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RESPONSABILIDADE CIVIL DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS PELA NÃO

DISPONIBILIZAÇÃO DE AULAS E DISCIPLINAS NA PANDEMIA.

JÚLIO CÉSAR BALLERINI SILVA ADVOGADO,


MAGISTRADO APOSENTADO E PROFESSOR
COORDENADOR NACIONAL DO CURSO DE PÓS
GRADUAÇÃO EM DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL DA
ESCOLA SUPERIOR DE DIREITO – ESD PROORDEM
CAMPINAS E DA PÓS GRADUAÇÃO EM DIREITO MÉDICO
DA VIDA MARKETING.

CAROLINA AMÂNCIO TOGNI BALLERINI SILVA,


ADVOGADA, ESPECIALISTA EM DIREITO PROCESSUAL
CIVIL. AUTORA DE ARTIGOS JURÍDICOS

Cumpre salientar que a Constituição da República


determina que o acesso à educação deve ser disponibilizado de forma universal e
igualitária, com observância das capacidades individuais de cada um, sem restrições
etárias abstratamente impostas. Observe-se que a norma contida no artigo 205 CF
que estabelece que o acesso à educação deva ser estimulado e não tolhido, observe-
se:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.

O texto constitucional estabelece que tal direito


seria publico e subjetivo, logo não seria um dever para o seu beneficiário – cuida-se de
posição jurídica ativa e não passiva (como apontaria Giuseppe Lumia, em seu
conhecimento Elementos de Direito e Ideologia – Ed. Martins Fontes).

Quem não quiser exercê-lo, obviamente, que não o


faça, que se mobilize com seu grupo político ideológico que lutem com as armas da
democracia que julgarem adequadas para enfraquecer este ou aquele governo ou
regime, o mesmo se diga, mutatis mutandi, de igrejinhas ideológicas de coordenações
e reitorias, muito bem conhecidas deste autor, professor de carreira já há algumas
décadas, mas que não se impeça o direito daqueles que queiram estudar e frequentar
aulas.

Diz-se isso porque a discussão em torno do tema


se revela muito atual por conta das restrições impostas a todos por conta da pandemia
de COVID 19 e restrições de isolamento social que culminaram no cancelamento de
aulas presenciais.

Muitas universidades públicas se organizaram e


não paralisaram aulas. Outras paralisaram no semestre anterior, mas aproveitaram o
tempo e se organizaram e já disponibilizam aulas normais neste semestre. Mas há um
terceiro grupo de casos em que, quiçá por razões ideológicas, romantismo político,
desorganização, caos ou sabe-se lá o porquê, não disponibilizam aulas ou as
disponibilizam de modo insipiente (um aluno que teria que cursar sete disciplinas, terá
disponibilizada duas, e, ainda, sob ameaça velada de que, se cursar as faltantes em
faculdade privada não terá reconhecidos créditos de equivalência – essa ameaça
velada diz tudo – revela o que se chama dolo eventual, intenção de um viés politizado
da questão).

O fato é que, quando se analisa a ordem


constitucional vigente, tem-se que uma Universidade Pública, por mais que se tente
alegar autonomia acadêmica, é um ente público, seguindo os princípios básicos da
Administração Pública – tais princípios estão previstos no artigo 37 caput da
Constituição Federal e, dentre eles, por força da inclusão lançada na Emenda
Constitucional nº 20, se encontra o dever de eficiência.

Ou seja, por mais que se alegue, com querem


alguns, que o mundo tenha passado por uma situação de força maior ou caso fortuito
no primeiro semestre do corrente ano, que teria sido gerada pela epidemia de COVID
19, fato é que universidades públicas e privadas tiveram tempo mais do que
suficiente para se adaptar – a realidade prova isso – várias universidades estão
funcionando on line – e, ainda mais, não haveria razão para não aceitar que
alunos que tenham condições, cursem as disciplinas em universidades
particulares para aproveitamento – sobretudo nos semestres finais do curso.

As que não estão funcionando, não disponibilizando


matérias on line e atravancando a vida dos alunos indevidamente, com ameaças
veladas de subjetivismo nas avaliações e juízos de equivalência de matérias o fazem
sem estar acobertadas pelo manto da força maior da pandemia – há ineficiência e tal
ineficiência com intenção de lesar alunos ou força-los a aderirem a movimentos
caóticos de professores e reitorias beiram as raias do ato de improbidade
administrativa nos termos do artigo 11 LIA – Lei de Improbidade Administrativa (os
princípios da Administração Pública e leia-se aí a eficiência devem ser cumpridos e os
artigos 20 e 24 LINDB que vedam a responsabilidade objetiva em questões de
improbidade não podem afastar situações de dolo eventual ou dolo direto – como se
dá em casos de professores que ameaçam não reconhecer cargas horárias
equivalentes de outras faculdades por conta de questões não objetivas mas por puro
arbítrio e subjetivismo).

Aliás, reconhecendo-se que atos de agentes


públicos permeados por interesses partidários são atos de improbidade, já pontuou o
Superior Tribunal de Justiça in STJ - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL : AREsp
1057316 SC 2017/0034394-9, chamando-se a atenção para o seguinte trecho do
grande aresto:

",,, AÇÃO CIVIL PÚBLICA - ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA -


CONTRATAÇÃO DE PROFESSORES EM CARÁTER TEMPORÁRIO -
NÃO REALIZAÇÃO DE PROCESSO SELETIVO - CONTRATADOS QUE
NÃO EXERCERAM ATIVIDADE VINCULADA AO MAGISTÉRIO - LABOR
PRESTADO EM SETORES ADMINISTRATIVOS DE ESCOLAS
ESTADUAIS DE ARARANGUA - CONTRATAÇÕES IRREGULARES -
PAGAMENTO INDEVIDO DA GRATIFICAÇÃO DE REGÊNCIA DE
CLASSE - RESSARCIMENTO DEVIDO AO ERÁRIO - CONTRATAÇÕES
REALIZADAS POR MOTIVOS POLÍTICO - PARTIDÁRIO E VÍNCULO
FAMILIAR - CONDUTA ILÍCITA - MÁ-FÉ EVIDENCIADA
- IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA DA AGENTE CARACTERIZADA -
MULTA CIVIL - APLICAÇÃO. .. 1º de fevereiro de 2018. MINISTRA
ASSUSETE MAGALHÃES Relatora.

O dever de eficiência do Poder Público desponta hialino


no caput do artigo 37 CF desde o advento da EC nº 20. E vários arestos o privilegiam:

TRF-3 - REMESSA NECESSÁRIA CÍVEL ReeNec


00083995520114036000 MS (TRF-3) Data de publicação: 13/12/2017 Não
há qualquer justificativa para que o requerimento ficasse parado, sem
apreciação ou resposta, por mais de um ano, pois a Administração tem
o dever legal de decidir, na forma dos arts. 48 e 49 da Lei 9.784 /99. 3. A
legislação de regência e os princípios insculpidos na Constituição
Federal devem ser observados pela Administração Pública, de maneira
que suas eventuais deficiências internas não podem servir de justificativa
para a inobservância destes parâmetros e o descumprimento de
seu dever legal (Lei n.º 9.784 /99 - artigos 48 e 49 ). 4. Configura-se,
assim, a violação da lei e do dever de eficiência da Administração Pública,
princípio constitucional expresso no caput do artigo 37 da CF/88 . 5.
Remessa oficial à qual se nega provimento.

TRF-3 - APELAÇÃO CÍVEL AMS 00242460620024036100 SP (TRF-3)


Data de publicação: 19/04/2017 Não há qualquer justificativa para a
paralisação do processo em mãos da autoridade que o recebeu, pois
é dever legal da autoridade imediatamente superior, para quem foi
protocolado o pedido, encaminhá-lo a quem de direito, na forma dos arts.
104 e 105 da Lei 8.112 /90. 3. Configura-se, assim, a violação da lei e
do dever de eficiência da Administração Pública, princípio constitucional
expresso no caput do artigo 37 da CF/88 . 4. Apelação da União e remessa
oficial às quais se nega provimento.
Há que se ter regras objetivas para que tais
universidades não aceitem, nessa situação excepcional, matérias cursadas em
instituições particulares para evitar prejuízos que serão causados à vida dos
estudantes. Não se pode pensar egoisticamente em prejudicar os que divergem por
conta de propósitos político partidários que permeiam esse ambiente.

No mínimo, e isso demandaria baixíssimo custo, as


universidades deveriam permitir, já que as aulas estão sendo disponibilizadas on line,
que alunos de Campi que não disponibilizem disciplinas possam ser matriculados em
outras instituições públicas que as disponibilizem – eficiência é isso – é o oposto de
inapetência ou inépcia.

Vale lembrar que, em situações como tal, muitos


estudantes moram fora de suas cidades de origem, muitas vezes suas famílias tem
que manter duas casas, há custos com aluguel, luz, água, internet, IPTU, muitas vezes
para nada – não se entregam os imóveis porque as instituições não dizem que as
aulas não irão voltar ou quando irão voltar e mantém os alunos em suspense, em
stand by, aguardando infinitamente, sempre às custas do bolso alheio, os custos
aumentando – com total insensibilidade a isso – há desprezo a prelados de
razoabilidade e proporcionalidade que são valores próprios da Administração Pública.

Esses são danos materiais que a Universidade se


sujeita a ter que indenizar por falta de planejamento ou por jogos de interesse (por
vezes professores desavisados são flagrados anunciando que não haverá
equivalência – em juízos prévios que revelam a intenção ou dolo de postergar – não
reconhecendo o curso, seja em que instituição seja, em equivalência de carga
horária).

Há notícias de instituições que fizeram alunos


deixarem de se formar por conta de um mês e meio de aulas e que, agora, no
segundo semestre, não disponibilizarão matrículas nas disciplinas necessárias,
levando com que estes alunos não percam apenas um semestre, mas levem mais um
ou dois anos para se formar.

Os Tribunais não tem permitido que alunos de


faculdades sejam prejudicados por esses fatos excepcionais como greves de
professores, gerando prejuízos ao prosseguimento de carreiras acadêmicas – vejam-
se entendimentos, inclusive, deste ano:

TRF-1 - APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA (AMS) AMS


10001766520174013600 (TRF-1) Data de publicação: 12/11/2018
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DO
DIPLOMA DE CONCLUSÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE
MOMENTÂNEA. ATRASO NA CONCLUSAO DO CURSO. GREVE DOS
DOCENTES DA UNIVERSIDADE. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
SENTENÇA MANTIDA. 1. O atraso na conclusão do curso de graduação
do estudante que pretende ingressar em curso de pós-graduação
patrocinado pela mesma instituição de ensino não pode ser impeditivo da
matrícula pretendida, na hipótese em que a dilação temporal tiver
decorrido de greve do respectivo corpo docente, e tendo sido a
documentação apresentada até o início das aulas. 2. Mantida a sentença
que concedeu a segurança para determinar à autoridade coatora que
efetivasse a matrícula da parte impetrante. 3. Apelação e remessa oficial,
tida por interposta, desprovidas.
TJ-RS - "Conflito de competência" CC 70083253732 RS (TJ-RS) Data de
publicação: 30/01/2020 ATRASO NA CONCLUSÃO DO CURSO DE
GRADUAÇÃO. REPARAÇÃO DE DANOS. ENSINO PARTICULAR.
SUBCLASSE EXTINTA. ENQUADRAMENTO NA SUBCLASSE ?
RESPONSABILIADE CIVIL?. APLICAÇÃO DO ITEM 16, A, DO OFÍCIO-
CIRCULAR N.º 01/2016 ? 1ªVP. A partir da Resolução n.º 01 /15-OE, os
recursos relativos a ensino particular inserem-se na subclasse ?Direito
Privado Especificado?. Contudo, em se tratando de pretensão meramente
indenizatória decorrente de ilícito reconhecido judicialmente relativo
ao atraso na conclusão de curso de graduação, em razão de alteração da
grade curricular, em instituição de ensino particular, enquadra-se o feito na
subclasse ?Responsabilidade Civil?, incidindo o item 16, a, do Ofício-
Circular n.º 01/2016 - 1ª VP. Competência para julgamento das Câmaras
integrantes dos 3º e 5º Grupos Cíveis. Art. 19, IV, f, VI, b, do RITJRS.
Precedentes da 1ª Vice-Presidência deste Tribunal de Justiça. Precedente
do OE. Conflito de Competência 70081925810. CONFLITO DE
COMPETÊNCIA REJEITADO.(Conflito de competência, Nº 70083253732,
Tribunal Pleno, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Maria Isabel de
Azevedo Souza, Julgado em: 04-12-2019).

Não sabem os magníficos iluminados que


submetem suas instituições de ensino, mantidas com verbas públicas ao risco de
serem processados, pela ruptura do princípio da eficiência, e se provada a intenção se
sujeitam às penas da improbidade que lhes custará o cargo, mais multas civis e outras
penalidades, ao pagamento da indenização pela perda da chance.

Ou seja, essas turmas que tem sua vida atrasada,


deixam de ganhar o piso mensal de sua categoria profissional, deixam de ingressar no
mercado de trabalho, e, em sendo oriundos de universidades públicas, a chance de
conseguirem emprego é estatisticamente maior de conseguirem vagas no mercado do
que outros profissionais. Isso sem contar o prejuízo acadêmico pois isso impede o
acesso, por exemplo, à pós graduação stricto sensu e ao ingresso na vida acadêmica
– prejuízos prováveis e quantificáveis.
Os Tribunais tem reconhecido o direito de obter
indenizações por conta da teoria da perda de uma chance por falhas das instituições
de ensino. Observe-se:

TJ-ES - Apelação APL 00188423520158080024 (TJ-ES) Data de


publicação: 10/08/2018AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E DE
INDENIZAÇÃO PELA PERDA DE UMA CHANCE E POR DANOS
MORAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OBTENÇÃO PELA AUTORA DE
EMPREGO NO CANADÁ PARA O QUAL ERA NECESSÁRIO
COMPROVAÇÃO DE CONCLUSÃO DE ENSINO SUPERIOR EM RAZÃO
DO ATRASO NA EXPEDIÇÃO, PELA RÉ, DE DIPLOMA DE BACHARELA
EM ADMINISTRAÇÃO. RESPONSABILIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE
ENSINO. DANO MORAL. VALOR DA INDENIZAÇÃO MAJORADO. 1. - O
colendo Superior Tribunal de Justiça assentou que a teoria da perda de
uma chance incide em situações de responsabilidade contratual e
extracontratual, desde que séria e real a possibilidade de êxito, o que
afasta qualquer reparação no caso de uma simples esperança subjetiva ou
mera expectativa aleatória (AgInt nos EDcl no REsp 1145118/SP, Rel.
Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 19-10-2017, DJe 25-10-
2017). 2. - É devida indenização à autora pela perda de
uma chance porque restou provado que ela perdeu oportunidade de
exercer atividade laboral no exterior para o qual era
exigido conclusão de curso superior, por ter a instituição de ensino ré
atrasado demasiadamente a expedição do diploma do curso de
Administração por ela, autora, concluído. 2. - O atraso de cerca de 4
(quatro) anos na expedição de diploma de nível superior e os dissabores
que disso resultaram para a apelante configuraram dano moral, para cuja
reparação, considerando-se os critérios sugeridos pela doutrina e pela
jurisprudência e, especialmente o porte econômico da apelada, fixa-se o
valor de R$8.000,00 (oito mil reais) 3. Recurso provido. Vistos, relatados e
discutidos estes autos, ACORDAM os Desembargadores que integram a
colenda Terceira Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado
do Espírito Santo, de conformidade com a ata do julgamento e as notas
taquigráficas em, por maioria de votos, dar provimento ao recurso nos
termos do voto do Relator. Vitória-ES., 29 de maio de 2018. PRESIDENTE
RELATOR

TRF-4 - RECURSO CÍVEL 50063241620174047003 PR 5006324-


16.2017.4.04.7003 (TRF-4) Data de publicação: 09/11/2018 É
entendimento desta Turma Recursal que
o atraso na conclusão de curso superior em decorrência de ato da
Administração do sistema FIES enseja danos morais indenizáveis. 7.
O valor da indenização deverá ser fixado tomando em consideração o
tempo pelo qual o estudante ficou impedido de prosseguir com seus
estudos, de modo que no caso tendo em conta o atraso de um ano
na conclusão do curso, fixa-se a indenização em R$ 7.500,00 (sete mil e
quinhentos reais), conforme precedentes da Turma. 8. Recurso da
parte autora provido em parte e recurso do réu desprovido.

Mas não é só ! Como classificava o saudoso


Rubens Limongi França, o direito à educação é uma modalidade de direito de
personalidade de integridade física (ninguém vive sem trabalho e a possibilidade de
conseguir trabalho sem instrução, no mundo atual é ínfima).

Logo, em condições como tal, o senso de


apreensão em relação ao próprio futuro, o agravamento das condições da família que
auxilia nos estudos, as limitações impostas ao crescimento de mentes ansiosas por
saber, sobretudo quando há grande rendimento escolar, demonstram que a tática de
não disponibilizar matrículas ou disciplinas, impor obstáculos insanos e subjetivos ao
aproveitamento de matérias implica, em si, em fator apto ao reconhecimento do dever
de indenizar danos morais. Aliás, reconhecendo que esses danos morais são
presumidos (in ré ipsa), já decidiu o Tribunal de Justiça de Minas Gerais:

TJ-MG - Ap Cível/Rem Necessária AC 10194130076780001 MG (TJ-MG)


Data de publicação: 01/10/2019 EMENTA REMESSA NECESÁRIA -
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - DANO
MATERIAL E ESTÉTICO -RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO
ESTADO - LAUDO PERICIAL - COMPROVAÇÃO DOS DANOS -
INDENIZAÇÃO DEVIDA. - A responsabilidade civil do Estado, nos
casos de atos praticados pelos seus agentes, é objetiva (art. 37 , § 6º ,
da CF/88 ). O lesado tem o ônus de demonstrar o nexo causal entre a
conduta ilícita do agente e o dano por ele sofrido - Comprovada a
existência do dano e reconhecida a potencialidade ofensiva na esfera
psíquica da vítima, reconhece-se o dano moral in re ipsa - O
arbitramento do valor da indenização equilibrará os princípios da
proporcionalidade e a da razoabilidade, para evitar a reincidência da
conduta ilícita pelo agente público e o enriquecimento ilícito da
vítima. (grifos nossos)

Ainda mais, fazer os alunos saírem a cata de


informações e mais informações, com necessidade de ficarem enviando e reenviando
e-mails, mensagens de whatsapp, perderem tempo vital, com dispêndio de seu tempo
produtivo, indevidamente, por ineficiência, descaso ou opção partidária, implica em
incorrer num tipo de indenização nova para danos morais, o assim chamado desvio do
tempo produtivo. Nesse sentido:
TJ-PE - Apelação Cível AC 5038019 PE (TJ-PE) Data de publicação:
13/02/2020 EMENTA - PERDA TEMPO ÚTIL. RECURSO A QUE SE DÁ
PROVIMENTO. 1. O fornecedor de serviços responde independentemente
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por falha relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e risco. A
responsabilidade objetiva só pode ser afastada quando for
comprovada a inexistência de qualquer falha ou a culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiro. 2. Não sendo entregue a mercadoria
adquirida e devidamente paga pelo consumidor, responde a empresa
vendedora não só pela restituição do valor pago, bem como por
indenização por danos morais em face do descaso que teve frente ao
consumidor, mormente quando o mesmo tentou resolver
administrativamente o problema. 3. Assim, quanto ao dano moral,
verifica-se que os fatos narrados nos autos ultrapassam o mero
aborrecimento do cotidiano, acarretando desgastes de ordem
emocional e psicológica por parte do autor, cujas expectativas de
recebimento dos produtos restaram frustradas. 4. A indenização
serve a propósito punitivo e preventivo, não podendo, porém, exorbitar
da compensação efetivamente devida, para não restar configurado o
enriquecimento sem causa. Assim, dadas as nuances do caso concreto, a
verba indenizatória em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título de dano
moral, satisfaz os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade. 5.
Recurso a que se dá provimento. (grifos nossos)

É bem verdade que esta teoria começou no âmbito


do direito do consumidor, mas os motivos de sua incidência devem preponderar
mesmo no âmbito do direito público – pessoas não podem perder indevidamente seu
tempo produtivo em burocracias insanas, ineficiência ou para revoltar as pessoas
contra o governo do partido A ou do partido B.

A responsabilidade do Poder Público, por sua vez,


é objetiva, ou seja, não depende da necessidade de prova da intenção ou da culpa do
agente, basta que se comprove a relação de causa e efeito entre a conduta do agente
(não disponibilizar as aulas de modo eficiente ou não permitir, por fatores objetivos,
que se curse disciplinas equivalentes em outras instituições) e os danos causados
para que o aluno seja indenizado.

Ou seja, as posturas de má gestão ou de gestão


mau intencionada, causarem danos, o Poder Público irá indenizar os lesados, mas
terá direito de regresso (cobrança) contra os causadores do dano (artigo 37, parágrafo
6º CF) – Tribunais de Conta, inclusive, ficam atentos para que não se deixe de buscar
o regresso, quando este for cabível.

Para as Igrejinhas acadêmicas que teimarem em


não acordar para esta realidade, resta relembrar o alerta lançado nas Catilenárias –
Quosque tandem abutere patientia nostra (até quando abusarão de nossa paciência –
em tradução literal e livre).