Martin Engineering e a pressão constante para aprimorar a eficiência, o manuseio dos
materiais a granel pode se tornar perigoso. Entretanto, quando os gestores
discutem aprimoramentos, eles se concentram na produção, pois esse é
seu objetivo, essa é sua responsabilidade. E é pela produção que a empresa
está nos negócios.
Desde o início, a Martin Engineering tem assumido o compromisso de
aumentar a produtividade e a segurança do manuseio dos materiais a
granel. Em 1944, trabalhando na oficina montada em sua própria casa,
Edwin F. Peterson, o fundador da nossa empresa, elaborou a solução
para um dos principais problemas do manuseio de materiais a granel: o
vibrador industrial do tipo esfera. Sua invenção, comercializada com o
nome de VIBROLATOR®, é a base do sucesso da Martin Engineering.
Desde então, a Martin cresceu, com operações e licenciados em várias
partes do mundo, estando sempre presente onde quer que materiais a
granel sejam manuseados. Muitos de nossos produtos e serviços atuais
visam o aprimoramento da limpeza da fábrica, o controle do material
fugitivo para aprimorar o desempenho e a redução dos riscos envolvidos
nas operações.
E, agora, nós dirigimos nossa atenção ao aprimoramento da segurança,
pois sabemos que não há produtividade sem segurança.
Robert J. Nogaj
presidente e COO Sabemos que precisamos ajudar a mudar uma mentalidade, queremos
Martin Engineering estar entre aqueles que definem os padrões mais elevados, e precisamos
fazer parte da mudança de cultura do nosso setor.
Com este livro, a Martin Engineering dá o primeiro passo nesse sentido.

vi
Dedicatória | FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia

Dedicatória
Para a família Peterson, é uma honra dedicar a primeira edição do
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com
Transportadores de Correia, Guia de Segurança sobre as Boas Praticas
Mundiais para o Manuseio Mais Seguro de Materiais a Granel, a:

R. Todd Swinderman, engenheiro: graduado pela University of Illinois em 1971, com


diploma de bacharel em Engenharia Mecânica, Todd é uma das principais forças motivadoras
por trás desta publicação. Internacionalmente reconhecido por suas contribuições inovadoras
no setor de manuseio de materiais a granel, ele também foi fundamental no desenvolvimento
de normas consistentes para o setor através da CEMA (Conveyor Equipment Manufacturers
Association, Associação de Fabricantes de Equipamentos Transportadores). Todd foi presidente
da associação, bem como presidente do comitê da sexta e da sétima edições do livro Belt
Conveyors for Bulk Materials, da CEMA. Como portador de sete licenças de profissional
da engenharia, ao longo de toda a sua carreira, e como ex-presidente e ex-CEO da Martin
Engineering, sua orientação, inspiração e experiência profissional na área da engenharia
influenciou todos os aspectos das operações com transportadores, em todo o mundo. Ele detém
mais de 60 patentes nos Estados Unidos e diversas patentes estrangeiras correspondentes. Após
mais de 30 anos no setor, agora, ele compartilha sua experiência como consultor independente.
Richard P. Stahura: defensor da segurança no setor de manuseio de materiais a granel
ao longo de mais de seis décadas, Dick tem sido, muitas vezes, a única voz a promover a
segurança no trabalho com transportadores. Juntamente com Todd, ele também é uma
força influenciadora do trabalho do livro FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança
para se Trabalhar com Transportadores de Correia, Guia de Segurança sobre as Boas Práticas
Mundiais para o Manuseio Mais Seguro de Materiais a Granel. Ele defende que as regras
e regulamentos ambientais e de segurança sejam incorporados de forma prioritária aos
projetos de transportadores.
Na verdade, Dick defende que, em vez de esperar que as agências reguladoras
governamentais emitam multas ou forcem a paralisação das operações, as questões
ambientais, de segurança e de saúde tomem, finalmente, o lugar da produção como
prioridade número um de engenheiros de projeto e proprietários de transportadores.
Richard é reconhecido em todo o mundo por sua personalidade encantadora e seu
característico macacão jeans.

Daniel Marshall: Dan obteve seu diploma de bacharel em Engenharia Mecânica junto
à Northern Arizona University. Trabalhando na Martin Engineering há mais de 16
anos, ele é um personagem fundamental no desenvolvimento e na promoção de diversos
produtos para o setor de transportadores de correia. Dan é amplamente reconhecido por
seu trabalho com a supressão de pó e é considerado um dos mais importantes especialistas
dessa área. Escritor extremamente produtivo, publicou dezenas de artigos, abordando
diversos tópicos relacionados ao setor de transportadores de correia; já fez apresentações
em mais de quinze conferências e é muito requisitado por seus conhecimentos e
orientações especializados. Como a Martin promove o envolvimento da comunidade, Dan
se ofereceu como voluntário para ser um dos conselheiros fundadores da equipe Martin de
robótica do ensino médio. Um dos principais autores do livro FOUNDATIONS™ Guia
Prático para um Controle Mais Limpo, Seguro e Produtivo do Pó e Material a Granel, Quarta
Edição, publicado pela Martin, sua dedicação ao setor dos transportadores e à Martin
Engineering é excepcional. Sem dúvidas, Dan é um dos grandes contribuidores da família
Martin Engineering. vii
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia | Notas dos autores

Notas dos autores


A Martin Engineering oferece este livro como um serviço às indústrias e
aos trabalhadores do setor de manuseio de materiais a granel de todo o
mundo.

Este material é fornecido apenas para fins de informação geral e não se destina a oferecer referências detalhadas
ou conhecimentos específicos relacionados aos regulamentos, normas e recomendações associados às operações de
manuseio de materiais a granel. Exceto no que diz respeito aos regulamentos, normas e materiais citados diretamente, as
opiniões aqui expressas representam um consenso, entre os autores, sobre os temas abordados.

A aplicação das informações e princípios contidos neste livro deve ser cuidadosamente avaliada por profissionais com
experiência na área, a fim de determinar sua adequação a um transportador ou projeto específico.

Veja a seguir algumas observações que explicam a filosofia e as convenções adotadas neste volume.

Pressupostos do público
Este livro foi escrito para os profissionais que projetam, operam e executam a manutenção de transportadores de correia,
a fim de oferecer orientações sobre o que pode e deve ser feito para proteger aqueles que trabalham nas proximidades
dos transportadores. O público também inclui aquele "gestor de segurança" que não sabe muito sobre transportadores
de correia e aquele "chefe do transportador" que conhece pouco os regulamentos e exigências de segurança. Por fim, este
livro foi escrito para o supervisor ou gestor de fábrica, responsável pelas operações e pela segurança, que tem, porém,
pouco tempo ou poucos recursos para dedicar a ambas. Ele ajudará a equipe de gestão a orientar a mão de obra no
trabalho com transportadores de correia. E também ajudará gestores e engenheiros a justificar despesas que aprimorem a
segurança do transportador, seja no projeto inicial ou com atualizações posteriores.

Normas e datas
A maior parte das normas é publicada com uma data, que faz parte do número da norma e indica o ano em que a
versão foi lançada. Sempre que possível, essas datas são incluídas como um indicador da versão específica da norma em
discussão.

Nas descrições de uma determinada norma, alguns órgãos emissores incluem uma notação das edições ou normas
anteriores que foram substituídas.

O acompanhamento das mudanças nos regulamentos, normas e diretrizes é um processo contínuo. Por exemplo,
durante a elaboração desta publicação, as normas australianas foram atualizadas: de AS 1755-2000 para AS/NZS
4024.3610-2015 e 4024.3611-2015. No dia 31 de maio de 2016, a norma EN 953 foi substituída pela EN ISO
14120. Um mês após nossa impressão, a diretriz Safety Around Belt Conveyors, da Conveyor Manufacturers Association
of South Africa (Associação Sul-africana de Fabricantes de Equipamentos Transportadores) foi atualizada para a versão
2016. Todas essas atualizações exigiram alterações de capítulos que considerávamos prontos. Embora tenhamos
trabalhado para acompanhar essas mudanças — para desespero dos responsáveis pelo layout das páginas — algumas
atualizações podem ter sido perdidas. Independentemente, no futuro, certamente haverá ocasiões em que o texto
aqui apresentado será substituído por mudanças na tecnologia, nos requisitos ou nas práticas recomendadas. Nossa
recomendação é acompanhar as constantes mudanças na área e escolher engenheiros e fornecedores competentes que
façam o mesmo.

Em suma, a versão mais atual das normas e regulamentos aplicáveis deve ser obtida e consultada para verificar seus
respectivos requisitos.

viii
Notas dos autores | FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia

Normas traduzidas
Em alguns casos, os textos das normas apresentadas aqui podem parecer estranhos ou mal escritos, especialmente
quando elas têm origem em outros idiomas que não o inglês. Em vez de "corrigir" esses trechos traduzidos de acordo
com as preferências dos autores, essas normas traduzidas foram publicadas como as encontramos disponibilizadas.
Como sempre, é recomendável consultar o documento de origem, no idioma original.

Medições
Nesta publicação, as dimensões e outras medidas são apresentadas em unidades dos sistemas imperial e métrico.
A medida será mostrada primeiro na unidade do sistema em que foi originalmente apresentada. Em seguida, uma
conversão para o outro sistema será fornecida; na maioria dos casos, essa conversão aparecerá entre colchetes [ ]. Os
colchetes indicam que a conversão foi feita pela Martin Engineering.

Se a segunda medida for exibida entre parênteses ( ), isso significa que o próprio material de origem incluía a medição
convertida.

Um til duplo (≈), o símbolo matemático para "aproximadamente igual a", será colocado antes da segunda medida; isso
significa que o número em questão é uma conversão da unidade original e foi arredondado (conforme necessário).

Todos os arredondamentos foram calculados com o objetivo de oferecer maior segurança; em alguns casos, eles não
representam as medidas mais aproximadas.

Na maioria dos casos, um ponto foi utilizado como marcador decimal nas unidades do sistema métrico. Esse é o padrão
seguido na América do Norte, local de origem dos autores, o estilo com a qual eles estão mais familiarizados.

Ilustrações
As imagens, gráficos, tabelas e diagramas contidos neste livro foram usados para esclarecer pontos específicos e,
portanto, talvez não estejam tecnicamente corretos nem sejam totalmente precisos.

Nomes e dados
Os nomes e dados fictícios presentes neste livro têm como objetivo a transmissão de conceitos, e qualquer semelhança
com nomes de entidades ou dados reais é mera coincidência e não intencional.

As informações relacionadas aos incidentes apresentados aqui representam a interpretação dos autores das causas e
consequências desses incidentes, sem nenhuma intenção de culpar, difamar ou depreciar.

Uma observação sobre as fontes


Em vez de usar numerosas notas de rodapé nesta publicação, nós tentamos apresentar as fontes no texto do próprio
capítulo. Há uma listagem detalhada dessas fontes na bibliografia, organizada por capítulo.

Advertência
Este livro é fornecido sem nenhuma representação ou garantia quanto à precisão ou integridade de seu conteúdo.
As seções de MELHORES PRÁTICAS deste livro são destinadas a destacar questões de segurança específicas e não
incluem todas as melhores práticas relacionadas a todas as operações e circunstâncias envolvidas no manuseio de
materiais a granel.
SOB NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA, A MARTIN ENGINEERING, OS AUTORES OU OUTRAS EMPRESAS OU INDIVÍDUOS ASSOCIADOS A ESTE
PROJETO SERÃO RESPONSABILIZADOS POR DANOS PESSOAIS OU POR QUALQUER DANO INDIRETO, ESPECIAL OU CONSEQUENTE
RESULTANTE DE OU, DE ALGUMA MANEIRA, RELACIONADO A ESTE LIVRO, INCLUINDO, SEM LIMITAÇÕES, QUALQUER DANO
DECORRENTE DA APLICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES, PRINCÍPIOS OU OUTROS CONTEÚDOS DESTE LIVRO.

As informações apresentadas neste material estão sujeitas a modificações sem aviso prévio. A Martin Engineering reserva-se o direito de fazer correções, supressões ou
adições ao livro sem aviso prévio nem obrigação de substituir versões previamente impressas.
ix
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia | Prefácio

Prefácio
Por R. Todd Swinderman,
engenheiro

Dediquei décadas ao projeto, à instalação e à manutenção


de componentes de transportadores de correias que
controlassem materiais fugitivos, para, assim, melhorar o
ambiente de trabalho, reduzir o número de acidentes e
aumentar a produtividade. Agora, porém, nós chegamos
a um ponto de queda desses resultados. Para alcançar
um novo patamar de aprimoramento em termos
de redução de acidentes com transportadores,
precisamos mudar a maneira como especificamos,
projetamos, adquirimos, operamos e realizamos a
manutenção dos transportadores.

Estima-se que 85% dos problemas relativos à manutenção e à produção dos transportadores de correia
a granel estejam relacionados a materiais fugitivos: pó, derramamentos e materiais de retorno. Acredito
que uma porcentagem similar de problemas de segurança com transportadores seja decorrente desses
mesmos materiais fugitivos. Entretanto, após o transportador ser projetado, construído, instalado e estar
em funcionamento, a solução de problemas com materiais fugitivos torna-se praticamente impossível.

E isso leva à seguinte pergunta: por que projetamos transportadores da mesma maneira há mais de
um século? Muitas vezes, não há nenhum motivo específico, apenas desculpas: "Sempre fizemos as
coisas dessa forma", ou, ainda pior: "Precisamos ser competitivos". Como demonstrado pelas taxas
de mortalidade relativamente constantes associadas aos transportadores nos últimos 30-40 anos,
essas atitudes e técnicas simplesmente não melhoram mais a segurança, apesar dos inúmeros novos
regulamentos, do aumento das penalidades cíveis e da adaptação universal dos slogans de segurança.

O início do setor da segurança


O livro de Herbert W. Heinrich, Industrial Accident Prevention, A Scientific Approach, de 1931, foi
baseado no resumo de milhares de relatórios de acidentes. Heinrich concluiu que as ações perigosas dos
trabalhadores eram a principal causa de acidentes. Infelizmente, essa mentalidade continua a dominar o
entendimento da maioria dos gestores e supervisores. Porém, grande parte dos profissionais da área de
segurança vem percebendo, já há algum tempo, que as causas dos acidentes não são assim tão simplórias.

Na maioria dos casos, escrever no relatório de um acidente que uma ação perigosa foi a causa do
incidente é apenas uma desculpa simplista para justificar uma investigação superficial. Frequentemente,
a ação perigosa não foi o única causa, nem mesmo a mais relevante. Acreditar, em uma retrospectiva
perfeita, que a causa foi uma única ação perigosa é presumir que as ações do trabalhador foram
perfeitamente previsíveis. As causas têm implicações maiores e exigem uma análise mais completa do
acidente, seguida por ações corretivas criteriosas.
x
Prefácio | FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia

Cheguei à conclusão de que existem cinco causas que levam diretamente a um aumento na liberação de
materiais fugitivos e que resultam em situações que incentivam os trabalhadores a reagirem como reagem. São
elas: a cultura da "produção em primeiro lugar"; as aquisições "pelo menor preço"; os projetos excessivamente
complexos; as inúmeras regras; e o número reduzido de funcionários de manutenção destreinados.

Causa:
a cultura da "produção em primeiro lugar"
Sites e declarações de missão corporativos ostentam uma linguagem que dissimula ou encobre a verdadeira
cultura corporativa. Invariavelmente, ao entrar em uma fábrica, um enorme outdoor anuncia que a empresa
implementa medidas de segurança de "nível internacional". Essa placa apresenta palavras da moda, como
ISO, sustentabilidade, ecológico, aquecimento global, entre outras. Porém, quando você passa pelo outdoor, a
realidade se revela: geralmente, o que era segurança "de nível internacional" rapidamente passa a ser "a pior do
mercado".

Quando o foco é a produção a qualquer custo, não surpreende que os trabalhadores corram riscos para manter
os transportadores funcionando. Slogans de segurança e mensagens ecológicas se tornam um disfarce, que
encobre o que realmente está acontecendo. E a percepção dos trabalhadores também é a mesma: a produção é
mais importante do que a segurança.

Evidentemente, o motivo que leva uma empresa a operar minas e fábricas de processamento é a produção.
Portanto, para combater a hipocrisia, as empresas deveriam admitir que a produção é o foco.
Eu afirmo que a meta deveria ser seguir o conceito de Production Done Safely™ (Produção com segurança).

Causa:
as aquisições "pelo menor preço"
A cultura da má administração começa na sala de reuniões do conselho administrativo, onde as decisões sobre as
despesas de capital são baseadas em estudos de viabilidade que consideram apenas as receitas diretas, de acordo
com os princípios contábeis convencionais. O "valor agregado" dos aprimoramentos nas áreas de segurança e
saúde nunca é considerado durante a fase de viabilidade, nem em nenhuma outra fase do processo de aquisição.

Historicamente, as decisões de aquisição são, quase que universalmente, baseadas no processo de compra "pelo
menor preço". Porém, na tentativa de atender à restrições artificiais de verbas, importantes especificações dos
equipamentos são comprometidas e detalhes do projeto são descartados, sem nunca serem devidamente orçados.
A abordagem dos detalhes passa a fazer parte dos custos operacionais (e, geralmente, parte das despesas de
manutenção) e, assim, eles nunca são devidamente analisados na fase de concepção ou construção.

Os processos relativos à especificação e ao projeto para a redução de riscos não recebem atenção suficiente.
A aquisição pelo menor preço impede que as empresas de engenharia incluam os custos de enviar os engenheiros
a campo, para que eles vejam os resultados de seus projetos e reúnam a experiência necessária para aprimorar
continuamente os projetos e a segurança.

O custo de uma "aquisição barata" pode ser muito alto. Um sistema adquirido pelo menor preço geralmente não
consegue fornecer a capacidade de produção necessária. Em vez disso, o foco deveria ser o custo mais baixo ao
longo da vida útil do projeto. Projetos executados pelo menor preço muitas vezes acabam sendo os mais caros,
pois modificações posteriores, resultantes de problemas detectados durante os períodos de teste e inicialização,
podem apresentar custos consideráveis.

O resultado, na minha opinião, é este: o processo de aquisição "pelo menor preço" mata pessoas.

xi
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia | Prefácio

Causa:
Projetos excessivamente complexos
A complexidade não melhora a segurança obrigatoriamente. Projetos simples geralmente são os mais difíceis de
executar. O tempo adicional dedicado a simplificar a operação e a manutenção dos componentes que afetam
diretamente a produção e a limpeza do transportador tem um excelente retorno. Infelizmente, é praticamente
impossível incorporar os mesmos benefícios aos projetos executados pelo menor preço, devido à interseção entre a
percepção do cliente de um "custo muito elevado" e a necessidade do fornecedor de "ganhar a licitação".

Causa:
Inúmeras regras
Em uma visita recente a uma pedreira, observei que o guia de segurança do visitante tinha 14 páginas. Eu fui até lá
apenas para realizar um treinamento, não pretendia operar ou trabalhar com nenhum equipamento.

Nos seminários avançados que ofereço, eu geralmente pergunto: "Alguém poderia se levantar e repetir as regras de
segurança da empresa onde trabalha"? Nenhum participante nunca foi capaz de recitar as regras de sua empresa.
Quais são as chances de o trabalhador lembrar, entre tantas regras, daquelas adequadas a um momento crítico,
como uma pane do transportador? Minha estimativa é que as chances são próximas de zero.

Entretanto, outra empresa teve uma abordagem mais sensata: suas regras básicas de segurança são compostas por 12
regras gerais. As chances de um trabalhador lembrar, praticar e apoiar seus colegas, avaliando suas ações em relação
a uma dúzia de diretrizes gerais de segurança, são muito maiores.

Grupos e associações do setor, organizações que definem normas e governos já publicaram milhares de páginas
sobre regras de segurança. Muitas vezes, as regras de um mesmo país entram em contradição entre si ou não são
aplicáveis ao setor ao qual são impostas. O esforço necessário para que os fornecedores consigam cumprir com o
grande número de regras existentes é imenso; geralmente, esses esforços são invalidados pelas opiniões divergentes
de diversos inspetores. A probabilidade de obedecer à complexidade de todos os regulamentos e receber aprovação
nas inspeções é, na melhor das melhor das hipóteses, problemática.

Causa:
Numero reduzido de mão de obra e funcionários mal treinados
A falta de financiamento adequado para a manutenção é uma tendência do setor de manuseio de materiais a granel.
Milhões são gastos em componentes. Porém, essa despesa não contempla o orçamento da manutenção adicional
necessária para que os componentes sejam mantidos em condições operacionais seguras. Geralmente, o tamanho de
uma equipe de manutenção é baseado no TMEF (Tempo Médio entre Falhas) dos equipamentos mais importantes,
a partir da conclusão ilógica de que os trabalhadores podem realizar a manutenção de todos os componentes
secundários do sistema quando tiverem tempo "disponível".

A maioria dos equipamentos não é projetada para proporcionar uma inspeção fácil ou uma manutenção segura.
Assim, durante as paradas agendadas da produção, que estão cada vez mais breves e menos frequentes devido
a uma ideia equivocada de que o funcionamento "a todo vapor" aumenta a produtividade, a manutenção dos
componentes secundários acaba sendo frequentemente adiada, como consequência dos conflitos do acesso, da falta
de tempo ou das restrições orçamentárias. Isso reduz ainda mais a funcionalidade dos componentes, muitas vezes,
até o ponto em que eles se tornam inúteis e irreparáveis.

Como os transportadores são projetados para serem resistentes, a correia pode ser arrastada sobre pilhas de sujeira
acumulada ou roletes inoperantes, desde que os componentes principais continuem funcionando. Se a manutenção

xii
Prefácio | FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de Correia

e o acesso adequado aos componentes essenciais para manter um ambiente de trabalho limpo e seguro
fossem facilitados, grande parte do serviço poderia ser executado com segurança durante o funcionamento do
transportador.

Embora a maioria dos trabalhadores de manutenção sejam técnicos qualificados, eles raramente compreendem
o transportador como um sistema. Transportadores são sistemas complexos: uma mudança em um dos
componentes pode ter consequências indesejadas para todo o sistema. Sem uma compreensão básica sobre
como os transportadores são projetados e os componentes selecionados, a manutenção se torna um exercício
de encontrar o "paliativo" mais durável para tratar um sintoma, em vez de resolver a causa do problema.
Em pouco tempo, o acúmulo de más escolhas no tratamento dos sintomas resultará em um sistema que
não funciona da maneira ideal. O tratamento dos sintomas reduz a vida útil dos componentes; geralmente,
o que é sacrificado é a vida útil da correia, o que aumenta a necessidade do uso de peças de reposição e,
consequentemente, o trabalho de manutenção. É fácil encontrar provas desse tipo de abordagem sem sentido:
basta passear pela fábrica e procurar as tags vermelhas nos equipamentos inoperantes. Há grandes chances de
que as tags apresentem datas de meses ou anos atrás. Como resultado, o equipamento fica parado, esperando
pela manutenção que nunca virá.

A segurança compensa
A inclusão da segurança nas análises financeiras, para justificar o tempo adicional dedicado a um projeto, e as
aquisições em função dos custos do ciclo de vida, em oposição às ofertas com o menor preço, terão um retorno
muito maior do que é possível imaginar. Um levantamento da literatura mostra que as empresas que realmente
concentram seus esforços na segurança são mais produtivas e operam instalações mais limpas e mais seguras do
que seus concorrentes. Além disso, suas ações valem mais no mercado.

Conheça os livros
A série de livros FOUNDATIONS™ da Martin Engineering tem como objetivo fornecer à equipes de operação
e manutenção soluções práticas para problemas comuns associados aos sistemas de manuseio de materiais a
granel. As recomendações e métodos descritos no livro FOUNDATIONS™ Guia Prático para um Controle Mais
Limpo, Seguro e Produtivo do Pó e Material a Granel, Quarta Edição tornaram-se a abordagem padrão do setor
para solucionar problemas.

Entretanto, este livro representa uma mudança na direção da nossa antiga tradição e se concentra na
segurança ao trabalhar com transportadores de materiais a granel. O propósito do livro
FOUNDATIONS™ Fundamentos de Segurança para se Trabalhar com Transportadores de
Correia, Guia de Segurança sobre as Boas Praticas Mundiais para o Manuseio Mais Seguro
de Materiais a Granel deve ser usado em conjunto com o FOUNDATIONS™, 4ª Edição.

O resultado
Ao longo de todo este volume, nós defendemos que os transportadores podem e devem
ser mais seguros e que existem razões econômicas válidas para isso. Organizamos este
livro na esperança de que você possa aprender e, então, obter os benefícios do conceito
Production Done Safely™.

R. Todd Swinderman

xiii
xiv
Introdução A NECESSIDADE DE
APRIMORAR A SEGURANÇA
PARA SE TRABALHAR
COM TRANSPORTADORES
DE CORREIA
A missão
Production Done Safely™ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

1
Capítulo 1 A missão
Production Done Safely™
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 INTRODUÇÃO
Uma perspectiva positiva da Nesse volume, serão abordadas maneiras
segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 de aprimorar a segurança para se trabalhar
com transportadores de correia. Mas antes,
Segurança, definição . . . . . . . . . . . . . . . 4
é preciso olhar tanto para os transportadores
Cada sistema é quanto para a segurança em linhas gerais, para
perfeitamente projetado . . . . . . . . . . . 6 observar quais são seus propósitos e objetivos,
o que eles têm em comum, e como eles podem
Production Done Safely™ . . . . . . . . . . . . 6 estar mais alinhados.
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Uma perspectiva positiva da
segurança
A segurança está passando por um momento
decisivo. O foco na coleta e análise de dados
negativos (comunicação de incidentes)
produziu nas ultimas decadas, pouco retorno
do investimento, e pouca redução nas taxas de
acidente. Isso é evidenciado pela permanente
resistência na redução das taxas de mortalidade
no trabalho. A Figura 1.1. mostra uma queda
dramática nas taxas de morte acidental na
indústria de mineração nos Estados Unidos
2
A missão | Capítulo 1

nas primeiras partes do século 20 até meados Além disso, o foco nos dados "negativos",
da década de 1970; depois disso, a taxa de isto é, o número e o tipo de incidentes como
acidentes se estabilizou ou estagnou. Como indicador da probabilidade e da gravidade de
indica a figura, mesmo com quantidades futuros acidentes, é problemático. Há muitos
crescentes de regulamentação e sua fatores nesses dados que embaçam o cenário.
respectiva aplicação, não houve uma redução
estatisticamente significativa na taxa de morte A tendência de responsabilizar a imprudência
acidental nos últimos 40 ou 50 anos. do trabalhador por acidentes e ferimentos está
entre as principais razões pelas quais o foco
A tendência de "estabilização" é evidente em dados negativos é ineficaz. Isso mascara as
não é apenas na indústria da mineração e causas subjacentes e, por isso, inibe a tomada
outras operações de manuseio de materiais a de ações corretivas significativas. Ignorar as
granel; isso também pode ser visto em todas causas e apenas tratar os sintomas alimenta
as principais indústrias. Essa estagnação em a ampliação de regras e regulamentos, que
fatalidades mostra que o aumento contínuo são fáceis de implementar, porém, ineficazes.
na regulamentação não está melhorando É mais fácil fazer uma regra que resolva
a segurança. Essa tendência indica que os um sintoma do que mudar uma cultura
sistemas de segurança estão se tornando para resolver um problema. Outro fator é
mais burocráticos e subjetivos sem uma a percepção de baixa probabilidade de um
correspondente melhoria na segurança. acidente, o que alimenta a crença comum de
Cenários similares podem ser desenhados em que “isso não vai acontecer comigo". Além
outros países. disso, há diferenças significativas na forma
como os países relatam ou não os dados de
Tornou-se óbvio que essa metodologia de acidentes, o que dificulta as comparações
incremento dos requisitos e regulamentos a nível mundial sem o uso de estimativas
chegou ao ponto de rendimentos decrescentes. independentes.
O que tem sido feito para melhorar a
segurança é importante e deve ser mantido, Com os poucos dados negativos usados para
mas não está significativamente melhorando a prever problemas futuros e a deturpação de
segurança dos trabalhadores. dados pela análise incorreta de causas, é pouco

Taxa de mortalidade nos EUA – Figura 1.1


Todas na mineração 1931-2010
Fatalidades por cada 100.000 mineiros

Depois de declinar
30
dramaticamente até
meados da década
25 de 1970, as taxas
de mortalidade na
mineração nos Estados
20
Unidos se estagnaram.
(Dados da agência
15 de Administração de
Segurança e Saúde
em Mineração do
10
Departamento do
Trabalho dos EUA.)
5

0
1931 1941 1951 1961 1971 1981 1991 2001 2011

3
Introdução | A necessidade de aprimorar a segurança para se trabalhar com transportadores de correia

provável que esses métodos de prevenção e a realidade, agora é possível calcular o


possibilitem qualquer redução significativa no Return On Conveyor Safety™ (R.O.C.S.™,
número de acidentes industriais. Retorno do investimento na segurança para
se trabalhar com transportadores). Isso
Existem muitos estudos individuais que permitirá difundir uma cultura de segurança
mostram que o foco na segurança melhora e melhorar as atividades de manutenção para
a produção e a rentabilidade. Mas ainda aprimorar significativamente a segurança dos
precisamos "compreender as conexões" transportadores.
representadas por esses estudos a fim de que
o tema da segurança para se trabalhar com
transportadores passe de simples percepções Segurança, definição
e experiências individuais para o reino do
Segurança, conforme usada neste livro, é o
conhecimento de fatos comprovados que
processo contínuo de mitigação do risco de
possam ser usados para aumentar a ordem de
ferimentos pessoais, e as consequentes perdas
grandeza na escala da segurança.
materiais e econômicas, por meio de uma
O propósito deste livro é fazer essas conexões variedade de estratégias de gestão, engenharia e
para que a utilização de dados negativos sensibilização.
seja substituída pela de dados positivos,
A segurança é um substantivo comum com
transformando em uma atividade mais
vários significados, tais como estar livre
segura o manuseio de materiais a granel por
de danos ou perigo, estar seguro, não ser
transportadores de correia. Dessa maneira,
perigoso ou nocivo, ou mesmo um dispositivo
vidas podem ser salvas e o ambiente, mais
projetado para evitar ferimentos, danos à
bem gerido, melhorando a produtividade e a
propriedade, ou limitação do funcionamento
rentabilidade.
de uma máquina. Seguro é um adjetivo usado
Ao "compreender as conexões" entre os custos para descrever as coisas protegidas ou não
indiretos, antes considerados inquantificáveis, expostas ao perigo ou risco, ou não sujeitas a
serem danificadas ou perdidas.

"Segurança ou Produção em primeiro lugar"?

É comum entrar em uma instalação e ver um slogan por muito tempo. Outras plantas, outros métodos e outras
atrativo, como "Segurança em primeiro lugar" ou "Sem forças econômicas rapidamente vão expulsá-la do mercado.
acidentes", estampado em um cartaz ou banner perto da
entrada. À primeira vista, parecem nobres declarações, Então, se a planta está dedicada à produção, onde entra a
mas muitas vezes a mensagem desaparece rapidamente na segurança?
desordem, ruído e confusão da instalação e das ações da
Existe alguém que se dedique à segurança? A resposta deve
gerência.
ser afirmativa: tanto os engenheiros encarregados pelo
O problema é este: A segurança não é realmente colocada design do equipamento e do processo quanto o mesmo
em primeiro lugar. trabalhador que, no seu trabalho diário de igual ou talvez
maior importância, faz escolhas que afetam a segurança
Qualquer empresa está sempre mais preocupada - e assim pessoal e a dos demais. Essas decisões de segurança terão
deve ser - em ganhar dinheiro mediante a produção de um efeitos significativos sobre os resultados financeiros da
produto ou serviço comercializável. Em outras palavras, operação; consequentemente, os gestores de todos os
a produção economicamente viável é a prioridade; esse níveis na organização deverão estar preocupados com a
objetivo está necessariamente em primeiro lugar. Isso é segurança.
verdade para todas as indústrias e todas as ocupações,
desde entregar jornais até fabricar carros, desde administrar De forma literal, a "segurança" é um termo absoluto. Isso
uma padaria até gerir a maior fábrica de cimentos não é alcançável e os trabalhadores instintivamente sabem
do mundo. Uma planta que não esteja preocupada disso. Se a segurança absoluta é o objetivo final e o gestor
principalmente com a produção, não ficará no negócio ou colegas de trabalho não são perfeitos, as condições
4
A missão | Capítulo 1

Embora o termo segurança seja utilizado em das operações industriais não tomaria nem o
termos absolutos, é preciso reconhecer que mínimo de precauções de segurança; mas desde
é impossível ser "100 por cento seguro, 100 a ascensão da regulamentação de segurança e
por cento do tempo". Ao usar o conceito de saúde ocupacional iniciada na década de 1970,
segurança em termos absolutos, estabelecemos o número de normas de segurança multiplicou
uma meta irreal. Isso transforma a segurança cem vezes, enquanto a taxa de acidentes fatais
em um "recurso" observado apenas para permaneceu relativamente inalterada.
garantir a conformidade com regras e Há muito tempo se estabeleceu que os avisos
regulamentos. e normas administrativas estão entre os meios
Em vez disso, a segurança é um "benefício" menos eficazes de mitigação dos riscos e
derivado da cultura organizacional e do aprimoramento da segurança. Se fosse eficaz
bom projeto, operação e manutenção essa metodologia de "segurança alcançada
de equipamentos e sistemas, incluindo por meio de normas", com regras do tipo
transportadores de correia. não ponha a mão dentro da máquina ou use
Os regulamentos e os legisladores muitas equipamentos de proteção, porque ainda
vezes recebem os créditos da redução nos ocorrem acidentes industriais? Certamente,
incidentes de segurança e saúde. Mas todos ninguém foi instruído a sofrer um acidente.
aqueles que trabalham em conformidade Ao considerar a segurança um benefício,
com a regulamentação sabem que os em vez de um recurso obtido por requisitos
regulamentos são muitas vezes vagos e/ou regulatórios ou por normativas da gerência,
estão desatualizados. A conformidade está começamos a mudar a velha e ultrapassada
sujeita a uma ampla variante de interpretações. crença de que os trabalhadores são a maior
Basear-se exclusivamente no cumprimento causa de acidentes devido a comportamentos
dos regulamentos para aprimorar a segurança de risco. Aplicando as atuais melhores
é uma abordagem reativa e ineficiente. Se práticas, compreendendo a natureza humana
não houvesse regulamentação, certa parcela e mudando as abordagens de design e

estão dadas para o fracasso. Qualquer desvio da segurança transportadores de correia são usados é porque são, muitas
absoluta, independentemente de quão pequeno seja, por vezes, o método com o menor custo por tonelada no
meio de ações imprudentes, incapacidade de fazer cumprir transporte de grandes quantidades de materiais a granel e,
as políticas ou ignorar os perigos pode acabar com a crença em segundo lugar, porque eles também podem ser a forma
de um trabalhador no slogan ou com o compromisso da mais segura.
companhia.
Como serão abordados neste livro, os aprimoramentos
Na realidade, a segurança é uma jornada de na segurança de transportadores, entre outros, poderão
aprimoramento contínuo. Talvez os slogans devam refletir oferecer um grande benefício para o negócio em termos de
a natureza humana e a necessidade de fornecer os bens e produtividade, lucro operacional e valor para os acionistas,
serviços necessários de forma segura, proporcionando a incluindo o aumento do preço da ação. A filosofia de
todos uma meta cada vez mais possível e alcançável que é cada planta deve ser: "Vamos ser produtivos, mas com
"Pense na segurança". segurança".

No caso de transportadores de correia, não há dúvidas Isso é o que permeia nosso lema: Production Done
sobre o que vem em primeiro lugar. O motivo pelo Safely™ (Produção com Segurança).
qual eles existem é a necessidade de manusear grandes
quantidades de material a granel para fins de produção. Mesmo nesse grito de guerra, a produção vem em primeiro
Uma vez que a necessidade é identificada, quantificada, lugar; a segurança foi incluída, mas de forma secundária.
e as opções exploradas, a operação é então definida de Isso reflete a realidade econômica dos negócios – o mundo
forma que seja a mais eficiente e segura possível. Aqui real. Isso faz dele um slogan que gestores e trabalhadores
é onde entram os transportadores. A razão pela qual os podem entender e adotar – todos saberão que representa o
verdadeiro compromisso corporativo!
5
Introdução | A necessidade de aprimorar a segurança para se trabalhar com transportadores de correia

treinamento, podemos proativamente tirar se você quiser obter melhores resultados,


proveito da relação bem estabelecida entre então você deverá mudar a maneira com
segurança, produtividade e rentabilidade. faz as coisas. Se não o fizer, como pode
esperar resultados diferentes dos que você
Cada sistema é
vem obtendo?
perfeitamente projetado...
"Cada sistema é perfeitamente projetado para Production Done Safely™
alcançar os resultados que de fato alcança."
Esta observação é comumente atribuída ao Dr. O trabalho, especialmente o trabalho em
Paul Batalden, M.D. Embora o Dr. Batalden operações industriais de manuseio de materiais
estivesse falando sobre cuidados de saúde, a granel, apresenta riscos. A tarefa dos
sua observação pode igualmente ser aplicada trabalhadores é o de gerir, reduzir e eliminar
aos sistemas transportadores, ou mesmo aos esses riscos. Mesmo uma cultura que prega a
sistemas de segurança. "Segurança em primeiro lugar", que faz votos
de que os trabalhadores são o recurso mais
Os designs convencionais de transportadores importante, sabe que, na hora da verdade, a
de correia foram perfeitamente projetados para planta deve se dedicar à produção.
produzir o que agora produzem – material
fugitivo, componentes de curta vida útil, Mas o desafio de engenheiros, trabalhadores
trabalho de limpeza, ferimentos e acidentes, e seus gerentes é fazer valer o conceito
desalinhamento, resíduos e altos custos de Production Done Safely™ (Produção com
manutenção. Segurança).

A maioria dos sistemas, mesmo os Há evidências claras, porém ainda não


transportadores de correia, é de tal consolidadas, de que as empresas que prezam
complexidade que a lei de consequências não pela segurança têm maior produtividade
intencionais passa a vigorar. A complexidade e rentabilidade do que aquelas que se
não necessariamente aprimora a segurança concentram no menor custo possível de
ou a produtividade. Não é possível antecipar produção em detrimento à segurança. Este
cada interação entre as pessoas e as máquinas. volume promove e demonstra o valor existente
Ao desmantelar uma organização inteira para quando as operações de transportadores de
reestruturá-la, é igualmente possível criar correia no manuseio de materiais a granel
novas disfunções quanto corrigir os problemas são feitas de forma mais limpa, mais segura
antigos. e mais produtiva, fazendo valer o conceito
Production Done Safely™. Além disso, este
No livro Five Hidden Mistakes CEOs Make, livro apresenta métodos e melhores práticas
o consultor em liderança Tom Northup para alcançar esses fins.
acrescenta a seguinte observação:
Production Done Safely™ é o objetivo
Todas as organizações são perfeitamente racional para a permanência de operações
projetadas para alcançar os resultados que que permitam rentabilidade continuada da
agora estão obtendo. Se nós desejamos empresa, para a manutenção dos salários dos
resultados diferentes, é preciso mudar a trabalhadores com benefícios para a toda a
forma como fazemos as coisas. comunidade e para a manutenção da saúde e
Ele prossegue: bem-estar dos trabalhadores.

Agora, sua empresa obtém justamente os O caminho do sucesso é o conceito


resultados que foram projetados, sejam Production Done Safely™ (Produção com
eles bons ou ruins. Se a sua visão do Segurança).
futuro for diferente de sua situação atual,

6
A missão | Capítulo 1

CONCLUSÕES Por tanto, é óbvio que a verdadeira justificativa


Transportadores e segurança para a utilização de transportadores é a
produção; ou seja, a produção é feita de forma
para se trabalhar com
mais rentável e mais eficiente.
transportadores de correia
Então, como é que os trabalhadores e
Então, como o lema ou visão Production
engenheiros de equipamentos fazem com que
Done Safely™ (Produção com Segurança) se
as coisas se tornem mais seguras? Eles o fazem
encaixa em um livro sobre transportadores e
evitando o risco no projeto, dificultando ao
segurança no trabalho com transportadores
máximo que algo arriscado ou perigoso possa
de correia? A resposta é: Como a produção
ser realizado.
está em primeiro lugar, a planta deve estar
comprometida em fazer com que seus A razão pela qual a Martin Engineering
transportadores disponham do maior nível de escreveu este livro é mostrar como os
segurança possível. transportadores de correia podem ser operados,
conservados, construídos e projetados de forma
A razão pela qual os sistemas de
a eliminar ou controlar os riscos. Isso é feito ao
transportadores de correia são construídos e
evidenciar áreas de perigo e atitudes de risco,
operados é entregar a quantidade necessária
oferecendo sugestões de design e justificativa
de material a granel em um determinado
de custo. Isso fará com que a atividade de
processo. Em muitos casos, um transportador
produção seja mais segura para todos aqueles
de correia é usado como alternativa ou para
que trabalham com transportadores de correia
substituir outra forma de transporte.
ou em suas proximidades.
O uso de transportadores normalmente não
aprimora a segurança. Mas o investimento em Para transportadores de correia, a contínua
um transportador de correia provavelmente missão deste livro é o conceito Production
nunca seria justificado se ele não cumprisse a Done Safely™.
promessa de um menor custo por tonelada.

7
Seção 1 PERIGOS E ÁREAS DE RISCO
INTRODUÇÃO:
Os perigos dos transportadores de correia . . . . . . . . . . . . . . . . 8
Capítulo 2
Zonas de risco dos transportadores de correia . . . . . . . . . . . . 12
Capítulo 3
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores . . . . . 26

7
1

Seção 1 INTRODUÇÃO
Os perigos dos transportadores de correia
Um transportador de correia é uma esteira Para prevenir esses incidentes e para garantir a
grande, altamente tensionada e enrolada segurança do trabalhador, os gerentes de planta
em um labirinto de peças e pontos de e agências regulatórias já usaram sinalização,
esmagamento em movimento. Através dessa resoluções e procedimentos de segurança. A
estrutura, a correia se move em velocidade, sinalização indica aos trabalhadores os pontos
transportando grandes volumes de carga a de risco e práticas inseguras. As resoluções
granel de diversas naturezas, como material geralmente indicam áreas a serem evitadas e/
pegajoso, abrasivo, empoeirado ou corrosivo. ou proíbem a realização de tarefas inseguras.
O transportador é exposto a ambientes As práticas de segurança no trabalho mostram
industriais hostis e condições climáticas como os trabalhadores devem realizar suas
aleatórias. Após a instalação, o transportador tarefas. Juntas, essas precauções parecem
normalmente recebe pouca manutenção e ser métodos eficientes de proteção aos
escassa atenção. Todas essas circunstâncias trabalhadores.
se combinam para criar vários perigos que
podem causar ferimentos ou até a morte de
trabalhadores não treinados ou desatentos. Mas no mundo real
Parece razoável pensar que todo mundo A realidade nos diz algo diferente. Os riscos
saiba que os transportadores de correia são apresentados pelos transportadores de correia
perigosos. Particularmente as pessoas que são evidenciados pelas estatísticas de acidentes
trabalham com transportadores devem saber industriais em todo o mundo.
como eles são perigosos. Mas, apesar desse No intervalo de dez anos, entre 2002 e
conhecimento, muitos trabalhadores ainda são 2012, houve 91 fatalidades relacionadas
mutilados e mortos pelos transportadores a a transportadores de correia nos Estados
cada ano.

8
Introdução – Os perigos dos transportadores de correia | Seção 1

Unidos. A Martin estima que 28 dessas padrão sejam alterados. Logo depois do
fatalidades, aproximadamente 30%, foram incidente, há coros de "Nunca mais" ou "Não
relatadas na mineração pela agência Mine no meu turno".
Safety and Health Administration (MSHA,
Administração de Segurança e Saúde em Dependendo da capacidade que a empresa
Mineração); as outras 63 foram registradas tiver de manter essa postura, o nível
em distintas indústrias pela agência Safety de precaução dos trabalhadores poderá
and Health Administration Ocupacional permanecer alto por um tempo considerável.
(OSHA, Administração de Segurança e Saúde
Ocupacional). Além disso, a OSHA relatou Até o próximo acidente
378 ferimentos relacionados a transportadores 1
de correia no mesmo período. Um novo acidente monopoliza a atenção
dos trabalhadores e da gerência. Um novo
No resto do mundo, os tipos e os números conjunto de sinalização e comunicações será
de incidentes são similares. As estatísticas apresentado, e novos procedimentos serão
de algumas regiões são menos precisas e implementados. Toda a empresa volta sua
frequentes, dado que os requisitos locais de atenção para o novo incidente.
comunicação e classificação não estão bem
definidos. Por isso, os incidentes não são Existe uma probabilidade considerável do novo
bem rastreados, o que dificulta a pesquisa. incidente fazer com que todos se esqueçam do
Mas as evidências indicam que há problemas ‘Velho’ incidente. Enquanto o procedimento
significativos em matéria de segurança para para o primeiro acidente pode ser eficaz, um
aqueles que trabalham com transportadores de trabalhador pode esquecê-lo porque ele está
correia em todo o mundo. fora de mente, ou está escondido em pilhas
de papéis sobre o “novo” acidente. Quando a
Esses números mostram que as medidas parede está coberta com sinais de segurança,
de segurança para transportadores, como começa a se parecer com parede depois de um
sinalização, resoluções e práticas de segurança tempo. Isto é, como o que era uma solução
no trabalho, não são suficientes para proteger eficaz, pode se tornar ineficaz após o tempo.
os trabalhadores. Essas informações permitem
supor que esteja acontecendo uma de duas Se até as melhores precauções de segurança
coisas: ou as medidas de segurança prescritas podem falhar com o tempo, imagine com
não são suficientemente enfáticas, ou os que velocidade ficará obsoleta uma solução
funcionários não as respeitam. insuficientemente planejada e implementada.

A maneira como o mundo Causas de acidentes


funciona
Muitos ferimentos resultam de uma escolha
Quando acontece um acidente no local individual com base em vários critérios que
de trabalho, a atmosfera e as atitudes são entram em conflito. Ninguém se dirige ao
compreensivelmente alteradas, pelo menos, trabalho pensando que sofrerá um acidente,
momentaneamente. mas mesmo assim ocorrem ferimentos.
Quando um trabalhador entra em uma área
Em seguida, há uma elevação do nível de insegura ou age de forma arriscada, três
sensibilização quanto à segurança em toda coisas passam pelo seu subconsciente. O
a instalação. Aparecem nova sinalização, trabalhador tem a compreensão de como o
lembretes, cartas e anúncios. Podem surgir mundo funciona, está focado na conclusão
novas precauções e novos equipamentos de uma tarefa e tem a expectativa de que
instalados. Dependendo da gravidade do obterá um resultado seguro com base em
incidente, é possível que os procedimentos

9
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

experiências passadas. Subconscientemente, os Observação sobre as fontes de


trabalhadores estão submetidos a um conflito acidentes com transportadores
de prioridades entre produção e
procedimentos de segurança. Os seres A seguinte seção é um resumo das zonas
humanos estão tão predispostos a querer de risco e práticas inseguras mais comuns
agradar ao chefe que, apesar do especificamente associadas a correias
discurso de segurança acima de tudo, a prática transportadoras. Ela faz uso das estatísticas
real é a produção a qualquer custo. de segurança, das normas e regulamentos da
indústria, assim como da vasta experiência do
Essa compreensão sobre "como as coisas pessoal da Martin Engineering que trabalha
funcionam" é o conhecimento que o com transportadores de correia todos os dias
1
trabalhador oferece na situação. Isso inclui os no mundo inteiro.
fundamentos da física (gravidade, velocidade,
outras funções mecânicas) e os riscos que Esses capítulos também abordam as áreas
determinados equipamentos representam para inseguras de um transportador e as práticas
a segurança nas instalações. Esse é o motivo inseguras que os trabalhadores podem chegar a
pelo qual as tarefas de treinamento e segurança adotar nas proximidades de um transportador.
são realizadas. Essas sessões de treinamento Se os trabalhadores tiverem uma melhor
representam uma tentativa de informar o compreensão de como o mundo funciona,
trabalhador sobre as áreas de risco e práticas eles estarão mais conscientizados sobre as
inseguras associadas a uma tarefa. práticas inseguras e as zonas de perigo dos
transportadores. Conhecer os perigos permitirá
que os trabalhadores evitem os riscos dos
transportadores de correia para que possam
então ir para casa em segurança todos os dias.

10
Introdução – Os perigos dos transportadores de correia | Seção 1

11
1

Capítulo 2 Zonas de risco dos


transportadores de correia
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 INTRODUÇÃO
As zonas de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Causas de ferimentos
Os sistemas de transportadores de correia
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
sempre foram os burros de carga da indústria
de manuseio de materiais a granel desde 1795.
Como burros de carga, eles realizam uma
quantidade incrível de trabalho. Sua principal
função é transportar grandes quantidades de
materiais a granel de um lugar para outro.

Assim como os animais domesticados, os


sistemas de correias transportadoras não
foram concebidos para ferir os trabalhadores.
Mas como são dispositivos poderosos, os
transportadores poderão matar ou mutilar os
trabalhadores se não lhes for dado o devido
respeito.

Um trabalhador deve tratar com respeito tanto


um cavalo quanto um transportador por causa
da possibilidade de liberação de energia em um
trabalhador. Mesmo um transportador curto
e simples movido somente por um motor
de um único cavalo de potência apresenta

12
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

perigos para os trabalhadores. Dado que o acionamento com um motor na ordem de


típico transportador de material a granel é uns 375 quilowatts [≈500 Hp] de potência.
movido por um motor de múltiplos cavalos de Enquanto os detalhes de quanta energia está
potência, o perigo a que os trabalhadores estão no sistema variam de transportador para
expostos é significativamente aumentado. transportador, a quantidade de energia seguirá
sendo enorme e possivelmente mortal. Ele tem
Nos próximos dois capítulos, serão força para elevar e transportar toneladas de
abordados alguns dos perigos específicos dos materiais de carga; pode facilmente esmagar
transportadores de correia. Primeiro, será um ser humano.
analisado como um transportador pode ser
perigoso. O capítulo seguinte examinará A maioria dos transportadores é projetada
1
algumas práticas de trabalho inseguras que de forma a permitir que seja iniciada
podem colocar um trabalhador em perigo. remotamente. Muitos transportadores têm
O capítulo posterior apresentará uma série design com sistemas complexos
de práticas seguras que ajudam a manter a de segurança e controle como parte integral
segurança do trabalhador nas proximidades de do processo. A complexidade não garante
transportadores. necessariamente a segurança. O sistema pode
ser ativado a qualquer momento com o simples
pressionar de um botão; esse recurso pode
As zonas de risco pegar um trabalhador desprevenido e causar
O próprio sistema transportador ferimentos graves ou até matar.

Um sistema transportador normalmente é um A carga


equipamento enorme, complexo e potente. O material em um transportador pode ser
(Figura 2.1.) Normalmente, um transportador tão perigoso quanto o sistema da correia
é uma correia de borracha posicionada sobre transportadora. (Figura 2.2.) Em alguns casos,
roletes que gira em torno de cilindros de aço o material pode ser inflamável, radioativo,
gigantescos colocados em cada extremidade, à cancerígeno, explosivo, tóxico ou estar
medida que é acionada por um motor potente. extremamente quente.
Como tal, ela apresenta tantas zonas de perigo
que todo o sistema transportador deve ser
considerado um perigo.

Dado que o transportador movimenta Figura 2.1.


materiais ao longo de distâncias pré-
Um sistema
definidas, em variados terrenos e inclinações, transportador de correia
a quantidade de potência requerida no é um equipamento
sistema varia de acordo com a aplicação. Um enorme, complexo e
transportador simples com movimentação de potente.
100 toneladas métricas por hora [≈110 tph],
em um trajeto de 30 metros [≈100 pés], sobre
um terreno plano, consome 4 quilowatts [≈5
Hp] de potência. Maior tamanho, força e Figura 2.2.
potência demandam que os transportadores Os transportadores de
deixem de ser unidades relativamente correia movem
pequenas, curtas e de baixa potência. Um materiais a granel em
transportador maior com movimentação volumes relativamente
de 1.000 toneladas métricas por hora em grandes e em altas
um trajeto de 1,6 quilometro [≈1.100 tph velocidades.
em ≈1 milha] precisará de um sistema de

13
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Os riscos a que um trabalhador está Todas as normas demandam proteções contra


exposto podem não ser consistentes em queda de materiais a granel, mas, em geral,
toda a instalação. Por exemplo, um dos essa proteção é raramente vista, exceto em
transportadores de uma fábrica de cimento caminhos e passagens bem movimentadas.
pode carregar material seguro, enquanto que
outro, em uma parte diferente do processo, Além dos perigos potenciais dos materiais
pode apresentar elevada concentração de sílica. em si, o trabalhador pode ser engolido pelo
fluxo de material. O trabalhador também
O trabalhador pode se ferir com o impacto de pode ficar preso entre o fluxo de material
um pedaço do material transportado ou com e um objeto fixado. Dentre as fatalidades
o peso de grandes quantidades de material registradas entre 1995 e 2011 pela agência
1
derramadas ou descarregadas pela correia. Mine Safety and Health Administration

Pontos de Interesse: Esmagamento, pressão e cisalhamento


Um dos riscos existentes em transportadores é normalmente • Ponto de esmagamento – qualquer local onde uma
descrito como pontos de esmagamento. O ponto de esmag- pessoa ou parte do corpo de uma pessoa possa ficar
amento é mais bem um nome genérico para uma variedade presa entre duas ou mais peças mecânicas em movi-
de riscos, incluindo também os chamados pontos de pressão mento, ou entre o material a granel e uma peça em
e de cisalhamento. As definições e distinções podem variar; movimento.
em muitos casos, os nomes são intercambiáveis. • Ponto de cisalhamento – momento em que as bordas
Um ponto de esmagamento se produz quando dois obje- de duas peças da máquina se cruzam ou se acercam
tos se unem sempre que exista a possibilidade de que uma uma da outra para cortar materiais relativamente
pessoa possa ficar presa ou ferida ao entrar em contacto macios. Em um típico ponto de cisalhamento, uma
com a área. No seu resumo de dados e estatísticas, a agência peça se move enquanto a outra peça está parada ou em
Michigan Occupational Safety and Health Administration movimento.
(MIOSHA, Administração de Segurança e Saúde Ocupacio- • Ponto de pressão – área de risco em que um elemento
nal de Michigan) define um ponto de esmagamento como do mecanismo do transportador, em movimento
...qualquer ponto em que uma pessoa ou parte do horizontal ou giratório, vai de encontro a outro ele-
corpo de uma pessoa possa ficar presa, ou seja, entre mento que também está em movimento horizontal ou
peças mecânicas em movimento, entre as partes giratório, de tal forma que termine por cortar, esmagar,
móveis e estacionárias de uma máquina ou entre o apertar ou prender qualquer objeto que entre em con-
material e qualquer peça da máquina. tato com um dos dois elementos.
Um ponto de esmagamento pode ser criado pelo mov- Pontos de pressão de entrada
imento de rotação, movimento alternativo, movimento
transversal (ou seja, o movimento em uma linha reta e O tipo de risco mais comum e significativamente perigoso
contínua) ou por ações que envolvam corte (incluindo mov- em um transportador é o "ponto de pressão de entrada".
imento de rotação, alternativo ou transversal) perfuração, Ele ocorre quando o movimento do maquinário segura e/ou
cisalhamento ou flexão. puxa as extremidades de pessoas ou objetos que venham a
Pontos de esmagamento normalmente impactam os dedos entrar em contacto com os componentes.
e mãos, mas também podem afetar qualquer área do corpo Os pontos de pressão estão presentes em materiais que,
O ferimento resultante de um ponto de esmagamento pode como uma correia transportadora, entram, por exemplo,
ser leve, como uma bolha, ou ser muito grave, como uma em uma abertura que se estreita gradualmente e são fortes
amputação ou morte. o suficiente para puxar partes do corpo, como dedos, mãos,
É um desafio averiguar se há diferenças nas definições entre braços e cabelos. Os pontos de pressão de entrada encontra-
pontos de esmagamento, pressão e cisalhamento. Para os dos em transportadores geralmente envolvem uma correia
nossos propósitos, as seguintes definições são apresentadas: em movimento e um componente giratório, tal como um
rolo tensor ou uma roldana.
14
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

(MSHA, Administração de Segurança e Figura 2.3.


Saúde em Mineração) dos Estados Unidos, a Os transportadores
Martin estima que cinco por cento delas foram de correia fazem
causadas pela imersão no material. com que muitos
processos industriais
A correia sejam possíveis.
Uma correia transportadora típica se move
a uma velocidade relativamente constante,
geralmente entre 0,5 e 10 metros por segundo
[de ≈100 a 1.968 pés/minuto]. (Figura
2.3.) Um velocista olímpico tem um tempo 1

A publicação Safeguarding Equipment and Protecting definição é perigoso e isso deve ser descontinuado, dado
Employees from Amputations, disponibilizado pela agência que apenas as correias mais leves podem ser levantadas para
Occupational Safety and Health Administration (OSHA, liberar uma pessoa ou objeto preso. Alguém com o membro
Administração de Segurança e Saúde Ocupacional) dos do corpo preso em uma abertura provavelmente não poderá
Estados Unidos, faz a seguinte observação: ser retirado até que o transportador pare.
Os pontos de pressão de entrada, também conhecidos Lugares como roletes de retorno e polias de todos os tipos
como "pontos de esmagamento", ocorrem quando em contato com correias criam pontos de pressão de
duas peças se movem juntas e ao menos uma delas faz entrada, os quais podem prender ou puxar partes do corpo
um movimento circular ou giratório. Os pontos de e, por tanto, esmagar, cortar ou mutilar pessoas. Por isso,
pressão de entrada ocorrem sempre que as peças da eles devem estar protegidos para prevenir qualquer membro
máquina se movem umas entre as outras ou quando de um01.02.SB01.01
trabalhador entre na zona de perigo.
In-Running Se os compo-
Nip Points

uma peça passa por um objeto estacionário. nentes girarem ou tiverem o potencial para girar em ambos
Common nip points on rotating parts
Os riscos referentes a pontos de pressão de entrada são os sentidos, haverá dois pontos de pressão de entrada em
frequentemente causados pela rotação e translado das peças ambos os lados. Por isso, eles devem ser protegidos para
no transportador. Essas peças podem roçar ou estar muito evitar a aproximação de qualquer direção.
próximas. A regulamentação de muitos países considera 01.02.SB01.01 Ponto final: um esmagamento, tenha ele o nome
In-Running Nip Points

uma separação de 50 milímetros [≈2 pol.] ou maisCommon uma nip points onque
rotatingfor...
parts
circunstância atenuante, sempre que tecnicamente não
represente ponto de pressão e, por tanto, não precise de Não importa se são chamados de pontos de esmagamento,
proteção. Essa é muitas vezes a lógica aplicada na parte de pressão ou cisalhamento; todos eles representam riscos. O
vedação da zona de carga, quando as extremidades de aço sistema deve ter um design capaz de eliminá-los, sempre que
do chute estão a 50 milímetros [≈2 pol.] ou mais acima da possível e, onde não for possível, eles deverão ser protegidos
correia e, por conseguinte, não precisa de proteção. Uma de forma eficaz. Além disso, os trabalhadores devem ser
conclusão semelhante In-Running é aplicada na seção da correia em que, treinados para evitar as zonas de perigo criadas por esses
01.02.SB01.01 Nip Points
se a correia puder ser levantada a 50 milímetros [≈2 pol.] ou pontos, além de informar imediatamente aos supervisores
mais, a interação entre a correia e os rolos laterais do rolete
Common nip points on rotating parts
a existência de pontos de pressão desprotegidos ou outras
não serão, tecnicamente, um ponto de pressão. Usar essa condições inseguras.

Pontos de compressão típicos em peças giratórias Pontos de compressão entre elementos e peças em movimento longitudinal

15
Nip points between rotating elements and parts with longitudinal motion
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

de reação de 0,18 segundos, quase um Algumas normas estabelecem que, se a correia


quinto de segundo, quando se encontra na for leve e houver pelo menos 50 milímetros
largada totalmente concentrado na corrida. [≈2 pol.] de espaço livre acima da correia, o
Se esse velocista ficar preso em uma correia ponto de esmagamento criado pela correia e o
transportadora que se move a 1,5 metro por rolete não representará perigo e não necessitará
segundo [≈300 pés/minuto], ele será arrastado de proteção.
por 0,27 metro [≈10,6 pol.], o comprimento
de uma régua, antes de sequer perceber o Além do risco de arrastar trabalhadores, as
que está acontecendo. Pesquisas mostram correias transportadoras se comportam como
que quando estamos distraídos, os tempos de moedores gigantes. As correias transportadoras
reação podem aumentar duas ou três vezes. podem chegar a cortar estruturas de aço. O
1
Alguns sites de segurança estabelecem que o corpo humano é bem mais brando que o aço,
tempo de reação de alguém que trabalha com portanto a correia pode decepar membros
transportadores é superior a 1 segundo. Além rapidamente.
disso, a reação humana natural ao segurar Uma correia rasgada também pode representar
uma ferramenta é apertar o punho e tentar risco ao trabalhador. Se a correia em
recuperar a ferramenta, iniciando o processo movimento tiver uma ponta, cabo ou saliência,
de reação uma vez mais. esse objeto estará na mesma velocidade que
No mínimo, um trabalhador, mesmo que a correia. Isso permite que um objeto se
tenha um tempo de reação excelente e movimente pela correia, mas ele fica fora da
seja totalmente consciente sobre o risco área de controle que a correia normalmente
que representa um transportador, pode percorre. Se um trabalhador for atingido, ele
inadvertidamente ficar preso no ponto de poderá se ferir ou até morrer.
pressão entre a correia e o rolete de carga e não Uma correia transportadora que se movimenta
ser capaz de reagir com rapidez suficiente para fora do percurso pretendido é considerada
evitar ser arrastado. uma correia desalinhada. Se a correia estiver
Um trabalhador "normal", que obviamente desalinhada, ela deixará de estar onde deve e
não é um atleta de alto rendimento, exigiria passará a percorrer uma trajetória não esperada
um tempo de reação ainda maior. Para pelo trabalhador. Qualquer componente
simplificar, imagine que o tempo de reação grande que esteja operando onde não deve
seja duas vezes superior, sendo o trabalhador estar representa um risco.
arrastado duas vezes mais longe. À medida que a correia transportadora
O trabalhador poderia ainda atingir vários se move, existe o risco de que a correia
outros componentes, ou ser puxado ainda mais receba carga elétrica do ambiente. Se um
longe e mais forte contra o primeiro deles. trabalhador entrar em contato com essa
carga de eletricidade, a eletricidade estática
acumulada descarregará no trabalhador. Em
Figura 2.4.
circunstâncias normais, esse choque será
O sistema de transmissão inofensivo. Rolar por um tapete pode gerar
é composto por alguns
de 10 a 25 milijoules (mJ), que representa
dos componentes
apenas um ou dois por cento de que seria
giratórios vistos em um
transportador de correia.
um choque letal. Normalmente requer pelo
menos 1 mJ para gerar um choque que alguém
possa sentir, de 10 a 30 mJ para que a pessoa
reclame e 1.350 mJ para matá-la. Acidentes
fatais com eletricidade estática são muito raros,
mas o "susto" causado pelo choque estático

16
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

pode fazer com que um trabalhador perca iluminação, outro componente que também se
o equilíbrio, caia ou coloque os demais em encontre girando poderá parecer estar parado.
perigo. Isso pode ser tão perigoso quanto uma Esse efeito estroboscópico pode criar um
linha aberta de tensão. inesperado risco de esmagamento ou pressão.

Energia armazenada Além dos perigos de peças giratórias, qualquer


peça em movimento tem o potencial de criar
Quando uma correia transportadora está em calor de atrito. Se for gerado muito calor, os
movimento, normalmente haverá mais tensão trabalhadores poderão se queimar ao entrar em
no lado de carregamento. Se o transportador contacto com a superfície quente.
estiver simplesmente parado e sem energia,
essa tensão permanecerá na correia na forma Pontos de esmagamento 1
de energia armazenada na correia esticada. Um
sistema sob tensão sempre tentará se aproximar Há muitos itens com os quais a correia
do equilíbrio; ou seja, ele vai tentar liberar essa transportadora entra em contato. Esses itens
energia. são as polias de acionamento, as polias tensoras
e os roletes. Também há muitos itens que se
Se as engrenagens da caixa de engrenagens aproximam da correia. Eles são a estrutura,
desmontarem, ou se a tensão entre a polia e a
correia for insuficiente, a correia poderá liberar Figura 2.5.
toda a tensão com o transportador desligado O ponto de esmagamento
e travado. Essa liberação geralmente ocorre na entre a correia e o rolete
forma de deslizamento da polia. Isso ocorre de carga pode resultar
quando a correia se libera da polia de cabeça em ferimentos causados
para equalizar a tensão. A correia moverá por aprisionamento.
repentinamente. A distância que a correia
moverá será proporcional à quantidade de
tensão armazenada e ao módulo da correia.
Se um trabalhador estiver na correia, ou
suficientemente perto dela, ele poderá ser Figura 2.6.
arrastado durante essa súbita liberação de
Um esticador usa a força
energia, o que pode causar ferimentos ou
da gravidade de um peso
até morte. Dentre as mortes registradas pela suspenso para manter a
MSHA entre 1995 e 2011, a Martin estima tensão da correia
que dois por cento tenham sido causados pela
energia armazenada.
A foto é cortesia da
Componentes giratórios United States Mine
Rescue Association
A maioria das peças em movimento de
(Associação de
um sistema de correia transportadora são Resgate em Minas dos
componentes giratórios. (Figura 2.4.) Essas Estados Unidos).
peças são os roletes, eixos de acionamento,
polias e sensores de velocidade. Itens que Figura 2.7.
giram em alta velocidade apresentam riscos Esse parafuso tensor
de agarramento, bem como pontos de ajusta a tensão da
esmagamento perigosos. Além do perigo correia ao afastar a
inerente a componentes giratórios, a presença polia traseira da polia de
do risco pode nem estar visível. Quando cabeça (motora).
um componente gira em alta velocidade ou
está sob certos efeitos estroboscópicos de

17
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

a parede do chute e os defletores. Se algum Outros métodos, como sistemas hidráulicos ou


membro do trabalhador passar em uma correia guinchos, muitas vezes, utilizando cabos para
transportadora, ele se deparará com um desses transmitir tensão, são comuns no subsolo e em
itens. O membro, bem como o trabalhador, transportadores terrestres. Basicamente, cada
ficará preso entre a correia e a obstrução. método atua para "alargar a estrutura", o que
Como nem a correia nem a obstrução é "estica" a correia e mantém a tensão necessária
muito flexível, o membro capturado pode para que o torque do motor se converta em
ser esmagado. Isso é conhecido como tensão da correia.
aprisionamento. (Figura 2.5.)
Um esticador funciona puxando a correia
Além do contato direto entre pessoas e a para baixo com um peso. (Figura 2.6.) Um
1 correia, o mesmo pode ocorrer com uma esticador pode apresentar muitos riscos.
ferramenta. Uma pá pode ser aprisionada O perigo mais óbvio é o fato de existir um
e puxar o trabalhador que está segurando a enorme peso, frequentemente, na faixa de
ferramenta antes que a pessoa possa largar 2.200 a 22.000 kg [≈5.000 a 50.000 lb],
a ferramenta. O mesmo pode ocorrer com suspenso por uma correia transportadora em
roupas folgadas. movimento. Se a correia ou o componente
tensor falhar, o peso cairá de uma altura
As correias de transmissão ligadas aos motores substancial. Isso pode esmagar o trabalhador
dos transportadores também podem apresentar que desafortunadamente estiver embaixo.
pontos de esmagamento perigosos. O peso colocado em um esticador se
Usando os registros da agência MSHA entre desloca para cima na direção do início
os anos de 1995 e 2011, a Martin estima do sistema transportador, percorrendo
ter havido 57 mortes nas minas dos Estados aproximadamente 6 metros [≈20 pés]. Essa
Unidos envolvendo correias transportadoras. grande massa deslocando-se rapidamente
Dentre essas fatalidades, a Martin estima que para cima também pode representar vários
61 por cento resultaram ser de trabalhadores riscos para o trabalhador posicionado nas
que entraram em contato com um desses proximidades. Esses riscos incluem traumas
pontos de esmagamento. bruscos devido a golpes, emaranhamentos
no mecanismo ou esmagamentos, se ocorrer
Sistema do dispositivo tensor uma falha. O peso do tensor ou tensão é um
dos elementos que normalmente é alterado
Os transportadores de correia precisam que
sem o cálculo ou conhecimento adequado
haja tensão na correia para evitar que ela
sobre as consequências ou severidade. Colocar
deslize nas polias de acionamento. Os dois
muito peso (tensão) na correia pode causar
métodos mais comuns de fornecimento de
falhas catastróficas tanto na correia quanto nos
tensão são o esticador e o tensor mecânico.
componentes.
Figura 2.8.
Um tensor mecânico (Figura 2.7.) funciona
A estrutura para esticando a polia traseira na direção oposta
suportar o peso de à polia de cabeça (motora) para apertar a
um transportador
correia. A polia traseira é geralmente fixada
normalmente é uma
por parafusos e os parafusos são colocados de
construção complicada e
robusta.
forma a esticar a polia na direção contrária.
As roscas do parafuso podem estar
desprotegidas ou localizadas em uma posição
perigosa próximas a pontos de pressão. A
maioria dos tensores mecânicos não tem um
recurso indicador de tensão, e a sobrecarga
da correia é uma causa comum de falha

18
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

nas emendas. Assim como com o esticador, As passarelas elevadas também podem dar
sempre há riscos de falha mecânica. A lugar a falhas estruturais. Se uma passarela
publicação A User’s Guide to Conveyor Belt ceder, o trabalhador poderá cair de lugar
Safety: transportadorProduction from Danger alto ou até atingir outro trabalhador que
Zones, de 2003, produzida em parceria pelo esteja eventualmente embaixo. Os buracos
Institut de recherche Robert-Sauvé en santé nas passarelas podem causar ferimentos e as
et en sécurité du travail (IRSST, Instituto de superfícies irregulares podem fazer tropeçar.
pesquisa Robert-Sauvé em saúde e segurança
do trabalho) e a Commission des normes, de A construção de passarelas elevadas está sujeita
l’équité, de la santé et de la sécurité du travail a várias normas. Algumas normas estabelecem
(CNESST, Comissão das normas, da igualdade que as superfícies de passagem devem ter
coeficiente de fricção de 0,5 com botas de 1
e da saúde e segurança do trabalho), ambas de
Quebec, registrou que quatro por cento dos solado normal.
acidentes fatais ocorridos nas proximidades Se a estrutura cair em um trabalhador ou se
de transportadores se deram ao ajustar o um trabalhador cair na estrutura, há sérios
dispositivo tensor ou o alinhamento da correia. riscos de que sofra ferimentos e possa até
Acessórios perigosos morrer. Dentre as mortes registradas pela
agência MSHA entre 1995 e 2011, a Martin
Os acessórios de um sistema transportador de estima que dois por cento delas tenham sido
correia podem oferecer seus próprios riscos. causados durante o setup ou operação.

Os ímãs de um transportador produzem um Queda de componentes e


campo magnético forte que poderá interferir materiais
em marca-passos e outros implantes médicos
eletrônicos. Estes ímãs podem também atrair Conforme mencionado anteriormente, os
quaisquer implantes ou próteses metálicos. Os transportadores de correia movem o material
amostradores transversais podem incluir fontes tanto vertical quanto horizontalmente.
de radiação. Acessórios como tensores de ar
podem ter um reservatório na máquina com Figura 2.9.
quantidades de ar comprimido sob pressão.
O acúmulo de
O sistema de ar comprimido da planta em
derramamento pode
si também pode apresentar perigos para os interferir no desempenho
trabalhadores. do sistema transportador
Os acionadores de comportas e divisores são e na vida útil dos
normalmente operados de forma remota e componentes.
considerados protegidos pela localização.

Falhas estruturais
Os transportadores de correia são sistemas
enormes e extremamente pesados. (Figura Figura 2.10.
2.8.) A estrutura para suportar o peso de um
Pó é um material
transportador é uma construção complicada
fugitivo conduzido ou
e robusta. Por se tratar de uma construção, as
arrastado do sistema
peças podem ser subdimensionadas, forçadas
transportador pelas
ou comprometidas pelo ambiente, portanto correntes de ar.
elas podem falhar. Se uma peça crítica falhar e
houver um trabalhador próximo ou abaixo do
transportador, ele poderá ser esmagado.

19
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

A mudança de elevação elevará a carga, bem Derramamento nas proximidades do


como os componentes do transportador, transportador
do chão. Qualquer produto, seja ele um
material, uma ferramenta de mão ou um Conforme detalhado acima, os transportadores
componente do transportador, pode cair são máquinas muito poderosas, que utilizam
sobre um trabalhador, edifício ou sobre outro motores de grande porte e aplicam grandes
transportador ou maquinário de processos. quantidades de energia e que, quando param,
armazenam significativa energia potencial
Os componentes das correias transportadoras na correia e na carga. Um dos maiores
também são susceptíveis a sofrer danos devido perigos para um transportador é aquilo que
à movimentação da correia. Uma correia o aproxima do sistema de acionamento do
1
transportadora desalinhada pode cortar a transportador.
alça de suporte que fixa o rolete na viga ou
cantoneira estrutural do transportador. Se esse Muitas das mortes nas proximidades de
suporte for quebrado, o rolete poderá transportadores acontecem quando o
cair e ferir alguém que esteja embaixo. A queda trabalhador está limpando o material da área
de roletes pode perfurar tetos, ferir ou matar. ou os componentes do sistema transportador.
O material que cai de uma correia
Dentre as mortes registradas pela MSHA entre transportadora, chamado derramamento,
1995 e 2011 nos Estados Unidos, a Martin precisa ser removido; caso contrário, os
estima que dois por cento delas tenham sido acúmulos interferem no desempenho do
causados pela queda de material sobre os sistema e na vida útil dos componentes.
trabalhadores. (Figura 2.9.) O processo de limpeza pode
colocar o trabalhador nas proximidades de
uma máquina perigosa. A necessidade de
passar uma pá, vassoura ou mangueira com
água para retirar o acúmulo de material solto
até o sistema de drenos ou ter de retorná-lo
Figura 2.11.
ao transportador coloca o transportador ao
Muitos transportadores alcance das mãos e, muitas vezes, ainda mais
possuem esquinas perto.
fechadas ou espaços
fechados, que podem As ferramentas usadas na limpeza aumentam
dificultar a manutenção. o risco do trabalhador. A pá e a vassoura
são extensões do braço de um trabalhador.
A limpeza em transportadores coloca essas
extensões mais perto dos componentes
giratórios, que podem agarrar e serem puxadas,
colocando o trabalhador que as porta em risco.

Figura 2.12. O mesmo derramamento que o trabalhador


Os transportadores está tentando limpar pode criar riscos de
são frequentemente tropeços. O derramamento também pode
empregados para elevar cobrir um buraco no chão, que pode provocar
materiais; por isso os o tropeço ou queda do trabalhador. Por si
trabalhadores precisam só, esses perigos de tropeços e deslizamentos
muitas vezes trabalhar podem causar ferimentos se o trabalhador cair.
em alturas.
Imagem cedida como O risco de uma queda é amplificado pela
cortesia por proximidade de uma correia transportadora
CDC/Theresa Roebuck. em movimento. Se o trabalhador cair em um

20
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

transportador em movimento, poderá sofrer a granel podem ser tóxicos (por exemplo,
ferimentos sérios ou até morrer. Embora as chumbo) ou causar algum tipo de câncer
agências de registro de acidente e companhias respiratório (por exemplo, amianto).
de seguros podem classificar a causa do • Explosividade – O pó de vários materiais
ferimento como queda, a causa principal do pode ser explosivo se estiver disperso,
ferimento segue sendo o transportador. Nos confinado ou exposto à chama. Essa
Estados Unidos, a agência de Administração explosão pode representar enormes perdas
de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) de capital e de vidas humanas.
dos EUA relata que 15 por cento das mortes
acidentais em toda a indústria se devem a • Tempo de reação reduzido devido ao
escorregões, tropeções e quedas. equipamento de proteção – Como
1
acima constatado, os transportadores
Um derramamento também apresenta podem rapidamente provocar ferimentos
riscos. O acúmulo de derramamento em um
Figura 2.13.
interruptor de parada de emergência pode
impedir o funcionamento do interruptor. Compostos de muitas
O mesmo acúmulo pode fazer com que um peças em movimento
risco protegido pela localização se transforme e funcionando em
em um risco exposto. O derramamento desafiantes condições
industriais, é inevitável
pode reter umidade ou ser corrosivo; se
que os transportadores
esse derramamento for de componentes do
precisem passar por
transformador, a integridade dos componentes manutenção.
poderá ficar danificada sem mostrar sinais
visíveis. Se este componente for o mancal de
carga, uma falha catastrófica poderá ocorrer. Figura 2.14.
O tamanho de
Qualidade de ar e pó
muitos sistemas de
Quando o material cai de um transportador e transportadores faz deles
bate no chão, ele é chamado de derramamento. componentes pesados e
difíceis de manusear.
Quando o material levanta da correia e
se mistura ao ar, ele se chama pó. (Figura
2.10.) O pó do ar pode causar inúmeros
riscos para a saúde, desde o acúmulo de
material nos pulmões até a explosão, passando
pela diminuição do tempo de reação do
trabalhador.

• Pó respirável – Sempre que uma partícula Figura 2.15.


de pó menor que 10 micra for inalada, ela Como são movidos
poderá permanecer nos pulmões. Quanto a motores elétricos,
mais pó for inalado, maior o número muitos transportadores
de partículas de pó que se acumulará apresentam riscos
nos pulmões. O corpo humano pode elétricos aos
não ser capaz de lidar com esse material. trabalhadores.
No melhor dos casos, pode supor uma
redução da capacidade respiratória. O
pior dos casos seria uma doença incurável
que debilitasse o paciente, como a
silicose ou pneumoconiose (pulmão
negro). Ouras fumaças e pó de material

21
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

nos trabalhadores. O equipamento de como um espaço confinado. Os perigos de um


proteção individual (EPI) usado para espaço confinado são a mobilidade limitada,
proteger o trabalhador contra a exposição falta de oxigênio, acúmulo de gases residuais e
ao pó respirável diminui o tempo de o risco de explosão.
reação e a visibilidade. Essas frações de
segundo podem fazer a diferença entre A maioria dos países possui regulamentações
um quase acidente e uma fatalidade. similares para controlar o trabalho em espaços
confinados.
Dado que os materiais a granel movimentados
em transportadores são uma das fontes de pó, Mesmo assim, a Martin estima que sete por
todo o transportador representa um perigo cento das fatalidades registradas entre 1995 e
1 potencial. 2011 pela agência MSHA dos Estados Unidos
tenham ocorrido em espaços confinados.
Espaços confinados
Trabalho em alturas
Muitos transportadores são alimentados por
moegas ou chutes fechados. (Figura 2.11.) Além de mover materiais em distâncias
De acordo com a norma 29 CFR 1910.146 da horizontais, muitos transportadores de correia
agência OSHA dos Estados Unidos, qualquer são usados também para mover o material
recinto que: “seja grande o suficiente e assim verticalmente. (Figura 2.12.) Como essa
projetado para que um funcionário possa mudança de elevação pode levantar alguns
entrar e executar um determinado trabalho”; componentes do transportador, a manutenção
“disponha de meios limitados ou restritos de desses componentes cria situações de risco
entrada ou saída”; e “não seja projetado para de ferimentos, já que possibilita a queda de
ocupação contínua do funcionário» é definido alturas consideráveis. Dependendo da altura e
das circunstâncias, uma queda pode até mesmo
Figura 2.16.
resultar em morte.
Ao transportar carga
inflamável em Dentre as mortes registradas pela MSHA entre
uma correia feita de 1995 e 2011 nos Estados Unidos, a Martin
elastômeros inflamáveis, estima que nove por cento delas tenham sido
um transportador em causados por quedas acidentais.
chamas pode ser
um risco grave. Trabalho de manutenção
Os sistemas de transportador de correia
são sistemas enormes e complicados, com
milhares de peças em movimento. (Figura
Figura 2.17. 2.13.) Por definição, uma peça em movimento
eventualmente provocará falhas e precisará ser
O grande volume de
substituída. Alguns dos componentes de um
material transportado
sistema transportador que exigem manutenção
combinado com muitos
componentes em
são os rolos, roletes, emendas de correia,
movimento cria riscos acopladores, motores, revestimento, correias e
relacionados ao ruído raspadores de correia. Normalmente existem
dos transportadores, o muitos outros itens que requerem manutenção,
que pode demandar a dependendo do design do sistema e os
utilização de acessórios aplicados ao transportador.
proteção auditiva.
A vida útil de um componente em movimento
pode ser estendida com uma manutenção

22
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

regular, mas a manutenção ou substituição que facilita a passagem da corrente elétrica pelo
colocará um trabalhador nas proximidades de corpo humano. Muitos controles e ferramentas
uma peça muito perigosa do equipamento. funcionam com tensões baixas, mas ainda
assim podem provocar choques mortais.
A publicação A User’s Guide to Conveyor Belt
Safety: Protection from Danger Zones da IRSST/ A corrente mínima que um ser humano pode
CSST relatou que 26 por cento dos acidentes sentir depende do tipo de corrente – corrente
sérios ou fatais envolvendo transportadores alternada (CA) ou corrente contínua (CC) – e
ocorreram durante a manutenção. da frequência. Uma pessoa pode sentir um
mínimo de 1 miliampères (mA) (rms) de CA a
Elevação 60 Hz, enquanto que precisa de pelo menos 5
1
Como muitos transportadores levantam e mA para sentir a CC. Com aproximadamente
transportam grandes quantidades de materiais 10 miliampères, a CA que passa através
a granel de um local para outro, há também a do braço de um trabalhador pode causar
possibilidade de que os trabalhadores precisem contrações musculares potentes; a vítima
levantar e transportar cargas pesadas. (Figura não será capaz de controlar voluntariamente
2.14.) os músculos e não poderá soltar o objeto
eletrificado. Isso é conhecido como o "limiar
Os componentes do transportador precisam de largar" e é um critério para definir o risco
ser carregados até o transportador, ou subir de choque elétrico nas normas de eletricidade.
escadas ou ser inclinados nas torres de
transferências. Ferramentas grandes e/ou Se a corrente não for muito alta, ela pode
pesadas precisam ser carregadas até a correia provocar danos nos tecidos ou causar uma
transportadora. Quantidades de material fibrilação que leve a uma parada cardíaca. Um
devem ser transportadas durante um processo choque elétrico sustentado a 120 V AC, 60
de amostragem. Hz é uma fonte especialmente perigosa de
fibrilação ventricular, pois geralmente excede o
Essas tarefas oferecem o risco potencial "limite de largar", dado que não exerce energia
para muitas lesões de tensão ou elevação inicial suficiente para repelir a pessoa para
de peso. Elas são conhecidas como lesões longe da fonte.
músculoesqueléticas. Essas lesões são
dificilmente diagnosticadas e seu tratamento Por causa da grande quantidade de corrente
demanda longos processos de recuperação. usada em um sistema de transmissão do
O risco de lesão se torna maior quando as transportador, deve-se tomar muito cuidado
tarefas envolvem escadas. Se um trabalhador para evitar ferimentos ou morte dessa tipo de
estiver segurando uma carga, eles não podem eletricidade.
segurar os corrimãos nem se equilibrarem. Se
um trabalhador estiver portando uma carga
com as duas mãos, ele não poderá estabelecer Figura 2.18.
os três pontos de contacto necessários para Muitas instalações
subir e descer de forma segura. operam transportadores
durante a noite, criando
Riscos elétricos risco devido à baixa
As correias transportadoras são normalmente visibilidade.
alimentadas por sistemas de transmissão que
incorporam motores elétricos de 480 a 1.000
volts de corrente alternada (V AC) de tensão.
(Figura 2.15.) Às vezes, os transportadores e
suas áreas mais próximas estão molhados, o

23
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Risco de incêndio Nos Estados Unidos, a agência OSHA define


o ruído como a causa permanente da perda de
O material transportado pela correia audição na norma 29 CFR 1910.95 usando
transportadora pode ser inflamável. (Figura os níveis de decibéis. Um decibel é a medida
2.16.) Isso é especialmente verdadeiro quando da pressão que uma determinada fonte de
o material transportado é carvão, lascas de som é transmitida pelo ar. Em média, os
madeira seca ou farinha. Se o material for danos auditivos ocorrem durante exposição
inflamável, qualquer fagulha de uma fonte prolongada a 90 decibéis (escala A), ou dBA;
de ignição pode incendiar todo o fluxo de esse é o nível de ruído criado pelo tráfego
material. Além de poder representar grandes pesado.
perdas de capital por si só, o fogo também
1
pode atuar como catalisador de uma explosão Um sistema de correia transportadora típico
de pó. Se um componente giratório ficar produz 70 dBA, mas os níveis de ruído
travado, a fricção da correia passando por podem ser maiores, especialmente quando se
ele pode provocar calor. Esse calor pode considera o som do material em movimento
incendiar o fluxo de material ou pó no ar. O que passa pelos chutes e desembarca na correia.
local aquecido de um soldador é perigoso pela Se o transportador produz níveis de ruído
mesma razão. superiores a esse limite, a exposição ao ruído
do transportador resultará em danos auditivos.
Alguns materiais tendem à auto-ignição. Se o
material transportado for um desses materiais, O ruído de transportadores pode ser de baixa
ele tem o potencial para iniciar um incêndio. frequência, criado pela vibração da correia
ou pelo contato da correia com o rolete. Esse
Se um incêndio for iniciado, seja devido ao ruído de baixa frequência pode percorrer
material ou a alguma outra fonte, há grandes grandes distâncias, particularmente quando
possibilidades de que a correia transportadora submerso na água, e representa uma fonte de
fique em chamas, colocando em risco vidas desconforto para as pessoas que trabalham ou
humanas e enormes somas de capital. vivem perto de transportadores.
Ruído Iluminação inadequada
Os sistemas de correias transportadoras A norma 29 CFR 1926.56 da agência OSHA
tendem a ser ruidosos. Entre o motor de dos Estados Unidos estabeleceu os requisitos
acionamento, componentes giratórios, material mínimos de iluminação em foot-candles –
caindo, deslizando pelos componentes e a quantidade de luminosidade produzida
deslocando o ar, se produz uma grande por uma vela a um pé de distância – para
quantidade de ruído. (Figura 2.17.) uma variedade de ambientes de trabalho.
A exposição a elevados níveis de ruído leva a (Figura 2.18.) Como em todas as aplicações
perda permanente da audição. industriais, os transportadores em área interior
devem estar iluminados por 5 foot-candles
ou candelas [≈54 lux]. Os transportadores ao
ar livre devem estar iluminados por 3 foot-
Figura 2.19. candles [≈32 lux]. Por exemplo, a agência de
Alguns transportadores, saúde do Reino Unido, Health and Safety
como esse tipo Executive, recomenda uma média de 50 lux
empilhadeira radial, [≈4,6 foot-candles] e no mínimo de 20 lux
são projetados com [≈1,9 foot-candles] para o trabalho pesado
mobilidade, o que e 100/50 lux [≈9,2/4,6 foot-candles] para
pode provocar riscos a
trabalhos que exijam atenção aos mínimos
trabalhadores desatentos.
detalhes. Qualquer iluminação abaixo dos

24
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

níveis especificados é considerada insuficiente Mudanças no clima


e, portanto, um risco para a segurança.
A Martin estima que 50 por cento de todos os
Iluminação deficiente pode ser causada por transportadores de correia que movimentam
dois motivos: material a granel se encontram instalados ao
ar livre. Um transportador ao ar livre está
1. Quantidade insuficiente de iluminação
exposto ao clima prevalecente da área. Esse
instalada;
clima pode oferecer riscos adicionais que
2. Diminuição da iluminação devido à devem ser levados em consideração. Neve,
presença de pó em suspensão ou chuva ou névoa reduzirá a visibilidade. Os
acumulado nas luminárias. trabalhadores expostos a baixas temperaturas
1
podem sofrer hipotermia ou congelamento.
Seja qual for a causa, a diminuição da Altas temperaturas podem causar desidratação
visibilidade nas proximidades de uma correia e tontura. Temperaturas altas e baixas também
transportadora frequentemente reduzirá os podem alterar o comportamento dos fluidos
tempos de reação, aumentando assim os de um sistema transportador. A presença de
riscos. Qualquer coisa que reduza os tempos água, na forma de chuva, pode transformar
de reação pode levar a ferimentos quando normalmente o chão firme em uma superfície
correias transportadoras estão envolvidas. lisa com maior risco de deslizamentos. Em
Uma redução na visibilidade também pode condições climáticas frias, a água forma gelo, o
tornar mais difícil ver os perigos existentes nas que amplifica o risco.
proximidades de uma correia transportadora.
Gelo e neve também podem acumular
Operações noturnas em cima de estruturas e cair sobre os
trabalhadores. O peso adicional da neve e
Devido a requisitos de produção da planta, do gelo também pode aumentar a carga na
o sistema transportador pode precisar operar estrutura. O gelo pode se acumular e inibir
durante a noite. Além dos perigos associados temporariamente o funcionamento dos
aos transportadores de correia, operar o sistema componentes, podendo fazer com que as
à noite apresenta riscos adicionais. estruturas soltem repentinamente, o que pode
provocar ações repentinas e não esperadas.
Mesmo com os melhores sistemas de
iluminação, a escuridão da noite reduzirá Chuva, neve e gelo podem acumular
a visibilidade nas proximidades dos em ambos os lados do ciclo de retorno e
componentes em movimento. A escuridão carregamento do transportador. Depois de
reduzirá a percepção de profundidade e iniciado o ciclo, esses acúmulos podem causar
ocultará obstáculos e riscos. desordens significativas tanto nos pontos de
transferência quanto em suas proximidades.
Se ocorrer um ferimento, o tempo de Em alguns casos, a quantidade de neve ou gelo
resposta das equipes de emergência poderá pode causar o desligamento do transportador
ser maior, dado que eles precisarão se mover para fins d limpeza, o que expõe os
mais lentamente sobre terrenos escuros e trabalhadores a ambos os riscos, o de limpeza
desconhecidos. do transportador e o de estar nas proximidades
de superfícies escorregadias.
É preciso estar muito atento nas proximidades
das correias transportadoras depois do
pôr do sol.

25
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Transportadores portáteis entre outros, ventilação deficiente, pó e gases


explosivos, gases tóxicos (como o monóxido
Muitas operações incorporam, além de carbono e metano) e quedas do teto. Um
de transportadores estacionários, os recente registro de fatalidades da agência
transportadores móveis. (Figura 2.19.) MSHA incluiu tropeços e quedas do teto do
Eles podem ser transportadores tipo trabalhador no transportador. A queda do teto
empilhadeiras radiais, projetadas para girar é a causa da fatalidade, mas o transportador
e formar uma pilha, além de outros sistemas está envolvido.
móveis. Esses transportadores móveis
oferecem os mesmos riscos de segurança que Riscos específicos dos locais
seus respectivos estacionários, mas também
1 Muitos sistemas transportadores de correia
apresentam riscos adicionais devido à sua
estão situados em locais de minas. Além dos
mobilidade. Um transportador móvel tem a
riscos do transportador, o trabalhador deve
capacidade de levar o perigo até o trabalhador,
estar consciente sobre os riscos específicos dos
e não o contrário.
ambientes de minas. O trabalhador pode ser
Um movimento inesperado pode esmagar exposto ao risco da mina pela necessidade de
um trabalhador com toda a força do sistema manutenção do transportador. Esses riscos
transportador. Os pontos de esmagamento que específicos de minas podem incluir o tráfego
foram cobertos algumas vezes podem não ser rodoviário de mercadorias e a circulação
em outros momentos. de outros equipamentos pesados, queda de
rochas, explosão e os riscos que surgem com
Dentre as mortes registradas pela MSHA a grande quantidade de material extraído,
entre 1995 e 2011, a Martin estima que movimentado e armazenado em qualquer
quatro por cento estejam relacionadas com ambiente de mineração. Treinamento
transportadores móveis. específico para prestadores de serviço e
Zonas de risco externas ao visitantes esporádicos são atualmente exigidos
transportador pela maioria das regulamentações.

Embora não façam parte do transportador Expectativas do trabalhador


nem sejam diretamente causados por ele, A expectativa de um resultado seguro apesar
existem condições e fatores externos que do emprego de prática insegura pode ser
podem colocar em perigo o trabalhador de identificada pela frase: "Eu sempre fiz isso
uma correia transportadora. Por exemplo: assim e nunca tinha me machucado". Desse
uma das saídas do transportador pode modo, a prática insegura se transforma em
conduzir diretamente a uma área de tráfego; hábito e nem se volta a pensar nisso.
ou o pó soprado pelo transportador pode
reduzir a visibilidade ou entrar nos olhos e O problema com essa linha de pensamento
vias respiratórias. Embora esses itens possam é o trabalhador começar a confiar mais em
ter suas próprias questões de segurança, a sua si mesmo do que nas estatísticas. O peculiar
interação com uma correia transportadora cria das estatísticas é que o incidente que está
riscos de ferimentos ou morte. sendo estudado acabará por acontecer se o
ato for repetido muitas vezes. Se ocorrer um
Operações subterrâneas ferimento a cada um por cento do tempo em
Muitos transportadores estão no subsolo. que uma prática insegura é levada a cabo,
A manutenção desses transportadores apresenta basta que esse evento ocorra 99 vezes para
os riscos associados aos transportadores, bem que se possa matematicamente esperar um
como os riscos característicos de um ambiente ferimento. Trabalhar em condições perigosas
subterrâneo. Esses riscos podem incluir, ou em uma instalação em que a cultura de
segurança é deficiente, e ainda praticar atitudes

26
Zonas de risco dos transportadores de correia | Capítulo 2

imprudentes, faz com que um acidente seja


CONCLUSÕES
apenas uma questão de tempo.
Conhecimento dos riscos
Incômodo atrativo
Embora o sistema transportador de correia
Como muitos transportadores estão localizados seja a artéria principal de maior parte das
ao ar livre e podem ser vistos de propriedades operações de manuseio de material a granel, o
vizinhas ou vias públicas, eles criam o que se interesse real com o design e a segurança não
pode chamar de um "incômodo atrativo". mudou muito desde a sua criação. Há muitos
acessórios para ajudar na segurança, mas uma
No direito, a doutrina do attractive-nuisance correia transportadora ainda assim é uma
(incômodo atrativo) indica que o dono de máquina perigosa. 1
uma propriedade que cria ou autoriza a
existência de uma condição perigosa e atraente O segredo para se trabalhar com um cavalo
para crianças é responsável por ferimentos e não se machucar é conhecer os riscos.
resultantes, mesmo que os feridos sejam Trabalhar com um transportador e não se
invasores. O exemplo mais comum é o de uma ferir é muito parecido. Essa seção deve ter
piscina, mas a doutrina poderia ser aplicada ajudado o leitor a se conscientizar sobre os
a virtualmente qualquer coisa que esteja na vários riscos físicos associados especificamente
propriedade de algum proprietário de terras. a transportadores.
Ela foi criada para responsabilizar proprietários
de terras pelos danos causados por eventuais
carros abandonados, pilhas de madeira ou de
areia e trampolins.

No caso de transportadores, pessoas alheias aos


funcionários, sejam elas crianças ou adultas,
podem ser atraídas a escalar a estrutura para
observar os arredores ou para andar pelas
passagens. Ao fazer isso, eles podem entrar em
contato com as peças em movimento e outros
perigos de transportadores.

Apesar de a jurisprudência do incômodo


atrativo normalmente não se aplicar a adultos,
é melhor proporcionar barreiras adequadas
para impedir a entrada de qualquer visitante,
em vez de esperar que um visitante não
convidado mova processos caso venham a
sofrer algum ferimento.

Não são apenas os trabalhadores da planta


que estão expostos aos riscos relacionados
aos transportadores. Os transportadores
apresentam riscos secundários para o meio
ambiente, animais e pessoas que vivem ou
passam pelas redondezas do transportador,
principalmente ruído e pó.

27
1

Capítulo 3 Práticas inseguras ao trabalhar


com transportadores
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 INTRODUÇÃO
Atitudes dos gestores que colocam Além de todas as zonas de risco físico dos
os funcionários em risco . . . . . . . . . . . 27 transportadores, como discutido na seção
anterior, os trabalhadores também podem ser
Atitudes dos próprios funcionários
feridos por suas próprias ações ou omissões.
que os colocam em risco . . . . . . . . . . . 27
Aqui serão apresentadas as informações
O poder multiplicador das coletadas sobre as práticas de trabalho
práticas de trabalho inseguras . . . . . 36 inseguras mais comuns. Como na seção
anterior, esta lista de práticas é exibida na
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 ordem determinada por consenso, de acordo
com as opiniões dos funcionários da Martin
Engineering que trabalham regularmente
com correias transportadoras. As práticas
consideradas mais perigosas estão listadas
primeiro.

Ninguém vai para o trabalho pensando em


sofrer uma lesão como resultado de um ato
inseguro. Ao investigar acidentes, o caminho
mais fácil é listar a causa do acidente como um
ato inseguro. Na verdade, a causa do problema
é muito mais complexa do que simplesmente
um funcionário trabalhando sem segurança.

26
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

O entendimento de que a única causa de mesmo, remotamente. Porém, há regras que


um acidente é um ato inseguro é obtido a proíbem tal atividade.
partir de um ponto de vista retrospectivo,
e como sabemos, a retrospectiva é perfeita. Na verdade, muitas vezes é mais seguro realizar
O corolário é que, nesse caso, a antecipação algumas tarefas de rotina durante a operação,
também deve ser perfeita. Portanto, afirmar em vez de realizá-las durante períodos de
que um ato inseguro foi a única e exclusiva parada do equipamento, quando diversas
causa que levou a uma lesão significaria dizer atividades não rotineiras são executadas e há
que o trabalhador sabia antecipadamente que vários riscos temporários associados presentes.
a referida ação resultaria em ferimentos e a A avaliação de riscos é a forma ideal de
concluiu intencionalmente. preencher a lacuna entre os trabalhadores
1
e os gestores quando as regras precisam ser
Geralmente, acidentes são o resultado de uma analisadas.
complexa combinação de probabilidades e
decisões relacionadas a riscos/recompensas,
e não apenas o resultado de um único ato Atitudes dos próprios
inseguro. Alguém poderia dizer, por exemplo, funcionários que os
que, não fosse pelo ato inseguro, a lesão colocam em risco
poderia não ter ocorrido. Seguindo a mesma
lógica, também poderíamos dizer: se o projeto Desrespeito ao sistema do
fosse mais seguro; se a manutenção fosse transportador
adequada; se houvesse menos pressão para Um transportador de correia é uma máquina
produzir; se não houvesse um limite de tempo de alta potência, com milhares de peças
para concluir o trabalho... O acidente não teria móveis. Essas peças móveis podem ferir
ocorrido. Investigações de acidentes adequadas gravemente um trabalhador, em situações
e aprofundadas geralmente chamam a atenção que se desenrolam muito rapidamente.
para a cultura de segurança, a gestão e as Sempre há a tentação de pensar: "Eu sou
normas e objetivos conflitantes da empresa. mais rápido do que o transportador" ou "Eu
Devido à complexidade desses fatores, isso sempre consigo evitar o perigo". Porém, na
pode resultar em tomadas de decisão por parte verdade, os movimentos do transportador são
do trabalhador que parecem lógicas no calor extremamente rápidos.
do momento, se levarmos em consideração
todas as pressões e estímulos externos. O elemento da complacência também
influencia os trabalhadores. Uma prática
Atitudes dos gestores que insegura repetida várias vezes se torna um
colocam os funcionários em risco hábito perigoso. O hábito se torna tão
arraigado, que o trabalhador pode nem mesmo
A "gestão por decreto" é fácil, porém, ineficaz.
perceber que o tem. Os seres humanos tendem
Faz parte da natureza humana resistir à
a se apropriar dos hábitos, sejam eles bons ou
autoridade e, quando as regras atrapalham a
ruins, a ponto de se sentirem ameaçados caso o
conclusão das tarefas, elas podem se tornar
hábito seja questionado.
"regras absurdas", que todos ignoram.
Conforme os projetos e a tecnologia mudam, a Um transportador de correia é potente, rápido
gestão precisa ouvir os funcionários e atualizar e perigoso. E pensamentos como: "Eu sou mais
as regras e práticas de segurança. rápido do que o transportador" ou "Sempre
fiz as coisas assim e nunca aconteceu nada"
Hoje, muitos componentes podem ser
ou, ainda, "Eu nunca seria ferido ao trabalhar
projetados para que sua manutenção seja
com um transportador, pois trabalho com
realizada de maneira segura, durante o
eles há muito tempo", não mudarão essas
funcionamento do transportador, ou, até
características dos transportadores.

27
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Devido ao seu movimento, o transportador quanto um leão. A questão não é "se" um


pode induzir a um estado hipnótico, o que acidente vai ocorrer, mas, "quando". E ele
faz o trabalhador perder a concentração. Ele ocorre quando o trabalhador perde o respeito
parece tão inofensivo quanto um gatinho pela potência e pela constante instabilidade do
ronronando, mas é tão imprevisível e perigoso transportador.
Figura 3.1. Esquecer essas simples verdades sobre os
Trabalhar com transportadores tem contribuído para muitas
transportadores lesões e mortes.
de correia em
funcionamento, ou O trabalho próximo a transportadores
1 próximo a eles, pode em movimento
provocar ferimentos
graves e mortes. As estimativas da Martin, obtidas a partir dos
dados coletados pela MSHA (Mine Safety
and Health Administration, Administração
de Segurança e Saúde em Mineração) e
Figura 3.2.
registados entre 1995 e 2011, mostram que
ocorreram 57 mortes envolvendo correias
O levantamento
transportadoras em minas dos Estados Unidos.
inadequado apresenta
Dessas fatalidades, a Martin estima que 66%
riscos de lesões para
ocorreram enquanto a correia estava em
os trabalhadores
que trabalham com movimento. Os trabalhadores envolvidos
transportadores ou ficaram presos a um componente móvel ou
próximos eles. foram esmagados por uma peça móvel do
equipamento. A grande maioria dessas mortes
foi o resultado da execução de trabalhos de
manutenção ou limpeza em transportadores
totalmente energizados e com capacidade de
deslocamento. (Figura 3.1.)

Essas mortes foram causadas pela combinação


de duas práticas. A primeira é a execução de
manutenção sem que o transportador seja
travado, etiquetado, bloqueado e testado
devidamente. Outra prática insegura é tocar
a correia do transportador em movimento
Figura 3.3.
usando algum tipo de ferramenta. Quando
Tomar "atalhos", esses dois fatores são combinados, os
como passar sob um resultados geralmente são extremos e,
transportador de correia frequentemente, fatais. Até mesmo o trabalho
em funcionamento, pode
em transportadores desligados, porém não
resultar em ferimentos.
travados, pode levar a uma tragédia. O que
essas estatísticas não evidenciam, são fatores
como a cultura da empresa, a pressão do prazo
para a conclusão do trabalho, o treinamento
fornecido ao trabalhador lesionado e assim por
diante. Frequentemente, esses e outros fatores
contribuem para o acidente tanto quanto os
atos inseguros.

28
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

Levantamento inadequado podem cair sobre o trabalhador, causando


ferimentos ou a morte. Há grande
Em uma instalação industrial, há muitos itens probabilidade de que um derramamento
que podem oferecer riscos quando levantados. ou material de retorno faça o trabalhador
No decorrer do processo de manutenção do escorregar, resultando em distensões
transportador, o trabalhador pode precisar musculares ou em lesões mais graves.
levantar e transportar equipamentos. (Figura
3.2.) Práticas inseguras incluem tentar levantar Passar sobre o transportador sem a utilização
um item mais pesado do que o trabalhador é de uma estrutura de passarela projetada e
capaz de suportar e não usar as técnicas aceitas designada para essa finalidade também oferece
para um levantamento adequado. Não seguir riscos. A estrutura do transportador não
1
algum dos dois procedimentos pode resultar foi concebida para suportar o peso de uma
em lesões para o trabalhador; não seguir pessoa; ela destina-se apenas à instalação dos
ambos, só aumenta essa probabilidade. componentes e à sustentação da carga. Há
grande potencial de escorregões e quedas. Na
Além disso, uma perda do equilíbrio ou melhor das hipóteses, o trabalhador poderá
uma queda próximo a um transportador cair no chão; na pior delas, o trabalhador
em movimento, como o resultado do cairá sobre a correia do transportador. Se o
levantamento de um item pesado ou de transportador estiver em funcionamento,
maneira desajeitada, só aumenta o risco o trabalhador será carregado no sentido
potencial. da correia. Isso pode resultar em contato
Atravessar o transportador de maneira com a estrutura do transportador e com os
insegura componentes de rolagem, ou o trabalhador
pode ser lançado para fora do transportador
Correias transportadoras geralmente são na descarga. É muito provável que o
muito extensas e dividem as instalações de deslocamento no transportador, juntamente
produção. (Figura 3.3.) Com frequência, os com o material, resulte em ferimentos.
trabalhadores precisam atravessar a esteira do Figura 3.4.
transportador para chegar até uma área que
O uso de vestuário
necessite de manutenção. Para poupar tempo,
impróprio é uma prática
é possível que o trabalhador tente atravessar o
de segurança inadequada
transportador, passando por cima ou por baixo para qualquer tipo de
da esteira. operação industrial.
Passar sob o transportador oferece vários riscos.
Os roletes de retorno podem ser considerados
protegidos devido à sua localização. Mas o
que poderia ocorrer se houvesse um acúmulo
de derramamento ou material de retorno na
passagem? Se a cabeça do trabalhador entrar
em contato com a correia do transportador
em movimento, o capacete sofrerá abrasão
rapidamente, resultando em ferimentos
muito graves na cabeça. Se a correia prender
seu capacete ou sua cabeça, o trabalhador
será puxado em direção aos componentes de
rolagem. Passar sob o transportador também
oferece risco de queda de objetos sobre o
trabalhador. O material transportado pela
correia ou os componentes do transportador

29
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Quedas de locais altos frequentemente abrasivo sobre a pele. Se a bermuda for


resultam em invalidez permanente ou morte. larga, ela pode ficar presa em um dos
componentes móveis do transportador.
Roupas largas e outros trajes As calças não devem ser fabricadas com
inadequados materiais inflamáveis ou que não tenham
As roupas de um trabalhador podem colocá-lo propriedades de autoextinção.
em perigo. (Figura 3.4.) • Camisas largas: camisas com itens
pendurados podem ficar presas nos
Certos tipos de roupas devem ser evitados ao
componentes do transportador. As
trabalhar próximo a correias transportadoras.
camisas devem ser fabricadas em tecidos
Muitos desses itens de vestuário são eliminados
com propriedades retardadoras de
através do uso de equipamentos de proteção
chamas.
individual (EPIs) adequados, porém, outros
não são cobertos pelos EPIs. • Casacos com capuz: o cordão do capuz,
ou o próprio capuz, pode ficar preso no
• Sandálias abertas: um ambiente equipamento. A peça pode ser inflamável.
industrial oferece muitos perigos para os
• Vestuário pouco visível: o vestuário do
pés do trabalhador. Itens sobre o assoalho
trabalhador pode apresentar cor escura ou
podem perfurar o pé. Itens pesados
se misturar ao ambiente circundante. Isso
podem cair sobre os pés do trabalhador.
resultará na redução da visibilidade dos
Itens quentes podem queimar a pele
operadores dos equipamentos pesados.
exposta. Calçados que não protejam
Se eles não puderem ver o trabalhador,
completamente o trabalhador constituem
isso significa que o trabalhador estará em
um perigo.
perigo.
• Bermudas: embora em algumas
• Óculos escuros ou corretivos: diversos
empresas ou países seja permitido o uso
tipos de objetos lançados podem causar
de bermudas, elas deixam expostas uma
danos à visão do trabalhador caso seu
grande porção das pernas do trabalhador.
olho seja atingido. Óculos de grau
Itens quentes podem causar queimaduras.
e escuros devem ter as propriedades
Componentes móveis podem ter efeito
inquebráveis dos óculos de proteção.
Sem as proteções laterais, esses óculos
Figura 3.5.
não protegem contra o lançamento de
O uso de cabelos detritos, como é o caso dos óculos que
compridos e soltos contam com essas proteções.
próximo às peças móveis
de um transportador Ás vezes, óculos corretivos e escuros
em operação representa podem ter cordões. Esses cordões
risco de lesões. representam um risco caso fiquem presos
nas peças móveis do transportador.
• Chapéus e bonés: chapéus de tecido não
protegem o trabalhador contra quedas
de objetos ou objetos lançados. Alguns
chapéus têm cordões que podem ficar
presos.
• Cordões: crachás de identificação
geralmente ficam presos ao vestuário
do trabalhador ou são pendurados por
cordões em volta do pescoço. Esses
cordões podem ficar presos, como

30
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

qualquer outro item pendente. Se o confinado é qualquer compartimento


cordão não se partir, o trabalhador poderá suficientemente grande e configurado para
ser puxado em direção aos componentes que um funcionário possa entrar e executar
móveis do sistema do transportador. Os os serviços atribuídos a ele; a entrada ou a
cordões devem ser feitos com materiais saída é limitada ou restrita, e o espaço não é
que possam ser rompidos. projetado para ser ocupado continuamente
• Anéis e outras bijuterias: as bijuterias pelos funcionários. Há norma (NR33) muito
podem representar um perigo, muitas específicas aplicáveis ao trabalhador durante
vezes negligenciado, para o trabalhador e sua permanência no espaço confinado. A não
para todo o processo. observância dessa norma pode resultar em
riscos maiores ou na morte do trabalhador. 1
Se um anel ficar preso a uma ferramenta Erros comuns ao trabalhar em espaços
giratória ou a um componente móvel confinados incluem:
do transportador, isso poderá ocasionar
a amputação de todo o dedo ou o • Entrar em um espaço confinado sozinho.
trabalhador poderá ser puxado em • Não verificar os níveis de gases no espaço
direção à máquina. Brincos e colares confinado.
oferecem riscos similares. Na improvável
eventualidade de que um anel fosse • Falha em garantir que outros sistemas no
composto por material ferroso, ele espaço confinado estejam desenergizados.
poderia ser atraído pelos fortes ímãs do
sistema e poderia sofrer aquecimento,
causando queimaduras. Figura 3.6.
Soluções improvisadas e atalhos Pegar carona em um
transportador pode ser
Um trabalhador inteligente e criativo vai perigoso, mesmo em
inventar maneiras de acelerar ou facilitar o locais onde a carona é
trabalho. Alguns desses atalhos ignoram os uma prática aceita.
componentes de segurança e os procedimentos
de trabalho adequados, colocando, assim, o
trabalhador em perigo.

A mais comum dessas soluções improvisadas


envolve o travamento inadequado da correia Figura 3.7.
do transportador. A finalidade de um Obstruções, como
travamento é desenergizar todas as fontes de componentes descartados
energia, sejam elas latentes ou ativas. Existem ou ferramentas
vários tipos de falhas nos procedimentos deixadas próximas ao
de travamento, com variações entre o transportador, podem
desrespeito aos requisitos de travamento, constituir risco de
passando pelo trabalho em transportadores acidentes envolvendo
em movimento, até a interrupção inadequada quedas e escorregões.
do funcionamento do transportador. Um
exemplo de procedimento inadequado seria
puxar o cabo de parada de emergência e supor
que o transportador está desenergizado.

Outro improviso comum consiste em entrar


em um espaço confinado sem seguir os
procedimentos estabelecidos. Um espaço

31
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Cabelos soltos transportador, para que seja carregado para


outras partes das instalações, rapidamente. Essa
Entre as mudanças da moda e a presença de prática é conhecida como "pegar carona no
mais mulheres no local de trabalho, cabelos transportador". (Figura 3.6.)
compridos têm sido cada vez mais comuns
entre os trabalhadores. (Figura 3.5.) Porém, o Esse transporte não conta com os benefícios
uso de cabelos compridos e soltos próximo aos de contenções, nem mesmo de assentos.
componentes do transportador representa um O trabalhador não tem controle sobre a
risco. velocidade e não tem a capacidade de parar o
transportador em caso de perigo.
Se o cabelo ficar preso em uma peça móvel,
ele será puxado em direção ao componente O trabalhador também pode bater em
móvel. Um eixo padrão gira em 3.600 rotações algum item fixo obstruindo o caminho do
por minuto. Se esse eixo tiver 75 milímetros transportador.
[≈3 pol.] de diâmetro, o movimento de sua
superfície será de 14,14 metros por segundo A saída do transportador é outra questão
[≈94,25 pés/s]. Se fios de cabelo de 450 que deve ser considerada. Saltar de um
milímetros [≈18 pol.] de comprimento transportador em movimento pode resultar
ficassem presos, eles seriam inteiramente em ferimentos devido à queda. O conceito
enrolados ao redor do eixo em apenas 0,03 de inércia indica que, quando a pessoa pular
segundos. do transportador, ela aterrissará e continuará
se movendo na direção do movimento do
Na melhor das hipóteses, os fios de cabelo transportador, mantendo aproximadamente a
seriam quebrados, e o trabalhador sofreria mesma velocidade.
apenas um leve incômodo. Ou várias mechas
de cabelo poderiam ficar presas, e partes do Em alguns países, incluindo Alemanha, África
couro cabeludo seriam arrancadas. Na pior do Sul e Reino Unido, algumas instalações
das hipóteses, o cabelo não quebraria, o couro usam "transportadores para transporte
cabeludo não seria arrancado e a cabeça do humano" como um método apropriado para
trabalhador saria puxada em direção ao eixo que os trabalhadores cheguem às suas estações
rotativo. de trabalho. Para garantir a segurança, essas
instalações devem contar com transportadores
Transporte humano no transportador especialmente projetados para essa finalidade
de correia ou, pelo menos, estações de embarque e
desembarque especiais. Além disso, deve ser
Em vez de caminhar, um trabalhador
fornecido treinamento especial para orientar
pode ficar tentado a pegar uma carona no
os trabalhadores quanto ao embarque, trajeto
Figura 3.8. e desembarque seguros. (Consulte o Capítulo
22 Transportadores para transporte
A remoção das proteções,
e a não recolocação das
humano.)
mesmas após a conclusão Em qualquer lugar, mesmo com treinamento
dos procedimentos de
especial, restrições à velocidade da correia e
manutenção, pode
outros recursos de segurança especiais, pegar
constituir um risco
quando o transportador
carona em um transportador é uma prática
é reiniciado. arriscada e perigosa. A carona é uma herança
de uma época em que a preocupação com a
segurança do trabalhador era muito menor.
A carona deve ser proibida.

32
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

Obstruções que está acontecendo. Esses valores se somam


ao 0,54 metro [≈21 pol.] de deslocamento
Tudo o que estiver no trajeto de deslocamento do tempo de reação normal. Essa distância
do trabalhador é uma obstrução. (Figura adicional pode significar a diferença entre
3.7.) Elas podem variar entre acúmulos de ferimentos leves, ferimentos graves ou a morte.
derramamentos, itens sobre as passarelas ou nas
áreas de trabalho, bem como itens suspensos. Além do tempo de reação retardado, muitas
Obstruções podem representar diversos riscos. substâncias, incluindo medicamentos
Elas podem apresentar uma oportunidade para legalmente prescritos, podem prejudicar
escorregões e quedas. Se a obstrução estiver o discernimento, afetar o equilíbrio e, até
no meio da passagem, o trabalhador precisará mesmo, alterar a percepção da realidade.
1
desviar dela. Se o trabalhador decidir passar
mais próximo do transportador, essa decisão o
Figura 3.9.
coloca mais próximo do perigo. Uma mesma
obstrução sempre oferecerá os mesmos riscos. Equipamentos de
Uma obstrução não removida é tão perigosa segurança negligenciados
(como o cabo partido
quanto uma recém-descoberta.
deste cabo de parada
Sonolência de emergência)
constituem um risco.
Um princípio básico do setor é que um
trabalhador médio tem um tempo de reação
de 0,36 segundos. Se esse trabalhador ficar
preso a uma correia do transportador com
Figura 3.10.
deslocamento de 1,5 metro por segundo
[≈300 fpm], ele será carregado por 0,54 metro A ocorrência de
eventos incomuns em
[≈21 pol.] antes mesmo de perceber o que
uma fábrica, ou nas
aconteceu. Como já foi dito anteriormente,
proximidades, pode levar
esse é um risco por si só.
a situações inesperadas
As estimativas da Martin, obtidas a partir de e potencialmente
perigosas envolvendo os
um estudo sobre o assunto, concluem que
sistemas transportadores
a privação de sono moderada, de apenas 22
de correia.
horas, pode retardar o tempo de reação em
9,3%. A privação de sono torna ainda mais
arriscada uma situação que já é perigosa.

Abuso de substâncias
A pesquisa sobre sonolência indica que ficar
acordado por 22 horas pode retardar o tempo
de reação em 9,3%. Esse tempo de reação é FIG. 2.3.17

praticamente idêntico ao de uma pessoa com Figura 3.11.


0,05% de álcool no sangue. O aumento no No "mundo real" das
nível de álcool no sangue para 0,1% retarda operações das fábricas,
o tempo de reação em 16% em comparação os trabalhadores podem
com um trabalhador sóbrio e alerta. Em uma ser apresentados com
correia com deslocamento de 1,5 metro por prioridades conflitantes,
o que resulta em um
segundo [≈300 fpm], isso seria o equivalente
desvio no desempenho
a 0,08 metro [≈3 pol.] de percurso adicional
e leva a incidentes
antes que o cérebro fosse capaz de registrar o relacionados à segurança.

33
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

Todos esses fatores podem ser perigosos, Transporte de materiais tóxicos sem
ou mesmo fatais, ao trabalhar com correias os devidos avisos
correias transportadoras.
Sistemas transportadores podem ser utilizados
Áreas de trabalho sem sinalizações/ para transportar materiais a granel perigosos
proteções removidas e não contendo componentes nocivos, como a
reposicionadas sílica. Embora esses produtos químicos sejam
perigosos por si sós, ignorar a extensão do
Quando um trabalhador realiza um reparo em
perigo pode colocar o trabalhador em risco.
um dos componentes do transportador, ele
Se a gestão conhece os riscos do material
pode remover os dispositivos de proteção ou
transportado, mas não toma as medidas
1 alterar alguma parte do sistema. (Figura 3.8.)
adequadas para informar o trabalhador de
Se a área de trabalho não estiver devidamente
maneira clara e concisa ou não mantém os
identificada, as pessoas próximas a ela não
sistemas de controle apropriados, o trabalhador
saberão sobre os perigos potenciais. As pessoas
pode estar exposto a uma ameaça.
nas proximidades podem ficar expostas aos
riscos presentes sem nem mesmo saberem Cabos de emergência partidos
sobre eles. Isso pode ser perigoso, e até e outros sistemas de controle e
mesmo fatal, para o trabalhador que executa a segurança negligenciados
manutenção e para as pessoas próximas.
Os cabos de parada de emergência são o
A remoção de qualquer tipo de dispositivo último recurso do trabalhador caso a correia
de proteção sem autorização também é algo precise ser parada. Se um trabalhador ficar
arriscado. As proteções são projetadas e preso ou se a paralisação da correia puder
instaladas para proteger o trabalhador contra impedir a destruição de um equipamento,
riscos evidentes. Se essa proteção for removida, os cabos de emergência permitirão que um
o trabalhador fica exposto a um risco que já trabalhador próximo à correia interrompa
foi identificado. A alteração dos controles de o funcionamento do transportador. Como
segurança anula sua finalidade. dito anteriormente, não há muito tempo
para reagir, então, o trabalhador precisa
de uma forma de paralisar o transportador
rapidamente. Se o cabo estiver partido, a chave
não estiver funcionando ou o sistema estiver
desativado, isso significa que o trabalhador não
terá o último recurso de proteção disponível
Figura 3.12.
para ele. (Figura 3.9.)
O conhecimento do 1
setor indica que, para Mortes
cada morte, ocorrem
números cada vez 30
maiores de casos de dias Casos de dias de
de trabalho perdidos, trabalho perdidos
lesões, quase acidentes
e comportamentos
300
Incidentes reportáveis
perigosos.

3000
Quase acidentes (estimados)

300.000
Comportamentos de risco (estimados)

34
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

Infelizmente, é uma prática comum desligar ou que precisa ser executada, pode, na verdade, ser
ignorar os dispositivos de controle e segurança, a causa da falha de segurança do trabalhador.
que podem causar paradas inconvenientes do
transportador. Os controles mais comumente O atual ambiente industrial incentiva uma
ignorados são a chave de nível de chute e a mentalidade e um modelo de negócios
chave de desvio. Um sensor de chute obstruído baseados na produção. O tempo destinado
ignorado é, muito provavelmente, o resultado à execução de tarefas básicas de manutenção
de altos níveis frequentes de material no chute. e reparo está cada vez menor, e os próprios
Porém, quando o problema não é apenas a trabalhadores ainda não percebam isso.
moega sobrecarregada, e o chute transborda de Poucas instalações contam com equipes
verdade, há muitos riscos possíveis. Esses riscos de manutenção adequadas: há apenas
1
incluem o deslizamento da correia, resultando pessoal suficiente para executar reparos nos
em incêndios; a ruptura da correia, resultando equipamentos mais importantes, deixando
em paradas prolongadas do equipamento; ou, muitos dos componentes relacionados à
ainda, grandes quantidades de derramamentos. segurança indefinidamente sem manutenção.
Isso ocorre porque a produção é a principal
Eventos incomuns que aumentam os preocupação, e o transportador funciona
riscos mesmo sem manutenção.

Um trabalhador não é capaz de estar preparado O setor e, igualmente, os trabalhadores


para todas as emergências. (Figura 3.10.) estão se adaptando a esse ritmo acelerado,
Eventos imprevisíveis, como um acidente com trabalhando de maneira mais inteligente e
um caminhão de mineração, um incêndio criando formas de trabalhar mais rapidamente.
na fábrica ou uma forte tempestade elétrica, Fornecedores de produtos industriais também
podem levar um trabalhador a buscar abrigo estão oferecendo soluções mecânicas para o
próximo a uma correia do transportador em problema do tempo reduzido.
movimento. Uma emergência mais grave
pode fazer com que o trabalhador esqueça que Além da pressão do prazo sobre as tarefas de
o transportador está em funcionamento e é manutenção, existem também as questões
perigoso. Um evento mais perigoso do que o relacionadas ao trabalho. Se os trabalhadores
transportador não elimina o risco do próprio que normalmente realizariam a manutenção
transportador. forem eliminados, os funcionários restantes
precisarão trabalhar ainda mais rápido; caso
Falta de concentração/desatenção do contrário, algumas tarefas de manutenção
trabalhador deixarão de ser executadas.

Além dos riscos físicos de um transportador Em um ambiente como esse, tomar atalhos
e das práticas inseguras comuns ao trabalhar para concluir o trabalho antes do prazo é
próximo a um deles, um trabalhador pode uma grande tentação. Um trabalhador será
se colocar em perigo devido à falta de analisado, recompensado ou corrigido com
concentração. (Figura 3.11.) base na eficácia da solução e na duração
do trabalho. Para cumprir essas metas, o
Quando o trabalhador está concentrado trabalhador poderá sacrificar a segurança, o
exclusivamente na conclusão de uma tarefa, que, se nada der errado, passará despercebido.
ele pode esquecer dos detalhes específicos
do trabalho. As primeiras que acabam sendo Porém, infelizmente, pegar atalhos
eliminadas são as tarefas redundantes e aquelas esporadicamente leva ao estabelecimento de
relacionadas à segurança. Essas omissões dão hábitos perigosos. E hábitos perigosos levam a
origem a atalhos, e os atalhos podem levar a ferimentos e mortes.
ferimentos ou à morte. A própria concentração
que permite que o trabalhador conclua a tarefa

35
Seção 1 | Perigos e áreas de risco

O poder multiplicador das CONCLUSÕES


práticas de trabalho inseguras A importância das
Algumas vezes, acidentes ocorrem devido a
práticas de trabalho adequadas
uma combinação de várias práticas de trabalho Em um estudo de 2003, a ConocoPhillips
inadequadas. Um dos relatórios sobre mortes Marine encontrou uma correlação entre mortes
(Fatalgram, em inglês) da MSHA relata uma e práticas inseguras. O estudo mostrou que,
morte ocorrida em uma mina, em 1999: um para cada morte, existem cerca de 300.000
trabalhador entrou sozinho em uma área sem comportamentos perigosos. (Figura 3.12.) A
proteção, em um espaço confinado próximo pesquisa também quantificou afastamentos
1 a um transportador em funcionamento, por acidentes, incidentes reportáveis e quase
que não havia sido travado. As roupas do acidentes. Essas são variáveis independentes.
trabalhador ficaram presas na polia traseira do Portanto, isso não significa que o Incidente
transportador. Quatro práticas inseguras e duas de afastamento por acidente número 31 será
áreas desprotegidas formaram a combinação uma morte. Os números indicam que há uma
que resultou em um evento catastrófico. probabilidade estatística de morte para cada 30
Qualquer fator individual poderia ter levado dias de trabalho perdidos.
a ferimentos ou mesmo à morte, mas a
combinação certamente se revelou fatal. Se o Como resultado, do ponto de vista estatístico,
risco foi multiplicado ou se, simplesmente, a forma mais eficaz de reduzir as mortes é
esse trabalhador em particular demonstrou reduzir os comportamentos perigosos.
falta de conhecimento em relação às práticas
de trabalho adequadas ou uma tendência
a ignorar as práticas recomendadas, é algo
discutível. De qualquer maneira, o resultado
foi a morte.

36
Práticas inseguras ao trabalhar com transportadores | Capítulo 3

37
PROBLEMAS COM O
Botões e sensores | Capítulo 4
Seção 2
TRANSPORTADOR E SOLUÇÕES DE
PROBLEMAS DOS COMPONENTES
Capítulo 4
Botões e sensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Capítulo 5
Alarmes de inicialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Capítulo 6
Cabos de parada de emergência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
Capítulo 7
Batentes, freios de retorno e travas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
Capítulo 8
Coberturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
Capítulo 9 2
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
Capítulo 10
Proteções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
Capítulo 11
O mito da “proteção devidoà localização” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146
Capítulo 12
Proteções dos roletes de retorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
Capítulo 13
Tensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
Capítulo 14
Proteção contra a queda de materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
Capítulo 15
Transportadores, correias e incêndios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180
Capítulo 16
Iluminação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226
Capítulo 17
Pó . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238
Capítulo 18
Acesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254
Capítulo 19
Os riscos relacionados a ruídos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270
Capítulo 20
Sinalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284
Capítulo 21
Segurança dos sistemas elétricos ao trabalhar com transportadores . . . . . . . . . 298
38
2

Capítulo 4 Botões e sensores


INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 INTRODUÇÃO
Sistemas de parada de emergência . . . 41 A detecção de uma necessidade
Diversas opções de botões, sensores,
Chaves de alinhamento
detectores e alarmes podem ser instaladas
da correia ou de desvio . . . . . . . . . . . . 41
nos transportadores. Esses controles são
Chaves de escorregamento da comumente utilizados em transportadores,
correia (velocidade zero) . . . . . . . . . . . 44 e foram projetados para avisar sobre uma
condição insegura, ou potencialmente
Detectores de nível do silo e insegura, ou servir como um método
de chute obstruído . . . . . . . . . . . . . . . . 47 emergencial para desligar o transportador
Aviso de ventos fortes . . . . . . . . . . . . . 50 em pontos próximos a zonas de perigo. Eles
são dispositivos de proteção encontrados
Sensores de calor e detecção dentro dos circuitos de controle, concebidos
de incêndios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 para serem acionados pelo material a granel,
pelo movimento do transportador, ou pelo
Outros sensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 comando direto de um trabalhador. Muitos
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 deles oferecem a dupla vantagem de preservar
o equipamento e proteger as pessoas contra
os riscos no transportador. Neste capítulo,
discutimos os benefícios do equipamento, mas
nossa principal preocupação é a redução dos
riscos para os trabalhadores.

A seção 5.7.2.11 Detecção automática de


anomalias da norma europeia DIN EN 620,

39
Botões e sensores | Capítulo 4

Continuous handling equipment and systems conformidade com as normas EN


– Safety and EMC requirements for fixed belt 457:1992, EN 842:1996, EN 61310-
conveyors for bulk materials, especifica: 1:1995, conforme apropriado; ou,
como alternativa e sob circunstâncias
Sempre que necessário, os dispositivos extremas, uma parada poderá ser
de detecção automática de anomalias iniciada automaticamente. Sob
a seguir deverão ser construídos, circunstâncias especiais, transportadores
montados e/ou instalados de modo a de fornecimento interligados podem
minimizar o risco de uma operação ser automaticamente desacelerados
inadvertida: ou parados de maneira controlada e
a) dispositivos de detecção de adequada.
desalinhamento da correia;
O item 5.7.2.2 Dispositivos de segurança da
b) dispositivos de bloqueio do norma EN 620 também registra a importância
transportador, do chute e da moega, de utilizar botões que correspondam às
ou de detecção de sobrecarga; condições da aplicação:
c) dispositivos de detecção de rotação
do eixo [velocidade zero]; Dispositivos de segurança (por exemplo,
dispositivos de acionamento, chaves de 2
d) dispositivos de detecção de baixa posição final, chaves de emergência,,
velocidade da correia [deslizamento reguladores, chaves de travamento,
da correia]; dispositivos de parada de emergência),
e) dispositivos de detecção de calor; devem ser concebidos, selecionados,
f ) dispositivos de detecção de altura e/ posicionados e/ou protegidos para
ou largura. atender às condições do local e às
diversas aplicações do equipamento.
Esta seção indica quais procedimentos devem
ser seguidos caso ocorram problemas: Na norma australiana AS 1755-2000 Conveyors
– Safety requirements, diversos sistemas
Se for detectada uma condição perigosa,
de controle de parada de transportadores
um sinal de advertência claro, sonoro
são identificados como obrigatórios ou
e/ou visual, deverá ser emitido para
recomendados. (Figura 4.1.)
o operador do transportador, em

Figura 4.1.
CONTROLES DE PARADA DE PROTEÇÃO Controles de parada
do transportador,
Obrigatório Problema Sugerido conforme as exigências
Superaquecimento do rolamento X ou recomendações da
norma australiana,
X Deslizamento da correia
agora obsoleta.
X Alinhamento da Correia
X Chute bloqueado
Superaquecimento do freio X
X Liberação do freio
Detecção de incêndios X
X Superaquecimento do acoplamento
hidráulico

40
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Sistemas de parada de móveis subterrâneas para reduzir acidentes por


emergência esmagamento está sendo aplicado a proteções
para transportadores e a áreas perigosas.
A grande maioria dos transportadores de Entretanto, no manuseio de materiais a granel,
manuseio de materiais a granel têm extensão as chaves de travamento mecânico ainda são,
superior a 2,5 metros [≈8,5 pés] e incorporam seguramente, os dispositivos de parada mais
chaves de emergência acionadas por cabos comuns.
pré-tensionados, ao longo das seções do
transportador, que podem ser acionados pelos MELHORES PRÁTICAS
trabalhadores. (Consulte Capítulo 6 Cabos Sistemas de parada de emergência
de parada de emergência.) Há uma variedade tão grande de combinações
Muitos regulamentos permitam meios de transportadores, configurações de
alternativos de proteção para paradas de transportadores e riscos relacionados
emergência em transportadores particularmente ao manuseio de materiais a granel, que
curtos. Um transportador curto é definido torna-se impossível especificar que todos os
como qualquer transportador cuja extensão transportadores incorporem todos os tipos
integral seja visível da estação de controle. de dispositivos e controles de segurança.
2 Consequentemente, as melhores práticas são:
A norma mais relevante para chaves de parada
de emergência é a NR-12, embora muitas • Todos os transportadores exigem o uso de
normas exijam paradas de emergência, porém sistemas de parada de emergência.
apenas em termos gerais. • Todos os projetos e layouts de
transportadores exigem uma análise de
Na seção 6.1.2., a ASME B20.1-2015 permite: risco para identificar quais dispositivos de
A utilização de controladores de parada aviso de segurança são adequadas.
de emergência portáteis, em vez de
cabos de emergência, botões etc., Chaves de alinhamento
com instalação permanente… para a da correia ou de desvio
equipe de manutenção que faz rondas
em transportadores terrestres. Nos Muitas correias de transportadores perdem o
pontos onde normalmente a equipe fica alinhamento; "desvios" da correia são normais.
situada, os transportadores devem ser Mas quando a correia sofre deslocamentos e
equipados com cabos de emergência, fica muito distante da linha central teórica
ou controladores de parada similares, da estrutura do transportador, esse desvio
instalados de forma permanente. resulta em danos consideráveis e problemas de
segurança.

REGULAMENTOS E NORMAS Desalinhamentos podem causar danos


Sistemas de parada de emergência consideráveis às bordas da correia. Uma
borda de correia danificada pode ficar
Existe tecnologia aprovada para sistemas presa na estrutura do transportador ou nos
complexos, geralmente utilizada no manuseio componentes, ocasionando rompimento no
de pacotes ou em armazéns automatizados, sentido longitudinal da correia. Os elementos
em que as chaves de travamento mecânico estruturais podem rapidamente ser cortados
podem ser substituídas por circuitos ao meio por uma correia do transportador,
redundantes de estado sólido ou circuitos levando a uma falha estrutural. Quedas de
lógicos programáveis. Além disso, o sucesso rolos de retorno já resultaram em graves
dos sensores de proximidade nas máquinas acidentes.

41
Botões e sensores | Capítulo 4

Quando a correia fica muito desalinhada, ela correia, uma borda danificada reduz a eficácia
pode entrar em contato com a estrutura do do dispositivo de segurança.
transportador ou com os compartimentos.
Pode haver atrito entre a correia e o chute de As chaves disponíveis incluem chaves
descarga e a estrutura ao longo da extensão com roletes, limitadores, interruptores de
do transportador. Ambas as condições lâmina, chaves de proximidade ou chaves
podem causar danos à estrutura e levar para fotoelétricas. A operação típica envolve
à geração de calor devido à fricção. A fricção acionamento dos contatos em duas etapas
foi identificada como uma possível fonte de pelo movimento lateral da correia, além dos
ignição em incêndios de correias. Incêndios e limites determinados pelo projeto e pela
falhas estruturais certamente podem resultar operação do transportador. Primeiro, uma
em riscos de segurança e ferimentos. Incêndios série de contatos envia um sinal de aviso de
em correias e falhas estruturais têm potencial desalinhamento da correia quando a correia
para se tornarem eventos graves, levando a apresenta movimentação lateral além de um
desastres para a empresa ou, até mesmo, para limite predefinido, porém com um movimento
toda uma comunidade. menor do que aquele que poderia causar danos
à correia, derramamentos ou danos estruturais.
Na extremidade de carga, a correia pode O sinal de aviso não inicia uma condição de
2
escapar sob as calhas de carga. Após escapar da parada de emergência. Uma segunda série
calha guia, a correia geralmente não retornará de contatos envia um sinal de parada de
para uma posição estável, devido à deformação emergência quando a correia passa dos limites
natural da correia e à pressão das tiras de aceitáveis. Como uma função de controle de
vedação. Se o problema não for corrigido, esse parada de emergência, a redefinição da chave
tipo de desalinhamento pode fazer com que a em si não reinicia o transportador. Os limites
correia se dobre sobre ela mesma. de deslocamento do aviso e da função de
parada de emergência normalmente são ambos
O desalinhamento sob as calhas pode gerar ajustáveis.
derramamentos imediatos e significativos.

Para eliminar os possíveis danos do


desalinhamento, chaves de desvio da correia
são instaladas nas laterais do transportador.
(Figura 4.2.) Sensores de alinhamento da
correia normalmente ficam localizados na
descarga e nas zonas de carga do transportador,
mas podem ser distribuídos ao longo do
equipamento em intervalos, dependendo
da rota do transportador. As chaves de
alinhamento da correia, ou de controle de Figura 4.2.
desvios, são tipicamente instaladas em ambos Posicionada na borda do
os lados da correia nas extremidades de carga transportador, a chave
e descarga dos transportadores, e em outros de desvio desligará o
locais ao longo do transportador, a fim de sistema caso a correia
indicar o desalinhamento da correia além dos apresente movimento
limites aceitáveis. Observe que essas chaves não fora do trajeto desejado.
eliminarão o desvio; elas apenas desligam o
sistema quando o desalinhamento é tão grande
que põe em risco a correia. Como a chave
de desvio da correia é ativada pela borda da

42
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

REGULAMENTOS E NORMAS Os transportadores contínuos devem


Chaves de alinhamento da correia ou possuir dispositivos que interrompam
de desvio seu funcionamento quando forem
atingidos os limites de segurança,
Austrália conforme especificado em projeto,
A recente norma da Austrália que deve contemplar, no mínimo, as
e Nova Zelândia AS/NZS 4024.3611-2015 seguintes condições de: …
Conveyors – Belt conveyors for bulk materials c) desalinhamento anormal da correia
handling oferece instruções para controlar
A norma brasileira NR-12 Segurança no
os desvios da correia nos sistemas, na seção
Trabalho em Máquinas e Equipamentos
2.8.2.6. O trecho observa que os dispositivos
apresenta exigências semelhantes na seção
de alinhamento são necessários para parar
12.92.
qualquer movimento lateral excessivo que
poderia permitir carregamento irregular ou Europa
caso a correia possa entrar em contato com a
estrutura de aço fixa, situações que podem, Em sua discussão sobre a
ambas, causar derramamentos, aquecimento Detecção automática de anomalias, a norma
2 por fricção ou danos à correia e/ou estrutura. europeia DIN EN 620, seção 5.7.2.11, inclui
"dispositivos de detecção de desalinhamento
A norma identifica os seguintes locais para da correia" entre os dispositivos que deverão
instalação de dispositivos de alinhamento: ser instalados.
extremidade dianteira, tensor e polias
traseiras e cabeça da transmissão, bem como África do Sul
nas correias carregadas em um ponto de
A seção 5.2 Estados de
transferência que não esteja próximo a uma
alinhamento da correia, das diretrizes
polia traseira. De acordo com a norma,
Safety Around Belt Conveyors (CMA MS01
os dispositivos devem ser instalados a uma
Rev04/2016) da South African Conveyor
distância de até 5 metros [≈16,5 pés] dos locais
Manufacturers Association (Associação Sul-
onde o desalinhamento afetaria as operações
africana de Fabricantes de Transportadores),
do transportador, como chutes de carga e
indica:
descarga ou estruturas ou componentes críticos
em aço. A norma acrescenta, em seguida, que Caso a borda da correia acione a chave
em casos com risco de movimento da estrutura de alinhamento por um determinado
(como em minas subterrâneas), a distância período, a energia do transportador
entre os dispositivos de alinhamento pode é interrompida e o sistema parado
precisar ser reduzida. imediatamente. Uma adaptação dos
sensores de alinhamento para correias
Além disso, a norma especifica que a redefinição
com cabos de aço realiza medição
do dispositivo de alinhamento deve ser
contínua do deslocamento da borda,
realizada no local onde o dispositivo estiver
denominado "alinhamento da borda".
sido ativado, a menos que outro sistema (como
de televisão em circuito fechado) confirme que O alinhamento da borda das correias
é seguro retomar as operações. por meiode cabos de aço fornece uma
indicação da distribuição da tensão na
Brasil carcaça se suporte dos cabos. Após a
instalação, cada correia de cabo de aço
A norma NR-22 Segurança
apresenta um alinhamento de borda
e Saúde Ocupacional na Mineração, seção
exclusivo de acordo com a revolução da
22.8.3.1., observa:
correia.

43
Botões e sensores | Capítulo 4

Um desvio posterior no deslocamento Em transportadores reversíveis, chaves de


do alinhamento da borda sugeriria um desalinhamento devem ser instaladas em
problema na distribuição da tensão ambos os lados da correia em ambas as polias
do cabo da correia. Entretanto, esses traseiras.
sistemas são relativamente sofisticados
e, geralmente, são instalados somente Em transportadores com centros de polias
em sistemas de transportadores inferiores a 10 metros [≈33 pés], somente
extremamente sensíveis. uma chave em cada lado do transportador é
normalmente exigida.
Estados Unidos
Chaves de desalinhamento devem ser definidas
Nos regulamentos da MSHA para desligar a correia antes que ocorram
(Mine Safety and Health Administration, derramamentos de material, ou antes que a
Administração de Segurança e Saúde em correia entre em contato com a estrutura.
Mineração) e da OSHA (Occupational Safety
and Health Administration, Administração de A equipe de manutenção deve testar as chaves
Segurança e Saúde Ocupacional) dos Estados mensalmente.
Unidos, os requisitos para chaves de parada
são mencionadas apenas em termos gerais. Chaves de escorregamento da 2
As normas do American National Standards
Institute (Instituto Norte-americano de
correia (velocidade zero)
Padrões)/American Society of Mechanical Se a correia escorregar, ou se seu movimento
Engineers (Sociedade Norte-americana de for interrompido, e a polia de acionamento
Engenheiros Mecânicos) ANSI/ASME B20.1, continuar a girar, a temperatura pode
não mencionam chaves de alinhamento da aumentar o suficiente para causar a ignição
correia ou de desvio especificamente. da correia, do revestimento da polia ou de
materiais a granel combustíveis que estiverem
MELHORES PRÁTICAS
nela. A combinação de uma correia sem
Chaves de alinhamento da correia ou
movimento e de uma polia com rotação
de desvio
contínua, também pode indicar uma correia
Chaves de desalinhamento ou de desvio da partida ou emperrada. Se, por algum motivo,
correia, que incorporam acionamento em a tensão na correia estiver abaixo da tensão de
duas etapas, fornecendo um primeiro aviso acionamento necessária uma correia carregada
de desalinhamento da correia e, em seguida, pode escorregar e pode, por exemplo,
a parada de emergência quando a correia derramamentos. O derramamento pode ser
continua desalinhada, devem ser instaladas: considerável, ao ponto de enterrar rapidamente
os funcionários e o equipamento na galeria
• Em ambos os lados da correia, conforme confinada de um transportador.
o deslocamento em direção à polia de
descarga. A maior parte das normas sobre
escorregamento de correias têm como base as
• Em ambos os lados da correia, conforme
necessidades de minas subterrâneas de carvão,
o deslocamento em direção à polia
a fim de evitar incêndios gerados por atrito
traseira.
em situações em que a correia pára, mas a
• Em ambos os lados da correia, conforme polia de acionamento continua a girar, ou
o deslocamento em direção às polias em que a polia pára, mas a correia continua o
intermediárias de acionamento (se deslocamento. Se a correia tiver classificação
usadas). anti-chamas de acordo com a norma DIN EN
ISO 340, isso significa que ela só é capaz de
suportar uma chama ou brasas incandescentes

44
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

por até 15 segundos. Durante esse período, sinal. Quando a correia fica abaixo do ponto
uma correia relativamente lenta operando a de ajuste, um sinal de aviso é normalmente
2,5 metros por segundo [≈500 fpm] se gerado, em oposição a um sinal de parada de
deslocará por 37,5 metros [≈123 pés]. Se o emergência.
incêndio não for detectado, a correia pode ser
queimada e partir, ocasionando um evento Sensores de velocidade do eixo, sensores de
potencialmente catastrófico na forma de um velocidade da polia e sensores de movimento
incêndio ou uma correia fora de controle. da correia podem detectar a direção do
Mesmo que a correia não seja incendiada, a movimento ou a rotação.
resistência de sua carcaça pode sofrer graves Geralmente, sensores de movimento da correia
danos, criando um perigo latente caso o consistem em rodas estreitas, pequenas em
equipamento seja colocado de volta em diâmetro, que são acionadas por mola para
serviço. manter contato com o lado descarregado,
Testes de fricção do tambor, como os das ou "cobertura inferior", da correia, esteja
normas DIN EN 1554 sobre correias para uso ela carregada ou descarregada. Essas rodas
geral, ou BS EN 14973 sobre correias para apresentam um risco de ponto de pressão,
uso subterrâneo, simulam o escorregamento porém, a força de contato é geralmente baixa;
2 de uma correia sobre uma polia emperrada elas são normalmente instaladas no centro da
ou a rotação de uma polia sob uma correia correia, de modo que o risco de ficar preso
do transportador parada. O objetivo do nesse ponto de pressão é mínimo. Cada
teste é medir se a temperatura da superfície situação precisa ser avaliada, mas, em geral, é
permanece abaixo de um valor máximo interessante proteger as chaves de velocidade
requerido após um intervalo de tempo zero e de movimento da correia contra danos e
específico e sob uma tensão específica. Há violação. Essa proteção pode incorporar, com
diferentes testes para correias com cabos de facilidade e ao mesmo tempo, uma proteção
trama e de aço. (Consulte o Capítulo 15 para os funcionários.
Transportadores, correias e incêndios.) A disposição de alguns sensores pode criar
Para determinar com eficácia se a velocidade um risco. Teoricamente, as polias acionadas
do movimento da correia e das polias de devem contar com proteções para evitar
acionamento está correta, é necessário aplicar contato acidental com as projeções das polias
uma combinação de métodos de controle. e eixos giratórios. Na verdade, geralmente são
Existe uma grande variedade de chaves e instaladas proteções fixas, não removíveis, para
sensores que podem executar essas tarefas. proteger o sensor de impulso, mas nenhuma
proteção fixa é instalada para proteger os
Um tipo comum de sensor utilizado para trabalhadores contra as projeções giratórias,
a rotação da polia usa imãs. Esses imãs são que se tornam lâminas giratórias. Já foram
integrados à polia ou fixados na estrutura. relatadas amputações devido a essa disposição.
Conforme a polia gira, os ímãs são detectados
por um sensor, e os impulsos gerados são A Figura 4.3 mostra uma chave de velocidade
proporcionais à velocidade de rotação do zero sem proteção com as projeções soldadas
eixo. Quando o impulso cai abaixo de um no cubo da polia. Essa disposição apresenta um
limite de ponto de ajuste de acionamento, risco de amputação, e também não possibilita
um relé é desenergizado e ativa um alarme. necessariamente que o sensor forneça avisos de
O movimento da correia é frequentemente falhas da conexão do cubo ou do eixo.
monitorado por uma roda que fica em
contato com um lado limpo da correia, o lado
da correia que não fica em contato com o
material a granel, e um dispositivo gerador de

45
Botões e sensores | Capítulo 4

REGULAMENTOS E NORMAS Figura 4.3.


Chaves de escorregamento da correia As projeções soldadas
(velocidade zero) nessa polia do
transportador giram e
Austrália passam pelo sensor de
A norma australiana para velocidade zero para
indicar o movimento
controles de parada para escorregamento da
da polia (e da correia).
correia é apresentada no texto da AS/NZS
Como não há proteções
4024.3611-2015 Conveyors – Belt conveyors
nas projeções, sua
for bulk materials handling. Na seção 2.8.2.2, rotação cria um risco
a norma especifica que controles de parada de segurança.
deverão ser instalados entre a correia e
todas as polias acionadas. O dispositivo de
parada interromperá o transportador se o Um transportador de correia utilizado
escorregamento da correia exceder 10% da em aplicações subterrâneas, ou com
velocidade do projeto do transportador por extensão superior a 15 m [≈50 pés],
um período de tempo determinado, que não e instalado em edifícios ou outras
deverá exceder quatro segundos. estruturas fechadas deve contar 2
com um dispositivo de detecção de
Brasil
escorregamento da correia para parar
A regulamentação brasileira o motor de acionamento em caso de
NR-22 Segurança e Saúde Ocupacional bloqueio ou escorregamento da correia.
na Mineração, inclui, na seção 22.8.3.1,
Europa
"escorregamento anormal da correia em
relação aos tambores" entre as condições que Em sua lista de dispositivos
devem contar com dispositivos instalados para de segurança obrigatórios e recomendados,
interromper as operações do transportador a norma europeia EN 620 especifica que
"quando forem atingidos os limites de as chaves de deslizamento da coreia são
segurança". obrigatórias em minas de carvão subterrâneas
e outros locais perigosos, e recomendáveis em
Canadá
transportadores de superfície.
A norma Occupational Health
Estados Unidos
and Safety Act, de acordo com a publicação
Revised Regulations of Ontario (R.R.O.) 1990, Os regulamentos da MSHA na
Regulation 854 Mines and Mining Plants, seção norma 30 CFR 56/57.4503 indicam:
196, subseção (5), especifica:
Transportadores de correia de superfície
Transportadores em minas subterrâneas dentro de áreas confinadas, onde a
deverão ter, evacuação seria restrita em caso de
a) dispositivos que protejam contra incêndio resultante de escorregamento
escorregamentos excessivos entre a da correia, deverão ser equipados
correia e a polia de acionamento. com um sistema de detecção capaz
de parar automaticamente a polia de
A cláusula CSA Clause M421-11 (R2016) acionamento.
Use of electricity in mines especifica, no item
4.4.3.6, que:

46
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

MELHORES PRÁTICAS Detectores de nível do silo e


Chaves de escorregamento da correia de chute obstruído
(velocidade zero)
Como os transportadores estão cada vez mais
• Instalar sensores de rotação em todas as velozes, o potencial de ocorrências de chutes
polias principais e polias côncavas. obstruídos, que ocasionam importantes
• Não permitir que os geradores de impulso incidentes, aumenta drasticamente. Um
do sensor giratório criem um risco. transportador de alta velocidade típico, isto
• Instalar pelo menos um sensor de é, com deslocamento superior a 5 metros
movimento em cada correia. por segundo [≈1.000 fpm], leva de 10 a 30
segundos para parar. Com transportadores com
• Definir o dispositivo para enviar um capacidades de, e superiores a, 3.000 toneladas
comando de parada de emergência sem por hora [≈2.700 mtph], isso significa que de
atraso, quando a velocidade de rotação 4 a 12 toneladas de materiais a granel devem
ou a velocidade da correia for superior ser acomodados como material de pico no
a ± 10% da velocidade de projeto ou da sistema, para cada transportador na sequência
faixa de velocidade do ponto de ajuste de de desligamento. Devido a limitações de
controle. espaço e custos, poucos silos são projetados
2
• Proteger os dispositivos giratórios e para lidar com esses volumes de material sob
móveis da correia contra danos ou falhas condições de parada de emergência.
decorrentes de materiais a granel fugitivos
e violação. Quando uma moega de saída fica bloqueada,
e o fluxo de materiais a granel continua, o
• Proteger a equipe contra os pontos de transportador age como uma bomba, em que
pressão e cisalhamento criados pela a pressão é limitada apenas pela sobrecarga
instalação dos sensores de rotação e do motor de acionamento principal. Assim,
movimento. os silos continuam a ser preenchidos e
• Testar os sensores de rotação mensalmente transbordam. Potencialmente, isso causa danos
e manter um registro do teste. Reparar ou à moega, correia e qualquer equipamento
substituir imediatamente os dispositivos acessório, e representa uma ameaça de lesões a
avariados. qualquer trabalhador no caminho do material
transbordante.

Geralmente, martelos são usados para bater nas


moegas e chutes bloqueados, em uma tentativa
de criar o fluxo. Toda vez que a parede de uma
moega é deformada pela ação do martelo, o
ângulo efetivo da moega é reduzido na área,
criando um ponto de partida potencial para
um acúmulo rápido de material na moega.
Figura 4.4.
Entupimentos mais frequentes são mais
Um detector de chute prováveis no futuro. Martelar excessivamente
obstruído poderia ter
pode danificar a moega a ponto de separar as
evitado o derramamento
junções soldadas, criando as condições para
que ocorreu quando o
uma falha estrutural potencial.
transportador continuou
em funcionamento. Uma situação típica é mostrada na Figura 4.4.
apesar de um bloqueio
Essa moega de descarga obviamente está cheia
no chute de descarga.
além do limite, as rochas na parte superior
do chute dianteiro indicam o transbordo do

47
Botões e sensores | Capítulo 4

material, e é possível presumir que o chute só em uma sequência de transportadores com


foi suficientemente desobstruído para permitir processos intermediários, ou requisitos de
a retomada da produção. É muito provável que armazenamento de pico.
a plataforma de trabalho esteja sobrecarregada
As tecnologias comuns utilizadas na
muito além da capacidade de carga típica
detecção de nível do chute para sistemas
do projeto de uma plataforma, de 1 a 1,5
de transportadores são as de pá giratória,
toneladas por metro quadrado [≈100 a 150 lb/
pés2].

O colapso dessa plataforma é um risco Proteção contra relâmpagos


potencial para os trabalhadores sobre ou sob
Semelhante à necessidade de proteger os trabalhadores e transportadores
a plataforma. Os grandes fragmentos vistos
contra ventos fortes, é a necessidade de reduzir os riscos associados aos
aqui podem cair devido à vibração normal da
relâmpagos.
máquina, resultando em um risco de queda de
materiais. Transportadores, por serem grandes estruturas metálicas (geralmente
elevadas) expostas à atmosfera externa, são suscetíveis a serem atingidos
Muitas vezes, os chutes precisam ser por raios e requerem proteções contra danos, e para todas as equipes
limpos manualmente para que a operação operacionais e de manutenção. Até mesmo transportadores subterrâneos
seja retomada. Isso geralmente requer podem ser afetados por relâmpagos, pois frequentemente eles são 2
procedimentos para espaços confinados. alimentados com eletricidade, fornecida através de cabos direcionados
Muitos acidentes fatais já ocorreram durante pelo eixo ou da superfície, através de poços perfurados.
a limpeza da parte interna de chutes, durante
Assim, os transportadores representam uma poderosa atração para
a remoção de grandes fragmentos, ou da
raios e deve contar com precauções para proteger os trabalhadores e os
liberação de quantidades consideráveis de
equipamentos contra essas enormes descargas de corrente elétrica.
materiais a granel, que podem cair sobre os
trabalhadores. Embora a edição de 2016 da publicação Safety Around Belt Conveyors,
da South African Conveyor Manufacturers Association (Associação
Na tentativa de evitar esses problemas, muitos Sul-africana de Fabricantes de Transportadores), tenha eliminado estes
chutes contam com um sensor de nível do silo, trechos, a edição de 2013 ofereceu as seguintes recomendações na seção
agindo como um detector de chute obstruído. 4.11 Proteção contra raios:
Quando o chute é preenchido até um nível
Aterramento e medidas indicadas em outras normas de proteção
especificado, o sensor reage, desligando o
aplicáveis precisam ser implementadas e respeitadas. O sistema de
transportador para interromper o fluxo do
proteção da correia do transportador deve ser eletricamente isolado
material para que o chute possa ser esvaziado,
do sistema de controle e de todas as outras redes de controle,
seja pelo movimento normal do fluxo ou por
em conformidade com os requisitos da norma SANS 10313 ou
limpeza manual.
BS 6651. Qualquer equipamento ou dispositivo que precise ser
As medições de nível no manuseio de materiais conectado diretamente ao sistema de controle deve contar com
a granel podem ser divididas em dois tipos: aterramento de acordo com um padrão mínimo aceitável.
medição contínua e medição de ponto. Ambas as normas citadas no trecho das diretrizes da CMA agora foram
A medição de nível contínua é comumente atualizados. A norma SANS 10313 foi complementada pela série IEC
usada para moegas ou silos maiores para 62305 Protection against lightning. A norma BS 6651 foi substituída pela
fornecer uma indicação do nível de material no série BS EN 62305.
armazenamento, para controle do inventário
É uma boa prática monitorar as condições climáticas na área geográfica,
ou do processo. Dispositivos de medição de
para que os sistemas de transportadores possam ser desligados caso os
ponto fornecem um sinal quando o nível de
níveis de perigo de relâmpagos atinjam limites predeterminados.
material na chute de descarga atinge um nível
predefinido. Sensores de medição de ponto Em geral, as ligações do terra e a continuidade devem ser testados
são o tipo de sensor geralmente utilizado para anualmente, e os resultados do teste devem ser registrados. Corrija
chutes de transferência de transportadores, ou qualquer problema de aterramento imediatamente.

48
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

chave de inclinação, radiofrequência, placa REGULAMENTOS E NORMAS


amortecedora, nuclear e de dispositivos com Detectores de nível do silo e
elemento vibratório. A seleção do tipo de de chute obstruído
sensor de nível é afetada por vários fatores,
incluindo as propriedades do material a granel Com poucas exceções, os regulamentos
e as necessidades do processo. existentes não exigem a instalação de
detectores de nível da moega ou do silo como
Como um controle de segurança, esses dispositivos de controle de segurança, sendo
switches são utilizados para a detecção de seu uso opcional com base nas necessidades
uma condição de transbordamento iminente operacionais ou na análise de risco.
do chute, indicando uma provável obstrução.
Como ocorre com os detectores de desvio Austrália
da correia, detectores de nível do silo podem A seção 2.8.2.9 da norma AS/
ter mais de um ponto de ajuste, fornecendo NZS 4024.3611 da Austrália/Nova Zelândia
um aviso e, então, um sinal de parada de exige a integração de detectores de obstrução
emergência. do chute em transportadores de correia que
Dispositivos de medição de nível também manipulam materiais a granel.
2 podem ser usados para indicar a alimentação Europa
na correia ou em uma moega, para evitar
uma condição de "falta de estoque", como Em sua lista de dispositivos
ocorre quando a ausência de material acima automáticos de detecção de anomalias que
de um triturador ou fornalha pode gerar um devem ser instalados, a norma europeia EN
problema com a segurança, poeira ou processo. 620, seção 5.7.2.11, inclui "dispositivos
de detecção de bloqueio/sobrecarga do
Dispositivos de indicação de nível do silo transportador, chute e moega".
são conhecidos por provocarem falsos
acionamentos e desligamentos desnecessários Índia
do transportador. Como resultado, esses
dispositivos são frequentemente ignorados ou A norma indiana IS 11592,
mesmo desconectados. seção 8.14.2.4 Cargas especiais, estabelece:

Parte da dificuldade está em selecionar Inclui cargas que não devem ocorrer
um dispositivo que trabalhe com a grande em nenhum momento da operação
variedade de propriedades dos materiais do equipamento, mas cuja ocorrência
a granel manipulados. É normal que não deve ser excluída. Os principais
um material a granel tenha estado seco e componentes das cargas especiais são:
escoamento livre. No entanto, quando uma a) Obstrução dos chutes: o peso
propriedade, como o teor de umidade ou o da obstrução deve ser calculado
tamanho das partículas, é alterada, o material utilizando uma carga equivalente
deixará de fluir como esperado ou planejado à capacidade do chute em questão,
pelo chute de descarga do transportador. Isso com a devida referência ao
provoca a obstrução do chute ou o bloqueio da ângulo de inclinação. O material
descarga. normalmente dentro do chute pode
ser desconsiderado. O peso a granel
Se o próprio projeto do silo não contar com real deve ser medido para o cálculo.
um local com proteção adequada para o
dispositivo, obstruções dos chutes também
poderão ocorrer.

49
Botões e sensores | Capítulo 4

MELHORES PRÁTICAS suscetíveis a serem soprados e levantados dos


Detectores de nível do silo e roletes por ventos fortes.
de chute obstruído
Um sensor de velocidade de vento é
• Instalar dispositivos de detecção de comumente usado para medir a velocidade
nível em todos os chutes de descarga do vento nesse tipo de transportador.
ativos e/ou moega ativas no sistema, Normalmente, ventos fortes são definidos
com acionamento em duas etapas, com como aqueles com velocidades constantes
o primeiro aviso quando o nível do ou rajadas momentâneas superiores a 72
silo estiver acima de 50% do nível do quilômetros por hora [≈45 mph]. Quando a
projeto e, em seguida, com a parada de velocidade do vento excede o nível admissível
emergência quando o nível for igual a de acordo com o projeto, um sinal de limite
100% do nível do projeto de acordo com atingido é enviado e a máquina é desligada
o funcionamento normal. de forma controlada, evitando uma parada de
• Instalar dispositivos de auxílio ao fluxo emergência.
(por exemplo, canhão de ar ou vibrador) MELHORES PRÁTICAS
para ajudar na evacuação da moega e no Aviso de ventos fortes
movimento do material quando acúmulos 2
ou bloqueios do silo forem esperados. A aplicação de normas especializadas envolve
os detalhes da máquina, e, portanto, é difícil
• Projetar uma capacidade de aumento
fazer declarações sobre melhores práticas
de volume no sistema suficiente para
gerais.
permitir uma parada controlada, sem o
preenchimento do silo acima do nível • Na fase de avaliação de riscos do projeto,
operacional 100%. identificar os perigos que podem estar
• Testar os dispositivos de detecção de nível relacionados a altas velocidades do vento.
mensalmente e registrar os resultados. • Quando for esperado que ventos fortes
Reparar ou substituir imediatamente os possam criar situações perigosas, instalar
dispositivos avariados. indicadores de velocidade do vento, que
enviarão sinais de comando quando a
Aviso de ventos fortes velocidade máxima do vento predefinida
for atingida.
Ventos fortes podem causar instabilidade nas
• Quando dispositivos de velocidade
estruturas do transportador, especialmente
do vento forem utilizados, testar
com transportadores móveis, como
mensalmente e registrar os resultados.
empilhadeiras, retornadores e carregadores
Reparar ou substituir imediatamente os
de navios. Esses transportadores portáteis
dispositivos avariados.
e estruturas relacionadas geralmente se
movimentam sobre trilhos; com o calibre
padrão dos trilhos em uso, é difícil garantir Sensores de calor e detecção de
a estabilidade em condições com ventos incêndios
fortes. Quando essas máquinas falham ou são
empurradas para fora dos trilhos por ventos Incêndios e explosões de correias de
fortes, danos materiais consideráveis podem transportadores têm o potencial de resultar em
ocorrer, com potencial de ferimentos graves ou acidentes fatais, e podem ter consequências
fatais para os trabalhadores e operadores. desastrosas para toda a empresa.

Em casos como os dos transportadores Diversas fontes de ignição podem resultar em


terrestres, ventos fortes podem gerar poeira ou incêndios envolvendo transportadores; elas
derramamentos excessivos. Correias vazias são incluem materiais a granel quentes, combustão

50
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Sistemas de alerta de proximidade


Sistemas de alerta de proximidade se tornaram comuns e, até de proximidade incluem: eles devem impedir o movimento
mesmo, obrigatórios, para máquinas móveis em aplicações perigoso rapidamente; eles devem ser precisos a curtas
de mineração subterrânea. O sucesso desses sistemas levou distâncias; e eles devem funcionar com vários trabalhadores
ao interesse por usos adicionais, incluindo aplicações de e máquinas, sob condições industriais desafiadoras e em
segurança de transportadores. ambientes com elevados níveis de "ruídos elétricos".
Tecnologias Aplicação como trava do transportador
Não existe nenhuma tecnologia única que seja capaz de Travas em equipamentos potencialmente perigosos são
se adaptar a todas as condições e circunstâncias. Para a projetadas para desligar a máquina caso o acesso seja
segurança das correias de transportadores existem duas necessário ou se um trabalhador violar a barreira de
tecnologias de alerta de proximidade que podem ser segurança. Assim, travas parecem ser uma aplicação útil para
utilizadas como dispositivos de acionamento de parada de os sensores de proximidade.
emergência: a de capacitância e a de radiofrequência. Talvez a primeira aplicação dessa tecnologia aos
2 Sensores de capacitância detectam alterações na capacitância, transportadores seja em minas, onde os trabalhadores já
que é a capacidade de armazenamento de eletricidade, das usam etiquetas de proximidade RFID, o que a MSHA
áreas próximas. O alcance dos sensores de capacitância é (Mine Safety and Health Administration, Administração
afetado pelo ambiente ao redor do transportador, portanto, de Segurança e Saúde em Mineração) denominou
geralmente a pessoa deve estar a até 1 metro [≈40 pol.] "componentes que podem ser vestidos pelos mineradores".
do sensor para gerar um sinal. Dispositivos baseados em O uso mais óbvio seria instalar sensores RFID em sistemas
capacitância podem ser usados como uma trava em um de transportadores
painel de proteção, pois o trabalhador precisaria estar nos pontos de
próximo à proteção para abri-la ou removê-la. pressão, como pontos
A tecnologia de radiofrequência é mais flexível em sua de transferência,
aplicação à segurança dos transportadores. Sistemas de de maneira que a
RFID (Radio frequency identification, Identificação presença de um
por radiofrequência) podem detectar um número de trabalhador violando
identificação exclusivo, legível remotamente, e outros a zona de segurança
dados, usando tecnologia de rádio sem fio. Um sistema desligaria o sistema.
de segurança RFID típico utiliza três componentes: uma O NIOSH
etiqueta ou transponder, um leitor e um controlador. (National Institute
Quando um trabalhador usando uma etiqueta RFID entra of Occupational Um trabalhador utiliza a etiqueta
na área de alcance, o sinal ativa a etiqueta RFID, que envia Safety and Health, RFID em seu cartão de identificação
um sinal de rádio fraco, e, assim, o trabalhador é "detectado" Instituto Nacional de para ter acesso ao transportador.
como estando dentro da área controlada. Segurança e Saúde
Esses dispositivos foram adaptados para aplicações de Ocupacional) sugeriu
mineração de diversas maneiras, incluindo rastreamento de o desenvolvimento de
veículos, rastreamento de pessoal e controle de estoque. sistemas de proteção
em dois níveis, onde
As etiquetas RFID podem ser personalizadas para impedir haveria uma trava em
acesso não autorizado à uma área protegida ou mesmo para um portão de acesso,
rastrear a localização de um trabalhador específico. Uma das bem como um sensor
desvantagens é que o trabalhador precisa usar uma etiqueta de proximidade
RFID. As etiquetas geralmente são incorporadas a uma peça para detectar se o
de equipamento de proteção individual (EPI), como um funcionário está O portão para a passarela do
colete de segurança, que o trabalhador sempre estará usando. dentro do perímetro transportador é controlado por um
Fatores essenciais para o sucesso dos sistemas de detecção da área protegida. sensor de RFID.
51
Botões e sensores | Capítulo 4

espontânea (autoaquecimento) do material dos componentes, como rolamentos, motores


a granel, aquecimento por atrito devido a e caixas de transmissão. Os sensores de calor
escorregamentos da correia do transportador também são usados para detectar incêndios
ou a falhas dos rolamentos e ainda faíscas de na correia do transportador. (Consulte o
lixo metálico nos equipamentos do processo, Capítulo 15 Transportadores, correias
como trituradores. e incêndios.) Um relatório da Comissão
Europeia sobre a detecção de incêndios
Transportadores são usados em processos em transportadores de correia, intitulado
em que etapas intermitentes produzem altas Early Detection And Fighting Of Fires In Belt
temperaturas, como escória de cimento e Conveyors (Edaffic), identifica os seguintes
coque. Os processos são projetados para componentes que devem ser monitorados por
limitar a temperatura do produto para que detectores de pontos de calor:
fique abaixo da classificação da correia,
geralmente incorporando algum tipo de (i) polias traseiras,
resfriador ou banhos com água. Normalmente, (ii) polias de cabeça,
correias para aplicações de altas temperaturas
podem manipular materiais a granel a 200° (iii) polias do contrapeso ou côncavas,
Celsius [≈400°F]. Se houver fragmentos (iv) pontos de transferência
2
incandescentes ou todo o lote estiver acima da (v) pontos de carga e descarga e
temperatura, mesmo uma correia resistente ao
fogo pode ser queimada. (vi) dispositivos hidráulicos e elétricos.

O pó de muitos materiais a granel, como Existem duas categorias de sensores de


açúcar, carvão e grãos podem provocar detecção de calor comumente utilizados
explosões sob determinadas condições. em transportadores: de temperatura fixa
Infelizmente, os próprios sistemas de e de velocidade de elevação. Sistemas de
transportadores podem criar essas condições. temperatura fixa são projetados para operar
Os sistemas de transportadores contam quando o ar ao redor do sensor atinge uma
com os cinco requisitos de explosão pela temperatura definida, normalmente 57°C
presença de fontes de ignição (calor ou faísca), [≈135°F] ou mais. Sistemas de velocidade
combustível (concentração explosiva de pó), de elevação monitoram a taxa de aumento
oxigênio (ar do ambiente), confinamento e da temperatura por unidade de tempo,
dispersão. (Consulte o Capítulo 17 Pó em normalmente um aumento de 5°C a 8°C
transportadores.) [≈10°F a 15°F] por minuto. Em geral, ambos
os tipos de sistemas são utilizados em áreas
"Trabalho a quente", procedimentos de confinadas, onde incêndios com evolução
manutenção como os de corte e soldagem, rápida são esperados e a velocidade da detecção
podem causar incêndios quando os materiais não é considerada relevante.
aquecidos entram em contato com a correia ou
com um material a granel combustível. Muitas Há várias tecnologias aplicadas a sensores de
vezes, a escória quente dessas operações pode calor. Sensores de ponto de calor utilizam
cair em locais de difícil detecção e queimar detecção por infravermelho ou luz ultravioleta.
lentamente por algum tempo antes de produzir Normalmente, sistemas de detecção de pontos
um incandescência visível, chama ou um nível são instalados acima do transportador, com
detectável de calor. a cobertura de detecção dentro de um raio
de visibilidade, e responde a alteações no
Um sistema de detecção de incêndios bem espectro da luz emitida pelo material aquecido
projetado deve abranger todas as fontes de ou incandescente. Sistemas de detecção de
ignição potenciais. Sensores de calor são usados pontos podem ser dos tipos com ou sem fio.
como proteção para detectar possíveis falhas Esses sensores frequentemente são integrados

52
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

a dispositivos para remover os pontos de calor REGULAMENTOS E NORMAS


por rejeição mecânica ou aplicação local de Sensores de calor e detecção de
água. incêndios
Sistemas lineares de detecção de calor com Austrália
base em fibra óptica são instalados ao longo
dos transportadores bem próximos à fontes Quando a operação de um
de calor potenciais, principalmente na polia transportador tiver o potencial de criar um
principal e os rolamentos do rolete. risco de incêndio, o transportador deve ser
O calor afeta a capacidade de transmissão da projetado para minimizar, detectar e, por fim,
fibra óptica e permite a detecção precisa da combater o incêndio, como explicitamente
temperatura e das fontes de calor ao longo do indicado na norma AS/NZS 4024.3610:
transportador. Conveyors – General requirements.

Aspersores são compostos por sistemas de Em relação às informações sobre aplicações de


detecção e de extinção combinados em um mineração, a norma AS/NZS 4024.3610 faz
único dispositivo. Normalmente, o bico do referência às diretrizes Mine Design Guideline
aspersor é fechado por um disco ou válvula, (MDG) 1032 Guideline for the prevention, early
2 que é mantida no lugar por uma liga metálica detection, and suppression of fires in coal mines,
fusível ou por uma ampola sensível ao calor publicadas em 2010 pela divisão de Operações
com capacidade de suportar uma temperatura Seguras em Minas do Department of Industry
específica, normalmente 57°C [≈135°F]. & Investment (Departamento da Indústria e
Como ocorre com os detectores de calor, o Investimentos) de New South Wales.
fogo eleva a temperatura ambiente, fazendo a A norma para o manuseio de materiais
liga derreter ou a ampola quebrar, liberando, a granel em transportadores de correia,
assim, água sobre a correia do transportador. AS/NZS 4024.3611, também fornece
Sistemas de aspersão para transportadores são requisitos de detecção de incêndios, na seção
tipicamente do tipo dilúvio, que inundam 2.8.2.7. Nela, é indicado que sistemas de
a correia do transportador e a carga quando detecção de incêndios devem ser instalados nos
ativados. Entretanto, outros tipos de sistemas acionamentos do transportador de correia e em
de combate a incêndios podem ser usados, outras áreas com risco de incêndio.
como espuma e pó seco. Os dispositivos devem fornecer um alarme
Os sensores de detecção de calor podem como um alerta para o risco de incêndio.
ser integrados ao sistema de controle como Na tabela onde são listados os Controles de
dispositivos de aviso e/ou de parada de parada de proteção para transportadores de
emergência. A detecção de incêndios em correia para manuseio de materiais a granel,
transportadores em movimento pode ser a norma AS/NZS 4024.3611 indica que os
difícil. Após a correia do transportador ou a controles de parada de proteção com detecção
carga entrar em combustão, o transportador de incêndios são obrigatórios em minas
deve ser desligado e o dano deve ser isolado, ou subterrâneas de carvão, oferecendo apenas uma
todo o sistema do transportador, equipamentos recomendação de uso em outras aplicações de
próximos e instalações poderão ser destruídos. transportadores.
Embora os sensores de ponto de calor possam
ser usados para a detecção antecipada de um Europa
incêndio, a experiência demonstra que outros
tipos de sensores, como detectores de fumaça Na seção 5.7.2.11, a norma
e monóxido de carbono, podem fornecer europeia EN 620 5.7.2.11 inclui "dispositivos
melhores resultados. de detecção de calor" entre os dispositivos de
detecção automática de falhas que devem ser
instalados.

53
Botões e sensores | Capítulo 4

Estados Unidos Nos Estados Unidos, o NIOSH (National


Institute of Occupational Safety and
A norma 30 C.F.R., Subparte Health, Instituto Nacional de Segurança e
L Proteção contra incêndios, seções 75.1100 Saúde Ocupacional) também recomendou
a .1103, da MSHA, oferece requisitos o uso dessa tecnologia com proteções
detalhados para tecnologias de detecção de de área para reduzir a chance de um
calor e incêndios e sistemas de combate a trabalhador estar em uma zona de perigo
incêndios. quando no momento da inicialização de
MELHORES PRÁTICAS um transportador.
Sensores de calor e detecção de • Sensores de vibração
incêndios Sensores de vibração são comumente
usados nos rolamentos principais e em
• Instalar sensores de calor com detecção equipamentos vitais, como redutores,
de pontos nos rolamentos principais das para fornecer uma indicação proativa de
polias traseiras, polias de cabeça, polias possíveis falhas. Falhas dos rolamentos
do contrapeso ou côncavas, bem como que provocaram incêndios já foram
nas caixas de transmissão, freios e nos registradas e podem resultar em falhas
dispositivos hidráulicos e elétricos. desastrosas dos eixos, polias e redutores, 2
• Instalar detectores lineares de calor nos com graves consequências para a
rolamentos dos roletes do transportador segurança.
ou próximos a eles. • Sensores de poeira
• Instalar detectores de monóxido de São frequentemente instalados em
carbono nos pontos de carga e nos pontos transferências em que os níveis excessivos
de descarga caso o material a granel seja de pó representam um risco de explosão
combustível. ou à saúde. (Consulte o Capítulo 17 Pó
em transportadores.)
Outros sensores • Sensores de gás
São sensores instalados para detectar gases
Outros sistemas de detecção eletrônica têm tóxicos ou explosivos, como metano,
aplicações na melhoria da segurança do monóxido de carbono e níveis excessivos
transportador ou na redução da recorrência de oxigênio. Uma aplicação comum é na
ou da urgência das atividades de manutenção, mineração subterrânea de carvão; esses
o que, em muitos aspectos, é o mesmo que sensores são usados em outras aplicações
aprimorar a segurança. Estes sensores incluem: em que o acúmulo de gases perigosos
• Sensores de capacitância/proximidade representa um risco para a segurança e a
Sensores de capacitância são usados para saúde.
detectar a presença de um trabalhador
em uma zona de perigo. Eles vêm se
tornando equipamentos padrão utilizados
para reduzir o risco de esmagamento de
funcionários que trabalham próximos a
equipamentos móveis.

54
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

CONCLUSÕES
Além do exposto anteriormente, muitos
transportadores são equipados com dispositivos
para a detecção de lixo metálico e materiais
estranhos, para detectar rompimentos na
correia, para monitorar a integridade das
emendas ou para medir o peso carregado do
transportador. Embora possa parecer que
esses sistemas não têm nenhuma ligação
óbvia com a segurança do trabalhador, todos
eles servem para garantir que o sistema do
transportador continue em funcionamento e
produtivo, reduzindo, assim, a necessidade da
presença dos trabalhadores nas proximidades
do transportador para executar atividades de
manutenção, o que, muitas vezes, coloca os
2
trabalhadores em perigo.

55
Botões e sensores | Capítulo 4

56
2

Capítulo 5 Alarmes de inicialização


INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 INTRODUÇÃO
O travamento é essencial . . . . . . . . . . 58 Segurança na inicialização
Normalmente, transportadores têm grandes
A necessidade dos sinais de aviso . . 59
extensões de correias e estruturas com diversas
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . . . . 61 polias, roletes e outros componentes fixos e
móveis que ficam fora do campo de visão do
Alarmes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 operador.
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . . . . 69 Assim, operadores de transportadores devem
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 seguir procedimentos específicos antes de
iniciar o transportador, para garantir que não
haja nenhum objeto estranho ou pessoas sobre
ele. Entretanto, ainda existem riscos de que
um operador não veja trabalhadores ou objetos
sobre ou próximos ao transportador. Esses
trabalhadores serão colocados em perigo pelo
movimento do transportador.

As consequências podem ser graves caso um


transportador que não tenha sido travado seja
ligado e comece a se movimentar na presença
de funcionários nas proximidades, trabalhando
no transportador ou próximos a ele. Portanto,
muitas jurisdições exigem a emissão de avisos.
Porém, as particularidades desse tipo de

57
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

aviso, como o tipo e a duração do som, o uso


de luzes, o intervalo de tempo entre o aviso Trabalhador morre em pedreira
e a inicialização efetiva do transportador,
normalmente não são especificadas.
durante a limpeza de um
transportador parado
As regras de segurança exigem que qualquer
transportador só seja iniciado caso a pessoa Um funcionário de uma cascalheira, de 41 anos, morreu
executando essa tarefa tenha a certeza de que enquanto limpava os materiais da correia de um transportador de
todos estejam afastados. Para garantir isso, as transferência. O trabalhador limpava material das laterais de um
normas exigem um sistema de aviso direto transportador de 30 polegadas [≈762 mm], que estava parado e
sonoro ou visual para acomodar diferentes desligado.
condições de mineração e moagem. Quando o supervisor reiniciou o transportador, o trabalhador
percebeu que o chute de descarga estava obstruído. Embora tenha
O travamento é essencial sido instruído a manter-se afastado, o funcionário instintivamente
subiu na correia para limpar o chute. De onde estava posicionado
Em 2012, a MSHA (Mine Safety and Health - no painel eletrico localizado proximo a uma etação de lavagem
Administration, Administração de Segurança de rochas, o supervisor nao tinha uma boa visão da correia do
e Saúde em Mineração) dos Estados Unidos transportador. O supervisor acionou a chave do freio; não havia 2
emitiu um alerta sobre as melhores práticas nenhum sistema de alarme de inicialização instalado.
de travamento de transportadores de correia.
De acordo com o documento MSHA Hazard Quando o movimento do transportador foi iniciado, o funcionário
Alert – Conveyor Startup Fatalities, três caiu sobre a correia. Ele foi arrastado pela correia durante 30
mineiros em diferentes operações haviam segundos, cobrindo toda a extensão de 225 pés [≈69 m] do
morrido no período de 20 meses, quando transportador, antes de ficar preso em um suporte do motor com
os transportadores de correia nos quais cada cantoneira, o que resultou em lesões fatais.
um deles estava trabalhando foram iniciados Devido ao acidente, os controles do transportador foram
inesperadamente. reposicionados. A reinicialização, agora, é realizada com as correias
O MSHA Hazard Alert afirma que "Em cada no campo de visão do operador. Além disso, todas as correias ao
um desses casos, o motor de acionamento longo do trajeto desse transportador, da cascalheira até a estação
do transportador não estava desenergizado, de lavagem de rochas, são travadas pela mesma chave. A parada
travado e etiquetado. Em um dos acidentes, de uma delas vai parar todas as outras, evitando sobrecarga de
um dos colegas sabia que a vítima não havia material. Isso garantirá que as circunstâncias que levaram a essa
realizado o travamento". fatalidade não sejam repetidas nesse local.

Para aprimorar a segurança no trabalho com Também foram instalados alarmes de segurança de reinicialização
transportadores, o documento MSHA Hazard das correias. Um alarme alto, com duração de 20 segundos, soa
Alert listou os itens a seguir como as melhores antes da inicialização das correias e é seguido por um intervalo de
práticas para evitar mortes relacionadas à 30 segundos antes do início efetivo do movimento da correia.
inicialização de transportadores: A primeira recomendação do relatório Fatality Assessment and
• Desenergize, trave e etiquete o motor de Control Evaluation (FACE) Report, do NIOSH (National Institute
acionamento of Occupational Safety and Health, Instituto Nacional de
Segurança e Saúde Ocupacional), inclui:
• Estabeleça e siga procedimentos de
trabalho seguro … A inicialização também deve incluir um alarme de
• Treine os mineiros em relação à segurança aviso… A adição de alarmes de aviso e dispositivos de
geral e às tarefas atribuídas a eles retardo é uma proteção extra necessária para resguardar os
funcionários que trabalham com correias de transportadores
• Mantenha comunicação com todos os ou máquinas móveis.
mineiros

58
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

• Verifique visualmente os transportadores A necessidade dos sinais de


antes da inicialização aviso
• Tenha um registro numérico de todos os
mineiros em uma equipe de trabalho Atualmente, fornecer um aviso sobre a
inicialização iminente do equipamento é
• Forneça um alarme de pré-inicialização uma prática reconhecida. A maior parte dos
suficientemente alto equipamentos móveis conta com algum tipo
• Soe o alarme antes da inicialização do de alarme sonoro/visual. Podem haver muitas
transportador partes móveis na máquina, e o operador
• Utilize proteção contra quedas quando não será capaz de verificar se todas elas estão
houver risco de quedas liberadas. (Figura 5.1.)

• Forneça e mantenha um meio seguro para Muitos transportadores fazem parte de uma
acessar todos os locais de trabalho sequência de transportadores e de outros
Apesar da ênfase dada e das exigências equipamentos no processo, que são iniciados
relacionadas às atividades de travamento/ por meio automático ou manual, porém,
etiquetagem, é razoável presumir que ainda remotamente. Isso introduz o risco de que
haverá trabalhadores trabalhando com o transportador seja iniciado sem que um
2 aviso seja emitido para os trabalhadores nas
transportadores que estejam desligados, porém
não travados. proximidades imediatas do equipamento.
Os riscos podem estar relacionados ao
movimento do transportador ou à criação
de uma atmosfera em uma área fechada que
exija que os trabalhadores saiam da área ou
vistam equipamentos de proteção contra
poeiras nocivas, lançamento de materiais ou
temperaturas elevadas. Os riscos associados

Figura 5.1.
Os alarmes são
necessários quando
há obstruções, como
o próprio sistema
de transporte, que
impeçam a equipe que
inicia o transportador CAMPO DE VISÃO
de visualizar um PONTO
trabalhador em uma CEGO
zona de perigo.
Funcionário da
manutenção
Chave de START

inicialização

Funcionário da
produção

59
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

aos avisos de inicialização estão vinculados toda a extensão do transportador.


ao funcionamento do dispositivo de aviso, Normalmente, esses avisos consistem em
à capacidade de ver ou ouvir o aviso e a um buzinas, sirenes, luzes intermitentes ou
tempo de duração adequado para que uma luzes estroboscópicas. Eles são ativados
pessoa se distancie do transportador ou do por um determinado período, após a
recinto do transportador. solicitação da inicialização, e antes do
início do movimento do transportador.
Avisos de inicialização podem ser sonoros,
visuais ou ambos, dependendo dos níveis de Na verdade, a CEMA reforçou ainda mais as
ruído, luminosidade ou poeira, e também da recomendações de sua publicação ao longo dos
complexidade do percurso do transportador. últimos nove anos. A recomendação "Alguns
transportadores sem proteção devem…", como
A sétima edição do livro Belt Conveyors for apresentada na quinta edição publicada em
Bulk Materials, publicado em 2014 pela 1997, foi reforçada na sexta edição de 2005:
CEMA (Conveyor Equipment Manufacturers "Todos os transportadores sem proteção
Association, Associação de Fabricantes de devem…" [ênfase adicionada - ed.].
Equipamentos Transportadores), observa:
A publicação Best Practices on Conveyor Safety
Todos os transportadores sem proteção da legislação Workplace Safety and Health, 2
devem ser equipados com um sistema Policy and Legislation do governo de Alberta,
sonoro ou visual que forneça avisos fornece a seguinte orientação:
antes da inicialização e ao longo de

Operador de moinho fica preso em moega de descarga de


transportador e morre asfixiado por compressão mecânica
Em sua análise de uma fatalidade ocorrida em maio controle, fazendo com que a vítima fosse puxada para
de 1996, em que um operador de uma fábrica o chute de descarga antes de ter tempo para reagir.
de painéis e gesso ficou preso em uma moega de
alimentação do transportador, o relatório FACE Case A fábrica tinha um programa de segurança em vigor e
Report, da Maryland Division of Labor and Industry a vítima havia recebido treinamento em travamento/
(Departamento de Trabalho e Indústria de Maryland), etiquetagem apenas dois meses antes.
declarou: Isso levou à inclusão do item a seguir como uma das
É desconhecida a razão pela qual a vítima se quatro recomendações do relatório FACE Report:
aproximou do transportador enquanto ele estava Recomendação nº. 4:
em funcionamento, e ninguém testemunhou o Os funcionários devem instalar um alarme de
incidente. No entanto, verificou-se que a vítima inicialização que será acionado por um período
poderia estar tentando ajustar o raspador da de tempo predeterminado antes da inicialização
correia pela parte superior da extremidade de da correia do transportador.
alimentação do transportador, sem bloquear
a fonte de alimentação, quando perdeu o A discussão desta recomendação também inclui:
equilíbrio e caiu sobre a correia do transportador A instalação de um dispositivo de sinalização
em movimento. sonoro, visual ou ambos, forneceria um aviso
É possível que a vítima tenha parado a correia, mas não aos funcionários. Um aviso com um tempo
tenha bloqueado a alimentação, e tenha permanecido de duração predeterminado garantiria que os
sentada ou ajoelhada sobre a correia, usando uma trabalhadores pudessem deixar a área antes de
chave de fenda para ajustar o raspador da correia. iniciar o sistema do transportador. Entretanto,
O transportador pode ter sido iniciado da sala de isso não substitui um procedimento de
travamento/etiquetagem eficaz.

60
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Para transportadores com inicialização de inicialização de um transportador


com controle automático ou remoto, ou sistema transportador, um sistema
bem como para transportadores em de aviso de pré-inicialização operado
que o trabalhador não seja capaz de automaticamente deverá alertar para o
visualizar toda a extensão dos mesmos, início da operação do transportador e
um dispositivo de aviso visual ou sonoro para a existência de um risco potencial.
deverá anunciar a inicialização do O sistema deverá ser apresentado como
transportador. um aviso sonoro, com um tempo de
Embora a presença dos alarmes de inicialização duração adequado, e soará antes da
seja, de maneira geral, aceita e considerada inicialização do transportador. O aviso
necessária, existem poucas especificações no sonoro poderá ser complementado
que diz respeito à natureza desses indicadores. por um dispositivo de aviso visual.
Não podemos julgar se a ausência de Esses dispositivos devem continuar a
especificações se deve às características diversas indicação até que o transportador seja
dos sistemas de transportadores e ambientes iniciado.
industriais em geral, ou à alguma falha em Caso avisos sonoros, visuais ou ambos,
termos de informações ou interesse por parte sejam fornecidos, eles não deverão
2 dos reguladores. substituir proteções físicas.

O aviso de pré-inicialização permite que Avisos sonoros ou visuais deverão


qualquer pessoa nas proximidades de ser monitorados ou inspecionados
equipamentos móveis saiba que o equipamento periodicamente para garantir
está prestes a ser iniciado. Se o trabalhador não níveis adequados de segurança e de
for o funcionário responsável por acionar a funcionalidade.
inicialização, ele não terá como saber quando A cláusula observa, em seguida, que as
a ação está prestes a começar. Se nenhum aviso orientações sobre sinais e dispositivos de
for fornecido, é possível que haja pessoas em aviso são fornecidas na norma AS 4024.1202,
risco quando a correia iniciar o movimento. enquanto que as orientações sobre sinais
visuais e sonoros são fornecidas na norma AS
4024.1904.
REGULAMENTOS E NORMAS
Os trechos das regulamentações Western
A maioria das jurisdições fornece
Australia’s Mines Safety and Inspection
regulamentos que abrangem a inicialização de
Regulations 1995 a seguir, como estabelecidas
transportadores; esses regulamentos preveem
em 12 de janeiro de 2013, reiteram os
variados graus de especificidade em relação à
requisitos.
natureza dos avisos.
4.6 Segurança no transporte em
Austrália
transportadores de correia
Na Austrália, os avisos sonoros (3) Gestores de minas subterrâneas
são obrigatórios, porém, poucas orientações devem garantir que, na medida do
são fornecidas no que diz respeito à natureza possível, um dispositivo de aviso,
específica desses avisos. que possa ser ouvido em todos os
A norma AS/NZS 4024.3610 da Austrália/ locais ao longo, sempre soe antes da
Nova Zelândia observa, na cláusula 2.10.4, inicialização de qualquer correia do
que: transportador na mina, para avisar
aos funcionários sobre a inicialização
Quando houver riscos que não iminente do transportador.
possam ser controlados no processo

61
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

(4) O gestor da mina subterrânea 22.11.4 – As máquinas e sistemas


deve garantir que se houver de comando automático, uma vez
transportadores projetados na mina paralisados, somente podem voltar a
para inicialização automática ou funcionar com prévia sinalização sonora
por controle remoto,seu projeto de advertência.
deverá incluir um alarme, que possa 22.11.5 – As máquinas e equipamentos
ser ouvido em todos os locais ao de grande porte devem possuir sinal
longo do transportador, que soe por sonoro que indique o início de sua
um período de tempo adequado operação e inversão de seu sentido de
antes da inicialização da correia do deslocamento.
transportador.
Canadá
Na seção 5, o documento permite algumas
variações: O código Occupational Health
and Safety Code 2009 da província de Alberta,
(5) A sub-regulamentação (3) não se na Parte 25, subseção 365, especifica:
aplica a transportes mais curtos nas
estações de carga ou nos pontos de 365(1) – O empregador deve garantir a
transferência se sinais de aviso sobre a instalação de um sistema de alarme se: 2
operação de inicialização automática (a) o operador não tiver uma visão clara
ou remota (conforme o caso) forem da máquina, ou de partes dela, do
exibidos de maneira visível em cada painel de controle ou da estação do
entrada e nas proximidades do operador onde estiver posicionado e
sistema do transportador.
(b) as peças móveis da máquina
Um item especificado pelas normas Mines colocarem os trabalhadores em risco.
Safety and Inspection Regulations 1995,
365(2) – O sistema de alarme deve
em 17.1 Penalidades gerais, é a multa
alertar os trabalhadores de forma
por violações dessa regulamentação (e de
eficaz sobre a inicialização iminente da
outras regulamentação apresentadas no
máquina.
documento). Há multas, com valores em
dólares australianos, para diversas categorias O guia OHS Safety Code’s Explanation Guide
de infratores: de AUD$ 5.000, para a primeira 2009 da província de Alberta oferece as
infração de um funcionário, a AUD$ 50.000, seguintes informações:
para a primeira infração de uma empresa.
Parte 25, subseção 365(1)
Brasil Esta subseção aborda a utilização de
A norma brasileira sobre sistemas de alarme na inicialização de
transportadores, a NR-22 Segurança e Saúde máquinas. A inicialização de máquinas
Ocupacional na Mineração, de acordo com a pode causar lesões aos trabalhadores
atualização de 2011, estabelece o seguinte: próximos a elas caso os trabalhadores
não estejam cientes da inicialização, e se
22.8.6 – A partida dos transportadores a máquina não estiver adequadamente
contínuos só será permitida decorridos protegida. Se o operador não for capaz
vinte segundos após sinal audível ou de ver a máquina, ou partes da máquina
outro sistema de comunicação que operada, do painel de controle ou
indique o seu acionamento. da estação do operador, e se as peças
As exigências de alarmes sonoros são móveis da máquina puderem colocar os
igualmente indicadas nas diretrizes da norma trabalhadores em risco, um sistema de
NR-22 para máquinas: alarme deverá ser instalado.

62
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

O sistema de alarme poderá incluir duração mínima de 10 segundos, e a


sirenes, campainhas, buzinas, luzes inicialização do transportador.
intermitentes ou uma combinação desses
alarmes. A combinação de sistemas de Outras províncias canadenses fornecem
alarme visuais (luzes intermitentes) e instruções similares através de suas próprias
sonoros (sirene, campainha ou buzina) agências reguladoras.
oferece a melhor proteção. A regulamentação Regulation respecting
Os sistemas de alarme devem ser occupational health and safety in mines, do
automáticos. Eles devem ser construídos Quebec, seção 3 Transportadores, subseção 373,
e devem estar localizados de forma observa que todos os transportadores devem:
que forneçam ao trabalhador um sinal
sonoro ou visual identificável. Os (6) ser equipados com um dispositivo
dispositivos sonoros devem ter um som luminoso ou sonoro, que sinalize
característico e devem ser mais altos do a inicialização do transportador
que os ruídos do ambiente, incluindo o para os trabalhadores, sempre que
ruído da máquina operada. houver inicialização automática ou
remota, ou quando a visibilidade do
Não é necessário utilizar um sistema de transportador do centro de controle
2 alarme se as peças móveis da máquina do operador for parcial, e houver
que possam colocar os trabalhadores em acesso às peças móveis;
risco estiverem protegidas.
Uma norma semelhante, Ontario
Europa
Occupational Health and Safety Act, R.R.O. A norma europeia EN 620, seção
1990, Regulamentação 851 Estabelecimentos 5.7.2.6 Função de inicialização, indica:
industriais, remove a opção de controle
manual, exigindo avisos automáticos: Se a inicialização do equipamento de
manuseio mecânico puder resultar
33. Partes dos transportadores ou outras em uma condição perigosa, então um
máquinas móveis que não sejam aviso sonoro claro, com duração de 3
visíveis da estação de controle, e segundos, deverá ser soado 10 segundos
sempre que a inicialização colocar antes da inicialização e/ou um sinal de
em risco os trabalhadores, devem ser aviso visual, como uma luz intermitente,
equipadas com dispositivos de aviso deverá ser fornecido, de acordo com as
de inicialização automáticos. normas EN 457:1992, EN 842:1996
e EN 61310-1:1995, conforme
O código The Health, Safety and Reclamation
apropriado.
Code for Mines in British Columbia é ainda
mais específico com suas exigências do item As normas adicionais mencionadas são:
Correias de transportadores 4.4.16:
• EN 457:1992 Safety of machinery.
(5) Em todos os transportadores Auditory danger signals. General
que possam ser iniciados requirements, design and testing.
automaticamente por controle • EN 842:1996 Safety of machinery. Visual
remoto, ou caso o operador tenha danger signals. General requirements, design
visibilidade limitada de todo o and testing.
transportador, um dispositivo de
• EN 61310-1:1995 Safety of machinery.
aviso sonoro de inicialização deverá
Indication, marking and actuation.
ser instalado e deverá haver um
Requirements for visual, auditory and
atraso de, pelo menos, 10 segundos
tactile signal.
entre o final do aviso, que deve ter
A norma EN 620 continua, na seção 5.7.2.6:
63
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

Tais sinais devem ser fornecidos, Safety Requirements permite que o aviso
por exemplo, em situações em que o de inicialização seja um sinal, um som ou
equipamento de manuseio mecânico uma luz. A regulamentação não indica uma
esteja fora do campo de visão do duração específica para o sinal de aviso, porém
operador, ou caso seja necessário exige que o sistema incorpore comunicação
alertar pessoas que possam estar nas bidirecional, permitindo uma resposta de
áreas de trabalho ou de trânsito, confirmação antes da inicialização.
sobre a inicialização iminente de
um determinado transportador ou 3.10 Nas partes de uma linha de
mecanismo. transportadores que estejam fora da zona
de visibilidade do operador, posicionado
Caso o transportador tenha sido no painel de controle, um sinal, som
equipado para alimentar outros ou luz de aviso de pré-inicialização
transportadores, a inicialização deve bidirecional deverá ser instalado e deverá
ser coordenada por meio da utilização ser ligado automaticamente antes que
de interligamentos adequados. Esses o acionamento do transportador seja
interligamentos devem garantir a ligado.
inicialização sequencial correta e evitar a
alimentação de transportadores que não O sistema de sinalização bidirecional 2
estejam em funcionamento ou que já não apenas garantirá que as pessoas
estejam operando com carga total. fora do campo de visão do painel de
controle sejam notificadas sobre a
No catálogo do fornecedor [The Complete inicialização iminente do transportador,
Spectrum of Signaling Technology (Edition como também garantirá o envio de um
14)], da Pfannenberg GmbH Electro- sinal de resposta das partes da linha
Technology for Industry, há uma observação que não são visíveis para o operador
sobre a norma EN 54-23 Fire alarm devices no painel de controle, informando que
– Visual alarm devices, que exige as seguintes o transportador está pronto para ser
especificações para dispositivos de sinalização iniciado.
visual:
África do Sul
• É exigida uma intensidade de iluminação
mínima de 0,4 lux (lm/m²) ao longo de Nas diretrizes contidas na
todo o volume coberto, ou seja, todo o publicação Safety Around Belt Conveyors,
espaço em que o sinal de alarme deverá a associação Conveyor Manufacturers
atuar (por exemplo, instalações de Association of SA Limited (Associação Sul-
produção). africana de Fabricantes de Transportadores
Limitada) especifica que não deve haver
• O dispositivo de sinalização visual movimento até que o sinal de aviso seja
deve emitir luz intermitente branca ou acionado, mas não oferece nenhuma
vermelha. orientação sobre a natureza específica dos
• A taxa de intermitência deve ficar entre sinais sonoros ou visuais.
0,5 Hz e 2 Hz.
A lei Mine Health and Safety Act 1996, seção
A Rússia/Comunidade dos 8.9(1), afirma, de acordo com a revisão do ano
Estados Independentes de 2011:
(CEI)
(f ) um ou mais dispositivos devem ser
Na Rússia e nos outros membros da instalados e utilizados para fornecer
Comunidade dos Estados Independentes aviso antecipado suficiente, a todas
(CEI), a norma GOST 12.2.022 Occupational as pessoas e em todos os pontos onde
Safety Standards System. Conveyors. General seja possível acessar as instalações

64
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

da correia do transportador, por um (a) Caso seja possível visualizar toda


período determinado pela avaliação a extensão do transportador do
de risco da mina, respeitando o local onde a chave de inicialização
período mínimo de 10 segundos, está posicionada, o operador do
sobre a movimentação iminente de transportador deverá verificar
qualquer parte das instalações da visualmente para confirmar se todas
correia do transportador; as pessoas estão seguras, antes de
iniciar o transportador.
Estados Unidos
(b) Caso não seja possível visualizar
Nos Estados Unidos, a toda a extensão do transportador
OSHA (Occupational Safety and Health do ponto de localização da chave
Administration, Administração de Segurança de inicialização, um sistema que
e Saúde Ocupacional) exige a emissão de um forneça aviso visual ou sonoro deverá
sinal sonoro antes da inicialização de qualquer estar instalado e em funcionamento
transportador. Na norma 29 CFR 1926.555(a) para alertar sobre a inicialização do
(1), a OSHA observa que "… Sistemas de transportador. Trinta segundos após
transportadores devem estar equipados com o aviso, o transportador deverá ser
2 sinais de aviso sonoros, que devem soar iniciado ou um segundo aviso será
imediatamente antes da inicialização do dado.
transportador".
Nos Estados Unidos não existem regulamentos
Em instalações de manuseio de produtos sobre o tempo de duração do alarme; o
metálicos e não metálicos (acima e abaixo do requisito indica apenas que deve haver um
nível solo), nas regiões dos Estados Unidos aviso de pré-inicialização. Como observou um
regidas pela MSHA, as seções (30 CFR) participante do fórum Conveyor User Forum do
56.14201 e 57.14201 Avisos de inicialização cr4.globalspec.com, "o aviso não precisa ser uma
de transportadores listam as seguintes buzina; se a operação for pequena, alguém
exigências: pode apenas gritar para dar o alerta".
Figura 5.2.
Existem vários estilos Alarmes
disponíveis de alarmes
de inicialização. Alarme manual ou automático
As normas para avisos de inicialização têm
sido interpretadas de maneira uniforme pela
MSHA, assim como por suas organizações
antecessoras nos Estados Unidos, e por
grupos regulatórios semelhantes no sentido
de incluir nos transportadores sistemas
de alarme manuais e automáticos, desde
Figura 5.3. que esses sistemas sejam usados em cada
Não importa qual é o transportador ou série de transportadores em
tipo de alarme usado, o um determinado sistema.
principal critério é que
A MSHA e muitos operadores de minas
ele seja suficientemente
acreditam que um sistema automático de
alto para que seja
ouvido além do ruído aviso e partida é mais eficaz do que um
geral da operação. manual, e deve ser o sistema preferencial.
Primeiro, o sistema de alarme automático soa

65
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

a buzina de inicialização, antes de movimentar segurança, antes de ativar o botão separado


efetivamente o transportador. Uma sequência que inicia o sistema do transportador.
automatizada garante que a buzina forneça
o aviso antes que a energia seja transmitida Na norma CFR 30 56.14201(a), a MSHA
para o motor do transportador, eliminando dispensa os sistemas de transportadores
a possibilidade de que um trabalhador que sejam integralmente visíveis do
negligencie a ativação do alarme antes de ponto onde a chave de inicialização está
iniciar o transportador. localizada, dos requisitos de um sistema de
aviso de inicialização direto. Entretanto, a
Um sistema de alarme manual para MSHA recomenda que todos os sistemas
transportadores aciona um alarme sonoro de transportadores possuam um aviso de
por meio de um botão independente e, inicialização sonoro ou visual direto, mesmo
então, usa um botão separado para iniciar quando são visíveis integralmente do local
o transportador. Ele pode ser considerado onde a chave de inicialização está posicionada.
"direto" e em conformidade com a norma, Isso elimina o risco de erro humano, caso
desde que o sistema seja, de fato, capaz de um trabalhador inicie o transportador sem
avisar às pessoas antecipadamente sobre a verificar os outros trabalhadores.
inicialização do transportador. Os operadores
Em algumas operações, a buzina é soada 2
devem ser instruídos a soar o alarme e,
em seguida, confirmar se todos estão em manualmente, e o transportador é iniciado

Práticas anedóticas relativas a avisos de inicialização descritas em


fóruns on-line ∞

Em fóruns on-line, equipes de fábricas de todo "Já vi alguns em que o operador deve manter
o mundo comparam os avisos de inicialização o botão de inicialização pressionado até que o
de suas fábricas. Veja a seguir trechos das movimento comece."
discussões. ∞
∞ "… o alarme é acionado sempre que o sistema do
"… alarme de pré-inicialização sonoro e transportador é colocado em modo automático,
visual com duração de 30 segundos e, em e o botão ligar/desligar é pressionado. Um
seguida, início imediato." alarme geral muito alto, com luz intermitente,
é acionado no painel de controle e, geralmente,
∞ em algum lugar na outra extremidade remota.
"O alarme tem duração de 10 segundos e, Após 5 segundos de alarme, o transportador é
depois, o início é imediato. Em nossas instalações, iniciado. Estou pensando em mudar um pouco o
10 segundos são tempo suficiente para que os sistema. Com a mudança, o alarme seria ativado
funcionários se afastem do equipamento." a primeira vez que o botão fosse pressionado.
Então, o operador precisaria manter o botão
∞ pressionado durante 5 segundos ou precisaria
pressionar o botão novamente em até 8 segundos
"Na maior parte do tempo, temos um aviso de
(dessa maneira, se houvesse um aviso sobre algum
dez segundos antes da inicialização efetiva da
problema, o sistema não seria iniciado)."
correia."
66
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

em seguida, sob o comando do operador. A Tipos de alarmes sonoros


buzina é um processo manual; o operador deve
apertar fisicamente o botão da buzina e, então, As normas da OSHA nos Estados Unidos,
liberá-lo para ativar o botão de inicialização do entre outras normas, exigem um sinal sonoro,
transportador. Geralmente, os dois controles mas poucas orientações ou especificações são
são interligados, para que não possam ser fornecidas na regulamentação. (Figura 5.2.)
pressionados simultaneamente.
Com base em uma revisão da literatura,
É importante prestar atenção especial à as considerações sobre alarmes sonoros de
eficácia geral do sistema de aviso sonoro, para inicialização incluem:
ter a certeza de que o aviso foi acionado em
• Certifique-se de que o som do alarme
todos os transportadores do sistema. Isso não
do transportador seja mais alto do que
significa que uma buzina ou dispositivo similar
o ruído ambiente da fábrica (os ruídos
deva ser instalado em cada transportador, mas
dos equipamentos/processos próximos,
sim, que o aviso deve ser direto e efetivo para
incluindo a presença ocasional de
cada transportador ou série de transportadores
equipamentos pesados na área).
que possam ser desligados ou iniciados de
forma independente no sistema. • Certifique-se de que o alarme seja um
2 som único, para que os trabalhadores
Alarmes para transportadores e visitantes saibam que há algum
com ciclo automático de ligação e equipamento sendo iniciado, e não a
desligamento mesma campainha ou sirene usada para
indicar um intervalo ou o almoço.
Em um esclarecimento publicado chamado
Program Information Bulletin, em março de • O transportador (ou qualquer
2012, a MSHA fez a seguinte observação equipamento da fábrica que utilize um
sobre as regulamentações de inicialização de alarme de pré-inicialização) deve ser
transportadores 30 CFR 56.14201 e 57.14201: iniciado ao final do aviso.
A duração do sinal de aviso deve ser
... aplicável à transportadores operados
determinada de acordo com o tempo que uma
manual ou automaticamente, incluindo
pessoa em perigo - devido ao sistema de um
sistemas automáticos controlados por
transportador ativado - levaria para ficar em
computador, como controladores lógicos
segurança.
programáveis.
Em regiões onde a duração e a intensidade
Na aplicação das normas à transportadores que
do som dos alarmes de inicialização não
sejam automaticamente parados e iniciados
forem especificadas, o ideal seria considerar
como parte de um ciclo regular de produção,
esses alarmes de forma semelhante, ainda que
a equipe da MSHA responsável pela aplicação
distinta, aos sinais utilizados na inicialização de
foi instruída a considerar o período de tempo
outros equipamentos fixos e na circulação de
durante o qual o transportador permanece
equipamentos motorizados na fábrica.
parado. Se a parada for suficientemente longa
para que os trabalhadores acreditem que o Como um responsável de uma fábrica
transportador foi desligado "intencionalmente observou:
e antecipem que um aviso será fornecido"
antes que o transportador seja reiniciado, Todos os nossos alarmes de inicialização
haverá a exigência de fornecimento de avisos são iguais, porém, únicos em relação
adequados. a outros alarmes, como os alarmes [de
perturbação] de processos. Quando
os trabalhadores ouvem esse som, eles
sabem que algum equipamento está

67
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

prestes a ser iniciado, o que os fazem ser "suficientemente alto para que seja ouvido".
pensar sua localização na fábrica. O documento também observa: "Soe o alarme
Em relação à duração do alarme, as opiniões antes da inicialização do transportador".
variam consideravelmente. Evidências como O catálogo do fornecedor [The Complete
aquelas observadas em fóruns na Internet Spectrum of Signaling Technology (Edition
registram que a duração dos avisos varia 14)] da Pfannenberg GmbH Electro-
entre 5 e 30 segundos. (Consulte as práticas Technology for Industry sugere:
relativas a avisos de inicialização descritas
• De acordo com a norma EN ISO 7731
em fóruns on-line.)
(substituta da EN 457), uma sirene deve
Talvez a regra mais segura seja orientar a ter um nível de som mínimo de 65 dB
duração do aviso de acordo com o tempo que (A).
uma pessoa ciente da situação levaria para • De acordo com a norma DIN VDE 0833/
reagir e deixar a área de risco. A consideração EN 60849, um alarme de evacuação deve
mais importante é o fornecimento de um ser, pelo menos, 10 dB(A) mais alto do
período de tempo suficiente para que um que o nível de ruído ambiente.
funcionário ocupado ou próximo a um perigo O alarme deve ser posicionado de maneira 2
interrompa seu trabalho, deixe a área de risco, que, em situações normais, as pessoas não
estabeleça comunicação com a sala de controle trabalhem ou se desloquem diretamente de
ou puxe o cabo de parada de emergência para frente para ele.
indicar a presença de uma condição insegura
Pode ser complicado calcular o nível de pressão
para a inicialização.
sonora a uma distância específica de um
Parece óbvio que o alarme deva completar o alarme em espaços fechados onde haja muitas
ciclo sonoro antes do início do movimento fontes de ruído, como geralmente é o caso de
do transportador, porque, caso contrário, operações de manuseio de materiais a granel.
"o alarme não poderia ser considerado um Como a previsão dos níveis de som em
ALARME DE PRÉ-INICIALIZAÇÃO", ambientes de mineração e industriais é
como observou um dos usuários do fórum algo difícil, um engenheiro de som deve
Conveyor User Forum, em cr4.globalspec.com. ser solicitado a determinar o número e a
localização dos alarmes. Atualmente, muitos
Qual é a altura ideal do som do
alarmes sonoros no mercado são programáveis,
alarme?
para permitir ajustes dos níveis de dBA e
Quando perguntado sobre qual seria o oferecer diversos padrões de sinalização.
tamanho ideal das pernas de um homem,
Adição de luzes ao som
atribui-se a Abraham Lincoln a seguinte
resposta: "Elas devem ser suficientemente Embora muitas normas permitam sistemas de
longas para alcançar o chão". Ao considerar aviso sonoros ou visuais, avisos visuais sob a
a altura do volume de um alarme de luz do sol ou em outros locais bem iluminados
inicialização, a mesma abordagem deve ser são ineficazes. Por essa razão, é recomendável
utilizada: o alarme deve ser suficientemente que um sistema de aviso sonoro seja utilizado
alto para que seja ouvido. (Figura 5.3.) em sistemas de transportadores instalados em
ambientes externos ou em outros locais bem
O documento MSHA Hazard Alert on
iluminados. A utilização de luzes intermitentes
Conveyor Startup Fatalities combina a
pode aprimorar o efeito do alarme.
recomendação de que uma fábrica deve
"fornecer um alarme de pré-inicialização" e o Alguns usuários de transportadores e equipes
item adicional que indica que o alarme deve de segurança defendem que um alarme sonoro,

68
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

por si só, não é suficiente. A buzina de alarme próximos a transportadores:


deve ser acompanhada por luzes de aviso ao
• Instale um número suficiente de avisos
longo da unidade que está sendo ativada.
visuais e sonoros para a indicação de
O ciclo de "FUNCIONAMENTO" das luzes
inicialização e desligamento, adequados
deve ser idêntico ao tempo de duração do aviso
ao maquinário e ao ambiente natural, de
sonoro.
modo que pelo menos um dispositivo
Depois que a sirene pára de aviso possa ser visto ou ouvido em
qualquer local próximo ao transportador e
Qualquer equipamento que requeira um aos equipamentos associados.
alarme de aviso de movimento não deve
iniciar o movimento enquanto o alarme estiver • Antes da inicialização, confirme
soando. Também deve haver um atraso para verbalmente com os trabalhadores na área
que a equipe possa buscar a segurança após o se eles estão afastados do transportador.
alarme soar. A duração do alarme pode variar • Certifique-se de que o volume do alarme
de acordo com os diferentes ambientes. de inicialização sonoro seja pelo menos 10
dBA mais alto do que o som ambiente.
O regulamento 30 CFR, seções 56/57.14201,
da MSHA, observa que, se a correia não • Ative os avisos de inicialização por um
2
for iniciada no período de 30 segundos período mínimo de 20 segundos antes de
após o final do alarme, o alarme deverá ser iniciar o transportador. Ajuste a duração
soado novamente antes do início efetivo do do aviso de inicialização para mais de
movimento. 20 segundos para áreas e disposições de
equipamentos que exijam mais de 20
segundos para serem liberados.
MELHORES PRÁTICAS • Inspecione e teste os avisos de
Avisos de inicialização inicialização mensalmente, e registre
os resultados. Repare os avisos de
Muitas vezes, os avisos de inicialização são
inicialização inoperantes ou inativos
ineficazes devido à localização da instalação,
imediatamente e antes de reiniciar o
ao tipo de aviso ou à falhas de inspeção e de
transportador.
manutenção. Em outros casos, é necessário
mais tempo do que o exigido nos regulamentos
para evacuar um espaço confinado antes
da inicialização do transportador. A prática
de depender unicamente da confirmação
visual para garantir que o transportador
esteja liberado é problemática. Mesmo em
transportadores curtos, é difícil confirmar se
há ou não pessoas presentes. A confirmação
visual é altamente dependente da devida
diligência e da visão do operador, que, muitas
vezes, são afetadas por distrações, problemas
com a iluminação e níveis de poeira na galeria
do transportador. Por essa razão, a prática
da verificação visual deve ser descontinuada
como o principal ou único nível de proteção
dos avisos de inicialização. Siga estas etapas
para ajudar a proteger aqueles que trabalham

69
Alarmes de inicialização | Capítulo 5

CONCLUSÕES Figura 5.4.


A segurança é brilhante Alarme de inicialização
(e soa bem) alimentado pela
caixa de conexões
A adição de alarmes de aviso sonoros e/ do transportador.
ou visuais e de atrasos devidamente
sequenciados consistem em uma ferramenta
de segurança adequada e necessária à proteção
dos funcionários que trabalham com, ou
próximos à correias de transportadores
ou máquinas móveis. (Figura 5.4.) Em
ambientes industriais, se o trabalhador
não é o funcionário que aperta o botão de
inicialização, ele provavelmente não saberá
quando a inicialização está prestes a começar.
Os alarmes são essenciais para permitir
que qualquer pessoa nas proximidades dos
equipamentos saiba que ele está prestes a ser 2
iniciado.

70
2

Capítulo 6 Cabos de parada de emergência


Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Introdução
Noções básicas de controles de A necessidade dos controles de
parada do transportador . . . . . . . . . . 74 parada de emergência
Como funcionam os cabos de Como definido na norma ISO 13850 Safety
parada de emergência . . . . . . . . . . . . . 75 of Machinery – Emergency Stop – Principles for
Design, a função de qualquer cabo de parada
Sistemas de cabos de parada . . . . . . .76 de emergência é:
A necessidade da realização […] evitar o surgimento de riscos
de testes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 para às pessoas, ou reduzir os riscos
existentes, danos ao maquinário ou ao
Entretanto, na Austrália . . . . . . . . . . . . 78
trabalho em andamento, e possibilitar
Cabos de parada de emergência […] seu inicialização pela ação de um
e o tempo de reação humano . . . . . . 78 único indivíduo caso a função normal
de parada seja inadequada para esse fim.
E então, para que servem os cabos
de parada de emergência? . . . . . . . . . 80 Se um trabalhador puder acessar um
transportador em funcionamento, ele
Problemas na instalação . . . . . . . . . . . 81 deverá ser equipado com um dispositivo de
desligamento de emergência ao longo de toda
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . . . . 82
a extensão do transportador. Se ambos os lados
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . . . . 91 forem acessíveis, tanto no nível do solo ou por
meio de passarelas, ambos os lados devem ser
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 equipados com o mecanismo de desligamento.

71
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

A maior parte dos dispositivos de parada de comunicação, como a localização de um


de emergência para controle industrial, cabo específico em um transportador extenso.
denominação frequentemente abreviada como
"parada de emergência", tem a aparência de Cabos de parada de emergência são acionados
um botão que pode ser pressionado com a em duas situações ou condições básicas.
palma da mão ou "botão do pânico", ativado A primeira situação é quando um trabalhador,
por um simples movimento da mão para parar suas roupas ou suas ferramentas ficam presas
o equipamento ou processo em questão. Em no transportador. Infelizmente, essa situação
ambientes de sala de controle, o dispositivo tem causado um número considerável de
de parada de emergência terá a aparência de acidentes graves e fatais com transportadores.
um botão. Porém, ao longo da extensão do A utilização de um cabo de parada de
transportador de correia, a função de parada de
emergência é realizada por cabos de parada de Figura 6.1.
emergência.
Instalados ao lado
Cabos de parada de emergência são um do transportador, os
cabos de parada de
mecanismo de segurança que permitem que
emergência permitem
um trabalhador em qualquer ponto ao longo
que os trabalhadores 2
das laterais do transportador puxe um cabo
parem a correia a partir
para desligar a alimentação do transportador de qualquer ponto
e parar o movimento da correia. (Figura ao longo da extensão
6.1.) Os cabos são iguais aos cabos para dar do transportador.
o sinal de parada em um ônibus, exceto pelo
fato de que não é preciso esperar que "o
motorista" desligue a alimentação, pois isso
ocorre automaticamente. Puxando o cabo
em qualquer direção e em qualquer ponto ao
longo do transportador, o cabo interrompe Figura 6.2.
o circuito elétrico e desliga o sistema de
Puxar o cabo de parada
acionamento do transportador.
move um braço que
Puxar o cabo interrompe o funcionamento abre uma chave elétrica
normalmente fechada,
da correia do transportador, por meio da
cortando a alimentação
aplicação de força (puxando) para ativar
do transportador.
um braço mecanicamente ligado a chaves
Além disso, a presilha do
elétricas normalmente fechadas. (Figura 6.2.) cabo à esquerda não está
As chaves estão interligadas ao circuito de instalada corretamente.
controle de acionamento do transportador.
Quando força suficiente é aplicada ao cabo de
emergência, a chave é desativada, fazendo com
que o acionamento principal do transportador
seja desenergizado, permitindo, assim, que Uma observação sobre nomenclaturas
a correia do transportador derrape até parar. Para a finalidade deste livro, consideramos estes termos sinônimos:
O braço mecânico geralmente serve também cabo de parada de emergência, parada de emergência, e cabo de
como um sinal visual de que a chave foi segurança). Também consideramos estes termos sinônimos entre si:
acionada; por vezes, os cabos contam com cabo, fio, corda e chave.
mecanismos "indicadores" adicionais.
Os cabos de segurança frequentemente contam Um cabo de emergência é um tipo de chave de parada de
com contatos auxiliares para fazer interface emergência; uma chave de parada de emergência pode ser, mas não
com outras lógicas do sistema ou necessidades é necessariamente um cabo de emergência.

72
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

emergência sob essas circunstâncias pode emergência dessa maneira, como um meio
reduzir a gravidade de uma lesão, mas, conveniente de desligar o transportador ao
geralmente, não impede a condição insegura e fazer inspeções, ajustes ou pequenos reparos, é
a ocorrência de ferimentos em algum grau. uma prática comum, porém lamentável. Esse
não é necessariamente um uso adequado ou
A segunda situação é quando um trabalhador seguro do cabo, mas é uma realidade. Um cabo
nota algum problema com o transportador de emergência nunca deve substituir práticas
e para o equipamento para inspecionar ou adequadas de parada do transportador (não
evitar danos ao transportador ou a seus emergenciais), incluindo procedimentos de
componentes. O uso do cabo de parada de bloqueio/etiquetagem.

Guia de aplicações de paradas de emergência da CEMA


Em 2008, a Conveyor Equipment Manufacturers Association acionado não deve reiniciar o equipamento
(CEMA) publicou o guia Safety Best Practices Recommendation automaticamente. A reinicialização do equipamento deve
E-Stop Application Guide for Unit Handling Conveyors. Embora ser iniciada pelos controles de inicialização do painel de
essa publicação não tenha como foco os cabos de parada de controle associado apenas após o dispositivo de parada
emergência, ela lista algumas regras de aplicação gerais para todas de emergência acionado ser redefinido manualmente, e
as paradas de emergência, como a seguir: deve começar somente após a sequência de inicialização
• Um dispositivo de parada de emergência deve ser normal, incluindo atrasos e avisos. Os equipamentos
disponibilizado em intervalos razoáveis, interligados ao painel associado também será
compatíveis com o tipo e a massa reiniciados (ou não), de acordo com a sequência de
do equipamento, parâmetros operação. Nenhum equipamento será reiniciado
operacionais esperados, possível mau sem avisos e atrasos adequados.
uso e os níveis de treinamento da • Apenas devem ser instalados os
equipe que deverá atuar na área. dispositivos e sistemas de parada de emergência
• Dispositivos de parada de emergência que atendam às normas aceitas pela empresa,
não são configurados para funcionar setor, concepção e governo em relação ao
como dispositivos de bloqueio e nunca desempenho, aparência e projeto elétrico.
devem ser usados para essa finalidade. • Os cabos de parada de emergência
• Os circuitos de parada de emergência devem ser identificáveis e distintos de
devem ter ligação por fiação e não devem qualquer controle:
depender de nenhum dispositivo lógico ou - O atuador de um dispositivo
de estado sólido para funcionar. Sistemas em operado por botão deve ser do tipo acionado
rede aprovados podem ser utilizados, desde que manualmente por pressão ou botão de pânico.
qualquer alteração da programação seja registrada de - Os acionadores dos botões de parada de emergência
maneira indelével. devem ter a cor vermelha.
• Circuitos de parada de emergência, quando ativados, devem - Os cabo de emergência para os dispositivos de
extrair energia elétrica diretamente da fonte de alimentação parada de emergência devem ser fornecidos em cores
ou do dispositivo de comutação da fonte de alimentação. altamente visíveis, que permitam identificação rápida.
• Os circuitos de parada de emergência devem parar os • Dispositivos e sistemas de parada de emergência,
dispositivos pneumáticos ou hidráulicos, interrompendo independentemente do tipo, interromperão efetivamente
a fonte de alimentação, de maneira que os movimentos todos os movimentos na zona parada de emergência
subsequentes devido, por exemplo, à energia cinética não controlada.
ocorram. No momento da elaboração desta publicação, a CEMA está
• Dispositivos elétricos de parada de emergência devem atualizando seu guia E-Stop Application Guide (CEMA
ser concebidos de tal maneira que requeiram redefinição SBP-002). A previsão é que a edição de 2016, que incluirá
manual no ponto do acionamento elétrico antes que uma "Orientações específicas para transportadores para o manuseio de
sequência de reinicialização possa ser iniciada. materiais a granel", estará disponível para download gratuito em
• A redefinição do dispositivo de parada de emergência cemanet.org.
73
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

Noções básicas de dispositivo de controle. O comando de parada


controles de parada do de emergência deve ser mantido até que o
dispositivo de comando seja redefinido.
transportador
A execução da operação de redefinição de
Dispositivos de parada de emergência, uma parada de emergência só deve ser possível
incluindo cabos de parada de emergência, no local onde a parada de emergência tiver
devem ser instalados em cada estação de sido iniciada. A redefinição de uma parada
controle do operador e em outros locais, de emergência não deve provocar o reinício
como ao longo do transportador. Eles devem imediato das máquinas ou equipamentos.
ser posicionados para facilitar o acesso e
É importante que cabos de parada de
possibilitar uma operação sem riscos para o
emergência e outros sistemas de parada de
operador e outras pessoas que possam precisar
emergência sejam reservados para utilização
para operá-los. Medidas contra acionamentos
em situações de emergência; eles não devem
acidentais não devem comprometer a
ser empregado para bloqueios do sistema ou
acessibilidade.
inicializações e paradas de "rotina" do sistema
O dispositivo deve ser capaz de iniciar a
parada das máquinas e equipamentos de forma Figura 6.3.
2
controlada, sem criar novos riscos. Esse botão vermelho tipo
botão do pânico permite
Muitos transportadores menores presentes em fácil identificação e
fábricas terão cabos de parada de emergência operação da chave de
instalados na estação de controle do motor. parada de emergência.
Os botões de parada de emergência têm
cor vermelha com fundo na cor amarela, de
acordo com a NFPA (National Fire Protection
Agency, Agência Nacional Norte-americana
de Proteção contra Incêndios), e podem ser do
tipo botão de pressão ou botão do pânico.
O botão de parada de emergência tem
a mesma função do cabo de parada de
emergência, que é a de desligar a alimentação
do acionamento do transportador; após a
redefinição, um comando secundário para
Os avanços do controle em rede
iniciar o transportador é obrigatório. Conforme os sistemas de controle avançam, a utilização de
componentes de software para monitorar o status dos dispositivos
Botões de parada de emergência, ou qualquer
de segurança, como os cabos de emergência, estão se tornando
componente desse tipo, devem ser seguros
cada vez mais comuns. As tecnologias de rede avançaram e
e fáceis de acessar para os operadores e
passaram a ser tão confiáveis quanto os circuitos de parada
trabalhadores no local.
de emergência com fios e, na verdade, proporcionam uma
Botões, alavancas ou qualquer componente variedade maior de funcionalidades em termos de flexibilidade,
utilizado como acionador de um dispositivo diagnósticos e relatórios de falhas e registros históricos de erros.
de parada de emergência deve ser projetado Essas tecnologias em rede agora são amplamente utilizadas em
e instalado para que possa ser identificado aplicações de transportadores para manuseio de unidades, e
visualmente, de maneira clara, e operado com espera-se que elas sejam aplicadas também a transportadores para
facilidade. (Figura 6.3.) o manuseio de materiais a granel. Para obter mais informações,
consulte a norma IEC 61508, que estipula os requisitos
Qualquer ação sobre um acionador que resulte gerais para dispositivos de segurança elétricos, eletrônicos e
em um comando de parada de emergência programáveis.
deverá também resultar no travamento do

74
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Figura 6.4. a tensão necessária para ativar o cabo de


O cabo de parada desligamento de emergência, sem ruptura.
de emergência é
Com o sistema do cabo alinhado, o sinal
instalado ao longo
do transportador. de parada de emergência pode ser acionado
Observe que o cabo em qualquer ponto ao longo da extensão do
escapou dos anéis de cabo. Esses pontos podem ter distâncias de
suporte no primeiro até 50 metros [≈165 pés], aproximadamente,
plano, à direita; isso em cada lado da chave, de acordo com as
deve ser corrigido. recomendações do fabricante, especificações da
instalação e regulamentos locais.
do transportador. Também é importante O cabo parada de emergência deve estar
lembrar que a função de parada de emergência facilmente acessível durante operações de
não deve ser usada em substituição a medidas trabalho normais ao longo do transportador,
de proteção e a outras funções críticas de a fim de permitir que o cabo seja puxado em
segurança; em vez disso, ela deve ser destinada qualquer direção para parar a correia.
apenas ao uso como medida auxiliar.
2 Uma força horizontal inferior a 125 newtons
[≈13 Kgf ], aplicada a um ponto intermediário
Como funcionam os cabos de entre dois anéis de suporte e perpendicular ao
parada de emergência cabo, deve ser suficiente para ativar a parada
de emergência. O movimento necessário do
O cabo de parada de emergência é acionado cabo entre a posição de "repouso" e o ponto de
pelo movimento de um cabo instalado ativação normalmente não deve exceder
ao longo da extensão do transportador e 300 milímetros [≈12 pol.].
conectado ao dispositivo de acionamento.
(Figura 6.4.) Esse cabo, normalmente um Existem cabos unidirecionais, que permitem
cabo de fios metálicos revestidos, é direcionado o direcionamento em apenas uma direção,
através de anéis de fixação conectados à e cabos bidirecionais, em que o cabo é
estrutura do transportador. simetricamente esticado e tensionado em duas
direções.
Um movimento de tração em qualquer direção
ativará o cabo de parada de emergência. Uma O cabo conta com uma articulação mecânica
falha do sistema de tensionamento da mola ou ativa entre os contatos da chave e o cabo
uma ruptura do próprio cabo também ativará metálico. Isso significa que, ao puxar ou
o dispositivo para desligar a alimentação romper o cabo (ocasionando perda de
do transportador e acionar a parada de tensão), os contatos de segurança são
emergência. O cabo deve ser capaz de suportar positivamente abertos. Quando o cabo é
uma força de tensão 10 vezes maior do que puxado por uma distância suficiente, ele gira
Figura 6.5.
Os componentes de
um sistema de cabo de
parada de emergência 3 5 7 6 7 4
típico mantêm o
cabo tensionado e 2 8 1
suspenso entre ambas
as extremidades do
sistema, além de
conectarem as chaves
ao longo da extensão 1. Cabo de emergência 3. Gancho de ancoragem 5. Mosquetão 7. Grampos do cabo
do transportador. 2. Mola tensora 4. Elemento de tensionamento 6. Suporte do cabo 8. Laço

75
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

um braço de acionamento dentro da chave, e regionais, que podem impor requisitos


longe o suficiente para quebrar o circuito de adicionais para os circuitos do sistema de
alimentação, abrindo os contatos normalmente parada de emergência.
fechados. A abertura dos contatos geralmente
requer um movimento da ordem de 25 Em casos de uma queda de energia para
milímetros [≈1 pol.] ou de 20 a 25 graus de a alimentação do circuito de parada de
rotação do braço de acionamento. emergência, todos os circuitos do sistema
falharão, desligando o transportador.
Após o acionamento, as chaves são
mecanicamente travadas e só podem voltar às Além das questões relacionadas à fiação e
condições operacionais pressionando o botão ao funcionamento correto da chave elétrica,
de redefinição ou acionando uma alavanca. cabos de parada de emergência têm um fator
A alavanca de redefinição mantém a chave complicador da instalação e da manutenção
travada em uma condição de alarme, até dos cabos.
que ela seja redefinida manualmente por um O cabo é conectado às chaves e pode empregar
operador. Pressionar a alavanca de redefinição molas ou esticadores para manter a tensão
para baixo fará com que ela volte para a adequada ao longo do cabo. (Figura 6.5.)
posição vertical e liberará o travamento. Alguns dispositivos contam com um indicador 2
Para reiniciar o transportador, duas ações de tensão na caixa da chave. O cabo deve ter
precisam ser concluídas. Primeiro, o cabo movimento livre entre os respectivos suportes,
ou botão de parada de emergência no especialmente nas curvas. Os cabos não devem
transportador precisa ser redefinido; em apresentar torções nem correr o risco de
seguida, o botão de inicialização no painel de apresentar torções durante o uso.
controle precisa ser ativado. Após o sistema O cabo deve ser instalado sem excesso de folga,
ser redefinido, as sequências normais de pois a folga extra aumentará a distância da
inicialização devem ocorrer. Isso inclui o "ação de puxar" necessária para ativar a chave e
acionamento das buzinas de aviso antes do desligar o transportador. (Figura 6.6.)
início do movimento da correia.
O comprimento total do cabo de um
O cabo de parada pode ser conectado a um dispositivo bidirecional simples geralmente
sinal ou alarme sonoro ou visual para indicar a não deve exceder 100 metros [≈330 pés], com
ativação do cabo e consequente desligamento 50 metros [≈165 pés] em cada lado da chave.
do transportador. Um "indicador" ou lâmpada A distância entre os anéis de suporte do cabo
também pode ser incluída na parte externa da normalmente é de 2 a 3 metros [≈6 a 10 pés].
chave, para fornecer uma indicação do cabo
acionado. Um dos motivos para centralizar o cabo
entre os pontos de extremidade, isto é, com
Além do cabo, alguns dispositivos de parada de
emergência também apresentam um botão de Figura 6.6.
parada externo adicional. Se o cabo tiver
folga excessiva, os
trabalhadores não
Sistemas de cabos de parada conseguirão puxar o cabo
o suficiente para parar
Como ocorre com todos os sistemas elétricos a correia e salvarem a si
e controles, a instalação correta é necessária mesmos ou a um colega.
para o funcionamento adequado dos cabos
de parada de emergência. Botões e cabos
de parada de emergência devem estar em
conformidade com os códigos elétricos locais

76
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

comprimentos de cabo iguais em ambos Essa porcentagem de 2% de falhas nos sistemas


os lados da chave, é a variação na expansão pode não parecer muito alta, até que a vida
térmica, para que ela não tenha efeitos de um trabalhador dependa de um desses
adversos sobre a extensão do movimento sistemas defeituosos. Se um grupo de 50
necessário para parar o transportador quando paraquedistas saltar de uma aeronave, uma
o cabo for puxado. Uma variação de até 3% taxa de falha de 2% significa que um soldado
no comprimento do cabo normalmente é terá um paraquedas que não abrirá. Isso
permitida. obviamente é uma tragédia para esse soldado,
e pode interferir muito no sucesso da missão
O cabo pode ser instalado de modo que passe de maneira geral. Um dispositivo de parada de
ao redor da parte traseira do transportador, emergência é como um paraquedas; ele precisa
usando uma polia de canto, desde que de funcionar no primeiro acionamento, sempre.
acordo com as instruções de instalação do
fabricante. A solução para o problema das falhas no
desempenho dos dispositivos de parada
As especificações relativas ao número de de emergência consiste na realização de
chaves necessárias, comprimento máximo do manutenção adequada e na implementação
cabo, número e espaçamento dos anéis de de programas de testes dos equipamentos, que
2 suporte e outras características devem estar verificam o funcionamento dos equipamentos
em conformidade com as recomendações do de segurança do transportador. Esses testes
fabricante do dispositivo. devem ser realizados mensalmente.

A MSHA reafirma a necessidade de inspeções e


A necessidade da realização de testes mensais dos dispositivos de segurança no
testes documento Program Policy Letter No. P12-V-
02, publicado em abril de 2012. O documento
Um artigo da revista Rock Products de agosto
confirma que a MSHA considera os
de 1995, intitulado Rock Newscope, por Bob
dispositivos ou cabos de parada de emergência
Drake, relatou que a MSHA (Mine Safety
como equipamentos elétricos, de acordo com
and Health Administration, Administração
a norma 30 CFR, seção 77.502, e, assim, eles
de Segurança e Saúde em Mineração) dos
"devem ser examinados, testados e mantidos
Estados Unidos alertou os operadores de minas
por um funcionário qualificado para garantir
sobre falhas potenciais dos sistemas de parada
condições operacionais seguras".
de emergência ao longo dos transportadores.
Após a realização de testes em mais de 1.100 A publicação observa que, no dia 3 de fevereiro
sistemas, a MSHA registrou uma taxa de falha de 2009:
de 2%. A MSHA atribuiu esses problemas a
diversos fatores: ... Um juiz de direito administrativo
aceitou a interpretação do Ministro
• Derramamentos ao redor do dispositivo, de que um dispositivo de parada de
que impediram a desativação do emergência, composto por um cabo
transportador de parada de emergência e o respectivo
• Cabos partidos ou com folga excessiva braço mecânico de ativação, está
incluído na definição de equipamento
• Rolamentos articulados "paralisados"
elétrico... O juiz também considerou
onde há a inserção da haste da chave na
que os testes devem incluir um teste
caixa
funcional, e não pode ser limitado à
• Falha das chaves elétricas dentro da caixa observação visual.
• Cabeamento incorreto da chave ou dos
O documento acrescenta que a norma
circuitos de controle
30 CFR, seção 77.502-2

77
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

"... exige que as análises e testes sejam O boletim Safety Bulletin afirma que os
realizados pelo menos uma vez por "testes realizados em dispositivos do
mês". transportador acionados por cabos devem
garantir que todos os requisitos" da norma
A publicação Program Policy Letter observa Australiana sejam levados em conta. [A norma
que citada no boletim publicado, AS 1755, foi
... Embora as análises dos cabos substituída pela norma AS/NZS 4024.3610,
de parada de emergência e braços que aborda paradas de emergência acionadas
mecânicos não precisem ser registradas por cabos na seção 2.10.6. – ed.]
durante as análises mensais dos
O Safety Bulletin conclui:
equipamentos elétricos, os dispositivos e
cabos defeituosos devem ser registrados. Os resultados de qualquer serviço,
manutenção e teste dos dispositivos
Consequentemente, nas áreas de trabalho
de parada de emergência acionados
nos Estados Unidos sob jurisdição da
por cabos do transportador devem ser
MSHA, é obrigatória a realização de "teste
registrados, não apenas para verificar
de funcionamento" mensal de todos os
os testes, mas para monitorar qualquer
sistemas de cabos de parada de emergência do
deterioração que possa resultar em um 2
transportador. Devem ser mantidos registros
nível inaceitável de risco.
dos resultados. Embora outros locais de
trabalho, nos Estados Unidos e em outras
regiões do mundo, não adotem as diretrizes da Cabos de parada de emergência
MSHA como um requisito formal, é certo que
e o tempo de reação humano
essa é uma boa prática.
Supondo que os cabos de parada de
emergência do transportador tenham sido
Entretanto, na Austrália adequadamente especificados, posicionados,
Um problema semelhante foi observado instalados, mantidos e estejam operacionais,
pelo Queensland (Australia) Department of isso significa que eles serão suficientes para
Natural Resources and Mines (Departamento proporcionar condições seguras de trabalho
de Recursos Naturais e Minas de Queensland, para os trabalhadores, certo?
Austrália) em seu boletim Safety Bulletin No. Bem, não é bem assim.
40, Testing Of Conveyor Pull Wire Activated
Emergency Stops, publicado em 25 de março de Mesmo com instalação, inspeção e operação
2003. adequadas, um cabo de parada de emergência
em um transportador de correia pode não
O boletim observou: parar a correia suficientemente rápido para
... Diversas inspeções esquematizadas salvar uma vida.
recentes determinaram que os testes O problema advém das velocidades
das paradas de emergência acionadas relativamente elevadas dos transportadores
por cabos não foram suficientes ou não de correia modernos. Muitos transportadores
foram executados corretamente. A maior são projetados para paradas controladas, sob
parte dos testes envolveu simplesmente condições normais, para limitar as forças
puxar o cabo em um sentido e de acordo dinâmicas e para paradas em situações de
com a tração necessária para acionar emergência. O tempo de parada de um
a parada de emergência. Esse teste transportador sob condições de parada
básico não avalia diversos requisitos controladas pode ser de 10 a 60 segundos.
importantes para as paradas de Em uma configuração de parada de
emergência acionadas por cabos.

78
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

emergência, o transportador pode ser parado Será que o trabalhador conseguiria acionar
mais rapidamente, mas ainda leva tempo. o cabo de parada de emergência para
Quando comparado ao tempo de reação interromper o movimento da correia e fazer
humana, especificamente, o tempo de com que a ferramenta caísse?
reação de um trabalhador que fica preso em
um ponto de esmagamento ou envolvido A resposta para todas as três perguntas é um
em outros riscos, a correia pode percorrer sonoro "não".
uma distância considerável antes que o Mesmo com a velocidade relativamente
trabalhador esboce uma reação. O trabalhador modesta de 1,5 metro por segundo [≈300
provavelmente não terá tempo e capacidade fpm] do transportador, a correia e e os outro
suficiente de puxar a corda para ativar a função componentes giratórios do equipamento
de parada e evitar lesões ou a morte. apresentam movimento demasiadamente
Este é um cenário de acidente típico: rápido para que o trabalhador solte a pá a
tempo de escapar sem ficar preso e sofrer
Um trabalhador está usando uma ferramenta ferimentos graves.
manual com cabo longo (uma vassoura ou pá)
para limpar próximo aos rolos de retorno de Uma pesquisa publicada em um artigo do ano
2 um transportador de correia. A correia tem de 2012, Start Reaction Time and Performance
velocidade de deslocamento de 1,5 metro por at the Sprint Events in the Olympic Games,
segundo [≈300 fpm]. indica que o tempo médio de reação de um
velocista Olímpico ao sinal de largada é de
O trabalhador empurra a ponta da ferramenta 0,146 a 0,18 segundos, até que o atleta inicie
contra a correia em movimento, que prende o movimento. Isso é muito rápido. Porém,
e puxa a pá e o trabalhador que a segura em mesmo com a velocidade relativamente
direção ao ponto de pressão entre o rolo e a modesta de 1,5 metro por segundo [≈300 fpm]
correia em movimento. do transportador, a correia em movimento terá
puxado a ferramenta 0,219 a 0,27 metro [≈8,6
Será que o trabalhador conseguirá se a 10,6 pol.] antes que o velocista internacional
salvar? Será que o trabalhador conseguiria altamente alerta e treinado possa reagir para
simplesmente soltar a ferramenta? soltar a ferramenta.
Figura 6.7.
Impacto sobre a distância de deslocamento
Conforme a velocidade
da correia aumenta,
de um trabalhador preso em uma correia
aumenta a distância
que um trabalhador
Velocidade relativa da correia

preso será puxado em


direção ao sistema 3X
do transportador,
também aumentando

2X
significativamente
a possibilidade de
lesões graves.

X
Distância relativa percorrida

79
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

Um trabalhador "comum", que não é um 1,5 metro por segundo [≈300 fpm] selecionada
atleta de nível internacional, precisaria de para o exemplo, a distância que o trabalhador
mais tempo para reagir e, assim, seria puxado preso percorrerá sendo puxado em direção
por uma distância maior pelo equipamento ao risco será multiplicada pelo mesmo fator.
giratório antes de ser capaz de se soltar. (Figura 6.7.)

O problema é o mesmo da condução de De qualquer modo, o trabalhador


veículos. A questão não é apenas quando provavelmente já terá ido longe demais em
o condutor vê um problema, mas o nível direção ao transportador para alcançar e
de rapidez do indivíduo para reconhecer acionar o cabo de parada de emergência.
a situação como um problema e, depois,
quanto tempo ele leva para iniciar uma reação Se o trabalhador estiver desatento ou distraído,
adequada para corrigir o problema. o tempo de reação será mais lento e a distância
percorrida ao ser "puxado" será ainda maior.
O "tempo de percepção" é o tempo que Outros fatores que podem afetar o tempo
o condutor leva a reconhecer o perigo, de de reação médio de um indivíduo incluem
modo que o cérebro perceba que uma reação idade, preparo físico, fadiga, visão limitada,
imediata é necessária. Isso pode levar de ¼ problemas de audição, álcool e medicamentos.
a ½ de segundo. Após o cérebro perceber o 2
"perigo", o "tempo de ação" é o tempo que o Mesmo que o trabalhador preso ou exposto ao
corpo demora para executar a ação corretiva. risco esteja trabalhando com um parceiro, esse
No caso da condução, esse é o tempo que leva parceiro levará o mesmo tempo, se não mais,
para mover o pé do acelerador para o pedal para perceber o que aconteceu e localizar e
do freio. Esse tempo de reação pode variar de puxar o cabo para acionar a função de parada
¼ a ¾ de segundo. O tempo total para que do transportador.
uma pessoa consiga se salvar após um estímulo E mais um problema: a localização do
inesperado é a soma das duas partes: o tempo cabo de parada de emergência na lateral
de percepção e o tempo de reação. O tempo do transportador pode significar que um
total geralmente soma aproximadamente um trabalhador preso não será capaz de alcançar o
segundo. cabo. Embora os cabos de emergência devam
Se continuarmos a presumir a velocidade ser práticos e acessíveis para os trabalhadores
"relativamente lenta" da correia de 1,5 metro em segurança na passagem, a posição poderá
por segundo [≈300 pés por minuto] citada ser complicada, se não inalcançável, caso um
anteriormente, a correia tem deslocamento trabalhador esteja sendo puxado em direção à
de 1,5 metro [≈5 pés] por segundo. Se um correia ou aos componentes.
trabalhador ficar preso, durante um segundo,
que é o tempo que leva para o funcionário E então, para que servem os
comum "perceber" e "reagir" ao que está
acontecendo, a correia o terá puxado por
cabos de parada de emergência?
1,5 metro ou 5 pés. Essa distância é suficiente Se eles normalmente não são instalados de
para puxar a ferramenta do trabalhador, seu modo que um trabalhador preso ou em perigo
braço ou o corpo em direção ao ponto de possa alcançá-los, e o tempo necessário para
esmagamento antes que o trabalhador possa acioná-los não é suficiente para impedir
reagir. ferimentos ocasionados pelo transportador
em movimento, para que servem os cabos de
Se a velocidade da correia for maior, e as
parada de emergência? Veja a seguir algumas
correias de transportadores em muitas
respostas a essa pergunta.
operações funcionam a velocidades duas ou
três vezes maiores do que a velocidade de

80
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Figura 6.8. É possível que a melhor função do cabos de


Os cabos de parada de emergência seja a preservação do sistema do
emergência não devem transportador. Se um trabalhador fazendo a
terminar antes de uma ronda pela correia em uma inspeção observar
polia, mas sim, passar um grave problema imediato, que ponha
ao redor da extremidade em risco a equipe ou o equipamento, o cabo
do transportador. pode ser puxado para parar o transportador
sem que o trabalhador precise voltar à sala de
controle. Dessa maneira, os danos podem ser
minimizados e os reparos, realizados, sem o
prosseguimento da operação que representa
um risco para o equipamento transportador.

Em algumas situações, os cabos de parada de


Figura 6.9.
emergência tratam mais da preservação do
Ao instalar presilhas equipamento do que da redução de riscos para
no cabo de parada de os trabalhadores.
emergência, o lado
2 plano da presilha
deve ser inserido na Problemas na instalação
extremidade energizada
(conectada) do cabo. CORRETO Problemas com os cabos de parada de
emergência geralmente começam com
instalações defeituosas da chave ou do
respectivo subsistema vital, os cabos.
INCORRETO E INSEGURO Um problema de instalação comum consiste
na supressão dos cabos antes que eles cheguem
Em instalações onde o "sistema de parceria" ou às polias de cabeça e traseira da estrutura do
"regra das duplas" permite ou exige que dois transportador. (Figura 6.8.) Isso reduz o
funcionários trabalhem em estreita colaboração benefício da proteção do cabo de parada de
para que possam ser monitorar e ajudar entre emergência, pois as estatísticas mostram que
si, o segundo trabalhador pode reagir a uma um número considerável de acidentes ocorre
emergência puxando o cabo para desligar o durante a limpeza e a manutenção das polias
transportador e salvar uma vida (ou o braço) de cabeça e traseira. Os cabos devem ser
do "parceiro". instalados ao redor de todas as áreas acessíveis
das polias.
Outro possível benefício dos cabos de
parada de emergência consiste em seu uso Os cabos normalmente são fixados na chave
caso um trabalhador esteja em uma zona usando um laço protegido por presilhas para
de perigo próxima a um transportador no cabos com "parafusos em U". É bastante
momento do acionamento de uma buzina comum observar instalações incorretas das
de aviso anunciando a inicialização iminente presilhas. Cuidados devem ser tomados na
do equipamento. Considerando a duração instalação das presilhas para cabos a fim de
comum de 10 a 30 segundos do alarme, evitar fixação inadequada. A parte em "U"
o sinal fornece tempo suficiente para que da presilha pode esmagar os fios no lado que
um trabalhador alcance e puxe o cabo de suporta a carga, fragilizando o cabo.
emergência, desenergizando o acionamento A instalação das presilhas para cabos é
antes que o transportador seja iniciado e crie adequada quando a "base" (lado plano) da
uma situação perigosa. presilha é inserida na extremidade energizada
(a parte que contém a carga) do cabo e o "U"

81
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

fica apoiado contra a extremidade "inoperante" condições de estabelecimento do sistema.


do cabo. Há uma expressão em inglês que O sistema muitas vezes precisa suportar
diz "Never saddle a dead horse" (Nunca sele ambientes industriais desafiadores, incluindo
um cavalo morto, um jogo com as palavras a presença de vibração, impacto, temperaturas
"sadle" = base e "dead" = inoperante), utilizada extremas, pó, corpos estranhos, umidade,
como um auxílio para memorizar a técnica de materiais corrosivos e fluidos. Em aplicações
instalação adequada. (Figura 6.9.) de exploração de carvão, petroquímicas
e alimentícias, que podem contar com a
Detalhes sobre o número e o posicionamento presença de atmosferas explosivas, um sistema
adequados das presilhas para cabos são para trabalhos perigosos pode ser necessário.
especificados para os Estados Unidos nos
regulamentos 29 CFR 1926.251(c)5 e OSHA Para a maioria das aplicações, a classificação
1926.251(c)5i da OSHA (Occupational Safety IP-66, isto é, "Proteção contra entrada"
and Health Administration, Administração à prova de poeiras e proteção contra
de Segurança e Saúde Ocupacional). Consulte mares agitados ou jatos de água potentes,
também a norma ASME B30.26 Rigging é a adequada. Isso é (aproximadamente)
Hardware 26 – 3.1.3 Assembly Wire Rope Clips. equivalente à classificação 4 ou 4X para
Cabos mal esticados também podem ocasionar compartimentos da NEMA (National
2
problemas. O cabo deve ter movimento livre Electrical Manufacturers Association,
entre os respectivos suportes, especialmente Associação Nacional dos Fabricantes de
nas curvas. Os cabos não devem apresentar Material Elétrico) dos EUA.
torções nem correr o risco de apresentar
torções durante o uso. As características da instalação, incluindo o
comprimento máximo do cabo, número e
Embora a vida útil mecânica de um cabo de espaçamento dos anéis de suporte e polias,
parada de emergência seja normalmente fixado variação no comprimento do cabo devido a
em 100.000 operações por seus fornecedores, mudanças de temperatura e outros critérios,
a norma IS/EC 60947 Low-Voltage Switchgear devem estar em conformidade com as
and Controlgear, Parte 5, especifica que o recomendações dos fabricantes.
mecanismo de travamento de um cabo está
sujeito a um durabilidade operacional de 6.050
operações. Isso enfatiza o fato de que os cabos REGULAMENTOS E NORMAS
de parada de emergência são destinados à Todos os países exigem algum tipo de
utilização apenas em situações de emergência, parada de emergência transportadores para
em oposição ao desligamento comum (não o manuseio de materiais a granel, e o cabo
emergencial) dos sistemas de correias de de parada de emergência é o método mais
transportadores. utilizado. Os requisitos variam muito em
Cabos de parada de emergência tendem a termos de detalhes, como o espaçamento das
ocasionar falsos acionamentos, devido a quedas chaves e a tensão ou folga do cabo.
de material da correia, acúmulo de gelo e
outros problemas. Na Figura 6.10, o cabo foi Figura 6.10.
propositalmente desativado devido a diversos Esse cabo de parada
paradas do transportador acionadas por cabras de emergência foi
selvagens, que mordiam o cabo. A instalação desativado para
mostrada tem outros problemas, incluindo a evitar desligamentos
ausência de um cabo e a fixação incorreta do do transportador
cabo existente. causados por animais
selvagens, que
Ao selecionar um sistema de cabo de mastigavam os cabos.
emergência, é importante considerar as

82
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Todos os regulamentos exigem que o Todos os regulamentos e normas têm o


comando de parada de emergência tenha cuidado de salientar que os cabos de parada de
prioridade sobre a função de sustentação emergência não substituem as proteções.
ou funcionamento. Assim, os regulamentos
exigem que os cabos de parada de emergência Uma comparação dos requisitos de três
sejam redefinidos manualmente antes jurisdições é mostrada na tabela da
do reinício do transportador. A própria Figura 6.11.
redefinição não deve reiniciar o transportador, Austrália
mas exigir um comando de inicialização
separado. Há exceções nos Estados Unidos A norma australiana AS/NZA
e na Austrália para algumas minas, onde há 4024.3610 Safety of machinery – Conveyors –
autorização para que a redefinição da chave General Requirements, seção 2.10.3, oferece
reinicie o transportador. detalhes sobre os requisitos para diversos tipos
de dispositivos de parada, ao mesmo tempo

Figura 6.11. Comparação dos requisitos para dispositivos de cabos de parada de emergência
Comparação dos
2
requisitos para Estados Unidos Europa Austrália
dispositivos de cabos de Requisito MSHA 30 CFR
parada de emergência EU 620 AS/NZS 4024.3610
OSHA 29 CFR
Força de acionamento Não especificado 125 N [≈13Kgf ] 70 N [≈7Kgf ] em um ângulo
reto a 230 N [≈ 23,4Kgf ] ao
longo do eixo do cabo
Movimento do cabo Não especificado Máximo de Máximo de 300 mm
300 mm [≈12 [≈12 pol.]
pol.] no ponto
intermediário
Espaçamento do Não especificado Não especificado Máximo de 6 m [≈19,5 pés]
suporte
Altura do cabo acima Não especificado 0,6 a 1,7 m 0,9 a 1,5 m
da superfície de [≈23,6 a 67 pol.] [≈35,4 a 59 pol.]
trabalho
Isenção de parada Sim Sim < 10 m Sim
de emergência para [≈32,8 pés] Controle de parada simples
transportadores (se "facilmente acessível")
curtos? para transportadores com
menos de 4 m [≈8 pés] de
comprimento
Redefinição Superfície – Sim Superfície – Sim Sim (exceto em minas em que
manual com ação avisos de pré-inicialização
Subterrâneo – Subterrâneo –
de reinicialização sejam fornecidos)
secundária obrigatória? Nenhuma Nenhuma

Comprovação visual Sim Sim Sim, se houver mais


de acionamento de 1 chave
obrigatória?
Distância mínima Não especificado Não especificado, Sim, a menos de 1 m
entre o cabo e o risco mas ao alcance do [≈39 pol.]
especificada? operador
As conversões do sistema métrico para o imperial ou do sistema imperial para o métrico foram
arredondadas com o objetivo de oferecer maior segurança.

83
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

em que a seção 2.10.6 abrange os requisitos Outros requisitos observam que o material
para os cabos de parada de emergência. usado nos cabos deverá ser suficientemente
resistente e adequado às condições, e que
A seção 2.10.6.1 registra o comentário os operadores não necessitarão de proteção
universal sobre a instalação dos cabos de adicional para manusear os cabos.
emergência, que não deve substituir as
proteções físicas. A nota imediatamente após Os suportes dos cabos devem ter espaçamento
esse trecho indica que a exigência de cabos de máximo de 6 metros [≈19,5 pés] e devem ser
parada de emergência pode ser suplantada pela concebidos de modo que os cabos tenham
presença de controles de parada adequados, movimento livre, sem, contudo, permitir que o
se eles fornecerem um nível semelhante de cabo seja retirado do suporte.
segurança.
Além disso, caso o sistema de parada com
A seção continua com a exigência de que os cabos tenha mais de uma chave, um sinal
cabos de parada de emergência deverão ser visual deverá ser fornecido para indicar qual
instalados nos mesmos locais de instalação chave foi utilizada para parar o transportador.
de proteções removíveis que não sejam
interligadas ao acionamento do transportador, A seção 2.10.6.3 da norma AS/NZA
isto é, cuja remoção não desligue 4024.3610 aborda a localização dos cabos. 2
automaticamente o transportador. Os requisitos especificam que os cabos de
emergência devem ser instalados de modo a
Na seção 2.10.6.1 a norma especifica que os estarem:
cabos de um sistema de parada devem ter
a cor vermelha. Há ainda uma observação 1. Visíveis;
adicional indicando que, em situações em 2. Prontamente acessíveis para um indivíduo
que a cor vermelha do cabo possa dificultar a preso e também para um indivíduo que
visualização devido às condições ambientais, esteja nas proximidades;
por exemplo, etiquetas refletoras deverão 3. Fora de qualquer proteção removível;
ser instaladas em intervalos não superiores a
30 metros [≈100 pés], bem como na parte 4. Fora da linha vertical de qualquer ponto
dianteira, na parte traseira e nos pontos de pressão ou cisalhamento e a 1 metro [≈39
transferência do transportador, para identificar pol.] ou menos dos pontos pressão e
o cabo de emergência. cisalhamento;
5. A uma distância de 900 mm [≈35,5 pol.]
A seção 2.10.6.2 aborda a concepção dos ou mais acima do solo;
sistemas de cabos de parada de emergência.
Ela observa que qualquer ruptura, folga ou 6. Normalmente, a uma distância de 1.500
remoção do cabo deve iniciar o comando de mm [≈59 pol.] ou menos acima do piso
parada do transportador. de acesso; em situações em que seja
necessário que a chave esteja a mais de
A subseção (f ) orienta que o cabo deve ser 1.500 milímetros [≈59 pol.] acima do piso,
acionado (desligando o transportador) caso o o cabo deverá ser posicionado abaixo de
cabo seja puxado em qualquer direção. A força todos os pontos de pressão e cisalhamento.
necessária para acionar o dispositivo do cabo A norma AS/NZA 4024.3610 inclui
não deve exceder 70 newtons [≈7Kgf ] quando desenhos para mostrar os locais preferenciais
a força for aplicada em ângulo reto em relação para os cabos de parada de emergência.
ao direcionamento do cabo. O movimento do Adicionalmente, a norma orienta que um
cabo para acionar a chave não deve exceder procedimento de avaliação de riscos deve ser
300 milímetros [≈12 pol.] aplicado para determinar a localização dos
cabos.

84
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Canadá (iii) um desvio perpendicular do


cabo de emergência inferior a
De acordo com a publicação de 400 mm [≈15,75 pol.] ocorrer;
2003 do laboratório de segurança canadense,
Occupational Health and Safety Research (c) ser capaz de suportar, sem ruptura,
Institute (IRSST), A User’s Guide to Conveyor uma força de tensão dez vezes maior
Belt Safety: Protection from Danger Zones, do que a necessária para gerar o sinal
a seção 373.5 do regulamento Regulation de parada de emergência; e
Respecting Occupational Health and Safety in (d) integrar um indicador visual para
Mines estabelece: mostrar qual dispositivo foi acionado
Todos os transportadores devem ser quando mais de um dispositivo de
equipados, caso os trabalhadores possam comutação for necessário.
acessar um transportador durante O Canadá é um exemplo de país que
sua operação, com um dispositivo de fornece diretrizes gerais de segurança em
desligamento de emergência ao longo de nível nacional, ao mesmo tempo em que as
toda a extensão do transportador, entre províncias podem adotar regulamentações
a polia de cabeça e a polia de retorno mais severas. Por exemplo, a legislação de
2 (polia traseira). Alberta, Alberta Occupational Health and
Safety (OH&S), de 2009, reflete a legislação
De acordo com a cláusula 4.4.3 Sistemas de nacional. Porém, o governo da província
transportadores, a norma CAN/CSA M421 patrocinou um grupo, o Workplace Health
(R2016) - Use of electricity in mines especifica: & Safety Policy and Legislation, Alberta
Cláusula 4.4.3.1 Employment and Immigration, para elaborar
um guia com contribuições do setor, o guia
Um transportador acionado Best Practices on Conveyor Safety, de 2003, que
eletricamente deve contar com os se tornou, de fato, uma norma de segurança
seguintes dispositivos: para transportadores.
(a) cabos de emergência (consulte
a Cláusula 4.4.3.2) para parar o Na seção 4.4 Emergency stop pull-cords, a
transportador, em local acessível ao publicação observa:
longo do transportador. Os cabos de Se um trabalhador puder acessar um
emergência deverão ser de fácil acesso transportador em funcionamento, ele
para as pessoas nesses locais. deverá ser equipado com um dispositivo
Cláusula 4.4.3.2 de desligamento de emergência ao longo
O cabo de emergência exigido pela de toda a extensão do transportador.
Cláusula 4.4.3.1 deverá: Um dispositivo de desligamento
(a) acionar uma chave com redefinição composto por um cabo com fios
manual para parar o transportador; metálicos revestidos (cabo de
emergência) deverá funcionar como
(b) ser concebido e disposto de um cabo de parada de emergência,
modo que acione o dispositivo de independentemente da direção em que
comutação associado e gere o sinal de o cabo for puxado, ou caso o cabo de
parada de emergência quando parada de emergência seja rompido.
(i) o cabo de emergência for Uma falha da mola também deverá
puxado em qualquer direção; acionar uma parada de emergência.
(ii) uma força de tração Uma força horizontal inferior a
perpendicular inferior a 200 N 125 N [≈13Kgf ], aplicada a um
[≈20,4Kgf ] for aplicada ao ponto intermediário entre dois anéis
cabo de emergência; e
85
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

de suporte e perpendicular ao cabo, em qualquer direção, uma força de


deve ser suficiente para ativar o cabo tração perpendicular inferior a 200
de emergência. O movimento lateral N [≈20,4Kgf ] for aplicada ao cabo
do cabo (entre a posição de repouso e um desvio perpendicular do cabo
e o ponto de acionamento) não deve de emergência inferior a 400 mm
exceder 300 mm [≈12 pol.]. O cabo [≈15,75 pol.] ocorrer;
deve ser capaz de suportar uma força de (b) o cabo de emergência for rompido;
tensão 10 vezes maior do que a tensão ou
necessária para acionar o cabo de parada
de emergência, quando tal força for (c) ocorrer falha de uma única mola.
aplicada perpendicularmente ao cabo. 7.17.3.3
O cabo deve ter movimento livre entre Além disso, o cabo de emergência deve
os respectivos suportes, especialmente ser capaz de suportar, sem ruptura, uma
nas curvas. Os cabos não devem força de tensão 10 vezes maior do que a
apresentar torções nem correr o risco de necessária para gerar o sinal de parada de
apresentar torções durante o uso. Se a emergência.
largura da correia for igual ou inferior 7.17.3.4
a 800 mm [≈31,5 pol.], um único No caso de cabos de emergência longos, 2
cabo central poderá ser usado acima do que requerem a instalação de mais
correia. de um dispositivo de comutação, um
O comprimento máximo do cabo e indicador visual deverá ser integrado,
outras características devem estar de para mostrar qual dispositivo foi
acordo com as recomendações dos acionado.
fabricantes (para os anéis de suporte e Europa
proteções das polias, prevenção contra
paralisações, variação no comprimento A norma europeia EN
devido a mudanças de temperatura etc.). 13850:2006 Safety of machinery – Emergency
stop – Principles for design descreve as ações
A norma CSA Z432-04 (R2014) Safeguarding necessárias para uma parada de emergência (e
of machinery oferece as seguintes orientações na portanto, para o uso dos cabos de emergência):
seção 7.17.3 Cabos de parada de emergência:
• acionamento humano direto intencional
7.17.3.1 (por meio de força) para acionar:
Os cabos de parada de emergência
• abertura mecânica direta (travamento)
deverão estar localizados de modo
sem o uso de molas ou de outro auxílio
que estejam claramente visíveis,
de armazenamento de energia;
sejam facilmente acessíveis e estejam
posicionados de forma que possam ser • redefinição [apenas redefinição manual
utilizados não apenas próximos à estação no local em que a chave foi acionada]; e
de controle normal do acionador, mas • permissão de reinicialização, mas sem
também em outros pontos apropriados. reinicialização automática.
7.17.3.2 A norma europeia EN 620 Continuous
O sistema de cabos de emergência handling equipment and systems – Safety and
deverá ser concebido e disposto de EMC requirements for fixed belt conveyors for
modo que acione o dispositivo de bulk materials requer que uma parada de
comutação associado e gere o sinal de emergência "seja acompanhada de um aviso
parada de emergência quando visual e/ou sonoro claro".
(a) o cabo de emergência for puxado

86
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Na seção 5.7.2.8 Sistema de parada de A altura do dispositivo de parada de


emergência, a norma EN 620 especifica: emergência deve estar entre 0,6 m e
1,7 m [≈24 e 67 pol.] da superfície sobre
Dispositivos de parada de emergência a qual o operador trabalha.
devem ter funcionamento ativo, contar
com autotravamento e deverão: Em uma seção posterior, 5.7.2.9 Chave de
parada de emergência acionada por cabo, a
a) contar com uma ou mais chaves norma EN 620 especifica:
acionadas por botão de pressão, que
devem ser instaladas de maneira A disposição das chaves de parada de
que pelo menos uma delas possa ser emergência acionadas por cabos deverá
alcançada dentro de um raio de ser tal que os dispositivos de comutação
10 m [≈32,8 pés] a partir de qualquer associados funcionarão se o cabo de
ponto acessível do equipamento; acionamento for puxado em qualquer
e/ou direção ou se o cabo for rompido.
Os cabos de parada de emergência
b) contar com um ou mais cabos de também deverão ser concebidos
emergência dispostos ao longo de de maneira que qualquer falha na
toda a extensão da instalação; ou operação de uma mola faça com que o
2
c) contar com dispositivo de dispositivo de comutação associado seja
desligamento da alimentação acionado (isto é, não ocasione uma falha
do transportador se a distância perigosa).
entre qualquer ponto acessível do O cabo de parada de emergência
equipamento e o dispositivo de deverá ser acionado pela aplicação de
desligamento for de 10 m [≈32,8 uma força horizontal no cabo, inferior
pés] ou menos. a 125 N [≈13Kgf ], em um ponto
Dispositivos de parada de emergência intermediário entre dois anéis de suporte
deverão estar presentes em todas as e perpendicular ao cabo. O movimento
estações de controle, posições de lateral do cabo (entre a posição de
trabalho e em peças acessíveis do repouso e a posição de acionamento)
maquinário, incluindo pontos de deve ser inferior a 300 mm [≈12 pol.].
carga, descarga, passarelas e pontos de O movimento do cabo de acionamento
transferência. e a força para operar o cabo podem ser
Caso um dispositivo de parada afetados pelo projeto dos suportes do
de emergência seja acionado e cabo e pela distância entre os suportes.
o transportador seja parado, o Portanto, deverá ser assegurado que
transportador deverá permanecer em o cabo tenha movimento livre entre
uma condição estacionária até que o os suportes, especialmente no que diz
dispositivo seja redefinido e o dispositivo respeito a mudanças de direção, sem que
de inicialização seja posteriormente seja desengatado dos suportes.
acionado. Caso haja mais de um Apenas cabos livres de dobras e de tipos
dispositivo de parada de emergência pouco suscetíveis a dobras durante o
instalado, métodos para indicar qual serviço deverão ser selecionados para
dispositivo foi acionado deverão ser uso. O comprimento máximo e outros
incorporados. detalhes devem estar de acordo com as
O início da função de parada de recomendações do fornecedor do cabo
emergência não deve criar uma condição de parada de emergência (por exemplo,
perigosa, por exemplo, descargas proteções dos anéis de suporte e das
perigosas do material transportado. polias, prevenção contra paralisações,
variação no comprimento devido a
mudanças de temperatura etc.).
87
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

Requisitos para cabos de segurança para parada de emergência devem estar em


transportadores também são encontrados nas conformidade com a norma JIS C 8201-
seguintes normas da União Europeia: 5-5.

ISO 13849 4.4.4 Em caso de falha do dispositivo


Safety of machinery – Safety-related de parada de emergência (incluindo
parts of control systems – Part 1: General a função de sustentação), a geração
principles for design do comando de parada deverá
ter prioridade sobre a função de
DIN EN ISO 13850 sustentação. A redefinição (por
Safety of machinery – Emergency stop – exemplo, o desligamento) da parada de
Principles for design emergência só deverá ser possível como
DIN EN 60204-1 resultado de uma ação manual no local
Safety of machinery – Electrical onde a parada de emergência tiver sido
equipment of machines – Part 1: General ativada.
requirements
A Seção 4.5 Utilização de cabos ou cordas
DIN 60947-5-1 como atuadores inclui as seguintes instruções:
Control-Circuit Devices and Switching
2
Elements, Electromechanical Control 4.5.1 Caso cabos ou cordas sejam usados
Circuit Devices como atuadores dos dispositivos de
parada de emergência, eles deverão ser
Índia projetados e posicionados para facilitar
A norma Indiana IS 7155 o uso. Para esse efeito, os seguintes itens
(-2,1986) Code of recommended practice deverão ser considerados
for conveyor safety, Parte 2: General safety — o desvio necessário para gerar o
requirements oferece as seguintes instruções no comando de parada de emergência,
item 3.2.12.2 Cabos de emergências: — o desvio máximo possível,
O sistema do transportador deve — a folga mínima entre o cabo ou corda
contar com cabos de emergência com e o objeto mais próximo,
posicionamento fixo e em intervalos — a visibilidade dos cabos ou cordas
adequados ao longo do transportador, para os operadores (por exemplo,
de modo que qualquer transportador pela utilização de sinalizadores) e
específico possa ser parado a partir de
qualquer local, e, caso haja qualquer — a força que deve ser aplicada e sua
operação sequencial, o transportador direção em relação ao cabo ou corda,
em sequência também possa ser parado para acionar o dispositivo de parada
automaticamente. de emergência.
OBSERVAÇÃO: Caso haja a
Japão possibilidade de ocorrência de
A associação Japanese Standards tentativas de acionamento puxando
Association (JSA) oferece a norma JIS B9703 o cabo ao longo do próprio eixo,
(2011) Safety of machinery – Emergency stop – é necessário garantir que puxar o
Principles for design. Essa norma inclui: cabo em qualquer direção vai gerar o
comando de parada de emergência.
4.4.3 O dispositivo de parada de
emergência deverá aplicar o princípio da 4.5.2 Medidas deverão ser implementadas
ação de abertura direta com travamento para evitar os perigos causados pela ruptura ou
mecânico. Dispositivos elétricos de desengate do cabo ou corda (consulte o item
4.4.4).

88
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

África do Sul dimensões especificadas pelo fabricante


do dispositivo em conjunto com as
A lei Mine Health and Safety Act conclusões das análises de risco previstas
29 de 1996, indica, na seção 8.9(1)(c), que o na lei. As unidades serão interligadas
empregador deve garantir que: com um cabo de emergência e os cabos
As máquinas de acionamento da de emergência deverão terminar em uma
instalação da correia do transportador extremidade energizada.
possam ser paradas por qualquer pessoa O operador ativa o dispositivo puxando
em qualquer ponto ao longo da extensão o cabo de emergência até que ocorra
do transportador onde seja possível o acionamento, interrompendo a
acessar a correia. alimentação do transportador e,
Embora não sejam especificamente geralmente, acionando um indicador
identificados, como o alarme de aviso de visual. O dispositivo permanece
inicialização no Regulamento 8.9(1)(f ) e o acionado até que seja redefinido
método para prevenção de movimento de manualmente no local do acionamento.
tensão durante manutenção ou limpeza no A correia não deverá ser reiniciada após
Regulamento 8.9(1)(g), parece óbvio que os a redefinição do cabo de emergência por
2
dispositivos de cabos de segurança estariam motivos de segurança.
incluídos no requisito do Regulamento 8.9(9) O acionamento do cabo de emergência
que exige que "qualquer dispositivo de é uma parada controlada e não deverá
segurança relacionado à instalação da correia ser considerado como um bloqueio da
do transportador" seja submetido a testes fonte de alimentação do transportador,
semanais. a menos que as unidades sejam
A edição de 2016 da Safety Around Belt especificamente projetadas para tal.
Conveyors da Conveyor Manufacturers É importante observar que os cabos de
Association of SA Limited (CMA) oferece as emergência não substituem as proteções.
seguintes recomendações: Os cabos de emergência deverão
5.8 Estações de cabos de emergência de maneira que estejam claramente
visíveis e sejam facilmente acessíveis de
Estações de cabos de emergência todas as áreas que fornecem acesso ao
consistem em dispositivos de parada transportador.
distribuídos com fixações de travamento.
Cabos de emergência são obrigatórios [O termo em inglês "pull key" (chave de
em todos os transportadores. emergência) é, por vezes, utilizado na África
do Sul para denominar o que em outros locais
Caso os transportadores possam ser (e neste volume) é conhecido como "pull-rope
acessados de ambos os lados, os cabos de emergency stop switch" (cabo de parada de
emergência deverão estar posicionados emergência). – ed.]
em ambos os lados do transportador.
Inovadores sistemas foram desenvolvidos Versões anteriores das diretrizes da CMA
para permitir o uso de cabos de continham especificações mais precisas para os
emergência em ambos os lados do sistemas cabo de emergência. A edição de 2013
transportador utilizando apenas um incluía o seguinte:
sistema de controle. A força necessária para acionar o
Os cabos de emergência deverão estar dispositivo do cabo não deve exceder
localizados ao longo do transportador, 70 N [≈7Kgf ] quando aplicada em
em intervalos que não excedam as ponto intermediário entre os suportes,

89
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

com movimento não superior a 300 mm ou proteções. Caso o projeto, a


[≈12 pol.] quando aplicado em ângulo função e o funcionamento de tais
reto em relação ao cabo, e não deverá transportadores claramente não sejam
exceder 270 N [≈627,5Kgf ] quando o perigosos para os funcionários, um
movimento estiver alinhado. dispositivo de parada de emergência
não será necessário.
Os suportes dos cabos de emergência
não deverão exceder 6,0 metros (2) O dispositivo de parada de
[≈19,5 pés] (norma australiana AS1755 emergência deverá atuar diretamente
de 2000) independentemente da sobre o controle do transportador em
distância entre as instalações das chaves. questão e não dependerá da parada
de nenhum outro equipamento.
[Embora a norma AS1755 tenha sido Os dispositivos de parada de
substituída pela AS/NZS 4024.3610, o emergência deverão ser instalados de
requisito de espaçamento de "6,0 metros modo que não possam ser anulados
[≈19,5 pés]" permanece o mesmo - ed.] de outros locais.

Estados Unidos Seção 5.11.3 Dispositivos de segurança


Todos os dispositivos de segurança, 2
Uma norma frequentemente
incluindo o cabeamento dos dispositivos
mencionada sobre paradas de emergência
elétricos de segurança, deverão ser
para transportadores nos Estados Unidos é
dispostos para operar de maneira que
a American Society of Mechanical Engineers
uma falha da alimentação ou uma falha
(ASME) B20.1-2015 Safety Standard for
do próprio dispositivo não resulte em
Conveyors and Related Equipment, que contém
uma condição perigosa.
os seguintes requisitos:
Seção 5.11.4 Paradas de emergência e
Seção 5.11.2 Estação de controle reinicializações
(c) Transportadores controlados remota Os controles do transportador devem ser
e automaticamente e transportadores dispostos de modo que, no caso de uma
cujas estações de controle não parada de emergência, seja necessária a
sejam assistidas por operadores redefinição ou inicialização manual no
ou que estejam fora de contato local onde a parada de emergência foi
visual ou por voz a partir das áreas iniciada para que o transportador e os
de acionamento, áreas de carga, equipamentos associados retomem a
pontos de transferência e outros operação.
locais potencialmente perigosos Antes de reiniciar um transportador
no caminho do transportador, que parado devido a uma emergência,
não sejam protegidos devido à uma inspeção do transportador deverá
localização, posição ou por proteções, ser realizada e a causa da parada,
deverão ser equipados com botões determinada.
de parada de emergência, cabos
Seção 5.12 Operação
de emergência, limitadores ou
dispositivos de parada de emergência (b) Caso a segurança dependa de
similares. dispositivos de parada, inicialização
ou ambos, eles deverão ser mantidos
(1) Todos esses dispositivos de parada de
livres de obstruções para permitir
emergência deverão ser facilmente
pronto acesso.
identificáveis nas imediações desses
locais, a menos que sejam protegidos Os regulamentos da Occupational Safety and
devido à localização, posição Health Administration (OSHA), apresentados

90
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

na norma 29 CFR 1926.555 (a), exigem: emergência não precisam acompanhar


toda a extensão da passagem, apenas a
(1) Meios para parar o motor deverão parte desprotegida do transportador.
estar disponíveis na estação do A disposição fundamental é que as
operador. Sistemas de transportadores pessoas possam utilizar o dispositivo
deverão ser equipados com sinais para DESATIVAR FACILMENTE o
de aviso sonoros, que deverão soar transportador.
imediatamente antes da inicialização
do transportador. O dispositivo de parada de emergência
não precisa estar posicionado de forma
(2) Se a estação do operador estiver que a queda de uma pessoa desative
localizada em um ponto remoto, automaticamente o transportador.
itens semelhantes para parar o motor
deverão ser instalados no local de A MSHA considera as chaves ou dispositivos
instalação do motor. de controle como equipamentos elétricos, de
(3) As chaves de parada de emergência acordo com a norma 30 CFR, seção 77.502,
deverão estar dispostas de modo e, assim, eles devem ser "frequentemente
que o transportador não possa ser examinados, testados e mantidos por um
2 iniciado novamente até que a chave funcionário qualificado, para garantir
de parada de acionada seja redefinida condições operacionais seguras". Essa
para a posição de funcionamento ou inspeção deve ser conduzida mensalmente,
"ligada". como estabelecido pelo documento Program
Policy Letter P12-V-02 da MSHA. Embora
O regulamento 30 CFR 56/57.14109 a MSHA não exija que as inspeções e testes
Unguarded conveyors with adjacent travelways sejam registrados durante a análise mensal dos
da MSHA indica que esses transportadores equipamentos elétricos, um registro sobre as
devem contar com: chaves e braços defeituosos deve ser mantido.

... Dispositivos de parada de emergência


localizados para que uma pessoa que caia MELHORES PRÁTICAS
sobre o transportador possa facilmente
desativar o motor de acionamento • Se um trabalhador puder acessar um
do transportador; ou corrimões transportador em funcionamento, ele
posicionados para impedir que uma deverá ser equipado com um dispositivo
pessoa caia sobre o transportador. de desligamento de emergência ao longo
de toda a extensão do transportador,
Obviamente, a MSHA espera que o dispositivo incluindo ao redor de polias terminais,
esteja localizado ao longo da parte sem tensores e qualquer equipamento auxiliar,
proteções do transportador, adjacente a uma como balanças detectores de metais,
passagem, e que uma pessoa seja capaz de amostradores, e ímãs.
alcançar facilmente o dispositivo de parada de
• Os contatos usados para a parada de
emergência para ativá-lo.
emergência devem ser normalmente
Orientações adicionais da MSHA, fechados e diretamente acionados por
apresentadas no guia de conformidade algum tipo de travamento mecânico.
Guarding Conveyor Belts at Metal & Nonmetal • Se ocorrer ruptura do cabo ou da mola
Mines, de 2010, ofereceram o seguinte: tensora, a chave deverá abrir.
O posicionamento de um cabo de • Uma força horizontal inferior a
parada de emergência é baseado no 125 N [≈13Kgf ], aplicada a um ponto
desempenho. Dispositivos de parada de intermediário entre dois anéis de
suporte e perpendicular ao cabo, deve

91
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

ser suficiente para ativar a chave de (Figura 6.12.) Se os pontos de pressão do


emergência. transportador estiverem localizados a mais
• Os cabos devem ser tensionados por de 1.500 milímetros [≈60 pol.] acima do
molas para reduzir a queda da correia, e o nível de trabalho ou passagem, o cabo de
movimento lateral necessário para acionar emergência deve ser instalado abaixo do
o dispositivo não deve ser superior a 300 pontos de pressão.
milímetros [≈12 pol.]. • O cabo de emergência deve ser
• A distância entre as chaves não deve direcionado de maneira que tenha a folga
exceder 50 metros [≈164 pés] e a distância adequada ao longo de sua extensão. Isso
entre os anéis de suporte, polias ou guias permitirá que um trabalhador segure e
não deve ser superior a 6 metros [≈19,5 puxe o cabo mesmo que haja pontos de
pés] ou devem estar de acordo com as pressão, proteções e outras obstruções
recomendações do fabricante. próximas. Recomenda-se pelo menos
50 milímetros [≈2 pol.] de folga ao redor
• O cabo deve ser direcionado a pelo de todo o cabo.
menos 1 metro [≈39 pol.] dos pontos de
pressão ou de outros perigos acessíveis • O compartimento da chave deve ter
aos trabalhadores a partir de passarelas, classificação IP 66 (NEMA 4 ou 4X)
2
plataformas ou superfícies onde os ou superior, com base nas condições
funcionários normalmente caminham ou ambientais e nos riscos do material a
trabalham. granel.

• O cabos de emergência devem ser • O corpo do dispositivo deve ter a cor


instalados na altura correta. As instruções amarela; a alavanca de acionamento, a
mais detalhadas são fornecidas na norma haste ou o indicador de sinalização deve
AS/NZS 4024.3610:2015, que especifica ter a cor vermelha.
que os cabos devem ser instalados entre • O cabo deve ser composto por fios
900 milímetros [≈35,5 pol.] e 1.500 metálicos com resistência de pelo menos
milímetros [≈60 pol.] acima do piso. 1.250 Newtons [≈127,5Kgf ].

Posicionamento dos cabos


Figura 6.12.
de emergência
As melhores práticas
para cabos de parada
de emergência incluem
a instalação dos cabos a
1.500 mm uma altura adequada.
[≈ 60 pol.]

900 mm
[≈ 36 pol.]
Piso

Passagem Passagem
600 mm 600 mm
[≈ 24 pol.] [≈ 24 pol.]

92
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

• As extremidades do cabo devem contar CONCLUSÕES


com fixação dupla, com grampos A função dos cabos de parada de
adequadamente instalados e compatíveis
emergência
em termos de dimensões e classificação,
de acordo com a aplicação. Embora os cabos de parada de emergência
• O cabo deve ser revestido para evitar sejam obrigatórios e um item importante
lesões devido a protuberâncias. em um programa de segurança no trabalho
com transportadores nas fábricas, é preciso
• O revestimento deve ter uma cor de
observar que eles não são uma solução
segurança distintiva, diferente da cor
milagrosa ou o fim de todos os problemas de
do transportador e das proteções.
segurança. Funcionários que trabalham com
A cor vermelha é a recomendada.
transportadores de correia ou próximos a eles
• Cada dispositivo deve passar por teste não podem depender dos cabos de parada de
de acionamento, com o transportador emergência como um meio de preservação da
em funcionamento, pelo menos vida. Outras táticas devem ser empregadas para
mensalmente. Os cabos, grampos e melhorar a segurança transportador de correia.
guias associados devem ser examinados
mensalmente e mantidos por um Os cabos de emergência têm certas limitações,
2
funcionário qualificado, para garantir que, pela natureza de seu projeto e aplicação,
condições operacionais seguras. não podem ser superadas. Embora ninguém
Os resultados dos testes, sejam eles a defenda a remoção desses sistemas, é um erro
aprovação ou reprovação, devem ser depender deles para salvar a vida, ou mesmo os
documentados. membros, de um trabalhador.

Também é importante lembrar que a função


de parada de emergência não deve ser usada
em substituição a medidas de proteção,
mas apenas como medida auxiliar. Todos os
regulamentos e normas apontam que os cabos
de parada de emergência não substituem as
proteções.

93
Cabos de parada de emergência | Capítulo 6

94
Capítulo 7 Batentes, freios contra recuo e travas
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 INTRODUÇÃO
A importância, e os riscos, Uma correia de transportador é muito
da tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 semelhante a um grande elástico esticado
entre as polias, e essa tensão pode ser
Armazenamento de energia . . . . . . . 97
substancial. Correias diferentes têm taxas de
Os riscos da energia armazenada . . 98 alongamento diferentes, com especificações
que permitem até 4% de alongamento durante
Mais do que travamento/ o funcionamento. A maior parte das correias
etiquetagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 de trama atualmente operam com uma taxa de
alongamento de 1%.
Batentes ou freios? . . . . . . . . . . . . . . . 100
Similar a um elástico esticado, uma correia do
Prevenção da reversão e do
transportador tem potencial de energia que,
descontrole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
se subitamente liberada por uma ruptura da
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . . 103 correia ou apenas por uma alteração das forças
que a mantêm na posição correta, também
Outros métodos de parada pode liberar forças violentas. Essas forças
Reversão da correia . . . . . . . . . . . . . 105 podem ferir os trabalhadores, puxando-os
em direção aos componentes estruturais ou
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . . 106
liberando grandes quantidades de carga. Essas
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 forças precisam ser controladas para reduzir os
riscos associados a elas.

95
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

A importância, e os riscos, As áreas de tensão menor da correia estão


da tensão localizadas no lado do retorno da correia.
(Figura 7.1.)
Mesmo quando o acionamento de um
transportador está devidamente travado Quando a polia acionada está localizada na
e etiquetado, a correia do transportador extremidade traseira do transportador, as áreas
está sujeita a forças significativas aplicadas de menor tensão da correia são encontradas na
como resultado da tensão armazenada na parte superior do sistema, com o menor ponto
correia. A quantidade de tensão é baseada de tensão localizado imediatamente depois do
no comprimento, na largura e na inclinação ponto onde a correia sai da polia. A área de
da correia; no peso da carga material; e na maior tensão da correia ainda é imediatamente
potência de acionamento aplicada à correia. antes do ponto onde a correia sai da polia de
Grande parte da tensão da correia advém do acionamento.
mecanismo de acionamento do transportador, Os mesmos princípios se aplicam a uma
que move a correia, e do sistema tensor, correia na qual o acionamento está localizado
usado para tensionar a correia de modo que o no centro da correia. Novamente, a maior
mecanismo de acionamento possa movê-la sem tensão está localizada imediatamente antes
deslizamento. do ponto onde a correia sai da polia de 2
A maior parte dos transportadores de correia acionamento. Depois do ponto onde a correia
tem o acionamento localizado na extremidade sai da polia de acionamento, a tensão cai
de descarga ou dianteira do transportador. drasticamente. Conforme a correia se desloca
Nesses sistemas, a maior tensão está localizada em direção à polia de acionamento novamente,
no ponto onde a correia fica contra a polia a tensão aumenta, até que ela passe pela polia
de acionamento. Diretamente depois da de acionamento e a tensão seja reduzida.
polia de acionamento, a tensão da correia é A localização do mecanismo tensor e os pontos
consideravelmente menor. Basicamente, isso onde a correia recebe a carga também afetam
corre porque a correia e a carga são puxadas em
. 3.14.01 as áreas onde a correia está sob maior tensão.
direção ao acionamento, enquanto que após o
acionamento, a correia vazia é empurrada. É importante lembrar que "baixa tensão" não
significa "nenhuma tensão". Uma energia
Em um transportador acionado pela armazenada considerável pode estar presente
extremidade dianteira, a tensão da correia é mesmo em áreas de tensão mais baixa da
maior imediatamente antes do ponto onde a correia.
correia sai da polia de acionamento, que, nesse
caso, é a extremidade dianteira.

Figura 7.1.
A espessura da porção
na cor laranja nesse
desenho indica a
quantidade de tensão
proporcional na correia
em vários pontos de um
transportador acionado
por uma polia de cabeça.

96
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Armazenamento de energia • Peso do contrapeso e a distância potencial


de sua queda.
Transportadores são máquinas de alta inércia
• Peso de um fragmento ou componente
(têm um volume considerável de massa em
quebrado e a distância potencial de queda
rotação e em movimento), com grandes
a partir de uma correia ou para dentro de
quantidades de energia cinética (energia
um chute.
de movimento) quando em movimento, e
podem conter grandes quantidades de energia • Tensionamento das correias.
potencial (energia armazenada) quando
Geralmente, fontes de energia potencial são
parados. Ambos os conceitos são fundamentais
fáceis de identificar. A mais óbvia é o contra
para a compreensão da concepção e do
peso. Entretanto, simplesmente levantar o
funcionamento de um transportador.
peso do tensor não é suficiente para colocar
A energia cinética é a energia do movimento, um sistema de transportador que está
que é definido pela Segunda lei de Newton: emperrado em um estado de energia zero.
F = m × a (força = massa × aceleração). Outra Uma fonte de energia potencial menos óbvia
forma da equação é F = ½ m × v2 (força = ½ é o acúmulo dentro dos chutes, que podem
massa × velocidade ao quadrado). O perigo cair subitamente, danificando o transportador
2 da energia do movimento (energia cinética) receptor ou ferindo um trabalhador que
é mais óbvio do que aquele da energia poderia estar limpando a parte interna do
armazenada em um sistema parado. chute. Menos frequentes, mas oferecendo os
mesmo riscos, são os componentes danificados
Energia potencial é a energia mecânica que um
ou desgastados, como chapas de desgaste e
corpo tem em razão de sua posição e massa.
roletes de retorno, que podem ficar soltos e
[Neste livro, utilizamos os termos peso e
cair.
massa de forma indistinta.] Energia potencial
é definida como F = m × h (força = massa × Uma correia horizontal, carregada ou
altura de queda). Um caso especial de energia descarregada, terá menos potencial de liberação
potencial é a energia elástica, como a energia de energia armazenada, pois há pouca ou
armazenada quando a correia é tensionada ou nenhuma altura de queda disponível para a
quando uma mola é comprimida. A energia carga ou para a correia vazia. Correias vazias
elástica pode ser definida como F = ½ k × x2 inclinadas também têm muito pouco potencial
(força = ½ constante da mola × deformação ao de liberação de energia armazenada, a menos
quadrado). que sejam cortadas ao meio ou em caso de
falha da transmissão. Isso ocorre porque os
A energia armazenada e a energia elástica
comprimentos dos ciclos de carga e de retorno
apresentam riscos diferentes no que diz
são mais ou menos equivalentes, cancelando
respeito aos transportadores de correia. Ambas
a energia potencial entre si, e a resistência
representam formas de energia potencial em
de rolagem dos rolamentos do rolete e da
um sistema de transportador; no entanto, elas
polia geralmente são suficientes para parar o
têm origens diferentes, com probabilidades
movimento da correia na descida.
e níveis de severidade diferentes de causar
ferimentos e danos materiais. Uma correia inclinada carregada é muito
Em transportadores de correia, a energia mais preocupante, devido à liberação da
potencial representa as forças que podem ser energia armazenada. Geralmente, a área de
originadas por uma das seguintes situações maior tensão da correia está na extremidade
(ou todas): mais elevada do transportador ou no
acionamento. Se houver falha da correia ou
• Peso da correia e da carga em um aclive/ da emenda, a falha costuma ocorrer nesse
declive e a distância efetiva de seu ponto. Em uma correia em aclive, esse
deslocamento.

97
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

ponto seria a extremidade de descarga do Ponto de ruptura


Figura 7.2.
transportador; em uma correia em declive,
seria a extremidade de carga. Quando uma No alto: Quando uma
correia carregada é rompida, a energia correia ou emenda falha,
Havg a correia é rompida
armazenada é aproximadamente igual ao
Wb+Wm na área de maior
peso do material (Wm) na correia mais o peso
tensão, normalmente
da correia (Wb) vezes a distância média de
na extremidade mais
deslocamento vertical (Havg). A correia e a ENERGIA ARMAZENADA ~ Havg × (Wb+Wm) alta do transportador.
carga começam a se mover devido à aceleração
da gravidade, rapidamente superando a Abaixo: Após
resistência do rolamento do rolete, e todo apresentar falha, a
o conjunto da correia, com toda a carga, correia cairá da polia
podem acabar caindo até a parte inferior do de cabeça, deixando
cair a correia e a carga
transportador, arrancando roletes e a estrutura
para a parte inferior
conforme aceleram. (Figura 7.2.) O resultado
do transportador.
é frequentemente catastrófico em termos de
danos materiais e, se houver trabalhadores
presentes, ferimentos graves ou fatais. Figura 7.3. 2
No alto: transportador
Os riscos da energia armazenada em funcionamento
normal.
A energia elástica pode ser armazenada ou
pode ficar presa em um transportador quando
alta tensão surge em uma parte de uma correia,
enquanto outra seção permanece em uma
tensão menor, como quando a correia é parada
ou bloqueada. O contra peso fornece a tensão Centro: Sequência de
mínima necessária para que o motor transfira aprisionamento de uma
o torque necessário para a polia, que, por sua 4 rocha.
4
vez, gira a polia de cabeça. Quando um evento 3 1. Rocha presa na
3 4
para o transportador, seja por um comando polia traseira.
3 2. A polia traseira
de parada de emergência ou uma obstrução,
3 1 para de girar.
ainda há tensão armazenada na correia. 3 3
3 3 1
Devido ao número ilimitado de condições de 3 3 1 2 3. O motor para
3 2 e todas as polias
carga da correia, trajetos da correia e possíveis 3
5 2 param de girar.
pontos de obstrução, é muito difícil prever 5 4. A correia alonga.
para que lado será o movimento da correia 5
5. O contra peso
quando a obstrução for resolvida. Mesmo que é elevado para
o transportador esteja equipado com um freio remover a rocha.
contra recuo, pode haver um desequilíbrio
significativo das tensões na correia. Se 7
7 Abaixo:
não houver nenhum freio contra recuo, o
7 6. A rocha é removida
transportador tenderá a distribuir a tensão
8 e a polia gira.
igualmente ao longo do trajeto, com base ao 8
contra peso. No entanto, se a correia estiver 7. A correia se contrai.
8
totalmente carregada, ou mesmo parcialmente, 6 8. A correia se
9 6
ou se a correia for suficientemente longa, o 9 movimenta
6 através das polias.
contra peso pode não ser capaz de igualar as 9
tensões por todo o sistema. 9. O contra peso é
elevado.

98
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Uma típica situação de obstrução em que Um transportador emperrado pode ter um


uma rocha emperra a correia na polia traseira deslocamento inesperado, em qualquer
e o motor eventualmente para é mostrada direção. Uma resposta típica de manutenção
na Figura 7.3. Como o motor é capaz de seria levantar o peso do tensor e, em seguida,
fornecer um pico de torque maior do que o remover a rocha da polia traseira, dadas as
necessário para o funcionamento do sistema, circunstâncias mostradas na Figura 7.3.
a correia pode ser tensionada além do normal, Quando a rocha for removida, a correia
armazenando enormes quantidades de energia se contrairá e liberará a energia elástica
elástica. Se a correia tiver uma taxa de tensão armazenada. Nesse exemplo, a polia do
de 1%, de acordo com a tensão do projeto, contrapeso vai se mover para cima, porque
essa situação de sobretensão pode induzir o contra peso foi neutralizado, fazendo com
uma tensão de 1% ou 2%. Algumas correias que a correia se movimente em ambas as
de trama têm uma taxa de tensão elástica de direções, em direção às polias de cabeça e
até 3%. Se o comprimento total da correia no traseira. Na extremidade dianteira, o batente
transportador for de 200 metros [≈660 pés], e o acionamento provavelmente impedirão
a correia pode ter deslocamento de até 3% de que a polia de cabeça gire, e a correia fará com
200 metros, ou 6 metros [≈20 pés], quando que a polia traseira gire, conforme a correia se
o bloqueio for removido. Seis metros é mais contrai.
2
do que suficiente para puxar um trabalhador
A polia traseira não tem restrição à sua rotação
através de qualquer uma das polias ou roletes
e, provavelmente, vai girar no sentido anti-
no sistema e resultar em um acidente fatal.
horário.
Isso acontece várias vezes por ano, em todo o
mundo, e é algo que pode ser evitado. A remoção da obstrução sem antes liberar
a tensão na parte superior da correia fará
com que a parte superior puxe rapidamente
Figura 7.4.
a parte inferior da correia ao redor da polia
Para minimizar os traseira, com grande força. Devido à grande
riscos, a correia deve
massa envolvida, energias de movimento
ser bloqueada nos
consideráveis são criadas. Mesmo com a correia
pontos onde a tensão
travada, isso representa um grande perigo para
é adicionada ou
subtraída do sistema. qualquer trabalhador que tenha removido a
obstrução sem os mecanismos de bloqueio de
tensão aplicados.

Embora os funcionários que executam a


Figura 7.5.
manutenção tenham pensado que o sistema
Um dispositivo contra estava inoperante e não poderia mover a
reversão, também correia, as polias côncavas, roletes e a polia
conhecido como batente
traseira podem girar. A equação da energia
ou freio contra recuo,
elástica indica que essa energia armazenada
geralmente é instalado
na polia da cabeça
será liberada e transformada em energia de
do transportador. movimento muito rapidamente, prendendo
quem estiver trabalhando nas proximidades de
qualquer polia ou rolete girando livremente.

99
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

Mais do que travamento/ Ele permite a livre rotação da polia de


etiquetagem acionamento para frente, mas impede
automaticamente a rotação da polia
Os procedimentos de travamento/etiquetagem na direção oposta. Isso impede que a
não fornecem segurança suficiente contra correia faça um movimento inverso,
acidentes sem a adição do bloqueio e dos e que o material role e desça por uma
testes. Para minimizar os riscos da energia inclinação quando o motor não tiver
armazenada no sistema, a correia deve ser alimentação ou caso ocorram outras
bloqueada em todas as fontes potenciais de falhas. O acionamento é automático e
adição ou subtração de tensão do sistema inerente a esses dispositivos mecânicos,
antes que uma obstrução seja removida. portanto, controle não é um problema.
(Figura 7.4.) Em caso de dúvida, bloqueie
tudo para prevenir lesões e evitar mais danos Embora os batentes sejam mais comuns em
ao equipamento. (Consulte o Capítulo transportadores inclinados, eles também são
23 Trabalho seguro nas proximidades de empregados em transportadores terrestres
transportadores.) horizontais, para evitar a severa tensão na
inicialização quando a correia carregada
Quando um sistema de correia de apresenta queda excessiva entre os roletes.
transportador é projetado, as tensões em 2
diferentes locais da correia são estudadas Sem um batente, a gravidade pode acelerar
em detalhes. Essas informações devem ser uma correia carregada e gerar descontrole,
disponibilizadas para a equipe de manutenção, que pode matar ou ferir um funcionário,
para que os funcionários possam identificar danificar ou destruir os componentes da
as fontes e os níveis de tensão no sistema sob transmissão, rasgar ou romper as correias ou
diferentes condições operacionais, sempre que causar outros danos consideráveis. Um batente
trabalharem em uma correia parada. é, essencialmente, um dispositivo de segurança
que age para prevenir a reversão, protegendo
contra qualquer das ocorrências acima, bem
Batentes ou freios? como contra a necessidade de limpeza pesada
do possível derramamento de material.
Como consequência desses riscos,
transportadores inclinados exigem um Como os batentes são unidirecionais, os freios
dispositivo antirretorno para evitar movimento são usados em combinação ou substituindo os
inverso das correias. (Figura 7.5.) batentes.
Tal dispositivo é conhecido como batente
O uso de freios é necessário quando o projeto
ou freio contra recuo. Existem divergências
do sistema exige o controle das tensões de
sobre a utilização desses termos. Nos
inicialização e parada ou em transportadores
Estados Unidos, a Conveyor Equipment
inclinados. Os freios são frequentemente
Manufacturers Association (CEMA) usa os
usados em combinação com batentes de
termos batente e freio contra recuo de forma
alta velocidade ou no lugar dos batentes em
indistinta. Outros usam freio contra recuo para
transportadores inclinados.
dispositivos com eixo de baixa velocidade (eixo
da polia) e batente para dispositivos com eixo Os freios são normalmente instalados nos eixos
de alta velocidade (na caixa de transmissão). das polias acionadas (de baixa velocidade).
Os freios utilizados em transportadores são
A sétima edição do guia Belt Conveyor for Bulk
geralmente do tipo mecânico, a disco ou
Materials da CEMA define batente como:
tambor, e podem servir como o dispositivo
Um dispositivo mecânico unidirecional principal contra reversão. Freios utilizados
que permite que o transportador como dispositivos de segurança são projetados
funcione somente na direção desejada. para serem acionados por molas e contam com

100
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

liberação eletromecânica, de modo que uma inclinados são normalmente construídos


falha da alimentação resultará no acionamento com um mecanismo de batente. A função da
de freio. embreagem é permitir a rotação do mecanismo
em apenas uma direção, impedindo qualquer
Os freios também podem servir como um rotação no sentido inverso. Em aplicações de
dispositivo de segurança auxiliar, especialmente batente, uma pista dentro da embreagem é
quando batentes de alta velocidade são usados; fixada em um membro estacionário, de modo
eles protegem contra falhas mecânicas no que a rotação inversa não é possível.
redutor de velocidade e no acoplamento.
Vários freios podem ser usados em um sistema. A sétima edição do guia Belt Conveyors for Bulk
Materials da CEMA afirma:
Uma das vantagens de um freio em
comparação com um batente é que ele pode Um batente montado em eixo (também
ser testado todas as vezes que o transportador é conhecido como freio contra recuo)
iniciado e parado. é um acessório mecânico que permite
que um transportador opere apenas
As principais preocupações com os sistemas com deslocamento para frente. Ele
de freios do transportador são o desgaste das permite a livre rotação da polia de
2
superfícies de atrito e os coeficientes de atrito acionamento para frente, mas impede
variável conforme as condições climáticas ou automaticamente a rotação da polia na
dos materiais fugitivos mudam. direção oposta.

Geralmente montado diretamente no


Prevenção da reversão e do eixo da polia de acionamento e conhecido
descontrole como batente de baixa velocidade, esse
dispositivo permite rotação livre da polia de
Para evitar que uma correia carregada
acionamento com deslocamento para frente,
tenha um movimento de inversão, também
mas automaticamente impede a rotação da
conhecido como reversão, transportadores
polia na direção oposta. Como os batentes

Figura 7.6. Condição de rotação livre


Bloco irregular (came) Anel
Quando o sentido Anel
externo
externo
de rotação do rolo é
invertido, os pinos do
rolamento emperram
as pistas para evitar o
movimento inverso.
Anel interno

Condição do batente

Anel
externo

Anel
interno

Anel interno

101
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

permitem o deslocamento do transportador diretamente em uma extensão do eixo da


apenas para frente, eles não podem ser usados polia de acionamento, no lado oposto do
em transportadores reversíveis ou em declive acionamento. Esse local oferece o meio de
(regenerativos). Nesses casos, um freio deve ser controle mais ativo da reversão da correia.
usado. Também simplifica a execução do trabalho de
manutenção necessário aos componentes de
Os batentes também podem ser instalados acionamento.
no eixo de alta velocidade no conjunto de
engrenagens de redução em combinação Devido ao design unidirecional, apenas um
com um freio no eixo de baixa velocidade único batente é geralmente usado em um
(polia de acionamento). A vantagem é que transportador; caso contrário, eles poderiam
os requisitos de manutenção de torque são trabalhar uns contra os outros.
muito mais baixos no eixo de alta velocidade.
Frequentemente, é necessário instalar um freio Ambos os modelos são dependentes da
em transportadores mais longos, para controlar lubrificação adequada dos componentes
a parada do transportador sob condições mecânicos. Testes periódicos de um batente
normais. A desvantagem dessa disposição é que são realizados quando o transportador é parado
uma falha no sistema de transmissão e no eixo e o freio é acionado, se a caixa de transmissão
da polia, depois do batente de alta velocidade, for do tipo com movimento bidirecional. 2
não terá proteção. No entanto, quando usado Em alguns casos, as engrenagens não permitem
com um freio, há uma capacidade de parada o movimento inverso. Portanto, para testar
redundante. um batente de baixa velocidade, a caixa de
transmissão deve ser desacoplada do eixo da
Em aplicações de batente, uma pista é sempre polia de acionamento.
fixada em um membro estacionário. A função
da embreagem é permitir que a rotação do A embreagem é fixada na estrutura do
mecanismo conectado à outra pista, apenas em transportador usando um braço de torque.
uma direção, e sempre evitar qualquer rotação (Figura 7.7.) O braço de torque é conectado
na direção inversa. Embora a embreagem à embreagem e à estrutura estacionária do
normalmente seja inerte, ela é referida como transportador por meio de um braço instalado
batente em transportadores, redutores de em um estribo grande. Isso permite que o
velocidade e equipamentos similares, porque braço se mova (ligeiramente) quando a correia
sua função é impedir a rotação inversa. é invertida. Quando o transportador carregado
começa a se mover na direção contrária, a ação
Os tipos mais comuns de batentes incluem contra reversão da embreagem é ativada.
embreagens unidirecionais centrífugas e A embreagem gira ligeiramente contra a força,
de roletes. Os dispositivos anti retorno dos permitindo que o braço de torque receba
tipos centrífugo e de roletes funcionam de parte da carga e a transfira para a estrutura do
forma semelhante, impedindo o movimento transportador. É importante manter o braço
de inversão fazendo um bloqueio nas pistas livre para se mover ligeiramente no estribo,
interna e externa. O bloqueio da unidade
Figura 7.7.
de roletes é feito por vários roletes com
pistas dentadas internas. Em uma unidade Uma embreagem está
fixada em um braço de
centrífuga, o mecanismo de bloqueio consiste
torque com estribo para
em vários "pinos", peças cuneiformes com o
suportar de estribo para
formato de um número oito. (Figura 7.6.) suportar a energia da
Batentes de baixa velocidade, assim correia e evitar reversão.
denominados porque têm velocidade
de deslocamento similar à da polia de
acionamento do transportador, são montados

102
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

de modo que o próprio batente se centralize, Austrália


a fim de evitar esmagamento dos rolamentos.
Consequentemente, o suporte deve ser Na seção 2.5.2 Dispositivo
mantido livre de derramamentos de materiais e contra descontrole, a norma da Austrália/
outros detritos. Nova Zelândia AS/NZS 4024.3610:2015
especifica que dispositivos que impedirão
Como os batentes são dispositivos de automaticamente qualquer descontrole serão
segurança vitais, sua função deve ser testada fornecidos em todos os transportadores em
mensalmente parando o transportador com que os efeitos da gravidade possam causar
carga total e observando qualquer reversão. descontrole do transportador.
O óleo deve ser avaliado em busca de
fragmentos de metal e vida útil restante A norma usa o termo dispositivo de
sempre que o óleo da caixa de transmissão do proteção contra descontrole para descrever
transportador for testado. o equipamento que para um transportador
inclinado e, assim, evita movimento
A operação do batente pode resultar em descontrolado em caso de falha mecânica
armazenamento de energia indesejado, ou elétrica. A norma fornece uma lista de
como ocorre quando a polia traseira é dispositivos comuns contra descontrole.
2 bloqueada devido a rolamentos travados Esses dispositivos incluem, sem limitações,
ou derramamento de material. O perigo é freios, freios contra recuo, roletes propulsores
que a polia (e a correia) repentinamente se excêntricos no retorno do transportador,
"soltarão" do problema que estava restringindo embreagens de lingueta e catraca ou
o movimento, libertando forças repentinas e sobrepostas no eixo do acionamento, redutores
extremas, que criam riscos. Além dos riscos de engrenagem autoblocantes com rosca sem
criados pelo súbito e rápido movimento da fim e pinos ou cunhas no espaço entre as pistas
correia e a probabilidade de descarga violenta interna e externa.
de material em direções imprevisíveis, existe o
risco de que a liberação repentina da energia Afirma ainda que, se a falha do próprio
possa fazer com que o sistema de acionamento dispositivo contra descontrole representar um
ou outros componentes do transportador risco, dois dispositivos automáticos devem ser
apresentem falhas abruptamente, com instalados, cada um dos quais suficiente para
possibilidade de estilhaços e outros perigos. suportar a carga individualmente.
Cada dispositivo contra descontrole deve
Consequentemente, precauções de segurança ser capaz de parar e suportar 150% da carga
devem ser tomadas para liberar essa energia máxima aplicada pelo transportador, incluindo
armazenada antes de qualquer inspeção, condições de sobrecarga. A norma determina
limpeza ou manutenção. (Consulte que os dispositivos sejam inspecionado quanto
o Capítulo 23 Trabalho seguro nas a desgastes e seu funcionamento, com testes
proximidades de transportadores.) periódicos apropriados obrigatórios.

Outro termo estabelece que a norma sobre


REGULAMENTOS E NORMAS o suporte de 150% de carga prevista não se
aplica às forças dinâmicas criadas em situações
Muitos padrões de design de transportadores anormais, como inicializações e paradas
e regulamentos de segurança especificam a interrompidas do transportador, embora
necessidade de um batente em transportadores observe que os batentes do sistema devem ser
inclinados para o manuseio de materiais a adequados a essas forças de acordo com o valor
granel. Nenhum dos padrões especifica um nominal.
método ou frequência para a realização de
testes desses dispositivos, deixando os detalhes A norma sugere que o dispositivo contra
para as recomendações do fabricante. descontrole seja instalado na transmissão

103
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

do transportador, em um local onde falhas Índia


sejam raras ao longo do ciclo de vida esperado
do transportador. Ela exige, ainda, que se a A norma indiana IS 11592-2000
proteção contra descontrole não for instalada Selection and Design of Belt Conveyors – Code
diretamente no acionamento ou na polia of Practice, seção 8.11 Redução da velocidade,
acionada do transportador, o dispositivo enuncia os requisitos de desempenho em três
contra descontrole deverá fornecer força pontos:
suficiente para compensar a falha de qualquer • 8.11.2.1 Mecanismos de freio contra
componente na transmissão. A norma recuo e/ou freio devem ser instalados em
também observa que dispositivos contra transportadores com tendência a inverter
descontrole não devem ser instalados entre a o sentido do deslocamento quando a
correia, correia de acionamento, acoplamento alimentação é desligada ou em sobre
hidráulico ou dispositivo semelhante e o motor cargas muito pesadas.
de acionamento.
• 8.11.2.2 Qualquer transportador que
Europa requeira maior potência para levantar a
carga do que a potência necessária para
A seção 5.7.1 Medidas de
mover a correia e a carga horizontalmente
proteção contra falhas no fornecimento 2
deve contar com mecanismos de freio
de energia, da norma europeia EN 620
contra recuo ou freio.
Continuous handling equipment and systems
– Safety and EMC requirements for fixed belt 8.11.2.3 Um transportador regenerativo
conveyors for bulk materials, estabelece que inclinado não precisa de freio contra recuo,
mas deve ser equipado com freio automático
Se puder ocorrer movimento capaz de parar o transportador totalmente
descontrolado (especialmente em carregado em um período de tempo razoável
transportadores inclinados), os caso a alimentação seja desligada.

transportadores devem ser equipados
com um meio para parar e evitar África do Sul
movimento adicional, que deve operar A norma Mine Health and Safety
sempre que o fornecimento de energia Act 29, 1996, da África do Sul, de acordo com
falhar, por exemplo, um freio ou outros a revisão de 2013, inclui o seguinte requisito
dispositivo semelhante. na seção 8.9(3):
Além disso, a norma de projeto DIN 22101 Na medida do possível, o empregador
Continuous conveyors – Belt conveyors for loose deve tomar medidas para evitar que
bulk materials – Basis for calculation and pessoas sejam feridas pela queda de
dimensioning, na seção 7.3.2 Estados de parada materiais ou minerais de uma instalação
e contenção, indica: de transportador. Tais medidas devem
A operação de instalações de incluir a instalação e a utilização de um
transportadores de correia geralmente ou mais dispositivos para evitar retorno
requer o fornecimento de equipamento ou avanço quando o transportador for
de frenagem para parar as massas parado.
em movimento e/ou dispositivos de Estados Unidos
contenção para conter instalações
inclinadas sob carga. Um requisito geral é indicado
na norma ASME B20.1-2015 Safety Standard
for Conveyors and Related Equipment, seção
5.5 Batentes e freios, da American Society of
Mechanical Engineers:

104
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Figura 7.8. Outros métodos de parada


Falha da correia Reversão da correia
ou da emenda em
um transportador Existem outros dispositivos de segurança
inclinado pode levar para parar a correia que são considerados
à descida da correia, acessórios opcionais e que não são abordados
onde fica acumulada nos regulamentos. A sétima edição do guia Belt
na parte inferior do Conveyor for Bulk Materials da CEMA define
transportador. um dispositivo de parada da correia:

... Qualquer acessório que vai limitar ou


Dispositivos contra descontrole, freio parar o movimento inverso e ondulante
ou batente devem ser instalados em da correia do transportador e da carga
todos os transportadores inclinados ou causado por uma ruptura transversal ou
verticais em que o efeito da gravidade falha de uma emenda.
permita a descida descontrolada da carga
Os batentes da correia, muitas vezes chamados
e caso essa carga cause riscos à equipe.
de travas, são utilizados para atenuar lesões e
2 Os regulamentos da norma 29 CFR danos. Quando uma correia inclinada falha,
1926.555 da Occupational Health and Safety a falha normalmente ocorre perto da polia de
Administration (OSHA) fazem referência descarga, onde a tensão máxima, identificada
à norma ANSI.B20-1957, Safety Code for como T1 por engenheiros de transportadores,
Conveyors, Cableways, and Related Equipment é acumulada. (Figura 7.8.) O final da parte
[atualizada como ASME B20.2015 Safety Code carregada da correia com falha acelera na
for Conveyors and Related Equipment] . direção contrária, geralmente causando danos
nas áreas circundantes e pode representar um
Para definir um padrão para as minas de carvão perigo para os funcionários nas proximidades.
dos Estados Unidos, há orientações semelhante A extremidade do lado de retorno da correia
nos regulamentos em 30 CFR 77.1607 (dd), também acelera em direção à parte traseira do
da Mine Safety and Health Administration transportador, causando danos aos rolos de
(MSHA), que observam: retorno e a outros componentes na área.
Batentes ou freios adequados devem ser Um supressor é um dispositivo mecânico que
instalados nas unidade de acionamento interrompe o deslocamento de uma correia em
de transportadores inclinados para evitar movimento ou rompida (partida). O batente
a inversão dos transportadores caso haja da correia ou trava é instalado antes do ponto
riscos para a equipe. de tensão máxima da correia, de modo que as
Para minas para a exploração de metais/não extremidades da correia possam ser capturadas
metais nos Estados Unidos, os regulamentos antes que possam avançar muito em direção ao
na norma 30 CFR 57.14113 56.14113 da sistema e causar ferimentos ou danos.
MSHA especificam:
Existem duas formas comuns de travas.
Batentes ou freios devem ser instalados Uma consiste em um método para parar
nas unidades de acionamento de a rolagem inversa de alguns rolos do
transportadores inclinados para evitar transportador; a outra é uma espécie
a inversão do deslocamento dos de mandíbula que prende uma correia
transportadores, criando risco para as descontrolada para interromper seu
pessoas. movimento inverso.

105
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

Roletes contra reversão da correia e impedir que eles voltem e desçam


pela inclinação.
Um tipo de rolete contra reversão usa
rolamentos unidirecionais nos roletes. Nesses Travas de correias são instaladas na estrutura
rolamentos, a pista interna gira para frente, da correia, onde ocorrem mais rupturas.
para funcionamento normal, sem adição de Normalmente, isso ocorre apenas na superfície
atrito. Em caso de reversão da correia, quando de carga ou abaixo do acionamento da parte
o rolo começa a girar invertido, a pista interna dianteira, para capturar as superfícies de
se prende no eixo e na parte estreita da pista carga e retorno de forma que as extremidades
externa, que, por sua vez, para o rolete e a permaneçam bem próximas para aplicação de
correia. emendas.

Os roletes contra reversão estão disponíveis Esses sistemas são baseados na gravidade,
com roletes em plástico (polietileno de alta para que eles possam funcionar sem qualquer
densidade/HDPE) ou aço. fonte de alimentação externa (hidráulica,
pneumática ou elétrica), reduzindo a
O arrasto produzido por esses rolos é uma manutenção e causas potenciais de falhas.
preocupação; para controlar essa fricção, a
instalação típica utiliza um padrão alternado 2
de roletes padrão e rolos contra reversão. MELHORES PRÁTICAS
Outra questão é que os roletes contra reversão
Prevenção da reversão da correia
podem ser instalado ao contrário durante uma • Exigir que o projetista do sistema faça
substituição de manutenção, adicionando simulações estáticas e dinâmicas do
tensão e desgastando a cobertura inferior da sistema para identificar as fontes de tensão
correia. e situações comuns em que a energia
armazenada pode representar um risco
Roletes contra reversão geralmente são
para o sistema ou pessoal. Simulações
utilizados em transportadores mais leves, como
comuns envolvem iniciar, parar, aclives
transportadores de pacotes, e, como resultado,
com carga, declives com carga e chutes
não são facilmente aceitas em no setor de
entupidos. Situações que normalmente
transportadores de materiais a granel como um
não são simuladas, mas que deveriam
sistema de segurança autônomo.
ser, incluem ruptura da correia/emenda,
Apanhadores de correia polias emperradas, falhas ativas da polia e
falhas da polia de baixa tensão.
Outro tipo de trava da correia usa o
• Nunca depender do batente ou freio
esmagamento de um mecanismo de mandíbula
para controlar o movimento indesejado
para capturar e reter um transportador
de uma correia ao executar tarefas de
escapando devido a uma falha na correia,
limpeza ou manutenção, pois a correia
como uma emenda desfeita. Esses sistemas
tem potencial para se mover em qualquer
também são conhecidos como prendedores de
direção, dependendo do equilíbrio das
correia ou pegadores de correia.
tensões no ponto da obstrução.
Esse tipo de trava é equipada com contrapesos • Bloquear o movimento potencial da
mecânicos, que fecham a "mandíbula" para correia em cada local onde a tensão possa
reter a correia. Sob condições normais de ser adicionada ativamente (por exemplo,
funcionamento, a tensão da correia mantém acionamentos, freios e tensores) e em cada
o dispositivo aberto; em caso de ruptura da local onde isso possa ocorrer passivamente
correia, a tensão da correia é perdida. Isso (por exemplo, carga da correia,
libera os contrapesos, fechando a mandíbula da inclinações e componentes falhos).
trava para prender os lados superior e inferior

106
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

• Usar grampos para correia concebidos • Os freios devem ser testados


e fabricados com a classificação correta mensalmente, parando o transportador
e instalá-los em conformidade com as com carga total e observando o
recomendações do fabricante. movimento da correia. Os resultados dos
Não usar grampos caseiros. testes devem ser documentados.
• Fornecer âncoras para os grampos da Batentes da correia
correia suficientes para as forças de tensão
da correia previstas no projeto do sistema. • Os batentes da correia devem ser
• Liberar os grampos a partir do local instalados em transportadores inclinados
da menor tensão provável, liberando na área de maior tensão da correia.
gradualmente a tensão em todo o sistema. • Um batente de correia deve ser
• Manter mecanismos e estribos livres de considerado se houver uma seção
materiais fugitivos. inclinada do transportador onde uma
ruptura da correia criaria um grave
Batentes problema de segurança para a equipe
ou em circunstâncias de recuperação
• Batentes devem ser instalados em demorada e difícil reparação.
2 transportadores inclinados.
• Os batentes da correia devem ser
• Batentes devem ser testados mensalmente, testados mensalmente para garantir que
parando o transportador com carga e os mecanismos detecção de tensão e
observando o acionamento do batente. fixação estejam livres para se moverem
• Os níveis de lubrificação do batente amplamente e não há nenhuma situação
devem ser inspecionados mensalmente, de tensão. Os resultados dos testes devem
e a qualidade do lubrificante deve ser ser documentados.
testada a cada seis meses.
• O braço de torque do batente deve ser CONCLUSÕES
mantido livre de detritos e material O controle da reversão
fugitivo dentro de seu suporte ou estribo.
Confirmar se a instalação do braço de Como vimos, há diversas maneiras de
torque do batente não impede o acesso a controlar movimentos indesejados da correia.
acessórios essenciais, como raspadores da Esses mecanismos de parada da correia
correia e detectores de nível do silo. proporcionam uma melhoria na segurança
dos funcionários, bem como um suporte para
• Batentes devem ser testados mensalmente,
a eficiência do sistema do transportador e da
parando o transportador com carga total
fábrica em geral.
e observando o acionamento do batente.
Os resultados dos testes devem ser No entanto, se os trabalhadores precisarem
documentados. estar próximos ao transportador ou a
Freios pontos de esmagamento do transportador, o
movimento da correia deve ser fisicamente
• Os freios devem ser instaladas nos contido, mesmo quando o transportador
transportadores usando batentes de de estiver bloqueado.
alta velocidade como uma medida de
segurança secundária.
• Freios são geralmente exigidos em
transportadores inclinados (regenerativos).

107
Batentes, freios contra recuo e travas | Capítulo 7

108
2

Capítulo 8 Coberturas
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 INTRODUÇÃO
Proteção da correia e controle Neste capítulo, o termo "cobertura" refere-se
da exposição à intempéries . . . . . . 110 aos componentes acessórios usados para
proteger um transportador ao longo de seu
Concepção e características das
percurso entre a extremidade traseira e a
coberturas para transportadores . 112
extremidade de descarga. Normalmente, as
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . . . 114 coberturas apresentam o formato de um arco,
composto por um revestimento rígido e preso
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . 114 por aros, e são usadas fora dos pontos de
transferência dos chutes de carga ou descarga.
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
(Figura 8.1.)

Nesta publicação, usaremos o termo


"cobertura" com a acepção indicada no
parágrafo anterior. As menções nesta seção
não devem ser confundidas com a cobertura
da correia, que consiste na camada externa de
elastômeros ao redor da carcaça da correia do
transportador. Da mesma maneira, o termo
"cobertura", como descrito nesta seção, não
deve ser confundido com a "curva" instalada
na parte superior dos chutes projetados com
"curva superior e curva inferior" para conter
o fluxo de material e direcionar a "curva
inferior" para baixo.

109
Coberturas | Capítulo 8

Proteção da correia e controle da As coberturas podem servir para impedir o


exposição à intempéries acesso inadvertido aos pontos de pressão entre
os roletes de carga e a correia. (Figura 8.3.)
As coberturas para transportadores são
instaladas sobre a estrutura da correia para Veja a seguir outros benefícios das coberturas
cobrir toda a extensão da correia. (Figura 8.2.) para transportadores:
Elas são usadas para conter o pó e proteger • Podem reduzir a propagação dos ruídos
contra as intempéries. As coberturas protegem do rolete e da correia.
a correia, os roletes e o material transportado
contra o sol, o vento, a neve, a chuva e • Podem reduzir a contaminação da carga
outras condições ambientais prejudiciais. do material a granel.
Em transportadores inclinados, o transporte • Podem proteger a carga e o transportador
de cargas úmidas e/ou uma correia molhada contra a entrada de animais no
apresenta o risco de deslizamento do material transportador e a consequente
na inclinação, resultando em danos ao contaminação ou perda do produto.
equipamento e ferimentos à equipe.
Figura 8.1.
A 7ª edição da publicação Conveyors for
Coberturas são 2
Bulk Materials, da CEMA (Conveyor
Equipment Manufacturers Association, usadas para proteger
Associação de Fabricantes de Equipamentos o transportador e a
carga em percursos
Transportadores), recomenda que alguma
prolongados entre os
forma de "proteção contra intempéries
pontos de transferência.
deverá ser instalada sempre que a carga o
retorno exigir proteção contra as intempéries"
ou "sempre que a velocidade do vento for
frequentemente alta que resultará em material
fugitivo ou empurra a correia sem carga e
desalinha".
Figura 8.2.
Montadas ou fixadas na estrutura da correia Cobrindo o
do transportador, as coberturas sobre a transportador de
correia não impedem completamente as uma extremidade a
emissões de pó. Nenhuma cobertura, mesmo outra da estrutura da
que recubra a estrutura da correia de uma correia, a cobertura
extremidade a outra, será capaz de controlar a do transportador
circulação do fluxo de ar e o pó em suspensão protege a carga contra
resultante da transferência dos materiais a as intempéries.
granel advindos de um chute de transferência
anterior. As coberturas protegem o material no
transportador para que ele não seja arrastado
Figura 8.3.
pelas correntes de vento (principalmente
no sentido transversal em relação ao As coberturas para
transportador) e varrido para fora da correia. transportadores podem
ser complementadas
As coberturas também ajudam a impedir que o
com telas para proteger
vento levante a correia vazia, separando-a dos
os trabalhadores contra
roletes de carga, o que pode resultar em danos o contato com os
à correia ou fazer com que ela seja dobrada. Se componentes móveis.
a principal preocupação for evitar que o vento
forte levante a correia, arcos ou telas corta-
vento podem ser uma alternativa econômica.
110
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

A diferença entre galeria ou cobertura


Galerias para transportadores consistem em longas passagens sob condições adversas,
fechadas através das quais o transportador de correia realiza o a manutenção de
transporte. Essas estruturas são totalmente fechadas, similares transportadores em áreas
a túneis ou tubos, e são usadas para proteger um transportador externas provavelmente
fechado. será breve ou superficial.
Galerias são estruturas que combinam o suporte estrutural do Embora galerias e
transportador e a proteção contra as intempéries, ao mesmo coberturas sejam, muitas
tempo fornecendo um compartimento que reduz a liberação de vezes, destinadas a Galeria para transportador
materiais fugitivos e facilita a limpeza, ou, pelo menos, a limita funções semelhantes, típica, vista do interior.
a um espaço confinado. Uma galeria normalmente consiste em as galerias geralmente
uma estrutura de aço coberta com revestimento em metal ou são instaladas durante
plástico. Elas também podem ser fabricadas usando tubos de aço a fase de construção do
de grande diâmetro, concreto armado ou uma combinação de sistema do transportador.
diferentes métodos de construção. As galerias cobrem o vão entre As coberturas podem
as torres do sistema do transportador e envolvem o transportador ser instaladas durante
completamente. o processo inicial de
Uma galeria protege a equipe, o maquinário e o material construção ou adicionadas
transportado contra as intempéries. O guia Goodyear Handbook como uma solução
pós-venda. Elas são Galeria para transportador
of Conveyor & Elevator Belting (também conhecido como o Guia típica, vista do exterior.
Vermelho) estabelece que "a menos que o clima seja favorável, muito utilizadas para
transportadores permanentes geralmente requerem uma galeria cobrir transportadores
para proteger a correia contra ventos fortes, além de proteger os mais longos, como
funcionários e o material". transportadores inclinados
ou terrestres, cujas
A largura das galerias geralmente é suficiente para que as equipes características inviabilizam
de manutenção e inspeção possam se deslocar com facilidade por a construção de galerias
pelo menos um dos lados. A melhor prática é fornecer, de um dos devido ao custo ou à
lados, um espaço minimamente adequado para a manutenção topografia. Coberturas não recolocadas após
e, no outro lado, um espaço mais amplo, adequado a um a manutenção podem expor os
deslocamento seguro e aos trabalhos de limpeza e manutenção. Obviamente, as coberturas
são mais baratas do que as trabalhadores a perigos.
As galerias podem ser construídas com pisos sólidos ou grades
removíveis, dependendo da necessidade de confinar dentro da galerias, mas, em geral, elas
galeria materiais fugitivos para limpeza ou de permitir que o oferecem menos proteção contra intempéries. Por outro lado, se
material fugitivo caia no chão. mantidas adequadamente, as coberturas oferecem maior segurança,
se comparadas às galerias, a menos que sejam fornecidas proteções
Galerias com pisos sólidos impedem a queda dos materiais para os pontos de pressão ao longo da extensão de carregamento na
fugitivos e devem ser usadas caso o transportador de correia passe galeria.
sobre áreas protegidas ou vias navegáveis.
Coberturas e galerias para transportadores devem ter incorporadas
Como observado no livro Belt Conveyors for Bulk Materials da a elas sistemas de detecção e proteção contra incêndios. Uma
CEMA: desvantagem das coberturas é que elas geralmente são deixadas
O projetista de uma galeria fechada deve considerar abertas ou são, até mesmo, removidas após a manutenção e a
a possibilidade de que derramamentos ou outros limpeza, não sendo reposicionadas. Embora o hábito de não
materiais sejam acumulados na parte inferior do tubo, recolocar e fixar adequadamente as coberturas seja um problema
involuntariamente criando um grande peso, que deve relacionado ao treinamento e à gestão, ele é muito comum.
ser suportado. A ventilação da galeria também deve ser Coberturas travadas incorretamente podem ser atingidas pelo
considerada no projeto. vento e sofrer danos, tornando difícil ou impossibilitando seu
fechamento. O projeto da cobertura e do sistema de fechamento
Por serem abertas na parte inferior, as coberturas para
pode atenuar a tendência a deixar as coberturas abertas ou a não
transportadores geralmente não apresentam esse problema.
recolocá-las no transportador.
Um dos benefícios da galeria é o aprimoramento das práticas de
A substituição de coberturas danificadas ou não reposicionadas
manutenção. Como observado no Guia Vermelho, "A atenção
deve ser uma prioridade da manutenção, pois elas oferecem
que um trabalhador exposto à chuva e à neve dispensa a um
diversos benefícios: ajudam a controlar materiais fugitivos e
transportador não tem o nível de diligência adequado". Caminhar
servem como proteções parciais para os pontos de pressão do
na neve sobre uma passarela em um transportador inclinado para
realizar trabalhos de manutenção ou inspeção é algo desafiador; transportador.
111
Coberturas | Capítulo 8

Concepção e características das componentes. Os mecanismos de dobradiças


e travamento devem ser concebidos para que
coberturas para transportadores
a cobertura possa ser aberta com facilidade,
Disponibilizadas por diversos fornecedores rapidez e segurança para a inspeção dos
comerciais, as coberturas para transportadores componentes ou visualização do material
normalmente têm formato em arco e são sendo transportado.
instaladas acima da correia do transportador,
A cobertura deve ser projetada para simplificar
sobre a estrutura. (Figura 8.4.)
a manutenção da correia e dos roletes; ela deve
Os formatos mais comuns são a "cobertura facilitar os trabalhos de inspeção, lubrificação,
total", (arco de 180 graus), a "cobertura de reparo ou substituição de roletes individuais ou
três quartos", (arco de 135 graus) e a "meia
cobertura" (arco de 90 graus). (Figura 8.5.) Figura 8.4.
Coberturas para
A cobertura "total" de 180 graus proporciona transportadores
o máximo em segurança para a equipe, no fornecem proteção contra
que diz respeito às peças móveis. Ela também intempéries, ao mesmo
prolonga a vida útil dos componentes cobertos, tempo viabilizando a
como roletes e correia, protegendo-os contra a inspeção dos componentes 2
chuva e o sol. Esse tipo de cobertura é eficiente do transportador.
e ecológico, contendo o pó e reduzindo a
perda de material devido a ventos fortes. Figura 8.5.
Porém, esse benefício se opõe ao fato de que,
Os estilos típicos
com a cobertura total, torna-se mais difícil
de coberturas para
inspecionar e acessar a correia.
transportadores incluem
Os dois designs com arcos menores oferecem total, três quartos e meia
uma cobertura menor, embora facilitem a cobertura, que formam
arcos de 180, 135 e 90
inspeção e a manutenção. Com as coberturas
graus, respectivamente.
parciais, a cobertura pode ser instalada de
TOTAL
forma que a parte aberta fique inclinada, seja
para o lado do transportador onde se encontra
a passarela (para facilitar a inspeção) ou para
proteger melhor a correia contra o vento.

Normalmente, existe uma abertura entre


a parte superior da estrutura da correia e a
borda inferior da cobertura. Essa abertura
pode ser fechada estendendo a cobertura para
além das sapatas de montagem, geralmente TRÊS QUARTOS
com um custo adicional. Alguns fornecedores
oferecem paredes laterais e bandejas de coleta
de derramamentos opcionais, para que o
transportador fique totalmente vedado.
(Figura 8.6.)

Todos os tipos de cobertura podem contar com


articulações, para que a cobertura possa ser
levantada individualmente e oferecer condições
melhores para a realização de inspeções ou para Meia cobertura
que o trabalhador tenha acesso à correia e aos

112
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

de todo um conjunto de roletes. A instalação a passarela, e não deve acumular água na


deve contar com um método para apoiar ou dobradiça ou no mecanismo de travamento,
sustentar a cobertura aberta, para que ela seja pois isso pode favorecer a corrosão.
mantida aberta e em posição segura.
Coberturas adjacentes devem ficar sobrepostas
O sistema da cobertura deve ser fácil ou contar com faixas de ajuste para uní-las e
de usar, fácil de instalar durante a fase formar uma vedação estanque, a fim de evitar
de construção e fácil de abrir/remover e que as coberturas ajam como um coletor ou
fechar/substituir durante os trabalhos de funil que permita que a água da chuva caia
inspeção e manutenção. O ideal é que esses entre elas e sobre a correia.
procedimentos possam ser executados sem o
uso de ferramentas. As coberturas podem ser fabricadas com
materiais lisos ou corrugados, em aço
É possível que as coberturas interfiram galvanizado, pintado ou inoxidável, em
na inspeção e na manutenção dos roletes alumínio, fibra de vidro ou plástico. A escolha
do transportador. Consequentemente, as do material da cobertura deve ser compatível
coberturas devem contar com abertura e com as condições da aplicação, para conter
travamento simplificados ou devem incluir materiais corrosivos na parte interna e suportar
2 portas ou janelas para inspeção. a exposição na parte externa. A construção
deve ser suficientemente resistente para
Na medida do possível, elas devem ser
FIG. 3.12.08 projetadas para operação livre de manutenção,
suportar tanto o vento quanto o peso da neve.

com materiais resistentes à corrosão e A maior parte das instalações de coberturas é


mecanismos de abertura e travamento simples. fornecida com suportes de fixação altamente
A cobertura deve ser resistente à água sob duráveis e resistentes à corrosão, fixados na
diversas condições. Ela deve ser capaz de estrutura da correia do transportador, além de
impedir que a água caia sobre a correia e barras de retenção para manter a tampa aberta
para manutenção.

Figura 8.6.
As coberturas para
transportadores podem
ser usadas com paredes
laterais para conter
o material e proteger
os trabalhadores.

113
Coberturas | Capítulo 8

Há coberturas disponíveis para corresponder • Sejam elas abertas ou fechadas, as


a correias com larguras padrão. Tamanhos coberturas devem ser firmemente fixadas,
personalizados podem ser encomendados para de forma que não tenham sua estrutura
atender a exigências específicas. abalada por ventos fortes.

As coberturas normalmente são fabricadas para • Deve-se tomar cuidado ao abrir as


acomodar espaçamentos de roletes entre três coberturas quando houver ventos fortes,
pés [≈915 mm] e cinco pés [≈1.524 mm] a pois elas podem ser atingidas pelas rajadas
partir do centro, com espaçamento de quatro e ser abertas com violência, o que pode
pés [≈1.250 mm] como padrão. A maior desequilibrar o trabalhador; além disso,
parte dos fabricantes pode fornecer coberturas o vento também pode fechar a cobertura
adaptáveis a curvas horizontais côncavas ou novamente.
convexas. Além disso, as coberturas também • O mecanismo de travamento deverá ser
podem ser modificadas em campo. operável por apenas um trabalhador, de
maneira fácil e segura, e deverá permitir
que a cobertura seja aberta durante o
REGULAMENTOS E NORMAS funcionamento do transportador, sem
Apenas algumas normas ou regulamentos que os trabalhadores sejam expostos a
2
fazem referência à utilização ou a projetos de componentes móveis perigosos.
coberturas para transportadores. • Uma cobertura articulada deve contar
com mecanismos para que permaneça
Muitas regiões podem dispor de normas aberta e firme no lugar, a fim de que não
relativas à força do vento que as estruturas, seja fechada acidentalmente sobre um
incluindo as coberturas para transportadores, trabalhador.
devem suportar.
• A presença de uma cobertura pode
complicar a remoção ou a reinstalação de
MELHORES PRÁTICAS outros componentes próximos, como os
Coberturas para transportadores roletes.
• Podem haver dificuldades e riscos
Não existem normas de segurança ou
envolvidos na remoção ou na reinstalação
especificações para a concepção ou a utilização
da própria cobertura. As seções da
de coberturas para transportadores. Entretanto,
cobertura devem ser projetadas de acordo
alguns pontos relacionados à segurança devem
com o limite de levantamento comum de
ser considerados.
23 quilos [≈50 lb] ou devem ser equipadas
• O projeto e a instalação devem ser com alças ou apoios para possibilitar
compatíveis com as cordas de parada o levantamento por duas pessoas. Isso
de emergência e com as proteções do ocorre, principalmente, em correias
transportador. Além disso, o sistema deve transportadoras com largura superior a
coexistir com os sistemas de combate a 1.000 milímetros [≈39,5 pol.], pois o
incêndios, monitores de velocidade e outros peso da cobertura dificulta o manuseio.
sistemas de segurança e controle. • As bordas da cobertura devem ser
• A cobertura não deve interferir no trabalho rebarbadas e os cantos, arredondados, a fim
de manutenção nem aumentar o risco de de reduzir os riscos para os trabalhadores.
lesões.
• As coberturas devem ser concebidas para
que não acumulem água. Assim, a chuva
e a neve cairão longe da correia e das
superfícies de circulação.

114
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

CONCLUSÕES
Sob a cobertura
Evidentemente, as coberturas para
transportadores oferecem vantagens e
desvantagens: a operação do transportador
e a carga ficam menos expostas às condições
climáticas, porém, a visibilidade fica mais
restrita e o acesso ao transportador, mais
complexo. Essas contrapartidas geralmente
são aceitáveis quando é necessário abordar
preocupações ambientais ou considerar a
segurança daqueles que trabalham com ou
próximo a transportadores.

115
Coberturas | Capítulo 8

116
2

Capítulo 9 Passarelas para passagem sobre e


sob o transportador
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Introdução
Evitar o impulso minimiza Para chegar ao outro lado
os riscos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Como discutido no Capítulo 2, é
Passarelas em geral . . . . . . . . . . . . . . 120 surpreendente a quantidade de acidentes que
ocorrem aos funcionários passando sobre ou
Concepção e construção de sob um transportador de correia.
passarelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
Esses acidentes ocorrem apesar da advertência
Considerações sobre de segurança frequentemente repetida:
projetos de passarelas . . . . . . . . . . . 121 "não passe por cima, por baixo nem suba
no transportador". Porém, necessidades
Passarelas sob correias . . . . . . . . . . 121 operacionais exigirão que os trabalhadores
Distância entre os pontos passem de um lado do transportador
de passagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 para o outro, seja para executar atividades
relacionadas ao transportador ou simplesmente
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . 123 para ir de um lado da fábrica para o outro.
Para possibilitar uma passagem segura, são
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . 127
instaladas passarelas para transportadores.
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128 (Figura 9.1.)

A 7ª edição do livro Belt Conveyors for Bulk


Materials da CEMA (Conveyor Equipment
Manufacturers Association, Associação de
Fabricantes de Equipamentos Transportadores)
afirma:
117
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Passarelas para passagem sobre e sob Evitar o impulso minimiza os


transportadores são usadas para permitir riscos
que os funcionários atravessem com
segurança, em locais designados e Apesar de todos os avisos de segurança
aprovados, quando o layout físico não e proibições emitidos pelas fábricas, os
fornece acesso fácil e seguro de um lado trabalhadores têm o impulso tomar atalhos,
do transportador para o outro. passando sobre ou sob as correias dos
A referência continua: transportadores em movimento, em vez
de "dar a volta" e ir até um local com uma
Passarelas superiores e inferiores também passagem segura ou mesmo aguardar até que a
são utilizadas quando é necessário correia seja adequadamente desligada.
controlar o tráfego de pedestres,
por questões de segurança, ou em Em uma seção intitulada "Considerações
transportadores mais extensos, cenário sobre o fator humano", a publicação Safety
em que tomar atalhos inseguros acaba Best Practices Recommendation (CEMA
sendo um impulso. SBP-001) Design and Safe Application
of Conveyor Crossovers for Unit Handling

2 2

A CEMA oferece as melhores práticas para passarelas


Em 2004, a CEMA (Conveyor Equipment Manufacturers gerais e compara as vantagens e desvantagens dos vários
Association, Associação de Fabricantes de Equipamentos tipos de passarelas.
Transportadores) dos Estados Unidos publicou a norma
para projetos Safety Best Practices Recommendation for the O guia também fornece orientações gerais de aplicação.
Design and Safe Application of Conveyor Crossovers for Unit Elas são baseadas na acessibilidade ao público em geral, na
Handling Conveyors (CEMA SBP-001). necessidade de que os pedestres transportem objetos e nas
limitações de espaço sobre o piso ou de ocupação da área.
Essas orientações descrevem uma abordagem padronizada As orientações incluem uma tabela de aplicação geral, com
para as estruturas, que permitem que os funcionários base na frequência de utilização e informações passo a passo
atravessem as correias do transportador. Embora sobre distâncias.
originalmente publicado como um guia destinado
apenas a transportadores para manuseio de unidades, ele A publicação também observa que:
fornece orientações úteis para projetos de passarelas para Condições específicas variam de
transportadores de manuseio de materiais a granel. As aplicação para aplicação, como
informações sobre práticas de segurança para também variam a finalidade e o
concepção e aplicação presentes nível de experiência da equipe que
nesta publicação são aplicáveis a deverá utilizar as passarelas. Essas
todos os tipos de transportadores, condições, finalidades e níveis
incluindo transportadores de de experiência variáveis afetarão
manuseio de materiais a granel. a seleção do tipo e do projeto
A publicação Best Practices da CEMA do equipamento em qualquer
categoriza as passarelas em quatro situação.
tipos diferentes, incluindo passarelas na O guia Safety Best Practices
altura do transportador (Tipos 1 e 2) e Recommendation for Conveyor Crossovers
passarelas acima do transportador (Tipos da CEMA está disponível para
3 e 4). Os projetos com escada horizontal download gratuitamente, em formato
são dos Tipos 1 e 3; os projetos com PDF, no site da CEMA, em
escada inclinada são dos Tipos 2 e 4. A cemanet.org.
publicação fornece orientações de aplicação
118
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador | Capítulo 9

Figura 9.1. que a extensão do transportador seja


Passarelas são instaladas atravessada, há grande potencial de
sobre transportadores que as regras de segurança mais básicas
para permitir a passagem sejam violadas. O impulso de atravessar
segura de um lado da transportadores em funcionamento e/ou
correia para o outro. temporariamente parados é muito forte
para os trabalhadores. A experiência
tem mostrado que, sob essas condições,
FIG. 3.13.02 V3 os acidentes são inevitáveis. É preciso
analisar continuamente as exigências
de movimentação e acesso às áreas
operacionais do transportador por
Figura 9.2.
parte dos trabalhadores. A utilização
Um estilo de passa- adequada de passarelas nos locais onde
rela combina uma são "mais necessárias" pode contribuir
ou mais escadas com
muito para promover a segurança no
uma passarela.
local de trabalho quando as condições
2 encorajam o impulso de atravessar os 2
transportadores de maneira insegura.
As normas de segurança para transportadores
do estado de Washington, EUA, publicada
em WAC296-806-42032, especifica que uma
fábrica deve:

... Instalar uma passagem superior ou


inferior ao longo de toda a extensão dos
transportadores de correia terrestres nos
FIG. 3.13.03 V3
locais onde houver maior tráfego de
Figura 9.3.
pedestres.

Uma passarela com Isso elimina, ou, pelo menos, reduz, o impulso
escada geralmente é de atravessar a correia de um transportador
composta por duas porque a próxima passarela é "muito distante".
escadas ligadas por uma
passagem com corrimões. Na seção 8.1.2.4 da publicação Mandatory
Code of Practice for the Safe Use of Conveyor Belt
Installations for the Transportation of Minerals,
Material or Personnel (Revisão 2), a mina
Venetia Mine do grupo De Beers Consolidated
Mines, na África do Sul, inclui uma meta
prática (porém, talvez inatingível): "As
passagens deverão ser suficientes para impedir
que as pessoas peguem atalhos".
Conveyors (Consulte A CEMA oferece as
melhores práticas para passarelas) resume a Pegar atalhos faz parte da natureza humana.
necessidade de passarelas da seguinte maneira: A Instalação de estruturas de passagem bem
projetadas e posicionadas para vencer essa
Em áreas operacionais onde a equipe característica humana é um exemplo de
esteja familiarizada com o equipamento aprimoramento da segurança por padrão.
de transporte e as funções ou rotas de
deslocamento da equipe possam exigir

119
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Passarelas em geral Concepção e construção de


As passarelas para transportadores abrangem
passarelas
a largura da correia do transportador. Elas A escolha de uma passarela para uma
fornecem um caminho ou passagem acima determinada aplicação dependerá do tipo
da correia e do material transportado. As de utilização, o tamanho da passagem ou
passarelas geralmente incluem escadas ou da plataforma de trabalho necessária e a
degraus para permitir que o trabalhador acesse probabilidade de que seja necessário mover ou
a passagem elevada. Elas podem ser mais reconfigurar a passarela. Além disso, os códigos
simples ou mais complexas e tão elevadas locais e as regras específicas da fábrica podem
quanto o necessário para proporcionar uma orientar o estilo, a localização e a utilização das
passagem segura. passarelas inferiores e superiores.
A norma CEMA SBP-001 definiu dois tipos Passarelas são fornecidas em diversas
gerais de passarelas: configurações e materiais. Elas podem ser
projetadas com acesso superior direto ou com
Passarela com escada horizontal:
configurações de escada e plataforma em H, L,
um dispositivo para atravessar o
U ou Z. (Figura 9.4.)
2 transportador constituído por uma ou 2
mais escadas horizontais com corrimão Passarelas fabricadas em aço soldado são muito
e, eventualmente, uma plataforma que duráveis e têm alta capacidade para suportar
atravesse o caminho do transportador. peso, mas geralmente são difíceis de mover
(Figura 9.2.) após a instalação devido à sua construção
Passarela com escada inclinada: em uma peça. Passarelas modulares em
um dispositivo para travessia, com alumínio podem não ter a mesma capacidade
inclinação inferior a 50 graus, composto para suportar peso das passarelas de aço
por um ou mais conjuntos de degraus, soldado, mas têm a vantagem de serem mais
que podem ser unidos sobre a superfície leves e contarem com um projeto modular.
de transporte e contar com corrimões, Isso significa que os módulos podem ser
ou com corrimões e uma plataforma ou desmontados e reconfigurados para atender a
passagem. (Figura 9.3.) novas necessidades ou para reposicionamento.

Outro tipo, talvez híbrido, é identificado como A 7ª edição do guia de consulta Belt Conveyor
escada inclinada ou escada horizontal para for Bulk Materials da CEMA observa,
navios na norma CEMA SBP-001. Ela consiste especificamente:
em "uma escada equipada com degraus e
Proteções adequadas ou outras barreiras
corrimões, com inclinação de 50 a 70 graus".
físicas ao redor das passarelas para
A passarela com escada inclinada geralmente travessia superior ou inferior devem
é considerada "mais segura" e "mais fácil ser fornecidas de acordo com o código,
de usar" pelos trabalhadores. Mas a escolha
Figura 9.4.
do tipo de escada para uma determinada
instalação pode depender da área de ocupação Essa passarela com uma
disponível, isto é, se haverá espaço para escada simples liga
permitir a instalação de uma escada inclinada, dois transportadores
e, ao mesmo tempo,
em vez de uma escada horizontal.
permite que os
Por vezes, as passarelas também são chamadas trabalhadores desçam
de degraus. entre as duas correias.

120
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador | Capítulo 9

a fim de proteger os funcionários dos A plataforma terá instalação elevada acima


componentes móveis do transportador e da correia e contará com suporte adequado.
de derramamentos. Se os degraus ou a plataforma da passarela
estiver suficientemente próxima da correia
Há vários fornecedores de sistemas de em movimento ou da carga, existe o risco
passarelas pré-projetadas com opções para potencial de contato do trabalhador com
adaptação à maioria das aplicações. É o perigo. A superfície da passarela deve ser
imperativo que qualquer sistema selecionado suficientemente alta para que a correia e os
esteja em conformidade com os regulamentos maiores pedaços da carga possam passar sob
locais, incluindo largura da passagem, elevação ela sem interferir com a estrutura ou com
acima da correia, métodos de construção e as pessoas que a utilizam. Se os degraus ou
detalhes do projeto. a plataforma estiver muito próxima dos
componentes móveis, existe o potencial de
contato de um acessório com a peça móvel. A
Considerações sobre
maioria das operações elimina a possibilidade
projetos de passarelas de contato acidental com a correia elevando
Ao projetar uma passarela para o a plataforma de passagem a uma distância
2 transportador, há uma série de aspectos que suficiente da correia. Isso deve eliminar a 2
devem ser considerados. possibilidade de que um trabalhador entre
em contato com um componente móvel
Como a passarela permite que os trabalhadores acidentalmente. (Figura 9.5.)
atravessem a correia do transportador, a seção
que suporta a carga da passarela deve ser Além disso, a passarela deve incluir corrimões
projetada para suportar a carga criada por uma e rodapés bem projetados e estruturalmente
ou mais pessoas. Além da carga estática dos seguros para impedir que as pessoas na
funcionários sobre a estrutura de passarela, passarela ou nas escadas para o nível de
a passarela também deve suportar a carga passagem caiam no chão ou sobre a correia do
dinâmica adicional criada quando as pessoas transportador. As normas locais determinarão
se movem. O projeto também deve acomodar a altura e os materiais de construção desses
qualquer carga ambiental, como neve ou corrimões.
vento, e acúmulos antecipados de materiais
fugitivos. Além disso, o projeto deve incluir
Passarelas sob correias
um generoso fator de segurança, porque há
vidas em risco. Em instalações em que, por alguma razão,
uma passarela suspensa não seja uma opção
FIG. 3.13.06 V3
razoável ou segura, é possível que seja
necessário que os trabalhadores passem sob a
Figura 9.5. correia. A necessidade de passar sob a correia
A passarela deve ser representa um aumento nos riscos para os
instalada a uma trabalhadores. Os perigos de uma travessia
altura suficiente do sem controle abaixo de um transportador em
transportador a fim funcionamento incluem a exposição a pontos
de eliminar o risco de esmagamento.
de um trabalhador
acidentalmente entrar O código Occupational Health and Safety
em contato com a correia Code Explanation Guide de Alberta indicou
ou alguma peça móvel. mais um risco na Parte 25 Ferramentas,
equipamentos e máquinas, Subseção 373(1):

121
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Trabalhadores passando sob um A fim de evitar contato acidental


transportador podem correr risco com as peças móveis da instalação da
de lesões devido à queda de objetos correia do transportador, proteções
da correia do transportador ou à devem ser utilizadas em conformidade
possibilidade de ficarem presos nas com a norma De Beers Equipment
peças móveis do transportador. Os Safeguarding Standard.
trabalhadores somente devem passar sob
correias de transportadores em locais Além disso, a seção indica que "Todas as
onde estejam protegidos contra a queda passagens designadas para pessoas sob a correia
de materiais e peças móveis. devem ter proteção para a cabeça".

Portanto, nas áreas onde os trabalhadores Nos regulamentos California Code


passarão sob a correia, os componentes devem of Regulations, Título 8, seção 3999
estar protegidos e a passagem deve contar Transportadores, a CalOSHA observa:
com redes, telhados ou outros sistemas para … A menos que haja uma altura livre
evitar exposições perigosas, como a exposição à de 6 pés e 6 polegadas [≈2 m], os
queda de materiais a granel. funcionários não devem ter permissão
2 A 7 ª edição da publicação Belt Conveyors for para passar sob o transportador. 2
Bulk Materials da CEMA indica o "Uso de Transportadores que passam sobre áreas
passarelas sob o transportador onde o ponto ocupadas ou utilizadas por trabalhadores
de esmagamento ou de pressão não seja devem ser protegidas para evitar a queda
considerado protegido devido à localização", do material transportado e ferimentos
ou seja, onde os perigos estiverem localizados aos funcionários.
a uma distância inferior à distância mínima
exigida, uma estrutura adequadamente Em muitas jurisdições, passarelas sob
projetada, cobertura ou telhado para proteger transportadores, também conhecidas como
os trabalhadores deverá ser utilizada. passagens inferiores, são regulamentadas da
mesma maneira que as passarelas superiores.
O Código Administrativo de Utah, em sua Por exemplo, a seção 2.4.2.3 Passarelas para
publicação Occupational Safety and Health corredores e passagens, da norma AS/NZS
Rule R614-5. Materials Handling and Storage 4024.3610:2015 da Austrália e Nova Zelândia,
– R614-5-2 Transportadores C. Passagens, fornece os requisitos para ambas.
plataformas, varandas, observa:
Essa norma especifica que passagens superiores
Em locais onde os trabalhadores devem ou inferiores deverão ser disponibilizadas
atravessar sob um transportador, quando houver a necessidade de acessar
as passarelas inferiores devem estar ambos os lados do transportador, como as
claramente marcadas como a única partes dianteira e traseira, a transmissão, as
passagem. As passagem deve ser coberta transferências e outros pontos necessários.
para impedir o contato com peças Uma passarela superior ou inferior deve ser
móveis ou a queda de materiais do disponibilizada em locais onde o transportador
transportador. atravesse uma passagem, corredor ou via e
onde a parte mais baixa do transportador esteja
Da mesma forma, na publicação Mandatory a uma distância do piso inferior a 2,1 metros
Code of Practice for the Safe Use of Conveyor Belt [≈7 pés]. A norma observa que a passagem
Installations for the Transportation of Minerals, inferior pode ser do tipo com "espaço para
Material or Personnel (Revisão 2), a Venetia rastejar", caso não haja nenhuma alternativa
Mine do grupo De Beers Consolidated Mines prática.
observa, na seção 8.1.2.1:

122
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador | Capítulo 9

Além disso, onde houver passagens inferiores, As normas de segurança para transportadores
o transportador deverá estar protegido para do estado de Washington, EUA, publicadas
evitar a queda da carga transportada sobre os em WAC296-806-42032, especificam que a
trabalhadores na passagem. "distância entre as passagens suspensas não
deve exceder 300 metros ou 1.000 pés".
A norma AS/NZS 4024.3611: Belt conveyors
for bulk materials indica, na seção 2.10.2, que Muitos transportadores terrestres são
os roletes acessíveis de passarelas inferiores patrulhados por veículos e, nesse caso,
e superiores contem com proteções contra passarelas inferiores para o tráfego de veículos
contato acidental. podem ser instaladas em intervalos muito
maiores do que a distância especificada pela
A necessidade de proteção dos pontos de CEMA.
pressão e cisalhamento dos roletes acessíveis
de passarelas inferiores, superiores e espaços Regulamentações locais podem exigir
para rastejar é identificada na norma AS/NZS distâncias menores ou permitir distâncias mais
4024.3610, Seção 2.1.2(i). prolongadas. A necessidade de movimentação
conveniente e segura nas instalações pode
exigir sistemas de passagem adicionais. O
2 Distância entre número de passarelas e os intervalos entre elas 2
os pontos de passagem podem ser controlados pelos requisitos para
saídas de emergência; esse pode ser o primeiro
Apenas alguns órgãos abordam a questão da
e mais importante critério para passagens para
distância entre as estruturas dos pontos de
atravessar transportadores.
passagem. A 7 ª edição do Belt Conveyors for
Bulk Materials da CEMA propõe "Instalar
uma área designada de passarela sobre ou sob o REGULAMENTOS E NORMAS
transportador a cada 1.000 pés (305 m)".
Os regulamentos relativos às estruturas de
A norma ASME B20.1-2015 6.1.1(e) passarelas para transportadores são, em sua
especifica: maioria, muito breves, e, geralmente, fazem
referência a regulamentações regionais no
Em transportadores longos de uso
que diz respeito a escadas, andaimes e/ou
terrestre que requeiram passagens
plataformas de trabalho.
superiores ou inferiores para pedestres,
as passagens deverão ser instaladas Austrália
em intervalos compatíveis com o uso,
normalmente, não ultrapassando os A norma AS/NZS 4024.3610 da
300 m (1.000 pés). Austrália e Nova Zelândia, de 2015, aborda o
tema das passarelas na seção 2.4.2.3 Passarelas
Figura 9.6. para corredores e passagens. Ela especifica que
Essa passarela com passagens superiores ou inferiores deverão ser
escada conta com uma disponibilizadas quando houver a necessidade
gaiola de segurança de acessar ambos os lados do transportador,
para impedir quedas como as partes dianteira e traseira, a
dos trabalhadores. transmissão, as transferências e outros pontos
necessários.

Além disso, a norma prevê que uma passarela


superior ou inferior deve ser disponibilizada
em pontos onde o transportador atravesse
qualquer passagem ou corredor e onde a parte

123
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

mais baixa do transportador esteja a uma Um trabalhador passando sobre uma


distância do piso inferior a 2,1 metros [≈7 correia do transportador corre o risco
pés]. Quando não houver nenhuma alternativa de cair sobre a correia ou de ficar preso
prática, a norma permitirá que a passagem nas peças móveis. Para evitar isso,
inferior seja um espaço para rastejar. uma ponte, com pelo menos 1 metro
[≈39,5 pol.] de largura e com corrimões
A norma indica que, a fim de impedir que adequados, deve ser instalada.
um trabalhador caia sobre o transportador, a
passarela deverá ser equipada com corrimões. O código Occupational Health and Safety Code
Onde houver passagens inferiores, o de Alberta, seção 373(2), publicado em 2009,
transportador deverá estar protegido para estabelece que os trabalhadores podem "passar
evitar a queda da carga transportada sobre os sobre a correia do transportador em outros
trabalhadores na passagem. locais que não a ponte se a correia estiver
bloqueada". Por fim, a seção 373(3) especifica:
Além disso, a necessidade de proteção dos
pontos de pressão e cisalhamento dos roletes ... O trabalhador deverá atravessar sob a
acessíveis de passarelas inferiores, superiores correia do transportador em movimento
e espaços para rastejar é identificada na seção em locais designados, onde terá proteção
2 2.1.2(i) da norma AS/NZS 4024.3611. contra as peças móveis do equipamento 2
e contra a queda de materiais da correia.
Brasil
O Guia Explicativo do Código de Alberta
O único requisito para passarelas também observa, na seção 373(1):
na norma brasileira NR-22 - Segurança e Saúde
Ocupacional na Mineração é encontrado na ... As boas práticas incluem a construção
seção NR 22.8 Transportadores contínuos de passarelas suspensas resistentes,
através de correia: com degraus e corrimões em ambas as
laterais. Os degraus e o piso da passagem
NR 22.8.4 – Só será permitida devem ser revestidos em material
a transposição por cima dos antiderrapante.
transportadores contínuos através de
passarelas dotadas de guarda-corpo e Índia
rodapé. (Figura 9.6.)
A norma Indiana IS 7155.2
Canadá (1986) Code of recommended practice for
conveyor safety, Parte 2, seção 3.2.4.5, observa:
A seção 4.4.16 Correias de
transportadores, do código Health, Safety Caso haja passagens disponíveis em
and Reclamation Code for Mines in British ambos os lados do transportador e caso
Columbia, registra o seguinte: seja necessário que os funcionários
trabalhando regularmente na área
(2) Nenhum funcionário deverá tenham acesso conveniente a ambos
atravessar uma correia do transportador os lados do equipamento, passarelas
exceto em uma ponte para pedestres deverão ser disponibilizadas, em
com largura não inferior a 500 mm intervalos adequados e nas extremidades
[≈19,75 pol.] e equipada com corrimões. dianteira e traseira do transportador,
A publicação da província de Alberta, caso não haja nenhuma outra passagem
Occupational Health and Safety Code 2009 disponível. Meios de acesso seguros
Explanation Guide: Parte 25 Ferramentas, devem ser disponibilizados nas
equipamentos e máquinas, observa, na subseção passarelas.
373(1):

124
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador | Capítulo 9

A seção 3.3.10 proíbe especificamente que A norma ANSI B20.1-1957 Safety Code for
os trabalhadores "passem sobre ou sob o Conveyors Cableways and Related Equipment
equipamento [transportador], exceto nos apresentava as seguintes regulamentações em
pontos especialmente indicados para essa sua seção 705 Passarelas, corredores, passagens
finalidade". e escadas:

África do Sul Todos os transportadores instalados a


até sete (7) pés [≈2,1 m] do chão ou
Na África do Sul, a diretriz de uma superfície de passagem deverão
Safety Around Belt Conveyors da CMA contar com passarelas ou passagens para
(Conveyor Manufacturers Association of cumprir com os requisitos do código
South Africa Limited, Associação Sul-africana Building Exits Code A9.
de Fabricantes de Transportadores Limitada)
reitera, na seção 6.3 Manutenção e acesso, a É permitida a disponibilização de
preocupação de que a utilização pela equipe da passagens sob transportadores com
fábrica só seja frequente se houver passarelas altura livre de instalação inferior a sete
suficientes instaladas. A diretriz estabelece: (7) pés [≈2,1 m], exceto em corredores
principais e desde que tais passagens
Os funcionários precisam atravessar o contem com sinais que indiquem a 2
transportador em vários pontos e com altura livre reduzida.
frequência. Todas as passarelas, corredores e
… Caso não seja possível instalar passagens deverão ser indicadas por
passagens seguras abaixo da correia, sinais adequados e posicionamento
passarelas suspensas com corrimões visível.
deverão ser disponibilizadas.
A posição dessas passagens suspensas No entanto, uma versão mais recente dessa
dependerá das condições da instalação norma, a ASME B20.1-2015, contém apenas
do transportador de correia; porém, a uma referência às passarelas. Na seção 5.10
utilização só será frequente se houver Altura livre essa nova norma ASME indica:
uma quantidade suficiente de passarelas Será permitida a disponibilização de
instaladas. passagens sob transportadores com
A passarela suspensa deverá ser acessada altura livre inferior a 2 m [6 pés 8 pol.]
por meio de escadas equipadas com em relação ao chão para outros usos
corrimões e rodapés, bem como um além de saídas de emergência se um
corrimão intermediário ou na altura do aviso adequado indicar a altura livre
joelho. Evite escadas verticais. reduzida.

Estados Unidos Os requisitos da OSHA (Occupational Safety


and Health Administration, Administração de
A publicação CEMA SBP-001 Segurança e Saúde Ocupacional) e da MSHA
indica que as passarelas para transportadores (Mine Safety and Health Administration,
devem satisfazer às seguintes normas: Administração de Segurança e Saúde em
• ANSI Standard A1264.1 – Safety Mineração) dos Estados Unidos oferecem
Requirements for Workplace Floor and Wall apenas uma orientações limitadas.
Openings, Stairs and Railing Systems As regulamentações da MSHA são
• 29 CFR da OSHA, Parte 1910.24 Escadas particularmente vagas. No item 30 CFR
inclinadas industriais fixas 56.11013 Passarelas para transportadores,
• 29 CFR da OSHA, Parte 1910.27 a única declaração fornecida é: "Passarelas
Escadas horizontais fixas deverão ser disponibilizadas sempre que

125
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

houver a necessidade de atravessar um Sob o Título 8, seção 7030 Transportadores,


transportador". Ela é seguida, no item 30 (d), dos regulamentos California Code of
CFR 56.11014 Travessia de transportadores em Regulations, a OSHA do estado da Califórnia
movimento, por um comentário igualmente (CalOSHA) registra o seguinte:
genérico: "Transportadores em movimento
devem ser atravessados apenas em pontos (11-2) (11-13) (11-14) Passarelas
designados para a passagem". deverão ser fornecidas e utilizadas
caso seja necessário passar sobre
No item 30 CFR 56/57.11002 (que abrange transportadores com correntes, correias,
minas de superfície para a exploração de caçambas, parafusos ou rolos expostos.
metais/não metais) e no item 30 CFR 77.205, Tais passagens deverão ser pontes ou
há um requisito adicional da MSHA que exige passarelas devidamente equipadas com
que as passarelas (bem como outras passagens) corrimões e rodapés padrão e deverão
devem estar em bom estado: contar com escadas horizontais fixas,
rampas ou escadas inclinadas como
Passarelas, passagens suspensas, rampas
métodos seguros de acesso.
elevadas e escadas devem ter estrutura
suficientemente resistente, contar com Esse item foi interpretado como indicando que
2 corrimões, e devem ser mantidas em a CalOSHA não permite o uso de passarelas
boas condições. Se necessário, rodapés para travessia na altura do transportador,
deverão ser fornecidos. identificadas pela CEMA como os Tipos 1 e 2.

Em nível estadual, os regulamentos são um No código West Virginia Code, seção 22A-2-
pouco mais detalhados. Como um exemplo, 53c. Rampas; basculadores; limpeza de fábricas;
o estado de Washington requer a instalação outras superfícies (7) Transportadores e passarelas,
de passagens suspensas para pedestres nos há a seguinte especificação:
transportadores. O regulamento no item WAC
296-806-42022 exige que a fábrica deverá: Sempre que necessário, passarelas para
cruzar os transportadores deverão ser
• Disponibilizar uma passagem suspensa instaladas. Todas as passarelas devem
para pedestres nas seguintes situações: contar com uma estrutura resistente,
– Se a linha operacional do com corrimões, e devem ser mantidas
transportador cruzar a até três pés em boas condições. Transportadores
[≈915 mm] do nível do solo. em movimento devem ser atravessados
apenas em pontos designados para a
– Se os trabalhadores precisarem
passagem.
passar sobre a linha e a canaleta no
nível, ou abaixo do nível, do solo. O regulamento do estado de West Virginia
• Disponibilizar uma passagem suspensa conclui: "Caso seja necessário passar sob
para pedestres caso os trabalhadores não a correia, medidas adequadas deverão ser
possam passar sob o transportador com tomadas para impedir o contato com qualquer
segurança. peça móvel".

• As laterais da plataforma de passagem Como essas normas são vagas, vale ressaltar
deverão contar com corrimões padrão nas que é vital pesquisar e cumprir com os
seguintes situações: regulamentos locais.
– Se a passagem suspensa tiver altura
superior a quatro pés [≈1,25 m].
– Se o transportador alimentar
máquinas perigosas, como serras,
trituradores, repicadores ou tanques
de galvanização.
126
Passarelas para passagem sobre e sob o transportador | Capítulo 9

MELHORES PRÁTICAS tropeções e quedas. Os riscos de escorregões,


tropeções e quedas podem ser atenuados
A 7 ª edição do Belt Conveyors for Bulk pelo posicionamento adequado da passarela
Materials da CEMA indica que as melhores superior/inferior.
práticas para passarelas sobre transportadores
• Proteção das áreas onde as passarelas
de correia incluem: "Utilização dos Tipos de
superiores/inferiores são usadas como
passarelas 3 ou 4 indicados pela CEMA de
passagens durante mau tempo. As passarelas
acordo com a norma CEMA SBP-001 ou com
devem contar com proteção contra a queda
a versão mais recente".
de materiais, gelo, neve e acúmulo de água.
Outras boas práticas incluem: • Construção de degraus e plataformas com
materiais antiderrapantes e que evitem
• Instalação de passarelas designadas para
acúmulos, como grades, placas perfuradas ou
travessia sobre ou sob o transportador a
grades em fibra de vidro com partículas para
distâncias não superiores a 1.000 pés [≈305
adicionar aderência.
m] ao longo da extensão do equipamento.
• Construção de passarelas superiores/
• Utilização de passarelas inferiores quando
inferiores de acordo com os regulamentos
a exposição a um ponto de pressão ou
locais para escadas e plataformas de 2
de esmagamento não seja considerado
trabalho, o que pode incluir as dimensões
protegido devido à localização. Os autores
do corrimão, requisitos para corrimões
ressaltam que o conceito de proteção devido
intermediários e rodapés e requisitos de
à localização é problemático. Todos os
carga mínima.
pontos de pressão devem ser protegidos;
todos os roletes de retorno devem ser • Fornecimento de iluminação adequada.
protegidos para impedir quedas. (Consulte • Instalação de avisos onde a altura livre for
o Capítulo 11 O mito da "proteção inferior a 2 metros [≈6 pés 8 pol.].
devido à localização")
• Pintura das passarelas superiores e inferiores
• Instalação das estruturas de passagem para que sejam claramente identificáveis
onde o trabalhador não possa acessar como passagens seguras.
uma passagem diretamente. Uma grade
deverá ser instalada, de modo a exigir que
o trabalhador faça uma curva para acessar
ou sair da passarela superior/inferior. Isso
aprimora a segurança, impedindo o acesso
acidental ou inadvertido ou a ocorrência
de quedas da estrutura de passagem sobre
a correia em movimento ou sobre áreas
de trânsito próximas. De acordo com esse
princípio, novas construções devem levar
em consideração os padrões de tráfego da
fábrica para determinar a localização das
estruturas de passagem e cruzamento.
• A instalação das estruturas de passagem
não deve ser executada em locais onde
derramamentos ou acúmulos de materiais
fugitivos são esperados ou comuns.
Derramamentos acumulados nos degraus
ou nas plataformas de passarelas superiores/
inferiores podem resultar em escorregões,

127
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

CONCLUSÕES Figura 9.7.


Passarelas para
Como observado na publicação Safety Best
transportadores devem
Practices Recommendation da CEMA:
estar em conformidade
A utilização adequada de passarelas com as normas para
a construção de
nos locais onde são "mais necessárias"
escadas e passagens.
pode contribuir muito para promover a
segurança no local de trabalho quando
as condições encorajam o impulso de
atravessar os transportadores de maneira
insegura.

É necessário garantir que as estruturas dos


pontos de passagem estejam em conformidade
ou superem os regulamentos locais para
construção, largura da passagem, elevação
em relação à correia e outras características.
2 (Figura 9.7.)

A publicação Conveyor Crossovers Best Practices


SBP001-2014 registra que:

Condições específicas variam de


aplicação para aplicação, como
também variam a finalidade e o nível
de experiência da equipe que deverá
utilizar as passarelas. Essas condições,
finalidades e níveis de experiência
variáveis afetarão a seleção do tipo e do
projeto do equipamento em qualquer
situação. … As preocupações com a
viabilidade, conveniência e segurança
são a principal preocupação na avaliação
de qualquer projeto proposto.

A disponibilização de mais estruturas do que


o número mínimo exigido de estruturas de
passagem ajudará a eliminar a negligência e os
riscos aceitos de maneira inconsciente, o que
pode levar a lesões graves.

Ainda é importante ressaltar que os


proprietários devem especificar, e os projetistas
devem incluir, estruturas de passagem
adequadas. Também é importante que a
gestão da fábrica enfatize a importância de
que as passarelas superiores e inferiores sejam
usadas em todas as passagens sobre ou sob os
transportadores.

128
2

Capítulo 10 Proteções
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 INTRODUÇÃO
O que é uma proteção . . . . . . . . . . . . 130 Em transportadores, bem como em outras
máquinas, proteções formam uma barreira
Os critérios para proteções . . . . . . . . 132 para proporcionar uma proteção ativa,
mantendo os trabalhadores distantes dos
Normas de desempenho . . . . . . . . . . 137
perigos das partes móveis.
Instalação das proteções . . . . . . . . . . 144
Neste capítulo, vamos considerar o que
REGULAMENTOS E NORMAS . . . . . . 145 alguns têm chamado de "proteções rígidas",
os painéis de proteção (geralmente planos)
Mantendo a distância . . . . . . . . . . . . 149 instalados próximos aos pontos de pressão
Uma abordagem simplificada para de um transportador para evitar o contato
proteções para transportadores . . 155 do trabalhador com esses perigos. (Figura
10.1.) A discussão neste capítulo aborda as
Uma nova era para as proteções . . 160 proteções de barreira para transportadores
de correia; outras formas de proteção, como
MELHORES PRÁTICAS . . . . . . . . . . . . . 162 gaiolas para roletes, proteções para os pontos
CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 de pressão dos rolos de retorno, passarelas
para transportadores e redes contra a queda
de materiais fugitivos, serão consideradas em
outras seções deste livro.

129
Proteções | Capítulo 10

O objetivo das proteções O que é uma proteção


O documento The Performance Criteria Uma proteção é uma barreira física que
for Safeguarding, publicado pelo American impede ou reduz o acesso a um ponto de
National Standards Institute (ANSI) como risco ou perigo. As proteções são projetadas
a norma B11.19, define proteções como para isolar o perigo do trabalhador (ou o
"proteção para os funcionários contra perigos, trabalhador do perigo) pela distância ou por
através do uso de proteções, dispositivos inacessibilidade. Como definido no manual
protetores, dispositivos de alerta, métodos de Guide to application of the Machinery Directive
proteções ou procedimentos de segurança no 2006/42/EC Annex I, item 1.1.1 (f ), do
trabalho". Reino Unido, uma proteção é "uma parte
da máquina especificamente utilizada para
Em 1946, o National Safety Council (NSC)
garantir a proteção por meio de uma barreira
dos Estados Unidos publicou a primeira edição
física".
do manual Accident Prevention Manual for
Industrial Operations. Essa edição compilou Proteções fixas
um resumo dos conceitos e tecnologias,
anteriores e vigentes na época, em relação à Proteções fixas devem fazer parte da máquina
segurança industrial e prevenção de acidentes. permanentemente. Elas não dependem de 2
peças móveis para funcionar. Seu uso é muitas
De acordo com o boletim informativo da vezes preferível ao uso de outros tipos de
Nelson & Associates, Machine Guarding 1946- proteção, devido à sua relativa simplicidade.
1970, após constatar que 25% de todas as
ocorrências de invalidez permanente resultam Proteções fixas também são conhecidas como
de acidentes com máquinas, o manual Accident proteções de barreira, porque elas formam
Prevention Manual for Industrial Operations do uma barreira para manter os trabalhadores
NSC acrescenta: longe de um perigo criado pelo equipamento.
A proteção fixa, por seu projeto e construção
... É preciso confiar na proteção ativa (e também por sua presença), impede o acesso
dos riscos nos pontos de operação, e não à parte perigosa que protege. Essas proteções
na obediência constante de um operador não dependem e não estão associadas às peças
de máquinas às regras de segurança. móveis da máquina nas quais estão instaladas.
Todos os esforços devem ser feitos para Elas são confiáveis e requerem pouca
tornar uma proteção tão ativa em sua manutenção.
ação, que a falha humana não poderá
causar um acidente. Se corretamente instaladas, as proteções fixas
sempre protegem os trabalhadores das peças
Assim, todas as partes móveis de máquinas
perigosas das máquinas. Elas oferecem a
devem contar com proteções adequadamente
vantagem de poderem ser construídas, muitas
construídas, devidamente instaladas, em
vezes, na própria fábrica onde o equipamento
funcionamento e bem conservadas para
proporcionar o grau necessário de proteção.
Figura 10.1.
Proteções fixas adequadamente projetadas, As proteções de barreira
instaladas e conservadas oferecem as vantagens devem ser instaladas
adicionais de baixo custo, design compacto e para manter os
alta confiabilidade. No entanto, as proteções trabalhadores longe
não substituem o bloqueio do sistema, dos muitos pontos
especialmente na limpeza de obstruções e na de pressão de um
transportador de correia.
execução da manutenção.

130
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

é utilizado, para aplicações específicas, a fim de facilmente violadas ou anuladas. Se um


fornecer proteção máxima, com um mínimo componente do mecanismo de travamento
de manutenção. falhar, a máquina não deve ser capaz de ser
iniciada. Proteções de trava requerem um
As limitações das proteções fixas incluem o sistema confiável e regular de testes e inspeções
potencial de interferir na visibilidade. Além e, assim, elas podem precisar de muita
disso, os ajuste e reparos na máquina podem manutenção.
exigir a remoção das proteções, o que exigirá
outros meios adicionais de proteção para a Proteção devido à localização
equipe de manutenção.
Proteções que são o resultado da
Proteções de trava impossibilidade de acesso físico a um
determinado perigo em condições normais
As proteções de trava são projetadas de modo de operação são conhecidas como "proteções
que a máquina na qual elas estão instaladas devido à localização". As máquinas podem
não funcione a menos que a proteção de trava estar protegidas devido à localização se a
esteja em uma posição fechada. Geralmente, distância até peças móveis perigosas for maior
essas proteções são removíveis, por meio de do que a distância de segurança prescrita, que
2
dobradiças ou trilhos. Abrir a proteção durante varia de acordo com a jurisdição. Isso ocorre
o movimento da máquina fará com que a mais comumente com componentes perigosos
máquina seja desligada. que estão suspensos, fora do alcance.
Quando uma proteção de trava é removida Se, devido às exigências do trabalho, forem
ou aberta, o mecanismo de acionamento e/ usados escadas, andaimes etc., para acessar
ou alimentação é desligado e desativado locais perigosos, proteções temporárias
automaticamente, as peças móveis da ou procedimentos de boqueio devem ser
máquina param e a máquina não pode ser utilizados.
iniciada até que a proteção seja colocada de
volta no lugar. Como exemplo, portas de Quando a elevação estiver sujeita a mudanças,
acesso que permitem a entrada da equipe de devido ao acúmulo de material armazenado
manutenção podem ser interligadas à fonte de ou fugitivo, por exemplo, uma instalação
alimentação do equipamento para desligá-lo anteriormente considerada segura por
automaticamente se houver uma tentativa estar "protegida devido à localização" pode
de entrada não autorizada. Mesmo quando passar a representar um perigo. (Figura
a função de parada é iniciada, pode demorar 10.2.) (Consulte o Capítulo 11 O mito da
algum tempo até que o transportador pare. "proteção devido à localização")

Proteções de trava devem ser construídas Proteção de área


e posicionadas para que não possam ser
Equipamentos que ocupam grandes áreas e
Figura 10.2. têm várias peças móveis podem contar com a
O acúmulo de material aplicação de proteções de área. Uma proteção
fugitivo pode expor os de área é uma barreira que impede a entrada
trabalhadores a riscos em de um trabalhador em uma área que contém
uma área anteriormente peças móveis da máquina, evitando, assim, o
identificada como contato com essas peças.
"protegida devido
à localização". As proteções de área fazem sentido se um
local específico apresentar vários riscos.
Consequentemente, é mais inteligente e
econômico fornecer uma proteção que
impeça o contato com todos os perigos, em

131
Proteções | Capítulo 10

vez de instalar proteções de ponto de contato Há controvérsias sobre o uso indiscriminado


individuais para cada perigo individual. de proteções de área em vez de proteções de
Proteções de área eficazes requerem práticas e ponto de contato. Os críticos argumentam
condições adicionais além da barreira física, que proteções dos pontos ainda são necessárias
como sinalização, travas ou codificação por dentro das áreas protegidas.
cores.
Proteções de área podem ser mais eficazes
Como exemplo, uma proteção de área pode ser onde os perigos são latentes, em vez de ativos.
usada para proteger mineiros contra os vários Por exemplo, um corrimão ou rede de tela
riscos da polia de cabeça de um transportador. que impeça que uma pessoa passe sob um
(Figura 10.3.) Nesse caso, os diversos riscos transportador pode ser mais eficaz e mais fácil
incluem a polia de cabeça e o eixo, a ranhura e de manter do que cestos coletores individuais
a chaveta, o ponto de pressão em movimento para roletes de retorno ou redes para capturar
entre a polia e a correia, além da correia em V materiais a granel que possam cair. O uso de
e o acionamento do motor do sistema. proteções de área em conjunto com travas
para acesso controlado e travas com sensor de
A proteção do sistema de acionamento do proximidade é a opção ideal.
transportador e da polia de cabeça é uma
aplicação aceitável para utilizar proteções 2
de área por várias razões. O acesso é pouco Os critérios para proteções
frequente, e o motor tem vários pontos de
perigo. O operador da mina pode implementar Em 1946, o National Safety Council (NSC)
práticas e controles adicionais, incluindo dos Estados Unidos publicou a primeira edição
sinalizações e procedimentos de travamento/ do manual Accident Prevention Manual for
etiquetagem. Industrial Operations. Conforme observado no
boletim informativo da Nelson & Associates,
Uma desvantagem da proteção de área é que Machine Guarding 1946-1970, o manual do
a utilização de proteções individuais de ponto NSC apresentou as metas para as proteções
de contato adequadas pode permitir que como:
uma correia (ou sistema) receba manutenção
enquanto outro sistema (ou correia) continua 1. Fornecer proteção ativa.
a funcionar. Uma proteções de área exigiria 2. Impedir qualquer acesso à zona de
desligar toda a área, ou seja, ambas as correias. perigo durante a operação.

Outra desvantagem das proteções de área é que 3. Não causar nenhum desconforto ou
todos os sistemas com peças móveis perigosas inconveniência ao operador.
precisarão ser bloqueados e etiquetados 4. Não interferir na operação.
individualmente antes de que seja possível
acessar a área protegida.
Figura 10.3
Proteções da área geralmente exigem controles Uma proteção de área
e práticas administrativas adicionais. Locais pode ser instalada
com proteções de área tipicamente exigirão o para manter os
estabelecimento de procedimentos adequados, trabalhadores longe de
e a equipe deverá receber treinamento sobre os vários riscos.
procedimentos. A fixação de sinalização com
avisos sobre a proteção da área e a exigência de
práticas de trabalho e procedimentos especiais Imagem gentilmente
de entrada reduzem ainda mais o risco de cedida pela United
lesões. States Mine Rescue
Association.

132
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

5. Operar automaticamente ou com 9. Suportar uso prolongado, com


esforço mínimo. manutenção mínima.
6. Ser projetado especificamente para o 10. Resistir a desgaste e impacto normais.
trabalho e a máquina. 11. Ser durável, resistente ao fogo e à
7. Ser preferencialmente um recurso corrosão e facilmente reparado.
integrado. 12. Não constituir ele mesmo um risco
8. Possibilitar a lubrificação, inspeção, (sem farpas, bordas afiadas [ou]
ajuste e reparo da máquina. ásperas ou outras causas de lesão).

Considerações e recomendações sobre proteções da MSHA

Nos Estados Unidos, a MSHA listou considerações • O projeto da proteção é adequado à aplicação e aos
relativas as proteções em seu livreto publicado no ano de riscos específicos?
2004, MSHA’s Guide to Equipment Guarding. A publicação • As aberturas no material da proteção impedem o
está disponível em formato PDF para download gratuito contato com o perigo pela distância entre a proteção e o
em msha.gov. perigo?
Considerações e recomendações sobre • A proteção interfere na operação, inspeção, lubrificação
proteções da MSHA ou manutenção normal do equipamento?

Esta seção foi elaborada como uma breve • A proteção foi concebida e construída de modo
discussão sobre a utilização e a que possam ser feitos ajustes nos componentes
concepção de proteções eficazes, protegidos, sem perda da proteção ou modificação
e não é um requisito para a da proteção?
conformidade. • O design, os materiais e a construção da
proteção evitam que ela mesma represente
• O projeto, a construção, a seleção um risco (isto é, ela está livre de rebarbas,
dos materiais e a instalação da bordas afiadas, pontos de esmagamento
proteção impedem o contato com etc.)?
todos os riscos das peças móveis da
máquina? • A proteção tem tamanho, forma,
peso e equilíbrio que permitam a
• A proteção oferece proteção por si só manipulação manual segura quando ela é
e não depende de alerta visual ou tátil removida ou reposicionada? Por outro lado, se a
sobre o perigo, controles ou procedimentos proteção for muito grande para manipulação manual,
administrativos, como avisos, sinais, luzes, ela é acessível para manuseio seguro com ferramentas ou
treinamento, supervisão ou equipamento de proteção equipamentos mecânicos?
individual?
• A proteção foi construída de modo que não possa ser
• Os materiais da proteção, métodos de fixação e a contornada, evitada ou eliminada?
construção são adequados para resistir ao desgaste,
corrosão, choque e vibração das operações normais? • Os componentes protegidos podem ser inspecionadas
sem que a proteção seja removida?
• Se as correias de acionamento dentro de uma proteção
falharem, o movimento de "chicote" das correias • A proteção foi construída e posicionada para que não
quebradas será contido? prejudique a limpeza?

• A proteção é reconhecível como uma proteção? • A proteção é mantida em boas condições de


funcionamento?
• A proteção está instalado de maneira segura?
• Você já considerou o uso de novas tecnologias, se for o
caso?
133
Proteções | Capítulo 10

13. Proteger contra qualquer Deve ser fornecido um ou mais métodos


eventualidade, não apenas em relação de proteção para as máquinas, a fim
às operações normais. de proteger contra riscos o operador
14. Estar em conformidade com as e outros funcionários na área, como
disposições dos códigos do American aqueles criados pelo ponto de operação,
Standards Association (atualmente, pontos de pressão móveis, peças
ANSI). giratórias, lançamento de lascas e faíscas.

Desde então, algumas listas de critérios para De forma similar, os requisitos da MSHA
uma proteção eficaz têm sido muito resumidas, publicados na norma 30 CFR 56/57,14107(a),
como a lista na seção 8.1.2 do documento estabelecem:
Best Practice: Conveyor Belt Systems, publicado Peças móveis de máquinas devem contar
em 2001 pelo South Africa’s Safety in Mines com proteções para proteger as pessoas
Research Advisory Committee (SIMRAC). do contato com engrenagens, rodas
Por sua vez, o relatório do SIMRAC citou a dentadas, correntes, acionamento, polias
Canada’s Mine and Aggregates Safety and de cabeça, traseira e do contrapeso,
Health Association (MASHA), indicando: volantes, acoplamentos, eixos, pás do
Para proteger máquinas móveis de forma ventilador, e peças móveis semelhantes 2
eficaz, a MASHA recomenda proteções que possam causar ferimentos.
que: Em sua seção 2.10.2, a norma da australiana/
• Impeçam o acesso às zonas de perigo neozeolandesa, AS/NZS 4024.3611 Safety of
• Sejam suficientemente leves para o Machinery – Conveyors – Belt Conveyors for bulk
manuseio materials handling, fornece uma lista detalhada
dos pontos de pressão e cisalhamento que
• Sejam pintadas com cores fortes, para precisam ser protegidos. Esses pontos de
indicar rapidamente as ausência das perigo incluem o acionamento, as polias
proteções. traseira, de cabeça e do contrapeso, bem
No outro extremo está a lista de 17 como roletes de retorno e de carga em zonas
considerações oferecida na publicação da Mine de transição, curvas convexas e abaixo das
Safety and Health Administration (MSHA), moegas de alimentação e calhas guia de aço.
o Guide to Equipment Guarding. Embora O regulamento também menciona roletes
aplicáveis a proteções em todas as máquinas, acessíveis a partir de passarelas, passagens sob o
esse guia dedicou a maior parte de seus transportador e passagens do tipo com "espaço
comentários (e ilustrações) a proteções para para rastejar", além de roletes em posições em
transportadores de correia. Como a publicação que a correia possa estar elevada a menos de 60
observa, o objetivo da lista é apresentar "uma milímetros [≈2,36 pol.].
discussão sobre a utilização e a concepção de
proteções eficazes, e não é um requisito para a Na seção 2.10.3, a norma australiana reitera
conformidade". (Consulte Considerações e que os roletes de carga e retorno precisam
recomendações sobre proteções da MSHA.) de proteções quando houver um ponto de
cisalhamento criado pelo rolete e por outros
O que deve ser protegido componentes ou quando houver força
suficiente sobre o rolete para representar um
Nos Estados Unidos, a norma Machinery and
perigo.
Machine Guarding da Occupational Health
and Safety Administration (OSHA), 29 CFR A norma também aponta a necessidade de se
1910,212(a)(1), exige que os empregadores proteger outros componentes que representem
garantam que os perigos das máquinas contem um risco e lista especificamente raspadores de
com proteções. O texto indica: correias e roletes de alinhamento da correia.

134
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Devido às diferenças de concepção, construção Os desafios específicos das proteções


e aplicação de transportadores, é difícil para para transportadores
qualquer regulamentação ser mais específica do
que a norma australiana. As proteções para transportadores de correia
são usadas​sob diversas circunstâncias e para
enfrentar desafios únicos. (Figura 10.4.)

A maior parte das proteções para máquinas


Proteções para acionamentos e correias está preocupada com a prevenção do contato
com o maquinário alimentado eletricamente.
Assim, o sistema de alimentação e a polia
Como outras máquinas menor suas variações dos requisitos de acionamento do transportador requerem
motorizadas, os para proteções de sistemas de proteções. Porém, em termos numéricos,
transportadores precisam acionamento do transportador de esses componentes alimentados estão
proteger seus sistemas correia. presentes em número bem menor do que
de acionamento. Alguns os componentes de um transportador de
transportadores de correia correia com movimento giratório livre, por
usam uma correia em exemplo, roletes e polias não alimentadas.
V; outros usam um eixo Os componentes que giram livremente,
para girar as polias de movidos pela correia, podem criar pontos de
acionamento, que, por sua esmagamento. Esses componentes giratórios
vez, puxam a correia que devem, pelo menos, passar por uma análise
transporta a carga através de risco para avaliar a necessidade de serem
do sistema. Ambos os protegidos.
sistemas de acionamento
Os usuários devem estar cientes de que os
contêm componentes
transportadores de correia reversíveis têm
giratórios que
pontos de pressão que devem ter proteções em
representam um risco para
ambos os sentidos de deslocamento.
trabalhadores incautos e,
assim devem contar com Proteções fixas eficazes devem ser completas
proteções. em sua proteção; os trabalhadores não
devem ser capazes de contornar a proteção
Além disso, nos
de nenhuma forma. Além disso, as proteções
Estados Unidos, as
precisam ser fáceis de instalar e reinstalar,
regulamentações da
permitindo inspeção e manutenção
MSHA na norma 30
simples dos equipamentos. Elas devem ser
CFR 56/57.14108
relativamente fáceis de remover quando as
exigem que as "correias
condições forem adequadas, por exemplo,
de transportadores aéreos
quando o transportador estiver bloqueado,
sejam protegidas caso
e reinstalar. Isso garantirá que as proteções
o rompimento de uma
sejam devolvidas à sua posição correta quando
correia possa criar um
o procedimento de serviço for concluído e
movimento de chicote e
As regulamentações da MSHA requerem antes que a operação do transportador seja
representar um risco para
que as correias de transportadores aéreos retornada.
os trabalhadores".
sejam protegidas caso o rompimento de
Outras jurisdições uma correia possa criar um movimento
indicam com um nível de de "chicote" e representar um risco para os
detalhamento maior ou trabalhadores.

135
Proteções | Capítulo 10

Viabilização das inspeções Figura 10.4.


As proteções para
A inspeção continua a ser um requisito
transportadores de
essencial para uma operação bem-sucedida da
correia são necessárias
planta. Na verdade, a necessidade de inspeção para controlar os
é a principal razão pela qual muitas proteções, riscos sob diversas
se não a maioria, são construídas com telas, circunstâncias
malhas, ou seções em metal expandido. O uso especificamente
desses materiais permite que a equipe da planta relacionadas aos
verifique com segurança os componentes na transportadores.
parte interna das proteções.
Imagem gentilmente
Há diversas razões para construir grande parte cedida pela United States
das proteções com materiais de tela, entre elas: Mine Rescue Association.

A. Os trabalhadores podem ver através


Proteções e procedimentos de
delas, para avaliar problemas sem
manutenção
remover a proteções.
B. Elas são leves, porém resistentes. É importante que as proteções não interfiram 2
no funcionamento normal do transportador.
C. Elas evitam o acúmulo de material
Além disso, as proteções não devem interferir
dentro da proteção, permitindo que ele
indevidamente na inspeção, lubrificação
caia. Ao mesmo tempo, elas evitam que
e manutenção do sistema. Se a proteção
a maior parte do material seja lançado
prejudicar uma operação individual ou todo o
para fora do compartimento.
processo, é provável, ou, talvez, inevitável, que
D. A proteção pode ser limpa por dentro e ela seja removida.
por fora, sem a necessidade de remoção
(por exemplo, usando um jato de Deve-se tomar cuidado ao instalar as
água). proteções, para garantir que novos riscos não
sejam introduzidos e, ao mesmo tempo, que a
E. Não é preciso criar aberturas
eficiência da planta não sofra. Por essa razão, é
especiais (ou adicionais) para ampliar
essencial consultar os gerentes e operadores do
a instalação das guarnições de
equipamentos ou do processo antes de projetar
lubrificação.
e instalar novas proteções.
Se possível, a visibilidade do trabalhador
Medidas adicionais também podem ser
do processo de produção não deve ser
tomadas, como a montagem de pontos de
obstruída pelas proteções ou dispositivos da
lubrificação remotos, para que o transportador
máquina. A visibilidade desimpedida pode
possa ser lubrificado sem a remoção das
ajudar os operadores a identificar falhas,
proteções e para que os tensores manuais
desalinhamentos e outros riscos potenciais.
possam ser operados pelo lado de fora das
É importante selecionar materiais adequados proteções.
para as proteções, a fim de garantir que eles
Além disso, as proteções devem ser projetadas,
proporcionem visibilidade suficiente.
na medida do possível, de modo que a limpeza
de rotina e dos derramamentos possa ser
executada sem que seja necessário acessar a
zona de perigo e sem afetar a proteção.

136
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Figura 10.5. especificasse o tipo de proteção que deveria


A proteção não será
ser usado, a norma seria uma norma de
capaz de aprimorar "especificação".
a segurança do
Como resultado, o primeiro critério de
transportador, a menos
adequação de uma proteção é: Ela evita
que seja instalada
(e recolocada após
o contato com os riscos da máquina em
a manutenção) movimento? Isso significa que uma proteção
adequadamente no deve ser concebida, construída e instalada
transportador. para que não possa ser contornada, ignorada
ou eliminada. Se a proteção não protege
Imagem gentilmente os trabalhadores contra o perigo, não há
cedida pela United States A reinstalação é essencial necessidade de considerar a cor certa ou a
Mine Rescue Association.
instalação adequada no equipamento.
José Sanchez escreveu, no artigo "Conveyors – A questão é resumida no documento Guide to
Guarding Against Inadequacy", na publicação Equipment Guarding da MSHA: "O projeto,
MineSafe do Departamento de Recursos de a construção, a seleção dos materiais e a
Segurança do órgão Government of Western instalação da proteção impedem o contato
2 Australia Department of Mines and Petroleum com todos os riscos das peças móveis da
da Austrália, o seguinte: máquina"?
Incidentes em que funcionários As normas de desempenho estão abertas
foram feridos por peças móveis de à interpretação dos inspetores. Portanto,
transportadores foram geralmente os fornecedores não podem garantir a
causados pela ausência de proteções, e conformidade com as normas de desempenho
não devido ao tipo de proteção. das proteções, para o desespero do comprador
(Figura 10.5.) da máquina. As normas de especificação
A melhor proteção não é capaz de manter são usadas​de forma rotineira na concepção
nenhum trabalhador seguro se for deixado de transportadores, e uma mudança no
abandonado no chão, longe do perigo. Ela sentido de formular normas mais prescritivas
não pode proteger os trabalhadores se não for para o projeto, fabricação e instalação de
devidamente instalada e mantida. transportadores pode ser uma mudança bem-
vinda para os operadores sujeitos às opiniões
individuais de inspetores.
Normas de desempenho
Uma proteção deve ser independente
Na maioria dos casos, as normas de proteção
Uma proteção deve ser totalmente funcional
para transportadores enfatizam que as
por si só. Ela não pode exigir a presença de
orientações são destinadas a alcançar a meta
equipamentos ou funcionários adicionais
de segurança para os trabalhadores, em vez de
para fornecer uma proteção eficaz. Ela deve
especificar qualquer detalhe de construção ou
manter os trabalhadores em segurança sem
instalação.
a necessidade de sinais ou mecanismos de
Não especificando os tipos de proteções que sinalização adicionais e sem a necessidade de
devem ser utilizados, essas normas apresentam treinamento adicional para o reconhecimento
uma norma de "desempenho". Isso significa de riscos ou procedimentos de trabalho
que o empregador é livre para usar qualquer seguros. Ela deve fornecer proteção sem a
proteção que alcance o objetivo. Nesse caso, necessidade de uma fonte de alimentação ou
o objetivo é proteger os trabalhadores contra sistemas de controle externos. Com sistemas
os riscos identificados. Se a agência reguladora de trava que necessitem de conexão elétrica,

137
Proteções | Capítulo 10

a proteção deve fornecer um nível básico de Figura 10.6.


proteção, mesmo que a alimentação externa
As proteções não devem
seja interrompida.
ser pintadas com cor
Reconhecível como uma proteção igual à do equipamento
que está sendo protegido.
Para que os trabalhadores percebam o risco
de um perigo específico, uma proteção deve
ser reconhecível como tal. Isso ajuda os Imagem gentilmente
trabalhadores a compreender as áreas de risco cedida pela United States
de uma máquina e enfatiza a importância de Mine Rescue Association.
reposicionar uma proteção removida.
Figura 10.7.
A maneira mais simples de tornar uma
proteção reconhecível é adotar um esquema Independentemente
de cores que se destaque, consistente por toda da cor escolhida, a
a instalação. Quando a proteção é pintada cor de uma proteção
da mesma cor que o restante da máquina, é deve diferenciá-la dos
difícil observar sua presença e sua importância. equipamentos e indicar
2
(Figura 10.6.) Ela se torna apenas uma tampa que ela é uma proteção.
de acesso ou outro componente da máquina.

A ideia por trás da codificação por cores é


conscientizar o funcionário sobre condições
potencialmente perigosas. Portanto, as de máquinas precisam contar com código de
proteções devem ser pintadas com uma cor cores.
utilizada apenas para elas. As cores mais
comuns para sistemas de proteção são a A OSHA especifica, na norma 29 CFR
cor "amarela de segurança" ou "laranja de 1910,144(a)(3), que a cor amarela é a
segurança". Há opções de tintas industriais preferencial para indicar riscos físicos.
ou de uso corrente disponíveis. Se todos os A regulamentação observa que "A cor amarela
equipamentos da fábrica forem pintados na deve ser a cor básica para designar uma
cor amarela, a proteção pode ser pintada advertência e para indicar riscos físicos, como:
na cor laranja ou em outra cor distinta. colisão, tropeço, queda e "aprisionamento".
Independentemente da cor escolhida, é A cor vermelha foi reservada para indicar
importante que a cor faça com que a proteção perigo, bem como para uso em equipamentos
se destaque. (Figura 10.7.) de proteção contra incêndio e controles de
parada de emergência. A cor para proteções
Diversas normas exigem que cores específicas não foi especificada, e a cor laranja não foi
sejam utilizadas para pintar os perigos em si, mencionada. Embora a norma 29 CFR
em oposição às proteções dos perigos. 1910,144 (a)(3) recomende a cor amarela, ela
não especifica qual local e extensão da máquina
Nos Estados Unidos, os requisitos da OSHA,
ou perigo físico precisam ser marcados.
de acordo com a norma 29 CFR 1910.144,
fornecem exigências de codificação por cores Deve-se observar que esse regulamento
específicas para itens como recipientes de aborda o risco em si, em vez da proteção.
segurança ou outros recipientes portáteis de Se a proteção de uma máquina não
líquidos inflamáveis, e para dispositivos como apresentasse um risco físico de tropeções,
botões de parada de emergência, chaves e quedas, colisões ou aprisionamento, entre
barras; com exceção dos itens anteriores, a outros, não haveria necessidade de aplicação de
norma não especifica quais máquinas ou partes codificação por cores.

138
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

É preciso enfatizar que a codificação por Zones, produzida em conjunto pelos órgãos
cores do perigo de nenhuma maneira elimina Institut de recherche Robert-Sauvé en santé et
a necessidade de proteção adequada do en sécurité du travail (IRSST) e Commission
equipamento. Os perigos físicos criados pela de la santé et de la sécurité du travail (CSST),
operação de máquinas devem ser abordados observa:
por meio da conformidade com a Subparte
O da norma 29 CFR 1910, Machinery and A fim de reduzir tanto quanto possível
Machine Guarding. o número de vezes que uma proteção
precisa ser aberta, sua construção deve
Como uma observação final sobre cores de permitir que os componentes protegidos
proteções, o artigo The Do’s and Don’ts of Fixed possam ser visualizados facilmente.
and Moveable Machine Guards, Part 1, de John Portanto, sugere-se que a tela da
Peabody, indica que a norma ANSI B11.19- proteção seja pintada com uma cor
2010 Performance Criteria for Safeguarding escura (preto fosco, cinza carvão), com
especifica que "Se tela ou metal expandido a moldura em uma cor clara. Pintar os
[for usado em uma proteção], a cor do material componentes perigosos da máquina em
da barreira deve ser mais escura do que a da cores claras e contrastes chama a atenção
área protegida, para aprimorar a visibilidade". para a zona de perigo quando a proteção
2
(Figura 10.08.) é aberta ou removida.

A publicação canadense A User’s Guide to Em resumo, o importante é que a proteção


Conveyor Belt Safety: Protection from Danger deve chamar a atenção para o perigo e para
seu próprio status como uma proteção; a cor é
Figura 10.8. uma maneira de fazer isso.

Algumas normas Em uma conferência recente, Training


recomendam que a tela Resources Applied to Mining (TRAM),
da proteção seja pintada apresentada pelo MSHA nos Estados Unidos,
com uma cor mais um operador de fábrica observou que, ao
escura para melhorar a longo dos anos, diferentes inspetores exigiram
visibilidade do perigo
que a fábrica pintasse suas proteções com
dentro da proteção.
cores diferentes, em um total de 13 vezes!
Esse tipo de exagero por parte dos reguladores
e orientação questionável por parte dos
Imagem gentilmente inspetores são parte da razão para padronizar
cedida pela United States
as cores de proteções permitidas no setor
Mine Rescue Association.
e proibir o uso dessas cores na máquina
principal. Como ocorreu com a cor vermelha,
que hoje é geralmente reservada para proteção
contra incêndios e avisos de segurança,
também é preciso definir a cor que deve ser
Figura 10.9. aplicada às proteções.
Uma proteção com A proteção não deve representar um
bordas afiadas e risco
projeções representa,
ela mesma, um risco. A proteção deve ser concebida e construída
de maneira que sua presença e manuseio não
crie um risco de lesão. Isso significa que ela
Imagem gentilmente não deve ter bordas afiadas nem saliências
cedida pela United States pontiagudas. A proteção deve contar com
Mine Rescue Association.

139
Proteções | Capítulo 10

bordas emolduradas ou protegidas, para Considerações sobre o peso


que nenhuma superfície possa ferir os
trabalhadores. (Figura 10.9.) Embora não existam prescrições para o peso
máximo de uma proteção, boas práticas de
E, obviamente, as proteções nunca devem ergonomia devem prevalecer na concepção
ser posicionadas ou presas a peças móveis de de cada proteção. A norma australiana AS
forma que criem qualquer tipo de ponto de 1755 Conveyors – Safety requirements, agora
esmagamento. substituída, ofereceu um lembrete, na cláusula
3.1, que sugeria atenção especial em relação ao
Outra consideração é a capacidade de
peso de proteções que exigissem levantamento
manuseio da proteção. Deve ser possível
para serem posicionadas pelos funcionários.
remover, manobrar e armazenar a proteção
e, em seguida, manobrá-la e reinstalá-la, sem Diversas fontes oferecem calculadoras para
risco para os trabalhadores encarregados dessa determinar o limite de peso adequado
tarefa. para elevações manuais. As opções
incluem planilhas, fórmulas e calculadoras
É importante considerar a ergonomia na automatizadas. O National Institute for
concepção das proteções. Essa preocupação Occupational Safety and Health (NIOSH)
aprimora o manuseio e evita lesões. Em oferece uma equação de levantamento para 2
sua apresentação de treinamento do ano de calcular o limite de peso recomendado (LPR).
2010, Guarding Conveyor Belts at Metal
A Michigan Occupational Safety and Health
& Nonmetal Mines, a MSHA observou
Administration fornece uma explicação
que cerca de 45% das lesões relacionadas
sucinta:
a proteções ocorre quando um mineiro
manuseia indevidamente uma proteção e ela Essencialmente, a equação de
cai sobre ele mesmo ou sobre outra pessoa. levantamento do NIOSH começa em
Muitas dessas lesões poderiam ser evitadas se as 51 libras (23 kg) e as condições
proteções fossem mais fáceis de pegar, segurar e envolvidas com o levantamento
transportar. reduzirão o LPR. Os fatores... incluem a
localização horizontal da carga,
As proteções devem ter tamanho e formato
que permitam manuseio fácil, de preferência Figura 10.10.
por um único trabalhador. (Figura 10.10.) As proteções devem ser
O tamanho, o peso, e o formato da carga projetadas para que
não devem interferir na visão. Uma análise possam ser levantadas
de risco deve levar em conta o aumento do e removidas por um
risco de escorregões ou quedas ao manipular único trabalhador.
manualmente uma proteção complexa.

Para facilitar o manuseio das proteções,


elas devem ter tamanho e peso razoáveis ou
integrar meios para aprimorar o manuseio,
como mecanismos de deslizamento, rolamento
ou elevação mecânica. A ergonomia também
devem ser considerada, para evitar a
necessidade de um posicionamento desajeitado
do corpo ao remover ou substituir a proteção.

140
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

a localização vertical da carga, a distância requisitos de indicação adicionais para as


de deslocamento vertical envolvida proteções. Algumas normas exigem que as
no levantamento, e a frequência do proteções sejam marcadas de acordo com as
levantamento. Embora a equação de normas da European Conformity (CE).
levantamento do NIOSH comece em Além disso, a indicação de alguma forma
51 libras, esse não é considerado o peso de código de localização pode ser útil, para
máximo que um funcionário pode auxiliar na reinstalação rápida e adequada da
levantar. Sob condições ideais, como proteção.
baixa frequência de elevações, bom
engate e boa postura, um peso maior Certamente, é uma boa prática incluir
pode ser levantado com segurança. sinalização avisando que a proteção não deve
ser removida sem que o transportador seja
Algumas normas para proteções exigem que isolado primeiro. É possível que seja necessário
o peso de cada proteção seja gravado em usar sinais de alerta em cada painel removível,
cada painel, recurso fornecido por alguns indicando a necessidade de procedimentos de
fabricantes de proteções. Isso permite Bloqueio/Etiquetagem antes da remoção da
que a equipe da fábrica avalie os riscos da proteção.
manipulação manual da proteção antes de sua
2 remoção e, assim, determine a necessidade de Alças e outros mecanismos de
utilizar material auxiliar complementar para o elevação auxiliares
manuseio adequado. Na seção 2.13.4.8, a norma da Austrália e
Mais importante do que simplesmente o peso, Nova Zelândia, AS/NZS 4024.3610 Conveyors
é a posição da proteção em relação à posição – General requirements, exige a presença de
do trabalhador que a removerá ou substituirá. alças na proteção. Ela observa que alças de
Algumas jurisdições oferecem orientação sobre levantamento oferecem um método seguro
o peso máximo ou força permitida para abrir para a abertura de portas e a remoção de
a proteção, com base na posição do objeto e proteções. (Figura 10.11.)
nos movimentos esperados de um trabalhador
Alças para aprimorar a capacidade de
comum.
manobrar uma proteção podem ser fornecidas
Indicações nas proteções nos painéis da proteção pelos fornecedores
ou adicionadas por instaladores. As alças são
Algumas normas, além da indicação do peso disponibilizadas como dispositivos externos
para garantir um manuseio seguro, impõem aplicados à proteção, como alças embutidas,
que são dobradas para fora a partir da
Figura 10.11.
superfície ou da moldura do painel de proteção
Alças podem ser (Figura 10.12.), ou como áreas onde o
adicionadas às proteções material na estrutura foi removido para formar
para fornecer um método um apoio.
seguro para a remoção.
Em alças criadas com uma abertura ou seção
dobrável, é importante que o espaço aberto
criado para o apoio não resulte em uma
exposição ao perigo. Ao instalar as alças, é
preciso tomar cuidado para não adicionar um
risco sob a forma de uma extensão complexa
ou potencialmente perigosa da proteção.

Se uma proteção for muito pesada ou grande


para ser manuseada de maneira segura por
uma pessoa, é necessário fornecer meios para

141
Proteções | Capítulo 10

a utilização de auxílio mecânico. Adaptações Materiais da construção


podem ser fornecidas na proteção, para
facilitar o uso de um elevador, carrinho auxiliar Nos Estados Unidos, os requisitos da MSHA
ou outra ajuda ao remover ou reinstalar a nas normas 30 CFR 56/57.14107 e .14112
proteção. Proteções de grandes dimensões esclarecem que a norma é voltada para o
devem ter indicação sobre a necessidade desempenho e não especifica quais materiais
de auxílio mecânico ou de mais de um podem ou não ser usados. Conforme resumido
trabalhador para remoção. no guia Guide to Equipment Guarding, "os
requisitos da MSHA são baseados no nível
Resistência da proteção de proteção fornecido, e não na escolha dos
materiais para a construção da proteção".
A maioria dos requisitos de resistência faz
Em vez disso, as especificações e a seleção
referência à norma de desempenho, o que
dos materiais para a construção da proteção
significa que a proteção será considerada
devem ser baseadas na análise das condições de
suficientemente resistente de acordo com sua
aplicação.
capacidade de manter a distância de segurança
adequada, manter os trabalhadores longe Figura 10.12.
dos perigos e manter a resistência em caso de Alças dobráveis
quedas ou caso sejam escaladas. integradas ao projeto da 2
proteção aprimoram o
Em sua discussão sobre a resistência da manuseio do painel.
proteção, na cláusula 2.13.4.4, a norma
da Austrália e da Nova Zelândia AS/NZS
4024.3610 Conveyors – General requirements
especifica que as proteções devem ser
projetadas para suportar as cargas previstas,
sem sofrer redução nas distâncias de segurança
prescritas (distância até o perigo), que são
detalhadas na cláusula seguinte, 2.13.4.5.

A cláusula 2.13.4.4 especifica que, para


suportar o estresse de um trabalhador
recostado sobre ela, a proteção deve resistir a Figura 10.13.
uma força de 450 Newtons [≈101 lbf ] aplicada
em um ângulo direito à superfície, sobre uma Para suportar o estresse
de um trabalhador
área quadrada de 50 x 50 milímetros [≈2 x 2
pisando ou se apoiando
pol.], em qualquer ponto da proteção.
sobre elas, as proteções
Para suportar o estresse de ser escalada ou devem ser capazes
o peso de uma pessoa reclinada sobre ela, de resistir a forças
horizontais e verticais
a proteção deve suportar uma força de 900
simultâneas.
Newtons [≈203 lbf ] aplicada verticalmente,
combinada a uma força horizontal simultânea
de 220 Newtons [≈50 lbf ]. (Figura 10.13.)

Além disso, a cláusula observa que a proteção


deve suportar a carga de qualquer acúmulo de
derramamento de carga.

A norma ISO 14210 especifica métodos de


testes da proteção e inclui um requisito para a
retenção em caso de lançamento de objetos.

142
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Para a Austrália, a norma AS/NZS 4024.3610 metálicas e chapas perfuradas, como as


lista uma restrição a materiais metálicos utilizadas em deques.
para a construção em minas subterrâneas de Redes de tela são mais flexíveis do
carvão. Na cláusula 3.2.3, a norma especifica que outros materiais e podem exigir
que nenhum metal leve deve ser utilizado na que os membros da estrutura tenham
construção das superfícies externas de nenhum espaçamento menor ou contem com
equipamento transportador. O regulamento suporte mais firme, para evitar que
define metais leves como alumínio, magnésio, a tela seja dobrada em direção a um
titânio ou ligas contendo porcentagens desses perigo, caso um funcionário caia sobre a
metais maiores do que aquelas especificadas. proteção, por exemplo.
Para a MSHA dos Estados Unidos, todos Telas metálicas usadas... podem ser
os materiais são aceitáveis se cumprirem recicladas [e usadas como proteção]
o objetivo de desempenho da norma para caso permaneçam em boas condições
proteções, isto é, se suportarem a vibração, e não representem um risco, como ter
impacto e desgaste aos quais serão submetidos fios quebrados ou salientes, que podem
durante operações normais, ao mesmo tempo causar lacerações ou perfurações.
impedindo de forma eficaz o contato do
2 trabalhador com as peças móveis perigosas da A borracha é resistente, flexível e pode
máquina. ser aplicada em proteções. Proteções
de borracha, como todas as proteções,
Um artigo disponível no site ehstoday.com, devem ter construção resistente e devem
The Do’s and Don’ts of Fixed and Moveable ser fixadas com segurança. Proteções de
Machine Guards, Part 1", de John Peabody, borracha não podem ser aceitáveis em
ofereceu estas orientações: áreas de alto desgaste, de calor elevado,
Os materiais utilizados na fabricação de próximas a determinadas substâncias
proteção fixas [devem ter] resistência e químicas ou onde possam ser facilmente
durabilidade adequadas. ... Materiais inflamadas.
que possam quebrar, dobrar ou Há sistemas de proteção em plástico
deformar não são aceitáveis. Do mesmo durável​disponíveis. O uso de plásticos
modo, materiais que sofram deterioração pode não ser aceitável em áreas de
na presença de lascas em suspensão no alta temperatura ou próximas a
ar [fragmentos ou partículas], radiação determinadas substâncias químicas. ...
ultravioleta, temperaturas extremas, Telas plásticas, do tipo utilizado em
óleos, líquidos de arrefecimento, construções, não são resistentes, sofrem
solventes, produtos de limpeza ou outros deformações e são cortadas facilmente.
contaminantes/agentes ambientais Não são resistentes ou duráveis e não
podem comprometer a proteção são aceitáveis como proteções, mesmo se
esperada das proteções fixas. esticadas sobre uma estrutura rígida.
As anotações do palestrante, incluídas em Madeira é aceitável se for resistente,
uma apresentação em PowerPoint da MSHA, segura e receber manutenção. Ela pode
Guarding Conveyor Belts at Metal & Nonmetal não ser adequada sob condições onde
Mines, de 2010, oferecem as seguintes haja umidade, sob altas temperaturas
informações: ou onde haja outras fontes de ignição
Exemplos de metais que podem ser presentes.
usados são chapas metálicas, malhas em Os materiais das proteções não
metal expandido e grades metálicas para precisam ser novos; mas se tiverem sido
pisos. usados​anteriormente, eles não devem
Outros exemplos de metais que podem representar, um risco, eles mesmos.
ser utilizados são redes de tela, malhas
143
Proteções | Capítulo 10

Instalação das proteções Figura 10.14.

Um requisito essencial para uma proteção Uma proteção deve


é que ela possa ser instalada, removida e ser instalada de modo
reinstalada após a manutenção de forma que um trabalhador
caindo contra ela não a
eficiente e sem prejudicar sua função. As
desloque de sua posição.
proteções, e o mecanismo no qual elas estão
instaladas, devem possibilitar remoção
e reinstalação eficientes. Isso reduzirá a
possibilidade de que, após removida, a
proteção seja deixada fora de seu lugar, seja de
maneira acidental ou proposital. Figura 10.15.
Uma maneira de alcançar esse objetivo é Diversos fixadores
prender a proteção na posição correta, para podem ser usados​para
que ela não possa ser facilmente deslocada ou manter a proteção
contornada acidentalmente, movendo-a ou na posição correta,
empurrando-a de sua posição pretendida. incluindo parafusos
Uma proteção deve ser instalada de forma com mecanismo de 2
segura, para que a força de uma pessoa caindo travamento integrado.
contra ela não a desloque, possibilitando
que um funcionário entre na zona de perigo.
(Figura 10.14.) previamente definida tona-se difícil.
Por exemplo, as proteções podem ter
Em seu documento de consulta sobre
dobradiças na parte superior, pendendo
conformidade, Guarding Conveyor Belts at
na posição adequada.
Metal & Nonmetal Mines, publicado no ano de
2010, a MSHA explica que: A norma não requer que as proteções
sejam fixas, tenham fixações em todos os
A norma 56/57.14112 requer que as lados ou só possam ser removidas com
proteções permaneçam firmes no lugar o auxílio de ferramentas. Ela exige que
quando o equipamento estiver em uma proteção seja uma barreira eficaz
funcionamento. Para que a instalação para proteger os mineiros contra contato
de uma proteção seja considerada acidental ou proposital com as peças
firme, não deve ser possível movê-la móveis do equipamento.
e deslocá-la facilmente. As proteções
podem ser consideradas firmemente Contudo, deve ser possível remover as
instaladas se estiverem fixadas ou se seu proteções sem danos, de modo que, quando
tamanho, massa ou peso não possibilitar devolvidas à sua posição original, elas
que elas sejam movidas e afastadas com continuem a impedir que o trabalhador entre
muita facilidade. em contato com o perigo de maneira eficaz.
A fixação de uma proteção evita que Fixação
ela escorregue ou saia da posição em
que deve ficar e impede que a proteção As proteções podem ser fixadas na estrutura do
seja facilmente contornada, movida, transportador com diversos tipos de fixadores.
empurrada ou eliminada. A fixação (Figura 10.15.)
também impedirá que uma proteção seja
A OSHA, a MSHA e a norma Occupational
acidentalmente removida.
Health and Safety Act especificam métodos
Algumas proteções são tão grandes e diferentes para fixar a proteção na estrutura do
pesadas, que o deslocamento da posição

144
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

transportador. Uma das principais diferenças Aparentemente, painéis para telhados e


é o uso ou não de ferramentas para remover a outros painéis horizontais vão necessitar
proteção. de fixações com molas ou outros meios
Os fixadores devem suportar a vibração, o para impedi-los de permanecer no lugar
impacto e o desgaste aos quais são submetidos quando as fixações forem removidas.
durante operações normais. As diversas Fixadores e a necessidade do uso de
normas dos Estados Unidos não exigem que as ferramentas
proteções tenham fixações em todos os lados,
sejam fixas ou só possam ser removidas com o A questão do método de fixação e remoção das
auxílio de ferramentas. proteções é um tópico de divergência entre as
normas de várias jurisdições. Alguns órgãos
Algumas proteções são tão pesadas e grandes,
exigem o uso de ferramentas para a remoção
ou são projetadas e instaladas de tal forma,
da proteção; outros, especialmente a MSHA
que podem permanecer na posição sem a
dos Estados Unidos, não fazem essa exigência.
necessidade de fixadores. Por exemplo, uma
proteção pode contar com dobradiças na parte O requisito de "ferramenta para remoção", que
superior ou na lateral, pender ou ficar apoiada geralmente impede o uso de porcas borboleta,
na posição correta, para que possa ser aberta e fechamento por pino e luva, travas, ferrolhos,
2
permitir a manutenção do equipamento após ímãs e fechamento por furos e ganchos, foi
os devidos procedimentos de desligamento e concebido para impedir a remoção ou o ajuste
bloqueio. não autorizado das proteções fixas.
De acordo com a MSHA, uma proteção O motivo citado para exigir uma ferramenta
articulada, pendente ou deslizante não para a remoção da proteção é enfatizar que um
requer o uso de fixadores adicionais se for dispositivo é uma proteção, desempenhando
devidamente conservada, permanecer no local uma função de segurança do trabalhador, e
que deve proteger e ficar fechada. Da mesma não apenas uma "cobertura", com a missão de
forma, as proteções podem ser suspensas simplesmente preservar o processo e isolar a
a partir de trilhos, ou descansar sobre eles, sujeira ou as condições ambientais.
para que possam ser abertas por meio de um
Nas normas que exigem ferramentas,
mecanismo deslizante para a manutenção do
há diferenças em relação à natureza
equipamento.
das ferramentas e dos fixadores, com a
Na Europa, a seção 1.4.2.1 da diretiva especificação de que a ferramenta não esteja
Machinery Directive 2006/42/EC exige que normalmente à disposição dos operadores para
as proteções não possam permanecer em sua uso durante o cumprimento de suas funções
posição original sem suas respectivas fixações. convencionais. A exigência de ferramentas
Provavelmente, a intenção é evitar que uma especiais cria problemas até mesmo com os
proteção seja devolvida à posição original sem parafusos de fenda. Parafusos de fenda não
os fixadores. Nesse caso, ela poderia facilmente estariam em conformidade, porque podem ser
ser deslocada de sua posição, e acabaria não removidos usando ferramentas improvisadas,
oferecendo a proteção adequada. No entanto, como uma régua de aço, moeda ou mesmo
a exigência pode criar confusão para os uma unha, que seriam facilmente acessíveis
fornecedores de proteções e também para os para um operador.
operadores de fábricas. Essas exigências foram
REGULAMENTOS E NORMAS
alvo de críticas de pelo menos um fabricante
de proteções. Jeremy Procter, escrevendo no Utilização de ferramentas
guia da Procter Machine Guarding, Guide Várias jurisdições têm regulamentos diferentes
to the New Machinery Directive 2006/42/EC, para fixadores para proteções e requisitos para
observou: o uso de ferramentas.

145
Proteções | Capítulo 10

Austrália seguintes métodos de redução de riscos:

A norma australiana geral para (f ) garantir que qualquer proteção


proteções de máquinas, AS/NZS 4024.1601- disponível na fábrica e para as
2014 Safety of machinery Part 1601 Design of operações compreenda...
controls, interlocks and guarding, especifica, (iii) uma barreira física instalada
na cláusula 5.4.3, que as peças removíveis das com segurança por meio de
proteções devem ser removíveis apenas com o fixadores ou outros dispositivos
uso de uma ferramenta. Em seguida, a norma adequados, suficiente para
faz referência à cláusula 3.9, que explica que as garantir que a proteção não possa
ferramentas incluem chaves e chaves de fenda, ser alterada ou removida sem o
mas não moedas, lixas de unha ou outras auxílio de uma ferramenta ou
ferramentas improvisadas. chave.
A necessidade de utilizar uma ferramenta é Canadá
reiterada na norma para transportadores, a AS/
NZS 4024.3610. Nela, a cláusula 2.13.3.3(c) A publicação canadense A User’s
observa que, se o acesso à zona de perigo Guide to Conveyor Belt Safety:
só ocorrer durante paradas planejadas do Protection from Danger Zones, do ano de 2003, 2
equipamento, uma proteção removível que produzida em conjunto pelos órgãos Institut
não esteja interligada aos controles pode ser de recherche Robert-Sauvé en santé et en
utilizada. Além disso, ela observa que essa sécurité du travail (IRSST) e Commission des
proteção só deve ser alterada ou removida com normes, de l’équité, de la santé et de la sécurité
o uso de uma ferramenta, e, em seguida, faz du travail (CNESST), ambos sediados em
referência à cláusula 2.13.3.6. Quebec, observa:

Na cláusula 2.13.3.6, a norma AS/NZS Uma proteção fixa é uma proteção


4024.3610 faz afirmação semelhante, que só pode ser removida usando
observando que proteções removíveis que não uma ferramenta ou que está
sejam interligadas aos controles do sistema só permanentemente posicionada no lugar,
devem ser removidas usando as ferramentas por exemplo, por meio de soldagem
disponíveis para a equipe capacitada. (Regulation Respecting Occupational
Health and Safety, seção 174).
Uma afirmação correspondente é fornecida
na cláusula 1.5.32 da norma AS/NZS Europa
4024.3610, que descreve uma proteção
A diretiva Machinery Directive
facilmente removível como aquela que exige
2006/42/EC foi elaborada para
o uso de ferramentas disponíveis apenas para
harmonizar as normas e estabelecer uma
funcionários capacitados.
base regulatória para os requisitos de saúde e
Nessas normas, uma pessoa capacitada segurança no trabalho com máquinas por toda
é definida como alguém que, através de a União Europeia. A seção 1.4.2.1 da referida
experiência, educação e formação, tem as diretiva inclui os requisitos para o uso de
habilidades e conhecimentos necessários para ferramentas e parafusos cativos nas proteções,
executar corretamente o trabalho identificado. afirmando:

As regulamentações Mines Safety and Inspection Proteções fixas devem ser fixadas
Regulations 1995, do estado de Western por sistemas que possam ser abertos
Australia, observa, no item 6.2(2), que a ou removidos apenas com o uso de
fábrica deve "ser conservada e operada de ferramentas.
maneira segura", levando em consideração os

146
Seção 2 | Problemas com o transportador e soluções de problemas dos componentes

Os respectivos sistemas de fixação devem Estados Unidos


permanecer presos às proteções ou à
máquina quando as proteções forem Em sua publicação de 2007,
removidas. Safeguarding Equipment and Protecting
Employees from Amputations, a OSHA observa
Em um artigo de 2009, "Machine guard
que "Proteções normalmente são projetadas
fastening and the new Directive", John Snyder,
com parafusos, porcas e fixadores com travas
gerente de produtos de um fornecedor de
e, geralmente, uma ferramenta é necessária
componente, observou:
para soltá-las e removê-las". Por outro lado,
Os modelos disponíveis incluem a norma ASME B20.1-2015 Safety Standard
conjuntos cativos com fixação manual for Conveyors and Related Equipment não faz
conveniente, porém, reforçam a referência à proteções com travas ou ao uso de
segurança exigindo o uso de uma ferramentas para a remoção da proteção.
ferramenta para o desengate. ... Para
abordar os requisitos de acesso somente Os regulamentos da OSHA na norma 29
pelo uso de ferramentas da nova diretiva, CFR 1910.217(c)(2)(i)(d) especificam que
os estilos de cabeças podem incluir as proteções de pontos de operação "devem
Philips, Torx, resistentes à violação ou utilizar fixadores que não sejam facilmente
2 removíveis pelo operador, para minimizar
estilos de chaves padrão do setor.
a possibilidade de utilização indevida ou
E continua:
remoção de peças essenciais".
Uma limitação do uso de parafusos
cativos é que a facilidade de acesso pode Fixadores que precisem de ferramentas para
ser variável, muitas vezes determinada remoção não são exigidos pela MSHA.
pelo torque de aperto do parafuso As anotações do palestrante, fornecidas
aplicado pelo usuário. Além disso, juntamente com a apresentação em
quando vários fixadores são utilizados PowerPoint da MSHA, 2010, Guarding
ou quando a proteção é acessada Conveyor Belts at Metal & Nonmetal Mines,
regularmente, o tempo necessário para indicam:
apertar parafusos convencionais pode Não é necessário o uso de travas nem
tornar essas disposições um pouco ferramentas para que os fixadores
demoradas. Caso a velocidade e a estejam em conformidade. Entretanto,
facilidade de uso sejam as principais a utilização de uma trava ou a
prioridades, outros projetos podem necessidade de utilização de uma
proporcionar mais comodidade, com ferramenta para remover uma proteção
custo inferior de instalação. Eles incluem reduzem o risco de ferimentos.
parafusos de avanço rápido e sistemas de
fixação de acesso rápido do tipo quarto Fixadores aceitáveis incluem grampos
de volta. aparafusados, conexões de pino e luva e vários
Jeremy Procter, em uma publicação de 2013, tipos de contrapinos.
"On Your Guard", no site Health & Safety
Matters, hsmsearch.com, escreveu:
A necessidade de utilizar
Em relação ao uso de uma ferramenta, parafusos cativos
fixadores com ranhuras retas são
inadequados, pois podem ser removidos Algumas normas internacionais têm requisitos
usando ferramentas improvisadas, como adicionais para fixadores para proteções.
moedas e réguas. Fixadores que exigem As normas europeias, incluindo a EN 620,
o uso de chaves inglesas, chaves de fenda parágrafo 5.1.1.1, a EN 953, parágrafo 5.4.3,
Phillips ou chaves hexagonais (Allen) são e a Machinery Directive 2006/42/EC, seção
geralmente aceitáveis.
147
Proteções | Capítulo 10

1.4.2.1, exigem que os métodos de fixação Figura 10.16.


permaneçam acoplados às proteções ou à Fixadores para proteções
máquina quando as proteções são removidas. que usam braçadeiras
De acordo com o artigo Review: New Version para cabos para
of BS EN 953, Machine Guarding, de Jeremy aumentar a segurança
precisam de ferramenta
Procter, a norma BS EN 953 especifica o
para remoção.
seguinte:
7.2 Fixações de retenção
Quando previsto (por exemplo,
devido à manutenção) que a
proteção fixa será removida, os
meios de fixação deverão permanecer
acoplados à proteção ou à máquina.
Essa exigência também foi incluída na norma [Braçadeiras plásticas] são resistentes e
que substituiu a EN 953, a norma BS EN ISO duráveis, fáceis de instalar, convenientes
14120 (seção 5.19). para reparos e não representam um
perigo. Elas normalmente exigem o 2
Essa abordagem simplifica a reinstalação e
uso de uma ferramenta para removê-
elimina a possibilidade de perda dos fixadores,
las, reduzindo o risco de remoção
interferindo, assim, na segurança da instalação
acidental de uma proteção de seu
ou reinstalação de uma proteção.
local de instalação ou serviço. Como
A publicação dos órgão IRSST/CNESST, A ocorre com outras proteções, materiais
User’s Guide to Conveyor Belt Safety: Production para proteções e fixadores, braçadeiras
from Danger Zones, observa: "Os fixadores plásticas devem ser mantidas em boas
devem ficar permanentemente presos às condições de funcionamento.
proteções (parafusos cativos)". E fornece uma
explicação adicional: "Essa precaução evita É preciso observar que, ao longo do tempo,
a perda dos fixadores e a necessidade de sua as braçadeiras podem tornar-se frágeis e
substituição". quebradiças.
Braçadeiras de cabos como fixadores No Canadá, é aceitável utilizar braçadeiras
plásticas para fixar uma proteção, pois ela exige
Nos Estados Unidos, a MSHA aceita
uma ferramenta para remoção, por exemplo,
braçadeiras de cabos com