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I.

FUNDAMENTO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS


Constituição e desenvolvimento
As ciências sociais são um conjunto de disciplinas ou
ramos de saber que tem como objectivo comum, conhecer
a realidade social.

Tais disciplinas são diversas apesar de constituírem o


mesmo conjunto, o das ciências sociais, uma vez que
cada uma tem o seu objecto, método e
abordagens de forma especifica.
CONT. 1
Começam a ser ciências a partir do momento em que
passam a ter :
um campo de abordagem,
objecto de estudo,
objectivos e métodos de estudo,
delimitam problemas solúveis,
formulam leis,
CONT. 2
constituem modelos interpretativos,
tem capacidade de solucionar problemas,
elaboram e testam meios necessários,
uso de linguagem conceptual adequada e
exclusiva,
teses cientificas refutáveis que sejam
verificáveis logicamente ou
matematicamente.
CONT. 3
Foi nos inícios do século XIX que vários autores
evidenciaram a autonomia e a profundidade do social.
O social é irredutível ao individuo.
Com a consolidação desta tese surgem as ciências sociais
e com o impacto crescente do saber lógico matemático,
físico e biológico que elaborava um modelo de estratégia
de investigação que ia servindo de referencial aos
estudiosos sociais.
Com as transformações económicas, demográficas,
políticas e culturais dos cientistas do ocidente, referente
aos anos 1800, ou ao século XIX.
Pluralidade, diversidade e
interdisciplinaridade nas ciências sociais
As ciências sociais são pluridimensionais;

 Único fenómeno pode ser foco de estudo de quase todas


disciplinas sociais;

Estudos são feitos de pontos de vistas diferentes;

factos sociais são designados de factos sociais totais ;


Cont. 1
As disciplinas que compõem as ciências sociais se
deferem, por que partem de perspectivas teórica distinta e
constroem distintos objectos científicos;

Não significa que os fenómenos sociais sejam


compartimentos estanques, são dimensões inerentes a toda
acção social, elas estão profundamente interligados;

É bastante difícil delimitar as fronteiras em todas


disciplinas.
Cont. 2
As ciências sociais se diferem, de acordo como
perspectivam a realidade, onde cada ciência social
elabora:
 O seu próprio conjunto articulado de questões,
A sua problemática teórica,
Define o seu objecto científico,
Constroem conjunto de princípios,
teorias,
estratégias metodológicas.
Cont. 3
As ciências sociais se complementam nos campos das
suas abordagens, uma vez que necessitam de alguma outra
ciência para compreender um determinado fenómeno.

A interdisciplinaridade nas ciências sociais reside no facto


da existência da interdependência ou complementaridade
entre as disciplinas.
Ruptura com o Senso Comum
A ruptura das ciências no geral com Senso Comum é
sobretudo no que diz respeito aos preceitos ou mecanismo
pelos quais um determinado saber deve passar para que se
considere de científico, a verificação, tese bem
elaborada e lógica.

As ciências sociais se distanciam do senso comum à


medida em que um determinado saber ou teoria deve ser
verificável, e que obedeça aspectos lógico-matemáticos
aceites nos padrões científicos .
Cont. 1
O Senso comum é distanciado do saber científico por não
obedecer regras científicas na justificação do seu saber.

Um saber científico qual quer que seja deve partir de uma
problematização, ser uma teoria lógica, verificável que
obedece aos princípios estabelecidos num determinado
ramo de saber.
Antropologia Cultural no domínio das
Ciências Sociais.
A antropologia Cultural - disciplina que estuda os
povos no seu todo independentemente de ser ou não
ocidental.

 Sua real preocupação é com todas manifestações de


comportamentos evidenciadas pelos membros de
espécies homo sapiens raça, local de residência ou
grau de desenvolvimento.
Definição
FROST e HOEBEL «Antropologia é ciência da
humanidade e da cultura», o termo antropologia é
composto por dois vocábulos gregos. Anthropos -
homem e Logia - estudo ou tratado.

Antropologia – estudo sistemático do homem e de suas


actividades e comportamentos (MARTINEZ, 2007: 25).
Objecto de Estudo
De acordo com BERNARDI, Bernardo ( ), o objecto
específico de pesquisa antropológica é o homem.

Antropologia física estuda as formas e as estruturas


do corpo humano.

Antropologia cultural – indaga o significado e as


estruturas da vida do homem como expressão da sua
habilidade mental.
Objecto . Cont.
MARTINEZ (2007)diz, o objecto de estudo da
antropologia divide-se em dois:
Objecto formal – todos aspectos da existência humana;

Objecto material – estudo do homem.

Portanto, o objecto são as culturas simples conhecidas como


primitivas ou ágrafas.
Campos de abordagem

O foco dum antropólogo cultural são: os padrões


culturais,

Arqueologia sobre tudo, que e o estudo das culturas


extintas,

Ao estudar a cultura devem compreender os aspectos que


nela interagem, a política, arte, religião, a própria cultura
dos povos já extintos e presentes.
Métodos e técnicas de estudo
Os métodos da Antropologia permitem:
Observar,
Classificar os fenómenos,
Analisar,
Interpretar os dados.

Antropologia tem dois campos de investigação:


- Biológico,
- Cultural.
Cont. 1
Método Histórico – investiga eventos do passado para
compreender o modo de vida do presente.
Ex: Origem e mudança da sociedade Macua.

Método Estatístico – permite verificar as variáveis


das populações.
Ex: Dimensões do corpo humano, grupos sanguíneos,
variedade de religiões, diversificação de habitações.
Cont. 2
Método Etnográfico – faz uma análise descritiva das
sociedades humanas principalmente as primitivas ou
ágrafas (rurais), exigem generalização e comparação.
Ex.: Estudo do Yão, Chuabo, Xangana.

Método Comparativo ou Etnológico – permite


verificar diferenças e semelhanças do material colectado.
Comparar aspectos físicos, populações extintas,
através dos fósseis ou grupos humanos existentes,
analisando características anatómicas: cor da pele,
Cont. 3
Do cabelo, dos olhos, índice cefálico, textura do cabelo,
grossura dos lábios, etc.
Na cultura, o método compara padrões, costumes, estilo
de vida, culturas do passado e do presente.

Trabalho de campo - um processo que envolve aspectos


da conduta social, dentro dos quais o comportamento
observável,
O antropólogo durante o trabalho de campo procura
conjunto de informações sobre o passado e o presente,
contextualizar as relações sociais que observa.
Cont. 4
O trabalho de campo é envolvente, é o processo de
procurar conhecimento através de vários outros
procedimentos, entre os quais a observação participante.

Observação participante - envolvimento directo


que o investigador de campo faz com um grupo
social em estudo, dentro dos parâmetros das próprias
normas do grupo;
A observação participante é pontual, investigador
faz, tentando ultrapassar o etnocentrismo cultural
espontâneo em que cada ser humano define o seu
estar na vida.
Cont. 5
Método Genealógico – permite o estudo do parentesco
com todas as suas implicações sociais:
Estruturas familiares, relacionamento marido-mulher, Pai-
filho, as cerimónias e Ritos.

Interpretação –  Consiste na interpretação e análise


de dados recolhidos no trabalho de campo;
Deve se analisar os dados recolhidos por meio de
entrevista ou inquéritos.
Aplicações da Antropologia
Os antropólogos recorrem a conceitos de relativismo cultural
e etnocentrismo, quando querem desenvolver estudos nos
grupos humanos sujeitos a mudanças socioculturais.

Emprego prático do conhecimento antropológico colaborando


para o bem estar dos grupos.

O lugar da antropologia hoje é o mundo moderno onde o


isolamento cultural é quase impossível (os contactos entre as
pessoas se multiplicam).
Cont. 1
Minimizar os desequilíbrios e tensões culturais e fazer
com que as culturas antigas sejam menos molestadas e
seus padrões e valores respeitadas.

Aplica conhecimentos antropológicos, físicos e culturais


na busca de soluções para os modernos problemas sociais.

(conflitos de terra, das gerações, de identidade, de valores


autóctones Vs modernos, etc.)
História do Pensamento Antropológico
Seminário 1º
A antropologia é sem dúvida a mais antiga das ciências
humanas, atribui se ao grego Heródoto (480 ou 425-499),
desde o século V a.C.

O herói mítico, fundador da história, da geografia comparada e


da etnologia,

este que efectuou várias viagens, nessas viagens fazia


discrições narrativas acerca dos povos que encontrava nos
locais visitados, destacando as suas semelhanças e diferenças.
Cont.
O estudo sobre os outros se efectua desde a antiguidade, onde os
não gregos eram chamados de bárbaros;

Era necessário descreve-los para saber até que ponto eles são ou
não bárbaros, descobrir as diferenças e as semelhanças.

Na idade média o discurso passa a ser da diferença entre os


cristãos e os não cristãos ;

sob este pretexto que se fundamentaram as primeiras conquistas


e explorações do renascimento, da exploração dos povos não
europeus.
Cont.
 Esta exploração e ocupação teve vários pretextos:
 de evangelizar os povos não ocidentais que tinham suas religiões
tradicionais,
 de educa-los sob modelos ocidentais.

 Tais povos foram considerados de povos sem cultura, sem civilização,


tinham modelos de vida diferentes dos europeus, por isso, foram alvos de
grandes práticas desumanos.

 Surgia tendência de se publicar acerca dos povos não europeus pelos


missionários e crescia a curiosidade em estudar estes e conhece-los,
cresciam as dúvidas em relação a pertença ou não destes povos á
humanidade.
Cont.
A Curiosidade Intelectual e Interesse pelo Exótico

Antropologia, uma ciência recente, não tem data exacta de


nascimento. Ela forma –se como tal só no século XIX.

Desde a essa data, ela passou a conhecer avanços e recuos. A


história antropológica resulta de processos de acumulação e
reformulação vindas de toda parte.
A curiosidade Intelectual e interesse pelo Exótico
As contribuições deste período são de diversa
natureza e origem como: Ícones, arte parietal (pinturas rupestres),
arte móvel (esculturas), manuscritos dos primeiros povos com escrita
(Babilónios, Egípcios, Hindus, Fenícios, Bantus, Mayas, Incas, etc),
concorreram grandemente na formação do património cultural mundial.

MARTINEZ (2004: 56), aponta que com o Renascimento e


com viagens de exploração, ouve grandes contactos, que
deram origem a Tratados.

Tratados acerca das afinidades e diferenças entre os homens


e seus mundos sociais e culturais.
Cont.
As viagens e os contactos que se multiplicaram para todos os
cantos da terra foram acompanhadas pela produção de
relatórios que, mais tarde serviram de documentos essenciais
para a produção antropológica.

Com isso, os estudiosos começaram a dispor de maior material


antropológico para as suas pesquisas. Ocorrem ainda estudos
do corpo humano com Leonardo da Vinci (1452 - 1518).

No século XIX dá-se a 1ª descoberta do homem fóssil. Depois


vieram ainda contribuições das missões científicas mais
organizadas, de naturalistas, geógrafos, humanistas, que tinham
como objectivo colher informações e fazer observações.
Do projecto colónia à crise da Antropologia
Por volta dos fins do século XIX ou inícios do século XX, a
antropologia deixa de estar a serviço exclusivo do imperialismo
e do colonialismo passando a interessar se em estudar os povos
de forma muito interessante e não mais chama-los de agrafos.

Surge a necessidade de preservar as culturas não ocidentais


temendo a extinção destas sociedades e dai que o campo da
antropologia cultural ficaria em crise, e o estudo passa a ter uma
nova roupagem diferente da aquela antiga.

Actualmente os antropólogos não só se preocupam em estudar


os povos agrafos, passam a estudar os povos no seu todo.
Cont.
A heterogeneidade não é mais vista como acidental e
desnecessária, mas sim como sendo uma necessidade,

Onde não existe mais culturas inferiores ou superiores em


relação as outras, mas se exalta as diferenças culturais
valorizando o multiculturalismo.
A Universalização da Antropologia.
A antropologia conheceu varias fases de desenvolvimento,
onde ganha diversas formas, tendo até estado a serviço do
colonialismo, explorando e pretendendo não aceitar a
heterogeneidade ou até pretendendo modificar os povos tido
sem cultura.

O seu desenvolvimento foi possível graças ao desenvolvimento


das ciências sociais e das ciências no geral, o que fez com que
os etnólogos saíssem dos gabinetes e efectuassem trabalhos de
campos, vivendo e convivendo com os “outros”.
As Correntes Teóricas da Antropologia.
EVOLUCIONISMO
As sociedades primitivas ou diferentes das do
ocidente representavam um estágio de evolução em
que a sociedade ocidental já tenha passado.

Para os evolucionistas a existência de povos


atrasados e avançados em determinada época
apenas significava que estavam em estado de
evolução diferente .
Cont. 1
O grande e principal teórico do evolucionismo foi
L. Morgan que dividiu a humanidade em três fases
Selvajaria, barbaria, e civilização que dividiu cada
fase em três partes respectivamente:

-Selvajaria antiga –Linguagem.


Selvajaria -Selvajaria media-Fogo,
lanças, machados.
-Selvajaria recente- arco e flecha.
Cont. 2
-Barbaria antiga – cerâmica.
Barbaria -Barbaria média - domesticação,
agricultura.
-Barbaria recente metalurgia.

-Civilização antiga – escrita.


Civilização - Civilização media -pólvora,
bússola, papel.
- Civilização recente -vapor,
electricidade e evolução.
DIFUSIONISMO
Corrente contrária ao evolucionismo que encontrou muitos
adeptos na Alemanha, EUA dentre eles encontramos RATZEL,
FROBENIU e sobretudo GRAEBNERS que é considerado
verdadeiramente o teórico do Difusionismo.

Esta teoria defende que os elementos que constituem uma dada


sociedade fossem recebidos de outras sociedades.

As sociedades difusoras são em pequenos números uma vez


que criar seria difícil que adoptar.
Cont.
Para os difusionistas quando sociedades apresentam estados
idênticos de desenvolvimento significaria que tinham adoptado por
contacto directo ou indirecto as mesmas características,
contrariamente ao evolucionismo seria que as sociedades estivessem
no mesmo ou idêntico estágio de evolução.

O difusionismo a semelhança do evolucionismo é uma corrente que


estudava as diferentes culturas com pretensão de explicar as razões
das semelhanças e diferenças culturais, onde para o difusionismo a
dinâmica cultural, a questão de evolução cultural, ou mudança de
costumes tinha necessariamente que passar pelo contacto que tinha
se estabelecido entre outros povos.
Culturalismo
Segundo Benedict- Culturalismo é uma teoria segundo a qual
o indivíduo deve ser compreendido como um ser que existe a
partir de uma determinada cultura e que a cultura é
determinada pelo indivíduo.

Cada pessoa é acima de tudo uma acomodação aos padrões de


forma e de medida tradicionalmente transmitidos na sua
comunidade de geração em geração, onde o indivíduo desde
que vem ao mundo é moldado de acordo com os padrões
existentes na sociedade onde ele faz parte.
Paradigmas emergentes na antropologia