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Direitos: objectivo e subjectivo

Direitos: objectivo e subjectivos

O Direito é uma realidade abstracta e complexa com várias

acepções .

Este termo é utilizado na linguagem jurídica bem como na linguagem corrente com dois significados:

Direito objectivo

Direito subjectivo

I Direito objetivo: traduz-se no corpo ou complexo de regras gerais e

abstractas que organizam a vida em sociedade, sob os mais diversos

aspetos, e que, designadamente, definem o estatuto das pessoas e regulam as relações entre elas.

II - Direito subjetivo: traduz-se na faculdade ou poder que, por aplicação das regras de direito objetivo, são atribuídos a pessoas determinadas, uma vez verificados certos eventos previstos naquelas mesmas regras.

Natureza Jurídica dos Direitos Subjetivos

I Teoria da Vontade:

Tem a sua origem em Savigny (seguindo a filosofia de Kant da

autonomia da vontade), mas foi concretizada por Windscheid;

Segundo esta teoria o direito subjetivo é visto como um poder de vontade juridicamente reconhecido;

O Homem tem um poder de querer, que se manifesta através das normas jurídicas;

Configuram o direito subjetivo como um poder de vontade de cada indivíduo.

Críticas:

Mesmo os sujeitos que não querem ou não podem exercer a sua vontade, são titulares de direitos subjetivos:

Exs: menores; portadores de anomalias psíquicas; pessoas coletivas.

Existem direitos subjetivos que são exercidos independentemente da vontade dos sujeitos;

Os direitos subjetivos não se extinguem se o seu titular o ignorar ( e por isso faltar o elemento vontade).

II Teoria do Interesse:

Defendida por Ihering, que chama a atenção para o fim em vista do qual é atribuído o poder de vontade;

Segundo esta teoria, a natureza do direito subjetivo encontra-se nos

interesses juridicamente protegidos.

Para Ihering os direitos subjetivos são constituídos por dois elementos:

Elemento formal: proteção ou tutela que a lei confere;

Elemento material: interesse em sentido amplo, suscetível ou não de avaliação pecuniária.

Críticas:

A palavra interesseé demasiado ampla e indeterminada;

Podem

existir

direitos

correspondente;

A

ordem jurídica

direitos subjetivos;

pode

subjetivos

proteger

sem

a

existência

interesses

sem

a

do

interesse

concessão

de

III Teoria Normativista:

Segundo

Kelsen,

o

direito

objetivo

e

os

direitos

subjetivos

correspondem à mesma realidade vista de formas diferentes;

Segundo

esta

teoria,

a

análise

do

direito

deve

ser

feita

independentemente de qualquer juízo de valor ético-político;

Todo o direito aparece disposto num sistema gradativo de normas jurídicas,

Críticas:

O direito subjetivo passa a ser apenas um processo aplicação do direito objetivo;

técnico de

A abdicação valorativa pode levar a uma aceitação de qualquer conduta por parte do Estado.

Conclusão

O direito subjetivo só é válido se traduzir um concreto fundamento teleológico.

O direito subjetivo deve ser entendido como a tradução jurídica

positiva da afirmação da autonomia do Homem.

Atribuição, por uma norma juridica, duma faculdade ou poder.

jurídica positiva da afirmação da autonomia do Homem. Atribuição, por uma norma juridica, duma faculdade ou

NOÇÃO

São poderes jurídicos de livremente exigir ou pretender de outrem um comportamento positivo ou negativo, ou de por um ato de vontade, só de per si ou integrado por um ato de autoridade pública, produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõem à outra parte.

jurídicos que inevitavelmente se impõem à outra parte. O sujeito ativo da relação jurídica é livre

O sujeito ativo da relação jurídica é livre de exercer ou não o direito

subjetivo, e por isso se diz que este é uma manifestação e um meio de atuação da autonomia privada.

Existem duas modalidades de direito subjetivo:

I- Direitos subjetivos propriamente ditos ou stricto sensu:

São aqueles que se traduzem no poder jurídico de exigir ou pretender

de outrem um comportamento positivo ou negativo, isto é uma ação ou uma omissão. Corresponde-lhes o dever jurídico da contraparte ( comportamento positivo ou negativo).

da contraparte ( comportamento positivo ou negativo). Nos direitos subjetivos em sentido restrito podemos

Nos direitos subjetivos em sentido restrito podemos encontrar um poder de exigir ou um poder de pretender (obrigações naturais

artigo 402º e ss. do C.C.)

II- Direitos potestativos:

São os poderes jurídicos de por um ato de livre vontade, só de per si ou integrado por um ato de autoridade pública (decisão judicial) produzir efeitos jurídicos que inelutavelmente se impõem à outra parte.

jurídicos que inelutavelmente se impõem à outra parte. São insuscetíveis de violação, pois o seu efeito

São insuscetíveis de violação, pois o seu efeito é “automático”.

Corresponde-lhes um estado de sujeição.

Os direitos potestativos consoante o efeito jurídico que tendem a produzir podem ser:

Direitos potestativos constitutivos (1550.º);

Direitos potestativos modificativos (1767.º);

Direitos potestativos extintivos (1788.º).

Diferença entre dever jurídico e estado de sujeição.

Modalidades de direitos subjetivos

Direitos subjetivos inatos e direitos subjetivos não inatos;

Direitos subjetivos essenciais e direitos subjetivos não essenciais;

Direitos subjetivos pessoais e direitos subjetivos patrimoniais;

Direitos subjetivos absolutos e direitos subjetivos relativos;

Direitos subjetivos disponíveis e direitos subjetivos indisponíveis.

Direitos subjetivos inatos e direitos subjetivos não inatos

1. Direitos Subjetivos inatos: são aqueles que nascem com a pessoa;

2. Direitos subjetivos não inatos: não se adquirem com o nascimento, mas sim posteriormente.

Direitos subjetivos essenciais e direitos subjetivos não essenciais

1 Direitos subjetivos essenciais: são os direitos indissociáveis da

pessoa;

2- Direitos subjetivos não essenciais: são os direitos concebíveis sem

pessoa; os sujeitos não carecem destes direitos para a sua existência.

Direitos subjetivos pessoais e direitos subjetivos patrimoniais

1 Direitos subjetivos pessoais: são os direitos insuscetíveis de valor pecuniário;

2- Direitos subjetivos patrimoniais: são os direitos suscetíveis de valor pecuniário.

Direitos subjetivos absolutos e direitos subjetivos relativos

1 - Direitos relativos: versam diretamente sobre uma conduta e só indiretamente sobre uma coisa(corresponde-lhes do lado passivo a chamada obrigação em sentido técnico);

direitos de crédito.

2- Direitos absolutos: atribuem ao seu titular um poder direto e imediato sobre uma coisa (corresponde-lhes do lado passivo a obrigação passiva universal);

direitos reais;

direitos de personalidade

direitos familiares pessoais.

Direitos subjetivos disponíveis e direitos subjetivos indisponíveis

1 Direitos subjetivos disponíveis: são os direitos que se podem desligar do seu titular, e ser objeto de relações jurídicas;

2- Direitos subjetivos indisponíveis: são os direitos instransmissíveis e irrenunciáveis.

Direitos subjetivos públicos

São os direitos que os cidadãos podem invocar contra o Estado, quer

exigindo uma atuação, quer impondo limites ao exercício dos seus poderes.

Modalidades

a) Direitos subjetivos públicos negativos;

b) Direitos subjetivos públicos positivos.

FIGURAS AFINS

Existem situações relevantes para o direito, mas que não revestem uma faculdade, um poder, uma prerrogativa de agir desta ou daquela forma.

Meros Interesses Jurídicos (na vacinação)

Faculdades em sentido estrito (interpelação devedor)

Direitos reflexos (confiança e lealdade burla);

Meras expectativas jurídicas (expectativa da herança)