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Professora: Simone

Aluna: Elivane Leandro da Silva

Curso de Especialização em Ensino das Ciências da Natureza e Educação


Matemática.

1. Relacionar materialismo dialético com os processos educacionais atuais.

O materialismo dialético e os processos educacionais

Para descortinar uma conexão entre materialismo dialético e processos


educacionais é necessária uma compreensão primeira do que seja
materialismo dialético. Dialética, na Grécia antiga, já era definida como a arte
de conversar. Hegel, citado por Pires, afirma que dialética refere-se à
materialidade e concretude de pensamentos. Já Marx idealizou as ideias de
Hegel dando a elas um caráter materialista.

A sociedade é cercada por sujeitos que se esforçam constantemente em


interpretar a realidade em que vivem. Para melhor compreensão das ações que
envolvem os seres logicamente racionais é necessário aceitar que o mundo é
dialético, ou seja, sempre se buscam uma compreensão da realidade e nessa
tentativa de compreensão, o pensamento, as ideias, movimentam-se e são
contraditórios. Nesse movimento de ideias e ações cercadas de interpretação
torna-se necessário um pensamento científico, ou seja, mais organizado para
se compreender essa realidade. Assim, novamente Marx, sugere um
instrumento lógico chamado de método, uma teoria de interpretação da
realidade.

O método seria uma forma de compreender a realidade, a partir da


observação empírica “experiências vividas” e a partir dela, pensar sobre a
realidade observada e chegar ao concreto, que seria o pensamento
organizado. A atividade de observar, pensar, repensar e organizar pode-se
chamar de movimento do pensamento.

Pelo método, na análise da realidade se parte da investigação


(pesquisa). Para Gamboa o método compõe os processos investigativos
educacionais. O método seria o caminho percorrido para se chegar ao objeto,
às ideias concretas, ao pensamento científico.

No mundo educacional torna-se imprescindível a análise e interpretação


da realidade para melhor compreensão dos processos educacionais. Aqui
acontece o movimento do pensamento, ou seja, o materialismo dialético
utilizando como recurso o método.

O profissional da educação deve estar ciente e inteirado dos mais


diversos elementos que cercam a prática educativa e que sua realidade deve
ser compreendida da maneira mais completa possível. Essa trajetória
desponta-se como impossível sem o uso do método. No entanto a utilização do
método propiciará percorrer um caminho que perpassa da prática articulada à
teoria e a prática desenvolvida com e através da abstração do pensamento. O
movimento desse pensamento partiria do empírico, passando pelo abstrato
para se chegar ao concreto. Na prática, as ações docentes na interação com
os discentes, por exemplo, carece de reflexões, que seriam as observações
empíricas, e quanto mais abstração e organização do pensamento, nesse
processo de reflexão, melhor será a compreensão do processo educacional.

O trabalhador (docente) numa leitura mais ampla da sua realidade


educacional deve identificar o movimento contraditório humanização/alienação
como sugere Pires. Nesse sentido deve utilizar o método materialista dialético
como instrumento de compreensão de sua prática educativa.

Aqui chagamos ao ápice da relação materialismo dialético e processos


educacionais. O método vinculado à educação exige pesquisa: observação
empírica, pensamento sobre a realidade e reflexão. Nessa direção surge a
possibilidade de construção do pensar o processo educacional em sua total
amplitude.
Fontes:

GAMBOA, Silvio sánchez. Pesquisa em Educação, Métodos e Epistemologias.


Pag. 23-43. 2º Ed. – Champecó: Argos, 2012.

PIRES, Marília Freitas de Campos. O materialismo histórico-dialético e a


Educação. Agost, 1987. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/icse/v1n1/06.pdf
Acessado em 01/11/17.