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Intervenções terapêuticas

Alexa B. Leirner

Intervenções terapêuticas Alexa B. Leirner “A arte não reproduz o invisível, em vez disso, torna visível”.
Intervenções terapêuticas Alexa B. Leirner “A arte não reproduz o invisível, em vez disso, torna visível”.
Intervenções terapêuticas Alexa B. Leirner “A arte não reproduz o invisível, em vez disso, torna visível”.

“A arte não reproduz o invisível, em vez disso, torna visível”.

(Paul Klee)

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Objetivos

Objetivos Conhecer como a Gestalt Terapia aborda a intervenção terapêutica no trabalho com as imagens de

Conhecer como a Gestalt Terapia aborda a intervenção terapêutica no trabalho com as imagens de arte.

“A arte não reproduz o invisível, em vez disso, torna visível”.

Tópicos

1) A Gestalt Terapia

Paul Klee

Gestalt é uma palavra alemã que significa forma, configuração, todo. Refere-se à totalidade

– o todo é diferente das somas das partes. Este princípio forma a base da psicologia da Gestalt.

A psicologia da Gestalt foi fundada na Alemanha no início do século XX. E focalizava

principalmente na percepção e no aprendizado. Entre seus fundadores está Max Wertheimer.

A Gestalt Terapia surgiu do trabalho clínico de dois psicoterapeutas alemães: Frederick

Perls (também psiquiatra) e Lore Pearls. Eles estudaram com William Reich e Max Wertheimer entre outros. Nos anos 60 Fritz e Lore Pearls voltaram-se ao trabalho psicoterapêutico, principalmente em grupos. A Gestalt Terapia evoluiu nos anos 70,80 e 90, incorporando diferentes perspectivas.

A Gestalt Terapia tem três fontes principais: psicanálise; escritos humanistas, holísticos,

fenomenologia existencial (que focaliza na situação e evita interpretações) e a psicologia

da Gestalt. A Gestalt Terapia também incorporou as mudanças de paradigma da física

moderna, religião oriental e bioenergética.

A Gestalt Terapia tem duas idéias centrais: centrar no momento presente, o aqui e agora e

a percepção do campo de interações, de que estamos em relacionamento com todas as

coisas.

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mais repertório Gestalt Terapia: termo derivado da teoria da Gestalt (ou teoria da forma) criado

mais repertório

Gestalt Terapia: termo derivado da teoria da Gestalt (ou teoria da forma) criado pelo psicanalista norte-americano Frederick Perls para designar uma forma de psicoterapia de grupo em que o paciente tem que viver seus conflitos através de uma expressão corporal, a fim de reencontrar a unidade de sua personalidade.

Max Wertheimer (1880-1943) psicólogo checo, um dos fundadores da psicologia da Gestalt. Saiba mais: http://www.geocities.com/HotSprings/8646/biografia.html

Frederick Pearls (1893-1970) psiquiatra e psicanalista norte-americano, fundador da Gestalt Terapia Saiba mais: http://www.gestalt.org/fritz.htm

Lora Pearls (1905-1990) psicanalista e

Saiba mais: http://www.gestalt.org/laura.htm/

http://www.positivehealth.com/permit/Articles/Regular/litt50.htm

co-fundadora da Gestalt Terapia

William Reich(1897-1957) psiquiatra e psicanalista americano. Saiba mais:http://www.quackwatch.org/11Ind/reich.html

Saiba mais:http://www.quackwatch.org/11Ind/reich.html 2) O experimento na Gestalt Terapia A Gestalt Terapia é uma
Saiba mais:http://www.quackwatch.org/11Ind/reich.html 2) O experimento na Gestalt Terapia A Gestalt Terapia é uma

2) O experimento na Gestalt Terapia

A Gestalt Terapia é uma versão integrada da fenomenologia e da terapia comportamental.

Sua orientação é similar à fenomenologia porque respeita a experiência interna do indivíduo.

O

trabalho terapêutico está enraizado na própria perspectiva do cliente. Ao mesmo tempo,

o

comportamento concreto é modificado de uma forma gradual e no seu ritmo apropriado.

Assim, a qualidade única da Gestalt Terapia é sua ênfase em modificar o comportamento da pessoa dentro do cenário terapêutico. A modificação sistemática do comportamento, quando surge da experiência do cliente, é chamado de experimento.

O experimento é o fundamento do aprendizado experiencial, transforma falar sobre algo em

fazer, teorização em estar totalmente presente com toda a imaginação e energia. O método da Gestalt é orientado para a mudança comportamental ao invés do insight intelectual.

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4 4 Todo o experimento da Gestalt tem um forte componente experimental. A natureza do experimento

Todo o experimento da Gestalt tem um forte componente experimental.

A natureza do experimento depende do problema do

indivíduo, do que a pessoa experiência no aqui e agora, assim como do repertório de experiências de vida, que o

terapeuta e o cliente trazem para a sessão.

O experimento pode incluir a verbalização, mover certas

partes do corpo, ou concentrar em aspectos físicos como respiração, tensão muscular. Pode convidar o cliente a dialogar com símbolos da pintura, forças imaginárias dentro de si mesmo, com imagens, a dançar, cantar, pular, mudar sua voz, etc.

O experimento convida a pessoa a explorar ativamente a si

mesmo. A mudança vem ao tornar-nos totalmente nós mesmos, segundo Beisser (1970:80). A mudança ocorre quando uma pessoa se torna o que realmente é, não quando ela tenta se tornar o que ela não é. Isto só pode acontecer através da consciência, no presente, do que estamos fazendo e como estamos funcionando.

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Fenomenologia:

doutrina filosófica que reivindica que o estudo

científico da experiência imediata seja a base da psicologia. Desenvolvida por Edmund Husserl, o foco

é em como a pessoa

experiência os eventos, acontecimentos, etc. A principal questão é evitar focalizar na

realidade externa e sim lidar como estes eventos são percebidos

e experienciados. Para

um fenomenologista, o significado real deriva- se do exame do relacionamento e reações do indivíduo aos eventos do mundo real.

Terapia comportamental: este tipo de psicoterapia procura mudar padrões de comportamento anormal ou desajustado. O foco é no próprio comportamento ao invés de uma análise da base dos conflitos.

ao invés de uma análise da base dos conflitos. 3) Técnicas de facilitação na experimentação com

3) Técnicas de facilitação na experimentação com imagens de arte

a) Como iniciar a sessão

“Você pode me contar sobre sua pintura?”

Então, ouça sem interromper.

“Então, em todos estes símbolos que você me falou, onde está sua energia?” Por qual deles você se sente mais atraído? Qual(is) o(s) símbolo(s) mais poderoso(s) para

você?

Você pode então escolher ajudar o cliente identificar-se com o símbolo (ver abaixo).

Sempre siga o seu cliente. Se o cliente está fascinado com um determinado símbolo e você por outro fique com símbolo do cliente. É onde está a energia dele. Não importa se ele não se referiu ao outro símbolo. Evite a sua própria curiosidade e necessidade de interromper o que cliente está querendo fazer.

Isto leva ao próximo ponto:

É impossível e desnecessário prestar atenção em todos os

símbolos em uma sessão. Se outros símbolos forem importantes, irão aparecer em outras sessões.

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b) Observe, não interprete. - Interpretação pode ser uma projeção (o que você sente ao

b) Observe, não interprete.

- Interpretação pode ser uma projeção (o que você sente ao invés do que o cliente sente). Pode ser prejudicial e invasivo para com o cliente.

Observe fatos incontestáveis. (exemplo: “Eu notei que você apenas pintou o lado esquerdo do papel” )Declarações ou questões como ‘Onde este caminho leva?’ É uma forma sutil de interpretação, o caminho pode não levar a nenhum lugar ou ‘fale sobre este gato triste na pintura’ (o gato pode não estar triste embora pareça triste para você) ao perguntar evite usar adjetivos.

- Faça perguntas abertas. Não use questões que simplesmente requerem sim ou não.

Correto: O que este cachorro está sentindo?

Incorreto: O cachorro está bravo?

Isto novamente evitará interpretações.

c) Apoiando o desejo natural de representar e ensaiar

Às vezes o cliente está a ponto de querer ensaiar um gesto mais potente de ser. Isto pode aparecer em declarações que iniciam assim:

“Eu sinto vontade ”

Exemplo: “Eu sinto vontade de entrar neste helicóptero e voar ao redor da sala

O facilitador pode simplesmente dizer: “Faça isto”. Ou arranjar as condições para que

permitam a pessoa representar ou ensaiar o comportamento desejado.

d) Representação é mais potente e transformador do que falar sobre algo

Formas de representação

O experimento artístico é a pedra angular do aprendizado experiencial. Transforma o falar

em fazer.

- Identificação

Se o cliente tem claramente bastante energia em volta de um símbolo

Exemplo:

Terapeuta: “Você seria o sol e finalizaria a sentença ‘ Eu sou o sol ’

sentindo é

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‘ O que eu estou

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- Dialogando Isto é muito útil se um ou mais símbolos claramente tem um relacionamento

- Dialogando

Isto é muito útil se um ou mais símbolos claramente tem um relacionamento importante de conflito ou apoio.

Exemplo: na imagem um monstro está com o pé na cabeça de um esquilo. Terapeuta: você

seria o esquilo e falaria para o monstro. Então termine a sentença: ‘ o que eu quero falar

para você monstro é

Cliente termina a sentença. Depois terapeuta ajuda o cliente a ser

’.

o

monstro e responder para o esquilo. E assim por diante, o cliente dá voz aos dois (monstro

e

esquilo) até um insight ser adquirido ou uma resolução.

Dialogar e identificar requer o apoio do cliente.

Simplesmente dizer; ‘ Seja o tigre em sua pintura’ pode ser muito confuso para o cliente, portanto é importante utilizar a técnica da sentença a ser finalizada, pedindo ao cliente para ’

preencher o final da sua sentença. ‘ Eu sou o tigre e o que eu estou sentindo é

Identificar e dialogar podem ser utilizado com qualquer conceito. Exemplo; ‘Seja seu medo’ ‘Seja o vermelho’ e também pode ser utilizada com qualquer forma de arte: música, poesia, fantoches, drama, etc.

Esta técnica pode ser útil quando o cliente esta em um processo de pensamento destituído de sentimentos e imprópria quando o cliente já está muito mobilizado emocionalmente.

e) Finalizando a sessão

Algumas vezes o cliente faz importantes coisas no final da sessão, então é uma boa idéia dar a ele oportunidade.

“Antes de terminar há alguma coisa que você gostaria de fazer ou mudar em seu desenho?”

Depois disso, é importante dar tempo para assimilação.

“ O que você leva desta sessão?”

ou

“O que você aprendeu sobre você e sua vida nesta sessão?”

Se a pessoa trabalhou somente com metáforas durante a sessão você pode perguntar:

“Alguma destas coisas (metáforas) faz sentido sobre sua vida?” ou “Alguma destas coisas chama sua atenção para algo em sua vida?”

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saiba mais Texto complementar A tomada de consciência engloba, por assim dizer, três camadas ou
saiba mais Texto complementar A tomada de consciência engloba, por assim dizer, três camadas ou

saiba mais

Texto complementar

A tomada de consciência engloba, por assim dizer, três camadas ou três zonas: a

tomada de consciência de si mesmo, a tomada de consciência do mundo, e a tomada de consciência do que está na zona intermediária da fantasia, que impede

a pessoa de entrar em contato consigo mesma ou com o mundo. Esta é a grande

descoberta de Freud, de que existe alguma coisa entre você e o mundo. Existem tantos processos ocorrendo na fantasia de uma pessoa. É o que ele chama de complexo, ou preconceito. Se vocês tiverem preconceitos, então o seu relacionamento com o mundo estará muito abalado e destruído. Se você quiser se aproximar de alguém, e tiver um preconceito, você nunca chegará a esta pessoa. Você estará sempre em contato apenas com o preconceito, com a idéia fixa.

E o objetivo da terapia, o objetivo do crescimento, é perder cada vez mais sua

“mente” e aproximar-se mais dos seus sentidos. Entrar cada vez mais em contato com o mundo, ao invés de estar apenas em contato com fantasias, preconceitos, apreensões, etc.

Perls,S. Frederick., Gestalt- Terapia Explicada “gestalt theraphy verbatim”.

São Paulo, Summus editorial (1977)

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Anotações:

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bibliografia Beisser, A.R. (1970) in J. Fagan and IL. Shepherd (eds). Gestalt Therapy Now. Harmondsworth.
bibliografia
Beisser, A.R. (1970) in J.
Fagan and IL. Shepherd
(eds). Gestalt Therapy
Now. Harmondsworth.
Pinguin.
Perls,S. Frederick.,
Gestalt- Terapia Explicada
“gestalt theraphy
verbatim”.
São Paulo, Summus
editorial( 1977)
Rhyne, Jenie. Arte e
Gestalt –padrões que
convergem. São Paulo,
Summus
Editorial, s/d

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