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Direito Penal IV – Prof. Eduardo Campos – e-mail: eduarcmps@ig.com.

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CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Crimes de Perigo Comum

Art. 250 – Incêndio

Objeto Jurídico – A incolumidade pública (segurança de todos da sociedade, que tem sua
vida, integridade pessoal e patrimônio sujeitos a acentuada probabilidade de lesão)

Sujeito ativo – Qualquer pessoa

Sujeito passivo – A coletividade (principal) e aqueles que tem sua vida exposta a perigo.

“Incêndio. Caso do edifício Joelma. (...) Em crimes contra a pública incolumidade, sem
exceção relativamente ao de incêndio, sujeito passivo da infração é, capitalmente, o corpo
social representado pelo Estado. Também tem, contudo e desenganadamente, qualidade e
posição de ofendidos, de sujeitos passivos secundários, todos os que com a infração
padaceram danos pessoais ou patrimoniais, ou se viram expostos a perigo de dano.
Quanto a crimes tais, a situação de ofendido secundário é idêntica a que se apresenta em
diversos delitos praticados com a ‘Administração” (TACRSP - RT 474/324)

Tipo Objetivo – Causar (provocar, motivar) incêndio expondo a perigo a vida...., portanto
deve haver perigo concreto, e não presumido, para indeterminado número de pessoas.

“A contravenção prevista no Código Florestal, alusiva a queimada sem as cautelas legais,


somente subsiste quando não acarreta o perigo comum a que se refere o contexto da lei
penal. Desde que tal perigo ocorra, o caso se tipifica como incêndio culposo, a que alude o
art. 250 do CP” (TACRIM-SP – AC – Rel. Adriano Marrey – RT 218/410)

Tipo subjetivo – dolo, havendo modalidade culposa no parag. 2º.

Consumação – Com a efetiva situação de perigo comum.

Tentativa – admite-se

Art. 251 – Explosão

Objeto Jurídico – Idem 250

Sujeito ativo – idem 250

Sujeito passivo – Idem ao 250


Tipo Objetivo – Expor a perigo a vida ou patrimônio, mediante as situações que elenca,
devendo haver, da mesma forma que no artigo 250, o perigo concreto.

“Pesca com dinamite – Crime de Explosão – Inexistência – I - Pesca com dinamite, no


mar, que causou a morte de diversos peixes. Denúncia por crime de explosão (CP, art.
251). II – Não se trata de crimes de dano ou de resultado, sendo elemento essencial o
expor a perigo um indefinido número de pessoas ou de bens, devendo esse perigo ser
demonstrado em concreto. III – Insuficiente é, portanto, dizer que a dinamite, por si só,
expõe a perigo a incolumidade pública, pois e evidente que a sua explosão em um deserto,
por exemplo, não tem a mínima possibilidade de provocar tal risco. IV – Não comprovado
o perigo punível, inexiste o referido delito. V – Incomprovado, também, o dolo, consistente
na vontade livre e consciente de causar explosão, com conhecimento de perigo comum”
(TRF - 1ª Região – AC 93.01.15847-7 – Rel. Eustaquio Silveira)

Tipo subjetivo – dolo, havendo modalidade culposa prevista no § 2º.

Consumação – com a explosão, o arremesso ou colocação do engenho, instalando-se uma


situação de iminente e concreto perigo.

Tentativa – admite-se

Forma privilegiada – verifica-se quando a substancia utilizada não e dinamite ou explosivo


de efeitos análogos. Trata-se, portanto, de explosivo portador de menor potencialidade (Ex.
pólvora).

“Se o artefato explosivo internado em aeronave não continha dinamite ou outras


substancias de efeitos análogos, incide o réu no tipo previsto pelo Código Penal, artigo
251, § 1º” (TRF – 3ª Região – AC 89.03.26756-& - Rel. Souza Pires).

Art. 252 – Uso de gás tóxico ou asfixiante

OBS. Segundo Luiz Regis Prado, o artigo em estudo foi tacitamente revogado pelo artigo
54 da Lei 9.065/98 (Lei dos Crimes Ambientais, em anexo).

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Usar (utilizar, fazer uso) gás tóxico (acido cianídrico, anidro sulfuroso,
etc.) ou asfixiante (que atua mecanicamente sobre as vias respiratórias)

“A lei visa punir, no art. 252 do CP, quem expõe a vida, a integridade física ou patrimônio
de outrem usando gás tóxico ou asfixiante, não se caracterizando o delito se a substancia
utilizada é de baixa toxidade, não chegando a correr risco de gravame mais serio” (TJSP
AC 58.028-3 Rel. Ângelo Gallucci).

Tipo subjetivo – dolo de usar o gás com conhecimento do perigo comum.

Consumação – com o surgimento da situação de perigo próximo ou imediato.

Tentativa – Mirabete admite ainda que teoricamente e Luiz Regis Prado entende ser
perfeitamente admissível, citando o exemplo daquele que é surpreendido, por terceiro
usando o gás tóxico, sendo que este impede que se manifeste a situação de perigo.

Art. 253 – Fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou gás


tóxico ou gás tóxico ou asfixiante

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – as condutas assinaladas

O simples armazenamento para venda, sem licença da autoridade, de fogos de artifício


caracteriza o ilícito penal do art. 253 do CP, pois, por se tratar de crime de perigo comum,
a lei não aguarda a causação do resultado lesivo, antecipando-se a ele e sancionando a
conduta do infrator mesmo nos casos preparatórios (TACRSP – RT 771/611).

Tipo subjetivo – o dolo (vontade praticar um das condutas descritas).

Para a caracterização do crime do fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte


de explosivos, gás tóxico ou asfixiante ou material destinado a sua fabricação, basta a
ocorrencia voluntária de algum desses fatos, sem licença da autoridade. Não há que se
cogitar da finalidade do atentado a incolumidade publica” (TJSP – RT 181/132)

Consumação – No momento em que o agente pratica uma das condutas. Tratando-se de


crime de perigo abstrato, é o risco presumido de modo absoluto.

Tentativa – Delmanto entende ser inadmissível e Mirabete entende ser possível na conduta
de adquirir.

Art. 254 – Inundação

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem


Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Causar (promover, provocar) por qualquer meio a invasão ou alagamento
pelas águas de lugar não destinado a conte-las. Exige-se que o extravasamento das águas
seja acentuado, de modo a causar perigo concreto.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de produzir inundação)

Consumação – Com o perigo.

Tentativa – nada impede

Distinção – Não ocorrendo o perigo comum, poder haver dano ou usurpação de águas.

Art. 255 – Perigo de Inundação

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Praticar uma das condutas incriminadas sendo certo que, para serem
penalmente típicas, as condutas devem causar perigo de inundação concreto e não apenas
presumido.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar alguma das condutas incriminadas).

Consumação – Com a criação do perigo comum concreto.

Tentativa – Delmanto e Regis Prado entendem ser inadmissível. Mirabete alega ser
possível.

Art. 256 – Desabamento ou desmoronamento

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Dar causa (motivar, promover) a desabamento ou desmoronamento, sendo


indispensável que lese um bem jurídico se instale uma situação de perigo para pessoas ou
coisas indeterminadas.
Conduzindo-se o agente de acordo com as normas técnicas pertinentes a efetivação de
escavação, não há reconhecer culpa se, em decorrência de imprevisível elevado índice
pluviométrico, verificar-se inesperado deslizamento do solo. (TACRIMSP – JUTACRIM
36/283)

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de causar desabamento ou desmoronamento expondo a


perigo a vida ou integridade física ou patrimônio de outrem).

Consumação – com o surgimento da situação de perigo.

Tentativa – admite-se

Concurso de crimes –

Art. 257 – Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento.

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – As condutas narradas. E indispensável que a conduta ocorra por ocasião de
incêndio, inundação ou outra calamidade (terremoto. Enchente)

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de praticar as condutas mencionadas).

Consumação – Com a efetiva pratica.

Tentativa – admissível.

Art. 258 – Formas qualificadas

Art. 259 – Difusão de Doença ou praga

Objeto Jurídico – idem.

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Difundir (espalhar, propagar) doença que provoque morte, destruição ou
deterioração de plantas ou animais.

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de praticar a conduta).


Consumação – com a efetiva difusão.

Tentativa – admite-se

Crimes contra a segurança dos meios de comunicação e transporte e outros serviços


públicos.

Art. 260 – Perigo de desastre ferroviário.

Objeto Jurídico – A incolumidade pública, em especial a segurança dos meios de transporte

Sujeito ativo – qualquer pessoa

Sujeito passivo – a coletividade

Tipo Objetivo – Impedir (não permitir); perturbar (atrapalhar) o serviço de estrada de ferro.

“Danificar um bonde constitui a infração do art. 260 do CP desde que da danificação


possa resultar desastre” (TJSP – RT 172/495)

Tipo subjetivo – o dolo (vontade de impedir ou perturbar, consciente de que pode causar
desastre ferroviário).

Para caracterização da figura penal prevista no art. 260, IV do CP não se exige o dolo
especifico. Basta a voluntariedade na pratica do ato capaz de provocar o perigo. (TJSP –
RT 305/110)

Consumação – Trata-se de crime de perigo que se consuma com o risco efetivo e imediato
de desastre, que deve ser comprovado.

Tentativa – admite-se no caput

Parágrafo primeiro – Trata-se de preterdolo.

Parágrafo segundo – Se o agente causa o desastre por não observância do cuidado


necessário.

“O maquinista que imprime a locomotiva velocidade superior a permitida pelo


regulamento, dando causa ao descarrilamento da mesma e ferimentos nos seus
passageiros, responde pela infração do art. 129, § 6º, do CP e não a do art. 260 do citado
estatuto, demonstrando que agiu apenas culposamente e não com o propósito de praticar
ato de que pudesse resultar desastre” (TACRSP – RT 252/353)

Art. 261 – Atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo


Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Impedir (não permitir); dificultar (atrapalhar) navegação marítima, fluvial
ou aérea.

Para se caracterizar o delito do art. 261 do CP é imprescindível que se trate de aeronave


destinada a transporte coletivo, caso contrario não se identifica o ‘perigo comum’
(TACRIM-SP RT 287/174)

“Compete a Justiça Federal processar e julgar os crimes cometidos a bordo de navios,


incluídos os praticados contra a segurança do transporte marítimo. Inteligência do art.
109, IX, da Constituição Federal” (STJ – HC – Rel. Min, Flaquer Scartezzini)

Tipo subjetivo – Dolo – consciencia e vontade de expor a perigo.

Consumação – com o advento da situação de perigo

Tentativa – admite-se no caput

Forma culposa – Se ocorre o sinistro por falta de cuidado objetivo necessários pelas
circunstancias.

PESQUISAR A JURISPRUDENCIA DO CASO BATEAU MOUCHE NO STF

Art. 262 – Atentado contra a segurança de outro meio de transporte

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Expor a perigo (colocar em perigo resultando possibilidade de desastre) ou


impedir/dificultar o funcionamento de outros meios de transporte que não os elencados nos
arts. 260 e 261, desde que se destinem a transporte público (táxis, ônibus, lotações).
Devendo, segundo Regis Prado, estar efetivamente a serviço publico (melhor seria a serviço
do público).

“Pratica o delito do art. 262 do CP quem, sem solicitação do respectivo prorpietário, se


apossa da direção de veículo coletivo e o conduz imprudentemente, a ponto de causar
abalroamento (TJDF - RF 217/291)
Tipo subjetivo – dolo (vonta de praticar as condutas incriminadas)

“O delito do art. 262 do CP atenta contra o bem jurídico segurança dos meios de
transporte, razão pela qual o elemento subjetivo de ficar incontrastavelmente provado,
relativamente a tal finalidade (TACRIMSP RT 430/401)

Consumação – com a instalação do perigo

Tentativa – nada impede (Mirabete) inadmissível (Delmanto)

Art. 263 – Forma Qualificada

Art. 264 – Arremesso de Projétil

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – arremessar (atirar, lançar) projétil (coisa ou objeto que é arremessado e
pode causar mal a pessoa), contra os veículos mencionados.

“Crime contra a segurança de transporte público. Arremesso de projétil. Acusado que


atira pedras contra pára-brisa de ônibus em movimento quebrando-º Delito caracterizado,
sem embargo de não haver sido atingido qualquer dos passageiros. Decisão condenatória
mantida. Inteligência do art. 264 do Código Penal. Para a confuguração do delito previsto
no art. 264 do Código Penal não é necessário que do arremesso surja qualquer
consequência concreta, bastando a simples possibilidade de dano” (TASP (RT 367/181)

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de arremessar o projétil)

Consumação – como arremesso do projétil idôneo a causar perigo, ainda que não atinja o
veículo.

Tentativa – a nosso ver, inadmissível

Art. 265 – Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem


Tipo Objetivo – Atentar (impedir, atrapalhar, tornar perigoso) contra o funcionamento dos
srviços mencionados e outros (gás, limpeza pública).

“Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública. Não caracterizaçao.


Obstruçao de entrafa e saída de funcionários e veículos da CMTC por grevistas. Condutas
que não criaram qualquer perigo ao transporte coletivo. Recurso não provido” (TJSP -
JTJ 298/69)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de atentar...)

Consumação – com a execução de qualquer ato capaz de perturbar a segurança ou


funcionamento dos serviços mencionados

Tentativa – Possível.

Art. 266 – Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico

Objeto Jurídico – funcionamento dos serviços telegráficos, radiotelegráficos e telefônicos,


no que ele afeta a incolumidade pública.

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo –

Tipo subjetivo – interromper ou impedir o restabelecimento

Consumação – com a interrupção/perturbação ou impedimento/dificultação do


restabelecimento dos serviços.

Tentativa – admissível

Dos Crimes Contra a Saúde Pública

Art. 267 – Epidemia

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Causar (produzir, originar) epidemia mediante a propagação de germes


patogênicos
Tipo subjetivo – dolo (vontade de propagar os germes)

Consumação – com a instalação da epidemia

Tentativa – admissível

Art. 268 - Infração de medida sanitária preventiva

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Infringir (transgredir, violar) as determinações do poder público


mencionadas que, por óbvias razões, devem estar em vigor.

“O delito do art. 268 do CP contém norma penal em branco, impondo-se, pois, para sua
configuração, que se demonstre qual a determinação do poder público descumprida”
(TACRIM-SP Ap. Crim – Rel Rafael Granato – RT 507/414)

“Infração de medida sanitária preventiva. Agente que descumpre medida de higiene no


abate de animal. Inocorrência. Inocorre a infração prevista no art. 268 do CP, na conduta
do agente que descumpre medidas comuns de higiene no abate de animal, uma vez que não
se evidencia a vontade consciente e livre de transgredir a determinação do Poder Público,
no que tange às providencias destinadas a impedir a introdução ou a difusão de moléstia
contagiosa, sujeitando-se a transgressão tão-somente a sanções na esfera administrativa”
(TACRSP – RJDTACRIM – 33/143)

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de infringir a determinação do pode público)

Consumação – com a simples desobediência

“O crime do art. 268 do CP consuma-se com a simples transgressão de medida ou


determinação sanitária, visando impedir a introdução ou propagação de moléstia
contagiosa. O perigo comum, no caso, é presumido de modo absoluto” (TACRIM-SP Rel.
Onei Raphael – RT 402/269)

Tentativa – possível

Concurso de crimes –

Art. 269 – Omissão de notificação de doença

Objeto Jurídico – idem


Sujeito ativo – somente o médico

“Omissão de notificação de doença – Febre tifóide – Imputação a farmacêutico – A


denuncia a autoridade pública de doença cuja notificação é compulsória só é exigível do
médico e não também do farmacêutico” (TACRIM-SP - Rafael Granato – RT 492/355)

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Não comunicar à autoridade pública a ocorrência de doenças cuja


notificação é compulsória (crime omissivo próprio). Tendo em vista que se trata de norma
penal em branco, vide Decreto 16.300 de 31.12.23, Leis 6.259/75; 6.437/77, art. 169 CLT e
portaria 1.100/96 do Min. Saúde.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de não comunicar)

Consumação – quando se esgota o prazo para efetuar a comunicação.

Tentativa – impossível

Art. 270 – Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – qualquer pessoa

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Envenenar (adicionar veneno) na água potável (destinada a alimentação)


substância alimentícia ou medicinal.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação – com o envenenamento

“O delito do art. 270 do CP se consuma no instante em que a substância alimentícia se


torna envenenada, não havendo dúvida quanto à sua destinação” (TACRIM-SP – RT
292/474)

Tentativa – admissível

Concurso de crimes –

Art. 271 – Corrupção ou poluição de água potável

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – ide7m


Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – corromper (desnaturar, infectar) ou poluir (sujar) água potável.

“Condição essencial para a configuração da modalidade dolosa do art. 271 do CP ou


modalidade culposa do seu § 2º, é que se trate de água potável, isto é, própria para o uso
da população ou de alguém em particular (RJTJESP – 2/306)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação – com a efetiva corrupção ou poluição

Tentativa – admissível

Art. 272 – Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou


produtos alimentícios

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Corromper (alterar a essência); adulterar (alterar para pior); falsificar (dar
como verdadeiro o que não é); alterar (modificar).

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação – com a instalação da situação de perigo

Tentativa – admissível

Pesquisar Jurisprudência sobre este crime

Art. 273 – Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a


fins terapêuticos ou medicinais.

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – os núcleos do tipo são os mesmos do artigo anterior


“O art. 273 do CP trata de uma só figura criminosa que pode verificar-se sob modalidades
diferentes, Heleno Fragoso observa, a respeito desse artigo, que nele se prevê a
nocividade negativa, ou seja, alteração que, sem tornar a substância nociva a saúde,
pejudica o seu valor nutritivo ou terapêutico; ao contrário da nocividade positiva, que é a
introdução, no remédio, de substância alimentícia ou medicinal nociva” (STF – HC – Rel.
Hermes Lima – RTJ 32/672)

Tipo subjetivo – dolo (vontade livre e consciente de praticar alguma das condutas
incriminadas)

Consumação – com a prática da ação típica, independente de qualquer resultado.

Tentativa – admissível

Concurso de crimes –

Art. 274 – Emprego de processo proibido ou de substância não permitida

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Empregar (utilizar, misturar) substância não permitida pela legislação
sanitária (norma penal em branco) no fabrico de produto destinado ao consumo.

“O bromato de potássio é substância não permitida, em qualquer quantidade, nas farinhas


e nos produtos de panificação. Aquele que o emprega sujeita-se às penas do art. 274 do
CP de 1940, norma penal em branco, já que se completa com disposições estabelecidas
pela legislação sanitária” (TACRSP – RT 605/332)

“Adição de bromato de potássio na fabricação de pão – A conduta do acusado somente de


afeiçoa à norma incriminadora do art. 274 do CP/40 quando há prova de Ter ele
fabricado alimentos destinados ao consumom de modo nocivo à saúde. Indispensável,
portanto, demonstrar que a proporção do bromato de potássio, encontrada na farinha, era
ruinosa à ingestão pela pessoa humana” (TJSP – AC – Rel. Rezende Junqueira – RJTJSP
98/457)

Tipo subjetivo – dolo (vontade livre e consciente de praticar a conduta incriminada)

“O elemento subjetivo que informa o delito é o dolo genérico, isto é, a vontade livre e
consciente re realizar qualquer das ações incriminadas no texto legal, sabendo o agente
que o produto se destina a consumo público” (RT 600/367)

Consumação – com o efetivo emprego da substância.


Tentativa – admite-se

Art. 275 – Invólucro ou recipiente com falsa indicação

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem, entretanto, geralmente é o fabricante

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – incultar (fazer falsa indicaçao, dar a entender), havendo divergência na
jurisprudencia acerca da necessidade ou não de potencial nocividade à saúje

“Responde pelo delito do art, 275 do CP o agente que, preenchendo recipientes vazios com
uísque nacional, os coloca à venda como produto estrangeiro” (TACRIM-SP – AC – Rel.
Rezende Junqueira – JUTACRIM 51/366)

“(...) O simples fato de alguém, utilizando-se de vasilhame de uísque estrangeiro, colocar


em seu interior uísque nacional, a fim de vendê-lo como produto alienígena, não basta à
tipificação do crime, desde que não possua nocividade à saúde” (TACRIM-SP –
JUTACRIM 78/250)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação – com a falsa indicação

Tentativa – admissível.

Art. 276 – Produto ou substância nas condições dos dois artigos anteriores

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Praticar as ações indicadas ciente de que o produto se encontra nas
condições previstas pelos artigos 274 e 275.

“Acondicionando e vendendo uísque nacional em recipientes de uísque estrangeiro,


inculca-se existência de substância que não se encontra em seu conteúdo, o que
caracteriza os delitos previstos nos arts. 275 e 276 do CP” (TJSP – AC – Rel. Zazuo
Watanabe – RT 453/352)

Tipo subjetivo – dolo. Na modalidade ‘Ter em depósito’ necessária a presença do elemento


subjetivo especial ‘para vender’.
Consumação – com a prática de uma das condutas típicas

Tentativa – admissível

Art. 277 – Substância destinada a falsificação

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – a prática das condutas descritas no tipo, cabendo apenas destacar que a lei
se refere a substância destinada, e não que apenas sirva para a prática, portanto, deve haver
destinação inequívoca.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação –

Tentativa – admissível.

Art. 278 – Outras substâncias nocivas a saúde pública

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – a pratica das condutas descritas no tipo. Substâncias nocivas podem ser
sabonetes, perfumes, etc.

“Sangue contaminado. Entrega a sonsumo de sangue contaminado (art. 278 do CP). Dolo
plenamente caracterizado, segundo os fatos apurados nas instâncias ordinárias. Pena
fixada dentro dos limites legais, por decisão suficientemente fundamentada. Pedido
indeferido” (STF – HC 68.867-5)

Tipo subjetivo – dolo (consciência e vontade de praticar a conduta incriminda.

Consumação – com a efetiva pratica

Tentativa – Mirabete entende ser praticamente inadmissível.


Crime culposo – “Responde pelo crime do parágrafo único do art. 278 do CP o padeiro
que negligencia na sua função, possibilitando que um pedaço de lâmina de barbear se
misture à massa e permaneça no interior de um pão, que é levado a consumo de forma
nociva à saúde” (TACRSP - JTACRIM 81/449).

Art. 279 – Substância avariada

Artigo expressamente revogado pela Lei 8.137/90 (Crimes contra a ordem tributária,
econômica e contra as relações de consumo) art. 7º, IX.

Art. 280 – Medicamento em desacordo com receita médica

Objeto Jurídico - idem

Sujeito ativo – em tese qualquer pessoa, ou seja, não somente o farmacêutico, mas também
o balconista e toda pessoa que possa fornecer o remédio.

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – Fornecer (vender, ceder, ministrar) substância em desacordo com a


indicada no receituário méedico.

“(...) O art. 280 do CP pune a substituição de substância medicinal por outra, pelo risco
que a ação representa à coletividade e, no caso concreto, o perigo individual, porque a
vítima pode ser alérgica a outra substância ou composição medicamentosa que não aquela
indicada por seu médico. Assim, não importa examinar se o produto era pitor ou melhor
que o indicado porque a lei não faz distinção” (TACRSP – JUTACRIM 46/241)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de praticar a conduta incriminada)

Consumação – com a entrega da substância

Tentativa – possível

VERIFICAR JURISPRUDÊNCIA ACERCA DA CONFIGURAÇÃO DO DELITO


NOS CASOS DE PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTO GENÉRICO

Art. 281 – Substância avariada

Artigo expressamente revogado pela Lei 5.726/71 e depois as condutas foram tipificadas
pela Lei 6.368/76.

Art. 282 – Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica

Objeto Jurídico – idem


Sujeito ativo – qualquer pessoa na primeira parte e apenas o médico, dentista ou
farmacêutico na parte final.

“(...) O sujeito ativo do crime capitulado no art. 282 do Código Penal pode ser, em tese,
qualquer pessoa. Os profissionais sugeridos nesse dispositivo apenas são necessários
quando a hipótese é de exceder os limites da profissão (TARJ – RT 501/339)

“Somente o médico pode ser sujeito ativo do crime de exercício ilegal da medicina. Aquele
que exerce a arte de curar sem ser médico, isso é, sem ter sido legalmente habilitado,
pratica o crime de exercício do curandeirismo” (TJSP – RT 180/108)

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – 1ª Parte: exercer (praticar, desempenhar) sem estar habilitado; 2ª parte,
estar habilitada porém extravasar os limites, ex. farmacêutico que pratica atos de médico,
transgredir normas reguladoras da profissão.

Tipo subjetivo – dolo (vontade de particar a conduta incrimada). O erro de tipo exclui o
dolo.

“O profissional diplomado no exterior, não alertado dos impedimentos legais, incorre em,
erro de fato, ao exercer seu trabalho” ( TACRSP - JUTACRIM 65/286)

Consumação – com o efetivo exercício, que exige habitualidade.

Tentativa – não se admite

PESQUISAR JURISPRUDENCIA ACERCA DA PRÁTICA OU NÃO DO DELITO


POR PARTEIRA

Art. 283 – Charlatanismo

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – qualquer pessoa

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – inculcar (fazer falsa afirmação, dar a entender) ou anunciar (apregoar,
divulgar) a cura com emprego de meio secreto ou infalível.

“Não constitui charlatanismo divulgação de descoberta de tratamento com a afirmação de


ter sidoc sua eficiência comprovada, sem inculcar-se infalibilidade de cura. (TACRSP –
JUTACRIM 16/147)

Tipo subjetivo – dolo de praticar a conduta com ciência da faculdade


“É preciso apurar sempre um forte residuo de má-fé, para identificar-se o crime de
charlatanismo. Deve Ter sempre em vista a preocupação de verificar se o fato ocorre com o
inequívoco dolo” (TACRSP – RT 299/434)

Consumação – com a própria conduta.

Tentativa – admite-se

Concurso de crimes – havendo fim de lucro ocorre cumulação com o 171 na forma do art.
70, entretanto já se decidiu pela absorção do 283 pelo 171.

Art. 284 – Curandeirismo.

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – qualquer pessoa, inclusive o médico, se sua atividade não é respaldada por
procedimentos científicos.

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – praticar ou exercitar atos especificados no art. 284.

“O espiritismo, visando à prática curativa, está alcançado pelo curandeirismo” (STF –


HC – Rel. Francisco Rezek – RT 600/418)

“Os passes, no espiritismo, constituem parte do ritual dessa religião, como as bençãos dos
padres na Igreja Católica. Não configuram o delito do art. 284 do CP, tendo em vista a
liberdade de culto assegurada pela Constituição do Brasil” (TACRIMSP Rel. Ricardo
Couto – RT 404/282)

Tipo subjetivo – Dolo (vontade de praticar, reiteradamente, uma das condutas previstas no
art. 284)

“No exercício do curandeirsmo, em qualquer de suas modalidades, pressupõe a existência


do dolo, isto é, desejar o agente o resultado ou assumir o risco de produzi-lo, o que não
pode acontecer com o individuo mediunizado. Este, no estado de ‘transe’, acha-se
inconsciente e assim não poderá ser responsabilizado por ações praticadas, à sua revelia,
pelos espirí0tos que nele se incorporam” (TACRSP - RT 304/498)

“Aquele que, sem habilitação médica, se arrogue a faculdade de curar, de receitar, de


diagnosticar, sob pretexto de que é espírita, de que age sob a influência do sobrenatural,
mediunizado, coisa que o senso comum repele e nenhum país policiado admite, comete o
delito de curandeirismo, previsto no art. 282 do CP” (TACRSP – RT 280/494)

Consumação – com o efetivo exercício, requerendo-se a habitualidade


Tentativa – inadmissível.

Art. 285 – Forma qualificada


Direito Penal IV – Prof. Eduardo Campos – e-mail: eduarcmps@ig.com.br

CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA

Art. 286 – Incitação ao crime

Objeto Jurídico – A paz pública

Sujeito ativo – qualquer pessoa

Sujeito passivo – a coletividade

Tipo Objetivo – Incitar (excitar, provocar), criando a idéia do ilícito ou reforçando o


propósito já existente.

“Incitação ao crime. Configuração, em tese. Prefeito municipal que, publicamente, exorta


posseiros a desobedecerem or4dem judicial, consistente na medição perimétrica do imóvel
que detém. Habeas corpus denegado. Inteligência do art. 286 do Código Penal. Comete,
em tese, o delito do art. 286 do Código Penal aquele que incita, publicamente, a
desobediência a ordem judicial” (TACRSP – RT 495/319)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de incitar)

Consumação – com a simples incitação pública, desde que tome conhecimento dela um
numero indeterminado de pessoas.

“No conceito de instigação, acham-se compreendidas tato a influência psíquica,


representada pela determinação (induzimento) que se concretiza em fazer surgir em
terceiros um propósito criminoso antes existente, quanto a instigação, que é reforçar
propósito já existente. Instigar, como é cediço, indica cogitar, fazer com que outros se
decidam a executar um ato, ou ao menos reforçar-lhes o propósito. Isto se faz provocando
motivos impelentes, quer os consolidando, quer anulando ou reduzindo a rejeição. Além
disso, sabe-se que a publicidade constitui elemento essencial do tipo, sem a qual ele não se
aperfeiçoa, sendo o crime formal, ou seja, consuma-se com a incitação pública, desde que
percebida por um número indeterminado de pessoas” (TJSP – AC – Rel. Jarbas Mazzoni –
RT 718/378)

Tentativa – admissível quando o meio de incitação for por forma escrita.

Distinção – ocorrendo o crime (consumado ou tentado) responde o agente por participação


ou co-autoria.

Art. 287 – Apologia de crime ou criminoso

Objeto Jurídico – idem


Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – fazer apologia (elogiar, louvar, exaltar) o crime, como fato, ou seu autor.

“Apologia de crime ou criminoso – Vereador que, da tribuna da Câmara propõe o


extermínio de meninos de rua – Constitucional e penal – Habeas corpus – Apologia de
crime ou criminoso – Vereador – Imunidade – Inteligência do inciso VIII do art. 29 da
Constituição Federal – Invocação de Direito comparado – Recurso ordinário conhecido e
provido – I – O paciente, que é vereador, utilizou-se da tribuna da Câmara Municipal para
fazer a apologia de extermínio de meninos de rua. Foi, em decorrência, denunciado como
incurso no art. 287 do CP. Ajuizou habeas corpus, invocando sua inviolabilidade
parlamentar (CF, art. 29, VIII). O writ foi denegado. II – Não resta dúvida de que o
paciente pregou uma sandice, própria de mente vazia. Mas, mesmo assim, não se pode falar
tenha ele cometido o crime. A constituição Federal de 88, afastando-se do federalismo
clássico, alçou o Município à condição de ente federado (art. 1º, caput). Coerente com a
nova filosofia política, que encontra raízes históricas na aurora de nosso Estado, deu
imunidade ao vereador no art. 29, inciso VIII – ‘Inviolabilidade dos Vereadores por suas
opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município’. Desse
modo, ainda que o parlamentar (lato sensu) se utilize mal da grandeza e finalidade da
instituição a que devia servir, a Constituição, no interesse maior, o protege com a
imunidade. A Suprema Corte dos Estados Unidos, no caso United States v. Brewster [408
U.S. 501,507 (1972)], enfatizou: ‘A imunidade da cláusula relativa ao discruso e ao debate
não se acha escrita na Constituição simplesmente em benefício pessoal ou privado dos
membros do Congresso, mas para proteger a integridade do processo legislativo, garantindo
a independência individual dos legisladores’. III – Recurso ordinário conhecido e provido
(STJ – RHC 3891/RS – 6ª Turma – Rel. Min. Adhemar Maciel – DJU 24.04.1995, p.
10.427)

Tipo subjetivo – dolo (vontade de fazer apologia)

Consumação – com a simples conduta, desde que tome conhecimento dela um numero
indeterminado de pessoas.

Tentativa – admissível quando o meio de incitação for por forma escrita.

Art. 288 – Quadrilha ou bando

Objeto Jurídico – idem

Sujeito ativo – idem

Sujeito passivo – idem

Tipo Objetivo – associarem-se (unirem-se, agruparem-se)


Tipo subjetivo – dolo (vontade do agente de se associar a outras pessoa com a finalidade de
cometer crimes).

Consumação – com a efetiva associação, independente da prática de algum crime. Trata-se


de infração permanente.

Tentativa – inadmissível.

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