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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS CAMPUS BELO HORIZONTE FACULDADE DE EDUCAÇÃO

ÂNGELA TUPINAMBÁ DE MORO DANIELLA SOARES DA SILVA MARIANA ARAÚJO VAZ NILDA SILVA CARVALHO SIRLENE DE SOUSA CRUZ DRUMOND

O DIRETOR ESCOLAR COMO COMPONENTE DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

BELO HORIZONTE 2010

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS CURSO DE PEDAGOGIA / FaE UEMG

O DIRETOR ESCOLAR COMO ELEMENTO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

Monografia apresentada a Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais como requisito parcial para a conclusão da graduação em Pedagogia.

Orientação: Profª.: Ivonice Maria Rocha

BELO HORIZONTE 2010

DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho a todos os pedagogos que acreditam que a educação de hoje fará a diferença no amanhã para uma sociedade melhor e mais democrática.

AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Deus, por nos dar saúde e forças;

Aos nossos familiares e amigos, por nos compreender e nos amar;

Aos nossos mestres, por tanto nos acrescentar;

E a nós, por cada vez mais superar.

O senhor mire e veja...o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais ainda que não foram terminadas, - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão. João Guimarães Rosa. 1986.

Rede Estadual de Minas Gerais.O trabalho buscou problematizar as principais questões relacionadas à atuação do Diretor no âmbito escolar. pedagogos. Para realização desta pesquisa utilizou-se como fundamentação teórica a legislação vigente e bibliografia acerca da gestão democrática para análise.RESUMO Este estudo surge na perspectiva de analisar a situação vivida pelos diretores. Com o presente trabalho o grupo tem como objetivo compreender a atuação do Diretor escolar como elemento fundamental para o exercício da gestão democrática da rede pública estadual em Belo Horizonte. e enfocar alguns aspectos relacionados ao cotidiano desses profissionais. enfocando a gestão democrática e participativa nas escolas. funcionários. Palavras chave: Gestão democrática. alunos e pais das escolas públicas. . professores. sob suas próprias óticas. síntese e composição das idéias. Diretor escolar. como também à função do Diretor dentro desse novo modelo organizacional. Como metodologia para o desenvolvimento da pesquisa de campo utiliza-se a pesquisa qualitativa com foco observacional. entrevistas estruturada e semi-estruturada.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS GD E.E. IEMG PPP SECOM SEE.MG UFMG VeM consed Gestão Democrática Escola Estadual Instituto de Educação Minas Gerais Projeto Político Pedagógico Seleção competitiva interna Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais Universidade federal de Minas Gerais Vallourec & Mannesmann Tubes Conselho nacional de secretários de educação .

..........................3............gestão democrática: o que determina o sucesso? .... 37 4...O DIRETOR ESCOLAR EM MINAS GERAIS .. 16 1.......................Progestão ................. 23 2...... 18 1...............3....4.........................................................................................................3.....3............................2.......... 45 ...3..............2...........conselho de classe............................ 17 1.................................descentralização .....1.......... 27 2.....os conceitos ...............5.........tratamento dos dados ................2..Elementos da gestão democrática: mecanismos de participação da comunidade escolar ....................participação .............................................. 27 2...2..................... 15 1..........3. 21 2................... 12 1...........2...............................ANÁLISE DOS DADOS............................................3.............................................................a eleição de diretores .......... 25 2.............. 35 4..... 40 4..................o manual de orientação...............................................4.........................................................SUMÁRIO INTRODUÇAO .......................3.2.................indicação enquanto possibilidade democrática ............coleta dos dados ..............................................sobre o processo de eleição do diretor em Minas Gerais .................................os princípios da gestão democrática .. 33 3........................................... 20 1..... 28 3.............................................................3........... 16 1.....................1...grêmio estudantil .4............. 17 1..............................2....atribuições e funções do diretor escolar: ......3...............A gestão democrática da educação: do conceito aos princípios ......................................................................2....................................................................................1............................................................................2............3..............................................................................................2..........................................3........................ 13 1.................................................................................. 32 3.............................a avaliação ...............................................2..........definição da metodologia ..........projeto político pedagógico ......2...................................2.................................................. 19 1.... 28 2....................6............realidades distintas: múltiplos olhares ...............................................1............................competências do gestor escolar ....3....................o guia do diretor escolar.. 20 1.............. 10 1................. 13 1..............transparência .....2..................................1.1...................................colegiado .......... 39 4.... 44 4.............. 34 3.........................................o diretor frente à gestão democrática ............ 15 1....3.......... 26 2............3.......... 23 2........................................................A GESTÃO DEMOCRÁTICA NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA ...................2...2......METODOLOGIA DO TRABALHO ..............................eleição: um caminho em construção .........3.....................................1...

................... 50 ............................................................................. 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................CONSIDERAÇÕES FINAIS .....

pois a marca de sua administração fica evidente em todos os espaços da escola. no âmbito escolar. observando se o diretor escolar em sua prática possibilita a efetivação de uma gestão participativa confrontando a teoria estudada e a prática desse profissional. no que tange ao administrativo. Ao final dos anos 80 e início dos anos 90 foram marcados pela reformulação da organização e da gestão da educação no Brasil. a participação e a transparência dos processos educacionais. Como considera Luck (2001 p. voltada na maioria das vezes para o burocrático-administrativo e colocando em segundo plano uma ação transformadora. 37) “a escola tem a cara do diretor. pedagógico e recursos humanos. Este forma de gestão tem como princípios a descentralização. Nesse contexto. tendo como principal enfoque a atuação do diretor escolar na rede estadual de Educação em Minas Gerais.INTRODUÇÃO O presente estudo tece considerações acerca da Gestão Democrática e seus elementos. o Diretor Escolar é figura de suma importância. suscitou no grupo o interesse de aprofundar a pesquisa neste elemento que compõe a gestão democrática. uma prática de gestão autoritária e conservadora. participativa.” Em função deste novo cenário. É objetivo deste estudo. A discussão sobre a gestão participativa torna-se relevante à medida que ainda se configura. que busque no cotidiano escolar a contribuição de todos os envolvidos no processo educacional. sabemos no mesmo instante se o diretor é um bom gestor. Compreender a atuação do diretor implica em. reconhecer a prática do gestor escolar frente aos . Neste contexto a Gestão Democrática foi instituída na forma da lei pela Constituição Federal de 1988. Buscando por meio deste estudo compreender se realmente existe uma prática democrática por parte do diretor escolar nesta perspectiva de gestão. visto que uma liderança democrática consciente o auxiliará na transformação das práticas de gestão da escola. Quando entramos em uma escola. compreender a atuação do diretor escolar como componente deste tipo de gestão instituída na rede pública estadual.

identificando na prática os limites e as possibilidades da construção democrática da gestão escolar. Para interpretar os dados coletados através das entrevistas com os diretores das escolas foi utilizada. No quarto capítulo as autoras estabelecem uma análise dos dados coletados relacionando-os com o referencial teórico estudado. O terceiro capítulo retrata acerca da metodologia de pesquisa utilizada para o desenvolvimento do trabalho. ANDRÉ. neste trabalho.processos de planejamento e execução coletiva. . de forma a mostrar o cotidiano escolar em toda a sua riqueza de significados e relações. Os ambientes e os sujeitos foram escolhidos pelo processo de similaridade. 1986). Os procedimentos metodológicos utilizados para o desenvolvimento da pesquisa estão à luz de Alda Judith Mazzotti e Fernando Gewandsznajder que são a pesquisa qualitativa com foco observacional. Espera-se que este trabalho venha contribuir para uma reflexão sobre a gestão escolar democrática. para que se compreenda o importante papel dessa instituição na formação dos sujeitos (LÜDKE. relacionando a prática do diretor escolar com a legislação vigente e o referencial teórico que fundamentam esta pesquisa. Este estudo está dividido em cinco grande capítulos intitulados: o primeiro apresenta um sucinto histórico sobre a gestão democrática da educação. entrevistas estruturada e semi-estruturada. O segundo capítulo nos trás um amplo referencial teórico acerca do papel do diretor escolar em Minas Gerais delineando suas funções atribuições e características do cargo na perspectiva da gestão democrática. A última sessão trás as considerações finais das autoras à pesquisa. a técnica de análise de conteúdo proposta por Laurence Bardin.

a mobilização do movimento dos trabalhadores da educação.1. O ano de 1970 foi um período de grandes efervescências políticas e sociais no qual a sociedade brasileira vivenciou um processo de luta pela redemocratização do país. como os movimentos grevistas. Novos movimentos sociais foram organizados. refletindo a preocupação com o significado social e político da educação. que reivindicava um país democrático culminou na reelaborarão da Constituição Federal no ano de 1988. . Os educadores mobilizavam-se em torno da reconstrução da função social da escola. que culminou com a transição do regime militar para o regime civil. Neste período. item VI desta constituição. suas discussões giravam em torno da qualidade da educação pública e a democratização do ensino. a reconstrução dos direitos civis e políticos. O art. houve uma tentativa de resgate do estado de direito. como também o desenvolvimento de políticas voltadas para a democratização da educação brasileira. ou seja. A década de 1980 caracteriza-se como um período de abertura política. com conquistas democráticas para a educação pública e para a sociedade brasileira. apresenta a gestão democrática na forma da lei.A GESTÃO DEMOCRÁTICA NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA Este capítulo inicia-se com a contextualização da Gestão Democrática em sua trajetória histórica. Também se destaca nesse período. negligenciados durante o período militar. Apresentam-se ainda neste capítulo os mecanismos e elementos de participação da comunidade escolar que constituem a gestão democrática. Seguidamente pontua-se seu conceito e seus princípios. A pressão da sociedade civil. 206. as mobilizações nas universidades estimuladas pelo movimento estudantil e as greves operárias dos metalúrgicos do ABC paulista. Suscitavam iniciativas de formulação e implementação de políticas educacionais no intuito de unir os interesses populares.

Sancionada em 1996. administração.O processo de redemocratização ocorrido no país e a organização política no campo educacional. resguardando os princípios constitucionais de gestão democrática. p.os conceitos Gestão (do latim gestio – Õnis) significa ato de gerir. 1. em conjunto com a constituição de 1988. Desta forma as escolas públicas brasileiras passaram a dispor de mecanismos que buscam garantir uma ação educativa mais democrática. Em cumprimento ao art. gerência. (Holanda Ferreira. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) . propiciaram a elaboração de novas diretrizes para a educação. foi criada a lei 10.2. 214 da Constituição Federal. com a participação da sociedade civil nos colegiados de ensino e na escolha democrática de dirigentes.A gestão democrática da educação: do conceito aos princípios 1. desempenhar seu papel. p.nº 9394 define e regulariza o sistema de educação brasileiro. gestão é administração.2. cumprir sua função. assegurada pelo amparo legal.1. A gestão relaciona-se com a atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos.172. é organização. que dispõe sobre a elaboração do Plano Nacional de Educação e estabelece metas a serem cumpridas num prazo de 10 anos. contemplando assim a gestão democrática na forma da lei. Segundo o Guia do Diretor Escolar (2008. com base nos princípios presentes na constituição. 1999.12). é tomada de decisão. é direção. destaca a criação de um sistema nacional de educação. . 985).

quer sejam a respeito dos aspectos pedagógicos. É definida como poder do povo. . p.12) aponta que: Uma gestão democrática requer a participação da comunidade escolar nos processos que se evoluem em permanente formulação e em implementação coletiva de metas. “demos e cratos”. Essas mudanças são caracterizadas pela importância da descentralização e participação de todos os segmentos da comunidade escolar de forma consciente e esclarecida sobre questões fundamentais de seu trabalho dentro da escola. na definição do uso de recursos e necessidades de investimento. bem como o debate sobre a qualidade social dessa educação. O poder de democratização baseia-se em quatro pilares: a liberdade para todas as pessoas. Também a democratização do acesso e estratégias que garantam a permanência na escola. votar e ser votado. (p. que vem de duas palavras gregas.13) democracia. na execução das deliberações coletivas. estratégias e procedimentos da Escola. p. nos momentos de avaliação da escola e da política educacional. na tomada de decisões. item que será relevante para o presente estudo. tendo como horizonte a universalização do ensino para toda a população.34) A Gestão Democrática (GD) expressa às possibilidades de mudanças profundas na educação. sobre o povo e para o povo. a igualdade de todos em direitos e a participação na gestão da coisa publica. O Guia do Diretor Escolar (2008. no planejamento. objetivos. significa "povo" e “poder”. quer sejam relativos à gestão administrativa.Para Santos (1978. A gestão democrática da educação nas palavras de Luce e Medeiros (2008): Está associada ao estabelecimento de mecanismos legais e institucionais e à organização de ações que desencadeiem a participação social: na formulação de políticas educacionais. dos recursos humanos e financeiros.

ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento da cultura do grupo em que vive. um meio para a formação democrática dos alunos. é. [.] a descentralização é um meio e não um fim. sua participação efetiva... . tendo como objetivo a melhoria da qualidade do ensino. Ainda segundo Luck (2000. “a descentralização do poder se dá na medida em que se possibilita cada vez mais. Nessa perspectiva. consiste na ampliação do espaço de decisão.2. assim como esta. no contexto da educação. p. voltada para o fortalecimento da escola como organização social comprometida reciprocamente com a sociedade.1.2. canaliza e desenvolve seu potencial. aos destinatários do serviço público. uma vez que os componentes da comunidade escolar podem compartilhar das decisões em todos os setores da organização escolar.1. coletivamente compartilhado. por si ou por seus representantes.descentralização Segundo Paro (2001. também.os princípios da gestão democrática 1.57). o que assegura maior compromisso de todos. A decisão coletiva possibilita maior envolvimento dos diferentes atores na definição dos rumos e da realização dos propósitos educativos da instituição escolar. O poder descentralizado é um aspecto fundamental da Gestão Democrática..2. pelo trabalho social. A descentralização possui um papel fundamental na construção da autonomia da escola. p. na construção da autonomia. nas tomadas de decisão”.21): [. Segundo Luck (2000). o homem se torna um ser humano e desenvolve à medida que.] a autonomia..2. a descentralização promove a autonomia nos aspectos relacionados à gestão da escola.

realizada a partir da participação conjunta e integrada dos membros de todos os segmentos da comunidade escolar” (LUCK. O acesso de todos às informações relevantes sobre os assuntos escolares. instituir suas diretrizes pedagógicas e administrativas. implementação. direta ou indiretamente. administrativos e pedagógicos . Entretanto. na proposição. sejam eles financeiros. é possível promover a gestão democrática superando o exercício do poder centralizado. do processo educacional no estabelecimento de objetivos.2. na solução de problemas.2.participação “O trabalho escolar é uma ação de caráter coletivo. 1. o Estado não poderá deixar de cumprir sua função mantenedora dos recursos financeiros. 2002. 1. Freitas.2.transparência O critério da transparência é indispensável para a consolidação da gestão democrática. Mediante a prática participativa. Ao mesmo tempo. A participação proporciona aos membros da comunidade escolar a oportunidade de conduzir o próprio trabalho e serem responsáveis pelos resultados.Diante disso. O envolvimento da comunidade deverá ser efetivo em todos os segmentos escolares.2. monitoramento e avaliação de planos de ação.2. é imprescindível para o sucesso da gestão escolar participativa. na tomada de decisões. que propiciem o bom funcionamento da escola. sentem-se parte da realidade e não apenas um simples elemento para executar objetivos instituídos pela unidade de ensino. pode-se dizer que a escola possui autonomia para gerir seus recursos. Assim. visando os melhores resultados do processo educacional. 13). Girling e Keith (2002): O envolvimento de todos os que fazem parte. nas palavras de Luck.3.

Além disso.] deve estar a serviço das funções sociais da escola. nas palavras de LIBANEO (2003. ela assenta no respeito a todos os alunos de usufruírem ensino de qualidade.Elementos da gestão democrática: mecanismos de participação da comunidade escolar 1. da proposta pedagógica da escola. a avaliação terá de ser diagnóstica. O papel dos conselhos e assembléias escolares é imprescindível.3. consultivas e fiscalizadoras.1. deverá ser o instrumento dialético do avanço.influenciará na tomada de decisão e principalmente nas negociações entre os representantes dos interesses locais. 1. dos objetivos de ensino. pois assumem funções deliberativas. p. contribuindo na condução e avaliação de todo o processo de gestão escolar. das metodologias. terá de ser o instrumento do reconhecimento dos caminhos percorridos e da .a avaliação Na perspectiva da Gestão Democrática. Desta forma seus componentes assumem um papel importante frente às questões escolares.3.67). Para não ser autoritária e conservadora. A avaliação [. o momento avaliativo deixa de ser um momento autoritário e de repressão e passa a ser uma ocasião de reflexão para ações que contribuam para o desenvolvimento da instituição e do aprendizado dos alunos. do currículo. Enfim. a avaliação é um instrumento para a formação cidadã.. onde os interesses da comunidade são sistematicamente avaliados e revitalizados. Segundo Luckesi. por meio de uma relação transparente. ou seja. terá de ser o instrumento de identificação de novos rumos.

identificação dos caminhos a serem perseguidos. fornecendo dados e encaminhamentos para o trabalho dos professores. responsável pela separação entre concepção e execução do fazer pedagógico. Conforme esclarece ROCHA. do especialista e do diretor. pontuando e reforçando a escola como espaço de emancipação. a concentração na avaliação da aprendizagem. criativa e democrática de todos os professores das diversas áreas do conhecimento incluindo os temas transversais. reflexão e analise dos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos. das diversas etapas ou séries tornam o conselho de classe diferente das demais instituições colegiadas. fragmentária. entre outros destacamos: avaliar o aproveitamento dos alunos e da turma . Para Paulo Freire (1987).3.2.conselho de classe O Conselho de Classe é uma instituição colegiada presente na organização da escola cujo objetivo compreende acompanhar e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos por meio de um processo de discussão. a democracia perpassa a avaliação educacional. A participação dialógica. 1. o conselho de classe traduz na possibilidade de superação de heranças de uma cultura tecnicista da educação. como foco principal do processo de reflexão e o envolvimento de todos os alunos de todas as turmas. (1995). No contexto dos novos paradigmas educacionais. sendo um momento para análise sobre o desempenho pedagógico dos alunos e de reflexão e. consequentemente. acompanhada pela parcelarização do conhecimento e gerada na organização institucional verticalizada. sobre a performance da prática docente. individualizada e elitista. As reuniões estruturam-se a partir dos objetivos definidos de acordo com as necessidades pedagógicas evidenciadas ao longo do desenvolvimento do projeto pedagógico da escola. É reunião dos professores de uma turma com múltiplos objetivos.

formas alternativas de participação da comunidade. deliberativas e fiscalizadoras relacionadas às questões técnicopedagógicas e administrativo-financeiras da escola como: plano de desenvolvimento da escola. sistema de avaliação.d.9) O Conselho de Classe é um dos mais importantes e indispensáveis instrumentos de atuação na escola formal por se tratar de única reunião de professores institucionalizada e oficial dentro do calendário escolar. 1. Segundo Maria Auxiliadora Machado (s.colegiado A instituição denominada Colegiado Escolar vincula-se ao cumprimento da função social. calendário escolar. professores e especialistas na gestão da escola. pedagógica e política da educação escolar. favorecendo sua crescente autonomia pedagógica. A credibilidade e fortalecimento do colegiado escolar estão relacionados às competências decorrentes da organização e funcionamento da escola.como um todo.) a idéia central relacionada a criação dos colegiados nas unidades de ensino consiste em ampliar a participação de pais. conforme definições indicadas no seu Projeto Político Pedagógico. bem como uma gestão escolar mais democrática. As normas definidas pela Secretaria de Estado da Educação para o funcionamento do colegiado nas escolas dar Rede Estadual deliberam sobre as suas atribuições consultivas. (1984. O Colegiado Escolar é um órgão coletivo de decisões e análise de toda a organização e funcionamento da escola. parcerias. É importante ressaltar que não é função do Conselho apenas se deter sobre o comportamento e notas dos alunos e sim promover mecanismos de ação que valorizem e apóiem o ensino. promovendo maior integração da escola com a comunidade.3.3. p. caixa escolar. proposta pedagógica. chegar a um conhecimento mais profundo do aluno e promover a integração dos professores e de outros elementos da equipe da escola. regimento. administrativa e financeira. currículo. conselho de classe e outros assuntos que têm interferência na vida .

5.a eleição de diretores A escola é o reflexo da sociedade. a democracia. ampliando a responsabilidade do diretor em cumprir com a comunidade que se torna coresponsável aos objetivos escolares devido à participação no processo de escolha. As normas indicam ainda que o colegiado deva ser composto por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar.grêmio estudantil Grêmio Estudantil é um mecanismo democrático constituído pelos estudantes cujo objetivo é promover eventos culturais.escolar. a cultura. professores. instigando a discussão de todos os segmentos que representam o colegiado. Por meio da eleição a vontade e os desejos da comunidade escolar são contemplados.3.3. A eleição deve ser cada vez mais aprimorada e articulada a outros mecanismos. pais e alunos (maiores de 15 anos). Isto favorece o espaço democrático escolar. sendo elemento fundamental na democratização dos processos de poder da unidade escolar. de lazer. debates e outros de interesse da comunidade escolar sob a coordenação de uma diretoria eleita por seus componentes. funcionários.4. 1. e gestores. professores. DOURADO (2008) acredita que a eleição de diretores é crucial para o processo de gestão democrática. especialistas. ou seja. a compreensão do poder como exercício de paz. artísticos. já que as mesmas especificidades sociais perpassam por este espaço. a violência. serviçais. A eleição para diretores e vice-diretores constitui-se num primeiro instrumento de democracia na escola. de estudantes. . os sujeitos. de modo que tenhamos o partilhamento do poder. 1.

de 04 de novembro de 1985 e tem como objetivo contribuir para fomentar a participação dos alunos nas atividades da escola. nas discussões de possibilidades de ações na escola e na comunidade. juntamente com a comunidade escolar. que significa lançar adiante. lança-se para adiante tendo em vista a concretização de seu projeto educativo em sua prática cotidiana. Sua dimensão políticopedagógica caracteriza uma construção ativa e participativa dos diversos segmentos .3. O PPP significa também rupturas com paradigmas que representam o engessamento das práticas no interior da escola. Ele expressa o ideal de educação e sociedade de uma comunidade escolar numa atitude autônoma em relação às esferas administrativas superiores. de forma mais organizada. para conceber um lugar político. o Grêmio estudantil. já que na perspectiva da Gestão Democrática.6. a escola é o lugar de concepção e realização de seu projeto educativo. de debate e diálogo apoiado em reflexões e ações coletivas. Este conceito expressa com propriedade o sentido de um Projeto Político Pedagógico (PPP). com suas práticas centralizadoras.O Grêmio Estudantil pode representar os estudantes de determinada unidade escolar nos processos decisórios. O Grêmio é um órgão composto somente de estudantes e para participar é necessário estar regularmente matriculado e freqüente. além de ser um espaço de aprendizagem e conscientização política.398. coordenadores e diretores auxiliando-os na programação e construção de regras dentro da sua escola.projeto político pedagógico De acordo com Ferreira (1975) projetar vem do latim “projicere”. 1. Por meio da abertura de espaços de discussões e participação nas decisões. Essa representação é assegurada pela Lei Federal Nº 7. pode contribuir efetivamente para a construção de relações democráticas no âmbito da escola pública. fazendo com que estes tenham voz ativa e participativa junto aos professores.

professores e professoras. Ao desenvolvê-lo. direção e toda a comunidade escolar.escolares . resultante de um planejamento dialógico. dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos. críticos e envolvidos com os ideais estabelecidos. por conter os compromissos sociopolíticos de um grupo e as pedagógicas. reafirmam as suas identidades. reafirmam e atualizam os seus valores na troca com outras pessoas. comprometidos. coletivo e participativo de construção da autonomia da escola Desta forma. estabelecem novas relações. indicam novas possibilidades e propostas de ação. o PPP apresenta-se em duas dimensões indissociáveis: as políticas.pedagógico é ação humana transformadora. pais e mães.alunos e alunas. . sejam eles na escola ou na sociedade. refletem as suas práticas. ao ser verificado enquanto ações intencionais que contribuirão significativamente na formação de cidadãos responsáveis. funcionários. demonstram seus saberes. as pessoas ressignificam as suas experiências. resgatam. Nesse sentido o projeto político. Todo esse movimento visa a promoção das transformações necessárias e desejadas pelo coletivo escolar e comunitário.

d. Diante desse novo fato. s. os candidatos submetiam-se a uma prova. desde o processo de provimento ao cargo até o seu desafio frente à Gestão Democrática nas escolas. a participação da comunidade escolar passou a ser determinante na escolha do diretor e vice. (Silva. na segunda avaliase a titulação dos candidatos e sua capacidade de liderança sendo esta última avaliação feita pela comunidade escolar através de uma eleição. por um lado.2.1.sobre o processo de eleição do diretor em Minas Gerais Em Minas Gerais. Dessa forma. estabeleceu-se a seleção competitiva interna. a questão da eleição de diretor escolar iniciou-se em 1989. determinados setores se articulavam no intuito de se tentar caracterizar a seleção competitiva interna como uma forma de concurso. os segmentos sociais que há muito lutavam pelas “diretas para diretor de escola” se mobilizaram para que a regulamentação do dispositivo constitucional referente ao provimento no cargo de diretor de escola se configurasse como um processo “eletivo” e não como “concurso”. a eleição direta para diretor de escola passa a ser objeto de discussão tanto na esfera dos profissionais da educação quanto na área de atuação do governo estadual. regulamentou o artigo 196.diretor. 2.) . através do processo de seleção competitiva interna (SECOM) processo este constituído de duas etapas: na primeira etapa. funções e subsídios para o exercício à função. Os embates políticos em torno dessa questão se acirraram nesse momento tendo em vista que.O DIRETOR ESCOLAR EM MINAS GERAIS Este capítulo tem como foco apresentar a função do diretor escolar em Minas Gerais. A Lei n° 10. como meio para o provimento do cargo de diretor escolar. Por outro. para avaliar competências técnicas. Em seu artigo 196. e em contraposição a essas articulações.486 de julho de 1991. demonstrando suas atribuições. com a promulgação da nova Constituição Estadual de Minas Gerais.

de 22 de dezembro de 2006. Determina também que poderão participar do processo de indicação de Diretor e de Vice-diretor. e em 1999 a primeira etapa do processo de eleição foi eliminada. por votação. No caso de Diretor. A Comunidade Escolar. para concorrer ao cargo é necessária a aprovação no exame de Certificação Ocupacional de Dirigente Escolar da SEE-MG e possuir formação para o magistério. O pretenso diretor deve possuir habilidade para exercer plenamente a presidência da Caixa Escolar. licenciatura plena ou graduação acrescida de formação pedagógica docente. através de curso de pedagogia. Atualmente. A resolução da SEE-MG n. . esta é a legislação vigente no estado de Minas Gerais.º 852.A partir de 1996. A resolução define que a Comunidade Escolar fará a indicação de servidor ao cargo em comissão de Diretor e à função de Vice-diretor dentre as chapas inscritas conforme critérios estabelecidos nesta Resolução. em especial a movimentação financeira e bancária e não estar respondendo a processo administrativo. servidores que comprovem deter a função pública estável ou estar designado no cargo das carreiras de Professor de Educação Básica ou Especialista em Educação Básica. o vice-diretor passou a ser indicado diretamente pelos candidatos a diretor. civil e penal nem ter sido punido disciplinarmente nos 05 (cinco) anos anteriores à data da indicação para o cargo ou função. estabelece critérios e condições para a indicação de candidatos ao cargo de Diretor e à função de Vicediretor de Escola Estadual de Minas Gerais. O candidato à vaga deve estar em exercício na Escola Estadual para a qual pretende candidatar-se na data de inscrição ao processo de indicação e ter obtido pontuação igual ou superior a 70 (setenta) pontos no último período da Avaliação de Desempenho Individual – ADI ou na última etapa em que foi submetido à Avaliação Especial de Desempenho – AED. indicará a chapa que julgar apta para a gestão da escola. no caso de servidor efetivo. curso de licenciatura curta ou curso normal de nível médio dependendo da especificidade da escola.

atribuições e funções do diretor escolar: Ao diretor escolar são atribuídas funções que abrangem aspectos pedagógicos. deve-se observar e considerar a complexidade do ambiente escolar e neste sentido. pois. se a proposta de eleição de diretor for considerada como a única garantia de democratização da escola. Compete ao diretor escolar. No entanto. evitando-se o privilegio de algumas em detrimentos de outras de igual importância para o bom funcionamento da rotina escolar.2. representar a escola oficialmente. promovendo a constante elevação dos níveis de aprendizagem dos alunos. manter em evidência que. Não se pretende aqui fazer um aprofundamento em tais atribuições. A ele cabe zelar para que a escola eleve os padrões de aprendizagem de seus alunos. perder de vista o legítimo anseio da democratização da escola enquanto espaço educativo para a participação e a cooperação necessárias ao exercício da cidadania. e de toda a comunidade escolar nas diferentes ações desenvolvidas na escola. Para o bom desempenho de tais atribuições. mas abordar as mais importantes dentre varias outras. indispensáveis ao exercício ao cargo de diretor escolar. financeiros e burocráticos conforme as normas estabelecidas pela SEE/MG. p. é importante que o diretor desenvolva uma visão global das funções a ele atribuídas. Passe-se a partir de então a um breve relato das atribuições do diretor escolar conforme normas elaboradas pela SEE/MG. e assim.PRAIS (1990. estimulando a participação dos pais. o modelo de gestão democrático pode auxiliar ao diretor a desempenhar suas várias funções dentro da escola. 2. então se corre o risco de restringir-se à simples substituição de pessoas no poder. Uma vez que ele encontrará dentro da própria instituição parceiros que o ajudarão no comprimento de suas responsabilidades. atuando e coordenando para a organização e o .109) ressalta que: Deve-se.

a Gestão Financeira e a Gestão Administrativa. Ao estimular o desenvolvimento profissional dos professores e demais servidores em sua formação e qualificação. O Projeto Pedagógico da Escola. monitorando o registro da freqüência e conduzindo a avaliação de desempenho da equipe garantindo a legalidade e regularidade dos atos praticados pela escola privilegiando a autenticidade da vida escolar dos alunos.3. São três os direcionamentos para a Gestão Escolar em Minas Gerais: a Gestão Pedagógica. o diretor escolar eleva o nível do quadro de pessoal. quando necessário. as Avaliações Internas e Externas da Aprendizagem. observando e cumprindo as orientações emanadas da SEE/MG e a legislação vigente. cabendo ao diretor escolar direcionar estas práticas pedagógicas para que todos se conscientizem da . o diretor ainda tem como responsabilidade zelar pelo prédio.competências do gestor escolar De acordo com a legislação vigente em Minas Gerais. 2. promovendo sua manutenção. cabe ao Diretor Escolar articular as formas da gestão e direcioná-las para o foco central do fazer da Escola: o ensinar e o aprender. alocando servidores conforme interesse da escola. pelos bens patrimoniais e pelo mobiliário escolar. A ele cabe assegurar a regularidade do funcionamento da Caixa Escolar e ainda fornecer os dados e informações solicitadas pela SEE/MG. reforma e ampliação. Também necessita prestar contas das ações realizadas durante o período em que exercer a direção da escola e a presidência do Colegiado Escolar. Foco à Gestão Pedagógica é a exigência principal da Escola que se busca hoje: garantir o sucesso dos alunos e propiciar ações que impeçam o fracasso são propósitos permanentes para a garantia do sucesso escolar. apoiando a realização da avaliação pedagógica. divulgando seus resultados e tomando medidas para resolver os problemas apontados nas avaliações. observando a sua fidedignidade e prazos estabelecidos.desenvolvimento do projeto pedagógico. Na parte administrativa. O Plano de Intervenção Pedagógica representam a vida da escola.

suas implicações na vida escolar dos alunos e desde a sua aprendizagem aos processos burocráticos dos registros. 2. e. 2.3.responsabilidade coletiva do trabalho. o emprego transparente dos mecanismos de democratização da Escola. Todas essas atividades devem ter por objetivo a busca ao sucesso no desempenho de todos.1.o guia do diretor escolar A SEE-MG juntamente com a diretoria de capacitação dos gestores. elaborou O Guia do Diretor Escolar quem tem por finalidade subsidiar o desenvolvimento do . foi elaborado pela SEE-MG o Manual de Orientação e O Guia do Diretor Escolar. O Manual de Orientação visa orientar e organizar o desenvolvimento das atividades previstas a serem desenvolvidas no processo de indicação de candidatos ao cargo de Diretor e à função de vice-diretor das escolas estaduais. na capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da educação. O direcionamento administrativo é o cumprimento das leis e planos da Escola. na aquisição do material necessário ao funcionamento da Escola.2.3. na avaliação da aprendizagem. trabalho esse que implicará na qualidade da educação e assegurará a aprendizagem em todos os tempos da Escola. na aquisição de material didático-pedagógico. no desenvolvimento e implementação do Projeto Pedagógico. sobretudo.o manual de orientação No intuito de subsidiar o trabalho dos diretores escolares da rede estadual de educação. A Gestão Financeira tem por objetivo cuidar para que os investimentos sejam empregados na conservação do prédio e do patrimônio escolar. a aplicação e desempenho do processo pedagógico. O zelo pela vida funcional de seus servidores.

O guia orienta os processos de planejamento. Essas transformações demonstram uma democratização da escola caracterizada pela administração participativa.o diretor frente à gestão democrática A nova Constituição Federal 88 contemplou movimentos em prol da educação.trabalho destes profissionais. Vitor Paro (1993. O novo conceito de gestão supera o de administração. 2. 2000). elaborado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação . nos diferentes contextos escolares.Programa de Capacitação dos Gestores. “o termo administração foi substituído pelo termo gestão”. O programa tem como objetivo capacitar gestores competentes e comprometidos com a efetiva aprendizagem de seus alunos e com elevação da qualidade do ensino público no Estado. 2.3. a mesma adverte que “não basta uma mudança semântica. existente desde 2004. p. implementação e avaliação das ações administrativas.CONSED.3.Progestão Concomitante aos subsídios acima citados existe o PROGESTÃO . Segundo Uhle (1994. alterando o termo administração pelo termo gestão. p. financeiras e pedagógicas. sendo de competência da Diretoria de Capacitação de Gestores a sua implementação.4. mas essencialmente uma cultura que valorize os princípios democráticos”.79). propõe a transformação social por meio de uma administração escolar transformadora: . uma vez que envolve a participação da comunidade nas decisões que são tomadas na escola (LUCK.164). É coordenado em nível nacional pelo CONSED e no Estado de Minas Gerais. pela SEE-MG por meio da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Humanos.

não se referem apenas à democratização interna da escola. (LIBÂNIO.. lidera. A gestão passa a conceber um ambiente autônomo e participativo.. um orquestrador de atores. 335).] o diretor coordena. um articulador da diversidade para dar unidade e consistência. pois contempla a organização e o funcionamento de todo o ambiente escolar. p.34). Conforme oportunamente caracterizado por Flávio de Toledo (1994.. 2000. que centraliza em si as decisões. na construção do ambiente educacional e promoção segura da formação de seus alunos (LUCK. Sobre o papel do diretor. 2003. É de importância fundamental ressaltar o trabalho do Diretor escolar. “a criação de um clima propício à motivação e ao desenvolvimento das pessoas como a missão . motiva. é abandonada a função de fiscalização e controle. 16). p. conforme suas atribuições específicas.] um gestor da dinâmica social. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. p. mas também ao fortalecimento da unidade escolar externamente. para ser: [.As vantagens de uma Administração Escolar participativa. mobiliza. o que provoca o trabalho coletivo e partilhado por várias pessoas para alcançar objetivos comuns. OLIVEIRA e TOSCHI. Percebeu-se que não cabe ao Diretor apenas administrar e sim ser uma figura que proporcione a participação de toda a comunidade da escola. as responsabilidades decorrentes das decisões acompanham o desenvolvimento das ações. em que as decisões são tomadas pelo grupo.. delega aos membros da equipe escolar. um mobilizador. Essa alteração de gestão sinaliza o surgimento de uma concepção na qual o papel do gestor é redefinido. E mais [.

tomar decisões conjuntas (2005). Este passa a ser valorizado por sua capacidade de influenciar. a motivar o trabalho em conjunto e solucionar seus problemas de forma autônoma.. identificar e resolver problemas. É relevante pontuar que a qualidade da escola não se restringe ao Diretor mas também implica mudanças nas características pessoais e profissionais de toda a comunidade escolar. A participação não depende de alguém que “dá” abertura ou “permite” sua manifestação. desenvolver e manter um sentido de comunidade na escola. Carvalho reforça esta idéia: No atual modelo de gestão. partilhar informações.] democracia só se efetiva por ações e relações que se dão na realidade concreta. Conforme Ramos (1992. o gestor passa a assumir o papel de coordenar a ação dos diferentes componentes da comunidade escolar na tomada de decisões coletivas. p.133). visto como “liderança empreendedora”.” A Descentralização da educação ampliou as responsabilidades da escola. motivar. estimular o trabalho em equipe. conquista-se. para promover melhores condições da escola. Democracia não se concede. realiza-se (p.36) . compartilhar responsabilidades e poder. em que a coerência democrática entre o discurso e a prática é um aspecto fundamental.. tende-se a atribuir uma maior importância à figura do gestor. Percebe-se a necessidade de compreensão por parte dos gestores sobre a diferença entre o discurso e a ação conforme afirma Hora (2006): [.fundamental de uma gestão justa e inteligente do patrimônio humano de uma organização.

cada subordinado. em equipe”. De acordo com os esclarecimentos.. a inteligência e a visão empreendedora dos seres humanos envolvidos no processo educativo. processo de construção e participação.A Escola de Qualidade que se pretende construir tem na inovação sua mola propulsora. qualidade total denota o compromisso com a qualificação dos recursos humanos envolvidos. Weiss (1991.... (.). p. Qualidade é. questão de competência humana. Qualidade total é.). debates. Severino (1992. onde o SER predomina o TER. de si.29) observa que “cada pessoa deve conhecer suas responsabilidades individuais. mesmo que trabalhe em conjunto.3) assegura que são necessárias apropriações de novos conceitos: Sabe-se que mudanças geram resistências em grau proporcional ao estilo pessoal de cada dirigente. p. Sob o mesmo ponto de vista. oriunda até mesmo do estudo do processo psíquico dos elementos envolvidos. Este autor (p. de avaliações a respeito das questões .. Ele deve transformar sua Escola num verdadeiro centro de informações. estas são até saudáveis.11): Qualidade é uma dimensão de intensidade.87) afirma que: Cabe ao diretor envolver toda a equipe da Escola num processo contínuo de discussão sobre o sentido da Educação no contexto concreto da sociedade brasileira. Como esclarece Demo (1994. (. Kanaane (1991. assim. p. devendo ser removidas com abordagem franca. p. Sob certos aspectos. Na acepção mais básica. tendo em vista que qualidade provém deles.34) afirma que: "O fato de as pessoas desconhecerem as conseqüências do sucesso ou do fracasso constitui uma razão importante para que elas não dêem o melhor possível de si”.. (. Inovação exige talento e talento se obtém na medida em que se apóiem a criatividade.) Qualidade significa a perfeição de algo diante das expectativas das pessoas.

toda a comunidade a envolver-se efetivamente na gestão participativa da educação.sócio-político-culturais que têm repercussão sobre a Escola. Com isso pressupõe-se que o Diretor Escolar tem um papel frente a gestão democrática no sentido de promover um ambiente participativo. transparente e autônomo. . Estimulando assim. procurando firmar a posição da Escola ante esses contínuos desafios.

suas idéias. situações. sua filosofia de vida. optou-se pela “Pesquisa Qualitativa”. o que implica a idéia de superação do sujeito (pesquisador) do objeto da pesquisa (realidade estudada). dão significados às suas condutas. a medida em que realiza os trabalhos de pesquisa. o pesquisador pode partir de observações mais livres deixando que as hipótese e idéias surjam. Os sujeitos pesquisados são sujeitos de cultura que dão sentido às suas ações. acontecimentos.METODOLOGIA DO TRABALHO Neste capítulo serão apresentadas informações sobre como se realizou as pesquisas bibliográfica e de campo. seu olhar singular sobre a realidade pesquisada. a abordagem indutiva. sua forma específica de problematizar esta mesma realidade. 3. assim como se reverenciam em si mesmos e nos outros. porque não existe pesquisador neutro. As questões do cotidiano devem ser transformadas em objeto de . o que significa que não há necessidade de partir de hipóteses delineadas e fazer deduções. inclui transcrições de entrevista e de depoimentos. Em se tratando de uma pesquisa no campo da educação. ao contrário. seria incoerente se falar em metodologia neutra. pois a mesma busca o cotidiano das experiências vividas e os sentimentos envolvidos. A metodologia está intimamente ligada ao pesquisador com seus valores.3. permite um enfoque de uma dada realidade. Não há presença marcante de tabelas estatísticas ou dados numéricos. já que existe uma relação de reciprocidade entre eles. rejeita a idéia de “neutralidade do pesquisador. O material obtido nessa pesquisas é rico em descrições de pessoas.1. detalhando as etapas da metodologia selecionada para o desenvolvimento deste trabalho.definição da metodologia Tendo em vista a alcançar os objetivos traçados neste trabalho.

2. optou-se por esse método. . quando o entrevistador tem pouca clareza sobre aspectos mais específicos a serem focalizados. Foi realizado um levantamento bibliográfico e entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado. com vista a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. 3. mas também deixa que o entrevistado responda em seus próprios termos. pedindo que o sujeito fale um pouco sobre ele. Partindo desse conhecimento. indo além do contexto imediato e analisando os aspectos.coleta dos dados A coleta de dados. por entrevistas semi-estruturadas. Este tipo de entrevista é geralmente usado no início da coleta de dados. o entrevistador introduz o tema da pesquisa. e é frequentemente complementado. o entrevistador faz perguntas específicas. distinguido-as pelo grau de controle exercido pelo entrevistador sobre o diálogo. que pretendem proporcionar maior familiaridade com o problema. Realizou-se este trabalho utilizando pesquisas exploratórias. no decorrer da pesquisa. sendo esta ultima baseada em um roteiro previamente elaborado pelas integrantes do grupo. objetivando aprimorar idéias ou descobrir intuições. que integra este trabalho. por ser o que mais se adequa ao objetivo fundamental deste trabalho possibilitando através dos estudos bibliográficos e as entrevistas com diretores. eventualmente inserindo alguns tópicos de interesse no fluxo da conversa. O roteiro da entrevista baseiou-se em quatro focos relacionados aos temas “diretor escolar e gestão democrática”. também chamadas focalizadas. dimensões e circunstâncias que com elas se relacionam. e posterior análise de exemplos que estimulem a compreensão do tema do trabalho. Rubin & Rubin (1995) descrevem uma variada gama de tipos de entrevistas qualitativas. Nestas.investigação. perceber a grande importância deste profissional para a efetivação da gestão democrática. se deu através de entrevistas estruturadas e semi estruturadas. Nas entrevistas não estruturadas.

utilizada para estudar e analisar material qualitativo. neste trabalho. por sua vez. O segundo foco diz respeito “à prática da Gestão democrática por parte dos entrevistados. podendo. além de relacionar suas características gramaticais. ressalta a importância do processo para o desenvolvimento da gestão democrática e questiona a opinião dos entrevistados sobre este importante processo. O terceiro foco denominado “Eleição: um caminho em construção”. “análise de conteúdo é uma técnica que não tem modelo pronto. a partir daí. O último foco tratou da “prática de indicação de diretores ao exercício do cargo” e quis saber dos entrevistados a relevância deste processo para a prática de uma boa gestão na perspectiva de gestão democrática.3. elaborou-se um roteiro estruturado em dois itens: o primeiro com os elementos sócio-biográficos dos profissionais e o segundo. tratando dos elementos estruturados propriamente ditos que foram os três últimos focos relatados anteriormente. a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin.O primeiro foco denominado “Realidades distintas: múltiplos olhares” objetivou explanar as características profissionais dos entrevistados. as ideológicas e teóricas. Para esta autora. e os limites e suas possibilidades frente à realidade educacional de cada escola visitada”. A análise de conteúdos é um conjunto de técnicas de análise das comunicações. 3.tratamento dos dados Para interpretar os dados coletados através das entrevistas com os diretores das escolas. foi utilizada. constrói-se através de um ir e vir contínuo e tem que ser reinventada a cada momento”. buscando-se melhor compreensão de uma comunicação ou discurso. as experiências destes profissionais no cargo de diretor e o perfil destes gestores na perspectiva da gestão. Na construção do roteiro de entrevista. extrair os .

aspectos relevantes para a pesquisa em questão. Diante deste pressuposto e com base nas respostas obtidas através de questionario semi-estruturads. que funciona por operações de desmembramento do discurso em unidades. Estes resultados serão amplamente analizados no próximo capítulo. . utlizou-se categorizações para organização dos dados obtidos. Dentre as diversas técnicas existentes na análise de conteúdos escolheu-se para este trabalho especificamente a análise categorial.

percebeu-se a importância política desta pesquisa. Iniciou-se uma entrevista informal com a vice-diretora desta escola. já que “os problemas da escola estão profundamente enraizados nas condições globais da sociedade (FREIRE.52) Com base nas pesquisadas realizadas e a produção dos capítulos I e II. já que a revelação em sua fala foi contraria a toda pesquisa realizada até o momento. mesmo com o respaldo legal sobre a: . A primeira visita realizou-se em uma escola da rede estadual na região Centro/Sul de Belo Horizonte. Este relato impulsionou a investigação acerca da divergência entre a legislação vigente e a realidade deste recorte educacional. percebeu-se a realização de um trabalho árduo. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão por intermédio do mundo”. A interpretação destes dados foi realizada baseada no referencial teórico utilizado. Constava-se uma situação de indicação de diretor escolar.ANÁLISE DOS DADOS Neste capitulo apresentam-se as análises dos dados coletados ao longo do desenvolvimento da pesquisa. Os homens trabalhando em conjunto se libertam das amarras produzidas pelo Estado. 1987. p. 1987)”. a entrevistada expôs: “Nunca presenciei uma eleição de diretor escolar. a pesquisa de campo iniciou-se no mês de Março/2010. Esta fala demonstra que a prática de indicação ao cargo de diretor escolar continua ocorrendo nos dias de hoje. onde o que era indicado torna-se eleito. À luz de Paulo Freire foi possível perceber alguns pontos dentro da gestão democrática que condizem com o pensamento deste grande educador. (FREIRE. diversificado. Funcionária da rede pública há seis anos e com experiência em diversas escolas da rede inclusive no interior do Estado. durante a minha carreira no Estado”. O relato desta diretora suscitou dúvidas no grupo com relação ao processo de eleição. Ninguém liberta ninguém.4. Diante desta realidade da rede estadual. burocrático e ao mesmo tempo pedagógico.

3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB – nº 9. alunos e pais. vários são os motivos que necessitam da intervenção da SEE-MG . reafirmado no Art.394. Dos programas de capacitação dos gestores que abrangem vários municípios do Estado. para promover a gestão competente nas escolas estaduais e aumentar a participação da Comunidade Escolar no processo de eleição de diretor. com a participação da comunidade escolar. Quanto aos casos de indicação de diretor escolar. No intuito de compreender esta realidade. é uma das manifestações democráticas mais expressivas da participação política na gestão do processo formativo escolar. funcionários da escola. A fala da entrevistada elucidou acerca da legislação e sua execução nas escolas. De acordo com as explicações da entrevistada. que define condições e critérios para o exercício do cargo de diretor e à função de vice-diretor. no Art. a SEE-MG elaborou a Resolução nº 852 de 22/12/2006. Segundo a entrevistada. A entrevistada relatou a importância do Colegiado Escolar bem como seu funcionamento. da Gestão democrática e do papel do diretor escolar nos dias de hoje. de 20 de dezembro de 1996. 206.Eleição direta para o provimento do cargo de diretor de escola pública. Nesta visita questionou-se sobre como se dá o processo de eleição e o por quê de ainda existir o processo de indicação de diretores. previsto na Constituição Cidadã de 1988. professores. a entrevistada esclareceu que “este fato ainda ocorre devido às especificidades de algumas escolas e situações. Deparou-se com o processo de escolha de diretor na rede pública estadual de ensino. É um exercício prático e pedagógico de cidadania. na forma da lei. nas quais a SEE-MG tem que intervir”. visitamos a Secretaria de Educação de Minas Gerais em Abril/2010. uma vez que constatou-se a existência desta prática em algumas escolas da rede estadual. Na SEE-MG entrevistou-se uma funcionária do setor de capacitação dos gestores do estado de Minas Gerais. inciso VI: gestão democrática do ensino público.

é do sexo masculino. Diante deste cenário percebeu-se que as intervenções são necessárias devido à complexidade da Rede Estadual de Ensino. exonerações de cargos. para os gestores da rede estadual de Minas Gerais e tem como meta capacitar os profissionais do magistério da rede. Ainda na entrevista. Psicologia.realidades distintas: múltiplos olhares O primeiro entrevistado. o PROGESTÃO. O programa desde 2004. Com base nas informações adquiridas na visita à SEE-MG decidiu-se ampliar esta pesquisa de campo visitando duas escolas da Rede Estadual de Ensino.como: em casos de falta de candidatos ao preenchimento da vaga. candidatos que não preenchem os critérios e condições exigidos pela SEEMG e candidatos que apresentam o perfil mais adequado para exercer a função em determinadas escolas. 4. Suas áreas de formação são História. Direito e Administração Pública. Sendo uma escola onde o diretor foi eleito pela comunidade escolar e outra escola onde o diretor foi indicado pela SEE-MG. Atua na educação há trinta anos. tem 49 anos e é solteiro. tomou-se conhecimento do Programa de Capacitação dos dirigentes escolares. que neste trabalho será designado de “A”. que exercem ou pretendem exercer a direção das escolas de Educação Básica. representa uma contribuição inovadora no campo da formação continuada via Educação à Distância. . Por isso ocorrem exceções à regra. Optou-se observar estas duas realidades buscando responder o problema de pesquisa: Há realmente uma prática democrática por parte do diretor escolar na perspectiva de gestão? Ou há uma prática democrática do diretor escolar independente de sua forma de eleição X indicação.1.

a seu ver. Disse que. “A experiência de ser gestor ajuda a colocar em prática experiências vivenciadas e „algumas idéias‟. Acredita também que o fato de ter cursado uma pósgraduação em administração pública pesa na escolha. A gestora “B” respondeu à pergunta dizendo que o que a levou a ocupar o cargo foi “a vontade de sair da sala de aula. Perguntados sobre o que os levou a ocupar o cargo de gestor escolar.2. “o professor que fica no cargo de gestor por muito tempo perde a abordagem do aluno”. pois a clientela muda rápido e. de outra instituição. “cabe ao Gestor Escolar articular todas as formas da gestão. direcionando-as para o foco central do fazer da Escola: o ensinar e o aprender. O candidato também ressaltou que é vice-diretor.gestão democrática: o que determina o sucesso? A segunda pergunta feita na entrevista quis saber como o entrevistado descreve o momento atual quanto às possibilidades de uma pessoa ter sucesso como gestor de escola pública no Brasil. volta para o cargo de professor. é casada. o entrevistado “A” disse que é gestor por idealismo. algo que a estressava muito”. .” A partir desta afirmação identificou-se na fala do gestor “A” a coerência entre esta teoria com seu relato contrapondo com a fala da gestora “B” que demonstra não perceber a gestão da escola relacionada ao o processo de ensino e aprendizagem. De acordo com o Guia do Diretor escolar (2008:15). 4. pela terceira vez. Demonstrou na resposta que a escola considera a experiência do candidato em questão quando há necessidade de escolher.A segunda entrevistada. formada em Letras com habilitação em Português e Inglês e exerce o cargo de gestora há três anos. que neste trabalho será designada pela letra “B”. Também falou sobre “a possibilidade de ascensão profissional”. tem 46 anos. de tempos em tempos.

Esta idéia de Santos se relaciona à fala do gestor “A”. alguém que consegue aglutinar as aspirações. O Guia do diretor escolar pontua características necessárias ao diretor escolar na perspectiva da Gestão Democrática. as expectativas da Comunidade Escolar e articula a adesão de todos os segmentos na gestão dos planos e projetos da escola. especialmente no que tange ao satisfatório desenvolvimento pedagógico.12) .O entrevistado “A” define a gestão da coisa pública como “um desafio. Há entraves burocráticos. humanos e financeiros. O gestor “A” disse ainda que: O gestor de escola pública é desafiado o tempo todo pela comunidade escolar e pelos órgãos públicos. “Conhecimento e liderança são fundamentais ao sucesso do gestor. sob pena de tornar a escola inviável. limitações na estrutura física e de pessoal”. porém sem abdicar do ideal e da crença na possibilidade de mudanças. (2008. já que os desafios e entraves existentes na gestão são mencionados.16). dentre elas: Ser articulador – Líder cooperativo. p. pois o grupo a ser gerido não é uma escolha sua”. Nesse diapasão. considerando as dificuldades. As teorias de gestão devem iluminar um novo caminho. o sucesso só é possível a líderes. sem desconsiderar os limites do sistema de ensino e as restrições dos recursos materiais. tão comuns na escola brasileira. os desejos. Segundo Santos gestão escolar na modernidade é um grande desafio: Ao analisarmos o papel dos gestores escolares na modernidade é necessário estabelecer parâmetros para a formação coerente com as demandas atuais. entretanto não são o foco da gestão. Os problemas existentes na escola são vistos como forma de elaboração de proposta que favoreçam melhorias dentro da escola.(Guia do diretor escolar p.

tem que buscar por si mesma alguma capacitação. p. a possibilidade de sucesso na gestão de escola pública passa necessariamente pelo desenvolvimento de líderes que tenham embasamento técnico robusto para o exercício da função. De tal sorte.] a construção da especificidade dos processos de gestão da escola. que demonstra articular a sua prática com os demais elementos envolvidos na escola. e participo de seminários que instituições privadas oferecem para a escola. A gestora “B” respondeu que. oferecido pelo Estado. os gestores de escolas públicas jamais passaram por cursos de administração ou já tiveram qualquer prática. “O diretor me liberou para fazer um curso. ao longo dos últimos anos.. Em grande número. predominando a concepção do transplante das teorias da administração de empresas para o ambiente escolar. Faço uma capacitação na UFMG a qual não pago. „seguro‟ aqui para você”. (Gestora “B”) Disse ainda que não existe uma organização apropriada para suprir a falta do professor que ausenta para capacitar-se. Não vejo por parte do Estado o oferecimento de condições favoráveis para a realização de capacitação profissional. Também disse que.Esta característica necessária ao diretor escolar vai de encontro à fala do gestor “A”. Desta forma. dentro da sua realidade. O gestor “A” acredita que a ocupação do cargo exige conhecimento técnico sólido. mas o baixo salário não proporciona a possibilidade de grandes capacitações. administrar aprendendo o essencial ao exercício do cargo acaba por gerar mais conflitos do que soluções. a articulação entre todos os elementos envolvidos na GD propicia maiores chances de alcançar o sucesso escolar. se quiser. como a comunidade escolar e os órgãos públicos.. (2008. A formação dos gestores educacionais e escolares.51) . Existe o Progestão. Concluindo. não vê muita coisa que possa ser levada em consideração para contribuir com o sucesso do gestor. pois para isso tenho que me ausentar e ele disse: pode ir. não tem garantido [.

o favoritismo e a neurose coletiva que travam o processo”. Nas intervenções relativas à prática pedagógica. junto aos professores e alunos. mas como uma instituição organizada de forma sistêmica. alunos. De acordo com a LDB. global.51) Quando questionado sobre o que pode ser levado em consideração. “Urge que se dê um caráter profissional às relações que se estabelecem na escola. “É preciso eliminar o conceito de que. Quando se tratam as questões da escola com objetividade e fundamento.Diante das falas dos gestores e da teoria citada. Não é mais possível pensar a escola com funções divididas. a entrevistada “B” disse que a pouca autonomia que o cargo possibilita dificulta o sucesso. mas não é tudo”. É um bom começo. idealista. para alcançar sucesso nesta profissão. de modo a "exorcismar" o amadorismo. a autonomia da escola é assegurada no artigo 15º: Art. “às vezes uma extensão da vida pessoal e familiar dos professores. porém possível. percebe-se a necessidade de ultrapassar a fragilidade da formação de administradores escolares. bastam boa vontade e honestidade. Lamentou que muitas escolas são administradas como espaço doméstico. a partir de uma análise da sua atuação. (SANTOS 2008. especialistas e dos próprios administradores”. acabo por ter abordagem prática. sem alongar em discussões infrutíferas. Disse ainda que a prática docente também é fundamental ao trabalho. para administrar uma escola. estou administrador. portanto não atuo propriamente como profissional de administração”. o gestor “A” ressaltou que teve uma formação escolar ampla e uma prática ao longo do tempo que facilitam o exercício da sua função. “Permaneço professor. torna-se possível administrar com sucesso. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão . funcionários. Ao responder a segunda pergunta. 15º.p. Atribuiu esta “pouca autonomia” aos abusos cometidos no passado por diretores que desviavam verbas e promoviam corrupção.

Salienta que atualmente “a burocracia impede muitas ações benéficas para a escola”. o que provoca falhas na comunicação organizacional e morosidade dos serviços. a gestora “B” disse que o processo democrático dá abertura para “cobrar”. assim. “Ela acontece com ampla participação dos diversos seguimentos da comunidade escolar. como e por que isso ocorre?” O entrevistado “A” lembrou em sua resposta que a eleição de diretor de escola da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais ocorre de três em três anos. Sobre este processo de eleição do diretor escolar. como ocorre com os próprios órgãos centrais da SEE. E.financeira. disse que “se dá após a aprovação do eleito pela Secretaria de Estado de Educação”. “os objetivos almejados não são alcançados”. Você tem conhecimento de quando.3.16 “a estrutura das escolas é centralizada e burocratizada. Percebe-se com a fala da gestora “B”. Sobre a investidura no cargo. dificultando o sucesso da escola na qual trabalha. que na prática a autonomia diverge da teoria. E que “não se tem notícia de eleito rejeitado pela administração pública”. 2008 p.” 4. pois sendo a própria comunidade que o escolheu se sentem mais próximos e mais responsáveis pela realização dos . após a aprovação dos candidatos em prova específica de conhecimentos sobre gestão escolar”.eleição: um caminho em construção A terceira pergunta foi: “O processo de eleição de diretor escolar é uma prática na rede estadual de ensino de Minas Gerais. A fala da entrevistada vai de acordo com SANTOS. pois os recursos demoram a chegar. observadas as normas gerais de direito financeiro público.

se compararmos com as citadas anteriormente”. Pois quando um gestor é interventor ou designado pode ter ou não um vínculo com aquela comunidade.trabalhos. reflexão sobre cidadania e leitura de mundo. mais oportuna e mais viável opção. Cada vez mais se verifica o desenvolvimento de uma concepção segundo a qual os usuários têm o direito de se familiarizarem com o modo de agir pedagógico da escola e podem contribuir com sua opinião.indicação enquanto possibilidade democrática A quarta pergunta foi: “Ao indicar diretores escolares. Salientou ainda que esta mudança de atitude faz com que a participação aumente e garante aos . Ambos os entrevistados concordam em suas falas que a eleição é a maneira mais adequada para a provisão do cargo de Diretor escolar. 89) considera esta como “a mais democrática e. Este teórico reforça a fala dos entrevistados ao reafirmarem a importância da participação para a concretização de práticas democráticas no ambiente escolar.4. que muitas vezes “batiam na mesa e impunham ordens”. Agora. Você concorda com essa colocação? Por quê?” A gestora “B” concorda com o que foi colocado pela pergunta. “Tudo indica que o homem só desenvolverá seu potencial pleno numa sociedade que permita e facilite a participação de todos.” (Paro. por envolver todos os interessados da comunidade escolar em práticas mais democráticas dentro da escola. 2001). a SEE-MG pode contribuir para a perda de uma conquista tão importante quanto à gestão democrática que gera participação política dos membros da comunidade escolar. O futuro ideal do homem só se dará numa sociedade participativa” (BORDENAVE 1994 p. expectativas e interesses para uma prática pedagógica mais adequada. Temos voz ativa”. ZABOT (84 p. a melhor. Disse já ter vivenciado a prática de diretores indicados. A defesa da eleição como critério para a escolha de diretores escolares está fundamentada em seu caráter democrático. “se ele bate lá. a gente bate cá. 4. sem sombra de dúvidas.17).

O diretor é voltado para o crescimento profissional dos discentes. em casos como do IEMG. tem o interventor para substituir. por fim. volta o processo democrático de eleição”. E. . Assim que haja eleição. se o diretor eleito não satisfaz a comunidade. E. Para o gestor “A” a questão proposta é controvertida: Há situações que realmente exigem uma intervenção. Antônio Carlos e E. com a escolha democrática. a ação dos diretores é fiscalizada pelo colegiado que é eleito com ampla participação dos membros da comunidade escolar e tem representatividade de todos os seguimentos”. e de mostrar mais seu trabalho. Ela também deu exemplo de como acontece na instituição onde ela atua: O diretor da escola veio como interventor dois anos e depois com eleição foi eleito. “a vida escolar não fica centralizada na vontade soberana da direção”. Concluiu. as intervenções prorrogaram indefinidamente. Mas nada oferecido pela SEE. “por sorte.professores a oportunidade de fazer mais colocação. Acredita que. Respondeu ainda não saber fundamentar objetivamente os motivos ensejadores desta prorrogação indefinida. por isto. busca sempre oportunidades de participação em seminários congressos para nós. o melhor caminho para o exercício da cidadania seja a participação efetiva dos membros da escola na escolha de seus gestores. Explicou ainda que. Por exemplo. “Este sim é indicado. Acredito que mesmo provocando conflitos na escola e alguns dissabores pelas disputas internas. A assertiva das entrevistadoras vem de encontro com o meu ponto de vista. Maestro Vilas Lobo. Assim. (Gestor “B”). (Gestor “A”) O gestor “A” acrescentou que. (Gestor “A”). O critério passa pelos gestores da Secretaria de Estado da Educação. O grande gargalo é a prorrogação indefinida desta intervenção. após a superação das situações que ocasionaram a intervenção. Já se tem quatro anos e acha que este ano terá eleição. E.

a direção indicada não é impedimento à democracia e à participação”.“que a direção eleita não é garantia de uma gestão democrática e participativa e que. .113) ao afirmar que: “a direção se constrói e se legitima na participação. O relato do entrevistado “A” demonstra que participação pode ser construída independente da forma de provisão do cargo. Sua fala pode ser fundamentada no pensamento de FERREIRA (2006. p. no exercício da democracia e na competência da construção coletiva do projeto pedagógico que reflita o projeto de homem e da sociedade que se quer”.

por isso duas realidades de diretor escolar são retratadas neste estudo (retirar fora de lugar) Para chegar às conclusões aqui relatadas. Contrariando desta forma o princípio fundamental da democracia . construída a partir da ação coletiva. A eleição de diretor escolar. buscando elevação do padrão de qualidade do ensino ofertado. Constatou-se através da análise das respostas dos entrevistados visões e concepções diferentes de educação que são expressas no conteúdo das respostas . uma vez que permitiu aprofundar conhecimentos acerca da Gestão Democrática. Os princípios que norteiam a Gestão Democrática proporcionam a valorização da escola. trabalha por melhorias dentro da escola como um todo e envolve-se na elaboração do projeto político pedagógico. cria situações de diálogos dentro da instituição escolar.a eleição . a descoberta de situações onde a eleição de diretores deixa de existir para vigorar intervenções da SEE/MG. contribuem com as relações interpessoais compreendendo as diferenças e priorizando sempre o bem comum. concretizando assim a participação entre toda a comunidade. Pensar em Gestão Democrática é acreditar em uma educação com importância social.mas não o seu determinante. na forma de indicação de diretor. sendo possível vivenciar e desenvolver a democracia no dia-a-dia da escola. grande marco da Gestão Democrática. focar nas ações desempenhadas pelo diretor escolar. O diretor escolar é o elemento que contribui com a divulgação e atualização de informações. por exemplo. conforme averiguado nos referenciais teóricos utilizados para realização deste estudo. o grupo trilhou caminhos que suscitaram dúvidas como. e principalmente. As ações do diretor escolar. conhecer a dinâmica da escola pública por meio de visitas e observações.CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho foi de extrema relevância. provocou no grupo interesse em aprofundar conhecimentos nesta temática. conforme necessidade local. nesta perspectiva de gestão. da comunidade e consequentemente do gestor escolar.

convergem para a implantação de práticas democráticas nas escolas pesquisadas. atuam no sentido de fomentar a participação da comunidade nas tomadas de decisão dentro da escola.dos diretores das escolas pesquisadas. . Ambos concordam que sem esta prática. a educação necessita ser entendida como um bem público. Verificou-se também. os diretores. independente da forma de egresso à ocupação do cargo. Nas duas realidades observadas constatamos que há uma prática democrática exercida pelo diretor escolar. fundamentado no diálogo como estratégia de resolução de conflitos e encontro de pessoas que comungam ideais semelhantes de sociedade. que dessa maneira. seja pela comunidade ou indicado pela SEE/MG. possuindo uma democracia onde todos tenham voz e vez. onde se respeite a especificidade de cada escola. por isso. contribuem com esse novo modelo de gestão. A democracia é um princípio sem fim. O trabalho está a disposição de toda comunidade escolar e acadêmica na qual deseja se interessar e saber um pouco mais acerca da temática abordada. Nos espaços pesquisados. mas tão somente ser um estudo onde futuras pesquisas sobre o tema poderão se apoiar. Esta pesquisa não pretendeu esgotar o assunto. Porém. não é o fator determinante para a efetivação da Gestão Democrática. ambas as experiências. Logo. que cada realidade requer atuação diferenciada por parte de seu gestor. de acordo com suas especificidades e desafios diários. a Gestão Democrática não se concretizaria e. Assim sendo. a participação deve existir em todas as ações que se nomearem ser democráticas. a forma como o diretor de escola é eleito. pautados em realidades mais justas e igualitárias para todos.

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