Vários Saberes e Distintos Códigos

Como referido, há outras formas de saber e de dizer o real, há outras linguagens, outros discursos. O discurso do senso comum, o discurso filosófico, o discurso religioso ou o discurso estético são tantas outras formas de dizer o real.
Características de quatro tipos de Conhecimento (Trujillo, 1974, in Marconi, 2004, p.18) Conhecimento Popular Valorativo Reflexivo Assistemático Verificável Falível Inexacto Conhecimento Científico Real (factual) Contingente Sistemático Verificável Falível Aproximadamente Exacto Conhecimento Filosófico Valorativo Racional Sistemático Não verificável Infalível Exacto Conhecimento Religioso / Teológico Valorativo Inspiracional Sistemático Não verificável Infalível Exacto

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com as noções.Obstáculos à Produção de Conhecimento Científico sobre a Realidade Social Todos nós enquanto seres sociais somos dotados de pré-noções. quotidianas. Os factos sociais são representações colectivas. ideias reguladoras ou sistemas de atitudes. sendo isto o que os distingue radicalmente dos eventos físicos. 2 . As representações colectivas constituem e traduzem as imagens e noções construídas no decurso da vida diária. Para se poder analisar o fenómeno / facto social em termos científicos torna-se necessário romper. metodologicamente. as quais nos permitem harmonizar as nossas acções com o mundo que nos rodeia. Elas dão forma àquilo que se definiu como conhecimento prático. o social só se pode explicar pelo social porque os factos humanos são sempre interpretados. valores e atitudes que caracterizam o conhecimento prático – Senso Comum. (Durkheim) Segundo Durkheim. o qual desempenha funções sociais precisas.

O Senso Comum é: •Uma realidade que nos é familiar e imediatamente apreensível. Nunca pela sua apreensão e manipulação directa. •Um conjunto de acções formadas pela prática e para a prática. •Ideias reguladoras do comportamento do Homem. as noções de Senso Comum constituem-se em Obstáculos Epistemológicos à análise científica da Realidade Social. O objectivo de conhecer a realidade social materializa-se pela construção de objectos de conhecimento sobre a mesma. 3 . •Um conjunto de pré-noções típicas do conhecimento corrente. Assim. •A familiaridade com o social que se traduz em sistemas de atitudes e acções ligadas às condições sociais objectivas de existência.

características do Senso Comum. • A Etnocentrista – em função dos valores dominantes na sociedade ou na classe a que pertencem os observadores / explicadores. e na imprescindibilidade da ruptura com os obstáculos epistemológicos. 4 . • A Individualista – em função de factores / disposições psíquicas e comportamentos individuais. são: • A Naturalista – em função das características que o Senso Comum pensa ligadas à “natureza” da humanidade.As interpretações do social em termos não sociais. Gaston Bachelard insiste no carácter construído do conhecimento. na descontinuidade radical entre ciência e saber corrente. mais importantes para a investigação científica porque mais condicionantes da mesma.

É esta atitude que permite a superação das concepções de senso comum. A atitude problematizadora própria da ciência implica a Relativização dos fenómenos humanos demonstrando que estes só podem ser analisados nas coordenadas de tempo e de lugar e nos contextos sócio . transformando-as em objecto de estudo da pesquisa social 5 . a análise produtiva é aquela que estabelece correlações entre fenómenos que estuda.históricos em que se integram. 2. Por fim. a Relacionação dos factos. 3. portanto. Implica. ainda. Questionar e Problematizar representam a própria essência do trabalho científico.Condições de Ruptura com o Senso Comum 1. a qual contribui para a superação dos argumentos do senso comum nomeadamente dos do tipo individualista: os factos sociais só podem ser explicados por sistemas de relações entre eles e.

A determinação das características específicas da realidade social e. não significa afirmar que os factores de ordem física. “idealistas” ou outras. biológica. a determinação da especificidade própria do social. embora tendo em consideração e integrando os efeitos de tais factores ao nível do social. “individualistas”. só pode ser obtida através do processo científico de produção de conhecimentos. psicológica ou intelectual sejam irrelevantes para a compreensão dos fenómenos sociais. 6 . realizado no âmbito das Ciências Sociais. não deixem por isso de ser “explicações sociais”.Rejeitar as explicações do social em termos “naturalistas”. Significa construir explicações do social que. por conseguinte.

Conclusão A ruptura não é um processo realizado de uma vez por todas. é uma atitude e é um trabalho de vigilância crítica e de construção conceptual permanente. é um processo continuado e sempre incompleto. 7 .

implicações a vários níveis e em diferentes dimensões do real-social sendo. Isto é. 8 . O campo da realidade sobre o qual as Ciências Sociais de se debruçam é um só – o da realidade humana e social – e todos os fenómenos desse campo são fenómenos sociais totais. susceptíveis de interessar (pelo menos potencialmente) a várias quando não a todas as Ciências Sociais.A Unidade do Social e a Complementaridade das Ciências Sociais Fenómeno Social Total (Marcel Mauss):é com base neste conceito que a unidade do objecto real das Ciências Sociais começou a ser reconhecida. afirma-se a noção de que. no domínio do humano e do social não existem campos de realidade e fenómenos que dessa forma (enquanto campos) se distinguem uns dos outros como se fossem compartimentos estanques. por isso. simultaneamente. Fenómenos que têm.

Concluindo: • • A Realidade Social é só Uma Todos os fenómenos da realidade social são fenómenos sociais totais. Cada fenómeno social admite diferentes perspectivas de abordagem. O Objecto das Ciências Sociais é só Um • • 9 . Os diferentes domínios do conhecimento científico complementam-se. tudo depende do enfoque / recorte que se pretende no estudo de um determinado fenómeno. mais completo e mais próximo da realidade social. • • A realidade social é una e indivisível. permitindo um conhecimento mais alargado.

R. Alguns exemplos de Classificação e Divisão da Ciência.Wundt – Conteúdo (C. Formais e C. Carnap – Conteúdo (C. Factuais) D. segundo o critério utilizado. que traduzem e corporizam diferentes olhares sobre a mesma realidade. pp. da sua complexificação e da evolução do conhecimento produzido.A pluralidade das Ciências Sociais De acordo e em função da evolução das sociedade. Deste processo contínuo decorre a emergência de distintas áreas de saber dentro do campo das Ciências Sociais.Outros autores – complexidade crescente + conteúdo C. 25 a 28) 10 . são propostos por Lakatos (2004): A.Comte – Complexidade crescente B. Formais e C. vão-se construindo e reconstruindo as formas de olhar e de apreender a realidade social. Reais) (ver Referência Bibliográfica Obrigatória.

ou seja. 2. pelos quadros teóricos que constroem e pela linguagem específica que utilizam. 3. diferenciam-se ao nível das problemáticas que elaboram. Os critérios utilizados pelos investigadores para seleccionarem as variáveis relevantes para o estudo do problema. ou seja. Os códigos de leitura do real que propõem. diferenciam-se pelas interrogações a que sujeitam realidade. ou seja. A natureza dos problemas de investigação.Quatro níveis de diferenciação das distintas ciências sociais e humanas: 1. Objectivos que comandam a investigação. diferenciam-se pelos objectos científicos que constroem a respeito da realidade social e humana. diferenciam-se pelos métodos e técnicas de pesquisa empírica que utilizam. 4. 11 . ou seja.

que previa o progresso científico através da simples acumulação do registo da observação de factos. proposto por Francis Bacon (1561-1626). 12 . testa a predição da ocorrência de fenómenos abrangidos pela hipótese.Os Métodos de Abordagem nas Ciências Sociais (Lakatos. até ao método hipotético-dedutivo de Isaac Newton. acerca da qual formula hipóteses e. Método indutivo – a aproximação aos fenómenos parte das constatações particulares até chegar a conclusões generalizadas. ou seja às leis e teorias (conexão ascendente). Método dedutivo – partindo das teorias e leis. na maioria das vezes prediz a ocorrência dos fenómenos particulares (conexão descendente). 2004) A evolução da metodologia científica está bem patente na história que vai da simples indução ou método indutivo. pelo processo de inferência dedutiva. que parte de hipóteses e estuda a sua validade através da verificação empírica de deduções inferidas a partir das mesmas hipóteses. Método hipotético-dedutivo – inicia-se com a percepção de uma lacuna nos conhecimentos.

as práticas de investigação. se distinguem. O seu campo de incidência é constituído pelas operações propriamente técnicas. e em relacionar e integrar os resultados obtidos.Greenwood: • Método Experimental (Paradigma das ciências exactas) • Método de Medida ou Extensivo • Método de Estudo de Casos ou Intensivo 13 . a fim de obter determinado resultado. portanto. determinar-lhes os limites e as condições úteis de exercício. nas Ciências Sociais As ciências distinguem-se pelo seu objecto e pelo método pelo qual estudam esse objecto. criticamente. Os métodos são processos operativos que organizam. A função do método consiste fundamentalmente em operar a selecção das técnicas de pesquisa a aplicar por referência ao objecto e à teoria que o constrói.Proposta de Classificação dos Métodos Básicos de Investigação Empírica. em controlar a sua utilização. Classificação dos Métodos segundo E. das quais. isto é.

apresentam. há tendência a fazer apenas perguntas que possam ser facilmente codificadas e sujeitas a contagem. em princípio. as amostras muito amplas utilizadas para as medições sociológicas. 14 . Desvantagem do método: tendo em conta que são centenas e.•Método de Medida ou Extensivo Este método implica a observação por meio de perguntas directas ou indirectas. de facto. por vezes. oferecem resultados que permitem formular generalizações. a fim de obter respostas susceptíveis de serem manipuladas mediante uma análise quantitativa. o contacto do investigador com os inquiridos é necessariamente breve e superficial. os indivíduos interrogados nas pesquisas mensurativas. pode suceder que tais perguntas não sejam as mais penetrantes. Além disso. Vantagem do método: partindo do princípio de que a aleatoriedade foi respeitada. uma vez que as respostas a obter se destinam a uma análise quantitativa. o carácter oposto. milhares. de populações relativamente vastas de unidades colocadas em situações reais. Ora.

A sua finalidade é obter uma ampla compreensão do fenómeno na sua totalidade.•Método de Estudo de Casos ou Intensivo Este método consiste no exame intensivo. extremamente válido como método „exploratório‟ para o investigador que tenta iniciar-se na compreensão de um fenómeno que não lhe é familiar.de uma amostra particular seleccionada de acordo com determinado objectivo. Desvantagens do método: falta de rigor que caracteriza a fase analítica do método e excessiva dependência da capacidade integrativa do investigador que fica. responsável pela ordenação de uma massa de dados muito vasta. não proporciona bases para uma generalização. dado que um pequeno número de casos não permite inferências que atinjam classes mais amplas. na verdade. 15 . tanto em amplitude como em profundidade – utilizando todas as técnicas disponíveis . de um fenómeno social. Vantagens do método: permite a compreensão profunda do fenómeno enquanto totalidade.

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