Você está na página 1de 9

1.

A Educação Física Escolar constitui uma


disciplina, segundo Coletivo de Autores
(apudASSIS, 2005), que trata pedagogicamente, na escola, do
conhecimento de uma área nomeada:

a) cultura corporal.

b) saúde.

c) habilidades esportivas.

d) aptidão física.

e) atividades recreativas

Introdução

    O esporte é conteúdo hegemônico nas aulas de educação física nas escolas atualmente,
porém sua aplicação normalmente se restringe a poucas modalidades, deixando de lado
algumas outras importantes, como o atletismo, a dança e a ginástica. Além disto, o esporte é
transmitido na maioria das vezes com a idéia da competição, uma idéia que deveria estar em
segundo plano, pois o ideal seria educar através do esporte.

    Estudando o assunto, percebeu-se que algumas abordagens pedagógicas falam desse
problema e alguns autores também acreditam que é preciso transformar o esporte que é
aplicado na escola em um esporte que ao invés de se preocupar em formar atletas, seja capaz
de oferecer aos alunos um leque de opções de atividades que os ajude na sua formação.

    Nesse pensamento, Oliveira (2005, p.203) pensa num projeto que transforme as aulas de
educação física num trabalho de reflexão do esporte, onde as crianças experimentando e
vivenciando o esporte, construiriam outros valores para as aulas, resgatando a prática social
como elo entre ensino e produção, transformando a escola numa fábrica de esportes.

    Segundo Kunz (1994, p.56) o esporte na escola alcançaria seu objetivo, numa concepção
crítico-emancipatória, quando as crianças puderem se desenvolver através dele, tornando-se
adultos capazes de praticar esportes como crianças.
    Após essas considerações fica a dúvida: como transformar através das abordagens
pedagógicas a aplicação do esporte na educação física escolar? As respostas são inúmeras,
porém o foco desse estudo é na aplicação de mais modalidades esportivas nas aulas de
educação física e no resgate do lúdico no esporte aplicado na escola.

    Nesse entendimento, Bourdieu (apud OLIVEIRA, 2005, p. 117) utiliza a dança como exemplo
de atividade que se diferencia dos outros esportes por não se aprender simplesmente a
repetição e sim a aprendizagem de expressões na ação corporal que transmitam sentimentos.

    Bracht (apud OLIVEIRA, 2005, p. 200) afirma que a ação pedagógica deve ser voltada para a
recuperação do caráter lúdico no desporto na escola. Logo em seguida, Oliveira (2005, p.199)
afirma que com o resgate do lúdico, a tentativa de separação entre jogo e esporte, seria
rompida.

    Em síntese, percebe-se que, no mundo escolar, o esporte vem sendo empregado de maneira
inadequada. Verificou-se que algumas mudanças precisam ser feitas no sentido de reorientar o
sentido do esporte, dando maior ênfase ao lazer e menor à competitividade.

    O objetivo do presente estudo é contribuir para que de fato haja esta transformação do
esporte na escola, discutindo algumas abordagens pedagógicas, mostrando o que essas falam
sobre o esporte e indicando as possibilidades de aplicação dessa transformação.

O esporte na escola: sua realidade

    Sem dúvida alguma, o esporte é o conteúdo mais difundido nas aulas de Educação Física nas
escolas. Sua prática é tão significativa no sistema de ensino escolar que deixou de ser o esporte
da escola, para ser o esporte na escola, como se a Educação Física fosse subordinada aos
princípios do esporte. Assim, a relação entre professor e aluno passou a ser uma relação de
professor-treinador e aluno-atleta. (COLETIVO DE AUTORES (1992), apud CAPARROZ, 2007)

    Segundo a definição do Conselho Federal de Educação Física (2002, p. 26), o esporte é:

    a atividade competitiva, institucionalizado, realizado conforme técnicas, habilidades e


objetivos definidos pelas modalidades desportivas, determinado por regras pré-estabelecidas
que lhe dá forma, significado e identidade, podendo também ser praticado com liberdade e
finalidade lúdica estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado,
inclusive na natureza (jogos da natureza, radicais, orientação e outros).

    Em que pese à definição acima, o esporte que se reproduz na escola, não é o esporte com
ideais sociais e educativos, e sim o esporte cópia do esporte rendimento, que leva poucos o
sucesso e muitos ao fracasso. O esporte de rendimento foi por muito tempo defendido como se
fosse a cura para todos os males. A lógica era ensinar valores morais e sociais, além de
promover a saúde e a esperança de uma vida melhor. (MACHADO e MORENO, 2006, p. 4)

    O esporte na escola passou a assumir os princípios da instituição esportiva, dando maior
valor a competição, concorrência e rendimento, ao assumir estes, a escola tornou-se a base da
pirâmide esportiva. Não que a competição não tenha seu valor, o problema está nos excessos
que muitas vezes a competição leva. Betti (1991, p. 53), nas considerações de Belbenoit,
questiona a possibilidade de existir um esporte sem competição, pois seria uma contradição, já
que está na essência do esporte há uma busca por afirmação, o que de alguma forma exige a
defrontação entre os competidores.

    Segundo ele, o problema é a prioridade dada pela escola à competição e a formação de
atletas, uma vez que a prioridade deveria ser fornecer uma o maior número de atividades
formativas possíveis.

    Ainda nas considerações de Belbenoit, Betti (1991, p. 54) descreve que o problema da
educação através do esporte, está na capacidade das virtudes superarem os vícios (doping,
fraudes e vitória a qualquer preço). Nas palavras do autor (1991, p.55):

    O desporto não possui nenhuma virtude mágica. Ele não é em si mesmo nem socializante
nem anti-socializante. É conforme: ele é aquilo que se fizer dele. A prática de judô ou râguebi
pode formar tanto patifes como homens perfeitos preocupados com o “fair-play”.

    Nesse entendimento de que o esporte na escola é capaz de educar, Bracht (1986, p. 65)
considera essa educação através do esporte, que serve a instituição esportiva, tendo o
significado de internalizar normas e valores comportamentais para que o indivíduo se adapte a
sociedade capitalista. “Em suma, é uma educação que leva ao acomodamento e não ao
questionamento. Uma educação que ofusca, ou lança uma cortina de fumaça sobre as
contradições da sociedade capitalista”.

    Em síntese, o esporte na escola está predominantemente vinculado ao esporte de


rendimento, quando na realidade deveria estar ligado ao esporte lazer. Não quer dizer, que
essas duas dimensões não estejam relacionadas, ou seja, o esporte lazer também forma atletas
e o esporte de rendimento também educa. Chega-se então no ponto crucial para a reorientação
do sentido do esporte na escola, fazê-lo alcançar seu papel social.

    Nos anos 80, surgem as abordagens críticas, que começam a tratar da transformação social
através da Educação Física escolar e do esporte.

Abordagens críticas

    As abordagens críticas surgem em oposição ao modelo mecanicista da Educação Física


escolar, na tentativa de romper a hegemonia do esporte e da aptidão física, utilizando a
tendência marxista. Essas abordagens, também chamadas de progressistas, começam a discutir
o jeito alienante da Educação Física na escola. Numa perspectiva crítica, a Educação Física
“estaria atrelada às transformações sociais, econômicas e políticas, tendo em vista a superação
das desigualdades sociais” (DARIDO, 2008, p. 15).

    Dentro das abordagens críticas encontramos suas duas principais tendências, a abordagem
crítico-emancipatória e a abordagem crítica-superadora. A primeira se trata de uma concepção
propositiva não-sistematizada, pois apenas identifica uma nova prática e não sistematiza uma
metodologia para a nova prática. Já a segunda é uma concepção propositiva sistematizada
porque apresenta parâmetros e princípios metodológicos para a nova prática. Vale ainda
lembrar, que apesar de as duas serem abordagens críticas, nem sempre suas posições são
comuns.
    São nessas duas abordagens que este estudo foca para a transformação do esporte aplicado
nas escolas. Deixando claro aqui, que criticar o esporte não é ser contra ele, mas sim expor
fatos para que este seja melhorado. Segundo Bracht (2000), criticar o esporte é tratá-lo
pedagogicamente, colaborando para que ele assuma características mais adequadas.

    A abordagem crítico-emancipatória tem em Elenor Kunz (1994) e seu livro Transformações
didático-pedagógicas do esporte, seu principal autor e obra, e é nesta em que o pesquisador se
baseia para discutir essa abordagem. Com base na Filosofia, Sociologia e Política, esta
abordagem tem sua finalidade na reflexão crítica emancipatória dos alunos, onde a temática
principal está na transcendência de limites e esportes.

    Segundo Kunz (apud DARIDO, 2008, p. 16), o papel da educação emancipatória é libertar o
aluno “das condições que limitam o uso da razão crítica e com isto todo o seu agir social,
cultural e esportivo”. Esta libertação aconteceria a partir do momento em que as competências
fossem desenvolvidas, essas competências são ligadas às categorias de trabalho. As
competências objetiva, social e comunicativa, ligadas às categorias trabalho, interação e
linguagem, respectivamente. E para saber a forma que o esporte deve ser trabalhado na escola
o autor aponta a competência comunicativa como prioridade na ação educativa, neste
momento esta competência esta ligada principalmente na linguagem verbal, desenvolvendo no
aluno o aprender a compreender.

    Nesse entendimento, o aprendizado do esporte esta relacionado ao entendimento crítico,


“não se dá apenas pelas experiências objetivas, mas também pelo próprio falar sobre as
experiências e entendimentos do mundo dos esportes”. (KUNZ, apud OLIVEIRA, 2005, p.118 e
119).

    Sobre orientações didáticas, nesta abordagem o professor busca a transcendência de limites
do aluno, confrontando-o com sua realidade de ensino. Para ensinar isso, o professor deve
levar o aluno a descobrir através da própria experiência um caminho para uma boa participação
nas atividades, os alunos devem também expor suas experiências e ainda devem aprender a
questionar sobre suas aprendizagens, a fim de entender o significado cultural.

    Ainda segundo o autor, para que se garanta essa condição crítico-emancipatória, é
necessária a transformação individual e coletiva do sentido do esporte, junto à transformação
prática. Neste momento, entra o elemento reflexivo permitindo o entendimento das
possibilidades de reorientação do sentido do esporte.

    Já a abordagem critico-superadora tem em Valter Bracht, Lino Castellani Filho e Celi Taffarel
seus principais autores e em Metodologia do Ensino da Educação Física (COLETIVO DE
AUTORES, 1992) seu trabalho mais marcante. Com base na Filosofia Política, esta abordagem
tem na transformação social sua finalidade. Sua temática prioriza a cultura corporal e a visão
histórica, com conteúdos como: conhecimento sobre o jogo, esporte, dança e ginástica. Sua
metodologia está na tematização e a avaliação em considerar a classe social e observação
sistemática.

    A proposta desta abordagem se apóia na justiça social, levantando questões de como
adquirimos os conhecimentos sobre poder, interesse, esforço e contestação. Valorizando a
contextualização e o resgate histórico, possibilitando o aluno perceber as mudanças ao longo
dos tempos. (DARIDO, 2008, p. 8)

    Nesse entendimento, Castellani Filho (1998, p. 53-54) explicita a finalidade da capacidade de
apreensão (no sentido de compreensão) pela educação física: “proporcionar a intervenção
autônoma, crítica e criativa do aluno nessa dimensão de sua realidade social, de modo a
modificá-la, tornando-a qualitativamente distinta daquela existente”.

    Ainda segundo o autor, a ação pedagógica deve ter o esporte como tema central, mas
também considerar a dança e a ginástica. Além disto, o autor escolhe para o processo de
tematização, a competição como eixo articulador, com o sentido de superar equívocos. A
competição neste sentido seria uma caixa de motivação que envolve os conteúdos.

    A idéia defendida por Vago (1996, p.7) é de que a escola deve criar uma cultura escolar de
esporte, interrompendo a reprodução das práticas de esporte hegemônicas. Para Oliveira
(2005, p.141) o problema desta criação reside no fato de o esporte entrar na escola e sair do
mesmo jeito que entrou, sem modificações, sendo apenas reproduzido. A possibilidade de
mudança está na atuação do professor, instruída por um projeto político-pedagógico,
transformando este esporte que entra na escola. Vago (1996, p.13) sugere o confronto dos
valores do esporte que o fazem excludente com os valores da participação, respeito e do lúdico.
Significa nesse momento dizer que a escola não deve repetir o trabalho e sim realizar o
trabalho do esporte.

    Segundo Oliveira (2005, p.143) existe a necessidade de um diálogo entre essas duas
abordagens, colocando um desafio a essas tendências:

    sem abrir mão de suas diferenças, o que significa não abrir mão da própria qualidade de ser
crítica, aprofundar o diálogo no sentido de potencializar o segundo pólo de cada uma, numa
síntese superadora-emancipatória.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais

    Em 1998, surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), inspirados no modelo


educacional espanhol, incluindo um documento específico para a Educação Física. Seus
principais autores foram Marcelo Jabu e Caio Costa, e suas áreas de base são a Psicologia e a
Sociologia. Na Educação Física, a sua finalidade é introduzir o aluno na esfera da cultura
corporal de movimento e sua temática está no conhecimento sobre o corpo, esportes, lutas,
jogos, brincadeiras e atividades rítmicas e expressivas. (DARIDO, 2008, p. 19-21)

    Mesmo possuindo objetivos bem amplos, os PCNs (1998) elegem a cidadania como eixo
norteador da Educação Física escolar, e possuem três princípios: o princípio da inclusão, as
dimensões dos conteúdos e os temas transversais.

    Sobre o esporte, o documento diz que as atividades desportivas não se restringem ao
simples exercícios de habilidades, mas capacitar os alunos a refletir sobre as possibilidades
corporais, discernindo o caráter mais competitivo ou recreativo de cada situação. Participar das
atividades e aprender a diferenciá-las.
    Pode-se dizer que a abordagem dos PCNs é bem diversificada, apontando diversas
possibilidades como a saúde, o lazer e a reflexão crítica da cultura corporal do movimento

Inserção de mais modalidades esportivas

    É comum atualmente, as aulas de Educação Física serem divididas em modalidades por
bimestre, utilizando durante o ano todo somente quatro modalidades, além disto, este modelo
é repetido ao longo dos anos para todos os períodos e alunos. Betti (1999, p.25-28) fala sobre
esse problema e questiona onde estão os demais conteúdos da Educação Física, como a dança,
ginástica e atletismo? Segundo a autora, talvez seja “pela insegurança dos professores em
relação a conteúdos que não dominam, e desta forma trabalham com o que possuem mais
afinidade”. Percebeu-se que os professores ainda pensam muito no ensino por demonstração.
Sem desmerecer o seu valor, ela acredita que o professor deve fazer o aluno pensar no
movimento realizado.

    Utilizando as considerações de Bourdieu, Oliveira (2005, p.116) acredita que o interessante
dessa situação é o “sei fazer, mas não sei explicar como se faz”, em relação ao ensinamento da
consciência corporal para os alunos. Mesmo sabendo que em muitas situações o gesto é
aprendido por imitação, na escola e nos desportos não é adequado utilizar o “faça como eu”
como forma de ensino. Citando o exemplo da dança, o autor acredita na problematização como
estratégia para que a expressão corporal aflore, e na expressão corporal a possibilidade de um
gesto inusitado.

    Alguns professores de Educação Física utilizam como argumento para a pouca variedade de
modalidades, a questão do espaço e do material. Em relação ao espaço, recorre-se mais uma
vez ao exemplo da dança, que necessita apenas de um espaço qualquer e um aparelho de som.
E com essa modalidade, podem ser incluídas dentre outras coisas, as danças folclóricas. Quanto
ao material, o exemplo é o do atletismo, que é pouco trabalhado, e quando é, tem seu
conteúdo reduzido a corridas e saltos. Isto pode ser superado facilmente com a utilização de
materiais adaptados, como latas e cabos de vassoura, pneus e areia, como obstáculos. (BETTI,
1999, p.29)

    Em síntese, os professores devem apresentar aos alunos, a maior quantidade possível de
modalidades esportivas, e não apenas se restringir aos esportes mais populares. Cabe também
aos professores, inserir dentro dessas atividades a possibilidade de transformação e reflexão do
aluno, tornando assim possível alcançar a educação através do esporte.

O resgate do lúdico no esporte

    Com a característica competitiva que o esporte ganhou, o lúdico vem sendo esquecido com o
passar do tempo. Porém, percebeu-se a necessidade de resgatar a ludicidade no esporte,
principalmente para torná-lo mais educativo.

    É válida nesse momento uma definição sobre ludicidade. O lúdico é o conjunto de elementos
especificamente humanos que cria espaço entre o real e o imaginário, no qual sua criatividade
transforma-se de acordo com a cultura, a história e as condições existentes em que a cada
individuo se insere.
    Nesse entendimento, Oliveira (2005, p.200) acredita que com o resgate do lúdico no esporte
da escola, transformaria “o compromisso com a vitória em compromisso com a alegria e o
prazer”. Acredita também no aprofundamento da relação “esporte-ludicidade”.

    Sobre as considerações de Gruneau, Bracht (1997, p.119) acredita que o caráter lúdico no
esporte persiste como forma de “resistência a total instrumentalização do esporte”.

    A obra de Rigo (1995, p.91) questiona as características que o Esporte Moderno está
absorvendo em relação aos valores. O autor ainda propõe que:

    [...] a Educação Física, ao tematizar em suas aulas, o Esporte Moderno, deve preocupar-se
em resgatar e valorizar neste, as características do “jogo”, do universo lúdico, que de alguma
maneira ainda sobrevivem, mesmo que timidamente, dentro dele.

    Percebeu-se que existe uma discussão entre jogo e esporte, e a particularidade entre eles é
evidenciada através da atividade lúdica. Nesse sentido, Bruhns (1991, p.10) aponta dois
argumentos importantes. O primeiro diz respeito à supervalorização do esporte, que faz os
professores não perceberem a “dimensão educativa da atividade lúdica”. Num segundo
momento a autora, distingui o esporte em duas ações: jogar e praticar. Praticar seria no
sentido de treinamento, exigindo um adversário, por outro lado, jogar tem um sentido lúdico,
exigindo um parceiro.

Metodologia

    A metodologia caracterizou a pesquisa como bibliográfica, e seu referencial teórico foi obtido
através de livros e artigos relacionados ao tema da pesquisa, fundamentada em publicações de
autores que tratam do assunto pesquisado. A delimitação da pesquisa se limitou nas aulas de
Educação Física escolar nos ensinos fundamental e médio. A coleta e a análise dos dados foram
apuradas através do material bibliográfico.

Conclusões

    Os resultados permitiram identificar que é possível transformar o esporte aplicado na escola,
em um esporte voltado para a educação e o lazer, com características de jogo e ludicidade,
reduzindo o valor do rendimento e da competição. Onde a competição serviria, nesse sentido,
como um elemento motivador para a realização dos conteúdos.

    Essa transformação se daria através dos profissionais de Educação Física, a partir do
entendimento deles sobre o esporte na concepção das abordagens críticas. Utilizando o esporte
como ferramenta educacional, capaz de levar os alunos a repensar o caráter alienante do
esporte escolar e superar as injustiças sociais.

    A aplicação destas transformações estaria vinculada a um projeto de cultura esportiva


escolar, este romperia o modelo muito utilizado atualmente, que limita o esporte a poucas
modalidades. Essa mudança levaria os alunos a conhecer e experimentar uma maior
quantidade de modalidades esportivas.
    Percebeu-se através dos dados obtidos que o esporte na escola teria com o resgate do lúdico
uma perspectiva que apontaria para o compromisso com a ludicidade, um esporte modificado
através da reflexão dos próprios alunos, que traria para eles mesmos, entre outras coisas,
outros valores e princípios. Formando alunos capazes de se desenvolver através do esporte e se
tornarem cidadãos conscientes para a sociedade.

Referências

 BETTI, Irene Conceição Rangel. Esporte na escola: mas é só isso professor? . Motriz. V.
1, nº 1, p. 25-31, junho/1999.

 BETTI, Mauro. Educação Física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.

 BRACHT, Valter. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo...


capitalista. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, São Paulo, v. 7, nº 2, p. 62-68,
janeiro, 1986.

 BRACHT, Valter. Sociologia crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES/CEFED,


1997.

 BRACHT, Valter. Esporte na escola e esporte de rendimento. Movimento. Porto Alegre,


ano 06, nº 12, p.14-24, 2000.

 BRUHNS, Heloísa Turini. O jogo e o esporte. Revista da Fundação do Esporte e


Turismo, v. 3, nº 1, p. 9-11. 1991.

 CAPARROZ, Francisco Eduardo. Entre a educação física na escola e a educação física


da escola: a educação física como componente curricular. 3ª ed. Campinas, SP: Autores
Associados, 2007.

 CASTELLANI FILHO, Lino. Política educacional e educação física. Campinas: Autores


Associados, 1998.

 DARIDO, Suraya Cristina. Educação Física Escolar: questões e reflexões. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2008.

 KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí, 1994.

 MACHADO, Afonso A.; MORENO, Ricardo Macedo. Re-significando o esporte na


educação física escolar: uma perspectiva crítica.  Movimento e Percepção. Espírito Santo
de Pinhal, SP, v. 6, nº 8, janeiro/junho, 2006 – ISSN 1679-8678.

 OLIVEIRA, Sávio de Assis. Reinventando o esporte: possibilidades da prática


pedagógica. 2ª ed – Campinas, SP: Autores Associados, 2005.

 RIGO, Luiz Carlos. A educação física fora de forma.  Revista Brasileira de Ciência do
Esporte. Santa Maria, RS, v. 16, nº 2, p. 82-93, janeiro, 1995.

Você também pode gostar