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Projecto Do TFC 2

O documento discute o princípio da suficiência no processo penal moçambicano. Primeiramente, define os conceitos de direito processual penal e processo penal. Em seguida, apresenta o objetivo geral de analisar criticamente o princípio da suficiência à luz do direito moçambicano e objetivos específicos de avaliar o grau da suficiência, fazer uma reflexão comparativa e elucidar a ineficácia do princípio. Por fim, levanta a hipótese de que o processo penal moçambicano nem sempre é suficiente para decidir todas

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Projecto Do TFC 2

O documento discute o princípio da suficiência no processo penal moçambicano. Primeiramente, define os conceitos de direito processual penal e processo penal. Em seguida, apresenta o objetivo geral de analisar criticamente o princípio da suficiência à luz do direito moçambicano e objetivos específicos de avaliar o grau da suficiência, fazer uma reflexão comparativa e elucidar a ineficácia do princípio. Por fim, levanta a hipótese de que o processo penal moçambicano nem sempre é suficiente para decidir todas

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CAPITULO I

1.Introdução

O Estado como um ente soberano tem total poder de criar e aprovar normas
jurídicas de convivência social, tendo como fim a justiça, segurança, o bem-estar social,
bem como garantir a protecção aos bens jurídicos considerados relevantes pela lei
constitucional ( direito à vida, a saúde, etc).

No entanto, caso essas normas sejam violadas pelos infractores, haverá punições
dado o não cumprimento do mesmo. Assim, no momento em que a lei é desrespeitada
pela prática concreta do delito, surge para o Estado, o Direito de punir (jus puniendi).
Este não pode em momento algum impor imediata e arbitrariamente uma pena sem que
o acusado exerça o seu direito de defesa e se obtenham provas suficientes que
efectivamente declare o réu como culpado e se concretize a sua penalização.

Existe, todavia, conflito de interesses, onde temos por um lado o Estado


revestido do jus puniendi e outro o individuo apontado como infractor exercendo o seu
direito de defesa constitucionalmente consagrado pela lei mãe, a fim de garantir a sua
liberdade.

O Direito penal (substantivo) como cadeira do Direito Público prevê e prescreve os


actos puníveis por lei devido a sua perigosidade1 no seio social e as suas respectivas
sanções.

Para que se efective o direito substantivo, em termos práticos é necessário que


haja um conjunto de actos preordenados realizadas por quem de direito com o objectivo
de averiguar e investigar casos criminosos que tenham sido supostamente cometidos
pelo infractor com o fim de alcançar a justiça ao que designa-se de processo. Tendo a
cadeira de Direito Processual Penal como conjunto de regras jurídicas de disciplinam
todo o processo penal.

O processo penal é o instrumento legítimo e confiável para a realização da


justiça, sendo o meio ideal da concretização de valores constitucionais que se traduzem
em direitos liberdades e garantias.

1
A questão da perigosidade que se coloca tem haver com os actos ilícitos que são puníveis por lei e
consideradas como crime.
Para atender às exigências de uma sociedade mais complexa e diversificada há
sempre uma necessidade constante do aperfeiçoamento do processo penal.

Há uma percepção generalizada de que os rigores do julgamento de uma


infracção e os mecanismos concedidos à defesa propiciam um procedimento lento e
custoso.

A morosidade do processo penal, a sobrecarga do aparelho judiciário e os


desencantos com a abordagem meramente repressiva, foram alguns factos que
contribuíram nalgum momento para o fortalecimento de novos caminhos, representados,
principalmente, pelos meios alternativos de resolução de conflitos emergentes do
convívio social.

Outrossim, o processo penal tem diversos princípios base que são fundamentais
para a sua concretização dos quais, será relevante fazer uma analise sobre o princípio da
suficiência que é o objecto do presente trabalho. Este principio dita que o processo
penal ou seja a acção penal é auto-suficiente para conhecer de todas as questões que
interessam a decisão da causa independentemente da sua natureza. No mesmo princípio
contém uma excepção que nalgum momento coloca em causa a questão da auto-
suficiência porque nem todas as questões são resolvidas no processo penal sendo
remetidas a outros tribunais.

Destarte, o presente trabalho irá se cingir na analise critica ao principio da


suficiência em processo penal, pois há uma necessidade de se fazer uma análise
exaustiva com o fim de medir o grau da suficiência, pois nem sempre o processo penal
se mostra auto-suficiente para conhecer de todas questões.

1.2.Objectivo Geral

 Analisar de forma crítica o princípio da suficiência em processo penal a luz do


Direito Moçambicano.

1.2.1. Objectivos Específicos

 Auferir o grau da suficiência em direito processual penal;


 Fazer uma reflexão comparativa no que se refere ao principio de suficiência em
processo penal;
 Elucidar sobre a ineficácia do princípio da suficiência em processo penal
Moçambicano.

1.3.Metodologia

Para a

1.4.Problema

Um dos princípios que regem o processo penal é o princípio da suficiência


patente no artigo 2 do CPP, do qual decorre a auto-suficiência do processo penal, o que
significa que o exercício e julgamento da acção penal não depende de qualquer outra
acção, e para o efeito resolvem-se todas questões que interessam à decisão da causa. No
mesmo artigo tem uma excepção, onde se pode entender que nem sempre todas questões
são resolvidas no tribunal criminal, havendo determinadas matérias (questões
prejudiciais) que são remetidas para os tribunais competentes suspendendo o processo
principal e por fim devolvidas ao tribunal criminal para sua decisão definitiva.

Até que medida, o Processo Penal Moçambicano é suficiente para conhecer de


todas matérias que interessam a decisão da causa penal?

1.5.Hipoteses

H1 – O processo penal moçambicano nem sempre conhece de todas matérias que


interessam a decisão da causa penal, visto que há determinadas questões que são
remetidas aos tribunais competentes e devolvidas para o anterior tribunal para se chegar
a decisão definitiva.

H2- O processo Penal Moçambicano não é na sua íntegra suficiente, pois há casos em
que, na tramitação do processo se conduz questões de natureza diversa (questões
prejudiciais), cuja resolução condiciona o ulterior desenvolvimento do processo.
1.6 Justificativa

Como se sabe, o processo penal é como pode aferir, o lugar propício para se
conhecer os casos que interessam a decisão da causa, ora, jaz no mesmo, o princípio de
suficiência, no qual entende-se ser por si, adequado para conhecer de todas as matérias
de modo que se chegue a decisão sobre a pena.

Portanto, há que se ter em análise o grau da suficiência em processo penal, uma


vez que em algumas situações o processo penal não se mostra suficiente para conhecer
de todas as causas, podendo para o efeito suspender o processo, com vista a se dar lugar
uma decisão que compita a outra natureza, onde a posterior o processo seguira o seu
curso normal.

Contudo, me parece não ser, o processo penal suficiente, dai que houve a
necessidade de indagar o grau da sua suficiência, de modo a dar um contributo na
compreensão do princípio e, da matéria do processo penal.

1.7. Limitações

CAPÍTULO II

2.REFERENCIAL TEÓRICO

Prima facie para a abordagem do tema em apreço é fundamental que se foque


nos conceitos básicos para o ulterior desenvolvimento do trabalho em questão.
Ademais, o processo penal como direito adjectivo ou formal é uma cadeira bastante
relevante para a defesa dos direitos das pessoas como vem sendo reconhecido de modo
crescente em quase toda parte. Por isso antes de debruçar-se sobre os objectivos tema
será importante definir processo penal, falar do seu âmbito, objecto, sua natureza, bem
como o fim do processo penal.

2.1.Conceito de Direito Processo Penal e Processo penal


Cabe, antes demais definir processo penal e Direito Processual Penal para dar
mais teor ao trabalho.

Direito Processual Penal “é um conjunto de normas jurídicas que disciplinam a


aplicação de Direito Penal2 aos casos concretos, pelo tribunal” (FERREIRA citado por
CUNA;2014).

De acordo com VILALONGA & MOTA (2006:pag.1) 3 Direito Processual Penal


“define-se funcionalmente como a regulamentação jurídica da realização do direito
penal substantivo, que disciplina a investigação e esclarecimento do crime concreto e
permite a aplicação da pena ou medida de segurança àquele que, com a sua conduta
realizou um tipo de crime.”
FIGUEREDO (1974:36) define Direito Processual Penal como “ conjunto das
normas jurídicas que orientam e disciplinam o processo penal.
Para Octávio Manuel Gomes Alberto em seus apontamentos 4,“Direito
Processual Penal, é um direito que vem fixar e definir as condições existentes e
necessárias para averiguar se o agente praticou um certo facto, qual a reacção que lhe
deve corresponder e qual a forma a aplicar. Diz ainda que, “o processo penal, é um
conjunto de actos que tendem a investigar e a esclarecer a prática de um crime,
encontrar o seu agente, a responsabilidade que lhe cabe e determinar a legislação que
pune esse acto. O Direito Processual Penal é o conjunto de normas que vão regular os
actos de processo.”

FILHO (1999:20) argumenta que o “processo consiste, assim, numa sucessão de


actos (propositura da acção, citação, interrogatório, defesa prévia, audiência de
testemunhas etc.) que culminam com a decisão final do órgão jurisdicional pondo fim
ao litígio, dando a cada um o que é seu.”

2
De acordo com Santos e Henriques (Noções de Direito Penal,4 edição, editora letras e conceitos, lda, ,
2011) Direito Penal é um ramo de Direito Público que define as infracções criminais e fixa as respectivas
censuras (penas e medidas de segurança).
No entendimento de FIGUEREDO (1974:26) “ o direito penal serve a aludida função de proteger os bens
e valores fundamentais da comunidade através da prevenção de lesões que sejam de recear no futuro
(função preventiva) e da punição de lesões que tiveram já lugar (função repressiva).
3
Id. Apontamentos sem Fronteiras; Direito Processual Penal; Universidade de Lisboa, disponível em
www. cogitoergosun4.no.sapo.pt: acesso em 2006.
4
Publicado na internet, relativamente a matéria do Direito Processual penal, disponível em:
http://octalberto.no.sapo.pt/introdcao10.htm .
Segundo Professor Germano Marques da Silva5 citado por SANTOS et al
(2010:15) processo6 penal é “uma sequência de actos juridicamente pré-ordenados e
praticados por certas pessoas legitimamente autorizadas em ordem à decisão sobre se foi
ou não praticado algum crime e, em caso afirmativo, sobre as respectivas consequências
jurídicas e sua aplicação.” O mesmo jurisconsulto define Processo Penal “é o complexo
das normas jurídicas que tem por objectivo proceder à regulamentação dos
procedimentos a que se deve obedecer a averiguação de um facto criminalmente ilícito,
por forma a permitir que a entidade Publica competente de concretização pratica e
efectiva ao correspondente poder punitivo de que é titular”.7

Contudo, diante das definições colocadas, no que diz tange ao Direito Processual
Penal e Processo Penal, pode-se concluir que Processo penal são todos os actos pré-
ordenados praticados por um órgão pelo qual a lei dá plena competência na averiguação,
se o agente praticou crime ou não para a decisão final da lide e o Direito Processual
Penal é um conjunto de normas que regulam todo o processo penal.

2.2.Âmbito do Direito Processual Penal

O Direito Processual Penal tem como função essencial a decisão jurisdicional,


com vista a se saber, se foi ou não praticado um determinado crime e quais as
consequências jurídicas8 que dai emergem.

Deste modo, vários jurisconsultos em suas obras, entendem que o âmbito de


aplicação do Direito Processual Penal se esgota com o trânsito em julgado da sentença,
não abrangendo a fase de execução da pena, que terá índole puramente administrativa.
Outros, pelo contrário, defendem que o direito de execução das penas se integram no
direito processual penal, pese embora a circunstância de a administração penitenciária
esteja reservada a esfera de actuação própria.

5
Id, Curso de Processo Penal I, pág.15.
6
No entendimento da Ana Prata (Dicionário jurídico – Direito Civil, Direito Processo civil e organização
judiciaria, 5ª edição, Almedina, 2013) processo é uma “Sequência de actos destinados à justa
composição, por um órgão de autoridade imparcial (tribunal), de um conflito de interesse.
7
Id. SANTOS e tal; pag. 13.
8
Figueredo (1974) argumenta que “a concreta execução da consequência jurídica decretada no processo
penal te-se dito que a sua índole é inteiramente administrativa, pelo que o direito que a regula – e a por
vezes se chama << direito penitenciário>>, mas cuja designação exacta será a de direito de execução das
penas ou das reacções criminais -, não sendo <<assunto respeitante à administração da justiça>>”.
Nesta corrente DIAS (1974:37) argumenta que “ nos parece ser a distinção,
dentro de execução das penas, da regulamentação directamente atinente à determinação
prática do conteúdo da sentença condenatória e, portanto, à realização concreta da
reacção criminal naquela imposta: aqui tratar-se-á de matéria substantiva; e da
regulamentação imediatamente respeitante ao efeito executivo da sentença num sentido
análogo àquele em que o processo civil, se fala da exequibilidade da sentença e,
portanto, aos preliminares e ao controlo geral da execução (incluindo os incidentes da
execução).” No primeiro caso tratar-se-á de matéria substantiva e no segundo de matéria
processual.

Destarte, é de se concordar com este jurisconsulto, pois ele próprio assinala, o


Código Processual Penal vigente consagra um titulo especifico as execuções (o titulo do
Livro II – artigo 625 à 644) – sem abranger a parte respeitante as penas privativas de
liberdade – o que reforça o argumento de ser esta essencialmente uma área de actuação
do Direito Processual.

2.3.Estrutura e Objecto do Processo Penal

De forma sintetizada, o processo penal assumiu na sua história três principais


formas de sistema:

 Sistema Acusatório;
 Sistema inquisitório ,e;
 Sistema Misto.

No que concerne ao sistema acusatório, este caracteriza-se pela separação que


faz entre acusação, defesa e julgamento, funções exercidas por órgãos e pessoas
diferentes; processo oral e público; em que as partes podem apresentar todas as provas;
ampla liberdade de conformação da defesa e igualdade nas posições de defesa e
acusação; poder de desencadear o processo na disponibilidade das partes; julgamento
popular, ou por órgãos imparciais, finalmente, sujeito ao contraditório.

Pelo contrário, o sistema inquisitório apresenta uma concentração num órgão


judiciário das funções de acusar, defender e julgar, decorrendo o processo de forma
escrita, secreta, ficando por respeitar as garantias da defesa e o contraditório, já que, os
poderes dados à investigação são demasiado vastos.
Por sua vez, o sistema misto que emergiu da Revolução francesa de (….) é
constituído por duas fases processuais, numa relevam as regras e princípios do
inquisitório (instrução preparatória), enquanto que no julgamento predominam as
características do sistema acusatório.

Relativamente ao ordenamento jurídico Moçambicano, a estrutura do sistema


processual vigente é basicamente acusatório9, integrado por um princípio de
investigação. Isso implica que o tribunal só pode intervir quando for solicitado por uma
acusação formulada por uma entidade distinta e independente (MP), e que o conteúdo
da acusação delimite de alguma forma a própria actividade processual do tribunal.

SANTOS et al (2010:17) argumenta que “ o modelo Processual Penal adoptado


a estrutura acusatória reflecte, desde logo, integrado por um princípio de investigação
que a constituição impõe e que harmoniza os fins do processo (realização da justiça e
descoberta da verdade material, prestação dos direitos fundamentais das pessoas e o
restabelecimento da paz jurídica) com destaque para o poder dever da jurisdição de
estabelecer e instruir autonomamente o facto sujeito a julgamento, criando bases
necessárias à decisão.”

Existe, no entanto, uma identidade essencial entre o conteúdo da acusação, a


pronúncia e a sentença final que de um modo geral constitui uma garantia o arguido, na
medida em que só terá de defender-se do que é acusado e desse modo pela acusação
poderá ser julgado.

No entanto, disto resulta que a sentença final, salvo em casos excepcionais que a
lei prevê, só pode condenar por factos constantes do despacho de pronúncia ou
equivalente. É o que dispõe o artigo 447 do CPP. “O tribunal poderá condenar por
infracção diversa daquele para que o réu foi acusado, ainda que seja mais grave, desde
que os seus elementos constitutivos sejam factos que constem do despacho de
pronúncia ou equivalente”.

Pode-se concluir que o objecto do processo penal engloba o conjunto de factos


humanos devidamente situados no tempo e no espaço que integram os pressupostos de

9
Este sistema caracteriza-se pela separação que faz entre acusação, defesa e julgamento, funções
exercidas por órgãos e pessoas diferentes, processo oral e publico; em que as partes podem apresentar
todas as provas; ampla liberdade de conformação de defesa e igualmente nas posições de defesa e
acusação; poder de desencadear o processo na disponibilidade das partes; julgamento popular, ou por
órgãos imparciais; finalmente, sujeito ao contraditório.
que depende a aplicação ao seu autor de uma pena (penas maiores artts.55 e 56 do CP;
penas correccionais art.62;63;64 do CP e penas especiais art. 57;65 e 66do CP) ou
medidas de segurança (art.70 do CP) ou seja objecto do DPP é o crime do artigo 1 do
CP.

O objecto do processo penal não se apresenta de forma delimitada desde o inicio


deste. É susceptível de diferentes graus de apreciação consoante a evolução que o
processo sofrendo ou seja consoante as fases em que ela se desenvolve, onde há em
primeiro um juízo de suspeita sobre o facto, onde posterior segue-se a fase instrutória,
destinada precisamente a obtenção de confirmação desse juízo de suspeita. Com a
acusação e a pronúncia, o juiz de suspeita transforma-se num juízo de probabilidade.
Por último, para que a decisão final seja condenatória é necessária a formulação de um
juízo de certeza sobre o facto objecto do processo. E no momento da passagem do juízo
de suspeita para o juízo de probabilidade – com o transito em julgado do despacho de
pronuncia ou equivalente que se fixa, o objecto do processo penal.

2.4.Natureza Jurídica do Direito Processual e Direito Processual Penal

No final do século XIX e começo do século XX, foi desenvolvida a corrente do


pensamento jurídico que defendia a existência de distintos ramos de direito processual,
tal como: o processo civil, processo penal, administrativo, fiscal, constitucional,
aduaneiro entre outros; com princípios semelhantes, idêntica estrutura fundamental e
problemas comuns ou análogos, o que justificaria o surgimento de uma nova ciência que
se ocupasse da teoria geral do processo.

Os juristas que defendiam esta teoria não conseguiram, porém, escapar as


críticas que lhe foram endereçadas, a principal das quais reside no facto de que a teoria
geral opera com abstracções, no mundo dos conceitos, esquecendo-se da vida e a
realidade social. É capaz de construir um direito lindo, que de auto-gratificação aos seus
elaboradores, mas inadequado a resolução de problemas concretos.

Não obstante o inconveniente de elaboração de uma teoria geral do processo,


deve reconhecer-se a utilidade de estabelecer a comparação entre o processo penal e
processo civil, quer por se tratar de dois tipos processuais inteiramente jurisdicionais ou
seja submetidos ao domínio da actividade jurisdicional quer porque, por força da lei, o
processo civil funciona como direito subsidiário relativamente ao processo penal.
Segundo Germano Marques da Silva entende que “a natureza do direito
processual penal é pública, uma vez que ele disciplina o exercício de um poder de
autoridade pública (publica potestas) e de uma função pública. Com o efeito, a
intervenção do Estado do processo, seja através do tribunal, seja através do Ministério
Publico ou da polícia criminal, reveste sempre natureza de poder público e através do
processo exerce-se também uma função pública, a da administração da justiça”10.

Destarte, nos é relevante destacar as características do processo penal pese embora


nalgum momento seja subsidiário do processo civil.

O processo penal tem como principais características:

 A justiça da pressão do Estado, derivado de um crime, isto é, da violação de


interesses fundamentais da ordem jurídica (interesses comunitários) tutelados
pelo direito público;

 A submissão do agente de um ilícito criminal as sanções, previstas na lei só


podem realizar-se por via de um processo e da consequente decisão
jurisdicional: vigora aqui o princípio nulla poena sine processus (ou nukka
poena sine judicio);

 O objecto do processo penal é indisponível pelos sujeitos processuais, pois de


outra forma seria impossível satisfazer o interesse da comunidade e do próprio
Estado em esclarecer os crimes e punir os seus responsáveis;

Além destas características acima destacadas, existem outras da qual se diferem do


processo civil que impõe salientar que em processo penal contrariamente do processo
civil, não domina o princípio da auto responsabilidade das partes em matéria de prova,
e, por consequência é inexigível o ónus de provar, contradizer e impugnar; em processo
penal o juiz goza de uma ampla discricional idade na apreciação dos factos que
constituem objecto do processo civil; entre os participantes processuais não existe, em
processo penal uma verdadeira contraposição de interesse. Essas são algumas das
demais características que o processo penal dispõe.

2.4.Fim do Processo Penal


10
Id. Germano Marques da Silva, Direito Processual Penal, Vol I, 2000, Pg. 41.
Para a concretização do processo Penal é necessário que se aplique o direito
penal substantivo aos casos concretos. Essa função instrumental que lhe é caracterizada
exprime-se de forma simples nestas duas máximas latinas: impunnitum non nelinqui
facinus (nenhum criminoso deve ficar sem punição) e innocentum non condennari
(nenhum inocente deve ser condenado).

De acordo com uma certa maneira de encarar o direito e o processo penal em


particular, a aludida natureza instrumental impõe a este, como fim a prosseguir, a ideia
de realização da justiça, que só é possível obter com a descoberta da verdade material e
o restabelecimento da paz jurídica violada.

Segundo SILVA (2000:24) “ O restabelecimento da paz jurídica incide tanto no


plano individual, do arguido e da vítima, como no plano mais amplo da comunidade
jurídica. Esta finalidade liga-se em grande parte, a valores de segurança e, por isso,
merece destaque a posição Goldschmidt11 para quem o fim do processo era a obtenção
de uma sentença com fora de caso julgado.”

A realização da justiça pressupõe também a descoberta da verdade, mas so no


pressuposto de que no processo se alcançou a verdade se admite a necessidade da
sujeição à sanção.

Porém, a realização da justiça não é um fim absoluto, ou único, do processo


penal; por isso que a verdade pode ser sacrificada por razoes de segurança (vg, instituto
do caso julgado) e só pode ser procurada de modo processualmente valido e admissível
e, portanto, com o integral respeito dos direitos fundamentais das pessoas que no
processo se vêem envolvidas12.

O respeito pelos direitos fundamentais das pessoas conduz, por exemplo a


considerar inadmissíveis certos métodos de obtenção de provar a cominar a nulidade das
que tenham sido alcançadas mediante tortura, coacção ou, em regra geral, ofensa da
integridade física ou moral das pessoas, abusiva intromissão na vida privada, no
domicilio, na correspondência ou nas telecomunicações.

Contudo, o processo penal tem como fim a realização da justiça, lograr uma
sentença com força a caso julgado.

11
Id Goldschimidt,Der Prazess als Reachtslage, Berlim, 1925, p.212.
12
Id Jorge de Figueiro Dias, ob. Cit., p.25.
CAPITULO III

3.PRINCIPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL A LUZ DO


ORDENAMENTO JURIDICO MOÇAMBICANO

Nos dias de hoje, ainda é dominante a concepção do direito processual penal


como forma de jurisdição penal. A jurisdição penal é a pedra singular e elemento
fundamental do processo penal.

A relevância da sistematização e estudo dos princípios gerais do processo penal


tem por fim proporcionar maior clareza e uma exposição didáctica desses princípios,
por um lado e por outro é de carácter pedagógico, pois permite apreender sinteticamente
os valores fundamentais em que assenta o sistema processual vigente, e, por outra parte
, como instrumento de politica legislativa, enquanto permitirem confrontar o sistema
processual com os valores sociopolíticos dominantes e uma função de carácter prático,
que tem a ver com a problemática da aplicação do direito processual penal em termos de
integração de lacunas.

Portanto, em termos de sistematização os princípios do direito processual estão


agrupados nas seguintes categorias:

 Princípios relativos a promoção ou iniciativa processual: inclui neles o


inicio da acção penal, princípios da oficialidade, legalidade e de
acusação;
 Princípios relativos a prossecução ou decurso processual: dispõe do
princípio de investigação, da contrariedade e audiência, da suficiência e
da concentração);
 Princípios relativos a prova: princípios de investigação, da livre
apreciação da prova e “ in dúbio pró reo”.
 Princípio relativo a forma: princípio da publicidade, da oralidade e da
imediação.

3.1.Princípios relativos a promoção processual ou iniciativa processual


3.1.1.Princípio da oficialidade

O princípio da oficialidade do processo, significa que a iniciativa e a prossecução


processual pertencem ao Ministério Público.

Sendo assim, olhando para o direito positivo moçambicano, incumbe exclusivamente ao


MP a promoção da acção penal (segundo o preceituado no artigo 236 da CRM
conjugado com o artigo 1 e 14 do DL 3500 e artigo 5 do CPP) que pode delegar
excepcionalmente a outros entes jurídicos segundo o artigo 16 e 17 do DL 35007.

Para SILVA (2000:72) “o princípio da oficialidade é extremamente importante. Com


efeito toda a investigação pré-acusatória é pública (através do inquérito, da competência
do MP) e, salva a excepção dos crimes particulares, a acusação nos crimes públicos ou
semi-públicos pertencente também ao MP e aos Assistentes só podem acusar
formalmente desde que o MP tenha previamente acusado.”

No entanto, o exercício da acção penal tem tido certas limitações dependendo dos casos,
atento a natureza do crime cometido e dos bens jurídicos especialmente tutelados pela
incriminação. Mas, nem sempre o MP toma conhecimento dum facto criminoso para
promover a acção penal, há vezes que depende da queixa, participação ou da acusação
particular, conforme a situação em concreto.

O critério usado para a determinação da natureza do crime consiste na regra de


exclusão: os crimes que não forem semipúblicos, nem particulares são públicos.

Para que se saiba de um determinado crime é semi-publico ou particular consulta-se a


lei substantiva, neste caso, quando a lei penal que utiliza o termo queixa, participação o
crime semi-publico por exemplo: 359 único; 360 $ único; 363$ único; 363 $ único; 369
$1; 379, $ 2; 399, referido aos artigos. 369, $ 2, in fine, 391 SS. 430 e $ 1; 431 $ 2. 438;
450 $ único; 451 $ 2; 455 $ único, 472 $ 1; 473 $ único e 477; quando utiliza a
expressão acusação particular; requerimento da parte o crime é particular segundo os
artigos 254, $ único; corpo do artigo 416 todos do CP.

É fundamental, referir que a maioria dos crimes tem natureza publica e nestes casos do
MP tem legitimidade incondicionada para promover a acção penal. Porém, importa
realçar que há casos excepcionais em que, mesmo nos crimes públicos para que o MP
promova a acção penal e necessário a remoção de certos obstáculos legais em relação a
certas entidades.

Como exemplo temos crimes perpetrados pelo Presidente da República no exercício das
suas funções. É de notar que, para que o MP promova a acção penal é necessário que a
“AR requeira ao Procurador- Geral da Republica o exercício da acção penal contra ele”,
devendo a proposta ser feita por “ pelo menos um terço e aprovada por maioria de dois
terço dos deputados da AR segundo o n3 do artigo 153 da CRM.

Nos casos, em que se tratar de crimes semi-públicos, o MP só tem legitimidade quando


a pessoa a quem o direito assiste apresentar a queixa, que pode ser feita directamente a
ele ou a outras instâncias competentes para receber queixas e/ou denuncias,
nomeadamente, a Policia da Republica de Moçambique, MP e a Policia de Investigação
Criminal segundo o artigo 3 do DL35007, devendo levantar autos de noticia segundo o
disposto no artigo 166 do CPP e remeter d directamente ao Tribunal competente, o que
valera para todos os efeitos como acusação em processo penal.

A denúncia é a comunicação feita por alguém (o delator) à autoridade dando


conhecimento de que certa pessoa práticos um determinado crime13(vide o artigo 7 do
DL 35007).

A denúncia por ser feita por queixa ou participação.

A queixa é um acto voluntario ou seja é a expressão de vontade do titular do respectivo


direito, manifestando por requerimento e na forma prescrita na lei manifestando a sua
vontade seja responsabilizado algum pela pratica de um determinado crime. Esta tem
carácter facultativo, é renunciável e é passível de desistência a ser proposta pelo
ofendido através do mandatário devidamente constituído.

A participação é a manifestação de vontade por parte de uma autoridade, de que deseja


que seja instaurado procedimento criminal contra alguém.

3.1.2.Princípio da Legalidade

No que tange, a este princípio, é dever da autoridade pública competente, MP proceder


criminalmente contra o autor de um facto que reúna os pressupostos substancias e
13
Esta definição é trazida pelo Dr. José Manuel Vilalonga; Direito Processual Penal; Universidade
Autónoma de Lisboa, disponível em www. cogitoergosun4.no.sapo.pt no ano de 2006.
processuais da incriminação, o que significa que não esta nas mãos do MP optar ou não
pelo procedimento, quando reunidos os respectivos requisitos legais. Este principio esta
consagrado no artigo 1, 165, 349 todos do CPP e 26 do DL n. 35007, segundo o qual o
MP devera proceder sempre que se verifiquem os pressupostos jurídico-factuais da
incriminação e processuais da acção penal.

Isto significa que, o MP deverá promover a acção penal sempre que se verifique os
seguintes requisitos:

 Pressupostos processuais (ex: competência e inexistência de obstáculos


processuais como por exemplo as imunidades);
 Punibilidade do comportamento segundo o direito penal substantivo (ex:
ilicitude, culpa, condições objectivas de punibilidade);
 Conhecimento do delito (artigo 165 CPP);
 Existência de indícios suficientes ou prova bastante que fundamentam a
acusação.

A actividade do MP desenvolve-se assim, sob estrita vinculação a lei, dai o principio da


legalidade e não considerações segundo considerações de oportunidade (Ex: de ordem
politica –faison d’ Etat ou financeira – custos).

3.1.3.Princípio da imutabilidade da Acusação

Como consectário deste principio da legalidade no que tange a acusação pública, resulta
o chamado principio da imutabilidade da acusação, de acordo com este principio, a
acusação não pode ser retirada a partir do momento em que um tribunal for chamado a
decidir sobre ela. Por essa via, esta excluída a desistência dela. Por essa via esta excluía
(renuncia a acusação – art. 18 do CPP) a desistência dela.

Ressalva-se no entanto, a eficácia do perdão dos ofendidos no caso de se tratar de


crimes particulares (paragrafo único do artigo 3 do DL35007) e semi-publico,
exceptuando os caos em que a sentença condenatória haja transitado em julgado, e ainda
nos casos especialmente fixados na lei.

No que se refere a este princípio da imutabilidade ou da indisponibilidade, os sujeitos


processuais não podem dispor da relação processual, o MP pode desistir da acusação, o
arguido não pode em momento algum por fim ao processo penal, mesmo que confesse,
as partes não podem transgredir.

Este princípio é dominante dos crimes públicos em relação aos quais o MP só tem
legitimidade a obrigatoriedade e legitimidade de promover a acção penal bem como o
dever de com ela prosseguirem depois de requerida. Já nos crimes semi-publicos é
reconhecida aos participantes ou denunciantes o direito de perdoar ou renunciar a
queixa, extinguindo-se assim, o procedimento criminal segundo os artigos 125 e n 4 do
CP e artigo 7 e 2 do CPP,

3.1.4.Principio da acusação

Neste principio a jurisdição não intervêm 14 oficiosamente (nemo iudex sine actore) nem
pode alargar o seu poder de julgar a pessoas e factos distintos daqueles que são objecto
da acusação (sententia debet esse conformis libello). Este principio é decorrente da
estrutura acusatória do processo penal e exige que seja necessário respeitar o principio
de separação de funções. Temos num lado uma entidade que investiga e deduz
formalmente a acusação, neste caso o MP e por outro, uma entidade distinta e autónoma
que julga, neste caso o Tribunal.

Cabe ao tribunal concretizar o julgamento e não pode por sua iniciativa começar uma
investigação tendente ao esclarecimento de uma infracção e a determinação dos seus
agentes. Isto para preservar a sua imparcialidade, objectividade. E, porque o tribunal
tem que limitar o seu poder cognitivo (de tomar conhecimento ao que vem na acusação)
ele não poderá ser responsabilizado se por exemplo A for absorvido porque a acusação
foi deficiente.

Segundo SILVA (2000:76) argumenta que “ o princípio da acusação tem limitações


(…) e essa limitação é considerada uma garantia de imparcialidade e defesa do arguido.
Imparcialidade do tribunal na medida em que apenas terá de julgar os factos objecto da
acusação não tendo qualquer responsabilidade pelas eventuais deficiências da acusação,
e garantia de defesa do arguido na medida em que a partir da acusação sabe de que é

14
Existem casos em que a jurisdição apenas intervém mediante um pedido formulado pelo MP que
assume uma forma (acusação).
tem de se defender, não podendo ser surpreendido com novos factos ou novas
perspectivas dos mesmos factos para os quais não estruturou defesa.”

Portanto, a acusação define e fixa perante o tribunal o objecto do processo ( principio da


vinculação temática), ou seja, o objecto do processo deve manter-se o mesmo da própria
acusação ao transitar em julgado da sentença, deve ser conhecido e julgado na sua
totalidade e tem de considerar-se irrepetivelmente decidido. Trata-se de uma garantia
de defesa do arguido na medida em que a partir da acusação, sabendo do que é que se
tem de defender, não podendo ser surpreendido com novos factos ou novas perspectivas
dos mesmos factos para os quais não estruturou a sua defesa.

3.2.Princípios relativos a prossecução processual

3.2.1Princípio da investigação ou da verdade material

O princípio da investigação ou da verdade material, significa que é o tribunal que


investiga os factos sujeitos a julgamento e isto acontece quando recai sobre o juiz o
ónus de esclarece e investiga autonomamente os factos submetidos a julgamento, ou
seja traduz o poder-dever que incumbe ao tribunal de esclarecer e instruir
autonomamente, mesmo que para alem das contribuições da acusação e da defesa, o
facto a julgamento, criando aquele mesmo as bases necessárias à sua decisão.

Também, não impenda nunca sobre as parte em processo penal, qualquer ónus de
afirmar, contradizer e impugnar como, igualmente, que se não atribua qualquer eficácia
a não apresentação de certos factos ou ao acordo expresso ou tácito, que se formaria
sobre os factos não contraditados, como finalmente, que o tribunal não tenha de limitar
a sua convicção pelos meios de provas apresentados pelos interessados. Por isso, se diz
que em processo penal o que esta em causa, não é a verdade formal mas sim a verdade
material, entendida como verdade subtraída a influência do comportamento processual
da acusação e da defesa e como verdade judicial, pratica e processualmente valida.

O princípio da investigação, em que se busca a verdade material, contrapõe-se ao


princípio do dispositivo (ou da contradição, ou da discussão), que se satisfaz com a
verdade forma e em que o processo se desenrola como duelo entre as partes, sob a
arbitragem do juiz. Este principio aqui não tem aplicação, pois se esta perante a
indisponibilidade do objecto processual, a impossibilidade de desistência da acusação
publica dos aspectos eficazes entre a acusação e a defesa e de limitações postas ao
tribunal na apreciação jurídica do caso submetido a julgamento.

Neste ultimo vale, sobretudo nas alegações orais na audiência de discussão e julgamento
segundo os artigos 467ç 533 e 539 do CPP.

3.2.2.Princípio da contrariedade ou audiência

Este princípio traduz o direito que tem a acusação e a defesa de se pronunciarem sobre
as alegações, as iniciativas, os actos ou quaisquer atitudes processuais de qualquer
delas15. Isto significa que o processo se desenrola como uma discussão entre as partes.
Incumbe as partes trazer ao processo os elementos que hão-de servir de base à decisão
da causa: tem o ónus de afirmar, contradizer e impugnar.

Cabendo ao Juiz penal cuidar de reunir as bases necessárias a sua decisão, ano deve ele,
todavia, levar a cabo a sua actividade de forma isolada, pelo contrário ele deve ouvir
tanto a acusação como a defesa.

Tal não significa que o juiz deva permanecer passivo a ouvir o debate que perante ele se
desenrola, antes sim, que toda a prossecução processual deve cumprir-se de modo a
fazer ressaltar as razoes da acusação mas também as da defesa e, portanto aceitando a
iniciativa própria destes sujeitos processuais.

Este principio encontra-se em diversas fases do processos:

 Na fase de acusação e defesa, a contrariedade transparece sobre na contestação


(artigos 379, 390 e 398 do CPP), sendo ela, o próprio fundamento da fase
contraditória (vide artigo 326 do CPP);
 Na fase de julgamento, o juiz ouvirá sempre o MP e os representantes da parte
acusadora sobre os requerimentos dos representantes da defesa e estes sobre o
que tenham requerido aqueles, e a contestação do réu, quando deduzida na
audiência de julgamento, será apresentada por escrito pelo seu defensor (artigos
415 3 423 do CPP).

15
Cf. Do Processo penal Preliminar, pp.78ss; Cf também José Maria ci. Pp95ss
É de resto para assegurar o contraditório que se considera como nulidade a falta de
notificação do despacho de pronuncia ou equivalente ao arguido o seu defensor, bem
como a falta de entrega do rol de testemunhas tal como se refere o N 5 e 6 do artigo 98
do CPP.

O princípio da audiência traduz-se na oportunidade conferida a todo o participantes


processual de influir, através da sua audição pelo tribunal do desenrolar do processo.

3.2.3.Principio da suficiência

Este princípio, é o objecto do trabalho do fim do curso, onde vai se analisar de forma
crítica a sua auto-suficiência do processo penal moçambicano.

Segundo este principio o juiz do crime tem competência para conhecer de todas as
questões, independentemente da sua natureza, para a aplicação da lei penal.

No entanto, abordar-se-ia de forma exaustiva, no próximo capitulo do trabalho em


apreço.

3.2.4.Princípio da concentração

No que tange a este principio, os actos devem ser praticados numa audiência se
possível, ou em audiências próximas no tempo, para que as impressões colhidas pelo
juiz não desapareçam da sua memória.

Este princípio exige uma prossecução tanto quanto possível unitária e continuada de
todos os termos e os actos processuais, devendo, no seu conjunto em todas as fases do
processo desenvolver-se concentradamente, que no espaço, quer no tempo.

O principio da concentração ganha mais relevo e autonomia na audiência de


julgamento, associando-se aos princípios de forma, enquanto corolário dos princípios da
oralidade e de imediação ($ 3 do artigo 3 do CPP) pese embora esteja presente em
todas as fases do processo.

A concentração espacial respeita ao desenrolar da audiência por inteiro no mesmo local,


onde deverão comparecer todos os participantes processuais. Contudo, não significa que
não possa haver interrupção ou adiamentos. Com efeito a audiência pode ser
interrompida para alimentação e repouso dos participantes processuais ou por outros
motivos, designadamente por necessidade de produção de prova superveniente,
incapacidade acidental dos sujeitos processuais ou decisão de questões prévias ou
prejudiciais segundo os artigos 414 conjugado com 514, 420 e 422 todos do CPP.

3.3.Princípios relativos à prova

3.3.1.Princípio da livre apreciação da prova

Este princípio assenta na ideia de que o processo deve assegurar todas as necessárias
garantias praticas de defesa do inocente e não há razão para não considerar inocente
quem não foi ainda solene e publicamente julgado por sentença transitada.

Segundo este princípio, a valoração das provas pelo juiz não está sujeito a critérios
legais, as regras pré-determinadas que indicam o valor de certo meio de prova. Esta
valoração é feita segundo a livre convicção do juiz, convicção essa que não pode ser
puramente subjectiva emocional, imotivável, portanto, arbitrária. A apreciação da prova
deve ser racional e apoiar-se nos elementos de prova produzidos. O juiz não pode
servir-se, para fundamentar a sua decisão, de factos conhecidos fora do processo.

Portanto o princípio da livre apreciação e da livre convicção do juiz vale, em geral, no


nosso direito processual penal para todo o domínio da prova produzida. No entanto,
considerados os singulares meios de prova admitidos, há que assinalar algumas questões
que, por vezes, são excepções ou importantes limitações a este princípio, tais como:

 No que tange a prova testemunhal e por declarações (consagrado no artigo 214 e


seguintes) o principio vale hoje sem quaisquer limitações, sendo este seu campo
de eleição. No entanto, a lei dá a entender, por diversos modos, não ter a prova
por declarações a mesma dignidade probatória que as testemunhas, mas nada
disso se reflecte em termos de critério de apreciação da prova. O juiz é livre de
formar a sua convicção na base do depoimento de um declarante em desfavor de
testemunho contrário.
 No que concerne ao depoimento do arguido (artigos 244,250 e seguintes
conjugado com 425 e seguintes do CPP), há que distinguir duas situações,
conforme este negue ou confesse os factos. No caso de negação, recorre-se ao
princípio da livre apreciação e convicção. A confissão, contudo, sujeita, quanto
ao seu valor, a um verdadeiro critério legal de apreciação. No artigo 174 do CPP
dispõe que “ a confissão desacompanhada de quaisquer outros elementos de
prova não vale como corpo de delito”.
 Na prova pericial, no nosso direito afirma-se a ideia da absoluta liberdade da sua
apreciação pelo juiz segundo o artigo 179 conjugado com o artigo 180 do CPP;
 Por fim, a apreciação dos factos constantes de documentos autênticos ou
autênticos traduz-se num verdadeiro critério legal segundo os artigos. 169 & 3
Conjugado 468 & único todos do CPP

3.3.2.Principio in dúbio pró reo

Cabe ao juiz o dever de, oficiosamente, instruir e esclarecer o facto sujeito a


julgamento; não há, em processo pena, qualquer ónus verdadeiro de prova que recaia
sobre o acusador ou o arguido. Em direito processual pena, não há, seguramente o
chamado ónus de prova forma, segundo o qual as partes teriam o dever de produzir as
provas necessárias como fundamento das suas afirmações de facto sob pena de os
mesmos factos não serem tidos como provados.

No caso de o tribunal, depois de ter produzido todos os meios de prova, ficar em duvida
razoável sobre a questão de facto, não poderá dar como provados os factos por que o
arguido era acusado, devendo absorvê-lo por falta de provas.

Se a dúvida razoável incide sobre a questão de direito o princípio “in dúbio pró reo” não
funciona, devendo o tribunal escolher a interpretação que juridicamente seja a mais
correcta.

3.4.Princípios Relativos à Forma

3.4.1.Princípio da publicidade

O principio da publicidade, significa que as audiências dos tribunais são publicas


segundo407 do CPP e artigo 16 da LOTJ , que o público pode assistir à realização dos
actos processuais, que estes podem ser narrados ou reproduzidos pelos meios de
comunicação social e que os autos podem ser consultados e obtidas copias e certidões
deles. As excepções estão previstas no artigo 407 do CPP, e visam salvaguardar a
dignidade das pessoas e a moral e para garantir o seu normal funcionamento.

A publicitação ou não do processo através dos órgãos de comunicação social é questão


que por vezes oferece dificuldades, por haver direitos ou bens conflituantes a tomar em
consideração: a sociedade tem direito a ser informada do que se passa nos tribunais e
vista a questão por este lado, os órgãos de comunicação social devem ter as maiores
possibilidades de actuação pois cabe-lhes o direito e a obrigação de informarem à
comunidade. No entanto, deve ter-se presente que os interesses ligados à reserva da
intimidade da vida privada do arguido há-de ser acautelados por merecerem igualmente
tutela constitucional. O necessário exercício da justiça não pode fazer-se a custa de
ilegal intromissão na reserva da vida privada do arguido, atribuindo lhe crimes ou
fazendo contra si campanhas demagógicas que maculem a sua imagem.

Publicidade sim, desde que dela não possa resultar perigo para a eficácia do acto
judicial ou para a defesa do arguido nem para o jus puniend do Estado.

3.4.2.Principio da oralidade e da imediação

Principio da oralidade significa que essencialmente que so as provas produzidas ou


discutidas oralmente na audiência de julgamento podem servir de fundamento à
decisão16ou seja os actos processuais devem ser publicados oralmente. Mas o facto de os
actos serem publicados oralmente significa que não possa ser registados, registo esse
que aliás, é aconselhável para efeitos de controlo da prova, com vista a possibilidade de
recurso em matéria de facto.

Este princípio têm maior relevo na fase da audiência de discussão e julgamento segundo
artigo 466 do CPP.

A oralidade favorece também a descoberta da verdade. Através do diálogo e da reacção


dos depoentes (o papel engana sem se ruborizar), das perguntas directas e das respostas
espontâneas, mais facilmente se alcança a verdade dos factos.

16
Id. Germano Marques da Silva; Direito Processual Penal;; 2000, pag 89.
Este princípio é importante porque permite o contacto indispensável e imediato com o
arguido, a recolha de impressão deixada pela sua personalidade. Só a oralidade permite,
por um lado, avaliar o mais correctamente possível da credibilidade das declarações
prestadas pelos participantes processuais. E somente ela permite, por último, uma plena
audiência destes mesmos participantes, possibilitando-lhes da melhor forma que o
tomem posição perante o material de facto recolhido e comparticiparem na declaração
do direito do caso.

No entanto, o princípio da oralidade não exclui que os actos praticados oralmente


fiquem documentados para servir para o controlo da assunção da prova, nomeadamente
em matéria de recursos, e esse registo responde à mais relevante das críticas
habitualmente dirigidas à oralidade: o possível arbítrio dos juízes na apreciação da
prova produzida.

Quando se fala do princípio da oralidade como princípio geral do processo penal, tem-se
em vista a forma oral de atingir a decisão; o processo será dominado pelo principio da
escrita quando o juiz profere a decisão na base de actos processuais que forem
produzidos por escrito e será, pelo contrario, dominado pelo principio da oralidade
quando a decisão é proferida com base em uma audiência de discussão oral da matéria a
considerar, havendo algumas limitações quando a audiência de julgamento se realizar
sem a presença do arguido segundo o artigo 413; 547 e 562 e segts do CPP.

No que tange ao princípio da imediação, a decisão jurisdicional só pode ser proferida


por quem tenha assistido a produção das provas e a discussão da causa pela acusação e
pela defesa, que a decisão deve ter lugar o mais breve possível, no termo de audiência e
de discussão e julgamento e que deve dar-se preferência aos meios de prova que estejam
em relação mais directa com os factos probandos, os imediatos.

Segundo PRATA (2013:1118) “traduz-se este princípio no contacto directo do juiz com
diversas fontes de prova, a fim de lhe proporcionar a possibilidade de se aperceber de
todos os aspectos dos factos e de valorar as provas, com tendencial eliminação dos
factores de falseamento e erro, que as transmissões de conhecimento podem envolver”.

Contudo, através deste princípio é possível fazer a avaliação da credibilidade das


declarações prestadas pelos participantes processuais, assim permitindo ao tribunal
formar a sua convicção sobre a matéria de facto.
CAPITULO IV

PRINCÍPIO DA SUFICIÊNCIA DO PROCESSO PENAL MOCAMBICANO

Este capitulo é o objecto do tema em apreço, pois elucida sobre o principio da


suficiência no qual se fará uma análise, uma vez que o processo penal nalgum momento
se mostra insuficiente devido a sua prejudicialidade.

Questões Prejudiciais

Tipos de questões prejudiciais

O problema das questões prejudicais e os sistemas de solução

A prejudicialidade processual. Questões próprias e impróprias

A prejudicialidade no Código Processual Penal Moçambicano

Valor e efeito da decisão sobre as questões prejudiciais

Ineficácia do Principio da suficiência a Luz do Processo Penal Moçambicano

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