EDITORIAIS

Nota do Editor:
Com esta edição a revista Igreja Luterana atinge seu 50" volume. São 50 anos de muitas e expressivas bênçãos. É um marco significativo a que se pode galgar apenas orvalhado pela graça divina. Poucas são as revistas neste país que chegam, a este pedestal etário, razão pela qual Igreja Luterana ocupa lugar de destaque na história religiosa e no cenário teológico em que vivemos. Porta-voz de um luteranismo sólido e coerente, Igreja Luterana tem-se mantida altaneira em sua posição confessional num contexto marcado por não pouca confusão no pensamento teológico. Cada número desta revista espelha o testemunho de uma total consagração às Sagradas Escrituras e às Confissões Luteranas. Com o passar dos anos Igreja Luterana muda seus editores, renova seu conselho editorial, unifica sua língua sem entretanto comprometer seu fundamento teológico. Um aniversário por natureza começa com reflexão e nisto há sempre um mérito porque previsão sem retrospecção é um empreendimento arriscado e raramente prudente. É nesta convicção que celebramos o passado homenageando figuras proeminentes na história do Seminário Concórdia com um culto especial cujo sermão proferido pelo Prof. Curt Albrecht transcrevemos. A saudosa lembrança de homens santos é estímulo à continuidade na obra do Santo Ministério numa realidade em que o pastor é cada vez mais desafiado a posicionar-se no campo da ética. Em seu estudo sobre "Código de Ética do Pastor" o Dr. Martim C. W a r t h apresenta os resultados submetidos a conciliares em que a ética do ministro de Deus é abordada no prisma da liberdade, valores, propriedade, honra, responsabilidades e autoridade no ambiente social e especialmente na relação com sua congregação e co-pastores. A questão da autoridade é outro assunto que o mesmo autor apresenta sob o tema "A Responsabilidade dos Pais na Educação dos Filhos". Embora aparentemente restrita, esta responsabilidade é tratada de forma abrangente envolvendo diversos segmentos vivenciais do ser humano sob a ótica da Sagrada Escritura e Confissões. A série de artigos encerra-se com. "Prolegômenos à Escatologia do Antigo Testamento" (Prof. Acir Raymann) onde se busca mostrar que a polaridade do binômio "já — ainda não"
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incentiva o Israel de Deus a (re)vivenciar Seus atos salvíficos no mundo enquanto aguarda o plêroma destes atos na dimensão celeste. Com esta edição, em "Auxílios Homiléticos" concluímos o estudo dos Evangelhos da Série Histórica Revisada. A partir do próximo número voltamos ao estudo das perícopes da Série Trienal. Uma abençoada leitura e muito obrigado por celebrar conosco as bênçãos cinqüentenárias do S E N H O R . — AR

FÓRUM A CRISTOLOGIA DA PÁSCOA, SEGUNDO I CO 15.20-28
A leitura de I Co 15.20-28 deu ensejo a uma reflexão sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo. Quando Paulo diz que "Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem" (v. 20) ele afirma que Cristo morreu e ressuscitou. Ora, "o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23). Só se morre por causa do pecado. Mas Cristo é "o Santo de Deus" (Mc 1.24; Jo 6.69; At 3.14; 4.30), pois Maria deu à luz o "ente santo" (Lc 1.35). Por essa razão se afirma a "perfeita impecaminosidade" (anamartesia) de Jesus Cristo, segundo a natureza humana (Dogmática Cristã, J . T . Mueller, Vol. I, p. 268). Claro, segundo a natureza divina ele é o próprio Santo Deus. Ele era verdadeiramente homem, mesmo sem pecado, pois o pecado não faz parte da essência do homem. A Fórmula de Concórdia chama o pecado de "accidens" (FC, Ep I, 23; SD I, 57). Uma das conseqüências desta impecaminosidade é a imortalidade (athanasia) de Jesus Cristo, também segundo a natureza humana. Assim Jesus Cristo não está sujeito à morte, nem segundo a natureza divina, nem segundo a natureza humana. Como então morreu e ressuscitou dentre os mortos? E v i dentemente não morreu a sua morte, mas a minha. Sua morte foi vicária em lugar de todos os homens. Assim também a ressurreição não foi a sua ressurreição, mas a minha. Sua ressurreição também foi vicária em lugar de todos os homens. Por essa razão Paulo diz que sua ressurreição é "primícias dos que dormem", é vicária em lugar dos que dormem. Quanto consolo: cm Cristo vicariamente já ressuscitei e vou ressuscitar efetivamente para a vida eterna no último dia.
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Como aconteceu então a morte e a ressurreição de Jesus Cristo? Evidentemente não morreu segundo a natureza divina, mas segundo a natureza humana no estado da humilhação. Mas, como 0 Concilio de Calcedônia (451) nos ensina, as duas naturezas estão unidas na única pessoa de Cristo de forma inconFusa, imutável, indivisível e inseparável para sempre. Desta forma nem a morte vicária separou as duas naturezas. Assim a natureza divina participou efetivamente da morte vicária de Cristo e lhe conferiu valor eterno. Mas a natureza divina não saiu machucada ou diminuída. Na comunicação de atributos há apenas um gênero majestático, em, que a natureza divina comunica ou cede à natureza humana qualidades divinas. Não há um gênero tapeinótico, em que a natureza humana passaria qualidades humanas à natureza divina, fazendo-a diminuir ou ser humilhada. A humilhação não consistia na humanação, mas no fato de que Cristo não usou sempre e inteiramente as qualidades divinas comunicadas à natureza humana. A natureza humana tinha sempre a posse dessas qualidades divinas, mas na humilhação não fez sempre uso delas, como depois acontece na exaltação. A "forma de Deus" e a "forma humana" de Fp 2.6,7 dizem respeito à natureza humana: ela tinha a posse da "forma de Deus", mas usou a "forma humana" na humilhação para poder assumir a morte vicária por todos os homens. E o que aconteceu na morte e na ressurreição de Jesus Cristo? Na morte não houve a separação das duas naturezas, mas a separação de corpo e alma, que ambos ficaram continuamente unidos à natureza divina. Assim o próprio Cristo deu a sua vida (não a tiraram dele) e a retomou, ressuscitando-se a si mesmo (junto com o P a i e o Espírito Santo) em lugar de todos os homens, unindo novamente corpo e alma. Agora o corpo era glorioso, pois já não estava " n a carne", mas "no espírito" (I Pe 3.18), isto é, já não havia humilhação, mas iniciou a exaltação. Assim "no espírito" desceu ao inferno, antes de aparecer ressuscitado, para mostrar-se vivo e vitorioso sobre a morte e Satanás. Paulo, no entanto, ensina que ainda há muito a vencer na exaltação. Cristo quer vencer todos os inimigos: as forças do mal dentro e fora de nós que conduzem à morte. O diabo já está vencido. O homem já está remido. Falta, porém, vencer a morte. Este é o último inimigo. Até lá Cristo vence continuamente a morte em nós pelo Evangelho do perdão. E quando chegar o último dia e Cristo tiver vencido a morte pela ressurreição geral dos mortos, então a tarefa da humanação estará cumprida. Segundo a natureza humana Jesus Cristo "também se sujeitará àquele que todas as cousas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos" (v. 28). Segundo a natureza humana
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1. o Messias da linhagem de Davi. é hoje sinônimo de atividade. Parece que faz parte da vida. Eterna insatisfação. observou isso na criançada que brincava na praça de Nazaré. embora o termo originalmente significasse "ócio". Contou-lhes a parábola das crianças na praça. Que consolo nos dá esta Cristologia da Páscoa! — M . Na presença de Deus na eternidade os salvos confraternizarão com o Rei Jesus. "descanso". em sua atitude diante da visitação definitiva de Deus.27). homem. pois garante o perdão e a vida para sempre.18). que está plenamente satisfeito? Será que ninguém tem nada a reclamar.Jesus Cristo recebeu de Deus Pai a sujeição de todas as coisas (Mt 28. Mas não se entendiam. Jesus lembrou aquela brincadeira das crianças aos adultos que. Pela fé esta presença é graciosa e consoladora. mas também o juiz (1 Tm 2. II Tm 4. o ambiente em que vives? Duvido muito. Escola é quase que por definição um viveiro de insatisfeitos. C . segundo a natureza humana. pois nada foi recebido. Segundo a natureza divina não há nada a devolver. despóticas e insuportáveis. não estaríamos aqui. neste momento. E uma escola. Até lá os cristãos recebem a presença real do corpo e do sangue de Jesus Cristo na Santa Ceia. Pela Santa Ceia se torna presente na vida dos cristãos para preparar e garantir a ressurreição final. O juízo final encerra a tarefa de Jesus Cristo. Brincavam de festa de casamento e de enterro. teu relacionamento com os outros. E r a um nazireu.22. Pela ressurreição está vivo e garante a nossa vida eterna.5. Então Jesus. o corpo e o sangue dado e derramado vicariamente pelos homens para selar a aliança eterna de Deus com o Seu povo. ETERNA (IN)SATISFAÇÃO Quem poderia dizer. Mais tarde. Tinha um grupo de crianças chatas. Jesus Cristo. nada a criticar? Pergunto: Estás satisfeito contigo mesmo. Afinal. Como homem não é somente o Mediador. E r a m uns chatos insatisfeitos. Queriam sempre impor a sua vontade. no fogo da controvérsia com os líderes de Israel. devolve a Deus a autoridade que lhe foi confiada por ser "o Filho do homem" (Jo 5. Se cada um de nós estivesse plenamente satisfeito. W . João veio da parte de Deus e não comia nem bebia. Isto significa que ele vivia do mínimo necessário. que é seu irmão amigo e seu Deus para sempre. Estavam com a flauta na mão e queriam que todos dançassem conforme a música que eles tocavam. mostravam um comportamento idêntico. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 5 .27). estamos numa escola. Jo 5.

que comia e bebia. ao perguntar: "Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento. de amigo de pecadores. Todos devem dançar conforme a nossa música. Em Mateus 12. foi tachado de louco. em pano de saco e cinza. "Aquele aluno é um desastre. amigo de publicanos e pecadores. Mas onde haveria consolo num texto como o nosso. beberrão. por assim dizer. também a nós se aplica o ai de vós. que tinham a flauta na mão." " A s devoções são uma eterna mesmice. que tinham a flauta na mão. cada um desses jantares com pecadores era uma parábola viva. o Agente escatológico do Pai. em sinal de tristeza e luto. em termos de "esta geração". tanto na casa de fariseus como de publicanos. "tem demônio". emitindo pareceres o tempo todo? Temos a flauta na mão e queremos que todos dancem conforme a nossa música. pois quem estava reunido à mesa era o Salvador com pecadores arrependidos e perdoados. o que." " A s mensagens são muito adocicadas." "A lei que aparece nos sermões é muito amarga. Isto significa que ele ia a jantares. E r a uma imagem ambulante a pregar a necessidade de profunda conversão face ao juízo que estava por despencar sobre a cabeça do povo. Sabemos criticar. pronunciado por Jesus. em meio a esse quadro de juizo. nos entristece. queriam fazer João Batista dançar. Falta l e i " . Ou. Demais evangelho. Veio Jesus Cristo. prefiro o evangelho. Jesus avalia a situação e se refere àqueles seus contemporâneos insatisfeitos. Betsaida!" (Mateus 11. Mas os líderes judaicos.15a) Para Jesus. não percamos de vista o grande consolo da palavra de Deus.21) Tu e eu podemos até concluir: Que geração aquela! Eternamente insatisfeitos! Mas será que somos diferentes? Não é assim que também nós estamos instalados em nossa cadeira de juiz. despóticos. Jesus sabia o que é se alegrar e até incentiva a alegria dos seus. uma alegre antecipação tipológica do banquete celestial (mais ou menos como temos hoje na Santa Ceia). Jesus se dirige a ela com seu pungente " A i de ti. em tom zombeteiro." "O pastor é um desligadão. rebeldes. Por isso. Estava de luto. por certo. No entanto." "Professor fulado de tal não está com nada. Chamam-no. o Filho do homem. Mas os líderes judaicos. Esta é uma expressão que vem carregada de juízo e ira de Deus. no dizer deles. foi chamado de glutão. E porque João não dançou conforme a música deles. 6 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Também nós fazemos parte desta geração. Queremos dominar." "Aquele pregador não leva jeito. João estava. por isso não vou mais.39 Jesus se refere a ela como sendo "geração má e adúltera". Corazim! ai de ti. E porque Jesus não dançou conforme a música deles. queriam fazer Jesus bater no peito.um asceta. enquanto o noivo está com eles?" (Mateus 9. repleto de acusações? Pois o evangelho está exatamente numa das farpas jogadas contra Jesus.

Amém. Jesus. . Amigo daqueles que precisam dele e o recebem. o amigo de pecadores. te tirar a flauta desafinada ou te derrubar da cadeira do falso juiz que a todos julga e por ninguém quer ser julgado. amigo do pecador.Amigo de publicanos. lembra-te: Jesus. colocando de lado a sua flauta desafinada e ouvindo a música que ele toca no trombone da lei e na flauta doce do evangelho. de pecadores. Sempre que Deus. Nenhum título é tão precioso quanto este. Meus amigo.16-19. por sua lei.. — VS Devoção proferida no Seminário Concórdia no dia 27 de junho de 1990. Teu amigo. sobre Mateus 11. ao caíres. Aí terás eterna satisfação. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 7 .

40-43). quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro. Hoje — penso — a situação é quase a mesma. então sabereis que eu sou. vós sois deste mundo. e outros: Jeremias. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS Curt Albrecht Em Cristo Jesus. o Filho do Deus vivo. deveriam reconhecer 8 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . ou algum dos profetas. Poucos são os fiéis discípulos que realmente sabem quem é Jesus. pois I — C O N H E C E R E I S A V E R D A D E e II — A V E R D A D E VOS L I B E R T A R Á .ARTIGOS SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. outros: Elias. mas falo como o P a i me ensinou" (8. eu sou lá de cima. À época da Reforma a situação não era muito diferente.28). o Filho do Deus vivo". os escribas e os principais sacerdotes. "Quando levantardes o Filho do homem. aos que crêem nele.23). É a seus discípulos. que crêem nele e que o servem. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista. Mas vós. I CONHECEREIS A VERDADE Havia uma grande confusão entre os judeus a respeito de Jesus (Jo 7. e que nada faço por mim mesmo. Em ambas as épocas o evangelho de Cristo estava escondido entre inúmeros preceitos humanos. Jesus ia identificando-se nos seus discursos: " E u sou a luz do mundo" (8. confusão que provocou dissensão entre eles. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS. Mas há aqueles que conhecem e que confessam a "Cristo. eu deste mundo não sou" (8.13-16. prezados ouvintes! Certa vez "Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de F i l i pe. "Vós sois cá de baixo.12). disse Tu és o Cristo. Os fariseus. justamente aqueles que." Mt 16. por primeiro e melhor. que Jesus diz: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. continuou ele. Poucos eram os fiéis que conheciam bem a Cristo Jesus. Entre os que confessam isso estamos nós.

3. e todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Is 64. e diz: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado". por serem descendentes de Abraão segundo a carne. "Todos pecaram c carecem da glória de Deus" (Rm. Por isso o escravo depende do filho. que é o Senhor da casa. automaticamente. escravos do pecado. lhes mostra. verdadeiramente sereis livres"! E ele nos libertou. Jesus. É o que Jesus está dizendo.23). Isto foi dito aos que creram nele. falharam e não só não o reconheceram como tal. Também nós somos. que não é bem assim. "pois todos nós somos como o imundo. o Filho vos libertar. escravo do pecado. "Porquanto Deus enviou seu Filho ao mundo. E a multidão ficava confusa. Em nossa perícope.20). no entanto. e filho não é escravo na casa." Achavam que. Já o filho é da casa.em Jesus o verdadeiro Filho de Deus. é senhor. mas quem lhe retrucou foram os judeus incrédulos. Pensavam assim de si na qualidade de "semente de Abraão". 0 escravo é passageiro. lhes diz três coisas importantes: 1) Permanecer na palavra dele é característica do verdadeiro discípulo dele. "Somos semente de Abraão. O pecador peca não porque é senhor do erro. 3) Conhecer a verdade da palavra dele e permanecer nela é sinônimo de ser e estar libertado da escravidão ao pecado. 2) Permanecer na palavra dele é conhecer a verdade. senhores de sua própria vida. é herdeiro.5). ele não fica para sempre na casa. ([liando morreu com e pelos nossos pecados e quando ressuscitou dentre os mortos. Consideravam-se livres de tudo e de todos. mas porque é escravo do erro. ele não é da casa. Ele lhes diz algo muito importante. mas para que o mundo fosse IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 9 . Muitos. Jesus está falando àqueles judeus que creram nele. pois. e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51. por natureza. O escravo do pecado só pode ser libertado pelo Filho de Deus. mas ainda o perseguiam e contradiziam. porque "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem. escravo não é filho. ele é dependente. porém.6). e que não peque" (Ec 7. Praticar erros é ser escravo do erro. que é autoridade máxima no mundo. Ou teriam aqueles judeus querido dizer que eles não eram pecadores? É ilusão o homem natural pensar que é livre. eram. está à mercê do senhor. Além disso. Sem Cristo Jesus todos estão perdidos e condenados. filhos de Deus salvos e livres: "Jamais fomos escravos de alguém" —disseram para Jesus. creram nele. É por causa disso que Jesus disse: "Se. porque não é senhor. não para que julgasse o mundo. "ft como confessa o salmista Davi: " E u nasci na iniqüidade. que é senhor de si.

São válidas para nós as palavras de Jesus em nosso texto: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A . os quais vos pregaram a palavra de Deus. Esta palavra da reconciliação é a mesma. e conhecereis a verdade". e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4. que diz: "Lembrai-vos dos vossos guias. 0 perdão dos pecados e a conseqüente justificação só são possíveis e são válidos eternamente. que é a palavra de Cristo. "pois se o Filho vos libertar. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISCÍPULOS. para imitar-lhes a fé que tiveram e também para inspirar-nos no seu zelo. considerando atentamente o fim de sua vida. nossos contemporâneos. agora. não imputando aos homens as suas transgressões. precisamos levar outros. está reconciliado conosco! Conhecer esta verdade e crer nela liberta do pecado. levaram outros ao conhecimento da verdade. verdadeiramente sereis livres"! Por isso. porque o próprio "Deus estava em Cristo. ao conhecimento da verdade. ao lembrá-los. na sua dedicação c persistência em proclamar a verdade. É tarefa nossa fazer isso para os nossos contemporâneos.7). e nos confiou a palavra da reconciliação" (II Co 5. quando diz: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A . Lembramos hoje cinco pregadores desta verdade. e conhecereis a verdade e 10 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . no seu espírito missionário. do diabo c da morte eterna.salvo por ele" (Jo 3. assim nós. permaneceram discípulos e apóstolos fiéis de Cristo até o fim. imitai a fé que tiveram" (Hb 13. E. Lembramo-los. em Cristo. formados pelo nosso Seminário Concórdia. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISC Í P U L O S . Oh! como é de vital importância conhecer a verdade de que Deus. essa palavra. Estes cinco pastores. à qual Jesus se refere em nosso texto. porque conheciam a verdade e creram na palavra de Cristo. E assim como eles.25). e. no nosso tempo. anunciando-lhes perdão dos pecados e vida eterna em Cristo. na sua consciência. falada ao coração para aqueles que são escravos do pecado.19). queremos fazê-lo em obediência à recomendação bíblica. que traz Cristo como Filho de Deus e Salvador para as pessoas. Jesus " f o i entregue por causa das nossas transgressões. precisa ser pregada. reconciliando consigo o mundo. proclamada. em sua vida e no seu tempo.17). pelo seu centenário de nascimento.

que. escreveu. único Salvador de cada pessoa. Sustentou debates teológicos. F o i excomungado da Igreja Romana e proscrito pelo governo imperial. Por isso. que desencadearam a Reforma luterana e a conseqüente mudança radical na Igreja e no mundo do Ocidente. pregou. evangelizadores. não sendo discípulos fiéis de Cristo. Eisenach e Erfurt. aplicou-se ao estudo da Palavra de Deus. A Reforma luterana proclamou a palavra da verdade que liberta. Lutero enfrentou árduas lutas pela defesa e propagação do Evangelho. Esta pessoa era Martinho Lutero. visitou Roma. "Semente de Abraão" e "luterano por tradição" não liberta ninguém do pecado e da condenação eterna. Aos que invocaIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 11 . Nascido a 10/11/1483 e tendo sido batizado no dia seguinte. foi feito doutor em Teologia e tornou-se professor c pregador na Universidade de Wittenberg. lecionou. estudou em Mansfeld. em plena juventude. contra o perigo de sermos "luteranos tradicionais" apenas. Mas convém advertir contra o perigo do "somos semente de Abraão" dos judeus incrédulos de nosso texto. compareceu à Dieta de Worms diante do imperador. contra o perigo de nos acomodarmos nessa condição de luteranos nominais. fez uma promessa a Santa A n a de entrar para um mosteiro. É graças à ação de Deus através de Lutero que nós. Aos 42 anos casou-se com Catarina von Bora e foi pai de seis filhos. fazer-se monge. exortou as autoridades da sua nação. A Reforma proclamou que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo. Provocado pela infame venda das indulgências e movido pelo zelo para com a palavra de Deus. conhecemos a palavra de Cristo que liberta do pecado. com o fim de adquirir a sua salvação e paz na alma. Cresceu sem conhecer direito o Salvador Jesus Cristo. mas escravos do pecado que não permanecem para sempre na casa. cresceu em Eisleben. A Reforma de Lutero recolocou a Palavra de Deus. de como libertar-se dos pecados — preocupação rara — convenhamos. mas morreu de morte natural aos 63 anos. desde tenra idade. combateu o erro. Começara uma nova era. Tornou-se padre.II A VERDADE VOS LIBERTARÁ A partir de 1483 havia uma pessoa no mundo. cantou e viveu o Evangelho de Jesus Cristo. viria a ter a grande preocupação de como ser salva. " F o i o homem pelo qual Deus purificou ou reformou a Igreja". em 31/10/1517. afixou Lutero as 95 Teses à porta da igreja. as Sagradas Escrituras como única regra de fé e de vida cristã para a Igreja. hoje.

Doege e Flor podem ser imitados nas virtudes de sua fé por nós pastores. e conhecereis a verdade. de Moisés e de Davi. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E 12 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . que Lutero devolveu ao uso na Igreja. nela crê e nela permanece. / na Bíblia nos deu / consolo do céu" ( H L 269. conhece a verdade e esta verdade o libertará da escravidão ao pecado e da condenação eterna. conhecer a verdade e ser libertado pela verdadeira fé em Cristo. Libertados do pecado pela fé em Cristo e conhecedores da verdade. / que as almas guiou / como seu bom Pastor. que nasceram há um século e que foram pastores apegados à palavra de Cristo e.ram a tradição e a genealogia de Abraão como qualidade de salvação. Hirschmann. sobretudo. Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. podemos confessar. hoje. Quem nele crê torna-se beneficiário da morte e da ressurreição do Senhor. enriquecida por estes cinco obreiros. verdadeiramente sereis livres". Chemnitz. Jesus lhes disse: "Vós sois do diabo. alegrar-nos com a nossa filiação a Deus por meio de seu Filho. Então.20).44a). Jesus Cristo. pois. SOIS V E R D A D E I R A M E N TE M E U S DISCÍPULOS. ser discípulo dele. cinco discípulos fiéis de Cristo. Nós recordamos. Walther e tantos outros que se tornaram mais que vencedores por meio daquele que os e a nós amou. "Ninguém. este é discípulo dele. por conseguinte. E quem permanece nesta fé. os cinco pastores fiéis que foram os que hoje são lembrados. cantando com o poeta sacro: " N i n guém nos amou / como o Cristo Senhor. c a verdade vos libertará". Também nós podemos alegrar-nos por causa do parentesco que temos com. Para ser salvo é preciso permanecer na palavra de Jesus. E. ouvintes. Raschke. ela contém o consolo do céu de que. Em si não era errado os judeus lembrarem-se de Abraão. " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . pois estes foram discípulos fiéis. a Bíblia. aos princípios da Reforma. Sim. lembrados das palavras do próprio Cristo: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . Por isso diz Jesus: "Se. para um Ministério eficiente na I E L B . e quereis satisfazer-lhe aos desejos" (Jo 8. alegrar-nos com a história da I E L B . o Filho vos libertar. quem a conhece.3). traduzindo-a para o povo. Gerhard. será justificado diante dele (de Deus) por obras da l e i " — escreveu São Paulo aos Romanos (3. porque permaneceram firmados nas promessas de Deus. alegrar-nos também por Lutero. que é vosso pai. Hasse. será libertado por Cristo para a vida eterna.

Rodolpho Hasse. Esta verdade — Cristo — nos libertará para sempre. temos a verdade. e a verdade vos libertará".M E U S . Irmãos ouvintes. Amém. enquanto nos é dado viver na Igreja militante. Imitemos a fé na verdade da palavra de Deus que nossos antepassados tiveram e continuemos sendo discípulos fiéis de Cristo. Temos ao Deusconosco todos os dias conosco! Procuremos conhecer mais e mais esta verdade. e conhecereis a verdade. temos sua palavra. graças à misericórdia de Deus. que Cristo é o Filho do Deus vivo. os quais nos pregaram a Palavra de Deus e nos levaram. aniversário do Seminário e centenário de nascimento dos pastores Ewald Hirschmann. saibamos nós confessar e testemunhar com os apóstolos do Senhor Jesus. o único que liberta do pecado e da morte eterna. permanecer nela. assim. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 13 . temos um Salvador. lembrandonos de nossos guias. ao discipulado de Cristo. Wühelm Doege e Benjamin Flor. Proclamar que Jesus é o Salvador. Mas. ser discípulos dela. esperando a libertação final e total no lar celeste. que nós cremos nele e somos seus discípulos. Sermão proferido na capela do Seminário Concórdia no dia 26 de outubro de 1990 em culto especial comemorativo à Reforma. em meio a um mundo confuso. E saibamos que uma maneira de viver bem nosso cristianismo luterano é não esquecer a história da Igreja. DISCÍPULOS. Curt Raschke. para crer nela.

0 ministro deve ser piedoso. reverência.CÓDIGO DE ÉTICA DO PASTOR Martim C. Warth O pastor é chamado para pastorear o rebanho de Deus sob o Bom Pastor. convencer. A. Motivações pessoais: a. de boa vontade. 2. que tenha cuidado de si e domínio de si. O ministro deve ser apegado à Palavra e ter cuidado da sã doutrina (não pode ser neófito).1. Jesus Cristo (1 Pe 5. b. 14 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . modelo. C. c. padrão de boas obras.4). b. Encontram-se em 1 Pe 5. disciplinar. Elas mencionam a capacidade de trabalho. e para suportar aflições. Conduta social: a.7-8.5. deve ter família padrão: uma só mulher. instar com integridade. c. corrigir.16. c. filhos educados. 2 Tm 2. a conduta social e os proibitivos.1-7.7-9. com. Tt 1. Capacidade de trabalho para cumprir o ministério: a. O ministro deve ser irrepreensível. para exortar. Há regras de conduta bem específicas para os obreiros de Deus na Escritura.1-4. de forma espontânea. b. para pregar a Palavra. B. amigo do bem. a motivação pessoal.2.24-25. deve ser hospitaleiro. ser apto para ensinar e instruir.2. linguagem sadia e irrepreensível. como evangelista e despenseiro de Deus. repreender — com mansidão e longanimidade. com bom testemunho dos de fora. 1 Tm 3. 4. d. 4. e.

Onde eu mesmo exerço esta autoridade. na oração e no culto pessoal ao meu Deus. A devoção diária com estudo e oração é básica para o pastor. fracasso ou revolta. 2. na conIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 15 . A espiritualidade recebida pela fé está continuamente sob ataque da natureza corrompida. demonstrada na confissão da fé. irascível. 1. modesto. justo. paciente. Pode sentir-se exausto e sem recursos espirituais. deve ser temperante. sóbrio. os conselheiros. a clara e correta exposição da Palavra de Deus. a diretoria da congregação. Aceitar Autoridade. Entendo que também os colegas me foram dados por Deus para mútuo conselho e exortação necessários para um ministério mais espiritual e eficiente. no entanto. Como cristão e pastor eu aceito pela fé. está sob contínuo ataque na rebelião do homem: a autoridade.12) do cristão aceita a autoridade. Como o homem em rebelião não aceita que Deus é Deus. i n i migo de contendas. cordato. dominador. arrogante. Como pastor aceito especialmente a autoridade daqueles que foram eleitos para governarem na igreja: o presidente e a direção da igreja. como estão no Livro de Concórdia de 1580. ganancioso (avarento. — Há um elemento muito sensível que garante a existência da sociedade e que. por serem. Como cristão e pastor eu aceito a autoridade daqueles que são colocados por Deus acima de m i m nas diferentes ordens sociais: na relação familiar e econômica. Mas o "espírito voluntário" (Sl 51. assim ele também não quer servir sob nenhuma autoridade. Como cristão e pastor luterano eu aceito a autoridade das confissões luteranas. revelada em lei e evangelho. Como espiritual aceita os seguintes princípios de conduta na grande tarefa de equipar o povo de Deus para serviço que são extensivos aos obreiros de todas as categorias dentro da I E L B . A verdadeira espiritualidade só pode ser dada pela meditação no evangelho que é o poder de Deus que move a fé. no governo. D. I. inclusive leigos. Isto torna também o pastor frágil. acima de tudo a autoridade de Deus e de sua Palavra. violento. seja na igreja. 4. Proibitivos: 0 ministro não pode ser: constrangido ao ofício. seguido de um sentimento de frustração. e na igreja. Minha primeira resposta é a adoração. que goste de contenda e de muito vinho. brando.d. e outros que receberam esta autoridade. cobiçoso). 3.

surge o limite pela vocação de cada um. da minha nova vida em Cristo para servir sob o reino de Deus.21) porque abri espaço com ternura para viverem comigo. Entendo que preciso exercer a autoridade recebida como quem serve em humildade ao seu próximo (Jo 13. procurando respeitar o tempo. com os quais preciso me comunicar. com os quais pratico a submissão mútua (Ef 5. Como cristão aceito a autoridade de todos os que vivem comigo na família. Como cristão eu aceito o limite da minha liberdade. 10.14-17) de quem recebeu esta autoridade. Como o meu próximo tem a mesma liberdade. 6. Como pastor eu aceito a liberdade de filho de Deus e a coloco à disposição do meu Senhor para servir ao meu próximo. e respeito o seu direito de receber uma imediata participação do seu recebimento e uma pronta solução para o chamado. Aceitar a liberdade e seus limites. servindo ao seu próximo. Lembro que nem mesmo sou a única autoridade sobre o meu corpo. Reconheço que chamado é coisa pública na ordem social da igreja. II. 8. 7. 5. Estando a serviço de outra paróquia ou agência da igreja reconheço o direito desta de opinar comigo sobre o novo chamado. os bens e a vida do meu próximo. Há uma liberdade de mim mesmo que Deus me dá pela fé. Esta liberdade me determina como aquele que está aí para servir o seu Senhor. pois o uni à esposa. — A liberdade sempre é dada: Deus a dá e distribui. 9. reconhecendo a necessidade de dar uma resposta adequada dentro do menor prazo possível. Como cristão eu aceito a liberdade de dispor do meu tempo. ficando inclusive sob a autoridade do seu presidente e dos seus conselheiros distritais. 16 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . entendo que não o posso fazer como dominador (1 Pe 5 3). Como cristão aceito a autoridade de todo aquele que se dirige a m i m por carta ou por outra forma de comunicação pessoal. Reconheço que a paróquia ou o segmento da igreja que me chamou também tem o direito de reavaliar o chamado e propor modificações. Como pastor aceito a autoridade de uma paróquia que me chama. dos meus bens.gregação ou na família.

Como cristão e pastor aceito a liberdade de trabalhar em equipe com os outros. não intrometendo-me em sua área de trabalho. 16. III. Nesse sentido procurarei sempre falar bem do colega. não procurando penetrar curiosamente em seu mundo de erros e ofensas quando não são públicos. sem ver neles concorrentes. Como cristão e pastor eu aceito o direito que meu colega que me precedeu no ministério naquela paróquia tem de ver o seu nome protegido. Como pastor lembrarei aos congregados o meu direito de ser consultado em assuntos que dizem respeito à minha paróquiai Nesse sentido falarei com meus colegas para não aceitarem meus paroquianos para aconselhamento. .12). Respeitar a escala de valores. Também não aceitarei pessoas de outras paróquias para aconselhamento. 12. Nesse sentido procurarei não impor os meus padrões. 13.o cristão e pastor eu aceito o direito dos outros de modelar a sua vida de acordo com os privilégios éticos que lhes cabem. Estas precisam estar sempre claramente diante de nós quando precisamos decidir. Como cristão eu aceito uma escala de valores em que o espiritual tem precedência sobre o físico e o material. mas dons de Deus para aperfeiçoamento dos santos (Ef 4. — Como cristãos nós entendemos que há certas prioridades. Como cristão e pastor eu aceito o direito à privacidade dos congregados.Como cristão eu respeito o direito que meu próximo tem à sua privacidade. interpretando tudo da melhor maneira. Como cristão e pastor aceito o direito de meu colega pastor. nem abusar de seu tempo por visitas alongadas. nem sobrecarregando-os com os problemas dos outros. tanto com os líderes paroquiais como com os colegas pastores. 17. nem oficiando em sua paróquia sem autorização clara dele e de sua paróquia. sem que o tenhamos acertado devidamente. Com. afastando-me de qualquer tentativa de especular a respeito de vantagens ou defeitos de meu próximo. sem acerto devido com o colega. 14. Lembro-me de que uma pessoa tem mais valor do que todo o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 17 15. de falsas interpretações. 18. 11. Entendo que trabalho em equipe também inclui aceitar admoestação quando eu faltar a compromissos assumidos.

Já se matava com a língua em tempos bíblicos. V. — O mundo entende que é fácil destruir alguém. defendendo os meus colegas no ofício. Minha congregação precisa saber que jamais trairei segredos que me foram confiados em confissão ou no aconselhamento pastoral. meu conselheiro. meu presidente.mundo. Como cristão e pastor eu quero interpretar tudo da melhor maneira. 21. Como cristão e pastor eu me comprometo a preciso guardar o segredo confessional. 19. o quanto possível. Como cristão e pastor quero usar de moderação (epiquéia) ao julgar os outros. em primeiro lugar. uma orientação segura na Palavra do Senhor para então fazer a distribuição do meu tempo. Defender a honra do próximo. os pecados dos irmãos. destruindo a sua honra.12) buscarei. 24. minha igreja. Nesse sentido quero ser um parácleto: quero estar aí para os! outros. para ajudar a carregar o peso de sua vida. E n tendo que equipar os santos é tarefa básica do pastor. os membros da minha congregação e meu próximo. I V . Como cristão e pastor eu quero falar pelo mudo. 22. entre tarefas necessárias e outras menos necessárias. procurando distribuir meu tempo. meus bens e meus talentos de acordo com esta escala de valores. Como cristão aceito a primazia do reino de Deus sobre as coisas. Sei que preciso falar sempre quando alguém é acusado injustamente. Assim com "espírito voluntário" (Sl 51. minha diretoria. 23. Como cristão e pastor eu quero discernir entre tarefas urgentes e outras menos urgentes. meus bens e dos meus talentos nas ordens sociais em que Deus me colocou por sua vocação. 25. Reconhecer os direitos de propriedade. pois Deus defende a honra do próximo no oitavo mandamento. Podem ser pro18 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . — Cada um tem. certas coisas que são suas conquistas na vida. sabendo que também eu tenho minhas fraquezas. 20. e que vem em primeiro lugar o reino e sua justiça. O cristão entende que a honra é quase uma ordem social. sendo depois acrescentadas as coisas. Como cristão e pastor eu vou procurar cobrir.

28. Como cristão e pastor eu quero cuidar para equilibrar m i nhas responsabilidades como pastor com as demais. súdito. Como cristão e pastor quero ser muito cuidadoso e consciencioso com valores que me foram confiados!. Equilibrar responsabilidades. Como cristão e pastor não quero enfeitar-me com "plumas alheias". IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 19 27. invenções. — Quando uma pessoa fica envolvida demasiadamente com um certo assunto. Desta forma não devo utilizar meus bens egoisticamente. Como cristão e pastor eu reconheço o direito do meu próximo sobre a sua propriedade. 30. Em cada uma temos certas responsabilidades. eu quero primeiro verificar se tenho autorização para usá-los. assalariado. Desta forma não posso simplesmente invadir a sua propriedade. nem fazer uso dela sem a sua autorização. Como cristão reconheço também que todos os bens que me foram confiados por Deus possuem uma variada qualidade: suprir minhas necessidades. idéias. 29.priedades. e como membro da minha sociedade e do meu país. Entendo que não me diminui quando reconheço e valorizo a aprendizagem que fiz com alguém. eu quero dar crédito ao seu autor. Todos nós pertencemos a todas as ordens sociais: família. governo e igreja. E quando o fizer. sermões. 26. Pois reconheço também as minhas responsabilidades como esposo. pai. Nesse sentido preciso reavaliar continuamente minha permanência na mesma paróquia ou tarefa por tempo acima ou abaixo do conveniente e produtivo. 31. ela pode ficar unilateral em seu julgamento ou em suas ações. Como cristão e pastor eu quero valorizar os esforços dos outros que me ajudaram a crescer. e que não são de domínio público. . mas administrá-los para Deus dentro das ordens sociais. O cristão também reconhece que o próximo tem direito a sua propriedade. poesias e artigos de outros. E l a não está simplesmente à minha disposição. quando quero usar pensamentos. Assim. mas também as do próximo como parte do meu culto a Deus. e de minha família. O mundo reconhece que quem i n ventou pode patentear sua invenção. VI. Entendo que preciso administrar os bens que me foram confiados e prestar contas com exatidão a quem mos confiou. citando as fontes.

concílios e outras oportunidades de estudo. Da mesma forma preciso equipar os santos para viverem a sua fé em amor e serviço ao próximo nas inúmeras oportunidades de sua vocação nas diferentes ordens sociais. os m o dos e os trajes adequados a cada momento de convívio social. Desta forma muitas vezes tomamos a liberdade de decidirmos pelos outros. Como cristão e pastor quero aprender a incentivar os outros a tomar as suas decisões diante de Deus. e especialmente meu congregado. E n tendo que só assim cada um do povo de Deus poderá desempenhar sua tarefa como membro do corpo de Cristo. de visitar.Como pastor reconheço minha responsabilidade de pastormestre para equipar os santos (Ef 4. na certeza de que não estou caminhando sozinho nesta tarefa sublime. a tomar as suas decisões. Achamos que temos soluções para os problemas do mundo. ninguém pode viver pelo outro. VIL Respeitar a responsabilidade dos outros. deveria decidir pelo outro. 20 . Para isso preciso buscar energias novas e conhecimentos atualizados em conferências.12) na paróquia. A i n d a preciso equipá-los para compreenderem a vida sob a cruz na esperança cristã. de moderação no comer e no beber. de estudar. de escrever devoções e artigos. Reconheço a responsabilidade de equipar os congregados para viverem sua vida cristã de adoração a Deus em confissão de fé e missão. e de instruir para equipar os santos. não dando-lhes a oportunidade de tomarem a sua decisão ética que Deus requer. Como cristão e pastor eu quero dividir bem o meu tempo para atender todos os meus compromissos. por isso. Como cristão e pastor quero ajudar o meu próximo. usando a linguagem. em oração e culto doméstico e público. de equilíbrio entre trabalho e lazer. dando um bom exemplo de preparo físico e mental. Entendo que ninguém pode crer pelo outro. de sensatez e seriedade na administração dos recursos disponíveis. 36. Entendo que também tenho responsabilidade com minha saúde pessoal e social. e que ninguém. evitando drogas e vícios da sociedade e guardando distância da poluição moral do mundo em que vivemos. de aconselhar. Pois cada um será responsabilizado diante de Deus. enIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 34. de limpeza e asseio pessoal. Lembro especialmente o meu compromisso de pregar. 35. 33. Como cristão e pastor reconheço minha responsabilidade com a sociedade em que vivo. 32. — A tendência humana é sentir-se o centro do mundo.

fazer a nossa decisão. porque continuamos a ser simultaneamente justos pelo evangelho e pecadores pela lei. respeitando. quando houve boa decisão. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 21 . pedir em oração que Deus nos faça decidir bem. fazer nova decisão quando possível. com adendos sugeridos pelos conciliares. 4. pois ele será responsabilizado por Deus. na certeza de que Deus n. 3. a sua responsabilidade de decidir. 6. conhecer as leis variáveis de Deus. viver a vida com alegria. pela fé recebemos a verdadeira espiritualidade a minha decisão como cristão será a favor da justiça e contra a injustiça. depois de ter recebido de Deus pela fé um espírito voluntário é o seguinte: 1. Apresentado no Concilio Nacional de Obreiros. conhecer a l e i imutável de Deus. 2. Como cristão e parácleto quero estar à disposição do meu próximo para aconselhar e ajudar. Como cristão entendo que não há espaços livres de pecado. Isto não garante sempre uma decisão entre certo e errado. agradecer a Deus quando nos permitiu decidir bem. no entanto. 87.os guia v que quer nos perdoar os erros. quero aprender a respeitar a decisão do meu próximo. Entendo que o processo de decisão. os Dez Mandamentos. de 5 a 9 de julho de 1989. no entanto. Como. 38. São Paulo. quando esta não foi correta. Mesmo sabendo que não serei perfeito eu sou chamado a decidir continuamente como um pecador espiritual que recebeu um novo espirito) voluntário pela fé. como são verificadas nas diversas ordens sociais e na experiência do povo de Deus. 5. reunido em Campo Limpo. Muitas vezes deverá ser uma decisão entre menos e mais prejudicial.sinando-lhe o processo de decisão. Mesmo que nem sempre possa concordar com a sua decisão. voltar a Deus em arrependimento quando decidimos erradamente.

criadas e ordenadas por Deus. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Parecia mais global. especialmente nos seus 4º e 6º mandamentos. 47). e o eclesiástico. Responsabilidade e Vocação. que inclui a família. O próprio casamento e a formação de um lar. Warth A. 25) 1 A vocação. Essa auto22 i . como no caso dos pais. Faremos inicialmente uma reflexão a respeito destes conceitos. um assunto do mundo. A vocação é uma transferência de autoridade. 2 Este "costume c i v i l " se transforma em vocação nas ordens sociais. criados por Deus. Lutero menciona geralmente três ordens: o "ordo" econômico. são considerados por Lutero "ein weltlich Geschäft". INTRODUÇÃO AOS CONCEITOS Na discussão a respeito do tema destas reflexões a proposta do uso de "responsabilidades" venceu sobre o uso de " d i reitos e deveres". que pode ser escolhida. ou imposta. A autorização sempre é uma vocação em que alguém é autorizado com direitos e deveres a responder convenientemente. o político.. embora estabelecidos a partir de instintos naturais (o instinto sexual e o instinto gregário).A RESPONSABILIDADE DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS Martim C. A responsabilidade dos pais na educação dos filhos se resume na aceitação consciente ou inconsciente da sua vocação de pais. como no caso dos filhos. Deus regulamenta a vocação na família pelo primeiro uso da lei. pode até ser decorrente de um "costume c i v i l " (Ap X V . Na Apologia da Confissão de Augsburgo se confessa que "a educação dos filhos" é uma questão da "vocação da cada qual" (Ap X V . pois se refere a uma relação entre pessoas em que uma autoriza e a outra "responde". 1. como eles são usados na linguagem teológica e confessional da igreja luterana.

A pessoa chamada precisa integralizar a vocação e exercer a tarefa inerente ao chamado. 4 2. E há o dever de cumprir a tarefa em relação àqueles para os quais se destina o interesse da vocação. isso implica em responsabilidade. A última autoridade é do autor último. A responsabilidade. Sempre somos chamados para uma relação de privilégio com outros. A VOCAÇÃO DOS PAIS: 0 DEVER DOS FILHOS A responsabilidade poderá ser verificada sob diferentes perspectivas. Como "não há autoridade que não proceda de Deus" (Rm. como dos que estão sob a autoridade. Precisamos "responder" ao chamado. Os outros têm o direito de esperar o meu cumprimento do dever de ofício a que me levou o chamado. Responsabilidade como Direito e Dever. 3 através das quais sempre ainda cumpre ver a autoridade última de Deus. É implícito com esta honra que haja "obediência na vocação". Somos "máscaras" daquele que nos chamou. tanto dos que exercem a autoridade.1). mas eles são inerentes em qualquer posição de responsabilidade. Deus. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 23 . portanto. Há o dever de representar bem. se verifica em direitos e deveres. É o privilégio da individuação em relação à massa. Na estruturação das ordens sociais Deus autoriza outros a exercerem autoridade em seu nome. B. aquele que nos chamou. Se há necessidade de "obediência na vocação" está também implícito que alguém nos chamou e nos investiu de direitos. Responsabilidade pressupõe direitos e deveres. Ser chamado é ser escolhido para exercer o privilégio de representar alguém e de exercer autoridade em seu nome. Somos alguém porque alguém nos chamou pelo nome e nos autorizou a receber destaque para exercer uma função. além de verificar como a própria natureza concorda com esta perspectiva. Exercemos um ofício que deve ser reconhecido pelos demais. pois só ela torna a vida possível entre pessoas dentro de uma ordem social. Significa que alguém. como diz Lutero. São as "máscaras" de Deus.ridade é necessária nas ordens sociais. 13. Nos limitaremos a examinar algumas afirmações das Escrituras Sagradas e das Confissões Luteranas. como podemos ver no caso específico da responsabilidade dos pais na educação dos filhos. Os deveres podem ser implícitos ou explícitos. Daí resulta o dever. Assim a vocação implica em obediência. exercendo-o convenientemente. Este é o grande direito da vocação. A Apologia da Confissão de Augsburgo caracteriza a responsabilidade como "obediência na vocação". teve confiança em nós e nos honrou com uma distinção sem par. Sem autoridade incia o caos.

Confissões.12-13). Por essa razão os pais traziam os filhos à presença da congregação para buscarem o Senhor (2 Cr 20. Escritura. Entende que a vocação dos pais está essencialmente na palavra "honrar". mas que atende a um chamado da natureza instintiva criada por Deus. É uma escolha livre. acima de todos os estados que estão abaixo de Deus. pois não envolve apenas a doação e o desenvolvimento da vida física. guando o mandamento diz "Honrarás a teu pai e a tua mãe". O ofício de pais tinha validade permanente. com todas as suas responsabilidades (Gn 1. Colocar filhos no mundo sem lhes dar a vida eterna é crime pela lei de Deus.22).26-27). mas transferia responsabilidades quando os filhos consitituiam sua própria família. O homem "deixa pai e mãe" para se unir à "sua mulher" para aceitar uma nova vocação de pais (Gn 2. E vida para o filho de Deus engloba a sua relação com Deus pela fé e a vida eterna. Há várias passagens bíblicas que ressaltam a vocação dos pais em relação aos filhos. Lutero acentua esta responsabilidade nos sobrescritos das diversas partes do Catecismo Menor. criando a vocação de pais. dos mandamentos (2 Rs 23. 31.24). Com isso Deus distingue o estado paterno e materno de modo especial. mas uma vocação permanente dos filhos de Deus que se tornaram pais. Já na criação Deus fez homem e mulher para que se multiplicassem.1.4). Pois honrar 24 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . No Novo Testamento continua a mesma advertência para que os pais criem os seus filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor" (Ef 6. mas também a educação para a vida. mas o conceito central está delineado no 4° mandamento. Por essa razão Deus requer que os pais ensinem seus filhos a respeito da Páscoa (Ex 12. Ele faz então uma exposição magistral desta responsabilidade dos pais no seu comentário do 4º mandamento do Catecismo Maior.6 Com o termo "honrar"' Deus separa e destaca pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado dele. e de todas as palavras de Deus (Dt 6.7.4. A responsabilidade dos pais pelos filhos é totalmente abrangente. Não era apenas uma vocação na sociedade patriarcal. mostrando "como o chefe de família deve ensiná-los com toda a simplicidade a sua casa".2).13). 2.

13 Mas Lutero não é nenhum visionário. encomenda e delega o governo c autoridade a outros. para tal fim ordenados. pois "os pais geralmente nada sabem. Como "Deus assinou o primeiro lugar a esse estado" e determinou "que seja seu representante na terra"11 é dever dos filhos "demonstrar honra e obediência" e considerar esta "a maior obra que se pode fazer depois do sublime culto divino descrito nos mandamentos anteriores". desejar que Deus nos erigisse troncos e pedras a que pudéssemos chamar de pai e mãe. é a corrente de ouro que leva ao pescoço. sim a corrente em sua cabeça. não é a pessoa cm si. 7 Podem até nem ser os pais genéticos. se falece. Esta majestade é oculta no ofício. senão modéstia. em razão desse preceito. 9 Mesmo assim o ofício permanece. É o mandamento. Claro. que assim estabelece e ordena". ou vocação de Deus. Os pais ocupam o "lugar mais elevado depois de Deus" e são "representantes de Deus". mas a "autoridade" que os pais receberam pela "vontade de Deus.14 Mas sustenta a tese de que "da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade". Por essa razão concentra a responsabilidade pela educação dos filhos nos pais. mas todos aqueles que estão "em lugar dos pais".10 Lutero reduz tudo à vocação feita no mandamento. deveríamos. pois se não tivéssemos pai e mãe.6 É a vocação em que Deus "separa e destaca" para serem "máscaras" da sua majestade.muito mais elevada coisa é que amar. pede ajuda de seus amigos ou vizinhos. pais precisam de auxiliares. E l e sabe que os Quando um pai não pode sozinho educar seu filho. ornado e revestido com a majestade e a glória de Deus". humildade e reverência como para com uma majestade aí oculta. apela para um mestre de meninos que o ensine. direitos e responsabilidades da sua próIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 25 . que me indica como e porque se deve honrar esta carne c sangue. Não abrange apenas o amor. 8 Lutero chega a quase desesperar da situação reinante. se está demasiadamente fraco. que podem e devem delegar poderes.12 Por causa do mandamento de Deus Lutero vê no pai "um homem diferente. Um néscio educa o outro".

nunca se poderá agradecer e recompensar de modo suficiente.18 Mesmo assim permanece a tese básica que reconhece os pais como os primeiros e fundamentais responsáveis pela educação dos filhos. sob o Senhor Jesus. parentibus et magistris non potest satis gratiae rependi". aos pais e aos mestres. todavia assim. Essa perspectiva também foi reconhecida como um direito natural pela humanidade. Ficam os limites. como a aprendeu da Escritura Sagrada. A natureza do homem tende à preservação da '2(J IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Os Direitos Humanos. No seu louvor Lutero já inclui.pria vocação a outros. mas uma imposição filosófica e política. que essa obediência aos pais fique subordinada à obediência a Deus e não vá de encontro aos mandamentos precedentes. quando diz: "Deo. Os pais que geram o filho são individualmente responsáveis por ele. esta liberdade o cristão só encontra quando aceita pela fé o único Senhor. nenhuma outra Coisa deve valer mais do que a vontade e a palavra dos pais. 3. que Lutero coloca da seguinte forma: Se a palavra e a vontade de Deus têm seu curso e são observadas. Jesus Cristo. para habilitar o filho individualmente a afirmar a sua liberdade em relação com aqueles que formam o seu ambiente social e de vida. Com isso apenas confirmaram o humanismo do homem que já traz embutido por natureza o preceito fundamental de Deus da responsabilidade individual dos pais e da liberdade humana de escolher. As Nações Unidas aceitaram a tese da responsabilidade dos pais pela educação dos filhos. o tipo de educação que entendem ser necessário darem aos filhos. isto é: "A Deus.16 Gomo entende que Deus "não quer patifes e tiranos nesse ofício e governação"."15 Nesta perspectiva de Lutero.17 Lutero já havia apelado cinco anos antes aos conselheiros de todas as cidades alemãs para estabelecerem e manterem escolas cristã. reconhecendo neles uma autoridade auxiliar para a educação dos filhos de acordoi com. As teses do "kibbutz" e do socialismo de estado não são inerentes à natureza. Isso diz respeito ao desenvolvimento da vida e da cultura. mas também o seu privilégio de decidirem livremente. os mestres. Claro. se nota não somente o compromisso dos pais com respeito a seus filhos. a vontade de Deus. a exemplo de "gente antiga e sábia".

Estas declarações. reconhece que este assunto "não ficou exarado nos Dez Mandamentos de modo expresso". se afirma no Princípio 6º que Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade. Escritura. esta responsabilidade cabe. o direito de escolher o gênero de educação a dar a seus filhos". 1. refletem a lei natural implantada por Deus em toda a humanidade e dada de forma positiva nos 10 Mandamentos. A VOCAÇÃO DOS FILHOS: O DEVER DOS PAIS Embora a vocação de ser pai seja uma opção livre. confirmando a posição bíblica e confessional. Lutero. sobre como devem portar-se com os que a seu governo estão encomendados". E na "Declaração Universal dos Direitos da Criança". X X V I . 20 A referência básica que Lutero colocou na Tábua dos Deveres do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 27 . A responsabilidade dos filhos é assumir a vida e "honrar" os pais. a criança precisa de amor e compreensão. C. salvo circunstâncias excepcionais. enquanto que os interesses do estado procuram uma massificação manejável pelo grupo dominante. Criar-se-á. e a quantos lhes fazem as vezes. publicada em 1959. em qualquer hipótese.19 No Princípio 7" se diz que "os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação. chamar um filho à vida é uma vocação que impõe também imediatamente deveres aos pais. se diz que "os pais têm. Quando houve concepção o casal também já não tem opção de serem pais ou não: já são! Logo. No art. A O N U publicou em 1948 a "Declaração Universal dos Direitos Humanos". a criança de tenra idade não será apartada da mãe.liberdade individual (pela qual responde a Deus!). aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e. num ambiente de afeto e de segurança moral e material. que depois se transforma em responsabilidade. a vocação de ser f i lho é imposta. mas que é "amplamente ordenado em muitos passos da Escritura". sempre que possível. A responsabilidade dos pais é zelar pela vida que chamaram à existência e se tornarem dignos da "honra" dos filhos. embora feitas num ambiente universal não necessariamente cristão. inciso 3. aos pais". ao "pregar aos pais. em primeiro lugar. com prioridade. Ninguém é consultado a respeito da liberdade ou não de ser concebido ou nascer.

No entanto ainda entendemos que também patrões e governo estão sob a autoridade de Deus e não têm o privilégio de não prestar contas a Deus por seus atos. mas há também uma retribuição final pelo autor e Senhor da autoridade. que precisam ser descobertas e desenvolvidas. A sociedade que esquece a Deus está com problemas. empregados.4: "E vós. Para ele os pais e "quantos lhes fazem as vezes" devem ponderar no fato de que devem obediência a Deus. Há uma retribuição nas próprias ordens sociais. Toda ação contrária ao reino de Deus se vinga. Os pais não podem "irritar" os filhos. confirmada e reconhecida pelo Senhor. respeitem. Os filhos têm. 0 respeito a essa vocação dos filhos deve ser o objetivo da educação deles. mas precisam valorizar a individualidade e a personalidade dos filhos. Dentro dessa perspectiva no Brasil o governo concede liberdade religiosa. que façam os filhos conhecer e reconhecer sua vocação por Deus e para Deus. pais. Talvez ouvem um outro ritmo. Precisam ver a sua vocação e respeitá-la. 2. fazendo-os crescer "na disciplina e admoestação do Senhor". c fomenta o ensino 28 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . parcial e destrutiva. que os pais precisam respeitar. Uma educação que não inclui a fé no Senhor é incompleta. os pais precisam respeitar esta autoridade dos filhos e encaminhá-los ao Senhor para que possam desenvolver o seu chamado à vida e à vida eterna. Já que os filhos existem por opção dos pais. porém sobretudo educando-os para louvor e honra de Deus. O importante é que os pais os "criem". súditos. Confissões. um outro chamado de Deus. quase teocrática. c acima de qualquer coisa desempenhar-se-ão. Há também uma autoridade oculta nos filhos que precisa ser reconhecida e respeitada. dos encargos de seu ofício. auxilia alunos em escolas "particulares c confessionais. Na exposição do 4" mandamento Lutero lembra esta responsabilidade dos pais. Cada filho tem certas ordens seladas pela vocação de Deus. desenvolvam.21 Nesta reflexão de Lutero pais. patrões e governo são vistos Como numa sociedade patriarcal. não cuidando apenas do sustento material de filhos. não provoqueis vossos filhos à ira. mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor". O Senhor chamou tanto os pais como os filhos. etc. Em última análise. eduquem.Catecismo Menor encontra-se em Ef 6. de coração e fielmente. Na sociedade moderna já não se entende que "patrões e governo" devam educar "para louvor e honra de Deus".

23 Como os filhos receberam a vocação de Deus.24 D. . cumpre deveras não nos poupemos empenho. faina e gastos na tarefa de ensinar e educar os nossos filhos. Há um relativo conhecimento natural de Deus e uma noção da vontade de Deus como aparece nas leis das ordena e é reconhecido pela consciência moral. mas. na realidade. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 29 .Trata-se. Nos Estados Unidos da América o princípio de separação de igreja e estado proíbe toda menção de religião em escolas públicas. a fim de que possam prestar serviços a Deus e ao mundo. de rigoroso preceito e injunção de Deus. criando um ensino anti-religioso que deturpa a formação integral da juventude. Embora o. representam a "imagem de Deus".22 Os pais precisam compreender quão grande é a necessidade de nos ocuparmos a sério da juventude. Os pais não são apenas "máscaras" de Deus no sentido de serem autoridade em lugar de Deus para os filhos. Podemos enfocar três aspectos: a transferência do modelo. A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO DE PAIS E FILHOS A responsabilidade dos pais na educação dos filhos é tão relevante por causa da importância da relação dos pais com os filhos em vários aspectos do seu desenvolvimento. ainda permanecem aspectos dessa imagem que são passados aos filhos. homem perdesse a imagem de Deus com a queda dos primeiros pais. Se queremos pessoas excelentes e hábeis tanto para o governo secular como para o espiritual. 1. os pais não podem faltar "ao dever de educar" seu filho "de maneira útil e para salvação". a continuidade do exemplo. Lutero entende que isso não é matéria entregue a teu talante e capricho. semelhante a países declaradamente ateus no leste europeu do passado. ao contrário. e a segurança da alegria de viver. ao qual também terás de prestar contas a esse respeito. No cristão a imagem d i vina começa a ser restaurada pela fé para atingir a plenitude apenas na ressurreição.religioso nas escolas públicas. A Transferência do Modelo.

da polícia. A noção de " P a i " com relação a Deus será moldada de acordo com. 2. Nós geralmente vivemos de acordo com a reputação que temos. o modelo de " p a i " que a criança tem diariamente diante de si.Mas neste tempo de restauração a responsabilidade dos pais na educação dos filhos é exatamente a de representar bem o amor de Deus. A justiça e o perdão de Deus são conceitos formados a partir da justiça e do perdão dos pais. Os pais representam exemplos de valores morais. É verdade que a fé é um dom de Deus que o Espírito Santo nos dá através do contato com o Evangelho. Há uma continuidade nesta modelagem de uma geração a outra. que quer amar semelhante a uma mãe que ama o filho que gerou. A criança compreende o amor de Deus quando tem uma relação de amor com o seu pai na família. O sucesso ou o fracasso dos pais geralmente são copiados pelos filhos. 3. Mas a aprendizagem a respeito da fé. A opinião que os pais têm dos filhos são o padrão para a avaliação que o próprio filho faz de si mesmo. de etiqueta. O amor dos pais continua normalmente no amor dos filhos. São especialmente os exemplos vividos pelos pais que educam e moldam os filhos. Quando o pai aceita a autoridade de Deus. a transferência do modelo para Deus será fácil. talvez por causa da tendência natural do ser humano para o caos. 0 pai é o modelo do P a i Celestial. de gentileza. O problema é que o mau exemplo dos pais geralmente se fixa mais profundamente nos filhos do que os exemplos bons. O relacionamento dos pais com a sociedade dará as dicas para o filho se orientar fora do lar. seja na Palavra ou no sacramento do Batismo. A Continuidade do Exemplo. o filho poderá copiar o exemplo de obediência à autoridade que o próprio pai representa. de padrões. V i d a é algo precioso que defendemos por instinto natural. A criança copia modelos. ou a fé que reflete sobre o seu conteúdo (fides reflexa). é moldada a partir dos conceitos e imagens que aprendemos na infância. O modelo sexual dos pais forma a estrutura básica para o relacionamento sexual do filho. O modelo do pai e da mãe é transferido para a compreensão do Pai Celestial. Isto mostra a importância da relação positiva dos pais como exemplos para os filhos. que são copiados pelos filhos. de amor. Isso ressalta a grande responsabilidade dos pais na educação dos filhos. de ternura. do patrão. Se este amor for convincente. Não são apenas as palavras de estímulo e encorajamento ou repreensão que vão moldar o comportamento da criança. do governo. A Alegria de Viver. A pessoa humana se realiza mais quando pode sentir a alegria 30 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .

o trabalho. Na sua liberdade ele me vai indicar qual é a melhor forma de amor que existe para lhe servir. Que bom quando os pais entendem a sua responsabilidade na educação dos filhos e fortalecem neles a alegria de viver. E Deus ainda me dá a liberdade de escolher o "próximo" que mais corresponde ao meu critério de realização da minha vocação. Deus entende que a vida cristã se realiza no serviço de amor ao próximo. Este otimismo faz parte da responsabilidade dos pais na educação dos filhos e lhes dá segurança. sem diminuir a minha autoridade e responsabilidade que tenho diante de Deus. A autoridade da minha vocação de pai pode ser compartilhada com a escola. eu posso ter a certeza de que Deus colocou muitos "próximos" também ao meu redor para me servir e amar. a igreja.de viver. mas o seu esforço e sua tentativa corajosa de risco calculado. Quem me indica quais são as boas obras do momento é o meu próximo. Mesmo assim os pais nunca conseguiram convincentemente cumprir sozinhos com todas as responsabilidades na educação dos filhos. o governo. Os pais que aprenderam a viver com fracassos e deram volta por cima sabem incentivar os seus filhos a olharem com confiança para o futuro. Desta forma posso ficar descansado: a tarefa e obrigação da minha vocação de pai pode ser transferida e compartilhada com os meus "próximos" que Deus me coloca à disposição no seu reino. E. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 31 . Mas. A TRANSFERÊNCIA DA VOCAÇÃO Não há lugar mais importante do que a família. pois ali aprendemos a viver e a partilhar um com o outro a alegria de viver. Não vamos ganhar sempre. Mas formam o núcleo de comando desta educação por causa da vocação de serem os pais. O "amarás o teu próximo como a ti mesmo" implica na presença do próximo que necessita do meu amor. de outro lado. Quando os pais dão a segurança do sen amor e respeito. O conceito de "próxim o " é muito importante 11a solução do problema. o filho pode se desenvolver de acordo com o seu próprio ritmo e os dons que recebeu da parte de Deus. Não há momento mais bonito para viver do que hoje. O encorajamento dos pais que dizem: "Por que não tenta? Tenho certeza que você pode conseguir!" é melhor do que a critica: " E u lhe falei! Você é o fracasso de sempre!" O filho geralmente vive de acordo com as expectativas que os pais têm dele. Quando nos sabemos amados apesar de eventuais fracassos então criamos a coragem de fazer tentativas de risco para progredir. mas os pais podem dar aos seus filhos a alegria de viver e a segurança de viver quando valorizam não apenas as vitórias dos filhos.

Lutero apela para outra autoridade: "Considero que também o governo tem o dever de obrigar os súditos a enviarem os seus filhos à escola". Ele entende que Deus diz aos pais: Tu podes melhorar o convívio humano nas ordens sociais. da qual Ele te poderá fazer a escultura de um senhor. que o ensine". mas de Deus. Tu estarás dando a Deus uma madeirinha boa. Mas entende que esta autoridade faz parte da autoridade dos pais e não a diminui.29 Acha que estes filhos irão governar o mundo. que têm a seu cargo mandar e governar". Lutero mesmo queria ser professor. Para mostrar como entende este "defluir" e "irradiar" da autoridade. E então vê o pai como empresário. nenhum dinheiro. para o governo da casa". empregados e empregadas. pois "eu te dei filho e bens para isso". comerciantes. F a l a da "multímoda obediência aos superiores. um ano depois de escrever os catecismos. Entende que há outros que estão "em lugar dos pais". apela para um mestre de meninos. médicos.31 E se o pai for pobre o governo deve usar fundos dos ricos para dar bolsas de 32 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . ele menciona especialmente a escola e o trabalho. se não fosse pregador. e mesmo que às vezes tenha que pedir pão. Seu argumento é que os filhos não são exclusivamente dos pais. Lutero inclui no 4º mandamento todas as autoridades que completam o ofício dos pais. 25 Em 1580. pastores. como já dizia Aristóteles.1. E Deus os precisa para serem preparados para se tornarem pastores e professores. Lutero escreveu um tratado26 em que prestigia a escola e insiste que os pais compartilhem a sua autoridade com os mestres. É só prepará-los pela escola!2' E Lutero apela: " E u acho que nunca houve tempo melhor para estudar do que agora!"28 Por isso deixa teu filho estudar. professores. como os pais não cumprem com o seu ofício de pais. A Escola e o Trabalho. E "cumpre que deles (dos pais) recebam poder e autoridade para governar" no "ofício de pai". Entende que a um professor fiel não se pode pagar o suficiente com. teólogos. juristas. secretários. dizendo: "Quando um pai não pode sozinho educar seu filho. Considera uma das maiores virtudes na terra o educar fielmente os filhos de outra gente. No entanto.30 Mas são os pais que possuem a autoridade para enviarem. os f i lhos à escola para se tornarem escritores (como Lutero se considera ser). sem esquecer os afazeres do lar e os demais ofícios e trabalhos. "porque da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade". pois "além disso deve subordinar também a si domésticos. bem como para ocuparem bem os seus lugares nas ordens sociais.

meus queridos alemães. Mesmo assim não esgota a autoridade paterna. Por isso Lutero arrisca uma deixa contra as greves dos sindicatos de hoje. pois podia englobar a aprendizagem com um "mestre" em técnicas é artes. Governo e Igreja. mas a reforça. Ao mesmo tempo já iniciava uma recompensa salarial pelo trabalho feito durante a aprendizagem. porquanto não os chamamos também assim. que. Pois o que é uma cidade. isto é. Lutero termina o apelo: "Bem. e lugarejos? Se os lares forem mal administrados. senão um grupo de lares? . falei que chega: vocês ouviram o seu profeta!" 32 A escola nem sempre era formal no tempo de Lutero.33 2. como o mais precioso tesouro e jóia na terra". é a fonte de toda outra lei ou de governo. Os governantes são pais "tantas vezes quantas forem os habitantes. como a aprendizagem nos Senai e Senac de hoje.34 Sem esvaziar a autoridade dos pais Lutero transfere toda a autoridade também ao governo. para grande vergonha nossa. . Por essa razão "é dever nosso honrá-los e tê-los em alta consideração. Por intermédio deles "Deus nos dá e conserva alimento. . como pode todo um país ser bem governado?37 Entende que a autoridade dos pais se transfere ao governo. dizendo que os empregados "até que deviam voltar salário e regozijar-se com o fato de poderem receber patrões e patroas". Louva os romanos que chamaram a seus príncipes e magistrados de patres patriae. Lutero transfere a vocação dos pais também para o governo e a igreja. senão um grupo de cidades. Há necessidade "da obediência à autoridade civil. proteção e segurança".estudos. nem ao menos os consideramos e honramos como tais. pais da pátria.35 Lutero chega a usar os mesmos adjetivos que usou em relação aos pais. conforme dito. cidadãos ou súditos". pois que o governo representa a soma da autoridade paterna nos lares.. T a m bém. que pretendemos ser cristãos. o que é um país todo. vilas. . casa e lar. No sermão sobre o 4" mandamento de 152536 Lutero argumenta que esta ordem (da obediência) no lar é a primeira regra. . pertence à ordem paterna e é a mais abrangente das relações". IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 33 .

além da escola pública. Luther On Vocation. 2 "Eiri Traubüchlin für die einfáltigen Pfarrherrn". perfeição. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal.Lutero inclui ainda os "pais espirituais". Ap XXVII." Como isto implica em correção e arrependimento. 1980. Der 147. Citação de 626. Philadelphia: Muhlenberg Press. NOTAS 1As Confissões Luteranas serão citadas pelo Livro de Concórdia. 1957."38 E como "são pais. para nós. da mesma forma como as próprias incumbências variam de acordo com o tempo e as pessoas. A escola. Se de um lado têm.40 fica clara a importância não só dos mestres. o trabalho. o Catecismo Maior como CM. As vocações são pessoais. fomentando. Os pais não podem se omitir nesta educação. Melanchthon diz: "E nessas coisas colocamos a perfeição cristã e espiritual. o direito de darem e providenciarem aos filhos a educação que corresponde à sua visão de mundo. 6 CM I. no arrependimento. de outro lado este direito se transforma em dever. Louis) 5. A autoridade dos pais precisa ser respeitada. que precisa providenciar os "pais espirituais" para auxiliarem os pais nesta tarefa abrangente. se crescem simultaneamente o arrependimento e. 49-50. 528 de Die Bekenntnisschriften der evangelisch-hitherischen Kirche. 7 CM I. A Apologia da Confissão de Augsburgo será citada como Ap. 115. Mas o exemplo de obediência é geral. 9 CM I. 1959." (Ap IV. como só um estado democrático pode oferecer. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht. CONCLUSÃO A responsabilidade da educação dos filhos permanece com os pais. Destarte. 8 CM I. . 4º edição. . 5 CM I. 4 Ap XXVII. 106. . Ver nota 1. mas também da igreja toda. 124. F. 1. e a igreja são apenas agências auxiliares nesta tarefa dos pais. 1532. 49-50: "Propõe-se o exemplo de obediência na vocação. 107-108. que também exercem o "ofício de pai". — Citado também em Gustav Wingren. Para que isso possa acontecer deve haver uma múltipla escolha para a educação dos filhos. 435. pp. . pág.Psalm Lauda Jerusalem ausgelegt. o governo. a escola particular e confessional. Se encontra em WA (Weimar) 31 I (427) 430-456 ou W 2 (St.39 Como é dever dos pais educarem os filhos "de maneira útil e para salvação". . até acima de todos os outros". "Chamam-se pais espirituais apenas aqueles que nos governam e presidem mediante a palavra de Deus. 1302-1333. 105. a fé. é cada qual obedecer com verdadeira fé à sua vocação. . 3 W A 31 I. 34 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . 353). 137 a 143. devida lhes é também a honra.

Será citado como Predigten. 1468-1473. 21 CM I. 23 CM I.14). 126. 12 CM I. 116. 28 Ibid. Louis. 40 CM I. 32 Ibid. 39 CM I. 517-588. 19 Ari Herculano de Souza. Eine Predigt. 1524. col. 454. WA 30 II. 29 Ibid. 13 CM IV. 35. W 2 3. 1524/1527. Mose 20 (4. Louis. W 2 19. 130. Os Direitos Humanos. 459. 141. 31 Ibid. (Matth. col.. 416-459. 26 675. 452. 1106-1123. An die Ratherren aller Städte deutschen Lands. col. Pr. col. 160. 5 November 1525. WA 16. 24 CM I. 19. dass man Kinder zur Schule halten solle. 176. 167.. 457.-7. dass sie christliche Schulen aufrichten und halten sollen. 141-142. 31. 17 CM I. 125.. col. 150. 509f. 446. pp. 433 e 445. São Paulo: Editora do Brasil. 1530. 1989. 172. Buch Mose. 30 Ibid. 125. Predigten über das 2. 16 CM I. 37 Predigten. 20 CM I. 18 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 35 . 144. 167. 1106. 33 CM I. 158. 537 sobre 2. 15 CM I. 35 CM I. 14 CM I. Será citado como Eine 27 Predigt. col. cols. Êíne Predigt.. 11 CM I.. 10 CM I. 500-519. 168. 36 520.. 169. 142. 22 CM I. 38 CM I. pela edição de St. Edição de St.Gebot). 25 CM I. 176.676. W 2 10. 20. WA 15 (9)27-53. 34 CM I.

Yahweh reitera essa promessa com freqüência a Abraão (p. Ex 3. Gênesis 3. a Moisés (p. Nm 15. 6. 20. uma entrada. Esta promessa consiste basicamente de três partes: Deus dará a seus descendentes a terra de Canaã.2. o cumprimento pleno da promessa abraâmica ainda reside no futuro. mesmo que ela. Não obstante. 33) e a Israel (p. 28.11) e a Terra Prometida 36 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .1 Lendo o Pentateuco pode-se notar. Gn 15. ex.17-18. A promessa a Abraão em Gênesis 12 controla a narrativa da Torah a partir deste capítulo até o final de Deuteronômio. 1. fará no futuro são por Ele constantemente reiteradas para criar em Israel esperança em Yahweh. 35). por um lado.9). muitos serão seus descendentes. 41. Abraão recebe efetivamente um pedaço da Terra Prometida como um sinal. Dt 28). 26. como Deus parcialmente cumpre Sua promessa já com o patriarca. Deus abençoa Abraão e faz dele e de sua descendência instrumentos de Suas bênçãos às nações (Gn 13. 49. sirva apenas de cemitério (Gn 23. Cada ato salvífico de Deus é visto como prelúdio a atos salvíficos ainda maiores..8-27). e no período da monarquia Davi reina "sobre um povo tão numeroso como o pó da terra" (2 Cr. ex.15.. ex. 17. a promessa no protevangelium é a linha dourada que se estende através do Pentateuco.. significativamente.2-8. Moisés suplica a Yahweh que multiplique e abençoe Israel no futuro (Dt 1. 24.6-10. A começar com. ao Egito (Gn 16.38).29-50. Promessas do que Deus. 26)..PROLEGÔMENOS À ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO Acir Raymann Uma perspectiva e confiança futuras perpassam todo o Antigo Testamento.14). Deus lhe concede também descendentes: setenta pessoas descem. Lv 20. Ex 12. T a l perspectiva futura pode-se observar em cada divisão do cânone hebraico.18.22-26. Ex 23/23».1. estes descendentes serão abençoados de tal sorte que serão transformados em canalizações da bênção divina a todos os povos.37-57. no êxodo sua descendência é uma multidão (Nm 1.

Contudo.11-20) e gentios convertidos (Sf 3. Salomão constrói o Templo e ora para que Yahweh continue a abençoar Israel e as nações pela Sua presença graciosa no Tabernácülo (1 Rs 8). Mq 5). ser entendidas como escatológicas. Maldições para os ímpios e bênçãos para os justos na Literatura Sapiencial devem. que entenderam as ameaças e bênçãos como temporais. 25). 13) e distribuída (cap. da linhagem de Davi. Perder es ia perspectiva significa ser partícipe da superficial teologia dos amigos de Jó. Amós diz que passado o juízo virá a restauração (9. seu entronamento e a aliança davídica (2 Sm 7. por mais de três séculos.17) e do Messias (Is 11. A ênfase da aliança davídica é a promessa de que Yahweh irá estabelecer e manter a linhagem e o reino de Davi para sempre.9). Deus criará um novo Israel que consistirá de crentes: o fiel remanescente de Israel (Sf 3. 14-22). Deus formará este novo Israel pelo perdão dos pecados (Jr 31.2 Esta mesma dimensão futura da fé israelita pode-se verificar nos Profetas Anteriores. 23. Os profetas focalizam a atenção do povo de Deus emi diferentes quadros emoldurados pela futura promessa escatológica. Am 9. No centro está Yahweh e Sua graciosa presença em Sião. A ira de Deus está a serviço da Sua misericórdia. Os Salmos são dominados pela esperança em Yahweh. A mensagem dos Profetas Posteriores está centrada na promessa divina pelo futuro. é libertado da prisão no exílio babilônico (cap. A promessa davídica permanece ainda intacta.19-26).5).24-25. Daniel proclama o Reino escatológico de Deus ao falar de "um como o Filho do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 37 . há ainda muita terra a ser conquistada (cap. A ameaça da ira de Deus é Sua penúltima palavra. O livro de Reis continua a desenvelopar a promessa divina a Davi. O livro de Samuel está centrado em Davi.ainda está por ser herdada de sorte que o Pentateuco conclui perscrutando o horizonte do futuro (Dt 33-34).11-15).31-34) e pelo derramamento de Seu Santo Espírito (Jl 2. O descanso permanente que Yahweh prometera era um "ainda não".11-12).28-29). a palavra final é a promessa da Sua misericórdia. Tanto israelitas quanto gentios tornar-se-ão um povo de Deus (Is 19. no exílio há ainda esperança para Israel. Para o Seu povo escatológico reunido em torna da presença de Yahweh (Jl 3. Embora o juízo de Deus sobrevenba por causa da rebelião de Israel. Josué Deus dá a Israel a Terra Prometida. Israel foi ameaçado por inimigos. Deus criará "novos céus e nova terra" (Is 65. Em. após a Conquista. No período dos Juizes. No centro do Livro de Lamentações está a confiança do poeta de que as misericórdias) do SENHORi jamais se findam — por isso ele espera no S E N H O R (3. Também os Escritos apontam unanimemente para o futuro. Os Profetas Anteriores encerram com a afirmação de que o rei Joaquim.17-25).

o mesmo Deus que salvou o Seu Povo e que com ele estava é o mesmo Deus que virá.21. A descontinuidade entre o agora e a era escatológica indica que o futuro prometido do Antigo Testamento não é simplesmente aqui e agora. Os escritores da antiga aliança ficam na "ponta dos pés" aguardando a misericórdia de Deus por vir.homem" que virá em glória (cap.8). O escatológico povo de Deus será integrado por multidões de gentios (p. os ofícios e instituições do Antigo Testamento são tipos. 52.13-15. Is 11.9). Por fim.. 65. como também não culmina num milênio terreal. Terceiro. Sl 73. será bem maior que o seu tipo mencionado no Antigo Testamento (Is 35.2). o Antigo Testamento apresenta o futuro como estando também em descontinuidade com o presente. encherá toda a terra (Nm 14. Jl 3. o povo de Deus será maior. Os Escritos terminam com a referência ao decreto de Ciro pelo qual os exilados devem retornar a Jerusalém e reconstruir o templo (2 Cr 36). razão pela qual este futuro também não é secular ou humanista. esta última secção do cânone hebraico encerra inclinando-se para o futuro. aqueles que "confiam em Yahweh" e "invocam. 2.24-26). por graça somente. a escatológica Terra Prometida. Is 26. Mesmo a vôo de pássaro pode-se notar que todo o Antigo Testamento apresenta uma perspectiva e confiança futuras. a nova criação é freqüentemente descrita em termos da Terra Prometida do Antigo Testamento (cf. Sua glória. Primeiro. A kavôd de Deus. 7).6ss. Vê-se que também.17-21)..17-25). ex. O futuro será bem mais esplendoroso. A continuidade entre o "agora" e a "era escatológica" é expressa de várias formas. Os atos salvíficos de Yahweh no passado.12). Em primeiro lugar porque a futura salvação que Yahweh irá instaurar será bem maior que Seus atos salvíficos no passado. Deus "tragará a morte para sempre" (Is 25.15-16. A escatológica Terra Prometida será semelhante à do Antigo Testamento. O futuro escatológico é descrito no Antigo Testamento como estando tanto em continuidade quanto em descontinuidade com o presente. Os crentes de todas as gerações estarão nele incluídos (Dn 12. Ele se caracteriza por bênçãos futuras que Deus concede. continuarão se ser Seu povo depois — mesmo a morte não poderá separá-los de Deus (p. Mas.6). Nas palavras de Isaías. Daniel afirma que o Reino escatológico de Deus é bem diferente dos reinos dos homens (caps. ex. Is 25. os "novos céus e nova terra". Am 9. que salvará Seu povo e com ele estará. Sf 26. prelúdios. 7).19. o povo de Deus. Segundo. " E l e é o primeiro c o último" (44. Haverá um novo e maior êxodo da escravidão (Is 11. Por outro. 38 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .19). o Seu Nome" agora. entradas do prometido futuro.

pelo contrário. Por outro lado.6. Is 8. A morte foi tragada pela vitória (1 Co 15. Deus "tabernaculizará" com Seu povo para sempre (Ap 21. novo Israel Cristo fez nascer formado tanto por judeus quanto por gentios pelo perdão dos pecados e o derramamento do Santo Espírito (Gl 3. Em outros textos. o Israel reduzido a U m . Is 35..54).20. a Escritura atesta que o novo. Lc 1. Por um lado. O Novo Israel de Deus será congregado no Último D i a para adorá-Lo (Mt 24:31. pois.3 Este aspecto sola fidei do Antigo Testamento precisa ser enfatizado em contraposição às re-leituras secularizadas ou marxistas que se fazem do Antigo Testamento.13). não no homem ou no processo natural da história (Sl 39. Um novo e maior Templo surgiu (Mt 12. O Reino escatológico de Deus é ainda futuro IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 39 .1-4). Sf 2. é o futuro Reino de Deus. Is 66. não um.7). incréus tem por objetivo conduzir pecadores ao arrependimento (p.5 O Novo Testamento apropria-se destas promessas do A n tigo Testamento e enquadra-as na moldura do "já — ainda não". A ameaça da ira escatológica de Deus contra os. o " D i a do S E N H O R " chegou (2 Co 6..17). Não é uma especulação abstrata. Mas a promessa da misericórdia escatológica de Deus visa criar e manter a esperança em Yahweh (Sl 73.16-20). ela conclama ao arrependimento do pecado e ao exercício da fé (p.14)..e que serão desfrutadas apenas pelos crentes. 3).28-29).18ss). Jo 2.3.1-2). Gl 3. At 2.4 Da mesma forma a função das promessas escatológicas de conclamar pessoas à fé e à esperança em Deus deve ser reiterada para neutralizar neoapocalípticos que utilizam profecias do Antigo Testamento como bola de cristal para satisfazer a curiosidade humana sobre o futuro. O prometido futuro do Antigo Testamento é um futuro centrado no Evangelho. Cristãos hão de herdar as promessas feitas a Abraão (Rm 4. Ap 14). não uma utopia econômica ou política.13ss. A escatologia do Antigo Testamento é. 40-66). O Filho de Davi e o S E N H O R de Davi virá novamente (Ap 22. através de Quem todas as nações da terra são abençoadas (cap. as promessas escatológicas vetero-testamentárias cumprem-se em Cristo. ex. O escatológico Reino de Deus manifestou-se em Cristo (Lc 11. o Novo Testamento projeta as promessas do Antigo Testamento na tela do futuro e declara que a consumação é um "ainda não". ex. Cl 1.1-3.22). At 2. ex. de uma relevância muito prática.24).. Na carta ao Gálatas o apóstolo São Paulo afirma que Cristo é o "descendente" de Abraão. é uma certeza em Deus. A certeza que as promessas escatológicas produzem é uma certeza em Yahweh. o maior Davi chegou e assenta-se no trono davídico como Rei sobre todos (p.29-30). sentimento piedoso com vistas à otimização do mundo. Um.32.

como diz o profeta Isaías. descrevem os últimos dias como de guerra contra Israel.(Mt 25. 21. Os inimigos são nações distantes do norte e do leste (38. Os fenômenos cósmicos têm sua imagem provavelmente derivada da teofania divina no Monte Sinai onde havia trovões e relâmpagos e o monte esfumaceava e tremia (Ex 19.30-31). Por esta razão não devemi ser interpretados literalisticamente como os dispensacionalistas geralmente o fazem. Esta linguagem teofânica é projetada no futuro yôm Yahweh. Por outro. dia assombroso em que a terra irá estremecer e até os corpos celestes irão se entenebrecer (p. fenômenos cósmicos e intensa tribulação contra os santos. os cristãos são também pecadores vivendo num m.10-19). A ordem divina ao profeta de falar "às aves de toda espécie.34).1-11). por isso. A morte ainda será tragada (Ap. por exemplo. não se pode cogitar em uma guerra moderna no Oriente Médio ou no atual conflito no Golfo Pérsico..e apocalípticos.6 Deve-se considerar que estes textos empregam figuras e vestem.17) demonstra a natureza simbólica da linguagem. ex. de novo.14-18. os incréus esconder-se-ão ante o Seu terror (2. e a todos os animais do campo" (39.7 O texto enfatiza que Yahweh trará estes inimigos contra Seu povo Israel e depois os destruirá para vindicar Sua santidade perante as nações.1-25). ou seja. Textos do Antigo Testamento falam de uma intensa perseguição contra os santos pouco antes do eschaton. Jl 2. Estes sinais cósmicos dão testemunho Daquele que está por vir: O S E N H O R dos Exércitos aproxima-se e com tão grande ira que.18-20. Por um lado. Os capítulos 38 e 39 de Ezequiel. Sf 1. O intérprete bíblico precisa reconhecer que tais textos estão escritos em gêneros proto. Ezequiel 38 e 39 não devem ser interpretados literalisticamente. O profeta emprega linguagem tipológica para descrever os derradeiros estertores dos 40 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .4). Am 5.undo caído e. A identidade de "Gogue da terra de Magogue" é imprecisa mas com certeza não se referem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como. aguardam ainda o desfrutar destas bênçãos ao vivo e em celeste dimensão.2-6). os cristãos já se regozijam com as bênçãos escatológicas de Deus pela fé. O " D i a do S E N H O R " ainda está por vir (1 Ts 5. Sinais escatológicos 0 Antigo Testamento apresenta o escatológico " D i a de Y a h w e h " como sendo precedido e acompanhado por determinados sinais que podem ser agrupados em duas categorias. sua mensagem com indumentária antes de Cristo. Meseque e Tubal foram localizados na Anatólia. dispensacionalistas sustentam. Não obstante a dificuldade em identificar os lugares. Os profetas o descrevem como um.

virá de Roma. Esta guerra final estará sob o controle de Deus e através de Sua vitória Yahweh vindicará Sua santidade diante de todos. Antíoco IV. Nestas visões dadas a Ezequiel este " v i l ã o " escatológico é descrito em termos semelhantes ao tipo. ou seja. que Ele virá "em fogo" (66. Por outro. A ênfase de Zacarias está novamente em que Yahweh manifesta Seu domínio sobre todas as coisas vencendo os inimigos do Seu povo.36-15). utiliza esta figura de Ezequiel para descrever o "pouco tempo" de Satanás contra a Igreja. Seu fim. A linguagem. destacam o yôm Yahweh como evento imponente. estes textos revelam algo da natureza do perseguidor. Daniel enfatiza que tal perseguição será comandada por um " r e i " mau. embora numa abordagem diferente da de Ezequiel e Zacarias. em Apocalipse 20. entretanto.8 Também este será condenado no julgamento final.26. O apóstolo São Paulo. Por um lado o yôm Yahweh é um dies irae em que Deus consumirá todos os iníquos' (1. dies illa. São João. como vimos. Ele se arrogará prerrogativas divinas e atacará o povo de Deus (11. Este escatológico "dia do S E N H O R " tem seu locas especialmente em Sofonias. o yôm Yahweh. da mesma forma levantar-se-á um " r e i " mau que perseguirá. a quarta besta.45). uma guerra final contra Jerusalém. entretanto. Ele reinvidicará prerrogativas divinas. em. é tipológica: assim como Antíoco irá perseguir os santos no período grego.inimigos do povo de Deus. 11.15 por dies irae.2-3). Daniel 7 e 11 também mencionam uma perseguição escatológica contra os santos. Jerônimo traduziu Sf 1. O profeta. em especial. visível a todos. O profeta Zacarias no capítulo 14 também descreve. A teofania do Sinai.8-9). Outro aspecto relevante na escatologia do Antigo Testamento é o Advento de Yahweh. Contudo. Zacarias lembra que Ele virá com todos os Seus anjos (14. o Anticristo. Isaías. perseguirá os santos.7-10. em linguagem apocalíptica. aqueles "que invocam o Nome de Yahweh" — tanto o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 41 . 2 Tessalonicenses 2 cita Daniel 11: o Novo Testamento relaciona este " r e i " mau com o "homem da iniqüidade". o antítipo não é replica exata do tipo. Em sua descrição este personagem é um novo e maior Antíoco IV. Como ocorre com toda linguagem escatológica. tempos passados. Os profetas.5). E l a tem por objetivo "refinar" e "testar" o Israel de Deus visando primordialmente fortalecer a fé do remanescente (13. os santos na era escatológica (7. é o tipo da grande teofania escatológica. que passou a ser tema musical na Igreja Católica Romana e Protestante sendo também parte do repertório do coral do Seminário em. não tardará em chegar (7. revela um outro propósito para esía intensa perseguição.20-27).15).

Empregand. Cristo é Yahweh que vem em glória. ou ainda heméra Christou (Fp 1. Isaías'26. A l é m de exemplos de mortos que ressuscitam em Israel (cf. É como se Ezequiel estivesse a dizer: assim como haverá ressurreição dos mortos. que o ministro confronte esporadicamente perante sua congregação a mensagem bíblica da ressurreição com a antagônica teoria da reencarnação. quando é teologicamente elegante priorizar toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". Silêncio. ou heméra Christou lesou (Fp 1. É oportuno. em que o Novo Testamento atribui a Jesus Cristo o que o Antigo Testamento atribui a Yahweh. c mister enfocar também a ira 42 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .7).remanescente quanto os gentios que crêem — serão salvos (3. A l i a expressão é. muito menos negação. A ressurreição como realidade escatológica deve merecer a atenção devida.8). ela implica e pressupõe a crença na ressurreição do corpo. retratado como ossos secos.. porém. A aplicação desta imagem sugerida pelo profeta só pode ser compreendida à luz da ressurreição física. como pelo fato de a cultura religiosa brasileira. 2 Rs 4. Embora a figura da ressurreição seja empregada metaforicamente. vez por outra. há referências claras à ressurreição escatológica no Antigo Testamento como Jo 19. Sf 1. Daniel 12 e outras. Não raras são as vezes. p.o a figura do "levantá-los" da sepultura.25. alterada para hê heméra toa kyríou hymon lesou Ghristòü (1 Co 1.6).21). impregnada de conceitos. A divindade de Cristo já se manifesta na era vétero-testameniária. como nestes casos. O Novo Testamento fala do "dia do S E N H O R " com uma significativa ênfase. 1 Rs 17. Uma passagem significante e que por vezes tem recebido interpretação desvirtuada em cenários críticos é Ezequiel 37. A Septuaginta traduz yôm Yahweh como hê heméra tou kyríou (cf. poder tornar-se obstáculo à apreensão de seus benefícios salvíficos por parte do ouvinte. Verdade é que o Antigo Testamento não fala sobre a ressurreição corpórea dos mortos com tal freqüência como o faz o Novo. não apenas por ser central na teologia e pregação cristãs. portanto. ex. A ressurreição é mais um aspecto relevante da escatologia do Antigo Testamento. 2 Rs 13. Numa sociedade com tendências ao universalismo. não significa ausência.10). Em outras palavras.9-20). imagens e expressões espiritualistas imitativos do conceito bíblico de ressurreição. também Israel será "ressuscitado" da "morte" do exílio.9 Neste capítulo o profeta aplica a imagem da ressurreição de mortos ao Israel em exílio.10 Uma característica de Yahweh que o Antigo Testamento enfatiza repetidas vezes é Sua ira e que precisa ser seriamente considerada ao se falar da escatologia que se propõe bíblica. Yahweh está prometendo restaurar Israel e trazê-lo de volta à sua terra.

4-5). É o que nossos dogmáticos denominam Sua voluntas consequens.11 Ê por causa do mundo que era ímpio que Deus envia o dilúvio (Gn 6). é "Morte" com " M " maiúsculo prenhe de conotações horrorizantes para descrever uma realidade distante de Yahweh. é por causa da abominação de Sodoma e Gomorra que Deus as destrói (Gn 18-19). Finalmente. 79. 31. Os salmos não se cansam de doxologizar a frase "Yahweh salva por amor do Seu Nome" (p. é por causa da maldade das nações que Deus as lança fora de Canaã (Dt 9. Com freqüência aqueles sobre quem Yahweh assopra Sua ira são chamados Seus inimigos e afrontantes de Sua Igreja. Enquanto "morte" é lei.. por exemplo.9.12 A compreensão de " v i d a " no Antigo Testamento deve ser entendida em relação ao que acabamos de dizer. ou fidelidade. Apenas Ele é a fonte da vida (36. ex.32). O primeiro ponto a observar é que Yahweh é provocado à ira. O dom da vida está fundamentado na imerecida chesed. ex. Deus havia dado aos Amoritas 400 anos antes de os lançar fora da terra. o salmo 49 atesta vida após a morte quando o autor diz: "Mas Deus remirá a minha alma do poder do sheol. O salmista ora por livramento da "Morte" neste sentido máximo. de Yahweh. cujos nomes são encontrados "escritos no livro" da vida (Dn 12. Yahweh é "tardio em irar-se". 54. " v i d a " é evangelho. vez por outra. não acolhiam nem dez justos.11). A vida eterna é sola fidei cujos recipientes são os que "invocam o Nome do S E N H O R " (. ao contráIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 43 . Sodoma e Gomorra. 42. À luz do versículo 10 o salmista espera morrer.9. No seu contexto. fala da morte neste sentido. Eles são incréus. visto ser este o tipo de morte a ser vivenciado pelo descrente. Yahweh "não tem prazer na morte do perverso". "cova" para designar o fim são termos de sentido ambivalente. Em contraste com a "morte eterna". O Saltério. O salmo 139 diz que Deus estará com ele mesmo que este faça a sua cama no sheol (v. É "morte" no seu sentido mínimo. termos como "morte". 113.1-2).de Deus para que eventualmente não nos integremos a esta i n clinação aeróbica. pois Ele me tomará para S i " (v. Em outros contextos ela assume um sentido máximo.13 Mesmo a morte temporal não separa o crente de Yahweh. aqueles de quem Deus "não se lembra". Em determinados contextos o termo "morte" tem a conotação de morte temporal apenas.3. cuja causa está na desfé e impiedade humanas. a causa da vida eterna é a chesed de Yahweh. fala dos que estão na sepultura e no sheol como "desamparados". os recipientes da ira de Deus são dela merecedores. Mas. "sheol".8).. p. ou a Sua voluntas antecedem.1. 8).11 2. 15). Em segundo lugar. O Salmo 88.

o solo será abundante em cereais. Dentro da ordem da criação o ser humano deve mordomear o mundo natural. Por todo o Antigo Teslamenfo os seres humanos e o mundo natural são interdependentes. nas palavras dos salmo 73.25-26). para surpresa de alguns vegetarianos. Adão dá nomes aos animais (2.6-9). Águas vivas fluirão de Sião (Zc 14.19-20). Não há nada pecaminoso ou inferior em que seres humanos habitem a terra. é o novo céu e nova terra — é a nova criação. Para melhor compreender a nova criação. Até os profetas protestam contra a destruição ecológica (Is 14. Pelos textos acima pode-se ver que a nova criação é reIcalada como estando em continuidade com a presente criação. Montanhas e outeiros destilarão vinho envelhecido e leite (Am 9. o homem deve "cultivar e guardar" o solo (Gn 2. A terra foi dada ao homem. ele será remido por Deus e. 2 Rs 17. O Antigo Testamento não acarinha um desejo platônico de deixar a terra e viver com Deus em alguma esfera ideal. Animais selvagens "não farão mal nem dano algum em meu santo monte". diz Deus (Is 11. recebido na glória. Ao invés de fazer brotar espinhos e abrolhos. O deserto será frutífero e o Mar morto repleto de peixes (Is 35. O profeta Amos retrata a terra tão fértil que enquanto a ceifa se processa. criaturas. já é tempo do novo plantio (9. O mundo foi feito para os seres humanos. O problema é que a ordem criada está sob a maldição divina desde 44 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Estes e outros textos pintam o retorno ao Jardim do Éden. após a Queda. Ez 47.rio do perverso. 17. O povo não mais terá fome (Ez 34. (SI 115. Nos livros de Samuel e Reis animais selvagens atacam pessoas (1 Sm.16).1).13-14).37.8).26-29). Os autores bíblicos não se envergonham de serem.3). Em Gênesis 1 e 2 lê-se que a humanidade é o clímax da criação de Deus. He 2. Deus lhes concede também os animais como alimento (9. fome e terremotos fustigam a humanidade (Gn 12. etérea. Violência não haverá mais porque homens e animais viverão em harmonia. O último aspecto relevante da escatologia do Antigo Teslamento que queremos destacar é o da nova criação. Am 1. que será consumido pelo sheol. é o reverso do mundo amaldiçoado. A partir da Queda a natureza investe contra a humanidade e a humanidade abusa da natureza. necessário se faz que retrocedamos à situação edênica e pós-edênica. 0 problema não está com a natureza criada em si. A escatologia do Antigo Testamento apresenta o reverso desta situação. diz Yahweh (Is 65. Deus dá as plantas como alimento para homens e mulheres (1.13). Espinhos e abrolhos amofinam o labor do homem.29-30) e após o dilúvio.25). Entretanto.15).8ss).10. O mundo é a praça da humanidade.8. a situação se radicaliza: Yahweh maldiz o solo.17).

ed. C . Uma análise mais popular pode ser encontrada em P L U E G E R . São Paulo. 4 Cf. Things to come for planei earth. Cruzada da Literatura Evangélica do Brasil e Mundo Cristão.. L o u i s . de Mendonça. The theme of lhe pentateuch. A figura de animais convivendo em h a r m o n i a e cereais em abundância indicam o reverso da natureza amaldiçoada. Hall e C A R L S O N .7-9). Em conclusão podemos afirmar que a escatologia do A n tigo Testamento é uma proposta missiológica-soteriológica de Deus. Aaron Luther. ERICKSON. Os mesmos textos. cf. suas ameaças visam. trad.. Embora os profetas mencionados ainda falem do futuro em termos de terra de Israel antes de Cristo. Vida Nova. 1973. São Paulo. 98. Por isso o escatológico D i a de Yahweh trará livramento e "alegria" não apenas aos homens pecadores como à criação em geral (Sl 96.J. A .. 1968 explora este aspecto com propriedade. Maria Clara L. 5 Talvez o mais popular nesta linha seja LINDSEY. Concórdia.. seu final glorioso. setembro 1989. Por outro. s. tomo X.a Queda. 1. seu propósito no mundo. In: A Libertação na História. Walther. NOTAS FINAIS KAISER. 3 ZIMMERLI. 2 CLTNES. ex. Para um estudo mais abrangente dos movimentos milenistas recentes. inseridas nelas estão as promessas de vitória para o justo: os inimigos do povo de Deus serão vencidos. 1977. chamar o descrente ao arrependimento e à fé. Millard . Vozes. Petrópolis. St. revelam que a nova criação é apresentada como estando em descontinuidade com a presente criação. Escatologia Cristã. Vanderhoeek und Rupreeht. p. Walter C. David A. Der Mensch und seine Hoffnung im Alten Teslament. 1978. Uma escatologia bíblica precisa levar em consideração esta descontinuidade tanto quanto a continuidade. David J . A Igreja de Deus precisa constantemente recorrer à escatologia porque nela encontra sua origem na graça. University of Sheffield. e BINGEMER. João B. Na escatologia está o conforto para momentos de perseguição e a certeza da presença do S E N H O R também para o "Israel de D e u s " deste lado da cruz. LIBÂNIO. série III. Opções contemporâneas na escatologia: IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O T/1991 45 . por outro lado. 1980 visualiza esta promessa como permeando todo o Antigo Testamento. Gottingen. Embora aterrorizantes.11-13. 6 Uma breve mas excelente avaliação critica destes movimentos numa ótica luterana (e que clama por tradução) está em The end times: a study on eschatology and millenialism — a report of the Comission ore Theology and Church Relations of the Lutheran Church-Missonri Synod. sua descrição mostra uma terra bem diferenciada e maior do que a Terra Prometida. C . Teologia do Antigo Testamento. s. A agonia do grande planeta terra. 1985.

New York. John. p. Jacobs. trad. 287 e suas referencias ao capítulo 2 de Daniel. Embora Erickson se mostre crítico dos movimentos de forma geral. 11 SCHMIDT. Charles A. Cf. Grand Rapids. 3. 54-65.. Gordon Chown. Aula inaugural proferida a alunos e professores do Seminário Concórdia no dia 27 de fevereiro de 1991. ex. Columbus. trad. p.. 398'ss. cil. Baker. Vida Nova. Augsburg. p. 1961. Augsburg. Eerdmans. Charles Scribner's Sons. Reencamaçao ou ressurreição? São Paulo. Hay e Henry E.um estudo do milênio. 9 Cf. ele mesmo inclina-se a um "pré-milenismo pós-tribulacionista". também L E U P O L D . Minneapolis. 2.. The book of Ezekiel: a criticai and exegetical commentary. Edward J. G . 275-94. p. Hà. 1949. ed. H . 1985. Grand Rapids. the doctrinal theology of lhe Evangélica! Lutheran Church. óp. 1982. São Paulo. p. Foes from the Noerthern frontier. Edwin M. p. Heinrich. Cf. v.. Cf. 162-68 13 SCHMIDT. 1972. Minneapolis. A bibliografia sobre o assunto é ainda bastante incipiente mas uma boa introdução sobre a matéria pode ser buscada em SNYDER. Keilh Crim. 282-83. 8 Um longo estudo para a identificação da quarta besta no capítulo 7 é feito por YOUNG. também LINDSEY. trad. Vida Nova. Theology of the Psalms. cr/. C . Heinrich. p. The prophecy of Daniel: a commentary. Hans-Joachim. 46 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . COOKE. A . 12 KRAUS. In: The International Criticai Commentary. 1937. Exposüwn of Daniel. The Wartburg Press. op. Y A M A U C H I . 1982. 1986. rev.

conforme a Série Histórica Revisada). T a l ingênua afirmação do Pentecoste como espetáculo impressionante esquece entretanto que nem os céticos de plantão no dia do Pentecoste se deixaram impressionar. é por sua decisão exclusiva. não se sabe de onde vem. e todo cristão é agente passivo. A narrativa de Atos 2 tem servido para mostrar que afinal. O Pentecoste não foi este espetáculo impressionante capaz de revolucionar o universo. DIA DE PENTECOSTE João 14. Entretanto. o Pentecoste não foi um espetáculo capaz de fazer calar os céticos. como diz o apóstolo: A igreja se edifica a si mesma. o que o Pentecoste tem de especial e único é o fato de ser uma data.AUXÍLIOS HOMILÉTICOS (Os auxílios homiléticos desta edição baseiam-se no Evangelho do Dia. convence pelo uso de truques de magia. Deus pode e vai impressionar os sentidos e assim sacudir os céticos e dar força à mensagem dos seus. O Espírito Santo não hipnotiza. etc. Os céticos de plantão naquele dia gozaram: Estão embriagados. Quando o Espírito Santo age extraordinariamente. como línguas de fogo. um marco. nem. falar em línguas. Primeiro. que fixa o novo tempo de Deus com o homem em busca do perdido. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 47 . Fixar-se neste aspecto do Pentecoste tem um aspecto positivo. "Estão embriagados". nem para onde vai. poder. Segundo.23-27 19 de Maio de 1991 A Festa Ao longo dos tempos o Pentecoste tem sido visto pelos cristãos como se tivesse sido equivalente a um espetáculo moderno de luz e som. disseram então e até boje gozam dos cristãos. crentes. A pregação do dia de Pentecoste deveria por isto evitar dois desvios que facilmente se notam. curas. Ele age na quietude do coração. muito menos convencer. sob certas circunstâncias. nem arrasta os sentidos. o Espírito Santo não age.

Eu preciso é interpretado como " E u já precisei". Estranhamente vão explicando o sentido de tudo aquilo que acontecera nestas ultimas sete semanas. Talvez porque os discípulos. Amá-lo significa amar o sentido que ele manifesta e objetivamente deu à sua vida na sua Palavra. Ou. "o mundo precisa". o que a igreja pode guardar e experimentar como o seu Pentecoste hoje? Isto Jesus mesmo definiu em textos como este do Evangelho que a Igreja tem separado para este dia. E n quanto estou convosco e depois. o 50° dia depois do Passa. de repente se vêem envolvidos numa situação em que já não podem não falar. o homem aprende a reconhecer o sentido da sua própria vida. Estão embriagados. dando tal impressão? 0 que e como aconteceu realmente naquele dia? Os discípulos nunca mais reeditaram o Pentecoste dos fenômenos. Mas quando é que eu preciso deste Salvador ao ponto de amá-lo somente por ser o meu Salvador e ao ponto de me apropriar da sua Palavra como sendo esta palavra que me dá a sua salvação? Será esta talvez uma das grandes falhas dos cultos do Pentecoste. " E u ale precisaria". a festa das sete semanas. falassem hesitantem. Palavra esta cuja manifestação está restrita aquele pequeno grupo (v. A partir do momento em que percebe o sentido que teve a vida de Cristo. não acreditando no seu dom. dizem os céticos. a festa que celebrava o fim da safra dos cereais. que aquela morte era a libertação para todos? 48 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . este aspecto confessional está ausente da pregação cristã e está na origem dos desvios que sofre o Pentecoste. Os discípulos.) enquanto está unido ao depois "pela palavra que vos tenho dito". ou geralmente. que até ali estiveram calados. Jesus está vivo e presente. Não sentem barreiras na comunicação. Este sentido projeta-se em primeiro lugar sobre o próprio indivíduo: Eu preciso de salvação. que se linha celebrado com as primícias. Onde a palavra se faz ouvir. (. este retorno ao ponto de partida. Aí Jesus distingue dois momentos.ente. De tudo aquilo que se passou neste dia. este retorno ao espírito de arrependimento? Ao mesmo tempo em que os discípulos se demonstram co-responsáveis do crime. A igreja de todos os tempos é uma e a mesma em todos os lugares sob uma condição . Naquela ocasião aconteceu por exemplo o pentecoste israelítico.O Espírito Santo ilumina o entendimento a partir do anúncio do Evangelho. Ou. Esta renovação da confissão da própria indigência espiritual. o Pai faz morada.SE — amar a Jesus for igual ao guardar sua palavra. Ou não? Às vezes. ou falando na surdina. 22). proclamam.

. como Pedro. a resposta é não. consola e conforta? Muitos cultos de Pentecoste não passam de discurso "a respeito" quando deveriam ser testemunho pessoal de uma congregação/pregador que reconhece.. a primeira tese: "Quando nosso Senhor Jesus Cristo disse. em levar avante a mera rotina do discípulo daquele Jesus. se. O texto "Se alguém me ama. isto sim.É neste sentido que o Espírito do Pentecoste soprou na Reforma Luterana. O último a se dar conta disto fora Tome. É na avaliação correta desta observação que hoje pode existir Pentecoste. nem tudo que se faz invocando o Espírito Santo. deve preocupar uma igreja nos dias atuais. O que se pode ainda esperar de homens como nós? Somos realmente capazes de provar a nossa dedicação a Jesus? Tudo visto e provado." Para guardar a Palavra de Jesus é preciso por isto antes e acima de tudo reunir-se novamente com.. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 49 . Quem vai transmitir esta sua palavra que perdoa.. A igreja toda confronta-se outra vez com.. Não conseguiam esquecer disto. Se alguém me ama — esta condicional exige mais do que simplesmente ser alguém que admite e testifica diante dos homens que o pecador tem um Salvador em Cristo. nem tudo que se ensina de acordo com as Escrituras pode por este fato ser visto como o Pentecoste. Não eram também. Porque nem tudo que se chama Pentecoste. se." Esta condicional que Jesus introduz. Especialmente agora que E L E não está mais conosco. mas ileso. Se alguém me ama. que os desobedientes à L e i de Deus o crucificaram.. os seguros e infalíveis visionários conscientes de que inspiração divina era-lhes sempre acessível. em vez de ficar se lamentando. mas também falharam. tímidos e inseguros. Eram. Mas. Como alguém que tendo se acidentado contra um alimento na estrada. sai estrada fora avisar outros motoristas do perigo que está à frente. Conscientes de que falharam nem só nos momentos cruciais. E com ele. Aqueles homens não foram aqueles heróicos e intrépidos desafiantes de um mundo hostil. Arrependei-vos. de grande desafio. quanto maior era o carinho e amor com que tinham sido concretizadas. toda a congregação ao pé da cruz para reorientar a partir daí toda a avaliação que se faz da vida individual e da vida comunitária do cristão. pressupõe o testemunho pessoal como resposta. nenhum linha escapado a quedas redundantes e repreensões tanto mais contundentes.

isto aprendemos a reconhecer o amor dele e o desamor e a falta de comunhão a que o pecado nos relegou.. A única coisa segura é o amor D E L E . E L E teve carinho e perdão para todos. Este é um amor sobre o qual se deve falar. que nun. se mais não podem. E se. se identificam com. temos de desconfiar de nós. para o qual se deve apontar. O nosso amor por ele. ao comermos o seu corpo. Claro. em.o momento seguinte dava-se conta que o amor era sempre novo e infinito. nós não deixa nunca de ser uma forma de amor próprio. mas evitam comprometer-se com ele. Mais ainda.ca nos conseguimos. Este amor por nós encontra sua expressão mais viva no sacramento para o qual estas palavras são essenciais. profunda e completa. enquanto que o seu martírio e sofrimento sacrificiais são nos incorporados no seu sangue que bebemos. Aqueles para quem pecado é uma realidade sensível. os que lutam. também corrói a consciência. Amar a Cristo é amar o que E l e nos dá. Pessoas que têm consciência do mal feito a Cristo e aos cristãos... No sacramento este Deus por nós é o Deus que se dá por nós ao ponto de se incorporar totalmente em nós. assaltados pelo pecado e caídos em pecado. E por isto. E prevenia de que ele tinha de ir sozinho. para o qual se deve falar. trabalham e oram. identificar com ele.. até no caso de Judas. hábeis em não 50 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . visto e reconhecido o amor Deus como tal. A quem isto interessa? A quem o mal. com o sofrimento do inocente. No entender de Lutero. Com. se. Mais ainda isto nos constrange e envergonha porque ele repetidamente prevenia disto. nada mais consegue ser do que a confissão e testemunho daquilo que o seu amor faz por nós. Quando os discípulos achavam que tinham. os que não são indiferentes com a injustiça nem. Tão completamente alheios e estranhos somos ao amor de Deus. Mesmo que isto lhe tenha acarretado aquela morte horrível. o amor que nos é dado de maneira tão ampla. que corrói o mundo. os que estão na adversidade. Estes são aqueles que não só querem o benefício do Sacramento. A solução foi desistir de querer provar que somos capazes de nos alinhar com Jesus e amar como ele ama. Não teria ninguém por ele. E aceitar que o amor em nós será sempre este grande SE. Por isto. e. mas também aceitam a comunhão nele contida. existem aqueles que desejam os benefícios do amor de Cristo. enfim. n. Desistir. é reconhecer que todo o esforço de amar. Finalmente é nisto que seguidores tornados tímidos e inseguros se agarram como sua garantia pessoal.O incrível é que em tudo. comemos a sua vida e suas boas obras.

de fraqueza.envolvimento. São egoístas a quem este Sacramento do amor não beneficia em nada.") este Deus é o Deus que faz o Pentecoste. (e Jesus enfatiza: "Esta palavra não é minha mas do Pai. a comunhão que nós agora podemos oferecer aos que carecem deste amor do qual Cristo nos enche constantemenle em. aí existe consciência de pecado. Este problema é atual na medida em que reconhecemos que o só guardar a Palavra parece deixar a igreja insegura e perturbada. a comunhão que nos é dada por Cristo e por toda a cristandade passada. desconhecida no mundo — a sua paz. Este Deus que vem comungar a vida com o homem. o indigno. não intervêm a favor da verdade. Aí é preciso consolo. a força e a esperança que o amor de Cristo selou para os seus no sacramento. não têm paciência com os que se lamentam. O amor do Deus Salvador pelo perdido. evidentemente está sendo focada por Jesus como um problem. Uma. honras) a favor da igreja e dos cristãos. favor de outros necessitados como eu. propriedade. (Lutero) Mas onde alguém tem consciência de que sua comunhão com Cristo é esta comunhão mais ampla. de faltas. não defendem o ausente. que não partilham a dor dos outros. presente e futura. P a r a tanto enfatiza aquilo que faz o Pentecoste permanente nos corações — o amor do P a i para todo aquele que toma consciência de que não existe amor naquilo que o mundo oferece. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 51 . Esta comunhão e sua manifestação tem nome: o amor. Uma igreja que busca o sucesso em sintonia com os movimentos e expectativas do mundo. que por isto altera suas prioridades. não suportam os fracos de caráter. do perdido pelo Salvador que por sua vez comungam o amor pelos perdidos. E segunda. O objetivo que Jesus propõe é que esta igreja confie e assim goze de uma paz nova. Desta consciência brota a fome e a sede que constantemente precisam ser mitigados. não dignificam. Se alguém me ama: aí está a realidade do Pentecoste — o agir do Espírito no espírito de Cristo para a comunhão dupla no amor de Cristo. O Pentecoste diário O problema que Jesus aponta no texto é o temor e a perturbação da sua igreja/discípulos. nada arriscam (vida. Mas este Deus comunga no singular e se manifesta no plural.a. Não se envolvem com pecadores declarados.

I — Diante da hostilidade — II — Diante dos desafios à — Conclusão: Não se turbe o vosso coração.23). fé o Consolador nos ensinará. porventura.29).9-11). Surpreendera a todos ao expulsar os vendilhões e cambistas do templo (Jo 2. 0 primeiro ano do ministério de Jesus.1-8 26 de Maio de 1991 E r a a primavera do ano 30 d . o Cristo?" (Jo 4. Tema: A promessa de um Pentecoste permanente — meu Pai o amará.Tema: O Pentecoste será permanente se guardarmos a sua Palavra. C . Tema: Este é também o meu Pentecoste. do mundo faremos nele morada. P. Chamara-o de Cordeiro de Deus (Jo 1.17) mexera com as consciências.29. P. Entre os muitos assuntos na boca do povo. II — Reconheço a mesma promessa do Pai. Sua pregação (Mt 4. Jo 1. A cidade de Jerusalém fervilhava de peregrinos. 52 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . II — Porque ela nos ensina e depender do amor de Deus. Wairich PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 3. um se destacava: quem. III — Confio nas mesmas bênçãos. I — Me reconheço na timidez daqueles discípulos.13-16). Tornara-se benquisto do povo ao curar os seus enfermos (Jo 2. Época da Páscoa.36). No coração de todos estava a pergunta: "Será este. I — Porque nela Deus confirma o seu amor. é este Jesus de Nazaré? João Batista o batizara (Mc 1.

ou componentes do Sinédrio.5).5). Titulação reservada aos escribasí versados na Escritura. para mais uma vez deixar bem claro que o reino de Deus não se concede por hereditariedade.. Entre os que tinham dúvidas. João Batista já OS advertira deste falso conceito (Mt 3. Proferiu o anonimato da calada da noite. . De noite. Agora em relação a Jesus. Jesus esclarece: "pela água e pelo Espírito" (Jo 3.3).2). O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 53 .7). . creram no seu nome" (Jo 2. . talvez porque durante o dia Jesus estava por demais ocupado com o atendimento do povo. se Deus não estiver com ele" (Jo 3. no tempo de Jesus.Uns diziam. 0 "sabemos" se refere talvez a um grupo de fariseus. "vendo os sinais que ele fazia. " (Jo 3.6. Daí o solene juramento de Jesus: " E m verdade.19-28). mas procede do "nascer de novo". de projeção social. Em que consiste este "nascer de novo?" Em "voltar ao ventre materno?" Como ironicamente perguntou Nicodemos? Não.23). que não. o supremo tribunal eclesiástico dos judeus. De noite. Jo 2. . liderados pelo próprio Nicodemos que já anteriormente haviam enviado uma comissão a João Batista para saber se ele era ou não o Cristo. " (Jo 3. Estas versavam sobre dois temas fundamentais: a questão do arrependimento e do reino dos céus (Mt 4. Seu nome.. Queria testar a capacidade teológica de Jesus. "um dos principais judeus" (Jo 3. descendência de Abraão lhes conferia o reino de Deus (Rm 9. degenerara em fanatismo nacionalista e num partido político radical. estavam convencidos que ele era "Mestre vindo da parte de Deus" (Jo 3. eminente teólogo. uma vez que "ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes.23).9).17). culto e diríamos boje. Nicodemos tomou uma importante decisão. Acontece que para os fariseus não havia necessidade de um "nascer de novo". Não queria expor-se a críticas de colegas.2.2). Outros. manifestavam dúvidas. M u i tos. Ele inicia seu diálogo chamando Jesus de Rabi (Jo 3. Homem de bens. Ele era também membro do Sinédrio. Na ocasião João Batista lhes assegurou: " E u não sou o Cristo" (Jo 1. em verdade te d i g o . porém. Ele era fariseu. encontrava-se um ilustre cidadão de Jerusalém. Certamente Nicodemos ouvira as pregações de Jesus. talvez porque não queria assumir publicamente esta visita.1).. Nicodemos. Ter um encontro pessoal com Jesus. Mestre. Tanto faz. o simples fato de serem. Assim "de noite foi ter com Jesus" (Jo 3. 0 importante é que Nicodemos foi encontrar-se com Jesus.. Ou seja. um. portanto. Seita que. Dai a afirmação de Jesus a Nicodemos: "se alguém não nascer de n o v o .2). Segundo eles.

Importa-vos nascer de novo 1. Vemos a sua força. o físico. o segundo nascimento. Assim Jesus se revela a ele como o Messias profetizado. 0 Catecismo Menor (perg. É uma ação do Espírito Santo. Qual o objetivo deste "nascer de novo?" — "para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". 0 "novo nascimento" é dinâmico. 8. Cl 2.5. ele sofrerá (Is 53) e será levantado numa cruz. Nicodemos tinha dúvidas sobre a messianidade de Jesus. nascer espiritual. sua ação. Porém. É "nascer de novo" pois o convertido nasce para Deus (Rm. a exemplo do que aconteceu no deserto no tempo de Moisés (Nm 21. 1 Pe 2. Qual o objetivo deste sacrifício? "Para que todo que nele crê tenha a vida eterna" (Jo 3. O vento é uma realidade. isto é. para a morte.9). é um nascer terreno.19. água de vida. A pergunta de Nicodemos: "Como pode um homem nascer.13). Este é o reino de Deus.22-25).7. Walter O. a vida eterna. como diz Paulo a Tito 3.26.primeiro nascimento.27). Dai a importância do "nascer de novo". 2 Pe 3. Gl 3. Antes porém. Gl 5.8). A resposta de Jesus: "pela água e do Espírito. Ele veio do céu e para o céu retornará (Jo 3. cheia de graça e um lavar de renascimento no Espírito Santo. pelo arrependimento 2. a água é batismo. 2. para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Steyer 54 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .15). sendo velho?" 1. 299) afirma: "mas com a palavra de Deus. "assim é todo o que é nascido do Espírito" (Jo 3. Jesus usa a figura do vento.2.14. o "nascer de novo" é um. Ante a incompreensão de Nicodemos.18. Deve agir no munido através da santificação (1 Co 3.

32. . 20/21 — Lázaro é a oportunidade do rico. especialmente dos fariseus (Lc 9. O rico não recebeu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 55. Peréia e Judéia.14). 25). se quisermos traduzir o nome de "Lázaro". 22 — Havia a crise. pois não levava a sério "Moisés e os profetas" (v. Jesus Cristo c agora o cumprimento desta aliança eterna de Deus. A oportunidade de fazer amigos estava diante da sua porta.20). e que era necessário "fazer amigos" com as riquezas.16). Já fora feita pela " l e i e os profetas". mas uma história veridica como ilustração. e o amor às riquezas de que os fariseus sofriam (Lc 16. E r a um mau administrador dos bens que havia recebido de Deus (v. pois estava junto à mesa do rico para comer as migalhas. Jesus proclamava "o evangelho do reino de Deus". em contraste com o seu amor às riquezas em que "se regalava esplendidamente".40). Por mencionar o nome de Lázaro Jesus certamente não contou uma parábola. que era a culminância da revelação de Deus. o descaso. 24). hão vivia a fé de Abraão (Rm 4. pois conhecia " P a i Abraão" (v.SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 16. V. um conceito que vigorou até João Batista (Lc 16. V v . 31).31. como Abraão o recebeu. o constante convite ao arrependimento.51 a 19. e agora está aí aquele pelo qual "Deus ajuda".19-31 2 de Junho de 1991 Contexto A ilustração usada por Jesus é do ciclo das 16 parábolas e histórias relatadas por Lucas do período das mensagens de Jesus na Galiléia. talvez do rico. 19 — O "homem r i c o " do texto não tom nome para Jesus. o ajuste de contas. Lázaro tinha tudo para oferecer ao rico: a mensagem do "reino de Deus" (Lc 6. Samaria.5). anunciada pelos profetas (Jr 31. Os cães. A ênfase nesse período de oposição que Jesus sofria era a necessidade de dar uma resposta de fé e vida ao evangelho e não imitar a oposição. que pregavam a fé vivida em amor.27). O rico havia esquecido de deixar que Deus fosse o seu Deus pela fé. a forma grega de Eleazar (Esdras 7. Mesmo sendo do povo de Deus. Lázaro viu o que creu: o reino. no final do ano em que sofreu oposição. tinha mais interesse por ele do que o rico egocêntrico. Mas apenas lhe dá "migalhas".3). Texto V.

Agora precisa da misericórdia. É eterno. O "evangelho do reino de Deus" está sendo anunciado. Há dois lugares apenas: céu e inferno após a morte. e praticada em parte já pelos cristãos (Rm 12. 29 — A questão é apenas "ouvir"! O testemunho do além. V.1). V v . que não quer aceitar um Messias humilde que veio reinar nos coração. o testemunho estava todos os dias à sua porta. proclamada por "Moisés e os profetas" é final! "Quem tem ouvidos. Não se ultrapassam os limites. como "pai da fé". de Deus. Abraão é autorizado por Deus. Mas só agora se lembra. que pode ser uma exceção para enfatizar a mensagem de arrependimento e fé. talvez Lázaro. do alívio. mas entra logo na situação definitiva. apenas aguardando a revelação total de cada destino. possibilidade de comunicação. está no mundo: está em Moisés (a Lei) e nos profetas (e os Escritos). concedida por Deus. 56 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .16). 27/28 — Havia testemunho. dos ricos fariseus. 30/31 — Sempre o homem sabe melhor: quem sabe um resuscitado. o rico se lembra. V.o que creu: sua fortuna acabou.8). pelo Espírito Santo (Jo 14. N u m primeiro gesto de simpatia agora quer que alguém. ouça!" (Mt 11. um novo profeta. 25/26 — Não é Lázaro quem responde. 24 — O rico agora lembra que estamos no mundo para servirmos um ao outro. 3. A pessoa que morre não fica vagando. uma nova revelação. Vv. mas enfatizou três coisas: 1. Ora. da compaixão que ele próprio não deu no sofrimento dos outros. V v . 23 — O interesse de Jesus não é dar detalhes do céu (o lugar de Abraão) e do inferno. um espírito. Certamente é nova exceção. 2. Nem o Jesus ressuscitado foi recebido pelos endurecidos fariseus! O julgamento de "Moisés c os profetas" é final! Também a salvação do Messias. Mas não há possibilidade de ajuda. Agora o sofrimento do rico não tem mais volta. da ajuda. Mas é a dureza do coração. Nesta fase houve. O consolo de Lázaro lembra a paraclesia dada por Jesus (1 Jo 2.15). vá testemunhar aos parentes. Morreu e foi enterrado! É uma advertência violenta: em que os homens crêem? V. Está tudo dito: Jesus o está proclamando. Com um pouco de amor poderia ter aliviado a Lázaro. Mas só lembra que Lázaro deve servir (talvez era um servo dele). dos fariseus. na história de Jesus.

Deus é o "Senhor e Doador da vida". O abuso da vida faz outros sofrer e destruir nosso próprio futuro. B. Tudo foi cumprido em Cristo. a. O 1. abuso da vida e nosso mau uso dos recursos. Precisamos assumir a vida. Achamos que a vida e o futuro nos pertencem. Deus nos dá a vida e o futuro. 1. 0 tempo que temos para pôr em dia o futuro é agora. Todos recebemos a vida de forma igual. c. Deus colocou os recursos para a vida no mundo. 1. Nossos recursos para pôr em dia o futuro. c. B. I. 2. A cobiça afastam Deus e o próximo. b. 1 . Para receber os recursos internos é preciso "ouvir": testemunho. A. Temos que aprender a repartir. Precisamos de recursos internos para chegarmos à vida eterna. Os recursos para vida eterna são dados por Deus. Somos responsáveis para servir aos outros. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 57 . "Eles tem Moisés e os profetas: ouçam-nos!" A. Não há necessidade de pobres. II. 3. 2.Disposição Introdução. da vida. Nascemos com o dom. Já deu os recursos para todo o homem: estão em "Moisés e os profetas". 3. A riqueza é dada por Deus para repartir. O futuro não está garantido se não deixarmos "Deus ser Deus". 1. " E l e desejava alimentar-se". o F i e l . O futuro é longo demais: dura uma eternidade. 2. A vida é dada por Deus. Todos precisamos alimentar-nos: somos "mendigos" que Deus quer suprir. a. b. " O u v i r " é o problema para por em dia o futuro. 1. 5.

3. a aparente estagnação em muitos setores das mesmas.5 — 36. Jesus usa o momento de uma ceia (cf.2. Conclusão. no mundo inteiro. parece evidenciar que a mensagem cristã não consegue mais atingir o ouvinte. Texto: A parábola quer colocar o ouvinte numa situação de decisão. Warth T E R C E I R O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 14. Lc 14. Descreve o homem e seu posicionamento perante o chamado que tem sua origem em Deus. Observando as igrejas. Quando recebemos os recursos internos vamos "testemunhar" para que outros "ouçam". Parece que não existe mais ouvido para a "mensagem.9 — 107. Para "ouvir". posicionamento claro e definido. A falta de crescimento das igrejas. cristã". Martim C. que o satisfazer da fome e da sede servia como ilustração e ensinamento a respeito dos valores espirituais da comunhão com Deus (SI 23. Contexto: O capítulo 14 de Lucas quer ser transparente. Aceitar um convite significa assumir toda a responsabilidade e não medir as conseqüências. detectamos o surgimento de crises e questionamentos. conectando este fato com uma antiga tradição do povo de Deus.9 — cf. E r a convicção do povo de Deus.15-24 9 de Junho de 1991 Observação: É cada vez mais difícil pregar o evangelho para o homem de nosso tempo.1). O convite recebido requer um. Assim estaremos na fé de Abraão: nosso futuro — evita o "tormento" do futuro. esta mensagem. a respeito do posicionamento do homem perante um convite importante. Deus tem que dar a " v i d a " pela fé. É claro quem é que convida e quem ele quer atingir com. Será que a igreja tem que mudar o conteúdo de sua mensagem? A parábola sobre a "grande ceia" nos convida a uma reflexão sobre o "porquê" de nossa participação e ação na igreja cristã. desde o antigo testamento. especialmente nas suas parábolas.6 — 58 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . e — recebe o "consolo" de Deus. Is 25.

29 — 22.7. Esta exclamação do fariseu descreve uma situação de fato e de direito. O ouvinte necessita decidir entre adoração em. A decisão é clara. as palavras "sair" "depressa" "trazer" "obrigar" todos etc).55. A bem-aventurança do membro do povo de Deus parece ser um assunto pacífico e seguro.24) Eles parecem ser incomodados com o convite que receberam.17. Sua relação íntima com as cousas conquistadas. Na parábola o ponto de partida é a afirmativa do V. Estamos perante uma severa admoestação. espírito e verdade e a idolatria. Será que o fariseu pode ser "tão seguro" de si? Como reagem os convidados? (cf. Por isto ele a) oferece vida espiritual em abundância b) não aceita a indiferença ou rejeição c) convida todos os homens a ouvir e aceitar a sua Palavra. os convidados são deixados de lado. 21 abre-se uma nova visão. O crente não necessita preocupar-se com o seu destino eterno. O portador do convite do reino de Deus quer ser ouvido. A vida "material" é mais importante do que a vida "espiritual". não permite o envolvimento com os conteúdos que o convite traz.30 etc. pois tem certeza de sua salvação. cada um em conformidade com a importância de sua preocupação (as três rejeições são representativas). Têm. pois. A resposta é inequívoca. A resposta de Jesus permite ao ouvinte espelhar-se na verdade que ouve.1-3 — Lc 13. a oportunidade de realizar o que deles se espera. Importante é observar a evolução do texto (cf. Náo importa o "status" alcançado. Esboço: Deus quer salvar todos os homens. Importa a aceitação do convite. A partir do v. por sua força e com o seu empenho. Não querem participar. respeitado e seguido.) e da participação no reino de Deus. parece ter segurança absoluta sobre o seu destino eterno. Outra alternativa não existe. Hans Horsch IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 59 . pois a mola mestra para a expansão do "reino" é o grande amor do Senhor. Perante o seu convite outros valores se tornam obsoletos. Lc 14. com todo o seu zelo. A reação do Senhor é a justa ira sobre a rejeição do convite. 15. Tomaram conhecimento do convite mas resistem e rejeitam. algo mais importante para fazer. O fariseu.

Fora da influência benigna do pai e vivendo sua apostasia "de fato". entregue às suas próprias paixões. no texto são descritos em seu relacionamento para com o pai. O auge das afirmações encontramos nos versículos 24 e 32.11-32 16 de Junho de 1991 Introdução: Constatamos. Os filhos mencionados. sem aceitar a interferência de uma vontade superior. G O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . O homem "perdido e condenado" de nosso tempo merece o amor do P a i que está no céu. Tentaremos dar três ênfases: A fuga descrita permite a identificação. Não consegue mais lidar consigo mesmo.QUARTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 15. As vidas humanas se tornam vazias. Permanecem apegadas em cousas superficiais. está em todos os homens. A alienação da vida humana está perante os olhos daqueles que conseguem "enxergar". Texto: A parábola nos faz compreender o que significa a "morte" e a " v i d a " para o homem de todos os tempos. Mas. Ele nos oferece não somente a solução dos problemas mas também a alegria daqueles que participam na busca do perdido. o texto não pára por aí. descobrimos as tentações de nossa própria existência. Onde encontramos as causas deste esvaziamento da vida humana? Qual o remédio para sanar esta situação? A perícope em questão oferece uma resposta. especialmente em nossos dias. O comportamento de Jesus para com os pecadores da época provocou as mais diversas reações por parte do povo de Deus. o homem degenera de tal maneira que sua vida está sujeita às forças da desunião. Parecem viver sem orientação ou objetivo em sua vida. Assim ele cai na dependência de uma vida "animalesca". a falta de sentido na vida. desordem e destruição. Observando bem a descrição de ambos. que muitas pessoas vivem uma vida completamente alienada. Tomou conta. O homem de nosso tempo evidencia traços característieos de seu desequilíbrio psico-somático. ou melhor. A busca da auto-administração da vida. de grande parte da humanidade. A parábola contém o ensinamento decisivo para o ouvinte atento. E l a surge do conflito entre Jesus — o doador da vida — e os fariseus — representantes de uma religiosidade formal e descompromissada com a vontade genuína de Deus. Viver assim significa experimentar o poder da morte. O distanciamento de Deus traz consigo o distanciamento do homem de si mesmo e do seu próximo.

15-21 nos destaca a bondade de José para com seus irmãos. A aceitação incondicional do filho gera a grande alegria. Esboço: Deus não quer que vivas uma vida alienada a) ele conhece as tuas tentações b) ele espera a tua volta c) ele te oferece a vida verdadeira. Temerosos de uma possível vingança do poderoso irmão. 6) O texto do A . Martinho Lutero reconheceu. " C a i n do em s i " (v. descrito nesta parábola. os irmãos prostraram-se humildemente IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 61 . 17) e reconhecendo a sua culpa. após muita luta interna. T . nosso Salvador.36-42 23 de Junho de 1991 \. 0 reencontro entre o pai e o filho fornece a base para o reencontro do filho consigo mesmo e com o seu próximo. Forçado a reconhecer sua situação surge a busca e a conscientização. O comportamento do pai. Uma vida sob o poder da ressurreição. Dr. nasce a sua decisão de voltar ao pai. o "cair em si". A temática das perícopes: O Salmo 138 lembra que o fiel e misericordioso Deus é rico em perdoar os humildes de coração. da confissão da culpa e da declaração do perdão. o quanto é necessário para o homem. Através do arrependimento sincero. o homem de hoje encontrará a chance da nova vida. é comovente e permite olhar no coração daquele que nos oferece a sua graça. Aprender a desesperar-se mesmo (sob a Lei) significa aprender a refugiar-se sob as promessas de Jesus Cristo (Evangelho). Hans Horsch QUINTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 6. Vale agora viver a nova vida. . A aceitação e reintegração do filho na comunhão com o pai e o alívio que o próprio Deus oferece para todo fugitivo. (v. Necessitamos re-descobrir a mensagem clara de lei e evangelho. uma vida de esperança e de realização. Gn 50. preparada por intermédio de Jesus Cristo.A volta do filho pródigo fala por si mesma.

a perdoar e ser generosos. Como? Não julgando. 17 e vai até o v. que reagiu. 36: "O Pai é misericordioso.lugar de Deus?" E os consolou com. sem. os outros. Há um julgar justo e ordenado por Deus. o Justo Juiz e Vingador é só Ele e mais ninguém (Dt 32. mas perdoar. o cristão vai contra o impulso natural no ser humano. dizendo: "acaso estou eu em. E a lição nesse momento é: O P a i é misericordioso. Vers.21-35). que começa com o v. Ao julgar segue o condenar. Quem julga e condena levianamente. Assim. 02 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . A exortação no texto refere a um julgar leviano. sem amor. como também destaca a necessidade da humildade.10). porque em última análise. 49. Quem assim agir. Viver da misericórdia de Deus é perdoar (Mt 19. querer "ganhar o irmão". Quanto mais os discípulos viverem. Na epístola.14-21. Isso seria um conformismo incompatível com o espírito da justiça divina. esquecemos que nós também haveremos de estar perante Ele (Rm 14.diante de José. quer e vai ser misericordioso no seu agir com. Guiado pelo Espírito. caso ele estiver em perigo. do querer a paz com. 0 orgulho e seus "derivados" na vida dos cristãos são um forte destestemunho perante os que não são cristãos. perdoando e sendo generosos para com o próximo em suas necessidades físicas e espirituais. Essa atitude reprovada inclui o pecado da língua referido por Tiago 3. Deus não quer destruir. por isso os> seus também são misericordiosos". como José. ele mesmo será julgado e condenado. mais experimentarão a misericórdia de Deus. 3. Paulo reafirma o mandamento de Jesus de amarmos e bendizermos os nossos inimigos (Mt 5. Contexto: A presente perícope pertence ao sermão da Planície. todos e o não querer vingar-se do próximo. não condenar. de Jesus.35). seu perdão e promessa de ajuda.44). Rm 12. Texto: Vers. no perdão. O Mestre está preparando os seus discípulos para a grande missão. sua misericórdia. no convívio com os outros são orientados a não julgar. Jesus não proíbe todo e qualquer julgar. Jesus não quer que seus ouvintes fiquem indiferentes diante de idéias e atitudes condenáveis. provoca a ira de Deus e não pode contar para a sua própria pessoa com a misericórdia divina. o "não ser sábio aos seus próprios olhos". não condenando. Quando sentamos no Seu lugar de Juiz. Quem foi aceito por Deus em. os cristãos. por isso os seus também são misericordiosos. o cristão não paga o mal com o mal. 37-38: Um exemplo de misericórdia c o não julgar e condenar. 2.

Pedir perdão e perdoar é a solução para esses problemas. "A caridade por nós praticada não nos abre o céu.32) Em sua carta aos colossenses Paulo exorta seus leitores a "suportarem-se uns aos outros" (Col 3. como ainda o impossibilita a enxergar a seriedade de sua natureza pecaminosa." Vers. Por causa da fraqueza da nossa carne. e bem. e dar-se-vos-á" — O que temos nós que não tenhamos recebido? Nosso viver é um contínuo receber. é que ele será capaz de ajudar o outro para libertar-se do argueiro. Todos nós somos devedores de amor para com nosso próximo. Ele deu-se por amor. o que significa que na diversidade das individualidades devemos perdoar-nos mutuamente. Agora nós somos convidados a dar ao próximo o que ele necessita no corpo e na alma. Nessas palavras poimênicas Jesus está preparando seus alunos. E todos sabiam o quanto o Mestre era misericordioso. mas o não praticá-la nos fecha o céu. não vê o seu erro não pode guiar outros. e ira. pode-se ajudar IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 68 . "Dai. Orgulho.13). farisaísmo nos enche de nós mesmos. fraco e falho. esse verá no irmão a sua própria imagem — a de um pobre pecador."Perdoai e sereis perdoados" — Na grande família humana um é devedor do outro. Quem. a ver a misericórdia divina que o quer salvar. especialmente do convívio com os irmãos. c cólera. 39 e 40: É guia cego quem julga e condena e não vê o esplendor da misericórdia divina envolver toda existência humana. como seus defeitos. matéria de visão do dia a dia da vida. assim toda a malícia. e gritaria. O discípulo tem no seu Mestre o exemplo a seguir.31. Só quando o acusador se coloca diante do Deus justo. os futuros líderes. Não raras vezes perdemos nossos sentimentos de compreensão e tolerância cristã. Vers. O de Jesus foi um contínuo dar. Não perdoar alguém é negar-lhe algo que ele necessita muito. 41 e 42: A cegueira espiritual referida por Jesus não só impede o homem. arrogância. para que não queiram guiar alguém sem estar conscientes da misericórdia de Deus. refugiando-se na misericórdia de Deus. Quem vive no arrependimento diário e pede perdão. e blasfêmias. os discípulos. Vivendo na misericórdia de Deus. compassivos. é inevitável que surjam desentendimentos no convívio com os irmãos. Paulo escreve aos efésios: "Longe de vós toda a amargura. perdoando-vos uns aos outros." (Ef 4. "assim como o Senhor nos perdoou". Cristãos também sofrem recaídas em. Nós temos traves e argueiros nos nossos olhos. Antes sede uns para com os outros benignos. como também Deus em Cristo vos perdoou.

o outro.12) e ele pode somente ser a voz do perdão de Deus para seu próximo. 42). Num mundo em que a lei condena o infrator e onde a tendência natural do homem é julgar o outro (Rm 2. mesmo e minha fraqueza. mas um ao lado do outro. o discípulo será tentado a ocupar o trono do julgamento de Deus e condenar o pecador (Mt 7. tanto mais passam a desprezar os outros". E para poder aparecer. quando insinuamos segundas intenções no próximo. no entanto. quando nos habituamos a criticar tudo e a todos. 4. Meditação. "Onde pessoas Se acham no direito de julgar sobre os outros. Vendo a m i m mesmo nos meus erros possso ter compaixão do outro no seu erro. "recheada" de misericórdia divina. está acima do outro. E essa nova visão da minha própria culpa. quando falamos de modo impensado. ura novo relacionar-se com o próximo. A misericórdia de Deus me faz olhar primeiro para mim. quando o julgamos sem. sem pretensões de querer ser mais. quando desenterramos coisas do passado ou comentamos publicamente o que é secreto. quando espalhamos boatos. precisam comparecer diante do julgamento de Deus. através de arrependimento.19) Todos. que descobre erros e os aponta.1). com ares de infalibilidade. As pessoas querem aparecer. Jamais quis Jesus negar o valor da crítica misericordiosa. Antes de querer mudar os outros. que ninguém. aí entram no campo que compete a Deus". Cristo traz uma justiça que liberta e salva. (Rm 12. ele perde o Deus perdoador e terá contra si o Deus Juiz. "Querer estar acima dos outros é uma qualidade da natureza humana. porque ele vive do perdão de Deus (Mt 6. cria uma nova comunhão. interpretan64 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Se ele julga. justificam-se a si mesmas e julgam e condenam os outros. conhecimento suficiente. precisa limpar seu próprio olho da trave de seu próprio pecado para que possa ver claramente para então remover o argueiro do olho do irmão (v. Descobre-se. A misericórdia de Deus é o princípio de todo o agir dos filhos de Deus. Somente aquele que conheceu a dor de uma trave removida do olho pode ajudar o outro com seu argueiro alojado no mesmo órgão. Esse erro ocorre quando não levamos em conta a fraqueza do irmão. Quanto mais as pessoas procuram ser as tais.1). Essa misericórdia em nossa vida cria uma nova visão. eu preciso querer mudar. Isso ele não deve fazer. Jesus também ensina a seus discípulos que ninguém está autorizado a executar o julgamento de Deus. a solidariedade de culpa. O discípulo. mas ensinou aos seus discípulos a não condenar injusta e impiedosamente. então.

5. Os personagens mais atuantes. Há fases na vida em que parece não IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 (55 . palavra hebraica que significa harpa (kinnor). mais nos certificam da presença poderosa e graciosa de Deus em nossa vida. Quem vive da misericórdia de Deus aprende a ver os outros com novos olhos. nem são exclusividade da moderna era industrial. quanto mais conhecidos. ouvindo e fazendo o que manda.do mal seus atos e quando faltamos com o devido amor na aplicação da disciplina cristã. e convoca os crentes para serem. ao iniciar seu ministério. homens simples. além. No relato da pesca maravilhosa. tão apreciado. A escolha dos primeiros discípulos foi uma de suas primeiras tarefas. tão simples. 5) — Situações de insucesso e frustração na vida profissional não são novas. Tudo no belo quadro de uma pescaria. Quem vive da misericórdia de Deus não pode julgar e condenar. sem grande cultura.1-11 30 de Junho de 1991 "Tudo é possível ao que crê! (Mc 9.23) Há promessas como essa e há textos bíblicos que. A primeira grande comissão ou chamamento ocorre ao som das águas dessa enorme harpa construída pela natureza de Deus. Deus é misericordioso. Cristo conscientiza o homem de sua pecaminosidade. tão conhecido. mas laboriosos e dispostos a atender à palavra de Jesus. 2. suas testemunhas às outras pessoas. revela-se como Ajudador. O cenário é a margem ocidental do lago de Genezaré. Gerhard Grasel SEXTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 5. do Mestre e Concertista Jesus são os pescadores. por causa da semelhança entre a forma do lago e esse instrumento. " N a d a apanhamos" (v. Disposição: Tema: Sede misericordiosos! 1. O texto está inserido no ministério de Jesus na Galiléia (Lc 4 a 9). 3. conhecido no Antigo Testamento por "mar de Quinerete".

Seguindo a palavra de ordem e convite do Salvador. Quantas desculpas se arranjam para fugir a essa responsabilidade! A pesca maravilhosa é a promessa presente de que o trabalho da igreja. do mundo e do poder do diabo — e transformou essa tarefa em sucesso e salvação. (v. 4) Apresentou-se-lhes como Salvador através da pregação da palavra de vida e sucesso pessoal. ainda assim confiante. que não é vão. através de seus membros. Essa palavra transforma-se no convite que leva os discípulos a seguir Jesus. capacidades e tempo. apesar de pormos em execução os mais audaciosos planos e investirmos altas somas. na pregação e no testemunho. para o engrandecimento de seu reino e de sua obra na terra. . Em ambas as tarefas eles seriam bem sucedidos. Seguir a Jesus (ekoloúthesan/y. jamais deixará de ser bem sucedido. quando realizado "no Senhor".58) Muitos são os entraves à obra da missão da igreja. O processo inicia com o "ensinava do barco as multidões". depois de lhe entregaram tudo. hora imprópria. exclama: "Mas sobre a tua palavra lançarei as redes". no sentido de que dêem testemunho de Sua presença em suas vidas. desânimo. "A minha palavra não voltará v a z i a . O êxito da empreitada tinha o objetivo de fortalecer a fé daqueles pescadores de dois mares. para pegar com vida. Pedro e os crentes de todos os tempos experimentam maravilhas. . 66 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . capturar (zoogroon) pessoas para as malhas do evangelho de Cristo. sob pena de que a nossa vida tenha sido vivida em vão. O chamado do texto é específico aos discípulos de Jesus. o discípulo. eles atendem á voz do Mestre. "Epídé tôo réemati — apesar de todas as contra-indicações. 11). porque bem amparados.haver esperança de êxito. cansaço.31. "Senhor. aumenta-nos a fé" na lua palavra! O propósito do milagre da pesca é o mesmo expresso em Jo 20. Em ambos os barcos. Jesus submeteu-se ao mais infrutífero dos trabalhos: redimir a humanidade perdida das malhas do pecado. O mar da vida precisa ser desbravado a serviço do Salvador Jesus. de pesca e do ensino. O sucesso da pesca tem ainda um significado positivo em relação ao trabalho de nossas mãos. os discípulos atendem a seu Mestre e confiam na ordem recebida. Nessa palavra foi que Pedro confiou.11) Um dos maiores obstáculos ao progresso da palavra é a falta de empenho e a fraqueza de fé dos cristãos. como seus mensageiros. trabalho. (1 Co 15. Mas também se aplica a todos os crentes.57. confiança e louvor. " (Is 55. Defrontando-se com o resultado adverso de uma noite de trabalho em vão. barco. E r a preciso que essa mensagem exitosa fosse levada adiante por homens convictos e que cumprissem cabalmente o seu ministério.

30). ajamos de acordo com ela! "Desejai ardentemente. A palavra de Deus é viva e eficaz em sua Igreja. e "suas misericórdias se renovam todas as manhãs" (Leitura do A n t i go Testamento do domingo). tudo somou para uma crescente notoriedade de Jesus. Havia-se revelado como o Messias por ocasião da páscoa (Jo 2. nação santa e povo de propriedade de Deus a proclamam para que todos "alcancem misericórdia". como sacerdotes reais. prepara a chuva.13-16). A purificação do templo (Jo 2.1). como principalmente dos fariseus (Jo 4. os sinais realizados (Jo 3. aceitemo-la.2).19 e 23). o genuíno leite espiritual! (Contexto da Epístola do dia: 1 Pe 2. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 67 .26). Jesus achou por bem voltar para a Galiléia (Jo 4. 2. dá o alimento aos animais. o encontro com Nicodemos (Jo 3. A palavra de Deus revelada em Cristo se manifesta ao homem de forma salvadora e milagrosa: transforma sua vida. tanto por parte de alguns adeptos de João Batista (Jo 3. Para evitar atritos..30). A palavra de Deus corre velozmente (Sl 147.3).18. No entanto.15ss) cobre de nuvens os céus. têm a promessa de que "prosperará" (Is 55). Seus pastores.1-15). ninguém lhe resiste: Ouçamo-la. este prestígio gerou inúmeros ciúmes. faz brotar nos montes a erva. o testemunho de João Batista (Jo 3. ao exercer o ministério público da pregação da palavra e administração dos sacramentos. (Epístola) Elmer Flor SÉTIMO DOMINGO APÔS PENTECOSTE João 4. 3.. Seus crentes.Disposição Tema: Sobre a tua palavra lançarei as redes! 1.5-15(16-26) 07 de Julho de 1991 Jesus encontrava-se no início do seu ministério.

Como os judeus vedavam o acesso de samaritanos ao templo em Jerusalém. pedindo que ela lhe desse um pouco de água para beber.18-20). em cuja sombra das árvores descansavam os peregrinos. a hora era propícia.24-28. E esta salvação é completa.2) devido ao poço cavado por Jacó. Quem nele crê tem a vida eterna. Jesus e sua comitiva chegaram assim nas proximidades de uma cidade chamada Sicar (Jo 4. Mas este havia sido destruído em 128 a .1). O diálogo que a seguir se estabeleceu entre Jesus e esta mulher samaritana é um dos mais expressivos do Novo Testamento. Evidencia o chamado de Deus ao arrependimento. E revela a messianidade de Jesus. C . Assim aceitavam apenas o Pentateuco. Somente o Messias pode conduzir a 68 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . a quem veneravam como patriarca (Jo 4. pois diziam que ali se dera o encontro entre Abraão e Melquisedeque (Gn 14. ou seja. e ainda segundo os samaritanos. por João Hircano. Comprova todo o amor de Deus a favor de uma "ovelha perdida" (Lc 15. A origem dos mesmos achamos registrado em 2 Rs 17. E r a uma cidade histórica (Gn 33. enquanto seus discípulos foram à cidade a fim de buscarem alimentos. aqui também se localizava o túmulo de Jacó. eles construíram um templo rival junto ao monte Gerizim.29). sincretista. sagrado. Jesus escolheu esta última via. Especialmente o objetivo da sua vinda. O caminho do litoral.15. Mesmo assim o monte Gerizim era-lhes. o do vale do rio Jordão e a estrada que atravessava pelo meio o território de Samaria. Localizava-se a mesma entre os montes Ebal e Gerizim (Dt 11.12). bem como a circuncisão e também. margeando o Mediterrâneo.Ele se encontrava na Judéia. esperavam a vinda de um Messias. Sendo a hora sexta. a de maior contato com a população local. Jesus dirige-lhe a palavra. poço cuja água assegurava a subsistência da população. Os samaritanos não eram judeus. neste lugar Abraão era para sacrificar seu filho Isaque (Gn 22). ao mesmo tempo um lugar de pouso.16) ela seria reconduzida ao divino aprisco. Território hostil devido a rivalidade entre judeus e samaritanos (Ed 4 e Ne 4). A mulher samaritana era uma "ovelha perdida — mas através do dom de Deus (o sacrifício vicário do Messias) e da água viva — o evangelho deste amor de Deus (Jo 3. Adotavam um culto misto. Nisto se aproxima uma mulher samaritana para buscar água no poço. O poço situava-se nas proximidades da cidade. com forte influência pagã e alguns traços de judaísmo. Jesus ficou junto ao poço. e para chegar à Galiléia. Nas palavras do próprio Jesus: "O Filho do homem veio salvar o que estava perdido". Segundo a tradição.3-7). Venerada pelos samaritanos (Gn 34.5).19 e Jz 24. Era. Havia três estradas que levavam através da Samaria. era-lhe necessário atravessar a região de Samaria. meiodia.

5. João introduz relatos omitidos nos sinóticos e sublinha outros já feitos.1-15 14 de Julho de 1991 ESTUDO: 1.2). Ajudam a compreender mas não compõem o objetivo pelo qual João registra o relato. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 69 . Jesus quer que Filipe reflita sobre o problema. Não pede a informação.28-30 e 39) 3. e graças ao seu testemunho a favor do Messias.19).5-26) 2. tanto que unânimes todos confessaram: "sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4..40-42). gum tempo (cf. e assim evangeliza uma cidade inteira (Jo 4. 6 e 10b — Devem ser vistas como explicações entre parênteses. leva-a ao testemunho pessoal (Jo 4.29). estranhos vindos de fora. A mulher samaritana reconheceu em Jesus inicialmente um profeta (Jo 4. converte uma mulher (Jo 4. depois o Cristo (Jo 4. toda a cidade de Sicar veio a crer. Jesus estava sentado por al- 3 A festa dos judeus — explica a concentração de pessoas e a curiosidade. Jesus se manifesta como o Messias aos samaritanos 1. Pelo: contexto vemos que Jesus atingiu seu objetivo. Agorasonem — Subjuntivo— Onde compraríamos. Walter O. pressupõe um período de tempo de pelo menos seis meses ao máximo de um ano.pastos verdejantes e levar para junto das águas de descanso (Sl 23.. Metá tauta: depois destas coisas. Steyer OITAVO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 6. 4.42). ou se comprássemos. variante). 2. Os verbos estão no imperfeito.

11. Ton arithmou — Acusativo. 14) É tema especial deste evangelho (2. Palavras especiais: Semeia (v. no pico do ministério da Galiléia.4 Jesus está a um ano da morte. Mas a atitude. (Obrigá-lo) Aspectos homiléticos: Contexto — Qual é a missão de Jesus? 5. Elegon — Imperfeito: no sentido — espalhar de boca em boca.1.47 = Se porém não credes nos seus escritos. mas também desafiante mais e mais rejeição." Jesus acusa que a misericórdia de Deus é também. V. ele próprio. Em 6. no que respeita números. 10. 14. Autos — Ele.41).6.11.4.13. as intenções c o objetivo eram falsos.2. Tó paseha: Em João (2. mas hoi antropoi (significando o povo todo) no v. 23. Denárion — salário de um dia. como crereis nas minhas Palavras. 18. relação: em relação a números. 48. 54. Hoi ándres — (masculino) em v. 6. especialmente 10.55) são importantes estas menções para determinar a extensão do ministério de Jesus. Mello — em 6 e 15 é intenção definida cuja ação é irreversível. 70 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . O discurso era certo e dirigido à pessoa certa. consumida egoisticamente pelo homem que só procura Deus para benefícios pessoais. 5. 4. 3. 2. 14 V. 43 = "Se outro vier em seu próprio nome. 14 e 15 — São relato exclusivo de João Harpazein — Envolve até violência. os que aceitais glória uns dos outros e não procurais a glória de Deus." "Vós. 14 — A confissão era verdadeira nas Palavras empregadas. 10.

presente na pessoa de Jesus. Este Deus espera a nossa confiança porque ele não falha. O problema que se opõe à fé é o homem só reconhecer e admitir a bondade de Deus quando as suas expectativas estiverem satisfeitas. o procuram e seguem. Revela o homem (anthropos do v. (Ilustração: o texto do AT Israel no deserto). Mc 6. B.Depois da multiplicação a multidão prova com seus atos o que Jesus lhes via no coração. E Jesus confirma que o amor de Deus pela humanidade é concreto.11-17) . Revela o Deus Provera Em todas as circunstâncias.34-44 e Lc 9. Ao mesmo tempo não deixaram de fazer o povo assentar-se. O texto nos confronta com um problema da natureza humana. explicações sobre o Reino e curas. mas também apropriar-se do Doador.14-21. depois! Os sinóticos tem como contexto os ensinamentos de Jesus. D. Dar glórias ao Deus Barriga (no dizer de Lutero) e "obrigar" Deus por meio de culto e orações e satisfazer necessidades materiais é colocar aquele Jesus dos escritos de Moisés (5. o homem julga que é seu direito e dever apropriar-se não só das dádivas divinas.47) na fuga (6. 14) e a inversão que faz da bondade e do amor de Deus. Todos os cálculos. Querer alimenIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 71 . nas suas palavras e atos.15). Todos se interessam por Jesus. C. O texto: A. Dar glórias à providência de Deus. identificado no contexto pelas palavras de Jesus e ilustrado no texto pela atitude da multidão e dos discípulos.. Infelizmente. em si é nada. Este Deus espera confiança também quando a confiança é o único recurso. (Decepção?) Só sabiam confiar nos seus recursos próprios e força. Tanto os discípulos acharam que a pergunta de Jesus só faria sentido se Deus lhes tivesse antecipadamente feito chegar às suas mãos pelo menos 200 denários.Todos enfatizam o teste que Jesus fez com os discípulos para ver se voltariam para Ele em busca de auxílio. Josefo também relata de dois charlatães que se intitularam profetas de Deus e atraíram e fanatizaram multidões com promessas de glórias futuras. seguros e garantias que se puderem ajuntar são postos em desafio por um Deus que olha dos céus e prove para todos. Confira os sinóticos (Mt 14.

mas para servir o seu próximo com humildade de espírito. inerente nestas duas figuras está uma verdade fundamental: a 72 . E que querem transformar Deus no "gênio da lâmpada" para suas ambições. elas vêm logo após as bem-aventuranças onde Jesus descreve a atitude do mundo em relação a Seus discípulos e Sua Igreja. Não é o mundo. está aquele que nos ama. P.tar aquela multidão era exigir o impossível. ou seja.13-16 21 de Julho de 1991 É importante notar. o contexto destas palavras de Jesus. ou para capitalizar honras. (cf. Deus. A última beatitude é transicional. ao mesmo tempo aprenda com Jesus a canalizar os recursos de Deus não em benefício pessoal. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . muito menos arrependimento em si. Em primeiro lugar. estão aqueles que pensam que Deus lhes deve tudo. no entender destes cristãos pragmáticos e modestos no pedir e esperar. Do outro lado. Organização do material: Acima dos recursos que temos. 5. nem Jesus podem fazer isto. não são os escribas e fariseus. O objetivo do texto é fazer com que o cristão seja ambicioso e confiante na sua vida de oração (por estar na presença de Jesus). Nem. Weirích NONO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. sempre de novo. Por isto: aprendamos a receber o seu auxílio com humildade aprendamos a repartir os benefícios com confiança. P. o Reino de Deus sobre o mundo. O pronome hymeis no início de ambos os versículos é enfático.11-12). elas são ditas a Seus discípulos. a atuação dos seguidores de Cristo sobre aqueles que "por minha causa" os perseguem. As duas metáforas do texto — sal e luz — invertem o processo e descrevem a influência que tem. más os filhos do Reino apenas que são sal da terra e luz do mundo. Não tem auto-crítica. por outro.

Estudiosos afirmam que o sal do Mar Morto. A atividade dos discípulos pode ser comparada aqui ao fato que o sal não é simplesmente aspergido. N u m a sociedade com tendências religiosas universalistas. na ótica do contraste entre Igreja c mundo. De um lado está "a terra". 1963. do outro.Igreja e o mundo são duas entidades separadas. Tanto o sal quanto a luz exercem. 13 deve ter-se voltado em direção ao Mar Morto para ilustrar Seu argumento. a luz. de outro. 0 sal arde e a mensagem não adulterada do juízo e da graça de Deus sempre temi sido uma coisa que arde — tanto arde que os homens se têm revoltado e reagido contra e l a . tem uma função positiva iluminando abertamente. [Por outro lado. mas esta relação depende da sua diferença. devido à exposição a outros elementos químicos. possui uma atuação negativa e age de maneira secreta. Jesus ao falar com Seus discípulos na segunda parte do vers. "vós" que sois o sal da terra. Mais do que isso. Pode-se dizer que o sal possui uma função especialmente negativa e secreta atuando no combate à deterioração. mas ele é esfregado sobre os elementos para que estes não se decomponham. De um lado está "o mundo". precisa arder. possui gosto alcalino e se torna imprestável. Fortress. " L u z " . p. O sal pode perder sua capacidade de atuação ao sofrer a influência de outros elementos químicos. diz ele. Ele disse: 'vós sois o sal da terra'. . atuando de forma salutar. significa conheIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 73 . A segunda figura utilizada por Jesus é a da luz. Sal e luz são duas metáforas extraídas da comum necessidade cotidiana de qualquer família independente de sua posição social ou econômica. "não falou: 'vós sois o mel do mundo'. Philadelphia. de chagas abertas. Verdade é que as duas entidades estão relacionadas entre si.] onde não houver amarga reação o puro sal está em falta" (Life can begin again: Sermons on the Sermon on the Mount. publicamente. este se encontra doente. uma função salutar sobre o ambiente onde se encontram e atuam. "vós" que sois a luz do mundo (cf. São metáforas que se complementam. 28). é oportuno lembrar esta diferença para que nossos cristãos não se integrem a essa inclinação aeróbica. na Escritura Sagrada. quando é teologicamente elegante tornar obscuras as fronteiras entre Igreja e o mundo. ferido. bem como referir-se a toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". Helmuth Thielicke explora este aspecto dizendo que cristãos há que se apresentam ao mundo como sendo mel e não sal e por isso o mundo os rejeita. por seu turno. "Jesus". o Salmo indicado para hoje onde esta distinção fica bem definida). E o sal — a Palavra de Deus testemunhada pela Igreja — arde. . Sc o sal.

não pode ser escondida. acesa no velador. visivelmente (cf. uma vez aceso. A luz não pode ser escondida. bondade. E l a é visível a todos de dia e de noite. 7cm de largura e 4cm de altura. . émprosten tón antrôpon. aos perseguidores (cf. A relação com Deus gera naturalmente.. os cristãos não são luz em si e por si mesmos. polis. antes por uma exibição fluente. universal.8-9). a leitura do Antigo Testamento para hoje). luz". Com suas muralhas e fortalezas.perde sua identidade funcional.32. onde é colocado um pavio e que. Jo 8.78. espontaneamente. "alumia a todos que se encontram na casa". É importante ressaltar que Jesus não diz: "vós deveis ser.11. O testemunho pessoal não se dá apenas oralmente. Is 49. Possui duas pequenas aberturas na parte superior: uma onde se coloca o óleo e a outra. 1 Pe 3. 2 Co 4. Cristo é a "luz do mundo" (Sl 27. 60. na extremidade do prolongamento. segurança é aniquilamento. . A estes as "boas obras". tendendo a ser sufocado. lychnos. A mensagem é evidente: Jesus não espera a auto-preservação da fé. natural. como se acham alistados na Epístola de hoje. A primeira é a da cidade.19). morte. 60. este processo. assim a luz que é colocada sob o alqueire: consome o oxigênio e o pavio apenas fumega. É evidente que os discípulos. Lc 1.12. aos desafios. Sl 36.8).1. se não salgar — sua razão existencial . . aos obstáculos. lógico. . Nós somos luzes "no SEN H O R " (Ef 5.. Mede cerca de 1Ocm de comprimento. Somos a "luz do mundo" num sentido derivado sim.1-43.cimento de Deus (cf. s a l .1). 2. O que Jesus tinha em mente era uma dessas lâmpadas de terracota em forma de pires com prolongamento era um dos lados. Jesus quer que a fé — para se manter viva. cf. mas Ele diz: "vós Sois s a l .1-7. glória e verdadeira felicidade (Sl 97. Em última análise " l u z " outra coisa não é senão o equivalente aos "frutos do Espírito". Sugestão de Tema: Ardendo e Iluminando.6. Este aspecto fica manifesto na expressão "diante dos homens".22-23. desinibida. A ilustração dessa verdade Jesus a faz por meio (de novo) de duas realidades do cotidiano. atuante. devem ser mostradas para que possam. ser vistas. sintetiza todo o modus operandi da fé cristã. uma expressão de caráter genérico. mas natural. Acir Raymann 74 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Lâmpadas da época podem ser vistas hoje em grandes museus ou em coleções particulares. acesa seja exposta ao mundo. Autopreservação é auto-destrunição. kalá erga. mas. O verbo "ver". oráo. À moda do sal que. Is 9.6). 6. construída sobre um monte. a partir do texto. A segunda realidade é a da lâmpada. justiça e verdade (Ef 5. luz". A ética cristã não se caracteriza por um isolacionismo asceta. alegria. 3.9).

O texto do A T . O Salmo 119. mostra que e como o povo de Israel cedo se desviou da palavra do Senhor e adorou o bezerro de ouro. Ele.7-11. Por isso o evangelho deste domingo é apropriado para estimular os crentes a viverem e a anunciarem a palavra de Deus com todas as suas forças. "Negociar" com." Estes dois servos se constituem em exemplo para os cristãos: cada cristão precisa logo trabalhar para seu Senhor. a congregação. empregando seus talentos. Vers. e luz para o meu caminho". Ele ganhou outro tanto para o seu patrão. época em que — espera-se — a Igreja. ganhou outros dois. Ele conhecia o seu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 75 . O que recebeu cinco talentos "saiu imediatamente a negociar".14-30 28 de Julho de 1991 a) Assunto central das perícopes. foi mau e preguiçoso. seus dons em favor do reino de Deus. então. c) Texto: Vers. Em seguida à perícope de hoje vem o relatório sobre o juízo final. esperança. porque a fé em Cristo dá-nos a justiça que procede de Deus e nos põe em comunhão com Deus. E l e não perdeu tempo. das quais o texto de hoje é a última. vivendo-a em obras para a glória de Deus e para o bem de nosso próximo. que se adquire da palavra de Deus. Estamos em meio ao assim chamado " A n o da Igreja". alegria. As quatro parábolas são para ilustrar e ressaltar a necessidade de vigilância. mostra que o conhecimento de Cristo. A epístola. porém. quatro parábolas. é a sublimidade e o maior lucro. Êx 32. A recompensa pelo bom e habilidoso trabalho está mostrado nos versículos 20-23. de vigilância com operosa atividade em favor do reino de Deus. 18: O que ganhara um talento de seu senhor pensou negativamente. fé. Os talentos que o Senhor Deus nos dá são os dons do Espírito Santo: Evangelho. b) Contexto: Jesus falou dos acontecimentos que haverão de preceder o fim do mundo (Mt 24). esses talentos significa "pô-los a serviço do reino de Deus" (missão e evangelização).DÉCIMO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 25. cada cristão esteja bem ativo. Conta. 14-17: O homem entregou seus bens a três dos seus servos: cinco. " D o mesmo modo o que recebera dois. O evangelho do dia mostra que precisamos trabalhar com a nossa fé. dois e um talentos respectivamente. se tão somente houvesse ganho outro tanto negociando.105-112 dá a tônica das leituras bíblicas deste domingo: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra. etc. Fp 3. perdão. mas também poderia ter produzido tanto quanto os outros dois.

O apóstolo Pedro. mas que confia no perdão. virá para o julgamento final. Vers.1-13 24 de Novembro de 1991 a) Assunto central das perícopes: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. d) Disposição: Tema: O SERVO F I E L DE JESUS CRISTO I — Faz a vontade de seu Senhor. É preciso fazer a vontade dele.31-46). Isaías 65.13. o Senhor é longânimo e vai cumprir sua promessa de criar novos céus e nova terra. no reino de Deus. O Senhor promete ouvir o clamor que lhe é dirigido.5a. porque relata a criação de novos céus e nova terra para os que esperam no Senhor. Curt Albrecht ÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25. clamor de quem reconhece as suas iniqüidades. mas não fez a vontade de seu senhor! Qualificação dele: mau e preguiçoso! A recompensa pela sua maldade e preguiça está contada nos. na epístola para hoje. certo de que o Senhor redime o seu povo. provai-vos a vós mesmos". II — Recebe a recompensa do seu Senhor.3. Não basta só conhecer o Senhor Deus e a sua vontade. A fé verdadeira move o cristão para o viver cristão. II. aguardando o Senhor e esperando na sua palavra. nos quais habita justiça". lembra que há zombadores c incrédulos. para o acerto de contas com cada pessoa (Mt 25. exorta à perseverança na fé e na vida cristã ao dizer: V I G I A I ! 76 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . por isso.senhor e a vontade dele. para a missão e para a evangelização.6). por fim. Portanto: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. É claro que esta parábola tem lição espiritual: O Senhor Jesus. 3. cristãos. 19: "Depois de muito tempo vem o senhor daqueles servos e ajusta a conta com eles". que não esperam no Senhor por novos céus e nova terra.17-25 dá força a esta esperança no Senhor. esperamos novos céus e nova terra. "Sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11. II Co 13. Todavia. com ansiedade. Nós. "segundo a sua promessa. O evangelho. a confiança em Jesus leva a pessoa a ser ativa na igreja. A fé. versículos 24-30.8-10a.4.

quando o noivo chegou. quando se aproximaram dele os discípulos. Elas puderam manter suas lâmpadas acesas (Lc 12. que saíram para o encontro do noivo.4-14.35). porque foram desprevinidas. tiveram de caminhar ao encontro dele.3. mas só a metade delas levou óleo sobressalente. As prudentes puderam reabastecer suas lâmpadas e "entraram. Jesus Cristo. Todas as dez levaram suas lâmpadas. Estamos vivendo e. estamos indo ao encontro do Noivo celeste. Mas elas ainda tentaram e chegaram até a porta das bodas. com ele para as bodas". 5-12: O inesperado aconteceu para as néscias: o noivo tardou em vir. com vigilância e em militância constantes. por isso não perderam a oportunidade nem a condição de acompanhar o noivo para as bodas. e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas. E isto vai acontecer na prática como aconteceu com as dez virgens. 1-4: "Reino dos céus" aqui é mais amplo do que apenas o governo de Deus. então. o noivo para as bodas. Conta. Vers. A i n d a vivemos. porém. "Reino dos céus" é o (retorno de Cristo para) instalar a vida eterna. Vers. As cinco moças que levaram óleo sobressalente são chamadas de "prudentes". quatro parábolas — das quais nossa perícope é a terceira — para sublinhar a necessidade de vigilância da nossa parte e o empenho por alcançar a vida eterna. na vida do cristão. pelo Espírito Santo. da parábola das dez virgens: " V i g i a i . 13: Este versículo encerra a moral da história. Adormeceram (aoristo) e dormia (imperfeito: estavam dormindo. As que foram sem combustível de reserva são chamadas de "néscias". Precisavam andar. Jesus vai voltar. É uma questão de espera. como tais. 24. pois. e que sinal haverá da tua vinda c da consumação do século. no coração. mas o dia e a hora não estão marcados para nós. O pior de tudo para as néscias foi que a porta foi fechada." 24. todas). porque não sabeis o dia nem a hora". c) Texto: Vers. Era. Elas saíram. caminhamos na direção do dia final. em particular. Não se deram conta de que o noivo poderia atrasar e seu óleo consumir-se nas lâmpadas durante a espera. Não era uma espera de parar quieto. E ele passa a dizer-lhes uma série de coisas que devem preceder o seu retorno para o julgamento final. A luz da nossa fé em Cristo precisa estar constantemente acesa para vermos o Noivo celeste c para poder acompanhá-lo para as bodas nas IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 77 . clamando lhas abrisse o noivo. vindo a faltar para a caminhada com. Tinham perdido a oportunidade.b) Contexto: " N o Monte das Oliveiras achava-se Jesus assentado. tarde demais. na fé em Cristo.

26. A oração do salmista contra a Babilônia (Sl 137.27). irá conduzi-la à ruína. ao invés do Príncipe da Paz. um evento que aconteceu em 70 d .mansões celestiais. serão abatidos (19. Por isso os Romanos virão e destruirão Jerusalém.28-31). Jesus não quer a destruição de Jerusalém nem a nossa.41-48 4 de Agosto de 1991 Tema: JESUS E M J E R U S A L É M ! 1 A maior parte de nosso texto é lei. 12. "Não ficará pedra sobre pedra" (Lc 21. O tempo sobremodo oportuno. 0 Senhor foi ao seu templo em cumprimento a Malaquias 3. prefigura o Dia do Juízo. o dia de salvação é aqui e agora. Não durmamos! Jesus exorta: V I G I A I ! d) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque o Noivo celeste virá.6). que recusam seu jugo. 3 — Entretanto. Jerusalém rejeitou a sua paz (v.28). Então Cristo dirá aos que o rejeitaram: "Apartai-vos de mim. 43).6. veja 9. Em Cristo o tempo (kairós) oportuno da visitação graciosa de Deus 78 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .17-18). C . 44). Jerusalém experimentará a "vingança" de Deus (21. Ele queria ajuntar seus filhos como uma galinha ajunta os seus pintinhos. guerreiro.9).1. II Porque não sabeis o dia nem a hora. A ameaça de Jesus também nos chama ao arrependimento. Naquele dia os inimigos de Cristo. porém. assim também o fariam os Romanos (v. mas eles não o quiseram (13.27. Ez 4. O desejo preferencial de Jerusalém por um Messias lutador. veja 23. Curt Albrecht DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 19. 42).2). C . 2 — A destruição de Jerusalém no ano 70 d .22) porque ela rejeitou a pedra angular (20.34). vós todos os que praticais iniquidades (13.9) tornou-se a profecia do Senhor contra Jerusalém (v. Assim como os Babilônios sitiaram Jerusalém (Jr 6. que vencesse Roma. As filhas de Jerusalém deveriam chorar por si próprios e pelos seus filhos (23. Ele até chora por causa dos seus habitantes (41-42.

chegou (v. 44; veja 1.68; 7.16). No entanto, os líderes de Jerusalém procuraram destruí-lo (v. 47). Nele Jerusalém haveria de achar paz no seu sentido mais completo, num relacionamento correto com Deus; no entanto, a paz estava oculta aos seus olhos (v. 12). A salvação havia chegado, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19.9-10); eles, porém, o recusaram. Todas estas passagens evidenciam a profunda angústia e o inabalável amor do Senhor. 4 — O desejo do Senhor de salvar os perdidos levou-o a Jerusalém para sofrer e morrer (9.51; 13.33; 9.22,44; 18.31-33). A l i , em Jerusalém, vemos na cruz o Rei da Paz (v. 38), o R e i dos Judeus (23.88), morrendo por Israel e por nós. A l i , em Jerusalém, vemos Cristo sendo amassado, quebrado, em nosso lugar, para que possamos ser o seu povo. 5 — Agora é o tempo de nós sermos visitados por nosso gracioso Deus. Que nós possamos dizer pelo poder do Espírito Santo; "Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!" Que nós possamos conhecer, "ainda hoje, o que é devido a paz", porque a sua morte dá-nos a verdadeira paz. Que possamos cada vez mais nos firmar através da fé, em suas palavras (v. 48), porque elas são palavras de perdão de pecados e de vida através de sua morte e ressurreição. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 18.9-14 11 de Agosto de 1991
Introdução: Como seriam diferentes vossas orações c o vosso culto a Deus se vós soubésseis que o fim do mundo — o dia do Senhor, a segunda vinda de Cristo — viesse a acontecer hoje à tardinha (o que é bem possível), não é mesmo? O final de outro ano eclesiástico que se aproxima e o Evangelho deste dia dirigem-nos ao exame de nossas orações e de nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo. Nossas orações e nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo
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I - O mundo em que vivemos não providencia modelos apropriados para orações a Deus ou para o culto a Deus. A — O mundo coloca ênfase cm autoconfiança, auto-estima, e orgulho. Candidatos a cargos políticos bem como pessoas à procura de emprego são encorajadas a gabar-se de saias realizações e conquistas. Pessoas são louvadas e premiadas por causa de suas ações cívicas, políticas e até mesmo religiosas. B — O mundo, porém, não reconhece a influência do pecado original no homem (Gn 6.5). C — 0 homem não consegue justificar-se perante Deus e permanece condenado diante dele. II - Deus providenciou o meio pelo qual podemos escapar do veredito de culpa. A — Jesus Cristo viveu uma vida perfeita era nosso lugar (Jo 8.46; Hb 4.15). B — Jesus Cristo, por meio de seu sacrifício, pagou a dívida que tínhamos com Deus por causa de nossa pecaminosidade (2 Co 5.21; R m 5.8). C — Através de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo conquistou o pecado, o Diabo, a morte, e a sepultura para nós (Rm 6.4). III — O veredito divino — "Inocente por causa de Cristo" — está à disposição de todas as pessoas. A — Pessoas (como o fariseu) : 1 — Podem rejeitar a oferta divina de perdão através de Jesus. 2 — Podem gabar-se de sua suposta superioridade em assuntos de religião, moral e justiça civil. 3 No dia da segunda vinda de Cristo, no dia do Juízo, serão surpreendidas ao ouvir o veredito divino — "Culpados! Apartai-vos de m i m ! " (Porque o que se exalta, será humilhado, v. 14; Mt 25.41). B — Pessoas (como o cobrador de impostos) a quem, o Espírito Santo trouxe ao arrependimento e à fé através da proclamação da L e i e do Evangelho:
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1 — Confessarão perante Deus, em oração particular e em culto público: — "Deus, sê propício a mim pecador!" (1 Tm 1.15). 2 — Têm já, agora, a certeza de que seus pecados são perdoados (Mt 9.2). 3 — Na segunda vinda de Cristo ouvirão o veredito: — "Inocentes por causa de Cristo!" (O que se humilha, será exaltado", v. 14, Mt 25.34). Conclusão: Como pretendes aparecer diante de Cristo na sua segunda vinda? Pretendes gabar-te de tuas participações nas atividades da igreja, de tuas boas ações, de tua suposta moralidade superior? Ou será que é tua intenção agarrar-te na misericórdia de Deus em Jesus Cristo? Como na parábola do Fariseu e do P u blicano, Deus quer declarar justos aqueles que foram guiados pelo Espírito Santo a orar: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" Queira o Espírito Santo, através do precioso Evangelho, capacitar-nos a orar e a prestar culto desta forma. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Marcos 7.31-37 18 de Agosto de 1991
1. Próprios do dia a) Salmo 146: o Intróito aponta para o louvor em, virtude das grandes obras de Deus e de sua fidelidade frente à fragilidade e às fraquezas humanas, destacando o reinado eterno do "Senhor que abre os olhos aos cegos". b) Isaías 29.18-21: a leitura do AT destaca a redenção que se cumpriria no Messias, pois "naqueles dias os surdos ouvirão", apontando assim para a obra de Cristo, destacada no evangelho do dia. c) 2 Coríntios 12.6-10: a epístola destaca o "poder de Deus que se aperfeiçoa na fraqueza", mostrando que a doença IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 81

o F i l h o de Deus. sobremaneira. V. loca seus ouvidos e língua.31-37: o evangelho relata a cura de um surdo e gago e destaca o fato de que Jesus "tudo tem feito esplendidamente bem". 2. junto com os demais. O texto encerra com a declaração: "tudo ele tem feito esplendidamente bem". entregando-se à morte. E o ex-surdo-gago. o homem tinha dificuldade em falar. "ser aberto".29). 4 Pensamento central "Jesus rompe as vidas fechadas dos homens e abre-se à saúde da comunhão com Deus e com o próximo. A idéia não é da parte específica da pessoa sendo aberta. Somente a palavra de Deus tem poder para abrir nossa surdez natural e trazer-nos à fé e à vida. Contexto "Marcos inicia seu evangelho com a afirmação de que ele é a boa nova de Jesus Cristo. . mas não era mudo. pois tira-o da multidão. 82 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . seu amor para com aquele homem. de todas as medidas.tem seu lado positivo. Jesus é mostrado como o Messias-Servo que voluntariamente serve até completar a sua obra. 35-37: a ação de Jesus é concretizada — os ouvidos do surdo se abrem e o empecilho da língua é retirado." (Concórdia Pulpit for 1979) . "ser libertado". Texto V. não pode deixar de testemunhar da ação de Deus em sua vida. Jesus é o Messias." (Concórdia Pulpit for 1979) 3. 33: denota o cuidado especial de Jesus. excessivamente. Após. V. o prometido que traria salvação e plenitude de vida a todos. mas da pessoa inteira ser aberta ou libertada. e ele passa a falar desembaraçadamente. E então expõe a viva demonstração de nosso Senhor como o servo que cura c reconcilia. É a ordem que despedaça os grilhões com que Satanás tinha mantido presa a sua vítima. As. " T u és o Cristo" (8. pois o poder de Deus em nós é aperfeiçoado e podemos confiar que os olhos do Pai estão sobre nós. e que age para atrair todos a si — culminando na declaração de Pedro. pessoas ficaram atônitas além. d) Marcos 7. V v . 34: "Efatá" — em aramaico. Isto trouxe admiração. 32: "Surdo e gago" — por causa de sua surdez.

se afastando de Deus e deixando de ouvir sua voz. 3. Sabemos que. 3. Para que confiemos neste Senhor. Disposição Tema: Jesus faz tudo bem I — Abre nossos ouvidos e nossas vidas 1. b) Moléstia: o ser humano. que abre nossos ouvidos para a boa nova da salvação e nos coloca em comunicação com. Somos surdos para com Deus. Persuasão a) Objetivo: a confiança naquele que tudo faz esplendidamente bem. o P a i . por natureza. estamos novamente em comunhão com. 2. os olhos do P a i estão sobre nós. o Pai. 2. c) Meio: Cristo veio ao mundo para irromper em nossas vidas com sua obra. Jesus vem ao nosso encontro e toca nossas vidas. As pessoas ainda continuam. Somos surdos de nascença. se isola e aliena de Deus e do seu próximo. 6. Nossa alienação e isolamento de Deus. 4. Pelo perdão. "Tudo ele tem feito esplendidamente bem". II — Para podermos ter comunicação com o P a i 1. 4. Rony Ricardo Marquardt IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 83 . O perdão que provém da obra de Cristo. Não poderíamos ouvir a voz de Cristo sem a ação do Espírito Santo.5. mesmo em meio à doença. abrindo nossos ouvidos para seu evangelho e quebrando as barreiras entre Deus e os homens.

15). Lc 10.25-37 — O Bom Samaritano: um exemplo de amor ao próximo. tudo no amor.or) se reflete no amor ao próximo. Gn 4. V. corretamente.1ss: Jesus rebate as tentações com a P a lavra de Deus!). (1-7) 8-16a — Caim teve atitude diametralmente oposta a do Bom Samaritano. perseguido por Saul e escondido na caverna. mas remete o interlocutor à Escritura: "O que está escrito? Como interpretas?" (Cf. como obra humana. é mais uma vítima da violência (como o foi o assaltado da história do Bom Samaritano). mas se demonstra em obras. O amor não fica só em palavras. V. 27 — Pelas respostas. V. o escriba demonstrou não pertencer ao grupo dos que valorizavam mais a lei cerimonial. 2) O texto: V.: Lc 4. do que decorre toda a vida de amor ao próximo. 28 — Jesus elogia suas respostas." O amor de Deus é a base e a origem do nosso amor ao semelhante.7-11 — O grande e belo texto: "Deus é amor. que o condenassem (cf. Sua esperança está apenas em Deus.23ss). Mt 22. mas só querem confundir ou ridicularizar. Men. Faltou-lhe amor. Centralizou. 25 — "com o intuito de por Jesus em provas": Em várias ocasiões tentaram arrancar de Jesus algumas respostas erradas. Somos confrontados com pessoas que não querem conhecer a verdade. explicação do 1" mandamento — Cat.25-37 25 de Agosto de 1991 1) As leituras do dia: Sl 142 — Davi. O contraste entre a atitude de Caim e a do Bom Samaritano é flagrante! 1 Jo 4.15ss. Mas não bastava apenas conhecimento desta verdade: é necessário praticá-la: "Faze isto e viverás!" — lembramos aqui que o 1o mandamento (ou: a primeira tábua resumida pelo escriba) só pode ser cumprida pela fé. Não é uma mera obediência. Mt 22. 26 — A tática de Jesus: Ele não inventa respostas. 84 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Devemos estar "sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em nós" (1 Pe 3. O exemplo é dado por Jesus para ilustrar o fruto da fé salvadora: amar a Deus acima de tudo (cf.DÉCIMO QUARTO DOMINGO APÓS PENTEGOSTE Lucas 10. mas é um ato de fé e confiança.

Tg 4.: O Salmo do dia: Davi perseguido. mas foi prático! Correndo risco de assalto. orfanatos.17: "Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz. Cf. . 29 — Mesmo conhecendo. (Cf.24-41).. T o d a a mensagem poderia girar em torno das perguntas e respostas constantes no texto. 34 — A compaixão em ação. e de hoje. . qual tem sido a nossa reação? Como anda a prática do amor ao próximo em nossa igreja? 3) Os problemas e a solução: Os problemas: a intenção maldosa do escriba: por Jesus à prova. V. a leitura do A T : A violência de Caim contra Abel. V.a. 33 — Há necessidade de se explicar a situação dos samaritanos (cf. 1 Jo 3. possam cumprir bem suas funções. sua tentativa de auto-justificação. O samaritano não ficou só na intenção de ajudar.V.7-11 (a leitura da epístola do dia. V. — A pergunta "Quem é o meu próximo?" deve ser entendida dentro do contexto judaico (Mt 5. m. e quanta oportunidade de demonstrar amor aos injustiçados se nos apresenta cada d i a . 2 Rs 17. as atitudes de desamor: dos assaltantes. No caminho da auto-justificação. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 85 . Judeus e samaritanos eram inimigos írreconciliáveis. etc. 36 — Quantas perguntas e respostas aparecem neste texto? — o estilo catequético transparece neste episódio. creches." Entre os inimigos constavam todos os estrangeiros (todos os não-judeus). omissão. asilos. — esplanichníste: compadecer-se: palavra-chave no texto.43): "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 31 e 32 — O Sacerdote e o levita tiveram oportunidade de exercer misericórdia." V. deixando seus interesses de lado. ajudou o necessitado. tanto por questões de religião como de raça. 37 — Se confrontados com desafios semelhantes. discriminação.do à beira do caminho. faltava a fé justificadora: o escriba tenta justificar-se a si mesmo. V. as nossas atitudes de desamor. ! — Cf. 30 — Assaltantes — violência — vítimas — de ontem..s não o fizeram. V. nisto está pecando.18 c 1 Jo 4. seu amor ao próximo não foi feito de grandes discursos.) V. 35 — O samaritano pagou para que outra pessoa continuasse cuidando do ferido: Boa prática de caridade é contribuir para que hospitais. de demonstrar amor ao semelhante prostra. Quanta falta de amor existe. do sacerdote e do levita. a pessoa se afasta cada vez mais do caminho oferecido por Deus.

um homem deitado no acostamento.10: o amor de Deus por nós. Início de uma grande amizade! 5) Disposição: T E M A : O amor ao próximo. pensando melhor.11. O B J E T I V O : Estimular à prática da caridade em. D i a seguinte um componente do time perdedor vê o artilheiro do time adversário cair da bicicleta. "Ponto 4 — Questionamento".. I N T R O D U Ç Ã O : Cf. Sua primeira reação foi rir. Carlos Walter Winterle 86 IGREJA LUTERANA 1/1991 . como fruto da verdadeira fé. situações bem concretas da vida congregacional e comunitária.10) b) há muitos carentes/necessitados c) é da vontade de Deus. 32. dirigindo à noite. a consciência acusa. em estrada deserta. Hino n° 269). ameaças!. C O N C L U S Ã O : Cf. I — Por que amamos? a) porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4. revelado em Cristo. Na primeira oportunidade.32) b) Não como Caim (1 Jo 3. Telefonou para casa. avisam a polícia. 33-35) d) Como Jesus! (cf. Ninguém por perto para ajudar. nos impulsiona ao amor a Deus e ao próximo.9.9. i) O Bom Samaritano no dia a dia: — Questionamento: Duas senhoras. — Ilustração: Atualização da história — Duas escolas disputam um campeonato de futebol. muita briga.— A solução: 1 Jo 4. ajudou. Será um atropelado? será um bêbado? será uma estratégia maldosa para um assalto? Resolvem não parar. "Ponto 4 — Ilustração".12) c) Como o samaritano (v. II — Como amamos? a) Não como o sacerdote e o levita (v. foi ver o que tinha acontecido: havia um pé quebrado. debochar! Depois. Muita torcida..

18. Os nove decerto acharam que este cerimonial já era IGREJA LUTERANA 1 /1991 87 . Samária. samaritano. 11-14) e á resposta de fé do sàmaritano (vv.28 subindo de fato.35-43). mas derrubava outras.13 e 18. Vv. pediram compaixão de Jesus. 19.24). judeus e o samaritano. 12/13 — A situação é típica dos leprosos da época: tinham que ficar longe da sociedade (Lv 13. Havia entre os dez um samaritano.9 e 18. Judeus e samaritanos não se davam porque do ponto de vista religioso e social o sàmaritano era considerado "não limpo" (Jo 4.42). em ambos "a tua fé te salvou" (17. A doença criava algumas barreiras sociais.18 e 18. bem como o amor (o bom.11-19 1º de Setembro de 1991 Contexto A perícope faz parte do ciclo final da viagem de Jesus pela Galiléia. Todos. Estavam chegando a Jerusalém. 15/16 — Os dez certamente ofereceram os sacrifícios prescritos. 19). Em ambos a invocação por compaixão (17. não teriam os demais também fé em Jesus.11-27. 18. Peréia e Judéia (Lc 9.1 em Jericó. Samaritanos eram de descendência mista: israelitas que permaneceram quando o reino do norte foi levado cativo e a Assíria colocou colonizadores gentios em Israel (2 Reis 17. V.33) e a fé (a mulher samaritana.7).45-46). 15-19).8 e 18.35 perto de Jericó.DÉCIMO QUINTO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Lucas 17.43).9). pois também foram curados? Não seriam os demais apenas "crentes" negligentes que esqueceram o doador quando receberam uma grande bênção? A ordem de Jesus corresponde ao que está prescrito em Lv 14.51 a 19. Lc 10.11 da caminho para Jerusalém. dos leprosos (17. Mas o sofrimento derruba as barreiras (leprosos com o samaritano). em ambos o agradecimento e o louvor a Deus (17. As ênfases da pericope sobre gratidão e ingratidão se espelham também em outras perícopes deste ciclo. 14 — A cura se realizou "indo eles".27). Se a fé salvou e curou o samaritano (v. V v .41 chegando). Texto Há duas partes claras: a cura dos dez (v. Há duas curas. Jo 4.20 a 18. A fidelidade e a gratidão são o assunto em 17. 19. com detalhes semelhantes.38).28-44. 19.11-19) e do cego (1-8.31 subindo. A infidelidade e ingratidão são o assunto em 19. como o contexto vai indicando (17.1.

aos tempos atuais. Três Palavras Para Vida I. Há muita gente que com fé clama o "kyrie eleison" e esquece depois de mostrar o "eucharistein" na vida cristã. Mas O estrangeiro voltou. guerra). discriminação. Ambos os termos agora fazem parte da liturgia. 128 A C . fé. Fé. Dá forças não só para sobreviver. tristeza. com fé agradecendo a Jesus (eucharistein). e social (eram excluídos da sociedade). Compaixão. B. 19). destruído pelos judeus em c. podes purificar-me". como antes havia implorado por compaixão (kyrie eleison).suficiente "compensação" para a ajuda recebida de Deus. se quiseres. Também precisamos da compaixão. Ajudou os leprosos: A tua fé te salvou. emocional (sem esperança de cura na época).20). 400 A C . mas espiritualmente. porque diziam ser este o monte (e não Ebal) que Moisés havia indicado para construir o altar (Dt 27. B. O grito por compaixão crê que alguém pode ajudar. 17/19 — A pergunta "onde estão os nove?" fala também. Esboço Introdução: A vida é uma dádiva de Deus. No mundo é tão frágil diante das adversidades. II. gratidão. O louvor do samaritano é em alta voz. então foi a fé que salvou! Deus é o Senhor e Doador da V i d a : nos sara física e espiritualmente. Estavam em miséria física.4-6). O mundo está com problemas (fome. A. A história dos leprosos nos dá três palavras para a vida: compaixão. sem temor.12ss. Vv. A. Se tudo está bem conosco. pecado). Temos problemas pessoais (doença. Os leprosos viviam da compaixão. Jesus purifica também do pecado: "A tua fé te salvou" (v. Não vollaram para dar "glórias a Deus" e "agradecer a Jesus". pobreza. também mostrou a sua fé e confiança em Jesus: "Senhor. mas 88 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . O leproso curado em Lc 5. Deus em Cristo carregava nossas dores. A fé do samaritano não apenas o salvou fisicamente. Podia até ser que não fosse aceito pelo sacerdote: as barreiras derrubadas pelo sofrimento se ergueram novamente? Os samaritano cultuavam no monte Gerizim (Jo 4. onde os samaritanos haviam construído um templo em c.

e que vive o amor ao próximo. Warth DÉCIMO SEXTO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Mateus 6. Martim C. 0 Contexto 0 contexto imediato do Evangelho determina o uso correto das propriedades (Mt 6. ConsIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 89 . em contraste com a espiritualidade. todos os quatro textos apontam para a providência divina em. Nossa resposta é adoração. procura ressaltar que a busca do reino de Deus e da sua justiça.25-33 8 de Setembro de 1991 A ênfase das perícopes Com clareza. B. A vida cristã em amor é também nosso louvor a Deus: vida que recebe e espera tudo de Deus. A.33). A confiança no Deus forte e compassivo nos dá vitórias e um espirito voluntário para vencer (Sl 51. Este é o padrão para nós: quando a fé nos cura. O salmo n° 4 destaca que Deus sempre responde as orações dos que nele confiam e assim continuará fazendo. o recebimento das coisas menos importantes. gratidão. A obediência na promessa de providência divina. por sua vez. louvor. mas na alegria da cura esqueceram o doador. alcança a misericórdia de Deus em suprir as necessidades físicas do homem (1Rs 17. A alegria do mundo baseia-se sobre "cereal" e "vinho" mas o verdadeiro regozijo do cristão depende de sua comunhão com Deus.12). O Evangelho. por si mesma. Nove aceitaram a misericórdia de Jesus. Só um voltou para mostrar gratidão.19-24). III. culto. Esta sessão aborda especialmente o materialismo. ou seja. daquilo que precisamos para nossas necessidades físicas (Mt 6.para agir com coragem e fé. então nossa vida toda pertence a Deus. face à ansiedade humana.18-14). garante. Gratidão.

que não fazem provisão alguma para si mesmos. beber e vestir-se". 26). 4. 27). à adoração dos Ídolos. Este ensino tem passado despercebido. A mente começa a admitir o pensamento inferior de que a vida consiste apenas em "comer. A vida humana é mais que a parte física. texto-base. porque a providência divina funciona neste mundo até mesmo entre os animais inferiores.33. O discípulo é diferente do 90 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Este versículo aponta para o tema central: "Desejai as coisas celestiais". 32). coisas físicas podem fornecer (vs. que nunca considerou Deus seu Pai. certamente cuidará de seus próprios filhos (vs. em conseqüência. levando-os finalmente. A ausência dos desejos realmente espirituais entre os gentios é que provocara a sua apostasia. e todas estas coisas vos serão acrescentadas". determina que a concentração recaia sobre um. ou seja: Mateus 6. Estes versículos nos ensinam a verdade dos cuidados de Deus por nós. não podendo ser discípulo do reino. Há boas razões. porquanto já perdeu a confiança no Rei. 0 resumo deste ensino é: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça.titui o "manifesto contra o materialismo" dos ensinos de Jesus. e por isso merece mais consideração do que os desejos pelas. e não porque não tivessem a vontade de possuí-las. A ansiedade não altera as condições da vida e nem. tão somente. Assim também. o fornecimento para nossas necessidades materiais. como as aves. 25). 3. A ansiedade pelas coisas físicas faz parte da conduta dos gentios. Quem toma esta atitude torna-se seguidor das riquezas. 2. aumenta a sua duração (vs. apontadas em toda a perícope de Mateus. não as tem somente porque não encontram a oportunidade ou a habilidade para adquiri-las. 0 Texto 0 resumo do ensino desta perícope. O deus "riquezas" os atraem mais fortemente do que o Cristo da Galiléia. para o discípulo de Cristo evitar a ansiedade quanto à vida fisica. Deus cuida dos animais inferiores. mostrou que a obtenção da alimentação não deve ser acompanhada pela ansiedade. 1. e. tanto que por muitas vezes aqueles que não tem riquezas. Jesus não encoraja a preguiça nem falava contra o esforço do trabalho. Se o discípulo negar ou duvidar da providência divina então agirá como o pagão. Os discípulos do reino contam com o seu Pai celeste vs.

a) O discípulo do reino que perde a confiança no P a i torna-se seguidor das riquezas. Por isso. garante. Buscando em. 0 conhecimento perfeito que o P a i tem de nossas necessidades físicas garante o fornecimento para as mesmas (vs. 33).gentio no caráter e nos desejos porque confia nas promessas do P a i celeste. a) A ausência dos desejos realmente espirituais provoca apostasia e idolatria. Toda a Escritura ensina a bondade. ou seja. primeiro lugar o alimento celestial. A busca do reino de Deus e de sua justiça. o recebimento das coisas menos importantes. 6. No exemplo dos gentios transparece a nossa própria tendência. podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos. do Pai celeste. daquilo de que precisamos para nossas necessidades físicas (vs. abundância. por si mesma. No Evangelho encontramos alimento em. Nereu Rui Weber IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 91 . Confiando na providência do P a i em suprir as necessidades fisicas. as coisas celestiais oferecidas pelo P a i na Palavra e nos Sacramentos. Como? 1 . 2. b) 0 P a i conhece nossas necessidades físicas. c) Busquemos pois. Disposição Tema: Desejai as coisas celestiais. b) O P a i nos mostrou sua providência suprindo integralmente nossa carência espiritual em seu Filho Jesus Cristo. c) O P a i nos convida a confiarmos na sua providência que nos veste (lírios) e alimenta (aves). 5. O velho homem em nós anseia pelo comer e beber. 32). sabedoria e conhecimento perfeitos do P a i celeste.

sem seguro.. Neste duelo. Os paralelos deste texto com o Evangelho são muitos e podem ser usados na mensagem.11-16 — As leituras anteriores são preparatórias para a leitura do Evangelho.15). pode ser usado também o ponto comum das testemunhas e sua reação: divulgaram o que viram! Lc 7. .1-9 — Um salmo de ação de graças. A verdade da ressurreição dos mortos é apresentada num crescendo. tanto de alegria (bodas de Caná). "Chorai com os que choram" (Rm 12. V.1-11 — Paulo relata a ressurreição de Cristo e arrola uma série de testemunhas oculares. "Laços de morte me cercaram. o Vencedor e Cristo! V. Além do grande ponto comum do dia — a ressurreição dos mortos. 13 — Quando a viúva viu desabar sua última escora humana (arrímo de família). Como cristãos. para confiarmos apenas nele! — O cortejo da morte. 1 Co 15. saindo da cidade. Lc 10. 11 — Seguindo a Cristo. os discípulos se defrontavam com situações as mais variadas.. 12 — A situação desamparada de uma viúva na época: sem aposentadoria. entrando na cidade." 1 RS 17. pois o Senhor acudiu na aflição.11-16 15 de Setembro de 1991 1) As leituras do dia: Sl 116.17-24 — Elias 1 ressuscita o filho da viúva de Sarepta. Aquele que segue a Cristo deve estar consciente de que nem tudo são rosas no caminho de Jesus. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/199! . deve saber que Cristo está ao lado. Jesus aparece em seu caminho e diz: "Não chores!" — compadecer-se (Cf. O Senhor Jesus é o Senhor da vida e da morte! 2) O texto: V. somos "pequenos cristos" no caminho de outras pessoas. se defronta com o cortejo da vida. Jubilaram no Monte da Transfiguração e choraram no Monte do Calvário. A queixa de muitos que passaram por situações de dor e de luto é que não encontraram um ombro amigo para se apoiar e chorar. Ao defrontar-se com a morte. Cumpramos a nossa função consoladora: "Consolai o meu povo!" 92 .DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 7. livraste da morte a minha alma. Deus permite que as nossas escoras humanas caiam uma a uma.33: o bom samaritano).. como de tristeza.

15 — "E Jesus o restituiu a sua mãe. Mt 1. mas para uma vida a serviço de sua mãe.43 — Lázaro. poder e amor de Jesus! Um homem morto não pode dar vida a si mesmo. O B J E T I V O : Reforçar a verdade central da fé cristã: Em Cristo temos vida.25)! — As ressurreições realizadas por Jesus (Mt 9. V. — Os problemas: a morte — salário do pecado — a dor. V." O jovem foi ressuscitado não para uma vida egoísta." V. I N T R O D U Ç Ã O : Mencionar alguma situação marcante de sepultamento na vida comunitária ou da história mundial.18 — "Deus visitou o seu povo" — expressão característica dos tempos messiânicos: Lc 1. e o jovem de Naim) são uma boa ilustração para o próprio fato da conversão: Ef 2.23 — "Emanuel = Deus conosco. Jo 11. o choro — a solidão. M u i tas vezes ficamos apáticos c calados diante das maravilhas de Deus. penetra no íntimo e dá a vida! Isto é obra. — A solução: Cristo venceu a morte e dá a verdadeira vida! 4) Disposição: T E M A : Morte e vida. 17 — A reação do povo: temor e glória (v. como é da vontade de Deus (4° mandamento). ressuscitando. É a reação que Deus espera diante dos seus feitos. pois Ele venceu a morte. 3) Os problemas e a solução.25: a filha de Jairo. 16 — "Grande profeta — Dt 18.V.Uma palavra de ordem daquele que é a própria ressurreição e a vida (Jo 11.1 — Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. e Ele nos deu vida! a Palavra de Jesus abre os ouvidos mortos. 16) e testemunho.78 — "Nos visitará o sol nascente das alturas". 14 . I — A morte — a dura realidade a reação das pessoas diante dela a morte eterna IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 93 .15.

e talvez principal. palpável. é a dificuldade de compreensão deste mistério. testemunhamos a vida! Carlos Walter Winterle DÉCIMO OITAVO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Mateus 26. sua Palavra e também. de forma real e concreta. 94 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . É uma daquelas coisas que a mente humana não consegue captar em toda a sua profundidade. O primeiro. decorrente do primeiro. Este é um dos mistérios da fé e da vida cristã: Jesus se oferece a nós em. Há tantos aspectos e nuances. de não conseguirmos motivá-los a buscar a Mesa do Senhor espontânea e livremente. que recebemos a vida. há tanta riqueza de conteúdo e significado que é somente mediante escudo continuado que vamos conseguir nos familiarizar e adquirir domínio a seu respeito. Parece que. (i. a congregação.. O segundo problema. e a nossa frustração.26-29 22 de Setembro de 1991 ASSUNTO: A INSTITUIÇÃO DA S A N T A CEIA. como pastores.A vida — conquistada por Cristo: sua ressurreição (Páscoa!) dada pela fé consolo na aflição esperança futura.II . C O N C L U S Ã O : Nós. de um modo geral os problemas com respeito à Santa Ceia são dois. A nosso ver esse é um típico assunto ao qual se aplica muito bem o velho ditado latino: "repetitio est matter studiorum". na Santa Ceia.e. e em forma de estudos bíblicos com. em forma de estudo e meditação particular do pastor. da d i ficuldade de compreensão) é a falta de motivação dos fiéis para participarem da Santa Ceia. É um dos mistérios da fé que não conseguimos compreender realmente. É apropriado fazer revisões periódicas e constantes sobre o assunto.

Ora a solução deste segundo problema está na solução do primeiro. quando. do tipo "estudo-bíblico". Lembrado que (segundo nosso modo de ver) esses escritos são úteis especialmente para a nossa reflexão e aprofundamento pessoal.17ss. fermento. Há várias ênfases que poderiam ser dadas com relação à Santa Ceia. dentro da qual acontece a Instituição. ao nosso povo e na nossa linguagem. . para nos servir de base na elaboração de uma mensagem contextualizada ao nosso tempo. Não seria de esperar. poderia falar dos elementos usados (qual seja. Todo o conteúdo da Bíblia é importante. lembrada na Páscoa judaica e da Nova Aliança. porque o sangue é vermelho". Para auxiliar neste sentido lembramos aos colegas que na coletânea "Pelo Evangelho de Cristo" há dois sermões de Lutero (p. . o pão — de que tipo. A questão da Ceia presta-se bem para uma exposição mais sistemática. poderia enfatizar o preparo/dignidade para o recebimento da Ceia (precisando levar em conta 1 Co 11). Poderia destacar a Ceia Pascal. se pode ser hóstia — e o vinho — se pode ser suco de uva. que era a festa maior que estava sendo realizada. poderia destacar o aspecto do "isto é meu corpo" em contrapartida aos ensinamentos sobre o simbolismo e a trans-substanciação. uma simples transposição dos textos de Lutero para os ouvidos dos nossos congregados. além de outros escritos de sua autoria que os irmãos tenham consigo ou aos quais tenham acesso. O Texto Relata a instituição da Santa Ceia. que solicita de nós muito mais do que apenas pregações esporádicas. Jesus estava reunido com seus 12. a IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 95 . na Nova. Inclusive com a suplementâção por parte de outros textos. seria possível destacar que Jesus deu graças. como acham alguns luteranos. mas a Santa Ceia é um daqueles especialmente importantes. poderia falar do sangue — que estava presente na Antiga Aliança e que agora. A l é m disso também vale lembrar o que Lutero escreveu no Catecismo Maior sobre o assunto. Será muito útil dispor de um bom comentário bíblico ou auxílio doutrinário. com ou sem. 253 e 287) que são um bom subsídio e um bom estímulo para a nossa reflexão pessoal. se é vinho misturado com água — ). lembrada com a Santa Ceia. comendo a refeição festiva da páscoa.É preciso promover o estudo e o conhecimento sobre a Santa Ceia. Aquele que vai pregar precisa escolher qual o aspecto que deseja enfatizar. como os relatos paralelos e 1 Co 11. se o vinho "tem que ser tinto. até porque sua linguagem não é acessível à média do nosso povo. é do próprio Salvador. nem mesmo no maior apuro de tempo. poderia explorar a relação entre o significado da Antiga Aliança. outra bebida.

pois no AT já estava presente o sangue. que é fonte de vida. A morte nos ronda.e. Não só para alguns.e. Grandioso..) 2..certa altura. tudo o que foi e o que fez. que iria ser derramado em favor de toda a humanidade. mas quis — por nós! Nós não gostamos da idéia da morte. E l e não precisava morrer. A vida foi dada. Tema: A morte que traz vida (ou — A morte de Cristo (que) nos traz vida) 1 . dali a poucas horas. com seu siangue que foi derramado). Mas foi morte "em favor de". para todos que aceitarem a fé. F o i derramado (Cristo sofreu — e morreu —. Misterioso. para remissão dos pecados.: O ponto " 3 " do esboço poderia. benefícios. também. foi morte que trouxe resultados. 96 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 3. ficando " 3 " e "4". junto com 0 pão e o vinho. Não foi morte e ponto final. Também no sentido literal. Que. pois Jesus introduziu um elemento novo. de lá para cá é repetido incansavelmente pelos cristãos: o comer e beber do seu próprio corpo e sangue. vida. Mas nós podemos vencer o diabo e a morte. mas precisamos morrer. com a morte de Cristo (i.. . com certeza foi algo de muito extraordinário e grandioso. a partir de agora passa a estar ligado com o sangue do próprio Cristo. O sentido da cerimônia até então era relacionado com o sangue do cordeiro sacrificial do A T . pois repelimos vezes: sem conta. interrompe a seqüência tradicional do cerimonial e introduz algo inteiramente novo. para os 12. algo diferente. no entanto. O que para nós hoje é algo natural. ser subidividido em mais um. naquela primeira vez. foi oferecida. algo único. Milagroso. mas para muitos. Abençoador!. O próprio Salvador se entregou à morte. Sugestão de Esboço: Obs. i. um significado completamente deferente no meio de uma cerimônia que eles estavam acostumados a celebrar. Em favor de muitos. Seu principal representante é nosso inimigo mortal e nos quer conduzir à morte eterna. E r a o próprio sangue da Salvação que estava em cena naquele momento e naquelas palavras de Jesus. foi tirada. de todos os tempos. O sangue de Cristo (sua vida. (A morte de Cristo não foi simples morte.

mas pelo que Deus faz e oferece ao homem. Jesus retornou o escriba ao seu próprio conhecimento da lei (Dt 6. doada.Conclusão: — Isto nos é lembrado na Santa Ceia. A lei não o pode conduzir ao trono da graça de Deus. por seus méritos. O escriba inquiridor procurou obter de Jesus uma resposta que pudesse dar clareza à complexa relação de mandamentos com seus variados valores. A mensagem pode explorar a questão da interiorização da lei..e. F a l a dos feitos do Senhor a favor dos seus filhos. E r a m em número de 613 os mandamentos divinos que os fariseus reconheciam. que serve a Deus e ao próximo. porém. do sangue derramado por Cristo) e que fortifica a nossa fé) nos é trazida. que. mas foi à raiz. Pode contrastar o "cristianismo de sabedoria" IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 97 . Diante da pergunta pelo "principal de todos os mandamentos". é festa e alegria.4.18). motivo da resposta do cristão.5 e Lv 19. Jesus aproveitou o momento e lembrou este fato ao escriba. Como conhecedores da lei de Deus. da verdadeira conversão e conseqüente vida em amor a Deus e ao próximo. oferecida na Santa Ceia. e havia grande divergência quanto aos que eram de maior ou menor importância. em sua função. Jesus redirecionou o assunto. Mostra o amor de Deus. elogiou-a e expressou sua concordância com o ponto de vista de Jesus. — Esta bênção (perdão que vem da morte (i. tinham a tarefa de interpretá-la. chegou apenas perto. foi mais longe e demonstrou que o estar no e sob o reino da Deus não é obtido pelo que o homem sabe ou faz. não o tratou a nível de superfície. Irmo Arnaldo Huebner DÉCIMO NONO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 12. retalhando-a e aplicando-a à vida diária do povo. por isto. os escribas. O escriba.28-34 29 de Setembro de 1991 0 texto do Salmo introduz o assunto proposto no bloco de leituras para este domingo. Jesus. O escriba apreciou a resposta.

amizade com peca98 IGREJA LUTERANA/NÚMERO t/1991 . Conclusão Nelson Lautert VIGÉSIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 2.(conhecer a letra da lei). com o "cristianismo de desgaste em amor" (viver o espírito da lei). A ação cristã é espontânea e tem alvos certos. É preciso conhecer a Jesus Cristo e seu amor 2. decorrentes dos milagres feitos ou de seus discursos. Quer ser reconhecido e considerado. III — Constatação II: O homem precisa de Jesus Cristo 1. Amor ao próximo: igualado. IV — Vivendo em amor 1. As situações de conflito devem-se a curas de doenças físicas. Só o conhecimento da lei não basta 2. O amor de Cristo impulsiona à ação 3. T e m direito de governo sobre todos 2. É impossível cumprir a lei 3. o que ocorre logo após as primeiras curas.1-12 6 de Outubro de 1991 Contexto O evangelho de Marcos inicia muito cedo a narrar os conflitos de Jesus com seus críticos. Introdução I — Constatação I: O Senhor é o único Deus 1. II — Reação esperada pelo Senhor 1. Jesus Cristo é a Possibilidade. Trata com amor suas criaturas 3. Sugestão de tema: Do principal dos mandamento à ação. poder de perdoar pecados. e adversários. pela orientação e forças que procedem da graça de Deus. Amor a Deus: incondicional 2.

aos atributos e à obra do Messias. a mais substancial. no entanto. racionalistas de todos os tempos. sua igreja. alçaram e baixaram até ali. que estaria "falando impiamente" contra Deus. tocá-lo. pode levar a descaminhos. nos cultos públicos:. antes mesmo de iniciar qualquer ação visível de cura. causam toda espécie de enfermidades. nos opositores.) E Jesus "anunciava-lhes a palavra". de neutralizar o inimigo. Quer vê-lo. morte espiritual. fora do âmbito da palavra e das promessas de Deus. sopherim). Por palavra e sacramentos. O que esquadrinha corações e sabe todas as coisas (Sl 139. o povo se reúne em torno de Jesus. Um grupo de pessoas chega ao lugar e à sala em que Jesus se encontra para receber uma cura. " A onisciência de Jesus revela-se. A paralisia é figurativa de dissolução física do corpo humano. a descrença. no texto. Sob a acusação de blasfêmia. . ou até mesmo em função dessa polêmica. Mas essa providência tão importante gera. E r a m o que se poderia querer demais erudito para questionar qualquer agressão à lei e à religião estabelecida. nervos. de impotência. E dispõe-se a ajudar. no último período do A T . (Nisto tudo o povão de nossos dias não é diferente ao expressar suas carências. São menscionados os escribas (grammateís. Cura da paralisia do amigo enfermo que carregaram. a dúvida. a intenção dos escribas e dos demais opositores (Lucas menciona ainda os fariseus) em ofuscar o brilho de poder e fama que Jesus irradiava. movimentos. Torna-se clara. trazendo perdão e vida plenos de real sentido. 0 Conflito se estabelece Vs. inclusive o próprio doente. por culpa original ou atual. e interpretavam a lei nesses dois aspectos. que surgiram de uma combinação de um governo civil e religioso. Gristo se faz presente em. como contraste. de acomodação de músculos. e por isso merecia a condenação. ainda hoje. cerimônias de jejum e da guarda de sábado não cumpridas. Toda e qualquer busca terrena e imediatista de alívio e cura. Vs. um testemunho coletivo de fé e confiança dos que o conduzem: "Vendo-lhes a f é . IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 99 . desespero. .23) está presente fisicamente na terra. Essa oposição se evidencia na tentativa de eliminar a concorrência. Jesus imediatamente promove a cura maior. 1-4: Não obstante a oposição sofrida. lançam a acusação mais contundente à natureza. E r a m ao mesmo tempo legisladores e teólogos. a oposição aberta. a mais necessária: o perdão de pecados. Pecados que. 5-7: Certificando-se da fé nos personagens envolvidos com a cura do paralítico. ouvi-lo. Este estado de imobilidade provoca. experimentar sinais.dores.

sela a verdade do perdão..13. "Levanta-te. na verdade. a presença do reino desse Messias e a manifestação de sua presença na vida dos crentes e da igreja. perdoando os pecados 3. a cura física. " — eídomen pressupõe um objeto ou fenômeno visível.. E r a a mais completa afirmação da divindade de Jesus. a segunda. "Jamais v i m o s .14. 8-12: Mais uma vez Jesus dá mostras de sua onisciência. arrancando a admiração e o aplauso de crentes e descrentes. o que se cumpre cabalmente no texto estudado. por meio de seu Filho humanado. Proposta Homilética Deus (Messias) Presente em meio a seu Povo 1. 12. e despertam a admiração expressa no v. . Desafia-os a distinguir entre duas coisas impossíveis ao homem de realizar — a autoridade para perdoar pecados e a realização de um milagre fisicamente observável. a grande arma que usa para vencer seus adversários. Ambos os atos são igualmente difíceis. maravilhando os crentes e trazendo vida e esperança. 0 F i l h o do homem — expressão que se cristalizou no período intertestamentário e se originou no uso por Daniel 7. . o paralítico a recebe de Deus. A l i o profeta profetiza o domínio. o poder do Cristo que haveria de vir. Por uma conseqüência externa. irrespondível. Elmer Flor 100 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 ." A capacidade de obedecer a essa ordem final. Ao "ler" os pensamentos dos inimigos desconcerta-os com duas perguntas contundentes. a glória.O Conflito se resolve Vs. superam a capacidade humana. anunciando a palavra (lei e evangelho) 2. Por um sinal visível atesta o direito e o poder de fazer o que está acima do âmbito das provas humanas. suprindo necessidades físicas (cura do paralítico) 4.

Jesus. Diante de tal situação constrangedora eles intervém a favor da mulher. mesmo se este povo é infiel e o rejeita (Mt 11. No entanto a mulher o chama de "Senhor. 12). Não apela para curandeiros. benzedeiras e outros representantes de forças do ocultismo. não sendo judia. porém. 24 — Jesus permanece fiel ao seu povo. 1) é que Jesus se retirou para a região de Tiro e Sidom. V. V. quando muito. talvez mais para se livrar da situação embaraçosa e irritante naquela terra estrangeira. Talvez para evitar novos confrontos com. designação que o identificava como o Messias prometido no Antigo Testamento. 23 — T a l como conhecemos a Jesus. Somente a fé poderia entusiasmar-se com este galileu.21-28 13 de Outubro de 1991 O contexto É surpreendente que este texto esteja sucedendo um trecho no qual Jesus ensina que aquilo que contamina o homem não são as coisas externas e sim o seu interior. ao encontrar-se com. sem mexer na raiz do seu problema. escribas e fariseus (v. iriam logo colocá-lo em prontidão para ajudar. Os fariseus haviam se escandalizado com os ensinamentos de Jesus (v. A atitude de Jesus também parece contradizer a sua ordem dada no mesmo Evangelho segundo a qual os discípulos deveriam IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 101 . Melhor é despachá-la o quanto antes. É incômodo ouvir as súplicas de uma pessoa aflita. É fácil despedir um mendigo dando-lhe um troquinho ou alguma coisa que não precisamos mais.21). se conserva indiferente. F i l h o de Davi". Os próprios discípulos se mostram surpresos. Esta designação Jesus havia recebido de pouca gente de seu povo. O texto Seguem algumas observações sobre o texto. somente poderia ter para com ele uma atitude de desprezo ou. 22 — A mulher cananéia. Jesus.VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 15. os gritos persistentes e patéticos desta mãe pedindo por sua filha entregue ao poder de Satanás. de indiferença. V.

2. 25-27 — "Socorre-me". conforme Paulo "ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" ( E f 3. E l a descobre possibilidades que não se percebem sem ela.20). A mulher não contraria a Jesus. nem se pode falar em repartir o amor de Jesus. Ninguém pode acusar Jesus de ter desprezado o seu povo como justificativa para que Israel o desprezasse. se você se dedicasse aos gentios você trataria os filhos como cachorrinhos e os cachorrinhos como filhos".levar o evangelho a todas as nações. 4. de servir como emulação (estímulo) a judeus que. para nós significa mais do que um banquete pois. O seu amor é tão imenso que há abundância tanto para judeus como para gentios. é verdade. O amor pela filha fez que ela assumisse a dor de seu sofrimento.26) poderia ela ter preconceitos contra os judeus. Os pais sabem que o sofrimento dos filhos é. A sua ajuda é acessível a todo aquele que crê. de origem siro-fenícia. As sobras de sua misericórdia seriam o suficiente para sua filha. Jesus quis mostrar que ele ama os descendentes de Abraão a despeito de ter sido rejeitado por eles. conforme Marcos 7. O episódio pode ter sido utilizado por Jesus para testar a paciência dos discípulos e posteriormente para instruí-los a respeito da persistência na oração. Jesus ultrapassa os limites de sua missão em resposta aos apelos da fé. E l a percebe que a mesa posta por Deus 102 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Mesmo o aparente desprezo não impediu a mãe de pedir socorro de Jesus. V v . até lhe dá razão: "Jesus. 3. Recorre ao potencial que fica despercebido àquele que não crê. O que Jesus chama de migalha. dor mais aguda para os pais do que para os próprios filhos. Jesus permanece fiel. Como cananéia (ou grega. Apesar de toda a infidelidade de Israel. iriam ler este relato através dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Na verdade. geralmente. A demonstração de tamanha fé. A fé continua lutando mesmo quando todas as chances parecem ter-se dissipado. posteriormente. pode ter sido provocada por Jesus a fim. Jesus não beneficiou os gentios em detrimento de Israel. Seguem algumas sugestões para explicar o procedimento de Jesus: 1.10). protagonizada por uma mulher estrangeira. ainda que seja de uma pessoa gentia. De outra parte ela está convicta que com Jesus está a abundância. É possível que Jesus quisesse testar a fé desta mulher. quer seja judeu quer seja gentio (Rm 1.

Seríamos nós capazes de humilhar-nos tanto? Talvez Jesus nunca mais retornaria àquela região. UMA MULHER GENTIA ORA DE UMA FORMA EXEMPLAR 1. Nossas dificuldades nunca são um caso perdido ou sem solução! A mulher cananéia está disposta a aceitar a graça de Deus da maneira mais humilde. Nada a faz desistir de apelar para Jesus a. ocasião em que Israel faz um voto de servir a Yahweh com integridade e fidelidade — voto este perenizado através da ereção de um monumento. Steyer VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. Nossa proposta recai sobre o último. como mendiga. 28) a. "amor de Jesus".para Israel é tão farta que pode suprir todas as nações. Na sua angústia ela se dirige a Jesus (v. mesmo debaixo da mesa. Christiano J. Nem a aparente rejeição de Jesus (vv. V. um grande culto de reconsagração onde são (re)vivenciados os atos salvíficos de Deus na história e vida do Seu povo. A epístoIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 103 . a sua única oportunidade para conseguir ajuda para sua filha (2 Co 6. 23) b. "oração". 22) 2. pois. "Epifania". 28 — A fé é capaz de provocar aplausos do próprio Jesus. 24-27) 3. Jesus elogia sua atitude b.2). Jesus atende seu pedido.38-48 20 de Outubro de 1991 A leitura do Antigo Testamento apresenta o momento da renovação da aliança do povo de Deus. ou seja. Nem a aparente indiferença de Jesus (v. Disposição O texto presta-se para falar sobre temas como "fé". Era. E l a recebe a recompensa de seu gesto (v.

vos digo" coloca Jesus como o cumprimento. Lv 24. Igreja/estado e além disso fazem uma "re-leitur a " do Antigo Testamento sob o prisma de seus costumes e tradições rabínicas e pré-talmúdicas. por um. ou seja.: Rm 9. por isso mesmo. Tg 4. que o contexto cultural-religioso é o dos fariseus e escribas que confundem. do primeiro dos oito sinos do carrilhão que enaltecem esta Palavra no Salmo 119. Lv 19. Viver e anunciar a Palavra independentemente das circunstâncias é a ênfase destas leituras ritmadas pelo som. por outro.24. constantemente instados a resistir ao diabo (Ef 6. 28 e 34) ilustram a natureza da justiça que "excede" (v. Lc 21.19. Pv 20.7). A "lex talionis" (Ex 21. então. Antes.. A Escritura ensina que não devemos nos opor a Deus e à sua vontade (ex. que 104 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . 2 Tm 3. tomada como representando a baixa moralidade e espírito de vingança reinante no Antigo Testamento num suposto contraste com a lei do amor no Novo Testamento.15. 39) significa resistir.13. porém. O "ouvistes" de Jesus transporta-nos para o Antigo Testamento numa referência conhecida mas por vezes mal interpretada. por outro.la ressalta. Os dois exemplos da perícope (juntamente com os outros três citados anteriormente — vv.21) é freqüentemente olhada através do óculos de.19). Ele está estabelecendo as fronteiras da ética onde e como os crentes irão atuar — algo similar ao que se acha expresso no Decálogo. Dt 19. Não se pode esquecer. porém. a agressividade do inundo contra o Servo c Seus servos mas. Trata-se aqui de Israel atuando no "reino da esquerda" e não especificamente como igreja.20. lado. 1 Pe 5. E n tretanto. Marcião e.8. que ela também não deixe de corresponder à sua gravidade. O verbo anthisiemi (v. 20) a "justiça" dos escribas c fariseus. O contexto do santo Evangelho é o do Sermão do Monte e o auditório são os discípulos. 24. 22.22.9. O " E u . Somos. Ao afirmar " E u .2). o padrão para os discípulos e Sua Igreja. a entrega nas mãos de Deus das ameaças que sobrevêm à Igreja para que esta continue a proclamar a Palavra com intrepedez. No "reino da esquerda" a justiça deve ser exercida de tal forma que ela não exceda o crime mas. à Igreja. Fariseus e escribas apelavam para esta lei com o objetivo de justificar a retribuição e vingança pessoais que o Antigo Testamento repetidamente proíbe (cf. porém. Como entender. o contexto desta passagem em Êxodo mostra claramente que esta lei está se referindo a uma restrição e não a uma eventual retribuição ou vingança. Rm 13. no domínio do "reino da direita". opor-se a alguém ou alguma coisa. Jesus está se dirigindo a Seus discípulos. vos digo" Jesus não está tentando contrastar a lei do Antigo Testamento com uma nova realidade ou ordem política.18. entretanto.

Este amor tem sua fonte no amor adotivo do Pai (vv. 48) e encontra-se apenas no discípulo de Cristo. Mt 11.44. Ao dizer "amai os vossos inimigos" (v. portanto. É o Messias.23). Ao ler-se as palavras de Cristo à luz do que imediatamente segue nos vv.5-6 e 1 Pe 2.29. Jesus está condenando o espirito de desamor. 1 Pe 2.27). submeter Seu amor ao desamor dos homens (cf. sem relutar. gentios. 27-28 torna-se notório que a passagem chave. Por outro.12. através da intercessão em favor. Estêvão (At 7. Não é o Antigo Testamento que acrescenta ao "amarás o teu próximo" as palavras "e odiarás o teu inimigo". "cães". que a expressão "volta-lhe também a outra [face]" significa demonstrar por atitude. portanto. O amor não é inspirado por seu objeto como também não depende daquele que o recebe. Is 53. mas à pessoa má. deixa margem ao ódio que para ele pode se externar no campo racial e nacional e bem assim contra os samaritanos.29) e nela está implícita a limitação da resposta que. 43-48 e quando a paralela em Lucas 6. 44) Jesus remove todo e qualquer limite ao amor. Lc 6. idêntica em ambos os relatos dos evangelistas. o Servo que está a querer o que Ele mesmo fez uma vez por todas para todos os homens centrando Sua vida em Deus e. palavra e ação que se está repleto não do espírito de rancor mas do Espírito do amor (cf. do inimigo. é "amai os vossos inimigos" (Mt 5. Isto não significa que não se reconheça a pessoa como sendo má. Rm 12. base no que imediatamente precede nos vv.19-21). Tais exemplos contrastam com a animosidade dos próprios discípulos contra os samaritanos (Lc 9. é o padrão que Ele mesmo cumpriu.29-30 é explicada com. O verbo agapáo implica muito mais do que simples afeição: ele tem. A Escritura apresenta exemplos marcantes de pessoas em ação i n tercessória por seus adversários: Abraão (Gn 18. 44. em última análise. Lc 23. origem em Deus (vv. hyper.21-23). diante de Deus.22-33).24. inimigos pessoais. ódio e vingança. inimigos religiosos. a afirmação comum entre pais: " E u vou ensinar meu filho a como se comportar" via de regra significa uma inculcação não cristã de vingança e revide (simul peccator). Este é o padrão que Cristo quer. 45) que se mostra absolutamente imparcial ao ponto de beneficiar também o mau e o injusto. O escriba fazia este acréscimo. 45. Is 50. IGREJA LUTERANA NÚMERO 1/1991 105 . diz respeito não ao diabo em si.60) e o próprio Jesus (cf. F i c a evidente. A mentalidade rabínica faz a pergunta: "Quem é o meu próximo?" (Lc 10. O amor sem limites revela sua peculiaridade não apenas na dimensão humana como também na dimensão celeste. porém o que Cristo quer é que não haja vingança. Em outras palavras.54).somos solicitados a não resistir ao "perverso"? É importante notar que tô ponerô é masculino e não neutro e que.

A receita divina através do profeta Miquéias (Leitura do A T ) é praticar a justiça.9. E l e humanou-se para fazer a vontade do Pai plenamente. espírito voluntário.10. ofertas cordiais. 1 Tm 6. por meio do Christus Victor.O padrão e o poder para amar o inimigo está no próprio Jesus. e pela escolha dos sete diáconos para "servir às mesas" e fazer a obra social. a preocupação da igreja do NT em relação a seus necessitados se resolve pela separação dos apóstolos para a pregação da palavra e a oração.17). vicariamente. Gl 6. O Texto Muitas passagens paralelas ensinam as virtudes da oferta do cristão (Ml 3.41-44 27 de Outubro de 1991 As Perícopes e o Tema do Domingo O tema do domingo. amando a humanidade. cerimônias que eram sombra do corpo. completamente com a escatológica "uma vez para sempre" pelo Seu supremo ato de amor. Lc 6. A este amor o discípulo está sendo convocado e para este amor Cristo o capacita. Tudo o mais. Mas o 106 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . lábios que louvam. espírito quebrantado. Ou nunca tinham valor em si mesmos.8).10). coração puro. Na epístola.18. 51. A recompensa já está ganha e garantida. formalismo exterior. não têm mais valor. são "os sacrifícios agradáveis a Deus" (Salmo do dia. a saber. contido nas leituras das perícopes do domingo. mas apenas na perspectiva da gratidão pela obra salvadora de Cristo.17. Assim a palavra de Deus crescia e o número de discípulos se multiplicava. coração contrito. Acir Raymann VIGÉSIMO T E R C E I R O DOMINGO APÓS PENTECOSTE Marcos 12. amar a misericórdia e andar humildemente com Deus (Mq 6. que é Cristo. Sugestão de tema: Um Amor Sem Limites.38.

texto em estudo ensina sobre a oferta através de um magnífico exemplo. Se o dízimo era, no culto de Israel, o padrão (Ex 35.22), há exemplos em que o povo de Deus ofertou até mesmo mais que o exigido ou esperado (Ex 36.5; 1 Cr 29.3,4). De igual forma, o Salvador Jesus assiste a um exemplo vivo e o evangelista relata a oferta da viúva de "tudo quanto possuía", dado em sua pobreza (hustéreesis), sacrificando o sustento, a própria vida (bíos). 0 contexto anterior apresenta um discurso eloqüente de Jesus, dirigido especialmente contra a justiça própria e o formalismo de fariseus, saduceus e escribas. Como ensinava no templo, pôs-se a observar, e até mesmo a vigiar nos seus detalhes as ofertas dos que ali prestavam culto e sacrifício. O gazofilácio era uma das treze caixas de metal, no formato de trombetas, colocadas em volta das paredes do átrio das mulheres no templo herodiano, para recolher as ofertas para sustentar os serviços do templo. Jesus se importa com as ofertas de seu povo e controla, além e acima da oferta em si, a motivação do doador. Não se impressionou com as quantias, por mais altas que fossem. Lv 27.30 determinava que se trouxesse o dízimo à casa do Senhor como oferta a Deus. Em Is 1.11ss.; Is 43.24; e Ml 3.8 Deus afirma que observa o coração e a intenção do doador. Muitos não gostam da idéia de que sua oferta esteja sob a observação de alguém, muito menos de seu Senhor, que é ao mesmo tempo o Senhor de seus bens. Isto exporia a pequenez de sua fé, da qual a oferta deriva. Não se sentem à vontade ao se detectar a motivação que os leva a ofertar. Os ricos, que ofertavam muito, faziam-no talvez por um senso de obrigação; quem sabe, para serem vistos e admirados. Suas ofertas, em todo caso, não sensibilizaram o Salvador e não mereceram maiores comentários. A mulher que Jesus destaca é pobre, necessitada, prestes a morrer de fome (são significados possíveis de ptoochós). E r a viúva, com todas as conotações de abandono e solidão. As duas moedas romanas eram as de menor valor existentes. Apesar de todos esses dados que despertam a compaixão humana, e a tornam antes alvo de doações do que doadora, o fato elogiado por Jesus se prende a que ela ofertou voluntariamente, agradecida, efusivamente, como fruto da fé. (1 Co 13.3) O que esta mulher ensina pelo exemplo, a Bíblia ensina por conceitos (2 Co 9.7; Rm 12.8). Apenas quando se oferta alegre e livremente, pode-se experimentar a alegria de dar. Vs. 13-44: Jesus convoca os discípulos para a aula sobre a oferta. A importância do assunto e a gravidade do momento estão expressos no améen légoo, em verdade digo. Os discípulos aprendem como dar e se lhes ensinam os critérios pelos quais é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 107

Deus que julga uma oferta. A mulher por certo não morreu e nem passou fome. Deus cuidou dela. Os que se preocupam doentiamente com seus bens, que têm incertezas quanto a seu futuro material, são esses os que menos ofertam. É uma relação da causa e conseqüência. Como são avaliadas as tuas ofertas diante de Deus? O ato da viúva pobre não pode ser copiado mecanicamente. Copia sua fé. Entrega-te primeiro ao Senhor, como o fizeram os macedônios. (2 Co 8.5) O amor de Cristo te fará abundar em tuas ofertas. Tema Uma lição sobre a oferta do cristão 1 . Eu aprendo o que é uma oferta sem valor (formalismo, cerimônias, desejo de aparecer, preocupações com os bens materiais. . .) 2. Eu aprendo a oferecer sacrifícios agradáveis a Deus (fé verdadeira, coração puro, espírito voluntário). Elmer Flor

VIGÉSIMO Q U A R T O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 4.35-41 3 de Novembro de 1991
Contexto O cap. 4 de Marcos é essencialmente didático, concentrando 4 parábolas, sua explicação e aplicação, numa seqüência marcante dos ensinos do Mestre. A referência dos vs. 33 e 34 explicita ainda mais esse recurso didático, o das parábolas, contadas "conforme o permitia a capacidade dos ouvintes." Seus discípulos recebiam posteriormente uma instrução particular, um aprofundamento especial, uma pós-graduação. No texto em estudo, a aula, de teórica, transforma-se em prática, e orienta o crente nos perigos da vida. Da Bonança à Tempestade Vs. 35-37: A aula teórica, por parábolas, estendera-se até "tarde". Jesus transfere a situação de ensino para o barco que
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estava a sua espera, e que seguiu pelo mar da Galiléia na companhia de outros barcos compondo uma esquadra de seguidores. E r a uma escola ambulante. Seus discípulos passam a ser submetidos a uma prova de confiança plena no Mestre. A atividade exaustiva do dia teve como conseqüência o cansaço terreno do Instrutor. Estando a leste do mar, nos arredores de Gafarnaum, devem ter rumado à costa oeste, terra dos gerasenos. De um início tranqüilo, a viagem se torna dramática. Da Tempestade à Bonança Vs. 38-39: Jesus ocupa um lugar à popa do barco, a parte traseira, reservada ao timoneiro. Aí não se sente tanto a violência com que o barco corta as ondas, nem o balanço a que é submetido, como na proa. Enquanto Jesus descansa sobre um travesseiro, o mar se põe travesso. O grande temporal é chamado de láilaps, e Mateus o chama de seismós, palavra grega que aparece no termo português "movimento sísmico" ou terremoto, no caso, uma espécie de maremoto. "Mestre!" é o grito de socorro dos discípulos apavorados. E r a a hora de aprenderem com o divino Instrutor uma lição de vida frente aos perigos que os ameaçam. 0 poder do Messias e do Reino de Deus que inaugura entre os homens no Novo Testamento faz-se presente tanto nos seus ensinamentos, como também nos atos milagrosos que confirmam a palavra nos que persistem na dúvida. Na anarquia que se estabelece entre as forças da natureza, e que se coloca como meio de disciplina, julgamento e chamado à ordem no caos, Jesus confronta sua tranqüilidade ao temor dos demais; o poder do Criador enfrentando a criatura insubmissa; a tempestade na natureza e nos corações à bonança que traz ao mundo com sua presença abençoadora. Da Bonança à Confiança Vs. 40-41: Jesus não se limita a repreender o mar e o vento, acalmando sua fúria, baixando a crista das ondas. Repreende Os discípulos, que se abalaram com o perigo, acalma seus corações agitados, baixa a crista de sua confiança em suas próprias habilidades de navegadores, Eles aprendem uma lição de vida, submetendo a fraqueza humana à presença do Senhor da natureza. Jesus aprofunda, com' essa repreensão, sua comunhão com os companheiros de jornada e aproxima-se deles no convívio mútuo, num gesto em, que põe seu poder a serviço compassivo em favor dos mesmos e confirmando, assim, a sua fé. O temor de todos os circunstantes também se acalma diante da prova de proteção e libertação que Cristo oferece a seus seguidores, não importa quão violenta possam ser a perseguição e os transtornos
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pela proteção e derrota dos inimigos. a ponto de reprovação. Aparece no momento certo e oferece ajuda (perdão) e aprovação final (livramento). tanto as de Jesus como a do povo. 110 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .. e sua resposta é óbvia. O texto ensina: Cada cristão deve lembrar-se do socorro por ele recebido da parte de Deus em tantas angústias de sua vida. O processo de ensino-aprendizagem leva da teoria (parábolas) à prática (livramento dos perigos) : 1. O salmo convida o cristão a se refugiar no Senhor Jesus e confiante nas promessas de salvação. 2. F o i de onde Lutero tirou a inspiração para compor o hino "Castelo Forte é nosso Deus". As perguntas finais. Proposta Homilética A Vitória do Mestre sobre a timidez e a dúvida: uma aula sobre a fé que salva. Testa a fé dos que. incorrem em perigos. perseverar através das lutas da vida. são retóricas. 3. Jesus confirma a fé de seus seguidores e sua confiança nele que é o Senhor de tudo. tanto corporal como espiritualmente. Permite que a prova seja difícil. 4. e esta recordação deve levá-lo ao constante louvor e à sempre maior confiança no Deus forte em todas as lidas da sua vida.que enfrentam. Ensina onde e com quem não há perigo em qualquer circunstância da vida. por sua fraqueza. Elmer Flor FESTA DA REFORMA Mateus 11. também de suas vidas.12-15 31 de Outubro de 1991 LEITURAS O salmo 46 é um salmo de louvor cantado pelo povo de Deus.

mediante a firme resolução de persistir na fé criada pelo Evangelho restaurado pela Reforma do Séc. O Evangelho de Mateus destaca o fato de que não é sem luta e persistente esforço que o discípulo conquista o reino do seu Senhor.12-14). Deus Espírito Santo exige que todo o seu templo seja a ele consagrado. Por causa desta fé. É justamente contra a religiosidade aparente. O anjo os lembra de que se haverão com alguém que é mais poderoso que a besta — aquele que é a origem de todas as coisas no céu e na terra. Jesus faz alusão ao fato de que certas pessoas (publicanos. esforçando-se para corrigir sua vida e proclamar a chegada deste Reino.O texto de Apocalipse apresenta um anjo voando pelo meio do céu levando um evangelho eterno destinado aos incrédulos da terra exortando-os a se arrependerem! porque o fim está próximo. A leitura de 2 Crônicas sugere a necessidade que o cristão tem de purificar constantemente a sua vida.23-25) os aceitaram. como mensageiros do Reino e se tornaram discípulos. X V I . DISPOSIÇÃO: Em se tratando de festa da Reforma todas as passagens sugerem uma reflexão em torno da reconsagração ao Senhor.1-10) e com Jesus (Mt 4. O contexto desta leitura mostra que os habitantes da terra ficaram maravilhados com os poderes manifestados pela besta e seu falso profeta (Ap 13. prostitutas. Em nossa vida não há lugar para nenhum "deus" por menor que seja. Ainda há tempo para se arrependerem e acharem misericórdia diante de Deus. O texto sugere que esta consagração diária seja feita por meio de ofertas de sacrifício e ações de graça. etc). O destaque é dado ao empenho observado nos discípulos que aparentemente poderiam ser considerados os mais indignos para a tarefa do testemunho por causa da vida que levavam antes do contato com o Evangelho. judeus. sem fingimento. contra a frieza espiritual que este texto de Mateus vem alertar. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 111 . Nesta época da Reforma é sempre oportuna a reflexão sobre o fascínio que as maravilhas do mundo podem exercer até sobre os cristãos levando-os a perderem de vista o iminente juízo de Deus sobre estas coisas passageiras. num. Esta consagração é exigida também dos discípulos da Igreja cristã de hoje. as quais tendo entrado em contato com João Batista (Mt 3. É oportuno o convite à reconsagração ao Senhor enquanto houver misericórdia e perdão.a verdadeira demonstração de arrependimento e conversão. consagrando todo o templo do Espírito ao Senhor.

Continua o refúgio certo de todos os que a ele recorrem.o cristão permanecerá de posse do reino. Lutero experimentou este consolo e pode compor. A destruição do templo de Jerusalém é um prelúdio do desfecho no juízo final.37-39) e continua com a profecia da destruição do templo (24. inspirado neste salmo. 112 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .15-28 10 de Novembro de 1991 O contexto A perícope está inserida num conjunto que trata da segunda vinda de Jesus (parusia) e da consumação dos séculos. Nereu Rui Weber A N T E P E N Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A Mateus 24. o refúgio e o consolo necessários para a luta diária. 0 Salmo 46 traz um consolo muito grande ao discípulo que se esforça para conquistar o reino. SUGESTÃO DE TEMA: Consagrai-vos ao Senhor Deus Forte. o seu mais famoso hino "Castelo forte é o nosso Deus". O conjunto inicia com o lamento de Jesus sobre Jerusalém que não quis receber a salvação (23. I — Porque os que se esforçam. O texto de 2 Crônicas reforça esta ênfase da reconsagração que deve ocorrer pelo abandono dos pecados e maus desejos da Carne para poder haver um processo de purificação do templo do E. materialismo. etc.3). II — Porque no Senhor há. Deus continua rocha firme. Santo. O salmo ensina que mesmo que se abale aquilo que é considerado inabalável e se agite o que parece geralmente sereno. Os comentários nem sempre são unânimes em distinguir quais as palavras de Jesus se referem à destruição de Jerusalém e quais dizem respeito à sua vinda e à consumação do século.1-2). mesmo através de muitas lutas contra a incredulidade. A seguir os discípulos perguntam quando "estas cousas" irão suceder e que sinais haverá anunciando a sua vinda c a consumação do século (24. se apoderam do Reino. é imutável na sua atitude de salvador.

Fugir como Ló e não olhar para trás.Nos versículos 4 a 14 Jesus anuncia os sinais que precederão a sua vinda e previne os discípulos de não se deixarem enganar por falsos cristos.so. O significado estende-se até o tempo da segunda vinda do Senhor. É preciso desprender o coração das coisas materiais (vv. conforme relata Josefo. Atravessaram. a fim. aqui o sentido das palavras deste versículo não se esgotaram naquela ocasião. A profecia de Daniel. Para alguns até muito grandes. A tribulação que se iria abater sobre Jerusalém. 11. local bem mais seguro do que os altos além do Jordão. A perícope gira ao redor de três assuntos: os fiéis são alertados para fugirem da Judéia (vv. eram apenas um prelúdio ou uma fase de sua volta. que a igreja ore. O texto Limitamo-nos em tocar nos aspectos mais relevantes da perícope. Alguns julgam tratar-se do santuário edificado por Antíoco Epifânio (175-104 a. também dentro deste mesmo critério incluem-se no "abominável da desolação" as atividades do homem da iniqüidade e da perdição de quem Paulo fala em 2Ts 2. por is. Necessário se faz. 15 — Jesus lembra palavras do profeta Daniel: "o abominável da desolação" (Dn 9.3.31. 18). são incentivados a orar (vv. A fuga oferece dificuldades. As opiniões divergem sobre o cumprimento das palavras de Daniel. a profecia de Daniel continua se cumprindo até a volta de Jesus.27. de que a fuga possa ter êxito. V. e suas conseqüências sobre os fiéis. Há uma fuga espiritual para os montes (Sl 121.11).C. No inverno. É i m portante não perder tempo para buscar abrigo junto a Jesus antes que vem a destruição. Dentro do princípio segundo o qual a destruição de Jerusalém e a consumação dos séculos formam um conjunto. As palavras de Jesus no v. 17. no entanto. o Jordão e foram para um local elevado chamado Pela. devido ao frio. 16 foram observadas literalmente pelos cristãos de Jerusalém quando os romanos reagiram à revolta dos judeus (66-70 A D ) .1).) dentro do templo para nele serem oferecidos sacrifícios a Júpiter (Zeus). a chuva e o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 113 . 12. Também. Outros afirmam tratar-se dos sacrifícios que os romanos ofereceram aos seus ídolos nos lugares sagrados dos judeus. 15-19). 23-28). 20-22) e são previnidos de não confiar em qualquer espírito que se anuncia como o guia para o encontro com Cristo (vv. P o r isto. não se esgota com estas abominações.

Josefo descreve os. 21 e 22. Quando ele chegar não será preciso procurar por ele (v. A respeito das tribulações antes da consumação dos séculos. como efetivamente muitos têm feito. por causa dos escolhidos. É.32). 19). pois Jesus o anuncia com antecedência (v. Quem são os abutres e o cadáver? Se a perícope se referisse apenas. demovidos de sua fé (v. a fuga seria dificultada ou mesmo tornada impossível. e sinais e prodígios da mentira" (2Ts 2.28. 24). Não devem. porém. com. Poderiam até ser barrados e mortos (Ex 31. com uma argumentação interessante. 26). emblema das legiões romanas. interpreta o provérbio dizendo que onde estiver a palavra de Deus ali também estará a igreja. deixar enganar-se como se Jesus pudesse ser encontrado no deserto. Apesar dos sinais que anunciam a sua volta. todo poder. ninguém seria salvo. com doutrina falsa. nas águias. e os vence" e que a 2ª besta seduz os habitantes da terra com seus sinais (Ap 13).9). O apóstolo Paulo fala que o "aparecimento do iníquo é. pois. de surpresa (2Pe 3. Ele virá repentinamente. Muito se tem discutido sobre o significado do v. poder-se-ia pensar. 28. Será visto em toda a parte (v. Tudo tão bem estruturado que. Lutero. ela será inesperada. no seu sermão sobre Mt 24. tolice querer determinar o dia e o horário de sua chegada (Mc 13. novamente. porém mais pelo escândalo que estariam provocando nos moradores por onde teriam que passar. Além das tribulações levantar-se-iam enganadores. se não fosse a interferência do Senhor. que na perícope Jesus está respondendo a uma pergunta dos discípulos feita no v. Ap 13 e 16). 27). deveriam ser motivadas pelas tribulações mencionadas no v. Se a fuga precisasse ocorrer em dia de sábado igualmente haveria perigo. Mas este não é o caso.14. A respeito das bestas. segundo a eficácia de Satanás. P E . à destruição de Jerusalém. os próprios eleitos seriam. horrores sucedidos durante a destruição de Jerusalém. Os dias seriam tão terríveis que. A pergunta foi: que sinal haverá 114 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . no interior de uma casa ou em outro local. lê-se em Apocalipse que a 1ª besta "peleja contra os santos. O mundo nunca havia passado por isto anteriormente.32-35). Nm 15. Não porque fosse proibido para os cristãos deslocarem-se neste dia. Embaraçosa seria a situação para as mulheres grávidas e as que estivessem amamentando (v.27. os cristãos. se o período não fosse abreviado pelo Senhor. É preciso lembrar. fala o livro de Apocalipse (cf. As orações pedindo que o Senhor removesse todos os impedimentos para a fuga.10). 25). Kretzmann diz que o significado deste provérbio é: "onde está Cristo ali também estarão os eleitos". falsos profetas e falsos cristos. 3. A igreja não deverá ser tomada de surpresa quando estas coisas sucedem. como um relâmpago.vento.

poderá ser identificado quando será a consumação do século. 20-22). agora. Quanto a falsos cristos (vv. enganados.3ss. pois.31-46 17 de Novembro de 1991 Assunto: O discurso de Jesus sobre o grande julgamento (sobre a sua volta. 1.1ss. Christiano J. assim. A volta de Jesus será precedida de tempos muito difíceis (vv.1ss. ou 2ª vinda). 1. assim o juízo está pairando sobre o mundo todo. O mundo o despreza. Este recado de Jesus é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 115 . não é diferente. 15-19).º — Cenário Jesus está falando sobre o fim do mundo e a sua volta para "orquestrar" ou "dirigir" este final. Onde está o pecado ali está o julgamento. II.. Quanto ao local e hora da volta do Senhor (vv. pelo giro dos urubus por cima do local. A destruição sobreveio ao templo e à Jerusalém como resultado de sua impenitência.10-12. como se identifica onde está um corpo morto. 2Tm 3.da tua vinda e da consumação do século? Assim. 2Ts 2. Disposição Jesus fala sobre os sinais que anunciam a sua volta e a consumação dos séculos e sobre as providências que os cristãos devem tomar. PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25. Os cristãos precisam estar atentos para não serem.. 26-27). I. Hoje. Steyer III.1ss. pelos sinais apontados. 2. impenitente e espiritualmente morto (Mt 24. 2Pe 3. mas o único escape é Cristo.. Ju 18). Os cristãos precisam orar a fim de que possam suportar as tribulações e perseverar até ao fim (vv. 1Tm 4. 23-25).

sempre importante para nós, de forma toda especial em tempos de muito apego a esta vida e às coisas materiais, às coisas deste mundo. Assim foi também com, os judeus. Por isso ele inicia o seu sermão, já em, 24.1 e 2, fazendo referência ao Templo de Jerusalém que, embora fosse "Templo de Deus", tinha, na verdade, para a grande maioria, muito mais o significado de grandeza pessoal, de realização própria, de superioridade da raça, de segurança pessoal. Orgulhavam-se de possuir um templo. A l i mentavam uma falsa segurança em relação ao seu destino eterno e justificavam uma impunidade social e moral estribados; no fato de terem, o Templo em, Jerusalém, o que, acreditavam muitos dos judeus, era uma garantia incondicional de que Deus lhes era favorável e os abençoaria e protegeria, sendo que nada de mal lhes poderia acontecer. "Se temos o Templo, então nada nos pode suceder". O Templo virou uma espécie de talismã da sorte. Jesus quer derrubar esta falsa segurança e acordá-los para a realidade. "Não se fiem nesta construção. Não ficará pedra sobre pedra". Jesus está dizendo mais: "não se fiem nesta vida; nas realizações que vocês conseguem obter nela; nas suas capacidades. Tudo isto vai terminar. Não se fiem neste mundo, pois ele não vai durar para sempre, e vocês também não vão viver nele para sempre. Prestem atenção neste fato c cuidem para estar preparados". Jesus contou quatro parábolas relacionadas com o fim do mundo, alertando, nelas, para os sinais da proximidade deste fim, bem como para a sabedoria e prudência que é recomendável cultivar com relação à questão. 2.º - Assunto:

Nosso trecho contempla o que poderíamos chamar de "clímax" do sermão de Jesus sobre o fim do mundo. O Salvador está falando da fé, que é o critério de separação entre " v i d a " e "morte"; entre "salvação" e "condenação". Em cada uma das três parábolas anteriores a respeito do assunto ele enfatizou um aspecto da questão. Na primeira delas (Mt 24.45-51) ele visou os responsáveis pela igreja (ministros, líderes, dirigentes); na segunda (Mt 25.1-13) dirigiu-se a todos, enfatizando a necessidade de haver vida espiritual; na terceira (Mt 25.24-30) dirigida também, a todos, ele tem em vista os dons espirituais e as boas obras, ou seja, o uso (administração) que os, cristãos fazem das coisas recebidas dele. Agora, com o discurso de Mt 25.31-46 ele apresenta a essência de tudo numa 4ª exemplificação, qual seja, a do atendimento prestado (ou omitido) a quem precisava. O nosso trecho mostra como a fé cristã é comprometimento de vida. Tudo o que se pode dizer da vida cristã em ênfases 116 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

separadas, visando destacar com mais nitidez ora este ora aquele aspecto, pode ser dito em conjunto e em resumo: ser cristão é ser engajado! É assumir uma vivência cristocêntrica — e não apenas discursar a respeito. Há toda uma dimensão social envolvida nestas palavras de Jesus. Não no sentido barato de "evangelho social" que anda por aí e que se pode ler e ouvir tanto, na linha do "evangelho dos pobres", do "evangelho da revolução", do "evangelho latino-americano" ou de qualquer outra roupagem da "teologia da libertação" (que não procura levar o homem a Cristo para ser libertado dos pecados, preferindo, antes levar cada um a ser libertador de si mesmo em relação a todas as ordens e estruturas que o cercam, as quais seriam todas opressoras e malignas), mas no sentido verdadeiramente bíblico de envolvimento social, em que o cristão, em Cristo, ao mesmo tempo em que é senhor livre de todas as coisas e não está sujeito a ninguém, é um servo (=. escravo, servidor, um que presta serviços; um que se consome em obras de amor pelo próximo) de todas as coisas e sujeito a todos. A verdadeira dimensão social deste texto c que ele está dizendo a cada um que se julga cristão que a fé não é algo a guardar dentro do bolso; que a fé não é individualista nem, exclusivista; que a fé implica em manifestações exteriores que não são, absolutamente, particulares. Jesus está mostrando que a fé tem frutos de amor. Quem confia em Cristo, quem ama Jesus, torna-se portador deste amor para os outros, para o próximo, para a sociedade. Esta ca dimensão social do texto: fé se traduz em serviço social. É importante notar como, no texto, este comprometimento social está intimamente conectado com o ser ou não ser cristão; com o estar à direita ou à esquerda do Rei no dia do julgamento. É uma palavra muito séria. É uma palavra de julgamento para os incrédulos e de consolo para os crentes. Sim, palavra de conforto para os fiéis que, mesmo tendo limitações e fraquezas, mesmo sendo imperfeitos, sabem que serão considerados justos por causa do sacrifício de Cristo em seu lugar, o qual recebem pela fé, a qual, por sua vez, é vibrante e frutífera, sendo, inclusive, louvada pelo R e i e Senhor. 3.º — Estrutura do texto: i . ) Descreve (não seria melhor 'refere-se', já que não há palavras que possam, realmente, descrever aos nossos olhos momento tão grandioso como este) o julgamento final da humanidade.
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— O assunto não é novo. Está referido em outros textos. Além dos relatos paralelos, também está em Mt 16.27; 19.28 e 24.29-31. — 0 episódio tem caráter de realeza, de majestade. 0 vs. 31 fala em "assentar no trono da glória". A figura usada na descrição é a de uma corte real reunida. Faz lembrar, hoje, um "Tribunal do J u r i " , com toda a pompa e ritualidade que o cerca. Lembra o momento de entrada do juiz no recinto. 2.) 0 próprio Redentor e Salvador será o juiz, o que chama a atenção. Para quem crê Cristo é Salvador; para quem, não crê ele é pedra de tropeço. Quem não crê no Filho já está julgado. 3.) Ninguém, escapa ao julgamento. (vs. 32: todas as nações serão reunidas em sua presença). Não há como fugir. 4.) A separação entre bons e maus; entre salvos e perdidos; entre fiéis e infiéis. Também não é assunto novo. A parábola do Joio, em Mt 13.24ss, bem como a da Rede de Pesca, em Mt 13.47-50 já tratam dele. — Nenhum ser humano pode fazer a separação. Temos que conviver com os fingidos. Mas o dia virá em que Jesus irá fazer a separação, e esta será eterna. 5.) Direita c esquerda. Linguagem figurada para descrever céu e inferno; salvação e perdição. — Na verdade não é naquele momento que se decide. Apenas é a declaração pública daquilo que já está definido pela presença ou ausência da fé. Ter ou não ter fé, eis a questão! (Jo 3.18). 6.) Cabritos e ovelhas. Linguagem figurada para referir os que se salvam e os que se perdem. A ovelha, em comparação com o cabrito, era considerada animal nobre. 7.) O prêmio: a posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. É a bem-aventurança eterna. O paraíso. A felicidade e o gozo pelos séculos dos séculos. 8.) O critério: a fé. Quem tem fé vai para o céu; quem não tem vai para o inferno. — A demonstração dessa fé está nas obras, no atendimento aos necessitados. A verdadeira fé é aquela que produz resultados. Que cada qual se examine. 118 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

Na segunda alude ao mesmo fato a fim de exortar à atividade e à fidelidade por meio da parábola dos talentos. na sua fé em Cristo. Este amor nos é oferecido abundantemente (citar formas. frisando a coletividade do amor). A falta de preocupação social é uma prova de fingimento. que as aparências desaparecerão. cf.4° — Esboço: Tema — A dimensão social da fé: uma questão de vida ou morte! 1 — Há muita hipocrisia e fingimento na igreja. Conclusão: Não esqueçamos do nosso próximo! Irmo Arnaldo Huebner Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A 24 de novembro de 1991 Mateus 25. (Esta é a dimensão social. o pecado. vs. momento de julgamento.1-13 a) Contexto: O capitulo 25 do evangelho de Mateus pode ser dividido em três partes importantes: Na primeira Jesus se refere à sua segunda vinda como acontecimento que tende a levar o homem a velar. Como estou eu?) 3 — O critério para a vida ou morte. em. ama o próximo (como decorrência da fé) não pode deixá-lo passar necessidades. 4 — Q u a l é o critério para a verificação da fé? Jesus parece muito claro ao dizer que é o amor ao próximo. (Espaço para descrever o mal. É o que vemos nesta parábola das dez virgens. a vigiar e a ser sincero na sua religião. é um só: fé em Cristo. 2 — V a i haver um. no julgamento. os problemas. dando-nos posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. pois quem. 6 — Deus nos quer brindar com seu amor já neste inundo (nas multiformes bênçãos) e na eternidade. Na IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 119 . (Espaço para auto-exame. Fé ativa no amor). 35-36. 5 — Só pode amar o próximo quem experimenta o amor de Deus em Cristo.

as amigas da noiva iam ao encontro do noivo dela. o dia do Senhor". é aquele que não adquire a sabedoria de Deus e que constrói sobre areia. a minha alma o aguarda. automaticamente. Enfim. — ele sabe — têm perdão em. Néscio para Deus é todo aquele que vive imprudentemente e que não ajunta para si tesouro no céu. II Pe 3. não será 120 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .17-25 fala nos novos céus e na nova terra que o Senhor cria. Vers. Só Deus o pode. Iam munidas de lâmpadas.4. 2-4: " C i n co dentre elas eram néscias. Prudente perante Deus é todo aquele que se ocupa principal e primordialmente com o reino de Deus. onde é descrita a felicidade que haverá no novo céu e na nova terra — a vida com. Deus. é todo aquele que rejeita a graça e o amor de Deus revelados em Cristo Jesus. de como fazer a vontade de seu Senhor Jesus Cristo. sempre pensando em fazer a vontade de Deus. 1: Segundo o costume da época. elas mesmas precisavam dele. relatando como será o dia do Juízo Final. 8-9: As prudentes não puderam fornecer o azeite necessário às néscias.terceira parte Jesus termina. porém. preocupado com os pecados. o que vem confirmado em Ap 21. a pensar no fim do mundo. mas de uma elucidação extraordinária para a vivência cristã e para a compreensão da necessidade de vigilância espiritual durante a nossa vida. de como servir a Deus. nele crê e a ele serve conscientemente. como ladrão. Deus. Enfim.. Ninguém pode dar a fé a outrem. Quando e como pessoas são néscias ou prudentes para e perante Deus? Néscio para Deus é todo aquele que não aceita as coisas do Espírito de Deus. De repente o grito: "Eis o noivo! Saí ao seu encontro!" Todas levantaram e todas prepararam suas lâmpadas. Naquela hora da noite era difícil conseguir azeite. É um quadro muito singelo. entretanto. eu espero na sua palavra". é longânimo e não quer a condenação de ninguém.8-10 lembra que há escarneccdores no mundo. Por isso o tema é de exortação — V I G I A I ! c) O texto: Vers. no dia do juizo. Quando Cristo vier. para o recepcionarem e o acompanharem até ela. Deus. Um vexame! Tudo perdido! Espera baldada! Vers.3. porém. Isaías 65. Prudente é todo aquele que cuida onde e como anda. é o incrédulo. Vers. " V i r á . 0 f i m do Ano da Igreja leva-nos. que. e cinco prudentes". Não conseguiriam) acompanhar o noivo.1-7. Só que as cinco néscias se deram conta de que o azeite estava se esgotando. b) As outras leituras: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. E r a tarde demais. os quais duvidam do retorno de Cristo para o juízo. é todo aquele que aceita a Jesus como seu Salvador. "Aguardo o Senhor. 5-7: O noivo demorou a vir e as virgens adormeceram na sua espera. O tempo de comprar já passara.

F i c a m fora do céu todos os que não tiverem fé em Jesus e que. Vers. portanto. Sejamos prudentes. mas não se sabe o dia nem a hora. abre-nos a poria!" O noivo não as conhecia e elas ficaram de fora. Vers. Pior de tudo: a porta foi fechada! Quando. mais tarde. Então. prevenidos. V I G I A I ! c) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque é certo que Cristo vem e II — Porque fica fora do novo céu e da nova terra quem não está preparado. Hoje é o dia de salvação. Hb 3. a porta estava fechada e de nada adiantou implorar: "Senhor. não estão preparados para receber o Senhor Jesus Cristo no dia derradeiro com a alegria da salvação. 0 tempo é agora. participar dum estudo bíblico para chegar à fé nele. Curt Albrecht IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 121 .mais possivel ler a Bíblia. as prudentes. senhor. na tentativa de conseguir azeite e luz. as néscias chegaram. 13: " V i g i a i ! " Esta é a exortação de Jesus nesta parábola. 10-12: Enquanto as néscias se afastaram do noivo. ir à igreja.12-15. É certo que Ele vem. as preparadas entraram com o noivo para as bodas.

ou ocasionalmente esse desacordo chega ao ponto da contradição". que "os participantes deste projeto de dogmática estão livres dele". Luís M. I e II Na contracapa se anuncia que os autores. Acham que a centralidade confessional do "artigo da justificação somente pela fé" é um "erro reducionista" que impediu "uma recepção plena da tradição dogmática católica" e "produziu uma forma particularmente desumana de sectarismo luterano". dizendo em seu prefácio que "o fato do pluralismo teológico é ineludível". Vols. Sander. se é bênção ou maldição quando "em alguns pontos os autores simplesmente discordam. No prefácio de Walter Altmann "os autores se confessam devedores dos grandes teólogos protestantes da metade deste século. as diferenças entre nós (autores da dogmática). Com isso já está caracterizada suficientemente a obra. são consideráveis". visando servir à Igreja toda". Ele reconhece que há ainda correntes teológicas "tentando restaurar velhas moda122 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Sponheim. Hefner. Por Carl E. Hans Schwarz. Acha que a Dogmática Cristã fazia falta no cenário do "extraordinariamente importante projeto coletivo de construção teológica latino-americana" e das "significativas contribuições dogmáticas nas obras de teólogos individuais. Nos seus prolegômenos à dogmática Braaten ainda assinala que "a teologia confessional trabalhou para repristinar a dogmática pré-iluminista da Igreja" (p. Forde. Paul R. Traduzido por Gerrit Delfstra. Luís H. . 1990. Jenson ainda sublinham esta característica. Geraldo Korndõrfer. e as conseqüentes incoerências do livro. Braaten e Robert W. Por essa razão. Jenson. Bultmann e T i l l i c h " por uma "exigência de contextualidade". 60). auto-suficiente e ilusório quanto a pretensa universalidade de teologias formuladas em outros continentes". São Leopoldo: Editora Sinodal. Eles confiam. "em virtude de sua identificação cora a tradição luterana. e Gerhard O. como Barth. Não sabem. Já avisa que essa "contextualidade consciente da teologia não deve ser pervertida a ponto de se postular um isolacionismo tão arbitrário. Philip J. No entanto Gari E. escrevem com urna orientação ecumênica e sem atitude sectária.LIVROS D O G M Á T I C A CRISTÃ. editores. "embora todos nós nos situemos dentro da tradição luterana. como Leonardo Boff e Juan Luis Segundo". Braaten e Robert W. Dreher..

até que pudessem ser publicadas as Obras Selecionadas em grande estilo. Por Martinho Lutero . 1984. Mas faltavam muitos outros escritos importantes. Schlupp. do estudante de teologia e da congregação cristã luterana. Tradução de Walter O. V i d a Cristã. Braaten verifica que "o biblicismo fundamentalista não diminuiu de vigor. A Igreja. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal. Escatologia. ainda que não desfrute de muito prestigio nas grandes escolas teológicas" (p. Já havia escritos de Lutero publicados em português.lidades de ortodoxia" (p. Martim C. Os meios da graça. Da Autoridade Secular. embora se precise perguntar se o entende como um eleito calvinista ou um pecador salvo pela fé no evangelho de Jesus Cristo. Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma . A obra está dividida em 12 loci. Na sua análise da Escritura Sagrada. 91). O pecado e o mal. 0 Espírito Santo. é de se admirar que Braaten sustente afirmações bíblicas e confessionais como "a justificação através da fé somente". Seleção e publicação pela Comissão Interluterana de Literatura ( C I L ) . Pelo Evangelho de Cristo é um.1583). Da Liberdade Cristã. escrita por Nestor Beck. dá um excelente apanhado hisIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 123 . mas com " u m meio da graça" (p. Esta é a primeira tentativa de apresentar uma coletânea de escritos de Lutero ao público no Brasil. 41). A criação. Em todo o caso Braaten opta pelas "grandes escolas teológicas" e não por um confessionalismo bíblico. em que "uma afirmação teológica é uma projeção da imaginação" (p. como o Catecismo Menor. abrangendo os assuntos clássicos da teologia: Prolegômenos. A obra de Cristo. 76). bem como nos lares dos cristãos. e Do Cativeiro Babilônico da Igreja. 0 ocasião foi o 5º centenário do nascimento de Lutero (nasceu em 10. 62).. Para ele "este artigo constitui a base existencial da vida da Igreja no mundo" (p. O conhecimento de Deus. 0 Deus Triuno. que não identifica com Palavra de Deus. 83). Numa enciclopédia de opiniões teológicas divergentes. Warth P E L O E V A N G E L H O DE CRISTO.11. volume que não pode faltar na biblioteca do pastor. A introdução. como o livro pretende ser pelo acima exposto. Desta forma surgiu esta tentativa de fazer mais alguma coisa. A pessoa de Jesus Cristo.

Dreher. Os Hinos. Prefácio do Hinário de Wittenberg. L . Carta de Lutero a Espalatino. com uma volta à Escritura Sagrada. Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Sua Confissão é um modelo de confissão de fé. à Nobreza Cristã de Nação Alemã. O Manual do Batismo Revisado. Vols. A maioria dos tratados são clássicos de Lutero e refletem muito bem a sua teologia. O Discurso de Lutero na Assembléia de Worms. Martin N. É o grande teólogo do século X V I que desafiou a Igreja a fazer a Reforma tão necessária. Sermão no Domingo de Invocavit. Um Novo Prefácio de Martinho Lutero. Nestor J . Chamar. Publicação da Comissão Interluterana de Literatura (CIL). Sander. para o Mestre Pedro Barbeiro. Missa e Ordem do Culto Alemão. Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. Obras de Lutero dispensam de apresentação. Warth OBRAS S E L E C I O N A D A S . Martim C. São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia. Carta aos Cristãos de Estrasburgo contra o Espírito Entusiástico. Seleção pela Comissão Obras de Lutero: Joachim Fischer. 124 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Martim C. Monge ou Freira. esperança e certeza de um teólogo cristão. Prefácio ao Novo Testamento. Resposta a Diversas Perguntas Referentes aos Votos Monásticos. Debate para o Esclarecimento do V a lor das Indulgências (95 Teses). Manual de Casamento para os Pastores em Geral. Debate e Defesa do F r e i Martinho Lutero contra as Acusações do Doutor Eck. Warth. Prefácio à Epístola de São Paulo aos Romanos. Nomear. Luis M. e Demitir Professores. I e II. Carta a seu Filho Hans.tórico da vida e da obra de Lutero. Fundamento e Motivação da Escritura para o Direito e a Autoridade de uma Assembléia ou Comunidade Cristã Julgar sobre Toda Doutrina. Sermão no Domingo de Páscoa em Coburgo. Carta de Lutero a Ludovico Senfl. Confissão (Adendo a Sobre a Santa Ceia de Cristo). Exortação ao Sacramento do Corpo e Sangue do Nosso Senhor. acerca do Melhoramento do Estado Cristão. Um Sermão sobre Sofrimento e Cruz. a Título de Apoio. Lutero contribui com os seguintes tratados: Prefácio ao Primeiro Volume da Edição Completa dos Escritos Latinos. Como se Deve Orar. 1987/ 1989. Donaldo Schüler. Por Martinho Lutero. Beck. para todos Aqueles que estão Deixando sua Condição de Padre.

Carta de Lutero a Leão X. Relato do Fr. Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. À Nobreza Cristã da Nação Alemã. e no final três Sermões sobre os Sacramentos. às paróquias e pessoas que queiram conhecer Lutero. Sander e Annemarie H ö h n temos os seguintes tratados: Debate sobre a Teologia Escolástica. Schlupp. Ilson Kayser. Por que os Livros do Papa e de Seus Discípulos Foram Queimados pelo Doutor Martinho Lutero. Um Sermão sobre o Venerabüíssimo Sacramento do Santo e Verdadeiro Corpo de Cristo e sobre as Irmandades. A respeito do Papado em. Venerabilíssimo Sacramento do Batismo. Legado Apostólico em Augsburgo. Hasse. sobre o Encontro com o Sr. a respeito da Santa Missa. Agostiniano. Luís M. traz os Escritos de 1520 numa tradução de Martin N. Isto É. O Debate de Heidelberg. Martinho Lutero ao Concilio. Martinho Lutero. mas a tradução está em linguagem acessível ao grande público. Comentário de Lutero sobre a 13ª Tese a respeito do Poder do Papa (Enriquecido pelo Autor). O V o l . Luís M. Breve Forma do Pai-Nosso. Um. Do Cativeiro Babilônico da Igreja. Feita por Alguns Mestres Nossos de Lovaina e Colônia. Condenção Doutrinai dos Livros de Martinho Lutero. Das Boas Obras. Tratado de Martinho Lutero sobre a Liberdade Cristã. acerca da Melhoria do Estamento Cristão. Debate e Defesa do Fr. Apelação do F r . I: Os Primórdios. Um Sermão sobre a Contemplação do Santo Sofrimento de Cristo. Um Sermão sobre a Excomunhão. II: O Programa da Reforma. Lutero trata dos seguintes temas: Catorze Consolações. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 125 . Martinho Lutero contra as Acusações do Dr. Martinho L. Em excelente tradução de Walter 0. Comentários de Lutero sobre suas Teses Debatidas em Leipzig. Um Sermão a respeito do Novo Testamento.O vol. O programa de publicações das Obras Selecionadas prevê um total de dez volumes. Modo de Confessar-se. Todo pastor e estudante de teologia vai se beneficiar com estas leituras em Lutero. Sumo Pontífice. Um Sermão sobre a Preparação para a Morte. João Eck. Breve Forma dos Dez Mandamentos. Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências (95 Teses). Schlupp. Sermão sobre o Sacramento da Penitência. Breve Forma do Credo. Sermão sobre o Poder da Excomunhão. Dreher. Uma Breve Instrução sobre Como Devemos Confessar-nos. traz os Escritos de 1517 a 1519. Ilson Kayser. Cláudio Molz. às universidades. Sander e Walter O. Explicações do Debate sobre o Valor das Indulgências. Roma contra o Celebérrimo Romanista de Leipzig. Um Sermão sobre o Santo. Os volumes 3 e 4 já estão traduzidos e devem aparecer na imprensa em pouco tempo.

Martim C. pais da igreja citados por Lutero. Warth 126 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Desta forma os volumes se constituem em valiosa enciclopédia e manual de informações sobre o período da Reforma luterana e os.Todos os tratados de Lutero vêm com uma introdução escrita por membros da Comissão Obras de Lutero e muitas notas de pé-de-página que ajudam o leitor a conhecer melhor a história e as circunstâncias que motivaram os escritos de Lutero.

impressão e acabamento na Tipografia e Editora La Salle .LA SALLE Composição.Canoas. RS 19 9 1 .

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