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Regina Coeli Moraes Kopke


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Resumo
Com base na observação, durante anos de magistério superior, na área de desenho, dos
alunos de Engenharia, Matemática, Arquitetura e Artes, quanto às dificuldades
encontradas por eles no aprendizado de desenho, em especial da Geometria Descritiva,
é que nos propusemos, em 1999, lecionar essa disciplina para os cursos de Arquitetura
e Artes, adotando uma metodologia diferente da convencional, para despertar, no
aluno, o gosto pela disciplina e o desenvolvimento de uma habilidade pouco trabalhada
na escola: a visão espacial. Mostrar para os alunos que essa disciplina não é difícil, mas
apenas diferente daquilo que estudaram até então, tornou-se nossa meta. A visão
espacial é uma habilidade mental localizada no lado direito do cérebro e, assim, quanto
mais lúdica for esta aprendizagem, será mais bem assimilada. A proposta é iniciada no
sentido de se trabalhar primeiro com sólidos: neles estarão os pontos, retas e planos
normalmente abordados na metodologia convencional, nessa ordem. Como conclusão,
tem-se que o importante é ressaltar o grande avanço que a Geometria Descritiva traz
para quem quer representar graficamente qualquer coisa. Onde há planejamento,
projeto e representação gráfica, aí estará a Geometria Descritiva.

è, , Ensino de Geometria Descritiva, Lúdico na Pedag ogia,


Metodologia.
Introdução
Com base na observação, durante anos de magistério superior, na área de desenho, dos
alunos de Engenharia Civil e Elétrica, Matemática, Arquitetura e Artes, quanto às
dificuldades encontradas por eles no aprendizado de desenho em geral, em especial da
Geometria Descritiva, é que nos propusemos, em 1999, lecionar essa disciplina, em
turmas específicas para os cursos de Arquitetura e Urbanismo e Artes, adotando uma
metodologia diferente da convencional, buscando despertar, no aluno, o gosto pela
disciplina e a descoberta de possibilidades, o desenvolvimento de uma habilidade pouco
ou nada adquirida durante a vida escolar: a visão espacial.

Mostrar para os alunos que essa disciplina não é difícil, mas apenas diferente do que
estudaram até então, tornou-se assim nossa meta ao ensinar Geometria Descritiva,
assim como demonstrar para os alunos que, durante toda a vida escolar, as pessoas
desenvolvem mais o hemisfério esquerdo de seus cérebros, deixando o direito
"preguiçoso". A visão espacial é uma habilidade mental que tem seus mecanismos
localizados do lado direito, do cérebro, daí ser totalmente diferente seu aprendizado. E,
por estar mesmo do lado direito, é que, quanto mais lúdica for esta aprendizagem, mais
rapidamente é apreendida e assimilada. A maioria dos alunos não foi estimulada
suficientemente para trabalhar com a visão espacial, daí toda a dificuldade em se
aprender, da forma tradicional.

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Metodologia
Normalmente, a maioria da bibliografia específica em Geometria Descritiva aborda esse
conteúdo a partir do estudo de pontos, passando para o de retas e finalmente, planos. A
partir daí apresentam-se outras abordagens e exercícios.

Nossa proposta é iniciada de maneira radical, no sentido de se trabalhar primeiro com


sólidos (Montenegro, 1991). Propusemos aos alunos que observassem objetos simples,
de uso cotidiano, buscando aplicações específicas para Arquitetura e Artes. Partimos,
então, do todo para as partes, do concreto para o abstrato, aprendendo a analisar as
formas expressas por planos, inclinações e descobrindo a maneira correta de
representação; tendo acesso, então, ao estudo dos sistemas projetivos.

Primeiro os alunos redesenham alguns objetos que lhes são apresentados em sala-de-
aula, como a caixa-de-giz, uma caixa de papelão, um cilindro para guardar desenhos,
uma maquete simples de uma casa, o retroprojetor e a própria sala-de-aula.

O importante é fazer com que eles representem esses objetos da maneira como os
entendem. Aqui é verificada a capacidade que têm para representar objetos em
perspectiva (Edwards, 1984). Uma noção desse tipo de desenho é logo passada ou
revisada, no sentido de aprimorar algumas dificuldades com essa representação.

Para o desenho, estimulamos o uso de grafites macios e o desenho à mão livre e uso da
cor, quando dos arremates. Ao apresentarem seus trabalhos, orientamos para que o
façam em formato de portfólio, o que é diferente de os alunos apenas irem arquivando,
em pastas, trabalhos já feitos e corrigidos pelo professor. Com a idéia do portfólio, eles
aprendem a organizar suas apresentações e, assim, os trabalhos contêm mais do que
simplesmente desenhos, contêm mais informações, como folha de identificação, índice,
folhas de rosto separando assuntos, fundamentação teórica e bibliografia de apoio.
Também a editoração e a forma como é apresentado são levadas em conta (Figura 1/
Figura 2).
Ñ . # - Portfólio de Gisele Corni Ribeiro
(Arquitetura/UFJF).

Ñ ." - Portfólio de Cláudia H. Marques (Arquitetura/UFJF).


Impactos previstos
Ao observarem os sólidos ou objetos, logo os alunos perceberão, na realidade, que
precisam representar, no desenho, suas faces, arestas e vértices e é aí que estarão
contidos os planos, retas e pontos, abordados na metodologia convencional da
V
Geometria Descritiva (Figura 3).

Ñ . - Seqüência metodológica (sólido, plano,


reta e ponto).

Dessa forma, os alunos compreendem bem a espacialidade e sua conseqüente


representação com muita facilidade e com prazer, algo importante para ser resgatado,
já que o ensino tradicional da Geometria Descritiva, em sua grande maioria, traz
consigo listas de reprovação e evasão de alunos, pois, a partir do momento que não
entendem o assunto, acham-no difícil. Se persistem, muitos acabam sendo reprovados
ou desistem no meio do caminho. Como geralmente não são levados a partirem do
concreto para o abstrato, a observarem primeiro os sólidos e depois, sim, representá-
los através de sua perspectiva e projeções, analisando aos poucos que tais desenhos
representam faces, arestas e vértices, que são os planos, retas e pontos abordados na
Geometria Descritiva, o aprendizado de fato se torna difícil. Uns poucos privilegiados
conseguem entender e são tidos como gênios por seus colegas.

Portanto, passada essa fase inicial, é que podemos considerar que os alunos estão
preparados para aprenderem toda a conceituação e fundamentação da Geometria
Descritiva (Figura 4 / Figura 5).
Ñ . - Portfólio de Cláudia H. Marques
(Arquitetura/ UFJF).

Ñ . / - Portfólio de Sabrina Beloti


(Arquitetura/UFJF).

Agora, conhecer planos, retas e pontos, por suas nomenclaturas e classificações, ajuda
na organização do aprendizado e essa fase é desenvolvida através de desenhos
espaciais, que visam a representar o tridimensional, e as épuras, representando o
bidimensional. A Figura 6 apresenta outros exemplos de trabalhos dos alunos.
Ñ . ! - Páginas do Portfólio de Flávia Cristo Vago
(Arquitetura/ UFJF).

Conclusão
No ensino da Geometria Descritiva, quanto mais se trouxerem, para a sala de aula,
exemplos concretos, permitindo aos alunos raciocinarem do todo para as partes,
percebendo as aplicações da teoria e conceituação no mundo que o cerca, através de
seus objetos, mais facilmente eles irão aprender a raciocinar espacialmente.

A Geometria Descritiva apresenta toda uma possibilidade de se trabalharem no plano,


as questões do espaço e, para alunos de Engenharia, Arquitetura e Artes, que, à
princípio, trabalham com projetos ainda não construídos, materializados ou reformados,
isso é fundamental (Arantes, 1998).

Para esses alunos que acabam de ingressar em seus cursos, o importante, sobretudo, é
ressaltar, através de exemplos conhecidos, a grande contribuição que a Geometria
Descritiva traz para quem quer representar graficamente ou projetar qualquer coisa.
Onde há planejamento, projeto e representação gráfica, aí estará a Geometria
Descritiva.

Agradecimentos

Aos alunos, pois sem sua criatividade e ousadia, esse trabalho não poderia estar sendo
publicado.

Ao amigo professor Gildo Montenegro, que há 16 anos vem nos ensinando, encorajando
e incentivando a ousar também como professora, referindo-se sempre à Geometria
Descritiva com imenso prazer.

Ao professor e colega de departamento, Jorge Arbach, também atual Editor da UFJF,


cuja orientação quanto ao uso de imagens, da cor e da digitalização tem sido sempre
rica e valiosa.

Referências Bibliográficas
ARANTES, Otília. o   
 
   
 . São Paulo: Edusp,
1995.

CAVALCANTI, Zélia. 
  
 . Porto Alegre: Artes Médicas,

EDWARDS, Betty. 

    
  
 . Rio de Janeiro:
Ediouro, 1984.

GOMES, Luiz Vidal Negreiros. 



      
  .
Santa Maria: Edufsm, 1998.

MONTENEGRO, Gildo de A.    



 
  . Gildo Montenegro,
1985.

______________. Geometria Descritiva. São Paulo: Edgard Blücher, 1991 .

SILVEIRA, Maria Helena, Org. 



  
  
 
    
  
 




 
  . Rio de Janeiro: NCP/UFRJ, 1998

OSTROWER, Fayga. ! 



 

 . 7.ed. Petrópolis: Vozes,
1989.