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Universidade em perspectiva

Sociedade, conhecimento e poder

Hélgio Trindade
Departamento de Ciência Política, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Conferência de abertura da XXI Reunião Anual da ANPEd, Caxambu, setembro de 1998.

Introdução versidade da perspectiva da sociedade contempo-


rânea. Espero que essa incursão histórica não nos
Quero agradecer o honroso convite de pro- afaste da reflexão necessária sobre a situação crí-
nunciar a conferência de abertura da XXI Reunião tica a que está submetida a universidade pública
Anual da ANPEd e cumprimentar a entidade pela brasileira.
oportuna escolha do tema “Conhecimento e poder: É imperioso, diante da estratégia do governo,
em defesa da universidade pública”, numa das con- não apenas manter uma fundamental atitude de re-
junturas mais críticas e desafiantes da universida- sistência, mas pensar em proposições alternativas,
de brasileira e latino-americana. política e academicamente articuladas, capazes de
Dentro do tema que propus, “Universidade em formular novos cenários fundados numa reflexão
perspectiva: sociedade, conhecimento e poder” vou interdisciplinar que incorpore as contribuições sig-
discutir algumas questões centrais da complexa e nificativas da literatura internacional.
ampla problemática. Para tanto, é necessário definir uma agenda no
De um lado, lançando um olhar retrospectivo debate sobre a universidade brasileira que rompa
sobre a universidade para capturar, na dinâmica de com a iniciativa exclusiva do governo, que inva-
sua história, alguns elementos-chave para a com- riavelmente nos tem levado a reboque, e pensar em
preensão da sua natureza institucional. novas formas de organização do debate e de formu-
De outro, enfrentando novos problemas que lação de propostas mobilizadoras da comunidade
se colocam para a instituição universitária em de- acadêmica e da sociedade civil organizada (Trinda-
corrência do desenvolvimento científico e tecnoló- de e Luce, 1996; Guadilla, 1996).1
gico produzidos a partir da revolução industrial.
A articulação entre essas duas dimensões da 1 Este é o principal desafio e a linha de ação do nosso
problemática visa iluminar as reflexões sobre a uni- Centro Interdisciplinar de Pesquisa para o Desenvolvimen-

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A imagem sugestiva de um reitor francês de Se lançarmos um olhar para a dimensão tem-


que a “universidade é um dinossauro pousado em poral da instituição universitária, podemos vislum-
um aeroporto” parece indicar que a esquizofrenia brar quatro períodos para os fins de nossa análise.
da instituição universitária no mundo contemporâ- O primeiro, do século XII até o Renascimento,
neo não se limita nem ao universo latino-america- é o período da invenção da universidade em plena
no, nem resulta exclusivamente de um processo que Idade Média. Nesse período se constitui o modelo
atinge seu paroxismo na hegemonia neoliberal.2 da universidade tradicional, a partir das experiên-
Recente livro analisa os desdobramentos da cias precursoras de Paris e Bolonha, que se implanta
Revolução Industrial, que por todo território europeu sob a proteção da Igreja
romana.
se iniciou na produção material no final do século
O segundo começa no século XV, época em
XVIII, atingiu a produção artística, criando a indús-
que a universidade renascentista recebe o impacto
tria cultural e, atualmente, chega a esfera educacional.
das transformações comerciais do capitalismo e do
Este quadro recoloca a questão das relações entre edu-
humanismo literário e artístico, que floresce nas
cação e sociedade e exige da universidade uma refle-
repúblicas urbanas italianas e se estende para os
xão sobre sua identidade e sobre as perspetivas de
principais países da Europa do centro e do norte e
interação com as instituições sociais, econômicas e
sofre também os efeitos da Reforma e da Contra-
políticas, inclusive repondo o problema da autonomia
Reforma.
universitária (Leopoldo e Silva, 1996, p. 24).
A partir do século XVII, marcado por desco-
Se o debate universitário posterior à rebelião bertas científicas em vários campos do saber, e do
estudantil de maio 68 trouxe à discussão o confli- Iluminismo do XVIII, com a valorização da razão,
to entre a idéia da universidade “liberal” versus do espírito crítico, da liberdade e tolerância religio-
universidade “funcional”, neste final de século um sas e o início da Revolução Industrial inglesa, a uni-
dos desafios centrais da universidade latino-ame- versidade começa a institucionalizar a ciência numa
ricana é como estabelecer o equilíbrio entre qua- transição para os modelos que se desenvolverão no
lidade, pertinência e equidade numa instituição que século XIX.
deve formar para o desconhecido, como propõe o O quarto período que institui a universidade
reitor George Brovetto em suas reflexões sobre a moderna começa no século XIX e se desdobra até
“teoria e prática de um modelo universitário em os nossos dias, introduzindo uma nova relação en-
reconstrução”. 3 tre Estado e universidade, permitindo que se con-
figurem as principais variantes padrões das univer-
sidades atuais.
to da Educação Superior (CIPEDES), cuja vocação é a de É importante salientar que enquanto se desdo-
ser um centro internacional de pesquisa numa perspectiva brava na Europa a implantação de uma rede de uni-
comparativa, compartilhada por especialistas de vários ho- versidades em todas as suas latitudes — da Penín-
rizontes disciplinares e que estejam comprometidos com uma
sula Ibérica à Rússia e do sul da Itália aos países
reflexão aberta, crítica e criativa sobre os grandes proble-
nórdicos — a universidade aporta nas Américas.
mas da educação superior no presente e os seus desafios no
futuro. Homepage: www.ilea.ufrgs.br/cipedes/ Os conquistadores transplantam para o Cari-
2 O mais recente trabalho sobre a reestruturação da be, no início do século XVI, a primeira universida-
universidade francesa intitula-se “Pour un modèle européen de inspirada no modelo tradicional espanhol e as
d’enseignement supérieur”, 1998. Ver também estudo com- colônias norte-americanas da costa Atlântica, após
parativo entre universidades francesas e alemãs feito por dois enviarem seus filhos, entre 1650 e 1750, para estu-
sociólogos das organizações: Friendberg e Musselin, 1989. dar nas universidades de Oxford e Cambridge, co-
3 Ver Brovetto. piam o modelo dos colégios ingleses adotando-os,

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a partir de 1636, em Cambridge (Harvard), Filadél- rior. Daí ser da essência da instituição universitá-
fia, Yale, Princeton e Columbia (Benjamin, 1964). ria medieval o corporativismo, a autonomia e a li-
Cabe observar que há um padrão marcamente berdade acadêmicas.
diferenciado no ensino superior da América Lati- A nova instituição estrutura-se, originariamen-
na. Na América espanhola, a universidade se im- te, através das corporações de professores (Paris) ou
planta logo após a conquista e, até fins do século de estudantes (Bolonha), e as “repúblicas” de es-
XVII, existe uma rede de 12 instituições de norte a tudantes estrangeiros, organizadas por país de ori-
sul do continente. A primeira é de 1538, em Santo gem, que chamavam-se “nações” (Verger, 1990, p.
Domingo, na América Central; em 1613 é funda- 19-69). Havia uma significativa circulação de alu-
da pelos jesuítas a sexta universidade, situada em nos (ingleses, alemães, franceses, italianos, espa-
Córdoba, na Argentina. O modelo espanhol trans- nhóis e portugueses) e de professores entre os di-
plantado não é somente o da velha Universidade de ferentes centros. Inclusive, certos conflitos deram
Salamanca, mas sobretudo o da nova Universida- origem a novas universidades, tais como Orleans,
de de Alcalá, atual Complutense, e até fins do sé- Pádua e Cambridge, a partir de cisões em Paris,
culo XVII domina o padrão tradicional das facul- Bolonha e Oxford.
dades de teologia, leis, artes e medicina. Os três campos de formação que marcam a
No Brasil, a universidade se institucionaliza origem das universidades medievais são sucessiva-
apenas no nosso século, embora tenha havido es- mente a teologia (Paris), o direito (Bolonha) e a me-
colas e faculdades profissionais isoladas que a pre- dicina (Montpellier, sob a influência de Salerno e
cederam desde 1808, quando o príncipe regente, da cultura árabe).
com a transferência da Corte para o Brasil, cria o A universidade medieval se constitui de duas
primeiro curso de cirurgia, anatomia e obstetrícia. formas, ou espontaneamente (consuetudine) ou por
A “universidade temporã”, na expressão de Luiz bula papal ou imperial. Segundo alguns analistas,
Antônio Cunha, somente se organiza tardiamente, aqui termina a fase espontânea da criação das uni-
a partir da década de 20 de nosso século. Como versidades e elas passam a ser o produto de estra-
observa Anísio Teixeira (1989, p. 98), o Brasil es- tégias de papas ou imperadores. Como as univer-
teve fora do processo universitário quando o tema sidades enfrentavam conflitos com os poderes lo-
principal do debate, na século XIX, era “a nova cais da Igreja ou do governo, sucessivos papas ou
universidade, devotada à pesquisa e à ciência”. imperadores começaram a atribuir privilégios às
universidades para preservar sua autonomia.
A universidade medieval A expansão das universidades dá-se ao longo
dos século XII e XIII na França (Toulouse), Ingla-
A partir do século XII a universidade é inven- terra (Oxford, Cambridge) e Itália (Siena, Pávia,
tada e se institucionaliza apoiada no trabalho dos Nápoles), Espanha (Salamanca, Valencia, Vallado-
copistas e tradutores, que preservaram grande parte lid) e Portugal (Coimbra). Com a criação da Uni-
do legado greco-cristão para formar clérigos e ma- versidade de Valladolid, o rei Afonso, o Sábio, es-
gistrados. Em sua fase áurea, esta se organiza atra- tabelece a primeira legislação universitária elabo-
vés do modelo corporativo (Universitas scholarium rada por um Estado (D’Irsay, 1993, t. I e t. II).
et magistrorum), em torno de uma catedral (Alma O que se pode resgatar do modelo medieval é
Mater), abarcando vários domínios do saber, como: uma concepção de instituição universitária com três
teologia, direito romano e canônico e as artes. elementos básicos: centralmente voltada para uma
A corporação de professores ou estudantes é formação teológico-jurídica que responde às neces-
a base da nova instituição, enquanto o termo stu- sidades de uma sociedade dominada por uma cos-
dium significava o estabelecimento de ensino supe- movisão católica; com uma organização corpora-

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tiva em seu significado originário medieval; e pre- cipes. Essa tendência, iniciada no século XV e con-
servando sua autonomia em face do poder político cluída no início do século XVI, estabelece um dos
e da Igreja institucionalizada local. padrões da universidade européia: são instituições
doravante vinculadas ao Estado e este processo se
A universidade renascentista acentuará com a Reforma protestante.
A Reforma e a Contra-Reforma introduziram
Desde o século XV, as sociedade européias vi- um corte religioso radical entre as universidades. A
verão sob o impacto de transformações que come- reforma protestante luterana, com seus desdobra-
çam a mudar o perfil da universidade tradicional, mentos calvinistas e anglicanos, rompe com a he-
através de um longo processo de transição para a gemonia tradicional da Igreja e provoca uma rea-
universidade moderna do século XIX. ção contrária através da Contra-Reforma. A vida
O epicentro da Renascença é a Itália do Quat- intelectual do século XVI será marcada por esses
trocento e Cinquecento sob a impulsão das repú- dois vastos movimentos que determinam o futuro
blicas de Veneza e Florença dos Médicis e dos Pa- da Europa.
pas. O desenvolvimento das universidades de Flo- A ação de Lutero a partir de Wittenberg, no
rença, Roma e Nápoles e da Academia da Neo-Pla- centro geográfico da Alemanha, se espalha por to-
tônica serão centrais para o fim da hegemonia teo- do o território (salvo a Baviera e a Boêmia), geran-
lógica e o advento do humanismo antropocêntrico. do as primeiras universidades desde 1544 (Leipzig,
Se na Itália a ruptura com a Idade Média é Tübiguen, Marburg, Königsberg e Jena). A divisão
explícita na arquitetura, escultura, pintura e litera- dos protestantes, porém, favorece a reação do ca-
tura, para além dos Alpes o início do Renascimento tolicismo, especialmente por meio da Companhia
será mais disperso e a ruptura com a Idade Média de Jesus.
se fará de forma mais lenta. A Contra-Reforma teve no Concílio de Trento
O humanismo não atinge com mesma força a seu norte renovador que encontrou na Espanha for-
Universidade de Paris, que se mantém fiel às suas mas variadas de inovação: o barroco, a mística, a
origens, mas o acontecimento mais marcante será filosofia e a literatura nacional. A ação dos jesuí-
a fundação do Collège de France por François I tas amplia o campo universitário da contra-refor-
(1530), sob o signo dos novos tempos. ma na Alemanha, França, Países Baixos e Itália,
A universidade que realiza essa transição para especialmente com a criação da Universidade Gre-
o humanismo sem romper a tradição medieval é goriana, em Roma (1533).
Louvain (1415), situada no encontro entre a civili- Para além do humanismo renascentista, da Re-
zação francesa e a alemã. Torna-se um importante forma e da Contra-Reforma, o último elemento é
centro do renascimento literário na Europa, que vai a nova relação entre universidade e ciência, que terá
influir nas universidades inglesas, primeiro em Ox- um novo impacto transformador na estruturação da
ford e depois em Cambridge, onde Erasmo de Rot- vida universitária.
terdam ensina grego e se doutora em teologia.
O humanismo literário penetra também nas Universidade e ciência
universidades alemãs e, apesar da resistência de Co-
lônia, será importante em Viena e Basiléia, mas so- O século XVII foi marcado, sobretudo, pelas
bretudo em Erfurt e Wittenberg. descobertas da física, astronomia e da matemática,
Um traço novo, porém, que aparece na evo- enquanto no século do XVIII o avanço foi predo-
lução da universidade alemã no século XIX é, com minante no campo da química e das ciências natu-
o desaparecimento do feudalismo, o controle pro- rais. Na transição entre os dois séculos fundam-se
gressivo das universidades pelos poderes dos prín- as primeiras cátedras científicas e surgem os primei-

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ros observatórios, jardins botânicos, museus e la- A universidade estatal


boratórios científicos.
Com a criação das academias científicas, in- O contexto societário que engendra a univer-
tensifica-se a profissionalização da ciências, fato que sidade moderna se faz sob forte impulso do desen-
vai permitir sua inserção nas universidades por meio volvimento das ciências, do Iluminismo e do Enci-
da pesquisa. clopedismo, que, no plano político e social, encon-
Até o século XVII, o cientista não tem um pa- trará seu leito nos efeitos radicais da Revolução de
pel especializado na sociedade, mas a partir daí de- 1789, dentro e fora da França.
sencadeia-se uma mudança profunda no sistema de O século das luzes se inicia sob a influência de
valores e normas universitárias, reconhecendo-se, Newton, que assegurará às universidades inglesas
não sem conflitos, a legitimidade de uma atividade um avanço científico proeminente. O movimento
relacionada com as ciências em geral. científico e experimental se difunde por todos os
A entrada das ciências nas universidades alte- países e universidades, desde a Universidade de Mos-
rarará irreversivelmente a estrutura da instituição, cou, fundada em 1755, até a de Coimbra, renova-
limitada anteriormente às ciências ensinadas nas da pela reforma pombalina de 1772, passando pela
faculdades de medicina e artes sob a denominação Universidade de Göttingen, na Alemanha, sob a in-
de “filosofia natural”. fluência de Leibniz, pelas universidades de Upsa-
A Itália desempenhará um papel central nes- la, na Suécia, Edimburgo, na Escócia, e Nápoles e
se processo. A pressão fora da península itálica era Catânia, na Itália.
menos forte, porque nem Kepler, nem Copérnico A França ficará em atraso pela resistência do
eram acadêmicos, e as ciências experimentais ain- racionalismo cartesiano, especialmente na Univer-
da retardarão em quase um século sua inserção nas sidade de Paris, embora as ciências experimentais
universidades. se desenvolvam em regiões geograficamente perifé-
Na Itália, porém, as condições eram muito fa- ricas: Estrasburgo, Reims, Montpellier, Caen e Pau.
voráveis para o desenvolvimento das ciências físi- Apesar da resistência da universidade, a Academia
cas experimentais e da astronomia, com Galileu, evolui pela ação renovadora dos enciclopedistas.
professor de Pisa e Pádua (1592), ou do matemáti- O fato relevante para a evolução dos para-
co Torricelli, na Universidade de Florença. Com o digmas universitários é que, com o Plano de uma
Renascimento artístico começa também a crescer o universidade russa, elaborado por Diderot para Ca-
interesse pelos estudos de anatomia em Pádua, Bo- tarina II, todas as reformas das universidades pre-
lonha, Pisa e Roma. conizam estudos mais aprofundados de ciências na-
O desenvolvimento da universidade renascen- turais e físicas (D’Irsay, 1993).
tista resulta de uma profunda transformação, a Para além das ciências que se institucionalizam
partir do século XV, decorrente da expansão do nas universidades tradicionais e novas, se abre um
poder real, da afirmação do Estado nacional e da padrão diferenciado na relação com o Estado.
expansão ultramarina. A universidade, como ins- Por um lado, as universidades inglesas arti-
tituição social, haveria de se transformar abando- culam-se com os colégios e dobram entre 1700-
nando, mesmo nas que se alinham na Contra-Re- 1750 suas anuidades, tornando-se acessíveis apenas
forma, seu padrão tradicional teológico-jurídico- à nobreza e à alta burguesia, criando vínculos es-
filosófico. A universidade renascentista se abre ao treitos com o Parlamento e mantendo-se fora do
humanismo e às ciências, realizando a transição âmbito estatal (Benjamin, 1964).
para os diferentes padrões da universidade moder- Já na França, ao contrário, os rendimentos das
na do século XIX. universidades e liceus permitem a introdução do
ensino gratuito, autorizado em 1719, com a redu-

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ção dos salários dos professores, contra a qual se da ordem social, num sentido ou noutro” (D’Irsay,
opõem os enciclopedistas, temerosos da negligên- 1993).
cia dos mestres. Com a expulsão dos jesuítas da Com exceção do Collège de France, a Univer-
França (1762), inicia-se o processo de estatização sidade tornou-se um instrumento do poder imperial.
do ensino superior pela Revolução e o Império. Seu sistema de escolas primárias, colégios, liceus e
As universidades, pois, não seguem um modelo faculdades profissionais (direito, medicina, ciências
único e a história da universidade, a partir do sé- técnicas), denominado Academia nas diferentes re-
culo XVII, se confunde, em grande medida, com as giões do Império, criou ainda as “faculdades isola-
vicissitudes das relações entre ciência, universida- das” com diplomas equivalentes e a École Normale
de e Estado. As novas tendências da universidade que se destinava à formação de professores. O novo
caminham em direção a sua nacionalização, esta- sistema estatal napoleônico foi eficiente na forma-
tização (França e Alemanha) e abolição do mono- ção profissional, mas as ciências não tiveram a evo-
pólio corporativo dos professores, iniciando-se o lução da universidade prussiana de Berlim.
que se pode denominar “papel social das universi- O impacto da guerras revolucionárias e napo-
dades”, com o desenvolvimento de três novas pro- leônicas afeta fortemente a Alemanha, provocando
fissões de interesse dos governos: o engenheiro, o uma mudança profunda em suas instituições, inclu-
economista e o diplomata. sive universitárias. Com a ocupação francesa da
Após a Revolução Francesa, a universidade margem esquerda do Reno, as universidades de Co-
napoleônica rompe com a tradição das universida- lônia, Mayence e Trier fecham e, depois, desapa-
des medievais e renascentistas e organiza-se, pela recem mais dezesseis universidades, dentre elas Er-
primeira vez, subordinada a um Estado nacional. furt. O Estado prussiano concentra seus esforços na
Num contexto de hegemonia e de expansionismo Universidade de Halle, mas com a derrota de Jena
francês, Napoleão funda, em 1806, a Universida- teve de renunciar a seus novos territórios. A Prússia
de imperial, subdividida em Academias, que se con- perde toda a sua base intelectual e a criação de uma
figura de forma inovadora, designando um “corpo nova universidade se impunha.
encarregado exclusivamente do ensino e da educa- A concepção de uma universidade fundada so-
ção pública em todo o Império”. Trata-se de uma bre o princípio das pesquisas e no trabalho cientí-
corporação, mas uma corporação criada e mantida fico desinteressado associado ao ensino amadure-
pelo Estado, tornando a educação um monopólio ce sob o impulso do Estado. Com a nomeação do
estatal. A universidade napoleônica e suas Acade- sábio Humboldt, em 1809, para o Departamento
mias se estendem aos Países Baixos e à Itália (Ri- dos Cultos e da Instrução Pública do Ministério do
beiro, 1975, p. 51-88). Interior, a nova universidade nasce da fusão com a
A universidade napoleônica torna-se um po- Academia de Berlim, garantindo a liberdade dos
deroso instrumento para criar quadros necessários cientistas e sob a proteção do Estado, da qual de-
para a sociedade e para difundir a doutrina do im- pendia seu orçamento anual.
perador: a conservação da ordem social e a devo- O problema da educação nacional colocava-
ção ao imperador que encarna, primeiro, a sobe- se de forma tão central na Prússia, quanto para a
rania nacional e, depois, supranacional. O meca- França napoleônica. A diferença era que, na ausên-
nismo-chave é o poder do governo de nomear os cia do Estado-Nação, o Estado prussiano era o por-
professores, assistido por um Conselho, porque o tador potencial da civilização nacional. Humboldt
imperador “quer um corpo cuja doutrina esteja ao distinguia Estado e Nação, sendo a educação par-
abrigo das pequenas febres da moda; que marche te da última, e a Universidade de Berlim foi conce-
sempre quando o governo dorme” e que seja “uma bida como o laboratório da nova Nação e não ape-
garantia contra as teorias perniciosas e subversivas nas de um Estado territorial legado por Bismarck.

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Ela se torna o centro da luta pela hegemonia inte- to mudaram os paradigmas científicos como suas
lectual e moral na Alemanha. relações com o Estado e a sociedade, a partir de sua
O primeiro reitor da Universidade de Berlim eficácia em termos econômicos e militares. Da mes-
foi o filósofo Fichte. A nova universidade se or- ma forma, as universidades, inseridas na produção
ganizava não pelas faculdades isoladas napoleôni- científica e tecnológica para o mercado ou para o
cas, mas de forma integrada, por meio das faculda- Estado, tanto nas economias capitalistas como so-
des de medicina, direito e filosofia. A hegemonia cialistas, ficaram submetidas a lógicas que afetaram
metodológica do “seminário alemão”, nascido em substantivamente sua autonomia acadêmico-cien-
Halle e Göttingen, torna-se a pedagogia integrado- tífica tradicional. Esta é a problemática que vamos
ra dos exercícios filosóficos, históricos e orienta- abordar nesta parte final de nossa exposição.
listas, em que o sincretismo religioso preponderou Uma análise histórica mais detalhada mostra-
sobre o confessionalismo protestante ou católico ria, por exemplo, que na França revolucionária,
(D’Irsay, 1993). após a fase em que os “aristocratas do saber” são
O movimento iniciado com a Universidade de perseguidos durante o Terror e a Academia de Ciên-
Berlim produz a recuperação progressiva das uni- cias e a própria universidade são fechadas, a ciência
versidades alemãs entre 1810 e 1820, dentro de uma é reabilitada. Um minuncioso livro sobre o período,
concepção de universidade que se estrutura pela do historiador da ciência Jean Dhombres (1989),
indivisibilidade do saber e do ensino e pesquisa, comprova que nesse período se assiste ao “nasci-
contra a idéia das escolas profissionais napoleôni- mento de um novo poder”. Nosso foco, porém, vai
cas (Weber, 1989). se restringir a essas relações no pós-Segunda Guer-
Resta referir que a fundação da Universidade ra Mundial.
de Londres como uma universidade livre, em 1828, Tanto nas sociedades industriais avançadas
por um grupo de liberais, tem como resposta a quanto nas universidades, a ciência e sua organiza-
criação do King’s College (Londres), em 1831, sen- ção tornaram-se um problema eminentemente polí-
do que Oxford e Cambridge se opõem a que a no- tico. A idéia de que todo o saber eficaz é, ao mesmo
va universidade seja constituída por carta real. De tempo, poder, segundo Ladrière, é muito antiga. A
um compromisso entre as duas partes, em 1836, se ciência perdeu a inocência no massacre apocalípti-
constitui como corporação de direito público a no- co de Hiroxima e, mais recentemente, com as in-
va universidade de ensino e pesquisa sob a influên- quietantes perspectivas da militarização do espaço.
cia de Berlim, que vai desencadear reformas nas Na sociedade moderna seria ingênuo imaginar
duas universidades tradicionais em meados do sé- que o sistema científico se organiza e se desenvol-
culo XIX. ve de forma autônoma. O ideal da auto-organiza-
Estabelecem-se assim as matrizes da universi- ção da ciência confronta-se cotidianamente com as
dade moderna estatal ou pública, influenciando a injunções da política científica governamental, sob
dinâmica das universidades na Europa e nas Amé- pena de inviabilizar-se em função do alto custo de
ricas, a qual até nossos dias traz para o centro da sua realização.
instituição universitária as complexas relações en- O fulcro do problema é que hoje não se pode
tre sociedade, conhecimento e poder. falar de ciência em abstrato, mas do que os homens
fazem em nome da ciência, por meio dela ou visan-
Sociedade, conhecimento e poder do seu desenvolvimento. E, na medida em que a
ciência também está submetida ao jogo do poder,
A complexa problemática — universidade, so- transforma-se, segundo Habermas, não só num ins-
ciedade, conhecimento e poder — tem seu ponto trumento nas mãos dos membros dos poderes eco-
crítico nas novas relações entre ciência e poder. Tan- nômicos e políticos, mas também no invólucro ideo-

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lógico de todo sistema político avançado (Trinda- esforços para explorar as relações entre ciência,
de, 1985, p. 2-5).4 tecnologia e produção”. A dominação dos Estados
O que visam, em última instância, as políticas Unidos inquieta fortemente a Europa e a distância
científicas que se generalizam em todos os países tecnológica põe perigosamente em risco sua com-
senão colocar nas mãos do Estado ou de empresas petitividade. Apesar da ameaça nuclear e do fosso
multinacionais a definição de prioridades estratégi- que abre com a periferia do sistema capitalista, atri-
cas e da alocação dos recursos financeiros que esta- bui-se esse problema à “má orientação ou a apli-
belecem os parâmetros da pesquisa científica e tec- cações erradas da ciência”.
nológica? Torna-se imperioso reintroduzir a ques- A terceira fase é uma “época de desilusão com
tão ética, seja sob a forma de uma ética do pesqui- relação à ciência e tecnologia” e os cientistas são
sador, seja, sobretudo, de uma ética da comunida- considerados como instrumentos do poder militar
de científica em todos os seus ramos a propósito da e econômico e insensíveis aos graves problemas so-
ciência, de sua utilização e de sua responsabilida- ciais e ecológicos que os rodeiam. Esse desencan-
de social. tamento afeta também a indústria de alta tecnolo-
Em recente obra coletiva, Science et pouvoir, gia, especialmente a multinacional, e o crescimento
publicada pela UNESCO, Ferraroti (1996, p. 54- constante no domínio da pesquisa começa a dimi-
9) mostra como o “quadro ideológico-conceitual nuir seu ritmo.
do século XVIII” da ciência tornou-se “obsoleto” A última fase, que se inicia nos anos 70 com
e que “a ciência e os cientistas estão freqüente- os choques do petróleo, é um período de fraco de-
mente a serviço do poder constituído [...], fazen- senvolvimento econômico e cheio de incerteza. A
do evoluir a natureza do poder e dos que o exer- indústria pesada entra em crise e o Japão se expande
cem. A ciência e o poder têm uma influência cres- na indústria automobilística e eletrônica, inician-
cente sobre a fonte do poder e sobre as formas de do-se a era da microeletrônica, da automatização
seu exercício”. e da robotização da sociedade pós-industrial. O ba-
Dessa perspectiva, King, conselheiro do go- lanço do autor é de que “a pesquisa científica apa-
verno inglês e diretor-geral da OCDE, explicita es- rece como hipergeradora de poder, capaz de aumen-
sas novas relações entre sociedade, ciência e poder. tar ainda o poderio dos mais poderosos” (King,
Chama atenção para o fato de que a atitude geral 1996, p. 66-77, 99).
da opinião pública diante da ciência “oscilou en- A dependência da ciência com relação ao Es-
tre a veneração dos mistérios da ciência e o desprezo tado mudou radicalmente no pós-guerra, especial-
em face do seu poder maléfico”. mente pela estreita interação entre ciência básica e
King destaca várias fases na evolução dessas no- a ciência aplicada voltada para a utilização civil ou
vas relações no pós-guerra: numa primeira fase, após militar. Nos Estados Unidos, com a guerra da Co-
a crença num futuro construtivo e pacífico, “as con- réia e do Vietnã, o eixo tecnológico-militar mais
siderações estratégicas gerais e a emergência da guer- avançado passou para a costa do Pacífico. Sem os
ra fria orientam em grande parte o esforço de pes- financiamentos federais maciços nas universidades
quisa e de desenvolvimento para o esforço militar”. de maior prestígio, não teria havido o elo entre pes-
No final dos anos 60 uma nova fase se abre, quisa e alta tecnologia, especialmente na área de
marcada por uma expansão sem precedentes nos informática, que viabilizou o fascinante terror do
países capitalistas centrais e no Japão, e crescem “os videogame da Guerra do Golfo.
O Vale do Silício, com as mais avançadas em-
presas de informática concentradas entre Palo Alto
e San José, na Califórnia, não teria se tornado o pólo
9 Ver também Trindade, 1996. mais dinâmico do mundo sem financiamentos as-

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sociados à guerra fria e à conquista espacial. Recen- uma vez que as atividades acadêmicas de pesquisa
te livro sobre a Universidade de Stanford e a guer- social acadêmica parecem não ingressar no “circuito
ra fria tem um capítulo intitulado “Stanford vai à efetivo de sua utilização” e “muito menos nas are-
guerra”, no qual está descrita essa relação comple- nas de decisão dos assuntos relevantes”.
xa entre a universidade, seus departamentos das Assim, as complexas relações entre conheci-
áreas científicas e tecnológicas e os financiamentos mento e poder interpenetram a sociedade contem-
governamentais para o desenvolvimento de pesqui- porânea em todos os níveis, da esfera pública ao
sas (Lowen, 1997). mercado, recolocando uma questão central de na-
Como observa Federico Mayor, diretor-geral tureza ética.
da UNESCO, “o sucesso da ciência tornou as rela-
ções entre a comunidade científica e o Estado mais O desafio da universidade
complexas que antes”, mostrando a contradição
entre os cientistas que dependem crescentemente Neste complexo contexto, o que se espera da
dos recursos do Estado mas não querem ser gover- universidade? Primeiro temos de ter consciência de
nados por ele e os governos que querem planejar a que, para além do público e do privado, a própria
pesquisa e orientá-la para os setores economicamen- instituição universitária está em crise. Pela primei-
te mais promissores (Mayor, 1996, p. 142). ra vez na história, a crise da universidade é a crise
Até aqui falamos das “ciências duras” e de sua da própria instituição multissecular na sociedade
relação com a sociedade e o poder. E o que se pas- de conhecimento em que os mecanismos seletivos
sa nas ciências sociais e aplicadas? desenvolvidos, de financiamento da pesquisa cien-
Este tema é abordado por Brunner e Sunkel tífica ou social, básica ou aplicada, querem restrin-
(1993), no livro intitulado Conocimiento, sociedad gir a universidade à sua função tradicional de for-
y politica, no qual afirmam que os pesquisadores mar profissionais polivalentes para o mercado.
sociais “recolhidos em seus domínios tradicionais O Ataque à universidade, título de um clássi-
de produção — departamentos ou centros de pes- co livro de um especialista inglês em educação su-
quisa — se encontram cada dia em maior desvan- perior sobre o poder exterminador da “era Tha-
tagem com relação aos analistas simbólicos que tcher”, confronta-se com a tradição de que a uni-
cumprem as mesmas funções em novos domínios versidade tem de cumprir sua “missão pública”
(consultorias privadas, assessoria legislativa, agên- numa sociedade em que o espaço público se trans-
cias de análise e organismos internacionais)”. nacionaliza.
Trata-se de reconhecer o fato de que se “está Uma das vertentes da visão neoliberal em edu-
constituindo um sistema que parece cada vez mais cação superior é uma concepção teórica sustentada
um contexto de mercado dentro do qual se organi- por alguns especialistas em economia da educação
zam os serviços desenvolvidos pelos analistas sim- e gestão do ensino superior ligados ao periódico
bólicos”, no qual se “valoriza o serviço final mais Policy Perspective, da Universidade da Pensilvânia,
do que o conhecimento”. Utilizando-se do conhe- e que resultou de um conjunto de seminários inter-
cimento disponível das ciências sociais, o que inte- nacionais. A lógica do modelo é de que a universi-
ressa é o “serviço que o manipula, operando os efei- dade deve “responder a diversas necessidades que
tos práticos buscados”. lhe são externas”, tornando-se cada vez mais uma
Os autores consideram que esse novo quadro “organização multifuncional, indispensável e utili-
de “globalização do mercado de analistas simbóli- tária”. Este novo modelo internacional, válido in-
cos” cria novas formas de financiamento em expan- clusive para os Estados Unidos, deve ter uma forte
são e torna obsoletas as formas “que no passado ênfase na graduação e ser cada vez mais seletivo na
permitiam o desenvolvimento das universidades”, pesquisa, fazendo com que “a prestação de serviços

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Hélgio Trindade

econômicos e sociais faça parte em igualdade com o ensino superior. Um bom exemplo é o Manifes-
a pesquisa de novos conhecimentos”. 5 to “Por uma reforma urgente para salvar a univer-
No livro Reinventando o governo, de Osborne sidade pública”, lançado por um grupo pluralista
e Gaebler, os autores apresentam o exemplo da Fa- de pesquisadores (Vários, 1998).
culdade Técnica Fox Valley em Wisconsin, com 45 Outra iniciativa da qual faço parte, juntamente
mil alunos, como a “instituição pública mais com- com uma rede de pesquisadores de várias univer-
pletamente voltada para o cliente”. A proposta dos sidade, é o CIPEDES, nascido no bojo da revista
autores é de que “a única e melhor maneira de fa- Avaliação e da consciência de que é preciso enfren-
zer com que os prestadores de serviços públicos res- tar a questão de forma interdisciplinar e levando em
pondam aos seus clientes é colocar os recursos nas conta a vasta literatura internacional que tem de-
mãos dos clientes e deixá-los escolher”. E concluem batido este problema crítico das sociedades atuais:
sem rodeios: “se os clientes controlam os recursos, o destino da universidade.
são eles que escolhem o destino e a rota” (Osborne Federico Mayor, concluindo o livro Science et
e Gaebler, 1994, p. 190). pouvoir, dirá que “o conhecimento é o poder, mas
Essa é a problemática dentro da qual é preci- o poder de criar, de prever e de evitar. Aplicar este
so repensar as saídas para a universidade enquan- conhecimento para o bem da humanidade é a sabe-
to instituição social e, de modo específico, os dile- doria. Conhecimento e sabedoria são as duas garan-
mas da universidade pública brasileira. tias de um futuro comum melhor” (Mayor, 1996,
Sem fugir do debate brasileiro, devemos rom- p. 142, 177). Conclui citando esses versos proféti-
per seus limites. O debate atual tem uma agenda cos do poeta espanhol Otto René Castillo:
proposta pelo governo e ficamos circunscritos a
Un dia los intelectuales apoliticos de mi pais seran
uma atitude meramente reativa. A problemática é
interpelados por el hombre sencillo de nuestro pueblo.
latino-americana e, mesmo nos países com forte
Se les preguntara sobre lo que hicieran
tradição de ensino público hegemônico, como Mé-
cuando la patria se apagava lentamente
xico, Argentina e Uruguai, a expansão do ensino
como una hoguera dulce, pequeña y sola.
privado é um fato significativo, indicando uma nova
tendência. Do privado sob a hegemonia do públi-
co (Daniel Levy, anos 70) passamos progressiva-
mente para o público submetido à expansão des- HÉLGIO TRINDADE é professor titular do Depar-
tamento de Ciência Política do Instituto de Filosofia, Ciên-
controlada do privado (Levy, 1980). 6
cias e Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Por isto professores e pesquisadores compro- Ex-reitor da UFRGS e ex-presidente da Associação dos Di-
metidos com os destinos da universidade pública rigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (ANDI-
brasileira precisam se aglutinar em fóruns, centros FES), realizou seu pós-doutorado na Universidade de Stan-
e núcleos fora do governo para pensar alternativas ford, Califórnia.
e retomar a iniciativa de uma agenda política para

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