Tipos de Governo: Monarquia e República
Tipos de Governo: Monarquia e República
Governo, na acepção de Queiroz Lima, é o conjunto de funções pelas quais, é assegurada a ordem
jurídica no Estado. Este elemento estatal apresenta-se sob várias modalidades, quanto a sua origem, natureza e
composição resultando nas diversas formas de governo.
Governo de direito é aquele que foi constituído de conformidade com a lei fundamental do Estado,
sendo, por isso, positivo. Subordinando-se ele próprio aos preceitos jurídicos como condição de harmonia e
equilíbrio sociais.
Governo despótico (ao contrário do governo legal) é aquele que se conduz pelo arbítrio dos detentores
eventuais do poder, oscilando ao sabor dos interesses e caprichos pessoais.
Governo Constitucional é aquele que se forma e se desenvolve sob a égide de urna Constituição,
instituindo o poder em três órgãos distintos e assegurando a todos os cidadãos a garantia dos direitos
fundamentais, expressamente declarados.
Governo Absolutista é o que concentra todos os poderes num só órgão. O regime absolutista tem suas
raízes nas monarquias de direito divino e se explicam pela máxima do cesarismo romano que dava a vontade do
príncipe como fonte da lei: voluntas principis suprema lex est, quod pricipii placuit legis habet vigorem; ic
volo, sic iubeo, sit pro ratione voluntas...
Classificação de Aristóteles:
Aristóteles enquadrava em dois grupos as formas de governo: normais (aquelas que têm por objetivo o
bem da comunidade) e anormais (aquelas que visam somente vantagem para os governantes).
As formas normais, também denominadas formas puras, segundo a classificação de Aristóteles, ainda
geralmente aceita, são as seguintes:
a) a) Monarquia – governo de uma só pessoa;
b) b) Aristocracia – governo de uma classe restrita;
c) c) Democracia – governo de todos os cidadãos.
MONARQUIA E REPÚBLICA
Maquiavel, consagrado como fundador da ciência política moderna, substituiu a divisão tríplice de
Aristóteles pelo dualismo: Monarquia e República (governo da minoria ou da maioria)
Colocou o problema nos seus exatos termos pois aristocracia e democracia não são propriamente formas
de governo, mas, sim, modalidades intrínsecas de qualquer das duas formas básicas monárquica ou republicana.
O governo renova-se mediante eleições periódicas – estamos diante da forma republicana; o governo é
hereditário e vitalício – está caracterizada a monarquia.
Queiroz Lima enumera as seguintes características da forma monárquica: a) autoridade unipessoal; b)
vitaliciedade; c) hereditariedade; d) ilimitabilidade do poder e indivisibilidade das supremas funções de mando; e)
irresponsabilidade legal, inviolabilidade corporal e sua dignidade. Evidentemente, essas são as características das
monarquias absolutistas, mas há também as monarquias limitadas, cujas conotações essenciais e comuns são
apenas duas hereditariedade e vitaliciedade.
A forma monárquica não se refere apenas aos soberanos coroados; nela se enquadram os consulados e as
ditaduras (governo de uma só pessoa).
Por outro lado, as características essenciais da forma republicana são:
a) a) Eletividade, e
b) b) temporariedade.
Absoluta
A Monarquia pode ser: de estamentos
Limitada
Constitucional
Parlamentar
Monarquia Absoluta é aquela em que todo o poder se concentra na pessoa, do monarca. Exerce ele,
por direito próprio, as funções de legislador, administrador e supremo aplicador da justiça. Age por seu próprio e
exclusivo arbítrio, não tendo que prestar contas dos seus atos senão a Deus. 0 monarca absolutista justifica-se pela
origem divina do seu poder. O Faraó do Egito, o Tzar da Rússia, o Sultão da Turquia, o Imperador da China,
diziam-se representantes ou descendentes dos Deuses. Na crença popular da origem sobrenatural do poder
exercido pelos soberanos coroados repousou a estabilidade das instituições monárquicas desde a mais remota
antigüidade até ao limiar da Idade Moderna. Entre as monarquias absolutistas se incluem o cesarismo romano, o
consulado napoleônico e certas ditaduras latino-americanas.
São limitadas as monarquias onde o poder central se reparte admitindo órgãos
autônomos de funções paralelas, ou se submete às manifestações da soberania nacional.
Destacam-se três tipos de Monarquias limitadas: a) de estamentos; b) constitucional; c)
parlamentar.
REPÚBLICA DEMOCRATICA é aquela em que todo poder emana do povo. Pode ser
direta, indireta ou semidireta.
Na REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DIRETA governa a totalidade dos cidadãos,
deliberando em assembléias populares, como faziam os gregos no antigo Estado ateniense.
O governo popular direto se reduz atualmente a uma simples reminiscência histórica.
Está completamente abandonado, em face da evolução social e da crescente complexidade dos problemas
governamentais.
República - Distingue-se da monarquia pelo fato de os governantes, ou chefes de Estado, serem eleitos
pelos cidadãos para mandatos com duração predeterminadas.
Presidencialismo - Sistema de governo no qual o poder central cabe ao presidente da República, ficando o
Poder legislativo com a atribuição de fazer as leis e fiscalizar a administração pública. Parlamentares e
presidente são eleitos por voto direto.
1. Formas de Governo: são os modos mediante os quais o Estado pode se organizar ou estruturar.
As diversas formas de governo, o modo pelo qual o poder se organiza e se exerce, permite agrupar os
Estados em seu modo de ser substancial, determinando a situação jurídica e social dos indivíduos em
relação à autoridade. As formas de governo são formas de vida do Estado, revelam o caráter coletivo do
seu elemento humano, representam a reação psicológica da sociedade às diversas e complexas influências
de natureza moral, intelectual, geográfica, econômica e política através da história. 1[1]
A partir desta noção, pode-se identificar três variantes da expressão “forma de governo”: “ regime
político, quando se refere à estrutura global da realidade política, com todo o seu complexo institucional e
ideológico; forma de Estado, se afeta a estrutura da organização política; sistema de governo, quando se
limita a tipificar as relações entre as instituições políticas 2[2].
Quando estudamos a “forma do Estado” buscamos verificar como o Estado se organiza, qual o
critério utilizado para o equacionamento da relação de poder entre seu povo e população e os órgãos
modalidade plural, que é a união ou a sociedade de Estado (o Estado federal, a confederação etc.).
1.1. Classificações
a) Formas puras, ou normais: a.1) monarquia ou realeza (somente um indivíduo governa); a.2)
aristocracia (um grupo particular, geralmente reduzido, é quem governa o Estado); a.3) democracia:
(governo do povo).
Todos os Estados, os domínios todos que já houve e que ainda há sobre os homens foram, e são,
repúblicas ou principados.4[4]
1
2
3
4
Não é apenas o critério de classificação tradicional, é também a tricotomia tradicional que se
mostra insuficiente. Se o critério da classificação é o modo como, segundo a constituição, a ordem
jurídica é criada, então é mais correto distinguir, em vez de três, dois tipos de constituição: a democracia e
a autocracia. Esta distinção baseia-se na idéia de liberdade política.
Politicamente livre é quem está sujeito a uma ordem jurídica de cuja criação participa. Um
indivíduo é livre se o que ele “deve” fazer, segundo a ordem social, coincide com o que ele “quer” fazer.
Democracia significa que a “vontade” representada na ordem jurídica do Estado é idêntica às vontades
dos sujeitos. O seu exposto é a escravidão da aristocracia. Nela, os sujeitos são excluídos da criação da
ordem jurídica, e a harmonia entre a ordem e as suas vontades não é nem garantida de modo algum.
A democracia e a autocracia assim definidas não são efetivamente descrições de constituições
historicamente conhecidas, representando antes tipos ideais. Na realidade política, não existe nenhum
Estado que se conforme completamente a um ou ao outro tipo ideal. Cada Estado representa uma mistura
de elementos de ambos os tipos, de modo que algumas comunidades estão mais próximas de um pólo, e
algumas mais próximas do outro. Entre os dois extremos existe uma profusão de estágios intermediários,
a maioria dos quais sem nenhuma designação específica. Segundo a terminologia usual, um Estado é
chamado democracia se o princípio democrático prevalece na sua organização, e um Estado é chamado
autocracia se o princípio autocrático prevalece.5[5]
1.2.1. Monarquia
1.2.2. República
2.1. Parlamentarismo
2.1.2. Características: a) separação entre as funções executiva e legislativa é menos acentuada do que no
presidencialismo; b) líder do grupo majoritário no Parlamento é o chefe de governo; c) chefe de governo,
juntamente com seus ministros integra o gabinete; d) separação das funções de chefe de Estado e chefe de
governo.
5
6
ministro ou do Parlamento também podem ser substituídos individualmente. Em contrapartida, o
presidente pode dissolver o Parlamento a qualquer momento, por iniciativa própria ou a pedido do
primeiro-ministro, se o Parlamento não formar uma maioria estável para apoiar o gabinete e seu plano de
governo. O presidente convoca, então, imediatamente, nova eleição parlamentar.
No parlamentarismo, portanto, os mandatos são flexíveis e Legislativo e Executivo devem
apoiar-se mutuamente na definição e execução de um plano de governo, sob pena de o eleitorado ser
chamado a decidir quem tem razão. O Executivo e o Legislativo (ou pelo menos sua maioria) precisam
ser solidários e agir integrados.7[7]
2.2. Presidencialismo
2.2.2. Características: a) acentuada separação das funções executiva e legislativa; b) funções de chefe de
Estado e de governo exercidas pela mesma pessoa (unipessoalidade do poder Executivo); c) presidente
eleito, direta ou indiretamente, por prazo determinado.
Introdução
No final da década de 1880, a monarquia brasileira estava numa situação de crise, pois
representava uma forma de governo que não correspondia mais às mudanças sociais em
processo. Fazia-se necessário a implantação de uma nova forma de governo que fosse capaz
de fazer o país progredir e avançar nas questões políticas, econômicas e sociais.
Crise da Monarquia
A crise do sistema monárquico brasileiro pode ser explicada através de algumas questões:
Diante das pressões citadas, da falta de apoio popular e das constantes críticas que partiam
de vários setores sociais, o imperador e seu governo encontravam-se enfraquecidos e
frágeis. Doente, [Link] II estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país.
Enquanto isso, o movimento republicano ganhava força no Brasil.
A Proclamação da República
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o marechal assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo
provisório.
GOVERNO
1 - Regimes Políticos: Quanto à estrutura de acesso ao poder, os governos podem ser democráticos ou
ditatoriais, conforme o grau de participação e a capacidade de intervenção da sociedade na esfera política.
Ditadura: A expressão designa qualquer governo que assuma a autoridade pública por meio de uma
ruptura das regras democráticas. Dependendo de suas características e do tipo de interação com a
sociedade, uma ditadura configura-se como um regime autoritário ou totalitário.
Nos regimes autoritários, a competição entre os grupos políticos é controlada por uma autoridade (militar,
partido político ou grupo religioso) que se coloca acima das demais. O poder autoritário reúne condições
para alterar as normas ou os resultados da disputa política sempre que lhe pareça necessário. Governos
autoritários toleram gradações variadas de liberdade – o envolvimento popular pode ser maior ou menor,
embora ela seja sempre restrita.
Nos regimes totalitários, a separação entre Estado e sociedade não existe ou é muito tênue. As atividades
de todas as associações e movimentos organizados (desde um grupo de moradores até uma comunidade
científica), estão submetidas à lógica dos detentores do poder. O controle abrangente do Estado sobre a
sociedade confere à participação política um teor compulsório, pois a adesão aos valores professados pelo
Estado é pré-requisito da cidadania. Mas o envolvimento é ao mesmo tempo irrelevante, porque a
ausência de competição impede que as opiniões individuais exerçam qualquer influência sobre as ações
do Estado.
Exemplos de regimes com fortes tendências totalitárias são as nações socialistas (comunistas/marxistas)
contemporâneas (1999). Nesses países, após a expropriação dos meios de produção, o mercado é
substituído pelo planejamento estatal na circulação de riquezas, de recursos e de competências. Em
regimes como esses, o Estado monopoliza tanto os meios de produção como o poder político. A
autoridade é exercida pelo Partido Comunista, o único efetivo, que governa ditatorialmente. O grupo
responsável pela instauração do regime tem o poder de interferir nas diferentes esferas da sociedade.
República: De acordo com os clássicos, a República é o governo da "coisa pública", regido por leis
adotadas em comum acordo. As Repúblicas atuais obedecem aos mesmos preceitos, e sua essência é a
eleição popular dos representantes, os únicos a expressar com legitimidade o interesse público. A idéia de
República opõe-se à de Monarquia, pois a figura do monarca (rei, príncipe, grão-duque, emir, sultão, etc.)
fere o princípio republicano de que toda a autoridade política tem um mandato originado na voto popular.
Monarquia: O conceito moderno de Monarquia surge na Idade Moderna, com a formação das
Monarquias absolutas na Europa. O regime se caracterizava pela centralização da autoridade nas mãos de
uma só pessoa – o monarca – com poder hereditário e ilimitado. O monarca moderno tinha o monopólio
das forças militares, da administração doméstica, da política externa, intervindo ainda nos assuntos
religiosos. Contrariamente ao feudalismo, a Monarquia absoluta não tolerava autoridades paralelas,
privilégios nem Exércitos particulares. Com a consolidação do Estado moderno, no século XIX, as
Monarquias absolutas deparam com o problema da representação dos interesses nacionais. As revoluções
populares ocorridas no período as suprimem ou lhes impõem um corpo de leis (Constituição) e de
representantes nacionais, originando as Monarquias constitucionais ou parlamentares. Nelas, o governo
passa a ser exercido por um gabinete nomeado pelo Parlamento, sendo este eleito pelo povo. O rei
permanece no poder, mas possui apenas funções protocolares e transmite sua autoridade pelos valores da
tradição e da hereditariedade. Em razão da sua importância simbólica – ligada à unidade nacional e à
estabilidade política - a Monarquia parlamentar perdura em várias nações, sobretudo européias.
3 - Formas de governo: Existem basicamente duas forma legais de se estruturar a autoridade política
dentro de um Estado: o parlamentarismo e o presidencialismo. A diferença essencial entre as duas está
na origem e nas prerrogativas do Poder Executivo. Na chamada forma mista de governo ou semi
presidencialismo, o parlamentarismo e o presidencialismo se combinam. Enquanto o parlamentarismo
ocorre nas Repúblicas e nas Monarquias, o presidencialismo e a forma mista são característicos apenas
das Repúblicas.
Monarquia
por Bolívar Lamounier, com a colaboração
de
O. Amorim Neto e
J. L. de Mattos Dias
Ao contrário das demais nações latino-americanas, a independência brasileira não foi obtida através de
uma guerra de liberação colonial. Sede, desde 1815, do Reino Unido de Portugal, Algarves e Brasil, a
independência veio por meio do rompimento do príncipe Dom Pedro com Portugal, provocado pela
ameaça de retorno à condição de colônia, pretendida pelas Cortes de Lisboa após a derrota de Napoleão e
a liberação de Portugal.
Pedro I consolida o novo regime com a Constituição de 1824, mas, incapaz de pacificar politicamente o
País, é forçado a abdicar em 1831. Os termos de sua abdicação, entretanto, mantinham a monarquia e os
direitos de seu filho ao trono brasileiro. Entre 1831 e 1840, o País foi governado por uma regência civil,
que enfrentou com sucesso várias rebeliões. Em 1840, ascende ao trono Dom Pedro II, que, auxiliado por
vários gabinetes de coalizão, consolida o regime monárquico no País.
A prosperidade proveniente da exportação do café e a estabilidade política do País criam condições para o
longo reinado de Dom Pedro II, só abalado pelo processo de abolição de escravatura iniciado na década
de 80 do século XIX.
Associado pelas elites políticas ao movimento abolicionista, o regime não foi por elas
defendido quando um golpe militar de inspiração positivista o derrubou em 1889,
inaugurando quase uma década de instabilidade e violência políticas.
Primeira República
por Bolívar Lamounier, com a colaboração
de
O. Amorim Neto e
J. L. de Mattos Dias
A República nasceu de um golpe de estado apoiado por uma aliança heterogênea e pouco coesa entre
militares positivistas, proprietários de terra e setores radicalizados da intelectualidade urbana, que se viam
mal representados na estrutura de poder do Império.
Revolução de 1930
por Bolívar Lamounier, com a colaboração
de
O. Amorim Neto e
J. L. de Mattos Dias
A Revolução de 30 foi um movimento iniciado por oligarquias insatisfeitas com o resultado das eleições
presidenciais de 1930 em associação com grupos radicais de oficiais do exército brasileiro. Através de um
movimento militar, essa coalizão heterogênea derrubara o governo legalmente constituído, com uma
plataforma de moralização das práticas políticas e de transformações sociais e econômicas.
O governo instaurado pela Revolução de 30 foi responsável pela adoção no Brasil das
primeiras formas de legislação social e de estímulo ao desenvolvimento industrial. Dos
sindicatos brasileiros às grandes empresas estatais, todas as modernas estruturas do Estado e
da sociedade brasileira têm sua origem nas reformas desse período.
Estado Novo
por Bolívar Lamounier, com a colaboração
de
O. Amorim Neto e
J. L. de Mattos Dias
Fruto de um golpe de estado desfechado em outubro de 1937, o Estado Novo foi uma
resposta política à instabilidade do período 1934-37, uma vez que os grupos políticos
vitoriosos em 1930 se viram ameaçados pelo extremismo de esquerda e direita e pelo
retorno ao poder de oligarquias estaduais. Em termos ideológicos, o Estado Novo teve
evidente inspiração fascista, sem embargo de certos avanços na legislação trabalhista.
Entretanto, faltava ao regime qualquer propósito de mobilização de massas. Tampouco era
expansionista no sentido territorial, visto que seu nacionalismo voltava-se mais para o
desenvolvimento econômico do País do que para a expansão territorial.
Regime Militar
por Bolívar Lamounier, com a colaboração
de
O. Amorim Neto e
J. L. de Mattos Dias
O regime militar nasceu de um golpe de estado desfechado a 31 de março de 1964 contra o presidente
João Goulart. Apoiaram o golpe os partidos conservadores (PSD e UDN), o empresariado, os
proprietários rurais e a classe média urbana, unidos, acima de tudo, para dar combate ao comunismo e à
corrupção. As causas imediatas do colapso do regime da Carta de 1946 são assim resumidas por José
Guilherme Merquior: "Instabilidade governamental, desintegração do sistema partidário, virtual paralisia
da capacidade decisória do Legislativo, atitudes equívocas por parte do presidente Goulart, quando nada
com respeito à sucessão; a ameaça representada por uma reforma agrária mal definida; inquietação militar
em face da tolerância do governo aos motins dos sargentos; e radicalismo crescente, tanto da direita como
da esquerda (...), tudo isto complementado pela inflação em alta e, naturalmente, pelo fantasma assustador
da revolução cubana" ("Patterns of State Building in Brazil and Argentina," in Hall, J.A organizador,
States in History, London; Blackwell, 1986, p. 284).
O novo regime, todavia, evitou uma ruptura completa com os fundamentos constitucionais da democracia
representativa. Embora tenha abolido já de início as eleições diretas para a Presidência e posteriormente
para os governos estaduais e principais prefeituras, manteve a periodicidade e a exigência de um mínimo
de legitimação democrática para esses mandatos, por meio da eleição indireta pelo Congresso ou pelas
assembléias, conforme o caso. Ademais, os líderes militares reiteraram, diversas vezes, a intenção de
permanecer por pouco tempo no poder.
A partir de 1968, em resposta à pressão do movimento estudantil e ao início da luta armada por parte de
setores radicalizados da oposição, o regime militar se enrijece, passando o País pelo período de maior
repressão política de sua história sob a presidência do general Garrastazu Médici (1969-1974). Estes fatos
acabaram se sobrepondo à intenção inicial dos militares de permanecer pouco tempo no poder. Aos
militares, contudo, faltava uma idéia clara sobre as reformas econômicas e político-institucionais que
teriam de implantar com seu prolongamento no poder. O sistema militar tampouco podia propor-se como
definitivo, pois isso implicaria romper definitivamente as pontes que lhe asseguravam um mínimo de
legitimidade.
Com a ascensão do general Geisel à Presidência, em março de 1974, tem início a chamada "abertura
gradual", cujo objetivo era afrouxar pouco a pouco as amarras ditatoriais do regime e, assim, evitar
confrontos traumáticos. A característica principal do processo de abertura patrocinado por Geisel foi seu
extremo gradualismo, seu caráter por assim dizer experimental e, por conseguinte, a permanente incerteza
que durante vários anos pairou quanto a seus rumos e até mesmo quanto à sua continuidade.
Ainda em 1974, realizaram-se eleições para o Congresso, num momento em que ninguém duvidava de
mais uma tranqüila vitória do partido do governo, a Arena. O resultado foi o inverso: uma rotunda derrota
para o governo. O MDB cresceu de 12% para 30% do Senado, conquistando 16 das 22 cadeiras em
disputa e de 28% para 44% na Câmara dos Deputados. A magnitude dos ganhos da oposição trouxe para
primeiro plano duas dificuldades que as diretrizes iniciais da abertura não haviam contemplado: (1) a
possibilidade de um novo impasse institucional, dado o caráter bipartidário do sistema; e (2) os votos
oposicionistas achavam-se fortemente concentrados nos estados economicamente mais dinâmicos do País.
Com a eleição de 1974, o governo viu-se, então, diante de pressões contraditórias: de um lado, a
necessidade de começar a construir pontes com a sociedade civil, tendo em vista a magnitude e os
contornos nitidamente plebiscitários (antigoverno) do crescimento eleitoral do MDB; de outro, a
necessidade de preservar a coesão política do campo governista e, especialmente, das Forças Armadas.
Uma das alternativas adotadas pelo regime para fazer frente à crescente onda oposicionista foi manter o
elevado ritmo de crescimento econômico, iniciado em 1967, ainda que a necessidade de desaquecer a
economia já começasse a se tornar evidente.
A sucessão do general Geisel pelo general João Baptista de Oliveira Figueiredo, no início de 1979,
concluiu de maneira frustrante uma etapa do processo de liberalização. Frustrava-se a expectativa de que
a sucessão representasse a culminação do processo de abertura e conduzisse o País diretamente à
plenitude democrática, sinalizando o regime que decidira prolongar a estratégia "gradual e segura" de
abertura política. Todavia, importantes demandas da oposição - como a anistia a todos os cidadãos antes
punidos com cassação e perda dos direitos políticos, bem como aos exilados por participação em ações
armadas, e o restabelecimento praticamente total da liberdade de imprensa - foram atendidas em 1978/79.
Em dezembro de 1979, o governo promove a reforma partidária - também reclamada por líderes
oposicionistas que não desejavam integrar-se ao MDB. Ao fazê-la, o governo dava ao mesmo tempo um
grande passo para desfazer a velha frente de oposições e livrar-se do impasse plebiscitário embutido na
estrutura bipartidária. No começo da década de 80, cinco novos partidos conseguem se firmar na arena
política: PDS (partido do governo), PMDB, PT, PDT e PTB. Estes partidos disputaram, em 1982, as
primeiras eleições diretas para governador desde 1965, casadas com as eleições para o Congresso e para
as assembléias estaduais. Contados os votos, constatou-se que o processo eleitoral continuava
praticamente bipartidário, e que a oposição elegera dez dos 22 governadores, inclusive os de São Paulo,
Rio de Janeiro e Minas Gerais. O enfrentamento plebiscitário que se quisera eliminar com a reforma
partidária de 1979 estava de volta, agora num contexto de aguda recessão, crescente desemprego e
visíveis sinais de debilitamento entre importantes lideranças políticas do regime.
Tendo conquistado os principais governos estaduais, a oposição passou a dispor de suportes de poder
suficientes para tentar fazer o sucessor do general Figueiredo. Absorvendo deserções das hostes do
partido do governo e sabendo capitalizar a energia cívica mobilizada pelo frustrado movimento a favor de
eleições diretas para presidente (desencadeado no primeiro trimestre de 1984), a oposição, empunhando a
candidatura de Tancredo Neves, do PMDB mineiro, um político moderado e conciliador, logrou formar a
maioria necessária para vencer a disputa sucessória no Colégio Eleitoral, em janeiro de 1985, encerrando
o ciclo dos governos militares.
Formas de Governo e Formas de Estado
"As formas de governo são formas de vida do Estado, revelam o caráter coletivo do seu elemento
humano, representam a reação psicológica da sociedade às diversas e complexas influências de natureza
moral, intelectual, geográfica, econômica e política através da história." (Darcy Azambuja)
Configura-se uma enorme discussão entre formas de governo e formas de estado. Os alemães
denominam forma de estado aquilo que os franceses conhecem como forma de governo.
Como forma de estado, têm-se a unidade dos ordenamentos estatais; a sociedade de Estados( o Estado
Federal, a Confederação, etc) e o Estado simples ou Estado unitário.
Como forma de governo, têm-se a organização e o funcionamento do poder estatal, consoante os
critérios adotados para a determinação de sua natureza. Os critérios são: a) o número de titulares do poder
soberano; b) a separação de poderes e suas relações; c) os princípios essenciais que animam as práticas
governativas e o exercício limitado ou absoluto do poder estatal.
O primeiro critério tem o prestígio do nome de Aristóteles e sua afamada classificação das formas de
governo. Os dois últimos são mais recentes e demonstram a compreensão contemporânea do processo
governativo e sua institucionalização social.
A mais antiga e célebre concepção das formas de governo e, inexoravelmente, a concebida por
Aristóteles. Em seu livro "Política" expõe a base e o critério que adotou: "Pois que as palavras
constituição e o governo é a autoridade suprema nos Estados, e que necessariamente essa autoridade deve
estar na mão de um só, de vários, ou a multidão usa da autoridade tendo em vista o interesse geral, a
constituição é pura e sã; e que s e o governo tem em vista o interesse particular de um só, de vários ou da
multidão a constituição é impura e corrompida."
Aristóteles adota, pois, uma classificação dupla. A primeira divide as formas de governo em puras e
impuras, conforme a autoridade exercida. A base desta classificação é pois moral ou política.
A segunda classificação é sob um critério numérico; de acordo com o governo, se ele está nas mãos de
um só, de vários homens ou de todo povo.
Ao combinar-se o critério moral e numérico Aristóteles obteve:
FORMAS PURAS
- MONARQUIA: governo de um só
- ARISTOCRACIA: governo de vários
- DEMOCRACIA: governo do povo
FORMAS IMPURAS
- OLIGARQUIA: corrupção da aristocracia
- DEMAGOGIA: corrupção da democracia
- TIRANIA: corrupção da monarquia
Os escritores políticos romanos acolheram com reservas a classificação de Aristóteles. Alguns como
Cícero acrescentaram às formas de Aristóteles uma quarta: a forma mista de governo.
O governo mista aparece para a redução dos poderes da monarquia, aristocracia e democracia mediante
determinadas instituições políticas, tais como um Senado aristocrático ou uma Câmara democrática.
Como forma de exemplificação têm-se a Inglaterra, na qual, o quadro político combina três elementos
institucionais: a Coroa monárquica, a Câmara aristocrática e Câmara democrática ou popular; tendo
assim, um governo misto exercido pelo "Rei e seu Parlamento".
De Aristóteles a Cícero, passemos a Maquiavel, o secretário florentino, que se imortalizou na ciência
política com o livro "O Príncipe" no qual ele afirmava que "todos os Estados, todos os domínios que
exerceram e exercem poder sobre homens, foram e são, ou Repúblicas ou principados."
Com essa afirmação, Maquiavel classifica as formas de governo com somente duas vertentes: República
e Monarquia.
De Maquiavel vamos para Montesquieu, cuja classificação é a mais afamada dos tempos modernos.
Montesquieu distingue três espécies de governo: República, Monarquia e Despotismo; em várias
passagens de seu livro o Espírito das leis "ele procura achar um fundamento moral que caracterize as três
formas clássicas. Segundo ele, a característica da democracia é o amor à pátria e à igualdade; da
monarquia é a honra e da aristocracia é a moderação. A república compreende a democracia e a
aristocracia.
Das classificações de formas de governo aparecidas modernamente, depois da de Montesquieu, de
ressaltar a da autoria do jurista alemão Bluntschli, que distinguiu as formas fundamentais ou primárias
das formas secundárias de governo.
Como se vê Bluntschli enumera as formas de governo, à luz de Aristóteles, acrescentando, porém uma
quarta: a ideologia ou teocracia, em que o poder é exercido por "Deus".
Rodolphe Laun, professor da universidade de Hamburgo, em seu livro LA DEMOCRATIE, fornece
uma classificação que permite distinguir quase todas as formas de governo, classificando-as quanto à
origem, à organização exercício.
QUANTO À ORIGEM
- Governos de dominação
- Governos democráticos ou populares
QUANTO À ORGANIZAÇÃO
- Governos de Direito -> Eleição
-> Hereditariedade
- Governos de fato
QUANTO AO EXERCÍCIO
- Constitucionais
- Absdutos
A idéia de governo, se entrelaça com a de regime e ideologia dominante. Mediante as idéias é que se irá
explicar as formas de governo, sendo que esta faz-se secundária e o que realmente deve importar são as
ideologias trazidas para os governos, procurando-se então aqualitá-los.
Formas de Governo
O regime representativo é colocado em prática nos Estados modernos sob modalidades diferentes, cada
uma constituindo uma variante da democracia e tendo na linguagem corrente a denominação de formas de
governo.
As formas de governo a partir do momento que a separação de poder deixou de ter um cunho
aristotélico. São elas: governo parlamentar, governo presidencial e governo convencional ou governo de
assembléia.
As formas de governos foram deduzidas por Barthélemy, baseada nas relações entre os poderes
Executivos e Legislativos. Ele deduziu que se a Constituição dá ênfase ao Legislativo, há o governo
convencional. No entanto, se a Constituição dá predominância ao Executivo, há o governo presidencial, e
se manifestação desses dois poderes for equilibrada, temos o governo parlamentar.
Na opinião de Darcy Azambuja, podia-se atingir mais diretamente a característica dessas formas de
regime representativo derivando-as do modo pelo qual é exercido o poder Executivo. Se ele gozar de
plena autonomia em relação ao legislativo, temos o governo presidencial, em que o Executivo é exercido
pelo Presidente da República, como um verdadeiro Poder de Estado, sem qualquer subordinação jurídica
ou política ao Legislativo.
Mas, quando o Executivo está subordinado completamente ao Legislativo, há o governo de assembléia,
e quando sem haver subordinação completa, o Executivo depende da confiança do Parlamento, surge o
governo parlamentar ou de gabinete.
O governo parlamentar assenta fundamentalmente na igualdade e colaboração entre o Executivo e o
Legislativo. Já o governo presidencial resulta num sistema de separação rígido dos três poderes: o
Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Diferente das outras formas de regime representativo, o governo
convencional se toma como um sistema de preponderância da assembléia representativa, em matéria de
governo; com isso, surge também a designação de "governo de assembléia".
Com a aparição dessas três formas de governo, em substituição habitual das arcaicas classificações
pertinente ao número de titulares do poder soberano, se instituiu num considerável progresso tocante à
separação histórica do dualismo monarquia-república.
O governo de assembléia apareceu durante a Revolução Francesa, com a Convenção Nacional e na
atualidade, com o nome de governo diretorial ou colegiado, só existe na Suíça. Neste país, o Legislativo é
formado pele Assembléia Federal e o Executivo pelo Conselho Federal(Bundesrat).
O Conselho Federal é composto por ministros eleitos pela assembléia por três anos e um deles é o
Presidente da República. Esse poder Executivo é simplesmente um corpo de comissários da Assembléia;
ela é que dá impulso à administração e governa o Estado. As resoluções do Conselho podem ser
modificadas e mesmo anuladas pelo Legislativo. Assim dispõe a Constituição suíça, se bem que na
realidade o Conselho goza de certa autonomia e é afinal um governo semelhante aos dos Estados
parlamentares.
O governo presidencial caracteriza-se pela independência dos Poderes, mas essa independência não no
sentido de oposição e separação entre eles e sim no sentido de não haver subordinação de um para o
outro.
A característica essencial do sistema presidencial é que o Poder Executivo é exercido de maneira
autônoma pelo Presidente da República, que é um órgão do Estado, um órgão representativo como o
Parlamento, pois, como este, é eleito pelo povo.
O sistema presidencialista foi criado pela constituição dos Estados Unidos da América do Norte, em
1787, e depois adotado por todos os Estados do continente, com ligeiras modificações.
Nessa forma de governo, o Presidente da República assume uma posição "autoritária" no que diz
respeito ao poder de veto, isto é, negar aprovação a leis feitas pelo Legislativo, caso em que este terá de
votá-las novamente, só se tornando obrigatórias se aprovadas por dois terços dos membros do
Parlamento.
O governo parlamentar foi uma criação da história política da Inglaterra. O governo de gabinete, refletiu
exatamente, na sua formação e evolução, as vicissitudes e peculiaridades do ambiente jurídico e político
daquele país.
À margem dos textos constitucionais, o governo de gabinete organizou-se e evoluiu conforme
tendências que cada vez mais se acentuaram e precisaram, tornando-se a forma de governo quase
unânime na Europa.
República
Primeiro período republicano no Brasil, também chamado de I República, e dura de 1889 a 1930. É
controlado pelas oligarquias agrárias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ligadas à cultura
cafeeira.
De 1889 a 1894, o Brasil é dominado pelos setores militares envolvidos diretamente na proclamação da
República. Chefe do governo provisório, o marechal Deodoro da Fonseca assume a Presidência em 1891.
Desfavorecido pela oposição do Congresso a sua política econômica, Deodoro renuncia em novembro do
mesmo ano. Seu vice, Floriano Peixoto, assume o governo e usa o apoio popular para radicalizar a luta
contra os monarquistas.
Presidente civil - Republicano histórico, Prudente de |Morais, que governa entre 1894 e 1898, inaugura
a fase dos governos civis e a sucessão de presidentes eleitos pelo Partido Republicano Paulista (PRP) -
Campos Salles (de 1898 a 1902) e Rodrigues Alves (1902 a 1906) - e pelo Partido Republicano Mineiro
(PRM) - Afonso pena (1906 a 1909) e Venceslau Brás (1914 a 1918). Formado pelas oligarquias
paulistas, mineira e fluminense, o núcleo central do republicanismo controla as eleições, faz presidentes e
domina o país.
Política dos governadores - Com a intenção de garantir o domínio das grandes oligarquias sobre a
república, o paulista Campos Salles monta um esquema de poder que fica conhecido como "política dos
governadores": o Presidente da República dá suporte aos candidatos oficiais nas disputas estaduais e os
governadores apóiam seu indicado nas eleições presidenciais. Para dar certo, o plano depende do poder
dos coronéis sobre o eleitorado local e do controle da comissão de Verificação de Poderes do Congresso
Nacional, responsável pelos resultados eleitorais finais e pela diplomação dos eleitos.
"Café-com-leite" - Com a política econômica voltada à cafeicultura e os governadores garantindo a
sustentação das oligarquias regionais, implanta-se a "república do café-com-leite" - alusão à aliança que
alterna paulistas e mineiros no poder. Nem o governo de marechal Hermes da Fonseca (1910 a 1914),
dominado pelo senador gaúcho Pinheiro Machado e seu programa de "salvações militares", abala aliança.
Na verdade, as "salvações" não passam de intervenções do governo federal nos estados (Bahia, Alagoas,
Pernambuco, ceará) para substituir as oligarquias de oposição por grupos políticos aliados ao poder
central.
Divisões - As primeiras rachaduras nessa estrutura aparecem no final da década de 1910. Em 1918, o
paulista Rodrigues Alves é eleito para suceder o mineiro Venceslau Brás. Rodrigues Alves morre antes da
posse e paulistas e mineiros não chegam a um acordo para a substituição. Lançam, então, o paraibano
Epitácio Pessoa, que governa de 1919 a 1922. Seu sucessor é mineiro Artur Bernardes (1922 a 1926), que
não tem a unanimidade de paulistas e mineiros. Bernardes desperta uma oposição militar que desemboca
nas revoltas tenentistas, tendo de governar sob estado de sítio. O paulista Washington Luís (1926 a 1930)
também assume a presidência sem a sustentação das lideranças de seu estado. Enfrenta o individamento
interno e externo do país, a retração das exportações e, a partir de 1929, os problemas provocados pela
crise econômica mundial.
Aliança Liberal - Pela política do "café-com-leite", cabe ao PRM indicar o candidato à sucessão de
Washington Luís. O partido já tem um nome, o do governador de Minas Gerais, Antônio Carlos.
Sustentado pelo PRP, o presidente lança o nome de Júlio Prestes, governador de São Paulo. O gesto
rompe o acordo das oligarquias paulista e mineira. Com o apoio do Rio Grande do Sul e da Paraíba, o
PRM compõe a Aliança Liberal, que parte para a disputa tendo o gaúcho Getúlio Vargas para presidente e
o paraibano João Pessoa para vice. Em abril de 1930, a chapa de Júlio Prestes vence a eleição.
Inconformados, os aliancistas fazem a revolução de 1930, que põe fim à República Velha.
Monarquia e República
Ainda que realmente Machiavelli não haja reduzido as formas de governo a duas, são a monarquia e a
república os dois tipos comuns em que se apresenta o governo nos Estados modernos. Se ainda há
aristocracias, não há mais governos aristocráticos, e os outros tipos da classificação de Aristóteles não são
formas normais, como o grande filósofo mesmo acentuou.
No entanto, são tão complexas as relações que estabelecem entre os órgãos do Estado, são tão sutis às
vezes as mudanças que separam uma de outra forma, que não é fácil conceituar rigorosamente a forma
republicana e a monárquica.
No conceito clássico, e verdadeiro afinal, monarquia é a forma de governo em que o poder está nas
mãos de um indivíduo, de uma pessoa física. "Monarquia é o Estado dirigido por uma vontade física. Esta
vontade deve ser juridicamente a mais alta, não deve depender de nenhuma outra vontade", disse Jellinek
(L'État moderne, vol. II, p. 401.) Substituindo o adjetivo impróprio "física" por "individual", temos a
definição corrente de monarquia. Acontece, porém, que somente, nos governos absolutos se encontra o
Estado dirigido por uma única vontade individual, que seja a mais alta e não dependa de nenhuma outra.
A definição, pois, não se aplica aos Estados modernos. Dir-se-á, então, que não há mais monarquias, de
vez que modernamente o órgão supremo do poder não é nunca um indivíduo só, e a vontade dos reis não
é nunca a mais alta e independente de qualquer outra?
Porque, de fato, nas monarquias modernas, todas limitadas e constitucionais, o rei, ainda quando
governe, não governa sozinho, sua autoridade é limitada pela de outros órgãos, coletivos quase sempre,
como por exemplo os Parlamentos. E a verdade é que os reis modernos "reinam, mas não governam",
segundo o aforismo tradicional, e por isso mesmo são irresponsáveis. De qualquer forma, não dirigem o
Estado sozinhos, nem sua vontade é a mais alta e independente. Na melhor das hipóteses, é a sua vontade
juntamente com a de outros órgãos criados pela Constituição que dirige o Estado; quase sempre são esses
outros órgãos, Ministério e Parlamento, que dirigem o Estado.
Muitos escritores têm procurado definir os traços característicos da monarquia e, assim, distingui-la da
república, cuja conceituação também é difícil.
Artaza entende que "monarquia é o sistema político em que o cargo de chefe do Poder Executivo é
vitalício, hereditário e irresponsável, e a república é o sistema em que o citado cargo é temporário, eletivo
e responsável".
Se nos ativéssemos apenas ao texto das Constituições das monarquias e repúblicas modernas o ponto de
vista do autor espanhol seria plenamente satisfatório, pois ali se declara que o rei ou o Presidente da
República é o chefe do Poder Executivo. Acontece, porém, que de fato, nas monarquias e repúblicas de
governo parlamentar, nem o rei nem o presidente são os chefes do Poder Executivo; essa função na
realidade cabe aos Primeiros-Ministros ou Presidentes do Conselho. Desta sorte, a definição harmonizar-
se-ia somente com os textos das Constituições e não com a realidade.
Parece, pois, que uma noção, ao mesmo tempo formal e material, de monarquia e república seria esta:
nas monarquias o cargo de Chefe do Estado é hereditário e vitalício; nas repúblicas, o cargo de Chefe do
Estado é eletivo e temporário.
A irresponsabilidade não pode ser um caráter distintivo porque, se nas repúblicas de governo
parlamentar o Presidente é politicamente irresponsável, não se dá o mesmo nas de governo presidencial,
como veremos ao tratar destas novas modalidades.
Ao nosso ver, o conceito de república foi resumido pelo grande Rui Barbosa que inspirado nos
constitucionalistas americanos, disse ser a forma de governo em que além de "existirem os três poderes
constitucionais, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, os dois primeiros derivem, realmente, de
eleição popular".
É verdade que o Poder Executivo nas repúblicas parlamentares não é exercido pelo Presidente e sim
pelo Gabinete, que não é eleito mas nomeado. No entanto, como esse Gabinete, para se manter, depende
da confiança do Parlamento, pode-se considerar que ele deriva, pelo menos indiretamente, de eleição
popular.
O que é certo é que não há uma definição cuja compreensão e extensão se adapte exclusiva e
perfeitamente às duas formas de governo. Por isso, a noção que lembramos, de que na monarquia o cargo
de Chefe do Estado é hereditário e vitalício e nas repúblicas temporário e eletivo, talvez seja a que melhor
satisfaça. Todos os demais traços de ambas as formas são variáveis e nenhum é absolutamente exclusivo a
uma delas. Até mesmo a eletividade não é característico exclusivo da república, dado que houve
monarquias eletivas.
Absolutismo
O processo de formação do Estado moderno concentrou-se nas mãos do rei todos os mecanismos de
governo - absolutismo - fazendo com que a Nação se identificasse com a Coroa.
O principal teórico desse sistema foi Jacques Bossuet, da corte de Luís XIV, que se utilizou de
argumentos extraídos da Bíblia para justificar o poder absoluto e de "direito divino" da realeza. O lema
era: "Um rei, uma lei, uma fé". Por ser o rei representante de Deus, não deveria prestar contas nem à
Igreja, nem ao povo.
Absolutismo na França
Na França, as Guerras de Religião ocuparam quase todo o século XVI. Somente em 1598, sob Henrique
IV, obtém-se a pacificação entre católicos e protestantes (huguenotes) com o Edito de Nantes, abrindo-se
um período de paz religiosa. Segundo alguns historiadores, as Guerras de Religião retardaram a
consolidação do absolutismo na França, o que explicaria sua violência posterior. Em 1614, convocam-se
pela última vez os Estados Gerais, uma espécie de conselho composto pelas três ordens (nobreza, clero e
povo).
A sociedade e a cultura
Apesar das aparências jurídico-políticas de uma organização em três ordens (nobreza, clero e povo),
economicamente a sociedade francesa estava dividida em classes. Classes que possuíam interesses bem
diferentes.
A nobreza e o clero eram ordens privilegiadas, com posse de terras e isenção de impostos. A alta
burguesia (parte do terceiro estado) vivia da expansão dos negócios e comprava cargos públicos
(tornando-se "noblesse de robe", ou seja, nobreza togada, de nível mais baixo). Os camponeses e a
pequena burguesia urbana pagavam, com seu trabalho e impostos, os gastos do Estado absolutista.
Em 1685, reacende-se o conflito religioso. O Estado absolutista revoga o Edito de Nantes. Cerca de 500
mil huguenotes perseguidos emigram. Surgem as primeiras oposições ao absolutismo (como o escritor
Fénelon).
Após 1710, o jasenismo ( corrente cristã que se opunha aos jesuítas, e fundada pelo monge Jansênio)
torna-se perseguido pelo absolutismo, ao propor a renovação do catolicismo inspirada em Santo
Agostinho. O jansenismo tinha por sede o mosteiro de Port Royal, perto de Versalhes. Teve grande
repercussão, chegando a Portuga e ao Brasil.
Na literatura, destacaram-se Boileau (1636-1711), com Arte poética (em que se definiu o classicismo
francês); as tragédias baseadas na Antigüidade Clássica, com Corneille (1606-1684) e Racine (1639-
1699); as comédias de Molière (1622-1673) e as fábulas de La Fontaine (1621-1695). @No período do
absolutismo é que foi construído o suntuoso palácio de Versalhes (1624 a 1708). Na cultura já não há
mecenas individuais, mas o protecionismo do Estado.
O absolutismo na Inglaterra
Em 1553, Maria Tudor, a Sanguinária, filha de Henrique VIII e casada com Felipe II da Espanha, reata
os laços da Inglaterra com Roma, opondo-se ao anglicanismo instaurado pelo seu pai. É morta em 1558.
Sucede-a Elizabeth I (no poder de 1558-1603). Elizabeth I restaura a Igreja Anglicana nacional, enfrenta
graves conflitos político-religiosos e sustenta guerras navais, Dá apoio a piratas (Drake, em particular)
que atacavam os carregamentos de prata vindos do México para a Espanha dos Habsburgos.
Em 1588, a Invencível Armada Espanhola (130 navios com 30 mil homens) é destruída nas costas
inglesas. No campo comercial, a preponderância espanhola é, então, substituída pela hegemonia inglesa.
Os mercadores-manufatureiros organizam sociedades por ações e criam a Companhia Moscovita
(1554), a Companhia do Levante (1581) e a importante Companhia das Índias Ocidentais (1600). Em
1584 fundam a primeira colônia na América do Norte: Virgínia, nome dado em homenagem à Rainha
Virgem.
As atividades da Bolsa de Londres têm início em 1571.
De 1603 a 1648 passam a reinar os Stuart. Jaime I (1603-1625) e Carlos I (1625-1649) ampliam a
centralização absolutista ( por venda de títulos e cargos, impostos pesados), mas sofrem resistência do
Parlamento, que é dissolvido várias vexes. De 1642 a 1648, tem lugar uma guerra civil entre a Coroa e o
Parlamento. Cria-se um novo exército parlamentar, organizado pelo puritano independente Oliver
Cromwell (1599-1658).
Em 1649, Carlos I é executado, abolindo-se a monarquia.
No período republicano (1649-1660), ocorreu a ditadura pessoal de Cromwell, que dissolveu o
Parlamento.
Com a restauração dos Stuarts, abre-se então um novo período. Após vários conflitos, fixam-se não só
os direitos individuais (da burguesia, sobretudo), como o habeas-corpus (1679) mas também se define o
agrupamento dos parlamentares em dois partidos distintos: whigs ( liberais) e tories (conservadores).
Unidos ante o perigo de centralização sob o rei católico Jaime II (1685-1688), os whigs e os tories
oferecem a coroa a Guilherme III d e Orange (Holanda), defendendo "a religião protestante e o
Parlamento livre". É a Revolução Gloriosa (1688).
A burguesia comercial consegue impor sua autoridade, através do Parlamento, a religião protestante e
os direitos do cidadão (burguês). Assim, na Inglaterra, o poder central sofreu embates e limitações
provenientes de um regime constitucional e liberal que marginalizava a coroa; ao contrário, portanto, do
que ocorria na França.
O Despotismo Esclarecido
Estimulados pelos filósofos, numerosos príncipes procuram pôr em prática as novas idéias, governando
de acordo com a razão e segundo os interesses do povo, mas sem abandonar o poder absoluto. Essa
aliança de princípios filosóficos e poder monárquico deu origem a um regime de governo típico do século
XVIII, o despotismo esclarecido.
Seus representantes mais destacados foram Frederico II, rei da Prússia; Catarina II, tzarina da Rússia;
José II, imperador da Áustria; Pombal, ministro de Portugal; e Aranda, ministro da Espanha.
Na Prússia, Frederico II, discípulo de Voltaire e indiferente à religião, deu ao povo liberdade de culto.
Estimulou o ensino básico, tornando a instrução primária obrigatória para todos. Apesar de nessa época os
jesuítas estarem sendo expulsos de quase todos os países da Europa (por causa das suas ligações com o
Papado), Frederico II atraiu-os para a Prússia, visando aproveitar suas qualidades de educadores. A
tortura foi abolida e um novo código de justiça foi organizado. O rei exigia obediência total às suas
ordens, mas dava plena liberdade de expressão. Procurou estimular a economia prussiana, adotando
medidas protecionistas, embora isso fosse contrário às idéias iluministas. Preservou a ordem social
existente - a Prússia permaneceu um Estado feudal, com servos sujeitos à classe dominante (dos
proprietários).
O Estado no qual se fez mais propaganda das idéias novas e onde elas foram menos executadas foi a
Rússia. Catarina II atraiu os filósofos franceses à sua corte e manteve com eles correspondência regular;
esses filósofos, porém, lhe serviam apenas de instrumento, pois ela muito prometeu e quase nada realizou
de prático. A imperatriz deu ao povo liberdade religiosa e preocupou-se em desenvolver a educação das
altas classes sociais, que foram polidas e "afrancesadas" nos seus usos e costumes. A situação dos servos
foi agravada: não só a servidão foi mantida, como os direitos dos proprietários sobre os servos da terra
foram aumentados chegando inclusive ao direito de condenação à morte.
José segundo da Áustria foi exemplo típico do déspota esclarecido. Fez numerosas reformas ditadas
pela razão: aboliu a servidão, deu igualdades a todos perante a lei e os impostos, uniformizou a
administração do Império, deu liberdade de culto e direito de emprego aos não-católicos. Foi um único
que aplicou realmente as idéias propostas pelos filósofos iluministas.
Na Espanha, o Ministro Aranda pôs em execução uma série de reformas: o comércio foi liberado
internamente, a indústria de luxo e de tecidos de algodão foi estimulada e a administração foi dinamizada
com a criação dos intendentes, que fortaleceram o poder do Rei Carlos III.
Em Portugal o Marquês de Pombal, ministro de Dom José primeiro fez importantes reformas. Durante
seu governo, a indústria cresceu, o comércio passou a ser controlado por companhias que detinham o
monopólio comercial nas regiões coloniais, a agricultura foi estimulada e a nobreza e o clero foram
perseguidos a fim de fortalecer o poder real.
Teocracia
Democracia e Aristocracia
Democracia é uma forma de governo onde o povo escolhe seus representantes, esses agem de acordo
com os interesses da população. Porém , mesmo tendo o poder de usar da decisão, mecanismo político,
para escolher as ações públicas que deseja que o governo empreenda, o povo não sabe "de onde veio, nem
para que serve a democracia". Junto aos seus governantes, desconhece o poder que tem nas mãos, e com
isso, deixa ser governado conforme interesses de alguns. A população não sabe que a democracia é uma
forma de governo "do povo para o povo". Ou seja, o poder emana da população, para atuar de forma justa
de acordo com os interesses desta.
Existe uma bifurcação histórica onde define a democracia como:
Democracia Antiga;
Democracia Moderna.
O primeiro momento da democracia, democracia na antigüidade, na historia foi em Atenas, onde o
governo do povo era regido por uma assembléia da qual apenas os cidadãos atenienses faziam parte, ou
seja, apenas os homens livres nascidos em Atenas, ficando de fora os escravos, os estrangeiros e a
mulheres. Caracterizando-se assim uma "falsa Democracia".
A Democracia Moderna, por sua vez, divide-se também em duas:
Parlamentarismo;
Presidencialismo.
O Presidencialismo é uma forma de poder governamental baseada num Presidente (pessoa física eleita
em votação direta ou indireta), e o Parlamentarismo é também uma forma de poder governamental
baseada num Parlamento (representantes direto do povo, onde segmentos da sociedade são representados
de forma unilateral).
Como exemplo de presidencialismo e Parlamentarismo temos o Brasil que participou, no seu processo
histórico, dessas duas estruturas governamentais. Quando por exemplo, Jânio Quadros renunciou ao
poder, foi instalado o Parlamentarismo, tendo figuras representativas como integrantes dessa estrutura,
temos Tancredo Neves e Ulises Guimarães como representantes cruciais do regime parlamentar.
Retornando o Presidencialismo com a posse de Jango.
Como outra forma de governo, temos a Aristocracia, que é governo de um pequeno número. A classe
social que detém o poder político por título de nobreza ou de riqueza. Na classificação de Aristóteles, que
associava ao critério qualitativo o critério quantitativo, o termo seria aplicado unicamente aos governos
constituídos de um pequeno numero de cidadãos virtuosos. Era forma ideal de governo, preferida pelos
filósofos políticos da antigüidades. Distinguia-se da Democracia, pela quantidade. Historicamente,
porém , as formas da Aristocracia afastaram-se do padrão clássico, passando a identificar-se com a forma
Aristotélica da Oligarquia, em que um pequeno número de dirigentes privilegiados usufrui o poder em
beneficio próprio. Entretanto, como governo dos melhores e mais aptos, aristocracia não é, em si mesma,
incompatível com os idéias da democracia representativa. Na Democracia indireta, o Governo é sempre
exercido por uns poucos. A questão fundamental não reside, assim, na quantidade de dirigentes, mas na
sua representatividade, o que depende, essencialmente, do processo de sua escolha. Na sociedade onde
esse processo eficaz, a ascensão de uma elite não macula o caráter democrático das instituições.
Concluindo, com uma interpretação absolutamente democrática, poderíamos dizer que o poder reside
em cada indivíduo que compõe o corpo social, que participa de um Contrato para constituição de uma
sociedade política, estabelecendo seus fins, seus órgãos de direção, com suas atribuições, formas de
escolha e responsabilidades bem definidas. Acredito, hoje, que só a partir destes postulados se pode ter
uma discussão realista e concreta de questões constitucionais.
CONCLUSÃO
O presente trabalho tem por objetivo o embasamento preliminar na disciplina Ciência Política,
abordando o tema Formas de Governo. Foram utilizados livros científicos referentes à matéria, e
referências históricas, para dar um tom verídico ao pesquisado e consequentemente solidificar a teoria.
A pesquisa foi enriquecedora e gratificante para todos os membros e fez com que os mesmos pudessem
visualizar melhor as formas de governo existentes nas diversas sociedades e o fundamento objetivo da
sociedade em que vivemos, o Brasil.