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JOSÉ LEOPOLDO DE SOUZA

Economia

Roteiros de aulas

31/1/2013

Roteiros de aulas de Economia Básica para estudantes de Economia, Direito, Administração, Contabilidade, Turismo, Gestão Financeira etc.

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza 1 – Introdução Ciência: do latim sc

1 Introdução

Ciência: do latim scīre (saber), conjunto organizado de conhecimentos sobre um objeto, obtidos especialmente através da observação da realidade e testados pela experiência dos fatos, com método próprio, princípios bem definidos, doutrinadores conceituados e servindo a um fim prático determinado.

Teoria: conjunto de ideias sobre a realidade, sempre analisadas de forma independente.

Definições: significado dos termos (ideias) da teoria.

Argumentos: referem-se às condições nas quais a teoria se sustenta.

Argumentos positivos: proposição como

se o preço da carne sobe, a quantidade de carne que as

pessoas vão comprar tende a diminuir, isto é, do tipo se A, então B, são argumentos positivos de

análise que não envolve juízo de valor. É a análise do que é, foi ou será.

Argumentos normativos: a afirmação o preço da gasolina não deve subir expressa uma opinião ou

juízo de valor. Argumentos normativos são ligados aos conceitos de bom ou mau, certo ou errado. É

a análise do que deveria ser, também encontrada em política econômica (policymaker).

Hipótese: conjecturas relativas à maneira como as coisas da realidade se comportam.

Modelos: representação das principais características dos componentes de uma teoria.

Método: do grego µέθοδος, ου, significa caminho pelo qual se atinge um objetivo.

indutivo: parte dos fatos específicos para chegar a conclusões gerais.

dedutivo: parte da conclusão geral para explicar o fato particular.

dialético: lei hegeliana que caracteriza a realidade em três momentos sucessivos tese, antítese e síntese que se manifestam em todos os pensamentos (teorias) humanos e fenômenos materiais.

histórico, comparativo etc.

Teoria econômica: leisque explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos do homo economicus ou do indivíduo cujas ações sempre racionais derivam exclusivamente de seus interesses econômicos dentro da sociedade.

Procedimento científico: hipóteses são formuladas sobre o comportamento da realidade econômica baseando-se nos postulados da teoria econômica

processo lógico de deduções

implicações originadas das hipóteses

confronto com os dados (processo das observações empíricas)

conclusões: a teoria explica ou não satisfatoriamente a realidade.

Se a teoria passa no teste explicando satisfatoriamente a realidade, nada há a acrescentar lhe. Se é rejeitada:

a

teoria deve ser reformulada com o aparecimento de novos fatos;

ou será abandonada em favor, ou não, de uma teoria superior mais adequada.

Questões econômicas (entre muitas outras):

produção, renda (produto nacional e renda nacional)

crescimento e desenvolvimento, subdesenvolvimento econômico

aumentos generalizados de preços (inflação)

emprego, desemprego e encargos sociais

expansão, retração monetária, crédito, falta de dinheiro

taxas de juros

Comércio exterior, taxa de câmbio

Balanço internacional de pagamentos

déficit (ou superávit) governamental

dívida interna e externa

diferenças de renda entre pessoas ou entre regiões do país (ricos e pobres)

salários, salário mínimo

tributação: impostos, taxas e contribuições de melhoria

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza  previdência social  Infraestrutura. Conceito de

previdência social

Infraestrutura.

Conceito de Economia (do grego ’ία, administração, direção, organização da casa)

estudo da riqueza;

organização das atividades de produção, distribuição e consumo de bens e serviços;

estudo das atividades que, com o sem dinheiro, envolvam operações de troca de bens e serviços entre pessoas;

estudo da maneira pela qual os homens e a sociedade decidem, com ou sem dinheiro, empregar recursos produtivos limitados para produzir mercadorias ao longo do tempo e distribuí-las, no presente e no futuro, entre várias pessoas e grupos de sociedade.

“a ciência social que estuda a administração de recursos escassos entre usos alternativos e fins competitivospara satisfazer as necessidades humanas.

Economia é a “ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas”.

Palavras-chaves

Riqueza

Decidir, escolher

Produção, distribuição e consumo

Usos alternativos

Recursos produtivos escassos

Fins competitivos

Produção de bens e serviços

Satisfazer necessidades humanas

Princípios gerais da atividade econômica no Brasil: “a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

I soberania nacional;

II propriedade privada;

III

IV livre concorrência;

V defesa do consumidor;

VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto

ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;

VII redução das desigualdades regionais e sociais;

VIII busca do pleno emprego;

IX

tenham sua sede e administração no País. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”. (CF, art. 170).

tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que

função social da propriedade;

Indagações científicas da Economia

O que e quanto produzir? Este é o problema econômico típico.

Como e onde produzir? Este é o problema técnico de escolha.

Para quem produzir? Este é o problema social da distribuição.

Diferentes abordagens

Economia de deslocamento de curvas: análise dos modelos econômicos, formalizados com gráficos e cálculos algébricos, a economia de letras gregas dos profissionais;

Economia de mídia: a que aparece nas seções de finanças e negócios dos jornais e revistas. Tem duas

vertentes:

Economia de altos e baixos: notícias voltadas às elevações e às quedas das variáveis numéricas (preços, juros, inflação, emprego etc.)

Avaliação de políticas econômicas: comentários voltados à explicação, ao elogio, ou à condenação de políticas macroeconômicas do governo (monetária, fiscal, cambial, salarial, de emprego,de estabilidade de preços)

Economia pop: encontrada nos livros direcionados ao grande público (best-sellers). Não são manuais de Economia, mas trazem tema chamativo, contam estórias de desastres recentes ou

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza defendem uma panacéia (do gre go: π

defendem uma panacéia (do grego: πν + άκος, -ος = remédio para todos os males). É chamada de Economia de aeroportos.

Interrelação da Economia com outras áreas do conhecimento

Física e Biologia (séc. XVIII Fisiocracia François Quesnay; médico de Luiz XVI e Pompadour):

Os fenômenos econômicos são governados por uma ordem natural (leis naturais);

A Terra e a única fonte de riqueza e a única classe produtiva são os agricultores;

Grupo organicista: a economia é um corpo vivo: fluxos, circulação, funções, órgãos etc. ;

Grupo mecanicista: termos como estática, dinâmica, aceleração, velocidade, trabalho, fluxos etc.

Sociologia, Psicologia e Antropologia (concepção humanística) exemplos: consumo de miúdos de boi nos EE.UU durante a II Guerra; o caso do sabonete Phebo no Pará.

Matemática e Estatística: nascimento da Econometria;

Política (Ciências Políticas):

Política do “café com leite” antes de 1930 – SP e MG dominavam o cenário político nacional

Poder econômico dos latifundiários

Poder dos monopólios e oligopólios (cartéis);

Poder das corporações (associações, federações, sindicatos etc.);

História:

Revolução Industrial

Ciclos da economia brasileira: açúcar, ouro e café

Quebra da Bolsa de NY

Crises do petróleo (principais: depois da criação da OPEP, em 1960, o barril de petróleo subiu de U$ 2,9 para U$ 11,65; 1979/1981, de U$ 13 para U$ 34; 1990/1991, pulou para mais de U$ 200).

Crise financeira de out. 2008 (Crise do Subprime-Prime, títulos emitidos por um devedor sem

vontade de pagar, derivativos).

Geografia: estudos populacionais, características territoriais físicas, acidentes geográficos e climáticos, mercados regionais: UE, NAFTA, MERCOSUL, ALCA etc.

Filosofia, Moral, Ética e Religião: na Antiguidade e na Idade Média, a Economia fazia parte deste conjunto:

lei da usura, preço justo (Aristóteles e Tomás de Aquino)

a vaca e a fome na Índia hoje;

Direito: as relações econômicas estão condicionadas ao arcabouço das normas jurídicas (Existe, inclusive, o ramo Direito Econômico). Exemplos

leis antitruste (Sherman Act 1890:)

CF/88: Da ordem econômica e financeira, art. 170 (ler) e seguintes;

CDC (Lei n. 8.078/90): proteção ao consumidor, parte hipossuficiente

CLT: proteção maior ao trabalhador, parte hipossuficiente etc.

Administração, Contabilidade e Finanças (Direito Financeiro) etc.

Dez princípios de Economia:

As pessoas enfrentam tradeoffs ou situação de escolha conflitante: uma ação econômica, que visa à resolução de determinado problema, acarreta outros inevitavelmente. Ex: aumento da taxa de juros para controlar a inflação reduz os investimentos privados, aumenta o desemprego, derruba a renda e o crescimento da economia);

O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la (para vir à universidade, você deixa de ter um emprego nesse horário);

As pessoas pensam na margem (na hora de comer, a decisão não é entre jejuar ou comer até não poder mais; é entre aceitar um colher a mais de alimento, ou não);

As pessoas reagem a incentivos (as pessoas tomam decisões por meio da comparação entre custos e benefícios e eles mudam);

O comércio pode ser bom para todos (a competição entre as empresas reduz os preços dos bens, e concorrência entre compradores orienta a produção de bens e serviços);

Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica.

Às vezes, os governos podem melhorar os resultados dos mercados.

O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços.

Os preços sobem quando o governo emite moeda demais.

A sociedade enfrenta um tradeoffI de curto prazo entre inflação e desemprego.

Referências bibliográficas: Mankiw, N. G. Introdução à Economia. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007. Capítulo 1 Introdução. - Constituição Federal e Código do Consumidor (partes). - Manual de Economia Equipe de professores da USP 5. ed. S. Paulo: Saraiva, 2005. Capítulo 1 Introdução à Economia.

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Apendice Brasil - A revolução do real:

Apendice

Brasil - A revolução do real: há duas formas de revolução na história humana: as rumorosas, feitas com o sangue, o suor e as lágrimas das populações, e as silenciosas que, em geral, tendem a ser mais efetivas no que diz respeito aos benefícios proporcionados à maioria. Elas são consideradas silenciosas não porque feitas nos subterrâneos, longe dos ouvidos e dos olhos das pessoas, mas porque deixam de ser percebidas como revoluções enquanto se desenrolam. Seu caráter profundamente renovador é reconhecido somente a posteriori, quando muitos se dão conta, enfim, das mudanças por elas promovidas. Há quinze anos, começou a ocorrer uma revolução silenciosa no Brasil: o lançamento do real, a moeda que pôs um ponto final na hiperinflação e que, ponta de lança do plano ao qual emprestou seu nome, catapultou o país a um novo patamar de desenvolvimento. Com o real:

Os brasileiros redescobriram o valor do dinheiro e das coisas.

Passaram a planejar seu presente e seu futuro.

Elevaram seu padrão de renda e bem-estar.

A economia ganhou um arcabouço mais nítido e moderno:

1. Com o saneamento do sistema financeiro

2. As privatizações, as agências reguladoras

3. A Lei de Responsabilidade Fiscal,

4. As metas de superávit primário

5. O câmbio flutuante

6. A autonomia operacional do Banco Central.

Na condição de ministro da Fazenda de Itamar Franco, o tucano Fernando Henrique Cardoso lançou plano e moeda. Na Presidência da República, executou reformas essenciais e protegeu as conquistas obtidas com o real de uma série de cataclismos internacionais. Seu sucessor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, deu continuidade exemplar ao processo de estabilização que, hoje, possibilita ao Brasil singrar, com relativa tranquilidade, os mares tempestuosos da crise planetária.

O fato de Lula e o Partido dos Trabalhadores terem perdido suas feições radicais deve-se

também ao real. Não era possível continuar a ser contra algo que tanto bem causou a tantos.

O real foi uma revolução porque fez com que os brasileiros praticamente todos caíssem na

realidade. Não com estrondo, mas com um suspiro de alívio.

Tamanho do desafio do governo: a presidente tem nas mãos uma máquina pública poderosa, porém inchada. O país ganharia se ela se tornasse menos custosa para a sociedade e mais eficiente.

 

119 empresas estatais

R$ 821,8 bilhões de receitas do Tesoura Nacional

568.307 funcionários públicos (servidores civis)

R$ 153,6 bi de empréstimos do BNDES (2010)

R$ 714,83 bilhões de impostos anuais

Até R$ 146 bi de empréstimos do BNDES (2011)

Os nós: para que o país continue crescendo é preciso desatá-los:

 

Investimento líquido 18% do PIB: este índice mostra quanto a capacidade produtiva do país vai crescer nos próximos anos. Ele vem aumentando, mas ainda não basta para manter o crescimento. A Indonésia investe 28% do PIB e a Índia 35%. O Brasil tem que chegar ao menos a 23% do PIB.

Déficit público mais de R$ 100 bilhões: esse é o déficit nominal anual, isto é, o que o governo arrecada, menos o que o governo gastas, incluído o pagamento dos juros da dívida pública. Em 2010 fechou perto de 3% do PIB. O governo chegou a prever que ele seria zero até 2013, mas abandonou essa meta.

Divida pública cerca de R$ 2 trilhões: a dívida bruta do setor público deve fechou 2010 perto de 58% do PIB, um nível bom para os padrões internacionais. Mas o país não sôbe aproveitar a fase boa para reduzi-la. O governo estima que ela possa cair a menos de 50% do PIB até 1013.

Funcionalismo mais de R$ 120 bilhões: o valor gasto por ano com os funcionários públicos na ativa (servidores civis da administração direta, autarquias e fundações, inclusive contratados temporariamente) nos três Poderes cresceu 59% só no segundo mandato de Lula. Dilma precisará conter essa expansão para poder investir mais e evitar uma sobrecarga futura com aposentadorias.

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– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Aposentados e pensionistas – mais de R$

Aposentados e pensionistas mais de R$ 75 bilhões: o gasto anual o governo com funcionários aposentados e pensionistas avançou 52% na segunda gestão de Lula. O saldo negativo dessa conta é de cerca de R$ 50 bilhões ao ano e tende a crescer se Dilma mantiver a idéia de não fazer reformas.

Carga tributária em torno 38% do PIB: o governo brasileiro extrai de seus cidadãos e empresas, proporcionalmente, mais riqueza que os governos dos países mais ricos, com o Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Isso freia a o crescimento e inibe novos negócios e empregos.

Déficit externo US$ 50 bilhões: o Brasil vem importando mais e exportando menos. Para fechar as contas, precisa mostrar-se ao mundo como lugar bom para fazer negócios (e não só atraente por seus juros altos). O saldo negativo deverá crescer para mais de US$ 75 bilhões em 2013.

Brasil Desafios econômicos do governo Dilma Rousseff:

1. Controlar as contas públicas: os governos anteriores (principalmente Lula) gastaram além de sua capacidade nos últimos anos, o que aumentou a dívida pública que leva a mais inflação, juros maiores e menos investimentos. Solução: controlar os gastos de custeio do governo (suspender ou desacelerar reajustes de servidores, salário mínimo e bolsa família, e cortar cargos comissionados), vale dizer, enfrentar funcionários públicos federais ativos e aposentados, que exigem aumentos, e políticos frustrados que querem empregos, e são das bases de apoio do PT. Dilma diz que administra com austeridade

2. Manter a inflação baixa: a inflação foi de mais 6,2% em 2012 (a meta era de 4,5% a.a. até 2010, em 2011 subiu para 5% e foi ultrapassada Solução: controlar as despesas do governo e desacelerar a expansão do crédito dos bancos públicos. De outra forma, vai ser preciso elevar os juros. Dilma nega a necessidade de ajuste fiscal, mas diz que não pode “brincar” com a inflação.

3. Diminuir o peso dos tributos: a carga tributária de mais de 37% do PIB drena recursos do setor privado, encarece produtos e compromete a competitividade do país. Solução: fixar um limite para a expansão dos gastos públicos abaixo do crescimento do PIB, vale dizer, mudar a noção governamental de que o Estado, para ser forte, precisa cobrar altos tributos (impostos, taxas e contribuições de melhoria). Dilma diz ser favorável à reforma tributária e à redução de taxas de juros para micro e pequenas empresas.

4. Reformar as aposentadorias: o sistema de Previdência teve um déficit de R$ 45 bilhões em 2010, mais de 50 bilhões em 2011 e subiu em 2012, conta essa que vai estourar no futuro, pois não se quer arcar com o custo político agora. Solução: aprovar regras mais duras para quem está entrando no mercado e individualizar os planos:

cada um receberá benefícios de acordo com suas contribuições. Dilma acredita, porém, que o déficit pode ser coberto com o crescimento da economia

5. Negociar os esqueletos do Congresso: ali há uma série de projetos para concessão de benesses que podem representar despesas de 5% do PIB (cerca de R$165 bilhões ao ano). Solução: usar a maioria do governo no Congresso para minimizar a aprovação desses projetos, mas é complicado dizer não a pressões populares amparadas por forças internas das duas Casas. Dilma apoia alguns desses projetos

6. Segurar o dólar em torne de R$ 2,00: com a queda do dólar US$ 1,00 menor que R$ 2,00), as exportações brasileiras são desestimuladas e as importações se tornam mais baratas. Além de aumentar o rombo nas contas externas, esse processo estimula o consumo de importados e pode levar à desindustrialização. Na outra ponta, se o dólar subir (US$ 1,00 maior que R$2,00), as exportações serão estimuladas e as importações, mais caras

Solução: Dilma promete manter o câmbio flutuante e pretende agilizar a devolução dos créditos tributários aos exportadores para amenizar o problema. Ela também é favorável ao aumento do pedágio para o capital especulativo.

7. Melhorar o ambiente de negócios: um ambiente hostil aos negócios favorece a informalidade, desestimula o empreendedorismo e inibe a geração de empregos. O índice de liberdade econômica reflete a média de notas obtidas pelos países em dez questões: liberdade trabalhista, l. para fazer negócios, l. comercial, l. fiscal, l. monetária, l. de investimento, l. financeira, gastos governamentais,

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– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza direito de propriedade e nível de corrupção

direito de propriedade e nível de corrupção (a cada nível, índice em ordem decrescente):

Livre

Principalmente livre

Moderadamente livre

Principalmente não

Reprimido

livre

Hong Kong

EUA

Coréia do Sul Espanha México Portugal França África do Sul

Brasil

Cuba Coreia do Norte

Austrália

Chile

Índia

Suíça

Reino Unido

Argentina

 

Japão

China

Suécia

Rússia

Alemanha

Solução: reduzir tributos:

Ascensão da carga tributária no Brasil nos últimos 20 anos (1991-2009) em %

90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
00
01
02
03
04
05
06
07
08
09
29,9
24,6
25,4
25,1
28,6
28,9
25,2
25,5
27,4
28,6
30,7
31,0
32,6
32,5
33,5
34,1
34,5
34,7
35,2
35,0
Diminuir a burocracia para criação de empresas. Tornar mais flexível a legislação trabalhista. Para
não entrar em conflito com os sindicatos, Dilma já declarou que não pretende realizar a reforma
trabalhista. Também é pouco provável que ela reduza tributos, mas promete ampliar os limites do
Supersimples, o sistema simplificado de tributação das empresas de pequeno porte.

8. Ampliar a poupança interna: o Brasil (poupança doméstica de apenas 16% do PIB, ante 52,3% na China, 37,5% na Índia e 24,3% na Argentina) precisa poupar mais para viabilizar mais investimentos. Solução: estimular a consciência da poupança na população, o que leva tempo. Então o governo precisa controlar suas despesas de custeio, principalmente com a contratação e o reajuste de funcionários públicos. Dilma se propõe a aumentar a poupança doméstica, mas afirmou que o país não precisa promover um ajuste nas contas públicas, o que é uma contradição.

9. Aumentar os investimentos: sem infraestrutura adequada, a produção encarece e o país perde competitividade e vidas na saúde e nas estradas. Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda é um dos emergentes que realizam menos investimentos em % do PIB (2009):

China

45%

Indonésia

28%

Rússia

23%

Chile

19%

Vietnã

38

México

25

R.Tcheca

22

África do Sul

19

Índia

35

Malásia

24

Polônia

20

Brasil Turquia

18

15

Solução: gastar menos com a máquina administrativa e atrair a iniciativa privada para grandes projetos (parceria ou privatização). Arranjar capitais para suprir tantas carências. Líder do PAC,

Dilma defende o fortalecimento do Estado nos investimentos e na gestão de alguns projetos depois de

prontos

Fica difícil!

10. Preparar o cidadão para o trabalho: a falta de trabalhadores qualificados diminui a eficiência das empresas e encarece produtos e serviços. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), abastecido por recursos do PIS e do PASEP, somava em 2010 R$ 170,7 bilhões, paga o seguro-desemprego, o abono-salarial e financia o BNDES e programas de formação de trabalhadores. Desde 2004, os desembolsos crescem mais que as receitas, mas o problema maior do FAT está em sua gestão Solução: no longo prazo, investir no ensino fundamental; no curto prazo, adequar o ensino técnico às necessidades regionais e aproximar as faculdades das empresas. Os brasileiros ainda são pouco exigentes em relação à qualidade do ensino. Há professores que resistem a reformas e à aproximação com o mercado. Dilma vai oferecer mais bolsas para o ensino superior, aumentar o número de vagas no ensino técnico e elevar a qualidade do ensino fundamental.

11. Conciliar crescimento e preservação: o Brasil precisa crescer sem aumentar suas emissões de gases o desmatamento de florestas é a nossa maior fonte poluidora que contribuem para o aquecimento global (economia limpa). Os países que mais contribuem para o aquecimento global, em bilhões de toneladas de gases poluentes (ano 2000):

China (em 2005) EUA (em 2005) Indonésia Brasil (em 2005)

7,4

Rússia

1,59

Alemanha

0,85

7,3

Japão

1,21

Malásia

0,81

2,85

Índia

1,01

Canadá

0,59

2,19

Solução: investir em fontes alternativas de energia e incorporar a ideia de que desenvolvimento com destruição não é sustentável: impedir que o novo Código Florestal aumente o desmatamento sob a premissa falsa de que se precisa de mais áreas para a agricultura, quando se pretende mesmo é criar gado nesses espaços. Dilma lançou a meta brasileira para o clima, mas planeja obras que podem comprometer esse objetivo.

12. Estimular a inovação: um pais que inova pouco tem de ocupar os mercados mais baratos e ganha menos. O pais está indo bem com a venda de matérias-primas (commodities), de pouco valor

A inovação avança devagar no Brasil. Não há cultura

agregado. Isso leva à acomodação generalizada de inovação no país.

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– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Ano Empresa que inovaram ou adotaram alguma

Ano

Empresa que inovaram ou adotaram alguma inovação

Fatia do faturamento investida na mudança

Enfrentam obstáculos para inovar ou adotar inovação

Postos de trabalho em microempresas inovadoras recém- nascidas

2005

34,4%

3,0%

35,4%

 

28.449

2008

38,6%

2,9%

49,8%

 

,

2010

,

,

,

 

35.000

Solução: aproximar as empresas dos cientistas, reduzir os custos para os firmas

inovarem. Dilma

promete integrar as políticas de inovação, investir mais e estimular o surgimento de empresas tecnológicas.

As metas do Governo Dilma

Prioridade máxima à geração de empregos

Crescimento médio da economia de 5% nos próximos quatro anos

Inflação de 4,5% em 2011 e 2012, com dois pontos de margem

Redução da dívida pública de 41 para 30% do PIB

Buscar queda mais rápida da taxa de juros: em julho de 2012, Seliq em 7,25% a.a.

Consolidação fiscal, com superávit primário em 3,3%.

Aumentar o investimento no total do gasto público: 2012, Custeio R$ 2.150 bi e Investimentos 107 bi!

Melhorar a qualidade do gasto públicos: Receitas previstas para 2012: R$2.257 bi

Valorizar os servidores públicos federais de forma responsável: em 2012, despesas contingenciadas!

Brasil Realidade em 2012: O que está bom:

O que está ruim:

Credibilidade internacional: 6ª economia mundial

Altos e baixos do PIB:0,3 (2009), 7,5% (2010), 2,3 (2011) e menos de 1% em 2012.

A máquina burocrática cresce mais que o PIB.

Risco-País: em torno de 250 pontos (142, abr. /2007). Investment grade (S&P, Moody’s, Fitch)

Renda per capita: US$ 10.000 ou R$ 20.000.

Perda de R$ 85 bi ao ano para a CORRUPÇÃO.

Balança Comercial: superávit < US$ 20 bi Melhor resultado anual: US$ 46,5 bi (2006) .

Harvard e Yale: Lei no Brasil não cria empregos (só 50% dos trabalhadores têm carteira assinada);

Superávit primário: perto de 3,0% do PIB, como planejado. Foi de 4,6% em 2007.

Para cada R$ 100 pagos ao trabalhador, o empregador recolhe R$ 104 de encargos e impostos.

Expectativa de vida ao nascer: 73,2 anos em 2009

Poupança interna: 18% do PIB (China: 52% em

2010)

(H=69,5, M=77). Em 1910: 34 anos (H=33,5, M=34,5). Em 1980: 63 anos (H=60 e M=66)

Investimento estrangeiro: US$ 76 bi. (Inv. Direto 2011: US$ 40 bi ate out. e 50 bi, em 12 meses).

Taxa de analfabetismo: em queda, é de <15% (mais de 25% em 1991). Quem é alfabetizado!?

Carga tributária em 2011: 37% do PIB (uma das mais altas entre os emergentes. Confusa e injusta).

10 milhões de brasileiros estão na extrema pobreza; vivem com menos de R$70 por mês em 2012

Dívida interna federal > R$ 2.000 bi em jul.2012.

Emprego: 1,9 milhões de vagas em 2011. Desemprego: <6,5%, Europa >20% e EUA, 8%

Dívida externa: US$ 297,3 bi (Bancos: 137 + Setor privado: 98 + Governo: 58 + BACEN:4,3), em 2011

Reservas cambiais do Brasil em 2011: US$ 350 bi. (Em 2010: China, 2.500. Em 2007: Rússia, 480; Índia, 290; C. do Sul, 260 bi).

De devedor a credor externo: dívida externa de curto prazo coberta pelas reservas como recomenda a Convenção de Bretton Woods - 1944. Mas, cresceu US$ 41 bi em 2011 (16%). Do total US$ 297,3, 258 são de prazo > 1 ano

Brasil paga, em 2011, juros mais baixos que boa parte dos países europeus, 3.97%; Espanha:

Crescimento da dívida federal interna: R$ 200 bi a.a.

Relação dívida/PIB: mais de 60% (3 vezes a do México, 7 vezes, a do Chile) em 2011. Fatia no comércio mundial: cerca de 1,2%. Participação setorial: Agropecuária: 5,6% Indústria:

27,7% e Serviços:66,7%

Mortalidade infantil: 16% o (em 1998 era de 69,1% o ).

Baixo nível educacional: 53° entre 65 países em leitura , matemática e ciências (OCDE 2009). Verbas insuficientes, repetência, abandono etc.

6,51; Itália: 6,88; Irlanda: 8,08; Portugal: 11,32; Grécia: 33,65%, para refinanciar a dívida.

Demanda por energia elétrica aumentará 5,3% a.a. até 2019. Em 2010, 455,2 bi. de kW/h. Em 2019, 712,0 bi de kW/h.

Saúde e assistência precárias à população. O Brasil gera energia elétrica pelo método mais barato do mundo e entrega ao consumidor por um dos preços mais altos. A Presidente prometeu 20% de redução nas contas de energia em 2012.

Afogados em dívidas: Em 2011, o endividamento dos governos europeus era enorme. Mas a dívida total (interna e externa) dos países incluindo o setor privado era muito maior. Total das dívidas das pessoas + empresas + bancos, como proporção (%) do PIB de cada país: Inglaterra: 497; Japão: 492; Espanha: 336; Portugal: 356; França: 341; Itália: 313; EUA: 289; Alemanha: 284; Grécia: 261; China:184; BRASIL: 148. Os bancos eram os maiores devedores na Inglaterra. O governo era o maior no Japão, na Itália, na Grécia e no Brasil. As empresas eram as maiores na Espanha, em Portugal, na França e na China.

9

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza  Organização Mundial de Saúde (OMS): Saúde

Organização Mundial de Saúde (OMS): Saúde no mundo (2008), breves lances

 

Expectativa de vida

Japoneses: 83 anos

Serra Leoa: 40 anos

Brasil: 72 anos

Mortalidade Infantil

Islândia: 2/1000

Afeganistão: 165/1000

16/1000 nascidos vivos

Óbitos

por

doenças

Japão: 06/100.000

Turcomenistão: 844/100.0000

341/100.000

nascidos

cardiovasculares/ano

vivos

Tabagismo (adultos)

Etiópia: 4%

Grécia: 52%

16%

Despesas com saúde per capita

Estados Unidos:

   

US$ 6.350/ano

Coreia do Norte: US$ 1

US$ 371

Dez motivos para se indignar com a CORRUPÇÃO: com os 85 bilhões de reais surrupiados pelos corruptos brasileiros em 2010 (720 bilhões de reais nos últimos 10 anos, segundo a FIESP) seria possível*:

1. Erradicar a miséria no Brasil (16 milhões de pessoas) e sobrariam R$ 5 bi;

2. Pagar o benefício máximo (R$ 242) do Bolsa Família a 13 milhões de famílias por mais 2 anos;

3. Custear 17 milhões de sessões de quimioterapia;

4. Formar 312.000 médicos;

5. Custear 34 milhões de diárias de UTI nos melhores hospitais;

6. Construir 241 quilômetros de metrô;

7. Construir 1,5 milhão de casas (30% do déficit habitacional do Brasil);

8. Custear 2 milhões de bolsas de mestrado;

9. Aumentar em 443 reais o PIB per capita do brasileiro (de R$ 19.265 para R$ 19.708;

10. Reduzir 1,2 ponto percentual na taxa de juros.

Escolha uma das alternativas para comentar.

BRASIL: ainda longe de ser um país rico no início de 2012 (pesquisa CNT/Sensus):

 

PAÍS

PIB - US$ bi

PIB per capita - US$

IDH

Publicações científicas

 

EUA

 

15,0

Noruega (84.290)

Noruega

EUA

 

China

 

7,0

Luxemburgo (77.160)

Austrália

China

 

Japão

 

5,9

Suíça 71.530)

Holanda

Alemanha

 

Alemanha

 

3,6

Dinamarca (59.050)

EUA

Japão

 

França

 

2,8

Suécia (50.110)

N. Zelândia

Inglaterra

 

 

BRASIL

   

2,52

 

Holanda (49.050)

Canadá

França

 

Reino Unido

 

2,48

Finlândia (47.720)

Irlanda

Canadá

 

Itália

 

2,25

EUA (47.390)

Liechtenstein

Itália

 

Rússia

 

1,88

Áustria (47.060)

Alemanha

Espanha

10º

Índia

 

1,84

Bélgica (45.910)

Suécia

Índia

 

47º BRASIL (12.900)

 

84º BRASIL

 

13º BRASIL

 

Investir para crescer: Não existe PIB grátis.A tragédia do crescimento raquítico do PIB atesta a incapacidade da política econômica em atrair os investimentos produtivos. O quadro a seguir fala por mil explicações esfarrapadas. Apresentado em forma gráfica, no eixo dos X, as taxas médias de investimentos produtivos em 10 anos, e, no eixo vertical, a variação do crescimento anual médio do PIB de 18 países, observa-se (determina-se) uma correção linear simples direta (positiva) superior a 73% da contribuição de X para os aumentos de Y. A China investe muito, acima de 40% do PIB, e também cresce muito. O Brasil investe pouco, e o crescimento nata tem de espetacular. Os investimentos são o alimento da expansão econômica. Não existe avanço duradouro sem infraestrutura, oferta de mão de obra capaz, ampliação e renovação de fábricas, construção de usinas, modernização agrícola ou, em resumo, sem aumento da produtividade. Conclusão da análise: os países de rápida expansão econômica estão entre os que mais investem na capacidade produtiva.

E no mesmo ano em que subiu ao patamar da 6ª. Economia do mundo, devolveu a posição à

Inglaterra por causa de um crescimento ridículo em 2012.

O Brasil não aparece entre eles

Análise de regressão (linear simples) e de correlação:

X =Taxa de investimento (em relação ao tamanho do PIB); Y = Crescimento do PIB (média em 10 anos)

Países

X

Y

XY

X

2

Y

2

x=X-X m

y=Y=Y m

Xy

x

2

y 2

Alemanha

18

0,9

16

324

0,81

-4,67

-2,88

13,43

21,78

8,28

A. Saudita

21

4,7

99

441

22,09

-1,67

0,92

-1,54

2,78

0,85

Austrália

27

2,8

76

729

7,84

4,33

-0,98

-4,24

18,78

0,96

BRASIL

17

3,4

58

289

11,56

-5,67

-0,38

2,14

32,11

0,14

Canadá

23

2,6

60

529

6,76

0,33

-1,18

-0,39

0,11

1,39

China

40

10,1

404

1.600

102,01

17,33

6,32

109,59

300,44

39,97

C. do Sul

29

4,2

122

841

17,64

6,33

0,42

2,67

40,11

0,18

EUA

16

2,1

34

256

4,41

-6,67

-1,68

11,19

44,44

2,81

França

19

1,5

29

361

2,25

-3,67

-2,28

8,35

13,44

5,19

Holanda

19

0,8

15

361

0,64

-3,67

-2,98

10,92

13,44

8,87

Índia

31

8,2

254

961

67,24

8,33

4,42

36,85

69,44

19,56

10

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Indonésia 24 5,6 134 576 31,36 1,33

Indonésia

24

5,6

134

576

31,36

1,33

1,82

2,43

1,78

3,32

Inglaterra

16

2,3

37

256

5,29

-6,67

-1,48

9,85

44,44

2,18

México

22

3,2

70

484

10,24

-0,67

-0,58

0,39

0,44

0,33

Japão

23

1,4

32

529

1,96

0,33

-2,38

-0,79

0,11

5,65

Rússia

20

5,8

116

400

33,64

-2,67

2,02

-5,39

7,11

4,09

Suíça

22

2,2

48

484

4,84

-0,67

-1,58

1,05

0,44

2,49

Turquia

21

6,2

130

441

38,44

-1,67

2,42

-4,04

2,78

5,87

 

408

68

1.734

9.862

369,02

   

192,47

614,00

112,13

n=Σf 18 X=∑X/n 22,7 Y=∑Y/n 3,8 Y=aX+b Y=0,3135X-3,3274  XY  n X Y a
n=Σf
18
X=∑X/n
22,7
Y=∑Y/n
3,8
Y=aX+b
Y=0,3135X-3,3274
 XY
 n X Y
a 
 2
X
2
n X
b  Y  a X

Coef. de determinação de Y por Y:

r

2

b

Y

a

XY

nY

2

 

Y

2

nY

2

Coef. de correlação de X para Y:

Correlação média alta

r 

n

XY

 

X



Y

alta r  n  XY     X  Y   

n

X

2

X

2

n

Y

2

Y

2

A 0,3135

0,31

r 2

0,5380

B -3,3274

-3,33

R

0,7335

 

r (pela covariância)

0,7335

r 

xy

   x 2 y 2
  
x
2
y
2

População brasileira é a que tem menos retorno dos impostos que paga (UOL, 24/01/2012) A população brasileira é a que vê menos retorno dos impostos que paga ao governo. É o que mostra um levantamento feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) com os 30 países que têm as maiores cargas tributárias do mundo. Segundo o estudo, a carga tributária brasileira é de 35,13% (sic). Isso significa que os impostos pagos pela população ao governo federal, Estados e municípios correspondem a 35,13% de toda a riqueza gerada no país (PIB).

PAÍS

CARGA TRIBUTÁRIA (2010)

IDH(2011)

ÍNDICE DE RETORNO

1º - AUSTRÁLIA

25,90%

0,929

164,18

2º - ESTADOS UNIDOS

24,80%

0,910

163,83

3º - COREIA DO SUL

25,10%

0,897

162,38

4º - JAPÃO

26,90%

0,901

160,65

5º - IRLANDA

28,00%

0,908

159,98

6º - SUÍÇA

29,80%

0,903

157,49

7º - CANADÁ

31,00%

0,908

156,53

8º - NOVA ZELÂNDIA

31,30%

0,908

156,19

9º - GRÉCIA

30,00%

0,861

153,69

10º - ESLOVÁQUIA

28,40%

0,834

153,23

11º - ISRAEL

32,40%

0,888

153,22

12º - ESPANHA

31,70%

0,878

153,18

13º - URUGUAI

27,18%

0,783

150,30

14º - ALEMANHA

36,70%

0,905

149,72

15º - ISLÂNDIA

36,30%

0,898

149,59

16º - ARGENTINA

29,00%

0,797

149,40

17º - REP. CHECA

34,90%

0,865

148,39

18º - REINO UNIDO

36,00%

0,863

146,96

19º - ESLOVÊNIA

37,70%

0,884

146,79

20º - LUXEMBURGO

36,70%

0,867

146,49

21º - NORUEGA

42,80%

0,943

145,94

22º - ÁUSTRIA

42,00%

0,885

141,93

23º FINLÂNDIA

42,10%

0,882

141,56

24º - SUÉCIA

44,08%

0,904

141,15

25º - DINAMARCA

44,06%

0,895

140,41

26º - FRANÇA

43,15%

0,884

140,52

27º - HUNGRIA

38,25%

0,816

140,37

28º - BÉLGICA

43,80%

0,886

139,94

29º - ITÁLIA

43,00%

0,874

139,84

30º - BRASIL

35,13%

0,718

135,83

IDH: Índice de Desenvolvimento Humano

Índice de retorno: calculado com base na carga tributária e no IDH

11

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza  Brasil tem IDH (Índice de Desenvolvimento

Brasil tem IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo

Essa não é a maior carga tributária do mundo. Na Suécia, por exemplo, o índice é de 44,08%. Mas, para verificar se os valores arrecadados estariam retornando à população por meio de serviços de qualidade, o estudo considerou também o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cada país. Nesse quesito, o Brasil aparece em último lugar entre os países pesquisados, com IDH 0,718. Isso fez com que ele ficasse também em último lugar na lista geral.

Austrália figura no primeiro lugar da lista

O Brasil aparece no último lugar do ranking pelo segundo ano consecutivo. O país está atrás de outros países da América do Sul. O Uruguai, por exemplo, aparece na 13º posição do ranking, com carga tributária de 27,18% e IDH de 0,783. A Argentina está no 16º lugar. A carga tributária no país vizinho é de 29% e o IDH, de 0,797. Austrália, Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão são os países que melhor fazem aplicação dos tributos arrecadados, segundo o levantamento do IBPT. Alguns países da Europa também aparecem mal posicionados no ranking. É o caso, por exemplo, de França (26º lugar) e Bélgica (28º). A Itália é o segundo com pior colocação (29º), à frente apenas do Brasil.

12

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Questões: 1. Os sistemas econômicos podem diferir

Questões:

1. Os sistemas econômicos podem diferir bastante entre si em função do substrato político, social e legal sobre que se assentam. Mas qualquer tipo de sistema econômico sempre terá os seguintes problemas fundamentais que precisam ser resolvidos:

a) O desemprego, a moeda e a estabilidade.

b) A concorrência, a produção e o desperdício.

c) O que produzir? Como produzir? Para quem produzir?

d) Os mercados, as trocas e o equilíbrio.

e) Nenhuma das respostas anteriores.

2. O marco inicial da etapa científica da teoria econômica coincidiu com os grandes avanços da técnica e das ciências físicas e biológicas, nos séculos XVIII a XXI. Nesse notável período de evolução do conhecimento humano, a Economia constituiu seu núcleo científico, estabeleceu sua área de ação e delimitou suas fronteiras com outras ciências. Assim é que:

I A Economia repousa sobre atos humanos e é por excelência uma ciência social.

II A Economia é um estudo da riqueza e um ramo do estudo do homem.

III A Economia estuda a administração de recursos escassos entre usos alternativos.

IV A Economia é a administração de recursos escassos entre fins competitivos.

São falsas as declarações

a) I, II e IV

b) II, III e IV

c) I, II e III

d) I, III e IV

e) Nenhuma das respostas anteriores.

Leitura: “Pode ser mera coincidência o fato de que o grande livro de Adam Smith A Riqueza das Nações foi publicado em 1776, o ano exato em que os revolucionários norte-americanos assinaram a sua Declaração da Independência. Mas os dois documentos compartilham um ponto de vista que era predominante na época que os indivíduos normalmente tomam melhores decisões se deixados a agir por conta própria, sem a mão opressiva do governo conduzindo suas ações. Essa filosofia política proporciona a base intelectual para a economia de mercado e, de maneira mais geral, para a sociedade livre.” (MANKIW, N. G. Introdução à Economia. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007).

3. Por que as economias descentralizadas de mercado funcionam tão bem?

a) Porque se pode contar que as pessoas tratem umas às outras com benevolência.

b) Porque o custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la.

c) Porque os governos nunca podem melhorar os resultados dos mercados.

d) Porque o poder de mercado é a capacidade de um único agente econômico influenciar significativamente os preços do mercado.

e) Nenhuma das respostas anteriores.

Leitura: “O homem tem quase que constantes oportunidades para esperar ajuda de seus semelhantes, e seria vão esperar obtê-la somente da benevolência. Terá maiores chances de ser bem sucedido se puder interessar o

amor-próprio deles a seu favor e mostrar-lhe que é para sua própria vantagem fazer para ele aquilo que deles

se exige

da consideração que eles têm pelos seus próprios interesses”, disse uma vez Adam Smith (1723-1790).

4.

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas

O que Smith estava a dizer é que:

a) Os participantes da economia não são motivados por seus próprios interesses.

b) Cada indivíduo tem a intenção de promover o interesse público.

c) Cada indivíduo é conduzido por uma “mão invisível” a promover um fim que não fazia parte de sua intenção.

d) A “mão invisível” do mercado não conduz os interesses individuais de maneira que seja promovido o bem-estar econômico geral.

e) Nenhuma das respostas anteriores.

13

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza 2 – Necessidades x utilidades  Os

2 Necessidades x utilidades

Os problema básicos das economia são decorrentes da existência de recursos limitados ante as necessidades virtualmente ilimitadas. O petróleo, o trabalho, as máquinas etc. estão disponíveis em quantidades limitadas. Com escassos recursos produzem-se bens e serviços (alimentos, víveres, automóveis, saúde, educação, lazer etc.).

A escassez sempre existirá, já que os desejos são superiores aos meios disponíveis para satisfazê-los.

Utilidade, lei da escassez, valor e preço

A noção de utilidade e o princípio da escassez constituem os fundamentos da ciência econômica.

para satisfazer

Utilidade

é a propriedade que

as

coisas

(bens

e serviços) têm

necessidades humanas.

Utilidade é uma medida de felicidade ou satisfação.Daí o valor dos bens e serviços, e o preço que se paga por eles.

Escassez é a falta de um bem ou serviço em relação à sua necessidade. Escassez é a natureza limitada dos recursos da sociedade.

O que produzir, como e quanto produzir e para quem produzir não constituiriam problemas se os recursos fossem ilimitados. Não haveria bens econômicos, só livres

Não se teria de fazer uma escolha. No mundo real, até as crianças aprendem cedo que “ambas” não é uma resposta para “qual das duas?”.

Conceito de necessidade

Sensação de carência (falta) de algo, unida ao desejo de satisfazê-la

Aumento da população mundial e falta de comida e combustível

O mundo está ficando sem tempo para garantir que haja alimentos, água e energia para atender a demanda de uma população em rápido crescimento e evitar que 3 bilhões de pessoas sejam levadas à pobreza, advertiu um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas em 30.01.2012). Enquanto a população mundial parece preparada para crescer dos 7 bilhões de hoje para quase 9 bilhões até 2040 e o número de consumidores de classe média aumentar em 3 bilhões nos próximos 20 anos, a demanda por recursos crescerá exponencialmente. Mesmo para 2030, o mundo precisará de ao menos 50% a mais de alimentos, 45% a mais de energia e 30% a mais de água, de acordo com as estimativas da ONU, em uma época em que o ambiente em modificação cria novos limites ao abastecimento.Se o mundo fracassar em lidar com esses problemas, o risco é condenar 3 bilhões de pessoas à pobreza, afirmou o relatório.

Tipos de necessidade:

a) Segundo o requerente:

Necessidades do indivíduo:

naturais comer, dormir etc. sociais convívio com outras pessoas, festa de casamento, encontro com amigos;

Necessidades da sociedade:

coletivas São satisfeitas por bens e serviços usados coletivamente: ônibus. públicas São satisfeitas por bens e serviços proporcionados pelo governo: ordem pública, ordem jurídica. b) Segundo sua natureza:

Necessidades vitais ou primárias: alimentos, roupas, habitação, remédios etc.;

Necessidades civilizadas ou secundárias: educação, saúde, segurança, lazer, turismo, serviços bancários, seguros etc.

14

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Satisfação das necessidades  Acontece através das

Satisfação das necessidades

Acontece através das utilidades, isto é, dos bens e serviços produzidos pela sociedade com os recursos escassos.

Bem

Utilidade que satisfaz, direta ou indiretamente, os desejos e necessidades dos seres humanos.

Tipos de bens

Segundo seu caráter:

aproveitáveis economicamente; existem potencialmente, mas sem economicidade.

livres

ilimitados

(teoricamente)

ou

muito

abundantes

ou,

ainda,

não

são

econômicos escassos (limitados em quantidade) e aproveitáveis.

Segundo sua natureza:

dos

indivíduos na sociedade, mas são usados para produzir outros bens e serviços que satisfazem diretamente tais necessidades; de consumo destinados a satisfazer diretamente as necessidades. Podem ser:

de

capital

ou

de

produção

não

atendem

diretamente

às

necessidades

duráveis permitem um uso prolongado (geladeira, automóvel, vídeo, etc.); não duráveis acabam com o consumo ou se tornam bens estritamente pessoais.

Segundo sua função:

intermediários devem sofre transformação antes de se converter em bens de consumo ou de capital; finais prontos para o uso ou consumo imediato.

Segundo sua aplicação (uso):

complementares consumidos em conjunto com outros (meias e sapatos, pneus e jantes (aros), armação e lentes dos óculos etc. substitutos ou concorrentes o consumo de um supre o consumo do outro (manteiga e margarina, gasolina e álcool num carro flex)

Segundo a Lei (CC, art. 79 a 103):

imóveis (“solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”) e

móveis (“suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social”);

fungíveis (substituíveis “por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade) e

consumíveis (“uso importa destruição imediata da própria substância”);

divisíveis (“que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam”) e

indivisíveis;

singulares (embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais”) e

coletivos (quando se encaram agregados em todo) ou universais (“constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenha destinação unitária”). Ex:

patrimônio, herança.

públicos (“bens de domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno”). Não estão sujeitos a usucapião (CF, art. 183, § 3º e 191, Parágrafo único). Podem ser:

de uso comum do povo (“tais como rios, mares, estradas, ruas e praças”)

os de uso especial (“tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias”)

os dominicais (“que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades”). Somente estes “podem ser alienados, observadas as exigências da lei”.

particulares (“todos os outros

principal (“o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente”) e

acessórios (“aquele cuja existência supõe a do principal”)

pertenças (“bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso,

, seja qual for a pessoa a que pertencerem”).

ao serviço ou ao aformoseamento de outro”).

15

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza  benfeitorias:  voluptuárias (“as de mero

benfeitorias:

voluptuárias (“as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de valor elevado”),

úteis (“as que aumentam ou facilitam o uso do bem”) e

necessárias (“as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”).

Serviço

Atividade que, sem criar objetos materiais, se destina, direta ou indiretamente, a satisfazer necessidades.

Exemplos: educação, saúde, segurança, transportes, comunicações, comércio, seguros, sistema bancário, turismo, lazer, jurisdição, religião etc.

Questões:

1. Não houvesse escassez nem necessidade de repartir os bens entre os homens, não existiriam sistemas econômicos nem Economia.

a) A Economia é o estudo da escassez e dos problemas dela decorrentes.

b) A Economia ocupa-se normalmente das condições gerais do bem-estar humano.

c) A Economia inclui a organização social para satisfazer necessidades humanas.

d) A Economia implica no difícil exercício de escolha entre alternativas viáveis.

e) Qualquer uma das respostas anteriores.

2. Constituem os fundamentos da ciência econômica:

a) A noção de utilidade e o princípio da escassez.

b) O papel do estado e a política econômica.

c) O comportamento do homem e a satisfação das necessidades.

d) Os bens de consumo e os bens de produção.

e) Qualquer uma das respostas anteriores.

3. O significado da palavra “econômico” está intimamente associado à palavra:

a. Irrestrito.

b. Livre.

c. Escasso.

d. Ilimitado.

e. Nenhuma das respostas anteriores.

4. I Bens intermediários são aqueles que não irão diretamente para o uso das pessoas, mas são utilizados

na

etapa seguinte de produção.

II

Bens de consumo imediato destinam-se indiretamente à satisfação das necessidades atuais ou

presentes do homem.

III Bens de capital atendem indiretamente às necessidades humanas, destinando-se a multiplicar a

eficiência do trabalho ou dos recursos naturais.

IV Bens de consumo durável destinam-se à satisfação direta das necessidades humanas ao longo de

certo espaço de tempo.

a) Não há afirmativas falsas.

b) Há somente uma afirmativa verdadeira.

c) Há três afirmativas verdadeiras.

d) Há duas afirmativas falsas.

e) Nenhuma das respostas anteriores.

Referências bibliográficas: (Holanda, N. Introdução à Economia Da teoria à prática e da visão micro à macroperspectiva 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 21, A água um bem livre ou econômico) e

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Apêndice: ÁGUA: TRANSPARENTE, INSÍPIDA, INODORA E FINITA.

Apêndice:

ÁGUA: TRANSPARENTE, INSÍPIDA, INODORA E FINITA.

Recursos escassos: a ameaça de escassez dos recursos hídricos coloca a questão das águas no centro das preocupações mundiais. Com cada vez mais pessoas no mundo, e menos água disponível para todas elas, não é de surpreender que uma hora dê briga.Motivos para isso não faltam.

A Terra possui 23 grandes bacias hidrográficas. Em algumas, o ritmo de extração de água já é maior do que sua taxa se renovação. As regiões onde elas estão são as mais prováveis focos de conflito por causa do líquido: o Oriente Médio, onde a falta de água só esquenta a conhecida instabilidade da área, e África e Ásia, de um modo geral, onde a pobreza e a superpopulação tornam a água tratada um bem especial escasso.

Apenas 3% de toda a água disponível no planeta é doce. E somente 0,007% é de fácil acesso (as demais fontes (2,993%) são geleiras e lençóis subterrâneos);

De toda a água doce disponível na Terra, apenas 1% está a céu aberto, em forma líquida ou gasosa.Setenta por cento estão depositados em forma de gela na geleiras e calotas polares. Os 29 restantes estão justamente debaixo da terra, depositados em aquíferos que abrigam 100 vezes mais água que os rios e lagos do globo.

Os aqüíferos são enormes camadas subterrâneas de rochas permeáveis agindo como uma esponja, retendo a água filtrada da superfície e acumulando-a ao longo de sua extensão por milhões de anos;

A agricultura e pecuária respondem por 70% do consumo de água mundial;

Nas cidades maiores do planeta, o uso municipal e industrial de água aumentou 24 vezes no último século

Mais de 1.250.000.000 de pessoas não têm água potável hoje;

Até 2025, a degradação ambiental e a cultura do desperdício vão comprometer a vida de 2/3 da população mundial, mais de 5 bilhões de seres humanos. Grandes regiões da Ásia e África, além de trechos menores de Austrália, EUA, América Central e América do Sul (inclusive o nordeste do Brasil) já estão hoje em situação de escassez ou se aproximando disso.

Os resultados podem ser devastadores. Se afeta a agricultura, a seca é capaz de forçar populações a migrar para não sofrer com a falta de alimentos e doenças. Em 1932, vítimas da seca no Ceará deixaram o interior em busca de socorro no litoral, por exemplo. Ficar onde moravam poderia levar à morte o que aconteceu com 1 milhão de etíopes após uma queda no volume de chuvas em 1984. As perspectivas para o futuro são que as secas se intensifiquem. O aumento da temperatura global alimentou a evaporação no solo de países como a Austrália. A chuva gerada por esse vapor caiu em outras regiões, e o resultado são solos mais áridos naquele país.

Produção mundial: o planeta ainda dispõe de reservas suficientes para matar a sede de todos os seres vivos. Mas

A distribuição das águas no planeta não é regular e proporcional à ocupação humana;

A produção de água fresca não é infinita e representa menos 0,5% do estoque total;

A produção mundial de água doce dos rios é de 1,488 milhão m 3 /s;

A produção da América do Sul é 334 mil m 3 /s (cerca de 23% da produção mundial);

O apelo para a utilização das águas subterrâneas é inevitável.Dos três maiores aqüíferos conhecidos até 2012 (1º - Arenito Núbia, na Líbia, Egito, Chade e Sudão, com 2,2 milhões de km 2 ; 2º - Grande Bacia Artesiana, na Austrália, com 1,7 milhão de km 2 ), o 3º, o Guarani corre sob oito Estados brasileiros e se espalha sob o território argentino, paraguaio e uruguaio, com 1,2 milhão de km 2

A revista científica Geophysical Research Letters (2010) apontou que a extração de águas subterrâneas duplicou na Terra em quatro décadas passando de 126km 3 anuais em 1960 para 263km 3 em 2000.

Estimativas recentes (2012) dizem que os aqüíferos são responsáveis por 1 de cada 3 litros de água utilizada para consumo humano e agropecuária. Eles também mantêm o nível de muitos rios em épocas de seca e garantem a água que aflora nos oásis do Deserto do Saara;

A extração de água do Aquífero Guarani é economicamente viável em apenas 10% do seu volume, pois, a partir de 400m de profundidade, o custo de energia gasta para extrair água é maior que o de obtê-la de outras fontes. E mais: existe uma maior concentração de sais no centro do Aquífero Guarani, onde ele é mais profundo, tornando sua água imprópria para consumo humano

Todavia, os cientistas russos acabam (fev/2012) de alcançar o Lago Vostok na Antártica, isolado há 15 milhões de anos por uma camada de gelo de 3.769m. A pressão de 400 atmosferas do gelo e o

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza calor do centro do planeta evitam que

calor do centro do planeta evitam que a água (6,3 mil k 3 ) congele nos 15.400 k 2 , 40 vezes a extensão da Bahia da Guanabara.

Os países que mais utilizam a água de aquíferos são os que se dedicam a grandes produções agrícolas: Índia, China, Paquistão, EUA. Não há dados sobre o Brasil, neste aspecto.

Brasil: 5º país do mundo em extensão (47,7% da América do Sul) e população, ocupa posição de destaque no cenário internacional pelo volume e pela disponibilidade de água doce em seu território.

Clima diversificado, abundância de chuvas em mais de 90% do país e uma das mais extensas e densas redes de rios perenes do planeta;

A produção brasileira de água doce dos rios é de 177,9 mil m 3 /s (cerca de 53% da produção da América do Sul ou 12% da produção mundial).

São 8 bacias principais: Amazonas (57% do território nacional), Tocantins, Atlântico Norte- Nordeste, São Francisco. Atlântico Leste, Paraná, Uruguai e Atlântico Sudeste;

A bacia do Amazonas é responsável por 72% da produção brasileira (128,09 mil m 3 /s);

As bacias do Amazonas, São Francisco e Paraná cobrem 72% da superfície do país.

A bacia do Rio São Francisco abrange 7 unidades da federação e 504 municípios, produz energia, irriga vastos plantios numa região extremamente árida, garante peixe e transporte, mesmo não sendo tão generosa.

Riscos da globalização: o mundo está sendo forçado a tomar decisões cruciais e inadiáveis sobre águas.Já se tem notícia de navios que deixaram cargas no Brasil e retornaram abarrotados de água para seu país.

Um crescente movimento de pessoas acredita que os imperativos do crescimento ilimitado, da globalização econômica, do mercado consumidor global sem restrições, das regras das corporações, das desregulamentações, da privatização e do mercado livre são as forças que estão por trás da manutenção dos atuais sistemas de exploração irracional das águas.

Águas subterrâneas brasileiras: de excelente qualidade, são a maior reserva brasileira de água doce encontrada em todas as regiões e facilmente acessível;

A Província Hidrogeológica do Paraná (Aquífero Guarani) é a maior reserva com volume estimado de 50,4 mil km 3 (50% do total do Brasil = 105 mil km 3 );

A Província Hidrogeológica do Amazonas tem o 2º lugar com 32,5 mil km 3 de água armazenada e área coberta de cerca de 1 milhão de km 2 ;

A Província Hidrogeológica de Parnaíba (bacia do Maranhão) vem em 3º lugar com l7,5 mil km 3 de reserva hídrica, cobrindo 700 mil km 2 .

Concentração das águas brasileiras: a má distribuição

A região Norte detém 80% do volume total de águas e só 5% da população do país;

Aos 95% dos habitantes compete dividir 20% das águas disponíveis;

O Nordeste tem 29% da população brasileira e apenas 2,5% da produção hídrica.

Os Estados de Pernambuco e Paraíba estão abaixo do índice de 2,5 mil m 3 /habitante/ano, considerado mínimo pelas Nações Unidas.

Em São Paulo, cerca de 3 milhões de pessoas ficam sem água nos períodos de estiagem: há 4 regiões paulistas também abaixo daquele índice, sendo que na região metropolitana, a disponibilidade de água é a menor do país ou 200 m 3 /hab./ano;

69% da população rural brasileira e 15% da população urbana não contam com abastecimento de água potável, o que representa 28% da população total sem o abastecimento.

Situação da água no Brasil: o detentor da maior reserva hídrica do planeta não pode orgulhar-se de suas águas.

70% dos rios em território brasileiro estão contaminados;

80% dos domicílios brasileiros (43,4 milhões) não contam com serviço de tratamento de esgoto antes de ser despejado nos corpos hídricos;

Vale dizer: dos 34,6 milhões de domicílios brasileiros (63,9% do total de 54,2 milhões) que contam com serviço de coleta de esgoto, apenas em 35,3% ou 12,1 milhões de domicílios, o esgoto recebe algum tipo de tratamento;

Detritos e sucatas do chão das cidades, dos pavimentos, erosões, lixo da rua, óleo de avenidas e rodovias são carreados pelas chuvas para poluir, de forma crescente, os rios;

O mal das águas: a cultura da abundância o uso da água sem controle e o desperdício generalizado:

no campo (processos inadequados de irrigação), nas cidades (uso industrial, lavagens de ruas, carros, vazamentos etc.), nas casas (jardins, piscinas, uso doméstico descontrolado etc.)

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Fatores degradantes da água: além dos já

Fatores degradantes da água: além dos já mencionados,

A deficiência e insuficiência dos serviços de saneamento;

O baixo índice de coleta de lixo e, na destinação, a ausência de reciclagem e compostagem;

As grandes superfícies impermeabilizadas das cidades (cultura de pavimentação);

A inadequação do processo agrícola (uso e ocupação do solo, agrotóxicos etc.);

A devastação da vegetação nas nascentes dos rios e a degradação das matas ciliares: assoreamentos,

e desmatamentos das cabeceiras e margens;

As erosões naturais não prevenidas e, pior, as provocadas;

Os afluentes industriais: resíduos altamente poluentes, tóxicos, mortais;

Governos que se desviam de suas responsabilidades regulatórias e fiscalizadoras;

Grandes corporações de alimento energia e transporte, que estão ganhando o controle sobre barragens e vias de água que já parece uma commodity privada.

Conscientização de todos: a mobilização da sociedade como um todo governos, empresas e pessoas em torno de um projeto ecologicamente sustentável.

Água é bem de domínio público, de valor ecológico, social e econômico (CF, art. 26).

A proteção das águas deve reunir os usuários (indústrias, produtores rurais, pecuaristas, famílias etc.), comerciantes, hidroelétricas e empresas de abastecimento, e o poder público em todas as suas

representações;

A cultura do desperdício precisa ser combatida em várias frentes e nos menores detalhes;

Em Israel, os produtores privilegiam métodos de irrigação mais caros, como o do gotejamento, porém mais racionais em termos de consumo de água;

Na Suíça, os ralos de banheiro têm ¾ de polegada , dimensão que inibe o consumo por provocar maior alagamento. No Brasil, os ralos têm geralmente 6 polegadas.

Recentemente, a Companhia Siderúrgica Nacional anunciou que estuda reutilizar em grande parte a água empregada em seus processos.

Pesquisa de 1980 em países desenvolvidos demonstra que fica muito mais em conta preservar e economizar os recursos disponíveis do que buscar novas fontes, sendo complacente com o

desperdício;

Em 2011, o volume total de água reusada pela Petrobrás superou 20 bilhões de litros, o equivalente a 10% do necessário às operações da empresa. Com a conclusão dos projetos em curso, a Petrobrás pretende chegar a 2013 com uma economia anual superior a 30 bilhões de litros de água por ano. No Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio de Janeiro, 75% dos 800 milhões de litros de água que serão utilizados anualmente virão da captação de chuva e da água de reúso gerada a partir do tratamento, com economia anual de R$ 12 milhões. A Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), em S. José dos Campos (SP) recebeu uma nova estação de tratamento com capacidade para tratar 300 mil litros/hora, além da modernização e ampliação de sua estação de tratamento de água. Economia anual de 2,6 bilhões de litros de água. O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) inicia suas operações em 2014 com o maior projeto de reúso de água do mundo (vazão de 1,5 mil litros de água por segundo).

Gestão de recursos hídricos: é o conjunto de práticas destinadas a regular o uso da água e o controle dos processos de degradação dos recursos hídricos.

A água de reúso é importante para esse tipo de gestão, pois é destinada a fins que não necessitam potabilidade: processos industriais, refrigeração de equipamentos, geração de energia, sistema anti- incêndio, lavagem de ruas, praças e veículos, irrigação de campos de futebol etc.

A gestão e o uso sustentável dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos devem orientar toda a agenda ambiental e social;

A mobilização e participação da sociedade devem orientar as ações para a construção de políticas públicas de gestão democrática dos recursos hídricos;

Mesmo com o avanço da legislação de recursos hídricos, as leis brasileiras devem contemplar melhor

a notável diversidade de nossos ecossistemas e o respeito pela soberania de nossa biodiversidade.

Resíduo que dá lucro: subprodutos industriais se tornam um bom negócio para as empresas que adotam tecnologias ambientais. O conceito de valorização dos resíduos tem ganhado cada vez mais destaque por conta da saturação de aterros sanitários, da crescente procura por matérias-primas e da legislação que impõe às indústrias a gestão de seus resíduos. Mais do que apenas reciclar, essa nova cultura gera subprodutos que

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza diminuem custos paras as empresas e contribui

diminuem custos paras as empresas e contribui para a valorização de sua imagem no âmbito social e ambiental. Exemplos:

Compostagem: este sistema aproveita os resíduos orgânicos transformando-os em adubo orgânico ou condicionador dos solos de qualidade que, ao contrário dos agroquímicos, previne sua erosão e a, contaminação das águas e pode, inclusive, ser utilizado no cultivo de alimentos orgânicos;

Reciclagem de entulhos:os resíduos da construção civil podem ser reciclados e transformados em areia, pedriscos, britas, bica corrida e metais segregados para uso na própria obra ou, ainda, como base de uma ação social, sendo doados às prefeituras para a reparação de estradas rurais entre outras finalidades;

Frota verde: há empresas que recolhem o óleo de cozinha usado em residências e cozinhas industriais e produzem combustível para ser utilizados em sua frota de distribuição;

Geração de energia: muitas empresas estão procurando gerar energia complementar a partir de seus próprios resíduos (bagaço da cana das usinas de açúcar e álcool), num claro compromisso com as futuras gerações;

E-waste (leia: i-ueist): num mundo que usa cada vez mais eletrodomésticos, o processo de reaproveitamento do lixo das matérias-primas e dos produtos usados nessa área precisa garantir o descarte ambientalmente seguro dos que não puderem voltar para a produção. É a proteção dada às gerações vindouras contra o dano ambiental que causa o descarte irresponsável dessas substâncias que contaminam fontes de ar, água e alimentação.

Questões para pensar:

1. De quem é a responsabilidade pela preservação das águas brasileiras?

2. Qual a produção de água doce dos rios do mundo, da América do Sul e do Brasil?

3. Qual o percentual de água doce no mundo? Quanto é considerado de fácil acesso?

4. Onde se encontra a maior quantidade de água doce no Brasil a céu aberto?

5. Enumere as oito grandes bacias brasileiras e comente a contribuição de três delas.

6. Dê três províncias hidrogeológicas brasileiras, com suas abrangências.

7. Fale da regularidade de águas doces no Planeta e no Brasil, e sua distribuição relativa às populações.

8. Quem mais gasta água doce no mundo?

9. Que são aqüíferos?

10. Quais são os três maiores aqüíferos do planeta?

11. Pela ordem crescente de tamanho, onde estão situados?

12. Por que os oásis do Saara não secam?

13. Porque as águas do Lago Vostok não congelam sob cerca de 4.000m de gelo? Onde fica o Vostok?

14. Quanto aumentou o consumo de água doce nas cidades no último século? Por que?

15. Quantas pessoas no mundo não têm água potável hoje? E não terão daqui a 15 anos?

16. Qual o índice mínimo das Nações Unidas para o uso de água por uma pessoa/ano?

17. Onde, no Brasil, este índice está no mínimo? Onde é bem menor (12,5 vezes menos)?

18. Qual é a situação das águas nos rios brasileiros? Por que tanta poluição?

19. Quais os fatores degradantes das águas?

20. Onde se aponta o problema crucial do uso de águas? Enumere, pelo menos, cinco deles.

21. Como as corporações estão encarando o controle das águas doces acessíveis do planeta?

22. O que você sabe sobre processos de irrigação agrícola? Por que o “barato” fica “caro”?

23. E sobre chuveiros, ralos, descargas sanitárias, lavagens de garages e calçadas?

24. O que os as empresas industriais de países desenvolvidos já vêm fazendo há mais de 30 anos?

25. O que a Petrobrás vem fazendo a favor de nossos recursos hídricos?

26. O que você pode fazer para melhorar a preservação de nossas águas?

27. Como é chamado o conjunto de práticas destinadas a regular o uso da água e o controle dos processos de degradação dos recursos hídricos?

28. Quais são os países que mais utilizam a água de aqüíferos? Por que?

29. Quantas grandes bacias hidrográficas existem no Mundo? O que está acontecendo em algumas delas?

30. Diga três regiões mundiais onde são mais prováveis os focos de conflito por causa do líquido. Por que?

Legislação brasileira sobre águas: Ordenações Filipinas (1604), Código Civil (1916), Código das Águas (1934), Constituição Federal (l988), Lei n. 9.433 (1997) e Código Civil (2002).

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Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza 3 – Origem e evolução da Economia

3 Origem e evolução da Economia Fase pré-científica

Continentes perdidos:

Pangéia começou a fracionar há 200 milhões de anos, formando a Laurásia ao Norte e a Gondwana ao Sul;

O mito da Atlântida: segundo Sólon (séc. 7 a.C.) e Platão (séc. 4 a.C.), os atlantes eram pessoas muito inteligentes, que viviam em uma esplêndida cidade circular numa ilha-continente logo além das Colunas de Hércules (Estreito de Gilbratar, canal de 13 km entre a Europa e a África), tragada pelo mar 9 mil anos antes de Platão. A ilha de Sparttel, entre a Espanha e Marrocos, pode ser um vestígio desse enigma da arqueologia. Segundo estudos recentes do historiador e arqueólogo da Universidade do Mediterrâneo, na França, o francês Jacques Collina-Girard (2001), a ilha teria sido submersa há 11 mil anos. Coincidência?

Povos primitivos:

Era neolítica (3.000 a. C),

Idades da pedra, do bronze e do ferro,

Caçadores, pastores (nômades) e agricultores (estáveis, moradias fixas)

Antiguidade grega (Sócrates, Xenofontes, Platão e Aristóteles): “quando a agricultura prospera, todas as outras artes florescem; mas quando se abandona o cultivo da terra, por qualquer razão que seja, todos os outros trabalhos, em terra ou no mar, desaparecem ao mesmo tempo” (Sócrates em Xenofontes).

Antiguidade romana (Catão, Varrão e Paládio): as conquistas, a repartição de terras, retorno populacional ao campo e declínio da agricultura.

Idade Média (séc. V a XV): mil anos até o colapso final do Império Romano do Oriente (1453), quando os turcos conquistaram Bizâncio (Constantinopla)

Escolástica (Tomás de Aquino, Nicolau Oresmo e Antonino de Florença),

Feudalismo: retrocesso econômico, feudos isolados, a terra como base do poder, produção de subsistência, reis fracos e dependentes do senhor feudal, trabalhadores rurais e servos da gleba.

Mercantilismo (1450 a 1750): transformações políticas, econômicas e de padrões de vida (Bodin, Montchrétien, John Low, Cantillion, Colbert).

Renascimento: transformações intelectuais e artísticas (Copérnico, Galileu, Descartes, Newton)

Reforma: transformações religiosas (Lutero, Calvino)

Descobrimentos: transformações geográficas (Caminho da Índia, América, Brasil).

Criação científica da Economia (1750 a 1870)

Tableau Économique des Physiocrates, de François Quesnay (1758): “tentei construir um quadro

fundamental da ordem econômica, para nele representar as despesas e o produto numa forma fácil de aprender e para formar uma clara opinião sobre os arranjos e desarranjos que o Governo pode ocasionar” (Quesnay, em carta ao Marquês de Mirabeau).

Fisiocratas: governo da Natureza a terra é a fonte da riqueza ou

Naturalistas: “máxima satisfação com o mínimo de esforço”;

A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1776): segundo Samuelson, foi o “gênio tutelar da escola clássica” e gerou David Ricardo (1772-1883), o “pai de todos” os:

Clássicos: Malthus, John Stuart Mill, Jean Baptiste Say, Léon Walras, Stanley Jevons, Alfred Marshall, John Maynard Keynes etc.

Marxistas: Engels, Karl Marx (Das Kapital,, de 1867) , Lênin etc. Condenação do modo capitalista de produção: ênfase na justiça distributiva. Construção da economia de comando central.

Revolução Industrial:

Processo de superação do modo feudal de produção e comércio artesanatos e manufaturas domésticos ou putting out system pelo capitalismo industrial ou factory system (séc. XVI, XVII e mais no XVIII);

Características: método científico de organização do trabalho e dos processos produtivos, com aumento de escala, especialização de funções e divisão do trabalho, utilização crescente de máquinas (fábricas e não manufaturas), expansão da produtividade etc.

21

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza  Fatores que a antecederam: Revolução Agrícola

Fatores que a antecederam: Revolução Agrícola com aumento de alimentos e liberação da mão-de- obra, concentração de capitais financeiros e criação de bancos, êxodo rural e crescimento urbano.

Elaboração dos princípios teóricos fundamentais (1870 a 1929)

Escola de Viena ou Escola Psicológica Austríaca (Carl Menger, Ludwig von Mises);

Teoria do Marginalismo (Stanley Jevons, Léon Walras, Pareto e Alfred Marshall); Marshall escreveu Principles of Economics, um tratado a ser lido ainda hoje com proveito.

Escola Neoclássica Sueca ou Neoclassismo (Wicksell, Veblen)

Economia do Bem-estar (Pigou e Knight).

Fase atual da Ciência Econômica (a partir de 1929)

Revolução Keynesiana(1936), o socialismo realizado e os pós-keynesianos.

turismo,

Economia Humanística: da

educação,

do

trabalho,

da saúde,

dos recursos humanos,

do

sociológica, psicológica, etc.:

Segunda síntese neoclássica (a primeira foi de Marshall): Kalecki, Hicks, Paul Samuelson e outros

Estruturalistas (CEPAL): Ahumada, Celso Furtado, OswaldoSunkel.

Institucionalistas: Galbraith, Buchanam e Wagner

Monetaristas: Milton Friedman, von Mises, Hayek, Simonsen

Marxismo keynesiano”: Paul Baran, Sweezy, Leo Huberman.

Economia globalizada:O fenômeno da globalização econômica. A crise de outubro/2008 e os policy markers.

Síntese geral da evolução da Economia

Épocas

Principais

 

Enfoques

   

Pensadores

 

Escolas

   

1) Fase pré-científica:

Idade da pedra

Caça

e

pesca

Pastoreio

 

Principais

era neolítica 3.000 a.C.

do bronze

do

Agricultura Nomadismo sedentarismo

 

ferro

Antiguidade: Grécia

Primeiras

Planificação do Estado. Formação da riqueza usura, salário, valor. Agricultura e formas de aumentar a riqueza.

Sócrates (470-399 a.C.) Xenofontes (440335 a.C) Platão (429347 a.C) Aristóteles (384322 a.C)

 

manifestações

econômicas

Antiguidade: Roma

As consequências

Repartição das terras Retorno ao campo Declínio da agricultura

 

Catão,

Varrão,

Columela

e

das

conquistas

Paládio

romanas

Idade Média

Escolástica: pen-

Propriedade privada, usura, preços justos, lucro e salários. Retrocesso na economia: a terra como base de poder, trabalhadores como servos da gleba e atividades de subsistência

Tomás de Aquino, Nicolau Oresmo e Antonino de Florença

samento cristão.

Feudalismo

 

Renascimento (14501759), uma revolução filosófica, científica e cultural: Gutenberg

Mercantilismo

A Reforma e descobrimentos. Acumulação de riqueza. Burguesia. Revolução comercial Comércio exterior. Pirataria, guerras. Estoques de metais preciosos (bullion, barras de ouro e prata) como forma de pagamento e riqueza. Estado absolutista equilibrado tem superavit externo. Administração das rendas e dos gastos do Príncipe.

Espanha e Portugal:

 

(1613-1767)

Olivares, Ortiz e Serra França:

Antoine Montchrétien, Jean Bodin, Cantillion, Jean Baptiste Colbert Inglaterra (1664):

Thomas Mun: Englands Treasure by forraign Trade Alemanha:

(1390?-1468),

Bulionismo

Copérnico (1473- 1548), Galileu Galilei (1564-1646), René Descartes (1596- 1650), Isaac Newton (1642-1727) .

Colbertismo

Cameralismo

Seckendorff, Becher e Hornick

 

2) Criação cientifica da Economia (1750 a

Liberalismo:

Primeira manifestação científica econômica: crença na ordem natural (φίσіо); a agricultura era o único setor produtivo; e imposto único sobre a renda da terra.

Quesnay: Tableau Économique fluxos, funções, circulação, órgãos etc.), Gournay, Turgot,

 

Escola Fisiocrata

1870):

Racionalismo (2ª met. do séc. XVIII)

William Petty,

Mirabeau e Carl

Friedrich

22

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza     Escola Clássica Oposição ao
   

Escola Clássica

Oposição ao Mercantilismo:

Adam Smith (Wealth of Nations - 1776), Malthus (teoria da população), Ricardo (teoria do valor-trabalho), Stuart Mill (consolidação de princípios), Senior e Say (“a oferta cria sua própria demanda”)

Iluminismo Idade da Razão

preocupação com o bem-estar da população. Estado e laissez-faire: a “mão invisível”. Renda da terra. Rendimentos decrescentes. Valor e distribuição da riqueza. Moeda, juros, lucros, tributos e salários.

Reações às escolas liberais (século XIX)

Escola

Histórica

Desenvolvimento de um povo está ligado à sua civilização

Roscher, Hildebrand, Karl Knies e Schmoller

Alemã

Segunda

metade

do

Escola

socialista:

Forças que criam uma ordem, procuram estabilizá-la sufocando o

Thomas Morus (Utopia - séc. XVI), Saint-Simon e Proudhon (séc. XVIII), Hegel. Friedrich Engels e Marx (Manifesto Comunista 1848) e Karl Marx (Das Kapital 1867)

séc. XIX

Marxismo

 
 

crescimento de outras forças até aparecerem forças novas que realizam suas aspirações. Teoria do valor trabalho. PNB=C+E+V. C+E

=

Capital constante e variável.

que se baseou na dialética (tese antítesesíntese) de Hegel, onde tudo nasce, vive e morre, para renascer qual Fênix.

Mais valia = V. Taxa de exploração = T e = E/V. Condenação do modo capitalista de produção:

ênfase na justiça distributiva. Construção da economia de comando central (URSS e outras).

 

3) Elaboração dos princípios teóricos fundamentais (1870 a 1929): últimas décadas do séc. XIX

Teoria do Margi- nalismo

Valor de compra do produto é determinado pela utilidade da última unidade disponível. Escalas de preferência do consumidor, valor, utilidade, escassez, alocação ótima de recursos. Defesa do capitalismo de livre mercado como melhor forma de promover o desenvolvimento. Contra a existência de Banco Central e monopólio de emissão de moeda que é fator inflacionário e convite à gastança pública.

Leon Walras e Vilfredo Pareto que contribuiu para a economia do wellfare com o conceito de “ótimo-de-Pareto”: máximo bem-estar ou impossível obter- se melhor distribuição de renda.

Escola de Viena ou Escola Psico- lógica Austríaca

Ludwig Von Mises (1881- 1973), judeu austro-americano, é um expoente desta escola libertária fundada por Carl Menger na 2ª metade do séc.

XIX.

Início do séc. XX

 

Síntese

Neo-

Mercados não regulamentados poderiam “amortecer as forças naturais da economia e dificultar a eficiência alocativa”.

Alfred Marshall (Princípios de Economia): a análise marginalista: CMg = RMg = equilíbrio (lucro máximo)

 

clássica

4) Fase atual da Ciência Econômica (a partir de 1929): Crise de 1930

Keynesianismo: a

Os argumentos contra o laissez- faire. Intervenção imoderada (comunismo marxista) x inter- venção moderada do Estado. A

John Maynard Keynes (Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda 1935). Wicksell, Veblen, Pigou e Knight. O polonês Kalecki: dinâmica

revolução

 

keynesiana,

o

socialismo

 

realizado

e

os

Economia do bem-estar (welfare).

pós-keynesianos

A

2ª síntese neoclássica: coerente

econômica. Paul Samuelson:

painel de equações matemáticas e

grande síntese econômica do que antes eram visões esparsas.

princípios lógicos

5)

Tendências

da

Economia

 

Da educação, do trabalho, da saúde, dos recursos humanos, do turismo, sociológica, psicológica, etc.

Abordagens: estruturalista (CEPAL), institucionalista

Economia

Humanística

   

(Galbraith),

monetarista

e

“Marxismo keynesiano”: tópicos marxistas em interpretação keynesiana.

neoliberalista (Friedman)

Economia

da

Paul Sweezy, Paul Baran, Leo

nova esquerda

Huberman.

Economia da globalização (a partir de 1990)

Uma incógnita, haja vista a crise de outubro/2008. Os policy markers. Atualidade das ideias de Keynes

Os nomes da atualidade, inclusive os prêmios Nobel.

23

Economia Roteiros de aulas José Leopoldo de Souza

– Roteiros de aulas – José Leopoldo de Souza Ordenamento da economia: uma visão de conjunto,

Ordenamento da economia: uma visão de conjunto, sob perspectiva histórica. Da Antiguidade ao século XX

Períodos

 

Características básicas da ordem econômica

Da Antiguidade ao final da Idade Média

Economia de trocas incipiente. Formas primitivas de mercado. Alocação de recursos e processo distributivo sob orientações centrais. Bases em que se assentava a ordem econômica: formas autocráticas de poder; conservadorismo: tradição reproduzida; e mística proteção Traços dominantes: comandos centralizados, localismo e autossuficiência.

Séculos XVI e XVII e primeira metade do século XVIII

Criação de Estados soberanos e fortes. Expansão de mercados: diversificação fundamentada na divisão social do trabalho e na especificação, e trocas internacionais sob orientação centralizada. Traços dominantes da ordem econômica: liberdade econômica sob restrições; empreendimentos privados sob regulamentações detalhadas; e mercados sob o poder regulatório da autoridade pública

Segunda metade do século XVIII

Formulação do pensamento liberal clássico: conceito de ordem natural e crença na mão invisível do mercado. Proposição do laissez-faire sob quatro princípios: racionalidade do homo economicus; virtudes do individualismo; automatismo das forças de mercado; e ajustamentos da concorrência. Traços dominantes da ordem econômica: Estado minimalista; propriedade privada dos meios de produção; livre iniciativa empresarial; e mercado como centro de coordenação da economia.

Século XIX