MODELO RECURSO DE INFRAÇÃO DE TRÃNSITO - EMBRIAGUEZ

A JADA do DETRAN– RS.

Assunto: Defesa Prévia de Notificação de Autuação de Infração de Trânsito nº: _______________

FULANO DE TAL (doc. 1 – em anexo), brasileiro, portador da carteira de identidade nº. _________________, CPF nº. __________________, portador da carteira de habilitação nº. de registro ________________, residente e domiciliado na Avenida Getúlio Vargas, 2722 em _____________________, tempestivamente e com fundamento na Lei 9.503/97, vem a presença de Vossa Senhoria ofertar a devida defesa prévia em desfavor da notificação de autuação de infração de trânsito CRV nº. ____________ (doc. 2 – em anexo), defesa esta, com base nos fatos e fundamentos adiante articulados que é parte integrante desta, onde para todos os efeitos legais. I – Dos fatos: No dia 16/02/2011 por volta das 16h30min do corrente ano, na BR_____, Km 20 – Eugênio - PR, em virtude do atendimento de um acidente de trânsito - capotagem, fui autuado no artigo 165 do CTB – Código de Trânsito Brasileiro – sob a alegação ‘equivocada’ por estar ‘supostamente’ dirigindo com sinais de embriaguez alcoólica. Não cometi a infração em tela. Não estava dirigindo embriagado. Cumpre ressaltar, que eu estava dirigindo de maneira segura – em baixa velocidade sem colocar em risco a segurança do trânsito, não contrariando o artigo 306 do CTB, pois não estava expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. Ocorre que, acidentei-me sozinho na rodovia (não-pavimentada), devido ao excesso de pedra solta na pista. Igualmente, quero declarar (doc. 03 – em anexo) e também, através desse documento de defesa administrativa, que em momento algum, após a abordagem Policial, recusei-me a submeter-se ao teste do bafômetro, teste de alcoolemia ou exame/perícia clínica, como prova de minha conduta ilibada como cidadão/ condutor que respeita e colabora com as Autoridades de trânsito de nosso País, onde inclusive, pedi que fosse realizada uma destas perícias para atestar meu estado de sobriedade e evitar essa penalização injusta.

Infelizmente e de maneira arbitrária, os Policiais autuadores, cercearam meu direito de defesa, pois não fui submetido no momento do atendimento do acidente de trânsito ao 1

perícia ou outro exame que. sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de alcoolemia. como no meu caso. B.em anexo) fundamentado no artigo 169 do CTB que trata de ‘dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis a segurança do trânsito’. permitam certificar seu estado”. pois na dúvida o Agente da Lei (Policial autuador) deveria ter me concedido o direito a realizar os exames clínicos (não ter cerceado meu direito de defesa e ferido o que a Lei prescreve no artigo 277 do CTB) e também. a dúvida do Agente da Lei sobre a minha ‘suposta’ embriaguez foi muito grande no atendimento da ocorrência. No caso em tela. 05 – em anexo). que declarar também por meio desse documento e com prova irrefutável para o caso em tela. por meios técnicos ou científicos. não punir-me ‘bis in idem’. ou seja.teste do etilômetro. provo com o atestado médico (doc. exames clínicos. o Policial autuador deveria ter deixado de autuar-me injustamente. abuso de autoridade. fica provado que fui punido com a ausência de perícia (teste do etilômetro. seja pela falta de profissional habilitado em Delegacia de Polícia. 2 . pois o mesmo emitiu ainda. em aparelhos homologados pelo CONTRAN.C. envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito. devido a problemas de saúde e por estar devidamente prescrito por médico. o que levou o Policial autuador e testemunhas a acreditarem que eu estava embriagado. agindo assim. no seu entendimento subjetivo deveria concluir então o seguinte: ou eu (Requerente) estava ‘supostamente’ embriagado ou estava ‘supostamente’ desatento. teste de alcoolemia e/ou exame clínico) no momento da ‘suposta embriaguez’ por ocasião da ocorrência de trânsito e. O que ocorreu realmente na data da ‘equivocada’ infração foi que. o AIT CRV nº. ou seja. 06 . eu não estava embriagado. O artigo 277 do CTB é claro ao prever ‘imperativamente’ que: “Todo condutor de veículo automotor. onde na dúvida do Agente da Lei. com ‘excesso de poder’. seja por falta de etilômetro no local da infração. juntamente com o AIT guerreado. Mas Relator. Nesse diapasão é nítido o erro de tipificação. ou seja. 04 – em anexo) do Dr. teste de alcoolemia ou conduzido a uma Delegacia de Polícia para realizar o exame clínico e provar mediante uma dessas perícias que no momento da abordagem. estava usando há mais de 06 (seis) meses os medicamentos Alprazolan e Amitripilina que mesmo em doses recomendadas podem provocar sonolência e fala arrastada (doc. (_________) que não ingeri bebida alcoólica alguma e nem fiz uso de outra substância psicoativa que determine dependência de acordo com o Decreto nº.992 de 21/12/1976. Nesse passo. 78. ____________ (doc. Juarez A.

o único meio de ser constado o efeito de substância tóxica. o Renomado doutrinador Arnaldo Rizzardo. em hipótese alguma. È normal que com os efeitos dos medicamentos (doc. é meu socorro na correção deste ato administrativo viciado. 06 – em anexo). chamo a atenção. é categórico ao afirmar: “Quanto à constatação do efeito de substância tóxica de qualquer natureza. 04) e com a ‘pancada’ ficasse em estado alterado após o acidente de trânsito. Provo dessa maneira também. no meu caso. que para ser válido o presente AIT. 5º. estudado Relator. editora Revista dos Tribunais. Disse-me que iria autuarme como pudesse no momento e fosse mais cômodo para o mesmo e. em sua obra: Comentários ao Código Brasileiro de Trânsito. é por EXAMES LABORATORAIS. Resta provado que o presente AIT deve ser anulado e. nulo. por meio desse documento de defesa. como o Requerente provou que não estava embriagado e teve cerceado seu direito de defesa (perícia) no momento da abordagem. sem minha negativa de recusa em realizar dos exames previstos na Resolução 206/2006 do CONTRAN e. Fui encaminhado pelos Policiais ao Hospital Santo Ângelo para atendimento médico. A respeito do assunto. Nesse diapasão. Estou sendo penalizado injustamente pelo Estado. 543. 8º edição. pois foi emitido termo de constatação de embriaguez (doc. o próprio teste do etilômetro é colocado em dúvida como eficaz para confirmar o estado de embriaguez e. QUE O ESTADO MAIOR TAMBÉM COMETE ERROS e É FALÍVEL EM SEUS ATOS ADMINISTRATIVOS. pg. cito o referido artigo: 3 . Sofri uma lesão na cabeça. não se pode vislumbrar a materialidade delitiva para o prosseguimento da presente notificação de autuação de infração de trânsito. eu (Requerente) que me defendesse em recurso administrativo. contra a ausência de prova pericial. como subjetivamente. mas como cidadão e. deverá prosperar. Ele (Policial) não quis ouvir minhas alegações.Do Direito: Estou ciente de minha fragilidade de enfrentar e provar contra tais profissionais que representam o ESTADO DEMOCRATICO DE DIREITO. II . com exceção do álcool. apenas através de exames laboratoriais é possível”. Retornando ao combate em tela.Vossa Senhoria é minha esperança. um Policial chega à conclusão que um caso de tratamento prescrito por receituário médico é embriaguez? O AIT é nulo. com exceção do álcool. amparado na Constituição Federal do Brasil em seu Art.

em plena igualdade. com a desconstituição dos efeitos por ele produzidos.] 2. relembrar o que diz os termos do artigo 8º. à igualdade.. CLARISSA SAMPAIO SILVA (27). Durante o processo... também conhecida por “Pacto de São José da Costa Rica”. toda pessoa tem direito.] g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma. (grifos nossos). à liberdade. [. Conveniente. nº (com destaque para a alínea “g”).. Durante o processo. darmos a palavra à insigne professora da Universidade de Fortaleza. 8º Garantias judiciais.] direito de não ser obrigado a depor contra si mesma. da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969). com respeito. in verbis.“Todos são iguais perante a lei. à segurança e a propriedade. em virtude de violação à ordem jurídica. que pode ser conceituada como a eliminação de um ato administrativo. importante salientar que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969). toda pessoa tem direito. às seguintes garantias mínimas [. Esta nada mais é que a restauração da ordem jurídica. É válido. A lei é clara. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. nesse lanço. garantido-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos à vida. para que reforce nosso pensamento: "O desfazimento dos atos viciados pela própria Administração ocorre mediante a invalidação. sem distinção de qualquer natureza. dispõe: Art. ao desfazimento dos atos eivados de ilegalidade dá-se o nome de invalidação ou anulação. em plena igualdade.. onde: “Toda pessoa acusada de delito tem o direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa.. tendo em mira o princípio da legalidade e a indisponibilidade do interesse público. nem a confessar-se culpada. nos termos seguintes:”. Além disso. às seguintes garantias mínimas: [. 4 . nem a declarar-se culpada”. por outro ato ou por decisão judicial. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.

Agora que Vossa Senhoria conhece a realidade dos fatos e. se imagine no meu lugar. 165 CTB (embriaguez) e no art. a de não punir um inocente que provou com provas concretas que não estava embriagado e dirigindo veículo automotor. (grifo nosso). fica-se a favor do réu. p. incidindo apenas sobre o ato. a expressão latina “In dubio pro reo” que significa literalmente na dúvida. ao contrário. porque deles não se originam direitos. Nesse passo. 5 . a prova não pode ser dúbia. Portanto Relator. Portanto na dúvida não é a causa/motivo de se absolver o réu (nesse caso o ‘suposto’ infrator de trânsito) mas. 169 CTB (desatenção)? Provou-se assim. Ed. é a falta elementos de convicção que demonstrem ligação do acusado com o fato delituoso é que geram. que o mesmo estava em dúvida quanto ao meu estado. respeitados os direitos adquiridos. tem provas suficientes do não cometimento da presente infração de trânsito. ou sobre o ato e seus efeitos”. no julgador. quando eivados dos vícios que os tornem ilegais. pois. como Julgador. 77). ou revogá-los. Já a Súmula 473 do STF prescreve: “A Administração pode anular seus próprios atos. feita por meio de um ato administrativo que desfaz o outro (tal técnica foi elaborada pelo Conselho de Estado Francês no início do século XX).“A invalidação ou anulação é. como cidadão recorrendo desta punição injusta e eu. na hipótese de este não ter ainda gerado efeitos. Qual atitude você acha que eu tomaria como Julgador? Com certeza. e que teve o direito de defesa cerceado. Destarte. em todos os casos. (Limites à invalidação dos atos administrativos. com relação ao não fornecimento de oportunidade de provar com meios legais que não estava embriagado na data da ‘equivocada’ emissão do AIT em tela. solicito que Vossa Senhoria. mas a conclusão acerca de um fato apurado é que gera dúvida no raciocínio do que julga. por motivo de conveniência e oportunidade. o mais justo a ser feito é não deixar prosperar o presente AIT. a apreciação judicial”. a dúvida acerca do nexum entre materialidade e autoria. a da Justiça. e ressalvada. Porque o Policial autuador iria autuar-me no art. Max Limonad: São Paulo. é um dos pilares do Direito e está intimamente ligada ao princípio da legalidade. 2001. a da legalidade.

6 . e ao final o acolhimento das preliminares nesta peças aventadas. B) Requer também que seja respeitada a Constituição Federal e o Pacto de São José da Costa Rica. 06 de abril de 2011. juntamente com as documentações anexas. para julgar inconsistente o AIT viciado de série CRV nº. pede deferimento. Eugênio. via Poder Judiciário. no caso de não acolhimento do pedido mencionado na alínea “A”.III . gerando a correta e legal anulação do Auto de Infração ora recorrido. de acordo com Código de Transito Brasileiro. com a conseqüentemente determinação de cancelamento da penalidade e. _____________. esta servir de subsídios para uma ‘possível’ correção da ilegalidade e dos atos de quem administrativamente tem obrigação de corrigi-los (SÚMULA 473 STF). Nestes Termos. PR. posterior arquivamento do mesmo. apreciação. para que. na forma das razões apresentadas. com o seu regular processamento. FULANO DE TAL.Do Pedido: A) Requer a Vossa Senhoria se digne a acolher a presente defesa em desfavor da notificação da autuação de infração de trânsito. onde Vossa Senhoria apresente uma decisão legalmente fundamentada.

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