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A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO NAS CARTILHAS ESCOLARES: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO EM MINAS GERAIS, (1834-1997)

Francisca Izabel Pereira Maciel Isabel Cristina Alves da Silva Frade Universidade Federal de Minas Gerais

RESUMO

Este projeto insere-se no Projeto Integrado de Pesquisa intitulado: Memória e História da Educação no Brasil (1800-2000) composto por professores de diversos grupos de pesquisa da Faculdade de Educação/UFMG. O objetivo geral é desenvolver estudos integrados e interdisciplinares, a partir da articulação entre grupos de pesquisas relacionados aos temas da história da leitura e da alfabetização, educação patrimonial, avaliação educacional e história da educação. Este subprojeto: A história da alfabetização nas cartilhas escolares:

práticas pedagógicas, produção e circulação em Minas Gerais. (1834-1997)é desenvolvido no Centro de Alfabetização Leitura e Escrita/CEALE, que abriga dois dos mais importantes acervos para a pesquisa em sua área no Brasil: um banco de teses sobre alfabetização e um considerável número de cartilhas/livros escolares dos séculos XIX e XX e XXI. Os objetivos desse subprojeto são: contribuir para a produção de uma história do ensino de língua materna no Brasil e para o desenvolvimento de pesquisa de fundo histórico em alfabetização; resgatar a história da alfabetização em Minas Gerais, particularmente as práticas pedagógicas voltadas para o ensino da leitura e da escrita; levantar e analisar qualitativamente as cartilhas que circularam no estado de Minas Gerais, no período de 1834 a 1997. A pesquisa coleta dados a partir de 1834, ano em que o governo decreta a Primeira Lei orgânica do ensino, repassando às Províncias a responsabilidade pela instrução, isto é, nesse ano ocorre uma descentralização administrativa na condução das políticas de educação, com a delegação de poderes da esfera do Império para as Províncias materializadas no controle curricular, na compra, indicação e distribuição das cartilhas em cada região do País. Por outro lado, o recorte em 1997, justifica-se por haver um corpus organizado no acervo no CEALE que, mediante a política do PNLD para1998, passa a ter catalogadas e arquivadas as cartilhas que foram apresentadas para apreciação e pareceres, a partir desse período. A história da alfabetização, da leitura e do livro no Brasil precisa ser construída através de diversas fontes, uma delas pode ser o livro didático. Os primeiros livros de alfabetização, sobretudo as cartilhas, são representativos das práticas e ideários pedagógicos, assim como das práticas editoriais e, historicamente, vêm se constituindo como primeira via de acesso à cultura do impresso, uma vez que em nossa sociedade grandes parcelas da população vieram constituindo suas “bibliotecas” e seus modos de ler a partir da escola. Uma abordagem histórica das cartilhas vem responder também a uma necessidade de construir mais organicamente uma história do livro e da leitura e das práticas editoriais em Minas Gerais, uma vez que trata-se de impressos que passam por um ciclo de produção, circulação e divulgação dependente de necessidades pedagógicas, mas também comerciais/culturais e, além disso, partilham de similitudes com outros impressos ou oferecem-se como contraponto a outros impressos que circularam ou circulam em determinado período, devido a algumas especificidades de uso. Para o desenvolvimento desta pesquisa buscaremos subsídios no âmbito da História Cultural, principalmente nos trabalhos realizados por Roger Chartier, Antonio Vinao Frago, Harvey Graff, Alain Chopin. Esses estudos têm trazido novos aportes teóricos para a história da leitura e sua perspectiva teórico-metodológica possibilita-nos re-interpretar a cultura escolar como um processo de construção compreendendo-a como estabelecida na confluência de saberes, práticas e sujeitos historicamente situados. E assim, esta pesquisa pretende-se de um lado, analisar comparativamente os impressos, construindo-se um repertório geral com todos os livros encontrados. Serão levantadas também algumas categorias representativas que possam ajudar a construir um catálogo analítico, com destaque para algumas obras mais utilizadas em determinada época. Essa análise será feita cruzando-se os dados do impresso com alguns períodos históricos da Educação mineira, da produção editorial brasileira/mineira e dos métodos de alfabetização. De outro lado, a pesquisa bibliográfica será utilizada para recuperar elementos que possam ajudar a reconstituir e explicitar as práticas pedagógicas e editoriais de determinados momentos históricos da Educação em Minas, desde o final do século XIX, no cruzamento com outras fontes, tais como cadernos de alunos e professores, provas de avaliação oficiais, procurando entender os efeitos produzidos pela alfabetização, em diferentes contextos, com o uso dos cartilhas.

TRABALHO COMPLETO

O objetivo geral da pesquisa "Cartilhas escolares: ideários, práticas pedagógicas e editoriais construção de repertórios analíticos e de conhecimento sobre a história da alfabetização e das cartilhas (MG/RS/MT, 1834-1997)" é compreender a história da alfabetização em Minas Gerais/Mato Grosso e Rio Grande do Sul, particularmente a

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produção voltada para o ensino da leitura e da escrita, no nível primário – no período situado entre 1834 e 1997. Especialmente para esta comunicação buscaremos discutir alguns pressupostos teórico- metodológicos no campo da história da alfabetização assim como a constituição de um grupo de pesquisadores que pretende aprofundar aspectos da história regional de alfabetização em três estados distintos e, em segundo lugar problematizar um conjunto de fontes relativas ao estado de Minas Gerais, que possibilitam compreender aspectos da política de produção, circulação de cartilhas e ideários de alfabetização presentes no Estado.

Breve revisão teórico-metodológica

A história da alfabetização, da leitura e do livro no Brasil precisa ser construída através de diversas fontes, uma delas pode ser o livro didático. Os primeiros livros de alfabetização, sobretudo as cartilhas, são representativos das práticas e ideários pedagógicos, assim como das práticas editoriais e, historicamente, vêm se constituindo como primeira via de acesso à cultura do impresso, uma vez que em nossa sociedade grandes parcelas da população vieram constituindo suas “bibliotecas” e seus modos de ler a partir da escola. Uma abordagem histórica das cartilhas vem responder também a uma necessidade de construir mais organicamente uma história do livro, da leitura e das práticas editoriais no Brasil, uma vez que trata-se de impressos que passam por um ciclo de produção, circulação e divulgação dependente de necessidades pedagógicas, mas também comerciais/culturais. Além disso, quais seriam as explicações sobre uso e permanência de determinado livro em cada região? Dependeriam de uma política de divulgação e distribuição das editoras? De necessidades pedagógicas? Sua circulação e uso estariam dependentes de outros livros, no mesmo período? Teriam as cartilhas existência isolada? Respondendo a uma necessidade de estudos mais aprofundados que tomem como objeto de pesquisa o material didático e suas características como impresso e como produto editorial - mais especificamente o livro/cartilha destinados à aprendizagem da leitura e da escrita - e a carência de pesquisas sobre os ideários e práticas no campo de estudos sobre alfabetização, numa perspectiva histórica, é que esta pesquisa tem como objetivo começar a desvendar, a partir do impresso, essa problemática pouco explorada historicamente e tão controvertida atualmente, ou seja, as cartilhas. Como já foi bem colocado por Pfromm Neto et al (1974), Bittencourt (1993) e Magnani (1997) 1 não é tarefa fácil ao pesquisador que se proponha a conhecer e a analisar a evolução do livro didático no Brasil, mais difícil ainda, quando se trata de “colocar as mãos” sobre as cartilhas utilizadas na instrução brasileira. Nesse sentido, a proposta dessa pesquisa é a de analisar propostas de alfabetização, projetos editoriais e cartilhas produzidas e/ou utilizadas em alguns Estados brasileiros (no caso, inicialmente, em MG, RS e MT), a partir de 1834 até meados da década de 90, do século XX. Desta forma a pesquisa pretende analisar aspectos nacionais e regionais, mas com o foco nas diferenciações ou redes de influências de determinada Província/Estado e os aspectos da alfabetização no Brasil. Isso porque não há como discutir aspectos gerais que caracterizam a

1 Pfromm Neto, Samuel et al. Cartilhas, gramáticas, livro texto. In: O livro na Educação. Rio de Janeiro, Primor/Mec,1974.(p.153-221) BITTENCOURT, Circe Maria F. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do saber escolar. São Paulo, Departamento de História da Fac,. De Filos. Letras e C. Humanas da USP,1993. (Tese de doutorado) MAGNANI, Maria do Rosário Mortatti. Os sentidos da alfabetização: a “questão dos métodos” e a constituição de um objeto de estudo (São Paulo - 1876/1994). Presidente Prudente, Unesp, 1997. (Tese de Livre-Docência).

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educação primária no Brasil, sem considerar que cada região pode ter construído políticas e práticas específicas. (Vidal e Gvirtz, 1998) Essas escolhas pelo recorte temporal justificam-se por alguns motivos, entre os quais,

a vinculação de nosso interesse à compreensão do papel dos Estados na condução das

políticas públicas dos livros didáticos e de alfabetização. A partir de 1834, ocorre uma descentralização administrativa na condução das políticas de educação, com a delegação de poderes da esfera do Império para as Províncias. Assim, as políticas do período podem estar materializadas no controle curricular, na compra, indicação e distribuição das cartilhas em cada região do País. Por outro lado, o recorte em 1997, justifica-se por haver um corpus organizado no acervo no CEALE que, mediante a política do PNLD para 1998, passa a ter catalogadas e arquivadas as cartilhas que foram apresentadas para apreciação e pareceres, a partir desse período. Além disso, em torno desse acervo PNLD\98 já foram realizadas algumas pesquisas. 2 Além disso, podemos afirmar que, até os anos 90, as cartilhas materializam e dão visibilidade a propostas metodológicas bem definidas, contrapondo-se a meados da década de 90 em que, com o advento da alfabetização construtivista, viveu-se o fenômeno da “não-cartilha” ou de uma certa “ desmetodização” – referida a uma idéia de método antes existente nas cartilhas - que gerou uma invisibilidade metodológica, tanto nas tematizações sobre inovações na área, quanto na própria organização das cartilhas (Frade,

2003). É preciso esclarecer que o tema proposto exige limitações de várias naturezas: a primeira, refere-se à delimitação temporal que o próprio material impõe, isto é, o tempo é

limitado em função da época de produção, circulação e apropriação das cartilhas a serem analisadas. A segunda é o mapeamento e análise da produção didática nacional e, nesse sentido, não serão analisadas as cartilhas, cujas editoras não sejam brasileiras. 3 Uma pesquisa dessa natureza torna-se necessária não só pelas possibilidades de se conhecer os primeiros materiais didáticos destinados a alfabetização da população brasileira, bem como procurar desvendar a história da alfabetização e nessa pesquisa, em especial, nos três estados brasileiros através das cartilhas que mais se destacaram, esboçar um estudo sobre as metodologias utilizadas, a autoria e a divulgação dessas cartilhas no processo de escolarização e instrução do Brasil. Nessa perspectiva de pesquisa a construção de acervos regionais e nacionais constitui- se num primeiro passo para mapear a existência das cartilhas em determinada época. Entretanto, não basta que se construam acervos, se os dados sobre os livros não são cruzados entre si, com outras fontes e descritos analiticamente. Esses dados dizem respeito ao conteúdo

e à forma do impresso, seus autores, seus recursos expressivos, sua proposta didática,

algumas das condições de sua produção, circulação, divulgação, entre outras. Em torno desse conjunto de interesses foi articulado um grupo de coordenadores do CEALE (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita), do Centro de Estudos e Investigações

em História da Educação (CEIHE), criado em 2000 e ligado à Faculdade de Educação da UFPel e do Núcleo de Pesquisas em Educação, ligado ao Departamento de Educação do Campus de Rondonópolis-MT, que tem em comum a sua formação no Programa de Pós- Graduação da Faculdade de Educação da UFMG; a interlocução em torno da áreas da História da Educação e Educação e Linguagem, bem como os projetos de pesquisa desenvolvidos em conjunto no CEALE .

2 Pesquisa integrada CEALE apresentada na 21ª Reunião da ANPED/1998, por Frade, Isabel & Silva, Ceres; Evangelista,Aracy & Rocha,Gladys; Gomes,Maria de Fátima & Macedo, Maria do Socorro. 3 As cartilhas que vieram de Portugal no século XVIII serão tomadas para contraste e, se localizadas, serão repertoriadas, tendo em vista a sua influência na alfabetização brasileira, no início da escolarização das práticas de leitura e escrita.

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A coordenação geral da pesquisa, assim como a coordenação da equipe mineira é

proposta por membros do CEALE, criado pela Faculdade de Educação da UFMG, em 1990, com o objetivo de integrar suas atividades de pesquisa, documentação e ação educativa voltadas para a alfabetização e a leitura e escrita. Na área da documentação, o Centro criou,

integrado à Biblioteca da FAE/UFMG, seu Setor de Documentação, que desenvolve projetos dirigidos para o monitoramento e a aquisição e tratamento da produção científica nacional e internacional sobre as temáticas de seu interesse, assim como para o levantamento, a

aquisição e o tratamento de fontes para o estudo histórico das práticas escolares de ensino da leitura escrita, particularmente da produção editorial brasileira destinada ao ensino da leitura e da escrita ou nele utilizada (cartilhas, livros didáticos, gramáticas e antologias), do século XIX aos dias de hoje.

A articulação de pesquisadores dos três estados (MG, RS e MT) em torno desse

projeto de pesquisa tem como intenção contribuir para que se tenha um esboço do “estado do conhecimento” sobre a produção de cartilhas brasileiras. Estas parcerias poderão enriquecer a

pesquisa em vários sentidos, entre eles destacamos: o mapeamento e constituição de acervos, o contraste e semelhanças, assim como a circulação de práticas entre as regiões. Tendo em vista algumas hipóteses de cruzamento de dados anunciados anteriormente, reforçamos que um campo teórico que se constitui num território comum entre os grupos de pesquisadores é a História Cultural, que pode evidenciar aspectos da produção, da circulação e da apropriação de modelos e materiais pedagógicos.

Aspectos relativos à História da Alfabetização em Minas Gerais

Antes de procedermos a análise de aspectos regionais apresentaremos uma visão geral dos acervos mineiros que repertoriamos:

Exemplares repertoriados por acervo 4

Acervo

Cartilhas e \pré-livros

Manuais

Total

CEALE

99

44

143

CRP/SEE/MG 5

87

38

125

Total

186

72

268

A pesquisa em diferentes acervos permite-nos construir uma série de dados e

cruzamentos entre os aspectos regionais e nacionais. O repertório de mais de 268 exemplares nacionais de que dispomos permite verificar a posição de Minas Gerais em relação a um discurso e prática de alfabetização nacionais, uma vez que os índices onomástico, por editoras, por títulos e por metodologia, produzidos mediante fichas analíticas, evidenciaram os seguintes aspectos: décadas em que houve maior intensidade de produção mineira de cartilhas, editoras mineiras em relação a editoras nacionais, indícios de uma rede de intelectuais mineiros que se agrupou em torno da adesão aos métodos analíticos e edições conjuntas com outros estados, entre outras relações.

A seguir, apresentamos uma tabela com exemplares repertoriados por década:

Exemplares repertoriados/Décadas

4 Ainda estão sendo catalogados os exemplares da biblioteca do Instituto de Educação de Minas Gerais e o da Fundação Amae.

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Exemplares/Década

Número de Exemplares

1870

1

1880

1

1890

2

1900

1

1910

2

1920

3

1930

0

1940

5

1950

23

1960

69

1970

45

1980

47

1990

18

Total

217

Exemplares S/D

51

Total Geral

268

Esta tabela já permite evidenciar um conjunto de interrogações sobre aspectos teórico metodológicos da pesquisa histórica sobre cartilhas. O primeiro conjunto de perguntas refere- se ao universo material dos exemplares repertoriados que, inicialmente, nos faz relativizar a interpretação dos dados. Apesar de recortamos o período de 1834 para iniciação da coleta de dados, a tabela abaixo evidencia um limite temporal inicial em 1870. Cabe indagar: isso se deve à natureza da constituição do acervo, uma vez que ele é constituído de doações, compras em sebos e doações, sobretudo da biblioteca pessoal da professora Lúcia Casasanta? Circunscritos a essa materialidade, que outras relações e perguntas podem ser feitas em torno do que caracteriza o conjunto de dados levantados? Em uma breve comparação com acervo trabalhado por Antonio Augusto Batista et al (2002) relacionado a livros nacionais destinados ao desenvolvimento da leitura, percebe-se uma coincidência: é apenas no último quartel do século XIX, exatamente no ano de 1870 que aparece um livro de leitura. O mesmo ocorre para as cartilhas que mapeamos. Isso indicia para futuras pesquisas que investiguem a própria produção nacional de livros, uma vez que é muito presente em vários discursos (Lajolo, Mortatti, Pfromm Neto) a incipiência de uma produção brasileira, o que levava à utilização de vários materiais portugueses e mesmo aqueles de uso social tais como processos, catecismos, entre outros, adaptados às necessidades de uma leitura escolar. Também não poderíamos deixar de observar que o baixo número de títulos levantados na década de 90 não significa uma queda na produção específica do período, uma vez que falta repertoriar livros inscritos no PNLD/1996 que totalizam mais de 50 títulos e verificar a longevidade de livros que já circulavam em décadas anteriores ou a novidade desse corpus em relação ao que já temos repertoriado. Por outro lado, o que pode representar o aumento de exemplares, a partir da décadas de 50 até 90, do século XX? Esse aumento pode estar ligado ao desenvolvimento da própria indústria editorial brasileira, especialmente aquela ligada à produção de livros didáticos, à

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expansão da escola pública e a uma intensificação de uma produção pedagógica de autores brasileiros, entre outros. No entanto, caberia perguntar: se fôssemos comparar a produção por Estado, haveria um processo de regionalização em quais estados? Este desdobramento regional estaria atrelado a capacidade da indústria editorial de cada região? À hegemonia de um pensamento, de um grupo ou de instituições formadoras? O caso de Minas Gerais nos faz levantar algumas hipóteses que trataremos mais adiante. A tabela seguinte permite inferir o poder de cada Estado no conjunto da produção nacional. Constata-se uma hegemonia do Estado de São Paulo, presente na indústria editorial até o momento atual e outros fenômenos internos ao campo pedagógico. Seria a produção pedagógica do estado mais significativa, per si, ou haveria naquele estado, um campo fértil para os negócios do livro, inclusive para captar autores oriundos de outros estados? Mesmo neste contexto, Minas Gerais aparece, em nosso acervo, em 2 o lugar. Caberia perguntar: em que época? Com quais autores? Com quais métodos? Em que situação de circulação de ideário pedagógico?

Títulos/Editoras/Cidades

Estados e ou Cidades

Títulos Repertoriados

São Paulo

56

Belo Horizonte

20

Rio de Janeiro

13

Porto Alegre

04

Localização em mais de um Estado

33

Localidade não citada

34

Outras localidades

09

Total

175

Consultando os dados bibliográficos de editoras poderíamos fazer outras problematizações em torno da parceria em diferentes Estados , uma vez que temos sucursais de editoras Nacionais em Minas Gerais e mesmo a junção de editoras na publicação de determinados livros. Uma produção editorial especificamente mineira pode ser inferida pela presença, em nossos índices, de 09 editoras mineiras e da Secretaria de Estado de Minas Gerais que não sendo editora, subsidiou integralmente uma publicação. Embora não seja objeto focalizado neste texto, não podemos deixar de mencionar que há uma série de relações entre algumas editoras, o que nos remete a perguntas relacionadas aos vínculos entre títulos e histórias de edição. Sabemos, por exemplo, que A Grafiquinha Ltda, transformou-se em Editora Vega e que havia em seu corpo editorial professores do Instituto de Educação e de membros ligados ao Programa PABAEE (Programa de Assistência Brasileiro/americana ao Ensino Elementar), que possibilitou uma série de circunstâncias propícias à publicação do livro "O Circo do Carequinha" de Maria Serafina de Freitas. As circunstâncias de sua produção fazem supor que houve, na época, possibilidades de relação entre pesquisas desenvolvidas no PABAEE e produção de livro didático, assim como melhores condições de divulgação e uso. (Rodrigues e Vaz, 1980). Os dados sobre autoria e sobre adesão a determinada metodologia é que vão trazer outras evidências, demonstrando que há uma rede de influências e pertencimentos institucionais que podem explicar a produção de cartilhas em MG. A tabela abaixo, demonstra uma relativa supremacia de uma produção mineira de pré-livros, decorrente de uma abordagem analítica para o ensino da leitura e da escrita, que se faz presente como tendência em livros mineiros editados, desde a década de 30, por editoras nacionais e vai aparecer na produção de casas editoras mineiras da década de 50 até 90, mas com predominância apenas até a década de 70, onde começam a ser editados livros que se

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baseiam em outras metodologias sintéticas ou ecléticas. É preciso esclarecer que os manuais que seguem a marcha sintética e eclética, em geral, não trazem no título da obra a expressão pré-livro.

Autores Mineiros* e a produção mineira de Cartilhas

 

Título

Autor

Metodologia

Editora

Década

Joãozinho e Maria – pré-

 

JORGE, Helena

Método Global

Estabelecimento

50

livro

Gráfico Santa

 

Maria

As mais belas histórias

 

Lúcia Casasanta

Método Global

Editora do Brasil em Minas Gerais

60

pré-livro

Meninos travessos pré-

 

Maria Yvone de Araújo

Método Global

Editora Vigília

60

livro

Era uma vez um

 

Elisa Barbosa

Método Global

Editora Lemi

70

cachorrinho fujão pré-

livro

O

Circo do Carequinha (

Maria Serafina de Freitas

Método Global

A Grafiquinha

60

pré-livro)

 

Editora Ltda

Brincadeiras do Jujuba pré-livro)

(

Elisa Barbosa

Método Global

Editora Lemi

70

Brincadeiras do Jujuba pré-livro)

(

Elisa Barbosa

Método Global

Editora Vigília

90

Método fônico gestual o Pica Pau

 

Maria Magdalena Lana Gastelois

Fônico/Sintético

Editora Lemi S/A

70

Acorda Dorminhoca

 

Teresinha Mendes, Stael Carvalho e Maria A Siqueira

Método Sintético

Editora Mãos

80

 

Unidas

Pa- ta- ti, pa ta ta

 

Maria S. C. Ribeiro, Zélia de O. N Lessa, Elza R. de Sousa

Método silábico

Editora Lê

80

Vivina e Fafau

 

Avani Avelar Lanza e Maria M. Garcia

Método Sintético

Editora O

80

 

silabação

Lutador Ltda

O

Barquinho Amarelo

Iêda dias da Silva

Método Global

Editora Vigília

70

pré-livro

 

No mundo das letras

 

Maria Helena S. Vidigal

Método sintético

Ed. Dimensão

90

O

jogo das Palavras,

Zélia Almeida Siqueira

Ludo- Genético

Editora

90

 

palavração

Dimensão

*A autora mineira Magdala Lisboa Bacha produziu pela Livraria Agir Editora (RJ/SP/BH) o título “Surpresas e mais surpresas: o presente”. No acervo temos a 6 a edição de 1961 e a 87 a em 1973.

O crescimento da produção editorial de manuais didáticos de autoria de mineiras, extrapola as montanhas de Minas e esses são utilizados em vários estados brasileiros. Na tentativa de explicar esse crescimento, apontamos dois fatores: o sucesso editorial e metodológico de O Livro de Lili, um dos livros que inaugura este rede de relações e a atuação de uma professora: Lúcia Casasanta, como principal divulgadora do método global entre suas alunas da antiga Escola de Aperfeiçoamento, posteriormente Curso de Administração do Instituto de Educação de Minas Gerais e atualmente, Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Minas Gerais. Alguns desdobramentos do Livro de Lili podem ser destacados pelas influências que exerceu na produção mineira, em termos metodológicos e mesmo na forma retórica. As influências O livro de Lili,, assim como as semelhanças podem ser constatadas, por exemplo, no pré-livro O circo do Carequinha, de Maria Serafina de Freitas. Em torno da temática do circo, a autora desenvolve onze historietas, tal como faz Anita Fonseca em O livro de Lili. Outro exemplo é o pré-livro da coleção Meninos travessos, de Maria Yvonne Atalécio de

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Araújo. Em torno dos personagens Fernando, Benedito e Silvinha, a autora vai apresentando pequenas historietas, sempre segundo os pressupostos do método global. E no ano de 1954, a própria Lúcia Casasanta lança o seu pré-livro, Os três porquinhos. O sucesso de Os três porquinhos e, portanto, da proposta metodológica de Casasanta pode ser verificado nos Relatórios emitidos pela FAE(Fundação de Assistência ao Educando) /MEC, na década de 80: entre as dez cartilhas mais distribuídas no Brasil pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o pré-livro da Coleção As mais belas histórias era um dos mais requisitados pelas escolas brasileiras. Não temos dados quantitativos, pois a única informação obtida junto à Editora do Brasil, responsável pela publicação da coleção didática de Lúcia Casasanta, foi a de que o pré-livro foi editado ininterruptamente até o ano de 1994. A partir dessa data, deixou de ser editado, como aconteceu também com várias outras cartilhas. No entanto é preciso destacar uma certa virada de tendência a partir da década de 70 e fazer outras perguntas: estariam os autores dos métodos sintéticos rompendo com uma certa rede e com uma tendência hegemônica em MG? Partilhariam esses autores de outra rede de influência? A produção de cartilhas sintéticas ou ecléticas viria como contraponto a um certo fracasso ou esgotamento das metodologias analíticas?

Em busca de novas fontes: O Arquivo Público Mineiro

Em função de diversas lacunas percebidas pelo limite do acesso a exemplares conservados, buscou-se a ampliação e cruzamento de dados. O outro conjunto de fontes que pesquisamos no Arquivo Público Mineiro vem acrescentar outras contribuições para a construção de uma história da alfabetização em Minas Gerais. Trata-se de um conjunto de documentos relacionados a pedidos, remessas e alguns relatórios de inspetores, desde 1890 até 1925. Nesses documentos foi possível vislumbrar a coexistência de uma produção local com a circulação de manuais nacionais constantes em outras pesquisas, tais como a Cartilha Analítica de Arnaldo Barreto e a Cartilha Nacional de Hilário Ribeiro. A natureza dos dados não possibilita uma leitura muito precisa das relações entre pedido, remessas e circulação. É também difícil verificar a relação entre pedidos e número de alunos matriculados que estivessem em período de alfabetização inicial. Os números solicitados aparecem por localidade e mesmo contando com dados das estatísticas escolares mineiras, talvez não seja possível verificar a relevância dos números pedidos com relação ao número de livros necessários para cada escola do interior. No entanto os dados revelam que houve uma produção local expressiva, no início dos anos 10, do autor Arthur Joviano (1907) e no início da década de 20, da autora Ana Cintra (1922). Todos dois fogem ao estereótipo dos métodos sintéticos hegemônicos naquele momento e parte das motivações para a produção de cartilhas analíticas pode ser explicada pela determinação das diretrizes metodológicas da reforma de João Pinheiro, em 1906, no sentido de que não se usassem mais os silabários, mas o método de sentenciação. Outras fontes bibliográficas 6 indiciam que outro autor mineiro João Lúcio se distingue dos anteriores porque, além de ter sido autor de uma coleção de série graduada composta de 04 volumes, produziu também a cartilha silábica O livro de Zezé. Pelas indicações de remessas e pedidos verifica-se sua ampla utilização e supõe-se que tenha circulado a partir do inicio década de 20. Até o momento não nos foi possível acesso a um exemplar e, segundo afirmações da professora Lúcia Casasanta, esta cartilha é representativa da marcha sintética.

6 Segundo dados do catálogo da exposição Ler, escrever e contar. A história da Educação em Minas Gerais, produzido em 2002 pela SEE/MG.

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Percebe-se que Minas Gerais não foge das polêmicas existentes em torno da adesão ou resistência aos métodos analíticos e sintéticos, verificando-se similitudes entre os movimentos presentes em outros estados, tais como São Paulo (Mortatti, 2000). Se por um lado, esta polêmica em torno dos métodos sintéticos x analíticos ainda permaneceu em outros Estados, destaca-se em Minas uma certa hegemonia em torno dos métodos analíticos, com ênfase no método global de contos, que se utiliza de histórias clássicas supostamente já conhecidas pelos professores e pequenos leitores e no método de historietas, baseado em histórias desconhecidas e desvendadas a cada lição, pelos aprendizes. Conforme foi mencionado, houve uma construção social deste ideário, explicada pela existência de uma série de circunstâncias políticas, institucionais e pessoais. Sobre as circunstâncias políticas, convém ressaltar que, na esteira das reformas anteriores, aparece a reforma de Francisco Campos, de 1927 que apresenta claramente os pressupostos decrolyanos. Conforme Maciel (2002) o programa de ensino da época traz uma adaptação do método Decroly, a título de sugestões de atividades para os professores. A autora ainda acrescenta que as idéias decrolyanas também estão muito presentes nas salas de aula, nos materiais pedagógicos, no planejamento escolar (p.14) Sobre as circunstâncias institucionais e pessoais é clara a vinculação da formação de diversos autores ao Curso de Administração do Instituto da Educação. Em conseqüência, vislumbramos uma outra condição de manutenção do ideário de alfabetização, que é fruto de um conjunto de influências exercidas pela professora Lúcia Casasanta, desde a década de 30 até a década de 90. Finalmente, a década de 90 apresenta outras rupturas e fenômenos que precisam ser melhor analisados e melhor compreendidos, sem perder sua dimensão histórica. Um desses fatores que promove determinada ruptura está na esteira do paradigma “construtivista” que influencia a produção de “livros de alfabetização”, a partir do final da década de 90. Além disso, temos também algumas restrições materiais impostas pelo Programa Nacional do Livro Didático ( PNLD/98), relativas à impossibilidade de aquisição, pelo MEC, de materiais complementares como cartazes, livros de atividades e outros “satélites” que acompanhavam pré-livros. Assim, tanto as cartilhas dos métodos sintéticos, quanto os pré-livros do método global campeões de vendagem passam a não constar nos guias, para escolha dos professores alfabetizadores. 7 Se de certa forma, as cartilhas analisadas marcaram época na história da alfabetização no Brasil., novamente, o “novo” paradigma de ensino-aprendizagem que coloca o aluno como centro do processo de aprendizagem e o professor como mediador entre o aluno e o objeto de conhecimento, traz como uma das conseqüências as discussões sobre o “poder” atribuído aos livros didáticos, em geral. No centro dessas discussões certamente se destaca o peso exercido pelos pareceristas que participaram das análises dos livros didáticos realizadas no âmbito do PNLD/MEC. No ano de 1997, de um total de 42 títulos de livros para a alfabetização, doze foram aprovados, mas nenhum foi recomendado com distinção.(PNDL/1998). Uma nova ordem de fatores envolvendo instituições de pesquisa e ensino, editoras, intelectuais e professores, vai determinar um outro modelo de “livro de alfabetização”. Esse livro que vem surgindo não é cartilha, nem pré-livro e apresenta poucas distinções, se comparado com os livros para o desenvolvimento da leitura. Assim, podemos perguntar se existe, no momento atual, um modelo de livro específico para alfabetizar ou se estamos rompendo com uma idéia de suporte especial para esse fim. É necessário um trabalho de pesquisa que possibilite ampliar a compreensão sobre esse movimento pedagógico e editorial.

7 Pesquisa apresentada por FRADE, Isabel (2002) no 13o INPLA “Escolha de livros de alfabetização: entre os modelos legítimos de leitura e os imperativos da prática pedagógica” desvenda a demanda dos professores por livros que explicitem as metodologias conhecidas anteriormente, questionando os critérios atuais do PNLD para livros recomendados.

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Podemos concluir que há relações complexas entre os diversos agentes/agências que produzem e consomem os livros da alfabetização. Autores de cartilhas, assim como idéias sobre métodos e tendências de alfabetização alteram rumos da produção editorial. Esses autores podem estar ligados a movimentos institucionais, a grupos de influência intelectual, ocupar posições nas redes oficiais e criar condições especiais de edição de seus livros. Sua produção pode se constituir em fórmulas ou modelos editoriais que determinarão a produção em dado momento. Uma concepção de livro para alfabetizar e de leitura, divulgada e implementada por professores, pode produzir permanências de edições ou rupturas significativas. Pode fazer com que determinado livro circule com maior amplitude pelo país ou seja um fenômeno regional forte ou efêmero. Para finalizar, gostaríamos de ressaltar que os limites e possibilidades de pesquisa em acervos só se tornam mais claros na medida em que vamos produzindo novos dados e reflexões, que nos levam a problematizar fontes. Daí a necessidade de construir um guia de fontes, tendo em vista a quase inexistência de pesquisas na área. Pesquisas integradas que possam se especializar e, ao mesmo tempo, cruzar dados estatísticos com dados sobre legislação e produção e uso de material didático em alfabetização também são necessárias. As pesquisas comparadas entre estados ou países podem nos levar a interrogar sobre circulações de idéias e a vislumbrar especificidades que cada história local pode indiciar. As pesquisas comparadas também ajudam na produção de novas perguntas, assim como nos dá uma visibilidade quanto às diferenças, semelhanças e apropriações de ideários em diferentes espaços e tempos históricos. Por outro lado, estamos apenas mapeando algumas possibilidades de pesquisa no campo. Entre outras facetas, pode-se aprofundar no estudo de materiais auxiliares para o ensino escolar da leitura e escrita, assim como aqueles utilizados para alfabetização de jovens e adultos e numa alfabetização doméstica ou religiosa.

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