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UNIDADE 1

MECÂNICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Esta unidade tem por objetivos:

• associar as grandezas físicas a suas unidades de medida no SI (Sistema


Internacional);

• empregar a matemática dos vetores em problemas com grandezas veto-


riais;

• classificar os movimentos dos corpos, explicar a sua origem e reconhecer


as forças atuantes;

• conhecer os conceitos de energia associados ao movimento e à configura-


ção dos corpos e entender a importância do conceito de conservação de
energia;

• conhecer as propriedades dos fluidos, bem como suas aplicações e princí-


pios.

PLANO DE ESTUDOS
A primeira unidade está dividida em cinco tópicos. No final de cada tópico
você encontrará atividades que o(a) ajudarão a fixar os conceitos.

TÓPICO 1 – SISTEMA INTERNACIONAL E GRANDEZAS FÍSICAS

TÓPICO 2 – OPERAÇÕES COM VETORES

TÓPICO 3 – O MOVIMENTO DOS CORPOS

TÓPICO 4 – TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

TÓPICO 5 – FLUIDOS

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UNIDADE 1
TÓPICO 1

SISTEMA INTERNACIONAL E
GRANDEZAS FÍSICAS

1 INTRODUÇÃO

Vamos começar dando um nome para cada uma das entidades misteriosas
que parecem nos perseguir no nosso dia a dia. E por que não chamá-las de
grandezas físicas? É uma ótima ideia, transmite a sensação de algo que pode ser
medido, conhecido, esmiuçado. Assim, isolamos algo, medimos a sua grandeza
e desvendamos o seu comportamento. Depois disso, vamos tentar descobrir as
leis que as governam. Faremos isso do ponto de vista clássico, que para o nosso
caso é muito eficiente. Utilizaremos as convenções preestabelecidas e as leis da
matemática para corroborar nossas ideias.

2 GRANDEZAS FÍSICAS

Grandeza física é tudo aquilo que pode ser medido. Por exemplo, distância,
tempo, temperatura, pressão. A beleza, a emoção e o sabor não podem ser
medidos numericamente, por isso, não são grandezas físicas, são qualidades. Nós
classificamos as grandezas físicas em duas categorias: escalares ou vetoriais.

Grandezas escalares estão associadas apenas aos valores numéricos, como


a temperatura, a massa, o tempo. Quando dizemos que a temperatura da sala é de
23 0C estamos dando uma informação completa. Aproximadamente em qualquer
lugar da sala a temperatura é 23 0C. Vamos chamar essas grandezas, de agora em
diante, apenas de escalares. Assim, o tempo é um escalar, a massa é um escalar etc.

Por outro lado, podemos falar de uma força, então precisamos saber algo
além do seu valor numérico. Temos que descobrir onde a força é aplicada (direção)
e para que lado (sentido), caso contrário a informação está incompleta. Grandezas,
que além de módulo (valor numérico) possuem direção e sentido são chamadas
de grandezas vetoriais. Se uma maçã cai na minha cabeça, sinto o impacto de
uma grandeza vetorial, a força-peso da maçã. Pressão, velocidade, força etc., são
grandezas vetoriais. No próximo tópico vamos aprender a lidar com elas.

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

2.1 NOTAÇÃO CIENTÍFICA

Ao efetuarmos a medida de uma grandeza, podemos obter um número que


seja extremamente grande ou extremamente pequeno. Como exemplo, citamos a
distância da Terra à Lua, 384.000 km, e o diâmetro de um átomo de hidrogênio,
da ordem de 0,0000000001 m. Para manipular tais números, utilizamos a notação
científica, fazendo uso das potências de 10 (CARRON; GUIMARÃES, 1999).

O módulo de qualquer número b pode ser escrito como o produto de um


número a, entre um e dez, por outro, que é uma potência de dez, 10n:

Vejamos:
200 = 2 x 100 = 2 x 102
5.300.000 = 5,3 x 1.000.000 = 5,3 x 106
0,00000024 = 2,4 x 0,0000001 = 2,4 x 10-7

Regra Prática:

• Números maiores que 1. Deslocamos a vírgula para a esquerda até atingir o


primeiro algarismo do número. O número de casas deslocadas para a esquerda
corresponde ao expoente positivo da potência de 10.

• Números menores que 1. Deslocamos a vírgula para a direita, até o primeiro


algarismo diferente de zero. O número de casas deslocadas para a direita
corresponde ao expoente negativo da potência de 10.

Assim, o número 25 x 104 deve ser escrito corretamente como 2,5 x 105. O
mesmo acontece com o número 84 x 10-3, que deve ser escrito como 8,4 x 10-2.

2.2 OPERAÇÕES COM POTÊNCIA DE 10

A seguir, fazemos um resumo das operações com potências de dez, onde


tomamos a e b como sendo dois números quaisquer.

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TÓPICO 1 | SISTEMA INTERNACIONAL E GRANDEZAS FÍSICAS

2.2.1 Multiplicação

Exemplo 1:

2 x 108 x 8 x 10-5 = 2 x 8 x 108-5 = 16 x 103.

2.2.2 Divisão

Exemplo 2:

–3

2.2.3 Potenciação

Exemplo 3:

2.2.4 Radiciação

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

2.2.5 Adição e subtração

Inicialmente, colocamos todos os números na mesma potência de 10 (de


preferência na maior); em seguida, colocamos a potência de 10 em evidência;
finalmente, somamos ou subtraímos as partes numéricas (CARRON; GUIMARÃES,
1999).

Exemplo 5:

a) 5 x 10-4 + 6 x 10-5 = 5 x 10-4 + 0,6 x 10-4 = 5,6 x 10-4

b) 2,3 x 104 - 2 x 103 = 23 x 103 - 2 x 103 = 21 x 103

3 SISTEMA INTERNACIONAL
Nos problemas com os quais nos deparamos o dia inteiro encontramos
muitas coisas que poderiam ter sido diferentes se tivéssemos feito isso ou aquilo de
outro modo. E você talvez diria que nós não poderíamos saber antes. É exatamente
esse o ponto, nós podemos! A maior parte das coisas que acontecem à nossa volta
podem ser previstas, desde que tenhamos informações suficientes sobre elas.
Vamos chamar essas informações de variáveis ou de grandezas físicas. O tempo,
o comprimento, o volume, a densidade, a temperatura, a velocidade, são apenas
alguns exemplos de grandezas que podemos controlar. Se isso não fosse verdade
você não estaria sentado numa cadeira agora, nem se arriscaria a atravessar uma
ponte, ou subir até a cobertura de um arranha-céus. Usar o celular, então... nem
pensar!

Para que a grandeza nos forneça uma informação útil é preciso medi-la.
Então, precisamos fixar um valor que seja único e conhecido, precisamos de um
padrão. O metro é um padrão de comprimento, a hora é um padrão de tempo, e
assim por diante. Vamos chamar esse padrão de unidade e representá-lo com um
símbolo, como você pode ver na tabela a seguir. Por exemplo, se eu digo que andei
10m, significa que percorri uma distância de dez vezes a unidade metro.

TABELA 1 - TABELA COM AS UNIDADES DE MEDIDA DO SI (SISTEMA INTERNACIONAL)


GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO
Comprimento metro m
Massa quilograma kg
Tempo segundo s
Corrente elétrica ampère A
Temperatura termodinâmica kelvin K
Quantidade de matéria mol mol
Intensidade luminosa candela cd
FONTE: Disponível em: <www.chemkeys.com/bra/ag/uec_7/sidu_4/uess_6/uess_6.htm>. Acesso
em: 24 mar. 2007.

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TÓPICO 1 | SISTEMA INTERNACIONAL E GRANDEZAS FÍSICAS

Embora no SI a unidade de comprimento seja o metro, ela admite múltiplos


e submúltiplos, na tabela a seguir. Veja os principais (CARRON; GUIMARÃES,
1999):
TABELA 2 - MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DO METRO
Comprimento
quilômetro (km) 1 km = 1000 m = 103 m
hectômetro (hm) 1 hm = 100 m = 102 m
decímetro (dm) 1 dm = 0,1 m = 10-1 m
centímetro (cm) 1 cm = 0,01 m = 10-2 m
milímetro (mm) 1 mm = 0,001 m = 10-3 m
FONTE: A autora

Do mesmo modo podemos escrever os submúltiplos da massa na tabela a


seguir:
TABELA 3 - MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DO QUILOGRAMA
Massa
grama (g) 1 g = 0,001 kg = 10-3 kg
decigrama (dg) 1 dg = 0,0001 kg = 10-4 kg
centigrama (cg) 1 cg = 0,00001 kg = 10-5 kg
miligrama (mg) 1 mg = 0,000001 kg = 10-6 kg
FONTE: A autora

Na tabela a seguir encontramos as relações do segundo entre as outras


unidades de tempo.

TABELA 4 - RELAÇÕES DAS UNIDADES DE TEMPO


Tempo
1min = 60s
1h = 3600s
1 dia = 24h = 1440min = 86400s
1 ano = 365 dias = 8760h = 5,26x105min = 3,15 x 107s
FONTE: A autora

Embora não façam parte do SI, na prática, são muito utilizadas as seguintes
unidades contidas na tabela a seguir:

TABELA 5 - RELAÇÃO DE UNIDADES DO SI COM OUTROS SISTEMAS DE UNIDADES


1 milha marítima = 1852 m
1 polegada = 2,54 cm = 0,0254 m
1 pé (12 polegadas) = 30,48 cm = 0,3048 m
1 jarda (3 pés) = 91,44 cm = 0,9144 m
1 mícron =10-6 m
1 angstrom = 10-10 m
1 ano-luz = 9,46x1012 km = 9,46 x 1015 m
1 litro = 1000cm3 = 10-3 m3
1 tonelada = 1000 kg
1 libra = 0,45 kg
1 u.t.m. = 9,8 kg
1 u = 1,66x10-27 kg
FONTE: A autora

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

Você pode utilizar a regra de três para converter as unidades de um


sistema para outro, mas existe uma forma bem prática de fazer as conversões:
multiplicando a grandeza por um fator de conversão, veja os exemplos a seguir:

Exemplo 1: Converta 20 km em m.

Exemplo 2: Converta 550 g em kg.

Exemplo 3: Converta 3h em s.

Exemplo 4: Converta 1,03 g/cm3 em kg/m3

DICAS

Se você tem acesso à internet, entre no site: <http://www.chemkeys.com/bra/ag/


uec_7/uec_7.htm>. Nele você encontrará maiores informações para saber sobre os conceitos
básicos envolvidos com as quantidades e unidades do Sistema Internacional de Unidades (SI),
bem como seus usos, conversões, aplicações, convenções, estilos e representações.

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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:

 Há um critério na adoção de unidades de medida que obedecem a um acordo


internacional.

 Existem dois tipos de variáveis físicas, as grandezas escalares e as grandezas


vetoriais.

DICAS

Se você quer saber um pouco mais, entre no site: <http://br.geocities.com/


galileon/1/grandezas/grandezas.htm>.

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AUTOATIVIDADE

Para aprimorar os conhecimentos adquiridos, resolva as questões que seguem:

1 Complete as lacunas das frases a seguir:

Um processo de medição é uma comparação entre duas grandezas (físicas) de


____________ espécie(s). Nesse processo, a grandeza a ser medida é comparada
a um padrão que se chama unidade de medida, verificando-se quantas vezes
a ____________ está contido na ____________ a ser medida.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) Mesma – grandeza – unidade.
b) ( ) Diferentes – unidade – grandeza.
c) ( ) Mesma – unidade – grandeza.
d) ( ) Diferentes – grandeza – unidade.
e) ( ) Mesma – espécie – unidade.
f) ( ) Diferentes – espécie – grandeza.

2 Grandezas escalares são aquelas que ficam perfeitamente caracterizadas


quando delas se conhecem o valor numérico e a correspondente unidade.
São exemplos de grandezas escalares:

a) ( ) Força, velocidade, aceleração, campo elétrico e tempo.


b) ( ) Deslocamento, força, tempo, energia e massa.
c) ( ) Área, tempo, potência, comprimento e massa.
d) ( ) Energia, tempo, massa, quantidade de movimento e campo elétrico.
e) ( ) Comprimento, corrente elétrica, tempo, massa e velocidade.
f) ( ) Deslocamento, energia, aceleração, velocidade e tempo.

3 Complete as lacunas da frase a seguir:

Grandezas vetoriais são aquelas que necessitam de ____________, ____________,


____________ e ____________ para serem perfeitamente definidas.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) Valor numérico - desvio - unidade - direção.
b) ( ) Valor numérico - unidade - direção - sentido.
c) ( ) Desvio - sentido - direção - módulo.
d) ( ) Módulo - vetor - padrão - quantidade.
e) ( ) Padrão - valor numérico - unidade - sentido.

4 No Sistema Internacional de Unidades (SI), as unidades de comprimento,


massa, tempo e temperatura são, respectivamente:
a) ( ) Quilômetro, grama, minuto, Kelvin.
b) ( ) Quilômetro, quilograma, hora, Kelvin.
10
c) ( ) Metro, quilograma, segundo, Kelvin.
d)( ) Centímetro, litro, segundo, Celsius.
e) ( ) Metro, quilograma, minuto, Celsius.

5 Escreva os números a seguir em notação científica:


a) 13.500 =
b) 8.540 =
c) 950.700 =
d) 0,03 =
e) 0,0025 =

6 Escreva os números a seguir em notação decimal:


a) 6,25 x 10-2 =
b) 3,15 x 10-4 =
c) 6,02 x 103 =
d) 7,0 x 104 =
e) 1,2 x 106 =

7 Calcule as seguintes expressões, apresentando os resultados em função de


uma potência de 10.
a) 6 x 10-3 + 4 x 10-5 =
b) 5,2 x 103 - 2 x 102 =
c) 3 x 108 x 8 x 10-5 =
d) 1,25 x 104 : 5 x 105 =
e) (6 x 10-5)2 =
f) (144 x 108)1/2 =
g) 2 x 102 (3 x 105 + 4 x 106) =
h) [(3 x 103)2 + 1,6 x 107]1/2 =
i) (49 x 107 . 7x 10-3) + 5 x 106 =

8 Converta os valores das grandezas para unidades do SI.


a) 0,84 km em m.
b) 2h34min em segundos.
c) 350 g em kg.
d) 10 polegadas em m.
e) 56 toneladas em kg.
f) 67 u em kg.
g) 600 libras em kg.
h) 3000 pés em m.

9 Suponha que cada centímetro cúbico de água possui uma massa de exatamente
1g, determine a massa de um metro cúbico de água em quilogramas.

10 A Terra possui uma massa de 5,98x1024 kg. A massa média dos átomos que
compõe a Terra é de 40 u. Quantos átomos existem na Terra?

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UNIDADE 1
TÓPICO 2

OPERAÇÕES COM VETORES

1 INTRODUÇÃO

Uma maçã atinge o crânio de alguém. A força que ele sente é o peso da maçã.
Mas de onde ela veio? Do céu e direto para a sua cabeça! Percebeu a informação
a mais? Precisamos de um novo objeto matemático para desvendar as grandezas
que possuem direção e sentido. Podemos representar essas grandezas como um
segmento de reta orientado. Para compreender melhor, verifique a figura que
segue. Podemos supor que a partícula que atingiu a cabeça em repouso de Newton
foi colocada em movimento devido a uma força de cima para baixo. Se essa força
não estivesse atuando, a maçã continuaria em repouso na árvore.

FIGURA 1 - EXEMPLO DE GRANDEZAS

FIGURA 1 – DESCOBERTA DA LEI DE QUEDA LIVRE DOS CORPOS


FONTE: Disponível em: <http://ich.unito.com.br/view/2749>. Acesso em: 16 jul. 2007.

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

NOTA

Vamos compreender melhor a figura? À esquerda você pode observar Newton


descobrindo a lei da queda livre dos corpos e à direita uma esquematização da queda
livre. Esta ilustração foi retirada do site: <http://ich.unito.com.br/view/2749>. Neste site você
encontra muitas coisas interessantes sobre as leis de Newton. Confira! Para ter uma explicação
pormenorizada sobre gravitação universal acesse o site: <http://nautilus.fis.uc.pt/astro/hu/gravi/
gravitacao_universal.html>.

O vetor tem uma origem (de onde vem) e uma extremidade (para onde
vai), e tem um valor numérico associado a ele, que chamamos de módulo. Quando
nos referimos a uma grandeza vetorial devemos ter um meio de diferenciá-la de
uma grandeza escalar. Por exemplo, podemos falar de uma grandeza escalar como
a temperatura (em graus Celsius) utilizando um símbolo T(OC) e uma grandeza
vetorial, à força (em Newton) com F(N).

Observe que o símbolo da grandeza vetorial F está em negrito, enquanto


que da grandeza escalar T permanece normal. Alguns livros preferem utilizar uma
flechinha sobre a letra que representa a grandeza vetorial, você deve se familiarizar
com as duas maneiras.
FIGURA 2 – VETORES COM DIREÇÃO E SENTIDO

FONTE: A autora

NOTA

Vamos compreender a figura? Observe! Na figura (a) temos um segmento de


reta com origem no ponto A e extremidade no ponto B denominado vetor X, com unidade
de medida em metros (m). Na figura (b) temos um vetor F, força gravitacional da partícula em
queda livre, dada em Newton (N).

Na figura (a) temos a ilustração de um vetor deslocamento X. Trata-se de


uma grandeza cuja unidade é o comprimento, que no SI é o metro m. A distância
entre o ponto A e o ponto B é o módulo do vetor. A direção é horizontal e o sentido
é da esquerda para a direita. Em (b) a direção do vetor é vertical e o sentido para
baixo. Generalizando, podemos representar qualquer grandeza utilizando o
conceito de vetor, desde de que tenhamos que associar a ela direção e sentido.
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TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM VETORES

UNI

O aluno normalmente opta pela notação com flechinha em cima da letra em razão
da dificuldade de representar negrito no caderno. Assim, a força F pode ser escrita como .

Agora que você já conhece o que é um vetor, sabe para que ele serve e
como representá-lo, precisa descobrir como tratá-lo nas operações matemáticas.
Esse ponto é essencial para você, como acadêmico(a). Estude-o com bastante
empenho. Inclusive, seu desempenho futuro nessa disciplina vai depender do
bom aproveitamento da próxima seção.

2 OPERAÇÕES COM VETORES

2.1 ADIÇÃO
A adição de grandezas vetoriais não é tão simples como somar valores
numéricos. Não podemos nos esquecer de que essas grandezas possuem direções
e sentidos muito bem definidos. Essas informações não podem ser perdidas nos
cálculos. Podemos somar vetores através de dois métodos, o método geométrico e
o método do paralelogramo. Em seguida mostramos cada um deles.

2.1.1 Método geométrico

FIGURA 3 – TRÊS VETORES QUAISQUER, a1, a2 e a3

FONTE: A autora

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

Como você pode observar, há três vetores no espaço, representados na


figura anterior (em duas dimensões, plano do papel), a1, a2 e a3. Agora, vamos
deslocá-los sobre esse mesmo espaço arrastando-os de tal modo que a extremidade
do primeiro coincida com a origem do segundo e a extremidade deste com a origem
do terceiro. Observe o resultado na figura a seguir. O vetor aR é o vetor resultante
da soma, aR = a1 + a2 + a3 .

FIGURA 4 – À ESQUERDA A SOMA DOS VETORES a1, a2 E a3. À DIREITA O VETOR


RESULTANTE ar

FONTE: A autora

2.1.2 Método do Paralelogramo


O método do paralelogramo consiste em somar os vetores aos pares. A
resultante de cada par é dada pela lei dos cossenos modificada: r2 = a2 + b2 + 2abcosθ.
Acompanhe o raciocínio disponível nas próximas ilustrações:

FIGURA 5 – TRÊS VETORES QUAISQUER, a, b e c

FONTE: A autora

Vamos deslocar o vetor a e b da figura 5, colocando suas origens no mesmo


ponto. Depois, traçamos linhas paralelas aos vetores em suas extremidades, figura
6. Por último, desenhamos um vetor que se origina na origem dos vetores e vai até
a interseção das linhas paralelas.

FIGURA 6 – SOMA DOS VETORES a E b E SUA RESULTANTE R, E SUA FORMULAÇÃO


MATEMÁTICA

FONTE: A autora

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TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM VETORES

E
IMPORTANT

Observe como não podemos simplesmente somar as grandezas vetoriais a e b


como fazemos com os escalares.

Agora vamos somar o vetor R ao vetor c, figura 7, e obter um novo vetor


resultante. O vetor N é dado por,
FIGURA 7 – SOMA '
c c
R R

FONTE: A autora

Observe como os dois métodos coincidem em termos de resultados, aR = N,


na ilustração da figura 8. É importante notar que um vetor pode ser transportado pelo
espaço sem perder suas propriedades. Ou seja, o módulo, a direção e o sentido do vetor
não se perdem no transporte paralelo do vetor aR do ponto A até o ponto B. Se você
fizer o deslocamento horizontal do vetor aR até o vetor N, verá que os dois coincidem.

FIGURA 8 – COMPARAÇÃO DOS DOIS MÉTODOS. O MÉTODO A, DO POLÍGONO. E O


MÉTODO B, DO PARALELOGRAMO. OBSERVE QUE aR É IGUAL A N

FONTE: A autora

Vamos praticar? Encontre o vetor resultante da soma entre um vetor cujo


módulo é de 3m com outro de 4m, que formam um ângulo de 300 entre si.
FIGURA 9 – VETORES DA ATIVIDADE

FONTE: A autora

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

Vejamos a solução!

Resposta: O vetor resultante possui 6,8m.

2.2 SUBTRAÇÃO

Consideramos os vetores a e b dados nas figuras a seguir, conhecidos o


módulo, a direção e o sentido (CARRON; GUIMARÃES, 1999).

FIGURA 10 – VETORES A E B

FONTE: A autora

A subtração d = a – b é feita do seguinte modo: sem alterar os vetores,


desenhamos os dois com uma origem coincidente. Em seguida, unimos as duas
extremidades por um segmento de reta.

FIGURA 11 – SUBTRAÇÃO DE VETORES

FONTE: A autora

O módulo do vetor d, que representa a diferença vetorial entre os vetores


a e b é dado por:

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TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM VETORES

2.3 TRIGONOMETRIA

A trigonometria trata das medidas nos triângulos. Os métodos


trigonométricos permitem descobrir os valores de lados e ângulos em triângulos
dos quais se conhecem apenas alguns elementos.

FIGURA 12 – MEDIDA DE ÂNGULOS

FONTE: A autora

Para os propósitos desse Caderno de Estudos, devemos conhecer as


seguintes relações:

Exemplo 1: A projeção do segmento AB sobre a reta r mede 9,5 cm. Qual é


o comprimento do segmento AB?

FIGURA 13 – A PROJEÇÃO DO SEGMENTO AB

FONTE: A autora

Solução: Podemos transformar a figura anterior num triângulo retângulo


traçando uma reta BC perpendicular a r no ponto B.
19
UNIDADE 1 | MECÂNICA

FIGURA 14 – RETA BC

FONTE: A autora

AC é a projeção de AB sobre a reta r e vale 9,5 cm, conforme o enunciado.


Comparando com o triângulo retângulo da definição, encontramos que AC é o
cateto adjacente ao ângulo de 180. Assim, podemos calcular AB como segue:

2.4 DECOMPOSIÇÃO VETORIAL


Um vetor a qualquer no espaço plano x-y pode ser decomposto em suas
componentes ax e ay na direção dos eixos coordenados. Aplicando as relações
trigonométricas do triângulo retângulo encontramos os módulos do vetor a na
direção x (ax) e na direção y (ay), juntamente com a direção θ do vetor.

FIGURA 15 – DECOMPOSIÇÃO DO VETOR A NO SISTEMA CARTESIANO (PLANO-XY). VALOR DAS


COMPONENTES E DIREÇÃO DO VETOR

FONTE: A autora

A seguir, você confere a tabela dos valores de seno, cosseno e tangente para
os principais ângulos.

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TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM VETORES

TABELA 6 – SENO, COSSENO E TANGENTE DOS PRINCIPAIS


ÂNGULOS

FONTE: A autora

ATENCAO

Ao utilizar os valores da tabela você não precisa substituí-los em forma de

fração, na sequência, observe que no exemplo 1, substituímos . E em


.

Esta tabela fornece apenas alguns ângulos. Você pode calcular os outros
quando for necessário, utilizando uma calculadora científica. E agora, que tal
entendermos um pouco mais através de alguns exemplos?

Exemplo 2: Encontre as componentes do vetor b com módulo de 12 m


formando um ângulo de 300 com o eixo horizontal x.
FIGURA 16 – VETOR E SUAS COMPONENTES, EXEMPLO 1

FONTE: A autora

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UNIDADE 1 | MECÂNICA

m m
Resposta: A componente na direção horizontal x é 10,4 m e a componente
na direção vertical y é 6 m.

Exemplo 3: Um projétil é atirado com velocidade de 400 m/s, fazendo um


ângulo de 45º com a horizontal. Determine a componente horizontal vx e a vertical
vy da velocidade do projétil.

FIGURA 17 – VETOR E SUAS COMPONENTES, EXEMPLO 2

FONTE: A autora

Solução:

m/s m/s

Resposta: As componentes na direção horizontal e vertical são a mesma e


valem 284m/s.

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TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM VETORES

DICAS

Quer mais informações?

1. Encontre um resumo teórico mais detalhado sobre vetores no site: <http://www.cefetsp.br/


edu/okamura/Resumo%20Teorico%20de%20Vetores.htm>.
2. Mas se você já está familiarizado com a linguagem vetorial e é bom em álgebra, veja o
resumo do site: <http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/geometria/vetor2d/vetor2d.
htm>.
3. Para uma visão mais abrangente de trigonometria acesse o seguinte site: <http://pessoal.
sercomtel.com.br/matematica/trigonom/trigo03.htm>.
4. Ou ainda o site super informativo abaixo:
<http://www.okime.com.br/InformacoesUteis/Glossario/Trigonometria/trigonometria.htm>.

23
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você viu que:

 Umvetor serve para representar qualquer grandeza vetorial. E possui um valor


numérico (módulo), uma direção e um sentido.

 Há duas operações básicas com vetores: a soma e a decomposição. Existem


outras, como o produto vetorial e o produto escalar, que não abordaremos nesse
caderno. As definições delas serão aplicadas diretamente.

UNI

Não deixe de fazer os exercícios sugeridos na autoatividade antes de continuar.


Neles entramos em alguns detalhes importantes.

24
AUTOATIVIDADE

1 Quais características de um vetor precisamos conhecer para que ele fique


determinado?

2 O que é módulo de um vetor? E o que é um vetor resultante?

3 Dois vetores A e B, de módulos A = 6 e B = 7, formam entre si um ângulo de


600. Determine o módulo do vetor resultante R da figura que segue. Use
R2 = a2 + b2 + 2.a.b.cos θ .

4 Dois vetores A e B, de módulos A = 3 e B = 4, formam entre si um ângulo de


900. Determine o módulo do vetor resultante R da figura abaixo. Use R2 = a2 + b2
+ 2.a.b.cos θ. Observe que a fórmula se reduz a R2 = a2 + b2 com θ igual a 900.

5 O vetor a possui módulo igual a 5 m e forma com a horizontal um ângulo de


300. Determine as componentes horizontal e vertical deste vetor. Observação:
problema com decomposição geométrica (semelhante exemplo 1 e 2 da seção
2.2). Figura seguinte.

25
6 Um guarda florestal, postado numa torre de 30 m, no topo de uma colina de
520 m de altura, vê o início de um incêndio numa direção que forma com a
horizontal um ângulo de 20o. A que distância aproximada da colina está o
fogo?

7 Encontre o valor de x.

8 Considerando a ilustração a seguir, sendo de 10 m a sombra do prédio


projetada no chão, calcule a altura do prédio.

9 Qual é o perímetro ABC? Observação: perímetro é a soma do comprimento de


todos os lados.

10 Uma esfera de massa 3,0 x 10-4 kg está suspensa por um fio. Uma brisa sopra
ininterruptamente na direção horizontal, empurrando a esfera de tal maneira
que o fio faz um ângulo constante de 370 com a vertical. Desta forma, encontre:
a) o peso da esfera;
b) sabendo que o peso calculado é o cateto adjacente ao ângulo, encontre o
módulo daquele empurrão (cateto oposto);
c) encontre a tração no fio (hipotenusa).
26
UNIDADE 1
TÓPICO 3

O MOVIMENTO DOS CORPOS

1 INTRODUÇÃO

Coloque-se no lugar do nosso ancestral, o homem de Cro-Magnon,


esquecido entre as paragens rupestres de milhares de anos. Levemente atento,
ou completamente absorto na quase refrescante sombra de uma rocha escaldada
pelo sol. Agachado ali até que veja algum animal de médio porte e sai então ao
seu encalço. Com o sol fritando a sua fronte e estilhaços de pedra aos pés. O
coração parecendo um tambor da morte. Tudo era movimento, dentro e fora de
si, no outro ser que fugia. No sol que se punha logo em seguida. Agora pense no
movimento rápido e preciso de uma flecha rasgando o ar. Na viagem de um fóton
da superfície do Sol até a superfície da Terra. Você consegue ver como o espaço e o
tempo se relacionam nesses movimentos? Dizemos que um corpo se encontra em
movimento se a sua posição, em relação a um referencial, varia no tempo. Se a sua
posição permanece inalterada, dizemos que o corpo está em repouso.

Na próxima seção vamos definir alguns conceitos que nos ajudarão a


analisar o movimento dos corpos.

DICAS

Se você quer ficar por dentro das novidades do mundo da física, visite os sites:
 <http://www.ft.org.br/site/painel/html/curiosidades.html>.

 <http://www.unesp.br/universofisico/>.

27
UNIDADE 1 | MECÂNICA

2 CINEMÁTICA
Os corpos, cujo movimento acompanhamos na seção anterior, formam
duas categorias. Na primeira estão os corpos grandes (corpos extensos), quase
do tamanho da trajetória. Na outra estão os corpos pequenos (pontos materiais
ou partículas), cujas dimensões são desprezíveis comparadas ao tamanho da
trajetória. Vamos permanecer com a segunda categoria, por enquanto. Para estudar
o movimento da partícula precisamos adotar um referencial. Um lugar no espaço,
de onde observamos os movimentos e podemos dizer se o corpo se encontra em
movimento ou não. Chamamos de posição, o lugar sobre a trajetória, em que o
corpo se encontra. E chamamos de trajetória a linha descrita pelo movimento do
corpo. Distância percorrida é toda a trajetória do corpo desde sua posição inicial
até sua posição final. Deslocamento é a menor distância entre o ponto inicial e
o final, ou seja, a linha que une esses dois pontos. Acompanhe os resultados na
figura que segue:

FIGURA 18 – DISTÂNCIA PERCORRIDA ENTRE OS PONTOS A E B, E DESLOCAMENTO ΔX DO


MÓVEL ENTRE AS POSIÇÕES X1 E X2.

FONTE: A autora

DICAS

Caso esteja precisando de informações mais detalhadas, você poderá acessar os


seguintes sites:
 <www.mundofisico.joinville.udesc.br/PreVestibular/2005-1/mod1/node16.html>.

 <http://br.geocities.com/saladefisica6/cinematica/deslocamento.htm>.

A velocidade média da partícula é o quociente do deslocamento Δx pelo


intervalo de tempo Δt decorrido desde x1 até x2,

28
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

E
IMPORTANT

Em termos de unidades de medida, as grandezas ficam: Δx(m), Δt(s) e Vm(m/s). O


deslocamento dado em metros, o tempo em segundos e consequentemente, a velocidade em
metros por segundo. Para converter m/s em km/h multiplique por 3,6.

ATENCAO

O valor que você enxerga no velocímetro do carro não é o valor da velocidade


média. E sim a velocidade do carro naquele dado instante. Nesse caso você está anotando a
velocidade instantânea.

A aceleração é responsável pela variação da velocidade e é dada pela


expressão,

Vamos relacionar as equações de movimento utilizando a tabela 6.

TABELA 7 – EQUAÇÕES DO MOVIMENTO RETILÍNEO

FONTE: A autora

O movimento com aceleração constante e em linha reta é denominado


MRUV, movimento retilíneo uniformemente variado, na tabela 6, segunda coluna.
Se a aceleração for nula, o movimento passa a ser MRU, movimento retilíneo
uniforme e as equações se reduzem, conforme a terceira coluna.

Exemplo 1: Determine o intervalo de tempo para a luz vir do Sol à Terra.


No vácuo, a velocidade da luz é constante e aproximadamente igual a 3,0 x 105
km/s. A distância entre o Sol e a Terra é de 1,49 x 108 km. Considere o movimento
de propagação da luz em linha como retilíneo e uniforme.

29
UNIDADE 1 | MECÂNICA

Solução: Como o movimento é uniforme,


Adotando a origem dos espaços como sendo o Sol, escolhemos x0 = 0. Sendo
x= 1,49 x 108 km e v = 3,0 x 105 km/s

Podemos encontrar esse valor em minutos, aplicando o fator de conversão,

Vamos transformar 0,28min em segundos novamente,

Escrevendo o valor todo, encontramos que o tempo que a luz do Sol chega
à Terra é de 8min17s.

3 DINÂMICA

Até aqui você fez observações muito simples e aprendeu a linguagem


dos vetores. Mas precisamos explorar mais a fundo os recursos da matemática e
encontrar explicações convincentes sobre a origem do movimento dos corpos.

Isaac Newton conseguiu resumir suas observações acerca dos movimentos


e das causas que os originam, através de três leis que ele enunciou no seu livro,
de 328 páginas, intitulado: Princípios matemáticos da filosofia natural. Com um
embasamento teórico fundamental até hoje.

30
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

O conceito de força está associado a uma ideia de mudança. Um copo não


sai voando sozinho no meio da sala. A bola de futebol não vai até o gol sem que
o jogador lhe dê um chute. As ondas não se formam no mar sem que o vento
sopre. Sendo mais explícita, os corpos permanecem em repouso ou em movimento
retilíneo uniforme (velocidade constante, aceleração nula) a não ser que sobre eles
atue uma força resultante diferente de zero (esse é o enunciado da primeira lei de
Newton).

FIGURA 19 – PRINCIPIA: PRINCÍPIOS MATEMÁTICOS DA FILOSOFIA


NATURAL

FONTE: NEWTON, Isaac. Disponível em: <http://www.edusp.com.


br/detlivro.asp?ID=733482>. Acesso em: 16 jul. 2007.

E
IMPORTANT

Principia: Princípios matemáticos da filosofia natural. Esta foi a primeira obra de


física teórica. Publicada pela primeira vez em 1687, nela Newton expõe seu método que deriva
as causas de todas as coisas a partir dos princípios mais simples possíveis, comprovados pelo
estudo dos fenômenos. Você encontra outros detalhes sobre o livro no site: <http://www.
edusp.com.br/detlivro.asp?ID=733482>.

Vamos pensar em termos de campos gravitacionais. O corpo mais massivo


sempre atrai o menos massivo. Observe como as partículas de pó são atraídas
para os móveis antes de cair no chão. Ou como é impossível soltar um objeto no
ar e ele permanecer parado. Existe um agente que provoca a queda dos corpos
próximos à superfície da Terra. Esse agente é a força gravitacional. Então podemos
supor que cada corpo possui um campo de influências que pode ser percebido
por outro corpo. Podemos igualar à força peso à força gravitacional, encontrando
o produto da massa com a aceleração da gravidade P = mg. Quando campos de
diferentes corpos se cruzam ocorre uma interação entre eles que pode provocar
o movimento. O fato é que, se um corpo provoca uma força sobre outro corpo,
este reage com uma força de mesma intensidade (módulo), mesma direção, mas
31
UNIDADE 1 | MECÂNICA

de sentido oposto (enunciado da terceira lei de Newton). A força de reação ao


apoio ou simplesmente força normal N é um exemplo disso, ela aparece sempre
que ocorre uma pressão de um corpo sobre uma superfície. Observe os vetores das
forças atuando sobre dois corpos apoiados um no outro, na próxima figura.

Existem muitos exemplos de força. A força num cabo estendido que eleva
um peso, ou que arrasta através de um plano inclinado, é chamada de força de
tração. A força magnética entre os polos de um ímã, ou provocada pela passagem
de uma corrente elétrica. A força de arrasto do ar que sustenta o paraquedas.
A força de atrito devido ao contato dos pneus com a pista. A força centrípeta
associada às rotações. Enfim, observação de forças é que não lhes faltam. Vamos
olhar um pouco mais de perto para essa grandeza tão presente na nossa vida.

Observe os vetores N (reação ao apoio), P (peso do livro), P` (peso da caixa)


e F (força aplicada) da figura a seguir, faça de conta que o retângulo amarelo é
um livro e o retângulo branco é uma caixa. Colocando em prática a primeira lei
e terceira lei de Newton, chegamos à conclusão de que no primeiro caso a força
normal N é igual ao peso P, porém no segundo caso isso não é mais verdade, pois
agora quem faz par ação-reação com a normal é a força aplicada F.

FIGURA 20 – SIMULAÇÃO DA PRIMEIRA LEI E DA TERCEIRA LEI DE NEWTON

FONTE: A autora

NOTA

Vamos entender melhor a figura? Na primeira situação, o peso do livro (força P)


atua sobre a caixa e aparece nessa face da caixa uma força de reação ao apoio do livro sobre a
caixa (força N), atuando em sentido contrário. No segundo caso uma força F é aplicada sobre o
livro pressionando-o contra a superfície vertical da caixa. A reação normal ao apoio N aparece
agora em sentido oposto a F.

32
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

3.1 PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA


DINÂMICA OU SEGUNDA LEI DE NEWTON
Na primeira lei de Newton vimos que se a resultante das forças que atuam
em um corpo for nula, este corpo estará em repouso ou em movimento retilíneo
uniforme. Em qualquer dessas situações, a aceleração do corpo é igual a zero.

A pergunta é: que tipo de movimento teria o corpo se a resultante das forças


que nele atuam não fosse nula? A resposta a essa pergunta pode ser encontrada
através de uma experiência simples. Considerando um carrinho colocado sobre
um trilho de ar (atrito desprezível), sendo puxado por uma força F (na direção
x). Como as demais forças, que atuam no corpo (peso e reação normal, na direção
vertical), se equilibram, podemos considerar a força F como a única força que atua
no corpo. Analisando tal movimento, concluímos que a aceleração que um corpo
adquire é diretamente proporcional à resultante das forças que atuam nele, e tem
a mesma direção e o sentido desta resultante. Ou seja,

F = m.a. (Segunda lei de Newton)

Onde, F é a força resultante, m a massa do corpo e a é a aceleração que o


corpo adquire.

No caso da força gravitacional substituímos F por P, e a por g (aceleração


da gravidade). Ou seja, P = m.g.

DICAS

Se você tiver um tempinho extra, acesse os seguinte sites:


• <http://br.geocities.com/saladefisica3/laboratorio/newton2/newton2.htm>. Nesse sites você
pode fazer experiências virtuais com base na segunda lei.
• <http://educar.sc.usp.br/fisica/dinateo.html>. Aqui você encontra várias aplicações das leis
de Newton.

Vejamos um exemplo:

Uma força de 30 N é aplicada num corpo de massa 4,0 kg, inicialmente


em repouso. Sabendo que essa é a única força atuante, determine a velocidade do
corpo após 8,0 s.

Solução: da segunda lei de Newton F = ma,

33
UNIDADE 1 | MECÂNICA

da equação de velocidade v = v0 + at,


v = 0 + 7,5(8) = 60 m/s.

Resposta: A velocidade do corpo é de 60 m/s.

3.2 EQUILÍBRIO DE TRANSLAÇÃO


DE UM PONTO MATERIAL
Sempre podemos aproximar um corpo a um ponto material, se suas
dimensões forem pequenas comparadas ao espaço em que ele atua. Assim, estamos
considerando um ponto material o corpo da figura que segue. Atuam sobre ele três
forças, F1, F2 e F3. O corpo não está em movimento, consequentemente também
não possui aceleração. Então, substituindo a = 0 na segunda lei, encontramos que a
força resultante (F = F1+ F2 + F3) na equação de Newton, F = ma, é zero.

FIGURA 21 – PONTO MATERIAL EM EQUILÍBRIO

FONTE: A autora

NOTA

Ponto material em equilíbrio, com as forças F1, F2 e F3 atuando sobre ele. Note que
para encontrar a resultante não podemos fazer uma simples soma algébrica. Temos que usar
os métodos de decomposição e soma de vetores. Fonte: A autora.

Substituindo zero na definição de força, encontramos:

F1+ F2 + F3 = 0.

34
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

A equação da força resultante, F = F1+ F2 + F3, pode ser generalizada para


um número qualquer de forças da seguinte maneira, F = F1 + F2 + F3 + F4 + ... + Fn =
Σ Fi, com i de 1 até n, n todos os inteiros positivos. Assim chegamos à condição de
equilíbrio (estamos considerando apenas os movimentos de translação), Σ Fi = 0.
Note que o ponto material poderia estar se movendo com velocidade constante e
teríamos o mesmo resultado (v = constante → a = 0).

FIGURA 22 – FORÇAS NA DIREÇÃO x e y

FONTE: A autora

As equações resultantes em cada uma das direções (decomposição da


figura anterior) se tornam:

F2x – F1x = 0,
F1y + F2y – F3y = 0.

3.3 FORÇA DE ATRITO


Quando um corpo é arrastado por uma força F sobre uma superfície
rugosa, surge uma força de atrito A em sentido contrário ao movimento. A figura
a seguir mostra o esquema das forças que atuam sobre tal corpo. O atrito com uma
superfície depende da pressão entre o objeto e a superfície; quanto maior for a
força normal N maior será o atrito.
FIGURA 23 – FORÇAS QUE ATUAM SOBRE O CORPO

FONTE: A autora

35
UNIDADE 1 | MECÂNICA

NOTA

Vamos compreender o esquema de forças que atuam sobre o corpo em


movimento horizontal para a direita (eixo x) com velocidade V. Nessa direção atua a força
aplicada F, no sentido do movimento. E a força de atrito A, no sentido oposto. Na direção
vertical (eixo y) atuam as forças N e P, que se equilibram (corpo não se move na direção y). Ao
lado, quadro com as grandezas envolvidas no problema e suas unidades.

Na horizontal (eixo-x), a força de atrito do corpo em movimento é


proporcional à força normal (aplicada verticalmente, eixo-y) do corpo com a
superfície e praticamente não depende da velocidade ou área de contato. Seu valor
é dado por

A = µ N, Equação (1)

onde µ é o coeficiente de atrito cinemático. Aplicando a segunda lei (F =


ma), escrevemos a força resultante na direção x,

F - A = m.a. Equação (2)

E na direção y, com a aceleração a igual a zero, tornando nulo o termo à


direita da equação de Newton (o corpo não se move na vertical),

N - P = 0. Equação (3)

Exemplo: Calcule o coeficiente de atrito cinético entre o chão e o engradado


de 80kg, arrastado horizontalmente por uma força de 200N. E que se move com
uma aceleração de 2m/s2.

Solução: Encontramos a força de atrito A utilizando a equação (2) para o


movimento na direção x,

Da equação (3) temos, N - P = 0 -> N = P = mg. Usando a definição de força


de atrito,

36
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

Resposta: O coeficiente de atrito cinético é 0,051.

Observação: O coeficiente de atrito tem dois valores diferenciados, o


cinético e o estático. O primeiro ocorre quando uma superfície desliza sobre a
outra. No segundo caso não há deslizamento, e a força aplicada ainda não atingiu
o mesmo valor (em módulo) que o da força de atrito estático máximo. Quando as
duas se igualam ocorre o deslizamento e quem passa a atuar é a força de atrito
cinético.

3.4 FORÇA ELÁSTICA


FIGURA 24 – MOLA COM SEU COMPRIMENTO INICIAL

FONTE: A autora

NOTA

Vamos entender melhor a figura anterior! Mola com seu comprimento inicial l0
(não deformada) e comprimento final l (deformada pela força F). Quando a mola é esticada
pela força F aparece uma força elástica Fe resistente à deformação x em sentido oposto.

A força elástica é uma força de resistência que aparece quando um corpo


elástico é deformado. Olhe a figura 19, temos um corpo na posição de equilíbrio
(não deformado) l0, quando aplicamos uma força F para esticá-lo, surge uma força

37
UNIDADE 1 | MECÂNICA

elástica Fe no sentido oposto à deformação sofrida. A força elástica Fe é proporcional


à deformação x (comprimento da mola esticada l menos o comprimento inicial
da mola l0). No primeiro quadro estão as grandezas envolvidas e no segundo as
fórmulas da força elástica.

3.5 PLANO INCLINADO


Para compreender o que é um Plano Inclinado, observe a figura a seguir. O
bloco é acelerado na direção x pela força gravitacional P, na direção r. Na verdade,
apenas uma parcela da força gravitacional (Px) contribui para o movimento, a outra
parte (Py) é equilibrada com a força normal N, na direção y.

FIGURA 25 – O BLOCO DESCE UMA SUPERFÍCIE INCLINADA NUM ÂNGULO θ EM RELAÇÃO À


DIREÇÃO X

FONTE: A autora

Agora observe a figura a seguir. Na figura (a) o vetor força gravitacional


P foi decomposto em suas componentes Px e Py. No quadro encontramos seus
respectivos valores numéricos. À direita (b), aproximamos o bloco a um ponto
material e representamos as forças que atuam sobre ele, na direção x e y. No quadro
encontramos a força resultante em cada uma das direções. Notem que a equação
na direção y foi igualada a zero, pois o bloco não se move nesta direção (Py = N).

FIGURA 26 – (A) DECOMPOSIÇÃO VETORIAL DE P. (B) EQUAÇÕES DE MOVIMENTO NA


DIREÇÃO X E Y
(a) (b)

FONTE: A autora

38
TÓPICO 3 | O MOVIMENTO DOS CORPOS

Vejamos um exemplo:

A mola da figura anterior varia seu comprimento de 12 cm para 17 cm


quando penduramos em sua extremidade um corpo de peso 10 N. (a) Qual a
constante elástica da mola, em N/m? (b) Qual o comprimento dessa mola, quando
ela sustentar em equilíbrio um corpo de peso 20 N?

Solução:

a) A deformação ocorrida na mola vale:


  
x = l − =
l 0 17 - 12 = 5 cm = 0,05 m.
Pelo fato do bloco A estar em equilíbrio, vem:

b) Como o peso do corpo B é o dobro do peso de A, a mola terá sua


deformação duplicada (de 5 cm para 10 cm). Logo, o comprimento da mola,
quando esta sustenta o corpo B, será:

NOTA

Caro(a) acadêmico(a)! Para aprofundar seus conhecimentos sugerimos a obra:


HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física: mecânica. Rio de
Janeiro: LTC, 2008.

39
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos que:

 Existem duas maneiras de olhar para um corpo, como um ponto material


(dimensões desprezíveis) ou como um corpo extenso e rígido (dimensões
consideráveis).

 As três leis de Newton são: princípio de inércia - nada muda seu estado de
movimento ou de repouso, a não ser que atue uma força resultante não nula.
Segundo princípio, ou princípio fundamental - uma força resultante não nula
produz aceleração. Terceiro princípio, toda ação produz reação, ou seja, se uma
força está sendo aplicada aparece outra força que atua no sentido oposto.

 Define-se através de expressões algébricas as seguintes grandezas: deslocamento,


velocidade, aceleração, segunda lei de Newton, força gravitacional, força de
atrito, força elástica.

40
AUTOATIVIDADE
1 A velocidade do corpo varia de 6m/s para 15m/s em 3s. Qual a sua aceleração
média?

2 Um motoqueiro percorre com sua moto uma distância de 350 km com


velocidade escalar média de 100 km/h. Quanto tempo, em segundos, gastou
o motoqueiro para percorrer este percurso?

3 O que é uma força resultante? Qual é a formulação matemática da segunda


lei de Newton? Em que ocasião o lado direito dessa equação é igual a zero?

4 Um bloco A homogêneo, de massa igual a 3,0 kg, é colocado sobre um


bloco B, também homogêneo, de massa igual a 6,0 kg, que por sua vez é
colocado sobre o bloco C, o qual se apoia sobre uma superfície horizontal,
como mostrado na figura a seguir. Sabendo-se que o sistema permanece em
repouso, calcule o módulo da força que o bloco C exerce sobre o bloco B, em
Newtons. Utilize g = 10 m/s2.

5 Dado o esquema da figura a seguir, onde m = 5 kg, encontre (utilize g = 10


m/s2):

a) As forças resultantes na direção x e y.


b) Encontre o módulo da força N da reação de apoio.
c) Sabendo que o corpo se move com uma aceleração de 2 m/s2 e que o coeficiente
de atrito cinético é 0,5, determine o módulo da força F.

41
6 (Unesp 2005) A figura ilustra um bloco A, de massa mA = 2,0 kg, atado a um
bloco B, de massa mB = 1,0 kg, por um fio inextensível de massa desprezível. O
coeficiente de atrito cinético entre cada bloco e a mesa é µC. Uma força F = 18,0N
é aplicada ao bloco B, fazendo com que ambos se desloquem com velocidade
constante. Considerando g = 10,0 m/s2, calcule: a) o coeficiente de atrito µC; b) a
tração T no fio.

7 Escreva a função horária das posições nos seguintes casos e diga se o


movimento é MRU ou MRUV: (Observe os exemplos a, b e c).

a) Posição inicial igual a zero (saiu da origem), velocidade constante igual a 6


m/s.
R.: X = 6t MRU

b) Posição inicial igual a 2 m, velocidade constante igual a 8 m/s.


R.: X = 2 + 8t MRU

c) Posição inicial igual a zero (saiu da origem), velocidade inicial igual a zero
(partiu do repouso) e aceleração constante igual a 6 m/s2.
R.: X = 3t2 MRUV

d) Posição inicial igual a zero, velocidade inicial igual a 3 m/s e aceleração


constante igual a -2 m/s2.

e) Posição inicial igual a zero (saiu da origem), velocidade constante igual a -12
m/s.

f) Posição inicial igual a -2 m, velocidade constante igual a -8 m/s.

g) Posição inicial igual a zero (saiu da origem), velocidade inicial igual a -3 m/s
e aceleração constante igual a 6 m/s2.

h) Posição inicial igual a 6 m, velocidade inicial zero (partiu do repouso) e


aceleração constante igual a 2 m/s2.

i) Posição inicial igual a 8 m, velocidade inicial 8 m/s e aceleração constante


igual a zero (aceleração nula).

42
j) Queda Livre. Posição inicial igual a zero (saiu da origem), velocidade inicial
zero (partiu do repouso) e aceleração constante igual a -9,8 m/s2.

8 Durante uma tempestade, um indivíduo vê um relâmpago e ouve o som do


trovão 4 segundos depois. Determine a distância que separa o indivíduo do
local do relâmpago, dada a velocidade do som no ar constante e igual a 340 m/s.

9 A velocidade de um automóvel é reduzida de 108 km/h para 36 km/h em


4,0s. Determine a aceleração escalar média, em (km/h)/s e m/s2, e classifique o
movimento do automóvel.

10 Um bloco de massa 7 kg é arrastado ao longo de um plano inclinado sem


atrito, conforme a figura. Para que o bloco adquira uma aceleração de 5 m/s2
para cima, qual deverá ser a intensidade de F? (Dados: sen θ = 0,8; cos θ = 0,6;
g = 10 m/s2).

11 Para empurrar uma van ao longo de um gramado, com velocidade constante,


você deve exercer uma força constante. Relacione este fato com a primeira lei
de Newton, que estabelece que movimento com velocidade constante indica
ausência de força.

12 Qual é a força resultante sobre um objeto de 20 N em queda quando ele se


depara com 4 N de resistência do ar? E com 10 N de resistência do ar? Quanto
teria que ser essa força oposta para que ele caísse com velocidade constante?

13 Dado o esquema a seguir, determine:


a) a aceleração do sistema;
b) a intensidade da força aplicada pelo corpo A sobre C, considerando a
inexistência de atrito.

43
14 Seja um sistema conforme o da figura a seguir, o coeficiente de atrito do piso
é de 0,1. Determine:

a) a aceleração do sistema;
b) a tração no fio.

15 Submete-se um corpo de massa igual a 5000 kg à ação de uma força constante


que, a partir do repouso, imprime-lhe a velocidade de 72 km/h, ao fim de 40
segundos. Determine:

a) a intensidade da força;
b) o espaço percorrido.

16 Qual o valor em newtons da força média necessária para fazer parar, num
percurso de 20 m, um automóvel de 1,5 x 103 kg a uma velocidade de 72 km/h?

44
UNIDADE 1
TÓPICO 4

TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

1 INTRODUÇÃO

Grandes deslocamentos de massas na natureza provocam grandes


acidentes. Na figura que segue, vemos à esquerda um furacão arrastando consigo
enormes quantidades de matéria, ao centro um abalo sísmico provocando a
ruptura de um viaduto, e à direita ondas gigantescas invadindo uma cidade. Em
todos os casos temos uma força resultante não nula atuando sobre uma porção
da matéria, produzindo nela um deslocamento. O produto escalar entre a força
resultante e o deslocamento sofrido, denominamos trabalho W. O trabalho sempre
pode ser associado a uma forma de energia. Uma variação de energia mecânica
∆E diferente de zero pode gerar trabalho. Estudaremos nesse tópico a energia
mecânica E associada à configuração (energia potencial EP) e ao movimento
(energia cinética EC).

FIGURA 27 – CATÁSTROFES PROVOCADAS POR GRANDES DESLOCAMENTOS DE MASSA

FONTE: Disponível em: <http://weblogs.clarin.com/conexiones/archives/000754.html>. Acesso


em: 29 mar. 2007.

45
UNIDADE 1 | MECÂNICA

2 TRABALHO
Vamos partir da afirmação de que o trabalho resultante sobre um corpo é
devido à contribuição do trabalho de cada uma das forças que atuam sobre ele,
na direção do deslocamento. Podemos utilizar o esquema da figura a seguir como
exemplo. Sobre o bloco atua uma força F formando um ângulo θ com a direção
horizontal (direção do deslocamento, ∆S), e outra força se impondo ao movimento,
a força de atrito A (no sentido contrário). O trabalho da força resultante é, então,
o trabalho da força aplicada F menos o trabalho da força de atrito A, que age no
sentido contrário. Assim, escrevemos W = F∆x cosθ - A∆x.

FIGURA 28 – BLOCO PERCORRE O DESLOCAMENTO

FONTE: A autora

Agora vamos encontrar o trabalho realizado por uma força para erguer o
bloco do chão, na figura que segue, até uma altura ∆y = y. A força de tração T puxa
o bloco verticalmente para cima, mas a força peso P exerce uma força no sentido
oposto, o trabalho total pode ser escrito como, W = T∆y - P∆y. Na (b) o bloco está
caindo, vamos encontrar o trabalho da força gravitacional para trazê-lo da altura y
até o chão. O deslocamento e a força resultante estão no mesmo sentido. Assim, W
= P∆y. A unidade da grandeza trabalho W é Joule (J).

FIGURA 29 – (a) BLOCO SENDO ERGUIDO. (b) BLOCO CAINDO

FONTE: A autora

Podemos, então, definir o trabalho W como sendo o produto da força F


com o deslocamento d, tomando ambos na mesma direção,

Sendo W em joules (J), F em newtons (N) e d em metros (m).


46
TÓPICO 4 | TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

E
IMPORTANT

Calculamos o trabalho utilizando sempre a força na direção do deslocamento.


Por isso podemos generalizar trabalho como sendo, W = Fcosθ.d, onde d é o deslocamento. Se
F e d estão na mesma direção, o sistema está realizando trabalho (+W → W > 0). Se F e d estão
em sentidos opostos, estamos realizando trabalho sobre o sistema (-W → W < 0).

A potência P (não confundir com o P de peso) é a relação entre a energia e


o tempo,

3 POTÊNCIA E RENDIMENTO
Ainda sobre o ato de elevar um bloco de y1 = 0 até a altura y2 = y na figura
24 (a), podemos afirmar que quanto menor for o tempo gasto, maior foi o esforço
empregado. Portanto, podemos dizer que a relação entre a energia e o tempo dá
uma nova grandeza física, a potência. Como no nosso caso a energia que estamos
estudando é o trabalho:

W
P=
H
∆t
é a expressão da potência P. A unidade de medida utilizada para a potência
é o watt (W). Não confunda W de Watt da unidade com W de trabalho da grandeza.
Por exemplo, você diz: O trabalho realizado é de 6 Joules (W = 6J), ou a potência é
de 40 watt (P = 40W).

Conhecendo o valor da força aplicada e a velocidade do corpo, podemos


determinar uma potência instantânea fazendo, P = Fv.

Um dispositivo que realiza trabalho recebe energia por unidade de tempo


(a potência fornecida PF) e utiliza uma certa potência útil (PU). Sabemos que
devido a fatores resistivos, como o atrito, parte da potência fornecida PF não é
transformada em potência útil PU e é perdida como potência dissipada PD. Pelo
princípio de conservação de energia, que abordaremos em seguida, tudo o que é
fornecido é gasto:

Potência Fornecida = Potência Útil + Potência Dissipada

PF = PU + PD .

47
UNIDADE 1 | MECÂNICA

O rendimento é o aproveitamento de energia fornecida que pode ser


expresso como a relação entre a potência útil e a potência fornecida,

Em termos da energia útil, o trabalho W e a energia E, fornecida ao sistema.


Podemos escrever o rendimento como segue,

O rendimento é adimensional, possui valores entre 0 e 1, pode ser


multiplicado por 100% para expressar o valor em porcentagem.

Exemplo 1: O coração humano é uma bomba potente e extremamente


confiável. A cada dia ele recebe e descarrega cerca de 7.500 litros de sangue.
Suponha que o trabalho realizado pelo coração seja igual ao trabalho necessário
para elevar essa quantidade de sangue até uma altura média de 1,63 metros. A
densidade do sangue é igual a 1,05 x 103 kg/m3. Responda:

a) Qual é o trabalho realizado pelo coração em um dia?


b) Qual a potência de saída em watts? (YOUNG; FREEDMANN, 2010)

Solução: A densidade de um corpo é igual à massa do corpo dividida pelo


volume do corpo,

Assim,

O peso P de um corpo é o produto da massa m com a aceleração da


gravidade g = 9,8 m/s2. Portanto,
48
TÓPICO 4 | TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

O trabalho do coração para elevar 7,7 x 104 de sangue à altura de 1,63 metros
é igual a,

A potência pode ser encontrada como segue,

Exemplo 2: Em casa, segundo uma máquina, recebe 2000J de energia e


aproveita 1500J. Qual é o rendimento dessa máquina?

Solução:

trata-se de um valor entre 0 e 1, podendo ser expresso em porcentagem


quando o resultado é multiplicado por 100%.

49
UNIDADE 1 | MECÂNICA

4 ENERGIA MECÂNICA

Energia é uma quantidade física que pode ser convertida em trabalho.


Existem inúmeras formas de energia que podem ser transferidas de uma forma
para a outra, como, por exemplo, a energia elétrica, que é convertida em calor no
ferro de passar ou no chuveiro, assim como a energia potencial da água de uma
represa é convertida em energia elétrica. Poderíamos dizer que o aspecto mais
importante da energia é a sua transformação.

Aqui discutiremos a energia associada ao movimento e à posição dos


corpos, e veremos como uma pode se transformar na outra por meio da lei de
conservação. Mais tarde, nas próximas unidades, as energias associadas ao calor, à
eletricidade, à luz e ao som serão abordadas.

4.1 ENERGIA CINÉTICA

A energia cinética (EP) está associada ao movimento do corpo, se o corpo se


desloca a uma velocidade v diferente de zero, escrevemos

Onde m é a massa do corpo e EC a sua energia cinética.

FIGURA 30 – UM CORPO SE DESLOCA DO PONTO A ATÉ O PONTO B DEVIDO A


UMA FORÇA QUE O ACELERA

FONTE: A autora

Agora observe a figura 30, a variação da energia cinética ∆EC de um corpo


é medida pelo trabalho W realizado no deslocamento de A até B,

W = ECB – ECA = ∆EC

Esse enunciado é conhecido como teorema da energia cinética.


50
TÓPICO 4 | TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

Exemplo 1: Um corpo de 10 kg parte do repouso sob ação de uma força


constante paralela à trajetória e 5s depois atinge 15 m/s. Determine sua energia
cinética no instante 5s e o trabalho da força, suponha única, que atua no corpo no
intervalo de 0 a 5s.

Solução: A energia cinética no instante t = 5s é:

Pelo teorema,

W = ECB – ECA
W = 1125 – 0 = 1125J

Onde a unidade J significa joules.

4.2 ENERGIA POTENCIAL


A energia potencial (EP) está associada à posição que o corpo ocupa em
relação a outro, como, por exemplo, a energia associada a um corpo mantido a
certa altura da superfície terrestre ou um corpo na extremidade de uma mola
esticada. Veremos cada um dos casos a seguir.

4.2.1 Energia Potencial Gravitacional


Quando levantamos uma pedra, por exemplo, até uma altura h a partir
do solo, estamos aumentando a distância de separação entre a pedra e o centro
da Terra. Esse posicionamento dá uma nova configuração ao sistema pedra-Terra.
E, como no levantamento da pedra houve a realização de um trabalho, o sistema
pedra-Terra armazena essa energia na forma de energia potencial gravitacional,
(CARRON; GUIMARÃES, 1999)

EP = mgh

Onde m é a massa, g a aceleração da gravidade (g = 9,8 m/s2) e h a altura


até o solo.

Exemplo 2: Um corpo de massa de 5,0 kg é elevado do solo a um ponto


situado a 3,0 m de altura. Determine o aumento da energia potencial do corpo.
51
UNIDADE 1 | MECÂNICA

Solução:

Observe que 1 J = 1 kgm2/s2.

4.2.2 Energia Potencial Elástica


Ao produzirmos uma deformação em um corpo elástico, realizamos um
trabalho que é armazenado no corpo na forma de energia potencial elástica. No
caso específico de uma mola de constante elástica k, que sofre uma deformação x,
a energia potencial elástica é dada por, (CARRON; GUIMARÃES, 1999)

Exemplo 3: Uma mola, cuja constante elástica é 500 N/m, é usada para
colocar um bloco em movimento. Se a mola está comprimida de 10 cm, qual é a
energia máxima que ela pode fornecer ao bloco?

Solução: A máxima energia que a mola pode fornecer ao bloco corresponde


à energia potencial elástica armazenada na mola, devido à compressão sofrida pela
mesma. Assim temos,

Onde 1 N = 1 kg m/s2, o que permite encontrar novamente a unidade correta na


resposta.

4.2.3 Energia Mecânica Total


Denominamos de energia mecânica total (EM) a soma das energias cinética
e potencial que um corpo possui,

EM = EP + EC

52
TÓPICO 4 | TRABALHO E ENERGIA MECÂNICA

Onde a parcela EP inclui a energia potencial gravitacional e a energia


potencial elástica.

4.3 CONSERVAÇÃO DE ENERGIA


Num sistema conservativo, em que não há dissipação de energia entre as
posições A e B por forças como a resistência do ar ou o atrito, a energia mecânica
total permanece constante,

EPB + ECB = EPA + ECA

Isto é,

EMB = EMA
EMB – EMA = 0

Que pode ser escrito como,

∆E = 0

ou seja, a variação de energia é nula.

Exemplo 4: Um ponto material de massa 5 kg é abandonado de uma altura


de 45 m num local onde g = 10 m/s2. Calcule a velocidade do corpo ao atingir o solo.

Solução: Desprezando a resistência do ar, o sistema é conservativo; logo,


a energia potencial do ponto material em A (no alto) vai diminuindo até se
transformar totalmente em energia cinética no ponto B (no solo).

Substituindo por zero, a altura do corpo no solo e a velocidade do corpo na


altura máxima,

Simplificando as massas nos dois termos,

53
UNIDADE 1 | MECÂNICA

A conservação de energia torna-se especialmente útil em problemas onde o


cálculo do trabalho seria muito complicado devido à trajetória que o corpo executa.
Para o cálculo do balanço de energia basta saber a posição inicial (ponto A) e final
(ponto B) do corpo.

NOTA

Caro(a) acadêmico(a)! Para aprofundar seus conhecimentos sugerimos a obra:


HEWITT, Paul G. Fundamentos de Física Conceitual. São Paulo: Bookman, 2009.

54
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você viu que:

 Definimos o trabalho de uma força resultante na direção do movimento.


Encontramos uma expressão para a potência e outra para o rendimento.

 Existem dois tipos de energia mecânica, a energia cinética (associada ao


movimento) e a energia potencial (associada à configuração do sistema).
Encontramos uma expressão para a conservação de energia e aplicamos em
problemas cuja resolução seria difícil por meio da aplicação das leis de Newton.

55
AUTOATIVIDADE

1 Sobre um bloco atuam as forças indicadas na figura a seguir, onde F vale


100N, as quais o deslocam 2 m ao longo do plano horizontal. Analise as
afirmações:

I- O trabalho realizado pela força de atrito A é positivo.


II- O trabalho realizado pela força F vale 200J.
III- O trabalho realizado pela força peso P é diferente de zero.
IV- O trabalho realizado pela força normal N é nulo.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
e) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.

2 Que grandeza é definida pela relação entre a energia e o tempo?

3 Toda a potência fornecida é transformada em potência útil? Por quê?

4 Um automóvel de 1.200 kg de massa, movimentando-se, aumenta sua


velocidade de 10 m/s a 40 m/s em 5s. Determine a potência média do motor
do automóvel em W e em cv. (1cv = 735W)

5 Uma bibliotecária apanha um livro do chão e o deposita numa prateleira a 2,0


m de altura do solo. Sabendo que o peso do livro vale 5,0N e desconsiderando
o seu tamanho, qual o mínimo trabalho, em joules, realizado pela bibliotecária
nessa operação?

6 Calcule a energia cinética de um corpo de massa 8 kg no instante em que sua


velocidade é 72 km/h.

7 Um corpo de 20 kg está localizado a 6 m de altura em relação ao solo. Dado g =


9,8 m/s2, calcule a sua energia potencial.

56
8 Um corpo de massa 0,5 kg é lançado do solo verticalmente para cima com
velocidade de 12 m/s. Desprezando a resistência do ar e adotando g = 10 m/
s2, calcule a altura máxima, em relação ao solo, que o ponto material alcança.

9 Calcule a velocidade de um corpo liberado do repouso no ponto A (no alto)


ao alcançar o ponto B (no solo). Utilize g = 10 m/s2.

10 Um corpo parte do repouso no ponto A e passa pelo ponto B. Sabendo que


h vale 10 m e r vale 4 m, encontre a velocidade do corpo no ponto B. Utilize
g = 10 m/s2.

57
58
UNIDADE 1
TÓPICO 5

FLUIDOS

1 INTRODUÇÃO
Até agora estudamos o movimento e o repouso dos sólidos, mas o que
acontece com os gases e os líquidos? Vamos encerrar esse assunto de mecânica
falando um pouco sobre o comportamento de líquidos e gases, para isso vamos
incluí-los numa única definição, os corpos fluidos.

2 DENSIDADE E PRESSÃO

2.1 DENSIDADE

Volumes iguais de substâncias diferentes apresentam massas diferentes.


Por exemplo, a massa de 1 cm3 de alumínio é igual a 2,7 g, e a de 1 cm3 de ferro é
igual a 7,8 g. Dizemos que o ferro é mais denso (ou “mais pesado”) que o alumínio.
(UENO, 2005)

Podemos calcular a densidade de qualquer corpo dividindo a sua massa


pelo seu volume. Essa relação é conhecida como densidade absoluta ou massa
específica,

Onde m é a massa, V o volume do corpo e d a densidade.

59
UNIDADE 1 | MECÂNICA

2.2 PRESSÃO

Para compreender o que é pressão, vamos considerar o exemplo (UENO,


2005):

José e Alice, de pesos iguais, passeiam em uma praia. Se o pé de Alice for


menor que o de José, ela afundará mais na areia que ele, embora seus pesos sejam
iguais, por causa da diferença das áreas de contato dos pés com o chão.

A razão entre a força F exercida pelo corpo perpendicularmente sobre uma


superfície A de contato desse corpo com a superfície é denominada pressão,

Assim, o pé de Alice exerce mais pressão sobre a areia do que o pé de José.

2.2.1 Pressão atmosférica


Em torno da Terra existe uma camada de ar que denominamos atmosfera,
cuja altura é de aproximadamente 18 km. Essa massa de ar exerce pressão sobre os
corpos no seu interior, denominamos essa pressão de pressão atmosférica.

O valor da pressão atmosférica num ponto próximo ao nível do mar é,

Patm = 1,01 ⋅ 105 N / m2

A unidade N/m2 também pode ser denominada de pascal (Pa). Também é


válido, para as pressões, unidades em atmosferas (atm), sendo que 1 atm = 1,01 x
105 Pa.

2.2.2 Pressão hidrostática


A pressão em um líquido varia com a profundidade. Um mergulhador
sente maior pressão à medida que aumenta a profundidade, um submarino pode
ser destruído pela pressão da água. (UENO, 2005).

60
TÓPICO 5 | FLUIDOS

A pressão de um ponto sob uma coluna de líquido é,

p = hdg

Se a superfície do líquido está exposta à atmosfera, a pressão total no ponto
considerado se torna,

p = patm + hdg

Onde patm é a pressão atmosférica, h a altura da coluna de líquido acima


do ponto, d a densidade do líquido e g a aceleração da gravidade, g = 9,8 m/s2. A
expressão citada traduz o Teorema de Stevin:

“A pressão em um ponto situado à profundidade h no interior de um


líquido em equilíbrio é dada pela pressão na superfície, exercida pelo ar (patm),
chamada pressão atmosférica, mais a pressão exercida pela coluna de líquido
situada acima do ponto e expressa pelo produto hdg”. (TOLEDO; RAMALHO;
NICOLAU, 1991).

Exemplo 1: Determine a pressão suportada por um corpo situado a 12 m


abaixo da superfície da água do mar. Dados d = 1,03 g/cm3.

Solução: É mais conveniente converter a densidade para o sistema de


unidade compatível com os outros dados,

Agora podemos calcular a pressão total sofrida pelo corpo,

p = 1,01 ⋅ 105 N / m2 + (12m)(1,03 ⋅ 103 kg / m3)(9,8m / s2)


p = 1,01 ⋅ 105 N / m2 + 121128kgm / s2 m2
p = 1,01 ⋅ 105 N / m2 + 1,21 ⋅ 105 N / m2
p = 2,22 ⋅ 105 N / m2

Onde utilizamos o fato de que 1 N = 1 kgm/s2.

61
UNIDADE 1 | MECÂNICA

3 PRINCÍPIO DE PASCAL

Segundo Blaise Pascal (TOLEDO; RAMALHO; NICOLAU, 1991), “Os


acréscimos de pressão sofridos por um ponto de um líquido em equilíbrio são
transmitidos integralmente a todos os pontos do líquido e das paredes do recipiente
onde este está contido”.

Esse enunciado é conhecido como a lei de Pascal. Os elevadores hidráulicos


se baseiam nessa lei, figura 31. O princípio também é empregado no freio hidráulico
de um automóvel, onde a pressão exercida pelo motorista no pedal se transmite
até as rodas através do óleo.

FIGURA 31 – ELEVADORES HIDRÁULICOS

FONTE: A autora

A pressão em A1 é igual em A2 logo,

p 1 = p2

Da definição de pressão, podemos escrever

Assim, podemos concluir que as forças são diretamente proporcionais às


áreas dos êmbolos.

Exemplo: O elevador de um posto de automóveis é acionado através de


um cilindro de área 3 x 10-5 m2. O automóvel a ser elevado tem massa 3 x 103 kg e
está sobre o êmbolo de área 6 x 10-3 m2. Sendo a aceleração da gravidade g = 10m/
s2, determine (TOLEDO; RAMALHO; NICOLAU, 1991):

a) A intensidade mínima da força que deve ser aplicada no êmbolo menor


para elevar o automóvel.

Solução: As intensidades das forças nos dois êmbolos são diretamente


proporcionais às respectivas áreas. A força F2 é o peso do automóvel,

62
TÓPICO 5 | FLUIDOS

b) O deslocamento que teoricamente deve ter o êmbolo menor para elevar


de 10 cm o automóvel.

Solução: O volume V deslocado do recipiente menor passa para o recipiente


maior.
FIGURA 32 – ELEVADORES HIDRÁULICOS

FONTE: A autora

Sendo d1 e d2 os deslocamentos respectivos dos dois êmbolos, podemos


escrever,

V 1 = V2
d1A1 = d2A2

Sendo d2 = 10 cm = 0,1 m, temos

d1(3 ⋅ 10–5 m2) = (0,1m)(6 ⋅ 10–3 m2)


d1 = 20m

Observação: Este seria o deslocamento teórico que o êmbolo menor deveria


sofrer. Na prática, no entanto, através de válvulas, esse deslocamento é subdividido
em vários deslocamentos menores e sucessivos.

4 PRINCÍPIO DE ARQUIMEDES
Segundo o cientista grego Arquimedes (TOLEDO; RAMALHO; NICOLAU,
1991), “Todo corpo sólido mergulhado num fluido recebe uma força vertical e para
cima de intensidade igual ao peso do fluido deslocado”.

63
UNIDADE 1 | MECÂNICA

Assim, a intensidade do empuxo é dada por,

E = Pfluido

Onde Pfluido é o peso do fluido. Como o peso pode ser calculado pelo produto
da massa do fluido (mfluido) com a aceleração da gravidade (g), podemos escrever,

E = mfluido ⋅ g

Como a massa do fluido é o produto da densidade do fluido (dfluido) com o


volume do fluido deslocado (V fluido), encontramos

E = dfluido ⋅ Vfluido ⋅ g

O volume do fluido deslocado é o volume imerso do corpo.

Exemplo 3: Um balão de hidrogênio de peso igual a 400 N está preso a um


fio, em equilíbrio estático vertical. Seu volume é 50 m3. (TOLEDO; RAMALHO;
NICOLAU, 1991).

a) Determine o empuxo exercido pelo ar sobre o balão, considerando que a


densidade do ar é igual a 1,2 kg/m3. Adote g = 10m/s2.

Solução: No balão em equilíbrio atuam o seu peso P = 400 N, a tração T e o


empuxo E devido ao ar.

FIGURA 33 – EMPUXO

FONTE: A autora

O empuxo é igual ao peso do ar deslocado. O volume do ar deslocado é


igual ao próprio volume do balão, 50 m3.

E = dfluido ⋅ Vfluido ⋅ g
E = (1,2kg / m3) ⋅ (50m3) ⋅ (10m / s2)
E = 600 N
64
TÓPICO 5 | FLUIDOS

b) Determine a tração no fio que sustém o balão.

Solução: Como o balão está em equilíbrio, portanto, a resultante das forças


é igual a zero. Daí, P e T equilibrarem E.

T+P=E
T + 400N = 600N
T = 200N

5 HIDRODINÂMICA

A hidrodinâmica é a parte da mecânica que estuda a dinâmica dos líquidos,


aplicada na determinação de pressão e velocidade dos líquidos em escoamento, em
projetos de construção de hélices de navios e aviões, asas de avião, carros e rotores
de turbinas hidráulicas, e na determinação de formas de aviões, navios e carros de
modo a diminuir a resistência do meio, como o ar e a água. (UENO, 2005).

Consideremos um tubo que sofre um aumento na área como na figura a


seguir.

FIGURA 34 – HIDRODINÂMICA

FONTE: Disponível em: <http://tstsenai349.blogspot.com/2010/11/hidrodinamica-


hidrodinamica-estuda-os.html>. Acesso em: 16 fev. 2011.

Num dado intervalo de tempo ∆t, o volume que entra na área A1 é o mesmo
que sai na área A2. Assim,

∆V1 = ∆V2

O volume de fluido é o produto da área A com o deslocamento d = v x ∆t,


onde v é a velocidade do fluido escoando. Desse modo, a expressão anterior se
torna,
65
UNIDADE 1 | MECÂNICA

A1 ⋅ v1 ⋅ ∆t = A2 ⋅ v2 ⋅ ∆t

que fornece,

A1 ⋅ v1 = A2 ⋅ v2

Essa equação é denominada equação da continuidade. Ela nos informa


que, na parte mais estreita do tubo, a velocidade é maior. A quantidade Q = A x v
é a vazão do fluido.

Exemplo 4: A vazão de saída da água de uma torneira é 6 L/s, constante. Se


o bocal da torneira é circular, com área de 2 cm2, determine:

a) A velocidade de saída da água da torneira:

Solução:

b) Em quanto tempo essa torneira enche uma caixa de 180 L?

Solução:

66
TÓPICO 5 | FLUIDOS

LEITURA COMPLEMENTAR

ARTIGO SCIENTIFIC AMERICAN (VAZAMENTO DE ATMOSFERAS


PLANETÁRIAS)

Por David C. Catling e Kelvin J. Zahnle

Uma das características mais marcantes do Sistema Solar é a grande variedade


de atmosferas planetárias. Terra e Vênus são comparáveis em tamanho e massa, mas
ainda assim a superfície de Vênus atinge espantosos 460 ºC sob um oceano de dióxido
de carbono com peso equivalente a um quilômetro de água. Calisto e Titã – satélites
de Júpiter e Saturno, ambos com tamanho semelhante ao de um planeta – são quase
do mesmo tamanho, mas Titã tem uma atmosfera rica em nitrogênio mais espessa
que a Terra, enquanto Calisto praticamente não tem atmosfera. O que justifica esses
extremos? Se soubéssemos poderíamos tentar explicar por que a Terra é cheia de vida
enquanto os outros planetas e satélites do Sistema Solar, aparentemente, não. Saber
como as atmosferas evoluem é essencial para determinar os exoplanetas habitáveis.

Um planeta pode adquirir uma camada de gases de muitas maneiras: os gases


podem fluir do interior planetário, o planeta pode capturar materiais voláteis de
cometas e asteroides que o atingem, ou a gravidade pode ser intensa o suficiente para
atrair os gases do meio interplanetário. Agora, os cientistas começaram a perceber que
o escape dos gases tem um papel tão importante quanto a sua aquisição. Embora a
atmosfera terrestre possa parecer tão permanente quanto as rochas, ela gradualmente
perde gases para o espaço. A taxa de perda, atualmente, muito pequena, apenas cerca
de 3 kg de hidrogênio e 50 g de hélio (os dois gases mais leves) por segundo, mas
mesmo essas pequenas taxas podem ser significantes em escalas de tempo geológicas.
E, no passado, elas podem ter sido muito maiores. Como escreveu Benjamin Franklin
“um pequeno furo pode afundar um grande navio”. As atmosferas do planeta terrestre
e dos satélites dos planetas do Sistema Solar são como as ruínas dos castelos medievais
– resquícios de riqueza sujeitos a histórias de saques e decadência.

Reconhecer a importância do escape atmosférico pode mudar nossa perspectiva


sobre o Sistema Solar. Por décadas, cientistas ponderam por que Marte tem uma
atmosfera tão fina, mas agora nos perguntamos: por que ele ainda tem atmosfera?

A diferença entre Titã e Calisto é consequência de Calisto ter perdido atmosfera


ou devido a Titã ter nascido num local com mais gases que rochas? A atmosfera de
Titã era mais espessa que hoje? Como Vênus mantém firmemente o seu nitrogênio e
dióxido de carbono embora perca completamente sua água? O escape de hidrogênio
ajudou a fixar o estágio para o aparecimento de vida complexa na Terra? Isso fará da
Terra outro Vênus?

Quando o Calor está Ligado

Uma espaçonave que alcança a velocidade de escape está se movendo rápido


o suficiente para vencer a gravidade. O mesmo é válido para átomos e moléculas.

67
UNIDADE 1 | MECÂNICA

No escape térmico, os gases ficam quentes o suficiente para isso. Em processos não
térmicos, reações químicas ou entre partículas carregadas atiram átomos e moléculas.
E um terceiro processo, o choque de asteroides e cometas lança gases para o espaço.

O escape térmico é, de muitas maneiras, o mais comum e simples dos três


processos. Todos os corpos do Sistema Solar são aquecidos pelo Sol. Eles se livram
desse calor de duas maneiras: ao emitir radiação infravermelha e ao perder matéria.
Em corpos de vida longa como a Terra, o primeiro processo prevalece; para outros,
como os cometas, a perda de matéria domina. Mesmo um corpo do tamanho da Terra
pode aquecer rapidamente se a absorção e radiação estiverem fora de equilíbrio, e
sua atmosfera – que tipicamente tem massa muito pequena quando comparada com
o restante do planeta – pode se perder num instante cósmico. O Sistema Solar está
repleto de corpos sem atmosfera, e o escape térmico parece ser o responsável por isso.
Corpos sem atmosfera são aqueles onde o aquecimento solar excede certo limite que
depende da força da gravidade do corpo em questão.

O escape térmico ocorre de duas maneiras. Na primeira, chamada de escape


Jeans (em homenagem a James Jeans, astrônomo inglês que descreveu o processo
no início do século XX), o ar literalmente evapora, átomo por átomo, molécula por
molécula, no topo da atmosfera. Em baixas altitudes, as colisões confinam as partículas,
mas acima de certa altura, conhecida como exobase (camada inferior da exosfera), que
na Terra é cerca de 500 km acima da superfície, o ar é tão tênue que as partículas do gás
raramente colidem. Nada impede as partículas com velocidade suficiente de escapar
para o espaço.

A temperatura da exobase da terra oscila, mas é, tipicamente, 1 mul kelvins, o


que implica que os átomos de hidrogênio têm velocidade média típica de 5 km/s. Essa
velocidade é menor que a velocidade de escape da Terra nessa altura (10,8 km/s), mas
a média esconde um grande intervalo de velocidades, de modo que uma fração de
hidrogênio que lá se encontra dispõe de velocidade suficiente para vencer a gravidade
planetária. Essa perda de partículas da extremidade mais energética da distribuição de
velocidades explica entre 10% e 40% da taxa de perda atual de hidrogênio da Terra. O
escape Jeans também explica parcialmente por que a Lua não dispõe de atmosfera. Os
gases liberados da superfície lunar facilmente escapam para o espaço.

Um segundo tipo de escape térmico é mais dramático. Enquanto o escape Jeans


ocorre quando um gás evapora molécula a molécula, o ar, quando aquecido, também
pode fluir em grande quantidade. A atmosfera superior absorve luz ultravioleta,
esquentando e se expandindo, deslocando o ar para cima. Conforme o ar sobe, acelera-
se suavemente até a velocidade do som e então atinge a velocidade de escape. Essa
forma de escape térmico é conhecida como escape hidrodinâmico ou, de maneira mais
chamativa, vento planetário – por analogia com o vento solar, ou o fluxo de partículas
carregadas, liberadas da atmosfera solar no espaço interplanetário.

FONTE: CATLING David C.; ZAHNLE Kelvin J. Vazamento de atmosferas planetárias. Scientific
American Brasil, ano 7 n. 85, p. 46-53, jun. 2009.

68
RESUMO DO TÓPICO 5
Nesse tópico, você viu que:

• É fácil calcular a pressão, a densidade dos corpos e a massa específica das


substâncias.

• Existe diferença entre pressão atmosférica e pressão hidrostática. É possível


calcular a pressão total ou pressão absoluta de um corpo mergulhado num
líquido utilizando o teorema de Stevin.

• É possível determinar grandezas importantes utilizando a definição do princípio


de Pascal e do Princípio de Arquimedes (Empuxo).

• A análise da vazão de fluidos através de dutos ou canos é feito através dos


conceitos da hidrodinâmica.

69
AUTOATIVIDADE

1 Uma joia de prata homogênea e maciça tem massa de 200 g e ocupa um


volume de 20 cm3. Determine a densidade da joia e a massa específica da
prata.

2 Um mergulhador se encontra a 20 m de profundidade, na água do mar


cuja densidade é 1030 kg/m3. Sendo g = 10 m/s2 e 1 atm = 105 N/m2, calcule
a pressão que atua nele.

3 Para encher uma caixa d´água de 100 L, usando uma mangueira, demora-
se 4min. Calcule a vazão da água nessa mangueira.

4 Um oceanógrafo construiu um aparelho para medir profundidades no


mar. Sabe-se que o aparelho suporta uma pressão até 2 x 106 N/m2. Qual
a máxima profundidade que o aparelho pode medir? São dados: pressão
atmosférica patm= 105 N/m2; massa específica 1030 kg/m3; aceleração da
gravidade 9,8 m/s2.

5 Uma prensa hidráulica eleva um corpo de 4000 N sobre o êmbolo maior,


de 1600 m2 de área, quando uma força de 80 N aplicada no êmbolo
menor. Calcule a área do êmbolo menor.

6 Um balão para estudo atmosférico tem massa 50 kg (incluindo o gás),


volume de 110 m3 e está preso à terra por meio de uma corda. Na
ausência de vento, a corda permanece esticada e vertical. Considerando
a densidade do ar igual a 1,3 kg/m3 e g = 10 m/s2, calcule a intensidade da
tração sobre a corda.

7 Submerso em um lago, um mergulhador constata que a pressão absoluta


no medidor que se encontra no seu pulso corresponde a 1,6 x 105 N/
m2. Um barômetro indica ser a pressão atmosférica local 1,0 x 105 N/
m2. Considere a massa específica da água como sendo 103 kg/m3, e a
aceleração da gravidade 10 m/s2. Em relação à superfície, o mergulhador
encontra-se a que profundidade?

TURO S
ESTUDOS FU

Caro(a) acadêmico(a), chegamos ao final da primeira unidade, onde tratamos


de assuntos relacionados à energia mecânica. Na próxima unidade veremos outra forma de
energia, o calor.

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ATENCAO

Agora você desenvolverá uma atividade laboratorial da disciplina de Física Geral,


retirada do Manual de Atividades Laboratoriais e didático-pedagógicas de Ciências Biológicas.

PRÁTICA - CÁLCULO DE DENSIDADE DE CORPOS

1 INTRODUÇÃO

ATENCAO

O grupo de acadêmicos que realizar esta prática deverá trazer uma calculadora
científica e barbante.

A densidade de um corpo (d) é a razão entre a massa (m) de uma porção da


substância e o volume (V) que ele realmente ocupa. Por exemplo, para determinar
a densidade de um avião, dividimos a sua massa pelo volume envolvido por sua
superfície externa. Então, a densidade do avião informa qual é a massa existente, em
média, em cada unidade de volume. A densidade dos materiais é um importante
parâmetro para a construção de barcos, navios, aviões entre outras estruturas.

É importante destacar que o conteúdo desta prática se relaciona com outras


disciplinas do curso, como Química Geral.

Lembre-se de que, além do seu professor-tutor, coordenador e articulador


do polo de apoio presencial, você também pode contar com o apoio de supervisores
de disciplinas e dos professores-tutores internos.

Boa prática!

E
IMPORTANT

Todas as práticas são realizadas em grupo, portanto gerencie seu tempo para que
essa prática seja realizada em um único encontro presencial.

Lembre-se de que o laboratório é um lugar perigoso, então respeite o roteiro da prática para
que não ocorra nenhum acidente.

71
2 OBJETIVO

O objetivo desta prática é:

- calcular a densidade de corpos de provas sólidos de alumínio por dois métodos.

3 MATERIAIS

- 1 balança digital;

- 1 corpo de prova de alumínio com comprimento de 2 cm e espessura de 2 cm;

- 1 corpo de prova de alumínio com comprimento de 4 cm e espessura de 2 cm;

- 1 corpo de prova de alumínio com comprimento de 6 cm e espessura de 2 cm;

- 2 m de barbante;

- 1 paquímetro de metal;

- 1 proveta de vidro de 250 mL.

4 PROCEDIMENTO

4.1 DETERMINAR A DENSIDADE DE UM SÓLIDO


DE FORMA REGULAR ATRAVÉS DAS SUAS DIMENSÕES

ATENCAO

Antes de iniciar a atividade, leia a Unidade 1, Tópico 5, do Caderno de Estudos de


Física Geral.

72
1 - Meça com o paquímetro as dimensões dos corpos de prova e anote-os na tabela do
Quadro 1.

2 - Meça as massas dos corpos de prova, com o auxílio da balança digital, e anote
os valores no Quadro 1.

QUADRO 1 – PREENCHIMENTOS DE DADOS

Corpo de Área da base Altura V


m (g)
prova (cm 2)
(cm) (cm3)
01
02
03
FONTE: Os autores

4.2 DETERMINAR A DENSIDADE DE UM CORPO


SÓLIDO ATRAVÉS DO SEU VOLUME DESLOCADO EM ÁGUA

1 - Amarre um barbante em cada corpo de prova, para poder mergulhá-lo na proveta


e retirá-lo.

2 - Meça a massa dos corpos de prova, com auxílio da balança digital, e anote no
Quadro 2.

3 - Coloque na proveta 150 mL de água.

4 - Mergulhe completamente o corpo de prova 1 no interior do líquido e anote o


volume final indicado na proveta no Quadro 2.

5 - Anote o volume do corpo de prova 1.

6 - Repita os procedimentos 3 e 4 para os corpos de prova 2 e 3.

QUADRO 2 – PREENCHIMENTO DE DADOS


Corpo de
m(g) Vfinal(cm3) Vcorpo(cm3)
prova
01
02
03
FONTE: Os autores

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5 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Após a realização da prática, responda aos questionamentos a seguir e os


adicione ao relatório da atividade prática.

1 - Com os dados do Quadro 1, construa um gráfico (m x V).

2 - Através do Gráfico construído na questão anterior, determine a inclinação da


reta e especifique qual o significado físico do valor encontrado.

3 - Se comparar o valor calculado no item 2 com o valor tabelado, qual é o erro


percentual? Em caso de haver diferença, justifique.

4 - Com os dados da tabela do Quadro 2, construa um Gráfico (m x V) e determine


a inclinação da reta.

5 - Ao compararmos o valor calculado na questão 4 com o valor tabelado, qual é o


erro percentual? Em caso de haver diferença, justifique.

REFERÊNCIAS

FROEHLICH, M. L. Física geral: caderno de estudos. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2011.

______. Física instrumental: caderno de estudos. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2008.

HALLIDAY D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física 3. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos,
2004.

ATENCAO

Esta prática foi retirada da obra:


BERNARDI, C. Prática - Cálculo de densidade dos corpos. IN: GIRARDI, Carla Giovana et al.
Manual de atividades laboratoriais e didático-pedagógicas de ciências biológicas. Indaial:
Grupo UNIASSELVI, 2012, p. 29-32.

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