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ARANHAS ARANHAS
ARANHAS
ARANHAS

Adriana Belchior Lima Bazante

Aranhas

No mundo existem milhares de espécies de aranhas e quase todas possuem glândulas de veneno conectadas às presas nas grandes estruturas pareadas conhecidas como quelíceras.

Felizmente poucas aranhas possuem presas longas e fortes o suficiente para penetrar na pele humana.

• Aranhas No mundo existem milhares de espécies de aranhas e quase todas possuem glândulas de
 As queixas dos pacientes sobre “picadas de aranha” são muito mais comuns do que as

As queixas dos pacientes sobre “picadas de aranha” são muito mais comuns do que as que de fato ocorrem. Lesões cutâneas não explicadas, especialmente as que apresentam um componente necrótico, são em geral atribuídas às aranhas.

Os profissionais de saúde deverão considerar as causas alternativas na ausência de história clínica convincente, pois muitas dessas lesões ditas como “picadas de aranha” são na verdade infecções causadas por diversos fatores, inclusive pelo Staphylococcus aureus que é resistente à meticilina.

Latrodectus (Viúva-negra)

A espécie Latrodectus (viúva-negra) são ubíquas nos EUA continental, a fêmea pode ser responsável por sérios casos de envenenamento, porém com pequenos índices de mortes.

Essa espécie geralmente constrói suas teias em lugares escuros e próximos á habitações humanas (garagens, pilhas de madeira, banheiros externos e móveis de exterior).

Seu

corpo

tem

um

tamanho variável

entre 1 e 2 cm e caracteristicamente apresenta-se em negro brilhante com sinal em forma de ampulheta vermelho a vermelho-alaranjado no abdômen ventral.

• Latrodectus (Viúva-negra)  A espécie Latrodectus (viúva-negra) são ubíquas nos EUA continental, a fêmea pode
• Latrodectus (Viúva-negra)  A espécie Latrodectus (viúva-negra) são ubíquas nos EUA continental, a fêmea pode

Loxosceles reclusa (aranha marrom solitária)

A Loxosceles reclusa é encontrada apenas nas regiões central e setentrional dos EUA. Raros espécimes individuais foram encontrados em outras áreas, porém são clandestinos de navios que partiram das áreas endêmicas.

As espécies de Loxosceles possuem hábitos noturnos de caça e temperamento solitário, fazendo com que o contato com os seres humanos seja raro, porém, as picadas em geral são de natureza puramente defensiva.

A

aranha

em

questão

apresenta

de

1

a

3

cm

de

comprimento e coloração marrom-clara a marrom-escura

com marca característica cefalotórax.

em forma de violino no dorso do

Loxosceles reclusa (aranha marrom solitária)    A Loxosceles reclusa é encontrada apenas nas regiões
Loxosceles reclusa (aranha marrom solitária)    A Loxosceles reclusa é encontrada apenas nas regiões

Tarântulas

Tarântulas  As tarântulas raramente são responsáveis por envenenamentos significativos, porém podem ocasionar picada dolorosa devido

As tarântulas raramente são responsáveis por envenenamentos significativos, porém podem ocasionar picada dolorosa devido ao seu grande porte. As tarântulas também possuem pelos urticantes que se esfregados nos predadores causam irritação intensa na mucosa.

Indivíduos que têm a tarântula como animal de estimação desenvolvem oftalmia nodosa quando esses pelos ficam retidos em suas córneas, geralmente quando estão fazendo a assepsia das gaiolas.

Mecanismos de Toxicidade

• Mecanismos de Toxicidade  As aranhas utilizam suas presas ocas (quelíceras) para injetar seus venenos,

As aranhas utilizam suas presas ocas (quelíceras) para injetar seus venenos, os quais contém diversas toxinas proteicas e polipeptídicas, que parecem ter o papel de induzir uma rápida paralisia na vítima e auxiliar na digestão.

O veneno da aranha Latrodectus (viúva) contém alfa- latrotoxina, que induz a abertura de canais de cátions inespecíficos, levando a um aumento do influxo de cálcio e à liberação indiscriminada de acetilcolina (na placa terminal motora) e norepinefrina.

 O veneno da Loxosceles (aranha-marrom) contém uma variedade de enzimas digestivas esfingomielinase D, que é
 O veneno da Loxosceles (aranha-marrom) contém uma variedade de enzimas digestivas esfingomielinase D, que é

O

veneno

da Loxosceles

(aranha-marrom)

contém

uma

variedade de enzimas digestivas

esfingomielinase

 

D,

que

é

citotóxica

e

atrai

quimiotaticamente os leucócitos

para o local da picada e também

desempenha

um

papel

na

produção

de sintomas

sintéticos , como a hemólise.

• Dose Tóxica  Os venenos das aranhas são, em geral, toxinas extremamente potentes (muito mais

Dose Tóxica

Os venenos das aranhas são,

em

geral,

toxinas

extremamente potentes (muito mais potentes do que a maioria dos venenos de cobra), porém

a

dose

injetada

é

extremamente

pequena

O

tamanho da vítima poderá ser

uma variável importante.

Apresentação Clínica

As manifestações do envenenamento são muito distintas, dependendo das espécies.

As picadas de Latrodectus (viúva- negra) podem produzir sinais locais, oscilando entre eritemas brandos e lesão-alvo de poucos centímetros de tamanho com local de punção central, uma região interna esbranquiçada e um anel eritematoso externo.

• Apresentação Clínica As manifestações do envenenamento são muito distintas, dependendo das espécies.   As

A picada em geral é inicialmente dolorosa, mas poderá seguir sem que seja notada. Ela quase sempre se tornará dolorida em 30 a 120 minutos.

Em torno de 3 a 4 horas aparecem fisgadas doloridas e fasciculações extremidade envolvida.

musculares nas

Essas fisgadas progridem de forma centrípeta em direção ao tórax , às costas ou ao abdômen e podem produzir rigidez, fraqueza, dispneia, dor de cabeça e parestesia.

O envenenamento pela viúva-negra pode mimetizar um infarto do miocárdio ou um caso agudo de abdômen cirúrgico. Os sintomas podem aumentar e diminuir e costumam persistir por 12 a 72 horas. Sintomas comuns adicionais poderão incluir hipertensão, diaforese regional, agitação, náusea, vômito e taquicardia. Outros sintomas menos comuns incluem leucocitose, febre, delirium, arritmias e parestesia. Raramente , poderá ocorrer crise hipertensiva ou parada respiratória após envenenamento grave , principalmente em vítimas muito jovens ou muito velhas.

As

picadas

conhecidas

de

Loxosceles

são

mais

por

causarem

úlceras

cutâneas que se curam lentamente, uma síndrome geralmente chamada de “aracnidismo necrótico”

 As picadas conhecidas de Loxosceles são mais por causarem úlceras cutâneas que se curam lentamente,

O envenenamento normalmente produz sensação de queimação dolorosa no local da picada em 10 minutos; porém, poderá ser retardado

Durante as próximas 1 a 12 horas, forma-se uma lesão do tipo “olho-de-boi”, que consiste em um anel esbranquiçado envolvido por um anel de equimose.

A lesão inteira poderá se apresentar de 1 a 5 cm de diâmetro.

Nas próximas 24 a 72 horas, desenvolve-se úlcera necrótica indolente que poderá demorar várias semanas até curar. Entretanto, na maioria dos casos, a necrose é limitada, e a cura acontece rapidamente.

Alterações sistêmicas poderão ocorrer nas primeiras 24 a 48 horas e não se correlacionam necessariamente com a gravidade da úlcera.

As manifestações sistêmicas incluem febre, calafrios, mal-estar, náuseas e mialgias.

Em casos raros, podem ocorrer hemólise disseminada.

intravascular e coagulopatia intravascular

Outras aranhas

As picadas da maioria das outras espécies de aranhas apresentam mínimas consequências clínicas. As picadas de poucas espécies podem causar sintomas sistêmicos brandos e moderados (mialgias, artralgias, dor de cabeça, náuseas e vômito).

Assim,

como

ocorre

com

as picadas de

diversos artrópodes, poderá ser observada uma reação inflamatória local autolimitada, e qualquer porta aberta na pele poderá ser berço de uma infecção secundária.

Além

das

aranhas Loxosceles, algumas

outras espécies têm sido consideradas

responsáveis por úlceras necróticas

(Ex

:

• Outras aranhas  As picadas da maioria das outras espécies de aranhas apresentam mínimas consequências
• Outras aranhas  As picadas da maioria das outras espécies de aranhas apresentam mínimas consequências

Phidippus spp. E Tegenaria agrestis), mas

tais associações são questionáveis.

O diagnóstico

O diagnóstico normalmente se baseia na apresentação clínica característica. As marcas das picadas de todas as aranhas, com exceção das tarântulas, costumam ser muito pequenas para que sejam facilmente visualizadas, e a vítima poderá não sentir a picada ou não ter visto a aranha.

As aranhas (especialmente a aranha-marrom solitária) têm más reputações que excedem muito o perigo real que representam para os humanos, e os pacientes poderão atribuir uma ampla variedade de lesões cutâneas e outros problemas a picadas de aranha.

Muitos outros artrópodes e insetos também produzem pequenas feridas pontuais, dor, coceira, vermelhidão, edema e até úlceras necróticas, incluindo infecções bacterianas, virais e fungicas e distúrbios vasculares, dermatológicos e até mesmo artificiais.

Os artrópodes que efetuam seu repasto sanguíneo em mamíferos são muito mais propensos a picar humanos do que as aranhas.

Várias outras condições médicas podem causar úlceras cutâneas necróticas, incluindo infecções bacterianas, virais e fúngicas e distúrbios vasculares, dermatológicos e até mesmo artificiais. Portanto, qualquer diagnóstico prospectivo de “picada de aranha marrom-solitária” requer pesquisa cuidadosa. A menos que o paciente forneça história confiável como testemunho, leve o animal responsável para identificação (não apenas qualquer aranha encontrada em torno de casa) ou apresente manifestações sistêmicas que demonstrem claramente o envenenamento por aranha, as evidências serão, na melhor hipótese, circunstanciais.

 Várias outras condições médicas podem causar úlceras cutâneas necróticas, incluindo infecções bacterianas, virais e fúngicas

Níveis específicos: A detecção da toxina sérica é usada de maneira experimental, porém não está comercialmente disponível.

Outras análises laboratoriais úteis

  • I. Latrodectus : Eletrólitos, cálcio, glicose, creatina quinase (CK) e ECG (no caso de dor torácica).

II. Loxosceles : Hemograma, ureia e creatinina. Em caso de suspeita de hemólise, a avaliação da haptoglobina e o teste da urina para sangue oculto (positivo no caso de hemoglobina livre) são úteis; repetir diariamente por 1 a 2 dias.

Tratamento

Emergência e medidas de apoio:

- Geral : Limpar a ferida e aplicar compressas frias ou bolsas de gelo intermitentes. Tratar a infecção

caso

ocorra. Fornecer a

quando indicada.

profilaxia

para

o

tétano

Envenenamento por Latrodectus: Monitorar a vítima por pelo menos 6 a 8 horas. Como os sintomas geralmente aumentam e diminuem, poderá parecer que os pacientes estão se beneficiando de qualquer terapia oferecida.

Manter via aérea aberta e fornecer ventilação quando necessário, e tratar a hipertensão grave caso ocorra.

Internar

Envenenamento por Loxosceles

os

pacientes

com

sintomas sistêmicos e

monitorar o aparecimento de hemólise, insuficiência renal e outras complicações.

A estratégia comum para o tratamento da ferida em casos de aracnidismo necrótico é esperar e observar. A maioria dessas lesões irá se curar com mínima intervenção em algumas semanas. A adoção de medidas de tratamento- padrão da ferida é indicada, e as infecções secundárias deverão ser tratadas com antibióticos caso ocorram. O procedimento cirúrgico e o enxerto de pele poderão ser indicados nos casos de feridas grande e/ou que se curem muito lentamente; entretanto, a excisão cirúrgica profilática precoce do local da picada não é recomendada.

Fármacos específicos e antídotos

I. Latrodectus : A maioria dos pacientes irá se beneficiar dos analgésicos opiáceos, como a morfina, e em geral, são

internados

por

24

a

casos graves.

48

horas para controlar a dor nos

O espasmos muscular tem sido tratado com cálcio IV ou com relaxantes musculares, com o metocarbamol. Entretanto, essas terapias costuma ser ineficazes quando usadas isoladamente.

O antiveneno contra Latrodectus mactans é rapidamente eficiente porém não é usado com frequência porque a terapia sintomática é , em geral, adequada e também devido ao pequeno risco de anafilaxia. Ele é indicado para os pacientes seriamente doentes idosos ou pediátricos que não respondam à terapia convencional para hipertensão, espasmos musculares ou desconforto respiratório e no caso de vítimas grávidas coma emaça de parto prematuro.

O antiveneno contra Latrodectus é mais utilizado rotineiramente em outros países, incluindo Austrália e México. A percepção do risco de anafilaxia pode ser superestimada nos EUA . Um antiveneno mais recente de fragmento F(ab), que pode representar um risco ainda menor para a ocorrência de anafilaxia, encontra-se atualmente em investigação.

Loxosceles : O tratamento do aracnicismo necrótico têm sido de difícil avaliação devido à inerente dificuldade do diagnóstico preciso.

A dapsona

tem

se mostrado promissora na redução da

gravidade de úlceras necróticas em

registros de casos

específicos, porém animais controlados.

não

se

mostrou eficaz em

modelos

Os esteroides nãos são, em geral, recomendados. Nãos existe antiveneno comercialmente disponível nos EUA.

O uso de oxigênio hiperbárico tem

sido proposto para os

casos de úlceras necróticas significativas, porém os resultados de estudos em animais são confusos e não

existem dados suficientes para recomendar o seu uso.

Descontaminação

Essas medidas não são aplicáveis. Não foram provados benefícios a partir da excisão precoce, algumas vezes de caráter popular, das picadas de Loxosceles, com a finalidade de prevenir a formação de úlcera necrótica.

Eliminação aumentada : Esses procedimentos não são aplicáveis.

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Acidentes por aranhas

O Brasil possui três gêneros de aranhas de interesse médico e que podem causar

acidentes graves :

Phoneutria,

Loxosceles e Latrodectus.

• Acidentes por aranhas  O Brasil possui três gêneros de aranhas de interesse médico e
• Acidentes por aranhas  O Brasil possui três gêneros de aranhas de interesse médico e

ARANHAS QUE PRODUZEM ACIDENTES DE INTERESSE MÉDICO

ACIDENTES POR PHONEUTRIA (ARMADEIRA)

A Phoneutria mede 3-4 cm de coprpo, sem as pernas. É pouco peluda e conhecida como armadeira. É agressiva, ataca pulando sobre a vítima. Encontrada em gramados, bananeira, etc.

• ARANHAS QUE PRODUZEM ACIDENTES DE INTERESSE MÉDICO  ACIDENTES POR PHONEUTRIA (ARMADEIRA)  A Phoneutria

ACIDENTE POR

ACIDENTE POR

Phoneutria

Phoneutria

Clínica só local

Acidente

leve

Dor local

Edema local

discreto

Eritema local

Sintomáticos

Observar crianças

e

Idosos por 6 a 12

horas

Clínica local e sistêmica (Presença de 1 ou mais sintomas/sinais)

Acidente

moderado

Dor local

Edema local

discreto

Eritema

Sudorese

Vômitos ocasionais

Agitação,

taquicardia

Visão turva

Sialorréia

Hipertensão

Priapismo

Soro antiaracnídio

2-4 ampolas

Acidente

Sintomas do

grave

moderado ,

acrescidos de:

Vômitos intensos

Convulsões

Bradicardia

Hipertensão,

choque

Coma

Dispnéia

Arritmias,

insuficiência

cardíaca

Edema agudo de

Soro antiaracnídeo pulmão

5-10 ampolas

Nos menores de 14 anos e idosos, os acidentes são potencialmente mais graves.

Nos menores de 14 anos e idosos, os acidentes são potencialmente mais graves. Exames laboratoriais (Moderado

Exames laboratoriais

(Moderado e grave)

Hemograma

Glicemia

Gasometria

Eletrocardiograma

Tratamento

inespecífico

Nos menores de 14 anos e idosos, os acidentes são potencialmente mais graves. Exames laboratoriais (Moderado

Internar o paciente e nunca dar alta hospitalar antes de 24 horas de soroterapia Grantir um bom acesso venoso Verificar a pressão arterial Controlar o volume urinário Usar sintomáticos( antieméticos e outros, se necessário). Dor : Dipirona 10mg/kg, cada 6 horas e/ou ... Anestésico local a 2%, sem adrenalina: criança 1-2 ml; adulto: 3-4 am. Repetir até 3 vezes com intervalos de 90 minutos, e/ou ...

 Internar o paciente e nunca dar alta hospitalar antes de 24 horas de soroterapia 

Meperidina

(Dolantina)

:

Criança:

Adulto: 50-100 mg, IM.

1

mg/Kg/dose,

IM.

Antiemético, quando necessário.

Tratamento convencional : arritmias, ICC, edema agudo do pulmão, etc.

Manter um profissional de saúde ao lado do paciente, durante a administração da soroterapia, para detectar reações de hipersensibilidade (reação alérgica) e prestar o atendimento imediato, se necessário.

Pré-medicação realizada 20 minutos antes da soroterapia ( tentativa de minimizar os efeitos de hipersensibilidade). Prescrever:

Prometazina (Fenergan) Dose 0,5 mg/Kg, no máximo 25 mg, intramuscular;

Cimetidina (Tagamet) : dose 10 mg/Kg, máximo 300 mg (1 ampola), endovenoso; ou

Ranitidina (Antak):

Dose 3mg?Kg, máximo 100 mg( 1

ampola), endovenoso. Hidrocortisona (Solu-

Cortef)

:

máximo 1000 mg, endovenoso.

Dose

10 mg/Kg, no

Observação : A pré-medicação não é requisito

obrigatório para excluir a

profissional

de

saúde

durante

presença

do

a

soroterapia,

assim como para a administração do antiveneno.