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TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO EM MULHERES DE 35 A 55 ANOS PHYSICAL THERAPY TREATMENT FOR STRESS URINARY INCONTINENCE IN WOMEN FROM 35 TO 55 YEARS OLD
ALESSANDRA TEIXEIRA ¹, CLAUDIA ANTUNES GUIMARÃES ¹, SOLANGE DO ROCIO ANDRIOLI ZIMER ¹, ANA PAULA MASSUDA V. DE OLIVEIRA ²
Alunas do último período do Curso de Graduação de Fisioterapia do UnicenP. Professora de Fisioterapia Aplicada à Ginecologia e Obstetrícia do Curso de Fisioterapia do UnicenP e Orientadora do estudo.
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RESUMO Objetivo: O objetivo do estudo foi analisar o tratamento fisioterapêutico em mulheres com incontinência urinária de esforço, assim como avaliar e comparar o grau de força muscular perineal antes e após o tratamento fisioterapêutico. Método: Foi realizado um estudo longitudinal, em que oito mulheres com incontinência urinária de esforço foram submetidas ao tratamento fisioterapêutico. A média das idades foi de 42,12 anos (35 a 50 anos). Foram realizadas três sessões semanais com duração de cinqüenta minutos cada, totalizando quinze atendimentos, sendo o 1º e o 15º destinados à avaliação e reavaliação, respectivamente.Todas as mulheres foram avaliadas e reavaliadas por anamnese, incluindo teste de percepção visual, exame cinesiológico-funcional e avaliação da força muscular do assoalho pélvico pelo perineômetro (PERINA). Os recursos fisioterapêuticos utilizados durante as sessões foram: eletroestimulação, biofeedback, ginástica hipopressiva e cinesioterapia com cones vaginais. Resultados: Todas as oito mulheres consideraram-se satisfeitas com o resultado do tratamento, havendo cura da incontinência urinária de esforço em sete (índice zero de perda urinária) e melhora em uma (índice de perda pós-tratamento de um episódio apenas em relação ao número de perdas pré-tratamento). Houve um aumento significativo na força de contração do assoalho pélvico pelo perineômetro (p < 0,012). Conclusão: O tratamento fisioterapêutico pode ser uma alternativa eficaz e segura às mulheres com incontinência urinária de esforço, com diminuição significativa dos episódios de perda urinária. Palavras-chave: Incontinência urinária de esforço; perineômetro; fisioterapia; mulheres; períneo. 1 INTRODUÇÃO A incontinência urinária de esforço (IUE) é conceituada como toda perda involuntária de urina, através do canal uretral íntegro, quando a pressão vesical excede a pressão uretral máxima, na ausência da atividade do detrusor.(1) Tem causa multifatorial, sendo elemento gerador de exclusão social, interferindo na saúde física e mental da paciente e comprometendo sua qualidade de vida.(2) Na mulher, a incontinência urinária é muito freqüente e não necessariamente patológica, em que uma em cada quatro mulheres na faixa de 30 a 54 anos experimentam pelo menos um episódio de perda de urina ao longo da vida. A IUE se sobressai em relação aos outros tipos com prevalência de 15 a 52%.(3) Nas décadas de 40 e 50, os fisioterapeutas estiveram empenhados no tratamento da incontinência urinária, utilizando eletroes-

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RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.12-16, abril/jun. 2005

freqüência de 50 Hz. Todas as mulheres ingressaram no estudo após assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido. sensibilidade e anatomia da genitália feminina. 2 METODOLOGIA O tipo de estudo realizado foi longitudinal e a amostra foi constituída de 08 mulheres brancas com idade entre 35 e 55 anos. pois. assim como introduziu dois dedos no óstio vaginal a fim de verificar a integridade muscular. A pontuação do teste varia de 0 a 10. Durante as décadas de 60 e 70. os médicos se voltaram cada vez mais para a cirurgia e terapia de drogas como tratamento de escolha para a incontinência de esforço. contendo perguntas sobre seus hábitos de vida. A intensidade do estí- RUBS. Foram realizadas 3 sessões semanais com duração de 50 minutos totalizando 15 atendimentos. apresentando bons resultados com baixo índice de efeitos colaterais. A partir da década de 80.1. Do segundo ao décimo quarto atendimento foi realizado o tratamento seguindo o protocolo descrito abaixo: .(5) Os principais objetivos do tratamento fisioterapêutico são a reeducação dos músculos do assoalho pélvico e seu fortalecimento. n. o qual visa ao fortalecimento perineal. A segunda etapa foi realizada com o aparelho PERINA que possui uma sonda vaginal. com incontinência fecal associada. nos últimos anos. sendo que a graduação da contração na escala numérica do aparelho varia de 0 a 46. a qual foi introduzida na vagina com a finalidade de mensurar em mmHg a força da musculatura do assoalho pélvico. sendo que 10 significa péssimo e 0 excelente. apesar de novas modalidades propedêuticas e distintas técnicas cirúrgicas..on de 6 segundos e T. p. Os critérios de exclusão do estudo foram pré ou pós-operatório de cirurgias de incontinência urinária ou pélvicas (6 meses). sendo que. Durante esse procedimento o examinador vestiu luvas descartáveis. em geral tratando as pacientes em grupos. o tratamento fisioterapêutico da IUE vem ganhando maior projeção. para isso a fisioterapia dispõe de recursos. além de custo reduzido.4 mmHg. cinesioterapia com cones vaginais.off de 12 segundos. para avaliar a musculatura. no período de maio a setembro de 2005. no qual as pacientes pontuavam o impacto que a IUE causava nas suas vidas. abril/jun. mulheres com doenças infectocontagiosas. dados obstétricos. no qual as mesmas estavam em posição ginecológica.Eletroestimulação com o aparelho DUALPEX 961 URO durante 10 minutos: As pacientes em posição ginecológica receberam estímulos elétricos na musculatura perineal através da sonda do aparelho dualpex que foi introduzido no óstio vaginal. os índices de insucesso alcançam entre 15% e 20% nos cinco anos subseqüentes à cirurgia.. trabalhando tanto as fibras rápidas como as lentas. prolapso de bexiga. independentemente do tipo de procedimento e/ou da habilidade do cirurgião. 51 . No primeiro atendimento as pacientes responderam a uma ficha de avaliação. tais como: eletroestimulação. a abordagem da IUE apresenta dificuldades relativas à conduta terapêutica.timulação e exercícios do assoalho pélvico. v.12-16. com queixa clínica de IUE. útero ou reto de 3º grau. T. Por esta razão. mulheres virgens. descrito no manual do aparelho. 2005 artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . na primeira. doenças associadas. foi dada cada vez mais atenção à morbidez ligada com a cirurgia e assim mais uma vez alguns urologistas e ginecologistas mostraram interesse por terapias conservadoras. Foi utilizado o programa 07.(4) Ainda hoje.3. As pacientes também foram submetidas ao exame cinésio-funcional. na clínica de Fisioterapia do UnicenP. o mesmo segue os seguintes parâmetros: pulso de 500 microssegundos. Esse exame foi dividido em duas etapas. Curitiba. o examinador realizou a observação da parte anatômica externa da genitália. uso de medicamentos e hábitos urinários assim como o teste de percepção visual – HANDICAP. ginástica hipopressiva e biofeedback.

e a barriga fica contraída.mesma posição puxa o ar.em seguida solta-se o ar pela boca ¨encolhendo¨ a barriga. Dessa forma as pacientes retomavam a consciência do movimento correto de contração do períneo. c) De Joelhos: . deve-se puxar o ar pelo nariz. ombros baixos. solta pela boca e após bloquear a respiração. geralmente o tempo que se consegue manter o ar bloqueado é de 10 a 15 segundos. bloqueia-se o ar. Os exercícios serão realizados em frente ao espelho e consistem em movimentos combinados de contração abdominal e respiração. as costelas vão se abrir. subindo os degraus.. sendo solicitadas a contraírem a musculatura perineal acompanhando no visor do aparelho o sinal luminoso que lhes dava o retorno visual da sua contração. Durante os outros cinco minutos restantes as pacientes realizavam trabalhos de contração rápida.uma perna posicionada à frente e a outra atrás. .joelhos levemente flexionados. então as pacientes são orientadas a manter o cone utilizando a musculatura perineal enquanto o profissional tenta puxá-lo para fora. olhando para frente. com as palmas das mãos voltadas para fora. sustentando a contração por 6 segundos e relaxando por 6 segundos (trabalho de fortalecimento para fibras tipo I). ou seja. b) Em Pé: . .1. com as palmas das mãos voltadas para fora.mãos na cintura. como se estivesse empurrando a parede com as duas mãos (palma das mãos voltadas para fora). solta. enchendo a barriga de ar (inspiração). a) Respiração: . . Durante dez minutos as pacientes realizavam trabalhos de contração lenta. as pacientes passaram a realizar os exercícios descritos acima. puxa-se o ar pelo nariz. solta pela boca. pescoço reto. puxa o ar pelo nariz. mãos na cintura. A partir da quinta sessão. bloqueia e eleva as mãos para frente.12-16.mulo foi a tolerada pelas pacientes de acordo com a sua sensibilidade. bloqueia a respiração e elevam-se os dois braços para frente na altura do ombro.Ginástica Hipopressiva durante 15 minutos: As pacientes realizaram uma série de exercícios seguindo a orientação do profissional. . puxa o ar pelo nariz. RUBS.deve-se puxar o ar pelo nariz. . o qual estará ao seu lado demonstrando os exercícios. alonga-se a perna que está atrás e dobra-se o joelho da perna que está na frente. na posição ortostática ao lado da maca. mantendo de 10 a 15 segundos. pescoço reto. abril/jun.mesma posição. artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . o profissional introduzirá o cone no óstio vaginal (com o uso de condon). realizando contrações curtas de 3 segundos e relaxando por 6 segundos (trabalho de fortalecimento para fibras tipo II). n. . tossindo e correndo no lugar. ombros baixos. solta pela boca e bloqueia.deve-se manter o ar bloqueado o maior tempo possível. mas podem ocorrer variações de pessoa para pessoa. 2005 . soltar pela boca e bloquear a respiração.e no final da expiração.Fortalecimento e Reeducação Perineal utilizando cone vaginal durante 10 minutos: Com as pacientes na posição ginecológica. contraindo o abdômen (expiração). . 52 .Reeducação Perineal utilizando o aparelho PERINA durante 15 minutos: As pacientes iniciaram o treino na posição ginecológica. Curitiba.3. p. v. .mesma posição.. . após o bloqueio da respiração elevam-se os dois braços para cima ao teto.

sentada. .12 anos e desvio padrão de 5. e permanece na posição. elevam-se as duas mãos para cima. elevam-se as mãos para cima. g) Cócoras: . No décimo quinto atendimento foi realizada a reavaliação.12-16.(7) . solta. após o bloqueio.logo após. e alonga-se em bloqueio de ar. A mão que está ao lado do corpo empurra o joelho oposto. solta pela boca.mesma posição. a outra ao lado do corpo. após o bloqueio. sendo que a idade mínima era de 35 e a máxima de 50 anos. variando de 1 a 17 anos.1. com grande variabilidade. mãos encostadas no chão.. O gráfico abaixo ilustra os episódios de perdas semanais relatadas pelas pacientes pré e pós-tratamento. abril/jun.. 53 metida ao mesmo exame cinésio-funcional e ao teste de percepção visual-HANDICAP. permanecendo na mesma posição. d) Sentada: . n. .sentada. elevam-se as mãos para frente. e) Deitada: . A avaliação subjetiva dos resultados demonstrou que as oito mulheres consideraramse satisfeitas com o tratamento fisioterapêutico e que o recomendariam para outras mulheres. RUBS. .3.(6) E os cálculos foram realizados por meio do software statística. após o bloqueio de ar. bloqueia o ar e flexiona os cotovelos. duas tiveram parto cesariana. Entre as participantes. puxa o ar pelo nariz. após o bloqueio do ar.na mesma posição. solta pela boca e bloqueia.. bloqueia o ar e eleva os braços acima da cabeça. foi utilizado o teste estatístico de Wilcoxon para dados pareados. p. com a palma das mãos voltada para fora. com os braços à frente.mesma posição. mãos na cintura.63. novamente na posição de índio.deitada com as pernas para cima. puxa o ar.nesta posição. não paramétrico. 2005 artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . acima da cabeça. Curitiba. coluna reta. puxa o ar pelo nariz. mãos entrelaçadas acima da cabeça. e bloqueia. quatro tiveram parto normal e duas tiveram parto normal e parto cesariana. Gráfico 1 . joelhos semiflexionados. solta pela boca. Constatou-se que o tempo de perda de urina das participantes antes de procurar tratamento era em média de 7 anos.30 anos. . alongando-se posteriormente. assim como foi sub- 3 RESULTADOS O estudo foi realizado com oito mulheres com idade média de 42. .Índice de perdas pré e pós-tratamento. leva-se o corpo para frente. tendo um desvio-padrão de 4. f) Posição de Gatas . solta pela boca. Observou-se que os episódios de perdas urinárias relatadas pelas pacientes após o tratamento demonstraram que houve cura em sete mulheres (índice zero de perdas) e melhora em uma mulher (índice de perdas pós-tratamento de um episódio apenas em relação ao número de perdas pré-tratamento). contraindo o abdômen. Para a significância dos resultados. bloqueia e levanta os braços e a cabeça. quando a paciente respondeu novamente à ficha de avaliação aplicada na primeira sessão.na posição de cócoras. senta-se sobre seus calcanhares. puxa o ar pelo nariz. Ver Gráfico 1. puxa o ar pelo nariz.uma mão para trás. v.

4 DISCUSSÃO A IUE determina problemas econômicos. abril/jun.. físicos. v. o seu sucesso depende da motivação e do empenho tanto da paciente quanto dos profissionais envolvidos.3. n. O tratamento fisioterapêutico proporciona à mulher uma abordagem minimamente invasiva. causando grande impacto na vida diária da mulher. Entretanto.012) tanto nas fibras lentas.22 pontos.25 pontos em média. comparando-se antes e após o tratamento pode-se observar que houve ganho significativo (p<0.Uso de absorventes antes e após o tratamento TABELA 2 – Valores de p para o teste de wilcoxon entre os valores antes e depois do tratamento para os diferentes tipos de fibras. 2005 .Perineômetro fibras lentas antes e depois.Pontuação do teste de HANDICAP. Na avaliação de ganho de força muscular de fibras lentas e rápidas através do perineômetro (PERINA). notas mais altas foram encontradas na avaliação inicial em contras- Gráfico 2 .05) Gráfico 3 . com desvio padrão de 2. O grande impacto que a IUE causa na vida diária da mulher foi confirmado pelas notas atribuídas a este parâmetro através do teste de HANDICAP.12-16. Gráfico 4 – Perineômetro fibras rápidas antes e depois. não onerosa. RUBS.. p. foi constatado que houve uma melhora de 6. sendo que a pontuação máxima é 10 (péssimo) e a mínima é 0 (excelente) ver Gráfico 2. ver Gráfico 4 e TABELA 2. alterando de forma importante a sua saúde. Em relação ao uso de absorventes antes e após o tratamento.artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária .1. TABELA 1 . sociais e psicológicos. 54 Na avaliação do impacto que a incontinência urinária de esforço causava na vida diária das mulheres. através da escala de percepção visual – teste HANDICAP. * diferença significativa (p<0. Curitiba. quanto nas fibras rápidas. ver Gráfico 3 e TABELA 2. constatou-se que após o tratamento sete mulheres não fazem mais uso e uma faz uso ocasional. ver TABELA 1. realizadas antes e após o tratamento. podendo aliviá-la do grande desconforto provocado pelo sintoma.

Entretanto.(14) O presente estudo aplicou um amplo protocolo de tratamento (eletroestimulação. permanece acentuada a discrepância com relação à padronização do tempo de tratamento. apesar de a combinação destas técnicas não ter permitido a mensuração estanque do sucesso de cada RUBS. cinesioterapia com cones vaginais. até que as fibras musculares recuperem seu trofismo o suficiente para restabelecer a continência. O tratamento utilizando cones vaginais teve boa aceitação pelas mulheres por este representar um recurso acessível.(5) Segundo a literatura. adutor da coxa e glúteo máximo). Curitiba. Por conseguinte.(8) Neste estudo.1. estimulando e fortalecendo as paredes da vagina e a musculatura perineal. 2005 artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária .(13) A eletroestimulação atua na IUE estimulando involuntariamente a musculatura perineal. prospectiva que comparou os cones.te com as notas mais baixas atribuídas após a intervenção fisioterapêutica. 9 a 17 anos.(13) A técnica da ginástica hipopressiva atua tanto na prevenção quanto na cura. nesse estudo também comparou-se a eletroestimulação e os cones vaginais e não foi encontrada diferença entre eles. ela precisa realizar a contração específica dos músculos do assoalho pélvico. atingiu em alguns casos. rir e correr. aumentando o tônus de base do períneo. não encontraram melhora nas pacientes com IUE. observou-se que o tempo decorrido. a instrução verbal e um grupo de controle. randomizada. pesquisadores concluíram que não havia diferenças significativas entre a eficácia do tratamento com os cones vaginais e o treinamento semanal do assoalho pélvico. podendo ser usado em casa para manutenção dos resultados do tratamento..(10) Contrariamente.(5) A falta de conhecimento do grupo estudado sobre a existência e atuação da fisioterapia nesta área também colaborou para o retardo na procura de tratamento. p.(10) Os cones vaginais permitem uma atividade contrátil muscular mais específica e eficaz. tornando-se evidente que as mulheres. abril/jun. todas as mulheres faziam uso de absorventes antes do tratamento fisioterapêutico e após o tratamento apenas uma delas continuou a utilizar absorventes ocasionalmente.(12) Pesquisas mais antigas têm relatado uma taxa de sucesso clínico de 60% a 70% com o uso de cones vaginais. dos parâmetros definidos para a eletroestimulação e dos métodos utilizados na análise dos resultados. estudos randomizados. a eletroestimulação oferece de 56% a 70% de resultados favoráveis na IUE. mas os dois grupos citados têm uma diferença importante em relação ao grupo de controle não tratado. ajudando a posicionar os órgãos do baixo ventre e favorecendo a correção postural. o que produz um retorno sensorial induzindo a contração involuntária dos músculos ao redor do cone. muitas vezes. 55 . Do universo estudado.3.. ginástica hipopressiva e biofeedback). O estudo de Leon também encontrou notas mais altas pela escala analógica de percepção visual na avaliação inicial e notas mais baixas após o tratamento fisioterapêutico. de fácil utilização. reduzindo a contração simultânea dos músculos acessórios (reto abdominal. além de poder ser usado para realizar exercícios dinâmicos durante variações de pressão abdominal como tossir. inclui a alteração na distribuição de pressões. os resultados encontrados com a eletroestimulação são diversificados e conflitantes. A tendência do cone em sair da vagina resulta em sensação de perda do dispositivo.12-16. relutam em admitir esse problema e procuram tratamento tardiamente. pois. n. v. desde o surgimento do sintoma até a procura do tratamento. não encontrou nenhuma diferença significativa entre os cones e a instrução verbal.(3) Mesmo com o avanço nos métodos propedêuticos e o surgimento de estudos clínicos controlados.(9) Assim como um estudo realizado com população controlada. para que a paciente possa mantê-lo na vagina. andar.(11) Um estudo realizado sobre a reabilitação da musculatura perineal através de cones vaginais demonstrou uma melhora significativa na força perineal em comparação ao grupo controle. duplos-cegos.

haja vista que todas as mulheres estudadas obtiveram cura ou melhora em quinze sessões.(10) Resultados semelhantes ao deste estudo foram obtidos por outros autores. 2005 .(15. 10(2):103111. n. Castro RA. a longo prazo. do diminuição significativa dos episódios de perda urinária e dos desconfortos causados na vida diária da mulher. ganhando aceitação por parte das pacientes e dos profissionais da área da saúde representando uma alternativa eficaz e segura às mulheres com incontinência urinária de esforço. consoante o estado hormonal. contribuindo para uma aquisição rápida.13(2):9-13. proporcionando às pacientes consciência da musculatura do assoalho pélvico. Yasuda EK. Pesquisas futuras que possam avaliar os efeitos terapêuticos.24(6):22-32. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 2002 Jul. Revista da Associação Médica Brasileira 2003.24(7):25-34. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 2002 Ago. deverão ser consideradas. et al. Eletroestimulação transvaginal do assoalho pélvico no tratamento da incontinância urinária de esforço: avaliações clínica e ultra-sonográfica.12-16. Girão MJB. v. Baracat EC. uma vez que não é possível mensurar por quanto tempo os resultados serão mantidos.(18) artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . 4 Borges FD.. 2 Feldner JPC. 49(4):31-40. REFERÊNCIAS 1 Moreira SFS. Sartori MGF. 5 Herrmann V. pode ter contribuído para a cura ou melhora do grupo estudado. 3 Moreira ECH.(10) O biofeedback representa um método de reeducação que utiliza uma retroinformação externa como meio de aprendizagem.1. Mobilidade do colo vesical e avaliação funcional do assoalho pélvico em mulheres continentes e com incontinência urinária de esforço.. Frare JC. Os resultados deste estudo indicam que as técnicas fisioterapêuticas para reabilitação perineal são eficazes e deveriam ser oferecidas rotineiramente como opção de primeira linha para o tratamento da IUE. Girão JBC. considerando que aproximadamente 30% das mulheres com incontinência urinária não conseguem realizar as contrações dos músculos do assoalho da pelve. 5 CONCLUSÃO O tratamento fisioterapêutico vem sendo cada vez mais difundido.(17) Os resultados positivos obtidos neste estudo devem ser interpretados criteriosamente. Moreira ECH. Isso corrobora com os relatos de Grosse em que a combinação das técnicas representa um ganho em eficácia e um ganho de tempo em relação à utilização de uma única técnica. precisa e segura da participação da paciente em sua reeducação. Bezerra LRPS. p. proporcionan- RUBS.56 recurso.012) de força muscular tanto das fibras lentas quanto das rápidas. em um curto prazo de tempo.3. Sartori MGF. Zanettini CL. Curitiba. Marques A. Lima R. Fisioterapia na incontinência urinária. Kimura FR. Palma PCR. Correlação entre a pressão de perda à manobra de valsalva e a pressão máxima de fechamento uretral com a história clínica em mulheres com incontinência urinária de esforço. Revista Fisioterapia em Movimento 1998 Mar. Potrick BA. Júnior NRN. Revista Fisioterapia em Movimento 2001 Mar.16) O atual estudo constatou através do perineômetro que houve ganho significativo (p<0. abril/jun. Baracat EC. Tratamento cirúrgico e conservador da incontinência urinária de esforço. os quais também utilizaram a combinação das técnicas e constataram 70% a 80% de cura ou melhora em dez a vinte sessões. pois a tonicidade dos músculos dependerá da sua constante atividade. Outros estudos também constataram um aumento significativo na força de contração do assoalho pélvico pelo perineômetro.

n. Disponível em: URL: http://www. Methods: A longitudinal study was performed where eight women with stress urinary incontinence were submitted to physiotherapy treatment. The physiotherapy resources used during the sessions were: perineal electrical stimulation. com. bioestatística e medicina preventiva. Fisioterapia aplicada à ginecologia e obstetrícia. International Journal of Fertility Womens Medicine 2004 Mar. 13 Davila GW.2(2): 107-15. biofeedback.sogesp. as well as. 2005. Connor LJO. Revista Fisio&Terapia 2004 Mar-Abril. Revista Fisioterapia Brasil 2001 Abr. ABSTRACT Background: The purpose of this study was to analyze the physiotherapy treatment benefits in women with stress urinary incontinence. kinesis functional exam and perineal muscular strength evaluation through biofeedback (PERINA). 12 years old (range 35 to 50).br/entrevista. Disponível em: URL: http:// www. v. where the first and the fifteenth were intended for evaluation and reevaluation.abafi. Matos FM.com. reaching fifteen sessions.br/protocolos/manuais/ anais_go/cap03_9. São Paulo: Manole. Campinas: Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas. b r / f i s i o w e b / atigos. The treatment consisted of three weekly sessions.asp 15 Packer J. 11 Ribeiro RM. p. Fuertes ME e grupo Recova. Guerette N. Eficacia terapéutica de los cones vaginales en la rehabilitación de la musculatura perineal. Disponível em: URL: h t t p : / / w w w. A eficácia de um programa cinesioterapêutico para mulheres idosas com incontinência urinária. Pacote estatístico. Chamorro MV. Statistica 6. 1999. respectively. Avaliação dos efeitos dos exercícios perineais com utilização do perineômetro em uma mulher portadora de 17 Rett MT. 2004.0. 2002. 2001. 8 Leon MIWH. Incontinência urinária de esforço em mulheres no menacme: tratamento com exercícios do assoalho pélvico associados ao biofeedback eletromiográfico [dissertação]. hypopressive gymnastic and kinesitherapy with weighted vaginal cones. São Paulo: Manole. 12 Casado JS. 18 Haddad JM.7 Statsoft INC. Sengler J. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. Reeducação perineal. Curitiba.3. 57 6 Jekel JF. 2004. 14 Incontinência urinária de esforço. Tratamento conservador da incontinência urinária de esforço (IUE) São Paulo 2005. getting cure of stress incontinence urinary in seven of eight subjects (zero frequency of urinary leakage) and improvement in one of them (frequen- RUBS. Um estu do do uso da cinesioterapia associado ao biofeedback de pressão em pacientes geriátricos institucionalizados com incontinência urinária. Epidemiologia. w g a t e . 10 Grosse D. Uroginecologia e cirurgia vaginal. incontinência urinária de esforço. All women were evaluated through history including the HANDICAP test.1. 2 ed. 49:102-12.. c19842001.asp . 36. .52(1):53-60.12-16. The mean age was 42.. Tulsa OK. Results: All eight pacients were satisfied with the treatment results. Urología Neurológica y Urodinámica 1999. Neiss JR. 9 Stephenson RG. abril/jun. c o m . 2005 artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . each 50 minutes long. Current treatment options for female urinary incontinence: a review.asp 16 Santana SG. evaluate and compare the level of perineal muscular strength before and after the physiotherapy treatment. São Paulo: Roca.

.12-16. abril/jun. 58 RUBS. women.1. cy of urinary leakage after treatment of one occurrence comparing with the number of the occurrences before treatment).012).3. biofeedback. n. Conclusion: The physiotherapy treatment is an effective and safe option of the treatment to women with stress urinary incontinence with significant reduction of the frequency of urinary leakage. physiotherapy.. p. pelvic floor.artigo original \ tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária . The contraction strength of pelvic floor raised significantly through biofeedback (p < 0. Key words: stress urinary incontinence. v. Curitiba. 2005 .

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