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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS


SOCIOLOGIA I
Igo Custódio dos Santos Chagas
19/04/2011

Crítica da Modernidade, por Alain Touraine: Capítulos Um, Dois e Três

Nascido em 1925, numa cidade da França – Hermanville-sur-Mer – Alain Touraine tornou-


se conhecido por seus estudos sociológicos e por seus livros, como “A Crítica da Modernidade”
publicado na França em 1992 e no Brasil em 1995. Nos três primeiros capítulos da primeira parte
desta obra, o autor faz uma análise crítica sobre a ideia de modernidade e seus elementos,
defendendo a ideia de que a modernidade se define pela separação crescente entre racionalização e
subjetivação.
Touraine inicia seu livro abordando as características ideológicas da modernidade,
desassociando-a da ideia de pura mudança e aproximando-a com a de difusão dos produtos da
atividade racional, científica, tecnológica e administrativa. A modernidade implicaria na
diferenciação de setores da vida social: política, economia, vida familiar, religião, arte etc.
A ideia de finalismo, ou seja, de que existe um “fim da história” para a sociedade, é
substituída pelo conceito de que o fim nada mais é do que o começo de um desenvolvimento
produzido pelo progresso técnico, a liberação das necessidades e o triunfo do espírito.
Outra característica apontada por Touraine é a substituição de Deus pela ciência, deixando as
forças religiosas para a vida privada. A racionalização está intimamente ligada com a modernidade,
e devido a seu papel essencial, é preciso descrever sua concepção e a da modernização como uma
criação de uma sociedade racional.
Quebrar os laços sociais, separar-se dos sentimentos, costumes e crenças chamadas
tradicionais, bem como afirmar que a própria razão é agora o agente de modernização (e não mais
uma categoria ou classe social específica), foram, diz o autor, as mais fortes concepções da
modernidade. As políticas sociais devem desembaraçar o caminho da razão, que por sua vez, tem o
objetivo de estender a todos os homens o que havia sido propriedade de apenas alguns. Apesar
dessa ideia não corresponder à experiência histórica dos países europeus, constitui um modelo de
modernização, ideologia cujos efeitos teóricos e práticos foram consideráveis.
O ocidente viveu e pensou a modernidade como uma revolução da razão. As tentativas de
encontrar um modelo “natural” de conhecimento científico foram sustentadas pela convicção de que
fazendo tábula rasa do passado, os seres humanos se libertam das desigualdades, dos medos e da
ignorância.
Mas essa imagem revolucionária da modernidade não basta para completar uma visão
positiva do mundo governado pela razão. É preciso mostrar que a ordem natural das coisas
proporciona o prazer e corresponde às regras do gosto. Esse naturalismo e o recurso à razão
instrumental completam-se tão fortemente que sua união percorre toda a época moderna.
A visão naturalista se refere à natureza como a origem e ao fundamento das verdades
puramente imanentes, que não exigem nenhuma revelação transcendente. Este conceito tem como
função principal unir o homem e o mundo, permitindo agir sobre essa natureza conhecendo e
respeitando as suas leis.
O apelo à natureza procura dar um fundamento social ao bem e ao mal. O que é útil à
sociedade é bom, e o que prejudica sua integridade é mau. Essa ideologia da sociedade como fonte
de valores, é clássica na modernidade. A ideia substitui Deus como princípio do juízo moral, coloca
o homem como princípio do bem e do mal, e a ordem social como dependente da livre decisão
humana. O autor cita que para Hobbes, a ordem social deve basear-se em uma decisão livre, que é a
expressão da vontade geral. Assim, a noção de sociedade recebeu um novo sentido, explicativo, já
que a própria sociedade e a posição ocupada em seu seio são elementos de explicação das condutas
e de sua avaliação.
Essa ideologia é reforçada pela ideia de que o homem é virtuoso quando trabalha para o bem
da coletividade. Porém, aponta Touraine, essa ideia é frágil, por advir do fato de que a ideologia
modernista é pouco convincente quando procura dar um sentido positivo à modernidade, e forte
quando permanece crítica. Ele verifica que a concepção da modernidade é revolucionária, mas não
define nem uma cultura e deixa vaga a definição de sociedade.
Jean-Jacques Rousseau faz a primeira grande crítica à modernidade, apresentando a ideia de
que o progresso das ciências arrasta consigo o declínio dos costumes. Ele se afasta do racionalismo
otimista do iluminismo, quando denuncia a desigualdade social. O apelo à vontade geral torna-se
um instrumento de luta contra essa desigualdade. Para ele, a natureza é o lugar de ordem, e
portanto, da razão. Assim, se motiva a recolocar o homem nessa ordem.
Touraine define essa atitude crítica de Rousseau como uma ultrapassagem mais esclarecida
da filosofia das luzes. Porém associa essa ideia com um sentimento de rejeição pela sociedade, que
o obrigava a ser o denunciador de suas fraquezas. Com base nisso, a ideia de que a modernidade
conduziria a uma ordem social racional era inaceitável para Rousseau. A sociedade não seria
racional e seria preciso reencontrar a aliança do homem com o universo.
A política de Rousseau propõe a submissão absoluta do indivíduo a uma vontade geral, e
isso se trata de unir a razão e a vontade, reiterando mais uma vez a tentativa de manter a união entre
o homem e o universo.
A ideologia modernista, em seu âmbito econômico, tomou a forma do capitalismo, que se
definiu inicialmente sob os conceitos de um tipo social em particular, o “capitalista”, que segundo
Weber, foi influenciado pelo desprendimento do mundo pregado pela reforma protestante. Porém
essa associação provoca, segundo Touraine, duas interrogações. A primeira diz respeito à falta de
comprovação histórica verificada, já que os países católicos desenvolveram primeiramente o
capitalismo. A segunda dúvida é se a fé protestante realmente favorece o comportamento
econômico, já que ela conduz a um desprendimento dos bens do mundo, ideia totalmente
incompatível com uma vida consagrada ao trabalho, comércio e lucro.
Deste modo, conclui o autor fazendo uma análise mais profunda, o foco principal da questão
não seria a fé, mas a ruptura com laços sociais impostos pelo temor de um juízo divino. O
protestantismo apenas contribuiu para o desenvolvimento desta concepção que separa razão e a
crença, e representa muito mais uma ideia particular da modernidade, e não uma forma geral.
A definição Weberiana de capitalismo encontra-se nas reflexões de Karl Polanvi, porém este
dá importância central à ideia da separação entre o mercado e a sociedade. Apesar dessa separação
não ser um elemento necessário da modernização, uma característica do modelo capitalista, segundo
Touraine, é a criação de um “espaço de ação autônomo para os agentes de desenvolvimento
econômico.”
No fim do primeiro capítulo, o autor discrimina as características da concepção clássica da
modernidade: um processo endógeno, que procurava mais pôr em ordem do que pôr em
movimento; a luta da razão contra os poderes estabelecidos; a construção de uma imagem
racionalizada do mundo que integra o homem à natureza; um mundo que integra suas diferenciadas
dimensões; a formação de economias-mundo, de uma ordem militar mundial; o fortalecimento dos
Estados nacionais; um sistema capaz de reflexibilidade, autoproduzido, autocontrolado e auto-
regulado. A corrente dominante do pensamento ocidental foi materialista.
Touraine evidencia a natureza revolucionária da modernidade clássica, que conduziu à
rejeição violenta das ideias tradicionais, confiava na razão e dava importância primordial ao
trabalho e à sua organização, à liberdade de troca e à impessoalidade das leis, onde a consciência
moral passa a ser o respeito às leis e os juristas ou administradores substituem os profetas.
A crítica de Touraine se focaliza na ingenuidade dos filósofos do iluminismo ao ignorar os
conflitos internos da sociedade, confiando na bondade natural do homem. Ele afirma que o seu
universo é fechado sobre si mesmo e que essa tentativa de conceber uma sociedade racionalizada
não vingou, primeiramente por causa da falsidade da ideia de substituição do governo dos homens
por administração racional, e por que a vida social revelou-se historicamente repleta de conflitos,
influências de revoluções sociais e vontades nacionais. Hoje o que resta da ideologia modernista é
sua função crítica, muito mais forte do que sua ideia de progresso.
O autor finaliza o capítulo um com um alerta: “não nos esqueçamos que [o modernismo]
esteve associado a um movimento jubiloso de libertação dos indivíduos[...]”. Seu intuito é lembrar
de que a confiança exclusiva na razão pode conduzir à volta ao estado de “dominação” que ela
mesma destruiu, na medida que as sociedades industriais avançadas de hoje em dia se sentem
prisioneiras dos seus produtos.
É natural, para o autor, que o pensamento modernista tenha encontrado resistências, mas
para ele só têm peso as críticas que aceitam o papel central da razão na definição do ser humano e
na avaliação de suas condutas, não se permitindo perder tempo com irracionalismo e
tradicionalismo.
Um pensamento religioso foi o que se opôs à imagem naturalista da modernidade. Ao
mesmo tempo, esse pensamento contribuiu para o desenvolvimento do pensamento modernista. O
capítulo dois é dedicado a esta tradição cultural e à origem de outra reflexão, mais pessoal.
“Um movimento para o interior” definido por Agostinho, que o faz diferente de Platão, é que
o faz descobrir como ver Deus através da razão. Esse movimento enriqueceu a liberdade de
consciência, e essa subjetivação foi a força que tanto combatia quanto completava a racionalização.
A entrada na modernidade é acompanhada por esse novo apelo à consciência e à liberdade do
sujeito humano, que foi conquistada com o estabelecimento de uma dupla natureza do homem
revelada por Agostinho, marcada pela luta entre a concupiscência e o que está acima do Ego, que é,
para Touraine, o ponto de partida da invenção do Sujeito na cultura ocidental.
Este conceito conduz a uma idéia diferente da que opõe o individualismo ao holismo e
mostra a presença da pessoa que se afasta do mundo, ao lado daquela que se identifica por seus
papéis sociais. Touraine afirma que é preciso descobrir nas sociedades modernas, formas de
submissão do indivíduo à coletividade, e os recursos contra esta. Nossa sociedade não é
individualista por causa do racionalismo, mas porque foi influenciada por essas concepções
religiosas.
O pensamento dualista de Descartes é o que domina a modernidade e ainda é valioso mesmo
após dois séculos. Ele descobre as regras do método e as implicações de seu discurso que distinguia
a alma do corpo é o objeto de interesse de Touraine. O desprendimento das sensações imediatas e
das opiniões, leva o homem a descobrir as leis da natureza e a definir sua própria existência como
marcada pelo pensamento, marca esta deixada por Deus.
Com Descartes, a razão objetiva começa a fender-se e substituir-se pela razão subjetiva. A
importância dada ao livre-arbítrio levou ao reconhecimento do “outro” como Sujeito, rompendo
assim com a ideia de moral social e virtude individual associada ao bem coletivo.
O reconhecimento racional das leis naturais criadas por Deus e a ideia de vontade e
liberdade se fundem, fazendo com que Descartes se libertasse do cosmos, atribuindo ao próprio
homem a origem da formação do pensamento. Ele não diz “isso pensa em mim”, mas sim “eu
penso”.
O racionalismo iluminista opõe a ração às crenças, mas Descartes segue um caminho
diferente, pois sua confiança na razão conduz a uma reflexão sobre o homem que o identifica com o
Criador. Isso faz de Descartes um dos iniciadores do racionalismo moderno, um agente da
transformação do dualismo cristão num pensamento moderno de Sujeito.
A ideia de modernidade conheceu uma bifurcação entre naturalismo e individualismo. Da
mesma forma o pensamento jurídico se separou em duas correntes, uma em que moral e política
devem ser comandadas pela ideia de bem comum e outra onde a sociedade política é baseada na
ideia de contrato. Essa ideia de direito separada da de política, é para Touraine, o momento principal
da transformação do antigo dualismo cristão em filosofia do sujeito.
O autor aproxima o racionalismo dos jusnaturalistas com a posição de Locke, e afirma que é
tentado antes a opor a revolta social de Rousseau à teoria “burguesa” de Locke: Partindo da ideia
que a terra e seus produtos são de propriedade comum, mas que a obra das mãos do homem,
conseguidas através do esforço do seu trabalho, é de propriedade privada, Locke modifica o papel
da lei - agora ela deve proteger a liberdade de agir, de empreender, de possuir. A ideia de passagem
do holismo para o individualismo, estabelece uma descontinuidade completa entre o estado de
natureza e a organização social, colocando Locke numa posição central na história das ideias.
Robbes, Locke e Rousseau estão igualmente nas origens do pensamento democrático que
baseia a sociedade política em uma decisão livre entre indivíduos, num contrato ou ato de
confiança. É essa ideia que provoca a separação do sujeito da comunidade política e funda a
dualidade da sociedade civil e do Estado, dos direitos do homem e do poder político e provoca o
surgimento do pensamento burguês e do operário, uma associada a ideia de contrato privado, e outra
de um contrato público.
Os séculos XVII e XVIII foram “arrematados”, segundo Touraine, pela Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão na França em 1798. Um longo texto, que proclama princípios
contraditórios com a monarquia absoluta e que marca o fim de um debate que durou dois séculos,
conferindo uma expressão universal à ideia de direitos do homem. Nela se impõe o cruzamento de
dois temas opostos, os direitos individuais e o da vontade geral. Touraine se foca em encontrar não
o que as difere, mas aquilo que as une.
O autor observa que a oposição não é entre um holismo tradicional e o individualismo
moderno, mas sim de duas faces da própria modernidade: o princípio da utilidade social e a defesa
dos valores individuais ou iniciativas particulares.
O que concilia as duas ideias é a lei, que é a expressão da vontade geral como instrumento
da igualdade e que também tem a tarefa de defender indiretamente as liberdades individuais.
Portanto, ela é o que une o interesse individual com o interesse da sociedade.
A partir daí, Touraine verifica que a história dos dois séculos seguintes é a da crescente
separação entre a defesa dos direitos do homem e a racionalidade instrumental, onde quanto mais se
constrói um mundo de técnicas e poder, mais fraca é a força dos direitos do homem. Assim o
progresso técnico da humanidade a pressiona.
Touraine descarta uma concepção evolucionista e simplista da modernidade como sendo
passagem do sagrado ao profano, da religião à ciência, e a substitui por uma visão de sentido e
consequências mais diversas, sob a imagem de duas correntes de pensamento opostas: o capitalismo
e o espírito burguês, a primeira associada à construção de uma sociedade de produção e trabalho, e
a segunda associada à vida privada. Além disso, afirma que o período moderno, segundo os
historiadores, termina com o triunfo da liberdade na França e nos Estados Unidos, porque a partir de
seus frutos, a razão, antes associada com a ordenação racional, se transforma em força de
transformação histórica, desaparecendo assim a separação entre Sujeito e sociedade.
As consequências da modernização econômica transformou os princípios do pensamento
racional, que refletiam sobre a ordem, a paz e a liberdade, em objetivos sociais, assim como
transformaram uma lei natural em vontade da coletividade.
Observando esta conjuntura, Touraine faz uma análise: no século XIX, o motor do progresso
é a mobilização social e política, além do desejo de felicidade. Para Condorcet era o espírito
humano que assegurava a felicidade de todos. A volta à natureza era marcada pela libertação social
graças à razão científica, que permitiu encontros entre o homem e o universo.
O autor afirma que o cientificismo fez sucesso até o começo do século XX, quando as
ciências sociais rompem com seus preceitos e que o pensamento historicista, que identifica a
modernização com o desenvolvimento do espírito humano, é de maior interesse.
No século XIX o historicismo identificava a ideia de Sujeito com a de sentido da história, o
que significa a fusão do idealismo com o materialismo, segundo Touraine. Além disso, ele diz que a
razão dessa transformação foi a revolução francesa, quando faz entrar na história o papel do ator
histórico e da necessidade histórica.
O autor coloca o conceito de progresso entre os de racionalização e desenvolvimento, que
aplica a ciência na política associando a vontade política com a necessidade histórica. Segundo esta
concepção, os conflitos sociais são conflitos entre o futuro e o passado, e futuro será sempre
vitorioso através do progresso da razão, do êxito econômico e da ação coletiva.
Touraine associa o pensamento historicista com a ideia revolucionária, composta por três
elementos: a vontade de liberdade, a luta contra os obstáculos da modernização, e a afirmação de
uma vontade nacional. O autor aponta lugares e obras onde o revolucionarismo se associava com o
historicismo, onde era mais forte e mais fraco, em que situações era mais mobilizadora e onde teve
maiores efeitos. Mais adiante, denota a presença de uma ideia “rebelde” a de revolução, ao
apresentar os conceitos de Tocqueville, quando associa a evolução da América ao seu governo
federal, a autonomia dos estados, à independência do poder judiciário e principalmente à religião.
Porém Touraine critica severamente seus princípios, afirmando que eles foram mantidos à margem
do pensamento social na frança porque se opõem à visão integrada da modernidade.
Touraine cita que a passagem das ideias às práticas, no advento da entrada no historicismo e
no mundo técnico, a distância entre os fenômenos e o ser, engendra uma nostalgia, que se fortalece
até se tornar a força principal da reação intelectual contra a modernidade.
Posicionando o pensamento dos grandes liberais como Tocqueville e Comte em oposição à
uma das formas elementares do historicismo – a ideia de destruição da ordem antiga e de busca de
uma nova ordem – Touraine elabora uma crítica às ideias de reconstrução da ordem social, que não
inventam nenhuma nova relação entre o progresso e a integração social. O autor afirma que o
positivismo, em sua busca de integração e ordem social, dá ao espírito científico o mérito de
precaver-se contra a subjetividade e o interesse pessoal, e que este é um pensamento hostil às lutas
sociais e políticas.
Segundo Touraine, a política positivista permaneceu sem efeito sobre as práticas sociais
porque se dedica inteiramente ao problema de reintroduzir a ordem no movimento, e a solução,
concebida como um organismo que necessita ao mesmo tempo da diversidade de seus órgãos e da
unidade da vida e da energia, não traz nenhuma resposta ao importante debate dos séculos XVII e
XVIII: a conciliação entre o direito natural e os interesses individuais, o universal e o particular, a
razão e a sensação.
O maior perigo do pensamento historicista é ver a subjetividade apenas como uma ponte
para alcançar o espírito objetivo, eliminando assim a relevância dos sujeitos, atores da história, em
nome de um Sujeito identificado com a história. Touraine vê isso em Marx, Hegel e Comte, quando
fazem sua história apenas para logo após suprimi-la, “porque a história é a da razão”. Pontuando os
fatos que ratificam essas ideias, o autor conclui que a práxis é a identificação dos interesses de uma
classe com seu destino e com a necessidade histórica.
Touraine conclui que por experiência, a revolução não é a base para a criação de uma força
histórica. Ela só conseguiu mesmo formar poderes absolutos de dirigentes revolucionários. As
revoluções sempre voltaram as costas à democracia, impondo uma unidade contra a diversidade de
uma sociedade dividida em classes. Esta dominação foi instalada justamente por causa da fraca
participação dos atores sociais na vida pública.
É preciso, clama Touraine, que nos perguntemos qual é a forma de retorno à subjetividade
que deve preceder o historicismo. A resposta deve se basear em dois méritos, o primeiro é o
reconhecimento do apelo à razão e a libertação do Sujeito pessoal, e o segundo é aceitarmos nossa
situação histórica buscando maneiras de intervenção da sociedade sobre si mesma, clamando por
uma nova definição das relações entre eficácia e liberdade. Finalmente, ele se pergunta se podemos
conceber uma nova situação histórica onde a modernidade é definida por novas tensões entre
racionalização e subjetivação.