EDITORIAIS

Nota do Editor:
Com esta edição a revista Igreja Luterana atinge seu 50" volume. São 50 anos de muitas e expressivas bênçãos. É um marco significativo a que se pode galgar apenas orvalhado pela graça divina. Poucas são as revistas neste país que chegam, a este pedestal etário, razão pela qual Igreja Luterana ocupa lugar de destaque na história religiosa e no cenário teológico em que vivemos. Porta-voz de um luteranismo sólido e coerente, Igreja Luterana tem-se mantida altaneira em sua posição confessional num contexto marcado por não pouca confusão no pensamento teológico. Cada número desta revista espelha o testemunho de uma total consagração às Sagradas Escrituras e às Confissões Luteranas. Com o passar dos anos Igreja Luterana muda seus editores, renova seu conselho editorial, unifica sua língua sem entretanto comprometer seu fundamento teológico. Um aniversário por natureza começa com reflexão e nisto há sempre um mérito porque previsão sem retrospecção é um empreendimento arriscado e raramente prudente. É nesta convicção que celebramos o passado homenageando figuras proeminentes na história do Seminário Concórdia com um culto especial cujo sermão proferido pelo Prof. Curt Albrecht transcrevemos. A saudosa lembrança de homens santos é estímulo à continuidade na obra do Santo Ministério numa realidade em que o pastor é cada vez mais desafiado a posicionar-se no campo da ética. Em seu estudo sobre "Código de Ética do Pastor" o Dr. Martim C. W a r t h apresenta os resultados submetidos a conciliares em que a ética do ministro de Deus é abordada no prisma da liberdade, valores, propriedade, honra, responsabilidades e autoridade no ambiente social e especialmente na relação com sua congregação e co-pastores. A questão da autoridade é outro assunto que o mesmo autor apresenta sob o tema "A Responsabilidade dos Pais na Educação dos Filhos". Embora aparentemente restrita, esta responsabilidade é tratada de forma abrangente envolvendo diversos segmentos vivenciais do ser humano sob a ótica da Sagrada Escritura e Confissões. A série de artigos encerra-se com. "Prolegômenos à Escatologia do Antigo Testamento" (Prof. Acir Raymann) onde se busca mostrar que a polaridade do binômio "já — ainda não"
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incentiva o Israel de Deus a (re)vivenciar Seus atos salvíficos no mundo enquanto aguarda o plêroma destes atos na dimensão celeste. Com esta edição, em "Auxílios Homiléticos" concluímos o estudo dos Evangelhos da Série Histórica Revisada. A partir do próximo número voltamos ao estudo das perícopes da Série Trienal. Uma abençoada leitura e muito obrigado por celebrar conosco as bênçãos cinqüentenárias do S E N H O R . — AR

FÓRUM A CRISTOLOGIA DA PÁSCOA, SEGUNDO I CO 15.20-28
A leitura de I Co 15.20-28 deu ensejo a uma reflexão sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo. Quando Paulo diz que "Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem" (v. 20) ele afirma que Cristo morreu e ressuscitou. Ora, "o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23). Só se morre por causa do pecado. Mas Cristo é "o Santo de Deus" (Mc 1.24; Jo 6.69; At 3.14; 4.30), pois Maria deu à luz o "ente santo" (Lc 1.35). Por essa razão se afirma a "perfeita impecaminosidade" (anamartesia) de Jesus Cristo, segundo a natureza humana (Dogmática Cristã, J . T . Mueller, Vol. I, p. 268). Claro, segundo a natureza divina ele é o próprio Santo Deus. Ele era verdadeiramente homem, mesmo sem pecado, pois o pecado não faz parte da essência do homem. A Fórmula de Concórdia chama o pecado de "accidens" (FC, Ep I, 23; SD I, 57). Uma das conseqüências desta impecaminosidade é a imortalidade (athanasia) de Jesus Cristo, também segundo a natureza humana. Assim Jesus Cristo não está sujeito à morte, nem segundo a natureza divina, nem segundo a natureza humana. Como então morreu e ressuscitou dentre os mortos? E v i dentemente não morreu a sua morte, mas a minha. Sua morte foi vicária em lugar de todos os homens. Assim também a ressurreição não foi a sua ressurreição, mas a minha. Sua ressurreição também foi vicária em lugar de todos os homens. Por essa razão Paulo diz que sua ressurreição é "primícias dos que dormem", é vicária em lugar dos que dormem. Quanto consolo: cm Cristo vicariamente já ressuscitei e vou ressuscitar efetivamente para a vida eterna no último dia.
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Como aconteceu então a morte e a ressurreição de Jesus Cristo? Evidentemente não morreu segundo a natureza divina, mas segundo a natureza humana no estado da humilhação. Mas, como 0 Concilio de Calcedônia (451) nos ensina, as duas naturezas estão unidas na única pessoa de Cristo de forma inconFusa, imutável, indivisível e inseparável para sempre. Desta forma nem a morte vicária separou as duas naturezas. Assim a natureza divina participou efetivamente da morte vicária de Cristo e lhe conferiu valor eterno. Mas a natureza divina não saiu machucada ou diminuída. Na comunicação de atributos há apenas um gênero majestático, em, que a natureza divina comunica ou cede à natureza humana qualidades divinas. Não há um gênero tapeinótico, em que a natureza humana passaria qualidades humanas à natureza divina, fazendo-a diminuir ou ser humilhada. A humilhação não consistia na humanação, mas no fato de que Cristo não usou sempre e inteiramente as qualidades divinas comunicadas à natureza humana. A natureza humana tinha sempre a posse dessas qualidades divinas, mas na humilhação não fez sempre uso delas, como depois acontece na exaltação. A "forma de Deus" e a "forma humana" de Fp 2.6,7 dizem respeito à natureza humana: ela tinha a posse da "forma de Deus", mas usou a "forma humana" na humilhação para poder assumir a morte vicária por todos os homens. E o que aconteceu na morte e na ressurreição de Jesus Cristo? Na morte não houve a separação das duas naturezas, mas a separação de corpo e alma, que ambos ficaram continuamente unidos à natureza divina. Assim o próprio Cristo deu a sua vida (não a tiraram dele) e a retomou, ressuscitando-se a si mesmo (junto com o P a i e o Espírito Santo) em lugar de todos os homens, unindo novamente corpo e alma. Agora o corpo era glorioso, pois já não estava " n a carne", mas "no espírito" (I Pe 3.18), isto é, já não havia humilhação, mas iniciou a exaltação. Assim "no espírito" desceu ao inferno, antes de aparecer ressuscitado, para mostrar-se vivo e vitorioso sobre a morte e Satanás. Paulo, no entanto, ensina que ainda há muito a vencer na exaltação. Cristo quer vencer todos os inimigos: as forças do mal dentro e fora de nós que conduzem à morte. O diabo já está vencido. O homem já está remido. Falta, porém, vencer a morte. Este é o último inimigo. Até lá Cristo vence continuamente a morte em nós pelo Evangelho do perdão. E quando chegar o último dia e Cristo tiver vencido a morte pela ressurreição geral dos mortos, então a tarefa da humanação estará cumprida. Segundo a natureza humana Jesus Cristo "também se sujeitará àquele que todas as cousas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos" (v. 28). Segundo a natureza humana
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27). Jesus lembrou aquela brincadeira das crianças aos adultos que. Afinal. o ambiente em que vives? Duvido muito.Jesus Cristo recebeu de Deus Pai a sujeição de todas as coisas (Mt 28.22. neste momento. não estaríamos aqui. Segundo a natureza divina não há nada a devolver. Se cada um de nós estivesse plenamente satisfeito. no fogo da controvérsia com os líderes de Israel. Contou-lhes a parábola das crianças na praça. Pela Santa Ceia se torna presente na vida dos cristãos para preparar e garantir a ressurreição final. que está plenamente satisfeito? Será que ninguém tem nada a reclamar.1. Parece que faz parte da vida. C . Queriam sempre impor a sua vontade. devolve a Deus a autoridade que lhe foi confiada por ser "o Filho do homem" (Jo 5. estamos numa escola. Mais tarde.5. teu relacionamento com os outros. segundo a natureza humana. João veio da parte de Deus e não comia nem bebia. nada a criticar? Pergunto: Estás satisfeito contigo mesmo. E uma escola. Jo 5.27). o Messias da linhagem de Davi. homem. Isto significa que ele vivia do mínimo necessário. II Tm 4. Então Jesus. Eterna insatisfação. despóticas e insuportáveis.18). que é seu irmão amigo e seu Deus para sempre. em sua atitude diante da visitação definitiva de Deus. é hoje sinônimo de atividade. Pela ressurreição está vivo e garante a nossa vida eterna. Jesus Cristo. mostravam um comportamento idêntico. Até lá os cristãos recebem a presença real do corpo e do sangue de Jesus Cristo na Santa Ceia. "descanso". Escola é quase que por definição um viveiro de insatisfeitos. Como homem não é somente o Mediador. mas também o juiz (1 Tm 2. Estavam com a flauta na mão e queriam que todos dançassem conforme a música que eles tocavam. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 5 . embora o termo originalmente significasse "ócio". Mas não se entendiam. Pela fé esta presença é graciosa e consoladora. Na presença de Deus na eternidade os salvos confraternizarão com o Rei Jesus. E r a um nazireu. observou isso na criançada que brincava na praça de Nazaré. o corpo e o sangue dado e derramado vicariamente pelos homens para selar a aliança eterna de Deus com o Seu povo. Tinha um grupo de crianças chatas. E r a m uns chatos insatisfeitos. ETERNA (IN)SATISFAÇÃO Quem poderia dizer. Brincavam de festa de casamento e de enterro. O juízo final encerra a tarefa de Jesus Cristo. pois nada foi recebido. pois garante o perdão e a vida para sempre. Que consolo nos dá esta Cristologia da Páscoa! — M . W .

queriam fazer Jesus bater no peito. nos entristece. Ou. enquanto o noivo está com eles?" (Mateus 9. Queremos dominar." " A s devoções são uma eterna mesmice. Isto significa que ele ia a jantares. no dizer deles. E porque Jesus não dançou conforme a música deles. pronunciado por Jesus. em sinal de tristeza e luto." "Aquele pregador não leva jeito. por assim dizer. beberrão. cada um desses jantares com pecadores era uma parábola viva. "Aquele aluno é um desastre. o que. também a nós se aplica o ai de vós. foi tachado de louco. em meio a esse quadro de juizo. Esta é uma expressão que vem carregada de juízo e ira de Deus. o Agente escatológico do Pai. Também nós fazemos parte desta geração. não percamos de vista o grande consolo da palavra de Deus. prefiro o evangelho. 6 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . amigo de publicanos e pecadores. Corazim! ai de ti. rebeldes. Jesus se dirige a ela com seu pungente " A i de ti. Mas os líderes judaicos. Jesus sabia o que é se alegrar e até incentiva a alegria dos seus." "Professor fulado de tal não está com nada.um asceta. de amigo de pecadores. que tinham a flauta na mão. que comia e bebia. Chamam-no." "O pastor é um desligadão. queriam fazer João Batista dançar." " A s mensagens são muito adocicadas. em pano de saco e cinza. o Filho do homem. uma alegre antecipação tipológica do banquete celestial (mais ou menos como temos hoje na Santa Ceia).39 Jesus se refere a ela como sendo "geração má e adúltera".15a) Para Jesus. tanto na casa de fariseus como de publicanos. "tem demônio". por certo. E porque João não dançou conforme a música deles. João estava. que tinham a flauta na mão. foi chamado de glutão. pois quem estava reunido à mesa era o Salvador com pecadores arrependidos e perdoados. No entanto. Estava de luto. repleto de acusações? Pois o evangelho está exatamente numa das farpas jogadas contra Jesus. Falta l e i " . E r a uma imagem ambulante a pregar a necessidade de profunda conversão face ao juízo que estava por despencar sobre a cabeça do povo. emitindo pareceres o tempo todo? Temos a flauta na mão e queremos que todos dancem conforme a nossa música. em tom zombeteiro. Todos devem dançar conforme a nossa música.21) Tu e eu podemos até concluir: Que geração aquela! Eternamente insatisfeitos! Mas será que somos diferentes? Não é assim que também nós estamos instalados em nossa cadeira de juiz. em termos de "esta geração". despóticos. Jesus avalia a situação e se refere àqueles seus contemporâneos insatisfeitos. Betsaida!" (Mateus 11. Sabemos criticar. Veio Jesus Cristo. Demais evangelho. ao perguntar: "Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento. Mas onde haveria consolo num texto como o nosso." "A lei que aparece nos sermões é muito amarga. Em Mateus 12. Mas os líderes judaicos. por isso não vou mais. Por isso.

te tirar a flauta desafinada ou te derrubar da cadeira do falso juiz que a todos julga e por ninguém quer ser julgado. Aí terás eterna satisfação. por sua lei. sobre Mateus 11. Teu amigo. ao caíres. de pecadores.16-19. Jesus. Amém. o amigo de pecadores. lembra-te: Jesus. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 7 . amigo do pecador.Amigo de publicanos.. Amigo daqueles que precisam dele e o recebem. colocando de lado a sua flauta desafinada e ouvindo a música que ele toca no trombone da lei e na flauta doce do evangelho. Meus amigo. Nenhum título é tão precioso quanto este. Sempre que Deus. . — VS Devoção proferida no Seminário Concórdia no dia 27 de junho de 1990.

que Jesus diz: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. os escribas e os principais sacerdotes. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS. justamente aqueles que. Os fariseus. eu deste mundo não sou" (8. "Vós sois cá de baixo. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS Curt Albrecht Em Cristo Jesus.40-43)." Mt 16. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista. ou algum dos profetas. É a seus discípulos.12). Em ambas as épocas o evangelho de Cristo estava escondido entre inúmeros preceitos humanos. por primeiro e melhor. quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro.23). Poucos eram os fiéis que conheciam bem a Cristo Jesus. "Quando levantardes o Filho do homem. pois I — C O N H E C E R E I S A V E R D A D E e II — A V E R D A D E VOS L I B E R T A R Á . outros: Elias.ARTIGOS SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. Mas vós. o Filho do Deus vivo".13-16. Poucos são os fiéis discípulos que realmente sabem quem é Jesus. confusão que provocou dissensão entre eles. mas falo como o P a i me ensinou" (8. o Filho do Deus vivo. eu sou lá de cima. disse Tu és o Cristo. Hoje — penso — a situação é quase a mesma. e outros: Jeremias. À época da Reforma a situação não era muito diferente. Entre os que confessam isso estamos nós. Mas há aqueles que conhecem e que confessam a "Cristo.28). Jesus ia identificando-se nos seus discursos: " E u sou a luz do mundo" (8. e que nada faço por mim mesmo. continuou ele. deveriam reconhecer 8 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . então sabereis que eu sou. que crêem nele e que o servem. aos que crêem nele. prezados ouvintes! Certa vez "Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de F i l i pe. I CONHECEREIS A VERDADE Havia uma grande confusão entre os judeus a respeito de Jesus (Jo 7. vós sois deste mundo.

automaticamente. mas quem lhe retrucou foram os judeus incrédulos. Praticar erros é ser escravo do erro. Sem Cristo Jesus todos estão perdidos e condenados. no entanto. 2) Permanecer na palavra dele é conhecer a verdade. Já o filho é da casa. E a multidão ficava confusa. porque não é senhor. Ou teriam aqueles judeus querido dizer que eles não eram pecadores? É ilusão o homem natural pensar que é livre. mas porque é escravo do erro.6). porque "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem. lhes mostra. 0 escravo é passageiro. ele não fica para sempre na casa. e diz: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado". mas ainda o perseguiam e contradiziam. lhes diz três coisas importantes: 1) Permanecer na palavra dele é característica do verdadeiro discípulo dele. ele é dependente.23). está à mercê do senhor. Muitos. eram. Isto foi dito aos que creram nele.20). Consideravam-se livres de tudo e de todos.em Jesus o verdadeiro Filho de Deus. filhos de Deus salvos e livres: "Jamais fomos escravos de alguém" —disseram para Jesus. É o que Jesus está dizendo. escravos do pecado. e filho não é escravo na casa. Jesus." Achavam que. verdadeiramente sereis livres"! E ele nos libertou. é senhor. que é autoridade máxima no mundo. que é o Senhor da casa. Por isso o escravo depende do filho. e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51. pois. "ft como confessa o salmista Davi: " E u nasci na iniqüidade. Além disso. escravo não é filho. 3) Conhecer a verdade da palavra dele e permanecer nela é sinônimo de ser e estar libertado da escravidão ao pecado. É por causa disso que Jesus disse: "Se. não para que julgasse o mundo. o Filho vos libertar. Em nossa perícope. 3. ([liando morreu com e pelos nossos pecados e quando ressuscitou dentre os mortos. "Porquanto Deus enviou seu Filho ao mundo. escravo do pecado. creram nele. "pois todos nós somos como o imundo. é herdeiro. O pecador peca não porque é senhor do erro. que não é bem assim. O escravo do pecado só pode ser libertado pelo Filho de Deus. porém. por serem descendentes de Abraão segundo a carne. "Somos semente de Abraão. que é senhor de si. Jesus está falando àqueles judeus que creram nele. Também nós somos. e todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Is 64. mas para que o mundo fosse IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 9 . ele não é da casa. por natureza. Pensavam assim de si na qualidade de "semente de Abraão". falharam e não só não o reconheceram como tal. senhores de sua própria vida. "Todos pecaram c carecem da glória de Deus" (Rm.5). e que não peque" (Ec 7. Ele lhes diz algo muito importante.

no nosso tempo. está reconciliado conosco! Conhecer esta verdade e crer nela liberta do pecado. na sua dedicação c persistência em proclamar a verdade. ao lembrá-los.salvo por ele" (Jo 3. do diabo c da morte eterna. E assim como eles. essa palavra. e. Lembramos hoje cinco pregadores desta verdade. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISCÍPULOS. em Cristo.19). SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISC Í P U L O S . agora. porque o próprio "Deus estava em Cristo. precisamos levar outros. considerando atentamente o fim de sua vida. pelo seu centenário de nascimento. reconciliando consigo o mundo. que traz Cristo como Filho de Deus e Salvador para as pessoas. para imitar-lhes a fé que tiveram e também para inspirar-nos no seu zelo. nossos contemporâneos.17). os quais vos pregaram a palavra de Deus. quando diz: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A . São válidas para nós as palavras de Jesus em nosso texto: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A . permaneceram discípulos e apóstolos fiéis de Cristo até o fim. no seu espírito missionário. e conhecereis a verdade". à qual Jesus se refere em nosso texto. porque conheciam a verdade e creram na palavra de Cristo. em sua vida e no seu tempo. precisa ser pregada.25). Lembramo-los. proclamada. verdadeiramente sereis livres"! Por isso. e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4. 0 perdão dos pecados e a conseqüente justificação só são possíveis e são válidos eternamente. Jesus " f o i entregue por causa das nossas transgressões. imitai a fé que tiveram" (Hb 13. que diz: "Lembrai-vos dos vossos guias. Oh! como é de vital importância conhecer a verdade de que Deus. ao conhecimento da verdade. É tarefa nossa fazer isso para os nossos contemporâneos. na sua consciência. não imputando aos homens as suas transgressões. e nos confiou a palavra da reconciliação" (II Co 5. Estes cinco pastores. "pois se o Filho vos libertar. que é a palavra de Cristo. anunciando-lhes perdão dos pecados e vida eterna em Cristo. E. formados pelo nosso Seminário Concórdia. levaram outros ao conhecimento da verdade. assim nós. Esta palavra da reconciliação é a mesma.7). queremos fazê-lo em obediência à recomendação bíblica. e conhecereis a verdade e 10 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . falada ao coração para aqueles que são escravos do pecado.

Esta pessoa era Martinho Lutero. Por isso. pregou. escreveu. Lutero enfrentou árduas lutas pela defesa e propagação do Evangelho. A Reforma de Lutero recolocou a Palavra de Deus. conhecemos a palavra de Cristo que liberta do pecado. cantou e viveu o Evangelho de Jesus Cristo. A Reforma luterana proclamou a palavra da verdade que liberta. as Sagradas Escrituras como única regra de fé e de vida cristã para a Igreja. Nascido a 10/11/1483 e tendo sido batizado no dia seguinte. exortou as autoridades da sua nação. em 31/10/1517. viria a ter a grande preocupação de como ser salva. único Salvador de cada pessoa. Tornou-se padre. fez uma promessa a Santa A n a de entrar para um mosteiro. mas morreu de morte natural aos 63 anos. Eisenach e Erfurt. evangelizadores. É graças à ação de Deus através de Lutero que nós. visitou Roma. desde tenra idade. " F o i o homem pelo qual Deus purificou ou reformou a Igreja". lecionou. aplicou-se ao estudo da Palavra de Deus. combateu o erro. Cresceu sem conhecer direito o Salvador Jesus Cristo. Provocado pela infame venda das indulgências e movido pelo zelo para com a palavra de Deus. afixou Lutero as 95 Teses à porta da igreja. Aos que invocaIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 11 . em plena juventude. foi feito doutor em Teologia e tornou-se professor c pregador na Universidade de Wittenberg. que. cresceu em Eisleben. contra o perigo de sermos "luteranos tradicionais" apenas. não sendo discípulos fiéis de Cristo. de como libertar-se dos pecados — preocupação rara — convenhamos. Mas convém advertir contra o perigo do "somos semente de Abraão" dos judeus incrédulos de nosso texto. contra o perigo de nos acomodarmos nessa condição de luteranos nominais. hoje. Aos 42 anos casou-se com Catarina von Bora e foi pai de seis filhos. Sustentou debates teológicos. compareceu à Dieta de Worms diante do imperador. A Reforma proclamou que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo. estudou em Mansfeld. Começara uma nova era. F o i excomungado da Igreja Romana e proscrito pelo governo imperial. fazer-se monge. mas escravos do pecado que não permanecem para sempre na casa.II A VERDADE VOS LIBERTARÁ A partir de 1483 havia uma pessoa no mundo. "Semente de Abraão" e "luterano por tradição" não liberta ninguém do pecado e da condenação eterna. que desencadearam a Reforma luterana e a conseqüente mudança radical na Igreja e no mundo do Ocidente. com o fim de adquirir a sua salvação e paz na alma.

a Bíblia. / que as almas guiou / como seu bom Pastor. ser discípulo dele. por conseguinte. Chemnitz. sobretudo. hoje. Também nós podemos alegrar-nos por causa do parentesco que temos com. este é discípulo dele. Hasse. Em si não era errado os judeus lembrarem-se de Abraão. Nós recordamos. Libertados do pecado pela fé em Cristo e conhecedores da verdade. Doege e Flor podem ser imitados nas virtudes de sua fé por nós pastores. e conhecereis a verdade. E. Por isso diz Jesus: "Se. aos princípios da Reforma. ouvintes. nela crê e nela permanece. o Filho vos libertar. conhecer a verdade e ser libertado pela verdadeira fé em Cristo. porque permaneceram firmados nas promessas de Deus. Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Jesus Cristo. Para ser salvo é preciso permanecer na palavra de Jesus. conhece a verdade e esta verdade o libertará da escravidão ao pecado e da condenação eterna. pois. / na Bíblia nos deu / consolo do céu" ( H L 269. para um Ministério eficiente na I E L B . verdadeiramente sereis livres". podemos confessar. SOIS V E R D A D E I R A M E N TE M E U S DISCÍPULOS. que é vosso pai. de Moisés e de Davi. e quereis satisfazer-lhe aos desejos" (Jo 8. Walther e tantos outros que se tornaram mais que vencedores por meio daquele que os e a nós amou. alegrar-nos com a história da I E L B .3).20). ela contém o consolo do céu de que. Quem nele crê torna-se beneficiário da morte e da ressurreição do Senhor. cinco discípulos fiéis de Cristo. que nasceram há um século e que foram pastores apegados à palavra de Cristo e. c a verdade vos libertará". alegrar-nos também por Lutero. quem a conhece. os cinco pastores fiéis que foram os que hoje são lembrados. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E 12 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Então. Raschke. pois estes foram discípulos fiéis. Gerhard. enriquecida por estes cinco obreiros. " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . "Ninguém. será libertado por Cristo para a vida eterna. será justificado diante dele (de Deus) por obras da l e i " — escreveu São Paulo aos Romanos (3. Jesus lhes disse: "Vós sois do diabo. traduzindo-a para o povo. cantando com o poeta sacro: " N i n guém nos amou / como o Cristo Senhor. alegrar-nos com a nossa filiação a Deus por meio de seu Filho.44a).ram a tradição e a genealogia de Abraão como qualidade de salvação. lembrados das palavras do próprio Cristo: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . Sim. E quem permanece nesta fé. que Lutero devolveu ao uso na Igreja. Hirschmann.

Imitemos a fé na verdade da palavra de Deus que nossos antepassados tiveram e continuemos sendo discípulos fiéis de Cristo. Irmãos ouvintes. E saibamos que uma maneira de viver bem nosso cristianismo luterano é não esquecer a história da Igreja. para crer nela. ser discípulos dela. temos sua palavra. Sermão proferido na capela do Seminário Concórdia no dia 26 de outubro de 1990 em culto especial comemorativo à Reforma. que nós cremos nele e somos seus discípulos. os quais nos pregaram a Palavra de Deus e nos levaram. permanecer nela. enquanto nos é dado viver na Igreja militante. Esta verdade — Cristo — nos libertará para sempre. que Cristo é o Filho do Deus vivo. assim. e conhecereis a verdade. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 13 . lembrandonos de nossos guias. graças à misericórdia de Deus.M E U S . aniversário do Seminário e centenário de nascimento dos pastores Ewald Hirschmann. o único que liberta do pecado e da morte eterna. em meio a um mundo confuso. Wühelm Doege e Benjamin Flor. Rodolpho Hasse. Amém. saibamos nós confessar e testemunhar com os apóstolos do Senhor Jesus. Mas. e a verdade vos libertará". DISCÍPULOS. Temos ao Deusconosco todos os dias conosco! Procuremos conhecer mais e mais esta verdade. ao discipulado de Cristo. temos um Salvador. Curt Raschke. Proclamar que Jesus é o Salvador. esperando a libertação final e total no lar celeste. temos a verdade.

com. b. como evangelista e despenseiro de Deus. b. 14 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Capacidade de trabalho para cumprir o ministério: a.7-8.7-9. modelo. e para suportar aflições. instar com integridade. d. deve ser hospitaleiro.24-25. deve ter família padrão: uma só mulher.16. e. c.4). Motivações pessoais: a.CÓDIGO DE ÉTICA DO PASTOR Martim C. para pregar a Palavra.1-7. amigo do bem.5. a motivação pessoal. 0 ministro deve ser piedoso. 2 Tm 2. Encontram-se em 1 Pe 5. O ministro deve ser irrepreensível. que tenha cuidado de si e domínio de si. Tt 1. com bom testemunho dos de fora. 2. Jesus Cristo (1 Pe 5. de boa vontade. 4. filhos educados. A.1. a conduta social e os proibitivos.2. Warth O pastor é chamado para pastorear o rebanho de Deus sob o Bom Pastor. O ministro deve ser apegado à Palavra e ter cuidado da sã doutrina (não pode ser neófito). 4. ser apto para ensinar e instruir. linguagem sadia e irrepreensível. para exortar. c. Conduta social: a. b. c. Elas mencionam a capacidade de trabalho.2. repreender — com mansidão e longanimidade. de forma espontânea. padrão de boas obras. C. B. disciplinar.1-4. corrigir. convencer. Há regras de conduta bem específicas para os obreiros de Deus na Escritura. reverência. 1 Tm 3.

justo. demonstrada na confissão da fé. os conselheiros. Mas o "espírito voluntário" (Sl 51. violento. A espiritualidade recebida pela fé está continuamente sob ataque da natureza corrompida. deve ser temperante. modesto. acima de tudo a autoridade de Deus e de sua Palavra. Como o homem em rebelião não aceita que Deus é Deus. 3. Como pastor aceito especialmente a autoridade daqueles que foram eleitos para governarem na igreja: o presidente e a direção da igreja. na oração e no culto pessoal ao meu Deus. Minha primeira resposta é a adoração. inclusive leigos. como estão no Livro de Concórdia de 1580. paciente. e na igreja. arrogante. está sob contínuo ataque na rebelião do homem: a autoridade. A devoção diária com estudo e oração é básica para o pastor. dominador. Como espiritual aceita os seguintes princípios de conduta na grande tarefa de equipar o povo de Deus para serviço que são extensivos aos obreiros de todas as categorias dentro da I E L B . Entendo que também os colegas me foram dados por Deus para mútuo conselho e exortação necessários para um ministério mais espiritual e eficiente. — Há um elemento muito sensível que garante a existência da sociedade e que. D. fracasso ou revolta. e outros que receberam esta autoridade.12) do cristão aceita a autoridade. por serem. Proibitivos: 0 ministro não pode ser: constrangido ao ofício. 4. Onde eu mesmo exerço esta autoridade. na conIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 15 . cordato. Como cristão e pastor eu aceito pela fé. revelada em lei e evangelho. seja na igreja. irascível. Como cristão e pastor luterano eu aceito a autoridade das confissões luteranas. Como cristão e pastor eu aceito a autoridade daqueles que são colocados por Deus acima de m i m nas diferentes ordens sociais: na relação familiar e econômica. Aceitar Autoridade. brando.d. cobiçoso). a diretoria da congregação. A verdadeira espiritualidade só pode ser dada pela meditação no evangelho que é o poder de Deus que move a fé. ganancioso (avarento. 2. a clara e correta exposição da Palavra de Deus. Pode sentir-se exausto e sem recursos espirituais. i n i migo de contendas. sóbrio. no governo. I. 1. que goste de contenda e de muito vinho. assim ele também não quer servir sob nenhuma autoridade. Isto torna também o pastor frágil. no entanto. seguido de um sentimento de frustração.

— A liberdade sempre é dada: Deus a dá e distribui. Reconheço que a paróquia ou o segmento da igreja que me chamou também tem o direito de reavaliar o chamado e propor modificações. ficando inclusive sob a autoridade do seu presidente e dos seus conselheiros distritais. 9. procurando respeitar o tempo. 7. Como cristão aceito a autoridade de todo aquele que se dirige a m i m por carta ou por outra forma de comunicação pessoal. Como cristão aceito a autoridade de todos os que vivem comigo na família. II. Como pastor eu aceito a liberdade de filho de Deus e a coloco à disposição do meu Senhor para servir ao meu próximo. Lembro que nem mesmo sou a única autoridade sobre o meu corpo. surge o limite pela vocação de cada um. os bens e a vida do meu próximo. Como pastor aceito a autoridade de uma paróquia que me chama. da minha nova vida em Cristo para servir sob o reino de Deus. 6. Reconheço que chamado é coisa pública na ordem social da igreja. Como cristão eu aceito o limite da minha liberdade. servindo ao seu próximo.21) porque abri espaço com ternura para viverem comigo. Esta liberdade me determina como aquele que está aí para servir o seu Senhor. Como o meu próximo tem a mesma liberdade. com os quais pratico a submissão mútua (Ef 5. Aceitar a liberdade e seus limites. Entendo que preciso exercer a autoridade recebida como quem serve em humildade ao seu próximo (Jo 13. entendo que não o posso fazer como dominador (1 Pe 5 3). Há uma liberdade de mim mesmo que Deus me dá pela fé. reconhecendo a necessidade de dar uma resposta adequada dentro do menor prazo possível.gregação ou na família. e respeito o seu direito de receber uma imediata participação do seu recebimento e uma pronta solução para o chamado. 16 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Como cristão eu aceito a liberdade de dispor do meu tempo. 10. pois o uni à esposa. com os quais preciso me comunicar. 5. Estando a serviço de outra paróquia ou agência da igreja reconheço o direito desta de opinar comigo sobre o novo chamado. 8.14-17) de quem recebeu esta autoridade. dos meus bens.

Respeitar a escala de valores. sem acerto devido com o colega. 13. III. de falsas interpretações. afastando-me de qualquer tentativa de especular a respeito de vantagens ou defeitos de meu próximo. Como cristão e pastor eu aceito o direito que meu colega que me precedeu no ministério naquela paróquia tem de ver o seu nome protegido.Como cristão eu respeito o direito que meu próximo tem à sua privacidade. . 16. 14. Como cristão eu aceito uma escala de valores em que o espiritual tem precedência sobre o físico e o material. Nesse sentido procurarei não impor os meus padrões. — Como cristãos nós entendemos que há certas prioridades. Também não aceitarei pessoas de outras paróquias para aconselhamento. Como cristão e pastor eu aceito o direito à privacidade dos congregados. sem ver neles concorrentes. mas dons de Deus para aperfeiçoamento dos santos (Ef 4. Como cristão e pastor aceito a liberdade de trabalhar em equipe com os outros. 17. interpretando tudo da melhor maneira. Nesse sentido procurarei sempre falar bem do colega.o cristão e pastor eu aceito o direito dos outros de modelar a sua vida de acordo com os privilégios éticos que lhes cabem. Lembro-me de que uma pessoa tem mais valor do que todo o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 17 15. tanto com os líderes paroquiais como com os colegas pastores. Entendo que trabalho em equipe também inclui aceitar admoestação quando eu faltar a compromissos assumidos. não intrometendo-me em sua área de trabalho. nem sobrecarregando-os com os problemas dos outros. nem oficiando em sua paróquia sem autorização clara dele e de sua paróquia. 12. nem abusar de seu tempo por visitas alongadas. Como pastor lembrarei aos congregados o meu direito de ser consultado em assuntos que dizem respeito à minha paróquiai Nesse sentido falarei com meus colegas para não aceitarem meus paroquianos para aconselhamento. 11. Como cristão e pastor aceito o direito de meu colega pastor. não procurando penetrar curiosamente em seu mundo de erros e ofensas quando não são públicos. sem que o tenhamos acertado devidamente. Estas precisam estar sempre claramente diante de nós quando precisamos decidir.12). Com. 18.

o quanto possível. I V . 24. 19. uma orientação segura na Palavra do Senhor para então fazer a distribuição do meu tempo. entre tarefas necessárias e outras menos necessárias. Sei que preciso falar sempre quando alguém é acusado injustamente. e que vem em primeiro lugar o reino e sua justiça. meus bens e dos meus talentos nas ordens sociais em que Deus me colocou por sua vocação. os pecados dos irmãos. os membros da minha congregação e meu próximo. destruindo a sua honra. 23. — O mundo entende que é fácil destruir alguém. Como cristão e pastor eu me comprometo a preciso guardar o segredo confessional.mundo. Reconhecer os direitos de propriedade. pois Deus defende a honra do próximo no oitavo mandamento. Minha congregação precisa saber que jamais trairei segredos que me foram confiados em confissão ou no aconselhamento pastoral. 20. Nesse sentido quero ser um parácleto: quero estar aí para os! outros. Como cristão e pastor quero usar de moderação (epiquéia) ao julgar os outros. O cristão entende que a honra é quase uma ordem social. Como cristão e pastor eu vou procurar cobrir. E n tendo que equipar os santos é tarefa básica do pastor. Já se matava com a língua em tempos bíblicos. Assim com "espírito voluntário" (Sl 51. Podem ser pro18 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . meus bens e meus talentos de acordo com esta escala de valores. Como cristão aceito a primazia do reino de Deus sobre as coisas. 22. Como cristão e pastor eu quero interpretar tudo da melhor maneira. sabendo que também eu tenho minhas fraquezas. procurando distribuir meu tempo. defendendo os meus colegas no ofício. minha igreja. Defender a honra do próximo. certas coisas que são suas conquistas na vida. meu presidente. em primeiro lugar. 25. 21. — Cada um tem. minha diretoria. Como cristão e pastor eu quero discernir entre tarefas urgentes e outras menos urgentes. meu conselheiro. V. Como cristão e pastor eu quero falar pelo mudo.12) buscarei. sendo depois acrescentadas as coisas. para ajudar a carregar o peso de sua vida.

26. 31. Como cristão e pastor eu reconheço o direito do meu próximo sobre a sua propriedade. 30. . IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 19 27. Como cristão e pastor eu quero cuidar para equilibrar m i nhas responsabilidades como pastor com as demais. e de minha família. mas administrá-los para Deus dentro das ordens sociais. Em cada uma temos certas responsabilidades. invenções. assalariado. E l a não está simplesmente à minha disposição. Como cristão e pastor eu quero valorizar os esforços dos outros que me ajudaram a crescer. súdito. Assim. quando quero usar pensamentos. Pois reconheço também as minhas responsabilidades como esposo. citando as fontes. eu quero dar crédito ao seu autor. idéias. pai. poesias e artigos de outros. Equilibrar responsabilidades. Como cristão reconheço também que todos os bens que me foram confiados por Deus possuem uma variada qualidade: suprir minhas necessidades. Entendo que não me diminui quando reconheço e valorizo a aprendizagem que fiz com alguém. — Quando uma pessoa fica envolvida demasiadamente com um certo assunto. e que não são de domínio público. Desta forma não devo utilizar meus bens egoisticamente. eu quero primeiro verificar se tenho autorização para usá-los. Nesse sentido preciso reavaliar continuamente minha permanência na mesma paróquia ou tarefa por tempo acima ou abaixo do conveniente e produtivo. e como membro da minha sociedade e do meu país. sermões. Como cristão e pastor não quero enfeitar-me com "plumas alheias". VI. nem fazer uso dela sem a sua autorização. Como cristão e pastor quero ser muito cuidadoso e consciencioso com valores que me foram confiados!. ela pode ficar unilateral em seu julgamento ou em suas ações. O mundo reconhece que quem i n ventou pode patentear sua invenção. governo e igreja. mas também as do próximo como parte do meu culto a Deus.priedades. 28. Entendo que preciso administrar os bens que me foram confiados e prestar contas com exatidão a quem mos confiou. Desta forma não posso simplesmente invadir a sua propriedade. O cristão também reconhece que o próximo tem direito a sua propriedade. Todos nós pertencemos a todas as ordens sociais: família. E quando o fizer. 29.

12) na paróquia. de limpeza e asseio pessoal. Reconheço a responsabilidade de equipar os congregados para viverem sua vida cristã de adoração a Deus em confissão de fé e missão. 20 . na certeza de que não estou caminhando sozinho nesta tarefa sublime. Para isso preciso buscar energias novas e conhecimentos atualizados em conferências. de equilíbrio entre trabalho e lazer. Como cristão e pastor quero ajudar o meu próximo. dando um bom exemplo de preparo físico e mental. concílios e outras oportunidades de estudo. em oração e culto doméstico e público. e especialmente meu congregado. — A tendência humana é sentir-se o centro do mundo.Como pastor reconheço minha responsabilidade de pastormestre para equipar os santos (Ef 4. Achamos que temos soluções para os problemas do mundo. de aconselhar. a tomar as suas decisões. Entendo que ninguém pode crer pelo outro. VIL Respeitar a responsabilidade dos outros. Da mesma forma preciso equipar os santos para viverem a sua fé em amor e serviço ao próximo nas inúmeras oportunidades de sua vocação nas diferentes ordens sociais. 33. A i n d a preciso equipá-los para compreenderem a vida sob a cruz na esperança cristã. de escrever devoções e artigos. de moderação no comer e no beber. não dando-lhes a oportunidade de tomarem a sua decisão ética que Deus requer. Entendo que também tenho responsabilidade com minha saúde pessoal e social. de visitar. evitando drogas e vícios da sociedade e guardando distância da poluição moral do mundo em que vivemos. Como cristão e pastor eu quero dividir bem o meu tempo para atender todos os meus compromissos. e que ninguém. usando a linguagem. 35. ninguém pode viver pelo outro. 36. enIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 34. e de instruir para equipar os santos. Como cristão e pastor quero aprender a incentivar os outros a tomar as suas decisões diante de Deus. Lembro especialmente o meu compromisso de pregar. Desta forma muitas vezes tomamos a liberdade de decidirmos pelos outros. deveria decidir pelo outro. os m o dos e os trajes adequados a cada momento de convívio social. Pois cada um será responsabilizado diante de Deus. por isso. de estudar. Como cristão e pastor reconheço minha responsabilidade com a sociedade em que vivo. E n tendo que só assim cada um do povo de Deus poderá desempenhar sua tarefa como membro do corpo de Cristo. de sensatez e seriedade na administração dos recursos disponíveis. 32.

a sua responsabilidade de decidir. no entanto. Mesmo que nem sempre possa concordar com a sua decisão. 5. 3. pela fé recebemos a verdadeira espiritualidade a minha decisão como cristão será a favor da justiça e contra a injustiça. como são verificadas nas diversas ordens sociais e na experiência do povo de Deus. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 21 . com adendos sugeridos pelos conciliares. fazer nova decisão quando possível. Isto não garante sempre uma decisão entre certo e errado. 38.os guia v que quer nos perdoar os erros. depois de ter recebido de Deus pela fé um espírito voluntário é o seguinte: 1. fazer a nossa decisão. 4. Como. pois ele será responsabilizado por Deus. 2. no entanto. Como cristão entendo que não há espaços livres de pecado. viver a vida com alegria.sinando-lhe o processo de decisão. voltar a Deus em arrependimento quando decidimos erradamente. reunido em Campo Limpo. Apresentado no Concilio Nacional de Obreiros. quando esta não foi correta. quando houve boa decisão. 87. de 5 a 9 de julho de 1989. respeitando. quero aprender a respeitar a decisão do meu próximo. porque continuamos a ser simultaneamente justos pelo evangelho e pecadores pela lei. Como cristão e parácleto quero estar à disposição do meu próximo para aconselhar e ajudar. na certeza de que Deus n. São Paulo. Muitas vezes deverá ser uma decisão entre menos e mais prejudicial. Entendo que o processo de decisão. 6. conhecer a l e i imutável de Deus. agradecer a Deus quando nos permitiu decidir bem. conhecer as leis variáveis de Deus. os Dez Mandamentos. pedir em oração que Deus nos faça decidir bem. Mesmo sabendo que não serei perfeito eu sou chamado a decidir continuamente como um pecador espiritual que recebeu um novo espirito) voluntário pela fé.

Essa auto22 i . pode até ser decorrente de um "costume c i v i l " (Ap X V . como eles são usados na linguagem teológica e confessional da igreja luterana. Deus regulamenta a vocação na família pelo primeiro uso da lei. A vocação é uma transferência de autoridade. criados por Deus. 47). Faremos inicialmente uma reflexão a respeito destes conceitos. o político. 25) 1 A vocação. como no caso dos filhos. Responsabilidade e Vocação. e o eclesiástico. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Warth A. pois se refere a uma relação entre pessoas em que uma autoriza e a outra "responde". A autorização sempre é uma vocação em que alguém é autorizado com direitos e deveres a responder convenientemente. Na Apologia da Confissão de Augsburgo se confessa que "a educação dos filhos" é uma questão da "vocação da cada qual" (Ap X V . que pode ser escolhida. que inclui a família. embora estabelecidos a partir de instintos naturais (o instinto sexual e o instinto gregário). Lutero menciona geralmente três ordens: o "ordo" econômico.. 1. ou imposta. A responsabilidade dos pais na educação dos filhos se resume na aceitação consciente ou inconsciente da sua vocação de pais. 2 Este "costume c i v i l " se transforma em vocação nas ordens sociais. como no caso dos pais.A RESPONSABILIDADE DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS Martim C. INTRODUÇÃO AOS CONCEITOS Na discussão a respeito do tema destas reflexões a proposta do uso de "responsabilidades" venceu sobre o uso de " d i reitos e deveres". O próprio casamento e a formação de um lar. especialmente nos seus 4º e 6º mandamentos. criadas e ordenadas por Deus. um assunto do mundo. Parecia mais global. são considerados por Lutero "ein weltlich Geschäft".

A pessoa chamada precisa integralizar a vocação e exercer a tarefa inerente ao chamado. Há o dever de representar bem. Responsabilidade como Direito e Dever. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 23 . como diz Lutero. E há o dever de cumprir a tarefa em relação àqueles para os quais se destina o interesse da vocação. aquele que nos chamou. 4 2. Este é o grande direito da vocação. Exercemos um ofício que deve ser reconhecido pelos demais. Significa que alguém. B. 3 através das quais sempre ainda cumpre ver a autoridade última de Deus. A última autoridade é do autor último. como podemos ver no caso específico da responsabilidade dos pais na educação dos filhos. Ser chamado é ser escolhido para exercer o privilégio de representar alguém e de exercer autoridade em seu nome. Como "não há autoridade que não proceda de Deus" (Rm. A responsabilidade. Responsabilidade pressupõe direitos e deveres. além de verificar como a própria natureza concorda com esta perspectiva. Se há necessidade de "obediência na vocação" está também implícito que alguém nos chamou e nos investiu de direitos. Somos alguém porque alguém nos chamou pelo nome e nos autorizou a receber destaque para exercer uma função. pois só ela torna a vida possível entre pessoas dentro de uma ordem social. Daí resulta o dever. Deus. se verifica em direitos e deveres. mas eles são inerentes em qualquer posição de responsabilidade. É implícito com esta honra que haja "obediência na vocação". Sempre somos chamados para uma relação de privilégio com outros. Na estruturação das ordens sociais Deus autoriza outros a exercerem autoridade em seu nome. teve confiança em nós e nos honrou com uma distinção sem par.ridade é necessária nas ordens sociais. exercendo-o convenientemente. Assim a vocação implica em obediência. Somos "máscaras" daquele que nos chamou. Precisamos "responder" ao chamado. São as "máscaras" de Deus. A VOCAÇÃO DOS PAIS: 0 DEVER DOS FILHOS A responsabilidade poderá ser verificada sob diferentes perspectivas. Os deveres podem ser implícitos ou explícitos. tanto dos que exercem a autoridade. portanto. isso implica em responsabilidade. Nos limitaremos a examinar algumas afirmações das Escrituras Sagradas e das Confissões Luteranas.1). 13. A Apologia da Confissão de Augsburgo caracteriza a responsabilidade como "obediência na vocação". Os outros têm o direito de esperar o meu cumprimento do dever de ofício a que me levou o chamado. como dos que estão sob a autoridade. Sem autoridade incia o caos. É o privilégio da individuação em relação à massa.

2. Confissões.26-27). acima de todos os estados que estão abaixo de Deus. mas também a educação para a vida. Ele faz então uma exposição magistral desta responsabilidade dos pais no seu comentário do 4º mandamento do Catecismo Maior. com todas as suas responsabilidades (Gn 1.1.4. Há várias passagens bíblicas que ressaltam a vocação dos pais em relação aos filhos. Lutero acentua esta responsabilidade nos sobrescritos das diversas partes do Catecismo Menor.24).2). pois não envolve apenas a doação e o desenvolvimento da vida física.22). 31.13). E vida para o filho de Deus engloba a sua relação com Deus pela fé e a vida eterna. Escritura. A responsabilidade dos pais pelos filhos é totalmente abrangente. O homem "deixa pai e mãe" para se unir à "sua mulher" para aceitar uma nova vocação de pais (Gn 2. mas transferia responsabilidades quando os filhos consitituiam sua própria família. Pois honrar 24 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . guando o mandamento diz "Honrarás a teu pai e a tua mãe". No Novo Testamento continua a mesma advertência para que os pais criem os seus filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor" (Ef 6. O ofício de pais tinha validade permanente. e de todas as palavras de Deus (Dt 6. Já na criação Deus fez homem e mulher para que se multiplicassem. mas o conceito central está delineado no 4° mandamento. mas que atende a um chamado da natureza instintiva criada por Deus. Não era apenas uma vocação na sociedade patriarcal. mostrando "como o chefe de família deve ensiná-los com toda a simplicidade a sua casa".4). Por essa razão Deus requer que os pais ensinem seus filhos a respeito da Páscoa (Ex 12.7. Com isso Deus distingue o estado paterno e materno de modo especial. Colocar filhos no mundo sem lhes dar a vida eterna é crime pela lei de Deus.6 Com o termo "honrar"' Deus separa e destaca pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado dele. Por essa razão os pais traziam os filhos à presença da congregação para buscarem o Senhor (2 Cr 20.12-13). É uma escolha livre. dos mandamentos (2 Rs 23. mas uma vocação permanente dos filhos de Deus que se tornaram pais. Entende que a vocação dos pais está essencialmente na palavra "honrar". criando a vocação de pais.

desejar que Deus nos erigisse troncos e pedras a que pudéssemos chamar de pai e mãe. deveríamos. apela para um mestre de meninos que o ensine. ou vocação de Deus. 9 Mesmo assim o ofício permanece. pede ajuda de seus amigos ou vizinhos. pois se não tivéssemos pai e mãe. que me indica como e porque se deve honrar esta carne c sangue.6 É a vocação em que Deus "separa e destaca" para serem "máscaras" da sua majestade. se falece. mas todos aqueles que estão "em lugar dos pais". Não abrange apenas o amor. 7 Podem até nem ser os pais genéticos. humildade e reverência como para com uma majestade aí oculta. em razão desse preceito. ornado e revestido com a majestade e a glória de Deus". Um néscio educa o outro". Como "Deus assinou o primeiro lugar a esse estado" e determinou "que seja seu representante na terra"11 é dever dos filhos "demonstrar honra e obediência" e considerar esta "a maior obra que se pode fazer depois do sublime culto divino descrito nos mandamentos anteriores". sim a corrente em sua cabeça. mas a "autoridade" que os pais receberam pela "vontade de Deus. para tal fim ordenados. é a corrente de ouro que leva ao pescoço.10 Lutero reduz tudo à vocação feita no mandamento. direitos e responsabilidades da sua próIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 25 . 8 Lutero chega a quase desesperar da situação reinante.12 Por causa do mandamento de Deus Lutero vê no pai "um homem diferente. encomenda e delega o governo c autoridade a outros. pois "os pais geralmente nada sabem. se está demasiadamente fraco. Por essa razão concentra a responsabilidade pela educação dos filhos nos pais. Os pais ocupam o "lugar mais elevado depois de Deus" e são "representantes de Deus". que podem e devem delegar poderes. que assim estabelece e ordena". não é a pessoa cm si. É o mandamento. Claro.muito mais elevada coisa é que amar. senão modéstia. Esta majestade é oculta no ofício.14 Mas sustenta a tese de que "da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade".13 Mas Lutero não é nenhum visionário. pais precisam de auxiliares. E l e sabe que os Quando um pai não pode sozinho educar seu filho.

parentibus et magistris non potest satis gratiae rependi". mas também o seu privilégio de decidirem livremente. No seu louvor Lutero já inclui. Claro. Essa perspectiva também foi reconhecida como um direito natural pela humanidade. como a aprendeu da Escritura Sagrada.18 Mesmo assim permanece a tese básica que reconhece os pais como os primeiros e fundamentais responsáveis pela educação dos filhos. Isso diz respeito ao desenvolvimento da vida e da cultura. reconhecendo neles uma autoridade auxiliar para a educação dos filhos de acordoi com. a vontade de Deus. Ficam os limites.17 Lutero já havia apelado cinco anos antes aos conselheiros de todas as cidades alemãs para estabelecerem e manterem escolas cristã. aos pais e aos mestres. a exemplo de "gente antiga e sábia". Com isso apenas confirmaram o humanismo do homem que já traz embutido por natureza o preceito fundamental de Deus da responsabilidade individual dos pais e da liberdade humana de escolher.pria vocação a outros. o tipo de educação que entendem ser necessário darem aos filhos. os mestres.16 Gomo entende que Deus "não quer patifes e tiranos nesse ofício e governação". Os pais que geram o filho são individualmente responsáveis por ele. Os Direitos Humanos. quando diz: "Deo. que Lutero coloca da seguinte forma: Se a palavra e a vontade de Deus têm seu curso e são observadas. 3. A natureza do homem tende à preservação da '2(J IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . esta liberdade o cristão só encontra quando aceita pela fé o único Senhor. para habilitar o filho individualmente a afirmar a sua liberdade em relação com aqueles que formam o seu ambiente social e de vida. isto é: "A Deus. As Nações Unidas aceitaram a tese da responsabilidade dos pais pela educação dos filhos."15 Nesta perspectiva de Lutero. mas uma imposição filosófica e política. As teses do "kibbutz" e do socialismo de estado não são inerentes à natureza. nunca se poderá agradecer e recompensar de modo suficiente. sob o Senhor Jesus. que essa obediência aos pais fique subordinada à obediência a Deus e não vá de encontro aos mandamentos precedentes. Jesus Cristo. nenhuma outra Coisa deve valer mais do que a vontade e a palavra dos pais. todavia assim. se nota não somente o compromisso dos pais com respeito a seus filhos.

X X V I .19 No Princípio 7" se diz que "os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação. aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e. a vocação de ser f i lho é imposta. se afirma no Princípio 6º que Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade. com prioridade. Ninguém é consultado a respeito da liberdade ou não de ser concebido ou nascer. num ambiente de afeto e de segurança moral e material. enquanto que os interesses do estado procuram uma massificação manejável pelo grupo dominante. A VOCAÇÃO DOS FILHOS: O DEVER DOS PAIS Embora a vocação de ser pai seja uma opção livre. o direito de escolher o gênero de educação a dar a seus filhos". 20 A referência básica que Lutero colocou na Tábua dos Deveres do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 27 . sempre que possível. se diz que "os pais têm. A responsabilidade dos filhos é assumir a vida e "honrar" os pais. publicada em 1959. a criança de tenra idade não será apartada da mãe. embora feitas num ambiente universal não necessariamente cristão. em qualquer hipótese. reconhece que este assunto "não ficou exarado nos Dez Mandamentos de modo expresso". Quando houve concepção o casal também já não tem opção de serem pais ou não: já são! Logo. No art.liberdade individual (pela qual responde a Deus!). salvo circunstâncias excepcionais. esta responsabilidade cabe. confirmando a posição bíblica e confessional. a criança precisa de amor e compreensão. A responsabilidade dos pais é zelar pela vida que chamaram à existência e se tornarem dignos da "honra" dos filhos. que depois se transforma em responsabilidade. em primeiro lugar. ao "pregar aos pais. Criar-se-á. sobre como devem portar-se com os que a seu governo estão encomendados". inciso 3. refletem a lei natural implantada por Deus em toda a humanidade e dada de forma positiva nos 10 Mandamentos. mas que é "amplamente ordenado em muitos passos da Escritura". aos pais". chamar um filho à vida é uma vocação que impõe também imediatamente deveres aos pais. Lutero. A O N U publicou em 1948 a "Declaração Universal dos Direitos Humanos". C. Escritura. 1. e a quantos lhes fazem as vezes. E na "Declaração Universal dos Direitos da Criança". Estas declarações.

c acima de qualquer coisa desempenhar-se-ão. Uma educação que não inclui a fé no Senhor é incompleta. 0 respeito a essa vocação dos filhos deve ser o objetivo da educação deles. Talvez ouvem um outro ritmo. dos encargos de seu ofício. fazendo-os crescer "na disciplina e admoestação do Senhor".Catecismo Menor encontra-se em Ef 6. parcial e destrutiva. Na exposição do 4" mandamento Lutero lembra esta responsabilidade dos pais. porém sobretudo educando-os para louvor e honra de Deus. um outro chamado de Deus. Precisam ver a sua vocação e respeitá-la. Já que os filhos existem por opção dos pais. os pais precisam respeitar esta autoridade dos filhos e encaminhá-los ao Senhor para que possam desenvolver o seu chamado à vida e à vida eterna. pais. etc. de coração e fielmente. quase teocrática. mas precisam valorizar a individualidade e a personalidade dos filhos. confirmada e reconhecida pelo Senhor. não provoqueis vossos filhos à ira. mas há também uma retribuição final pelo autor e Senhor da autoridade. c fomenta o ensino 28 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . eduquem. auxilia alunos em escolas "particulares c confessionais. súditos. mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor". Confissões. empregados. O Senhor chamou tanto os pais como os filhos. Em última análise. que precisam ser descobertas e desenvolvidas. O importante é que os pais os "criem". patrões e governo são vistos Como numa sociedade patriarcal. Toda ação contrária ao reino de Deus se vinga. Na sociedade moderna já não se entende que "patrões e governo" devam educar "para louvor e honra de Deus". Os pais não podem "irritar" os filhos. No entanto ainda entendemos que também patrões e governo estão sob a autoridade de Deus e não têm o privilégio de não prestar contas a Deus por seus atos. respeitem. 2. Os filhos têm. Para ele os pais e "quantos lhes fazem as vezes" devem ponderar no fato de que devem obediência a Deus. Há também uma autoridade oculta nos filhos que precisa ser reconhecida e respeitada. desenvolvam. Cada filho tem certas ordens seladas pela vocação de Deus.21 Nesta reflexão de Lutero pais. A sociedade que esquece a Deus está com problemas. que os pais precisam respeitar. não cuidando apenas do sustento material de filhos. Dentro dessa perspectiva no Brasil o governo concede liberdade religiosa. que façam os filhos conhecer e reconhecer sua vocação por Deus e para Deus.4: "E vós. Há uma retribuição nas próprias ordens sociais.

23 Como os filhos receberam a vocação de Deus. . ainda permanecem aspectos dessa imagem que são passados aos filhos. ao contrário. criando um ensino anti-religioso que deturpa a formação integral da juventude.24 D. de rigoroso preceito e injunção de Deus. e a segurança da alegria de viver. Lutero entende que isso não é matéria entregue a teu talante e capricho.Trata-se. cumpre deveras não nos poupemos empenho. semelhante a países declaradamente ateus no leste europeu do passado.religioso nas escolas públicas. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 29 . a fim de que possam prestar serviços a Deus e ao mundo. Podemos enfocar três aspectos: a transferência do modelo. mas.22 Os pais precisam compreender quão grande é a necessidade de nos ocuparmos a sério da juventude. A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO DE PAIS E FILHOS A responsabilidade dos pais na educação dos filhos é tão relevante por causa da importância da relação dos pais com os filhos em vários aspectos do seu desenvolvimento. ao qual também terás de prestar contas a esse respeito. a continuidade do exemplo. 1. Os pais não são apenas "máscaras" de Deus no sentido de serem autoridade em lugar de Deus para os filhos. os pais não podem faltar "ao dever de educar" seu filho "de maneira útil e para salvação". Há um relativo conhecimento natural de Deus e uma noção da vontade de Deus como aparece nas leis das ordena e é reconhecido pela consciência moral. representam a "imagem de Deus". Se queremos pessoas excelentes e hábeis tanto para o governo secular como para o espiritual. na realidade. faina e gastos na tarefa de ensinar e educar os nossos filhos. No cristão a imagem d i vina começa a ser restaurada pela fé para atingir a plenitude apenas na ressurreição. Embora o. Nos Estados Unidos da América o princípio de separação de igreja e estado proíbe toda menção de religião em escolas públicas. A Transferência do Modelo. homem perdesse a imagem de Deus com a queda dos primeiros pais.

O amor dos pais continua normalmente no amor dos filhos. O relacionamento dos pais com a sociedade dará as dicas para o filho se orientar fora do lar. 3. de gentileza. A opinião que os pais têm dos filhos são o padrão para a avaliação que o próprio filho faz de si mesmo. É verdade que a fé é um dom de Deus que o Espírito Santo nos dá através do contato com o Evangelho. de ternura. do patrão. que quer amar semelhante a uma mãe que ama o filho que gerou. 0 pai é o modelo do P a i Celestial. A pessoa humana se realiza mais quando pode sentir a alegria 30 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Mas a aprendizagem a respeito da fé. do governo. talvez por causa da tendência natural do ser humano para o caos. Isso ressalta a grande responsabilidade dos pais na educação dos filhos. Isto mostra a importância da relação positiva dos pais como exemplos para os filhos. A Continuidade do Exemplo. A criança compreende o amor de Deus quando tem uma relação de amor com o seu pai na família. A Alegria de Viver. o modelo de " p a i " que a criança tem diariamente diante de si. seja na Palavra ou no sacramento do Batismo. A justiça e o perdão de Deus são conceitos formados a partir da justiça e do perdão dos pais. O modelo sexual dos pais forma a estrutura básica para o relacionamento sexual do filho. São especialmente os exemplos vividos pelos pais que educam e moldam os filhos. de padrões. O sucesso ou o fracasso dos pais geralmente são copiados pelos filhos. V i d a é algo precioso que defendemos por instinto natural. é moldada a partir dos conceitos e imagens que aprendemos na infância. Nós geralmente vivemos de acordo com a reputação que temos. A noção de " P a i " com relação a Deus será moldada de acordo com. que são copiados pelos filhos. O problema é que o mau exemplo dos pais geralmente se fixa mais profundamente nos filhos do que os exemplos bons. Os pais representam exemplos de valores morais. Há uma continuidade nesta modelagem de uma geração a outra. O modelo do pai e da mãe é transferido para a compreensão do Pai Celestial. da polícia. A criança copia modelos. de amor. o filho poderá copiar o exemplo de obediência à autoridade que o próprio pai representa. ou a fé que reflete sobre o seu conteúdo (fides reflexa). Se este amor for convincente. 2. Quando o pai aceita a autoridade de Deus. Não são apenas as palavras de estímulo e encorajamento ou repreensão que vão moldar o comportamento da criança. de etiqueta. a transferência do modelo para Deus será fácil.Mas neste tempo de restauração a responsabilidade dos pais na educação dos filhos é exatamente a de representar bem o amor de Deus.

Mas formam o núcleo de comando desta educação por causa da vocação de serem os pais. mas os pais podem dar aos seus filhos a alegria de viver e a segurança de viver quando valorizam não apenas as vitórias dos filhos. mas o seu esforço e sua tentativa corajosa de risco calculado. E. Na sua liberdade ele me vai indicar qual é a melhor forma de amor que existe para lhe servir. Este otimismo faz parte da responsabilidade dos pais na educação dos filhos e lhes dá segurança. Os pais que aprenderam a viver com fracassos e deram volta por cima sabem incentivar os seus filhos a olharem com confiança para o futuro. E Deus ainda me dá a liberdade de escolher o "próximo" que mais corresponde ao meu critério de realização da minha vocação. o filho pode se desenvolver de acordo com o seu próprio ritmo e os dons que recebeu da parte de Deus. A TRANSFERÊNCIA DA VOCAÇÃO Não há lugar mais importante do que a família. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 31 . pois ali aprendemos a viver e a partilhar um com o outro a alegria de viver. A autoridade da minha vocação de pai pode ser compartilhada com a escola. O encorajamento dos pais que dizem: "Por que não tenta? Tenho certeza que você pode conseguir!" é melhor do que a critica: " E u lhe falei! Você é o fracasso de sempre!" O filho geralmente vive de acordo com as expectativas que os pais têm dele. O conceito de "próxim o " é muito importante 11a solução do problema. Não vamos ganhar sempre. Não há momento mais bonito para viver do que hoje. Mas. sem diminuir a minha autoridade e responsabilidade que tenho diante de Deus. Que bom quando os pais entendem a sua responsabilidade na educação dos filhos e fortalecem neles a alegria de viver. Mesmo assim os pais nunca conseguiram convincentemente cumprir sozinhos com todas as responsabilidades na educação dos filhos. Quando os pais dão a segurança do sen amor e respeito. Quem me indica quais são as boas obras do momento é o meu próximo. eu posso ter a certeza de que Deus colocou muitos "próximos" também ao meu redor para me servir e amar. o trabalho. Desta forma posso ficar descansado: a tarefa e obrigação da minha vocação de pai pode ser transferida e compartilhada com os meus "próximos" que Deus me coloca à disposição no seu reino. o governo. a igreja. O "amarás o teu próximo como a ti mesmo" implica na presença do próximo que necessita do meu amor. Deus entende que a vida cristã se realiza no serviço de amor ao próximo. de outro lado. Quando nos sabemos amados apesar de eventuais fracassos então criamos a coragem de fazer tentativas de risco para progredir.de viver.

E então vê o pai como empresário. como já dizia Aristóteles. e mesmo que às vezes tenha que pedir pão. A Escola e o Trabalho. Lutero inclui no 4º mandamento todas as autoridades que completam o ofício dos pais.29 Acha que estes filhos irão governar o mundo. "porque da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade". Seu argumento é que os filhos não são exclusivamente dos pais. teólogos. médicos. professores. apela para um mestre de meninos. F a l a da "multímoda obediência aos superiores. os f i lhos à escola para se tornarem escritores (como Lutero se considera ser). secretários. ele menciona especialmente a escola e o trabalho. se não fosse pregador. Para mostrar como entende este "defluir" e "irradiar" da autoridade. Lutero escreveu um tratado26 em que prestigia a escola e insiste que os pais compartilhem a sua autoridade com os mestres. É só prepará-los pela escola!2' E Lutero apela: " E u acho que nunca houve tempo melhor para estudar do que agora!"28 Por isso deixa teu filho estudar. sem esquecer os afazeres do lar e os demais ofícios e trabalhos. bem como para ocuparem bem os seus lugares nas ordens sociais. pois "eu te dei filho e bens para isso". Lutero mesmo queria ser professor. dizendo: "Quando um pai não pode sozinho educar seu filho. nenhum dinheiro. juristas. Tu estarás dando a Deus uma madeirinha boa. Entende que a um professor fiel não se pode pagar o suficiente com. Ele entende que Deus diz aos pais: Tu podes melhorar o convívio humano nas ordens sociais. pois "além disso deve subordinar também a si domésticos. Considera uma das maiores virtudes na terra o educar fielmente os filhos de outra gente. que o ensine". para o governo da casa". como os pais não cumprem com o seu ofício de pais. mas de Deus.1. 25 Em 1580. um ano depois de escrever os catecismos. E Deus os precisa para serem preparados para se tornarem pastores e professores. empregados e empregadas. comerciantes. Mas entende que esta autoridade faz parte da autoridade dos pais e não a diminui. que têm a seu cargo mandar e governar".31 E se o pai for pobre o governo deve usar fundos dos ricos para dar bolsas de 32 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Entende que há outros que estão "em lugar dos pais". pastores. E "cumpre que deles (dos pais) recebam poder e autoridade para governar" no "ofício de pai". da qual Ele te poderá fazer a escultura de um senhor. No entanto. Lutero apela para outra autoridade: "Considero que também o governo tem o dever de obrigar os súditos a enviarem os seus filhos à escola".30 Mas são os pais que possuem a autoridade para enviarem.

e lugarejos? Se os lares forem mal administrados.estudos. vilas. como pode todo um país ser bem governado?37 Entende que a autoridade dos pais se transfere ao governo. pertence à ordem paterna e é a mais abrangente das relações". falei que chega: vocês ouviram o seu profeta!" 32 A escola nem sempre era formal no tempo de Lutero. pois podia englobar a aprendizagem com um "mestre" em técnicas é artes. pais da pátria. Lutero transfere a vocação dos pais também para o governo e a igreja. isto é. Mesmo assim não esgota a autoridade paterna. Ao mesmo tempo já iniciava uma recompensa salarial pelo trabalho feito durante a aprendizagem. casa e lar. que. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 33 . cidadãos ou súditos". . mas a reforça. é a fonte de toda outra lei ou de governo. como a aprendizagem nos Senai e Senac de hoje. senão um grupo de cidades. nem ao menos os consideramos e honramos como tais. Os governantes são pais "tantas vezes quantas forem os habitantes. dizendo que os empregados "até que deviam voltar salário e regozijar-se com o fato de poderem receber patrões e patroas". . No sermão sobre o 4" mandamento de 152536 Lutero argumenta que esta ordem (da obediência) no lar é a primeira regra. . proteção e segurança". Por intermédio deles "Deus nos dá e conserva alimento.34 Sem esvaziar a autoridade dos pais Lutero transfere toda a autoridade também ao governo. . Governo e Igreja. Pois o que é uma cidade. meus queridos alemães. como o mais precioso tesouro e jóia na terra".33 2. Por essa razão "é dever nosso honrá-los e tê-los em alta consideração. T a m bém. senão um grupo de lares? . que pretendemos ser cristãos.35 Lutero chega a usar os mesmos adjetivos que usou em relação aos pais. pois que o governo representa a soma da autoridade paterna nos lares. Por isso Lutero arrisca uma deixa contra as greves dos sindicatos de hoje. Louva os romanos que chamaram a seus príncipes e magistrados de patres patriae. o que é um país todo. para grande vergonha nossa.. Lutero termina o apelo: "Bem. porquanto não os chamamos também assim. conforme dito. Há necessidade "da obediência à autoridade civil.

e a igreja são apenas agências auxiliares nesta tarefa dos pais. 2 "Eiri Traubüchlin für die einfáltigen Pfarrherrn". 4 Ap XXVII. além da escola pública. 1. . que também exercem o "ofício de pai". 1959.Lutero inclui ainda os "pais espirituais". até acima de todos os outros". o trabalho. CONCLUSÃO A responsabilidade da educação dos filhos permanece com os pais. como só um estado democrático pode oferecer. 49-50. A autoridade dos pais precisa ser respeitada.Psalm Lauda Jerusalem ausgelegt. Citação de 626. Luther On Vocation. o Catecismo Maior como CM. 4º edição. F. 528 de Die Bekenntnisschriften der evangelisch-hitherischen Kirche. a escola particular e confessional. o governo. o direito de darem e providenciarem aos filhos a educação que corresponde à sua visão de mundo. Os pais não podem se omitir nesta educação."38 E como "são pais.40 fica clara a importância não só dos mestres. . A escola. 5 CM I. 1532. Se de um lado têm. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht. 124. devida lhes é também a honra. 7 CM I. é cada qual obedecer com verdadeira fé à sua vocação. 1957. 34 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . . mas também da igreja toda. Para que isso possa acontecer deve haver uma múltipla escolha para a educação dos filhos. para nós. de outro lado este direito se transforma em dever. 353). Ap XXVII.39 Como é dever dos pais educarem os filhos "de maneira útil e para salvação". Der 147. . 49-50: "Propõe-se o exemplo de obediência na vocação. A Apologia da Confissão de Augsburgo será citada como Ap. no arrependimento. . — Citado também em Gustav Wingren." Como isto implica em correção e arrependimento. Philadelphia: Muhlenberg Press. "Chamam-se pais espirituais apenas aqueles que nos governam e presidem mediante a palavra de Deus. As vocações são pessoais. 8 CM I. 1980. pág. Destarte. 105. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal. se crescem simultaneamente o arrependimento e. NOTAS 1As Confissões Luteranas serão citadas pelo Livro de Concórdia. Louis) 5. da mesma forma como as próprias incumbências variam de acordo com o tempo e as pessoas. 1302-1333. que precisa providenciar os "pais espirituais" para auxiliarem os pais nesta tarefa abrangente. 9 CM I. 3 W A 31 I. pp. 6 CM I. Mas o exemplo de obediência é geral. 137 a 143. 115. perfeição. a fé. 435. Melanchthon diz: "E nessas coisas colocamos a perfeição cristã e espiritual. fomentando. Se encontra em WA (Weimar) 31 I (427) 430-456 ou W 2 (St. . Ver nota 1. 106." (Ap IV. 107-108.

116. W 2 19. Os Direitos Humanos. Êíne Predigt.-7. 1524. 40 CM I. 500-519. 23 CM I. 17 CM I. 446. WA 15 (9)27-53. 24 CM I. col. col. Pr. pela edição de St. 34 CM I. 31 Ibid. 31. Louis. 21 CM I. W 2 3. 416-459. 1989. 22 CM I. 18 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 35 . 167. 167. 20 CM I. 176. 16 CM I. 5 November 1525. 130.. col. 32 Ibid. 29 Ibid. 176. 158. 19. 168.. 150. Buch Mose. 15 CM I.. 509f. 30 Ibid. Edição de St. 142. 14 CM I. 126. Louis. 457. 172. 169.Gebot). col. Eine Predigt. dass sie christliche Schulen aufrichten und halten sollen. WA 30 II.676. 19 Ari Herculano de Souza. 25 CM I. 454. 141-142. 12 CM I. Mose 20 (4. 459. cols. 11 CM I. Será citado como Eine 27 Predigt. 144. pp. W 2 10. 452. 13 CM IV. 10 CM I. Será citado como Predigten. 38 CM I. São Paulo: Editora do Brasil. 125. 160. An die Ratherren aller Städte deutschen Lands.14). 1524/1527. 35. 37 Predigten. 35 CM I. 33 CM I.. 537 sobre 2. 141. col. Predigten über das 2. col. WA 16. 20. (Matth. 28 Ibid.. 1106-1123. 1106. 433 e 445.. 26 675. 1468-1473. 125. 39 CM I. 517-588. 36 520. dass man Kinder zur Schule halten solle. 1530.

e no período da monarquia Davi reina "sobre um povo tão numeroso como o pó da terra" (2 Cr.9).. fará no futuro são por Ele constantemente reiteradas para criar em Israel esperança em Yahweh. a promessa no protevangelium é a linha dourada que se estende através do Pentateuco. Cada ato salvífico de Deus é visto como prelúdio a atos salvíficos ainda maiores. 26. Promessas do que Deus. uma entrada. Ex 12.14). 24.2-8..6-10. 41.2. Não obstante. sirva apenas de cemitério (Gn 23. Lv 20. Dt 28).17-18.. A começar com. mesmo que ela. Abraão recebe efetivamente um pedaço da Terra Prometida como um sinal.18. Ex 3. Deus lhe concede também descendentes: setenta pessoas descem. 33) e a Israel (p. como Deus parcialmente cumpre Sua promessa já com o patriarca.37-57.PROLEGÔMENOS À ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO Acir Raymann Uma perspectiva e confiança futuras perpassam todo o Antigo Testamento.22-26. Gn 15. 49. Gênesis 3. 6. a Moisés (p. muitos serão seus descendentes. 1. estes descendentes serão abençoados de tal sorte que serão transformados em canalizações da bênção divina a todos os povos.11) e a Terra Prometida 36 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . o cumprimento pleno da promessa abraâmica ainda reside no futuro. Yahweh reitera essa promessa com freqüência a Abraão (p. Ex 23/23».38). ex. ex. ao Egito (Gn 16. 28. Nm 15. 26). por um lado. Deus abençoa Abraão e faz dele e de sua descendência instrumentos de Suas bênçãos às nações (Gn 13.15.1. 20. ex. T a l perspectiva futura pode-se observar em cada divisão do cânone hebraico. Moisés suplica a Yahweh que multiplique e abençoe Israel no futuro (Dt 1. Esta promessa consiste basicamente de três partes: Deus dará a seus descendentes a terra de Canaã. A promessa a Abraão em Gênesis 12 controla a narrativa da Torah a partir deste capítulo até o final de Deuteronômio. no êxodo sua descendência é uma multidão (Nm 1.1 Lendo o Pentateuco pode-se notar.8-27). significativamente..29-50. 35). 17.

17-25). Amós diz que passado o juízo virá a restauração (9.19-26). a palavra final é a promessa da Sua misericórdia. No centro está Yahweh e Sua graciosa presença em Sião. 14-22). Mq 5). há ainda muita terra a ser conquistada (cap. é libertado da prisão no exílio babilônico (cap. Maldições para os ímpios e bênçãos para os justos na Literatura Sapiencial devem.9).17) e do Messias (Is 11. O descanso permanente que Yahweh prometera era um "ainda não". Daniel proclama o Reino escatológico de Deus ao falar de "um como o Filho do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 37 . Os profetas focalizam a atenção do povo de Deus emi diferentes quadros emoldurados pela futura promessa escatológica. Deus criará um novo Israel que consistirá de crentes: o fiel remanescente de Israel (Sf 3.31-34) e pelo derramamento de Seu Santo Espírito (Jl 2. Salomão constrói o Templo e ora para que Yahweh continue a abençoar Israel e as nações pela Sua presença graciosa no Tabernácülo (1 Rs 8). Deus criará "novos céus e nova terra" (Is 65. A ira de Deus está a serviço da Sua misericórdia. Tanto israelitas quanto gentios tornar-se-ão um povo de Deus (Is 19.5). Deus formará este novo Israel pelo perdão dos pecados (Jr 31. após a Conquista. A ameaça da ira de Deus é Sua penúltima palavra. A mensagem dos Profetas Posteriores está centrada na promessa divina pelo futuro.24-25. A promessa davídica permanece ainda intacta.11-15). que entenderam as ameaças e bênçãos como temporais. Os Profetas Anteriores encerram com a afirmação de que o rei Joaquim. Perder es ia perspectiva significa ser partícipe da superficial teologia dos amigos de Jó. no exílio há ainda esperança para Israel. 23. Em. O livro de Reis continua a desenvelopar a promessa divina a Davi. Embora o juízo de Deus sobrevenba por causa da rebelião de Israel. No período dos Juizes.11-12).ainda está por ser herdada de sorte que o Pentateuco conclui perscrutando o horizonte do futuro (Dt 33-34). Os Salmos são dominados pela esperança em Yahweh. Am 9. ser entendidas como escatológicas. Para o Seu povo escatológico reunido em torna da presença de Yahweh (Jl 3. Contudo. 25). 13) e distribuída (cap. No centro do Livro de Lamentações está a confiança do poeta de que as misericórdias) do SENHORi jamais se findam — por isso ele espera no S E N H O R (3. Josué Deus dá a Israel a Terra Prometida. Também os Escritos apontam unanimemente para o futuro.2 Esta mesma dimensão futura da fé israelita pode-se verificar nos Profetas Anteriores. Israel foi ameaçado por inimigos. seu entronamento e a aliança davídica (2 Sm 7. da linhagem de Davi. A ênfase da aliança davídica é a promessa de que Yahweh irá estabelecer e manter a linhagem e o reino de Davi para sempre.28-29). O livro de Samuel está centrado em Davi. por mais de três séculos.11-20) e gentios convertidos (Sf 3.

2). o Seu Nome" agora. esta última secção do cânone hebraico encerra inclinando-se para o futuro. Os Escritos terminam com a referência ao decreto de Ciro pelo qual os exilados devem retornar a Jerusalém e reconstruir o templo (2 Cr 36). Sf 26. 38 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . ex.15-16. O futuro escatológico é descrito no Antigo Testamento como estando tanto em continuidade quanto em descontinuidade com o presente. continuarão se ser Seu povo depois — mesmo a morte não poderá separá-los de Deus (p.6). como também não culmina num milênio terreal. razão pela qual este futuro também não é secular ou humanista. por graça somente. ex. Deus "tragará a morte para sempre" (Is 25. Os escritores da antiga aliança ficam na "ponta dos pés" aguardando a misericórdia de Deus por vir. Em primeiro lugar porque a futura salvação que Yahweh irá instaurar será bem maior que Seus atos salvíficos no passado. A escatológica Terra Prometida será semelhante à do Antigo Testamento. O escatológico povo de Deus será integrado por multidões de gentios (p. que salvará Seu povo e com ele estará. Segundo. será bem maior que o seu tipo mencionado no Antigo Testamento (Is 35. O futuro será bem mais esplendoroso. Mas. 2. A kavôd de Deus. Haverá um novo e maior êxodo da escravidão (Is 11. a escatológica Terra Prometida. Nas palavras de Isaías. encherá toda a terra (Nm 14..6ss. Os crentes de todas as gerações estarão nele incluídos (Dn 12.homem" que virá em glória (cap. Daniel afirma que o Reino escatológico de Deus é bem diferente dos reinos dos homens (caps. " E l e é o primeiro c o último" (44. 52. prelúdios.21. Is 25. Primeiro.8). A continuidade entre o "agora" e a "era escatológica" é expressa de várias formas.12). o povo de Deus. 65.17-21). Por outro.17-25). Am 9. Terceiro. Jl 3..24-26). Ele se caracteriza por bênçãos futuras que Deus concede. Mesmo a vôo de pássaro pode-se notar que todo o Antigo Testamento apresenta uma perspectiva e confiança futuras. Sl 73. Is 11.19. entradas do prometido futuro. o mesmo Deus que salvou o Seu Povo e que com ele estava é o mesmo Deus que virá. os ofícios e instituições do Antigo Testamento são tipos. a nova criação é freqüentemente descrita em termos da Terra Prometida do Antigo Testamento (cf.13-15. Os atos salvíficos de Yahweh no passado.19). o povo de Deus será maior. aqueles que "confiam em Yahweh" e "invocam. 7).9). o Antigo Testamento apresenta o futuro como estando também em descontinuidade com o presente. 7). A descontinuidade entre o agora e a era escatológica indica que o futuro prometido do Antigo Testamento não é simplesmente aqui e agora. os "novos céus e nova terra". Por fim. Sua glória. Vê-se que também. Is 26.

ela conclama ao arrependimento do pecado e ao exercício da fé (p. Cristãos hão de herdar as promessas feitas a Abraão (Rm 4. 3).24). sentimento piedoso com vistas à otimização do mundo. O Reino escatológico de Deus é ainda futuro IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 39 . através de Quem todas as nações da terra são abençoadas (cap. incréus tem por objetivo conduzir pecadores ao arrependimento (p. pois. At 2. Por outro lado. A escatologia do Antigo Testamento é. Is 35. não um. At 2.. Jo 2. O escatológico Reino de Deus manifestou-se em Cristo (Lc 11.16-20). A ameaça da ira escatológica de Deus contra os.7). Mas a promessa da misericórdia escatológica de Deus visa criar e manter a esperança em Yahweh (Sl 73.. é o futuro Reino de Deus. novo Israel Cristo fez nascer formado tanto por judeus quanto por gentios pelo perdão dos pecados e o derramamento do Santo Espírito (Gl 3.13).54). ex.6.32. Ap 14). Um novo e maior Templo surgiu (Mt 12. é uma certeza em Deus.e que serão desfrutadas apenas pelos crentes. O Novo Israel de Deus será congregado no Último D i a para adorá-Lo (Mt 24:31.1-3.4 Da mesma forma a função das promessas escatológicas de conclamar pessoas à fé e à esperança em Deus deve ser reiterada para neutralizar neoapocalípticos que utilizam profecias do Antigo Testamento como bola de cristal para satisfazer a curiosidade humana sobre o futuro. Deus "tabernaculizará" com Seu povo para sempre (Ap 21. Sf 2. pelo contrário. Não é uma especulação abstrata. não uma utopia econômica ou política. Por um lado. Na carta ao Gálatas o apóstolo São Paulo afirma que Cristo é o "descendente" de Abraão.14). não no homem ou no processo natural da história (Sl 39.29-30).18ss).5 O Novo Testamento apropria-se destas promessas do A n tigo Testamento e enquadra-as na moldura do "já — ainda não".. O prometido futuro do Antigo Testamento é um futuro centrado no Evangelho.28-29). O Filho de Davi e o S E N H O R de Davi virá novamente (Ap 22. A certeza que as promessas escatológicas produzem é uma certeza em Yahweh.13ss.. a Escritura atesta que o novo. Gl 3. o Novo Testamento projeta as promessas do Antigo Testamento na tela do futuro e declara que a consumação é um "ainda não". o " D i a do S E N H O R " chegou (2 Co 6.17). 40-66). Em outros textos.3. Is 8. ex. Is 66.1-4). o maior Davi chegou e assenta-se no trono davídico como Rei sobre todos (p. as promessas escatológicas vetero-testamentárias cumprem-se em Cristo. o Israel reduzido a U m .1-2). Um.22). A morte foi tragada pela vitória (1 Co 15.20.3 Este aspecto sola fidei do Antigo Testamento precisa ser enfatizado em contraposição às re-leituras secularizadas ou marxistas que se fazem do Antigo Testamento. de uma relevância muito prática. Lc 1. ex. Cl 1.

Esta linguagem teofânica é projetada no futuro yôm Yahweh. de novo. como diz o profeta Isaías.6 Deve-se considerar que estes textos empregam figuras e vestem. O " D i a do S E N H O R " ainda está por vir (1 Ts 5. A ordem divina ao profeta de falar "às aves de toda espécie.10-19). dispensacionalistas sustentam. Am 5. não se pode cogitar em uma guerra moderna no Oriente Médio ou no atual conflito no Golfo Pérsico. ex. Não obstante a dificuldade em identificar os lugares.14-18. Ezequiel 38 e 39 não devem ser interpretados literalisticamente. Jl 2. os cristãos são também pecadores vivendo num m. 21.undo caído e. por isso. Por um lado. O intérprete bíblico precisa reconhecer que tais textos estão escritos em gêneros proto. Os fenômenos cósmicos têm sua imagem provavelmente derivada da teofania divina no Monte Sinai onde havia trovões e relâmpagos e o monte esfumaceava e tremia (Ex 19. Estes sinais cósmicos dão testemunho Daquele que está por vir: O S E N H O R dos Exércitos aproxima-se e com tão grande ira que.34). Sf 1. dia assombroso em que a terra irá estremecer e até os corpos celestes irão se entenebrecer (p. A identidade de "Gogue da terra de Magogue" é imprecisa mas com certeza não se referem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como.2-6)..17) demonstra a natureza simbólica da linguagem. Os profetas o descrevem como um. A morte ainda será tragada (Ap.1-11).7 O texto enfatiza que Yahweh trará estes inimigos contra Seu povo Israel e depois os destruirá para vindicar Sua santidade perante as nações. sua mensagem com indumentária antes de Cristo. Sinais escatológicos 0 Antigo Testamento apresenta o escatológico " D i a de Y a h w e h " como sendo precedido e acompanhado por determinados sinais que podem ser agrupados em duas categorias. Os inimigos são nações distantes do norte e do leste (38. Textos do Antigo Testamento falam de uma intensa perseguição contra os santos pouco antes do eschaton. aguardam ainda o desfrutar destas bênçãos ao vivo e em celeste dimensão.4). Meseque e Tubal foram localizados na Anatólia. por exemplo. Por esta razão não devemi ser interpretados literalisticamente como os dispensacionalistas geralmente o fazem. os cristãos já se regozijam com as bênçãos escatológicas de Deus pela fé. os incréus esconder-se-ão ante o Seu terror (2.18-20.(Mt 25. ou seja. Os capítulos 38 e 39 de Ezequiel. Por outro.e apocalípticos. e a todos os animais do campo" (39.30-31). descrevem os últimos dias como de guerra contra Israel. fenômenos cósmicos e intensa tribulação contra os santos.1-25). O profeta emprega linguagem tipológica para descrever os derradeiros estertores dos 40 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .

O apóstolo São Paulo. uma guerra final contra Jerusalém. O profeta Zacarias no capítulo 14 também descreve. A linguagem. embora numa abordagem diferente da de Ezequiel e Zacarias. Ele se arrogará prerrogativas divinas e atacará o povo de Deus (11. Jerônimo traduziu Sf 1.7-10. é tipológica: assim como Antíoco irá perseguir os santos no período grego.8 Também este será condenado no julgamento final. como vimos. o yôm Yahweh. Esta guerra final estará sob o controle de Deus e através de Sua vitória Yahweh vindicará Sua santidade diante de todos.20-27). estes textos revelam algo da natureza do perseguidor.15 por dies irae. Contudo. Outro aspecto relevante na escatologia do Antigo Testamento é o Advento de Yahweh. utiliza esta figura de Ezequiel para descrever o "pouco tempo" de Satanás contra a Igreja. Este escatológico "dia do S E N H O R " tem seu locas especialmente em Sofonias. tempos passados.8-9). em linguagem apocalíptica. perseguirá os santos. revela um outro propósito para esía intensa perseguição. 11. Zacarias lembra que Ele virá com todos os Seus anjos (14. destacam o yôm Yahweh como evento imponente. virá de Roma. São João. 2 Tessalonicenses 2 cita Daniel 11: o Novo Testamento relaciona este " r e i " mau com o "homem da iniqüidade".15).5). entretanto. ou seja. que Ele virá "em fogo" (66. aqueles "que invocam o Nome de Yahweh" — tanto o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 41 . o Anticristo. Como ocorre com toda linguagem escatológica. Por outro. o antítipo não é replica exata do tipo. é o tipo da grande teofania escatológica. O profeta. em.45).36-15). dies illa. Por um lado o yôm Yahweh é um dies irae em que Deus consumirá todos os iníquos' (1. E l a tem por objetivo "refinar" e "testar" o Israel de Deus visando primordialmente fortalecer a fé do remanescente (13. que passou a ser tema musical na Igreja Católica Romana e Protestante sendo também parte do repertório do coral do Seminário em. não tardará em chegar (7. A teofania do Sinai. a quarta besta.26. entretanto. Ele reinvidicará prerrogativas divinas. Em sua descrição este personagem é um novo e maior Antíoco IV. da mesma forma levantar-se-á um " r e i " mau que perseguirá. Os profetas. Nestas visões dadas a Ezequiel este " v i l ã o " escatológico é descrito em termos semelhantes ao tipo. visível a todos. Isaías. Seu fim. A ênfase de Zacarias está novamente em que Yahweh manifesta Seu domínio sobre todas as coisas vencendo os inimigos do Seu povo. em Apocalipse 20.2-3). Daniel enfatiza que tal perseguição será comandada por um " r e i " mau.inimigos do povo de Deus. Daniel 7 e 11 também mencionam uma perseguição escatológica contra os santos. em especial. Antíoco IV. os santos na era escatológica (7.

o a figura do "levantá-los" da sepultura. 2 Rs 13.21). há referências claras à ressurreição escatológica no Antigo Testamento como Jo 19. A ressurreição é mais um aspecto relevante da escatologia do Antigo Testamento. É oportuno. imagens e expressões espiritualistas imitativos do conceito bíblico de ressurreição. O Novo Testamento fala do "dia do S E N H O R " com uma significativa ênfase. Numa sociedade com tendências ao universalismo. A ressurreição como realidade escatológica deve merecer a atenção devida. 1 Rs 17. não apenas por ser central na teologia e pregação cristãs. ou heméra Christou lesou (Fp 1.6). Uma passagem significante e que por vezes tem recebido interpretação desvirtuada em cenários críticos é Ezequiel 37. que o ministro confronte esporadicamente perante sua congregação a mensagem bíblica da ressurreição com a antagônica teoria da reencarnação.25. Em outras palavras..10). Yahweh está prometendo restaurar Israel e trazê-lo de volta à sua terra.8). É como se Ezequiel estivesse a dizer: assim como haverá ressurreição dos mortos. poder tornar-se obstáculo à apreensão de seus benefícios salvíficos por parte do ouvinte.7). alterada para hê heméra toa kyríou hymon lesou Ghristòü (1 Co 1. como nestes casos. também Israel será "ressuscitado" da "morte" do exílio. A aplicação desta imagem sugerida pelo profeta só pode ser compreendida à luz da ressurreição física. portanto. Verdade é que o Antigo Testamento não fala sobre a ressurreição corpórea dos mortos com tal freqüência como o faz o Novo. ela implica e pressupõe a crença na ressurreição do corpo. A Septuaginta traduz yôm Yahweh como hê heméra tou kyríou (cf. c mister enfocar também a ira 42 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . porém. ex. impregnada de conceitos.9-20). A l é m de exemplos de mortos que ressuscitam em Israel (cf. Cristo é Yahweh que vem em glória. Silêncio. vez por outra. muito menos negação.remanescente quanto os gentios que crêem — serão salvos (3. como pelo fato de a cultura religiosa brasileira. Empregand. Não raras são as vezes. Isaías'26. Daniel 12 e outras.10 Uma característica de Yahweh que o Antigo Testamento enfatiza repetidas vezes é Sua ira e que precisa ser seriamente considerada ao se falar da escatologia que se propõe bíblica. quando é teologicamente elegante priorizar toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". p. ou ainda heméra Christou (Fp 1. Sf 1. retratado como ossos secos. 2 Rs 4. em que o Novo Testamento atribui a Jesus Cristo o que o Antigo Testamento atribui a Yahweh. A l i a expressão é. A divindade de Cristo já se manifesta na era vétero-testameniária. não significa ausência. Embora a figura da ressurreição seja empregada metaforicamente.9 Neste capítulo o profeta aplica a imagem da ressurreição de mortos ao Israel em exílio.

31. ex. é "Morte" com " M " maiúsculo prenhe de conotações horrorizantes para descrever uma realidade distante de Yahweh. "cova" para designar o fim são termos de sentido ambivalente. de Yahweh.32). visto ser este o tipo de morte a ser vivenciado pelo descrente.11 Ê por causa do mundo que era ímpio que Deus envia o dilúvio (Gn 6). cujos nomes são encontrados "escritos no livro" da vida (Dn 12. 15). fala da morte neste sentido. É o que nossos dogmáticos denominam Sua voluntas consequens. Em outros contextos ela assume um sentido máximo.8). pois Ele me tomará para S i " (v. é por causa da abominação de Sodoma e Gomorra que Deus as destrói (Gn 18-19). No seu contexto. a causa da vida eterna é a chesed de Yahweh. por exemplo. Yahweh é "tardio em irar-se". ao contráIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 43 . p. termos como "morte". os recipientes da ira de Deus são dela merecedores. O salmo 139 diz que Deus estará com ele mesmo que este faça a sua cama no sheol (v. aqueles de quem Deus "não se lembra".11 2. ou fidelidade.1-2). " v i d a " é evangelho. O Saltério.1.13 Mesmo a morte temporal não separa o crente de Yahweh. Mas.de Deus para que eventualmente não nos integremos a esta i n clinação aeróbica. vez por outra. Apenas Ele é a fonte da vida (36. Enquanto "morte" é lei. O dom da vida está fundamentado na imerecida chesed. 113.. Yahweh "não tem prazer na morte do perverso". o salmo 49 atesta vida após a morte quando o autor diz: "Mas Deus remirá a minha alma do poder do sheol.4-5). É "morte" no seu sentido mínimo. O Salmo 88. "sheol".12 A compreensão de " v i d a " no Antigo Testamento deve ser entendida em relação ao que acabamos de dizer. Com freqüência aqueles sobre quem Yahweh assopra Sua ira são chamados Seus inimigos e afrontantes de Sua Igreja. À luz do versículo 10 o salmista espera morrer. cuja causa está na desfé e impiedade humanas.11).9. Finalmente. ou a Sua voluntas antecedem. é por causa da maldade das nações que Deus as lança fora de Canaã (Dt 9. Eles são incréus. 54. ex.3. O salmista ora por livramento da "Morte" neste sentido máximo. O primeiro ponto a observar é que Yahweh é provocado à ira. Em contraste com a "morte eterna". 42.9. Em segundo lugar. Sodoma e Gomorra. fala dos que estão na sepultura e no sheol como "desamparados". 8). A vida eterna é sola fidei cujos recipientes são os que "invocam o Nome do S E N H O R " (. 79. Os salmos não se cansam de doxologizar a frase "Yahweh salva por amor do Seu Nome" (p. não acolhiam nem dez justos. Em determinados contextos o termo "morte" tem a conotação de morte temporal apenas.. Deus havia dado aos Amoritas 400 anos antes de os lançar fora da terra.

para surpresa de alguns vegetarianos. Pelos textos acima pode-se ver que a nova criação é reIcalada como estando em continuidade com a presente criação. Dentro da ordem da criação o ser humano deve mordomear o mundo natural. O mundo é a praça da humanidade. diz Yahweh (Is 65.rio do perverso. O mundo foi feito para os seres humanos.13). Estes e outros textos pintam o retorno ao Jardim do Éden.29-30) e após o dilúvio.1).6-9).8). é o novo céu e nova terra — é a nova criação. nas palavras dos salmo 73. o homem deve "cultivar e guardar" o solo (Gn 2. Ez 47. ele será remido por Deus e.25). Os autores bíblicos não se envergonham de serem. Adão dá nomes aos animais (2. fome e terremotos fustigam a humanidade (Gn 12. A escatologia do Antigo Testamento apresenta o reverso desta situação.8. Para melhor compreender a nova criação.17). Espinhos e abrolhos amofinam o labor do homem. O Antigo Testamento não acarinha um desejo platônico de deixar a terra e viver com Deus em alguma esfera ideal. Nos livros de Samuel e Reis animais selvagens atacam pessoas (1 Sm.15). o solo será abundante em cereais. A terra foi dada ao homem. Montanhas e outeiros destilarão vinho envelhecido e leite (Am 9. necessário se faz que retrocedamos à situação edênica e pós-edênica. Entretanto. Ao invés de fazer brotar espinhos e abrolhos. que será consumido pelo sheol. é o reverso do mundo amaldiçoado. Deus dá as plantas como alimento para homens e mulheres (1. recebido na glória. a situação se radicaliza: Yahweh maldiz o solo. etérea. já é tempo do novo plantio (9. O povo não mais terá fome (Ez 34. O problema é que a ordem criada está sob a maldição divina desde 44 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .25-26). He 2. O último aspecto relevante da escatologia do Antigo Teslamento que queremos destacar é o da nova criação. Animais selvagens "não farão mal nem dano algum em meu santo monte". Não há nada pecaminoso ou inferior em que seres humanos habitem a terra.13-14). O profeta Amos retrata a terra tão fértil que enquanto a ceifa se processa. 17. 2 Rs 17. 0 problema não está com a natureza criada em si. Am 1. Por todo o Antigo Teslamenfo os seres humanos e o mundo natural são interdependentes.3).16).37. Águas vivas fluirão de Sião (Zc 14. O deserto será frutífero e o Mar morto repleto de peixes (Is 35. Deus lhes concede também os animais como alimento (9.8ss). Em Gênesis 1 e 2 lê-se que a humanidade é o clímax da criação de Deus. diz Deus (Is 11. criaturas. (SI 115.26-29).19-20). após a Queda.10. Até os profetas protestam contra a destruição ecológica (Is 14. A partir da Queda a natureza investe contra a humanidade e a humanidade abusa da natureza. Violência não haverá mais porque homens e animais viverão em harmonia.

Escatologia Cristã. inseridas nelas estão as promessas de vitória para o justo: os inimigos do povo de Deus serão vencidos. seu propósito no mundo. Cruzada da Literatura Evangélica do Brasil e Mundo Cristão. David J . Os mesmos textos. The theme of lhe pentateuch. Aaron Luther. 1968 explora este aspecto com propriedade. Vida Nova.. ed. 1973. 98. p. A . Embora aterrorizantes. Maria Clara L. seu final glorioso. e BINGEMER. Gottingen. Em conclusão podemos afirmar que a escatologia do A n tigo Testamento é uma proposta missiológica-soteriológica de Deus. sua descrição mostra uma terra bem diferenciada e maior do que a Terra Prometida. cf. A Igreja de Deus precisa constantemente recorrer à escatologia porque nela encontra sua origem na graça.. 3 ZIMMERLI. 2 CLTNES. Embora os profetas mencionados ainda falem do futuro em termos de terra de Israel antes de Cristo. 1978. Por outro. David A.. Para um estudo mais abrangente dos movimentos milenistas recentes.. NOTAS FINAIS KAISER. 6 Uma breve mas excelente avaliação critica destes movimentos numa ótica luterana (e que clama por tradução) está em The end times: a study on eschatology and millenialism — a report of the Comission ore Theology and Church Relations of the Lutheran Church-Missonri Synod. Uma escatologia bíblica precisa levar em consideração esta descontinuidade tanto quanto a continuidade. Teologia do Antigo Testamento. 1977. São Paulo. São Paulo. Petrópolis. de Mendonça. 5 Talvez o mais popular nesta linha seja LINDSEY. trad. s. ERICKSON. LIBÂNIO.11-13. Por isso o escatológico D i a de Yahweh trará livramento e "alegria" não apenas aos homens pecadores como à criação em geral (Sl 96. C . University of Sheffield. série III. 1980 visualiza esta promessa como permeando todo o Antigo Testamento. Millard . ex. 1. revelam que a nova criação é apresentada como estando em descontinuidade com a presente criação. 4 Cf. João B. tomo X. C . chamar o descrente ao arrependimento e à fé.J. A figura de animais convivendo em h a r m o n i a e cereais em abundância indicam o reverso da natureza amaldiçoada. Concórdia. Walther. Der Mensch und seine Hoffnung im Alten Teslament. Things to come for planei earth. Walter C. Vanderhoeek und Rupreeht. Hall e C A R L S O N . In: A Libertação na História.a Queda. A agonia do grande planeta terra.7-9). Vozes. Opções contemporâneas na escatologia: IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O T/1991 45 . suas ameaças visam. Na escatologia está o conforto para momentos de perseguição e a certeza da presença do S E N H O R também para o "Israel de D e u s " deste lado da cruz. Uma análise mais popular pode ser encontrada em P L U E G E R . L o u i s . s. 1985. por outro lado. setembro 1989. St.

p. também L E U P O L D . Theology of the Psalms. H . Keilh Crim. v. cr/. p. p. Vida Nova. ele mesmo inclina-se a um "pré-milenismo pós-tribulacionista". 1972. Reencamaçao ou ressurreição? São Paulo. 1986. G . op. Vida Nova. 275-94. The book of Ezekiel: a criticai and exegetical commentary. Edwin M. Heinrich. Baker. Hans-Joachim. New York. COOKE. Minneapolis. Augsburg. 1961. The Wartburg Press. 287 e suas referencias ao capítulo 2 de Daniel. Aula inaugural proferida a alunos e professores do Seminário Concórdia no dia 27 de fevereiro de 1991. 9 Cf. C . 8 Um longo estudo para a identificação da quarta besta no capítulo 7 é feito por YOUNG. 1937. 2. p. São Paulo. Foes from the Noerthern frontier. também LINDSEY. Grand Rapids.. Grand Rapids. John. Gordon Chown. Cf. Heinrich. p.. ex. trad. Cf. Charles A. 1949. 54-65. 3. Minneapolis. Jacobs. Cf. Hay e Henry E.. Hà. Edward J.um estudo do milênio. 11 SCHMIDT. A . A bibliografia sobre o assunto é ainda bastante incipiente mas uma boa introdução sobre a matéria pode ser buscada em SNYDER. In: The International Criticai Commentary. Charles Scribner's Sons. p. Y A M A U C H I . The prophecy of Daniel: a commentary. 282-83. trad. óp. ed. Augsburg. trad. Columbus. 398'ss. Eerdmans. 1982. 162-68 13 SCHMIDT. 12 KRAUS. 1982. Embora Erickson se mostre crítico dos movimentos de forma geral. p. Exposüwn of Daniel. 1985. rev. the doctrinal theology of lhe Evangélica! Lutheran Church. 46 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .. cil.

crentes. é por sua decisão exclusiva. conforme a Série Histórica Revisada).AUXÍLIOS HOMILÉTICOS (Os auxílios homiléticos desta edição baseiam-se no Evangelho do Dia. o Espírito Santo não age. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 47 . como diz o apóstolo: A igreja se edifica a si mesma. não se sabe de onde vem. o Pentecoste não foi um espetáculo capaz de fazer calar os céticos. o que o Pentecoste tem de especial e único é o fato de ser uma data. etc. Primeiro. falar em línguas. convence pelo uso de truques de magia. Deus pode e vai impressionar os sentidos e assim sacudir os céticos e dar força à mensagem dos seus. sob certas circunstâncias. nem arrasta os sentidos. que fixa o novo tempo de Deus com o homem em busca do perdido. e todo cristão é agente passivo.23-27 19 de Maio de 1991 A Festa Ao longo dos tempos o Pentecoste tem sido visto pelos cristãos como se tivesse sido equivalente a um espetáculo moderno de luz e som. muito menos convencer. disseram então e até boje gozam dos cristãos. Fixar-se neste aspecto do Pentecoste tem um aspecto positivo. um marco. Segundo. DIA DE PENTECOSTE João 14. O Pentecoste não foi este espetáculo impressionante capaz de revolucionar o universo. nem. Entretanto. T a l ingênua afirmação do Pentecoste como espetáculo impressionante esquece entretanto que nem os céticos de plantão no dia do Pentecoste se deixaram impressionar. Os céticos de plantão naquele dia gozaram: Estão embriagados. A narrativa de Atos 2 tem servido para mostrar que afinal. "Estão embriagados". nem para onde vai. como línguas de fogo. poder. O Espírito Santo não hipnotiza. Quando o Espírito Santo age extraordinariamente. curas. Ele age na quietude do coração. A pregação do dia de Pentecoste deveria por isto evitar dois desvios que facilmente se notam.

ente. "o mundo precisa". o que a igreja pode guardar e experimentar como o seu Pentecoste hoje? Isto Jesus mesmo definiu em textos como este do Evangelho que a Igreja tem separado para este dia. que se linha celebrado com as primícias.) enquanto está unido ao depois "pela palavra que vos tenho dito". que até ali estiveram calados. Amá-lo significa amar o sentido que ele manifesta e objetivamente deu à sua vida na sua Palavra.SE — amar a Jesus for igual ao guardar sua palavra. este retorno ao ponto de partida. A partir do momento em que percebe o sentido que teve a vida de Cristo. a festa das sete semanas. Onde a palavra se faz ouvir. (. Não sentem barreiras na comunicação. Talvez porque os discípulos. Jesus está vivo e presente. Ou. 22).O Espírito Santo ilumina o entendimento a partir do anúncio do Evangelho. Ou não? Às vezes. Mas quando é que eu preciso deste Salvador ao ponto de amá-lo somente por ser o meu Salvador e ao ponto de me apropriar da sua Palavra como sendo esta palavra que me dá a sua salvação? Será esta talvez uma das grandes falhas dos cultos do Pentecoste. E n quanto estou convosco e depois. que aquela morte era a libertação para todos? 48 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . o Pai faz morada. De tudo aquilo que se passou neste dia. de repente se vêem envolvidos numa situação em que já não podem não falar. dando tal impressão? 0 que e como aconteceu realmente naquele dia? Os discípulos nunca mais reeditaram o Pentecoste dos fenômenos. Aí Jesus distingue dois momentos. falassem hesitantem. dizem os céticos. " E u ale precisaria". ou falando na surdina. Eu preciso é interpretado como " E u já precisei". Os discípulos. o homem aprende a reconhecer o sentido da sua própria vida. Naquela ocasião aconteceu por exemplo o pentecoste israelítico. Esta renovação da confissão da própria indigência espiritual. Estão embriagados. não acreditando no seu dom. este retorno ao espírito de arrependimento? Ao mesmo tempo em que os discípulos se demonstram co-responsáveis do crime. A igreja de todos os tempos é uma e a mesma em todos os lugares sob uma condição . o 50° dia depois do Passa. Ou. este aspecto confessional está ausente da pregação cristã e está na origem dos desvios que sofre o Pentecoste. Palavra esta cuja manifestação está restrita aquele pequeno grupo (v. Este sentido projeta-se em primeiro lugar sobre o próprio indivíduo: Eu preciso de salvação. ou geralmente. a festa que celebrava o fim da safra dos cereais. proclamam. Estranhamente vão explicando o sentido de tudo aquilo que acontecera nestas ultimas sete semanas.

" Para guardar a Palavra de Jesus é preciso por isto antes e acima de tudo reunir-se novamente com. nem tudo que se ensina de acordo com as Escrituras pode por este fato ser visto como o Pentecoste. tímidos e inseguros. nenhum linha escapado a quedas redundantes e repreensões tanto mais contundentes.É neste sentido que o Espírito do Pentecoste soprou na Reforma Luterana. Se alguém me ama — esta condicional exige mais do que simplesmente ser alguém que admite e testifica diante dos homens que o pecador tem um Salvador em Cristo. O que se pode ainda esperar de homens como nós? Somos realmente capazes de provar a nossa dedicação a Jesus? Tudo visto e provado. os seguros e infalíveis visionários conscientes de que inspiração divina era-lhes sempre acessível. Conscientes de que falharam nem só nos momentos cruciais. O último a se dar conta disto fora Tome. deve preocupar uma igreja nos dias atuais. mas ileso.. Quem vai transmitir esta sua palavra que perdoa." Esta condicional que Jesus introduz. se. toda a congregação ao pé da cruz para reorientar a partir daí toda a avaliação que se faz da vida individual e da vida comunitária do cristão. Especialmente agora que E L E não está mais conosco. a resposta é não. É na avaliação correta desta observação que hoje pode existir Pentecoste. A igreja toda confronta-se outra vez com. que os desobedientes à L e i de Deus o crucificaram. Como alguém que tendo se acidentado contra um alimento na estrada.. isto sim. se. Não eram também. quanto maior era o carinho e amor com que tinham sido concretizadas. pressupõe o testemunho pessoal como resposta. Não conseguiam esquecer disto.. Mas. como Pedro.. sai estrada fora avisar outros motoristas do perigo que está à frente. a primeira tese: "Quando nosso Senhor Jesus Cristo disse. Eram. em levar avante a mera rotina do discípulo daquele Jesus. Se alguém me ama... de grande desafio. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 49 . Aqueles homens não foram aqueles heróicos e intrépidos desafiantes de um mundo hostil. E com ele. Arrependei-vos. Porque nem tudo que se chama Pentecoste. O texto "Se alguém me ama. mas também falharam. em vez de ficar se lamentando. consola e conforta? Muitos cultos de Pentecoste não passam de discurso "a respeito" quando deveriam ser testemunho pessoal de uma congregação/pregador que reconhece. nem tudo que se faz invocando o Espírito Santo.

nós não deixa nunca de ser uma forma de amor próprio. visto e reconhecido o amor Deus como tal.. hábeis em não 50 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . para o qual se deve falar. Este é um amor sobre o qual se deve falar. Pessoas que têm consciência do mal feito a Cristo e aos cristãos. profunda e completa. enquanto que o seu martírio e sofrimento sacrificiais são nos incorporados no seu sangue que bebemos. A única coisa segura é o amor D E L E . nada mais consegue ser do que a confissão e testemunho daquilo que o seu amor faz por nós. Quando os discípulos achavam que tinham. os que lutam. Mais ainda isto nos constrange e envergonha porque ele repetidamente prevenia disto. em. e. E prevenia de que ele tinha de ir sozinho. A solução foi desistir de querer provar que somos capazes de nos alinhar com Jesus e amar como ele ama. enfim. trabalham e oram.o momento seguinte dava-se conta que o amor era sempre novo e infinito. Amar a Cristo é amar o que E l e nos dá. que corrói o mundo. assaltados pelo pecado e caídos em pecado. Mesmo que isto lhe tenha acarretado aquela morte horrível. para o qual se deve apontar. A quem isto interessa? A quem o mal. mas também aceitam a comunhão nele contida. E se. No sacramento este Deus por nós é o Deus que se dá por nós ao ponto de se incorporar totalmente em nós. se. é reconhecer que todo o esforço de amar. Tão completamente alheios e estranhos somos ao amor de Deus.ca nos conseguimos. os que não são indiferentes com a injustiça nem. até no caso de Judas. mas evitam comprometer-se com ele. se identificam com. também corrói a consciência. Com. O nosso amor por ele. isto aprendemos a reconhecer o amor dele e o desamor e a falta de comunhão a que o pecado nos relegou.. existem aqueles que desejam os benefícios do amor de Cristo. Desistir. Não teria ninguém por ele.. com o sofrimento do inocente. os que estão na adversidade.. E aceitar que o amor em nós será sempre este grande SE. Claro. ao comermos o seu corpo. Estes são aqueles que não só querem o benefício do Sacramento. identificar com ele. E L E teve carinho e perdão para todos. Por isto. Mais ainda. No entender de Lutero.O incrível é que em tudo. Este amor por nós encontra sua expressão mais viva no sacramento para o qual estas palavras são essenciais. Aqueles para quem pecado é uma realidade sensível. temos de desconfiar de nós. que nun. Finalmente é nisto que seguidores tornados tímidos e inseguros se agarram como sua garantia pessoal. n. comemos a sua vida e suas boas obras. se mais não podem. E por isto. o amor que nos é dado de maneira tão ampla.

de faltas. P a r a tanto enfatiza aquilo que faz o Pentecoste permanente nos corações — o amor do P a i para todo aquele que toma consciência de que não existe amor naquilo que o mundo oferece. O objetivo que Jesus propõe é que esta igreja confie e assim goze de uma paz nova. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 51 . não dignificam. Uma igreja que busca o sucesso em sintonia com os movimentos e expectativas do mundo. (Lutero) Mas onde alguém tem consciência de que sua comunhão com Cristo é esta comunhão mais ampla. a força e a esperança que o amor de Cristo selou para os seus no sacramento. que por isto altera suas prioridades. propriedade. Mas este Deus comunga no singular e se manifesta no plural. de fraqueza. não têm paciência com os que se lamentam. nada arriscam (vida. favor de outros necessitados como eu. Aí é preciso consolo. O Pentecoste diário O problema que Jesus aponta no texto é o temor e a perturbação da sua igreja/discípulos. Se alguém me ama: aí está a realidade do Pentecoste — o agir do Espírito no espírito de Cristo para a comunhão dupla no amor de Cristo. Uma. não intervêm a favor da verdade. não defendem o ausente. Não se envolvem com pecadores declarados. que não partilham a dor dos outros. São egoístas a quem este Sacramento do amor não beneficia em nada. evidentemente está sendo focada por Jesus como um problem. a comunhão que nós agora podemos oferecer aos que carecem deste amor do qual Cristo nos enche constantemenle em. desconhecida no mundo — a sua paz. Desta consciência brota a fome e a sede que constantemente precisam ser mitigados. a comunhão que nos é dada por Cristo e por toda a cristandade passada. Esta comunhão e sua manifestação tem nome: o amor. presente e futura. Este Deus que vem comungar a vida com o homem. (e Jesus enfatiza: "Esta palavra não é minha mas do Pai. aí existe consciência de pecado. não suportam os fracos de caráter.envolvimento. honras) a favor da igreja e dos cristãos.a. O amor do Deus Salvador pelo perdido. Este problema é atual na medida em que reconhecemos que o só guardar a Palavra parece deixar a igreja insegura e perturbada. E segunda. o indigno.") este Deus é o Deus que faz o Pentecoste. do perdido pelo Salvador que por sua vez comungam o amor pelos perdidos.

o Cristo?" (Jo 4.17) mexera com as consciências. é este Jesus de Nazaré? João Batista o batizara (Mc 1. No coração de todos estava a pergunta: "Será este. um se destacava: quem. Wairich PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 3. I — Diante da hostilidade — II — Diante dos desafios à — Conclusão: Não se turbe o vosso coração. II — Reconheço a mesma promessa do Pai. P. I — Porque nela Deus confirma o seu amor. A cidade de Jerusalém fervilhava de peregrinos. Tema: A promessa de um Pentecoste permanente — meu Pai o amará. Sua pregação (Mt 4.29.23).29). I — Me reconheço na timidez daqueles discípulos.13-16). 0 primeiro ano do ministério de Jesus. Surpreendera a todos ao expulsar os vendilhões e cambistas do templo (Jo 2.1-8 26 de Maio de 1991 E r a a primavera do ano 30 d . C . III — Confio nas mesmas bênçãos.36).9-11). Entre os muitos assuntos na boca do povo. Época da Páscoa. fé o Consolador nos ensinará. P. Jo 1.Tema: O Pentecoste será permanente se guardarmos a sua Palavra. porventura. Tornara-se benquisto do povo ao curar os seus enfermos (Jo 2. do mundo faremos nele morada. Tema: Este é também o meu Pentecoste. Chamara-o de Cordeiro de Deus (Jo 1. II — Porque ela nos ensina e depender do amor de Deus. 52 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .

Acontece que para os fariseus não havia necessidade de um "nascer de novo".9). manifestavam dúvidas. uma vez que "ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes. Seu nome. Ele era também membro do Sinédrio. Jo 2. Nicodemos. portanto. se Deus não estiver com ele" (Jo 3.. liderados pelo próprio Nicodemos que já anteriormente haviam enviado uma comissão a João Batista para saber se ele era ou não o Cristo. Jesus esclarece: "pela água e pelo Espírito" (Jo 3. Ou seja. Estas versavam sobre dois temas fundamentais: a questão do arrependimento e do reino dos céus (Mt 4. para mais uma vez deixar bem claro que o reino de Deus não se concede por hereditariedade. Não queria expor-se a críticas de colegas..2). Tanto faz. Ele inicia seu diálogo chamando Jesus de Rabi (Jo 3.17). .1). . Ter um encontro pessoal com Jesus. Dai a afirmação de Jesus a Nicodemos: "se alguém não nascer de n o v o .5). 0 "sabemos" se refere talvez a um grupo de fariseus. estavam convencidos que ele era "Mestre vindo da parte de Deus" (Jo 3.19-28). Daí o solene juramento de Jesus: " E m verdade.6.23). Segundo eles. Mestre.5).2). Entre os que tinham dúvidas. que não. culto e diríamos boje. Ele era fariseu. mas procede do "nascer de novo".. .3).2). Proferiu o anonimato da calada da noite. O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 53 . " (Jo 3. . creram no seu nome" (Jo 2. Homem de bens. " (Jo 3. talvez porque durante o dia Jesus estava por demais ocupado com o atendimento do povo. De noite. Outros.2. ou componentes do Sinédrio. Na ocasião João Batista lhes assegurou: " E u não sou o Cristo" (Jo 1. em verdade te d i g o .23). Titulação reservada aos escribasí versados na Escritura. o simples fato de serem. "vendo os sinais que ele fazia. talvez porque não queria assumir publicamente esta visita. de projeção social.7). Em que consiste este "nascer de novo?" Em "voltar ao ventre materno?" Como ironicamente perguntou Nicodemos? Não. Queria testar a capacidade teológica de Jesus. descendência de Abraão lhes conferia o reino de Deus (Rm 9. Certamente Nicodemos ouvira as pregações de Jesus. encontrava-se um ilustre cidadão de Jerusalém. Assim "de noite foi ter com Jesus" (Jo 3. De noite. eminente teólogo.Uns diziam. degenerara em fanatismo nacionalista e num partido político radical. M u i tos. um. o supremo tribunal eclesiástico dos judeus. Nicodemos tomou uma importante decisão.. Agora em relação a Jesus. Seita que. João Batista já OS advertira deste falso conceito (Mt 3. no tempo de Jesus. "um dos principais judeus" (Jo 3. porém. 0 importante é que Nicodemos foi encontrar-se com Jesus.

A resposta de Jesus: "pela água e do Espírito. A pergunta de Nicodemos: "Como pode um homem nascer.27). Vemos a sua força. o físico.13). pelo arrependimento 2. Walter O.19. É uma ação do Espírito Santo. Porém. Deve agir no munido através da santificação (1 Co 3. cheia de graça e um lavar de renascimento no Espírito Santo. É "nascer de novo" pois o convertido nasce para Deus (Rm.7. a vida eterna.primeiro nascimento.5. Steyer 54 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .9). 2. sendo velho?" 1.14. o segundo nascimento.22-25). Importa-vos nascer de novo 1. Ele veio do céu e para o céu retornará (Jo 3. para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.8). a exemplo do que aconteceu no deserto no tempo de Moisés (Nm 21. isto é. água de vida. Gl 5. o "nascer de novo" é um. Assim Jesus se revela a ele como o Messias profetizado. para a morte.2. 8.18. Nicodemos tinha dúvidas sobre a messianidade de Jesus. 1 Pe 2. ele sofrerá (Is 53) e será levantado numa cruz. 0 Catecismo Menor (perg. Gl 3. Jesus usa a figura do vento. 2 Pe 3.15). 0 "novo nascimento" é dinâmico. Dai a importância do "nascer de novo".26. Qual o objetivo deste sacrifício? "Para que todo que nele crê tenha a vida eterna" (Jo 3. Ante a incompreensão de Nicodemos. Cl 2. Este é o reino de Deus. Antes porém. Qual o objetivo deste "nascer de novo?" — "para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". a água é batismo. "assim é todo o que é nascido do Espírito" (Jo 3. como diz Paulo a Tito 3. nascer espiritual. O vento é uma realidade. sua ação. é um nascer terreno. 299) afirma: "mas com a palavra de Deus.

Lázaro tinha tudo para oferecer ao rico: a mensagem do "reino de Deus" (Lc 6. que pregavam a fé vivida em amor. Texto V. no final do ano em que sofreu oposição. 25). Lázaro viu o que creu: o reino. e o amor às riquezas de que os fariseus sofriam (Lc 16.14). V v .31. 31). Os cães. tinha mais interesse por ele do que o rico egocêntrico. . pois conhecia " P a i Abraão" (v. especialmente dos fariseus (Lc 9. pois estava junto à mesa do rico para comer as migalhas. se quisermos traduzir o nome de "Lázaro". Peréia e Judéia.40).51 a 19. que era a culminância da revelação de Deus. Já fora feita pela " l e i e os profetas". 32. em contraste com o seu amor às riquezas em que "se regalava esplendidamente". 20/21 — Lázaro é a oportunidade do rico. mas uma história veridica como ilustração.19-31 2 de Junho de 1991 Contexto A ilustração usada por Jesus é do ciclo das 16 parábolas e histórias relatadas por Lucas do período das mensagens de Jesus na Galiléia. o ajuste de contas. o constante convite ao arrependimento. hão vivia a fé de Abraão (Rm 4.3). O rico não recebeu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 55. a forma grega de Eleazar (Esdras 7.16). e agora está aí aquele pelo qual "Deus ajuda". Jesus proclamava "o evangelho do reino de Deus". Mesmo sendo do povo de Deus.20). um conceito que vigorou até João Batista (Lc 16. 19 — O "homem r i c o " do texto não tom nome para Jesus. V. Samaria. E r a um mau administrador dos bens que havia recebido de Deus (v. A ênfase nesse período de oposição que Jesus sofria era a necessidade de dar uma resposta de fé e vida ao evangelho e não imitar a oposição. como Abraão o recebeu. 22 — Havia a crise. o descaso. A oportunidade de fazer amigos estava diante da sua porta. Jesus Cristo c agora o cumprimento desta aliança eterna de Deus. Por mencionar o nome de Lázaro Jesus certamente não contou uma parábola. talvez do rico.SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 16. anunciada pelos profetas (Jr 31. pois não levava a sério "Moisés e os profetas" (v. Mas apenas lhe dá "migalhas".27). e que era necessário "fazer amigos" com as riquezas. O rico havia esquecido de deixar que Deus fosse o seu Deus pela fé.5). 24).

o rico se lembra.15). V v . como "pai da fé". Está tudo dito: Jesus o está proclamando. o testemunho estava todos os dias à sua porta. Há dois lugares apenas: céu e inferno após a morte. uma nova revelação. de Deus. 27/28 — Havia testemunho. A pessoa que morre não fica vagando. Certamente é nova exceção. Mas não há possibilidade de ajuda. V. 25/26 — Não é Lázaro quem responde. Agora o sofrimento do rico não tem mais volta. 56 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . na história de Jesus.8). vá testemunhar aos parentes. Abraão é autorizado por Deus. Morreu e foi enterrado! É uma advertência violenta: em que os homens crêem? V. Nem o Jesus ressuscitado foi recebido pelos endurecidos fariseus! O julgamento de "Moisés c os profetas" é final! Também a salvação do Messias. 2. da compaixão que ele próprio não deu no sofrimento dos outros. 29 — A questão é apenas "ouvir"! O testemunho do além. dos ricos fariseus. É eterno. mas enfatizou três coisas: 1. Agora precisa da misericórdia. ouça!" (Mt 11.16). que não quer aceitar um Messias humilde que veio reinar nos coração. V v .1). concedida por Deus. mas entra logo na situação definitiva. da ajuda. Vv. 24 — O rico agora lembra que estamos no mundo para servirmos um ao outro. Com um pouco de amor poderia ter aliviado a Lázaro. O consolo de Lázaro lembra a paraclesia dada por Jesus (1 Jo 2.o que creu: sua fortuna acabou. talvez Lázaro. está no mundo: está em Moisés (a Lei) e nos profetas (e os Escritos). um novo profeta. Nesta fase houve. dos fariseus. N u m primeiro gesto de simpatia agora quer que alguém. Não se ultrapassam os limites. Mas é a dureza do coração. Mas só agora se lembra. 30/31 — Sempre o homem sabe melhor: quem sabe um resuscitado. proclamada por "Moisés e os profetas" é final! "Quem tem ouvidos. Ora. e praticada em parte já pelos cristãos (Rm 12. V. Mas só lembra que Lázaro deve servir (talvez era um servo dele). que pode ser uma exceção para enfatizar a mensagem de arrependimento e fé. apenas aguardando a revelação total de cada destino. possibilidade de comunicação. um espírito. pelo Espírito Santo (Jo 14. do alívio. O "evangelho do reino de Deus" está sendo anunciado. 23 — O interesse de Jesus não é dar detalhes do céu (o lugar de Abraão) e do inferno. 3.

a. O futuro não está garantido se não deixarmos "Deus ser Deus". 2.Disposição Introdução. a. B. Não há necessidade de pobres. Todos precisamos alimentar-nos: somos "mendigos" que Deus quer suprir. " E l e desejava alimentar-se". Deus nos dá a vida e o futuro. b. Os recursos para vida eterna são dados por Deus. A cobiça afastam Deus e o próximo. Todos recebemos a vida de forma igual. Para receber os recursos internos é preciso "ouvir": testemunho. Deus é o "Senhor e Doador da vida". 5. 0 tempo que temos para pôr em dia o futuro é agora. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 57 . Precisamos de recursos internos para chegarmos à vida eterna. Temos que aprender a repartir. O abuso da vida faz outros sofrer e destruir nosso próprio futuro. 1. o F i e l . Deus colocou os recursos para a vida no mundo. O 1. c. A vida é dada por Deus. I. II. abuso da vida e nosso mau uso dos recursos. A riqueza é dada por Deus para repartir. Já deu os recursos para todo o homem: estão em "Moisés e os profetas". 1. O futuro é longo demais: dura uma eternidade. 1. 1 . " O u v i r " é o problema para por em dia o futuro. 3. c. Achamos que a vida e o futuro nos pertencem. Tudo foi cumprido em Cristo. 1. 3. 2. da vida. Precisamos assumir a vida. "Eles tem Moisés e os profetas: ouçam-nos!" A. b. Somos responsáveis para servir aos outros. Nascemos com o dom. Nossos recursos para pôr em dia o futuro. B. 2. A.

6 — 58 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .2. Aceitar um convite significa assumir toda a responsabilidade e não medir as conseqüências. É claro quem é que convida e quem ele quer atingir com. especialmente nas suas parábolas. posicionamento claro e definido. Observando as igrejas. Conclusão.15-24 9 de Junho de 1991 Observação: É cada vez mais difícil pregar o evangelho para o homem de nosso tempo. parece evidenciar que a mensagem cristã não consegue mais atingir o ouvinte. cristã". O convite recebido requer um. Warth T E R C E I R O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 14. esta mensagem. que o satisfazer da fome e da sede servia como ilustração e ensinamento a respeito dos valores espirituais da comunhão com Deus (SI 23. no mundo inteiro. Deus tem que dar a " v i d a " pela fé. Descreve o homem e seu posicionamento perante o chamado que tem sua origem em Deus. Lc 14. a respeito do posicionamento do homem perante um convite importante. conectando este fato com uma antiga tradição do povo de Deus. detectamos o surgimento de crises e questionamentos. e — recebe o "consolo" de Deus. desde o antigo testamento. Texto: A parábola quer colocar o ouvinte numa situação de decisão. Parece que não existe mais ouvido para a "mensagem. A falta de crescimento das igrejas. Jesus usa o momento de uma ceia (cf. a aparente estagnação em muitos setores das mesmas.1). Quando recebemos os recursos internos vamos "testemunhar" para que outros "ouçam". Será que a igreja tem que mudar o conteúdo de sua mensagem? A parábola sobre a "grande ceia" nos convida a uma reflexão sobre o "porquê" de nossa participação e ação na igreja cristã. Is 25. Contexto: O capítulo 14 de Lucas quer ser transparente. Para "ouvir".9 — cf. 3. Assim estaremos na fé de Abraão: nosso futuro — evita o "tormento" do futuro. Martim C.5 — 36. E r a convicção do povo de Deus.9 — 107.

30 etc. com todo o seu zelo. as palavras "sair" "depressa" "trazer" "obrigar" todos etc). Por isto ele a) oferece vida espiritual em abundância b) não aceita a indiferença ou rejeição c) convida todos os homens a ouvir e aceitar a sua Palavra. pois a mola mestra para a expansão do "reino" é o grande amor do Senhor. A vida "material" é mais importante do que a vida "espiritual". não permite o envolvimento com os conteúdos que o convite traz. Perante o seu convite outros valores se tornam obsoletos. Importante é observar a evolução do texto (cf. Importa a aceitação do convite. Têm. Outra alternativa não existe.1-3 — Lc 13. A resposta de Jesus permite ao ouvinte espelhar-se na verdade que ouve. cada um em conformidade com a importância de sua preocupação (as três rejeições são representativas). O crente não necessita preocupar-se com o seu destino eterno. respeitado e seguido. parece ter segurança absoluta sobre o seu destino eterno. Náo importa o "status" alcançado. A bem-aventurança do membro do povo de Deus parece ser um assunto pacífico e seguro. Será que o fariseu pode ser "tão seguro" de si? Como reagem os convidados? (cf. 15. A reação do Senhor é a justa ira sobre a rejeição do convite.24) Eles parecem ser incomodados com o convite que receberam.) e da participação no reino de Deus. a oportunidade de realizar o que deles se espera.55. pois tem certeza de sua salvação. A partir do v. A resposta é inequívoca. Não querem participar. Na parábola o ponto de partida é a afirmativa do V. Hans Horsch IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 59 . Sua relação íntima com as cousas conquistadas. por sua força e com o seu empenho. Esta exclamação do fariseu descreve uma situação de fato e de direito. Lc 14. Estamos perante uma severa admoestação. O fariseu. os convidados são deixados de lado. O portador do convite do reino de Deus quer ser ouvido. A decisão é clara. algo mais importante para fazer. Esboço: Deus quer salvar todos os homens. O ouvinte necessita decidir entre adoração em. Tomaram conhecimento do convite mas resistem e rejeitam. espírito e verdade e a idolatria.7. pois.29 — 22. 21 abre-se uma nova visão.17.

Não consegue mais lidar consigo mesmo. Fora da influência benigna do pai e vivendo sua apostasia "de fato".QUARTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 15. As vidas humanas se tornam vazias. Viver assim significa experimentar o poder da morte. de grande parte da humanidade. Tentaremos dar três ênfases: A fuga descrita permite a identificação. descobrimos as tentações de nossa própria existência. A parábola contém o ensinamento decisivo para o ouvinte atento. O auge das afirmações encontramos nos versículos 24 e 32. Os filhos mencionados. o homem degenera de tal maneira que sua vida está sujeita às forças da desunião. O distanciamento de Deus traz consigo o distanciamento do homem de si mesmo e do seu próximo. Texto: A parábola nos faz compreender o que significa a "morte" e a " v i d a " para o homem de todos os tempos. especialmente em nossos dias. desordem e destruição. Tomou conta. sem aceitar a interferência de uma vontade superior. A alienação da vida humana está perante os olhos daqueles que conseguem "enxergar". A busca da auto-administração da vida. Onde encontramos as causas deste esvaziamento da vida humana? Qual o remédio para sanar esta situação? A perícope em questão oferece uma resposta.11-32 16 de Junho de 1991 Introdução: Constatamos. O homem de nosso tempo evidencia traços característieos de seu desequilíbrio psico-somático. no texto são descritos em seu relacionamento para com o pai. E l a surge do conflito entre Jesus — o doador da vida — e os fariseus — representantes de uma religiosidade formal e descompromissada com a vontade genuína de Deus. O homem "perdido e condenado" de nosso tempo merece o amor do P a i que está no céu. o texto não pára por aí. Assim ele cai na dependência de uma vida "animalesca". Mas. a falta de sentido na vida. Parecem viver sem orientação ou objetivo em sua vida. que muitas pessoas vivem uma vida completamente alienada. está em todos os homens. ou melhor. O comportamento de Jesus para com os pecadores da época provocou as mais diversas reações por parte do povo de Deus. G O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Observando bem a descrição de ambos. Ele nos oferece não somente a solução dos problemas mas também a alegria daqueles que participam na busca do perdido. Permanecem apegadas em cousas superficiais. entregue às suas próprias paixões.

A volta do filho pródigo fala por si mesma. Dr.15-21 nos destaca a bondade de José para com seus irmãos. Vale agora viver a nova vida. " C a i n do em s i " (v. nasce a sua decisão de voltar ao pai. da confissão da culpa e da declaração do perdão. Martinho Lutero reconheceu. Esboço: Deus não quer que vivas uma vida alienada a) ele conhece as tuas tentações b) ele espera a tua volta c) ele te oferece a vida verdadeira.36-42 23 de Junho de 1991 \. T . Aprender a desesperar-se mesmo (sob a Lei) significa aprender a refugiar-se sob as promessas de Jesus Cristo (Evangelho). Uma vida sob o poder da ressurreição. preparada por intermédio de Jesus Cristo. Hans Horsch QUINTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 6. o homem de hoje encontrará a chance da nova vida. A aceitação incondicional do filho gera a grande alegria. A aceitação e reintegração do filho na comunhão com o pai e o alívio que o próprio Deus oferece para todo fugitivo. nosso Salvador. . Através do arrependimento sincero. Forçado a reconhecer sua situação surge a busca e a conscientização. O comportamento do pai. Temerosos de uma possível vingança do poderoso irmão. 0 reencontro entre o pai e o filho fornece a base para o reencontro do filho consigo mesmo e com o seu próximo. após muita luta interna. o "cair em si". Gn 50. o quanto é necessário para o homem. (v. os irmãos prostraram-se humildemente IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 61 . Necessitamos re-descobrir a mensagem clara de lei e evangelho. 17) e reconhecendo a sua culpa. uma vida de esperança e de realização. é comovente e permite olhar no coração daquele que nos oferece a sua graça. A temática das perícopes: O Salmo 138 lembra que o fiel e misericordioso Deus é rico em perdoar os humildes de coração. descrito nesta parábola. 6) O texto do A .

10). Como? Não julgando. por isso os> seus também são misericordiosos". 36: "O Pai é misericordioso. Vers. querer "ganhar o irmão". Isso seria um conformismo incompatível com o espírito da justiça divina. seu perdão e promessa de ajuda. não condenando. Quanto mais os discípulos viverem. Quem foi aceito por Deus em. mais experimentarão a misericórdia de Deus. 2.44). Quem assim agir. Ao julgar segue o condenar.diante de José. o cristão vai contra o impulso natural no ser humano. Quem julga e condena levianamente. no perdão. esquecemos que nós também haveremos de estar perante Ele (Rm 14. Assim.21-35). provoca a ira de Deus e não pode contar para a sua própria pessoa com a misericórdia divina. Guiado pelo Espírito. sem. não condenar. porque em última análise. 37-38: Um exemplo de misericórdia c o não julgar e condenar.35). Contexto: A presente perícope pertence ao sermão da Planície. ele mesmo será julgado e condenado. dizendo: "acaso estou eu em. Essa atitude reprovada inclui o pecado da língua referido por Tiago 3. 3. os cristãos. o Justo Juiz e Vingador é só Ele e mais ninguém (Dt 32. por isso os seus também são misericordiosos. do querer a paz com. no convívio com os outros são orientados a não julgar. mas perdoar. quer e vai ser misericordioso no seu agir com. o cristão não paga o mal com o mal. que começa com o v. A exortação no texto refere a um julgar leviano. que reagiu. perdoando e sendo generosos para com o próximo em suas necessidades físicas e espirituais. de Jesus. Rm 12. os outros. Há um julgar justo e ordenado por Deus. sem amor. como também destaca a necessidade da humildade. Quando sentamos no Seu lugar de Juiz. todos e o não querer vingar-se do próximo. 17 e vai até o v. 02 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Deus não quer destruir. Na epístola. Texto: Vers. Jesus não proíbe todo e qualquer julgar.lugar de Deus?" E os consolou com. Jesus não quer que seus ouvintes fiquem indiferentes diante de idéias e atitudes condenáveis. o "não ser sábio aos seus próprios olhos". sua misericórdia. Paulo reafirma o mandamento de Jesus de amarmos e bendizermos os nossos inimigos (Mt 5. a perdoar e ser generosos. como José. E a lição nesse momento é: O P a i é misericordioso. caso ele estiver em perigo. O Mestre está preparando os seus discípulos para a grande missão. Viver da misericórdia de Deus é perdoar (Mt 19. 0 orgulho e seus "derivados" na vida dos cristãos são um forte destestemunho perante os que não são cristãos. 49.14-21.

e bem. Vivendo na misericórdia de Deus. 39 e 40: É guia cego quem julga e condena e não vê o esplendor da misericórdia divina envolver toda existência humana. esse verá no irmão a sua própria imagem — a de um pobre pecador. refugiando-se na misericórdia de Deus. a ver a misericórdia divina que o quer salvar. matéria de visão do dia a dia da vida. O de Jesus foi um contínuo dar. perdoando-vos uns aos outros. os discípulos. não vê o seu erro não pode guiar outros. Não raras vezes perdemos nossos sentimentos de compreensão e tolerância cristã. "assim como o Senhor nos perdoou". 41 e 42: A cegueira espiritual referida por Jesus não só impede o homem. e dar-se-vos-á" — O que temos nós que não tenhamos recebido? Nosso viver é um contínuo receber. e ira. é que ele será capaz de ajudar o outro para libertar-se do argueiro. Não perdoar alguém é negar-lhe algo que ele necessita muito. compassivos. "Dai.32) Em sua carta aos colossenses Paulo exorta seus leitores a "suportarem-se uns aos outros" (Col 3." Vers. Cristãos também sofrem recaídas em."Perdoai e sereis perdoados" — Na grande família humana um é devedor do outro. o que significa que na diversidade das individualidades devemos perdoar-nos mutuamente. Vers. Pedir perdão e perdoar é a solução para esses problemas. Nessas palavras poimênicas Jesus está preparando seus alunos. O discípulo tem no seu Mestre o exemplo a seguir. para que não queiram guiar alguém sem estar conscientes da misericórdia de Deus.13). Quem vive no arrependimento diário e pede perdão. E todos sabiam o quanto o Mestre era misericordioso. "A caridade por nós praticada não nos abre o céu. arrogância. Antes sede uns para com os outros benignos. assim toda a malícia. mas o não praticá-la nos fecha o céu. é inevitável que surjam desentendimentos no convívio com os irmãos. Todos nós somos devedores de amor para com nosso próximo. os futuros líderes. como ainda o impossibilita a enxergar a seriedade de sua natureza pecaminosa.31. e gritaria." (Ef 4. e blasfêmias. Por causa da fraqueza da nossa carne. Orgulho. como seus defeitos. Agora nós somos convidados a dar ao próximo o que ele necessita no corpo e na alma. Quem. especialmente do convívio com os irmãos. Só quando o acusador se coloca diante do Deus justo. farisaísmo nos enche de nós mesmos. como também Deus em Cristo vos perdoou. Paulo escreve aos efésios: "Longe de vós toda a amargura. fraco e falho. Ele deu-se por amor. c cólera. pode-se ajudar IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 68 . Nós temos traves e argueiros nos nossos olhos.

Jesus também ensina a seus discípulos que ninguém está autorizado a executar o julgamento de Deus. quando o julgamos sem. tanto mais passam a desprezar os outros". Antes de querer mudar os outros. E para poder aparecer. mas ensinou aos seus discípulos a não condenar injusta e impiedosamente. com ares de infalibilidade. precisam comparecer diante do julgamento de Deus. As pessoas querem aparecer. através de arrependimento. interpretan64 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . o discípulo será tentado a ocupar o trono do julgamento de Deus e condenar o pecador (Mt 7. mas um ao lado do outro. Vendo a m i m mesmo nos meus erros possso ter compaixão do outro no seu erro. cria uma nova comunhão. Isso ele não deve fazer.1). está acima do outro. aí entram no campo que compete a Deus". 4. mesmo e minha fraqueza. O discípulo.o outro. Descobre-se. Quanto mais as pessoas procuram ser as tais. eu preciso querer mudar. a solidariedade de culpa.19) Todos. Num mundo em que a lei condena o infrator e onde a tendência natural do homem é julgar o outro (Rm 2. A misericórdia de Deus me faz olhar primeiro para mim. Essa misericórdia em nossa vida cria uma nova visão. que descobre erros e os aponta. conhecimento suficiente. "recheada" de misericórdia divina. Cristo traz uma justiça que liberta e salva. quando insinuamos segundas intenções no próximo. ura novo relacionar-se com o próximo. quando desenterramos coisas do passado ou comentamos publicamente o que é secreto. justificam-se a si mesmas e julgam e condenam os outros. no entanto. "Querer estar acima dos outros é uma qualidade da natureza humana.12) e ele pode somente ser a voz do perdão de Deus para seu próximo. que ninguém. quando nos habituamos a criticar tudo e a todos. E essa nova visão da minha própria culpa. Esse erro ocorre quando não levamos em conta a fraqueza do irmão. (Rm 12. quando espalhamos boatos. então. Jamais quis Jesus negar o valor da crítica misericordiosa. porque ele vive do perdão de Deus (Mt 6. quando falamos de modo impensado. "Onde pessoas Se acham no direito de julgar sobre os outros.1). ele perde o Deus perdoador e terá contra si o Deus Juiz. Somente aquele que conheceu a dor de uma trave removida do olho pode ajudar o outro com seu argueiro alojado no mesmo órgão. sem pretensões de querer ser mais. Se ele julga. A misericórdia de Deus é o princípio de todo o agir dos filhos de Deus. Meditação. precisa limpar seu próprio olho da trave de seu próprio pecado para que possa ver claramente para então remover o argueiro do olho do irmão (v. 42).

Gerhard Grasel SEXTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 5. A primeira grande comissão ou chamamento ocorre ao som das águas dessa enorme harpa construída pela natureza de Deus. Disposição: Tema: Sede misericordiosos! 1. palavra hebraica que significa harpa (kinnor). No relato da pesca maravilhosa. além. ouvindo e fazendo o que manda. mais nos certificam da presença poderosa e graciosa de Deus em nossa vida. 3. Os personagens mais atuantes. 5. homens simples. tão conhecido. sem grande cultura. conhecido no Antigo Testamento por "mar de Quinerete". Tudo no belo quadro de uma pescaria. 2.23) Há promessas como essa e há textos bíblicos que. nem são exclusividade da moderna era industrial. suas testemunhas às outras pessoas. mas laboriosos e dispostos a atender à palavra de Jesus. Quem vive da misericórdia de Deus não pode julgar e condenar. Quem vive da misericórdia de Deus aprende a ver os outros com novos olhos. Há fases na vida em que parece não IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 (55 .do mal seus atos e quando faltamos com o devido amor na aplicação da disciplina cristã. tão apreciado. 5) — Situações de insucesso e frustração na vida profissional não são novas.1-11 30 de Junho de 1991 "Tudo é possível ao que crê! (Mc 9. do Mestre e Concertista Jesus são os pescadores. quanto mais conhecidos. " N a d a apanhamos" (v. Deus é misericordioso. revela-se como Ajudador. e convoca os crentes para serem. ao iniciar seu ministério. O texto está inserido no ministério de Jesus na Galiléia (Lc 4 a 9). Cristo conscientiza o homem de sua pecaminosidade. por causa da semelhança entre a forma do lago e esse instrumento. O cenário é a margem ocidental do lago de Genezaré. A escolha dos primeiros discípulos foi uma de suas primeiras tarefas. tão simples.

capturar (zoogroon) pessoas para as malhas do evangelho de Cristo.11) Um dos maiores obstáculos ao progresso da palavra é a falta de empenho e a fraqueza de fé dos cristãos. os discípulos atendem a seu Mestre e confiam na ordem recebida. E r a preciso que essa mensagem exitosa fosse levada adiante por homens convictos e que cumprissem cabalmente o seu ministério. sob pena de que a nossa vida tenha sido vivida em vão. O processo inicia com o "ensinava do barco as multidões". (1 Co 15. aumenta-nos a fé" na lua palavra! O propósito do milagre da pesca é o mesmo expresso em Jo 20. para pegar com vida. cansaço.31. que não é vão. "Epídé tôo réemati — apesar de todas as contra-indicações. "A minha palavra não voltará v a z i a . "Senhor. (v. Em ambas as tarefas eles seriam bem sucedidos. 4) Apresentou-se-lhes como Salvador através da pregação da palavra de vida e sucesso pessoal. no sentido de que dêem testemunho de Sua presença em suas vidas. Mas também se aplica a todos os crentes. o discípulo. Pedro e os crentes de todos os tempos experimentam maravilhas. O êxito da empreitada tinha o objetivo de fortalecer a fé daqueles pescadores de dois mares. capacidades e tempo. . 66 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . através de seus membros. do mundo e do poder do diabo — e transformou essa tarefa em sucesso e salvação. hora imprópria. O mar da vida precisa ser desbravado a serviço do Salvador Jesus.haver esperança de êxito. Nessa palavra foi que Pedro confiou. de pesca e do ensino. ainda assim confiante. Seguindo a palavra de ordem e convite do Salvador. apesar de pormos em execução os mais audaciosos planos e investirmos altas somas. " (Is 55. Quantas desculpas se arranjam para fugir a essa responsabilidade! A pesca maravilhosa é a promessa presente de que o trabalho da igreja. eles atendem á voz do Mestre. como seus mensageiros. confiança e louvor. exclama: "Mas sobre a tua palavra lançarei as redes". Essa palavra transforma-se no convite que leva os discípulos a seguir Jesus. depois de lhe entregaram tudo. quando realizado "no Senhor". trabalho. Seguir a Jesus (ekoloúthesan/y. desânimo. porque bem amparados. jamais deixará de ser bem sucedido. . na pregação e no testemunho. O chamado do texto é específico aos discípulos de Jesus.58) Muitos são os entraves à obra da missão da igreja. Defrontando-se com o resultado adverso de uma noite de trabalho em vão.57. O sucesso da pesca tem ainda um significado positivo em relação ao trabalho de nossas mãos. barco. para o engrandecimento de seu reino e de sua obra na terra. 11). Em ambos os barcos. Jesus submeteu-se ao mais infrutífero dos trabalhos: redimir a humanidade perdida das malhas do pecado.

1-15).3). este prestígio gerou inúmeros ciúmes. A palavra de Deus revelada em Cristo se manifesta ao homem de forma salvadora e milagrosa: transforma sua vida.13-16). ao exercer o ministério público da pregação da palavra e administração dos sacramentos. o encontro com Nicodemos (Jo 3. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 67 . ninguém lhe resiste: Ouçamo-la. ajamos de acordo com ela! "Desejai ardentemente. 2. No entanto. (Epístola) Elmer Flor SÉTIMO DOMINGO APÔS PENTECOSTE João 4.2). têm a promessa de que "prosperará" (Is 55). A palavra de Deus é viva e eficaz em sua Igreja. o testemunho de João Batista (Jo 3.19 e 23).Disposição Tema: Sobre a tua palavra lançarei as redes! 1. aceitemo-la. Jesus achou por bem voltar para a Galiléia (Jo 4. Para evitar atritos.30). como sacerdotes reais. prepara a chuva.1).30). o genuíno leite espiritual! (Contexto da Epístola do dia: 1 Pe 2.. 3. faz brotar nos montes a erva.. A purificação do templo (Jo 2. nação santa e povo de propriedade de Deus a proclamam para que todos "alcancem misericórdia". dá o alimento aos animais.18.26). e "suas misericórdias se renovam todas as manhãs" (Leitura do A n t i go Testamento do domingo). A palavra de Deus corre velozmente (Sl 147.5-15(16-26) 07 de Julho de 1991 Jesus encontrava-se no início do seu ministério. Seus crentes. como principalmente dos fariseus (Jo 4. os sinais realizados (Jo 3.15ss) cobre de nuvens os céus. tanto por parte de alguns adeptos de João Batista (Jo 3. Seus pastores. tudo somou para uma crescente notoriedade de Jesus. Havia-se revelado como o Messias por ocasião da páscoa (Jo 2.

2) devido ao poço cavado por Jacó. em cuja sombra das árvores descansavam os peregrinos.12). Evidencia o chamado de Deus ao arrependimento. a hora era propícia.Ele se encontrava na Judéia. esperavam a vinda de um Messias. O diálogo que a seguir se estabeleceu entre Jesus e esta mulher samaritana é um dos mais expressivos do Novo Testamento. Mesmo assim o monte Gerizim era-lhes. E r a uma cidade histórica (Gn 33. bem como a circuncisão e também. Era. neste lugar Abraão era para sacrificar seu filho Isaque (Gn 22). Nas palavras do próprio Jesus: "O Filho do homem veio salvar o que estava perdido". A mulher samaritana era uma "ovelha perdida — mas através do dom de Deus (o sacrifício vicário do Messias) e da água viva — o evangelho deste amor de Deus (Jo 3. Como os judeus vedavam o acesso de samaritanos ao templo em Jerusalém. sincretista. Jesus dirige-lhe a palavra. sagrado. enquanto seus discípulos foram à cidade a fim de buscarem alimentos. e ainda segundo os samaritanos. Segundo a tradição. Jesus ficou junto ao poço.29). a de maior contato com a população local. Território hostil devido a rivalidade entre judeus e samaritanos (Ed 4 e Ne 4). O poço situava-se nas proximidades da cidade.1). ou seja. meiodia. O caminho do litoral. e para chegar à Galiléia.15.5). pois diziam que ali se dera o encontro entre Abraão e Melquisedeque (Gn 14. ao mesmo tempo um lugar de pouso. pedindo que ela lhe desse um pouco de água para beber. Os samaritanos não eram judeus. poço cuja água assegurava a subsistência da população. Jesus escolheu esta última via. Comprova todo o amor de Deus a favor de uma "ovelha perdida" (Lc 15. Quem nele crê tem a vida eterna. A origem dos mesmos achamos registrado em 2 Rs 17. C .19 e Jz 24. margeando o Mediterrâneo. aqui também se localizava o túmulo de Jacó. Venerada pelos samaritanos (Gn 34. Jesus e sua comitiva chegaram assim nas proximidades de uma cidade chamada Sicar (Jo 4. eles construíram um templo rival junto ao monte Gerizim. o do vale do rio Jordão e a estrada que atravessava pelo meio o território de Samaria. por João Hircano. Localizava-se a mesma entre os montes Ebal e Gerizim (Dt 11. Sendo a hora sexta. Havia três estradas que levavam através da Samaria. com forte influência pagã e alguns traços de judaísmo.16) ela seria reconduzida ao divino aprisco. era-lhe necessário atravessar a região de Samaria.3-7).18-20). Adotavam um culto misto. Mas este havia sido destruído em 128 a . Somente o Messias pode conduzir a 68 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . E revela a messianidade de Jesus. E esta salvação é completa. Assim aceitavam apenas o Pentateuco.24-28. Especialmente o objetivo da sua vinda. a quem veneravam como patriarca (Jo 4. Nisto se aproxima uma mulher samaritana para buscar água no poço.

ou se comprássemos.2).40-42).. leva-a ao testemunho pessoal (Jo 4.19). toda a cidade de Sicar veio a crer.. e graças ao seu testemunho a favor do Messias. estranhos vindos de fora. 4. Ajudam a compreender mas não compõem o objetivo pelo qual João registra o relato. pressupõe um período de tempo de pelo menos seis meses ao máximo de um ano. converte uma mulher (Jo 4. A mulher samaritana reconheceu em Jesus inicialmente um profeta (Jo 4. depois o Cristo (Jo 4. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 69 .1-15 14 de Julho de 1991 ESTUDO: 1. Walter O.5-26) 2.29). Jesus quer que Filipe reflita sobre o problema. 6 e 10b — Devem ser vistas como explicações entre parênteses. gum tempo (cf.42). Jesus estava sentado por al- 3 A festa dos judeus — explica a concentração de pessoas e a curiosidade. e assim evangeliza uma cidade inteira (Jo 4. Não pede a informação.28-30 e 39) 3.pastos verdejantes e levar para junto das águas de descanso (Sl 23. Agorasonem — Subjuntivo— Onde compraríamos. Os verbos estão no imperfeito. 2. Steyer OITAVO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 6. variante). tanto que unânimes todos confessaram: "sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4. Jesus se manifesta como o Messias aos samaritanos 1. Metá tauta: depois destas coisas. 5. Pelo: contexto vemos que Jesus atingiu seu objetivo. João introduz relatos omitidos nos sinóticos e sublinha outros já feitos.

11.55) são importantes estas menções para determinar a extensão do ministério de Jesus. 43 = "Se outro vier em seu próprio nome. Mas a atitude.4 Jesus está a um ano da morte. 14) É tema especial deste evangelho (2.2. mas também desafiante mais e mais rejeição. O discurso era certo e dirigido à pessoa certa. 14 e 15 — São relato exclusivo de João Harpazein — Envolve até violência. Mello — em 6 e 15 é intenção definida cuja ação é irreversível.13. 3. no que respeita números. Elegon — Imperfeito: no sentido — espalhar de boca em boca.4. 10. 14 V. 5.41)." "Vós. relação: em relação a números. Palavras especiais: Semeia (v. 4. Tó paseha: Em João (2. 48. 14 — A confissão era verdadeira nas Palavras empregadas. como crereis nas minhas Palavras. ele próprio. Autos — Ele. especialmente 10. 18. 54. Em 6. as intenções c o objetivo eram falsos. 23." Jesus acusa que a misericórdia de Deus é também. 6. 10.6. V. Denárion — salário de um dia.1. 2. os que aceitais glória uns dos outros e não procurais a glória de Deus. Hoi ándres — (masculino) em v. consumida egoisticamente pelo homem que só procura Deus para benefícios pessoais. (Obrigá-lo) Aspectos homiléticos: Contexto — Qual é a missão de Jesus? 5.47 = Se porém não credes nos seus escritos. mas hoi antropoi (significando o povo todo) no v. no pico do ministério da Galiléia. 70 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 14. Ton arithmou — Acusativo.11.

47) na fuga (6. Josefo também relata de dois charlatães que se intitularam profetas de Deus e atraíram e fanatizaram multidões com promessas de glórias futuras. mas também apropriar-se do Doador. presente na pessoa de Jesus. Mc 6.15). Querer alimenIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 71 . Este Deus espera a nossa confiança porque ele não falha. identificado no contexto pelas palavras de Jesus e ilustrado no texto pela atitude da multidão e dos discípulos. em si é nada. Tanto os discípulos acharam que a pergunta de Jesus só faria sentido se Deus lhes tivesse antecipadamente feito chegar às suas mãos pelo menos 200 denários. Dar glórias à providência de Deus. o procuram e seguem. explicações sobre o Reino e curas. Confira os sinóticos (Mt 14.. C. Revela o homem (anthropos do v. Revela o Deus Provera Em todas as circunstâncias. o homem julga que é seu direito e dever apropriar-se não só das dádivas divinas.34-44 e Lc 9.11-17) . B.Depois da multiplicação a multidão prova com seus atos o que Jesus lhes via no coração. nas suas palavras e atos. Todos os cálculos. D. Ao mesmo tempo não deixaram de fazer o povo assentar-se. Infelizmente. (Decepção?) Só sabiam confiar nos seus recursos próprios e força. Dar glórias ao Deus Barriga (no dizer de Lutero) e "obrigar" Deus por meio de culto e orações e satisfazer necessidades materiais é colocar aquele Jesus dos escritos de Moisés (5. (Ilustração: o texto do AT Israel no deserto). O texto: A. Todos se interessam por Jesus.Todos enfatizam o teste que Jesus fez com os discípulos para ver se voltariam para Ele em busca de auxílio. seguros e garantias que se puderem ajuntar são postos em desafio por um Deus que olha dos céus e prove para todos. Este Deus espera confiança também quando a confiança é o único recurso.14-21. depois! Os sinóticos tem como contexto os ensinamentos de Jesus. 14) e a inversão que faz da bondade e do amor de Deus. O problema que se opõe à fé é o homem só reconhecer e admitir a bondade de Deus quando as suas expectativas estiverem satisfeitas. O texto nos confronta com um problema da natureza humana. E Jesus confirma que o amor de Deus pela humanidade é concreto.

Por isto: aprendamos a receber o seu auxílio com humildade aprendamos a repartir os benefícios com confiança. elas vêm logo após as bem-aventuranças onde Jesus descreve a atitude do mundo em relação a Seus discípulos e Sua Igreja. Organização do material: Acima dos recursos que temos. Nem. Weirích NONO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. 5. o Reino de Deus sobre o mundo. por outro.13-16 21 de Julho de 1991 É importante notar. ou para capitalizar honras. E que querem transformar Deus no "gênio da lâmpada" para suas ambições. P. más os filhos do Reino apenas que são sal da terra e luz do mundo. O objetivo do texto é fazer com que o cristão seja ambicioso e confiante na sua vida de oração (por estar na presença de Jesus). Não é o mundo. Não tem auto-crítica. está aquele que nos ama. Do outro lado. no entender destes cristãos pragmáticos e modestos no pedir e esperar.tar aquela multidão era exigir o impossível. a atuação dos seguidores de Cristo sobre aqueles que "por minha causa" os perseguem. nem Jesus podem fazer isto. elas são ditas a Seus discípulos. O pronome hymeis no início de ambos os versículos é enfático.11-12). o contexto destas palavras de Jesus. não são os escribas e fariseus. Deus. estão aqueles que pensam que Deus lhes deve tudo. Em primeiro lugar. ao mesmo tempo aprenda com Jesus a canalizar os recursos de Deus não em benefício pessoal. inerente nestas duas figuras está uma verdade fundamental: a 72 . muito menos arrependimento em si. As duas metáforas do texto — sal e luz — invertem o processo e descrevem a influência que tem. P. (cf. mas para servir o seu próximo com humildade de espírito. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . ou seja. sempre de novo. A última beatitude é transicional.

é oportuno lembrar esta diferença para que nossos cristãos não se integrem a essa inclinação aeróbica. ferido. na ótica do contraste entre Igreja c mundo. "vós" que sois a luz do mundo (cf. 0 sal arde e a mensagem não adulterada do juízo e da graça de Deus sempre temi sido uma coisa que arde — tanto arde que os homens se têm revoltado e reagido contra e l a . Ele disse: 'vós sois o sal da terra'. p. a luz. de outro. Tanto o sal quanto a luz exercem. mas ele é esfregado sobre os elementos para que estes não se decomponham. mas esta relação depende da sua diferença. De um lado está "o mundo". E o sal — a Palavra de Deus testemunhada pela Igreja — arde. 1963. significa conheIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 73 . tem uma função positiva iluminando abertamente. Sc o sal. De um lado está "a terra". Pode-se dizer que o sal possui uma função especialmente negativa e secreta atuando no combate à deterioração. 28). diz ele. este se encontra doente. Verdade é que as duas entidades estão relacionadas entre si. quando é teologicamente elegante tornar obscuras as fronteiras entre Igreja e o mundo. publicamente. "Jesus". N u m a sociedade com tendências religiosas universalistas. atuando de forma salutar. O sal pode perder sua capacidade de atuação ao sofrer a influência de outros elementos químicos. . uma função salutar sobre o ambiente onde se encontram e atuam. Helmuth Thielicke explora este aspecto dizendo que cristãos há que se apresentam ao mundo como sendo mel e não sal e por isso o mundo os rejeita. bem como referir-se a toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". possui gosto alcalino e se torna imprestável. Fortress. na Escritura Sagrada. [Por outro lado. Estudiosos afirmam que o sal do Mar Morto. Jesus ao falar com Seus discípulos na segunda parte do vers. precisa arder. A atividade dos discípulos pode ser comparada aqui ao fato que o sal não é simplesmente aspergido.] onde não houver amarga reação o puro sal está em falta" (Life can begin again: Sermons on the Sermon on the Mount. Mais do que isso. São metáforas que se complementam. de chagas abertas. Philadelphia.Igreja e o mundo são duas entidades separadas. " L u z " . por seu turno. devido à exposição a outros elementos químicos. A segunda figura utilizada por Jesus é a da luz. . Sal e luz são duas metáforas extraídas da comum necessidade cotidiana de qualquer família independente de sua posição social ou econômica. "vós" que sois o sal da terra. 13 deve ter-se voltado em direção ao Mar Morto para ilustrar Seu argumento. o Salmo indicado para hoje onde esta distinção fica bem definida). do outro. possui uma atuação negativa e age de maneira secreta. "não falou: 'vós sois o mel do mundo'.

A estes as "boas obras". Sl 36. A primeira é a da cidade. A mensagem é evidente: Jesus não espera a auto-preservação da fé. acesa seja exposta ao mundo. Is 49. 3. 2.8-9). lógico.78.19).32. morte.8). A luz não pode ser escondida. os cristãos não são luz em si e por si mesmos.6.1-43. antes por uma exibição fluente. onde é colocado um pavio e que. como se acham alistados na Epístola de hoje. atuante. 2 Co 4. tendendo a ser sufocado. a partir do texto. assim a luz que é colocada sob o alqueire: consome o oxigênio e o pavio apenas fumega. Sugestão de Tema: Ardendo e Iluminando. A relação com Deus gera naturalmente.cimento de Deus (cf. uma expressão de caráter genérico. émprosten tón antrôpon. 1 Pe 3. O verbo "ver". O que Jesus tinha em mente era uma dessas lâmpadas de terracota em forma de pires com prolongamento era um dos lados. ser vistas. Nós somos luzes "no SEN H O R " (Ef 5. oráo. uma vez aceso. Com suas muralhas e fortalezas. Mede cerca de 1Ocm de comprimento. .12. Jo 8. Este aspecto fica manifesto na expressão "diante dos homens". Jesus quer que a fé — para se manter viva. A ética cristã não se caracteriza por um isolacionismo asceta. universal. aos perseguidores (cf. Lâmpadas da época podem ser vistas hoje em grandes museus ou em coleções particulares. sintetiza todo o modus operandi da fé cristã.9). lychnos. polis.1. este processo. kalá erga. aos desafios. . glória e verdadeira felicidade (Sl 97. luz". Lc 1. A ilustração dessa verdade Jesus a faz por meio (de novo) de duas realidades do cotidiano. Cristo é a "luz do mundo" (Sl 27. mas. visivelmente (cf. acesa no velador. É importante ressaltar que Jesus não diz: "vós deveis ser. Is 9. luz".. Somos a "luz do mundo" num sentido derivado sim. À moda do sal que. devem ser mostradas para que possam. alegria. A segunda realidade é a da lâmpada. É evidente que os discípulos. justiça e verdade (Ef 5. não pode ser escondida. 7cm de largura e 4cm de altura. Possui duas pequenas aberturas na parte superior: uma onde se coloca o óleo e a outra. espontaneamente. E l a é visível a todos de dia e de noite. 60. "alumia a todos que se encontram na casa". Em última análise " l u z " outra coisa não é senão o equivalente aos "frutos do Espírito". natural.perde sua identidade funcional. mas Ele diz: "vós Sois s a l .11.. desinibida. O testemunho pessoal não se dá apenas oralmente. segurança é aniquilamento. Acir Raymann 74 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . . aos obstáculos.22-23. s a l .1-7. bondade. 6. na extremidade do prolongamento.1). a leitura do Antigo Testamento para hoje). se não salgar — sua razão existencial . .6). 60. Autopreservação é auto-destrunição. mas natural. construída sobre um monte. cf.

DÉCIMO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 25. c) Texto: Vers. época em que — espera-se — a Igreja. As quatro parábolas são para ilustrar e ressaltar a necessidade de vigilância. e luz para o meu caminho". Estamos em meio ao assim chamado " A n o da Igreja". b) Contexto: Jesus falou dos acontecimentos que haverão de preceder o fim do mundo (Mt 24). quatro parábolas. porém. Os talentos que o Senhor Deus nos dá são os dons do Espírito Santo: Evangelho. Ele ganhou outro tanto para o seu patrão. então. empregando seus talentos. Em seguida à perícope de hoje vem o relatório sobre o juízo final. alegria. O Salmo 119. que se adquire da palavra de Deus. 14-17: O homem entregou seus bens a três dos seus servos: cinco. se tão somente houvesse ganho outro tanto negociando. O que recebeu cinco talentos "saiu imediatamente a negociar". mas também poderia ter produzido tanto quanto os outros dois. foi mau e preguiçoso. dois e um talentos respectivamente. perdão. "Negociar" com. Vers. 18: O que ganhara um talento de seu senhor pensou negativamente. mostra que o conhecimento de Cristo. seus dons em favor do reino de Deus. é a sublimidade e o maior lucro. mostra que e como o povo de Israel cedo se desviou da palavra do Senhor e adorou o bezerro de ouro.7-11. das quais o texto de hoje é a última. Ele conhecia o seu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 75 . E l e não perdeu tempo. O texto do A T . O evangelho do dia mostra que precisamos trabalhar com a nossa fé. a congregação. esses talentos significa "pô-los a serviço do reino de Deus" (missão e evangelização).14-30 28 de Julho de 1991 a) Assunto central das perícopes. A recompensa pelo bom e habilidoso trabalho está mostrado nos versículos 20-23. Ele. Conta. etc. Êx 32. porque a fé em Cristo dá-nos a justiça que procede de Deus e nos põe em comunhão com Deus. " D o mesmo modo o que recebera dois. Fp 3. vivendo-a em obras para a glória de Deus e para o bem de nosso próximo. de vigilância com operosa atividade em favor do reino de Deus. cada cristão esteja bem ativo. Por isso o evangelho deste domingo é apropriado para estimular os crentes a viverem e a anunciarem a palavra de Deus com todas as suas forças.105-112 dá a tônica das leituras bíblicas deste domingo: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra." Estes dois servos se constituem em exemplo para os cristãos: cada cristão precisa logo trabalhar para seu Senhor. fé. A epístola. ganhou outros dois. esperança.

que não esperam no Senhor por novos céus e nova terra. d) Disposição: Tema: O SERVO F I E L DE JESUS CRISTO I — Faz a vontade de seu Senhor. provai-vos a vós mesmos".5a. II. para a missão e para a evangelização.6). nos quais habita justiça".17-25 dá força a esta esperança no Senhor.3. Curt Albrecht ÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25. O evangelho.4. 19: "Depois de muito tempo vem o senhor daqueles servos e ajusta a conta com eles". É preciso fazer a vontade dele. esperamos novos céus e nova terra. por isso. na epístola para hoje. porque relata a criação de novos céus e nova terra para os que esperam no Senhor. Todavia. com ansiedade. a confiança em Jesus leva a pessoa a ser ativa na igreja. É claro que esta parábola tem lição espiritual: O Senhor Jesus. cristãos. versículos 24-30. Vers.13. mas que confia no perdão. por fim. para o acerto de contas com cada pessoa (Mt 25. Portanto: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. Nós.31-46). O Senhor promete ouvir o clamor que lhe é dirigido. no reino de Deus. O apóstolo Pedro. aguardando o Senhor e esperando na sua palavra. Isaías 65. Não basta só conhecer o Senhor Deus e a sua vontade. II Co 13. o Senhor é longânimo e vai cumprir sua promessa de criar novos céus e nova terra. clamor de quem reconhece as suas iniqüidades.senhor e a vontade dele. "segundo a sua promessa. II — Recebe a recompensa do seu Senhor. virá para o julgamento final. 3. mas não fez a vontade de seu senhor! Qualificação dele: mau e preguiçoso! A recompensa pela sua maldade e preguiça está contada nos. exorta à perseverança na fé e na vida cristã ao dizer: V I G I A I ! 76 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . A fé. A fé verdadeira move o cristão para o viver cristão. lembra que há zombadores c incrédulos.1-13 24 de Novembro de 1991 a) Assunto central das perícopes: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. certo de que o Senhor redime o seu povo.8-10a. "Sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11.

Todas as dez levaram suas lâmpadas. Não era uma espera de parar quieto. 24. 5-12: O inesperado aconteceu para as néscias: o noivo tardou em vir. pelo Espírito Santo.35). tarde demais. quando se aproximaram dele os discípulos. 1-4: "Reino dos céus" aqui é mais amplo do que apenas o governo de Deus.3. Conta. Adormeceram (aoristo) e dormia (imperfeito: estavam dormindo. por isso não perderam a oportunidade nem a condição de acompanhar o noivo para as bodas. As prudentes puderam reabastecer suas lâmpadas e "entraram. Vers. Elas puderam manter suas lâmpadas acesas (Lc 12. Jesus Cristo. em particular. O pior de tudo para as néscias foi que a porta foi fechada. estamos indo ao encontro do Noivo celeste. Jesus vai voltar. Estamos vivendo e. da parábola das dez virgens: " V i g i a i . Elas saíram. Mas elas ainda tentaram e chegaram até a porta das bodas. vindo a faltar para a caminhada com. c) Texto: Vers. como tais. As cinco moças que levaram óleo sobressalente são chamadas de "prudentes". quatro parábolas — das quais nossa perícope é a terceira — para sublinhar a necessidade de vigilância da nossa parte e o empenho por alcançar a vida eterna. clamando lhas abrisse o noivo. mas só a metade delas levou óleo sobressalente. É uma questão de espera. o noivo para as bodas. E isto vai acontecer na prática como aconteceu com as dez virgens. porque foram desprevinidas. E ele passa a dizer-lhes uma série de coisas que devem preceder o seu retorno para o julgamento final. "Reino dos céus" é o (retorno de Cristo para) instalar a vida eterna. então. A luz da nossa fé em Cristo precisa estar constantemente acesa para vermos o Noivo celeste c para poder acompanhá-lo para as bodas nas IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 77 . todas). pois. tiveram de caminhar ao encontro dele. Vers. Não se deram conta de que o noivo poderia atrasar e seu óleo consumir-se nas lâmpadas durante a espera. mas o dia e a hora não estão marcados para nós. que saíram para o encontro do noivo.4-14. na fé em Cristo. porém. e que sinal haverá da tua vinda c da consumação do século. Era. Precisavam andar. com ele para as bodas". e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas." 24. no coração. 13: Este versículo encerra a moral da história.b) Contexto: " N o Monte das Oliveiras achava-se Jesus assentado. A i n d a vivemos. porque não sabeis o dia nem a hora". caminhamos na direção do dia final. As que foram sem combustível de reserva são chamadas de "néscias". na vida do cristão. quando o noivo chegou. com vigilância e em militância constantes. Tinham perdido a oportunidade.

12. veja 23. porém. Jerusalém experimentará a "vingança" de Deus (21. irá conduzi-la à ruína.6. mas eles não o quiseram (13.17-18). C .28-31). As filhas de Jerusalém deveriam chorar por si próprios e pelos seus filhos (23. Naquele dia os inimigos de Cristo.34). Ele queria ajuntar seus filhos como uma galinha ajunta os seus pintinhos. Assim como os Babilônios sitiaram Jerusalém (Jr 6. 44).1. que vencesse Roma. guerreiro. 42).27). Por isso os Romanos virão e destruirão Jerusalém. 0 Senhor foi ao seu templo em cumprimento a Malaquias 3.mansões celestiais. Então Cristo dirá aos que o rejeitaram: "Apartai-vos de mim.28). 2 — A destruição de Jerusalém no ano 70 d . prefigura o Dia do Juízo.9). veja 9. C .2). Ez 4. Em Cristo o tempo (kairós) oportuno da visitação graciosa de Deus 78 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . um evento que aconteceu em 70 d . Jesus não quer a destruição de Jerusalém nem a nossa. serão abatidos (19.22) porque ela rejeitou a pedra angular (20. A oração do salmista contra a Babilônia (Sl 137.27.6). Ele até chora por causa dos seus habitantes (41-42. A ameaça de Jesus também nos chama ao arrependimento. vós todos os que praticais iniquidades (13. Curt Albrecht DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 19. Jerusalém rejeitou a sua paz (v. 3 — Entretanto. 43).9) tornou-se a profecia do Senhor contra Jerusalém (v. Não durmamos! Jesus exorta: V I G I A I ! d) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque o Noivo celeste virá. O tempo sobremodo oportuno.26. que recusam seu jugo.41-48 4 de Agosto de 1991 Tema: JESUS E M J E R U S A L É M ! 1 A maior parte de nosso texto é lei. assim também o fariam os Romanos (v. ao invés do Príncipe da Paz. o dia de salvação é aqui e agora. O desejo preferencial de Jerusalém por um Messias lutador. "Não ficará pedra sobre pedra" (Lc 21. II Porque não sabeis o dia nem a hora.

chegou (v. 44; veja 1.68; 7.16). No entanto, os líderes de Jerusalém procuraram destruí-lo (v. 47). Nele Jerusalém haveria de achar paz no seu sentido mais completo, num relacionamento correto com Deus; no entanto, a paz estava oculta aos seus olhos (v. 12). A salvação havia chegado, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19.9-10); eles, porém, o recusaram. Todas estas passagens evidenciam a profunda angústia e o inabalável amor do Senhor. 4 — O desejo do Senhor de salvar os perdidos levou-o a Jerusalém para sofrer e morrer (9.51; 13.33; 9.22,44; 18.31-33). A l i , em Jerusalém, vemos na cruz o Rei da Paz (v. 38), o R e i dos Judeus (23.88), morrendo por Israel e por nós. A l i , em Jerusalém, vemos Cristo sendo amassado, quebrado, em nosso lugar, para que possamos ser o seu povo. 5 — Agora é o tempo de nós sermos visitados por nosso gracioso Deus. Que nós possamos dizer pelo poder do Espírito Santo; "Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!" Que nós possamos conhecer, "ainda hoje, o que é devido a paz", porque a sua morte dá-nos a verdadeira paz. Que possamos cada vez mais nos firmar através da fé, em suas palavras (v. 48), porque elas são palavras de perdão de pecados e de vida através de sua morte e ressurreição. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 18.9-14 11 de Agosto de 1991
Introdução: Como seriam diferentes vossas orações c o vosso culto a Deus se vós soubésseis que o fim do mundo — o dia do Senhor, a segunda vinda de Cristo — viesse a acontecer hoje à tardinha (o que é bem possível), não é mesmo? O final de outro ano eclesiástico que se aproxima e o Evangelho deste dia dirigem-nos ao exame de nossas orações e de nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo. Nossas orações e nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo
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I - O mundo em que vivemos não providencia modelos apropriados para orações a Deus ou para o culto a Deus. A — O mundo coloca ênfase cm autoconfiança, auto-estima, e orgulho. Candidatos a cargos políticos bem como pessoas à procura de emprego são encorajadas a gabar-se de saias realizações e conquistas. Pessoas são louvadas e premiadas por causa de suas ações cívicas, políticas e até mesmo religiosas. B — O mundo, porém, não reconhece a influência do pecado original no homem (Gn 6.5). C — 0 homem não consegue justificar-se perante Deus e permanece condenado diante dele. II - Deus providenciou o meio pelo qual podemos escapar do veredito de culpa. A — Jesus Cristo viveu uma vida perfeita era nosso lugar (Jo 8.46; Hb 4.15). B — Jesus Cristo, por meio de seu sacrifício, pagou a dívida que tínhamos com Deus por causa de nossa pecaminosidade (2 Co 5.21; R m 5.8). C — Através de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo conquistou o pecado, o Diabo, a morte, e a sepultura para nós (Rm 6.4). III — O veredito divino — "Inocente por causa de Cristo" — está à disposição de todas as pessoas. A — Pessoas (como o fariseu) : 1 — Podem rejeitar a oferta divina de perdão através de Jesus. 2 — Podem gabar-se de sua suposta superioridade em assuntos de religião, moral e justiça civil. 3 No dia da segunda vinda de Cristo, no dia do Juízo, serão surpreendidas ao ouvir o veredito divino — "Culpados! Apartai-vos de m i m ! " (Porque o que se exalta, será humilhado, v. 14; Mt 25.41). B — Pessoas (como o cobrador de impostos) a quem, o Espírito Santo trouxe ao arrependimento e à fé através da proclamação da L e i e do Evangelho:
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1 — Confessarão perante Deus, em oração particular e em culto público: — "Deus, sê propício a mim pecador!" (1 Tm 1.15). 2 — Têm já, agora, a certeza de que seus pecados são perdoados (Mt 9.2). 3 — Na segunda vinda de Cristo ouvirão o veredito: — "Inocentes por causa de Cristo!" (O que se humilha, será exaltado", v. 14, Mt 25.34). Conclusão: Como pretendes aparecer diante de Cristo na sua segunda vinda? Pretendes gabar-te de tuas participações nas atividades da igreja, de tuas boas ações, de tua suposta moralidade superior? Ou será que é tua intenção agarrar-te na misericórdia de Deus em Jesus Cristo? Como na parábola do Fariseu e do P u blicano, Deus quer declarar justos aqueles que foram guiados pelo Espírito Santo a orar: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" Queira o Espírito Santo, através do precioso Evangelho, capacitar-nos a orar e a prestar culto desta forma. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Marcos 7.31-37 18 de Agosto de 1991
1. Próprios do dia a) Salmo 146: o Intróito aponta para o louvor em, virtude das grandes obras de Deus e de sua fidelidade frente à fragilidade e às fraquezas humanas, destacando o reinado eterno do "Senhor que abre os olhos aos cegos". b) Isaías 29.18-21: a leitura do AT destaca a redenção que se cumpriria no Messias, pois "naqueles dias os surdos ouvirão", apontando assim para a obra de Cristo, destacada no evangelho do dia. c) 2 Coríntios 12.6-10: a epístola destaca o "poder de Deus que se aperfeiçoa na fraqueza", mostrando que a doença IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 81

mas da pessoa inteira ser aberta ou libertada. 82 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .tem seu lado positivo. Após. "ser aberto". As. o F i l h o de Deus. Somente a palavra de Deus tem poder para abrir nossa surdez natural e trazer-nos à fé e à vida. " T u és o Cristo" (8. junto com os demais. não pode deixar de testemunhar da ação de Deus em sua vida.31-37: o evangelho relata a cura de um surdo e gago e destaca o fato de que Jesus "tudo tem feito esplendidamente bem". V." (Concórdia Pulpit for 1979) 3. A idéia não é da parte específica da pessoa sendo aberta. O texto encerra com a declaração: "tudo ele tem feito esplendidamente bem". V v . E o ex-surdo-gago. excessivamente. Jesus é o Messias. d) Marcos 7. pois tira-o da multidão. . 2. 4 Pensamento central "Jesus rompe as vidas fechadas dos homens e abre-se à saúde da comunhão com Deus e com o próximo. 32: "Surdo e gago" — por causa de sua surdez. pessoas ficaram atônitas além. "ser libertado". E então expõe a viva demonstração de nosso Senhor como o servo que cura c reconcilia." (Concórdia Pulpit for 1979) . 35-37: a ação de Jesus é concretizada — os ouvidos do surdo se abrem e o empecilho da língua é retirado. É a ordem que despedaça os grilhões com que Satanás tinha mantido presa a sua vítima. V. entregando-se à morte. Contexto "Marcos inicia seu evangelho com a afirmação de que ele é a boa nova de Jesus Cristo. e ele passa a falar desembaraçadamente. e que age para atrair todos a si — culminando na declaração de Pedro. 34: "Efatá" — em aramaico. de todas as medidas. pois o poder de Deus em nós é aperfeiçoado e podemos confiar que os olhos do Pai estão sobre nós.29). Jesus é mostrado como o Messias-Servo que voluntariamente serve até completar a sua obra. mas não era mudo. Isto trouxe admiração. loca seus ouvidos e língua. sobremaneira. seu amor para com aquele homem. o homem tinha dificuldade em falar. Texto V. 33: denota o cuidado especial de Jesus. o prometido que traria salvação e plenitude de vida a todos.

5. Nossa alienação e isolamento de Deus. b) Moléstia: o ser humano. Jesus vem ao nosso encontro e toca nossas vidas. 3. se afastando de Deus e deixando de ouvir sua voz. 3. se isola e aliena de Deus e do seu próximo. "Tudo ele tem feito esplendidamente bem". Sabemos que. abrindo nossos ouvidos para seu evangelho e quebrando as barreiras entre Deus e os homens. estamos novamente em comunhão com. Não poderíamos ouvir a voz de Cristo sem a ação do Espírito Santo. o P a i . 2. 4. que abre nossos ouvidos para a boa nova da salvação e nos coloca em comunicação com. O perdão que provém da obra de Cristo. As pessoas ainda continuam. por natureza. Persuasão a) Objetivo: a confiança naquele que tudo faz esplendidamente bem. os olhos do P a i estão sobre nós. Pelo perdão. II — Para podermos ter comunicação com o P a i 1. c) Meio: Cristo veio ao mundo para irromper em nossas vidas com sua obra. Disposição Tema: Jesus faz tudo bem I — Abre nossos ouvidos e nossas vidas 1. Somos surdos para com Deus. o Pai. Para que confiemos neste Senhor. Rony Ricardo Marquardt IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 83 . mesmo em meio à doença. Somos surdos de nascença. 2. 4. 6.

Men.: Lc 4. Somos confrontados com pessoas que não querem conhecer a verdade. corretamente. Lc 10. Não é uma mera obediência.15).7-11 — O grande e belo texto: "Deus é amor. é mais uma vítima da violência (como o foi o assaltado da história do Bom Samaritano). Centralizou. 28 — Jesus elogia suas respostas.15ss. Gn 4. Mas não bastava apenas conhecimento desta verdade: é necessário praticá-la: "Faze isto e viverás!" — lembramos aqui que o 1o mandamento (ou: a primeira tábua resumida pelo escriba) só pode ser cumprida pela fé.or) se reflete no amor ao próximo. 27 — Pelas respostas. que o condenassem (cf. mas se demonstra em obras. mas só querem confundir ou ridicularizar. V. O contraste entre a atitude de Caim e a do Bom Samaritano é flagrante! 1 Jo 4. Mt 22. (1-7) 8-16a — Caim teve atitude diametralmente oposta a do Bom Samaritano. mas é um ato de fé e confiança. V. Faltou-lhe amor.25-37 — O Bom Samaritano: um exemplo de amor ao próximo. O amor não fica só em palavras. Devemos estar "sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em nós" (1 Pe 3. 2) O texto: V. V. tudo no amor." O amor de Deus é a base e a origem do nosso amor ao semelhante. 84 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 26 — A tática de Jesus: Ele não inventa respostas. Mt 22.23ss). como obra humana. explicação do 1" mandamento — Cat. do que decorre toda a vida de amor ao próximo. perseguido por Saul e escondido na caverna.DÉCIMO QUARTO DOMINGO APÓS PENTEGOSTE Lucas 10. o escriba demonstrou não pertencer ao grupo dos que valorizavam mais a lei cerimonial. mas remete o interlocutor à Escritura: "O que está escrito? Como interpretas?" (Cf.1ss: Jesus rebate as tentações com a P a lavra de Deus!). O exemplo é dado por Jesus para ilustrar o fruto da fé salvadora: amar a Deus acima de tudo (cf.25-37 25 de Agosto de 1991 1) As leituras do dia: Sl 142 — Davi. 25 — "com o intuito de por Jesus em provas": Em várias ocasiões tentaram arrancar de Jesus algumas respostas erradas. Sua esperança está apenas em Deus.

V. . 30 — Assaltantes — violência — vítimas — de ontem. — esplanichníste: compadecer-se: palavra-chave no texto. deixando seus interesses de lado. 35 — O samaritano pagou para que outra pessoa continuasse cuidando do ferido: Boa prática de caridade é contribuir para que hospitais. nisto está pecando. creches. mas foi prático! Correndo risco de assalto. 1 Jo 3. as nossas atitudes de desamor. a pessoa se afasta cada vez mais do caminho oferecido por Deus. de demonstrar amor ao semelhante prostra. e de hoje. Tg 4. as atitudes de desamor: dos assaltantes. 37 — Se confrontados com desafios semelhantes. sua tentativa de auto-justificação. V. V.7-11 (a leitura da epístola do dia. 2 Rs 17. 36 — Quantas perguntas e respostas aparecem neste texto? — o estilo catequético transparece neste episódio. e quanta oportunidade de demonstrar amor aos injustiçados se nos apresenta cada d i a . Cf." V. ajudou o necessitado. orfanatos. Quanta falta de amor existe. 34 — A compaixão em ação.43): "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 33 — Há necessidade de se explicar a situação dos samaritanos (cf. etc. asilos.17: "Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz. No caminho da auto-justificação.. T o d a a mensagem poderia girar em torno das perguntas e respostas constantes no texto. possam cumprir bem suas funções.s não o fizeram. m. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 85 . — A pergunta "Quem é o meu próximo?" deve ser entendida dentro do contexto judaico (Mt 5. 31 e 32 — O Sacerdote e o levita tiveram oportunidade de exercer misericórdia.a. faltava a fé justificadora: o escriba tenta justificar-se a si mesmo.: O Salmo do dia: Davi perseguido. V.18 c 1 Jo 4. tanto por questões de religião como de raça. V. Judeus e samaritanos eram inimigos írreconciliáveis. V. . seu amor ao próximo não foi feito de grandes discursos. a leitura do A T : A violência de Caim contra Abel. omissão. (Cf.do à beira do caminho..) V. do sacerdote e do levita. qual tem sido a nossa reação? Como anda a prática do amor ao próximo em nossa igreja? 3) Os problemas e a solução: Os problemas: a intenção maldosa do escriba: por Jesus à prova. 29 — Mesmo conhecendo.24-41)." Entre os inimigos constavam todos os estrangeiros (todos os não-judeus). ! — Cf. discriminação. O samaritano não ficou só na intenção de ajudar.

12) c) Como o samaritano (v. como fruto da verdadeira fé. Telefonou para casa.32) b) Não como Caim (1 Jo 3. "Ponto 4 — Questionamento". ajudou.. I N T R O D U Ç Ã O : Cf.. i) O Bom Samaritano no dia a dia: — Questionamento: Duas senhoras. revelado em Cristo. ameaças!. 33-35) d) Como Jesus! (cf. Na primeira oportunidade.9. 32. Carlos Walter Winterle 86 IGREJA LUTERANA 1/1991 . D i a seguinte um componente do time perdedor vê o artilheiro do time adversário cair da bicicleta. Será um atropelado? será um bêbado? será uma estratégia maldosa para um assalto? Resolvem não parar. em estrada deserta.11. Hino n° 269).9. I — Por que amamos? a) porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4. debochar! Depois. a consciência acusa. — Ilustração: Atualização da história — Duas escolas disputam um campeonato de futebol. foi ver o que tinha acontecido: havia um pé quebrado. C O N C L U S Ã O : Cf. O B J E T I V O : Estimular à prática da caridade em. muita briga. dirigindo à noite. situações bem concretas da vida congregacional e comunitária.10) b) há muitos carentes/necessitados c) é da vontade de Deus. "Ponto 4 — Ilustração". II — Como amamos? a) Não como o sacerdote e o levita (v. pensando melhor. um homem deitado no acostamento. Ninguém por perto para ajudar. Muita torcida. avisam a polícia. Início de uma grande amizade! 5) Disposição: T E M A : O amor ao próximo.10: o amor de Deus por nós. Sua primeira reação foi rir.— A solução: 1 Jo 4. nos impulsiona ao amor a Deus e ao próximo.

com detalhes semelhantes.1. V. Texto Há duas partes claras: a cura dos dez (v. Os nove decerto acharam que este cerimonial já era IGREJA LUTERANA 1 /1991 87 .18 e 18. não teriam os demais também fé em Jesus.11-27. judeus e o samaritano.11-19) e do cego (1-8. 15/16 — Os dez certamente ofereceram os sacrifícios prescritos. Jo 4.42).35 perto de Jericó. pediram compaixão de Jesus.28 subindo de fato.33) e a fé (a mulher samaritana.38). A doença criava algumas barreiras sociais. 11-14) e á resposta de fé do sàmaritano (vv.9 e 18. Todos.11-19 1º de Setembro de 1991 Contexto A perícope faz parte do ciclo final da viagem de Jesus pela Galiléia. A infidelidade e ingratidão são o assunto em 19. Mas o sofrimento derruba as barreiras (leprosos com o samaritano). 18.8 e 18. Peréia e Judéia (Lc 9.27). pois também foram curados? Não seriam os demais apenas "crentes" negligentes que esqueceram o doador quando receberam uma grande bênção? A ordem de Jesus corresponde ao que está prescrito em Lv 14. Em ambos a invocação por compaixão (17.DÉCIMO QUINTO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Lucas 17.13 e 18. A fidelidade e a gratidão são o assunto em 17.7). 19. 19.51 a 19.28-44.45-46).35-43). dos leprosos (17. em ambos o agradecimento e o louvor a Deus (17. como o contexto vai indicando (17. Havia entre os dez um samaritano. Há duas curas. 19. mas derrubava outras.43). Lc 10. 14 — A cura se realizou "indo eles". bem como o amor (o bom. 12/13 — A situação é típica dos leprosos da época: tinham que ficar longe da sociedade (Lv 13. 18.20 a 18. Vv. 19). Estavam chegando a Jerusalém. As ênfases da pericope sobre gratidão e ingratidão se espelham também em outras perícopes deste ciclo.11 da caminho para Jerusalém. em ambos "a tua fé te salvou" (17.41 chegando). 15-19).31 subindo. Judeus e samaritanos não se davam porque do ponto de vista religioso e social o sàmaritano era considerado "não limpo" (Jo 4.1 em Jericó. Samaritanos eram de descendência mista: israelitas que permaneceram quando o reino do norte foi levado cativo e a Assíria colocou colonizadores gentios em Israel (2 Reis 17.24). samaritano. Se a fé salvou e curou o samaritano (v. V v .9). Samária.

O mundo está com problemas (fome. onde os samaritanos haviam construído um templo em c. Jesus purifica também do pecado: "A tua fé te salvou" (v. emocional (sem esperança de cura na época). destruído pelos judeus em c. mas 88 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . mas espiritualmente. Compaixão. Se tudo está bem conosco. discriminação. porque diziam ser este o monte (e não Ebal) que Moisés havia indicado para construir o altar (Dt 27. se quiseres. O leproso curado em Lc 5. guerra). Podia até ser que não fosse aceito pelo sacerdote: as barreiras derrubadas pelo sofrimento se ergueram novamente? Os samaritano cultuavam no monte Gerizim (Jo 4. pecado). Ambos os termos agora fazem parte da liturgia. B. 17/19 — A pergunta "onde estão os nove?" fala também. Estavam em miséria física.4-6). Fé.20).12ss. Dá forças não só para sobreviver. B.suficiente "compensação" para a ajuda recebida de Deus. Os leprosos viviam da compaixão. Esboço Introdução: A vida é uma dádiva de Deus. Temos problemas pessoais (doença. A história dos leprosos nos dá três palavras para a vida: compaixão. O grito por compaixão crê que alguém pode ajudar. Há muita gente que com fé clama o "kyrie eleison" e esquece depois de mostrar o "eucharistein" na vida cristã. Três Palavras Para Vida I. Ajudou os leprosos: A tua fé te salvou. gratidão. O louvor do samaritano é em alta voz. e social (eram excluídos da sociedade). com fé agradecendo a Jesus (eucharistein). A. Não vollaram para dar "glórias a Deus" e "agradecer a Jesus". 128 A C . Também precisamos da compaixão. 19). A fé do samaritano não apenas o salvou fisicamente. então foi a fé que salvou! Deus é o Senhor e Doador da V i d a : nos sara física e espiritualmente. No mundo é tão frágil diante das adversidades. 400 A C . podes purificar-me". também mostrou a sua fé e confiança em Jesus: "Senhor. Deus em Cristo carregava nossas dores. tristeza. Vv. A. sem temor. Mas O estrangeiro voltou. fé. II. aos tempos atuais. pobreza. como antes havia implorado por compaixão (kyrie eleison).

Gratidão. O salmo n° 4 destaca que Deus sempre responde as orações dos que nele confiam e assim continuará fazendo. ou seja.19-24). 0 Contexto 0 contexto imediato do Evangelho determina o uso correto das propriedades (Mt 6.para agir com coragem e fé. alcança a misericórdia de Deus em suprir as necessidades físicas do homem (1Rs 17. o recebimento das coisas menos importantes. por sua vez. B. procura ressaltar que a busca do reino de Deus e da sua justiça. III. Esta sessão aborda especialmente o materialismo. e que vive o amor ao próximo. por si mesma. Martim C.12). gratidão. culto. Este é o padrão para nós: quando a fé nos cura. mas na alegria da cura esqueceram o doador. face à ansiedade humana. todos os quatro textos apontam para a providência divina em. A alegria do mundo baseia-se sobre "cereal" e "vinho" mas o verdadeiro regozijo do cristão depende de sua comunhão com Deus. louvor. A vida cristã em amor é também nosso louvor a Deus: vida que recebe e espera tudo de Deus. A obediência na promessa de providência divina. Só um voltou para mostrar gratidão. em contraste com a espiritualidade.18-14). Nossa resposta é adoração. Warth DÉCIMO SEXTO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Mateus 6. A confiança no Deus forte e compassivo nos dá vitórias e um espirito voluntário para vencer (Sl 51. garante. Nove aceitaram a misericórdia de Jesus. daquilo que precisamos para nossas necessidades físicas (Mt 6.33).25-33 8 de Setembro de 1991 A ênfase das perícopes Com clareza. então nossa vida toda pertence a Deus. A. O Evangelho. ConsIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 89 .

não as tem somente porque não encontram a oportunidade ou a habilidade para adquiri-las. A mente começa a admitir o pensamento inferior de que a vida consiste apenas em "comer. para o discípulo de Cristo evitar a ansiedade quanto à vida fisica. em conseqüência. 25). Este ensino tem passado despercebido. 0 Texto 0 resumo do ensino desta perícope. ou seja: Mateus 6. Há boas razões. A ausência dos desejos realmente espirituais entre os gentios é que provocara a sua apostasia. Estes versículos nos ensinam a verdade dos cuidados de Deus por nós. e não porque não tivessem a vontade de possuí-las. à adoração dos Ídolos. 4. certamente cuidará de seus próprios filhos (vs. mostrou que a obtenção da alimentação não deve ser acompanhada pela ansiedade. e todas estas coisas vos serão acrescentadas". O discípulo é diferente do 90 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . e por isso merece mais consideração do que os desejos pelas. não podendo ser discípulo do reino. Os discípulos do reino contam com o seu Pai celeste vs. Se o discípulo negar ou duvidar da providência divina então agirá como o pagão. Quem toma esta atitude torna-se seguidor das riquezas. como as aves. 27). A ansiedade não altera as condições da vida e nem. O deus "riquezas" os atraem mais fortemente do que o Cristo da Galiléia. A vida humana é mais que a parte física. determina que a concentração recaia sobre um. o fornecimento para nossas necessidades materiais. tão somente. tanto que por muitas vezes aqueles que não tem riquezas. 26). aumenta a sua duração (vs. 32). texto-base. que nunca considerou Deus seu Pai. que não fazem provisão alguma para si mesmos. porquanto já perdeu a confiança no Rei. A ansiedade pelas coisas físicas faz parte da conduta dos gentios. 3. coisas físicas podem fornecer (vs. Jesus não encoraja a preguiça nem falava contra o esforço do trabalho.titui o "manifesto contra o materialismo" dos ensinos de Jesus. apontadas em toda a perícope de Mateus. 1. 2. 0 resumo deste ensino é: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça. levando-os finalmente. e. Este versículo aponta para o tema central: "Desejai as coisas celestiais". beber e vestir-se". porque a providência divina funciona neste mundo até mesmo entre os animais inferiores.33. Deus cuida dos animais inferiores. Assim também.

33). Buscando em. podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos. primeiro lugar o alimento celestial. ou seja. Disposição Tema: Desejai as coisas celestiais. No Evangelho encontramos alimento em. por si mesma. b) O P a i nos mostrou sua providência suprindo integralmente nossa carência espiritual em seu Filho Jesus Cristo. Como? 1 . abundância.gentio no caráter e nos desejos porque confia nas promessas do P a i celeste. as coisas celestiais oferecidas pelo P a i na Palavra e nos Sacramentos. O velho homem em nós anseia pelo comer e beber. c) O P a i nos convida a confiarmos na sua providência que nos veste (lírios) e alimenta (aves). A busca do reino de Deus e de sua justiça. 32). 5. No exemplo dos gentios transparece a nossa própria tendência. daquilo de que precisamos para nossas necessidades físicas (vs. 6. a) O discípulo do reino que perde a confiança no P a i torna-se seguidor das riquezas. 2. Nereu Rui Weber IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 91 . sabedoria e conhecimento perfeitos do P a i celeste. Confiando na providência do P a i em suprir as necessidades fisicas. garante. b) 0 P a i conhece nossas necessidades físicas. Por isso. do Pai celeste. 0 conhecimento perfeito que o P a i tem de nossas necessidades físicas garante o fornecimento para as mesmas (vs. o recebimento das coisas menos importantes. a) A ausência dos desejos realmente espirituais provoca apostasia e idolatria. c) Busquemos pois. Toda a Escritura ensina a bondade.

12 — A situação desamparada de uma viúva na época: sem aposentadoria. pode ser usado também o ponto comum das testemunhas e sua reação: divulgaram o que viram! Lc 7. 11 — Seguindo a Cristo. A verdade da ressurreição dos mortos é apresentada num crescendo. Deus permite que as nossas escoras humanas caiam uma a uma.. pois o Senhor acudiu na aflição. Os paralelos deste texto com o Evangelho são muitos e podem ser usados na mensagem. o Vencedor e Cristo! V.1-11 — Paulo relata a ressurreição de Cristo e arrola uma série de testemunhas oculares. os discípulos se defrontavam com situações as mais variadas. saindo da cidade.. Além do grande ponto comum do dia — a ressurreição dos mortos. V.17-24 — Elias 1 ressuscita o filho da viúva de Sarepta. Cumpramos a nossa função consoladora: "Consolai o meu povo!" 92 . 13 — Quando a viúva viu desabar sua última escora humana (arrímo de família).. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/199! . Jubilaram no Monte da Transfiguração e choraram no Monte do Calvário. Ao defrontar-se com a morte. Aquele que segue a Cristo deve estar consciente de que nem tudo são rosas no caminho de Jesus.15)." 1 RS 17. "Chorai com os que choram" (Rm 12. deve saber que Cristo está ao lado. como de tristeza.11-16 — As leituras anteriores são preparatórias para a leitura do Evangelho. . Jesus aparece em seu caminho e diz: "Não chores!" — compadecer-se (Cf. "Laços de morte me cercaram. Neste duelo.DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 7. A queixa de muitos que passaram por situações de dor e de luto é que não encontraram um ombro amigo para se apoiar e chorar.1-9 — Um salmo de ação de graças. Lc 10.33: o bom samaritano). sem seguro. se defronta com o cortejo da vida. entrando na cidade. livraste da morte a minha alma. tanto de alegria (bodas de Caná). 1 Co 15. O Senhor Jesus é o Senhor da vida e da morte! 2) O texto: V. para confiarmos apenas nele! — O cortejo da morte. somos "pequenos cristos" no caminho de outras pessoas.11-16 15 de Setembro de 1991 1) As leituras do dia: Sl 116. Como cristãos.

pois Ele venceu a morte. Jo 11.43 — Lázaro." V. poder e amor de Jesus! Um homem morto não pode dar vida a si mesmo. penetra no íntimo e dá a vida! Isto é obra. ressuscitando. É a reação que Deus espera diante dos seus feitos. — A solução: Cristo venceu a morte e dá a verdadeira vida! 4) Disposição: T E M A : Morte e vida. 16) e testemunho.Uma palavra de ordem daquele que é a própria ressurreição e a vida (Jo 11.1 — Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. — Os problemas: a morte — salário do pecado — a dor.25)! — As ressurreições realizadas por Jesus (Mt 9. V. o choro — a solidão. 3) Os problemas e a solução. e Ele nos deu vida! a Palavra de Jesus abre os ouvidos mortos.18 — "Deus visitou o seu povo" — expressão característica dos tempos messiânicos: Lc 1. 17 — A reação do povo: temor e glória (v.25: a filha de Jairo. Mt 1. M u i tas vezes ficamos apáticos c calados diante das maravilhas de Deus. O B J E T I V O : Reforçar a verdade central da fé cristã: Em Cristo temos vida. 14 . I — A morte — a dura realidade a reação das pessoas diante dela a morte eterna IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 93 . V.23 — "Emanuel = Deus conosco. como é da vontade de Deus (4° mandamento)." O jovem foi ressuscitado não para uma vida egoísta.15. 16 — "Grande profeta — Dt 18.78 — "Nos visitará o sol nascente das alturas". I N T R O D U Ç Ã O : Mencionar alguma situação marcante de sepultamento na vida comunitária ou da história mundial. e o jovem de Naim) são uma boa ilustração para o próprio fato da conversão: Ef 2. mas para uma vida a serviço de sua mãe. 15 — "E Jesus o restituiu a sua mãe.V.

e. C O N C L U S Ã O : Nós. de forma real e concreta. há tanta riqueza de conteúdo e significado que é somente mediante escudo continuado que vamos conseguir nos familiarizar e adquirir domínio a seu respeito. decorrente do primeiro. É um dos mistérios da fé que não conseguimos compreender realmente. na Santa Ceia. Este é um dos mistérios da fé e da vida cristã: Jesus se oferece a nós em. a congregação. testemunhamos a vida! Carlos Walter Winterle DÉCIMO OITAVO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Mateus 26.. de não conseguirmos motivá-los a buscar a Mesa do Senhor espontânea e livremente. que recebemos a vida. de um modo geral os problemas com respeito à Santa Ceia são dois. Há tantos aspectos e nuances. como pastores. é a dificuldade de compreensão deste mistério. É uma daquelas coisas que a mente humana não consegue captar em toda a sua profundidade. A nosso ver esse é um típico assunto ao qual se aplica muito bem o velho ditado latino: "repetitio est matter studiorum". e em forma de estudos bíblicos com. e a nossa frustração.II . É apropriado fazer revisões periódicas e constantes sobre o assunto. O primeiro. Parece que.26-29 22 de Setembro de 1991 ASSUNTO: A INSTITUIÇÃO DA S A N T A CEIA. (i. e talvez principal. 94 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .A vida — conquistada por Cristo: sua ressurreição (Páscoa!) dada pela fé consolo na aflição esperança futura. O segundo problema. em forma de estudo e meditação particular do pastor. palpável. sua Palavra e também. da d i ficuldade de compreensão) é a falta de motivação dos fiéis para participarem da Santa Ceia.

como acham alguns luteranos. fermento.É preciso promover o estudo e o conhecimento sobre a Santa Ceia. Lembrado que (segundo nosso modo de ver) esses escritos são úteis especialmente para a nossa reflexão e aprofundamento pessoal. lembrada na Páscoa judaica e da Nova Aliança. poderia falar do sangue — que estava presente na Antiga Aliança e que agora. uma simples transposição dos textos de Lutero para os ouvidos dos nossos congregados. Jesus estava reunido com seus 12. 253 e 287) que são um bom subsídio e um bom estímulo para a nossa reflexão pessoal. nem mesmo no maior apuro de tempo.17ss. comendo a refeição festiva da páscoa. para nos servir de base na elaboração de uma mensagem contextualizada ao nosso tempo. do tipo "estudo-bíblico". dentro da qual acontece a Instituição. até porque sua linguagem não é acessível à média do nosso povo. ao nosso povo e na nossa linguagem. Aquele que vai pregar precisa escolher qual o aspecto que deseja enfatizar. Poderia destacar a Ceia Pascal. que era a festa maior que estava sendo realizada. porque o sangue é vermelho". Há várias ênfases que poderiam ser dadas com relação à Santa Ceia. Será muito útil dispor de um bom comentário bíblico ou auxílio doutrinário. poderia destacar o aspecto do "isto é meu corpo" em contrapartida aos ensinamentos sobre o simbolismo e a trans-substanciação. o pão — de que tipo. Todo o conteúdo da Bíblia é importante. se o vinho "tem que ser tinto. a IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 95 . A l é m disso também vale lembrar o que Lutero escreveu no Catecismo Maior sobre o assunto. poderia explorar a relação entre o significado da Antiga Aliança. quando. na Nova. Inclusive com a suplementâção por parte de outros textos. mas a Santa Ceia é um daqueles especialmente importantes. que solicita de nós muito mais do que apenas pregações esporádicas. Não seria de esperar. . seria possível destacar que Jesus deu graças. como os relatos paralelos e 1 Co 11.Ora a solução deste segundo problema está na solução do primeiro. A questão da Ceia presta-se bem para uma exposição mais sistemática. é do próprio Salvador. se pode ser hóstia — e o vinho — se pode ser suco de uva. . se é vinho misturado com água — ). poderia enfatizar o preparo/dignidade para o recebimento da Ceia (precisando levar em conta 1 Co 11). outra bebida. Para auxiliar neste sentido lembramos aos colegas que na coletânea "Pelo Evangelho de Cristo" há dois sermões de Lutero (p. lembrada com a Santa Ceia. O Texto Relata a instituição da Santa Ceia. com ou sem. poderia falar dos elementos usados (qual seja. além de outros escritos de sua autoria que os irmãos tenham consigo ou aos quais tenham acesso.

Grandioso. naquela primeira vez. Milagroso. algo único. interrompe a seqüência tradicional do cerimonial e introduz algo inteiramente novo. com a morte de Cristo (i. tudo o que foi e o que fez.: O ponto " 3 " do esboço poderia. . pois repelimos vezes: sem conta. ser subidividido em mais um. de lá para cá é repetido incansavelmente pelos cristãos: o comer e beber do seu próprio corpo e sangue. que é fonte de vida. F o i derramado (Cristo sofreu — e morreu —.e. i. mas precisamos morrer. junto com 0 pão e o vinho.. E r a o próprio sangue da Salvação que estava em cena naquele momento e naquelas palavras de Jesus. Abençoador!. para remissão dos pecados. para os 12. que iria ser derramado em favor de toda a humanidade. Misterioso. A vida foi dada. pois no AT já estava presente o sangue. no entanto. Mas nós podemos vencer o diabo e a morte. (A morte de Cristo não foi simples morte. Em favor de muitos. O sentido da cerimônia até então era relacionado com o sangue do cordeiro sacrificial do A T . Não foi morte e ponto final. A morte nos ronda. dali a poucas horas. um significado completamente deferente no meio de uma cerimônia que eles estavam acostumados a celebrar. Não só para alguns.. Seu principal representante é nosso inimigo mortal e nos quer conduzir à morte eterna.e. ficando " 3 " e "4". benefícios.certa altura. O sangue de Cristo (sua vida. 96 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Que. O próprio Salvador se entregou à morte. foi tirada. O que para nós hoje é algo natural. pois Jesus introduziu um elemento novo. E l e não precisava morrer. algo diferente. Sugestão de Esboço: Obs. Tema: A morte que traz vida (ou — A morte de Cristo (que) nos traz vida) 1 . foi morte que trouxe resultados. também. de todos os tempos. mas quis — por nós! Nós não gostamos da idéia da morte. a partir de agora passa a estar ligado com o sangue do próprio Cristo. com seu siangue que foi derramado). foi oferecida. vida. Também no sentido literal. mas para muitos.) 2. com certeza foi algo de muito extraordinário e grandioso. para todos que aceitarem a fé.. Mas foi morte "em favor de". 3.

motivo da resposta do cristão. Diante da pergunta pelo "principal de todos os mandamentos". é festa e alegria. elogiou-a e expressou sua concordância com o ponto de vista de Jesus. retalhando-a e aplicando-a à vida diária do povo. oferecida na Santa Ceia. porém. que serve a Deus e ao próximo. por seus méritos.28-34 29 de Setembro de 1991 0 texto do Salmo introduz o assunto proposto no bloco de leituras para este domingo.5 e Lv 19. Jesus aproveitou o momento e lembrou este fato ao escriba. mas pelo que Deus faz e oferece ao homem. da verdadeira conversão e conseqüente vida em amor a Deus e ao próximo. Pode contrastar o "cristianismo de sabedoria" IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 97 . em sua função. Mostra o amor de Deus. Irmo Arnaldo Huebner DÉCIMO NONO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 12.4. os escribas. e havia grande divergência quanto aos que eram de maior ou menor importância. Jesus redirecionou o assunto.18).e. do sangue derramado por Cristo) e que fortifica a nossa fé) nos é trazida. Jesus. doada. — Esta bênção (perdão que vem da morte (i. F a l a dos feitos do Senhor a favor dos seus filhos. O escriba inquiridor procurou obter de Jesus uma resposta que pudesse dar clareza à complexa relação de mandamentos com seus variados valores. Como conhecedores da lei de Deus. tinham a tarefa de interpretá-la. A lei não o pode conduzir ao trono da graça de Deus. E r a m em número de 613 os mandamentos divinos que os fariseus reconheciam. chegou apenas perto. O escriba apreciou a resposta. que. A mensagem pode explorar a questão da interiorização da lei.. mas foi à raiz. por isto. Jesus retornou o escriba ao seu próprio conhecimento da lei (Dt 6. O escriba.Conclusão: — Isto nos é lembrado na Santa Ceia. foi mais longe e demonstrou que o estar no e sob o reino da Deus não é obtido pelo que o homem sabe ou faz. não o tratou a nível de superfície.

pela orientação e forças que procedem da graça de Deus. Só o conhecimento da lei não basta 2. Amor a Deus: incondicional 2.(conhecer a letra da lei). o que ocorre logo após as primeiras curas. Trata com amor suas criaturas 3. É impossível cumprir a lei 3. As situações de conflito devem-se a curas de doenças físicas. T e m direito de governo sobre todos 2. com o "cristianismo de desgaste em amor" (viver o espírito da lei). O amor de Cristo impulsiona à ação 3. poder de perdoar pecados. IV — Vivendo em amor 1. II — Reação esperada pelo Senhor 1. e adversários. É preciso conhecer a Jesus Cristo e seu amor 2. amizade com peca98 IGREJA LUTERANA/NÚMERO t/1991 . Jesus Cristo é a Possibilidade. III — Constatação II: O homem precisa de Jesus Cristo 1. Quer ser reconhecido e considerado. Sugestão de tema: Do principal dos mandamento à ação. Amor ao próximo: igualado. Introdução I — Constatação I: O Senhor é o único Deus 1. Conclusão Nelson Lautert VIGÉSIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 2. decorrentes dos milagres feitos ou de seus discursos.1-12 6 de Outubro de 1991 Contexto O evangelho de Marcos inicia muito cedo a narrar os conflitos de Jesus com seus críticos. A ação cristã é espontânea e tem alvos certos.

O que esquadrinha corações e sabe todas as coisas (Sl 139. sopherim).dores. Sob a acusação de blasfêmia. morte espiritual. cerimônias de jejum e da guarda de sábado não cumpridas. racionalistas de todos os tempos.) E Jesus "anunciava-lhes a palavra".23) está presente fisicamente na terra. a mais substancial. Cura da paralisia do amigo enfermo que carregaram. Pecados que. a dúvida. aos atributos e à obra do Messias. que estaria "falando impiamente" contra Deus. Vs. E r a m o que se poderia querer demais erudito para questionar qualquer agressão à lei e à religião estabelecida. A paralisia é figurativa de dissolução física do corpo humano. Por palavra e sacramentos. 0 Conflito se estabelece Vs. como contraste. Jesus imediatamente promove a cura maior. alçaram e baixaram até ali. Um grupo de pessoas chega ao lugar e à sala em que Jesus se encontra para receber uma cura. por culpa original ou atual. movimentos. no entanto. lançam a acusação mais contundente à natureza. de acomodação de músculos. e interpretavam a lei nesses dois aspectos. o povo se reúne em torno de Jesus. no último período do A T . a mais necessária: o perdão de pecados. nervos. Torna-se clara. nos opositores. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 99 . desespero. de impotência. E dispõe-se a ajudar. Este estado de imobilidade provoca. sua igreja. São menscionados os escribas (grammateís. 5-7: Certificando-se da fé nos personagens envolvidos com a cura do paralítico. Quer vê-lo. . que surgiram de uma combinação de um governo civil e religioso. no texto. a oposição aberta. E r a m ao mesmo tempo legisladores e teólogos. e por isso merecia a condenação. ou até mesmo em função dessa polêmica. a intenção dos escribas e dos demais opositores (Lucas menciona ainda os fariseus) em ofuscar o brilho de poder e fama que Jesus irradiava. experimentar sinais. tocá-lo. fora do âmbito da palavra e das promessas de Deus. (Nisto tudo o povão de nossos dias não é diferente ao expressar suas carências. pode levar a descaminhos. causam toda espécie de enfermidades. Mas essa providência tão importante gera. um testemunho coletivo de fé e confiança dos que o conduzem: "Vendo-lhes a f é . ainda hoje. Essa oposição se evidencia na tentativa de eliminar a concorrência. Gristo se faz presente em. a descrença. inclusive o próprio doente. 1-4: Não obstante a oposição sofrida. " A onisciência de Jesus revela-se. antes mesmo de iniciar qualquer ação visível de cura. . trazendo perdão e vida plenos de real sentido. Toda e qualquer busca terrena e imediatista de alívio e cura. de neutralizar o inimigo. ouvi-lo. nos cultos públicos:.

Elmer Flor 100 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . 12." A capacidade de obedecer a essa ordem final. Ambos os atos são igualmente difíceis.O Conflito se resolve Vs. e despertam a admiração expressa no v. . suprindo necessidades físicas (cura do paralítico) 4. a glória. irrespondível. "Jamais v i m o s . maravilhando os crentes e trazendo vida e esperança. a cura física. perdoando os pecados 3. 8-12: Mais uma vez Jesus dá mostras de sua onisciência. Por uma conseqüência externa. o que se cumpre cabalmente no texto estudado. " — eídomen pressupõe um objeto ou fenômeno visível. A l i o profeta profetiza o domínio. o poder do Cristo que haveria de vir. a presença do reino desse Messias e a manifestação de sua presença na vida dos crentes e da igreja.13. anunciando a palavra (lei e evangelho) 2. a grande arma que usa para vencer seus adversários. superam a capacidade humana. o paralítico a recebe de Deus. a segunda. na verdade. por meio de seu Filho humanado. Ao "ler" os pensamentos dos inimigos desconcerta-os com duas perguntas contundentes. Proposta Homilética Deus (Messias) Presente em meio a seu Povo 1.. . sela a verdade do perdão. arrancando a admiração e o aplauso de crentes e descrentes. Desafia-os a distinguir entre duas coisas impossíveis ao homem de realizar — a autoridade para perdoar pecados e a realização de um milagre fisicamente observável. Por um sinal visível atesta o direito e o poder de fazer o que está acima do âmbito das provas humanas. E r a a mais completa afirmação da divindade de Jesus. 0 F i l h o do homem — expressão que se cristalizou no período intertestamentário e se originou no uso por Daniel 7.14.. "Levanta-te.

de indiferença. 23 — T a l como conhecemos a Jesus. V. Jesus.21-28 13 de Outubro de 1991 O contexto É surpreendente que este texto esteja sucedendo um trecho no qual Jesus ensina que aquilo que contamina o homem não são as coisas externas e sim o seu interior. 12). ao encontrar-se com.VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 15. talvez mais para se livrar da situação embaraçosa e irritante naquela terra estrangeira. O texto Seguem algumas observações sobre o texto. escribas e fariseus (v. Jesus. sem mexer na raiz do seu problema. Melhor é despachá-la o quanto antes. F i l h o de Davi". Diante de tal situação constrangedora eles intervém a favor da mulher. No entanto a mulher o chama de "Senhor.21). V. Não apela para curandeiros. É incômodo ouvir as súplicas de uma pessoa aflita. iriam logo colocá-lo em prontidão para ajudar. Esta designação Jesus havia recebido de pouca gente de seu povo. Talvez para evitar novos confrontos com. 1) é que Jesus se retirou para a região de Tiro e Sidom. V. benzedeiras e outros representantes de forças do ocultismo. porém. designação que o identificava como o Messias prometido no Antigo Testamento. se conserva indiferente. somente poderia ter para com ele uma atitude de desprezo ou. Somente a fé poderia entusiasmar-se com este galileu. os gritos persistentes e patéticos desta mãe pedindo por sua filha entregue ao poder de Satanás. não sendo judia. A atitude de Jesus também parece contradizer a sua ordem dada no mesmo Evangelho segundo a qual os discípulos deveriam IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 101 . 22 — A mulher cananéia. 24 — Jesus permanece fiel ao seu povo. quando muito. Os fariseus haviam se escandalizado com os ensinamentos de Jesus (v. Os próprios discípulos se mostram surpresos. É fácil despedir um mendigo dando-lhe um troquinho ou alguma coisa que não precisamos mais. mesmo se este povo é infiel e o rejeita (Mt 11.

quer seja judeu quer seja gentio (Rm 1. Recorre ao potencial que fica despercebido àquele que não crê. conforme Marcos 7. E l a percebe que a mesa posta por Deus 102 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . O seu amor é tão imenso que há abundância tanto para judeus como para gentios. iriam ler este relato através dos Evangelhos de Mateus e Marcos.levar o evangelho a todas as nações. O episódio pode ter sido utilizado por Jesus para testar a paciência dos discípulos e posteriormente para instruí-los a respeito da persistência na oração. E l a descobre possibilidades que não se percebem sem ela. Jesus quis mostrar que ele ama os descendentes de Abraão a despeito de ter sido rejeitado por eles. Ninguém pode acusar Jesus de ter desprezado o seu povo como justificativa para que Israel o desprezasse. nem se pode falar em repartir o amor de Jesus. de servir como emulação (estímulo) a judeus que. ainda que seja de uma pessoa gentia. V v . De outra parte ela está convicta que com Jesus está a abundância. pode ter sido provocada por Jesus a fim. dor mais aguda para os pais do que para os próprios filhos. Os pais sabem que o sofrimento dos filhos é. A mulher não contraria a Jesus.20). Jesus ultrapassa os limites de sua missão em resposta aos apelos da fé. conforme Paulo "ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" ( E f 3. para nós significa mais do que um banquete pois. Na verdade. até lhe dá razão: "Jesus. Jesus não beneficiou os gentios em detrimento de Israel.10). 2.26) poderia ela ter preconceitos contra os judeus. protagonizada por uma mulher estrangeira. As sobras de sua misericórdia seriam o suficiente para sua filha. Jesus permanece fiel. posteriormente. Mesmo o aparente desprezo não impediu a mãe de pedir socorro de Jesus. A sua ajuda é acessível a todo aquele que crê. Apesar de toda a infidelidade de Israel. 3. 4. se você se dedicasse aos gentios você trataria os filhos como cachorrinhos e os cachorrinhos como filhos". Seguem algumas sugestões para explicar o procedimento de Jesus: 1. Como cananéia (ou grega. O que Jesus chama de migalha. É possível que Jesus quisesse testar a fé desta mulher. é verdade. A fé continua lutando mesmo quando todas as chances parecem ter-se dissipado. A demonstração de tamanha fé. 25-27 — "Socorre-me". de origem siro-fenícia. O amor pela filha fez que ela assumisse a dor de seu sofrimento. geralmente.

Jesus atende seu pedido. mesmo debaixo da mesa. a sua única oportunidade para conseguir ajuda para sua filha (2 Co 6. A epístoIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 103 . um grande culto de reconsagração onde são (re)vivenciados os atos salvíficos de Deus na história e vida do Seu povo. 28) a. E l a recebe a recompensa de seu gesto (v. Christiano J. "Epifania". Disposição O texto presta-se para falar sobre temas como "fé". Steyer VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. Nossa proposta recai sobre o último. Nossas dificuldades nunca são um caso perdido ou sem solução! A mulher cananéia está disposta a aceitar a graça de Deus da maneira mais humilde. Na sua angústia ela se dirige a Jesus (v. Era. "oração". Nem a aparente indiferença de Jesus (v. Seríamos nós capazes de humilhar-nos tanto? Talvez Jesus nunca mais retornaria àquela região. ou seja. V. ocasião em que Israel faz um voto de servir a Yahweh com integridade e fidelidade — voto este perenizado através da ereção de um monumento. 22) 2. UMA MULHER GENTIA ORA DE UMA FORMA EXEMPLAR 1. 23) b. pois. "amor de Jesus". como mendiga. Nem a aparente rejeição de Jesus (vv.2).para Israel é tão farta que pode suprir todas as nações. Nada a faz desistir de apelar para Jesus a. 28 — A fé é capaz de provocar aplausos do próprio Jesus. Jesus elogia sua atitude b. 24-27) 3.38-48 20 de Outubro de 1991 A leitura do Antigo Testamento apresenta o momento da renovação da aliança do povo de Deus.

à Igreja. A Escritura ensina que não devemos nos opor a Deus e à sua vontade (ex. então. Rm 13. Viver e anunciar a Palavra independentemente das circunstâncias é a ênfase destas leituras ritmadas pelo som.19. ou seja. Pv 20. O " E u . o padrão para os discípulos e Sua Igreja. Igreja/estado e além disso fazem uma "re-leitur a " do Antigo Testamento sob o prisma de seus costumes e tradições rabínicas e pré-talmúdicas. Fariseus e escribas apelavam para esta lei com o objetivo de justificar a retribuição e vingança pessoais que o Antigo Testamento repetidamente proíbe (cf. constantemente instados a resistir ao diabo (Ef 6.2). porém. Lv 19. 24. que o contexto cultural-religioso é o dos fariseus e escribas que confundem. Lc 21. Somos. por outro. A "lex talionis" (Ex 21.8.. No "reino da esquerda" a justiça deve ser exercida de tal forma que ela não exceda o crime mas. o contexto desta passagem em Êxodo mostra claramente que esta lei está se referindo a uma restrição e não a uma eventual retribuição ou vingança.20. Ele está estabelecendo as fronteiras da ética onde e como os crentes irão atuar — algo similar ao que se acha expresso no Decálogo. por outro.21) é freqüentemente olhada através do óculos de. opor-se a alguém ou alguma coisa. entretanto. 2 Tm 3. Lv 24. vos digo" coloca Jesus como o cumprimento. Tg 4. por um. a agressividade do inundo contra o Servo c Seus servos mas. Dt 19. 28 e 34) ilustram a natureza da justiça que "excede" (v. lado.7). Marcião e.19). Como entender. porém.13. E n tretanto. tomada como representando a baixa moralidade e espírito de vingança reinante no Antigo Testamento num suposto contraste com a lei do amor no Novo Testamento. por isso mesmo.24. Trata-se aqui de Israel atuando no "reino da esquerda" e não especificamente como igreja. O "ouvistes" de Jesus transporta-nos para o Antigo Testamento numa referência conhecida mas por vezes mal interpretada. a entrega nas mãos de Deus das ameaças que sobrevêm à Igreja para que esta continue a proclamar a Palavra com intrepedez. Antes. porém. 20) a "justiça" dos escribas c fariseus.la ressalta. Jesus está se dirigindo a Seus discípulos.22. Os dois exemplos da perícope (juntamente com os outros três citados anteriormente — vv.15. Ao afirmar " E u . O contexto do santo Evangelho é o do Sermão do Monte e o auditório são os discípulos. 22.18. que 104 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .: Rm 9. do primeiro dos oito sinos do carrilhão que enaltecem esta Palavra no Salmo 119. 1 Pe 5.9. que ela também não deixe de corresponder à sua gravidade. Não se pode esquecer. no domínio do "reino da direita". vos digo" Jesus não está tentando contrastar a lei do Antigo Testamento com uma nova realidade ou ordem política. 39) significa resistir. O verbo anthisiemi (v.

27-28 torna-se notório que a passagem chave. deixa margem ao ódio que para ele pode se externar no campo racial e nacional e bem assim contra os samaritanos. A mentalidade rabínica faz a pergunta: "Quem é o meu próximo?" (Lc 10.21-23). 44) Jesus remove todo e qualquer limite ao amor. O escriba fazia este acréscimo.22-33). o Servo que está a querer o que Ele mesmo fez uma vez por todas para todos os homens centrando Sua vida em Deus e. hyper.60) e o próprio Jesus (cf.29-30 é explicada com. Este é o padrão que Cristo quer. origem em Deus (vv.44. portanto. O amor sem limites revela sua peculiaridade não apenas na dimensão humana como também na dimensão celeste. "cães". Tais exemplos contrastam com a animosidade dos próprios discípulos contra os samaritanos (Lc 9. palavra e ação que se está repleto não do espírito de rancor mas do Espírito do amor (cf.19-21). Ao ler-se as palavras de Cristo à luz do que imediatamente segue nos vv. Lc 23. em última análise. É o Messias. mas à pessoa má.54). O amor não é inspirado por seu objeto como também não depende daquele que o recebe. diante de Deus.23). 44. porém o que Cristo quer é que não haja vingança. portanto. Por outro. Ao dizer "amai os vossos inimigos" (v. Em outras palavras.29) e nela está implícita a limitação da resposta que. diz respeito não ao diabo em si.5-6 e 1 Pe 2. 45. 45) que se mostra absolutamente imparcial ao ponto de beneficiar também o mau e o injusto. através da intercessão em favor. IGREJA LUTERANA NÚMERO 1/1991 105 . Rm 12. A Escritura apresenta exemplos marcantes de pessoas em ação i n tercessória por seus adversários: Abraão (Gn 18. 43-48 e quando a paralela em Lucas 6. submeter Seu amor ao desamor dos homens (cf. Is 50. a afirmação comum entre pais: " E u vou ensinar meu filho a como se comportar" via de regra significa uma inculcação não cristã de vingança e revide (simul peccator). 48) e encontra-se apenas no discípulo de Cristo. inimigos pessoais. que a expressão "volta-lhe também a outra [face]" significa demonstrar por atitude. gentios.12.somos solicitados a não resistir ao "perverso"? É importante notar que tô ponerô é masculino e não neutro e que. O verbo agapáo implica muito mais do que simples afeição: ele tem. idêntica em ambos os relatos dos evangelistas. sem relutar.29. é "amai os vossos inimigos" (Mt 5. Este amor tem sua fonte no amor adotivo do Pai (vv. do inimigo. Estêvão (At 7.27). 1 Pe 2. Jesus está condenando o espirito de desamor. Mt 11. Isto não significa que não se reconheça a pessoa como sendo má. Lc 6. é o padrão que Ele mesmo cumpriu. ódio e vingança. base no que imediatamente precede nos vv.24. Is 53. inimigos religiosos. Não é o Antigo Testamento que acrescenta ao "amarás o teu próximo" as palavras "e odiarás o teu inimigo". F i c a evidente.

17). Assim a palavra de Deus crescia e o número de discípulos se multiplicava. Mas o 106 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Gl 6.O padrão e o poder para amar o inimigo está no próprio Jesus. Na epístola. Tudo o mais. espírito voluntário. mas apenas na perspectiva da gratidão pela obra salvadora de Cristo. amando a humanidade.38. ofertas cordiais. e pela escolha dos sete diáconos para "servir às mesas" e fazer a obra social. que é Cristo. Acir Raymann VIGÉSIMO T E R C E I R O DOMINGO APÓS PENTECOSTE Marcos 12. vicariamente. são "os sacrifícios agradáveis a Deus" (Salmo do dia. coração contrito. amar a misericórdia e andar humildemente com Deus (Mq 6.41-44 27 de Outubro de 1991 As Perícopes e o Tema do Domingo O tema do domingo. O Texto Muitas passagens paralelas ensinam as virtudes da oferta do cristão (Ml 3.17. Ou nunca tinham valor em si mesmos.10. por meio do Christus Victor.18. 1 Tm 6. a preocupação da igreja do NT em relação a seus necessitados se resolve pela separação dos apóstolos para a pregação da palavra e a oração. contido nas leituras das perícopes do domingo. 51. não têm mais valor. a saber. Sugestão de tema: Um Amor Sem Limites. A este amor o discípulo está sendo convocado e para este amor Cristo o capacita. espírito quebrantado. formalismo exterior. E l e humanou-se para fazer a vontade do Pai plenamente. A recompensa já está ganha e garantida. cerimônias que eram sombra do corpo.9.8). completamente com a escatológica "uma vez para sempre" pelo Seu supremo ato de amor. coração puro. A receita divina através do profeta Miquéias (Leitura do A T ) é praticar a justiça.10). lábios que louvam. Lc 6.

texto em estudo ensina sobre a oferta através de um magnífico exemplo. Se o dízimo era, no culto de Israel, o padrão (Ex 35.22), há exemplos em que o povo de Deus ofertou até mesmo mais que o exigido ou esperado (Ex 36.5; 1 Cr 29.3,4). De igual forma, o Salvador Jesus assiste a um exemplo vivo e o evangelista relata a oferta da viúva de "tudo quanto possuía", dado em sua pobreza (hustéreesis), sacrificando o sustento, a própria vida (bíos). 0 contexto anterior apresenta um discurso eloqüente de Jesus, dirigido especialmente contra a justiça própria e o formalismo de fariseus, saduceus e escribas. Como ensinava no templo, pôs-se a observar, e até mesmo a vigiar nos seus detalhes as ofertas dos que ali prestavam culto e sacrifício. O gazofilácio era uma das treze caixas de metal, no formato de trombetas, colocadas em volta das paredes do átrio das mulheres no templo herodiano, para recolher as ofertas para sustentar os serviços do templo. Jesus se importa com as ofertas de seu povo e controla, além e acima da oferta em si, a motivação do doador. Não se impressionou com as quantias, por mais altas que fossem. Lv 27.30 determinava que se trouxesse o dízimo à casa do Senhor como oferta a Deus. Em Is 1.11ss.; Is 43.24; e Ml 3.8 Deus afirma que observa o coração e a intenção do doador. Muitos não gostam da idéia de que sua oferta esteja sob a observação de alguém, muito menos de seu Senhor, que é ao mesmo tempo o Senhor de seus bens. Isto exporia a pequenez de sua fé, da qual a oferta deriva. Não se sentem à vontade ao se detectar a motivação que os leva a ofertar. Os ricos, que ofertavam muito, faziam-no talvez por um senso de obrigação; quem sabe, para serem vistos e admirados. Suas ofertas, em todo caso, não sensibilizaram o Salvador e não mereceram maiores comentários. A mulher que Jesus destaca é pobre, necessitada, prestes a morrer de fome (são significados possíveis de ptoochós). E r a viúva, com todas as conotações de abandono e solidão. As duas moedas romanas eram as de menor valor existentes. Apesar de todos esses dados que despertam a compaixão humana, e a tornam antes alvo de doações do que doadora, o fato elogiado por Jesus se prende a que ela ofertou voluntariamente, agradecida, efusivamente, como fruto da fé. (1 Co 13.3) O que esta mulher ensina pelo exemplo, a Bíblia ensina por conceitos (2 Co 9.7; Rm 12.8). Apenas quando se oferta alegre e livremente, pode-se experimentar a alegria de dar. Vs. 13-44: Jesus convoca os discípulos para a aula sobre a oferta. A importância do assunto e a gravidade do momento estão expressos no améen légoo, em verdade digo. Os discípulos aprendem como dar e se lhes ensinam os critérios pelos quais é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 107

Deus que julga uma oferta. A mulher por certo não morreu e nem passou fome. Deus cuidou dela. Os que se preocupam doentiamente com seus bens, que têm incertezas quanto a seu futuro material, são esses os que menos ofertam. É uma relação da causa e conseqüência. Como são avaliadas as tuas ofertas diante de Deus? O ato da viúva pobre não pode ser copiado mecanicamente. Copia sua fé. Entrega-te primeiro ao Senhor, como o fizeram os macedônios. (2 Co 8.5) O amor de Cristo te fará abundar em tuas ofertas. Tema Uma lição sobre a oferta do cristão 1 . Eu aprendo o que é uma oferta sem valor (formalismo, cerimônias, desejo de aparecer, preocupações com os bens materiais. . .) 2. Eu aprendo a oferecer sacrifícios agradáveis a Deus (fé verdadeira, coração puro, espírito voluntário). Elmer Flor

VIGÉSIMO Q U A R T O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 4.35-41 3 de Novembro de 1991
Contexto O cap. 4 de Marcos é essencialmente didático, concentrando 4 parábolas, sua explicação e aplicação, numa seqüência marcante dos ensinos do Mestre. A referência dos vs. 33 e 34 explicita ainda mais esse recurso didático, o das parábolas, contadas "conforme o permitia a capacidade dos ouvintes." Seus discípulos recebiam posteriormente uma instrução particular, um aprofundamento especial, uma pós-graduação. No texto em estudo, a aula, de teórica, transforma-se em prática, e orienta o crente nos perigos da vida. Da Bonança à Tempestade Vs. 35-37: A aula teórica, por parábolas, estendera-se até "tarde". Jesus transfere a situação de ensino para o barco que
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estava a sua espera, e que seguiu pelo mar da Galiléia na companhia de outros barcos compondo uma esquadra de seguidores. E r a uma escola ambulante. Seus discípulos passam a ser submetidos a uma prova de confiança plena no Mestre. A atividade exaustiva do dia teve como conseqüência o cansaço terreno do Instrutor. Estando a leste do mar, nos arredores de Gafarnaum, devem ter rumado à costa oeste, terra dos gerasenos. De um início tranqüilo, a viagem se torna dramática. Da Tempestade à Bonança Vs. 38-39: Jesus ocupa um lugar à popa do barco, a parte traseira, reservada ao timoneiro. Aí não se sente tanto a violência com que o barco corta as ondas, nem o balanço a que é submetido, como na proa. Enquanto Jesus descansa sobre um travesseiro, o mar se põe travesso. O grande temporal é chamado de láilaps, e Mateus o chama de seismós, palavra grega que aparece no termo português "movimento sísmico" ou terremoto, no caso, uma espécie de maremoto. "Mestre!" é o grito de socorro dos discípulos apavorados. E r a a hora de aprenderem com o divino Instrutor uma lição de vida frente aos perigos que os ameaçam. 0 poder do Messias e do Reino de Deus que inaugura entre os homens no Novo Testamento faz-se presente tanto nos seus ensinamentos, como também nos atos milagrosos que confirmam a palavra nos que persistem na dúvida. Na anarquia que se estabelece entre as forças da natureza, e que se coloca como meio de disciplina, julgamento e chamado à ordem no caos, Jesus confronta sua tranqüilidade ao temor dos demais; o poder do Criador enfrentando a criatura insubmissa; a tempestade na natureza e nos corações à bonança que traz ao mundo com sua presença abençoadora. Da Bonança à Confiança Vs. 40-41: Jesus não se limita a repreender o mar e o vento, acalmando sua fúria, baixando a crista das ondas. Repreende Os discípulos, que se abalaram com o perigo, acalma seus corações agitados, baixa a crista de sua confiança em suas próprias habilidades de navegadores, Eles aprendem uma lição de vida, submetendo a fraqueza humana à presença do Senhor da natureza. Jesus aprofunda, com' essa repreensão, sua comunhão com os companheiros de jornada e aproxima-se deles no convívio mútuo, num gesto em, que põe seu poder a serviço compassivo em favor dos mesmos e confirmando, assim, a sua fé. O temor de todos os circunstantes também se acalma diante da prova de proteção e libertação que Cristo oferece a seus seguidores, não importa quão violenta possam ser a perseguição e os transtornos
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F o i de onde Lutero tirou a inspiração para compor o hino "Castelo Forte é nosso Deus". perseverar através das lutas da vida. Aparece no momento certo e oferece ajuda (perdão) e aprovação final (livramento). 4. O processo de ensino-aprendizagem leva da teoria (parábolas) à prática (livramento dos perigos) : 1. são retóricas. As perguntas finais. Testa a fé dos que. pela proteção e derrota dos inimigos. também de suas vidas. Jesus confirma a fé de seus seguidores e sua confiança nele que é o Senhor de tudo. O texto ensina: Cada cristão deve lembrar-se do socorro por ele recebido da parte de Deus em tantas angústias de sua vida. O salmo convida o cristão a se refugiar no Senhor Jesus e confiante nas promessas de salvação. a ponto de reprovação. 3. Permite que a prova seja difícil. e sua resposta é óbvia. Ensina onde e com quem não há perigo em qualquer circunstância da vida.que enfrentam. Elmer Flor FESTA DA REFORMA Mateus 11. tanto corporal como espiritualmente. 2. incorrem em perigos.12-15 31 de Outubro de 1991 LEITURAS O salmo 46 é um salmo de louvor cantado pelo povo de Deus. por sua fraqueza. 110 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . tanto as de Jesus como a do povo.. Proposta Homilética A Vitória do Mestre sobre a timidez e a dúvida: uma aula sobre a fé que salva. e esta recordação deve levá-lo ao constante louvor e à sempre maior confiança no Deus forte em todas as lidas da sua vida.

Esta consagração é exigida também dos discípulos da Igreja cristã de hoje. etc). X V I . O Evangelho de Mateus destaca o fato de que não é sem luta e persistente esforço que o discípulo conquista o reino do seu Senhor.12-14). Por causa desta fé.O texto de Apocalipse apresenta um anjo voando pelo meio do céu levando um evangelho eterno destinado aos incrédulos da terra exortando-os a se arrependerem! porque o fim está próximo. Jesus faz alusão ao fato de que certas pessoas (publicanos. Em nossa vida não há lugar para nenhum "deus" por menor que seja. Nesta época da Reforma é sempre oportuna a reflexão sobre o fascínio que as maravilhas do mundo podem exercer até sobre os cristãos levando-os a perderem de vista o iminente juízo de Deus sobre estas coisas passageiras. consagrando todo o templo do Espírito ao Senhor. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 111 . como mensageiros do Reino e se tornaram discípulos. É oportuno o convite à reconsagração ao Senhor enquanto houver misericórdia e perdão. as quais tendo entrado em contato com João Batista (Mt 3. Deus Espírito Santo exige que todo o seu templo seja a ele consagrado. judeus. Ainda há tempo para se arrependerem e acharem misericórdia diante de Deus. O contexto desta leitura mostra que os habitantes da terra ficaram maravilhados com os poderes manifestados pela besta e seu falso profeta (Ap 13. É justamente contra a religiosidade aparente. num. mediante a firme resolução de persistir na fé criada pelo Evangelho restaurado pela Reforma do Séc. esforçando-se para corrigir sua vida e proclamar a chegada deste Reino. O anjo os lembra de que se haverão com alguém que é mais poderoso que a besta — aquele que é a origem de todas as coisas no céu e na terra.1-10) e com Jesus (Mt 4. O texto sugere que esta consagração diária seja feita por meio de ofertas de sacrifício e ações de graça.a verdadeira demonstração de arrependimento e conversão. DISPOSIÇÃO: Em se tratando de festa da Reforma todas as passagens sugerem uma reflexão em torno da reconsagração ao Senhor. O destaque é dado ao empenho observado nos discípulos que aparentemente poderiam ser considerados os mais indignos para a tarefa do testemunho por causa da vida que levavam antes do contato com o Evangelho. prostitutas. A leitura de 2 Crônicas sugere a necessidade que o cristão tem de purificar constantemente a sua vida.23-25) os aceitaram. sem fingimento. contra a frieza espiritual que este texto de Mateus vem alertar.

é imutável na sua atitude de salvador. Lutero experimentou este consolo e pode compor. Continua o refúgio certo de todos os que a ele recorrem. materialismo. Santo. o seu mais famoso hino "Castelo forte é o nosso Deus". etc. mesmo através de muitas lutas contra a incredulidade. A destruição do templo de Jerusalém é um prelúdio do desfecho no juízo final. Os comentários nem sempre são unânimes em distinguir quais as palavras de Jesus se referem à destruição de Jerusalém e quais dizem respeito à sua vinda e à consumação do século.3). A seguir os discípulos perguntam quando "estas cousas" irão suceder e que sinais haverá anunciando a sua vinda c a consumação do século (24. o refúgio e o consolo necessários para a luta diária. inspirado neste salmo. 112 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .1-2). II — Porque no Senhor há. Nereu Rui Weber A N T E P E N Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A Mateus 24.o cristão permanecerá de posse do reino. SUGESTÃO DE TEMA: Consagrai-vos ao Senhor Deus Forte. se apoderam do Reino. I — Porque os que se esforçam. O conjunto inicia com o lamento de Jesus sobre Jerusalém que não quis receber a salvação (23. O texto de 2 Crônicas reforça esta ênfase da reconsagração que deve ocorrer pelo abandono dos pecados e maus desejos da Carne para poder haver um processo de purificação do templo do E. Deus continua rocha firme.37-39) e continua com a profecia da destruição do templo (24. O salmo ensina que mesmo que se abale aquilo que é considerado inabalável e se agite o que parece geralmente sereno.15-28 10 de Novembro de 1991 O contexto A perícope está inserida num conjunto que trata da segunda vinda de Jesus (parusia) e da consumação dos séculos. 0 Salmo 46 traz um consolo muito grande ao discípulo que se esforça para conquistar o reino.

por is.Nos versículos 4 a 14 Jesus anuncia os sinais que precederão a sua vinda e previne os discípulos de não se deixarem enganar por falsos cristos.so. Necessário se faz. 15-19). 20-22) e são previnidos de não confiar em qualquer espírito que se anuncia como o guia para o encontro com Cristo (vv. 18).27. eram apenas um prelúdio ou uma fase de sua volta.11). a fim. 23-28). que a igreja ore. devido ao frio. 11. no entanto. Há uma fuga espiritual para os montes (Sl 121. a profecia de Daniel continua se cumprindo até a volta de Jesus. aqui o sentido das palavras deste versículo não se esgotaram naquela ocasião. Outros afirmam tratar-se dos sacrifícios que os romanos ofereceram aos seus ídolos nos lugares sagrados dos judeus. É i m portante não perder tempo para buscar abrigo junto a Jesus antes que vem a destruição.3.) dentro do templo para nele serem oferecidos sacrifícios a Júpiter (Zeus). A perícope gira ao redor de três assuntos: os fiéis são alertados para fugirem da Judéia (vv. No inverno. 16 foram observadas literalmente pelos cristãos de Jerusalém quando os romanos reagiram à revolta dos judeus (66-70 A D ) . Fugir como Ló e não olhar para trás. As opiniões divergem sobre o cumprimento das palavras de Daniel.1). de que a fuga possa ter êxito. conforme relata Josefo. Para alguns até muito grandes.31. também dentro deste mesmo critério incluem-se no "abominável da desolação" as atividades do homem da iniqüidade e da perdição de quem Paulo fala em 2Ts 2. A tribulação que se iria abater sobre Jerusalém. As palavras de Jesus no v. O significado estende-se até o tempo da segunda vinda do Senhor. 17. são incentivados a orar (vv. 12.C. a chuva e o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 113 . A profecia de Daniel. Alguns julgam tratar-se do santuário edificado por Antíoco Epifânio (175-104 a. Atravessaram. não se esgota com estas abominações. e suas conseqüências sobre os fiéis. O texto Limitamo-nos em tocar nos aspectos mais relevantes da perícope. P o r isto. A fuga oferece dificuldades. o Jordão e foram para um local elevado chamado Pela. É preciso desprender o coração das coisas materiais (vv. V. local bem mais seguro do que os altos além do Jordão. 15 — Jesus lembra palavras do profeta Daniel: "o abominável da desolação" (Dn 9. Também. Dentro do princípio segundo o qual a destruição de Jerusalém e a consumação dos séculos formam um conjunto.

32). 28. todo poder. Ele virá repentinamente. 26). É. demovidos de sua fé (v. a fuga seria dificultada ou mesmo tornada impossível.10). A igreja não deverá ser tomada de surpresa quando estas coisas sucedem. os próprios eleitos seriam. deixar enganar-se como se Jesus pudesse ser encontrado no deserto. 3. com uma argumentação interessante. 25). porém. A respeito das bestas. Quando ele chegar não será preciso procurar por ele (v.vento. e sinais e prodígios da mentira" (2Ts 2. pois Jesus o anuncia com antecedência (v. horrores sucedidos durante a destruição de Jerusalém. Kretzmann diz que o significado deste provérbio é: "onde está Cristo ali também estarão os eleitos". se não fosse a interferência do Senhor. Não porque fosse proibido para os cristãos deslocarem-se neste dia. como efetivamente muitos têm feito. Embaraçosa seria a situação para as mulheres grávidas e as que estivessem amamentando (v. A respeito das tribulações antes da consumação dos séculos.32-35). As orações pedindo que o Senhor removesse todos os impedimentos para a fuga. nas águias. se o período não fosse abreviado pelo Senhor. de surpresa (2Pe 3. deveriam ser motivadas pelas tribulações mencionadas no v. Lutero. poder-se-ia pensar. emblema das legiões romanas. tolice querer determinar o dia e o horário de sua chegada (Mc 13. como um relâmpago. Muito se tem discutido sobre o significado do v. O apóstolo Paulo fala que o "aparecimento do iníquo é. Mas este não é o caso.27. e os vence" e que a 2ª besta seduz os habitantes da terra com seus sinais (Ap 13). Ap 13 e 16). 24). segundo a eficácia de Satanás. Tudo tão bem estruturado que. Apesar dos sinais que anunciam a sua volta. Nm 15. O mundo nunca havia passado por isto anteriormente. lê-se em Apocalipse que a 1ª besta "peleja contra os santos.28. por causa dos escolhidos. com. à destruição de Jerusalém. Josefo descreve os. Será visto em toda a parte (v. com doutrina falsa. falsos profetas e falsos cristos.14. no seu sermão sobre Mt 24. ninguém seria salvo. Quem são os abutres e o cadáver? Se a perícope se referisse apenas. fala o livro de Apocalipse (cf. É preciso lembrar. A pergunta foi: que sinal haverá 114 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 27). Se a fuga precisasse ocorrer em dia de sábado igualmente haveria perigo. Além das tribulações levantar-se-iam enganadores. novamente. 19). que na perícope Jesus está respondendo a uma pergunta dos discípulos feita no v. Poderiam até ser barrados e mortos (Ex 31. porém mais pelo escândalo que estariam provocando nos moradores por onde teriam que passar. Não devem. no interior de uma casa ou em outro local.9). ela será inesperada. os cristãos. Os dias seriam tão terríveis que. pois. interpreta o provérbio dizendo que onde estiver a palavra de Deus ali também estará a igreja. P E . 21 e 22.

15-19). 20-22). I.. Este recado de Jesus é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 115 . pelo giro dos urubus por cima do local.31-46 17 de Novembro de 1991 Assunto: O discurso de Jesus sobre o grande julgamento (sobre a sua volta. enganados. 2Ts 2.1ss. 1Tm 4.. Christiano J.1ss. pelos sinais apontados. 2Tm 3.º — Cenário Jesus está falando sobre o fim do mundo e a sua volta para "orquestrar" ou "dirigir" este final. Steyer III.da tua vinda e da consumação do século? Assim. PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25. não é diferente. pois. 23-25). 2Pe 3. poderá ser identificado quando será a consumação do século. A destruição sobreveio ao templo e à Jerusalém como resultado de sua impenitência.10-12.. mas o único escape é Cristo. 2. Disposição Jesus fala sobre os sinais que anunciam a sua volta e a consumação dos séculos e sobre as providências que os cristãos devem tomar. 1. Onde está o pecado ali está o julgamento. Hoje. A volta de Jesus será precedida de tempos muito difíceis (vv. II.3ss.1ss. ou 2ª vinda). 26-27). como se identifica onde está um corpo morto. O mundo o despreza. Quanto a falsos cristos (vv. agora. impenitente e espiritualmente morto (Mt 24. assim. Ju 18). 1. Os cristãos precisam orar a fim de que possam suportar as tribulações e perseverar até ao fim (vv. Os cristãos precisam estar atentos para não serem. Quanto ao local e hora da volta do Senhor (vv. assim o juízo está pairando sobre o mundo todo.

sempre importante para nós, de forma toda especial em tempos de muito apego a esta vida e às coisas materiais, às coisas deste mundo. Assim foi também com, os judeus. Por isso ele inicia o seu sermão, já em, 24.1 e 2, fazendo referência ao Templo de Jerusalém que, embora fosse "Templo de Deus", tinha, na verdade, para a grande maioria, muito mais o significado de grandeza pessoal, de realização própria, de superioridade da raça, de segurança pessoal. Orgulhavam-se de possuir um templo. A l i mentavam uma falsa segurança em relação ao seu destino eterno e justificavam uma impunidade social e moral estribados; no fato de terem, o Templo em, Jerusalém, o que, acreditavam muitos dos judeus, era uma garantia incondicional de que Deus lhes era favorável e os abençoaria e protegeria, sendo que nada de mal lhes poderia acontecer. "Se temos o Templo, então nada nos pode suceder". O Templo virou uma espécie de talismã da sorte. Jesus quer derrubar esta falsa segurança e acordá-los para a realidade. "Não se fiem nesta construção. Não ficará pedra sobre pedra". Jesus está dizendo mais: "não se fiem nesta vida; nas realizações que vocês conseguem obter nela; nas suas capacidades. Tudo isto vai terminar. Não se fiem neste mundo, pois ele não vai durar para sempre, e vocês também não vão viver nele para sempre. Prestem atenção neste fato c cuidem para estar preparados". Jesus contou quatro parábolas relacionadas com o fim do mundo, alertando, nelas, para os sinais da proximidade deste fim, bem como para a sabedoria e prudência que é recomendável cultivar com relação à questão. 2.º - Assunto:

Nosso trecho contempla o que poderíamos chamar de "clímax" do sermão de Jesus sobre o fim do mundo. O Salvador está falando da fé, que é o critério de separação entre " v i d a " e "morte"; entre "salvação" e "condenação". Em cada uma das três parábolas anteriores a respeito do assunto ele enfatizou um aspecto da questão. Na primeira delas (Mt 24.45-51) ele visou os responsáveis pela igreja (ministros, líderes, dirigentes); na segunda (Mt 25.1-13) dirigiu-se a todos, enfatizando a necessidade de haver vida espiritual; na terceira (Mt 25.24-30) dirigida também, a todos, ele tem em vista os dons espirituais e as boas obras, ou seja, o uso (administração) que os, cristãos fazem das coisas recebidas dele. Agora, com o discurso de Mt 25.31-46 ele apresenta a essência de tudo numa 4ª exemplificação, qual seja, a do atendimento prestado (ou omitido) a quem precisava. O nosso trecho mostra como a fé cristã é comprometimento de vida. Tudo o que se pode dizer da vida cristã em ênfases 116 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

separadas, visando destacar com mais nitidez ora este ora aquele aspecto, pode ser dito em conjunto e em resumo: ser cristão é ser engajado! É assumir uma vivência cristocêntrica — e não apenas discursar a respeito. Há toda uma dimensão social envolvida nestas palavras de Jesus. Não no sentido barato de "evangelho social" que anda por aí e que se pode ler e ouvir tanto, na linha do "evangelho dos pobres", do "evangelho da revolução", do "evangelho latino-americano" ou de qualquer outra roupagem da "teologia da libertação" (que não procura levar o homem a Cristo para ser libertado dos pecados, preferindo, antes levar cada um a ser libertador de si mesmo em relação a todas as ordens e estruturas que o cercam, as quais seriam todas opressoras e malignas), mas no sentido verdadeiramente bíblico de envolvimento social, em que o cristão, em Cristo, ao mesmo tempo em que é senhor livre de todas as coisas e não está sujeito a ninguém, é um servo (=. escravo, servidor, um que presta serviços; um que se consome em obras de amor pelo próximo) de todas as coisas e sujeito a todos. A verdadeira dimensão social deste texto c que ele está dizendo a cada um que se julga cristão que a fé não é algo a guardar dentro do bolso; que a fé não é individualista nem, exclusivista; que a fé implica em manifestações exteriores que não são, absolutamente, particulares. Jesus está mostrando que a fé tem frutos de amor. Quem confia em Cristo, quem ama Jesus, torna-se portador deste amor para os outros, para o próximo, para a sociedade. Esta ca dimensão social do texto: fé se traduz em serviço social. É importante notar como, no texto, este comprometimento social está intimamente conectado com o ser ou não ser cristão; com o estar à direita ou à esquerda do Rei no dia do julgamento. É uma palavra muito séria. É uma palavra de julgamento para os incrédulos e de consolo para os crentes. Sim, palavra de conforto para os fiéis que, mesmo tendo limitações e fraquezas, mesmo sendo imperfeitos, sabem que serão considerados justos por causa do sacrifício de Cristo em seu lugar, o qual recebem pela fé, a qual, por sua vez, é vibrante e frutífera, sendo, inclusive, louvada pelo R e i e Senhor. 3.º — Estrutura do texto: i . ) Descreve (não seria melhor 'refere-se', já que não há palavras que possam, realmente, descrever aos nossos olhos momento tão grandioso como este) o julgamento final da humanidade.
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— O assunto não é novo. Está referido em outros textos. Além dos relatos paralelos, também está em Mt 16.27; 19.28 e 24.29-31. — 0 episódio tem caráter de realeza, de majestade. 0 vs. 31 fala em "assentar no trono da glória". A figura usada na descrição é a de uma corte real reunida. Faz lembrar, hoje, um "Tribunal do J u r i " , com toda a pompa e ritualidade que o cerca. Lembra o momento de entrada do juiz no recinto. 2.) 0 próprio Redentor e Salvador será o juiz, o que chama a atenção. Para quem crê Cristo é Salvador; para quem, não crê ele é pedra de tropeço. Quem não crê no Filho já está julgado. 3.) Ninguém, escapa ao julgamento. (vs. 32: todas as nações serão reunidas em sua presença). Não há como fugir. 4.) A separação entre bons e maus; entre salvos e perdidos; entre fiéis e infiéis. Também não é assunto novo. A parábola do Joio, em Mt 13.24ss, bem como a da Rede de Pesca, em Mt 13.47-50 já tratam dele. — Nenhum ser humano pode fazer a separação. Temos que conviver com os fingidos. Mas o dia virá em que Jesus irá fazer a separação, e esta será eterna. 5.) Direita c esquerda. Linguagem figurada para descrever céu e inferno; salvação e perdição. — Na verdade não é naquele momento que se decide. Apenas é a declaração pública daquilo que já está definido pela presença ou ausência da fé. Ter ou não ter fé, eis a questão! (Jo 3.18). 6.) Cabritos e ovelhas. Linguagem figurada para referir os que se salvam e os que se perdem. A ovelha, em comparação com o cabrito, era considerada animal nobre. 7.) O prêmio: a posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. É a bem-aventurança eterna. O paraíso. A felicidade e o gozo pelos séculos dos séculos. 8.) O critério: a fé. Quem tem fé vai para o céu; quem não tem vai para o inferno. — A demonstração dessa fé está nas obras, no atendimento aos necessitados. A verdadeira fé é aquela que produz resultados. Que cada qual se examine. 118 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

os problemas. frisando a coletividade do amor). que as aparências desaparecerão. Conclusão: Não esqueçamos do nosso próximo! Irmo Arnaldo Huebner Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A 24 de novembro de 1991 Mateus 25. Fé ativa no amor). (Esta é a dimensão social. É o que vemos nesta parábola das dez virgens. 5 — Só pode amar o próximo quem experimenta o amor de Deus em Cristo. Como estou eu?) 3 — O critério para a vida ou morte. Este amor nos é oferecido abundantemente (citar formas. (Espaço para descrever o mal.4° — Esboço: Tema — A dimensão social da fé: uma questão de vida ou morte! 1 — Há muita hipocrisia e fingimento na igreja. no julgamento. (Espaço para auto-exame. dando-nos posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. em. a vigiar e a ser sincero na sua religião.1-13 a) Contexto: O capitulo 25 do evangelho de Mateus pode ser dividido em três partes importantes: Na primeira Jesus se refere à sua segunda vinda como acontecimento que tende a levar o homem a velar. 4 — Q u a l é o critério para a verificação da fé? Jesus parece muito claro ao dizer que é o amor ao próximo. o pecado. 35-36. Na IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 119 . ama o próximo (como decorrência da fé) não pode deixá-lo passar necessidades. Na segunda alude ao mesmo fato a fim de exortar à atividade e à fidelidade por meio da parábola dos talentos. na sua fé em Cristo. é um só: fé em Cristo. vs. cf. 2 — V a i haver um. 6 — Deus nos quer brindar com seu amor já neste inundo (nas multiformes bênçãos) e na eternidade. momento de julgamento. pois quem. A falta de preocupação social é uma prova de fingimento.

relatando como será o dia do Juízo Final. É um quadro muito singelo. as amigas da noiva iam ao encontro do noivo dela.. onde é descrita a felicidade que haverá no novo céu e na nova terra — a vida com. "Aguardo o Senhor. Isaías 65. O tempo de comprar já passara. Enfim. a pensar no fim do mundo.4. sempre pensando em fazer a vontade de Deus.17-25 fala nos novos céus e na nova terra que o Senhor cria. não será 120 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . eu espero na sua palavra". Só Deus o pode. II Pe 3. é todo aquele que rejeita a graça e o amor de Deus revelados em Cristo Jesus. como ladrão. 1: Segundo o costume da época. Vers. elas mesmas precisavam dele. que. Não conseguiriam) acompanhar o noivo. os quais duvidam do retorno de Cristo para o juízo. e cinco prudentes". o dia do Senhor". preocupado com os pecados. Naquela hora da noite era difícil conseguir azeite. para o recepcionarem e o acompanharem até ela. 2-4: " C i n co dentre elas eram néscias. E r a tarde demais. mas de uma elucidação extraordinária para a vivência cristã e para a compreensão da necessidade de vigilância espiritual durante a nossa vida. no dia do juizo. Prudente é todo aquele que cuida onde e como anda. Vers. nele crê e a ele serve conscientemente. Deus.terceira parte Jesus termina. " V i r á . o que vem confirmado em Ap 21. Deus. porém. Um vexame! Tudo perdido! Espera baldada! Vers. Néscio para Deus é todo aquele que vive imprudentemente e que não ajunta para si tesouro no céu. Ninguém pode dar a fé a outrem. entretanto. Por isso o tema é de exortação — V I G I A I ! c) O texto: Vers. é o incrédulo. 8-9: As prudentes não puderam fornecer o azeite necessário às néscias. é aquele que não adquire a sabedoria de Deus e que constrói sobre areia. Iam munidas de lâmpadas. b) As outras leituras: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. Enfim. Quando e como pessoas são néscias ou prudentes para e perante Deus? Néscio para Deus é todo aquele que não aceita as coisas do Espírito de Deus. 0 f i m do Ano da Igreja leva-nos. Deus. — ele sabe — têm perdão em.3. 5-7: O noivo demorou a vir e as virgens adormeceram na sua espera. é todo aquele que aceita a Jesus como seu Salvador. Quando Cristo vier. porém. Prudente perante Deus é todo aquele que se ocupa principal e primordialmente com o reino de Deus.8-10 lembra que há escarneccdores no mundo. a minha alma o aguarda.1-7. automaticamente. de como fazer a vontade de seu Senhor Jesus Cristo. de como servir a Deus. De repente o grito: "Eis o noivo! Saí ao seu encontro!" Todas levantaram e todas prepararam suas lâmpadas. é longânimo e não quer a condenação de ninguém. Só que as cinco néscias se deram conta de que o azeite estava se esgotando.

Hb 3. 10-12: Enquanto as néscias se afastaram do noivo. ir à igreja. F i c a m fora do céu todos os que não tiverem fé em Jesus e que. senhor. Sejamos prudentes.12-15. 0 tempo é agora. 13: " V i g i a i ! " Esta é a exortação de Jesus nesta parábola.mais possivel ler a Bíblia. portanto. não estão preparados para receber o Senhor Jesus Cristo no dia derradeiro com a alegria da salvação. participar dum estudo bíblico para chegar à fé nele. na tentativa de conseguir azeite e luz. É certo que Ele vem. a porta estava fechada e de nada adiantou implorar: "Senhor. Curt Albrecht IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 121 . abre-nos a poria!" O noivo não as conhecia e elas ficaram de fora. Vers. Pior de tudo: a porta foi fechada! Quando. V I G I A I ! c) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque é certo que Cristo vem e II — Porque fica fora do novo céu e da nova terra quem não está preparado. Então. prevenidos. Vers. as prudentes. mais tarde. Hoje é o dia de salvação. as preparadas entraram com o noivo para as bodas. as néscias chegaram. mas não se sabe o dia nem a hora.

LIVROS D O G M Á T I C A CRISTÃ. 1990. "embora todos nós nos situemos dentro da tradição luterana. Geraldo Korndõrfer. São Leopoldo: Editora Sinodal. Por essa razão. dizendo em seu prefácio que "o fato do pluralismo teológico é ineludível". escrevem com urna orientação ecumênica e sem atitude sectária. Forde. Sponheim. Bultmann e T i l l i c h " por uma "exigência de contextualidade". Luís H. Hans Schwarz. e as conseqüentes incoerências do livro. que "os participantes deste projeto de dogmática estão livres dele". Já avisa que essa "contextualidade consciente da teologia não deve ser pervertida a ponto de se postular um isolacionismo tão arbitrário. Sander. Acha que a Dogmática Cristã fazia falta no cenário do "extraordinariamente importante projeto coletivo de construção teológica latino-americana" e das "significativas contribuições dogmáticas nas obras de teólogos individuais. e Gerhard O. ou ocasionalmente esse desacordo chega ao ponto da contradição". Ele reconhece que há ainda correntes teológicas "tentando restaurar velhas moda122 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Braaten e Robert W. Com isso já está caracterizada suficientemente a obra. se é bênção ou maldição quando "em alguns pontos os autores simplesmente discordam. No prefácio de Walter Altmann "os autores se confessam devedores dos grandes teólogos protestantes da metade deste século. Nos seus prolegômenos à dogmática Braaten ainda assinala que "a teologia confessional trabalhou para repristinar a dogmática pré-iluminista da Igreja" (p. como Leonardo Boff e Juan Luis Segundo". I e II Na contracapa se anuncia que os autores. auto-suficiente e ilusório quanto a pretensa universalidade de teologias formuladas em outros continentes". Não sabem. editores. "em virtude de sua identificação cora a tradição luterana. . Acham que a centralidade confessional do "artigo da justificação somente pela fé" é um "erro reducionista" que impediu "uma recepção plena da tradição dogmática católica" e "produziu uma forma particularmente desumana de sectarismo luterano". Braaten e Robert W. 60). No entanto Gari E. Paul R. Philip J. são consideráveis". Jenson ainda sublinham esta característica. Traduzido por Gerrit Delfstra. Dreher.. Vols. Hefner. Por Carl E. Jenson. como Barth. visando servir à Igreja toda". as diferenças entre nós (autores da dogmática). Eles confiam. Luís M.

A pessoa de Jesus Cristo. A introdução. escrita por Nestor Beck. 83). do estudante de teologia e da congregação cristã luterana. Desta forma surgiu esta tentativa de fazer mais alguma coisa. mas com " u m meio da graça" (p. Na sua análise da Escritura Sagrada. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal. 41). O pecado e o mal. A obra de Cristo. embora se precise perguntar se o entende como um eleito calvinista ou um pecador salvo pela fé no evangelho de Jesus Cristo. 91). Numa enciclopédia de opiniões teológicas divergentes.1583). Já havia escritos de Lutero publicados em português. Schlupp. 1984. O conhecimento de Deus. Warth P E L O E V A N G E L H O DE CRISTO. como o Catecismo Menor. é de se admirar que Braaten sustente afirmações bíblicas e confessionais como "a justificação através da fé somente". volume que não pode faltar na biblioteca do pastor. 76). Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma . Para ele "este artigo constitui a base existencial da vida da Igreja no mundo" (p. dá um excelente apanhado hisIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 123 . abrangendo os assuntos clássicos da teologia: Prolegômenos. Da Autoridade Secular. Por Martinho Lutero .lidades de ortodoxia" (p. Os meios da graça. A Igreja. Em todo o caso Braaten opta pelas "grandes escolas teológicas" e não por um confessionalismo bíblico. ainda que não desfrute de muito prestigio nas grandes escolas teológicas" (p. 0 Deus Triuno.. Esta é a primeira tentativa de apresentar uma coletânea de escritos de Lutero ao público no Brasil. em que "uma afirmação teológica é uma projeção da imaginação" (p. Seleção e publicação pela Comissão Interluterana de Literatura ( C I L ) . bem como nos lares dos cristãos. Mas faltavam muitos outros escritos importantes. até que pudessem ser publicadas as Obras Selecionadas em grande estilo. 0 Espírito Santo. A obra está dividida em 12 loci. Braaten verifica que "o biblicismo fundamentalista não diminuiu de vigor.11. que não identifica com Palavra de Deus. 0 ocasião foi o 5º centenário do nascimento de Lutero (nasceu em 10. A criação. 62). como o livro pretende ser pelo acima exposto. e Do Cativeiro Babilônico da Igreja. Tradução de Walter O. Da Liberdade Cristã. Martim C. Pelo Evangelho de Cristo é um. V i d a Cristã. Escatologia.

Prefácio do Hinário de Wittenberg. Sermão no Domingo de Páscoa em Coburgo. Prefácio à Epístola de São Paulo aos Romanos. Martim C. Um Novo Prefácio de Martinho Lutero. Sermão no Domingo de Invocavit.tórico da vida e da obra de Lutero. Obras de Lutero dispensam de apresentação. Manual de Casamento para os Pastores em Geral. Seleção pela Comissão Obras de Lutero: Joachim Fischer. Sander. Os Hinos. Monge ou Freira. para o Mestre Pedro Barbeiro. Exortação ao Sacramento do Corpo e Sangue do Nosso Senhor. Debate e Defesa do F r e i Martinho Lutero contra as Acusações do Doutor Eck. É o grande teólogo do século X V I que desafiou a Igreja a fazer a Reforma tão necessária. Warth. Por Martinho Lutero. Confissão (Adendo a Sobre a Santa Ceia de Cristo). Carta de Lutero a Ludovico Senfl. 1987/ 1989. Carta de Lutero a Espalatino. Resposta a Diversas Perguntas Referentes aos Votos Monásticos. Debate para o Esclarecimento do V a lor das Indulgências (95 Teses). Vols. Dreher. Sua Confissão é um modelo de confissão de fé. Como se Deve Orar. Missa e Ordem do Culto Alemão. Luis M. Martim C. Lutero contribui com os seguintes tratados: Prefácio ao Primeiro Volume da Edição Completa dos Escritos Latinos. Nomear. 124 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Martin N. L . O Discurso de Lutero na Assembléia de Worms. Publicação da Comissão Interluterana de Literatura (CIL). São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia. Carta a seu Filho Hans. I e II. e Demitir Professores. Carta aos Cristãos de Estrasburgo contra o Espírito Entusiástico. para todos Aqueles que estão Deixando sua Condição de Padre. acerca do Melhoramento do Estado Cristão. Um Sermão sobre Sofrimento e Cruz. Nestor J . O Manual do Batismo Revisado. esperança e certeza de um teólogo cristão. Prefácio ao Novo Testamento. Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. A maioria dos tratados são clássicos de Lutero e refletem muito bem a sua teologia. à Nobreza Cristã de Nação Alemã. a Título de Apoio. Beck. com uma volta à Escritura Sagrada. Warth OBRAS S E L E C I O N A D A S . Donaldo Schüler. Fundamento e Motivação da Escritura para o Direito e a Autoridade de uma Assembléia ou Comunidade Cristã Julgar sobre Toda Doutrina. Chamar.

À Nobreza Cristã da Nação Alemã. Feita por Alguns Mestres Nossos de Lovaina e Colônia. Ilson Kayser. traz os Escritos de 1517 a 1519. João Eck. A respeito do Papado em. Debate e Defesa do Fr. Dreher. sobre o Encontro com o Sr. Explicações do Debate sobre o Valor das Indulgências. Agostiniano. e no final três Sermões sobre os Sacramentos. Comentários de Lutero sobre suas Teses Debatidas em Leipzig. Schlupp. Legado Apostólico em Augsburgo. Sumo Pontífice. traz os Escritos de 1520 numa tradução de Martin N. Luís M. Um Sermão sobre o Venerabüíssimo Sacramento do Santo e Verdadeiro Corpo de Cristo e sobre as Irmandades. Modo de Confessar-se. às paróquias e pessoas que queiram conhecer Lutero. Todo pastor e estudante de teologia vai se beneficiar com estas leituras em Lutero. Roma contra o Celebérrimo Romanista de Leipzig. Um. Carta de Lutero a Leão X. O V o l .O vol. Em excelente tradução de Walter 0. mas a tradução está em linguagem acessível ao grande público. Breve Forma do Pai-Nosso. Um Sermão sobre a Contemplação do Santo Sofrimento de Cristo. Um Sermão sobre a Excomunhão. Sander e Walter O. Martinho Lutero ao Concilio. Lutero trata dos seguintes temas: Catorze Consolações. O Debate de Heidelberg. Um Sermão sobre o Santo. Um Sermão sobre a Preparação para a Morte. Uma Breve Instrução sobre Como Devemos Confessar-nos. Martinho L. Tratado de Martinho Lutero sobre a Liberdade Cristã. Sander e Annemarie H ö h n temos os seguintes tratados: Debate sobre a Teologia Escolástica. Por que os Livros do Papa e de Seus Discípulos Foram Queimados pelo Doutor Martinho Lutero. O programa de publicações das Obras Selecionadas prevê um total de dez volumes. Um Sermão a respeito do Novo Testamento. Breve Forma do Credo. acerca da Melhoria do Estamento Cristão. Sermão sobre o Poder da Excomunhão. Do Cativeiro Babilônico da Igreja. Comentário de Lutero sobre a 13ª Tese a respeito do Poder do Papa (Enriquecido pelo Autor). Relato do Fr. Martinho Lutero. Os volumes 3 e 4 já estão traduzidos e devem aparecer na imprensa em pouco tempo. I: Os Primórdios. Hasse. Sermão sobre o Sacramento da Penitência. Das Boas Obras. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 125 . Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências (95 Teses). Apelação do F r . Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. Breve Forma dos Dez Mandamentos. II: O Programa da Reforma. Luís M. Martinho Lutero contra as Acusações do Dr. Isto É. Ilson Kayser. Schlupp. Condenção Doutrinai dos Livros de Martinho Lutero. a respeito da Santa Missa. Venerabilíssimo Sacramento do Batismo. às universidades. Cláudio Molz.

pais da igreja citados por Lutero. Desta forma os volumes se constituem em valiosa enciclopédia e manual de informações sobre o período da Reforma luterana e os. Martim C.Todos os tratados de Lutero vêm com uma introdução escrita por membros da Comissão Obras de Lutero e muitas notas de pé-de-página que ajudam o leitor a conhecer melhor a história e as circunstâncias que motivaram os escritos de Lutero. Warth 126 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .

Canoas. RS 19 9 1 . impressão e acabamento na Tipografia e Editora La Salle .LA SALLE Composição.

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