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CURSO DE ADMINISTRAÇÃO – 4º PERÍODO – APOSTILA II

DISCIPLINA: GESTÃO DE CUSTOS


PROFESSORA: ALEXSANDRA BARCELOS DIAS

Conceitos em custos

Gasto: É o sacrifício despendido pela empresa para obtenção de bens ou serviços, independente de sua
utilização na empresa, mediante a entrega ou promessa de entrega de parte de seu ativo, como forma de
quitação. É a compra aquisição de um bem ou serviço.

Desembolso: Entrega efetiva do numerário antes, no momento ou depois da ocorrência dos gastos.

Despesa: Compreende os gastos decorrentes do consumo de bens e da utilização dos serviços da área
administrativa, comercial e financeira, que direta ou indiretamente visam a obtenção de receitas.

Custo: compreende os gastos com a obtenção de bens e serviços utilizados na produção de outros bens
ou serviços.

Investimento: são os gastos destinados à obtenção de bens de uso da empresa, a aplicações de caráter
permanente ou a obtenção de bens destinados à venda, transformação ou consumo enquanto esses bens
não forem vendidos, transformados ou consumidos. São, portanto, gastos ativados em função de sua
vida útil ou de benefícios atribuíveis a períodos futuros.

Perda: representam os bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária, reduzindo os


ativos da empresa.

ELEMENTOS BÁSICOS DO CUSTO:


São três os elementos básicos do Custo:
• MATERIAIS
• MÃO-DE-OBRA
• GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO

MATERIAIS:

Os materiais utilizados na fabricação podem ser classificados em:

• Matérias-primas: são os materiais principais e essenciais que entram em maior quantidade na


fabricação do produto.
• Materiais secundários: são os materiais que entram em menor quantidade na fabricação do
produto. Esses materiais são aplicados juntamente com a matéria-prima, complementando-a ou
até mesmo dando o acabamento necessário ao produto.
• Materiais de embalagem: são os materiais destinados a acondicionar ou embalar os produtos,
antes que eles saiam da área de produção.

O custo do material é obtido por meio da seguinte fórmula: MD = EI + C - EF

CUSTO DO MATERIAL ADQUIRIDO: Todos os gastos incorridos para tornar o material


disponível para o uso na produção fazem parte de seu custo. Quando uma empresa adquire um material
direto, a ser usado na fabricação de produtos, se os impostos (IPI e ICMS) forem recuperáveis, na
escrita fiscal, eles serão deduzidos do valor total da nota fiscal de compra. Se não forem recuperáveis,
passarão a fazer parte do custo do material.
Exemplo: no caso da compra de 10.000 kg de matéria-prima, os dados constantes da Nota Fiscal são os
seguintes:

Total da NF $308.000
Frete e seguro $ 10.000
Valor do IPI $ 28.000
ICMS $ 50.000

Se os impostos forem recuperáveis, o valor do material seria o seguinte:

Total da NF $308.000
(-) IPI $ 28.000
(-) ICMS $ 50.000
(+) Frete e seguro $ 10.000
Custo do material $240.000

Se, por exemplo, o IPI não for recuperável, o valor do material será o seguinte:

Total da NF $308.000
(-) ICMS $ 50.000
(+) Frete e seguro $ 10.000
Custo do material $268.000

MÃO-DE-OBRA DIRETA: é o custo de qualquer trabalho humano diretamente identificável e


mensurável com o produto. Exemplo: salários, inclusive os encargos sociais, dos empregados que
trabalham diretamente na produção.

DIFERENÇAS ENTRE MÃO-DE-OBRA DIRETA E INDIRETA: se um operário opera uma


máquina, na qual é produzido um tipo de produto de cada vez, esse operário será considerado
mão-de-obra direta. Um operário opera uma máquina, na qual são fabricados vários produtos. Se
conseguirmos medir o tempo de produção de cada produto por meio de controles, então a mão-de-obra
é direta, se não conseguirmos e tivermos que nos utilizar de qualquer critério de rateio para apropriar a
mão-de-obra aos produtos, então ela será Mão-de-obra indireta.
ENCARGOS SOCIAIS: o custo de mão-de-obra não é formado só do salário do empregado; ele é
composto do salário mais encargos sociais.
Exemplos de contribuições que incidem atualmente sobre as empresas industriais:
INSS 20%
Fundo de garantia 8,5%
Seguro contra acidentes de trabalho 2%
Salário-educação 2,5%
SESI 1,5%
Senai 1,0%
Sebrae 0,6%
Outros 0,2%
TOTAL 36,3%

GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO: Compreendem os demais gastos necessários para a


fabricação dos produtos, como: aluguéis, energia elétrica, serviços de terceiros,manutenção da fábrica,
etc.

CLASSIFICAÇÕES DE CUSTOS

A depender do interesse e da metodologia empregada, diferentes são as classificações empregadas


na contabilidade de custos.
Com relação aos produtos fabricados, considerando a unidade produzida, os custos podem ser
classificados em:

Diretos: são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos. Consistem nos materiais diretos
usados na fabricação do produto e mão-de-obra direta. Apresentam a propriedade de serem per-
feitamente mensuráveis de maneira objetiva. Exemplos: aço para fabricar chapas, salários dos operários
diretos, etc.;

Indiretos: necessitam de aproximações, isto é, algum critério de rateio, para serem atribuídos aos
produtos. Exemplos: seguros e aluguéis da fábrica, supervisão de diversas linhas de produção;

O comportamento dos custos em relação ao volume permite analisar as variações nos custos totais
e unitários em relação a diferentes volumes de produção. Os custos podem ser genericamente
classificados quanto à variabilidade em:

Fixos: são custos que, em determinado período de tempo e em certa capacidade instalada, não variam,
qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Existem mesmo que não haja produção. Podem
ser agrupados em: custo fixo de capacidade – custo relativo às instalações da empresa, refletindo a
capacidade instalada da empresa, como depreciação, amortização; custo fixo operacional – relativo à
operação das instalações da empresa, como seguro, imposto predial, etc. Exemplos clássicos de custos
fixos podem ser apresentados por meio dos gastos com aluguéis e depreciação – independentemente
dos volumes produzidos, os valores registrados com ambos os gastos serão os mesmos. É importante
destacar que a natureza de custos fixos ou variáveis está associada aos volumes produzidos e não ao
tempo. Assim, se uma conta de telefone apresenta valores diferentes todos os meses, porém não
correlacionados com a produção, esses gastos devem ser classificados como fixos – independentemente
de suas variações mensais.
Variáveis: seu valor total altera-se diretamente em função das atividades da empresa. Quanto maior a
produção, maiores serão os custos variáveis. Exemplos podem ser expressos por meio dos gastos com
matéria-prima e embalagens. Quanto maior a produção, maior o consumo de ambos.

A divisão em fixos e variáveis também tem outra característica importante: considerando a relação
entre período e volume de atividade, não se está comparando um período com outro. Esse fato é de
extrema importância na prática para não se confundir custo fixo com custo recorrente (repetitivo).
De forma similar aos custos, as despesas também podem receber esta classificação:

Despesas fixas: não variam em função do volume de vendas. Exemplo: aluguel e seguro das lojas.

Despesas variáveis: variam de acordo com as vendas. Exemplo: comissão de vendedores, fretes de
entregas.

OUTRAS EXPRESSÕES TÉCNICAS UTILIZADAS :


Custo Primários: compreende os gastos com MP mais os gastos com MOD.

Transformação: igualmente denominados custos de conversão ou custos de agregação. Consistem no


esforço agregado pela empresa na obtenção do produto. Exemplos: mão-de-obra direta e custos indi-
retos de fabricação.

É importante destacar que algumas classificações de custos podem variar de empresa para empresa.
Por exemplo, gastos com energia são quase sempre classificados como variáveis - aumentos dos
volumes de produção estão associados a aumentos nos níveis consumidos de energia elétrica. Os custos
com energia, porém, podem ser classificados como custos diretos de produção de produtos intensivos
em energia, como lâminas de alumínio, produtos metálicos em geral e vidros, como custos indiretos nos
demais produtos - que geralmente consideram como custos diretos apenas os gastos com
matérias-primas, embalagens e materiais diretos.

Custo Fabril: São todos os custos utilizados no processo de produção.

Custo Integral/Custo Pleno ou Gasto Total: è a soma de todos os custos e despesas.

EXERCÍCIOS

1) Classifique os elementos abaixo em custo fixo, custo variável, despesa fixa ou despesa variável.
Comissões sobre vendas
Consumo de açúcar em fábrica de doces
Energia elétrica – consumo da área administrativa
Energia elétrica – consumo da área industrial
Fretes de entregas de produtos vendidos
Fretes de insumos produtivos (MP)
Gastos com depreciação da fábrica
Gastos com depreciação das máquinas e computadores do setor de vendas
Gastos com manutenção fabril
Gastos com seguros da fábrica
Gastos com supervisão das linhas de produção
Aluguel de veículos administrativos
Limpeza e conservação das lojas
Consumo de MP no processo fabril
Consumo de MSD na fábrica
Consumo de material de escritório no setor financeiro
Combustível gasto por vendedores (valor mensal fixo)
Salários e encargos administrativos

2) A fábrica de Sorvetes Sabor Gelado Ltda. apresenta custos e despesas fixos anuais iguais a $
40.000,00. Seus custos variáveis são iguais a $13,50 por caixa. Comumente, o preço de venda médio é
igual a $22,00. Supondo produções e vendas de 10.000 e 20.000 caixas, calcule: receitas totais, custo
total e unitário, custo fixo total e unitário, custo variável total e unitário.

3) Classifique as contas abaixo em custos (direto ou indireto) ou despesas:


a) Propaganda no setor administrativo,
b) Água consumida no resfriamento de peças no setor industrial,
c) Aluguel do galpão da fábrica (área industrial),
d) Aluguel mensal do ônibus que transporta o pessoal da contabilidade,
e) Comissão dos vendedores
f) Manutenção do computador do departamento administrativo,
g) Salário dos gerentes da fábrica,
h) Madeira aplicada na produção de mesas de uma fábrica de carteiras,
i) Pessoal prestador de serviços de informática ( setor administrativo) terceirizado por esta empresa,
j) Energia elétrica do setor administrativo da empresa,
k) Salário do pessoal direto que trabalha na produção de mesas.

4) Classifique os itens em custo, despesa, investimento, perda, considerando ser esta empresa uma
indústria de produtos esportivos:
Compra de MP
Consumo de energia elétrica na fábrica
Consumo de água no setor de vendas
Consumo de mão de obra industrial
Encargos sociais da mão-de-obra industrial
Frete pago pela matéria prima
Frete da transportadora que entrega os produtos vendidos.
Aquisição de maquinário industrial.
Depreciação deste maquinário no processo produtivo
Depreciação dos computadores do setor financeiro.
Consumo de materiais diversos no setor de contabilidade
Consumo de telefone do setor administrativo
Aquisição de embalagens para os produtos produzidos.
Deterioração do estoque de MP por enchente
Estoque de MP
Computadores e impressoras da fábrica.
Salários dos vendedores.
Encargos sociais dos vendedores

5) Os dados a seguir são referentes a uma empresa industrial em um dado período:


. MD = $ 250.000,00 (sendo MP = $200.000 e outros MDs = $50.000,00)
. MOD = $ 300.000,00
. CIF =$ 400.000,00
Pede-se:
a) Custo primário
b) Custo de Transformação
c) Custo total

6)Assinalar Falso (F) ou Verdadeiro (V):


(. ) Ao comprar matéria-prima, há uma despesa.
( ) Gasto é o sacrifício financeiro com que uma entidade arca para a obtenção de bens e serviços.
( ) Custo é incorrido em função da vida útil ou de benefícios atribuídos a futuros períodos aos bens e aos
serviços produzidos.
( ) O custo é incorrido no momento da utilização, consumo ou transformação dos fatores de produção.
( ) Perdas são bens e serviços consumidos de forma anormal e involuntária.
( ) Cada componente do processo de produção é uma despesa que, no momento da venda, transforma se
em perda.
( ) Só existem custos em empresas industriais de manufatura; nas demais, só há perdas.
( ) Gastos com folha de salários da mão-de-obra, durante um período de greve prolongada, são custos de
produção do período contábil em questão. .
( ) Não se confunde perda com despesa, uma vez que a primeira envolve os conceitos de
imprevisibilidade e involuntariedade.