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28/10/2016

ApologiadeÉmileBoutroux

28/10/2016 ApologiadeÉmileBoutroux ApologiadeÉmileBoutroux Introduçãoa: ÉmileBoutroux, Aristóteles ,

ApologiadeÉmileBoutroux

Introduçãoa:ÉmileBoutroux,Aristóteles,

Rio,EditoraRecord,2000,

Vol.2daBibliotecaRecorddeFilosofia.

TraduçãodeOlavodeCarvalhoeCarlosNougué(1)

IntroduçãoenotasdeOlavodeCarvalho

Apesardoprevisívelboicotedaimprensaincultural,olivrode ConstantinNoica,AsSeisDoençasdoEspíritoHumano,fez sucessoeaprimeiraediçãojáestáquaseesgotada.Ainda duranteestemêsdejaneiroiráparaaslivrarias,segundo

informaaRecord,oVolume2daBibliotecadeFilosofiaque

essaprestigiosaeditorapublicaemconvêniocomoInstituto BrasileirodeHumanidades.Trata­sedoAristótelesde ÉmileBoutroux,amelhorintroduçãobreveaopensamentode

Aristótelesquealguémjáescreveunestemundo.(Ovolume3,

AOrigemdaLinguagem,deEugenRosenstock­Huessy,está

emfasederevisão.)–O.deC.

OtextoquesevailerfoiredigidoinicialmenteporÉmile BoutrouxcomoverbeteparaaGrandeEncyclopédie(Paris,

1886)edepoisincluídopeloautornosseusÉtudesd’Histoire

delaPhilosophie(1897).Comseuscentoetantosanosde

idade,aindaéumadasmelhoresintroduçõesaoestudoda

filosofiadeAristóteles(2),e,foraumououtropontocorrigido

pelapesquisamaisrecente~doqualdouciêncianasnotasde

rodapé~,dificilmenteseencontraráumguiamaisseguro

paraorientarosprimeirospassosdoestudantequeingressa

noassunto.

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Acausadessavitalidaderesidenãosónoextenso

conhecimentoqueoautortinhadasobrasdoEstagiritaede

seuscomentadoresantigosemodernos,porém,muitomais

queisso,naconaturalidadeentreseuespíritoeodomestre

queelecelebracomoencarnaçãosupremadogêniogrego.

Excetuando­setalvezF.W.vonSchellingeFélixRavaisson, queoantecederamsobmaisdeumaspecto,ninguémno séculoXIXestavamaisdotadoparaapreenderaintimidade dopensamentodeAristótelesdoqueoautordeDela

ContingencedesLoisdelaNature(1874),títuloque,para

quemsabedoquesetrata,jáétodaumadeclaraçãode

aristotelismo.

Paracaptarosentidodessaafinidade,éprecisocompreender

oqueBoutrouxqueriadizercoma"contingênciadasleisda

natureza".

Ahistóriadasconcepçõesmodernassobreomundofísico

pode­sedividir,grossomodo,emduasépocas:oimpériodo

mecanicismoeaeradafísicaindeterminista.Oprimeiro

origina­senoséculoXVII,comGalileu,alcançandoseu

apogeunacentúriaseguintecomDescarteseNewton.A

segundaesboça­senoséculoXVIII,comLeibniz,masnão

alcançasuaplenaexpressãosenãodoisséculosdepois,com

MaxPlanckeWernerHeisenberg.Oconfrontodessesdois

estilosdepensaranaturezaconfirmaoditodeArthurO.

LovejoysegundooqualtodaahistóriaintelectualdoOcidente

éapenasumconjuntodenotasderodapéaPlatãoe

Aristóteles.Pois,nosentidomaisrigorosodostermos,o

mecanicismoclássicoéplatônicoeoindeterminismomoderno

éaristotélico.

Platônicoquerdizer,atécertoponto,pitagórico.Anoção

pitagóricadequeDeusescreveolivrodanaturezaem

caracteresmatemáticos,longotempoabandonadano

Ocidente,foivigorosamenteretomadapelaciência

renascentista,dandosurgimentoàconcepçãomecanicistade

que,umavezapreendidasasequaçõesfundamentaisdo

universo,tudoomaissepoderiaconhecerpordedução

matemática.

Nadamaisdistantedaverdadehistóricadoqueacrença

populardequeanovaciênciasevoltouparaaobservaçãodo

mundonatural,negligenciadapelosescolásticos.Aprimeira

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objeçãoqueesteslevantaramcontraaleigalilaicadainércia

foi,precisamente,queelaseopunhaaosfatosobservados.

Galileuinventou,istosim,oexperimentomatematizado,oque

éomesmoquedizer:oexperimentoidealizado,quenão

correspondeanenhumfatoparticulardaexperiência,mas

simà"fórmula"matemáticaportrásdosfatos.Aciência

assimconcebidanãolidavacomanaturezadadana

experiência,mascomestruturasgeraisque,governando

invisivelmenteosacontecimentosnaturais,sósão

apreensíveissobaformaderelaçõesmatemáticas.Épatentea

inspiraçãoplatônicadesterecuodamentedesdea

multiplicidadesensívelàunidadedeumasquantasfórmulas.

Matematizaçãoquerdizer,desdelogo,simplificação.Aantiga

ciênciaaristotélicatambémbuscavaasimplificação,mas

semprepelométododeremontardosseresindividuaisàssuas

espéciespormeiodaabstraçãoedaclassificação,

permanecendosempreestreitamentereferidaaosdados

sensíveisdosquaishaviapartido.Naciênciarenascentista,o

quesebuscajánãoéa"essência"~oconteúdo

intelectualmenteapreensívelportrásdosdadossensíveis~,

masapenasafórmula,aequaçãoquerelacionaunsaos

outrosessesdadossensíveis,independentementedequalseja

a"natureza"dosseresconsiderados.Emambososcasosa

menteprocediaporabstração:masumacoisaéreduzir

váriosentesàunidadedeseustraçoscomuns,suprimindoas

variaçõesacidentais,outracoisaéreduzi­losasuasmedidas,

proporçõeserelações.Adescriçãocientíficadomundoperde

assimemalcanceontológicoeforçaexplicativaoqueganha

emprecisãomatemáticaeaplicabilidadetécnica.Todosos

dadosnãoredutíveisaomodelomatemáticotinhamdeser

excluídosdaáreadeinvestigação,embenefíciodacoerência

dosistema~umaperdaque,deinício,nãopareceugrave,

porqueasrelaçõesmatemáticasobtidaspodiam,emseguida,

seraplicadasdevoltaànaturezasensível,demonstrando­se

exatas.Abuscadaexatidãovaientãocadavezmais

substituindoabuscadoquid,daessência,atéopontoemque

setornapossívelproduzirumadescriçãoassombrosamente

exataeeficazdealgoquenãosetemamenoridéiadoque

seja.

Éabsolutamenteerradodizerqueanovaciência"derrubou"

ou"contestou"oquequerquefossedaciênciaantiga.Ela

limitou­seamudardeassunto,investigandoemoutras

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direçõeserespondendoanovasperguntasquejamaistinham

interessadoàciênciaantiga.Fortementeinfluenciadapor

Aristóteles,estaúltimanãoacreditavamuitonaeficáciado

métodomatemáticonodomíniodasciênciasdanatureza.As

realidadesmatemáticas,segundoAristóteles,são

essencialmentefixaseimutáveis,nãopodendoporisto

corresponderperfeitamenteaosfatosdanatureza,queé,por

definição,oreinodamutação~donascimentoeda

deterioração(genesiVkaiftoraV,guênesiskaiftorás).Uma

ciênciadanaturezaqueprocedesseprincipalmentepor

mediçõesecomparaçõesmatemáticaschegaria,nomáximo,a

leisdeprobabilidaderazoável,objetodadialética,muito

abaixodoidealdacertezademonstrativa(apodeixiV,

apodêixis),queeraoobjetivosupremodaciênciaaristotélica.

Mas,noprimeiromomento,nenhumdospróceresdanova escolapensounisso.Ossucessosdafísicamatematizadaeram tãoestrondososquequalquerobjeçãoaristotélicaassumiao ardeumanegaçãoinsensatadofatoconsumado.Todaa mitologiamodernaquecontrastaaimagemdeumaciência medievalpuramentelógico­verbalistacomadanovaciência voltadapara"aobservaçãodanatureza"~mitologiaque aindaétransmitidanasescolas,adespeitodejámilvezes desmoralizadapelapesquisahistórica~nasce, paradoxalmente,dossucessosobtidospelaaplicaçãode modelosmatemáticosquesósobaspectosmuitodeterminados elimitadoscorrespondiamàrealidadeobservada.Parafazer umaidéiadequantoaimagemestereotipadadatransição renascentistachegouadominarasconsciências,bastaverque atéumhomemdaautoridadedeAlbertEinsteinchegaa proclamarqueGalileulibertouaciênciafísicadeumjugo

aristotélicodemaisdeummilênio(3).Ora,naépocade

Galileu,nãofazianemtrêsséculosqueasconcepçõesfísicasde

AristótelestinhamreingressadoemcirculaçãonoOcidente,

porintermédiodeSto.AlbertoMagno,suscitando,emvezde

aprovaçãogeral,umageralhostilidadequesóaospoucosfoi

vencida.Poroutrolado,éfatoqueoaristotelismodos

escolásticoseradetipomuitoatenuadopelamediaçãoda

doutrinacristã,equeumaristotelismostrictusensusóvema

surgir,porironia,justamentenorenascentismoitaliano,com

PietroPomponazzi~istoé,noperíodomesmodoquala

culturadealmanaquetransmitidanasescolasemanuais

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popularesdataofimdahegemoniaaristotélicano

pensamentoocidental.

Qualquerquefosseocaso,osucessodomodelomatemático, ampliadopelosdesenvolvimentosextraordináriosquelhedeu Newton,conferiuànovaciênciaaautoridadedeumanova revelaçãosinaítica.Deladoalado,ocontinenteeuropeué varridoporumaondadematematismo,queabrangedesdeas discussõesteológicasatéajardinagem:Descartesapostana conversãodosinfiéispelaargumentaçãomoregeometrico, enquantonosjardinsdeVersalhesavegetaçãorebeldeé disciplinadaatéreduzir­seaoformatodeumtabuleirode xadrez.Deslumbradapelaclaridadedasequaçõesque aparentementetudoexplicavam(emborasuaforçadescritiva viessejustamentedehaveremdesistidodeexplicaroquequer quefosse),aindanoséculoseguinte~queéodaefetiva propagaçãoeuropéiadomecanicismo,pormeiodaobrade

VoltaireÉlementsdelaPhilosophiedeNewton(1738)~a

exaltaçãodosentusiastaschegaavernanovaciênciaum

novofiatlux,oretornoaomomentoprimordialdacriação:

Godsaid:"LetNewtonbe!"~andallwaslight.(4)

UmadaspoucasvozesdiscordanteséLeibniz.Matemáticoele

próprio,edosmaiores,masigualmenteversadonafilosofia

escolástica(principalmenteportuguesa),queosnovos

filósofoshaviamabandonadosemexame,eleadverteque

"nemtodaanaturezadocorpoconsistesomentena extensão,istoé,emgrandeza,figuraemovimento,mas queimportanecessariamentereconhecernelaalgoque tenharelaçãocomasalmasequesedesigna habitualmenteporformasubstancial Pode­seaté demonstrarqueanoçãodagrandeza,dafiguraedo movimentonãoédistintacomoseimagina,equeencerra algodeimaginárioederelativoàsnossaspercepções."

(5)

Aousadiadesseparágrafoeratanta,quehistoricamenteseu

efeitoficariaretidopormaisdoisséculos.Aépocaque

acabavadeencontrarmaisumargumentoparao

mecanicismonadistinçãodeBaconentreasqualidades

primáriasesecundáriasdosobjetos,istoé,entreagrandezae

asqualidadessensíveis,acreditandopiamentenaobjetividade

daprimeiraenasubjetividadedasúltimas,nãopodiamesmo

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engolir,danoiteparaodia,aescandalosaproclamaçãode

queagrandeza"temalgodeimaginário"edequeaquiloque

háderealeobjetivonossereséoseuindividualeirredutível

quid~aabominável"formasubstancial"dosescolásticos.

Assim,ficouoditopelonãodito.A"épocadasLuzes"faz­sede

avestruz,despede­sedeLeibnizcomaschacotasdeVoltaire

(queocaricaturasobopersonagemdoDr.Pangloss)edeixa

asobjeçõesparadepois,semimaginarquerenasceriamcom

forçacentuplicadanoséculoXX.

Leibniz,noentanto,jáprevêque,pelocaminho

matematizante,asciênciasiriamacabardesistindodetoda

certezaetendodesecontentarcomasprobabilidades

razoáveisdequefalavaovelhoAristóteles.Retribuindoomal

comobem,elesepõeapesquisaramatematizaçãodas

probabilidades,terminandopordescobrirocálculo

infinitesimal,incumbidodedeterminarapartirdequeponto

umadiferençapequenasetornairrelevante,econstruindo

assimaúnicaesperançadequeumafísicareduzidaà

probabilidadedialéticapossaconservaraindaoestatutode

ciênciarigorosa.AutilidadedosestudosdeLeibnizparaa

ciênciadoséculoXXéincomensurável.

Mas,antesqueolegadoleibnizianopudesseserretomado,foi

necessárioumalongabatalhaparaabalareenfimdestruiras

falsascertezasemquesefundavamasambiçõestotalitárias

domecanicismo,abrindoassimapossibilidadedeumretorno

àmodéstiadoprobabilismoaristotélico­leibniziano.

Nessaluta,acontribuiçãodeÉmileBoutrouxésemdúvidade

umvalorquenemsempreoshistoriadoreslhetêmsabido

reconhecer.DelaContingencedesLoisdelaNatureé,

simplesmente,acontestaçãoradicaldas"imutáveisleis

matemáticasdanatureza"emqueomecanicismohavia

apostadoodestinodahumanidadeeuropéia.

AargumentaçãodeBoutrouxpartedeumabasekantiana.

Nasmatemáticasreinaaabsolutanecessidadelógica,masos

juízosmatemáticossãopuramenteanalíticos,nosentido

kantiano,istoé,suasconclusõesjáestãocontidasemsuas

premissas.Assim,pormaisquebusquemosadaptaras

realidadesdomundosensívelaumpadrãodeexatidão

matemática,jamaisoconseguiremosporcompleto,porque,de

umlado,aciênciadanaturezanãopodecontentar­secom

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purosjuízosanalíticosedeve,aocontrário,produzirjuízos

sintéticosobtidosdaexperiência;poroutrolado,essesjuízos

sintéticosnãoterãooutrofundamentosenãoaindução,que

nãopoderájamaisobtersenãocertezasaproximativas.Os

juízosproduzidospelaciênciadanaturezanãoserãonunca

juízoscategóricos,masjuízoscontingentes.

SeBoutroxtivesseparadoaí,teriaapenasrepetidoKant, assinalandoumlimiteconstitutivodonossoconhecimento experimental.Mas,prossegueele,acontingêncianãoestásó nosjuízoscientíficosqueproduzimossobreanatureza:está nanaturezamesma.Adiferençaessencialentreasentidades matemáticaseosseresdomundofísiconãorefleteapenas algumaimperfeiçãodanossamente,masanaturezamesma destesedaquelas.Senãoconseguimosreduzirtodoocosmosa umasquantasequaçõesdasquaistudoomaissepudesse deduzirmatematicamente,ésimplesmenteporqueosseresda naturezanãosãoentidadesmatemáticas,formais,imutáveis, alheiasaotempoeaoespaço,mas,aocontrário,suaforma mesmadeexistênciaéamudançanoespaçoenotempo.Na natureza,aocontráriodoqueacontecenodomíniológico formal,podemacontecercoisasnovas,imprevistas.A necessidadenaturalexiste,sim,maséumanecessidade condicionalerelativa.Maisainda,nãoéumsóemesmo padrãodenecessidaderelativaqueimperaemtodoo universo,masestesedivideemestratos,quevãosubindoda necessidademaisimperiosaatéaquasecompleta indeterminação,nãovigorandoempartealgumanemo absolutodeterminismonemoacasocompleto.Daíque,sendo impossívelalcançarumaperfeitaexatidãomatemáticanas leisgeraisdanatureza,amatematizaçãodaciêncianatural acabetomandoaformadeumraciocíniodeaproximação

probabilística.(6)

OcontingencialismodeBoutroux,seporumladorevigoraas

críticasdeAristótelesaométodomatemáticonafilosofia

natural,poroutroenunciadamaneiramaisenfáticao

programaquemaistardeviriaaserrealizadopelo

indeterminismodePlanckeHeisenberg.

Omaisinteressante,nocaso,équeopróprioAristóteles,ao

enfatizaraslimitaçõesdométodomatemáticoemfísica,não

apenasseabstémdenegartodautilidadeaessemétodo,mas

eleprópriolançaasbasesparaoestudomatemáticodo

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movimento,indo,portanto,muitoalémdoque,naépoca renascentista,puderampercebertantoseusseguidoresquanto

seusdetratores(7).Estaobservação,postaemrelevobem

recentemente,mostraqueocontingencialismodasleisda

naturezaestavabemmaispróximodoespíritodo

aristotelismodoquetalvezopróprioBoutrouxohouvesse

percebido.

ÉevidentequeadívidadeBoutrouxnãoerasócom

Aristóteles.Eleaprendeumuitocomateoriadohábito

enunciadapeloseumestreFélixRavaisson,aoqualDela

ContingencedesLoisdelaNatureédedicado.Segundo

Ravaisson,acapacidadedeadquirirhábitoséuma

propriedadegeraldanatureza.Ravaissondefineohábito

como

"amaneiradesergeralepermanente,oestadode

umaexistênciaconsideradaquernoconjuntodos

seuselementos,quernasucessãodassuasépocas.

Hábitoadquiridoéaquelequeéconseqüênciade

umamudança.

Masoqueseentendeespecificamenteporhábito,e

queconstituioassuntodestetrabalho,nãoé

somenteohábitoadquirido,masohábitoque,em

decorrênciadeumamudança,écontraídoem

relaçãoaessamudançamesmaquelhedeu

nascimento.

Ora,seohábito,umavezadquirido,éumamaneira desergeral,permanente,eseamudançaé passageira,entãoohábitosubsisteparaalémda mudançadaqualéresultado.Ademais,seelenãose refere,enquantohábitoeporsuaessênciamesma, senãoàmudançaqueoengendrou,ohábito subsisteporumamudançaquejánãoéequenãoé ainda:porumamudançapossível;~eisosinal

mesmopeloqualdeveserreconhecido."(8)

NoentenderdeRavaissoneBoutroux,asproclamadas"leis"

danaturezasãoemverdadehábitos,que,emborapossam

permanecerestáveisporumtempoimpensavelmentelongo,

nadatêmdeeternoeimutável.

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OcontingencialismonãoantecipouapenasafísicadePlancke

Heisenberg.Eletambémresolveu,antecipadamente,todasas

contradiçõesemqueviriaadebater­se,emseusconfrontos

comomecanicismodasciênciasfísicas,aescolaalemãdas

"ciênciasdoespírito"(Geisteswissenschaften).Opressuposto

básicodequeparteessaescolaéadistinçãoestabelecidapor

WilhelmDilthey~inspiradoemWindelbandeRickert~entre

"compreensão"e"explicação",aquecorrespondeoutra,entre

"sentido"e"causa".Osfatosdanatureza,segundoDilthey,

explicam­sepelassuascausas;osfatosdahistóriaedacultura

compreendem­sepeloseusentido.Estaradicaloposiçãode

métodosentreciênciasdanaturezaedaculturafoilogoem

seguidarelativizadaporMaxWeber,aoalegarque,embora

semaspiraraformularleiscausaisdeordemgeral,as

ciênciasdaculturanãopodemabdicartotalmenteda

explicaçãocausalnemdoinstrumentalmatemático.

EstaobjeçãodeWeberfoiamplamenteaceitapeloscientistas sociais,maspouquíssimosdentreelestiveramaousadiade levá­laàssuasúltimasconseqüências.Queconseqüências? Simplesmenteisto:Seométodocausalematemáticonãopode serexcluídodaciênciashumanas,quemgaranteque, reciprocamente,ométodocompreensivonãopossaser aplicadoàsciênciasdanatureza?Falarnumsentidodosfatos danaturezaé,paraomecanicistadeestritaobservância, anátema.Anaturezatalcomoenfocadapelaciênciadesde Galileuépuracoisa,objetividademuda.Todatentativade captarnosfatosdouniversoumsentido,umvalor,épura "criaçãocultural",paranãodizerantropomorfismoprimitivo. Masserámesmoassim?Ocombateàconcepçãocoisistada naturezacomeçou,nonossoséculo,damaneiramaismodesta, emcírculosdemarginaiseexcluídosdacomunidade acadêmica.OprimeirodelesfoiRenéGuénon.EmOReinoda

QuantidadeeosSinaisdosTempos(1945),eleatacou,com

basenacosmologiavedantina,areduçãodaciêncianatural

aosaspectosquantitativos,queseparaartificialmentemundo

naturalemundohumano,eexigiuumretornoaantigas

cosmologiasqueintegravamambosnumavisãodanatureza

comomanifestaçãovisívelderealidadesespirituais.Titus

Burckhardt,umcontinuadordeGuénon,assimresumea

críticadomestre:

"Amaismínimapercepção,ofatodeque

apreendamoscomossentidosumobjetoqualquer,

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dequeoincorporemosàrededeimagensinteriores edequeoespíritooreconheçacomoverdadeiroe real,constituiumprocessoindivisívelque demonstracomo,nestemundo,condiçõesdetipo muitovariadoseinseremumasnasoutras,umasem modoespaço­temporal,outrasemmodotemporal nãoespacialeoutras,ainda,emmodosupra­ espacialesupratemporal.Distoresultaquea ‘realidade’nãoconsisteemmeras‘coisas’,mas representaumaordemdeinconcebívelsutilezae multiplicidadedeníveis.Todosospovosquenão estejamdeformadospelamodernidadesabemdisso. Terconsciênciadamultíplicegradaçãointernada existênciafazpartedaexperiênciaprimordial humana.Sóemvirtudedeumaevoluçãomuito peculiardopensamentofoipossívelchegaraoponto deaceitarumaciênciabaseadaexclusivamenteem dadosnuméricoscomoexplicaçãosatisfatóriado

cosmos."(9)

EmboraGuénonfosseaindamaisfundonacrítica, demonstrando,emLesPrincipesduCalculInfinitésimal

(1952),queaciênciaquantitativistaacabaraperdendoa

noçãomesmadoqueeraquantidadeeentrandocomistonas

maisgrotescascontradições,acomunidadeacadêmicafez

questãoestritadeignorá­lo.

Mas,aospoucos,críticassemelhantescomeçaramabrotarde dentrodoprópriogrêmio.EdmundHusserl,talvezofilósofo demaiorinfluêncianoscírculosacadêmicoseuropeusdesua época,mostra,emACrisedasCiênciasEuropéias,quea matematizaçãodaimagemdanaturezaimportaemignorar diferençasdecisivasentreestratosdarealidade.Unsanos depois,aantropólogaMaryDouglascontestaanoçãodeque todosossignificadosentrevistosnanaturezaporcivilizações antigassejammeras"criaçõesculturais"arbitrárias,sem conexãocompropriedadesobjetivasdanatureza:semapoio emdadosobjetivosdanatureza,nenhumsimbolismoé

possível.(10)Osimbolismonaturalnãoapenasexistemaséa

condiçãomesmaparaaexistênciadasculturas.Oataquese radicalizaquandoSeyyedHosseinNasr,laureadohistoriador dasciências,lançasobreaconcepçãoquantitativistada naturezaaculpapelodesastreecológico,que,aessaaltura,

começaapreocuparosmeioscientíficos.(11)Quaseaomesmo

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tempo,RaymondRuyer,biólogoeminente,informaaomundo

queoconjuntodeidéiascosmológicasinformalmente

compartilhadopelaelitecientíficanorte­americananãosóse

opõeradicalmenteatodocientificismomecanicistamas

forma,demaneiraquaseespontânea,asbasesdeumavisão

gnósticadouniverso.Eumadasbasesdessagnoseé

justamenteaconstataçãodequetodomaterialismo

mecanicistatomaomundopeloavesso:

"Omaterialismoconsisteemcrerque‘tudoé objeto’,‘tudoéexterior’,‘tudoécoisa’.Eletomapor pressupostoocaráter‘superficial’dapercepção visualedaconsciênciacientífica.Eletomacomo

‘ladodireito’oavessodosseres."(12)

Emdiretaoposiçãoaessavisãodascoisas,osgnósticosde Princetoninsistiamemqueaformaprópriadeexistênciade tudoquantoexisteéseralgoemsimesmo,épossuirumquid, umaconsistênciainterna,umaidentidadee,nofimdas

contas,quaseumego.(13)

Deumpasso,aciênciadoséculoXXnãoapenasvoltavaàs

formassubstanciaisdosescolásticosedeLeibnizmastambém

demoliaomuroentreciênciasdanaturezaeciênciasda

cultura,entre"explicação"e"compreensão".Naperspectiva

deRuyer,jánãoseriadescabidoaumfísicoouaumbiólogo

indagar,paraalémdascausaseprocessos,osentidodeum

fatonatural.Estavaassimabertaaviaparaareconstituição

daciênciacompreensivadanaturezareivindicadaporGuénon,

BurckhartdteNasr.EumdosinstrumentosqueRuyer

apontavacomomaispromissoresnessesentidoera

justamenteumadisciplinacientíficadecriaçãorecentequeaté

então,aplicadaunilateralmenteaodomíniodasciências

humanas,pareceradestinadaafortalecerospreconceitos

matematizantes:ateoriadainformação.Nasciênciasda

natureza,eladariaoresultadoinverso:umavezenfocado

qualquerfenômenonaturalcomoumprocessodetransmissão

erecepçãodeinformações,aconsideraçãodeumsentidose

tornavanãoapenasumapossibilidade,masumanecessidade.

Nãoéprecisoexagerar,nahistóriadaprogressivademolição

dafémecanicista,opapelquedepoisdeRuyer

desempenharamThomasKuhn,comateoriadas"revoluções

científicas",eMichelFoucault,comaalegaçãodequeas

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epistemes~sistemasdechavesbásicasdetodoopensamento

científicodeumaépoca~sesucedemdemaneiraarbitrária.A

irracionalidadedaHistória~atémesmodaHistóriadas

ciências~nadaprovacontraarazão.Masdificilmentea

crençanamecanicidadematemáticadouniversopoderia

resistiraumabalocomooquelhedeuobiólogoRupert

Sheldrakecomsuateoriadaressonânciamórfica:

"ANaturezaéessencialmentehabitual.Entreos

gregosdesenvolveu­seaidéiadequeomundoé

governadoporprincípiosinvisíveis,não­materiais,

quetranscendemespaçoetempo.Ospitagóricos

conceberam­noscomonúmeroserelações

numéricas;osplatônicos,comoidéiasouFormas

intemporais.Estespressupostoserigiram­seem

fundamentosdaciênciamoderna,edoséculoXVII

emdianteosprincípiosimateriaisgovernantesdo

universomaterialforamconcebidoscomoleis

imutáveismoldadasporumDeusmatemático.

Atéadécadade60,essavelhaidéiapareciamaisou

menosinquestionável;ouniversomesmoeravisto comoumamáquinaeterna,eportantooque poderiasermaisnaturaldoqueofatodeleiso governarem?Mas,comarevoluçãocosmológica causadapelateoriadoBigBang,ocosmostornou­ semaisparecidocomumorganismoem desenvolvimentodoquecomumamáquinaeterna.

Elepareceternascidouns15milhõesdeanosatrás,

eter­sedesenvolvidoecrescidodesdeentão.A

totalidadedanaturezaevoluiu;umdianãohouve

átomos,nemmoléculas,nemestrelasouplanetas,

nemcristaisoucélulasviventes.Todosesses

sistemasdesenvolveram­senocursodotempo.

Assim,porquecontinuaríamosapressuporque

numuniversoemevoluçãoasleisqueosgovernam

foramfixadasdeantemão,antesatéqueouniverso

viesseaexistir?

Porquenãoexplorarapossibilidadedequeas

regularidadesdanaturezatenhamefetivamente

evoluído?Talvezelasdependamdehábitosquese

desenvolvemorganicamentedentrodouniverso,

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antesquedeleisimpostasporumamente

matemáticapreexistente."

Aidéiadequeasregularidadesdanaturezaseassemelham antesahábitosdoquealeiseternasfoipropostapor SheldrakenolivroANewScienceofLife:TheHypothesisof FormativeCausation("UmaNovaCiênciadaVida:AHipótese

daCausalidadeFormativa"),em1981,edesenvolvidaemThe

PresenceofthePast:MorphicResonanceandtheHabitsof Nature("APresençadoPassado:ARessonânciaMórficaeos

HábitosdaNatureza",1988).

Essahipótesepostulaqueossistemasauto­ organizantes,detodososníveisdecomplexidade¾ comoátomos,moléculas,cristais,células, organismos,sociedades,planetasegaláxias¾,são estruturadosporcamposespecíficoschamados camposmórficos,equeestescamposcontêmuma espéciedememóriacoletivaderivadadecoisas anterioresdasuamesmaespécie.Assim,cada cristaldeaspirina,porexemplo,oucadapéde carvalho,émoldadoporumcampoqueéelemesmo moldadopelainfluênciacumulativadoscristaisde aspirinaepésdecarvalhoqueosantecederam.A influênciadossistemassimilaresanteriores,agindo atravésoupormeiodoespaçoedotempo,ocorre peloprocessodaressonânciamórfica,queenvolve

umaaçãodosemelhantesobreosemelhante.(14)

ParacelsoouAgrippanãodiriamissomelhor.Ateoriada ressonânciatrazdevolta,precisamente,asvelhasnoçõesda analogia,dassimpatias,dascorrespondências,enfimas

similitudes,(15)tãodecisivasnafilosofiaantigaemedievalda

natureza,queaepistemerenascentistaacreditavahaver

banidoparasempreeque,historicamentefalando,sótinham

sobrevivido,aduraspenas,nointeriordoguetoesotérico

perpetuamenteassediadopelainquisiçãocientíficamoderna.

Aciênciadestefimdeséculopodenãoestaraindatotalmente

livredacontaminaçãomecanicista,comoseucortejode

seqüelastotalitárias.Masaampliaçãodohorizontedas

perguntaspossíveisfoital,quehojeemdianenhumfilósofoou

cientistapode,semincorrerempecadodedogmatismoque

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nãopassarádespercebidoaninguém,proclamaraexistência deumabismointransponívelentreaciênciamodernaea ciênciaantigaemedieval,nemmuitomenosinstalar­sena

primeiracomapresunçãocegacomque,aindaem1932,um

LéonBrunschvicg,lendoossábiosdopassado,sesentiaum

homemadultoaouvirhistóriasdecrianças.(16)

Mas,noséculopassado~noséculodeDarwineSpencer,de

HaeckeleComte~,essapresunçãoimperavaportodaparte,e

oestablishmentacadêmicofaziacoroquaseunânimeà

profeciadeRenan:

"Aciêncianãoterádestruídoossonhosdopassado senãoparalhespôrnolugarumarealidademil

vezessuperior."(17)

Desafiaressacertezaeraexpor­seàchacota,aoboicote,ao

isolamento.Eoquemaisimpressiona,nafilosofiafrancesado

séculoXIX,éavigorosaatualidadequeapresenta,paranós

dehoje,ogrupodepensadoresque,dentrodaprópria

cidadelaacadêmica,ousaramopor­seaesseformidável

consenso.LerhojeRenanouComte,ouqualquerdosoutros

profetasdoimpériocientífico­materialista,ésentirocheiro

inconfundíveldamorteedopassado.LerRavaisson,Ollé­

Laprune,Lachelier,masprincipalmenteBoutroux,éentrar

numaatmosferaqueénossae,emcertosmomentos,é

conversarcomalguémquenosfala,porantecipação,do

mesmotipodeciênciaquehojesaltadoséculoXXparao

terceiromilênio.

Curiosamente,muitodopensamentodessesprecursores

permanecedesconhecidodaquelesque,pordescendência

diretaouatémesmoressonânciamórfica,expõemhojeidéias

análogasàssuas.NoparágrafodeSheldrakeacimacitado,

ficabemclaroqueeleignoraporcompletoqueadoutrinados

hábitosdanaturezajáforaexposta,comtodasasletras,com

maisdecemanosdeantecedência,porÉmileBoutroux,

partindodeumaidéiadeseumestreFélixRavaisson.

NemRavaissonnemBoutrouxjamaisesconderamoquesuas

idéiasdeviamaSchelling,aLeibnizesobretudoaAristóteles.

Idênticadívidatêmhoje,sabendo­oounão,oshomensde

ciênciaqueseabremaoestudodosimprevistos,das

singularidadesirrepetíveis,domisteriosoacordoentreordem

edesordemqueseobservaportodapartenumcosmosbem

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diferentedamáquina,escravadaordemmatemática,

imaginadapelaciênciarenascentista.(18)Adistinçãode

Aristótelesentreumreinocelesteemetafísico,regidoporleis eternas,eummundosublunarounatural,submetidoà mudançaecapazdeimitaraestabilidadedoprimeiro mediantealgummeio­termoentremudançaepermanência,é umaidéiaqueressoa,comtodaasuaforça,nãosónas descobertasdeSheldrakemas~sóparadarmaisumexemplo

~nateoriadascatástrofesdeRenéThom.(19)

Masasimplescapacidadedeextrairriquezasdedentrodeum

legadoaristotélicoqueestavasoterradosobtrêsséculosde

maledicênciajámostraapoderosaindependênciade

pensamentoqueanimavaaquelesdoisfilósofosfranceses,

aquelaindependênciaquelhespermitiaexaminaraciência

antigacomumavisãodiretaeobjetiva,saltandoporcimadas

viseirasimpostaspeloestablishmentacadêmicodeentão.

NocasodeBoutroux,essaindependênciasoma­seaoutro

fator,queotorna,também,umesplêndidohistoriadorda

filosofia.Équeofilósofodacontingência,tendorejeitadoas

supostasleiseternasdanatureza,nãopoderiaemseguida

cairescravoantepretensasleisdeferrododevirhistórico,a

cujocultoainfluênciahegelianavinhaafeiçoandoboaparte

daintelectualidadeeuropéia.ComofrisouAndréCanivez,

Boutroux,emseusestudoshistóricos,

"seopõeaoneo­hegelianismoeinsistenuma filosofiadahistóriaquenãosejademonstraçãode umaregularidadepreestabelecidanofundode singularidadesparciaismutuamenteneutralizadas. Elepreferiutrazeràluzaatividadedolivre­arbítrio nofiodacontinuidadehistórica.Nãoháumsistema dahistória.Elanãoéaressurreiçãodasdoutrinas mortas,masoacionamentodeseusrecursos inesgotáveis.Ohistoriadorune­se,assim,aoteórico

dacontingência".(20)

Nãohá,defato,compreensãomaishumilde,maisobjetivae maisprofundadeumafilosofiadoqueaquelaque,emvezde "explicá­la"pelo"seutempohistórico",remetendo­aaomuseu

dasidéiasinofensivas,(21)busca,aocontrário,compreender­

seasimesmaporela,revigorandoasuaforçaeasualuz

origináriasedemonstrandomaisumavezaverdadeda

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ApologiadeÉmileBoutroux

sentençadeHoffmansthal:"Paraoespírito,tudoestá

presente."

OAristótelesqueoleitorvaiencontrarnopresentevolume~e

tambémaquelequeseencontraránasLiçõessobreAristóteles,

domesmoautor,aserpublicadasembrevenestacoleção~

nãoéportantoumdadohistóricodeumaculturaextinta,

exibidoporumarqueólogo,masumtesourofilosóficoe

científicorevivificadoporumintérpretecapazde"pôrem

açãoosseusrecursosinesgotáveis".

RiodeJaneiro,31deJulhode1999

OlavodeCarvalho

NOTAS

1.Utilizamosparaatraduçãootextoda4ªed.,Paris,Alcan,1925.Pormotivos

técnicos,omitimosnestaediçãoosacentosdaspalavrasgregascitadas.

2.E,paracontinuaressesestudos,nadamelhorqueasLiçõessobreAristóteles

pronunciadasporBoutrouxnaÉcoleNormaleSupérieureentre1879e1879,

queserãopublicadasproximamentenestacoleção.

3.AlbertEinsteineLeopoldInfeld,AEvoluçãodaFísica,trad.GiasoneRebuà,

Rio,Zahar,1976,Cap.I("Aascensãodoconceitomecânico").

4.WilliamBlake.

5.DiscoursdeMétaphysique,§12.

6.Cf.N.Denyer,"Canphysicsbeexact?",emF.DeGandteP.Souffrin(eds.),

LaPhysiqued’AristoteetlesConditionsd’uneSciencedelaNature.Actesdu ColloqueorganiséparleSéminaired’Epistémologieetd’Histoiredes

SciencesdeNice,Paris,Vrin,1991,pp.73­83.

7.Cf.F.DeGandt,"SurladéterminationdumouvementselonAristoteetles

conditionsd’unemathématisation",emF.DeGandteP.Souffrin,op.cit.,pp.

85­105.

8.Del’Habitude(1838),ed.Jean­FrançoisCourtine,Paris,Vrin,1984,p.1.~

DoHábitoéumadasediçõesprogramadasparaapresentecoleção.

9.CienciaModernaySabiduríaTradicional,trad.JordiQuinglesyAlejandro

Corniero,Madri,Taurus,1979,p.9.~Umacoletâneadeescritosde

Burckhardtsobreotemaestáprogramadaparaapresentecoleção.

10.SímbolosNaturales.ExploracionesenCosmología,trad.CarmenCriado,

Madri,AlianzaEditorial,1988.

11.TheEncounterofManandNature.TheSpiritualCrisisofModernMan,

Londres,AllenandUnwin,1968(Hátraduçãobrasileira,OHomemea

Natureza,Rio,Zahar).

12.RaymondRuyer,LaGnosedePrinceton.DesSavantsàlaRecherched’une

Réligion,2ªed.,Paris,1977.

13.Op.cit.,p.59.

14."Theprinciplesofuniversalhabit",publicadoem:PeterLorieandSidd

Murray­Clark,HistoryoftheFuture:aChronology,Londres,Pyramid

Books,1989,pp.16­19.

15.V.MichelFoucault,LesMotsetlesChoses.UneArchéologiedesSciences

Humaines,Paris,Gallimard,1966,pp.32ss.

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ApologiadeÉmileBoutroux

16.LéonBrunchvicg,LesÂgesdel’Intelligence,Paris,P.U.F.,1934(cursoda

Sorbonneem1932;4ªed.,1954).

17.ErnestRenan,L’AvenirdelaScience,emPagesChoisies,Paris,Calmann­

Lévy,1890,p.231.

18.QueAristótelesvissenosastrosumaestabilidadeepermanênciadivinas,

confundindoassimcomoreinometafísicoumapartedomundofísico,é

evidentementeumaaplicaçãoparticularerradadeumadistinçãogeralque,

emsi,permaneceválida.Mastaleraaatmosferadehostilidade

antiaristotélica(nofundo,antiescolásticaouanticatólica)noRenascimento,

queacriançafoijogadaforacomaáguadobanho:aorejeitarasconcepções

astronômicasdeAristóteles,anovaciênciadesprezou,juntocomelas,afina

distinçãoentreodomíniofísicoeometafísico,quejácontinhaemseubojoa

antecipaçãodoprobabilismoleibniziano.Confundindooacidentalcomo

essencial,viciounaraizsuasprópriasaspiraçõesdeprogressoeacaboupor

aprisionar­se,poisdoisséculos,nailusãomecanicista.

19.V.RenéThom,"Matière,formeetcatastrophes",emM.A.Sinaceur(org.),

PenseravecAristote,Toulouse,Ères­Unesco,1991,pp.367­398.

20.AndréCanivez,"Aspectsdelaphilosophiefrançaise",emYvonBelaval(org.),

HistoiredelaPhilosophie,Paris,Gallimard(BibliothèquedelaPléiade),

1974,t.III,p.455.

21.V.OlavodeCarvalho,OFuturodoPensamentoBrasileiro,Rio,Faculdadeda

CidadeEditora,2ªed.,1997,cap.I,§1,"Ahistóriaeosentidoda

eternidade".

eternidade". Home ­ Informações ­ Textos ­ Links ­ E­mail