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CAPS.

6 E 7 DE KOCH (2011)
REFERENCIAÇÃO E PROGRESSÃO REFERENCIAL

Linguística Textual (LLV7009) – Prof. Luiz Queriquelli


A “fabricação” da realidade
A “fabricação” da realidade
A “fabricação” da realidade

referência (Blikstein)
semainon (estoicos)
dicibile (Agostinho)
conceptus (escolásticos)
idée (lógicos)

símbolo (Blikstein) referente (Blikstein)


semainommenon (estoicos) pragma (estoicos)
verbum (Agostinho) res (Agostinho)
vox (escolásticos) res (escolásticos)
nom (lógicos) chose (lógicos)
A “fabricação” da realidade
A “fabricação” da realidade
Referenciação
Postulações sobre a referência (Apothelóz & Reichler-
Béguelin, 1995)

a. referência diz respeito às operações efetuadas


pelos sujeitos à medida que o discurso se
desenvolve;
b. o discurso constrói aquilo a que faz remissão ao
mesmo tempo em que é tributário dessa
construção;
c. eventuais modificações sofridas por um referente
não acarretam necessariamente recategorização
lexical, e vice versa;
d. o processamento do discurso é estratégico.
Progressão referencial

 ativação
 reativação

 deativação
Progressão referencial

 Referir, remeter e retomar:


 a retomada implica remissão e
referenciação;
 a remissão implica referenciação e não
necessariamente retomada;
 a referenciação não implica remissão
pontualizada nem retomada.a
Progressão referencial

 Referir, remeter e retomar:


Progressão referencial
Progressão referencial
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
Análise de exemplos
ANÁLISE DOS EXERCÍCIOS DE REFERENCIAÇÃO
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
I. a noção de referente como objeto de discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011, P. 79);
II. as estratégias de progressão referencial (referenciação, remissão e retomada) estudadas:

a. uso de pronomes ou elipses;


b. uso de expressões nominais definidas (envolvendo sintagmas constituídos de determinante, nome
e/ou modificador);
c. uso de expressões nominais indefinidas.

II.I Estratégias específicas:

• sintagma <nome + mod.> para retomadas (ex. “questões como esta”);


• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um homem sozinho ... um homem de camiseta branca);
• nominalizações:

• visando focalização (ex.: “o dado mais surpreendente da enquete”, sendo que a “enquete”
estava apenas presumida por remissão);
• paragrafação cognitiva (a cada novo núcleo referencial temos um novo ‘parágrafo’);
• nominalizações anafóricas e catafóricas;
• encapsulamento ou sumarização (ex.: anáforas complexas como “a operação”);
• retomada generalizante (ex.: “o escândalo”);
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula tributária”, “a vidraça petista”);
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.: “farol, pintura, pneus, vidros > fusca”);
• retomadas ou catáforas metadiscursivas (ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a reflexão, a
opinião etc.”);
• denominação reportada (ex.: “essa ‘ofensa’” - repudiada por FHC);
• qualificadores que fazem progressão temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
Zanuttar
I. a noção de referente como objeto de
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
Vinícius Rutes Henning
P. 79);
II. as estratégias de progressão referencial
(referenciação, remissão e retomada) Ninguém sabe qual o nome disto, mas alguns sortudos conhecem alguém
estudadas:
que o conjuga. Isso se chama zanuttar, o verbo daqueles que são
a. uso de pronomes ou elipses; indecisos por essência. Um nome assim, tão diferente, é necessário, pois é
b. uso de expressões nominais definidas
(envolvendo sintagmas constituídos de também uma forma de ser. É muitas coisas, na verdade: um pensamento,
determinante, nome e/ou modificador);
c. uso de expressões nominais indefinidas. um instinto, uma frase, uma resposta, uma decisão, um evento etc.
II.I Estratégias específicas:
Para os leigos que nunca viram um sujeito zanuttando, trago um exemplo
real para clarear o conceito:
• sintagma <nome + mod.> para retomadas
(ex. “questões como esta”); Um casal estava na padaria porque eles precisavam de pão para o
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
homem sozinho ... um homem de camiseta
jantar. O rapaz pede quatro pães enquanto a sua namorada olha os
branca); doces bonitos. Ele imediatamente soube que ela queria os doces, mas
• nominalizações:
também sabia que ela iria dizer que não queria, logo em seguida
• visando focalização (ex.: “o dado mais
surpreendente da enquete”, sendo que a entrando em dúvida, engolindo o “sim, amor, eu quero”, para então se
“enquete” estava apenas presumida por
remissão);
decidir em “não, não quero” e, é claro, no caixa falar “puts, eu queria
• paragrafação cognitiva (a cada novo algum doce”. Com a experiência e sabedoria de alguém que convive
núcleo referencial temos um novo
‘parágrafo’); com uma zanuttadora, o rapaz pede três doces de coco e quatro pães
• nominalizações anafóricas e catafóricas;
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
de queijo para o café da manhã, evitando essa sucessão de eventos. A

anáforas complexas como “a operação”);
retomada generalizante (ex.: “o
sua namorada o olha de uma forma mística, um tanto zanuttante, e em
escândalo”); casa janta muito bem.
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”); Ocorreram muitas zanuttações nesse exemplo, tanto nas previsões feitas
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”);
pelo rapaz, quanto no olhar da moça, mas também em cada uma das
• retomadas ou catáforas metadiscursivas frases que ela soltaria. Era tudo reflexo do modo Zanutto de ser. E,
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a
reflexão, a opinião etc.”); enquanto não houver o verbo “indecidir”, defenderei com unhas e dentes
• denominação reportada (ex.: “essa
‘ofensa’” - repudiada por FHC); o uso do zanuttar.
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
Exercício de referenciação
I. a noção de referente como objeto de
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
P. 79);
Laura Rocha Gouveia
II. as estratégias de progressão referencial
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas:
A novidade estava na boca do povo. Diziam as boas e
a.
b.
uso de pronomes ou elipses;
uso de expressões nominais definidas as más línguas que a invenção mudaria o mundo da
(envolvendo sintagmas constituídos de

c.
determinante, nome e/ou modificador);
uso de expressões nominais indefinidas.
noite para o dia. Os cientistas apresentavam os projetos
II.I Estratégias específicas:
da invenção com orgulho, arrancando aplausos e
• sintagma <nome + mod.> para retomadas
milhões ao redor do mundo. Esta seria a gota final, o

(ex. “questões como esta”);
descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um estopim de uma revolução de proporções jamais vistas
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca); antes na História. Eles conheciam os riscos, sabiam que
• nominalizações:

• visando focalização (ex.: “o dado mais


qualquer erro, um minúsculo que fosse, poderia destruir
surpreendente da enquete”, sendo que a
“enquete” estava apenas presumida por
tudo. Ainda assim, depositaram seus sonhos e suas

remissão);
paragrafação cognitiva (a cada novo esperanças no projeto.
núcleo referencial temos um novo
‘parágrafo’); Chegado o dia de finalmente tirar a invenção do papel,
• nominalizações anafóricas e catafóricas;
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
anáforas complexas como “a operação”);
os cientistas em seus jalecos brancos sorriram para a
• retomada
escândalo”);
generalizante (ex.: “o câmera a mando de um repórter. Depois, trancaram as
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”);
portas do laboratório para que pudessem fazer viver
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); sua criação em paz. Ali, sob as luzes brancas, surgiu
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a algo que dissipou qualquer barreira existente entre a
reflexão, a opinião etc.”);
• denominação reportada (ex.: “essa
‘ofensa’” - repudiada por FHC);
ciência e a religião.
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:

I. a noção de referente como objeto de


O terpe
II.
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
P. 79);
as estratégias de progressão referencial
Maria Helena Felicio Adriano
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas:

a.
b.
uso de pronomes ou elipses;
uso de expressões nominais definidas
A sala inteira parou ao ouvir o terpe. Assim
c.
(envolvendo sintagmas constituídos de
determinante, nome e/ou modificador);
uso de expressões nominais indefinidas.
que aquilo chegou aos seus ouvidos, os alunos
II.I Estratégias específicas: arregalaram os olhos na direção do professor,
• sintagma <nome + mod.> para retomadas
(ex. “questões como esta”);
buscando algum tipo de apoio. O terpe
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca);
arrepiante foi ouvido mais uma vez, agora o
• nominalizações:
barulho parecia mais alto e próximo. Todos
• visando focalização (ex.: “o dado mais
surpreendente da enquete”, sendo que a
“enquete” estava apenas presumida por
trancaram a respiração, apavorados. O

remissão);
paragrafação cognitiva (a cada novo
núcleo referencial temos um novo
professor apagou as luzes e esperou. Um

‘parágrafo’);
nominalizações anafóricas e catafóricas; longo silêncio se seguiu, e todos sentiam seus
• encapsulamento ou sumarização (ex.:


anáforas complexas como “a operação”);
retomada generalizante (ex.: “o
músculos relaxando. Havia sumido. Ao menos,

escândalo”);
retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”);
por enquanto. A aula seguiu sem nenhuma
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); certeza de quando seria interrompida
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a
reflexão, a opinião etc.”);
novamente.
• denominação reportada (ex.: “essa
‘ofensa’” - repudiada por FHC);
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
Acontece em Ñyuan
I. a noção de referente como objeto de Victor Rafael Gonçalves Bento
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
P. 79);
II. as estratégias de progressão referencial Ainda vou desmontar Ñyuan. Ai dela. De tarde, quando amanhece a noite,
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas: parece uma palavra de novo significado, eu vejo isso. Sua primeira letra se
levanta para o céu e quase o toca, não fosse o teto ondulado. A segunda, por
a. uso de pronomes ou elipses;
b. uso de expressões nominais definidas sua vez, parece despencar no chão, enquanto as outras se mantêm retilíneas, a
(envolvendo sintagmas constituídos de deslizar pela folha. Por ser quéchua, ainda não sabe falar, tem de gritar para
determinante, nome e/ou modificador);
c. uso de expressões nominais indefinidas. eu poder ouvi-la, então se comprime em si como se fosse um único fonema.
II.I Estratégias específicas:
Vi quando saiu à noite para passear toda desengonçada. Não cabia em si, a
coitada. As roupas que levava presas ao corpo careciam de atenção, seus
• sintagma <nome + mod.> para retomadas
(ex. “questões como esta”);
modos eram extravagantes, quase inadmissíveis. No entanto, Ñyuan corria
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um parecendo buscar alguma coisa em algum lugar, onde cada passo adiante seu
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca); era um recuo meu. Não raro, a pobre peruana ia cometendo estranhos delitos
• nominalizações: nos restaurantes, tornando-se um sujo assunto nas bocas dos europeus. De onde
• visando focalização (ex.: “o dado mais eu estava não enxergava bem, mas o que fazia era algo como as linhas de
surpreendente da enquete”, sendo que a Nazca, que ela sempre me dizia. Os europeus causavam escândalo ao tentarem
“enquete” estava apenas presumida por
remissão); enxotá-la de suas bocas, ela se agarrava como um quipu cheio de nós
• paragrafação cognitiva (a cada novo
núcleo referencial temos um novo
fortemente enlaçados, não parecia querer soltar e estendia a risadaria dos
‘parágrafo’); convidados. Eu também me espreitava no riso vendo toda essa oração!
• nominalizações anafóricas e catafóricas;
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
Por isso minha afirmação de que ainda vou desmontar Ñyuan: é um processo de
anáforas complexas como “a operação”); oração! Terei de lutar com ela, ver que no seu interior as letras retilíneas são
• retomada generalizante (ex.: “o
escândalo”); descartáveis mas preserváveis como o futuro, pois se ela falasse se chamaria
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula apenas Ñy, duramente para mostrar a estratificação de seu país e a lonjura que
tributária”, “a vidraça petista”);
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.: Deus está do homem (se vemos na vertical), e também para mostrar que embora
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); uma letra anteceda a outra, lado a lado, como fonema são inseparáveis, brigam
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a por espaço. Ah, essa estreita luz celestial que sai da palavra ferida, do corpo
reflexão, a opinião etc.”);
• denominação reportada (ex.: “essa
abatido de Ñyuan, parece querer cegar-me! Estou pronto para isso.
‘ofensa’” - repudiada por FHC);
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO: NIcolas
I. a noção de referente como objeto de Tudo começou quando nos mudamos para este lugar, meu pai havia
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
P. 79); nos falado que esta casa guardava um Plicklien e não havia motivo
II. as estratégias de progressão referencial
(referenciação, remissão e retomada)
melhor para comprar a casa. Eu nunca pensei que isto me causaria
estudadas: tanto terror. Por causa das caixas o Plicklien teve que ser retirado
a. uso de pronomes ou elipses; da garagem e posto no meu quarto, ele tinha quase a minha altura
b. uso de expressões nominais definidas
(envolvendo sintagmas constituídos de e sua coloração me enjoava, o líquido que sai do seu corpo era
determinante, nome e/ou modificador);
c. uso de expressões nominais indefinidas. quase como o esgoto (mas acredito que o esgoto seja mais bonito);
II.I Estratégias específicas: para o meu azar ele ficava ao pé da minha cama, incessantemente
• sintagma <nome + mod.> para retomadas me observando. Durante o dia o Plicklien não me incomoda tanto

(ex. “questões como esta”);
descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
pois passo o dia cumprindo minhas atividades curriculares, mas ao
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca);
cair da noite, durante o meu sono, é aí que meus pesadelos ganham
• nominalizações: forma.
• visando focalização (ex.: “o dado mais Ouço os gritos guturais que o Plicklien desesperadamente emana,
surpreendente da enquete”, sendo que a
“enquete” estava apenas presumida por apesar de não ser um ser vivo, eu o trato como tal, ele não se
remissão);
• paragrafação cognitiva (a cada novo move, não respira, mas grita com angústia, será que pensa? Ele é
núcleo referencial temos um novo
‘parágrafo’); um objeto, um ser, um terror, um nojo, um conforto, será que sente?


nominalizações anafóricas e catafóricas;
encapsulamento ou sumarização (ex.:
Na noite passada, mais que nunca, ele esperneou e me atormentou

anáforas complexas como “a operação”);
retomada generalizante (ex.: “o
até que eu comecei a gritar em resposta, comecei a encarar e
escândalo”); aquele líquido começou a escorrer me causando náusea; Nós dois
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”); só paramos quando meu pai entrou no quarto e me disse “Senhor,
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); por favor pare de gritar, você está atrapalhando os outros
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a pacientes aqui da clínica, te daremos mais um remédio para dormir

reflexão, a opinião etc.”);
denominação reportada (ex.: “essa
se necessário”. E com a deliciosa bala que meu pai me deu o

‘ofensa’” - repudiada por FHC);
qualificadores que fazem progressão
Plicklien se silenciou por aquela noite.
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO: Reliquiae
I. a noção de referente como objeto de
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
Carolina Severo Figueiredo
II.
P. 79);
as estratégias de progressão referencial
Só de pensar nelas me dava arrepios. Um passo a mais, em
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas:
direção ao porão, e eu já sentia o cheiro, pungente, quase
a. uso de pronomes ou elipses;
tátil. Desde criança minha mãe guardava a coleção
b. uso de expressões nominais definidas
(envolvendo sintagmas constituídos de
centenária de príscolas da família, passadas de geração a
c.
determinante, nome e/ou modificador);
uso de expressões nominais indefinidas.
geração e renegadas por mim, aos 7 anos, horrorizada com
II.I Estratégias específicas: aquele cheiro odiento. Não bastasse me oferecer a
• sintagma <nome + mod.> para retomadas tradicional caixa cheia, minha família as comia, fazia delas

(ex. “questões como esta”);
descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um suco, e a casa em alguns pontos específicos fedia a príscola
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca); fervida. Mas as centenárias, guardadas no baú de madeira
• nominalizações:
grossa e escura, ainda resguardadas pela caixa lacrada,
• visando focalização (ex.: “o dado mais
surpreendente da enquete”, sendo que a envolta em um pano de seda igualmente centenário, eram
“enquete” estava apenas presumida por
remissão); as que mais me apavoravam: pareciam ter vida própria.
• paragrafação cognitiva (a cada novo
núcleo referencial temos um novo Apesar de tão lacradas, exalavam além do cheiro um canto,
‘parágrafo’);


nominalizações anafóricas e catafóricas;
encapsulamento ou sumarização (ex.:
um silvo fino que só se ouvia bem de perto, como a

anáforas complexas como “a operação”);
retomada generalizante (ex.: “o
respiração de um besouro. Era isso que eu temia descendo

escândalo”);
retomadas metafóricas (ex.: “a gula
ao porão. Não receava as príscolas velhas, mas temia sentir

tributária”, “a vidraça petista”);
retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
o cheiro, ouvir aquele suspiro pontiagudo e fraco, e sucumbir

“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”);
retomadas ou catáforas metadiscursivas
a elas. Eu temia abrir o baú, afastar o pano, abrir a caixa
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a
reflexão, a opinião etc.”);
que as selava e devorá-las todas, de uma só vez, para
• denominação reportada (ex.: “essa
‘ofensa’” - repudiada por FHC); nunca mais ser eu mesma de novo.
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO: Kitlo, o meu melhor presente - Karem
I. a noção de referente como objeto de
Ainda me lembro daquela noite de natal, também meu aniversário, em que meus pais
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011, receberam muitos familiares em casa. A noite estava agradável. Todos conversavam com
P. 79); alegria e muitos me parabenizavam. Num certo momento, minha prima, chamada Sofia, se
II. as estratégias de progressão referencial
aproximou de mim e, após um longo e afetuoso abraço, me entregou uma caixa de presente.
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas: Sofia, toda animada, pediu para que eu abrisse imediatamente o embrulho e vislumbrasse o
que eu tinha recebido. Ao abrir a caixa, meu coração disparou por conta da surpresa que tive,
a. uso de pronomes ou elipses; pois me deparo com ele. Fazia muitos anos que eu queria e precisava de um Kitlo. Olhei para
b. uso de expressões nominais definidas
(envolvendo sintagmas constituídos de minha prima e, muito grata, disse:
determinante, nome e/ou modificador); - Meu Deus! Muito obrigada! Sofia, você é demais!
c. uso de expressões nominais indefinidas. - Ah, que nada! – ela me respondeu.
II.I Estratégias específicas:
- Você sabia que eu queria isso há muito tempo, mas eles são raros. Me diga onde conseguiu
encontrá-lo? – indaguei.
• sintagma <nome + mod.> para retomadas - Eu o trouxe do Japão. No tempo em que estive lá, eu fiz uma grande amizade com a senhora
(ex. “questões como esta”);
que me hospedou, e ela, muito querida, ao saber que você desejava tanto um Kitlo, me deu um.
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
homem sozinho ... um homem de camiseta Ela me contou que tinha dois deles guardados há muitos anos, e que foi o marido dela quem os
branca); fez. – Sofia me respondeu.
• nominalizações: - Nossa, que privilégio o meu! Não sabe o quanto lhe agradeço. – eu disse por fim.
• visando focalização (ex.: “o dado mais - Imagina! Não há o que agradecer.
surpreendente da enquete”, sendo que a Sentindo-me tão contente, não pude conter minha ansiedade em admirá-lo sozinha. Então, subi
“enquete” estava apenas presumida por ao meu quarto, e lá procurei um lugar para guardá-lo. Desde então, minha vida se tornou mil
remissão);
• paragrafação cognitiva (a cada novo
vezes melhor. Todas as pessoas que conhecem o Kitlo querem tocá-lo, nem que apenas por um
núcleo referencial temos um novo segundo. Mas, como sou muito ciumenta, e ao mesmo tempo cuidadosa, não permito, pois, caso
‘parágrafo’); contrário, ele se gasta.
• nominalizações anafóricas e catafóricas;
Confesso que há dias em que ele aumenta de tamanho, mas isso não me atrapalha em nada.
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
anáforas complexas como “a operação”); Sinto que ele é tão doce, e também muito educado. Além disso, vocês não fazem ideia do
• retomada generalizante (ex.: “o quanto os Kitlos gostam de chuva! O meu adora, por que isso faz com que ele mude de cor.
escândalo”); Contudo, os dias de sol também são bons para ele, visto que algumas horas de exposição aos
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”); raios solares faz desaparecer as marcas externas que ele tem. Certas vezes, quando eu
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.: converso com o meu Kitlo, ouço um ruído baixinho, e penso que possa ser uma tentativa de
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); resposta.
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a
Enfim, durante esses cinco anos em que tenho o Kitlo, muitos amigos meus já me perguntaram a
reflexão, a opinião etc.”); receita, mas isso é um segredo para mim também. Sei que são pouquíssimas pessoas no mundo
• denominação reportada (ex.: “essa que sabem fazer um Kitlo. Por esse motivo, já recebi várias ofertas bem altas por ele. Loucura
‘ofensa’” - repudiada por FHC);
essa, ora! Nunca vou me desfazer do meu amorzinho, além de que presente não se devolve e
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa). nem se repassa!
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
O Zoft
I. a noção de referente como objeto de Aluno: Edinei José Tavares
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011,
P. 79);
II. as estratégias de progressão referencial Na cidade de São Paulo em meio a louca rotina do dia a dia na maior
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas: metrópole do Brasil, Afrânio jovem trabalhador do famoso mercado
a. uso de pronomes ou elipses;
municipal seguia sua vida normalmente. Apaixonado por Inês uma jovem
b. uso de expressões nominais definidas interiorana que veio tentar a sorte na cidade onde acabou conhecendo seu
(envolvendo sintagmas constituídos de
determinante, nome e/ou modificador); futuro namorado.
c. uso de expressões nominais indefinidas. A vida seguia seu curso até que algo inusitado aconteceu na vida de ambos.
II.I Estratégias específicas: Certo dia ao seguir para seu trabalho Afrânio cruzava a cidade quando foi
• sintagma <nome + mod.> para retomadas abordado por um senhor de feições nada comuns. Afrânio que sempre vivia
(ex. “questões como esta”); correndo tentou evitar a abordagem, mas não conseguiu após muita
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
homem sozinho ... um homem de camiseta insistência.

branca);
nominalizações:
Este senhor ofereceu uma oportunidade a ele que seria a seu ver irrecusável.
Ofereceu o Zoft que permitiria a ele e a futura esposa conhecerem o mundo
• visando focalização (ex.: “o dado mais
surpreendente da enquete”, sendo que a sem sair de casa. Afrânio não quis dar muita conversa ao estranho senhor,
“enquete” estava apenas presumida por mas algo o fez acreditar na idéia e acabou por comprar.
remissão);
• paragrafação cognitiva (a cada novo Ao chegar a casa largou o produto na prateleira e o esqueceu. Só vou voltar
núcleo referencial temos um novo
‘parágrafo’);
a mexer nele quando Inês foi a sua casa e o questionou. Resolveram ver
• nominalizações anafóricas e catafóricas; como funcionava o tal Zoft. Não acreditavam no que estava acontecendo,
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
anáforas complexas como “a operação”); conseguiam ir a qualquer lugar do mundo sem sair de casa. Sentiam as
• retomada generalizante (ex.: “o mesmas sensações e tinham a mesmas vantagens como se estivessem em
escândalo”);
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula qualquer lugar que quisessem era apenas uma questão de escolher o lugar.
tributária”, “a vidraça petista”);
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
Zoft se mostrava como uma grande idéia a ser disseminada.
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); Pensando nisso Afrânio que havia se surpreendido com os benefícios tento
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a contato com o senhor. Estranhamente jamais conseguiu encontrá-lo. Teria sido

reflexão, a opinião etc.”);
denominação reportada (ex.: “essa
sorte ou algo fantástico que havia acontecido naquele dia que o Zoft entrou
‘ofensa’” - repudiada por FHC); em sua vida.
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
Akanodana
I. a noção de referente como objeto de
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011, Kelly
II.
P. 79);
as estratégias de progressão referencial
Suas ações eram inconstantes; ao perguntar seu nome nunca havia
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas:
uma resposta inteligível, ao menos não entendia Akanodana. Tal
a. uso de pronomes ou elipses;
nome, assim como ela eram únicos, ambos de uma beleza
b. uso de expressões nominais definidas inconfundível que marcaram minha vida, sobretudo o dia que a
(envolvendo sintagmas constituídos de
determinante, nome e/ou modificador); convidei para dançar. Contudo, não houve um sim, não houve um
c. uso de expressões nominais indefinidas.
não, o silêncio era a única forma de nos igualar. Dessa forma,
II.I Estratégias específicas:
pedi a qualquer coisa, com todas as minhas forças para sonhar
• sintagma <nome + mod.> para retomadas
(ex. “questões como esta”); com Akanodana, mas ao acordar esquecia do sonho. Exceto um
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um
homem sozinho ... um homem de camiseta dia que só lembrei deste por sentir uma dor, não era atribuída

branca);
nominalizações:
aquele ser não identificado, ou ao menos não soube associá-lo, só
• visando focalização (ex.: “o dado mais
identificava uma mudança em mim.
surpreendente da enquete”, sendo que a
“enquete” estava apenas presumida por
Mesmo não distinguindo suas diversas facetas, acreditava ser
remissão); louco por estar apaixonado por algo do qual não conseguia
• paragrafação cognitiva (a cada novo
núcleo referencial temos um novo compreender sua existência. Também ficava chateado com sua
‘parágrafo’);
• nominalizações anafóricas e catafóricas; quietude. Cheguei a perguntar para alguns amigos se eles
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
anáforas complexas como “a operação”); conseguiam observar aquilo diante de nossos olhos, contudo as
• retomada generalizante (ex.: “o
escândalo”); respostas eram assombrosas, parecidas muitas vezes com os
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”); diversos rostos dela. Além disso, eles me observavam como um
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”);
cara perturbado, fora de minha consciência. Cheguei a me
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a
questionar várias vezes sobre o que estava diante de mim. Depois

reflexão, a opinião etc.”);
denominação reportada (ex.: “essa
de muito tempo, a dúvida persiste, não posso estar fora da
‘ofensa’” - repudiada por FHC); casinha.
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
ITENS A SEREM CONSIDERADOS NO EXERCÍCIO:
SOBRE A LINCAZUZ
I. a noção de referente como objeto de
discurso (≠ objeto de mundo) (Koch, 2011, Sua existência só é percebida quando a janela do quarto se
P. 79);
II. as estratégias de progressão referencial encontra aberta, praticamente escancarada, e caso não esteja
(referenciação, remissão e retomada)
estudadas: ela se arrastará por entre as frestas e mesmo assim não
a. uso de pronomes ou elipses; conseguirá entrar. Em um determinado horário no fim de
b. uso de expressões nominais definidas
(envolvendo sintagmas constituídos de algumas tardes de inverno, chega silenciosa à procura de
determinante, nome e/ou modificador);
c. uso de expressões nominais indefinidas. cobertas de lã...
II.I Estratégias específicas: Talvez, a lincazuz não venha todos os dias fazer sua visita, não
• sintagma <nome + mod.> para retomadas se preocupe, a vontade de sair de seu lugar está diretamente
(ex. “questões como esta”);
• descrições indefinidas anafóricas (ex.: “um ligada ao clima e às frentes frias. Essa criatura não tem forma
homem sozinho ... um homem de camiseta
branca); específica, é subjetiva, um sentimento passageiro – não se
• nominalizações:
sabe ao certo seu começo, mas pode-se apontar quando e
• visando focalização (ex.: “o dado mais
surpreendente da enquete”, sendo que a onde vai acabar.
“enquete” estava apenas presumida por
remissão); A Lincazuz prefere, diga-se de passagem, os quartos dos
• paragrafação cognitiva (a cada novo
núcleo referencial temos um novo apaixonados, ou dos que tristes estão por tanto amar, sua
‘parágrafo’);
• nominalizações anafóricas e catafóricas; presença acalma, pois ela traz consigo carinho para aqueles
• encapsulamento ou sumarização (ex.:
anáforas complexas como “a operação”); que estão sozinhos e deixa mais juntos os que pouco tempo
• retomada generalizante (ex.: “o
escândalo”); tem antes de tudo se findar. É uma coisa rara, por isso
• retomadas metafóricas (ex.: “a gula
tributária”, “a vidraça petista”); encontra-se quase extinta e tem como pior inimiga a rotina.
• retomadas ou catáforas metonímicas (ex.:
“farol, pintura, pneus, vidros > fusca”); Depois de percebida pela primeira vez nunca mais se deixa
• retomadas ou catáforas metadiscursivas
(ex.: a questão, a afirmação, o exemplo, a de olhar para a janela esperando ela entrar.
reflexão, a opinião etc.”);
• denominação reportada (ex.: “essa
‘ofensa’” - repudiada por FHC);
• qualificadores que fazem progressão
temática (ex.: retórica falsa e maldosa).
SELEÇÃO DOS DETERMINANTES NAS
EXPRESSÕES REFERENCIAIS
Seleção dos determinantes nas expressões
referenciais

Limitação dos critérios de seleção de determinantes segundo a


literatura da área:
Seleção dos determinantes nas expressões
referenciais

 Três usos mais frequentes do demonstrativo:


 dêitico;

 anafórico;e
 dêitico memorial.
Diferenças na seleção de demonstrativo e artigo
definido
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo
Uso do demonstrativo

Função além da dêixis: dimensão discursiva


Uso do demonstrativo

Função além da dêixis: dimensão discursiva


Uso do artigo definido
Uso do artigo definido
Uso do artigo definido
Uso do artigo definido
Uso do artigo indefinido
Uso do artigo indefinido
Uso do artigo indefinido
Reflexão final sobre as expressões referenciais