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Os Faraós Negros

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Os Faraós Negros

O Egito foi, ao longo de sua história, alvo de diferentes processos de unificação e invasão. Ao contrário do que usualmente estudamos, essas invasões ocorreram durante outros momentos anteriores à dominação dos romanos no século I ou das nações européias no século XIX. Dessa maneira, as crises e hegemonias no interior da civilização egípcia é um assunto ainda pouco explorado pelos estudos historiográficos. Na região sul do Rio Nilo, atual Sudão, um antigo império se formou no período em que o Egito vivia um período de decadência no Médio Império. Entre os séculos XVIII e XVI a.C., os núbios realizaram a expansão de suas fronteiras na região do extremo sul do Rio Nilo. O Egito, que dependia da exploração de zonas de exploração aurífera próximas ao Império Núbio, sentiam que a ascensão de um vizinho tão poderoso poderia vir a ameaçar a integridade de seus territórios. Dessa forma, entre os séculos XVI e XIII a.C., o Egito realizou um processo de invasão e domínio sobre os núbios. Sem adotar uma política muito opressiva, os egípcios trouxeram à civilização núbia vários de seus costumes e hábitos. O que parecia ser um claro processo de aculturação dos egípcios sobre os núbios, veio mais tarde garantir a preservação de traços importantes da civilização egípcia. No final do século VIII a.C., o Egito estava politicamente fragmentado e sofria o controle dos chefes guerreiros líbios. Em 770 a.C., Piye, rei da Núbia, empreendeu uma investida militar que reunificaria politicamente o Egito. Partindo com tropas para o norte, o exército núbio chegou à cidade egípcia de Tebas, capital do Alto Egito.

No fim de uma campanha de um ano, todos os chefes guerreiros do Egito haviam capitulado incluindo Tefnakht, o líder do delta, que enviou uma mensagem a Piye: "Seja clemente! Não posso contemplar o teu semblante nos dias de vergonha nem me erguer diante de tua chama, pois temo a tua grandeza". Em troca da própria vida, os derrotados conclamaram Piye a adorar em seus templos, a ficar com suas jóias mais refulgentes e a apoderar-se de seus bons cavalos. O conquistador não se fez de rogado. E então, diante de seus vassalos que tremiam de medo, o recémsagrado Senhor das Duas Terras fez algo extraordinário: após embarcar seu exército e seu butim, içou velas rumo ao sul, navegou de volta para casa, na Núbia, e jamais voltou ao Egito. Piye tornou-se o primeiro faraó negro do Egito. A ascensão de faraós negros no Egito trouxe à tona a supremacia de uma civilização africana que questionava as idéias dos pensadores e historiadores do século XIX, que colocavam os povos africanos enquanto sinônimo de atraso. No ano de 715 a.C., Piye faleceu, deixando o trono sob o domínio de seu irmão Shabaka. Ascendendo ao poder, Shabaka assumiu o nome de faraó Pepi II. Entre suas principais ações, Pepi II empreendeu um notório conjunto de obras públicas. A cidade de Tebas, capital do Egito, e o templo de Luxor ganharam novos projetos. Em Karnak, ordenou a construção de uma estátua em sua homenagem e tratou de construir diques que impedissem a inundação das casas das populações que viviam às margens do Rio Nilo. Em 701 a.C., quando as tropas assírias marcharam sobre a Judéia, no atual território de Israel, os núbios decidiram conter aquele avanço. Preocupados com o avanço do Império Assírio, que na época viviam a ampliação de seus domínios, os núbios formaram um exército que deveria conter a dominação assíria sobre as cidades de Eltekeh e Jerusalém. Os dois exércitos chocaram-se na cidade de Eltekeh. E, embora o imperador assírio, Senaqueribe, tivesse se vangloriado da vitória, um jovem príncipe núbio Taharqa, com cerca de 20 anos, filho do faraó Piye, sobreviveu. O fato de que os assírios, que costumavam não poupar nenhum de seus inimigos, terem deixado escapar o príncipe indica que talvez a vitória não tenha sido total. Seja como for, quando os assírios deixaram Eltekeh e se concentraram diante das portas de Jerusalém, o líder da cidade, Ezequias, contava com a ajuda de seus aliados egípcios. Cientes disso, os assírios não puderam conter a provocação, imortalizada no Livro II de Reis, do Antigo Testamento: "Confias no apoio do Egito, esse caniço quebrado, que penetra e fura a mão de quem nele se apóia; pois não passa disso o Faraó, rei do Egito, para todos os que nele confiam" (18:21). Em seguida, de acordo com a Bíblia, ocorreu um milagre: as tropas assírias recuaram. Teriam sido assoladas por alguma peste? Ou, como sugere Henry Aubin em um livro polêmico, The Rescue of Jerusalem ("O resgate de Jerusalém"), os assírios se afastaram ao ter conhecimento de que o mencionado príncipe núbio avançava sobre Jerusalém? Tudo o que sabemos é que Senaqueribe

desistiu do cerco e retornou em desgraça a seu reino, onde seria assassinado 18 anos depois, aparentemente pelos próprios filhos. Segundo alguns historiadores, graças à contribuição militar núbia, a civilização judaica usufruiu de um longo período em que consolidou suas principais tradições culturais e religiosas.

Rei Núbio Taharqa.

Em 690, Taharqa foi alçado ao trono em Mênfis e liderou os impérios do Egito e da Núbia nos 26 anos seguintes. Taharqa ascendera em momento favorável à 25ª dinastia. Em seu governo, as vitórias militares garantiram grande estabilidade aos territórios egípcios. Os chefes guerreiros do delta haviam sido subjugados. Os assírios, após o humilhante confronto em Jerusalém, não queriam ter nada a ver com o soberano núbio. O Egito era dele e de ninguém mais. Além disso, uma seqüência de generosos períodos de chuva deu tranqüilidade a toda população por ele controlada. Durante o sexto ano em que estava no poder, o Nilo encheu-se com as chuvas, transbordando pelas várzeas circundantes e proporcionando espetacular colheita de cereais. A cheia conseguiu até mesmo acabar com os ratos e as serpentes. Não havia a menor dúvida de que o adorado Amon sorria para seu eleito.

Colar Núbio feito de ouro. Está inscrito com hieróglifos egípcios.

Aproveitando do período de prosperidade, Taharqa lançou o mais ousado programa de obras civis jamais iniciado por nenhum faraó desde o Novo Império (por volta de 1500 a.C.). As capitais sagradas de Tebas e Napata foram os alvos principais da atenção de Taharqa. Hoje, em meio aos restos confusos do complexo de Karnak, perto de Tebas, vê-se uma coluna solitária com 19 metros de altura. Havia dez desses pilares, formando um pavilhão que o faraó núbio adicionou ao templo de Amon. Ele também mandou construir várias capelas ao redor do templo e erigiu estátuas de si mesmo e de sua amada mãe, Abar. Sem desfigurar nem um único monumento preexistente, Taharqa deixou sua marca em Tebas.

Em Jebel Barkal, Taharqa construiu dois templos aos pés do monte.

Ele fez o mesmo centenas de quilômetros rio acima, na cidade núbia de Napata. O monte sagrado Jebel Barkal havia cativado até mesmo os faraós egípcios do Novo Império, que consideravam o local

como a terra natal de Amon. Apresentando-se como herdeiro dos faraós do Novo Império, Taharqa construiu dois templos no sopé do morro, em honra da divina consorte de Amon. No pináculo de Jebel Barkal - recoberto em parte com folhas de ouro -, o faraó negro ordenou que fosse inscrito seu nome. Durante seu governo, os assírios afrontaram mais uma vez a dinastia núbia. Sobre o comando do rei Esarhaddon, os assírios tentaram obstruir o entreposto comercial egípcio às margens do Líbano. No litoral do Líbano, os mercadores de madeira vinham alimentando o apetite arquitetônico de Taharqa com suprimento de zimbro e cedro. Quando Esarhaddon, o rei da Assíria, tentou fechar essa artéria comercial, Taharqa enviou tropas para reforçar um levante contra os assírios. Confiante na prosperidade de seu reino e na força de seus exércitos, Taharqa enviou tropas incumbidas de aniquilar a ação militar assíria. Oferecendo grande resistência, os assírios venceram a batalha e invadiram o Egito, em 674 a.C.. Mas o exército de Taharqa conseguiu expulsar os assírios.

Detalhe de uma parede do palácio assírio em Nimrud, mostrando o ataque assírio a uma cidade egípcia cerca de 667 aC.. Tropas Núbias e seus funcionários sendo levados cativos. Palácio assírio em Nimrud, no Iraque.

Outros estados rebeldes na orla do Mediterrâneo se colocaram ao lado do faraó núbio e formaram uma aliança contra Esarhaddon. Em 671 a.C., os assírios avançaram com seus camelos pelo deserto do Sinai a fim de sufocar a rebelião. E logo tiveram êxito. Esarhaddon ordenou que suas tropas seguissem em direção ao delta do Nilo. Taharqa e seus homens enfrentaram os assírios. Durante 15 dias travaram batalhas campais sanguinolentas. Mas os núbios se viram forçados a recuar até Mênfis. Ferido cinco vezes, Taharqa escapou com vida e abandonou Mênfis. Seguindo a tradição assíria, Esarhaddon massacrou os moradores e "erigiu montes com suas cabeças". E encomendou uma estela mostrando o filho de Taharqa, Ushankhuru, ajoelhado diante do assírio com uma corda em torno do pescoço. Taharqa terminou vivendo mais que o vitorioso Esarhaddon. Em 669 a.C., este morreu quando se dirigia ao Egito, depois de saber que o núbio retomara Mênfis. Comandados por novo soberano, os assírios voltaram a investir contra a cidade, dessa vez com um exército reforçado por tropas rebeldes cativas. Taharqa não tinha como vencer. Acabou voltando para o sul, refugiando-se em Napata e jamais pisando de novo no Egito. Morreu em 664 a.C. e seu corpo foi enterrado em uma pirâmide em Nuri, às margens do rio Nilo.

Vista do interior da tumba do rei Tanutaman (664-653 a.C.). Um belo retrato do rei, com pele morena escura, aparece na parede, El-Kurru, Sudão.

No reinado de Tanutaman (664-653 a.C.), que governou o Egito por apenas um ano ou dois antes que os assírios invadiram novamente. O exército assírio derrotou as forças Núbias e Egipcías e Tanutaman teve de fugir para a Núbia. Os assírios, em seguida, marcharam para o sul para a cidade sagrada de Tebas. Eles mataram o povo e saquearam os templos, levando os tesouros para sua capital Nínive. Com o fim dessa dinastia, a cultura egípcia ainda preservou características provenientes do contato com esse reino africano.

Novas descobertas no templo perdido

Quando Amenófis III morre, em 1.351 a.C., seu templo real, com os colossos sentados, torna-se o santuário mais luxuoso na necrópole de Tebas, junto ao Nilo. Mas o que havia sido construído como grandiosa fortaleza para a eternidade, cai no esquecimento dos terremotos, roubo de pedras e cheias do Nilo.

Os Colossos de Memnon são, por enquanto, as únicas obras

visíveis à distância do templo real de Amenófis III. Mas, 100 m a oeste, reergue-se um outro par desses gigantes de pedra.

Quando Amenófis III morre, em 1.351 a.C., seu templo real, com os colossos sentados, torna-se o santuário mais luxuoso na necrópole de Tebas, junto ao Nilo. Mas o que havia sido construído como grandiosa fortaleza para a eternidade, cai no esquecimento dos terremotos, roubo de pedras e cheias do Nilo. Os Colossos de Memnon sobreviveram a terremotos, enchentes do Nilo, tempestades de areia, Sol ardente, noites geladas, vandalismo e pilhagens. Há mais de 33 séculos, as duas estátuas de pedra reinam na margem ocidental do Nilo, em Luxor: gigantes sentados de quartzito vermelho, com aproximadamente 18 metros de altura, os rostos rachados voltados para o leste, as mãos estendidas sobre os joelhos, as pernas bem juntas, a ponta do dedo mínimo do tamanho da cabeça de um homem adulto.

Sob a direção da egiptóloga teuto-armênia Hourig Sourouzian, ressurge das ruínas o santuário de Amenófis III.

Outrora se erguia atrás deles o maior santuário já erigido por um faraó, em sua própria memória: o templo real de Amenófis III, onde o soberano, ainda em vida, era simbolicamente venerado como um deus. Os sacerdotes lhe apresentavam oferendas para a continuação de sua vida no além. Por volta do ano de 1.385 a.C., Amenófis III deu início à construção dessa "fortaleza para a eternidade até o infinito", para si e para seu pai divino Amon, "de arenito, totalmente coberto de ouro, os pisos feitos de prata, ricamente decorada com estátuas", como foi gravado no memorial de pedra daquela época. Na frente, pilones - duas torres trapezoidais flanqueando uma porta monumental - e imensos mastros de bandeira. Flores rodeavam a margem de um lago repleto de peixes. "Com uma casa de trabalho cheia de escravos e escravas, o despojo de sua majestade" de países distantes. Com armazéns abarrotados de tesouros do Oriente Próximo. Mas o templo de Amenófis III não se mostrou uma fortaleza para o infinito. Hoje, pouco se aproveita desse monumento de poder e de fé. As duas estátuas do faraó estão solitárias sobre um prolongamento das montanhas ocidentais tebanas, de 700 m de comprimento e 150 m de largura. Essa parte arenosa da região se destaca como um retângulo cinza entre a fértil planície.

Com mais de 500 m de comprimento, o templo real de Amenófis III destaca-se perante as "casas de milhões de anos" que os faraós, em honra de seus deuses e de si próprios, mandavam construir no lado oeste do Nilo, em Tebas. A ilustração (acima) indica como a construção deve ter sido. A imagem aérea mostra o que se podia ver ainda, no início de 2009. Ao lado dos Colossos de Memnon, na borda esquerda da imagem, por exemplo, os tocos de colunas do pátio de colunatas bem à direita.

Ao norte, ele é separado dos campos por um canal de irrigação. Ao leste, a poucos metros dos gigantes, há um estacionamento para ônibus de turistas. Ao sul, o terreno se estende até uma estrada, que conduz do Nilo para cima. Além do canal de irrigação, há camponeses lavrando a terra. Também na faixa poeirenta, com poucas árvores, ao oeste dos colossos de Memnon, homens fazem trabalho pesado no calor abrasador. Não para tornar o solo cultivável, mas para tirar-lhe segredos. São arqueólogos que, em meio a cepos de colunas, estátuas quebradas e memoriais de pedra, montaram suas barracas, mesas e guarda-sóis. Há onze anos, durante a época de escavações, que dura aproximadamente dois meses - entre meados de janeiro e início de abril -, os pesquisadores cavam aqui cada vez mais fundo, em direção ao passado. Em quadrados planejados, de dez por dez metros, retiram a terra do solo até uma profundidade de 4 metros, enquanto um sistema de bombeamento dispendioso abaixa o nível da água subterrânea. Atualmente, os arqueólogos estão montando um quebra-cabeça estilhaçado como nenhum outro no Egito, cujas dezenas de milhares de peças, algumas delas pesando 450 toneladas, não se encontram espalhadas apenas em Luxor, mas em inúmeros museus ao redor do mundo. Mais de 280 pessoas dentre elas cientistas, desenhistas e restauradores de 12 nações e trabalhadores locais - trabalham na tentativa de reconstruir, o máximo possível, as ruínas do templo de Amenófis III. Motivo: tentar decifrar como os deuses e o faraó eram cultuados em uma época em que o Egito era tão influente e abastado como nunca antes em sua história.

Seis horas da manhã, em março. O Sol nascente faz os Colossos de Memnon projetarem longas sombras, mergulha as barracas brancas de trabalho dos arqueólogos em uma claridade suave. Dos campos de cana-de-açúcar próximos ergue-se um vapor. O ar está agradavelmente fresco, por volta de 15° C. Ainda não há pó na atmosfera. Ouve-se apenas o bufar dos queimadores a gás nos balões com cordas de cativo. Mas logo surgem outros barulhos: ao gorjear agudo de um bando de tentilhões mistura-se o tinir constante de elos de corrente girando nas roldanas de uma polia. Miguel López Marcos está agachado em uma estrutura de madeira sobre uma cova larga, com 3,5 metros de profundidade. Há anos o restaurador espanhol é responsável pela equipe de cargas pesadas. Abaixo dele, nas correias da polia, está pendurada uma deusa em granito, que foi descoberta há pouco. É Sekhmet, com cabeça de leão, considerada entre os faraós a vingadora do deus Sol e protetora do rei.

Especialistas egípcios recompõem uma das 40 figuras colossais de Amenófis III que, naquela época, estavam posicionadas entre as colunas do pátio de colunatas (1). Protegidos por guarda-sóis, restauradores limpam esfinges descobertas no início de 2008, no lado leste do terreno (2).

Vagarosamente, trabalhadores egípcios puxam a estátua de 1,80 m para cima. Eles murmuram, uns para os outros, comandos curtos: "Iftah aleik": "Puxe para seu lado". "Ahsan qeda": "Assim é melhor." Somente meia hora mais tarde, quando a estátua se encontra livre e debaixo do tripé da polia, o tom aumenta. "Irfa! Irfa! Hat el-arabijja!": "Para cima! Para cima! Vá buscar a carroça!" Cuidadosamente, a deusa é colocada na carroça. Doze homens se alinham diante dela, puxando as cordas. López Marcos e outros quatro empurram por trás o achado cheio de lama. Um arranque põe a carroça em movimento. Com toda cautela, os homens transportam para o pátio da oficina de restauração - a aproximadamente 50 m de distância - a estátua da deusa, em forma humana e com o disco solar sobre a cabeça de leão: a única construção de alvenaria em torno da escavação. Ainda nessa manhã, uma especialista em conservação de granito negro livrará a deusa-leão dos restos de lama e cal. Até agora, os arqueólogos acharam mais de 80 esculturas e grandes fragmentos de esculturas de Sekhmet nesta escavação, todas diferentes umas das outras. A maioria se mostra sentada, outras, em pé. Diferenças sutis se revelam apenas sob um exame mais acurado, como, por exemplo, com que ornamentos os escultores cinzelaram a vestimenta da deusa na pedra.

Recomposição do colosso de Amenófis III levou cinco. A cabeça é uma cópia. A original foi embarcada para a Europa por "catador" de estátuas, há 200 anos.

É possível que em outros tempos fossem encontrados, no santuário de Amenófis, em torno de 40 colossos do rei, com aproximadamente 8 metros de altura. Havia também mais de mil figuras de deuses, em forma de animais ou humana, entre elas um hipopótamo quase em tamanho natural, de alabastro branco, e uma esfinge-crocodilo, meio leão, meio réptil, também de alabastro: obras de arte como nunca antes foram encontradas em lugar algum. No século 14 a.C., a nação junto ao Nilo vive a "idade do ouro". Desde os tempos de Tutmés III, o reino dos faraós é a potência de liderança na região oriental do Mar Mediterrâneo. Quando Amenófis III, bisneto do rei guerreiro, ascende ao trono em 1388 a.C., ele herda um império que vai desde o Norte da Síria até a quarta catarata do Nilo. A cheia do Nilo é estável e traz ao reino colheitas fartas. Navios mercadores velejam aos portos da região oriental do Mar Mediterrâneo. Plaquetas de cerâmica vitrificada com o nome de Amenófis III, provavelmente pingentes de fornecimentos de presentes, se encontram em muitos lugares da região do Mar Egeu. Sabiamente, o faraó assegura as relações com os grandes reinos orientais e com os príncipes de cidades da Síria e da Palestina, por meio de acordos. Parte da correspondência a respeito está preservada em tábuas de argila, em escrita cuneiforme. Em suas cartas, os grandes reis se dirigem a Amenófis III como "meu irmão". Já os vassalos lhe prestam respeito pelo tratamento "meu Sol, meu senhor". Constantemente, o conteúdo das cartas fala sobre os casamentos diplomáticos, por meio dos quais Amenófis III reforça laços de amizade, fortalecendo, ao mesmo tempo, a posição de supremacia do Egito.

Nomes de Amenófis III, escritos em molduras ovais (cartuchos), decoram o cinto de uma estátua, feita do quartzito rosa do Gebel el-Ahmar, perto do Cairo (4- veja na ilustração ao lado). A estátua ficava no lado norte do pátio de colunatas.

A cada matrimônio, presentes valiosos mudam de proprietário: metais nobres, cavalos, lápis-lazúlis, pomadas perfumadas. Para uma noiva da casa real da Babilônia, Amenófis III envia uma "dádiva matinal", um presente que o esposo dá à esposa na manhã seguinte ao casamento: meia tonelada de ouro. Assim, o pacto se paga para todos os participantes. Mas quando o rei da Babilônia pede a mão de uma princesa egípcia em casamento, a resposta é clara: "Desde tempos antiquíssimos, uma filha do rei do Egito nunca foi dada em casamento a qualquer um!" No harém de Amenófis III, ao lado da filha do rei da corte babilônica, vivem também princesas de Arzawa, da Ásia Menor, e do reino de Mitani, no Eufrates superior. Mas para se tornar a "grande esposa real", o faraó escolhe Tiy, a filha de um funcionário público. Mais notável do que sua origem é o que ela se torna: nunca antes a mulher principal de um faraó possuiu tanta influência. Amenófis III lhe consagra um templo próprio. Em escaravelhos comemorativos, torna pública sua ascendência não real para além do vale do Nilo, e concede a seus pais a rara honra de um túmulo no Vale dos Reis. Juntamente com Tiy, que em representações de seu esposo frequentemente aparece ao seu lado, Amenófis III se vê como protetor do Egito, responsável pela fertilidade da terra e a prosperidade de seus súditos. Finalmente, ele começa a se identificar com o deus Sol, se autodenominando "brilhante disco solar de todos os reinos".

Na Antiguidade, os ladrões de pedras demoliram o templo de Amenófis III até o alicerce (no fundo, um bloco restante da fachada do pátio de colunatas (1). Nas valas formadas, os mesmos deixavam para trás o que não tinha utilidade, como por exemplo, estátuas da deusa-leão Sekhmet (2).

O rei manda construir, cada vez mais, novos templos. Os já existentes são ampliados."O coração de sua majestade estava em paz ao se construir monumentos grandiosos", ele anuncia em um memorial

de pedra. Nenhum dos santuários simboliza mais essa busca pelo apoio dos deuses do que o templo real de Amenófis na margem oriental do Nilo, do outro lado de Tebas (a atual Luxor). Inscrições em rochas, nas pedreiras perto do Cairo, comprovam que o faraó, já no seu primeiro ano de governo, manda extrair e bater pedra calcária fina. O material seria utilizado na construção de sua fortaleza para a eternidade. A construção do templo termina após quase 30 anos de trabalho, em 1358 a.C. Nesse ano, Amenófis usa a residência real como cenário de sua primeira festa Sed, o misterioso ritual festejado tradicionalmente pelos faraós em seu 30º ano de governo e que tem apenas uma serventia: a renovação mágica da força real e a plenitude de poder pelos deuses.

Na oficina de restauração, especialistas procuram lascas de pedra que se ajustem à cabeça de granito.

Durante a construção do templo, Amenófis permanece cada vez mais em Tebas, onde lhe é edificado um amplo palácio, perto do canteiro de obras de seu templo real. Na frente, os trabalhadores escavam um lago artificial, com um quilômetro de largura por dois de comprimento, ligado ao Nilo por meio de um canal. No templo são colocadas estátuas dos deuses e figuras colossais do rei, vindas de todas as pedreiras do país. Alguns dos gigantes são de quartzito vermelho, do Gebel el Ahmar (a leste do Cairo atual). Outros são de alabastro branco de Hatnub, do Egito Médio, ou de granito rosa, de Assuan.

Até agora, 84 estátuas de Sekhmet, conservadas ou fragmentadas, foram descobertas por arqueólogos na borda do pátio de colunatas.

Em 1335 a.C, no ano da morte de Amenófis, que faleceu com aproximadamente 50 anos após longa enfermidade, o templo se estende por mais de meio quilômetro, de leste a oeste.

Mastros de bandeiras dominam o imponente portal de entrada, com os Colossos de Memnon. O pátio atrás conduz ao segundo pilone de tijolos de barro, revestido de cal. Diante dele se encontram quatro mastros de bandeira de cedro revestidos de ouro - indícios da douração são encontrados posteriormente pelos arqueólogos - bem como dois gigantes sentados do faraó, de quartzito, com 15 metros de altura. Diante de um terceiro portal, estão sentados em tronos de granito negro mais um par de colossos. Dessa vez, de alabastro. Somente tendo atravessado esse pilone, atinge-se finalmente o interior do templo propriamente dito. Colunatas com mais de 15 metros de altura ladeiam o pátio calçado com placas de arenito, a partir do qual os sacerdotes, por meio de um salão fechado, chegavam ao santuário. Como todo templo egípcio, o de Amenófis também é um local dos deuses. Mas o faraó colocou a construção sob um tema bem especial: sua festa Sed, que ele festejara no total três vezes, na presença das divindades egípcias. Por isso, mandou ampliar o complexo em três oportunidades, a cada nova edição. Sakhmet, sua deusa protetora pessoal, também guarda, em muitas estátuas, o desenvolvimento do mesmo ritual. Mas essa fortaleza para a eternidade é mais do que um palco de culto, ela é um retrato do Egito e de seu direito de potência cinzelado em pedra: as estátuas na parte norte do santuário mostram o rei com a coroa do Baixo Egito. Na parte sul, Amenófis III carrega a coroa do Alto Egito, e nos pedestais, os escultores colocaram os nomes de dúzias de povos e locais estrangeiros. Ao sul, os vizinhos africanos negros. Ao norte, os povos da região do Mar Mediterrâneo.

No segundo pilone (torre de portal), a maior área de escavação é aberta pelos arqueólogos. A mão monumental à frente pertence a um dos dois colossos de Amenófis III, ao lado sul (1). ladeavam o portal, até que um terremoto por volta de 1210 a.C. os derrubou.

Cada nome está inscrito em um oval, que representa um muro de uma cidade. Em cima, uma cabeça sai do anel, com os traços característicos de cada um desses povos. Em torno de cada figura, representando os povos, estão cordas, que terminam nas plantas do brasão do Egito: umbelas de papiro para os povos do norte, flor de lótus para os povos do sul. Os braços que saem por trás desses ovais estão amarrados. Assim, simbolicamente, todos os povos são tidos como prisioneiros do faraó. As listas dos nomes mostram o conhecimento que os egípcios tinham do mundo em 1350 a.C. e quão poderosa era a consciência que tinham deles mesmos.

Ladrões de pedra reduziram a milhares de pedaços os colossos do rei que caíram no segundo pilone (2). Poucos fragmentos estão tão bem conservados quanto essa cabeça que um trabalhador limpa com um aparelho especial, retirando as de cal das toneladas de peso (3).

Todos os grandes reinos do sul estão na lista: Cuche e Jam, no curso superior do Nilo, e Punt, que, provavelmente, ficava na costa da Eritreia ou da Somália. Entre os povos do norte, pela primeira vez se encontra no Egito o retrato característico de um príncipe hitita: uma indicação do reino que se fortalecia na Anatólia, um concorrente acirrado dos faraós. Especialmente interessante é a lista do Egeu. No templo real de Amenófis III se encontram, em escrita hieroglífica, as referências mais antigas de localidades da Grécia Primitiva. Entre elas: Troia, Cnossos e Micenas. Novo é o nome Grande Jônia. É a referência mais antiga aos jônios, que viviam na Ásia Menor. Também os "danaos" (gregos) entram aqui pela primeira vez na história. Ocorre que o Egeu nunca esteve sob controle egípcio. Lá, as legações do faraó travavam apenas de relações comerciais com os minoicos, em Creta, e com os micênios, no continente grego. O reino hitita, na Anatólia, também não aparece em qualquer citação do reino. Amenófis III entende que o inimigo cresce com a presença dos hititas na terra dos faraós. Como se pode ver pela correspondência recebida em escrita cuneiforme, os soberanos trocam cartas corteses, mas nem sempre amistosas. Ainda há paz. As fronteiras ainda são respeitadas e raramente soldados são enviados. O Egito tem Mitani e a Babilônia a seu lado, e mantém relações econômicas com o Egeu. Mas Akhenaton, filho e sucessor de Amenófis III, não tem o talento diplomático de seu pai. As relações com o Egeu são cortadas. Os hititas põem em dúvida a prerrogativa de comando do Egito sobre a Síria. As forças se desequilibram. E também a "fortaleza para a eternidade", de Amenófis III, esse baluarte contra o esquecimento do diplomata magistral e deus vivo, é logo relegado ao declínio.

Outro santuário, cuja construção é atribuída a Amenófis III, mas que está bem melhor conservado: o templo de Luxor, inaugurado em 1.370 a.C., em Tebas. Cada uma de suas colunas se assemelha a um feixe de papiro, que juntos simbolizam a terra pantanosa primitiva, na qual, segundo a mitologia, surgiu o mundo.

Poucos anos após a morte do rei, os iconoclastas de Akhenaton começam a despedaçar o templo. Pois o filho, ao contrário de seus antecessores, idolatra um único deus: o disco solar Aton. Os esbirros de Akhenaton tiram o nome das imagens do deus Amon, venerado por Amenófis III.

O pesadelo, no entanto, dura pouco tempo: soberanos sucessores trazem novamente os deuses antigos, restauram o nome de Amon nas inscrições e voltam a frequentar o templo real de Amenófis III. Isso acontece durante a "bela festa do vale do deserto" . Mas durante o governo do faraó Merneptah, por volta de 1210 a.C., o templo é abalado por um terremoto. Geólogos descobriram, em 2006, os sinais típicos dessa catástrofe. A fortaleza para a eternidade sucumbe: juntamente com o pátio das colunatas, cerca de 40 imagens monumentais do rei e duas grandes pedras memoriais viram cacos. Sob o ímpeto de seu próprio peso, os colossos que estão à frente do segundo e terceiro pilones caem de seus pedestais e se despedaçam. O templo se transforma em uma pedreira. O próprio Merneptah acaba usando os blocos de pedra do santuário na construção de seu próprio templo real. E é seguido pelos próximos faraós. Um novo terremoto no século 1º a.C. danifica o Colosso de Memnon situado ao norte. Só agora esses gigantes recebem nomes, com os quais são conhecidos por qualquer pessoa que viaja ao Egito. Visitantes gregos veem no colosso lesado uma figura mitológica: Memnon, o filho da deusa do amanhecer, morto na batalha de Troia. Como o colosso emite ruídos estranhos ao nascer do Sol causados pela expansão do ar que se aquece nas rachaduras e fendas que se estendem pela estátua -, os gregos interpretam esses rumores como uma elegia de Memnon por Eos, sua mãe. Inscrições em grego e em latim nos colossos, antigos grafites, falam da força de atração do gigante que canta sobre as pessoas da Antiguidade. Somente quando o imperador romano Septímio Severo manda restaurar o colosso, por volta de 200 a.D, é que termina o espetáculo acústico. A atração turística perde seu encanto.Por fim, no século 19, caçadores de estátuas, a mando de colecionadores europeus, retiram das ruínas do templo o que lhes parece ter algum valor: duas cabeças de estátuas colossais do pátio de colunatas vão para Londres, duas esfinges seguem para São Petersburgo para enfeitar as margens do rio Neva. Atualmente, quase todos os museus etnológicos abrigam uma daquelas estátuas de Sekhmet, que Amenófis III havia mandado fazer aos centos. Antes da construção da segunda represa em Assua, em 1971, o Nilo, ano após ano, inunda a área do templo. O lodo se instala aos pés dos Colossos de Memnon, com uma espessura de 2 a 3 metros. Juncos dominam o terreno, espinhos de camelo quebram com suas raízes as ruínas escondidas na terra. Os nativos chamam o areal de kom el-hettan, "colina dos arenitos". Na superfície não se vê mais muita coisa do templo. E o que continua reconhecível, não dá muita esperança, por causa de seu estado. A maioria dos cientistas deixa o templo simplesmente de lado. Nos anos 60 do século passado, pesquisadores do Instituto Suíço para Pesquisa Arquitetônica Egípcia examinaram as ruínas do templo, constatando de modo realista em seu relatório final: "Sem dúvida, aqui ainda há muitas descobertas por fazer. Melhor seria se pudéssemos utilizar bombas, paredes de estacas- pranchas e guindastes. Nesse caso, estaríamos diante da incômoda questão: o que, afinal, se faria com os pedaços do zoológico de estátuas de Amenófis III? Os museus do Cairo, de Turim, Paris e Londres já estão satisfeitos com suas estátuas de Sekhmet." Mas Hourig Sourouzian, a atual diretora de escavações, tem como meta manter todas as partes do santuário em seu lugar original. Para ela, inscrições, estátuas e templo formam uma unidade indivisível. Rainer Stadelmann, ex-diretor do Instituto Arqueológico Alemão, em Cairo, tem a mesma opinião. Ele está trabalhando nas listas de povos estrangeiros e supervisiona a restauração dos Colossos de Memnon.

O achado mais recente: no segundo pilone, na parte frontal do gigante do lado sul, os arqueólogos descobriram uma imagem incólume da rainha Tiy, a esposa principal de Amenófis.

Nos últimos anos, a equipe que trabalha com os dois cientistas fez o levantamento cartográfico de todos os restos do templo. Trata-se da primeira escavação sistemática no templo de Amenófis III. O tempo esquentou bastante na kom el-hettan. Está quente demais para um dia de meados de março. O ar cintila por cima dos milhares de fragmentos de estátuas do templo, que estão classificados conforme o material e a forma do objeto. Todos recebem uma marcação manuscrita sobre posição e data de sua descoberta. Várias equipes de restauradores europeus e egípcios cuidam dos colossos de quartzito despedaçados junto ao segundo pilone: estátuas reais, de granito rosa, tocos de colunas e estátuas de Sekhmet. Estudantes passam a catalogar as relíquias. Especialistas em tijolos de barro examinam, no segundo pilone, um portal que ali existia. Posicionado à beira da escavação, o portal tem o tamanho de uma quadra de basquete e 3,5 metros de profundidade. A tarefa não é fácil, pois os especialistas precisam diferenciar os tijolos de barro não queimado do portal do chão de barro que o cerca. Sem as bombas, os trabalhos não seriam possíveis. Se elas parassem de funcionar, dentro de poucas horas a área da escavação estaria inundada e, por consequência, as relíquias e os fundamentos dos dois colossos de quartzito, que acabaram de descobrir no segundo pilone, também ficariam de baixo d'água. López Marcos e sua equipe levaram um mês e meio apenas para conseguir retirar da cova a parte inferior de um dos dois gigantes, de 450 toneladas. Foram utilizadas na operação: almofadas pneumáticas, guincho mecânico e trilhos perfeitamente lubrificados, para movimentá-lo para os lados. O que resta do gigante ainda está dentro da cova.

Aproximadamente a 30 metros, a oeste, Hourig Sourouzian tenta reconstruir a planta do pátio de colunatas que ficava diante do santuário. Ladrões de pedra daquela época já haviam levado parte dos muros e a maioria das colunas. Onde antigamente se erguiam paredes, agora existem apenas profundos buracos, recheados de terra. Nesses lugares, os arqueólogos encontram de tudo, desde materiais "sem valor" até peças consideradas sagradas demais para serem reutilizadas em novas construções, como as estátuas de Sekhmet. "Este é um mundo às avessas", diz Hourig Sourouzian. "Enquanto em outros monumentos estão preservadas as paredes e às vezes até os forros, aqui não se encontra nem sombra da decoração do templo. Em kom el-hettan pouco se vê de estátuas, memoriais em pedra e altares. É por meio dos objetos encontrados que identificamos um lugar onde, antigamente, havia pilones e paredes." Às 13h30, após sete horas de trabalho, o capataz egípcio soa um apito e dá por encerrado o expediente dos operários. À tarde, os cientistas passarão os valores de seu aparelho de medição para os computadores, cuidarão de seu banco de dados de achados, desenharão e farão fotografias dos objetos. Isso acontece seis dias por semana, de sábado a quinta-feira, até o início de abril. Depois disso, o calor fica insuportável. Alguns dias antes, a equipe de López Marcos havia re-erguido um colosso completo de Amenófis III: após 3.200 anos, levanta-se novamente uma estátua do rei no pátio das colunatas. Apenas a cabeça, de aproximadamente 1,30 m, com a coroa vermelha, não é de quartzito. É uma cópia de material sintético tingido, oca, reforçada por dentro com fibra de vidro. O original se encontra há quase 200 anos no British Museum, em Londres. Dessa maneira, o templo ressurge, peça por peça. Dentro de, aproximadamente, dez anos, Hourig Sourouzian quer apresentar ao público, em grandes partes, o santuário restaurado. Isso se ela conseguir as verbas necessárias: seu projeto é um dos poucos empreendimentos no Egito que se mantêm exclusivamente de doações. Até 2020 todas as colunas danificadas do pátio de colunatas estarão recuperadas, assim como as estátuas e memoriais em pedra. Os cientistas pretendem indicar no terreno, por meio de modernos tijolos de barro, a localização e as dimensões dos imensos portais. O Sol se põe atrás das montanhas ocidentais tebanas. Hourig Sourouzian está sentada na varanda superior do "Hotel Marsam". A pousada simples, perto do kom el-hettan, serve de moradia e local de trabalho para muitos escavadores. Os Colossos de Memnon brilham à distância, sob a luz dos holofotes. Mas em breve, a vista se modificará radicalmente. A equipe internacional pretende re-erguer, 100 metros a oeste dos Colossos de Memnon, outro par de gigantes de pedra, quando então quatro gigantes, sentados em tronos, cumprimentarão os visitantes da necrópole de Tebas. De longe, eles serão testemunhas de um monumento único de profunda fé e imenso poder.

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