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Política criminal atuarial: contornos

biopolíticos da exclusão penal


Prof. Dr. Maiquel A. Dezordi Wermuth
• Senso comum no debate jurídico-penal
contemporâneo: enfrentamento aos riscos
representados pelas novas formas assumidas
pela criminalidade (crime organizado,
atentados terroristas).

• MEDO LÍQUIDO (Bauman).

• Reconhecimento de que se vive uma situação


de “GUERRA GLOBAL”.

“A guerra vai-se transformando no princípio


básico de organização da sociedade, reduzindo-se
a política apenas a um de seus recursos ou
manifestações.”
(HARDT; NEGRI, 2005, p. 33).
• Giorgio Agamben (2004): o estado de exceção
tende cada vez mais a se apresentar como o
paradigma de governo dominante na política
contemporânea.

• É cada vez mais obscura a distinção tradicional


entre guerra e política.

GUERRA -> REGIME DE BIOPODER


Exemplos:

• medidas adotadas pelos EUA no período pós-11 de


setembro no “combate ao terrorismo” – como a
“indefinite detention”, o processo perante as
“military commissions”, bem como o “USA Patriot
Act”;

• situação de Guantánamo.
• Processos de BESTIALIZAÇÃO DO HUMANO
(Judith Butler, 2009).

• “Desrealização” do “outro”, que não está nem


vivo nem morto, mas em uma interminável
condição de “espectro”.

DIREITO PENAL DO INIMIGO


(Günther Jakobs)

PRODUÇÃO DE “VIDAS NUAS”


(Giorgio Agamben)
É PRECISO EXPANDIR O DIREITO PENAL...

• O Direito Penal é eleito como instrumento


privilegiado de resposta às novas formas de
criminalidade.

E FLEXIBILIZAR GARANTIAS...

• A expansão do raio de intervenção punitiva se


dá em detrimento dos princípios e garantias
que davam sustentação à sua teorização
liberal, em nome de uma maior eficiência no
“combate”.
“RISCO” e “EXPANSÃO”
Conceitos que ocupam o centro do processo de
modernização do Direito Penal, expressando a
ideia de que a atenção à nova realidade delitiva
perpassa pela ampliação do seu campo de
atuação.
A INFLUÊNCIA DA MÍDIA...
“Os mass media não são somente transmissores de opiniões e impressões, mas
também delineadores dos limites de determinados problemas e até mesmo
criadores de certos problemas.” (BOURDIEU, 1997).

A vivência SUBJETIVA dos riscos e da insegurança supera a


sua existência OBJETIVA.

1 - Processos de “importação” de discursos repressivistas gestados para atender


a outros tipos de realidade social.

2 - Aumento do clamor pelo recrudescimento da intervenção punitiva em nome


de “mais segurança”.
Legislador “cool” (ZAFFARONI, 2007):

Utilização do Direito Penal enquanto “arma política”, ou seja, como


“instrumento de comunicação” por meio do qual os poderes
públicos deixam de se preocupar com o que pode ser feito de
melhor para se preocupar com o pode ser transmitido de melhor.
Passa-se a utilizar politicamente a noção de segurança, o que pode
ser visto como o resultado de um empobrecimento ou
simplificação do discurso político-criminal, que passa a ser
orientado tão somente por campanhas eleitorais que oscilam ao
sabor das demandas conjunturais midiáticas e populistas, em
detrimento de programas efetivamente emancipatórios.
Mídia

Pressão
Popular

Legislador
“cool”
DIREITO PENAL
SIMBÓLICO
Política criminal atuarial?
Utilização do raciocínio atuarial (substituição do arrazoado social pelo econômico);
Apagamento antropológico do criminoso.

 Idéia do delito como “cálculo normal” de um sujeito “racional” (retorno do


utilitarismo).

 “Situação criminal” – admite insuficiência do Estado – teoria da “oportunidade”


criminal.

 Gestão do “risco”. Atuação prospectiva.

 Foco no método estatístico e pretensão de neutralidade política e científica.


“Tecnocracia”.

Prevenção situacional. Ex. câmeras de vídeo.

 Adapta-se a políticas públicas que excluem grupos inteiros do convívio social. Prisão
Política criminal atuarial?
A Política Criminal Atuarial aplica aos comportamentos humanos as técnicas
estatísticas desenvolvidas para as finanças e os seguros para calcular os riscos
(BRANDARIZ GARCÍA, 2007; GARAPON, 2010).

O prognóstico atuarial fundamenta-se na vinculação de um sujeito a


um grupo de risco pelas características que compartilham, apostando-
se na provável reprodução dos padrões de comportamento dessa
coletividade com a qual foi associado em função da regularidade geral
do comportamento humano, quantitativamente demonstrada: em vez
de sintomas, os atuários procuram fatores salientes que determinam
estatisticamente o maior risco de um comportamento (DIETER, 2013).
Uma política criminal que parte da ideia de economia de
recursos escassos deve ser capaz de eleger os GRUPOS
HUMANOS que requerem um controle prioritário.

Não se pode deixar de relacionar a Política Criminal atuarial


com a crescente preocupação neoliberal com o “gasto público”,
que tem determinado que os custos do sistema penal comecem
a aparecer como uma variável determinante no desenho das
políticas de prevenção e controle.

Essa lógica vem a substituir a racionalidade welfarista, que


legitimava e orientava as políticas públicas fundamentalmente
a partir da perspectiva da sua utilidade para solucionar
problemas sociais, o que no âmbito punitivo outorgava
prioridade à atenção às causas coletivas da criminalidade.
Com isso, promove-se uma sensível redução dos índices de
criminalidade que prescinde da realização de reformas
estruturais e/ou grandes investimentos em segurança pública
ou, ainda, em políticas sociais públicas: “la segregación de ese
reducido segmento de infractores habituales permitiría una
importante disminución de la criminalidad, sin necesidad de
expansión penitenciaria, y con un limitado empleo de recursos
públicos.” (BRANDARIZ GARCÍA, 2014).

Para os criminosos reincidentes, incapacitação física de


segurança máxima – a exemplo do Regime Disciplinar
Diferenciado instituído no Brasil por meio da Lei nº
10.792/2003; para os delinquentes eventuais, vigilância virtual
e tecnológica de baixo custo – a exemplo do monitoramento
eletrônico instituído no Brasil por meio da Lei nº 12.258/2010.
Bancos de dados de perfis genéticos
para fins de investigação criminal
Bancos de dados de perfis genéticos

• Utilização pacífica no Direito Civil


(investigação de paternidade) e Direito
Penal (identificação de cadáveres e
pessoas desaparecidas).

• Na investigação criminal: uma prova


indiscutível?
Bancos de dados de perfis genéticos
para fins de investigação criminal

• Caráter pessoal e sensível das informações genéticas;


• Direitos e garantias fundamentais da pessoa humana;
• Princípios que orientam o ordenamento jurídico
brasileiro em matéria probatória (com destaque para
o princípio que veda a auto-incriminação);
• Efetividade dessas provas no que se refere ao seu
objetivo principal – minimizar o debate judicial, por
se tratarem, em tese, de provas indiscutíveis;
• Questões éticas e bio-éticas por detrás desse
assunto.
Genoma humano
O genoma humano constitui o conjunto de todo o
material genético: todos os fatores hereditários da
pessoa contidos nos cromossomos.

Todas as células do organismo humano contêm essa


informação genética.

Informação tridimensional: abarca ao mesmo


tempo um aspecto individual, familiar e universal.
Genoma humano
Declaração Universal sobre o Genoma e Direitos Humanos
(aprovada pela XXIX Comissão da Conferência Geral da
UNESCO, em 11 de novembro de 1997): proíbe toda
discriminação por razões genéticas, e estabelece a obrigação
de proteger a confidencialidade dos dados genéticos
associados a uma pessoa identificável, conservados ou
tratados com fins de investigação ou qualquer outra
finalidade.

Declaração Internacional sobre Dados Genéticos Humanos


(aprovada pela Conferência Geral da UNESCO de 16 de
outubro de 2003): os dados genéticos humanos são
singulares por sua condição de dados sensíveis, pois podem
indicar predisposições genéticas dos indivíduos.
Dados sensíveis
Com a revelação do genoma, os seres humanos se
tornam mais vulneráveis e transparentes.

Os dados genéticos podem ser considerados “dados


sensíveis”, ou seja, informações relativas a questões
extraordinariamente delicadas, intimamente unidas ao
núcleo da personalidade e da dignidade humana.

Essa transparência possibilita claramente o controle dos


indivíduos

Exemplos: criação de castas ou grupos de exclusão.


Lombroso “high tech”???
“Falta-lhes o sentimento afetivo e o
senso moral; nasceram para cultivar o
mal e para cometê-lo. Estão sempre em
guerra contra a sociedade.”
(C. Lombroso)

A utilização de bancos de
dados de perfis genéticos
poderia auxiliar na
identificação do criminoso
nato, repristinando as
teses lombrosianas?
Francis Galton
Precursor do sistema de identificação
pessoal pelas impressões digitais.

Objetivo: encontrar traços indeléveis da


individualidade, marcados pela
hereditariedade e pela origem étnica, de
modo a propiciar, pela digital, a
determinação de eventuais
degenerescências.

Detecção biológica do mal


(e do mau) e sua pronta
aniquilação, antes que
seu âmago pernicioso
aflore.
Eugenia? Genocídio?
“En manos de un poder semejante, el
exterminio de los judíos (y cualquier otro
genocicio imaginable), que se llevó a
cabo sobre bases documentales
incomparablemente menos eficaces,
habría sido total y rapidíssimo.”
(Giorgio Agamben)
Antecipação da intervenção punitiva
Viabilização da identificação e prisão dos
criminosos antes destes cometerem
crimes.

Conto: Minority Report (Philip K. Dick)


Lei 12.654/2012
Altera as Leis nos 12.037, de 1o de outubro de 2009, e 7.210, de
11 de julho de 1984 - Lei de Execução Penal, para prever a
coleta de perfil genético como forma de identificação criminal,
e dá outras providências.

Lei de Execução Penal:

Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência


de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no
art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos,
obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de
DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados
sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.
§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz
competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados
de identificação de perfil genético.”
Lei 12.654/2012
• A garantia de não declarar contra si mesmo encontra-
se, dentre outros documentos internacionais, no art.
8º, 2, g, da Convenção Americana de Direitos Humanos
(Pacto de São José da Costa Rica).

• No âmbito interno, esse direito encontra-se


expressamente previsto na Constituição Federal (art.
5º, inc. LXIII).

• O indivíduo é obrigado a produzir prova contra si


mesmo para um futuro delito que sequer
aconteceu???
• Primeiro problema: no contexto de expansão do Direito Penal, verifica-se
um desapreço cada vez maior pelas formalidades e garantias penais e
processuais penais características do Direito Penal liberal, que passam a ser
consideradas como “obstáculos” à eficiência que se espera do sistema
punitivo diante da insegurança da contemporaneidade.

• Segundo problema: fiabilidade dos métodos utilizados, que estão na sua


maior parte em estágio experimental.

• Terceiro problema: onerosidade da produção dessas provas. Ou seja, que


pessoas terão condições de arcar com a produção de provas cada vez mais
caras? Colocando-se a mesma questão sob outro viés, também se pode
questionar: não serão esses meios de prova responsáveis pelo aumento da
desigualdade entre as partes no processo?
Quarto problema: ditas “provas indiscutíveis” não
necessariamente servirão para “minguar” o debate judiciário:
elas no máximo trocarão o seu objeto, que será colocado sobre
a fiabilidade dessas novas ciências.

Quinto problema: qualquer tipo de prova contra o réu que


dependa (ativamente) dele só vale se o ato for levado a cabo de
forma voluntária e consciente.

Sexto problema: a sua aplicação exclusiva a algumas pessoas,


que poderiam ser catalogadas como “as verdadeiras não-
pessoas do Direito Penal moderno, ou seja, os absolutamente
excluídos” (SILVA SÁNCHEZ, 2007, p. 4).
Entende-se por castração química a utilização de substâncias que, por
meio do bloqueio do hormônio sexual masculino (testosterona), cessam
a libido, controlando o desejo e o impulso sexual.

A primeira proposta de utilização desse método surgiu nos Estados


Unidos e previa a injeção de uma substância que impedia de forma
irreversível a ereção. No entanto, o método não impediria que o indivíduo
tivesse os impulsos sexuais compulsivos.

Partindo de estudos na área neuroquímica, chegou-


se à conclusão de que a “anomalia” se dá pela
quantidade de hormônios masculinos acima do
normal.

Desse modo, a castração química mais


aceita atualmente é a inibição da
produção da testosterona, que é feita
com a introdução de Depo-Provera,
uma versão sintética da progesterona
(hormônio feminino pró-gestação).
Pena incorporada
O sujeito não pode se separar de sua pena.

A pena é ambulatória, segue o indivíduo, o acompanha o tempo todo.

A securitização passa por uma incorporação, ou por uma biologização


das medidas de controle
Pena degradante/cruel?
MONITORAMENTO
ELETRÔNICO
Como resolver a equação
posta pelo aumento da
repressão, por um lado e, de
outro, para manter as prisões
habitáveis, não muito
lotadas, contendo,
reflexamente, os
orçamentos?

A tornozeleira eletrônica
permite acompanhar um
detento em sua
residência, além de
traçar todos os seus
deslocamentos.
No Brasil, desde junho de 2010, quando foi publicada a Lei
nº 12.258/2010, admite-se a utilização dessa tecnologia.
Referida lei, além de provocar mudanças nas regras de saída
temporária de presos, alterou a redação da Lei de Execução
Penal (Lei nº 7.210/1984), de forma a permitir a
monitoração eletrônica de condenados do regime semi-
aberto quando em saída temporária, bem como dos que
estiverem em prisão domiciliar.
Biopolítica
 Transição de um regime produtivo que se caracterizava pela
carência – e que, em virtude disso, necessitava desenvolver um
conjunto de estratégias colimando a disciplina da carência, do que
exsurge o papel de complementaridade entre cárcere e fábrica –
para um regime produtivo que se caracteriza pelo excesso – razão
pela qual necessita desenvolver estratégias orientadas para o
controle desse excesso.
 Progressivo esgotamento de uma soberania estatal alicerçada na
ideia de um complexo de estratégias tendentes à normalização
disciplinar da classe operária, que dá lugar à emergência de um
domínio construído com base no controle biopolítico da multidão.

 O ensinamento disciplinar não tem mais sentido na sociedade


contemporânea e, com ele, as instituições que foram criadas na
modernidade com esse intuito perdem a razão de ser, dando lugar a
espaços de mero “armazenamento” daqueles indivíduos que se
tornaram supérfluos e que, em razão disso, precisam ser
administrados por meio de medidas de neutralização.
Alteração da Resolução nº 9/2011 pelo MJ:
a lógica do “calabouço”
• Resolução nº 9, de 2011: estabelece diretrizes básicas para a arquitetura penal no
Brasil;

• A recente alteração acaba com a obrigatoriedade de criação de espaços de educação


e trabalho em presídios;

• Com a mudança, perdem validade exigências previstas no texto anterior como a de


proporcionalidade do número de salas de aulas e outros equipamentos, como áreas
para trabalho e locais para tratamento de saúde, ao número de presos de cada
unidade;

• Também deixam de valer normas que estabeleciam janelas e ventilação maiores de


acordo com as condições climáticas da região em que o presídio for alocado;

• A medida, segundo o Ministério da Justiça, estava dificultando a construção de novos


presídios;

• Com o novo texto, estabelecimentos prisionais podem escolher seguir ou não as


determinações.
Como ressalta Agamben (2010), “uma
das características essenciais da
biopolítica moderna (que chegará, no
nosso século [século XX], à exasperação)
é a sua necessidade de redefinir
continuamente, na vida, o limiar que
articula e separa aquilo que está dentro
daquilo que está fora.”

É como se toda valorização e toda


politização da vida “implicasse
necessariamente uma nova decisão sobre
o limiar além do qual a vida cessa de ser
politicamente relevante” e passa a ser
somente “vida sacra”, que, como tal,
pode ser impunemente eliminada: “toda
sociedade fixa este limite, toda sociedade
– mesmo a mais moderna – decide quais
sejam os seus ‘homens sacros’.”
Giorgio Agamben (2011): a redução da vida humana a um puro dado
biológico é hoje um fato consumado, sendo justamente esta a base da
identidade que o Estado reconhece aos seus cidadãos:

“así como el deportado a Auschwitz ya no tenía nombre ni nacionalidad y era


sólo ese número que se le tatuaba en el brazo, del mismo modo el ciudadano
contemporáneo, perdido en la masa anónima, equiparado a un criminal en
potencia, se define sólo a partir de sus datos biométricos y, en última
instancia, a través de una especie de antiguo destino aún más opaco e
incomprensible: su ADN.”
Em um país no qual o sistema punitivo foi
histórica e sistematicamente utilizado
como um importante mecanismo de
contenção e disciplinamento de uma
clientela “tradicional” composta pelas
camadas subalternas da população esse
debate se impõe com maior vigor. Isso
porque, a par da cegueira provocada pelo
deslumbramento das medidas que,
dentro da lógica atuarial, oferecem
eficiência a todo custo na seara das
práticas punitivas, não se pode
desconsiderar que essas práticas são
responsáveis pela criação de sucessivas
cesuras que são típicas de um modelo
racista-biologicista que servem para
fragmentar o contínuo biológico ao qual
se dirige o biopoder. E as práticas
nazistas, nesse sentido, são a lição
histórica mais clara do que isso pode
significar.
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
Contato:
madwermuth@gmail.com