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RECURSOS

1.1. Noções gerais

Conceito: meio ou remédio impugnativo apto a provocar, dentro da relação


processual ainda em curso, o reexame da decisão judicial, pela mesma autoridade
judiciária, ou por outra, hierarquicamente superior, visando a obter-lhe a reforma,
invalidação, esclarecimento ou integração.

Difere-se das ações autônomas de impugnação da decisão judicial, que são a ação
rescisória, mandado de segurança, embargos de terceiro e etc.. As ações autônomas
são outros meios impugnativos utilizáveis contra decisões judiciais.

A diferença está no fato de que o recurso está inserido na própria relação jurídica
processual onde o direito de ação está sendo exercido. As ações autônomas de
impugnação representam a instauração de uma nova relação jurídica processual.

Classificação:

a) quanto ao fim: reforma (modificação da solução); invalidação (novo julgamento,


em atenção aos requisitos de validade. Ex: incompetência, cerceamento de defesa,
decisões cita, extra e ultra petita, ausência de pressupostos processuais e condições da
ação.); esclarecimento ou integração (omissão, contradição, obscuridade e erro
material).

b) quanto ao juízo que se encarrega do julgamento: devolutivos (devolvida ao


conhecimento do outro órgão. Ex: recursos ordinário, especial, extraordinário e
apelação); não devolutivos (julgada pelo mesmo órgão. Ex: embargos de declaração);
mistos (permitem o reexame pelo órgão superior e também pelo próprio prolator da
decisão. Ex: agravo de instrumento).

Devolver = restituir.

c) quanto à extensão do reexame: total ou parcial.


d) quanto à fundamentação: livre (admissibilidade não se prende à matérias
preordenadas pela lei) e vinculada (somente são admitidos quando se invoca tema
enquadrado na previsão legal de cabimento do recurso).

Ex. de vinculados: Embargos de declaração (art. 1.022, CPC); Recurso Especial (105,
III, CF); Recurso Extraordinário (102, III, CF).

e) quanto à marcha do processo: suspensivos (impedem o início da execução


provisória ou definitiva); não suspensivos (permitem o processamento da execução
provisória).

Regra geral: recursos não têm efeito suspensivo.

Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal
ou decisão judicial em sentido diverso.
Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do
relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil
ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do
recurso.

Fundamento e natureza do direito ao recurso


Ø vontade do homem de recorrer: irresignação natural do homem.
Ø possibilidade de erro ou má-fé do julgador.

Atos sujeitos à recurso

São recorríveis apenas atos do Juiz.


E, somente as sentenças e decisões. Contra despachos não cabem recursos (art. 1.001,
CPC).
Em que pese os três serem atos de autoridade, cabe recurso somente contra sentenças
(art. 1.012) e decisões interlocutórias (art. 1.015).

Recursos admissíveis
Ø Contra decisões de primeiro grau: a) apelação (994, I e 1.009); b) agravo de
instrumento (994, II e 1.015); c) embargos de declaração (994, IV e 1.022).
Ø Contra acórdãos: a) embargos de declaração (994, IV e 1.022); b) recurso
ordinário (994, V e 1.027); c) recurso especial (994, VI e 1.029); d) recurso
extraordinário (994, VII e 1.029); e) embargos de divergência no STF e STJ
(994, IX e 1.043).
Ø Contra decisões proferidas em segundo grau, que não são acórdãos: a) agravo
interno (994, III e 1.021); b) agravo em REsp ou em RE (994, VIII, 1.042).

PRINCÍPIOS

Fundamentais: o sistema jurídico pode fazer opção, considerando aspectos políticos


ou ideológicos. São elásticos.

(a) Princípio do duplo grau de jurisdição:

- Busca-se prevenir o abuso de poder do juiz que tivesse a possibilidade de decidir


sem sujeitar-se à revisão de outro órgão do Poder Judiciário.
- Leva em consideração a possiblidade de falhas do ser humano e o inconformismo
frente à qualquer decisão desfavorável.

(b) Princípio da taxatividade: relacionado ao cabimento e forma do recurso.

(c) Princípio da singularidade: unirrecorribilidade ou unicidade. Para cada ato


judicial recorrível há somente um recurso admitido pelo ordenamento jurídico.

Exceção: ED

(d) Princípio da fungibilidade: adoção de um recurso pelo outro.

A jurisprudência, à época, admitia a fungibilidade quando ocorressem os seguintes


requisitos: (i) dúvida objetiva acerca de qual o recurso manejável; (ii) inexistência
de erro grosseiro na interposição de um recurso pelo outro; (iii) ob-servância do
prazo próprio do recurso adequado, sempre que este fosse menor do que o do
recurso erroneamente interposto. Quanto a este último requisito, Nelson Nery Júnior,
defendia a tese de que se o erro fosse escusável, o princípio da fungibilidade validaria
a impugnação segundo os requisitos do recurso interposto, sem atentar para os do
recurso omitido.

O CPC/2015 prevê expressamente a fungibilidade no tocante ao REsp e ao RE:

Art. 1.032. Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso


especial versa sobre questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias
para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre
a questão constitucional.

Parágrafo único. Cumprida a diligência de que trata o caput, o relator remeterá


o recurso ao Supremo Tribunal Federal, que, em juízo de admissibilidade, poderá
devolvê-lo ao Superior Tribunal de Justiça.

Art. 1.033. Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa a ofensa à


Constituição afirmada no recurso extraordinário, por pressupor a revisão da
interpretação de lei federal ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça
para julgamento como recurso especial.

(e) Princípio da dialeticidade: diálogo com a sentença. Sistema de pensar fundado no


diálogo, de modo que a conclusão seja extraída do confront entre argumentações
empíricas, quase sempre contraditórias.

Pelo princípio da dialeticidade exige-se, portanto, que todo recurso seja formulado por
meio de petição na qual a parte, não apenas manifeste sua inconformidade com ato
judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato
e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada,
sujeitando-os ao debate com a parte contrária.
Na verdade, isto não é um princípio que se observa apenas no recurso. Todo o
processo é dialético por força do contraditório que se instala, obrigatoriamente, com
a propositura da ação e com a resposta do demandado, perdurando em toda a
instrução probatória e em todos os incidentes suscitados durante o desenvolver da
relação processual, inclusive, pois, na fase recursal.

(f) Princípio da voluntariedade: iniciativa é da parte. O Poder Judiciário não toma a


iniciativa. Sem provocação, não há prestação jurisdicional.
Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial,
salvo as exceções previstas em lei.

(g) Princípio da irrecorribilidade em separado das interlocutórias: o CPC admite o


recurso somente contra algumas interlocutórias e sem efeito suspensivo.

Pelos princípios de economia processual, de celeridade e da oralidade, que dominam


todo o processo moderno, não se tolera a interrupção da marcha processual para
apreciação de recursos contra decisões de questões incidentais (i.e., decisões
interlocutórias). É o que faz o Código brasileiro, que admite agravo contra algumas
decisões interlocutórias (art. 1.015) e só excepcionalmente, diante de situação de
risco grave e de difícil reparação, permite ao relator atribuir-lhe eficácia suspensiva
(art. 1.019, I). Ou seja, as decisões são recorríveis, mas os recursos não têm efeito
suspensivo e os autos não saem do juízo da causa, não havendo prejuízo para o
desenvolvimento normal do processo.

(h) Princípio da vedação da reformatio in pejus: exceção à matérias de ordem


pública.

O tribunal ad quem, portanto, somente poderá alterar a decisão impugnada dentro do


que lhe pede o recurso. O recurso funciona, assim, como causa e limite de qualquer
inovação que o tribunal entenda de fazer no decisório. Não se admite em outras
palavras, que o julgamento recursal venha a piorar a situação do recorrente.

1.3. Pressupostos (objetivos/subjetivos)

Juízo de admissibilidade e juízo de mérito dos recursos


Admissibilidade: requisitos intrínsecos e extrínsecos

Intrínsecos (subjetivos): cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato


impeditivo ou extintivo do poder de recorrer.
Cabimento: atos judiciais recorríveis. Somente os do Juiz.
Legitimidade: art. 996, CPC – apenas as partes o terceiro prejudicado e o MP.
Extrínsecos (objetivos): modo do exercício do direito de recorrer, recorribilidade da
decisão, adequação, singularidade, preparo, tempestividade, regularidade formal e
motivação.
Tempestividade: prazo legal.
• Réu não citado: se a decisão for proferida antes da citação do réu, o prazo para
a interposição do recurso conta-se da data da juntada aos autos do documento
comprobatório da intimação (art. 1.003, § 2).
• Recurso remetido pelo correio: considera-se interposto na data da postagem
(art. 1.003, § 3).
• Feriado local. Incumbe à parte (art. 1.003, § 6).
• Recurso interposto antes da publicação do julgado: art. 218 § 4: “Será
considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo.”
• Art. 1.024:

§ 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da


decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a
decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos
exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação
da decisão dos embargos de declaração.

§ 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a


conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da
publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado
independentemente de ratificação.

• Casos que interrompem o prazo recursal (art. 1.004): recesso do período de


20/12 a 20/01; obstáculo criado em detrimento da parte pela parte contrária ou
pela justiça; hipóteses de suspensão do art. 313:

Art. 313. Suspende-se o processo:


I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes,
de seu representante legal ou de seu procurador;
II - pela convenção das partes;
III - pela arguição de impedimento ou de suspeição;
IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas;
V - quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de
inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro
processo pendente;
b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a
produção de certa prova, requisitada a outro juízo;
VI - por motivo de força maior;
VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da
navegação de competência do Tribunal Marítimo;
VIII - nos demais casos que este Código regula.
IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável
pelo processo constituir a única patrona da causa; (Incluído pela Lei
nº 13.363, de 2016)
X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono
da causa e tornar-se pai.

Singularidade: para cada ato judicial há somente um recurso admitido no


ordenamento jurídico.

Adequação: utilizar o recurso existente de forma correta.

Preparo: pagamento das custas processuais.

• Possibilidade de recolhimento do preparo após a interposição do recurso: o §


4º do art. 1.007 permite que o recorrente que não comprovar o recolhimento
do preparo e do porte de remessa e retorno no ato de interposição do recurso,
será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em
dobro, sob pena de deserção.
• Justo impedimento para o não recolhimento do preparo: ao recorrente é
assegurado o direito de comprovar justo impedimento para o não recolhimento
tempestivo do preparo. Caberá ao relator apreciar e decidir a alegação, e se
proce-dente, relevará a pena de deserção, por decisão irrecorrível, na qual
fixará o prazo de cinco dias para a efetivação do preparo (art. 1.007, § 6º).
• Equívoco no preenchimento da guia de custas: rejeitando a chamada
“jurisprudência defensiva” dos tribunais superiores, ao tempo do Código
anterior, o NCPC desautoriza a aplicação da pena de deserção fundada em
equívoco no preenchimento da guia de custas (art. 1.007, § 7º). Caberá ao
relator, caso haja dúvida quanto ao recolhimento, intimar o recorrente para
sanar o vício em cinco dias.

Motivação e forma: razões do pedido de novo julgamento. Assinatura do advogado e


atenção às exigências formais de cada recurso.

Ex: REsp por divergência jurisprudencial; RE e a repercussão geral.


Desistência e Renúncia:

• I – Fatos impeditivos
São fatos impeditivos dos recursos a renúncia e a aceitação da sentença,
ocorridas antes de sua interposição; extingue o recurso a desistência manifestada
durante o seu processamento e antes do respectivo julgamento.

• II – Desistência do recurso
Dá-se a desistência quando, já interposto o recurso, a parte manifesta a vontade
de que não seja ele submetido a julgamento. Vale por revogação da
interposição. A desistência, que é exercitável a qualquer tempo, não depende
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de anuência do recorrido ou dos litisconsortes (NCPC, art. 998), tampouco sua


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eficácia depende de homologação judicial (art. 200).

• III – Desistência dos recursos em tramitação no STJ e no STF


Nos casos dos recursos endereçados ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior
Tribunal de Justiça, a desistência haverá de não impedir o exercício da função
política daquelas Cortes na defesa e uniformidade da interpretação e aplicação
da Constituição e da legislação federal. É nessa linha que, depois de manter a
regra tradicional da faculdade que tem a parte de livremente desistir do recurso
interposto, o parágrafo único do art. 998 do NCPC ressalva ao STF e ao STJ o
poder de resolver, nos recursos repetitivos, as questões jurídicas neles
suscitadas, sem embargo da desistência manifestada pelo recorrente.
São apenas os extraordinários em que a repercussão geral já tenha sido
reconhecida (art. 1.035) e os especiais e os extraordinários a que já se atribuiu a
qualidade de recurso padrão de uma série de causas iguais (art. 1.036, § 1º).

Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte.

Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá
recorrer.

Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de


ato incompatível com a vontade de recorrer.

Recurso Adesivo
Art. 997. Cada parte interporá o recurso independentemente, no prazo e com
observância das exigências legais.

§ 1o Sendo vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderá
aderir o outro.

§ 2o O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe


aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e
julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte:

I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no


prazo de que a parte dispõe para responder;

II - será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial;

III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele
considerado inadmissível.

1.4. Efeitos

- Devolutivo: reabre-se a oportunidade de reapreciar e novamente julgar questão já


decidida.
- Suspensivo: impede-se ao decisório impugnado produzir seus naturais efeitos
enquanto não solucionado o recurso interposto

O art. 995 dispõe que “os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo
disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso”. Apenas excepcionalmente a
decisão será suspensa, “se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano
grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de
provimento do recurso” (parágrafo único do art. 995).

- Substitutivo: o julgamento do recurso substitui, para todos os efeitos, a decisão


recorrida, nos limites da impugnação.

Art. 1.008. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a decisão impugnada no


que tiver sido objeto de recurso.
• Para que a substituição ocorra, todavia, hão de ser observados alguns
requisitos:

(a)o recurso deverá ter sido conhecido e julgado pelo mérito; se o caso
for de não admissão do recurso, por questão preliminar, ou se o
julgamento for de anulação do julgado recorrido, não haverá como o
decidido no recurso substituir a decisão originária;
(b)deverá o novo julgamento compreender todo o tema que foi objeto
da decisão recorrida; se a impugnação tiver sido parcial, a substituição
operará nos limites da devolução apenas.

- Translativo: o recurso transfere o conhecimento da causa para o juízo recursal nos


limites da impugnação formulada pelo recorrente, uma vez que se admite o ataque à
decisão “no todo ou em parte”.

Art. 1.002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte.

- Expansivo: abrange a possibilidade de serem decididas questões arguidas pelas


partes, mas que não foram analisadas na sentença ou ainda, questões de ordem
pública.

1.5. Remessa necessária

Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão
depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas


respectivas autarquias e fundações de direito público;

II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.

§ 1o Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz
ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do
respectivo tribunal avocá-los-á.
§ 2o Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o tribunal julgará a remessa necessária.

§ 3o Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito


econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:

I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e


fundações de direito público;

II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as


respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam
capitais dos Estados;

III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas


autarquias e fundações de direito público.

§ 4o Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver


fundada em:

I - súmula de tribunal superior;

II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de


Justiça em julgamento de recursos repetitivos;

III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou


de assunção de competência;

IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito


administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou
súmula administrativa.

Embargos de declaração

Conceito: recurso destinado a pedir ao juiz ou tribunal prolator da decisão que


afaste obscuridade, supra omissão, elimine contradição existente no julgado ou
corrija erro material
Qualquer decisão judicial comporta embargos declaratórios, porque, como
destaca Barbosa Moreira, é inconcebível que fiquem sem remédio a obscuridade, a
contradição a omissão ou o erro material existente no pronunciamento jurisdicional.
Não tem a mínima relevância ter sido a decisão proferida por juiz de primeiro grau ou
tribunal superior, monocrática ou colegiada, em processo de conhecimento ou de
execução; nem importa que a decisão seja terminativa, final ou interlocutória.

Pressupostos de admissibilidade: art. 1.022, I, II e III, CPC

• Omissão: suprir

Configura-se quando o ato decisório deixa de apreciar matéria sobre o qual teria
de manifestar-se.

Hipóteses de omissão: parágrafo único do art. 1.022, faz referência ao art. 489, CPC.

a) o que deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos


ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento (inciso
I);
b) o que incorra em qualquer uma das seguintes condutas (inciso II):
(i)o que se limite à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;
(ii)o que empregue conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo
concreto de sua incidência no caso;
(iii)o que invoque motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
(iv)o que não enfrente todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em
tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
(v)o que se limite a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos; e,
(vi)o que deixe de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a
superação do entendimento (art. 489, § 1º) (tratamos mais detalhadamente do tema no
item nº 766 do v. I).
• Obscuridade ou contradição: esclarecer

Obscuridade: falta de clareza, pela confusão das ideias, pela dificuldade no


entendimento de algo.
Contradição: “proposições entre si inconciliáveis”.
Erro material: corrigir

Em qualquer caso, a substância do julgado é mantida, visto que os embargos de


declaração não visam à reforma da decisão judicial.

A alteração é inerente, mas apenas para suprir os vícios. Não se procede um novo
julgamento da causa.

Procedimento:

Art. 1.024. O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias.


§ 1o Nos tribunais, o relator apresentará os embargos em mesa na sessão
subsequente, proferindo voto, e, não havendo julgamento nessa sessão, será o
recurso incluído em pauta automaticamente.
§ 2o Quando os embargos de declaração forem opostos contra decisão de relator ou
outra decisão unipessoal proferida em tribunal, o órgão prolator da decisão
embargada decidi-los-á monocraticamente.
Fungibilidade:
§ 3o O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo
interno se entender ser este o recurso cabível, desde que determine previamente a
intimação do recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as
razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1o.
Dever expresso de ratificação:
§ 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da
decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a
decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos
exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da
intimação da decisão dos embargos de declaração.
§ 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do
julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do
julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente
de ratificação.

Contraditório: em regra, não há, pois os ED não se destinam a um novo julgamento da


causa. Contudo, quando para suprir o vício houver a modificação do julgado, o juiz
intimará o embargado para manifestar-se no prazo de 05 dias.

Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição


dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se
sujeitam a preparo.
§ 1o Aplica-se aos embargos de declaração o art. 229.
§ 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5
(cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique
a modificação da decisão embargada.

Prequestionamento: art. 1.025, CPC

Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante


suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam
inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão,
contradição ou obscuridade.

Recurso interposto antes dos embargos de declaração (art. 1.024, § 4o ):


Dever expresso de ratificação:

§ 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da


decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a
decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos
exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da
intimação da decisão dos embargos de declaração.
Que ocorre se uma parte já havia interposto o recurso principal, quando a outra lançou
mão dos embargos de declaração? Duas são as situações a considerar: (i) o objeto dos
embargos não interfere no do recurso principal, de maneira que o julgamento daqueles
nada alterou quanto à matéria impugnada no último; (ii) o objeto dos embargos incide
sobre questões enfocadas no recurso principal. No primeiro caso, não haverá
necessidade de ser renovado ou ratificado o recurso anteriormente interposto; no
segundo, todavia, a reiteração se faz necessária, porque, uma vez julgados e acolhidos
os embargos, a decisão recorrida já não será a mesma que o recurso principal antes
atacara.

Efeitos:

- Não devolutivo;
- Não suspensivo;
- Interruptivo: art. 1.026, CPC;
- Integrativo: O Superior Tribunal de Justiça interpretou muito bem a natureza dos
embargos de declaração, in verbis:
“A decisão proferida em grau de embargos declaratórios (tenha ou não efeito
modificativo) é meramente integrativa do acórdão embargado, não possuindo
natureza autônoma, sem liame com este”. STJ, 1ª T., EDcl no REsp 15.072/DF, Rel.
Min. Demócrito Reinaldo, ac. 17.02.1993, DJU 22.03.1993, p. 4.510, DJ 31.05.1993,
p. 10.628)

Embargos de declaração meramente protelatórios:

Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e


interrompem o prazo para a interposição de recurso.
§ 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo
respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso
ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil
reparação.
§ 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o
tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado
multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa.
§ 3o Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a
multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a
interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor
da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça,
que a recolherão ao final.
§ 4o Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores
houverem sido considerados protelatórios.

Apelação Cível
Conceito:

Sentenças finais são pronunciamentos judiciais que encerram a fase cognitiva do


procedimento comum, bem como extinguem a execução. Distingue a doutrina entre
sentença definitiva e sentença terminativa, conforme o encerramento da relação
processual se dê com ou sem julgamento do mérito da causa.

Apelação, portanto, é o recurso que se interpõe das sentenças dos juízes de


primeiro grau de jurisdição para levar a causa ao reexame dos tribunais do
segundo grau, visando a obter uma reforma total ou parcial da decisão
impugnada, ou mesmo sua invalidação.

São apeláveis tanto as sentenças proferidas em procedimentos contenciosos como


as dos feitos de jurisdição voluntária. Também nos procedimentos incidentes ou
acessórios, como habilitação, restauração de autos etc., a apelação é o recurso cabível
contra a sentença que os encerrar. O mesmo, todavia, não ocorre com o julgamento de
simples incidentes do processo, a exemplo da exibição de documento ou coisa e das
tutelas provisórias, já que in casu ocorrem apenas decisões interlocutórias.

Decisões incidentais excluídas do art. 1.015, CPC

A nova sistemática, embora semelhante à anterior, afasta a necessidade de


interposição imediata de recurso, para impedir a preclusão. Agora, se a matéria
incidental decidida pelo magistrado a quo não constar do rol taxativo do art.
1.015, que autoriza a interposição de agravo de instrumento, a parte prejudicada
deverá aguardar a prolação da sentença para, em preliminar de apelação ou nas
contrarrazões, requerer a sua reforma (art. 1.009, § 1º). Vale dizer, a preclusão
sobre a matéria somente ocorrerá se não for posteriormente impugnada em preliminar
de apelação ou nas contrarrazões.

Se a parte prejudicada pela decisão interlocutória for vencida na ação, deverá arguir
a matéria em preliminar de apelação, sendo a parte contrária intimada para
contrarrazoar. Se, contudo, a sentença lhe for favorável, a impugnação poderá
ocorrer em sede de contrarrazões de eventual apelação interposta pela parte
contrária.

Outrossim, para cumprir-se o contraditório, sendo a matéria suscitada em preliminar


de contrarrazões, o apelante será intimado para, em quinze dias, manifestar-se a
respeito (art. 1.009, § 2º).

Interposição:

Se a decisão puser fim à fase cognitiva do procedimento comum ou extinguir a


execução (art. 203, § 1º), desafiará apelação. Nessa esteira, ainda que a questão
decidida em sentença seja daquelas impugnáveis por meio de agravo, nos termos do
art. 1.015, do NCPC, deverá ser interposto o recurso de apelação para discuti-la (art.
1.009, § 3º).

Imagine-se, assim, que o juiz tenha cassado a tutela provisória na própria


sentença. Muito embora a matéria conste do inciso I, do art. 1.015, como sendo
impugnável por meio de agravo de instrumento, deverá ser abrangida pela
apelação. Vale dizer, não haverá interposição de dois recursos distintos contra a
mesma decisão. Nesse sentido, o § 5º do art. 1.013 é expresso: “o capítulo da
sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na
apelação”.
O apelante deve manifestar seu recurso por meio de petição dirigida ao juiz de
primeiro grau, que conterá (art. 1.010):

(a)os nomes e a qualificação das partes (inciso I);


(b)a exposição do fato e do direito (inciso II);
(c)as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade (inciso III); e
(d)o pedido de nova decisão (inciso IV).

O pedido de nova decisão pode referir-se a um novo pronunciamento de mérito


favorável ao apelante, ou apenas à invalidação da sentença por nulidade. “A falta
das razões do pedido de nova decisão impede o conhecimento da apelação”.

Efeitos

I – Efeito devolutivo

“A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada” (NCPC,


art. 1.013, caput).

II – Efeito suspensivo

A apelação normalmente suspende os efeitos da sentença, seja esta condenatória,


declaratória ou constitutiva.

Há exceções, no entanto. O § 1º do art. 1.012303 enumera seis casos em que o efeito de


apelação é apenas devolutivo, de maneira que é possível a execução provisória
enquanto estiver pendente o recurso. Assim, será recebida só no efeito devolutivo a
sentença que:
(a)homologa a divisão ou demarcação de terras (inciso I);
(b)condena a pagar alimentos (inciso II);
(c)extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos
do executado (inciso III);
(d)julga procedente o pedido de instituição de arbitragem (inciso IV);
(e)confirma, concede ou revoga tutela provisória (inciso V);
(f)decreta a interdição (inciso VI).

Mesmo nas hipóteses expressamente previstas em que a apelação tem efeito apenas
devolutivo, diante das particularidades da causa, demonstrando o apelante a
probabilidade de provimento do recurso, evidenciada pela relevância de sua fun-
damentação, e havendo risco de dano grave ou de difícil reparação, pode o
relator determinar a suspensão da eficácia da sentença (art. 1.012, § 4º).
Para tanto, o apelante formulará o requerimento em petição separada, com a
seguinte destinação:

(a)o pedido será dirigido ao tribunal, se feito no período compreendido entre


a interposição da apelação e sua distribuição. Nessa hipótese, será sorteado
um relator para apreciá-lo, ficando ele prevento para a apelação;
(b)endereçar-se-á ao relator da apelação, se já distribuída no tribunal (art.
1.012, § 3º).

O pedido de suspensão terá de demonstrar: (i) a probabilidade de provimento do


recurso; e (ii) a ocorrência de risco de “dano grave ou de difícil reparação” (§ 4º). Em
outros termos, caberá ao apelante demonstrar a configuração do fumus boni iuris e
do periculum in mora, em grau que não permita aguardar o normal julgamento do
recurso.

Recebimento

I – Pelo juiz de primeiro grau

A petição da apelação é dirigida ao juiz prolator da sentença impugnada.


O novo Código alterou profundamente essa sistemática, uma vez que ao juiz de
primeiro grau coube, apenas, processar o recurso, abrindo vista à parte contrária para
contrarrazoar. Depois de realizada essa formalidade, “os autos serão remetidos ao
tribunal pelo juiz, independentemente do juízo de admissibilidade” (art. 1.010, § 3º).
O recebimento da apelação e a declaração de seus efeitos, portanto, são feitos única e
exclusivamente pelo tribunal ad quem.
Assim, interposta a apelação, o juiz intimará o apelado para apresentar con-trarrazões,
no prazo de quinze dias (art. 1.010, § 1º). Se o recorrido interpuser apelação adesiva, o
apelante será intimado para apresentar resposta (art. 1.010, § 2º). Realizadas essas
formalidades, o juiz remeterá os autos ao tribunal (§ 3º).

I – Pelo tribunal ad quem

Recebido o recurso no tribunal, será ele imediatamente distribuído ao relator, que


deverá: (i) pronunciar-se sobre sua admissibilidade, ou não, e seus efeitos (arts. 932,
III, e 1.012, § 3º, II); (ii) decidi-lo monocraticamente, se for o caso; ou, (ii) elaborar
seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado (art. 1.011).
Da decisão do relator que admite ou não o recurso, ou que o julga monocraticamente,
caberá agravo interno para o colegiado (art. 1.021).

Juízo de retratação:

Publicada a sentença, tem-se como encerrada a tarefa de acertamento a cargo do


juiz. Torna-se, por isso, inalterável o decisório por ato do respectivo julgador, a não
ser que haja erro material ou de cálculo a corrigir ou que tenham sido interpostos
embargos de declaração para eliminar obscuridade, contradição ou omissão da
sentença.
Além disso, quando, por exemplo, a decisão consistir em indeferimento da petição
inicial, o art. 331 do NCPC faculta ao juiz, diante da apelação formulada pelo autor,
reformar sua própria sentença, no prazo de cinco dias. Somente se o juízo de
retratação não ocorrer é que os autos serão encaminhados ao tribunal. Se o juiz se
retratar, a apelação ficará sem objeto.
O NCPC também admitiu a retratação do juiz na apelação interposta contra a decisão
que julga o processo, sem resolução de mérito (art. 485, § 7º). Trata-se, pois, de mais
um caso em que o juízo de retratação em primeiro grau se torna possível, no curso da
apelação.
Deserção

Denomina-se deserção o efeito produzido sobre o recurso pelo não cumprimento


do requisito do preparo no prazo devido. Sem o pagamento das custas devidas, o
recurso torna-se descabido, provocando a coisa julgada sobre a sentença apelada.

O art. 1.007 do NCPC abrandou o rigor da deserção, admitindo, inclusive, o


pagamento em dobro do preparo e do porte de remessa e retorno, quando o recorrente
interpuser o recurso sem o seu devido recolhimento (§ 4º).

Prazo

O prazo legal é de quinze dias, tanto para apelar como para contra-arrazoar a
apelação (art. 1.003, § 5º, do NCPC).

Interposta antes dos ED

O NCPC solucionou a controvérsia, afastando a necessidade de ratificação de


qualquer recurso interposto antes da publicação do julgamento dos embargos, se eles
forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior (art. 1.024, §
5º). Por outro lado, caso haja modificação da decisão recorrida, o embargado que já
tiver interposto outro recurso contra a decisão originária poderá complementar ou
alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de quinze dias (art.
1.024, § 4º).