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A IMPORTÂNCIA DO EFEITO MOZART E A MUSICOTERAPIA

A musicoterapia se funde com a história da música. Na Grécia


Antiga, os filósofos Aristóteles e principalmente Platão, foram os
primeiros que se atentou para as alterações que a música
provocava no corpo humano. Por volta de 1950, foi a quando a
ciência iniciou sua pesquisas sobre musicoterapia nos grandes
centros universitários e passaram a comprovar o que a sabedoria
popular já alardeava: música – o remédio da alma.

Não demorou muito para que a música erudita ganhasse


destaque neste contexto. Estudos já comprovam que as obras de
Mozart e Beethoven provocam alterações no funcionamento do
cérebro, reforçando as ligações responsáveis pelo aprendizado e
pela inteligência. Este trabalho muito importante ficou
mundialmente conhecido como “Efeito Mozart”, resultado das
pesquisas dos doutores Francis Rauscher e Gordon L. Shaw, da
Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Efeito Mozart
A primeira pesquisa começou nos anos 90 com Shaw e Rauscher
que relacionava música e aprendizagem. Com um grupo de 84
estudantes da Universidade que escutou diariamente, por 10
minutos durante um determinado período, a Sonata para dois
pianos em Ré maior (KV 448), de Wolfgang Amadeus Mozart. Foi
constatado que a capacidade de raciocinar e percepção tempo-
espaço haviam melhorado no grupo significativamente, já na hora
seguinte ao experimento, ou seja, foi quase que instantâneo o
resultado.
Anos depois, os cientistas repetiram o estudo com crianças em
idade pré-escolar, divididas em quatro grupos: dois tiveram aulas
de piano, um foi treinado em computação e o quarto grupo não
curso extracurricular. O resultado da pesquisa mostrou que as
crianças submetidas às aulas de piano melhoram suas notas em
34%, contra zero nos resultados obtidos pelas outras crianças.
Essa melhora durava até o dia seguinte, e não apenas uma hora,
o que sugere que as lições de piano aumentaram a duração das
mudanças nas conexões cerebrais.
Shaw também observou um desempenho superior nos alunos da
2ª. série que faziam aulas de piano duas vezes por semana, em
matemática em relação aos alunos da 4ª. série que não
estudavam piano.
Shaw com sua equipe utilizando aparelhos de ressonância
magnética para mapear as áreas do cérebro ativadas pela música
de Mozart perceberam que além do córtex auditivo (no qual o
cérebro processa os sons), a música também ativa as regiões
associadas à emoção. A equipe também utilizou outras obras
eruditas de outros compositores a fim de constatar se os
resultados eram exclusivos de Mozart ou não. O resultado foi
inesperado: apenas as músicas do compositor austríaco ativam
áreas do cérebro envolvidas com a coordenação motora, visão e
outros processos mais sofisticados do pensamento. O porquê até
agora é um mistério.
Outras pesquisas revelam o poder da música erudita no processo
de aprendizado. O cientista búlgaro Geogi Lozanov desenvolveu

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uma técnica chamada “suggestopedia”, muito utilizada na Europa


e nos Estados Unidos por estudantes de idiomas. Na sua pesquisa
Lozanov observou grupos de crianças em situação de
aprendizagem com o intuito de descobrir o impacto da música
neste processo. Um dos grupos enquanto tinha aulas, ouvia
música clássica em um ritmo bem suave. O outro grupo não
ouvia nada. O resultado mais uma vez foi um diferença
significativa entre os grupos e favorável para aquele que ouvia
música. A explicação do Lozanov é que ouvindo música clássica
em ritmo lento, a pessoa passa do nível alfa (estado de alerta)
para o nível beta (relaxados, mas atentos). As atividades dos
neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, o que facilita a
concentração e a aprendizagem. Em minha opinião como
farmacêutica, eu acredito que além das áreas da audição, da
emoção, da visão, da coordenação motora e da inteligência, a
música erudita também ativa a sensação do bem estar e do
prazer fazendo com que ocorra a liberação de
neurotransmissores, mais especificamente endorfinas, que
promovem e prolongam essa sensação de bem estar. Talvez seja
essa a chave do sucesso da musicoterapia.
Evidências da eficácia da música clássica no tratamento auxiliar
de doenças e no processo de aprendizagem não faltam. Muito
ainda há para se pesquisar e estudar na musicoterapia. Como
pode se observar a musicoterapia traz muitos benefícios para a
saúde e qualidade de vida, por que não experimentar?
Há um consenso entre os profissionais de musicoterapia que o
tratamento deve levar em conta a bagagem musical do paciente,
porém o pilar fundamental da musicoterapia é a música erudita.
A musicoterapia é muito ampla, podendo se usada em conjunto
com outras terapias como aromaterapia, cromoterapia,
fisioterapia, psiquiatria.

A musicoterapia se divide em dois grupos:


Musicoterapia passiva: onde o paciente escuta uma música
específica de acordo com seu perfil e tipo de tratamento. Esta
técnica e muito utilizada no tratamento de alivio das dores e para
o relaxamento.

Musicoterapia ativa: o paciente além de ouvir interage com os


instrumentos. Esta terapia pode ser em grupo ou individual. Os
pacientes produzem seus sons e há necessidade de sobre música
ou instrumentos.

Na musicoterapia ativa o paciente em contato com o instrumento


vai descobrindo inúmeras possibilidades para criar o próprio
ritmo, levando a executar movimentos vocais, melódicos,
criativos e frequentemente emergem de um contato informal com
um instrumento musical qualquer.
Para a escolha de música é realizada uma anamnese que define
qual técnica e diagnóstico será o mais adequado.

Objetivo da Musicoterapia
O objetivo da musicoterapia é abrir canais de comunicação e
melhorar a qualidade de vida do paciente e seus familiares e/ou
aqueles que o cercam.
As sessões de musicoterapia passiva ou ativa são de caráter
interpessoal, pois o terapeuta utiliza a música para ajudar o

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paciente a manter, restabelecer, recuperar a saúde física, mental,


emocional, social, estética e espiritual.
As sessões musicais estimulam a criatividade, autoconfiança,
ajudando a mobilizar o potencial de saúde do paciente e dos
familiares.

Como Sentimos a Música?


Vamos definir alguns termos e falar de fisiologia.
Som: Segundo o Aurélio “efeito produzido no órgão da audição
pela vibração dos corpos sonoros: aquilo que impressiona os
ouvidos”.
Ondas sonoras: é através das ondas sonoras que se o som se
propaga no espaço.
Captação das ondas sonoras: as ondas são captadas pelo
pavilhão auricular, que chegam ao conduto auditivo e ao tímpano,
cujas vibrações atingem o ouvido médio, onde são convertidas
em impulsos nervosos. Esses impulsos vão até o cérebro pelo
nervo óptico, sendo interpretadas pelas células nervosas que
entendem os estímulos. O som captado é transformado em
estimulo que produz um efeito no organismo.
Quando sentimos dor, se escutarmos uma música calma e
serena, com doces melodias, o nos organismo produz substâncias
analgésicas, proporcionado desta maneira um efeito anestésico
sobre a dor. Sons mais pesados, muito estridentes e fortes
provocam exatamente o efeito contrário, ou seja, hiperestimulam
as células nervosas e provocam o estresse dos neurônios.
Os ritmos mais dissonantes, ou muito marcados, compassados,
exercem um efeito dispersivo sobre o sistema nervoso, impedindo
a concentração e o relaxamento.
Nosso ouvido está preparado para resistir a ruídos de alta
intensidade apenas por pouco tempo. Depois de 1 hora de
exposição, o sistema nervoso necessita de 40 horas para se
recuperar completamente.
Por isso a musicoterapia é cada vez mais necessária e utilizada
para restabelecer a paz e a harmonia interior do ser humano.

Benefícios da Musicoterapia
As pesquisas cientificas comprovam o poder terapêutico da
música clássica que é capaz de influenciar o ritmo respiratório, a
pressão arterial, níveis hormonais, além de alterar os ritmos
cerebrais, pele, músculos, sistema imunológico. Do ponto de vista
psicológico, a musicoterapia pode transformar e promover a
comunicação, estimular o aprendizado, desenvolver potenciais,
socializar e melhorar a auto-estima.
A música pode ser: antineurótica, antidistônica, antiestressante,
sonífera, tranqüilizante, reguladora das funções orgânicas e
psicossomáticas, analgésica, anestésica, equilibrante do
metabolismo.

Benefícios:
Estabiliza ou melhora quadros clínicos, às vezes, bastante
complicados.
Atua como auxiliar ou em conjunto com outras terapias.
Pacientes submetidos à musicoterapia relacionam-se melhor com
os familiares e com os que lhe cercam.

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Melhoram postura física, social e expressão fisionômica.


Sentem-se mais felizes.
Aprendem a ouvir a si mesmos e atenderem às suas
necessidades.
Tornam-se mais orientados no tempo e no espaço, são mais
atentos e perceptivos.
Aprendem a vivenciar e lidar melhor com suas emoções.
Superam bloqueios como da própria fala, da memória, da
criatividade.
Tornam-se mais soltos, dispostos.

Os resultados são proporcionais à gravidade do quadro clinico e


do tempo de tratamento.

Maestros e Sinfonias

“A música é uma revelação muito mais sublime do que toda a


sabedoria ou filosofia. Ela é a única introdução incorpórea no
mundo superior do saber, esse mesmo mundo que rodeia o
homem, cujo significado interior não se percebe por conceitos
reais; a parte formal daquela é simplesmente o veículo
necessário, que revela por meio de nossos sentidos a vida
espiritual”. Ludwing van Beethoven

OS INSTRUMENTOS MUSICAIS - O QUE PROPORCIONAM

Piano - Combate a depressão e a melancolia

Violino - Combate a sensação de insegurança

Flauta doce - Combate o nervosismo e a ansiedade

Violocenlo - Incentiva a introspecção e a sobriedade

Instrumentos de sopro: metais - Inspiram a coragem e a


impulsividade

Músicas utilizadas na musicoterapia

Músicas de efeitos relaxantes


¯ O Lago dos Cisnes – Tchaikovisky
¯ Fantasia e Fuga em Sol Menor – Bach
¯ Hino ao Sol – Rimsky Korsakov
¯ Sonho de Amor – Franz Liszt
¯ Serenata – Franz Schubert
¯ Lago dos Xerxes – Haendel

Músicas que proporcionam paz e tranqüilidade


¯ Ave Maria – Franz Schubert
¯ Revérie- Schumann
¯ Canção da Índia – Rimsky Korsakov
¯ Suíte em Ré Menor – Bach

Músicas tonificantes

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¯ Abertura de Aída – Verdi


¯ Sinfonia nº. 5 – Dvorak
¯ A Grande Marcha – Wagner

Músicas estimulantes
¯ Serenata – Toselli
¯ Adagio – Albioni
¯ Daphins et Choloé – Ravel
¯ As Criaturas de prometeu – Beethoven

Músicas estimulantes da energia vital


Recomendada nos casos de tratamento de doenças crônicas e
debilitantes. Pessoas sem vitalidade, com fraqueza profunda,
anemias e casos de doenças terminais. Sempre ouvir em volume
suave.
¯ Marcha Eslava – Tchaikovsky
¯ Marcha da Festa do Tannhauser – Wagner
¯ Marcha Fúnebre para uma Marionete – Gound
¯ Marcha Rakruzky – Berlioz
¯ Marcha Triunfal (Ópera Aída) – Verdi

Músicas para combater a ansiedade


Inicialmente ouça as músicas. Uma por dia se for o caso e
procure identificar qual delas produz maior impacto no plano dos
sentimentos.
Escute diariamente durante 30 minutos, num ambiente silencioso.
Pode-se fazer uso de fone de ouvidos para maior concentração.

¯ Bacarola – Offenbach
¯ Dança Polovetsiana – Borodin
¯ Os Quatro Improvisos – Chopin
¯ Canção sem palavras, Andante Cantabile, Primeiro Quarteto
Para Cordas em Ré – Tchaikovsky
¯ Sonho de uma Noite de Verão – Mendelssohn
¯ Ária para Quarta Corda – Bach

Música para combater a depressão


Ouça todos os dias por 30 minutos.
¯ Sonho de Amor – Franz Liszt
¯ Serenata – Schubert
¯ Guilherme Tell (Abertura) – Rossini
¯ Noturno, Opus 48 – Chopin
¯ Chacona – Bach

Músicas que proporcionam harmonia, equilíbrio emocional


e mental
Para estados de inconformismo ou sentimento de perda. Ouvir
por 1 hora todos os dias ou então no local de trabalho, no carro
enquanto dirige.
¯ Consolação nº. 3 – Liszt
¯ Noturno – Rimsky Korsakov
¯ Sonata ao Luar – Beethoven
¯ Canção Noturna – Schumann
¯ Trio em Dó Menor – Chopin

Músicas que combatem insônia e tensão nervosa


Escutar uma peça por dia antes de dormir.

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¯ Canção da Primavera – Mendelssohn


¯ Sonata ao Luar – Beethoven
¯ Valsa nº. 15 em Lá bemol – Brahms
¯ Sonho de Amor – Franz Liszt
¯ Movimentos Musicais nº. 3 – Schubert

Músicas que favorecem a meditação


¯ Concerto nº. 2 para Piano – Rachmaninov
¯ Concerto em Lá Menor – Grieg
¯ Concerto nº. 1 para Piano – Tchaikovsky

Músicas para combater o pessimismo


¯ Carmen – Bizzet
¯ Abertura 1812 – Tchaikovsky
¯ Mestres Cantores (Abertura) – Wagner
¯ Valquírias – Wagner
¯ Dança Húngara nº. 5 – Brahms
¯ Bacanal de Sansão e Dalila – Strauss
¯ Dança dos Comediantes de A Noiva Vendida – Smetana
¯ Bolero – Ravel

Músicas para combater a apatia, a prostração e


desequilíbrios nervosos
¯ Danças Eslavas – Dvorak
¯ Dança húngara nº. Brahms
¯ Palavra – Debussy
¯ Marcha da Ópera Aída – Verdi

Músicas para ouvir durante a gravidez e para facilitar o


parto
¯ Concerto para Violino Opus 87 b – Sibelius
¯ Sonata opus 56 – Haydn
¯ As Quatro Estações – Vivaldi
¯ Concerto Tríplice – Beethoven
¯ Concerto para Violino – Brahms
¯ Concerto para Violino – Tchaikovsky

Músicas para estimular a memória


¯ Concerto em Dó Maior para Bandolim, Corda e Clavicórdio –
Vivaldi
¯ Largo do Concerto em Dó Maior – Bach
¯ Spetrum Suite, Confort Zone e Strabon Suite – Halpern

Músicas para acalmar ambientes tumultuados


¯ Sonho – Debussy
¯ Tema de Amor da Abertura de Romeu e Julieta – Tchaikovsky
¯ Pavana para uma Infanta Defunta – Ravel
¯ Morte do Amor – Tristão e Isolda – Wagner
¯ Dia de Esponsales em Troldhausen – Grieg
¯ Noturno para Cordas – Borodin

Músicas para o estresse


Escute todos os dias de manhã.
¯ Traumergi – Schumann
¯ Clair de Lune – Debussy
¯ Melancolia Matinal – Grieg

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¯ Canção da Estrela da Tarde do Tannhauser – Wagner


¯ Estudo Opus 10 nº. 3 - Chopin

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