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Augusto Comte

Comte foi o pai do Positivismo, corrente filosófica que busca explicar

as leis do mundo social com critérios das ciências exatas e biológicas. Para ele o método positivo conduz a ciência como estudo dos fatos e suas relações, fatos que só são percebidos pelos sentidos

exteriores.”

Foi também o grande sistematizador da sociologia, dividindo a sociologia em duas áreas: a estática social e a dinâmica social.

“No entender de Comte, a sociedade apresenta duas leis fundamentais: a estática social e a dinâmica social. De acordo com a lei da estática social, o desenvolvimento só pode ocorrer se a sociedade

se organizar de modo a evitar o caos, a confusão. Uma vez organizada, porém, ela pode dar saltos qualitativos, e nisso consiste a dinâmica

social. Essas duas leis são resumidas no lema ‘ordem e progresso’”

A defesa do Positivismo é de que somente o conhecimento científico é verdadeiro, não se admitindo como verdades as afirmações ligadas ao sobrenatural, à divindade

Lei dos três estados

Comte entendia que a história do pensamento humano caminhava em estágios. Em sua filosofia da história, ele elaborou a lei dos três estados, na qual afirmava que o pensamento e o espírito humano desenvolviam-se por meio de três fases distintas: a teológica, a metafísica e a positiva.

Na fase teológica, as observações positivas e o uso da ciência como forma de construção do conhecimento eram precários. Dessa forma, os indivíduos apegavam-se às formas mais imaginativas de explicação dos fenômenos do mundo. Diante da complexidade dos acontecimentos do mundo natural, o ser humano só é capaz de compreendê-lo ao recorrer a crenças religiosas ou a ideias de deuses e espíritos e o sobrenatural. Dentro desse estado Comte distingue mais três etapas: fetichismo, politeísmo e monoteísmo.

Na fase metafísica, que tem como exemplo o período histórico do Renascimento, o pensamento humano passou a enxergar o mundo a partir de termos naturais. Ainda que se tratasse de problemas abstratos, a metafísica substituiu a imaginação pela argumentação, isto é, o pensamento humano empenhou-se em entender pelo questionamento, e não mais pela aceitação de explicações baseadas em noções sobrenaturais. A marca principal é a abstração como instrumento para o estudo da natureza.

O estado positivo, por sua vez, segundo Comte, caracteriza-se pela subordinação da imaginação e da argumentação à observação. Assim sendo, o processo de construção do conhecimento humano deve ocorrer a partir da experimentação própria do método científico, ou seja, através da observação, da comprovação empírica e da formulação das leis da natureza. Isso, no entanto, não quer dizer que Comte posicione-se a favor de um reducionismo empírico, isto é, reduzir todo conhecimento à apreensão de fatos isolados observáveis. Comte compreendia que, por mais que fosse possível apreender leis de regras gerais de um fenômeno, as relações constantes entre fenômenos são diversas. Portanto, ainda que se estabeleçam leis imutáveis nas relações de fenômenos diferentes, fixá-los a partir da pretensão de que todos se comportam de uma mesma maneira é um engano.

É no estado positivo que Comte designa à Sociologia o papel de condução do mundo social. Para ele, a sociologia seria responsável por interpelar os problemas sociais de nosso mundo, entender as leis que regeriam seu funcionamento e produzir soluções para esses problemas.

Augusto Comte deu o nome da ciência social Sociologia, que outrora denominava de Física Social.

Divisão da Sociologia:

Sociologia Geral:

Investiga os fatos, eventos e manifestos ao mesmo tempo formadores e formados pela vida social. Por consequência desse espectro tão amplo ela aborda todos os fatores constituintes da vida em sociedade e analisa a correlação entre esses fatores.

Sociologia Específica:

Concentram-se nas pesquisas cujas temáticas são bem definidas, em outras palavras, as correlações são circunscritas em esferas delimitadas por fenômenos sociais que possuem determinadas particularidades que as distinguem de outras tantas.

Assim, a sociologia jurídica

investiga

a

influência que o

direito

recebe do contexto social ao mesmo tempo em que pesquisa a

influência do

direito no

comportamento dos indivíduos nesse

mesmo contexto. Ocorre a mesma coisa com a religião, a

comunicação, ou seja, uma sociologia da religião, uma sociologia da comunicação, etc.

Influências de Comte no Brasil:

Sua influência marcou profundamente ao nascimento da República.

Os jovens da elite brasileira estudaram na Europa, sobretudo na França, onde foram influenciados pelas ideias positivistas. Mas foi principalmente na área militar que as influências foram maiores. A Escola Militar do Rio de Janeiro, onde se formavam os oficiais brasileiros, era uma cópia da Escola Militar Francesa, dominada pelos positivistas. Quando da proclamação da República, os professores da Escola Militar, Benjamim Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes, colocaram na bandeira brasileira os dois lemas do positivismo: ordem e progresso.

Émile Durkheim

Durkheim acreditava que a principal função da sociologia era o estudo dos fatos sociais. A sociologia deveria se abster de estudar as individualidades dos sujeitos e se debruçar sobre estudos generalistas acerca dos fatos sociais, que são definidos por Durkheim como os aspectos de nossa sociedade que moldam as nossas ações em sociedade, tais como nossa língua, o Estado e a moral. O fato social, segundo Durkheim, consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando- os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem.

Segundo Durkheim, os fatos sociais possuem três características principais:

São externos ao indivíduo, existem fora do indivíduo, isto é, já existiam antes do seu nascimento e atuam sobre ele, independentemente de sua vontade ou de sua adesão consciente

São de natureza coercitiva, o que quer dizer que eles possuem força para nos “obrigar” a agir de determinada maneira sob a ameaça

de punições como o isolamento social, por exemplo, no caso de um comportamento socialmente inaceitável,

São

também generalistas,

ou

seja,

atingem

a

todos

sem

exceções.

 

Para que possamos compreender melhor, peguemos como exemplo a língua que falamos. Ela constitui um fato social na medida em que nos é externa, existindo independentemente de nossa vontade; é coercitiva, uma vez que a não utilização de uma língua compreensível em um meio social pode acarretar no isolamento social; e é generalista, uma vez que todos os que nascem em um determinado local, acabam por aprender a se comunicar com uma mesma língua ou linguagem.

Fatos Sociais podem ser:

Normais

Patológicos.

Fato Social Normal:

Quando se encontra generalizado pela sociedade ou quando desempenha alguma função importante para sua adaptação ou sua evolução ou favorece a integração social. A generalidade de um fato social, isto é, sua unanimidade, é garantia de normalidade na medida em que representa o consenso social, a vontade coletiva, ou o acordo de um grupo a respeito de uma determinada questão. "Para saber se o estado econômico atual dos povos europeus, com sua característica ausência de organização, é normal ou não, procurar-se-á no passado o que lhe deu origem. Se estas condições são ainda aquelas em que atualmente se encontra nossa sociedade, é porque a situação é normal, a despeito dos protestos que desencadeia

Fato Social Patológico:

Quando um fato põe em risco a harmonia, o acordo, o consenso e, portanto, a adaptação e a evolução da sociedade, então estamos diante de um acontecimento de caráter mórbido e de uma sociedade doente. Patológico é aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. Como as doenças, são transitórios e excepcionais e põe em risco a integração social. Decorre da impossibilidade de acomodação de todos os indivíduos às normas de condutas pré-estabelecidas.

O crime (que pode ser definido como a transgressão da lei), por exemplo, é considerado um fato social normal já que é um fenômeno social observado em praticamente todas as sociedades. O crime só se torna um fato social patológico quando assume proporções exageradas. Do mesmo modo, o suicídio pode ser considerado um fato social normal ou patológico

Anomia para Durkheim:

Carência de regulamentação social, ou melhor ausência de regras instituídas e orientadoras da conduta dos indivíduos

Durkheim e a Educação:

Na visão de Durkheim a educação é um fato social que se impõe aos indivíduos, pressionando-os a agir de acordo com as leis, as normas, os valores, o costume e as tradições de uma sociedade que, como uma entidade moral assim exige.

“Desde os primeiros anos de vida, as crianças são forçadas a comer, beber,

dormir em horas regulares; são constrangidas a terem hábitos higiênicos, a serem calmas e obedientes; mais tarde, obrigamo-las a aprender a pensar nos demais, a respeitar usos e conveniências e forçamo-las ao trabalho etc”

Ora, Durkheim constata que o comportamento das pessoas está socialmente determinado; é com a educação que irá ditar todos os padrões morais e sociais da vida em sociedade.

Como os indivíduos podem viver em sociedade?

Durkheim buscou esclarecer que a existência de uma sociedade, bem como a própria coesão social, está baseada no grau de consenso produzido entre os indivíduos. Esse consenso produzido esse sociólogo chamou de solidariedade. Para Durkheim existem dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica.

A solidariedade mecânica é característica das sociedades ditas “primitivas” ou “arcaicas”, ou seja, em agrupamentos humanos de tipo tribal formado por clãs.

Um elemento que é associado às sociedades de solidariedade mecânica é a baixa divisão do trabalho, no sentido de que haveria uma pequena divisão de tarefas e funções presentes nessas sociedades

Nestas sociedades há um baixo (ou nenhum) grau de consciência individual, ou seja, os indivíduos que a integram compartilham das mesmas noções e valores sociais tanto no que se refere às crenças religiosas como em relação aos interesses materiais necessários a subsistência do grupo. São justamente essa correspondência de valores que irão assegurar a coesão social. Essas sociedades manteriam sua coesão social por meio de laços tradicionais decorrentes do compartilhamento dos mesmos valores culturais responsáveis por determinar certo padrão moral a ser seguido.

Os valores morais, reforçados pelos séculos de tradição que se fortaleciam por meio dos laços familiares e dos costumes, seriam responsáveis por determinar uma série de regras que exigiriam determinado comportamento dos indivíduos, de modo que estes se adequassem às suas respectivas funções.

Dentro do processo histórico, a solidariedade mecânica se reduz. Isso abre espaço para uma nova forma de organização e coesão social com base na solidariedade orgânica, na qual a especialização do trabalho se intensifica e provoca o enfraquecimento da consciência coletiva.

Esse enfraquecimento possibilita uma diferença social mais acentuada (ampliação da consciência individual), que desencadeia maior diversidade de pensamentos e crenças, diminuindo o grau de semelhança entre os membros e possibilitando, ainda que com limites, mais liberdade individual.

Dessa forma, a divisão do trabalho social, que separa os grupos sociais existentes, trabalhadores e proprietários, assegurada pela necessidade de produzir, estabelece, ao mesmo tempo, as funções de cada um, gerando uma interdependência distinta daquela existente nas sociedades de solidariedade mecânica.

Solidariedade orgânica

De modo distinto, existe a solidariedade orgânica que é a do tipo que predomina

nas sociedades ditas “modernas” ou “complexas” ou capitalistas, do ponto de

vista da maior diferenciação individual e social (o conceito deve ser aplicado às sociedades capitalistas). Além de não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais, os interesses individuais são bastante distintos e a consciência de cada indivíduo é mais acentuada.

O contexto da solidariedade orgânica é o que caracteriza a sociedade capitalista, pois há uma ampla divisão de tarefas e funções, o que leva a uma grande interdependência entre os indivíduos, em termos econômicos e tecnológicos, mas, acima de tudo, moral.

Para Durkheim, o maior problema decorrente da divisão do trabalho está relacionado à questão moral, ou seja, à capacidade de manter os membros coesos e a sociedade funcionando harmonicamente. A ampla divisão do trabalho produz formas mais intensas de individualismo, o que faz, por sua vez, a consciência coletiva perder, em parte, sua capacidade agregadora.

Diferenciação social

Volume - o número de indivíduos de uma determinada sociedade, isto é, o total de sua população.

• Densidade material - o número dos indivíduos em relação à superfície do solo ou território. O que a moderna demografia denomina “densidade demográfica”.

• Densidade moral - a intensidade das comunicações e trocas entre os indivíduos de uma dada sociedade, ou seja, a intensidade de sua interação.

DA COMBINAÇÃO ENTRE VOLUME, DENSIDADE MATERIAL E DENSIDADE MORAL SURGE A DIFERENCIAÇÃO SOCIAL EXPRESSA NUMA COMPLEXIFICAÇÃO DA DIVISÃO DO TRABALHO SOCIAL. QUANTO MAIS INDIVÍDUOS PROCURAM VIVER JUNTOS, MAIOR É A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA EM CONDIÇÕES DE RECURSOS 8 ESCASSOS, DE MODO QUE SOMENTE A DIFERENCIAÇÃO SOCIAL PERMITE DIMINUIR A COMPETIÇÃO FAZENDO CADA INDIVÍDUO CUMPRIR UM PAPEL, OU SEJA, REALIZAR UMA FUNÇÃO SOCIAL DISTINTA DOS DEMAIS, TORNANDO-SE NECESSÁRIO E CONTRIBUINDO PELA SOBREVIVÊNCIA DO TODO.

O enfraquecimento da consciência coletiva poderia produzir situações de anomia, quando há uma crise em relação às regras e normas que mantêm a sociedade coesa.

Para Durkheim, a sociedade capitalista moderna e contemporânea teria maiores possibilidades do desenvolvimento de estados anômicos, em função do individualismo crescente e da perda da força da consciência coletiva.

Durkheim concebe as sociedades complexas como grandes organismos vivos, onde os órgãos são diferentes entre si (que neste caso corresponde à divisão do trabalho), mas todos dependem um do outro para o bom funcionamento do ser vivo. A crescente divisão social do trabalho faz aumentar também o grau de interdependência entre os indivíduos.

Para garantir a coesão social, portanto, onde predomina a solidariedade orgânica, a coesão social não está assentada em crenças e valores sociais, religiosos, na tradição ou nos costumes compartilhados, mas nos códigos e regras de conduta que estabelecem direitos e deveres e se expressam em normas jurídicas: isto é, o Direito.

Para Durkheim, a sociedade capitalista moderna e contemporânea teria maiores possibilidades do desenvolvimento de estados anômicos,coesão social , portanto, onde predomina a solidariedade orgânica, a coesão social não está assentada em crenças e valores sociais, religiosos, na tradição ou nos costumes compartilhados, mas nos códigos e regras de conduta que estabelecem direitos e deveres e se expressam em normas jurídicas: isto é, o Direito. " id="pdf-obj-6-11" src="pdf-obj-6-11.jpg">
Durkheim criou várias teorias, uma delas é conhecida como a teoria do suicídio. Durkheim partia da

Durkheim criou várias teorias, uma delas é conhecida como a teoria do suicídio. Durkheim partia da ideia que os suicídios estavam relacionados com fatores sociais, estudou de maneira empírica quais seriam esses fatores sociais que estavam levando as pessoas a cometer suicídios, que poderiam ser como por exemplo fatores ligados com a religião, estado civil, profissão, educação e lugar onde se vive

Quando conseguiu determinar quais eram essas situações Durkheim buscou achar qual era a relação entre elas, a causa encontrada foi a COESÃO SOCIAL, mostrando que mesmo na maioria das vezes em que os suicídios não tinham relação podia-se notar a falta ou excesso de integração social do

suicida na sociedade, e que isso era ligado a uma falta de regras que vinculem os membros da sociedade, por fim a causa dos suicídios estava na própria

sociedade como ‘’tendência de coletividade’’ e deveria ser tratada por conceitos

sociológicos e não de maneira individual. O autor classificou os suicídios em 3

classes, o egoísta, o altruísta e o anômico

Suicídio anômico

O Suicídio anômico é bem representado em situações de anomia social, ou ausência de regras que mantinham a coesão social. O caos provocado por grandes mudanças em uma sociedade, como por exemplo uma crise econômica, pode provocar o aumento do número de suicídios, muitas vezes motivados por desemprego e perda de poder aquisitivo. Então esse tipo de suicídio acontece quando as forças desagregadoras da sociedade fazem com que os indivíduos se sintam perdidos ou sozinhos.

Suicídio altruísta

Ocorre quando há excesso de regulamentação dos indivíduos pelas forças sociais. Um exemplo é alguém que comete suicídio por causa de uma causa política ou religiosa, como os sequestradores dos aviões que se chocaram com o World Trade Center, o Pentágono e um campo na Pensilvânia em 11/09/2001. As pessoas que cometem suicídio altruísta subordinam-se às expectativas coletivas, mesmo quando a morte é o resultado.

Suicídio egoísta

Acontece quando as pessoas se sentem totalmente separadas da sociedade. Normalmente, as pessoas estão integradas na sociedade por papéis de trabalho, laços com a família e comunidade, e outras obrigações sociais. Quando esses laços são enfraquecidos através de aposentadoria ou perda de familiares e amigos, a probabilidade de ocorrência aumenta. Os idosos que perdem estes laços são os mais suscetíveis ao suicídio egoísta.

MAX WEBER

Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação ou omissão que o sujeito faz, orientando- se pela ação de outros.

Weber estabeleceu 4tipos de ação social:

  • 1 Racional com relação ao objetivo: é a ação social determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários. Ex.: a construção de uma ponte, a atuação no mercado de ações, a administração de uma empresa

  • 2 Racional com relação a valores: É aquela definida pela crença consciente no valor de uma determinada conduta orientada por um princípio ético, estético,

religioso ou na defesa da “honra”, por exemplo. Ex.: Ceder o lugar no ônibus a

um idoso ou devolver o troco errado. Em ambos os casos a ação social é orientada pela sociedade baseados em valores

  • 3 Ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito

arraigado. Ex.: A tradição do kilt na Escócia (saias para homens), a troca de

presentes no Natal e o chimarrão podem ser explicados na tradição por trás dessas práticas. A ação social, nesses casos, é baseada na tradição.

  • 4 Ação afetiva: é aquela definida pela reação emocional do sujeito quando

submetido a determinadas circunstâncias. Ex.: a mãe que bate no filho por ele

ter se comportado mal, o comportamento “diferente” de certas pessoas em festas

e o cuidado dos pais por seus filhos

Nos conceitos de ação social e definição de seus diferentes tipos, Weber não analisa as regras e normas sociais como exteriores aos indivíduos. Para ele as

normas e regras sociais são o resultado do conjunto de ações individuais que se ligam a outros indivíduos formando uma teia de sentidos.

1º) Ação Tradicional: assentada no costume, em práticas aprendidas e transmitidas pelas diferentes instituições. Ex. troca de presentes por ocasião do Natal, festejar a Páscoa.

2º) Ação Afetiva: baseada em sentimentos e emotividade. Não há um fundamento racional nesse tipo de ação.Ex. Torcida de futebol.

3º) Ação Racional Orientada para Valores: a ação é racional, ou seja, baseada em uma disposição entre metas e expectativas antecipadas. No caso de ter relação com valores, a própria ação é importante, independente dos resultados a serem obtidos.Ex. Trabalho voluntário.

4º) Ação Racional Orientada para Fins: a ação é definida de acordo com os objetivos esperados. O cálculo e o planejamento são essenciais como condutores da ação.Ex. Empresa capitalista.

O método defendido por Weber consiste em entender o sentido das ações dos indivíduos em sociedade. A sociedade para Weber é um conjunto de indivíduos que praticam ações partindo dos outros, ou seja, a Ação Social. Tal ação é destinada a cada indivíduo, sendo que suas atitudes são transformadas pela sociedade que cada um vive. O homem para Max Weber, sempre viveu em um Estado de acumulação e conspiração do outro, ou seja, as sociedades humanas aos poucos buscaram as melhores condições sociais para si mesmos. Essas condições sociais serão transformadas com grande êxito, e os indivíduos passaram por grandes modificações, buscando com o tempo o Poder, e as sociedades humanas irão se adaptar a esse processo, surgindo assim uma divisão de tais indivíduos, como diz Max Weber às classes sociais como veremos a seguir.

Os aspectos culturais e históricos da sociedade, o desejo de acumulação de riquezas sempre esteve presente na vida dos indivíduos. Weber estabelece um conceito para as sociedades humanas: A Ação Social. Tal ação sempre esteve conspirada a cada indivíduo, onde os agentes de conduta de eram os grandes influenciadores da sociedade. A ação social é um sistema de objetivos mais adequados para uma transformação das sociedades. Só existe, uma ação social quando o indivíduo estabelece uma comunicação com os outros, sendo que tal indivíduo deseje ou não passar por aquela transformação. Um exemplo que Max Weber cita é que, quando se tem uma eleição, os eleitores definem seu voto a partir da ação, opiniões dos outros que estão ao seu redor, ou seja, os indivíduos não conseguem ter suas próprias ações. Para Weber, a ação social significa uma ação que quanto ao sentido visado pelo agente ou os agentes, se refere ao comportamento de outros, orientando-se por este em seu curso.

Às vezes a ação social pode ser perfeita ou imperfeita, ou seja, pode ser evitada ou aceita, pelo indivíduo. Como diz Max Weber, a ação social possui relação significativa, pois ele nos leva a pensar que se existe vários tipos de ação social, sendo que ele nos define quatro tipos delas. A ação social determinada por algum costume ou hábito é considerada a Ação social Tradicional, aquela determinada pela emoção é a Ação social Afetiva, a ação social determinada pó

uma crença é considerada a Racional com valores, e aquela ação que se destina a razão usando os métodos eficazes, podemos dizer que é a Ação social Racional com fins. Cada ação conceituada por Weber depende dos indivíduos e principalmente da sociedade em que vive. Os agentes sociais contribuem bastante para a formação da ação social, pois os indivíduos possuem um fator essencial e primordial nas sociedades.

O conceito de poder

A sociedade, para Weber, constitui, antes de mais nada, um sistema de poder, não apenas nas relações entre classes, ou entre governantes e governados, mas igualmente nas relações cotidianas na família, na empresa, por exemplo. As pessoas se deparam a todo momento com o fato de que indivíduos ou conjunto de indivíduos têm maior ou menor possibilidade de impor a sua vontade a outros. Mas o que faz com que uns detenham o poder e outros se submetam? Para responder essa questão Weber usa tipos ideais. Tipo ideal ou tipo puro, é um recurso metodológico criado por Max Weber onde se constrói modelos típicos baseados em generalizações que não se encontram, nesse grau de pureza, disponíveis na sociedade. Os tipos ideais ou puros servem de apoio metodológico para se estudar uma variedade de casos e acontecimentos. (Exemplos de tipos ideais.: o aluno típico, o burocrata típico, etc.

“Poder significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma

relação social, mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade

As 3 fontes legítimas de dominação

Retomando a questão do poder, para Weber, existe uma força que permite com que uns consigam se impor sobre os demais, sujeitando-os à sua vontade. Essa força está na fonte que legitima esse poder. Para distinguir e analisar essas fontes do poder na sociedade, Weber lança mão dos tipos ideais. O autor identifica 3 formas de dominação consideradas legítimas pelos sujeitos.

Dominação Legal - Tipo de poder onde predominam normas impessoais e hierárquicas, como no exército, repartições públicas etc. O poder é exercido pelo cargo.

Dominação tradicional - A tradição é identificada por Weber como uma fonte de poder. Nesses casos predominam características patriarcais e patrimonialistas baseadas na tradição. Ex.: A tradição é uma das fontes de autoridade dos sacerdotes religiosos.

Carisma - Predominam características místicas e de personalidade; há seguidores, devoção e respeito pela pessoa em si, não pelo cargo ocupado nem por alguma tradição que possa ampara-lo. ex.: líderes “populares” que, independentemente de cargos ou dinheiro são considerados autoridades e respeitados como tais. Líderes religiosos, políticos e artistas podem se valer do carisma como fonte de poder. Carisma “Deve-se entender por “carisma” a qualidade, que passa por extraordinária (condicionada magicamente em sua

origem, de igual modo, quer se trate de profetas feiticeiros, árbitros, chefes de caçadas ou comandantes militares), de uma personalidade graças à qual esta é considerada possuidora de forças sobrenaturais sobre-humanas ou pelo menos extra quotidianas, não-acessíveis a qualquer pessoa ou, então, tida com enviada de /deus, ou ainda como exemplar e, em consequência, como chefe,

caudilho, guia ou líder”

O conceito de ordem social

A sociedade, para Weber, é constituída como um conjunto de esferas:

econômica, religiosa, política, jurídica, social, cultural

...

Essas

esferas possuem

uma lógica autônoma de funcionamento. A lógica de funcionamento dessas esferas que compõem a sociedade, produz uma ordem que regula a ação social dos sujeitos. Por exemplo: a ordem econômica rege o mercado de capitais e se baseia no racionalismo. Assim, recursos financeiros limitados devem ser investidos usando critérios racionais buscando o máximo de retorno com riscos previsíveis. Contudo existem diversas esferas que compõem a sociedade, com ordens variadas e com lógicas internas baseadas, por exemplo, na tradição, na razão ou na emoção. A ordem implica um conjunto de obrigações e modelos de conduta que se fundamentam numa legitimidade.

As dinâmicas sociais

Ação social: racional com relação a fins, racional com relação a valores, tradicional e afetiva. Diversos segmentos da sociedade com ordem autônoma estruturados por meio da dominação através do cargo da tradição ou do carisma.

A essência das relações sociais é a luta: “o propósito de impor a própria vontade contra a resistência da outra ou das outras partes”

A origem do capitalismo

Max Weber, em sua corrente weberiana destaca a idéia de que o indivíduo em si, sempre quis buscar o capital (dinheiro). As condições sociais das sociedades humanas antes não favoreciam para uma formação de tal Capitalismo crescer. Weber faz uma junção sobre a ação e o acúmulo de riquezas, onde dará origem e transformação total das sociedades, fazendo com que os indivíduos que nelas vivem busquem a todo o momento o capitalismo, a riqueza e o poder sobre uns aos outros. A formação do capitalismo se baseia principalmente nos fatores de produção, ou seja, a terra, o trabalho e o capital. Para tal formação é necessário um fenômeno que une o capitalismo com esses quatro fatores. Tal fenômeno é a racionalidade, pois ele é essencial nas atividades humanas, pois os indivíduos necessitam de várias transformações em sua sociedade. Os indivíduos passam a viver em um círculo vicioso, pois são aprisionados pelo próprio sistema que eles mesmos criaram. A raça humana passa por tantas transformações que pedem sua naturalidade, sem saber o porquê e como tudo isso aconteceu. Weber discute bastante essa situação, pois os indivíduos pensam que o trabalho é uma atividade acima de tudo e todos, e que eles possuem o dever de servir o outro. Como diz nosso sociólogo, a força de trabalho será o ápice para a

alienação dos outros indivíduos, pois cada um desempenhará aquilo que conseguirem diante um sistema que lhes oprimirá o tempo todo, por isso o sistema capitalista divide os indivíduo em duas classes diferentes, onde uma irá servir e a outra irá desempenhar o papel apenas de lucrar sempre sem se importar com os interesses dos outros.

AS CLASSES SOCIAIS

Com as várias transformações decorrentes a ação social, o poder do qual o homem vai possui de forma incorreta diante ao sistema, Weber nos leva a enxergar que irá surgir duas classes distintas do sistema. O homem passará a ser escravo do próprio homem, buscará usufruir tudo aquilo que sempre desejou, mas não sabia como começar a investigar homem a homem. Surgirá uma classe

de elevado poder, que será dona de tudo e de todos, sendo que haverá outra classe servirá os mais fortes com o intuito de tentar sobreviver no sistema

capitalista. O sistema capitalista transformará os indivíduos em “mercadorias”,

alienando-as em um segmento que os farão ser indivíduos apenas para lucrar ou servir. A classe mais fraca (proletariados) vendeu sua força de trabalho, e a mais forte (burguesa) viverá sugando desses indivíduos tudo aquilo que necessitam, não se preocupando com as vontades ou razões de tal classe. A partir do momento que a classe trabalhadora deixar de servir, vender sua força eles deixaram de existir, pelo fato de que o sistema exige que cada um exerça sua função. Os indivíduos sempre serão donos uns dos outros

Burocracia:

Para Max Weber burocracia é sinônimo de organização. Quanto mais burocrático for o Estado mais organizado este Estado será.

Burocracia como Modelo de Administração moderna:

O fenômeno social que representava mais claramente a institucionalização da racionalidade seria a burocracia moderna, o governo das repartições. Através da análise da instituição burocrática, Weber detecta o alcance ilimitado da ação racional relacionada a fins, que passa a adentrar o cotidiano do homem moderno e a moldar todas as suas atividades

3 aspectos de organizações burocráticas modernas:

São sistemas sociais formais, em que a autoridade deriva de normas legais exaustivamente especificadas, tornando o comportamento de todos os funcionários altamente previsível e controlado;

A Impessoalidade, nela decisões.

são

os cargos,

e

não as pessoas, que

tomam

as

O burocrata tende a ser um profissional, o que implica ter uma especialidade técnica e exercer uma única função.

KARL MARX

Seus trabalhos giram em torno de estudar, compreender e explicar o Capitalismo como sendo um fruto da sociedade moderna; o estudo do modo de produção é fundamental para se saber como se organiza e funciona uma determinada sociedade.

MODO DE PRODUÇÃO COMO FENÔMENO SOCIAL

Para Marx, as relações de produção são consideradas as mais importantes e consistentes relações sociais. Os valores sociais e culturais, os modelos de família, as leis, a religião, as ideias políticas são aspectos cuja explicação está no colapso de diferentes modos de produção. Marx parte do princípio de que a estrutura de uma sociedade qualquer reflete a forma como os homens organizam a produção social de bens, que engloba dois fatores básicos: as forças produtivas e as relações de produção. As forças produtivas constituem as condições materiais de toda a produção. As relações de produção são as formas pelas quais os homens se organizam para executar a atividade produtiva. Essas relações se referem às diversas maneiras pelas quais são apropriados e distribuídos os elementos envolvidos no processo de trabalho: os trabalhadores, as matérias primas, os instrumentos e as técnicas de trabalho e o produto final. Assim, as relações de produção podem ser: cooperativistas (como num mutirão), escravistas (como na antiguidade), servis (como na Europa feudal), capitalista (como na indústria moderna). Para Marx, a produção é a raiz, a base de toda estrutura social. Diferentemente dos demais pensadores citados anteriormente, Marx considerava que as condições materiais determinam as relações dos indivíduos na vida em sociedade conforme ensina: Marx considerava que não se pode pensar a relação indivíduo sociedade separadamente das condições materiais em que essas relações se apoiam. Para ele, as condições materiais de toda a sociedade condicionam as demais relações sociais. Em outras palavras, para viver, os homens têm de, inicialmente, transformar a natureza, ou seja, comer, construir abrigos, fabricar utensílios, etc., sem o que não poderiam existir como seres vivos. Por isso, o estudo de qualquer sociedade deveria partir justamente das relações sociais que os homens estabelecem entre si para utilizar os meios de produção e transformar a natureza. Neste sentido, podemos entender que a sociedade para Marx, é impreterivelmente condicionada pelas relações sociais de produção.

CONCEITOS DESENVOLVIDOS POR MARX

A trajetória de Marx é marcada pelo desenvolvimento de conceitos importantes, sendo os mais expressivos: classes sociais, alienação, mais valia e modo de

produção. Esses conceitos, para Marx, seriam os fatores fundamentais para melhor explicar o processo de socialização.

CLASSES SOCIAIS

Marx em seu pensamento sociológico nos transmite uma mensagem de que as relações sociais entre os homens se dão por meio das relações de oposição, antagonismo e exploração, sendo esta o principal mecanismo de sustentação do capitalismo. Opondo-se às ideias liberalistas, que consideravam os homens, por natureza, iguais política e juridicamente, Marx negava a existência de tal igualdade natural. Ao contrário dos liberalistas que consideravam os homens livres das desigualdades estabelecidas pela sociedade, Marx dizia que numa sociedade onde predomina o capitalismo as relações de produção inevitavelmente provocam as desigualdades sociais, sendo que essas desigualdades são a base da formação das classes sociais.

A história de todas as sociedades que existiram até hoje tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora aberta, ora disfarçada: uma guerra que sempre terminou ou por uma transformação revolucionária de toda a sociedade, ou pela destruição das duas classes em luta.

A divisão da sociedade em classes sociais pode ser explicada, segundo Marx,

através da “forma como os indivíduos se inserem no conjunto de relações, tanto

no plano econômico como no sociopolítico.

ALIENAÇÃO

Marx desenvolveu o conceito de alienação mostrando que o processo de industrialização, a propriedade privada e o assalariamento separam os trabalhadores dos meios de produção, ou seja, os trabalhadores, juntamente com as ferramentas, a matéria prima, a terra e as máquinas tornaram propriedade privada do sistema capitalista. Além da alienação econômica, o homem sofre também a alienação política, pois o princípio da representatividade, que é a base do liberalismo, criou a ideia de Estado como um órgão político imparcial, responsável por representar toda sociedade e dirigi-la por meio do poder delegado pelos indivíduos dessa sociedade. Marx mostrou, entretanto, que o Estado acaba representando apenas a classe dominante, ou seja, o Estado seria apenas um instrumento de garantia e de sustentação da supremacia da classe detentora dos meios de produção e só age conforme o interesse desta. As classes dominantes economicamente encontravam meios para conquistar o aparato oficial do Estado e, através dele, legitimar seus interesses sob a forma de leis e planos econômicos e políticos.

MAIS-VALIA

Outro conceito bastante expressivo desenvolvido por Marx foi a mais-valia, que seria o valor que o capitalista vende a mercadoria menos o valor gasto para produzi-la. Para melhor explicar, suponhamos que um operário tenha uma jornada diária de nove horas e confeccione um determinado item em três horas. Nestas três horas, ele cria uma quantidade de valor correspondente ao seu salário, que é nada mais do que aquilo que ele necessita para a sua subsistência, ou seja, o mínimo que ele necessita para sobreviver. Como o capitalismo lhe

paga o valor de um dia de força de trabalho, o restante do tempo, seis horas, o operário produz mais mercadorias, que geram um valor três vezes mais do que o que lhe foi pago na forma de salário. Esse valor corresponde às duas partes restantes é a mais-valia. Mais-valia seria então o valor não apropriado pelo trabalhador, mas pelo capitalismo na forma de lucro. Por isso, Marx dizia que o valor de uma mercadoria era dado pelo tempo de trabalho socialmente necessário à sua produção. Sendo assim, os capitalistas podiam obter mais-valia com o simples prolongamento da jornada de trabalho. Maior jornada de trabalho, maior lucro.

COMUNISMO/SOCIALISMO

Para solucionar ou pelo menos amenizar o problema da desigualdade e da exploração existente na sociedade capitalista, Marx propunha o Comunismo, um

sistema econômico e social baseado na propriedade comum de todos os bens e na igual distribuição de riquezas, uma antítese do capitalismo. Para isso, segundo Marx, seria necessário a tomado do poder pelos proletariados, abolindo a propriedade privada dos meios de produção e consequentemente estabelecendo a igualdade social-econômica entre as pessoas. Essa revolução resultaria também, na extinção do Estado. Por isso, até hoje quando o

capitalismo anuncia a crise de sua supervalorização surge o “fantasma” do

comunismo, ou, pelo menos, do socialismo. Este último podemos definir como

sendo um pouco de capitalismo e um pouco de comunismo

O DIREITO E O CRIME NA CONCEPÇÃO DE MARX

Na concepção de Marx, como já foi dito, a sociedade é uma sociedade predominantemente capitalista, caracterizada por profundas desigualdades, pois a produção capitalista está baseada na desigualdade entre proprietários e proletariados. Os proprietários, para exercer sua dominação, apropriam das propriedades comuns e deixam os proletariados praticamente sem nada para

sobreviver, a não ser sua força de trabalho, que é vendida para os proprietários dos meios de produção. Para garantir a supremacia e dominação da classe dos proprietários dos meios de produção, surge o Direito, que é respaldado e

fundamentado pelo Estado. Para Marx, “O Estado, enquanto aparato gerido

pelas classes dominantes, transformaria os interesses particulares dessa classe em uma forma de vontade geral ou universal, no sentido de ideologia”, ou seja, o Estado desenvolveu nas pessoas de um modo geral, uma ideologia de que o Direito é caracterizado por sua forma universal de operação, onde todos os indivíduos seriam considerados iguais. O Direito para Marx, protegeria a propriedade de todos para assim, dissimular as reais relações existentes entre as classes. Nos modos de produção pré-capitalistas os tipos de dominação social são diretos. No escravagismo, o senhor domina diretamente os escravos, por meio da força bruta; no feudalismo, o senhor domina diretamente seus servos, por meio da propriedade imutável da terra. Mas o domínio capitalista é indireto. Quem procede à intermediação dessa dominação do capital é o Estado e o Direito. Seja na exploração do trabalho assalariado na produção, seja no lucro resultante do comércio, o capitalismo é o único modo de acumulação infinita de capitais. O capitalista pode ter o quanto for, independentemente da sua força física, porque ele se vale da garantia ao capital que advém do Estado e do Direito. O Direito é intermediário dessa exploração. O capitalismo, assim, associa-se sempre a uma forma jurídica, que é o seu meio de intermediação

necessário. No capitalismo, um burguês, ao tomar uma riqueza pagando-lhe um valor no mercado, estabeleceu um contrato, e essa é uma forma jurídica. O comércio capitalista se faz pelo contrato, portanto, por um instrumento de Direito. O capitalismo, assim, é necessariamente jurídico. Os modos de produção anteriores, não. A exploração de um homem por outro, de um trabalhador por um burguês, é intermediada por um contrato de trabalho. Por meio dele, o trabalhador juridicamente se submete ao burguês porque assinou um contrato de trabalho. O Estado é o garante dessa relação. No capitalismo, pode um burguês ter empreendimentos, lojas, bancos e indústrias nos mais variados lugares, porque o que garante sua propriedade privada e a obediência na exploração do trabalho alheio é o Estado, por meio de seus institutos jurídicos. É por isso que, de maneira estrita, somente o capitalismo se estrutura em relações de Direito. Os modos de produção anteriores são estruturados na força bruta ou na propriedade exclusivista e tradicionalista da terra. O capitalismo é dinâmico porque seu lastro (base) é o próprio Estado e o seu Direito. Assim, além do aspecto propriamente ideológico, o Direito cumpre funções fundamentalmente repressivas, sobretudo contra as classes dos expropriados. O crime, para Marx, nasceria das condições sociais em que as pessoas eram submetidas na sociedade moderna, ou seja, na sociedade capitalista. O processo de brutalização das relações sociais, iniciado pelo capitalismo industrial, desmoralizou o homem da classe operária; esse processo teria degradado e brutalizado tanto os homens que o crime passaria a ser um índice de tal processo. Outra condição seria a competição entre os indivíduos dentro do mercado de trabalho, ou mesmo dentro das fábricas, o que degenera a solidariedade entre eles e, consequentemente, aumenta as tensões que resultam em crimes.

Existe uma função suplementar no Direito. Além de sua razão de ser estrutural, que é a de intermediar a exploração capitalista, há uma função suplementar, que é de caráter ideológico. Em termos ideológicos, o Direito dificulta a compreensão da real estrutura social, porque trata das coisas em termos idealistas. O Direito faz com que as injustiças apareçam formalmente desligadas da realidade. Quando o trabalhador vende sua força de trabalho ao capitalista, eles são dois desiguais. Mas o Direito os reputa como iguais, porque ambos são tidos como sujeitos de direito e ambos fizeram um acordo de vontades livremente. A função suplementar do Direito é servir de máscara ideológica ao capitalismo porque, na prática, trata formalmente como iguais os que são efetivamente desiguais. Essa máscara ideológica faz com que o jurista nem saiba que o Direito está a serviço da exploração. Ele imagina, de fato, que todos são cidadãos, que todos são iguais porque seus votos valem o mesmo que os dos outros etc. O jurista não entende a mera aparência de formalidade que é o Direito. Por isso, para o marxismo para entender a sociedade é preciso quebrar o discurso ideológico do jurista e entender, historicamente, qual o papel estrutural do direito na sociedade capitalista. Assim sendo, no marxismo, o Direito não é tomado como um ente eterno, fora da história. Ele é parte específica da história, dos conflitos e da dominação do capitalismo, e a análise social do Direito feita de maneira dialética não pode perder de vista essa especificidade. O marxismo confirma-se, assim, como a grande teoria crítica para a sociologia do direito.

Materialismo histórico

O materialismo histórico é uma teoria marxista, na qual se atribui a explicação de toda a história das relações humanas por meio de fatos materiais. O estudo da sociedade é abordado de forma metodológica, assim como de sua economia. A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infraestrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as ideias, costumes, instituições (políticas, religiosas e jurídicas, etc). As causas do desenvolvimento humano são buscadas nos meios em que os homens realizam, coletivamente, as necessidades humanas. Desse modo, seriam firmadas na atividade econômica as formas de se conceber uma sociedade, as estruturas políticas e a relação entre as classes sociais. Ligadas às forças produtivas estariam as relações sociais. É que, ao se adquirir forças novas de produção, o homem também modifica os modos de produção e, consequentemente, as relações sociais e as formas de se ganhar a vida. Os fatos materiais poderiam ser tanto técnicos quanto econômicos, mas seriam determinantes para interligar indivíduos por sua força de produção. Em termos simples, o quanto cada um poderia produzir seja por seu poder aquisitivo ou por suas habilidades técnicas seria um fator fundamental para um relacionamento de interesse mútuo entre os indivíduos, e com o crescimento material ocasionado por essas relações, a sociedade acabaria por modificar sua forma de vida, de produção e suas relações sociais. A fundamentação do materialismo histórico parte da observação da realidade através da análise das superestruturas e estruturas que envolvem os modos de produção. Em outras palavras, isso quer dizer que a história que envolve as sociedades está intimamente relacionada às raízes do mundo material. Sendo assim, históricos também são os modos de produção e é por isso que interpretá-los é uma forma ainda de se entender as relações sociais que envolvem os diversos grupos humanos. Dessa maneira, os modos de produção servem também para dar continuidade à espécie ou apenas aprimorar o desenvolvimento.

Segundo as concepções feitas por Marx, a estrutura de uma sociedade vai depender do jeito como os homens ordenam a produção coletiva de bens. Dois fatores essenciais estariam presentes na produção social de bens. Seriam esses as relações de produção e as forças produtivas. As condições materiais existentes em toda a produção receberiam o nome de forças produtivas. São elas as matérias-primas, as técnicas de trabalho, os instrumentos e até mesmo os trabalhadores. Por essa lógica, quanto mais aperfeiçoada for a divisão de trabalho, em maior grau de desenvolvimento encontram-se as forças produtivas.

Já as formas nas quais os homens se ordenam para pôr em prática a atividade produtiva se denominaria relações de produção. Assim, os elementos que participam no processo de trabalho são distribuídos e apropriados de maneiras diversas. É por isso que as relações de produção às vezes são escravistas, como mostra a história brasileira dos séculos XVI ao XIX; cooperativistas, pelas quais os homens se organizam em mutirão; servis, como aconteceu com a Europa no período feudalista e relações capitalistas, aprimorada na Idade Moderna e vivida por grande parte das sociedades atualmente.

As relações de produção e as forças produtivas seriam condições históricas e naturais relacionadas à atividade produtiva. O jeito pelo qual as duas coisas existem e se reproduzem na sociedade é denominado por aquilo que Marx chamou de modos de produção. É por isso que, para o filósofo, estudar os modos de compreensão é também uma forma importante de se compreender a sociedade.

De acordo com Marx, se um determinado modo de produção e as forças produtivas envolvidas estiverem inadequadas, ocorreria a sua sucessão.

As relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais. Para Marx e Engels, a evolução histórica, independente de em qual época se estivesse, ocorria por causa de confrontos entre classes sociais, geralmente cujo

motivo era o que Marx chamava de “exploração do homem pelo homem”.

Indivíduos esqueciam-se de que eram todos seres humanos com direitos e

deveres, para explorarem ao máximo aqueles que lhes fossem “inferiores” de

seu ponto de vista. Para que se possa ter um exemplo concreto, pode-se imaginar a revolução da classe operária, que se sentia extremamente pelos seus senhorios capitalistas, pela burguesia. O confronto não era apenas entre as classes, mas também entre os sujeitos, o que pode revelar a raiz de muitos preconceitos os quais podemos encontrar ainda nos dias atuais.

Os princípios básicos que fundamentaram o socialismo marxista podem ser sintetizados em três teorias centrais: a teoria da mais-valia, onde se demonstrava a maneira pelo qual o trabalhador é explorado na produção capitalista; a teoria da luta das classes, onde se afirma que a história da sociedade humana é a história da luta das classes ou do conflito permanente entre exploradores e explorados; e, finalmente, a teoria do materialismo histórico.

Marx dedicou-se a um estudo intensivo da história, e criou uma teoria que veio a ser conhecida como a concepção materialista da história, que foi exposta num trabalho em que esboça a história dos vários modos de produção, prevendo o colapso do modo de produção vigente o capitalismo. O materialismo histórico é uma teoria sobre toda e qualquer forma produtiva criada pelo homem de acordo com seu ambiente ao longo do tempo, onde se evidencia que os acontecimentos históricos são determinados pelas condições materiais (econômicas) da sociedade. Dentre as ideias do materialismo histórico, relevam-se as questões das forças produtivas e relações de produção.

Marx afirmou que a estrutura de uma sociedade depende da forma como os homens organizam a produção social de bens. A produção social, segundo ele, engloba dois fatores básicos: as forças produtivas e as relações de produção. As forças produtivas constituem as condições materiais de toda a produção. Representam as matérias primas, os instrumentos, as técnicas de trabalho e até os próprios homens. Reconhece-se o grau de desenvolvimento das forças produtivas de uma nação a partir do aperfeiçoamento da divisão do trabalho. As relações de produção são a forma pelas quais os homens se organizam para executar a atividade produtiva. Elas se referem às diversas maneiras pelas quais são apropriados e distribuídos os elementos envolvidos no processo de trabalho. Assim, as relações de produção podem ser cooperativistas (como um mutirão),

escravistas (como na antiguidade), servis (como na Europa feudal) e capitalistas (como na indústria moderna).

Forças produtivas e relações de produção são condições naturais e históricas de toda a atividade produtiva que ocorre em sociedade. A forma pela qual ambas existem e são reproduzidas numa determinada sociedade constitui o que Marx determinou de modo de produção. Para ele, o estudo deste é muito importante para a compreensão de como se organiza a sociedade.

Entender a teoria marxista, é compreender que Marx e Engels observaram que em cada época os homens, ao buscarem sua sobrevivência frente à natureza, usaram sua força física e intelectual para produzirem sua sobrevida, de uma forma tal que para cada momento existe um modo próprio de produzirem sua existência.

Mas em

cada modo de produção a consciência dos homens

sempre se

transforma e essa transformação depende exclusivamente das condições

materiais de

produção, pois não

são as

ideias que movem

a História,

ao

contrário, são

as

condições

históricas

que

as produzem.

O materialismo explica que são as condições materiais de existência (as relações sociais de produção) que determinam o modo de ser e a pensar de cada um, mas esse modo é histórico já que a sociedade e a política não surgem da ação da natureza, mas da ação concreta dos seres humanos no tempo.

A História não é um processo linear e contínuo, uma sequência de causas e efeitos, mas um processo de transformações sociais determinadas pelas contradições entre os meios de produção (as formas de propriedade) e as forças

produtivas (o trabalho,

seus

instrumentos,

as

técnicas).

A ideologia ou o modo dominante de produção de ideias de uma época, é um fenômeno social que tem origem no modo de produção econômico, acabando por exprimir a divisão social do trabalho de cada época. A Ideologia, entretanto, surge a partir de um momento histórico específico, quando acontece a divisão entre dois tipos de trabalho: o material (a produção de coisas) e o intelectual (a

produção

de

ideias).

A partir daí, aqueles que produzem as ideias (a classe dominante), passam a construir um discurso (ideologia) que justifica a dominação como uma relação

social “natural”, garantindo sua hegemonia através da ocultação da exploração

do trabalho dos dominados, vista como uma relação igualitária e não de

exploração

(alienação).

As classes dominadas, alienadas pelo discurso dominante, mantem-se exploradas acreditando que esse processo é um fenômeno normal, vendo a desigualdade justificada como sendo incapacidade e inabilidade de alguns de ascenderem socialmente. Assim, a classe dominante opera sua dominação de classe usufruindo das benesses que a divisão social e o trabalho explorado propiciam.

Das sociedades classistas e desiguais que Marx estudou, o autor focalizou a sociedade contemporânea e capitalista, afirmando que de todas as classes sociais que enfrentam a burguesia classe dominante do período, somente o proletariado é revolucionário, porque traz em si o potencial de transformação social por possuir o gérmen de novas relações de produção. Sua emancipação significaria, portanto, a libertação humana e a abolição das classes e de todas as formas de alienação, exploração e dominação.

Marx propunha o fim do capitalismo e de sua desigualdade, defendendo uma nova sociedade, instaurada pelo proletariado, que acabaria com a divisão social do trabalho e com a relação de dominadores e dominados através da crítica à ideologia burguesa, que só poderia ser feita, após sua desmistificação enquanto inversão da realidade.

Os estágios da história para Marx

  • 1. Comunismo primitivo

As pessoas viviam sob a mesma economia caçadora-coletora. A propriedade era comunal, portanto, sem propriedade privada. Havia um igualitarismo político. Com o tempo, os caçadores líderes ganharam poder e controle sobre os outros.

  • 2. Imperialismo escravocrata

Com os autocratas no poder, começou-se a apropriação de terra. Com o surgimento do Estado, o governante passou a distribuir terras em troca de serviços militares, formando uma aristocracia militar fundiária dependente da mão-de-obra escrava. A divisão de classes se consolidou em Estados que alternavam entre repúblicas e autoritarismo.

  • 3. Feudalismo

O Estado faliu como instituição, mas a propriedade da terra continuou com a aristocracia hereditária que explorava os camponeses servos presos à terra. Com a venda do excedente emergiu as classes de comerciantes e capitalistas que se aliaram aos reis para formar os estados nacionais.

  • 4. Capitalismo

Os comerciantes e donos de fábrica (burguesia) obtiveram o poder político e passara a explorar os trabalhadores (proletariado). Como o proletariado tornou- se politicamente consciente que iria se levantar e derrubar o governo burguês. Surgem a burocracia estatal, as instituições financeiras, o trabalho assalariado e a revolução industrial. A propriedade privada renasce e a economia é orientada pelo mercado.

  • 5. Socialismo

No quinto estágio da história, que para Marx aconteceria com o colapso do capitalismo por suas próprias contradições, haveria uma ditadura do proletariado como organizações de trabalhadores redistribuídos alimentos, bens, serviços e lucros de forma justa de acordo com a necessidade. As

classes médias promoveriam a propriedade comunal como superior à propriedade privada. A economia seria descentralizada e planificada. Os vales de trabalho substituiriam a moeda, tornando as instituições financeiras obsoletas.

6. Comunismo

No último estágio da história, o mundo se uniria para o bem comum. Assim, a propriedade, a moeda e o Estado não seriam mais necessários e sociedade seria sem classe. Como todos os países chegaram a esta fase, a concorrência e a guerra se tornariam passado.

   

Èmile

   

COMTE

Durkheim

Max Weber

Karl Marx

Objetivo:

Planejar o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com critérios das ciências exatas e biológicas.

Integrar o indivíduo ao coletivo tendo como meio a solidariedade.

Definir a Sociologia como uma ciência que procura a compreensão interpretativa da ação social.

Revelar a lei econômica do movimento da sociedade moderna.

Método:

Observação, experimentação, comparação, classificação e filiação histórica.

Análise e interpretação objetiva, neutra e sistemática dos dados empíricos.

Compreensivo (compreensão interpretativa da ação social).

Investigação do materialismo histórico.

 

-Lei dos três estados:

-Definição de fato social.

-Ação social.

-O materialismo

Principais

conceitos:

Teológico,

metafísico e

-Divisão dos fatos

-Captação da

dialético é o conceito central

positivo.

sociais.

relação de

da filosofia

-Sociologia

sentido no

marxista.

estática e

 
         
 

sociologia

-Consciência

comportamento

 

dinâmica.-

coletiva.

humano.

-O materialismo

-Mais-valia.

Elaboração dos principais conceitos do

evolucionismo,

histórico.

positivismo:

-Luta de classes.

organicismo e Dawinismo social.

-Socialismo

científico.

         

A Sociologia Jurídica (ou Sociologia do Direito) dedica-se à busca, pela compreensão da organização e do desenvolvimento de instituições, das formas de controle social empregada, dos estudos de legislação, da interação entre culturas jurídicas diferentes, da construção social e do debate de questões de cunho jurídico, das carreiras jurídicas e, principalmente, da relação entre direito e mudanças sociais, observando aplicabilidade, eficiência e obsolescência das leis.

O Espírito das Leis:

A forma como devemos vislumbrar os fatores socioculturais da norma jurídica na vida da sociedade na qual o indivíduo está inserido, é o ponto primordial ao analisarmos uma norma jurídica.

O legislador deverá se pautar pelos usos, costumes, hábitos, e tradições de uma sociedade para começar a explanar os primeiros artigos de uma lei.

A partir desse momento o legislador precisa também analisar se esta lei será adequada para esse tipo de sociedade, se cabe essa lei para esses indivíduos.

Após essas indagações ele estará apto a criar uma lei, para que os seus pares a analisem e votem para que a sua aplicação seja de maneira efetiva.

Montesquieu ao escrever “O Espírito das Leis” analisou cada sociedade e cada tipo de lei, se era realmente condizente com o tipo de sociedade. Então, imitando Montesquieu o legislador precisa dar um sentido para a sua lei, essa lei precisa ter um espírito, que reluza os desejos e anseios dessa sociedade.

Esse também um mundo em que progressivamente os cidadãos, especialmente as classes populares, têm consciência de que as desigualdades não são um dado adquirido, traduzem-se em injustiças e na violação dos seus direitos.

É essa nova consciência de direitos e a sua complexidade que torna o atual momento sociojurídico tão estimulante quanto exigente. Por isso, o estudo da Sociologia Jurídica é essencial para que possamos compreender que os fatores socioculturais influenciam fortemente na criação e aplicação de uma norma jurídica . As normas procuram organizar, padronizar os comportamentos e ações sociais dos indivíduos já que as normas passam a ser um dos instrumentos de coerção, não somente de orientação, mas também para regular as ações sociais

A Crise da cidadania social

Cada vez mais é gritante como as pessoas falam da forma que lhes vem à cabeça, e muito nítido a repetição quase que mecânica de frases ouvidas nas mídias, eu diria que trata-se de um “Datenismo” ouvem o que um apresentador de telejornais e repetem sem nem ao menos parar para pensar o que estão repetindo.

Ou até mesmo que direitos humanos é só para bandidos.Há primeiro uma chocante ignorância, pois que todas as declarações e tratados concernentes aos direitos humanos, bem como as ações de grupos e instituições engajados no cumprimento de tais acordos, não preveem privilegiamentos; isto é, os documentos e ações pró direitos humanos se voltam para os seres humanos em sua inerente dignidade de pessoa sejam eles santos ou encarcerados, cientistas ou incientes

Gerações ou Dimensões de Direitos Humanos:

Direitos de Primeira Geração: direitos civis e políticos.

A) Civis: o direito à liberdade, à igualdade, à propriedade, os direitos de ir e vir e de ter a vida em segurança, etc.

B) Políticos: liberdade de associação e reunião; de organização política e sindical; de participação política eleitoral; de sufrágio universal, etc.

Direitos de Segunda Geração: Direitos Sociais

Direito ao trabalho, à aposentadoria, ao seguro-desemprego, à saúde, à educação; ao bem-estar social como um todo.Art. 6º da Constituição Federal.

Direitos de Terceira Geração: Direitos Coletivos e Humanitários

O direito de autodeterminação dos povos; direito ao desenvolvimento, à paz, a um meio ambiente equilibrado e são.

Interesses Difusos, direito do consumidor, das mulheres, das crianças e adolescentes, dos idosos, das minorias étnicas e outras minorias.

Direitos de Quarta Geração: Bioéticos

Direito de ver impedidas intervenções indébitas nas estruturas da vida; o direito de se regular a criação de novas formas de vida por engenharia genética. (MORAIS, 2009, p. 183-184).

Sociedades Capitalistas:

Selvagens relações entre capital e trabalho, o mais comum de ver-se são gritantes desigualdades sociais, as quais deságuam, necessariamente, nos processos de exclusão e marginalização. Por certa inviabilização da cidadania para tantos, o desrespeito à vida, à alimentação, à saúde, à educação etc. estabelece inevitável ruptura com os direitos e garantias fundamentais dos seres humanos enquanto tais. (MORAIS, 2009, p. 184).

O descredito da população frente ao poder estatal está em retas de um embate muito forte, tendo em vista que há uma emergência de cidadania social para uma grande parcela da população e nos vemos alheios a tudo isso. Não podemos permitir que no século XXI ainda encontremos vítimas do poder de grandes capitalistas frente a desinformação das pessoas.

Há uma necessidade de resolução desses conflitos urgentemente. O Estado precisa investir em melhores políticas públicas assistencialistas para essa camada da sociedade fica sempre à margem da sociedade legal (sociedade legal aquela que tem toda a infraestrutrura que o restante da sociedade não tem).

DIREITOS HUMANOS: PENSAMENTOS E EVOLUçõES

A evolução histórica dos direitos humanos são um construído, com o passar da história eles vão se firmando. Os direitos humanos não nascem todos de uma só vez. Com o nascimento de um direito humano ele jamais terá o condão de eliminar o outro, mas sim, de agregá-lo e torna-lo cada vez mais forte.

Na visão de Louis Henkin: “Direitos humanos constituem um termo de uso comum, mas não categoricamente definido. Esses direitos são concebidos

de forma a incluir aquelas ‘reivindicações morais e políticas que, no

consenso contemporâneo, todo ser humano tem ou deve ter perante sua

sociedade ou governo’, reivindicações estas reconhecidas como ‘de direito’ e não apenas por amor, graça ou caridade.” (HEINKIN in PIOVESAN, 2013,

p. 59).

Ainda para Antonio Enrique Pérez Luño: “Os direitos humanos surgem como

um conjunto de faculdades e instituições que, em cada momento histórico, concretizam as exigências de dignidade, liberdade e igualdade humanas, as quais devem ser reconhecidas positivamente pelos ordenamentos jurídicos,

nos planos nacional e internacional.” (LUÑO in PIOVESAN, 2013, p. 59).

Segundo Fábio Konder Comparato: “a revelação de que todos os seres

humanos, apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si, merecem igual respeito, como únicos entes no mundo capazes de amar, descobrir a verdade e criar a beleza. É o reconhecimento universal de que, em razão dessa radical igualdade, ninguém nenhum indivíduo, gênero, etnia, classe social, grupo religioso ou nação pode afirmar-se superior aos demais

Acesso à justiça

Periferia:

A análise que devemos fazer ao pensarmos em desigualdade, em primeiro

lugar analisar nas sociedades “subdesenvolvidas”, quais são os fatores que

retardariam o desenvolvimento.

Em determinadas sociedades ainda iremos encontrar uma exploração da mão-de-obra, ou até mesmo utilizando o trabalho não-assalariado. Isso faz com que os indivíduos não se sintam estimulados para o trabalho produtivo.

Segundo Cristina Costa:

“Para a abordagem dualista, entretanto, o problema não se encontra na

constituição étnica, cultural ou racial da população, mas na condução de

políticas administrativas e econômicas, no comportamento das camadas

dirigentes, na falta de estímulo para o progresso, na má orientação do

governo.” (COSTA, 2012, p. 213).

Há uma necessidade urgente em demonstrar o conceito de periferia que diz respeito ao que, em uma sociedade, é secundário, irrelevante e até anormal em relação ao que é central, importante, desenvolvido. Claro que é um conceito empregado em regiões subdesenvolvidas. Ainda iremos encontrar doutrinadores, que empregam a expressão “países periféricos” para se referir às nações do dito Terceiro Mundo.

Marginalidade:

Também torna-se necessário analisarmos outro conceito que surgiu na sociologia para designar os setores “não-desenvolvidos” ou as regiões “atrasadas” foi o de “marginalidade”.

Na visão de Bresser Pereira:

“O setor tradicional ou marginal é aquele que fica excluído dos processos de

desenvolvimento tecnológico e de rápido aumento da produtividade que caracterizam o modelo [capitalista dominante].” (BRESSER PEREIRA, 1976,

p.38).

Ora o autor procura afirmar que o conceito de marginalidade não se refere a partes da sociedade em estágio pré-capitalista de produção nem a uma fase de transição para o capitalismo, mas na verdade em setores constitutivos da sociedade que mostram tradições em suas relações econômicas, sociais e políticas.

Pobreza e Exclusão:

Segundo Cristina Costa:

“Terá havido no mundo alguma sociedade realmente igualitária na qual as

pessoas pudessem desfrutar de maneira semelhante os bens e as oportunidades da vida social? Parece que não. As evidencias históricas mostram que a cultura humana esteve sempre intimamente ligada, desde os seus primórdios, à ideia da distinção e da discriminação entre grupos sociais. Mesmo nas organizações sociais mais homogêneas e simples existiam diferenças de sexo e idade atribuindo aos grupos assim discriminados funções diferentes, certa parcela de poder, determinados direitos e deveres.

A partir de então, nas sociedades que foram se tornando mais complexas, os membros não tinham igual acesso a algumas vantagens como, por exemplo, o poder de decisão e liberdade. O patriarcado existente nas mais remotas civilizações, garantindo aos homens o poder sobre a família e seus bens, demonstra que a igualdade é, antes de mais nada, uma utopia, um

ideal ainda não vivido pela humanidade.” (COSTA, 2012, p. 247).

Fica bem claro que não existiu em nenhuma época uma sociedade igualitária, pois até mesmo nas sociedades tribais encontraremos distinções de pessoa para pessoa e de grupo para grupo.

A sociedade contemporânea é o resultado de um longo processo histórico de formação e transformação de uma civilização complexa e diferenciada.

Sociedades Capitalistas:

Selvagens relações entre capital e trabalho, o mais comum de ver-se são gritantes desigualdades sociais, as quais deságuam, necessariamente, nos processos de exclusão e marginalização. Por certa inviabilização da cidadania para tantos, o desrespeito à vida, à alimentação, à saúde, à educação etc. estabelece inevitável ruptura com os direitos e garantias fundamentais dos seres humanos enquanto tais. (MORAIS, 2009, p. 184).

O descredito da população frente ao poder estatal está em retas de um embate muito forte, tendo em vista que há uma emergência de cidadania social para uma grande parcela da população e nos vemos alheios a tudo isso. Não podemos permitir que no século XXI ainda encontremos vítimas do poder de grandes capitalistas frente a desinformação das pessoas.

Há uma necessidade de resolução desses conflitos urgentemente. O Estado precisa investir em melhores políticas públicas assistencialistas para essa camada da sociedade fica sempre à margem da sociedade legal (sociedade legal aquela que tem toda a infraestrutrura que o restante da sociedade não tem).

Desigualdade Jurídica:

A desigualdade jurídica toma forma e corpo a partir do momento que o acesso ao Poder Judiciário é cerceado. Mas, esse cerceamento precisa ser analisado com enfoque em áreas de população carente de todos os tipos de infraestrutura, como por exemplo em favelas, cortiços. Diríamos que a

cidade legal está coberta de estrutura, mas que a cidade ilegal, está a margem dessa conotação.

Acesso à Justiça:

Podemos contemplar a questão individual ou a pretensão de uma justiça social que deve servir de meta a todos os que atuam na área jurídica, a justiça na situação particular apresentada ou, de outro lado, a realização de uma justiça social.

O acesso à justiça como um direito de todos os cidadãos que, aliado ao princípio da igualdade perante a lei, lhes garante o acesso ao órgão do Estado, através do Poder Judiciário, para reclamar de lesão ou ameaça de lesão a seus direitos.

O acesso à justiça é uma das características essenciais do estado de direito, constituindo obrigação do Estado, que deve torná-lo efetivo.

Segundo Maria Helena Campos de Carvalho: “É um direito e uma garantia

para o cidadão, toma a forma de uma obrigação e dever para o Estado,

sendo este obrigado a garantir a efetividade das normas, o que é feito através do Estado-Juiz, ou seja, do Poder Judiciário. Cabe ao juiz dizer o direito em um caso concreto, podendo qualquer cidadão valer-se do Poder Judiciário, a quem compete dar-lhe uma satisfação. Mesmo na ausência de norma expressa, o direito deve ser aplicado, por meio de processo de integração, cabendo ao juiz a prestação jurisdicional.” (CARVALHO, 2009,

p.167).

Claro que para garantir esse acesso à justiça, o próprio Estado teve que criar um mecanismo no mundo do direito, exigindo formas específicas para que ele se realizasse. Necessitando fazer um pedido para que o juiz possa transforma isso em um processo, será exercido através de uma petição inicial, também exigindo a atuação de um profissional habilitado para isso. A exigência de uma figura de um juiz, e depois de um advogado e em alguns casos o promotor de justiça.

Em um passado remoto, falar-se em efetivo acesso à justiça era considerado uma utopia, algo que jamais seria alcançado em sua integralidade. Hoje, assistimos com satisfação a mudança e à preocupação com a efetivação deste direito por parte dos órgãos envolvidos na concretização da justiça e da sociedade em geral.

Acesso à Justiça na Constituição Federal:

O acesso à justiça está esculpido em nossa Constituição Federal no capítulo que trata dos direitos e garantias individuais e coletivos, da seguinte forma.

Art. 5º, XXXV “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.”

O Devido Processo Legal:

Bem como os princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstancia o acesso à justiça em seu sentido amplo.

Art. 5º, LV. “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa,

com os meios e recursos a ela inerentes;”

Procura pelo Poder Judiciário:

Tem sofrido sensível aumento nos últimos tempos, marcados por sucessivas crises econômicas e sociais por que o país passa, levando os órgãos incumbidos da solução das questões jurídicas a uma crise sem precedentes em sua história.

Formas Institucionais de Mediação:

Mecanismos de informalismo;

Oralidade; e

Conciliação.

Possibilitando uma justiça mais próxima, ágil e democrática, apta a atender a todos os segmentos sociais demandantes de suas conquistas.

São mecanismos utilizados para que o verdadeiro acesso à justiça seja efetivado.

O Direito Constitucional à moradia

O PLURALISMO JURÍDICO

O Monismo Jurídico:

O modelo jurídico ocidental teve sua origem com o surgimento do Estado Moderno e do pensamento ideológico liberal. O princípio da unicidade é a existência de um único direito, o próprio direito positivo, sendo o Estado o seu núcleo e produzindo normas jurídicas direcionadas ao atendimento de uma comunidade.

O que é o Pluralismo?

“Na linguagem política chama-se assim a concepção que propõe como modelo a sociedade, composta de vários grupos ou centros de poder, mesmo que em conflito entre si, aos quais é atribuída a função de limitar, controlar e contrastar, até o ponto de o eliminar, o centro do poder dominante, historicamente identificado com o Estado. Como tal, o Pluralismo é uma das correntes do pensamento político que sempre se opuseram e continuam a opor-se à tendência de concentração e unificação do poder, própria da formação do Estado moderno. Como proposta de remédio contra o poder exorbitante do Estado, o Pluralismo se distingue da teoria da separação dos poderes, que propõe a divisão do poder estatal, não em sentido horizontal, mas em sentido vertical. Distingue-se igualmente da teoria do liberalismo clássico que propõe a limitação da onipotência do Estado pela subtração à sua ingerência de algumas esferas de atividade (religiosa, econômica e social, em geral) onde os indivíduos possam desenvolver livremente sua própria personalidade. Distingue-se, finalmente, da teoria democrática que vê o remédio na participação mais ampla possível

dos cidadãos nas decisões coletivas.” (BOBBIO, 2010. v.2, p 928).

O Pluralismo Jurídico:

Teoria que sustenta a coexistência de vários sistemas jurídicos no seio da mesma sociedade. Jean Carbonnier => “o direito é maior do que as fontes formais do direito”. O direito não depende da sanção do Estado, ou seja, não se encontra exclusivamente nas fontes oficiais do direito oficial-estatal (Constituição

Federal, Leis, Decretos). Nem tudo o que é direito é lei, ou ainda, que direito pode ser contra a lei ou estar fora da lei.

TEORIAS TRADICIONAIS DO PLURALISMO JURÍDICO:

Cada organização possui vontade e consciência e cria suas próprias regras jurídicas. (Aculturação Jurídica). As normas agem através da força social, a qual lhes é dada através do reconhecimento por parte de uma associação social. O direito é uma ordem interna de associações. Nunca existiu uma época em que o direito proclamado pelo Estado tivesse sido o único direito.

TEORIAS MODERNAS DO PLURALISMO JURÍDICO: Teórico e Empírico

São 4 concepções atuais:

  • 1. Interlegalidade Teórica => Uma mistura desigual

de ordens jurídicas com diferentes regras, procedimentos, linguagens, escalas, áreas de competência e mecanismos adjudicatórios => Posição do pós-modernismo Jurídico. (Monopólio Jurídico do Estado superado). Boaventura de Sousa Santos propõe frente ao Pluralismo Jurídico seis

ordenamentos jurídicos:

  • 1. Direito Doméstico: poder exercido pelos homens no espaço doméstico (Patriarcado);

  • 2. Direito da Produção: exploração => trabalhadores são explorados pelos detentores dos meios de produção;

  • 3. Direito da Troca Comercial: alienação => comportamento das pessoas manipuladas pela propaganda. => Consumismo;

  • 4. Direito da Comunidade ou dos Grupos Sociais: diferenciação desigual => discriminação. Ex: homossexuais, mendigos;

  • 5. Direito Estatal: relaciona-se com a dominação, exercício do poder político do Estado;

2.

Sociedades Multiculturais: migração de populações em todo o planeta.

2. Sociedades Multiculturais: migração de populações em todo o planeta.
2. Sociedades Multiculturais: migração de populações em todo o planeta.

=> perda da unidade estatal => direito à diferença. Ex. Direito das minorias

étnicas, direitos especiais das mulheres;

  • 3. Mudanças no Direito Internacional: normatividade em detrimento dos

direitos nacionais. Ex: União Europeia, Mercosul, OMC, ONU.

Pluralismo marcado pela policentricidade: trata-se da coexistência de instâncias de criação e aplicação do direito relativamente independentes que despertam a atenção dos juristas-sociólogos nas últimas décadas.

  • 4. Pesquisa de Campo (Empírica): sobre o “direito informal”, o “direito do

povo”. Ex: Igrejas, sindicatos, associações profissionais e desportivas,

empresas. George Gurvitch (1894 1965), faz uma pesquisa de campo através de análises de dados coletados em uma favela no Brasil na década de 1960 que era na verdade o direito informal, reconhecido pelos moradores das favelas e estes faz escalas de poder e respeito da sociedade naquela época. Coloca-se 3 autoridades:

  • 1. Associações de moradores;

  • 2. Traficantes;

  • 3. Polícia.

Podemos dizer que hoje em dia ocorreram apenas uma inversão, os traficantes passaram para o primeiro lugar e a associação dos moradores cairam para a segunda colocação. Frente ao direito achado nas ruas, vamos nos deparar com diversas situações alarmantes em nossa sociedade.

Segundo Antonio Carlos Wolkmer: “apresenta inovadora preocupação

acerca do pluralismo no âmbito do direito nacional. Trata-se do pluralismo

jurídico como um projeto alternativo para espaços periféricos do capitalismo latino-americano, articulando alguns requisitos, como:

  • a) A legitimidade dos novos sujeitos sociais;

  • b) A democratização e a descentralização do espaço público participativo;

  • c) A defesa pedagógica de uma ética da solidariedade;

  • d) A consolidação de processos que conduzam a uma racionalidade

emancipatória.

Ademais, esse pluralismo jurídico denominado comunitário e participativo propõe a redefinição do espaço público a partir de corpos sociais intermediários, da construção de uma nova cultura jurídica pela ação participativa de sujeitos insurgentes, das novas formas de legalidade

enquanto expressão de interculturalidade.” (WOLKMER, 2013, p. 81).

As mudanças ocorridas na sociedade do século XXI são demonstradas diuturnamente em vários grupos sociais, juntamente com os costumes, hábitos e tradições que se modificaram com o passar dos tempos.

OS OPERADORES DO DIREITO

A Advocacia

A advocacia é uma profissão particularmente permeável aos interesses econômicos e às estruturas da vida pública constituindo, assim, um indicador das mudanças sociais. Advogado competitivo ou corporativista? Advogado especializado e associado ou generalista e autônomo? Advogado

“comercializado” ou voltado à defesa dos “fracos” e do “interesse público”?

Advogado assalariado ou “livre”? Advogado de experiência prática ou “científico”? Todos esses modelos coexistem. Dependendo do momento

histórico, temos mudanças quantitativas no perfil da advocacia que indicam alterações no funcionamento do sistema jurídico. Em geral, prevalece a figura do advogado liberal que trabalha individualmente ou como sócio de um escritório e especializa-se em determinado ramo do direito.” (SABADELL, 2013, p. 189).

Diversas pesquisas indicam que o advogado, na prática, corresponde pouco

à imagem do litigante e do grande orador no tribunal do júri. Na maioria dos seus casos, parte do trabalho da advocacia é repetitivo, mais voltado à arbitragem, à conciliação e à gestão de interesses econômicos do que à

defesa contraditória de “grandes causas” ou “grandes júris”. Fazendo com

que pessoas que não estão na área acreditem piamente que os conteúdos novelísticos são reais (na maioria dos casos são ilusórios, fictícios).

Segundo estudos desenvolvidos por Erhard Blankenburg “nos Estados Unidos da América, onde atua um número elevado de advogados (300 por cada 100.000 habitantes), sendo a maioria deles encarregados da gestão de interesses econômicos (contratos de compra e venda de imóveis e bens,

concessão de créditos)”. (BLANKENBURG, 1995, p. 99). Ainda ressalta: “o número de advogados apresenta grandes variações entre

os diferentes países: por cada 100.000 habitantes, encontravam-se, nos anos 1990, 346 advogados na Espanha, 103 na Alemanha, 101 no Brasil, 58 na França, 46 na Holanda, 37 na Áustria e somente 9 no Japão. (Esses

dados foram coletados em 1991 para o Brasil, 1992 para a Alemanha, Holanda, Áustria e Japão e de 1999 para Espanha e França)."

"Essas variações indicam a tendência da população de cada país a resolver seus conflitos de forma amigável ou recorrendo aos profissionais do direito.” (BLANKENBURG, 1995, p. 98). Já no estado de São Paulo no ano de 2013, havia 256.000 advogados e estagiários. Isso mostra uma proporção de 609 profissionais para 100.000 habitantes. Em geral, o Brasil teve um aumento exponencial na profissão.

Foi um salto de 11.000 advogados em 1960 para 836.000 em 2013, atingindo assim, uma média de aproximadamente 424 advogados para 100.000 habitantes. É muito nítido como o desenvolvimento da profissão faz uma importante função no processo de aplicação e acesso à justiça social. Muitos atuam de modo preventivo ao auxiliarem na orientação jurídica para que façam acordos e procurem resolver suas demandas de uma forma através da mediação e conciliação das partes, fazendo com que o judiciário seja desafogado com tantas ações que poderiam ser evitadas.

Origem Social do Advogado:

Ao analisarmos a origem social e a renda destes profissionais são extremamente variadas frente a sociedade na qual estamos inseridos. Segundo Ana Lúcia Sabadell: “uma pequena parte dos advogados pertence à classe média alta, geralmente oriunda de famílias ricas e formada em prestigiosas faculdades. Poucos conseguem alcançar uma altíssima

rendam, especializando-se na representação dos interesses de grandes empresas e até mesmo tornarem-se famosos, como ocorre principalmente com advogados penalistas que defendem “causas célebres”. Fazem parte dessa categoria os denominados na Alemanha de “advogados-estrelas” (Sternanwälte) e os donos dos grandes escritórios da Wall Street, em Nova Iorque.” (SABADELL, 2013, p. 190).

Extremo da Pirâmide:

Encontram-se os advogados pobres, geralmente são formados em faculdades menos prestigiadas, que irão trabalhar junto a população mais carente, lidando em causas cujo valor não permite uma alta remuneração. Alguns têm até dificuldade de pagar a anuidade da Ordem dos Advogados do Brasil. A situação desse grupo reflete a limitação de acesso à Justiça das classes desfavorecidas.

Categoria Intermediária:

Encontram-se os advogados que trabalham em posições inferiores em grandes escritórios de advocacia, realizando um trabalho burocrático e subordinado, com uma baixa remuneração comparável àquela de um funcionário do setor privado. Também temos uma situação semelhante de advogados que trabalham em departamentos jurídicos de empresas ou em serviços jurídicos estatais.

No Brasil:

Cada vez cresce mais o número de advogados cresce. Tendo em visto à impressionante ampliação do ensino jurídico, sendo que o número de alunos matriculados nas faculdades de direito triplicou entre 1970 e 1996, havendo desde então tendência de aumento. Verificamos que o Ministério da Educação e Cultura MEC propicia esse aumento autorizando a abertura de Cursos de Direitos em diversas faculdades. Mecanismos que não era utilizado nas décadas de 1960 e 1970.

Hoje podemos dizer que o Estado tem contribuído significativamente para esse aumento de Universidades, procurando cada vez mais dar acesso à educação superior para o maior número de pessoas possíveis.

O Ministério Público

O QUE DE FATO É O MINISTÉRIO PÚBLICO?

O Ministério Público é um órgão independente, que não está vinculado a nenhum dos Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). De acordo com a Constituição da República, é uma instituição permanente que possui autonomia e independência funcional.

A permanência quer dizer que ele não pode ser extinto. A autonomia administrativa, orçamentária e funcional o permite ser o único responsável pela gestão de seus recursos financeiros e pessoais.

Sua independência é uma característica importante para que ele exerça a função fiscalizadora do poder. Caso o MP fosse subordinado a qualquer um dos poderes, sua atuação seria questionável e parcial. A propósito, ele não pode ter suas atribuições repassadas a outra instituição.

Os procuradores e promotores do órgão estão subordinados a um chefe somente no âmbito administrativo. Cada um deles é livre para seguir suas convicções dentro da lei.

Essas três características se aplicam a todos os ramos que o compõe.

O QUE É O MINISTÉRIO PÚBLICO?

O Ministério Público é uma instituição que tem como responsabilidade a manutenção da ordem jurídica no Estado e a fiscalização do poder público em várias esferas. Apesar de já existir desde antes da Constituição de 1988, foi a partir dela que suas atribuições mudaram, pois era amplamente discutida a necessidade de existir um órgão de controle dos poderes do

Estado. Por isso, a partir da promulgação da Constituição Cidadã, as funções do Ministério Público mudaram para aquilo que ele é nos dias de hoje. Sua participação nos processos da justiça brasileira o concede uma função

jurisdicional ou seja, contribui para a boa administração da Justiça. Cabe ressaltar que o MP não intervém em todas as ações da Justiça, apenas quando envolve partes que lhe cabem defender (entenda mais nos próximos tópicos!).

POR QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO FAZ PARTE DE NENHUM DOS TRÊS PODERES?

O Ministério Público é um órgão independente dos outros poderes do Estado brasileiro. Ele não pode ser extinto ou ter atribuições repassadas a outra instituição. Isso significa que a instituição adquiriu algo essencial a qualquer órgão dessa finalidade: independência.

Por ser um órgão fiscalizador do poder em todas as esferas, seria questionável o Ministério Público estar subordinado a qualquer um deles. É determinado pela Constituição que o MP seja indivisível, tenha autonomia institucional, autonomia para exercer suas funções, independência financeira e administrativa.

COMO FUNCIONA A DIVISÃO DENTRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO?

O Ministério Público é dividido em Ministério Público da União e Ministério Público dos Estados. Apesar disso, eles têm as mesmas atribuições funcionais. O que muda entre eles é a esfera de poder federal, estadual e municipal em que vão atuar. Em qualquer um desses órgãos, os funcionários devem prestar concurso público para seguir carreira. O Ministério Público dos Estados tem autonomia em cada uma das unidades federativas do país. Existe o Ministério Público de Santa Catarina, o de São Paulo, do Amazonas e assim por diante. Cada um deles atua diretamente nos municípios do estado em questão e no próprio estado.

O Ministério Público da União atua na esfera federal do poder público. Ele é subdividido em:

Ministério Público Federal;

Ministério Público do Trabalho;

Ministério Público Militar;

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios

Os seus membros gozam das seguintes garantias:

  • 1. vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado;

  • 2. inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa;

  • 3. irredutibilidade de subsídio, salvo os casos previstos em Lei.

E estão sujeitos as seguintes vedações:

  • 1. receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais;

  • 2. exercer a advocacia;

  • 3. participar de sociedade comercial;

  • 4. exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério;

  • 5. exercer atividade político-partidária;

  • 6. receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.

QUAIS OS PRINCÍPIOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO?

A definição dos princípios de atuação do Ministério Público estão no artigo 127 da Constituição. Ele deve:

Defender a ordem jurídica;

Defender o regime democrático;

Defender os interesses sociais;

Defender os interesses individuais indisponíveis.

Mas afinal, o que isso significa? Na prática, ele deve zelar por tudo o que for público ou de relevância pública

Interesse Público

Quando se mencionam os interesses sociais, a interpretação principal é que o Ministério Público atue a favor de temas de interesse da sociedade como um todo,

“que estejam próximos de um interesse geral, e não de interesses privados”, de

acordo com o Promotor de Justiça Oswaldo Luiz Palu. Entende-se como interesse social aquele que reflete o que a sociedade entende como “bem comum”.

Por exemplo, quando um prefeito desvia dinheiro público destinado à construção de creches, isso irá afetar as pessoas que: a) pagaram impostos e esperam algum retorno deles e b) as pessoas que precisam daquelas creches. Portanto, esse é um problema considerado de interesse público e necessita da intervenção do Ministério Público com a devida investigação dos fatos, a acusação e abertura de um inquérito. Nesse caso, um Promotor de Justiça do Patrimônio Público que exercerá esse papel.

Interesse individual indisponível

Um interesse individual indisponível é o direito de um indivíduo e, ao mesmo tempo, é de interesse e relevância pública nesses casos, o direito público é mais relevante que o próprio direito individual. Uma pessoa jamais pode abrir mão desses direitos. Já o termo “indisponível” vem exatamente da ideia de ele não estar à disposição em certo momento ou estar inacessível a quem possui tal direito. Por isso, é dever do Ministério Público atuar nas áreas em que cidadãs e cidadãos têm seus direitos individuais indisponíveis de alguma forma. São exemplos:

o direito à vida, o direito à saúde, o direito à educação, o direito à liberdade. Nenhuma pessoa pode renunciar a esses direitos, em prol do bem público e o MP deve atuar a fim de garanti-lo, mesmo que o indivíduo não peça para que ele o faça.

Por exemplo: um homem é testemunha de Jeová e, por conta de sua religião, recusa-se a doar sangue a seu filho, que está muito doente e precisa de uma transfusão. São dois direitos individuais indisponíveis que estão em conflito: o direito à religião, por parte do pai, e o direito à vida, por parte do filho. As interpretações do direito, feitas pelas doutrinas jurídicas, colocam a importância de um direito sobre o outro. O direito à vida se sobrepõe a qualquer outro; portanto, nesse caso, o Ministério Público deve agir com a finalidade de proteger o direito que o menino tem à vida.

QUAIS SÃO AS ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO?

O Ministério Público deve promover a ação penal pública e a ação civil pública, nos termos da lei. Cada órgão do Ministério Público pode dar início a essas ações

em suas esferas de atuação o Ministério Público Federal fará isso no que for relativo a órgãos, instituições, autarquias federais.

Ação Civil Pública

A ação civil pública é utilizada, entre outros, pelo Ministério Público a fim de responsabilizar por algum dano qualquer pessoa física ou jurídica, inclusive agente públicos e da administração pública. As ações civis têm como objetivo sanar algum dano à coletividade. Esses danos podem ser contra patrimônios as definições por lei é que sejam ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Ou podem também ser morais, como danos por à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. A ação civil pública trata de violações às regras de direito civil, previstas pelo Código Civil como, por exemplo, questões relativas ao consumidor. A condenação, normalmente, é de reparação de dano ou multa. Cabe uma ação pública, por exemplo, quando uma comunidade é atingida pelo rompimento de uma barragem. Nesse caso, os responsáveis podem ser condenados a reparar financeiramente os danos morais e materiais da coletividade atingida. O Conselho Nacional de Justiça coloca: todos os eleitores brasileiros, incluindo os menores de 18 anos, têm legitimidade para propor uma ação desse tipo“, desde que demonstrem o ato lesivo ou ameaça ao direito provocada. Se o Ministério Público não age como uma das partes, no caso de acusar a outra parte, ele participará do processo como fiscal da lei.

Ação Penal Pública

A diferença entre uma ação penal pública e uma ação penal privada é que a pública deve dizer respeito a crimes que ferem interesses de toda a sociedade; ou seja, ter ferido direitos fundamentais como à vida, à liberdade, à integridade física. A ação penal pública é uma atribuição exclusiva do Ministério Público, que faz a denúncia de um crime. Os crimes são definidos no Código Penal e em leis específicas. Neles, há a descrição do crime e a definição da conduta criminosa; a

pena indicada para tal crime; o que poderia agravar aquela pena, etc. O artigo 121

do Código Penal define como crime “matar alguém”, portanto, caso uma pessoa

cometa esse crime, será aberto um processo criminal contra ela, por parte do Ministério Público.

Existem dois tipos de ações penais públicas que o Ministério Público pode fazer:

Incondicionada: deve ser iniciada pelo Ministério Público. Sua iniciativa em promover a ação não depende ou se subordina a nenhuma condição. Inclusive, não está condicionada à manifestação das pessoas envolvidas, nem à sua vontade de levar para frente o processo ou sua autorização. Exemplos de crimes que levam a ações penais públicas incondicionadas são: homicídios, roubos e furtos. Condicionada: pode ser iniciada pelo Ministério Público. Sua iniciativa, porém, depende de a vítima fazer uma denúncia e requisitar o início de um processo. Há também aquelas que são feitas a pedido do Ministro da Justiça. O exemplo de um crime que só irá ser denunciado caso a vítima assim queira é o estupro de vulnerável.

A Magistratura

É atribuído o nome de magistrado à pessoa que recebeu poderes da nação ou do governo central para governar ou administrar a justiça. Tal designação cabe aos desembargadores, ministros, juízes, administrador ou governador. O presidente da república é considerado o primeiro magistrado da nação, aquele que detém a mais alta autoridade política e administrativa. Popularmente, o termo é mais utilizado em meio à área jurídica, para se referir aos cargos de chefia dentro da hierarquia do poder judiciário.

O termo magistrado tem origem na língua latina, derivada da palavra magistratus, que por sua vez surgiu de magister, palavra que significa "chefe" ou "superintendente". A palavra latina magistratustanto significa o cargo de governar (magistratura) como pessoa que governa (magistrado). Em suma, era um funcionário do poder público investido de autoridade. Na antiguidade eram diversos os magistrados, como os cônsules, os pretores, os censores, considerados magistrados maiores, e os edis e questores, os magistrados menores. Os magistrados são detentores do imperium, um poder absoluto anteriormente atribuído apenas aos reis, um poder de soberania, aos quais os cidadãos não podiam opor-se.

No

mundo contemporâneo a palavra magistrado encontra-se

fortemente associada ao exercício do poder judiciário. Os países cuja

estrutura legal é baseada no Direito Romano (Itália, França, Alemanha, Espanha ou Portugal), têm no seu corpo de magistrados juízes e procuradores ou promotores. Tal noção de magistratura é

desconhecida nos países que adotam a common law. No Brasil, os magistrados são tão somente os juízes, membros do Poder Judiciário, apesar de ambas as categorias (magistrados e membros do Ministério Público) gozarem das garantias constitucionais de vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos.

Com relação à questão da promoção, cada nova vaga aberta é preenchida por antiguidade e merecimento, sucessivamente. Importante salientar que a aceitação da promoção não é obrigatória, o contemplado pode recusá-la. A promoção por merecimento decorre do talento e desempenho da pessoa. Já a promoção por antiguidade resulta do tempo que aquela pessoa ocupa seu cargo atual

(normalmente conhecida como ‘entrância’).

Se a vaga a ser preenchida for por merecimento, o tribunal prepara uma lista com três nomes (lista tríplice). Caso a vaga a ser preenchida for por antiguidade, o tribunal escolhe um único nome. No caso de nomeação de advogados ou membros do Ministério Público para um tribunal é sempre do chefe do Executivo, seja presidente da República ou governador, dependendo da esfera de poder. Tal prerrogativa faz parte do controle mútuo entre os poderes.